Você está na página 1de 513

~1~

Aleatha Romig

#3 Convicted

Série Consequences

Consequences Copyright © 2013 Aleatha Romig

~2~
SINOPSE
Atenha-se as suas convicções.

Contra todas as probabilidades, Claire e Tony têm encontrado o


seu caminho de volta um para o outro, mas isso não significa um feliz
para sempre. Nem mesmo perto. Justamente quando pareciam ter tudo
- o amor, o respeito, e a promessa de uma família - o mestre do jogo
expõe a verdade e o mundo de Claire desmorona mais uma vez. Com
convicções antigas vacilantes e transgressões passadas vindo à luz, as
cartas mudaram e a sorte não está no baralho para Claire e Tony.

Abandone todas as hipóteses.

Perdida em um pesadelo constante, quem vai salvar Claire de seu


passado? Ela mesma? Todo mundo tem uma mão para jogar e agora
eles estão jogando pra valer. Tudo que ela sabe como sendo a verdade é
questionada. Motivos são explicados. O passado é mais uma vez
descoberto, e, desta vez, os segredos se escondem entre o sonho e
realidade, entre o passado e o presente.

O relógio está correndo.

O tempo está se esgotando para Claire... para Tony... para seu


felizes para sempre. Quando as cartas finais são disputadas, o amor
pouco convencional deles vai ser um trunfo da oposição?

No final, alguns vão descobrir que suas apostas eram muito altas,
e todos vão aprender a lição mais importante - sempre há
consequências para a verdade.

Você deve manter a sua convicção, mas estar pronto para


abandonar os seus pressupostos.

- Denis Waitley

~3~
Retratação
Este é o terceiro livro da série Consequences. Recomenda-se a lê-
los em ordem. A série Consequences contém conteúdo adulto pesado.
Embora o uso excessivo de escrita e detalhes não sejam utilizados, o
conteúdo contém insinuações de sequestro, estupro e abuso físico e
mental. Se você é incapaz de ler esse material, por favor, não compre.
Se puder entrar neste mundo da ficção - bem-vindo a bordo e desfrute
do passeio.

~4~
O mal que você criar irá, finalmente, destruir você, você
não pode escapar das consequências de suas ações.
- Leon Brown

Capítulo um
Verão de 2016

A mulher ficou em silêncio, escondida nas sombras das árvores


altas. Com o sussurro do vento de Iowa passando acima de sua cabeça,
ela assistiu com fascinação enquanto as crianças corriam ao redor do
parque bem cuidado. Embora muitos jovens disputassem posição sobre
as escadas e rampas, sua atenção estava na bela menina de cabelos
escuros e a loira com o menino brincando na caixa de areia. Ela tinha
visto as crianças em várias ocasiões, sempre à distância. Ela sabia que
a menina tinha quase dois anos e meio de idade e o menino tinha quase
dois anos. Endireitando os ombros, ela decidiu que hoje era o dia em
que ela, finalmente expressaria seu apelo cara a cara, tentaria derrubar
a barreira para o seu objetivo e fazer seu pedido.

As crianças não sabiam quem ela era ou por que ela estava lá.
Não havia dúvida, a mulher com os olhos de águia de uma mãe e tia —
a mulher observando cada movimento das crianças, não só a conhecia
— ela não a hesitaria em mandar embora ou chamar as autoridades.

Inalando profundamente, a autora de best-seller do New York


Times, Meredith Banks, saiu das sombras para a luz do sol. Conforme
se aproximava de seu objetivo, aumentava a sua ansiedade. Isso não
seria fácil. Emily Vandersol havia deixado claro que ela não queria as
crianças expostas ao circo da mídia. Esse circo já havia exposto demais
os segredos familiares, que, por causa deles, era melhor serem deixados
escondidos.

Quando Meredith se aproximou do banco do parque, a sempre


presente vigilância na multidão por Emily parou e seus olhos se
encontraram. Antes que Emily pudesse protestar, Meredith correu para
o banco do parque e tocou a manga de Emily. — Emily, por favor, me
deixe falar. Por favor... me deixe terminar sua história.

~5~
Momentaneamente desviando o olhar dos filhos, Emily olhou para
Meredith, seus olhos verdes queimavam com emoção. Suas costas se
endireitaram quando suas palavras sussurradas transbordaram com
dureza a quem se destinava. — Você não tem permissão para estar tão
perto de mim ou dela. Eu tenho uma ordem de restrição contra todos os
membros da imprensa.

— Eu sei, mas eu não sou apenas da imprensa, sou amiga de


Claire, ou era. — Meredith acrescentou pensativamente. — Por favor, eu
quero que o mundo saiba o resto de sua história.

Emily se inclinou mais perto, seu tom perturbado e endurecido.


— Você não acha que já disse o suficiente? Um dia, eu vou ter que
explicar o seu livro para ela. Você não acha que já fez bastante dano?
Ou talvez seja apenas o dinheiro que você deseja. Tenho certeza que
revelar informações mais privadas vai vender mais livros.

Meredith não gostou do tom de Emily. Embora soubesse que


merecia; ela não a iria deixar parar sua busca. Afinal, a irmã de Claire
se envolver em qualquer conversa era mais do que ela tinha conseguido
no passado. — Eu espero que você saiba que isso não é sobre a venda
de livros. Claire se aproximou de mim com a história dela. Tínhamos um
acordo, e eu segui completamente. Eu não estou negando que é a
história dela que me fez uma fortuna. O que você quer que eu diga? Eu
vou doar todos os rendimentos do resto da história para Nichol? Eu
ficaria feliz em fazer isso, mas nós duas sabemos que não é a falta de
dinheiro.

Emily olhou para cima quando a menina de cabelos escuros veio


correndo em direção a elas. Sem temer a visitante, Nichol falou alto e
claro, — Mamãe, — balançando a cabeça pequena, ela corrigiu — Quero
dizer, tia Em, Mikey não está compartilhando. Eu quero o meu…

Meredith olhou, hipnotizada pelas características da jovem. Seu


cabelo longo e escuro foi puxado em duas tranças que balançavam de
um lado para o outro enquanto ela corria. Sua tez enfatizou suas
bochechas cor de rosa beijada pelo sol, e seus olhos castanhos
profundos brilharam a luz do sol. Meredith reconheceu a intensidade do
olhar da criança, a combinação perfeita de seus pais; no entanto, a
determinação e a dicção perfeita na pequena voz, sem dúvida, vieram de
seu pai.

Este foi o mais próximo que Meredith tinha chegado da criança de


Anthony e Claire. Com todo seu coração, Meredith queria puxar a

~6~
menina em seus braços e abraçar apertado, qualquer coisa para ajudar
a tornar o mundo da filha de Claire um lugar melhor.

Claire tinha arranjado o encontro. Ela queria discutir o primeiro


livro de Meredith Minha Vida Como Ela Não Apareceu. Claire desejava
parar a publicação.

Momentaneamente, Meredith se lembrou do semblante de Claire


— finalmente feliz e obviamente amando. Enquanto comiam o almoço
em Chicago, Claire se abriu, falando sobre sua mudança e confessando
sua gravidez. Foi um passo de fé da parte de Claire. A gravidez não
havia sido anunciada publicamente. Ainda durante esse almoço, Claire
confiou à amiga de longa data a notícia especial. Sem dúvida, ela
poderia ter feito um grande golpe, mas Meredith não vazaria a notícia.
Ela tinha feito isso com sua amiga uma vez antes, e as repercussões do
engano assombrariam para sempre Meredith.

Infelizmente, o livro foi além da influência de Meredith; que estava


nas mãos de um editor com instruções específicas. Claire ofereceu uma
grande quantia de dinheiro para ocultar a história para sempre. Ela
temia que algum dia seu filho fosse descobrir a verdade por trás do
encontro de seus pais e Claire não queria que isso acontecesse.

Meredith prometeu a Claire que ela ia tentar, e ela o fez.

Então, em menos de um mês depois, Claire desapareceu e a


cláusula de divulgação de seu contrato entrou em movimento. A
publicação era iminente. Os esforços de Meredith, junto com uma
multidão de advogados dos Rawlings, não foram capazes de proibir que
o livro fosse publicado. Após a publicação, Minha Vida Como Ela Não
Apareceu entrou na lista dos mais vendidos e tem quebrado recordes
desde então.

Meredith esperava que, ao continuar o resto de sua saga de


contar a história, ao mundo, talvez, apenas talvez, algum dia Nichol
entenderia.

A voz de Emily trouxe Meredith de volta ao presente.

— A resposta é não, e se você liberar qualquer informação sobre


Nichol, eu vou ter você processada.

— Eu não estou aqui para expor Nichol, — continuou Meredith.


— Eu estou aqui porque eu quero falar com Claire. As pessoas que
estiveram nas instalações de Everwood disseram que todos os visitantes

~7~
devem ser aprovados por você; portanto, eu estou pedindo a sua
permissão.

Emily se sentou mais alta. — Senhora Banks, eu não tenho


certeza de que parte desta conversa você não está ouvindo ou
compreendendo, mas a resposta é não. — antes que Meredith pudesse
responder, Emily continuou: — Além disso, não faria nenhum bem.
Claire não pode contar a história dela, ela não pode responder suas
perguntas.

— Então me deixe falar com ela.

— Você não entendeu? Ela não pode falar com ninguém.

— A equipe não disse que os visitantes eram restritos devido à


condição dela. Eles disseram que é restrito devido à insistência dela.

— Sra. Banks — que Deus me ajude — se eu ler sobre isso em


um comunicado à imprensa, eu vou mandar prender você. Você
entende?

Meredith balançou a cabeça e respondeu: — Eu quero ajudar


Claire. Eu realmente preciso. Quero expor a verdade para que o mundo
saiba o que aconteceu.

Emily continuou: — Eu só estou dizendo isso porque minha irmã


a considerava uma amiga. Alguns dos médicos chamam de um surto
psicótico causado por estresse físico e mental. Outros disseram que é o
resultado de vários ferimentos na cabeça. — balançando a cabeça, ela
acrescentou, — Claire não fala com ninguém há mais de dois anos!

A mente de Meredith rodou. Tinha lido sobre o pedido de


insanidade. Ela conhecia a história e leu sobre o incidente. Na verdade,
se alguém tinha razão para ficar insana, era Claire, mas Meredith não
tinha considerado a gravidade da situação. — O que você quer dizer? —
ela baixou a voz. —Claire não pode falar?

— Não, não exatamente, ela fala. Às vezes ela conversa, apenas


não com qualquer pessoa presente. Ela não sabe onde ela está, ou
mesmo que ela tem uma filha. Às vezes, ela é uma criança, outras vezes
ela está com ele. Honestamente, fora de contexto, é difícil dizer o que
está pensando em qualquer momento.

— Assim, como Nichol te chamou de mamãe.

Emily interrompeu: — Nichol sabe que eu sou tia dela, mas, às


vezes, com Michael me chamando de mamãe, ela se esquece.

~8~
— Talvez eu possa ajudar? Eu poderia falar com Claire e ajudar a
trazer ela de volta?

Uma lágrima escorreu pelo rosto de Emily, enquanto observava a


interação das crianças. — Se eu achasse que havia uma chance, eu
permitiria o acesso imediato, mas, honestamente, se nós que somos da
família não a podemos alcançar e nem Nichol… — Emily se sentou mais
ereta enquanto o seu tom endurecia — Não. Por favor, não venha aqui
ou pergunte novamente.

— Emily, o que aconteceu com o Sr. Rawlings?

Emily abruptamente se virou para Meredith, seu tom agora um


rosnado ressoante de uma mãe urso. — Ele se foi, e eu não vou permitir
que alguém mencione o nome dele em torno de Claire ou Nichol. O
reinado de terror dele sobre a minha família está terminado!

— Mas um dia

Emily se levantou abruptamente, descartando Meredith. —


Adeus, Sra. Banks. Estou levando minhas crianças para casa. Se eu vir
seu rosto novamente ou ler essa conversa em qualquer lugar, eu irei
não só apresentar queixa, mas eu vou terei o meu objetivo e a verei
atrás das grades. Bom dia.

Meredith assentiu em entendimento, se manteve sobre o banco, e


viu quando Emily levantou Michael em seus braços e pegou a mão de
Nichol. Sem se virar ou reconhecer a sua conversa, Emily segurou com
força as crianças e foi embora.

Era óbvio que Emily amava e cuidava dessas crianças; no


entanto, Meredith questionou a imparcialidade da situação de Nichol.
Se as coisas ficassem no status atual, Meredith temia que Nichol nunca
soubesse a verdade sobre ambos os pais.

Os sons do parque ocupado foram perdidos para o suave


sussurro da brisa enquanto Meredith contemplava seus próprios filhos;
ela não podia imaginar sua vida sem eles. Ela perguntou sobre Claire,
incapaz de imaginar que o vazio e a sensação de perda de sua irmã de
irmandade poderiam ser duradouros. Tudo e todos que ela já amara se
foram. Antes de Meredith perceber, as lágrimas cobriram suas
bochechas.

Tinha lido as notícias e sabia em seu coração, que tinha uma


história e uma necessidade de contar. Na verdade, ela não se importava
com o dinheiro ou a fama. Sua memória foi a um compromisso selado

~9~
há muito tempo atrás. Ela e Claire prometeram na irmandade. Não era
um laço de sangue como o que Claire compartilhava com Emily, era
mais um compromisso. Meredith se recusou a permitir que sua irmã
fosse perdida para sempre, de alguma forma, ela descobriria a verdade.

Ela se lembrou do dia — anos atrás —quando ela entrevistou


Claire em San Diego. Durante a discussão, Meredith disse à amiga
sobre o desejo de dizer ao mundo a verdade, não importando as
consequências. Talvez Emily fosse escolher a processar; no entanto,
enquanto Meredith observava a pequena família desaparecendo ao
longo da colina em direção ao estacionamento, sua ideia foi definida. Se
a saúde mental de Claire e o consolo de Nichol resultassem na sua
prisão, que assim seja. Ela preferia ser condenada por ser uma irmã
verdadeira, do que viver sua vida livre e permitir que a linda garotinha
vivesse desinformada.

O estabelecimento de saúde mental privado, Everwood, era tão


bonito e maravilhoso como estava no website. O centro de tratamento
mental era um luxuoso residencial, exclusivamente para mulheres,
localizado na zona rural perto de Cedar Rapids. Em quarenta e oito
hectares, ele tinha lindos caminhos e trilhas na natureza, perfeitos para
Claire.

Meredith sabia que a internação inicial de Claire foi o resultado


de uma decisão legal. Na época da decisão legal, Claire tinha sido
colocada em uma instalação do estado. Essa colocação foi de curta
duração, e ela foi transferida para esta estimada instituição privada
com segurança top, cuidado confidencial, e uma equipe respeitada.

Como parenta mais próxima e procuradora Emily Vandersol tinha


jurisdição completa sobre o tratamento de Claire. Sem a permissão de
Emily, Meredith não podia se aproximar de Claire nas áreas acessíveis
de hóspedes da unidade de saúde, muito menos no espaço privado de
Claire; portanto, a fim de acessar sua irmã de irmandade, Meredith teve
que elaborar um plano. Ela sempre sonhou em ser uma jornalista
investigativa, agora era a hora.

O dinheiro que ela tinha acumulado com a venda de seu livro


proporcionou aos seus filhos a melhor educação. Atualmente, eles
estavam em uma escola respeitada na Costa Leste. Embora ela odiasse

~ 10 ~
de os ter tão longe, a distância dava a Meredith o tempo e a liberdade
que ela precisava para descobrir a história de Claire.

Seu plano não era complicado, se ela não poderia visitar Claire
como uma convidada, Meredith decidiu que ela frequentaria a
instalação como uma empregada. Ela não tinha as credenciais para
representar um terapeuta ou médico, mas, felizmente, o centro estava
precisando de funcionários na cozinha.

Um pequeno investimento de Meredith lhe rendeu uma


identificação falsa completa, com uma fonte questionável de história, de
um passado de trabalho verificável. Ela não tinha certeza se poderia
lembrar de responder a um nome diferente; portanto, Meredith escolheu
usar o sobrenome do marido, ela raramente usava. Uma entrevista e
mais tarde, Meredith Russel foi contratada por Everwood Behavioral
Center. Quando Meredith olhou no espelho, alisando o uniforme branco
da cafeteria, ela sorriu um pouco sarcástica e pensou a ambição da
minha vida agora está completa. Eu tenho um trabalho e ganho um
salário mínimo.

Os primeiros dias de seu novo trabalho foram meramente


pesquisas. Ela precisava aprender a configuração de funcionamento e
os prós e contras de Everwood. Quase imediatamente, ela aprendeu que
Claire foi listada como Nichols. Claire não participa de atividades de
grupo, sessões de aconselhamento em grupo, ou comia na sala de
jantar comum. As refeições eram levadas para o quarto dela, e a nota
no computador indicava que na ocasião, a ajuda na alimentação era
necessária.

Aparentemente, Srta. Nichols às vezes saia ao ar livre


acompanhada de seu terapeuta, a equipe da unidade, ou visitantes
limitados. A primeira vez que Meredith viu Claire, sua irmã de
fraternidade estava voltando de um passeio…

***

Claire sabia que ela amava o ar livre. Ela sempre teve o vento em
seu rosto, o cheiro de grama cortada e folhas frescas recém-caídas
acenderem sentimentos calorosos. Ela sabia que isso de alguma forma
ligava ao seu passado, ela não sabia como, ou se lembrava de um nome
ou um rosto, mas algo sobre a natureza trouxe uma sensação de
segurança. Quando ela foi levada para fora, ela fechava os olhos,

~ 11 ~
querendo ver o mundo como um lugar novo. Muitas vezes, flashes de
um homem de uniforme vieram e foram. Claire assumiu que esses
sentimentos e sensação de segurança também vieram de seu passado.
Pressupostos eram muito mais fáceis do que perguntas.

Ela não questionou nada. Claire entendeu que seu único acesso à
brisa fresca ou o sol em sua pele foi quando ela estava acompanhada
por outra pessoa. Ela nem sempre conhecia a pessoa ao seu lado, mas
ela sabia que ir para fora sem alguém era contra as regras. Ela sabia
tudo sobre as regras e como seguir. Oh, é verdade que, no passado, ela
havia cometido erros, feito decisões pobres ou más decisões de
julgamento, ou que resultaram em consequências desfavoráveis. Isso é
o que Tony lhe ensinou, comportamento gera consequências.

Claire preferia consequências positivas. Sim, mais de uma vez ela


o decepcionou. A cada dia que passava, ela prometia não o
decepcionaria de novo. Depois do que ela tinha feito, ela não tinha
certeza que se importava; No entanto, desde que era tudo que ela tinha
perdido, ela não perderia mais nada, ela não desapontaria.

Durante seus dias, as pessoas com diferentes rostos e vozes iam e


vinham. Suas palavras não eram reais, e às vezes a comida que serviam
não era também. Oh, parecia real. Podia até sentir o aroma à medida
que entrava em seu quarto, mas se fosse real, ela estaria com fome. Na
maioria das vezes, ela não estava.

Havia pessoas que a ajudavam no chuveiro, a se vestir e arrumar


o cabelo. No começo, ela lutou contra a assistência e intrusão; em
seguida, com o tempo, ela optou por aceitar a ajuda. De certa forma, era
reconfortante. Ela tinha sido ensinada a importância de manter as
aparências, e uma vez que as atividades do dia a dia eram muito
grandes, a ajuda destas mãos sem rostos a ajudava a cumprir sua
responsabilidade.

Sob nenhuma circunstância ela queria decepcionar Tony. Às


vezes, as lágrimas a afligiam. Afinal, ela tinha que viver com a realidade,
ela certamente o decepcionou. Por que ele não fez sua presença
conhecida por todos? Ocasionalmente, as pessoas diziam que ele tinha
ido embora. Claire sabia que era o melhor.

Ela sabia que ele estava lá. Mesmo que as pessoas sem rosto não
podiam ver ou o ouvir, ele estava lá. Ele veio para que ela pudesse
realmente dormir e sonhar. Ela viveu por seu toque, que tiraria a dor
sufocante que encheu a sua vida vazia. Sim, houve momentos em que
eles estavam juntos que não havia dor; no entanto, não era nada como

~ 12 ~
a dor de não saber quando ele voltaria; portanto, quando estavam
juntos, ela guardaria essa dor à distância. Enquanto ele estava lá, ela
se recusava a mostrar sua miséria. Permaneceria em sua agonia depois
do que ela tinha feito, ela mereceu.

Claire se lembrava de cada palavra e cada sílaba que ele disse.


Ele disse a ela que a oferta de uma clínica psiquiátrica era para protegê-
la. Agora, se ela merecia estar ou não, ela estava protegida.

Às vezes, as pessoas faziam perguntas. A cada pergunta, ela ouvia


a voz dele, — Divulgação de informações privadas ainda é proibida…

Ela não questionou o que constituía informação privada. Se forem


suas memórias, sua história, ou o que ela queria para comer, ela não
divulgaria. Em um esforço para nunca revelar qualquer coisa que não
devia, Claire optou por não falar. Com o tempo, essa decisão se tornou
mais fácil e mais fácil até que as palavras das pessoas sem rosto
raramente penetravam a sua bolha.

Então, sem aviso, as pessoas diante dela se transformariam em


outros rostos, e ela ia esquecer seu voto de silêncio e falar. Afinal de
contas, era tão emocionante ver os amigos e rostos perdidos há muito
tempo, mas tão rápido quanto eles apareciam, eles haviam
desaparecido. Na maioria das vezes, isso não importava se real ou
imaginário, as pessoas com ela raramente entendiam a conversa.
Sempre que isso ocorria, ela se lembrava de sua desobediência. A
enorme sensação de vergonha instigava uma agitação interna que,
segundo as vozes, ameaçavam seu bem-estar.

Essa turbulência interna se manifestava de forma que Claire não


podia controlar. Ela queria parar de se comportar assim, mas às vezes
ela não conseguiria parar seu corpo de fazer o que ela queria, e então as
pessoas sem rosto a tinham que conter. Tantas imagens correriam
através de sua mente, ela odiava as restrições. As vozes sem rosto
diziam que as restrições eram para sua própria proteção, para que ela
não se machucasse. Claire ainda tentava lutar, afinal, ela nunca fez mal
a ninguém, mas eu tinha feito.

Sua história de violência havia sido bem documentada e desde


que ela tinha a capacidade, era melhor estar segura. Então, quando as
coisas pareciam perdidas, quando ela menos esperava alívio, ele vinha.

Claire ouviria a voz dele.

Ela não podia prever quando ele viria; ela não o incentivaria, ou
até mesmo imploraria para ele. Não, Tony aparecia de sua própria

~ 13 ~
vontade. Sua voz viria em uma palavra, um sussurro, ou um longo
discurso desconexo. A melodia com aquela voz barítono poderia acalmá-
la como nenhuma droga.

Quando Claire chegou a Everwood, os rostos e as mãos que


levaram para fora a incentivaram a cuidar do jardim. Eles colocaram
ferramentas em suas mãos, mas ela não pegaria o que não podia. Era
muito doloroso. Isto lembrou a Claire dos jardins na propriedade ou
aqueles no paraíso. Com o tempo, os rostos desistiram. Isso foi
pressuposto, ela não perguntou. Não importa o porquê, já não lhe
pediam para cumprir.

Nas ocasiões, quando ela tentou se lembrar de sua vida, ela não
podia. Tudo misturado no mesmo acinzentado lugar onde se tornou
escuro estava uma luz e a luz se tornou escura no lugar entre os
lugares. Antes, muito mais cedo, quando a vida tinha cor, e havia então
em seguida, o momento em que toda a vida desapareceu, quando o
cinza venceu o tempo depois da escuridão.

Seus esforços para conter o cinza eram inúteis, e com o tempo,


ela já não tentava. Ele se infiltrou a partir de cada compartimento,
vazou em seus pensamentos, e encheu todo vazio. Seu mundo e a atual
realidade eram cinza incolor.

Então, inesperadamente, como a voz e sem razão, tons de cor


iriam se infiltrar no seu mundo. Era a cor das memórias não
solicitadas. Era impotente para deter. Normalmente, elas começavam
bem o suficiente com os verdes da primavera e os azuis das ondas em
cima de um lago. Sem aviso, uma dor um sentido de perda era
esmagador. Pior do que o cinza, isso não era nada, nem branco e nem
preto, NADA!

Este vazio não só foi provocado pela perda de Tony. Oh, Claire
sabia que em seus caminhos; ele voltaria o tempo suficiente para
reacender a paixão, incendiar sua necessidade, e desaparecer
novamente. Esse nada era outra coisa, um vazio que não podia
identificar que até mesmo o cinza não poderia penetrar e arranhar seu
coração. Se ela permitisse que seus pensamentos se arrastassem no
nada por muito tempo, eles rasgariam sua alma em pedaços, e ela
sentia cada corte, a memória fugaz de um bebê e um incêndio. Foi a dor
mais angustiante que ela já tinha experimentado, e, sem dúvida, Claire
era uma veterana da dor. Ela sofreu perda, sofreu tragédia, e resistiu ao
sofrimento físico infernal, ela enfrentou a própria morte.

~ 14 ~
Sem aviso, esse vazio se aproximaria e chacoalharia sua alma e a
traria de joelhos. Quando o fizesse, seu corpo entraria em colapso. Ela
ouviria um apelo primordial escapar de seus lábios, não um grito, não
simples lágrimas em seu travesseiro. Ela ouviria um grito de tormento
que ninguém, além dela conseguia entender. Quando isso acontecia, as
pessoas viriam. Eles falavam palavras que ela não podia compreender e
uma nova dor viria a seu braço.

Às vezes, ela gritava só para sentir a felicidade da ponta afiada.


Os rostos e as vozes não entendiam… ela não poderia pedir isso
constituiria como divulgação de informações; no entanto, a sensação
aguda levou a dormir em um indulto cinzento consciente e nada
sufocante. A vida não era mais real. Talvez nunca tivesse existido e
nunca seria…

Às vezes, Claire se lembrava de vazios negros. Esses pensamentos


não a assustavam; pelo contrário, o preto dominou o cinza consumindo
o nada e a encheu com a promessa de intensa emoção. Nada sobre
Tony tinha sido cinza. Havia sempre cores… azuis, verdes, vermelhos e
marrons. Tanto que podia ser avaliada pelas tonalidades de marrom. A
memória desse preto se tornando marrom fez seu coração bater mais
rápido, o pulso de raiva incontrolável, e a fome do corpo para a paixão
que só ele poderia proporcionar.

Às vezes, Claire fantasiava sobre os olhos de Tony, estrelados


indefinidamente, lembrando sua capacidade de se comunicar com um
simples olhar. A visão de algo marrom escuro ou preto eletrificava cada
nervo em seu corpo, mas quando via o marrom chocolate, isso enviava
seu ser inteiro em espasmos.

Claire parou de se importar, meses ou anos atrás. O tempo já não


era relevante. Ela tinha uma nova meta. Era de esperar até que ele
voltasse e a segurasse, acariciasse e a amasse. Até seu olhar preencher
o seu ser, até que ele consumisse o nada e fizesse o cinza ir embora, até
que ele trouxesse a cor de volta ao seu mundo sombrio.

Claire estava andando para fora com uma voz sem rosto. A voz
estava falando, e ela andado. O ar estava quente e o céu estava claro.
Claire assumiu que era azul, embora ela só visse cinza, a maneira como

~ 15 ~
as coisas apareciam na televisão em preto e branco. A mulher ao seu
lado parecia familiar enquanto ela falava sem parar.

Claire não tentou ouvir; em vez disso, ela se concentrou em andar


com a mulher falando. Esta obediência ganhou seu êxodo temporário de
seu quarto desolado. Era um compromisso que às vezes podia suportar.
Quando elas entraram no prédio e atravessaram o refeitório, Claire
olhou além de sua bolha, tempo suficiente para ver alguém familiar. A
realização mandou de volta e suas memórias aceleraram, cores
inundaram o cinza. Ela não podia se controlar rápido o suficiente.

Antes que Claire soubesse o que acontecia, ela estava no chão.


Sapatos e vozes eram tudo o que viu e ouviu…

*****

Meredith não conseguia reagir rápido o suficiente. Ela sabia que a


mulher do outro lado da sala era Claire. Apesar de seu cabelo sem
brilho, marrom puxado para trás em um rabo de cavalo e sua tez muito
pálida, Meredith reconheceu sua irmã de irmandade. Eram seus olhos.
Sim, eles não tinham o brilho de sua juventude, mas Meredith não
tinha dúvidas: a mulher muito magra, com olhos de esmeralda era
definitivamente Claire.

Meredith queria gritar, mas se o fizesse, ela estragaria o seu


disfarce. Resumidamente, seus olhos se encontraram, trazendo uma
faísca momentânea de reconhecimento. Antes que Meredith pudesse se
mover ou cumprimentar, ou qualquer coisa, Claire caiu no chão como
se tivesse sido atingida. De repente, ela estava deitada em posição fetal,
balançando a cabeça e resmungando incoerentemente.

A mulher que estava andando com ela calmamente ajoelhou ao


lado de Claire e fez uma ligação. Em poucos segundos, elas foram
cercados por outros membros do pessoal da instalação. Meredith
avançou em movimento aparentemente lento, enquanto Claire era
levantada em uma maca e aplicaram uma intravenosa em seu braço.

A respiração irregular de Meredith puxou para seu peito enquanto


a agulha entrou na pele de Claire. Ela calmamente chegou mais perto
da mulher que ela conhecia. Até o momento que ela estava ao lado da
maca, os olhos esmeraldas de Claire tinham um pouco de sinal
reconhecimento. Sob o pretexto da comoção, Meredith tocou

~ 16 ~
suavemente o antebraço de Claire e moveu os lábios perto do ouvido de
Claire. — Claire, sou eu, Meredith. Por favor, me ajude a contar a sua
história.

A mulher que tremia diante dela sumiu. Seu último olhar em


direção a Meredith foi de alívio como se a paz e tranquilidade da
medicação alcançasse seu corpo. Desamparada, Meredith observou a
maca sendo levada.

*****

A dor em seu braço estava de volta, mas isso foi à calma. Antes
que os sonhos começassem, Claire tentou processar a identidade dessa
mulher. Sentia uma crença inegável que ela deveria saber quem era ela,
mas isso não estava certo. A mulher não pertencia a este lugar, e não
era ela seu porto seguro. Pensamentos de Claire foram espalhados…
sua história. Não, a história não era só dela.

A história pertencia a tantos outros, tantos outros, que como ela,


eles nunca seriam capazes de dizer ao mundo o que aconteceu; tantos
outros, que foram silenciados, agora e para sempre, mas Claire sabia
cada palavra que ela viveu.

Contar a sua história? Não… algumas coisas eram melhores serem


desconhecidas!

~ 17 ~
As pessoas são estúpidas; devida motivação,
quase ninguém vai acreditar em quase tudo.
-Terry Goodkind

Capítulo dois
Setembro de 2013

Suspirando, Claire prendeu o fecho final sobre sua bagagem e se


virou para Phil. — Eu estou feliz que você não precisará voar de volta
para Iowa para se reunir com o Departamento de Polícia de Iowa City.

Manchas douradas brilhavam nos olhos castanhos de Phil


quando ele respondeu: — Bem, Sra. Alexander, não seria muito marital
de minha parte a deixar viajar para Veneza sozinha. — apontando para
sua cintura, ele continuou, — Especialmente, não em sua condição.

A mão de Claire instintivamente se moveu para seu bebê


crescendo. Com um pequeno sorriso, ela respondeu: — Sr. Alexander,
eu certamente aprecio isso.

Enquanto Phil falava, Claire fez os ajustes finais em sua peruca


escura. Ela ficava boa em fazer o cabelo falso parecer real. Isso não
significava que não coçava. Ela estava mais do que pronta para
renunciar os disfarces.

Phil continuou: — Parece que a CIPD1 já não precisa da minha


informação. A promotoria disse que eles tinham novas evidencias para
investigar e pediram que eu mantivesse contato.

— Hmm, — Claire cantarolava de acordo quando ela colocou mais


alguns grampos de cabelo. Quando seus lábios estavam claros, ela
perguntou: — Eu me pergunto quais novas evidências surgiram no
caminho?

Pisando atrás dela, ele olhou para seu reflexo. Quando seus olhos
se encontraram, ele sorriu e respondeu: — Desde que eu ouvi o final da
conversa, eu diria que eles foram informados de muito.

1 Police Department – City of Iowa City.

~ 18 ~
A batida forte interrompeu as palavras de Phil. A retificação de
sua postura disse a Claire que ela viu a preocupação nos olhos dele.
Cada contato é suspeito, e exigia escrutínio. Phil concordou em silêncio
e caminhou em direção à porta.

Claire não percebeu que estava segurando a respiração até que


ela a soltou, ouvindo o marido anunciar, — É o mensageiro. Você está
pronta para sair?

Permitindo que os ombros relaxassem, Claire deu uma última


olhada ao redor da suíte. O mobiliário de luxo era pouco em
comparação com a bela vista para além da varanda. Quando o sol
nasceu no Oriente, tons de ondas azuis e espumantes dançaram por
toda a água do lago de Genebra. A brisa excepcionalmente quente
banhou seu rosto enquanto ela fez uma pausa e olhou para a vista pela
última vez. Ela sabia que era hora de ir embora; suas coisas estavam
embaladas e prontas. Respirando, ela respondeu: — Sim, eu estou
pronta para seguir em frente.

Phil assentiu quando ele abriu a porta e permitiu que o


funcionário do hotel entrasse.

— Signori, Signora, — embora a língua predominante de Genebra


fosse o francês, os Alexandres foram criados para se passarem por
italianos, como tal, mesmo a equipe se dirigia a eles em sua língua
nativa. Na verdade, a maioria dos moradores da cidade metropolitana
falava fluentemente francês, italiano e alemão ou uma combinação das
três.

Claire silenciosamente pegou a bolsa quando seu marido instruiu


os funcionários a respeito de sua bagagem. Em pé, pacientemente, Phil
colocou o braço casualmente em volta da cintura de sua mulher e a
levou para o elevador. Seu desempenho se manteve impecável quando
se sentaram dentro dos limites do táxi.

As ruas estavam cheias de gente desfocadas enquanto Claire


contemplava seu futuro. — As nossas reservas novas estão feitas? —
Claire perguntou em um sussurro.

Phil se inclinou mais perto. — Sim, minha cara, vamos discutir


mais em privado.

Claire se sentou em linha reta, olhou em direção ao motorista, e


acenou com a cabeça. Ninguém poderia ser confiável. Ela se lembrou de
ser consciente dos ouvidos atentos. Desaparecer na noite era a

~ 19 ~
especialidade de Phil. Fazer isso com uma mulher grávida e várias
peças de bagagem era um novo teste de suas habilidades clandestinas.

Enquanto as ruas da manhã de Genebra passavam pelas janelas,


Claire refletiu sobre a última parte de seus negócios. Ela fez uma última
visita à instituição financeira, o que somente há poucos dias a fez uma
mulher incrivelmente rica. Se os funcionários do banco estavam
surpreendidos por ter Marie Rawls visitando pela segunda vez, eles não
mostraram isso; em vez disso, eles voluntariamente a levaram para o
cofre onde ela completou o seu negócio. Claire poderia não estar cem
por cento certa, mas sua intuição lhe disse que, quando a situação
ficasse crítica, Tony faria o seu caminho para esta fortuna escondida.
Ela decidiu que seu pote de ouro não deveria estar totalmente vazio. Ela
também sabia que o conteúdo que ela deixou não o deixaria feliz; no
entanto, desta vez, o jogo era dela, ela era quem segurava as cartas. Ele
seguiria suas regras ou não. Ela não tinha intenções de o prender. Não,
ela sabia o que ele era. Em seu jogo de xadrez figurativo, ela o tinha sob
controle. Se ela tivesse tomado outra direção com a conversa com
Marcus Evergreen, então isso poderia ter sido um xeque-mate.
Observando as calçadas se enchendo de gente, Claire perguntou se
Tony merecia a oportunidade que ela estava oferecendo.

Na verdade, ela não poderia responder a essa pergunta. Ela só


podia dizer que ela queria que ele tivesse a oportunidade. Com isso dito,
o que ele faria com a oportunidade era a sua escolha.

Phil suavemente apertou a mão dela. — Você parece muito


distante. Você vai ficar bem?

Claire deu de ombros. — Eu não sei. Eu acho que o tempo dirá. —


ela se perguntava como ela e Phil tinham chegado tão longe, como à
interação deles se tornou tão casual. Dada a primeira reunião deles em
San Antônio, parecia improvável. Suspirando, Claire se virou para a
janela enquanto o carro desacelerou. Parecia que, muito pouco dos
relacionamentos na sua vida, pudessem se gabar em ter inícios
normais. Colocando a mão delicadamente sobre sua barriga, ela rezou
para um final normal.

As suas reservas na Air France os tinham saindo de Genebra no


início da tarde e voando diretamente para Roma. Ambos sabiam que
iam perder o voo. Phil tinha um avião particular os esperava para os
levar, longe da Suíça, diretamente para Veneza. A riqueza recém-
descoberta de Claire lhe permitiu o luxo de criar uma teia emaranhada
em vez de trilhas. Ela não tinha certeza se alguém seriamente tentaria

~ 20 ~
desvendar a sua trilha, mas se o fizessem, ela concordou que Phil
estaria dificultando.

Assim que chegaram a Veneza, suas identidades seriam


novamente mudadas. Às vezes, Claire sentiu como se ela precisasse de
uma etiqueta de nome para ajudar a sua resposta para o nome correto.
Ela realmente não se importava com o nome que ela usasse, contanto
que ela pudesse renunciar as perucas e lentes de contato coloridas.

Infelizmente, sua irmã, Emily, estava trabalhando horas extras


para manter o nome e o rosto de Claire na notícia. A última informação
que Claire leu on-line disse que ainda estava sumida e especulações
foram centradas em Anthony Rawlings. Claire se tranquilizou sabendo
que sua ligação para Evergreen limparia o nome de Tony.

Se Claire pudesse fazer mais uma ligação, seria para Emily.


Enquanto ela e Phil andavam em direção ao aeroporto, ela se lembrou
de como se sentiu ao ter sua comunicação restringida por Tony.
Ironicamente, ela reconheceu que ela estava mais uma vez na mesma
situação. Desta vez, Claire não sabia a quem culpar. Era culpa de
Catherine? Afinal, ela era a razão de Claire fugir. Ou foi culpa de Tony?
Se ele nunca tivesse levado Claire, ela não poderia sequer imaginar esse
cenário. Sua vida era tão diferente de tudo o que ela tinha previsto na
sua juventude; no entanto, ela lembrou a si mesma, se Tony nunca
tivesse a levado, então ela não estaria tendo um filho dele. Lágrimas
ameaçaram penetrar por suas lentes de contato coloridas, quando
Claire aceitou a verdade. Seu estado atual, a decepção atual de amigos
e familiares foi auto imposta. Ela não podia colocar a culpa em ninguém
além da mulher no espelho, não importa quem ela se parecesse em um
dado momento. Mais uma vez, a sua impulsividade a jogava na mão de
seu oponente. Quando as cartas foram distribuídas, Claire deveria ter
exigido um retrato. Ela deveria ter ficado fiel ao acordo que tinha feito
com Tony, e ela deveria ter confiado nele; em vez disso, ela apostou com
medo e foi desmantelada.

A recompensa, a segurança de seu filho, era muito importante.


Claire precisava ver o jogo através disso até o desdobramento final. Isso
não era uma opção.

Sr. Evergreen explicou que o FBI logo estaria envolvido e instruiu


Claire para a verificação periodicamente. Evergreen advertiu que seria
mais do que provável que o FBI teria um contato direto; no entanto,
Claire não estava disposta a dar ao procurador nada mais do que
Genebra como sua localização atual. Ela viveu muitas mentiras para
confiar em alguém.

~ 21 ~
Claire concordou com os termos de Evergreen em que ela
permanecesse oculta e segura. Durante sua conversa com Marcus, ela
não mencionou que ela tinha ajuda. A informação não pareceu
relevante. Neste jogo de apostas altas de pôquer, Phil era o seu às na
manga.

Claire apreciava a preocupação de Phil. Seus desejos por ela


tinham sido reconhecidos. Ela sabia que ela era mais do que um
emprego para ele. Se as circunstâncias fossem diferentes, ela poderia
brincar com a ideia de reciprocidade; no entanto, ele entendeu sua
posição. Sua aceitação de sua afeição era puramente platônica por ela e
pela segurança de seu filho. Ela prometeu a Marcus Evergreen que ela
permaneceria temporariamente sob o radar e, em troca, ele manteria
Tony seguro. Phil ajudou a cumprir o seu lado deste mesmo acordo.

*****

Dez dias mais tarde…

Harry olhou para a tela do seu telefone e seus olhos se


arregalaram. Olhando ao redor da sala, ele viu a expressão de Amber.
Sem dúvida, por sua súbita mudança de comportamento, ela sabia que
algo estava acontecendo. Ele firmou sua expressão e acenou com a
cabeça.

— Quem é? — Amber perguntou em voz baixa para que o resto da


sala continuasse conversando.

Harry não respondeu; em vez disso, ele entrou rapidamente na


cozinha de Amber, longe dos vários ouvidos presentes. Antes que ele
percebesse, Harry estava de pé no antigo quarto de Claire e atendeu ao
telefone: — Olá, aqui é o agente Baldwin.

A chamada não foi apenas uma surpresa, mas um alívio enorme.


Ele ouviu atentamente enquanto o *SAC Williams, agente especial
encarregado do FBI de San Francisco, explicou o novo rumo dos
acontecimentos: Claire Nichols estava viva, segura e escondida no
exterior. Ela tinha contatado pessoalmente o promotor de Iowa City, que
imediatamente informou ao FBI. Ainda mais interessante foi a quanto
engano em tudo isso que estava acontecendo e que Nichols informou ao
Sr. Evergreen. Ela alegou que, embora ela tivesse deixado à cidade

~ 22 ~
porque temia por sua segurança, ela agora tinha motivos para temer
pela segurança de Anthony Rawlings, e ela enfatizou que sob nenhuma
circunstância, ela estava implicando seu ex-marido de qualquer delito.

Com cada palavra, os músculos dos ombros de Harry relaxaram.


Até aquele momento, ele se enganou em acreditar que ele não estava
preocupado com Claire. A partir do segundo em que Harry desligou o
telefone após a chamada bizarra de Anthony Rawlings, perguntando se
ele sabia onde Claire tinha ido, ele disse a si mesmo, Claire fez suas
próprias decisões. Ela se colocou voluntariamente na esfera de
influência de Rawlings e merecia colher as consequências. Rawlings foi
responsável por seu desaparecimento, quer a partir de sua própria ação
ou como um subproduto de sua riqueza. De qualquer forma, não era
mais preocupação de Harry. Além disso, ela estava grávida de Rawlings.

Então, sem aviso, ele se lembraria da sua voz. Por uma fração de
segundo, o tempo em que a mente consciente não foi rápida o suficiente
para parar os pensamentos inconscientes, ele queria saber o que teria
acontecido se a criança fosse dele. Ele veria flashes de imagem de Claire
na tela da televisão ou ouvindo a voz preocupada de Emily e a
preocupação que, ele disse a si mesmo Claire não merecia, inundaria
seu peito.

Ouvindo seu supervisor, a preocupação agora saia de seu peito.


Estar no quarto de Claire, ao ouvir que ela era de fato segura e viva, fez
com que lágrimas de alívio escorressem pelo seu rosto. É claro que
Harry não podia deixar que a emoção se infiltrasse em sua voz, o seu
apego à sua missão era parte da razão pela qual ele tinha sido
dispensado de suas funções: a sua ligação verdadeiramente cortada.

Foi depois do ataque de Patrick Chester e após a notícia da


possível paternidade que SAC Williams pessoalmente colocou o Agente
Harrison Baldwin em licença temporária. Williams afirmou que a
publicidade sobre o ataque de Chester ameaçou expor o seu disfarce há
muito tempo. O fechamento permanente da agência foi ameaçado em
mais de uma conversa.

Nada disso importava mais, quando Harry ouviu e o SAC


informou sobre os novos desenvolvimentos. Quando SAC Williams
enfatizou a inocência de Rawlings, Harry não conseguia mais segurar a
língua. — Eu sei o que aquele bastardo fez a ela no passado. Talvez ela
esteja falando sob coação?

SAC Williams respondeu: — Eu não falei diretamente com ela,


mas Evergreen acredita nela.

~ 23 ~
— Claro que ele acredita. Desta vez, o seu testemunho ajuda
Rawlings. Evergreen é um peão de Rawlings. Quando ela tinha algo a
dizer contra ele, o procurador maldito não quis ouvir e virou tudo
contra ela.

— Ouça Baldwin, se o diretor adjunto não tivesse pedido


especificamente para você estar de volta neste caso, isso não
aconteceria. Se você for fazer este trabalho, então você precisa ter a sua
cabeça no lugar.

Harry acenou com a cabeça. SAC Williams estava certo. Se ele


fosse ajudar novamente e descobrir mais sobre os segredos que
envolvem a vingança Rawls, então ele precisava pensar como um
agente, não um namorado. — Sim, senhor, eu entendo. Sou grato a ser
permitido neste caso.

— Esteja em nosso escritório amanhã, às 09h00. Você tem uma


viagem.

Seu peito explodiu de emoção. Esta foi uma oportunidade que não
podia se dar ao luxo de perder. — Senhor, o que dizer de Rawlings?
Onde está ele?

— Ele está atualmente sob custodia do FBI; embora, eu não


preveja esta situação por muito tempo. Vamos discutir mais sobre isso
quando você chegar.

— Eu entendo. — Harry continuou, — SAC2 Agente Especial, se


houver algum questionamento a ser feito à Rawlings, peço para estar
envolvido.

— Eu acredito que você foi informado que a Sra. Nichols


inocentou o Sr. Rawlings de qualquer coisa que possa envolver ele com
o seu desaparecimento.

Harry se se encostou à parede e olhou a sala vazia. Claire já não


vivia lá há quase três meses. Suas coisas tinham sido embaladas e
enviadas, mas se ele fechasse os olhos, ele podia ver o rosto dela e ouvir
sua risada. O aroma de seu perfume favorito permaneceu nos cantos do
quarto e invadiu seus sentidos. Ele balançou a cabeça e tentou se
concentrar. — Sim, é claro. Eu estarei lá amanhã.

— Agente, é evidente; No entanto, percebo que você se tornou


próximo da família Nichols. Esta informação é sigilosa, ninguém mais
pode saber.

2 Special Agent in Charge of San Francisco FBI – Agente Especial Encarregado.

~ 24 ~
Harry pensou sobre as pessoas na cozinha: Amber, Keaton, John,
Emily, e Liz. Como ele poderia andar por aí e não dizer a irmã de Claire
que Claire estava viva?

Harry engoliu em seco. — Sim, senhor, eu entendo. Obrigado,


SAC, por esta oportunidade.

— Não jogue isso fora, agente Baldwin. Pode ser sua última
chance.

— Eu não vou senhor.

Depois de Harry desligar o telefone, ele entrou no banheiro anexo.


Olhando para o seu reflexo, ele trabalhou para esconder o sorriso que
pediu para encher seu rosto. Finalmente, ele cedeu ao alívio. Lágrimas
inundaram seus olhos, e seu sorriso surgiu quando ele sussurrou:
Obrigado Deus. Obrigado por a manter segura. Me ajude a pegar o
filho-da-puta de uma vez por todas!

~ 25 ~
Lamento aqueles momentos em que eu escolhi o lado
escuro. Eu desperdicei tempo suficiente para não ser
feliz.

- Jessica Lange

Capítulo três
Tony não fez nenhuma tentativa para subjugar o seu brilho de
ira. Esta paródia ridícula tinha rolado por muito tempo. As paredes da
pequena sala de interrogatório estavam começando a se fechar em torno
dele. Ele não tentou manter sua voz reprimida quando ele abordou o
agente do FBI do outro lado da mesa, — Agente Jackson, eu tenho te
ouvido por horas. — Brent interrompeu: — O que o meu cliente está
tentando dizer é que, se você não o planeja acusar de um crime, vamos
embora.

Agente Jackson puxou uma pasta de papéis. Foi surpreendente


que ele pudesse localizar qualquer coisa dentro do emaranhado de
pilhas desordenadas sobre a mesa. Enquanto Brent tinha chegado mais
recentemente, Tony estava sentado lá por horas, ouvindo como os
agentes do FBI rotulavam - juntando o seu interrogatório. Alguém
poderia fazer perguntas e, em seguida, desaparecer. Momentos depois,
outro agente entrava na sala e retomava a inquisição. A barragem foi
tendo os seus efeitos; entre o latejar em sua cabeça e a dor nas costas,
Tony estava pronto para deixar a sala pequena. Ele não se importava
como, ele só queria sair.

Agente Jackson se inclinou para frente. — Eu vou dizer uma


coisa: Estou cansado, você está cansado, e eu antecipo que este
momento não terminará em breve. O Bureau gentilmente organizou
para você, Sr. Rawlings, passar a noite. O Sr. Simmons, ao assinar os
formulários de ordem de proibição de publicação e libertação, também
forneceu acomodações a você, até que esta situação seja resolvida.

Brent levantou. — Este é Anthony Rawlings, CEO da Rawlings


Industries. Você não o pode segurar sem causa provável.

Agente Jackson se levantou para encontrar o olhar de Brent. —


Apesar da recente perda de memória do seu cliente, eu garanto que
temos uma causa provável; No entanto, se vocês cavalheiros não estão
prontos para encerrar a noite, — ele entregou a Brent o fichário —
~ 26 ~
Então eu sugiro que você revise o testemunho do seu cliente. Podemos
continuar essa discussão em poucas horas.

O sangue de Tony fervia. Ele passou horas sendo interrogado


sobre Claire, seu relacionamento, e seu desaparecimento. Não teve uma
vez que alguém do FBI ofereceu informações sobre sua segurança ou
paradeiro. Ficar bravo não produziu nenhum resultado; ele decidiu
tentar a cooperação. Batendo a mão na mesa, ele exalou. — Se isso vai
ajudar a encontrar Claire, eu vou ficar, mas, mais uma vez, eu estou lhe
dizendo, eu não tenho nada a ver com seu desaparecimento. Eu quero
que ela esteja sã e salva. Se você tiver informações sobre o paradeiro
dela, eu mereço saber.

Agente Jackson olhou para o relógio. — Sr. Rawlings, o que você


merece, ainda não foi determinado. Senhores, eu vou pedir que a
comida seja entregue. Eu sugiro que você utilize este tempo como uma
convergência de ideias. Este caso tomou inesperadas reviravoltas, e eu
quero respostas quando eu voltar.

Tony olhou para suas mãos. Este homem e todo o maldito FBI o
estavam segurando, essencialmente, contra a sua vontade. Ele não
tinha tido esse tipo de restrição colocado em suas idas e vindas desde a
infância, era um absurdo. Quando o Agente Jackson saiu da sala, Tony
não se incomodou em ficar; ser educado para um homem o segurando
refém não era grande prioridade de Tony.

Sua mente girava tentando decifrar o significado de perguntas.


Agente Jackson perguntou a Tony quando ele viu pela última vez Claire.
Ele perguntou se ele tinha falado com ela, enquanto ele estava na
Europa. Por que ele interrompeu sua viagem à Europa, era para ser
curta? Por que ele contratou um guarda-costas para a Claire? O que
aconteceu na Califórnia, que levou à hospitalização de Claire? Depois de
mostrar fotos de Claire com Harrison Baldwin, o agente perguntou se
Tony tinha certeza que ele era o pai da criança por nascer de Claire.

Sim, essa insinuação poderia ter conseguido Tony sob custódia


por agressão, se Brent não tivesse sido rápido o suficiente para separar
os dois.

Olhando em volta para as paredes pintadas monotonamente, ele


virou a cabeça e olhou para o amigo e advogado. Foi a sua primeira
oportunidade de falar sozinho desde a chegada de Brent. Tony limpou a
garganta. — Obrigado por chegar aqui em Boston tão rápido.

A postura de Brent suavizou. — Você sabe que é verdade; eles


podem te manter por até 48 horas sem acusações.
~ 27 ~
— Por que eles não nos dão qualquer informação sobre Claire?

— Eu presumo que eles querem saber o que você sabe primeiro.


— Quando Brent falou, ele abriu a pasta. Tony observou o rosto de
Brent empalidecer enquanto examinava as páginas. Por minutos, Tony
sentou e estudou a expressão de seu amigo. A cada segundo que
passava a expressão de Brent tornou mais dura e mais sombria.

À medida que a tensão crescia, Tony perguntou: — O que é isso?

Brent não respondeu; em vez disso, ele foi até uma cadeira no
canto da sala, acendeu outra luz, e continuou a ler.

— Estou ficando cansado de fodidamente ninguém responder às


minhas perguntas, — Tony murmurou enquanto andava pela sala. O
dia tinha sido muito longo.

Tony meditava pensativo sobre Sophia e perguntava se ela tinha


aparecido para jantar no Inn at Pointe Crown, apenas para se manter
em pé. Olhando para Brent absorto em sua leitura, Tony desabou
novamente na cadeira de metal, colocou os cotovelos sobre a mesa e
apoiou sua cabeça. Na necessidade desesperada de um adiamento,
Tony fechou os olhos e tentou manter suas preocupações com Claire à
distância.

O que as inesperadas reviravoltas significavam? Poderia Claire


estar morta? Não! Tony se recusou a acreditar nisso.

Por trás das pálpebras fechadas, ele não via a escuridão da fuga;
em vez disso, verde-esmeralda encheu a sua imaginação. Quando foi a
última vez que ele a viu? Perguntaram mais e mais. Ele tinha visto a
imagem dela em seu vídeo de vigilância entrando no carro, mas em
pessoa, ele lembrava vividamente:

Era cedo, muito cedo, pela manhã, ele partiu para a Europa, muito
mais cedo do que Claire gostava de acordar. Quando os primeiros raios
de sol saíram de trás das cortinas pesadas, Tony estava pronto para
sair. Claire não estava se mexendo, mas ele não queria ir embora sem
falar com ela. Na verdade, ela pediu para ele a acordar; no entanto,
enquanto ele ficou olhando, ela parecia tão calma e satisfeita. Ele odiava
perturbar seu sono.

~ 28 ~
Sua respiração rítmica movia pedaços de seu cabelo à medida que
pairava sobre seu belo rosto. Antes que pudesse se conter, Tony escovou
os fios longe de seu rosto. Sob o cabelo castanho desgrenhado, encontrou
os lábios cor-de-rosa, entreabertos. Sem hesitar, ele se abaixou e tocou
seus lábios nos dela. O calor de seu beijo a agitou, fazendo com que seu
rosto se inclinasse em direção ao seu. Embora seus olhos ainda
estivessem fechados, seus lábios se envolveram e ela estendeu a mão
para seu pescoço.

Sua voz sonolenta questionou: —Você me acordou antes de sair?

— Você me disse para fazer.

Seus olhos se abriram, revelando uma expressão confusa.

— Por que você está me olhando desse jeito? Você disse que queria
que eu te acordasse.

— Eu sei. — Ela se sentou, seu olhar inquebrável. — Eu só não


estou acostumada a você me ouvindo, ou fazendo o que eu digo.

Ele chegou mais perto, sentindo a sensação de seus seios contra o


peito dele. — Bem, nós poderíamos voltar para...

Claire balançou a cabeça, enquanto ela, mais uma vez, rodeava


seu pescoço com os braços. — Não, eu gosto mais disso.

Seu sorriso diabólico não podia ser contido. — Bem, ontem à noite
você não pareceu se importar com algumas direções ou devo dizer
sugestões?

Suas bochechas avermelharam quando ela escondeu o rosto em


seu ombro. — Sim, bem, eu gosto disso também.

Tomando o queixo em suas mãos suaves, Tony procurou seus


olhos. Ele poderia se perder nas profundezas do verde-esmeralda tão
profundo e rico. — Eu estava esperando que você pudesse mudar de
ideia e se juntar a mim nesta viagem.

Seus narizes quase tocando como suas pálpebras tremularam e


sua expressão se suavizou. — Quando você precisa sair?

Não era a resposta que ele queria; ele queria que ela dissesse que
ela iria para a Europa com ele. — O avião está pronto. E Eric está
esperando no carro.

A expressão de Claire acenou, seus dedos encontraram os botões


de sua camisa, e suas palavras vieram entre beijos de borboleta em seu

~ 29 ~
pescoço, — Eu não acho que Eric se importaria em esperar um pouco
mais e além do mais você vai ter ficar ausente por quase duas semanas.

Enquanto os dedos de Claire foram até o cinto e os lábios dela


tocaram o peito recém-exposto, os planos de viagem de Tony pareciam,
de repente, insignificantes. Então, antes que Tony pudesse aproveitar
este momento, Claire o beijou, sorriu e disse: — Me da um minuto.

— Sério você vai fazer isso comigo e ir embora?

Claire não olhou para trás enquanto ela caminhava em direção ao


banheiro, deu uma risadinha e murmurou algo sobre 'ele', sendo culpa
dele. Ela estava certa. A gravidez foi culpa dele; No entanto, olhando
para ela em nada, além da longa camisola de seda, ele não podia deixar
de sorrir. Suas roupas normais não acentuam o seu bebê crescendo, mas
com a camisola, ele podia ver a barriga crescer claro como o dia. Quando
ela voltou, ele estava de volta na cama. Suas roupas de viagem
ordenadamente empilhadas em uma cadeira próxima.

Quando Claire começou a subir na cama, seus olhos se


encontraram e Tony balançou a cabeça.

— O quê? — Perguntou ela, com seu sorriso derretendo sua alma.

Ele tentou fazer sua voz mais formidável. — Senhorita Nichols, você
começou isso. Eu acredito que você está excessivamente vestida.

Seu comportamento parecia nada intimidador. Ela quase não


hesitou quando ela ignorou seu comentário, subiu na cama e empurrou
Tony de volta para o seu travesseiro. Pairando acima dele, ele inalou o
cheiro de pasta de dente, quando o cabelo recém-escovado de Claire
varreu seu rosto. Com um sorriso sexy, ela desafiou sua demanda: —
Então, Sr. Rawlings, eu sugiro que você faça alguma coisa sobre isso. —
Em poucos segundos, seus mundos inverteram. Claire foi presa em seu
travesseiro, à camisola saiu e suas mãos ficaram presas acima de sua
cabeça. Sua risadinha rapidamente tornou em um gemido, quando os
olhos fechados indicavam a sua aprovação pelas suas ações.

Não foi só o gemido que indicou sua aprovação, não, seu corpo
inteiro aprovava, assim como o seu. Pelos próximos 40 minutos ficaram
perdidos dentro deles. Tony não podia deixar de acariciar e beijar sua
cintura enquanto ele se movia para cima e para baixo de seu corpo
sensual. Sua pele macia e seu cheiro incrível dominavam seus
pensamentos. Quaisquer preocupações de sua partida iminente
desapareceram.

~ 30 ~
Quando ele finalmente gozou e começou a sair, sua aura o puxou
de volta para um último beijo. — Eu te amo e eu estarei de volta logo que
eu puder. Eu queria que você viesse comigo.

Suas pálpebras lutaram um peso invisível. — Viaje com segurança.


Eu também te amo.

Quando ele puxou as cobertas sobre a pele macia exposta, ele


perguntou: — Você vai voltar a dormir?

Ela assentiu com a cabeça. — Sim, eu acho que depois do


extenuante treino da manhã, preciso de um cochilo.

Sorrindo, ele beijou o topo de sua cabeça e viu como seu sorriso
desapareceu, os olhos fechados, e ela apareceu alegremente serena. Foi
então que Tony se lembrou de algo que ele queria dizer. Com mais
autoridade em seu tom, ele acrescentou, — Claire.

Seus olhos imediatamente se abriram. Seu tenor não era


brincalhão. Embora Claire não falasse, ela obviamente reconheceu sua
mudança de sentido. Situado à beira da cama, Tony lembrou: — Se você
deixar a propriedade.

Ela acalmou suas palavras com o toque de sua mão. O grande


diamante na mão esquerda brilhava como ela respondeu de forma
adequada, — Eu prometo, vou levar Clay.

— Isso não é discutível.

— Tony, eu não estou discutindo - eu estou tentando dormir.

Ele beijou os seus lábios. — Eu vou ligar quando eu aterrissar em


Londres.

Ela assentiu com a cabeça. — Cuide-se. Eu acho que Eric o espera.

Tony não tinha revivido essa memória em mais de uma semana.


Todo o questionamento do FBI trouxe de volta junto com tantas outras.
Elas pareciam tão reais, ele queria chegar e tocá-la. Por apenas um
momento, Tony acreditava que ele poderia realmente sentir seu
perfume.

~ 31 ~
O barulho do fichário batendo na mesa de alumínio tirou Tony de
sua fantasia e de volta à realidade. Ele deve ter dormido. — Que diabos?

— A comida está aqui. — A voz de Brent parecia tensa.

— O que você estava lendo?

— Eu darei a você, mas você pode querer comer primeiro. Com


certeza arruinou o meu apetite.

Tony olhou desconfiado para o fichário e Brent continuou: —


Desde que eu sou seu advogado pessoal, precisamos falar sobre isso.
Como seu amigo, eu não quero. — Brent pegou uma caixa de isopor e
encostou à parede.

Com um enorme sentimento de desgraça, Tony empurrou a


comida de lado e pegou a pasta. No mesmo instante, as palavras na
página agrediram. Eles não eram novos, eles não eram uma revelação,
eles, no entanto, deveriam ter desaparecido.

Há três anos, Marcus Evergreen o informou do testemunho de


Claire. Naquela época, ele fez acordos e muitas promessas. Esta
documentação deveria desaparecer. Ele pagou com muito dinheiro para
que fosse perdido na confusão. Seu pulso acelerou quando ele pensou
nas promessas que tinha ouvido. Agora, não só o relatório se encontrava
nas mãos do FBI! Brent tinha acabado de ler isso! O coração de Tony
afundou. Brent estava certo, o apetite se foi. Ele andou nos limites da
pequena sala e começou a ler:

26 de Janeiro de 2012: Claire Nichols Rawlings:

Eu juro que meu relato é somente verdade, com o melhor de meu


conhecimento. Eu conheci Anthony Rawlings em 15 de Março de 2010,
em Atlanta, Geórgia em um restaurante chamado Red Wing. Eu estava
cuidando do bar e ele era um cliente. Naquela noite, eu concordei em
encontrar ele no bar para tomar uma bebida. Nós tínhamos bebido um
vinho e conversamos por cerca de uma hora, mais ou menos. Eu deixei o
bar sozinha. No dia seguinte, ele ligou para o bar e me convidou para um
encontro em outro lugar. Inicialmente, recusei a oferta. Ele foi persistente
e eu concordei em um encontro. Eu sabia o nome dele, mas não sabia
quem ele era. Eu realmente não sabia.

~ 32 ~
No dia 17 de Março, ele me pegou no Red Wing depois do meu
turno. Mais cedo naquele dia, eu fui fazer compras de supermercado.
Acho que isso é significativo. Isso prova que eu não tinha intenções de me
afastar da minha vida. Eu tinha leite na geladeira! Depois do jantar, eu
concordei em ir para o seu quarto de hotel para a sobremesa e mais um
pouco de vinho. Ele foi amigável e sensual. Eu admito que eu tive
relações sexuais com ele naquela noite.

A próxima vez em que eu acordei, eu estava em sua casa, em Iowa.


Eu não sabia onde eu estava. Lembro muito pouco sobre como eu cheguei
a Iowa. Há flashes de memórias, nenhum deles é bom. Lembro de chorar
e bater na porta. Lembro de implorar para que alguém me deixasse sair
do quarto. Lembro de ser contida.

Oh Deus, eu me lembro dele…

A visão de Tony turva. Ele não queria reviver estas memórias. As


dela sorrindo e feliz, aquelas ele queria. Não isso. Seu estômago revirou.
Este seria realmente ele? Se ele tivesse realmente feito essas coisas
horríveis? Fechando os olhos, ele viu além das palavras. Ele se lembrou
do relato de Claire, ela nunca lembrou as horas que esteve drogada; a
partir dali a memória retorna com violência;

Claire cochilou pacificamente na cama king-size, na suíte


presidencial do Ritz Carlton e Tony saiu da cama. Ao observar ela de
perto, ele esvaziou um frasco de líquido GHB em sua taça de vinho. Ele
tinha lido que combinando com álcool aceleraria sua resposta desejada.
Ele serviu mais vinho e cheirou. Não cheirava diferente do vinho normal.

De volta para a cama, ele se aproximou dela irradiando calor. Isso


foi verdade! Ele quis isso por tanto tempo e estava finalmente aqui.
Quando Claire aceitou este convite para jantar, ela garantiu seu destino.
Sinceramente há anos atrás, esse futuro havia sido garantido, sua
aceitação de jantar apenas tornou mais fácil. A observando dormir
pensou sobre o sexo. Sim, isso seria um grande bônus. Ela poderia pagar

~ 33 ~
a dívida Nichols e ele a poderia manter ocupada. Correndo as pontas de
seus dedos sobre a clavícula, ele suspirou. Isso era muito melhor do que
ele tinha imaginado.

Agora, ele a precisava levar para Iowa.

Ela se virou para ele e sorriu um sorriso sonolento — Eu realmente


preciso voltar para minha casa, eu não quero atrapalhar a sua
programação. — Claire começou a se afastar quando acrescentou: —
Tenho certeza que você está ocupado.

Tony pegou o braço dela. Sua pele macia e tonificada, os bíceps


flexionando ligeiramente ao toque dele. Ela era tudo o que uma mulher de
26 anos de idade deve ser e muito mais. Ele queria explorar cada
centímetro dela, mas primeiro ele tinha uma missão a cumprir.

Apesar de seus esforços em contrário, seus desejos sexuais foram


intensificados quando a conheceu.

Tentando fazer seu tom mais sensual, ele disse: — Eu prometo que
essa não é uma interrupção, e talvez depois de mais alguma sobremesa,
poderíamos ter mais um copo de vinho? Há ainda na garrafa do serviço
de quarto. — A sobremesa que ele tinha em mente não era os restos de
creme brulee na mesa próxima.

Ele esperou por uma resposta. Embora não fosse verbal, Claire
colocou a cabeça no travesseiro e olhou em seus olhos. Tony não queria
ver a confiança naqueles olhos. Eles eram muito inocentes e puros. Em
toda a sua pesquisa, ele nunca olhou para o fundo de sua alma
esmeralda, e ele não queria fazer agora. Ele abaixou os lábios em sua
clavícula e provou sua pele, úmida de mais cedo — sobremesa. — Seu
corpo se arqueou quando ele atormentou as pontas de seus seios firmes.
O conhecimento de que ela em breve seria sua totalmente quando e onde
ele quisesse, o desejo o ameaçou de empurrar para a beira cedo demais.

Será que ela sempre será complacente? Como ela lidaria com sua
nova realidade? Quando ele mordiscou as protuberâncias, duro agora,
ele não se importava isso não importa. O que importava era como ele
lidaria com isso. Ela seria tão complacente como ele queria… sua
penitência pelos pecados de seus antepassados.

Apoiando acima de sua pequena estrutura, ele permaneceu nos


tremores de sua fusão, contemplando a sua aquisição. Cada vez que
seus quadris se moveram, seu corpo respondeu em sincronia. Ele poderia
ficar assim por horas, mas seria necessário esperar, para outro dia.
Sorrindo, ele considerou todas as “outras vezes” que tinham em seu

~ 34 ~
futuro. Não querendo se afastar, Tony olhou para baixo para ver seus
olhos, não estavam bem abertos, e não muito fechados, o olhar satisfeito.
Ele ofereceu: — Posso pegar uma bebida ou algo para comer?

— Eu realmente não acho que eu quero que você se mova.

— Oh? — ele murmurou, enquanto ele brincava com ela a cada


giro. —Você tem certeza? Talvez um pouco mais de vinho.

— Agora, Anthony, eu acho que é bastante óbvio, você não precisa


me embebedar.

— Quem falou em bêbada? Eu só não quero que você não se


desidrate.

Claire sorriu enquanto lentamente sentou na cama. Alcançando a


taça, ele acrescentou: — Quero dizer que se está disposta a ficar, eu
gostaria de fazer um brinde.

Quando ele se virou, ela estava sentada contra a cabeceira com o


lençol enrolado em torno de seus seios. Sua modéstia o intrigou. A
maioria das mulheres que ele encontrava era do tipo de ostentar os seus
bens, não cobrir os mesmos. Sorrindo um sorriso tímido, ela estendeu a
mão para o copo. — Certamente, eu odiaria arruinar o seu brinde.

A droga teve efeito mais rápido do que Tony planejava. A mulher


agradável que ele tinha passado a noite, de repente se tornou agitada e
combativa. Esse novo comportamento não durou muito tempo. Quando
terminou, todo o seu corpo relaxou e a cabeça amoleceu sobre seu
pescoço. Por um momento, Tony temia que eles não conseguissem a tirar
do hotel. Apesar de sua aparência, Claire não estava inconsciente,
apenas estranha. Os olhos verdes já não eram a janela para sua alma;
em vez disso, eles estavam nublados com um véu de confusão e
separação, como se o corpo de Claire estivesse lá, mas sua mente estava
em outro lugar. Ela seguiu todos os comandos. De muitas maneiras, era
como vestir uma criança. Disse para ela ficar em pé, ela se levantou.
Disse para levantar os braços, ela o fez.

Uma vez que ele a tinha vestido, ele ligou para o Eric. À medida
que o elevador descia até o lobby, Claire se inclinou em seu peito. Ele
esperava espectadores interessados, ela apenas parecia cansada.
Embora ela não respondesse, ele falou baixinho em seu ouvido. Tony
pareceu o mais natural possível para a vigilância do hotel. Em seguida,
ele a levou até o carro, e com um beijo de despedida a deixou no carro
com Eric. Era tudo parte do plano.

~ 35 ~
Algumas horas mais tarde, Tony encontrou Eric em uma porta
lateral e entrou no banco de trás de seu carro. Dormindo profundamente
no banco, coberta com um cobertor fino estava sua aquisição. O quarto no
Ritz foi de Tony por mais alguns dias. Depois que ele tinha Claire em
Iowa, ele voltaria para Atlanta e participaria de mais reuniões. Parte do
plano, deixar sua cidade não poderia coincidir com a sua partida.

Andando do carro para o avião, ela tropeçou com os pés instáveis.


Uma vez a bordo, ela passeou, sem vontade de se sentar. Cada vez que
Tony chegou perto dela, ela se afastou e caminhou em direção à porta.
Usando mais persuasão física, ele a conduziu em direção ao banco. Com
os joelhos dobrados, ela falou pela primeira vez desde que o GHB entrou
em vigor, — Eu nãããããooo me sinto bem.

Ele não comentou quando ele afivelou o cinto de segurança. Num


primeiro momento, ela olhou para a contenção. Quando o avião levantou
do chão, sua cabeça caiu para o peito. Tony perguntou se ela não
compreendia o que estava acontecendo.

De repente, a cabeça mole saltava para cima e suas palavras


arrastadas encheram a cabine de outra forma vazia, — Euuuuuuu vou
vomitaaaaar.

Perdendo a paciência, Tony notou a súbita palidez de Claire. Ele se


desamarrou e caminhou em direção a ela. Ele viu o medo dentro de seus
olhos quando ela lutou freneticamente tentado soltar o cinto de
segurança.

— Pare com isso, — ordenou. — Você está em um avião. Você não


vai a lugar nenhum.

Ela virou, e com lágrimas escorrendo pelo rosto, incapaz de se


mover contra o cinto travado. Ele estendeu a mão para o queixo e virou
para si; antes que ele pudesse repreender sobre a importância de manter
contato com os olhos, ela se retorceu e vomitou. Cobrindo seu vestido e
sua calça.

— Merda! — ele latiu. Era nojento!

— Eu te disse… — ela gritou.

Ele olhou para a bagunça e depois para Claire quando ela afundou
contra o banco.

— Não faça o banco ficar sujo também.

~ 36 ~
Suas palavras só aumentaram as lágrimas. Quando ele estendeu a
mão para o cinto de segurança o desapertando, a repulsa da bagunça foi
de alguma forma, intercalada com simpatia.

— Venha aqui, — ele disse enquanto estendeu a mão.

Retraindo ainda mais contra o banco, ela perguntou: — Por que


estou aqui? O que você está fazendo?

Tony tentou mais uma vez para a compaixão, — Claire, você não
está se sentindo bem; Eu vou pegar um pouco de água e limpar você.

Hesitante, ela se levantou, se permitindo acompanhar até o


banheiro na parte de trás do avião. A cada comando, seu cumprimento
diminuiu, enquanto aumentou seu desafio. Ele suspeitava que ela
precisasse de mais droga.

— Eu não deveria estar aqui. Para onde vamos?

— Você vai se sentir melhor se você beber um pouco de água.

Apreensiva, ela pegou o copo atado com o segundo frasco de GHB.


Ele a assistiu chapinhar líquido dentro dos limites da taça enquanto as
mãos tremiam. Finalmente, com medo que ela derrame, ele a ajudou a
levar o copo aos lábios, onde ela tomou um gole.

Ela cuspiu na pia. — Tem um gosto engraçado.

— Isso porque você estava doente, é preciso enxaguar a boca. —


Ele encheu uma xícara com água e ela lavou. Em seguida, ele entregou-
lhe o primeiro copo. — Agora beba.

Claire balançou a cabeça e fez o que ele disse.

— Precisamos tirar essas roupas imundas.

Quando ele puxou o vestido, ela reagiu violentamente, tentando


com todas as suas forças ficar longe dele e para fora do banheiro. Seus
gritos ecoaram acima do zumbido dos motores. Foi como no hotel, quando
a droga entrou pela primeira vez o seu sistema; No entanto, desta vez,
Tony não precisava se preocupar com mais ninguém ouvindo.

Bloqueando a porta, ele a deixou fazer birra. Sua luta o intrigou. Os


golpes contra o peito com seus pequenos punhos era quase cômico, mas,
quando ela tentou arranhar, ele a teve que fazer parar. Ele tinha reuniões
e trabalho. Arranhões seriam questionados.

~ 37 ~
— Isso é o suficiente! — Ela não parou. Suas unhas arranharam o
seu braço e o sangue escorria por sua trilha. Agarrando a sua mão, ele
deu um tapa no rosto dela. — Pare com isso!

O choque apareceu por trás de seus olhos nublados, quando ela


cobriu o rosto, colocando a mão em seu rosto agora vermelho. De certa
forma, era engraçado; ela estava nua, histérica, e o atacou, e ela pareceu
surpresa por ele retaliar.

Ele se inclinou sobre seu corpo trêmulo. — Entre no chuveiro, agora.

Quando ela não se moveu, ele estendeu a mão para seu braço e a
puxou sob a água. Embora completamente vestido, ele se juntou a ela no
pequeno cubículo e a segurou sob a água caindo, até que a luta parou.

Em poucos minutos, a droga estava mais uma vez no controle, e


Tony estava dirigindo seus movimentos. Com as mãos trêmulas, ela
obedeceu, retirando as roupas molhadas após cada comando. Sua luta
foi embora. O fogo que ele momentaneamente tinha visto em seus olhos
agora era destacado por terror.

Quando ele desligou a água, eles estavam impecáveis. Com Claire


encolhida contra a parede do chuveiro, Tony contemplava seu próximo
movimento. Havia tantas possibilidades; disse para si mesmo levar isso
lentamente. Seu plano tinha sido planejado e ele tinha esperado por
muito tempo; ele queria saborear cada momento.

Entrando no pequeno banheiro, acrescentou as roupas molhadas


para a pilha contendo o vestido arruinado e entregou uma toalha.
Apreensiva, ela tomou sua oferta e envolveu em torno de si mesma. Seu
cabelo longo e escuro escorria pelas costas enquanto a água caia no
chão.

Sem olhar para cima, ela perguntou: — Você vai me machucar?

Tinha lido sobre o GHB. Ele sabia que essas cenas seriam
apagadas da sua memória. Ele podia fazer o que quisesse, e ela nunca
se lembraria.

O tom sensual de sedução tinha ido embora; em seu lugar foi o tom
autoritário de alguém com um plano. Tony se recusou a permitir que o
medo ou emoções alterassem seus planos. — Esse não é o meu plano.
Vamos ver o quão bem você pode seguir as instruções.

Tony puxou a borda da toalha de Claire quando ela recuou contra a


parede. Os olhos dela se arregalaram nublados e rapidamente desviou o
olhar. Ele se perguntou se ela poderia subconscientemente combater os

~ 38 ~
efeitos da droga. Ele observou enquanto ela trabalhava para formar as
palavras certas. Finalmente, ela murmurou: — Por favor.

Ele chegou mais perto, seu corpo nu ainda molhado e seu desejo
visível. — Por favor, o quê?

— Por favor, não me machuque.

— Eu tenho regras, Claire. — ele empurrou o cabelo molhado do


rosto. —Você pode seguir as minhas regras?

Evitando contato com os olhos, ela balançou a cabeça.

De repente, ele levantou o queixo. — Não desvie o olhar. Eu lhe fiz


uma pergunta. Espero uma resposta.

— Sim, eu posso seguir as suas regras.

— A regra número um é fazer o que eu digo. Eu sugiro que você


aprenda a seguir essa regra, se você quiser fazer o melhor disso.

Mantendo os olhos baixos, seus ombros tremiam enquanto ela


silenciosamente soluçou. Mais uma vez, sua mão atingiu seu rosto.

— Eu disse para não desviar o olhar.

Seus olhos imediatamente brilharam em direção ao seu.


Instantaneamente, as nuvens voltaram como poças de lágrimas
derramando sobre suas bochechas. — Eu vou fazer o que você diz; por
favor, pare de me bater.

As memórias fizeram o estômago de Tony curvar. É claro que não


tinha nada disso no depoimento de Claire. O GHB3 escondeu as
memórias dela, bem como outras lembranças das coisas que ele fez
durante esse voo e uma vez quando chegaram a Iowa.

Seu testemunho começou no dia seguinte, quando a droga estava


totalmente fora de seu sistema. Foi só então que ela começou a
entender a magnitude de sua situação; no entanto, a verdade bateu em
Tony entre os olhos. Transpiração encharcava seu rosto e o mal estar

3
*GHB - O gama-hidroxibutirato (GHB) surgiu no início da década de 1990 do século XX como uma
droga de abuso.

~ 39 ~
que ele sentiu na boca do estômago vazio irrompeu em náuseas. Não
importa o que ele fez para tornar a vida de Claire melhor ou mostrar
que ele tinha mudado essas lembranças sempre permaneceria nos
recônditos de sua mente. Para o resto de sua vida, ele saberia o que ele
tinha feito.

Tony se odiava por tudo isso, o inferno, ele sempre acreditou no


argumento que o fim justifica os meios, mas mesmo ele não acreditava
mais nisso. Não agora. Não agora que ele sabia que amava Claire. O
pensamento de alguém fazendo com ela o que tinha feito o encheu de
raiva. Se fosse outra pessoa a quem ela descreveu, Tony quereria ver
morto. Ele não deixaria pedra sobre pedra para fazer pagar por seus
pecados.

Lágrimas revestiam suas bochechas, e antes que ele percebesse


Brent estava bem na frente dele.

— Acho que você já leu o depoimento de Claire?

Tony assentiu. Ele não queria que Brent soubesse sobre isso.
Agora Courtney saberia. Ele deveria negar e argumentar, mas a imagem
de Claire, não a partir de seu depoimento, mas a partir de sua memória
em seu avião, enrolada na toalha, tremendo e com medo não o deixaria
mentir.

— Se a merda que está no fichário é verdade, você é um bastardo


doente —Brent virou uma volta — Eu sou o seu advogado pessoal e
amigo. Diga o que estamos enfrentando.

Tony permaneceu em silêncio, com os olhos tão nublados com as


memórias que ele mal podia ver a sala em torno dele.

— Droga, Tony! — a mesa vibrou com o tapa da mão de Brent,


enquanto a sua fúria e raiva encheram o ar. — Diga a verdade!

A ferocidade dentro da sala cresceu, e a angústia de Tony também


começou a crescer. Saltando da cadeira, ele passou por Brent. — Onde
diabos eles conseguiram isso? Que diabos isso significa? Claire está
viva? Será que eles sabem onde ela está? Ela se queixou? É sobre isso
que todo este maldito dia é?

Brent segurava ombros de Tony, enquanto ele exigiu. —


Fodidamente me diga se isso é verdade.

Brent nunca tinha falado com Tony nesse tom. Tony não poderia
deixar de retaliar, — Me solte, ou eu juro por Deus que vou dar um soco
na sua cara!

~ 40 ~
— Faça isso! Faça isso! Continue. Então, talvez, eu vou entender
mais do que Claire suportou.

