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“LITERATURA É O MODO QUE OS OUTROS CHAMAM O QUE NÓS

FAZEMOS E VIVEMOS” Clarice Lispector

1. O QUE É LITERATURA

Literatura é a arte da palavra. É a técnica de usar as palavras com criatividade e


originalidade. Na literatura, as palavras podem não ter o mesmo valor das palavras que
utilizamos na vida diária. Em nosso cotidiano, as palavras têm um valor utilitário, ao
passo que, se usadas no texto literário, adquirem valor artístico, podendo criar um
mundo poético ou ficcional, por meio da maneira como são usadas. O artista da palavra
pode nos retratar uma realidade objetiva ou, simplesmente, criar um mundo subjetivo,
interpretando a realidade a seu modo.

A literatura se reveste de grande importância porque é a expressão do ser humano e da


vida, e porque retrata épocas, costumes e idéias.

2. LINGUAGEM LITERÁRIA E NÃO-LITERÁRIA

A linguagem literária é conotativa, utiliza figuras (palavras de sentido figurado), em que


as palavras adquirem sentidos mais amplos do que geralmente possuem.

A linguagem não-literária é objetiva, denotativa, preocupa-se em transmitir o conteúdo,


utiliza a palavra em seu sentido próprio, utilitário, sem preocupação artística.

TEXTO A

Amor (ô). (Do lat. amore) S.m. 1.: Sentimento que predispõe alguém a desejar
o bem de outrem, ou de alguma coisa: amor ao próximo; amor ao patrimônio
artístico de sua terra. 2. Sentimento de dedicação absoluta de um ser a outro
ser ou a uma coisa; devoção, culto; adoração: amor à Pátria; amor a uma
causa. (...)
TEXTO B

Amor é fogo que arde sem se ver; É Ferida que dói e não se sente;É um
contentamento descontente;É dor que desatina sem doer. Luis de Camões.
Lírica, Cultrix.
Observe que no texto A, o autor preocupou-se em definir “amor”, usando uma
linguagem objetiva, científica, sem preocupação artística. Enquanto, no texto B, o autor
trata do mesmo assunto, mas com preocupação literária, artística.

3. DENOTAÇÃO E CONOTAÇÃO NA LINGUAGEM LITERÁRIA


Denotação: Temos denotação quando a palavra é empregada no seu sentido real,
comum, literal. É usada na linguagem científica, informativa, sem preocupação literária.

Conotação: Temos conotação quando a palavra assume um sentido fora do costumeiro,


um sentido figurado, poético. A conotação é muito usada na linguagem literária.

CURSOS DE MERGULHO (denotação) / MERGULHAR NA HISTÓRIA


(conotação)

4. FIGURAS DE LINGUAGEM

As figuras de linguagem são estratégias de efeito e recursos usados na fala e na escrita,


para dar à comunicação força, colorido, ênfase, beleza. São divididas em três partes:

 SEMÂNTICO (sentido)
 SINTÁTICO (disposição de palavras)
 FONÉTICA (som)

SEMÂNTICO

 COMPARAÇÃO / SÍMILE (de similar)


Na comparação há sempre dois seres, objetos ou idéias expressos, ligados por uma
palavra comparativa (como, tal, qual, etc.) que estabelece uma relação de semelhança
entre os dois termos comparados.

"Literatura é COMO música para os meus ouvidos"

 METÁFORA
(METÁFORA)
Na metáfora existe sempre uma comparação implícita e mental ou um elemento comum
entre os dois termos comparados. Faz-se relações entre um elemento e outro, mas não
no campo real e sim no figurado.

"Literatura é música para os meus ouvidos"

 ANTÍTESE
É uma figura de linguagem que consiste no uso de palavras ou idéias de sentido
contrário (mas, possíveis)

"Eu sou de humanas, você é de exatas"

 PARADOXO / OXÍMORO
Mistura conceitos opostos em um mesmo enunciado.

