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Manual

346 – Secretariado e Trabalho Administrativo

UFCD

0626 – Posto de Trabalho – Organização e Gestão

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OBJETIVO GERAL:

- Proporcionar a aquisição de competências técnicas e comportamentais que promovam a


inserção no mercado de trabalho.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS:

- Aplicar as técnicas de organização e gestão do posto de trabalho.

BENEFÍCIOS E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO

Este recurso técnico pedagógico foi desenvolvido com base nos objetivos estabelecidos para a
ação e o grupo de formandos alvo.

O documento é constituído por:

- Apresentação de conteúdos: articulando os conteúdos com o itinerário pedagógico estabelecido,


permitindo aos formandos uma base de apoio ao longo do desenvolvimento das sessões de formação, e
facilitando a aprendizagem contínua;

- Exercícios/Atividades Práticas: são apresentadas atividades pedagógicas que permitem aos


formandos a execução/simulação práticas, em contextos de sala de formação, das aprendizagens
efetuadas com a formação.
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ÍNDICE

Princípios de Ergonomia ----------------------------------------------------------------------------------------------------------- 4

Regras de economia dos movimentos ---------------------------------------------------------------------------------------- 13

Higiene e segurança no trabalho ----------------------------------------------------------------------------------------------- 20

Bibliografia ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 25
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PRINCÍPIOS DA ERGONOMIA

A aplicação de alguns princípios da Ergonomia permite uma organização do posto de trabalho mais racional
e mais de acordo com as necessidades dos trabalhadores no sentido de se conseguirem melhores níveis de
desempenho por parte destes e consequentemente uma melhor rentabilização dos investimentos em máquinas e
equipamentos. Vamos ter especial atenção aos seguintes aspectos:

1 – O RUÍDO
A presença de ruídos é um dos factores que mais perturbam o bom andamento dos trabalhos, afectando a
concentração e, por conseguinte, a produtividade. Os ruídos podem ter várias origens na Área Administrativa:
• Externa ou interna, podem ser provenientes de máquinas em funcionamento, de campainhas e sirenes, ou
de movimentação de pessoas. Um ruído intenso prolongado constitui uma agressão tanto mais prejudicial quanto
a médio prazo provoca uma habituação naqueles que são vítimas, tornando-os progressivamente surdos, sem
que se apercebam e reajam a tempo. No imediato toma-se, evidentemente, num obstáculo à percepção das
mensagens auditivas (sons diferentes que assinalem uma anomalia de funcionamento, alarmes sonoros e todas
as informações verbais de origem humana).
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Quanto ao som ambiente, sabe-se que provoca muitas variações na concentração e bem-estar. As empresas
especializadas apresentam as mais diversas teorias sobre o benefício do som ambiente, mas a interferência da
música sobre o trabalhador oscila de acordo com o seu próprio gosto musical e reflecte-se em irritação ou
relaxamento, mostrando que o som ambiente pode ser totalmente desaconselhável para os ambientes de trabalho
que exijam um grau mínimo de concentração.

2 – A ILUMINAÇÃO:

Experiências já comprovaram que a produtividade aumenta à medida que melhoram as condições de


iluminação do local de trabalho. A qualidade dos produtos está, de igual forma, relacionada com a adequabilidade
da luz. Desde há muito que é possível encontrar em publicações especializadas recomendações sobre o melhor
tipo de iluminação conforme os locais e as tarefas a executar, e sobre os perigos de superfícies reflectoras (em
especial no caso de circulação em estrada). Mas, sempre que possível deve tirar-se o maior partido da iluminação
natural, que para além de ser gratuita não causa problemas ambientais.