Tony cambaleou para trás. As palavras de Brent cortam mais


profundo do que qualquer faca e foram mais dolorosas do que um soco
no queixo. —Isso foi antes de — luta de Tony evaporou enquanto seus
joelhos se dobraram contra a cadeira — Foi há muito tempo. As coisas
são, ou eram diferentes, desta vez. Eu não tive nada a ver com o seu
desaparecimento recente.

Brent caiu em uma cadeira e lutou para controlar suas palavras.


Por fim, ele perguntou: — Então, você está me dizendo que isso é
verdade? Você fez essa merda a uma mulher que dizia amar, uma
mulher que se casou, com uma mulher acusada de tentativa de
homicídio e depois queria reconciliação? Você fez isso seu doente
estúpido de merda para a mãe de seu filho?

— Não! Tony olhou para Brent. Ele sentiu o preto encher os olhos,
como preencher de vermelho sua visão. — Eu não estou dizendo isso.
Eu nunca faria isso para a mãe do meu filho ou a mulher que eu estava
reconciliando. Como eu disse, era diferente. — Ele esfregou a barba em
seu rosto. De repente, o rosto pesava demais para o seu pescoço. Tony
entrou em colapso contra o encosto da cadeira, permitindo sua cabeça
para descansar contra a parede de blocos de concreto. — A única
pessoa que entende ou nada disso, é Claire. — Indignação voltou e seu
pescoço endureceu. — Diga que isso não é relevante. Diga que você
pode suprimir esta evidência — Tony manteve quando o volume de sua
voz aumentou. — Eu paguei um monte de dinheiro para ter isso
desaparecido!

Brent balançou a cabeça. — Merda! Você acabou comigo, dizer a


um advogado, que você pagou para ter evidência desaparecida? Jesus
me diga que você não disse isso!

Tony sentiu o sangue de seu rosto, enquanto seus membros de


repente sentiram pesados. — Eu-eu- — Transpiração apareceu em sua
testa enquanto ele contemplava sua resposta e afundou de volta contra
o cimento fresco da parede — O que eu quis dizer é que esta evidência é
velha e as coisas mudaram, as pessoas mudam. Por favor… — Pode ter
sido a primeira vez que ele já tinha usado essa palavra com Brent, mas
isso não o torna menos sincero. — Por favor, me diga que você pode
convencer a eles que eu não a machuquei.

Brent olhou.

~ 41 ~
— Desta vez, — O tom de Tony endureceu quando ele empurrou
de volta as emoções que ele se recusou a revelar. Suas palavras
demoradas — Eu não a magoei dessa vez, — ele fez uma pausa
momentânea e reuniu seus pensamentos — Desta vez, ela veio a Iowa
por sua livre vontade. Estávamos esperando um bebê — sacudindo sua
cabeça ele corrigiu —Não, nós estamos tendo um bebê. Ela aceitou meu
anel de noivado, — ele olhou para o Brent. — Você é meu amigo, assim
como meu advogado pessoal; diga que acredita em mim.

Os ombros de Brent relaxaram e ele disse: — Devemos comer.

— Não! A comida não importa.

Inclinando para frente, Brent firmou seu tom. — Tony, ouça, eu


sei que não é o seu forte, mas não se feche e me deixe ajudar.

O ar deixou os pulmões de Tony. — Você ainda está disposto a me


ajudar?

— Eu vou ser honesto com você. Fomos amigos e talvez ainda


sejamos, mas agora eu estou chateado como o inferno, e não é por
nossa amizade que eu estou disposto a fazer isso por você. — Ele se
sentou ereto, mantendo o contato visual. — Quando tudo isso acabar,
você pode me demitir, entretanto, você deve saber, eu não estou fazendo
isso por você, estou fazendo isso por Claire. Se ela confiava em você de
novo, depois de toda essa merda, ele apontou para o fichário — eu
também vou.

O pescoço de Tony cedeu e seu rosto caiu para frente. Esfregando


a mão pelos cabelos, ele exalou. — Você não está demitido. O que você
pode fazer?

— Vou fazer umas chamadas. Se o FBI não está fazendo


acusações, eu acho que você pode sair, pelo menos momentaneamente.
Quando estiver de volta em Iowa, nós vamos falar sobre isso…

~ 42 ~
Apenas aqueles que você confia podem te trair.

-Nathan Rahl

Capítulo quatro
— Sr. Simmons, acreditamos que é no melhor interesse de seu
cliente para nós o mantermos aqui por pelo menos 48 horas.

Brent tentou esclarecer uma declaração anterior: — Você está


dizendo que acredita que o Sr. Rawlings está em perigo? No entanto,
você não vai nos dizer o que são as ameaças ou as provas que você tem
para apoiar esta reivindicação.

— Eu não tenho liberdade para divulgar essa informação. —


Ouvindo os mecanismos da porta, todos se viraram para ver outro
agente entrando. Agente Jackson apresentou o mais novo membro da
sua conversa, — Este é o agente especial encarregado SAC Easton.

SAC Easton aproximou da mesa. Tony verificou sua expressão;


linhas profundas incorporadas na testa mostrando anos de
concentração e estresse. Apesar de Tony olhar por algum sinal de
acomodação, a careta de Easton, em vez disso, advertiu de morte
iminente.

Limpando a garganta, Easton começou, — Agente Jackson,


obrigado por sua diligência. Sr. Rawlings, veio ao nosso conhecimento
que você pode ir embora. — Ele endireitou sua postura, e acrescentou:
— Neste momento não estamos preparados para o acusar formalmente
de qualquer crime.

Tony exalou. Sua gratidão evaporou rapidamente quando a


irritação prevaleceu. Incrédulo, ele levantou e olhou para os
funcionários federais. Antes que pudesse falar, SAC Easton continuou:
— No entanto, a sua segurança é uma preocupação e queremos
novamente...

Tony interrompeu: — A minha segurança? E quanto a Claire? E


quanto a sua segurança?

~ 43 ~
— Senhor — Easton mudou desconfortavelmente de pé para pé —
Sua ex-esposa é nossa informante, e foi ela que nos alertou para esse
perigo.

Os pulmões de Tony esvaziaram quando ele olhou para Brent.


Afundando para trás na cadeira, ele sussurrou, — Ela está viva. Graças
a Deus, ela está viva. — Tão rapidamente quanto o oxigênio o deixou,
ele retornou com um fluxo de sangue para seu rosto, fazendo seu rosto
um tom claro de vermelho no quarto mal iluminado. Com cada palavra,
seu volume aumentou e sua postura se endireitou, — Ela está viva.
Minha noiva, a mãe do meu filho, está viva e me tinham aqui por horas,
jogando alguns jogos de mente doentio!

Brent silenciou Tony com um toque na manga de sua camisa. —


SAC Easton, Agente Jackson, eu acredito que você acabou de dizer que
o meu cliente é livre para ir?

— Sim, advogado; no entanto, é a recomendação do...

Brent continuou: — Obrigado, nós vamos passar a noite aqui em


Boston. Você tem o meu número. Se não ouvir vocês até amanhã de
manhã às 09h00min da manhã, pretendemos voltar a Iowa. Se você
precisa falar com o meu cliente novamente, você pode fazer, através de
mim.

Havia tanto que Tony queria dizer, tanto que ele queria saber,
mas uma leve pressão de Brent no braço dele disse para sair da sala —
e escapar agora antes que o FBI mudasse de ideia. Momentaneamente,
o corpo de Tony se recusou a se mover. O que mais estes homens
sabem? Tentando com todas as suas forças, ele engoliu suas palavras e
caminhou em direção à porta; No entanto, antes de chegar ao ponto de
saída, ele se virou. — Onde ela está? Ela está em perigo?

SAC Easton encontrou seus olhos. — Sr. Rawlings, ela é a única


que fez contato com as autoridades. É de nosso entendimento que ela
deixou o país, e a sua casa de livre e espontânea vontade.

— País? Você disse que ela deixou o país? Onde ela está?

— De Sua Própria Livre Vontade, Sr. Rawlings. Ela não deseja que
seu paradeiro seja divulgado. O perigo que ela está alertando ainda está
presente.

As palavras do agente reverberaram através dos pensamentos de


Tony, fora do país livre e espontânea vontade. Será que Claire o deixou?
Ela o deixou de uma forma para criar propositalmente um escândalo

~ 44 ~
público? Se ela tivesse jogado com ele, algum tipo de vingança doente e
tudo era uma farsa para se vingar dele? Não! Tony sabia que não era o
caso. Ele se recusou a passar mais um segundo pensando nisso.

O puxão de Brent trouxe Tony de volta ao presente, como seu


advogado falou: — Obrigado agente, vamos recolher as coisas do Sr.
Rawlings.

Tony olhou uma última vez, momentaneamente sem palavras.

Em uma recepção, Tony assinou para retirar seus pertences, que


incluíram seu casaco e celular. Ele quase podia provar o sangue quando
ele mordeu o lábio, segurando as palavras que ele não podia suportar
pensar, muito menos dizer. Quando eles saíram do prédio, o ar fresco
encheu os pulmões enquanto registrava o adiantamento da hora. O FBI
tinha chegado ao quarto de hotel de Tony quase doze horas antes.
Verificando em seu telefone, ele falou: — Eu vou chamar o Eric e vamos
a um hotel.

Brent balançou a cabeça. — Não, eu mandei o Eric voltar para


Iowa. Eu não sabia quanto tempo isso duraria. Eu vou chamar um táxi.

Tony assentiu quando viu o número de mensagens e chamadas


perdidas alinhadas em sua tela. Ele tentou se lembrar de uma época em
que ele tinha estado, sem querer, inacessível para o mundo por 12
horas. Embora fosse incompreensível pensar que o FBI o reteu um dia
de sua vida, com total desrespeito por suas obrigações pessoais ou
públicas, ele não poderia deixar de se perturbar com as palavras do
agente. De sua própria vontade.

Durante a viagem de táxi para o hotel, nenhum dos dois proferiu


mais de uma ou duas palavras, pois ambos estavam ocupados em
retornar respostas de e-mails e mensagens de texto. A emoção do dia
finalmente passou, engolida inteiramente em um buraco inflexível.
Inconscientemente, Tony contemplou a possibilidade que lhe tinha sido
jogado. De sua própria vontade? Os cabelos arrepiaram na parte de trás
do seu pescoço.

*****

Somente quando estavam acomodados em uma suíte de dois


quartos que eles começaram a conversar. — Eu não acredito neles. —
Convicção veio através da voz de Tony mais forte a cada palavra.

~ 45 ~
— Você não acredita no FBI?

— Se Claire deixou por vontade própria, ela foi coagida.

— Por que o FBI insinuaria o contrário?

— Por que eles iriam me manter durante todo o maldito dia e


depois soltar a bomba no final?

Brent deu de ombros, tantos pensamentos bombardeando sua


cabeça.

A força e a preocupação na voz de Tony se transformaram em seu


tom dominante familiar. — Eu não quero que você diga a Courtney
sobre o que você soube hoje.

Brent considerou suas palavras. Foi este o momento de dizer a


Tony que ele tinha conhecimento há anos? Ele ajeitou o pescoço e ficou
mais alto do que ele já tinha ficado na presença de seu amigo em
muitos anos. — Eu te disse, eu te ajudei por causa de Claire. Ela está
viva e segura. Isso é o que importa.

— Aparentemente, ela está, e, aparentemente, não estamos nem


perto de saber mais nada.

— Não, não estamos, mas, pelo menos, sabemos que ela não está
na prisão por acusações forjadas.

Tony girou e encontrou o olhar de Brent. — O que você acabou de


dizer?

— Eu disse que não sabemos onde ela está —Brent continuou


olhando — Nós sabemos onde ela não está.

— Eu vou assumir que a oferta para te demitir ainda está sobre a


mesa.

Em uma varredura do minibar, Brent escolheu uma garrafa de


uísque, abriu a tampa pequena e bebeu no bico. Balançando a cabeça,
ele riu. — Claro, porque não? Estou pensando em uma aposentadoria
precoce de qualquer maneira.

Mesmo de costas para Tony, Brent podia sentir o escurecimento


dos olhos de Tony e imaginar sua expressão quando Tony repetiu: —
Não diga nada a Courtney.

Brent se virou. Ele ficou cansado de ser intimidado. — Tony, eu


não vou prometer isso. Eu não guardo segredos da minha mulher.

~ 46 ~
— Isso não é discutível. — Tony pegou uma garrafa semelhante
do bar. Quando ele abriu a tampa, Brent viu seus ombros caírem. Seu
tom não era mais cheio de dominação; Brent ouviu algo novo quando
Tony disse: — Eu ligo para o que a Courtney pensa, — ele manteve seu
olhar para longe, como se estivesse olhando para fora da janela e as
luzes de Boston — E você.

Brent cambaleou. Todas as acusações e declarações que ele tinha


praticado em sua cabeça, de repente desapareceram. O amor fraternal
não foi um gesto confortável entre os dois. Limpando a garganta, Brent
falou, — Você e Claire passaram por isso. Você jura que nunca mais a
tratou mal e a dominou como estava descrito no testemunho, desde a
sua libertação da prisão?

Tony assentiu. — Eu juro.

— Courtney é muito perspicaz; Eu não acho que ela ficaria muito


surpresa. — Quando Tony não respondeu, Brent continuou: — Você
quer pedir um jato para vir e nos levar embora na parte da manhã, ou o
que eu deveria fazer?

— Eu já fiz. Ele estará esperando as 10:00. — Bebendo o resto da


garrafa pequena, Tony disse: — Ela pode ser tão perspicaz quanto ela
quiser. Eu não quero que você confirme nada. Confidencialidade
inferno, eu te pago o suficiente para, pelo menos, esperar por isso.

Os ombros de Brent caíram tanto para o amor fraternal. — Sim,


Tony, você me paga. Sem dúvida, nas últimas 12 horas de inferno em
20 anos, eu fodidamente vali isso!

Tony jogou a garrafa vazia no bar. — Eu vou tentar dormir um


pouco.

— Espere! — Brent enfrentou os olhos escuros de seu melhor


amigo, era agora ou nunca — Essa aposentadoria antecipada,
demissão, ou o que você quiser chamar, ela ainda está sobre a mesa, e
você deve saber, eu estou pensando seriamente isso. Eu sei de muita
merda para manter a salvo o seu rabo.

— Você sabe muita merda para considerar ir embora para


sempre. Não é uma opção. — Tony virou-se para um dos quartos. Antes
de fechar a porta, ele acrescentou: — Eu não vou aceitar sua oferta.
Boa noite.

~ 47 ~
Era depois da meia-noite quando bateram à porta. Levou várias
batidas antes que alguém de dentro da suíte se mexesse. Brent foi o
primeiro a chegar até a porta. Ele passou a maior parte do dia com
policiais federais. Não precisava ser um gênio para descobrir quem
eram os dois homens em ternos escuros que estavam na porta.

— Estamos procurando por Anthony Rawlings.

Antes de Brent pudesse responder, Tony veio por trás dele. — Sou
Anthony Rawlings. O que diabos você quer a essa hora da noite?

Os dois oficiais exibiram seus crachás e credenciais. — Sr.


Rawlings, podemos entrar?

A última coisa que Tony queria era uma discussão com o FBI no
corredor do hotel. Ele e Brent deram um passo para trás permitindo
que os agentes entrassem na suíte.

A raiva de Tony desapareceu temporariamente por preocupação.

— Esta relação é Claire? Você tem novas informações?

— Não há mais informações. — Os homens de ternos escuros


passaram a explicar as ameaças contra a vida de Tony, que foram
verificadas e confirmadas. As informações que Claire Nichols informou
foram apenas o começo. O Bureau acredita que era do melhor interesse,
para todos, levar Tony para a sua casa, são e salvo, onde sua equipe de
segurança pode impedir quaisquer danos.

Eles também explicaram que a atividade de Tony poderia ser


monitorada pelo agressor e insistiram para que Brent permanecesse em
Boston. Eles enfatizaram que na parte da manhã Brent precisava ir ao
escritório do FBI e finalizar os documentos legais sobre essa
transferência. É claro que, em seguida, Brent e Tony seriam capazes de
se encontrar em Iowa, amanhã depois de Brent terminar todas as
legalidades.

Tony considerou as suas preocupações. Olhando para Brent, ele


deu de ombros. Honestamente, ele queria estar em casa. Fazia mais
sentido do que dormir em um quarto de hotel. — Por favor, um minuto
para recolher minhas coisas.

Quando ele saiu com os agentes, Tony disse a Brent, — Eu vou


falar com você quando você voltar para Iowa. Vem direto para a minha
casa depois que você chegar.

~ 48 ~
*****

Brent concordou e observou Tony indo com os dois agentes à


paisana. O sentimento de mau presságio ficou na mente de Brent. Ele
pensou em chamar a Courtney, mas era quase 02h00min. Ela não
precisa perder o sono só porque sua mente estava correndo.
Finalmente, Brent caiu em um sono agitado.

Apenas quatro horas mais tarde, Brent rolou para o telefone


vibrando ecoando na superfície dura da mesa de cabeceira. Antes que
ele pudesse responder à chamada, sua atenção foi para a batida forte
na porta da suíte.

Puxando sua calça, ele leu o número desconhecido, rejeitou a


chamada e empurrou o telefone no bolso. Em uma neblina ainda
privada de sono, Brent fez o seu caminho em direção à batida forte.
Desta vez, quando ele abriu a porta, Brent reconhecia pelo menos um
dos agentes. — Agente Jackson, você não podia esperar até que eu
viesse para o escritório esta manhã?

— Então, Sr. Simmons, você estava pensando em ir para o


escritório do FBI hoje?

— Sim, isso é o que me disseram.

— E, o que acontece com o Sr. Rawlings? Será que ele estava


pensando em vir também?

Brent recuou e permitiu a entrada de dois homens. — Ele faria,


mas agora...

— Agora — Agente Jackson completou a sentença de Brent —


Agora o seu cliente se foi, desaparecendo no meio da noite?

— Não. — Brent fechou a porta. — Bem, sim, porque ele saiu com
os seus agentes. — quando o FBI permaneceu em silêncio e trocaram
olhares interrogativos, Brent acrescentou: — Os homens de seu
escritório, que vieram aqui ontem à noite. Ele saiu com eles.

— Eu lhe asseguro, nós não enviamos agentes aqui na noite


passada.

~ 49 ~
— O quê? — Brent passou as mãos pelo seu cabelo bagunçado,
lutando com as novas informações. Poderia a ameaça de Claire ter sido
real? Será que alguém sequestrou o Tony?

— Sr. Simmons — Brent focou enquanto ele tentou subjugar o


seu medo iminente — Um avião saiu de Boston no espaço aéreo, um
avião particular, contratado por um Anthony Rawlings. O mesmo avião
fez um pouso de emergência nas Montanhas Apalaches
aproximadamente uma hora atrás. Nenhum sobrevivente foi
encontrado.

Brent caiu no sofá. — Como morto? —As palavras machucaram


saindo de seus lábios. Sim, houve momentos em que ele odiava Tony, o
que ele fez ou disse, não muda o fato de que o babaca controlador era
seu melhor amigo.

— Não, senhor, como desaparecido. O avião estava vazio. — A


equipe forense do FBI está investigando. Até agora, nenhum sinal de
luta ou ferimentos foram encontrados e — o agente Jackson realçou —
nenhum sinal de alguém.

— Mas… o FBI o levou. Eu vi as suas credenciais e distintivos.

— Você se lembra dos nomes desses agentes?

Brent balançou a cabeça. — Não, já era tarde. Jesus… Eu


realmente não olhei. Eu achava que era legítimo. Não me lembro.

— Sr. Simmons, o FBI não veio aqui ontem à noite.

— O que isto significa?

— Por agora, isso significa que você vai voltar com a gente para o
Bureau. Vamos rever as filmagens do hotel e discutir seus visitantes
noturnos.

*****

Sentado no escritório familiar do SAC do FBI de San Francisco, o


Agente Baldwin ouviu atentamente ao seu supervisor. — Anthony
Rawlings estava sob custódia do FBI. Agora ele não está.

— Eu sinto muito… o que quer dizer que ele não está?

~ 50 ~
— Devido à persuasão a partir de fontes políticas não
identificadas, Agente Easton, SAC, em Boston, não foi capaz de o
manter detido.

O sangue de Harry fervia. — Então, senhor… — Embora, bem


enraizado, o título deixou um gosto ruim em sua língua. — Você está
dizendo, ele fez isso de novo? Anthony Rawlings jogou suas cartas
políticas, deu um pouco de dinheiro, e está fora da custódia do FBI?

— Agente, apesar do pedido do diretor adjunto, você não está


claramente interessado em prosseguir a sua carreira a serviço da
Agencia?

— Peço desculpas. Senhor, por favor, continue. Claire Nichols.


Onde ela está?

— A última comunicação direta foi a partir de Genebra, na Suíça.


Isso foi há uma semana. Temos agentes de campo locais, que já
confirmaram a sua saída da Suíça.

— Ela saiu? Para onde ela foi?

— Isto são instruções, filho — Gostaria de informar; você escuta.


Agente Baldwin você parece ter esquecido o protocolo. Se você optar por
honrar o pedido do Diretor Adjunto e ajudar nesta investigação em
curso, sobre seu dever é, sim, senhor. Obrigado, senhor. Se esse dever é
muito difícil para você para cumprir, vou informar alegremente o nosso
diretor, e suas funções podem ser realocadas.

Harry mordeu a língua. Trabalhar à paisana tinha uma maneira


de remover as formalidades de escritório do vocabulário de um agente.
Harry tinha problemas suficientes com o seu futuro no serviço do FBI;
ele não precisa adicionar insubordinação à lista. Sentado mais alto,
Harry disse: Sim, senhor. Obrigado, senhor. Vou fazer o que o
departamento quer que eu faça.

— A agência quer que você viaje para a Itália. Temos dois


possíveis aparecimentos de Claire Nichols um em Veneza outro em
Roma. Temos imagens da mulher suspeita de ser Srta. Nichols. Você vai
ver que ela está sempre disfarçada. — SAC Williams apontou para uma
grande tela na parede de seu escritório. As imagens projetadas.
Algumas eram granuladas, como se tiradas à distância e ampliadas.
Outras estavam muito mais claras e detalhadas. Harry estudou a
mulher em cada fotografia. A última vez que ele viu Claire, em pessoa,
foi em Junho. Isso foi há quatro meses. A mulher em questão poderia
estar grávida, ou apenas gorda. Sua cor do cabelo e comprimento variou

~ 51 ~
de foto para foto, mas havia algo sobre ela, em algumas das fotos,
quando ela sorriu, o peito de Harry apertou.

— Senhor, eu creio que é Claire Nichols.

— Este homem tem sido visto com ela em numerosas ocasiões.


Você pode identificar?

Imagens foram repetidamente projetadas, novamente com


qualidade variada. — A maioria dessas imagens não mostra o rosto. É
como se ele soubesse manter longe das câmeras. — Cor do cabelo do
homem variava, e muitas vezes ele usava um chapéu. — Eu tenho
certeza que não é Anthony Rawlings, senhor — Harry estudou as
imagens de perto — Ele é familiar. Acredita que estão juntos? — A forma
como ele enfatizou a última palavra fez o seu significado claro.

Os olhos SAC Williams se estreitaram. — Parece que sim. Claire


Nichols disse ao promotor de Iowa City que ela deixou a casa do Sr.
Rawlings de sua livre e espontânea vontade, e que ela temia pela
segurança dela e de seu bebê. Ela enfatizou que a ameaça não era do
Sr. Rawlings. Apesar de que você está ciente, sua relação teve seus
momentos perigosos.

— Sim, senhor. Srta. Nichols me falou sobre isso por si mesma.

— Ela também informou a Evergreen que acreditava que o Sr.


Rawlings ainda está em perigo.

Harry se deslocou em seus pés ligeiramente.

— Vou perguntar isso mais uma vez, você pode entrar novamente
neste caso, com um senso de imparcialidade? Nossa tarefa é
multifacetada. Agora Claire Nichols é uma de nós. Embora não
divulgado publicamente, a morte, ainda é um caso aberto. O ME4
encontrou vestígios de uma toxina rara em seu sangue, Actaea
pachypoda, mais comumente referido como os olhos de boneca. Esta
toxina de uma planta tem um efeito sedativo sobre o tecido do músculo
cardíaco e pode provocar parada cardíaca. Essa mesma toxina foi
identificada em outras mortes. Um denominador comum parece ser o
Sr. Rawlings ou devo dizer Rawls. Depois de anos de nada, a pesquisa e
persistência da Srta. Nichols nos ajudou a juntar esses casos com o
mesmo denominador. Ao investigar mais, Actaea pachypoda também foi
encontrada no sangue do Sr. Rawlings, — quando ele foi envenenado

4 ME – Laboratório Forense das Agencias Especiais Americanas.

~ 52 ~
em 2012. Curiosamente, foi a primeira vez que foi identificada em uma
dose não letal.

Harry queria dizer: — Isso é muito ruim — mas, ele sabiamente


optou por permanecer em silêncio.

SAC Williams continuou: — Honestamente, isso não aparece em


uma tela normal toxicológica e poderia facilmente ser perdida. Nem
todos os casos levam diretamente ao Sr. Rawlings. Outras drogas,
indicando intoxicação, foram encontradas no relatório toxicológico de
2012 do Sr. Rawlings, esta toxina não foi descoberta inicialmente.
Felizmente, em casos criminais como o do Sr. Rawlings, tentativa de
homicídio, vestígios de provas são mantidos. Quando o sangue foi
reanalisado, a toxina foi descoberta. Se fosse deixado para aqueles
idiotas em Iowa, ele nunca teria sido encontrado. Nós não temos
nenhuma maneira de saber quantos outros casos foram perdidos.

— Posso ver os outros nomes e arquivos de casos que foram


identificados?

— Sim, agente, você poderá sair hoje para Veneza. Um arquivo de


esclarecimento irá acompanhar na viagem. Familiarize com ele.

— Se eu encontrar a Srta. Nichols, eu devo manter o personagem


de ex-namorado e que trabalha na Sijo?

— Por enquanto, sim. Ela confiava em você. Esse é o seu papel


mais uma vez, para reconquistar a sua confiança. Como eu disse este
caso, é multifacetado. Srta. Nichols acredita que existe uma ameaça
significativa, uma ameaça que era grave o suficiente para ela deixar o
país. Embora ela não saiba, Claire Nichols é nossa informante.
Precisamos dela segura. Sr. Rawlings é um homem influente, com
muitas conexões. Por enquanto, é o melhor interesse de muitas pessoas
ele permanecer escondido e seguro. Com o clima político e financeiro, o
colapso da Rawlings Indústrias poderia ter repercussões financeiras
globais. Isso não é algo que os proeminentes funcionários do governo
dos EUA queiram ver neste momento. Depois que sua localização for
confirmada, foi determinado e permitido que ele ficasse escondido. Na
verdade, esse era o plano do departamento. Eu não posso dizer que
concordo com as táticas do escritório de Boston. Acho que eles
deveriam ter sido diretos com ele o tempo todo, mas essa não era o meu
apelo. Agora, temos que limpar a sua bagunça.

— E se as evidências apontarem para o Sr. Rawlings?

— Se isso acontecer, Vamos trazer ele para cá.

~ 53 ~
Externamente, Harry manteve sua expressão neutra;
internamente ele sorriu de orelha a orelha. Trazer ele, sim, Harry
gostava do jeito que soou. Ele queria ser a pessoa que colocaria as
algemas nos pulsos de Rawlings e ele não quis dizer algemas de mil
dólares, cravejada de diamantes. A necessidade de Harry para a
retaliação não foi apenas com base no que ele fez com Claire, embora se
admita que fosse um fator predominante. Não, o incentivo de Harry
partiu da implicação de tantas outras atividades criminosas. Rawlings
não só sequestrou a Claire, mas ele também, potencialmente,
teoricamente, feriu inúmeros outros e destruiu vidas à vontade. Sim,
Harry queria ver Anthony Rawlings atrás das grades mais do que ele
queria na vida. Talvez, apenas talvez, quando os crimes de Rawlings
fossem trazidos à luz Claire iria ver a verdade. Oh, não havia dúvida de
que, quando Claire descobrisse que a presença de Harry em Palo Alto
não foi uma coincidência, que ele também mentiu para ela, ela estaria
chateada, mas mentir para o bem foi muito melhor do que matar, bater,
estuprar… É, o estômago de Harry torcia por pensar no tamanho que a
lista de pecados de Rawlings poderia ter.

Estalando de volta à realidade, a foto do homem no telão foi


registrada, e Harry disse, — Phillip Roach.

— Desculpe? — perguntou SAC Williams.

— O homem nessas fotos com Claire Nichols, seu nome é Phillip


Roach. Ele é um investigador particular. Eu já tinha puxado
informações preliminares sobre ele. Ele tem treinamento militar e em
várias ocasiões ele caiu fora das grades. Ele foi contratado pelo
Rawlings para vigiar a Claire. Eu não sei por que ele estaria com Claire
Nichols agora.

— Bem, então está em sua lista de coisas para saber.

— Senhor, por que eu vou, de repente, para a Europa?

SAC Williams sorriu. — Bem-vindo de volta, Agente.

~ 54 ~
Dúvida separa as pessoas. É um veneno que
desintegra amizades e rompe relações agradáveis. É
um espinho que irrita e dói; é uma espada que mata.

-Buddha

Capítulo cinco
Brent virou o copo de isopor tentando tomar as últimas gotas de
cafeína, orando por um empurrão de seu corpo exausto e a mente. Ele
estava sentado e assistindo o conteúdo de câmeras de vigilância do
hotel por horas. Agente Jackson permaneceu com ele, mas o segundo
agente ocasionalmente alterava. O único que acompanhou Jackson
para o hotel estava de volta; No entanto, ele saiu por um tempo e foi
substituído por outro homem, vestindo o mesmo terno preto habitual.

Independentemente de quem estava dentro de seu quarto, eles se


sentaram e assistiram ao mesmo filme mais e mais. Ele consistia na
imagem de Tony e os dois agentes que deixaram a suíte, indo pelo
corredor e os três homens sozinhos no elevador, sua caminhada através
do hall e todos eles entrando em um SUV preto esperando. Brent
perguntou a si mesmo se o agente Jackson esperava que algo mudasse
ou alguma informação nova. Ele não estava vendo; Neste ponto, ele
tinha certeza que ele ia ver o mesmo vídeo em seus sonhos, se ele
tivesse uma noite inteira de sono.

Sem dúvida, Tony se afastou voluntariamente. Parecia haver


pouca comunicação que ocorresse entre Tony e os agentes; no entanto,
sem áudio, não pôde ser confirmado. Assistindo seu amigo desaparecer
da vista da câmera, Brent se perguntou, foi Tony foi sequestrado pela
pessoa que Claire temia? O FBI insinuou o contrário. Saindo sem dizer
nada, Brent sentiu que eles pensavam que a partida de Tony, assim
como a de Claire, foi de sua própria vontade. Independentemente do
motivo, Brent não viu nenhuma vantagem em assistir o mesmo filme
mil vezes. Eles não deveriam tentar rastrear o SUV ou algo assim? De
repente, a voz do Agente Jackson reorientou os pensamentos de Brent.
— Aí está! Isso é o que eu tenho tentado ver. Eu sabia que algo parecia
estranho. — O outro agente pausou e voltou o vídeo; logo estavam todos
observando as imagens novamente.

~ 55 ~
Finalmente, Brent fez a pergunta que já não podia conter, — O
que você vê? Tudo o que vejo é o homem no envio de um texto.

Agente número dois respondeu. Brent desistiu de tentar aprender


todos os nomes diferentes dos diferentes agentes. A maioria deles
parecia igual. Foi isso que fez o enigma de ontem à noite de modo real.
Ele realmente não olhou para os homens. Ele pensou por um momento
nos homens do filme Homens De Preto; eles tinham direito de nomear
seus agentes com letras. J e K eram muito mais fáceis de lembrar.

Número Dois respondeu: — Olhe para esse telefone. Qual é a


hora?

Jackson leu a parte inferior da tela, — 01:36:58

De repente, Número Dois estava digitando febrilmente em um


teclado nas proximidades.

— Alguém vai me dizer o que vocês estão pensando? Será que isto
vai ajudar a encontrar Tony?

A expressão de Jackson mostrou exasperação; ele exalou e disse:


— Veja o seu telefone. Isso não é um telefone do FBI. Não é nem mesmo
um telefone inteligente.

Imediatamente, Brent reconheceu o que Jackson estava vendo.


Olhando para o telefone na mão do agente na imagem, ele viu o mesmo
tipo de telefone que a Courtney costumava usar para se comunicar com
Claire. Brent concordou: — Sim! É um daqueles telefones descartáveis.
Por que um agente tem um desses? Ou por que ele usaria?

— Exatamente por que de fato? Embora possamos não ser


capazes de responder por que com 100% de certeza, mas posso, com
100% de certeza, dizer que ele não está digitando para o escritório.

— Aqui está!

Brent e Jackson voltaram para o número dois, que exclamou: —


Exatamente às 01:36:59 a torre mais próxima recebeu e encaminhou
uma mensagem de texto! — Ele continuou a escrever, em seguida, ele
acrescentou: — Ele se originou a partir de um telefone descartável,
comprado em uma loja de conveniência no lado leste de Boston, a partir
das coordenadas do hotel.

— E isso foi para? — perguntou Jackson.

~ 56 ~
Número Dois exalou. — Outro telefone disponível, comprado na
mesma loja, no mesmo horário, com dinheiro.

— Você pode ver a localização do receptor do texto?

— Me de um minuto.

Brent sentou-se e levantou o copo novamente, tentando localizar


os restos remanescentes de café no fundo do copo. Ele ficou
maravilhado com os recursos do FBI. Sua tecnologia impressionante e
intrusiva deu a confiança que iriam, em breve, saber mais sobre estes
agentes falsos. Brent ficou aliviado e preocupado. Apesar do fato, ele
disse repetidamente a história da visita tarde da noite, cada vez
enfatizando surpresa e agitação de Tony, que, na verdade, ele aludiu à
possibilidade que Tony organizou a visita falsa e seu próprio
desaparecimento.

Enquanto os dois agentes conversavam, Número Dois digitava e


digitava, e os pensamentos de Brent voltaram para ontem à noite na
suíte. Ele lembrou a declaração de Tony, dizendo que ele não acreditava
no FBI e temia que Claire tivesse sido coagida a deixar o país. Brent
queria acreditar no amigo. Ele queria acreditar que o Tony de 2010,
havia desaparecido; no entanto, o fato de que uma vez existiu,
permaneceu nos pensamentos de Brent.

Ele sabia que a teoria de Claire, sobre por que Tony a sequestrou
todos aqueles anos atrás, por uma vingança permanente, tinha a ver
com os seus avós. Independentemente do motivo, em 2010, Tony
arriscou o dinheiro, aparência, tudo, para sequestrar e ter Claire
Nichols. Para quem está de fora, não fazia sentido. Anthony Rawlings
era incrivelmente rico e não era feio. Ninguém acreditaria que ele
comprometeu tudo o que ele tinha trabalhado para realizar, para
sequestrar uma mulher de Atlanta, Geórgia. Quando os pensamentos
de Brent agruparam, ele sentiu a adrenalina de entendimento. De
repente, a imagem fazia sentido. Era como assistir a cartas caindo,
apenas fechando uma sequência interna. Se Tony estava disposto a
apostar tudo para levar Claire, então certamente ele estaria disposto a
jogar tudo de novo, se ele acreditava que ela precisava ser resgatada.

Fechando os olhos e esfregando as têmporas, Brent permitiu que


seus pensamentos descarregassem. Um minuto, ele se preocupava com
alguém perigoso sequestrando Tony, sobre o alguém que Claire disse ao
FBI. No minuto seguinte, ele acreditava que Tony organizou a fuga, em
um esforço para encontrar Claire por conta própria. Se fosse esse o

~ 57 ~
caso, seu amigo e seu chefe Anthony Rawlings era agora um fugitivo. Se
fosse esse o caso, Brent não poderia estar mais orgulhoso!

Com a privação de sono batendo por trás dos olhos fechados de


Brent, ele tomou uma decisão. Ele não vai desistir, e ele não foi
demitido; no entanto, sem dúvida, ele não estava sendo pago o
suficiente para aturar esta merda! Ele merecia um aumento, e se Tony
não estava por perto, então, caramba, isso era algo que Brent poderia
ajudar a si mesmo! Esta merda merecia mais dinheiro!

*****

Catherine abriu a porta da propriedade, sabendo quem estaria do


outro lado. Grandes portões de ferro reduziram muito as chances de
visitantes surpresas. Quando Marcus Evergreen deu entrada, o
segurança informou que o Sr. Rawlings não estava em casa. Ele pediu
para ir até a propriedade de qualquer jeito. Sem Anton em casa,
Catherine raciocinou, ela era a única a lidar com o que o promotor
queria discutir.

— Olá, Sr. Evergreen, por favor, entre.

— Sra. London, eu queria vir aqui pessoalmente. Eu espero que


você não se importe com a invasão?

Levando para a sala de estar, Catherine respondeu: — Eu não me


importo; no entanto, eu não tenho certeza do que você quer. Sr.
Rawlings ainda está fora da cidade. Eu não tenho notícias dele desde
que saiu sexta-feira.

— Sim, é isso que eu estou aqui para discutir.

Eles se sentaram, um de frente para o outro, quando Catherine


respondeu: — Sr. Evergreen, talvez você deva falar com a assistente do
Sr. Rawlings, Patrícia. Ela geralmente está muito mais a par da sua
agenda do que eu tenho certeza que se ele deveria se encontrar com
você, ele vai. Não há nenhuma razão que ele não iria. —As palavras de
Catherine fluíam mais rápidas enquanto falava.

— Sr. Rawlings não tem família, não é?

— Não, senhor. Por que você está perguntando?

— Você trabalhou para ele por um longo tempo, não é verdade?

~ 58 ~
— Sim, eu conheço o Sr. Rawlings por um longo tempo. Desculpe
mas eu não entendo aonde você quer chegar com isso.

— Sra. London, recebi um telefonema do departamento de Boston


do FBI ontem. Eles me instruíram a não divulgar qualquer informação,
até que tudo se confirme. Esta manhã, eles me informaram que a mídia
em breve relataria o incidente.

A ansiedade de Catherine crescia a cada segundo que passava.


Ela não sabia o que estava prestes a ser dito, e a incerteza a fez inalar
profundamente. — Sr. Evergreen, o que você está tentando dizer?

— Sr. Rawlings fretou um avião particular durante as primeiras


horas da manhã, no domingo. Esse avião fez um pouso de emergência
nas Montanhas Apalaches. —Ele rapidamente acrescentou: — não caiu,
ele pousou, e ninguém foi encontrado.

Inesperadamente, lágrimas se formaram nos olhos cinzentos de


Catherine. Estoicamente, empurrou para frente. — Por quê? Como? Isso
não faz sentido. Ele tem seu próprio avião e acesso a muito mais. Por
que ele fretaria um avião?

— Tudo o que sei é que o FBI tinha motivos para acreditar que a
vida do Sr. Rawlings estava em perigo.

A mão de Catherine rapidamente mudou para a garganta. — Em


perigo? Por quem?

— Eles não revelaram essa informação para mim. Eles disseram


que não estão fazendo todas as declarações. O seu empregador não é
nem considerado morto nem desaparecido. Eles esperam o localizar.
Sra. London, se você ouvir algo, eu estou implorando, por favor, entre
em contato com meu escritório imediatamente.

Catherine assentiu. — Sim, Sr. Evergreen, é claro. Então, eles


acham que ele está vivo?

— O FBI não está sendo muito acessível. Tenho certeza que isso
vai resultar em todos os tipos de especulações. — O promotor levantou.
— Eu preciso voltar para o escritório. Eu queria fazer algo e lhe
informar parecia ser a melhor opção. Eu sei que ele era seu
empregador; no entanto, depois de tantos anos de serviço dedicados,
senti que merecia ouvir em primeira mão as informações.

— Sr. Evergreen, o FBI? Será que isso também envolve a Srta.


Nichols?

~ 59 ~
— Eu gostaria de poder dizer mais. Eu gostaria de saber mais. A
partir de agora, tanto a Srta. Nichols, quanto o Sr. Rawlings estão
oficialmente considerados desaparecidos.

Mantendo os olhos baixos, Catherine levou o visitante de volta


para a porta.

Obrigado, Sr. Evergreen. Agradeço a mensagem pessoal. Vou


entrar em contato com seu escritório se eu ouvir alguma coisa.

— Só mais uma coisa, o motorista do Sr. Rawlings, Eric Hensley?

— Sim, esse é o nome dele.

— Ele está aqui?

— Sim, — respondeu Catherine. — Ele saiu com o Sr. Rawlings


sexta-feira, mas voltou no sábado sozinho. Nós não nos falamos; Eu
não sei por que ele veio sozinho para casa.

— Você não falou com ele?

— Sr. Evergreen, esta é uma grande casa e propriedade. Todos


nós temos os nossos deveres e quando temos a chance de algum tempo
ininterrupto, nós aproveitamos para descansar.

Marcus assentiu.

Era verdade que o promotor recebia um salário decente, mas o


modo de vida no mundo do extremamente rico era um mistério para
aqueles que não conhecem. Catherine acreditava no sentido da resposta
dada, e o Sr. Evergreen não tinha nenhuma razão para duvidar dela.

Ele acrescentou: — Obrigado, Sra. London. Eu também


informarei sobre qualquer novidade que eu receber. Você gostaria que
eu informasse Hensley?

— Se você sentir a necessidade de falar com ele pessoalmente, de


qualquer forma.

— Não, se você quiser dar a notícia a ele, eu não vou atrapalhar.


Mais uma vez, sinto muito ser a pessoa a informar sobre esta notícia
perturbadora.

— Obrigada, por ter tomado seu tempo. — Catherine fechou a


porta e encostou-se a ela. Olhando as grandes escadas e hall de entrada
brilhando, um sorriso apareceu em seu rosto. Ela saboreou este
momento. Embora, ela não tinha certeza de quanto tempo duraria; No

~ 60 ~
entanto, quando o tempo aceitável de luto terminar, ela se encontraria
com o Sr. Simmons ou o Sr. Miller. Catherine lembrou os documentos
legais que tinha assinado anos atrás a nomeando executora do espólio
de Anton. Eles teriam sido nulos e sem efeito se Anton tivesse família,
uma esposa ou filhos, mas não tinha. Ele era divorciado, e Claire
também estava desaparecida, assim como o filho que ela dizia ser dele.
Foi tudo trabalhado em conjunto para tornar esse documento válido.

O sorriso de Catherine cresceu quando ela fez seu caminho para o


escritório. Foi tão boa à visita de Marcus Evergreen e falar com ele
pessoalmente. Ela não poderia ter planejado isso melhor!

*****

O café seria fora. Depois de quase duas semanas em Veneza,


Claire não poderia ficar dentro de sua suíte de hotel mais um minuto.
Sim, o Hotel Danieli era impressionante; No entanto, Claire tinha
experiência por ter sido mantida prisioneira em lugares bonitos, e ela
precisava de ar. Se isso significava mais dos disfarces, ela o faria.
Bebericando o chá quente, Claire folheou as fotos mais uma vez. A água
azul e areia branca lembrou sua lua de mel. A ilha privada foi incrível,
mas poderia estar em casa? Ela sabia que precisava tomar uma decisão.
Phil tinha sido paciente, mas isso estava demorando demais; mesmo os
dois, saindo em público o deixavam inquieto. Claire sabia que ele queria
uma resposta.

— Eu não tenho certeza. Quero dizer que me faz lembrar Fiji, mas
e o meu bebê? Existe assistência médica, — ela acrescentou com ênfase
— da assistência médica real nas proximidades?

— Sim, nós discutimos isso. Há uma cidade em um mero passeio


de barco. Nessa cidade há um médico formado no Reino Unido. Se mais
ampla assistência médica for necessária, a cidade tem um campo de
voo. Você pode pagar o voo se for necessário. Em menos de duas horas
você pode estar em um hospital com especialistas.

Claire olhou para baixo. Talvez ela não estivesse pronta para sair.
Ela não tinha verificado o feed de notícias americana nos últimos dias,
honestamente, ela não tinha verificado qualquer coisa. Quando a
adrenalina de sua fuga diminuiu, a fortuna escondida e iminente
mudança pareciam pesadas. Claire estava cansada de tomar decisões
erradas.

~ 61 ~
Phil se inclinou sobre a mesa pequena e cobriu a mão dela com a
sua. O cuidado e a compaixão que ela tinha visto em seus olhos foram
lentamente voltando para a irritação.

Sua voz era apenas um sussurro no barulho da conversa que


ocorria em todos os lados deles. — Olha, a escolha é sua e o dinheiro é
seu, mas se você não tomar uma decisão em breve, pelo menos temos
de deixar Veneza. Sei que viajar é difícil para você; no entanto, este é o
meu trabalho, manter você em segurança se você aceitar de bom grado
ou não. — Sua última frase mostrou um pouco mais de determinação
do que Claire apreciava.

Com os cabelos na parte de trás do seu pescoço arrepiando,


mostrando a tristeza de Claire com o que ela tinha perdido, deu lugar a
sua nova independência. Sentada ereta, ela tirou a mão da dele e disse:
— Você está fazendo o seu trabalho, porque eu estou pagando muito
bem, eu poderia acrescentar. É minha decisão e eu estou doente e
cansada de fazer as coisas erradas.

— Sim, você está me pagando e eu ganhava menos por mais. Na


verdade, meu trabalho é manter você em segurança. — Sua voz baixou
novamente — todos os disfarces malditos no mundo não vão te manter
fora do radar, em uma rua pública, em Veneza. Apesar do fato de que o
FBI está provavelmente procurando você, a recompensa de seu ex-
marido faz de todos uma possível ameaça.

Quando Claire se moveu para sair, Phil também.

— Pare, — declarou ela.

Ele levantou uma sobrancelha.

Em voz baixa, mas determinada, ela disse: — Eu estou indo para


uma caminhada. Eu não preciso de uma babá. Eu tenho o meu telefone
e eu preciso pensar. Eu vou voltar quando eu quiser. — Desta vez, ela
se inclinou em direção a ele. — Se você não respeitar a minha
privacidade, eu vou encontrar outra babá. Eu preciso de uma pausa.

Ela viu o tumulto em seus olhos. Ela não era apenas um emprego
para ele, ele realmente se importava com ela. Claire sabia disso; No
entanto, ela precisava pensar. Andar sempre a ajudou a fazer isso.
Quando ele não respondeu, Claire balançou a cabeça e virou. Embora o
céu estivesse limpo, a temperatura era agradável, especialmente com a
brisa soprando entre os prédios. Clair tinha que ver o outono iminente e
a água.

~ 62 ~
Com o discurso de pensamentos girando na mente de Claire, o
mundo ao seu redor era um borrão. Inconscientemente, seus pés se
moveram em direção a Praça de São Marcos, e seus olhos observavam
os pombos ao mover o seu corpo para evitar outros pedestres. Embora
cercada em todas as direções, nada da beleza histórica era registrada.
Sua mente estava ocupada em busca de respostas. Ela pensou em
Tony. Eles não tinham visto um ao outro por quase um mês. Por um
momento, as memórias de seu último encontro encheu sua visão. Ela se
lembrou dele pedindo novamente para ir para a Europa. A ironia do fato
de que ela agora estava onde ele queria que ela estivesse. Se ao menos
ela tivesse ido com ele, talvez ela estivesse desfrutando do turismo, em
vez de se escondendo por sua vida. Repreendendo a si mesma, Claire
reconheceu outra má decisão.

Ela não queria que sua mudança fosse impulsiva. Será que ela
ainda quer se afastar para sempre? Claire questionou: Catherine era
realmente uma ameaça? Então se lembrou dos pais de Tony e seus pais.
Poderia Catherine ter sido responsável pelo acidente de seus pais
também? E sobre Simon? Não que algo fizesse sentido. Por que Catherine
se preocuparia com Simon Johnson? Claire sabia em seu coração, se a
morte de Simon não foi um acidente real, a culpa pertencia a Tony. Se
Tony foi responsável por Simon, ele também era responsável por seus
pais?

Seu corpo inteiro doía com a indecisão. Como pode uma mulher
que ela tinha aprendido a amar como uma mãe ser responsável por
tanto? Como poderia o homem que ela também adorava ser culpado?
Claire estremeceu contra a brisa, quando se lembrou de cenas que ela
compartimentou a distância. As imagens a partir de 2010 transmitidas
através de suas memórias. Elas não eram tão vivas como costumavam
ser, o tempo faz isso. Ela escurece a cor e tira o som, mas quando ela
colocou os braços em volta de si e sentiu as lágrimas enchendo seus
olhos, ela sabia, no início de 2010, a cor não tinha sido necessária. A
única coisa que importava era negro.

Essa percepção indesejada lhe bateu. Não importa o quanto ela


queria amar e confiar em Tony, o véu negro de medo estaria sempre por
perto. Ela suprimiu e compartimentou; no entanto, a sua presença era
o que Catherine usou a seu favor. Admitir esta revelação
momentaneamente a imobilizou. Ela sentou em um banco de concreto
de frente para a lagoa e viu o número de pombos se multiplicarem a
seus pés. Ela não viu as outras pessoas, embora eles estivessem por
toda parte. Não foi até que ouviu a voz dele, que ela soube que ele
estava presente.

~ 63 ~
Claro, ela o reconheceu. Olhando para cima, ela viu seus olhos
azuis penetrantes, seu véu negro. Seu mundo não era mais escondido,
mas ele não fazia sentido. Como poderia estar lá Harry, em Veneza? Por
que ele estava lá? Ele estava realmente lá? Novas questões inundaram
sua mente que já estava saturada.

~ 64 ~
Ouça a sua intuição. Vai dizer-lhe tudo o que você
precisa saber.

-Anthony J. D'Angelo

Capítulo seis
O toque familiar chamou Sophia para a cozinha de sua casa
Provincetown. Ela reconheceu a melodia, dizendo que chamada em
espera era do marido. Apressadamente, clicando no botão atender,
Sophia permitiu seu sorriso irradiar através da tela. Eles não se falavam
há quase uma semana e seu entusiasmo com a foto do seu perfil bonito
era difícil de conter. Aguardando a sua conversa para se conectar,
Sophia olhou para seu rosto sorridente, sabendo que logo ela o veria,
como se ele estivesse ali com ela.

— Oi, querido, — ela respondeu quando o vídeo lutou para


recuperar o atraso com o áudio. Seus pensamentos e preocupações de
mais cedo no dia desapareceram, quando os olhos tão suaves castanhos
do marido transcendeu milhas, continentes e oceanos.

— Ei, linda. — depois de quase uma semana de intervalo, apenas


o som de sua voz fez Sophia derreter em sua cadeira. — Diga que você
já ouviu a notícia.

A mente de Sophia procurou informações recentes. Ela tinha


estado tão ocupada com assuntos dos seus pais, estúdio de arte, velhos
amigos, e os preparativos para voltar para a Costa Oeste, ela não tinha
olhado para um jornal ou até mesmo acessado a internet em um par de
dias. Isso era parte do charme de viver no Cabo, era um mundo próprio.
Sorrindo para a imagem de seu marido, Sophia respondeu: — Oh, você
sempre sabe sobre as últimas notícias!

Derek sorriu e balançou a cabeça.

Sophia continuou: — Eu não acho que eu tenha visto. Seja o que


for, deve ser muito grande se espalhou até em Pequim.

— Sim, eu diria que é grande. É grande o suficiente para que eu


esteja voltando para Santa Clara amanhã.

~ 65 ~
— Estou chegando lá amanhã também! Eu já tenho o meu voo
reservado. —Sophia se entusiasmou sobre seu reencontro e ponderou
as possibilidades de mudança na agenda de Derek. — Estou muito feliz,
mas por quê? Você não estava programado para chegar em casa por
mais uma semana. O que aconteceu? Será que tem algo a ver com a
viagem, houve um alerta de segurança, você está bem?

— Não, a viagem é boa. Eu estou bem, mas Anthony Rawlings


está desaparecido!

Sophia olhou incrédula para a tela, tentando desesperadamente


colocar as palavras do marido em uma moldura de tempo e espaço. Ela
não tinha falado com Derek desde seu encontro estranho em seu
estúdio com o Sr. Rawlings. Brigando com seus pensamentos em um
tom gerenciável, ela perguntou: — Quando? O que quer dizer que está
desaparecido?

Derek deu de ombros. — Eu não tenho certeza de todos os


detalhes. Um comunicado urgente via web conferencia foi passado.
Roger deu a todos da Shedis-tics as informações básicas. Eu não acho
que ele queria que qualquer um de nós soubesse da notícia pela
internet. Eu não tive a chance de olhar, mas Roger disse que estará em
todos os lugares em breve. Toda Rawlings Indústrias Inc. está em modo
de defesa. Sabe, circule os vagões, fique alto, e prepare para tudo o que
acontecer.

Sophia se ajeitou na cadeira. — Querido, lembra que iríamos falar


no último sábado?

A atenção de Derek foi subitamente desviada para algo ao lado de


sua tela. — Ah, desculpe, querida, eu não poderia entrar no Skype. As
coisas eram loucas. Você sabe estar de volta nos EUA para seus pais…
— Sua voz sumiu quando ele olhou de volta para a câmera, a
preocupação encheu os olhos azuis olhando para Sophia. — Sinto
muito. Não me interprete mal. Eu não queria estar em outro lugar, mas
com você. — As linhas em sua testa desapareceram, quando pequenos
vincos formaram ao redor dos olhos e um sorriso amoroso emergiu — É
onde eu quero estar agora, também.

Sophia sorriu e balançou a cabeça; fios do longo cabelo, loiro,


caíram suavemente em seu rosto. — Eu sei disso. Não se preocupe, mas
Derek, eu preciso te contar uma coisa que aconteceu no sábado.
Primeiro, diga, quando é que o Sr. Rawlings desapareceu? E o que você
quer dizer com desapareceu? —Com cada palavra, seu volume
aumentou, expondo sua crescente preocupação.

~ 66 ~
— Acho que foi na semana passada, em algum momento, algo a
ver com o FBI e o desaparecimento de sua ex-esposa. — O som de uma
chamada de voz ecoou atrás de Derek. — Eu realmente preciso ir. Vejo
você em casa amanhã. As coisas estão uma loucura! Eu te amo!

— Derek! — Ela gritou em direção da tela. — Derek. —Fazendo


suas palavras se moverem rápido, Sophia acrescentou: — Ele estava
aqui no último sábado! Ele estava no meu estúdio de arte!

Sua velocidade de discurso foi inconsequente. A imagem de seu


marido tinha desaparecido, sua ligação cortada. Sophia olhou para a
tela por um minuto. No lugar do movimento de seu marido, ela mais
uma vez viu sua imagem de perfil e nome. Ele foi sem se despedir; as
coisas devem estar selvagens na Shedis-tiques e todas as subsidiárias
do grupo Rawlings. Não importa, Sophia queria saber quando o Sr.
Rawlings desapareceu, e quando sua ex-mulher desapareceu? Ela se
lembrava de Sr. Rawlings dizendo que ele estava fora de seu jogo. Era
tudo tão estranho.

Sophia tinha pensado que era estranho ele ter ido ao estúdio, a
convidando para jantar, se oferecendo para comprar uma pintura, em
seguida, não comparecendo para jantar. Lembrou que esperou no
restaurante por uma hora antes de sair. É claro que ela estava
perturbada e se perguntou por que ele a convidou, apenas para ficar em
seu quarto e nem desmarcar o encontro. Então, quando ela sentou
sozinha à mesa, Sophia lembrou observação da Sra Cunningham
durante o evento de gala, na primavera passada. Ela disse que o Sr.
Rawlings era bem conhecido por sua pontualidade.

Esta nova informação adicionada à peculiaridade de sua visita.

Tentando fazer sentido de tudo, Sophia voltou para o quarto para


terminar de embalar. Indo para casa da Califórnia, ela ia muito mais
feliz com a promessa que Derek estaria lá também.

*****

Claire olhou para cima para ver o cabelo loiro habitual de Harry
soprando no vento forte fora da lagoa, enquanto seus olhos azuis
olharam firme em sua direção. O véu negro cobrindo o mundo rasgado,
expondo sua súbita vulnerabilidade. Abalada por esse novo paradigma,
ela era incapaz de falar. Tudo estava fora de contexto. Ela tinha uma

~ 67 ~
peruca que fazia seu cabelo preto, e as lentes que fizeram os olhos de
um castanho escuro. Ela não era Claire Nichols, ainda que ela fosse.
Phil era a única pessoa familiarizada, que pertencia ao seu novo
universo paralelo. Ele era o único que ela podia confiar. Quantas vezes
ambos tinham discutido isso? Quantas vezes eles praticaram o que
deveria acontecer se a bolha fosse, de fato, penetrada?

As palavras não faziam sentido enquanto ela continuava a


bocejar. Seu instinto lhe disse para virar, correr e fingir que ela não
conhecia o homem agora suficientemente perto para tocar. Ela poderia
responder em italiano e agir ofendida por sua proximidade. Se o fizesse,
Harry entenderia? Ele nunca mencionou sua capacidade de falar outros
idiomas, nem ela tinha. Enquanto seu debate interno se enfurecia,
Claire se levantou e encarou o homem que ela não via desde o hospital
em Palo Alto, o homem que salvou sua vida e de seu bebê, o homem
que, por um momento no tempo, achava que era o pai de seu filho. A
mão de Claire lutou contra o desejo de ficar em cima de sua barriga
crescendo.

Oh, ela sabia Phil diria a ela para virar. Eles deveriam sair em
breve. Se ao menos ela tivesse tomado sua decisão sobre a sua
localização escondida. Se ela não tivesse ido sozinha. Se apenas a vida
dela não fosse uma bagunça…

Quando o olhar de Harry se intensificou e levou a mão em direção


a seu braço, o bom senso prevaleceu e em um quase perfeito italiano,
Claire respondeu: — Desculpe senhor. Eu temo que tenha me
confundido com outra pessoa.

Imediatamente, mágoa apareceu no rosto de Harry. Não foi a


confusão provocada por outro idioma, não, ela viu a angústia causada
por sua decepção.

Ele segurou o braço dela. A emoção enchendo o italiano saindo da


sua boca, ele perguntou: — Por que Claire? Por que você está se
escondendo? Você tem tanta gente preocupada. Por que, depois de tudo
você mentiu para mim?

Claire olhou nervosamente de um lado para o outro. As pessoas


na Praça de São Marcos entraram em foco. Nenhum deles olhou em sua
direção ou se importava com o que estava acontecendo. Ela não sabia
se isso era o que ela queria ver. Será que ela queria encontrar Phil à
espreita nas proximidades? Será que ela queria que ele a salvasse e
impedisse de revelar alguns de seus segredos? Ou, ela estava

~ 68 ~
confirmando a sua ausência, a sua liberdade momentânea e capacidade
de ser honesta com um velho amigo?

Olhando para baixo, longe de seu olhar azul gelado, Claire


sussurrou: — Não é seguro. Eu não posso falar com você. — Não havia
nenhuma razão para falar em italiano.

Quando ela olhou para cima, Harry não estava olhando para ela;
ele estava examinando o terreno, talvez avaliando sua preocupação com
o perigo. Nos próximos segundos, ela teve a compreensão de seu braço
controlando o movimento dela e ela, nos próximos metros ela relutou.
Com passos rápidos e ininterruptos conduziu Claire para longe da
praça, através de um grande arco de pedra, por um caminho estreito, e
em uma taverna escura tranquila. No momento em que entrou Claire já
não estava resistindo. As aparências foram muito enraizadas em seu
comportamento. Ela não podia fazer uma cena, mesmo se quisesse.
Além disso, não era como se ele fosse a sequestrar, Harry não faria isso.
Ele era apenas um velho amigo, preocupado com a segurança dela. Foi
o que ela disse a si mesma, enquanto passavam pelo pequeno grupo de
clientes perto do bar. Ninguém parecia interessado neles. Claire sentou
primeiro, enquanto Harry sentou ao lado dela. Depois de tantos meses
de separação e as circunstâncias do seu rompimento, Claire achou a
sua abordagem e proximidade enervantes. O calor da taberna,
combinado com o toque de seu joelho contra o dela, a fez se sentir
sufocada. O homem ao lado dela tinha um ar de controle, que ela nunca
tinha testemunhado nele antes. Embora ela não tivesse experimentado
com Harry, Claire reconheceu a sensação sufocante. Seu rosto corou
com a lembrança do cativeiro, com as palavras de Phil: ninguém pode
ser confiável, dominando seus pensamentos.

Mantendo a máscara em seu rosto intacta, Claire duramente


sussurrou: — O que está acontecendo? O que você acha que está
fazendo?

Diante de seus olhos, o olhar de determinação, que havia


ofuscado a expressão de Harry, derreteu. Ela observou quando o
amável, o homem ferido de Palo Alto surgiu. Era como se ele fosse duas
pessoas completamente diferentes. Convencionalmente olhou para a
mesa e gentilmente balançou a cabeça. Sua voz transbordava de
emoção, quando ele perguntou: — Você tem alguma ideia de como sua
irmã está preocupada? Como todos nós estamos preocupados com o
seu desaparecimento?

Claire queria confiar nele, ela o fez. Havia algo de errado com todo
o cenário. —Como você me encontrou? Por que você está procurando?

~ 69 ~
A dor em seus olhos, os mesmos olhos que tinham dito adeus a
ela no hospital, suavizaram as preocupações de Claire. Ao mesmo
tempo, eles aumentaram sua sensação de mal-estar. Afinal, meses
atrás, ela tinha sido a causa dessa dor. Ver bem na frente dela trouxe
de volta seu senso de culpa, pelo modo como as coisas tinham
acontecido.

— Emily.

Mais culpa inundou as emoções transbordando de Claire. — E


quanto a Emily?

— Ela me pediu para usar meus recursos e tentar encontrar você.

Claire olhou para a mesa enquanto ela pesava suas palavras.


Com os hormônios em fúria e as emoções rodando, o ciclone interno era
difícil de manobrar.

Harry estendeu a mão para a dela. Quando seus dedos quentes


encostaram com a sua pele, o ciclone se acalmou. Ela não estava vendo
Emily ou John; ela não estava preocupada com a reação de Phil para
este encontro. Imediatamente, Claire retraiu sua mão, enquanto Tony
dominava seus pensamentos. Não importa o que ela tinha feito para ele
no passado, apesar do fato de ela o deixar sem uma palavra, seu
coração era dele. Sim, ela estava debatendo suas memórias, preocupada
com o seu futuro, mas nada disso importava. Ela disse a Marcus
Evergreen que Tony estava em perigo. Ela não tinha dito a ele a causa,
mas ela o faria, quando fosse o momento certo. Ela pediu a Marcus
para garantir a sua segurança. Uma vez que ela tinha certeza de que
Tony não estava mais em perigo, suas acusações poderiam ser
contadas. Primeiro, ela precisava ver Tony-ex-marido-noivo dela, talvez
seu ex-noivo.

— Sinto muito, Harry. Nós somos amigos, eu espero — Olhando


para suas mãos livres, — mas não tão perto, como amigos com
benefícios, mais.

— Eu assumi desde que o deixou —

— Você assumiu errado. — Claire inalou e suavizou seu tom —


Eu sei que é o que parece. Deixei Iowa para a minha segurança e a
segurança de, — ela quase disse a nossa, pensando em Tony, mas
mudou para o meu, já que ela não queria reabrir velhas feridas — meu
filho. Eu não deixei Tony. Eu sei que não faz nenhum sentido, mas terá
um dia.

~ 70 ~
O homem com determinação em seus olhos voltou. — Segurança?
Se não era o Sr. Rawlings que você temia, então quem era?

— Por favor, não diga nada a Emily. Eu não estou tentando


machucar ninguém; Estou tentando me proteger. Há um perigo que
pode e espero ser interrompido. — Olhando diretamente nos olhos de
Harry, ela acrescentou: — E não é Tony.

— Claire, nada disso faz sentido. Será que isso tem alguma coisa
a ver com Chester? Ele estava trabalhando com alguém? O Rawlings
sabe onde você está? —Sentando reto, ele perguntou: — Ele está com
você, aqui em Veneza?

Sem pensar, Claire respondeu: — Claro que não, ele ainda está
em Iowa.

— Não, não, ele não está. Você não ouviu?

O coração de Claire acelerou; com seu braço protetor cobrindo


sua cintura, Claire perguntou: — Ouvi o que?

— Alguns dias atrás, um avião fretado por Rawlings fez um pouso


de emergência nas Montanhas Apalaches.

A mente de Claire foi para Simon; seu avião caiu nas montanhas.
Lágrimas apareceram quando o terror encheu o seu peito. Ela abriu a
boca para falar, mas nada saiu.

Harry continuou, — Eles não encontraram ninguém. Os oficiais


não estão declarando ninguém morto. Eles também não estão dizendo
que qualquer um sobreviveu. No início, eu pensei sobre Simon. — Ele
pegou a mão de Claire. Desta vez, sua ligação comum os unia, e o calor
de sua pele fundia seu passado breve. Ela não puxou a mão. — Mas
então…, — continuou. — Eu pensei que talvez fosse um ardil para ele
desaparecer e chegar até você. Emily estava tão assustada. Na primeira,
ela assumiu que ele foi o responsável por seu desaparecimento, então
ela pensou que se você deixou, por você mesmo, e não contou a
ninguém, era porque você estava com medo, — ele apertou a sua mão.
— Eu acredito que ela está certa sobre isso. É claro que ela achava que
era de Rawlings que você estava com medo; em seguida, quando ele
desapareceu, ela estava exausta de preocupação. Tinha certeza de que
ele iria te encontrar. Ela me pediu para fazer em primeiro lugar.

Claire sentiu o calor de sua mão e ouviu a preocupação em sua


voz; No entanto, algo não parecia certo. Ela não sabia o que era. Talvez
fosse que toda a imagem não se encaixava. Era como tentar espremer a

~ 71 ~
peça errada na abertura. As formas eram semelhantes, mas quando
você se afastou e olhou, a imagem estava errada. Sentar com a mão na
de Harry não era a imagem certa. Ela aliviou os dedos à distância.

— É incrível que você foi capaz de me encontrar. Quer dizer, eu


tentei muito ficar escondida.

Harry sorriu e acenou com a cabeça. — Eu não disse que foi fácil.

— Sim, mas de acordo com esse cenário, você foi capaz de realizar
isso, em que, poucos dias? Sijo deve ter recursos que eu nunca soube.

A postura descontraída desvaneceu. — Bem, eu liguei para


alguns dos meus velhos amigos da lei.

Sorrindo, a expressão de Claire se suavizou. — Eu acho que é


bom que você o fizesse. Caso contrário, eu nunca teria a chance de
dizer o quanto estou triste sobre como tudo terminou.

Dando de ombros, ele começou a responder quando uma


garçonete de cabelos escuros chegou à sua mesa. Em italiano, ela pediu
desculpas pelo atraso e perguntou se eles gostariam de bebidas.
Respondendo de forma adequada, também em italiano, Claire pediu chá
quente, enquanto Harry pediu uma cerveja. Antes que a garçonete
saísse, Claire falou com Harry, ainda em italiano: — Se você, por favor,
me desculpar, eu preciso usar o banheiro.

Ela viu a varredura de indecisão em seu rosto. Se ele não


permitisse que ela se levantasse, ele pareceria suspeito com a garçonete.
Se ele deixasse, ele poderia confiar nela? Claire falou primeiro para a
garçonete, — Você sabe como é quando você está grávida. Eu conheço
cada banheiro em Veneza! — A jovem sorriu, enquanto Claire virou para
Harry e disse: — Quando eu voltar, eu quero ouvir o que você estava
prestes a dizer.

Sua expressão aliviou quando ela saiu da cabine. A garçonete


apontou para o corredor perto dos fundos. Os olhos de Claire
observaram de um lado para outro, enquanto seus pés caminhavam
calmamente pelo corredor de volta. Vendo a saída, ela olhou para trás
em direção a Harry, que estava sorrindo para a tela do seu telefone, e
ela orou que a porta não estivesse trancada. Um último olhar por cima
do ombro para ver que ele ainda olhava para baixo, e Claire estava
novamente no ar frio de outono. Pegando o celular dela, ela discou.
Mantendo o rosto escondido contra o vento, ela correu em direção Hotel
Danieli e ouviu uma resposta.

~ 72 ~
Phil respondeu ao primeiro toque, — Você está bem?

— Eu não penso assim. Algo estranho. Onde você está?

~ 73 ~
Ser confiável é um elogio maior do que ser
amado.

- George MacDonald

Capítulo sete
Cada passo no corredor oeste parecia uma centena. A chamada
solicitando sua presença no escritório do Sr. Rawlings era mais do que
estranha. Primeiro, a notícia foi publicada há mais de 24 horas; o avião
do Sr. Rawlings fez um pouso de emergência. Eric perguntou a cada
passo quem o queria ver e o que eles queriam. Se fosse a polícia, ele foi
aconselhado a se fazer de bobo. Afinal, ele tinha usado identificação
falsa para voar de volta ao leste. Essa mesma identificação foi utilizada
para alugar o veículo que ele dirigiu através da fronteira canadense.
Sim, o Sr. Rawlings também teve a identificação falsificada, e ninguém
sabia nada sobre isso. Eles as tiveram por anos e tinham usado na
ocasião. Através dos anos, Eric nunca fizera perguntas. Sim, ele foi
pago excepcionalmente bem para o seu serviço e discrição; No entanto,
ele sabia demais, eles tinham passado por muitas coisas juntos.

A partir do momento em que eram jovens, quando o Sr. Rawlings


era um empresário em ascensão, o Sr. Rawlings pediu e Eric fez. Talvez
ele não perguntasse. Foi realmente um pedido, e negar não era uma
opção? Não importa nenhuma das partes nunca questionou. Foi à
relação de trabalho perfeita.

Realmente, Eric tinha planejado dormir nos próximos dias. A


reunião com o Sr. Rawlings, dirigir para o Canadá, vendo fazer o seu
caminho para a Europa, e dirigir de volta para os Estados Unidos, só
para voar de volta para Iowa, tudo dentro de um período de 48 horas, o
deixou extremamente exausto. Ninguém na propriedade deveria ter
monitorado as suas atividades, mas se o fizessem, Eric tinha uma
história para sua ausência recente.

Durante sua longa viagem de volta a Iowa, Eric contemplou as


atividades que ele tinha feito, ao longo dos anos, para ajudar o Sr.
Rawlings. Tinha havido mais do que alguns acontecimentos que
ultrapassaram os limites da lei. Sequestrar Claire Nichols foi, sem
dúvida, o mais condenável; No entanto, o Sr. Rawlings disse que viu seu
depoimento à polícia e não havia nenhuma lembrança de sua viagem
~ 74 ~
para Iowa. A assistência de Eric era apenas conhecida pelo seu
empregador.

Desde que oficialmente não tinha sido informado do


desaparecimento do Sr. Rawlings, Eric planejava entrar no escritório
como faria em qualquer dia. A menos que ele fosse informado que
outros estariam presentes, Eric geralmente abria a porta sem hesitação.
Ele assumiu que o Sr. Rawlings permitiu isso, porque não havia muito
que Eric não sabia. Anos de conversas e encontros deu a Eric um banco
de dados de informações. Raramente ele abriu a porta para encontrar
algo surpreendente. Nessas ocasiões numeradas, quando a cena o
pegou desprevenido, permanecendo fiel à forma, Eric nem reagiu, nem
mais tarde mencionou o incidente. Na linha de trabalho de Eric, o
segredo era uma mercadoria valiosa e essencial.

De pé diante das grandes portas duplas, ele se lembrou da última


vez que tinha estado no escritório. Foi para recuperar a pequena chave
da gaveta superior direita. Isso, e o dinheiro do cofre, e as identificações
falsas, incluindo a identificação de Anton Rawls, eram apenas pedidos
do Sr. Rawlings. Eric nunca disse que não; Portanto, quando veio o
convite no meio da noite, a partir de um telefone não rastreável, esses
pedidos, exatamente como tudo antes deles, foram realizados
exatamente como instruídos. A última coisa que o Sr. Rawlings disse a
Eric, antes que ele entrasse pela segurança, era para voltar para casa e
agir como se nada tivesse acontecido. Ele instruiu Eric a agir como se a
última vez que estiveram juntos foi em Provincetown. Eric não
questionou; em vez disso, ele disse, — Sim, senhor. Fique seguro. — o
Sr. Rawlings assentiu em troca. Foi o mais perto que eles chegariam de
um emocionante adeus.

Ao abrir a porta e entrar no escritório, Eric pegou o olhar cinza


duro de Catherine levantando da cadeira de couro, e ela disse: — No
futuro, eu aprecio se você bater antes de entrar neste escritório, assim
como você faria para o Sr. Rawlings.

Apesar de ter anos de prática em manter uma expressão


impassível, a cena diante dele incitou uma combinação de choque e
raiva. Sua mente girava com as possibilidades de por que Catherine
estar atrás da mesa Sr. Rawlings. Nenhuma delas fazia sentido.

Dominado pela emoção que ameaçava seu verniz impenetrável,


Eric parou diante da grande mesa e perguntou: — Catherine, onde está
o Sr. Rawlings?

~ 75 ~
— Em primeiro lugar, eu gostaria de saber onde você esteve. Eu
precisei de você há dois dias e você não estava.

— Falei com o Sr. Rawlings sobre minha tia há uma semana. Ele
me deu alguns dias para visitá-la.

Catherine se sentou novamente e assentiu. — Eu vejo uma tia. Já


mencionou antes?

— Eu a mencionei muitas vezes. Não me lembro de você estar


presente durante essas conversas. Onde está o Sr. Rawlings? Sr.
Simmons disse que ele estaria de volta.

Catherine encostou à cadeira de couro macio enquanto suas


bochechas subiram em um sorriso. Na opinião de Eric, não era nem
quente nem reconfortante. Ela começou, — É por isso que eu estava
procurando por você. Você não ouviu a notícia?

Eric relaxou sua postura. — Por que tantas perguntas sobre meus
hábitos pessoais? Não, eu costumo evitar qualquer coisa que não seja
música ou silêncio. — Ele continuou, — Antes que você pergunte, não
há nenhuma razão real, eu gosto de sossego.

Ela apontou para as cadeiras perto da mesa. — Sente;


precisamos discutir algumas coisas.

Desconfiado, Eric olhou para as cadeiras. — Antes de eu sentar,


me diga o que está acontecendo Catherine.

Sentando reta e endireitando os ombros, Catherine suspirou: —


De agora em diante, você e qualquer outra pessoa que queira manter a
sua posição aqui na propriedade vai me tratar como Sra. London. —
Quando Eric não falou, a sobrancelha de Catherine levantou. — Diga,
você deseja manter a sua posição?

Honestamente, não, tinha dinheiro suficiente para ir embora e


viver satisfeito para o resto de sua vida. Ele investiu bem e tinha pouca
ou nenhuma despesa na vida; No entanto, o Sr. Rawlings disse para
voltar para Iowa e agir normalmente. Manter sua posição atual seria
normal. — Sim, Sra. London. — O título só o ofendeu pela primeira vez.
Eric Hensley era um homem de serviço; como tal, ele acomodava quem
quer que fosse necessário. — Eu gostaria de manter a minha posição. —
Com isso, ele fez o seu caminho para a cadeira e ouviu como a Sra.
London informou do desaparecimento do Sr. Rawlings.

Enquanto ela falava sobre o avião e o pouso de emergência, ele fez


o seu melhor para manter a sua fachada, enquanto mostrava a

~ 76 ~
quantidade adequada de preocupação e choque. A melhor parte de ser
um homem de serviço, foi de que o silêncio foi considerado eficiente. Ele
não precisa concordar ou discordar de Catherine. Ele só precisava
manter contato visual, acenar, ocasionalmente, e dizer: — Sim, Sra.
London. — Ele teve anos de prática.

*****

O texto que Harry recebeu foi exatamente o que ele queria. Ele
olhou para cima e olhou para a jovem garçonete. Com um sorriso
malicioso, ele assentiu. Oh, ele já pagou por suas habilidades de
fotografia, e agora ele teve sua prova. Em seu telefone havia duas fotos
dele com Claire. Uma dos dois na conversa da cabine, e lá estava uma
deles na mesma cabine, com sua mão na dele. Ela estava disfarçada,
mas para quem conhecia, era Claire Nichols. Em poucos segundos,
Harry encaminhou a imagem sem contato para seus superiores no FBI,
com uma mensagem de texto:

— CLAIRE NICHOLS ENCONTRADA E SEGURA. — depois que ele


clicou em ENVIAR, ele salvou as duas fotos para o seu cartão. Ele não
sabia se seria útil.

Seu sorriso confiante começou a desvanecer quando percebeu que


Claire não tinha retornado. Era verdade, uma mulher em sua condição
necessitava usar o banheiro com frequência, mas olhando para o
relógio, ele pensou que era estranho que ela não havia retornado. Não
foi até a garçonete voltar com a cerveja e sem o chá que Harry
questionou sua ausência. — Onde está o chá da minha amiga?

— Oh, me desculpe, Signore. Eu assumi, desde que ela se foi…

Ele não esperou pelo resto da história. Harry puxou alguns euros
do bolso, colocou sobre a mesa, e correu para os banheiros. Vendo a
saída nos fundos, ele rapidamente alcançou a porta. Harry não podia
acreditar que ela tinha saído. Ele nunca assumiu que ela escaparia tão
rápido. Quando o ar frio do outono encheu os seus pulmões, Harry
examinou a multidão. Sendo que ela deixou a cabine mais de cinco
minutos atrás, ele realmente não esperava encontrar ela.

Depois de um rápido passeio pela praça, Harry se inclinou contra


um pilar e pegou seu telefone. Batendo em alguns botões ele encontrou
o sinalizador. De acordo com o dispositivo de localização que ele pôs

~ 77 ~
com sucesso no bolso de sua jaqueta, Claire não estava longe ou em
movimento. Seguindo o ponto pulsante, Harry se dirigiu para o que ele
assumiu ser o hotel de Claire.

*****

Phil ajudou Claire com seu casaco e a levou para o sofá. Ele deve
ter sentido a sua tremedeira quando ele disse: — Acalme e conte tudo.

Claire olhou fixamente em seus olhos. Ela esperava que ele


ficasse chateado. Obviamente, ele estava infeliz quando ela o deixou no
café; no entanto, em vez de raiva, ela viu como a preocupação brilhou
como manchas douradas na profundeza de seus olhos verdes. Tomando
um consolo inesperado em sua presença calmante, Claire começou, —
Eu estava sentada em um banco de concreto, na Praça de São Marcos,
olhando para a água… — Enquanto ela disse a Phil sobre seu encontro
improvável com Harry, ele permaneceu quieto e apoiou. Ela também
disse a ele sobre o avião de Tony. Quando ela finalmente terminou, ela
disse: — Eu sinto muito. Todo esse trabalho que você fez para manter a
salvo eu e meu bebê e em uma tarde eu joguei tudo fora.

Phil levantou, deixando Claire sozinha no sofá, e andou pela sua


suíte. Claire ficou olhando enquanto ele contemplava sua história.
Finalmente, ele respondeu: — Em primeiro lugar, você não jogou tudo
fora. Você e seu bebê ainda estão seguros. Além disso, — ele se virou
para ela e sorriu — seus instintos estão ficando cada vez melhores,
estou feliz que você está aprendendo a ouvir os mesmos.

Claire abriu os olhos com essas questões.

— Claire, você sempre acreditou muito e confiou muito nas


pessoas, por muito tempo.

Ela assentiu com a cabeça. — Eu sei disso. Acho que é a maneira


como fui criada. Eu nunca esperei que a minha vida fosse assim.
Sinceramente, eu nem me lembro de que eu esperava algo, — ela
encolheu os ombros, — ser como meus pais, eu acho. Não é à base de
expectativas de todos? Ou você quer o mesmo que eles, ou melhor.
Meus pais estavam casados por 26 anos quando morreram juntos. Eu
nunca sonhei que eu, nos meus vinte e nove anos, estaria divorciada, e
grávida, e ex-noiva do meu ex-marido/noivo, nem eu imaginava que eu
estaria me escondendo de alguma mulher maluca, que é uma ameaça

~ 78 ~
para mim e meu filho, ou que eu seria podre de rica, porque eu roubei
dinheiro em segredo do pai do meu filho. — Claire balançou a cabeça e
sorriu. — Eu não acho que eu poderia até fabricar esse cenário!

Phil voltou a se sentar. Claire ficou maravilhada com as emoções


que ela viu em sua expressão. Não foi há muito tempo que ele era sua
sombra, e a ela vigiava; agora ela o considerava um amigo de confiança.
A voz de Phil refletiu sua preocupação anterior. — Ninguém se prepara
para isso. Ele é o que é, e a vida continua, ou não. Eu fiz escolhas que
me arrependo. Eu suponho que todo mundo fez. Eu também tomei a
decisão de que a minha vida continuaria. Talvez algumas das coisas
que eu fiz são menos escrupulosas; no entanto, o meu esforço mais
recente, apesar das legalidades, poderia ser considerado um dos meus
mais honrados. Eu não vou falhar. Você e seu filho estarão seguros. Eu
sei que você está me pagando bem, como você disse, mas mesmo você
deve entender que isso é mais para mim do que o dinheiro.

