Você está na página 1de 95
Sea por Guns Umberto Eco COMO SE FAZ UMATESE “Tinto: ikon Car Cardone Som: Revo: Pino Sobrcipn Adan Cac: Produ: Rico W. NES SY Zh manne “Tule do ign iin: Come fe fat eee Sumario ‘Conyight © 1977 Cain Brie Valen Bompian& CSD. APRESENTACKO ~ Lueréle DAléso Ferre & INTRODUGAO xi 1. QUEE UMA TESE E PARA QUE SERVE 1 LL Porque se dere fazer uma ese eo queen... 1 12, Aqui inteesa ete leo, ‘ 13, Como uma ese pate ev abn sp omar ‘ 6 1 ena neon eae 14, Quaae eas ovis 22. AESCOLHA DO TEMA LL. Tese monogrifie ou tee panorimicat ee L2 Tee ntonenou tov tebe : a 213, Temar antigo ou temas conteporiseo? B 28. Quanto tempo requeriso pass er uma ie? a : 2S, Precen saber agus extgeias? 7 16, Te “cetica" oa tse poles? 7 20 ‘oat 261. Queé cenicidade 2 ie eb 262. Fema: hioncotebnicr au exports “queies"? as 163.Como.anifornar um aouito. de euldede em tema 7 ‘entfeo? 2 227, Como avitar er exporao pelo oentador LB 3. A PESQUISA DO MATERIAL 3s 7 SA. A acessblidae ds Fontes : 3s 2.1, Qua af afte de wm ahah cent? 35 3.121 Fontes de prime edesepunds mao 32. A pesquia bibliog. Reserva oe on pa Beal : [EDITORA PERSPECTIVA SA. 321 Comouar hice ‘Avenida Brigadiro Lals Antnio, 3025 eee ee ee eee 325 A ciacsobbtogafer = Se aerate TABELA 1 ~ Reso di Rep pas» Capo Bo. Fone: (11) 685-8388 Pax (O11) 88.6878 w ‘COMO SE FAZ UMA TESE 23.24. A Wot de Alenia: uma experénla TTABELA 3 ~ Obras Geri sobre o Burov Iain Mente ‘cat strrsdo Exame de Tas Elmenton de Conti TABELA 4 ~ Obras Partials tbre Teta tans $g Stole XV Tenet srs do Exame de Te mentor de Consults 125, B se for prec lero? Bim que onde? 2 4. 0 PLANO DE TRABALHO E 0 FICHAMENTO a 441.0 indice como hipster de tabatho 42. Ficate wpontameator oa (42.1. Pion tipo de has pare que seven TABELA 5 ~ Fchas de Citagser 4.22, Plhamento dt fonter privat TABELA6 —Fichade Lilo «. : 23. Asfckarde etre : ‘TABELAS 7-14 — Fics de Leura 4.24, A humildedeclentifca SA REDAGAO : $1. A quem noe digimor 6. 52 Comosela ss : : 53. ascagoes ‘ 5.3.1 Quando como cit: des reat TABELA 15 Bremplo Ane Conn on 5.3.2. Ciepten poise pli “54, Notas de odapé = : 7 S41 Pre quemrpem exnoter <2 $42. Osttome chapeonote TABELA 16" Exemolo de i com Sims Ci TARELA' if ~ Bicmpl de Bishop Pato Cones: ponent : 543. O ene elondate TABELA 18 — A Mma iia de Tate 16 Reformaach ‘om oSitema AatorDita TABELA 13"— Eemplo de ions Conepotie £5. Advetinis armada, 0s : : 36 Oomho contfico n= Saeed 6 A REDAGKO DEFINITIVA 7 6.1. Osean ions... 6:1. Margene epaciamenio G12 Quando sblnar esr maces 6:13. Pontgnfos GLa. Ampere cures nts 7 615. Sits caerfncore mailers TABELA 20 Como Tranter Alfabetor Néo Lato 6.16, Ponmopt, acento, ebvvienres = ‘TABELA 21 ~ Abevatrs mais Unadas 6.17. Alga conor eparsot s a m1 16 8 10 10 na as 1s 1 136 a7 138 mw Mas us ue we us 131 sya 1s4 62. A biogas One 63. Ovapncices 64, O'naice SUMARIO TTABELA 22 ~ Modelos e Ines 1. concLUsoES vu 1 16s 166 18 Apresentacao a Edicao Brasileira Obra Aberta, A Estrutura Ausente, As Formas do Conteido, Apocalipticos ¢ Integrados. Tratado Geral de Semidtica, Mentiras que Parecem Verdades, O Nome da Rosa: 0 fbsofo, ensaista¢ teérico da ‘comunicagéo de mast, 0 comunicdlogo, 0 stmiotctta, 0 critica, ‘0 romancista ~ iquelas obras soma-se, agora, ao alcance do pablico brasleito, Como se Faz uma Tese, Umberto Eco enquanto professor 4 extair, da sua atividade de pesquisador, os trapos que aimentam Sua relag¥o com alunos na sala de aula, ou @ mutica argicia da sua Investigagzo com as sugestées que brotam do quotidiano do profesor. [Em resumo, nfo st sabe a quem cabe a precedéncia, 20 pesquisador ou 0 professor; porém Como se Faz wma Tese €, sem sombra de divide, © relato da experincia de um pesquisador traduzid, praticamente, as formulas didaticas de um professor que conhece o fici. ‘A-experiéncia do professor que conhece as normas de um sistema conde a tes & uma imposicto legal ndo permite a0 autor menosprezar © idiculo de uma situapZo, caracteristica da “unversdade de massa", ‘que transforma o aluno em pesquisador por obrgaeso para ascender profissionalment; a esses a izonia “dos conseos degais" a tese enco- ‘mendada ou, a formula mais prtica, a cépia de uma tese feta alhures que ainda nfo tenha sido publicada. Esse risco que cerca a te ‘imposta pelo sistema italiano a0 fim da licencatura e como etapa obrigaténa para todo aquele que pretende ingresar na vida profs: sional. Essa a caracterstca da “universidade de massa” que se op3e A “universidade de elite", superada,flta para poucos, econemicamente Privilegados e culturalmente eletos pela onisciéncia de um professor tutor” que se ocupara da formasto dos génios do futuro, Destinados a ser ginios deveriam ser necesrariamente povces, asim como of ddemais, dstinados a ocupar qualquer posto profissional em um meio, provinciano, podeviam set muitos e apressador. Essassfo as caracte- Fisticas da fae de licenciatura: uma imposigdo legal destinada a crar x (COMO SE FAZ UMA TESE aquela pretensosa dificuldade final para selecionar os futuros pro. ‘sionals: universidade de massa e seus deveres soins 'No Brasil, a tese de Licenciatura no € uma norms, constitu ‘uma caracteristica particular de algumas poucas escolas que se inspi- faram currcularmente no modelo italiano e absorveram a texe de Tieencitara como um resguicio que as particulariza, além de levar © aluno a verdadeirce malabarismos para integrar a informagio de ‘isis disciplinas ministradas isladamente e, nfo raro, como compat timents estanques. Entre ns, ultrpassada a licenciatura que nfo é coroada pela fianga de uma tete, a necessidade de continuar os estudos em nivel de posgraduapio vem se impondo e, com ela, sige, com s mesma feigdo, 2 teee instituclonalizada. Porém, seus objetivos sfo outros ‘No Bras, como em outras nagGes, a necesidade de mfo-de-obra cientfica se agravou com a scelerapfo do desenvolvimento; a univer Sidade absorveu, além da atividade sistemstica de indagagfo, a preo- ‘cupapto de se tomar uma fonte de formayto para pesquisadores ats: mente qualificados. ‘Era imperioto discipinar a formapfo cientifia através das ative ddades em nivel de posgraduagSo, AX esté uma das diferengss entre 0 fistema italizno ¢ 0 brasileiro: enquanto a tese de Licenciatura italiana ‘a tia etapa a cumprit no process seletivo de formapfo de novos profisionais, a tese brasera, apresentada em nivel de pOegraduarto, onsita um exereicio de pesquisa para a formagfo de mestres e dou- tores destinados a um nivel de profisionlizapfo mai expecalizado, ‘quando nfo, A formagto do futuro professor, slicitado pela propria ‘strutura universitiria cada vez mais numeross, dverificada © pro- ‘Gurada por todas as camadas socials. No Bras as aivdades em nivel Ge pOrgraduagfo e, eu coroliro, a tese de mestrado ov doutorado, fasteram de uma urgéncia: a necessidade de titulagfo dos jorens ‘ocentes univeritsios e sua correspondents quaifieayfo como pes: ‘qusadores, ‘Atuaimente, & pbsgradusgfo braelra impte-s outra alterna: tiva: procurese tentar um afastamento da simples formalidade de ‘bienggo de um titulo, para abrt um expazo a pesquisa capaz de ‘movimentar outras mentes e acionar novas iéias; nese sentido, & ‘bvio que a grande difculdade esti em nfo permit que todo oempe- tho se perea em rotina pauco produtiva de simples remendo da forma- Go, cada ver mais pocira, que o estudante brasileiro recebe 20 longo {Se todoe os graus do seu curso secundirio« da licenciatura, No mago {da questdo, dois obsticulos: a tes como imposicfo formal para a obten- ‘elo de um tiulo (mestrado ov doutorado) ou de uma licenga Cicen- Eiatur) a tee como sltima tentativa da universdade para superar a deficiéncia de uma formardo dada para muitos, porém preparsda para poucos ‘A tase € 0 seu paradoxo: a pesquisa e a formalidade; os nicleos de investigardo e 0 Utulo, ou