"É ferida que DÓI e NÃO SE SENTE" ou "Já estou CHEIO de me sentir VAZIO"

 PERSONIFICAÇÃO / PROSOPOPEIA

(PROSOPOPEIA)
A prosopopéia ou personificação se dá quando atribuímos a animais ou seres
inanimados ações e sentimentos próprios do ser humano.

"Teu OLHAR não me DIZ exato quem tu és, mesmo assim eu te devoro".

 HIPÉRBOLE
É a figura de linguagem que consiste em aumentar exageradamente a verdade. É um
exagero com a finalidade de destacar uma idéia, chamar a atenção ou dar um toque
humorístico no texto ou na fala.

"Nossa, mas meu cérebro vai explodir antes de eu aprender tudo isso"

 SINESTESIA
Figura que combina sensações diferentes. Usa expressões que misturam os sentidos
como audição, visão, tato, olfato e paladar.

"VOZES veladas VELUDOZAS vozes"

 METONÍMIA

(METONÍMIA)
É o emprego de uma palavra por outra, baseando-se numa relação constante entre as
duas. Uso de uma parte pelo seu todo.

"Vou COMER um PRATO de arroz" / "Vou LER José de Alencar"

 IRONIA
É a figura de linguagem que consiste em dizer o contrário do que pensamos, geralmente
num tom de zombaria. A ironia depende do contexto, da expressão, dos gestos, da voz.

“Cada vez que interrompe o colega, sem pedir licença, percebo o quanto é educado.”

 GRADAÇÃO / CLÍMAX
Uso de uma sequência de palavras de maneira gradual (por graus), que vai aumentando
ou diminuindo dentro do mesmo sentido.

(...) "Ficou menor, um grão, um cisco, um quase nada."

 APÓSTROFE
Invocar alguém ou algo para intervir.

"Meu senhor, me ajude a aprender isso."

FONÉTICO

 ALITERAÇÃO
É a repetição intencional de várias fonemas consonantais para produzir os efeitos
desejados.

"O Rato Roeu a Roupa do Rei de Roma"

 ASSONÂNCIA
É a repetição intencional de várias fonemas com vogais para produzir os efeitos
desejados.

"Pólo SUl, meU azUl, lUz do sentimento nU. (...)"

 ONOMATOPEIA

(ONOMATOPEIA)
É um recurso de linguagem que consiste em imitar sons e ruídos dos seres por meio de
palavras.É um recurso de linguagem que consiste em imitar sons e ruídos dos seres por
meio de palavras.

VRUM! / TCHI-BUM! / TIC TAC

 RIMA (na poesia) / HOMEOTELEUTO (na prosa)


Palavras com Identidade de som (fonética) semelhantes nas terminações.

"Deus AJUDA, quem cedo MADRUGA."

SINTÁTICO

 POLISSÍNDETO
Repetição de conectivos entre palavras.

(...) "E me aperta pra eu quase sufocar. E me beija com a boca de hortelã."

 ASSÍNDETO
Ausência de conectivos entre palavras.

(...) "Vou mendigar, roubar, matar."

 ELIPSE
Acontece quando alguma palavra ou expressão é omitida de uma frase, fica
subentendida, sem deixar perder o sentido da oração.
"Nesta apostila, figuras de linguagem e escolas literárias" (ausência do HÁ, mesmo
assim a frase foi compreendida).

 PLEONASMO

Uso de palavras que, quando juntas, ficam redundantes; repetição da mesma ideia
podendo ser com o sentido de ênfase (no literário) ou vicioso.

"Rir meu riso" (ênfase) / "Vou descer pra baixo" (vicioso)

 HIPÉRBATO
Inversão da ordem natural de palavras em uma oração (uma ordem diferente da que
estamos acostumadas com SUJEITO, VERBO e OBJETO), para um efeito de estilo.

"Figuras de linguagem nós ensinamos" (e não "nós ensinamos figuras de


linguagem").

 ANÁFORA
Repetição de uma ou mais palavras no início de frases.

"QUANDO TUDO ESTÁ PERDIDO, sempre existe um caminho. QUANDO TUDO


ESTÁ PERDIDO, sempre existe uma luz"

5. FUNÇÕES DE LINGUAGEM
Você tem um objetivo? A linguagem literária também tem! Por isso, vamos falar agora
das Funções de Linguagem.