Quando for necessário recorrer à iluminação artificial convém ter o cuidado de adaptar a iluminação ao género
de trabalho.
Assim, quanto à natureza do trabalho, consideramos:
a) Trabalho de extrema minúcia e contraste muito pequeno com esforço muito prolongado:
Tipo de iluminação: iluminação particular para cada posto
Nível de iluminação: mais de 1200 lux

b) Trabalho de grande minúcia e pequeno contraste; esforço prolongado:


Tipo de iluminação: iluminação particular para cada posto
Nível de iluminação: 1200 a 600 lux

c) Trabalho de pormenores finos com algum contraste; esforço prolongado (Trabalho de escritório,
leitura, sala de desenho)
Tipo de iluminação: iluminação localizada; lâmpada no tecto directamente por cima da cabeça
Nível de iluminação: 600 a 240 lux

d) Trabalho de pormenores finos ou médios com bastante contraste; esforço não prolongado
(corredores, lavabos, refeitórios)
Tipo de iluminação: iluminação geral
Nível de iluminação: 240 a 60 lux
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1 lux = 1 lumen / m2 = medida de iluminação duma superfície. A medida dos níveis de iluminação faz-se por
meio de luxímetros.

As fontes de iluminação devem ser dispostas de modo, a evitar os contrastes violentos entre o campo de
observação e a periferia e a evitar o ofuscamento directo e o ofuscamento indirecto.
Deve-se também evitar desperdícios de luz, nomeadamente mantendo uma iluminação constante e limpando
as fontes luminosas de uma a quatro vezes por ano (em função da sua exposição às poeiras).

3 – AS CORES:

É inquestionável o efeito psicológico que as cores dos equipamentos e do ambiente envolvente causam às
pessoas. Além disso, elas são meios auxiliares na criação de efeitos de ilusão de óptica que, às vezes, são
necessários, em decorrência de alguma disfunção estrutural do local. Há livros e estudos específicos que podem
ser encontrados nesta área. Todos são unânimes em aconselhar, como mais ideais para os ambientes de
escritório, as cores frias, como branco, creme, tonalidades claras do azul, do verde e do cinza.

Sabemos da importância que a cor exerce na produção do bem-estar das pessoas. O peso aparente dos
objectos aumenta ou diminui de acordo com sua cor. As cores claras proporcionam a sensação de menor peso.
Vamos deter-nos apenas nas cores padronizadas por algumas Normas Técnicas, para uso nos postos de trabalho:

VERMELHO – Alarme – Usada para distinguir e indicar perigo (caixa de alarme, extintores etc.).
LARANJA – perigo térmico – Identifica partes móveis e perigos de máquinas e equipamentos.
AMARELO – perigo mecânico – É a cor usada no sentido de perigo para indicar cuidado (parte baixa de
escadas portáteis, corrimão, peças cortantes, etc.)
VERDE – Caracteriza segurança, identificando caixas de equipamentos de socorro de urgência, boletins,
avisos de segurança etc.
AZUL – aviso, indicação - Indica cuidado, exemplificando: elevadores, entradas de caixas subterrâneas,
tanques, tomos, caldeiras etc.
BRANCO – Usado para assinalar passadiços e corredores de circulação por meio de faixas etc.
PRETO – Identifica colectores de resíduos. Usado também para substituir o branco, quando as condições
locais exigirem.

As máquinas devem ser pintadas com cores claras, de factor de reflexão de cerca de 50%: amarelo, verde-
claro, cinzento claro, azul claro, beges diversos, etc.
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4 – VENTILAÇÃO E TEMPERATURA:

Conforme foi referido no ponto 3, a ventilação é, sem dúvida, outro importante factor ligado à produtividade
humana. A ventilação adequada pode ser obtida de duas formas, a ventilação natural e a artificial. A ventilação
natural é obtida pela instalação de janelas e aberturas que possibilitem a circulação de ar. Às vezes não há
possibilidade de ventilação natural e a circulação de ar é insuficiente para proporcionar uma sensação agradável.

Poderão existir alguns inconvenientes, como poeira, ruídos externos e frequentes períodos de chuva, que
venham a desaconselhar a ventilação natural. Já a ventilação artificial é obtida por meios mecânicos, os mais
comuns são os ventiladores, os circuladores de ar, os compressores e os condicionadores de ar. A ventilação
artificial torna-se necessária quando se utilizam, na empresa, máquinas ou computadores que exijam uma certa
preparação do ar em nível de humidade, pureza e temperatura.

