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APROVADO EM

11-05-2014
INFARMED

Resumo das Características do Medicamento

1- Denominação do medicamento

AMIODARONA LABESFAL 200 mg comprimidos

2- Composição qualitativa e quantitativa

Cada comprimido com 200 mg de Cloridrato de amiodarona


Excipientes ver 6.1.

3- Forma farmacêutica

Comprimidos.

4- Informações clínicas

4.1 - Indicações terapêuticas

Prevenção de recorrência das seguintes situações:


- Taquicardia ou fibrilhação ventriculares potencialmente letais: o tratamento deve ser iniciado no
hospital sob monitorização clínica.
- Taquicardia ventricular sintomática e incapacitante.
- Taquicardia supraventricular documentada, em doentes com doença cardíaca subjacente. Noutros
casos, se existir resistência ou contra-indicação a outras terapêuticas já instituídas.
- Arritmias associadas ao síndrome de Wolf-Parkinson-White.

Tratamento da taquicardia supraventricular documentada:


- Controlo ou redução da frequência da fibrilhação auricular ou flutter.
- A amiodarona está especialmente indicada em doentes com doença isquémica e/ou disfunção da
função ventricular esquerda.

Prevenção de morte por arritmia em doentes de alto risco, devido quer a insuficiência congestiva
sintomática, a enfarte do miocárdio recente associado a uma reduzida fracção de ejecção ou contracções
ventriculares prematuras assintomáticas.

- A amiodarona está indicada na prevenção da mortalidade total incluindo morte súbita cardíaca em
doentes de alto risco, com insuficiência cardíaca congestiva de origem isquémica ou não isquémica.
O alto risco é definido pela presença de sinais clínicos de insuficiência cardíaca congestiva ou de
fracção de ejecção ventricular esquerda inferior a 40%, com ou sem evidência de arritmia
ventricular.

4.2. Posologia e modo de administração


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Posologia de impregnação: vários protocolos são normalmente utilizados: a dose varia entre 600 - 1000
mg diários e pode ser continuada durante 8 a 10 dias.

Posologia de manutenção: deve ser utilizada a dosagem mínima eficaz; de acordo com a resposta
individual, pode variar entre 100 - 400 mg diários.
Visto que a Amiodarona tem uma semivida muito longa, o tratamento pode ser administrado em dias
alternados (podem ser administrados 200 mg dia sim dia não, quando são recomendados 100 mg diários);
podem ser igualmente utilizadas janelas terapêuticas, i.e., cinco dias consecutivos com 2 dias livres de
terapêutica.

Posologia na insuficiência renal: A amiodarona é excretada apenas em pequenas quantidade na urina (sob
a forma de metabolitos), pelo que não parece ser necessário um ajuste da posologia na insuficiência renal,
embora se deva considerar o risco de acumulação excessiva de iodo e os possíveis efeitos na tiróide.

Posologia na insuficiência hepática: Não foram estudados os efeitos da doença hepática na eliminação da
amiodarona. No entanto deve considerar-se o ajuste da posologia, dado o fármaco ser extensivamente
metabolizado no fígado.

Doentes pediátricos: Não foi estabelecida a segurança e eficácia da amiodarona em doentes pediátricos,
pelo que o seu uso não é recomendado.

Idosos: doses relativamente elevadas devem ser utilizadas com precaução nestes doentes, dado que
poderão ser mais susceptíveis à ocorrência de bradicardia e alterações da condução induzidas pelo
fármaco. Para além disso, estes doentes têm frequentemente as funções hepática, renal e cardíaca
diminuídas, doenças e outras terapêuticas concomitantes.

4.3. Contra-indicações

- Bradicardia sinusal e bloqueio cardíaco sino-auricular.


- Doentes com episódios de bradicárdia que tenha causado síncope, excepto quando utilizado
concomitantemente com um pacemaker artificial.
- Doença do nódulo sinusal, excepto se tiver sido implantado um pacemaker.
- Perturbações graves da condução (ex: bloqueio auriculo-ventricular de segundo ou terceiro grau),
excepto se tiver sido colocado um pacemaker.
- Insuficiência respiratória grave.
- Associação com medicamentos que possam induzir "Torsade de Pointes" (ver 4.5., "Interacções
medicamentosas e outras").
- Disfunção da tiróide.
- Hipersensibilidade conhecida ao iodo, à amiodarona ou a qualquer dos excipientes.
- Gravidez (excepto em casos excepcionais) (ver 4.6., "Gravidez e aleitamento").
- Lactação (ver 4.6., " Gravidez e aleitamento ").

