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Transmissão

de Energia Elétrica
Linhas Aéreas
RUBENS DARIO FUCHS 1

LTC I EFEI
r
1

TRANSMISSÃO
DE ENERGIA ELÉTRICA

Linhas Aéreas

Teoria das Linhas em Regime


Permanente

Volume 1

ENG. RUBENS DARIO FUCHS

M. Se., L. D., Professor Titular da


Escola Federal de Engenharia de ltajubá

LIVROS TÉCNICOS E CIENTfFICOS EDITORA


ESCOLA FEDERAL DE ENGENHAR IA DE ITAJUBÁ
Copyright @), 1977, Rubens Dario Fuchs

Proibida a reprodução, mesmo


parcial, e por qualquer processo, sem
autorização expressa do
autor e do editor.

CAPA/ AG Comunicações visual ltda

(Preparada pelo Centro de Catalogação-na-fonte do


SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ)

Fuchs, Rubens Dario.


F966t Transmissão de energia elétrica: linhas aéreas;
teoria das linhas em regime permanente. Rio de Ja-
neiro, Livros Técnicos e Científicos; ltajubá, Escola
Federal de Engenharia, 1977.
p. ilust.

Apêndice: Tabelas
Bibliografia.

1. Distribuição de energia elétrica 2. Energia elé-


trica 3. Linhas elétricas - Aéreas 1. Título 11. Título:
Teoria das linhas em regime permanente À minha querida esposa e filhas

CDD 621.3192
77-0337 CDU 621.315.1 Magda

Ceci'lia Elizabeth

Direitos reservados:
Celina Dária
LIVROS T~CNICOS E CIENT(FICOS EDITORAS.A.
Avenida Venezuela, 163 - ZC-14
Célia Inês
20.000 - Rio de Janeiro, RJ
Annelise
1977
Impresso no Brasil
Danielle
Prefácio

Em 1968 foi publicada um coleção de Notas de Aula, preparadas do afogadilho, com o


fim único de acompanhamento das preleções da disciplina Transmissão e Distribuição de Ener-
gia Elétrica, que, nessa época, era introduzida no currículo de graduação do curso de Ençienheiros
Eletricistas da Escola Federal de Engenharia de ltajubá. Sua repercussão foi imediata, exigindo
sucessivas reimpressões, dada a inesperada procura não somente pelos alunos a quem se desti-
navam, como também, e principalmente, por engenheiros militantes no ramo. Imperfeições e
incorreções por certo as havia, e deviam ser sanadas. Originalidade, nenhuma, exceto, talvez, o
idioma português.

Durante o processo de revisão e complementação, a idéia de transformá-las em livro foi


tomando corpo. O estímulo de colegas foi decisivo. A ambição também cresceu: não bastava
um livro-texto para cursos normais de graduação em Engenharia Elétrica. Devia servir também
aos cursos de pós-graduação e aos engenheiros no exercício da profissão. Uma edi.ção experi-
mental, feita em 1973, em "multilith", também se esgotou rapidamente, comprovando o
interesse pelo assunto.

E, antes de tudo, uma compilação bibliográfica. Porém, em se considerando a escassez


de material bibliográfico à disposição de estudantes e engenheiros em geral, terá, sem dúvida
alguma, sua utilidade. 1nformações baseadas na experiência profissional foram incluídas, onde
cabível.

A bibliografia de referência consultada está indicada no final de cada capítulo. E variada


em suas origens, na presunção de que, estando o Brasil procurando sua própria tecnologia, deve-
mos buscar a composição das boas práticas de qualquer origem, para atingir um ótimo nosso. E
também bastante atualizada.

O tratamento dado aos diversos tópicos é aquele que se poderia chamar de clássico, pro-
curando-se, dentro do possível, a generalização dos processos de enfoque de problemas de
mesma natureza. Processos gráficos de cálculo e análise das condições de operação das linhas
foram empregados por sua natureza fotográfica. A análise qualitativa dos fenômenos merece
especial destaque.
/
li
IJ
X PREFÁCIO

Se bem que seria desejável, não foi possível estabelecer linhas divisórias nítidas, visando
a uma limitação na extensão com que os diversos tópicos deveriam ser tratados em cursos de
graduação e quais as partes que deveriam ser conservadas nos cursos de pós-graduação como
base de programa. Nestes, os conhecimentos na profundidade desejada raramente saem dos
livros-texto, e sim de artigos e obras especializadas, de estudo e interpretação obrigatória.

Aparentemente. espaço demais foi dedicado à análise da operação das linhas através da
teoria das ondas, pois para a maioria dos problemas de ordem prática, a análise de seu compor-
tamento pela teoria dos circuitos elétricos é suficiente e leva aos mesmos resultados numéricos.
Mas, em geral, não os explica nem os justifica, o que é inadmissível em Engenharia. E problemas
há em que somente um profundo conhecimento dessa teoria permite alcançar resultados satisfa-
tórios. Este é, por exemplo, o caso do estudo das linhas extra longas que, possivelment.~. deverão
ser implantadas para um melhor aproveitamento do potencial energético da bacia am\~.ica.

O estudo das indutâncias e capacitâncias, através dos coeficientes de campo e de potencial,


Simbologia e Abreviações
foi adotado por apresentarem maiores recursos e flexibilidade para um tratamento goneralizado,
sendo o conceito das Distâncias Médias Geométricas introduzido no final, para permitir o uso
das clássicas tabelas de reatâncias em cálculos práticos.

No final do texto, em forma de apêndices, foram incluídas tabelas consideradas úteis, Sfmbolos
destacando·se as tabelas de características físicas, mecânicas e elétricas de condutores padroni- Significado
zados, todas convertidas ao sistema métrico. Incluíram-se também tabelas de reatâncias indutivas
e capacitivas unitárias, elaboradas no Centro de Processamento de Dados da E FE 1, com auxílio a
do computador digital, para cabos múltiplos de 2, 3, 4 e 6 subcondutores e diversos espaçamen- Operadorei120° == _ _J_+ 1· ../3
ªii 2 -2
tos padronizados. ·
coerrerentes de potencial (de M 1) •
ªij . . axwe 1 próprios
[aJ Coefrcrentes de potencial (de M i· •
Como o estudante de hoje, desde o seu primeiro semestre nas Escolas de Engenharia, já . axwell mutuas
é treinado para o uso dos computadores, tanto digitais como analógicos, como o era no uso da [AJ Matriz de transformação das co
M . mponentes simétricas
régua de cálculo, foi omitida a solução de problemas nesses tipos de máquinas ou a apresentação A atriz de coeficientes de potencial (de Maxwell)
de programas, na suposição de que, quando esta matéria lhe for apresentada, já no final de seu Amperes (abr.) ·
Á
curso, esteja em condições de escrever seus próprios programas. No tratamento matemático,
[ÁJ Constante generalizada dos quadripolos
cuidou-se da formulação que facilitasse o uso desses recursos de cálculo. Considerando que os
resultados obtidos por processos de cálculo em computadores que hoje tendem a requintes de b Matriz ~a c~nstante À de uma linha trifásica
sofisticação são apenas tão possíveis· de confiança quanto os dados de entrada, observações Susceptancra capac't" - ·
bii • . r rva, pressao barométrica
nesse sentido são feitos onde se faz necessário. Susceptancra capacitiva própria
bij
8 Susceptância capacitiva mútua
No final dos capítulos, em que se julgou conveniente, incluiu·se uma série de exercícios
típicos resolvidos e outros por resolver, usando-se, freqüentemente, características aproximadas
[BJ Den~idade de campo magnético ou indução magnética
de linhas reais existentes no Brasil, a fim de familiarizar o estudante com as mesmas.
8 Matriz das susceptâncias capacitivas
rs1 Cons.tante generalizada dos quadripofos
Um trabalho como este não poderia ser completado sem a colaboração de muitos. Por c Matriz da constante B de uma linha trifásica
certo pecaria por omissão numa tentativa de relacionar tantos que tornaram esta obra viável. Capacitância por unidade de com .
(abr.) primento. Coulomb
Sou, pois, profundamente grato a todos que, direta ou indiretamente, contribuíram com seu
cio
trabalho, críticas, sugestões e estímulo para. sua concretização. Capacitância parcial entre condutor e solo
cii
Ca,Cb,cc Capacitância parcial entre condutores
Escola Federal de Engenharia de ltajubá cs ~apacitâncias aparentes das fases a• b e e
Julho de 1977 1 ·c,, apacitância de serviço
Capacitância de seqüência positiva

[_
i
Rubens Dario Fuchs Capacitância de seqüência negativa
Capacitância de seqüência nula

1
XIII
XII SIMBOLOGIA E ABREVIAÇÕES SIMBOLOGIA E ABREVIAÇÕES

1ntensidade de campo magnético


e, 2· c21 • c1 º' Co1 • C20• co2 Capacitância entre circuitos seqüenciais H
Altura de fixação de um condutor genérico
[CJ Matriz das capacitâncias H;
Henry (abr.)
Matriz das capacitâncias da linha trifásica, sem cabos H
[Ceql Hertz (abr.)
pára-raios equivalente Hz
Corrente elétrica - valor instantâneo, condutor genérico
e Constante generalizada dos quadripolos Corrente elétrica - módulo
rei Matriz da constante C de uma linha trifásica Fasores das correntes nas fases a, b, e, ...
d Diâmetro dos condutores /~, Íb, íc, ...
Vetor de correntes
[Í]
deq Diâmetro de um condutor cilíndrico equivalente a um é
condutor múltiplo de mesmo gradiente 'm {e} Parte imaginária de um conplexo
Condutor genérico, ou operador
j
Distância entre condutores i ej
Joule (abr.)
Densidade de fluxo elétrico. Determinante de uma Constantes de proporcionalidade, quilo (abr.)
K
matriz
kA 103 • A
Distância do condutor i e a imagem do condutor j
km 10 3 • m
Raio médio geométrico dos condutores múltiplos 10 3 ·V
kV
Distância média geométrica .
kVA 103 • VA
Distância média geométrica entre fases de um mesmo
kVAr 10 3 • VAr
circuito 10 3 • w
kW
Distância média geométrica entre condutores e ima·
l Comprimento
gens dos condutores vizinhos
L
Indutância
º1 Distância média geométrica entre condutores de cir-
m
Coeficiente de superfície dos condutores
cuitos paralelos, de mesma fase
m
Metro (abr.)
Distância média geométrica entre condutores de cir-
Número de elementos
cuitos paralelos, de fases diferentes m
M Mega - 10 6
ó Constante generalizada dos quadripolos 6
MVA 10 • VA
[DJ Matriz da constante Dde uma linha trifásica
MVAr 10 6 • VAr
e Número-base dos logaritmos naturais = 2, 71828 ...
106 • w
E Gradiente de potencial, intensidade de campo elétrico. MW
Número de elementos, potência aparente
Energia n,N
IÍI Potência complexa
EcRV Gradiente crítico visual (de Peek)
p Operador
f Freqüên.cia
p Potência ativa
f;; Coeficientes de campo magnético próprios
Pi
Circuito equivalente de linha
f ij Coeficientes de campo magnético mútuos
pu Por unidade
[F] Matriz das indutâncias de um sistema de condutores
q, Q Carga elétrica
F farad (abr.)
Q Potência .reativa
/J Condutância por unidade de comprimento Raio de um condutor, resistência elétrica por unidade
G~ r
Condutância total de uma linha de comprimento de um condutor
[G] Matriz das condutâncias de n condutores Raio de um condutor cil fndrico equivalenre a um con-
Gij Co-fator de uma matriz Raio do círculo que passa pelo centro dos subcondu-
G 10 9 (GIGA) ·''' tores em um .condutor múlt.iplo. Resistência elétrica
IGI Valor em "por unidade" de uma grandeza G
total de um condutor.
·11 Altitude, horas
RMG Raio Médio Geométrico
h; Altura média do condutor genérico i sobre o solo
Altura média geométrica dos condutores sobre o solo Re {e} Parte real de um complexo é
hm
XIV
SIMBOLOGIA IE ABREV IAÇÕE S -.r.:
·(! . SIMBOLOGIA E ABREV IAÇÕE S .xv
t Tempo, tempera tura em ºC 1:
T Função de propaga ção
Período , tempera tura em ºK I; 1' Densidade relativa do ar, coeficie nte de desunif ormida-
Tee li 5
Circui:o equi;ale nte de li:hé!~
u Valor instanta neo da tensao '·~, de
u Tensão entre fase e neutro (mód~lo)
1l1 . Í';
Variação incremental
{; Permissividade do meio
Fasor de tensão \11\li
Permissividade do vácuo = 8,859 · 10-' 2 [A·s/V·m ]
U1:, Tensão entres fases (módulo ) ~, Eo
[ÚJ Permissividade relativa do meio
Vetor de tensões Er
V e Ângulo de potência da linha
. Velocidade ou celerida de de propaga ção
V [i\] Vetor de transfor mação
Volt (abr.)
w Watt (abr.) µ
Constan te de permeab ilidade magnéti ca
X Constan te de permeab ilidade do vácuo = 41T • 1o- 7
Desloca mento, distânci a genérica µo
Reatância ·indutiva por unidade de compri mento
Reatância capacitiva em uma unidade 8e comprim ento
r~: ~1
Constan te de permeab ilidade relativa
Reatância indutiva em ohm/km para espaçam ento de
Pi = 3, 141 59 ...
1 m Resistividade elétrica
Reatância capacitiva em Mohm · km para espaçam ento p
Ângulo de fator de potênci a
de 1 m I/;
Fluxo magn·ético, ângulo do fator de potênci a
Fator de espaçam ento indutivo </>
Freqüên da angular
Fator de espaçam ento capaciti vo w
Associação Brasileira de Normas Técnicas
Fator indutivo de acoplam ento mútuo entre dois ABNT
America n lnstitute of E/ectric al Engineers
circuito s AIEE
E/etricit é de France
x"c Fator capaciti vo de acoplam ento mútuo entre dois
EdeF
EHV
Equipe de projeto Extra High Voltage Research
circuito s Program General E/ectric - Edison lnstitute
XL Reatânciçi indutiva total The /nstitute of Electric al Engineers - Londres
IEE
Xc Reatância capacitiva total /nstitute of Electric al and Electron ics Engineers
IEEE
XLoo Reatânc ia indutiva de seqüênc ia nula Centrais Elétricas de Minas Gerais S. A.
CEMIG
xL,, Reatância indutiva de seqüênc ia positiva Centrais Elétricas de_,São Paulo S. A.
CESP -~-
XL22 Reatânc ia indutiva de seqüênc ia negativa Cia. Hidroel étrica do Sâti":!;:rancisco S. A.
CHESF
y Admitâ ncia por unidade de compri mento Centrais Elétricas de Furnas S. A.
y
FURNA S
Admitâ ncia total Compan hia Paulista de Força e Luz S. A.
CPFL
z Impedâ ncia por unidade de compri mento
1mpedân cia total
1mpedân cia caracter fstica
1mpedân cia natural ·ou impedân cia de surtos
Impedâ ncia de seqüênc ia nula
1mpedân cia de seqüênc ia positiva
Impedâ ncia de seqüênc ia negativa
Função de atenuaç ão, ângulo
Cit Coeficie nte de aument o de resistência com a tempera -
tura
Função de fase
Ângulos
Sumário

1- Transporte de Energia e Linhas de Transmissão, 1 .

1.1-
Introdução, i'"
1.2- Sistemas elétricos - Est1 .· ra básica, 3
1.3- Evolução histórica e pi.1 ectivas futuras, 8
1.3.1 - Geral, 8
1.3.2 - No Brasil, 10
1. 4 - Tensões de transmissão - Padronização, 13
1.5- Bibliografia, 14

2- Características Físicas das Linhas Aéreas de Transmissão, 15

2.1 - Introdução,. 15

2.2 - Cabos condutores, 15


2.2.1 - Conélutores padronizados, 17
2. 2.1.1 - Padronização brasileira, 18
2.3.,.. Isoladores e ferramentas, 24
2.3.1 - Tipos de isoladores, 26
2.3.2 - Características dos isoladores de suspensão, 31
2.3.2.1 - Distribuição de potenciais em isoladores e cadeias de
isoladores, 32
2.3.3 - Ferragens e acessórios, 36
2.3.3.1 - Cadeias de suspensão, 37
2.4 - Estruturas das linhas de transmissão, 39
2.4.1 - Disposições dos condutores, 40
XVIII SUMÁRIO SUMÁRIO ' XIX

2.4.2 - Dimensões das estruturas, 42 4.3.4 - Constantes generalizadas de associações de quadripolos 137
2.4.3 - Classificação das estruturas das linhas de transmissão, 43 4.3.5 - Linha artificial, 141
2.4.3.1 - Funções das estruturas nas linhas, 43
2.4.3.2 - Forma de resistir das estruturas,
4.4 - Relações de potência nas linhas de transmissão, 142
44 4.4.1 - Relações de potências no receptor,
2.4.3.3 - Materiais para estruturas, 143
47 4.4.2 - Relações de potências no transmissor, 146
2.5 - Cabos pára-raios, 50 4.4.3 - Perdas de potência e rendimento, 147
2.6 - Bibliografia, 4.4.4 - Emprego de grandezas relativas, 149
51
4.5 - Modelos matemáticos de /inhas trifásicas, 151
4_6 - Exercícios, 153
3- Teoria da Transmissão da Energia Elétrica, 53 4.1 - Bibliografia, 177

3.1 - Introdução, 53
3.2 - Análise qualitativa, 54 5- Processos Gráficos de Cálculo das Linhas de Transmissão, 179
3.2.1 - O fenômeno da energização da linha 54
3.2.2 - Relações de energia, 59
3.2.3 - Ondas viajantes, 64 5. 1 - Introdução, 179
3.3 - Análise matemática, 69
3.3.1 - Equações diferenciais das linhas de transmissão, 5.2 - Diagrama D'Escanglon das correntes e tensões, 180
69
3.3.2 - Solução das equações diferenciais no domínio da freqüência: 5.3 - Diagramas circulares, 185
Linha da corrente alternada em regime permanente, 72 5.3.1 - Diagramas circulares das potências, 185
3.3.2.1 - Interpretação das equações das linhas, 74 5.3.1.1 - Diagrama do transmissor, 186
3.3.2.2 - Linha em curto-circuito permanente, 86 5.3.1.2 - Diagrama do receptor, 187
3.3.2.3 - Operação das linhas sob-carga, 88 5.3.1.3 - Diagrama completo, 188
3.4 - Considerações gerais, 5.3.2 - Diagrama universal das potências [9, 1 O] 194
96
5.3.3 - Diagramas circulares das perdas, 200
3.5 - Exercícios, 96 5.3.4 - Outros processos gráficos, 207
3.6 - Bibliografia, 113 5.4 - Exercícios, 207
5.5 - Bibliografia, 220

"'\.. ' l ; ; ; - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -
.· /:~ \ Cálculo Prático das Linhas de Transmissão, 115

6 - Operação das Linhas ou Regime Permanente, 221


4. 1 - Considerações gerais, 114
4.2 - Relações entre tensões e correntes, 115
4.2.1 - Linhas curtas, 118 6.1 - Introdução, 221
4.2.2 - Linhas médias, 120 6.2 - Modo de operação das linhas de transmissão, 221
4.3 - Linhas de transmissão como quadripolos, 125 6.2.1 - Linha entre central geradora e carga passiva, 222
4.3.1 - 1nterpretação do significado das constantes das linhas de 6.2.1.1 - Operação com tensão constante no transmissor, 226
transmissão, 129 6.2.2 - Linha de transmissão ligando uma central geradora e um grande
4.3.2 - Medida direta das constantes das linhas de transmissão, 131 sistema, 228
4.3.3 - Ouadripolos representativos de outros componentes dos sistemas 6.2.3 - Linha de interligação de sistemas, 232
de potência, 133 6.2.4 - Linha de interligação entre dois pontos de um mesmo sistema, 232
XX SUMÁRIO

6.3 - Meios de controlar tensões e ângulos de uma linha. Compensação das linhas, 233
6.3.1 - Regulação do fator de potência, 233
6.4 - Compensação das linhas de transmissão, 237
6.4.1 - Compensação em derivação, 238
6.4.2 - Compensação-Série, 241
6. 5 - Variação artificia/ do comprimento das linhas, 246
6.5.1 - Linha com compensação tqtal, 247
6.5.2 - Compensa9ão para transmissão em meia onda, 248 • !

6.6 - Limites térmicos de capacidade de transporte, 252


6.6.1 ---'Equilíbrio térmico de um condutor, 253
6.7 - Exercícios, 255 Transporte de Energia Elétrica
e Linhas de Transmissão

1.1 - INTRODUÇÃO

Economistas modernos, ao analisarem o grau d e desenvolvimento


de .um país, baseiam-se freqüentemente no consumo per capita de energia
elétrica e· no índice de crescimento desse consumo, dacja a sua ligação
direta com a produção industrial e o poder ::t.qúisitivo da populaçào, que
cresce com o mesmo. Aumentar constantemente as potências dispo-
níveis nos sistemas elétricos tornou-se, pois, uma necessidade. Um re-
gime de deficit energético representa poderoso freio a esse de.senvolvi-
mento. ·
As características peculiares de produção e distribuição de energia
elétrica, cujo fornecimento é consirlerado um serviço público e, portanto,
sujeito ao regime de concess2o por parte dos poderes públicos, pressu-
põem regimes de exdusividade em cada região- estando, na maioria dos
países, sob severa fiscalização, quando não parcial ou inteiramente nas
mãos dos próprios poderes públicos. O consumo da energia elétrica está
diretamente relacionado com o seu preço de venda; é, pois, de toda con-
veniência mantê-lo ao menor nível possível, mesmo com sacrifício da reu-
t2,bilidade dos investimentos que, se feitos em outras atividades, trariam
maiores lucros. A menor rent2,bilidade, no entanfo, é normg}mente com-
pensada pelo risco quase inexistente. Tarifas realistas asseguram co ber-
tura ao custo de produção, retorno e remuneração razoável ao investi-
mento realizado. Esses fatores fizeram com que a indústria da energia
elétrica, nos ps.íses mais desenvolvidos, se tornasse uma d"as mais efici-
entes no tocante aos custos de produção e despesas com transportes e dis-
tribuição. '
As fontes convencionais de energia primária. para a produção de ener-
gia elétrica em sistemas comerciais são, atualmente:
2 TRANSPORTE DE ENERGIA ELÉTRICA CAP. 1· 1.2- SISTEMAS ELÉTRICOS- ESTRUTURA BÁSICA ·3

A - energia hidráulica: de consumo, mesmo com limitações de ordem de conservação do meio


ambiental. Combustíveis líquidos e gasosos podem ser tnmsportados
a - rios; com relativa facilidade por oleodutos e gasodutos e o custo do trnnsporte
b- mares; dessa forma de energia é competitivo com o custo do transporte da energia
elétrica. No caso dos combustíveis sólidos, um equacionament o econô-
B - energia térmica convencional: mico pode aconselhar a instalação das centrnis junto às jazidas desses
combustíveis - centrais d e boca de mina - tra.nsporta.ndo-se a energia
a - combustíveis sólidos; elétrica aí produzida. É o ce.so das centrais termoelétricas de Figueirã,
hulha; Capivari e Candiota, no Sul do Brasil.
antracita; As centrais termonucleares não apresentam maiores problemas de
1
transporte de energia primária, porém considerações de segurança e, prin-
- turfa; 1\ cipalmente, de ordem psicológica, têm aconselhado sua localização em
b combustíveis pontos mais distantes de zonas densamente povoadas, portanto, dos cen-
liquid~s e gasosos; tros de maior consumo.
derivados do petróleo; Os modernos sistemas de energia elétrica dependem, pois, grande-
gás natural; mente das facilidades para o transporte a granel dessa energia, que é feito
através das línhas de transmissão, ou eletrodutos. ·
e- energia termonuclear;
D- energia oeotérmica.
1.2 - SISTEMAS ELÉTRICOS - ESTRUTURA BÁSICA
Qualquer que seja: a forma da energia primaria, o custo de produção
da energia elétrica diminui consideravelme nte com o aumento da potência Os modernos sistemas d e energia elétrica possuem uma estrutura
das centrais de geração, principalmente no caso das usinas térmicas, con- baseada em organização vertical e numa organização horizontal, como
vencionais ou nucleares. mostra o diagrama de blocos da Fig. 1.1.
· Parà a realize,ção de um aproveitament o hidroelétrico de forma eco- Na organização vertical de um sistema elétrico distinguimos geral..:
nômica, condições locais especiais devem existir. Essas condições ocor- mente cinco níveis:
rem aleatoriamente na ne.tureza, em geral longe dos gnmdes centros de
1 consumo. Surge, pois, a necessidade do transporte da energia elétrica, a - rede de distribuição;
'- através de distâncias nem sempre pequenas. Observa-se inclusive que
à medida que os locais aproveitáveis vão sendo desenvolvidos, novos locais b ~ rede de subtransmissão ;
aproveitáveis vão se tornando cada vez mais remotos, implicando maiores e - rede de transmissão;
problemas com o transporte da energia. d - linhas de interligação, que conectam um número de sistemas
De um modo geral, o custo do transporte aumenta com a distância a ser em um pool;
vencida e diminui com a quantidade de energia a ser transportada. e - geração ou produção.
'°' Qualquer estudo de viabilide,de econômica de um aproveitament o hi-
droelétrico. deverá equacionar custo de produção e custo de transporte
da energia produzida. Horizontalmen te, cada camada ou nível se divide em um número
d e subsistemas que, a princípio, são isolados eletricamente (em geral,
O mesmo acontece com refação à energia geotérmica, cuja trans-
também geograficamente) dos subsistemas vizinhos de mesmo nível, sendo
formação só é realizável nos locais em que há condições favoráveis à sua
ligados entre si apenas atnwés dos sistema.s de nível mais elevado. Em
captação, e estes se restringem a algumas áreas de alguns países.
estágios mais avançados dos sistemr,s, a fim de aumentar a flexibilidade
O problema da localização das centrais térmicas convencionais se de operação em condições de emergência, poderão ser usadas interligações
apresenta de uma forma bem mais complexa, pois existe a opção entre horizontais.
o transporte da energia primária e o transporte da energia elétrica. Sua Essr.s divisões principais s§,o gernlmente identificáveis, se bem que,
instalação é menos dependente de condições naturais, e locais adequados em alguns ca..sos, as linhas divisória~: não resultam muito claras . por pecu-
podem, de um modo geral, ser encontrados nas proximidades de centros liaridades locais dos sistemas individuais. ·
4 TRANSPORTES DE ENERGIA ELÉTRICA CAP. 1 1.2 - SISTEMAS ELÉTRICOS - ESTRUTURA BÁSICA 5

A integração dos sistemas regioM,is e mesmo naciom.is, pela inter-


.........
.... o "Z
ligação dos sisternae isolados, é considerada hoje indispensável, apon-
~ "' tando-se principalmente:
· - · - - · -f - · - - "' - - - - - - - · -
·-·----
1 --! 1
a - a possibilidade de intercâmbio de energia entre os diversos sis-
temas de acordo com as disponibilidades e necessidades diferenciadas.
r---
Nesse caso, o excesso de energia, disponível em um dos sistema,s em certas

- -t
1
1 époc2,s do rrno é 2.bsorviclo pelo outro que se encontra tnmsitoriamente
w.~ 1
1
o o (f) - com esca,ssez, que a devolverá em seguida, quando se inverter a situação
•<! 1
(.)- <(
(f)

:!E
f---1 1 de disponibilidade hídrica;
:'.)
o :!E (f) - 1
b - a possibilidade de se construírem centrais maiores e mais efi-
w z

-
1
o 1- 1---i 1
o:: Cf)
<!
't· cientes que seria economicamente viável em cada ::sistema, isoladamente;
o... o:: ::-
1
Cf) 1-
1---i 1
. e - aumento da -c2,pacidade de reserva globaJ das instaJações de ge-
1
f---
1 1
o
"<:!
ração para casos de acidentes em alguma central dos sistemas compo-
<::l
.;s> nentes;
1
-t 1 ~
L ·----- e- - - - -! - - · - - - - · - - · _____I .::;:
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d - aumento da confiabilidade de abaStecimento em situações anor-
mais ou cl"e emergência;
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o !: e - possibilidade de um despacho de carga único e mais eficiente,
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'""<>< .::.., com alto grau de automatização e otimização;
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f - possibilidade de manutenção de um órgão de planejamento. de
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menor incidência sobre os custos de cada sistema.

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O transporte da energia é realizado em todos os níveis, diferenciando-se
pelas tensões e quantidades de energia que cada um de seus :elementos.
r--- . básicos transporta. Os elementos-bgse, responsáveis pelo transporte que
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poderiam, genericamente, ser chamados eletrodutos, são representados por
linhas aéreas ou cabos, subterrâneos ou submarinos. Suas designações
particulares distinguem o nível a que pertencem.

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A - Linhas de transmissão - São linhas que operam com as
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li; tensões mais elevadas do sistema,, tendo como função principal o trans-
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1- 1 porte da energia entre centros de produção e centros de consumo, como
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-----i 1 também a interliga,ção de centros de produção e mesmo sistemas indepen-
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-- dentes. Em geral, são determinadas em subestações aba,ixadoras regio-
f--1 1 - nais, onde a tensão é reduzide. de nível para o início da distribuição a granel
··L - - - - - -- - · - - - - - - - - - - - º - __J pelas linhas de subtransmissão. Em um. mesmo sistema pode haver, e em
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geral há, linhas de transmissão em dois. ou mais níveis de tensão.
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linhas de transmissão. Nascem nos barramentos das subestações re-
.,....ã: gionais e terminam em subestações abaixadoras locais. Das subesta-
õ
ções regionais, em geral, saem diversas linhas d e subtransmissão tornando
rumos diversos. Em um sistema é possível haver também dois ou mais
6 TRANSPORTES DE ENERGIA ELÉTRICA CAP. ·1 1.2 - SISTEMAS ELÉTRICOS- ESTRUTURA BÁSICA ·7

nfveis de tensões de subtra:nsmissão, como ainda um subnfvel de subtrans- Sej2. no caso do transporte da energLa d2.s centra.is aos centros de con-
missão, como mostra a Fig. 1.2. sumo, seja no caso de transporte entre sistemBs, as insta.lações necessárias
para fanto assumem importânci:a fundgmenta.l dentro dos sistenias elé-
DISTRIBUIÇÃO PRIMARIA tricos, também em termos econômicos, o que pode ser avr.liado pela par-
celr, considerável (êle 25 a 30%) dos investimentos da indústria da energia
elétrica. A Fig. 1.3 mostra D, distribuiçê,o relativa dos investimentos
[---~ programados no setor de energia elétrica no Brasil durante o quadriênio

t-@'""'
138 KV

~I ~
230 KV
200 MV
___ ...
- - -Ili>
40 MV
J 1970/1973 (1)*.

TRANSMISSÃO
. i

SUB-TRANSMISSÃO
----
69 KV-10 MW

-·----
69 KV-10 MW
·1

100°/o DISTRIBUIÇÃO DOS INVESTIMENTOS


SUB-TRANSMISSÃO - - - - -EN-ENERGIA
- - -ELETRICA
-----------!
Fig. 1.2 - ~istema de energia elét·lica com dois níveis de subtransmissao.

C - Linhas de distribuição primdrias - São linha.s de tensões su- A- TOTAL

ficientemente baixas para ocuparem vias públicas e suficientemente ele- B- GERAÇÃO


C- TRANSMISSÃO
vadas. para assegurarem boa regulação, mesmo para potências razoáveis.
D- DISTRIBUIÇÃO
Às vezes desempenham o papel de· linhas de subtransmissão em pontes
d e sistemas.
D - Linhas de distribuição secundárias - Opera,m com 2,s tensões
mais brdxas do sistema e em geral seu comprimento não excede 200 a 300 m. A B C D

Sua tensão é apropriada para uso direto em máquinas, aparelhos e lâm-


padas. No Brasil estãp em uso os sistemas 220/127 V (entre fases e entre
Fig. 1.3 - Distribuií;ao relativa de investimentos para energia elétrica no Brasil -
fases e neutro) e o sistema 380/220 V, deriváveis de sistemas trifásicos
com neutro, e o sistema 220/110 V, derivável de sistemas monofásicos. 1970/1973(1).
Para regiões em que a energia elétrica está sendo introduzida, recomenda-se É evidente que investimentos desse vulto exigem um phmejamento
a tensão 380/220 V. pormenorizado e cuidadoso em seus dois aspectos principais:
Sob o ponto de vista ffsico e elétrico, as linhas de tra,nsmissão e de A - económico - a fim de gar::mtir que o dinheiro inYestido real-
subtransmissão se confundem, e os métodos de qálculo são os mesmos. mente comprou o mE>,is conveniente, 8,ssegura,ndo ao investidor a neces-
No sistema de Sã.o Paulo Light S.A., 8.S linhas de 88 kV da Usina Hi:. sária rentabilidade e, ao consumidor, tarifa,s baixas;
droelétrica de Itupararanga ou da primeira_ etapa da Usina de Cubatão
são linhas tfpicas de transmissão) o que não• impede que a mesma em- B - técnico - um sistema de energia elétrica moderno deve ofe-
presa tenha desenvolvido seu sistema de subtransmissão nessa mesma recer aos consumidores de energia a, segurança de um fornecimento de
tensão, empregando, inclusive, estruturas de mesmo tipo daquele usado alfa, qualid.ade, exigindo-se em geral:
rias primeiras.
a - serviço contínuo, com um mínimo de interrupções, programadas
Em algumas empresas, as linhas de subtra.nsmissão ficam sujeitas ou não;
aos seus departamentos de distribuição, que as planejam, projetam, cons-
troem e opera.m. Em outras empresas elas estã;_o a cargo dos departa- b - fornecimento de energia em freqüência e tensões uniformes e
mentos encarregados das linhas e subestações. E um problema de orga- constantes, isentas de flutur,ções;
nização administrativa. e - atendimento de quaisquer demande,s instantâneas exigidas pelas
No presente trabalho ni'i.o faremos distinções, empregando o termo instalàções cadastradas dos consumidores;
linhas de transmissão de maneira genérica, independentemente de sua
função no sistema. *Os números que aparecem entre parêntesis referem-se à bibliografia menciona-
da no final de cada capítulo.
8 TRANSPORTES DE ENERGIA ELÉTRICA CAP. 1 1.3 - EVOLUÇÃO HISTÓRICA E PERSP!=CTIVAS FUTURAS. 9

d - capacidade de, a qualquer momento, &.tender ao aumento àe nientes e se re::i.lizr,r:a.m a.lgumas insfalações; mesmo porque também os
demc.ndas dos atuais consumidores e de novos pedidor:; d0 ligação. geradores se tornavam m2,is simples. Datam desse período duas rea-
Esses dois aspectos se inter-relacionam intimamente e nãa devem ser lizações notáveis para a época:
divorciE.dos no estudo d e qualquer instalação nova ou ampliação ou re- 1886 - linha monofásica com 29,5 km na Itália, conduzindo
formulaçi'i.o das existentes. 2 700 HP para Roma;
O.s sistemas de transmissão, apesar de ab8Drverem pa.rcelas tão pon- 1888 - linha de 11000 V, trifásica, com um comprimento de
deráveis do investimento tofa.l, são também, pele, sua própria natureza, 180 km, na Alemanha.
as partes dos sister:Ms mais vulneráveis. Verificou-se que cerca de 803 '\
das interrupções e,cidentais no fornecimento da energia são originados naE . A invenção, entre ~885 e 1888, dos motores a indução, devida, a Fer-
linhas de transmissão, ou provocados por ele.s. :No entanto, o emprego rans e Tesla, deu novo impulso Bos sistema.s de correntes. alterne.da em de-
das soluções me.is cgras nem sempre garante o melhor desempenho: urna trimento do~ sistemas de corrente. c?n~ínue., . que foram, pouco a pouco,
linha em estruturas de madein'. bem projetadas tem condições de desem- sendo substituídos, apesar de este ultimo sistema ter continuado a ter
penhr,r melhor do que uma linha com estruturas de v.ço face às descargas ferrenhos defensores: havim. 2.plica,ções nas quai•s a corrente contínua não.
atmosférices, se ::i,mbr.s usarem o mesmo número de isoladores e o mesmo podia ser substituída pela corrente alternadp,, como no caso de processos
grau de cobertura pelos cabos pára-raios. E seu custo é consideravel- eletrolíticos, 2.plic2,ções de motores que exigem velocidade ve,riável, como
mente menor. na tração. elétrica, lamine.ções siderúrgicas etc. As vante,gens da corrente
alternada., seja na, geração. e no transporte, seje., principalmente na dis-
tribuição e utilizBção, foram preponderantes e os sistemas cresce~am con-
tinu2.mente,
1.3 _:_ EVOLUÇÃO HISTÓRICA E PERSPECTIVAS FUTURAS
lVJ:ais e mais energiB elétrifü!· pa.ssou a. ser utilizad2, crescendo con-
tinuamente as .potências das centrais elétricas; os novos '1oc2.is que favo-
l.3.1 - Geral reciam aproveitamento hidroelétricos tornavam~se cada vez mais remotos
Somente no terceiro quartil do século passado é que foi possível, exigindo tensões sempre me.is elevada.s e linhas mais longs,s avolumando~
graç.2.s aos trabalhos de cientiste,s como Siemens, Gramme e Pacinotti, a se os problemas. Assim é que, por volts, de 1903, a ten~ão de 60 kV
produção de energia elétrica em .quantidades razoáveis a partir da energia era atingidB; em 1910, llO kV e, em 1913, 150 kV. Por volta de 1922
mecânica, pois deve-se aos mesmos o desenvolvimento da máquina dina- entrou em operação a primeira linha de 230 kV; em 1936, uma linha de
moelétrica. Somente em 1879-1880, porém, com a invenção da lâmpa- 287 kV .. EstB somente foi suplantada em 1950, com a entrada em serviço
da incandescente por Thomas A. Edison, é que a energiB elétrica teve seu de uma hnha de cerca de 1000 km de comprimento e tensão de 400 kV na
grande impulso. A partir de 1882, qmrndo foi inaugurada a, central elétri- Suécia. Por volta de 1955 se construíam as primeiras linhas em 345 kV
ca. de Pearl, pelo mesmo Edison, fornecendo iluminação pública e energia ?ºS Estados Unid.os, onde se iniciaram estudos e experiências, vise,ndo à
para motores em parte da cidade de Nova Iorque, começaram a surgir os 1mplantBção de lmlrn.s de 500 k V. A primeira linha nessa tensão foi
construida em 1962.
primeiros sistema.s comerciais de eletricidade, em diversos países do mun-
do. Com eles também tivem.m início problemp,s com o tmnsporte e a Entre 1964 e 1967, no Cana.dá, fornm projete.das e construídas. as
distribuição da energia elétric2,, então gerada e consumida em corrente primeiras linhas de 735 kV, mais recentemente fambém nos Estados
contínua. A expansão dos sistemas incipientes e o uso da energia hi- Unidos, surgiram a.quelas que, no momento, são' as de tensão mais ele-
dráulica eram tolhidos pelos fenômenos da queda de tensão e das per- vada em corrente alternada existentes no mundo.
d2,s por efeito Joule. Condutores de secções maiores eram exigidos a Essa evolução, evidentemente, é uma conseqüência do crescimento
ponto de se tornar desinteressante qualquer nova extensão, sendo neces- da dema.nda de energia elétrica e da extensã.o dos sistemP.s. O aumento
.sário construir novas centrais, relativamente próximas uma.s das outras crescente do número de centrnis. e linhas em um mesmo sistema de cor-
O grande potencia.!· hidroelétrico ficava fora de alca,nce, pois a energia era ren~e alternada co~e~ou, d·esde c~do, a trazer: problellli',S com a sua ope-
consumida na tensã.o em que ern produzida, nã.o havendo solução ime- raçao, e logo se verificou que muitos desses problemas poderiam ser evi-
diata à vista para os sistemas de correntes contínuas. tados pela transmissão em corrente contínua, hoje viável nas tensões ne-
cessárias.
Por volta de 1884/1885 foi inventado o transformador, que permitia
elevar e abaixar a tensão, com grande rendimento, desde que a. energia No momento, tanto nos Estados Unidos como na Europa e Japão,
fosse em corrente alternada. Nessas condições, o problema de trans- ao lado dos tr2,balhos para a melhoria e desenvolvimento dos sisteme.s
m1ssao em tensões mais elevadas, portanto com menos perda de energia, ·de corrente continu2,, está-se procurando resolver os problema.s relaci-
-estava resolvido. Para fins de iluminação não havia. maiores inconve- onados com a fabricação de equipamento e a operação de sistema. de
S.
10 TRANSP ORTES DE ENERG IA ELÉTRI CA CAP. 1 1.3 - EVOLUÇ ÃO HISTÔR ICA E PERSPE CTIVAS FUTURA 11

em 1500 kV foi
1000/1 100 kV vislum brando -se hoje a possibi lidade de sistema s A primei ra linha de transm4ssão de que se tem registro no Brasil
com linhas a,éreas de de Dia,ma ntina; Minas Gemis.
de corrent e alterna da. Os problem as relacio nados constru ída por volta de 1883, na cidade
étrica,
são, hoje, conside rados resolvi dos (7). Tinha por fim transp ortar a energia produz ida em uma usina hidroel dis-
transm issão nessas classes de tensão a uma
constit uída por duas rodas d'água e dois dínamo s Gramm e,
aciona va
tância de 2 km, aproxi madam ente. A energia transp orfada
1.3.2 - No Brasil mina de diaman tes. Consta que era a linha
bomba s hidrául icas em uma
mais longa do mundo , na época (2).
a-
No Brasil, onde a evolução das tensões de transmissã,o foi relativ Uma rápida, pesquis a na bibliog rafia dispon ível mostro u ser
difÍcil '
lenta até o fim da primei ra metade do século XX, procur a-se suas datas e cara-·
mente mais um leva,nt amento geral das linhas constru ídas no Brasil,
?lvidos .
hoje acomp anhar pari· passu a evolução nos pa,íses nrnis desenv cterísti cas, e, no relato que se segue, haverá , por certo, omissõ
es.
to explosi vo da demand a, de energia . e do
É uma conseq üência do aumen
ia dispo~í' .'el. O p~rque energét ico hidrául ic~ ~o
tipo de energia primár ia
em 75 GW de potenc
Brasil 1 com sua enorme potenc ialidad e, estima da o
d e 40 GW na região Centro -Sul, para
média contínu a, dos quais cerca a
to assim o exige. A Fig. 1.4 mostra a evoluçã o (1) e
seu a.prove itamen
entre 1955 e 2000.
previsã o de aumen to da potênc ia instala da no Bra.sil,

----~·- --
GW
I
100
/
90 /
80 --- - - r-r---
70 I
I
60 /
/
50 I

/ --
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40
I
I
l/
30
/
I
I
I
20 I /

