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Aula 01

Curso: Defesa da Concorrência p/ ANCINE - Especialista em Regulação (todas as áreas)

Professor: Ricardo Vale

118.747.807-57 - José Carlos


Defesa da Concorrência ANCINE
Prof. Ricardo Vale- Aula 01

AULA 01- DEFESA DA CONCORRÊNCIA

SUMÁRIO PÁGINA
1-Palavras Iniciais 1–2
2- O Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência 3 – 27
3- Lista de Questões e Gabarito 28 - 32

Olá, amigos do Estratégia Concursos! Tudo bem?

É sempre uma enorme satisfação estar aqui com vocês!

Meu nome é Ricardo Vale e posso dizer que a minha relação


com os concursos públicos começou bem cedo. No ano de 2001, fui
aprovado na EsPCEX, onde concluí em 1o lugar o curso preparatório de
cadetes do Exército. No ano de 2002, ingressei na Academia Militar das
Agulhas Negras (AMAN), onde concluí em 2o lugar minha formação em
Ciências Militares. Em 2008 fui aprovado em 3º lugar no concurso de
Analista de Comércio Exterior do MDIC, cargo em que atualmente
exerço minhas atribuições. Desde o início de 2009, também sou professor
de Comércio Internacional e Direito Internacional Público em cursos
preparatórios presenciais e on-line.

Esse curso que ora se inicia tem como tema a “Defesa da


Concorrência”, assunto muito importante para você que pretende
ingressar nos quadros da ANCINE (Agência Nacional do Cinema). Eu,
particularmente, já tive a oportunidade de estudar bastante esse assunto
porque ele tem relação direta com o Comércio Internacional, que é minha
grande paixão, depois da minha esposa, é claro! 

Vejamos o que nos pede o edital da ANCINE:


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“DEFESA DA CONCORRÊNCIA: 1 As regras per se e de razão;


o modelo de estrutura-conduta-desempenho; a abordagem dos
custos de transação. 2 Poder de mercado. 3 Mercados relevantes.
4 Práticas anticompetitivas horizontais e verticais. 5 Práticas
anticoncorrenciais no setor audiovisual. 6 Políticas de defesa da
concorrência. 7 Instituições de defesa da concorrência no Brasil. 8
Interação entre as agências reguladoras e órgãos de defesa da
concorrência no Brasil. 9 Diversidade, pluralidade e concorrência
no setor audiovisual.”

Com o objetivo de estudarmos todo o conteúdo programático do


edital, teremos três encontros, os quais estão programados para as
seguintes datas:

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CRONOGRAMA

Aula 01 (02/09/2013) 7 Instituições de defesa da concorrência no Brasil..

Aula 02 (12/09/2013) 1 As regras per se e de razão; o modelo de


estrutura-conduta-desempenho; a abordagem dos custos de transação. 2
Poder de mercado. 3 Mercados relevantes. 4 Práticas anticompetitivas
horizontais e verticais 6 Políticas de defesa da concorrência.

Aula 03 (23/09/2013) 5 Práticas anticoncorrenciais no setor audiovisual. 8


Interação entre as agências reguladoras e órgãos de defesa da concorrência
no Brasil. 9 Diversidade, pluralidade e concorrência no setor audiovisual.

Ao longo do curso, pretendo resolver o maior número possível


de questões, sempre que possível com foco no CESPE. Entretanto,
quando não tivermos questões do CESPE sobre um determinado assunto,
usarei questões de outras bancas examinadoras ou, ainda, questões
inéditas. O objetivo é resolvermos muitas questões ao longo de nossas
aulas.

Já que eu e o curso estamos apresentados, deixemos de


conversa e vamos à nossa aula! 

Um abraço,

Ricardo Vale

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1- O Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência (Lei nº


12.529/2011):

1.1- Introdução:

A disciplina jurídica da concorrência encontra fundamento,


no ordenamento jurídico brasileiro, no art. 170, da CF/88, que dispõe o
seguinte:

Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do


trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar
a todos existência digna, conforme os ditames da justiça
social, observados os seguintes princípios:
...
IV - livre concorrência

A Constituição Federal de 1988 estabelece, assim, a livre


concorrência como princípio geral da ordem econômica,
reconhecendo, implicitamente, a tese de que mercados competitivos
geram maior eficiência econômica, possibilitando maior bem-estar e
qualidade de vida aos cidadãos. Destaque-se, entretanto, que, embora o
legislador constituinte tenha optado pela livre concorrência, esta não é
absoluta. O Estado possui diversas formas de intervenção na
economia, direta (como no caso de monopólios em setores estratégicos
ou indiretamente (através da regulação econômica).

Ao promover a regulação econômica, o Estado intervém de


forma indireta na economia, definindo as regras de competição para os
agentes econômicos. Por exemplo, quando o Estado, por meio da ANCINE,
cria regras que obrigam a exibição de um percentual mínimo de conteúdo
nacional, ele está intervindo indiretamente na economia e estabelecendo
regras de competição para aquele mercado.

Intimamente relacionada à livre concorrência, está a livre


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iniciativa, assim considerada a liberdade do exercício de atividade


econômico. A livre iniciativa, considerada também um dos fundamentos
da República Federativa do Brasil, fica materializada no art. 170,
parágrafo único, da CF/88, segundo o qual é assegurado a todos o livre
exercício de qualquer atividade econômica, independentemente de
autorização de órgãos públicos, salvo nos casos previstos em lei.

A livre concorrência é considerada um


desdobramento do princípio da livre iniciativa. Ou,
em outras palavras, a livre concorrência é um
princípio que deriva da livre iniciativa. Não existe
uma sem a outra; não pode haver, de fato, livre
iniciativa, se houverem barreiras à concorrência e aos
novos entrantes no mercado.
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A livre concorrência como princípio da ordem econômico deriva


do pensamento liberalista, cujas origens nos remontam ao filósofo e
economista Adam Smith, autor da conhecida obra “A Riqueza das
Nações”. Para Adam Smith, o Estado deveria se abster de intervir na
economia; os mercados tinham a capacidade de se autorregularem.
Era a chamada “mão invisível” do mercado.

Mas por que a existência de mercados competitivos se traduz em


maior eficiência econômica?

A ideia-base é a de que em um mercado no qual predomine a


livre iniciativa e a livre concorrência, haverá vários ofertantes de bens e
serviços, o que levará a uma competição entre agentes econômicos,
que buscarão aumentar sua eficiência, produzindo bens e serviços de
melhor qualidade e a custos cada vez mais reduzidos. Os consumidores
terão acesso a bens e serviços cada vez melhores e mais baratos; por sua
vez, as empresas, imersas em um ambiente competitivo, estarão
estimuladas a inovar, gerando novas tecnologias e novos métodos e
processos de produção.

O sucesso dos agentes econômicos deverá, segundo essa


lógica, ser resultado direto da eficiência na produção de bens e
serviços, e não da utilização de práticas desleais de comércio ou de
abuso do poder econômico. Com efeito, o art. 173, § 4º, da CF/88, dispõe
que a lei reprimirá o abuso do poder econômico que vise à
dominação dos mercados, à eliminação da concorrência e ao aumento
arbitrário dos lucros. Perceba que a livre concorrência é a regra geral na
ordem econômica do Estado brasileiro, admitindo-se a intervenção estatal
para reprimir condutas anticoncorrenciais, caracterizadas pelo abuso
do poder econômico.

Vejamos como esse assunto pode ser cobrado em prova!

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1. (ANAC-Técnico em Regulação – Área 2 / 2012) O princípio da


livre concorrência, um dos princípios fundamentais da atividade
econômica, relaciona-se intimamente ao princípio da livre
iniciativa.

Comentários:

A livre concorrência e a livre iniciativa são princípios gerais da


ordem econômica. Juntos, eles estimulam a maior eficiência dos agentes
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econômicos e contribuem para o desenvolvimento e crescimento


econômico do Estado. Questão correta.

2. (ANAC-Especialista-Cargo 5 /2009) A CF garante a todas as


pessoas físicas e jurídicas a liberdade para exercer qualquer
atividade econômica, desde que devidamente autorizadas pelos
órgãos públicos, em quaisquer hipóteses.