Em relação à temperatura, sabemos que tantos os homens como as máquinas são sensíveis aos seus efeitos.
Há estudos que associam a temperatura à produtividade humana. Aconselha-se que, para atingir-se o máximo de
rendimento humano, as temperaturas devem ser entre 18° e 20°C para trabalhos muito activos e entre 20° e 22°C
para trabalhos de escritório.

5 – AS CADEIRAS E OS APOIOS:

A cadeira deve oferecer ao corpo numerosos pontos de apoio, logo:


_ A superfície de apoio do assento deve ser grande;
_ A altura do assento deve ser regulável
_ O assento deve ser macio mas não mole
_ O bordo da frente do assento deve ser arredondado;
_ O nível do assento deve ser regulável de acordo com o nível da mesa
_ A curvatura do espaldar deve adaptar-se às costas;
_ Os bordos do espaldar devem ser inclinados
_ A haste do espaldar deve ser semi-flexível
_ O espaldar deve poder rodar horizontalmente
_ Os pés da cadeira devem ocupar pouco espaço
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Sentado

Em pé

O apoio para os pés deve:


_ Ser estável, possuir grande superfície de suporte e permitir várias posições:
_ Ter altura regulável;
_ Ter a altura regulada de acordo com a cadeira;
_ Fazer um ângulo recto, aproximadamente, com a perna.

6 – OS APOIOS NA POSIÇÃO DE PÉ
Em alguns locais de trabalho, quer por manifesta impossibilidade de se sentarem, quer ainda devido a alguns
preconceitos que já deveriam estar ultrapassados, as pessoas ainda passam muito tempo de pé. Nesta posição:

_ A circulação sanguínea nas pernas é reduzida,


_ Todo o corpo repousa numa superfície demasiado pequena (os pés)
_ A conservação do equilíbrio origina tensão muscular constante
_ Diminui a habilidade manual.

Por isso é necessário:


a) Facilitar o uso alternado das posições sentado e de pé
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ATRAVÉS DE ASSENTOS
ELEVADOS DE ALTURA REGULÁVEL
ENTRE 72 E 92 CM
ATRAVÉS DE APOIOS
PARA DESCANSAR EM PÉ

b) Favorecer a mudança das posições de pé, usando um pavimento elástico, por exemplo, uma grade, que
permita alternar os pontos da pressão que se exerce sobre o pé.

c) Favorecer posições descontraídas,


_ Dispondo os comandos ao alcance da mão, no campo de visão a uma distância conveniente dos olhos
(aprox. 50 cm);
_ Instalar protecções para suprir os esforços que ocorrem ao tentar evitar partes perigosas ou sujas.

7 – AS MESAS E AS SECRETÁRIAS:

Os tampos das mesas e secretárias não devem ser excessivamente grandes a ponto de haver zonas que,
uma pessoa sentada numa cadeira, dificilmente atinge, ou tão pequenos que não permitam a uma pessoa
trabalhar à vontade. As medidas máximas aconselhadas são aproximadamente 75 a 80 x 190 a 195 cm. Estas
dimensões permitem a qualquer pessoa normal alcançar, sem esforço, um documento de formato A4 em qualquer
ponto da mesa. As medidas mínimas não devem ser inferiores a 60 x 75 cm. Estas medidas permitem a qualquer
pessoa trabalhar à vontade sobre um documento de formato A4.

190 x 195 cm
75 x 80 cm
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Do traçado resultam configuradas quatro zonas: a 1ª, a 2ª e a 3ª estão incluídas na área normal, a 4ª zona
está compreendida na área máxima do trabalho. Nessas zonas são executados respectivamente os movimentos
de 1ª, 2ª, 3ª e 4ª categorias, definidas pela aplicação da "lei dos músculos pequenos". Projetada no espaço essa
noção de zona de trabalho, resulta o volume de trabalho com esferas normais e esferas máximas de trabalho.