seja, © descompasso que existe entre ‘descobrir uma tse e fazer uma tese. APRESENTAGAO A EDIGKO BRASILEIRA x (© atual trabalho de Umberto Eco contempla a segunda pers- pectiva Fazer tese & uma operagio que se detenvolve ariscadamente pois assolada, constantemente, pela ronda de alguns fantasmas: a tese ‘Panordmica sem limites ou parimetros determinados, onde tudo cabe ra extensfo de, pelo menos, mais de 200 péginss; a repetigto das for- ‘mulaz padronizedas pelos manusis escolaes para preencher a ausincia de nfo saber 0 quevescrever, a tese fedrica que versa sobre general dades do conhecimento universal sem qualquer relevancia; @ quant. {icagdo fetichizaia por certs tendéncias cientificas que operam meca- ricamente entre tabelas © nimeros sem nada explicar dos fendmenos reals; as fontes bbliogficas de segunda mfo que substituem a litura interessada pela rapidez da informagZo obtida nas orelhas dos livros, nas antologas, nas resenhas jornalsticas e, nfo raro, nas tradug6es comeriais; o fempo: mais de dez anos, onde tudo indica que o trabalho prostegue, sfastandose continuamente de uma meta jamais atingida, ‘operese entre o dlibi e a covardia, menos de ses meses, onde qualquer coisa verve, desde que se aleance o final. Sobre todos estes fantasmas predomina o resultado que caracteriza, via de regra, a tese imposta pela estrutura académica: 4 compilagZ0 como pritica inGtil © desne- fessici, embore, quase sempre, acelta por uma espécie de inércla © comodizme, ara enfrentar esses fantasmas impde-se saber Como se Faz wma ese: uma alguimia que se aprewnta com a seguranga e a dosagem de um receituéro. A tese wansformada em objeto detemminado, mate- tial ¢ fnstitucionaimente, como um ritual: a esclha de um tema, @ felegfo dat fontes acestiveis enquanto localizapfo e compreensfo, alga método na organizaySo ¢ exposigfo dat idlas, 0 crivo do orien” tador, a redapio inteligivel, a aprecentacio, a defesa e, na melhor hip6tes,algum debate. Em suma, um exercicio de obviedades. Como se Faz uma Tete € uma panscti ditada pelo bom senso de um profesor experiente que percebe a utiidade que poder ter, ara um estudante que inicia uma tarefa, a apresentapo dela nas suas exatas dimens0es, sem alardes, preconceitos ou exageros. A expe- riéncia do profesor nfo the permite ter dusSes, dai ironia bem hhumorada que atravesa todo olivto. ‘Ao lado do Umberto Eco professor, reponta aqui ou al, 0 pes: ‘quisador que contasta a tese como objeto com a tese como invest: ‘140. Como Fazer uma Tese cede espazo para saber 0 Que é uma ‘ese, Essa presenga inquieta do pesqusador nos devolve a sequra teflexio do_pensamento flosbfico de Eco a que not acostumaram 3s obras anteriores do autor, além de apontar para um dos temas preferidos pela investgaedo semistica, ou sja, a natureza da ciéncis, seus objetivos limites. Além disto, podese considera certaestaté- ia na composigfo da obra que procuraia. desprtar, no letor ansioso de Como se Faz uma Tese, 1 cusiosidade de saber 0 que est ats do ‘objeto tes. Qutra ver 0 profesor contracena com 0 pesqusador para sugerr uma receita is evesas, uma anthrecets, w (COMO SE FAZ UMA TESE Se o fazer uma tse & uma imposicfo, norma ou lei, 2 tee é, paradoxalmente, uma atividade lidica que apanha diversas perspec: tives em contraponto, exacerba dinamicamente os contrasts nos faz descobrit nova maneira de ler ou de vero jf visto ou lio. Peculiar ra se tomar mas seguro, a mance de reflexto que incorpora, sem {alsa modéstia, 0 imprevisto, o insite, 0 distociado, a capacidade dialévica que apreende as vozes que 3© dispersam na compreensfo ‘e/ou interpretagfo dos fentmenos. Eat caracteristicas anulam, ponto por ponto, of anteriores ‘obsticulos que se apresentam para 2 feitura da texe como objeto, ou seja: a texe panorimica e, pretensiosamente te6rica, a reptiefo das formulas padronizadas, o fetiche da quantificagfo, as fontes suspetas, ‘A tese 6, em primeira mo, uma descoberta da arquiteturarefle- xdva presente ‘em toda invetigarto; logo, a ciéncia como atividade transfomese na faina atistica que inventa para revear as dimensGes invisiveis, incdgnitas, submersa, recdnditas, miltplas, sensiveis,com- plexas. Cincia e arte dialogando concretamente no dia a dia de cada gina que se volta not fichamentos bibliogréfcos, em todo conhec!- ‘mento complado na traduef0 de uma hipbtese, na ousadia de uma ‘montagem metodolégca, na humildade de quem desconfa do que des- cobriu, na soguranga de poder iralém: descoberta como invengf, rex ‘posta contida na pergunta e, sobretudo, o prazer do jogo. A Tese tem Algo aver com a invengfo. Una receta is avesas: a descoberta. Exe dltimo lance que Umberto Eco deixa, a nosso ver, propo- sitalmente subjacente em quase todo o lio, expliitese na conclusfo f apresenta, para o candidato a uma tes, uma proposta de trabalho ‘qu, srrateiramente, vai além da prépria tse Luerdla D'Alessio Ferara Introducao 1, Amtigamente,» universidade era uma univeiade de elt “Apens onion dos formadgs tina aces a ela Sa ars exces Goce gun ettdavadspuha de temp intepa A unieridade ta ESncbida ara ser crsaa com cama, parte do tempo rsewads 20: tstudon parte avs “sadios"dvertimentos galaigescos, ou tnda 2s atividades nos organismos representativos. Lp @iiadarieo wnquburlen- ’Aslgoes consti em prestigious cnferenci, aps o qe ot estudants mas inteeadon se asram com ox profesores ste tenes pts demorodos slain ~ dex, quze pesos ao mixin. ‘Ainda hop, em mutts unveridides americana, um clio nunca vomporta mas de dez ou vnte anos (auepagam bem etm Oo dieilo sum" 0 profesor sampre que 0 earn, par dct om ele). Numa unversidade come + de Oxford exito im profes Sor chavo fo, que cla da tee de psi de un tebuio ode exiudantat (bods auceder que Terie a-seu-cargo pens Un” saga por ano) ponegue da apés da osu tbh Se a atual siuaef Hilana foe abim, ofo sia necesio escrever te lv conqunto alguns dos coradhos nele conor peer ser também 2 stants “el” cana eo. Mas» univenidade itis 6, hoj, uma unbersdade de 1k chops sodas Ge tds as een sido dos mais Gerson tpos de caros secon que ts veze st ratclam em Fotta fv Letras Class depois dehaver curd una exo tan, onde jfmas estudaram pepo ov mesmo atm. E, se 6 vrdade qu oat Bo tom quaguessovenia partum semebmero de atbiade, em ompentgio i vale muito para, quem segue Flcsofia ow Lets fm detemiandoe canon, insrovemse mlhars de luton © profesor ial conte unt tint al aiuos com 0 aslo de xv (COMO SE FAZ UMA TESE seis colabordores (blistay, aitete), conte fer com que tina cnten dls tbe com reise, Maton tem bos co Sie, cred que foam numa fan ela, em cntata om um smbiente cultural estiulant, podendo permite oho de vgens esto ou Se feqentar feria wtnicos testa, © mesmo Vistar pases estangetoe Eh os ouos. Sto esuants que prove ‘enzale satan cpa o x osu de ua nia ral habitants, onde sense poplar. sttanes, Seatuddos da unverad,eszalieram «sida plitae busca eutzo tps de fomarto mas qu, codo ou tard, teto de submeterse Tobago da ts Extent muito pobres que, tala de excler tun crane, eal canto dor vos ter rston® dae “Ese € um cuame de doe mil lin” ¢ opt pelo mais basta ste dantes que sb ver poten comparcern i alse tin dieldade em schar uma carte vga na tlasupeotada © que n0 final da tua, dsr flr com o profesor, fat hi una inde tite pes ‘oxy, etm de apanhar 0 ton, pls nfo podem fear num hotel, Ete dates «quam munca se expobs como provta Inot a bibles fem qual bblotcs:eqlotemente nem seqer bem que poe Yam encontios nad nn pops cidade gnoram come se pee ‘he uma cha de requis, 1A eles, em ener, destinam ot cones conor nesta cba. Mas valem tambéa ‘pra veribulando rests» ness ne Uawenidade e-que gona de entender melhor como faniona ¢ linia dt A todos eso present tio gosta de meri ao menos dus ~ Podese preparar uma tee drat meso qu es nama sta Ai, que steven de Stina