Gabarito:

As pessoas físicas e jurídicas têm liberdade para exercer


qualquer atividade econômica, independentemente de autorização de
órgãos públicos, exceto nos casos previstos em lei. Questão errada.

3. (ANAC-Especialista-Cargo 5 /2009) A livre concorrência é


uma manifestação da liberdade de iniciativa e, para garanti-la, a
CF dispõe que a lei reprimirá o poder econômico das empresas.

Gabarito:

Pegadinha das boas! O Estado não irá reprimir o poder


econômico das empresas, eis que a livre concorrência e a livre iniciativa
são princípios gerais da ordem econômica. O que o Estado reprime é o
abuso do poder econômico, conduta que prejudica a livre concorrência.
Questão errada.

4. (Procurador Ministério Público - TCDF/2002) Decorre do


princípio da livre concorrência a expressa disposição
constitucional de que a lei reprimirá o abuso do poder econômico
que vise, entre outros aspectos, ao aumento arbitrário dos lucros.

Comentários:

O abuso do poder econômico que vise, entre outros aspectos, ao


aumento arbitrário dos lucros, desvirtua a livre concorrência. Em razão
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disso é que a CF/88 determina que a lei reprima essa prática


anticoncorrencial. Questão correta.

5. (Analista de Infraestrutura / 2012) A livre-concorrência,


princípio da ordem econômica, constitui desdobramento da livre-
iniciativa, devendo orientar-se pelos princípios da dignidade e da
justiça social.

Comentários:

Livre concorrência e livre iniciativa estão intimamente


associadas. A livre concorrência é um desdobramento da livre iniciativa.
Questão correta.

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6. (Procurador Federal-AGU/2010) A livre concorrência,


princípio geral da atividade econômica, defende que o próprio
mercado deve estabelecer quais são os agentes aptos a se
perpetuarem, deixando aos agentes econômicos o estabelecimento
das regras de competição.

Comentários:

Embora a CF/88 tenha optado pela livre concorrência como regra


geral, está não é absoluta O Estado tem a prerrogativa de intervir na
economia, definindo as regras de competição (regulação econômica).
Questão errada.

7. (ANS / Especialista – Cargo 2/2005) O Estado, visando


garantir a liberdade de iniciativa e a livre concorrência, dispõe de
mecanismos que reprimem o abuso do poder econômico e a
concorrência desleal.

Comentários:

O Estado possui, sim, mecanismos para reprimir o abuso do


poder econômico e a concorrencial. Com esse objetivo é que foi
estruturado o Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência. Questão
correta.

1.2- O Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência (Lei nº


12.529/2011):

1.2.1- Finalidade:

O Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência foi


reestruturado pela Lei nº 12.529/2011. A finalidade dessa lei já é
anunciada logo em seu art. 1º: 75708747811

Art. 1o Esta Lei estrutura o Sistema Brasileiro de Defesa da


Concorrência - SBDC e dispõe sobre a prevenção e a
repressão às infrações contra a ordem econômica, orientada
pelos ditames constitucionais de liberdade de iniciativa, livre
concorrência, função social da propriedade, defesa dos
consumidores e repressão ao abuso do poder econômico.

Com base nesse dispositivo, é possível verificar que a Lei nº


12.529/2011 teve dois objetivos centrais: i) estruturar o Sistema
Brasileiro de Defesa da Concorrência e; ii) prevenir e reprimir as
infrações contra a ordem econômica. Não houve, aqui, grande mudança
em relação ao que dispunha a Lei nº 8.884/94, que também tinha como

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objetivo a prevenção e repressão às infrações contra a ordem econômica.


No entanto, sob a égide da Lei nº 8.884/94, ainda não havia, sob o
ponto de vista formal um “Sistema Brasileiro de Defesa da
Concorrência”.

A Lei nº 12.529/2011 busca tutelar bens jurídicos importantes


para o Estado (livre iniciativa e a livre concorrência), os quais, ao serem
protegidos, permitem maior eficiência econômica do mercado. A tutela
desses bens jurídicos é feita por ações de prevenção e repressão de
infrações contra a ordem econômica, sobre as quais teremos a
oportunidade de comentar mais à frente.

As ações de prevenção se concentram, essencialmente, no


controle de atos de concentração econômica (fusões, por exemplo).
Com isso, busca-se prevenir a formação de estruturas de mercado com
potencial para prejudicar a concorrência. Já as ações de repressão
consistem na apuração e aplicação de penalidades às infrações à
ordem econômica.

A Lei nº 12.529/2011 também é conhecida como “lei


antitruste”. Estudaremos mais sobre o “truste” em
aula futura, mas, desde já, saiba que ele ocorre
quando duas empresas se unem para obter o controle
de mercado, o que restringe a concorrência.

Questão controversa que ora se impõe é saber quem são os


titulares dos bens jurídicos protegidos pela Lei nº 12.529/2011. Sobre
o tema, há diferentes pontos de vista, os quais você deve levar para a
prova. Se nos apegarmos à literalidade da Lei nº 12.529/2011 (art.1º,
parágrafo único), será possível afirmar que o titular dos bens jurídicos por
ela protegidos é a coletividade. No entanto, uma interpretação
doutrinária dessa questão nos leva a concluir que a coletividade é titular
de toda e qualquer norma jurídica.
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Nesse sentido, os verdadeiros titulares dos bens jurídicos


protegidos pela Lei nº 12.529/2011 seriam as pessoas que exploram a
atividade econômica. São elas que, em última análise, tem interesse
direto na liberdade de iniciativa, livre concorrência e eficiência econômica
do mercado. Todavia, resta claro que os consumidores e a sociedade
como um todo também auferem, ainda que indiretamente, benefícios
decorrentes da liberdade de iniciativa e da liberdade de concorrência.

Vejamos como esse assunto pode ser cobrado em prova!

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8. (ANP – Especialista – Área 8/2012) O pequeno e o micro


empresário são os titulares dos bens jurídicos protegidos pela lei
de prevenção e de repressão às infrações contra a ordem
econômica.

Comentários:

O titular dos bens jurídicos protegidos pela Lei nº 12.529/2011 é


a coletividade. Questão errada.

9. (ANTAQ – Especialista-Cargo 2/2005 - adaptada) A Lei nº


12.529/2011, ao estabelecer mecanismos de prevenção e de
repressão às infrações contra a ordem econômica, teve por
finalidade a proteção de bens jurídicos coletivos.

Comentários:

O titular dos bens jurídicos protegidos pela Lei nº 12.529/2011 é


a coletividade. Com efeito, os bens jurídicos tutelados por essa lei (livre
iniciativa e livre concorrência) são bens coletivos. Questão correta.

10. (Consultor Legislativo- Senado Federal/2002-adaptada) A Lei


nº 12.529/2011, que trata da defesa da concorrência, objetiva
prevenir a formação de estruturas de mercado que possam
prejudicar a concorrência.

Comentários:

Uma das finalidades da Lei nº 12.529/2011 é justamente


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prevenir infrações contra a ordem econômica. Nesse sentido, busca


prevenir a ocorrência de atos de concentração econômica que possam
prejudicar a concorrência. Questão correta.

11. (Consultor Legislativo- Senado Federal/2002-adaptada) A Lei


nº 12.529/2011, que trata da defesa da concorrência, objetiva
reprimir condutas anticoncorrenciais.

Comentários:

A Lei nº 12.529/2011 tem duas grandes vertentes: prevenção e


repressão. Questão correta.

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12. (Consultor Legislativo- Senado Federal/2002-adaptada) A Lei


nº 12.529/2011, que trata da defesa da concorrência, objetiva
exercer o controle dos preços.

Comentários:

Não é objetivo da lei antitruste exercer o controle de preços no


mercado. Questão errada.

13. (Consultor Legislativo- Senado Federal/2002) A Lei n.º


12.529/2011, que trata da defesa da concorrência, objetiva
exercer a fiscalização das tarifas públicas.

Comentários:

Não é objetivo da lei antitruste exercer a fiscalização das tarifas


públicas. Questão errada.