4.4. Advertências e precauções especiais de utilização

Advertências
- A acção farmacológica da amiodarona induz alterações no ECG: prolongamento do segmento QT
(relacionado com repolarização prolongada) com o possível aparecimento de ondas U; estas
alterações não reflectem toxicidade.
- No idoso, a frequência cardíaca pode diminuir significativamente.
- O tratamento deve ser interrompido em caso de ter sido desencadeado bloqueio AV de 2º ou 3º grau,
bloqueio sino-auricular ou bloqueio bifascicular.
- A amiodarona contém iodo e pode, por conseguinte, interferir com a captação do iodo radioactivo.
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No entanto, os testes da função da tiróide (T3, T4, TSH ultra-sensível (TSHus)) permanecem
interpretáveis.
- Dado que a amiodarona pode causar toxicidade pulmonar que pode ser potencialmente fatal, pode
estar indicada a realização de exames para avaliação da função pulmonar (incluindo a capacidade de
difusão) antes do início da terapêutica com amiodarona. Deve ser efectuado regularmente (com
intervalos de 3-6 meses) um raio X ao tórax e uma avaliação clínica durante o tratamento com
amiodarona. Deve também ser considerada a realização de testes periódicos da função pulmonar.
Recomenda-se considerar a realização de testes da função pulmonar em doentes que se encontrem a
tomar amiodarona e que irão ser submetidos a cirurgia cardiotorácica, dado que pode surgir síndroma
de dificuldade respiratória aguda do adulto no pós-operatório destes doentes.
- O aparecimento de dispneia ou tosse não produtiva pode estar relacionado com a toxicidade
pulmonar (ver 4.8., Efeitos indesejáveis).

Precauções

- Os efeitos indesejáveis (ver 4.8., "Efeitos indesejáveis") estão habitualmente relacionados com a
dose; por conseguinte, deve ser prestada uma cuidadosa atenção à determinação da dose de
manutenção mínima eficaz de modo a evitar ou minimizar os efeitos indesejáveis.
- Antes do início do tratamento, é aconselhável realizar um ECG, o doseamento de TSHus e o
doseamento do potássio sérico.

- A amiodarona deve ser utilizada com precaução em doentes com doença pulmonar pré-existente,
incluindo doença crónica obstrutiva ou capacidade de difusão pulmonar reduzida. Os sintomas
respiratórios devem ser avaliados cuidadosamente e devem ser eliminadas outras causas possíveis de
insuficiência respiratória (ex: insuficiência cardíaca congestiva, embolismo pulmonar, tumor) antes
da interrupção da terapêutica com amiodarona. A toxicidade induzida pela amiodarona pode
mimetizar uma infecção, pelo que também se devem excluir possíveis infecções.

- A amiodarona causa microdepósitos na córnea em quase todos os doentes e uma vez que a
neuropatia óptica pode resultar ocasionalmente em alterações visuais, recomenda-se a realização de
um exame oftalmológico, incluindo avaliação com lâmpada de fenda antes do início do tratamento.
Os doentes que se encontrem sob tratamento prolongado com amiodarona devem efectuar exames
oftalmológicos periodicamente (6 meses após início do tratamento e depois anualmente ou sempre
que necessário), incluindo fundoscopia e avaliação com lâmpada de fenda.

- A amiodarona deve ser utilizada com precaução nos doentes com insuficiência cardíaca.

- Dado que os agentes anti-arritmicos, incluindo a amiodarona, podem ser menos eficazes e/ou mais
arritmogénicos em doentes com hipocaliémia ou hipomagnesémia, deve ser investigada uma possível
deficiência em potássio ou magnésio e, se presente, corrigida antes do início da terapêutica com
amiodarona. Deve prestar-se especial atenção ao equilíbrio electrolítico e ácido-base em doentes com
diarreia grave ou prolongada e em doentes que se encontrem a receber concomitantemente
diuréticos.

- A amiodarona pode provocar fotossensibilidade, pelo que os doentes devem ser aconselhados a
evitar a exposição ao sol ou a utilizar medidas de protecção solar durante o tratamento

- A amiodarona pode alterar os resultados dos testes e induzir alterações da função tiroideia
(hipotiroidismo e hipertiroidismo) (ver 4.8., "Efeitos indesejáveis"), especialmente em idosos e
doentes com antecedentes, pessoais ou familiares, de patologia da tiróide. Por conseguinte, é
recomendada a vigilância clínica e laboratorial antes de iniciar o tratamento, durante o tratamento (a
intervalos regulares de 3-6 meses) e ao longo de vários meses após a descontinuação do tratamento.
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Devido à eliminação lenta da amiodarona e seus metabolitos do organismo, o aumento da


concentração plasmática de iodo, as alterações na função tiroideia e/ou testes da função tiroideia,
podem persistir várias semanas ou meses após a interrupção do fármaco. O nível de TSHus sérico
deve ser doseado quando se suspeita de disfunção da tiróide. Os doentes que se encontrem sob
tratamento com amiodarona devem ser avisados que deverão comunicar ao seu médico o
aparecimento de dores no peito ou agravamento da doença cardiovascular, dado poder estar presente
hipertiroidismo induzido pela amiodarona.