I
I
/
I
I
I
J
10
9
/
/
B
V
7
I<'ig. 1.5 - Linha 230 k V São Paulo - Rio.
6
/
/ de San-
5
- V Em 1901, com a entrad a em serviço da Centra l Hidroe létrica
'/ tana do Parnaí ba, a ~i;i.tjio The San Paulo Tramw ay Liç1ht anel Poicer Co.
\/ 90 2000
Ltd. constru iu as primejta,s linhas de seus sistema s de 40 kV.
com a entrad a em serviço !(la Usina Hidroe létrica de Itupára ranga,
Em 1914,
a mesmR.
1955 60 65 70 75 80 85
ziu o padrão 88 kV, que até hoje mantém e que adotou
empres a introdu ,
tensão foi, em seguida
também para subtran smissf o. Esse padrão de
Estrad as de Ferro, Estrad a de Ferro
Evolução da potência instalada .e previsão de instalação entre 1955 e
2000 (1). adotad o pela Compa,nhl.a Paulist a de
Fig'. 1.4 -
TRANSPORTES DE ENER.GiA EL~TRICA CAP. 1 1.4 - TENSÕES DE TRANSMISSÃO-PADRONIZAÇÃ O 13
12

Sorocsbana e, atr:wés desta, pela USELPA, hoje integrando o sistema 1.4 - TENSÕES DE TRANSMISSÃO - PADRONIZAÇÃO
CESP. Entre 1945 e 1947 foi construída a primeira linha de 230 kV no
Brasil, com um comprimento aproximado de 330 km, de~ti.n~da a inter-
ligar os sistemas Rio light e São Paulo light, operando m1cialmente em l'vfesmo tendo sido reconhecida muito cedo a convemencia, da padro-
170 kV, pa,ssando, em 1950, a operar com 230 kV (Fig ..1.5). Foi ta~bém nização das tensões nas redes de distribuiç2o, o mesmo não aconteceu com
a primeira jnterligaçil.o de d ois sistemas importantes realizada no Brasil (6). as tensões de transmissão, cujs, escolha, se base:wa, normalmente, em cri-
tério estabelecido pela lei de Kelvin, que, a partir de critérios econômicos,
fixava parn cada. caso específico qua,l a, tensão economice.mente mais con-
veniente. Os fabricantes de equips.mentos elétricos, tmbalhando de for-
ma artesarni.1, est:wam em condições de atender aos pedidos de seus cli-
entes, quaisquer que fossem as tensões, abaixo dos limites máximos da
época.
O crescimento dos sistemas e o problema do equipamento de reserva
levaram s. umr, padroniza,ção individual; o a.perfeiços.mento das técnicas
d e fobricaç.ão e o reconhecimento, pelos fabricantes, da conveniência da
seriação levaram a padronização regioneJ, nacional e -mesmo multina.cio-
nal. Esta última tornou-se incipiente e, partir do fim dr. Primeira Guerra
}\fundial, qus,ndo diversos países da Europa e da América do Norte a.do-
taram a tensão de 220/230 kV como pv.drão. Interesses ns,cionais e,
principalmente, dos grr.ndes fabricantes de equipamentos ainda nil.o per-
mitire,m uma padronização efetiva e internacional. Em alguns países
·da. Europr., di.::.rnnte a reconstruç::í.o r,pós Segunda Guerra, foram introdu-
zidos novos ps.drões, originariamente norte-americanos, enquanto se man-
tiveram seus padrões originais nas tensões menores de 230 kV.
A IEC - I nterndtional Electrolecnical Comission - vem desen-
Yolvendo um esforço no sentido da' pa.dronizaç'ão ds.s tensões na:s linhas de
clr.sse extra-elevadas, recomendando: 330 a.té 345/362 kV: 380 até 400/420
kV; 500/525 kV; 700 até 750/765 (800) kV (tensão nominal/tensão máxima
permissível eni regime d e opem.ção permanente). Para tensões inferio-
res, essa. normalizaç2o terá que continuar de forma regional ou nacional.
O Brasil que desde o início da indústria nã,o desenvolveu sua. própria
tecnologi::i., é talvez um dos pe.íses mlil.is tumultuados no que diz respeito
às tensões de transmissão, principalmente ne, faixa até 100 kV.
As empresas elétrics,s ao Brr.sil, especialmente das cv,pitais, ou eram
de origem européia ou norte-america.na trazendo n2o só know-how como,
principB..lmente, equipamento de seus países de origem, com os respectivos
pa,drões. Por outro lado, no interior do país surgiam empresas locais,
fund:;i,das e dirigidas por comerciantes ou fazendeiros, ficando a parte téc-
nica a cargo de entend1'.dos 1 dependendo gmndemente dos representantes
estrangeiros das grandes fábricas de material elétrico para assessoramento
Fig. 1.6 ~ Linha 500 k V do Sistema de Furnas. técnico. Estes, evidentemente, vendiam o que lhes fosse mais conveni-
ente. Era o preço que o pioneirismo devia pagar. A unificação de em-
Seguiram-se, a ps,rtir daí, em rápida sucessão, as linhs,s de 230 kV presas locais em regionaiE? em muito pouca coisa modificou o quadro até
do sistema da Cia. Hidroelétrica de S. Francisco, 161 e 345 kV da CE:.\íIG o advento das grandes empresas, p::i,rticulares ou estafais, que as absor-
e FURNAS, 460 kV da CESP, as linhas de 500 kV do sistema de FURNAS vessem. A colche, 'de retalhos, no entanto, permaneceu até muito recen-
e 800 kV do sistema de Itaipu, hoje em fase de projeto. temente, quanclo se empreendeu um esforço sério de pa,dronização. N es-
14 TRANSPORTES DE ENE RGIA
ELÉ TRIC A CAP. 1

sai;: condições, no Bra sil, as tens


ões pe.dronizs,das pref eren eiai s para
sões méd ias e elev adas são: 33/34,5 ten-
[kV]; 66/69 [kV]; 132/138 [kV]; 220
[kV]. /230
Há aind a uma exte nsa rede de linh
tem a de São Pau lo Lig ht e à CES as em 88 [kV] pert enc ente ao sis-
P (reg ião do Para nap a,ne ma) , que
sua imp ortâ ncia , con tinu a send dad a
o exp and ida.
Estu dos rece ntes real izad os, prin cipa
que a intr odu ção de nov os pad rões lme nte na Eur opa (4), mos trar am
de tensã.o no cam po ds,s tens ões
-ele vad as só se just ific a qua ndo a extr a-
dem and a de ener gia é ta.l que just
a sua dup lica ção. Ass im é ·que ifiq ue
siste mas com linh as de 220/230
dev eria m pass ar ime diat ame nte [kV]
a 380/420 [kV] e mes mo a
enq uan to q,ue sist ema s com linh as 500 [kV],
735/765 [kV]. A sobr epo siçã o de
[kV] exis tent e; de aco rdo com
em 330/345 [kV] dev eria m pass ar
um sisteme, .de 500 [kV] ao de 330/
para
345
Características Físicas das Linhas
esses mes mos . estu dos, não é acon
ou, pelo menos, disc utív el. Ncs selh ável
de emp resa s ope ra sist ema s de 500/
Esta dos Uni dos, ond e gran de núm
525 [kV] e algu mas ope mm linh
ero Aéreas de Transmissão
735/765 [k V], há indi caçõ es pam as em
a ado ção do nível de 1 000/1 100
subr epo siçã o ao siste ma de 500/525 [k V] em
[kV].
1.5 - BIB LIO GR AFI A 2.1 - INTRODUÇÃO

1 - ENG.º CARVALHO, Aw1 sro - Sínte ,... -Ge-F~tfCTI


-- Til:,,.
se / ..,.....,.,.""'"'ffi--s·--
o nv '"""'d·esen
. · -vo·l·v1m
· ent 0-d0--prese
Enei·gia. 1.° Ciclo de Estu dos da das Atividades do Ministério das Min as e
v "'"'
pen ho elétrico de uma linh a aére a · nte--curso·· CT o dese
ADE SG em Itaju bá, 1970. Edit de tran smi ssão dep end e quas~ excl m-
1
Coo rden ação do Ciclo. ado pela
,: rr;en~e de sua geo met ria, ou seja , usiva-
2 - ENG.º SAVELLI, M.tRIO '""-'.Do Óleo de suas cara cter ístic as físicas. Esta
de Peixe à Lâmpada Incandescente ,'!) \ so dita m o ~eu compor!ai;ri s· não
de Sã? Paul o, 23/8/1960. . Diár io ento em regi me norm al de ope raçã
'.:/ )os s~us para met ros eletr1cos, o, definÍndo
S - Usina Henry Bord en - Quai·entà como tam bém qua ndo sub met idas
Ano s a Serviço do Bms il. Conf erên Gens_o~s. de qua lque r natu r.ez a sob re-
a; _Daí a conveniência de p.rocede
i

nunc iada em São Paul o em 17/1 cia pro-


2/1966. ~e. m1ciarmos o seu estu do elet r, ante s
nco ,
4- RAHNT, Run oLF - Technische und is1cas e dos elem ento s que a com a um exam e de suas cara cter ístic as
gicüberli'agung mit HochstspannunWfrtschaftliche Gesichtspunlcte für die Ener- põe m. ·
gen. Revi sta Siem ens, Berl im, i

N. 0 9. Pág. 651. set. 1966. r i,

6 - BrERMANs, J . .....:. Energiüeberti•agung


auj grasse Enjletemungen. G. Brau
( 2.2 - CABOS CONDUTORES
ls1;uhe, 1949. n, Kar-
e
',

6 - SÃO PAULO LrGHT S.A. - DEPARTAM


ENTOS TÉCNICOS -A Interligação
i
\ .
o_ns~1tuem os elem ento s
ativ os pro pris men te dito s das linh
- Rio. Revi~ta do Club e de Enge São Paulo
nhar ia. Rio de Jane iro, Jan. 1960 [ 'I) transm1ssao, dev end o, por tant o,
poss uir cam cter ístic as especiais.
as de
281. Págs . 1-7. . N. 0
,·;iescol~a a~equada represe~ Sua
7 - BALDERSTON JR., G. et al. - UHV fa um i;>roblema de fund ame
no dimens1~namento das lmh as, ntal imp ortâ ncia
Project UHV Test Results. Cigr,é, AC. ·Transmission Line 0Design Based on
1

pois
Pari s, 1972. Vol. 2, N. 31, 24.ª
Sess ão.
1 pe.nho da lmh a, como tem imp orta não só dep end e dela o bom desem-
ntes imp lica ções de natu reza econ
1,nuca. ô-
Con duto res idea is pgra linh as aére
que pud esse m apre sent ar as, segu as de tran smi ssão seri am aqu eles
inte s cara cter ístic as:
A - alta condutibilidade elétrica
- para que e,s perd as por efei
Jo1;1e _(I2R) possa~ ser man tida s, to
econ omi cam ente den tro de limi tes
leraveis, one ram dire tam ente o to-
cust o do. tran spo rte da ener gia;
B ;-- baixo. custo. - o custo dos
·pon dera vel ~º. mve stim ento tota cabo s con duto res abso rve par.
l de uma linhs., infl uind o, por tant cela
man eira dec1s1va no cust o do tran o, de
spo rte da ener gia;
16 CARACTERÍS TICAS FISIC.'>.S DAS LINHAS CAP. 2 2.2 - CABOS CONDUTORE S 17

e - boa resistência mecânica - a fim de assegur:ar integrida.de relação aproximada de preço entre cobre e alumínio da ordem ·de 2, o in-
mecânica à linha,, garantindo continuida.de de serviço e segurança às pro- vestimento com condutores de alumínio será a,ptoximada mente igual a
priedades e às vidas em suas imediações; 253 do investiment o necessário com condutores de cobre equivalentes .
A sua resistência mecânica, cerca de 253 inferior à do cobre, é ampla-
D - bai:xo peso especffico - as estruturas de suporte são dimen- mente compensada com o eventuv,l uso dos cabos de alumínio-aço, sem
sione.das para absorver os esforços mecânicos transmitido s pelos con- ·que esse quadro econômico seja substancialm ente alterado em virtude
dutores, um dos quais é o seu próprio peso. Portanto, quanto maior for do menor custo do aço. Essa verificação poderá ser efetuada facilmente,
este, mais robustas e caras serão as estruturas; pelo próprio leitor, através das característic as mecânicas dos condutores
E - alta resistência à oxidação e à corrosão por agentes químicos po- indicadas nas tabelas do Ap. II.
luentes - a fim de que não venham sofrer redução em sua secçil.o com o
decorrer do tempo, provocando redução na sua resistência mecânica e
eventual ruptura. Ca'l'acterísticas Alumínio Cobre
T. Dura. T. Dura
As condições mencionada s, um tanto conflitantes, não são atendidas
simultanea.m ente por nenhum me,terie,l em puticular e, dentre os metais
1. Condutividade a 20°C 61% IACS 97% IACS
que o maior número dessas propriedade s possuem, estão o cobre e o a-
lumínio, bem como suas ligas, que hoje são empregados universalme nte. 2. Resistividade em microhm/cm a 20°C 2,828 1,7774
Por muito tempo, a partir das primeiras linhe,s de trnnsmiss2,o, o cobre 3. Coeficiente térmico ·de resistividade, em mi-
crohm/cm por °C 0,0115 0,00681
dominou o mercado, apesar d e, já em 189.5, terem sido construídas as pri-
meiras linhas em cabo de alumínio (Califórnia e Fra.nça.), seguidas de outras 4. Coeficiente térmico de expansão linear por °C 0,000023 0,000017
em 1898, 1899, 1902 etc. O principal motivo da limitação era o preço 5. Densidade a 20°C em gr/cm 3 2,703 8,89
ainda muito elevado do alumínio comparado ao do cobre, e também sua 6. Carga de ruptura em kg/mm 2 16-21 35-47
menor resistência mecânica. Este último inconvenien te foi sa.tisfatoria- 7. Módulo de elasticidade, final kg/mm 2 7 000 12 000
mente resolvido em 1908, com a invenção dos cabos de alumínio com alma
de aço, CCA (Alvminum Ccnduclor Steel Reinforced - ACSR), que foram
IACS - International A.nnealed Copper Standard - 100% ciorrespondem·•à candtltividade -
usados com sucesso em 1913 na linha Big Creek, na Ce,lifórnia. Foi a nacional, medida a 20°C, em cobre quimicamente puro.
padrão inter-
primeira linha no nível de 150 kV e que, conforme consta., ainda hoje se
encontra em operação, depois de ter sido reisolada, no início da década
de 1920, para 230 kV (7). Como ligas de cobre, eram muito empregados o Bronze I e o Bronze_ II,
com 15 e 303 de zinco, respectivam ente, dando maior resistência mecânica
Problemas de custo de produção do alumínio, aliados a um certo gr:;i.u ao cobre. Em região de atmosfera poluída e à beira-mar, pode ser desa-
de conservador ismo, mantiveram acirre.da concorrência entre os dois ma.- conselhável o emprego de cabos de alumínio, sujeitos à corrosão. Nesse
teria.is, e somente com a evolução d8. tecnologia do alumínio, por volta caso é recomendáv el o emprego de uma das ligas ALDREY (AL, Mg,
de 1938-1945, que reduziu o seu custo enormement e, é que o cobre foi Si e Fe), o que aumenta as resistência,s química e mecân~ca, em detri-
definitivam ente afastado do ca.mpo das linhas de transmissão . Uma mento da resistência elétrica, cujo valor aumenta cons1de.ravelínente.
vantagem, desde cedo verific&.da em favor dos cabos de alumínio, é seu
melhor desempenho em face do efeito Corona em virtude de seus diâ-
metros maiores; os fabricantes de cabos d e cobre responderam pronta-
mente, lançando no mercado os cabos ocos, com diâmetros elevados. 2.2.l ~ Condutores Padronizad os
A tabela na pág. 17 nos fornece elementos comparativo s das caracte-
rísticas elétricas e mecânicas de alumínio e do cobre. Nas linhas de transmissã0, o uso de fios ~-oi virtualment e abandonado
em favor dos cabos, obtidos por encordoa,mento de fios elementares.
As vantagens do alumínio sobre o cobre, como condutor para li-
nhas de transmissão , podem ser verificad::i,s de maneira bastante simples. Sendo inúmerns as composições possíveis para a obtenção de uma mes-
Admitamos que desejemos conduzir uma corrente I [A] a uma determi- ma secção útil de condutores, os fabricantes d estes padronizara m sua fa-
n.9.da distância,. Para mesmas condições de perdas por efeito Joule, a bricação, ni'í,o só quanto ao número de filamentos como também quanto
secção do condutor de alumínio deverá ser 1,6 vezes mnior do que aquela às suas secções, surgindo diversas tabelas de padronizaçã o, nos Estados
do condutor de cobre equivalente. Seu diâmetro será 1,261 vezes maior, Unidos e na Europa.
cnqua.nto que o seu peso unitário será aproximr>. damente igual à metade No Brasil, a padronizaçã o das secções ~dotadas. pela ABNT - EB-
do peso condutor d e cobre equivalente. Considerand o-se que há uma 293 para cabos de alumínio e alumínio-aç o e EB-12 para cabos nus de
18 CARACTERISTICAS FISICAS DAS LINHAS CAP. 2 2.2 - CABOS CONDUTORES 19

cobre - baseia-se na padronização norte-americana AWG (Americam A EB-12 é complementada pela EB-11- fios nus de cobre para fins
Wife Ga.uge). Esta se assenta numa unidade de área denominada cir- elétricos.
cular 1!7-P: que corresponde à área de um círculo cujo diâmetro é igual a
um m1les1mo de polegadas, ou 0,00064516 mm 2 • De acordo com esse sis- No Brasil fabricam-se cabos de cobre nas bitolas que vão desde
tema, os condutores são numerados em ordem de secção decrescente de 13,3 mm 2 (referência comercial n.º 6) até 645,2 mm 2 (referência, comercial
n. ºO a n. º 36 e em secção crescente 00, 000 e 0000, mantendo-se relações cons- 1 000 MCM), nas têmperas dúra e semidura. O encordoamento é feito d.e
tantes entre diâmetros e entre secções. ü1,bos de secções maiores do que acordo com as classes A e AA, definidos por norma. Os encordoamentos
0000 (211 690 CM) são especificados em CM ou MCM (mil CM). classe AA são normalmente empregados em condutores para linhas aéreas.
Em transmissão e em distribuiçik>, a prática recomendou e o uso es- Os condutores classe A em linhas aéreas são usados quando munidos d e
tabeleceu, bito.las mínimas de condutores; para. o cobre, c;rrespo.nde a capa protetora ou quando se deseja maior fle·xibilidade.
de n.º 6, possumdo uma secção de 26 250 CM e, paw, os fios de cabos de As normas EB-11 e EB-12 regulam as características que os fios e
alumínio, ou cabos de alumínio com aJma de aço, a bitola n.º 4, à qual cor- cabos nus de cobre devem possuir. Assim:
responde uma secção de 41 740 CM .

encordoament?A normal dos cabos condutores, quando compostos
de f10s de mesmos d1ametros, obedece à seguinte lei de formação:
a - qualidade do material, suas características elétricas e físicas;
b - acabamento;
e - encordoamento; passo do encordoaIÍl.ento;
N. = 3x 2
+ 3x + 1, (2.1) d- emendas;
e- variação do peso e da resistência elétrica;
na qual valem:
J- dimensões,· construção e formação;
g- tolerâncias no comprimento dos cabos;
N - número total de fios componentes; h - embalagem e marcação desta;
x - número de camadas, ou coroas. i - proprieclad·es mecânicas e elétricas;
j - ensaios de aceitação;
Teremos assim:
k- responsabilidades .dos fabricantes.
- para 1 camada, 7 fios;
- para 2 camadas, 19 fios; B - Condutores de alumínio e alumínio-aço - Suas características
- para 3 camadas, 37 fios; são especificadas no Brasil pela ABNT através das normas:
- para 4 camadas, 61 fios etc.
- EB-219 - fios de alumínio para fins elétricos;
2.2.1.1 - Padronização Brasileira - EB-292 - fios de aço zincado para alma do cabo de alumínio;
- EB-193 - cabos de alumínio· (CA) e cabos de alumínio com alma
As normas brasileiras elaboradas pela ABNT especificam as càra- de aço (CAA) para fins elétricos.
cterística,s exigíveis na fabricação e para o recebimento dos condutores
d estinàdos a fins elétricos.
Sua designação deV'e ser feita pela área, nominal da secção de alumínio,
. A' - Aplica-se s, EB-12- cabos nus de cobre.
Condutores de cobre - expressa em milímetros quadrados, pela formação, pelo tipo (CA ou CAA),
D~ acordo com essa norma, os cabos deverão ser especificados através pela classe de encordoamento correspondente e, eventualmente, pela re-
da indicação de: ferência comercial.
Está enraizade,, na, indústria d2, energia elétrica, no Brasil, a design1?,ção
- secção em milímetros quadrados;
dos cgbos de e.lumínio (CA) e alumínio com almB de aço (CAA) através
- composição, ou número de filamentos; do código canadense de referências comerciais. De acordo com esse có-
- classe de encordoamento. . digo, há, para cad8 tipo de c2,bo, uma família, de nomes através dos quais
ca,da bitola fica completamente definida.. Assim, p::ua os cabos CA, as
Para fins comerciais, conservP,-se a designação convencional e con-
sagrada pelo uso, da própria escala AW G. p1?Javras-código s1i,o nomes de flores, e, para os cabos CAA, aves, em ambos
os casos na língua inglesa :
20 CARACTER fSTICAS F(SICAS DAS LINHAS CAP. 2
2.2 - CABOS CONDUTOR ES 21

Código: TULIP - cabo CA de alumínio, composto de 19 filamentos, com


área total de 336 400 CM;

- diâ.metro dos filamentos: 3 381 mm;


diâmetro do cv,bo (nominal) : 16,92 mm;
- peso do cabo (nominal): 467,3 kg/km;
ca,rga de ruptura: 2 995 kg; 6 AL/ 1 Aço
6 AL./ 1 Aço 7 ALI 1 Aço
8 AL/I Aço

resistência elétrica: em CC a 20°C: 0,168 ohm/km. ALPAC

Código: PENGUI N - cabo CAA, compos1çao 1 fio de aço e 6 de alumí-


nio com uma secção de 125,1 mm 2 ; 54 ALI 19 Aço

- bitola A WG nP 0000; 6 AL.17 Aco 3 AL/4 AÇO 12 AL /7 Aço


4 AL /3 Aço
diâmetro do fio de aço: 4,77 mm;
diâmetro do fio de alumínio: 4,77 mm;
diâmetro do cabo (nominal): 14,31 mm;
peso do ca,bo (nominal): 432,5 kg/km;
ca,rga d e ruptura: 3 820 kg;
resistência elétrica: em CC a 20°C: 0,26719 ohm/km. 26 AL/7 Aço 26 AL/19 Aço
8 AL/7 Aço

C - Condutores em ligas de alumínio - O alumínio, em liga metálica


com outros materi:ds, aumenta considerav elmente sua resistência me-
cânica, se bem que às expensas d e sua resistência elétrica. Esse,s ligas
podem também aumentar considerav elmente sua resistência à oxidação
e corrosão em regiões de atmosfera poluída ou à beira~ma,r.
Essas lig2s tomam nomes comerciais diversos, de acordo com suas 30 AL/7 Aço
21 AL /37 Aço
composições. Na Europa o ALDREY é muito usado•. Dos Estados Uni- 42 AL/7 Aço

dos e Ca,na,dá nos vêm dois tipos de condutore s em ligas de alumínio: tipos
AAC (all aluminvm alloy cable), que são cabos homogêneos compostos de
fios iguais em ligas d e alumínio, de diversas composições, e os tipos ACAR
(aluminvm conductor aluminum alloy reinforced), que são cabos de cons-
trução idêntica à dos cabos CAA, exceto p_ela :dma, que nesse caso será
composta de fios de liga de alumínio, ao invés de aço. Esses condutore s 54 AL/7Aço
são fabricados no Brasil. 115 AL/19 Aço
42 AL/19 Aço

D - Condutores copperweld e alvmoweld - Seus filamentos são


obtidos pela extrusão de uma capa de ~obre ou de alumínio sobre um fio
de aço de alta resistência. Seu emprego em linhas de tnrnsmissã o como
cabos condutore s é limiü\do a situações especiais em que são necessárias
pequenas secções de material, condutor aliadas a elevadas resistência s me-
cânicas. Têm no enfonto, largo emprego como cabos pára-rnios e em 30 AL./ 19 Aço 34 AL/19 Aço 18ALI19 Aço
linhas de telecomunicações e mesmo como condutor neutro em sistemas de
distribuição, urbanos e rurais. No Brasil são fabricados sob encomend a
. a partir de buras-fio importada s. Fig. 2.1- Encordoamentos dos cabos de alumínio com alma de <iço (CAA) (Alumínio do
Brasil S.A.).
22 CAR ACT ERIS TICA S FISIC AS DAS
LINH AS CAP. 2
2.2 - CABOS CON DUT ORE S
E - Condutores tubulares e expa ndid 23
dien tes de pote ncia l nas supe rfíci es os - ·A fim de redu zir os gra-
dos cond utor es e com isso aum enta de 1920-1930, tend o sido sempre pret
erid
o valo r da tens ão crític2, de Coro na
dos cabos, intro duzi ram -se diversos
r bula res expandidos. Sua s re2.is vant os em favo r dos cond utor es tu-.
tipo s de cond utor es desi gnad os com agen s e poss ibili dade s fora m evi-
o expancliclos, emp rega ndo mat eria denciados por estu dos rea.lizados na
diversos. A Fig. 2.2 mos tra um ca.bo is Alem anha , entr e 1933 e 1944, para
CAA expa ndid o e algu ns exemplos linh as proj etad as em 380 (kV], e as
de cond utor es de cobr e ou bron ze tubu conclusões desses estu dos fora m di-
lare s. O con duto r CAA expa ndid o vulg adas em 1945, nos Esta dos Unid
tem um diâm etro exte rno cerca de os, pela Bonneville Power Adm inis -
153 mai or do que um con duto r CAA tration. O Proj eto TID D 500 [kVJ
de mes mas cara cter ístic as elétr icas . (12) inve stigo u igU:;,lmente suas pos-
sibilidades. Na Euro pa sua acei taçã
o foi mais ime diat a do que na Amé
rica. (8), o que é evidenciado pelo fato !. .
de que as prim eira s linh as de 345
[kV], que entr aram em serviço em
1956, fora m cons truíd as com cond uto-
res simples. O dese nvol vim ento das
nov2,s técn icas de cons truç ão, a me-
lher ia das ferragens e .a confiança
adqu irida ·na oper ação das prim eira
linh as fize ram com que o seu uso s
o) se generalizasse:
b)

i s

!.
1

is
t ____ j_.=;k_ ! t
~
-~--
1 1

--, • 1
_t2 9,/. -~ 89,
------!-. s
i ! i .,...;ar
1 . :
1 / _ s _ j°i"'., _,___ 1 .
!
1 1
Fig. 2.3 - Configurações de condutores múltiplos
atualmente em uso.

I:Ioje, de um modo geral, toda s as linh


são cons truíd as com cond utor es múl as em tens ões acim a de 300 [kVJ
tiplo s, have ndo mesmo um núm ero
.razoável de linh as em· 138 [kV] e
220 [kV] que emprege,m cond utor
geminados. (No Bras il: linhB em es
138 [kV] d&, U. H. de Itut inga à
best ação de I,2,vras e a linha em 230 su-
[kV] da U. H. de Juru miri m à su-
best ação de Cabreúva., São P::rnlo).
1

~'
Fig. 2.2 - Condutores expandidos: a, b, e c -
condutores ocos; d - condutores CAA O húm ero de subc ond utor es por con
expandidos.
subc ond utor es e o espa çam ento entr duto r múl tiplo , os diâm etro s dos
e os mesmos têm sido obje to de cui-
F - Condutores múl tiplo s - O adv dado sas investigações em todo s os
ento , cm 1950, das prim eira s cent ros de pesquis2,, uma vez que esse
linha.s em tensões extrn-elev2,das, na parâ met ros têm relação dire ta com s
cados pelo efeito Coro na. Um núm inte nsid ade dos fenômenos prov o-
Suéc ia (380 [kV]) e, em rápid2, se- e,·
=tüência; em outr os países (8), torn ou ero mais . elevado d e subc ond utor es
prem ente o emprego d e meios por feixe tend e a desempenha.r melh or
~es de redu zir os grad ient es
de pote ncia l nas superfícies dos cond capa - 1
:,
duto res, para uma mesma capacid&,de
do que uin núm ero men or de subc on-
)s cond utor es múl tiplo s ou enfeix?..d utor es.
os,
·9,10), vier am de enco ntro a essa nece prop osto s já em 1909 por Tho mas te, há um acréscimo no custo do equi térm ica de tran spor te; não obst an-
ssids,de. Seu emprego vinh2, send o pam ento e nas d.espesas de insta laçã
$tud ado desd e o adv ento das linh o que favorece um núm ero men or o,
as em 230 [k V], no início da déca entr e suh~l)ndutores, tam bém um de subc ond utor es. O espa çam ento
da fato r imp orta nte no desempenho das
24 CARACTERÍSTICAS FISICAS DAS LINHAS CAP. 2 2.3 - ISOLADORES E FERRAGENS 25

linhas, é igmdmente condicionado por limitações de m.tureza econômica. e - forças horizontais transversais, em sentido ortogonal aos eixos
Para linhas nas cfasses de.s tensões extra-elevadas, hoje o problema pode longitudinais das linhas, devidas à ação da pressão do vento sobre os pró-
ser considerado inteiramente solucionado, seja quanto ao número de subcon- prios cabos.
dutores por feixe, seja qur.nto go espaçamento entre os mesmos. Nota-se
certa divergência entre a prática européia e 2, norte-americana nesse as- Esses esforços são transmitidos pelos isoladores às estruturas, que
pecto. Enqu2,nto que os primeiros favorecem, para uma mesma classe devem absorvê-los.
de tensfo, um número maior de subcondutores por fo,se, com esp2,çamen- As solicitações de natureza elétrica a que um isolador deve resistir
tos menores, os demais preferem um menor número de subcondutores e são as tensões mais elevadas que podem ocorrer nas linhas, e que são:
mpjor espaçamento, conforme se verifica na literatura (8).
Para as linhas em tensões extra-elevadas, o número máximo de con- a - tensão normal e sobretensões em freqüência industrial;
dutores é de quatro por feixe p2.rn linh2,s na classe de 380/420 [kV) em dian- b - surtos de sobretensão de manobra que são de curta du.ração,
te, M Europa, e 500/525 [kV] em diante nos Estados Unidos (preferen- podendo, no entanto, atingir niveis de 3 a 5 vezes a tensão normal entre
cialmente para 700/765 [k V]). O espaçB.mento preferencial nB, Europa fase e terra;
é de 400 [mm], enquanto que n2, América do Norte é de 458 [mm] (1~
e - sobretensões de origem atmosférica, cujas intensidades podem
polegadas). A relação espaçamento/diâmetro dos subcondutores, consi- ser muito elevadas e variadas.
derada importante para o desempenho das linha,s, varia grandemente,
desde 13, nas linh:;i,s de 735 [kV] canadenses, a mais de 30 em linhas ame- Um isolador eficiente deve ainda ser capaz de fazer o máximo uso
ricanas de 345 [kVJ.
Para e,s linhas em tensões ultra-elev:;i,d2,s, que serão normaliz2,das entre
o
do poder isolante do ar que envolve a fim de assegurar isolamento ade-
que.do. A falha de um isolador pode ocorrer tanto no interior do mate-
1 000 e 2 000 [k VJ, ao que tudo indica, nos níveis de 1 050 [k VJ e 1 300 rial (perfuração) ou pelo ar que o envolve (descarga externa). Seu desenho
[kV], inicialmente (12), desde já consideradas viáveis, seja do ponto de deve ser de forma a assegurar uma distribuição balanceada de poten-
vista técnico, seja econômico, o problema da escolha do número de subcon- ciais e, conseqüentemente, dos gradientes no ar, com o objetivo de asse-
dutores e seu espe,çamento é ainda mais crítico. Arranjos de 6 a 10 subcon- gurar tensões de descarga adequadas. Daí suas formas peculiares. Além
dutores (12, 13) por feixe estão sendo considerados. Foi inclusive aven- desses requisitos, deve ainda satisfazer a outro não menos importante,
tada, a hipótese do emprego de subcondutores divididos, isto é, consti- que é o da não produ~ão, mesmo após longos períodos de operação, da in-
tuídos de feixes de condutores menores (14). Esta última hipótese, como desejável radiointerjerência. Esta, em geral, é causada nos isoladores
também a do uso de ordens mais elevadas de número de subcondutores por minúsculos pontos de disrupção elét.rica para, o ar: carona. Os eflú-
(acima de 10), esbarra em dificuldades de ordem prática para sua exe- vios assim produzidos provocam correntes d e altas freqüências, que ir-
cução, o que faz com que, pelo menos no momento, não mais venha me- radiam energia de maneira semelh:mte a um radiotransmissor. Ê um
recendo maior atenção. problema que deve ser eliminado pelo próprio desenho e pelo acabamento
superficial dos isoladores. Exige-se ainda dos isoladores extrema robus-
tez, de modo a poderem resistir ao manuseio, nem sempre deJicado, nos
armazéns e obras. Devem ser duráveis quando em serviço, reduzindo
2.3 - ISOLADORES E FERRAGENS
a um mínimo o número de reposições no decorrer dos 8,nos, e resistir bem
aos choques térmicos a que estão submetidos pelas condições meteoro-
Os çabos são suportados pelas estruturas através dos isoladores, que, lógicas lo cais.
como seu próprio nome indicg, os mantêm isol2,dos eletricamente das
mesmas. Devem resistir te,nto às solicitações mecânicas como às elétricas. Suas superfícies devem ter acabamento capaz de resistir bi:>m às ex-
Os isoladores são submetidos a solicitações mecânicas que lhes são posições ao tempo, mesmo em atmosfera, de elevado grau de poluição em
transmitidas pelos cabos condutores. São de três tipos: que haja presença, de óxidos de enxofre e outros reagentes.

a - forças verticais, devidas ao próprio peso dos condutores (nos Para a sua fabricação empregam-se dois tipos de material:
países de clima frio, esse peso é a.crescido do peso da ca.pa de gl'lo que se a - porcelana vitrificada,
pode formar em torno dos mesmos);
b - vidro temperado.
b - forças horizontais axiais, no sentido dos eixos longitudinais das
linhas. necessária.s para que os condutores se mantenham :;uspenso::> sobre Encontram-se em fase de introdução isolamentos pàra linhas exe-
o solo; cutados com· resinas sintéticas. .A a.ssociação de Epoxi com fibras de
1

26 CARACTERÍSTICAS FISICAS DAS LINHAS CAP. 2 •j 2.3 - ISOLADORES E FERRAGENS


J:
"i
vidro, além de ter poder isCllante, apresenta excelentes características me-
cânicas. A principal vantagem desse tipo de material consiste em per- . A - Isoladores de pino - São fixados à estrutura através de um
mitir a execução de peças estruturais auto-isolantes e, cdnforme as cla,sses pmo de aço. Para ta:r:to,_ em sua, parte interna possuem um furo rós-
de tensão, eliminar inteiramente os is"oladores convenciomds, podendo, queado, com ro~ca de filete re~ondo, padronizado, no Bra.sil, pela ABNT
destarte, co'ntriOuir para a.redução das dimensões de estruturas (20, 21). (MB-22). Os pmos de aço foqaqo possuem, em sua, parte superior uma
No Brasil, cruzetas isolantes já vêm sendo empregadas desde 1969 para cabeça de chu?1_bo filetada, sobre a qual se atarracha. o isolador. Sã~ nor-
linhas de 69 [kV] em ca:ráter experimental. Prevê-se seu emprego para malmente solicitados à compressão e à flexão. ,
linhas de 138 a 230 [kV], aproximadamente.
~emente são empregad_os em linhas até 69 [kV], e com condutores
a - Porcelana vitrificada - Deve ser d e boa qualidade, baixa rela.tivament~ leves, em virtude da pequena resistência do chumbo da
porosidade, isenta de bolhas de ar e impurezas, além de apresentar alta cabeç~ dos. pmos ao esmagamento e também da pequena resistência dos
resistência mecânica e ao impacto. Sua ré'sistência dielétrica deve ser da próprios pmos a esforços de flexão.
ordem de 6 a 6,5 [kV/mml Sua superfície deve ser vitrifice,da cuída- Devi~o à mencionada dificuldade d e se obterem peças maiores e ma~is
dosamente a fim de vedar os seus poros, impedindo a absorção da água e espessas, 1sofad~res para tensões nominais maiores do que 25 [kV] são
evitando a redução de sua resistência dielétrica. A vitrificação deve ser compostos d~ diversas peças de espessura menores, sobr,epostas e cimen-
resistente a temperaturas elevadas, devendo resistir ao calor oriundo de tadas entre s1, como mostram as Figs. 2.4 a e b Soo os isoladores MUL
eventuais arcos elétricos, sem se danificar. A grande dificuldade da ele- TICORPOS. . -
trocerâmica consiste na obtenção de peças espessas e de grandes dimen-
sões capazes de satisfazer a essas exigências.
b - Vidro temperado - Possui uma resistência dielétrica da ordem (ll 98
de 14 [kV/mm] e resistência mecânica equivalente à da porcelana, podendo
inclusive ser fabricadas peças mais espessas. Seu custo é inferiOr ao da
porcelll.na, porém é mais sujeito a de,nos por atos de vandalismo, pois,
devido à sua têmpera, os isoladores não resistem bem a impactos, mesmo
leves, dependendo dó local atingido (por exemplo, saias dos isoladores
de disco, que são inteiramente estraçalhados por pedras atiradas com es- ISO
tilingues).
Com o advento de transmissã".l nas tensões extra-elevadas, em CA e
em CC, condições mais severas de serviço vêm sendo impostas aos isola-
dores, devido, inclusive, à crescente intensidade da poluição atmosférica;
isso tem levado a grandes projetos de pesquisa em todo o mundo, visando
a aprimorar materiais e desenhos dos isoladores, no sentido de assegurar l!l 12S .
uma crescente melhoria em seus desempenhos. Está se adotando vitri-
ficação semicondutora em isoladores antipoluição.
No Brasil há diversos fabricantes de isoladores de porcelana, que· Fig. 2.4 - Isoladores de pinos de porcelana: a - monocorpo para 25 kV; b ~ multi-
produzem de acordo com especificações bastante rígidas. Isoladores d.e corpo para 69 k V.
vidro temperado· são produzidos, no momento, por apenas um fabricante,
de capital e know-how estrangeiros. Em vidro temperado é possível obtê-los de. uma só peça (isolador
monocorpo).
2.3.l - Tip()s de Isoladores
B - _Isoladores tipo pilar - São menos usados entre nós em linhas
Em linhas de transmissão empregam-se basicamente três tipos de de tr~n?m1ssão do que os isoladores de pino, podendo ser construídos de
isoladores: umr, ui:-1rn peça, t~mbém d e porcelana, parn tensões mais elevadas. Dad 0
o seu sistema d e fixação, resistem a esforços mecânicos bem mais elevados
A isoladores de pino; t_anto ele compres?ão como de flexãt:>. Nos Estados Unidos construíram-se
B isoladores tipo ·pilar; lmlrns com esse tipo de isolador com tensões até 110 kV (Fig. 2 ..5).
e- isoladores de suspensão. C' .- !solado~·es. de suspensão Representam o tipo de isoladores
dt• mu,10r 1mportanc1a para as linhgs de transmissão, pois, trabalhando
28 CARACT ERÍSTIC AS FÍSICAS DAS LINHAS CAP. 2
2.3 - ISOLADO RES E FERRAG ENS

a tração, condição muito favoráv el de solicitaç ão trmto para o vidro como


para a porcela na, ajustam -se facilme nte às condições de serviço imposta Largam ente utilizados no país de origem, não tiveram ainda aceitaçào fom
s do mesmo, provave lmente devido às dificuldades técnicas de fabricação.
·em linhas em tensão extra-el evada e ultra-el evada.
São fabricad os com comprimento até 1305 mm para tensões até 110 kV
emyma só peça, podendo ser conecta da duas ou mais, em série, para tensoes
maiores:
'1

~1

l
185

450
~

145

Fig. 2.5 - Isolador de porcelana tipo pilar para 69 [kV]. lo)


(e)

Fig. 2.6 - Isolador de suspensã o monocorpo. ( b) (d )

Empreg am-se basicP.mente dois tipos de isolador es de suspens ão: Fig. 2.7 - Isolado1•es de suspensão: a, b e d - engates concha-bola; e - engate garfo-
-olhal.
a - isolador es monocorpo ou barra longa;
b - isolador es de disco. b - Isoladores de disco - São referidos na MB-22, da ABNT
simples mente como -isoladores de suspensão, por não considerar o tipo an~
a - Isoladores monocorpo - Desenv olvidos e fabricad os na Ale- t.erior. São compostos· de um corpo isolante e forrngens de suspens
manha, por uma das indústri as mais antigas e tradicio nais de porcela ão,
na como mostra a Fig. 2.7. ·,Atrav és das ferragens, unidade s de isolador
(Rosent hal), levam o nome de Langstab (barra longa). São constitu es
ídos são conecte das entre si, formand o longes cadeias de isoladores. Essas
. de uma. única peça de porcela na (Fig. 2.6), cujo comprim ento é de acordo ferr.agens _são idealiza das de forma a permiti r grande flt>xibilidade, o que
com o nível de isolame nto desejad o. Para um mesmo nível de isolame o briga os isoladores a trabalha rem sob tração, com os esforços conoentrados
nto,
ele é sempre inferior ao df!.S cadeias de isoladores corresp ondente s, o em seu eixo. No Brasil, as ferragens de suspensão dos isoladores·são pa-
que
p9de resultar em conside rável redução nas dimensõ es df!.s estrutur droniza dos pela ABNT (PB-57), permiti ndo o câmbio por unidade s for-
as.
CARACTERÍS TICAS FÍSICAS DAS LINHAS CAP. 2 2.3 - ISOLADORES E FERRAGENS ' 31

necidas por diversos fabricantes. As ferragens constituem- se de uma haste, 2.3.2 - Característ icas dos Isoladores de Suspensão
fixada na parte inferior do isolador, terminada em forma de bola (boleto) As característic as fundamenta is d e isoladores de suspensão que m-
ou de lingueta (olhal), e por uma campânula terminada ou em um garfo ou fluenciam suas aplicações são:
em uma concha. O tipo de engate bola-concha é quase adotado univer-
salmente em linhas de transmissão . Para cadeias em v às vezes são pre- A - Características físicas e mecânicas:
feridos os engates gmjo-olhal. a - resistência eletromecân ica;
b - carga máxima de trabalho;
As ferragens dos isola.dores d e suspensão devem ser galvanizgda s em
banho quente de zinco, sendo a espessura da JfJmada controlada pelos e - resistência ao impacto;
processos indicados na N"B-22. Sua forma dde ser estudada de modo d - resistência aos choques térmicos.
a nã0 possuir pontos de elevados gradientes de potencial e onde possam B - Característiºcas elétricas:
ocorrer eflúvios, provocando radiointerfe rência. a - tensões disruptivas a seco e sob chuva em freqüência industrial;
É evidente que isoladores de disco podem ser fabricados em grande b - tensão disruptiva sob impulso;
variedade de diâmetros e espaçamento s (passo). No entanto, pa.ra maior
eficiência elétrica existem limites bem definidos no que diz respeito a essas
G - tensão de perfuração;
dimensões, que devem ser considera.dgs em conjunto. Se e espll.ça,mento d - tensão de radiointerfe rência e Corona.
for aumentado, seu diâmetro deverá ser igu2.lmente aumentado, a fim de
que se mantenha a eficiência geral. Por muitos anos a relação de 4 3/ 4 " 1
1 /,
1/2
X 10" (121 X 254 mm) foi .considerada ideal. Pesquisas posteriores in-
dicaram 5 3/ 4" X 10" (146 X 254 mm) como proporções ideais (dimen-
sões-padrão ABN'T-145 X 250 mm). Para se chegar a essas dimen-
'1600
ONDA 1
NEGATIVA
X 40 JJS
---- --- / / r-'--

sões em número de fatores, deve-se considerar: o tamanho da campânula,


a distância de arco, a distância de escoamento (Fig. 2.8). 1
1/2
I
1400 ONDA 1 X 40 JJS