Os movimentos adequados ou vantajosos resultam da eliminação dos esforços inúteis e do emprego dos
movimentos da categoria mais baixa possível, ou os realizados nas 1ª e 2ª zonas. A possibilidade do emprego
desses movimentos depende, muitas vezes, da utilização de montagens ou mecanismos auxiliares e de
acessórios mecânicos, cuidadosamente concebidos e adaptados à prática. A área normal daí resultante, no plano
horizontal, proporciona maior comodidade e rapidez para os movimentos das mãos. Esse modelo é aconselhado
também para a forma dos painéis verticais destinados ao suporte dos botões e teclas e alavancas de comando e
controle.
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A experiência tem demonstrado que o ritmo e a automatização dos movimentos, assim como a fadiga
reduzida resultam do arranjo do posto que proporcione aos movimentos das mãos descreverem trajectórias dentro
das duas faixas triangulares, limitadas pelos ângulos de 60° e 120°. Nessas áreas de trabalho são colocadas as
ferramentas e os materiais, estes em recipientes adequados com arrumação circular e o mais próximo possível
do operador, para permitir a este os movimentos mais simples e mais rápidos e o grau de atenção mais favorável.
Quando é necessário que as duas mãos trabalhem na mesma direcção, os arranjos devem ser feitos de modo
que permitam a realização dos movimentos em frente e bem próximo do operador. Nestas condições, manifesta-
se menor fadiga do que se tais movimentos fossem realizados para a esquerda ou para a direita. Isso, porque o
corpo pode mais facilmente contrabalançar um movimento dessa natureza.

Um arranjo do posto convenientemente projectado, que fixa os locais para os componentes, os meios
auxiliares e as ferramentas e oferece facilidades para o abastecimento e a retirada dos materiais elaborados,
constitui factor importante para facilitar a execução dos movimentos e para promover a eficiência do trabalho.

8 – AS PORTAS, OS TECTOS, OS CORREDORES E AS ESTANTES:

As portas, como local de passagem que são, devem permitir uma perfeita mobilidade das pessoas.
Apresentamos, a seguir, as medidas mínimas a que devem obedecer as portas nos locais de trabalho:
Altura = 200 cm
Largura - para uma pessoa = 80 a 85 cm
- para duas pessoas = 135 a 140 cm
Espaço livre em frete à porta = 180 cm

Os tectos devem situar-se a uma altura tal que permitam a circulação e a permanência da pessoa no local
sem constrangimentos.

Problemas duma posição Incorrecta:


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REGRAS DE ECONOMIA DOS MOVIMENTOS

As regras com a denominação clássica de "economia dos movimentos" foram obtidas empiricamente pelo
casal Gilbreth e, depois, ampliadas e aperfeiçoadas por Lowry, Maynard, Stegemerten e Barnes, com a finalidade
da melhor adaptação do trabalho às possibilidades neurofisiológicas do organismo humano. Tal finalidade de
adaptação é representada por: imitação dos esforços, poupança da energia humana e consequente
prevenção da fadiga, diminuição da atenção e obtenção da eficiência óptima do trabalho humano.

A ergonomia ou factores humanos é a disciplina científica relacionada ao entendimento das interacções entre
seres humanos e outros elementos de um sistema e também é a profissão que aplica teoria, princípios, dados e
métodos para projectar a fim de optimizar o bem-estar humano e o desempenho geral de um sistema. Esta é a
definição adoptada pela Associação Internacional de Ergonomia (International Ergonomics Association - IEA ) em
2000.
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A ergonomia baseia-se em muitas disciplinas em seu estudo dos seres humanos e seus ambientes, incluindo
antropometria, biomecânica, engenharia, fisiologia e psicologia.

Associação Internacional de Ergonomia divide a ergonomia em três domínios de especialização. São eles:

Ergonomia Física: que lida com as respostas do corpo humano à carga física e psicológica. Tópicos
relevantes incluem manipulação de materiais, arranjo físico de estações de trabalho, demandas do trabalho e
factores tais como repetição, vibração, força e postura estática, relacionada com lesões músculo-esqueléticas.

Ergonomia Cognitiva: também conhecida engenharia psicológica, refere-se aos processos mentais, tais
como percepção, atenção, cognição, controle motor e armazenamento e recuperação de memória, como eles
afectam as interacções entre seres humanos e outros elementos de um sistema.