- Durante o tratamento é recomendada a vigilância regular dos testes da função hepática


(transaminases) (ver 4.8., "Efeitos indesejáveis").

- Doentes pediátrico: não foi estabelecida a segurança da amiodarona em doentes pediátricos.

- Anestesia: antes da anestesia, o anestesista deve ser informado que o doente se encontra a tomar
amiodarona (ver 4.5. "Interacções medicamentosas e outras formas de interacção").

Não deverão tomar este medicamento os doentes com problemas hereditários raros de intolerância
à galactose, deficiência na lactase Lapp ou malabsorção glucose-galactose.

4.5. Interacções medicamentosas e outras

Devido à semivida de eliminação longa e variável da amiodarona, podem ocorrer interacções não só
quando se administram outros fármacos concomitantemente, mas também com fármacos administrados
após interrupção do tratamento com amiodarona.

A terapêutica associada a fármacos que possam induzir «Torsade de Pointes» está contra-indicada (ver
4.3., "Contra-indicações"):

- Antiarrítmicos como os da Classe Ia, sotalol, bepridil.


- Outros agentes, tais como vincamina, sultopride, eritromicina IV, pentamidina parenteral, visto
existir um risco acrescido de «Torsade de Pointes» potencialmente letais.

A terapêutica associada aos seguintes fármacos não é recomendada:

- betabloqueantes e certos inibidores dos canais de cálcio (verapamil, diltiazem), visto poderem
ocorrer perturbações do automatismo (bradicardia excessiva) e/ou da condução.
- laxantes indutores de hipocaliémia, aumentando o risco de «Torsade de Pointes»; deverão ser
utilizados outros tipos de laxantes.

Os seguintes fármacos devem ser utilizados com precaução quando em associação com
amiodarona:

- Medicamentos que podem induzir hipocaliémia:


. Diuréticos que induzam hipocaliémia, quer isolados ou em associação
. Corticóides sistémicos (gluco-, mineralo-,), tetracosáctido
. Anfotericina B (IV)

É necessário prevenir o desencadeamento da hipocaliémia e hipomagnesémia (e corrigi-la, quando


necessário); o intervalo QT deve ser vigiado e, em caso de «Torsade de Pointes», não devem ser
administrados agentes antiarrítmicos (iniciar uma protecção electrossistólica; podendo ser utilizado o
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magnésio IV).

- Anticoagulantes orais:
Uma vez que o efeito de anticoagulantes orais é potenciado, aumentando o risco de hemorragias, é
necessário vigiar regularmente os níveis de protrombina e ajustar as doses orais de anticoagulantes,
durante o tratamento com amiodarona e após a sua interrupção.

- Digitálicos:
Podem ocorrer perturbações no automatismo (bradicardia excessiva) e/ou na condução aurículo-
ventricular (acção sinérgica); além disso, é possível um aumento nas concentrações plasmáticas de
digoxina devido à diminuição na depuração da mesma.
Deve ser implementada uma vigilância clínica, ECG e laboratorial (incluindo os níveis plasmáticos de
digoxina, se for relevante); pode ser necessário ajustar a dose do tratamento com digitálicos.
Quando se inicia a terapêutica com amiodarona a terapêutica com digoxina deve ser reavaliada. Esta
última deve ser interrompida se necessário. Se a associação for considerada necessária, recomenda-se
uma redução de 50% da dose de digoxina no início do tratamento com amiodarona. Deve ser feita
monitorização clínica e dos níveis séricos de digoxina, devendo a posologia ser ajustada. A função
tiroideia deve ser cuidadosamente monitorizada nos doentes que se encontrem a fazer esta associação,
dado que as alterações induzidas pela amiodarona na função tiroideia podem aumentar ou diminuir as
concentrações séricas de digoxina ou alterar a sensibilidade à terapêutica e aos efeitos tóxicos dos
digitálicos.

