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Você sabe qual a dimensão mínima


de um pilar?
 Publicado em 19 de janeiro de 2017

Diego Rojas
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Structural Engineer | Concrete Structural Design | Project Inspector

Neste pulse, vou falar de um assunto que gera algumas divergências entre
o engenheiro calculista, o construtor ou o arquiteto ou dono da obra. Já escutei os
seguintes argumentos:

“esses pilares estão muitos grandes para uma casa de dois andares”

“para construções deste tipo sempre utilizei pilares menores”

“para esse tipo de casinha sempre utilizei pilar 9 x 9 cm e 12 x 12 cm” e

“sempre utilizei colunas de ferragem pronta 7 x 14 cm e nunca deu problema.”

Esses argumentos são devidos a utilização de alvenaria de vedação constituída de blocos


de concreto com 9 ou 14 cm de espessura ou tijolos furados de 9,0 cm ou 11,5 cm de
espessura. Estes são utilizados como forma lateral para os pilares em construções. Cabe
observar que quando se usa o tijolo furado, como forma lateral, há desperdício de
concreto uma vez que este entra pelos furos do tijolo. Outra justificativa é que a adoção
de pilares mais espessos, que a alvenaria de vedação, da origem aos famosos “dentes”
nas paredes.

O importante sempre é explicar ao seu contratante, que além da responsabilidade do


profissional autor do projeto, há também o conceito de qualidade/durabilidade da
construção e sobretudo o elevado custo na correção de falhas de projeto e de execução
de estruturas.

Felizmente nas construções de prédios ou em construções de grande porte isso já não


acontece. Nessas construções, face as responsabilidades envolvidas, a concepção
estrutural quase sempre prevalece sobre as conveniências estéticas.

Destacamos, que as recomendações das normas ABNT são tidas como “Lei” pelo
Código de Defesa do Consumidor – Capítulo V - Lei n° 8.078 de 11/09/1990 – Seção
IV – Art. 39 - VIII.

A norma em vigor para concreto armado é a NBR 6118/14 – Projeto de estruturas de


concreto - Procedimento, em seu item 13.2.3, que estabelece para a seção dos pilares o
seguinte: “A seção transversal de pilares e pilares-parede maciços, qualquer
que seja a sua forma, não pode apresentar dimensão menor que 19 cm.”
Porém, em casos especiais, permite-se utilizar a menor dimensão entre 14 e 19 cm,
desde que se multipliquem os esforços solicitantes de cálculo por coeficiente adicional
γn de acordo com tabela abaixo.

Outro aspecto importante trata da seção mínima do pilar: “Em qualquer caso, não se
permite pilar com seção transversal de área inferior a 360 cm².

A antiga NBR-6118/1980 ou NB-1 estabelecia que a menor dimensão de pilares não


cintados não poderia ser inferior a 20 cm, nem a 1/25 de sua altura livre.
Excepcionalmente, permitia com o aumento do coeficiente de segurança, pilares com
seção retangular com largura não inferior a 12 cm e não maior que 60 cm no seu
comprimento. Outra excepcionalidade, também com aumento do coeficiente de
segurança, era condições para execução de pilares em forma de cantoneiras, zês, tês e
duplos tês, desde que a menor espessura da seção não fosse inferior a 10 cm, nem o raio
de giração menor que 6 cm.

Posteriormente em sua revisão de 2003 a norma manteve 12 cm como a menor


dimensão permitida para pilares, indicando um coeficiente de ajuste de γn = 1,35 para
solicitações finais de cálculo.

Ou seja, era 10 cm, depois 12 cm e agora 14 cm. A explicação para isso é que a ABNT
(comissão) entende que não se pode garantir a segurança do ponto de vista
probabilístico, para pilar com dimensão inferior a 14 cm. E tem uma certa razão, uma
vez que quanto menor o elemento maior a chance de ocorrer desvios de toda sorte. Por
isso se usa o γn, que segundo a norma, trata-se de um coeficiente de ajuste de γf que
considera o aumento da probabilidade de ocorrer desvios significantes na construção de
elementos menores. Isso implica diretamente na esbeltez do elemento e no fenômeno
da flambagem. Outro aspecto que contribui para as dimensões mínimas são os
cobrimentos das armaduras e estes estão ligados diretamente a durabilidade.

Então, atualmente o uso de pilares 9 x 9 cm, 12 x 12 cm e 14 x 14 cm já não se sustenta.


Para se utilizar um pilar de menor dimensão, como a de 14 cm teríamos que ter
obrigatoriamente pelo menos 26 cm na outra direção. Ou seja, um pilar 14 x 26 cm.

