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CURSO BÁSICO DE APICULTURA

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MATERIAL DIDÁTICO

SUMÁRIO

Introdução ......................................................................................02
As Castas .......................................................................................03
A Rainha, Zangões e Operárias....................................................03
Ciclo evolutivo das abelhas .........................................................08
Transporte de alimentos pelas abelhas.......................................09
Anatomia das abelhas ..................................................................09
Comunicação e orientação das abelhas .....................................12
As abelhas e a polinização............................................................13
Produtos Apícolas e comercialização ........................................13
Vestimenta e utensílios ................................................................21
Casa do Mel ..................................................................................25
A colméia .......................................................................................26
Instalação do apiário.....................................................................30
Flora Apícola..................................................................................31
Início da criação ................................................................................32
Captura do enxame ...........................................................................33
Manejo das abelhas ..........................................................................35
Inspeção das colméias .....................................................................35
Enxameação e seu controle..............................................................37
Alimentação artificial ........................................................................39
União de colméias ............................................................................42
Divisão de colméias ..........................................................................43
Identificação da rainha .....................................................................44
Novas Alternativas.............................................................................46
Bibliografia ........................................................................................47
INTRODUÇÃO

As abelhas são insetos conhecidos e explorados desde as épocas mais remotas, pelo
homem primitivo para delas extrair o mel, o seu adoçante natural, o qual era até o século
XVII, a única substância doce usada na cozinha. A apicultura, técnica de explorar
racionalmente os produtos das abelhas existe desde o ano de 2400 antes de cristo. Os
egípcios e gregos desenvolveram rudimentares técnicas de manejo que só foram
aperfeiçoadas no final do século XVII.
A abelha é um inseto que pertence à ordem dos himenópteros e à família dos apídeos. São
conhecidas cerca de vinte mil espécies diferentes.
No Brasil existem vários tipos de abelhas, as abelhas nativas sem ferrão que sempre viveram
aqui como a jandaíra, canudo, tubiba, urussú e outras mais; e as exóticas, isto é, as que
vieram de fora como a italiana, a africana e outras do gênero Apis, de onde se originou o
termo apicultura.
Atualmente, em condições de campo, não existem mais abelhas africanas, italianas ou
qualquer outra exótica pura em nosso país. As abelhas de origem européia, as italianas,
empregadas na apicultura brasileira eram mansas e pouco adaptáveis às condições
ambientais do Brasil. Por isso elas tinham uma baixa produção de mel. Assim, em 1956,
foram introduzidas no Brasil pelo pesquisador Warwick Estevan Kerr, abelhas africanas, que
se caracterizavam pela alta produtividade melífera e por serem muito agressivas. Pretendia-
se obter híbridos das abelhas africanizadas cruzando as abelhas européias com as
africanas. Em 1957, algumas abelhas Rainhas escaparam do reservatório e o cruzamento
ocorreu aleatório na natureza. Foi o início da praga que se alastrou por toda América do sul
devastando as apiculturas das abelhas nativas, mas que hoje nos proporcionam uma
Apicultura forte, do ponto de vista econômico. Elas se cruzaram originando uma abelha
altamente resistente, produtiva e bem adaptada as nossas condições, chamada de abelha
africanizada ou mestiça.

Já as abelhas nativas dependem muito das matas para sobreviver, tanto para fazer seus
ninhos como para se alimentar. Com o desmatamento acelerado elas vêm diminuindo suas
populações. Além disso, as abelhas africanizadas por existirem em número muito maior
levam vantagem na competição pelo alimento, muito embora as africanizadas prefiram flores
de plantas cultivadas.

AS CASTAS

O gênero Apis é formado por abelhas que vivem num sistema de extraordinária organização.
Em cada colméia existem cerca de 60 mil abelhas, havendo entre elas divisão de trabalho e
separação de castas. As castas são os membros da colméia e estão divididas em três: 1
rainha, 100 a 400 zangões e 50 a 70 mil abelhas-operárias.

A Rainha
A rainha é a personagem central e mais importante da colméia, é conhecida como abelha-
mãe ou abelha mestra. Afinal, é dela que depende a harmonia dos trabalhos da colônia, bem
como a reprodução da espécie.
A rainha vive de 4 a 6 anos. No entanto, a partir do segundo ano a sua fecundidade decai. A
sua principal função é a postura de ovos.Ela põe de 2.000 a 3.000 ovos por dia, ou duas
vezes o peso do seu corpo. Além disso, a abelha rainha é a responsável pela harmonia e
ordenação dos trabalhos da colônia. Ela consegue manter este estado de harmonia
produzindo uma substância denominada ferormônio. Esta substância, além de informar a
colônia da presença e atividade da rainha na colméia, impede o desenvolvimento dos órgãos
sexuais femininos das operárias impossibilitando-as, assim, de se reproduzirem. É por essa
razão que uma colônia tem sempre uma única rainha. Caso apareça outra rainha na colméia,
ambas lutarão até que uma delas morra.
A rainha origina-se de um ovo fecundado, é gerada numa célula especial, que possui a forma
de uma casca de um amendoim, denominada de realeira, aonde ela recebe um tratamento
diferente quanto a alimentação, pois se alimenta de geléia real, enquanto as operárias só se
alimentam com mel.
Ali a rainha se desenvolverá, sendo alimentada pelas operárias jovens exclusivamente com a
geléia real, produto riquíssimo em proteínas, vitaminas e hormônios sexuais. É esta
"superalimentação" que a tornará uma rainha diferenciando-a das operárias.
A abelha rainha leva de 15 a 16 dias para nascer e, a partir de então, é acompanhada por um
verdadeiro séqüito de operárias, encarregadas de garantir sua alimentação e seu bem-estar.
Após o quinto dia de vida, a rainha começa a fazer vôos de reconhecimento em torno da
colméia. E a partir do nono dia, ela já esta preparada para realizar o seu vôo nupcial,
quando, então, será fecundada pelos zangões. A rainha escolhe dias quentes e ensolarados,
sem ventos fortes, para realizar o vôo nupcial.
Os Zangões
A única função dos zangões é a fecundação das rainhas virgens. O zangão é o único macho
da colméia, não possui ferrão e, nasce de ovos não fecundados depositados pela rainha.
Os zangões nascem 24 dias após a postura do ovo e atingem a maturidade sexual aos 12
dias de vida. Vivem de 80 a 90 dias e dependem única e exclusivamente das abelhas
operárias para sobreviver: são alimentados por elas, e por elas são expulsos da colméia nos
períodos de falta de alimento. Quase duas vezes maiores do que as operárias, a presença
de zangões numa colméia é sinal de que a colônia está em franco desenvolvimento e de que
há alimento em abundância.
Apesar de não possuir órgãos de defesa ou de trabalho, o zangão é dotado de aparelhos
sensitivos excepcionais: pode identificar, pelo olfato ou pela visão, rainhas virgens a dez
quilômetros de distâncias.
Os zangões costumam agrupar-se em locais próximos às colméias onde ficam a espera de
rainhas virgens. Durante o vôo nupcial eles as perseguem a rainha e copulam em pleno vôo,
o que acontece sempre acima dos 11 metros de altura. Uma média de oito a dez zangões
conseguem fecundar a rainha - exatamente os mais fortes e vigorosos. Mas eles pagam um
preço alto pela proeza: após a cópula, seu órgão genital fica preso à câmara do ferrão da
rainha e se rompe causando sua morte.
As Operárias
A abelha operária é responsável por todo o trabalho realizado no interior da colméia. As
abelhas operárias encarregam-se da higiene da colméia, coletam água, pólen e néctar,
produzem cera, com a qual constroem os favos, alimentam a rainha, os zangões e as larvas
e cuidam da defesa da família.
Além destas atividades, as operárias ainda mantêm uma temperatura estável, entre 33º e
36ºc, no interior da colméia, produzem e estocam o mel que assegura a alimentação da
colônia, aquecem as larvas (crias) com o próprio corpo em dias frios e elaboram a própolis,
substância processada a partir de resinas vegetais, utilizadas para desinfetar favos e
paredes, vedar frestas e fixar peças.
Resumidamente, as operárias respondem por todo trabalho empreendido na colméia. Elas
nascem 21 dias após a postura do ovo e podem viver até seis meses, em situações
excepcionais de pouca atividade. O seu ciclo de vida normal não ultrapassa os 60 dias.
Mas apesar de curta, a vida das operárias é das mais intensas. E esta atividade já começa
momentos após seu nascimento, quando ela executa o trabalho de faxina, limpando
alvéolos, assoalho e paredes da colméia. Daí a denominação de faxineira. A partir do quarto
dia de vida, a operária começa a trabalhar na cozinha da colméia: com desenvolvimento de
suas glândulas hipofaríngeas, ela passa a alimentar as larvas da colônia e sua rainha.
Chamadas neste período de sua vida, que vai do quarto ao 14º dia, de nutrizes, essas
abelhas ingerem pólen, mel e água, misturando estes ingredientes em seu estômago. Em
seguida, esta mistura, que passou por uma série de transformações químicas, é regurgitada
nos alvéolos em que existam larvas. Esta mistura servirá de alimento às abelhas por nascer.
E com o desenvolvimento das glândulas hipofaríngeas, produtoras geléia real, as operárias
passam a alimentar também a rainha, que se alimenta exclusivamente desta substância.
Também são chamadas de amas.
De nutrizes, as operárias são promovidas a engenheiras, a partir do desenvolvimento de
suas glândulas cerígenas, o que acontece por volta do seu nono dia de vida, as abelhas
engenheiras constroem os favos. Além deste trabalho, estas abelhas passam a produzir mel,
transformando o néctar das flores que é trazido por suas companheiras. Até esta fase, as
operárias não voam.
A partir do 21º dia de vida, as operárias passam por nova transformação: elas abandonam os trabalhos
internos na colméia e se dedicam à coleta de água, néctar, pólen e própolis, e a defesa da colônia. Nesta
fase, que é a última de sua existência, as operárias são conhecidas como campeiras.
IDADE FUNÇÕES
FAXINEIRAS: fazem a limpeza e reforma,
1 a 3 dias
polindo os alvéolos.
NUTRIZES: alimentam com mel e pólen as
3 a 7 dias
larvas c/ mais de 3 dias.
AMAS: alimentam as larvas com idade
7 a 14 dias inferior a 3 dias com geléia real. Também
neste período, algumas cuidam da rainha.
12 a 18 dias LIXEIRAS: Fazem limpeza do lixo da colméia.
ENGENHEIRAS: segregam a cera e
14 a 20 dias
constroem os favos.
18 a 20 dias GUARDAS: cuidam da defesa da colméia.
CAMPEIRAS: trazem néctar, pólen, água e
21 dias em diante
própolis, até a morte.