Ergonomia Organizacional: relacionada com a optimização dos sistemas socio-técnicos, incluindo sua
estrutura organizacional, políticas e processos. Tópicos relevantes incluem trabalho em turnos, programação de
trabalho, satisfação no trabalho, teoria motivacional, supervisão, trabalho em equipa, trabalho à distância e ética.

A ergonomia é a qualidade da adaptação de um dispositivo a seu operador e à tarefa que ele realiza. A
usabilidade revela-se quando os utilizadores empregam o sistema para alcançar os seus objectivos num
determinado contexto de operação (Cybis, Betiol & Faust, 2007).

• Eficácia: a capacidade que os sistemas conferem a diferentes tipos de utilizadores para alcançar seus
objectivos em número e com a qualidade necessária.

• Eficiência: a quantidade de recursos (por exemplo, tempo, esforço físico e cognitivo) que os sistemas
solicitam aos utilizadores para a obtenção de seus objectivos com o sistema.

• Satisfação: a emoção que os sistemas proporcionam aos usuários em face dos resultados obtidos e dos
recursos necessários para alcançar tais objectivos.

Quatro fases sucessivas da ergonomia:

Ergonomia gestual, que se ocupa do estudo dos gestos e posturas do trabalhador durante o trabalho,
procurando adaptar os postos de trabalho, as condições ambientais e ritmos de produção aos trabalhadores;
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Ergonomia informacional, que estuda o arranjo dos dispositivos de sinalização, informação e de comando,
por forma a melhorar as condições de percepção da informação por parte do trabalhador;

Ergonomia dos sistemas, que trata das interacções do trabalhador com os materiais em qualquer sistema
produtivo, procurando definir as tarefas entre os trabalhadores, as condições de funcionamento e cargas de
trabalho de cada um.

Ergonomia de previsão que, como a designação sugere, procura prever e estudar regras e as tarefas como
cada trabalhador realizará o seu trabalho efectivo, tendo em vista atingir zero incidentes e/ou acidentes.

PLANIFICAÇÃO

Planificar

Sempre que se inicia uma tarefa, mais ou menos complexa, tendo em vista alcançar determinadas metas,
torna-se importante fazer uma previsão da acção a ser realizada. Esta provisão servirá como vector director
que oriente a acção.

No que se refere ao domínio da administração, esta necessidade torna-se cada vez mais importante.
Planificam-se os conteúdos a elaborar:

- A longo prazo:
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- A médio prazo:

- A curto prazo:

Conforme a natureza e acção a que se refere, cada planificação tem um momento próprio para ser
realizada.

O que significa PLANIFICAR

• Organizar um determinado número de tarefas;

• Gerir o tempo disponível;

• Atingir os objectivos pretendidos.

PLANIFICAR AS GERIR TEMPO E


TAREFAS ESPAÇO DE CADA
TAREFA

MÉTODO E TEORIA

Consequências da NÃO PLANIFICAÇÃO:


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 Má gestão do tempo;
 Estrago de materiais necessários;
 Uso desnecessário do tempo das outras pessoas.

PERCURSO DE PLANIFICAÇÃO

O QUÊ?
(Programação)

COMO?
(Objectivos) PARA QUEM?
(Colegas /
TRABALHO Superiores)
ADMINISTRATIVO

• Estratégia
• Táctica

QUANTO?
ONDE? (Tempo)
(Espaço)

DeDa Acção
Preparação
1 Quando? O tempo
2 O Quê? Tarefas Administrativas Programação

3 Para Quem? Colegas / Superiores

Objectivos
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4 Como?

Métodos

5 Onde? O Espaço

Técnicas Dimensão Distribuição Local


Meios

IMPORTANTE:

- Saiba o que está a fazer, porquê e para quê;

- Adquira hábitos de organização;

- Intervenha activamente na realização do trabalho, reflicta, discuta, proponha soluções, reformule o


trabalho programado;

- Tenha consciência do seu próprio progresso;

- Auto avalie-se comparando o que realiza e o que estava programado a realizar.

Planificação é dinâmica, tem de ser crítica e flexível!