Mas mesmo para obras pequenas de no máximo 2 pavimentos eu preciso seguir a NBR
6118/2014?

A resposta é sim!

A NBR 6118/2014 se aplica a todas as estruturas de concreto simples, armado e


protendido, ou seja, desde da casinha até um prédio de múltiplos andares.

Há, no entanto, uma aparente contradição à NBR 6118/2014. Trata-se do item 7.2.2.1 da
NBR 15575-2/2003 – Edificações habitacionais – Desempenho Parte 2, transcrito
abaixo:

“Para casas térreas e sobrados, cuja altura total não ultrapasse 6,0 m (desde o
respaldo da fundação de cota mais baixa até a laje ou forro do segundo
pavimento), não há necessidade de atendimento às dimensões mínimas dos
componentes estruturais estabelecidas nas Normas de projeto estrutural
específicas (ABNT NBR 6118, ABNT NBR 7190, ABNT NBR 8800, ABNT NBR
9062, ABNT NBR 15961 e ABNT NBR 14762), resguardada a demonstração da
segurança e a estabilidade pelos ensaios previstos nesta Norma (7.2.2.2 e 7.4),
bem como atendidos os demais requisitos de desempenho estabelecidos nesta
Norma.”

Para atender a estabilidade e segurança os elementos estruturais devem atender aos


ELUs (Estados Limites Últimos) e ELSs (Estados Limites de Serviço) os quais estão
basicamente ligados à capacidade resistente da estrutura, ao atendimento aos efeitos de
2° ordem, à durabilidade e ao conforto do usuário.

Se o pilar, por ventura, atender os requisitos de cálculo, ainda faltará atender outros
requisitos como por exemplo: montagem das armaduras longitudinais e transversais e os
cobrimentos. Estes requisitos não são mencionados no texto da norma NBR 15575-
2/2013 e sim na NBR 6118/2014. É importante entender que o item transcrito acima
trata somente da não necessidade de atendimento das dimensões mínimas. Todas as
outras prescrições da NBR 6118/14 ainda têm que ser atendidas

Podemos destacar os itens 18.4.2, 18.4.3 e a tabela 7.2 da NBR 6118/2014: O primeiro
item recomenda que as armaduras longitudinais dos pilares não podem ter bitolas
inferiores a 10 mm e o espaçamento mínimo entre as faces das barras longitudinais deve
ser igual ou superior ao maior dos seguintes valores:

 20 mm;
 diâmetro da barra, do feixe ou da luva;
 1,2 vez a dimensão máxima característica do agregado graúdo

O segundo item prescreve que as armaduras transversais (estribos) devem ter a bitola
mínima de 5,0 mm.

NOTA: Essas recomendações de montagem de armaduras se aplicam também às regiões


de emendas por traspasse das barras.

A tabela 7.2 trata dos cobrimentos das armaduras em função da classe de agressividade
ambiental.
Nos exemplos abaixo observa-se três situações que não atendem a NBR 6118/2014 no
quesito dimensão e área mínima, mas que poderiam ser utilizados segundo NBR 15575-
2/2013. Vamos adotar pilares 9x9 cm, 12x12 cm, 14x14 cm em zonas de
traspasseonde poderá se perceber a impossibilidade de atendimento as prescrições de
espaçamento livre entre as armaduras longitudinais descritas pela NBR 6118/2014.
Pode-se a notar também influência do cobrimento, do diâmetro das armaduras e do
diâmetro do agregado graúdo.
Nota-se que, em função da dimensão do agregado graúdo não é possível obter o
espaçamento determinado pela NBR 6118/14. Na primeira seção foi utilizado brita 0,
e montar o traspasse das armaduras seria muito complicado. Nas seções seguintes
foi utilizado brita 1 que conduz a um espaçamento mínimo entre face de barras
longitudinais de SL = 3,0 cm, que não é cumprido.

Então, dependendo da classe de agressividade ambiental, do diâmetro do agregado graúdo,


da bitola das barras longitudinais e dos estribos calculados, não há condições de se utilizar
seções menores que as estabelecidas pela NBR 6118/14.

Agora adotaremos as seções 19x19 cm 14x26 cm que atendem as dimensões mínimas


estabelecidas pela NBR 6118/2014 e pode-se notar o atendimento integral as essas
prescrições.
Portanto, este item da norma NBR 15575-2 gera confusão. É inaceitável uma norma se
contrapor a outra em um item tão importante. Pode ser que no futuro tenhamos uma
norma de concreto especifica para pequenas construções. Mas fica a dúvida de como
vai-se delimitar isso. Onde começa uma e termina a outra?

Então ok!