VÔO NUPCIAL
Somente os zangões mais fortes e rápidos conseguem alcançá-la após detectar o
ferormônio. Localizada a "princesa", dá-se início à cópula. No entanto, os vários zangões que
conseguirem a façanha terão morte certa e rápida, pois seus órgãos genitais ficarão presos
no corpo da rainha, que continuará a copular com quantos zangões forem necessários para
encher a sua espermateca, em média a rainha é fecundada por 6 a 8 zangões. Este sêmen,
coletado durante o vôo nupcial, será o mesmo durante toda sua vida.
O vôo nupcial que a rainha faz é o único em sua vida. Ela jamais sairá novamente da
colméia, a não ser para acompanhar parte de um enxame que abandona uma colméia, para
formar uma nova. Ao regressar de seu vôo nupcial, a rainha passará a ser tratada com
atenção especial por parte das operárias, que a alimentam e cuidam de sua higiene. Se a
jovem rainha é, por exemplo, devorada por um pássaro durante seu vôo nupcial, sua colméia
de origem fica irremediavelmente fadada à extinção.
SUBSTITUIÇÃO NATURAL DA RAINHA VELHA
Quando as operárias percebem que a rainha já não tem a mesma energia, concluem que é
hora de dar origem a uma nova rainha, iniciando assim a construção de realeiras. Tendo
garantida uma ou mais princesas em formação, é necessário eliminar a velha mãe. Assim
elas formam uma bola em torno da rainha velha e ali a vão sufocando até a morte. Terminada
esta etapa, começam a nascer às novas princesas. Só pode haver uma rainha na colméia, e
a primeira que emerge logo procura as outras realeiras para as destruir. Se duas nascem
simultaneamente, lutam entre si, e vence a mais forte.

O NASCIMENTO DAS ABELHAS


Três dias depois de ser fecundada a abelha rainha começa a desovar, botando um ovo em
cada alvéolo. Uma rainha pode botar cerca de três mil ovos por dia.Durante o seu ciclo, as
abelhas passam por quatro etapas muito diferenciadas: ovo, larva, ninfa, pupa e adulto.

Operária →

Zangão →

Rainha →

Os ovos são formados nos ovários da rainha e, ao passarem pelo oviduto, podem ou não ser
fertilizados pelos espermatozóides armazenados na espermática. Os ovos fertilizados darão
origem a abelhas operárias e dos não fertilizados nascerão zangões. Este fenômeno - do
nascimento dos zangões a partir de ovos não fecundados - é conhecido como
partenogênese. Portanto, o zangão nasce sempre puro de raça, por originar-se de ovo não
fecundado.
É interessante saber como a rainha determina quais os ovos que serão fertilizados, ou seja,
darão origem a operárias, e quais os que originarão zangões. O processo se dá seguinte
forma: as abelhas constroem alvéolos de dois tamanhos: um menor, destinado a criação de
larvas de operárias, e outro maior, onde nascerão os zangões. Antes de ovular, a abelha
rainha mede as dimensões do alvéolo com suas patas dianteiras. Constatando ser um
alvéolo de operária, a rainha, ao introduzir seu abdômen para realizar a postura, comprime
sua espermateca, liberando, assim, espermatozóides que irão fecundar o ovo que será
depositado no alvéolo. Caso a rainha verifique que o alvéolo é destinado a zangões, ela
simplesmente introduz o abdômen no alvéolo, sem comprimir sua espermática, depositando
assim um ovo não fecundado.
É importante que o apicultor saiba destas diferenças porque, caso o lote de esperma
presente na espermática da rainha se esgote, todas as abelhas nascerão de ovos não
fecundados, dando origem a zangões unicamente. Neste caso, o apicultor deverá substituir
imediatamente a rainha, para evitar que a colônia desapareça, pela falta de operárias, que
garantem alimentação, higiene e demais serviços da colméia.

Ciclo evolutivo das abelhas


TEMPO OPERARIA RAINHA ZANGÃO
1º ao 3º dia Ovo Ovo Óvulo
3º Eclosão do ovo Eclosão do ovo Eclosão do ovo
3º ao 8º dia Larva Larva Larva
8º Larva Célula operculada Larva
A célula é operculada; a A célula é operculada: a
8º ao 9º dia A larva tece o casulo
larva tece o casulo larva tece o casulo
10º ao 10º 1/2 dia Pré-pupa Pré-pupa Tece o casulo
11º dia Pré-pupa Pupa Pré-pupa
12º dia Pupa Pupa Pré-pupa
16º dia Pupa Inseto Adulto Pupa
21º dia Inseto Adulto - -
24º dia - - Inseto Adulto
1º ao 3º dia Incubação e limpeza Rainha Jovem Vive só para colméia
Começa a alimentar as
4º dia Rainha Jovem Vôos para fora
larvas
Procura rainha para
5º dia Alimenta as larvas Vôo nupcial
fecundar
Alimenta as larvas
jovens, produz geléia Procura rainha para
5º ao 6º dia A rainha é alimentada
real faz os primeiros fecundar
vôos para fora
Produz geléia real e
A rainha começa a se
8º ao 12º dia cera, faz os 1ºs vôos de Se acasalar, morre
fortalecer
reconhecimento
13º ao 19º dia Trabalhos de campeira Incia a postura Se acasalar, morre
21º ao 30º dia Campeira Põe ovos Se acasalar, morre
31º dia Campeira Põe ovos Morre
31º ao 45º dia Coleta pólen e néctar Põe ovos -
55º dia Morre Põe ovos -
Pode voar c/ as abelhas
720º - 1450
- mais velhas, durante a -
(2 a 4 anos)
enxameação. Morre

Como as abelhas transportam os Alimentos


As abelhas colhem o néctar das flores com suas compridas línguas. O produto é
armazenado em sua vesícula melífera (papo de mel), que também transporta a água
coletada. Quando retornam à colméia, as campeiras transferem o néctar que colheram para
as engenheiras, que vão retirar o excesso de umidade e transformá-lo em mel.
As campeiras trazem outro importante alimento para a colméia que é o pólen, conhecido
como saborá ou pão das abelhas. As campeiras coletam o pólen com o auxilio de suas
penugens, e armazenam o material em suas cestas de pólen, situadas nas patas traseiras,
conhecidas como corbículas, daí levam para a colméia onde é estocado nos favos.
Finalmente, as campeiras coletam a resina que será transformada em própolis com o auxilio
de suas mandíbulas e penugens, que é transportada nas cestas de pólen.
A Anatomia da Abelha

O corpo de uma abelha melífera divide-se em cabeça, tórax e abdome.


Através dos grandes olhos compostos, podem orientar-se em seus vôos e distinguir as cores
das flores.
Nas antenas possuem os sentidos da audição, do olfato e do tato, imprescindíveis quando se
encontram na escuridão da colméia. Pelo cheiro podem reconhecer suas companheiras e
detectar seus inimigos.
Asas
Os dois pares de asas são achatados, finos, membranares e fortalecidos por nervuras. As
asas da frente são maiores que as de trás, mas todas trabalham de um movimento
oscilatório.
Cabeça
Na cabeça estão abrigados importantes órgãos. Nas suas duas antenas, por exemplo, estão
localizadas as cavidades olfativas, órgãos muito desenvolvidos, que têm a importante função
de captar odores como o das floradas, e auditivas, de modo que se forem retiradas ficam
totalmente desorientadas.
Também na cabeça está localizado o complexo sistema visual das abelhas, que é composto
por três ocelos, ou olhos simples, situados na parte frontal da cabeça, e de dois olhos
compostos, localizados nas laterais da cabeça, que são constituídos por milhares de
omatídeos, formando um conjunto de olhos interligados. Apesar de fixos, estes olhos são
capazes de enxergar em todas as direções - graças ao seu grande número - e a longas
distâncias.
Ainda na cabeça estão localizadas 3 importantes glândulas: as salivares, cuja secreção é
utilizada no preparo da própolis, as mandibulares, que dissolvem a cera e ajudam a
processar a geléia real que alimentará a rainha e as hipofaríngeas, que funcionam do 4º ao
14º dia de vida da operária e transformam o alimento comum em geléia real. Além das
glândulas e dos órgãos de sentido, ainda estão situados na cabeça o aparelho bucal.
Tórax
Os órgãos de locomoção da abelha estão situados em seu tórax: as seis patas, divididas em
seis segmentos, e seus dois pares de asas. Também se situa no tórax o esôfago das
abelhas.
Os pares de patas diferem entre si, possuindo cada um deles uma função particular. O
primeiro par de patas (patas anteriores) é forrado por pêlos microscópicos e que servem para
Limpar as antenas, olhos, língua e mandíbula.
O segundo par de patas (patas medianas) possui um esporão cuja função é a limpeza das
asas e a retirada do pólen acumulado nos cestos existentes no terceiro par de patas.
O terceiro par de patas (patas posteriores) caracterizam-se pela existência das cestas de
pólen, pentes e espinhos, cuja finalidade é retirar as partículas de cera elaborada pelas
glândulas cerígenas alojadas no ventre.
Abdômen
O abdômen abriga a maioria dos órgãos das abelhas. Nele estão situados a vesícula
melífera (que transforma o néctar em mel e ainda transporta água coletada no campo para a
colméia), o estômago das abelhas, seu intestino delgado, as glândulas cerígenas
(responsáveis pela produção da cera), os órgãos de respiração e órgão exclusivos dos
zangões, das operárias e da rainha (órgãos reprodutores).
Exatamente na extremidade do abdômen está situada a arma de defesa das abelhas: o
ferrão. Para a abelha rainha, o ferrão nada mais é do que um instrumento de orientação, que
visa localizar as células dos favos aonde irá ovular, ou então de defesa, utilizado somente
para picar outra rainha, que porventura tenha nascido ao mesmo tempo, com a qual travará
uma luta de vida ou morte pela hegemonia dentro da colméia. Outro ponto interessante é que
o ferrão da rainha é liso, ou seja, após penetrar e injetar o veneno, ele volta ao seu estado
normal, o que não acontece com as operárias que têm o seu ferrão com ranhuras (em forma
de serrote), e que após penetrar em algo mais duro, como a pele do ser humano, fica preso
puxando parte dos seus órgãos internos, o que ocasiona a morte da abelha logo em seguida.
Assim, para as operárias, o ferrão é uma potente arma de defesa. Ao ferroar a abelha injeta
no inimigo uma toxina que, em grandes doses, pode ser fatal. Basta dizer que se uma
pessoa for ferroada por mais de 400 ou 500 abelhas terá morte certa. No entanto, o veneno
das abelhas, em doses reduzidas e adequadamente administradas, é empregado em vários
países no combate de doenças como o reumatismo, nevralgias, transtornos circulatórios,
entre várias outras.
E também no abdômen que estão localizados os órgãos de reprodução e a glândula de odor
que tem importante papel de possibilitar a identificação entre as abelhas. É por causa deste
cheiro característico que uma abelha não é aceita por uma outra colméia que não seja a sua.
Cada abelha tem a sua colméia, saindo e retornando precisamente sempre para o mesmo
local sem nunca errar de casa, pois se isso acontecer, ela será picada e morta. Esse fato
somente não ocorrerá se, na hora do pouso errado, ela estiver carregada de néctar e pólen;
neste caso a abelha é muito bem recebida e integrada à família.
Finalmente, no abdômen das abelhas, ainda se localiza o coração, que comanda o aparelho
circulatório, formado por vasos, pelos quais circula o sangue das abelhas, chamado
hemolinfa que, diferentemente dos animais de sangue quente, é incolor e frio.