Claire lutou contra a vontade de desviar o olhar. Ela sabia o que


ele queria dizer. Claire sabia que ela significava mais para Phil do que
alguém já tinha. Ao longo das semanas que eles estavam juntos, ela
aprendeu muito sobre Phil. Ela sabia sobre seu passado militar e
algumas de suas operações especiais. Ela sabia que ele não tinha
família e nenhuma conexão. Quando ele era muito jovem, ele teve
sucesso em suas atribuições e seguiu em frente. Ela foi à primeira por
muito tempo que ele tinha feito contato pessoal, o restante era somente
profissional. Claire também sabia que ele a respeitava o suficiente para
manter sua relação de amizade profissional, ou era, a sua relação
profissional e amigável? De qualquer maneira, era mais do que ele já
teve, e ela era grata por seu compromisso.

— Eu não sei do que se trata esta tarde, — disse Claire. — Algo


não parecia certo. Eu não tenho nenhuma razão para desconfiar de
Harry. Ele nunca foi nada além de bom para mim. É só que… Quer
dizer, eu sei o quão duro você trabalhou para manter o segredo de
nossa localização, e com a ajuda de alguns policiais da Califórnia, ele
me seguiu?

— Veja, esse é o tipo de intuição que vai manter você e o bebê em


segurança — Phil sentou reto. — Gostaria também de lhe dizer que eu
sei sobre o avião do Sr. Rawlings, desde que isso aconteceu, ou desde
que eles lançaram a informação. Eu pensei que você sabia e não disse
nada.

— Não, eu tenho evitado notícias recentemente. Eu estou tão


cansada de ouvir sobre a busca de Emily para me encontrar. Faz me

~ 79 ~
sentir culpada, — ela olhou para trás para Phil— Se nós estamos
confessando, devo dizer, eu deixei algo para Tony na caixa de depósito
de segurança em Genebra.

As sobrancelhas de Phil enrugaram.

— Não foi como se eu dissesse a ele para onde estamos indo. Eu


esperava que, depois de Marcus Evergreen, ou o FBI, entrarem em
contato com ele, ele ficaria longe de Catherine. Presumi que ele
eventualmente iria para Genebra, para o cofre. Eu percebi depois que
ele abrisse, ele gostaria de entrar em contato comigo, — ela riu —Ele
não vai ficar feliz e descobrir que o seu dinheiro é quase inexistente.

Incrédulo, Phil perguntou: — Você deixou algo na caixa que lhe


permite entrar em contato com você?

— Eu prometo ele é o único que saberá. Eu tenho um plano


alternativo, se alguém encontrar a caixa.

— É por isso que você tem sido tão hesitante em deixar a Europa?

Ela encolheu os ombros. — Era; No entanto, após esta tarde,


estou pronta.

Phil afagou sua mão, uma vez que repousava sobre seu joelho. —
Bom, nós vamos sair em breve. — De pé mais uma vez, ele perguntou:
— E onde, Nichols, estamos indo?

Claire sorriu, e desta vez, apesar das lentes de contato de cor, até
mesmo os olhos aderiram à comemoração. — Você jura que há um
centro médico de verdade? — Phil assentiu. — Então, senhor Roach, eu
confio em você, e nós, — ela fez uma pausa e arregalou o sorriso — os
Alexanders irão para o paraíso!

~ 80 ~
Eu não posso dizer se as coisas vão melhorar se
nós mudarmos; o que posso dizer é que elas devem
mudar para que possam ficar melhores.
-Georg C. Lichtenberg

Capítulo oito
Derek ouviu Sophia falar sobre o seu encontro inusitado com o
Sr. Rawlings. Embora ela segurasse toda a informação, sua expressão
era a de uma corça nos faróis, com os olhos arregalados de espanto. Ele
não conseguia entender por que o CEO de sua empresa viajaria para
Provincetown e visitaria o pequeno estúdio de Sophia.

— Eu concordei em o encontrar para o jantar, mas ele não


apareceu. Eu acho que é quando ele desapareceu. Pensei em ligar para
as autoridades e informar que ele esteve no meu estúdio naquela
manhã de Sábado…

— Eu não sei se isso é necessário. Perguntei para Roger mais


algumas questões e fiz algumas pesquisas on-line. Aparentemente,
antes de seu desaparecimento, ele estava sob custódia do FBI. Tudo o
que eu tenho sido capaz de descobrir é que ele tem algo a ver com
Claire Nichols.

Sophia tomou um gole de vinho enquanto observava as ondas do


Oceano Pacífico e a crista acidental ao longo da faixa do litoral. Era um
de seus lugares favoritos para visitar. Sophia trouxe um cobertor, e
Derek trouxe a cesta de piquenique com vinho e comida. Neste dia de
outono, a praia estava praticamente vazia, com a exceção de alguns
donos de cães, permitindo seus animais de estimação a rara
oportunidade de exercitar a energia. Sophia assumiu que o clima era
muito frio para os californianos. Para uma mulher da Costa Leste, o sol
quente e vento forte eram perfeitos; compartilhar com seu marido
tornou celestial.

Cuidadosamente, ela perguntou: — Você não me disse que ela


está desaparecida também? Quando ela desapareceu? Você não acha
que é estranho que os dois estão desaparecidos?

~ 81 ~
— Ela desapareceu há pouco mais de duas semanas, antes dele, e
sua família acha que ele é responsável. Eles estão fazendo todos os
tipos de barulho para quem quiser ouvir. As ações em todas as
participações Rawlings estão caindo rapidamente agora que a notícia é
viral.

Se aconchegando no ombro de seu marido, Sophia suspirou. —


Tenho certeza que será um problema para você e todos de suas
empresas, mas eu estou cansada de falar sobre isso. — Virando o rosto
para o dele, seus narizes se tocaram. Ela sorriu e sussurrou: — Eu
senti tanto sua falta.

Derek pode ter respondido verbalmente, mas com o som das


ondas e do vento combinadas com a pressão de seu corpo deitado de
costas sobre o cobertor, ela não o ouviu. Preocupações com a Srta.
Nichols, e o Sr. Rawlings, e para qualquer um ou qualquer coisa fora
deles foram esquecidos. Sim, Sophia amava o estúdio em Provincetown;
no entanto, sua casa era definitivamente onde quer que ela esteja com
seu marido.

*****

Pelo segundo dia consecutivo, Harry seguiu suas migalhas de pão


eletrônico ao longo das ruas de laje característicos de Veneza para o
Hotel Danieli. O luxuoso hotel foi feito por três belos palácios
venezianos. Olhando fixamente para a magnífica estrutura histórica, ele
se perguntava como Claire podia pagar suas acomodações. Todas as
informações que tinha lido sobre o desaparecimento dela alegou que ela
deixou sem acessar nenhum de seus fundos disponíveis. Ela não tirou
os cartões de crédito ou qualquer dinheiro de caixa. Como Harry leu
essa informação, ele se lembrou de pensar, bem, pelo menos desta vez
Rawlings deu o acesso aos fundos, ou assim parecia; em seguida, Harry
lembrou a si mesmo, as aparências podem ser enganosas.

Harry sabia que o sinal em seu telefone não estava enganando ou


enganado, uma vez que o tinha levado a mesma estrutura em dois dias
seguidos. Claire Nichols estava dentro das paredes deste bem
conhecido, belo hotel. Ontem, com a ajuda do departamento, ele soube
que não foi registrado, pelo menos, não em seu nome. O hotel tinha 225
quartos e suítes; 72 quartos foram registrados apenas sob o nome de
um homem, 23 foram registradas sob o nome de uma mulher, e o resto
teve Sr. e Sra. no registo. Os quartos e suítes que se cadastram para
~ 82 ~
residentes dos Estados Unidos foram imediatamente eliminado por um
motivo ou outro. Isso deixou apenas 174 quartos / suítes como
possibilidades. Quando ele se lembrou da quase perfeita réplica italiana
de Claire na Praça de São Marcos, Harry pediu uma busca de tanto
mulheres solteiras ou casais da Itália. Mais uma vez, os resultados
foram excessivos.

Ao entrar no lobby muito impressionante cheio de lustres de


vidro, colunas de mármore rosa, tapetes antigos e tetos dourados, Harry
sabia que o hotel era muito grande para esperar outra chance de
encontrar a Claire. Ele também suspeita de que, depois de ontem à
tarde, Claire permanecerá dentro dos limites de seu quarto. Tomado na
opulência do seu entorno, Harry decidiu ir noutra direção. Obviamente,
Claire tinha dinheiro. Mais uma vez, ele ligou para o departamento.
Desta vez, ele pediu informações sobre as suítes do Hotel Danieli,
particularmente as suítes executivas. Se Claire se hospedou em um dos
melhores hotéis, Harry acredita que ela também estava hospedada em
um dos melhores quartos. Em poucos segundos, ele soube que todos
estavam ocupados por casais; no entanto, havia apenas um que
chamou a atenção do agente do outro lado da linha. Ela havia sido
reservado por um casal, Sr. e Sra Alexander de Paderno del Grappa,
Itália, durante as últimas dez noites. Havia uma nota no registro
indicando que Signore Alexander tinha recentemente informando a
recepção que estaria deixando a suíte na parte da manhã.

Escrevendo para baixo o número da suíte, Harry sorriu. Seus


instintos lhe disseram que ele tinha encontrado; Então, sem aviso, a
sua satisfação diminuiu. Se ela fora registrado como Signora Alexander, e
Signore Alexander como chamados à recepção, quem era o Signore
Alexander? Ela agiu genuinamente surpresa com a notícia de Rawlings
e o seu pouso de emergência. Sua reação causava em Agente Baldwin
supor que ela não estava aqui com Rawlings, mas depois se lembrou
das fotos no San Francisco Bureau e se perguntou, poderia a pessoa em
questão seja Roach, e se era foi sua espionagem tudo, um ato? Ou
poderia ser real?

*****

Claire embalava sua bagagem durante a tentativa de se convencer


de que deixar a civilização, por um tempo, foi a melhor jogada. Embora
Phil pedisse para limitar sua bagagem, ela se perguntava como ela iria

~ 83 ~
ter as coisas que ela precisava no paraíso. Não era como ela imaginava
o paraíso com uma farmácia na esquina ou uma boutique apenas um
passeio de barco de distância.

Seus pensamentos voltaram para Fiji. Claire se lembrou das


malas de roupas que ela levou com ela em sua lua de mel e como muito
pouco delas foram usadas. As memórias esquentem e, apesar de sua
camisola e calças a deixou gelada ao mesmo tempo. Infelizmente, a
antecipação de Claire para esta viagem, para o paraíso, foi
significativamente diferente; em vez de amor e romance, ela buscou a
paz e tranquilidade. Não era o fascínio de passeios ao luar na praia ou o
chuveiro de pedra para aliviar da umidade sufocante que Claire
imaginou. Foi à calma que veio sabendo que você pode ir para dentro ou
fora, sem medo do perigo. Era o conhecimento que ela tinha feito
sacrificando tudo, tudo para garantir que a criança crescendo dentro
dela seria capaz de viver em paz.

Agarrando a corrente longa de ouro que pendia do pescoço, os


joelhos de Claire dobraram, enquanto ela estava sentada na beira da
cama king-size e derramou uma lágrima, ou duas. Com todo o seu
coração, ela queria ouvir Tony. Ela queria dizer a ele que ela não tinha
deixado ele, ela tinha saído por causa de Catherine. Claire desejava
explicar reconhecer seu medo como real; No entanto, parte dela, uma
parte que cresceu a cada dia, também temia Tony. Não foi o medo de
retaliação física, certo ou errado, ela mantinha isso a distância. Não,
era o medo de que ele não iria aceitar o seu raciocínio, não reconhecer
Catherine como uma ameaça, e não a perdoaria por vacilar na
confiança que ela prometeu dar a ele. Depois de tudo, o seu abandono
foi o primeiro floco resultante em uma avalanche de problemas.

Soluçando silenciosamente atrás de sua porta fechada, Claire


decidiu, não. Catherine foi quem cobriu seu mundo com as profundezas
mortais de neve. A partida de Claire foi apenas o floco final para iniciar
a queda, um floco simples, que se tornou uma pequena bola de neve, e
levou à avalanche que ameaçou cobrir com tudo para sempre. A última
vez que Claire olhou as ações no mercado de valores da Rawlings ainda
estava caindo, a editora estava ameaçando publicar seu livro, e Emily e
John agitavam ruído e dúvida, a cada passo. Colocando a mão sobre a
barriga, Claire sentiu a vibração de asas de borboleta.

Será que o seu filho entenderá o que ela estava fazendo? Será que
ela saberia que tudo isso era para ele ou ela? Claire jurou que faria
qualquer coisa e tudo para manter o bebê seguro. No momento em que
Phil bateu na porta de Claire, ela tinha duas malas cheias. Os restos de

~ 84 ~
suas coisas permaneceriam na suíte. Afinal de contas, a diferença de
clima sozinha não determinou muito do seu vestuário. Claire sabia que
ela ficaria feliz em se livrar de jaquetas e casacos!

Reconhecendo os olhos inchados de Claire, Phil perguntou: —


Você quer ir até um dos restaurantes, uma última vez?

Claire olhou para os vestidos de jantar que tinha deixado


pendurado no armário. — Obrigada, mas não. Ainda estou assustada
com o encontro de ontem. Pode chamar, e trazerem o jantar aqui?

Phil assentiu. — Você sabe, eu tenho certeza que você vai gostar.

— Eu tenho certeza que eu vou. Quanto tempo você vai ser capaz
de ficar?

Phil deu de ombros. — Tempo suficiente para ter certeza de que


está tudo bem com tudo. Eu não vou deixar você, se você não quiser
ficar lá.

A vibração em sua barriga, de repente sentiu que seu bebê estava


fazendo arremessos. Sua mão foi para sua barriga, enquanto seus olhos
se arregalaram. Oh, ela sentiu o movimento antes, mas isso era
diferente ela sentiu que o bebê se movia. Claire acreditava que era,
provavelmente, ainda visível. Mais do que tudo, ela ansiava por Tony.
Ela queria compartilhar esses momentos com ele; em vez disso, ela viu
a expressão preocupada de Phil. Quando ele perguntou se ela estava se
sentindo bem, lágrimas encheram seus olhos. — Sim, eu estou me
sentindo bem. — O bebê se moveu novamente. Com maior
vulnerabilidade do que ela pretendia mostrar, Claire perguntou: — Você
gostaria de sentir o meu bebê? Ele está realmente se movendo.

*****

Phil nunca tinha imaginado colocar a mão na barriga de uma


mulher grávida, mas havia algo na voz de Claire a necessidade que ele
queria encher. Ele sabia que ela não o queria do jeito que ele a queria;
No entanto, naquele momento, ela precisava de alguém, alguém para
compartilhar essa experiência. Sendo sua segunda escolha foi mais do
que jamais tinha sido antes, para ninguém.

Timidamente, ele deu um passo na direção dela. Quando ele


hesitou, Claire pegou sua mão e colocou em cima de seu estômago. Ele

~ 85 ~
estava com medo de pressionar, mas a mão pequena pressionou a
baixo. Sem aviso, a partir de debaixo da sua mão, seu estômago se
moveu. Eu senti isso! Quando seu olhar encontrou o dela, ele viu a
excitação em seus olhos bonitos. — Senti isso, — ele sussurrou.

Claire balançou a cabeça, seu sorriso quebrando alguma tristeza


pessoal. — Não é incrível?

Phil assentiu. — É. — Embora ele estivesse apreensivo para


permitir a mão em descansar muito tempo, Claire manteve a mão
pressionada contra a dele, tirando sua escolha. Uma vez que o
movimento diminuiu, a pressão liberada. Nunca em sua vida tinha
experimentado uma sensação tão incrível quanto o de uma nova vida
em movimento sob seu toque. Sorrindo para ela, ele disse, — Claire,
obrigado. Isso foi inacreditável.

Corando, Claire respondeu: — É talvez minha pequena esteja


animada sobre um lugar para chamar de lar, mesmo por pouco tempo.

Phil não poderia deixar de respeitar a mulher que viria a


conhecer. — Vai levar algum tempo de viagem, mas nós estaremos lá
em breve. — Olhando para ela a bagagem lotada, ele perguntou: — Você
precisa de alguma coisa antes de sair? Eu posso ir a uma loja antes de
chamar para o jantar, ou podemos sair juntos.

Focando mais uma vez sobre o mundo em torno deles, Claire


balançou a cabeça. — Eu preciso de algumas coisas, mas primeiro eu
vou ter de sentar e fazer uma lista. Se estiver viajando pra começar, eu
gostaria de dormir um pouco; talvez você possa ir depois de comer?

Poucas horas depois, Phil deixou a suíte em busca dos itens da


sua lista. A cada passo e a volta ao redor de cada esquina, suas
habilidades clandestinas trabalharam em horas extras. A história de
Claire sobre Harrison Baldwin não fazia sentido. Ele não queria magoá-
la mais do que já estava, mas todo o encontro o preocupava. Ele
trabalhou muito duro para criar uma trilha indetectável, e ele não era
iniciante nisso. Claire estava certa; entrar em contato com alguns
policiais da Califórnia não seria de repente descobrir o segredo para a
sua localização.

Andando pelas ruas de placas iluminadas pela luz da lâmpada, os


pensamentos de Phil continuam fixos no filho de Claire. Ele queria
Claire segura. Agora, depois da experiência de sentir o bebê mexer, ele
estava subitamente preocupado com o garoto também. Phil sabia que
ele não hesitaria em assegurar que tanto Claire e seu filho chegassem
ao paraíso ileso. Sabendo de sua própria história, nada estava fora do
~ 86 ~
reino das possibilidades, Phil estaria disposto a mentir, roubar, enganar
ou matar para completar sua missão.

Explorando cada possibilidade de novas opções de Harrison


Baldwin, perguntou, seria uma dessas ações tão necessária quando
chegou a ele? Claire avaliou Catherine London em ser sua principal
ameaça. Phil contemplava, poderia estar mais presente essa ameaça?
Ele tinha feito uma verificação de antecedentes sobre Harrison e Amber
para o Sr. Rawlings; no entanto, ele teve que admitir, ele pegou a
informação preliminar pelo valor da face. Phil determinando, ele tinha
que deixar Claire mais calma, então ele analisou mais o perfil dos
irmãos agradáveis que tomaram Claire debaixo das suas asas.

O bolso de Phil vibrou.

*****

Claire estava quase pronta para deitar na cama quando ouviu a


batida na porta da suíte. Chegando perto do celular dela, ela enviou um
texto:

— É VOCÊ? POR QUE VOCÊ BATEU?

Antes que ela recebesse uma resposta, a segunda rodada de


batida ecoou pela suíte. Cautelosamente, Claire foi até o olho mágico. O
nó na garganta cresceu quando viu Harry com flores e um cartaz que
dizia:

PODEMOS FALAR?

Ela debateu os movimentos dela quando o telefone dentro de sua


mão vibrou. Olhando para baixo, ela leu:

— O QUE EU? NÃO! NÃO ABRA A PORTA. EU NÃO ME IMPORTO


QUEM É! EU ESTOU VOLTANDO.

A próxima vez que ela espiou pelo buraco, cartaz de Harry havia
mudado:

EU TENHO ALGO QUE EU PRECISO TE DIZER POR FAVOR?

*****

~ 87 ~
Querendo saber como ele tinha localizado ela novamente passou
por sua mente, e o que ele queria dizer a ela não parecia tão importante
quanto o olhar em seu rosto. Foi à tristeza. Ela o tinha deixado em Palo
Alto. Eles disseram adeus no hospital, mas ela saiu sem encontrar ele
novamente. Então ontem, ela permitiu que o estresse de sua fuga
dominasse seus sentimentos de amizade, ele era seu amigo ou ele não
era? Eles estavam juntos, ele a ajudou a começar uma nova vida, e ele
tinha incentivando a sua subida e apoiando até que Tony voltou para a
vida dela.

Claire colocou a mão em sua barriga. Seu bebê não estava se


movendo. Será que o seu pequeno está tentando dizer algo? Claire
deveria tomar o conselho de seu filho e ter calma? Afinal, amanhã ela e
Phil sairiam daqui. Se ela não falar com Harry, esta noite, será que ela
nunca mais teria outra chance?

~ 88 ~
Não vamos nos contentar em esperar e ver o que
vai acontecer, mas dão-nos a determinação para fazer
as coisas certas acontecerem.

- Horace Mann

Capítulo nove
Phil não estava muito longe do hotel, e sua lista de compras para
Claire não estava completa. Sem dúvida, nada disso importava. Voltar
para Claire era seu único pensamento enquanto empurrava pelas ruas
apinhadas. Seu estômago se apertou com uma enorme sensação de déjà
vu. Tudo de uma vez, ele estava de volta em Palo Alto fora de seu
condomínio.

Phil sabia que Claire estava com Baldwin. Ele a seguiu na volta do
aeroporto, e, em seguida, ele leu seu computador informando sobre os
sensores. Ele correu o mais rápido que podia. Não importava; ele não
podia chegar até ela, ela estava dentro do condomínio. Quando chegou a
ela, já era tarde demais…

Com flagrante desrespeito para qualquer outra pessoa nas ruas


de Veneza, as veias cheias de adrenalina de Phil o ajudaram a manter
uma corrida rápida. Algumas pessoas amaldiçoaram quando ele passou
por eles, enquanto outros enviaram olhares de ódio. Nada disso foi
registrado. A única imagem em sua mente era a de Claire, no chão, e
Chester alcançando no bolso de sua jaqueta…

Phil não parou para subir de elevador; em vez disso, ele subiu as
escadas de dois e três degraus de uma vez. Até o momento em que ele
chegou à porta de sua suíte, não havia ninguém lá fora. O corredor
estava vazio e calmo. Instintivamente, ele inclinou a cabeça contra a
porta e escutou. Nenhum barulho estranho foi registrado de dentro do
quarto. Tudo o que ele podia ouvir ressoar em seus ouvidos era sua
própria respiração pesada e o som do seu batimento cardíaco acelerado.
Deslizando a chave na fechadura, abriu a porta.

Levou apenas um segundo para Phil avaliar a cena. Claire estava


sentada no sofá, sua expressão nem feliz nem triste. Era um olhar que
ele reconheceu que ela usava quando estava reprimindo seus
sentimentos. Da porta, Phil viu a parte de trás da cabeça de um

~ 89 ~
homem. Mesmo antes de o homem loiro virar a cabeça para o som de
abertura da porta, Phil sabia que era Harrison Baldwin. Phil não estava
pensando em seus movimentos; não foi planejado; No entanto, quando
Baldwin ficou de pé, Phil se viu, de repente, do outro lado da sala e
peito a peito com o homem mais jovem. O medo de Phil pela Claire e
seu filho durante os últimos minutos veio borbulhando. — Diga o que
você quer! Como diabos você a encontrou?

— Ei, cara — as mãos abertas de Harry sugeriram um sinal


comumente aceito de rendição — Eu não sou o cara mau aqui. Claire
não está em perigo comigo.

O volume de Phil diminuiu, mas seu tom de voz permaneceu


duro. — Então por que você está aqui?

Claire interrompeu, — Phil, Harry estava me contando uma


história interessante. Por favor, — ela olhou para Phil— por favor,
vamos ouvir. — Então, ela acrescentou, — Juntos.

*****

Ela nunca tinha visto tanta raiva nos olhos de Phil. Ele disse a ela
sobre trabalhos que ele tinha feito, nunca com muitos detalhes; No
entanto, naquele momento, quando entrou na suíte, ela viu um militar,
operações especiais, detetive e guarda-costas, tudo em um. Não que ela
já tivesse questionado a sua capacidade de proteger ela, mas naquele
momento, não havia margem para dúvidas. Os olhos de Phil ficaram
fixos em Harry, enquanto ele recuou até Claire.

Apesar do desagrado óbvio de Phil, Claire acreditava que ele


estava tão surpreso quanto ela com a notícia de Harry. Sim, Claire
tinha o monopólio das mágoas; era preciso dizer. Mesmo assim, Phil
estava surpreso. Os dois homens se entreolharam. Finalmente, Claire
quebrou o silêncio persistente, — Harry, por que você não mostra a Phil
o que você me mostrou? Mostre a razão de eu finalmente abrir a porta.
— Ela queria que Phil soubesse que ela não tinha agido
impulsivamente.

Quando Harry mexeu em seu bolso, Claire sentiu Phil vacilar. Por
reflexo, ela colocou a mão em seu braço e sussurrou: — Está tudo bem.
Não é o que você pensa. — A calma da voz de Claire abrandou um

~ 90 ~
pouco da tensão na sala; No entanto, Claire percebeu que, se fosse
necessário, Phil estava pronto para atacar.

Harry abriu a carteira e ofereceu o conteúdo para exibição. Phil


olhou por um momento, processando a visão diante dele. Dentro dos
limites da carteira de couro havia um emblema. Phil virou
interrogativamente para Claire e depois de volta para o crachá.
Alcançando a carteira, ele olhou mais de perto. A águia-real, a mulher
com as balanças da justiça, e as palavras: Federal Bureau de
Investigação. Ao lado do crachá, em seu próprio compartimento, um
cartão que dizia: em letras em negrito FBI, com a foto de Harry e o
nome do Agente Harrison Baldwin.

Limpando a garganta, Harry começou novamente, — Sr. Roach,


Claire estava me dizendo o maravilhoso trabalho que vem fazendo em a
manter segura. Vou acrescentar que foi gasto um monte de tempo e
mão de obra para localizar vocês dois. Aplaudo suas habilidades.

Phil olhou mais uma vez para Claire. Seu descontentamento com
o rumo dos acontecimentos era evidente em sua voz. — Sr., ou agente,
ou quem diabos você é, o que você quer com ela? Por que você está
utilizando mão de obra federal em busca de a localizar?

— Eu não posso divulgar exatamente essa informação neste


momento. — Mudando um pouco na cadeira, Harry acrescentou: —
Para ser honesto, eu nem deveria divulgar a minha posição. É que nós,
o FBI, soubemos de seus planos de saída do Hotel Danieli amanhã.
Depois de localizar Claire, não a quero perder novamente.

Phil sentou reto. — Eu não acredito que essa é uma escolha sua.
Vamos embora.

— Tudo o que peço é que você — seus olhos azuis amoleceram


com sua súplica — Claire, permaneça em contato comigo. Eu gostaria
de saber a sua localização e que você está segura.

Phil exclamou: — Ela tem estado e continuará em segurança.


Talvez o FBI devesse se preocupar com coisas como terroristas e deixar
os cidadãos privados como a Srta. Nichols sozinha.

Ignorando Phil, Harry pediu, — Por favor, ouça, — ele se inclinou


— Você e Eu, nós, Claire, estou preocupado com você. Há razões para
acreditar — Harry mexeu na cadeira — Nós temos razões para acreditar
que Antony Rawlings está vindo atrás de você. Atualmente, seus
recursos são limitados. Sabemos que; no entanto, há rumores de que
Rawlings tem fundos fora dos Estados Unidos. Se ele acessar esses

~ 91 ~
recursos, podemos assumir, — seus gélidos olhos azuis se voltaram
para Phil, — apesar de seus melhores esforços Sr. Roach, que o
Rawlings vai localizar Claire.

Claire se concentrou em suas mãos, calmamente repousadas em


seu colo. Ela não queria fazer contato visual com qualquer um dos
homens; ambos a conheciam bem demais. Quando o silêncio se tornou
palpável, Claire respirou fundo, olhou para cima e o verde encontrou o
azul. — Então, Harry, minha irmã mandou você?

— Não, — ele respondeu com sinceridade. — Ela está preocupada


e com razão. Claire, eu queria que você agisse de forma mais
preocupada com Rawlings.

— Você recebeu ajuda de seus amigos policiais?

— Sim, mas eles são do FBI, não Califórnia.

— Alguma vez você esteve contratado pela Califórnia Bureau of


Investigation?

Harry olhou para baixo. — Ao mesmo tempo.

— Na Sijo você realmente era empregado?

Os olhos de Harry encontraram os dela. — Sim, e eu sabia de


Simon; ele não era só o noivo da minha irmã, ele era meu amigo. Este
caso tem significado para mim!

A confusão de emoções de Claire se acalmou. Ela sabia que a


presença de Phil ajudou; No entanto, ela também percebeu que ela
estava mais uma vez de frente para alguém que mentiu para ela em
mais de uma ocasião, alguém que ela confiava. Com sua voz
aumentando uma oitava, Claire perguntou: — Diga sobre o que mais
você mentiu para mim nos últimos sete ou oito meses? Estou muito
curiosa. E nós? Isso foi uma mentira também? Havia algum significado
lá?

Harry olhou de Claire para Phil e voltou. Claire — a voz de Harry


abrandou —talvez isso seja algo que poderíamos discutir em particular?

Colocando a mão dela novamente no braço de Phil, ela respondeu:


— Eu não pretendo ter esta, ou qualquer outra discussão com você em
particular. Por favor, saia.

— Você está em perigo. Você sabe disso. O FBI quer ajudar. Não
seja estúpida e confie nas pessoas erradas.

~ 92 ~
Claire ficou de pé. — Hmm, — endireitando os ombros e sentindo
o flash de fogo em seus olhos, ela respondeu: — Sim, eu definitivamente
fui estúpida — enfatizando suas palavras: — no passado. Eu acredito
que finalmente estou aprendendo com meus erros. Adeus, Agente
Baldwin.

Harry deu um passo em direção a ela. — Claire.

Phil ficou rapidamente entre eles.

Harry continuou falando, — Ouça, eu não chamei você estúpida.


É que você tem um ponto cego quando se trata de Rawlings. Mesmo
depois de tudo que ele fez. —Harry falou rapidamente: — O que eu
quero dizer, é que você nunca teria saído como você fez se não havia
alguma parte de você que ainda temia ele. — Quando Claire começou a
se virar, Harry pegou a mão dela. — Basta pensar nisso. Sério, eu não a
culpo por estar com raiva de mim, mas eu nunca teria raptado,
machucado e estuprado você.

Claire o interrompeu e puxou sua mão livre, — Não, você não


faria, mas não foi honesto comigo também! Você me levou a acreditar
que você era alguém que não é. Pelo menos Tony foi honesto com quem
ele era.

— Verdade? Era honesto quando disse que seu nome era Anthony
Rawlings ou Anton Rawls?

A intensidade nos olhos de Claire crescia a cada palavra. —


Anthony Rawlings é o seu nome legal. Isso não é, nem nunca foi, uma
mentira; No entanto, eu ainda tenho que ter certeza sobre seu nome
legal. — Quando o agente Baldwin não conseguiu responder, Claire
continuou: — Eu vou repetir, Tony mudou, e ele não é a pessoa da qual
eu estou fugindo.

— Então me diga de quem você está correndo? Quem te assustou


o suficiente para você deixar ele, deixar a sua família e amigos
pensando que você, possivelmente, pudesse estar morta, e se esconder
em outro país?

— Você é do FBI, descubra.

A voz profunda de Phil entrou na conversa. Seu tom de voz firme


não convidou o debate. — Eu acredito que Claire pediu para você sair.

Mais uma vez, desconsiderando Phil, Harry continuou, — Claire,


que tal se você não sair? — Seu tom suave. —Fique aqui um ou dois
dias mais e pense sobre o que eu disse. Diga de quem você está fugindo.

~ 93 ~
E eu vou dizer o que sabemos sobre Rawlings e suas ligações com
outros casos abertos.

Claire passou por Phil e caminhou em direção à porta do quarto.


— Phil, por favor, mostre ao Agente Baldwin à saída. — Com isso, ela
desapareceu pelo limiar, fechou a porta e deixou os dois homens
sozinhos. Se ela tentasse, ela podia ouvir as suas palavras, mas Claire
não queria tentar. Ela não queria pensar em como outra pessoa, alguém
que ela confiava, havia mentido para ela. Lágrimas se formaram ao se
lembrar das noitadas com Harry, sentando com ele no sofá do
apartamento de Amber e retratando detalhes de sua vida privada.
Durante esses momentos, ela se sentia segura e apoiada, como ela
contou coisas que ela nunca pensou que ela pudesse compartilhar com
outro homem. Hoje, ela se sentiu usada.

As palavras de Harry de apenas alguns minutos atrás voltaram


para ela: “Eu nunca a teria raptado, estuprado você, machucado você”…
Antes que ela entrasse no banheiro para se preparar para dormir, Claire
sussurrou, falando em voz alta, não para qualquer um ouvir, mais como
uma validação para si mesma: — Você está errado, Harry. Agora você
me machucou.

Quando ela voltou para o quarto dela, Phil estava de pé na porta


aberta. Sua presença a surpreendeu. Ele geralmente batia antes dele
entrar em seu quarto. — Como você está?

— Você está bem?

A preocupação em sua voz não permitia que Claire se perturbasse


por sua invasão de seu espaço privado. Ela engoliu em seco e assentiu.

Phil sorriu. — Você vê, seus instintos estavam certos.

Uma lágrima renegada deslizou pela bochecha recentemente


lavada de Claire. Ela não queria ficar triste. Afinal, ela havia deixado
Harry para ficar com o Tony. Ela queria manter Harry longe; no
entanto, a partir do momento em que ela assistiu Harry sair do quarto
do hospital, ela pensou que ela era o monstro, aquela que se aproveitou
de seus sentimentos e os esmagou. Durante esses meses, em Palo Alto,
ela considerou Amber e Harry seus reforços, suas peças de xadrez a
fortalecendo com a força para enfrentar Tony. Ela se perguntava, ela
seria apenas um peão num jogo muito maior? Algo era real?

Com um nó na garganta, Claire respondeu: — Por que isso não


faz eu me sentir melhor?

~ 94 ~
— Fará um dia. Basta manter os seus instintos. O que eles estão
dizendo agora?

Claire deu de ombros. — Que eu preciso ir para longe, dormir um


pouco, e me concentrar em chegar ao paraíso.

— Ainda estamos indo?

— Oh, sim. — Seus olhos brilharam. — Pode nos levar para longe
de Catherine e do FBI?

Phil sorriu. — Eu sempre trabalhei melhor sob pressão, e de


qualquer forma, apenas no meu caso de trabalho recente, como babá, a
levei a duvidar das minhas habilidades, você deve saber Eu adoro um
desafio! Diga, você precisa de muitas coisas nessas duas malas?

Claire sorriu. — Eu comecei do nada antes. Eu pouco me


importar menos sobre o conteúdo dessas malas, e para que conste, eu
acho que você fez um trabalho incrível com sua atribuição de babá. Se
não o fizesse, então eu não continuaria a confiar em você comigo e com
a vida do meu bebê.

— Bom. — Phil casualmente encostou à porta. — Vamos manter


nossas reservas para 10h00minhs. Há um táxi agendado para nos
pegar; No entanto, nós vamos sair mais cedo. Há uma entrada pouco
utilizada para o hotel. Estaremos indo de lancha. Vai ser mais frio,
então você pode querer… —Phil pegou o casaco de Claire, o que tinha
estado deitado na cadeira desde o passeio à tarde de Claire, e
arremessou em direção a ela. Quando o fez, algo caiu do bolso.

Seu comportamento ocasional evaporou. Colocando o dedo aos


lábios, ele pegou o objeto e virou o pequeno dispositivo em todas as
direções diferentes. Claire viu como seus olhos brilharam e seus lábios
voltaram para cima. Com a nova emoção em sua voz, Phil disse: — Você
descanse um pouco. Eu tenho um pouco de trabalho para fazer. Isso
ficou ainda mais fácil.

Claire assentiu.

Quando ele começou a se afastar, Phil acrescentou, — Oh, e


Claire, não importa que tipo de ID alguém te mostre, por favor, não…

Ela sorriu. — Eu não vou abrir a porta. Eu vou dormir.

Phil fechou a porta de seu quarto. Segundos depois, ela ouviu a


porta da suíte se abrir, fechar e travar.

~ 95 ~
*****

No momento em que chegaram ao avião, Claire não tinha certeza


de onde estavam, ou quem eles eram. Os Alexanders sumiram para
sempre. Por insistência de Phil, ela concordou em manter o cartão de
Harry com um número de telefone escondido dentro de sua bagagem de
mão. Phil disse que era apenas por uma justa causa. Antes de sua
partida, ele examinou tudo, a bolsa e a roupa, para ter certeza de que
não havia mais dispositivos de rastreamento. A melhor parte de seu
plano, na opinião de Claire, foi quando ele encontrou outro casal
programado para sair de Veneza ao mesmo tempo das suas reservas.
Engenhosamente, Phil plantou o dispositivo de rastreamento em sua
bagagem. Eventualmente, o FBI saberia que não era Phil e Claire;
enquanto isso, seu desvio teve algum tempo adicional.

Não que Claire não estivesse disposta a trabalhar com o FBI, ou


qualquer outro ramo de aplicação da lei, para levar Catherine para
baixo. Foi, bem, ela estava ferida. Sim, isso pode ser pequeno no grande
esquema de seus problemas; No entanto, ela precisava de um tempo
para processar a nova noção de quem Harry era e quem não era.

Ele era um agente do FBI.

Ele não era seu amigo, ou, pelo menos, ele não era o amigo que
ela achava que ele era.

*****

A névoa de sono desapareceu lentamente, quando a dureza da


nova realidade de Tony encheu sua consciência. Combatendo a
necessidade de acordar, ele ouviu o som de outra pessoa respirando.
Instintivamente, ele estendeu a mão para a fonte do barulho. Quando
sua mão roçou a superfície áspera do lençol barato cobrindo o colchão
de tamanho solteiro, ele afastou a decepção e contemplou as voltas em
sua vida. Forçando os olhos para abrirem, ele encarou o interior
monótono, mal iluminado do albergue.

O quarto onde ele dormia tinha dez camas iguais, todas


ocupadas. Quando ele olhou em volta da sala, Tony ainda notou que

~ 96 ~
uma cama continha duas pessoas. Deitado com a cabeça no
travesseiro, ele exalou e questionou esta realidade. Veneza, Itália
sempre teve um aspecto luxuoso. Desde a primeira vez que ele visitou
com seu avô, era um ambiente de opulência. Olhando para o gesso
rachado e ouvindo os sons de várias pessoas dormindo, Tony sabia que
a hospedagem habitual de suítes cinco estrelas e refeições gourmet
estavam nas proximidades; no entanto, até que chegue a Genebra e
acessar o cofre, o luxo poderia muito bem estar a milhões de
quilômetros de distância.

Esfregando o rosto, a suavidade de seu recente crescimento da


barba continuou a pegar de surpresa. Era parte do seu novo
personagem. O proprietário de pousada não o conhecia como Anthony
Rawlings ou mesmo como Anton Rawls. Não, a identificação que ele
carregava, assim como o passaporte que usou, continha um nome
diferente.

Sua partida dos Estados Unidos tinha sido bem planejada, bem
executada e bem sucedida. Depois que os agentes do FBI o levaram de
sua suíte de hotel, foi dado a Tony duas opções: manter as acusações
de agredir Claire Nichols ou desaparecer e permitir que o FBI possa
continuar uma investigação em curso. O Federal Bureau de
Investigação garantiu que as acusações acabariam por ser confirmadas,
alteradas, ou descartadas, embora a sua divulgação fosse menos
completa. O fato do FBI oferecer uma saída, um plano B, parecia
absurdo. Tony sabia que algo não estava como parecia. Afinal, quando
se tratava de enganar as aparências, ele era o mestre.

Foi, sem dúvida, o jogo de cartas da vida de Tony. Enquanto


ouvia as potenciais escolhas, ele manteve sua cara de pôquer e manteve
suas cartas perto de seu peito.

O FBI deixou perfeitamente claro; ele seria protegido contra a


ameaça não revelada. Como ele escolheu aceitar essa proteção veio até
ele: o encarceramento ou desaparecimento temporário. Embora os
agentes oferecessem uma prisão de segurança mínima com muitas
liberdades, o encarceramento não parecia atraente, mesmo se fosse,
como se dizia, para seu próprio bem.

Tony escolheu a opção número dois.

Claro, Anthony Rawlings não levaria sua oferta pelo valor


nominal. Sendo um verdadeiro empresário, Tony negociou os termos de
seu desaparecimento. Durante essas negociações, ele deixou de
mencionar as centenas de milhões de dólares que ele tinha guardado

~ 97 ~
em contas bancárias na Suíça. O FBI fez exigências: todo o contato com
alguém de seu passado era proibido. Ninguém poderia saber sobre sua
situação atual, com a exceção de Brent, uma vez que o departamento
tinha uma ordem de silêncio assinado por ele. Tony concordou com a
perda de contato e o anonimato oferecidos; em troca, ele estava livre
para viajar. Tony disse que era a sua oportunidade de ver o mundo sem
as responsabilidades de seu império, uma mentira bastante
transparente, ele teve tempo para trabalhar nela, Tony sabia que ele
poderia ter vindo com algo melhor. Não comprando sua história sobre
Claire sumir por conta própria, ele precisava da capacidade de
pesquisa.

Concordando com a proposta, o FBI deu a Tony uma nova


identidade. Com isso, eles lhe deram fundos limitados, incluindo
cartões de crédito; no entanto, eles também tinham estipulado as suas
negociações. Eles queriam ser capazes de chegar a Tony em todos os
momentos. Quando ele respondeu com suas exigências, eles
permaneceram inflexíveis, determinaram que eles teriam uma maneira
de o contatar, em caso de novas informações sobre Claire. Era
claramente uma tentativa de manipulação em movimento; contra
movimento.

Honestamente, na opinião de Tony, o FBI tinha sido inferior ao


futuro. Por que ele, de repente, acreditou que eles precisavam entrar em
contato com ele para revelar segredos profundos? Não havia nenhuma
razão para acreditar que a distância entre ele e eles, de repente, os
fariam próximos. Por outro lado, Tony não podia correr o risco de perder
informações, se eles estavam dispostos a compartilhar.

Após as negociações, os agentes deram a Tony sua nova


identidade e um telefone celular. As palavras finais do Agente Jackson
ainda infiltravam a consciência de Tony de tempos em tempos, Sr.
Rawlings, este celular tem de estar com você em todos os momentos.
Você não vai entrar nos Estados Unidos ou em contato com ninguém. Se
você falhar nestas orientações, a opção dois se foi, e de repente você será
um fugitivo na corrida do governo federal. Esteja certo, vamos encontrá-
lo.

Tony ficou reto. Embora sua mente estivesse dominada por


pensamentos e preocupações com Claire, as palavras do agente
registraram. Ele considerou retribuir: talvez como você fosse capaz de
encontrar a minha ex-mulher? Em um breve momento de decoro, ele
optou por permanecer em silêncio. Mantendo o seu olhar de
indiferença, ele respondeu: — Eu acho isso extremamente incomum,

~ 98 ~
toda essa falsidade e sigilo sobre uma possível acusação de violência
doméstica.

— Oh, Sr. Rawlings, nós dois sabemos que é mais do que isso, e
quando a prova for apresentada, sei de mais de um agente que está
ansioso para entrar em contato com você, através de seu telefone.

Tony tentou dar sentido as insinuações do agente; sua mente


rodopiava com possibilidades. Enquanto ele debatia sua resposta, o
agente Jackson acrescentou: — Tenho certeza, quando se trata de
nossa própria gente nós nunca esquecemos, e nunca paramos. Nenhum
caso é muito velho ou uma trilha muito fria.

— Agente Jackson, eu certamente não tenho nenhuma ideia do


que você está tentando dizer.

— Claro que não, Sr. Rawlings. Esse parece ser um tema


recorrente com você. Talvez, enquanto no exterior, você deve procurar
pelo tratamento de seus problemas de memória.

A mandíbula de Tony apertou. Lutar com o homem que estava


apresentando a liberdade provisória seria contraditório; No entanto, o
descontentamento ficou claro em sua voz. — Eu não tenho problemas de
memória, agente. Eu tenho certeza que vamos nos falar novamente.

— Sim, eu tenho certeza que nós teremos contato em breve.

Tony sabia que seu paradigma atual eram as suas próprias ações.
Ele poderia ter levado os cartões de crédito e identidade da mesa, e
manter um padrão de vida melhor do que ele atualmente está vivendo,
mas ele não estava disposto a jogar pelas regras do FBI, ele tinha suas
próprias regras.

Antes de Tony deixar a reunião clandestina com o agente


Jackson, ele fez um pedido. Tony pediu que Brent não fosse informado
desta nova realidade. Foi um dos poucos movimentos altruístas que
Tony já havia feito para Brent. Era estranho como, quando confrontado
com a possibilidade de nunca mais encontrar ele de novo, Tony
finalmente viu o amigo que Brent tinha sido. Esta não divulgação foi um
presente. Se as coisas corressem mal, e se verdades não reveladas se
tornassem evidentes, então Tony não queria Brent sofrendo as
consequências. O agente Jackson prometeu continuar a estratégia.

Com sua identidade do governo recém-emitida, Tony chegou ao


aeroporto com um bilhete na mão. Depois de passar pela segurança, ele
fugiu do terminal, e com um celular recém-comprado, Tony contatou o

~ 99 ~
único homem conhecido, que, sem dúvida, responderia. Ele não
considerou que estava quebrando as regras do FBI, Tony considerou
que estava jogando por suas próprias regras, da mesma forma como ele
sempre viveu a sua vida.

Os pedidos de Tony para Eric eram simples: o dinheiro do seguro,


não o suficiente para levantar suspeita, a chave para o cofre e suas
identificações falsas. Caso Eric estivesse sendo monitorado, Tony disse
a ele que também usasse identificação falsa. Como Tony previa Eric não
questionou as diretivas ou motivos de Tony, ele nunca questionava.

Tony manteve contato com o FBI por pouco tempo. Depois de


comprar um telefone internacional, com o cartão de crédito descartável
dado pelo governo, ele mandou uma mensagem pelo novo número para
o único contato listado no telefone do FBI. Tony sabia muito bem que os
celulares podiam ser rastreados, e ele estava muito confiante de que o
celular que lhe tinha sido dado, tinha um sinal sonoro constante no
radar de alguém. Deixou o celular em um banheiro no Estado de Nova
York, e o bipe agora permaneceria estagnado. Quando Eric o levou
através da fronteira dos Estados Unidos para o Canadá, Tony recebeu
um texto:

— VAMOS ASSUMIR QUE ESTE É NOSSO NOVO NÚMERO DE


CONTATO?

Tony sorriu, eles haviam dado a ele uma oferta que não poderia
recusar. Ele respondeu com uma declaração de não cumprimento. A
sua cooperação dentro de seus parâmetros não foi uma vitória, mas era
algo. Neste momento, Tony ficaria com isso. Com um sorriso, ele
respondeu:

— SIM. — e apertou enviar.

A história do pouso do pequeno avião de emergência nas


montanhas foi fabricada pelas autoridades. Tony nem sabia que ele
supostamente teria fretado um avião, ou que ele desembarcou
inesperadamente até que ouviu a notícia. A extensão que o FBI estava
disposto a ir para este caso, mostrou que era algo muito maior do que
parecia. Como um iceberg, Tony acreditava que ele só tinha sido
autorizado a ver uma pequena parte. No que lhe dizia respeito, isso
estava bem. Eles haviam criado uma reportagem de capa, o que lhe
permitiu fazer a única coisa que ele queria fazer. Ele agora estava livre
para avaliar o quadro, determinar as probabilidades e decidir as cartas
que ele deveria jogar. Ele estava livre para procurar Claire.

~ 100 ~
Voando de Montreal para Brnik, Eslovênia, Tony então pegou
ônibus e trens em uma rota não direta para Genebra. Antes que ele
pudesse iniciar a sua fuga completa em busca de sua ex-mulher, Tony
precisava de dinheiro. Os dias correram rápido, eles estavam cheios de
transporte e acomodações baratas. Cada pensamento não estratégico foi
dominado por Claire e seu filho. Durante o curso de sua viagem, Tony
concluiu que o seu desaparecimento, estava de alguma forma,
relacionado com os presentes e as cartas que tinha recebido na
propriedade. Embora o pensamento não lhe ocorresse antes, Tony
achou interessante que as correspondências pararam depois de seu
desaparecimento. Tony esperou e rezou, para que se Claire sumira
realmente de sua própria vontade, que ela estivesse à frente, não com o
idiota que tinha enviado os pacotes ameaçadores e tentou tirar ela e
Clay para fora da estrada. Enquanto seus pensamentos corriam, Tony
também estava preocupado com as suas finanças. Ele não queria Claire
e seu filho vivendo nas condições que ele estava suportando. Centenas
de vezes por dia, ele se perguntou por que. Será que ela pretendia fugir e
se ela fez, por que ela faria isso sem dinheiro? Por mais que ele quisesse
ela segura, Tony não poderia acreditar que ela estivesse viva e
conversando com o FBI. Nada disso fazia sentido.

Enquanto ele planejava seu retorno à liberdade financeira, Tony


sentiu um traço de culpa. Era verdade, ele tinha estado sempre
circulando e investindo o dinheiro, mas sinceramente, metade pertencia
a Catherine. Tony sabia que Nathaniel lhe confiou para cuidar dela.
Tomar esse dinheiro sem divulgação parecia errado; No entanto, ele
lembrou a si mesmo, a metade lhe pertencia. Catherine estava segura
em Iowa, dormindo em sua casa, com acesso a mais de seu dinheiro.
Honestamente, o sentimento de culpa não durou muito tempo.

Sua trilha indireta para Genebra foi planejada e conspirada. Ele


tinha dinheiro suficiente para se calar e ver as coisas se desenrolando.
Ele não estava usando o cartão de crédito federal; era um meio muito
obvio de ser localizado. Tony estava ouvindo seus instintos, eles
funcionaram bem no passado. Ao longo de sua vida, ele tinha
conseguido cumprir muitas metas. Essas metas exigiram tempo e
paciência, e sem exceção, todas elas fizeram o seu caminho. Sua
altíssima taxa de sucesso foi prova de suas próprias habilidades. Tony
não via razão para mudar sua estratégia. Apesar das diretrizes do FBI,
este esforço seria em seus termos, e os seus termos por si só.

A instituição financeira, em Genebra foi a sua cartada mestra,


uma das cartas que ele não revelou. Com seu plano atual, a instituição
não seria alcançada em, pelo menos, mais uma semana. Ele adoraria se

~ 101 ~
mover mais rápido; no entanto, a perseverança foi fundamental para o
seu plano. Ele manteve seu perfil no anonimato, mesmo que fosse com
a sua própria identidade falsa e não a fornecida por eles. Ele também
estava fazendo o que ele disse, viajando. Depois que suas reservas
financeiras fossem acessadas, ele continuaria a viajar; No entanto,
naquele momento, seu objetivo seria encontrar Claire. O dinheiro faria
tudo mais tolerável.

Com as palavras do agente Jackson repetindo em sua mente,


Tony prometeu que depois que ele tivesse seu dinheiro, e houvesse
localizado sua família, ele descobriria mais sobre as insinuações do
agente Jackson. O que o FBI sabe ou pensa que sabe? O que se entende
por — um dos nossos? Embora ele fosse um mestre em multitarefa, a
sua situação atual necessitava de toda a sua atenção. Tony empurrou
as palavras do agente para longe, ele tinha assuntos mais urgentes
consumindo seus pensamentos.

~ 102 ~
Aprenda de ontem, viva para hoje, espere pelo
amanhã. O importante é não parar de questionar.

- Albert Einstein

Capítulo dez
Junho 2016

Jornal Meredith:

24 de Junho de 2016:

Finalmente! Já se passaram quase duas semanas desde que


Claire entrou em colapso no refeitório. Sendo que eu não tenho
autorização para ir a qualquer lugar, exceto o refeitório e cozinha, eu não
tenho sido capaz de saber alguma coisa sobre o seu progresso. Isso foi
até hoje; após o almoço, antes do jantar, que alguns pacientes e
visitantes estavam sentados na sala de jantar, conversando, quando eu
vi Claire e Emily entrando na sala de jantar. Elas estavam passeando
pela ala residencial.

Eu só olhei momentaneamente; Emily estava examinando a sala


com seus olhos de águia! Porra, essa mulher suspeita de sua própria
sombra! Me afastei quando ela olhou em minha direção. Coisa boa! Se
ela tivesse me reconhecido, então ela teria feito as últimas três semanas
um completo desperdício de tempo.

Foi depois que eu me virei que eu recebi meu primeiro pedacinho de


informação. Na época, eu estava entregando café para a Sra. Juewelz e
seu visitante que tinha deixado a sala por alguns minutos. Sra. Juewelz
tem estado dentro e fora da Everwood por anos. Eu não tenho certeza do
seu diagnóstico exato, mas fofocando era uma possibilidade, eu colocaria
meu dinheiro nisso! Mesmo no meu curto período de tempo para conhecer
alguns dos moradores, eu percebi que a Sra. Juewelz parece ter o seu
dedo no pulso de Everwood.

— Posso arranjar creme ou adoçante? — Perguntou Meredith,


enquanto ela colocava as canecas de cerâmica sobre a mesa.

~ 103 ~
Sra. Juewelz falou, sua voz quase um sussurro: — Você é
inteligente por se afastar daquela mulher. Ela provavelmente teria sua
demissão se ela achasse que você estava olhando para elas. — No
começo, Meredith não estava registrando as palavras da Sra. Juewelz;
não era incomum alguns dos moradores falarem sobre algo errado
sobre o que foi dito a eles.

Mantendo os olhos desviados, Meredith observou Emily levando


Claire apressadamente ao longo da borda da sala de jantar. Nenhuma
das mulheres parecia estar falando. Ela tentou ler a expressão de
Claire; no entanto, tudo o que ela notou foram os olhos de Claire,
abatidos e sem vida, evitando tudo enquanto caminhava com o braço
ligado na dobra do cotovelo de sua irmã. Olhando para a Sra. Juewelz,
Meredith perguntou: — Por que, quem é ela?

— Ela era a esposa de um cara rico, mas ninguém pode dizer o


seu nome. Aquela mulher com ela é sua irmã. Ela é superprotetora,
mas é um pé no saco! Quero dizer, todo mundo aqui merece
confidencialidade, mas essa mulher tem a pobre senhora tão isolada
que ela nunca vai ver o exterior novamente.

Foi então que a convidada da Sra. Juewelz voltou para a mesa. —


Tia Juewelz, você não está falando sobre as pessoas que você não
conhece, não é?

Olhando para sua sobrinha diretamente nos olhos, Sra. Juewelz


respondeu: — Quem, eu? Não podem acreditar em uma palavra do que
eu digo. Eu sou louca, você sabe!

Sua sobrinha estendeu a mão e cobriu a mão da Sra. Juewelz


com a dela. Olhando diretamente em seus olhos, ela disse: — Eu acho
que você é a pessoa mais sã que eu conheço tia Juewelz.

Sra. Juewelz riu. — Querida, o que você precisa é conhecer mais


pessoas!

Meredith se afastou, contemplando as informações da Sra.


Juewelz. As palavras dela partiram o coração de Meredith, e
endureceram a sua determinação ao mesmo tempo. De um jeito ou de
outro, Meredith salvaria Claire!

07 de Julho de 2016

Eu não posso acreditar no quanto eu estou cansada no final dos


meus dias em Everwood. Não é mentalmente cansativo; é fisicamente

~ 104 ~
drenante. Eu nunca limpei tantas mesas ou peguei tantos pratos na
minha vida, mas eu acho que está prestes a se pagar! Depois de quase
um mês, eu acredito que eu vou finalmente poder entregar as refeições
nos quartos dos pacientes. Amanhã, tenho uma reunião com a Sra. Bali,
minha supervisora. Ela disse que precisamos discutir os “parâmetros
para aumentar as minhas funções de trabalho”. Eu tenho que dar todo o
crédito à instalação; eles não permitem que qualquer pessoa interaja com
os pacientes. Considerando a quantidade de dinheiro que essas pessoas
pagam para o seu tratamento, eu acho que é uma coisa boa Everwood
garantir que todos estão seguindo suas regras. Eu ia escrever mais, mas,
honestamente, estou exausta. Vou escrever mais amanhã.

08 de Julho de 2016

Eu consegui isso! Eu fui “promovida”! É como estou chamando isso,


mas não há nenhum aumento de salário, apenas um aumento de serviço.
Eu acho que as histórias que eu estive recentemente contando, sobre
como cuidei de minha avó doente, me ajudou a conseguir esse direito
adicional.

A partir da próxima semana, eu vou fazer parte da rota nos quartos


residenciais. Há seis mulheres que comem todas as suas refeições em
seus quartos. A Sra. Bali me levou para cada um dos seus quartos hoje, e
eu encontrei pessoas em três deles. Os outros três, incluindo Claire, não
estavam em seus quartos. Antes de passarmos de sala em sala, foi me
mostrado como rever o ICP 5 de cada paciente. Esse é o seu “Plano de
Assistência Individualizada”. Eu não tinha sido capaz de acessar mais
do que as informações genéricas antes, mas agora eu tenho um código
onde eu posso ver detalhes. A maioria dos ICPs incluem alergias
alimentares, gostos e desgostos.

A comida de Claire tinha um ICP muito específico, com certas


regras enunciadas:

A Srta. Nichols terá três refeições entregues a cada dia. Após a


entrega, a atendente avaliará a capacidade da Srta. Nichols para comer
sem ajuda. Se ela se envolver, deixar a comida e voltar para remover a
bandeja em trinta minutos. Se ela não se envolver, leve a para sua mesa
e explicar as suas ações durante a ajuda para alimentar.

Falar é recomendado pelos médicos da Srta. Nichols; no entanto, a


Sra Vandersol não permite qualquer conversa sobre “a vida anterior de

5 *ICP – Plano de Assistência Individualizada.

~ 105 ~
Srta. Nichols”. Sob nenhuma circunstância pode o nome de
“Anthony/Tony Rawlings ser mencionado”. E se Nichols citar este nome,
o pessoal deve mudar de assunto imediatamente e notificar um
supervisor.

O não cumprimento das regras estabelecidas resultará em


demissão imediata.

Fiquei surpresa ao ver seu quarto. Ao contrário dos outros quartos


que visitamos, o de Claire parecia genérico e estéril. As cores eram
pálidas. Ela não tinha fotos ou artigos pessoais, além de roupas e artigos
de higiene. Mesmo a colcha e cortinas eram neutras; não havia cores
ousadas. Desde que a Sra. Bali estava comigo, eu não poderia olhar
muito ao redor, mas eu mencionei a aridez, de passagem.

— Será que este paciente é novo? — Meredith sabia a resposta;


No entanto, ela estava pescando.

— Não, esta é Srta. Nichols, a paciente sobre a qual você leu


sobre as regras específicas para a discussão. Ela está aqui há mais de
dois anos.

— Seu quarto não é tão personalizado quanto os outros que já


estive.

Sra. Bali rejeitou a observação de Meredith. — Isso não é da


nossa conta. É da senhora Vandersol, e eu acredito que está junto com
as regras de conversação.

Eu queria perguntar mais, mas tinha medo de levantar suspeitas.


Enquanto caminhávamos em direção à cozinha, Claire passou por nós
com uma mulher bonita loira. Ela olhou para nossa direção
momentaneamente, mas não parecia me reconhecer. Eu não sei se isso é
bom ou ruim, mas acho que de uma maneira é bom. Eu estive
preocupada que ela reagiria como fez no refeitório à primeira vez que
vimos uma a outra. Se ela fizer isso de novo quando eu entrar no quarto,
eu certamente não seria capaz de continuar.

Depois que elas passaram a Sra. Bali sussurrou, — Esta era a


Srta Nichols com a Dra. Brown. É triste, você vai ver quando você
começar a visitar, mas ela perdeu todo o senso de realidade. Você pode
ter lido o livro sobre ela, mas ela teve uma vida bem difícil para alguém
tão jovem. Eu continuo esperando que um dia ela vá sair dessa.

Meredith fez uma pausa antes de perguntar: — Será que é


possível? As pessoas podem realmente sair dessa?

~ 106 ~
— Estou aqui há mais de 20 anos, então eu vi alguns casos; No
entanto, não devemos manter as nossas esperanças. Casos assim são
extremamente raros…

Eu farei uma pesquisa e posso facilitar descobrindo onde se “se


encaixa” essa droga toda. Oh, eu lhe disse que não tinha lido o livro, mas
eu procuraria. Então ela me disse que não, que ela não deveria ter me
dito, e provavelmente faria pender a minha opinião.

Ela não tem ideia de como tendenciosa eu já sou!

*****

Emily entrou na sala de espera do centro de aconselhamento de


Everwood. Ela conhecia a instalação de trás para frente, e esta era a
sua área favorita, se ela tivesse uma em todo lugar. Era arejado e
aberto, com muita luz solar. Eles haviam pagado para que Claire tivesse
uma janela que dava para leste. Emily sabia que sua irmã amava o sol e
esperava que o nascer do sol ajudasse; No entanto, de acordo com os
relatórios, cada manhã, quando a equipe entrava em seu quarto,
encontravam suas cortinas ainda fechadas. No começo, Emily estava
mais disposta a manter sugestões para a recuperação de Claire, mas a
cada dia que passava, semana e mês, o otimismo de Emily diminuía.

Este foi à reunião bimestral de Emily com os médicos de Claire,


onde ela ouvia suas teorias e sugestões. Uma vez por mês, ela se reunia
com os administradores e discutiam confidencialidade. Nessas reuniões,
ela enfatizou a importância de manter suas regras. Com essas
obrigações, assim como visitar Claire, pelo menos, três vezes por
semana, a agenda de Emily estava muito cheia. Ela também tinha uma
família em casa que precisava de sua atenção. Essa família estava
maior do que teria sido sem a Claire, e por essa razão, Emily jurou que
nunca seria lamentável. Nichol foi uma alegria, com a qual ela e John
foram presenteados e cuidariam muito bem. É claro que, às vezes, ela
se perguntou se Michael sofria por causa da perda de atenção, mas
depois ela via os dois primos interagindo como irmãos e percebia que
Nichol era uma bênção, apesar de sua filiação.

— Sra. Vandersol, — a voz da recepcionista trouxe Emily de volta


ao presente. —Dra. Brown está pronta; Posso te levar para seu
escritório?

~ 107 ~
— Não, Sherry, eu sei o caminho.

Sherry sorriu. — Tenho certeza, por favor, fique à vontade.

Enquanto Emily caminhou pelo corredor em direção ao escritório


do médico, pensou-nos vários médicos e terapeutas de Claire. Em
Everwood, cada funcionário era do sexo feminino. Uma vez que um
número de moradores foram vítimas de violência doméstica, a crença
era que a diminuição da interação masculina ajudava a facilitar a
recuperação. Mesmo os visitantes do sexo masculino eram restritos a
quartos especiais, longe da população geral de pacientes. Emily tinha
visitado esses quartos também, nas primeiras vezes que o John visitou
Claire. Agora, pelo menos uma vez por mês, ele vinha visitar Claire. No
momento em que colocou os olhos em Nichol, ele abandonou sua raiva
sobre Claire e a reconciliação com Anthony. John não só se intensificou
como um tio e uma figura paterna, mas também como um cunhado.

Depois de tudo que aconteceu, o incidente com John, ele


precisava voltar para a Califórnia. Afinal, ele trabalhava para Sijo e
tinha obrigações. Claro, Emily ficou em Iowa com Claire. No começo,
Claire estava muito frágil e Nichol precisava de cuidados, em seguida,
houve o julgamento. Com o tempo e a gravidez de Emily, viajar se
tornou difícil. Ficar em Iowa foi conveniente; No entanto, ela nunca
assumiu que tinha que fazer isso em casa. Na verdade, eles não
consideraram até Timothy Bronson se aproximar de John.

Tim foi nomeado CEO interino da Rawlings Industries, pelo


conselho de administração, quando Anthony inicialmente desaparecera.
Embora ele fosse jovem, tinha provado a si mesmo tanto para a
diretoria quanto investidores. Considerando tudo o que ela e John
tinham feito para prejudicar a Rawlings Industries, parecia
inacreditável que Tim pediria ao John para ajudar a reconstruir o
império, ou que o Conselho de Administração aprovasse o seu pedido.
Tim o fez e assim o trouxe a bordo. Emily recordou as longas discussões
entre John e Tim e ela e John. O último fator decisivo foi à decisão do
tribunal, permitindo que Claire entrasse em um centro de tratamento
mental, privado. O tribunal estipulou que Claire não poderia deixar
Iowa. Antes disso, Claire tinha ficado em uma instalação do estado. Não
era horrível, mas Emily odiava. Ela a visitou quase todos os dias para
garantir o bem-estar de Claire. É claro que, naquela época, as
esperanças de Emily para a recuperação de sua irmã eram muito
maiores.

Não havia dúvida, Everwood era uma instalação muito melhor; No


entanto, Emily não se sentia bem deixando Claire e vivendo por ela

~ 108 ~
mesma. No início, Emily acreditava que ter a Nichol perto de sua mãe
seria benéfico. Infelizmente, essas visitas provaram ser outro fracasso
na tentativa da recuperação de Claire. Uma vez que a Nichol tinha idade
suficiente para entender a situação, Emily acreditou que os melhores
interesses de sua sobrinha precisavam ser considerados, Nichol não
esteve em Everwood em mais de um ano.

O tribunal não controla mais o tratamento de Claire; como


parente mais próximo e com procuração, Emily tinha o controle
completo. Iowa agora era a sua casa, e John era funcionário da
Rawlings Industries. Meredith Banks estava certa quando disse que não
faltava o dinheiro a Nichol, e nem a Claire. Isso foi incentivo de John.
Desta vez, quando ele considerou a oferta para trabalhar para Rawlings,
ele não estava aceitando caridade de um membro da família. Não, desta
vez, ele estava fornecendo ajuda à sua família. Claire e a Nichol não
poderia gerenciar ou expandir sua fortuna. Desde que Anthony se foi,
John fez o que ele tinha feito antigamente quando os pais de Emily e
Claire morreram; ele se aproximou e estava cuidando de todos.

Emily endireitou os ombros e bateu na porta aberta da Dra.


Brown. A psiquiatra linda loira se levantou e saudou, — Emily, por
favor, venha. Espero que não se importe, mas eu convidei o Dr. Fairfield
para se juntar a nós hoje.

Foi então que Emily notou o senhor mais velho sentado ao lado
na sala. O fato de que ele era um homem pegou Emily de surpresa. —
Olá, — ela estendeu a mão quando o Dr. Fairfield se levantou e apertou
a sua mão.

Antes que Emily pudesse dizer mais, a Dra. Brown começou: —


Eu pedi ao Dr. Fairfield para se juntar a nós hoje, porque ele é um
professor de pesquisa na Universidade de Princeton, especializada em
lesões cerebrais traumáticas. Eu o ouvi falar algumas semanas atrás
em uma conferência e acredito que ele poderia nos dar uma nova
perspectiva sobre Claire.

Emily sentou ereta. — Um experimento? Desculpe-me, doutor,


mas eu não quero que ninguém faça experimentos na minha irmã. Ela
passou por bastante.

Dr. Fairfield falou, com um sotaque Inglês grosso, — Sra.


Vandersol, eu lhe asseguro, eu só estou aqui para oferecer minha
opinião. Eu não vou usar qualquer um dos dados sobre a Sra Rawlings
sem a sua permissão.

~ 109 ~
— Srta. Nichols, Doutor, eu preciso que você entenda que o nome
Rawlings nunca pode ser utilizado na presença de minha irmã, sem
exceções.

Dr. Fairfield olhou para a Dra. Brown. Dra. Brown sorriu e falou:
— Emily, eu compartilhei apenas as informações médicas com o Dr.
Fairfield, nada pessoal. Prometo que vou rever tudo isso antes que ele
examine Claire. Atualmente, ele só viu suas tomografias e leu minhas
anotações. Eu acredito que há algo que eu estou sentindo falta. Eu não
sei o que é; No entanto, o Dr. Fairfield tem documentado casos de
recuperação espontânea.

Emily interrompeu: — Eu fiz minha pesquisa. As maiorias das


recuperações ocorrem dentro do primeiro ano. Depois disso, a
probabilidade é muito reduzida. Não é mesmo?

Dr. Fairfield respondeu: — Isso é correto; no entanto, os casos aos


quais a Dra. Brown está se referindo foram significativamente fora do
período normal de recuperação. — Emily contemplava suas palavras
quando ele acrescentou: — Um caso foi de quatro anos depois.

Quatro anos! Emily pensou nisso. Já haviam passado dois. Ela


tinha chegado a um acordo com a ideia de que Claire nunca iria se
recuperar, foi uma vida? — O que isto significa? O que você vai fazer
para Claire?

A Dra. Brown respondeu: — Nós precisamos de sua permissão


para o Dr. Fairfield examinar Claire e, possivelmente, realizar mais
testes.

— Mais testes? Que outros testes que você poderia realizar que os
outros médicos não o tenham feito?

Os médicos passaram os próximos 40 minutos explicando a


pesquisa do Dr. Fairfield. Os testes não eram invasivos e as regras de
Emily seriam mantidas. Eles poderiam apresentar alguns
medicamentos ou combinações de medicamentos que tenham sido
previamente não experimentados. Primeiro o Dr. Fairfield queria
determinar se a causa da sua psicose era realmente ferimento na
cabeça, ou se poderia ser outra coisa.

Emily relutantemente compartilhou a história de Claire. Ela não


gosta da ideia de mais tratamento. Afinal, Claire estava contente. Por
que a deixar desconfortável ou insegura? Então, novamente, se houvesse
mesmo uma remota possibilidade, Emily não podia dizer não.

~ 110 ~
Naquela noite, em casa, com John e as crianças, ela viu como
Michael e Nichol jogavam. Quando ela olhou para sua sobrinha, ela viu
Claire e a mesma ambição despreocupada que sua irmã uma vez
possuíra. Ela também viu os olhos escuros de Anthony Rawlings. Houve
momentos em que ela detestava aqueles olhos. Quando essa
negatividade penetrou, Emily lembrou a ela mesma, educação versus
criação. Nichol não saberia que a vingança de seu pai tinha destruído
qualquer pessoa infeliz o suficiente para estar dentro de sua esfera de
influência. Seus olhos veriam o mundo como um lugar de infinitas
possibilidades, onde o amor e o perdão prevalecem. Emily prometeu que
com ela, e a ajuda de John, Nichol veria o mundo como sua mãe via
uma vez, antes de Rawlings.

*****

15 Julho 2016

Finalmente eu fiz isso, mas eu não sei se estou feliz ou não… Eu


entreguei o almoço de Claire e fui capaz de falar com ela. Quando entrei
no quarto dela, ela estava sentada na janela, olhando para o céu
brilhante. Embora eu falasse e fizesse barulho, ela não reconheceu minha
entrada. No começo, eu hesitei em fazer contato visual.

O que eu não sabia era que eu não podia o fazer. Eu dei um passo
à frente de Claire, mas sua expressão não mudou. Ela continuou
olhando, exatamente como ela tinha estado, como se eu não estivesse ali.
Eu tentei falar, tranquilamente em primeiro lugar; depois mais alto.
Apesar de ela não falar ou olhar para mim, ela finalmente se levantou e
caminhou até a mesa onde ela me permitiu se alimentar.

Depois de Claire comer cerca de metade do almoço, ela


abruptamente se levantou e caminhou de volta para a cadeira junto à
janela.

Sinceramente, eu tinha estado tão emocionada enquanto ela comia


que eu me esqueci de falar. Quando eu olhei para o meu relógio, eu
percebi que ainda tinha 10 minutos antes de ser esperada de volta na
cozinha, então eu voltei para ela. Ajoelhada na sua frente, toquei seu
joelho…

— Claire, você pode me ouvir? — Meredith tentou


desesperadamente manter a emoção em sua voz; No entanto, com as

~ 111 ~
lágrimas correndo pelo seu rosto, ela não tinha certeza de que era
possível. Intelectualmente, Meredith conhecia as regras relativas à
Nichols. Na verdade, ela não estava pensando. Seu coração estava
quebrando com a visão de sua amiga, agora uma casca da mulher vivaz
que ela tinha sido uma vez. — Claire, sou eu, Meredith. Não se lembra
de mim? Fomos para Valparaiso juntas… — Meredith teve o cuidado de
não mencionar Anthony, Nichol, ou qualquer outra coisa dos últimos
seis anos. Ela, no entanto, divagou por dez minutos sobre a vida, como
tinha sido quando eram estudantes universitárias.

A expressão de Claire nunca mudou; apesar de que, em um


momento, ela começou a cantarolar. Implacável, Meredith divagou
sobre a sua casa de fraternidade e Chicago. Não foi até que Meredith
estava fora do quarto de Claire, se aproximando da cozinha, que essa
melodia de Claire ressoou em sua mente. Meredith reconheceu a
música: Take Me Out To The Game — O trecho da sétima voz do Wrigley.

15 de julho, 2016 continuando:

Eu quero acreditar que ela ouviu e entendeu. Eu não sei; talvez eu


esteja me agarrando em palhas. Afinal, a maior parte do que eu li diz
que, se a recuperação não é feita no primeiro ano, isso raramente
acontece, mas essa música! Eu estava falando de Chicago e jogos de
beisebol. Eu não acho que eu sequer mencionei os Cubs ou Wrigley, mas
eu sei que eu mencionei baseball…

Sem dúvida, eu sei que ela estava cantarolando — Take Me Out To


The Ball Game!

~ 112 ~
O contentamento consiste não em acrescentar
mais combustível, mas em tirar um pouco de fogo.

- Baldwin Fuller

Capítulo onze
Claire ficou maravilhada com os tons de azul, quando o pequeno
avião circulou sobre a ilha, completando a etapa final de sua viagem.
Embora sua mente constantemente voltasse para sua lua de mel, Claire
lembrou que este era outro lugar e outro tempo. Em sua lua de mel em
Fiji, Tony estava com ela, e ele estava no controle.

Aqui, em vez de Tony, ela tinha Phil ao seu lado. A cada dia que
passava, Claire apreciava cada vez mais sua devoção e presença. Sua
honestidade expondo sua verdadeira ameaça, e suas habilidades a
livraram de Catherine e do FBI, mantendo ela e seu bebê em segurança.
Ela sabia, sem dúvida, que não estaria onde estava sem ele, mas apesar
de tudo que tinha experimentado, seus papéis eram muito diferentes do
que qualquer coisa que ela já tinha conhecido com Tony. Em cada
assunto de importância, Claire tinha o controle. Afinal de contas, o seu
dinheiro comprou este retiro no paraíso. Phil a presenteou com
escolhas, mas cada decisão final era dela. Às vezes, esse poder era
inebriante; em outros momentos, era assustador. Depois de anos de
submissão, era uma nova maneira de viver. Surpreendentemente,
houve momentos em que ela se viu perdendo o senso de segurança que
acompanha a perda de responsabilidade.

Como as cenas abaixo dela, de um paraíso tropical brilhante, azul


verde e branco desaparecendo de sua consciência, Claire se lembrou
das memórias de sua vida recente em Iowa, a que deixou, afastou, ou
mais precisamente, da qual fugia. Nas profundezas do seu coração, ela
sabia, por um curto período de tempo, que ela tinha tudo o que queria e
muito mais. Ela e Tony tinham um entendimento; ele tinha o controle
que ele precisava, mas ela também. Ela fugiu e teve o que queria. Sim,
ela o informou primeiro, mas foi isso. Claire informou Tony, ela não
pediu permissão e nem buscou sua aprovação. Ele permitiu isso porque
confiavam um no outro. No fundo de seu estômago, Claire sabia que ela
tinha sido a única a quebrar essa confiança, e quebrar a promessa que
havia feito em seus momentos de confissões. Talvez esse era o plano de
Catherine; convencendo Claire a fugir, Catherine quebrou com sucesso

~ 113 ~
a confiança que ela e Tony tinham construído. Mesmo que Tony a
contatasse, Claire perguntou isso poderia ser reconstruída?

O que eles tinham, antes, Catherine levou embora, foi à mistura


perfeita. Claire sabia que sua irmã, Emily, nunca entenderia, e com a
recente notícia da publicação pendente do livro de Meredith, o resto do
mundo provavelmente nunca entenderia. Claire desejou que ela
pudesse explicar. Felizmente, ela não precisava. Foi uma das
qualidades mais cativantes de Phil, não se intrometer.

Compreensivelmente, ela nunca deu a Phil palavra por palavra,


ação por consequência, reminiscências de sua vida com Tony, Pelo
menos, não como ela havia feito com Harry; no entanto, o trabalho de
Phil envolvia saber. Se ele não tivesse sido bom em seu trabalho, então
ele nunca mandaria o bilhete em San Diego. Phil conhecia seu passado
e nunca tinha, nem uma vez, questionado Claire sobre isso; em vez
disso, Phil incentivava. Ele a encorajou a ficar forte, proteger seu filho, e
confiar em seus instintos. Agora, embora ela desejasse ouvir sobre
Tony, seus instintos lhe disseram que ela estava finalmente segura.
Eles se asseguraram de que a confiança que ela tinha concedido a Phil
não foi descabida. Pela primeira vez, ela fez uma decisão acertada.

Quando os flutuadores do avião tocaram a superfície da água


cintilante, Claire empurrou suas memórias e desejos a distância. Esta
era a sua experiência, sua nova vida, e o futuro que ela estava
escolhendo ter com seu filho. O som do avião não lhes permitia
conversar; portanto, Claire ajeitou o pescoço e os ombros quando ela
tocou a perna de Phil. Quando ele se virou para ela, Claire sorriu.

Ela queria que ele soubesse que ela gostou da visão de fora do
avião, ela estava contente. Phil provavelmente percebeu que sua
expressão foi forçada; No entanto, na medida em que Claire estava
preocupada, era real. Ela estava cansada de se esconder, seu novo tema
era — fingir isso até que você faça isso. Talvez, na realidade, era um
blefe, mas ela tinha muito em jogo nesta aposta, ela tinha que garantir
a sua máscara de pôquer e ver através dela.

Quando Phil ajudou Claire para fora do avião, ela segurou a mão
dele para se estabilizar e olhou ao redor. Abaixo dos sapatos havia
areia, uma praia de areia branca, e atrás deles estava à lagoa cintilante
que abria para um horizonte infinito de mar azul. Esperando
pacientemente na costa tinham duas pessoas.

A pesquisa de possíveis destinos de Phil incluíam biografias dos


membros da equipe, bem como as histórias completa das localidades.

~ 114 ~
Nesta ilha, a casa principal foi construída no final dos anos 1970 por
um inglês rico que chegou com dois de sua equipe. Francis e Madeline
se casaram no Haiti antes de viajarem para este destino. Quando o
inglês morreu, eles ficaram, e ao longo dos últimos trinta anos, eles
mantiveram a propriedade e cuidando para várias famílias. A nova casa
de Claire tinha muitos quartos e teria mais espaço do que suficiente
para ela e seu filho. Aparentemente, alguns dos proprietários anteriores
tiveram vários filhos e netos.

O isolamento deste retiro foi um dos seus aspectos mais


atraentes. Houve um tempo em que Claire não gostava de estar sozinha;
no entanto, ela estava cansada de ameaças desconhecidas. Este retiro
forneceria a seu filho a segurança que só vinha da reclusão. Pela
criança, Claire estava mais do que disposta a aceitar a solidão que veio
com uma ilha que era apenas acessível por barco ou avião. A civilização
ou algo por perto, poderiam ser alcançadas por um passeio de barco de
30 minutos; tempo previsto. Esta região ostentava 363 dias de sol por
ano; no entanto, a vegetação exuberante exigia chuva. Embora
geralmente de curta duração, a pesquisa de Phil informou tempestades
que poderiam ser intensas. Dilúvios de chuva seguidos de sol forte
criaram a combinação perfeita para um sensual, clima úmido. Depois
de quase um mês de tempo nublado e fresco na Itália, Claire estava
pronta para o calor.

À medida que caminharam em direção aos sorrisos dos caseiros,


Madeline, uma grande mulher com pele escura e uma voz profunda e
rica, foi a primeira a falar, — Bem-vinda Madame e Sr. Nichols! Eu sou
Madeline e este é meu marido, Francis.

Claire olhou para Phil e sorriu. Ela gostava do som da voz de


Madeline; acrescentou calor no ar. Ofereceu à mão em saudação, Claire
disse, — Olá, obrigada. Eu sou a Srta. Nichols, mas, por favor, me
chame de Claire, e este — ela olhou para Phil. Como ela poderia explicar
quem ele era? Sua definição tinha mudado tão drasticamente ao longo
do último ano— Este é meu amigo, Phillip Roach. Ele me ajudou a
encontrar a sua maravilhosa ilha.

Francis apertou a mão de Phil. — Madame, mas esta é a sua ilha,


e estamos muito felizes em ajudar com qualquer coisa que você precisa.

Colocando a mão sobre a barriga, Claire suspirou. — Eu adoraria


ver a casa.