EMISSOR > MENSAGEM (em um CÓDIGO através de um CANAL) > RECEPTOR


Primeiro, vamos lembrar que a comunicação funciona quando sai de um EMISSOR, em
forma de MENSAGEM, em um determinado CÓDIGO, chegando em um RECEPTOR
através de um canal. Esse sistema possui 6 funções.

 FUNÇÃO EMOTIVA/EXPRESSIVA
Emoção e subjetividade. Diz respeito ao EMISSOR, uma vez que mostra a emoção e
expressão de quem está passando a mensagem. Normalmente usa a primeira pessoa.

(APELATIVA)

 FUNÇÃO APELATIVA / CONATIVA


Tenta apelar e convencer. Foco no RECEPTOR que será ou não convencido. Muito
usado nas propagandas e publicidades. Costuma usar verbos no imperativo (pense, fale,
compre, beba, leia, vote) e vocativos.

 FÁTICA
Para estabelecer um contato, uma comunicação. O mais importante é o contato entre o
emissor e receptor, Centraliza no CANAL.

 FUNÇÃO REFERENCIAL
Comunicação objetiva, a informação nua e crua, que usa dados do mundo real e não tem
outra função a não ser trazer referências.
 FUNÇÃO POÉTICA
Tem como preocupação a forma, a estética. De qual maneira algo está sendo dito?

 FUNÇÃO METALINGUÍSTICA

(METALINGUÍSTICA)
Código pelo próprio código, linguagem pela própria linguagem. Aparece em
dicionários, por exemplo, onde há letras e palavras para explicar letras e palavras.

6. PERÍODOS LITERÁRIOS

 TROVADORISMO
O trovadorismo foi o primeiro movimento literário na história das literaturas modernas.
Suas origens se encontram no sul da França.

A forma portuguesa trovadoresca origina-se de troubador, nome dado ao poeta na


Provença. É palavra derivada de trouver (achar) e isso significava que o artista, o
trovador, devia “achar” sua canção, isto é, devia saber compor.

As composições dos trovadores recebem o nome de canção, cantiga ou cantar, porque


eram cantadas com acompanhamento musical e se resumem em três tipos: cantigas de
amor, cantigas de amigo (ambas de temática lírico-amorosa) e cantigas de escárnio e de
maldizer (de cunho satírico).

PRINCIPAIS NOMES: Os principais trovadores foram: João Soares de Paiva, Paio


Soares de Taveirós, o rei D. Dinis, João Garcia de Guilhade, Afonso Sanches, João
Zorro, Aires Nunes, Nuno Fernandes Torneol.

 HUMANISMO
A Segunda Época Medieval ou Humanismo corresponde ao período que vai desde a
nomeação de Fernão Lopes para o cargo de cronista-mor da Torre do Tombo, em 1434,
até o retorno de Sá de Miranda da Itália, introduzindo em Portugal a nova estética
clássica, no ano de 1527.

O Humanismo marca toda a transição de um Portugal caracterizado por valores


puramente medievais para uma nova realidade mercantil, em que se percebe a ascensão
dos ideais burgueses. A economia de subsistência feudal é substituída pelas atividades
comerciais; inicia-se uma retomada da cultura clássica, esquecida durante a maior parte
da Idade Média; o pensamento teocêntrico é deixado de lado em favor do
antropocentrismo.
O Humanismo é um período muito rico do desenvolvimento da prosa, graças ao
trabalho dos cronistas, notadamente de Fernão Lopes, considerado o iniciador da
historiografia portuguesa. Outra manifestação importantíssima que se desenvolve no
Humanismo, já no início do século XVI, é o teatro popular, com a produção de Gil
Vicente, autor muito conhecido por seus Autos, nome genérico dado aos textos poéticos
da Idade Média, usados nas representações teatrais, carregados de religiosidade. No
teatro vicentino vamos encontrar uma grande produção de autos, dos quais muitos deles,
além da religiosidade, apresentam temas profanos e satíricos (as farsas), sempre com
preocupações moralizantes.