Comunicação e Orientação das Abelhas


As abelhas são dotadas de processo de orientação excepcional, que é baseado,
principalmente, tendo o sol como referência.
Para retornar à colméia, por exemplo, as campeiras aprendem a situar sua habilitação com
relação ao sol assim que fazem os primeiros vôos de treinamento e reconhecimento. Trata-
se de uma espécie de memória geográfica.
As abelhas possuem a rara propriedade de enxergar a luz do sol mesmo nos dias nublados e
encobertos, graças à sua sensibilidade à radiação ultravioleta emitida pelo sol. As abelhas
utilizam esse sistema de orientação para guiar suas companheiras em relação às fontes de
alimento recém-descobertas.
Neste caso, quando querem informar sobre a localização e fontes de alimentos, as
campeiras transmitem a informação por meio de um sistema de dança: quando a fonte de
alimento está situada a menos de cem metros da colméia, a campeira executa uma dança
em círculo, e, quando a fonte de alimento está localizada a mais de cem metros, a campeira
dança em requebrado ou em oito. Nas duas situações, a campeira indica a direção da fonte
de alimento pelo ângulo da dança, em relação à posição do sol.

As abelhas e a Polinização
Polinização é o transporte do pólen de uma flor até a parte feminina de outra; deste modo,
obtêm-se os frutos e sementes.
Em alguns casos, o pólen é transportado pelo vento ou pela água, em outros por animais
como o morcego e o beija–flor. Dentre os animais são os insetos os que mais contribuem
com a polinização.
As abelhas são um dos insetos polinizadores mais importantes, já que visitam muitas flores.
Quando pousam sobre uma flor, seu corpo fica coberto de pólen e, ao visitar a flor seguinte,
parte do pólen se desprende, polinizando a planta.
As abelhas são muito importantes para a agricultura. Muitas das plantas que cultivamos,
especialmente as árvores frutíferas, dependem dos insetos para sua polinização. Algumas
vezes, colméias são instaladas perto das plantações para aumentar as produções.
O trabalho de polinização das abelhas tem valor incomparável para a produção agrícola, Do
ponto de vista econômico, pode- se dizer mesmo que, sem abelhas, não há agricultura.

Aumento de produção de algumas culturas devido a criação de abelhas:


Feijão 30 a 50% Chuchu 80 a 90% Coco 30 a 50%
Café 30 a 40% Cebola 80 a 90% Melão 80 a 90%
Caju 40 a 60% Algodão 30 a 40% Melancia 40 a 70%
Abacate 40 a 60% Abóbora 60 a 80% Laranja 40 a 60%

Produtos Apícolas e Comercialização

A Apicultura, atividade antes direcionada somente à produção de mel, vem sendo explorada
cada vez mais e dando ao ser humano um arsenal de produtos que alcançam altos valores
no mercado devido as propriedades que estes apresentam, e benefícios que trazem quando
consumidos pelo homem.
Os produtos apícolas mais comercializados são:

* Mel
* Pólen
* Geléia Real
* Apitoxina
* Cera
* Própolis

Cada um destes produtos exige um manejo diferenciado no apiário, para que seja coletado
com a qualidade que o mercado exige.

MEL
Conhecido desde a Antigüidade, o mel durante muito tempo foi o único produto doce usado
pelo homem em sua alimentação, até ser substituído, gradualmente, por açucares refinados
industrializados, de qualidade bem inferior, como o extraído da cana-de-açúcar.
O mel é, na verdade o único produto doce que contém proteínas e diversos sais minerais e
vitaminas essenciais à nossa saúde. É ainda um alimento de alto potencial energético e de
conhecidas propriedades medicinais. Além disso, o mel é dos poucos alimentos de
reconhecida ação antibactericida, que contém em proporções equilibradas: fermento,
vitaminas, minerais, ácidos e aminoácidos.
SABOR E COLORAÇÃO DO MEL - Produto processado a partir do néctar das flores, o mel
tem sua cor e sabor diretamente relacionados com a predominância da florada. Com relação
à coloração, há, basicamente, os méis claros e os méis escuros. Geralmente, os méis de
coloração clara apresentam sabor e aroma mais suaves e por isso mesmo, são mais
apreciados. É o caso, por exemplo, do conhecido mel de flor de laranja, cipó-uva ou
marmeleiro, que tem alta cotação no mercado. No entanto, os méis de coloração escura são
sais mais ricos em proteínas e sais minerais, sendo, portanto, mais ricos do ponto de vista
nutritivos. Além de vitaminas e sais minerais, o mel apresenta ainda em sua constituição
proteínas, enzimas, hormônios, partículas de pólen e de cera, aminoácidos, dextrinas e um
grande número de ácidos que apresenta, o pH do mel (isto é, seu grau de acidez) é de 3,9.
CRISTALIZAÇÃO - Ao contrário do que muitas pessoas acreditam, a maioria dos méis
puros, genuínos, acaba cristalizando-se (açucarando) com o tempo.
POLÉN
O pólen, um pó fino e colorido existente nas flores, é o elemento reprodutivo masculino das
plantas que é coletado pelas abelhas para a sua alimentação.
O pólen coletado pelas abelhas é o alimento mais completo e valioso da natureza. Ao
armazenar o pólen, as abelhas o misturam com um pouco de mel e ácido 10-hidroxi-2
decenóico, segregado pelas glândulas salivares, que tem a função de conservante.
O nosso organismo necessita de 22 aminoácidos essenciais para o seu perfeito
funcionamento. A maioria dos alimentos contém 01 ou 02 destes aminoácidos. Só o pólen
contém todos os vinte e dois.

Uma dieta, suplementada com pólen, permite ao ser humano viver mais e melhor,
estimulando o funcionamento de todos os seus órgãos internos, melhorando inclusive o seu
desempenho sexual.
Os Gregos antigamente usavam o pólen na composição de uma bebida chamada
AMBROSIA, que era uma mistura de mel e pólen, a qual eles acreditavam ser a bebida da
imortalidade, na realidade uma fonte de energia para o organismo.
O pólen tem um valor nutritivo muito superior a carne ou a proteína da soja.
Riquíssimo em vitaminas (principalmente A e P), proteínas e hormônios apresenta ação
eficaz nos casos de anemia, regulariza o funcionamento dos intestinos, abre apetite,
aumenta a capacidade de trabalhar, baixa a tensão arterial e aumenta a taxa de hemoglobina
do sangue.
O pólen é usado também no tratamento da esterilidade, regula o sistema cerebral e nervoso,
evita doenças senis, regula desordem do metabolismo, estimula os hormônios sexuais e
previne bem como cura doenças da próstata.
O pólen pode ser indicado para:
Fortificante geral para desgaste físico e intelectual
Descongestiona a próstata, rins e fígado
Melhora a pele e fortifica os cabelos
Estimula o pâncreas, combatendo o diabetes
Favorece a virilidade e a fertilidade
Nos transtornos da gravidez e menopausa
Nas afecções orgânicas funcionais (coração, estômago, vesícula biliar e digestão)
Apesar de todas essas propriedades, o pólen não é remédio e sim um alimento que fortalece
o organismo e favorece o crescimento.
GÉLEIA REAL
A geléia real é um produto natural, secretado pelas abelhas jovens e contém notáveis
quantidades de proteínas, lipídeos, carboidratos, vitaminas, hormônios, enzima, substâncias
minerais, fatores vitais específicos, substâncias que aceleram os processos de regeneração
das células, desenvolvendo uma importante ação fisiológica. Na colméia, é utilizada na
alimentação das larvas de abelhas operárias até o terceiro dia de vida, e das larvas dos
zangões.
Mas a geléia real é mais conhecida como alimento por excelência da rainha. Pode-se dizer,
grosso modo, que é graças à geléia real que a abelha rainha é superior, biologicamente
falando, em relação às operárias.
Para o homem a geléia real tem ação vitalizadora e estimulante, aumenta o apetite e tem
comprovado efeito antigripal. Não se conhece, na biologia e medicina, outra substância com
semelhante efeito sobre o crescimento, longevidade e reprodução das espécies.
APITOXINA (Veneno)
Apesar de ser um produto letal para o
homem, quanto aplicado em grandes
proporções, o veneno das abelhas é,
paradoxalmente, um consagrado
medicamento contra diversos distúrbios
e afecções.

Em países como os Estados Unidos e a União Soviética, o veneno das abelhas é um


remédio popular indicado contra várias doenças em especial o reumatismo. A apitoxina,
como é conhecido o veneno, é empregada com sucesso em tratamento contra nevrites e
nevralgias, afecções cutâneas, doenças oftálmicas, na redução da taxa de colesterol do
sangue contra a hipertensão arterial. O veneno das abelhas é administrado por meio de
picadas naturais das abelhas, injeções subcutâneas, pomadas, inalações e até mesmo por
comprimidos. No Brasil, a apitoxina é praticamente desconhecida, e sua aplicação é limitada
aos casos de reumatismo.
CERA
A cera é conhecida pela humanidade desde a pré-história, onde era utilizada no processo de
mumificação dos cadáveres. Os gregos já a conheciam inclusive dando-a importância
mitológica (asas de ícaro). Os romanos a utilizavam na fabricação de frutas idênticas as
originais. Era um produto tão importante que no ano 181 D.C. Córsega pagou a Roma 38
toneladas anuais em cera como forma de pagamento de impostos. Na idade média a cera
era usada para inscrições provisórias e faziam parte da composição de pomadas e
ungüentos. Nessa época também era usada para confeccionar velas, em que a cera
simbolizava a carne de cristo o pavio a alma e a chama a divindade.

É um produto originado a partir da secreção de 8 glândulas cereras situadas no


abdome da abelha operária. Tais glândulas ficam ativas somente entre o 13° e 18° dia de
vida da abelha. Para secretar 1Kg de Cera elas necessitam consumir de 6 a 7 Kg de mel.
Através dos ganchos das pernas do meio, as abelhas removem as escamas de cera
levando-as até a boca com o auxílio das pernas dianteiras que segurarão as placas que são
amassadas e moldadas pelas mandíbulas junto com a saliva das abelhas (secreção
mandibular).
As escamas recém mastigadas, ainda líquidas e esponjosas são usadas para formar os
favos. O processo de remoção, transporte, mastigação e moldagem dura apenas 4 minutos.
Apesar da produção de cera pelas abelhas ser involuntária, isto é, independente de sua
vontade, as abelhas são estimuladas a produzir quando não existem favos suficientes. Nesse
momento elas retém mel em seu papo (vesícula melífera) para ativar as glândulas cerígenas
e elevar produção, o que acontece 24hs depois. No caso da vesícula melífera estar vazia a
produção de cera será mínima, o suficiente para reparar e alongar favos e opercular
alvéolos.
Existe uma relação direta entre a quantidade de cera produzida e a quantidade de pólen e
mel coletado. No caso do mel, são consumidos aproximadamente 8 kg para produzir 1kg de
cera.
O melhor momento para observar as escamas de cera entre os anéis do abdômen das
abelhas é durante a enxameação quando o enxame se enche de mel e passa 24h
amontoado e imóvel no local escolhido antes de construir os favos.

