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Lista de Exercícios 10

1) Porque ainda, no Brasil, existe uma resistência no uso da madeira?

No Brasil ainda existe um grande preconceito em relação ao emprego da


madeira. Isto se deve ao desconhecimento do material e à falta de projetos específicos
e bem elaborados. As construções em madeira geralmente são idealizadas por
carpinteiros que não são preparados para projetar, mas apenas para executar.

2) Cite quatro vantagens para a utilização da madeira.

Vantagens para utilização da madeira:

- material renovável e abundante no país;

- material de fácil manuseio, definição de formas e dimensões;

- obtenção do material na forma de tora e o seu desdobro é um processo


relativamente simples, não requer tecnologia requintada, não exige processamento
industrial, pois o material já está pronto para uso, demanda apenas acabamento;

- em termos de manuseio, a madeira apresenta uma importante característica que é a


baixa densidade. Esta equivale a aproximadamente um oitavo da densidade do aço.

3) Cite três desvantagens para o uso da madeira.

Desvantagens para utilização da madeira:

- susceptibilidade ao ataque de fungos;

- susceptibilidade ao ataque de insetos;

- inflamabilidade;

4) Como combater estas desvantagens?


Estas desvantagens podem ser facilmente contornadas através da utilização de
preservativos, que representa uma exigência indispensável para os projetos de
estruturas de madeira expostas às condições favoráveis à proliferação dos citados
efeitos daninhos. O tratamento da madeira é especialmente indispensável para peças
em posições sujeitas a variações de umidade e de temperatura propícias aos agentes
citados.

5) Como se da a formação da madeira?

A madeira tem um processo de formação que se inicia nas raízes. A partir


delas é recolhida a seiva bruta (água + sais minerais) que em movimento ascendente
pelo alburno atinge as folhas. Na presença de luz, calor e absorção de gás carbônico
ocorre a fotossíntese havendo a formação da seiva elaborada. Esta em movimento
descendente (pela periferia) e horizontal para o centro vai se depositando no lenho,
tornando-o consistente como madeira.

6) Como são classificadas as madeiras?

As árvores para aplicações estruturais são classificadas em dois tipos quanto à


sua anatomia: coníferas e dicotiledôneas.
As coníferas são chamadas de madeiras moles, pela sua menor resistência,
menor densidade em comparação com as dicotiledôneas. Têm folhas perenes com
formato de escamas ou agulhas; são típicas de regiões de clima frio. Os dois
exemplos mais importantes desta categoria de madeira são o Pinho do Paraná e os
Pinus. Os elementos anatômicos são os traqueídes e os raios medulares.
As dicotiledôneas são chamadas de madeiras duras pela sua maior resistência;
têm maior densidade e aclimatam-se melhor em regiões de clima quente. Como
exemplo temos praticamente todas as espécies de madeira da região amazônica.
Podemos citar mais explicitamente as seguintes espécies: Peroba Rosa, Aroeira, os
Eucaliptos (Citriodora, Tereticornis, Robusta, Saligna, Puntacta, etc.), Garapa,
Canafístula, Ipê, Maçaranduba, Mogno, Pau Marfim, Faveiro, Angico, Jatobá,
Maracatiara, Angelim Vermelho, etc. Os elementos anatômicos que compõem este
tipo de madeira são os vasos, fibras e raios medulares.
7) Cite e comente as camadas da madeira.

As arvores produtoras de madeira de construção são do tipo exogênico, que


crescem pela adição de camadas externas, sob a casca. A figura abaixo mostra a
seção transversal de um tronco de arvore, com as suas camadas:

Casca: proteção externa da arvore, formada por uma camada externa morta,
de espessura variável com a idade e as espécies, e uma fina camada interna (cambio
ou líber), de tecido vivo e macio, que conduz o alimento preparado nas folhas para as
partes em crescimento.
Alburno ou borne: camada formada por células vivas que conduzem a seiva
das raízes para as folhas; tem espessura variável conforme a espécie, geralmente de
3 a 5 cm. A madeira do alburno e mais higroscópica que a do cerne, sendo mais
sensível do que esta ultima a decomposição por fungos. Em contrapartida, a madeira
do alburno aceita melhor a penetração.
de agentes protetores, como alcatrão e certos sais minerais.
Cerne ou durâmen: com o crescimento, as células vivas do alburno tornam-se
inativas e constituem o cerne, de coloração mais escura, passando a ter a função
apenas de sustentar o
tronco. As madeiras de construção devem ser tiradas preferencialmente do cerne.
Medula: tecido macio, em torno do qual se verifica o primeiro crescimento da
madeira nos ramos novos. Centro de crescimento a partir do qual se gerou o
engrossamento da arvore.