Madeline assentiu e levou Claire pelo caminho. Seu sorriso


brilhava quando ela disse, — Claro, deixe mostrar a sua casa, e eu vou

~ 115 ~
te dar algo para beber. Não podemos deixar que você desidrate. O sol
aqui é muito forte; e hoje está mais quente e antes mesmo do meio-dia.
— Depois de alguns passos, Madeline perguntou: Seu bebê, Madame,
quando ela está por se juntar a nós?

Ela? Claire não sabia o sexo de seu filho, mas ela sempre se refere
a ele, como ele o menino de cabelos escuros, olhos escuros, que seria
parecido com seu pai; no entanto, o menino em seus sonhos nunca
conheceria a tristeza, como seu pai. Seu menino cresceria com o amor e
apoio; Então, um dia, ele se tornaria o homem que seu pai se tornou
finalmente. — Oh, eu não sei se eu vou ter uma menina ou um menino.
— Madeline não falou, mas seus profundos olhos castanhos brilhavam
com conhecimento de causa. Claire continuou: — E o meu pequeno é
esperado por meados de Janeiro; bebê de ano novo.

— Nós amamos bebês. Francis e eu, nós nunca fomos abençoados


com nossos próprios filhos; no entanto, nós compartilhamos nossos
corações com os bebês que agora vivem em todo o mundo. Obrigada por
nos trazer outro bebê para amar.

Embora Claire hesitasse em confiar em alguém, ela


instintivamente gostava dessa mulher. Não foi só o que disse Madeline,
mas foi toda a sua aura que puxou Claire para perto e a encheu de
promessa. Quando passaram o limite para sua nova casa, Claire
exalou. Pela primeira vez em muito tempo, ela estava em casa. Sua casa
era linda, leve e aberta, era tudo o que ela sempre tinha desejado. Claire
foi até as portas abertas, inalou a brisa do mar, e ouviu o som das
ondas. A voz de Madeline reorientou os pensamentos de Claire. — Nós
gostamos de ter tudo aberto; geralmente há uma brisa refrescante, mas
se for muito quente para você Madame, tem o ar-condicionado.

Embora a transpiração escorresse entre os seios de Claire, e ela


precisasse levantar o cabelo do pescoço dela, ela sorriu. — Vou demorar
um pouco para me acostumar com isso, mas eu vou — adaptação era
uma de suas especialidades — Por favor, não use o ar-condicionado. Eu
amo o ar fresco e o calor.

Seus saltos clicaram no revestimento de bambu brilhante quando


eles entraram na suíte máster. — Esta é a sua — hesitou Madeline — e
quarto de Monsieur Roach?

Claire colocou a mão no braço de Madeline. — Não, Madeline, Phil


é meu amigo. Ele e eu não estamos juntos. Ele não é o pai do meu filho.

— Ele ama você. Eu vejo isso em seus olhos.

~ 116 ~
Claire olhou. Eles eram amigos, mas amor? Ela teria que pensar
sobre isso em outra hora. — Ele me ajudou muito.

— Não é da minha conta. Eu simplesmente trabalho para você.

Claire queria explicar que o pai de seu bebê poderia


esperançosamente estar chegando à ilha; no entanto, ela não sabia se
isso era verdade. Além disso, sua história era tão complicada que ela
não tinha a energia para compartilhar; em vez disso, Claire balançou a
cabeça e caminhou ao lado de Madeline enquanto ela aprendeu mais
sobre as comodidades de sua nova casa. O quarto principal também
tinha uma grande abertura, que poderia ser fechada para o alpendre.
Quando elas saíram pela cortina e olharam a vegetação florida, a visão
tirou o fôlego de Claire. O mar estava abaixo, vários tons de azul.
Olhando para a água, Claire perguntou se a profundidade influenciava
os matizes. Enquanto olhava em direção ao horizonte, as ondas
misturavam com perfeição com o céu azul de cristal. Andando mais à
luz do sol, Claire percebeu que o alpendre envolvia em torno da casa.
Era o mesmo patamar que ela tinha visto a partir da sala de estar, o
que tem a grande piscina de borda infinita, mesas com guarda-sol
cobertos, cadeiras e agrupamentos de cadeiras dispostas, tudo
perfeitamente.

Quando Claire entrou na cozinha, ela não conseguia conter o


sorriso. Eles estavam no meio do paraíso, nem mesmo um ponto na
maioria dos mapas, mas ela estava no meio de uma alta tecnologia, a
cozinha era uma obra de arte. — Wow! — Foi tudo o que conseguiu
dizer.

— Oui, a última família adorava cozinhar. O proprietário anterior


reconstruiu a cozinha, tornando ainda maior do que a original.

— Eu amo isso! Ele fez um ótimo trabalho, e você também. É


incrível, tudo!

Os olhos de Madeline transbordavam de orgulho. — Há muito


mais. Francis e eu temos uma casa também. Você pode ir ver, e há
jardins, trilhas, pomares e muito mais.

— Eu quero conhecer tudo; no entanto…

Madeline assentiu. — Oui, Madame, você teve uma longa viagem


e precisa descansar. Vou trazer um pouco de água e talvez um pouco de
fruta?

~ 117 ~
— Obrigada, isso soa maravilhoso. — Virando para voltar para
sua suíte, Claire disse, — Eu não tenho certeza de onde Phil está.

— Ele está com Francis, Madame.

— Quando ele retornar, por favor, você pode lhe mostrar um dos
outros quartos?

Madeline concordou e prometeu trazer a Claire um pouco de água


e um lanche em breve. Uma vez que Claire estava de volta em sua suíte
particular, ela decidiu investigar seu ambiente um pouco mais. O
banheiro era moderno e brilhante, com uma claraboia acima de uma
grande banheira. Havia outras duas portas que ela ainda não tinha
aberto. A primeira levou a um pequeno escritório particular.
Balançando a cabeça em aprovação, Claire sabia que faria um pequeno
berçário perfeito. Fugazmente, a lembrança do berçário em Iowa veio à
sua mente; em vez de lembrar, ela olhou para o escritório e o imaginou
preenchido com um berço e trocador, os novos pensamentos
dominaram o antigo. Suas bochechas coraram quando ela se
concentrou em seu futuro.

A próxima porta dava para um armário, apenas um pouco menor


do que o escritório/berçário. As roupas que ela tinha encomendado
encheram as gavetas e estavam penduradas nos cabides. Tirando os
saltos, Claire tocou o tecido macio dos vestidos e contemplou mudar as
suas roupas de viagem. Ela também considerou um relaxante banho de
imersão na banheira grande, ela sorriu. A realização lhe deu uma
sensação de paz que tinha desaparecido há muito tempo. Ela estava
fazendo isso, ela estava se adaptando a esse novo normal.

Sua epifania, a acolhida amigável de Madeline e Francis e o apoio


incansável de Phil, todos trabalharam juntos para trazer a felicidade de
volta para sua vida. Quando bateram em sua porta, Claire respondeu,
— Entre, Madeline.

A porta se abriu, e Phil respondeu: — Eu não sou Madeline.

Vendo as manchas douradas em seus olhos verdes, Claire pensou


sobre a avaliação de Madeline. Ela não sabia se era verdade; ela não viu
amor nos olhos de Phil, ela viu preocupação. Querendo que ele
soubesse quão feliz ela estava sobre a ilha e tudo o que ele tinha feito, a
voz dela se encheu de emoção. — Você está certo! Eu amo tudo!

Phil exalou. — Fico feliz em ouvir isso. O que você acha sobre
Francis e Madeline?

~ 118 ~
— Eu não sei ao certo, mas acho que gosto deles.

— Bom então você acha que pode ficar aqui?

Claire sorriu. — Eu acredito que sim. O que você estava fazendo


com Francis?

Phil explicou que Francis mostrou a ele o lado de fora da


propriedade. Há um barco à disposição, a qualquer momento para
Claire, ela querendo viajar para a cidade, Francis a acompanhará. Há
também acesso a um helicóptero ou avião em caso de emergências.

Claire sentou na beira da cama. — Bem, eu espero que não seja


necessário; no entanto, gostaria de agendar uma consulta com o médico
para ver se está tudo bem com o meu bebê.

— Converse com Madeline; ela pode ajudar com isso. Lembre, há


um médico de verdade na cidade.

— Eu acho que isso vai funcionar. Muito obrigada, por tudo.

Phil assentiu. ―Você é bem-vinda, Claire. Parece que meu trabalho


terminou por aqui…‖.

Seu contentamento recém-descoberto evaporou com a sua


declaração. De repente, o afastamento da ilha a enchia de angústia. —
Você está indo embora? — Ela perguntou. — Mas, eu, eu só pedi para
Madeline lhe mostrar um dos outros quartos.

— Ela o fez, e isso é ótimo, mas se você está feliz e segura, eu não
acho que eu deveria ficar.

Lágrimas oscilavam à beira dos olhos de Claire, quando ela se


levantou e perguntou: — Será que vou ser capaz de entrar em contato
com você?

— É isso que você quer?

O que ela queria? Claire sabia que ela não queria o que Phil
queria, ou, pelo menos, o que Madeline disse que ele queria; No
entanto, ela não queria que ele fosse. O jeito que ela o apresentou a
Madeline e Francis era preciso; Phil era seu amigo. Ela confiava nele, e
ela o queria por perto. Pela maior parte do ano passado ele tinha
estado. Mesmo antes de ela realmente saber, ele estava lá para
observar, a proteger constantemente em seu mundo de mudanças.
Claire piscou os olhos e as lágrimas oscilando deslizaram por suas

~ 119 ~
bochechas. — Eu quero ter pessoas ao meu redor que eu posso confiar.
Eu não sei nada sobre Madeline ou Francis, ainda não.

— Eu fiz uma verificação completa. Eles são muito transparentes,


de modo que o que você vê é o que você tem.

Claire assentiu.

— Eu tenho outro trabalho em espera.

O pescoço de Claire ficou rígido. — Entendo; você está cansado de


ser babá.

— Claire, eu pedi ao piloto para esperar. Acho que este é o melhor


momento.

— Obrigada. Obrigada por me proteger, por me trazer aqui, por


tudo — Ela queria estender a mão e o abraçar; no entanto, ela não
podia suportar ferir a mais ninguém. Se a avaliação de Madeline era
verdade, então Phil estava certo, sua saída seria melhor. — Talvez um
dia...

Ele interrompeu: — Eu vou deixar o meu número, mas lembre de


só fazer chamadas de emergência, e para manter você e o seu bebê
segurança, não entre em contato com ninguém além de mim ou do FBI.

Claire engoliu em seco e assentiu.

Antes que ela pudesse pensar em qualquer outra coisa, Phil tinha
ido embora. Uma enorme sensação de isolamento tomou conta do
quarto enquanto observava a porta fechada. Inalando profundamente,
Claire lutou contra a sensação de sufocamento, de repente, ameaçando
sua capacidade de respirar. Quando o ar finalmente encheu seus
pulmões, um soluço irrompeu profundamente de seu peito. A viagem a
partir de Veneza tinha tomado dias. Eles haviam criado uma teia
intrincada, projetada para desviar os esforços de alguém em encontrá-
los. De repente, a viagem e a partida de Phil eram demais. Claire entrou
em colapso em sua cama grande e solitária.

O ventilador de teto que moveu o pegajoso ar quente no meio da


manhã, não fez nada para lhe refrescar. Apesar do calor opressor,
Claire se enrolou no edredom macio e chorou até dormir.

Quando ela acordou, sentiu as pálpebras inchadas. Claire não


tinha certeza de quanto tempo ela dormira. O relógio ao lado da cama
marcava 03h18min, e o sol no horizonte disse a ela que não era tarde.

~ 120 ~
Esfregando as têmporas, Claire percebeu que ela precisava de comida
para ajudar a sua cabeça que estava doendo e para acalmar os nervos.

Enquanto ela se aproximava da mesa em sua porta, ela sabia que


Madeline esteve no quarto dela. Havia uma jarra de água, e uma tigela
coberta dentro de uma bacia de gelo. Levantando a tampa, o estômago
de Claire rosnou quando viu a fruta deliciosa. Ela tentou não pensar
sobre Phil ou sobre estar sozinha; em vez disso, ela comeu a fruta,
bebeu a água e falou em voz alta para o seu bebê. Talvez se ela
explicasse como tudo ia dar certo, em um ambiente calmo, com uma voz
reconfortante, então ela acreditaria nisso?

Em poucos dias, o habitual protocolo funcionários/dona da casa


foi esquecido. Claire passou horas com Madeline na cozinha
maravilhosa, aprendeu a cozinhar os alimentos que nunca tinha
tentado antes. Ela também passou um tempo com Francis, cuidando
dos jardins tropicais e árvores frutíferas.

Madeline arranjou para Claire ir visitar o médico, e Francis a


acompanhou. Viajar de barco era algo que levaria tempo para se
acostumar. Uma vez no continente, Claire amou como Francis a ajudou
se sentir acolhida e segura.

Ela estava ao mesmo tempo aliviada e feliz, ao saber que o médico


que Phil prometeu realmente existia. Ele se formou no Reino Unido e
falava inglês, bem como muitas das línguas nativas. Sua clínica era
moderna e ainda tinha um ultrassom. Claire estava agora com 26
semanas de gravidez. Desde que tinha passado mais de um mês desde a
sua última visita, o médico recomendou uma ecografia. A imagem
maravilhou Claire, tão diferente da imagem em forma de amendoim que
ela tinha mostrado para Tony. Desta vez, ela viu o perfil de seu bebê,
bem como, pequenas mãos e pés pequenos. Quando ele perguntou se
ela sabia o sexo do seu filho, Claire se lembrou da conversa que ela
nunca teve com Tony; pedir para ele ir com ela para seu próximo
ultrassom. Com lágrimas nos olhos, Claire respondeu: — Não, doutor,
eu não sei, e eu não quero saber, não ainda. — Ele voluntariamente
manteve a informação escondida.

Cada meio-dia e à noite, Claire se sentava para comer com


Madeline e Francis. A ideia de comer cada refeição sozinha era muito
difícil. Dentro de pouco tempo, as refeições era o momento do dia
favorito de Claire. Ela gostava de ver os dois interagindo, como a
expressão de Madeline absolutamente brilhava quando ela estava perto
de Francis. Eles tinham tantas histórias para compartilhar; Claire
poderia sentar e ouvir por horas. Por insistência de Madeline, cada

~ 121 ~
refeição começava com uma oração. Era um ritual que Claire não tinha
praticado desde que era jovem, e depois de tanta mudança e discórdia
em sua vida, ela achou reconfortante. Não era o que Claire imaginou
que sua vida seria, mas, pelo menos, ela se sentiu segura e aceita.
Considerando tudo o que ela suportou.

~ 122 ~
Aqueles que confiaram onde não deveriam,
certamente irão desconfiar de onde não deveriam.

- Marie Von Ebner-Eschenbach

Capítulo doze
Apesar de ter passado apenas um pouco mais de duas semanas
desde que Tony esteve com o FBI em Boston, parecia que uma vida
tinha passado. Mesmo ele não reconheceu o seu reflexo no espelho. Sua
barba e cabelo despenteado, junto com suas roupas diferentes do seu
habitual, criaram uma pessoa que Tony estava cansado de ser.
Enquanto ele estava dentro do albergue, em Genebra, ele sabia que seu
primeiro objetivo era à vista. Ele sacrificou seu conforto para manter o
dinheiro necessário para, mais uma vez, se tornar Anton Rawls. Isso
não foi o que ele planejou para sempre; no entanto, Anton foi um passo
necessário para acessar seu tesouro escondido.

O novo terno, pendurado perto de sua cama, levou mais de sua


reserva de dinheiro do que ele usou no custo de vida por duas semanas.
Isso, mais a navalha que ele tinha acabado de comprar, estavam à
espera para revelar o homem por baixo. Tony tentou, em vão, dominar
seus pensamentos e distrair sua mente. Na parte da manhã, ele
finalmente iria à instituição financeira e retomaria um estilo de vida que
estava acostumado.

Durante os últimos 17 dias, Tony tinha feito mais do que viajar.


Ele passou um tempo em cafés com internet, aprendendo tudo o que
podia. Na primeira, ele seguiu os desenvolvimentos da Rawlings
Industries. Os Vandersols continuavam a provocar a imprensa com
acusações. Com cada declaração ou nota de imprensa, o preço das
ações da Rawlings e muitas subsidiárias tomaram outro golpe. Um
artigo disse que o conselho de administração nomeou Timothy Bronson
como CEO temporário, na ausência do CEO Anthony Rawlings.

Tony não tinha certeza de como se sentia sobre essa decisão. Será
que eles realmente sentiram que ele era tão facilmente substituído?
Então, com o passar dos dias, Tony chegou à conclusão de que ele
apoiava o novo papel de Tim. Afinal, ao longo dos últimos anos, ele
tinha sido preparado exatamente para essa jogada. Não foi como Tony

~ 123 ~
planejou um desaparecimento, mas Tim tinha se mostrado promissor
desde o início. Era bom saber que ele era o homem responsável.

Uma vez que essa percepção o atingiu, Tony experimentou uma


libertação inesperada de suas obrigações comerciais. Ele poderia gastar
seu tempo assistindo a luta de seu império para sobreviver e ainda não
fazer nada, ou ele poderia passar o seu tempo aprendendo mais sobre
as observações estranhas do agente Jackson e rastrear sua família. Pela
primeira vez em sua vida a Rawlings Industries não tinha importância.

Sempre que podia, Tony pesquisou por mais informações. Nada


apareceu. Ele sabia que estavam faltando muitas peças do quebra-
cabeça.

Ele também tinha recebido duas curtas chamadas do agente


Jackson. Ele leu em algum lugar que 56 segundos de conexão eram
necessários para rastrear uma chamada. Ele não tinha certeza se isso
era verdade, mas para estar seguro, ele manteve suas conversas com
esse tempo. Compreensivelmente, o FBI queria mais; No entanto, Tony
divulgou apenas o suficiente para eles ficarem pacificados.

— Sim, eu estou na Europa. Não, eu não tenho estado em contato


com alguém nos Estados Unidos. Sim. Se eu não tivesse o maldito
celular, então você não falaria comigo agora. Adeus. — Embora ele
odiasse o monitoramento, ao pensar sobre as chamadas recebidas Tony
sorria. Cada vez que ele manteve a informação limitada e ouviu o
desdém na voz do agente Jackson, Tony sentiu como se tivesse
conseguido uma pequena vitória. Talvez fosse apenas uma mão, em um
jogo de cartas de noite inteira; No entanto, cada mão vencedora
acrescenta ao prêmio final.

A navalha raspou toda a barba e Tony trabalhou para, mais uma


vez, ser Anton Rawls. A instituição financeira era perto do hotel onde ele
tinha dormido. Embora seu corpo doesse da cama muito mole, não era
nada comparado ao caos gritando em sua mente. Depois de todos estes
dias, seu objetivo estava perto.

Durante as últimas semanas, ele tinha aprendido a utilizar o


transporte público, mas Tony sabia que não faria isto para chegar ao
banco; portanto, vestido com seu novo e melhor terno, Tony entrou no
hall de entrada de um dos hotéis cinco estrelas mais próximo e,
casualmente, pediu o café da manhã em um dos seus restaurantes
mais finos. Ninguém questionou a presença dele, ele obviamente
pertencia ao ambiente. Tony queria aproveitar a boa cozinha. Sem
dúvida, era o melhor que ele tinha comido há algum tempo, mas os

~ 124 ~
seus pensamentos sobre o cofre não permitiriam saborear o aroma ou
sabor dos ovos Benedict. Quando ele terminou, ele saiu pela porta da
frente, disse ao carregador que queria um táxi e sentou no banco
esperando. Em qualquer outro dia, teria sido uma coisa habitual para
ele fazer, mas hoje isto foi revolucionário.

Ninguém dentro da instituição financeira questionou sua


identidade. Mesmo que o tivessem visto antes, ele era o mesmo Anton
Rawls que sempre visitou a instituição, o único a acessar o cofre nos
últimos 25 anos.

Quando apresentado aos livros habituais, Tony olhou para a lista


de assinaturas. Lá estava as suas, mais precisamente, Anton Rawls
escrito repetidamente; no entanto, não foi isso que chamou a atenção
de Tony. Isso não foi o que causou o endurecimento do seu pescoço e o
firmar de sua mandíbula. As duas últimas assinaturas, diretamente
acima de onde ele estava prestes a assinar eram de Marie Rawls. A
primeira assinatura na data de: 11-09-13. Ele teve um minuto para
lembrar que nem todo o mundo datava como os americanos o faziam.
Os números que ele viu tinham um significado: décimo primeiro dia, no
nono mês do ano XIII. A segunda assinatura foi assinada dois dias
depois.

Falando um francês perfeito, Anton perguntou: — Quem é esta


pessoa? Será que alguém mais acessou o meu cofre?

O funcionário olhou intrigado, leu a assinatura, e, então, se


encaminhou para alguns documentos. Quando ele terminou, ele
timidamente respondeu: — Sim, senhor, o seu cofre pode ser acessado
por dois indivíduos, você e Marie Rawls. Parece que a mulher se
apresentou aqui, ao funcionário, com uma identificação apropriada. —
Então ele perguntou: — Sr. Rawls, há algum problema?

Tony mal podia ver. Ele não sabia o que isso significava exceto
que ele precisava ver dentro de seu cofre e verificar as suas contas.
Suas palavras curtas e cortadas revelaram o seu descontentamento
óbvio: — É melhor não ter. Eu quero ver o meu cofre imediatamente.

— Sim, senhor, eu preciso de sua chave, por favor.

Tony entregou a chave e seguiu o homem nervoso para o cofre. O


processo de inserção de ambas as chaves demorou mais do que Tony
lembrava. Ele sabia que era sua impaciência; no entanto, ele jurou que
a coisa toda estava acontecendo em câmera lenta. Uma vez que a caixa
foi removida, Tony seguiu o funcionário para uma sala privada.

~ 125 ~
— Senhor, você quer que eu fique?

— Não, saia. — Sua ordem foi mais um grunhido, enquanto seu


olhar escuro agredia o funcionário do banco. Tony não se importava; ele
queria que o homem desaparecesse. Ele precisava ver o que estava
dentro da caixa ou, mais precisamente, o que poderia estar faltando em
particular.

O empregado saiu calmamente do quarto e Tony abriu a caixa.


Em todos os anos em que ele tinha transferido e reinvestido os fundos
de Nathaniel, o conteúdo desta caixa nunca havia o tomado de
surpresa, até agora.

Em vez dos documentos habituais, Tony chegou às profundezas


do recipiente de aço e tirou um telefone celular internacional
descartável. Era muito parecido com o que ele tinha para o FBI.
Acompanhado do telefone, havia também um carregador e um envelope.

Ele não tinha certeza se suas mãos trêmulas eram de raiva ou


medo. Todo o seu plano se baseava no resgate destes fundos. Se o
dinheiro não estava aqui, onde estava? Tony voltou a pensar sobre as
datas das assinaturas: 9 e 11 de setembro. Durante esses dias,
Catherine estava em Iowa com ele. Quem mais poderia saber sobre isso?

Tony abriu o envelope de uma carta que era muito curta, e sem
assinatura:

Parabéns, você encontrou o seu caminho para esta pista.

Eu não posso ter certeza de quem vai ler esta nota, por isso eu só
posso dizer que você passou no seu primeiro teste. Parabéns — Eu
acredito que você merece uma consequência positiva.

Eu sei que você não está acostumado a ser o aluno, mas, por favor,
saiba que eu espero sinceramente que a sua experiência educacional seja
livre de falhas.

Se você é quem eu acredito que você é, tudo vai fazer sentido.

Eu não o deixei sem recursos, eu não faria isso. Eu ouvi dizer que é
uma experiência difícil ser removido da sua vida e estar à completa
disposição de outro; portanto, como sua consequência positiva, eu criei
uma conta que está disponível para você. Que pode ser acessada através
das informações abaixo.

~ 126 ~
Para continuar a sua educação, eu deixei um telefone celular. Parto
do princípio que uma palestra de instruções gerais não será necessária;
no entanto, escolha sabiamente e se lembre de todas as ações têm
consequências.

A temperatura da sala pequena aumentou com cada palavra. As


semanas de preocupação com Claire, e tudo era algum tipo de ardil, uma
espécie de jogo, uma maneira de roubar o seu dinheiro! Mas por quê? Ele
tinha dinheiro nos Estados Unidos, mais dinheiro do que ela acessou
nessas contas. Ela poderia ter tido tudo o que ela queria. Os
pensamentos vieram muito rápido. Foi por causa do dinheiro, ou foi para
derrubar ele, pela humilhação nas aparições públicas, na falha pública.
Vermelho infiltrou na sala. Pode ser que isso tenha vindo através do
zumbido baixo das luzes fluorescentes. Ele tentou parar, tentou manter
o controle. Afinal, havia uma explicação; Tony sabia que havia. Como?
Como Claire sabia sobre esta conta? Como ela poderia acessar? Ele tinha
a chave!

Inalando profundamente, Tony fechou os olhos. Sem falhas?


Consequências? Era algum tipo de piada de mau gosto? Talvez não fosse
Claire; afinal, ela contou sua história para Meredith. Tony não sabia o
quanto ela disse, inferno, ela contou sua história para os advogados em
Iowa. O FBI tinha o relatório contra ele, leu as frases de abertura. De
repente, ele desejava que ele tivesse lido mais quando ele estava com o
FBI. Talvez, apenas talvez, isso seria algo organizado pelo FBI?

Tony não tinha escolha, tinha de morder a isca e ligar o telefone.


Ele não conseguia se lembrar de alguma vez se sentir tão preso. Em seu
jogo de xadrez, ele estava em cheque figurativo; No entanto, ele não
sabia ao certo quem o colocaria lá. Tony olhou ao redor da sala,
procurando uma tomada. Encontrando uma, ele ligou no telefone.
Enquanto o pequeno dispositivo ligava, ele trabalhou na confusão em
sua cabeça.

E sobre a conta? A última vez que verificou, ele e Catherine


tinham mais de 200 milhões de dólares investidos. O salário que ele
tinha sido autorizado a manter? Vermelho se infiltrou em seus
pensamentos enquanto considerava as possibilidades. Se o fodido FBI
pensou que poderia tirar sua vida e seu dinheiro, então eles estavam
redondamente enganados. Ele chegaria ao final disto, faça chuva ou
venha o inferno, maldição, os últimos 17 dias tinham sido um inferno!

~ 127 ~
Quando a tela finalmente ligou, Tony acessou os contatos. Havia
três. O primeiro número programado não estava associado a um nome,
era um asterisco (*). O segundo era um nome: Claire. O terceiro era o
seu nome: Anthony. Ele sentiu os músculos de seu pescoço retesar. As
informações sobre o celular de Claire estavam no relatório do FBI? A
merda sobre os asteriscos? Ou foi o meio de Claire dizer que era ela? Foi
à maneira de Claire dizer, agora eu fiz isso para você, e que ele não
merecia isso? Tony sabia o que ele fez; No entanto, ele não aceitaria de
bom grado ou jogaria seus jogos malditos!

O sinal dentro da sala era muito fraco para garantir uma conexão.
Recusou a viver com medo. Se houvesse um fodido ensino a ser feito, ele
seria o professor. Deslizando o telefone no bolso de sua jaqueta, Tony
recolheu o carregador e a nota. Canalizando seu negócio por conta
própria, ele fez o seu caminho para frente do banco, para saber do
conteúdo de sua conta.

*****

Claire pensou diariamente sobre os itens que ela havia deixado na


caixa de depósito de segurança. O avião de Tony supostamente caiu há
mais de duas semanas. Ela nunca considerou a possibilidade de que ele
estava realmente ferido; No entanto, com o passar dos dias, ela sentiu a
necessidade de considerar a possibilidade. Afinal, se ele fosse capaz não
estaria em Genebra, acessando a sua fortuna?

Houve momentos em que ela temia que ele houvesse acessado a


caixa, e tivesse escolhido não ligar. Em sua mente, ela criou todos os
cenários diferentes para a sua decisão. Claire sabia que, não importa o
que, se ele decidisse ligar ou não, sua decisão não seria baseada em seu
entendimento ou não de suas pistas. Ela sabia que sem sombra de
dúvida, Anthony Rawlings era o único homem que saberia o que ela
estava dizendo.

Ele saberia o número correto para ligar; no entanto, ela precisou


cogitar a possibilidade de que ele não era a pessoa que acessou a caixa.
Se fosse esse o caso, Claire tinha um plano de saída. Ela tinha os
telefones celulares associados a cada número. O único telefone que ela
atenderia seria aquele identificado pelo asterisco. Durante seu
casamento, quando Tony finalmente permitiu que ela possuísse um
telefone celular, ele programou seus contatos, as únicas chamadas que
ela estava autorizada a receber, era dos números programados com um
~ 128 ~
asterisco antes do nome. Ninguém mais sabia sobre essa parte da sua
história; ela não tinha compartilhado com ninguém, nem mesmo em
suas memórias.

Se alguém descobrisse o cofre, seria mais do que provável que


ligariam para um dos números associados a um nome. Se isso
acontecesse, se um dos outros dois telefones tocassem, Claire decidiu
que não responderia; em vez disso, ela destruiria todos os três telefones
descartáveis internacionais e se concentraria em seu futuro.

Ela passou a manhã nos jardins com Francis. A fertilidade do


solo, combinado com o sol e chuva, rendiam produtos a Claire, que
nunca poderia ter imaginado produzir em Iowa ou Indiana. Depois de
um mergulho refrescante na piscina, banho e almoço, Claire estava
gastando sua tarde relaxando em sua cama e lendo um livro. A
tranquilidade da brisa do mar e o som das ondas a tinham em um
estado hipnótico. O cochilo de tarde estava ficando próximo conforme as
palavras de seu livro perdiam o foco e as pálpebras lutaram para
permanecerem abertas.

O toque de seu telefone internacional indetectável a fez saltar,


evaporando sua serenidade tropical. Pegou o celular correto, o que
estava ligado ao asterisco. Embora ela estivesse apreensiva sobre sua
reação inicial, ela não tinha outra opção. Claire queria atender, era
agora ou nunca. Toque… Toque…

Firmando sua voz, apesar de suas mãos trêmulas, Claire apertou


o botão RECEBER e falou: — Olá, Tony.

— Meu Deus, é você! — Conforme seu tom de voz aumentou,


imaginou seus olhos escuros e a veia pulsando em seu pescoço. Ela
reconheceu a mudança em seu tom, suas palavras vieram em um
rosnado baixo, por trás de seus dentes cerrados, — O que você fez?

Permanecendo firme, Claire falou com confiança: — Se eu


desligar, então você nunca vai ser capaz de entrar em contato comigo
novamente. A escolha é sua.

Fechando os olhos, Claire ouviu como ele lutou para manter a


compostura. Demorou alguns minutos até que ele finalmente suspirou
e disse: — Estou feliz por você estar viva. Você tem alguma ideia do
inferno que tenho atravessado? Como está… nosso… bebê?

Um sorriso irrompeu sua expressão preocupada. Com alívio, ela


respondeu: — Nosso bebê está bem.

~ 129 ~
Finalmente, ele falou de forma coerente, — Graças a Deus, — ela
não sabia se era raiva ou dor; de qualquer forma, as suas palavras
estavam atadas com emoção. — Como diabos você fez isso? Onde você
está? E onde está o meu dinheiro?

— É bom ouvir você também. Tenho certeza que você está


confuso, mas — seu tom endurecendo — Eu senti sua falta, e eu estou
contente que os relatos de sua morte prematura, eram também
exagerados.

— Claire, o que diabos está acontecendo? — Ele repetiu: — Onde


você está? E onde está o meu dinheiro?

— Eu estou aqui, e seu dinheiro está bem investido. Você vai ficar
feliz em saber que terá alguns retornos positivos inesperados no final.
Você sabe, com o aumento recente nas opções de petróleo.

— Estou muito feliz. — Ele exalou. — Onde é aqui?

— Claro, estou pensando em um investimento mais pesado em


logística. Eu li que é a onda do futuro. Manufatura tem tantas variáveis.

— Podemos renunciar a discussão sobre as opções de


investimento? Eu quero saber o que você fez.

— E eu quero a minha vida da qual fui tirada. Nós dois podemos


conseguir o que queremos?

Sua voz lembrou o negociador Anthony Rawlings; avaliar o clima e


reunir os fatos. — Você foi raptada? Ou será que você me deixou?

— Tony, você confia em mim?

— O que?

— Você confia em mim?

— Eu quero, mas você me deixou de novo. Você levou o meu


dinheiro — Seu tom de voz, mais uma vez, aumentou — Como? Como
você sabe sobre isso?

Sua determinação foi desaparecendo. Se ele desligar, depois


acabaria. Ela não queria isso. — Tony, eu cometi um erro, muitos erros.
Eu acreditei em outra pessoa, em vez de confiar em você e viver de
acordo com a nossa promessa. Eu descobri a verdade, e eu quero que
você saiba que eu confio em você, e eu sinto muito.

~ 130 ~
Tony lutou por palavras. — Outra pessoa? O que você está
falando?

— Nós dois somos filhos dos filhos… e assim é o nosso filho…

Inicialmente, ele permaneceu em silêncio. Claire perguntou se ele


estava realmente processando o significado disso. Por fim, ele
perguntou: — Como você fez isso?

— Confie em mim, e vamos passar por isso junto.

— Eu não pareço ter qualquer outra escolha.

— Na verdade, você tem, — disse Claire, quando ela olhou para o


grande anel de noivado de diamante, pendurado no cordão de ouro no
seu pescoço. Embora ela não o tivesse usado em seu dedo, ela nunca
jogou fora, ou vendeu, ou deixou que ele se afastasse dela. Ela seguiu
suas regras; no entanto, ela precisava dar um ultimato. Se não o
fizesse, então ela sempre se perguntaria se ele a queria ou o dinheiro.

— Claire, não jogue. Você não está fazendo nenhum sentido.

— Posso assegurar isto não é um jogo. Eu te dei um ultimato,


semelhante ao que você apresentou para mim anos atrás. Você pode me
deixar, com sua liberdade e uma nova identidade. Sendo a pessoa
generosa que eu sou, eu te deixei um milhão de dólares, esse valor é
muito mais do que você me deu quando nos divorciamos. — Claire
ouviu um humph exasperado do outro lado da linha. Ela esperou, mas
quando Tony não falou, ela continuou, — Isso é o suficiente para te
apoiar para o resto de sua vida. Você pode precisar cortar alguns
gastos, mas eu acredito que você vai comer regularmente, caso
contrário, você pode concordar em ficar comigo, nos meus termos, e nós
vamos trabalhar em conjunto para corrigir alguns erros. A escolha é
sua.

— Você está falando sério?

— Estou falando sério? Bem, eu sei que você foi retirado da sua
vida. Eu percebo que a sua reputação não tem sido um sucesso. Eu
também percebo que a sua empresa está sofrendo. Que você não pode,
e não vai, assumir a responsabilidade pela maior parte disso, mas
acredite em mim, eu sei o que é ter todo o seu mundo virado de cabeça
para baixo. — Ela esperou; ele não respondeu. — Eu também sei quem
fez isso com nós dois. Eu sei que desaparecer por um tempo é a nossa
melhor opção, e o mais importante, eu quero passar meu
desaparecimento com você. Você quer passar o seu comigo?

~ 131 ~
Ele exalou. — Claire, eu desistiria de tudo no mundo para estar
com você e nosso filho.

— Tony, isso não é o suficiente para mim. Quero o nosso bebê, e


eu quero nossa vida de volta. Você vai me ajudar?

Quando ele não respondeu de imediato, o coração de Claire caiu.


Ele pegaria a saída? — Tony?

— Eu quero isso tudo também. O que quer dizer, seus termos?


Quem fez o que para nós? E quem te disse sobre o dinheiro?

— Realmente, Tony? Quantas pessoas sabiam sobre isso?


Quantas pessoas que nós conhecemos que nos consideraria, ambos, os
filhos dos filhos?

Claire esperou, enquanto as lágrimas, mais uma vez, cobriram


suas bochechas. Ele deveria compreender perdoar e confiar, é o cenário
que ela tinha imaginado. Isso era o que ela planejava. Incapaz de conter
o som de seus gritos em sua mente, Claire tomou uma respiração
irregular e deitou na cama. Enquanto esperava que Tony a respondesse,
sentiu a criança se movendo dentro dela.

Quando ela, mais uma vez, ouviu a voz dele, ela imediatamente
soube que não era o tom que ela esperava. — Você e nosso bebê estão
seguros?

Ela conseguiu dizer: — Sim.

— Claire, se eu ligar para este número de novo, você vai atender?

Sua cabeça balançou, mas seus lábios não comunicaram a


mesma mensagem. Maldito seja! Será que ele não entende que ela esteve
no inferno também? — Você está dizendo que você não quer ficar com a
gente?

— Não, — ele baixou a voz — Você não entende o que eu passei.

Ela apertou o anel na corrente dourada. — Tony, não foi fácil para
mim. Eu preciso de você, precisamos de você. — Foi uma admissão
maior do que queria fazer, mas de alguma forma ela o queria fazer
entender.

Ele repetiu: — Você vai atender?

Claire sabia que ele não gostava de se repetir. Enxugando os


olhos com as costas da mão, ela disse: — Tudo o que eu queria de você
era um simples sim. Foi tão difícil?

~ 132 ~
— Você vai atender?

Ela não podia mentir; Então, novamente, ela não poderia ser
verdadeira. Naquele momento, Claire não tinha certeza de que ela faria.
— Eu não sei Tony. Você vai ligar?

— Eu não sei.

A linha ficou muda…

~ 133 ~
Para cada boa razão para mentir, há uma razão
melhor para dizer a verdade.

- Bo Bennett

Capítulo treze
O agente Harrison Baldwin se estabelecera em seu quarto de
hotel em Zurique, Suíça. Fazia duas semanas desde que Claire e Phillip
Roach deixaram Veneza. Baldwin não estava fazendo pontos com a
agência. Eles definitivamente não estavam felizes em terem seguido um
casal italiano desconhecido do Hotel Danieli. Embora, felizmente, isso
passou despercebido pela embaixada italiana, SAC² Williams não
hesitou na bronca longa em Baldwin, por sua tentativa fracassada.
Talvez Baldwin tivesse ficado infiltrado por muito tempo. Sem soar
pretensioso, Baldwin realmente acreditava que seu dispositivo de
rastreamento o levaria ao próximo destino de Claire. Honestamente, ele
tinha subestimado Phillip Roach.

A agência tinha agentes em toda a Europa em busca de Rawlings.


Baldwin realmente não sabia onde ele estaria. Cada vez que Rawlings
atendeu uma chamada da agência, ele desligou antes que sua
localização pudesse ser confirmada. A única razão pela qual Baldwin
estava sentado na Suíça foi por causa de rumores. Não foi pela alta
tecnologia do FBI em sondagem. Não, eram horas de pesquisa, beber
quantidades incalculáveis de café e ler artigo após artigo. A fofoca que o
levou a Zurich foi realmente a partir de uma pesquisa de Claire. Havia
rumores de que Nathaniel Rawls escondeu dinheiro no exterior. Embora
ignorado por pessoas que o conheciam e nunca confirmado, Harry
ponderou que Rawlings não teria voluntariamente se afastado de sua
vida e concordado com a remuneração miserável do FBI, ele tinha mais
dinheiro para acesso. O senso comum lhe disse que a Suíça era o lugar
onde se poderia esconder dinheiro. É claro que havia outras opções.
Atualmente, mais americanos provavelmente usavam as Ilhas Cayman
ou Bahamas; no entanto, Baldwin se lembrou de que esses fundos
foram originalmente escondidos por Rawls na década de 1980.

Harry queria e precisava provar ao FBI que Rawlings era


responsável por vários crimes não resolvidos. Na verdade, eles não
estavam se concentrando no assassinato de um agente do FBI, um em

~ 134 ~
uma provável série de assassinatos. Baldwin passou os dedos pelo
cabelo loiro, indisciplinado. Por que Claire não conseguia entender que
Rawlings não era apenas um monstro que abusou dela, o homem era
essencialmente um serial killer? Ele tentou pensar sobre o caso e não se
lembrar de seus olhos verdes. Ele sabia que estragou tudo em sua
última conversa. Na verdade, ele não a queria chamar de idiota, ela
estava muito disposta a confiar em Rawlings. Baldwin prometeu que ele
pararia Rawlings antes que ele pudesse machucar Claire novamente.

Harry decidiu começar do início. Utilizando bancos de dados do


departamento, ele trabalhou para identificar uma lista de pessoas que
morreram com a confirmação de Actaea Pachypoda em seu sistema.
Nem todos os indivíduos na lista gerada poderiam estar conectados a
Rawlings ou Rawls; no entanto, o número que pode ser conectado,
mesmo com uma possível conexão, foi demasiado alto para permitir a
coincidência. O primeiro caso documentado, a causa de toda essa
investigação, foi do agente Sherman Nichols. A causa de sua morte, em
1997, foi declarada publicamente como causas naturais. Agente Nichols
tinha setenta e três anos, com um histórico de pressão alta; No entanto,
como um agente federal aposentado, uma autópsia completa era
necessária. Os trabalhadores de toxicologia levaram tempo. Quando
marcadores não identificados foram encontrados, levou mais tempo.
Para a família do agente Nichols e do público, a causa original da morte
foi confirmada. Para o departamento, o caso permaneceu aberto.

Actaea pachypoda6 foi identificada posteriormente durante uma


autópsia em 1989, pela instituição correcional federal de segurança
mínima, Camp Gabriels, no estado de Nova York. O nome do detento:
Nathaniel Rawls; novamente, levaram tempo.

A resposta simples foi insuficiência cardíaca. Isso é o que o SAC


Williams disse; Actaea pachypoda teve um efeito sedativo sobre o tecido
do músculo cardíaco, causando parada cardíaca. Baldwin se perguntou
por que Rawlings quereria matar seu próprio avô. Digitou uma nota, ele
queria pesquisar os visitantes na instituição correcional Camp Gabriels.
Sendo uma prisão de segurança mínima, os visitantes iam e vinham
com regularidade.

6 Actaea, comumente chamado baneberry ou bugbane, é um gênero de plantas com


flores que pertencem à família Ranunculaceae, nativo de regiões temperadas do
Hemisfério Norte. Baneberry contém cardiogênicos toxinas que podem ter um efeito
sedativo imediato no músculo cardíaco humano. As bagas são a parte mais venenosa
da planta (daí o nome baneberry). As crianças têm sido envenenadas por comer a
cera, brilhante bagas vermelhas ou brancas. Ingestão das bagas pode levar a parada
cardíaca e morte.

~ 135 ~
O maior problema com a busca de Harry, mesmo com a ajuda do
banco de dados federal, foi que Actaea pachypoda não era comumente
procurado em exames toxicológicos. Na verdade, uma busca de todas as
mortes relacionadas com problemas cardíacos deveria ser efetuada; no
entanto, produziria uma lista enorme de possíveis vítimas. Mesmo
Harry teve que admitir que Rawlings provavelmente não fosse o
responsável por cada pessoa que morreu relacionada com problemas
cardíacos; No entanto, se Baldwin incluir os pais de Rawlings, seu avô,
e o agente Nichols, foram quatro mortes em um período relativamente
curto de tempo. Na Forensics 1017, isso se encaixaria na definição de
um assassino em série, e em seguida, adicione Simon Johnson, e a
matança não tinha parado.

Harry compilou os históricos de saúde completos em toda a sua


lista de potenciais vítimas. Nem todos se encaixam no perfil de possível
doença cardíaca, assim como o agente Nichols e Nathaniel Rawls.
Simon, por exemplo, era muito saudável. As únicas indicações
encontradas em registros de saúde foram: alergias de sulfamidas e
penicilina, bem como a sensibilidade ao anti-histamínico H1. Se sua
morte tinha sido planejada para serem devido a causas naturais, as
bandeiras vermelhas teriam finalmente voado. Felizmente para
Rawlings, o corpo de Simon foi muito mal queimado no acidente. Harry
tinha solicitado uma nova triagem toxicológica de amostras de tecido
recuperadas no momento do acidente, mas isso levaria tempo.

Harry estava prestes a iniciar uma pesquisa, estado por estado,


de registros de médicos legistas, procurando especificamente por Actaea
pachypoda, quando seu telefone tocou.

Ele respondeu: — Olá?

A voz do outro lado esperando ação. — Agente Baldwin, Rawlings


foi flagrado deixando um banco bem conhecido em Genebra. De acordo
com o agente, ele não está tentando se disfarçar.

Baldwin queria dizer: — Arrogante filho da puta; ao invés, ele


disse — Eu posso estar lá em menos de uma hora, senhor.

— A agência tem um plano pronto. Esteja lá, pra ontem.

— Sim, senhor.

7Forensics 101 – Serie de TV que apresenta crimes em serie e de difícil solução no


Canal CBS News.

~ 136 ~
— Agente, enquanto você está voando para Genebra, você pode
rever a sua tarefa. Eu gostaria de assumir que você não falhe; no
entanto, nós dois sabemos o que acontece quando nós assumimos.

— Sim, senhor. Eu não vou falhar.

Sua pesquisa precisava esperar.

*****

Estabelecido em uma suíte no Grand Hotel Kempinski, Tony bebe


calmamente dois dedos de Glen Garioch melhor Bourbon que já tinha
experimentado. Havia muitos pensamentos girando em sua mente, para
pensar em alguém em particular. Uma coisa ele tinha certeza, ele teve o
suficiente da vida comum. Um milhão de dólares não era muito, mas ia
lhe sustentar até que o FBI chegasse a ele. Ele não se importava mais,
que o inferno? As ameaças enigmáticas do Agente Jackson precisavam
de confirmação. Da forma como Tony viu, a agência fodida precisava
apostar mais ou sair do jogo maldito!

Tony tinha ficado no Kempinski antes, e decidiu que, devido ao


seu tamanho e reputação de excelência, ele ficaria lá novamente. Ele
raciocinou que um empresário gastando dinheiro, aproveitando o que a
vida pode oferecer, se perderia no meio da multidão. Anonimato, além
de modernidade, linhas de decoração limpas e opulência, eram
exatamente o que Tony queria e precisava no momento. Ele poderia
passar alguns dias em sua suíte, absorvendo o cheiro de albergues e
estar de acordo com sua pele, enquanto ele bebia os pensamentos de
Claire o deixando e roubando o dinheiro não saia de sua cabeça.
Parecia a combinação perfeita.

Mais dois dedos de Bourbon e ele só seguiria até um dos clubes,


inferno, ele não tinha transado com outra mulher desde antes de ele e
Claire se casarem, nem mesmo quando ela estava na prisão. Ele saiu
em encontros e fez aparições; isso é que era Anthony Rawlings; no
entanto, o seu coração não estava nisso. Ele sempre foi educado e
gentil, mesmo quando avanços foram feitos sobre ele. Não é que ele não
tem necessidades. Foi porque, durante os momentos em que seus lábios
se tocaram com outra mulher, ele fechou os olhos, e tudo o que ele viu
foi a esmeralda cintilante que ele queria ter em seus braços. Quando ele
abria os olhos e a visão diante dele não era o que ele realmente
desejava, o resto de seu corpo não estava interessado em prosseguir.

~ 137 ~
Embora houvesse muitas mulheres dispostas em ajudar a sua situação,
Tony não estava interessado.

Claro, isso não significa que Claire havia lhe proporcionado à


mesma exclusividade. Na condição atual de Tony, que estava em algum
lugar que não deveria ir. Um pensamento abriu as comportas para
muito mais, ela o teria deixado para ficar com outra pessoa? Ela estava
com alguém agora? Havia sempre aquele pensamento que se infiltrava
periodicamente nos seus pensamentos, e se o bebê não fosse dele?
Reorientando para a sua conversa, onde diabo era aqui? Que tipo de
resposta foi essa?

Tony riu quando ele serviu a sua terceira taça. Porra, se ele não
fosse tão refinado, então ele ia beber a merda da garrafa. Ele pode ainda
usar o mesmo nome que o homem em albergues, mas ele não era
aquele homem. Ele bebe como homens culturalmente enganados fazem
somente em uma taça.

Ele definitivamente tinha mais perguntas, que rodavam em sua


cabeça, do que respostas. Tony pensou novamente na pesquisa que ele
tentou fazer. Havia muitas peças deste quebra-cabeça que ainda
estavam faltando.

Caindo para trás em uma cadeira e olhando para o céu


crepuscular acima do lago de Genebra, Tony reconheceu que o FBI
estava certo. Claire foi embora por sua própria vontade, livre-arbítrio!

Levemente esmaecido pelo ataque da bebida de noventa e seis


anos, os pensamentos de Tony estavam se formando mais lentamente;
no entanto, as palavras de Claire estavam voltando, realmente,
Realmente Tony? Quantas pessoas sabiam sobre isso? Quanta pessoa
nos consideraria, ambos, os filhos dos filhos? Ele sabia a resposta na
boca do seu estômago. A cada segundo, a verdade queimava dentro
dele, Catherine sabia, sabia que ambos eram filhos dos filhos. Catherine
sabia sobre o dinheiro de Nathaniel. Catherine sabia como acessar o
dinheiro do Nathaniel. Catherine sabia!

Pegando o telefone mais próximo, Tony quase derramou sua


bebida. Quando ele se firmou, pensou no número de Catherine, não,
dela, não, dele! A ideia de que ele poderia ligar para sua casa e que ela
estaria lá, alimentou a raiva correndo por ele. Assim, conforme ele
considerava digitar o número, com o telefone na palma da sua mão, ele
tocou.

Ele quase deixou cair!

~ 138 ~
Com um leve insulto ao seu discurso, Tony respondeu: — Olá,
Agente Jackson, como você está nesta bela noite? — O silêncio
momentâneo fez Tony rir. — Qual é o problema, agente? O gato comeu a
sua língua?

— Sr. Rawlings, recebemos informações de que você está fazendo-


se visível.

— Oh, você vê, isso não é verdade. Não, ninguém pode me ver
agora —Tony esquadrinhou os cantos da sala por sinais de câmeras —
ou, pode? — Ele levantou a mão livre para um aceno — Você pode me
ver?

— Não, Sr. Rawlings, eu não posso o ver; no entanto, você foi


visto.

— Bem, é isso mesmo? Eu não estou usando meu nome real.

— Sr. Rawlings, nós gostaríamos que você se encontrasse com um


agente de campo. Ele vai te instruir sobre as melhores formas de ficar
escondido.

— Eu não acho que eu estou tendo mais aprendizagem hoje. Você


vê, eu já tive uma lição ou duas, então eu estou realmente passando
todo o sistema educacional neste momento.

— Isso não foi um pedido. Você vai ficar no Kempinski; nosso


agente o encontrara em 15 minutos no Mulligan perto da estação de
trem.

Tony olhou para o relógio. — Eu vou ter que passar. Você vê, eu
tinha serviço de quarto em mente.

— Mulligan em quinze minutos. — A linha ficou muda. No canto


da tela, o tempo de 02h24min, disse, então, que eles foram finalmente
capazes de rastrear uma chamada, não importava. Eles já sabiam onde
ele estava hospedado.

Tony fez o seu caminho para o banheiro, jogou água no rosto, e


ajeitou a gravata. Se ele era esperado para se encontrar com um idiota
do FBI, então ele tinha, pelo menos, que fazer com dignidade.

*****

~ 139 ~
Phil assistiu Tony deixar o Kempinski. Se era para Rawlings estar
escondido, Phil não achou que ele estava fazendo um trabalho muito
bom. Seu comportamento, exibido, e a aura toda gritou Anthony
Rawlings. Realmente não importa o nome que ele escolheu usar,
ninguém que o conhecia o confundiria com outra pessoa, inferno, Phil
era bom, mas qualquer um poderia ter encontrado ele.

A partir do momento em que Phil deixou Claire na ilha, ele tinha


vigiado o banco. Ela disse a ele o nome da instituição onde ela garantiu
sua nova fortuna. Só fez sentido que, mais cedo ou mais tarde,
Rawlings apareceria no mesmo lugar. Claire nunca lhe disse o que ela
tinha deixado para Rawlings na caixa de depósito de segurança, mas o
que quer que fosse Rawlings não pareceu feliz com isso quando ele
deixou o banco. Ele mal parecia um homem que tinha acabado de
acessar seus milhões escondidos.

Sinalizando para um táxi, Phil instruiu o motorista a seguir o táxi


à frente. Pode não ter sido o melhor trabalho de detetive que ele já tinha
feito, mas não se tratava de aprendizagem. Phil não queria saber mais
nada sobre Anthony Rawlings além do que ele já sabia. Sendo honesto,
ele sabia mais do que ele queria saber. Phil tinha algo que ele queria
dizer a Rawlings.

O taxi com Rawlings se dirigiu até uma pequena taberna,


Mulligan, não muito longe da estação de trem. Mais uma vez, Phil
perguntou o que Rawlings estava pensando. Isso era muito público para
alguém que estava supostamente desaparecido. Quando Phil entrou na
taberna, levou todo o seu autocontrole para não parar e se embasbacar
com a cena que se desenrolava à sua frente. Mesmo Rawlings parecia
desnorteado, enquanto tentava compreender a realidade. Harrison
Baldwin estava se reunindo a Rawlings em uma cabine no meio do
salão. Sim, havia outros clientes, sons de fala, música, cadeiras se
movendo, mas quando Phil entrou em um canto escuro, nada disso era
registrado. Era como um filme, onde o resto da sala se transforma em
flocos. Tudo que Phil podia assistir eram os dois homens que estavam
peito a peito. Se estivéssemos no faroeste, então as suas mãos estariam
sobre os revólveres.

Quando Rawlings deixou o hotel, ele não parecia feliz. Infeliz era
um eufemismo para descrever seu comportamento atual. Phil não podia
ouvir a conversa, mas ele podia sentir as ondas de tensão irradiando de
seu encontro. Por um segundo, quando Baldwin tirou o crachá, Phil
teve medo que Rawlings abateria ele. Não era medo verdadeiro, na

~ 140 ~
realidade, Phil teria gostado do show; no entanto, pelo amor de Claire,
era algo que não deveria acontecer, pelo menos, não em público.

Phil queria ouvir o que eles estavam dizendo; no entanto, resvalar


para o estande vizinho não acrescentaria calor em seu reencontro. Se
Phil tivesse que confiar em sua própria intuição, esta reunião tinha
pegado Rawlings de surpresa. Phil se perguntou com quem Rawlings
achava que ele iria se reunir. Balançando a cabeça, ele avaliou, se isso
foi criado pelo FBI, parecia uma merda.

Phil pediu uma cerveja e continuou a assistir. Nenhum dos


homens na cabine do outro lado da sala fez um pedido quando a
garçonete se aproximou. Embora se sentassem calmamente, uma aura
de descontentamento caiu como uma nuvem ao redor deles. Phil não
achava que era sua imaginação ou o fato de que ele sabia a origem
disso. Até mesmo estranhos foram em direção ao canto do bar. Apesar
de suas vozes muito baixas, sua linguagem corporal sugeriu uma
discussão acalorada. Baldwin estava falando, e Rawlings não estava
interessado; no entanto, quando Baldwin pegou seu celular e mostrou
algo para Rawlings, Phil pensou ter visto faíscas virtuais voar. O dedo
de Rawlings apontou para Baldwin e mudou para enfatizar cada
palavra, apontando para o celular. Sem aviso, Rawlings se levantou e foi
em direção à porta.

Phil observava para ver se Baldwin iria atrás dele. Quando ele não
o fez, Phil colocou alguns euros em cima da mesa e deslizou para fora
depois de Rawlings. Enquanto observava a parada de um táxi e
Rawlings começava a entrar, Phil soltou um suspiro e disse a si mesmo,
isto é por Claire.

No segundo seguinte, Phil alcançou a maçaneta da porta do táxi.


Quando abriu, ele deslizou para o assento ao lado de Rawlings.

— Desculpe, este táxi está — as palavras de Tony, em francês,


pararam quando seus olhos se encontraram. É compreensível que ele
não reconheceu Phil imediatamente; afinal de contas, eles só se
encontraram algumas vezes em pessoa. A maioria de sua
correspondência tinha sido através de e-mail e mensagem de texto, mas
quando Rawlings percebeu quem tinha acabado de entrar seu táxi, seus
olhos escureceram e ele rosnou: — Mas que diabos?

Também em francês, Phil respondeu: — Eu gostaria de te tratar


pelo nome — Phil moveu seus olhos para o motorista, — no entanto,
não tenho certeza qual é.

~ 141 ~
— Collins, — Rawlings disse, conforme ele exalou e colocou a
cabeça contra o assento.

— Monsieur Collins, tenho certeza que você vai querer me ouvir.

— Este dia fodido nunca vai acabar não é?

O taxista olhou para Tony e perguntou se estava tudo bem. Tony


balançou a cabeça e respondeu: — Oui, ao meu hotel. — Então, em voz
baixa, ele continuou a conversa, — Monsieur, eu suponho que você
estará me acompanhando?

Phil assentiu. — Sim, senhor.

~ 142 ~
Um pouco mais de persistência, um pouco mais
de esforço, e o que parecia impossível pode se
transformar de fracasso para glorioso sucesso.

- Elbert Hubbard

Capítulo catorze
Cada dia era um pouco melhor do que o último. Claire apenas se
permitiu chorar ou reconhecer sua solidão quando ela estava sozinha
em sua suíte. Isso não era compartilhado com ninguém, ela aceitou o
seu destino. Essas não eram as cartas que ela tinha imaginado; Não,
elas eram as que ela havia desenhado.

Ela argumentou que Madeline e Francis não deveriam ser


sobrecarregados com a sua tristeza, e seu filho não precisa
experimentar a angústia vinda de sua mãe o tempo todo. Claire
manteve a tristeza definida, e o resto do tempo, ela intimidou a sua
passagem. Finja é seu novo mantra, finja até que se torne sua nova vida.

A coisa estranha que surpreendeu Claire era que conforme ela


blefou uma felicidade fingida, os prazeres reais de atividades do dia a
dia infiltraram em sua vida. Uma tarde, enquanto estava na cozinha
com Madeline e, sem fingimento, Claire ouviu sua própria risada. O som
leve, estrangeiro, e caprichoso a surpreendeu mais do que ninguém.
Fazia muito tempo desde que ela tinha realmente rido, que ela quase
não se reconheceu.

Na tarde depois que ela e Tony se falaram, ela estava deitada em


sua cama, o telefone na mão, pelo que pareceram horas. Seu plano foi
bem pensado e bem desenhado; No entanto, ele desligou. A dor de sua
decisão e sua situação era quase física. Ela tinha experimentado dor
física antes, e isso foi igualmente imobilizante. Se não fosse pela criança
dentro dela, Claire poderia ter escolhido permanecer para sempre nessa
grande cama; no entanto, conforme a vida dentro dela mudou e
cresceu, ela sabia que ela também tinha que continuar.

As marés continuaram subindo e o sol ainda estava definido.


Madeline e Francis ainda faziam o que tinha que ser feito. Claire teve
que tomar uma decisão; ela queria centrar a sua vida na espera de sua
chamada ou seguir em frente? Não era um desejo, era uma

~ 143 ~
necessidade. Claire precisava de um encerramento. Com uma força que
ela não sabia que possuía, ela desligou o telefone no qual Tony ligou,
reuniu os cabos, e colocou todos os telefones associados com o cofre em
um recipiente. Ela não o prenderia, e ela não o conseguiu convencer,
tudo que Claire podia fazer era seguir em frente.

Quando a sua realidade finalmente a atingiu, Claire percebeu que


ela estava enfrentando seu maior medo, Catherine tinha vencido. Não
importava que Claire soubesse a verdade, ou que ela a disse a Tony.
Tudo o que importava eram as consequências de sua traição. Em uma
noite quente em junho, ela e Tony, em um campo aberto, prometeram
confiar um no outro. Mesmo na época, Claire sabia que era uma
promessa difícil para Tony; No entanto, eles fizeram um juramento. Não
foi dito na frente de familiares e amigos, mas era um juramento.
Embora algumas das promessas de Tony ao longo dos anos foram feitas
por razões erradas, ele mostrou a Claire mais de uma vez que ele era
um homem de palavra.

Naquela mesma noite, Tony perguntou a Claire, se ela tinha medo


dele. Claire respondeu: De você pessoalmente, não mais. Houve um
tempo, mas eu mudei, e você mudou. Não, eu não tenho. Se ao menos ela
tivesse focado nisso, em suas promessas.

Todas as promessas de suportar testes. Estes testes raramente


foram planejados, mas aconteceram. Catherine planejou o teste de
Claire, aparentemente usando a experiência de Claire, seu medo e seu
instinto maternal contra ela. No teste, Claire ficou ferida, Tony ficou
ferido e, em última instância, seu filho foi ferido, todos os filhos dos
filhos. Realmente, foi uma vitória impressionante por parte de
Catherine. Ela poderia viver com esse prêmio por um longo tempo.

Foi poucos dias depois de sua conversa, que Claire viu a ironia.
Neste estranho mundo de vingança, Claire fez o que Tony disse que
Nathaniel tinha feito, Claire havia confiado nas pessoas erradas. Ela
não poderia pegar isso de volta. Ela não tinha somente confiado nas
pessoas erradas, ela afastou os que realmente se importavam. Quer
fosse Emily, John, ou Phil, eles foram todos embora, e Claire sabia que
ela tinha feito isso.

Quando ela se sentou para comer, Francis segurou uma de suas


mãos e Madeline outra, as palavras de Francis falaram a uma entidade
que Claire se lembrava da infância. Não que ela não acreditava, ela
acredita. Era que ela não tinha certeza de que ela merecia as bênçãos
que Francis descrevia. Um dia, nos jardins, Francis disse a Claire sobre
sua jornada pessoal. Ele não era apenas um crente, mas ordenado.

~ 144 ~
Cada dia e cada refeição abriu a mente de Claire um pouco mais.
Antes que ela percebesse, Claire estava conversando com Deus
também. Não, não era audível, mas foi reconfortante. Ela não pediu
nada. Não havia mais nada que ela quisesse. Ela fez promessas,
prometeu se concentrar em seus novos amigos, seu filho e seu bem-
estar. Quanto mais ela falava, mais ouvia. As respostas não eram
palavras, era paz. Claire não sabia como daria certo, mas de alguma
forma, ela acreditava que daria. De certa forma, era como estar com
Tony; ela voluntariamente entregou o controle de sua vida.

*****

Tony respirou fundo. Embora o mar multicolorido abaixo dele o


lembrasse de sua lua de mel, a tensão no pescoço e ombros era algo
completamente diferente. Não era segredo; Anthony Rawlings não gosta
ou queria ficar em dívida com ninguém. Na verdade, ele poderia contar
o número de pessoas que, por um lado, além de si mesmo, mereciam
crédito por qualquer coisa em sua vida. Infelizmente, essa pequena lista
o levou de volta à sua infância; No entanto, alguém que já não era
obrigado a ele, de alguma forma, pode ter mudado sua vida para
sempre. O júri ainda estava fora. Conforme o pequeno avião continuou
em direção a uma misteriosa ilha, Tony fechou os olhos e se lembrou
dos acontecimentos da noite passada.

Ele apostou tudo no dinheiro em suas contas. Algo pairando em


torno de 200 milhões, as possibilidades para este dinheiro eram
ilimitadas. Seu mundo começou a rachar e desabar quando ele assinou
o livro contábil. Tony sabia, sem dúvida, Catherine não tinha viajado
para a Suíça e acessado suas contas. Ela não tinha roubado o dinheiro
de Tony debaixo dele; No entanto, no livro, e em duas ocasiões
distintas, ele viu a assinatura, C. Marie Rawls.

Quando ele ouviu a voz de Claire, o mundo de Tony explodiu, o


alívio foi instantâneo. Claire estava viva! O seu filho estava a salvo! Ele
quase teve uma vertigem, que ele nunca tinha experimentado; Então, de
repente, a sensação evaporou e o vermelho saturou a sua felicidade. Já
não estava mais pensando sobre a segurança de Claire, que estava
aparentemente assegurada. Agora, o óbvio dominava seus
pensamentos, Claire voluntariamente o abandonou e roubou seu
dinheiro.

~ 145 ~
Enquanto ela falava, ele ouviu as memórias de suas declarações.
Ao longo dos anos, Claire tinha lhe dito repetidamente que seu dinheiro
não importa, mas de alguma forma, ele estava parado na rua, em
Genebra, na Suíça, com menos de cerca de 199 milhões de dólares.
Claire brincou com algo sobre o crescimento de seus investimentos. O
único investimento maldito que ela precisava crescer estava dentro dela.
Não! Lembrou, ela tinha roubado isso também.

A acusação de Claire não fazia sentido. Quem saberia que ambos


eram filhos de filhos? A única pessoa era Catherine, e Tony e Catherine
estavam juntos e seria para sempre. Não era como se eles estivessem
juntos; no entanto, eles sempre estiveram lá um para o outro. Ele se
lembrou de a pegar quando ela caiu da escada, ajudando após o
incidente, ou melhor, acidente com seus pais, e garantir sua liberdade
com pagamentos anuais para Patrick Chester.

Não tinha tudo sido unilateral. Catherine tinha ajudado Tony


também. Após o acidente de Claire, Catherine foi quem o convenceu a
não chamar a polícia. Ela inventou a história que mais tarde se tornou
sua declaração. Ela ajudou com Claire, especialmente quando ele a
levou para a propriedade. Catherine lhe ensinou lições que Claire
precisava saber. Tony sabia que ele amava Claire, mas ele também
sabia que não podia abandonar Catherine, não depois de tudo o que
tinha passado.

Anthony Rawlings era um empresário. Ele olhou objetivamente


para as informações e analisou os livros. Quando comparadas as duas
colunas, ele, infelizmente, viu mais contras do lado de Claire. Catherine
tinha sido a sua rocha, e a conexão mais importante de Tony com
Nathaniel, no tempo em que ele podia se lembrar.

Em seguida, houve a reunião organizada! O agente Jackson


queria Tony no Mulligan. Da perspectiva de Tony, foi ridículo. Se o FBI
sabia onde ele estava, então por que não ir até ele? Não, eles deveriam
se reunir em um lugar público.

Até mesmo removendo esses dias, as memórias alimentaram a


raiva de Tony. O agente Baldwin, agente! Harrison Baldwin era um
agente do FBI?!

Por quê? E como? E quando? Foi antes ou depois de ele estar com
Claire?

Depois do choque inicial, Baldwin convenceu Tony a se sentar.


Foi então que Baldwin começou um discurso sobre plantas. Baldwin
perguntou sobre o conhecimento de Tony em relação a plantas. Embora
~ 146 ~
algumas respostas espertinhas vieram à sua mente, Tony honestamente
respondeu: — Nada. Eu não sei nada sobre plantas; bem, fora o que eu
aprendi com Claire.

Foi após a menção do nome de Claire que Baldwin abriu um


sorriso doentio no rosto. — Então, Rawlings, como está Claire?

— Eu não a vejo há algum tempo. Você sabe disso. Eu te liguei


primeiramente quando ela desapareceu.

— Desaparecida? Eu acho que ela está… dependendo de para


quem você perguntar.

A paciência de Tony se esgotou com a ligação com Claire, não


sobrou nada. — Que diabos você quer dizer?

— Bem, como uma questão de fato, apenas no outro dia —


Baldwin ofereceu seu telefone, virando a tela na direção de Tony — Eu
estava em Veneza, e ela estava em Veneza… você pode ver, ela está
bem. Oh, ela está disfarçada, — ele baixou a voz — Eu acredito que é
porque ela está se escondendo de alguma ameaça alguém
possivelmente, mas se você olhar de perto, você pode ter a certeza de
dizer que é ela.

Tony olhou para a foto, Claire e Baldwin com as mãos


entrelaçadas. Tony não sabia mais o que foi dito. O resto da conversa
desapareceu por trás de uma onda de raiva. Em retrospectiva, foi uma
coisa boa que Baldwin mostrou a sua credencial do FBI. Se ele não
tivesse, Tony poderia ter sido capaz de adicionar lesão corporal a um
agente federal em seu currículo. Antes de Tony sair do pub, ele se virou
para Baldwin e perguntou: — Uma pergunta, idiota, Claire seria algum
tipo de informante ou uma atribuição?

Foi o primeiro sinal de emoção verdadeira que Tony viu no rosto


de Baldwin, quando ele respondeu: — No começo ela era, mas se tornou
mais.

Saindo, Tony contemplava a sua pergunta e a resposta de


Baldwin. Apesar de Tony o querer levar para fora e perguntar se Claire
sabia que ela começou como um projeto do FBI, enquanto se
acomodava no táxi, Tony percebeu, ele não era melhor que Baldwin. O
relacionamento que começou com Claire não era para ser pessoal;
então, no meio de sua epifania, a porta do táxi se abriu. Tony começou
a falar, para pedir ao homem para sair, quando, de repente, Tony
reconheceu Phillip Roach, o detetive particular que ele tinha demitido; o
único que não conseguiu proteger Claire.

~ 147 ~
Educação sempre foi importante para Tony. Ele terminou seu
bacharelado e mestrado com distinção. Sempre que possível, ele leu,
pesquisou, e adquiriu conhecimento; No entanto, nas últimas 12 horas
lhe tinham sido dito, por três pessoas diferentes, que havia informações
que ele precisava aprender. Até o momento em que Roach entrou em
seu táxi, a receptividade de Tony deixou de existir.

Depois que eles entraram na suíte de Tony, Roach contou uma


história. Se Tony não tivesse sido um dos principais jogadores, então ele
teria pensado que o homem era louco, mas cada data de cada caso e
cada detalhe foi verificável na mente de Tony. Tony tinha uma incrível
capacidade de lembrar datas, nomes e conversas. De alguma forma,
através da história de Roach, tudo o que sabia e acreditava assumiu um
novo significado.

Roach explicou que ele foi o único a enviar os presentes e cartas


para o bebê Rawls-Nichols. Ele era o único que propositadamente violou
a segurança da propriedade e tentou jogar Clay fora da estrada. Ele
enfatizou que em nenhuma ocasião Claire estava em perigo. Foi tudo
um truque para criar medo e desconfiança.

Quando Tony perguntou por que, a resposta de Roach era


simples.

— Foi um trabalho, a Sra. London me contratou. — A história do


laptop fez o estômago de Tony revirar. Ele não podia acreditar que tinha
estado em seu próprio closet.

Sim, Claire deveria ter esperado e falado com ele, mas ouvir isso
de Roach, vendo sob essa nova perspectiva, o coração de Tony quebrou
pela mulher que amava. Ele entendeu que Claire estava assustada
demais para esperar. Doía que naquele momento, ela estava com medo
dele; no entanto, é assim que deveria ser como Catherine planejou.
Roach também explicou que Claire defendeu Tony para Evergreen e
Baldwin. Ele também mencionou como Baldwin a pegou desprevenida.

Tomando o seu tempo para ouvir e considerar a linha do tempo,


Tony entendeu o raciocínio de Claire e justificou seu medo. Foi então
que se lembrou do telefonema e reavaliou suas palavras: Tony, eu
cometi um erro, muitos erros. Eu acreditei em outra pessoa, em vez de
confiar em você, e viver de acordo com a nossa promessa. Eu aprendi a
verdade, e eu quero que você saiba que eu confio em você e que eu sinto
muito. Depois de tudo, ela ainda o queria, e ele tinha duvidado sobre
ela.

~ 148 ~
Agora, conforme ele e Phil se aproximaram de seu esconderijo, ele
sabia que os dois tinham muito que discutir, tanto a dizer. Ele poderia
ter tentado ligar; No entanto, ele não queria dar a oportunidade dela
dizer para ele ficar longe. Honestamente, ele temia que a possibilidade
ainda existisse. Tecnicamente, ele poderia argumentar que era seu o
dinheiro que comprou a ilha, mas ele não o faria. Tony queria ver
Claire, olhar em seus olhos e dizer a verdade. Se ela não o ouvisse,
então ele iria embora.

Acima de tudo, Tony queria abraçar Claire, dizer como ele estava
arrependido, e quanto ele a amava. Quando o avião se aproximou da
água, Anthony Rawlings esperou que ela lhe desse essa oportunidade.

*****

Depois de uma tarde nos pomares, Claire deu um mergulho,


tomou banho de sol à beira da piscina, leu e cochilou. Quando Madeline
a acordou, tomou banho e se preparou para o jantar. Foi uma variação
em sua rotina normal, e considerando tudo, Claire não achava que foi
tão ruim.

Correndo os dedos pelo tecido de seu vestido rosa, Claire


ponderou sobre seus companheiros de jantar. Não era como se ela
precisasse olhar bem para Madeline e Francis. Foi um comportamento
enraizado, significava um jantar formal. Verdadeiramente, Claire gostou
de tudo. Foi o clímax de seu dia. Protegendo o colar de concha, ela
observou seus cabelos, puxados para cima, com cachos castanhos e
loiros pendendo em seu pescoço. Em apenas algumas semanas, o sol
tinha clareado com sucesso seu cabelo. Claire sorriu, é claro, o que ela
esperava vivendo tão perto do equador?

Quando eles estavam prestes a se sentar para comer, o som de


um avião encheu as suas orelhas. Onde momentos antes o som dos
pássaros e do mar dominavam, agora o rugido de hélices amplificaram
sobre a ilha. O primeiro pensamento de Claire era Phil. Quem mais
saberia o caminho para sua ilha?

Quando ela se levantou, Francis colocou a mão em seu braço.


Claire parou quando ele advertiu: — Madame, é melhor você esperar
para ver.

~ 149 ~
Instintivamente, ela abraçou sua cintura e balançou a cabeça. De
pé na varanda, ela olhou para a lagoa. Enquanto ela observava o
pequeno avião pousar na água, ela sentiu seu batimento cardíaco em
sua garganta. O pouso e a parada da hélice pareciam que levaram
horas em vez de minutos. Talvez fosse a antecipação de saudar o
primeiro avião a pousar na lagoa, desde que Claire chegou, ou, mais
provavelmente, a sua excitação em ver um rosto familiar.
Independentemente do motivo, Claire estava na varanda com a
respiração suspensa. Não foi até que ela viu Phil sair da embarcação
pequena, que ela se permitiu sorrir.

Tirou os sapatos de salto alto, Claire correu pelo caminho, em


direção à costa. A vegetação verde, flores coloridas e árvores
exuberantes esconderam a vista da praia. Ela estava prestes a chamar e
gritar para Phil, quando ela surgiu a partir das folhagens. Quando os
pés descalços chegaram à praia, eles pararam e, lentamente,
afundaram na areia macia.

Parando sob um arco de flores e trepadeiras, Claire experimentou


um desses momentos em que o tempo para, o sol e a lua se esqueceu de
seus papéis, a terra já não vira e as marés já não subiam ou fluíam. Ela
ficou sem fala quando um segundo passageiro saiu do avião e deu um
passo em direção ao caminho. Quando olhou para cima, ele parou no
meio do passo. Claire bravamente encontrou seu olhar, observando os
mais escuros, mais intensos olhos que ela já tinha conhecido.

Claire sabia que ela tinha visto todas as emoções naqueles olhos,
de raiva à adoração. Atualmente, ela viu uma mistura de apreensão e
desejo. A cada segundo, desejo dominava a apreensão, desejo dominava
tudo, tudo em todos os lugares.

Talvez houvesse estrelas cadentes, vulcões em erupção, ou ventos


épicos soprando. Na verdade, naquele momento, o mundo inteiro
poderia ter se perdido e nenhum deles teria conhecimento. Mais tarde,
quando ela refletiu, Claire acreditou que Phil tinha falado. Ele estava
dando razões ou explicações, no momento, tudo que Claire ouvia era o
bater do seu coração, talvez, apenas talvez, era o coração do seu bebê.
Não importa, um assobio-silvo foi o que encheu seus ouvidos e sua
consciência. Não sendo possível se mover, Claire ficou de pé, esperando
que Tony fizesse o seu caminho até ela.

As lágrimas encheram seus olhos e fugiram espontaneamente por


suas pálpebras, enquanto observava cada passo elegante. Como pôde,
em um mundo tão perfeito quanto o paraíso onde ela estava vivendo, ter
sentido sua falta? Nos últimos momentos, vendo Tony graciosamente se

~ 150 ~
mover em direção a ela, Claire sabia que sua bolha estava agora
completa.

Quando ele estava ao seu alcance, Claire lembrou tudo o que ela
queria dizer, todas as perguntas que ela compilou em seus
pensamentos. Embora as perguntas viessem à sua mente com grande
vigor, as palavras não se materializaram em seus lábios. De pé, alta e
orgulhosa, Claire permaneceu em silêncio. Ela não conseguia acalmar o
caos o suficiente para decifrar suas palavras. O melhor plano era
silêncio até que…

Sem aviso, um dos braços de Tony cercou a sua cintura crescente


e o outro capturou seu pescoço. O som que escapou de seus lábios não
poderia ser classificado como palavra. Pelo contrário, era mais
involuntário, enquanto seu corpo se submetia ao dele. Cada toque, cada
movimento e cada ângulo foram determinados por ele. O corpo de Claire
já não esperou por uma instrução interna. Ele foi programado para
responder ao contato do homem em frente a ela, inalando seu aroma, e
acariciando seu corpo.

Sua mão a segurava firmemente ao seu alcance. Ela não lutou.


Por que alguém lutaria, se aqui era o seu lugar? Em vez disso, os sons de
sua boca, os gemidos de seu peito, eram um apelo, um pedido de mais.
Sinceramente, Claire não estava ciente que ela estava fazendo os
ruídos, mas ela ouviu. Em poucos segundos, seus dedos estavam
entrelaçados em seu cabelo. Não era muito, mas Claire de repente
sentia a necessidade de se desculpar. — Eu sinto muito.

A forte e determinada missão dos seus lábios acalmou maiores


comentários, até que ele veio à tona para respirar e disse: — Não, eu
sinto muito.

Poderia estas palavras consertar um desfiladeiro intransponível?


No começo, Claire não tinha certeza, até que eles conseguiram. À medida
que as palavras saíram de seus lábios a diferença desapareceu. Eles
estavam juntos, e nada poderia os separar. Claire estava nos braços de
Tony, provando seu beijo, e inalando seu cheiro incrível. O mundo além
de sua bolha de repente era insignificante. Ela não tinha certeza de
quanto tempo eles ficaram assim, na praia, abraçando um ao outro.

Seus olhos tinham a chave do seu coração e alma. Perscrutando o


olhar escuro de desejo de Tony, seu mundo iluminou para o lugar que
ela queria estar. Claire sabia que ela poderia ficar lá por toda a vida.
Então, lentamente, o mundo ao seu redor se infiltrou em seus sentidos,
a areia materializou sob seus pés, a brisa salgada e perfumada

~ 151 ~
movendo suavemente os fios de seu cabelo, o brilho do sol poente
criando uma cor laranja e o som de hélices disse que o avião estava
saindo.

Incapaz de conter seu súbito pânico, Claire segurou firme a mão


de Tony e olhou para além da sua bolha. Voltando para o avião estava o
homem que tinha feito o seu mundo correto. Claire respirou fundo e
olhou para Tony com a cabeça balançando. — Nós não podemos o
deixar — Então, mais alto, ela gritou em direção ao avião, — Phil!

Ele olhou em sua direção.

— Fique, — Tony ordenou.

O progresso de Phil parou. Ele se virou, enquanto caminhavam


em direção a ele.

Quando estavam todos reunidos, Tony estendeu a mão. Enquanto


os dois homens apertaram as mãos, Tony disse: — Obrigado. Nós
nunca poderemos agradecer o suficiente.

Com o sol brilhante refletido nas manchas douradas de seus


olhos. Phil olhou para Claire e, em seguida, para Tony. — Você já o fez.

Tony disse: — Eu estava errado em te demitir. Você manteve


Claire segura e nos juntou. Eu quero que você trabalhe para nós. Fique.

— Com todo o respeito, Sr. Rawlings, minha conta bancária está


em boas condições. Há apenas uma pessoa por quem eu estaria
disposto a adiar a minha aposentadoria precoce.

A onda de pânico que momentos antes tinha tomado o peito de


Claire, quando viu Phil sair, diminuiu. Sorrindo, ela soltou a mão de
Tony e deu um passo em direção a ele, seu babá, seu guarda-costas,
seu amigo. Quando ela estava apenas há alguns centímetros de
distância, ela levantou os braços. — Por favor, fique. Você me deu tudo
de volta. Eu sei que jamais poderei pagar… mas eu espero que você
saiba, eu quero que você seja parte de nossas vidas.

*****

Seu abraço não era íntimo. Não era nada como a imagem que ele
testemunhou em momentos anteriores; no entanto, era uma conexão,
uma ligação que ele nunca tinha experimentado antes. Como os braços

~ 152 ~
de Claire cercando o pescoço de Phil e sua pequena estrutura inclinada
contra o seu peito, Phil sabia que nada seria capaz de impedir de a
proteger, proteger seu bebê, e facilitar a sua felicidade.

Ele falou baixinho: — Você quer que eu fique?

Seus olhos verdes falaram alto, mas foram suas palavras que
garantiram seu futuro, — Oh, sim, mais do que eu posso dizer, mas a
decisão é sua.

— Eu tenho uma condição.