PRINCIPAIS NOMES: Fernão Lopes e Gil Vicente.

 QUINHENTISMO
Quinhentismo é a denominação genérica de todas as manifestações literárias ocorridas
no Brasil durante o século XVI, correspondendo à introdução da cultura européia em
terras brasileiras. Não podemos falar numa literatura do Brasil, aquela que reflete a
cosmovisão do homem brasileiro, e sim numa literatura no Brasil, ou seja, uma
literatura ligada ao Brasil, mas que denota a cosmovisão, as ambições e as intenções do
homem europeu: a conquista material, resultante da política das Grandes Navegações, e
a conquista espiritual, resultante, no caso português, do movimento de Contra-Reforma.
Essas preocupações determinaram as duas manifestações literárias do Quinhentismo
brasileiro: a literatura informativa, com os olhos voltados para as riquezas materiais
(ouro, prata, ferro, madeira, etc.) e a literatura dos jesuítas, voltada para o trabalho de
catequese.

Por outro lado, afora a carta de Pero Vaz de Caminha, considerada o primeiro
documento da literatura no Brasil, as principais crônicas da literatura informativa datam
da segunda metade do século XVI, fato compreensível, uma vez que a colonização só
pode ser contada a partir de 1530. A literatura jesuítica, por seu lado, também
caracteriza o final do Quinhentismo, tendo esse religiosos pisado o solo brasileiro
somente em 1549.

PRINCIPAIS NOMES: Pero Vaz de Caminha e José de Anchieta.

 BARROCO
O Humanismo renascentista, valorizando o homem e seu “estar no mundo”, por um
lado, e a antiguidade clássica, suas artes, sua filosofia de vida, seus costumes, por outro,
levou-o a pensar de maneira não só diferente, mas até mesmo oposta, a encarar a vida,
as partes e a religião de modo muito diverso daquele da Idade Média. Uma série de
acontecimentos políticos e sociais vieram dar ao homem medieval, ignorante, rude e
amedrontado, nova medida de seu valor.

Do ponto de vista religioso, no período renascentista, como decorrência do próprio


humanismo surge nova forma de paganismo, ou melhor, surge uma semipaganização do
homem, que não se limita ao leito, estendendo-se à própria Igreja.

Reagindo contra esse semipaganismo e contra as conseqüências dele, há no seio da


própria Igreja Católica um movimento de reação, a chamada Reforma que, com o
tempo, transforma-se numa nova religião, ou melhor, num ramo do Cristianismo.
Para combater a Reforma, o catolicismo lança a Contrarreforma que tinha também,
além da finalidade expressa em seu próprio nome, a de combater o semipaganismo que
dominava o mundo ocidental. Esse movimento foi entregue aos padres da Companhia
de Jesus, os jesuítas, ordem fundada em 1540 por Santo Inácio de Loyola.

Alertado pela Contrarreforma para sua alma imortal, da qual já pouco se lembrava –
pois importava-se mais consigo como ser que está no mundo – o homem sentiu mais
que nunca o drama de possuir um corpo mortal, impelido por desejos e amando o
material, como continente da alma imortal e espiritualista.

Tudo isso gera na alma do homem um estado de tensão, de angústia e de incertezas que
se manifestam literariamente através do estilo a que se chamou Barroco.

Depreende-se do que ficou dito que o Barroco é, antes de tudo, a arte das oposições,
geradas exatamente pelo conflito desencadeado na alma humana pela luta entre o
materialismo renascentista e o espiritualismo medieval, entre o sagrado e o profano, o
espírito e a carne. Daí ser o Barroco literário essencialmente antagônico, e as antíteses
constituírem sua característica mais marcante.

PRINCIPAIS NOMES: Gregório de Matos (o primeiro poeta efetivamente brasileiro) e


Pe. Antônio Vieira e Gregório de Matos.