POSITIVA -----.
./
1200 /
>
" !/
"f 1000
:E
"' --·
I /
/ >e(
60 Hz EFICAZ I'
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l>C(
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1 A
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600
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....
'I / V
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l(1
400 ,/ V
/ / 60 Hz EFICAZ

!/ /
/
/
./
/
""'
soe CHUVA

200

~ //'
N~ DE UNIDADES NA CADEIA
o
o 8 12 16 20
Fig. 2.8 - Distânc-ia de arco e distância de escoamento: A - distância de descarga a seco;
B - distância de descarga sob chuva; C ~ distância de escoamento. Fig. 2.9-: 'f'ensões disruptivas a 60 Hz e de impulso em cadeias de isoladotcs (18).
32 CARACTERISTICAS FISICAS DAS LINHAS CAP. 2 2.3 - ISOLADORES E FERRAGENS 33

Esse.s cnre.cterísticas devem ser indicnds,s pelos fabricantes e ga- buição de potencir.l em unid::.des de isoladores e em uma cadeia de isola-
r2.ntidas. A NB-22 e a. MB-22 da ABNT regulamenta.m no Brasil, qua.is dores. A Fig. 2.10 mostra a distribuição de potenciais em uma unidade
os ensaios e sua. forma de realiz.'1i;.ão parn verifics,ção das garantias ofere- (16). Como é de se esperar, os gradientes mais elevs.dos ocorrem próximos
cidas. A Fig. 2. 9 mostm as tensões disruptivas a tensões d e freqüência aos pinos e à campânula, enquanto que gradientes menores ocorrem ao
industrial e a ondas de impulso de cadeias de isoladores de suspensão de longo da superfície restante. Se consider8.rmos uma cadeia de isol8.dores
53/4" X 10. com z elementos, teremos um circuito equivalente, como aquele indicado
na Fig. 2.11. A distribuição de potenciais do longo da cadeia poderá ser
2.3.2.1 - Distribuição de Potenciais em Isoladores e Cadeias calculada pela expressão:
de l soladores

A fim de se obter um quadro mais exato da maneira de resistir de uma


cadeia de isoladores, convém examinar alguns gspectos básicos da distri-
{3 2 s~~ (3z { ~ senh {3n + ~ senh (3 (n - z) + ~ senh {3z } (2.2)

na. qual valem:


<(
o Un [kV] - tensão a. que estão submetidas n unidades a contar do
"'
ü
_J
lado aterrado (estrutura);
a. 100

t9/
"'o /
/
Uq [kV] - tensão a que estão submetidos os z elementos;
'"'z"' 80
/
/
j

l
U.J
/
·>-
~ 2 ~ /
/
"'o 4~1yll ~ /
60 - 5 7

o
_J
6 a910
/
/
/
e [F] - capacitância entre campânula e pino de um isolador;
o
40 /
/
10/ e [F] capacitância de uma unidade ao solO;
"'o /

"'
8 9/ k [F] capacitância de uma unidade ao condutor.
o
1
p-
2 3
/
/ /4 5 6 7
-
'"'"'z 20 · Na maioria dos casos práticot:>, pode-se admitir k O; a Eq. (2.2)
U.J
1- I ///
/
fica, então, reduzida ...t:
=