eno ou esate, ~ Podose ules oui dt (xo we eto fo eu unk Yer fot deopionante cu fant) part repent © sem do posto e prpreavo desu, enn nfv como colts de nogSes mas come sora crt de umn exper, So de una capaci (th pus oft) de etfs oo Bema, ecards com mito e expos wgnds cea ess Accomsmat, 2. Isto posto, eclarecese que este livro nfo pretonde explicar como se faz pesquisa cientifice", nem contitui uma dieussfo te6- rico-ritica sobre 0 valor do estudo, Tratase apenas de uma série €& Consideragdes a respeito da maneira de apresentar a uma banca exe. minadora um objeto fii, prescrito por lel, e composto de um determinado nimero de piginas datilografadas, que se supte tenha alguma relagfo com a diciplina em que o candidato pretende laurear “38 € que nfo mergulhe o relator num estado de doloosa estupefayf, FFigue claro, igualmente, que o livro fo poderh dizer a nim suém 0 que colocar na tee liso corre por conta de cada um. O livre meTRoDUGKO Ww dirk apenas: (1) o que se entende por tse; (2) como escolher o tema organizar 0 tempo de trabalho; (3) como levar a cabo uma pesquisa bibliogsifics; (4) como dispor 0 material selecionado; (5) como dis- por a redapfo do trabalho. E a parte mais precisa é justamente fltima, embora possa parecer a menos importante: porque € a Unica ‘ara a qual existem regras bastante precisa. 3.0 tipo de,tese a que nos referimos neste livro é 0 que s© efetua nas faculdades de ciéncias humanas. Dado que minha expe- ‘bnela se limita as faculdades de letras flosofia, & natural que 42 maior parte dot exemploe se rfira a tomas nelas estudados. Mas, dentro. dos limites que 0 lio se prop6e, os critrios sugeridos s¢ prestam igualmente a teses normais de cidncias politica, educapdo t dveito, Se se tratat de tees histricas ou de teora geral,e nfo expe rimentais ¢ aplicadas, o modelo servirl igualmente para arquitetura, economia e algumas faculdades de cincias. Mas nestes casos € neces: Sirioalguma prudéncia, 4. Enquanto este livro estava sendo publicado, discutiase a reforms universitiria. Falavese em dois ou ts niveis de graduarfo. Podemos not perguntar se tal reforma mudari radialmente ‘oconceito em side tse. (On, se tivermos virios niveis de graduagdo ¢ se 0 modelo for utllzado ‘na maioria dos paises estrangelros, verificarsed uma situa. fo wemelhante a descrita no primeiro capitulo (1.1). Isto é tere Ios teses de Licencatura (ou de primero nivel) e teses de Dour torado (ou de sogundo nivel). Os consethos dados aqui dizem respeito a ambas ¢, no caso ‘de existrem diferengas entre uma e outa, elas serdo exclarecidas. Sulgamos, pois, que o que se diz nas piginas que se seguem se aplica Jgualmente no ambito da reforma, em especial no Ambito de uma Tonga transi rumo A concretizagfo de uma eventual reforma, 5. Cesare Segre Jeu os origins datlogafados ¢ fexme algu- mas aigestdes. Como acolhi mutat delas, ¢ quanto a outras obsti- fnekme em minha posefo, ele nfo € responsive pelo produto final. Naturalment, agradegorhe de corato. 6. Uma derradsira adverténcia. discurso que se segue 6, obvia- mente, tanto para estudantes do sexo masculino quanto do sexo femi nino. Como em nosa Lingua (italiano) nfo existem expressdes nev tras vilidas para ambos 0s sexos (os americanos utlizam cada vez mao lrmo Person, mat par nei lel er“ peon festudante” (le persont studente) ov “a pessoa can persona ‘andidata) limitome a falar sempre de estudante, candidato, profes sor e relator. Nao vai nese uso gramaticl qualquer discriminagso de sexot * oderses peruntarme por qu eto fo ue profesor, candidat te. porque tabula bueado ear notas © expenénlat pesont © an me ‘denungu maton 1.Que 6 umaTese e para que Serve 1.1, POR QUE SE DEVE FAZER UMA TESE E 0 QUEELA Uma tese consste mum trabalho datllogafido, com extensfo média variando entre cem e quatrocentas laudas, onde estudante aborda um problema relacionado com 0 ramo de estudos em que pretende formarse. Segundo a lei italiana, ela 6 obrigatori. Apés ter terminado todos os exames prescitos, o estudante apresenta a teie perante um banca examinadora, que owe o comunicado do ree tor (@ professor com quem “se (aa tse) ¢do-ou do dos ote afore, os_quais Tevantam_algumas objeOes a0 candidato; nasce Gat Un eERS gue tanber cme os dems membros da bance ‘Com bate nas palavras dos dois relatores, que atestam 2 qualidade (ou 0s defeitos) do trabalho escrito, ¢ na capacdade demonstrada pelo candiato. 20 sustentar as opinides expressas por esento, la horase o veredicto da banca. Calculando sinda a média dos pontos ‘obtidos nos exames, a comiido atribui uma nota a tese, qué pode ir-de um minimo. de 65 2 um miximo de 110, com lower. Tal & a0 menos, a reqra sepuida na quase totaldade das faculdades de cténcas umanas. Descrevemos as caracteristcas “externas” do. trabalho @ 0 ritual em gue se insere, mas pouco falamos quanto 4 natureza da tese, Antes de tudo, por que a universidade Italiana exes, como com igo para a formatura, uma tese? Sabese que est ctitéio nfo ¢ sepuido na malora das univer sidades'estraneiras Em algumas, existem virios nels de gradu 0, que podem ser alingdos tem teses; em outra, hi um primetro nivel, corespondente,grosto mado, 4 nos formatur, que nfo dé Aireto. a0 titulo de *Doutor” e que pode ser aingdo seja com 8 Série de exames apenas, sje com uma pré-tese mals modesta, em 2 ‘COMO SE FAZ UMA TESE futras, ainda, hi dversos niveis de doutoramento, que requerem trabalhos de diferente complexidade,.. Via de cegra, porém, a tese propriamente dita & reservada a uma espécie de supraformatura, 0 putorado, procurado 36 por aqueles que desejam aperfeigoarse € especaliza-se como pesquisadores cientificos. Esse tipo de douto- rado posit vécios nomes, mas doravante vamos refertnos a ele com tuma Sigla anglosaxdnica de uso quate intemacional, PRD (que sig nifica Philosophy Doctor, Doutor em Filosofia, embora designe qual quer espécie de doutor em cigncias humanas, do socidlogo 20 pro- fessor de grego; nas matérias nfohumanistas usamse outras siglas, ‘como por exemplo Medicine Doctor) ‘Ao PhD se opbe algo muito parecido com nossa formatura, «que passaremos a indicar com o termo “Licenciatura” AA Licenciatura, em suas diversas formas, encaminha o estu dante para 0 exerccio da profissio; a0 contririo, o PAD o encs- minha pra a atividade académica, isto & quem obtém um PhD quase sempre empreende a carreira univrsitiri [Nas univrsidades deste tipo, a tese & sempre de PRD, tese de outorado, e constitui um trabalho original de pesquisa, com 0 qual © candidato deve demonstar ser um estudioso capaz de fazer ava ‘ar a disciplina a que se dedica. E, com efeito, ela nao 6 elaborada, Como entre nbs, aos vinte e dois anos, mas bem mais tarde, Bs vezes mesmo. aos quarenta ou cingienta anos (embora, & claro, existam PhDs bastante jovers). Por que tanto tempo? Porque se tata efe- tivamente de pesqulta origina, onde & necessiio conhecer a fundo © quanto foi dito sobre o meso argumento pelos demas estudiosos. Sobretudo, & necessrio “descobrir" algo que ainda nao foi dito por les. Quando se fala em “descoberta", em especial no eampo huma- rista, Jo cogitamos de inveng8es fevolucioniios como a desco- berta da fissfo do tomo, a teoria da relatvidade ou uma vacina con tta 0 cincer: podem ser descobertas mais modestas, considerando-se resultado “cientifico” até mesmo uma maneira nova de ler e enten- der um texto clissico, a identificagdo de um manuscrito que langa nova luz sobre a biografia de um autor, uma reorganizacdo e rele tura de estudos precedentes que conduzem 2 maturapzo e sistema tizagg0 das idéas que se encontravam dispersas em oUtros textos. Em qualquer caso, 0 estudioso deve produzit um trabalho que, teo- ricamente, os outros estudiosos do ramo no deveriam ignora, por (quanto diz algo de novo sobre o asunto (ef. 26.1). ‘A tese@ italiana & do