8) Como se da o crescimento da madeira?


Os troncos das arvores crescem pela adição de anéis em volta da medula. Os
anéis são gerados por divisão de células em uma camada microscópica situada sob a
casca, denominada câmbio, ou líber, que também produz células da casca. Na
primavera e no inicio do verão, o crescimento da arvore e intenso, formando-se no
tronco células grandes de paredes finas. No final do verão e no outono, o crescimento
da arvore diminui, formando-se células pequenas, de paredes grossas. O crescimento
do tronco se faz em anéis anuais, formados por duas camadas: uma clara, de tecido
brando, correspondente a primavera e outra escura, de tecido mais resistente,
correspondente ao final do verão e outono. Contando-se os anéis, pode-se saber a
idade da arvore. Nos climas equatoriais, os anéis nem sempre são perceptíveis.

9) Qual a principal diferença na microestrutura das coníferas e das


dicotiledôneas?

Nas madeiras coníferas, as fibras longitudinais, alem de ser o elemento


portante da arvore, tem a função de conduzir a seiva através dos canais formados
pelas cadeias de células. As fibras das arvores coníferas tem extremidades
permeáveis e perfurações laterais que permitem a passagem de líquidos.
Já nas arvores dicotiledôneas as células longitudinais são fechadas nas
extremidades; a seiva circula em outras células de grande diâmetro, com
extremidades abertas, justapostas, denominadas vasos ou canais. As fibras tem
apenas a função de elemento portante. Esta é a principal diferença entre coníferas e
dicotiledôneas no que se refere à microestrutura.

10) Qual o composto orgânico predominante nas madeiras? Qual a sua função?

O composto orgânico predominante nas madeiras é o Cerne ou durâmen, sua


função é sustentar a estrutura da planta.

11) Qual a característica anatômica da madeira que conduz a sua anisotropia?


Devido a orientação das células, a madeira e um material anisotrópico,
apresentando três direções principais: longitudinal, radial e tangencial. A diferença de
propriedades entre as direções radial e tangencial raramente tem importância pratica,
bastando diferenciar as propriedades na direção longitudinal e na direção
perpendicular.

12) O que e o ponto de saturação das fibras?

Ponto de saturação das fibras corresponde ao grau de umidade de cerca de


30% (madeira meio seca)

13) Como são as retrações nas diferentes direções da madeira?

As madeiras sofrem retração ou inchamento com a variação de umidade entre


0% e o ponto de saturação das fibras (30%), sendo a variação dimensional
aproximadamente linear. A maior retração e na direção tangencial. Para redução da
umidade de 30% a 0%, a variação e de 5% a 10% da dimensão verde, conforme as
espécies. A retração na direção radial e cerca da metade da tangencial, e na direção
longitudinal, a retração e menos pronunciada.

14) Identifique os defeitos que podem ser causados por: constituição do tronco;
processo
de secagem da madeira; processo de serragem.

Defeitos causados pela constituição do tronco: nós, fendas, gretas ou ventas.


Defeitos causados no processo de secagem: abaulamento e arqueadura.
Defeitos causados no processo de serragem: fibras reversas

15) Onde e mais aplicada a madeira roliça?


A madeira roliça é aplicada com maior frequência como escoramento, estacas,
postes e colunas.

16) Como conter o fendilhamento nas extremidades da madeira roliça?

Pode-se evitar a formação de fendas pintando-se as extremidades com


alcatrão ou qualquer outro meio que retarde a evaporação, ou ainda com proteção
anti-rachante.

17) Qual a seção de menor perda da madeira falquejada? Em que elemento


estrutural esta
seção e mais útil?

A seção de menor perda é o quadrado. Nas estacas ou pilares de madeira.

18) Por que a madeira serrada deve passar por um período de secagem antes de
ser
utilizada em construções?

A madeira serrada deve passar por um período de secagem para reduzir a


umidade.

19) Para que estado de tensões a madeira compensada e interessante?

Em estados de tensões biaxiais, por exemplo, na alma de vigas.