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Para realizar uma planificação a médio / longo prazo deve-se:

- Reunir documentos, tais como, actas, planificações anteriores e livros;

- Marcar as férias, feriados e momentos de reuniões;

- Analisar as características gerais dos colegas e dos superiores;

- Organizar e ordenar os conteúdos em blocos de modo que cada bloco constitua um todo coerente os
objectivos que deverão ser alcançados;

- Escolher as estratégias adequadas e o mais variadas possível;

- Distribuir, aproximadamente, o tempo disponível pelas diversas actividades.

Para realizar uma planificação a curto prazo consiste na planificação de cada dia ou semana, consoante
o local de trabalho, pois é onde se definem todos os pormenores essenciais para o alcance dos objectivos:

- Planos diários, com uma agenda para marcação de reuniões, actas a elaborar;

- Objectivos que deverão ser atingidos, falados nas reuniões;

- Estratégias (ou a suas descrições),

- Materiais necessários;

- Linguagem específica a utilizar, observações pertinentes, momentos de questionação/avaliação;

- Tempo a distribuir pelas diversas tarefas.

Classificação dos Objectivos

A) Objectivos gerais/metas são objectivos extremamente genéricos, que podem ser interpretados e
concretizados de muitas e variadas maneiras.

B) Objectivos específicos representam actividades mais simples, susceptíveis de serem adquiridas a curto
prazo e cujo enunciado é claro não dando lugar a ambiguidade de interpretação. Um objectivo específico pode
ser enunciado em termos comportamentais, isto é, indica um comportamento observável que devem revelar.
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HIGIENE E SEGURANÇA NO TRABALHO

A higiene e a segurança no Posto de Trabalho são duas actividades que estão


intimamente relacionadas com o objectivo de garantir condições de trabalho capazes
de manter um nível de saúde dos colaboradores e trabalhadores de uma Empresa.

Segundo a O.M.S.- Organização Mundial de Saúde, a verificação de condições


de Higiene e Segurança consiste "num estado de bem-estar físico, mental e social e
não somente a ausência de doença e enfermidade ". A higiene do trabalho propõe-se combater, dum ponto de
vista não médico, as doenças profissionais, identificando os factores que podem afectar o ambiente do trabalho e
o trabalhador, visando eliminar ou reduzir os riscos profissionais (condições inseguras de trabalho que podem
afectar a saúde, segurança e bem estar do trabalhador).

A segurança do trabalho propõe-se combater, também dum ponto de vista não médico, os acidentes de
trabalho, quer eliminando as condições inseguras do ambiente, quer educando os trabalhadores a utilizarem
medidas preventivas. Para além disso, as condições de segurança, higiene e saúde no trabalho constituem o
fundamento material de qualquer programa de prevenção de riscos profissionais e contribuem, na empresa, para
o aumento da competitividade com diminuição da sinistralidade.
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O que é um ACIDENTE?
Se procurarmos num dicionário poderemos encontrar “Acontecimento imprevisto, casual, que resulta em
ferimento, dano, estrago, prejuízo, avaria, ruína, etc ..” Os acidentes, em geral, são o resultado de uma combinação
de factores, entre os quais se destacam as falhas humanas e falhas materiais. Vale a pena lembrar que os
acidentes não escolhem hora nem lugar. Podem acontecer em casa, no ambiente de trabalho e nas inúmeras
locomoções que fazemos de um lado para o outro, para cumprir nossas obrigações diárias. Quanto aos acidentes
do trabalho o que se pode dizer é que grande parte deles ocorre porque os trabalhadores se encontram mal
preparados para enfrentar certos riscos.

O que diz a lei?


Acidente do trabalho é o que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa, provocando lesão
corporal ou perturbação funcional que cause a morte, a perda ou redução da capacidade para o trabalho,
permanente ou temporária...” Lesão corporal é qualquer dano produzido no corpo humano, seja ele leve, como,
por exemplo, um corte no dedo, ou grave, como a perda de um membro.

Perturbação funcional é o prejuízo do funcionamento de qualquer órgão ou sentido. Por exemplo, a perda da
visão, provocada por uma pancada na cabeça, caracteriza uma perturbação funcional.

A doença profissional também é acidente do trabalho?