1.2.2- Territorialidade:

A Lei nº 12.529/2011 não se aplica somente às práticas


cometidas no território brasileiro; ela também emana seus efeitos sobre
práticas que, embora cometidas em território de outro país, produzam ou
possam produzir seus efeitos no território nacional. Em outras palavras, é
possível a aplicação extraterritorial da Lei nº 12.529/2011.

É o que se depreende do art. 2º, da referida lei, que assim


dispõe:

Art. 2o Aplica-se esta Lei, sem prejuízo de convenções e


tratados de que seja signatário o Brasil, às práticas
cometidas no todo ou em parte no território nacional ou que
nele produzam ou possam produzir efeitos.
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Assim, para efeitos de aplicação da Lei nº 12.529/2011, leva-se


em consideração tanto o local onde a prática foi cometida (teoria da
atividade) quanto o local onde foram produzidos os seus efeitos
(teoria do resultado). Nesse sentido, ainda que uma prática
anticoncorrencial seja levada a cabo por empresas estrangeiras, esta
poderá ser apreciada pela autoridade administrativa brasileira, desde que
os efeitos dessa prática sejam sentidos no Brasil. Trata-se de espécie de
“competência internacional” da jurisdição administrativa brasileira.

Deve-se destacar que reputa-se domiciliada no território


nacional a empresa estrangeira que opere ou tenha no Brasil filial,
agência, sucursal, escritório, estabelecimento, agente ou representante. A

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empresa estrangeira será notificada e intimada de todos os atos


processuais previstos na Lei nº 12.529/2011, independentemente de
procuração ou de disposição contratual ou estatutária, na pessoa do
agente ou representante ou pessoa responsável por sua filial, agência,
sucursal, estabelecimento ou escritório instalado no Brasil.

Vejamos como esse assunto pode ser cobrado em prova!

14. (Consultor Legislativo - Câmara /2002) Em matéria de defesa


da concorrência, a competência internacional da jurisdição
brasileira é determinada de acordo com o critério do lugar de
domicílio ou de residência do acusado.

Comentários:

Em matéria de defesa da concorrência, a competência


internacional da jurisdição brasileira existirá quando os resultados
(efeitos) do ato anticoncorrencial ocorrerem no Brasil. Questão errada.

15. (ANTAQ – Especialista-Cargo 2/2005-adaptada) Uma


empresa multinacional estrangeira, ainda que possua filial no
Brasil, não pode ser submetida às disposições legais da Lei nº
12.529/2011, caso suas práticas econômicas tenham aqui algum
reflexo, porque estaria afetada a soberania do seu país de origem.

Comentários:

A Lei nº 12.529/2011 se aplica tanto ao local em que foi


cometida prática anticoncorrencial quanto ao local onde esta produziu
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seus resultados. Portanto, a multinacional estrangeira poderá, sim, se


sujeitar às disposições da Lei nº 12.529/2011. Questão errada.

16. (Consultor Legislativo- Senado Federal/2002-adaptada) DCO


Ltda., empresa norte-americana que detém o controle acionário da
empresa brasileira Refrigerantes do Brasil Ltda., adquiriu, no
Chile, os ativos relacionados à marca Orangina, bebida não-
alcoólica, carbonatada, que era exportada para o Brasil pela
empresa Bebidas Latinas, de origem chilena. Refrigerantes do
Brasil Ltda. fabrica no Brasil duas bebidas não-alcoólicas,
carbonatadas.

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Considerando as características dessa situação hipotética, é


correto afirmar que a transação não pode ser submetida à
apreciação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica
(CADE), porque foi realizada no exterior.

Comentários:

A transação poderá, sim, ser submetida à apreciação do CADE,


uma vez que, embora a transação não tenha ocorrido no Brasil, ela
produzirá efeitos anticoncorrenciais no território brasileiro. Questão
errada.

1.2.3- Estrutura do Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência:

O Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência, conforme já


comentamos, somente passou a existir, do ponto de vista formal, com a
entrada em vigor da Lei nº 12.529/2011. Antes, porém, sob a égide da Lei
nº 8.884/94, especialistas e estudiosos do Direito da Concorrência já
consideravam a existência de um “sistema” aos moldes do que existe
hoje.

Antes da Lei nº 12.529/2011, considerava-se que o Sistema


Brasileiro de Defesa da Concorrência era formado pelo CADE (Conselho
Administrativo de Defesa Econômica), SDE (Secretaria de Direito
Econômico) e SEAE (Secretaria de Acompanhamento Econômico). Com a
nova Lei, o Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência (SBDC)
passou a ser composto apenas pelo CADE (Conselho Administrativo de
Defesa Econômica) e pela SEAE (Secretaria de Acompanhamento
Econômico). A SDE deixou de ter atribuições em matéria de defesa da
concorrência, passando a se concentrar nas questões relativas à defesa do
consumidor.
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1.2.3.1- Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE):

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) tem


natureza jurídica de autarquia, estando vinculado ao Ministério da Justiça,
com sede e foro no Distrito Federal. O CADE foi criado em 1962, pela Lei
nº 4.137/62 e foi justamente nessa lei que foram originalmente previstas
suas atribuições.

Nos termos do art.4º, da Lei nº 12.529/2011, o CADE é


“entidade judicante com jurisdição em todo o território nacional.”
Importante destacar, para que não se faça confusão, que o CADE não
exerce função jurisdicional; ao mencionar que o CADE tem jurisdição

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em todo o território nacional, a Lei nº 12.529/2011 está apenas se


referindo ao fato de que essa autarquia tem competência para,
administrativamente, aplicar a lei em todo o território brasileiro.

Na prova, fique atento para o seguinte:

1) Se a questão cobrar a literalidade da norma,


considere CORRETA a afirmação de que o CADE é
entidade judicante.

2) Se a questão adentrar em discussões


doutrinárias, considere CORRETA a afirmação de
que o CADE não exerce função jurisdicional. Com
efeito, o Brasil não adota o sistema do contencioso
administrativo, o que nos permite afirmar que o Poder
Executivo não pode exercer a função
jurisdicional.

Com a reestruturação promovida pela Lei nº 12.529/2011, o


CADE passou a ser constituído pelos seguintes órgãos:

a) Tribunal Administrativo de Defesa Econômica;

b) Superintendência-Geral; e

c) Departamento de Estudos Econômicos.

Existe, ainda, uma Procuradoria Federal, atuando junto ao


CADE, o que, na opinião de especialistas da área, contribui para
aproximá-lo do Poder Judiciário, algo que é plenamente compatível com o
atual contexto, em que há cada vez maior judicialização das questões
relativas à defesa da concorrência.
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a) Tribunal Administrativo de Defesa Econômica:

O Tribunal Administrativo, órgão judicante, tem como


membros 1 (um) Presidente e 6 (seis) Conselheiros, os quais são
escolhidos dentre cidadãos com mais de 30 (trinta) anos de idade, de
notório saber jurídico ou econômico e reputação ilibada, nomeados pelo
Presidente da República, depois de aprovados pelo Senado Federal.

Os cargos de Presidente e de Conselheiro são de dedicação


exclusiva, não se admitindo qualquer acumulação, salvo as
constitucionalmente previstas. O mandato, tanto para o Presidente quanto

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para os Conselheiros, é de 4 anos, não coincidentes, vedada a


recondução.

A perda de mandato do Presidente ou dos Conselheiros do


CADE só poderá ocorrer em virtude de decisão do Senado Federal, por
provocação do Presidente da República, ou em razão de condenação
penal irrecorrível por crime doloso, ou de processo disciplinar de
conformidade com o que prevê a Lei no 8.112/90 (Estatuto dos Servidores
Públicos Federais) e a Lei no 8.429/92 (Lei de Improbidade
Administrativa). Também perderá o mandato, automaticamente, o
membro do Tribunal que faltar a 3 (três) reuniões ordinárias consecutivas,
ou 20 (vinte) intercaladas, ressalvados os afastamentos temporários
autorizados pelo Plenário.