- Fenitoína:
O doseamento plasmático da fenitoína deve ser monitorizado. O possível aumento destes níveis, deve
conduzir a uma redução de dose da fenitoína logo que os sinais/sintomas de sobredosagem surjam.

- Ciclosporina:
Possível aumento dos níveis plasmáticos de ciclosporina, relacionado com uma diminuição na depuração
deste fármaco; a dose deve ser ajustada.
- Flecainida:
Possível aumento dos níveis plasmáticos de flecainida; a dose de flecainida poderá ter que ser ajustada.

- Fármacos metabolizados pelo citocromo P450 3A4:


Quando estes fármacos são co-administrados com a amiodarona, que é um inibidor do CYP 3A4, a
associação pode resultar em aumento das suas concentrações plasmáticas, que poderá levar a um possível
aumento da sua toxicidade (ex: toxicidade muscular da sinvastatina e outras estatinas metabolizadas pelo
CYP 3A4).

- Anestesia (ver 4.4. "Advertências e precauções especiais de utilização"):


Foram referidas complicações potencialmente graves em doentes submetidos a anestesia geral:
bradicardia (sem resposta à atropina), hipotensão, perturbações da condução, diminuição do débito
cardíaco.

- A administração concomitante de fármacos arritmogénicos, como os antipsicóticos fenotiazínicos,


antidepressivos tricíclicos, halofantrine e terfenadina deve ser evitada

- A associação com carbonato de lítio deve ser evitada (efeito aditivo no desenvolvimento de
hipotiroidismo).

- As concentrações plasmáticas de amiodarona podem ser diminuídas pela colestiramina e aumentadas


pela cimetidina e outros inibidores das enzimas metabolizantes incluindo inibidores da protease do HIV.

- Alguns macrólidos (ex. Eritromicina) e quinolonas têm sido associados com o prolongamento do
intervalo QT pelo que, a administração concomitante com amiodarona deve ser feita com precaução.
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- Alguns casos de complicações respiratórias graves, por vezes resultando em morte, foram normalmente
observados no período imediatamente após a cirurgia (síndroma de dificuldade respiratória aguda do
adulto); pode estar implicada uma possível interacção com uma concentração elevada de oxigénio.

4.6. Gravidez e aleitamento

Gravidez:
Devido aos seus efeitos sobre a tiróide do feto, a amiodarona está contra-indicada durante a gravidez,
excepto em casos excepcionais.
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Aleitamento:
A amiodarona é excretada no leite materno em quantidades significativas e está, por conseguinte, contra-
indicada em mães que amamentem.

4.7. Efeitos sobre a capacidade de conduzir e utilizar máquinas

Os doentes devem ser advertidos para o facto da amiodarona poder provocar perturbações da visão.

4.8. Efeitos indesejáveis

Cardíacos:
- Bradicardia que é geralmente moderada e está relacionada com a dose. Em certos casos (disfunção
do nódulo sinusal, doentes idosos) foram referidas uma bradicardia marcada ou, mais
excepcionalmente, uma paragem sinusal.
- Têm havido casos raros de perturbações da condução (bloqueio sino-auricular, bloqueio AV de
diversos graus, bloqueio intraventricular).
- A amiodarona geralmente deprime a função do nódulo sinusal. Foi relatada disfunção do nódulo
sino-auricular, incluindo bradicárdia sinusal sintomática ou paragem sinusal.
- Raramente pode ocorrer insuficiência cardíaca congestiva. Geralmente não conduz à interrupção do
tratamento.
- Os efeitos arritmogénicos associados à amiodarona incluem progressão de taquicardia ventricular a
fibrilhação ventricular, taquicardia ventricular sustentada, maior resistência à cardioversão,
fibrilhação auricular, arritmia nodal e taquicardia ventricular atípica ("Torsades de Pointes")
- O aparecimento ou agravamento de arritmia, seguido em alguns casos de paragem cardíaca, foram
relatados: tendo em consideração os conhecimentos actuais, não é possível diferenciar entre o que
pode ser devido ao fármaco, o que pode estar relacionado com o estado cardíaco subjacente ou o que
pode ser o resultado de uma falta de eficácia da terapêutica. Estes efeitos são mais raramente
observados do que com a maior parte dos outros agentes anti-arrítmicos e ocorrem geralmente no
caso de certas interacções medicamentosas ou de perturbações electrolíticas (ver 4.5., "Interacções
medicamentosas e outras formas de interacção"). Raramente, a insuficiência cardíaca pode ser
precipitada ou agravada pela amiodarona.
- Foi também referida hipotensão, rubor e edema.