 ARCADISMO / NEOCLASSICISMO
O Arcadismo, Setecentismo (os anos 1700) ou Neoclassicismo é o período que
caracteriza principalmente a segunda metade do século XVIII, tingindo as artes de uma
nova tonalidade burguesa. Vive-se, agora, o Século das Luzes, o Iluminismo burguês
que prepara o caminho para a Revolução Francesa.

O Arcadismo, fruto da tentativa de fazer voltar à vida, através da literatura, a primitiva


Arcádia grega, região habitada por pastores chefiados pelo deus Pã, tornou a poesia
neoclássica ainda mais fora de época, mais postiça e inautêntica. Dessa tentativa decorre
o fato de os poetas se apresentarem como pastores, adotando pseudônimos, e se
entregarem a certo tipo de poesia em que a Natureza é, regra geral, totalmente
idealizada, valorizando-se a simplicidade de forma e de idéias, o ideal de vida simples, a
pureza de formas e o equilíbrio na obra literária.

PRINCIPAIS NOMES: Tomás Antônio Gonzaga, Santa Rita Durão, Basílio da Gama e
Cláudio Manuel da Costa.

 ROMANTISMO
O Romantismo origina-se no século XVIII, na Inglaterra e na Alemanha, de onde se
espalha para a França, Itália e os demais países da Europa.

O movimento romântico surgiu como oposição ao espírito racional dos clássicos


(equilíbrio, perfeição, clareza, harmonia, disciplina) e como meio de expressão da
burguesia, que define o seu poder com o sucesso político da Revolução Francesa (1789)
e com o prestígio econômico da Revolução Industrial (1760). Expressando o anseio de
liberdade dessa nova classe, então eufórica com a recente vitória sobre a nobreza
decadente, a literatura romântica baseia-se na imaginação e no sentimentalismo, que
desrespeitam as normas e os modelos de literatura clássica. Resulta daí uma literatura
impetuosa, fantasista, sonhadora, intuitiva e libertária, apoiando-se num tipo de frase
envolvente e calorosa, bem próxima das expectativas populares.

PRINCIPAIS NOMES: Almeida Garret, Camilo Castelo Branco, Gonçalves Dias,


Álvares de Azevedo, José de Alencar, Martins Pena e Castro Alves.

 REALISMO
O Realismo é um movimento literário que surgiu na Europa, na segunda metade do
século XIX, influenciado pelas transformações que ali se operavam no âmbito
econômico, político, social e científico.

Economicamente, vivia-se a segunda fase da Revolução Industrial, período marcado


pelo clima de euforia e progresso material que a burguesia industrial experimentava em
virtude das inúmeras invenções possibilitadas pelas descobertas científicas e
tecnológicas.

Os escritores, diante desse quadro de mudança de idéias e da sociedade, sentem a


necessidade de criar uma literatura sintonizada com a nova realidade, capaz de abordá-
la de modo mais objetivo e realista do que até então vinha fazendo o Romantismo.

As descobertas científicas, as idéias de reformas políticas e de revolução social exigiam


dos escritores, por um lado, uma literatura de ação, comprometida com a crítica e a
reforma da sociedade, e de outro, uma abordagem mais profunda e completa do ser
humano, visto agora à luz dos conhecimentos das correntes científico-filosóficas da
época.

Aparece então o Realismo, que procura, na literatura, atender às necessidades impostas


pelo novo contexto histórico-cultural. Suas atitudes mais freqüentes são o combate a
toda forma romântica e idealizada de ver a realidade; a crítica à sociedade burguesa e à
falsidade de seus valores e instituições (Estado, Igreja, casamento, família); o
embasamento no materialismo; o emprego de idéias científicas; a introspecção
psicológica das personagens; as descrições objetivas e minuciosas; a lentidão na
narrativa; a universalização de conceitos.

PRINCIPAIS NOMES: Eça de Queiroz e Machado de Assis.

 NATURALISMO
Os ideais do Realismo levados às ultimas conseqüências originaram o que se chamou de
Naturalismo, movimento que considera o ser humano como um produto biológico,
profundamente marcado pelo meio ambiente, pela educação, pelas pressões sociais e
pela hereditariedade. Todos esses fatores determinam a sua condição, o seu
comportamento. O escritor naturalista observa, estuda, segue o seu personagem de
perto, para entender as causas desse comportamento e chegar ao conhecimento objetivo
dos fatos e situações.