Há algumas vedações ao Presidente e aos Conselheiros do


Tribunal Administrativo, as quais estão relacionadas no art. 8º, da Lei nº
12.529/2011:

Art. 8o Ao Presidente e aos Conselheiros é vedado:


I - receber, a qualquer título, e sob qualquer pretexto,
honorários, percentagens ou custas;
II - exercer profissão liberal;
III - participar, na forma de controlador, diretor, administrador,
gerente, preposto ou mandatário, de sociedade civil, comercial ou
empresas de qualquer espécie;
IV - emitir parecer sobre matéria de sua especialização, ainda
que em tese, ou funcionar como consultor de qualquer tipo de
empresa;
V - manifestar, por qualquer meio de comunicação, opinião sobre
processo pendente de julgamento, ou juízo depreciativo sobre
despachos, votos ou sentenças de órgãos judiciais, ressalvada a
crítica nos autos, em obras técnicas ou no exercício do
magistério; e
VI - exercer atividade político-partidária.
§ 1o É vedado ao Presidente e aos Conselheiros, por um período
de 120 (cento e vinte) dias, contado da data em que deixar o
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cargo, representar qualquer pessoa, física ou jurídica, ou


interesse perante o SBDC, ressalvada a defesa de direito próprio.
§ 2o Durante o período mencionado no § 1o deste artigo, o
Presidente e os Conselheiros receberão a mesma remuneração do
cargo que ocupavam.
§ 3o Incorre na prática de advocacia administrativa, sujeitando-
se à pena prevista no art. 321 do Decreto-Lei no 2.848, de 7 de
dezembro de 1940 - Código Penal, o ex-presidente ou ex-
conselheiro que violar o impedimento previsto no § 1o deste
artigo.
§ 4o É vedado, a qualquer tempo, ao Presidente e aos
Conselheiros utilizar informações privilegiadas obtidas em
decorrência do cargo exercido.

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O Tribunal Administrativo é, sem dúvida, o órgão que exerce a


função mais importante da estrutura do CADE. É o Tribunal quem
decidirá sobre a existência de infração à ordem econômica,
aplicando, se for o caso, as penalidades previstas em lei. Também é o
Tribunal que decidirá os processos administrativos para imposição de
sanções administrativas por infrações à ordem econômica e ordenará
providências que conduzam à cessação de infração à ordem econômica.
Não se pode esquecer, ainda, da competência do Tribunal Administrativo
para apreciar atos de concentração econômica.

O Tribunal Administrativo exerce função que, de certo modo, se


assemelha à função do Poder Judiciário. Entretanto, como estudamos em
Direito Administrativo, o Brasil não adota o “contencioso administrativo”
(sistema francês), motivo pelo qual não há que se falar que esse
Tribunal exerce função judicante, ainda que a Lei nº 12.529/2011, de
modo atécnico o tenha feito.

As competências do Plenário do Tribunal Administrativo de


Defesa Econômica estão relacionadas no art. 9º, da Lei nº 12.529/2011:

Art. 9o Compete ao Plenário do Tribunal, dentre outras


atribuições previstas nesta Lei:
I - zelar pela observância desta Lei e seu regulamento e do
regimento interno;
II - decidir sobre a existência de infração à ordem econômica e
aplicar as penalidades previstas em lei;
III - decidir os processos administrativos para imposição de
sanções administrativas por infrações à ordem econômica
instaurados pela Superintendência-Geral;
IV - ordenar providências que conduzam à cessação de infração à
ordem econômica, dentro do prazo que determinar;
V - aprovar os termos do compromisso de cessação de prática e
do acordo em controle de concentrações, bem como determinar à
Superintendência-Geral que fiscalize seu cumprimento;
VI - apreciar, em grau de recurso, as medidas preventivas
adotadas pelo Conselheiro-Relator ou pela Superintendência-
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Geral;
VII - intimar os interessados de suas decisões;
VIII - requisitar dos órgãos e entidades da administração pública
federal e requerer às autoridades dos Estados, Municípios, do
Distrito Federal e dos Territórios as medidas necessárias ao
cumprimento desta Lei;
IX - contratar a realização de exames, vistorias e estudos,
aprovando, em cada caso, os respectivos honorários profissionais
e demais despesas de processo, que deverão ser pagas pela
empresa, se vier a ser punida nos termos desta Lei;
X - apreciar processos administrativos de atos de concentração
econômica, na forma desta Lei, fixando, quando entender
conveniente e oportuno, acordos em controle de atos de
concentração;

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XI - determinar à Superintendência-Geral que adote as medidas


administrativas necessárias à execução e fiel cumprimento de
suas decisões;
XII - requisitar serviços e pessoal de quaisquer órgãos e
entidades do Poder Público Federal;
XIII - requerer à Procuradoria Federal junto ao CADE a adoção
de providências administrativas e judiciais;
XIV - instruir o público sobre as formas de infração da ordem
econômica;
XV - elaborar e aprovar regimento interno do CADE, dispondo
sobre seu funcionamento, forma das deliberações, normas de
procedimento e organização de seus serviços internos;
XVI - propor a estrutura do quadro de pessoal do CADE,
observado o disposto no inciso II do caput do art. 37 da
Constituição Federal;
XVII - elaborar proposta orçamentária nos termos desta Lei;
XVIII - requisitar informações de quaisquer pessoas, órgãos,
autoridades e entidades públicas ou privadas, respeitando e
mantendo o sigilo legal quando for o caso, bem como determinar
as diligências que se fizerem necessárias ao exercício das suas
funções; e
XIX - decidir pelo cumprimento das decisões, compromissos e
acordos.

As decisões do Tribunal Administrativo serão tomadas por


maioria, com a presença mínima de 4 (quatro) membros, sendo
o quórum de deliberação mínimo de 3 (três) membros. O voto de
qualidade, no caso de empate, cabe ao Presidente do Tribunal.

O Tribunal Administrativo toma decisões que, no âmbito do


Poder Executivo, são definitivas (não passíveis de revisão). Elas serão
imediatamente executadas, comunicando-se, em seguida, ao Ministério
Público, para que sejam adotadas as medidas legais cabíveis no âmbito de
suas atribuições. As autoridades federais, os diretores de autarquia,
fundação, empresa pública e sociedade de economia mista federais e
agências reguladoras são obrigados a prestar, sob pena de
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responsabilidade, toda a assistência e colaboração que lhes for


solicitada pelo CADE, inclusive elaborando pareceres técnicos sobre as
matérias de sua competência.

Possível questão de prova!

O Diretor-Geral da ANCINE tem a obrigação de prestar, sob


pena de responsabilidade, toda a assistência e colaboração
que lhe for solicitada pelo CADE, inclusive elaborando
pareceres técnicos sobre as matérias de sua competência.

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Vejamos, agora, as competências do Presidente do Tribunal,


relacionadas no art. 10, da Lei nº 12.529/2011:

Art. 10. Compete ao Presidente do Tribunal:


I - representar legalmente o Cade no Brasil ou no exterior, em
juízo ou fora dele;
II - presidir, com direito a voto, inclusive o de qualidade, as
reuniões do Plenário;
III - distribuir, por sorteio, os processos aos Conselheiros;
IV - convocar as sessões e determinar a organização da
respectiva pauta;
V - solicitar, a seu critério, que a Superintendência-Geral auxilie o
Tribunal na tomada de providências extrajudiciais para o
cumprimento das decisões do Tribunal;
VI - fiscalizar a Superintendência-Geral na tomada de
providências para execução das decisões e julgados do Tribunal;
VII - assinar os compromissos e acordos aprovados pelo
Plenário;
VIII - submeter à aprovação do Plenário a proposta orçamentária
e a lotação ideal do pessoal que prestará serviço ao Cade;
IX - orientar, coordenar e supervisionar as atividades
administrativas do Cade;
X - ordenar as despesas atinentes ao Cade, ressalvadas as
despesas da unidade gestora da Superintendência-Geral;
XI - firmar contratos e convênios com órgãos ou entidades
nacionais e submeter, previamente, ao Ministro de Estado da
Justiça os que devam ser celebrados com organismos
estrangeiros ou internacionais; e
XII - determinar à Procuradoria Federal junto ao Cade as
providências judiciais determinadas pelo Tribunal.