Tony deu um passo adiante, a protegendo, colocando o braço em


volta dos ombros de Claire. — E isso seria?

— Eu não troco fraldas.

O som persistente do avião desapareceu no céu crepuscular


conforme Tony, Claire e Phil fizeram o seu caminho em direção a casa.

~ 153 ~
Faça o que você sente em seu coração que é
correto, porque você será criticado de qualquer
maneira. Você vai ser amaldiçoado se você fizer, e
dane-se se você não fizer.

- Eleanor Roosevelt

Capítulo quinze
Julho 2016

Percorrendo a entrada em um mar de rostos familiares, Emily


segurou firme a mão de John. A sala de conferências de Everwood
fervilhava de conselheiros, terapeutas (fala, ocupacional e física),
médicos (cuidados primários, neurologia e psiquiatria), os enfermeiros
de reabilitação, e representantes de toda a administração, com um
paciente em mente Claire Nichols Rawlings. Vários membros da equipe
de cuidadores de Claire cumprimentaram os Vandersols quando eles
fizeram o seu caminho para alguns lugares vazios na mesa.

Quando ela veio para tratamento, Everwood era bem conhecido


por sua excelência. Isto era verdade, com todos os seus pacientes, mas
alguns pacientes receberam atenção extra. Não era segredo Claire
Nichols Rawlings não era uma paciente comum. Primeiro de tudo, ela
era incrivelmente rica. Em segundo lugar sua irmã, parenta mais
próxima e procuradora, era excessivamente exigente, assim como
incrivelmente envolvida, e, por último, o cunhado de Claire era um
advogado, bem versado em direito médico. Se fossem ser discutidas
revelações pertinentes, relativas ao caso dela, era necessária a presença
de todos os membros de sua equipe de atendimento.

A reunião de hoje foi em relação às informações do relatório do


Dr. Fairfield. A Dra. Carly Brown sentou na cadeira ao lado de Emily.
Apertando a mão livre de Emily, ela sussurrou: — Não se preocupe. O
Dr. Fairfield não abordaria toda esta multidão se ele não tivesse
algumas teorias valiosas.

~ 154 ~
Cansada de teorias, Emily fingiu um sorriso. Lutando contra a
emoção no seu peito, ela falou: — Obrigada, Carly, eu só estou com
medo de ter esperança.

A Dra. Brown sorriu. — A esperança é tudo o que temos. Não


desista de sua irmã.

Respirando profundamente, Emily piscou para conter as


lágrimas. — Uma coisa sou eu ficar desapontada, estou acostumada
com isso, mas eu continuo pensando em Nichol ter que lidar com isso
um dia.

John inclinou, mantendo a voz baixa, enquanto o resto da sala


continuou a murmurar: — Vamos nos concentrar em Claire. A jovem
Nichol; podemos manter desinformada a maior tempo possível.

Emily assentiu enquanto ela engolia as lágrimas. Todo mundo


estava tomando um lugar em torno da mesa e muitos em cadeiras no
perímetro. A sala de reunião se acalmou quando o Dr. Fairfield iniciou a
sua apresentação.

— Obrigado a todos por se juntarem a mim aqui hoje. Falei com


muitos de vocês nas últimas semanas; muitos por telefone. É bom os
conhecer pessoalmente. Deixe começar explicando o meu papel como
um neuropsicólogo…

Emily ouviu conforme o Dr. Fairfield revisava as condições de


Claire. No começo, não era algo que ela não tivesse ouvido antes — Está
bem documentado que a psicose como a que a Srta. Nichols está
experimentando, pode ser o resultado de uma lesão cerebral traumática.
Estudos recentes têm apoiado a teoria da psicose atrasada. Esta tem
sido bem documentada em veteranos de guerra, assim como os
jogadores da NFL. É caracterizada por uma psicose de desenvolvimento
lento ou início rápido atrasado. Existem estudos de caso que
documentaram início rápido ocorrendo após 54 meses da lesão.

Emily gostava de pensar que a psicose de Claire foi lentamente


desenvolvida. Embora não diagnosticada previamente, a teoria justifica
as decisões de Claire ao longo dos últimos anos. Sendo a irmã de Claire,
tornou mais fácil para Emily aceitar algumas das ações e decisões de
Claire, especialmente em relação a Anthony Rawlings. Emily
mentalmente revisou o cronograma: a concussão inicial de Claire
resultando em uma prolongada inconsciência, inferno, um coma,
embora, quando ela era capaz, Claire se recusou a usar essa palavra,
foi em Setembro de 2010 Apesar de não ser uma concussão, sua
segunda lesão cerebral foi em Junho de 2013, quando ela foi atacada
~ 155 ~
por Patrick Chester. A ruptura de Claire com a realidade ocorreu em
Março de 2014…

— Houve até mesmo sugestões de um desequilíbrio hormonal,


bem como ganho de peso, o que se relaciona com a gravidez, poderia ter
agravado lesões anteriores…

Para Emily, parecia muito simples, a linha do tempo funcionou.

O Dr. Fairfield continuou: — Embora os exames cerebrais da


Srta. Nichols indiquem um histórico de lesão cerebral traumática, eu
não concordo com a teoria de que isso levou a sua psicose…

O pescoço de Emily retesou, e ela se virou para o marido. O que


ele estava dizendo? É claro que a TCE (a lesão cerebral traumática) foi a
causa da psicose de Claire! Era tudo culpa de Anthony! Ele machucou-a.
Se não fosse por ele, ela nunca teria sido alvo de Patrick Chester. O
monólogo interno de Emily abafou as palavras do médico. Ela precisava
ouvir.

— Os estudos são menos conclusivos sobre a taxa de


recuperação, a partir da não-TCE psicose induzida. É verdade;
tomografias atuais desta paciente indicam dano anterior no hemisfério
direito de seu cérebro. — Ele projetou várias imagens digitalizadas na
tela, e utilizou uma pequena seta azul para indicar aonde o Doppler (O
Doppler é uma função especial dos estudos de ultrassonografia que
permite a detecção e avaliação de estruturas em movimento, em especial,
do fluxo sanguíneo.) gerava detalhes. — Você vai notar, como é
consistente com a TCE, o dano é mais pronunciado nos lobos temporal
e parietal. O que há de significado específico com a Srta. Nichols é a
redução da massa cinzenta. Quando a redução ocorre, os pacientes
tendem a sentir dor. O histórico da Srta. Nichols sugere problemas com
dores de cabeça. Agora, se compararmos o MRI (ressonância magnética)
de 2013, com a efetuada há duas semanas, você pode ver…

Emily ouvia, tentando se lembrar da prova anterior. Todo mundo


tinha dito que era o TCE de fato, que havia causado o surto psicótico de
Claire. Ela lembrou a discussão da evidência da lesão de concussão,
mas quando ela tentou se concentrar, Emily percebeu que o Dr.
Fairfield não anulou essa prova. Ele reconheceu que as lesões
ocorreram, mas ele também estava afirmando que ele não sentia que os
ferimentos foram à causa de sua psicose.

Virando para a Dra. Brown, Emily sussurrou: — Ele está dizendo


que os ferimentos na cabeça não são a causa de sua psicose?

~ 156 ~
Os olhos da Dra. Brown se arregalaram quando ela se virou para
Emily, balançou a cabeça e deu de ombros.

O Dr. Fairfield continuou: — Se as lesões provarem ser a causa


do atual estado de espírito da paciente, então, nesse caso eu teria que
concordar com a conclusão de outros, que nenhuma outra recuperação
vai ocorrer.

A mente de Emily girou. Quem disse isso? Ninguém havia


expressado essa opinião a ele.

O Dr. Fairfield continuou, — Baseei meu prognóstico atual no


mais recente DTI do paciente, ou ressonância magnética com tensor de
difusão. Essa é uma imagem relativamente nova e não estava
comumente disponível no momento da ruptura da Srta. Nichols. Como
muitos de vocês sabem, eu tenho trabalhado com a NFL sobre o
assunto e tenho me envolvido pessoalmente com muitos dos casos mais
públicos. Exatamente monitorar e medir a atividade cerebral são
essenciais para qualquer prognóstico. Deixe mostrar este segmento da
DTI consecutiva. — Mais uma vez, a atenção de todos foi trazida para a
tela. A imagem diante deles se moveu, ou mais precisamente, ela
pulsou. As áreas definidas com cor mudaram, lembrando Emily de uma
área de intensa atividade temporal em um mapa do tempo. — Note há
um aumento da atividade nesta área da massa cinzenta. O que é
significativo, é que esta imagem foi gravada durante um dos episódios
alucinatórios da paciente. Deixe mostrar também o aumento da
estimulação no córtex auditivo desta paciente. Para aqueles menos
versados na terminologia médica — Emily sabia que ele estava
reformulando especificamente para ela. — Eu estou dizendo que,
mesmo que não possamos ouvir o que a Srta. Nichols ouve, ou sentir o
que ela sente, ela está de fato ouvindo e sentindo. Mais importante, o
cérebro está ativo. Sim, existem áreas de dano, mas o cérebro humano é
muito poderoso e é bem capaz de regeneração e compensação. Concluo
que, com os antipsicóticos certos e uma mudança significativa na
terapia, o progresso pode trazer a Srta. Nichols de volta de seu estado
atual.

Com todas as pessoas discutindo esse novo prognóstico, a sala


zumbia com sussurros. John inclinou sobre Emily, em uma tentativa de
falar com a Dra. Brown. Emily ficou em silêncio, contemplando a
possibilidade de que a avaliação do Dr. Fairfield poderia ser verdade.
Sua mente flutuou entre otimismo esperançoso na possibilidade de
recuperação, e menor indignação guardada na possibilidade de que a
culpa de Anthony poderia ser mais indireta do que direta.

~ 157 ~
Quando a sala começou a aquietar, Emily levantou. Lentamente,
o silêncio prevaleceu. Limpando a garganta, ela utilizou a voz que ela
tinha reservado anos atrás para abordar alunos. — Dr. Fairfield, se a
lesão cerebral não foi à causa da condição da minha irmã, por favor,
esclareça sobre qual foi a causa?

Todos se voltaram para o bom médico, observando enquanto ele


se moveu. — Sra. Vandersol, quebras psicóticas podem ocorrer por uma
série de razões. Me deixe enfatizar, que não estou insinuando que sua
irmã não está verdadeiramente no meio de tal ruptura.

Defensivamente, Emily permaneceu de pé. Apertando os lábios,


ela se absteve de falar enquanto esperava o médico prosseguir.

— As causas mais comuns de surtos psicóticos incluem lesão


cerebral e uso de drogas; No entanto, é também bem documentado que
um evento significativo na vida pode precipitar uma ruptura. — Para
todas as suas grandes palavras e atitude de médico, Emily viu uma
mudança repentina no seu rosto quando perguntou: — Sua irmã teve
uma experiência de vida significativa, você não concorda Sra.
Vandersol?

— Sim, doutor, eu concordo; no entanto, a duração da quebra da


minha irmã foi, no passado, a razão pela qual acreditamos que havia
mais do que uma experiência de vida significativa para culpar.

Era como se eles fossem os únicos na sala. Ninguém ousou


respirar, muito menos falar. O Dr. Fairfield continuou: — Como afirmei,
o cérebro humano é um órgão verdadeiramente incrível e que é
essencial a cada um de nós para continuar vivendo. Sem ele, seriamos
incapazes de comportamentos simples e involuntários, como a
respiração ou o bater do coração. Esse mesmo cérebro incrível também
nos pode proteger, — ele parou e esperou; o silêncio prevaleceu — É
minha opinião que a ruptura desta paciente pode ter sido inicialmente
associada a uma lesão anterior. Também é possível que o inchaço dos
vasos sanguíneos durante a gravidez, o seu difícil parto, e até mesmo os
hormônios associados com a amamentação podem ter contribuído. — O
Dr. Fairfield limpou a garganta e empurrou, — Depois de observar mais
de um dos episódios alucinatórios da sua irmã, acredito que sua irmã
está onde ela quer estar.

Momentaneamente, Emily perdeu as palavras. Ela gaguejou,


quando ela olhou tanto para o Dr. Brown quanto John. — Des,
desculpe.

~ 158 ~
A voz de John prevaleceu. — Então, se eu entendi bem, você
acredita que Claire está deliberadamente se mantendo neste estado?
Está dizendo que ela está fingindo?

— N-não, Sr. Vandersol, eu acredito que ela está em um


verdadeiro estado psicótico. Ela está, obviamente, delirante,
inconsciente de seus arredores ou a carga que seu comportamento teve
sobre os outros. Eu também acredito que ela não sabe que ela é uma
mãe, nem sobre o destino de seu marido. — Quando Emily se mexeu, o
Dr. Fairfield acrescentou: — Eu não perguntei a ela essas questões
especificamente. Sra. Vandersol, as suas ordens foram mantidas; No
entanto, num esforço para avaliar a Sra. Rawlin, Srta. Nichols, eu violei
alguns assuntos que não tiveram efeito sobre ela. O que posso
acrescentar, é que eu sinto vergonha.

John interrompeu, — Dr. Fairfield, poderíamos minha esposa e eu


continuar essa conversa com você em particular?

Emily parou sua resposta. — Não! Eu quero respostas, e eu tenho


certeza que os outros aqui vão precisar saber. Em primeiro lugar, Claire
está desconfortável ou com dor?

— Sra. Vandersol, a paciente foi mantida em um estado estático


de conforto, o que eu acredito que é o problema.

Todos na sala se viraram para Emily. Para os observadores, era


como assistir a uma partida de tênis: todas as cabeças se voltaram para
um lado e, em seguida, eles viraram para o outro.

*****

26 de Julho de 2016

Hoje, a Sra. Bali ligou e me pediu para chegar cedo. Desde que
Claire tem aceitado bem a minha presença, trazendo suas refeições, ela
perguntou se eu a posso levar para um passeio. Aparentemente, houve
alguma reunião importante sobre o seu diagnóstico, prognóstico e
tratamento. Todos os associados em seus cuidados tinham que
participar. Eu gostaria de ter estado na reunião, mas Emily estava
provavelmente lá, então era melhor eu não estar.

Eu sei que eu deveria escrever sobre a caminhada. Esse é o ponto,


certo? Gravar meus pensamentos e comentários, para que eu possa mais

~ 159 ~
tarde voltar e ver se algum progresso foi feito, e ter uma base para
escrever a continuidade do meu livro. Bem, aqui está a coisa; Eu não
quero. Oh, eu quero ficar com Claire. Eu quero ajudar, mas para uma
jornalista que deveria ser indiferente, eu peguei o projeto errado.

Apenas no caso de eu não me lembrar quando eu voltasse da


leitura, no caminho de casa a partir de Everwood, eu parei na loja e
comprei uma garrafa de vinho. Não é o tamanho normal, é grande!

Eu odiava isso hoje! Eu fui para o quarto dela e surpresa, Claire


estava sentada na cadeira ao lado da janela. Quando ela me viu e ouviu
a minha voz, ela foi até a mesa para comer. Tenha em mente, ela tinha
acabado de comer! Eu expliquei que eu a estava levando para sua
caminhada. Primeiramente ela não se moveu. Eu apenas continuei
falando sobre o lado de fora. Finalmente, ela se levantou. Eu me
aproximei como eu tinha visto a outra mulher e Emily fazerem. Claire não
se moveu. Eu tinha que chegar até a sua mão e a colocar no meu braço.

Depois disso, ela entrou em movimento e nós caminhamos através


da instalação. A parte que quebrou meu coração foi que, quando saímos,
ela não olhou para cima. Ela manteve os olhos baixos e caminhou onde
quer que eu a levasse. Lembro de suas histórias, dela em seu lago no
Rawlings. Ela falava sobre o seu amor pelo ar livre, à brisa em seu
cabelo, e o sol em sua pele. Eu acho que eu estava esperando ver algum
tipo de reconhecimento ou excitação; em vez disso, não havia nada.

Eu odiei que ela teve de ser subjugada quando nossos olhos se


encontraram pela primeira vez no refeitório há um mês, mas,
honestamente, eu prefiro ter uma reação negativa a nada! Acho que vou
terminar de escrever por esta noite. Tenho mais vinho para beber!

*****

Michael, Nichol, e John terminaram seus jantares, enquanto


Emily continuou a pegar a comida em seu prato. Ela ouviu a conversa,
mas sua mente continuava repetindo as palavras do Dr. Fairfield, Não,
a paciente foi mantida em um estado estático de conforto, o que eu
acredito que seja o problema.

Indignada, escutou como o Dr. Fairfield falar por hipóteses que as


atuais disposições de Claire eram muito boas. Em essência, ele culpou

~ 160 ~
as diretrizes de Emily sobre a observância de Claire. Ele passou a
discutir a história de Claire, de respeito e capacidade de adaptação.

Emily argumentou internamente, muito boa?! Sua irmã foi


separada do mundo, vivendo em um lugar que não era real. Como ele
poderia pensar que eram boas demais? Além disso, os recursos do Dr.
Fairfield não eram primários! Recursos primários não era um elemento
essencial de pesquisa? A única maneira que ele poderia ter aprendido
sobre o passado de Claire, de quem soube em primeira mão, os que
estavam lá, seria entrevistar Claire ou Anthony. Obviamente, isso não
tinha acontecido. Ele tinha que ter pesquisado não apenas os relatórios
de Emily, que ela confessou eram de segunda mão, ou ler o livro de
Meredith. Sim, o livro foi relativamente preciso, mesmo que tivesse um
elemento de ficção. A verdade flagrante seria muito difícil para o mundo
ler.

Então o que? Então, Claire sobreviveu ao seu calvário pelo


respeito e adaptação. Isso porque se não o fizesse, Anthony a puniria. A
situação atual de Claire não estava sequer remotamente semelhante.
Como ele poderia sugerir que estava?

Isso foi o que ele disse, ele disse, o ambiente acomodado trabalhou
para moldar o comportamento de Claire. Por não exigir que enfrentasse
as consequências de seu passado, eles estavam permitindo que Claire
vivesse em seu mundo de faz de conta.

A forma como Emily viu isso, ela estava dando a sua irmã o porto
seguro que tinha sido negado a ela.

O som da risada retornou os pensamentos de Emily ao presente.


Concentrando na mesa, ela assistiu Michael dar uma risadinha quando
Nichol soprou bolhas em seu leite.

— Nichol! O que você está fazendo? Não ensine seu primo essas
coisas! — O tom de voz incomum e rigoroso de Emily surpreendeu a
todos. Ela viu o choque nos olhos do marido.

Os olhos castanhos de Nichol, que apenas alguns segundos atrás


brilhavam com o riso, ficaram subitamente cheios de lágrimas e
olhando para baixo. — Sinto muito, tia Em.

John levantou e estendeu a mão para os pratos das crianças.


Mantendo a voz firme, ele garantiu: — Está tudo bem, querida. Tia
Emily está cansada. Está tudo bem; nenhuma confusão. Que tal vocês
dois irem lá para cima e Becca ajudar vocês a colocar os seus pijamas, e
nós vamos fazer um pouco de pipoca.

~ 161 ~
Olhando para cima, Nichol perguntou: — Podemos assistir a um
filme?

— Claro que podemos, — a voz de Emily se suavizou. — Estou


cansada; Sinto muito que eu explodi. Se vocês dois se apressarem,
então todos nós podemos assistir em nossa cama. — Quando os
pequenos pés correram para fora da sala de jantar com a babá, a
cabeça de Emily caiu e as lágrimas fluíram. Não foi até as mãos de John
massagear seus ombros que ela encontrou coragem para falar. — Você
acha que ele está certo?

— Eu não sei, mas eu sei que não temos visto muito progresso no
último ano. Eu acho que vale a pena tentar.

— Eu não quero que ela tenha que enfrentar. Eu não quero que
ela tenha que lidar com — John ajudou Emily levantar. — Eu sei o que
você quer. Você quer Claire bem, e que supere o passado. Isso não vai
acontecer.

Com a bochecha de Emily encostada contra o peito de John. Ela


ouviu quando ele repetiu tudo o que o Dr. Fairfield disse anteriormente.
Pode ter sido o ambiente calmo de sua sala de jantar, o seu abraço
carinhoso, ou o alívio de permitir que as lágrimas finalmente viessem à
superfície, não importa o motivo, as palavras de John faziam sentido.
Balançando a cabeça, Emily respondeu: — Eu acho que eu entendo,
mas eu ainda não quero que ela tenha que lidar com as lembranças
dele.

Puxando-a para perto, John sussurrou, — Ela sobreviveu há mais


do que a maioria. Talvez estes últimos anos tenham sido um merecido
descanso. Por mais que você queira, você não pode esconder a verdade
para sempre. Quando ela estiver mais forte, ela vai ser capaz de
enfrentar isso e, talvez, este novo protocolo vai ajudar a ficar mais forte.

Emily admitiu: — Eu vou ligar para o Dr. Brown amanhã e dar o


meu ok.

~ 162 ~
A escuridão restaura o que a luz não pode
reparar.

-Joseph Brodsky

Capítulo dezesseis
Madeline e Francis encontraram Claire e seus convidados na
varanda. Francis apertou a mão de Phil enquanto os dois homens
trocaram saudações familiares. Ainda segurando a mão de Tony, Claire
o apresentou, — Madeline e Francis, me deixe apresentar Anthony
Rawlings.

O sorriso de Madeline iluminou a sala. — Monsieur, estamos


muito felizes de ter você com a gente antes de sua filha chegar.

Claire sorriu. Ela nunca mencionou sobre Tony para Madeline;


ela perguntou como ela sabia que ele era o pai de seu bebê. Vendo a
expressão de Tony, Claire percebeu o que Madeline tinha acabado de
dizer e apertou sua mão. — Não, eu não soube o sexo do nosso bebê; no
entanto, Madeline parece acreditar que é uma menina.

Tony inclinou a cabeça. — Madeline, Francis, eu também estou


feliz por estar aqui antes da chegada do nosso bebê, filha ou filho;
qualquer um é bom para mim.

Os sorrisos vindos de Madeline e Francis aqueceram o coração de


Claire e sua paz interior continuou. Ela não tinha pensado que eles
podiam não ser receptivos a ele. Afinal, eles não eram casados. Eles
haviam sido, mas Madeline e Francis não sabiam disso.

Claire disse, — Eu sei que o jantar está pronto e eu sinto muito,


mas, primeiro, eu vou mostrar a Tony o nosso quarto. Você poderia, por
favor, mostrar a Phil o quarto, o que ele não usou antes? — Seus olhos
brilharam provocativamente para Phil.

Phil respondeu: — Isso não será necessário; Eu me lembro.

Madeline anunciou: — Eu vou ter o jantar pronto para você.


Depois que vocês terminarem, Francis e eu vamos comer em nossa
casa.

~ 163 ~
Apesar de Claire e Tony começarem a caminhar em direção a seu
quarto, Claire voltou. — Oh não, eu não quero que você faça isso. Nós
vamos todos comer juntos, todos nós. Estou tão feliz por ter todos aqui,
e eu quero que todos se conheçam. Por favor, nos dê um pouco de
tempo. Estaremos de volta em quinze minutos.

Ninguém discutiu com a dona da casa, Claire levou Tony pelo


corredor. Quando chegaram a sua suíte, Claire entrou, esperando para
mostrar ao redor. O som da porta se fechando a surpreendeu. Quando
ela olhou para trás em direção a Tony e viu sua expressão, o profundo
desejo que ela pensou haver perdido para sempre a inflamava. O calor a
imobilizava; não podia se mover em direção a ele ou à distância. Sua
única opção era olhar para a profundidade escura, aveludada de seu
olhar. Por segundos ou dias, Claire estava perdida em seus olhos. O
olhar penetrante preto já não a encheu de medo; em vez disso, foi um
aceno, um desejo que só ela poderia encher verdadeiramente, uma
responsabilidade enorme e emocionante. Em poucos segundos, seus
braços fortes a rodearam e os lábios uniram.

Mais uma vez, no seu mundo ela não estava mais sozinha. Ele
estava aqui comigo, Claire abriu mão de boa vontade. Não é o controle
da ilha ou o dinheiro, aquilo era verdadeiramente insignificante. O que
pertencia a Tony, provavelmente antes que ela já o conhecia, era o seu
coração e alma. Enquanto seus corpos se tocaram, os seios cresceram,
pressionados contra o peito e as mãos acariciavam sua pele; Claire ficou
total e completamente perdida. Qualquer pensamento da vida fora da
sua suíte desapareceu, conforme o aroma de seu perfume e o gosto de
seu beijo assumiu o poder que dá vida. Eventualmente, a sua profunda
voz de barítono penetrou seu mundo, enquanto cada palavra, cada
sílaba pingava de desejo. — Deus, eu senti sua falta. Eu pensei que
nunca mais a seguraria assim de novo.

Claire não poderia responder verbalmente. Não só porque sua


boca estava ocupada, e estava, não, ela não podia responder por que a
imensa sensação de alívio que caiu sobre ela havia retirado sua
capacidade. Ele esvaziou e definiu suas emoções cheias de hormônios
em um ciclone novo e aterrorizante. Lágrimas escorriam de seus olhos
quando ela se separou do seu beijo e enterrou o rosto em seu peito
largo. Quando seus ombros começaram a tremer dos soluços que não
podia conter, Tony a carregou para o sofá. Sua expressão sensual virou
interrogativa. — Você quer que eu saia? Não é isso que você queria?

Claire balançou a cabeça e enxugou os olhos. — Não! Eu não


quero que você saia. Isso é exatamente o que eu quero, — ela fungou —

~ 164 ~
Eu não posso acreditar que você está realmente aqui. Quando você
desligou o celular...

Tony se ajoelhou diante dela, os olhos tristes em uma contradição


gritante com a paixão que ela viu momentos antes. — Eu estava errado.
Tudo era esmagador. — Ela ouviu a restrição em sua voz quando ele
tentou subjugar o seu choque e raiva. — Eu tinha tudo planejado; como
eu iria obter o dinheiro e procurar você. — Seu volume aumentou com
cada frase. Ele balançou a cabeça. — Eu já lhe disse antes que você é a
única pessoa neste mundo, que pode me manter nos meus pés. Eu
nunca imaginei que você acessaria as contas antes de mim. Eu estava
totalmente surpreso! Quando eu vi a assinatura de Marie Rawls, meu
instinto me disse que algo estava errado! Eu ainda não tinha certeza até
que eu liguei para o número… — Ele suspirou e esperou. Por fim, ele
pegou as suas mãos pequenas e rodeou com as suas próprias, e
dominou seu tom. — Eu não tinha certeza de que era você. Eu não
conseguia entender como você poderia ter acesso e, em seguida, eu ouvi
a sua voz.

A ponta de raiva desapareceu em uma tristeza que Claire não


conseguia identificar. Ela nunca tinha ouvido tanta dor em sua voz.
Com todo o seu coração, ela queria fazer o seu mundo melhor; no
entanto, ela não poderia tirar a sua sensação de traição, inicialmente a
partir dela e, em seguida, a partir de Catherine. Ele precisava dizer o
que ele estava pensando. Enquanto lágrimas silenciosamente
transbordaram de seus olhos, Claire manteve o olhar fixo com o dele.
Mesmo com as dores visíveis, seus olhos escuros completaram o seu
mundo.

Ele continuou: — Não é que eu não quisesse acreditar em você,


mas acreditar em você significaria admitir que Catherine me enganou…
— Sua cabeça inclinou para o colo de Claire.

Quando ele não falou, Claire correu os dedos pelos seus cabelos e
esperou.

Engolindo suas emoções, Tony olhou para cima, até seus olhos.
Janelas escuras de remorso combinavam com a angústia que ela ouviu
em seu tom.

— Eu te coloquei em perigo, — disse Tony. — Desde que Roach


explicou tudo, é tudo no que eu tenho pensado. Eu te levei da Califórnia
e coloquei no pior lugar possível. Diga me diga, você sabia, eu não. Eu
nunca teria, nunca teria pensado que ela era capaz de te ferir, ou eu,

~ 165 ~
ou, — ele tocou a barriga de Claire e esfregou, fazendo com que Claire
sorrisse — nosso filho.

O bebê chutou a mão de Tony, e os olhos de Tony se arregalaram.


— Acabei de sentir isso?

Claire assentiu.

— Isso foi incrível! — Por um momento, seu entusiasmo e alegria


dominaram a sombra provocada pelo nome de Catherine.

Apesar de seus olhos úmidos e bochechas cobertas de lágrimas,


Claire riu, — Eu tenho orado para que você sentisse a nossa pequena
jogadora chutando. Acho que temos um jogador de futebol em nossas
mãos.

Tony sentou ereto e inclinou a cabeça. Quando seus narizes se


tocaram, ele disse, — Excelente! — Carinhosamente limpando seu rosto
com as costas da mão, Tony roçou os lábios nos dela. — Nós dois
cometemos erros, erros demais para contar, mas esta pequena vida
dentro de você não é um erro. Ele ou ela, não é uma Rawls ou um
Nichols. É uma Rawlings! Tive muitas conquistas na minha vida, e em
comparação com esta pequena vida, todas elas empalideceram. Além de
qualquer dúvida, este filho é meu, não, nossa, maior conquista.

— Eu não mereço você ou uma criança inocente na minha vida.


Obrigado por manter os dois a salvo. Roach explicou quanto medo que
você sentiu. Se eu tivesse ficado no nosso lar...

Claire interrompeu: — Não, Tony. Você não vê? Tudo foi planejado
para acontecer com você longe. Nenhum de nós é culpado pelo que
aconteceu.

Com um aceno sua cabeça moveu. Suas palavras eram quase um


sussurro: — Para isso...

Os dedos de Claire tocaram seus lábios. — Pare, por favor. Eu sei


que temos muito que conversar. Nós dois temos perguntas, e espero que
nós dois tenhamos respostas, mas agora e hoje à noite, será que
podemos ser apenas nós?

Tony beijou as pontas de seus dedos, que momentos antes


pararam suas palavras. — Você está certa. Além disso, Madeline e
Francis estão esperando. — Claire ficou de pé, Tony se recusou a soltar
sua mão. Ficando perto, ele olhou para baixo e disse: — Eu preciso
saber uma coisa.

~ 166 ~
Virando seus olhos para cima, Claire viu a necessidade na
profundidade de seus olhos escuros e seu batimento cardíaco acelerou.
— O quê? O que você precisa saber?

— Tudo isso mudou nossa relação? Quero dizer, ainda estamos


noivos?

Claire sorriu. — Nós definitivamente temos um monte de coisas


para falar; No entanto, se este pequeno será um Rawlings e não um
Nichols — seus olhos brilharam. — Acredito que só tem mais alguns
meses para mudar o nosso estado para casados. — Ela fez uma pausa.
— Se é isso que você ainda quer?

— Então, mesmo eu sendo um idiota e desligando de você, não a


fez mudar de ideia?

— Bem, você vê, é comum para você ser um idiota. É a parte que
você o reconhece que há de novo, e essa é a razão de eu não mudar de
ideia.

Tony puxou Claire aproximando e a cercou com os braços. —


Bem, que tal eu trabalhar para não ser tão idiota, e você trabalha em
fechar essa boca inteligente?

Claire ficou na ponta dos pés e beijou seu pescoço. O rosnado


familiar soou como música nos seus ouvidos. — Eu tinha a impressão
de que você gostava da minha boca.

Seus lábios tomaram os dela. Sem hesitar, ela o encontrou com


igual ferocidade. Quando sua força diminuiu, seus olhos se
encontraram, e seus olhos brilhavam enquanto ele respondeu: — Oh,
eu gosto. Eu amo a sua boca, seus olhos, seu pescoço, e todas as
outras partes de seu corpo incrível; no entanto, há algumas das coisas
que você faz com essa boca incrível que eu gosto mais do que as outras.

— Realmente? — ela brincou quando ela propositalmente chupou


seu pescoço.

Tony apertou seus ombros. — Você está pensando em ir lá fora


para o jantar? Estou perguntando, porque se você não parar isso não
acontecerá.

Claire sorriu. Era verdade; eles tinham muito que discutir, e um


monte para elaborar; no entanto, se sentia fortalecida. Ela sabia que,
naquele momento, o jantar podia ser uma memória. Se ela continuasse
sua persuasão, então eles poderiam estar nus e na cama em segundos;
no entanto, ela precisava de comida. Em algum lugar em sua memória,

~ 167 ~
ela ouviu seu conselho, eu sugiro que você coma. Você vai precisar de
sua força. Sorrindo, ela respondeu: — Eu estou, e provavelmente eles
estão esperando. — Apontando para uma das outras portas, Claire
disse, — O banheiro é ali. Eu estou indo me refrescar. Receio que com o
meu choro eu pareço o inferno.

— Você, minha cara, nunca poderia parecer o inferno. Você está


radiante!

— Ah, é mesmo? — Claire sorriu conscientemente para Tony. —


Me dá um minuto, — ela beijou a bochecha dele — Depois do jantar,
quando voltarmos aqui, você pode me lembrar de o que era que você
gostava que a minha boca fizesse.

Mais uma vez, ele a puxou para perto para um último abraço. —
É um encontro. Eu certamente espero que Madeline não cozinhe doze
refeições.

Uma vez que Claire estava pronta, Tony desapareceu no banheiro,


e Claire foi para o armário. Ela encontrou a caixa do outro dia, aquela
com os telefones celulares e sentou no chão. Ajoelhada, ela olhou para
dentro do recipiente. No fundo estava sua longa corrente de ouro com
seu anel de noivado. Até poucos dias atrás, ela manteve perto de seu
coração. Após a conversa com Tony ela decidiu que não havia mais uma
razão para usar. A contragosto, ela guardou no recipiente.

Agora, as coisas estavam diferentes. Claire retirou o anel do cofre


e colocou no quarto dedo da mão esquerda. Sentindo a sua presença,
Claire suspirou e olhou para cima. Tony estava de pé na soleira da
porta e seus olhos escuros observando. Pela batida irregular do seu
coração, ela sabia que ele viu tudo.

— Tirei no outro dia, — ela confessou.

Tomando a sua mão esquerda na dele, Tony ajudou a colocar.


Embora seus olhos não tivessem suavizado, as suas palavras eram
emocionantes, — Eu espero que você nunca se sinta na necessidade de
tirar novamente. — Olhando para dentro da caixa, Tony acrescentou: —
Parece que teria sido difícil para você ouvir o telefone tocar, escondido,
em uma caixa, no armário.

Claire sorriu e empurrou-se contra seu peito. — Desde que eu


acredito que nunca teria ouvido, nós temos que agradecer a alguém.
Meu palpite é que ele também está esperando por nós para o jantar.

~ 168 ~
Eles deram suas mãos. Enquanto eles estiveram sozinhos, o sol
tinha sumido totalmente. No meio do nada, o azul lindo que encheu a
vista durante o dia agora estava escondido atrás de máscaras de preto.
Um céu cheio de estrelas brilhava acima de um mar escuro, e o deslizar
suave das ondas encheu o ar com uma suave brisa que soprava pelas
portas abertas da sala de jantar. Antes de chegarem aos outros, Tony
apertou a mão de Claire. — Este lugar é incrível. Agora que olho ao
redor, é além das palavras.

Claire concordou. — Agora, é realmente um paraíso.

~ 169 ~
O mal que há no mundo quase sempre vem da
ignorância, e as boas intenções podem fazer tanto mal
quanto a malevolência se lhes falta o entendimento.
- Albert Camus

Capítulo dezessete
Catherine sentou na grande mesa de Tony. Ela não a consideraria
dele por mais tempo, era dela, como tantas outras coisas. Além disso, a
partir de todos os relatórios que tinha ouvido, ele não estaria sentado lá
tão cedo. Embora o FBI não quisesse confirmar ou negar, Catherine
tinha a impressão de que Tony estava, ou em custódia, ou em fuga.
Tudo que ela sabia, com certeza, era que ele não estava em Iowa. Após o
encontro com Tom e Brent, as disposições de Anthony Rawlings
confiantemente entraram em vigor. Catherine Marie London foi
oficialmente à executora de Rawlings imóveis e qualquer coisa
relacionada a ele. O título veio com um bom fundo fiduciário. Esse
dinheiro, além da grande soma que ela tinha acumulado ao longo dos
anos, deixou Catherine mais do que financeiramente estável.

De vez em quando, ela pensava sobre o dinheiro que ela tinha


dado a Claire. Catherine não tinha certeza exatamente de quanto era;
no entanto, quando ela começou a lamentar sobre dar tudo, sua mente
iria para a possibilidade de Tony em fuga. Se ele estivesse lá fora, ela
sabia, sem dúvida, que ele iria para esse dinheiro. Imaginar ele
encontrando uma caixa vazia trouxe um sorriso ao seu rosto.

Por quase 25 anos, Anton tinha estado no controle, ou então ele


pensava. Era verdade; logo depois do acidente de Samuel e Amanda,
Marie se ofereceu para trabalhar para Anton. Afinal de contas, ela
estava sozinha, e ele era tudo o que lhe tinha sido deixado por
Nathaniel. O acordo não foi feito para durar uma vida. Nathaniel disse a
Marie várias vezes como ele queria que ela vivesse; nenhuma única vez
ele disse que ele queria que ela trabalhasse como governanta de Anton.

Não é que Anton já tivesse sido cruel. Pelo contrário, se fosse


alguma coisa, ele tinha sido indiferente. Talvez fosse pior. Ele parecia
levar Catherine como garantida, ela apenas estava lá. Nunca parecia
que ele estava preocupado se ela estaria ou não lá, se ela iria ou não
realizar seus objetivos, ele nunca perguntou. Sorrindo para si mesma,

~ 170 ~
ela admitiu que sua complacência trabalhou a seu favor em mais de
uma ocasião.

Talvez seu nome não fosse Rawls, mas o que importa um nome?
Agora que ela tinha os documentos legais que confirmavam o seu título
como executora, o escritório de Anton tinha saído. Ele era dela, assim
como a casa, os jardins e a propriedade. Catherine Marie encostou à
cadeira de couro e examinou a sala. A decoração real era muito
parecida com o escritório de Nathaniel de um quarto de século atrás.
Ela sempre gostou disso. Sorrindo, Catherine decidiu que a vista do seu
lado atual da mesa era definitivamente a perspectiva mais atraente. Ela
também decidiu que a sala poderia ter um toque feminino.

Catherine abriu a gaveta na parte inferior direita para inspecionar


os arquivos privados de Anton. Ela tocou as abas; neste mundo sem
papel, a surpreendeu que ele manteve tantos documentos impressos.
Felizmente, a polícia de Iowa City não sentia a necessidade de confiscar
tudo como prova.

Eles pegaram todos os documentos de Claire. Isso não importa


para Catherine; ela já tinha passado tudo para o laptop de Claire e ficou
sinceramente impressionada com a quantidade de pesquisa que Claire
tinha feito durante seu breve tempo na Califórnia. Catherine nunca
imaginou que Claire descobriria Patrick Chester. Todo o rumo dos
acontecimentos foi muito melhor do que Catherine jamais poderia ter
imaginado ou planejado. O único cenário realmente melhor teria
incluído Chester realmente matar Claire. Se ele tivesse, então Catherine
teria sido capaz de assistir a angústia de Anton em primeira mão.

Relembrando, Catherine admitiu que teve o prazer de assistir a


algumas dessas logo após o desaparecimento de Claire; no entanto, ver
o rosto de Anton, em Genebra, quando percebeu que Claire não estava,
mas em vez disso, ela o deixou novamente, e desapareceu com seu
dinheiro e seu filho bastardo, oh, teria tido um valor inestimável! Bem,
não tem preço, isso custou a Catherine qualquer quantidade de
dinheiro que estivesse nessas contas.

Não era que Catherine inicialmente previa a prorrogação do


decreto de Nathaniel para seu neto. Anton estava seguro, desde que ele
ficasse focado na tarefa. Todo o tempo e esforço gastos plantando
sementes, regando, e vendo crescer, valeu a pena em mais de uma
ocasião. Tudo estava indo no caminho certo, até a sua obsessão maldita
com Claire Nichols.

~ 171 ~
Catherine sabia que algo tinha mudado depois do funeral dos
Nichols. No início, ela temia que Anton tivesse descoberto os seus
planos, ou a verdadeira extensão deles. Não era isso. Ele estava
acompanhando a família Nichols por um tempo; No entanto, Catherine
interpretou mal a profundidade de sua fixação. Quão irrealista era ela
pensar que o desejo real de Anton era honrar Nathaniel. Embora Anton
afirmasse que era seu objetivo, suas ações provaram o contrário. Trazer
Claire para a propriedade era ainda aceitável, primeiramente. Foi
quando ele a começou levar em público que Catherine soube que as
suas motivações estavam mudando.

Isso não era um problema. Catherine poderia se adaptar também.


Enquanto Catherine estava secretamente no controle, ela foi capaz de
manter seus objetivos em vista. Além disso, Claire e Anton foram ambos
tão facilmente manipulados. Mesmo que parecesse ser um jogo de
apostas altas de pôquer, era mais como um jogo de solteirona. O truque
para o sucesso era conhecer os adversários. O fato de que eles não
sabiam que eram adversários também ajudou seus esforços.

Catherine conhecia Anton melhor do que ele conhecia a si


mesmo. Ela conhecia seus limites e suas necessidades não sexuais, é
claro. Não, Catherine compreendeu o desejo de Anton pelo controle. Era
a sua aspiração não dita, ser como Nathaniel. O avô sabia dominar
todos e tudo. Alguns poderiam dizer que foi um prejuízo que Nathaniel
tenha mostrado há tão poucas pessoas o seu lado mais suave. Em
retrospectiva, a omissão se mostrava muito útil para Catherine. Ela
poderia abastecer a necessidade de Anton e depender de sua
impulsividade. Na verdade, era uma contradição cômica. Para um
homem que se orgulhava de controle, com os gatilhos certos, ele podia
perder tudo. Anton não detinha o monopólio da sua impulsividade.
Catherine também poderia continuar a depender da impulsividade de
Claire.

Para ser boa, muito boa em manipulação, à pessoa deve


compreender a motivação de seus oponentes. Anton possuía um desejo
ao longo da vida, era agradar Nathaniel. Claire era muito mais simples.
Ansiava interação e carinho. A jogada mais esperta que Catherine já fez,
foi enviar Carlos para sua suíte enquanto Anton estava fora. Olhando
para trás, o movimento tinha sido pura genialidade. De certa forma,
Catherine esperava isso em paralelo a situação atual da Claire. Oh,
bem, talvez Claire pudesse aprender a língua de onde quer que ela
esteja?

~ 172 ~
A impulsividade de Claire girou a chave naquele carro que a levou
para fora da propriedade. Essa mesma impulsividade a levou a queimar
os documentos entregues a ela na prisão. Pelo menos ela os leu antes
de os destruir. Essa informação foi à semente, que mais tarde trouxe
até sua pesquisa impressionante e floresceu em evidências do
departamento de polícia.

Além da impulsividade, Claire se mostrou excepcionalmente


obediente. O bilhete na caixa disse para ler todo o conteúdo, claro que
ela leu tudo. Catherine admitiu que a manipulação de Claire fosse
divertida. Depois que ela foi embora e na prisão, Catherine até mesmo
perdeu. A desatenção de Claire e Anton ao longo de todo o jogo foi a
melhor parte. Isso foi especialmente verdadeiro no início, quando ele
pensou que conhecia Claire bem o suficiente para se comportar
adequadamente, e Claire temia sua reação se ela se comportasse mal.
Nenhum deles percebeu que Catherine foi a única a definir as regras, e
foi perfeito.

Se o governador Bosley não tivesse perdoado Claire, Catherine


acreditava que Claire teria usado essas informações na caixa para expor
os segredos de Anton. O conhecimento, combinado com o isolamento,
teria energizado a retaliação de Claire. Afinal, quem não quereria
vingança depois do que Claire experimentou?

Isso estava tão longe no passado, que Catherine permitiu a sua


mente se perguntar, porque foi durante esse tempo que o plano dela
tomou um rumo inesperado. Anton estava chateado; sua ira atingiu o
pico. Claire deveria ter ficado com raiva. Eles deveriam ter trabalhado
para trazer o outro para baixo. Isso não foi o que aconteceu. Eles não
foram somente não adversários, o seu comportamento um com o outro
mudou para um campo mais sentimental.

Catherine incentivou o retorno de Claire para a propriedade por


uma razão, a de interceder para colocar as coisas de volta nos trilhos;
no entanto, a suave, dócil Claire não retornou. Oh, ela não estava de
repente forte e violenta. Ela também não estava obediente e acolhedora.
A nova Claire fez o sangue de Catherine ferver. Claire era uma Nichols,
que teve a audácia de pensar que ela era a dona da casa! Ela era uma
Nichols, que estava grávida, com um bebê Rawls!

Em 1985, Catherine tinha sido. Ela tinha sido a única esperando


um bebê Rawls e esperando pacientemente para se tornar a dona da
casa. Afinal, Sharron tinha ido embora. Bem, ela não estava morta; no
entanto, ela se foi. Assistir a mulher morrer lentamente tinha sido

~ 173 ~
excruciante. Catherine jurou, nunca mais, permitiria que isso
acontecesse a qualquer pessoa que amava.

Então, nesse mesmo ano, tudo foi tirado dela. Nem tudo, ela
ainda tinha Nathaniel. Ele ensinou como funcionava o mundo e
mostrou que ela era amada. Esses foram os presentes que ela nunca
teve de sua própria família. Quando Nathaniel a presenteou com a
escritura da concessionária de carros do seu pai, era o maior presente
que alguém já tinha dado a ela. Mostrou que o seu amor era ilimitado;
ele faria qualquer coisa para fazer ela feliz. Catherine se sentia da
mesma maneira. Não havia distância que ela não percorreria por
Nathaniel, mesmo hoje. Catherine nunca permitiria que um Nichols
fosse viver na casa de Nathaniel e produzisse uma criança. Não
importava que a casa de Nathaniel estivesse em Nova Jersey. A
propriedade onde ela estava sentada era uma cópia digna. Catherine foi
verdadeira quando ela incentivou a construção de Anton da propriedade
e disse a ele quão orgulhoso Nathaniel ficaria ele não teria se
decepcionado.

Conforme as pontas dos dedos de Catherine correram pela parte


superior dos arquivos privados na gaveta da escrivaninha, ela
contemplou a única coisa que ela não tinha feito por Nathaniel. Agora
que ela realmente estava onde ele queria, Catherine Marie devia isso a
ele, fazendo o que ele queria. Ele queria que ela entrasse em contato
com a filha. Ele queria que Marie criasse a menina, mas esse navio já
havia navegado.

Ela olhou os nomes riscados. Havia tantos. Como ela poderia qual
era a sua filha descobrir? Catherine viu seu próprio nome. Talvez
houvesse uma pista em seu arquivo. Quando ela abriu, ela temia que
seu coração parasse de bombear. A letra não era de Anton. Catherine
conhecia sua letra bem o suficiente para copiar com facilidade. Esta
letra era de Nathaniel.

Rabiscado na margem de um contrato estava o nome Sophia


Rossi. Catherine mexeu na gaveta novamente. A única Sophia era
Sophia Burke. De repente, ela não lembrava mais do amor do marido,
ela se lembrou de sua vingança. Burke? Burke? Não havia nenhuma
maneira que sua filha pudesse estar conectada a Jonathon Burke.

Catherine removeu o arquivo Sophia Burke e abriu a pasta. Acima


do nome digitado, Sophia Rossi, estava o nome rabiscado Sophia Rossi
Burke… Catherine procurou pelas páginas. Havia uma infinidade de
informações desatualizadas; no entanto, escrito acima do texto na

~ 174 ~
segunda página estava um número de telefone. Catherine não pode
resistir; ela usou o telefone com número bloqueado da casa.

*****

Derek atendeu o celular de sua esposa. As últimas semanas


foram demais. Ela não estava a fim de conversar com advogados ou
números bloqueados.

— Olá?

Catherine hesitou, questionando a exatidão do número. Ela


esperava a voz de uma mulher. — Eu sinto muito, eu estou procurando
pela bela menina que eu fui forçada a ceder há 33 anos.

Derek ouviu. Sophia havia dito que não queria saber de seus pais
biológicos. No entanto, esta pode ser sua única chance de descobrir a
verdade. — Sinto muito; minha esposa está indisposta agora. Ela teve
uma semana difícil.

— Sim, essa é a razão pela qual eu estou ligando. Eu nunca quis


interferir entre ela e seus pais adotivos. Mas agora… — Catherine não
sabia como terminar a frase. Agora ela estava sozinha e queria, pelo
menos, conhecer sua filha? Agora ela pensou que sua filha poderia
estar mais aberta para saber sobre sua mãe biológica? Agora ela não
tinha nada melhor para fazer…

Felizmente ela não precisou terminar a frase. Derek interrompeu.


— Diga a data em que deu à luz.

Catherine sentou ereta e rígida. Quem era esse homem exigindo


informações? Ela com certeza não se intimidou. Ela adorava Nathaniel
Rawls e sobreviveu a Anton Rawls… este homem não era nada em
comparação. No entanto, ela respondeu: — 19 de julho de 1980.

Catherine ouviu vozes abafadas. Em seguida, uma voz de mulher:


— Por favor, não ligue novamente. Meus pais estão mortos. Eu não
conheço você.

Marie sentou reta. É claro que ela merecia essa resposta. No


entanto, talvez ela pudesse preencher o vazio deixado pela morte dos
pais adotivos de sua filha. Se não houvesse opção, ela poderia olhar

~ 175 ~
para a jovem mulher de longe, como Anton e Nathaniel tinham feito. —
Me desculpe, eu não vou incomodar novamente.

Decidida, a jovem engoliu suas emoções. — Espere, você poderia


me dar o seu número, eu vou pensar sobre isso. Então, quando eu estiver
pronta eu posso talvez te chamar.

Catherine deu um suspiro de alívio… isso foi mais do que ela


esperava. — Sim, é claro.

A voz de Derek voltou através do receptor, — Você pode me dar o


número. Quando minha esposa estiver pronta, se ela estiver pronta, ela
vai te chamar. Por favor, não ligue de novo.

A mulher hesitou por um segundo e, em seguida, soletrou dez


números. Derek repetiu os números. Não oferecendo uma saudação de
encerramento, ele desligou. Sua preocupação não era com a mulher no
telefone; era a mulher perturbada em seus braços.

*****

Catherine sorriu. Ela fez o que Nathaniel queria que ela fizesse,
ela tinha contatado a sua filha. A partir das informações no arquivo,
Catherine poderia dizer que Anton estava acompanhando Sophia. Ela
perguntou o que, alguma coisa, que ele fez por ela. Catherine precisava
de mais informações.

Anton tinha uma lista de detetives particulares e outros que


tinham se provado úteis no passado. Resumidamente, Catherine
pensou em Roach, Phillip Roach. Ele tinha feito um excelente trabalho
com as instruções de Catherine. É claro, que ajudou que ele não tivesse
ficado feliz em perder o emprego com Anton. Catherine não tinha
certeza se seria capaz de alcançar a ele. Se ela conseguisse, Catherine
quereria saber a localização de Claire?

Oh, ela tinha muitas coisas a considerar. Sinceramente, Claire


podia esperar, ela não iria a lugar nenhum. Agora, Catherine queria
saber mais sobre Sophia. Era um bonito nome, não que ela teria o
escolhido, mas era bonito. Não havia fotos no arquivo, bem diferente de
alguns de uma menina muito jovem. Catherine se perguntou com quem
a filha parecia. Será que ela se parecia com ela? Ou talvez ela
parecesse… Na verdade, foi por isso que ela não queria fazer isso em
primeiro lugar.

~ 176 ~
Catherine Marie London não era mais a assustada, solitária e
abusada adolescente à mercê de seu tio drogado. Não, ela era uma
lutadora forte e uma pessoa empreendedora! Ela adorava Nathaniel
Rawls e sobreviveu a Anton Rawls, ambos foram impressionantes.

Graças a ambos, Catherine agora tinha tempo e recursos. Ela


também tinha uma infinidade de perguntas. O que sua filha faz para
viver? Será que ela foi para a faculdade? Seus pais adotivos foram bons
para ela? Catherine disse a si mesma que eram. Se não, Nathaniel ou
Anton teriam sabido, mas e sobre o marido de Sophia? Seria possível?
Poderia Sophia realmente se casar com alguém associado com Jonathon
Burke? E quem ele pensava que era, falando com ela do jeito que ele fez,
exigindo seu número de telefone? Catherine com certeza não se intimidou.
Se um Rawls não a intimidava, um Burke nunca poderia.

Ela, mais uma vez, procurou a gaveta de arquivos privados.


Quando ela tocou as abas, Catherine lembrou o ditado, não há sentido
em reinventar a roda. Conhecendo Anton melhor do que ninguém,
Catherine tinha certeza de sua atenção aos detalhes minuciosos.
Certamente ele já tinha pesquisado o marido de Sophia. Era verdade,
ela poderia colher mais informações, mas por que não começar com o
que Anton já havia acumulado. Quando ela passou os B, sem Burke,
suas esperanças começaram a desvanecer. Então ela viu o D's, Derek
Burke. Removendo a pasta, ela colocou sobre a mesa e começou a ler. A
primeira página era uma série de e-mails:

Para: Anthony Rawlings

De: Cameron Andrews

Re: Srta. Rossi

Data: 12 de Janeiro, 2011.

Como escrevi no meu e-mail anterior, Srta. Rossi partiu em uma


viagem programada para a Europa. Eu já soube a razão da viagem, era
para casar. Vou lembrar, eu mencionei pela primeira vez Derek Burke
em um e-mail de 18 de dezembro 2010. Eles se conheceram em uma
festa de Natal.

Peço desculpas por não veicular a informação de suas núpcias


mais cedo. Eu não esperava que fosse esse o motivo de sua viagem; no
entanto, uma bandeira vermelha veio quando recebi aviso de seu pedido
de licença de casamento.

Por favor, me informar como proceder.

~ 177 ~
CA

Para: Cameron Andrews

De: Anthony Rawlings

Re: Sra. Rossi-Burke???

Data: 14 de Janeiro, 2011.

É quase meia-noite aqui, e eu só vi agora a sua mensagem. Eu


quero informações e eu quero isso ontem! Como isso pode ter
acontecido tão rapidamente?

Informações, fotos, detalhes… agora!

AR

Para: Anthony Rawlings

De: Cameron Andrews

Re: Sra. Burke

Data: 26 de Janeiro, 2011.

Embora a Sra. Burke esteja agora vivendo em Boston no


apartamento de seu marido, eu apenas confirmei que eles fizeram uma
oferta em uma pequena casa de campo em Provincetown,
Massachusetts. Vou notificá-lo imediatamente se a sua oferta for aceita.

O registro de emprego de Derek Burke é simples. Anexei seu


dossiê. Vou continuar a acompanhar. Favor me informe se você gostaria
que minhas atividades mudassem de alguma forma.

CA

Para: Cameron Andrews

De: Anthony Rawlings

Re: Sra. Rossi-Burke

Date: 27 de Janeiro, 2011.

Quero saber o valor da casa e sua oferta.

Foi reconfortante para Catherine, ela conhecia Anton,


provavelmente melhor do que ele mesmo. Ela só podia imaginar como
ele deveria estar chateado de Sophia ter fugido sem o seu

~ 178 ~
conhecimento! Catherine sentiu uma súbita afeição por ela, que não
sentia pelo nome do homem que ela escolheu para casar!

Folheando as páginas, Catherine encontrou a linhagem de Derek:

Pai: William Burke — Avô: Randall Burke — Bisavô: Truman Burke.

Foi a anotação sob o nome de Truman, o rabisco na letra de


Anton, que chamou a atenção de Catherine: dois filhos: Randall e
Jonathon. Houve a conexão!

A filha de Catherine está casada com o sobrinho-neto de


Jonathon Burke!

Catherine continuou a ler:

Derek Burke contratado em 2013 — Shedis-tics Corporation, em


Palo Alto, Califórnia (subsidiários da Rawlings).

Quando não havia mais nada para ela saber, ela virou para o
computador de Anton e acessou sua lista particular de contatos. Foi
nesta lista que ela tinha encontrado Phillip Roach, em primeiro lugar.
Quando ela falou pela última vez com Anton, ele brincou com algo sobre
Catherine saber tudo o que acontecia na casa. Sorrindo para ela estava
o acesso à sua informação privada, Catherine duvidava que Anton
tivesse ideia do quanto realmente certo ele tinha estado.

Embora ela pudesse saber de tudo dentro destas paredes,


Catherine queria saber mais. Um dos nomes nesta lista seria apenas a
pessoa a ajudando a realizar esse objetivo.

*****

Sophia enxugou os olhos. — Obrigada. Você pensa que eu estou


toda chorosa.

— Eu não acho que haja algo de errado em estar emocional sobre


isso. Quero dizer, você estava dizendo a algumas semanas, que você
não queria conhecer quaisquer outros pais, além das grandes pessoas
que você chamou de pais, e se você ainda se sente assim, então você
tem o meu apoio. Se você mudou de ideia, então eu vou suportar isso
também.

Sophia deu de ombros. — Eu não sei o que eu quero.

~ 179 ~
Derek sorriu. — Então não decida agora, não há pressa.

Apoiando no abraço de seu marido, Sophia cantarolou: — O que


eu fiz para merecer você está além de mim. Obrigada por tudo.

Com a cabeça sob o queixo, Derek suspirou. Seu único desejo era
que Sophia fosse feliz. Persistente na boca do estômago era o
sentimento de apreensão. Ele temia que por se envolvesse nessa
conversa, ele a colocaria em maior decepção. A última coisa que ele
desejava para sua esposa era mágoa. Ela já teve demais.

Os Rossis foram maravilhosos, pais amorosos, e havia uma parte


de Derek que desejava ter desligado na cara da mãe biológica de
Sophia, antes que a conversa nem sequer começasse.

~ 180 ~
Talvez todos os dragões nas nossas vidas são
príncipes que estão apenas à espera de nos ver agir,
apenas uma vez, com beleza e coragem. Talvez tudo o
que nos assusta é, na sua essência mais profunda,
algo desamparado que quer o nosso amor.

- Rainer Maria Rilke

Capítulo dezoito
Durante o jantar, Francis ofereceu a Tony e Phil roupas. Parecia
que ao longo dos anos, um grande acúmulo de itens tinham sido
deixados e armazenados na ilha; essas roupas seriam suficientes, até
que outras mais ao seu gosto pudessem ser encomendadas e enviadas
para a cidade. Murmurando baixinho, Claire mencionou: — Eu estava
pensando em encomendar algumas, mas uma ligação e mudei de ideia.

A única pessoa que ouviu o comentário dela foi o homem ao seu


lado. Na verdade, ele era o único que ela queria que ouvisse. Com uma
mesa de espectadores, Tony não respondeu verbalmente; No entanto,
ele chegou a mão dela e a apertou.

Depois do jantar, Francis e Madeline deixaram Tony, Claire e Phil


a sós, e Tony explicou a sua situação atual. Ele disse a Claire sobre o
questionamento e ultimato do FBI. Ele explicou como ele tinha sido
instruído a ficar em contato com o departamento, de outra forma ele
seria considerado um fugitivo, baseado sob a acusação de agressão
doméstica.

Claire sacudiu a cabeça com veemência. — Não! Não foi isso que
eu disse a Evergreen. Eu disse a ele que eu estava fugindo, mas não de
você! Eu nunca disse nada sobre queixa.

— Eu sei. — Tony não parecia chateado. Este não era um


território novo para qualquer um deles; todos sabiam da história de
Claire e Tony. —Roach me contou o que você disse para Evergreen. É
algum truque deles, Brent disse que era para obter mais informações.

— Brent? — Perguntou Claire. — Podem Brent e Courtney


saberem a verdade? Será que eles sabem que estamos bem?

~ 181 ~
Tony balançou a cabeça. — Não. É mais seguro para eles dessa
forma.

Claire baixou os olhos e olhou para seu colo. Ela entendeu; no


entanto, isso não diminuiu a dor de saber que ela mentiu para seus
amigos mais próximos, de novo.

Tony descreveu como Eric ajudou a deixar os Estados Unidos, e


como ele viajou por toda a Europa. Quando ele falou sobre paradas
específicas ao longo de sua jornada, eles ficaram chocados ao saber o
quão perto seus caminhos estavam. Tony também fizera perguntas.
Como Claire encontrou a ilha? Onde exatamente eles estavam? Claire
tinha ficado em contato com alguém desde que chegou?

Claire adiou algumas de suas perguntas para Phil, enquanto ela


respondia a outras. — Eu não estive em contato com ninguém. Eu
tenho um telefone não-rastreável, Phil deixou aqui, e eu tenho Har…
um número para um contato no FBI.

Tony sentou reto e olhou para Phil. Falando a ninguém em


particular, Phil perguntou: — Será que é a minha deixa para sair dessa
discussão?

Claire respondeu primeiro: — Não, você sabe as respostas para as


suas perguntas mais do que eu, mas antes dos dois discutirem as
coordenadas de nossa localização, devo dizer-, Tony, eu vi Harry na
Itália.

— Eu também — sua voz baixou. — Ele me disse que estava com


você. Na verdade, ele me mostrou uma foto.

— Uma foto? — Claire parou — Que tipo de foto que ele mostrou?
E o que você está, ou ele está, implicando, com ela? Eu o vi, eu não
estava com ele!

Tony estendeu a mão e pegou a mão dela. A dureza que tinha


ouvido segundos antes desapareceu, enquanto seu polegar esfregou o
topo de sua mão. — Não foi nada, apenas a confirmação que tinha visto
você.

— Bem, ele lhe disse que ele é um agente do FBI? Eu não tive a
impressão de que foi uma mudança recente na profissão.

Tony assentiu. — Ele o fez. Aparentemente, ele deveria ser o meu


contato. — Sorrindo novamente, ele acrescentou: — Eu não posso sair
da Suíça, sem falar com ele primeiro.

~ 182 ~
Phil exclamou: — Droga— também com um sorriso — Eu sabia
que se esqueceu de fazer alguma coisa.

— Você acha que ele vai rastrear você até aqui? — Claire não
conseguia esconder o pânico em sua voz.

Phil respondeu: — Com tantas reviravoltas e mudanças de nome


como nós tivemos? Eu vou ter sorte se eu puder explicar onde estamos.

Claire suspirou. — Bom, eu estou tão feliz que você está aqui,
ambos, mas a última coisa que eu quero são visitantes inesperados.

Foi Madeline que interrompeu a conversa, — desculpe, senhores,


Francis tem as roupas para cada um de vocês. Elas estão agora em
suas suítes. — Depois que ambos agradeceram, ela continuou, —
Madame, se não há mais nada, vamos também nos retirar.

— Isso é bom, Madeline, obrigado.

Alguns momentos depois, Tony e Phil entraram na casa para se


limparem. Os dois estavam vestindo suas roupas atuais por mais de 24
horas e não viam a hora de mudar.

Sentada sozinha na varanda, Claire fechou os olhos e ouviu o


mar. A onda de emoções durante as últimas horas, combinadas com os
hormônios em fúria, intensificaram as batidas familiares em suas
têmporas. Ela sabia que suas dores de cabeça incomodavam Tony, e ela
não queria que nada perturbasse a reunião de hoje à noite. Havia uma
parte dela que se sentia como uma recém-casada prestes a se juntar ao
marido pela primeira vez. Foi um pensamento tolo, que não poderia
estar mais longe da verdade; No entanto, as borboletas no estômago
dela se apertaram a antecipação adicionada a seus nervos retesados.

Ela não ouviu os passos de Madeline, ou mesmo soube que ela


ainda estava presente, até que ela falou: — Madame, você está bem?

Claire pulou. — Oh! Você me assustou. Eu pensei que você tinha


ido embora.

— Estávamos indo, mas eu vim para ver como você está. É a


cabeça de novo? Isso te incomoda?

Claire estendeu a mão e tocou a mão de Madeline. — Por favor,


não mencione minhas dores de cabeça perto do Sr. Rawlings.

~ 183 ~
— Tenho certeza de que ele sabe. Ele olha para você com tanta
adoração, como se ele conhecesse seus pensamentos. Eu soube
imediatamente que ele era quem você estava esperando.

Claire sorriu. — Eu nunca disse que estava esperando por


alguém.

— Não, Madame, você não falou. — Madeline percebeu o


diamante na mão de Claire. — Você está para se casar?

Torcendo o diamante, Claire suspirou. O sorriso dela tentou


disfarçar a tristeza em seus olhos. — Ah, é uma história muito longa.

— Você é muito jovem para ter uma longa história.

— Você está certa, eu sou, mas eu tenho. Em poucas palavras, o


Sr. Rawlings e eu nos casamos, nos divorciamos, e ele me pediu para
casar com ele de novo, e eu disse que sim. Madeline, eu cometi um
monte de erros, especialmente nos últimos anos. Eu não quero cometer
outro.

Os olhos de Madeline brilhavam como faróis na escuridão. —


Madame, eu não sei a sua longa história. Eu posso ver que você é
abençoada com as pessoas que você ama, e no pouco tempo que te
conheço, eu entendo o por que. Quando Monsieur Rawlings chegou, eu
vi o amor e alegria em seus olhos. Por que você está agora
reconsiderando?

— Oh, eu não estou, eu o amo, eu sei. — Claire esperava que


Madeline não notasse as lágrimas descendo calmamente pelas suas
bochechas. Ela trabalhou para manter a voz firme. — Antes de casar de
novo, eu preciso saber algumas coisas. Eu preciso de algumas
respostas.

— Não é da minha conta, então se você não quer o meu conselho,


eu vou sair.

Claire balançou a cabeça. — Eu não cresci com lugares certos.


Este modo de vida é parte da minha longa história. Então, Madeline, eu
ficaria honrada em ouvir o seu conselho.

— Madame, as coisas acontecem por uma razão. Se a sua longa


história é feliz, isso é maravilhoso; no entanto, eu acredito que há mais
do que isso. Alguma das respostas que você procura você tem medo do
que você pode descobrir oui?

Claire assentiu.

~ 184 ~
— Você o ama, apesar da longa história, oui?

Claire balançou a cabeça novamente. — Eu amo.

— E, Madame, ele te ama. Será que ele sabe a sua história?

— Sim, ele sabe a minha história.

— O que tememos é o que nós não sabemos. Quando algo é


envolvido pela escuridão da incerteza, é um mistério. Permita que a luz
penetre a escuridão, tornando tudo claro, — ela apontou para o mar
escuro — Olhe para o oceano. Na escuridão, tudo o que você pode fazer
é ouvir o vento e as ondas. Você se pergunta, existem criaturas, barcos,
ou perigos incalculáveis à espreita? Nós não sabemos, e, em seguida,
em nossas mentes, criamos perigos que na verdade não existem. Na
parte da manhã, quando o sol brilha e você vê as profundezas da água
azul cristalina, ou todo o caminho até o horizonte, você sabe que são
seguros — apertando a mão de Claire, ela acrescentou — À luz do dia,
eu vejo o seu amor. Por favor, não permita que a escuridão da noite
esconda o que está bem na frente de vocês. Mesmo que essas respostas
não sejam o que você quer ouvir, você acha que elas podem ser tão
ruins quanto você imagina?

Claire deu de ombros. — Eu realmente não sei. Eu sei que eu


quero não pensar nelas agora e me preocupar com elas mais tarde.

A voz de Madeline desacelerou. — Se isso vai fazer você se sentir


melhor; No entanto, eu descobri que quanto mais eu adiar a acender a
luz, maior o monstro debaixo da minha cama se torna. — Mais uma
vez, ela apertou a mão de Claire e, em seguida, enfiou a mão no bolso e
entregou a Claire um lenço de papel. — Posso te pegar alguma coisa?

Claire enxugou os olhos e bochechas. Milagrosamente, as


lágrimas serviram como um respiradouro, liberando um pouco da
pressão de sua cabeça. A dor não era tão intensa. Com um sorriso
triste, ela respondeu: — Você já me deu muito, obrigada. Tenha uma
boa noite.

— Boa noite, Madame.

Apreciando a calma da escuridão, Claire refletiu sobre as palavras


de Madeline. Se Madeline apenas soubesse a verdade, por um tempo,
aquele monstro no escuro foi realmente o homem no outro quarto.
Agora, o monstro era uma mulher na qual Claire confiou. Será que ela
poderia confiar em seus próprios instintos? Um leve sorriso surgiu em

~ 185 ~
seus lábios enquanto ela se lembrou das palavras de Phil. Ele disse a
ela para fazer exatamente isso, ouvir e confiar em seus instintos.

Quando Claire levantou para ir ao seu quarto, ela viu a sombra


perto do final da varanda; em vez de ir pela casa, Claire seguiu sua
intuição e caminhou em direção à escuridão. Do lado de fora de sua
suíte, Tony saiu da sombra e gentilmente pegou Claire em seus braços.

Seu cheiro de banho tomado, dominando a brisa do mar salgado


penetrou seus sentidos. Claire adorava o cheiro de sua colônia. Na
parte da manhã, ela gostava de acordar e sentir.

Tony olhou em seus olhos. — Eu gosto deste sorriso. Depois do


que eu ouvi, eu não estava esperando.

— Quanto você ouviu?

Ele a levou para uma poltrona, sentou primeiro, e puxou Claire


para baixo na frente dele. Essa era sua posição de conversa, seus
corpos tocando, seus mundos conectados, mas seus olhos ainda
permaneciam privados. Claire sentiu seu peito subir e descer. Enquanto
esperava que ele respondesse, ele passou os braços em volta dela,
abraçando em seu peito, e estendeu as grandes mãos em sua cintura.
Assentando no peito dele, Claire sentiu o calor de seu hálito com creme
dental perfumado golpear contra o pescoço dela. Seu vínculo continha
uma sensação de intimidade que ela nunca tinha compartilhado com
ninguém. Suas mãos em seu corpo pareciam certas. Até o momento em
que ele falou, ela tinha quase esquecido sua pergunta. Seu tom de
Anthony Rawlings CEO disse a ela que ele havia pensado na sua
resposta. — O suficiente, ouvi dizer que você me ama e que, antes de se
casar novamente, você tem perguntas que você gostaria de ver
respondidas.

Claire assentiu. — Eu tenho. — No entanto, neste momento no


tempo, seu coração não estava no clima de pedir. Não era que ela queria
que o monstro que Madeline mencionou crescesse mais. Foi que, pela
primeira vez em mais de um mês, ela se sentia segura. Seu abraço
concluía a liberação de pressão que seu pequeno choro havia começado.
Fechando os olhos, ela encostou a cabeça em seu ombro e aproveitou a
paz interna, nada nunca pareceu tão certo.

— Você quer perguntar alguma coisa?

— Eu quero, mas não esta noite.

~ 186 ~
Tony virou os seus ombros, de modo que eles estavam
enfrentando um ao outro. — Você não está preocupada com o monstro
crescendo?

Claire balançou a cabeça enquanto seus lábios se tocaram. —


Não, ele não vai a lugar nenhum, mas eu tenho certeza que ele não
pode ficar maior. Lembre, eu disse que queria que esta noite fosse
apenas sobre nós.

No luar fraco, Claire viu o sorriso de Tony. Seu tom era mais leve,
com um golpe de sedução. — Eu me lembro de que — o seu dedo traçou
seus lábios — Também me lembro de algo sobre essa boca linda.

Ela estava com os olhos de esmeralda cintilando e as borboletas


de desejo mexendo dentro dela. Oferecendo a mão dela, ela sorriu. —
Venha e me lembre.

Tony não precisava ser convidado duas vezes. Enquanto eles


desapareceram na suíte master, os cuidados e preocupações
permaneceram de fora. Haviam cartas a serem reveladas, e com o
tempo, elas seriam. Eles tinham uma história longa, complicada com
um monstro e um cavaleiro. O que fez a sua história original era que
estes dois jogadores eram a mesma pessoa.

Naquele momento, Tony era seu cavaleiro de armadura brilhante.


Ela estava sozinha no paraíso, presa pela bruxa má. Seu futuro parecia
incerto; então, de repente, ele chegou. Assim como nos contos de fadas,
ele veio e a resgatou, a libertando de sua prisão de isolamento.

O resto do mundo desapareceu enquanto seus lábios sugaram a


pele sensível entre o pescoço e o ombro. Apesar do calor tropical, os
braços e as pernas formigaram com arrepios. Um gemido escapou de
seus lábios familiares. Com mãos hábeis, ele puxou seu vestido de
verão acima de sua cabeça e ele caiu em uma poça rosa. Tomando um
passo para trás, os olhos de Tony digitalizavam seu corpo exposto. Seu
sorriso de aprovação irradiava para os olhos, com o desejo escuro
rodando com os tons de chocolate do amor.

Segundos depois, Tony caiu de joelhos e beijou carinhosamente a


barriga alargada. Lutando para permanecer em pé, Claire suspirou e
teceu os dedos pelo seu cabelo. Em vez de desfrutar a sensação de suas
carícias e beijos, ela estava momentaneamente sobrecarregada com
alívio. Nas últimas seis semanas, seu bebê tinha crescido, e seu corpo
tinha mudado. — Eu estava com tanto medo…, — ela murmurou.

Ainda ajoelhado, ele olhou para cima. — De quê?

~ 187 ~
Apesar de Claire não querer admitir sua insegurança, ela não
conseguia desviar o olhar. Ela não podia mentir. — Que você não iria
me querer, que você não fosse pensar que eu era sexy o suficiente.

O fogo se alastrou por trás do marrom. Suas pernas fraquejaram.


De repente, de joelhos, vestindo apenas calcinhas de renda, eles
estavam olho no olho. Ainda completamente vestido, ele emoldurou seu
rosto com as mãos. Ela ouviu uma combinação de dor e de adoração em
sua voz. — Como você pode pensar isso? Meu Deus, você é a mulher
mais bonita do mundo. Você sempre será — inclinando para beijar ela
no estômago, ele recuperou o contado dos olhos — Eu não achei que
seria possível, mas agora, com o meu filho dentro de você, você está
ainda mais bonita — Sorrindo, Tony pegou a mão de Claire — Deve ser
muito óbvio; Eu acho que você é incrivelmente sexy.

Ele estava certo; era óbvio. Ela sorriu e sorriu tolamente. — Se for
esse o caso, que eu admito que pareço ser sexy por que eu sou a única
despida?

— Porque, você é poderosamente sexy, e eu quero te ver todinha.

Desabotoando sua camisa, Claire chupou seu recém-barbeado


pescoço. — Isso não parece justo, — ela ronronou. Seus beijos moviam
por seu peito, até que ela não podia dobrar mais baixo. Sentando reta,
ela inalou. — Isso tem suas desvantagens.

— Desvantagens de uma pessoa, são vantagens de outra pessoa,


— disse Tony com seu sorriso diabólico derretendo seu mundo. Já não
se sentia grande e desajeitada. Claire se viu como Tony viu. Com a mão
na sua, ele a levou para a cama grande, onde suas roupas e sua
calcinha desapareceram na poça rosa do vestido.

Antes que ela pudesse considerar ou perguntar, seu mundo


tornou novamente um. Não importava que o seu corpo e forma
estivessem mudando. Eles pertenciam um ao outro.

Metaforicamente, o lobo estava à porta. Realisticamente, sua vida


estava de cabeça para baixo; No entanto, naquele momento, em seu
quarto, em sua casa, em sua ilha, e em seu paraíso, eles tinham um ao
outro, era uma vitória. Catherine tentou os separar, e eles tinham
superado o seu estratagema. Eles não sabiam se tinham vencido uma
batalha ou guerra. Naquele momento, celebração era o seu único
objetivo.

— Tony? — Disse Claire quando ela se aninhou em seu peito, com


o som do seu coração batendo em seu ouvido.

~ 188 ~
— Hummmmm?

— Me fale uma coisa.

Seu braço envolveu em torno de seu ombro nu. — Eu pensei que


esta noite fosse uma noite sem dúvidas, uma noite apenas sobre nós.

Ela levantou a cabeça para ver o rosto dele. — É. Eu não estou


pedindo qualquer coisa. Eu quero que você me diga uma coisa.

— Oh, você quer? O que você quer que eu diga?

— Eu quero que você me diga que estamos seguros, que


Catherine, o FBI, que ninguém pode tirar isso de nós.

A diversão de sua pergunta desapareceu. Ela observou como o


Anthony Rawlings CEO surgiu a partir do homem que ela estava
segurando firme. Ela reconheceu imediatamente a sua voz; era a que ele
usava com as empresas, o que não deixava espaço para debate, o que
ela costumava odiar, era o tom que ela precisava. — Nós estamos
seguros. Ninguém e repito ninguém, nunca vai levar a minha família
para longe de mim.

Claire beijou sua bochecha e se acomodou na dobra do seu braço.


Ela sabia que o que ele tinha acabado de dizer ia além de seu controle;
no entanto, ela podia fingir. A ilusão a encheu de paz momentânea, que
ela precisava. Em poucos minutos, ela estava dormindo no ombro duro
de Tony.

~ 189 ~
Preocupe-se mais com seu caráter do que sua
reputação, porque seu caráter é o que você realmente
é, enquanto sua reputação é apenas o que os outros
pensam que você é.

- John Wooden

Capítulo dezenove
Pela centésima vez, o agente Harrison Baldwin leu na tela de seu
celular e perguntou se ele poderia evitar a multiplicidade de mensagens
de texto por mais tempo. Se ele não respondesse, SAC Williams de
repente esqueceria o discurso e a possibilidade de rebaixamento, que
estava, sem dúvida, vindo em sua direção? Não havia dúvida, ele
merecia. Harry tinha feito exatamente o que SAC Williams disse para não
fazer, ele permitiu que o caso se tornasse pessoal. Harry sabia que não
era verdade. O caso Nichols/Rawlings não tinha se tornado pessoal
tinha sido pessoal desde antes que ele visse Claire Nichols na Itália.

Harry decidiu que a sua incapacidade de manter a sua atribuição


profissional foi, em parte, devido à sua própria asneira na vida pessoal.
Infelizmente, ele permitiu que ambas as vidas se entrelaçassem, quando
se tratava de ser um agente do FBI, isso nunca foi uma coisa boa.

A melhor parte de sua vida pessoal tinha sido sua reconexão


recente com a irmã. Sem dúvida, Amber era a sua família mais próxima,
e depois de seu divórcio, ela era o que ele realmente precisava.

Ao longo da história do tempo, Harry tinha se apaixonado sempre


muito rapidamente. Ilona não foi uma exceção, e quando eles eram
jovens e vivendo um sonho no sul da Califórnia, havia amor, ou era o
que eles dois pensavam; então a vida aconteceu.

O fascínio de Harry com a aplicação da lei começou na infância.


Ele não tinha certeza de como ou por que, mas a partir de uma idade
jovem, ele sabia que era o caminho que pretendia seguir. Tudo começou
com uma licenciatura em criminologia, que o levou para a agência de
investigação da Califórnia. Ilona sabia que ela tinha casado com um
policial e estava tudo bem com isso; no entanto, ela não se inscreveu
para ser a esposa de um agente do FBI.

~ 190 ~
A entrevista inicial de Harry no FBI estava realmente em um
desafio, uma noite fora com os amigos policiais e bebidas; No entanto,
antes que ele percebesse, as coisas começaram a acontecer, ele passou
na primeira e segunda fase de testes, passou nos testes de aptidões, e
recebeu a carta condicional de nomeação.

Embora ele e Ilona houvessem discutido suas aspirações,


nenhum deles imaginava as consequências ou as repercussões sobre o
seu casamento recente. Depois de passar no teste físico, verificação de
antecedentes e exame médico, a meta que ele nunca esperava obter
estava bem na frente dele.

A agência tem cinco carreiras. Com base na formação e


experiência dentro da agência da Califórnia de Harry, ele foi selecionado
para a Divisão de Investigação Criminal (CID). Esta divisão coordena,
administra e dirige programas de investigação com foco em crimes
financeiros, crimes violentos, crime organizado, corrupção pública,
violação dos direitos civis individuais, crimes relacionados com as
drogas e assuntos com informantes associados a estas áreas de
investigação. Coincidentemente, o Agente Nichols também estava no
CID.

A consequência mais assustadora do emprego dos sonhos de


Harry foi o tempo longe de sua mulher. Não foi um processo gradual,
não foi algo que eles facilitaram para eles mesmos. Em um momento,
eles estavam juntos todos os dias, depois, ele se foi. A primeira
separação que eles suportaram, foi quando Harry foi participar da
Academia do FBI na Virginia. Ele deve dizer que, durante esse tempo,
ele sentiu falta de sua esposa; No entanto, o treinamento foi intenso.
Durante essas 21 semanas, ele vivia e respirava FBI e adorou cada
minuto disso. Pelo menos, durante seu treinamento, ele e Ilona
poderiam ocasionalmente se falar.

Depois da academia, é costume os novos agentes classificarem os


seus locais desejados para a sua primeira missão. Ilona queria ficar na
Califórnia, de modo que Harry fez a sua escolha. Com quatro escritórios
de campo no estado, ele usou todas as suas seleções para acomodar a
sua esposa. A colocação não foi baseada apenas na preferência; foi
também com base na necessidade e orçamento. Os Baldwins ficaram
chocados quando Harry foi designado a Seattle, Washington. Ilona não
gostou de Seattle. O tempo era muito frio e chuvoso, e ela sentiu falta
dos amigos na Califórnia e da família no Leste.

