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RESUMO DE FENOMENOLOGIA NP1

A fenomenologia é uma perspectiva da filosofia, e a filosofia é um esforço sistemático de compreender o homem.


Nesse sentido a fenomenologia não é uma abordagem psicológica, ela é um método para se conhecer o que é do
humano.
Proposta por Husserl, surge da crise entre as ciências do conhecimento no final do século XIX, de estudos sobre o
homem. A partir dessa crise Husserl vem trazer a fenomenologia como um método, uma ciência rigorosa, livre de
pressupostos.
Grande contribuição de Husserl, a ideia de consciência intencional, com isso não existe mais a separação de sujeito
e objeto.
 não existe um mundo que não seja para o homem, e não existe um homem que não esteja articulado em um
mundo já dado.
Husserl e o método fenomenológico:
Primeiro acontece a epoché, que significa suspender nossos conhecimentos prévios, a priori, para então poder
acessar o fenômeno que se mostra.
Husserl e a Redução Fenomenológica:
Movimento de colocar o mundo entre parênteses e poder acessar o mundo que se mostra para a consciência, nesse
sentido a fenomenologia busca um estudo de constituição do mundo na consciência intencional.
Tudo que existe só existe para um homem, e cada homem percebe o mundo de maneira diferente, a fenomenologia
tenta acessar como o fenômeno é percebido por aquele sujeito.
Toda realidade é significativa, o homem é lançado no mundo “encaixotando” dando significado e sentido para as
coisas.
Relação intencional, o conceito de intencionalidade que supera o psicologismo (tudo no mundo se dá numa psique),
supera o logicismo (questões logicas), e supera o naturalismo (que o homem é determinado).

Diferença entre Husserl e Heidegger: a consciência intencional em Husserl, para Heidegger se torna apenas em
intencionalidade. Heidegger vai trazer uma nova concepção de homem > o Dasein – O Ser-aí.

Heidegger vai trazer uma ontologia do homem, uma nova concepção de homem o Dasein.
Heidegger pergunta-se sobre o SER do homem, usa o método fenomenológico para acessar esse SER.

A atitude fenomenológica é a suspenção de pressupostos, para compreender e perguntar para o SER o que ele É.
É preciso compreender o sentido do fenômeno, os sentimentos são uma articulação humana de estar neste mundo.
Heidegger passa a se perguntar pelo ente que compreende o SER, e quem é o ente que compreende o SER? É o
Dasein!
Somente o homem se questiona, se compreende.
Ex.; a caneta é um ente, mas ela não se questiona, não pensa (tudo que existe é ente).
A diferença entre e ente e ser >> SER é o sentido das coisas, o ser do homem é a condição humana.

Existenciais x existenciários =
Ontológico x Ôntico

A condição humana sãos os existenciais. E o que são os existenciais?

Ser-no-mundo, ser-para-morte, ser-com-outros, tonalidade afetiva, corporeidade, culpa, cuidado ou cura, angustia,
finitude, historicidade. Os existenciais são ontológicos.
É com o ontológico que Heidegger se preocupa.

E toda manifestação ontológica tem uma correlação com o concreto que é o ôntico.
Dimensão ôntica se articula com os existenciais ou com o ontológico.

Angustia: ser fundado no tempo, relação intrínseca com o tempo, a temporalização é capacidade humana. O saber
que vai morrer causa angustia.
Finitude: ser-para-morte, angustia existencial.
Ser-para-morte: morrer também para algumas possibilidades, exemplo: estar matriculado no curso de psicologia,
“mata” a possibilidade de ser matemático, pelos menos durante o período do curso de psico.

Tonalidade afetiva: sempre me abro para o mundo e para o outro a partir de uma disposição afetiva: esperançosa,
temerosa, otimista, pessimista, triste, alegre, depressiva, indiferente...

Temporalidade: eu vivo no presente com noção de passado e futuro, tudo isso no agora. A temporalidade é um
acontecimento ATUAL, passado como já-sido e futuro como-ainda-não.

Corporeidade: corpo físico


Cuidado ou cura: pode ser um cuidado bom ou ruim, me aproximar o máximo possível de quem eu sou, sendo eu
num mundo compartilhado, o todos nós, mas com a tarefa de ser si mesmo.

Compreensão: a compreensão como um existencial, compreender enquanto acolher, movimento de “abarcar” conter,
nosso compreender é o nosso poder-ser, eu compreendo a partir do que eu posso, essa compreensão está sempre
associada a uma finalidade afetiva.

O que se trabalha no consultório é a tonalidade afetiva, é a disposição de estar no mundo, o como o ser está no
mundo.

O Dasein se sente sempre culpado, por que ele nunca está “acabado”, ele é lançado, não vem pronto, e pensa que
sempre poderia ter feito algo de outro jeito.