o 2 4 6 8 10 12 U,. = Uq
sen han
= --- (2.3)
sen haz
Fig. 2.10 ~ Distribuiçao de potenciais ao longo do um único isolador.

~~~#~ e
para
k
,f fI e 1
f E
2
1

1 f I' A Fig. 2.12 mostra a distribuição de potenciais em uma cadeia de


isoladores com z = 8 e c/C e:::::: 0,083.
f fn 1
As expressões indicadas são a,penas aproximada.s, pois, para permitir
(
I I'.
um equacionamento simples, diversos fatores colaterais, como· correntes
f
!
± I' de escape, efeito Corona, capacitâncias entre os condutores e ferragens etc.
foram desprezados. Esses fatores colaterais, em geral, atuam favo-
Ug
tz 1
ravelmente para uma melhor distribuição dos potenciais. Experiências
realizadas mostraram que o valor de c/C varia, em construções normais,
Fig. 2.11 - Cii-cuito equivalente de uma cadeia de z isoladores. em torno de 0,2.
34 ~· CARA CTER ISTIC AS. FISIC AS DAS
LINH AS CAP. 2 2.3 - ISOLA DORE S E FERR AGEN S
35
...
o
...
() Esse s anéis distr ibuid ores de poten cial (Fig.
:::; 2.13) têm como princ jpal
... Q. final idade aume ntar a capa citân cia entre as
100 peça s metá licas dos isoladores
e cond utore s, a qu2J foi desp rezad a na dedu
....o
...,_"'z 80 _ C1c=o .oa3
, /
/
V
-;! voca m a distr ibuiç ão unifo rme em todo s
redu zem subs tanci alme nte o poten cial a
ção anter ior. Eles não pro-
os isola dores da cadeia, porém
...
K1C! O
/
/
.
.. infer ior.
que fica subm etido o isola dor
o
o
....
60
/,
/
/
/ ;·

Os anéis de.po tenci al, no entan to, redu zem


a distâ ncia disru ptiva da
o
o

.J
o
~o /
,,"
/
'/" ' cade ia, princ ipalm ente quan do assoc iados
na. parte supe rior, reduz indo, porta nto, sua
com outro s anéis ou chifres
eficiência. Essa associação,
"'
o
... 20 /
1-'/
/
/

,/ V origi nada na mesm g época, tinha como


um even tm.l arco disru ptivo , ao longo da
fimd idade princ ipal evita r que
_,' cade ia de isola dores , queim asse
....o V' sua super fície.
~~
/

...,_"'z o
o
1
Com o aprim oram ento da técni ca de fabri
2 4 5 6 7 8 cação da porcefan2., a me-
NÚMER O DE ISOLAD ORES NA CADEIA lhori a de sua resis tênci a dielé trica , bem como
o e.perfeiçoamento da quali -
dade do mate rial para a vitrific2,ção, e princ
Fig. 2.12 - Distribuição de potenciais ao longo de um<i ipalm ente de seus desen hos,
cadeia de 8 elementos (16). releg aram o prob lema da perfur2,ção e queim
a das supe rfície s pelo arco
a um plano secun dário , acon selha ndo- se, hoje,
O aume nto do comp rime nto dos braço s que o aban dono do emprego dos
supo rtam os isola dpres anéis de poten cial e chifr es, mesm o nas tensõ
pode m fazer dimi nuir esse valor até 0,10, poré es eleva das e extra -elev a-
m o aume nto de peso das es- · das (2).
trutu ras daí deco rrent e não o justif ica.
Nas linha s de tensã o extra -elev ades verifice,m-
Esse prob lema é meno r l'lOS isola dores tipo se no entan to, grimdes
mono corpo que são com- conc entra ções de potenci2.is ne,s angu losid
posto s apen as de dois eletr odos e um dielé trico ades e areste,s inevi távei s das
de gran de espes sura. ferra gens d e suspe nsão , de form a que si',o
O prob lema de distr ibuiç ão não uniforme. adota dos anéis distri buido res.'
dos poten ciais foi conside- cham ados anéis de guarda (Cor ona SHIE
derad o muit o grav e quan do se iniciou o empr LDS ), colocados later alme nd
ego de cadei as de isola dores , aos gram pos de suspe nsão , como most ra
obser vand o-se perfu raçõe s do dielé trico nos a Fig. 2.14.
prim eiros elem entos da cadei a,
como tamb ém corre ntes de escap e sobre
sua superfície. Proc urara m-se
então , meios de se evita r esse prob lema .
Prim eiram ente se suge riu o
emprego de discos com maio res tensõ es disru
ptiva s junto aos cond utore s.
Poste riorm ente foram · inven tados os anéis
distr ibuid ores de poten cial.

.,
e .,ô

e
l.
e COI
l

Fig. 2.13 - Efeito da presença aos anéis de potencial nas


cadeias de isoladores.
Fig; 2.14 - Anéis de Carona para Unhas em tensões elevad
as e extra-elevadas.
2.3 - ISOLADORES E FERRAGENS 37
CARACTERÍSTICAS flSICAS DAS LINHAS CAP. 2

Os anéis de guarda atuam beneficamente na distribuiçi'.í.o dos poten- seu desenho é de extrema· importância, mesmo em detalhes mínimos, pois
ciais. As estruturas de madeira e concreto atuam também favoravelmen- podem constituir-se fontes de Carona e importantes fontes de radioin:..
te na distribuição dos potencir.is ao longo das cadeias, pois as capacidades terferência, mesmo com tensões relativamente baixas (19).
e são desprezíveis face a C (valor de c/C muito baixo).
Faz-se a determinação do número de isoladores de uma cadeia de 2.3.3.1 - Cadeias de Suspensão
isoladores parn, uma determinada classe de tensão de linha a partir do
valor das sobretensões previstàs, sejam de origem interna ou externa. As cadeias de isoladores devem suportar os condutores e transmitir
Nas linhas de tensões extra-elevadas ou ultrn-eleva,das, o critério domi- aos suportes todos os esforços destes. N9, parte superior dev·em possuir
nante se baseia nos surtos de sobretensões interna,s, em geral produzidas uma peça. de ligação à estrutura, em geral um gancho ou uma manilha,
por faltas ou manobras, cujo valor pode ser maior do que o daquelas d e e, na parte inferior, terminam em uma pinça (ou grampo de suspensão),
origem atmosférica. A Fig. 2.15 mostra o número de isoladores em fun- que abraça e fixa o cabo condutor.
ção das tensões de linhas empregados atualmente. Para uma mesma A - Pi·nça de suspensão - O conjunto de solicita.ções que atua.m
classe de tensão, observa,mos uma varia,çi'.í,o rel::>.tivamente grande do sobre os ca.bos, sejam elas verticais ou horizontais, cria no condutor' uma
número de isoladores, que deve ser atribuída às diferentes hipóteses ad- tensão mecânica, que é transmitida aos suportes. Nos pontos de sus-·
mitidas em projeto. pensão, em virtude do peso do condutor e de rna natural rigidez, a.pare-
cem esforços de flexão bastante elevados. Quando a curva,tura infe-
rior da calha da pinça não se amolda bem à curvatura natural dos cabos,
estes podem sofrer esmagamento dos filamentos, pois a superfície de apoio
fica bastante reduzida. Pa.ra os cabos de alumíli~o e alumínio-aço, esse
problema ainda é mais crítico, mesmo quando se usam armaduras antivi-
brantes (armor-rods). É necessário que estas se amoldem perfeitamente
ao cabó e também à pinça, pois, de outra forma, o cabo poderá ainda ser
solicitado à compressão, com perigo de esmagamento.
A pinça de suspensão deve também ser multiarticulada, permitindo
sua livre oscilação em sentido longitudinal e transversal, a fim de que o
...,
a:
o
c:J.bo não seja solicitado adicionalmente .
Q 20
e
..1
o
~
Ili
Q

.,o
... 10
'~z

100 200 300 400 500 soo 700

TENSÕES NOMINAIS DAS LINHAS

Fig. 2.15 - Número de isoladores em junçao da tensao da linha.

Fig. 2.16 - Pinça de suspensao multia,.ticulada.


2.3.3 - Ferragens e Acessórios
A telha de cobertura, de comprimento inferior ao da calha, deve também
São representados pelo conjunto de peças que devem suportar os cabos casar bem com o cabo ou arrnor-rods, pois, aplicada a pressão, deve .evitar
e ligá-los às cv,deias de isoladores e estas às estruturas. No conjunto, o o seu escorregamento longitudinal, sem, no entanto, produzir esmagamento.
38 CARACTERÍSTIC AS FÍSICAS DAS LINHAS CAP. 2
2.4 - ESTRUTURAS DAS LINHAS DE TRANSMISSÃO 39
,,
1

As pinças de suspensão são normalmente fabricadas em ferro ma- d - grampos de suspensão armados - são conjuntos especiais de
leável fundido e zincado a quente, e em alumínio ou dura.lumínio fundido suspensão, constituídos de duas sapatas de alumínio envolvidas exter-
sob pressão. Para os cabos de cobre usam-se exclusivamente as primeiras, namente por uma cinta de aço e possuindo, internamente, um coxim de
pois o alumínio em contato com o cobre, na presença d'água, i;ofre cor- neoprene que distribui as tensões radiais e evita. o contato metálico no
rosão galvânica. Para cabos de alumínio podem-se usar ambos os tipos;
ponto centrnl entre a sapata e o grampo. Entre o coxim de neoprcne e ~s
no entanto, dada a competitividad e econômica do alum1nio, preferem-se sapatas de alumínio há um conjunto de varetas pré-formadas, pelas quais
hoje as pinças em alumínio. Pinos, grampos e articulações são normalmen-
se realiza a fixação propriamente dita (12).
te de aço forjado ou estampado, zincado a quente.
B - Dispositivos antivibrantes - Os cabos esticados de uma linha d.e 2.3.3.2 - Cadeias de Ancoragem
transmissão, submetidos à ação de ventos de intensidades variáveis, vibram
com freqüências diversas. Em face dessas vibrações, os pontos de sus- Suportam, além dos esforços que devem suportar as cadeias de sus-
pensão representam nós onde se canaliza razoável energia, que submete pensão, também os esforços devidos ao tracionamento dos cabos. Podem
os filamentos dos cabos a movimentos de flexão alternada, podendo levar ser constituídas de umB. simples coluna de isoladores, como também de
à sua fadiga e conseqüente ruptura; Quanto maior for a taxa de trabalho diversas colune.s em paralelo, dependendo da força de tração a que estão
nos condutores, tanto me.iores serã.o os danos causados pelas vibrações, sujeitas. O elemento de fixação do cabo condutor é o grampo de tensão
o que leva a uma recomendação dos fabricantes de cabos de alumíniô e ou grampo de ancoragem., que deve ser dimensionado para resistir aos es-
e alumínio-aço a limitar traçã"o de 20% da carga de ruptura dos cabos, forços mecânicos a que ficar sujeito, e ao mesmo reter o cabo, sem pos-
para a temperatura média de maior permanência (20 a 25° C), sem vento. sibilidade de escorregamento . Em alumínio. ou ferro 'maleável, existem
dois tipos básicos:
Os efeitos nocivos das vibrações podem ser reduzidos com o emprego
?e dispositivo~redutores, destacando-se: - de passagem - o cabo é retido por pressão, atravessando o grampo
sem seccionamento, havendo diversas formas de execução;
a - armaduras ántivibrantes - consistem em uma camada de vare- - de compressão - o cabo é seccionado no ponto de ancoragem e
tas de alumínio (ou de bronze, para cabos de cobre) enroladas em torno o grampo é aplicado por compressão do material por meio de prensa hi-
dos cabos condutores nos pontos de suspensão. Seu número e diâmetro dráulica ou alicate-prensa de grande capacidade. Para os cabos CAA
dependem do diâmetro do cabo ao que,! são aplicadas, de forma a se ajus- pode ser constituído de duas peçe,s, uma interna, que retém o núcleo de
tarem perfeitamente à sua periferia. Seu comprimento é igual e, aproxi- ar:o e que suporta o esforço mecânico, e uma externa, de alumínio, que
madamente 150 vezes o diâmetro do condutor antes de serem aplicadas, p~ssui sapatas terminais para a ligação elétrica da derivação.
_ficando reduzidas a cerca de 130 vezes após sue, aplicação. Sue.s extre·
midades são fixadas entre si e ao cabo por presilhas de pressão (virolas).
Existem dois tipos fundamentais, que se distinguem pelo método de apli- 2.4 ESTRUTURA S DAS LINHAS DE TRANSMISS ÃO
cação: As estruturas constituem os elementos de sustentação dOs cabos das
_:_ ·vergalhões paralelos ou bicónicos para formação durante a apli- . linhas de transmissão. Terão tantos pontos de suspensão quanto forem
cação; _requerem ferramentas especiais para sua colocação; os cabos condutores e cabos pára-raios a serem surportados. Suas dimen-
- vergalhões espira.lados pré-formados, que são aplicados manual- sões e formas dependem, portanto, de diversos fatores, destacando-se:
mente; pela menor mão-de-obra requerida, vêm sendo preferidos (17);
- disposições dos condutores;
b - festões - consistem em alças de cabos que são fixados aos cabos - distância entre condutores;
nos pontos de suspensão. Pe.rte da energfo, das vibrações é dissipada
- dimensões e formas de isolamento;
nas alças pelo atrito com ar e parte é desviada, sendo que apenas um pouco
chega aos grampos de suspensão. Solução relativamente de baixo custo, - flechas dos condutores;
porém bastante eficiente; - altura de segurança;
e - amortecedores stokbridge - ·consis~em em massas de ferro ou - função mecânica;
chumbo fixas aos condutores através de suportes flexíveis, permitindo-lhe s - forma de resistir;
captar a energia das vibmções dos cabos; tendo uma freqüência rnüural - materiais estruturais;
diversa, vibram em freqüência diferente, dissipando a energia por atrito - número de circuites etc.
nas alças flexíveis e com o ar;
Daí a grande variedade de estruturas em uso.
CARA CTERf STICA S FISICA S DAS LINHA S CAP. 2.4 - ESTRU TURAS DAS LINHA S DE TRANS MISSÃ
2 O 41

2.4.l Dispo siçõe s dos Cond utore s Para linhas a circui to duplo s, as dispos ições triang
ulares e vertic ais
são as mais usada s. A config uração horizo ntal, para
essas linhas , implic a
Nas linhas trifási cas empre gam-s e, funda menta lment ou estrut uras muito largas ou a sobrep osição dos
e, três dispo- circui tos.
sições de condu tores:

a dispos ição triang ular; 21.34 m


b- dispos ição horizo ntal;

', /" 1
e dispos ição vertic al.

a Di.sposição triang ular -·Os condu tores estão dispo ''


stos segun do
os vértic es de um triâng ulo, que poder á ser eqüilá
tero ou outro qualq uer.
..
' • .c /

l
No prime iro caso, diz-se que a dispos ição é eletri camen

.,
te simét rica; no se- E
gundo , assim étrica (Fig. 2.17). o
l-J'-+.:.:1 50_,,,2::__4:.,;,m;;.i ~
Ej ..,E
1
..,..,
., 1

1
..,.;
1

l
1

1
(A)
( B)
-/_/.....,_-1_<...,/,/'.,...,.=--l-/.----~/!-/_,...:
""'/.'.,...,__ __/..,./...,._-_/.....,/....,-.=--/_._/,...=
A) LT 750 KV - CANAD Á B) LT 500 KV- CANADÁ
A

o
o
,,;

2,53


ASSIMÉ TRICA 69 KV SIMÉTR ICA 1

69 KV

Fm. 2.17 - Disposição triangular.


1
1

b - Di·sposição hori.zontal - Os condu tores são fixado


s em um mesm o
plano horizo ntal, donde o nome , às vezes usado , de
lençol horizontal. Pode i
·· ~er simét rica ou assim étrica . Sua princi pal vanta
gem reside em permi - '\~~ 1
1
tir estrut uras de meno r altura para um mesm o condu
demai s dispos ições, porém exige estrut uras mais
tor e vão do que as ~ é
l::i.rgas. É a dispos ição !j
prefer ida para linhas a circui to simpl es, para tensõe
s elevad as e extra- ele- 'i ATE 138 KV
vadas (Fig. 2.18).
1

e - Dispo sição vertical - Ou em lenç ol Yertical, J'I


1
é a dispos ição pre- Fig. 2.19 - Disposição vertical.
ferida para linhas a circui to duplo e para linhas i1
que acom panha m vias 1

públic as. Nesta s, os condu tores se encon tram monta Ps.ra as linhas a circui to duplo prefer em-se as dispos
dos em um plano ições indica.das
vertic al (Fig. 2.19). nn. Fig .. 2.20.
42 CARACT ERISTIC AS Fl°SICAS DAS LINHAS CAP. 2 '1 2.4 - !ESTRUTURAS DAS LINHAS DE TRANSM ISSÃO
'." 43
1

8,80 8.80 -
2.4.3 - Classif icação das Estrutu ras das Linhas de Transm issão

o Há diversos _critérios pelos quais podemo s classificar as estrutur as


o das linhas de transmi ssão, sendo os mais usados:
.;
- quanto à sua função na linha;
o
º·5! - quanto à sua forma de resistir;
- quanto ao materia l empregado em sua fabricação.

9,00 9,00
1
1
1
:':e

,( 2.4.3.1 - Funçõe s das Estrutu ras nas Linhas
A ABNT, através da NB-182 - Projeto de Linhas Aéreas de Tráns-
missão e Subtran smissão de Energia Elétrica - especifica as cargas
a-
tuantes bem como as hipótes.es de carga a serem conside radas nos pro-
o
.... jetos e cálculos dos suporte s das linhas de transmi ssão:
,.:
N
A - Cargas verticais
- compon entes verticai s dos esforços de tração dos cabos (condu-
tores e pára-rai os);
/
- peso dos acessórios de fixação dos .cabos (ferragens e isoladores);
A- LT 138 KV CESP B-LT 380 KV CESP
- peso próprio "do suporte e eventua is cargas verticai s, devido ao
estaiam ento;
- sobreca rgas de montag em, manute nção e/ou outras eventua is.
Fig. 2.20 - Linhas a circuito duplo.
B - Cargas horizontais transversm's

2.4.2 - Dimens ões• das Estrutu ras - ação do vento sobre os cabos e respectivos acessórios de fixação;
- ação do vento sobre o suporte , na direção no1mal da linha;
As dimensões principais das estrutur as são determi nadas principa l- - compon entes horizon tais transve rsais dos esforços de traça.o dos
mente pelos seguintes fatores: cabos e eventua is esforços horizon tais introdu zidos pelo estaiam ento.
C - Cargas horizontai's longitud inais
- tensão de nomina l de exerCicio;
- sobretensões previstas. - compon entes horizon tais longitud inais dos esforços dos cabos e
eventua is esforços introdu zidos pelo estaiam ento;
Como fatores secundários intervêm : - ação do vento sobre o suporte , na direção da linha.
Às cargas acima refa.cionadas, que podem ser consideradas como
- flecha dos condutores; normais , sobrepõem-se ainda cargas anorma is, ou excepcionais, às quais,
- forma d·e sustenta ção dos conduto res; sob certas condições, os conduto res devem resistir. São elas as cargas
- diâmetr o dos conduto res. provoca das pelo rompim ento de um ou mais cabos.
As estrutur as, além de sua funçã'.:l geral de suporte dos condutores,
Em função dos elementos acima, a~ iior~as dos diversos países fi- possuem também funções subsidiá rias, cuja influência é marcan te em seu
xaram a forma de se determi narem as distanci as entre condutore~, altura dimensi onamen to. Essas funções estão relacion adas com o tipo de cargas
dos seus pontos de suspensão e distânci as destes às partes aterrad as que devem suporta r.
da
estrutur a. Essas dimensões variam grandem ente de país para paí~,
dependendo das normas adotada s. No Brasil, esses elementos sã_o a - Estrutu ras de suspensão - São dimensi onadas para suporta r
fi- cargas normais verticai s e cargas normais horizon tais .transversais devi-
xados em norma pela ABNT (15). das à ação do vento sobre os cabos e as própria s estrutur as. No sentido
44 CARACTERISTIC AS Fi°SICAS DAS LINHAS CAP. 2 2.4 - ESTRUTURAS DAS LINHAS DE TRANSMISSÃO 45

longitudinal resistem à ação da: força do vento. Conforme o tipo de es- sificação das estruturas em dois grandes grupos, quanto ao seu compor-
trutura, resistem também aos esforços excepcionais. Algumas vezes são tamento face a essas ca·rgas:
dimensionadas para resistir a, esforços horizontais transversais, resultan-
tes da composição de componentes longitudinais dos esforços de tração nos A - estruturas autoportantes,
cabos em pequenos ângulos (em geral iguais oli menores do que 5°).
B - estruturas est:i.iadas.
b - Estruturas de ancoragem ~ Devem ser distinguidos dois tipos:
- ancoragem total - também chamadas estruturas de fim de linha, l A - Estruturas autoportantes - São estruturas que transmitem
são dimensionadas para resistir a todas as cargas normais e excepcionais, j todos os esforços diretamente para as suas fundações, comportando-se
unilateralment e. São, portanto, as estruturas mais reforçadas das linhas. como vigas engastadas verdadeiras, como elevo,dos momentos fletores

,
1

i
- ancoragem parcial - ou ancoragem intermediária - são empre- junto à linha de solo. As estruturas autoportantes podem ser:
gadas em pontos intermediários das linhas, servindo normalmente como
pontos de tensionamento . :Menos reforçadas do que as primeiras, resis- a - rígidas;
tem, em geral, aos esforços normais de tração unilateral, nas condições b- flexíveis;
diáriºas de. operação, além dos esforços transversais e longitudinais normais,
e às cargas excepcionais. Uma vez obrigatórias em todas as linhas, com
1 e - mistas ou semi-rígidas.
distância,s variáveis de 5 a 10 km entre si, hoje não mais são assim con-. 1

1
a - Estruturas rí[!idas - São dimensionadas para resistir aos es-
sideradas, podendo, inclusive, ser omitidas. forços normais e sobrecargas, sem deformações elástica,s perceptíveis, e
e - Estruturns para ângulos - São aquelas dimensionadas para às ca.rge.s excepcionais, com deformações elásticas de menor importância.
resistir aos esforços normais, inclusive das forças horizontais devidas à Em seu aspecto geral, são simétric:;i.s em ambas as direções (longitudinais
presença dos ângulos. Em uma mesma linha há, em geral, diversos tipos e transverso.is), com dimep.sões relr,tive,mente gmndr-s, e construídas em
de estruturas para ângulos, dependendo dos valores destes. Resistem, estruturas metálicas treliçadas (Figs. 2.18a, 2.20 e 2.21).
geralmente, às cargas excepcionais. b - Efilruturas flexiveis - Resistem apenas às cargas normais e
d - Estruturas de derivação - Quando, em uma linha, se deve fazer sem deformações perceptíveis, resistindo às sobrecargas e esforços excep-
uma derivação, sem haver necessidade de interrupção ou seccionamento cionais com deformações elásticas consideráveis. São simétricas em am-
nessE> ponto, a linha é simplesmente derivada de estrutm!as apropriadas bas as direções e se camcterizam pelo elevado grau de· esbeltez; os postes
para esse fim. singelos são exemplos típicos desse tipo de estrutura, como também o são
os pôrticos articulados (Figs. 2.17 e 2.21).
e - Estruturas de transposição ou rotação de fase - Como veremos
nos Caps. 7 e 8, a fim de assegurar a simetria elétrica de uma linha, é ·usual e - Estruturas mistas ou semi-rígidas - São rígide,s em uma dire-
o emprego de rotação ou transposição de fase, feita em estruturas espe- ção e flexíveis em outra. Assim, sil,o e.struturas assimétricas, com_ dimen-
ciais, capazes de permitir essa rotação. sões maiores ria direçr,o em que são rígide.s e menores na outra. E o caso
dos pórticos contra ventados ou rígidos (Fig. 2.21).
'\,
B - Esírutu.ras est<úadas - São· normalmente estruturas flexíveis
2.4.3.2 - Forrna de Resistir das Estruturas ou mistas que são enrijecidr,s através de tirantes ou estais. Os tirantes,
conforme se verifica pela Fig. 2.25, absorvem parte dos esforços horizon-
Já vimos que as estruturas das linhas de transmissão sofrem três soli- tais, transmitindo-o s direfamente ao solo através de âncoras. Outra parte
citações diferentes: dos esforços é transmitida axial mente pela estrutura ..
- solicitação axial vertical; Os tirantes são, em geral, construídos com cabos de aço galvanizado

l
a fogo, do tipo HS ou s:vr, de 7 (sete) tentos, e diâmetros nominais variáveis.
- solicitação horizontal transversal;
Os cabos a.lumowelcl e coppenceld também têm sido bastante empregados.
- solicitação horizontal longitudinal.
As estruturr,s esto,iads.s, até há bem pouco tempo, tinham emprego
Uma estrutura pode ser, portanto, considerada como uma viga ver- limitado às linhr,s com estruturn.s de madeira ou concreto e tensões até
tical engastada no solo, com cargas vertica,is e carge,s transversais hori- cerca de 230 kV. :.\fais recentemente foram int.roduzidas estruturas me-
zontais, concentrade,s na parte superior da mesma.. As cargas horizon- tálicas esfaia.das pe,m tensões até 7.50 kV (Fig. 2.18b).
tais, que provocam momentos elevados na linha de engai;;ta,mento, se,o, Um caso particular constituem as Iinhe,s com estruturas semi-rígidas
em geral, preponderante s no seu dimensionamen to. Dai decorre a elas- no sentido trnnsvers::d que obtêm sua esü1,bilidE1de longitudinal atnwés
46
CAR/ .\CTE RIST ICAS FISIC AS DAS
LINH AS CAP. 2
2.4 - ESTR UTUR AS DAS LINH AS
DE TRAN SMIS SÃO
47
4,00 8,00 4,00 dos cabos pára-raios, ancorgdos em cada,
.e
r-·
N
- '
' ~o/ /
1 1 1
são e term inad os nas estru turn s d e ama uma dr,s estru tum s de susp en-
sos tipo s de estru tura s esta iada s .
rraç ão. A Fig. 2.22 ilust ra dive r-
..'
1
L :'
o
1
2.4.3 .3 - Mat eria is Para Estr utur as
8
,,; 1
Os mate riais usuais pam a fabricação
tran smis são são a mad eira, o concreto das estr utur as das linh as d e
1 e os meta is, pode ndo have r soluções
mistas. Resi nas arm adas tam bém têm
de vidro) (21). sido emp rega das (Epo xí e fibra
1 1 1
//.~ 7~ Y/~ 9'~'7-!'4;;//,r;//L-//'
Para cada tipo de mate rial há form
345 KV . 1
, 1 230 KV
34~ KV - rent es às sua,s possibilidades, podendo, as cons truti vas diferentes, ine-
~~. --.,, CAVA~UPLr TE)LC~o~~;.s!~_)-~ ~. - ~MA~:~~~
. - . - '. •
no enta nto, ser projetadB.s com
grau s de segu ranç a equi vale ntes , desd
e que as hipó tese s de cálculo retra -
tem as condições que são enco ntra das
i em serviço.
1 1 1 1
A - Mad eira - Nos Esta dos Unid
enco ntra ram sua maio r aplicação, exis os as estru tura s de mad eira
tindo linh as de até 345 kV. No
Bra,sil, país rico em mad eiras apro pria
das
Fig. 2.21 - Estruturas autoportantes: a - velm ente a mad eira é relegada a um segu e care nte de recursos, inexplica-
l'ígida; b - elástica; e - semi-rígida. 35 [kVJ, a,pesar de a C.P. F.L. possuir, no ndo plano para tens ões acim a de
Esta do de São Paul o, extensa rede
· em 69 [kV] e 138 [kV] oper ando satis
fato riam ente há mais de 20 anos,
com prov ando a eficiência desse mate rial.
A mad eira a ser emp rega da em linh
característica,s especiais, capazes de satis as de tran smis são deve poss uir
serviço, quai s seja m: faze r as exigências peculiares do
·
1 1 1 a - elev ada resistência mec ânic a à
A •'• ' 1
1 .i. e 1
1
flexão;
1
1
1 b - boa resis tênc ia às intem péri es;
1
\ \
,.

I
/ 1
1
1
1
e - inde form abili dade com o deco rrer
d - boa resistência ao ataq ue de micr
do temp o;
1
1·I
I 1
1 dest ruiç ão. organismos que leva m à sua
I 1
1
1
a - Resistência mecânica à flexão -
ESTA IS deve m abso rver pode m a.tingir valores Os esforços que as estru tura s

t 380 KV
ESTA IS

, ..

230 KV ,.
prin cipa lmen te das bito las dos cabos e
para que as peças que as cqmpõem não
bast ante elevados, depe nden do
suas condições de trab alho . Assim,
seja m excessivamente volumosas,

~--~~:~~}-:_~-~)
(
I
/ 1
.
\
\
\
(FINL ÂNDI A)
' \
\
(FRAN ÇA)
I
I
I
proc ura- se emp rega r mad eiras capazes
1 000 kg/c m 2 • ·
de resis tir a valores superiores a
·-.-·- \ I

I
)
--< \
b - Re@-stência às intempéries - As
quan do expostas ao temp o, não se <;lev
peças estru tura is ·de mad eira,
\ \ i // I
I 1 \
\
\ em fend er ou trinc ar.
\V, " \ e - Inde.formabilidade com o tempo -
po, sofrem deformações, como torções Mad eiras há que, com o tem-
1
e encu rtam ento s desiguais em suas
fibras. Essa s deformações pode m afet
ar a segu ranç a de todD. estru tura .
Fig. 2.22 - Estruturas estaiadas. d - Resi stênc ia ao ataque de microrga
mad eira é caus ado por fungos, que a atac nismos - O apodrecimenéo de
am e a dest roem . Esses fungos
48 CARACTERIS TICAS FISICAS DAS LINHAS CAP. 2 2.4 - ESTRUTURAS DAS LINHAS DE TRANSMISSÃ O 49

localizam-se de preferência, em fend2s e junto à linha de afloramento no 1 - progressos na tecnologia de fabricação em série de peças grandes
solo, exatamente na região mais solicitada da estrutura. de concreto, o que permitiu a realização de instalações industriais, melho-
rando e uniformizando sua qu~.Iidade, ao mesmo tempo em que seu custo
No Brasil há madeiras capazes de satisfazer as condições prescritas. era reduzido;
Destacam-se , em sua forma lavrada, as seguintes madeiras, comprova- 2 - a introdução dos a.ços-carbono de alto ponto de escoamento
ds.mente eficientes para o emprego em linhas: permitiu uma i;edução considerável nas dimensões das peças, obtendo-se
secções pequenas e de alta resistência, o que reduziu ainda mais seu custo;
- aroeira; 3 - maior durabilidade e ausência total de manutenção ;
massarandu ba; 4 - melhoria das vías e ineios de transporte, bem como do equi-
óleo-vermelho. pamento de manejo e montagem;
candeia. 5 - montagem relativamen te simples, podendo, em grande par:te,
ser executada com pessoal recrutado e treinado rapidamente no local
P::i.ra peças estruturais como cruzetas, travessas etc. recomenda-se da obra, o que reduz grandement e o seu custo.
o emprego de: ipê, faveiro, cabreúva etc.
Sua principal desvantagem está nas dificuldades de transporte no
As madeiras acima são de crescimento lento e a falta de replantio csmpo, principalme nte em terrenos acidentados e de difícil acesso.
em época oportuna fez com 'que se tornassem cada vez mais escassas em
São empregados dois tipos de armaduras para as estruturas de con-
zonas próximas 2os locais ne ma.ior consumo. O seu transporte a longa
creto: armadura para pré-tensiona mento, armadura convencional.
distância, dado seu elevado peso específico,·· :wment&. excessivame nte o
seu custo, tornando seu emprE'go difícil .em regiões disümtes daquelas de A técnica do pré-tensiona mento do concreto abriu novos horizontes
sua extração. Esse fat.o, dada a grande procura de postes de madeira, na construção civil, sej.a para pontes, seja para edifícios. Não obstante,
levou à utilização de espécies abundantes e de crescimento rápido, mesmo para estruturas da.s linhas de transmissão, os resulte.dos não foram tão
em detrimento de alguns dos requisitos enumerados . auspiciosos. O concreto em si, principalme nte quando usado com peças
de pequena espessura, possui pequena re,sis_tência ao impacto, podendo
A madeim considerada no Brasil como a n;iais apropriada é forne-
fraturar com facilidade mediante pequenos choques, difíceis de serem evi-
cida por 2.Igumas espécies de eucalipto, que deixam de satisfazer apenas
tados em trabalhos de campo. A dêstruição de uma pequena porção em
o último dos ·requisitos. Mediante tratamento adequado, como o da im-
uma peça pré-tensiona da leva, fatalmente, à sua destruição total.
pregnação profunda em autoclaves com sa.is de Wolman ou creosoto, esse
inconvenien te é facilmente removido. Das espécies de euca.lipto mais As armaduras convencionais, hoje quase que exclusivame nte exe-
cultivados no Brasil, são as seguintes as mais indicedas: ci'triodora, tere- cutadas com aços-carbono de alta resistência, foram as que melhor apro-
ticornis, alba. varam para estruturas de linhas de transmissão e para cuja fabricação
são empregados dois processos: centrifugação e vibração.
O pinheiro do Paraná (araucária) támbém tem sido empregado após
usinagem com torneamento , obtendo-se peças tronco-cônic2s retas. Seu i
Pelo processo de centrifugação em alta velocidade .obtêm-se peças de
tratamento em eutoclave com creosotõ empresta-lh e durabilidade . Sua 'I secção circular oca. O movimento rotativo em torno do eixo longitudi-
resistência mecânica é, no entanto, bem menor - aproximada mente nal provoca a eliminação do excesso de água, reduzindo, portanto, a
700 kg/cm2 - o que limita seu emprego a redes de distribuição. porosidade do concreto. Uma cura a vapor d'água é normalment e as-
sociada, acelerando a pega e permitindo a desenforma em prazo curto.
As diversas variedades de pinus introduzidas recentement e no Brasil
como essência para reflorest2me nto, e já de grande divulgação, prometem As peçes assim obtidas são de boa qualidade, de elevada resistência
um materi::d ótimo para estruturas, desde que conveniente mente tratadas. e bem· delgadas. São, porém, bastante flexíveis, requerendo, portanto,
cuidados especiais em seu manejo, a fim de se evitar a formação de fendas
B - Concreto armado - As estruturas de concreto armado tiveram capilares, através qas quais a água pode penetrar e atacar a armadura.
sua maior divulgação na. Europa, onde sempre foram bastante empregadas. O investimento necessário para uma instalação desse tipo é muito
No Brasil, até por volts, de 1940, seu emprego era limitado às redes urbanas grande e só é compensado com um volume grande de produção.
de distribuiçào . Posteriorme nte passaram a ser empregadas também A fabricação pelo processo de vibração, também chamada convencio-
para linhas d e transmissão , em escala ·sempre crescente e para tensões cada nal, permite instalações de produção bem mais modesta.s, pois o inves-
vez mais elevadas. timento necessário depende da produção desejada. Através desse pro-:
A evolução no emprego das estruturas de concreto se deve princi- cesso podem-se obter peças de característic as excelentes, em geral mais
palmente a: rígidas e ligeiramente mais espessas para urna mesma resistência que as
50 CARACTER(STIC AS FISICAS DAS UNHAS CAP. 2 2.6 - BIBLIOGRAFIA 51

peças centrífugas ~' o que é imporfante, de qualquer. secção transversal.


Para esse processo a dosagem da arg9,massa e a qualidade dos agrega- Como .cabos pára-raios, cujos diâmetros são, em geral, de 3/'8" a J/2",
dos são menos criticas do que no processo anterior. em.pregam-se com mesmo grau de eficiência:
\
As estruturas de concreto, mais dispendiosas que as de madeira, são, cabos de aço HS, HSS ou $M galvanizados;
no enta.nto, mais barnfas do que as de aço para a maioria das aplicações, cabos alvminoweld;
mesmo para tensões até 500 kV, e uma excelente e.lternativa para as con- cabos copperwelcl;
dições brasileiras, já reconhecida, aliás, pela CHESF, que opera linhas
em 220 kV em estruturas de concreto, formando um sistema extenso. cabos CAA d e alta resistência mecânica.
C - Estruturas metálicas - São construídas normalmente de aços- Sua colocação nas estruturas, com relação aos cabos condutores, é
-carbono normais ou de alta resistêncir,, em perfilados ou tubos, podendo fundamental no grau de proteção oferecido à linha, e merece ser cuida-
ser obtidas e,s mais ve.riadas formas_ e dimensões. Dada a versatilidade dosamente estudada.
do e,ço e.orno materie,l de construção, podem ser fabricadas em grandes
séries. Sendo compostas de peças reb,tivamente pequena,s e leves, podem 21,10
ser transportgdas com bastante facilidade a qualquer ponto, para sua
montagem no local.
Um grande progresso foi experimentado , ultimamente, em seu di-
mensiongmento, principalmente devido ao melhor entendimento do jogo
das forças envolvidas, obtendo-se grandes reduções de peso, mesmo nas
estruturas autoportantes. o
,._
Est::mdo expostas às intempéries, devem ser protegidas contra a oxi- ~ '' /
/

dação. A zincagem a quente de todas as peça.s q_ue as compõem assegura ' '1 /
ausência de manutenção, por 25 anos ou mais. ·"·
1 1

Dado seu custo quilométrico mais elevado,. pelo mencs no Brasil, m ii


dever:iam ser reservadas para linhas acima de 230 kV ou a locais muito "'
ID N ij
acidentados. IO
.. "'oi i 1
O alumínio e suas ligas também têm sido usados como material es-
trutural para linhas de alta tensão. A redução de peso que se obtém, sem
"' "' i i
..,.N'
ii
sgcrifício da resistência, é deveras notável, porém seu custo, ainda muito · á'"
elevadQ, Jimita·seu emprego a locais em que o custo do tmnsporte absorve
essa diferença. Sob certas condições, podem ser montada.s em locais
de fácil e.cesso e tre.nsportadas e,o ponto de implantáção por helicóptero,
completamente montadas. A Alcan (Alumfr1ium Company oj Canada-
Lid.) construiu uma linha em 300 kV com 80 km de extensão entre
17,80 17,80
KITIMAT e:. !\EMANO (Canadá), inteiramente de alumínio, mostran-
. do assim sua viabilidade.
.. 1100 K_V

2.5 - CABOS PÁRA-RAIOS Fig. 2.23 - Comparação entre linha atual de 750 [k V] e uma estruturn proposta para
1100 [k V] (12). ·
Ocupam a parte superior das estruturas e se destinam a interceptar ··::u-
descargas de origem atmosférica e descarregá-las para o solo, evitando 2.6 - BIBLIOGRAF IA
que causem danos e interrupções nos ·sistemas. Até há bem pouco tempo,
Ôs cabos pira-raios eram sempre rigidamente aterrados através das es- 1 - WEEDY, B. M. - Electric Power Systems. John Wiley and Sons, Londres, 1967.
truturas, quando. surgiu a idéia de utilizá-los· p~ra telecomunicações e 2 - CENTRAL STATION ENGINEERS - Electrical Transmission and· Distribution Re-
, telem:edições. Isolaram-se, ent-8,o, as estruturas dos cabos através de iso- jerence Book. Westinghouse, East Pittsburg, 1950.
ladores de baixa resistência disruptiva, o que não afetou sua eficiência . 3 - LA v ANCHY, Ch. --.,.. Etude et Construction des Liynes Electriques Aériennes. J.
·como elemento de proteçã.o, permitindo o emprego de equipamento de A. Bailliere et Fils, Paris, 1952.
acoplamento para comunicações muito menos· dispendioso. 4 - GIRKMANN, K. e KoNIOOHOFER, E. - Die H ochspannunys Freileitungen.
Springer Verlag, Viena, 1952. 2.• edição.
52 CARACTERÍSTICAS FÍSICAS DAS LINHAS CAP. 2

5 - BELLASCHI 1 P. L. - Electrical Clearances for Transmission Line Design at Higher


Voltages. Transactions AIEE, Nova Iorque, 1954. Págs. 1192-1200.
6 - VARNEY, Theodore - ACSR Graphic Method for Sag-Tension Calcul,ations.
Aluminium Company of Canada, Ltd. Montreal, Canadá, 1950.
7 - ALUMINIUM UNioN LIMITED --'-A luminium for Transmission Lines, Londres,
1956.
8 - PREST, B. A. e RrssoNE 1 R. F. - Bundle Conducto'rs on Grid Lines in England
and Wales. Proc. IEE, Londres, dez. 1967. Vol. 114, n? 12. Págs. 1873-1886.
9 - THOMAS, P. H. - Output and Regulation in Long Distance Lines . . Transactions
AIEE, Nova Iorque, 1909. Vol. 28, parte I. Págs. 615-640.
10 - THOMAS, P. H. - Calculation of one High Tension Lines._ Id. ibid. Págs. 641-686.
11 - PETERSON, E. L. - Line Conductors - Tidd 500 [kV] Test Lines. "Tidd
500 [kV] Test Project". AIEE, Nova Iorque, jan. 14,8.
12 - P ARrs, L. e outros - A Study of The Design Parameters oj Transmission Lines
Above 1 000 kV. Cigré Paris, 1972. Vol. 2; n. 0 31-15, 24.ª Sessão. · Teoria da Transmissão
13 - BARTHOLD, L. O. - Fronteiras na Tecnologia das Linhas de Transmissão. 2. 0
Seminário Nacional de Produção e Transmissão de Energia Elétrica, Belo Ho-

14 -
rizonte, 1973.
ANDERSON, J: G. e BART!j:OLD, L. O. - Design Challenges oj Transmission Lines
da Energia Elétrica
Above 765 k V. IEEE - EHV 'J;'ransmisson Conference, Montreal, Canadá,
1968.
15 - ABNT - NB-182/1972 - Projeto de Linhas Aéreas de Transmissão e Subtrans-
missão de Energia Elétrica. ABNT, Rio de Janeiro, 1972. 3.1 INTRODUÇÃO
16 - PRoJECT EHV - EHV Transmission Line Refe;ence Book. Edison Electric lj
Institute, Nova Iorque, 1968.
17 - AMARAL RosA, ARrsTEU - O Ponto Fraco das Linhas de Transmissao. O Mundo
Elétrico. Editora Max Gruenwald, São Paulo, 1969. .Ano x, n. 0 114.
18 - SusPENSION INsULATORs - Publicação Comercial da General Electric Co, Nova A distribuição das correntes e diferenças de potencial e a transfe-
Iorque, s/data. rência de energia ao longo de uma linha de· transmissão podem ser anali-
19 - KAMINSKI JR. e BETHEA JR., M. - EHV Insulator _Assemblies Can be Coro- sadas por diversos processos, sendo, de se esperar que todos conduzs,m ao
naproor Electric Light and Power Nova Iorque, jan. 1967. mesmo resultado. Essa ::málise, evidentemen te, tem por finaJidade per-
20 - SHARBUGH, HARRY A. - Insulation Engineering entcn Polymeric Age. Trans- mitir ao opera.dor chegar a expressões matemática s finais que serão empre-
mission, General E!ectric Co, Nova Iorque, dez. 1969.
gada,s direta.mente na solução de problemas práticos. Se os diversos
21 - Editores - Revista Brasileira de Energia Elétrica. Eletrobrás S. A., Rio de
Janeiro, set./dez. 1970. N. 0 14. n:i.étodos conduzem aos mesmos resultados finais, todos deveriam ser acei-
táveis. No entanto, em problemas de Engenhe,ria em geral, não é snfi-
ciente procurar uma fórmula que possa ser aplicada indiscrimina damente
na sohwão de um pro bleme, particular, sem o conhecimento completo das
limit&çoes e simplificações admitid&,s em sua derivação. Tal circuns-
tância. poderia levar ao uso indevido da mesme.. As chama.das soluções
matemática.s dos fenômenos físicos exigem, normalment e, simplificações
e idealizações: a derivação ma,temática de uma fórmulti. a partir de prin-
cípios fundamenta is deve, além da fórmula propriament e dita, fornecer
r todas as informações~ referentes às restrições, aproximações e limitações
1
que são impostas. E fundamenta l que se examine com o maior rigor,
sob o ponto de vista da, generalidade, a aceitabilidad e dos princípios fun-
damentais adotados como ponto de partida pBra. a sua dedução.
É importante ressaltar que, de acordo com a Física, a expressão linha
de transmissão se aplice, a todos os elementos de circuitos que se destinam
ao transporte de energia, independent emente da quantidade de energia
trnnsportad a - alguns bilhões de kWh-ano ou apenas alguns kWh-ano.
'A i:nesma teoria geral é aplicável, feitas as necessárias ressalvas, inde-
pendenteme nte do compriment o físico dessas linhas.
54 3.2 - ANÁLISE QUALITATIVA 55
TEORIA DA TRANSMISSÃO DA ENERGIA ELÉTRICA CAP. 3

Antes de tentarmos uma. soluçã.o matemática. e análise quantitativa, . C[V]. No insta.nte em que a. ch:we S for ligada,_ (t = O) entre os terminais
é de toda. a conveniência efetuarmos uma análise qualitativa dos fenômenos 1 e l', aparecerá a mesma diferença de po~encrnJ U [V]. "f!~ª· vez que
eletromagnéticos de uma linha d-e transmissão. diferenças de potenci:d somente são poss1ve1s entr_e cargas eletncas, a co-
locaçii.o sob tensw dos termimi,is 1 e l' dt'. linha foi pro:r~c~d~ por um des-
locainento de cargas elétricas através de S, cargas ongmanas da fonte.
3.2 - ANÁLISE QUALITATIVA

llxL dxL AxL AxL AxL 2


No presente trnbalho limitaremos nosso estudo a.penas às linhas de
transmissão clássicr,s, considerando somente aquelas constituídas por
ligações física.s entre uma, fonte de energia, e um elemento consumidor des-
sa energig. Os termos fonte e consumidor de energie. devem o,qui ser
entendidos no seu sentido mais lato: trnnsmissor e receptor de energia,
·respectivamente. Essr, ligação física se dá atrnvés de condutores, pelos
TAxC
Jª::_ _ llxC
uJ R2

quais circulam correntes elétricas e que são mantidos sob diferença,g de


potencial. - Daí a necessidade da existência de um circuito fechado, sendo
que, em numerosos casos, o próprio solo é utilizado como condutor de
retorno. t: At
I'

V
~I A - x_ 1 _ __:_:__:_::_:_:_ _ _
~(Km)
J

·m:.
2

TRANSMISSOR

j"' RECEPTOR
V

1