Oftalmológicos:
- Os microdepósitos córneos estão normalmente presentes, mas limitados à área subpupilar não
necessitando de interromper o tratamento (geralmente não estão associados a alterações da visão).
Estão raramente associados a halos coloridos, em caso de luz ofuscante ou à noite, ou a visão
enevoada, fotofobia e secura dos olhos. O desenvolvimento de microdepósitos córneos induzidos
pela amiodarona parece estar relacionado quer com a dose, quer com a duração da terapêutica.
Geralmente ocorrem bilateral e simetricamente. Os microdepósitos córneos consistem em depósitos
lipídicos complexos e são reversíveis após a descontinuação do tratamento.
- Foram referidos alguns casos de neuropatia/neurite óptica. Presentemente, a relação com a
amiodarona não foi formalmente estabelecida. Visto que a neuropatia óptica pode progredir para
cegueira, recomenda-se a realização de um exame oftalmológico caso ocorra ou déficit ou
perturbações visuais. Foram referidos raramente diplopia, nistagmo, prurido nos olhos, papiledema,
degeneração da córnea, escotomas, opacidade do cristalino, desconforto ocular e degeneração
macular, com a administração de amiodarona. O aparecimento de neuropatia e/ou neurite óptica
requer uma reavaliação da terapêutica com amiodarona.
- As alterações visuais induzidas pela amiodarona raramente diminuem a acuidade visual de forma
significativa e raramente requerem a interrupção do tratamento.

Dermatológicos: (ver 4.4. "Advertências e precauções especiais de utilização")


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- Fotossensibilidade: os doentes devem ser instruídos para evitar a exposição directa ao sol (e aos raios
UV) durante a terapêutica. Podem ocorrer casos de eritema no decurso de radioterapia. Foram
referidos casos raros de aparecimento de vesículas e tumefacção das áreas expostas ao sol.
- Foram referidos rashes cutâneos, geralmente não específicos, incluindo casos excepcionais de
dermatite exfoliativa; a relação com o fármaco não foi formalmente estabelecida.
Foram também relatados: necrólise epidérmica tóxica, psoríase pustular generalizada, angioedema e
choque anafiláctico.
- Pigmentações cutâneas, azuladas ou de cor cinzento-ardósia, podem ocorrer em caso de tratamento
prolongado com doses diárias elevadas; tais pigmentações desaparecerem lentamente após a
descontinuação do tratamento.
- Foi também referida alopécia em doentes tratados com amiodarona por via oral.

Tiróide: (ver 4.4. "Advertências e precauções especiais de utilização")


- Em relação à estrutura química da amiodarona, são habituais alterações bioquímicas isoladas
(aumento dos níveis sérico de T4, níveis de T3, normais ou ligeiramente reduzidos e aumento de rT3,
dado que a amiodarona parece inibir parcialmente a conversão periférica de T4 a T3 e T4 sérica a
rT3); em tais casos, e na ausência de qualquer evidência clínica da disfunção da tiróide, o tratamento
não deve ser interrompido.
- Hipotiroidismo: os seguintes sinais clínicos, habitualmente ligeiros, devem sugerir o diagnóstico de
hipotiroidismo: aumento de peso, letargia, bradicardia excessiva em relação ao efeito esperado da
amiodarona. O diagnóstico é suportado por um nítido aumento na TSH ultra-sensível sérica (TSHus).
O eutiroidismo aparece normalmente no prazo de 1 a 3 meses após a descontinuação do tratamento.
Em caso de situações potencialmente letais, a terapêutica com amiodarona pode ser prosseguida em
associação com L-tiroxina. A dose de L-tiroxina é ajustada de acordo com os níveis de TSH.
- Hipertiroidismo: este pode ocorrer durante o tratamento e até vários meses após a interrupção. Os
seguintes sinais clínicos, habitualmente ligeiros, devem sugerir o diagnóstico de hipertiroidismo:
perda de peso, aparecimento de arritmia, angina, insuficiência cardíaca congestiva. O diagnóstico é
suportado por uma nítida diminuição nos níveis séricos de TSHus: a amiodarona deve ser suspensa.
A recuperação normalmente ocorre no espaço de poucos meses depois, precedendo a cura clínica a
normalização da função da tiróide. Os casos graves, que podem por vezes resultar em morte,
requerem uma implementação terapêutica de emergência. O tratamento deve ser ajustado a cada caso
individual: fármacos anti-tiróideios que podem nem sempre ser eficazes, terapêutica corticoesteróide,
β-bloqueantes.