Condições para a secreção de cera: Composição da cera:


Temperatura no grupo de abelhas de 33 Hidratos de carbono 16%
a 36º C Álcoois monoídricos 31%
Presença de abelhas operárias de 12 a Ácidos graxos 31%
18 dias de idade
Ácidos hidroxilicos 13%
Alimentação abundante (pólen + néctar)
Própolis 6%
Ausência de favos (papo de mel cheio)

A cera é um produto apícola essencial para o manejo no apiário. Ela é colocada nos
quadros do ninho e das melgueiras com o objetivo de reduzir o trabalho das abelhas, o que
irá refletir numa maior produção de mel. É também utilizada nas caixas isca na captura
passiva de enxames.
Ela também tem sido utilizada em outros setores:
° No Artesanato para fabricação de velas ornamentais
° Em Cosmetologia para cuidar da pele quando está seca e desvitalizada e
como cera de depilação
° Em Dermatologia devido as suas qualidades cicatrizantes e antiinflamatórias
° Na Indústria para polimento de metais e madeiras, na fotografia,
pirotécnica,etc
O preço do Kg de cera alveolada para uso na apicultura está em torno de R$ 25,00.

PRÓPOLIS

É uma substância resinosa produzida pelas abelhas com o objetivo de vedar frestas e firmar
as estruturas da colméia. Seu nome vem do grego Pró = defesa, proteção e polis = cidade,
ou seja, proteção a cidade das abelhas.

A própolis é usada pelo homem desde os tempos remotos. Os sacerdotes do antigo Egito
faziam uso para embalsamar os mortos. A medicina popular utiliza-se dela para fins
preventivos e curativos. Contudo, foi somente nestas últimas quatro décadas que foi
intensificado o interesse dos pesquisadores em estudá-la. Encontra-se na literatura um
grande número de publicações, sobre a sua composição química, atividades biológicas e
farmacológicas. Nestes estudos, os ensaios biológicos destacam suas ações, bactericida,
antinflamatória, hepatoprotetora, antiúlcera, anticárie, cicatrizante, anestésica e atividade
contra fungos.
Constituída de resinas vegetais, que as abelhas coletam das árvores, cera, pólen e ácidos e
gorduras, a própolis é uma substância que as abelhas processam para fechar frestas da
colméia e soldar peças móveis da sua morada.
As abelhas empregam a própolis também para impermeabilizar e envernizar as paredes da
colméia. Além disso, qualquer corpo estranho que não consiga remover para fora da colméia-
como pequenos animais mortos, camundongos , por exemplo - é encapado com uma
camada de própolis, para impedir ou retardar o processo de putrefação. Desta forma, o
cadáver do animal fica mumificado com a camada de própolis, e seu processo decomposição
é retardado por vários anos.
Seu maior interesse para o homem, no entanto, é sua ação antibiótica e anti-séptica. A
própolis apresenta ação imunológica, anestésica, cicatrizante e antiinflamatória.
Comercialmente, a própolis é vendida em solução alcoólica, em concentrações variáveis. O
produto tem sido testado experimentalmente, em doenças como faringites, câncer de
garganta, pulmão e infecções gerais, em diferentes concentrações.
A própolis, sem dúvida, é um dos produtos apícolas de maior eficácia, quanto aos princípios
ativos transmitidos da planta ao homem e é bastante utilizada nos países desenvolvidos. Ela
possui a propriedade comprovada de antibiótico natural e pesar de não ter contra-indicações,
os estudiosos recomendam o seu uso com cautela, sem exagero e sempre por um período
de no máximo de 90 dias.
Histórico da Comercialização de mel no Brasil e no mundo
Os principais produtores de mel são China, Argentina e México
Exportações mundiais de mel – 2001: US$ 440,14 milhões.
Maiores exportadores – 2001: China (US$ 98,82 milhões); Argentina (US$ 71,51 milhões).
Mercado internacional altamente comprador – Argentina (Cria pútrida; sobretaxa/EUA de
60%) e China (Clorofenicol = Suspensão das importações CEE)
O Brasil passou de 16º, em 94, para 4º exportador mundial de mel
De 2000 a 2002, as Exportações Brasileiras cresceram 4.700 % em volume e 7.000% em
valor - de 269 mil kg/UU$ 331 mil, p/ 12,6 milhões kg/US$ 23,1 milhões.
Elevada capacidade ociosa das indústrias de beneficiamento
Exploração de apenas 15% do potencial da flora apícola – potencial inexplorado superior a
200 mil toneladas de mel

Vazio de Oferta x Capacidade Ociosa

Potencial de incremento na produtividade de 25 até 100kg


No Brasil, o consumo médio de mel é muito baixo (200g/p/a), se comparado com o de
açúcar (25 kg/p/a).
Na Alemanha o consumo de mel é de 2,4 kg/p/a.
Vazio de oferta produção (40 mil t/ano) e consumo interno de mel (60 mil t./ano)
Alta qualidade do mel brasileiro
Maior rusticidade e resistência das abelhas africanizadas
Potencial de produção de mel orgânico – disponibilidade de
plantas melíferas silvestres, isentas de pesticidas e
herbicidas
Produção de mel e Polinização.
Exportações Brasileiras de Mel (ton/ano)
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Exportações Internacionais de Mel (ton/ano)


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Exportações de Mel no Estado do Ceará (ton/ano)

Repercussão internacional

DEVOLUÇÃO DE MEL POR MOTIVO DE MÁ QUALIDADE


Recentemente seis contêineres foram devolvidos pela Alemanha e quatro pelos Estados
Unidos, devido á baixa qualidade higiênica.

Nota
Aparentemente foi fácil entrar para o mercado internacional, mas muito mais fácil é sair. Há
três anos atrás a participação das vendas externas não chegava a 5%.

A reviravolta começou acontecer quando as 103 mil toneladas de mel exportadas pela
China e as 88 mil da Argentina, principais fornecedores do mercado internacional, foram
vetadas ao se detectar que estavam contaminadas por cloranfenicol, um antibiótico
cancerígeno. A decisão criou um déficit de 50 mil toneladas de mel no mercado internacional.
Essa situação favoreceu as exportações de mel do Brasil. Não fosse isso, talvez até hoje não
estaríamos exportando.

O Brasil, por enquanto, não tem contaminação por antibióticos, mas no que tange à higiene,
deixa muito a desejar. Vivemos no mercado seletivo onde só permanecerão empresas sérias.

Alguns Cuidados

Alguns méis tem sido reprovados no exterior com alto teor de glicose e sacarose
provenientes da alimentação artificial das colméias
Havendo necessidade de alimentar, faça-o na medida da estreita necessidade do enxame,
seja para manutenção, seja para crescimento rápido antes de uma florada
Vestimenta e Utensílios

Antes de estudar as técnicas de manejo das abelhas, o apicultor deve conhecer os


equipamentos, ferramentas e, principalmente a vestimenta com que irá trabalhar. Afinal, criar
abelhas não é o mesmo que criar coelhos ou ovelhas. As abelhas não são animais dóceis.
Elas tratam de proteger sua família contra qualquer tipo de ameaça, se defendendo de todos
os que consideram suspeitos com ferrão. Assim, para trabalhar com abelhas, o apicultor
deve estar adequadamente vestido, para defender-se de eventuais picadas.
Vestimenta
A vestimenta básica é composta por uma máscara, um macacão, um par de luvas e um par
de botas.
O melhor tipo de mascara é o de pano, com visor de tela metálica fosca, que permite melhor
visibilidade.
As luvas devem ser finas o suficiente para que o apicultor não perca totalmente o tato, que é
muito importante na manipulação das abelhas. As luvas de plástico, muitas vezes não são
resistentes às ferroadas, ê tem o inconveniente de não permitir a evaporação do suor das
mãos, o que dificulta os trabalhos e cujo odor pode irritar as abelhas. As luvas de couro fino,
brancas, são as mais indicadas.

O macacão deve ser constituído de uma única peça. Ele também deve ser largo, folgado o
suficiente para não criar resistência junto ao corpo, o que permitiria a ferroada da abelha.
As extremidades do macacão (mangas e pernas) devem ser arrematadas com elástico, para
impedir a entrada de abelhas na vestimenta e o tecido deve ser resistente para defender o
corpo de ferroadas. O brim é bastante utilizado e oferece uma boa proteção.
Finalmente, não se esqueça das botas. As melhores são as de borracha, branca, de cano
médio ou longo, sobre o qual é ajustada a bainha do macacão.
Importante: lembre - se sempre que as abelhas particularmente sensíveis às tonalidades
escuras, especialmente ao preto e ao marrom. As abelhas têm verdadeira aversão a estas
cores, que provocam seu ataque. Por isso, toda a indumentária do apicultor deve ser de cor
clara. As mais indicadas são o branco, o amarelo e o azul- claro, tons que não as irritam.
PRINCIPAIS UTENSÍLIOS
Fumegador - Utensílio obrigatório para qualquer tipo de trabalho. Sua função é a de diminuir
a agressividade das abelhas.
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É constituindo por um fole, que é acoplado a uma fornalha dotada de grelha, na qual se
queima o material que produzirá a desejada fumaça. Os de tamanho grande são preferíveis,
pois garantem fumaça por maior espaço de tempo.
A fumaça é utilizada para criar a falsa impressão de um incêndio na colméia. Assim, ao
primeiro sinal de fumaça, as abelhas correm a proteger as larvas e engolem todo o mel que
podem, para salvar alimento em caso de necessidade de fuga. Isto tudo faz com que as
abelhas desviem a atenção do apicultor, que pode então trabalhar com tranqüilidade. Além
disso, as abelhas, com seus papos lotados de mel, ficam pesadas e têm dificuldade para
desferir a ferroada.
Como preparar e aplicar a fumaça - Os materiais mais apropriados para a produção de
fumaça são de origem vegetal, como serragem grossa. O importante é que a fumaça não
seja jamais produzida por materiais que possam irritar as abelhas, como óleo de qualquer
natureza, querosene, plástico, gasolina e produtos que desprendam odor forte ou mau
cheiro. A fumaça deve ser fria e limpa e usada com cautela, em pequenas quantidades, para
não irritar as abelhas.
Espanador - É empregado para remover as abelhas dos quadros da colméia sem feri-las.
Normalmente, é feito de crina animal.
Facas e garfos desoperculadores - São instrumentos utilizados para tirar o selo de cera
(opérculos) dos favos, permitindo assim a extração do mel.
Formão de apicultor - é uma ferramenta praticamente obrigatória. É utilizada para abrir a
tampa da colméia, que normalmente é soldada à caixa pelas abelhas com a própolis. Serve
também para separar a desgrudar peças internas da colméia.
Centrífugas - São equipamentos destinados à extração de mel sem provocar danos aos
favos, que, poderão, desta forma, ser reaproveitados.
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Apesar das vantagens que apresenta, a centrífuga pode não ser adquirida pelo apicultor que
inicia com poucas colméias. Ela só se justifica em casos de determinados volumes de
produção. Uma interessante alternativa, para apicultores que iniciam com poucas colméias, é
a aquisição da centrífuga em regime de associação.