rr------m---l=r·
4' 2 t :"2At

""'
-
L (Km)
1 1

1- 2Ax 1

.Fig. 3.1 - Linha bifilar ideal.

3.2.l -- O Fenômeno da Energização da Linha


t= 3dt

"[[---- ----m-- ----11·


Consideremos um::t linha, de transmissão ideal constituíd·a por dois
condutores metálicos, retilíneos e completamente isolados, suficientemente
distantes do solo, cu de estruturas, ou de. outras linhas. para que não seja
1 3t.x 1 -
influenciada pela strn presençL',, e de compriment.o qualquer. Tratando-se Fig. 3.2 --- Cfrcuito equivalente aproximado de uma linha bifilar ideal.
de linhti. ider.I, a resistêncif', elétrica dos condutores é considerada nula.,
como também o dielétrico entre os condutores é considerado perfeito,
ele forma que não há perdfl,S de energig a, c;onsidern,r. Outrossim lembramos Consideremos um elemento de comprimento infinitesim2,l A~ [k~]
ela Físirn que, ep.tre dois _conduj;ores sepat_ados por dielétricos, podemos da linh::1,. Ele contém uma indutância 6.xL [henry] e uma _ca~ac1tância
ddinir uma capacitâneiv. e [farad/km] e Ull}a indutância L [henry/km]. Si.:C' [farad]. A tensão [' [volt.] só poderá aparecer nos termi?ais da ca-
Consideremosama·a--cjüe junto ao receptor haja um dissipador de energia, JlHCitânein após r, decorrência de um tempo At [segundos], pois a corren-
represent,ável por uma, resfotência R 2 (Fig. 3.ll. Um circuito equivalente te atra\·és d& A;i·L não pode atingir instanümeamente o seu vi:Jor [am- !o
está representado de formr, gros~eira na Fig. 3.2. ph·es]. LeYurá um outro intervalo de teml?o At par~, que o ce,pa.c1tor do
trel"ho ~:r seguinte atinja o valor U, e assim sucessivamente.- A corr~n­
Consideremos um insta.nte imediafamente a,nterior à liga,ç?.,o da ch~we te fornecida pPla fonte, uma. vez atingido o valor J., [::tmperes], se mantem
8, t < O. Os terminais da fonte estão sob umo, diferern;a de potrnc·ial
TEORIA DA TRANSMISSÃO DA ENERGIA ELÉTRICA CAP. 3 3.2 - ANÁLISE QUALITATIVA 57
56

constante. É a corrente de carga da linha. Decorre, portanto, um tempo Essa corrente começa a fluir na linha, um tempo /:::,,.t [s] a.pós o instan-
finiclo entre o instante em que se aphca uma tensão ao ..transmissor de uma li- te em que a tensão G.aplicada. Sua. intensidade independe do compri-
nha de transmissão e o i·nstante em que esta tensão pocle ser medida em seu mento da linha, se esta for de comprimento infinito, essa, corrente de carga
receptor. A será suprimida p'ela fonte, sem alteraçã.o de valor, enquanto o valor da
tensão da fonte se mantiver inalterndo, indefinidamente.
Ora, c~rgas elétricas em movimento dão origem a ca,mpos magnéti-
cos, e a simples presença ds,s cs,rgas, 2.0s campos elétricos. Porfanto, Isso nos permite definir uma impedância de entrada da linha. Da
ao se energizar uma. linhE>, de transmissão, ao longo da mesma se irão es- Eq. (3.3) obtemos:
tabelecendo, progressivamente, campos elétricos, e campos magnéti"cos, do 1 \
tr1:'nsmissor ao receptor. Dizemos que esses campos se propagam do trans- - [ohm]l (:).4)
missor ao receptor. C·v
P~demos, pois, d~finir uma velq_gfdÇ!_cle__ cl_~ prnpg,g_ação_911 çeleticlade para
uma lmha de comprimento l [km]: . - Consideremos agora um elemento de comprimento /:::,,.r [km]. /:::,,./

v =
l
T [km/s], (3.1) lo [A]. t
é o período durante o qual, em /:::,,.x, a corrente crescerá de zero para
FEl\1 induzida será:

fo A
sendo T [s] o tempo necessário para que a_ tensão no receptor atinja o FEl\I = - /:::,,.x L -cllº ~1..1.xL,
valor U [V]. dt 1..1.t .
. Con~ideremos um trecho de linha de comprimento unitário 1 [km] de
lmha; SeJa ti [s] o tempo necessário para energizar esse trecho unitário /:::,,.x «0 ·
ou, lembrando que /:::,,.t [s], teremos:
(Fig. 3.3). \ V

V FEM = - ~: · /:::,,.:r,L = - l Lv [V];


0 (3.5)

como essa FE:M deve ser neutralizada pela tensão da fonte para que I 0

possa fluir, teremos:


U = I 0 Lv [V] (3.6)
ou
,____ _1_km_ _ --i\ ~
X----
u \
Lv [ohm].: (3.7)
lo
Fig. 3.3 - Energização de trecho de comprimento unitário de linha.
Vemos que Z 0 foi definido de dua,s formas diferentes, (3.4) e (3.7).
Teremos: Em ambos os casos é função da celeridade e de uma grnndeza, C ou L, que,
como sabemos, dependem apenas do meio em que a linha se encontra e de
1
suas dimensões físicas.
ti= - [s]; Se igualarmos (3.4) e (3.7), encontraremos:
V

1
a carga elétrica acumulada nesse trecho será: v = --=- [km/s], (8.8)
-yÍLC
q = UC [coulomh]; ('3.2)
q.ue é a expressão da velocidade com a qual os campos elétricos e magné-
ticos se propagam ao longo de uma linha.
a corrente através de uma secção do condutor será:
Lembramos da Física que, para uma linha a dois C'onclutores, no ar
ou no vácuo, valem as seguintes expr_essões para o cálculo da indntân\'ia
lo= q-v = UCv [A]. (:~.31
58 TEORIA DA TRANSMISS ÃO DA ENERGIA ELÉTRICA CAP. 3
3.2 - ANÁLISE .QUALITAT IVA 59
e d&, capa citância, desprezan do o efeito do fluxo magnético interno do
condutor e da presença do solo: Em virtude das Eqs. (3.4) e (3.7), temos para cada linha:

L = 2 X 10- 4 Ln 2_ [H/km]
r
(3.9)
lo = zV
o
= constante. (3.14)

Logo, a corrente de carga de uma linha; excitada por uma fonte .de
tensão constante, também independe de seu comprime nto, o que, aliás,.,

1
é. uma peculiarid ade. Não poderia, no entanto, ser diferente: a corrente
1 de carga lo, quando começa a fluir, desconhece o comprime nto da linha
D [F/km]. (3.10) e a forma pela qual é terminada .
18 X 10 6 Ln-.
r
3.2.2 - Relações de Energia
Se introduzir mos essas equações em (3.8), encontrare mos:

1 Em cada intervalo de tempo D.~, necessano para energizar um tre-


v=--;;:: ::==== == -,/ 9 X 10 1 º = 3 X 10 5 [km/s]. (3.lJ) cho de comprime nto _D.x de linha, a fonte fornece à. mesma uma quantidad e
{2X10-• Ln; de energia igual a Ulo D.t. Essa energia, numa linha ideal, não é dissi-
pada na linha, càbendo, portanto, uma indagaçãD sobre o seu destino.
18 X 10 6 Ln - Os ca_Iff[lO§__ el~tri_cos e os campos magnético s têm a capacidad e de ar-
r mazenar (:)nergia. No trecho de linha de comprime nto D.x poderá, então,
serârmaz enada a energia:
Essa velocidade é a velocidade de propagaçã o da luz no vácuo. Pela
Eq. (3.11) podemos reconhece r que ela depende principalm ente do meio a - N 9__ ÇQ__r11J?_o_ _1!}(},gnético:
em que se encontra a linha - por exemplo, ela é muito mais baixa nos
cabos subterrâne os. Nas linhas reais, em que o fluxo interno dos con-
dutores também não é desprezíve l, ela é um pouco menor. Essas linhas (3.15)
também possuem perdas, representá veis por uma resistência em série
com a indutância e em paralelo com a capacitânc ia, também reduzindo a b- No _çp,m72g__détrico:
velocidade de propagaçã o.
Retomemo s (3.7), dela extraindo o valor .v, que introduzim os em (3.4) D.E. = 02 ;D.x [Ws].
para obter: (3.16)

Esse armazenam ento se dá simultane amente. Portanto,


Zo = ~ fohmJ. (3.12)

,
1
(3.17)
Nesta substituím os L e C pelas Eqs. (3.9) e (3.10), obtendo:
A expressã.o (3.17) nos diz que a energia fornecidv, pela fonte foi ar-
D \ mazenada pelos dois campos, sem, no entanto, nos esclarecer sobre sua
\ Z 60 Ln - [ohm].

1
0 = (3.13) '
divis&o entre os mesmos. Vejamos como esta se faz.
\ r

~~ ,
'

Pela Eq. (3.13) verificamos que Z 0 não depende do comprimento_ da Temos que V IoZo lo
' = = que introduzim os na Eq. (3.16) pa-
linha, somente do meio em que esta se encontm e de suas dimensões físicas, '

distância D [m] entre condutore s e ni.io r [m] dos condutore s. É, pois, ~ ra obter:
const::mte parn cada linha e, por isso mesmo, é considerad a uma grnndeza
característ ica denomina da impedânl'ia natural da linha, ou, como veremos
mais adiante, impedância de surtos da tinha. CD.:v = _[ 0 2 LD.x
(3.18)
2 2
60 TEORIA DA TRANSMISSÃO DA ENERGIA ELÉTRICA CAP. 3 3.2 - ANALISE QUALITATIVA
61

ou seja., g qmrntida.d e de e11_ergía,_ª-rEJJJ~~nada pelo C2.mpo elétrico é e'xa- Uma vez que na terminaçã,o da linh:?, não há campos m2,gnéticos e
j;_2._mente l.gu&rà-quant íâââe de _@~rgia arma,zeíi2.da pelo campo mã@_~­ elétricos a arma,zena,r energia, toda a energia fornecida pela fonte será dis-
t_ico~--- Cada -um dos campos armazena, portanto, exatamente a metade sipada na resistência R 2 • Logo:
da qugntidade de energia que é fornecida pela fonte,
Esse processo durar_á indefinida,ment e, se á linha tiver um compri- Ulob.t = l; R2b.t [Ws] (3.20)
mento infinito. As linhas de transmissão possuem, porém, comprimentos e a corrente lo continuará com a mesma intensidade inicial, como se a
finitos. Neste caso, ocorrerã,o fenômenos complexos, que procuraremos linha fosse de comprimento infinito (Fig. 3.4), independentem ente do valor
analisar. Esses fenômenos, como veremos, dependem exclusivamente de l [m]. Uma linha assiín terminada é denominada linha de comprimento
da forma com que a linha é terminnda, ou seja da,s condições em sua ex- infinito.
tremidade receptora. Imaginemos que a linha tenha um comprimento
1 [m] e que na extremidade receptora coloquemos um dissipador de energ~a Quando Q valor__ g_i::.__R.2 for diferente do valor de Z 0 , o eauilfbrio esta-
R 2 [ohm], com a condição de que: belecidó pela :Eq_':-(3. I 9) será alterado po1sosegund-o membrO-.dess a eaua-
'í ção poderá ser mnior ou menor do que o primeiro, dependendo da c:?,paci-
dade de dissipação de Rz. Devemos considerar, porkrnto, dois c11sos.
Teremos então: A - Linha com resistência terminal maior qiie Z 0
Neste caso, a corrente l~, a trnvés da resistência R;, será menor que a
ou corrente l º' e a potência dissipável (1'2) 2 R'2 será iguaJmente menor do que
a potência l 2 R 2 • Junto ao terminal da linha haverá um excesso de ener-
u
[0 = - = - ·
u (3.19)
gia. Um novo estado ele eq11ilibrio deverá ocorrer, pois esse excesso de ener-
Zo Rz gia não poderá ser destruído.
Uma redução da corrente na, linha, lev2, tr,mbém a uma redução da
energia a,rmazenada, no c2,mpo ma,gnético. Este, por conseguinte, 2Jém
de não poder uma,zenar o excesso de energia, devido à redução de l , deve
2
u 2,ind:?, ceder parte da energia que possui armazenads,. E ess2,s du2,s par-
l:.
cefa1s só podem ter um destino: o campo elétrico. Portanto, a partir do mo-
mento em que l; começa a fluir através de R;, o campo elétrico recebe
L----- ------- ------- - -- ----- --- - a energi2, excedente, que se manifestH na forma de uma elevação da te.nsã,o
U2 e que se irá propa,gar ao longo da linha, acompanhada da, redução de 1 ,
0
com a mesma, velocidade v [km/s], como mostra a Fig. 3.5.

"~!-------------------+---~--~~~
·- 2[
V >t>...!:_
V

{-}
Fig. 3.4 -
1--i!>-
Eq1âvalência entre linhas de comprimento infinito e linhas terminadas em j3
NO PONTO 3
U' f' Z 0 12
R2 = Zo. Fig. 3.5 - Variação de tensão e corrente em linha ideal terminada com R2 >Z 0

TEORIA DA TRANSMISSÃO DA ENERGIA El~TRICA CAP. 3 3.2 - ANÁLISE QUALITATIVA 63
62

Va,le a pena examinarmos um caso extremo, ou seja, quando R 2 = oo, B .- Linha com· resistência terminal menor elo que Z 0

isto é, na linha de comprimento finito, aberta junto ao receptór. Neste


A corrente J~, a.través de, resistência, será maior que 1 0 e, conse-
caso observamos:
qüentemente, a potência, dissipável em R~, (I~) 2 R~, será maior do que a
a - a corrente se reduz a zero, progressivamente, do receptor ao potência, l 2 2R2 . Junto :w terminal da linha ocorrerá um deficit de ener-
transmissor; gia que- nil.o poderá ser suprimido de imediato pele, fonte que alimenta o
sistema. O novo estado de equilíbrio somente poderá ser atingido se essa
b - o campo elétrico tem que armazenar toda a, energia, isto é, aquela deficiência for suprida, pel::i, própria linha, às expensas da energia armaze- •
que chega pela linha e aquela que é cedida pelo campo magnético.
nada por ela durnnte o processo de energiza,çil.o.
Seja V 2 o valor da tensão que a linha atingirá junto ao receptor. A Uma vez que há um :rnmento no valor da ,corrente que p2,ssa de I 2 = I 0
energia armazenada em um .ó.x de linha será: para J~, o campo magnético nfo somente n&l pode ceder energia, como
também deve m·m2,zenar maior quantidB,de d&, mesma, o que faz às custe,s
do ce,mpo elétrico, que a cede. Haverá, porta,nto, ume, reduçào na tensão
(3.21)
U2 junto ao receptor, que caminha progressivamente em direção à fonte,
como mostra a Fig. 3.7.
A linha possufa U2 C.Ó.i; d e energia e a fonte, em, -.ó.t (s), enviou mais
U C.ó.x. Logo, o campo elétrico deverá ârmaze'nar energia equivalente a:
2

(3.22)

Igualando (3.20) e (3.21), teremos:

ou
U2 = 2U [V]. (3.23)

Portanto, em uma linha ideal aberta a tensão no receptor cresce ao dobro


do valor da tensão aplicada (Fig. 3.6). Essa tensão se propaga do receptor
ao transmissor.
NO PONTO 3 u·: Za 1'2_

AUMENTO

u u DA Fig. 3.7 - Variação da tensão e corrente em linha ideal germinada com Rz < Z 0•
TENSÃO

u u
Um outi'o caso extremo de opernçil.o da linha, b:J.stante interessante,
é o caso de umH linhB, terminada em curto-circuito, ou seja, com R 2 = O.
Obsáva-se, neste. caso:
i a - a tensfo junto ao receptor somente pode ser nula, propagando-se
1 esse valor do receptor ao tmnsmissor;

----------1i b - há um a.umento no valor da corrente junto ao receptor que se


propo,ga para o tnmsmissor. O vB,br da corrente poderá ser determinado
lo V -t-----1 "REDUCÃO NA com base nas considerações que se seguem.
CORRENTE
Unw. vez que toda, a energia que estava :wmazem,da, no ·campo elétrico
não pode ser retida pelo mesmo, ela é cedida ao campo m.9,gnético, que
Fig. 3.6 - Perfil de tensão e· corrente na linha ideal aberta. também deverá receber toda, a energia que a fonte continuará forneceu.do.
64 TEORIA DA TRANSMISSÃO DA ENIERGIA ELÉTRICA CAP. 3 3.2 - ANÁLISE QUALITATIVA 65

A energia no campo magnético será agora em .6.x de linha:

-} L (l~) Lix. (3.23)

Nos dois c11mpos da linha havia Ll0 2 Lix armazenados e a fonte em f:it
fornecerá mais LI0 2!:1x; logo, o campo magnético terá que armazenar:

2LI 2 Lix,
0 (3.24)

quantia essa que deverá ser igual àquela definida por (3.23). Logo,
3

ou b) Z2 = zo

ri
[~ = 2/ 0 ; (3.25)

portanto, numa linha em curto-circuito a corrente crescerá, no receptor, ao


dobro ele seu valor.

3.2.3 - Ondas Viajantes

Os fenômenos descritos possuem certa semelhança com fenômenos


encontr2,dos em hidráulicg, inclusive podem ser descritos matematicamente
por equações diferenciais semelhantes àquelas que os hidráulicos empregam
no estudo das chamadas "ondas progressivas" ou "ondas viajantes".
T0,l semelhança permitiu 8. introdução do conceito de ondas viajantes nas
'·ri f

e) Z2 < Zo

linhas, muito útil na análise e entendimento do fenômeno. Dos hidráu-


licos ainda tomamos emprestados a nomenclatura empregada.
Dentro desse conceito consideramos que, a,o energiza,rmos uma linha,
partem do transmissor, simultaneamente, duas ondas, uma de tensão de
{ 3

B.mplitude U [V] e um.a de corrente, de amplitude lo [A], que se deslocam


Com. velocidade constante V fm/s) em direç.ão 8,0 receptor, onde chega,m
com o nome de ondas diretas ou ondas incidentes. Dependendo da, forma
de terminaçfo da linha, podem dar origem a ondas rejleticla.s, que i:iaj2,m de
volta, do receptor para o transmissor, com a mesma velocidade d'"" ondas
incidentes. Tanto a,s ondas diretas como as rnfletidas sào polarizadas, isto
é, atribui-se-lhes um sins,l. Em cada ponto ao longo ae uma linh:" e em l2=ld+lr
ld
qualquer inst2,nte, o valor da tensfo ou o valor da corrente será sempre 1

igual ao valor da soma algébrica das duas ondas: o~--+---~


[

2
U = Ud ± Ur
e (3.26)
Fig. 3.8 - Definição e únais das onda8 numa linha.
66 TEORIA DA TRANSMISSÃ O DA ENERGIA ELÉTRICA CAP. 3
3.2 - ANÁLISE QUALITATIV A
67

Se aplicarmos esse conceito aos casos previamente examinados, ve- obtemos de (3.29), pela introdução das expressões acima:
remos que:
a - linha com R2 > Za: V,= (Z2-Zº) Ua [V], (3.30)
Z2 + Za
- a onda de tensão refletida possui o mesmo sinal que a onda de
tensão incidente. A tensão resultante será, então, maior do que a da podendo-se igualmente mostrar que:
onda incidente;
- a onda da corrente refletida possui sinal contrário do da onda [A]. (3.31)
incidente, resultanto em corrente menor do que a incidente;
b -linha com R 2 = Z 0 : Os termos que relacionam as ondas diretas com as refletidas recebem
- tanto a onda refletida da tensão como a da corrente são nulas, não o nome de coeji~iente .de reflexão:
havendo, portanto, alterações em seus valores;
a - das tensões: k,u =
Z2 - Zº
linha com R2 < Z ; (3.32)
e- 0 : Z2 + Zº
.:___ a onda da tensão se reflete com sinal oposto ao da incidente, re-
sultando em diminuição da tensão; Zo - Z2
b - das correntes: kri = (3.33)
- a onda da corrente se reflete com o mesmo sinal, o que leva ao Z2 + Zo
seu aumento.
N atamos, outrossim, que, em qualquer caso, as ondas refletidas da cor- As Eqs. (3.30) e (3.31) podem ser, então, escritas como:
rente e da tensão têm sempre sinais contrários.
As ondas refletidas têm as mesmas propriedade s das incidentes, logo: (3.30a)
e
[A). (3.31a)
(3.27)

não obstante, em qualquer ponto de uma linha terminada em R Os coeficientes de reflexão variam de + 1 a - 1, conforme se verifica
2 ~ Z0, facilmente na análise d8,S linhas em aberto, em curto-circui to e para
teremos:
Z 2 = Z quando são nulos.
0,

Até aqui examinamos somente o comportame nto das ondas da tensão


V
(3.28) e da corrente durante o tempo em !=]Ue viajem pela primeira vez do trans-
I missor ao receptor, e o movimento e comportame nto das ondas de tensão
e corrente refletida,s em função das condições existentes no receptor. Essas
Conhecidos a impedância natural de uma linha e o valor da resistên- ondas refletidas, como vimos, se deslocam do receptor para o transmissor
cia terminal, é possível determinar os valores das r,mplitudes d!tS ondas com a mesma velocidade com que as ondas incidentes viajaram em
refletidas em função das ondas -incidentes. Sfja Z 2 a impedância ter- sentido contrário, sobrepondo- se a estas. Num pe.ríodo de tempo
minal da linha. Teremos em sua terminação:
t= .iV
[s] as ondas refletidas no receptor chegam ao transmissor, agora
na qualidade de ondas incidentes. As condições ai existentes (no caso, uma
(.3.29) fonte ideal) fazem com que elas vejam uma impedância düerente de Z 0 ,
dando então origem a um novo par de onda.s refletidas, que se sobrepõem
eomo, porrm: às ineidentes no transmissor (que são aquelas que partiram do receptor
rumo ondas refletidas). Seus sinais e valores dependem do valor relativo
l, =
Ur da impedância, da fonte. No caso da fonte ideal em que a resistência in-
e
Zo tnna é nula, temos os seguintes coeficientes de reflexão:
68 TEORIA DA TRANSM ISSÃO DA ENIERG IA ELÉTRI CA CAP.
3 3.3 - ANALIS E MATEM ÁTICA
69
Z2 - Zº Vemos o caráter nitidgm ente transitó rio do fenômeno com tensões
a - das tensões: kr,. = Z + Zo - 1.
2 e corrent es vgriando em torno de seus valores de regime perman
ente (V e
1/3! o qual, no ce,so de linha e fontes ideais, só seria atingido teorica
0 ),
A onda refletid a da tensão anula inteira mente a onda inciden te men-
de mesmo te após um tempo infinito.
valor e sinal oposto, e a tensão no transm issor continu ará sendo
[} No caso de linhas reais, como veremos, a energia dissipada na
A linha toda, progres sivame nte, ficará com esse valor até ocorrer [V]. tência dos condut ores tem o caráter de um amorte ciment o,
resis-
nova reduzindo
reflexão no recepto r, onde chega uma ondg, agora de sinal negativ leveme nte os módulos das tensões e corrent es e acelerando sua entrada
o e mesma·
amplit ude da onda que aí foi refletid a 2t [s] antes. A nova onda em
refletida regime perman ente.
terá o mesmo sinal que a onda que aí acaba de chegar (negati
vo), deslo- O estudo que acaba.mos de fa,zer encont ra larga aplicação no
cando-se em direçã.o ao transm issor, onde sofrerá nova reflexã estudo
o, como se dos surtos de sobretensões em sistemgs elétricos. Parn facilida
pode ver pela Fig. 3.9a, e assím sucessi vamen te: de de ra-
ciocínio, empregamos uma fonte de tensão constan te. Se, ao invés
desta,
tivéssemos empregado uma fonte de tensão qualqu er, o fenômeno
não seria
b - das correntes: k" - +O
Zº - - +
essenci alment e diferente. Consideremos, por exemplo, que a
fonte pro-
º + Zº
1. duza pulsos isolados da forma e(t). Esses pulsos se deslocam
da linha, partind o do transm issor em direção go recepto r com
2,0 longo
a mesma
A onda refletid a dn corren te tem o mesmo valor e amplit ude que velocidade v (m/s). Essa onda de tensão é acomp anhada por
a onda uma onda
que incidiu na fonte. Essa onda refletid a se desloca para de corrent e de mesma forma e definida por:
o recepto r,
onde chegar á no tempo t = 3- l
[s], sofrendo nova reflexão, como mostra
V i (t) = e (t) .
a Fig. 3.9b. Za
A Fig. 3.9 mostra a variaçã o no tempo da tensifo e da corrent e
junto A.o atingir o receptor, dependendo da nature za deste, poderá ou
ao recepto r de uma linha ideal, alimen tada por fonte ideal, termin não
ada em haver reflexões, como acabam os de ver.
uma re.sistência tal que os coeficientes de reflexão sejam ± 1/2.

3.3 ~ANÁLISE MATE MÁTIC A

i. u[v] Tendo obtido, pela :málise qualita tiva, noções físicas sobre o
1

meca-
nismo do aparec imento e o compo rtamen to de ondas viajant es
nas linhas
de tnmsm issão, procur aremos mostra r como essas ondas podem
ser estu-
d::i,das quantit ativa:n ente. Interpr etando um pensam ento de Lord
Kelvin,
poder·-se-ia afirma r: "Enten der um fenômeno signific a associá-lo a
número s."
o É o que nos propom os a fazer em seguida através da análise
t,. 1t :St St 7 t 9t llt matem á-
tica. Esta será feita de forma genérica, ou, mais precisa mente,
consi-
derand o tensões e corrent es como funções genéricas do tempo.
Racioci-
na.ndo em termos de ondas de impulso, em gemi encara das pelos
autores
de livros- texto de linhas de transm issão de energia elétrica como
um fe-
nômen o à parte, estarem os não só aumen tando nossa flexibilidade
de ra-
ciocínio, como também lança.ndo as bases para o estudo sistemá
Vz lo tico dos
lo surtos de sobrete nsão a qual são sujeita s as linhas de transmissão,
3te lo como
1
·--- +·-· · "132 lo também das linhas •excitadas por corrent es senoidais, em regime
I
21/M lo
perma-
~Iº
1
114 I o S/16 lo nente.
t= o 1t 3t St 7t 9t 11 t
t : -t- [s]
3.3.1 - Equaç ões Difere néfais das Linha s de Transm issão
Fig. 3.9 - Variação de tensão e corrente junto ào receptor de uma linha terminad
R2 = 3Z0 (k, = ± 1/2). a em Deixemos a linha ideal, por ora, e consideremos uma linha real,
cluindo em seu circuito equiva lente elementos represe ntativo s in-
das perdas
70 TEORIA DA TRANSMISSÃO DA ENERGIA ELÉTRICA CAP. 3 3.3 - ANALISE MATEMATICA n

nos condutores r [ohm/km] e das perdas nos dielétricos g [siemens/km], co- O primeiro termo do segundo membro representa 2, corrente de des-
mo mostra a Fig. 3.10, na qual representamos um elemento de. compri- loce,mento atr:wés do dielétrico, provoca.da pele, aplicação d:;i, tensão u.
mento Llx da linha. O -segundo termo fornece o veJor da, corrente de deslocgmento através da
ce,pacitância !:..xC, devida à variação da. tensão.
As Ea.s. (3.35) e (3.36) são expressões de, Lei de Ohm, nas qua,is u e i
í sã0 variáveis dependentes da distância x de um ponto de, linha a um ponto
i ( )( 1 t) L ô x. ,n ÔX i ()(+LI,)(' t) de referência preestabelecido e de t, o instante de tempo considerado.
Devemos, pois, procurar funç.ões para it(x, t) e i(x, t) capazes de resolver ~
nossos problemas.
Diferenciemos (3.35) com relação a x e (3.36) com relação a t:
U()(,t) gLl.x Côx v(x+ ôx, t)
au
2
rai + L a i 2
(3.37a)
- àx 2 ax àxot

a12 au . a u 2
(3.37b)
Fig. 3.10 - Circuito equivalente de 11.m elemento Lix de uma linha real.
- atax = ªTt +e at 2 ·

Diferenciemos, em seguida, (3.35) com relaç_ão a te (3.36) com relação


Entre o início e o fim do elemento de linha há. uma diferença de po- a x:
tencial que podemos definir por
(3.38a)
au
ax . !:..x.
A equação diferencial da tensão no elemento será.: (3.38b)

au t:..x
- -a = (!:..x r) 1· + (!:..x L)
ai ,
-a (3.34) Como, no entanto,
X 1

na qual usamos sinais negativos, pois valores positivos de i e fazem ai/at ai ai2 2
e
o valor de u decrescer.
ãxat = atax
Dividindo por !:..x, teremos uma indicação de como u 'varia ao longo por substituição direta obtemos:
da linha:

(3.39)
(3.35)

e
:\. equação diferencial das correntes tem a forma:
aàxi2
= rgi
oi
+ (rC + Lg) at + LC7ft2 ·
éJ2i
(3.40)
ài àu 2
- -a.lt/!:..x = (t:..x g) u + (!:..x C) -a
t
[.!

As Eqs. (3.35) e (3.40) são as equações diferenciais gernis das linhe,s


<tllP, cli\·idida por t:..x, nos dá: de transmissifo. Eque,ções desse tipo são conhecidas na Física como eqim-
ções elas anelas, cujas soluç.ões representam ondas que podem viajar ao
ai = gu + e -at .
au (3.36)
longo de uma linha com velocidade v, 'ou seja, ondas vi&jantes ou pro-
- -
ax gressin1s.
72 TEORIA DA TRANSMISSÃO DA ENERGIA ELÉTRICA CAP. 3 3.3 - ANALISE MATEMÁTICA 73

Alguns p,utores referem-se a elas como eqnações ela telegrafia, pois d2 j,, . . ..
foram prime.immente deduzid::i,s para o estudo dos fenômenos relacionados dx2 = rg Ix + (rC + Lg) jw Ix + LC (jv..1) 2J,,,
com a transmissã.o de pulsos telegráficos.
Na análise das linhe.s de transmissão de energia elétrica, interessa-nos que facilmente podem ser transforma.das em:
conhecer o seu comporta,mento ta,nto face a impulsos como fa,ce às tensões
e correntes senoid2,is. Isso nos leva a procurar soluções tanto no domínio a2ú,, ( . L) ( . C) . . . .
do tempo, pa,ra o estudo das onda,s de impulso, como no domínio da fre- dx 2 r + JW g + JW Ux = z y U,, (3.45)
qüência,, para o estudo das linhas excitad2,s por tensões senoidais. No
presente texto procuraremos sua solução no domínio da freqüência. d2 j,, . . ..
dx 2 (r + jwL) (g + jwC) Ix = z y J,,. (3.4G)
3.3.2 - Solução das Equações Diferenciais no Domínio da Freqüên-
cia: Linha da Corrente Alternada em Regime Permanente Essas equações poderiam ter sido deduzidas diret::,rnente de um cir-
cuito eauivalente, como o fa.zem muitos autores. Suas variáveis são
Considernndo a linha de transmissão excitada por corrente 2,lter- U,,, Ix e;, respectivamente. Dada sua forma, podemos esperar para ambas
nada de freq\iência constante, poderemos definir a tensão u e a corrente i uma solução do mesmo tipo.
como funções senoidais do tempo:
Seja:
u = V,, sen wt (3.41) • . xy"J;, • -x..;;;;
U,,=A1e +A2e [volt] (3.47)
1 !
i = I,,sen (wt + </>), (3.42) uma solução admissível para a Eq. (3.44). Se a derivarmos duas vezes
com ·relação a :i:, obteremos:
1

representáveis pelos fo.sores Ú e j, respectivamente, ficando sua depen-


dência de x e de t implícita. As equações gerais das linhas podem agora d2Ú,,. ( .!- x.,;-;-; . -x..;'"")
ser escritas da seguinte forma: dxz. = zy A(~e zv + A.2 e zu (3.48)

que confirma o acerto da escolha para a solução.


+ L e dr
2
. dú,, d Ú,,
rgU,, + (rC + Lg) dt (3.43) Com o mesmo raciocínio para a equação das correntes poderemos
verificar ,que sua solução· será:

~ j,,
2

dx 2
= r I.
g
+ (rC + L g) clj,,
dt
+ LC ddt 2j,, 2
(3.44) j = _l_ (Â e"' v zir - Â2 e-xv;v).
X
X -~;· l (3.48a)
V z!y
Em notação operacional:
Á 1 e Á 2 soo constantes com dimensão de tensão. Seu valor pode ser
encontrado através das condições de contorno. Para tanto consideremos
a linha junto ao receptor, que elegemos como referência para as distâncias
;i;, uma vez que as condições aí existentes é que ditam o cômportamento
das linhas. Nessas condições, pam x = O teremos Úx = Ú2 e j,, = J2 •
cl 2 !,, Das Eqs. (3.47) e (3.48) obteremos, respectivamente:
clx 2
rg Ix + (rC + Lg) p j,, + LCp 2
j,,,

Lembrando a definição de impedância, p = jw, obteremos por substi-


tuição:
l2
~~
- - 2- =
.
rgU,, + (rC +
. * LC (jw) U,,.
Lg)jwU,, 2
1
c.x l.mja solução simultânea nos dá as seguintes expressões:
74 TEORIA DA TRANSMISSÃO DA ENERGIA ELÉTRICA CAP. 3 3.3 - ANALISE MATEMÁTICA 75

(3.49) (3 = Im{,Y} = "~ [(w LC - 2


rg) +V (r 2 + w L) (g +
2 2
w~C 2)]. (3.55)

Nessas condições teremos:


(3.50)
±x~ :1:.Yz ±a:z: ±if3x
e 11
' =e =e e (3.56)
As Eqs. (3.47) e (3.49) tornam-se:
Portanto, a função senoidal à qual aplicamos a exponencial complexa
como definida acima sofre:
(3.51)
a - um amortecimento provocado por e±"'" que, dependendo do si-
nal do expoente, é positivo ou negativo, ou seja, provoca a diminuição ou
o aumento das amplitudes das ondas senoidais de forma exponencial, à me-
[A). dida que aumenta a distância x do receptor ao ponto considerado;
b - ocorre, ao mesmo tempo, um avanço de ±{3:i: na fase da onda à
Essas. são as equações gerais das linhas de transmissão de correntes qual é aplicado.
alternadas senoidais, em regime permanente. Através delas poderemos É, portanto, o expoente .Y que governa a forma pela qual as tensões
relacionB,r tensões e correntes em qualquer ponto ao longo das linhas, em e correntes se propa.gam ao longo da linha. Dr,í o seu nome de função de
f~nção das condições existentes no receptor. São equações exatas, ser- p1'opagação. Alguns autores preferem a designaç.fo de constante de pro-
vmdo d~ base para a derivação de processos de cálculo simplificados, usados pagação, pois, nas linhas de tra.nsmissão de energia elétrica em regime
na prática, como veremos no C2,p. 4. Sua va.lidade pode ser verificada permanente, nas quais a freqüência é constante, ela de fato é uma cons-
através da interpretação do significado dos termos que as compõem. tante.
Sua parte rer.l, a, que é responsável pelo amortecimento ou 8:tenuação,
recebe o nome de função de atenuação, tendo como unidade o NEPER por
3.3.2.1 - Interpretação das Equações das Linhas
QUILÔMETRO: Dela, corno vimos, dependem os módulos das tensões
ou correntes. Seu valor é diretamente relacionado com e,s perdas de ener-
Num exame das Eqs. (3.51) e (3.52) verificamos que em ambas se gia na linha. Comprova-se fazendo r = g = O em (3.54), quando então
a também será nula,.
d estacam as funções exponenciais complexas e± "v'~ e o radical com phi- A função de atenuação numa linha pode ser determinada, se conhece-
xo v z/y· mos os valores das ondas diretas ou refletidas das tensões V ia é U 1, em seu
Lembramos dos c_1irsos. de circuito elétricos que funções exponenciais início ou U 2 a U 2, no receptor, através 9a expressã') (3.57). Se a linha estiver
aplicadas a fasores (Ai e A 2 sã,iJ fas6res) mudam suas características, ou operando com Z2 = Z0 , basta que seguem conhecidos os valores de U1 e D2:
seja, modulam as funções senoidais que representam. Vejamos de que
forma isso ocorre nas linhas de transmissão. V 1d
Façamos: a = T1 Ln V
2
ª [
néper/km ,
]
(3.57)

V (r + J·wi) (g + JwC) = V (r + JxL) (g + jb). (3.53) em que l [km] é o comprimento total da linha.
Uma outra unidade de atenuaçoo, está empregada em telecomuni-
Elevando ambos os membros ao quadrado e separando reais e imaginá- cações, é o DECIBEL, que é obtido em função das potências P1 e P2 no
rios, obteremos: receptor:

P1
DECIBEL/km = T1 10 log p; [D bikm]. (3.58)
76 TEORI A DA TRANSMISSÃO DA ENERG IA ELÉTR ICA
CAP. 3 3.3 - ANALIS E MATEMÁT ICA 77
A parte imaginária, /3, obtida de (3.55) em radian os/km
nome de função de fase, ou constd.nte de fase, pois indica , recebe o Nas Eqs. (3.62) e (3.63) a dupla dependência da tensão
a forma como as e corrente
fases da tensão e da corrente variam ao longo da linha. do tempo t e da distân cia x ao longo da linha é clarnm
ente visível.
Admit amos agora que os dois termos dos segundos membros Consideremos s, onda direta da tensão, que admitimos St)r repres
das Eqs. entada
(3.46) e (3.48) ou, respec tivame nte, (3.51) e (3.52), pelo primeiro termo ·do segundo membro da Eq. (3.62):
repres entem as ondas
viajan tes direta s e refleti das das linhas de transm.issãó.
Se isso for ver-
dade, a veraci dade das mesmas ficará compr ovada . Exami
nemos o ra- Ua = v2 Ai e"x sen [(wt + fJx) + ifil (3.63b)
dical:
e admita mos que só elá exista, no mome nto, numa linha.
Consideremo.s
~
v ~/Y ~ r+
=- + jwL . [ h ] dois pontos A e B ao longo da linha, distan do, respectivame
nte, a e b qui-
g
-:---C =Zc o m. (3.59) lômetros do recept or da linha, como mostra a Fig.· 3.11.
,JW

Uma vez que r, L, g e C são grande zas referidas a um quilôm


linha, concluímos que estam osfren te a uma grande za que, etro ·de B A
como Z0 , tam-
bém indepe nde do compr imento das linhas. Sua semelhança, 2
no entant o,
não pára aí. ·' Como no caso examinado anteri ormen te, o radica l rela-
ciona ondas direta s de tensão e corren te,·bem como suas o
ondas refletidas,.
porém não suas somas. Suas caract erístic as são, pois, as
mesmas de Z
Se em (3.59) fizermos r = g = O, obtere mos exatam ente 0 •
a mesma expres- b
são de Zo Eq. (3.12). Nas linhas reais, como r e g são, em
geral, relativ a-
mente pequenos se compa radas com L e{], respec tivame nte,
seu valor nu-
mérico não difere muito do valor de Z 0 , enqua nto que ~
seu argum ento é
muito pequeno. Devid o a isso, muito s autore s não diferen
ciam essas duas
grandez::i.s, designando ambas como imped ância de surtos,
ou 1'mpedância Fig. 3.11 - Pontos de observação ao longo da linha.
natura l. Preferimos ficar com aquel2.s que as diferen
ciam, aceita ndo o
nome de impedtlncia característica e resgua rdando sua nature
za complexa. Apliquemos a Eq. (3.63) aos pontos A e B, para obter:
O símbolo Zc é usado para designá-la.
Isso posto, retorn emos às Eqs. (3.46) e (3.48) e coloqu
emo-.las em No p:mto A uda = V2 A.1 e"ª sen [(wt + (3a) + 1/;1];
forma exponencial. Terem os:
fazendo Ka = v'2 Ai e"ª e
[V] (3.60)
teremo s Uaa '= Ka sen (wt + </>a)· (3.64a)
·· = -A1 e"x ei eP+h-ô> _ A 2
D _ e-ax e-hx->1-z-tõ> [A].
Zc Zc (3.61) No ponto B

Seus valores instan tâneos serão: ou udb = Kb sen (wt + </>b)

u,, = v2 A1 eª"' sen [ (wt + {3x) + 1/td + V2 A 2 ~"x sen para (3.64b)

[V] Poderemos verificar a característica de onda viajan te, que


(3.62) a Eq. (3.63)
repres enta, imaginando, em A e B, observ adores devida mente
instrum en-
ta dos, que observ ariam:
.
i,, = v2- z;;-e"x
A1 [
sen (wt + /3x) + 1/;1 - o] - V2 a - as tensões em A e B variam senoidalmente;
b - medida,s dos valores instan tâneos das tensões efetua
~ ~ax sen [(wt - (3x) - lft2 + ó] [A]. (3.63a) mo instan te mostra riam que a tensão em B seria maior
das no mes-
Zc do que a terisão
em A, pois Kª < Kb;
3.3 - ANÁLISE MATEMÁTICA 79
78 TEORIA DA TRANSMISSÃO DA ENERGIA EL~TRICA CAP. 3

e- se, em um ponto qualquer de fase constante da onda senoidal, Essas três observe,ções nos convencem de que estamos frente a on-
fixássemos um sJvo, este seria registrado primeiramente pelo observador das senoidais viajantes e atenuadas exponencialmente.
A e, após pequeno lapso de tempo, pelo observador B. O alvo, portanto, Um_a análise semelhante do segundo termo do segundo membro da
se deslocs.ria ao longo da linha, descrevendo uma trajetória exponencial Eq. (3.62) nos permite chegar a uma conclusão semelhante, observ2.ndo,
crescente, à medida que avançasse ao longo da linha. A velocidade me- porém:
dida seria muito próxima à da luz no vácuo. a - o alvo se desloca no sentido do transmissor para o receptor;
Se considerarmos um ponto d e fase constante, teremos: b - o valor da tensão também varia exponencialmente, porém de-
crescendo no sentido do receptor para o transmissor.
(wt + (3x) + 1/;1 = constante

d (wt + {3x) + 1/;1


o
i[
dt

dx w
li
=V [km/s). (3.65) :1
dt 73

-to X

Fig. 3.12 - Onda senoidal dfreta.

Para a onda refletids,, encontraremos o mesmo resultado, exceto pelo


sinal, que será positivo, mostrando que ambos os movimentos se dão em
sentidos opostos.
Se, na Eq. (3.57), considerarmos r = g = O, obteremos:

(3 = úJVLC. (3.66)

Introduzindo essa expressão em (3.61),

1
v = VLC [km/s] (Eq. 3.8)

que, como vimos, nas linhas aéreas, corresponde a 3 X 10 5 [km/s). Fig. 3.13 - Onda estacionária resultante da soma de duas ondas viajantes.
80 TEORIA DA TRANSMISSÃO DA ENERGIA ELÉTRICA CAP. 3 3.3 - ANALISE MATEMÁTICA 81

A coexistência. dessas duas ondas, com características de ondas via- Nas linhas de energie, elétrice, de freqüência industrial, o comprimen-
jantes diretas e refletidas, nos faz aceitar as Eqs. (3.46) e (3.48) como e- to de onda é de 6 000 [km] para linhas em 50 [Hz] e de 5 000 [km] para
quações válidas para linhas de correntes alternadas senoidais em regime as linhas de 60 [Hz]. A relação comprimento de linha para comprimento
permanente. de onda desempenha papel relevante no desempenho das linhas, como
A soma dos valores inst!!,ntâneos das ondas das tensões e correntes veremos.
diretas e refletidas em um ponto da linha nos dá os ve,lores das tensões e A operação com carga é a condição normal de operação das linhe,s. A
correntes nesse mesmo ponto. A soma de funções senoidais., de mesma carge. alimentad9., que podemos representar com· razoável precisão por
freqüência, result9. em nova função senoidal. Portanto, como a v:uiação uma impedância junto ao receptor, não é constante, variando continuamen-
dos valores de tensão e correntes das ondas componentes é senoidal em te de acordo com a demanda do sistema. Nessas condições, a esta al-
e.ada um dos pontos· da linha, sua soma também será senoidal. As ten- tura, a análise será feita de forma mais ou menos genérica para a fixação
sões e correntes resultantes não têm, pois, carn.cteristica de ondp,s viajan- de novos conceitos básicos. Duas condições extremas da operação em car-
tes. São ondas este,cionárias, como mostra a Fig. 3.13, pelo que pode- ga, e portanto não normais, representa.das pela operação da linha aberta
1

1
1
mos, como o fizemos no inicio, representá-las pelos fasores Ú,, e j,,, gran- e da linha em curto-circuito junto a·o receptor, serão igualmente analisadas
dezas variantes no tempo, porém com amplitudes diferentes em cada um em virtude das informações úteis que nos podem fornecer. Por conve-
dos pontos ag longo da linha. niência, iniciaremos por estas.
3.3.3 ·-Análise das Linhas em Regime Permanente
Vimos anteriormente que o desempenho de uma linha depende das con- 3.3.3.1 - Linha Aberta Junto ao Receptor
dições terminais existentes junto ao recPptor, em linha excitada por fonte
de tens8o constante. A análise que agora faremos para as linhas exci-
tadas por tensões senoidais nos mostrará que as condições terminais são É a condição em que a carge, é representável por uma impedância
igualmente importantes em seu desempenho, como também é o seu com- d e valor infinito. Neste caEo, a corrente j 2 junto ao receptor será nula.
primento físico, tomado em relação ao seu comprimento de onda. As Eqs. (3.51) e (3:52), para i2 = O, se tornam:
O comprimento de onda de urna linha é definido como a distância entre
dois pontos mais próximos da onda senoidal, na direção de sua propaga- Ú.,o .2
Ú2 (e'l'z
. + e,-'l'X')
= [V] (3.69)
ção, cujas fases de oscilação estejam separadas de 21!". Temos

wt + (3 (x + À) + i/11 = wt + (3x + i/;1 - 271'


·/,,º Ú2 ( . .
e-1'"') [A]
= - . - e'l'"' - (3.70)
logo, 2z.
21!" ou, lembrando a Eq. (3.56), poderemos colocá-las na forma seguinte:
À= [km]. (3.67)
(3
Como
. ~ .
U., 0 = T [e""' (cosfix +Jsenf3x>:.+ e-"" (cos/fa - sen,Bx).] [V] (3.71)
w
v=-

temos
{3 '

27rf À
i,,0 = 3. [e""' (cosf3x.+jsen{3~) '-·e_-ai.(cos{1x - sen{3:r)] [A]. (3.72)
V=- Àj =-
(3 T Uma mudança de va,riável será conv~hiente a esta altura. Façarltos
ou ainda
a
{3x = µ
À= _!'.... [km],
e -
i3 -- k·'
(3.68)
f logo,
na qual f [Hz] é a freqüência da fonte alimentadora. a = {3k = k ..!:_ e ax = kµ.
xX
82 TEORIA DA TRANSM ISSÃO D,P. ENERGIA ELÉTRIC A CAP. 3
3.3 - ANÁLISE MATEMÁ TICA
83
Substitu indo ax e (3x em (3.71) e (3.72), teremos:

Ú,. 0 = ~2 [éµ (cos µ +j sen µ.) + e-kµ (cos µ - j sen µ)] [V] (3.73)

i,. 0 = ~2 [ekµ(c osµ+js enµ)-e -kµ(co sµ-jsen µ)] [A]. (3.74)


2Zc Ux 1
\
Nas equações assim expressas, distinguimos novame nte as expres- \
sões das ondas diretas e das ondas refletida s das tensões e correntes. Em \
ambas, os primeiros termos dos segundos membros são /
/

ekµ (cos µ + j senµ)


que, no plano· polar, represen fam fasores unitário s que giram com veloei- Fig. 3.14 - Construção dos pontos dos diagrama s polares das tensões e correntes.
dade angular w constan te, no sentido anti-hor ário, sendo simultan,eament
e Notamo s ainda que a expressão que define a onda refletid a da cor-
modulados pela expressão él'. PB,r.9, cadB, valor de µ, o fasor gira de um
ângulo kµ, enquant o que seu módulo é alterado pelo fator rente vem precedi da do sinal negativ o, o que indica que, no receptor
, a
corrente se reflete sempre com sin2J oposto ao da onda incidente, quando
a linha opera em vazio. Nessas condições, a onda da tensão se reflete
com o mesmo sinal.
O lugar geométrico descrito é uma espiral logarítmica progressiva, pois, Na Fig. 3.15 está represen tado o diagram a poliw das tensões de uma
além do giro em sentido anti-hor ário, seus módulos crescem com o aument linha operand o em vazio, de comprim ento À [m]. Na mesma figura
de µ. Os termos: o também está represe ntada, em plano cartesiano, a variação das tensões
ao longo da linha.
e-kµ (cos µ - j sen µ), A Fig. 3.16 represen ta o div.grama polar das corrente s em uma linha
operand o em vazio também de comprim ento À [m], juntame nte com
o
diagram a cartesia no da. variação das corrente s ao longo da linha.
por sua vez, represe ntam fasores que giram em sentido horário, também
com velocidade constan te w e modula dos por Se exB,minarmos as Fig. 3.15 e 3.16, observa remos que certos pontos