Hepáticos: : (ver 4.4. "Advertências e precauções especiais de utilização")


- Foi referida no início da terapêutica uma elevação isolada nas transaminases séricas, que é
geralmente moderada (1,5 a 3 vezes o normal); podem regredir com a redução da dose ou até
espontaneamente.
- Alguns casos de disfunção hepática aguda com transaminases séricas elevadas e/ou icterícia,
incluindo algumas mortes, foram igualmente referidos; nestes casos o tratamento deve ser
interrompido.
- Houve também relatos de doença hepática clínica, hepatite colestática, necrose hepatocelular e
cirrose. As alterações histológicas encontradas em biópsias do fígado revelam alterações semelhantes
à hepatite e cirrose alcoólicas. Os sinais e sintomas de hepatotoxicidade induzida pela amiodarona
incluem: hepatomegália, ascite, dor abdominal, náuseas, vómitos, anorexia e perda de peso. As
alterações laboratoriais referidas são elevação das transaminases (entre 1,5 a 5 vezes o normal) e da
fosfatase alcalina. No entanto foram também descritas hipoalbuminémia, hiperbilirrubinémia e
hiperamoniémia.
É, portanto, recomendada a vigilância regular da função hepática durante a terapêutica.
As alterações clínicas e laboratoriais regridem habitualmente quando o tratamento é interrompido,
todavia foram referidos casos fatais.
Uma elevação persistente dos níveis séricos das transaminases ou o desenvolvimento de
hepatomegália pode necessitar de ajuste da dose ou interrupção do tratamento.
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Pulmonares:
- A toxicidade pulmonar, que é potencialmente fatal, é o efeito adverso mais grave associado com a
terapêutica oral com amiodarona. A pneumonite induzida pela amiodarona pode resultar de
pneumonia intersticial pulmonar (ou alveolite) ou de pneumonite por hipersensibilidade. Foi referida
pneumonite intersticial clinicamente aparente (ou alveolite), pneumoniie por hipersensibilidade e
fibrose pulmonar. Ocorre também capacidade de difusão anormal assintomática numa maior
percentagem de doentes.
A pneumonia induzida pela amiodarona é um síndroma clínico que consiste em dispneia progressiva
e tosse, acompanhada de dados funcionais, radiográficos, cintilográficos e patológicos consistentes
com toxicidade pulmonar. O curso clínico da toxicidade pulmonar pode ser variável. Embora
geralmente esteja descrita uma progressão lenta, pode também ocorrer um início rápido de doença
febril semelhante a uma doença infecciosa (ex: pneumonia). Os primeiros sintomas podem incluir
dispneia (particularmente em esforço), tosse (geralmente sem expectoração), febre ou arrepios, dor
no peito (geralmente pleurítica), mal estar geral, fraqueza, fadiga, mialgia, miopatia, naúseas,
anorexia e/ou perda de peso. Se surgir pneumonite induzida pela amiodarona deve reduzir-se a dose
e, se necessário, deve interromper-se o tratamento.

- A pneumonite por hipersensibilidade pode ocorrer mais precocemente com a amiodarona que a
pneumonite intersticial. Não parece estar relacionada com a dose e pode ser caracterizada por um
início agudo de sintomas (ex febre). Os infiltrados alveolares parecem ser as características
radiográficas mais comuns em doentes com pneumonite por hipersensibilidade induzida pela
amiodarona; podem também encontrar-se um aumento de células T supressoras/citotóxicas (CD8+,
T8+) e neutrófilos na lavagem broncoalveolar nestes doente. Se se desenvolver pneumonite por
hipersensibilidade induzida pela amiodarona deve ser iniciada terapêutica com corticosteróides e
interromper-se a administração de amiodarona.

- Foram referidos casos de toxicidade pulmonar (pneumonite alveolar/intersticial ou fibrose, pleurite,


pneumonia organizada com bronquiolite obliterante/BOOP), por vezes resultando em morte.

- As perturbações pulmonares são geralmente reversíveis após a suspensão precoce da terapêutica com
amiodarona. Os sinais clínicos desaparecem habitualmente em 3 ou 4 semanas, sendo seguidos de
uma melhoria radiológica e, mais lentamente, da função pulmonar (vários meses). Por conseguinte,
deve ser considerada a reavaliação da terapêutica com amiodarona e ponderada a terapêutica com
corticosteróides.

- Foram referidos alguns casos de broncospasmo em doentes com insuficiência respiratória grave e,
especialmente, em doentes asmáticos.