Durante o segundo ano de Harry fora da academia, enquanto


ainda estava dentro de seu período de estágio, ele foi selecionado para

~ 191 ~
uma missão secreta. Foi uma honra; no entanto, a atribuição deixou
Ilona sozinha novamente. Desta vez, ela estava presa em uma área que
detestava e seu marido tinha desaparecido, estava totalmente
inacessível por um tempo indeterminado. Para piorar a situação,
durante sua ausência, ela soube que estava grávida. Reflexivamente,
Harry compreendeu o seu isolamento e depressão. Na época, ele não
compreendia. Ele estava muito ocupado concentrando no trabalho.
Uma missão secreta para um agente júnior era um impulso
monumental em sua carreira; a experiência foi emocionante, e suas
avaliações foram estrelares. O agente Baldwin amou o mundo secreto.

Quando ele voltou para Seattle, a gravidez de Ilona estava visível.


Eles não tiveram nenhuma comunicação durante a sua missão, de
modo que a revelação da gravidez foi, no mínimo, chocante. A reação
inicial de Harry foi menos do que positiva. Não era que ele não quisesse
crianças, ele nunca lhes deu qualquer pensamento. Ilona presenteou
com um ultimato, seu trabalho ou sua família. Harry deveria ter
escolhido a sua família.

Ele não o fez.

Antes de seu filho nascer, Ilona voltou ao Leste para viver perto de
seus pais, e Harry pediu transferência para San Francisco. Desta vez,
eles lhe concederam o pedido. Desde aquela época, Ilona casou
novamente. A designação em San Francisco fez sentido para Harry. Era
o único lugar no qual ele poderia ter o seu trabalho e alguns familiares,
Amber McCoy, sua meia-irmã, morava lá.

Embora os dois tivessem crescido na mesma casa, eles não eram


próximos. Amber era mais jovem, e a que tinha ambos os pais. Seu pai
tentou preencher a lacuna para Harry; no entanto, até o FBI, ele sempre
sentiu que algo estava faltando. Infelizmente, ele reconheceu que ele
não era melhor do que o homem que contribuiu para o seu patrimônio
genético. Um dia, a filha que ele só viu por fotos, seria confrontada com
a mesma necessidade não atendida.

Quando Harry se mudou para San Francisco, Amber estava


vivendo um sonho. Ela tinha tudo, exceto um anel. Simon Johnson e
Amber estavam vivendo e trabalhando juntos. Ele era um grande cara,
muito inteligente, um empreendedor maravilhoso e excelente para a
irmã de Harry. Harry e Simon ficaram amigos instantaneamente. Pode
ser seguro dizer que Harry gostava da companhia de Simon mais do que
a da Amber; No entanto, durante esse tempo, todos eles se tornaram
próximos.

~ 192 ~
Harry trabalhou fora do escritório local de San Francisco e,
ocasionalmente, partiu para o trabalho de campo à paisana. Quando a
Sijo começou a ter problemas com a segurança, Harry ofereceu seus
recursos. Desde que ele era contratado pelo governo federal, ele só
poderia fazer um contrato de trabalho com a Sijo. Seu amigo, Lee, da
agência de investigação da Califórnia, assumiu o cargo de chefe de
segurança da Sijo. Embora Harry não trabalhasse oficialmente na Sijo,
sentiu uma conexão com a empresa, que o seu amigo e irmã estavam
trabalhando tão duro para fazer crescer.

Após seu divórcio de Ilona, Harry não estava interessado em um


relacionamento com outra pessoa. Ele prometeu a si mesmo que os
seus dias de queda rápida e dura por um rosto belo ou personalidade
atrevida acabaram. O FBI era a sua vida.

É verdade, às vezes se sentia como se a vida empilhou o baralho.


Harry não tinha sempre a certeza se era a favor, ou contra ele.

Quanto mais Harry trabalhou na Sijo Segurança e passou um


tempo com Simon e Amber, mais ele questionou o voto de permanecer
solteiro. Honestamente, quando conheceu a assistente de Amber, eles
eram apenas amigos; no entanto, quanto mais seus caminhos se
cruzavam continuamente, mais a sua relação floresceu. Com o tempo,
eles começaram a ver um ao outro, em jantares com Simon e Amber,
indo ao cinema, longos finais de semana, transando.

Desta vez, Harry entrou no relacionamento com tudo às claras.


Ambos concordaram, eles eram adultos com nenhuma intenção de um
compromisso em longo prazo. Harry explicou desde o início que seu
trabalho poderia chamar a qualquer momento, e ele precisava sair. Ele
disse a Liz que seu relacionamento poderia acabar de repente, se ele
precisasse sair à paisana. Harry não tinha a intenção de deixar outra
mulher esperando por seu retorno, como ele fez com Ilona.

Quando Simon finalmente propôs Amber em casamento, Harry


ficou igualmente feliz. Infelizmente, Harry estava em uma missão
quando o avião de Simon caiu. Assim que ele ouviu e recebeu folga, ele
viajou de volta para a Califórnia. Após a morte de Simon, Harry e Liz se
mudaram para o prédio de Amber. Talvez tenha sido a perda de Ilona e
Jillian de sua vida, mas Harry tinha finalmente reconhecido a
importância da família, e ele não podia deixar Amber sozinha nessa
hora de necessidade.

Quando Claire Nichols fez o primeiro contato com Amber, Harry


lembrou de que sua irmã estava chateada, tanto pelo conteúdo do e-

~ 193 ~
mail, quanto pelo seu remetente. Provavelmente mais por curiosidade,
Amber optou por continuar a correspondência. Depois que elas
trocaram mais e-mails, tanto Amber quanto Harry viram a lógica por
trás das alegações de Claire.

A investigação em torno do acidente de avião de Simon nunca


tinha sido fechada totalmente. Harry sabia que a incerteza adicionava
angústia em sua irmã e esperava que a intuição de Claire quanto a
Anthony Rawlings ajudaria sua irmã a ter um fechamento final.

Nos resultados preliminares do National Transportation Safety de


Board, NTSB, a investigação relativa ao acidente de Simon, centrou no
erro do operador. A agência reconstruiu meticulosamente o avião e
analisou os planos de voo. Simon Johnson era um piloto, as condições
meteorológicas eram ideais para o voo e não havia sinais de
equipamentos com defeito ou adulteração. Os números não fechavam.

Com as suspeitas de Claire montadas, Harry decidiu levar esta


nova evidência para seus superiores, no escritório de campo de San
Francisco. Ele não só levou as alegações sobre Simon, mas lembrou de
todo o conteúdo da entrega na prisão para Claire. Harry não tinha ideia
de que ele estava apresentando ao FBI informações sobre um de seus
casos arquivados. À luz das novas alegações, o escritório de campo de
San Francisco atribuíu uma nova equipe para rever provas antigas da
agência sobre a morte do agente Nichols.

Quando o advogado de Claire inesperadamente contatou Amber e


pediu sua ajuda com a mudança de Claire para Palo Alto, Amber ligou
para Harry e Harry ligou para a agência. Desde que Harry não estava à
paisana no momento, SAC Williams decidiu que Claire seria a nova
atribuição do agente Harrison Baldwin. Foi o FBI que recomendou a
mudança nas reservas de Claire e efetuar a viagem em um avião
particular. A agência tinha várias razões para esta mudança de planos,
a complexidade do caso, a garantia da localização de Claire, e o tempo
necessário para a agência ter suas histórias de capa prontas.

Na manhã que Harry entrou no condomínio de Amber, ele não


tinha certeza do que ele encontraria. Não era a mulher que Simon
lembrava com carinho, lá estava à escavadora de ouro, ex-barman, que
tentou matar o marido rico, teve sorte com o perdão e era estúpida o
suficiente para queimar a evidência real. Sem dúvida, esta foi uma
tarefa incomum.

Harry entendeu o interesse do FBI em Claire Nichols, e sua


esperança de que ela poderia trazer novas informações ao caso

~ 194 ~
arquivado envolvendo seu avô. Ele também sabia que esta missão era
uma das, hora certa, lugar certo. Em todo caso, Harry não deveria ter
sido atribuído a qualquer caso que envolvesse a morte de Simon
Johnson, na verdade o caso era pessoal desde o início. Não havia
dúvida, até mesmo antes de conhecer Claire, que Harry queria provar a
culpa de Anthony Rawlings.

Quando Liz e Harry começaram a namorar, ela prometeu que ela


entendia o seu compromisso com a sua carreira. Na verdade, ela
demonstrou isso em várias ocasiões. Cada vez que Harry foi chamado,
ela seguia em frente com sua vida. Ela não fez perguntas sobre o que
ele fez enquanto ele estava fora, e se tivesse, ele não teria sido capaz de
responder. Não era que ele tinha façanhas sexuais em cada missão,
Claire era sua primeira; no entanto, Liz tinha mostrado a Harry o apoio
que Ilona não deu, ou não conseguiu.

Compreensivelmente, nem Liz, nem Harry anteciparam que a sua


missão secreta aconteceria bem debaixo do nariz de Liz. À noite, o avião
da Sijo chegou com Claire Nichols a bordo, Harry mudou do
apartamento de Liz para um apartamento próprio. Disse o que ele tinha
dito um milhão de vezes, quando confrontado com o ultimato, ele
sempre escolheu o seu trabalho. Ele também disse que Claire Nichols
era apenas mais uma missão. Era o que ele acreditava na época.
Inicialmente, Liz permaneceu solidária.

Quando Harry conheceu Claire, sua definição mudou. Com essa


mudança, veio uma mudança no entendimento de Liz. Do ponto de
vista de Harry, ele nunca foi infiel. Ele disse a ela que, enquanto em
missão, eles já não eram um casal. Não foi culpa de Harry que, quando
foi confrontada em ver os dois todos os dias, que ela não entendeu.

Por um momento no tempo, quando Harry acreditou que ele


poderia ser pai mais uma vez, Harry disse a Amber algo que ele nunca
pensou que ele diria. Ele disse a sua irmã que ele queria o trabalho na
Sijo; em vez de fingir, ele queria ser o presidente de Operações de
Segurança e planejava demissão do FBI. Harry queria ser para esta
criança, o pai que ele não tinha sido para sua própria filha. Naquele
momento, sentado com sua irmã na lanchonete do hospital, Harry
decidiu que a única parte do caso secreto que importava, era manter
Claire e seu filho a salvo de Anthony Rawlings.

Mais uma vez, a vida aconteceu. Desta vez, as malditas cartas


jogaram definitivamente contra ele. Claire informou que ele não era o
pai de seu bebê. Em retrospecto, Harry não sabia ao certo se as suas
decisões naquela tarde, na lanchonete do hospital, foram baseadas em

~ 195 ~
Claire ou no bebê. Agora que ele e Liz estavam se reconciliando, ele se
inclinou para a segunda; No entanto, ele ainda queria manter Claire e
seu filho em segurança.

SAC Williams analisou o caso e as ações de Harry. Ele decidiu


que o agente Harrison Baldwin precisava de uma pausa da agência; ele
não foi demitido ou rebaixado; em vez disso, o FBI o colocou em licença
médica temporária e exigiu que ele assistisse às sessões de
aconselhamento. Nestas sessões com um psicólogo, a agência
determinaria por que ele ultrapassou seus limites profissionais com
Claire Nichols. Enquanto ele fez o que eles disseram, eles fizeram Harry
rir. Esta foi a primeira vez que ele já tinha estado pessoalmente
envolvido com um informante; no entanto, ele tinha estado na agência
tempo o suficiente para saber que não era uma situação única.

Além de sessões de aconselhamento pessoal, ele foi obrigado a


participar de seminários de assédio sexual. Aparentemente, se Claire
Nichols estivesse disposta, ela poderia prestar queixa contra Harry. Na
realidade, há seis meses, ele tinha comprometido o caso e manchado a
agência. Agora, mostrando a Rawlings a imagem de Claire e ele
segurando as mãos, Harry tinha feito isso de novo.

Ele tinha localizado e perdido as duas tarefas, Claire Nichols e


Anthony Rawlings estavam desaparecidos em ação. Se Harry ignorasse
as mensagens de texto do FBI por mais tempo, considerariam ele
desaparecido em ação!

Andando em torno de seu quarto de hotel, Harry contemplou o


caso. Ele não queria sair dele novamente. Ele sabia que não deveria ter
mostrado a Rawlings a foto dele segurando a mão de Claire, ele sabia
antes que ele fizesse isso. Ele foi profissional. Harry poderia argumentar
que suas intenções eram honrosas. Ele esperava que, criando uma
história para o Rawlings, de que ele e Claire estavam juntos, manteria
Rawlings longe dela. O departamento nunca aprovaria suas ações ou
até mesmo a sua motivação. Eles lembraram Harry que Claire nunca
apresentou queixa contra Rawlings, na verdade, ela disse
explicitamente que Rawlings não era o que ela temia.

Não era apenas a conexão com Claire. Harry não queria sair do
caso porque, mesmo antes de ter sido oficialmente designado, ele estava
pesquisando. A cada dia que passava e cada novo pedaço de evidência,
Harry sabia que Rawlings era exatamente a pessoa que Claire Nichols
deveria temer. Era seu objetivo fazer com que as autoridades
percebessem que Anthony Rawlings estava ligado, não só na morte do
agente Nichols, mas em várias outras. Algumas das mortes, como os

~ 196 ~
pais de Claire e Simon Johnson, foram classificados como acidentes,
acidente de carro, acidente de avião…

Isso não importava. Claire havia dito a Harry sobre Rawlings e


acidentes… Harry teve a sensação de que havia algo mais neste caso.
Ele estava em busca de provas concretas, mas, tinha sua intuição. Para
um agente do FBI, era significativo. Ao mesmo tempo, Claire havia dito
a Harry que acreditava que Tony poderia estar envolvido com esses
acidentes. Harry imaginou que se pudesse provar a ela que suas
suspeitas anteriores estavam corretas, então talvez ela visse a luz.

Não tinha Harry somente estragado o caso, ele estragou qualquer


reconciliação possível com Claire também. Já não podiam mais, ele ou a
agência, confiar em seus sentimentos de familiaridade com ele para o
discernimento. Na opinião de Harry, os únicos sentimentos que Claire
tinha atualmente por Harry eram de raiva e traição. Da forma como
Harry viu, ele não tinha traído Claire. Na verdade, a verdade é
exatamente o oposto. Ele tinha sido colocado com ela para sua proteção
e aprender com ela. Sem dúvida, na mente de Harry, a proteção era
primordial. Além disso, ele argumentou que, se Claire poderia perdoar
Rawlings por sua infinidade de pecados reconhecidos, uma vez que ela
soubesse toda a verdade sobre os atos de Rawlings, em seguida, a lista
consideravelmente menor de Harry de transgressões também poderia
ser perdoada.

Acima de tudo, o agente Baldwin não queria Claire Nichols em


perigo. Mesmo que ela se recusasse a acreditar, Harry sabia que
Rawlings comprometia sua segurança. Fechando os olhos, ele se
lembrou da expressão no rosto de Rawlings, quando ele lhe mostrou a
foto dele e Claire. A leitura das pessoas era parte do treinamento de
Baldwin. A ira que viu nos olhos de Rawlings era palpável. Não
assustou Baldwin, na verdade, ele teria amado se o homem tentasse
atacar. A raiva que Harry viu nos olhos do homem fez o sangue de
Harry ferver. As histórias de Claire correram pela sua mente. Mais do
que tudo, naquele momento no pub em Genebra Harry queria dar a
Rawlings um pouco do que Rawlings tinha dado a Claire anos antes.
Em sua mente, Rawlings era uma bomba-relógio, e ele não queria que
ele explodisse em torno de Claire ou seu filho.

A motivação de Harry naquela noite em Genebra era manter os


dois separados. Ele acreditava que poderia realizar esse objetivo
pessoal, bem como as ordens do FBI. Harrison percebeu que poderia
manter Rawlings na Itália, desinteressado em encontrar Claire e ele

~ 197 ~
localizaria Claire e a manteria segura. Foi um grande plano.
Infelizmente, os resultados não forneceram a consequência esperada.

O telefone do agente Baldwin vibrou novamente. Desta vez, não


era um texto, era uma chamada direta. Quando verificou a tela, Harry
esperava ver o número direto do SAC Williams. Seus batimentos
cardíacos aceleraram, enquanto lia o nome: Vice-diretor. Endireitando
sua postura, o agente Baldwin sabia que ignorar esta chamada não era
uma opção.

Limpando a garganta, ele bateu no botão receber e disse: —


Agente Baldwin falando.

— Baldwin precisamos conversar.

O uso de seu nome sem o título não era um bom sinal.

*****

a sombra da vegetação interligada através da treliça, Claire


descansava na varanda, lendo em seu ipad. O perfume das flores e a
brisa do mar combinavam para trazer a paz. Enquanto ouvia as ondas,
Claire leu as notícias de todo o mundo. De acordo com a sua janela
para o mundo, ela e Anthony Rawlings ainda estavam desaparecidos.
Rawlings Industries estava com dificuldades, com o CEO temporário
Timothy Benson estendendo a mão para os detentores de ações,
pedindo para ter fé em seu fundador, bem como as empresas que ele
trouxe sob o guarda-chuva da Rawlings. Claire perguntou sobre Sue, e
lhe preocupava em como o estresse de Tim afetaria sua família.

Todo esse pensamento levou Claire de volta para Catherine.


Ondas de vingança continuaram a se expandir em todas as direções.
Foi como jogar uma pedra no lago de Claire. Os círculos resultantes de
água saíram, até que desapareceram. Fechando os olhos
momentaneamente, Claire adorou a ideia de Catherine desaparecer.
Não podia lembrar um dia ter esse sentimento de vingança por uma
pessoa. Quando ela odiava Tony, era pelo que ele tinha feito para ela.
Desta vez foi diferente. As manipulações de Catherine estavam
atingindo pessoas que nunca mereceram esta vingança.

Claire sabia que Catherine não seria interrompida até que ela
dissesse ao FBI a verdade. Ela olhou para a mesa e leu o cartão de
Harry pela milionésima vez, ele era o seu contato e de Tony. Nos três

~ 198 ~
dias desde que Tony chegou nenhum deles se preocupou em ligar para
o seu contato. Antes que ela tomasse a decisão, de uma forma ou de
outra, sobre a sua chamada iminente, a voz de Phil reorientou seus
pensamentos.

— Claire, você tem alguns minutos?

Ela sorriu. — Bem, você sabe, eu estou super ocupada. — Ele


puxou uma cadeira da mesa de guarda-chuva ao seu lado. Embora
ainda fosse de manhã, o sol intenso garantia sombra sempre que
possível. Os shorts e camisa de Phil divertiram Claire. Ele parecia muito
mais casual do que ele normalmente estava. — Eu pensei que você
estava indo para a cidade com Tony e Francis? — Ela perguntou.

— Eu mudei de ideia. Eu gostaria de falar com você em particular


por um minuto.

Imediatamente, ela se irritou. Ela e Tony não tinham discutido os


tópicos principais nos últimos dias; no entanto, eles conversaram sobre
dar confiança e receber. — Phil, eu não vou mentir para Tony.

— Eu não estou pedindo isso para você. Eu quero discutir algo


com você sozinho. Não tenho dúvida de que ele vai dar a sua opinião,
no entanto, eu gostaria da sua primeira.

Claire se ergueu e sentou mais alta, as pernas permaneceram


estendidas na espreguiçadeira macia. — O que você quer discutir?

— Você sabe que eu tenho alguns telefones diferentes?

Claire assentiu.

— Ao usar um servidor remoto, com múltiplos redirecionamentos


— Phil fez uma pausa, como se soubesse que Claire não precisava de
razões técnicas — não importa quanto tentem, de qualquer maneira, eu
tenho certeza de que os telefones não são rastreáveis, nem são os que
você e Rawlings têm. Hoje cedo, liguei meu telefone antigo.

Claire não tinha certeza se era a voz ou a sua tentativa de


cadência, mas algo sobre o discurso de Phil trouxe preocupação para a
sua consciência. — Eu não sei se você está tentando ou não, mas você
está me deixando nervosa. Por favor, apenas diga que quer que seja.
Você quer ir embora?

— Eu quero? Não realmente. A segurança na ilha não é nada mal.


Muitos concordariam que eu tenho o trabalho ideal. A coisa é que,

~ 199 ~
quando eu liguei meu telefone, eu tinha várias mensagens da Sra.
London.

O coração de Claire parou, e ela sentiu o sangue drenar de seu


rosto. — Por que você quer falar comigo, em particular, sobre isso?

— Eu estou supondo que eu ainda trabalho para você?

Da maneira como ele enfatizou a última palavra, Claire sabia que


ele não estava se referindo a ela como parte de um casal. —
Teoricamente, sim, você trabalha para mim.

Ele limpou a garganta. — Na minha experiência anterior,


geralmente é a pessoa com o dinheiro que me diz que eu deveria fazer.
Como quando eu estava atrás de você, Rawlings disse o que ele queria.
Eu não me importo em ficar olhando o céu procurando por aviões ou o
horizonte pelos barcos, mas acho que eu poderia ser mais útil para você
ou para ambos, se eu voltasse para Iowa.

— Por quê? — Claire perguntou, aumentando o tom de voz e


saindo através dela uma palavra.

— Em nenhuma de suas mensagens ela perguntou


especificamente sobre você. Ela perguntou se eu tinha concluído o meu
trabalho. Se assim for, ela tem outro para mim. Se eu for, eu poderia
manter um olho nela e reportar para você.

Claire sabia que era egoísta querer que Phil permanecesse na


ilha; no entanto, ela não poderia ajudar. Ela nunca teria previsto que
ter tanto Tony quanto Phil por perto, lhe daria um sentimento tão
esmagador de conforto. Depois dos últimos meses, ela não sabia se ela
já tinha experiência neste sentimento de paz de novo; ela não queria
perder isso tão cedo. Claire respondeu: — Eu não sei o que pensar.
Acho que devemos discutir o assunto com Tony. — Claire viu o sorriso
de Phil e imaginou seus olhos verdes com manchas douradas, o sorriso
discreto por trás dos óculos escuros. — Por que você está me olhando
assim?

— Três dias, não me atreva a deixar a mulher com a qual eu


passei um mês na Europa desaparecer em três dias.

Ela olhou para seu colo e suspirou. — Eu não desapareci. —


Olhando para trás, ela continuou, — É o chamado trabalho em equipe.
E parte dele é abster de tomar decisões unilaterais.

~ 200 ~
Phil assentiu. — Tudo bem, eu acredito nisso. Agora, como está
esse instinto do qual falamos? O que seu instinto está dizendo sobre
essa ideia?

Claire considerou e respondeu: — Está dizendo que essa é uma


boa ideia. Se não tiver alguém lá em nos manter informados, não vamos
ter nenhuma ideia do que ela está fazendo. — Antes que Phil pudesse
responder, Claire acrescentou: — Esse é o meu instinto. Meu coração
está me dizendo para não te deixar ir. Todo mundo está seguro aqui. Se
eu pudesse, eu iria dar uma lista de pessoas e dizer para trazer todos
eles aqui. Eu mesma autorizaria o sequestro, eu sei por experiência
própria que é um meio eficaz de sumir.

Phil baixou a voz. — Falando nisso, esta é a única razão pela qual
você não quer que eu vá embora? — Ele hesitou — Você e Rawlings…
tudo bem? Quero dizer, se eu sair, você está segura?

Os ombros de Claire relaxaram. Ela não tinha certeza de onde ele


queria chegar com a sua pergunta. — Sim, Phil, estamos bem. Eu vou
ficar bem. Eu me preocupo com você lá fora, especialmente com ela.

— Eu lidei com adversários piores.

— Estou curiosa para saber o que ela quer.

— Eu também, — Phil admitiu. — Ela queria que você fosse


embora de Iowa. Ela queria que você pegasse o dinheiro e
desaparecesse. Eu realizei dois de seus desejos. Talvez eu tenha
provado que sou digno. Se for esse o caso, eu poderia obter informações
mais valiosas.

Claire sorriu. — Você provou ser muito digno. Se você for, você vai
fazer uma coisa?

— Eu não sei.

— Você vai ficar trabalhando para mim? Eu não me importo se


ela pagará muito. Eu quero saber que você tem seus melhores
interesses no coração.

— Claire, não é preciso uma obrigação financeira para validar este


compromisso.

Ela estendeu a mão e apertou a mão dele. — Obrigada… Eu não


digo isso o suficiente.

~ 201 ~
— Você diz isso muito. Agora, como é que vamos contar isso para
Rawlings?

Deitando novamente, com as mãos em sua barriga, Claire


suspirou. — Eu vou fazer isso. Vou dizer a ele que você me contou
sobre as mensagens e que meus instintos me dizem que você deve ir
para Iowa e infiltrar no castelo da bruxa má — Removendo seus óculos
de sol, Claire olhou para Phil — Só me prometa que você vai ter cuidado
com aqueles macacos voadores! Eles sempre me deram arrepios.

Mais tarde naquele dia, depois do almoço, Claire e Tony estavam


sozinhos na sala de estar, quando Claire abordou o assunto da partida
de Phil.

— De quem foi essa ideia?

Claire ficou de pé. — Foi dele, mas eu gostei dela.

— Você gostou dela? Claire, você não parece entender como


funciona essa relação empregador/empregado.

Ela não gostou de seu tom. — Desculpe?

— Não sei se eu confio nele — Os olhos escuros de Tony fitaram-


na — Se você pensa que vai manter o controle do meu dinheiro e os
funcionários que o meu dinheiro comprou, você precisa começar a agir
como o empregador, não como um amigo que se senta para ouvir as
ideias de todos.

— Por quê? Eu, pessoalmente, acho que está funcionando para


mim.

Seu volume aumentou. — Não está funcionando para você. Você


não vê como você pode facilmente ser manipulada?

— Eu não estou sendo manipulada.

Tony virou para as portas abertas; ela viu como os músculos de


seu pescoço flexionavam. Finalmente suas palavras saíram mais altas
do que antes, — Todo mundo pode ser manipulado. É mais bem-
sucedido quando as pessoas estão próximas a você. Claire, você deixa
todo mundo chegar muito perto!

Claire tentou dominar o fogo que sentia crescendo em seus olhos.


—Tony, eu confio em Phil explicitamente. Eu confiei nele com a minha
vida e a vida de nosso filho. — Ela exalou, suavizou o tom de voz, e deu
um passo em direção a seu ex-marido. Pegando as mãos dele, ela disse:

~ 202 ~
— Ele trouxe você para mim. Eu não pedi por isso. Foi dele a ideia de ir
buscar você. Pessoalmente, estou feliz que ele teve sua própria
iniciativa.

— Iniciativa é bom. E quanto à agenda?

— O que você gostaria de saber sobre a minha agenda?

Os dois se viraram para o som da voz de Phil. O pescoço de Tony


retesou quando seu tom de negócios surgiu. — Desculpe; nós estamos
tendo uma conversa particular.

Phil deu de ombros. — Existem apenas cinco pessoas nesta ilha.


Posso garantir que todos os cinco podiam ouvir sua conversa. Eu diria
que, pelo correr das coisas, não era privado.

No calor do momento, Claire não tinha certeza se queria rir ou se


esconder. A maioria dos membros de uma equipe seria inteligente o
suficiente, ou respeitoso o suficiente, para fingir ignorância. Se ele não
ouvisse discussões ou não notasse hematomas, Tony era mais
habituado a um tipo diferente de empregados. Foi nesse momento que
Claire percebeu a diferença. Esta equipe não era dele, eles eram dela.

Sua mente voltou para San Diego. Agora mesmo, quando Phil
entrou no quarto, ele fez isso, para fazer o que ele havia feito naquela
noite no hotel com seu bilhete, ele entrou para verificar a segurança de
Claire. Ela sabia que Tony não estava acostumado a esse
comportamento. Ela riu, pensando: pobre Tony o mundo dele está de
cabeça para baixo, e disse: — Apesar do volume, estamos tendo uma
discussão. Uma vez que é sobre você, eu gostaria que você se juntasse a
nós.

Apesar de Tony não responder ou repelir seu argumento, ela


sentiu seu olhar a penetrar, antes que ele dissesse através de
mandíbulas cerradas, — Sim, por favor, uma vez que a privacidade não
parece ser um problema, se junte a nós. Eu só estava perguntando
sobre sua agenda em relação a esta oferta de emprego em Iowa.

— Minha agenda é saber os planos da Sra. London.

— E isso significa que você está disposto a ir?

Phil deu de ombros. — Eu não tenho muitos limites.

Tony deu um passo adiante. — Essa é a minha preocupação. E se


ela oferecer mais dinheiro do que nós estamos pagando? Você
informaria a nossa localização?

~ 203 ~
Claire interrompeu: — Eu disse a você, Tony, eu confio em Phil.
Eu acredito que ele tem o nosso melhor interesse no seu coração.
Acredito que onde nós estamos em causa, há um limite. — Ela olhou
para Phil.

Ele sorriu. — Quando se trata de meu empregador atual, eu


tenho limites. Sua localização não será partilhada por mim.

Claire pegou a mão de Tony mais uma vez. — Veja, ele quer ir, ele
quer nos ajudar.

Os olhos escuros de Tony passaram de Phil para Claire e vice-


versa. Ele exalou. — Eu penso em você como o homem que contratei
para vigiar a Claire. Eu tenho que ficar me lembrando de que você é a
razão pela qual ela está aqui e segura. Não nos decepcione.

Phil estendeu a mão, e os dois homens apertaram. — Eu não faria


isso.

Eles discutiram o plano, incluindo a forma como Phil ficaria em


contato. Eles também discutiram o contato com o FBI. Embora Phil não
acreditasse que suas ligações a partir da ilha pudessem ser rastreadas,
ele recomendou que se Claire ou Tony sentissem a necessidade de
entrar em contato com Baldwin ou qualquer outra pessoa, eles
mantivessem as chamadas relativamente curtas.

Com o tempo, todos eles concordaram. A ilha era um refúgio


seguro e o melhor lugar para Claire. Ela queria que Tony estivesse com
ela, e ele ficaria. Estar seguros não era suficiente; eles precisavam saber
o que estava acontecendo fora de sua bolha. Phil faria o seu melhor
para saber o que eles não podiam.

~ 204 ~
Talvez tudo o que se pode esperar é acabar com
os arrependimentos certos.
- Tom Miller

Capítulo vinte
Agosto 2016

Claire não sentia as restrições suaves mantendo seu corpo preso


à maca em movimento, ou ouvia os barulhos da máquina ecoando. Em
outra época, em outra vida, a solidão da máquina por tensor de difusão
(DTI) teria a assustado. Talvez hoje também, se ela estivesse consciente,
mas ela não estava.

Sim, seu corpo jazia em um quarto frio, coberto com um cobertor,


mas o lençol de algodão macio não estava fornecendo o calor agradável
que irradiava através dela. Não, Claire estava em outro lugar. O calor
que emana através de cada fibra do seu ser veio de um forte, mas suave
toque, e foi distribuído aos lugares onde aquele toque ainda tinha que
explorar.

Fechando os olhos, Claire gostava dos raios aquecidos do sol em


sua pele e o cheiro úmido do mar no ar. Embora ela recentemente tivesse
aplicado protetor solar, o aroma persistente de colônia encheu seus
sentidos, consolou seus pensamentos e a embalou para um estado de
paz, sem sonhos; Então, sem aviso, a sensação de mãos grandes
acariciando seus tornozelos e se movendo em direção a suas coxas
reacendeu seu mundo. Os lábios de Claire viraram para cima, conforme
arrepios se materializavam. Muitas vezes, as pessoas associavam esses
pequenos tremores ao frio, pelo contrário, naquele momento Claire não
estava fria.

Abrindo seus descansados olhos por trás de seus óculos de sol, e


focando no rosto bonito diante dela, Claire viu seu sorriso diabólico. Era
um sorriso de luxúria e prazer, apenas um olhar era capaz de derreter
não só seu interior, mas seu mundo. Com o intenso sol tropical, seus
olhos também estavam cobertos por óculos escuros, mas conforme seus
lábios sorridentes se aproximaram dela, seu sorriso se transformou em

~ 205 ~
uma careta disposta, ela sabia que havia uma intensidade invisível
esperando por ela por trás daqueles óculos escuros.

Estendendo a mão, ele levantou a barreira escura e viu que o que


ela esperava estava presente. Só porque ela havia antecipado isso, não
significava que a realidade escura não a afetou. O corpo de Claire tremeu
quando ela tirou os óculos escuros e seus olhos se encontraram. Houve
um momento em que ela pensou em falar, mas foi de curta duração.
Muito mais poderia ser dito sem palavras.

Quando ela acordou mais cedo naquele dia, ele havia saído.
Madeline tinha dito que ele tinha saído mais cedo. Claire não tinha se
preocupado, ela sabia que ele ia voltar, mas depois de apenas algumas
horas de distância, ela percebeu que seu reencontro seria mais do que
um simples, Oi, como você está hoje?

Era verdade, seu corpo tinha sido completamente satisfeito e usado


na noite anterior; No entanto, agora ansiava pelo que estava sendo
oferecido em silêncio. Quando seus lábios cheios e macios envolveram os
dela, a paixão da noite anterior voltou com força total. Apenas momentos
antes, seus pulmões tinham inalado sem instrução, mas conforme
gemidos de aquiescência escaparam de seus lábios, respirar exigiu
pensar. Talvez não fosse pensado, estava programado. A inalação
precisava ocorrer em uníssono. Se isso não acontecesse, a sua
aproximação inflexível roubaria de seu corpo o oxigênio necessário para ir
em frente. Com seu maiô cobrindo os seios, ela ansiava pelo atrito de seu
peito, Claire decidiu que a respiração era superestimada. Ela queria o
que foi lentamente tomando conta ela, queria ser consumida pelo fogo
ardente nos olhos escuros penetrantes. Se no processo, ela se esquecesse
de respirar, isso realmente importava?

Com as portas abertas com vista para o mar azul cristalino, o seu
quarto era apenas um pouco mais privado do que o resto; no entanto, era
o quarto. Madeline e Francis respeitavam a sua privacidade. Quando o
maiô de Claire caiu no chão, ela percebeu que eles ainda não haviam
falado, e, ainda assim, eles conversaram mais do que alguns casais
fizeram na vida inteira. Eles haviam saudade um ao outro, discutiram as
gentilezas da manhã tropical, e avaliavam o que cada um estava fazendo
bem.

Deitado no edredom macio, com os braços acima da cabeça, estava


o homem que ela amava olhando somente para ela, o grande ventilador
de teto metodicamente movia o ar úmido, o mundo de Claire estava certo.
Ela tinha planejado receber isso em sua manhã? Não. Ela estava
disposta? Sem dúvida.

~ 206 ~
As grandes mãos talentosas que reivindicaram seu corpo, também
tinham sua alma. Enquanto a sua abordagem pode às vezes ser forte,
era sempre gentil. Sim, sua mente relembrava memórias de tempos
contrários, mas essas lembranças ocorreram a tanto tempo, que elas
eram difíceis de ressuscitar. Neste momento, ela voluntariamente se
entregou como tinha feito milhares de vezes, aos caprichos e desejos do
homem sobre ela. Sem nenhuma palavra, ele poderia manipular e
dominar, mover de um estado de sono bem-aventurado aos espasmos de
desejo erótico. À semelhança de anos atrás, os olhos escuros transmitiam
a paixão e a emoção que permitiam que seu mundo girasse. Porque ele
quis que assim fosse, o mundo estava certo. Sem ele, o planeta inteiro
ficaria fora de controle, perdido para sempre nas profundezas mais
obscuras do universo.

Não parecia importar que seu corpo estivesse mudando. As pontas


de seus dedos se arrastaram conforme ele provocou os seus seios
sensíveis. Tão pouco foi necessário para motivar seus anseios, um
simples sopro de ar provocante e o mamilo molhado fez com que as
costas de Claire se arqueassem e seu interior se liquefez. Provocar até o
ponto de mendicância, mas satisfazer todos os seus desejos era sua
especialidade. Apesar do jeito que ela havia mudado, a maneira como
seu corpo tinha mudado, ela se sentiu querida e sexy, quando ele
habilmente a acariciou e sugou, indo para o sul sobre sua alargada…

Claire balançou a cabeça e tentou argumentar.

Alargada, bebê, não, embora, tudo foi…

Ela lutou contra o pensamento, a ideia, não!

O Dr. Fairfield assistiu com horror como a paciente, que


momentos antes tinham experimentando algo que nenhum deles podia
ver ou ouvir, de repente estava se debatendo contra as restrições. A
máquina não foi feita para o movimento.

— Eu lhe disse para a sedar! — Dr. Fairfield gritou no microfone.

Tentando manter a calma, a enfermeira ao lado dele respondeu:


— Nós a sedamos doutor. Ela não deveria acordar.

Não importava se ela não deveria estar Claire estava lutando


contra as restrições com todas as forças. Ela abriu a boca, mas com o
barulho da máquina, a tentativa febril da equipe médica para parar a
DTI e gritos de raiva do médico, Claire implorando pelo seu feto não foi
ouvida e passou despercebido. Até o momento em que os outros
entraram na sala de chumbo forrado, as bochechas coradas de Claire

~ 207 ~
estavam cobertas de lágrimas e gemidos sem palavras apenas
escapavam de seus lábios.

O Dr. Fairfield bateu com o punho contra o balcão, enquanto o


pessoal sedava e tirava a paciente da maca. Falando a todos, e
ninguém, ele disse: — Este é o seu décimo quinto dia de medicação.
Você sabe quanto tempo e dinheiro foram gastos nesse exame?! Agora é
inútil! Ela é apenas uma mulher de sessenta quilos. Quão difícil é fazer
direito à sedação?

Embora ele perguntasse, ele não queria respostas verbais.


Abrindo a porta do quarto tão fortemente que ricocheteou na parede, ele
falou por cima do ombro, — Quando os resultados que foram realizados
a partir deste exame estiverem disponíveis, traga para mim.

O tratamento prescrito recentemente pelo Dr. Fairfield foi tanto


comprovado quanto novo. Houveram resultados documentados com
estes medicamentos; No entanto, o Dr. Fairfield estava levando isso um
passo adiante, combinando medicamentos que necessitavam de
tratamento mais intensivo. Era mais do que foi experimentado na
literatura publicada. Esse exame iria supostamente mostrar o primeiro
marcador. Obviamente, mesmo sem a DTI, a paciente estava passando
por uma alucinação; no entanto, a observação não era mensurável. O
DTI foi feito para documentar o aumento da atividade cerebral. Esta
sedação adiaria a próxima DTI por, pelo menos, um par de dias.
Frustrado, o médico voltou ao seu escritório.

*****

Dirigindo em direção a Everwood, Meredith reconsiderou seu


objetivo. Ela tinha ido a esta pesquisa durante dois meses e meio. Logo,
seus filhos estariam em casa para uma pequena pausa, antes da
próxima sessão no internato. As horas que passaria em Everwood
prejudicariam seriamente o tempo que poderia passar com eles. Esta
história realmente valeria a pena o esforço?

O aperto no peito de Meredith disse a ela o que ela já sabia, ela


não era uma repórter investigativa individual, como ela sempre quis ser.
Ela era uma amiga, alguém que, por falta de uma palavra melhor,
compensaria a dor que ela trouxe uns anos atrás a amiga. Não se
tratava de uma história, era sobre como salvar Claire e preventivamente
restaurar o orgulho de uma menina que um dia saberia coisas terríveis

~ 208 ~
sobre seu pai. Meredith queria que Nichol soubesse que havia mais
para a história, a página dois conforme Paul Harvey costumava dizer.
Não era que Meredith não confiasse em Emily para um dia iluminar
Nichol aos atributos de Anthony Rawlings, embora ela não tivesse
certeza de que ela faria. Foi que, apesar de Claire vir a ela com a
história dela e da introdução de Anthony, Meredith foi quem a escreveu
e tornou de conhecimento público. Se Claire nunca se recuperasse o
resto da história nunca sairia, como iria o livro que rendeu milhões a
Meredith, afetar a bela e inocente menina, cujo sobrenome era
Rawlings.

Meredith estacionou seu carro no estacionamento dos


funcionários, alisou o uniforme feio, branco, e ficou de pé; ela sabia que
essa tarefa era mais sobre culpa do que obrigação de investigação. Até
que ela estivesse convencida de que Claire estava além da esperança,
Meredith não conseguiria parar. Graças a Deus o marido a
compreendia. Ele faria as duas semanas de descanso de seus filhos
memoráveis. Talvez um dia, não só a Nichol teria orgulho de levar o
nome Rawlings, mas as crianças de Meredith estariam orgulhosas de
compartilhar o nome de seus pais, não só porque o seu pai era uma
pessoa maravilhosa, amorosa, mas porque, mesmo quando foi difícil, a
mãe tinha aprendido a fazer a coisa certa. Não foi uma lição fácil.
Embora Claire tivesse cicatrizes, Meredith nunca se esqueceria de que
ela tinha sido a única a iniciar as rodas daquelas lições de movimento.

A Sra. Bali informou Meredith da mudança no protocolo de Claire


há algumas semanas. Como membro da equipe de cuidados da comida
de Claire, Meredith tinha sido incluída em reuniões centradas na Sra.
Nichols. Foi durante uma dessas reuniões que ela conheceu o novo
médico na liderança de Claire, Dr. Fairfield. Eles não foram
apresentados. Meredith se sentou e ouviu atentamente suas diretrizes.
Estando na equipe de assistência alimentar direta de Claire, ela também
teve acesso aos registros, incluindo os medicamentos prescritos
recentemente a Claire. Meredith pesquisou cada droga completamente,
mas caiu sob a classe de controlado e classificado como anti-psicótico.

Desde a indução do novo regime de medicamentos, Meredith


avaliou que Claire tinha se tornado mais deprimida e agitada. Fazê-la
comer ficou difícil. Ela agora se tornava irritada com qualquer mudança
na rotina. Mesmo a sugestão de ir ao ar livre, a atividade que mais
gostava, provocava angústia. Não que Claire falou, era não verbal, ela
lutou; seu corpo ficava tenso e seu brilho se intensificava. A paciente
calma de dois meses atrás já não existia. Meredith raciocinou que
qualquer mudança era positiva, mas seu coração lhe disse o contrário.

~ 209 ~
Ela realmente se perguntou o quanto Emily sabia, e quanto mais ela
permitiria que ele continuasse. Seria melhor ter Claire contente em seu
próprio mundo ou chateada no real?

Hoje, o turno de Meredith começou às 16h00min, o que


significava que ela entregaria o jantar. Depois de alguns dias do novo
protocolo, a Sra. Bali reorganizou atribuições, fazendo com que a
responsabilidade de Claire fosse apenas de Meredith. Embora o Dr.
Fairfield queria que Claire fosse responsável por sua própria
alimentação, a nutrição era importante, e qualquer esperança dela se
alimentar sozinha atualmente, estava desaparecendo. Sua irmã não iria
deixar que ficasse sem refeições. Sem dúvida, Claire necessitava de
cuidados mais consistentes. Não eram as qualificações de Meredith que
deram e ela esta oportunidade; foi à resposta positiva de Claire a ela. Os
responsáveis estavam dispostos a fazer qualquer coisa para evitar
conflitos. A Srta. Nichols não gostava de mudanças; portanto, o médico
exigiu que nada fosse mudado e isso incluiu Meredith.

Quanto mais Meredith passava o tempo com Claire, mais ela


temia que Emily descobrisse a sua interação. É por isso que Meredith
pediu para mudar para mais tarde: Das 16h00min às 23h00min. Nos
dias em que Emily visitava, era geralmente no início do dia.

Conforme Meredith se aproximava dos armários de funcionários


atrás da cozinha, ela viu a Sra. Bali. Era óbvio que ela estava esperando
por ela. Cautelosamente, Meredith perguntou: — Oi, Sra. Bali, há um
problema? — Olhando para o relógio, viu que ainda havia 10 minutos
antes do início de seu turno. — Eu não era esperada até as 16h00min,
era?

A Sra. Bali não respondeu; em vez disso, ela inclinou a cabeça em


direção aos escritórios e disse: — Eu preciso falar com você em
particular.

O coração de Meredith disparou; Talvez a sua preocupação sobre


a pausa iminente de seus filhos seria injustificada. Se Emily
descobrisse a sua presença, ou Everwood descobrisse as suas
credenciais falsas, suas investigações, sua empreitada cheia de culpa
teria terminado. Tentando conter suas preocupações, Meredith
perguntou: — Você quer que eu vá agora, ou eu posso colocar minhas
coisas no meu armário?

A expressão tensa da Sra. Bali suavizou. Forçando um sorriso, ela


respondeu: — Oh, você pode colocar suas coisas em seu armário. Nós
tivemos um dia difícil, e eu preciso contar tudo.

~ 210 ~
Lembrando de respirar, Meredith assentiu, colocou sua bolsa e
almoço em seu armário, e ficou em silêncio, em sintonia com sua
supervisora, caminhando em direção a seu escritório privado. Uma vez
dentro da sala, a Sra. Bali fechou a porta e pediu a Meredith para se
sentar.

~ 211 ~
A verdade que torna os homens livres é, na
maior parte, a verdade que os homens preferem não
ouvir.

- Herbert Agar

Capítulo vinte e um
Eles observaram que o avião de Phil subiu acima do mar azul
cristalino e tornou-se cada vez menor uma vez que se aproximava do
horizonte, eventualmente desaparecendo. Ao o ver sair da ilha, desta
vez, não era tão difícil para Claire como tinha sido na primeira vez.
Claire sabia que era porque agora ela não estava sozinha. Ela tinha a
força dos braços de Tony ternamente envolvidos em torno de sua
cintura. Suspirando, ela inclinou a cabeça para trás, para seu ombro e
fechou os olhos. A fumaça de óleo diesel, a partir do pequeno avião a
hélice, havia desaparecido com a combinação de brisa do mar e água-
de-colônia que dominavam seus sentidos.

Uma vez que Madeline queria ter certeza de que Phil comesse
antes de sua viagem, tudo o que tinham comido era um jantar mais
cedo. Agora, com Madeline e Francis em sua própria casa, pela primeira
vez em meses, Tony e Claire estavam verdadeiramente sozinhos.

— Você quer fazer uma caminhada ao longo da praia? — sua voz


de barítono criava palavras cantadas em perfeita sintonia com a
melodia das ondas.

— Hmm, isso seria bom.

Com os dedos entrelaçados, Tony deu um passo adiante, levando


Claire ao longo da costa. Uma vez que as sandálias ficaram perto do
caminho para a casa, os pés descalços afundavam a cada passo. Claire
olhou para trás e notou como as ondas recorrentes apagavam suas
pegadas. Por um bom tempo, eles caminharam em silêncio. Os pássaros
cantavam e o mar sussurrava, ainda não falavam. Quando finalmente o
fizeram, foi, ao mesmo tempo, — Você acha que está na hora… — Claire
disse, e, simultaneamente, Tony perguntou: — Você está pronta para…

A sua caminhada parou. Olhando para o seu lindo rosto, Claire


estendeu a mão para sua bochecha. O menor restolho de barba

~ 212 ~
arranhava as pontas de seus dedos, e ela momentaneamente imaginou
a sensação em outras partes do seu corpo. — Estou com medo, — ela
admitiu.

Ele não respondeu; em vez disso, ele deixou cair sua mão e
rodeou o seu corpo com os braços poderosos.

— Tony, eu estou com tanto medo que se eu perguntar o que eu


quero perguntar, o que temos aqui, agora, vai acabar. Você sabe
quando dizem que a ignorância é uma felicidade?

Ele assentiu

— Estou curtindo minha felicidade.

— Não temos de discutir qualquer coisa que você não queira


discutir.

Ela aninhou a bochecha contra a camisa de algodão macia. —


Você sabe quais perguntas que eu preciso fazer?

Conforme ele respondeu, o peito vibrou contra sua bochecha, —


Eu tenho uma ideia, mas eu não quero ir para qualquer lugar que você
não está pronta para ir. Você merece saber toda a verdade. A coisa é, eu
nunca imaginei dizer a ninguém a história toda e toda a verdade. A
única pessoa que sabia de tudo, bem, nós nunca precisávamos discutir
a respeito. — Olhando diretamente em seus olhos, ele continuou: — É
como se, se eu dissesse qualquer parte dela, ou todo ela, em voz alta, a
faria real.

Claire balançou a cabeça e falou em sua camisa: — Não, Tony,


independente se você disser isso em voz alta ou não, é real.

Ele gentilmente levantou o seu queixo, criando a ligação que ao


longo dos anos desenvolveram juntos. — Você se lembra de eu dizer
que, por vezes, toda a verdade é demais para suportar?

— Eu lembro. Também me lembro de você dizendo muitas outras


coisas e fazendo muitas outras coisas. Eu preciso saber o porquê. Eu
preciso saber o que você fez, e o que foi feito por outra pessoa. Se eu
não souber a verdade, minha imaginação me leva a lugares que eu não
quero ir. —Tony olhou para o lado e olhou por cima da sua cabeça, em
direção do sol poente; Claire levantou a mão e redirecionou seus olhos
para os dela. —Nós temos uma criança que nascerá mais cedo ou mais
tarde. Eu te amo. Você é o pai do meu bebê. Quero uma família; No
entanto, se não temos uma honestidade completa, não temos nada.

~ 213 ~
Seu peito subia e descia. Os olhos olhando para baixo, para Claire
estavam, mais uma vez, cheios de remorso. Havia uma parte dela que
desejava os olhos vazios e negros do passado, aqueles que ela podia
mudar e pacificar. A dor que ela estava testemunhando por trás do
marrom intenso foi obra dele, ela não poderia levar embora. Tudo o que
ela podia fazer era compartilhar o fardo.

Tony suspirou. — Se depois de ouvir tudo isso, você quiser que eu


vá embora da sua vida e da vida da nossa criança, eu não culpo você.

Claire sorriu. — Eu queria que você fosse, antes, mas você ainda
está aqui.

Ele sorriu. Por uma fração de segundo, ela viu o brilho que ela
amava ultrapassar a tristeza. — Eu acredito que eu já lhe disse o que
penso sobre essa boca inteligente.

Seus lábios roçaram seu pescoço exposto. — Sim, eu acredito que


você disse que você gosta.

Tony pegou a sua mão pequena, e eles continuaram andando. —


Até onde você andou? Você pode circular toda a ilha?

— Eu não tentei. Eu só fui até os pomares. Nós já saímos da ilha,


uma vez, quando eu fui para a cidade com Francis. Eu fui para uma
consulta com o médico. Fora isso, eu não queria deixar a região ao
redor da casa.

A cadência de Tony abrandou. — Eu não digo o suficiente. Mesmo


que seja merecido, é difícil para eu dizer, mas Claire, eu sinto muito.
Você está vivendo com medo, em uma ilha e é inteiramente minha
culpa.

Seu tom endureceu. — Não, Tony, não é. Pelo menos, eu não


acredito que seja completamente. Sei que algumas coisas são obras
suas, mas eu preciso saber quanto.

Depois de um silêncio prolongado, ele respondeu: — Eu não


tenho dúvida de que você pode lidar com isso; você lidou com tanto.
Você sempre foi tão forte. É que- — Eu sei, é o que te fez se apaixonar
por mim.

Ele apertou a mão dela. — Sim, e isso é o que me fez apaixonar


por você. — Ele parecia perdido em pensamentos até que ele continuou,
— Eu me apaixonei por você, enquanto você estava comigo em Iowa.
Como eu disse antes, não era para ser assim, mas a cada dia, você faria
alguma coisa, ou diria alguma coisa, que ficaria comigo. Eu estava no

~ 214 ~
trabalho ou na academia, e eu me lembrava. Às vezes elas me deixavam
com raiva, mas na maioria das vezes, isso me fez sorrir. — Ele parou
sua história e olhou em seus olhos. — Você tem alguma ideia de como é
isso? De repente pensar em outra pessoa, quando você menos espera?

Ela olhou para cima e sorriu um sorriso de lábios fechados. Os


olhos verdes esmeralda brilhavam com a centelha do sol quando ela
respondeu, — eu entendo.

Tony balançou a cabeça. — Eu não. Eu nunca tive, nunca em


quarenta e tantos anos, mas depois, quando você estava na prisão, eu
refleti muito e percebi o que tinha. Houve alguém que apareceu em
meus pensamentos, mais e mais, por anos. Alguém cuja vida me
interessou, alguém que eu vigiei a distância e paguei para ser seguida.
Foi uma obsessão diferente, diferente do que as outras pessoas na
nossa lista. Sem me dar conta, essa pessoa consumiu meus
pensamentos, e embora eu não ache que seja possível, ela tomou meu
coração.

O coração de Claire acelerou. Ela quer saber quem dominou seus


pensamentos e tomou o seu coração?

Ele agarrou seus ombros. — Foi você, eu cai de amor por você,
enquanto você deveria ser minha prisioneira; no entanto, eu te amei
desde antes de eu reconhecer que o amor existia. — Ele tocou em sua
bochecha e banhou em seu hálito quente. Claire, você foi à captora do
meu coração desde que você era uma caloura na faculdade.

Seus olhos estavam arregalados com a necessidade. Ele tinha


acabado de confessar algo monumental. Claire sabia que precisava de
afirmação; No entanto, ela sentiu o sangue drenar de seu rosto,
enquanto seus joelhos cederam. De repente, ela estava sentada na areia
a seus pés. Apesar, ou talvez por causa da sua honestidade, Claire
sentiu náuseas. Erguendo os joelhos tão alto quanto podia, ela
descansou a cabeça contra eles. Tony ajoelhou imediatamente ao seu
lado. Quando o braço cercou seu ombro, seu corpo ficou tenso.

É claro que ele sentiu. Ele tinha uma maneira estranha de sentir
seus pensamentos e estados de espírito. Era o que sempre tinha feito
mentir ser tão difícil, mesmo quando ela era sua prisioneira. Ela
reconheceu seu tom, protegido e distante. — Você disse que queria
saber, então eu estou tentando começar pelo início.

Ela balançou a cabeça, sem saber se ela poderia falar sem


vomitar. Depois de mais alguns minutos de silêncio, seu abraço
desapareceu. Embora seus olhos permanecessem fechados, sentiu que
~ 215 ~
ele se afastou. Quando os abriu, ela estava sozinha. Claire viu sua
figura virar a curva da praia, indo na direção em que tinham andado.

Lágrimas cobriram suas bochechas e os suspiros de respiração


irregular substituíram o som das ondas. Isso foi muito mais difícil do
que ela imaginava. Claire queria saber, no entanto, o pensamento de
estar sendo observada, desde a idade de dezoito ou dezenove anos, a fez
literalmente doente. Se fosse verdade, se ele realmente estava a
observando desde aquela época, então suas outras suspeitas era
provavelmente verdade. Ele foi, provavelmente, o responsável pela oferta
do estágio e emprego de Simon. Ele foi, provavelmente, responsável pela
morte de seus pais, sua bolsa na universidade, sua perda de emprego
em WKZP… Ele orquestrou toda a sua vida! A possível confirmação foi
demais para suportar.

No momento em que ela se levantou, o sol havia se posto, e um


manto de veludo negro salpicado de estrelas cobriu a ilha. Os raios da
lua brilhavam na lagoa agora calma. Cada passo exigiu esforço. Perdida
em pensamentos, ela não viu o que a rodeava ou ouviu os sons da
noite. Com o tempo, ela alcançou o caminho. Repousando na areia,
sozinhas, estavam suas sandálias. Ela não sabia como Tony poderia ter
conseguido voltar para a casa sem ela ver. Então, novamente, ela não
sabia há quanto tempo ela estava na praia. A dor em sua cabeça, que
veio com o súbito ataque de náuseas, aumentou. Ela se perguntou se
ele a tinha deixado. A sua reação havia sido tão dolorosa que ele ia
esquecer ela e seu filho? Os pensamentos de Claire foram para o barco.
Se ele houvesse saído, certamente ela teria ouvido o motor; em seguida,
lembrou-se da advertência de Francis, no dia em que foi para a cidade.
Ele disse a ela para sempre agendar compromissos matinais. As marés,
elas são imprevisíveis após o sol se por.

Enquanto as têmporas latejavam com a ideia de Tony estar em


um barco sozinho, seus pensamentos foram dominados pelas palavras e
significado de sua revelação. Claire repreendeu a reação dela quando
ela passou o limiar de sua casa escura. Ela tinha pedido a verdade, e
ele deu, mas em vez de enfrentar com força, como ele disse que ela iria,
ela se desintegrou aos seus pés. A areia úmida caiu de seu vestido e pés
descalços, quando ela negligentemente atravessou as salas sem
iluminação para seu quarto. Uma vez no seu destino, ela olhou em seu
quarto. As portas para fora estavam abertas com o luar como a única
fonte de iluminação. O quarto e além estavam cheios de sombras.
Quando ela estava prestes a acender uma luz, ouviu algo, ou alguém na
varanda.

~ 216 ~
*****

Mais Cedo…

Tony não sabia para onde ir, ele estava em uma maldita ilha!
Cada passo de Claire se tornava mais e mais determinado e seus pés
eram empurrados cada vez mais fundo na areia. Ele se arrastou para
frente com sua mente em um turbilhão de pensamentos. Ela disse que
queria a verdade; ele deu-lhe a maldita verdade. Era algum tipo de piada
de mau gosto? Pergunte para alguma coisa, não, procura-o e, em seguida,
quando você o tem, manda ele de volta! Quando ele parou e olhou para
trás, tudo o que ele podia ver era praia. Ele não tinha certeza se ela
tinha ido de volta para casa, ou se ele tinha caminhado demais.

Quando ele continuou a andar, a bela paisagem ao seu redor


passou despercebida. Antes de perceber, a luz solar foi diminuindo.
Seguiu em frente, através do crepúsculo, perto da costa, ele viu uma
estrutura. A curiosidade o levou em frente, até que ele reconheceu o
local. Era a casa de barcos que ele tinha estado na véspera com
Francis. Tony seguiu o caminho por entre a vegetação até chegar à
porta. Não estava trancada. Jet skys não eram seus meios normais de
transporte; Então, novamente, ele nunca tinha vivido em uma ilha
antes. Ontem, ele assistiu Francis manobrar o barco, e ele argumentou
que não era muito diferente do que um carro.

Acendendo a luz, Tony orientou na área da casa, pelas docas


flutuantes e de volta para o outro lado do barco. Francis explicou como
as mudanças das marés faziam a doca subir e descer. Ele também
mencionou que, de vez em quando, havia tempestades que
transformavam o mar calmo em raivoso. Um elevador motorizado
pendurado no barco o manteve suspenso sobre a água. No caso do mar
estar agitado, este dispositivo evitava que a embarcação golpeasse as
docas. Quando Tony se aproximou dos controles do elevador, ele ouviu
a porta da casa de barcos abrirem.

Francis entrou e perguntou: — Monsieur, você quer ir para um


passeio de barco, oui?

Tony não sabia o que ele queria. Levar o barco para o mar aberto,
empurrar o acelerador ao máximo e sentir o vento contra sua pele,
parecia ser uma boa ideia. — Eu estava pensando sobre isso.

~ 217 ~
— A madame, ela vai ir com você?

— Não, ela está… cansada.

Francis assentiu. — Oui, bebês, eles fazem isso, — ele riu — Deus
não deu a Madeline e eu bebês, mas eu vi muitas famílias se
multiplicarem aqui nesta ilha, e a mães oui, os bebês as tornam
cansadas.

Tony assentiu; sua mente estava ocupada analisando o painel de


controle de saída.

Francis continuou: — E, às vezes, às vezes os bebês também


fazem as mães muito emocionais. Senhoras que geralmente são calmas,
com o pequeno bebê dentro delas, elas se tornam emotivas até as
lágrimas! — Ele riu.

A profunda risada de Francis fez Tony desviar o olhar das


alavancas e focar no homem perto da porta.

Francis continuou, — As lágrimas, oui! Por nenhuma razão! —


Sorrindo com aprovação, acrescentou — É uma maravilha que nem
todos os pais enlouquecem.

Tony assentiu.

— Monsieur eu posso ajudar com o barco? Você precisa ir a


algum lugar? Se for algo que Madame precisa, talvez Madeline ou eu
tenhamos em nossa casa?

— Não, — Tony disse timidamente, a sua mente não estava mais


no barco, mas na mulher que ele deixou na praia. — Não é nenhuma
coisa que ela precisa. Eu estava pensando em ir para um passeio.

— Oui, é claro, você está certo. — O tom jovial de Francis


acalmou. — Desde que você chegou, a Madame, ela não precisa de
nada. Você pode ver isso, vocês dois. — Francis foi até o painel de
controle. — Monsieur, essa alavanca aqui, — ele apontou — é como nós
baixamos o barco. — Quando ele apertou o botão, o barco começou a
descer.

Tony colocou a mão sobre a de Francis, parando o movimento do


barco. —Não, — disse Tony. — Eu não acho que eu preciso ir para um
passeio de barco no momento, mas talvez na parte da manhã?

~ 218 ~
— Oui, na parte da manhã! Na parte da manhã, eu vou mostrar
os canais e marcadores. Eles são muito difíceis de ver à noite, se você
não está acostumado a eles.

Tony deu um tapinha no ombro de Francis. — Obrigado. —


Quando Tony deixou a casa de barcos, ambos sabiam que a gratidão de
Tony não foi pela aula ou a promessa de um passeio de barco de
amanhã.

Seguir o caminho durante a noite não era difícil. Através dos


anos, Francis tinha feito um excelente trabalho de controle da vegetação
e criado trilhas claras, trilhas bem percorridas. Com a adição dos raios
de prata do luar, que de vez em quando penetravam pelas copas
exuberantes, os poucos passos de Tony permaneceram confiantes.

Quando o caminho abriu para uma clareira, Tony viu o brilho de


luz vindo da casa de Madeline e Francis. Ao aproximar da luz, o som
fraco de música enchia o ar de forma tranquila e o aroma de algo
delicioso insultou sua fome inexistente. Pensando em quão cedo eles
comeram, Tony percebeu que Madeline estava fazendo o jantar para
Francis. Olhando por cima do morro, Tony viu a casa grande. Não havia
uma luz brilhante de qualquer uma das muitas janelas ou portas.
Parecia vazia. Ele se perguntou se Claire estava lá ou ainda na praia.
Embora ele pudesse ter acessado a casa daquele lado, Tony saiu pela
praia para recuperar seus chinelos. Achou ambos repousando na areia
sob a cobertura da vegetação, ao lado dos de Claire e os pegou. Olhando
adiante em direção à praia, ele se preocupou. Se ela ainda estivesse lá
fora, ele precisava ir encontrá-la. Quando ele examinou a praia escura,
ele viu a sua figura vindo em sua direção. Silenciosamente, ele
escorregou até o caminho.

~ 219 ~
Você tem o poder sobre os seus eventos da
mente, não fora. Perceba isso, e você vai encontrar
resistência.

- Marcus Aurelius

Capítulo vinte e dois


Os olhos de Claire estavam acostumados à escuridão. Voltando de
onde vinha o som, as portas abertas para a varanda, viu a silhueta de
Tony. Mais uma vez, suas palavras vieram em uníssono: — Sinto muito.

Ambos se adiantaram, e quando seus corpos se tocaram, a


pressão que vinha crescendo evaporou em um doce alívio. A tensão
sentida na praia tinha ido embora; O corpo de Claire era líquido
moldando em suas mãos e de acordo. Seus lábios se uniram e um
aperto diferente começou a construir lá no fundo.

Claire era sua, ele era dela. Tinha sido assim desde antes mesmo
dela o conhecer, ou saber dele. Ela poderia lutar com essa revelação,
mas por quê? Não era discutível; ela não poderia reescrever a história.
Ela não queria que desse tudo certo os colocando onde eles estavam no
momento. Além disso, cada fibra do seu ser ansiava por seu toque. O
corpo dela o queria, era inegável. Cada uma de suas carícias foi mais
uma provocação, despertando faíscas que só ele poderia transformar em
chamas. O desejo era obviamente mútuo quando ele a puxou para mais
perto. Eles não disseram palavras, ainda que ambos entendessem o
significado de seus sons. Respiração pesada e gemidos ecoavam de seu
quarto cavernoso para o mar.

Com suas roupas sujas de areia perdidas em algum lugar no seu


quarto, a sua paixão fervorosa levou à cama grande. Embora o leve
zumbido do ventilador de teto girava acima de seus corpos nus, o calor
que sentiam não podia ser resfriado. Os lábios de Claire chuparam seu
ombro enquanto suas mãos hábeis percorriam as curvas familiares e
novas da sua figura. Seu toque agitou seus desejos, fazendo implorar
por mais.

Embora o fraco luar camuflasse o quarto em sombras, Tony podia


ver a máscara de dormir de Claire em seu criado-mudo. Era de cetim
preto, e ajudava a manter a luz do sol da manhã à distância, enquanto

~ 220 ~
ela dormia. Alcançando a máscara, Tony segurou na linha de visão de
Claire e perguntou: — Você confia em mim?

Vendo a máscara e seu sorriso diabólico, o coração de Claire


começou a bater de forma irregular. Sim, ela colocou a máscara em si
mesma antes de adormecer; no entanto, nunca foi algo que tinha feito
para se divertir. Sua mente correu de volta para o quarto com um
bloqueio que buzinava. Houve um tempo, há muito tempo, no início,
quando havia os olhos vendados e restrições, mas ela nunca pensou
que nada disso era divertido. — Não, — suas pequenas mãos
empurraram contra seu peito. — Não! — Ela não estava vendo o homem
em cima dela, ela estava vendo o homem a partir dessas memórias. —
Eu não quero usar isso, por favor, por favor, não me faça.

Talvez ele houvesse feito um som; Claire não tinha certeza. Algo
fez seus olhos abrirem e, de repente, ela viu o homem que realmente
estava lá. Em seus olhos, ela viu novamente a dor. — Oh, Tony— seus
braços cercaram seu pescoço — Eu confio em você. Eu só não quero
usar isso. — Seu coração se partiu quando ele balançou a cabeça e saiu
de cima dela, deitando em seu travesseiro. Erguendo a cabeça para
olhar para ele, Claire começou a se desculpar, mas antes que pudesse
falar, ele colocou o dedo nos seus lábios.

Ela nunca poderia ter previsto o próximo movimento de seu ex-


marido. Claire Nichols nunca teria imaginado Anthony Rawlings
fazendo uma aposta tão alta, quanto apostar, no entanto, era o que ele
fez. Erguendo a cabeça para beijar suavemente seus lábios, ele
sussurrou, — Eu confio em você. — Então ele cobriu seus olhos com
sua máscara de cetim. Por mais ridículo que ele parecia, com os
babados de cetim preto em torno do rosto, ela nunca havia ficado tão
honrada. Ele era dela! Isso foi o que ele tentou dizer a ela na praia. Sim,
toda a ideia de ele seguindo ela ao longo dos anos foi assustadora, mas
não era isso que ele tentou transmitir. O vendo ainda deitado, com os
olhos cegos para cada movimento dela, Claire compreendeu, tinha seu
coração, alma e seu corpo. Eles eram dela para fazer o que ela quisesse.

Ficando de joelhos, ela permitiu que seus lábios escovassem seu


pescoço. Seus grunhidos a encorajaram e os restolhos de barba
rasparam. Claire amou cada sensação e cada minuto. Em seguida,
mudou para seu peito, onde suas mãos acariciaram seus músculos com
os dedos entrelaçando através de seu cabelo no peito. Quando ela
lambeu e chupou um mamilo, os seus braços cercaram ela.

Dentro deste novo paradigma, Claire tinha o poder. Sentando, ela


empurrou os braços dele de volta para o colchão e disse: — Não.

~ 221 ~
Seu sorriso por baixo do cetim a derreteu. Ela estava com medo
de que ela não seria capaz de fazer todas as coisas que ela imaginava;
seu corpo estava em um precipício, e em qualquer momento, ela estaria
perdida na avassaladora felicidade.

Não era como qualquer coisa que já tinha experimentado, nem era
como Claire sempre quis que fosse; no entanto, nesta presente noite, foi
perfeito. Após o mundo de Claire explodir e o de Tony também, ela caiu
sobre seu peito e lutou para respirar. Por fim, ela levantou a cabeça e
tirou a venda de cetim dos seus olhos. A centelha de felicidade dentro
do chocolate a fez reconsiderar seu desejo de dormir.

O sorriso de Tony infiltrou suas palavras: — Já que você removeu


a venda, significa que agora eu posso te abraçar?

— Oh sim, Sr. Rawlings, por favor.

Apesar de nada sobre sua história recente parecer errado, não


demorou muito para acertar o seu mundo. Girando Claire, ele
gentilmente colocou na cama e esparramou o cabelo em seu travesseiro.
— Só para você saber, — ele sussurrou em uma profunda voz rouca —
seu cabelo pairando sobre meu rosto e peito, quando eu não podia ver,
era incrivelmente erótico.

Claire riu. — Bem, é bom saber disso. Vou me lembrar da


próxima vez.

Sua testa se inclinou para cima. — Próxima vez?

Ela assentiu.

Tony deu de ombros. — Bem, minha querida, eles dizem que a


variedade é o tempero da vida.

Claire passou o dedo sobre os lábios cor-de-rosa. Antes que ela


pudesse remover, Tony chupou a ponta na boca. Pressionando os seios
para cima, seus olhos se fecharam e ela ronronou, — Enquanto a
variedade for comigo, eu acho que eu poderia estar disposta.

Aproximando os lábios do ouvido dela, Tony sussurrou: — Só


você, tem sido somente você por um longo tempo.

Antes de ir dormir, eles decidiram ir dar um mergulho à noite.


Embora eles usassem roupas para ir à piscina, eles não se
preocuparam com os trajes de banho. Com a água perto da mesma
temperatura do ar úmido, a única diferença era o grau de umidade à
medida que ficavam submersos. Tony desapareceu sob a água e nadou

~ 222 ~
o comprimento da piscina de borda infinita e de volta. Claire riu quando
ele saiu da água bem na frente dela. Pegando as suas mãos, ele a levou
até o lado mais profundo. Segurando os seus ombros, ela enrolou as
pernas em volta de seu torso e olhou para as estrelas.

Tony beijou seu pescoço. — O que você está pensando?

Claire deu de ombros. — Um monte de coisas, nosso bebê, nossos


amigos, e minha família.

— Está tudo bem sentir falta deles.

— Estive longe deles antes, mas desta vez, é diferente. Desta vez,
eu sinto como se tivesse os traído. Eu sou a única que fugiu sem dizer
nada a ninguém.

— O que você acha que aconteceria se eles soubessem da


verdade?

Claire contemplou. — Eles podem estar em perigo? Nesta altura,


eu não colocaria as mãos no fogo por Catherine.

Tony assentiu. — Ao mantê-los ignorantes, estamos protegendo-


os.

Deitada com a cabeça no ombro dele, Claire passou a mão sobre o


braço dele.

Tony pegou a sua mão esquerda e olhou para o diamante em seu


dedo. — Você sabe que este anel me deu esperança e quebrou meu
coração ao mesmo tempo?

Claire levantou as sobrancelhas.

— Quando a polícia encontrou seus pertences em um motel em


Illinois e este anel não estava com eles, eu queria acreditar que estava
tudo bem, que você estava fazendo suas próprias decisões, e você não
estava nas mãos de algum perseguidor louco, mas então eu percebi, se
isso fosse verdade, então isso significava que você me deixou. Isso
significava que não queria ficar comigo e que nunca voltaria.

Ela libertou a mão dela e colocou os braços apertados em volta do


seu pescoço. — Eu sinto muito. Eu estava com medo e sendo enganada.
— Ela beijou sua bochecha, enquanto seus dedos correram pelo seu
cabelo. — Eu deveria ter falado com você. — Ela escondeu o rosto na
curva do pescoço dele. — Eu não poderia deixar o anel. Eu tinha

~ 223 ~
prometido manter. Eu simplesmente não podia deixar. — Lágrimas
oscilaram em suas pálpebras.

Ele empurrou-a para longe e olhou em seus olhos. — Claire, qual


é o problema?

Ela sorriu por trás das lágrimas. — Eu acho que são os


hormônios e às vezes eu só choro.

Tony sorriu e abraçou com força. — Hoje mesmo, alguém


mencionou algo sobre isso.

— Hoje? Quem?

— Foi Francis. Eu sei que eu só estive aqui alguns dias, mas eu


acho que ele e Madeline são ótimas pessoas. Esta ilha não seria a
mesma sem eles.

Claire assentiu em seu ombro enquanto tentava reprimir um


bocejo. —Eu concordo.

Pegando Claire, Tony caminhou lentamente em direção aos


degraus. — Eu acho que você precisa dormir um pouco.

Quando chegaram aos degraus, Claire soltou seu pescoço. —


Estou ficando muito gorda para você me carregar para fora da água.

— Não, Srta. Nichols você não está gorda; No entanto, concordo.


Eu nunca me perdoaria se meus pés molhados escorregassem e eu te
machucasse, ou o nosso filho.

Claire olhou para trás, para Tony. — Filho?

Ele deu de ombros. — Ou filha, eu realmente não me importo.

Pegando sua mão, Claire disse: — Enquanto estávamos


separados, eu orei por um garoto. Eu queria que ele fosse exatamente
como você.

— Como eu? — ele balançou a cabeça — Eu sei que você é mais


esperta do que isso.

Quando eles reentraram em sua suíte, Claire disse, — Bem, os


Nichols tinham apenas meninas, pelo menos, a última geração, e parece
que os Rawls tinham apenas meninos… assim, logo vamos aprender
qual a família que domina.

Tony beijou seu pescoço. — Querida, o homem determina o sexo.

~ 224 ~
Seus olhos brilharam. — Hoje não, ele não o fez.

— Se você está pronta para a segunda rodada, eu tenho certeza


que poderia igualar o placar.

— Eu acho que eu vou lavar o cloro do meu cabelo. Se ele não for
muito dominante para uma sugestão, como você já sabe o chuveiro é
muito grande, você pode se juntar a mim?

Tony sorriu. — Você está sugerindo a preservação da água? Quer


dizer, eu gosto da ideia de economizar recursos.

Mais tarde naquela noite, com a pontuação um a um, Claire


deitou para dormir, ouvindo o ritmo suave das batidas do coração de
Tony. Fugazmente, ela pensou sobre a revelação de Tony. Era apenas o
começo, e ambos sabiam que havia muito mais o que discutir. Suas
conversas no passado e no futuro, sempre tiveram uma regra,
honestidade. Tony tinha seguido essa regra e, em essência, Claire
também. Se ela fingisse que sua declaração não a incomodava, então
ela não teria sido honesta. Seu último pensamento enquanto ela
deslizava para o sono foi o aviso do Tony. Claire decidiu que ele tinha
razão, a verdade poderia ser mais bem controlada em pequenos pedaços
gerenciáveis. Era como seu antigo modo de lidar, arquivando. A
diferença era que em vez de esconder os segredos nos compartimentos,
desta vez, eles estavam trazendo para fora.

Quando Claire acordou pela manhã, seu mundo ainda estava


escuro. À medida que suas pálpebras e cílios roçaram o cetim, ela
percebeu que a escuridão era sua máscara de dormir. Claire removeu
de seus olhos e estendeu a mão para o lugar vazio de Tony na cama. Já
passava das 09h00min, e ele se foi, provavelmente, para algum lugar e
explorar a ilha ou saiu com Francis. Grata pelo sono extra que a
máscara trouxe, Claire ficou pensativa sobre a noite anterior, e
memórias quentes encheram seus pensamentos. Quando ela pensou em
adormecer, ela percebeu que ela não estava usando a máscara de
dormir. Sacudindo a cabeça levemente, um sorriso veio aos lábios. Esse
é outro ponto para Tony! Talvez em breve ela pudesse até mesmo
empatar.

*****

— Entendo senhor, — disse o agente Baldwin em seu telefone.

~ 225 ~
— Sim, Diretor Adjunto, eu estarei de volta em San Francisco
amanhã à noite.

— Obrigado. Adeus.

Harry bateu no botão desligar e desabou na cadeira do hotel. A


conversa não foi tão ruim quanto ele imaginava. Embora tivesse perdido
o controle de ambos, Claire e Rawlings, através do uso de
reconhecimento facial digital, ambos tinham sido identificados em
diferentes momentos nos aeroportos de Papua e Nova Guiné. Claire foi
identificada no Aeroporto de Baimuru, enquanto Rawlings foi
identificado no Aeroporto de Daru.

Acreditava que eles estão hospedados em algum lugar do Pacífico


Sul e reconhecidamente, esta era uma generalização ampla. A área em
questão, continha milhares de ilhas de tamanhos variados. Muitos dos
países insulares da região dependem fortemente do turismo e tem sido
conhecido por serem muito aconchegantes e confortáveis para os
moradores ricos. Era uma regra, perguntas raramente eram feitas.

Uma vez que eles já não estavam na Europa, o Agente Baldwin foi
condenado a retornar ao escritório de campo em San Francisco. Embora
ele não mencionasse isso no telefonema, Harry prometeu compartilhar
sua pesquisa com o SAC Williams ou qualquer um que quisesse ouvir.
Ele precisava de recursos do FBI para solicitar amostras de sangue de
Simon Johnson e Jordon Nichols. Harry não tinha certeza se as
amostras estariam disponíveis. Se nada funcionar, ele queria acessar os
relatórios toxicológicos que estavam disponíveis.

Se ele não conseguisse localizar Claire e Rawlings, então sua


pesquisa seria a sua prioridade número um. Escrever uma nota, Harry
refletiu, a presença de Actaea pachypodac criaria quaisquer marcadores
incomuns visíveis durante exames toxicológicos? Como a maioria das
agências não costuma testar para isso, talvez houvesse alguma coisa
que pudesse identificar a sua presença. O fato de isso afetar o coração,
criando um ataque cardíaco, sintomas como estes eram demasiados
amplos.

Harry tinha algumas horas antes que ele precisasse chegar ao


aeroporto. Enquanto esperava, ele revisou históricos médicos. Em
primeiro lugar, ele olhou para as vítimas conhecidas:

Nathaniel Rawls morreu em 1989, com a idade de sessenta e


quatro anos. Curiosamente, ele morreu com apenas dois meses
restantes em sua reduzida sentença. Ele tinha um histórico de pressão
alta, depressão, deficiência de vitaminas, uso recreativo do álcool e
~ 226 ~
dependência de nicotina. Ele estava sendo medicado para a pressão alta
e depressão. De acordo com os registros, quando ele morreu, ele ainda
fumava metade de um maço por dia. Era justo supor que a sua morte
fosse relacionada ao coração, até que Actaea pachypodac foi identificada
positivamente em seu sangue.

Agente Sherman Nichols morreu em 1997, com a idade de setenta


e três anos. Ele também tinha um histórico de pressão alta. Em 1995,
ele teve um cateterismo cardíaco que resultou na colocação de duas
endopróteses coronárias. Ele foi medicado para a pressão arterial alta e
alta dependência da nicotina, histórico de colesterol no passado. Mais
uma vez, seria justo supor a causa da morte como doenças cardíacas de
novo, Actaea pachypodac foi identificada positivamente em seu sangue.

Anthony Rawlings/envenenamento, Anton Rawls sobreviveu,


Janeiro de 2012, com a idade de quarenta e seis anos. A esposa, Claire
Nichols Rawlings, confessou não contestar a acusação de tentativa de
assassinato. O Governador Bosley estendeu um perdão que absolveu
Claire (Rawlings) Nichols da culpa. O estado de Iowa não reviu o caso
devido à insistência do Sr. Rawlings. Além disso, no momento de seu
envenenamento, o Sr. Rawlings tinha uma história médica clara. Sua
única medicação eram vitaminas, uso recreativo de álcool, e sem
histórico de tabagismo, histórico familiar seria a única conexão com os
problemas relacionados com o coração, levando à sua possível morte.
Ao chegar ao hospital Actaea pachypodac foi identificada positivamente
em seu sangue.

Harry também revisou sua lista de outras possíveis vítimas:

Samuel e Amanda Rawls, COD ferimentos de bala. Os relatórios


de balística contradisseram a hipótese lançada de assassinato/suicídio.
Os ferimentos de bala foram obviamente não auto infligidos em
qualquer uma das vítimas. Eles morreram em 1989, com a idade de
quarenta e cinco e quarenta e quatro anos. Por mais que Harry quisesse
prender isso a Rawlings, uma vez que teve o seu depoimento e o
relatório policial confirmou a sua presença na casa na noite do crime,
ele não poderia esquecer a sua discussão com Patrick Chester. Ficou
claro que, durante essa discussão, Chester estava sendo pago por
alguém para manter o silêncio sobre uma mulher, uma mulher em um
Honda azul.

Jordon e Shirley Nichols, COD traumatismo craniano relacionado


ao acidente de automóvel. Eles morreram em 2004 com a idade de
cinquenta e quarenta e nove anos. Os relatórios da polícia do estado de

~ 227 ~
Indiana indicaram que o carro dos Nichols tinha uma estrutura sólida.
O acidente foi considerado acidental.