· ao longo da linha podem ser considerados notávei s, pois nos mesmos
irão
ocorrer valores máximos ou mínimos de mrrente s e tensões ...,Esses pontos,
e-kµ
' corresp ondente s a ~ , 3~ no diagram a das tensões, são denominados
descrevendo o lugar geométrico conhecido por espiral logarítmica regres-
siva, pois, além de seu sentido de rotação ser horário . seus módulo nós, e os pontos corresp ondente s À
s de- IJ, e À são denominados antinós.
crescem com ·.ó aument o de µ. 2
O diagram a das tensões é interpre tado como segue: nos nós e nos antinás
Os valores das tensões e corrente s para cada valor de µ são obtidos estão indicados os valores das tensões que devemos a.plicar aos transmi
pela soma vetorial dos fasores corresp ondente s a cada ângulo µx, como .; s-
nos mostra a Fig. 3.14. sores de linhas com comprimentos iguais a À 3À
Como era de se esperar, notamo s que tanto as ondas diretas da tensão
,
4 4 ou 2À e À, para. que
e da corrente quanto as ondas refletida s mantém entre si as mesmas rela- tenham os no recepto r a tensão em vazio U especificada.
ções, pois: 20
Se, nas Eqs. (3.71) e (3.72), substitu irmos x por À.14, encontraremos,
lembran do a forma exponencial das funções hiperbólicas:

Zc [ohm]. (3.75)
(3. 76)
1

,l:',I
.
1 :
84 TEORIA DA TRANSMISSÃO DA EN,ERGIA ELÉTRICA CAP.•3 3.3 - ANALISE MATEMÁTICA 85

. Ú2 h aÀ [A].
fxo = J -.- cos (3.77)
Zc 4

Da mesma forma, para À ,


2

Ú,, 0 • aÀ
U2 cos h T fV] (3.78)

f.l2 aÀ
i,. 0 -.-senh- [A]. (3.79)
Zc 2

X:).
2

lo 14 12 13 14 15 15 17 Ia 19 140 I41 1 t2

À;4 .À/4 >-14 >-14

Uo p TRANSM,jSSOR >. ~
Úo + X
2 4
u6
U2o

U9
Fig. 3.16 - Diagrama polar e diagrama de andamento das correntes em linha real, ope-
rando em vazio. ·

u,3
Conforme se verifica facilmente pelo exame das equações, ou pelos
gráficos apresentados, numa linha que opera em vazio e cujo comprime:uto
se :;i,proxima ao de À/4 haverá um sensível aumento da tensão ao longo da
linha com relação à tensão· :;i,plicada V,., sendo sempre máximo junto ao
receptor. À medida que a.umentarmos o seu comprimento além de À/4,
a diferença de tensão entre o tn.msmissor da linha V,. e D2 do transmissor
P TRANSMISSOR
-.,..----------. + X diminuirá progressivamente, tornando-se . mínima· pa.ra x = À/2.
Fig. 3.15 - Diagrama polar e diagrama de andamento das tensões ao longo de linha real A corrente de carga da linha também aumenta ·continuamente até
operando em mzio. ' x = À/4, quando passa a decrescer até ser mínima para. x = À/2.
86 TEORIA DA TRANSMISSÃO DA ENERGIA ELÉTRICA CAP. 3
3.3 :_ANÁLISE MATEMÁTICA . 87
Esss,s considerações mostram que linhas de comprimento equh·a-
lente a À/4 desempenham de forma indesejável quando em vazio ou com conveniente ps,rn um melhor entendimento da operação normal das linhas.
pequenas cr,rgas. Neste caso, teremos R2 = O, logo U2 = O e as Eqs, (3.51) e (3.52) nos dão:
O aumento da tensão no receptor com relação à tensão no tr~nsmiesor
recebe o nome de efeito Ferranti, em homenagem ao físico que o descobriu. Í2Zc . .
Úxcc = - - (e"Y"' - e--"Y"') [V] (3.80)
O efeito Ferranti, desde cedo, mereceu a atenção dos engenheiros de 2
telecomunica,ção, que lida.m com linhas de freqüências mais elevadas e,
porümto, dA comprimentos de onda pequenas. Só mais recentemente é l2 (éx + e-1'x) [A].
que esse efeito começou a preocupar mais seriamente os engenheiros de j"'cc =
2
(3.81)
projeto e operação de linhas de tr::msporte de energia em freqüências in-
dustrüds, em virtude da necessidade da construção de linhas com compri- Se, nas Eqs. (3.79) e (3.80), efetuarmos as mesmas mudanças de va-
mentos cada vez maiores, sendo de se espenll' que linhas com À/4 ou mais riáveis que fizemos em (3.71) e (3.72), encontraremos:
longas ainda venham a ser construídas.
As implicações principais do efeito Ferranti, que diminui de inten- Ú"'cc = j~zc [ekµ (cos µ + .i sen µ) - e--kµ (cos µ - j sen µ)] [V] (3.82)
sidade à medida que a potência no receptor aumenta a partir de zero,
podem ser artificialmente controladas (Cap. 7) são elas: ·e
1 - necessidade de aumento do nível de isolamento das linhas e 2
equipamento terminal em virtude da sobretensão que provoca: Í"'cc = ; [ekµ (cos µ + j sen µ) + e--kµ (cosµ - j sen µ)] [A]. (3.83)
2 - apesar dr,s perdas por dispers&>, represent8.das principalmente
pelo efeito Curona (ver Cap. 11), atmwem favoravelmente n:J, de redução das Cada uma das equações, em seus segundos membros, possui os mesmos
sobretensões, essas perdas crescem em função do quadrn,do da tensão. A termos:
radiointerferên cia e os ruídos audíveis que acompanham o efeito Corona
aumentam igusJmente com o ::mmento da tensão. A fim de mantê-las
ekµ (cosµ +jsenµ) e e-kµ(cosµ -.isenµ),
dentro de limites rr,zoáveis, será necessário um aumento na bitola dos con-
dutores, o que afeta consideravelme nte o custo das linhas.
que, como já vimos, aplicados a fasores, fazem com que estes descrevam,
3 - a corrente de carga Ío [A], sendo muito elevada, limita, por efei- como lugares geométricos, espirais logB,rítmicas progressivas e regressivas,
to térmico, a capacidade de tmm;porte d:J, corrente de energia da linha, respectivament e, do tipo já encontrado no item anterior.
exigindo, para uma mesma potência a ser transmitida, condutores de secções
Comparnndo essas expressões com as correspondente s à linha em vazio,
consideravelme nte maiores, o que encarece sua construção. Esse fato é
verificamos que, neste cgso, é a onda de tensão que se reflete com sinal
particularment e sério parf', as linhas em cabos subterrâneos ou subma-
contrário ao da onda incidente, enquanto que a onda da corrente se reflete 11
i!
rinos, para as quais o comprimento de onda é muito menor do que nas linhas
aéreas, pois depende essencialmente de v [m/s], que é pequeno nas linhas em com mesmo sinal.
tais cabos; · Se trnçarmos o dip,grnma polar da tensão em curto-circuito da linha,
veremos que, resguardadas as escalas, ele será idêntico àquele da Fig. 3.15,
4 - a corrente de Cf',rga Ío [A] que a linha absorve das máquinas enquanto que o diagrama das correntes será idêntico ao das tensões em vazio,
que a aliment:J,m, quando opera em vazio ou com pouca carga, é capaci- apresentado na Fig. 3.16.
tiva~ Lembramos do estudo das característicf',S de carga das máquinas
Notamos ainda, pelo exame das equações, a esperada validade das
síncronas que, neseas condições, pode ocorrer o fenômeno conhecido por l.
relações:
auto-excitação, dando origem a tensões incontroláveis nessas máquinas,
se estas não tiverem capacidade de absorver essa carga capacitiva.
Zc [ohm]. (3.84)
3.3.2.2 - Linha em Curto-Circuit o. Permanente

É uma condição anormal de operação que raramente deverá ocorrer, Também a linha, operando em curto-circuito, possui alguns pontos
mesmo porque os orgãos usuais de proteção provavelmente intervirão notáve.is que merecem algumas considerações.
antes de ser atingido o estado permanente. Seu estudo é, no entanto, Introduzindo em (3. 71) e (3. 72) o valor d e x = À/4, obteremos para
a linha de um quarto de onda:
88 TEORIA DA TRANSMISSÃO DA ENERGIA ELÉTRICA CAP. 3 3.3 - ANÁLISE MATEMÁTICA 89

. • . aÀ ·Se, na Eq. (3.51), substituirmos Í 2 por Ú2!Zc. que lhe é equivalente,


Úxcc = J 12Zc cos h 4 · (3.85) obteremos:

(3.89)
À
Para x·= (3.86)
2' Em (3.52), substituindo Ú2 por Í 2 Zc, encontraremos

. . aÀ (3.90)
teremos: Ú"'cc = I2Zc sen h (3.87)
2
que podemos, após a mudança de variável, colocar sob forma polar, a fiin
. a.À de obter:
lxcc Jo" COS h -
2
· (3.88)
Ú., = Ú2 ekµ (cos µ + j sen µ) [V] (3.91)
À
Verificamos que, quando a linha de x opera em curto-circuito
= e
4
permanente, é necessário um&, tensão de curto-circuito relativamente ele- j = J2 ekµ (cos µ + j sen µ) [A], (3.92)
vada no transmissor para fazer circular no receptor a corrente Í 2, en-
quanto que, com a linha de x = À/2, uma pequena tensão no transmissor cuja semelhança com os primeiros termos dos segundos membros das Eqs.
é suficiente para a circulação no receptor de corrente relativamente eleva- (3.73) e (3.74) nos indica tratar-se de onda.s diretas da tensão e da corrente,
das. como era de se esperar. Desapareceram os seus segundos termos, repr.e-
sentativos das ondas refletidas, e, com isso, o transitório de energia.
Teremos:
3.3.2.3 - Operação das Linhas Sob Carga

(3.93)
A fim de concluirmos. a 2,nálise das condições de operação das linhas
em diversos regimes, amdisaremos as equações 2,través da v&,riação de sua
impedância terminaJ, representativa da carga, dada a maior simplicidade Esta última expressão mostra uma das propriedades mais importantes
dai decorrente. da linha terminada em impedância igu2.l à sua impedância característica:
Na análise qualitativa realizada, verificamos que o comporfa,mento
da linha, sob carga. depende essencialmente da rela,ção existente entre im- em todos os pontos ao longo de uma linha homogênea que opera
pedância terminal Z2 da linha e sua impedância característica, destacan- com uma impedância de carga igual à impedância característica,
do três casos: o fator ele potência é constante e o defasamento entre a tensão e a
corrente é sempre igual a:

à = </>2.
b Z2 > Zc; A linha se comporta então como um ·circuito-série, cuja única impe-
dância é a sua própria resistência ôhmica. Isso significa que a linha não
e - Z2 < Zc. necessita ele energia reativa externa para a manutenção de seus campos elétricos
e magnélicos. A única energia. absorvida pela linha é energia ativa e des-
.Examinemos esses três casos em separado: tina-se a cobrir as perdas por efeito Joule e dispersão .
Os diagramas polares para as linhas que operam sem onda refletida
a - Linha terminada em Z2 = Zc são, entã0, simples espirais loga,rítmicas progressivas, tanto da onda da
tensão como da onda da corrente. Os módulos da tensão e da corrente,
Para este caso, consideremos inicialmente as relações das tensões e em qualquer ponto a uma distância :i: [m] ·do receptor, serão, respectiva-
corrE;ntes junto ao receptor. mente:
90. TEORIA DA TRANSMISS ÃO DA ENERGIA ELÉTRICA CAP. 3 3.3 - ANALISE MATEMÁTI CA , 91

(3.94)
[MW]. (3.98c)
Íx = Í2 eªx [A]. (3.95)
A linha poderá ser cortada em qualquer ponto, se aí for colocada uma A potência P como acima definida, é denomina da potência riatural
0,

impedânci a Z2 = Zc, sem que isso venha a alterar o seu funcionamento. da linha trifásica. Às vezes é confundid a com a sua potência característica,
A potência complexa fornecida pela linha do receptor será: como definida para uma fase pela Eq. (3.97).
O conceito de potêrici"a natural (Surge Impedance Loacling - SIL, na
literatura americana) vem recebendo ca,da vez maior importânc ia na técni-
(3.96) ca de transmissã o de energia. Sendo uma potência ativa, foi adotada na
como prática como unidade-b ase de potência, exprimindo-se os demais valores
das potênci9,s transmitid as atrnvés de uma linha, em função de sua potên-
temos cia natural. Tornou-se prepondem nte no dimension amento de linhas.
Conforme ficou demostrad o, o valor de Zo depende essecialmente do
logaritmo da relação entre a distância entre condutore s e seus raios, re-
V ·o
~-I
Zc ei6 - 2 e-i6·; lação esta que varia pouco nas linhas reais de mesma configurnção de
condutore s (ver Tab. 3.1). Espaçame ntos maiores são usados com tensões
mais elevadas, que, por sua vez, exigem condutore s de diâmetros maiores.
Sendo independe nte de seus comprimentos, a potência natural das linhas
tornou-se fator important e na escolha das tensões de transmissã o em pri-
meira aproximação e como orientaçã.0 inicial dos estudos t€cnicos-econô-
e micos para sua fixação, estudos esses influenciados decisivam ente pela
relação potência/d istância de transmissão.
(3.97) Da Eq. (3.98) podemos obter:

portanto, U2t:.= ~ [kV]. (3.99)


1 ·

(3.98a) 1
A Tab. 3.1 fornece valores indicativo s das impedânci as de onda e de·
potências naturais pare, linhas de trnnsmissão trifásicas, para diversas
configurações de condutore s e classe de tensão.
A potência ativa assim definida é denomina da potência característi"ca
da linha. O ângulo ó é o argumento de Z0 • Seu valor, em geral, está Ta.bela 3.1 - Valores fodicativo s de Potências Naturais para Linhas de
entre 1 e 5°, pois é função das perdas na linha. Nessas condições, cos ó~ 1. Transmiss ão a Circuitos Simples
Vimos também que Zc ~ Z por razões idênticas, de forma que, na prá-
0,

tica, prefere-se definir e usar a potência natural: Potência Natural em MW


Configuração Zo
de Fase Ohm
Po u.Z·z2 220 kV 345 kV 400 kV 500 kV 750 kV
= [W). (3.98b)
o
® 400 120 300 400 - -
Se considerarmos a tensão entre fases U 2t:. em [kV], encontrare mos:
® ~ 320 150 370 500 780 --
®® 280
como, porém, e. 170 425 570 890 1 750
@ ®
@ ® 240 200 500 670 l 040 2 000
Nota: Em linhas a circuitos duplos, duplicar os valores de P 0 •
92 TEORIA DA TRANSM ISSÃO DA ENERGIA ELÉTRIC A CAP. 3 3.3 - ANÁLISE MATEMÁ TICA 93

Apesar de ser a condição mais vantajo sa, a operaçã o consfo,nte de uma


linha com potênci a ngtural, na prática, ocorre só em condições especial
íssi-
b - Linha terminada em Z2 ~ z..
mas, pois, em geral, as potênci as tnmsmi tidas oscifa,m de acordo com o Seja p 0 a potênci a recebida no recepto r por uma linha termina da em
dia- sua impedân cia natural Zo. Teremo s Junto ao receptor :
grama d e ca rg:;i, do sistema , principa lmente quando a transmis siio se faz entre
centro de produçã o de energia e centro de consum o. Quando as linhas
são de interliga ção de grandes sistema s com a finalida de de intercâm bio
de D2 = Zolc;
energ:ia, essa condiçã.o é mais facilme nte atingíve l, qualque r que seja
o logo,
sentido fluxo de energia, controla do que é pelos despach os de carga.
O fato de que BS linhas não consom em e nem geram energia reativa, 2
Po = -V2 = U2Ic [W].
qugndo operam nessas condições, tem implicaç ões econômic1:1,s importa ntes.
A energia reativa; ,por elas consum ida deverá vir dos sistema s aliment
z.
ador
e aliment adó e a energia por elas gerndas deverá ser absorvi da pelos mesmos . Seja P 2 a potênçi a recebida no recepto r poi' .um.a lin~'.1, t;-rmina da con~
Essa energia, além de cirrular nos sistemg s e provoci u perdas de energia
ativa, solicita os _sistemas também quanto à capacid ade adiciona l em
.
a impedâ ncia 2 ~z z.,
porém com fator de potenc11:1. umtar10. Teremo s.
seus
equipam entos termina is (Fig. 3.17). U2 = Z2h;
As grandes linhas, dada a facilida de do controle do fator de potênci a logo,
junto às zonas de consum o, também operam hoje, preferen cieJmen
te,
com fator de potênciv, unit.ário, por ser, em geral, mais econômico a
pro- V2 12 [W}.
dução de energia reativa necess:h ia in loco do que seu transpo rte a grandes
distânci as, desde centrais elétricas remotas . Daí resulta a já mencion
ada
tendênc ia de exprimi r 2s potênci as ativas transmi tidas em função da Dividin do P2 por P º'
po-
tência natural da linha.
(3.100)
1 Mvor
iõõKm
1250 ~Q donde
200
(3.101)

que introdu zimos nas Eqs. (3.51) e (3.52):

100 .
U. = ZÚ2 (1 + rp) erx.- + Ü2 . (l - rp) e-fx [VJ (3.102)
INDUTIVO
2
r 0,5 e

l
CAPACITIV O
'220 KV

-- p

Pnat
(3.l 03)
-100

Do exame das equaçõe s acima, podemo s concluir :

1 - ·
quan do Z2 > z·º' p2 < p º' 1ogo, rP < 1• Nessas condições,
1
-200
.- Q
~ _Ü2 (1 _rp) e-fx ~ conserv a 0 sinal, o que·equ ivale a dizer que a onda
Fig. 3.17 - Geração e consumo de energia reativa pelas linhas de transmiss ão [13]. l 2
da tensão se reflete com o mesmo sinal da onda de tensão in.cidente;
94 TEORIA DA TRANSMISSÃO DA ENERGIA EL~TRICA CAP. 3
3.3 - ANÁLISE MATEMÁTICA , 95

2
; (1 - l/rp) e_,;,x - inverte seu sinal, mostrando que a onda da Nas linhas sem perdas, a = O, nessas condições, e,s espire.is se trans-
formam em circunferências. Os diagramas das tensões e correntes, nesse
corrente se reflete com sinal oposto ao da onda de corrente incidente; caso, serão também figuras fechadas.
g - quando Z2 = Zo, P 2 = Po, logo, rp = 1. NeSS2.S condições, os o ângulo de potêncifi, e, entre a tensão n0 início de uma linha Ú1 e a
segundos termos dos segundos membros tornam-se nulos, como já vimos. tensão no fim dessa linha, que, como já foi mencionado, é de sumo inte-
Não há ondas refletidas; , resse na manutenção da estabilidade do sistema a que pertence a linha,
pode ser determinado "como mostra a Fig. 3.19, a partir dos fasores das
3 - quando Z2 < Zo, P2 > Po, logo, rp > 1. Teremos: ondas diretas e refletidas da tensão.

2Ú2 (1 - rp) .
e-'Y"' - inverte seu sinal, o que· indica que a onda de
tensã'J se reflete com sinal contrário ao da onda de tensão incidente;

212 (1 - 1I':'p) e,--'Yx. - conserva seu sin2.l, indicando uma onda de


corrente refletida de mesmo sinal da· onda incidente. o
Esse,s mesmas formas de reflexão foram vistas quando examinamos
a operação das linhas em va,zio e em curto-circuito. A operação em carga
é, portanto, uma condição intermediária de operação entre dois extremos:
vazio e curto-circuito.
Os diagramas da Fig. 3.18 ilustram bem esse fá.to.

uxi ""urxi
Kr
~
+ 1 -.,--------- ---- ----------
Ir= Id Ur=Ud udxi

............

" "· -(3.


z2-oo

Fig. 3.19 - Variação do llngulo de potência (} com a potência at1:va Pz.

•''i Do diagrama a, temos:


Fig. 3.18 - Variação da polaridade e valor das ondas refletidas de tensão e corrente nas
linha.s de transmissão. U"i · cos (ji = Uª"i COS {3xi ± U'"i cos {3x;

Os diagramas polares das tensões e correntes das ondas diretas e re- ou


fletidas são igualmente apresentados por due.s espirais log2.rítmicas, uma
U dx · ± Urz ·
progressiva e uma regreseiva, respectivamente. Os diagramas das tensões (ji = are cos .( u
• x· •
)
cos {3xi. (3.104)
ou das correntes resultantes são obtidos pela adição ou subtração dos fa- •
sores que representam os valores das ondas diretas e refletidas, para um
determinado valor de x. Pelo exame dos diagramas da Fig. 3.19, a dependência direta de e de
P 2 pode ser facilmente reconhecida.
96 TEORIA DA TRANSMISSÃO DA ENERGIA ELÉTIRICA CAP. 3 3.5 - EXERCÍCIOS 97

Verifica-se que o ângulo de potência 8 da linha cresce com o aumento Solução


da potência ativa transmitida. A - A impedância natural ou impedância de onda ou impedância
de surtos pode ser calculada através da equação:
3.4 - CONSIDERAÇÕES GERAIS

Até aqui temos raciocinado em termos de linhas a dois condutores


Zo = {§- [ohm] (Eq. 3.12)

metálicos. Estas, mesmo sendo largamente usadas .na prática na forma de logo,
linhas monofásict»S em corrente alternada, o são em níveis de tensão apro-
priadas à distribuição. Nos níveis das tensões extra-elevadas, iremos en- O,OOl 353 X 10 6 = ·400 00 [ohm].
contrá-Ias como linhas em corrente contínua. No enkmto, a maior parte 0,008488 )
· da energia elétrica produzid2 e consumida no mundo é transportada e dis-
tribuídg a.través ds.s linha.s trifásicas de corrente alternada. Esse fato, B - A energia armazenada em cada quilômetro de linha poderá
nas freqüências industriais em uso, em nada afeta a teoria desenvolvida, ser calculada pelas Eqs. (3.14), (3.15) ou (3.16):
pois, uma vez que tensões e correntes são mantidas equilibradas nos sis- a -· energia no campo magnético:
temas comerciais, podemos representá-las por circuitos monofásicos equi-
valentes, como aprendemos a fazê-lo nos cursos ·de circuitos. A presença
de outros condutores e· de cabos pára-raios somente afeta as caracterís- Em= lo~L [Wsl; (Eq. 3.14)
ticas d e propagação d e tensões e correntes de freqüências mais elevadas e
altas freqfü~ncias, como também das ondas decorrentes dos surtos de so- sendo
bretensão.
lo= --º-=800=2- [A].
Z@ 400
3.5 - EXERCÍCIOS
Em= (2)2 X ~,001358 = 0,002716 [Ws];
1. Uma linha de transmissão bifilar aérea é suprida por uma fonte de
tensão co.nstante e igual a 800 [volt]. A indutância dos condutores é de
0,001358 [henry/km] (fluxo interno considerado), sua capacitância é igual b - energia armazenada no campo elétrico:
·a 0,008488 X 10- 6 [farad/km].
Tratando-se de linha sem perdas, deseja-se saber, sendo seu compri- E. = -·- -
u2c [Ws]
mento igual a. 100 [km]: 2

A - sua impedância natural; (800) 2 X 0,008488 X 10.:. 6


B - energia armazenada por quilômetro de linh~ nos campos elé-
E.= ~-----'---'-..;.___;'------- = 0,002716 [Ws];
2
trico e magnético; .I
e - velocidade de propagação; e- energia total armazenada:
D - qual o ·valor da tensão no receptor no decorrido tempo E = Em + E. = 0,005432 [Ws].
t = -3z d o mstante
. em que a 1'mha J:
101 •
energ1zada, para as segum
• . t es cond"i-
v C- A velocidade de propagação pode ser calculada pela equação:
ções terminais no receptor:
1
[km/s] (Eq. 3.8)
a - Z2 = 100 [ohm]; V= ·VW
b - Z2 = 400 [ohm]; 1
V = --======= =====-
V 0,001358 X 0,008488 X 10- 6
. e- Z2 ;= 1 600 [ohm].
98 TEORIA DA TRANSMISSÃ O DA ENE.RGIA ElÉTRICA CAP. 3 3.5 - EXERCÍCIOS , 99

v = 294 542 [km/s]. - a onda refletida U~ = kru2, partindo do receptor, chegar ao transmis-
Nata: Esse valor é um pouco inferior àquele preconiza.do para a sor em t2 = .!!..__, como onda incidente, e aí sofre reflexão.
linha ideal, podendo;se atribuir esse fato à consideração do fluxo mag- V
A tensão no
nético interno dos condutores, que, no caso da linha ideal, foi desprezado. transmissor era U [V]; será agora
D - Cálculo das tensões no receptor - O intervalo de tempo
3l ,
U~ = U + U kru2 + U kru2 k,,,1 [V];
t = - sera su f"iciente-
. .
para que Junto ao receptor ocorra a segunda re-
v
- a onda refletida no transmissor é U k.,, 2 kru 1 e chega ao receptor em·
flexão de onda de tensão. Teremos:·
t3 = ~' onde sofre nova reflexão. A tensão no receptor passa agora
a - valor da onda de tensão incidente no receptor em t1 = l/v e V
Ui = U = 800 [V]; a ser:
b - os coeficientes de reflexão no receptor, de acordo com a equação

como, no presente caso, k,,, 1 = - 1, será:


(Eq. 3~32)

serão:
Substituind o os valores dos coeficientes de reflexão, encontrarem os:
para Z 2 = 100 [ohm], - para Z 2 = 100 [ohm],

k - 100 - 400
ruZ - 100 + 400
3
5' u~ = 800 [ 1 ( - : )2] = 512 [V];

- para Z2 = 400 [ohm], - para Z 2 = 400 íohm], não há reflexão: logo,


400 - 400 U~ = 800
-----=O; [V];
400 + 400
- para Z 2 = 1 600 [ohm],
- para Z 2 = 1 600 [ohmJ,

Kr~L
km2= -----
1 600 - 400
l 600 + 400
1 200
2000 = +
3
5'
U~ = 800 [ 1 - ( : rJ = 512 [V J.

e- os coeficiente,; de reflexão no transmissor serão, considerand o Observamos igualmente nas tensões no receptor para os dois casos
fonte ideal, em que houve reflexões, apesar da disparidade dos valores de Z 2 • Na pri-
meira reflexão, no entanto, as diferenças são grandes:
- para Z 2 = 100 fohm],

Em t = O, parte do transmissor uma onda de tensão de valor U [V] que u; = 800 ( 1 - : ) = 320 [volt],
chega ao receptor em ti = ljv [s] na forma de uma onda direta U'ci = U.
Nesse instante ocorre a primeira reflexão e a tensão no recepto.r passa - para Z 2 = 1600 [ohm],
a ser:

u; u~ = 800 ( 1 + ~) 1 280 [volt].


100 TEORIA DA TRANSMISSÃO DA ENE!iiGIA ELÉTRICA CAP. 3 3.5 - EXERCÍCIOS 101

2. Repetir a parte D do exercício anterior, admitindo que a fonte


possua urna impedância interna igual a 10 [ohm]. Neste caso, conside- l1 =z:U = 175 720
221
,12 = + 794,6 [A].
rar a_ tensão de 800 [volt] corno sendo a tensão em vazio da fonte.
3. Qual o valór, em ohms, da resistência terminal de uma linha ideal A equação de continuidade das tensões junto ao ponto curto-circui-
de dois condutores de fio de alumínio n. 0 6 AWG, separados entre si de tado é:
lm para que não haja reflexão de onda?
Solução
Ui= U + Ud + U,..
De acordo com o exposto no Item 3.2, devemos ter R 2 = Z 0 ; logo, Neste caso, Ui= O e Ud =O; logo, U,. = - V. É, pois, como se uma onda
pelo exercício anterior: U d = V se refletisse nesse ponto, com sinal oposto, demandando a extre-
midade aberta com a velocidade
D
R2 = 60 Lri-- 1 1
r .../Lã = 294 991,76 [km/s].
V=
V 0,007496 X 0,0153303 X 10- 6

Da Tab. 11.2 do apêndice, obtemos r = 0,5 X 4,673 = 2,3365 [mm] ou


r = 0,0023365 [rnJ; logo: Essa onda,de tensão é acompanhada pela onda de corrente de mesmo
valor daquela que escoa para o solo. As _ondas de tensã.o e corrente, ao
atingirem a ~x:tre!Jlidade aberta, ao fim de t = 339,993 (µs], aí se refletem,
1 com coeficientes de reflexão 1 para a tensão e - 1 para a corrente, ficando,
R2 = 60 Ln
0,0023365 pelas equações da continuidade: -/:. ~ J, / tr

R2 = 60 Ln 435 = 364,52 [ohm]. U2 = V+ Ud + U,. = 175720 - 175720 - 175720


1
D2 = - 175 720 [V]
4. Qual o coeficiente de reflexão se a linha acima for terminada em
um resistor de 200 ohms? Qual o sinal da onda refletida? 12 = I + Id + !,. = O + 794,6 - 794,6 = O [A].
5. Urna linha unipolar de transmi~são de 100 [km] de comprimen-'
to foi desligada instantaneamente em ambas as extremidades, perma- As ondas refletidas, tanto da tensão como da corrente ao fim de um
necendo nela uma carga acumulada, uniformemente disttibuída ao longo novo tempo t chegam ao ponto d9 curto-circuito, onde se refletem com coe-
da mesma, de forma tal que um potencial de 175,72 [kV] pode ser mediçlo. fiCiente de reflexão - 1 e-i:--Crespectivamente, ficando nessa extremidade:
A indutância da linha é de 0,0007496 [henry] e sua capscitância é ô.e
0,0153303 [µfara.d]. Determinar a variação do valor da corrente e da V 1 = V + V d + V,. = O - 175 720 + 175 720 = O [V]
tensão em ambas as extremidades, se uma de suas extremidades for curto-
circuitada. li = I + Id + l,. = 794,6 - 794,6 - 794,6 = - 794,6 [A].
Solução As ondas refletidas partem para a extremidade aberta, onde voltam
A impedância de onda da linha é: se refletir, e assim sucessivamente, como mostra a Fig. 3.20. Esse mo-
!J.
vimento não cessa, pois, sendo a linha ideal, não há dissipação de energia.
o·tra.nsitório é de simples troca de energia entre os campos elétricos e mag-
. (L ~ 0,0007496 nético e dura indefinidamente.
zº = 'lc = 0,0153303 x 10-6 = 221112 [ohm]. Numa linha real, na qual existem perdas por efeito Joule e de dis-
persão, há dissipação da energia armazenada. Nesse caso,_ tensão e cor-
A carga está uniformemente distribuída ao longo da linha que se en- rente decrescem exponencialmente à medida que viajam ao longo da linha.
contra sob um potencial constante de+ 175 720 [V]. Somente a impe- Esse amortecimento- será tanto mais eficiente quanto maiores forem
dância Z limita a corrente que escoa para o solo. Portanto, no ins-
0 as perdas. Nas linhas reais R e G, em geral, elas são- pequenas e o tempo .
tant,e do curto-circuito, começa a escoar a corrente necessário para descarregá-las é relativamente grande.
102 TEORIA DA TRANSMIS SÃO DA ENERGIA ELÉTRICA CAP. 3 3.5 EXERCÍCI OS 103

Linha ideal
8. Admitam os ,que, em ambas as extremid ades da linha do Exerc. 5,
U 1 =~I
/ Linha real o nterrame nto se faça através de resistência de 20 [ohm]. Qual será a
---- \'.' variação da tensão e da corrente através das resistênc ias? E no meio
ela linha?
r=o t t t t
9 ['0---11---12 9. Qual deve ser a capacida de em [W) de dissipação de energia da
resistência do Exerc. 6 ?
10. Uma linha de transmis são trifásica possui os seguintes parâ-
u
Linho ideal metros:
/ Linho real
-----
resistênc ia ôhmica r = 0,0715 [Q/km] por fase;
t t t i$
['O--H---12 - 1 reatância indutiva XL = 0,512 [Q/km] por fase;
condutib ilidade de dispersão - g = O [U/km] por fase;

susceptâ ncia capacitiv a - b = 3,165 X 10- 6 [U/km] por fase.


Fig. 3.20 - Variação das tensões e correntes. na linha do Exerc. 3.

Sendo j = 60 [Hz] a freqüênc ia do sistema, determin ar, considera n-


O fenômeno descrito nos serve de advr.rtência para aplicação um~ do sempre, primeira mente, a linha real e em seguida a linha ideal:
prática: para a efetuação de manuten ção em linhas, estas são desconec ta-
das dos sistemas por meio de disjuntor es. Dada a rapidez e eficiência
destes, cargas são retidas nas linhas e, dependen do do ponto de corte na A - função d e propagaç ão;
onda de tensão, o potencia.! remanesc ente pode ser de valor substanc ial B - atenuaçã o;
e mesmo perigoso. Sem nenhuma outra providên cia, a linha perderá sua
carga gradativ amente, pela fuga através dos isoladores e no dielétrico. e- constant e de fase;
O tempo, para tanto, é grande. É usual o aterrame nto dos condutor es
D - velocida de de fase;
em uma das extremid ades ou em ambas. Esse aterrame nto apressar á
a dissipaçoo da energia, pois o solo também possui resistência. Deve-se, E - comprim ento da onda;
no entanto, ter a precauçã o de esperar decorrere m vários minutos antes
de ser encetar qualquer trabalho ao longo da linha ou em sua extremid ade F - impedân cia caracterí stica;
nberta, a fim de se assegura r a descarga total da linha. O aterrame nto G- impedân cia natural.
do ponto de trabalho , realizado pela equipe de manuten ção, represen ta
precaução adicional e deve ser feito com equipam ento para linha viva. Solução
6. Admitind o que a linha do exercício anterior seja aterrada através A - pela Eq. (4.18) temos:
de uma resistênc ia de R = 20 [ohm], fazer os diagrama s de variação da ten-
são e da corrente em suas extremid ades. a - linha real
.f
Comentário f = a + j(3 = -v;y = V (r + jxL) (g + jb);
Neste caso, para a aplicação da equação da continuid ade no ponto como g = O,
ele. aterrame nto, devemos lembrar que U1 = l 1R e I1 = u continu-
a.ndo válidas as demais considerat;ões. +R zº
7. Se a linha do Exerc. 5 for curto-cir cuitada em ambas as extre-
y= a+ jf3 = v (0,0715 + j0,512) (.i3,165 X 10- 6
)

midades, qual será o diagrama das tensões e das correntes nos pontos de cur-
to-circuito ? E no meio da linha ? -Y = a + j/3 = 1,279 X I0- 3 ei85 •02 [1/km];
r.;';
''i'·i·.:
li
104 TEORIA DA TRANSMISSÃO DA ENERGIA EL~TRICA CAP. 3 3.5 - EXERCÍCIOS 105
lf~ :

1 b- linha ideal E - Usando a Eq. (4.34), temos:


)
1 r =O, g = O; a - linha real
1

j:
1' = v · T = 4 917 [km}
logo,
l 1' = a + j{3 = V JXL · jb = jw ~
b - linha ideal
À = v · T = 4 935 [km] ..
-y = f(3 = j V0,512 X 3,165 X 10-6
F - A impedância característica pode ser calculadi;i. pela Eq. (4.15):
-y = j Vl,62048 X 10-6
-Y = 1,273 . 10-3 ei9º. 0,0715 + .i0,512
13,165 X 10- 6
B - Ainda pela Eq. (4.18):
a - linha real
z. = 403,9 e-i3• 98 º [ohm].
G- A impedância natural é dada por (3.11):
Re {'Y} = a = 0,0867 X 10-3 [néper/km];
•:
b - linha ideal

a = O [néper/km].
Zo = VL/C = f: = ~ j3,i~0;5~210-6
1

C - As constantes de fase serão: Z 0 = 402 [ohm].


1
11. Admitindo-se que a linha do Exerç .. 10 tenha um comprimento
a - linha real de l = 600 [km] e opere com tensão no receptor ·constante igual a 380 [V],
Im {')'} = {3 = 1,276 X 10- 3 [rad/km]; . entre fases, determinar:.
a - qual deve ser a tensão no transmissor quando a linha opera em
b - linha ideal vazio, a fim de que o valor da tensão no receptor não seja ultrapa.ssado?
(3 = 1,272 X 10- 2 [rad/km]. b - qual o valor da corrente de carga da linha quando esta opera
em vazio?
D - pela Eq. (3.56b): e - quais os valores em módulo e fase, das ondas diretas e refletidas,
ainda operando em va;>;io?
w
v=-· d - qual o valor da tensão, em módulo e fase, no receptor, quando
{3 ' a linha vazia é ligada a um barramento de tensão entre fases igual a 400 000
[V]?
a - linha rea.I
e - calcular o valor da corrente de carga da linha nas condições do
item d.
377
V X lO-ª = 295 000 [krn/s); Solução
11276

b - linha ideal a - Empregamos a expressão:

377
v = - 1,-- -X--0-- = 296000 [kmfs]. [V) (Eq. 3.69)
27 2 1 3
106 TEORIA DA TRANSMISSÃO DA ENERGIA ELÉTRICA CAP. 3
3.5 - EXERCICIOS 107

. [}2 él - e-.Y1
110 = Zc- . 2 (Eq. 3.70)

ou
como:

110 = yÚo senh"fl;
e
= cos yl = cos h (al + j{3l) =
logo,
= cos h al cos {3l +j sen h al sen {3l, 380 000
I e+;a. 9 s · 0,69498 ei86 · 831 º
teremos:
1
º= v'3 X 403,9
Ui = U 2 ( cos h al cos {31 +j sed'al sen {3l.)
Í 10 = 377 ,5039 ei5º' 8110 [A);
Do exercício anterior obtemos:
e - as componentes da tensão serão de acordo com a Eq. (3.69):
y= },279 . 10-3 eJS6.02
. ú e'l'1. = ü
para U1a = _2 _2 eªi ef/31
2 2

l = 600 [km], -)tl = 0,7674 eJ'S6.o2 = 0,05326 + j0,76555 [ k~] u?


- - e-al
2 e-J·131
.
como:
Introduzindo os valores numéricos:
cos h yl = cos h al cos (3l +j sen h al sen {Jl
. 380 000
sen h 'Yl = sen h al cos (3l + j codàz sen {3l. U ld = 2v'3
eo,osa26 ef4 3.863º = 11:; G97, 37 eJ°43,863º

Portanto:
380 000 = 104 006,97
cos h al = cos h 0,05326 = 1,00142 ui,= _ _ _ _ e-o.osa26 e-i4a.S63 e-43.863º
2v'3
sen h al = sen h 0,05326 = 0,05329
cos {3l = cos o, 76555 = cos 43,863° = o, 721 Oll

sen (3l = sen O, 76555 = sen 43°,863° = 0,69294 úid = 83417,658 + J80110,915
e Uir = 74988,894 - j72070,212.
COS h"f{ = 0,72202 + j0,03693 = 0,72296 ef2•9 2Sº Portanto:
sen h i'l = 0,03842 + j0,69392 = 0,69498 efSG.saiº
Ú1 = Údi + [J, 1 = 158406,55 + j8100,703 = 158613,544 ei2 •9280
Teremos:
d - as componentes da corrente serão, de acordo com a Eq. (3.70):
U.i ..
U2 cos h 'Yl
. 380 000
v' - · 0,7229 6 ·2 28º
= =
3
eJ ·9
1 •
lia=
·
Üo
-.~-
2Zc
'!
e'l' =
[)z
- . - eal e-J/31
2Zc
·

V
1 = 158 612,44 ei2.92Sº [V];
. [7 2 .Yl
b - a corrente de carga da linha será: Iir = - - .- c-
2Zc

~ IJ
108 TEORIA DA TRANSMISSÃO DA ENERGIA ELÉTRICA CAP. 3 3.5 - EXERCICIOS 109

Introduzindo os valores numéricos: (Eq. 3.99)


. 380 000 O valor de Z 0 depende da composição dos condutores de fase. Assim:
I ld = 2v3 X 403,9 a - condutores singelos:
= 286,451 ei47·843º [A) Z 0 = 400 ohrn - U 2x = 775 000 [V];
380 000 b - condutores geminados:
- - - - - - - 61a.98 6 -0.5325 e--143.863 =
2v3 X 403,9 Zo = 320 ohm - U2x = 693 000 [V];
e - condutores trigeminados:
= 257,507 e-Ma8aº [A);
logo, Zo = 280 ohm - U2x = 648 000 [V];
. . . d - condutores; quadrigeminados:
fio= lia+ Íir = 192,255 + j212,348 - 197,602 + j377,469
. Z0 = 240 ohm - V2.,. = 600· 000 [V].
Í1 0 = - 5,34665 + j377,469 = 377,507 ei9o.mº [A). As tensões normaliza.da.s (IEC) que mais se aproximam dos valores
acima são 500 [kV] e 750 [kVJ, para transmitir em corrente alternada.
Da Eq. (3.69), passando U 1 a referência: Tudo indica que, no caso particular, o emprego de corrente contínua·· mere-
ce também um exame econômico criterioso.

13. As Eqs. (3.51) e (3.52) permitem calcular as tensões é ·correntes


em qualquer ponto da linha., situados a uma distância x do receptor e conhe-
400 000 1. cjdas ,as condi<;ões neste. Dete,rmin!lr expressões que permitam calcular
v3 O, 72296 e1 2 •928º U2 e I 2 , qmmdo são conhecidos U1 e I 1, no transmissor, sito a uma distância
l [km] do receptor.
U 2 = 319436,91 e-i2 •928 [V);
14. Qual o valor da corrente de curto-circuito trifásico permanen-
e - empregando . te quando, no transmissor da linha do Exerc. 10, for aplicada a tensão
400 000 [V] ? O curto-circuito é junto ao receptor,
(Eq. 3.70) Sclução
Da Eq. (3.79), que pode ser posta sob forma hiperbólica, temos:
Í10 319 436,91 .e-i2,92a (0,69498 e-186.831)
= Dice 400 000
403,9 e- 13• 98 I 2cc = ~---=-
Zc senh'yl v3 X 403,9 X e-i3•98 X 0,69498 eia6.as1'

!1 0 = 551,01 e-i87· 883 º (A). operando, encontramos:


12. Pretende-se transportar uma potência de 1 500 [:.\IW] a uma dis- j2cc .= 822,72 e-i82,81º [A].
tância de 800 [km] através de urna linha aérea de transmissão, com cir-
cuito simples e cabos alurrúnio-aço. Qual a tensão normalizada mais re-
comendada?
15. Qual deverá ser a tensão no transmissor da linha do Exerc. 10
quando a tensão no barramento receptor for de 380 [kV], estando a linha
fornecendo:
Solução
a - potência ,igual à potência característica;
\
A escolha dessas tensões, bem como da compos1çao dos condutores b - potência Ígual a 0,8 de sua potência ca.racterística;
de fase, deve basear-se em fatores econômicos. No entanto, para fins de
ori.~n~ação preliminar, podemos lançar mãos da expressão: e - potência ~gual a 1,2 de sua potência carapterística.
1
no TEORIA DA TRANSMISSÃO DA ENERGIA ELÉTRICA CAP. 3
i

3.5 - EXERCÍCIOS e 'f 11

Solução
Aplicando a Eq. (3.51), teremos:
a - Potência característica da linha;
úi = ú2 + i2ie e.,z + ú2 - Í2Ze e-.;.i
2 2

como:

Z 0 = 403,9 e+;3• 9s [ohm] (ver Exerc. 10),

temos: Introduzindo os valores de Ú2 , J 2 Z 0 al e {3l, teremos:

(38~r 219 650 + 544 e+;a,gs X 403,9 e-;a,gs


2
/'f2 0 =
4
;{,: (cos3,98 + j sen3,98)

4 825 X 1010
'f:/2e = ' (0,9976 +J0,0698) = 119,5 X lQ&e+;Ms [VA] 219 650 eiº + 435,2 e+;3•9s X 403,9 e-i3.9B
40319
2

N2e = 1,195 X 10 8 (0,9976 - j0,0698)

N2 0
= (1,192 - j0,0834) 108 [VA)
ú2 + i';'z. 219 650 eiº + 652,8 e+ia.9s X 403,9 e-iMs
3
P2 0 = 119,2 [MW} 2 2
.. = 241 658 e.iO.
Q2 0 = - 8,34 [MVAr].
Igualmente:
Teremos então:
1 -
ú2 - i2ze
2 =O;
- N' 20 = 119,5 e-ia.9 8 [MV A];

2 - N"20 = 95,6 e-i 3•98 [MVA];

3 - N"' 2 = 143,4 e-ia.9S [MVA].


0
. . .
As correntes no receptor serão: 3 - U2 - J"' 2Zc = 22 008 e+ilSOº •
l
2
• 119 5 X 106 e+;a.9s .
1 - I'2 = 3S X 104/vf3 = 544 e+;a,9s [A];
Temos também, empregando as tabelas do Ap. I:
eal = e<o.oa61·10-3) 600 = eo.052 = 1,0513
2 - Í"2 = 95,6 X 106 e+;a,gs
38 X 104/y'3 = 435,2 e+i3,9s [A];

3 - /'"2 = 143,4 X 106 e,.;a.9s


38 X 104/y'3 - = 652,8 e+-Ja,9s [A].
eiPl = ei(I,276 I0-3) 600 = 3io.7656 = e+i43.S7°
;3.6 - BIBLIOGRAFIA 113
,112 'TEORIA DA TRANSMISSÃO DA ENERGIA EL~TRICA CAP. 3

logo, a - tensão o corrente no transmissor;


b - ondas diretas e ondas refletidas da tensão;
1 Úí = 219 650 ei0 · 1.0513 · é 43• 87° = 230 918 é43.3S7° [V]; e - potência absorvida no receptor.
2 - Ú'í = 197 713 ei0 • .10513 · ei4ª•ª 7 + 21,936 eio . 0,95123 ei4S.S7 20. :\Iostrar que, de uma linha ideal operando com uma carga tal que
o fator de reflexão de onda seja 0,5, os diagramas polares das tensões o
U'í = 207 856 ei43•87 + 20 866 e-i4a.a1 correntes são elipses.
Ú'í = 228 730 ei4a.9º [V];
3.6 - BIBLIOGRAFIA
3 - Ú'í' = 241 658 _eiº · 1 0513 · ·ª + 22 008 ei ªº . 0,95123
ei43 7 1 . e-m.s1º
1 - VIDMAR, MrLAN - Die Gestalt der Elektrischen Freileitung. Verlag Birkhã.user,
Ú'í' = 254 055 ei43 •87º + 20 935 ei1 a6.1aº Basiléia, Suíça, 1952.
2 - JOHNSON w. c. - Transmission Lines and Networks. McGraw-Hill Bool!: Co.
U'í' = 254 946 eiõaaº [V]. - Ko~akusha Co. Ltd., Tóquio. International student Edition. Reimpr.essão
da edição original de 1950.
3 - BEWLEY, L V. - Trave/ling Waves on Transmission Systems. Publ. Dover, Nova
Qual o valor, em módulo e fase, da corrente no início da linha,
16. Iorque, 1963.
para as cargas especificadas no Probl. 15.
4- GREENWOOD, ALLAN - Electrical Transienls in Power Syslems. vViley Intcrs-
cience, Nova Iorque, 1971.
17. Calcular a tensão e a corrente no m1c10 da linha do Exerc. 10, 5 - HEDMAN, D. E. - Propagation on Overhead Transmission Lines - I. IEEE
quando ela fornece uma carga de 80 + j60 [MVA] sob a tensão de 400 Transactions, Nova Iorque, março 1965.
[kV] no receptor.
6 - GurLLE, A. E. e P ATERSON, W. - Eletrical Power Systems. Oliver e Boyd, Edin-
burg, 1969. Vol. 1. ·
18. Uma linha de transmissão a circuito simples, 60 [c/s], com um 7 - REZA, F. M. e SEELY, S. - Modern Ne.tworks Analysis. McGraw-Hill Book Co.,
comprimento de 362 km, entrega uma potência de 125 [MWJ a um bar~ Nova Iorque, 1959.
ramento em 200 fkV], sob fator de carga de 953 IND. Calcular as ten· 8 - WADDICOR, H. - The Principies of Electric Power Transmission. Chapman e
sões incidentes e refletidas no receptor e no transmissor. Determinar a Hall, Londres, 1964.
tensão entre fases no transmissor, a partir das tensões incidentes e refle· 9 - CENTRAL STATION ENGINEERS - Electrical Transmission and Distribution ~efe­
tidas. São dados: rence Book. Westinghouse, East Pittsburg, 1950.
10 - NETUSHIL, A. V. e STRAJOV, S. V. - Princípios de Electrotecnia. Editorial Cartago,
r = 0,107 [ohm/km]; Buenos Aires 1959, Vol. 2.
11 - HuBERT, F. J. e GENT, M. R. - Half Wavelength Power Transmission Lines. IEEE
L = 1,355 [mH/km]; Spectrum, jan. 1965.
12 - DuBors, E. W. et ai. - E:ctra Long Distance Transmission. AIEE - Transac-
C = 0,00845 [µF/km]. tions Power Apparatus and Systems, Nova Iorque, 1962.
13 - KAHNT, RuooLF - Technishe und Wirtschaftliche Gesichts Punkle fur die Energie
19. A linha de transmissão descrita no Exerc. 10 deve operar com os Übertragung mit Hochstspannungen. Siemens Zeitschrift, Erlangen, Alemanha,
seguintes regimes de carga, mantendo-se U2 = 380 [kV] no receptor: set. 1966.

a - P 2 = 300 000 [kW], cos </J 2 = 0,9 IND;

b - P2 = 360 000 [kW], cos </J 2 = 1,0;

e - P 2 = 420 000 [kW], cos </12 = 0,9 IND~


'1
, Determinar, para cada um dos regimes de carga:
4.2 - RELAÇÕES ENTRE TENSÕES E CORRENTES 115

Estas, como já foi mencionado, são, nos modernos sistemas de energia


elétrica, suficientement e equilibradas para que, em cálculo de desempenho,
possam ser representadas através de circuitos unipol"ares, constituídos de
fase e neutro, admitindo-se este último como não possuindo parâmetros
elétricos.
De um modo geral,· no cálculo elétrico das linhas de transmissão
objetivamos:
a - conhecidas (ou especificadas) tensões e correntes em um ponto ~
da linha, determinar essas mesmas grandezas em outro ponto da linha;

Cálculo Prático b - conhecidas (ou especificadas) potências ativas e reativas em um


ponto da linha, determinar essas grandezas em outro ponto da linha;
e - a determinação de grandezas de desempenho: regulação, ren-
das Linhas de Transmissão dimentos, ângulos de potência, número de falhas em seu isolamento devi-
das a sobretensões, radiointerferên cia etc.;
d - estudo de compensação para correção de desempenho.

4.1 - CONSIDERAÇ ÕES GERAIS Os métodos de cálculo atualmente empregados podem ser resumidos
nos seguintes~
No capítulo anterior foram deduzidas as equações gerais e, portanto, A - métodos analíticos (modelos matemáticos)