As competências dos Conselheiros do Tribunal, por sua vez,


estão previstas no art. 11, da Lei nº 12.529/2011:

Art. 11. Compete aos Conselheiros do Tribunal:


I - emitir voto nos processos e questões submetidas ao Tribunal;
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II - proferir despachos e lavrar as decisões nos processos em que


forem relatores;
III - requisitar informações e documentos de quaisquer pessoas,
órgãos, autoridades e entidades públicas ou privadas, a serem
mantidos sob sigilo legal, quando for o caso, bem como
determinar as diligências que se fizerem necessárias;
IV - adotar medidas preventivas, fixando o valor da multa diária
pelo seu descumprimento;
V - solicitar, a seu critério, que a Superintendência-Geral realize
as diligências e a produção das provas que entenderem
pertinentes nos autos do processo administrativo, na forma desta
Lei;
VI - requerer à Procuradoria Federal junto ao CADE emissão de
parecer jurídico nos processos em que forem relatores, quando

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entenderem necessário e em despacho fundamentado, na forma


prevista no inciso VII do art. 15 desta Lei;
VII - determinar ao Economista-Chefe, quando necessário, a
elaboração de pareceres nos processos em que forem relatores,
sem prejuízo da tramitação normal do processo e sem que tal
determinação implique a suspensão do prazo de análise ou
prejuízo à tramitação normal do processo;
VIII - desincumbir-se das demais tarefas que lhes forem
cometidas pelo regimento;
IX - propor termo de compromisso de cessação e acordos para
aprovação do Tribunal;
X - prestar ao Poder Judiciário, sempre que solicitado, todas as
informações sobre andamento dos processos, podendo, inclusive,
fornecer cópias dos autos para instruir ações judiciais.

b) Superintendência-Geral:

A Superintendência-Geral é um órgão novo, criado pela Lei nº


12.529/2011, com atribuições bem semelhantes às que
desempenhava anteriormente, em matéria de defesa da concorrência,
a Secretaria de Direito Econômico (SDE). Recorde-se que a SDE era
considerada, antes da edição da Lei nº 12.529/2011, integrante do
Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência. Hoje, as atribuições da SDE
não incluem mais a defesa da concorrência, destinando-se,
fundamentalmente, à proteção do consumidor.

Na estrutura da Superintendência-Geral, há 1 (um)


Superintendente-Geral e 2 (dois) Superintendentes Adjuntos. A
escolha do Superintendente-Geral é realizada mediante processo
idêntico ao da escolha do Presidente e dos Conselheiros do Tribunal
Administrativo de Defesa Econômica. O Superintendente-Geral será
escolhido dentre cidadãos com mais de 30 (trinta) anos de idade, notório saber
jurídico ou econômico e reputação ilibada, nomeado pelo Presidente da
República, depois de aprovado pelo Senado Federal. Ele terá mandato de
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2 anos, sendo permitida a recondução para um único período


subsequente.

Os cargos de Superintendente-Geral e de Superintendentes-


Adjuntos são de dedicação exclusiva, não se admitindo qualquer
acumulação, salvo as constitucionalmente permitidas. Destaque-se que
os Superintendentes-Adjuntos serão indicados pelo Superintendente-
Geral.

Mas, afinal, quais são as competências da Superintendência-


Geral?

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Em linhas gerais, é possível afirmar que a Superintendência-


Geral tem função inquisitória. Enquanto o Tribunal Administrativo
decide (“julga”) processos administrativos em que existam infrações à
ordem econômica, é a Superintendência-Geral que promove o inquérito
administrativo destinado a apurar a infração contra a ordem
econômica.

Assim, é a Superintendência-Geral que conduz o inquérito,


remetendo ao Tribunal Administrativo, para julgamento, os processos
administrativos que instaurar, quando entender configurada infração da
ordem econômica. Da mesma forma, a Superintendência-Geral irá
arquivar autos de inquérito administrativo ou de seu procedimento
preparatório quando decidir pela insubsistência de indícios de infração à
ordem econômica.

As competências detalhadas da Superintendência-Geral estão


previstas no art. 13, da Lei nº 12.529/2011:

Art. 13. Compete à Superintendência-Geral:


I - zelar pelo cumprimento desta Lei, monitorando e
acompanhando as práticas de mercado;
II - acompanhar, permanentemente, as atividades e práticas
comerciais de pessoas físicas ou jurídicas que detiverem posição
dominante em mercado relevante de bens ou serviços, para
prevenir infrações da ordem econômica, podendo, para tanto,
requisitar as informações e documentos necessários, mantendo o
sigilo legal, quando for o caso;
III - promover, em face de indícios de infração da ordem
econômica, procedimento preparatório de inquérito administrativo
e inquérito administrativo para apuração de infrações à ordem
econômica;
IV - decidir pela insubsistência dos indícios, arquivando os autos
do inquérito administrativo ou de seu procedimento preparatório;
V - instaurar e instruir processo administrativo para imposição de
sanções administrativas por infrações à ordem econômica,
procedimento para apuração de ato de concentração, processo
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administrativo para análise de ato de concentração econômica e


processo administrativo para imposição de sanções processuais
incidentais instaurados para prevenção, apuração ou repressão de
infrações à ordem econômica;
VI - no interesse da instrução dos tipos processuais referidos
nesta Lei:
a) requisitar informações e documentos de quaisquer pessoas,
físicas ou jurídicas, órgãos, autoridades e entidades, públicas ou
privadas, mantendo o sigilo legal, quando for o caso, bem como
determinar as diligências que se fizerem necessárias ao exercício
de suas funções;
b) requisitar esclarecimentos orais de quaisquer pessoas, físicas
ou jurídicas, órgãos, autoridades e entidades, públicas ou
privadas, na forma desta Lei;

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c) realizar inspeção na sede social, estabelecimento, escritório,


filial ou sucursal de empresa investigada, de estoques, objetos,
papéis de qualquer natureza, assim como livros comerciais,
computadores e arquivos eletrônicos, podendo-se extrair ou
requisitar cópias de quaisquer documentos ou dados eletrônicos;
d) requerer ao Poder Judiciário, por meio da Procuradoria Federal
junto ao CADE, mandado de busca e apreensão de objetos,
papéis de qualquer natureza, assim como de livros comerciais,
computadores e arquivos magnéticos de empresa ou pessoa
física, no interesse de inquérito administrativo ou de processo
administrativo para imposição de sanções administrativas por
infrações à ordem econômica, aplicando-se, no que couber, o
disposto no art. 839 e seguintes da Lei no 5.869, de 11 de janeiro
de 1973 - Código de Processo Civil, sendo inexigível a propositura
de ação principal;
e) requisitar vista e cópia de documentos e objetos constantes de
inquéritos e processos administrativos instaurados por órgãos ou
entidades da administração pública federal;
f) requerer vista e cópia de inquéritos policiais, ações judiciais de
quaisquer natureza, bem como de inquéritos e processos
administrativos instaurados por outros entes da federação,
devendo o Conselho observar as mesmas restrições de sigilo
eventualmente estabelecidas nos procedimentos de origem;
VII - recorrer de ofício ao Tribunal quando decidir pelo
arquivamento de processo administrativo para imposição de
sanções administrativas por infrações à ordem econômica;
VIII - remeter ao Tribunal, para julgamento, os processos
administrativos que instaurar, quando entender configurada
infração da ordem econômica;
IX - propor termo de compromisso de cessação de prática por
infração à ordem econômica, submetendo-o à aprovação do
Tribunal, e fiscalizar o seu cumprimento;
X - sugerir ao Tribunal condições para a celebração de acordo em
controle de concentrações e fiscalizar o seu cumprimento;
XI - adotar medidas preventivas que conduzam à cessação de
prática que constitua infração da ordem econômica, fixando prazo
para seu cumprimento e o valor da multa diária a ser aplicada, no
caso de descumprimento;
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XII - receber, instruir e aprovar ou impugnar perante o Tribunal


os processos administrativos para análise de ato de concentração
econômica;
XIII - orientar os órgãos e entidades da administração pública
quanto à adoção de medidas necessárias ao cumprimento desta
Lei;
XIV - desenvolver estudos e pesquisas objetivando orientar a
política de prevenção de infrações da ordem econômica;
XV - instruir o público sobre as diversas formas de infração da
ordem econômica e os modos de sua prevenção e repressão;
XVI - exercer outras atribuições previstas em lei;
XVII - prestar ao Poder Judiciário, sempre que solicitado, todas
as informações sobre andamento das investigações, podendo,

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inclusive, fornecer cópias dos autos para instruir ações judiciais;


e
XVIII - adotar as medidas administrativas necessárias à
execução e ao cumprimento das decisões do Plenário.

c) Departamento de Estudos Econômicos:

O CADE possui em sua estrutura um Departamento de Estudos


Econômicos, cuja atribuição consiste em assessorar o Tribunal
Administrativo e a Superintendência-Geral nos assuntos de ordem
econômica. Nesse sentido, é incumbência do Departamento de Estudos
Econômicos a elaboração de estudos e pareceres econômicos, de
ofício ou por solicitação do Plenário, do Presidente, do Conselheiro-Relator
ou do Superintendente-Geral, zelando pelo rigor e atualização técnica e
científica das decisões do órgão.