Simon Johnson, COD, queima relacionada com o acidente e


incêndio de um avião Cessna. Ele morreu em 2011 com a idade de vinte
e oito anos. Os relatórios NTSB indicaram que o avião estava
estruturalmente sólido. Para Harry, isso confirmou que o veneno era de
fato, a causa da morte, mas ele precisava de provas.

Embora ele não pudesse ter certeza sobre os pais de Tony, os


instintos de Harry lhe disseram que as outras mortes poderiam ser
ligadas com Rawlings. Quando estava prestes a sair para o aeroporto,
Harry rabiscou outra nota, checar New Jersey, 1989, os registros de
carros Hondas azuis. Ele enfiou a nota em sua bolsa para laptop e se
dirigiu para o aeroporto.

~ 228 ~
A maior felicidade da vida é a convicção de que
somos amados; amados por nós mesmos, ou melhor,
amados apesar de sermos nós mesmos.

- Victor Hugo

Capítulo vinte e três


Claire adorava a hora do almoço. Apesar do pedido de Tony para
ela entender melhor toda a relação empregador/empregado, ela se
recusou a desistir de comer com Madeline e Francis. O pequeno almoço
era uma cortesia para todos. Madeline e Francis tinham coisas que
queriam fazer no início do dia. O sol e calor intensos faziam da manhã
e da noite os melhores momentos do dia para fazer o trabalho. Tony
sempre foi uma pessoa de acordar cedo. O fato de que ele não tinha
mais trabalho para fazer, ou milhares de postos de trabalho sob o seu
reinado de responsabilidade, não mudou seu relógio interno. Claire, por
outro lado, aproveitava o seu sono. Enquanto todo mundo na ilha
estava levantando e saindo ao romper da aurora, 08h00min ou
09h00min era uma hora de acordar muito mais aceitável para ela. Era
verdade que anos atrás, na propriedade de Tony, ela constantemente
acordava por cerca de 8h00. Em sua opinião, a diferença era de sete
quilos extras descansando em sua bexiga. Hoje em dia, ela acorda a
cada duas a três horas. Dormir até 09h00min deu a mesma soma total
de sono. Fazia sentido, e, além disso, ninguém reclamou.

O almoço era um grande momento para que todos pudessem se


conectar. Claire sabia que era um mundo totalmente novo para Tony.
Em privado, enquanto ele expressava sua aprovação de Madeline e
Francis, ele ainda manteve para si suas preocupações sobre a
capacidade de Claire para preservar o status de empregador apropriado.
Claire não se importava. Ela explicou quão fundamentais Madeline e
Francis haviam sido na sua adaptação inicial, e todos sabiam, era sua
decisão. Enquanto ela quisesse, todos continuariam a comer a sua
refeição do meio-dia juntos.

Um dia depois da revelação de Tony, quando seu almoço estava


prestes a concluir, Claire fez a Francis uma pergunta, — Eu me lembro
de você me dizendo que você está licenciado. Isso significa que você
pode casar legalmente duas pessoas?

~ 229 ~
Claire ignorou a micro expressão assustada de Tony quando
Francis respondeu: — Oui, Madame, aqui na nação desta ilha eu estou,
como você diz, licenciado.

Ela esclareceu: — O que significa isso nos Estados Unidos? Será


que ainda seríamos casados?

— Oui, depois de apresentar a sua licença.

Tony não poderia permanecer em silêncio por mais tempo. —


Claire, a minha oferta ainda está de pé, mas você tinha coisas que você
queria discutir, então talvez devêssemos…

Claire colocou a mão no bolso, as rendas encobriram. Seus dedos


encontraram uma oferta que só ele reconheceria. Ela a pegou em seu
punho, e estendeu a mão fechada para Tony. — Eu tenho algo para
você.

Suas sobrancelhas se uniram em questionamento, quando ele


ansiosamente abriu a mão. Embora houvesse muito poucos segredos
em uma ilha privada, quando Claire deu a oferta com uma das mãos,
ela fechou os dedos em torno dele com a outra. Em voz baixa e com um
sorriso que irradiava de seus olhos verde-esmeralda, ela sussurrou: —
Eu confio em você.

Tony calmamente olhou para sua mão. Claire não era a única a
ver o brilho nos seus olhos cor de chocolate escuro.

— Monsieur, este é o seu desejo? — A pergunta de Madeline


desviou o olhar de Tony de Claire.

— Oui, Madeline é o meu desejo. Eu queria ter certeza de que era


de Claire.

Endireitando o pescoço dela, Claire disse, — Bem, para que fique


tudo claro, não sou a pessoa que pediu o divórcio. — Tony
momentaneamente abaixou a cabeça. O que ele poderia dizer? Antes
que ele voltasse seu olhar para Claire, ela temia que ela tivesse dito algo
que não devia.

Sua preocupação derreteu com os seus lábios virados para cima e


evaporou em nada com suas palavras. — Eu admito que não foi o
primeiro erro que eu já cometi; no entanto, é o que eu me arrependo
mais.

— Hoje à noite? — Madeline perguntou seu volume aumentando.


— Podemos ter o casamento hoje à noite?

~ 230 ~
Claire riu. — Esta noite é muito rápido. Eu não tenho um vestido
— Madeline interrompeu, — Madame, um casamento não é sobre um
vestido. Um casamento é sobre a unificação de duas almas, — ela fez
uma pausa — No seu caso, a reunificação.

Tony corrigiu, — Reconciliação.

Claire pegou sua mão. — Acredito que começou há muito tempo,


em um evento de gala, em uma terra distante.

— Eu acredito que aconteceu antes disso, — disse Tony. — Talvez


em um sonho?

Claire não poderia deixar de sorrir. Ela sabia por experiência


própria que estava irradiando para seus olhos verdes.

Foi Francis que trouxe os dois de volta a partir de suas memórias


pessoais. — Eu vou para a cidade imediatamente. Seu casamento será
legal aqui, uma vez que você assinar. Para legalizar nos EUA, eu irei
ajudar.

Foi o suficiente para Claire. Ela deslizou sua cadeira até Tony e
deitou a cabeça no ombro dele. Logo depois, eles estavam sozinhos, já
que Madeline e Francis tinham muito a realizar para cumprir o pedido
de Claire. Foi então que Tony entregou a Claire de volta sua máscara de
dormir e perguntou: — O que aconteceu? Por que você está, de repente,
com pressa?

— Você está reclamando?

Ele colocou a mão na perna dela. — Não, preocupado.

Claire levantou as sobrancelhas. Tony suspirou e segurou sua


mão. — Venha comigo.

Ela não questionou; em vez disso, ela voluntariamente seguiu


Tony para uma espreguiçadeira em uma parte com sombra, mas
ventilada da varanda. — Em primeiro lugar, — disse ele, — você precisa
colocar os pés para cima. Segundo, nós precisamos conversar.

Claire obedientemente sentou, esticando as pernas na frente dela.


Quando Tony sentou na ponta da cadeira, Claire estendeu a mão, tocou
o rosto dele com as suas mãos pequenas, e trouxe seus lábios nos dela.
Tantas coisas podem ser ditas através de um beijo. Algumas pessoas se
beijam para dar um olá ou adeus. Um beijo pode ser feliz, triste,
apaixonado, ou arrependido. A emoção que Claire que tentou transmitir
foi perdão. Quando seus lábios se separaram e seus olhos se

~ 231 ~
encontraram, Claire respondeu: — Eu te amo. Existem provavelmente
milhões de razões pelas quais eu não deveria, mas eu amo. Eu estive
sem você, —ela corou — desde o meu sonho, e eu não gosto disso. Senti
todas as emoções possíveis, enquanto com você. Você me pediu para ser
a senhora Rawlings, novamente, você disse que nosso filho não é um
Nichols ou Rawls, mas um Rawlings, — ela endireitou o pescoço e os
ombros — Eu quero isso.

— Eu quero isso também. — Tomando as suas mãos, Tony


continuou: — No entanto, você precisa saber o que está assinando.

— O que eu vou assinar?

Ele sorriu. — Você acha que Madeline tem guardanapos de papel?

— Eu duvido que, seja um papel mais juridicamente vinculativo?

Ele rapidamente beijou seus lábios. — Aí está novamente.

— Oh, você a ama!

— Eu faço. Eu amo a sua boca inteligente, e mais importante, eu


te amo. Basta pensar sobre o quão chateada você estava na noite
passada. Minha querida, nossa discussão é um iceberg. Essa foi apenas
a ponta.

— Você não entende por que eu entreguei a minha máscara de


dormir?

Os cantos de sua boca se contorceram. — Porque você queria ter


sexo bizarro.

Claire balançou a cabeça, tentando esconder seu rosto corado. —


Não, na noite passada você me perguntou se eu confiava em você. Mais
uma vez, provavelmente há milhões de razões para dizer não.

Tony sentou-se mais reto conforme seu tom se aprofundou. — Eu


acredito que há razões, mas minha querida, eu apreciaria se você
interrompesse o uso do modificador, um milhão. Você calculou mal o
tamanho do iceberg.

— Na verdade, eu não me lembro de usar o modificador um.

Seu dedo traçou seus lábios, quando eles formaram um sorriso


presunçoso. — Tantos melhores usos para essa bela boca, do que jorrar
continuamente comentários inteligentes.

~ 232 ~
— Tony, ontem à noite eu me senti como se muito estivesse
andando em nossa conversa. — Quando ele começou a falar, ela tocou
os lábios para ele não a interromper. — O que você me disse que eu
preciso saber, não muda o fato de que eu quero a minha família unida.
Eu quero ser sua mulher novamente — Claire sentiu as lágrimas
começarem a acumular — Eu quero mais do que eu queria isso em
Dezembro de 2010.

Tony gentilmente enxugou uma lágrima de seu rosto. — Em


2010, eu não percebi a mulher realmente incrível que eu estava
casando. Eu nunca a apreciei por quem ela realmente era. — Ele
ergueu a mão esquerda de Claire e tocou seus lábios nos dela. — Desta
vez, eu sei que eu sou o homem mais sortudo do mundo. É por isso que
eu quero que você entre neste casamento com os olhos abertos.

— Tony, você fará qualquer coisa por mim?

— Qualquer coisa ao meu alcance.

— Hoje, para o almoço, eu teria água para beber, mas eu


realmente queria chá gelado. Podemos ter chá gelado para o almoço de
hoje?

Ele olhou para ela com curiosidade. — Para o almoço de hoje?


Não, mas eu posso pegar um chá agora, se você quiser.

— Por que você não pode obter para mim para o almoço de hoje?

— Claire, você não está fazendo nenhum sentido, o almoço é


mais… — Um sorriso de reconhecimento surgiu em seu rosto. Claire viu
na profundidade de seus olhos castanhos profundos.

— Sim, sim, é isso, — disse ela. — Tudo o que você pode fazer é
tentar cumprir os meus desejos para o futuro. Nós não podemos mudar
o passado, e mesmo que pudesse, eu não tenho certeza que deveria ser
mudado, ele nos trouxe aqui agora. Estou confiante de que eu não gosto
de todas as respostas que recebo de você. Isso não muda que eu as
quero e mereço, mas dizer que todo o nosso futuro está andando nelas,
era muita pressão. É por isso que eu estava tão chateada ontem à noite.
Isso me assustou tanto, que você estava me vigiando por tanto tempo,
que eu perdi a parte sobre você dizer que eu tinha a posse de seu
coração desde antes de te conhecer.

— Você tem, e como um homem de palavra, quando você estiver


pronta para conhecer as respostas para suas perguntas eu vou ser
honesto com você. E o mais importante, você e nosso filho sempre serão

~ 233 ~
a minha preocupação número um. Você me mudou de uma maneira
que eu não sabia que eu poderia ser mudado. Sua felicidade e bem-
estar são as minhas principais prioridades. Se você tem certeza no que
você está se metendo, eu vou passar o resto da minha vida pagando
pelos meus pecados contra você e contra os outros. Eu quero que o meu
nome seja algo que você esteja orgulhosa em carregar.

Claire não conseguia controlar as lágrimas, mais do que ela


poderia mudar o passado. Do homem com os olhos escuros, na suíte,
em sua propriedade, para o homem com a cabeça apoiada sobre seu
filho era, sem dúvida, uma mudança. Ela foi a responsável, ou foi à
vida? Afinal, ela não era a mesma mulher que estava de vestido azul e
sapatos de salto azuis tremendo de medo. Isso foi feito por Tony, ou foi a
vida? O homem com os olhos desprovidos de cor e emoção não quereria
a mulher que Claire era hoje, e a mulher de vestido azul não quereria
nada a ver com o homem acariciando a criança por nascer. Então,
querer dizer que eles mudaram um ao outro pode estar incorreto, mas
dizer que haviam mudado era apenas um eufemismo.

Em pé no brilho do sol, com os dedos dos pés na areia, Claire


olhou amorosamente para os mais profundos, olhos mais escuros. A
escuridão já não proclamava raiva. A escuridão de anos atrás era
diferente, vazia, ou mais precisamente desprovida. Naquele momento,
seus olhos eram janelas para um núcleo atormentado, cuja única saída
era raiva e crueldade, mas o marrom escuro, que voltou a seu olhar
hoje não estava vazio. Ele balançou com as emoções que os olhos vazios
não teriam entendido. A nova escuridão rodou com uma paixão que
tudo consome que pode inflamar Claire de maneiras impossíveis com
um único olhar. Eles agitaram com amor e adoração, orgulho e
entendimento, tristeza e arrependimento. Estes olhos beberam, afirmou
ela, e cumpriram cada desejo. Eram as janelas para um homem, que
uma vez assinou um guardanapo que ele sabia que era um contrato.
Como um homem de negócios estimado, ele esqueceu uma regra muito
importante, ele se esqueceu de ler as letras miúdas. Não foi uma
aquisição para possuir outra pessoa como ele havia anteriormente
assumido. Foi um acordo para adquirir uma alma.

A aquisição foi longa e dolorosa. Houve disputas contratuais e


questões trabalhistas, mas no final, a alma encontrou residência dentro
do empresário. As regras já não eram claras, ou estava o mundo em
preto e branco. Agora, a cor prevaleceu, especialmente tons de verde.

A rica voz profunda de Francis ecoou na brisa. Claire se lembrou


do dia em 2010, quando foi feita a ela a mesma pergunta: você aceita

~ 234 ~
este homem para ser seu legítimo esposo, para ter e manter, na riqueza e
na pobreza, na doença e na saúde, para amar e cuidar até que a morte
os separe? Sua resposta não havia mudado. Apesar dos traumas e seu
desejo de esquecer a promessa feita há três anos, Claire suspeitou que,
em seu coração, ela nunca o fez. Esta cerimônia foi uma reafirmação
desse compromisso prévio e uma promessa de um relacionamento
melhor. Com seu vestido branco longo que fundia em torno de suas
pernas, talvez ela estivesse subconscientemente planejando isso,
quando ela pediu suas roupas, Claire inalava sem esforço, a brisa
salgada penetrou profundamente em seus pulmões como se a sensação
de sufocamento tivesse ido embora.

Enquanto Francis orou, Claire o fez também. Foi uma oração de


louvor e gratidão. Ela admitiu que não gostasse de partes da viagem,
mas o destino era um verdadeiro paraíso. Quando Francis anunciou
sua união, Claire e Tony se beijaram. Quando ele se afastou, ela viu seu
sorriso diabólico e o ouviu sussurrar, — Sra. Rawlings, você é minha
mais uma vez.

Sua réplica oscilava na ponta da língua. Finalmente, ela engoliu


as palavras e sorriu para seu belo marido, decidindo que uma resposta
da boca inteligente não era apropriada no meio de seu casamento. Não
importava. O brilho nos olhos de Tony disse a ela que ele sabia, ele
sabia o que ela queria dizer e amava tanto para ela quanto para sua
contenção descarada.

Madeline, de alguma forma, encontrou tempo para fazer um bolo.


Desde que Claire não podia beber álcool, isso nem sequer foi discutido.
Os quatro celebraram seu casamento, com bolo e limonada. Claire
perguntou se 27 de Outubro era agora o seu aniversário, e se isso
significava que 18 de Dezembro não era mais. Talvez eles pudessem
encontrar motivos para comemorar as duas datas. Após a recepção,
Francis e Madeline se desculparam e deixaram os recém-casados
sozinhos.

Dentro de sua suíte, encontraram frutas geladas e suco de uva


espumante. Isso, porém, não foi à descoberta que fizeram a risadinha
de Claire e o sorriso diabólico de Tony surgirem. Foi quando ele puxou a
máscara de cetim preto do bolso de sua bermuda de linho e levantou
uma sobrancelha. Foi quando ela não conseguiu conter sua risada. Ele
manteve com ele durante toda a cerimônia.

— Achei que você queria que eu fosse para o casamento com os


meus olhos abertos?

~ 235 ~
Cada um de seus passos graciosos diminuiu a distância entre eles
e puxou um fio invisível, apertando o interior de Claire. Seus mamilos
sensíveis doíam quando os seus peitos tocaram e ele a puxou para
perto. Lentamente, alargando seu sorriso, Tony respondeu: — Isso,
senhora Rawlings, foi feito metaforicamente.

Olhando para o seu lindo rosto, Claire arregalou os olhos e


respondeu: — Oh, veja, eu pensei que você quis dizer isso literalmente.

Inclinando, ele aproximou os lábios nos dela, e quando ela fechou


os olhos, sentiu a conexão doce de seu beijo. Antes que ela pudesse
inspirar, os dentes de Tony pegaram o seu lábio inferior, e Claire
engasgou.

Ele gentilmente puxou e liberou. Seus lábios se moviam da nuca


até seu ouvido. Depois ele gentilmente mordiscou seu lóbulo, sua voz
rouca causou arrepios na sua espinha. — Eu sabia que não poderia
ficar escondido por muito tempo.

Ela arregalou os olhos, mostrando sua expressão mais inocente.


Era tarde demais, o tom sedutor de Tony ressoou através da suíte. —
Não, minha cara, não pareça inocente, não arregale os olhos, você sabe
exatamente o que estou dizendo. — Mais uma vez traçando os seus
lábios com o dedo, ele acrescentou: — Eu acredito que é a hora de
encontrar algo melhor para essa boca inteligente fazer.

~ 236 ~
Nada pode impedi-lo de descobrir a verdade
tanto quanto a crença de que você já sabe disso.
- Jon K. Hart

Capítulo vinte e quatro


Sophia atravessou seu condomínio em Santa Clara uma última
vez e fez um inventário das caixas de mudança. Falando por cima do
ombro, ela perguntou pela enésima vez: — Você tem certeza de que a
Rawlings Industries vai levar tudo isso para Iowa para nós?

Derek veio do quarto, pincel atômico na mão. — Eles disseram


que fariam. Nós só precisamos ter tudo embalado e etiquetado. Eles vão
até mesmo colocar as caixas nos quartos apropriados em nossa nova
casa.

Sophia contemplava suas palavras: Casa soou maravilhoso! Iowa


não o fez. Não havia um oceano perto de Iowa City, sem praias, bem, a
não ser que você incluísse os rios. Sophia nunca se imaginou vivendo
no meio do país, cercada por milho. O abraço do marido reorientou os
pensamentos de Sophia. Ele sussurrou em seu ouvido, — hoje à noite,
eles nos estão colocando em um incrível hotel em San Francisco.
Amanhã, nós estamos voando em um jato particular para a sede da
Rawlings Industries Corporate. Timothy Bronson, o diretor executivo em
exercício, quer conhecer a nós dois. — Ele mordiscou sua orelha. —
Bebê, você pode pintar em qualquer lugar; você me disse isso antes.
Esta é uma grande oportunidade!

— Estou feliz por você, eu estou. Eu só não entendo como isso


aconteceu tão rápido. Você disse que Anthony Rawlings queria você lá?
Querido, isso é ótimo, mas ele está desaparecido desde setembro. O que
aconteceu?

Respirando, Derek olhou profundamente nos belos olhos cinza de


sua esposa. — Eu já lhe disse tudo o que sei tudo o que o RH me disse.
Quando eles analisaram o computador de casa do Sr. Rawlings, eles
descobriram um arquivo sobre mim. Ele até tinha uma proposta de
trabalho iniciada. Timothy Bronson estava ciente do arquivo, então ele
levou-o para o conselho de administração. Eles sentiram que era algo
que o Sr. Rawlings queria, e, juntos, reviram o meu dossiê e ligaram. O

~ 237 ~
Sr. Bronson acredita que eu posso ajudar no esforço para puxar a
Rawlings Industriess de sua espiral descendente.

A mente de Sophia girou. — Quem analisou os seus


computadores de casa? Por que fariam isso?

— Baby, eu não sei. Esta é uma promoção enorme; não apenas o


dinheiro, ou o título, mas a responsabilidade. Vou partir de um peão
júnior em uma pequena subsidiária a um peão júnior na corporação!

Sophia suspirou. — Querido, eu estou orgulhosa de você. Eu só


não estou acostumada a viver tão longe no interior. Sempre morei perto
de uma costa, e a coisa toda parece estranha. Quero dizer, depois que o
Sr. Rawlings esteve no meu estúdio… Eu sinto muito, eu só tenho um
sentimento estranho.

Seus braços se apertaram em torno de sua cintura pequena,


permitindo que suas mãos ficassem firmes em suas curvas. — Sra.
Burke, estará ocupada! Eu soube que um dos advogados corporativos,
Miller acho que é o nome dele e sua esposa, tem uma empresa de
design em Bettendorf, — o seu volume aumentou — e Timothy Bronson,
que eu já mencionei. Sua esposa trabalhava em um museu de arte em
Davenport. Eles são um pouco mais jovens do que nós. Sue está grávida
de seu segundo filho, mas eu aposto que vocês duas se dariam muito
bem!

Sophia fechou os olhos e baixou a cabeça no ombro de Derek.

Ele agarrou seus ombros e empurrou para trás, tentando ver o


rosto dela. — Baby, qual é o problema? Você não estava feliz sobre a
Califórnia no início, mas agora olhe para você.

Sophia assentiu. — Você está certo. Eu não estava. Eu acho que,


já que meus pais morreram, este tem sido o meu lar. — Ela fingiu um
sorriso. —Não, lar é com você. Você está certo; Eu posso pintar de
qualquer lugar, mas, por favor, faça-me um favor?

— Qualquer coisa.

Sophia endireitou os ombros. — Eu quero desenvolver meus


próprios relacionamentos. Eu vou pintar e eu vou sair, mas não me
empurre para fora como uma pré-escolar à procura de amigos.

Derek a abraçou mais uma vez. — Sinto muito. Isso não é o que
estou tentando fazer. Eu sei o quão difícil à mudança para Santa Clara
foi para você, então eu estava tentando fazer melhor.

~ 238 ~
Ela beijou seus lábios. — Não, vai ficar tudo bem, desde que eu
tenha você. — Rapidamente, Sophia acrescentou: — Eu sei que você
estará ocupado e que não haverá noitadas. Eu estou mais do que
disposta a fazer a coisa de esposa em eventos. — Sob a sua respiração,
ela acrescentou: — Eu não tenho certeza de que tipo de eventos ocorre
em Iowa. — Mais uma vez mais alto: — No entanto, eu vou, porque eu
te amo, mas você tem que me deixar ajustar no meu próprio ritmo.

— Sra Burke, você é incrível. Você faz tudo o que você precisa
fazer. Só sei que eu te amo, e quando você estiver no meu braço na
Convenção do Milho do Husker de Iowa City, eu vou ser o marido de
maior orgulho na sala!

Sophia sorriu. — Oh, eita! Por favor, me diga que você acabou de
fazer isso.

Seus lábios roçaram os dela. — Eu fiz. Agora, se tudo está


embalado então eu acredito que eu tenho reservas em San Francisco
com a mulher mais incrível!

Ela beijou sua bochecha. — Você tem? Bem, não quero


interromper seus planos.

Os lábios de Derek permaneceram perto da orelha,


propositadamente expirando em seu pescoço exposto, criando arrepios
cima e para baixo os braços. — Eu posso ter mesmo ligado e pedido
para que algumas coisas fossem entregues para o nosso quarto. Você
pode vir também; talvez você gostasse de assistir?

Sophia riu. — Eu acho que você me conhece melhor do que isso.


Assistir nunca foi a minha praia. — Segurando sua mão, ela se
ofereceu: — Eu sou muito mais do que uma participante!

Derek sorriu. — Então vamos participar.

*****

Conforme o avião de Harry taxiava em direção ao pequeno


aeroporto fora de San Francisco, ele tirou o telefone do modo de avião.
Seus pensamentos viajavam entre sua pesquisa e o Vice-Diretor
Stevenson. Apesar de o diretor-adjunto não soar chateado no telefone e
as informações que ofereceram acerca de possíveis destinos de Claire e

~ 239 ~
Rawlings, Harry se preocupava com o seu futuro. Ele não estava
preparado para perder seu distintivo. Ele trabalhou muito duro por ele!

O telefone começou a vibrar quando mensagens apareceram na


tela. O pequeno avião ainda não tinha chegado ao seu destino na pista
quando Harry olhou para baixo para ver as chamadas de números não
identificados. Por uma fração de segundo, ele pensou sobre a nova
prática de solicitação de celulares telefones, era uma farsa. Ele não
tinha tempo para isso! Então ele viu que tinha mensagens. Batendo o
ícone de correio de voz, Harry acessou suas mensagens.

— Você tem três mensagens não ouvidas… — Harry digitou seu


código numérico e esperou. Assim quando o avião parou, ele ouviu a voz
de Claire. — Olá, Harry, ou agente Baldwin, eu gostaria de saber o seu
nome real. — O som de sua voz lhe tirou o fôlego. O piloto estava
olhando para ele. Harry bateu 7 e salvou a mensagem de Claire.

Ele não conseguia sair do avião rápido o suficiente. Enquanto


caminhava em direção ao carro que o esperava, ele repetiu a mensagem
de Claire. Pareceu levar uma eternidade para passar a porcaria
preliminar. De repente, o FBI, o terminal, a multidão à espera do carro,
tudo desapareceu. Harry estava ouvindo a voz de Claire. No mínimo,
ouvir a voz dela confirmou que ela estava segura. Ele cobriu a outra
orelha e escutou. — Olá, Harry, ou agente Baldwin, eu gostaria de saber
o seu nome real. Desculpe, eu não me encontrei com você. Eu não vou
deixar um número, mas eu queria que você soubesse que estou bem e
estou segura. Gostaria muito de receber a ajuda do FBI, e eu não tenho
muito tempo. Harry… a mulher do Honda azul não era a irmã de
Samuel Rawls, era Catherine. A mulher que eu confiava. A mulher na
propriedade de Tony que lhe falei. Ela é de quem me escondo. Ela
matou Amanda e Samuel Rawls e talvez até mais. Ela não está apenas
atrás de mim, mas ela quer Tony e nosso filho. Por favor, faça que o FBI
a detenha. — O silêncio encheu seus ouvidos. Momentaneamente,
Harry se perguntou se Claire tinha desligado, mas, em seguida, sua voz
voltou. — Por favor, Harry. Quero que meu filho tenha uma vida
normal. Onde estou… é grande… Mas não é assim que uma criança
deve viver. Por favor, nos ajude e abra um processo contra ela,
Catherine Marie Rawls London. Harry, ela era casada com Nathaniel.
Eu preciso ir, adeus.

Harry ficou imóvel com o telefone no ouvido. A voz estava lhe


perguntando se ele queria salvar ou apagar. Que pergunta idiota, ele
queria salvar! Salvar a mensagem, salvar Claire, salvar seu filho e
salvar Rawls, Harry não estava pronto para ir tão longe; No entanto, ele

~ 240 ~
ouviu o desespero na voz de Claire. Como ele poderia ter pesquisado isso
por mais de um ano e não perceber que Nathaniel tinha uma segunda
esposa?

— Agente Baldwin?

Os olhos azuis de Harry focavam no mundo em torno dele. Ele viu


o homem de terno escuro e ouviu dizer o nome dele. — Sim, eu sou o
agente Baldwin.

— Por favor, me siga, senhor.

Harry não questionou enquanto seguia o motorista e sentou-se no


banco de trás de um grande SUV preto. Enquanto eles se afastaram do
meio-fio, Harry considerou suas outras chamadas não atendidas e
pressionou o ícone de voz, mais uma vez.

Mensagem dois — Baldwin, Anthony Rawlings. Tenho a intenção


de cooperar plenamente com o FBI. Eu sei que a foto é besteira, mas eu
estou ligando. Não tenho a intenção de fazer o meu paradeiro conhecido
até o meu filho nascer, ou depois. Eu vou, eu não posso agora. Se… se
Claire já significou mais para você do que um trabalho maldito então só
vai ter isso. Vamos ligar de volta.

Quando a linha desconectou, Harry soltou a respiração que


estava segurando. Como diabos Anthony Rawlings acreditava que ele,
Harrison Baldwin tivesse esse tipo de poder? Sim, certo? Como se Harry
de repente pudesse dizer: — Ei, vamos deixar Anthony Rawlings e Claire
Nichols sozinhos antes de seu grande dia, para o nascimento de seu
filho.

Conforme o grande SUV se aproximava do escritório de campo de


San Francisco, Harry acessou a terceira mensagem de voz — Agente
Baldwin informamos que nosso carro estará atrasado.

~ 241 ~
Devemos aceitar a decepção finita, mas nunca
perder a esperança infinita.
- Martin Luther King, Jr.

Capítulo vinte e cinco


Agosto 2016

Com o jantar de Claire no carrinho, indo pelo corredor longo e


tranquilo, Meredith contemplava as preocupações e diretrizes da Sra.
Bali. A Srta. Nichols foi submetida a testes no início do dia. Devido a
uma falha imprevista, sedação adicional foi necessária. Quando a Sra.
Bali pronunciou a palavra falha, os cabelos na parte de trás do pescoço
de Meredith arrepiaram. A supervisora disse uma vez que ela tinha lido
o livro de Meredith. Como ela poderia compreender o significado dessa
palavra? Lutando para permanecer estoica, Meredith continuou
ouvindo. A Sra. Bali explicou que os testes foram programados para a
manhã inteira e a sedação adicional resultou em horas prolongadas de
apatia. A Sra. Nichols não tinha comido o dia todo. Na verdade, ela só
recentemente despertou. Sua irmã tinha estado aqui a maior parte da
tarde e só recentemente saiu, esperando até que Claire estivesse
completamente acordada. A equipe, que ajuda com banhos diários e
higiene, deverá estar quase acabando. A Sra Vandersol não estava feliz
com os percalços do dia, incluindo um dia inteiro sem nutrição. A Sra.
Bali não poderia enfatizar o suficiente que a Claire tem que comer! Ela
também elogiou as interações passadas de Meredith e ofereceu a
confiança na capacidade de Meredith para realizar seu objetivo.

A cada passo em direção ao quarto de Claire, Meredith questionou


essa capacidade. Ela contava que, com novo estado não cooperativo de
Claire e uso excessivo da sedação hoje, o jantar de hoje poderia ser
menos suave. Respirando fundo, Meredith bateu respeitosamente e
lentamente abriu a porta de Claire. Não era como se ela esperasse uma
saudação.

Claire estava sozinha. As pessoas que a ajudaram a tomar banho


e se vestir se foram; no entanto, ela não estava sentada em sua cadeira
normal, ao lado da janela. Ela estava andando perto de sua cama.

~ 242 ~
Apesar de batida e saudação de Meredith, Claire não virou ou
reconheceu sua entrada.

Algo sobre Claire parecia diferente, determinada, decisiva.


Meredith viu a retidão de sua postura e a rigidez de sua mandíbula.
Cada vez que ela mudou de direção em sua trilha invisível e voltando
Meredith viu uma intensidade em seus olhos. Meredith não tinha visto
aquele olhar por um longo tempo; no entanto, ela tinha visto isso antes.
Era a expressão que Claire usava durante as horas que recordava os
momentos difíceis do seu relacionamento com Anthony. Mesmo assim,
quando ela repetia um momento particularmente ruim, Meredith
lembrou que a expressão de Claire era como se estivesse vendo a cena à
sua frente, o que não era visível para qualquer outra pessoa. Essa foi a
expressão exata Meredith viu agora. Anos atrás, Meredith presumiu ser
o debate interno de Claire. Ela concordou em compartilhar sua história,
sabia que era preciso, mas se sentia em conflito, especialmente que
depois em seu processo de entrevista como ela, ela e o Sr. Rawlings
iniciaram a sua reconciliação.

Durante essas entrevistas, Meredith esperou pacientemente e


permitiu Claire o tempo necessário para ordenar seus pensamentos.
Quando o fez, Claire recordava os cenários com eloquência. Em
algumas ocasiões, Meredith teve de lembrar-se de escrever em vez de
simplesmente ouvir. Mais tarde, quando ela revia o ditado de Claire,
raramente houve necessidade de alterar ou modificar, tudo foi,
obviamente, bem deliberado. Vendo agora, Meredith se perguntou o que
ela estava pensando.

Meredith colocou a comida de Claire em sua mesa e pediu-lhe: —


Claire sou eu, Meredith. Eu trouxe o seu jantar. — Não é surpreendente
que, nem a postura de Claire nem ritmo vacilaram. Se algo mudou, seu
debate interno intensificou e o passo de Claire acelerou.

Caminhando lentamente em direção a sua amiga, Meredith falou


novamente, — Claire, você pode me ouvir? Você não comeu o dia todo,
não está com fome? — O ritmo continuou.

Quando Meredith pegou o braço de Claire, Claire se afastou e a


olhou momentaneamente. Instintivamente, Meredith deu um passo
atrás para se desculpar; no entanto, quando ela o fez, percebeu Claire
tinha apenas reconhecido sua presença. Não foi verbal, mas ela
deliberadamente se afastou e olhou diretamente para ela!

Meredith não tinha certeza de onde as palavras vieram, não


queria machucar sua amiga; no entanto, depois de oito a nove semanas

~ 243 ~
de interação ou nenhuma interação Meredith escolheu quebrar outra
regra. — Você está pensando nele, não é? — Sem resposta. — Eu te vi
assim antes. Eu sei que você está pensando em Ant, — ela começou a
dizer Anthony, mas lembrou de que Claire se referia a ele como Tony.
Durante as entrevistas do livro, ela lembrou que esse título familiar foi
um presente, uma consequência positiva que ele concedeu a ela
enquanto ela ainda era sua prisioneira. — Quer dizer, Tony. Claire está
tudo certo. Você pode pensar sobre ele. Por que você não deve pensar
em Tony?

Cada vez que Meredith pronunciou seu nome, o ritmo de Claire


desacelerou. Na quarta ou quinta vez, o pescoço, ombros e mandíbula
relaxaram. Finalmente, Meredith tentou mais uma súplica, — Claire,
Tony gostaria que você comesse. Ele a amava muito. Você não quer, ela
gaguejou, se perguntando se ela deveria dizer o que estava pensando.
Engolindo sua hesitação, Meredith continuou. — Você não o quer
decepcionar, não é?

Claire não falou; no entanto, contornando Meredith, ela caminhou


para a mesa com a comida e sentou. Quando ela não se alimentou,
Meredith foi até a mesa, sentou à sua frente, e levantou a tampa do
prato de Claire. — Bem, parece que você tem salmão. Esse é um dos
seus favoritos, não é? — Seus olhos não reagiram, e a intensidade de
mais cedo se foi, mas cada vez que Meredith levantou o garfo, Claire
obedientemente abriu a boca e comeu. O exercício continuou
lentamente, comida, comida, e beber. No momento em que Claire
terminou, o prato estava quase vazio. Ela não resistiu e passou para a
janela, como fazia habitualmente. Em vez disso, sua cabeça caiu, e ela
olhou para baixo com as mãos recatadamente descansando no colo,
compatível e obediente.

Meredith elogiou Claire por sua cooperação; no entanto, não foi


até ela sussurrou, — Eu sei que Tony teria orgulho de você. Obrigada
por me ajudar, — que Claire levantou o queixo e olhou para o céu ainda
claro.

10 de Agosto de 2016

…Claire Não falou, mas ela reconheceu… ela cooperou! Eu quero


dizer a alguém o que aconteceu hoje, mas se eu fizer isso, eles
provavelmente vão me demitir. Quero dizer, não estou autorizada a

~ 244 ~
mencionar o nome de Anthony ou ter tanto conhecimento sobre Claire
quanto tenho.

Eu não posso acreditar como ela reagiu! Ela comeu! A Sra. Bali
disse que ela não tinha comido o dia todo. Isso não foi tudo. Quando ela
olhou para o céu, eu perguntei se ela queria ir para fora. Nas duas
últimas semanas, ela não queria fazer nada, além de se sentar naquela
cadeira maldita. Quando eu perguntei se ela queria ir para fora, ela
caminhou em direção à porta! Eu não acho que isso já aconteceu.
Normalmente, ela vai sair, mas espera por alguém que a leve até a porta.
Mal tive tempo para ligar e solicitar permissão em a levar ao passeio.

Eu sei o que fez isso, era a menção do nome de Tony. Emily nunca
vai me ouvir, mas é errado manter a verdade de Claire. Como Claire pode
lidar com tudo, se ela não tem permissão para enfrentar? Gostaria de
saber quanto ela se lembra. Quer dizer, eu não sei o que aconteceu ao
certo, apenas a informação que li e vi no noticiário. Havia a informação
divulgada a partir do julgamento, mas apesar de ser um caso de alto
perfil, o tribunal estava fechado ao público, e muito pouca informação foi
disponibilizada. Eu tenho aproveitado todos os recursos que eu sei. Tudo
está selado. Eu acho que ele usou o dinheiro que pode manter tudo
calmo.

É por isso que eu comecei isso, para saber o que aconteceu, mas
agora eu gostaria de saber para que eu pudesse ajudar a enfrentar.
Emily provavelmente sabe. Tenho certeza que ela sabe. Ela e o marido
estavam no tribunal todos os dias do testemunho. Lembro de ter visto as
imagens deles indo e vindo da sala do tribunal, sobre a notícia. Quem
mais estava lá? E quanto à amiga de Claire, Courtney? Eu não sei se ela
vai falar comigo. Se eu entrar em contato com ela e ela ligar para Emily,
então eu estou ferrada.

Eu acho que isso precisa de mais pensamento. Talvez eu devesse


esperar e ver se esse comportamento persistir ou se acaba tão rápido
quanto começou. Não estou escalada novamente por dois dias. Espero
que o progresso que fizemos hoje não se perca nesse período de tempo.

Oh! Eu mencionei quando fomos para fora, Claire levantou o rosto


para o sol e fechou os olhos? Eu acho que nós precisamos encontrar seus
óculos de sol. Ela nunca precisava deles antes. Ela nunca levantou o
rosto ou abriu os olhos o suficiente. Eu sei que tenho um par extra em
algum lugar, eu preciso lembrar de trazer na sexta-feira! Eu não acho que
eu já estive tão animada para voltar para Everwood!

~ 245 ~
*****

Para um advogado talentoso, ao mesmo tempo especializado em


táticas de tribunal, a voz de John Vandersol revelou mais emoção do
que ele pretendia. — Dr. Brown, estou dirigindo esta pergunta para
você, porque depois de três horas de tentativas, eu fui incapaz de
chegar ao Dr. Fairfield! Eu entendo que você não está mais no comando
dos cuidados de Claire, mas minha esposa e eu queremos respostas.
Então, você está dizendo que não foram informados sobre os percalços
de ontem? Eu vejo. Sim, eu estou bem ciente das normas de
confidencialidade. Eu também estou confiante de que você está bem
ciente de que Emily e eu somos documentados como parente mais
próximo de Claire e, como tal, fomos nomeados sob sua cláusula
HIPPA8 para estar a par de todas as informações pertinentes. Sim,
Emily estava com Claire até que ela acordou ontem, que eu vou
acrescentar só depois de 03h00min. Eu entendo. Espero que eu esteja
sendo bem claro, se eu não ouvir o Dr. Fairfield ao meio-dia, então
minha mulher e eu estaremos em Everwood por 01h00min. Quando
chegarmos, não se enganem, vamos colocar um fim a este novo
protocolo. Parece que…

Emily sentou com os olhos arregalados, ouvindo ao lado de John


a conversa, enquanto cuidava de sua terceira xícara de café. Embora ela
tentasse decifrar o que o Dr. Brown estava dizendo na outra
extremidade, ela não saberia ao certo até que John desligasse o
telefone. Tinha sido uma longa noite. Nenhum dos dois tinha dormido
muito. Quando Emily chegou em casa, a babá, Becca, ainda estava lá.
Normalmente, o seu dia terminava depois do jantar. Felizmente, eles
tinham algumas pessoas de confiança que poderiam chamar no último
minuto se houvessem emergências noturnas. Ter ajuda foi
especialmente agradável em ocasiões como ontem, quando as chamadas
vieram exigindo atenção imediata de Emily em Everwood. Ontem à
noite, em vez de correr o risco das crianças ouvirem a conversa, ela e
John saíram de casa para que ela pudesse encher ele com os problemas
em Everwood. Com cada palavra, cada descrição, a ira de John cresceu.
Desde que o novo protocolo começou, a resposta de Claire tem sido
negativa em vez de positiva, adicione a isso o recente incidente da
sedação, e Emily estava pronta para dizer para pararem com isso.

8HIPP- A Portabilidade e Accountability Act de Seguro de Saúde ou proteção das


informações de saúde individualmente identificáveis.

~ 246 ~
Ontem, a enfermeira tentou explicar que muita sedação reduziria
a atividade cerebral necessária para manter Claire tendo suas visões,
alucinações, o que eles quisessem chamar; no entanto, era óbvio, muito
pouco resultou em um episódio traumático para Claire e para Emily.
Eram quase 16h00 antes de sair de Everwood, e Claire ainda não tinha
comido. Emily reorientou para as palavras de John.

Seu tom era mais curioso. —… Você tem mais alguns detalhes?
Será que esse assistente trabalhou com Claire no passado?

Emily bateu em seu braço e ergueu as sobrancelhas em


questionamento. Quando ele não respondeu, Emily sussurrou: — Será
que ela sabe se Claire comeu alguma coisa ontem?

John assentiu com a cabeça, enquanto ele continuava: — Tudo


bem, obrigado, Dr. Brown, mas ainda precisamos ouvir o Dr. Fairfield.
Eu tenho dúvidas sobre a DTI, perguntas sobre ontem que,
aparentemente, só ele pode responder. Eu vou, obrigado. Adeus.

Emily sentou a xícara de café na mesa, a privação do sono


ultrapassou seu tom. — Por que você não perguntou a ela sobre comer?

Pela primeira vez, desde que ele chegou a casa ontem à noite,
John sorriu. — Eu não pedi, porque ela falou. Claire não só comeu
ontem à noite, complacentemente, ela foi para fora. De acordo com a
assistente que trabalha com ela — os olhos de John se arregalaram —
Claire quis ir lá fora.

— Realmente — o sarcasmo prevaleceu — e como essa assistente


sabe disso? Ela disse que Claire falou?

Encolhendo os ombros, John respondeu: — Eu não pedi. Estou


feliz que ela comeu e se mexeu daquela cadeira onde ela sempre se
senta. Talvez você devesse também?

Emily levantou para sair do escritório John em casa. — Você sabe


que se eu pudesse eu acreditaria neles, mas vamos lá, ela ficou apagada
todo dia, não podia sentar, não podia se suportar, por horas após a
última dose de sedativo. Agora eles querem que eu acredite que ela
comeu e queria ir para fora. Realmente eu vou jogar seu jogo; No
entanto, se ela não me cumprimentar com um oi, hoje, eu vou saber
que eles estão mentindo para nos pacificar.

Quando ela chegou à porta, Emily se virou. — Você vai a Rawlings


hoje?

~ 247 ~
— Não, eu estou esperando o chamado do Dr. Fairfield. Se ele não
vier, então você e eu estaremos indo para Everwood. Certifique de que
Becca não está pensando em ir para casa tão cedo.

— Obrigado, John. Sei que as coisas têm sido difíceis no trabalho


desde que Patrícia saiu.

Deslocando na cadeira, John respondeu: — Primeiramente foi.


Seu conhecimento era inestimável; no entanto, a nova assistente está
pegando rápido.

— Você nunca me disse, por que ela foi demitida?

Sorrindo, ele disse: — Você conhece o velho ditado, eu poderia te


dizer, mas então eu teria que matar e bem, eu gosto de ter você por
perto — sorrindo mais abertamente, acrescentou — a maior parte do
tempo.

Emily balançou a cabeça. — Sim, muito. Às vezes eu esqueço que


Rawlings Industries é tão secreta quanto o governo.

— Ainda mais… — ela ouviu John dizendo quando ela foi embora.

~ 248 ~
Força não vem da vitória. Suas lutas
desenvolvem seus pontos fortes. Quando você
atravessa dificuldades e decide não se render, isso é
força.

- Arnold Schwarzenegger

Capítulo vinte e seis


A cabeça de Harry pulsava, seu rosto doía, e a respiração estava
mais confortável com respirações superficiais. Empurrando através do
véu escuro da inconsciência, ele tentou dar sentido à sua condição.
Momentaneamente, as memórias não viriam. Havia sons que Harry não
reconhecia, enquanto tentava se concentrar em seus arredores. Através
da visão turva, ele percebeu que estava num quarto de hospital, e por
alguma razão, seu olho esquerdo se recusava a abrir. Um IV corria de
seu braço esquerdo para um lugar atrás dele. Olhando para além da
cama, Harry viu SAC Williams em uma cadeira perto da janela. Lutando
para encontrar sua voz, Harry sussurrou, — O que aconteceu?

Como se movido por um choque elétrico, Williams foi


imediatamente para o lado da cama de Harry. — Baldwin, gentil da sua
parte, finalmente, participar da festa.

Harry estremeceu quando ele estendeu a mão para os controles,


para levantar a cama, para Williams apertar o botão para ele. À medida
que a cama começou a se mover, Harry prendeu a respiração, a dor em
seu lado era insuportável.

— Ei, filho, — disse Williams. — Você tem algumas costelas


quebradas, você pode querer levar isso facilmente por um tempo.

Naquele momento, as últimas lembranças de Harry voltaram com


uma vingança. De repente, a dor foi esquecida pelo pânico inundando
seu sistema, fazendo com que seu coração acelerasse e a sua voz saísse
muito alto. — Jillian! SAC? Jillian, alguém precisa se certificar de que
ela está bem.

SAC colocou a mão no braço de Harry. — Ela está filho. Sua filha
e ex-mulher foram transferidas para uma casa segura.

~ 249 ~
O alívio substituiu o pânico, quando a dor de suas costelas
voltou. Respirar doeu e Harry fez uma careta e disse: — Bom, mas eu
aposto que chateou a Ilona!

— Sua filha está segura, mas você está certo, a Ilona não está feliz
com a situação, mas ela entende a ameaça. Precisamos saber o que
aconteceu.

Antes que ele pudesse responder, o telefone de SAC William


tocou. Ele levantou um dedo e caminhou em direção à janela para
conversar.

Harry fechou os olhos, colocou a cabeça em seu travesseiro, e


lembrou de todo o episódio terrível. Por trás das pálpebras fechadas, viu
o motorista do SUV, a pessoa que o pegou no aeroporto. Quando ele
entrou no veículo escuro, Harry não tinha dado ao homem muito mais
atenção. Ele era um motorista do FBI. Não foi até que ele salvou a
mensagem de Claire e estava ouvindo Rawlings que ele começou a notar
os olhos do motorista no espelho retrovisor, periodicamente o
observando; então Harry ouviu o correio de voz da agência. Antes que
ele pedisse ao motorista por que eles já não estavam indo em direção ao
escritório de campo, Harry casualmente tirou a arma do coldre.

— Me de isso. — A voz do homem continha o menor de sotaque


libanês. Harry não conseguia lembrar se ele não havia notado o sotaque
antes, ou se o homem não tinha falado até aquele momento.

Harry apontou a arma para o lado da cabeça do condutor e


calmamente ordenou: — encoste o carro, idiota.

O riso encheu o veículo de forma silenciosa. Aparentemente


implacável com a ameaça, o motorista inclinou a cabeça para a direita.
Harry olhou para o banco do passageiro, esperando ver alguém se
materializar. Ninguém o fez. Em vez disso, o motorista se aproximou e
puxou para baixo o tapa sol. Grudado, onde o espelho deveria ter
estado, estava uma fotografia. Olhando fixamente para Harry, estava,
bonita, olhos azuis grandes e claros, cabelo loiro, era Jillian. A imagem
pode ter vindo de Facebook ou foi tirada em pessoa. De qualquer forma,
isso não importava, Harry estava vivendo seu pior pesadelo, seu
calcanhar de Aquiles, sua vulnerabilidade. Esse idiota estava
ameaçando a filha de quatro anos de Harry. Pânico irrompeu em seu
intestino quando adrenalina inundou seu sistema.

— Onde ela está? — Harry rosnou.

— Ela ainda está com a sua bonita e pequena ex-mulher.

~ 250 ~
— Como eu sei que ela está segura?

— Você não sabe. — O motorista levantou um bem-vestido coelho


rosa de pelúcia. Harry só tinha visto o coelho uma vez, em pessoa,
quando ele comprou. Na época, ele não tinha certeza de que Ilona daria
a sua filha; No entanto, ao longo dos anos ele tinha sido um item
reproduzido em muitas das fotos de Jillian. Harry sabia, sem sombra de
dúvida, que pertencia a ela.

Virando a arma, Harry voluntariamente entregou para o


motorista. Através das janelas, Harry viu que o bairro estava se
tornando mais miserável que o segundo. Ele empurrou seu medo de
volta e ligou a sua voz de negociação. — Não, você tem a minha arma.
Agora, me diga o que diabos você quer?

O motorista não respondeu. Em vez disso, ele falou em seu


telefone: — Sim, estamos quase lá. Não faço ideia. Fodido FBI, sem
pistas!

Enquanto o motorista estava falando, Harry deslizou seu próprio


telefone do bolso e começou um texto para a agência e ao mesmo tempo
ligou seu localizador GPS.

— De jeito nenhum, idiota! De o telefone, agora!

Quando Harry hesitou, o motorista inclinou a cabeça em direção


à foto de Jillian. Harry tinha o treinamento, e ele sabia do protocolo;
nada disso importava. Ele tinha ativado o GPS, mas não teve tempo
para concluir o texto. Sua vida já não contava; proteger sua filha foi o
único pensamento de Harry.

A segurança e o bem-estar de Jillian foi por isso que Harry tinha


assinado os papéis afastando de seus direitos de pai, e por que ele só se
correspondia com Ilona em segredo. Jillian tinha na realidade seu
padrasto, mas ela o considerava seu pai. Uma noite, cerca de três anos
atrás, Harry tinha voado para o leste e se reuniu com Ilona e seu noivo.
Não foi um encontro fácil, mas Harry sabia, sem dúvida, que o homem
do outro lado da mesa, acrescentaria mais a vida de Jillian do que ele
poderia. Vendo o brilho nos olhos de Ilona e sentindo a dor na boca do
estômago, Harry sabia que o homem já tinha feito mais por sua ex-
esposa do que Harry já fez.

A disposição legal não impediu o interesse de Harry. Ele assistiu a


infância de sua filha à distância. Cada aniversário, cada natal, cada
recital e jogo de futebol, mídia social era uma coisa maravilhosa, e,
felizmente, Ilona permitia o voyeurismo de Harry. Depois que Harry

~ 251 ~
assinou os documentos entregando os seus direitos, o sobrenome de
Jillian alterou. Hoje era George, o mesmo que sua mãe e seu pai.

Harry acreditava que sua própria felicidade era irrelevante para a


segurança de Jillian. Agora, o homem diminuindo a velocidade do SUV,
perto de um prédio aparentemente abandonado fez todos os sacrifícios
de Harry inúteis. Por alguma razão, Jillian estava em perigo. Na opinião
de Harry, durante a sua breve conversa, o motorista ainda fez ameaças
veladas contra Ilona.

Droga, Harry não estava preparado. Normalmente, ele usava um


revólver extra em um coldre de perna; No entanto, uma vez que parte de
sua viagem foi em um voo comercial, a arma estava embalada, afastada
em um recipiente fechado. Facilitando o aperto de sua bota, Harry
agarrou firmemente em cada punho e rapidamente trouxe sobre a
cabeça do homem. Com toda a sua força, ele puxou com força contra
sua garganta. Como sons imperceptíveis vieram do motorista, o SUV
girou descontroladamente. Falta de ar, o motorista bateu em
simultâneo os pés contra os pedais e lançou o volante. Suas mãos
lutaram contra o aperto de Harry quando ele agarrou para trás.

Quando o SUV finalmente parou, a cabeça do piloto caiu para um


lado e as mãos pararam a luta. O alívio de Harry foi de curta duração.
As portas do veículo se abriram, e ele foi puxado para o chão. O
concreto estava molhado enquanto avaliava sua situação. Três grandes
homens estavam gritando coisas que ele não conseguia entender. O
treinamento linguístico de Harry lhe disse que a linguagem era do
Oriente Médio, mas ele não reconheceu o dialeto. Seu coração acelerou
ainda mais rápido quando o som de uma mulher chorando veio ao seu
alcance. Harry não tinha necessidade de ver a mulher para reconher
sua voz, chamando entre soluços.

SAC Williams tocou o braço do agente Baldwin, trazendo de volta


ao presente. — Agente o que você pode nos dizer?

O olho direito de Harry se arregalara com preocupação. — Liz —


sua voz falhou — com ela, tudo certo?

— Sim, filho, ela não foi prejudicada. Aparentemente, a presença


da Sra. Matherly foi concebida apenas como testemunha. Ela nos
encheu sobre a sua história e está ansiosa para te ver, mas, primeiro,
precisamos da sua versão.

Harry inalou, tendo o latejar em suas costelas como penitência


para a dor que ele causou as pessoas que amava e se preocupava.
Depois ele explicou SUV e o passeio, Harry continuou, — Eu levantei do
~ 252 ~
concreto e perguntei o que eles queriam o que estava acontecendo. Em
vez de responder, eles zombavam e me davam um soco, e gritavam. Eu
lutei contra, mais de uma vez, eu me conectei. — Harry olhou para suas
mãos. A da direita estava coberta de ataduras. — Eles disseram que eu
precisava parar. Perguntei parar o que? Eles continuavam dizendo deixe
o passado sozinho. Não vai mudar nada agora. Basta parar de cavar em
torno de onde você não pertence. Quando perguntei para quem eles
estavam trabalhando, eles riram e disseram que eu não devo ser um
bom agente do FBI se eu não poderia descobrir isso.

A voz de Harry baixou com determinação. — SAC, eu sei que foi


Rawlings eu sei que foi! Eu vi seu rosto, em Genebra. Quando ele
deixou o pub, ele estava louco! Ele é a pessoa que é responsável por
isso. Estou ficando muito perto de algo em minha pesquisa.

Williams puxou a cadeira ao lado da cama de Harry. — Você disse


sua pesquisa sobre Rawlings?

Com a cabeça e as costelas latejando, Harry estendeu a mão e


tocou a bochecha esquerda e confirmou suas suspeitas. A pele estava
macia e inchada.

Williams concordou. — Você tem um bom olho roxo. A Srta.


Matherly disse que deu uma boa luta, mas uma vez que o motorista
voltou a si, você estava em desvantagem 4-1.

Harry se lembrava. Ele foi jogado ao chão, e o motorista começou


a chutar. Finalmente, um dos outros caras puxou o motorista fora. Liz
estava chorando. Todos os homens voltaram para o SUV e saíram. —
Será que Liz obteve ajuda?

— Sim, os homens tomaram seu telefone, mas a Srta. Matherly


ainda tinha o dela. Ela ligou para 911. Quando a polícia chegou, eles
chamaram a agência. Filho, você se lembra de mais detalhes? Contou a
Rawlings sobre sua pesquisa?

Harry balançou a cabeça. — Não, eu não tive a chance de dizer a


ele, mas de alguma forma, ele descobriu. É a única coisa que faz
sentido —ele fez uma pausa —Meu telefone você disse que pegaram o
meu telefone?

— Sim, a agência o rastreou, e ele foi encontrado com seus outros


pertences em uma caçamba de lixo há cerca de metade de uma milha
de onde você foi atacado. O telefone foi destruído.

~ 253 ~
Harry soltou o ar. — Ótimo. — Ele sabia que as informações
guardadas tinham backup em servidores da agência. De repente, ele
teve um pensamento. —O cartão SD estava ainda no telefone?

— Eu não me lembro de ver, mas o telefone estava bastante


mutilado. Além disso, tudo deve estar no servidor.

Harry tentou não revelar muita emoção em sua voz. — Nem tudo,
senhor. Há uma foto de Claire Nichols comigo sobre esse cartão.

SAC Williams sentou reto. — Com você?

— Não, não como isso, apenas sentados juntos em uma cabine


em Veneza.

— Recebemos essa imagem.

— Havia duas. Eu mandei a outra. — Ele engoliu em seco. —


Agora eu estou preocupado com a segurança dela também.

— Nós não a localizamos ainda, mas de acordo com as mensagens


que acessamos a partir de seu telefone, parece que ela está com
Rawlings. Se você acha que ele é o responsável, porque ele viu a foto,
então ela pode estar em perigo.

Harry acenou com a cabeça. Ele não estava pronto para dizer a
seu supervisor que Rawlings já tinha visto a foto. — Eu preciso do meu
telefone de volta. Tem o número do qual Clai, Srta. Nichols chamou. É a
sua única maneira de entrar em contato comigo ou com o FBI.

— Nós temos o seu número monitorado. Se ela ou Rawlings


ligarem, vão ser respondidos.

— Sim, senhor. — Harry queria ser o único a responder a


qualquer uma dessas chamadas; no entanto, ele entendeu. Neste
momento, ele não estava nas melhores condições para fazer isso. —
Posso ver Liz agora?

SAC Williams sorriu. — Nós temos mais a discutir, mas eu não


vejo nenhum mal nisso. Em primeiro lugar, eu acredito que você precisa
ser verificado pelo médico. Fizeram prometer que eu iria alertar quando
você acordasse. — Quando ele começou a sair do quarto, ele fez uma
pausa e disse: — Oh, agente, sua irmã está aqui também.

Harry sorriu. — Bom, eu gostaria de ver as duas assim que o


médico terminar.

~ 254 ~
*****

Até o momento os enfermeiros estavam verificando Harry de todos


os ângulos, sim, ele sabia que não era a sua intenção, mas ele, com
certeza, se sentia como se fosse, ele estava exausto. Ele se perguntou
como ele poderia estar cansado depois de estar inconsciente por mais
de dez horas. Em seguida, o médico entrou, sondou e cutucou; em
seguida, ele fez perguntas a Harry. O médico não perguntou como Harry
recebeu seus ferimentos, Harry não poderia ter respondido, se ele o
fizesse; No entanto, ele fez perguntas como, isso dói? Quantos dedos eu
estou mostrando? Você sabe quem é o presidente? Ao todo, Harry
acreditava que ele passou.

Ele estava prestes a cochilar quando a porta se abriu novamente.


Cada vez que alguém passou o limiar, Harry viu os policiais
uniformizados postados fora de sua porta. Sua presença deu conforto.
Se Rawlings foi ousado o suficiente para ter atacado em plena luz do
dia, tudo era possível.

As expressões nos rostos de Liz e Amber disseram mais sobre sua


aparência do que SAC Williams ou qualquer um dos enfermeiros ou
médicos. Ele deve realmente parece uma merda! — Então, eu realmente
pareço tão ruim assim? — Sua tentativa de leveza foi perdida quando as
mulheres começaram a chorar.

Foi Amber que alcançou seu lado pela primeira vez. Ela começou
a abraçar e parou. — Oh meu Deus, eu vou te machucar se eu te
abraçar?

Harry ergueu os braços e Amber se inclinou. Quando ela se


afastou, ela perguntou: — Por que Harry? Por que alguém faria isso?

Ele ouviu a pergunta, mas era Liz perto da parede com os braços
cruzados sobre o peito que tinha a sua atenção. Ela estava olhando sua
direção com o lábio inferior sugado para dentro de sua boca enquanto
ela tentava controlar os soluços abafados. Seu coração se partiu, ele
não poderia imaginar quanto medo que ela deve ter sentido quando os
homens a sequestraram. Ele estendeu a mão. Parecia que ela estava se
movendo em câmera lenta; no entanto, depois de uma eternidade a mão
finalmente tocou a sua. — Eu sinto muito que você se envolveu nisso.
Você deve ter ficado petrificada!

Liz assentiu. — Eu não sabia o que eles iam fazer comigo… — Ela
permitiu que as respirações irregulares ultrapassassem as suas

~ 255 ~
palavras. Amber levantou do lado da cama de Harry e Liz se sentou. Ele
a puxou para perto. Quando ela caiu sobre o seu peito, as costelas de
Harry gritaram de dor; No entanto, ele não estremeceu. Ele passou o
braço por cima do ombro.

— Shhh, está tudo bem. Williams disse que eles não te


machucaram. —Sua voz mudou, o endurecimento desacelerou e se
aprofundou. — Eles não machucaram você… não é?

Liz olhou para cima. Seus olhos estavam vermelhos e inchados. —


Não, mas eu não poderia ajudar você. Eu queria te salvar… eles me
fizeram assistir… — Sua voz sumiu quando ela enterrou a cabeça em
seu peito.

— Hey, eu estou bem. Só dói quando respiro.

Amber riu sarcasticamente. — É mano, você está ótimo! Talvez


agora você decida trabalhar realmente pela Sijo?

Ele olhou para sua irmã como se ela tivesse três cabeças. — O
que você está falando?

— Se estar no FBI vai fazer isso para você e Liz, você precisa ter
um emprego seguro.

— De jeito nenhum fodido! Isso não era sobre o FBI, é sobre a


minha pesquisa. Rawlings quer que eu pare, mas eu não farei isso.

Liz levantou a cabeça. — Por favor, Harry, pense nisso. Ele não
parou por nada quando ele queria Claire de volta. Você já sabe que ele é
capaz de matar. Pense sobre Jillian. Você tem que acabar com essa
loucura, agora!

— Jillian está segura, e a Ilona, — ele tomou uma profunda e


respiração dolorosa —e nós também. Todos nós três vamos ter
vigilância até Rawlings ser encontrado.

— Três? — Perguntou Amber. —Eu não preciso ser vigiada pelo


FBI. Vou ter a Sijo cuidando de mim.

Harry encolheu os ombros. — Eu não acho que não é o meu


apelo, mana. É um procedimento bastante normal em casos como este.
Por que você acha que eu tenho aquelas simpáticas recepcionistas à
minha porta?

Amber perguntou: — Como você sabe que a Jillian está segura?

— Eu realmente não posso dizer. Eu apenas sei.

~ 256 ~
— Bem, eu vou ligar para Ilona.

— Não, você não vai.

Os olhos de Amber se estreitaram. — O FBI as tem, não tem?

— Eu não posso dizer. — É claro que isso era tudo o que


precisava dizer.

~ 257 ~
São precisos dois para falar a verdade: um para
falar e outro para ouvir.

- Henry David Thoreau

Capítulo vinte e sete


Claire acordou na escuridão. Ela não estava usando sua máscara;
a escuridão era a hora do dia ou mais precisamente, noite. Esta era sua
nova rotina; acordar duas ou três vezes por noite para acomodar o seu
bebê crescendo. Às vezes, quando ela se olhou no espelho, Claire se
perguntou se sua pele poderia esticar mais. As alterações ao seu corpo
só confirmou o milagre vivo dentro dela muito bem que, e os
movimentos reafirmando de seu filho. Ela gostava da sensação de
movimentos do seu bebê. Claire disse a si mesma, se ela ainda estivesse
sozinha, ela se sentiria da mesma maneira sobre sua cintura crescente;
no entanto, a constante reafirmação de Tony fez cada marca de quilo e
esticar mais fácil de suportar. Surpreendia como ele poderia se sentar
por horas com as mãos sobre seu filho. Muitas vezes, ela estaria na
frente dele em uma espreguiçadeira, com as costas contra seu peito. Às
vezes eles falaram; muitas vezes ela dormia; às vezes eles liam, mas eles
estavam sempre juntos.

Quando Claire voltou para a cama, ela estava sozinha. Olhando


para o relógio, viu que era só 03h18min — Tony? — Ela esperou; Não
houve resposta. — Tony? — Ela chamou de novo quando ela pisou na
varanda.

Ele estava em pé perto da grade, com vista para a lagoa. No céu


distante, o relâmpago, e segundos depois, o baixo estrondo de um
trovão rolou pelo ar da noite. Envolvendo seus braços ao redor de suas
costas, Claire colocou sua bochecha contra suas costas nuas e quentes.

— Hmmmm, — ele disse enquanto ele agarrou seus braços e


puxando na frente dele. — Você precisa dormir. — Seus lábios roçaram
os lábios dela. — Você deve voltar para a cama.

— Eu não gosto de dormir sozinha.

Colocando um beijo rápido em seu estômago, Tony sorriu. — Você


não está.

~ 258 ~
— Por que você está aqui?

Com o braço em volta de sua cintura, ele acariciou o cetim da


camisola com a palma da mão e mergulhou sobre ela por trás. — Eu
ouvi o trovão. Você acha que vai ter uma tempestade?

Claire deu de ombros. — Eu não sei. Francis falou sobre as


tempestades e mares agitados, mas até agora, tudo o que eu
experimentei foram aguaceiros à tarde. Eles parecem surgir do nada e
desaparecem com a mesma rapidez.

— Venha agora, senhora Rawlings, você é uma meteorologista;


será que a tempestade virá para a nossa ilha?

— Bem, veja você, se eu tivesse um computador com os


programas certos, onde eu poderia avaliar a velocidade do vento,
direção e ver as diferentes frentes.

Seus lábios tomaram os dela parando suas palavras. Quando


voltou a falar, não era sobre o tempo: — Você realmente precisa voltar
para a cama.

Havia algo em sua voz. Claire não poderia determinar o


significado ou decifrar sua origem. — Qual é o problema?

— Nada. — Ele sorriu e ficou mais alto. — Boa noite, senhora


Rawlings.

Claire pegou sua mão e o levou de volta a seu quarto. Quando


ambos estavam sob o lençol macio, de cetim, Claire chegou perto e
perguntou: — Por favor, me diga o que te acordou, e eu sei que não foi
um baixo ruído distante de um trovão.

— Você me acordou quando você saiu da cama.

Ela levantou a cabeça para o cotovelo e olhou para o marido. Sua


pele era mais escura de apenas algumas semanas na ilha. Foi com os
olhos que prendiam a atenção dela. Elas continham o olhar multitarefas
ela conhecia muito bem. — Tudo bem, eu acordei você. Desculpe. O que
fez você ir lá fora?

As pontas de seus lábios se moviam para cima. — Você vai aceitar


a resposta trovão?

Claire balançou a cabeça. — Não, eu não vou. Lembre de nossa


promessa?

— Eu tenho muita coisa na minha mente.

~ 259 ~
— Um monte que você não quer compartilhar?

Tony exalou. — Eu não quero dizer qualquer coisa que você não
está pronta para ouvir; No entanto, falar de tudo trouxe memórias de
volta que eu tinha esquecido. Às vezes eu sinto como se estivesse
falando de outra pessoa — ele fez uma pausa — uma pessoa que eu não
tenho orgulho de ter sido.

Claire descansou a cabeça em seu ombro e gentilmente teceu


seus dedos por seu cabelo no peito. Os olhos de Tony olharam para o
teto escuro conforme a sua voz ressoou distante, repleta de dor. Embora
houvesse vezes em que as confissões de Tony a perturbavam, Claire
sabia em seu coração, que não havia nada que ela pudesse dizer que
iria punir mais do que já estava punindo a si mesmo.

Ele falou lentamente, revisitando o assunto que ele a observou


através dos anos. Ele explicou como, num primeiro momento, foi feito
como um meio de identificação. Ele e Catherine tinham uma lista os
filhos dos filhos. Nos primeiros anos, Tony estava ocupado criando a
CSR com o seu parceiro de negócios Jonas Smithers. Mais tarde, as
suas energias foram utilizadas na criação e construção da Rawlings
Industries. Ele apoiou a vingança de seu avô, mas Catherine fez, ou
tinha a maioria das pesquisas feitas. Ele enfatizou que não estava
culpando. — Eu nunca tentei impedir. Nunca me ocorreu, quero dizer,
era o que meu avô queria. Ele mencionou isso para mim, Catherine
sabia mais sobre seus planos, então eu fui junto. — Ele ressaltou, —
Claire, eu mais do que fui junto. Ela nunca teria sido capaz de dar ao
luxo de ter as pessoas, como você, assistiu, ou que as coisas ocorrem,
se eu não tivesse financiado tudo. Eu sabia o que eu estava apoiando.

Claire assentiu em seu peito. Era sua maneira de incentivar suas


palavras, sem interromper seus pensamentos.

— Você era diferente. — Seu braço apertou ao redor de seu


ombro, puxando para mais perto. — Você foi a primeira pessoa que
pessoalmente me interessou. Você era tão jovem. Eu estava curioso
para saber se eu poderia realmente influenciar a vida de alguém, sem
que eles soubessem disso. A primeira coisa que fiz bem, não era
realmente para você. Ele foi — O calor que irradia de dentro Claire
aumentou repentinamente; ela não poderia ficar em silêncio por mais
tempo. O assunto que ele estava se aproximando era uma de suas
maiores preocupações. Simon! Ela levantou a cabeça para ver os olhos
de Tony. — Foi Simon, não foi? — Ela tentou manter a voz calma e
respirar. — Seu estágio com a Rawlings Industries não foi uma
coincidência, não é?

~ 260 ~
Tony fechou os olhos e não respondeu.

Conforme o silêncio prevaleceu, Claire exalou, colocou a cabeça


no seu travesseiro e olhou para o teto. O ventilador na escuridão
cantarolava enquanto as lâminas criando um borrão nebuloso. No
tempo que levou para piscar, o rosto de Tony estava sobre o dela. Ela
queria ver seus olhos e entender a sua emoção, e agora, ela o tinha
direito em cima dela. Sua raiva palpável encheu seu quarto, o ar úmido
não se moveu, e de repente estava difícil respirar. A formação de Claire
disse para andar na linha fina; No entanto, em algum lugar nos três
anos desde que o treino começou, ela aprendeu sozinha a desobedecer.
Desafiadoramente, ela perguntou: — Você vai responder a minha
pergunta?

— Não. — Sua respiração quente banhou seu rosto, aumentando


o ar parado e úmido.

Ela esperou por mais esclarecimentos. Quando ele não continuou,


ela perguntou: — Não? Você não vai responder?

— Não — cada sílaba era tensa — não foi uma coincidência.

A fúria, que tinha saturado a conversa, evaporou com os


músculos de Claire descontraindo e o ar reentrando em seus pulmões.
Com a sua confissão, ela percebeu que a raiva que sentia não era
dirigida a ela ou seu interrogatório, ela era dirigida de volta para Tony,
ele estava chateado com ele mesmo.

O estrondo de um trovão ressoou mais alto e mais perto. Com


seus narizes quase se tocando, Claire sorriu. — Obrigada. Sei que é
difícil para você. Sei também que a revelação devia me chatear. — Ela
levantou os lábios nos dele. — Honestamente, foi mais uma
confirmação do que uma revelação. De alguma forma, eu acho que eu
me sinto melhor sabendo a verdade, não importa qual seja.

Tony suspirou. — Eu espero que sim, porque, minha cara, tem


mais.

Claire fechou os olhos, sem saber quanto mais ela estava pronta
para ouvir.

— Abra os olhos — Tony exigiu — Eu preciso ver o que você está


pensando. — Obediente, ela fez o que ele disse. Sua próxima confissão
veio com mais emoção do que ela estava acostumada a ouvir dele. —
Minha vida não tem sido perfeita, mas eu nunca perdi meu tempo
invejando ninguém. Se algo não foi o melhor que poderia ser eu fiz isso

~ 261 ~
melhor. Nunca eu queria ser outra pessoa. Isso ainda é verdade; no
entanto, há uma pessoa de quem eu estava com ciúmes.

— Simon? Por quê?

— Ele foi o único homem que eu sabia que você amou. Eu fiz o
que eu fiz isso era o melhor para mim. Separei vocês dois. — Tony
balançou a cabeça. — Então você pode imaginar como fiquei chocado
quando ele apareceu no simpósio em Chicago. Quando ele se aproximou
de nós, eu não sabia quem ele era até que ele pediu para falar com você
em particular. De repente, eu o reconheci — ele fez uma pausa —
Então… foi você que eu não reconheci.

Claire não poderia processar rápido o suficiente para responder.


Havia tantos pensamentos, mas tudo o que ela podia fazer era ouvir.

— Você estava sempre tão perfeita em público, impecável.

Ela se lembrou do que poderia acontecer se ela não fosse; No


entanto, ela permaneceu em silêncio; seus pensamentos sendo
monopolizados pelo destino desta conversa.

— Sua expressão e então… — As palavras de Tony sumiram


quando ele reviveu o encontro privado. — Você mal conseguia falar.
Mesmo a introdução foi difícil para você. — A súbita restrição de Tony
tornou visível como os músculos de seu pescoço tenso e seu tom
endureceram. — Porque talvez, apenas uma fração de segundo, Sra.
Rawlings, você se lembrou de rapidamente desempenhar o seu papel,
eu vi algo em seus olhos que eu nunca tinha visto. Quando você o
reconheceu, antes de se lembrar de quem era e de quem eu era, por
apenas um momento, você era, a menina de dezoito anos de idade que
eu tinha visto em fotos.

Ela tentou falar, mas ela não sabia o que dizer. A partir de 2011,
Claire teria conhecido a resposta de que ela não era apropriada. —
Tony, — ela firmou sua voz. — Se você viu, não estou negando que
estava lá. Honestamente, eu não me lembro de sentir qualquer coisa,
exceto pânico. Eu garanto, eu estava mais com medo de você estar
chateado do que eu estava feliz por ver Simon. —

O calor de seu corpo cobriu o dela. Ela continuou: — Se você


espera que eu me desculpe por essa fração de segundo, então eu sinto
muito, não sou a favor da fração de segundo, mas que você não está
recebendo esse pedido de desculpas.

~ 262 ~
Tony balançou a cabeça. — Não, eu não estava esperando um
pedido de desculpas. Estou tentando dar um.

Claire levantou uma sobrancelha.

— Você não vê? Em vez de ter confiança no nosso casamento, eu


estava com ciúmes. Você era a mulher que eu manipulei para se casar
comigo, e Simon foi o homem que a amava — ele fez uma pausa— Dizer
que você se comportara mal seria uma subestimação grosseira — Tony
inspirou e expirou, e continuou — para Simon e para você.

— Eu amo você.

— Agora — ele a beijou — está tudo certo. Lembre, nós


prometemos a honestidade? Sua raiva, que momentos antes encheu seu
quarto, desapareceu nos céus tempestuosos. — Esse olhar, o que eu vi
apenas por um curto período de tempo, eu vejo agora cada dia a cada
vez que seus belos olhos verdes olham na minha direção. Eu acho que
talvez seja um olhar que é preciso ganhar. Quando vimos Simon em
Chicago, eu não tinha ganhado ele eu exigia. — Ele fechou os olhos. —
Não é a mesma coisa.

Ela estendeu a mão e acariciou sua bochecha. Seu toque abriu os


seus olhos, revelando a tempestade de marrom por trás de suas
pálpebras.

— Claire, eu não quero perder esse olhar. Eu prometo, eu nunca


vou exigir novamente… Eu não quero isso. Eu quero o que eu tenho
hoje. Eu estou preocupado que, quando todas as minhas confissões
forem feitas, isso possa ir.

— Eu disse a você, meu amor não mudará, mas você começou


essa história, então você vai acabar? — Seu estômago revirou com cada
palavra. Seu coração pulsava acelerado atrás de sua testa.

— Peço desculpas pela forma como reagi em Chicago.

— Tony, você abriu a porta; Eu preciso o resto da história. Você


sabe como Simon morreu?

Ela sentiu o corpo tenso quando ele disse, — Eu sei. — Suas


palavras vieram rapidamente como se a velocidade pudesse tirar sua
picada. — O avião foi adulterado, mas eu não sei quem fez isso ou como
eles fizeram isso. É uma rede muito complexa de conexões para permitir
que a pessoa que pagou a taxa possa permanecer anônima.

~ 263 ~
O ar abandonou seus pulmões. — Oh, Deus… — Ela empurrou
seus ombros. — Por favor, me levante, eu não consigo respirar.

— Abra seus olhos.

Claire balançou a cabeça.

— Claire — seu tom agora mais suave — Por favor, abra seus
olhos — Lentamente, o verde-esmeralda encontrou o marrom triste,
quando Tony ofereceu: — Posso chamar Roach. Eu posso ir embora
antes do meio dia.

Ela balançou a cabeça contra o travesseiro. — Pare com isso! Pare


de ameaçar me deixar cada vez que eu estou chateada. Eu mereço estar
chateada!

Tony deitou em seu travesseiro. — Eu não estou ameaçando,


estou oferecendo.

Por um tempo, eles estavam em silêncio, ambos olhando para o


teto. Apenas o som de sua respiração e o estrondo de um trovão ficando
cada vez mais alto encheu seus ouvidos. Finalmente, Claire disse: — Eu
queria tanto que não fosse verdade. Eu queria que você fosse totalmente
inocente. Tentei culpar Catherine para tudo, mas — Claire pegou sua
mão, seus dedos entrelaçados — Eu acho que já sabia disso há muito
tempo.

— Quando o FBI me questionou, eles insinuaram outros crimes.


Eu acredito que eles sabem sobre isso. Eu não tenho certeza se eles
podem realmente seguir de volta para mim, mas eu acho que eles, pelo
menos, suspeitam. Claire, eu vou confessar.

Seus olhos saltaram de largura. Sua tristeza por Simon diminuiu


em comparação com o pânico repentino por Tony. — Não, você não
pode! Eles vão te prender, eu preciso de você.

— Talvez eu possa fazer um acordo. Eu vou dizer tudo sobre


Catherine.

Os olhos de Claire se encheram de lágrimas. Quando ela colocou


os braços ao redor do homem que ela amava, a umidade derramou
sobre seu peito. Ele tinha levado um longo tempo para chegar a este
destino, não a ilha o lugar de total honestidade. Claire não queria
perder ele.

Sua voz ressoou em seu quarto, dominando a tempestade


iminente e ecoando trovão. — Você merece estar com um homem que

~ 264 ~
enfrenta seu passado. Eu não posso viver com a ameaça de que algum
dia o FBI poderia vir e me prender na sua frente ou do nosso filho.

— Tony, não faça nada precipitado. Nós vamos trabalhar conosco


em primeiro lugar, por favor.

Tony sorriu. — Agora, eu aposto que você gostaria que tivesse


falado sobre isso antes de nos casarmos. Então você ainda poderia dizer
não.

Claire balançou a cabeça de um lado para o outro. — Não, você


está errado. É uma aposta que você perde. Você está colocando as
cartas na mesa, e eu ainda acho que eu sou a única que sai uma
vencedora. Quando eu disse que eu te amo, não importa o que você me
disse, eu não estava blefando.

O céu da manhã iluminava com intensidade. Como o trovão


rugiu, os céus abertos e grandes gotas de chuva caíram, salpicando o
interior do seu quarto. Tony e Claire saltaram de sua cama, com os pés
descalços correndo de porta aberta para fechar as portas em toda a
casa. No momento em que tudo estava garantido contra a tempestade,
os dois estavam encharcados. Claire fez seu caminho para o banheiro, a
camisola colada contra sua pele e as gotas que caiam do seu cabelo
encharcado. Quando ela estava prestes a tirar o vestido molhado, Claire
se virou em direção à porta. Ele não tinha feito um som. Se tivesse,
então ele tinha sido coberta pela tempestade; no entanto, ela sentiu seu
olhar e sabia que ele estava lá.

— Eu sinto muito. — A expressão de Tony correspondia suas


palavras apologéticas. Entrando no banheiro, ele endireitou sua
postura. Claire esperava mais palavras de arrependimento; em vez
disso, ela ouviu. —Eu não estava, nem mesmo quando estávamos no
funeral. Eu me senti mal por você, eu não esperava que você ficasse tão
triste, e embora eu tentasse ser solidário, admito seu sofrimento me
chateou.

Ela olhou e tentou desesperadamente registrar cada uma de suas


palavras. — Minha dor? — Ela perguntou incrédula. — E a mãe de
Simon?

— O que tem ela?

— Você apertou sua mão você falou com ela, ela disse que Simon
admirava você! — Cada frase era um pouco mais alta.

~ 265 ~
— Eu não penso nisso. Para mim, o ato foi justificado. Fiz um
acordo de negócios. Ofertas acontecem o tempo todo.

Ela ficou em silêncio e contemplou o marido. — Então por que


você se sente arrependido agora?

Ele se aproximou. — Eu não sei se eu posso explicar isso,


especialmente para você.