mesmo tipo? NZo necessariamente. Com feito, sendo o mais das vezes elaborada entre os 22 ¢ 05 24 anos, sinda’ durante os exames unversitirios, 0 pode tepresentar a conclusSo de um trabalho longo e meditado, prova de uma com pleta maturagfo. Sucede, assim, aparecerem tees de formatura (Feiss por estudantes bem dotados) que constituem verdadeiras teses de PhD, e outras que nfo chegam & esse nivel. Nem a universidade quer Semelhante coisa a todo custo: hi boas teses que nfo sfo de per auisa, mas de compilado, ‘QUE € UMA TESE & PARA QUE SERVE 3 Nama tes de compiago,o esudante apents demonstra haver ompulsad caticamente a mar parte da “itratura” existent (30 das publesbes sobre aqelesmunto) tr sido caper de expel de" medio clare, buscando Rarmoniar or vitos pont de vista ¢ oe, tecendo. asim uma visto panorimica inteligent, ter Stl 400 sepecio informative mesmo para un especie o ramo que, com fespeitouele problema especiico, jamais tena efetuado’estr dosaprofundador aqui cabe uma princi adverténi: podese fazer uma tse dle complaslo ou uma Yee de pespuse, una tse de Lcencata on de PHD. Uma ese de pesquisa € sempre mais longa, fatigante abso vente; também uma’ tse de complso. pode set longa e cansatha (existem trabaos. de complgdo. que Semandaram visio ano) smasem geal exge menor tempo € menor rico, ‘io qu isto dace que quem faz uma tee de compigtofeche « caminho paras esquss;» somplagto pode constr um ato de Seredade da part do jovem pesqusador que, antes de propriamente inl peguba, deg elas agus ta, Sovunent or outo lado, extem tise pretenamente de pesquisa que 0 contro, feitas fs pres, sf0 de mk qualidade, intam 0 llor ¢'em mada benefciam quem a cabors, ‘Asi, pos 2 eiclhaente tes de compisio tse de pes auisa prendese a matrdade e 4 capsctade de taalho do cand do. Com ffegincia ~ ¢ lamentveimente — ests liga tanblm 2 fatores econdmices, pot sem vida um estadane que (aalha Aispbe de menos tempo, ena e até dinheiro para se dedicar a longas pesquiss (que mutter sexes implica a. aquisgao de vos rroy aro, gem pre cntos ou biblioteca etangelo,€ por for) Contato, nfo, podemos, mo present lo, dar conslhos de cordem econdmics. AE hé pouco tempo peta era, no. mundo inte, peo de estudantessbastados, Tumbum ng s pode det, hue simples existéncia de bois de esto, boas Ge viagem, mam teneo-em univeridadesextrangeis etc, esdham 0 problema de todos” O ida! sera uma sociedade mais just onde estudar Tose trabaho ago plo. Estado. igules que verdsdeinmentetvessem Yor pts oto ccm qe nfo ose esi too ao o canudo™ para se arrnr emptego, ober promoyao ov pasat frente dos outros num eancino. ns PomwH® 8 PB Mas unversidae italiana, ¢ a socedade que ela expla, & peo a ie ate: tno ose Tet voto qe Ss estudanes de toda as laser cenigam Requntsla sem bet Ho deste eat av mans de fie ums os tee, calulando © tempo © st nein dispose tanbem a ncayso de cada um. i" aeerverauins ie one ‘ (COMO SE FAZ UMA TESE 1.2, A QUEM INTERESSA ESTE LIVRO Nestas condides, podemos pensar que existem inimeros est- dantes obrigados 2 preparar uma tese, para formarse logo obter ‘0 seatto di grado que o levou a se matricular na univeridade, Alguns destes estudantes tém quarenta anos. Eles pedem instrugses sobre como preparar uma tess em um més, para Uirarem uma nota qual quer € sar da universidade. Cumprenos esclarecer agora que este livro nao é para eles. Se esas sfo as suas necessdades, Se sfo vitimas de uma lepslaggo paradoxal que 0s obriga a doutorarse para resol ver dotorosas quest6es econémicas, € preferivel optarem por uma das Seguintes vias: (1) investr uma quantiarazotvel para que Outos fagam, 8 ese por eles; (2) copiat uma tese jf pronta hd alguns anos em outra ‘unversidade (nao convém copiar uma obra ji publicada, mesmo numa lingua estrangeira, pois © 0 docente for razoavelmente bem infor- mado deveri saber de sua existéncia; mas copiar em Milgo uma tese feita em Catinia oferece razofveis possiblidades de éxito; natura mente, & necessirio inforinarse primeiro se o relator da tese, antes de lecionar em Milf, nfo deu aula em Catania: donde mesmo copiat ‘uma tese implica um ineligente trabalho de pesquisa). Claro esté que os dois conselhos acima so ilegai. Seria como dizer: “Se voct for a0 pronto-socort, ferido, e o médico se recusar 4 atendélo, metadhe uma faca na garganta” Em ambos os casos, tratase de atos de desespero. Nosso conselho foi dado, a titulo para. doxal, para reafirmar que este livro no intenta resolver os graves problemas de estrutura socal ede legiaedo existenes Destinase aqueles que (mesmo nfo sendo milionétios e nfo tendo a disposcgo dez anos para formar-se, depois de haver cortido (© mundo todo), com uma razoivel possibilidade de dedicar algumas horas didras 20 estudo, quetem preparat uma tese que Ihes dé certa satisaggo intelectual e thes sirva também depois da formatura. E qu, fixados os limites, mesmo modestos, do empenho proprio, que- rem realizar um trabalho sério, Podese executar seriamente até uma colegso de figurinhas: basta fixar o tema, of critéxios de edtaloga. 540, 0s limites histOricos da colegzo. Decidindose ndo remontar lem de 1960, otimo, pois de 14 para cé as figurinhas no faltam, Hiaverd sempre'uma diferenga entre essa colepso e o Museu do Louvre, ‘mas melhor do que fazer um museu pouco sério & empenharse a sério numa coleggo de figurinhas de jogadores de futebol de 1960 a 1970, Tal eritrio € igualmente vido para uma tese de doutoramento, 1.3, COMO UMA TESE PODE SERVIR TAMBEM ‘APOS A FORMATURA, Hi duas manciras de fazer uma eve que se torne dil também aps a formatura A primeira ¢ fazer dela 0 inicio de uma pesquisa sais ampl, que prose nos anos suns, desde que hat por (QUE UMA TESEE PARA QUE SERVE 5 Mas hi também uma segunda manera, que pode ajudar o dire- tor de um organismo de turismo local em sua prfissfo mesmo que fenha elaborado uma tese com o titulo: "De Fermo a Lucia” aot" romessi Sposi’. Com efsto, elaborar uma tese significa: (1) iden tiffear um tema preciso; (2) reeolher documentagio sobre ele; (3) por em ordem estes documentos; (4) reexaminar em primeira mio © fema a uz da documentaeio fecolhida; (5) dar forma orginica a todas a8 reflexdes precedents; (6) empenharse para que 0 leitor compreenda o que se quis dizer e posse, se for o caso, recorrer & mesma documentagdo a fim de retomar o tema por conta propria Fazer uma tese significa, pois, aprender a por ordem nas pré- prias idéias © ordenar os dados: ¢ uma experncia de trabalho meto- ‘ico; quer dizer, construir um "objeto" que, como principio, porsa também servir 20s outros. Assim, ndo importa tanto'o tema da tese quanto « experiénca de trabalho que ela comporta. Quem soube Gocumentarse bem sobre a dupla redagfo do romance de Manzoni, saberd depois recolher com méiodo os dados que the servirdo no forganismo turistico. O autor destas linhas jf publicou uma dezena 4e livros sobre vésios assuntos, mas se logrou executar os dltimos rove & porque aproveitou sobretudo a experincia do primeiro, que era uma reelaborardo de sua tese de formatura, Sem aquele primeiro trabalho, nfo teria conseguido fazer os demais. E, bem ou mal, estes refletem’ ainda a maneira com que aquele foi elaborado. Com 0 tempo, tornamo-nos mais madutos, vamos conhecendo mais cols, porém’ 0 modo como trabalhamos nas que sabemos sempre depen: deri da maneira com que estudamos no inicio muitas coisas que Ignorévamos. Enfim, elaborar uma tese & como exercitar a meméria. Temola boa quando velhos se a exercitamos desde a meninice. Endo importa se a exercitamos decorando os nomes dos jogadores dos times da Divisio Especial, os poemas de Carducci ou a série de imperadores tomanos de Augusto a Romulo Augusto. Por certo, se 0 c4s0 for ‘aprimorar a meméria, € melhor aprender coisas que’ nos intressam ‘ou nos sirvam: mas, por vezes, mesmo aprender