O Departamento de Estudos Econômicos é dirigido por um


Economista-Chefe, o qual é nomeado por ato conjunto do
Superintendente-Geral e do Presidente do Tribunal Administrativo,
dentre brasileiros de ilibada reputação e notório conhecimento econômico.
Cabe destacar que o Economista-Chefe poderá participar das reuniões do
Tribunal, sem direito a voto.

d) Procuradoria Federal junto ao CADE:

Há uma Procuradoria Federal especializada atuando junto ao


CADE, cujas competências estão relacionadas no art. 15, da Lei nº
12.529/2011:

Art. 15. Funcionará junto ao CADE Procuradoria Federal


Especializada, competindo-lhe:
I - prestar consultoria e assessoramento jurídico ao CADE;
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II - representar o CADE judicial e extrajudicialmente;


III - promover a execução judicial das decisões e julgados do
CADE;
IV - proceder à apuração da liquidez dos créditos do CADE,
inscrevendo-os em dívida ativa para fins de cobrança
administrativa ou judicial;
V - tomar as medidas judiciais solicitadas pelo Tribunal ou pela
Superintendência-Geral, necessárias à cessação de infrações da
ordem econômica ou à obtenção de documentos para a instrução
de processos administrativos de qualquer natureza;
VI - promover acordos judiciais nos processos relativos a
infrações contra a ordem econômica, mediante autorização do
Tribunal;
VII - emitir, sempre que solicitado expressamente por
Conselheiro ou pelo Superintendente-Geral, parecer nos

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processos de competência do CADE, sem que tal determinação


implique a suspensão do prazo de análise ou prejuízo à
tramitação normal do processo;
VIII - zelar pelo cumprimento desta Lei; e
IX - desincumbir-se das demais tarefas que lhe sejam atribuídas
pelo regimento interno.
Parágrafo único. Compete à Procuradoria Federal junto ao
CADE, ao dar execução judicial às decisões da Superintendência-
Geral e do Tribunal, manter o Presidente do Tribunal, os
Conselheiros e o Superintendente-Geral informados sobre o
andamento das ações e medidas judiciais.

Dentre as atribuições da Procuradoria-Federal, destaco, pela


importância, a de promover a execução judicial das decisões e
julgados pelo CADE.

O Procurador-Chefe será nomeado pelo Presidente da


República, após aprovação do Senado Federal, dentre cidadãos
brasileiros com mais de 30 (trinta) anos de idade, de notório
conhecimento jurídico e reputação ilibada. Ele terá mandato de 2 (dois)
anos, permitida sua recondução para um único período.

Na sua função de assessoria jurídica, o Procurador-Chefe poderá


participar, sem direito a voto, das reuniões do Tribunal, prestando
assistência e esclarecimentos, quando requisitado pelos Conselheiros, na
forma do Regimento Interno do Tribunal.

1.2.3.2-Secretaria de Acompanhamento Econômico (SEAE):

A Secretaria de Acompanhamento Econômico (SEAE) é órgão


vinculado à estrutura do Ministério da Fazenda e, em matéria de
defesa da concorrência, tem como função primordial exercer as funções
de advocacia da concorrência. Nesse sentido, a ela compete
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promover a concorrência em órgãos de governo e perante a sociedade.

As competências da SEAE estão enumeradas no art. 19, da Lei


nº 12.529/2011:

Art. 19. Compete à Secretaria de Acompanhamento


Econômico promover a concorrência em órgãos de governo
e perante a sociedade cabendo-lhe, especialmente, o
seguinte:
I - opinar, nos aspectos referentes à promoção da
concorrência, sobre propostas de alterações de atos
normativos de interesse geral dos agentes econômicos, de
consumidores ou usuários dos serviços prestados
submetidos a consulta pública pelas agências reguladoras e,
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quando entender pertinente, sobre os pedidos de revisão de


tarifas e as minutas;
II - opinar, quando considerar pertinente, sobre minutas de
atos normativos elaborados por qualquer entidade pública
ou privada submetidos à consulta pública, nos aspectos
referentes à promoção da concorrência;
III - opinar, quando considerar pertinente, sobre
proposições legislativas em tramitação no Congresso
Nacional, nos aspectos referentes à promoção da
concorrência;
IV - elaborar estudos avaliando a situação concorrencial de
setores específicos da atividade econômica nacional, de
ofício ou quando solicitada pelo CADE, pela Câmara de
Comércio Exterior ou pelo Departamento de Proteção e
Defesa do Consumidor do Ministério da Justiça ou órgão que
vier a sucedê-lo;
V - elaborar estudos setoriais que sirvam de insumo para a
participação do Ministério da Fazenda na formulação de
políticas públicas setoriais nos fóruns em que este Ministério
tem assento;
VI - propor a revisão de leis, regulamentos e outros atos
normativos da administração pública federal, estadual,
municipal e do Distrito Federal que afetem ou possam afetar
a concorrência nos diversos setores econômicos do País;
VII - manifestar-se, de ofício ou quando solicitada, a
respeito do impacto concorrencial de medidas em discussão
no âmbito de fóruns negociadores relativos às atividades de
alteração tarifária, ao acesso a mercados e à defesa
comercial, ressalvadas as competências dos órgãos
envolvidos;
VIII - encaminhar ao órgão competente representação para
que este, a seu critério, adote as medidas legais cabíveis,
sempre que for identificado ato normativo que tenha caráter
anticompetitivo. 75708747811

A Secretaria de Acompanhamento Econômico (SEAE), para o


cumprimento de suas atribuições, poderá requisitar informações e
documentos de quaisquer pessoas, órgãos, autoridades e entidades,
públicas ou privadas, mantendo o sigilo legal quando for o caso. Além
disso, poderá celebrar acordos e convênios com órgãos ou entidades
públicas ou privadas, federais, estaduais, municipais, do Distrito Federal e
dos Territórios para avaliar e/ou sugerir medidas relacionadas à promoção
da concorrência.

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Possível questão de prova!

A Secretaria de Acompanhamento Econômico (SEAE) poderá


opinar, nos aspectos referentes à promoção da concorrência,
acerca de ato administrativo submetido à consulta pública
pela ANCINE.

Em plena sintonia com os objetivos de transparência, a


Secretaria de Acompanhamento Econômico (SEAE) divulgará
anualmente relatório de suas ações voltadas para a promoção da
concorrência.

Vejamos como esse assunto pode ser cobrado em prova!

17. (ANS – Especialista em Regulação / 2013) O CADE é uma


autarquia federal integrante do poder judiciário e possui a
atribuição de garantir a defesa da concorrência.

Comentários:

O CADE não é integrante do Poder Judiciário. Trata-se de


autarquia vinculada ao Ministério da Justiça. Questão errada.

18. (ANS – Especialista em Regulação / 2013) A Lei n.º


12.529/2011 alterou as atribuições do CADE, originalmente
previstas na Lei n.º 8.884/1994.

Comentários: 75708747811

Essa foi uma questão bastante maldosa do CESPE. As atribuições


do CADE não foram originalmente previstas na Lei nº 8.884/1994. O
CADE foi criado pela Lei nº 4.137/62 e nela foram originalmente previstas
suas atribuições. Questão errada.

19. (ANAC-Especialista – Área 5 /2012) O Conselho


Administrativo de Defesa Econômica, autarquia competente para
promover a concorrência em órgãos de governo e perante a
sociedade, compõe, juntamente com a Secretaria de
Acompanhamento Econômico, o sistema brasileiro de defesa da
concorrência.