20) Aponte as vantagens da madeira laminada colada sobre a madeira serrada


em relação
aos seguintes aspectos:
a) Distribuicao dos defeitos ao longo das pecas: permite a seleção da qualidade
das laminas situadas nas posições de maiores tensões;
b) Geometria das pecas: permite a confecção de pecas de grandes dimensões (as
dimensões comerciais da madeira serrada são limitadas);
c) Defeitos oriundos de secagem: permite melhor controle de umidade das laminas,
reduzindo defeitos provenientes da secagem irregular.
Lista de Exercícios 11
1) Para a estrutura abaixo, descreva as funcoes estruturais dos
contraventamentos no plano do telhado e nos planos verticais.

Contraventamento no plano do telhado: sua função estrutural é dar


rigidez ao próprio plano, garantindo que não exista rotação nos ângulos retos
formados pela tesoura (treliça) e as terças.
Contraventamento nos planos verticais: sua função estrutural é dar
rigidez entre as treliças evitando com que elas saiam do prumo, podem ocorrer
em forma de mão francesa ou em “X”, com a treliça subsequente.

2) Para as trelicas abaixo, quais barras estao comprimidas ou tracionadas para


cargas gravitacionais?
Howe,

1 – Banzo inferior - tração


2 – Banzo superior – compressão
3 – Diagonal- compressao
4 – Montante - tração
Pratt

1 – Banzo inferior - tração


2 – Banzo superior – compressão
3 – Diagonal- tração
4 – Montante - nulo

Belga

1 – Banzo inferior - tração


2 – Banzo superior – compressão
3 – Diagonal- tração
4 – Montante – não tem

3) Para que servem os contraventamentos no vigamento do piso?

A utilização de contraventamento no vigamento do piso propicia uma


melhor distrubuição das cargas e reduz o problema das vibrações.

4) Qual o grau de hiperestaticidade nos porticos (a) birotulado e (b) trirotulado?


a) Pórtico birotulado:
b) Pórtico trirotulado:

5) De que maneiras podemos garantir a estabilidade lateral de estruturas


aporticadas?

A estabilidade frente as cargas horizontais pode ser feita por porticos


formados pelas ligações (rigidas) de viga e pilar, ou com sistemas de
contraventamento como paredes diafragma ou trelicados em X.

6) Por que os resultados de resistencia obtidos dos ensaios padronizados de


amostras de madeira nao podem ser diretamente utilizados como tensoes
resistentes de projeto?
As propriedades obtidas dos ensaio não representam as propriedades
mecânicas da madeira serrada utilizada em estruturas, pois estas variam ainda
com diversos fatores como:
• Teor de umidade;
• Tempo de duração da carga;
• Ocorrência de defeitos.
• Conhecendo-se a variação das propriedades mecânicas em função destes
fatores chega-se, então, aos valores de esforços resistentes a serem utilizados
nos projetos.

7) O que e valor caracteristico de resistencia?


O valor característico é um valor que corresponde ao percentil de 5% da
distribuição de probabilidade que melhor se ajustar aos valores obtidos nos
ensaios realizados sobre condições específicas.

8) Caracterizar os diagramas tensao x deformacao da madeira em tracao e


compressão paralelos as fibras obtidos de amostras sem defeitos relacionado-
os a microestrutura da madeira.

Propriedades Mecânicas Obtidas de Ensaios Padronizados


As propriedades de resistência e rigidez são obtidas com a realização de
ensaios com no mínimo 6 corpos-de-prova;
- Os corpos de prova tem, em geral, seção retangular (5,0 x 5,0 cm);
- Inicialmente, realiza-se um ensaio destrutivo em uma amostra para a
estimativa do valor de resistência fr;
- Com este valor os ensaios subseqüentes seguem o esquema da figura;
- São dois ciclos de carga e descarga para a acomodação do equipamento de
ensaio. A segunda recarga segue até a ruptura.

Compressão Paralela às Fibras


• Corpos-de-prova 5,0 x 5,0 x 15,0 cm;
• Com o auxilio de extensometros (strain gages) sao realizadas medicoes de
encurtamento Dl sobre uma base medida l0. Constroi-se, assim, o diagrama
tensao-deformacao.
9) Como os defeitos afetam a resistencia de pecas estruturais de madeira?
Influência de Defeitos na Resistência
• Os nos tem efeito predominante na reducao de resistencia a tracao, reduzindo
tambem em menor escala as resistencias a compressao e ao cisalhamento;
• Defeitos decorrentes de secagem e decomposicao tambem reduzem a
resistencia;
• A presenca de fibras reversas reduz a resistencia de uma peca estrutural,
sobretudo nas partes tracionadas;
• As fendas e ventas tem influencia pronunciada na resistencia ao cisalhamento
paralelo as fibras.
• Para fixacao de tensoes resistentes de projeto, as pecas estruturais sao
classificadas em categorias, conforme a incidencia de defeitos (adiante).