coisas initeis cons titul bom exercicio. Analogamente, embora sea melhor fazer uma {ese sobre um tema que nos agrade, ele & secundério com respeito ‘ao método de trabalho experizncia dai advinda, ‘Ainda mais: abalhado-se bem, nfo existe tema que seja ver dadeiramente estipido. Conclusbes teis podem ser extraidas de lum tema aparentemente remoto ou periférico. A tese de Marx nfo foi sobre economia politica, mas sobre dois flsofos gregs, Epicuro © Deméerito. E isso ndo foi um acidente de trabalho. Marx foi tak vex capaz de analisar 0s problemas da historia e da economia com a energia tedrca que conhecemos exatamente porque sprendeu pen Sar sobre of seus flbsofos gzegos. Diante de fantorextudantes que se iniciam com uma tese ambiciosssima sobre Marke scabam num eseritrio das grandes empresas capitalists, é preciso ever os concetos {que se tém sobre utlidade, atualidade © empenho dos temas de tesa 6 (COMO SE FAZ UMA TESE 14 QUATRO REGRAS OBVIAS Pode acontecer que o candidato fara 2 tese sobre um tema mposto pelo professor. Tais cosas ever se evitadas Nao estamos nos referindo, evidentemente, 20s e3s05 em que © candidato busca 0 conselho do mestre, Aludimos antes ou aque- Tes em que a culpa é do profesor (ver 2.7, “Como evitar que o relator se aproveite de voce"), ov Aqueles em que a culpa cabe a0 candi- dato, privado de interese ¢ disposto a fazer mal qualquer coisa para se verlive dla o mais depress posivel Ocuparnasemos daquelas situagoes em que se presume a exis téncia de um candidato movido por certosinteresses © um professor disposto a interpreta suas exigéncias [estes casos, a egras para a escoha do tema sf quatro: 1) Que 0 tema responda aos interesses do candidato (lgado tanto 40 tipo de exame quanto as suas leituras, sua atitude politica, cultural ou religiosa) 2) Que as fonts de consulta sejam acessves, isto 6, esejam ao aleance ‘material do candidate; 3) Que as fontes de consulta sejam manejiveis, ou ses, extejam 20 ‘alcance cultural do candidato;, 4) Que 0 quidro metodoligico da pesquisa estja ao alcance da expe iéncia do candidato, Assim expostas, estas quatro regras parecem banais ¢ resumt veis na norma "quem quer fazer uma tese deve fazer uma tese que ‘ste altura de fazer" E, de fato, & exatamente asim, e sabese dle exes dramaticamente abortadas justo porque nfo se soube colo- caro problema ineil em termas tfo bbvios! Os capitulos que se seguem tentargo fomecer alguns conse thos pa ete er FS uma tee gue sb on 1, Poderemos srescentar wine guint tert: que © profesor tele ade ‘quad. ‘Com fet, hi cadsatos que, por tases de sinpata ou reg, ‘orem fuser Som docente da tna Alama tem que om vedade& da ma fin BO dosent seats (por smpatia wadade ou destenezo) © pols NEO Se 2. AEscolha doTema 2.1. TESE MONOGRAFICA OU TESE PANORAMICA? A primeira tentapdo do estudante ¢ fazer uma tese que fale de muita coisas. Se se interessa por literatura, seu primeiro impulso {@ escrever algo como A Literatura Hoje. Tendo de restringir 0 tema, cexcolhers A Literatura Italiana do Pésguera aos Anos Sessenta. ‘Teses desse tipo so perigosissimas Estudiosos bem mais velhos se sentem abalados diante de tais temas. Pera quem tem vine fe anos, o desafio & impossivel Ou elaborard uma enfadonhe rese- nha de’ nomese opiniges correntes ov dari a sua obra um corte orginal ¢ se veré acusado de imperdoiveis omis6es O grande cri- {ico “contemporineo Gianfranco. Contini publicou em 1957 uma Literatura Talia dos Séculos XVIII e XIX (Sansoni Accademia) Pois bem, se se tratasie de uma tese ele seria reprovado, emora seu trabalho conte com 472 piginas impresss. De fato, poderseia acu- stlo de descuido ov ignorincia por nfo haver Gitado nomes que a maioria considera muito importantes ou de haver dedicado capi {ulos inteiros a autores considerados “menores" ¢ breves notas de rodapé autores tidot por “malores™. Naturalmente, tratandose de um estudioso cujo preparo teérico © argicia critica so bem conhecidos, todos compreenderam que tis exchusses e despropor (es eram propositas, ¢ que a ausincia era crticamente muito mais Clogiente do que uma fipina de critica impiedosa © demolidora. Mas se a mesma brincadera for feita por um estudante de vinte € ols anos, quem garantict que em seu siléncio esteja muita maliia que as omissdes substituem piginas eriticas eseritas alhures — ou (que © autor sabia esrover? Em teses desse género, o estudante costuma acusar os mem- bros da banca de n§0 to compreendide, mas estes ndo podiam ® (COMO SE FAZ UMA TESE compreendélo, razfo pela qual uma tese muito panorimica cone titul sempre Um ato de orgulho. Ndo que o orgulho intelectual — numa tese — deva ser condenado a priori. Podese mesmo dizer aque Dante era um mau poeta: mas cumpre dizélo depois de pelo menos trezentas péginas de cerradas andlises dos textos dantescos. Estas demonstragdes, numa (ese panorimica, nfo podem ser feta. Eis por que sera entfo oportuno que o estudante, em vez de 4 Literatura Tealina do Pésguerra aos Anos Sesventa, escolhesse um titulo mais modesto. Digothes jé qual seria a eal: nfo Os Romances de Fenoglio, mus As Diverss Redagdes de “I! partiiano Johnny”. Enfadonho? E possivel, mas camo desafio é mas interessante. Sobretudo se se pensar bem, tratase de um ato de vetha catia, Com uma tose panorimica sobre a literatura de quatro déce- das, 0 estudante se expde a toda sorte de contestagdes possivets. Poderi 0 relator, ou um simples membro da banca, resist 2 ter ‘ago de alardear seu conhecimento de um autor menor, nfo citado pelo estudante? Bastard que os membros da banca, consultando 0 Indice, descubram trés omissdes para que o estudante se tome alvo de uma rajada de acusap6es, que farfo sua tes parecer um conglo- rmerado de coisis dispersas’ Se, 40 contririo, ele tiver trabalhado seriamente sobre um tema bastante preciso, estar as votas com umm ‘material jgnorado pela maior parte dos juizes. Nio estou aqui suge- rindo um truquezinho rele; talver seja um truque, mas no rees, por que exige esforgo. Acontece apenas que o candidato se. mostra esperto™ diante‘de uma plattia menos esperta que ee, ¢, visto terse esforgado para so tornar esperto, nada mais justo que gozar as van tagens de semelhante situaglo, Entre os dois extremos da tese panordmica sobre quatro décs- das de literatura e da tese rigidamente monogréfica sobre variantes de um texto curto, exister muitos estados intermediirios. Poder se-fo, assim, determinar temas como A Neovanguarde Literiria dos Anot Sewsenta, 04 A Imagem das Langhe em Povese e Fenoglo, ov tinda Afinidades e Diferencas em Trés Autores “Fantistcos":Savnio, Buzzatie Landolf. Passando as faculdades clentificas, damos um conselho apl- clvel a todas as matériss: © tema Geologia, por exemplo, & muito amplo. Vulcanologi, como ramo daquela disiplina, € também bastante abrangente. O5 Vuleoes do México poderiam ser tratados mum exercicio bom porém um tanto superficial. Limitandose ainda mais 0 assunto, {eriamos um estudo mais valioso: A Historia do Popocatepet! (que tum dos companheitos de Cortez deve ter etalado em 1519 ¢ que %8 teve uma erupedo violenta em 1702). Tema mais restito, que diz respeito a um menor nimero de anos, seria O Nascimento e a Morte Aparente do Paricutin (de 20 de fevereiro de 1943 a 4 de marco de 1952)! [ABSCOLHA DO TEMA 9 ‘Aconseharia 0 ultimo tema. Mas desde que, 2 esse ponto, 0 ‘andidato diga tudo que for possvel sobre o malitovulcso. Hi algum tempo, procurousme um estudante que queria fazer sua tese sobre O Simbolo no Pensamento Contempordneo, Era uma tese impossivel. Eu, pelo menos, nfo sabia 0 que poderia ser “sim bolo": ese termo muda de significado conforme o autor, e is vere, ‘em dois autores diferentes, pode querer dizer duas coisas absoluta ‘mente opostas. N@D se esquesa que, por simbolo, os logicos formals ‘ou os matemiticos