- Observaram-se casos muito raros de complicações respiratórias (síndroma de dificuldade respiratória


aguda do adulto), por vezes resultando em morte, geralmente no período imediatamente após cirurgia
(especialmente ressecção pulmonar e cirurgia de "by-pass" coronário); pode estar implicada uma
possível interacção com uma concentração elevada de oxigénio.
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Neurológicos:

Os efeitos neurológicos induzidos pela amiodarona podem ser aliviados pela redução da dose e raramente
requerem a interrupção do tratamento.

- Neuropatia periférica sensitivo-motora rara e/ou miopatia, geralmente reversíveis com a suspensão
do tratamento;
- Outros: mal estar geral, fadiga, tremor extrapiramidal e/ou movimentos involuntários, falta de
coordenação, alteração do modo de andar, ataxia do cerebelo, hipertensão intracraniana excepcional
benigna (pseudotumor cerebral), pesadelos, tonturas, parestesias, alteração do olfacto, insónias,
perturbações do sono, cefaleias e diminuição do líbido. Foram ainda descritos: dificuldade em
escrever, instabilidade postural, movimentos discinéticos, diminuição da capacidade de
concentração, confusão, perda de memória e labilidade emocional.

Efeitos gastrintestinais:

- Perturbações gastrintestinais benignas (náusea, vómitos, dispepsia, obstipação, anorexia), ocorrem


habitualmente com a dose de impregnação e regridem com a redução da dose.
Estão ainda descritos: dor abdominal, salivação anormal e sabor metálico. Raramente foi referido
ardor epigástrico, enfartamento e diarreia. Contudo, não foi estabelecido uma relação de causalidade
com o fármaco.

- Foi também referida pancreatite.

Outros:
- Foram referidos alguns casos de epididimite, assim como alguns casos de impotência. A relação com
o fármaco não foi estabelecida.
- Foram referidos raramente ginecomastia, hiperglicémia e hipoglicémia assintomática.
- A terapêutica com amiodarona tem sido associada a um aumento dos valores médios totais
plasmáticos de colesterol e lípidos.
- Foram referidos casos raros de hiponatrémia causada por um síndroma de secreção inapropriada de
hormona anti-diurética.
- Existiram alguns casos raros de características clínicas diversas que podem sugerir uma reacção de
hipersensibilidade: vasculite, envolvimento renal com aumento dos níveis de creatinina e
trombocitopénia.
Também foram referidos alguns casos excepcionais de anemia hemolítica ou anemia aplástica.
- Foram relatadas pancitpénia e neutropénia.
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4.9. Sobredosagem

Está disponível pouca informação relativamente à sobredosagem aguda com amiodarona. Foram
referidos alguns casos de bradicardia sinusal, bloqueio cardíaco, taquicardia ventricular, «Torsade de
Pointes», insuficiência circulatória e lesão hepática.

O tratamento deve ser sintomático e de suporte, com monitorização ECG e da tensão arterial. Não existe
antídoto específico.
Nem a amiodarona, nem os seus metabolitos são removíveis durante a diálise.

5 - Propriedades farmacológicas

5.1 - Propriedades farmacodinâmicas

Grupo Farmacoterapêutico: IV-2-c): Aparelho cardiovascular. Antiarritmicos. Classe III – prolongadors


da repularização.
Código ATC: CO1B D01

Propriedades antiarrítmicas:
- Prolongamento da fase 3 do potencial de acção da fibra cardíaca, devido principalmente a uma
diminuição na condução dependente do potássio (classe III da classificação de Vaughan Williams);
este prolongamento não está relacionado com a frequência cardíaca.
- Redução do automatismo sinusal levando a bradicardia que não responde à administração de
atropina.
- Inibição alfa e beta-adrenérgica não competitiva.
- Diminuição da condução sino-auricular, auricular e nodal, que é mais marcado quando a frequência
cardíaca é elevada.
- Não induz modificação da condução intraventricular.
- Aumento no período refractário e diminuição na excitabilidade miocárdica ao nível auricular, nodal e
ventricular.
- Retardamento na condução e prolongamento dos períodos refractários nas vias acessórias
atrioventriculares.

Propriedades anti-isquémicas:
- Diminuição moderada na resistência periférica e diminuição na frequência cardíaca levando a uma
redução do consumo de oxigénio.
- Antagonista não competitivo alfa e beta-adrenérgico.
- Aumento no débito coronário devido a um efeito directo sobre a musculatura lisa das artérias
miocárdicas.
- Manutenção do débito cardíaco devido a uma diminuição na pressão aórtica e resistência periférica.
Outras propriedades:
- Ausência de efeito inotrópico negativo.