exatas das linhas de transmissão. Para tanto, consideramos os parâme-
tros elétricos das linhas como uniformemente distribuídos, o que, como a - manuais;
veremos, mesmo não sendo rigorosamente exato, não invalida as expres-
sões obtidas. Nos cálculos das linhas de transmissão procura-se, em geral, b - por computadores digitais;
obter valores de tensões, correntes, potências etc. com erros inferiores a
0,53, e é essa precisão que dita, geralmente, a necessidade de emprego B - gráficos;
de processos mais ou menos exatos e, por conseguinte, mais ou menos tra- e- modelos elétricos analógicos.
balhosos. Esses processos, veremos, todos deriváveis do processo ana-
A. eüciência de uns e outros baseia-se na nossa habilidade na escolha
lítico rigoroso, apenas admitem hipóteses simplificativas quanto à neces-
dos circuitos equivalentes adequados a cada caso.
sidade ou não de se considerarem todos os parâmetros distribuídos ou não.
A relação entre o comprimento real da linha e o seu comprimento de onda
é fundamental na escolha dos processos de cálculo: quanto maior essa re- 4.2 - RELAÇÕES ENTRE TENSÕES E CORRENTES .
lação, mais rigoroso deverá ser o processo de cálculo.
Linhas de transmissão de energia elé,íJ:ica normalmente fazem parte As equações gerais das linhas de transmissão, (3.51) e (3.52), podem
de sistemas elétricos mais ou menos complefos e, como tal, devem ser re- ser remanejadas e ·postas na forma abaixo. Nos cálculos de desempenho,
presentáveis através de seus circuitos equivalentes ou modelos matemá- normalmente o comprimento das linhas já está especificado entre transmis-
ticos, donde a necessidade de fazê-lo de forma mais simples e racional, sor e receptor, o que nos permite, igualmente, uma ligeira mudança de no-
compatível com o grau de precisão almejado. tação.
As equações, conforme foram deduzidas no capítulo anterior se apre-
sentam de forma pouco prática para uso em cálculos correntes. Prova (4.1)
disso tivemos através de alguns dos exercícios apresentados. Veremos
agora, através de hipóteses simplificativas devidamente justificadas,
como poderemos representar as linhas através de circuitos elétricos equi-
valentes e os respectivos modelos matemáticos.
A partir de agora, a nã~ ser que venha expressamente especificado ) [A]. (4.2)
de modo diferente, trataremos exclusivamente de linhas aéreas trifásicas.
CÁLCULO PRATICO DAS LINHAS DE TRANSMISS ÃO CAP. 4 117
116 4.2 - RELAÇÕES ENTRE TENSÕES E CORRENTE S

Nestas valem: As funções hiperbólicas admitem sua expansão em série:


1 Ú1 [V] e Í1 [A] -tensão entre fase e neutro e corrente na fase, repre-
(vtzY)2 (v1Y)2 (vZY)2
sentadas por seus fasores, junto ao transmisso r + +
cosh '}tl = 1 + 21
+ 41 61
(4.9)

Ú2 [V] e Í 2 [A] - idem, junto ao receptor

+ rv.ZY")ª
l [km] - comprime nto da linha. (vZY)5 (v'ZY)7
senh fl =
_ /TY;
V ZY · +
51
+ 71
+ (4.10)
31
Portanto, as Eqs. (4.1) e (4.2) são equações exatas das linhas de trans-
missão, consideradas com parâmetro s distribuídos. Conhecidas as tensões
e correntes no receptor, podemos determiná -las no transmisso r. Sua so- Essas séries são rapidamen te convergentes, conforme mostra um caso
lução simultâne a nos dá expressões que permitem calcular as ten§ões e típico ilustrado na Tab. 4.1.
correntes no receptor, quando são estipulada s aquelas no transmissor. Essa observação nos permite, em função do comprime nto das linhas,
Lembrando a forma exponencial das funções hiperbólicas, as Eqs. procurar circuitos equivalent es e métodos de c4lculo simplificados, basea-
(4.1) e (4.2) podem ser postas sob a seguinte forma: dos no número de elementos da expansão em série a considerar nos cál-
culos. É o que faremos a seguir, inicialmente com linhas de pequeno
+ Í 2Zc senh 1l [V] (4.3) comprime nto.
Ú1 = Ú2 cosh i'l
Convém, a esta altura, antes de prosseguirmos, introduzir o conceito
• • Ú2 de regulação de linha. Definimos:
11 = I 2 cosh fl + Z: senh i'l [A]. (4.4)

Tabela 4.1 - Exemplo de Convergên cia de Termos das Séries de cosh '"il
Sua recíproca será: e senh ,Yl

(4.5) l <VZf)2 (VZf)3


[km]
.Yl = VZ'Y 2! 3!

(4.6);• 0,06447034 0,002078212 0,000044610


50
100 0,12894084 0,008312870 0,000357289
0,018703958 0,001205852
Como .Y = a+ J/3, (Eq. 3.56), por definição: 150 0,19341126
200 0,25788136 0,033251398 0,002858305
cosh fl = cosh (a + j{3) l = cosh al cos{3l + j senh al sen{3l (4.7) 250 0,32235171 0,051955312 0,005558263
300 0,38682205 0,074815650 0,009646781
senh fl = senh (a + j{3) l = senh al cos,Bl + j cosh al sen{3l. (4.8)
350 0,45129390 0,101832413 0,015318731
400 0,515762!4 O, 133005600 0,022866440
Esta forma das equações exatas é de mais fácil manejo numérico. ,.
1 252,3°
Devemos lembrar que, ao calcularmos {3l, seu resultado virá em radianos ARG 84,1° 168,2°
::::endo, pois, necessário cuidado no emprego de (4.7) e (4.8).
Vii;nos. também que .Y = portanto, .Yl = vifYl ou i'l = yZY,
vrzy,
sendo Z e Y, respectiva mente a impedânci a e a admitânci a totais da linha. "Regulaçã o de tensão de uma linha, em um determinado regime de car-
Portanto: ga, é a variação porcentua l entre os módulos das tensões entre transmis-
sor e receptor, com relação a esta última":
cosh f l = cosh vzy
(4.11)
senh,Yl = senhvzy .
118 CÁLCULO PRATICO DAS LINHAS DE TRANSMIS SÃO CAP. 4 4.2 - RELAÇÕE S ENTRE TENSÕES E CORRENT ES

Seu valor depende do regime de carga da linha, principal mente da


potência reativa transmit ida, como também dos parâmetr os elétricos das R

~·lo---V\ÃN\/'v--~---_ ~,º_ºº_ºº_60'_~~~~!:·
linhas. Poderá ser positivo ou negativo , como, por ex-emplo, nas linhas
médias ou longas que operam em vazio, ou com potência s reduzidas. Pode
ser controlad o atuando- se sobre o fator de potência da carga, ou sobre os
parâmetr os das linhas, como veremos. Uma ou outra solução tem impli-
cações econômicas importan tes, merecendo nossa atenção. ') -___

4.2.l - Linhas Curtas


Fig. 4.1 - Circuito equivalente de uma linha curta.
É o nome genérico dado àquelas linhas cujo comprim ento e caracte-
rísticas sejam tais que somente os primeiros termos de cada série tenham Vemos que, além de estarmos represen tando seus parâmetr os de forma
valor significativo. Isso depende principal mPnte do comprim ento l fkm] concentr ada, ainda podemos despreza r inteiram ente os efeitos da condu-
da linha, como também do valor absoluto de -yl, em menor g-rau. Este tibilidad e G e da capacitân cia C.
último aumenta com o aumento da tensão nas linhas. Se, em (4.3) e (4.4), O diagrama vetorial correspo ndente está indicado na Fig. 4.2.
substitui rmos os cosh yl e scnh '"'f l, respectiv amente, pelo primeiro termo
da série (4.9) e (4.10), teremos:

ou

(4.12)

• .
Ir = I2
Ü2
+ z: V
rr;;;-
ZY = I2
. . rY
+ D2 '\'z . V ~
zy

Í1 = Í2 + Ú2Y [AJ. Fig. 4.2 - Diagrama vetorial da Unha curta em carga.


Como, nos caso~ desse tipo, o produto Ú2 Y é muito pequeno, compara do
com o valor de 1 2 , ele pode ser despreza do. Neste caso, a equação das cor- O ângulo de potência ()entre as tensões Ú~e Ü2 é de grande impor-
rentes será: tância em estudos de estabilid ade. Seu valor pode ser obtido, para linhas
curtas, diretame nte da Eq. (4.15), deduzíve l da Fig. 4.2:

(4.13)
() = are tg 12 (X2 cos tf2 - R sen t/;2)
. (4.15)
ou, resolvendo (4.12) e (4.13) simultan eamente , D2 + I2 (_,Y1 sen !f2+Rco s1f/2)

O estabelec imento de limites de comprim ento das linhas ou de tensões


(4.14) para os quais se podem emprega r o método de cálculo preconiz ado acima
é um tanto subj.etivo e depende da sensibilidade e prática do calculista,
Ao examinarmos as Eqs. (4.12) e (4.13), vemos que represen tam um corno em tantos outros problema s de engenhar ia. A esse respeito, inclu-
modelo matemát ico de um circuito-série. O circuito equivale nte de uma sive, há alguma divergên cia por parte dos vários autores de textos didá-
linha curta é aquele indicado na Fig. 4.1. ticos sobre linhas. Uma orientaçã o cabe aqui; será, para alguns, um tanto
conserva dora, enquanto que outros poderão julgá-la um tanto audaciosa:
120 CÁLCULO PRÁTICO DAS LINHAS'DE TRANSMISSÃO CAP. 4 4.2 - RELAÇÕES ENTRE TENSÕES E CORRENTES 121

- para linhas até 150 [kV], comprimentos máximos de 60 a 80 a - Circuito Tee


quilômetros;
- para linhas com tensões maiores ou iguais a 150 [kV], porém me-
nores do que 400 [kV], comprimentos máximos de 40 quilômetros;
a
- para linhas em tensões iguais ou maiores do que 490 [kV], compri-
mentos máximos de 20 quilômetros.

G B
4.2.2 - Linhas Médias

Quando os comprimentos ou as tensões das linhas ultrapassam os


limites acima estabelecidos, tudo fodica que dois ou mais termos das séries
2
devam ser usa9os. Quando o segundo termo não for insignificante peran- b

te o primeiro termo, mas s@ o terceiro o for, a linha poderá ser classificada


como linha média, ainda dentro desse critério clássico. As Eqs. (4.3) e Fig. 4.3 - Circuito Tee de uma linha de transmissão.
(4.4), nas quais as funções hiperbólicas foram substituídas pelos dois pri-
meiros termos das séries, se tornam:
Suas equações, cuja dedução deixamos de fazer, uma vez que pode
ser encontrada na maioria dos textos básicos de circuitos elétricos, são
as seguintes:

· U2· (1 +-zy)
U1 = -
2
+I· Z· (1 +-
zy)
- [V] 2 (4.18)
I1 = I2 (1 + (VZf)2)
2!
+ Ú2 (VZf +
Zc .
(vZY)3)
3!
4

· · ( +-
. ZY)
I1 = I2 1- + U· Y[A].
· 2 (4.19)
2
Efetuando as operações indicadas e simplificando, obteremos:
b - r!ircuito Pi

u l = u
2 ( 1 + zt ) + i2i ( + zt) rvi
1 (4.16)

I 1 = I2 (1 + -.i:Y)
-
2
+ V· Y· (1 + -zy)
2
6
-_ [A]. (4.17)
4
-
i, R XL
--- i2
2

L
.!. B G B

O circuito equivalente que buscamos para as linhas médias deverá


ser simples, principalmente tendo em vista que deverá representar as linhas
Ú4 2
!1 0
2 2 2 u2

em circuitos bastante complexos dos sistemas de energia elétrica.· 2


Deparamos com dois circuitos bastante conhecidos dos cursos de cir-
cuit,os elétricos. JFig. 4.4 - Circuito Pi de itma linha de transmissão.
122 CÁLCULO PRÁTICO DAS LINHAS DE TRANSMISSÃO CAP. 4 4.2 - RELAÇÕES ENTRE TENSÕES E CORRENTES 123

Suas equações são as seguintes: BARRA


ADICIONAL BARRA j
BARRA

~~õ~~ 0 ÕJ
(4.20) 12

· 12· (1 + -ZY)
11 =
2
· · (1 + 4ZY) [A].
- + U2Y (4.21)
O) CIRCUITO Tee
Comparando as Eqs. (4.18, (4.19), (4.20) e (4.21) com as Eqs. (4.16)
e (4.17), verificamos serem pequenas as diferelJ.ç_as entre as mesmas, prin-
cipalmente se considerarmos que o produto ZY
é qastaIJ.te pequeno. A
Tab. 4.2 dá uma idéia de diferenças de valores de V 1 e l 1 para linhas tí-
pica, calculada pelos três sistemas de equações.
1 BARRA i B4RRA

R
Tabela 4.2.....:... Resultados Comparativos dos Valores Calculados para uma Linha
Típica Média

Circuito U1 Í1

Eqs. (4.20) e (4.21) 83500 /6,7° 205, 145 l-11,402°

Eqs. (4.18) e (4.19) 83472 /6,7° 205,920 l-11,337° b) CIRCUITO Pi

Eqs. (4.16) e (4.17) 83493 /6,692° 205,305 L-11,524° Fig. 4.5 - Diferenças entre circuitos Tee e Pi para efeito de inclusão das linhas em sis-
temas de energia el-étrica.

Quanto aos seus limites de emprego, indicamos a título de orientação:


Mesmo que ambos os circuitos sejam aceitáveis, prefere-se hoje o './.,{
circuito Pi como representativo das linhas médias, pois, ao estabelecer
para linhas entre 150 [kV] e 400 [kV] e compr\mentos até 200 [kV];
os modelos matemáticos de grandes sistemas, o circuito Tee obrigaria o
estabelecimento de mais uma barra ou nn por linha de transmissão incluída, para linhas acima de 400 [kV] e comprimentos inferiores a 100 [kV].
o que se traduz em um aumento correspondente do número de equações no
modelo do sistema. A Fig. 4.5 mostra a razão disso.
Tanto os circuitos Tee como Pi podem ser usados em cálculos isola- 4.2.3 - Linhas Longas
~!
dos de desempenho das linhas, porém, visando à facilidade de coleta dos
São aquelas em cujo cálculo os processos das linhas curtas e médias
elementos para a organização dos modelos matemáticos dos sistemas, é
são considerados insuficientemente precisos para os fins desejados.
conveniente, também nos cálCulos isolados, o emprego dos circuitos Pi.
Em ambos observamos que, mesmo que não tenha sido possível aban- Para estas devemos empregar, nos cálculos isolados, as equações exa-
donar os parâmetros em derivação (admitância), todos os parâmetros tas das linhas, ou em sua forma exponencial - Eqs. (4.1) e (4.2) - ou em
elétricos continuam sendo . representados de forma concentrada, sendo sua forma hiperbólica - Eqs. (4.3) e (4.4).
desnecessário considerar os efeitos de sua distribuição. Ka maioria dos Sua representação nos circuitos dos sistemas de energia elétrica e sua
casos práticos, a condutância de dispersão G é suficientemente pequena inclusão nos modelos matemáticos dos mesmos exigem uma representa-
para poder ser desprezada. ção por circuitos equivalentes.
Autores há que não recomendam o emprego dos circuitos Pi em cál- Admitamos que um circuito Pi: possa ser utilizado para esse fim,
culos isolados, sob a alegação de que o trabalho envolvido com seu empre- dr,sde que, em seus parâmetros elétricos, efetuemos as necessárias c.or-
go equivale àquele envolvido com o emprego das Eqs. (4.3) e (4.4), sem, n·r;õr.s para ter em devida conta o. efeito de sua distrib\iição ao. longo da
no entanto, possuir o mesmo grau de precisão. linha. Sejam, rr.spectivarhente, Z' as impedâncias e Y' as admitâncias
124 CALCULO PRÁTICO DAS LINHAS DE TRANSMISSÃO CAP. 4 4.3 - LINHAS DE TRANSMISSÃO COMO QUADRIPOLOS 125

totais da linha, corrigidas devidamente, e procuremos o fator de corre- ou


ção a empregar. A Eq. (4.20) passará a ser escrita da seguinte forma:
Z' = Z ~e~~ i'l [ohm]. (4.27)
(4.22)
1 As Eqs. (4.27) e (4.28) nos permitem concluir que o circuito Pi é ade-
quado para a representaçp.o d!1S linhas longas, em regime permanente,
Se compararmos (4.22) com (4.3), veremos que:

Z'Y'
l
,j
desde que os valores de Z e Y/2 sejam adequadamente corrigidos, para
retratar a condição de parârpetros çlistribuídos. Os fatores de correção
cosh -yz = 1 + -2- (4.23) 1
li
que devem ser aplicados a Z e a Y/2 são, respectivamente:

.• ! 'Yl
Zc sen i'l = Z'. tgh-
senh )'l 2
i'l e i'l
Resolvendo simultaneamente para obter Y'/2, encontraremos:
2
cosh fl - 1
(4.24) Esses fatores, para valores pequenos de i'l, se tornam unitários.
senhi'l
Os circuitos com parâmetros corrigidos recebem o nome de circuitos
Pi equivalentes, para diferenciá-los dos anteriores, designados como cir-
ou
cuitos Pi nominais. De forma análoga será possível estabelecer, igualmen-
te, circuitos Tee equivalentes.
-
Y' = --.-
i
tgh -
fl
[siemens]. (4.25) Na prática, em se tratando de linhas bem dimensionadas, nas quais
2 Zc 2 o valor da condutânciD, de dispersão 'G é insignificante, também no caso
Por outro lado, temos que: das linhas longas, esse parâmetro pode ser desprezado.
Na literatura especializada encontramos diversos processos para a
simplificação dos cálculos das linhas longas, mediante uso de curvas pré-cal-
1 1 zv;J ly y culadas, como, por exemplo, nas referências [3] e [9], no final deste capítulo.
Z: = vz;if VZf[j z vzfJ z vzy = z-y
4.3 - LINHAS DE TRANSMISSÃO COMO QUADRIPOLOS.
que, se introduzida em ~4.26)..i resulta. em:
Como vimos nos itens anteriores, uma linha· de transmissão trifásica
Y' y i'l pode ser representada por um circuito consistindo em dois terminais atra-
2 li' tgh 2 vés dos quais a energia elétrica penetra na linha, que designamos por trans-
missor, e por dois terminais através dos quais a enmgia elétrica deixa a
uu linha, designados por receptor. Dadas as suas características próprias,
os circuitos que represohtam as linhas podem ser classificados como cir-
tgh -
'Yl J cuitos a clois portos ou quarlripolos, que conhecemos da teoria da análise
Y' y 2
[siemens]. (4.26)
de circuitos elétricos. De acordo com essa mesma teoria, um circuito
2 2 i'l desse tipo pode ser definido por seis pares de equações lineares, todas elas
2 inter-relacionadas entre si:

De (4.25) podemos obter: Ú1 = z1 (j1, j2) I1 = iJ1 (Ú1, Ú2)


fJ2 = z2 (j1, Í2) I2 ih (r\, [12)
Z' = -
V
9-1y· senh '"Vz = zl senh i'l
ly zy á1 (Í'2, Í~)
ZJY 1
Ú1 = U2 = b1 (L7i, i1)
126 CÁLCULO PRÁTICO DAS LINHAS DE TRANSMISSÃO CAP. 4 4.3- LINHAS DE TRANSMISSÃO COMO QUADRIPOLOS 127

. . . .
12 = b2(Ui,12) ou, adotando a forma matricial,

li QJ (Éi, Í2) ui= ii1 (Ü2, i1)


. . . . (4.32)
Ú2 = ih (Ei, Í2) 12 = h2 (U2, li)

Essas equações possuem, cada qual, duas variáveis independentes Igualmente, se considerarmos V 1 e li as vanaveis independentes e
e duas variáveis dependentes relacionadas entre si pelos parâmetros dos V 2 e Í 2 as variáveis dependentes, a solução de (4.30) e (4.31) nos dará:
respectivos circuitos, aos quais as seguintes restrições são impostas:
a - devem possuir apenas uma entrada e uma saída, representadas Ü2 = DV1 - Éii [VJ (4.33)
por dois pares de terminais, podendo um deles ser comum a ambos;
b- devem ser passivos, o que exclui a presença de fontes de tensão; 12 = - éi.Ji + ÁÍi [A] (4.34)

e - devem ser lineares, a fim de que a sua sa~da (resposta) tenha a que correspondem ao par:
mesma forma que o estímulo aplicado fi. entrada, exigindo pois, impedân- . . . .
cias e admitâncias de valores constantes independentes do valor da cor- U2 = bi (Vi, li) (4.35)
rente e da tensão a elas aplicados. Estão excluídos, portanto, reatores .. .. . .
de núcleo de ferro, podendo incluir transformadores, desde que sua cor- 12 =b2(Vi,l1) (4.36)
rente de magnetização seja considerada linear, ou mesmo desprezada;
ou
d - devem ser bilaterais, significando que sua resposta a um esti-

[b-C-:-~] [ ~1]
mulo aplicado a um par de terminais é a mesma que a um estímulo apli-
cado ao outro. Essa exigência exclui os retificadores de corrente. (4.37)
A 11
Se Ú2 e Í 2 • do guadripolo da Fig. 4.6 forem consideradas variáveis sendo necessário lembrar que, em circuitos simétricos, temos sempre:
independentes U l e l 1 serão suas vari.áveis dependentes, .relacionadas com
as primeiras através da impedância Z e a admitância Y do circuito; ele
(4.38)
fica definido pelo par de equações:

(4.28) Uma outra propriedade dos quadripolos a ser lembrada é que vale sempre:
iJi = â1 cr:.:2, Í2)
i1 = â2 (i..12, Í2), (4.29) (~ ~] = ÁÍJ - sê= i. (4.39)
ou seja,
As linhas de transmissão satisfazem inteiramente às condições res-
Ui= AU2 + ÍÚ2 (4.30)
tritivas impostas aos quadripolos no início deste estudo. Sua represen-
tação como quadripolos não somente é perfeitamente possível como con-
Í1 = éü2 + DÍ2, (4.31)
veniente, pois o modelo matemático assim obtido - definido pelas Eqs.
~ \--
'\' (4.32) e (4.37) - é bastaflte .fle?Cfvel.- As características das linhas são
"'~\~·
\,

-~ ,,( 1 definidas pelas constantes A, B, C e D, que recebem o nome de constantes


:Z\ generalizadas das linhas de transmissão. A facilidade com que diversos
I4 ( i2 quadripolos podem ser associados, para sua representação por um modelo
---J- 2 ~
matemático único, constitui urna vantagem adicional na análise de pro-

~i
blemas que envolvem linhas e equipamento terminal ou de compensação,
1o, como um todo.
As constantes generalizadas das linhas serão definidas da seguin-
1' 2'
1te forma:
A - Linhas curtas - Se compararmos a Eq. (4.30) com a Eq. (4.12),
Fig. 4.6 - Quadripolo típico. encontraremos:
128 CALCULO PRÁTICO DAS LINHAS DE TRANSMISSÃ O CAP. 4 4.3 - LINHAS DE TRANSMISSÃ O COMO QUADRIPOLO S 129

(4.40) ou

· e, comparando (4.31) com (4.13), teremos: (4.50)

é=O
e (4.41) ou, se desejarmos representar o cir.cuit9 Pi equivalente, as equações serão
D= 1. (4.45) e (4.46), com os valores de Z e Y /2 corrigidos para representar a dis-
tribuição dos parâmetros, como foi visto no Item 4.2.4.
A equação na formá matricial será:

(4.42) 4.3.1 - Interpretaç ão do Significado das Constantes das Linhas de


Transmissã o
B - Linhas médias - Os valores das constantes generalizada s, se
compararmo s as Eqs. (4.12) e (4.13) com as equações corresponde ntes As constantes generalizada s das linhas de transmissão em corrente
aplicáveis aos circuitos Tee nominal e Pi nominal, serão: alternada são geralmente números complexos. Nessas condições, pode-
remos defini-las como:
a - Circuito Tee...rwminal

Á = l + z: ; É = Z(1 + ZY )
4
(4.43)
Â=
.
a'+ j a"

B = b' + j b" = B
.
= Â eif3A
efPB
(4.51a).

(4.51b)

e= Y; ÍJ = i + zy (4.44) é = e' + j e" = é eif3o (4.51c)


2
b - Circuito Pi nominal D = d' + j d" = a' + ja" = D eJf3D = Aeif3.4. (4.5ld)

Á = 1 + ZY · É=
2 '
Z (4.45)

C· Y· (1 +-z:Y)
= · 1 + -z:Y-
- ; D= (4.46)
4 2
C - Linhas longas - As constantes generalizada s das linhas lon-
gas poderão ser obtidas por comparação das Eqs. (4.12) e (4.13) com as
Eqs. (4.3) e (4.4), obtendo-se:

A = coshi'l'; B = Zc senh'Yl (4.47)


• 1 .
C = Z: senkyl e D = cosh'Yl. (4.48)

Teremos então:

~ 1] = [ cosh)'l Z 0 senhi'l.J
[ I1 ~e senh-yl cosh-}'l
(4.49)
Fig. 4.7 - Diagrama jasorial do quadripolo em carga.
130 CÁLCULO PRÁTICO DAS LINHAS DE TRANSMISS ÃO CAP. 4
4.3 - LINHAS DE TRANSMISS ÃO COMO QUADRIPO LOS 131

Uma vez que elas definem o comportam ento das linhas em operação,
devem possuir um significado físico bem definido. Coloquemos, ini- Esta pod~ ser obtida de (4.52) quando a linha opera em curto-circ uito
cialmente, as Eqs. (4.30) e (4.31) sob a seguinte forma: no receptor (U 2 = O). Represent a, pois, €!- tensão necessária no transmisso r
para assegurar a circulação da corrente 12 através da impedânci a da linha,
ou seja, é a queda de t~nsão provocada na impedânci a distribuíd a da linha,
Ü1 = (a' +ja") iJ 2 + (b' + jb") Í2 [V] (4.52) quando esta entrega 12 no receptor:
i1 = (e'+ jc") Ú2 +(a'+ ja") Í 2 [A], (4.53) b' Í 2 é a queda de tensão através da resistência distribuída ;
que representa mos graficame nte a~ravés do diaw.ama da Fig. 4.7, no qual b" Í 2 é a queda de tensão através da reatância indutiva distribuída .
usamos como referência o fasor U2 •. Admita~os ail}da que o diagrama Seu valor varia de Z = R + j XL nas linhas curtas .a valores consider;-
represente a linha operandq com uma carga N 2 ;== P 2 + jQ, sendo cp o velmente maiorrn nas linhas longas, dependend o de Zc e de -yz.
2
ângulo de defasamen to de 12 , com a relação a U2 ,
O triângulo OPQ representa a expressão: Finalment e, o triângulo OVZ representa a expressão:

D Í2 = (d'+ jd") 12 = Á Í2 = (a'+ ja") Í2;


Á Ú2 = (a' + ja") Ú2 ,
que é obtida da Eq. (4.53), também para Ú2 = O. Pode ser interpreta da
que é obtida de (4.52) para Í 2 = O, ou seja, quando a linha opera em vazio. como sendo o valor da corrente que a linha absorve no transmisso r, quando
É, portapto, o valor da tensão Ú 1 necessária para manter no receptor a em curto-circ uito no receptor e excitada pela tensão:
tensão U2 em operação em vazio;
Úlcc = B Í2
a'. V 2 é a sua componen te em fase com U2
a' Í 2 é a ~omponente da corrente de curto-circ uito que produz a queda
e ôhmica de tensão (OV//QR);
a" 12 a sua componen te ortogonal . É a parcela necessária à alimen- a" Í 2 é a componen te da corrente de curto-circ uito que provoca a
tação do campo elétrico da linha. queda de tensão indutiva (VZ//RS).
O valor absoluto da constante Á decresce com o aumento do compri-
mento das linhas a partir de 1, nas linhas curtas, até valores bem próxi-
mos de zero, para l = x/4, para em seguida crescer n~vamen'te, tornando- se 4.3.2 ......:.. Medida Direta das Constant es das Linhas de Transmis são
maior do que a unidade para l = x/2. No caso de A = 1 + jO, os pontos
P e Q se deslocam para a extremida de do fasor ú;,, e o diagrama se con-
fundirá com o diagrama da Fig. 4.2, da linha curta. As constantes generaliza das de uma linha de transmissã o, como de
O triângulo OTW representa a expressão: qualquer quadripolo , podem ser obtidas através de medidas efetuadas
diretamen te em seus terminais.
. . . Uma maneira de se conseguir isso é sugerida pelas Eqs. (4.30 e (4.31),
C V 2 = (e'+ jc") V 2 ,
o que, no entanto, envolve a realização simultâne a de medidas no receptor
obtida da Eq. (4.53), na qua~ ~e substituiu Í 2°por O, correspon dendo à ope- e no transmisso r quando a linha opera em curto-circ uito e em vazio.
ração da linha em .vazio. CU 2 representa , portanto, a corrente de carga Porém, em vista do fato de que as constantes são números complexos, as
da linha. A componen te e' Ú2 represent~ a componen te da qorrente atra- diferenças entre os ângulos de fase entre as grandezas a serem medidas
vés da condutibilidade g, enquanto que a compon_ente e" V representa em ambas as extremida des devem ser determina das, o que apresenta di-
2
a corrente, através da susceptân cia capacitiva b. C representa , portanto, ficuldades. Uma solução mais adequada consiste em medir as impedânci as
a admitânci a da linha, consideran do-se os parâmetro s distribuído s. Seu de admissão no transmisso r, com a linha em vazio e em curto-circ uito no
valor, de O para as linhas curtas, aumenta com o aumento do valor de 'Yl. receptor, no caso de circuito simétrico (linha pura) e no caso de circuito
Seu argumento é, em geral, maior do que 90°, dai o sinal negativo de e'. assimétric o (podendo, além da linha, incluir transform adores, capacitore s
e mesmo reatores), e também a impedânc ia de saída, em vazio e curto-cir-
O triângulo ORS representa a expressão: cuito.
Dividindo (4.30) por (4.31) e consideran do:
É Í2 = (b' + jb") Í2. a - com 12 = O (vazio)
132 CÁLCULO PRÁTICO DAS LINHAS DE TRANSMISSÃO CAP. 4 4.3 - LINHAS DE TRANSMISSÃO COMO QUADRIPOLOS 133

l/10 Á
(4.54) No caso de um circuito simétrico Á = b, basta então realizar as me-
j i Íw =C = Znc didas no transmissor. Neste caso, a Eq. (4.55) se torna:

ó - com Ú2 = O (curto-circuito)
. Ê
Zu e = ~
A (4.59)

então:
(4.55)
· · Êé
Z110 - Zucc = eÁ - AB =
Â2 -
ÁC =
1
ÃC
A fim de se obterem as expressões das impedâncias no receptor, em-
pregamos (4.33) e (4.35) e devemos inverter o sinal dos termos que envol-
vem as correntes, pois, sendo a tensão aplicada no lado do receptor, o sen-
tido da corrente considerado naquelas equações é oposto àquele que ocor-
rerá durante a medição. logo
Teremos então:
(4.60)
a - para 1 1 = O (vazio) podendo as demais constantes ser calculadas a partir das Eqs. (4.54) e (4.59).

Ú20
-.-=~;
b (4.56)
120 e 4.3.3 - Quadripolos Representativos de Outros Componentes
dos Sistemas de Potência
b - para Ú 1 = O (curto-circuito)
Muitas vezes, é interessante incluir no estudo de uma linha de trans-
Ú2cc Í3 missão também a influência de seu equipamento terminal e mesmo das
Z 22cc = ~- = -.• (4.57) cargas supridas. Nesse caso, dentro das mesmas restrições apresentadas
l2cc A
no Item 4.3, esses mesmos elementos podem ser representados como qua-
dripolos. São os principa.is:
Dessas relações teremos:
A - impedâncias em série - de acordo com a Fig. 4.1, à semelhança
da linha curta, valem as expressões (4.40) e (4.41), sendo sua matriz:
. . Ã É ÂD - Éé
Znº - = ~ - ~ e· D
e D =
:J;
Z11

~
cc
[a] = [ (4.61)
igualmente:
B - admitr'incia em paralelo - neste ca.so, temos:

é\ = U2

logo,
j1 = i2 = Ú2 Y;
logo, . . .
A l; B = O; C = Y e D = 1, (4.62)
(4.58)
sendo sua matriz:

Conhecido o valor de D, os valores das demais constantes podem ser


calculados a partir das Eqs. (4.56), (4.55) e (4.54). [a]= [~ ~]; (4.63)
134 CALCULO PRATICO DAS LINHAS DE TRANSMISSÃO CAP. 4 4.3 - LINHAS DE TRANSMISSÃO COMO QUADRIPOLOS 135

e - transformadores - conforme lembramos do estudo dos trans-


formadores, estes podem ser representados por seus circuitos equivalentes,
sendo especificamente: circuito Tee e circuito gama.
a - Circuito Tee - De acordo com a Fig. 4.8, considera-se a impe-
dância dividida em dois e concentrada em suas extremidades, enquanto
que a admitância está no meio. )
U4

l Yt

la l
1·· "· 1
( b)
yt

1"·
-
Ít 12 z t 'z Fig. 4.9 - Conexões gama de transformadores.
r
Para a conexão a as equações governantes são:

f"·
Yt
r•. Ú1= U2 + I2Z1
. . . . . .
(4.65)

I1 U1Y1 + I2 = Y1 W2 + I2Z1) + I2
Fig. 4.8 - Circuito T de um transformador. I2 ú2Y2 + Í2 (1 + i1Y1); (4.66)

as constantes serão:
As equações do transmissor são então análogas àquelas apresentadas
para o circuito Tee nominal das linhas [Eqs. (4.43) e (4.44)): Á l; B = Z1

Á= 1 + Z1Y1 ;
2
e a matriz correspondente:
É = zt (1 + z,: 1
)
[a] = [l·Y1 (4.67)

e= Y;
No caso do circuito b, serão:
n = 1 + z,-Yt2 Ú1 = ú2 c1 + z,Y,) + i2z, (4.68)

ou sua matriz: Í1 = ú2Y, + Í2; (4.69)

logo,
(1 + ztt ) z, (i + z:t. ) A ·= 1 + Z,YL; É= z,
Y, (1 + z,:, ) (4.64)
e a matriz correspondente:
C= Y 1; D= 1

b - Na prática, em geral, é mais conveniente, e. com suficiente pre- (4.70)


cisão, sua representação pelos circuitos gama, representados na Fig. 4.9a e b.
136 CALCULO PRATICO DAS LINHAS DE TRANSMISSÃO CAP. 4 4.3 - LINHAS DE TRANSMISSÃO COMO QUADRiPOLOS 137

A determinação das impedâ,ncias e admitâ,ncias dos transformadores 4.3.4 - Constantes Generalizadas de Associações de Quadripolos
. a partir de seus dados de placa e dos resultados de ensaios encontra-se nor-
malmen.te nos textos sobre transformadores. Lembramos, no entanto,
as seguintes relações: É de toda a conveniência, ao se analisar o comportamento de urna linha
longa em vazio, incluir o efeito dos transformadores terminais cuja cor-
rente de magnetização esteja em oposição à corrente de carga da linha,
(4.72a) !!J influenciando os resultados. Devem-se considerar tanto a presença dos
transformadores elevadores sozinhos como também a atuação simultânea
dos transformadores elevadores e abaixadores. Essa análise fica faci-
(4.72b) litada com o uso dos quadripolos.
sendo: Há basicamente cinco formas de associação de quadripolos, a saber:
.:,~
a - em cascata;
!
b - em paralelo;
Ri = !J..P..
l2 [o hm ] (4.72a)
e - em série;
d - em série-paralelo;
u2 e - em paralelo-série.
Xi == X"t N [ohm] (4.72b)
As características gerais de tais associações podem ser determinada::;,
em cada caso, em função dos termos dos elementos das matrizes indivi-
Gu =
!J..Pº [ohm]
-rJ2 (4.72c) du1:ds de cada quadripolo, desde que certas condições sejam satisfeitl!-s.
Na análise dos sistemas de energia elétrica, o maior interesse está
concentrado nas duas ;primeiras formas de associação, as quais examina-
remos.
VIm [siemens
. ] (4. 72d) •.
a - Associação em casçala. - . Co.nsid~rell}OS. do!s quadripolos, de-
finidos pelas suas constantes Ai, B1, C1, D1 e A1, B 2 , C2 , D 2 , respectivamente.
Im = yl~ - ]~ = Vlo (1 - cos<f>o), (4.72e) Conforme mostra a Fig. 4.10, a conexão em cascata é obtida pela conexão
dos terminais de saída de um quadripolo com aqueles de entrada do outro.

nas quais valbm:


V [kV] - tensão nominal entre fases; i1
- i i2
.
N [kVA]
X~ [1]
-

-
potência nominal, trifásica;

reatância indutiva e.m (%) ou (pu) ieferida a um dos en-


rolamentos;
~ I•·
ª• c1
'· I ~ I" 82 C2

··I ~·
Ó.Pcc [W] - perdas no cobre, com corrente nominal, por fase; Fig. 4.10 - Dois quadripolos em cascata.

!J..Pº [W] - perdas em vazio, com tensão nominal, por fase;


Temos, de acordo com (4.32):
Iº [A] - corrente total em vazio;
1 [A] ·- corrente nominal; . . .
cosfk,, - fator de potência em vazio .. [Z: Z~J [ ~ J e [ ~J
138 CALCULO PRÁTICO DAS LINHAS DE TRANSMISSÃO CAP. 4
4.3 - LINHAS DE TRANSMISSÃO COMO QUADRIPOLOS 139

[~22] =
Teremos:

Yn - [~] - admitância de entrada para curto-circuito em


(Á1Á2 + É1C2) (Á1É2 + ÉiÍ>2)
~22
= ( ] - U1 U2=0 2;
(4.73)
(ê1Á2 + h162; <C1É2 + DiÍJ21 [ ];

Y12 = - admitância de transferência para curto-circuito


conseqüentemente, para o quadripolo resultante:
em 1;
à = Á1Á2 + É2é2 (4.74a)
- admitância de transferência para curto-circuito
Í3 = Ái1~2+ É1D2 (4.74b) em 2; ·

e = é1Ã2 + D1é2 (4.74c)


admitância de saída para curto-circuito em 1.
iJ = éJ32 + iJJJ~. (4.74d)
Consideremos as Eqs. !4.30) e (4.31) para um curto-circuito no receptor.
b - Associa.ção em paralelo - Na conexão em paralelo, o estímulo Teremos (J 2 = O e as equações se tornam:
Ui é ?omum aos dois quadripolos, cuja resposta é também igual, U 2 , como
na Fig. 4. 11. (4.77)

(4.78)

-
u~
-
---- ~

À1 ãi e~ Ô4
--- -=--
u
-

-
dividindo a Eq. (4.78) pela (4.77) teremos:
. .
· 11 D
y 11 = -.- = -.- - (4.79)
ii~ i2 t V1 B
- - . 12 1
Â2 ª2 i:2 º2 · Y12 = -.- (4.80)
U1 Ê
Se considerarmos o quadripolo da Fig. 4.6- em curto-circuito nos ter-
Fig. 4.11 - Dois quadripolos em paralelo. minais 1, a Eq. (4.30) nos permitirá escrever:

Á Ü2 = - É j2
No início deste item foi mencionada a possibilidade de se definir o
quadripolo através de seis pares de equações inter-relacionadas. Até o Á A
Í2 ou . Y22 = (4.81)
presente lançamos mão de apenas um par; o segundo será:
Ú2 i3
Í1 = Y11 Ü1 + ·Y1~ -Ú2 (4.75a)
e igualmente da Eq. (4.30):
j2 = y21 ü 1 + y22 ú2 (4.75b)

que, em forma matricial, é:


da Eq. (4.31):
[ ~:]. (4.76)
r 140 CÁLCULO PRÁTICO DAS i1NHAS DE TRANSMISSÃ O CAP. 4

logo,

12
r1= r;;
dividindo jl por -Ú2, como Á = n; encontrarem os: ~!
'1
1
--· (4.82)
1
1

·I
É
i
A Eq. (4.76) torna-se então: 1

'.
f;
/1 D 1
É É

1 A
É É
ou

JYI IÚI. (4.83)


Uma vez que [!'] = [Y'] [U] e [I"'J = [Y"] [V], no caso dos quadripo-
los em paralelo nós ternos que:

Í1 = + Í2' e Í2 = Í2' + Ú'


ji'
[Í1J = [Y'J rúJ + [Y"J rúi = [Y' + Y"][ÚJ (4.84a)

qu~, desenvolvid a, nos dá:

i>1 +
(7i: D2) ( i + i )
É2 - B1 É2
(4.84b)

( -~
B1
+ __;__) - ( ~ + ~
B2 B1 B2
J 2 )

Os parâmetros do quadripolo composto serão:


. . .
· D1 D2 D
Yu = -.- +-.- = -.-
B1 B2 B
ou

Á = À1É2 + Ê1Á2
(4.85aJ
É1 + É2
rRANSMISSÃO CAP. 4

Tabela 4.3a - Constantes Generalizadas de Associações de Quadripolos

EQUAÇÕES GERAIS DAS CONSTANTES GENERALIZADAS


N~ TIPO DE REDE CIRCUITOS
A B c D
1 IMPEDÂNCIA EM S~RJE u, ~Uz 1 z o 1

:;>-
(4.82)
2 ADMITÂNCIA EM DERIVAÇÃO u,
e 8 U:z 1 o y 1

~
zr Yr ZT YT ZT YT
3 TRANSFORMADOR- CIRCUITO !•--- ZT (1 + -- - 1 YT 1+
~Uz 2 4 2

~
3a TRANSFORMADOR- CIRCUITO la) u,
8 ZT
Uz l ZT YT I+ ZT Yr

(4.83)
3b TRANSFORMADOR - CIRCUITO l b1 ui
Zr

$ Uz 1 + zT YT ZT YT 1

~aso dos quadripo- 3c RELAÇÃO DE TRANSFORMAÇÃO


u~G2 O: N
J._
N
o o N

- cosh
zv z 2 y2
zy = · Jf senil ZY =
z z v z
! {J;; senh ZY ~
4 LINHA DE TRANSMISSÃO HOMOGÊNEA 1+2+24 +· v zv V z ZY z2 y2 COMO "A"
= Y ( j + - .. - - - + · ·
6 120 : f ( l • 5 + /120 +··
(4.84a) UI Uz
5 CASO GERAL ( NETWORK]
IA 8 e oi A 8 c D

6 REDE EM SÉRIE COM IMPEDÂNCIA ~2- At B1,. A1 Z2 C1 º1 + c1 z 2

7 IMPEDÃNCIA EM SÉRIE COM REDE ~1-----§:-~iS__ ~iJ---::i-2 At + C1 ZI 81 + º• z 1 e, o,


1
(4.84b) REDE EM SÉRIE COM TRANSFORMADORES EM
1
1
-~-

UI .-----~__::]- U 2 j 81 + At Z T2 + 01 z T t + 1

8 AMBAS AS EXTREMIDADES- IMPEDÂNCIAS REFE- -~~A181C1 D1 - A 1 +C1ZT! Ct OI + CJ ZT2


RIDAS AO LADO DA A T. Zr, Zr2
+C1Zr2Zr1 !
-
REDE EM SÉRIE COM TRANSFORMADORES EM _1_(81 •A1ZT2 +
---it-0-E~:;::~-f:J-M- ~~
AMBAS AS EXTREMIDADES-TRANSFORMADORES T2 T1 r,
9 e A1 • e 1 z TI l C1 T 2 T1
TENDO RELAÇÕES DE TRANSFORMAÇAO T E jr;-(Dl+C1ZT2l
2
T1, REFERIDAS AO LADO DA B.T. zT, Zr2 1 + D1ZTt + C1ZT2 ZTt)
1 :

(4.85al
Tabela 4.3b - Constante s Generaliza das de Associaçõe s de Quadripolo s

EQUAÇÕES GERAIS DAS CONSTANT ES GENERAL IZADAS


CIRCUITO S
Nº TIPO DE REDE A 8 c D

AI 8 1 C1 D1 1

!O
REDE GERAL E ADMITÂNCIA EM DERIVAÇÃO
JUl'!TO AO RECEPTOR.
U1
Qu 2
A 1 + B1 Y2 B1 CI + D 1 y 2 D1

IA1 e 1 c 1 D1r--

li
REDE GERAL E ADMITÂNCIA EM DERIVAÇÃO
JUNTO AO TRANSMISSO R.
u,
8 u, A1
e, C1+ A1 Y1 D1 + 81 Y1

12
REDE GERAL E ADMITANGIAS E DERIVAÇÃO
EM AMBAS AS EXTREMIDADE S
U1$
". "'• $"' A1 + B1 Y2 a,
CI + A1 Y1 + OI Y2 +

+ B1Y2Y1
01+ 8 1 Y1

e 2 -1-
~ A1A2 + C1 B2 B1 A2 + D1 8 2 A1 C2 + C1 D2 81 D1 D2
13 DUAS REDES EM CASCATA.

A 1 e 1 c1 D 1 ~

_,.,,,,,,õ. '• "'• "- -


14
DUAS REDES, EM SÉRIE COM AOMITÃNCIA ~A2 B2C2D2 A1 A 2 +C1B2+C 1 A 2 Z 81 A2+ D1 B2 + D1 A 2 Z A1e2 + C1D2 +e, C2Z B1 C2 + D1 D2 + D1 C2 z
INTERMEDIA RIA. z

DUAS REDES EM SÉRIE COM ADMITÃNCIA A A +c 1 e 2 +A 1 B 2 Y B1 A 2 + Dt 82+ B 1 B 2 Y A1 C2 +C 1ºD2+ A 1 D2Y e 1 c 2 • o 1 D2 + e 1 o 2 v


15 ~ y ~ 1 2
INTERMEDIÁ RIA.

A3 (AI A2+c 1 B 2 J+· A 3 !B 1 A 2 •D1B2l+ C3(A1 A2+C1 B2J-t C3( 8 1 A2 + OI 8 2) +

TRES REDES EM CASCATA. 1A3B3C3D3H A2B2C2D2HA 1B1 C1 D1l-- +0 3 (AI C2+C1 D2) + D3!B 1 C2+ DI D2)
16
U2 + B3 (AI C2 + C1 D2) + B3lB1C2+ D1 D2l

.-C"
U1
c 1+ c 2 +
ª1 º2 + º1 Íl2
A1 8 2 + Bt Á2 e, B2
17 DUAS REDES EM PAR ALE LO.
'•'>'• e1 + 8 2 81 + 82
l A1- A 2 ) ( O 2 - O 1 )
81 + 82
ª1 + B2
A 2 B2 c 2 D

ED. CAP. X -
REFERÊNC IA- TRANSMiSSIO N ANO OISTRIBUTIO N REFERENCE 800K. 4!!
DEVE 5ER SOMADA VETORIALME NTE A CORRENTE DO RECEPTORj
l) A CORRENTE OE MAGNETIZAÇ ÃO DOS TRANSFORMA DORES JUNTO AO RECEPTOR
ADICIONADA A CORRENTE NO TRANSMISSO R.
AQUELA DOS TRANSFORMA DORES JUNTO AO TRANSMISSO R DEVE SER
2) AS CORRENTES A, e, c • D CONSTANTES DAS TABELAS SÃO NÚMEROS COMPLEXOS.
----------- - ·------
IPOLOS 141
4.3- LINHA S DE TRANSMISSÃO COMO QUADR

J, 1
É

ou

(4.85b)

,' i

ou
(4.85c)

Â
É
o
ou
D = D1Ê2 + D2B1 (4.85d)
B1 + B2
lo em sistemas de
As demais conexões apres entam menor valor prátic o
Na Tab. (4.3) en-
energia, de forma que deixaremos de recapitulá-las. antes dos qua-
valore s das const
contra m-se expressões para o cálculo de
dripolos compostos.

q1
4.3.5 - Linh a Artif icial

ar fenômenos
Quando, atravé s de modelos elétricos, se deseja analis s, pois, neste
tos II ou T equiv alente s são inapro priado
transi tórios , os circui
longo da linha é im-
caso, o efeito real da distribuição .dos parâm etros ao
por-tante.
ostas de um
Recorre-se então às cham adas linhas artificiais, comp Cada célula
e de c~.lulas, ligada s em série.
núme ro relati vame nte grand de comprimento
poder á repres entar o circuito Pi nominal de um trecho
determ inado , como mostr a a Fig. 4.12. Sendo :
. y
e Yi = -,
ôl n

de 20 a 25 [km] de
cada célula, neste caso, será calculada para repres entar
linha.
4.4 -· RELAÇÕES DE POT~NCIA ,.143
142 CALCULO PRATICO DAS LINHAS DE TRANSMISS ÃO CAP. 4
--. Na prática da indústria da energia elétrica, as cargas são especificadas
em termos de demandas em potências ativas e reativas, ou potências apa.-
rentes e seus fatores de potência correspondentes. Essas demandas,
evidentem ente, variam também com o valor da tensão aplicada, porém,
para efeito de cálculo, são especificadas em correspondência às tensões
nominais dos sistemas.
A partir das equações anteriorm ente desenvolvidas, poderemos obter
equações que relacionem as potências ativas, reativas ou aparentes, no -..
transmisso r ou no receptor com as tensões ai existentes.
Circuito equivalente
a) Empregar emos, para tanto, como definição de potência aparente
aquela em vigor na indústria:
(4.87)
A B A B A B A B A B
c o e o e o e o e o sendo: -"'

N lVA] - potência complexa por fase em um sistema trifásico;

b) Casca to de quodripolo s P [W] - potência ativa por fase,

Fig. 4.12 - Circuito de linha artificial. Q [VAR] - potência reativa por fase;
U [V] - fasor da tensão entre fase e neutro;
O modelo matemátic o convenien te para as linhas artificiais pode ser
2

derivado pela associação em cascata de n quadripolos parciais iguais, cada !2 [A] - conjugado · da corrente.
qualrepre sentando lfn quilômetros de linha. Neste caso, cada quadripolo
parcial poderá representa r um circuito Pi nominal ou Tee nominal, tam-
bém de 20 a 25 [km] de linha.
4.4.l - Relações de Potências no Receptor

4.4 - RELAÇÕES DE POTÊNC IA NAS LINHAS DE TRANSM IS-


SÃO Retomem os as equações dos quadripolos:

Ao estabelecer os circuitos equivalen tes e modelos matemátic os das


Ú1 = ÀÚ2 + ÉÍ2., (Eq. 4.30)
linhas, através de relações entre tensões e correntes, admitimos as linhas
terminada s em impedâncias. Estas últimas podem ser definidas pelas que dividimos por É e de que extraímos o valor de Í 21 ficando:
relação:
(4.88)
(4.86)

que também pode ser posta sob a seguinte forma, se tomarmos U2 como
As cargas alimentad as pelos sistemas elétricos comerciais servidos fasor de referência:
pelas linhas de transmissão são de tipo muito variado, compreendendo,
entre outras, de lampâdas motores síncronos e assíncronos, aparelhos do-
mé8ticos e aparelhos comerciais, cujas impedânci as não somente não são
csp<~cificadas, como também variam bastantes com o valor da tensão a quA
são submetidos. Experiências efetuadas em sistemas reais mostram que
a representação por impedânc ia é apenas aproximada. sendo () o ângulo de potência da linha, já definido anteriorm ente.
1

J
144 CÁLCULO PRATICO DAS LINH~S DE TRANSMISSÃO CAP. 4 4.4 - RELAÇÕES DE POT~NCIA 145

O conjugado da corrente· será: Neste último caso, sendo fixados valores para Ui, P2 e Q2 , podemos
_empregar a expressão (4.95) obtida pela eliminação de () entre as Eqs.
(4.91) e (4.92), a fim de obter o valor de U2:
(4.89)
~-
2

De acordo com a definição adotada:


+ [ Q2 + -F-
AU sen ({Ji f3A)
]

(4.90) = ( U1%2 r· (4.95)

ou
Essa equação pode ser posta só~ a seguinte forma:
AU 2
P2 = -B-
U1U2
cos ({3B - (fj - -t- cos ({3B - f3A) [W] (4.91)

U1U2 . (R () AU~ (4.96)


-B-sen pB - ) -.-B- sen Cf3B - f3A) [VAr]; (4.92)

sendo dados P 2 e Q2, poderemos calcular o valor V 2 em função de V 1 e vice- fazendo-se:


-v:rsa, d:sde que seja ~o~hecido ou fixado.. o ângulo 8. Este, como já
fo1 menc10nado, sofre limitações por motivos de estabilidade dinâmica,
devendo, nos casos de linhas longas, não exceder 30% de um modo geral.
As Eqs. (4.90), (4.91) e (4.92) contêm termos em que as tensões apa-
recem ou como produtos, ou elevadas ao quadrado. Em equações desse tiRo, e=
quando as tensões forem especificadas em kV, as potências calculadas
automaticamente serão obtidas em MW. Tensões entre fases podem ser