entendem expressdes privadas de significado, a ‘ocupar um ugar definido, uma fungso precisa, num dado cdlculo Fommalizado teomo os ae b ov x e'y das formulas algbbricas); en quanto outros autores entendem uma forma cheia de significados aambiguos, como ocorre nos sonhos, que podem refeitse a uma frvore, a'um 6rgio sexual, 20 desejo de prosperar etc. Como, pois, fazer uma tese com semeinante titulo? Seria preciso analsar todas as aceppbes do simbolo na cultura contemporines, fazer uma lista ‘que pusesie em evidéncia as afinidades e disrepinclat dessat acep- 70s, exmiugar se sob as disrepéncias nfo existe um eonceito unk tirio fundamental, recorrente em cada autor ¢ cada teoria, © se a5 diferengas nfo tomam incompativeis entre si as teorias em questo. Pois bem, neshum flosofo, linguista ou psicanaista. contempo- neo conseguiu ainda fazer uma obra dessa envergadura de modo satisfatéri. Como poderi se sair melhor um estudante que mal comega a teryar armas e que, por precoce que seja, nfo tem mais dde ses ou sete anos de letura adulta nat costs? Podera ele, ainda, fazer um discurso parcialmente inteligente, mas estariamos de novo ‘no mesmo caso da literatura italiana de Conti. Ov podera propor uma teoria pessoal do simbolo, deixando de lado tudo quanto hhaviam dito os demals autores: no parigrafo 2.2, todavia, diremos quio discutivel & essa escolha. Conversamos com 0 estudante em uestio. Seria 0 caso de claborar uma tese sobre 0 simbolo em Freud © Jung, abandonando todas as outras acepedes e confron- tando unicamente as deses dois autores. Mas descobrimos que 0 estudante nfo sabia alemfo (¢ sobre o problema do conhecimento de linguas estrangeras voltaremas a falar no parigrafo 2.5). Dect divse entfo que ele se limitaria a0 termo O Coneeito de Simbolo ‘em Peirce, Frye ¢ Jung. A tese examinaria as diferengas entre trés conceifos homénimos ‘em outros tantos autores, um flésofo, um critico © um psicdlogo; mostraia coma, em muitas andlises sobre estes tbs autores, se cometem inimeros equivocos, pois se atribui 41. um 0 significado usado por outro. S6 no final, a titulo de conclu- Sfo hipotética, o candidato procuraia extair'um resultado para mostrar see quais analogias existiam entre aqueles tres conceitos hhombnimos, aludindo também a outios autores de sev conheci 1, CW. Cooper ¢ EJ. Robins The Term Papend Manual and Model, ‘Stanfor, Stanford Univesity eis 40d 1967, P 0 COMO SE FAZ UMA TESE et, og pot xt mit do tema fo gui af in ovuparse. Nn i dizerihe que nfo levara em conta © tStor K porque ate ew sobre X. Ye Zum que cits o utr J {apenas ent taduplo, pote tatara de simples mengto, par cone, ab paso que a Ge pretenda esudar amplamente © no original Unt amen os ués ators etados no titulo, is a como uma tee panorimica, em se tomar rigorosamente monogpifica rout tao tanmo,seliel pr todon Fique claro, ands, que o termo “monogsiico” pode ter uma scepeio mais vsia que a usada aq Uma monografia €» aboris fem de um 6 tema, como tal se opondo uma "historia de", 2 um Ihara, a_uma enciclopédia Dal ser também monogifio um tema como 0. Temi do “Mundo és Avesas” nos Exentores Medien WMultossf0 os excttores anaisados, mas apenas do. ponto de vita de um tema eapecico (ato ¢, 2 hipotew imapindra, propsta title de exemplo, de paradoxo ou de fabula, de que os pts voum, os pisaros nadam ete). Se bem exccuado, exe trabalho podera dar uma tina monopafla. Ma, para tant, € pecigo leva em conta todor or esritoes que tataram’o tems, em especial‘os menores, Aqueles de-quem ninguém se Tema. Assi, tl tes se cassia fomo monogifice panordmica e seria diefina: exigtia uma inf nidade ‘de lures Cato se pretendese fala de qualquer modo, feria entfo forgoso resingit 0 campo: O Tema do "Mundo dt ‘Aveses" not Poets Caolingor. Um campo resingese quando tabs o que coaservar eo que ect. Claro estd que ¢ mito mals exctante fazer a ese panort rica, poit que antes de tudo parce sborrecdo ocuparae durante Um, das ou és anos sempre do mesmo autor. Mas devese tet em mmcnte que fazer una {ese dgorocamente monogeifia mio agua perder de vista © panorama Fazer uma te sobre. carat de Fenoglo significa ter presente o reali italiano, nfo dear de let Fave ov Vittorni, tem como analbar esritres arerieanoe lidos ¢ traduider por Fenogl, $0 explcamor e entendemos um ator ‘quando o inserimos mum panorama. Mas una coin € usar um pano- fama como pano de fundo, e outta elaborar um quadro panrsmico, Un cota itr oat de un cra abe 0 nda ew campo cortado por tm repato, © outs pintr campos, valet © egy ton Tem de mndar a tie, tm de imodat, em tenon fotop fox 0 foeo. Purtindose de um Gnco autor, 0 panorama, pode af frarie um tanto desfocato, incomplete ou de segunda nfo. Em sums, recordemos este principio fundamental: quanio ‘nai 2e resrnge 0 campo, meDior e com mas seuran se aba, Uma tese monoprifiea€ preferivel a uma tse panorimica & melhor (ge a te be aeenebe 2 um enalo do que a une hia ous una heiclopedia. A ESCOLHA Do TEMA " 2.2, TUSE HISTORICA OU TESE TEORICA tes altemativa sO vale para algumas matérias. Com efeito, em discipinas como Historia da Matemética, Filologia Romdnica cu Historia da Literatura Alemd, uma tese sb pode set histérica. Em outras, como Composigdo Arquitetdnica, Fisica do Restor ‘Nuclear ou Anatomia Comparada, fazem-se comumente tees tee ricas ou experitentais. Mas hi outras disciplines, como Filosofia Teorttiea, Sociologia, Antropologia Cultural, Estetica, Filosofia do Direito, Pedagogis e Direito Internacional, onde & possivel fazer 05 ois tpos de tse ‘Uma tese te6rca & aquela que se propde atacar um problema abstrato, que pode {6 ter sido ou no objeto de outras reflexes: natureza da vontade humana, 0 conceito de liberdade, noo de papel social, 2 existincia de’Deus, 0 cbdigo genético, Enumerados assim, estes temas fazem imediatamente sori, pols se pensa naqueles tipos de abordagem a que Gramsci chamava “breves acenos 20 unt verso". Insignes pensadores, contudo, se debrugaram sobre estes temas. Mas, afora taas excegbes, fzeramno como conelusdo de um trabalho de meditagso de viriasdécadas. [Nas mfos de um estudante com experncia cientifica necer sariamente limitada, tais temas podem dar origem a duas solugbes, ‘A primeira (que ainda » menos trigica) € fazer a tese definkla (20 parigrafo anterio) como “panorimica”. E tratado 0 conceito 4de papel social, mas em diversos autores. E, 2 este respeito,valem a8 observagtes jé feitas A segunda solugéo preocupa mais, porque © candidato presume poder resolver, no ambito de umas poucss Paginas, o prob‘ema de Deus e da definigfo de liberdade. Minha expe. néneia me diz que os estudantes que escolhem temas do género acabam por fazer teses brevissmas, destituidas de aprecitvel orge rizagdo intema, mais proximas de um poems lirico que de um estudo cientifico, E, geralmente, quando se objeta a0 candidato que o discurso esti demasiado personalizado, genéric, informal, pri vado de verificaydes historiogrficas e eitapdee, ele responde que nfo {oi compreendido, que sua tev ¢ muito mais inteligente que outros exercicios de banal complagio. Isto pode sr verdade; contudo, ainda luma vez, a experizncia ensina que quase sempre essa resposta pro- vvém de ‘um candidato com idéias confusas, Sem humildade cient fica nem capacidade de comunicapso, O que se deve entender por Inumildade cientifia (que no & uma virtude dos fracos, mas, 10 contrério, uma virtude das pessoas orgulhosss) seré dito’ no. pare grafo 4.2.4. E certo que nZo se pode excluir que 0 candidato seja tum génio que, com apenas 22 anos, tenha compreendido tudo, ¢ & evidente que estou admitindo esta hipdtese sem qualquer sombea 4 ironia. Ssbese que quando um ginio desss surge na face da terra 4 humanidade ngo toma consciéncia dele de uma hora pars outta; sua obra é lida e digeride durante alguns anor antes