PRINCIPAIS NOMES: Aluísio Azevedo

 PARNASIANISMO
O Realismo, na poesia, chamou-se Parnasianismo. Os poetas parnasianos adotam a
teoria da “arte pela arte” e deixam transparecer, em suas obras, uma espécie de
impassividade, de indiferença moral. Muitas vezes pintam uma beleza exterior, arcaica,
exótica. Protestam contra o individualismo e subjetivismo exagerado dos românticos e
valorizam a forma do poema; usam uma linguagem extremamente elaborada, indo à
procura de palavras incomuns; adotam a observância rígida das regras da metrificação.

PRINCIPAIS NOMES: Olavo Bilac, Raimundo Correia e Alberto de Oliveira.

 SIMBOLISMO
Contrariamente aos parnasianos, que tinham uma visão objetiva e científica do mundo,
os simbolistas procuraram expressar de maneira subjetiva o mundo do inconsciente, do
vago, do nebuloso, da ilusão, do caos, do ilógico e do mistério.

Trazido da França, onde o poeta Boudelaire havia publicado Flores do Mal, em 1857,
inaugurando a nova estética, o Simbolismo teve início em Portugal com a publicação de
Oaristos (1890), de Eugênio de Castro, e, no Brasil com a publicação de Missal e
Broquéis (1893), de Cruz e Sousa.

Singularmente, nota-se neste estilo um ponto de contato com o Romantismo, uma vez
que os autores simbolistas retornavam ao antigo subjetivismo, dando ênfase ao “eu” do
poeta, à exploração de sua alma, de seu sentimento, de sua sensibilidade.

Entretanto, se os autores românticos nessa introversão não passam das camadas mais
superficiais da alma humana, o mesmo não acontece com os simbolistas, de vez que a
sua auto-sondagem é muito mais profunda e significativa, atingindo os limites do
inconsciente. Acreditavam eles estar aí, nestas regiões desconhecidas e inexplicáveis da
alma humana, o repositório de sensações e emoções que caracterizam a essência de
todas as coisas. Os autores do movimento aprenderam da evolução da psicanálise que o
ser humano não era apenas um todo orgânico-biológico, mas sobretudo que esse “todo”
se orientava por uma série de reflexos íntimos, alucinantes às vezes, que seriam o
manancial de toda a emotividade. Perseguia-se, pois, nessa introversão, a potencialidade
humana de abstração do belo e do sublime, fazendo da Arte a representação desse
sentimento de êxtase e finura estética.

PRINCIPAIS NOMES: Eugênio de Castro, Cruz e Souza.

 MODERNISMO
O início do Modernismo no Brasil é assinalado pela Semana de Arte Moderna, ocorrida
em São Paulo, em fevereiro de 1922. A Semana de 22, como também é conhecida, foi o
resultado de uma séria de eventos que marcaram a vida cultura brasileira nas duas
primeiras décadas do século XX. Para que a Semana de 22 ocorresse era necessário que
nossos modernistas tivessem algum tipo de contato com as vanguardas européias para
poderem adequá-las a nossa realidade. Assim, temos Oswald de Andrade em 1912,
retornando da Europa, imbuído do Futurismo de Marinetti; exposição da pintura
expressionista de Lasar Segall em 1913 e a exposição de Anita Malfatti e seu cubismo;
entre outros acontecimentos importantes.