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Comentários:

De fato, o Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência é


composto pelo CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e
pela SEAE (Secretaria de Acompanhamento Econômico). No entanto, ao
contrário do que afirma a questão, não é o CADE quem detém a
competência para promover a concorrência em órgãos de governo e
perante a sociedade. Essa é uma atribuição da SEAE, órgão responsável
pela “advocacia da concorrência”. Questão errada.

20. (ANAC-Técnico em Regulação – Área 2 / 2012) No Brasil, a


livre concorrência é fiscalizada pelo Sistema Brasileiro de Defesa
da Concorrência, formado pelo Conselho Administrativo de Defesa
Econômica (CADE) e pela Secretaria de Acompanhamento
Econômico do Ministério da Fazenda.

Comentários:

Perfeita a assertiva! Integram o SBDC o CADE e a SEAE. Questão


correta.

21. (ANEEL – Especialista – Área 3/2010) O CADE é autarquia


vinculada ao Ministério da Fazenda.

Comentários:

O CADE é autarquia vinculada ao Ministério da Justiça. Questão


errada.

22. (ANP – Especialista – Área 8/2012) É papel do CADE aprovar


os termos do compromisso de cessação de prática
anticoncorrencial e do acordo em controle de concentrações.

Comentários: 75708747811

Exatamente o que prevê o art. 9º, inciso V, da Lei nº


12.529/2011. Questão correta.

23. (ANP – Especialista – Área 9/2012) A Secretaria de Direito


Econômico (SDE) não tem responsabilidade pela aprovação de
projetos destinados a reparar direitos difusos lesados, tais como
os do meio ambiente e do consumidor, uma vez que isso está sob
responsabilidade do Conselho Administrativo de Defesa Econômica
(CADE).

Comentários:

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O CADE não tem competência para aprovar projetos destinados


a reparar direitos difusos lesados, tais como os do meio ambiente e do
consumidor. Questão errada.

24. (ANP – Especialista – Área 9/2012) A Secretaria de


Acompanhamento Econômico (SEAE) é o órgão encarregado de
apreciar os atos de concentração e de reprimir condutas
anticoncorrenciais.

Comentários:

O CADE é quem detém competência para apreciar atos de


concentração econômica e reprimir condutas anticoncorrenciais. A SEAE é
responsável pela “advocacia da concorrência”. Questão errada.

25. (ANATEL-Especialista – Área 12/2008) Compete ao Plenário


do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE)
acompanhar, permanentemente, as atividades e as práticas
comerciais de pessoas físicas ou jurídicas que detiverem posição
dominante em mercado relevante de bens ou serviços, para
prevenir infrações da ordem econômica, podendo, para tanto,
requisitar as informações e documentos necessários, mantendo o
sigilo legal, quando for o caso.

Comentários:

Trata-se de competência da Superintendência-Geral, conforme


art. 13, inciso II, da Lei nº 12.529/2011. Questão errada.

26. (ANS / Especialista – Cargo 4/2005-adaptada) O Tribunal


Administrativo de Defesa Econômica é composto por conselheiros
escolhidos entre brasileiros com notório saber jurídico ou
econômico e reputação ilibada, com mais de trinta anos de idade,
os quais podem perder o mandato, automaticamente, se faltarem
a três reuniões ordinárias consecutivas.
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Comentários:

O Tribunal Administrativo é composto por m Presidente e seis


Conselheiros escolhidos dentre cidadãos com mais de 30 (trinta) anos de
idade, de notório saber jurídico ou econômico e reputação ilibada,
nomeados pelo Presidente da República, depois de aprovados pelo Senado
Federal.

No caso de falta a três reuniões ordinárias consecutivas, o


Conselheiro perderá o mandato automaticamente. Questão correta.

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27. (ANS / Especialista – Cargo 2/2005) Os conselheiros do


Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) não podem
ser sócios de sociedade limitada ou de sociedade em conta de
participação.

Comentários:

Essa vedação não está relacionada no art. 8º, da Lei nº


12.529/2011. Os Conselheiros podem ser sócios de sociedade limitada ou
de sociedade em conta de participação. O que eles não podem é participar
na forma de controlador, diretor, administrador, gerente, preposto
ou mandatário, de sociedade civil, comercial ou empresas de qualquer
espécie. Questão errada.

28. (ANS / Especialista – Cargo 2/2005) É competência privativa


dos procuradores do CADE a representação legal dessa entidade
em juízo.

Comentários:

De fato, compete à Procuradoria Federal junto ao CADE


representa-lo judicial e extrajudicialmente. Questão correta.

29. (Juiz Federal – TRF 1ª Região/2009-adaptada) A respeito da


disciplina jurídica da concorrência empresarial, assinale a opção
correta.

a) A SDE e a SEAE são órgãos vinculados ao Ministério da Justiça.

b) As denúncias de infração à ordem econômica devem ser inicialmente


encaminhadas à SEAE, que será responsável por realizar as averiguações
preliminares.

c) O Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência tem apenas um órgão


judicante. 75708747811

d) A SDE é o principal órgão do Poder Executivo encarregado de


acompanhar os preços da economia.

e) A atribuição de instruir o público sobre as formas de infração da ordem


econômica é da SEAE.

Comentários:

Letra A: errada. A SEAE é vinculada ao Ministério da Fazenda.

Letra B: errada. Na vigência da Lei nº 12.529/2011, as


denúncias devem ser encaminhadas à Superintendência-Geral do CADE.

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Letra C: correta. De fato, só há um órgão judicante no SBDC: o


CADE. Apenas duas ressalvas: i) o CADE é autarquia (e não órgão); ii)
não é adequado dizer que o CADE exerce função judicante. A lei, todavia,
disse isso... Não briguemos com a banca! 

Letra D: errada. O acompanhamento dos preços da economia é


atribuição da SEAE.

Letra E: errada. Essa é atribuição do Plenário do Tribunal (art.


9º, inciso XIV).

30. (Juiz Federal – TRF 1ª Região / 2011) A perda de mandato


dos conselheiros do CADE só pode ocorrer em virtude de decisão
do presidente da República, por provocação de qualquer cidadão,
ou em razão de condenação penal irrecorrível por crime doloso.

Comentários:

A perda de mandato do Presidente ou dos Conselheiros do CADE


só poderá ocorrer em virtude de decisão do Senado Federal, por
provocação do Presidente da República, ou em razão de condenação
penal irrecorrível por crime doloso, ou de processo disciplinar de
conformidade com o que prevê a Lei nº 8.112/90, a Lei nº 8.429/92 ou
por infringência a algumas das vedações previstas no art. 8º, da Lei nº
12.529/2011. Questão errada.

31. (Juiz Federal – TRF 1ª Região / 2011) Ao presidente e aos


conselheiros do CADE é vedado emitir parecer sobre matéria de
sua especialização, ainda que em tese, podendo eles, no entanto,
atuar como consultores de empresa privada.

Comentários:

Os Conselheiros do CADE não podem atuar como consultores de


empresa privada (art. 8º, inciso IV, da Lei nº 12.529/2011). Questão
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errada.

32. (Consultor Legislativo- Senado Federal/2002) Entre as


competências do CADE inclui-se a de decidir sobre a existência de
infração à ordem econômica e ampliar as penalidades previstas em
lei.

Comentários:

O CADE não pode ampliar as penalidades previstas em lei.


Questão errada.

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LISTA DE QUESTÕES

1. (ANAC-Técnico em Regulação – Área 2 / 2012) O princípio da


livre concorrência, um dos princípios fundamentais da atividade
econômica, relaciona-se intimamente ao princípio da livre
iniciativa.

2. (ANAC-Especialista-Cargo 5 /2009) A CF garante a todas as


pessoas físicas e jurídicas a liberdade para exercer qualquer
atividade econômica, desde que devidamente autorizadas pelos
órgãos públicos, em quaisquer hipóteses.

3. (ANAC-Especialista-Cargo 5 /2009) A livre concorrência é


uma manifestação da liberdade de iniciativa e, para garanti-la, a
CF dispõe que a lei reprimirá o poder econômico das empresas.