Mesa Desoperculadora – É uma espécie de grande tanque de inox, que auxilia no processo
anterior a centrifugação que é o rompimento dos favos. Com o auxílio da mesa os resquícios
dos opérculos (cera) e o mel que caiu junto a estes, são beneficiados, evitando o
desperdício.
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Casa do Mel

A CASA DE MEL é o ambiente onde são realizadas a extração e a preparação básica do mel
para comercialização.
PONTOS QUE DEVEM SER OBSERVADOS NO PLANEJAMENTO E CONSTRUÇÃO DA
CASA DE MEL

Planejamento:
Projeto e local
Dimensionamento: número de colméias;
Localização: Fácil acesso, próximo a produção e livre de poluição;
Divisão interna:
Recepção de melgueiras;
Manipulação de favos e de mel:
 Desoperculação;
 Centrifugação;
 Decantação;
 Estocagem de mel centrifugado
 Banheiros e vestiário
 Depósito

A Colméia
A apicultura racional nasceu quando o homem
desenvolveu o sistema de quadros móveis
instalados em colméias. Até então, o homem
simplesmente pilhava o mel das abelhas que
vivem em abrigos naturais, como ocos de
árvores, cupins, fendas de pedras etc., ou
procurava criá-las em caixas rústicas de
madeira, cestos de palhas e outros recipientes.
Mas os resultados não eram dos melhores. A
pilhagem do mel de colméias quase sempre
leva a colméia à morte.
No caso da criação de abelhas em caixas
rústicas de mel é muito pequena e o produto é
de péssima qualidade, pois ele é obtido
espremendo - se os favos que são recortados e
removidos das colméias.
Na apicultura racional este problema foi
solucionado com invenção dos quadros móveis
no final do século passado. A apicultura
moderna, que permite a produção de grandes
quantidades de mel, pólen e outros produtos,
desenvolveu este sistema, que consiste em
induzir as abelhas a construírem seus favos em
quadros dispostos verticalmente na colméia.
Este sistema oferece uma série de vantagens
de ordem prática, como por exemplo, permitir
que o apicultor inspecione o interior da colméia
e intervenha sempre que for preciso: eliminando
favos velhos, controlando focos de pragas
(como as traças), trocando a posição dos
quadros e prevenindo a enxameação.

Este sistema permite também a utilização de lâminas de cera alveolada que diminuem
enormemente o trabalho das abelhas -, possibilita o emprego de alimentadores artificiais
(que garantem alimento à família durante os períodos de falta de floradas), permite o
reaproveitamento dos favos, e, mais importante, a contínua colheita de mel. Além destas
vantagens, as colméias dotadas de quadros móveis podem ser fortalecidas com a introdução
de um quadro de mel ou de crias de outra colméia - como veremos mais tarde.
O pequeno apicultor, isto é, aquele que deseja manter apenas algumas caixas de abelhas
para o seu uso, pode, por exemplo, adquirir apenas um jogo de colméias completo, depois
de construir as demais, seguindo à risca as medidas daquela que foi adquirida. Na confecção
dos quadros, não há necessidade de fazer recorte da madeira, a fim de dar espaço entre os
mesmos por ocasião da disposição no ninho ou melgueira. Nas casas especializadas são
vendidos espaçadores, os quais devem ser colocados no lado dos quadros a fim de dar o
espaçamento certo entre elas. O mais importante nas colméias são as medidas internas nos
ninhos e melgueiras, como também as medidas externas dos quadros.As medidas devem
ser exatas, porque os quadros de uma colméia poderão ser usados em qualquer outra. Após
a centrifugação do mel essa é uma situação bem comum.As medidas da colméia são as
seguintes: ninho 37cm de largura; 46,5cm de fundo e 24cm de altura; enquanto que a
melgueira tem também 37cm de largura, 46,5 cm de fundo e 14,5cm de altura. As medidas
acima são internas.
Os quadros para o ninho possuem as seguintes medidas externas: 48,1cm de comprimento
na parte superior, embaixo 45cm e a altura é de 21,5cm; os quadros para a melgueira tem as
mesmas larguras do ninho; a altura é de 12.0cm. A espessura dos quadros é de 1.0cm. O
ninho, melgueira, assoalho e tampa são confeccionados com madeira de espessura de 2 cm
e os quadros com madeira de 1cm. Tanto no ninho como na melgueira, devem ser feitos um
rebaixo para acomodar, isto é, assentar os quadros sendo a altura de 1,9cm e a largura de
1cm.
Construção das Colméias
O tipo mais usual em todo mundo é a colméia Langstroth americana, que se adaptou muito
bem no Brasil.
PLANTA BÁSICA DA COLMÉIA LANGSTROTH
QUADROS DA CÂMARA DE CRIA: Travessa superior: 481 mm
Travessa inferior: 450 mm
Laterais:
QUADROS DA MELGUEIRA:
Travessa superior: 481 mm
Travessa inferior: 450 mm
Laterais:
NINHO OU CÂMARA DE CRIAS:
Comprimento 485 mm
Largura: 370 mm
Altura: 240 mm
FUNDO:
Largura: 410 mm
Comprimento: 600 mm
TAMPA:
Largura: 440 mm
Comprimento: 510 mm
Partes da colméia
As colméias apresentam: um fundo, ou assoalho, um ninho que é compartimento reservado
ao desenvolvimento da família - a melgueira, compartimento onde é armazenado e mel, os
quadros, nos quais são moldados os favos de mel ou de cria, e uma tampa.
Todas estas peças - assoalho, ninho, melgueiras, quadros e tampa - são móveis, o que
facilita o trabalho de intervenção do apicultor. Outra vantagem por ser móvel é que este
sistema permite que a colméia possa ter aumentado ou diminuído o número de melgueiras,
dependendo da intensidade da florada.
Diferentes materiais podem ser empregados na construção das colméias; madeiras, fibra de
vidro, amianto, concreto, isopor etc. No entanto, dá-se preferência, por razões de ordem
prática e econômica, a madeira.
Há uma afinidade de modelos de colméias, sendo que a mais indicada para as nossas
condições é a colméia Langstroth, ou Americana. Idealizada por um dos pais da moderna
apicultura, o pastor Lorenzo Langstroth, este tipo de colméia é a mais utilizado em todo o
mundo e é recomendada pelo padrão pela Confederação Brasileira de Apicultura e o
Ministério da Agricultura.
PINTURA DAS COLMÉIAS
Uma vez prontas às colméias,como ficarão praticamente expostas ao tempo, convém pintá-
las com tinta a óleo, com cores claras, como branco, creme, azul- claro, verde-claro, com
duas ou três demãos; isto deve ser feito apenas nas partes externas.
O ESPAÇO- ABELHA
Langstroth, pastor presbiteriano, desenvolveu sua colméia quando descobriu o que se chama
hoje de espaço abelha, que é o menor espaço livre que pode existir no interior de uma
colméia, para permitir a livre movimentação das abelhas. Este espaço abelha é uma
descoberta muito importante. Ele é a própria referência da abelha no interior da colméia. As
abelhas vedam, com própolis, todas as frestas e vão inferiores a 4,8mm e constroem favos
nos espaços superiores a 9,5mm.
Ao descobrir esta característica das abelhas, Langstroth desenvolveu um tipo de colméia,
compostos por dez quadros, que mantém, entre si e entre as paredes, a segura distância de
9mm, em média.
Por se tratar de um objetivo que reclama precisão e exatidão, em termos de dimensões e
medidas, não é aconselhável ao apicultor iniciante produzir suas próprias colméias. Mais fácil
e prático é adquiri-las já prontas.
TELA EXCLUIDORA
A tela excluidora na verdade é uma chapa perfurada que não permite que a rainha se
desloque do ninho para a melgueira, onde poderia depositar seus ovos e comprometer o mel.
A tela excluidora, instalada entre o ninho para a melgueira, permite apenas e tão somente a
passagem das operárias do ninho para a melgueira, onde depositarão o mel que, mais tarde,
será colhido pelo apicultor.
CERA ALVEOLADA
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Outro importante aperfeiçoamento da apicultura moderna foi o desenvolvimento da cera
alveolada. Com este material o produtor poupa trabalho de sua abelhas e ganha tempo na
produção de mel. A cera alveolada é uma lâmina de cera de abelha prensada, que
apresenta, de ambos os lados, o relevo de um hexágono do mesmo tamanho do alvéolo, que
servirá de guia para a construção dos alvéolos dos favos. A cera é fixada ao soldá-la em um
arame que corre por dentro dos quadros.

Instalação do Apiário

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A localização do apiário é um dos fatores mais importantes para o sucesso da apicultura.
Antes de instalar suas colméias, o apicultor deve levar em conta a disponibilidade de água e
alimentos (floradas) para suas abelhas, procurar protegê-las de ventos fortes, correntes de
ar, insolação intensa e umidade excessiva. Mas a maior preocupação do apicultor deve ser
com relação á segurança de pessoas e animais.
O acesso ao apiário deve ser fácil, a fim de economizar tempo e reduzir os trabalhos do
apicultor. No entanto, as colméias devem estar distantes 200 a 300 metros, no mínimo, de
qualquer tipo de habitação, estradas movimentadas e criações de animais. Afinal, as abelhas
são seres extremamente sensíveis a odores exalados por animais e pelo homem e irritam -
se com qualquer tipo de movimentação anormal que ocorra nas proximidades da colméia, e
nunca é demais lembrar que seu veneno, quando injetado em grandes quantidades, é fatal
para a maioria dos seres vivos, inclusive o homem.
Para prevenir o ataque de inimigos naturais das abelhas, mantenha o apiário livre de mato e
de arbustos que dificultem o vôo das campeiras. A utilização de projetores antiformigas nos
cavaletes é muito importante em certas regiões.
Um último cuidado: Levando em consideração o potencial do pasto apícola de nossa região e
o raio de vôo das abelhas, os apiários devem possuir de 30 a 40 colméias cada e serem
localizados a uma distância de aproximadamente dois quilômetros entre sí.
ÁGUA
Assim como para o homem à água é um elemento vital para as abelhas; ela entra na
composição do mel, da cera, e da geléia real produzida pela família, sendo importante
também para a diluição do mel que vai servir de alimento para as larvas e na refrigeração e
umedecimento da colméia.
Colméias que possuem uma fonte de água próxima produzirão mais. Isto porque farão
menos viagens e gastarão menos energia (néctar) para transportar água, ocupando mais
tempo no transporte de néctar, pólen e própolis. Por isso, é importante que haja água, que
para as abelhas, além de próxima e em abundância, deve ser limpa (podendo ser levemente
salgada).
FLORA APÍCOLA
A flora apícola é o que se pode chamar de pastagem das abelhas. É das flores que as
abelhas recolhem o néctar e o pólen, que vão alimentar a colônia. Boas fontes de pólen e
néctar contribuem para aumentar a produção do apiário.
Há plantas que produzem flores com elevada concentração de néctar, outras que produzem
bastante pólen e outras ainda que fornecem igualmente pólen e néctar. Aliás, para o apicultor
iniciante, o pasto apícola composto por monocultura deve ser evitado, por proporcionar
alimento às abelhas durante uma única época do ano. A exploração do pasto apícola de
monocultura sé se justifica na atividade comercial, quando o apicultor realiza a chamada
apicultura migratória. Neste caso, o produtor leva suas colméias a pomares ou culturas em
floração, transferindo - as para o outro pasto assim que termina a florada.
A apicultura com colméias fixas é mais indicada exploração do pasto apícola constituído por
espécies nativas que, pela sua diversificação, podem garantir alimento às abelhas
continuamente, ainda que, em determinadas épocas em pequenas quantidades.
Se necessário, cabe ao apicultor melhorar essa pastagem, introduzindo espécies de maior
valor apícola adaptadas à região onde se situa a propriedade e de preferência que florem
nos períodos de escassez das floradas do local.
Outro fator que pode ser levado em conta na formação do pasto apícola ou mesmo na
escolha da região é a preferência do consumidor por méis mais claros e suaves, deste modo
méis oriundos das flores de laranjeira, marmeleiro, cipó-uva dentre outras, de modo geral,
possuem preços superiores.
As chamadas plantas daninhas são excelentes fontes de alimento para as abelhas. Plantas
como a vassourinha de botão, marmeleiro, bamburral, Catanduva, amarra cachorro, cipó-
uva, jitirana, entre tantas outras consideradas invasoras devem ser encaradas como fontes
de néctar e pólen para as abelhas.
Além de uma ou duas melgueiras, o apicultor poderá colocar muitas outras, de acordo com a
produção de mel e conseqüentemente a florada local. Quando a primeira está cheia de mel,
pode-se optar entre a colheita de mel, ou a colocação de uma nova sobre a caixa.
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Início da criação