5.2. Propriedades farmacocinéticas

Após administração oral, a amiodarona é absorvida de modo lento e variável.

A amiodarona possui um grande, mas variável, volume de distribuição por causa da extensa acumulação
em vários locais (tecido adiposo, orgãos altamente perfundidos, tais como fígado, pulmão e baço).

A biodisponibilidade oral varia, individualmente, entre 30 e 80% (valor médio em torno de 50%). No
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seguimento de administração única, as concentrações plasmáticas máximas são atingidas após 3 a 7


horas. Os efeitos terapêuticos são normalmente obtidos após uma semana (de alguns dias a duas semanas)
de acordo com a dose de impregnação.

A amiodarona tem uma semivida longa e apresenta uma considerável variabilidade individual (de 20 a
100 dias). Durante os primeiros dias de terapêutica, o fármaco acumula-se em quase todos os tecidos,
particularmente no tecido adiposo. A eliminação ocorre ao fim de alguns dias e a concentração
plasmática no estado de equilíbrio é alcançada entre um a vários meses, dependendo do doente.

Devido às características referidas, as doses de impregnação devem ser utilizadas de modo a obter
rapidamente os níveis tecidulares necessários para um efeito terapêutico.

Cada dose de 200 mg de amiodarona contém 75 mg de iodo, dos quais se estimam ser libertados 6 mg
como iodo livre. A amiodarona é principalmente excretada por via biliar e fecal. A excreção renal é
insignificante, o que permite a administração de doses standard em doentes com insuficiência renal.

Após descontinuação do tratamento, a eliminação prossegue durante vários meses e a persistência de um


efeito farmacodinâmico durante 10 dias a um mês deve ser tomada em consideração.

5.3. Dados de segurança pré-clínica

Em estudos de toxicidade por dose repetida, realizados no rato e no cão, foi observada dislipidose
caracterizada por uma infiltração macrofágica dos pulmões e do sistema retículo-endotelial, e reversível
com a interrupção do tratamento.
Em estudos de toxicidade reprodutiva, no rato, a amiodarona demonstrou efeitos adversos potenciais
sobre a fertilidade e o desenvolvimento pós-natal. O fármaco não evidenciou actividade teratogénica, no
rato ou coelho.
A amiodarona não demonstrou potencial gentotóxico num conjunto de testes in vitro e in vivo. Em
estudos de carcinogenicidade, provocou um aumento na incidência de tumores no rato, mas não no
ratinho. A actividade tumorigénica sobre a tiróide do rato é atribuída à extrema sensibilidade desta
espécie ao estímulo da TSH e da função tiroideia e considera-se que não representa um risco para a
utilização clínica.
A amiodarona demonstrou um potencial fetotóxico no porquinho-da-índia.
Num estudo de 2 anos de carcinogenecidade em ratos, observou-se um aumento no
número de tumores foliculares da tiróide (adenomas e/ou carcinomas) em ambos os
sexos com níveis de exposição clinicamente relevantes de amiodarona. Os estudos
negativos de mutagenecidade sugerem um mecanismo epigénico, em vez de um
mecanismo genotóxico, na indução deste tipo de tumor. Em ratinhos foi observado uma
hiperplasia folicular da tiróide dependente da dose, mas não foram observados
carcinomas.
Estes efeitos na tiróide de ratos e ratinhos são muito provavelmente causados por
efeitos da amiodarona na síntese e/ou libertação de hormonas tiróides. A relevância
destes resultados em humanos é baixa.

6- Informações farmacêuticas

6.1.- Lista de excipientes

Amido de milho,
Lactose monohidratada,
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Povidona (K 90),
Estearato de magnésio.
Sílica coloidal anidra,
Amido pré-gelificado.

6.2. Incompatibilidades

Não aplicável.

6.3. Prazo de validade

3 anos.

6.4. Precauções particulares de conservação

Não conservar o medicamento acima de 25º C.

6.5. Natureza e conteúdo do recipiente

Embalagens de 10, 30 e 60 comprimidos acondicionados em blister PVC/Alumínio.


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6.6. Instruções de utilização e de manipulação

Não aplicável.

7 - Titular da autorização de introdução no mercado

Labesfal Genéricos, S.A.


Av. Dr. Afonso Costa, nº 1370
3465-051 Campo de Besteiros
Portugal
8 – Números de Autorização de Introdução no Mercado

Embalagem de 10 comprimidos
Embalagem de 30 comprimidos
Embalagem de 60 comprimidos

9 - Data da primeira autorização/renovação da autorização de introdução no mercado

(...)

10 - Data da revisão do texto.

(...)