A culpa também é uma dimensão ontológica, a culpa vem dizer que o Dasein está em debito consigo mesmo. A culpa
não é para ser eliminada, ela é uma condição da existência.

O que é daseinsanálise? E como trabalha o daseinsanalista?

É a postura de compreender o fenômeno humano, a partir do referencial heideggeriano, a partir de uma concepção
do ser-aí, lançado, decaído, buscar a compreensão de como o paciente cuida de si. Não é uma abordagem
explicativa, é uma abordagem compreensiva.
O daseinsanalista trabalha de modo a compreender e descrever concretamente o modo desse paciente ser.

Critelli e o texto Um fio de sentido > Historiobiografia é a autoria da nossa existência.

Nenhum homem foi feito para lidar com os fatos da vida de forma fragmentada e aleatória, os fatos precisam ser
costurados com um fio de sentido, que lhes de alguma razoabilidade para serem compreendidos, só depois de
compreende-los podemos definir nossas ações e tocar a vida.

A linguagem é a casa do ser, um mundo que não pode ser narrado não pode ser habitado, a linguagem é nossa
ferramenta de existir e, ao mesmo tempo, nosso solo, é nosso meio e nossa condição, é nosso destino.

Ação, palavra e identidade: enquanto agimos, estamos simultaneamente nos construindo e revelando, tanto para
nós mesmos, quanto para os outros que dão de nós seu testemunho.

Narrador de si: é a construção de uma narrativa autobiográfica que nos prepara para o julgamento, somente quando
podemos julgar a nós mesmos e, então, escolher e dirigir nossas ações é que ganhamos a condição de autoria de
nossa existência.

Historiobiografia: a narrativa descobre uma biografia numa vida, compreender a história que uma vida realiza, ou
qual a biografia em andamento no qual uma singularidade se expressa é o foco da Historiobiografia. Seu propósito
ultimo é liberar essa biografia em nome de favorecer aquilo mesmo que todos procuramos: a autoria de nossa
existência.

Relatos: são guias de viver, todas as nossas vivencias são embrulhadas nesses pequenos relatos, nossas relações
com os outros são tecidas e sustentadas por eles. Pequenos relatos indicam para os outros e para nós mesmos o
que faremos e deixaremos de fazer.

Historietas: os arquivos de nossa memoria não conservam apenas pequenos relatos, mas historietas, que são
relatos de episódios vividos que formam historias maiores, mais elaboradas e carregadas de significados.

Historias: são autointerpretações abrangentes temporalmente, que começam em geral com o nosso nascimento e
chegam até o momento presente, além d oferecerem um vislumbre no futuro, através delas nos acompanhemos
incessantemente.

Identidade e história: os homens são criaturas que agem e falam, através de seus atos e palavras, os indivíduos
vão construindo uma história pessoal exclusiva e intransferível.

Atos e palavras, nunca tem autonomia, por si mesmos, isolados, são incipientes para significar alguma coisa, seu
sentido e significado só podem ser determinados mediante a interpretação dos outros que o recebem.

Gestos e palavras são produções coletivas, o que um individuo faz e diz não depende só dele, mas dos outros que o
testemunham e interagem com ele.
RESUMO DE FENOMENOLOGIA NP2

Texto: A obra fundada de Ludwig Binswanger (Dastur & Cabestan)


Binswanger e a questão do sonho: para ele o sonho é uma possibilidade para o sonhador, o sonho revela o mundo
espacial e temporal peculiar ao sonhador.
Binswanger foi o primeiro psiquiatra a se interessar pela fenomenologia, e buscou compreender a constituição do
mundo do paciente. Paciente como Dasein, o que significa que o homem e mundo são indissociáveis, e que a
patologia é o modo de ser no mundo.
Binswanger fala também de “espaço afinado”, e foi graças a Heidegger que Binswnager descobriu a relação entre o
espaço, a tonalidade afetiva e o corpo.

Texto: A Daseinsanalyse de Medard Boss (Evangelista)