4. (Procurador Ministério Público - TCDF/2002) Decorre do


princípio da livre concorrência a expressa disposição
constitucional de que a lei reprimirá o abuso do poder econômico
que vise, entre outros aspectos, ao aumento arbitrário dos lucros.

5. (Analista de Infraestrutura / 2012) A livre-concorrência,


princípio da ordem econômica, constitui desdobramento da livre-
iniciativa, devendo orientar-se pelos princípios da dignidade e da
justiça social.

6. (Procurador Federal-AGU/2010) A livre concorrência,


princípio geral da atividade econômica, defende que o próprio
mercado deve estabelecer quais são os agentes aptos a se
perpetuarem, deixando aos agentes econômicos o estabelecimento
das regras de competição.

7. (ANS / Especialista – Cargo 2/2005) O Estado, visando


garantir a liberdade de iniciativa e a livre concorrência, dispõe de
mecanismos que reprimem o abuso do poder econômico e a
concorrência desleal.
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8. (ANP – Especialista – Área 8/2012) O pequeno e o micro


empresário são os titulares dos bens jurídicos protegidos pela lei
de prevenção e de repressão às infrações contra a ordem
econômica.

9. (ANTAQ – Especialista-Cargo 2/2005 - adaptada) A Lei nº


12.529/2011, ao estabelecer mecanismos de prevenção e de
repressão às infrações contra a ordem econômica, teve por
finalidade a proteção de bens jurídicos coletivos.

10. (Consultor Legislativo- Senado Federal/2002-adaptada) A


Lei nº 12.529/2011, que trata da defesa da concorrência, objetiva

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prevenir a formação de estruturas de mercado que possam


prejudicar a concorrência.

11. (Consultor Legislativo- Senado Federal/2002-adaptada) A


Lei nº 12.529/2011, que trata da defesa da concorrência, objetiva
reprimir condutas anticoncorrenciais.

12. (Consultor Legislativo- Senado Federal/2002-adaptada) A


Lei nº 12.529/2011, que trata da defesa da concorrência, objetiva
exercer o controle dos preços.

13. (Consultor Legislativo- Senado Federal/2002) A Lei n.º


12.529/2011, que trata da defesa da concorrência, objetiva
exercer a fiscalização das tarifas públicas.

14. (Consultor Legislativo - Câmara /2002) Em matéria de defesa


da concorrência, a competência internacional da jurisdição
brasileira é determinada de acordo com o critério do lugar de
domicílio ou de residência do acusado.

15. (ANTAQ – Especialista-Cargo 2/2005-adaptada) Uma


empresa multinacional estrangeira, ainda que possua filial no
Brasil, não pode ser submetida às disposições legais da Lei nº
12.529/2011, caso suas práticas econômicas tenham aqui algum
reflexo, porque estaria afetada a soberania do seu país de origem.

16. (Consultor Legislativo- Senado Federal/2002-adaptada) DCO


Ltda., empresa norte-americana que detém o controle acionário da
empresa brasileira Refrigerantes do Brasil Ltda., adquiriu, no
Chile, os ativos relacionados à marca Orangina, bebida não-
alcoólica, carbonatada, que era exportada para o Brasil pela
empresa Bebidas Latinas, de origem chilena. Refrigerantes do
Brasil Ltda. fabrica no Brasil duas bebidas não-alcoólicas,
carbonatadas.

Considerando as características dessa situação hipotética, é


75708747811

correto afirmar que a transação não pode ser submetida à


apreciação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica
(CADE), porque foi realizada no exterior.

17. (ANS – Especialista em Regulação / 2013) O CADE é uma


autarquia federal integrante do poder judiciário e possui a
atribuição de garantir a defesa da concorrência.

18. (ANS – Especialista em Regulação / 2013) A Lei n.º


12.529/2011 alterou as atribuições do CADE, originalmente
previstas na Lei n.º 8.884/1994.

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19. (ANAC-Especialista – Área 5 /2012) O Conselho


Administrativo de Defesa Econômica, autarquia competente para
promover a concorrência em órgãos de governo e perante a
sociedade, compõe, juntamente com a Secretaria de
Acompanhamento Econômico, o sistema brasileiro de defesa da
concorrência.

20. (ANAC-Técnico em Regulação – Área 2 / 2012) No Brasil, a


livre concorrência é fiscalizada pelo Sistema Brasileiro de Defesa
da Concorrência, formado pelo Conselho Administrativo de Defesa
Econômica (CADE) e pela Secretaria de Acompanhamento
Econômico do Ministério da Fazenda.

21. (ANEEL – Especialista – Área 3/2010) O CADE é autarquia


vinculada ao Ministério da Fazenda.

22. (ANP – Especialista – Área 8/2012) É papel do CADE aprovar


os termos do compromisso de cessação de prática
anticoncorrencial e do acordo em controle de concentrações.

23. (ANP – Especialista – Área 9/2012) A Secretaria de Direito


Econômico (SDE) não tem responsabilidade pela aprovação de
projetos destinados a reparar direitos difusos lesados, tais como
os do meio ambiente e do consumidor, uma vez que isso está sob
responsabilidade do Conselho Administrativo de Defesa Econômica
(CADE).

24. (ANP – Especialista – Área 9/2012) A Secretaria de


Acompanhamento Econômico (SEAE) é o órgão encarregado de
apreciar os atos de concentração e de reprimir condutas
anticoncorrenciais.

25. (ANATEL-Especialista – Área 12/2008) Compete ao Plenário


do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE)
acompanhar, permanentemente, as atividades e as práticas
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comerciais de pessoas físicas ou jurídicas que detiverem posição


dominante em mercado relevante de bens ou serviços, para
prevenir infrações da ordem econômica, podendo, para tanto,
requisitar as informações e documentos necessários, mantendo o
sigilo legal, quando for o caso.

26. (ANS / Especialista – Cargo 4/2005-adaptada) O Tribunal


Administrativo de Defesa Econômica é composto por conselheiros
escolhidos entre brasileiros com notório saber jurídico ou
econômico e reputação ilibada, com mais de trinta anos de idade,
os quais podem perder o mandato, automaticamente, se faltarem
a três reuniões ordinárias consecutivas.

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27. (ANS / Especialista – Cargo 2/2005) Os conselheiros do


Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) não podem
ser sócios de sociedade limitada ou de sociedade em conta de
participação.

28. (ANS / Especialista – Cargo 2/2005) É competência privativa


dos procuradores do CADE a representação legal dessa entidade
em juízo.

29. (Juiz Federal – TRF 1ª Região/2009-adaptada) A respeito da


disciplina jurídica da concorrência empresarial, assinale a opção
correta.

a) A SDE e a SEAE são órgãos vinculados ao Ministério da Justiça.

b) As denúncias de infração à ordem econômica devem ser inicialmente


encaminhadas à SEAE, que será responsável por realizar as averiguações
preliminares.

c) O Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência tem apenas um órgão


judicante.

d) A SDE é o principal órgão do Poder Executivo encarregado de


acompanhar os preços da economia.

e) A atribuição de instruir o público sobre as formas de infração da ordem


econômica é da SEAE.

30. (Juiz Federal – TRF 1ª Região / 2011) A perda de mandato


dos conselheiros do CADE só pode ocorrer em virtude de decisão
do presidente da República, por provocação de qualquer cidadão,
ou em razão de condenação penal irrecorrível por crime doloso.

31. (Juiz Federal – TRF 1ª Região / 2011) Ao presidente e aos


conselheiros do CADE é vedado emitir parecer sobre matéria de
sua especialização, ainda que em tese, podendo eles, no entanto,
75708747811

atuar como consultores de empresa privada.

32. (Consultor Legislativo- Senado Federal/2002) Entre as


competências do CADE inclui-se a de decidir sobre a existência de
infração à ordem econômica e ampliar as penalidades previstas em
lei.

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GABARITO

1. C 16. E 31. E
2. E 17. E 32. E
3. E 18. E
4. C 19. E
5. C 20. C
6. E 21. E
7. C 22. C
8. E 23. E
9. C 24. E
10. C 25. E
11. C 26. C
12. E 27. E
13. E 28. C
14. E 29. Letra C
15. E 30. E

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