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ÁGUA VIVA – QUARTAS DE PODER

Texto base: João 4.5-14 – A identidade de Jesus, p. 28.

Jesus, a luz do mundo (Jo 8.12), o caminho, a verdade e a vida (Jo 14.6),
o pão da vida (Jo 6.36), Aquele que sacia todas as nossas necessidades em
todo e qualquer âmbito da vida. Nosso Mestre e Senhor nos deixou lições de fé
e esperança, amor, respeito e solidariedade. Escolhia os rejeitados pela
sociedade, alterava valores engessados pelo peso da religiosidade e hipocrisia,
e não perdeu uma oportunidade de tocar corações e transformar vidas.
No texto que acabamos de ler, Jesus estava a caminho da Galileia e
passou por Samaria, por volta do meio-dia, onde sentou junto ao poço de Jacó
para descansar da longa jornada. Seus discípulos entraram na cidade para
comprar alimento, entretanto um enorme abismo de preconceitos separava
judeus e samaritanos – que só interagiam em caso de necessidade, mas nunca
de forma amigável. O Criador do universo, em Sua humilde fome humana,
desfalecia de fome e sede e dependia da bondade de alguém para Lhe oferecer
água daquele fundo poço. Uma mulher de Samaria se aproximou para retirar
água, parecendo indiferente ou até mesmo inconsciente da presença de Jesus
ali. Mas o Mestre, equilibrado e sábio como sempre, viu uma oportunidade aonde
só poderia existir aversão, discriminação. O Senhor pediu água, algo que jamais
era negado naquela região, mas que seria barrado pelo choque de culturas.
Jesus sabia exatamente como tocar aquele coração e pediu um favor ao invés
de oferecer. A gentileza poderia ser rejeitada, mas confiança gera confiança
(DTN, p. 184).
“O Rei do Céu chegou a essa desprezada alma, pedindo um serviço de suas
mãos. Aquele que fizera o oceano, que rege as águas do grande abismo, e abre
as fontes e rios da terra, repousou de Sua fadiga junto ao poço de Jacó, e esteve
na dependência da bondade de uma estranha até quanto à dádiva de um pouco
de água.”. (DTN 184).

A mulher é surpreendida por aquela atitude fora dos padrões sociais


daquele contexto, e questiona Jesus por isso. Quem é que gosta de sair de seu
lugar-comum, de ser abalado por uma surpresa, de ter que enfrentar uma
situação nova? Ainda mais naquelas circunstâncias:
- ela era mulher, já não tinha muito valor na sociedade;
- um judeu não se dirigia a uma mulher a menos que ela falasse primeiro;
- ela estava tentando evitar interações sociais, já que foi buscar água em um
momento que ninguém mais o fazia (era o costume buscar água ao nascer ou
ao pôr do Sol).
Ao ser questionado, Jesus revela Seu caráter divino (v.10, 11). Aquilo
gerou curiosidade, sem dúvida, mas também interesse e respeito pela pessoa
de Jesus. Ela entendeu que o misterioso homem não falava da água que ela foi
buscar naquele momento; sua fé foi despertada a buscar a água que sacia por
completo a existência. A conversa, porém, muda de assunto abruptamente,
revelando a intenção de Jesus – despertá-la de sua condição de pecado e fazê-
la contemplar Sua sabedoria. Mas ao contrário do que uma leitura superficial
diria, Jesus não foi rude ou acusador, e sim bondoso e assertivo, preocupando-
Se com o que realmente importava ao invés de manter as aparências ou
destratar a mulher. As palavras de Jesus tocaram seu coração. Ela se lembrou
das promessas do Messias, e ao argumentar isso, Jesus novamente revela algo
profundo a ela – e que emoção estar frente a frente com o Salvador da
humanidade! Sua fé não precisou de milagres para comprovar a divindade
Daquele que vos falava – ela confiou em Suas palavras e se sensibilizou à Sua
presença. Dali foi para a cidade, transbordante de Jesus, falar das boas novas
do Reino a todos. Sua vergonha não foi mais forte que o amor de Deus, não
conseguiu impedir suas palavras. De mulher desprezada por suas atitudes e seu
passado, passou a eficiente missionária em seu contexto social, antes
discriminatório. “Por meio de uma mulher a quem desprezavam, toda uma cidade
foi levada a ouvir Jesus. Ela levou imediatamente a luz a seus conterrâneos.
Essa mulher representa a operação de uma fé prática em Cristo.”. (CBV, p. 102;
FD, p. 45).
- As fontes terrenas podem até matar a sede, mas apenas temporariamente.
Nesta história a água era literal, mas a aplicação prática se realiza quando
vemos, nos nossos dias, pessoas infelizes buscando saciar-se de coisas que
não matam a verdadeira sede que sentem. Talvez porque nem sabem que sede
é essa, também porque ainda não tiveram acesso à verdadeira fonte de águas
vivas.
- O passado pode nos dar tão somente lições
Jesus mexeu em situações constrangedoras para aquela mulher com um
propósito específico: curá-la. Suas palavras calaram mais fundo que qualquer
sacerdote samaritano ou judeu. Ele evidenciou sua grande necessidade, como
ela era sedenta de algo que até então não havia sido apresentado a ela. Uma
situação que poderia facilmente causar constrangimento gerou confiança em
Alguém que é verdadeiro e bondoso, que demonstrou amor e compaixão às suas
necessidades e dificuldades; avesso ao pecado e compassivo para com o
pecador. Tratar deste assunto gerou naquela mulher sentimentos bons e a
impulsionou a tomar atitudes corretas. O confronto com o passado ou as ações
erradas tende a ser desconfortável, pega-nos de surpresa; entretanto, é o
caminho da aceitação e da mudança de valores e ações. Aquela mulher tornou-
se livre para mudar seu caminho, e foi tão profundamente tocada que contou a
todos sobre aquele encontro, mostrando a verdadeira água que sacia e
transforma aos que, como ela, estavam sedentos.
- A sede é saciada, mas nunca paramos de beber.
É impossível provar de Cristo uma única vez. “O que experimenta o amor
de Cristo, anelará continuamente mais; não busca nenhuma outra coisa. As
riquezas, honras e prazeres do mundo, não o atraem. O contínuo grito de sua
alma, é: “Mais de Ti”. (DTN, p. 187). Jesus é a fonte inesgotável pela qual nossas
necessidades reconhecidas são supridas.
- Tornamo-nos fontes de água viva para outros (v. 14)
A samaritana deixou seu cântaro no poço e voltou à cidade para anunciar
aquela preciosa mensagem que havia ouvido. Ela espalhou a luz que recebera,
tornou-se uma fonte para aqueles que ainda não conheciam o Messias. Sua
transformação levou os demais a procurarem Jesus e ouvir Suas palavras (v.
29,30). Da mesma forma que Jesus agia com empatia, colocando-Se em contato
com os necessitados, todo aquele que é alcançado pelo Seu amor e
transformado por Suas palavras buscam agir como seu Mestre, sendo também
uma ponte de esperança para os demais.