usadas para se obterem potências trifásicas. · a sua solução geral será:
As expressões (4.91) e (4.92) mostram que as potências ativas máxi-
± ~- b ± 2
mas transmissíveis para determinada relação entre U1 e U2 ocorrem para v/b 2 - 4c .
U2 = ,
8 = f3B:

para que o problema tenha solução a-ceitável, é preciso que:


p D1U2 AU~
2mãx = -B- - -B- cos (f3B - {3A) fkW], ('.'1:'.93),
b2 - 4c ~O.

à qual corresponde uma potência reativa: Das raízes reais deve ser aceita a maior.
A Fig. 4.13 mostra as curvas de variação das tensões no receptor de uma
2 . linha em função da variação das potências ativas e reativas no receptor,
Q2mãx = - -i-
AU
sen (f3o - f3A) [kVArJ. (4.94) alimentado no transmissor por um barramento de tensão constante. As
curvas demonstram claramente a possibilidade de existência de duas raízes
para uma· mesma potência ativa transmitida, bem como os limites máxi-
A condição de operação na qual se fixam os valores de Ui e U2 ocorre, mos de transmissão. A raiz menor não possui significado prático, pois
em geral, nas linhas de interligação de sistemas ou partes destes. No a operação com tensões baixas envolveria correntes elevadas e perdas
li casp de linhas radiais, geralmente apenas Vi é prefixa.do. inadmissíveis {ver Cap. 6).
1
146 CÁLCUL O PRÁTICO DAS LINHAS DE TRANSM ISSÃO CAP. 4
4.4 - RELAÇÕ ES DE POT~NCIA
147
., N
'ó° ~ "'cü Verificamos que os valores máximo s ocorrem para f3B
N N
+ () = 180°:
"' "'

1,00
- --
-.... e--..
-~
~-

•ti:::,,..~
,__ c6s1'~
..._c 1 s'l'~PJ
--..<--·o
Uz
KV
151,8

138,0
Plmáx = TDU
2
COS
.
(/3B - /3D) U1%2 [W] (4.101)
~o <-(o, I'\
~~
il'
0,9 "' )o e
'~ "'à '\ l\'911; /
124,2

\\__ ~
0,8 1.- /
,
0,7

0,6
'~
~
-~
'
1

/ ...
V"'
/ ,/
110,2

96,2 Qlmáx = -:-t--


DU 2
sen (f3B - f3D) [VAr]. (4.102)
./

0,5 I ' // i,..r;•"' 82,8

/ I / ,,.- 69,0 As perdas de potênci a na transmi ssão serão, evident emente , P - P


0,4 /,, 2-
~

L' ,- ,..-.- e Q1 - Q2, respecti vament e. 1


.· 55,2
0,3

0,2 -- -- -, " / ~·,.....v


, .-'
'i'
.. -
~
<t
- ub= 138[Kv]
Nb: 104,2[MV4J
41,4

27,6
Quando se trata de examin ar um número maior de condiçõ es de ope-
ração de uma linha, variand o-se os valores P 2 , Q2 , Vi ou U , os processo
0,1
/""
~ 2 s
_6' ~
"o 1
13,8
analític os tornam- se um tanto onerosos, pelo tempo empreg ado. A uti-
Q.
1 lização de comput adores digitais , ou de modelos elétrico s, é de grande
.1 .2 .3 .4 .s valia
.6 .7 na solução desses problem as. Process os gráficos represa ntam uma forma
bastant e econôm ica de solução , como veremo s.
Fig. 4.13- Variação da tensão no receptor de uma linha com tensão constante
missor. no trans-
4.4.3 - Perdas de Potênc ia e Rendim ento

4.4.2 - Relaçõe s de Potênc ias no Transm issor O rendime nto de uma linha é definido como a relação porcent ual da
diferenç a entre a potênci a ativa Pi [kW], absorvi da pela linha ·no trans-
Da Eq. (4.33), da qual extraím os o valor de li, após dividirm os todos missor, e a potênci a ativa P 2 [kWJ, por ela entregu e no recepto r com
re-
os seus membro s por B, obtemo s: lação à potênci a P 1 :

(4.103)
ou
A diferenç a AP = P1 - P 2 represe nta as perdas de potênci a duran-
te a transmi ssão, que são fundam entais na apreciaç ão econôm ica da trans-
(4.97) missão. O rendime nto poderá também ser definido como:
logo,
1/t = .( 1 - -AP)
Pi- 1003. (4.103a)
[VA] (4.98)
e As perdas de potênci a nu.ma linha de transmi ssão podem ser consi-
deradas como sendo compos tas de:
1 - perdas por efeito Joule nos conduto res;
[W] (4.99) 2 - perdas no dielétrico· entre conduto res;
3 - perdas causada s por corrente s de F()ucau lt, e por histeres e mag-
Dm U1U2
Q1 = -B-se n Cf3B-f3 D)- -B-se n (/3B + 8)
nética, na alma de aço de conduto res e em peças metálic as próxima
linhas;
s às
[VAr] (4.100)
4 - perdas por circulaç ão nos cabos pára-rai os.
148 CÁLCULO PRÁTICO DAS LINHAS DE TRANSMISSÃO CAP. 4 4.4 - RELAÇÕES DE POTÊNCIA
1
149
j

As perdas por efeito Joule estão presentes tanto nas linhas aéreas como As perdas de potência na transmissão serão:
nas linhas em cabos subterrâneos. Nestes, o efeito de proximidade tende
a afetar significantemente seu valor. Elas representam a maior parcela D.P = Re [N1 - N2] = Re [N 1] - Re [N 2 ] = P1 - P 2
das perdas nas linhas.
As perdas nos dielétricas entre condutores são encontrados tanto nas ÃQ = Im [N1 - N2] = Im [N1] - Im [N 2] = Q1 - Q2
linhas aéreas corno nas subterrâneas. Nas primeiras, elas se restringem
quase exclusivamente às perdas devidas ao efeito Carona., podendo ser logo,
acrescidas das perdas dielétricas dos isoladores. Nas linhas subterrâneas,
além das perdas por efeito Corona, há ainda as perdas provocadas pelas
correntes dE.o escape ou de absorção do dielétrico.
As perdas do terceiro grupo se.o predominantes nos cabos subterrâneos,
porém nas linhas aéreas ocorrem também, principalmente na alma dos
cabos ACSR. P P 2U1U2
COS (tJB - tJA) - --B- cosf3B cos(;l (4.107)
O cálculg das perdas por Corona e nos isoladores será discutido minu-
ciosamente no Cap. 10. Cabem aqui, no entanto, alguns esclarecimentos
acerca das. perdas por efeito- Joule. um
!::.Q = Qi - Q2 = - B - sen (f3s - f3v) + uA
---t---
2

Nas linhas em que podemos considerar o valor da corrente constante


ao longo de todo o seu comprimento, as perdas por efeito Joule podem ser
calculadas por: P '2U1U2
sen ({3 B - µA) - -B-- cosf3s sen(}. (4.108)
!::.P = 3 · 10- 3 1 r l
2 [k W], (4.104)
!::.Q [VAR] representa a energia de que a linha necessita para a manu-
na qual 1 [A] é a corrente que percorre a linha, r [ohm/krn], a resistência t~nç.ã? de seus camp~s elétr_icos e magnéticos. Pode ser positivo, o que
efetiva dos condutores e l [km], o seu comprimento. (O cálculo r é dis- s1gmf~ca que ~ en~rgia reativa .necessária ao seu funcionamento provém
cutido no Cap. 9.) dos sistemas mterhgados pela lmha. Pode ser também neo-ativo o aue
No entanto, conforme vimos, o valor da corrente nas linhas varia de indica que a linha está gerando energia reativa, que fornece"' aos sÍstem~s.
ponto a ponto. Em linhas longas, essa variação pode comprometer a Somente será nulo em caso . de operação com potência característica.
precisão desejada se a Eq. (4.104) for usada .
.Nesses casos é preferível efetuar os cálculos partindo-se das Eqs. (4.90)
e (4.98), e nestas também o efeito· çlas,per~as por disper~ão é implícito nos 4.4.4 - Emprego de Grandezas Relativas
valores calculados das constantes A, B e D (através de Zc e f). Separan-
do reais e imaginários nessas equações, teremos: O emprego das grandezas relativas, em particular o sistema Por Uni-
dade, é ba.stante vantajoso nos cálculos de linhas de transmissão em geral,
e em particular para o emprego das equações das potências desde que as
bases sejam convenientemente escolhidas.
Aconselham-se as seguintes bases:
a - das tensões V B = U2 [V];
(4.105)
b - das impedâncias ZB = B [D].

X essas condições, a base das potências será:

Ns = BV~ [VA]. (4.109)


co,s (f3B + 8) - J. [ -mA
B - srn (f3s + (3 A) 1U2
+ -UB - sen ({3s - (}
) J · (4.106)
Se V 2 for especificado em k V, N B ficará definido em MW.
150 CÁLCULO PRÁTICO DAS LINHAS DE TRANSMISSÃO CAP. 4 4.5- MODELOS MATEMÁTICOS DE LINHAS TRIFÁSICAS /151

Dividindo as equações anteriormente deduzidas, teremos, para 4.5 - '.\10DELOS MATEMÁTICOS DE LINHAS TRIFÁSICAS
UB = V qualquer:

IP2I = 1U1l I U2I cos ({3B - 0) - A 1U21 2 cos ({3B - {3A) pu Para a análise de determinados fenômenos relacionados com as linhas
de transmissi:l,o, nos quais o desequilíbrio elétrico e magnético existente ao
1Q2 I = 1U111 U2 I sen ({3B - 0) - A 1U2l2 sen (BB - {3~) pu longo das linhas é fator importante, surge a necessidade da representação
das linhas por seus modelos matemáticos trifásicos, ou seja, sua configu-.
1P2máx 1= 1U 111T72I - A 1U 2 l2 COS ({3 B - f3 A) pu ração trifásica deve ser evidenciada.
1Q2máx1 = - A 1U2 l 2 sen ({3B - f3A) pu Os modelos anteriormente desenvolvidos pressupunham equilíbrio .
eletromagnético tal que as três fases de um circuito podiam ser represen-'
IP1I =D 1U11 2cos ({3B - f3D) - 1U111 U2I cos ({3B + ()) pu tadas por um circuito unipolar. Os mesmos modelos, desde que conve-
nientemente adaptados, podem ser usados nas representações trifásicas.
1Q11= D 1Vi l 2sen ({3 B - {3 D) - 1V 111U21sen ({3 B + (}) pu Como veremos mais adiante, os parâmetros elétricos e magnéticos
das linhas de um sistema de vários condutores podem ser definidos atra-
IP1máxl =D 1V11 2 COS ({3B - fJD) - 1V1l I U2I pu vés de um par de matrizes de ordem 3 X 3:
IQ1máxl =D 1U11 2 sen ({3B - BD) pu a - matriz das impedâncias:

1ÃPI =D 1U1l 2cos ({3B - f3D) +A V 21 2 cos (f3B - f3A)


1 -
- 2 1 Vil 1 U2I cosf3B cose pu h - matriz das admitâncias;
!ÃQI =D 1U1l sen (f3B - f3D) +A U2l
2
1
2 sen ({3B - f3A) - [y] = [g] +j [b] e [:Yj = [G] +j [B].
- 2IU111 U2 I cosf3B sen() pu.
Nessas condições, poderemos, por exemplo, representar uma linha
Se especificarmos a tensão no receptor como a tensão entre fases V .:l2 média por seu circuito Pi nominal, como na Fig. 4.14.
e éScolherinos essa tensão como a base das tensões, teremos:

(~2r (V.:l2)~
NB = - [VA]
ZB 3Zs
ULI

(V ;l2)2
3NB [VA].
ZB
1ti bas(, da potência é, agora, igual a três vezes abase da potência de uma
das fases do sistema trifásico. Uma grandeza em pu multiplicada por
essa base será, portanto, referida ao sistema trifásico e não somente a uma
l
das fases. Fig. 4.14 - Circuito simplificado de linha trifásica.
Portanto, empregando o sistema por unidade nas equações das potências,
podemos escolher como base das tensões o valor da tensão entre fases no
O modelo matemático correspondE;nte poderá ser deduzido da forma
receptor - D.:l2 , .em volts ou quilovolts. A base das potências será
convencional, apenas usando os recursos da álgebra matricial. Teremos:
uma base em W ou em MW, de potênci'.as trifásicas.
Qualquer valor em pu obtido nos cálculos, multiplicado por essa base de
(4.110)
po.tências, será potência das três fases do sistema.
1 152 CÁLCULO PRÁTICO DAS LINHAS DE TRANSMISSÃO CAP. 4 4.6 - EXERCl°CIOS 153

rj,1 ~ [r ; ]+ [ ; l l[l1 + rz1 [ ;Ji}u,1 + [A,] [8 1] [AJ [BJ [AJ [BJ [AJ [sJ

[e,] [0 11 ___ [e,] [o,] __ [cJ [o,] __ [cJ [o,]

+ 1r1J + [ ; ] rzJ; ri2J · (4.111)

As constantes generalizadas das linhas serão, nesse caso, matrizes de [A] [ B]


constantes. O modelo matemático da linha trifásica, em termos de cons-
tantes generalizadas, será: [e] [o]

(4.112)
Fig. 4.15 - Modelo de linha trifásica longa.

(4.113)
:\ matriz do quadripolo trifásico resultante será:
ou

[ [C]
[~]
(4.114)

. Ne~sas equações, [Á], [Ê], [C] e [D] sào matrizes 3 X 3 e [U 1], [Ú 2 ], 4.6 - EXERCÍCIOS
[I il e U2] são vetores. Para o circuito Pi temos:
1. Uma linha de transmissão trifásica possui os seguintes parâme-
tros elétricos:
!ÃJ = r11 + rzJ [ ; J (4.115a)
r = 0,107 [ohm/km]:
[É] rz1 (4.115b)
L = 1,355 [mH/kmJ;

[é] [ ; J+ [ tJ Jr11 + rz1 t


[ J~ (4.115c)
C

f
=

=
0,00845 [µF/km];

60 [Hz].

(DJ = !11 + [ t] [ZJ · (4.115d)


Sendo o seu comprimento de 100 [krri], fazer sua representação através
<l0 seus c~rcuitos nominais. Teremos:

Em se tratando de linhas longas, não é prático procurar determinar 1 _:_ Impedância total
,. as matrizes para as constantes generalizadas em virtude das dificuldades
matemáticas que serão encontradas. É preferível usar como modelo a Z= 10~ (0,107 + jl,355 X 10- 3 • 2nj);
linha artificial trifásica, com elementos 11 de 20 a 25 [lím] de comprimento,
como ,mostra a Fig. 4.15. Z= 10,7 + f.51,08 = 52,19 ei78• 170 [ohm].
4.6 - EXERCICIOS
154 CÁLCULO PRÁTICO DAS LINHAS D~ TRANSMISSÃO CAP. 4 155

i" são dados:


2 - Admitân cia total

Y = jwCl = j 211f · 0,00845 · 10- 6 • 100; Ú2 = 0 ei0 º = 77,942 eiº [kV];


Y = j0,3186 · 10- 3 [siemens].
Teremos : N2 = ~ (0,95 + j0,3122) = 15,833 + j5,203 [MVA];
3

N2 = 16,666 ei 18' 20 [MVA] = 16 666 ei18' 20 [k:VA];


j78,H
Ul,09. 78 17
26,09 e j ' 16,666 e-i18,2
2
Í2 = - - - - - = 213,826 e-i18•20 (A).
1 . 1 77 942 efº
1
r'1
O, 3186x10
-s 1 1
' 'z2
1 1
Temos, portanto :
~)
1 i.Y = 52,19 ei1 ª· 11 • o,3186 . 10-s ei9º = o,orn621 ei1 ªª· 11 ;
f' o' 2'
zY- = - 0,01675 + jo,00341;
Fig. 4.16 - Circuito Tee nominal.
ZY
- 0,008375 +J0,001 70;
2
j78, 17º
!52, 19.
.....__ _ _ ____, 2
1 - - - - - 9 - - - - - 0 - - --- ..1 ZY
- 0,004188 + j0,00085 ;
1 4
fab • ,...1.,
3 1 1.
j0,1!593 x1Õ 3
Í0,1593 x1Õ
Ü2 i : Z2 logo,
1 1
L..,..J

____ _,1 1
ú l = 77 942 (0,991625 + j0,0017) +
1· o' b' 2'
+ 213,826 e-i18•20 • 52,19 ei 78•170 (0,995812 + )°0,00085)
Fig. 4.17 - Circuito 1f' nominal.
ú1 = 82858,47 + J9 749
• l I 1 '"".' ~·:.
2. Sendo a tensão no barrame nto receptor igual a 135 [kV], quando U1 = 83 430 ei 6' 710 [V].
gWa carga no sistema é de 50lV~VA sob cos<f;i = 0,95 ~IN_D), calcular a.ten-
são no barrame nto do transmis sor, bem como a potencia entregue à lmha, A tensão no barrame nto no transmis sor será:
emprega ndo os métodos Pi nominal e Tee nominal. Calcular a regula-
ção e o rendimen to da transmis são. Compara r os resultado s. U~ = 144 505 [V] entre fases;

I - Método Tee Nominal


',jl·.:.
i'.
a regulação da linha será:
J 1(

Teremos, de acordo com a Eq. (4.18): 1>;,._,. (83 430 - 77 942) 100
77 942

V1 = V2 1 . ( + -zy)
-
2
+ I·2Z· (1 + 4zy) [V]; (Eq. 4.18) Reg = 7,04%.
156 CÁLCULO PRÁTICO DAS LINHAS o,E TRANSMISSÃO CAP. 4 4.6 - EXERCICIOS 157

Pela Eq. (4.19), temos: A tensão entre fases no barramento do -transmissor será:
Uf = 144 587,61 [V];
[A]
a regulação da linha será de:

j1 = 77 942 eJO • 0,3186 · 10- 3 ef 9 0º + 213,826 e-jlS,


2
(0,991625 + j0,0017)
I1 = 201 541 - j41 048
Reg = 100 ( 83476,98 - 77 942 ) =
Í1 = 205 679 e-;n 5120
[A]. 77 942 7 ,lO 01
/O·

A potência entregue à linha será: Igualmente:

· U2· Y· (1 + 4ZY) + j (1 + -ZY)


I1 = - 2 [A] (Eq. 4.21)
2
N1 17 159,8 ei 18 2290
= • [k VA]
ou
I 1 = 77 942 eiº · 0,3186 · 10-3 ei 90 (0,995812 + j0,00085) +
Pi = 16 299 [kW] + 213,826 e-i 18 2
• (0,99162 + j0,0017)
Qi = 5 365,9 [kVAr]. Í1 = 205,68 e-ill.5 4 º [A].

Para as três fases, teremos: A potência entregue à linha, por fase, será;:

N 3 = 50 400 [kVA]; Nl = Ur li = 83 476,98 ei 6•735 • 205,68 e+1u.s 4

Q3 = 16 098 [kVAr]; N1 = 17169,54ei18•27 • [kVA]

P 3 = 48 898 [kW]. P1 = 16 303,55 [kW]

II - Q1 = 5 383,99 [kVAr]
Método Pi Nominal

Aplicamos as expressões do Item 4.2.3: e as potências trifásicas totais serão:

N~ = 51 508,62 [kVA];
. U. (1 + -zy)
U 1 = - + Z·I· [V].
2 2 (Eq. 4.20)
2 P~ = 48 910,65 [kW];

Q~ = 16 151,20 [kVAr].
Temos:
Comentdrio
Ú1 = 77 942 eiº (0,991865 + j0,0017) + 52,19 ei 78 170
• •
20
213,826 e-i18•
Através dos resultados numéricos obtidos, verificamos que ambos
ih= 82 901,0 + j9 789,287 [V] os circuitos podem representar a mesma linha, pois são mínimas as dife-
renças entre os valores encontrados. Observamos também que a linha
Ú1 = 83 476,98 ei 6' 735 [V] necessita de 542,2 [kVAr] do sistema alimentador para o seu funciona-
158 CÁLCULO PRÁTICO DAS LINHAS DE TRANSMISSÃO CAP. 4
4.6 - EXERCICIOS

mr·nto. Está, portanto, operando com carga maior do que a sua potência
natural. ~~sa corrente, ao atravessar a impedância, provoca a queda de tensão,
Zlab, representada pelo triângulo r.st, que é adicionada vetorialmente a
i~lm~~: Determinar o rendimento da transmissão do exercício anterior. Ú 2 para que obtenhamos:

ü1 = ú2 + ziab = 11942,00 + 52,19 ei ª·


1 11 • 210,279 c11Mss

Úi = 82 892,71 + j9 794,37 = 83 469,342 eJ6.7 4º [V].


1 - Circuito Tee Nominal
No ponto a, uma corrente em derivação:
- - (1 - 48 898 - 4 7 500 ) .
'YJ - lOO 48 898 '
Ía = Úi ; = 83 469,342 ei674 • j0,1593 · I0- 3 = 13,364 ei 96·74
'YJ = 97,143.

2 - Circuito Pi Nominal
. Ia= 1,568 + jl3,272 = 13,364 ei 96·74 (AJ

- (1 - 48 910,65 - 47 500 ) • A
atravessa a a dmitanc1a
• y
2.
'YJ - lOO 48 910,65 Essa corrente, somada a Íab; nos dá o
valor da corrente no transmissor:
'YJ = 97,123.

4. Construir, sem escala, os diagramas vetoriais da linha do Exerc. 2.


i1 = t.b + ú1 Y2 = 203,129 - j54,369 - 1,586 + jl3,212
Solução Íi = 201,543 - j41,097 = 205,69 e-111 •530 [A].
Para cada um dos circuitos equivalentes o diagrama vetorial será
diferente. Desenvolveremos, a título de exercício, o diagrama do cir- A Fig. 4.17 mostra o diagrama vetorial. obtido dessa forma. A. so-
cuito Pi nominal, deixando para o estudante o desenvolvimento do dia- lução literal do problema, na mesma ordem acima indicada para a obten-
grama do circuito Tee nominal.- ção dos valores Ui e li, nos permitiria chegar às Eqs. (4.20) e (4.21).
O fasor de referência será U 2 = U2 eiº . . Para a construção do mesmo,
iniciamos colocando sobre o papel U2 e I2 = I2 e-N 2 • Observando seu
circuito equivalente na Fig. 4.4, desde o receptor, ~erificamos que no
ponto b temos uma corrente através d a a d m1tanc1a 2y •A •

Ib = Ú2 ~ = 77 942,00 · j0,1513 · 10-3 = j12,416 [A].

Essa corrente, somada vetorialmente à corrente Í2, nos dá a corrente Iab


atraYés da impedância Z:

iab = 2q3,129 - j54,369 = 210,279 e-i14' 9850 [A].


Fig. 4.18. - Diagrama vetorial do circuito Pi da linha do Exerc. 4.
160 CÁLCULO PRÁTICO DAS LINHAS DE TRANSMISSÃO CAP. 4 4.6 - EXERCfCIOS 161

Comentário 79 670 eiº


52,19 ef78,17 1 526,54 e-i78•17 [A].
Se observarmos os valores relativos das tensões, quedas de tensões
e correntEs verificaremos facilmente a inviabilidade prática do uso de
escalas neste tipo de diagramas, que, portanto, não se prestam a cálculos Comentário
gráficos.
1 - Na linha de 100 [km] de comprimento, o efeito Ferranti é muito
5. Se a linha do Exerc. 2 estiver absorvendo uma potência de 50 000 pequeno, da ordem de 0,843, apenas.
[kVA] sob cos</> 1 = 1, qual o valor da tensão no receptor e qual a potência 2 - A corrente de carga também é relativamente baixa com rela-
complexa da carga, quando a tensão no barramento alimentador for m.an- ção à. corrente no transmissor quando a linha transmite 50 MW, com
- tida constante e igual a 138 [kV]? ,Empregar os métodos Tee nommal 144,587 [kV] no transmissor. De fato, corresponde a 12,33 de seu valor.
e Pi nominal. -
3 - A corrente de curto-circuito no receptor é elevada, cerca de
6. Qual o valor da tensão em vazio no receptor e a corrente de carga 7 (sete) vezes_ a corrente de operação em carga, com 50 MVA.
da linha do__ Exerc. 1, quando a tensão no ·barramento alimentador for
4 - Aconselhamos ao estudante repetir o exercfqio, empregando o
igual a 138 [kV]? Qual a corrente de curto-circuito no receptor, quando circuito Tee nominal e comparar os resultados.
a tensão mantida no transmissor igual a 138 [kV]?
Solução 7. Calcular a linha do Exerc. 1 como linha curta nas condições
1 - Para determinar a tensão no receptor com a linha em vazio,
do Exerc. 2. Comparar e comentar os resultados.
na Eq. (4.20) fazemos Í2 = O, ficando:
8. Para a linha de transmissão, cujas características estão relacio-

ü2º = ú1 (
1 +-2-
1
zt.). nadas mais abaixo, desejamos conhecer os seguintes elementos:
1 - tensão no transmissor quando, a linha opera com 503, 1003,
1503 da sua potência natural;

Introduzindo os valores numéricos, obtemos: 2 - rendimento e regulação;


3 - perdas de energia reativa;

ú 2º = 79 57
, º Co,991625 ~ j0,0017) ) 4 - tensão em vazio e corrente de carga da linha.

Ü20 = 80 343 e-i 0•0980 [V]. Características da linha:


a - tensão no receptor V t..2 = 218 [kV]j
2 - Empregamos a Eq. (4.21) na linha em· vazio; temos Í2 = O.
A Eq. (4.21) se torna: b - comprimento l = 180 [km];
e - parâmetros elétricos: r = 0,107 [íl/km];

L = 1,355 · 10- 3 [H/km]; l\1.-~ a,::.1

Introduzindo os valores numéricos: C = 0,00845 · 10-s [F/km]; >-- ( ": :i 1\':l"'1- 11

d - freqüência. f = 60 [Hz];
Í 10 = 79 670 eiº · _ü,3186 · 10- 3 eiº · (0,995812 + jo;ooo85),
ou seja: Comentar os resultados.
Í 10 = 25,276 ei 90 05
• [A].
9. Uma linha de transmissão de 138 [kV] radial tem um comprimento
de 50 [km]. E alimentada por um barramento de tensão constante e
'i 3 - Na Eq. (4.20), se fizermos Ú2 = O, teremos a corrente de curto- igual a 132 [kV]. Rendo a demanda do sistema receptor igual a 50 MVA
-circuito no receptor: sob cos <P2 = 0,80, qual a tensão no receptor e a corrente na linha?
162 CÁLCULO PRÁTICO DAS LINHAS DE TRANSMISSÃO CAP. 4 4.6 - EXERCfCIOS 163

São suas características: que introduzimos na equação acima, para obter:


r = 0,192 [ohm/km];
U~ - [Ui - V~ + (R + X p~ )
2
2(P2R +
.
Q2XL)] 2 2
) (
cos'+'2
= O.
.l'L = 0,492 [ohm/km],
Soluçãu Chamando

Z= 50 (0,192 + j0,492) = 9,6 + J24,6 [ohm].


. '
+ X.Ü (~-)
2

=
Não lançaremos mão das Pquaçõ0s drduzidas no I trm 4.4.1 (Eq. 4.96) 2
para resolver este caso, q1w é ha::;tantr simples, por se tratar de linha curta. (R B,
cos </>2
Retomemos o diagrama \"<'torial da linha curta - Fig. 4.2 - e \"amos
dC'scnhá-lo da forma indicada na Fig. 4.18, isto é, tomando 1 como fasor a equação se torna:
de referência.
V~ -Am +B =O,
cuja solução será:
e

1 que, como vemos, é uma equação biquadrada, como era de se esperar


1
1
1 Numericamente, teremos:

( r_
1
1 1
1 1

~~ ~
o J!::.._ _ _..L...___:L.__ _ _ _ -!;---~;-----
.4 (40 . 0,9 + 30 . 24,6) 5 060

Fig. 4.19 - Linha curta operando com carga.


.
B = [(9,6) 2 + (24,6) 2]
(
0,
40
X
)2 = 0,1937 · 10 6
8 3
Do diagrama, obtemos:

U'1 cos</> 1 = U2 cos</>2 +IR V2 = ± ~5 060 ± V(5 060)~- 4 . 0,1937 .·'10 6

U2' = 70,862 [kV]


Elc,·ando ambas as rxprc>ssões ao quadrado r sornando-as, obtrmos:
U2" = 6,211 [kV].

Devemos aceitar como válida apenas a raiz maior, positiva.


como, por outro lado, A tensão entre fases será:
p Q V ó2 = 122 737 [kV].
l=-~-­
2 u cosc/>2
A corrente na linha sná:

p 2 e. sen,1,,2 -- _!h_ · N 50 000 e-jas.s 7º


1ngo, c·os'+'
,i,,
2 = IU2 '+' IU2 1 = - ·- = = 235,20 e-j
36• 870 [A].
U2 70,862 · 3

IJJ
164 CÁLCULO PRÁTICO DAS LINHAS DE TRANSMISSÃO CAP. 4 4.6 - EXERCICIOS 165

Para determinar o defasamento entre I e U1, faremos: Comentário

Úi = Ú2 + jz = 70 862,00 + 235,20 ·ª
ci3 6 7 • 26,41 eJ'68.68
Uma solução rigorosa para este caso só é possíwl atraYés de processos
iterativos', como, por exemplo, aqueles usados cm técnicas de estudos
Ú1 = 76 210,1 é 2•4 ª. de fluxos de carga. Uma forma de solução viável é a srguinte:
a - consjderam-se as cargas concentradas em a acrescidas das per-
o ângulo de potência na linha será = 2,46°. e das l 2 R nos trechos a - b e{/ - e, calculando-st> rntão a tensão em a; as
O ângulo do fator de potência no transmissor será: perdas são calculadas em função das correntrs nos dois trechos, admitin-
do-se tensão nominal; ·
</:>1 = </:>2 = () = j36,87 + 2,46° = 39,33°. b - repc'tc-so o mesmo processo, concentrando as cargas de b e e
em b, acrescidas das perdas entre b - e, e determina-se o valor da tensão
10. Uma linha radial de 230 [kV] é alimentada através de um bar- em b, usando como e: 1 a tensão calculada em a;
rament? de tensão co~stante e igual a 223 [kV]. Ela alimenta três cargas,
respectivamente de 30, 40 e 42 [:.\1W], cujos fatores de potência são 85%, e - com a knsão calculada em b de.termina-se a tensão em e;
80% e 90%, c·omo mostra a Fig. 4.20, na qual estão indicadas as distân- d - com as tensões assim calculadas, calculam-se as correntes nos
cias entre subestações. São as seguintes as características da linha: dois trechos de linhas e as perdas corresp?ndentes;
e - havendo divergências entre as perdas ca.lculadas e aquelas ado-
r O, 107 [íl/km]; tadas, repetem-se os itens a, b, e e d, com as perdas calculadas em ri, até
que haja razoável convergência.
L 1,355 · 10- 3 [H/km];
11. Para aue a tensão no barramento e do Exerc. 10 possa ser man-
C = 0,00845 · 10- 6 [F/km]; tida a 215 [kVf, qual deverá ser a tensão no transmissor"?
f = 60 [Hz]. 12. Uma linha de transmissão da, classe de 230 [kV] tem um com-
primento de 362 [km] e ontrcga no receptor uma potência de 150 [:\IVA]
sob fator de potência de 90% (IN"D) com a tensão de 200 f.kVJ. entre fases.
Freqüência GO lHz]. PPlo procC'SSO exato, determinar C1 l1, .N1, bem
o b e
como o rendimento na transmissão. 82,o dados:

25 Km 28 Km '7Km r = 0,107 [ohm/km];

L = 1,355 X 10-3 [H/km]j


'· UA4: 223 KV
f = 60 [Hz].

Solução
35 MW 40MW 42MW
Empregaremos as expressões:
Fig. 4.20 - Linha do Exerc. 10.
1 1
Ú1 = L'2 cosh ,.Yl + Í1Zc senh ')tl (Eq. 4.3)
./
Determinar: . . . ll2
l 1 = I 2 cosh ')tl + Zc senh yl. (Eq. 4.4)
a - tensões em cada um dos barramentos alimentados;
b - correntes na linha em cada um dos trechos;
Temos:
e - perdas de energia em cada um dos trechos;
Jl - fator de potência no transmissor. Zc = -v'Z[Y e )'l = VzY
166 4.6 - EXERCICIOS 167
CÁLCULO PRÁTICO DAS LINHAS DE TRANSMISSÃO CAP. 4
! ;

z= 0,107 + jw 1,355 X 10-3 = 0,107 + j0,51 [ohm/km]


Reg =
100 (285 220 - 200 000)
200 000
z= 0,522 ei 78•20 [ohm/km)
Reg = 42,63.
Y= O + jw X 0,0085 X 10- = O+ j3,186 X 10- [siemens/km) 6 6
Temos também:
il = 6
3,186 X 10- ei 90 º [siemens/km]; . 115 200 eiº
11 = 433 e-i25• 80 • 0,899 e+i1• 38 + 404, 774 e-i 5' 9
· 0,451 é 84 50

logo,

i'l = 362 V0,522 ei 78•2 X 3,185 X 10-6 e§90 Í1 = 387 ,492 e-3"2 4•42 + 128,356 ei9D.4º
I~

i'l = 0,467 e§SUº = 0,0480 + j0,465 Íi = 351,931 - j31,845 = 353,37 e-i5•17 [A).

e A potência absorvida pela linha será:

. ~ r; ...! Ni Úi = 164 672 ef2 Mº 353,37 e+i5•17


Zc = "t = l
0,522 ei78•2
3,186 X 10-s ef9º' = 404,774 e-s,9º.
ili
=

=
[ i

58 rno,14 ei2 ª· 51 = 51 104,53


·

+ j27828,39.
Dos dados do problema:
Nas três fases:
. 200 . . .
U2 = V3 e10 = 115,47 eiºº [kV] Nt = 174570 [kVA];

Pi = 153 313,59 [kW];


150 000 e-i25• 80
Va . 200 = 433 e-i2s,sº [A].
Qr = 83485,17 [kVArJ,
Temos ainda: o rendimento da transmissão é:

cosh i'l = cos h(0,0481 + j0,465) = 0,8949 + j0,0215 = 0,895 é 1·38 'YJ = 100 (1 - 153 313,59 - 135 000)
153 313,59
senh i'l = senh(0,0481 + j0,465) = 0,0429 + j0,449 = 0,451 eiªM;
'Y/ = 88,053.
logo,
Reativo consumido pela linha:
Úi = 115 470 eiº X 0,895 eil.3s +
AQ = Q1 - Q2 = 83485,17 - 65 284,66 = 8 342 [kVAr].
+ 433 e-i25• 8 X 404,7'M e- 5•9 X 0,451 ef84· 5º

úl = l51 106,50 + j65 450,98 Comentário


Ú1 = 164 672 ei 2 2· 420 [V]
A regulação da linha é elevada demais para fins práticos. Para que
V Al = 285 220 [kV]. possa operar, terá que ser feita alguma compensação (ver Cap. 6) para
melhorar a sua· regulação. Seu rendimento, considerando o seu com-
.-\. regulação da linha é de: primento, é aceitável, como é aceitável seu consumo de reativo.
168 CÁLCULO PRÁTICO DAS LINHAS DE TRANSMISSÃO CAP. 4 4.6 - EXERCl°CIOS 169

13. Considere novamente a linha do Exerc. 4.6.11: z = 188 964 ei78 ' 2
'
0 451 ef84 • 6
• -'----
84 •1
0,467 é
o - se o fator .de potência da linha no receptor for alterado para:
- 1003 z = 182,490 ei 78
·sº = 36,070 + jl 78,89 [ohm]
- 90% (CAP)
pu Z= 0,6818 + j3,3813 = pu 3,4494 ei 78•6 •
mantendo constante as demais condições;
Temos igualmente:
b - se a tensão no receptor for alterada para 220 [kV], manténdo
constante o fator de potência;
Y coshfl - 1 1 (0,8949 + .f0,0215) - 1
· e - alterando o fator de potência e a tensão como nos itens a e b, 2 senhf l 404,774 e-.i 5•9 0,451 el 84 ' 6
verificar o efeito dessas alterações no funcionamento da linha: tensão no
transmissor, regulação e rendimento. y
- 2 = O,588 · 10-3 ei 90•00 fohm]
14. Par[!,__ a linha do exercício anterior:
a - determinar o circuito Pi equivalente, representando as impe-
dâncias e admitâncias em valores por unidade, usando como bases tri- pu ...k_
2
= 3i,09 · 10-3 ei 90 = j31,09 · 10- 3 •
fásicas:
O circuito equivalente é o da Fig. 4.21.
base kVA: 1000 000 [kVA];

base V: 230 [kV];


0,7:S21 :S,4494

--1?---0• _,
2

·o oooo'. .
1.,,:
1

I....
base 1: OOO OOO = 2. 510 [A];
V3. 230

I
230 000
base Z: V3 . 2 510 = 52,905 [ohm];

a
f a' b' z'
b - admitindo que se deseje realizar um modelo elétrico da refe-
rida linha, calcular os valores das impedâncias e admitâncias que serão
usados no modelo, cujas bases são: Fig. 4.21 - Circuito Pi equivalente de uma ~inha.

·base tensão: 100 [V] i b - Para o modelo elétrico temos:


base corrente: 1 [A];
base V = 100 [V]
e - calcular os valores de L e C necessários ao modelo a ser usado
com fonte de 400 [Hz]. base I = 1 [A]
a - Circuito Pi Equivalente base Z = 100 [ü].
Teremos, pela Eg. (4. 28) :
Os valores por unidade no protótipo e no modelo devem ser os mesmos,
logo os valores reais do modelo serão:
· · senhi'l
Z = Z-----=-
i'l R' = 0,6818 · 100 = 68,18 [ohm]
170 CÁLCULO PRÁTICO DAS LINHAS DE TRANSMISSÃO CAP. 4
4.6 - EXERCICIOS 171

Xi, = 3,3813 "100 = 338,13 [ohm]


17. Qual a corrente em curto-circuito no receptor e no transmissor
da linha do Exerc. 15, quando a tensão no transmissor for de 380 [kV]
Y' 1 C\ntrc fases e qual a potência complexa trifásica absorvida?
- = 31 09 · 10- 3 X - - = 31 09 · 10- 5 [siemens].
2 ' 100 '
18. Construir um modelo elétrico da linha acima, para operar em
e - Como o modelo funcionará com 400 (Hz], temos: 400 [Hz], com 100 [V] e 1 [A] como tensões e correntes-base.

19. Uma linha de transmissão trifásica de 345 (kV], de 500 [km] de


Xí, = 211"fL L =-~_Xí, =
338 13
• = 0,13454 (H] comprimento, operando com a freqüência de 60 [Hz], é alimentada por
2nf 211 · 400 · um barramento de tensão 340 [kVJ. Seus parâmetros são:

Y' r = 0,08 [ohm/km]


Y' C =~ = 31,09 . 10-a =
- = 211fC 0,01237. 10-' [F]. L = 1,336 X 10- 3 [H/km]
2 211[ 271" . 400
C = 8,6 · 10- 3 [µF/km]
Comentário
g = 3,75 · 10- 8 [siemens/km].
Este será um modelo unipolar de uma linha longa do tipo daqueles
que são usados nos analisadores de rede de corrente alternada para estu- Para uma potência entregue no receptor de 300 000 [kW] e cos </> = 1,
dos de linhas em regime permanente. O uso de freqüências mais elevadas determinar:
é necessário para se reduzir o tamanho físico dos componentes L e C.
- corrente em módulo e argumento no receptor;
15. Uma linha de transmissão de 380/420 [kV] tem um comprimento - tensão e corrente, em módulo e argumento, no transmissor;
de 570 [km], operando com dois circuitos em paralelo, com a freqüência
de 60 [Hz]. A impedância característica da linha (considerando os dois - ângulo de potência da linha;
circuitos operando em paralelo) é igual a: -- rendimento da linha;
- queda de tensão.

20. Calcular as constantes generalizadas para a linha do Exerc. 1.


e a sua função de propagação yl = 0,745 ei87' 5330 • Pelo processo exato, 1 - Circuito Tee Nominal
determinar:
a - tensão e corrente no transmissor quando a linha opera com
uma potência no receptor igual a 1 200 000 [kVA] sob cos<f> = 0,95 (IND),
à = 1 + zy
2
= 1 + 52,19 ei' 78 • 11 • o,3186 . 10-s ei 9º
1
2
sendo a tensão no transmissor de 400 [kV], entre fases;
À = 0,9919625 + j0,00170 = 0,991964 eiD.0 9820
b - qual a tensão, corrente e potência monofásica no receptor,
quando no transmissor vigoram as seguintes condições:
~
. . (1 + 4z-Y)
B = Z = 52,19 ei78 •17 (1 - 0,004188 + j0,00085)
U 1 = 222 [kV] entre fase e neutro;
Ê = 52,19 ei 78 •16 (0,995812 + j0,00085)
0
j1 = .1 700 ei 12 • 6' (A]. É = 51,9714 ei 78 •120 [ohm]
16. Qual a tensão em vazio no receptor e qual a potência de carga é = Y= 0,3186 · 10- 1 ei 90 [siemens]
quando a linha do Exerc; 4.6.15 é alimentada de um barramento cuja
tensão é de; 420 [kV] entre fases? iJ = Ã.
172 CÁLCULO PRÁTICO DAS LINHAS DE TRANSMISSÃO CAP. 4 4.6 - EXERCl°CIOS 173

II - Circuito Pi Nominal Ela é alimentada através de um transformador trifásico de 50 [MVA],


11/132 [kV], cuja reatância de dispersão é de 12%. Junto ao receptor,
· . zy um transformador de mesma potência e reatância de 10% 132/13,2 [kV]
A = 1 + - 2- = 1 + 52,19 ei78·17 · 0,3186 · 10-ª ei9º
abaixa a tensão. A tensão no barramento alimentador é mantida cons-
tante e igual a 11,5 [kV].
Á = ·o,9919625 + jo,00110 = o,991964 eiº·º982º a - em caso de possibilidade, determinar o valor de U2 ;
É = z = 52,19 ef78.12º b - verificada a impossib1'iidade de transmissão, assinalar -as pro-
váveis causas e sugerir soluções. .
e· = Y· (1 + 4zv) = o,3186 . 10- 3 ei9º c1 - 0,004182 + jo,00085) Destacar os valores das constantes Á., É, é e Ddo sistema assim formado.
24. Uma linha de transmissão·de 380/420 [kV] tem um comprimento
é = 0,3173 · 10-4 ei90 ·0490 [siemens] total de 570 [km]. A uma distância de 250 [km] do receptor existe uma
subestação de manobras, onde se encontra instalado um reator indutivo
ÍJ ='Â. trifásico, conectado em estrela, cuja potência é de 100 [MVAr], sob 380[kV]
entre fases.
21. Quais as constantes generalizadas da linha do Exerc. 9 ?
Sendo
Solução :i~ = 118,4 e-i2•335 [ohm]
e
à = 1; É= Z= 9,6 + j24,6 [ohm] ..Yl = 0,745 ei87' 6330 [1/km],
C =O; ÍJ = 1. calcular o valor das constantes A, B, C o D do sistema assim formado.

22. Determinar as constantes generalizadas da linha do Exerc. 12. 25. Qual deve ser o valor da tensão V 1 e da potência complexa no
transmissor, quando o sistema acima entrega no receptor 750 [MVA] sob
Solução cos</>2 = 0,95 (IND) sob 380 [kV] entre fases?
26. Uma linha de transmissfo de interligação de sistema, da classe
 = coshi'l = 0,895 ei1•38 de 380/420 [kV], possui as seguintes constantes generalizadas:
É = Zc senh'yl = 404,774 e-1'5.9º • 0,451 ef 84.5 = 182,553 ei78·6 [ohm] Á = b = o,7363 ei1·7º
o 451 ei84 •5
e. 1
= -.- senh-yl =
Zc
, . = 1 114 . 10- 3 ei 90•4 [siemens]
404,774e-' 5' 9 '
s = 160,16 eiª 6•100

é = 0,002861 ei90 ·40 .


b = Á.
A tensão entrn fases no barramento receptor deve ser mantida a
380 [kV], enquanto que aquela do transmissor é mantida constante e
23. Verificar se é possível alimentar uma carga de 40 [MVA] sob igual a 400 [kV]. A fim de que o ângulo de potência não exceda() = 28º,
cos = 0,85 (IND) através de uma linha de transmissão de 132 [kV], cujas
quais as potências transmissíveis?
características são:
Solução
 = ÍJ = 0.816 ei4 • 35
· Aplicamos as Eqs. (4.90) ou (4.91):
Ê = '227,2 ei72·3 [ohm]
(Eq. 4.90)
e= 15,7 . 10-4 ei9_1·40 [siemens].
174 CÁLCULO PRÁTICO DAS LINHAS DE TRANSMISSÃ'? CAP. 4
4.6 - EXERCÍCIOS
,. 1?5
São dados:
f3B = 86,7°
400 000
Ui=---- U2 = 380 000 . e= 280 f3A = 1,7°
V3 V3 '
P2 = 1/3 · 500 000 · 0,95 = 158 ~34,0 [kW]
A = 0,7363; B = 160,76, {3B = 86,7°; f3A = 1,7°;
logo,
Q2 = 1/3 · 500000 · 0,31225 =.52046,67 [kVAr]
· . 380 [ 400 ei58,9 _ _ 0,7363 · 380 éªsº]
N2=
va Vã . 160,16 va . 160,16 Ü1 =
42
V3
º = 242,5 [kVJ.

N2 = 219,393 [1,41655 ei 58.7 - 1,00485 eiª 5ºJ


Substituindo os valores na equação acima, teremos:
N2 = 152,824 ei18' 970 [MVA] cos</J2 = 0,9511 (IND)
ou
U~ - 7,97947 · 10 4 m+ 13,242020 · 10 4 = O;

logo,
P'2 = 144,523 [MW] por fase

~h,98 . 10 ± V(7,98) 2
4 2 •
Q'2 = 49,680 [MVAr] por fase ~=±
10ª - 4 · 13.24 · 10ª
.
ou
A solução desta equação fornece quatro raízes, porém uma única
P~ = 433,569 [MW] trifásicos possui valores aceitáveis:
Q~ = 149,040 [MVAr] trifásicos.
U~ = 237 183 [V] ·
27. O que aconteceria, na linha do exercício anterior, se a tensão
V~ = 153,4242 [V]
em 2 (receptor) fosse elevada a 420 [kV] entre fases, pPrmanecendo em
1 (transmissor) a mesma tensão de 400 [kV]? Demonstrar. ou no barramento,
28. Qual deverá ser a tensão no barramento 2 (receptor) para que a
linha do Exerc. 26 transporte 500 [MVA] sob cos</>2 = 0,95 (IND), man- V Á2 = 410 813 [VJ
tendo-se em· 1 (transmissor) a tensão de 420 [kV]?
D:Í2 = 265 738 [V).
Aplicaremos a equação:
Comentário

Como era previsto, encontramos duas raízes positivas. Somente a


maior tem significado prático.
p~ + Q~ B2 = O.
+ A2 . (Eq. 4.96)
29. Qual será a potência complexa .transmissível se a tensão no
barramento do receptor for mantida igual àquela do receptor e igual a
Temos: 400 [k V] entre fases na linha do Exerc. 19 ?

A = 0,7363
30. Urria linha de transmissão trifásica a circuito duplo opera com
B = 160,76 uma. carga ·de 1 000 [MVAJ cos <P2 = 0,8 (IND), alimentada por um bar-
ramento de 450 [kVJ. Qual o valor da tensão no receptor?
4.7 - BIBLIOGRAFIA 177
176 CÁLCULO PRATICO DAS LINHAS DE TRANSMISSÃO CAP. 4

Seguindo o processo delineado no Item 4.5, foram calculadas as ma-


Dados:
trizes das constantes generalizadas dos quadripolos representativos de
À = 0,7363 ei 1•7º 25 [km] de linha (circuitos II nominais) e do quadriplo equivalente em
computador digital; com, estes, através das equações das potências adap-
B= 80,39 ef 86•70 tadas ao sistema trifásico, foram determinados os seguintes valores no
receptor:
ê = 0,00572 ef 9 D.4º
tl$·
31. Mostrar que a Eq. (4.96), aplicada a uma linha curta, é equi- Grandezas no receptor Fase 1 Fase 2 Fase 3
valente à equação deduzida no Exerc. 9, para o mesmo tipo de linha.
1------·

32. Qual o valor da tensão E:m vazio no receptor da linha descrita Potências ativas 1074,38° 1282,80° 1091,03°
[:\!\\"]
no Exerc. 30 e qual o valor da corrente de curto-circuito permanente da
mesma, para um curto-circuito metálico no barramento do receptor? Potências reativas -188,31 o -39,68° 123,26°
[:\IVARJ
33. Uma linha de transmissão de 735 [kV] tem um comprimento de Correntes nas fases 2570,39/+9,94° 3024,40/-118,30° 2587,40/113,55°
100 [km] e serve de interligação entre dois grandes sistemas que mantêm, (A]
nos pontos de interligação, tensões constantes equilibradas e iguais a
735 [kV]. Admitindo que a linha esteja operando com 3 448 [MW] no Correntes seqüência 2709,85/1, 74° 2709,85/ ~ 118,26° 2709,85/121,74°
receptor, determinar o vetor das potências no receptor. Determinar igual- positiva [A]
mente o vetor das correntes no receptor e as suas componentes simétricas. Correntes seqüência 369,52L22,63° 369,52/-117,37° 369,52/+2,63°
Admitir os cabos pára-raios isolados. Foram dadas (ver Caps. 7 e 8): negativa
a - Matriz das impedâncias (linha trifásica equivalente sem cabos Correntes seqüência 55,07 /65, 94° 55,07/65, 94° 55,07/65,94°
pára-raios): nula [A]

Z11 = 0,0051264 + j0,3069234


Observação: Os resultados acima mostram o grau de desequilíbrio
Z12 0,0045902 + j0,0982764 provocado pela ausência de transposições; em 100 km da linha, é bastante
Z1a = 0,0050558 + j0,060331.S [ohm/km]
pequeno, com correntfs de seqüência nula da ordem de 2% da corrente
na linha.
Z22 = 0,0041399 + j0,2944889
Z2s = 0,0045902 + j0,0982764
4. 7 - BIBLIOGRAFIA
Zaa = 0,0051264 + j0,3069234
b - Matriz das admitâncias 1 - VIDMAR, M. - Die Gestalt der Elektrischen Freileitung. Verlag Birkhãuser, Ba-
siléia, Suíça, 1952.
Y11 = j4,219 · 10-6 = Ya 3 2 - BIERMANS, J. - Energieübertragung auf Grosse Entf ernungen. Verlag G. Braun,
Karlsruhe, 1949.
3 - STEVENsoN, W. D. - Elements of Power System Analysis. McGraw-Hill -
Y12 = -j0,784 · 10-5 = Y21 Kogakusha, Tóquio, Hl62. 2.ª edição.
4- JOHNSON, w. c. - TransmissiOn Lines and Networks. McGraw-Hill - Koga-
Y1a = -j0,247 · I0- 6 = Y3 r kusha, Tóquio, 1950.
5 - WADDICOR, H. - The Principles of Electric Power Transmission. Chapman e
Y22 = j4,350 · 10- 6 Hall, Londres, 1964. 5.ª edição.
6 - GuILE, A. E. e P ATERSON, W. - Electrical Power Systems. Oliver & Boyd, Edin-
Y2a = -j0,784 · 10- 5 = Y32 • burg, 1969. Vol. 1.
178 CALCULO PRAT ICO DAS LINHA S DE TRAN
SMISSÃO CAP. 4

7 - REZA, F. M. e SEELY, S. - Jl,Iodern Netwo


rk Analy sis. McGr aw-H ill - Koga -
kusha , Tóqui o, 1959.
8 - NETUSHIL, A. V. e STRAJOV, S. V. -
Princ ipios de Electrotecnia. Edito rial Car-
tago, Bueno s Aires, 1959. Vol. 2.
9 - CENTRAL STATION ENGINEERS - Electr
ical Trans
rence Book. Ed. da \Vestinghouse Electric mi{lsion and Distribution Refe-
1950. 4. • edição. Corpo ration , East Pittsb urgh,
10 - Krna, R. W. P. - Transmis8ion Line
Theory. Dove r Publi cation s, Inc., Nova
Iorqu e, 1965.

Processos Gráficos de Cálculo


das Linhas de Transmissão

5.1 - INTRODUÇÃO

Os processos gráficos para a solução de prob


linhas de trans miss ão impuseram-se desde os lema s relac ionad os com
prim órdio s da técnica, tanto
por sua relat iva simplicidade como tamb ém
por prop orcio narem o meio
menos traba lhoso para a análise de um gran
de núme ro de condições de
funci onam ento de um.a linha, como em geral
é desejável. Uma vez prepa -
rado o gráfico para uma linha , este servi rá
semp re para ela, desde que
suas ca.racterísticas nã.o sejam alter adas . Muit
os
tem, inclusive. incluir o efeito de trans form adore desses processos perm i-
s e reato res, como tamb ém
o rápid o dime nsion amen to deste s últim os.

Gran de parte dos processos gráficos aven


tados e utlliz ados foram
~radativamente caindo em desuso à medi da que novos e
foram apare cend o. mais práti cos

A generalizaçe,o do emprego dos comp utado


de prob lema s técnicos, princ ipalm ente quan res digit ais na solução
do um prog rama pode ser
usad o em estud os repet itivo s, como é o caso
nas linha s de transmissão, ·
troux e uma tendê ncia ao aban dono tamb ém
dos méto dos gráficos mais
laboriosos. Os diagr amas Perrine-Baum [8], 'j

larga ment e empregados, prin- 11


cipal ment e na Euro pa, estão entre estes.
·
Nest e traba lho, limit arem os nossos estud os
gráfico capa z de resolver as equações gerais some nte a um processo ,1
das linha s de transmise,o e
aos diagr amas circulares das potên cias e perda "
s, hoje ainda basta nte usados
dada sua simplicidade, bem como a uma modi
ficação dos mesmos, devido
a R. D. Goodrich Jr. [10]. São recomendáveis
para a aferição de cálculos
analíticos.
180 PROCESSOS GRÁFICOS DE CÁLCULO CAP. 5 181
5.2 -- DIAGRAMA D'ESCANGLON DAS CORRENTES E TENSÕES

5.2 - DIAGRAMA D'ESCANG:LON DAS CORRENTES ou


E TENSÕES

portanto:
Aplica-se às linhas homogêneas. Permite determinar graficamente a
variação das knsõcs e correntes ao longo das linhas através de elegante (5.3)
construção gráfica, baseada nas equações fundamentais dessas linhas.
Johnson [l] apresenta o mesmo día.gmma sob a denominação de Cmnk
Diagram e Vidmar [2], so