10) Como variam as propriedades de resistencia da madeira em funcao do seu


grau de umidade?
Com o aumento da umidade, a resistência diminui até ser atingido o
ponto de saturação das fibras. Acima desse ponto, a resistência mantém-se
constante.
Acima do ponto de saturação das fibras, o volume e o peso específico
não são influenciados pelo grau de umidade.
Com a secagem abaixo do ponto de saturação das fibras, observa-se
redução de volume e aumento do peso específico e da resistência.
Pode considerar-se aproximadamente linear a variação das
propriedades da madeira com a umidade entre 2% e 25%.

11) Explique o fenomeno de fluencia de um material e comente suas


consequencias em um projeto de viga sob a acao de carga permanente.

Sob a ação de cargas de atuação demorada, a madeira sofre


deformação lenta: é o fenómeno de fluência ou fadiga estática.
A fluência pode ser atribuída às alterações na estrutura íntima do
material carregado e ao gradual deslizamento dos elementos celulares uns em
relação aos outros (devido aos movimentos da água contida nas fibras).

Caso 1: para cargas inferiores à resistência permanente da madeira, a


deformação elástica imediata é acrescida de uma deformação de fluência que
se estabiliza:

onde ϕ é o coeficiente de fluência (ele cresce com o valor da tensão


aplicada)
Caso 2: para cargas superiores à resistência permanente da madeira, as
deformações crescem uniformemente com incremento acentuado até próximo
à ruptura. A ruptura pode ocorrer sob tensões inferiores à tensão limite de
resistência determinada nos ensaios de qualificação com cargas estáticas de
curta duração. Para a maioria das espécies lenhosas, o limite de fluência
coincida com a resistência permanente da madeira: 50-60 % da resistência
obtida nos ensaios de curta duração:
O coeficiente de redução adotado será então de 0,56

Observação: foi mostrado que a carga de ruptura de uma viga sob a ação de
um carregamento prolongado era sensivelmente igual à carga correspondente
ao limite de proporcionalidade do ensaio de flexão com cargas de curta
duração: 9/16 ≅ 0,56. Consequentemente, peças de estrutura deverão ser
dimensionadas para trabalhar no regime de deformações elásticas do material
com tensões inferiores ao limite de proporcionalidade a fim de ficarem
“preservadas” do fenómeno de fluência. Módulo de elasticidade: com as
tensões usadas nos projetos, ϕ ≅ 1; a deformação de fluência se estabiliza
após mais ou menos 1 ano de atuação da carga com δtot = 2δel. Então, as
deflexões das peças (flechas), a longo prazo, podem ser estimadas usando:
Para uma viga sob carga permanente, as flechas podem atingir valores
duplos dos iniciais após alguns anos de serviços, gerando problemas estéticos
e funcionais para a estrutura.
Soluções: calcular a deformação inicial com uma carga permanente dupla da
prevista ou adotar um módulo de elasticidade igual à metade do indicado nas
tabelas.

12) Por que o metodo das tensoes admissiveis foi abandonado em favor do
metodo dos estados limites?

O método das tensões admissíveis considerava todas as variáveis


de forma determinística e isto não é o que realmente ocorre na prática.
Os valores utilizados neste método, eram teóricos, porém diversas situações
podem influenciar e alterar estes valores, o que traria uma maior
imprecisão dos cálculos. Podemos também citar como principais
problemas do método das tensões admissíveis, que a adoção de um
coeficiente de segurança externo leva a resultados diferentes da adoção d e
um coeficiente de segurança interno em estruturas com comportamento
não linear e o fato do coeficiente de segurança não ser uma medida
direta de segurança pois as variáveis envolvidas são aleatórias. Já o
método dos estados limites possui uma base semi-probabilística, ou seja,
considera ações e resistências variáveis aleatórias e apenas a configuração
de ruína de forma determinística. Isso se mostra mais eficaz quando
comparamos os resultados teóricos e práticos. Dessa forma, buscando
sempre uma maior precisão, afim de evitar colapsos e problemas à
estrutura, as normas tem sido atualizadas, agora baseadas no segundo
método.