Jesus, mesmo sedento e faminto, saciou-Se ao ver a vontade do Pai


cumprida, e Seu maravilhoso amor alcançando aquela mulher.
“Nosso Redentor tem sede de reconhecimento. Tem fome da simpatia e do amor
daqueles que comprou com Seu próprio sangue. Anela com inexprimível desejo que
venham a Ele e tenham vida. Como a mãe espreita o sorriso de reconhecimento de seu
filhinho, o qual lhe revela o alvorecer da inteligência, assim está Cristo atento à
expressão de grato amor que revela haver começado a vida espiritual na alma.”. (DTN,
p. 191).

A fé genuína resulta em obras. Precisamos ter cada vez mais forte essa
consciência de que nosso trabalho no Senhor produz frutos para a eternidade.
O interesse de Cristo por uma única mulher moveu toda a cidade sedenta do
verdadeiro conhecimento sobre Deus.
“O resultado da obra de Jesus, enquanto Se sentou, fatigado e com fome, junto ao poço,
foi vasto nas bênçãos. Aquela única alma a quem buscou ajudar, tornou-se um
instrumento para alcançar outros, e levá-los ao Salvador. Esse tem sido sempre o meio
por que a obra de Deus tem progredido na Terra. Fazei brilhar a vossa luz, e outras luzes
surgirão.”. (OE, p. 195).

Que lição uma mulher outrora rejeitada nos deu! Deixando seu passado
de lado, onde não podia mais mudar, enxergou nas palavras de Jesus um novo
significado para sua vida e um feixe de esperança para mudanças reais. Mas
não se contentou em manter aquela luz escondida; esteve pronta e disposta para
transmitir a água que recebeu a outros. Não perdeu a oportunidade, assim como
Cristo não havia perdido ao alcança-la; não foi negligente, deixou-se transbordar
pelo amor que recebeu e ser também um agente de empatia e esperança.
 No coração de cada ser humano há uma sede que só Cristo pode
satisfazer. Estamos ligados a Ele por criação e por filiação. Nossa
vida saiu de Suas mãos e temos uma necessidade que transcende as
coisas materiais e sentimentais. Há uma espiritualidade que
precisa ser abastecida, uma necessidade de crer em Alguém superior.
Por isso, nossa alma tem ânsia pelo Criador.
 Assim como não pode haver vida física sem água, sem Cristo
não pode haver vida espiritual e vida eterna. Somente aquele
que O reconhece como Senhor e bebe dessa Fonte dia a dia
pode ser nutrido espiritualmente e ficar limpo das substâncias
tóxicas do pecado. Quem bebe dessa fonte a cada manhã
renova suas energias espirituais, fica desperto para ouvir a voz
do Espírito Santo e pode se libertar da ferrugem da mornidão
espiritual.

 A divina graça que só Ele pode nos comunicar é uma água viva,
purificadora e refrigerante para a alma. A presença suavizante
dessa água, fluindo pela nossa mente e coração, restaura nossa
autoestima, umidifica os relacionamentos, suaviza as dores das
incompreensões humanas, cura o refluxo amargo das nossas
mágoas, cura as inflamações do orgulho e o ressecamento da
falta de compaixão.
 Portanto, nossa maior necessidade é Cristo. Só Ele pode nos
conceder a preciosa Água da Vida porque Ele é a Água da Vida.

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