Boss assume com tarefa a elaboração de uma disciplina na terapêutica fundamentada numa compreensão mais
correspondente ao modo de ser humano. Fundamenta-se na compreensão de que o homem é ser-no-mundo.
Para compreender o sofrimento de alguém que adoece, não basta entender os mecanismos fisiológicos desse
adoecimento. Por exemplo, quebrar a perna, não é apenas a fratura do osso, métodos eficientes para restaurá-lo, é
preciso compreender o que significa quebrar a perna para alguém? Boss entende a fratura do osso como uma
quebra de possibilidades existenciais.
Boss critica a medicina cientifico-natural por não compreender o sentido do adoecer humano. Boss reconhece a
importância da compreensão do sofrimento humano para ajudar no processo de tratamento, não se busca explicar,
mas sim compreender.
O processo daseinsanalítico é, portanto, a libertação da existência para o seu poder-ser, fundamentado no encontro
entre duas pessoas: paciente e daseinsanalista, que é o colocar-se na relação com o outro a fim de torna-lo
transparente e livre para si mesmo, capaz de responder ao apelo dos entes que vêm ao seu encontro e realizar a sua
condição humana de ser-no-mundo.
Para Boss o encontro entre terapeuta e paciente, é um processo de libertação de o analista se colocar à disposição
do paciente.
A daseinsanálise de Boss, compreende o adoecimento existencial como uma restrição nas possibilidades do ser, e
na capacidade de superar essa restrição, pois o ser-no-mundo é a abertura no qual os fenômenos se dão.
A liberdade do essencial do dasein é a liberdade de perceber ao que se manifesta na abertura.
O processo psicoterapêutico é um processo de libertação, que tem como objetivo resgatar a liberdade essencial do
dasein, fundada na compreensão da existência humana livre de pressupostos, suspensão de juízos – epoché – essa
deve ser a atitude do terapeuta fenomenólogo.

Texto: A relação Eu-Tu no encontro terapêutico:Martin Buber (Marta Rosmarinho)


Para Buber existem duas formas básicas de se relacionar: uma ele chamou de Eu-Isso e a outra de Eu-Tu. Na
relação Eu-Isso, o homem se coloca no mundo como algo objetivo, relação utilitária. Na relação Eu-Tu, o homem se
coloca em relação a um outro, marcada pelo impacto da presença do outro.
No processo terapêutico o que podemos oferecer é um encontro que favoreça o desvelar das possibilidades do
paciente, e isso pode ser facilitado por meio da relação Eu-Tu, permitindo que o modo de ser do paciente apareça,
que ele reconheça a si mesmo e possa explicitar o seu modo de ser.

Texto: A terapia e a era da técnica (Pompéia)


Todos nós estamos imersos no mundo da técnica, em que as palavras de ordem são objetividade, pressa e controle,
diante desse panorama, é compreensível que o processo de terapia seja visto e avaliado dentro dessa mesma
perspectiva, pelos mesmos parâmetros: precisão de objetivos, eficácia, rapidez e apresentação de resultados.
Quando alguém recorre a um terapeuta ele tem uma expectativa de que poderá encontrar uma solução para algo que
está causando algum tipo de sofrimento. A pessoa quer se tornar capaz de eliminar de si mesma, certas que a estão
atrapalhando, ela quer ter mais poder para conseguir isso, e conta com o terapeuta como alguém que certamente
tem o poder para fazer com ela atinja seu objetivo.
Porém, o que o terapeuta pode, é ter o compromisso de percorrer com o paciente um caminho que, juntos, se
aproximarão da historia vivida por ele, do sue modo de ser consigo mesmo e com os outros, dos seus planos de
futuro, do que tem constituído a sua vida.
O terapeuta oferece ao paciente a parceria na procura pela verdade de sua história, ampliar suas possibilidades, sua
compreensão de si mesmo como alguém que tem a responsabilidade pelo cuidado da própria vida. O fardo é do
paciente e não do terapeuta, a função do terapeuta é dar sustentação para o dasein se aproximar dele mesmo.
O que a terapia pode fazer por alguém é aproximá-lo da verdade de sua vida, de si mesmo, e isso significa
possibilitar que ele se aproprie de sua historia, a aceite como sua.

Texto: A clinica psicológica com a criança (Feijó)


A criança é um ser-aí, é um ser indeterminado, lançado no mundo tendo de ser.
Responsabilidade e liberdade são dimensões constitutivas do ser-aí, e na vida as crianças, tais dimensões estão sob
tutela temporária dos adultos responsáveis por ela, a psicoterapia infantil deve oferecer espaço para que a criança
possa preencher com seus significados e experimentar na sessão sua responsabilidade para Ser. Desse modo, a
criança pode experimentar as dimensões ontológicas e cuidar de si.
A criança precisa ser deixada a ela mesma, para que possa conquistar a responsabilidade consigo mesma.
Texto: Ação e compreensão (Jardim)
Na relação terapêutica daseinsanálitica, terapeuta e paciente constituem um aí terapêutico, isto é, um espaço
compartilhado de mostração do existir do paciente nesse compartilhamento, podem-se desvelar à compreensão os
sentidos que fundam o modo de ser do paciente.
A postura do terapeuta exige, a escuta atenta e um demorar-se nas situações relatadas, visando explicitar os
sentidos vividos pelo paciente nas descrições de sua experiências.
A compreensão na analítica do dasein, é um aspecto fundamental da condição de estar lançado do homem,
implicando na condição de ser-no-mundo.
A ação clinica enquanto disponibilidade para a compreensão do existir se configura como oportunidade para a
explicitação dos sentimentos.
Paciente e terapeuta, no processo de psicoterapia coabitam um “aí”, no qual os modos concretos de ser do paciente
se mostram e podem ter seus sentidos desvelados.
O terapeuta não toma para si a responsabilidade perante o existir do paciente, não age no lugar dele, mas ao
contrario, sustenta uma postura de no encontro, deixar-ser o paciente tal como ele é e devolver assim, ao outro a
responsabilidade perante si mesmo.
A compreensão sustenta a escuta atenta à fala e ao modo de ser do paciente.
A ação e o discurso são os modos pelos quais os seres se manifestam uns aos outros. É por meio da ação e do
discurso que os homens se apresentam uns aos outros, ou seja, se relacionam manifestando que se é.
Na terapia daseinsanálitica, a escuta está voltada para a compreensão do sentido que emerge no discurso do
paciente.
Na pratica clinica um dos elementos principais é o discurso do paciente, o discurso é tomado como um ponto de
partida para pensar o existir do paciente.
Compreender é a máxima da terapia fenomenológica, é o acolher, o abarcar, o sustentar!