que se desc bra a sua grandeza. Como pretender que uma bance ocupada em 2 comose Faz UMATESE examina lo uma, mat inimers tee, se aperctba mediatamente himagniade doe coredor satire? Mas auponhanos hipiese deo exudante estar cbnsio de ter compreentida im problema expt dado gue rads prover Jo nada, ee tek aborado sels pentamentos sob infuéncia de outos ores Tranfoma eno sun ew tba em ese htop, ito dea de lado © problema do ser, noo de berdade ou 0 onceito Ge agfo soca, para desenaiver temas como O Problems Sb Ser no Prieto Heeger, A Nopdo de Liberde em Kant oi 0 concede Ago Socal em Parana. Sever eas original, eas ‘irtotona tambim no conronto com sibs do autor trata Multa cous nora se pode der sobre'a Ubedade etudandose a manera como outro a abordou. E, aes aisr, agulo que deve Ses fo tenes 00 eno ora xp fn emt tre historogifea.O renlado ser qu toe podedo contol Ore in, poo coe feidon» uh peat ee dente) que. poe em jogo srfo publiamentecontoivesE sifil movers no ico ein udu tb fo, Compre enc ttar um pono. de spon, prncipemente para problemas So vagos Como # nog de ser de iedage. Meso para 0 gto, «sob tudo pura le nada hi de humhante em parr de outa autor, pol ‘to nfo spss fetches, acs, oa repoduir sem cela as fuss sfkmagss, podese prt de um ator para damonstar ses trose liagoes. A quetao trum pono de apt. Os mele com seu exgenid fexpelo pela atoidade dos pe or modern, embora 0 i ago inem "ane thls tomavarrse “anes em embros de Gites" dee odo, am mais alem do qu seus redecewoces, Todas esas obiraes nfo fo vist para mathias alk cadus ¢ experiment. Nota tse de paologn salematia nfo € ents © Problems da Prcepeto em Paget e O Problema de Pecepeto Ganda qos aipom taprodente quien propor um tema So gr seamente ergs). alterativa pra a tee hstrogifie &, antes, Stie experimental A Prep dat Core em um Grupo de Gx fat Retardadas hg 0 disco muds, pols ho det de enter {ar expermentalmente ua questo fim de ober um metodo de besuisa e tabular em condgges rzoives de Iabort6o, com & SEs sic Ma om str eximentl mtaodecne em nfo omega contest a reado de soot test sem anes Haver ECcutado pelo menor um tao panorimice (xame de extidos Saloon feito), porguanto de uta foma we arian a deco brie a Amica, 2 demons algo jt amplanente Jemonstado ov 1 olen métodon que js rereacim fale emborn pos cone tal obieto de penn o nov conte de um méiodo ue ands ‘io tenha. dado rnltados atifatns).Portanto, ma tee de Caster experimental nfo pode tet fet Com ects interment proprios, mo mstodo pode ser ivetado, Mas ma vex © dre Dar pnciio de queen tts aint chr ‘AESCOLHA DO TEMA B 4305 ombros de um gigante qualquer, mesmo se for de altura modesta, ‘ou mesmo de outro ando. Havers sempre ocasifo de caminhar por 81 ‘mesmo, mais tarde. 2.3. TEMAS ANTIGOS OU TEMAS CONTEMPORANEOS? Enfentr can questo & como ravnar a amiga qurele det ancien et des ‘madames.- Com est, 0 problema ens ot tuts diipina Ge bom que uma tee de" hata de ites Fina pose rata So bem de Hort emo da sto don eon horcanos nas uss Glmas leads) Em compensajto, ¢ demas viento que, quando algvem se fos om hss doe ‘ua tdan contempornen, hj aera, Toda, nfo € rato o caso do estan gut, consthado pelo profesor de Ieratura ann a fazer sua tse sobe um pera {blano quihensta ‘oo sabre um dead, pein tmas como Pee, Basan, Sanguine. Multasveses eto nase de un se tea vow # diel contstla,Ostay provem da fae impres Sod queum astorcontemporines ma ele aecel Digamos desde js que o autor contempornco ¢ sempre mals ajc, ceo. que geaimente existe una biblogata Mal ei Zid, os textos so de mals fell ses, pine eda documen {apo pode set cons 8 tiremat com um bom romance has iy, em vee de fecha numa biblioteca, Mas. ou se faz una tse tne as, snpleenterepetindo 0 gue dram cute elcos entlo fo hi" mas naa dere, se qiemon,podenos fer une {ee ands mais teneadada sobre tim petrqlano. quent) ose fa algo de novo, «eno apsrcbemernos Se que sre autor amigo exten pelo mens squat inerpsans sears sos qs podemes nov teen, enquatoparo autor moder, as pices finda sfo vas © contain &nosa cpacdade crits &fabeas pela falta de penpetva tudo se torn exemament die fora de divide que o autor antigo impde uma letra mais fatigue uma pesgusa Dibogries mals tet, manos its ao menos dpe eexstom qt biogas jt cmleton, Con toda se se emend steve Como cas prt openers cliboer tum pesquisa autor ano cloca maovetobadclen Se, alm dso, 0 etuanteinciarse para a rica conten porinea pede a tee costisirse nt deat. oporuninde de tim confonto com a Mteatura do pando, para exrcar 0 propio. fosto ea capciade de Iefura Et por gue ndo se deve denarescar Selbante oprtuniade, Mion dos andes estore: conten. Tineos, mesmo de vanguard jas faeam tess wore, Mone Gu Pound, mas sobre Bate ot Forolo, No hi, deco sepas Prec, ¢ um valete pegulador pode leva a cbo ume ane [trea ow essa sabre um autor contemporineo com mex acuidade € ext cle exigda pars um anor sg, “ ‘COMO SE FAZ UMA TESE Por outro lado, © problema varia de discplina para discipline. Em filosofia, uma tese sobre Husser! coloca mais entraves do que uma sobre Descartes, invertendo-se a relapdo de “faciidade” © “eitura”:1ése melhor Pascal que Carnap. Por isto 0 nico conselho que me sinto eapaz de forecer ¢ Irabalhe sobre um contempordneo como se foste um antigo, ¢ vice- vera, Serk mais agradivel evoeé far um trabalho mais séio. 24. QUANTO TEMPO REQUERIDO PARA SE FAZER UMA TESE? Digamorlo desde jf: nfo mais de més anos ¢ ndo menos de seis meses, NGo mais de trés anos porque, se nese prazo no s© conse: flu ctcunscever 0 tema e encontrar a documentapto necessiria, {uma destast8s coisas ter acontecido: 1) excolhemos a tee errads, superior ds nossa forgas; 2) somos do tipo incontentive, que deseja dizer tudo, e continua mos a martelar a tee por vinte anos, 20 passo que um estudioso abil deve ser capaz de aterse a certos limites, embora modestos, dentro dele produzir algo de definitivo; 3) fomos vitimss da “neurose da tes": deixamola de lado, reto- mamola, entimo-nosiealizados, entramos num estado de depres: so, valemonos da tese como alibi pare muitas covardis, no ‘os formamos nunea ‘Nao menos dle seis meses porque, ainda que se quer apre sentar 0 equivalente a um bom enssio de revista com ngo mais de Sessenta laudas, entre o plano de trabalho, 2 pesquisa bibliogrifica, fa coleta de documentos e a exccugdo do’ texto passim facilmente seis meses. Por certo, um estudioso mais maduro consegue escrevet tum ensajo em tempo menor: mas conta com uma retaguarda de ‘anos ¢ anos de letura ¢ conhecimentos, que o estudante precisa ed- ficar do nada, ‘Quando se fala em seis meses ou trés anos, penso-se natura mente nfo no tempo da redagso defiitiva, que pode levar um més ‘ou quinze dias, segundo o método adotado; penssse naquele periodo fentre o surgimento da primeira ideia da tee e sua apresentapHo final. Pode siceder, também, que o estudante trabalhe efetivamente na tee durante um ano apenas, mas aprovetando 2s déias ¢ as lituras ‘que, sem saber onde chegara, acumulara nos dois anos precedentes, (© idea, 2 meu ver, seria escolher @ tese (com 0 auxilio do respectivo orientadot) por volte do final do segundo ano de estudos ‘Avesta altura, o estudante ji esta mais famiiarzado com a5 diver ‘a5 matérias,inteirado.do tema, das dificuldades etc. Uma escolha {lo tempestiva nfo € nem comprometedora nem iremediive. Tense ainda muito tempo pela frente para compreender que a idéia nfo era [AESCOLILA DO TEMA 1s boa © mudar 0 tema, 0 orientador ¢ at6 2 dsciplina E convém nfo esquecer que gastar um ano inteiro numa tese sobre literatura grega para depois perceber que em reaidade se prefere uma sobre historia Contemporinea ngo significa total perda de tempo: terted a0 menos aprendido a formar uma bibliografia bésca, 2 fichar um texto, @ ‘ofganizar um sumério. Recordese 0 que foi dito em 