Você pode conseguir as abelhas para iniciar sua criação de três diferentes maneiras;
comprando colônias de apicultores comerciais, capturando colméias em estado natural ou
atraindo famílias em enxameação com caixas iscas.
Cada um dos processos apresenta vantagens e desvantagens. Comprar os enxames, por
exemplo, apesar de ser cômodo apresenta custos elevados, além do risco de se estar
adquirindo rainhas velhas.
As colônias capturadas em caixas - iscas apresentam a vantagem de se desenvolvem mais
rapidamente. A desvantagem deste sistema está justamente na limitação e expansão do
apiário, uma vez que não se pode prever quantas colônias poderão ser capturadas para as
caixas - iscas.
Finalmente, pode-se capturar enxames na natureza, removendo famílias inteiras de seu
habitat natural, como cupins, troncos ocos de árvores, telhados, pneus, assoalhos, muros
etc.
Dos três, a captura de enxames é certamente o mais trabalhoso. Apesar disso apresenta
várias vantagens: é barato, possibilita rápida expansão do apiário e coloca o produtor em
contato direto com as abelhas, proporcionando uma vivência que lhe será muito útil no
manuseio de suas colméias. Para um bom número de apicultores, aliás, a captura do
enxame é a primeira oportunidade de contato direto com as abelhas.

CAPTURA DO ENXAME
Localizado o enxame, a primeira providência é cuidar do material que será usado na
operação: além da vestimenta completa o apicultor deverá ter à mão o fumegador; colméia
ou núcleo de transporte; quadros aramados vazios (onde serão amarrados os favos com
cria); quadros com cera alveolada, para completar espaços vazios; barbantes ou elásticos de
boa qualidade para fixar os favos nos quadros; serragem grossa; faca afiada para cortar os
favos; e um borrifador com xarope feito de água e mel, ou açúcar; vassourinha de pelos
macios e brancos; e duas bacias com boca larga (onde serão colocadas às sobras ou favos
não aproveitados) e panos para cobrir as bacias. É conveniente levar também gaiola para
apreensão da rainha, caso essa seja localizada.
A captura do enxame deve ser feita do mesmo modo como se trabalha com as abelhas no
apiário:
Procure, se possível, trabalhar sempre em dias claros ou de sol. Nestas condições, um
número maior de campeiras estará trabalhando na coleta de néctar e pólen. Assim, menos
abelhas estarão defendendo a colméia, no momento da operação.
Faça o trabalho sempre com a ajuda de um parceiro. Na apicultura toda tarefa feita a quatro
mãos é mais fácil de ser realizada.
Faça o trabalho com paciência. Movimentos calmos, cuidadosos e delicados são
indispensáveis. Qualquer gesto mais brusco pode irritar as abelhas e tornar impraticável a
tarefa, sem falar nos riscos para sua própria segurança.
Nunca dispense o uso do fumegador e lembre-se de que é o homem que se adapta as
abelhas, e não as abelhas ao homem.
Agora que já estamos preparados para lidar com as abelhas, vamos ver quais as situações
mais comuns para a captura de enxames.
1)- Enxames localizados provisoriamente em árvores, beirais etc. Isso acontece quando uma
família está enxameando, isto é, multiplicando a colônia e procurando uma nova moradia.
Neste caso, não perca tempo: aproxime-se do enxame viajante com a caixa completa,
contendo os quadros já preenchidos com cera alveolada. Se o enxame for grande, mantenha
somente metade dos quadros na caixa, para dar espaço às abelhas.
Um dos dois parceiros segura a caixa, com seu bojo exatamente sob o enxame. Caberá ao
outro a tarefa de sacudir sobre ela o "bolo" de abelhas, com um golpe rápido e seco. Coloque
a tampa da caixa, e obstrua a entrada com um pano ou pedaço de espuma. Pronto! Sua
primeira colméia já pode ser instalada no apiário.
2)- Enxames abrigados em locais de difícil acesso como cupinzeiro, ocos de árvores, fendas
de pedras e forros de casas: Você e seu parceiro vão precisar do fumegador (já aceso), da
caixa contendo quadros aramados vazios, de faca, espanador de abelhas e de bacia com
pano.
Direcione a fumaça para a colméia natural, diminuindo assim a defensividade das abelhas o
que facilitará o acesso aos favos com crias, as abelhas nutrizes (que ainda não conseguem
voar) e a abelha rainha.
Enquanto seu parceiro cuida do fumegador, procure facilitar o acesso aos favos com cria. Se
a colméia estiver alojada em cupinzeiro ou tronco de árvore, utilize enxada ou machado. Os
favos com cria após transferidos para sua caixa irão atrair as abelhas para a colméia.
Localizados os favos com crias (favos centrais do ninho), remova-os com a ajuda da faca,
recortando-os no maior tamanho possível. Encaixe estes favos nos quadros aramados vazios
e amarre- os firmemente com o barbante na mesma posição em que se encontrava
originalmente, com a ajuda de seu parceiro.
Se por acaso for visualizada a rainha, deve-se aprisioná-la com cuidado em gaiola
apropriada, lembrando de liberá-la um ou dois dias depois.
A distribuição dos favos no interior da colméia deve ser a seguinte: favos com cria no centro
e favos vazios ou com pólen nas extremidades. Evite transportar favos com mel, devido ao
possível escoamento no transporte que é favorecido pelo calor e trepidação. Esses favos
devem ser guardados na bacia e cobertos com pano.
Finalizada a transferência dos favos para sua caixa, remova todos os vestígios da colméia
natural e transporte para o interior da caixa todos os aglomerados de abelhas que por acaso
se formem nos arredores.
Instale sua caixa exatamente no mesmo lugar da colméia original, tomando o cuidado de
manter o alvado na posição original de entrada e saída das abelhas. Mantenha sua caixa
com o enxame capturado neste ponto até o fim do dia para capturar o máximo de abelhas
campeiras. À noite, tampe o alvado com uma tela para ventilação, pano ou espuma, e
transfira sua caixa para o apiário.

Manejo das abelhas


O verdadeiro trabalho do apicultor começa após a instalação de suas primeiras colméias. É
aqui que começam as diferenças entre a apicultura racional e a pilhagem ou exploração de
enxames que vivem em estado natural. É papel do apicultor amparar suas abelhas nos
momentos de poucas floradas, para poder melhor se beneficiar nas ocasiões em que as
colméias se encontram na plenitude produtiva.
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É nesse momento que entra a ação do apicultor, socorrendo sua colônia. Ele deve
providenciar água e alimento artificial para sua criação, fornecer cera alveolada para poupar
as abelhas da tarefa de produzir cera, verificar o estado dos quadros, proteger as abelhas de
inimigos, etc.
Já nas épocas ricas em floradas, a produção de mel da colônia normalmente é farta o
bastante para que o apicultor possa colher boa parte para si, sem causar prejuízo às
abelhas. Igualmente cresce a produção de pólen, cera, geléia real e própolis, que também
pode ser explorada, racionalmente. A colônia cresce, permitindo que o apicultor promova o
desenvolvimento de seu apiário, fortalecendo famílias fracas, desdobrando colônias mais
vigorosas, aumentando assim seu apiário e criando novas rainhas para substituir as já
velhas, cansadas e decadentes.
A inspeção da colméia
Para verificar o andamento dos trabalhos da colméia o apicultor deve fazer inspeções
periódicas. Este trabalho de revisão deve ser feito pelo apicultor devidamente trajado com
sua vestimenta, em dias quentes e ensolarados e, preferencialmente, com a ajuda de outro
colega. Neste tipo de atividade, o uso do fumegador é obrigatório e o trabalho deve ser feito
de forma rápida, em movimentos tranqüilos, delicados, porém decididos. Gestos ou ações
bruscas podem provocar irritação nas abelhas.
Para realizar o trabalho de inspeção ou revisão, aproxime-se sempre pelo lado de trás ou
pelas laterais da caixa. Nunca interrompa, com o corpo, a linha de vôo das abelhas, que
entram e saem da caixa em busca de alimentos.
O trabalho de inspeção começa sempre com a fumegação da caixa. Não faça fumaça em
excesso para não provocar o efeito contrário ao desejado, ou seja, acabar irritando as
abelhas; procure sempre fumegar ao lado até chegar a fumaça branca e não tão quente.
Antes de abrir a caixa para fazer trabalho de revisão propriamente dito, faça fumaça junto ao
alvado. Duas ou três baforadas leves bastam. Também é muito importante aguardar um
pouco até que a fumaça faça efeito. Enquanto uma pessoa abre o teto da caixa a outra faz
fumaça sobre a caixa horizontalmente. Nunca diretamente sobre os quadros. Duas a três
baforadas são suficientes. A fumaça seja fria ou branca e nunca quente ou azul.
O QUE VERIFICAR NAS CAIXAS
Não se esqueça de que toda interferência no trabalho das abelhas deve limitar -se ao
essencialmente necessário, para não prejudicar o desenvolvimento da colônia. Basicamente
trabalho de revisão das colméias é feito para verificar:
1) – Disposição e qualidade dos favos nos quadros- Os favos, sejam eles de cria ou de
mel, devem estar em bom estado. Favos escuros, retorcidos ou danificados devem ser
substituídos por favos com cera nova alveolada.
2) – Postura da rainha- Os favos, principalmente os de centro do ninho, onde se desenvolve
a família na colméia, devem ser examinados para constatar a presença de larvas e ovos. É
uma operação delicada e que requer atenção visual, pois os ovos são pequenos, medindo
cerca de 2mm. A ocorrência de favos com pequeno número tanto de crias, como de ovos, é
sinal de que a rainha está fraca ou decadente e deve ser substituída.
3) – Espaço para a família se desenvolver- Se os favos da caixa estão todos ocupados,
com crias ou com alimento - mel e pólen-, o apicultor deve providenciar mais espaço para a
família, ou seja, uma caixa extra, com quadros dotados de cera alveolada, em cujos favos a
rainha poderá depositar seus ovos. Um indício de que a caixa está "lotada", ou seja,
superpovoada, é a formação daquilo que os apicultores chamam de "barba" de abelhas, que
é a presença de muitas abelhas na entrada das colméia formando um cacho.
4) – Colocação de melgueiras- O apicultor deve observar o fluxo de néctar que está
entrando na colméia e colocar sobre o ninho uma ou duas melgueiras.
5) – Sinais de doença e presença de inimigos naturais- A presença de larvas mortas nos
favos e de abelhas mortas no assoalho é indício de doença. Colméias fracas são muito
vulneráveis a traça e a formigas. Uma colméia sadia é sempre limpa e higiênica.
6) – Falta de alimento- Na entressafra, ou seja, nos períodos em que não há florada,
principalmente durante o inverno ou nas estações de muita chuva, verifique se a família tem
alimento suficiente. Caso contrário você deverá fornecer alimentação artificial para as
abelhas.
7) – Presença de mel- Durante a florada, se houver providencie a colheita do mel que
estiver maduro devolvendo os quadros, vazios e limpos, as melgueiras.
8) – Sinais de enxameação- Para evitar que parte das abelhas enxameie, ou seja, que
abandone a colméia, verifique se a família está formando realeiras nos favos. As realeiras,
como já visto anteriormente, são cápsulas onde nascem às rainhas e são formadas
normalmente, nas extremidades dos quadros, apresentando forma semelhante a uma casca
de amendoim. Caso elas existam devem ser retiradas para que a produção não seja
prejudicada.
ENXAMEAÇÃO
Outra situação é quando a população de abelhas cresce demais e não há mais espaço
suficiente para todas. Nessa ocasião, um grupo de operárias começa a construir várias
realeiras a partir de locais (alvéolos) onde a rainha tenha depositado ovos fecundados.
Passado o período normal de incubação a primeira princesa nasce, e seu instinto básico
força-a a tentar destruir as outras realeiras ainda não abertas. Normalmente essa primeira
princesa que nasce não é a mais forte, dentre as que estão para nascer.
A rainha antiga também não aceita a presença da princesa, mas as operárias já decidiram
que outras princesas devem nascer. O objetivo no caso não é substituir a mestra, e sim
dividir a família em um ou mais enxames; assim, as operárias, não permitem as lutas
naturais.
Depois que as princesas nascem, um grupo de operárias dirige-se aos reservatórios de mel e
enchem seus estômagos até não caber mais uma gota. Este grupo, normalmente bem
numeroso, prepara-se para partir e convocam a rainha para a viagem. Logo sai da colméia
uma nuvem de abelhas, a rainha e entre elas alguns zangões. O enxame não vai muito
longe. Pousa em alguma árvore ali por perto, e algumas abelhas mais experientes, na
qualidade de escoteiras, partem em busca de um novo local para habitar.