Todos esses fatos ocorriam, enquanto o país passava por um período histórico
conturbado, que resultaria no fim da República Velha (1889-1930). O ano de 1922 foi
muito especial nesse contexto. Justamente no centenário da Independência, em meio a
crises no cenário político e militar (a Revolta dos 18 do Forte, no Rio de Janeiro),
intelectuais e artistas, influenciados pelas idéias de vanguarda européia, organizaram,
então, a Semana de Arte Moderna, em São Paulo. Vale lembrar, que a modernidade
deu-se em função da industrialização, havendo, pois, uma mudança de eixo cultural,
uma vez que quase todas as escolas desenvolveram-se no Rio de Janeiro e, desta vez, a
escola modernista se desenvolveria em São Paulo, pólo da industrialização. Os eventos
– sessões, conferências, recitais, exposições de artes plásticas – se deram no Teatro
Municipal, com a participação de: Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Guilherme
de Almeida, Menotti DelPicchia, Graça Aranha, Ronald de Carvalho, Guiomar Novais,
Heitor Villa-Lobos, Paulo Prado, etc. Iniciava-se o Modernismo no Brasil, renovando a
mentalidade nacional e colocando o país na atualidade do mundo.

- 1ª Fase (1922-1930)

É uma fase de definição de comportamentos e tendências, cheia de publicações de


revistas e manifestos. Também na política, o Brasil passa por momentos de
transformações (fim das oligarquias rurais e da política do “café com leite”), que vão
culminar com a Revolução de 1930, quando Getúlio Vargas sobe ao poder.

É o período mais radical do Modernismo, caracterizado:

1. pelo menosprezo e pela destruição de tudo o que havia sido feito anteriormente,
isto é, rompimento total com o passado;
2. pelos ideais anárquicos;
3. por um nacionalismo exagerado;
4. pelo primitivismo, isto é, pela volta às origens.
- 2ª Fase (1930-1945)

Trata-se de uma fase de construção, com idéias literárias inovadoras e de muita


produtividade – na prosa e poesia. Politicamente, os acontecimentos eclodem, tanto fora
do país (depressão econômica, nazismo, Segunda Guerra Mundial) como aqui dentro
(ditadura de Getúlio Vargas e o Estado Novo).

É o período que se caracteriza:

1. por uma literatura construtiva e com consciência política, que não quer negar as
mudanças dessa época;
2. por uma reflexão e posterior amadurecimento das idéias da Semana de 22. A
grande maioria de autores dessa segunda fase são os mesmos da primeira fase,
mas a eles novos nomes se juntaram. A saber: na Poesia – Carlos Drummond de
Andrade, Cecília Meireles, Augusto Frederico Schmidt, Jorge de Lima, Vinícius
de Moraes, etc.
3. O romance urbano e psicológico (romance intimista) – Clarice Lispector,
Marques Rebelo, Lúcio Cardoso, Octávio de Faria, José Geraldo Vieira,
Cornélio Pena;
4. O romance “do Nordeste” (ou Regionalismo de 1930) – Érico Veríssimo, Jorge
Amado, Graciliano Ramos, José Lins do Rego, Rachel de Queiroz;
- 3ª Fase (1945)

No Brasil, é o período em que se encerra a ditadura de Getúlio Vargas e, no cenário


mundial, o final da Segunda Grande Guerra. Na literatura, temos como representante
magistral desta fase, João Guimarães Rosa, que registrou a psicologia, a fala e o mundo
do jagunço do centro do Brasil. Na poesia, destacam-se: João Cabral de Melo Neto,
Ferreira Gullar, Ledo Ivo, Mauro Mota.

Rosa cria um tipo de texto diferente; não faz parte de nenhum grupo, não é regionalista,
nem intimista; diz-se que pegou um pouco das características modernistas da 1ª fase e
mais um pouco das características da 2ª fase e criou um terceiro estilo, o qual chamamos
de Regionalismo Universalista. Assim, tudo que o Modernismo conquistou mais aquilo
que os modernistas não conseguiram copiar, Rosa inseriu em “Grande Sertão: veredas”,
sua obra mais importante. Vale lembrar, que dentro da prosa, Guimarães Rosa e
Machado de Assis são tidos como os dois autores brasileiros de maior importância, pois,
apesar de não serem contemporâneos (Machado morreu no ano em que nascia Rosa)
possuem a mesma sofisticação e qualidade literárias.

PRINCIPAIS NOMES: Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Manuel Bandeira,


Jorge Amado, Graciliano Ramos, Guimarães Rosa, Carlos Drummond de Andrade.

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