1.3: uma tese sere sobretuo para enna «coord ei, independentenente Escolhendo, assim, a tase af pelo fim do segundo ano do curso, tem-se um bom prazo para dedicar & pesquisa © mesmo a viagens de estudo, Podese ainda escother os programas dos exames com vistas 4@ tese. E claro que, se se fizer uma tes de pricologia experimental, seria dic concliéla com um exdme de literatura latina; mas em muitas outras disciplinas de cariter Aloséfico © sociologco & por sivel chegarse a um acordo com o professor sobre alguns textos falvez em substituigfo dos preseritos, que fogam inserit a matéria do exame no mbito do interesse dominante. Quando isto & possivel sem contorsionismos dialticos ou truques pueris, um mest intel gente preferis sempre que 0 aluno prepare um exame “motivado"” © orientado, em vez de um exame caiual, forgado, sem patio, obje- tivando to's superar um obstéculo iremovivel Escolher a tese no fim do segundo ano significa, pois, ter 0 ‘tempo sufiiente para se formar no prazo ideal Mas nada impede que 2 tose seja escolhida antes, Nem depois, se se acetar a idéis de gastar mais algum tempo no curso, Nada, pporém, aconselha a escolhéla demasiado tarde. [Até porque uma boa tese deve ser diseutida passo a pasto com © orientador, nos limites do possvel. E nio para lisonjear 0 mest, mas porque escrever uma tes® € como escrever um liveo, & um exer. cicio. de comunicaggo que presume a existncia de um piblico: © orientador a dnica amostra de piblico competente 4 disposigso do aluno no curso de seu trabalho, Uma tese de Gltima hora obrigs © orientador 2 devorat rapidamente os capitulos ou 2 obra jé pronta, Caso a veja no altimo momento © nfo goste, poderd criar difieu- ddades a0 candidato na banca examinadore, com resultados bem desagradivels. Desagradiveis também para cle, que nunca deveria chegar & banca com uma tese que ndo the agrade. Is0 € motivo de Aescrédito para qualquer orientador. Se este perceber que as coisas vio mal, deve aconselhar 0 candidato 2 parir para uma nova tese ‘ou esperar um pouco. Caso o estudante, apesar dos conselhos,achar ‘que 0 orientador estéerrado ou que o tempo lhe & advers, verso’ dda mesma maneira as yollas com uma discussio tempestuosa, mas a0 menos estaré prevenido De todas essas observagdes, deduz-se que a tese de sels meses, mesmo admitida a titulo de mal menor, nfo representa de forma alguma o optimum (a menos que, como’ se disse, 0 tema escolhido nos dtimos seis meses permits a utiiagso da experiéncia adquiida nos anos precedentes) 6 (COMOSEFAZ UMA TESE ‘Todavia, hd casos que precisam ser solucionados em seis me- ses, £ entfo que se deve procurar um tema capuz de ser abordado ‘de maneira séria e digna em to reduzido laps0 de tempo. Gost ra que todo esse discurso nfo fosse tomado em sentido muito “co- mercial”, como s° estvéssemos vendendo “teses de seis meses” ou “teses de seis anos", a preyos diferentes e para qualquer tipo de iente, Mas nfo resta divida que 6 possvel ter uma boa tese de ses Seus requisites sf 1) 0 tema deve ser cicunsito; 2).0 tema deve se, 36 postive, ata, nfo exigindo bibliograia que femonte aos pepo on deve ser tema marginal, sobre o qual poet fo cor 3) todos os documentos devem estar diponives mim led! deter Iminado, onde const ‘Vamos a alguns exemplos. Se escolho para tema A lgrea de Santa Maria do Castelo de Alexandria, posso esperar encontrar tudo o que preciso para reconstruir a histria © a5 peripécias das restauragdes a biblioteca municipal de Alexandria e nos arquivos Tait, Digo “posso esperar” porque estou fazendo uma hipotese, fe ponhome na situaedo do estudante que procura fazer uma tese de'seis meses. Antes, porém, de ir avante com 0 projeto, devo infor- ‘marme para verfcar se tal hipdtese € vilida, E mais: deveei ser ‘um estudante que mora na provincia italiana de Alexandria; se moro fem Caltanisetta, tere tido uma péssima idéia E hé outro “mas” Caso hsja alguns documentos disponiveis, mas na forma de manus. exitos medievais inééitos, deverei conhecer um pouco. de paleo Toga, isto 6, dspor de ume técnica de leitura e decifragao de manus- critos. E eis que o tema, que parecia tfo fici, x toma dificil. Se, pelo contriio, descubro’que tudo jd foi publicado, pelo menos 2 partic do sbulo XVII, sintome mais Seguro. Outro exemplo. Raffaele La Capria € um escritor contempo- neo que escreveu apenas trés romances e um lio de enssios. Todos foram publicadot pelo mesmo editor, Bompiani, Imaginemos uma tese com o titulo A Obra de Raffaele La Capra e a Critica Italiana Contemportnes. Como todo editor constuma ter, em seus arqui- yon, revortes de jornais com todos o¢ artigos ¢ criticas publicados Sobre o autor, posso esperar que umas poucas idas & editora, em Milzo, bastem para um fichamento da totalidade dos textos que me interessam, Ademais, 0 autor esté vivo, posso escreverlhe ou entre- vistélo, obtendo outras indicagses bibliogrifias , com toda cer teas, fotocdpias dos textos desejados. Naturalmente, um dado enssio critico me remeterd 2 outros autores @ que La Capria é omparado ou contraposto. O campo se dilata um pouco, mas de ‘modo razodvel, Além disso, se escothi La Capria, & porque jtinka algum inteesse pela literature italiana contemporines, Sem’ que AESCOLHA DO TEMA ” ‘minha decisfo teria sido tomada cinica, Iria ¢ arrscadamente 20 ‘mesmo tempo. ‘Outta tese de seis meses: A Interpretapao da Segunda Guerra Mundial nos Livros para 0 Curso Secundério dos Utimos Cinco ‘Anos. Talvet seja um pouco complicado assinalar todos os livros de historia em circulapdo, mas as editoras de livros diditicos no sSo tantas assim, Com 0s textos e a8 fotocopias 4 mao, descobre-se que © trabalho ocuparé poucas paginas e que a comparayio pode ser feita, ¢ bem, em pouco tempo, Naturalmente, nJo se pode julgar 4 maneita como um livro aborda a Segunda Guevra Mundial sem ‘um confonto entre esse discurso especifico e quadro historia etal que o livro oferece; exigese, pois, um trabalho mais apro- fundado. Também ndo.se pode comecar sem antes adotar como pparimetro uma meia dtzia de histias séias da Segunda Guerra Mundial. Mas ¢ claro que se elimindsiemos todas esst formas de controle critico, a tese podera ser feita nfo em seis meses, mas numa Semana, e enta0 ji nO seria uma tese, porém um artigo de jomal ~ arguto e brilhante até, mas incapaz de documentar a capacidade de pesquisa do candidate Se se quiser fazer uma tese de seis meses gastando apenas uuma hora por dia, entdo 6 initih continuar a discutit. Lembremos 15 conselhos dados no parigrafo 1.2. Copiem uma tese qualquer € pronto, 2.5, NECESSARIO SABER LINGUAS ESTRANGEIRAS? Este parigrafo nio se diigé Aqueles que preparam teses sobre linguas ou literaturas estangeiras Com feito, € absolutamente desejvel que eles conhesam 2 lingua sobre a qual vio discorter. Igualmente desejivel seria que, no caso de uma tese sobre um autor francés, ela fose excita em francés. Acontece isso em multas uni versidadesestrangeiras, justo. Mas figuremos o problema daquees que preparam teses em Alosofia, sociologa, dieito, ciéncas politicas, historia, ciénci naturals. Hi sempre a necessidade de ler um livo esctito em outra lingua, mesmo que a tese trate de Dante ou do Renascimento, pois ilstresestudiosos desis temas esreveram em inglés ou alemo, Em catos como esse, gealmente se aproveita a oportunidade da ese para comegar 0 aprendizado de uma lingua estrangeira, Motivados pelo tema ¢ com um pouco de esforgo comega-se a com preender qualquer coisa. Muitas vezes ¢ assim que se aprende uma lingua. Via de regra ngo se chega a fall, mas conseguese I8la com ‘muita proficiéncia, O que é melhor do que nada Se sobre um dado assunto existe apenas um livro em alemo © © candidato no sabe alemdo, 0 problema poders ser resovido pedindo-se a alguém que 0 subs pars ler alguns capitulos conside-