Basta eu usar as dimensões mínimas de pilares 19x19 cm ou 14x26 cm para uma construção de
2 andares ou uma pequena construção, que estarei seguro?

A resposta é não!

As dimensões dos pilares dependerão dos vãos previstos no projeto arquitetônico e dos
carregamentos.

Na minha vida profissional já elaborei projetos estruturais de casas de dois pavimentos


que possuíam grandes vãos decorrentes de exigências arquitetônicas, além
carregamentos especiais, situações essas que conduziram a pilares com dimensões bem
superiores às mínimas previstas na norma. Nos casos em que o projeto arquitetônico
assim permitia, já projetei pilares de seção 19x19cm.

É importante esclarecer que os pilares, mesmo em uma construção de pequeno porte,


podem estar solicitados a compressão normal centrada, flexão normal composta ou
flexão obliqua composta, esforços tangenciais e torção. Ou seja, o elemento deve ser
verificado para todas essas solicitações e sobretudo à flambagem.

E em outros códigos como será?

O eurocode 2 (EM 1992-1-1 2004), por exemplo, limita a maior dimensão “h” ao valor
de 4 vezes a menor dimensão. Se essa relação ultrapassar 4 vezes o código europeu
considera esse tipo de elemento como pilar-parede. Ou seja, de certo modo não há uma
limitação quanto a dimensão, somente uma separação do que a norma considera como
pilar e como pilar-parede.

Segundo a norma brasileira, para ser considerado um pilar-parede, a menor dimensão do


elemento deve ser menor que 1/5 da maior.
A título de curiosidade, um elemento de seção transversal submetido à compressão com
14 x 60 cm no Eurocode é considerado pilar-parede e pela norma brasileira um pilar.

É importante entender que um código não tem que ser obrigatoriamente igual ao outro.
Cada um tem suas particularidades em função, por exemplo: da experiência, das
condições ambientais, pesquisa, execução e materiais, todos ligados à realidade local.

As normas de maneira geral estão sempre em desenvolvimento e isso não significa que
apesar da norma modificar/incluir/retirar parâmetros, suas obras ou seus projetos já
realizados irão entrar em colapso.

Por tudo isso, podemos encerrar esse pulse afirmando que o atendimento das dimensões
mínimas dos pilares, estabelecidas pela norma NBR 6118/14, é melhor caminho para
uma construção durável e segura.

E quanto será as dimensões mínimas para lajes e vigas? Bom isto fica para um
próximo pulse!

Obrigado!

Diego Rojas

Engenheiro civil - Estruturas & Fundações

Soluções em Projeto de Estruturas!

Segue abaixo a Bibliografia utilizada.

BIBLIOGRAFIA

ALVA, GERSON MOACYR SISNIEGAS, El DEBS, ANA LUCIA GIONGO, JOSÉ


SAMUEL: Concreto Armado: Projeto de Pilares de Acordo com a NBR 6118:2003 –
Apostila – Escola de Engenharia de São Carlos, 2008;

CARVALHO, ROBERTO CHUST e PINHEIRO, LIBANIO MIRANDA – Cálculo e


Detalhamento de Estruturas Usuais de Concreto Armado – volume 2, 2009;

EUROCODE 2: Design of concrete structures – Part 1-1: General Rules and Rules for
Buildings, 2004;
NBR 6118/1980 - Projeto e execução de obras de concreto armado;

NBR 6118/2003 - Projeto de estruturas de concreto – Procedimento;

NBR 6118/2014 – Projeto de estruturas de concreto – Procedimento;

NBR 7211/2005 – Agregados para concreto – Especificação;

NBR 8681/2004 – Ações e segurança nas estruturas;

NBR 15575-2/2003 – Edificações habitacionais – Desempenho Parte 2: Requisitos para


os sistemas estruturais;

ROCHA, ADERSON MOREIRA DA – Novo Curso Prático de Concreto Armado,


Volume 2, 1972;

SMANIOTTO, ALBERTO – Dimensionamento e Detalhamento Automático de Pilares


Retangulares Submetidos à flexão composta Oblíqua – Dissertação – UFSC, 2005.

Sites consultados:

http://www.ebanataw.com.br/trelica/trelicafoto33.jpg, acesso 18/01/2017;

http://blogs.pini.com.br/posts/normas-tecnicas-pericias/[47]-importancia-das-classes-de-
agressividade-ambiental-e-suas-consequencias-364602-1.aspx, acesso 18/01/2017.

http://www.concreara.com.br/images/blocos11.png, acesso 18/01/2017.

http://ew7.com.br/projeto-arquitetonico-com-autocad/images/stories/dimenses-dos-
tijolos.png,acesso 18/01/2017.

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