Doenças profissionais são aquelas que são adquiridas na sequência do exercício do trabalho em si. Doenças
do trabalho são aquelas decorrentes das condições especiais em que o trabalho é realizado. Ambas são
consideradas como acidentes do trabalho, quando delas decorrer a incapacidade para o trabalho. Um funcionário
pode apanhar uma gripe, por contágio com colegas de trabalho. Essa doença, embora possa ter sido adquirida no
ambiente de trabalho, não é considerada doença profissional nem do trabalho, porque não é ocasionada pelos
meios de produção. Contudo, se o trabalhador contrair uma doença ou lesão por contaminação acidental, no
exercício de sua actividade, temos aí um caso equiparado a um acidente de trabalho. Por exemplo, se uma
administrativa cai de uma cadeira ao arrumar algo no escritório, isso é um acidente do trabalho. Noutro caso, se
um trabalhador perder a audição por ficar longo tempo sem protecção auditiva adequada, submetido ao excesso
de ruído, gerado pelo trabalho executado junto a uma grande prensa, isso caracteriza igualmente uma doença de
trabalho.
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Um acidente de trabalho pode levar o trabalhador a se ausentar da empresa apenas por algumas horas, o que
é chamado de acidente sem afastamento. É que ocorre, por exemplo, quando o acidente resulta num pequeno
corte no dedo, e o trabalhador retorna ao trabalho em seguida. Outras vezes, um acidente pode deixar o trabalhador
impedido de realizar suas actividades por dias seguidos, ou meses, ou de forma definitiva. Se o trabalhador
acidentado não retornar ao trabalho imediatamente ou até no dia seguinte, temos o chamado acidente com
afastamento, que pode resultar na incapacidade temporária, ou na incapacidade parcial e permanente, ou, ainda,
na incapacidade total e permanente para o trabalho. A incapacidade temporária é a perda da capacidade para o
trabalho por um período limitado de tempo, após o qual o trabalhador retorna às suas actividades normais. A
incapacidade parcial e permanente é a diminuição, por toda vida, da capacidade física total para o trabalho. É o
que acontece, por exemplo, quando ocorre a perda de um dedo ou de uma vista incapacidade total e permanente
é a invalidez incurável para o trabalho. Neste ultimo caso, o trabalhador não reúne condições para trabalhar o que
acontece, por exemplo, se um trabalhador perde as duas vistas num acidente do trabalho.
Nos casos extremos, o acidente resulta na morte do trabalhador.

FACTORES QUE AFECTAM A HIGIENE E SEGURANÇA

Em geral a actividade produtiva encerra um conjunto de riscos e de condições de trabalho desfavoráveis em


resultado da especificidades próprias de alguns processos ou operações, pelo que o seu tratamento quanto a
Higiene e Segurança costuma ser cuidado com atenção. Contudo, na maior parte dos casos, é possível identificar
um conjunto de factores relacionados com a negligência ou desatenção por regras elementares e que potenciam
a possibilidade de acidentes ou problemas.

Acidentes devido a CONDIÇÕES PERIGOSAS:


1. Máquinas e ferramentas;
2. Condições de organização (armazenamento perigoso, falta de Equipamento de Protecção Individual -
E.P.I.);
3. Condições de ambiente físico, (iluminação, calor, frio, poeiras, ruído);

Acidentes devido a ACÇÕES PERIGOSAS;


A. Falta de cumprimento de ordens (não usar E.P.I.);
B. Ligados à natureza do trabalho (erros na armazenagem);
C. Nos métodos de trabalho (trabalhar a ritmo anormal, manobrar mal os empilhadores, distracções,
brincadeiras);
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AS PERDAS DE PRODUTIVIDADE E QUALIDADE

Foi necessário muito tempo para que se reconhecesse até que ponto as condições de trabalho e a
produtividade se encontram ligadas. Numa primeira fase, houve a percepção da incidência económica dos
acidentes de trabalho onde só eram considerados inicialmente os custos directos (assistência médica e
indemnizações) e só mais tarde se consideraram as doenças profissionais. Na actividade corrente de uma
empresa, compreendeu-se que os custos indirectos dos acidentes de trabalho são bem mais importantes
que os custos directos, através de factores de perda como os seguintes:
1. Perda de horas de trabalho pela vítima.
2. Perda de horas de trabalho pelas testemunhas e Responsáveis.
3. Perda de horas de trabalho pelas pessoas encarregadas dos inquéritos.
4. Interrupções da produção.
5. Danos materiais.
6. Atraso na execução do trabalho.
7. Custos inerentes às peritagens e acções legais eventuais.
8. Diminuição do rendimento durante a substituição.
9. A retoma de trabalho pela vítima.