No capitulo Eu-Tu n encontro terapêutico, Rosmaninho ... bla bla bla ... diante de um pôr do sol, sermos
tocados pela paisagem...(pg 175)
A) O trecho citado acima refere-se a qual das duas atitudes de Buber ( Eu-Tu x Eu-Isso)
Diante de um pôr do sol sermos tocado pela paisagem, pelas múltiplas cores que tingem o céu nesse momento
mágico e irrepetível, é um instante vivido na atitude Eu-Tu. Na relação Eu-Tu, o homem se coloca em relação a um
outro, que pode ser uma outra pessoa, uma obra de arte artística ou uma situação vivida, a relação é marcada pelo
impacto do outro no Dasein.
B) Como essa atitude pode ser pensada como uma postura possível do terapeuta?
O que podemos oferecer é um encontro que favoreça o desvelar das possibilidades do paciente, e isso pode ser
facilitado por meio da relação Eu-Tu, no encontro Eu-Tu não agimos em favor do cliente ou do terapeuta, mas em
favo o processo terapêutico que favorece o reconhecimento de si mesmo e a explicitação de um modo próprio de ser.
Para Jardim “ no acontecer da prática clinica, abre-se um aí compartilhado... bla bla bla ... Como a
Daseinsanalyse, caracteriza essa relação terapeuta-paciente?
Na relação terapêutica, cria-se um lugar aberto de manifestação e de compreensão em que o paciente e terapeuta se
comportam e podem ser tocados pelo que vem ao encontro nesse aí, trata-se de um aí compartilhado, pois é
copertencente e igualmente acessível a quem o constitui. Na constitutiva possibilidade de encontro de um com o
outro, os seres-aá, na condição de entes que trazem consigo necessariamente um aí, entram no circulo um do outro,
de modo que compartilham esse circulo.
Boss aponta que, no processo terapêutico daseindanalitico, os sonhos têm espaço privilegiado... bla bla bla
... Como a Daseinsanalyse compreende os sonhos?
No processo terapêutico, os sonhos têm espaço privilegiado, não são realizações de desejos ou manifestações de
arquétipos como sugerem Freud e Jung, mas são reveladoras das possibilidades existenciais que uma existência
singular está incapaz de se apropriar em sua vida desperta. O terapeuta daseinsanalista precisa considerar junto ao
paciente a que fenômeno sua existência está aberta a ponto de terem penetrado no sonho e se manifestado à luz da
compreensão. Isto por sua vez, nos conta, quais os fenômenos que não são acessíveis à percepção no estado de
sonhar, ou em outras palavras, para a entrada de que fenômenos a existência está fechada. Como segundo passo,
precisamos determinar como o sonhador se conduz em relação ao que lhe é revelado no seu mundo onírico,
particularmente a afinação que determina essa forma de se comprtar.
No texto “ A Daseinsanalyse de Medard Boss medicina e psicanalise ... bla bla bla ... exemplo do homem que
quebra a perna... o quebrar a perna na concepção da medicina em relação ao tratamento, e como vc explica
na concepção de Boss, o homem enquanto Dasein.
Quando um homem quebra a perna, um médico entende o mecanismo da fratura e conhece métodos eficientes para
restaurá-la à sua condição anterior.
Fundamentando-se na compreensão de que o homem é o ser-no-mundo, Boss entende a fratura do osso como
quebra de possibilidades existenciais, por exemplo sofreu uma fratura na sua possibilidade de trabalhar, de jogar
futebol com o seu filho, e essas possibilidades existenciais influenciam inclusive a recuperação biológica do osso
fraturado.