Quando as abelhas escoteiras retornam, há um "conselho" para decidir qual o rumo a tomar.
Uma vez tomada à decisão elas partem para um vôo mais longo. O enxame pode ainda
parar outras vezes. Às vezes o local escolhido não agrada ao grupo, que então aguarda por
ali, para que nova pesquisa seja feita. Se um apicultor tentar colocar este "enxame voador"
em uma caixa, ele poderá ou não aceitar a morada, dependendo das informações trazidas
pelas escoteiras.
Enquanto isso, a colméia-mãe pode decidir por lançar outros enxames. É muito comum a
colméia-mãe ficar com reduzido contingente de abelhas.
Quando o grupo encontra o lugar adequado, começa a construção do novo ninho. As abelhas
formam um bolo compacto e começam a gerar calor usando a reserva de mel que trouxeram
no papo. As abelhas que ficaram no centro da bola encarregam-se de produzir cera, e logo é
possível visualizar uma fina folha de cera vertical se formando.
É interessante o modo que as abelhas construírem os favos. Encostam-se umas às outras pelas patas e
começam a secretar e mastigar pequenas escamas de cera; pouco depois as colocam e amoldam até
completar o favo.
Controle da enxameação
Uma das causas de maior frustração para o apicultor é a enxameação de uma família, ou
seja, o abandono da colméia. Há várias razões que explicam esta atitude, mas infelizmente
não existe um sistema de controle infalível, que seja 100% eficiente. Esse comportamento é
instintivo e garante a sobrevivência e desenvolvimento das abelhas na natureza.
Ainda assim o apicultor dispõe de alguns métodos para evitar a perda ou enfraquecimento de
colônias devido a enxameação. Um dos melhores indicadores é a observação do enxame. A
enxameação é mais freqüente nos períodos de grande ou mesmo escassez de florada, no
primeiro caso elas enxameiam porque estão fortes demais e precisarem de mais espaço e no
segundo para procurar um local onde possam sobreviver. O envelhecimento da rainha
também pode provocar o fenômeno da enxameação.
O congestionamento da colméia é relativamente fácil de ser constatado. Quando há falta de
espaço na caixa, as abelhas se agrupam na entrada da colméia, formando a aglomeração
que os apicultores chamam de barba.
Caso a barba permaneça na entrada da caixa por muito tempo, mais de uma semana, é sinal
de que as abelhas podem enxamear em breve. Neste caso, faça uma inspeção na caixa para
destruir as realeiras por ventura existentes e dar mais espaço a família. Este espaço extra
pode ser obtido pela remoção do excesso de quadros de mel e pólen - que impedem a
circulação das abelhas – e/ou pela instalação de uma caixa extra, sobrecaixa, dotada de
quadros com cera alveolada. Em circunstâncias normais, a ultima opção é mais
aconselhável, por resolver o problema por um bom tempo. O método de aumento de espaço,
citado aqui, é simples, prático e garante o controle da enxameação em boa parte dos casos.
Para prevenir a enxameação, nunca deixe faltar alimento à família. As abelhas africanas são
especialmente inclinadas a enxamear na falta de alimento. E, suspeitando da possibilidade
de enxameação, elimine os favos de zangões, cujas células são maiores do que as de
operárias.
Finalmente, no caso do envelhecimento da rainha, o único jeito é substituir a rainha por outra mais
jovem e produtiva.
Alimentação artificial
Os apicultores experientes costumam lembrar que uma colméia forte e populosa produz mais
do que quatro colméias fracas. E esta observação tem fundamento. Realmente, uma família
mais numerosa apresenta maiores e melhores condições de defesa da colônia e coleta de
alimento do que uma família fraca.
Este conceito, por sinal, é um dos principais fundamentos apicultura moderna: antes de
expandir o apiário, deve-se fortalecer as colméias existentes. A produção final será,
certamente, muito maior.
Um dos fatores que mais interferem no desenvolvimento e fortalecemento das colméias é a
disponibilidade de alimento - néctar e pólen - que se reduz nos períodos de seca e estações
chuvosas. Nestas ocasiões de carência de alimento, devemos cuidar para que não falte
alimento às abelhas.
Além disso, os enxames são também alimentados 45 dias antes das grandes floradas para
incentivar a postura da rainha e possibilitar uma população máxima de abelhas já no início da
safra.
O alimento comumente dado as abelhas pelos apicultores é constituído de um xarope de água fervida
(para diminuir a possibilidade de fermentação do produto), e açúcar acrescido de mel, caso haja em
disponibilidade. Esse produto é

fornecido à colméia por meio de um alimento denominado Boardmann, frasco acoplado a


uma base de madeira, a qual é encaixada na entrada da caixa. O inconveniente deste
sistema é que, especialmente em apiário com grande número de famílias, pode levar à
pilhagem do alimento por abelhas de outras colônias. Para evitar esse risco muitos
apicultores preferem fornecer alimento em cochos ou bandejas internos na colméia ou
mesmo fornecer alimentos sólidos. No caso do uso de cochos com alimento líquido deve-se
tomar o cuidado de colocar algum material picado que flutue no líquido para que as abelhas
não se afoguem.
Receitas:
1- Xarope concentrado: 2 partes de açúcar e 1 de água – usado para matar a fome das
abelhas
2- Xarope fino: 1 parte de açúcar para 1 de água – estimula a postura da rainha por se
assemelhar a um fluxo de néctar (concentração de açucar semelhante) e aumentar a
umidade na colméia.
3- Alimentação sólida protéica: 1 parte de fubá de milho para 1 de farinha de soja em pó
(alimento sólido). No lugar da farinha de soja pode colocar leite em pó para bezerros, farinha
láctea ou outro alimento concentrado para animais desde que em pó. Esses alimentos
também podem ser usados puros e servem para estimular o desenvolvimento da cria
substituindo o pólen que é 55% da matéria prima da geléia real – alimento da rainha e das
larvas.
Muitas receitas e concentrações podem ser usadas, sendo conveniente observar a aceitação do alimento
por parte das abelhas, principalmente no início do uso de uma receita nova, pois determinados
alimentos podem provocar dIsenteria nas abelhas.
SUPRIMENTO DE ALIMENTAÇÃO ENERGÉTICA A UM APIÁRIO COM 40 COLÔNIAS
NO PERÍODO CRÍTICO:

INGREDIENTES: Água e Açúcar.


PROPORÇÃO: 1: 0,6
PREPARAÇÃO DO XAROPE: Para cada 10 litros de água são utilizados 6 quilos de açúcar. Neste
caso, a diluição se dará apenas com a agitação da mistura, sem que seja necessário o aquecimento,
tornando o processo de fácil execução para o apicultor. Produzido desta maneira, o xarope deve ser
ofertado aos enxames em doses diárias, sem sobras para o dia seguinte, evitando assim, o problema da
fermentação.
FREQUENCIA DE OFERTA DO XAROPE: 3 dias na semana ( ex.2ª; 4ª e 6ª feiras)
DOSE OFERTADA POR ENXAME: 500 ml a 1000 ml, dependendo do tamanho das colônias.
VOLUME SEMANAL CONSUMIDO POR ENXAME: 1,5 a 3,0 litros.
VOLUME MENSAL CONSUMIDO POR ENXAME: 6,0 a 12 litros.
MODO DE OFERTAR O ALIMENTO:
Individualmente – em alimentador tipo Boardman ou em pote com tampa furada colocado emborcado
sobre os quadros do ninho, ficando protegido por uma melgueira vazia, sob a tampa.
Dessa forma, o xarope deve ser ofertado às colônias ao final da tarde, e os alvados das colméias
alimentadas reduzidos, para evitar possíveis pilhagens.
Coletivamente – recomendado para áreas com baixa densidade de apiários. A oferta do alimento se dará
em recipientes de maior volume, distribuídos fora do apiário, a uma distância mínima de 30 metros. Os
alimentadores devem ficar em local seguro, sem acesso para outros animais.
Neste caso, deve ser dada atenção especial a proteção das abelhas, colocando material flutuante
sobre a superfície do líquido para reduzir o índice de mortalidade.