Estas perdas podem ser muito elevadas, podendo mesmo representar quatro vezes os custos directos do
acidente de trabalho. A diminuição de produtividade e o aumento do número de peças defeituosas e dos
desperdícios de material imputáveis à fadiga provocada por horários de trabalho excessivos e por más condições
de trabalho, nomeadamente no que se refere à iluminação e à ventilação, demonstraram que o corpo humano,
apesar da sua imensa capacidade de adaptação, tem um rendimento muito maior quando o trabalho decorre em
condições óptimas.

Com efeito, existem muitos casos em que é possível aumentar a produtividade simplesmente com a melhoria
das condições de trabalho. De uma forma geral, a Gestão das Empresas não explora suficientemente a melhoria
das condições de higiene e a segurança do trabalho nem mesmo a ergonomia dos postos de trabalho como forma
de aumentar a Produtividade e a Qualidade.
A relação entre o trabalho executado pelo trabalhador e as condições de trabalho do local de trabalho, passou
a ser melhor estudada desde que as restrições impostas pela tecnologia industrial moderna constituem a fonte
das formas de insatisfação que se manifestam sobretudo entre os trabalhadores afectos às tarefas mais
elementares, desprovidas de qualquer interesse e com carácter repetitivo e monótono.

Desta forma pode-se afirmar que na maior parte dos casos a Produtividade é afectada, pela conjugação de
dois aspectos importantes:
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1. Um meio ambiente de trabalho que exponha os trabalhadores a riscos profissionais graves (causa
directa de acidentes de trabalho e de doenças profissionais).
2. A insatisfação dos trabalhadores face a condições de trabalho que não estejam em harmonia com as
suas características físicas e psicológicas.

Em geral as consequências revelam-se numa baixa quantitativa e qualitativa da produção, numa rotação
excessiva do pessoal e a num elevado absentismo. Claro que as consequências de uma tal situação variarão
segundo os meios socioeconómicos. Fica assim explicado que as condições de trabalho e as regras de segurança
e Higiene correspondentes, constituem um factor da maior importância para a melhoria de desempenho das
Empresas, através do aumento da sua produtividade obtida em condições de menor absentismo e sinistralidade.

Por parte dos trabalhadores de uma Empresa, o trabalhador não deve representar somente o trabalho que se
realiza num dado local para auferir um ordenado, mas também uma oportunidade para a sua valorização pessoal
e profissional, para o que contribuem em mito as boas condições do seu posto de trabalho. Querendo evitar a curto
prazo um desperdício de recursos humanos e monetários e a longo prazo garantir a competitividade da Empresa,
deverá prestar-se maior atenção às condições de trabalho e ao grau de satisfação dos seus colaboradores
reconhecendo-se que, uma Empresa desempenha não só uma função técnica e económica mas também um
importante papel social.

QUALIDADE É O CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS IMPLÍCITOS E EXPLÍCITOS PARA UM


DETERMINADO PRODUTO OU SERVIÇO.

Requisitos Implícitos são:

 Especificações;

 Características;

 Normas;

 Padrões.
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Requisitos Explícitos:

 Procura de Satisfação;

 Preço;

 Garantias.

BIBLIOGRAFIA

 GRANDJEAN, Etienne. Manual de ergonomia: adaptando o trabalho ao homem. 2. ed. Porto


Alegre : Bookman, 1998.

 MORAES, Anamaria; MONT’ALVÃO, Cláudia. Ergonomia: conceitos e aplicações. Rio de Janeiro :


2AB, 1998