Observação: A alimentação protéica será implementada à medida em que as revisões periódicas para
avaliação da reserva alimentar, indicar a necessidade.
CUSTO MENSAL DA ALIMENTAÇÃO ENERGÉTICA PARA UM APIÁRIO COM 40
COLÔNIAS: Preço do açúcar – R$ 0,80/ Kg.
Considerando a dose diária ofertada de 500 ml/ enxame (3,6 Kg)..................R$ 115,20
Considerando a dose diária ofertada de 1000 ml/ enxame (7,2 Kg)..................R$ 230,4
RECEITA COM A PRODUÇÃO DE CERA:
Considerando que uma colônia forte produz por mês 200 gramas de cera, o apicultor obterá no seu
apiário, a cada período, 8,0 Kg de cera bruta. Pagando um ágil de 20% para alveolar, no final
receberá como saldo 6,4 Kg de cera estampada, o que equivale
a......................................................................................................................... R$ 192,00
Com base nestas informações o apicultor se sentirá motivado para alimentar os seus enxames nas
épocas críticas, por se tratar de um investimento que proporcionará:
Redução do índice de abandono dos enxames.
Aumento da população das colônias.
Possibilita a produção do mel do marmeleiro, com elevada cotação de preço.
Supri a necessidade de cera alveolada do apiário.
Diversifica os produtos da colméia, proporcionando uma renda extra ao apicultor.
União de colméias
A experiência demonstra que uma família forte produz mais do que duas, três e às vezes até
quatro famílias fracas. Esta técnica consiste, como o próprio nome diz, em unir duas famílias
fracas, que darão origem a uma única, forte, populosa e bem mais produtiva.
Duas famílias não podem ser unidas diretamente. Ambas as rainhas entrariam em luta mortal
até que uma delas fosse vencida e as abelhas de famílias diferentes não se aceitariam pela
diferença de cheiro das colônias. Daí a necessidade de adoção de algumas técnicas.
Método do jornal
Esse método é aplicado em colméias situadas distantes entre si. Quando as duas famílias
que se pretende unir estão próximas, o método do jornal não serve, pois as abelhas
campeiras da família que for removida para ser unida a mais forte acabarão retornando ao
ponto original onde se encontrava instalada a colméia em razão de sua memória geográfica.
O procedimento é o seguinte:
1- Tenha a mão duas folhas de jornal besuntadas de mel.
2- Identifique e remova a pior rainha das duas famílias. Normalmente, é aquela que
apresenta menor postura de ovos e favos com menor número de crias. A noite feche a
colméia, que será transportada para ser unida à outra família.
3- Remova o teto da colméia menos fraca e coloque, em seu lugar, as duas folhas de jornal
besuntadas com mel. Em seguida, remova o assoalho da colméia mais fraca, colocando um
pouco de fumaça para as abelhas subirem. Após isso, a colméia mais fraca já pode ser
removida e instalada, sem o assoalho, sobre a colméia menos fraca. Agora, ambas as
famílias, preocupadas em comer o mel, roerão o jornal. Ao final, as duas famílias se
aceitarão, passando a trabalhar unidas.
4- Depois de cinco dias reúna as abelhas numa única caixa, com os melhores favos.

Método de união direta


Esse método é utilizado para unir duas famílias próximas. Para este processo, você vai
precisar do seguinte material: fumegador, uma terceira caixa, limpa e sem quadros, borrifador
com xarope de açúcar ou mel, espanador de abelhas e quadros com cera alveolada.
Procedimentos:
1- Remova a rainha da família mais fraca e instale a terceira caixa, limpa e sem quadros,
entre as duas colméias.
2- Pulverize o interior das duas caixas povoadas com o xarope. Borrife os favos e as
abelhas.
3- Faça fumaça sobre ambas As caixas, para acalmar e agrupar as abelhas.
4- Faça, com rapidez e cuidado, a passagem dos quadros das colméias povoadas,
alternadamente , um por vez. Os favos com crias devem ser colocados no centro da nova
caixa, e os quadros com mel e pólen (caso existam) devem ser instalados nas extremidades
da caixa.
5- Substitua os quadros defeituosos, pretos ou contaminados com traças por cera alveolada.
6- Use o espanador para varrer as abelhas que ficaram nas caixas para a nova colméia.
7- Borrife as abelhas e favos da nova caixa com o xarope e tampe a caixa. Com o odor e a
umidade do xarope, as abelhas se misturam e lambem-se.
Divisão de colméias
Como se viu no item "ORIENTAÇÃO DAS ABELHAS", as campeiras são dotadas de uma
memória geográfica, razão pela qual sempre retornam a ponto de onde saíram, orientadas
pela posição do sol.
Baseando - se neste principio, com intuito de ampliar o apiário é feita a divisão artificial de
famílias. Este trabalho, no entanto, só deve ser feito nos períodos de maior florada ou
utilizando-se alimentação artificial. Naturalmente, a família que se pretende dividir deve ser
populosa, forte, possuir um bom número de crias e, de preferência, propensa a enxamear.
Para dividir a família, proceda da seguinte forma:
1- Transporte à colméia populosa para novo ponto, distante pelo menos 5 m do local original.
2- Instale, no local original onde estava a colméia populosa, uma nova caixa.
3- Transfira da colméia populosa para a nova caixa todos os quadros com cria nova (alvéolos
não operculados) e ovos, um ou dois favos com cria madura (alvéolos operculados) e
metade dos favos com mel. Complete com quadros contendo cera alveolada, e transfira
algumas abelhas nutrizes da colméia populosa para a nova.
4- Existindo quadros com realeiras, transfira -os para a nova caixa. Isto vai auxiliar o
desenvolvimento da nova família.
Feita a divisão, na caixa forte, que foi transferida de lugar, ficarão a rainha às abelhas novas
(nutrizes, faxineiras e engenheiras), os quadros com cria madura e quadros com mel.
Completando a caixa, coloque os quadros contendo cera alveolada.
A nova colméia receberá todas as abelhas campeiras que, com a ajuda das nutrizes, vão
criar nova rainha, aproveitando a existência de realeiras ou, na falta destas, das larvas e
ovos.
Identificação da rainha
A tarefa de identificar a rainha no interior da colméia não é das mais fáceis para o apicultor
iniciante. Por isso mesmo, muitos apicultores costumam marcar suas rainhas com tinta. Uma
pequena gotinha de esmalte de unha ou corretor de texto é suficiente, embora existam tintas
especiais para esta operação.
Após a marcação, a rainha só deverá ser reintroduzida na colméia depois de pulverizada
com xarope de mel para confundir o cheiro da tinta. As abelhas são muito sensíveis a odores
estranhos e, mesmo se tratando da própria mãe, a rainha pode ser eliminada pelas
operárias.
Para localizar a rainha não marcada no interior da colméia, algumas dicas:
A abelha rainha está sempre cercada por várias operárias, que são suas "damas de honra".
Assim, procure localizá-la nos pontos de maior aglomeração de abelhas. - antes de iniciar a
operação de localização, faça fumaça com parcimônia. O excesso de fumaça provoca
transtornos no interior da colméia, levando a rainha a misturar - se as demais abelhas, o que
dificulta sua localização.
Concentre sua atenção nos quadros com postura recente, observando - os dos dois lados. É
pouco provável que a rainha esteja em favos com mel ou com crias operculadas.
Não faça mais do que duas tentativas para localizar a abelha rainha. Não a encontrando,
feche a colméia e só repita a operação três horas depois, pelo menos.
Novas Alternativas
A apicultura é uma atividade que tem se desenvolvido muito nos últimos anos com o
aprimoramento das técnicas de manejo e as novas descobertas do setor apícola, como por
exemplo, a própolis vermelha e a própolis verde.
Própolis Vermelha
O própolis vermelho,está na mira da indústria farmacêutica. Pois, sua alta concentração de
flavonóides, uma substância antiviral e antibactericida está sendo aplicada na pesquisa de
remédios para cura do câncer e da Aids.
Própolis Verde
INCLUDEPICTURE "http://revista.fapemig.br/9/imagens/Untitled-17.jpg" \*
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Elas produzem muito mais do que o mel, que adoça a vida de muita gente. As
abelhas guardam segredos que ainda precisam ser desvendados pelo homem.
Apesar de alguns de seus produtos, como a própolis, terem sido empregados pela
medicina popular no Egito Antigo e muitas de suas qualidades aproveitadas desde
os tempos mais remotos da civilização grega, ainda há muito a ser descoberto.
Dependendo da origem, a própolis contém mais de 400 substâncias químicas,
com funções ainda desconhecidas na fisiologia humana, segundo os especialistas.
A palavra própolis, em sua origem grega, diz tudo: é a combinação de pro
(defesa) e polis (cidade). Afinal, a substância resinosa é utilizada na colméia para
vedar frestas, o que garante a proteção contra microorganismos. Alguns insetos
invasores, como outras abelhas e besouros, quando mortos, também são
recobertos com a própolis, para deixar imune a colméia.
Em Minas Gerais, uma pesquisa sobre própolis verde, conduzida pela Fundação
Ezequiel Dias (Funed) e financiada pela FAPEMIG, revela que as abelhas
reconhecem, instintivamente, a propriedade de algumas plantas, que ajudam na
proteção da colméia e que podem também ser bastante úteis para o homem,
inclusive no combate doenças. A composição química da própolis se diferencia
conforme a vegetação e o clima de cada região, sendo que, em Minas Gerais, as
mais comuns têm coloração verde, preta e marrom.
A própolis nacional tem excelente qualidade por causa do clima e da flora e é reconhecida
como o mais eficiente medicamento natural já descoberto no Ocidente. Como as abelhas não
gostam de trabalhar no inverno, elas preferem climas tropicais como o do Brasil e o da Nova
Zelândia. Assim, esses países ocupam as principais posições no mundo no roteiro de
produção da própolis. Como existem vários tipos de própolis, ela precisa ser mais
pesquisada pelos cientistas brasileiros, para que o País aproveite os seus recursos naturais
e detenha conhecimentos para a produção de remédios, além de tecnologia para outras
aplicações.

Bibliografia

Apicultura – Paulo Airton de Macedo e Silva – CENTEC – 2002


Apresentação do Projeto APIS – SEBRAE-CE – 2004
Banco de dados – Fotos - SEBRAE-CE

Curso de apicultura - Lúcia Helena Salvetti De Cicco - 2003

Aprenda a criar abelhas – Editora Três Ltda - São Paulo - 1986

Apiculltura – José Luis Rocha Cavalcante – PTA/Esplar – 1998

Nova Apicultura - Helmuth Wiese – Livraria e Editora Agropecuária Ltda – 1980

Apicultura – O mel que adoça o bolso - BNB

As abelhas e a colméia – Carlos Alberto Osowski – Associação Gaúcha de Apicultores –


2003

Alimentação das abelhas – Sílvio Rocha Lengler – Universidade Federal de Santa Maria-RS

Apostila do Caap – Centro de Atividades Apícolas da UFC


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Jitirana