Claire olhou para o espelho. No banheiro opulento, no meio do


paraíso, os dois pareciam como ratos afogados. Perto de seus pés na
poça crescente. —Experimente, — disse ela.

— Eu não senti nada antes, e não apenas sobre Simon, sobre


tudo. Foi por isso que negócio era uma segunda natureza para mim. Ele
sempre tinha sido sobre números e fórmulas. — Ele passou os braços
em torno de sua parte inferior das costas. — Eu não estou inventando
desculpas. Você quer a verdade, é isso. Desde o momento em que meus
pais morreram até que você esteve comigo em Iowa, eu não sentia. Às
vezes me pergunto por que alguém quer isso. Não sentir foi um inferno
e muito mais fácil.

Claire deu um passo à frente, inclinando o peito e barriga contra


ele. — Ele também pode sentir bem para se sentir.

Tony passou os braços em volta dela. — Você está com frio. Você
precisa sair dessa camisola molhada.

— Eu provavelmente não deveria, mas eu quero saber mais. —


Ela escondeu o rosto em seu peito. — Houve um tempo em que eu fiz o
que você está dizendo, num momento em que eu não senti, eu só
lembro de ser muito escuro.

Ele inclinou o queixo para cima. — Eu provavelmente não preciso


te perguntar o que ou quem causou esse tempo.

— Acabou. Posso dizer que me trouxe de volta.

Sua sobrancelha levantou em questão.

Seus lábios tocaram os dele e ela perguntou: — Então, isso nos


fez o mesmo?

Tony encolheu os ombros. — Eu duvido. Esse tempo escuro era


muito mais tempo para mim; você teve mais trabalho para me resgatar.
— Seus lábios roçaram o topo de sua testa e seus olhos brilhavam. —
Sua influência foi além da minha vida pessoal.

~ 266 ~
— Oh?

— Você provavelmente não se lembra, mas uma vez que você me


perguntou sobre alguma coisa, e eu disse a você sobre uma empresa.
Ela era um que eu estava pensando em comprar. Você me perguntou
como eu poderia comprar um negócio e fechar sem pensar nas pessoas.

Claire assentiu. Ela tinha lembranças de tal conversa.

— Até aquele momento, eu nunca tinha considerado as pessoas.

— O que aconteceu com essa empresa? Foi na Pensilvânia, certo?

Tony sorriu. — Isso mesmo, boa memória. O CEO e acionistas da


empresa aceitaram a minha boa baixa oferta. Seu principal concorrente,
uma empresa onde eu sou um acionista principal, assumiu a sua
empresa. Todos os quarenta e seis funcionários receberam a opção de
manter seus empregos se ficar e trabalhar para a nova empresa.

— Sério? — Não era a resposta que ela esperava. Ela se lembrou


dele falando em fechar as portas.

— Realmente. — Ele moveu um fio de cabelo molhado do rosto. —


Alguns dos trabalhadores não aceitaram e eles receberam um pacote de
indenização. A última vez que olhei para os dados em relação a esta
empresa, mais de setenta pessoas foram empregadas, e meus lucros
foram mais elevados do que o previsto com a proposta original.

— O que te fez mudar de ideia? Por que não continuar com seu
plano original e simplesmente fechar a empresa?

— Minha querida, só houve uma pessoa que nunca me fez nada


ou questionou minhas crenças, e desde que ela se tornou uma
verdadeira parte real, da minha vida, meu mundo nunca mais foi o
mesmo.

Apesar de suas roupas molhadas e pele, Claire cheia de orgulho e


carinho. — Então, eu ajudei a salvar os empregos dessas pessoas?

— Você não ajudou. Não é um dos meus funcionários, ou


ninguém, nunca tinha tido a coragem de questionar a minha motivação
ou decisões. Você foi a primeira. — Seus olhos brilhavam com orgulho.
—Claire, você não ajudou a salvar seus empregos você os salvou.

Seu sorriso radiante para cima. — Eu disse que algumas de suas


confissões iriam me perturbar. Isso não significa que eu te amo menos.

~ 267 ~
Tony a puxou para mais perto. — Você precisa de um banho
quente. Parece que a tempestade está abrandando. Quando estiver
pronta, você pode obter mais algumas horas de sono.

Ela levantou os braços. — Só se você me ajudar a sair dessa


camisola molhada.

Puxando sua camisola para cima, Tony respondeu: — Eu lhe


disse antes, você se transformou em uma grande negociadora. — Uma
vez que ela estava completamente sobre sua cabeça, ele beijou seus
lábios. — Você ainda é.

~ 268 ~
A família que você viu não é tão importante
quanto à família que você vai ter.
- Ring Lardner

Capítulo vinte e oito


Amber entrou apartamento de Harry. Sentado na sala de estar,
cercada por pilhas de papéis, caixas de arquivos abertos, e vários
computadores, ela encontrou seu irmão. Olhando ao redor da sala
cheia, ela suspirou.

*****

Harry não tinha a ouvido entrar, mas ele ouviu o suspiro.


Olhando para cima, ele perguntou: — Ei, você já ouviu falar em bater?

— Eu já ouvi falar. Eu não sabia que você entendia o conceito.


Não é como se você o use quando entra na minha casa.

Harry riu. — Sim, desculpe. Eu não sabia que Keaton estava lá no


outro dia.

Suas bochechas coraram. — Bem, já que Liz está no escritório,


achei que era seguro entrar. O que você está fazendo? Pensei que
estivesse em licença médica.

— Eu estou, mas SAC Williams mandou algumas evidências para


cá. Eu estava enlouquecendo sem nada para fazer.

Amber estendeu a mão e tocou suavemente bochecha esquerda de


seu irmão. A contusão não estava mais vermelha e inchada. Seu olho
esquerdo agora abria, bem como o seu direito; No entanto, a pele ao
redor dos olhos e para baixo da sua bochecha ainda estava descolorida.
A tonalidade amarela esverdeada substituiu o azul-escuro que se seguiu
ao vermelho.

Harry gemeu.

~ 269 ~
— Acho que a carreira de modelo que você tinha em segundo
plano está fora de questão.

Embora Harry tentasse parecer ofendido, os cantos de seus lábios


subiram revelando sua diversão. Presunçosamente, ele respondeu:

—Isso não é bom. Eu tenho ouvido que eu ainda sou muito


bonito.

— Bem, Liz é tendenciosa. — Amber pegou uma pilha de papéis a


partir do sofá, mudou para a sua mesa de café, e sentou. — Sério,
Harry, o que você está fazendo?

— Você sabe que eu não posso lhe dar os detalhes.

— Tudo bem, sem detalhes, mas você ainda está trabalhando no


caso contra Rawlings, não é?

— Não há detalhes, Amber.

Seus ombros caíram. — Harry, olhe para você. Pense na Ilona e


Jillian. Pense em Liz, ela ainda está traumatizada. Não vale a pena!

Seus olhos azuis voltaram para ela. — Como você pode dizer isso?
E sobre Simon? Você não se importa que Rawlings não fosse punido
pelo que ele fez?

— Você pode provar que foi ele?

— Ainda não, mas meu encontro inesperado em um beco


confirmou que ele está envolvido.

Amber se inclinou para frente. — Não, Harry essa reunião


confirmou o que você sabe o que você já sabia. Lembre o que você me
disse quando você pensou que Claire estava grávida de seu filho? Esse
ataque confirmou que você deve deixar o FBI e trabalhar para a Sijo.
Simon gostaria de você estar seguro. Ele não quereria que você
arriscasse sua vida ou a vida de seu filho ou qualquer outra pessoa
para provar algo que não pode ser mudado. Quero dizer e se for
Rawlings? Não vai trazer Simon de volta. E se você estiver errado? E se
o acidente de Simon era o que a NTSB disse que, em primeiro lugar? E
se foi um acidente? De qualquer maneira, Simon não vai voltar.

— Você não entende. As pessoas não podem sair por aí mudando


a vida de outras pessoas, sem consequências. Sabemos com certeza que
ele sequestrou Claire.

~ 270 ~
— Então o que? Talvez eu tenha pena dela quando eu ouvi pela
primeira vez a sua história, mas a sério, se ela é estúpida o suficiente
para voltar para ele, ela merece tudo o que tem ou vai acontecer com
ela!

Harry estava pronto para defender as decisões de Claire, mesmo


que ele odiava a maioria delas. Quando o fez, um estremecimento
escapou de seus lábios enquanto endireitou suas costas e suas costelas
doíam.

— Veja, isso é culpa dela também! Você está obcecado com isso
por causa dela. Não me diga que é em memória de Simon é por causa
de Claire.

— Não! Não é culpa dela, não mais do que é sua.

Os olhos de Amber se arregalaram. — Desculpe? Minha culpa que


diabos?

— Eu conheci Simon através de você. Sim, eu quero provar quem


é o responsável por sua morte. Será que eu me importo tanto se Simon
não era um amigo? Provavelmente não, isso faz de você o responsável?
Não! Você está perdendo o foco, Rawlings é responsável, e eu vou provar
isso.

— O cargo de Presidente de Operações de Segurança na Sijo é


seu. Tudo que você precisa fazer é dizer a palavra. Saia disso. Não deixe
Rawlings estragar mais vidas.

Harry não respondeu. Ele sentou à sua mesa improvisada com


várias telas de computador e se concentrou em sua pesquisa. Ele sabia
que não havia mais nada que pudesse acrescentar à conversa nada
produtiva. Amber deve ter percebido que ele não estava voltando ao seu
redor. A ouviu bufar e levantar antes da porta de seu apartamento
fechou enviando tremores de volta para a sala de estar.

Sem ninguém por perto, Harry leu as telas. O SAC Williams tinha
conseguido acesso ao servidor da agência. As bases de dados de
informação tinham uma riqueza de conhecimentos. Infelizmente, na
vida real, os resultados de pesquisas não se materializaram tão rápido
quanto eles fizeram em programas de televisão. Estava tudo bem.
Atualmente, a única mercadoria de Harry era tempo. Essa foi uma das
razões pela qual o diretor adjunto lhe permitiu permanecer no caso.
Isso e a aceitação de Harry em reforçar a segurança.

~ 271 ~
Ele odiava ter um agente postado fora de sua porta. Foi ainda pior
ter um o acompanhando onde quer que fosse; no entanto, em seu
estado atual, Harry concordou. Ele não seria muito de ameaça se
estivesse a ser atacado novamente.

Ao ler as telas e entrando mais dados, Harry pensou nas palavras


da irmã. Ele entendia a preocupação dela e apreciava a oferta de um
emprego. Harry gostou do tempo que ele passou na Sijo. Para qualquer
outra pessoa, seria uma grande carreira. Amber tinha mesmo lhe
oferecido uma posição real no conselho de administração.

Quando considerado o quanto a sua relação tinha crescido desde


seu divórcio, ele sentiu uma sensação estranha de contentamento.
Talvez ele tivesse a família que ele sempre quis. O fato de que ele tinha
desde que era um menino, mas não tinha percebido isso, quase fez
melhor. Ele não era tão sozinho como ele às vezes pensa. Harry
esperava que um dia Amber entendesse que a sua determinação de
pregar Rawlings para a parede era para ela também. Ela precisava de
encerramento sobre a morte de Simon. Não, uma surra em um beco
mudaria isso.

Ele pegou o telefone e mandou uma mensagem a Amber.

— Obrigado pela oferta. Sinto muito por ser um idiota. Jantar?

*****

Claire segurou firme a mão de Tony, enquanto Francis


manobrava o barco através das águas cristalinas. A viagem da ilha para
a cidade tomava cerca de trinta a quarenta minutos, dependendo do
vento e da agitação marítima. Uma vez que esta foi apenas a segunda
excursão de Claire para fora da ilha, ela se surpreendeu com o número
de outras ilhas por onde passavam. A primeira vez que Francis a levou
para a cidade, ela estava muito nervosa para realmente registrar o
mundo fora do barco.

Hoje, através de óculos de sol cobrindo os olhos, ela tomou a


beleza ao seu redor. O sol tropical brilhante dançou fora das ondas e
brilhava tanto perto e longe. O mar não era nem calmo nem áspero. Em
águas mais abertas às ondas eram maiores. Enquanto viajavam entre
as ilhas em retas estreitas, os mares se acalmaram, lembrando Claire
de sua lagoa. As ilhas que passavam a caminho variaram imensamente.

~ 272 ~
Algumas eram pequenas, como a dela. Outras eram grandes, com
várias casas. Muitos ficaram inabitáveis, com penhascos e montanhas
de pedra irregulares. Claire entendeu como sob a cobertura da
escuridão, manobrando em torno dos canais entre as ilhas pode ser
perigoso. Se o mar estava muito áspero, um barco do tamanho deles
poderia facilmente ser lançado contra as grandes rochas e falésias.

Apesar de ter nascido em outro lugar, Francis conhecia a língua e


a cultura da região também. Ele também era conhecido por muitas
pessoas da cidade. Uma vez que eles estavam em terra, Claire observou
interação Francis com os nativos. Ao longo dos anos, ele, obviamente,
ganhou o respeito deles.

Claire não viu nenhum veículo motorizado. Ela sussurrou para


Francis, — Alguém dirige carros aqui?

— Oui, Madame, — ele apontou para uma grande montanha na


distância — Há uma estrada que dá a volta na montanha, mas a
condução que leva muito tempo. Mais viagens e expedições, eles vêm de
avião ou helicóptero. O aeroporto não é longe.

Claire lembrou Phil dizendo a ela que pelo ar que ela poderia estar
em uma distancia da instalação médica em menos de duas horas.

Tony perguntou: — Há sempre aviões e os pilotos? Ou será que


eles precisam ser reservados com antecedência?

— Reservar é melhor, — respondeu Francis. — No entanto, a


maioria dos pedidos pode ser acomodada rapidamente.

Tony decidiu, uma vez que tinha tempo, ele queria ver o
aeroporto. Claire não estava interessada. Ela decidiu passar o seu
tempo de caminhada ao redor da cidade, até o horário de seu médico.
Primeiro, ela entrou no que ela considerava ser o equivalente a uma
mercearia. Muitas pessoas da cidade falavam Inglês suficiente para
ajudar a Claire se ela tinha alguma dúvida. Havia também pessoas em
pé ou cabines ao longo do lado da estrada, com itens para venda.
Parecia que muitos dos nativos faziam mais troca do que compra e
venda. A estrada era difícil. No seu caminho para o consultório médico,
Claire passou por duas tabernas e decidiu álcool era uma língua
universal.

A sala de espera do consultório do médico estava cheia de


pessoas, mas quando Claire entrou a enfermeira a levou imediatamente
de volta a uma das salas de exame. — Meu marido estará aqui em
poucos minutos. Eu gostaria de esperar por ele.

~ 273 ~
— Seu marido? — a enfermeira sorriu. — Mas é claro. Você vai
saber o sexo do bebê hoje?

Claire sorriu. — Espero que sim. Por favor, podemos fazer outro
ultrassom?

— Verei com o médico. A decisão é sua.

Depois de alguns minutos sozinha, a porta se abriu. Quando


Tony entrou, Claire sabia por que ela não tinha ouvido a habitual
batida antes da entrada. Sorrindo para seu belo rosto, Claire pensou em
como bater nunca foi o seu forte. A voz profunda de Tony e os olhos
brilhantes revelaram sua emoção. — Eu pensei que a sua consulta não
fosse ocorrer por mais meia hora. Eu não perdi nada, não é?

— Não, — ela estendeu a mão para segurar sua mão. — Eles me


trouxeram para cá logo que eu cheguei. Eu tenho um pequeno hábito
de chegar cedo para compromissos.

Tony riu. — Eu gosto desse hábito.

— Eu sei que gosta.

Enquanto estavam com os lábios unidos, houve uma batida na


porta. Os olhos de Claire brilharam quando ela disse, — Entre.

A enfermeira entrou, — Oh, Olá, você deve ser o Sr. Nichols?

Claire viu quando os lábios de Tony contraíram. Suprimindo um


riso, ela respondeu: — Este é o meu marido. Rawlings é nosso
sobrenome. Nichols era o meu nome de solteira.

A enfermeira pediu desculpas e explicou que, após o exame de


Claire, o médico permitiria outro ultrassom. Quando estavam sozinhos
novamente, Tony perguntou: — Tem certeza de que não é um problema
oferecer os nossos nomes reais?

— Francis assegurou e assim o fez Phil, este lugar, bem como


outros como ele, são conhecidos por sua discrição. Aparentemente, nós
não somos as únicas pessoas aqui, ou no mundo, disposto a pagar
muito dinheiro para se esconder. É uma grande fonte de renda para as
áreas onde os recursos são limitados. Eles são muito bem pagos para
manter a nossa informação privada.

Tony assentiu. — Se eles são pagos muito bem, então eu acho


que nós poderíamos ter um ultrassom sempre que quiser, — ele apertou
a mão — E eu quero um!

~ 274 ~
Ela sorriu. — Eu também! — Ela sorriu. — Tony, eu espero que
você não fique decepcionado, eu quero dizer que eu sei que você
continua dizendo que não se importa se o nosso bebê é um menino ou
uma menina, mas eu acho que você se importa.

— Eu realmente não sei. Eu prometo que não vai me decepcionar.


Saudável é o que eu quero. Eu também quero você saudável e segura.
As únicas coisas que vamos fazer hoje é descobrir se precisamos
comprar as coisas do bebê azul ou rosa e estreitar nossa discussão de
nome a um gênero.

Claire sorriu. Eles haviam discutido nomes, na maioria do tempo


eles pareciam discutir os nomes de menino. Quando pesquisou os
nomes mais populares para o ano passado, Sophia veio para meninas e
para meninos Aiden. Tony imediatamente vetou Sophia. Quando ele
explicou seu raciocínio, Claire ficou chocada. Ela não tinha ideia de que
Catherine tinha uma filha. A história foi especialmente selvagem
quando ele explicou que Sophia era a artista que pintou o retrato de
casamento de Claire. Aparentemente, ele estava observando ela, uma
vez que Nathaniel havia morrido. Não foi feito para o voyeurismo de
vingança, Tony para Sophia foi o cumprimento de uma promessa de
Nathaniel para vigiar a filha de Catherine. Tony não sabia por que
Catherine não a queria ver, mas na noite ele foi levado sob custódia do
FBI, Tony estava prestes a dizer a Sophia a verdade sobre sua mãe.
Obviamente, ele nunca teve a chance.

Claire concordou. O nome Sophia não estava na lista.

Nenhum deles tinha uma razão para não gostar de Aiden, eles
apenas não o aceitaram. Tony não queria usar nomes de família. Por
mais que ele admirasse Nathaniel, ele agora percebeu que talvez seu
avô não fosse tão boa influência quanto ele tinha pensado. Claire
contemplava nomes de sua família. Ela sabia que, se pedisse Emily,
seria um não. O nome Shirley da mãe era muito próximo à avó de Tony
Sharron. A avó de Claire, Elizabeth estava perto de Emily. Nenhum
deles parecia valer a pena discutir. O único nome até agora de garota
que ambos estavam de acordo era Courtney.

Quando se tratava de nomes de menino, para cada sugestão que


Claire fez Tony tinha um oposto. Ele gostava de nomes que poderiam
ser encurtados. Ele disse que, a partir da experiência, ele acreditava
que fez uma boa separação entre negócios e pessoal. Claire não
perguntou se Tony assumiu seu filho iria seguir no negócio. Afinal, se, e
isso foi uma grande se as questões públicas poderiam ser resolvidas,
Anthony Rawlings era um homem digno de ter um filho seguindo seus

~ 275 ~
passos; no entanto, tarde da noite, quando Claire acordava e olhava
para o teto, enquanto Tony dormia profundamente, ela se preocupava.
Anthony Rawlings, empresário, tinha tantos problemas e preocupações.
Será que ela quer isso para seu filho ou filha? A preocupação maior era
iminente predileção de Tony para a perfeição. Claire não tinha como
saber a personalidade da criança dentro dela, mas se fosse qualquer
coisa como seu pai, seria a combinação em um ambiente profissional ser
potencialmente combustível disso? Seria diferente com uma filha? Claire
não sabia.

Quando o médico entrou, Tony estava perto da cabeça de Claire,


manteve a mão em seu ombro e ouviu. Ela amava sua presença só de
saber que ele estava perto lhe deu mais confiança. O médico
tranquilizou Claire, seu ganho de peso estava dentro dos limites
normais e expectativas. Quando ela reclamou de estar engordando tão
rápido, ele recomendou várias pequenas refeições em vez de três
maiores. Ela olhou para os olhos de Tony e percebia que ele não estava
apenas no papel de pai e oferecendo apoio emocional, mas também
agindo como informante. Madeline saberia os novos requisitos de
refeição antes de Claire chegar a casa.

Após o exame, a enfermeira os levou a uma sala diferente para o


ultrassom. O médico usou a mesma máquina que tinha usado durante
a última visita de Claire. Ela e Tony observavam em silêncio enquanto a
imagem granulada veio para a tela. Mais uma vez, ele usou linhas e as
medições realizadas. Ambos deram um suspiro de alívio por saber que o
seu bebê estava bem no alvo para 30 semanas, medindo 40 centímetros
de comprimento e pesando cerca de um quilo trezentos e sessenta.

— Um quilo trezentos e sessenta — Claire repetiu —Então por


que eu ganhei quase vinte quilos?

O médico riu e disse: — Porque, Claire, você não está apenas


carregando um bebê; há um lote inteiro mais lá.

Ela sabia que ele estava certo.

— E — O médico continuou — o seu bebê continuará a ganhar,


cerca de meio quilo por semana a partir de agora até nascer, comer
essas pequenas refeições é importante.

Antes Claire pudesse responder, Tony respondeu: — Não se


preocupe, ela vai.

O médico moveu a grande varinha em torno do abdômen de


Claire. A frieza do gel não foi sentida enquanto observava a tela. Sempre

~ 276 ~
presente no fundo era a pulsação constante de seu filho. Como de
costume, ele trouxe lembranças de seu lago de volta. Eles assistiram
com espanto como o médico apontou o nariz do bebê em um perfil.
Quando ele reposicionou a varinha, eles foram capazes de contar os
dedos das mãos e pés, eles não foram capazes de ver o sexo.

— Sinto muito. Seu bebê está sendo modesto. Eu esperava que se


continuássemos, ele ou ela se moveria e revelasse o seu segredo. Até
agora, isso não aconteceu.

Embora ambos estivessem desapontados, Tony e Claire


compreendiam. Tony respondeu: — Isso é bom, doutor. A coisa mais
importante é que tudo está acontecendo como deveria.

— Sim, Sr. Rawlings, tudo está perfeito.

Claire sorriu, ela sabia que era perfeito exatamente do jeito que
Tony gostava!

~ 277 ~
Não vamos nos contentar em esperar e ver o que
vai acontecer, mas dão-nos a determinação para fazer
as coisas certas acontecerem.
- Horace Mann

Capítulo vinte e nove


Phil criou uma VPN, rede privada virtual, tanto para Tony quanto
Claire. Isto permitiu o acesso a sites e e-mails estando praticamente
indetectável. Quando conectado através de uma procuração e as várias
contas de capa que ele estabelecia, Phil acreditava suas transações
eram completamente indetectáveis.

Para se comunicar uns com os outros, Phil, Tony e Claire


utilizavam e-mail, bem como mensagens instantâneas ocasionais. Eles
poderiam ligar; no entanto, Phil ainda enfatizava que as chamadas
continuavam a ser necessariamente curtas. Durante a primeira semana
de Novembro, Phil enviou a Rawlings seu segundo e-mail:

Para: Nouveau Alexandres

De: PR

Re: atribuição atual

Data: 7 de novembro de 2013

A nossa primeira reunião correu bem. Eu lembrei a Sra. L de suas


originais diretivas, a localização da srta. N não era para ser divulgada.
Ela não tem seguido o assunto. Minha missão é assistir a uma mulher
chamada Sophia Burke. Seu marido, Derek, é empregado por Rawlings
Industries e foi recentemente transferido para a sede corporativa em
Iowa City.

Eles recentemente mudaram para Iowa, da Califórnia, e eu estou


reunindo informações básicas. Embora esta parecesse benigna, tenho a
sensação de que há mais do que isso. O nome Burke me preocupa. Eu
não me lembro de ler sobre um Derek na pesquisa da Srta. N. Existe
uma conexão com Jonathon? Eu vou saber, mas sua ajuda pode
acelerar minha pesquisa.

~ 278 ~
*****

Ao mesmo tempo, seus ipads notificaram o e-mail. Claire viu o


ícone e olhou através da sala. — Tem que ser de Phil. Estou nervosa.

— Sua última mensagem não foi muito esclarecedora — Tony


abriu a mensagem — Diga novamente por que ele está nos abordando
com os nomes Alexanders?

Claire deu de ombros. — Eu acho que ele está evitando usar


nossos nomes verdadeiros. — O que é errado ter uma piada particular?
Ela não esperava. Não havia nenhuma maneira de explicar a sua
relação e de Phil, sem incitar preocupações indevidas a Tony, e não
havia nenhuma razão para ele se preocupar. Não havia nada entre ela e
Phil, além da confiança e amizade. Era o tipo de amizade que vem,
quando a confiança foi testada pelo fogo e sobreviveu.

Tanto ela e Tony leram o e-mail. A última vez que tinha ouvido o
nome Derek Burke, foi Brent, quem chamou a sua atenção. Embora ela
e Tony prometessem honestidade e plena divulgação, Claire não
acredita que sua promessa incluía prejudicar sua relação com seus
amigos mais próximos. Ele não tinha conhecimento do seu apoio;
parecia melhor.

Claire tinha descoberto recentemente a história de Sophia. Ela


ergueu os olhos da tela. — Tony, essa é a mesma Sophia? A filha de
Catherine?

Ela viu o retorno da escuridão para seus olhos enquanto se


moviam na tela em sua direção. — Sim. Como diabos ela manipulou e
os mudou para Iowa? Sendo executora de minha propriedade ela não
tem nenhum controle da Rawlings Industries.

Claire colocou seu Ipad para baixo, caminhou para seu marido, e
tocou seu ombro. — Por que ela faria isso? Por que, depois de todos
esses anos de não querer saber de sua filha, ela quer de repente a
mover para Iowa?

Ele cobriu a mão dela com a sua. — Eu não sei, mas eu não gosto
disso.

— Com o que você está preocupado?

— Acidentes.

~ 279 ~
A palavra ainda fazia com que o cabelo na parte de trás do
pescoço de Claire levantasse. — Que tipo de acidentes? Você não acha
que Catherine prejudicaria a própria filha, não é?

— Eu não sei se ela tem limites. Olhe para o que ela fez para nós.

Claire viu a restrição em sua expressão, expor através das veias


salientes de seu pescoço. Suas mandíbulas estavam cerradas como ele
modulava sua voz para o seu tom mais confortável. — É o meio da tarde
e muito quente para você estar fora no sol. Você deve descansar e
manter os pés para cima. Eu preciso ir para uma caminhada.

Claire queria respostas para suas perguntas. Como a promessa de


Tony para Nathaniel influenciava seu amparo clandestino a Sophia? O
que exatamente eram as capacidades de Catherine? Onde estavam os
limites de Tony? No entanto, percebendo sua aflição, ela não perguntou.
Tinham passado por estradas difíceis recentemente. Esta situação não
era a sua batalha, sua família, ou a sua promessa. Tony precisava
trabalhar com isso para si mesmo. Ela exalou. — Tudo bem, eu vou
descansar no quarto. Por favor, venha me acordar quando você voltar.

Quando ele beijou a bochecha dela, ela viu algo em seus olhos,
algo que a fez correr o pulso. — Tony, por favor, não deixe a ilha.

Seu apelo puxou ele de seus pensamentos. — O quê? Como você


sabia que eu estava pensando nisso?

Ela estendeu as mãos. — Eu não vou ser capaz de descansar, se


eu estou pensando em você no barco. Sei que Francis ensinou a você
como dirigir se você quiser sair, mas eu não posso suportar perder você
de novo.

— Claire, eu odeio esse sentimento de desamparo. — Ele soltou as


mãos e caminhou perto das portas abertas para a varanda. — Este
lugar é incrível, você é incrível. Eu quero ficar aqui com você e nosso
filho; no entanto, quando eu li sobre a Rawlings Industries e tudo que
está acontecendo, eu me sinto como um animal enjaulado. Há tantas
coisas que eu poderia fazer se eu fosse para casa.

— Eu esperava que você considerasse esta sua casa.

Ela viu seus ombros caírem. Sua expressão de diversão foi de


curta duração. — Quantas vezes ouvirei as minhas próprias palavras e
frases repetidas para mim?

Claire deu de ombros. — Eu não tenho um número definitivo. O


que posso dizer? — Ela deu um passo em direção a ele e estendeu a

~ 280 ~
mão para sua bochecha. Acariciando suavemente, ela permitiu que o
serrado da barba lixasse as pontas de seus dedos. — Você é um homem
sábio, e eu aprendi muito com você. Você deve considerar uma honra à
imitação, é a forma mais sincera de lisonja.

— Eu acho que há outros que seria melhor você imitar.

Beijando seus lábios, ela permaneceu nas pontas dos pés e


sussurrou, — Agora, eu vou me deitar. Quando eu acordar, eu vou
confiar que você não tenha me decepcionado.

Quando ela se virou em direção ao quarto, Tony agarrou seu


braço e puxou de volta para seus braços. Sua súbita onda de energia
teria assustado no passado. Hoje, ela achou mais do que levemente
erótico. — Diga — seu olhar escuro intensificado a cada segundo — por
que demorou uma fechadura eletrônica e te prender em cativeiro para
você querer isso e comigo as suas meras palavras estão fazendo isso
comigo? Porque eu vou ser honesto, eu quero entrar nesse barco e falar
com um piloto. Prometi cuidar de Sophia. Ela não tem ideia de que tipo
de mulher sua mãe biológica é capaz de ser. Eu sou a única pessoa que
pode explicar, mas com algumas palavras destes belos lábios — Seu
dedo traçou suavemente seus lábios — Estou novamente desamparado.

— Porque você me ama, e é tão comprometido como você está


para Sophia, que é honesto, você está mais comprometido comigo e
nosso filho.

Tony assentiu. — Eu amo você, mais do que a própria vida; No


entanto, eu estou indo nessa caminhada. Me sinto preso, e, neste
momento, eu preciso me lembrar de que Catherine é a responsável, não
você. Por mais que eu te ame, — ele agarrou seus ombros — e nunca se
esqueça de que eu amo; agora, eu não gosto do controle que parece que
você tem.

Claire assentiu. Ela queria honestidade. Isso não significa que ela
gostasse de tudo que ouvia, ela não o fez; no entanto, não de que com o
risco de honestidade, aceitando a verdade não importa como ele fez você
se sentir?

Além disso, lá no fundo, Claire completamente entendia sua


posição ela esteve lá sozinha.

*****

~ 281 ~
Phil relaxou na galeria de arte atrás de um casal de vinte e
poucos anos. Foi a terceira que ele tinha visitado em Davenport, esta
tarde. Ela se parecia com o trabalho de outras artes com destaque para
as luzes do ponto e arte tridimensional apresentadas em estandes. Não
era a sua coisa. Ele não tinha certeza de como fingir que gostava de
nada. A maioria dos que não se parecia com a arte para ele de qualquer
maneira. Quem decidiu o que constituía arte, Phil queria saber.

Enquanto caminhava lentamente, fingindo apreciar as pinturas


que parecia algo que uma criança de cinco anos poderia criar, viu
Sophia com o canto do olho. Ela estava se movendo de pintura a
pintura, tendo uma quantidade meticulosa de tempo para devorar cada
peça. Esta foi à terceira Sexta-Feira consecutiva que ela tinha ido para
Davenport para visitar as galerias. Uma vez que ele a encontrou, sua
diretriz era clara; mandar mensagem de texto a Sra. London e deixar
saber a localização de Sophia.

Pisando em um corredor lateral, Phil fez o que tinha sido dito. Ele
mandou uma mensagem para sua entidade patronal:

— A Sra. Burke está na galeria John Bloom na rua 12th.

Em seguida, ele recuou e esperou. Enquanto olhava para a tela


diante dele, ele ouviu duas mulheres discutirem o uso da cor e
sombreamento. Havia muitas coisas que Phil conhecia. Ele
provavelmente poderia ensinar um curso sobre vigilância tecnológica
era a sua paixão, ele adorava aprender sobre novos dispositivos para
fazer o seu trabalho mais fácil e mais preciso. Quando ele aprendeu
sobre os computadores, ele poderia falar de programação e hardware
com o melhor deles; no entanto, quando se tratava de cores e sombras,
ele não tem a menor ideia!

Seu celular vibrou. O texto era simples. Seu trabalho para o dia
foi feito. Phil não poderia ter estado mais feliz. Seguir Claire tinha sido
uma moleza. Seguir Sophia tinha seu cérebro entorpecido. Ela passou a
maior parte de seu tempo em casa. Quando ela se aventurava, ou era
com o marido ou a lugares como este. A galeria estava enchendo com os
clientes, aparentemente, sua falta de interesse não era compartilhada
por outros. Como ele fez o seu caminho em direção à porta, um garçom
parou com uma bandeja de champanhe em copos altos. Ele perguntou
se Phil gostaria de um copo. Com a recusa na ponta da língua, ele viu
Catherine entrar na galeria. Ela parecia diferente do que ela tinha em
qualquer de suas reuniões. Seu cabelo estava mais curto, suas roupas
elegantes, e seu rosto maquiado.

~ 282 ~
A curiosidade era sua nova queda. É o que ele tinha puxado para
o mundo de Claire. Muitas vezes, quando Rawlings disse para acabar
com a vigilância para o dia, Phil continuaria. Agora, acenando e
sorrindo para o garçom, ele ergueu uma taça da bandeja, trabalhou seu
caminho em uma multidão, e assistiu. Não foi a arte que lhe interessava
era a mulher que tinha estado tão determinada a se livrar de Claire.
Phil estava ansioso para saber mais sobre a mulher que pensava que o
empregou.

Através das próximas horas, Catherine se misturava nas


imediações de Sophia. Com o tempo, elas começaram a discutir as
peças de arte. Ele não podia ouvir sua discussão; podia observar sua
linguagem corporal. Eram assustadoramente semelhantes, as pequenas
maneiras, o jeito que inclinou a cabeça ou cruzaram os braços. Phil
perguntou se elas notaram as semelhanças ou se era mais óbvio de
longe.

As duas mulheres foram se tornando simpáticas, rindo e


conversando, até que um homem alto e moreno chegou. Phil
reconheceu de sua pesquisa, era Derek, o marido de Sophia. Parecia
que Sophia introduziu Catherine a seu marido, e, em seguida, pouco
tempo depois, Catherine pediu licença e saiu.

Uma última taça de champanhe com um pedaço de queijo e Phil


terminou a noite.

*****

Claire estava dormindo em sua cama quando sentiu Tony sentar


no lado do colchão. Seu toque suave esfregando suas costas aliviou sua
preocupação. Ele não tinha ido embora, ele não tinha a desapontado.
Voltando para o marido, Claire deu um sorriso sonolento. — Oi,
querido, quanto tempo eu dormi?

— Um par de horas.

— E onde você foi?

— Para um passeio ao redor da ilha. Também fiz uma ligação.

Essa última frase chamou a atenção de Claire. — Uma ligação


para quem?

~ 283 ~
— Eu pensei que eu estava ligando para Baldwin.

Claire sentou e fugiu para a cabeceira da cama. — Tony, por que


você ligaria para Harry?

— Ele é o nosso único contato do FBI. O único que sabe como


entrar em contato.

Embora o ar tivesse esfriado durante as últimas horas, ele ainda


estava sentado quente e pesado; No entanto, como arrepios camuflavam
sua pele, Claire colocou os braços ao redor do peito. — Por que você
precisa falar com o FBI?

— Eu disse isso na outra noite, eu estou disposto a fazer um


acordo.

O mar ainda estava azul, o céu ainda estava claro, e as flores


coloridas ainda enchiam o ar com belos aromas, a paz e contentamento
foram embora do paraíso de Claire desaparecendo. As lágrimas
encheram seus olhos enquanto ela lutava as batidas súbitas em sua
cabeça. Ela estava fazendo perguntas para semanas. Durante esse
tempo, ela também foi obter respostas muitas que não queria. Antes
que ela pudesse fazer a pergunta na ponta da língua, Claire empurrou
para fora da cama. O movimento brusco fez o quarto balançar. Ela
estendeu a mão para o criado-mudo, fechou os olhos e esperou que ele
parasse.

Antes do quarto girasse, Tony estava ao seu lado. Seu tom


distante foi substituído por preocupação. — O médico disse que você
precisa ter cuidado; quanto maior o bebê fica, mais difícil é para o
sangue fluir. Ele disse isso, de pé repentinamente pode causar
desmaios. Você precisa levantar mais devagar. — Seus braços fortes
cercaram seu corpo e estabilizou o seu mundo durante cada palavra de
sua palestra.

Em vez de se inclinar para ele, Claire ficou em linha reta. — Eu


estou bem. Levantei rápido, porque eu não conseguia respirar. Eu
precisava ficar e ter mais espaço em meus pulmões e eu ouvi o médico,
eu estava lá.

— Se estivesse faria a mesma coisa.

Ela queria discutir, mas a sala balançando e dor de cabeça teve


seu estômago em nós, ou talvez tenha sido o pensamento de negociação
de Tony. Não importa a causa, ela escolheu para pressionar os lábios e
olhar nos olhos de seu marido.

~ 284 ~
— Você precisa voltar e sentar.

Sua língua se lembrou de falar. — Eu preciso usar o banheiro, —


ela retrucou seguida por um declínio à ajuda de Tony. Quando ela
voltou para o quarto, ele estava encostado na parede com os braços
cruzados sobre o peito. Antes que pudesse falar, ela se ofereceu:

— Eu não acho que eu quero saber sobre a sua ligação.

— Baldwin não é mais nosso contato.

Claire suspirou. Ela não tinha escolha, ele ia dizer a ela de


qualquer maneira. Claire se sentou à mesa pequena. As cadeiras de
costas retas ajudou a parte inferior das costas. — Ele nunca deveria ter
sido. Parece um evidente conflito de interesses.

Tony assentiu. — Você está se sentindo melhor?

— Não realmente. Por que você faria a chamada sem falar comigo
sobre isso primeiro?

— Eu tinha que fazer alguma coisa.

— Por favor, Tony, diga o que foi dito.

— Eu pensei que você disse que não queria.

— Eu não, tudo bem? — Seu volume aumentou. — Eu não quero


que você faça um acordo, eu não quero que você confesse tudo para
ninguém exceto para mim — Sua voz falhou enquanto as lágrimas
correram pelo rosto — Eu não quero ficar sem você, eu não me importo
se é a coisa certa a fazer, eu, eu, nós, precisamos de você!

Sua determinação derreteu diante de seus olhos como sua


postura desafiadora aliviou e sua voz suavizou. — Claire, meu Deus,
isso que eu não quero te machucar ou nosso bebê é para ajudar. Desde
que saí de Veneza, sem contato com Baldwin, sou oficialmente um
fugitivo. Em essência, você está abrigando um fugitivo.

— Eu não me importo.

Tony puxou Claire em seu abraço. — Eu não vou sair. Falei com o
agente Jackson. Ele é o único com quem eu falei em Boston. Eu disse a
ele que eu o faria um negócio; Eu diria a ele sobre alguém que eu tenha
ajudado ao longo dos anos e confesso meus erros feitos e a agência
concordaria em permitir que eu me entregue em Janeiro de 2015.

Claire se afastou e olhou nos olhos de Tony. — 2015, por quê?

~ 285 ~
— Temos uma criança que nasce em Janeiro. Eu pedi por um
ano.

— Ele concorda?

— Ele disse que não estava em seu poder, mas que ele queria
saber o que eu sabia.

— Você disse a ele?

— Apenas a ponta do iceberg, eu disse a ele sobre o avião de


Simon e que eu sabia, com certeza, quem matou meus pais. Eu disse a
ele que havia mais, mas eu precisava do meu negócio primeiro.

Claire levantou a sobrancelha.

— Eu tenho que ligar de volta na segunda-feira. — Tony


acrescentou — Hoje é sábado, mas ainda é sexta-feira em Boston.

Claire sorriu; era difícil manter o controle de dias. Ela inclinou em


seu peito e ouviu o forte ritmo constante de seu coração. — Um ano? —
O sentiu acenando. — Espero que tudo corra bem devagar.

~ 286 ~
Não há maior miséria do que recordar um
momento em que você estava feliz.

- Danté

Capítulo trinta
Setembro 2016

12 de Setembro de 2016

Merda! É a única palavra que sempre vem à mente! Tenho uma


reunião em dois dias com os Vandersols! Eu fiz tudo para evitar isso,
menos deixar o meu emprego. Eu tive crianças doentes, avós mortos,
nada disso era real. Eu acho que finalmente fiquei sem tragédias
pessoais. Desde que Claire começou a fazer progressos, eles queriam
conhecer a “assistente” que funcionava “tão bem” com ela. Isso de acordo
com Sra. Bali.

Estou prestes a ir para o meu turno, e Sra. Bali estará lá. Tenho
certeza que ela vai perguntar se eu estarei lá na quinta-feira. A verdade é
que eu fiquei sem maneiras de evitar Eu não quero que isso acabe.
Ultimamente, tenho ido além de mencionar o nome de Tony. Eu tenho
feito à lição de casa; à noite eu li meu livro e minhas anotações. Tentei
ouvir gravações de áudio de lembranças de Claire. Ao ouvir sua voz,
cheia de emoção, foi muito difícil; No entanto, a leitura tem ajudado a
refrescar a memória da vida de Claire.

Em seguida, no mês passado, sempre que estive sozinha, eu


compartilhei minha pesquisa. Eu já contei às histórias que ela me disse.
Comecei com boas lembranças, falando sobre seu casamento e lua de
mel. Ao longo do tempo, como eu falei, eu assisti a tensão deixar seu
corpo. Ela até começou a comer sozinha, contanto que eu fale. Se eu
parar, então ela faz. Eu não tenho nenhuma ideia de que resultado que
os médicos estão recebendo.

Depois de não gostar de reação inicial de Claire a este novo regime,


eu estava com medo dos Vandersol pararem o novo protocolo. Sra. Bali
dissera que quase o fizeram. Aparentemente, houve algum grande golpe
entre eles e o Dr. Fairfield. Ela disse que Claire “querer” ir para fora

~ 287 ~
comigo foi o pequeno raio de esperança que os convenceu a permitir que o
tratamento continuasse.

Eu não sei se eles estão vendo os mesmos resultados positivos


como eu estou. Ela vai para a terapia de quatro dias por semana, e eu
não tenho ideia o que eles fazem lá. Seja o que for, quando ela retorna,
ela está cansada. Tentei descobrir o que isso implica; no entanto, a
resposta que recebeu continuamente é, é uma “necessidade de saber” as
coisas. Eu sugeri que a fadiga afeta sua alimentação; Sabendo, pois, que
a ajudava. Às vezes eu esqueço o meu trabalho Descrição, assistentes
não devem questionar a política. Na longa história curta, eu ainda não sei
o que eles fazem.

Depois de quinta-feira, isso não importa.

Eu não sei se eu deveria ir para a reunião e deixar Emily me


chamar para fora, ou se eu deveria abandonar o navio. Não é nenhum
segredo, eu não quero parar. Bem, eu preciso ir. Como o clima continuou
a ficar bom, eu estou esperando para dar uma voltinha lá fora e tempo
para contar mais histórias Claire.

Meredith disse a Sra. Bali que ela estaria quinta-feira, para se


reunir com a família da Srta. Nichols. A mulher parecia que estava
prestes a estourar com alívio. No mês passado, no final de cada turno,
Meredith tinha que concluir uma avaliação do paciente. É uma forma
simples de computador perguntando o que ela fez e o que o paciente fez.
A Sra. Bali disse que o Vandersols e o Dr. Fairfield queriam discutir
algumas de suas entradas.

Meredith de repente desejou ter mantido uma cópia para si


mesma. Ela sabia que não tinha sido completamente próximo. Ela
também não havia preenchido os seus relatórios com falsas esperanças.
Tudo o que ela tinha relatado era verdade, menos os estímulos
anteriores.

Tentando manter o encontro iminente fora de seus pensamentos,


Meredith continuou com suas tarefas diárias. Depois de Claire terminar
o jantar, ela a ajudou com um casaco leve, e saíram para um passeio à
noite. Embora cada noite parecia mais fria do que a última, Claire não
parecia se importar. Enquanto percorriam os caminhos da instalação,
Meredith falou sobre as folhas mudando. Eles estavam apenas
começando a rodar com o início de tons dourados e vermelhos que se
infiltram na paisagem normalmente verde. O ar com cheiro de outono

~ 288 ~
enchia Meredith com lembranças da história de Claire. Era outono de
2010, quando tinham esbarrado em Chicago.

O encontro havia sido planejado. Os outros repórteres tinham


postado fotos de Claire e do Sr. Rawlings em Chicago. Mesmo que
Meredith morasse na Califórnia na época, ela não poderia deixar passar
a oportunidade de começar a história que todos queriam. Na época, ela
estava tão orgulhosa de usar a história de outra pessoa para continuar
a sua missão. Outro artigo dizia que o Sr. Rawlings foi visto no Trump
Tower com a misteriosa mulher, Claire Nichols. Foi pura sorte Claire
decidir tomar um café naquela noite. Meredith tinha estado escondida
com seu fotógrafo quando viu Claire aparecer, o resto é história.

Talvez tenha sido a preocupação de Meredith sobre o encontro


iminente que a levou a falar sem um filtro; qualquer que seja a causa,
ela fez. Imersa no outono iminente e sentindo a mão de Claire em seu
braço, Meredith sentiu a necessidade incessante de repetir o pedido de
desculpas que ela expressou a Claire anos na Califórnia. É claro, que o
tempo que foi combinado com o choque com as consequências de seus
atos. Hoje, foi mais sincero e pensado. Afinal, ele tinha sido
intencionado por anos. — Claire, eu sei que eu disse a você antes, mas
eu espero que você saiba o quanto estou triste sobre o seu acidente. Eu
sei que você amava Tony, mas o que aconteceu com você, por minha
causa, eu nunca posso me desculpar o suficiente, — ela não esperava
uma resposta. Era bom dizer isso em voz alta, e, honestamente, dizer a
alguém que pode ou não entender, mas não interromperia, foi
confortável — Como repórter eu não queria nada mais do que obter a
grande história. Não é nenhum segredo, você e Tony eram uma grande
notícia. Eu esperava usar nossa familiaridade e saber o que tinha sido
tão cuidadoso em não revelar — Lágrimas vieram para os olhos de
Meredith quando ela percebeu que o seu tempo com Claire estava
prestes a acabar. — Eu não tinha ideia de pôr que tinha sido tão
cuidadosa, e você não disse nada para mim, mas ter você ali, uma
imagem de nós, eu poderia usar as pistas para inferir o que você não
diria. Soluços irromperam de algum lugar, em algum lugar que não
existe em um verdadeiro endurecido repórter — Como alguém poderia
ter suspeitado o que você estivesse vivendo? Quero dizer, nunca
ninguém poderia saber o que estava acontecendo. Claire, ele fez coisas
tão terríveis. Eu não sei como você sobreviveu. Eu não sei por que você
sobreviveu; a maioria das pessoas não podia. Eu não acho que eu
poderia.

Estavam profundamente no caminho arborizado, e o sol poente


causando sombras a pairar em todas as direções. Removendo os óculos

~ 289 ~
escuros, Meredith limpou os olhos com a manga e implorou: — Espero
que um dia você possa me perdoar, como você o perdoou. Você não
pode fazer, — ela riu de si mesma-— Tenho certeza que não, mas a sua
capacidade de amar a ele depois de tudo isso, bem, tem sido inspirador.
Quero dizer, meu Deus Claire, o homem quase a matou!

— Pare.

Os pés de Meredith pararam de se mover pelo comando. Como se


na sugestão, assim como Claire. Inalando sua emoção, Meredith ficou
parada, sem saber se ela tinha imaginado uma palavra. Quando ela
ouviu apenas o som do farfalhar das folhas na brisa suave crepúsculo,
Meredith perguntou: — Você acabou de falar?

Ainda usando óculos escuros de Meredith, o rosto de Claire


estava abatido. Meredith não podia resistir. Ela tirou os óculos escuros
e ergueu o queixo da amiga, revelando lágrimas escorrendo pelo rosto
de Claire, transbordando os olhos desfocados. — Você falou, —
Meredith sussurrou. — Eu ouvi isso. Oh Deus! Claire me diga que eu
não apenas imaginei isso!

O silêncio cresceu. A cada segundo, cada minuto, a emoção de


Meredith diminuía. Ela estava tão chateada com a reunião e perder essa
conexão com Claire, ela deve ter imaginado a coisa toda. Finalmente,
ela chegou a seu bolso, pegou um lenço, e enxugou as lágrimas de
Claire. O céu estava agora mais perto de escuro do que a luz.
Certamente, alguém iria repreender Meredith por ter um paciente fora
passando do horário e escuro. Ela sorriu de novo, não importa, estou
sendo demitida em dois dias de qualquer maneira.

Aliviando a voz dela, Meredith continuou seu monólogo. O pedido


de desculpas foi feito, ela tinha conversa, porque, até que a demitisse
era o seu trabalho. — Vamos te levar de volta para seu quarto. Tenho
certeza de que não estarão muito felizes que eu a mantive aqui do lado
de fora até tão tarde.

Aguardando Claire se virar, ela continuou: — Eu tenho certeza


que vou ouvir falar dele.

Segurando o cotovelo de Claire, Meredith sentiu tremer. — Claire,


você está com frio? Sinto muito. Vamos te levar de volta. — Enquanto
Claire permaneceu firme, Meredith lembrou a noite do acidente de
Claire. Ela tinha saído para o lago, e ficou escuro. — Oh merda, eu
estou fazendo isso pior. Você está bem, ninguém vai ficar chateada com
você. Não se preocupe, não haverá quaisquer problemas em acidentes.

~ 290 ~
— Pare. — Sussurro de Claire era tão baixo que Meredith teve que
se esforçar para ouvir acima dos sons do país noite. Mantendo os olhos
baixos, Claire continuou, — eu vivi isso. Eu não quero ouvir isso. Eu
quero ouvir os bons tempos.

Foi contra o protocolo, mas que no inferno neste ponto, que mal
havia em quebrar outra regra com facilidade? Jogando a precaução ao
vento, Meredith colocou os braços ao redor de sua amiga de longa data
e chorou. Os soluços de antes, a angústia ao longo dos últimos seis
anos, o medo de perdê-la, tudo trabalho saiu.

Lentamente, os braços de Claire cercaram Meredith, e ela


sussurrou: — Shhh, eu sinto muito. Por favor, não chore.

O absurdo de Claire a consolar a atingiu duramente. As lágrimas


de Meredith se transformaram em risos.

*****

Na primeira, Claire pensou que ela estava imaginando. Então,


novamente, ela não tinha certeza de que era real. As visitas de Tony
estavam se tornando menos frequentes. A sala sem graça com uma
janela estava se tornando mais real, e ela não queria que ela fosse. Com
Tony, a vida estava cheia de cores de diferentes intensidades. Esta
realidade não era apenas incolor, ela estava sem vida. Ela ansiava por
mais tempo com ele e ansiava por seu toque; No entanto, dia após dia, o
quarto monótono e as pessoas que falaram nada preenchiam mais e
mais as suas horas.

Às vezes, ela se concentrava e via sua irmã. Era Emily, embora,


ela parecia muito mais velha. Então, novamente, assim como Claire. As
pessoas com rostos lisos e olhos incolores frequentemente penteou o
cabelo em um rabo de cavalo. Era o penteado de uma menina e Claire
não se sentia jovem. O reflexo que de viu focada no espelho não era um
olhar jovem. Por uma questão de fato, o cabelo dela estava errado.
Houve um tempo em que era loira, porque ele queria que fosse. Agora os
destaques não eram loiros, eles eram brancos. Como ela poderia ter
cabelos grisalhos? A última coisa que recordava era…

Isso foi tão difícil. Ela tentou se lembrar. Neste quarto, que eles a
levaram, pediram para olhar para as imagens. Às vezes, essas imagens
provocaria alguma coisa. Quando isso acontecia, ela tentava com todas

~ 291 ~
as forças para manter o vazio fora. Às vezes ela cobria os olhos ou
ouvidos.

Houve outras vezes em que lhe pediu para fazer tarefas simples
como pegar as coisas e colocar nos lugares certos. Eles não lhe
disseram o que era certo. Ela não sabia se era aceitável para perguntar,
por isso ela evitou as suas tarefas até que eles insistiram. Claire não
gostava de ouvir as pessoas a dizer o que fazer, especialmente se eles
soaram chateados. Finalmente, um dia, ela pegou os diversos itens e
colocou nos pequenos arquivos de sua mente. Em vez de a soltar da
sala, eles vieram com mais coisas para ela fazer.

A constante que Claire começou a antecipar era visitas de


Meredith. Foi só recentemente se deu conta de quem era à mulher.
Afinal, mesmo com ela dizendo o nome, o contexto era errado. Por que
Meredith Banks a alimentava? Em seguida, Claire percebeu não foi a
intenção de fazer sentido, ele apenas era, e Meredith fez o que ninguém
mais faria, ela falou sobre Tony.

Desde que suas visitas tinham diminuído, quando Claire tentou


pensar nele, sentia ondas de tristeza. Ele se foi. Ele tinha que ter ido
embora. Por que então ele não a visitaria por mais tempo? História de
momentos felizes que Meredith trouxe de volta. As lembranças eram
difíceis para lembrar sozinha. Lembranças de Meredith lhe deu sustento
que nenhum alimento podia. Ela repetia as palavras sobre a sua cabeça
e lembrava. Ela não podia sentir seu toque, como uma vez que ela
tinha, mas ela podia imaginar as cenas como Meredith falou.

Recentemente, tornou óbvio que as histórias fluíam mais


livremente fora. Quando entraram e estavam sozinhas, as histórias de
Meredith ganhou vida própria. Como ela passou cerca de jantares e
compromissos, Claire imaginou seu vestido e smoking de Tony. Quando
ela falou sobre viagens, a mente de Claire viu a neve de Tahoe ou as
águas azuis cristalinas de Fiji.

Havia algumas lembranças Claire não queria lembrar. Quando


Meredith mencionou os maus momentos e o Tony mau, ela tentou parar
as visões em sua mente. Ela não queria sentir o medo ressuscitado por
essas histórias.

Ela questionou a realidade de tudo, mas na vida ou fantasia,


Claire tinha prometido Tony ela manteria sua vida privada, privada. Foi
isso que fez Meredith seguro, pois ela já sabia de sua vida privada.
Claire tinha desobedecido Tony há muito tempo, ela não estava dizendo
a Meredith nada, não, Meredith estava dizendo a Claire, então ela

~ 292 ~
fundamentando, dizendo para parar era aceitável. Afinal, Tony não
gostaria de Meredith dizendo alguém essas histórias. Foi por isso que
Claire teve que a parar.

Ela não queria fazer Meredith chorar. Claire não queria ela ficasse
triste. Ela era a única pessoa disposta a ajudá-la a se lembrar. —
Shhh… Eu sinto muito, por favor, não chore.

De repente, Meredith riu.

Claire tinha certeza que ela estava tendo outra ilusão, não se
chora e depois ri. Talvez Claire não estivesse realmente em uma
caminhada com sua velha amiga. Talvez ela logo sentisse aquela dor
aguda muito familiar em seu braço. Sentando no chão, Claire esperou.
As pessoas vinham e então ela acordava em outro lugar. Fechando os
olhos, ela esperava quando a nitidez veio, Tony esperaria…

— Claire, você precisa levantar. Você vai ficar fria aqui na terra.
— A voz de Meredith tinha recuperado a compostura
momentaneamente perdida.

Claire olhou para cima, em seguida, para os lados. Onde estavam


as pessoas?

— Eu sei que você me ouviu. Você falou comigo. Não se preocupe


você não vai ter problemas, mas precisamos voltar. — Meredith
estendeu a mão. — Por favor, vamos voltar.

Claire ergueu-a sensação de sua mão em Meredith era real. Pelo


menos, Claire acreditava que era.

~ 293 ~
Você deve manter a sua convicção, mas estar
pronto para abandonar suas suposições.

- Denis Waitley

Capítulo trinta e um
Harry olhou para suas anotações e reviveu sua recente conversa
com o agente Jackson do escritório de campo de Boston. Jackson era
muito específico sobre Anthony Rawlings que estava cooperando com o
FBI e não seria apreendido neste momento. Quando Harry questionou o
atentado contra a sua própria vida e a ameaça à sua família, Jackson
lembrou que não havia provas de uma ligação com Rawlings.

Ele estava certo, não havia nenhuma ligação comprovada. Poderia


o ego de Harry dizer que ele queria Rawlings culpado, ao contrário, do
homem ser culpado? Talvez a surra no beco realizasse o oposto de sua
intenção. Desde que ocorreu, Harry estava mais focado e determinado a
encerrar o caso. Ele precisava de garantia de que todo mundo que
importava estava seguro. Surpreendentemente, essa lista de pessoas a
quem ele realmente se preocupava era mais elástica do que ele havia
imaginado. Harry tinha família que tinha estado lá para ele e os amigos
que ele poderia contar. Aquelas pessoas mereciam sua atenção.

Tudo ficou mais claro no outro dia, quando o vice-diretor permitiu


Harry falar com a Ilona. Embora ele quisesse ter certeza de sua
segurança, ele estava preparado para seu discurso. A chamada
progrediu de forma muito diferente do que tinha previsto.

— Ilona, você está bem?

— Harry?

— Ilona, eu sinto muito. Eu nunca imaginei que haveria uma


conexão minha com você. Pensei que fosse seguro.

— Eu sei… Ron sabe.

Harry não podia acreditar na determinação de Ilona. Se ao menos


ela tivesse sido tão forte quando eles eram casados; Então, novamente,

~ 294 ~
talvez a força viesse com o amor e o apoio de um cônjuge dedicado, algo
que ela tinha agora em Ron. — A Jillian está bem? — Perguntou.

— Ela está. — Ilona riu. — Ela acha que está de férias.

Harry sorriu.

— Faça o que você precisa fazer Harry. Eu não tenho nenhuma


ideia de quem você está atrás ou do que se trata, mas se há uma conexão
conosco, por favor, cuide dele.

— A ameaça foi concebida como um aviso para eu desistir.

A voz de Ilona tocou através do telefone do escritório de campo. —


Eu acho que te conheço melhor do que isso, pelo menos, eu espero. Você
pegue essa pessoa, seja quem for que está nos ameaçando. Eu sei que
você pode!

— Obrigado, Ilona. Eu esperava que você me desse uma bronca por


você ficar nisso.

— Você está atrasado poucos dias. Eu teria, mas eu tive tempo


para pensar. Alguém se sente muito ameaçado. Se não o fizessem, não
teriam de recorrer a este. Eu estou bem e Jillian vai esquecer estas férias
tão logo acabar.

Quando desligou, a indecisão que havia tido pairado como nuvens


ao redor de Harry desde que ele reentrou no caso evaporaram. Claire
estava onde queria estar, a sua mensagem, disse que sim. Houve um
tempo em que ele deixou que seus sentimentos pessoais ficassem no
caminho. Agora, era estritamente profissional. Claire Nichols era uma
informante e neta de um agente que tinha sido assassinado. Se o
escritório de Boston estava confiante em sua segurança, em seguida,
Harry concentraria seus talentos onde eles foram melhores utilizados,
interrogatório e investigação. Atualmente, com a sua capacidade de se
comunicar com Rawlings cortada, a pesquisa foi o seu modo de
funcionamento.

Harry olhou para suas descobertas recentes. Uma inspeção do


departamento de veículos de automóveis para o estado de Nova Jersey
encontrou mais de vinte e dois mil, Hondas azuis registrados em 1989.
A busca pode ser refinada consideravelmente se Harry pudesse entrar
um ano ou modelo para a Honda, ele não podia; No entanto, graças ao
telefonema de Claire, ele tinha um nome: Catherine Marie London.
Quando ele pesquisou o seu nome, ele achou o prêmio, Honda Preludio,

~ 295 ~
1987 registrado para Catherine Marie London. Uma análise mais
aprofundada do registo revelou a cor: azul.

Para seguir adiante na informação de Claire, Harry procurou


registros de casamento de New Jersey. Sua pesquisa veio em branco.
Pensando em algum lugar do Rawlings no Pacífico Sul, ele percebeu que
as pessoas podem ir a qualquer lugar e se casarem. Bancos de dados do
FBI não foram restringidos por estado ou país. Utilizando banco de
dados do departamento, Harry tentou novamente. Desta vez, ele bateu
pagamento sujeira para licença de casamento emitida pelo estado de
Nova York, 25 de fevereiro de 1988, para Nathaniel Rawls e Catherine
Marie London.

Harry se referiu a sua linha do tempo, Nathaniel Rawls foi


condenado sob a acusação de vários crimes de abuso de informação
privilegiada, desvio de fundos, a fixação de preços e fraude de títulos em
1987 e condenado há três anos em Camp Gabriels, uma prisão de
segurança mínima no estado de Nova York. A sentença de Nathaniel foi
reduzida para 24 meses, devido à superlotação das prisões. Fazia
sentido que ele e Catherine Marie London casassem em Nova York, na
prisão onde Nathaniel foi preso. Harry se perguntou por que Catherine
não tinha mantido o nome Rawls. Será que ela estava escondendo os
crimes de Nathaniel como Rawlings tinha feito com a sua mudança de
nome?

A pesquisa que ele começou em Nathaniel Rawls continuou a


gerar informações. A tela do seu computador sofreu um deslocamento
ininterrupto listando uma infinidade de ações cíveis. Digitalização das
generalidades, a maioria dos casos chamada Nathaniel Rawls como réu
e pediu a restituição financeira. Talvez esse tenha sido o raciocínio de
Catherine, distanciar das ramificações financeiras de crimes de
Nathaniel.

A título de curiosidade, Harry rolou a lista de autores. O nome


Rawls chamou sua atenção. Ele clicou: Samuel Rawls pretendia anular
o casamento de Nathaniel e Catherine Marie Rawls. A cabeça de Harry
girou. A denúncia foi protocolada junto ao tribunal estadual de Nova
York em Março de 1988, Harry esfregou as têmporas. Droga do Samuel
não perdeu muito tempo expressando sua desaprovação da nova esposa
do papai querido.

Parecia que a denúncia encontrou obstáculos substanciais até


Junho de 1989, menos de um mês após a morte de Nathaniel, quando o
caso foi de intimação para disposição em tempo recorde. Com base em
incompetência mental e influência indevida, a denúncia de Samuel Rawls

~ 296 ~
foi concedida, e o casamento de Nathaniel e Catherine Marie Rawls foi
anulado pelo estado de Nova York.

Harry sabia sem verificar que três meses depois Samuel e


Amanda Rawls foram encontrados mortos em seu bangalô alugado na
Califórnia. Ele também sabia que Patrick Chester era a única
testemunha de um tumulto no mesmo dia na casa do Rawls. No
primeiro interrogatório, Chester mencionou uma mulher, irmã de
Samuel e um Honda azul. Não é de admirar Amanda Rawls não estava
ansiosa para introduzir Chester para a mulher, sua madrasta que o
marido tinha acabado de anular o casamento. Uau, e Harry pensou que
sua vida familiar foi bagunçada!

Harry empurrou sua cadeira para trás e caminhou sobre a sala de


estar de seu apartamento. Como no inferno que a polícia de Santa
Monica não juntou essas peças? A prova balística sozinha deveria ter
enviado vermelhos sinalizadores de maldita, chamas! Um policial novato
deveria ter visto que não foi um assassinato / suicídio!

As perguntas de Harry continuaram o que fez Rawlings, além de


pagar Chester, para cobrir tudo isso? Por quê? Por que ele ajudaria a
mulher que matou seus pais, a menos que ele estava envolvido em seu
assassinato? Isso pode ser circunstancial, mas criou uma conexão e uma
razão pela qual Catherine gostaria de Amanda e Samuel mortos. Havia
uma razão para que Rawlings quisesse os ver mortos?

Pegando o telefone, Harry chamou agente Jackson. Após uma


série de empurrões e pedidos de botões, sua chamada foi finalmente
respondida.

— Agente Jackson, este é o agente Baldwin de San Francisco.

— Baldwin?

— Eu acredito que eu tenho informações importantes no caso


Rawlings.

— Você está bem o suficiente para viajar Agente?

— Sim, senhor, eu estou.

— Vamos te ver em Boston, amanhã.

Harry soltou o ar. — Obrigado, senhor. Eu estarei lá.

Seus olhos azuis brilhavam de emoção. Viajar através dos campos


era um inferno de muito melhor do que estar sentado em seu

~ 297 ~
apartamento. Talvez, apenas talvez, havia mais de tudo isso. Harry não
conseguia afastar o pensamento de que de alguma forma Rawlings ainda
estava envolvido; No entanto, Catherine London foi à razão que a Claire
fugiu ela era a pessoa que assustou Claire para sair do país, sua família,
amigos, mesmo correndo o risco de manchar a reputação e a empresa
Rawlings no processo. Claire não teria feito isso se a ameaça não era
real. Agora, Rawlings estava cooperando com o FBI. Quão fundo isso ia?
Será que Rawlings tem informações sobre Sherman Nichols ou
assassinato de Nathaniel? Harry queria saber o que havia dito Rawlings
ao agente Jackson.

Ele partilharia a sua informação, então Jackson poderia


compartilhar a sua; compensação.

Reunindo suas pesquisas, Harry fez uma lista mental. Ele


precisava ligar para o SAC Williams e deixar saber que ele estava indo
para Boston, e desde que ele foi proibido de viajar, ele precisava ter
certeza de enfatizar esta viagem foi a pedido do agente Jackson.
Enquanto Harry esperou que o computador concluísse a execução de
um backup, ele pegou seu celular e mandou uma mensagem.

— Para sua informação… Deixarei o apartamento de manhã,


tenho que resolver negócios.

Ele digitou os nomes Amber e Liz e clicou em enviar.

Com uma última busca no computador, Harry entrou o atual


nome completo de Catherine, Catherine Marie London. Muito pouca
informação veio à tona, nem mesmo uma referência a um único esposo
tempo ou seu sobrenome. Quando estava prestes a sair da pesquisa,
algo chamou sua atenção:

Executora da propriedade de Anthony Rawlings, eficaz: 18


Setembros, 2013-14 dias após o desaparecimento de…

O pequeno artigo descreveu o funcionamento eficiente e não


afetado do espólio de Rawlings, devido, em essência, à capacidade de
Sra. London para supervisionar operações do dia a dia. Foi um pequeno
artigo contrariando um sobre as ramificações do desaparecimento
Anthony Rawlings em relação à Rawlings Industries.

Hmmm… talvez Harry deva visitar Iowa City? Será que ele quer ver
o local da casa de Rawlings o lugar que Claire viveu e foi mantida em
cativeiro e voltou? Ele deu de ombros o passado foi o que foi. Fechar este
caso foi a sua prioridade número um. Primeiro, ele ia ver como as coisas

~ 298 ~
iriam, em Boston; em seguida, ele consideraria Iowa uma possibilidade
concreta.

Seu celular vibrou. Olhando para a tela, ele viu que tinha duas
mensagens de texto. A primeira foi de Amber:

— NOVAS INFORMAÇÕES? O QUÊ? AONDE VOCÊ VAI?

Harry balançou a cabeça e respondeu.

— TE AMO MANINHA. EU VOU DEIXAR VOCÊ SABER QUANDO


EU VOLTAR.

A segunda mensagem de texto era de Liz:

— AMANHÃ DE MANHÃ? ISSO SIGNIFICA QUE VOCÊ ESTÁ


AINDA NA CIDADE HOJE À NOITE? COINCIDÊNCIA, EU TAMBÉM
ESTOU!

Ele sorriu eles haviam passado por muita coisa, mas, finalmente,
Liz parecia entender todo o trabalho e separação na vida pessoal, e
talvez, apenas talvez, ele estava começando a entender o que significava
ter aquela pessoa especial em sua vida alguém que o apoiava, não
importa o quê. Harry respondeu.

— O SEU APARTAMENTO? ESTOU DOENTE COM ESSAS


QUATRO PAREDES!

*****

Phil estava grato Rawlings tinha projetos para ele para pesquisar.
Sophia Burke continuou a ser monótona. Honestamente, Phil sentiu
que sua atribuição acabaria em breve. A Sra. London não tinha
compartilhado seu raciocínio para o seu reconhecimento; No entanto,
com a informação de Rawlings, não foi difícil juntar as peças do quebra-
cabeça.

A Sra. London pediu para conhecer os hábitos e horários de


Sophia. Uma vez que ela sabia, ela propositadamente interligava suas
vidas. De repente, a rotina do Sra. de London incluía almoço em uma
lanchonete perto da Universidade de Iowa, visitas a galerias de arte em
Quad Cities, e frequentando museus de arte em Cedar Rapids. Em cada
encontro, as mulheres apareceram mais à vontade.

~ 299 ~
Phil não tinha nenhuma razão para acreditar que a Sra. London
havia revelado sua verdadeira identidade para Sophia. Ela não tinha
compartilhado com ela se quer; No entanto, seu trabalho era ajudar a
organizar suas reuniões coincidentes.

Embora a Rawlings tivesse internet, o salto através de servidores,


redes privadas e contas em cascas desacelerou consideravelmente. Era
muito mais fácil para Phil para fazer a navegação na internet para ele.
Projeto atual de Phil era Nathaniel Rawls. Ele sabia que a informação
básica de Rawls a partir de pesquisa de Claire, e de Rawlings, ele
descobriu Nathaniel era casado com a Senhora London, quando ele
morreu na prisão. Inúmeras reportagens discutiram a morte de
Nathaniel por causas naturais um ataque cardíaco, apenas dois meses
antes de sua libertação. Rawlings queria saber mais sobre registros
médicos-especialmente enquanto Nathaniel estava na prisão. Sua
pergunta foi em relação ao processo civil atribuído a Samuel Rawls. O
caso alegou incompetência mental e influência indevida e resultou na
anulação com sucesso do casamento de Nathaniel e Catherine London.

Rawlings admitiu que nunca viu seu avô como sendo


mentalmente incompetente. Ele queria saber se havia alguma evidência
que ajudou o tribunal em sua decisão. Para Phil parecia irrelevante, o
homem foi morto, o casamento foi anulado. Que de bom seria fazer
agora para saber se ele estava ou não fora de si?

Então, Phil entrava em outra galeria, via latas coladas com tinta
espirrada sobre ele, e lembrava a pesquisa! Infiltrando os registros de
uma penitenciária estadual, bem como os sistemas de tribunais
estaduais e federais foi muito mais divertido do que decifrar arte.

Phil enviou suas últimas descobertas:

Para: ARA

De: PR

Re: Pesquisa

Data: 25 de novembro de 2013

Nathaniel Rawls registros médicos são indicativos de pessoa com


doença cardíaca: história de hipertensão arterial, colesterol elevado,
depressão, deficiência de vitamina B12, e dependência da nicotina.
Nathaniel tomou vários medicamentos para pressão arterial elevada,
um remédio para o colesterol, e uma medicação antiansiedade. De
acordo com os registros, ele fumou metade de um maço de cigarros por

~ 300 ~
dia até que ele morresse. Eu não estou bem versado sobre os
medicamentos, mas posso enviar a lista, se quiser.

Registros indicam que Samuel Rawls foi listado como procuração


médica. Não parece que isso mudou depois que Nathaniel e Catherine
se casaram. Isso é estranho?

Não houve casos específicos de instabilidade mentais listadas nos


registros que eu acessei até agora. Vou continuar a escavar, bem como
acessar os registros do tribunal para justificar o seu veredito.

Vigilância nada de novo, Sra. Burke e Sra. London parecem estar


se tornando mais amigável. Elas já começaram a se reunir para almoçar
uma vez por semana.

PR

Phil releu o e-mail. Ele não podia deixar de sorrir para a ARA. Era
a sua maneira de dizer o segredo a Anthony Rawlings Alexander. Tendo
qualquer coisa privada com Claire, Phil fez sorrir. Ele se perguntou
como ela estava, se ela e o bebê estavam bem. Ele não se sentia no
direito de pedir, mas se a Sra. London terminasse esta missão ridícula,
Phil sabia que ele tomaria um longo voo de volta ao paraíso.

~ 301 ~
O tempo passa tão rápido… a mudança
acontece ao nosso redor todos os dias, quer queiramos
ou não. Aproveite o momento, enquanto você pode um
dia ele vai ser apenas mais uma memória.
-Desconhecido

Capítulo trinta e dois


Os dias se passaram. O sol nasceu brilhante e amarelo no Oriente
e definido como uma bola de fogo laranja no Ocidente. Como sua
candura cresceu, assim como a força de seu vínculo. O mundo estava
presente, eles poderiam ver ou ler sobre isso, mas eles estavam
separados e seguros. A oferta de Tony para cooperar com o FBI em
troca de um alívio de um ano recebeu a aprovação do Agente Jackson,
assim como quem precisava assinar de cima. As estipulações da
agência eram claras, Tony deveria permanecer fora dos Estados Unidos,
ficar em contato com o escritório de alguém, e não entrar em contato
com sua vida passada. Havia muito poucas pessoas que sabiam que
Anthony Rawlings estava realmente em um estranho estado de
proteção/status fugitivo testemunha. Para o mundo, ele estava
simplesmente, desaparecido.

O agente Jackson prometeu a Tony clemência em relação a


possível condenação e tratamento preferencial em relação ao sistema
judicial, desde que ele cooperasse plenamente; ele concordou. Antes de
Tony permitir ao FBI para falar com Claire e receber sua ajuda, ele
garantiu sua promessa de imunidade total. Tony não queria qualquer
possibilidade de sua esposa ser acusada de cumplicidade com um
fugitivo. Eles concordaram. Durante o curso de várias curtas,
chamadas não rastreáveis, Claire revelou tudo o que sabia em primeira
mão e através de Tony. Quando o FBI solicitou o seu testemunho contra
Catherine, se o caso fosse para ir a tribunal, Claire respondeu: — Não
há nada que possa me manter afastada de seu julgamento. Eu quero
ver a cara dela quando ela for condenada. Quando ela for para a prisão
como eu estava eu quero que ela lembre que eu ajudei a colocar lá!

Ambos expuseram suas cartas e revelaram tudo o que podiam,


exceto uma. Eles ainda tinham uma carta na manga eles tinham Phil.
Seus e-mails diariamente, bem como fotos, e uma chamada ocasional.
Ele tinha plena consciência do negócio de Tony, a imunidade de Claire,

~ 302 ~
e que a sua comunicação e assistência estava sob o radar do FBI. Seu
contato pode ser considerado uma violação de acordo com FBI.

Os recém-casados de novo Rawlings sabiam que seu tempo juntos


era limitado. No grande esquema da vida, um ano foi um tempo tão
curto. Cada dia, cada hora, que prometeu fazer melhor do que o
anterior. Revelações vieram e discussões se seguiram. Claire já não
temia que Tony a deixasse cada vez que ele levou o barco para longe de
sua ilha. Ela argumentou que suas expedições eram como ela andava
nos seus bosques durante a sua vida passada. Naquela época, ela
precisava de um tempo longe da propriedade; acalmava, curava, e
reforçava. Claire disse uma vez que ela sobreviveu aos primeiros tempos
na propriedade de Tony por causa de Catherine. Já não se sentia assim;
no entanto, quando ela se lembrava de suas caminhadas e seu lago,
Claire sabia que aqueles tempos eram de valor inestimável. Tony foi
para a cidade, explorava outras ilhas, mergulhava em recifes próximos,
e sempre voltava. Ele pode não ter reconhecido a importância de suas
excursões, mas cada vez que ele retornava com seus olhos suaves como
camurça era uma subida em sua etapa. Claire sabia.

Ela, por outro lado, não tinha vontade de sair da ilha. A menos
que ela tivesse uma consulta com o médico, Claire preferiu ficar perto
de casa. Sendo no hemisfério sul, se aproximava a época mais quente
do ano. Se Claire não mantivesse os pés elevados, os tornozelos e os pés
inchavam. A piscina de borda infinita que lhe permitiu flutuar e ficar
fresca. Madeline a adorava constantemente, incentivando a comer
pequenas refeições e começar a abundância de líquidos. A casa era
casulo de Claire. Ela sabia que se eles ficassem lá, eles permaneceriam
seguros.

Em seu terceiro trimestre, para dormir à noite teve seus


problemas, por isso muitas vezes, as atividades do dia se
transformaram em um cochilo. Ela teria banhos de sol ou de leitura, e a
próxima coisa que ela sabia, ela estava acordando. O dia bem cedo foi a
sua época favorita para o sol antes de se tornar muito intenso. Com seu
iPad em mãos, ela começa a cada dia lendo as notícias do outro lado do
mundo. Às vezes, ele prendeu a atenção, e outras vezes ela colocava a
face do iPad para baixo e ser embalado em um estado de paz, sem
sonhos em que seus sentidos preenchidos com o calor do sol em sua

~ 303 ~
pele, persistente aroma de colônia misturada com ela recentemente
aplicava protetor solar, e o barulho onipresente da rebentação.

Claire estava em tal estado, quando, sem aviso, grandes mãos


acariciavam seus tornozelos e mudou sensualmente em direção a suas
coxas. Ela não estava mais à beira do sono. Seu mundo foi aceso como
as pontas de seus lábios viraram em um sorriso e arrepios se
materializaram.

Abrindo os olhos de descanso, por trás de seus óculos de sol, e


com foco no rosto bonito antes dela, Claire viu sorriso diabólico do
marido. Era um sorriso de luxúria e prazer, aquele que, com apenas um
olhar, poderia derreter não só suas entranhas, mas seu mundo. Seus
olhos, também, estavam cobertos por óculos escuros, mas como seus
lábios sorridentes se aproximava dela e seu sorriso de bom grado
mudou para um franzir, ela ansiava pela intensidade invisível
esperando por ela por trás que do vidro escuro.

Estendendo a mão, Claire levantou a barreira escura. Os olhos de


Tony foram as janelas para a alma. Ela adorava ler suas emoções,
especialmente quando o desejo era parte do mix. Em resposta, Tony,
lenta e deliberadamente, tirou os óculos escuros e seus olhos se
encontraram. Houve um momento em que ela pensou em falar, mas foi
de curta duração, muito mais poderia ser dito sem palavras.

Naquela manhã, quando Claire acordou, Tony tinha ido embora.


Madeline disse que ele tinha ido para fora no barco. Agora, depois de
apenas algumas horas de intervalo, Claire percebeu que seu reencontro
seria mais do que um simples:

Oi, como você esta hoje?

Era verdade, seu corpo tinha sido completamente satisfeito e


usado na noite anterior; no entanto, ele ansiava por aquilo que foi
silenciosamente sendo oferecido. Quando seus lábios cheios e macios
envolvidos nos dela, a paixão da noite anterior voltou como uma
vingança. Apenas momentos antes, seus pulmões inalavam sem saber,
Ainda como confirmar um gemido escapou de seus lábios, respiração
requer que pensamento. Talvez não fosse pensado, foi o sincronismo.
Inalar era necessário para ocorrer em uníssono. Se isso não aconteceu,
a sua abordagem inflexível iria roubar do corpo o oxigênio necessário
para ir em frente. Com seu maiô cobrindo seus seios, doía no atrito do
seu peito, Claire decidiu que a respiração era superestimada. Ela queria
que o calor que estava ultrapassando tudo e ser consumida pelo fogo

~ 304 ~
latente nos escuros olhos penetrantes. Se no processo ela se esqueceu
de respirar, isso realmente importa?

Com as portas da sua suíte abertas para o mar azul cristalino,


seu quarto foi apenas um pouco mais privado do que a varanda; no
entanto, foi era seu quarto. Madeline e Francis respeitavam sua
privacidade. O maiô de Claire caiu no chão, ela percebeu que eles ainda
não falavam, e ainda que eles conversassem mais do que alguns casais
fez na vida. Eles haviam recebido um ao outro, discutiram as gentilezas
da manhã tropical, e avaliou que cada um estava fazendo bem.

Deitado no edredom macio com os braços acima de sua cabeça, o


homem que ela amava fitando apenas ela, e o grande ventilador de teto
metodicamente movendo o ar úmido, o mundo de Claire estava certo.
Ela tinha planejado que sua manhã tomaria esse rumo? Não. Ela estava
disposta? Sem dúvida.

As grandes mãos talentosas que reivindicam seu corpo e também


tinham sua alma. Enquanto sua abordagem pode às vezes ser forte
sempre foi gentil. Claire voluntariamente se entregou como ela fez mil
vezes, aos caprichos e desejos do homem em cima dela. Sem palavras,
ele poderia manipular e dominar e mover de um estado de sono bem
aventurado aos espasmos de desejo erótico. À semelhança de anos
atrás, os olhos escuros mostrava a paixão e emoção que permitiu o seu
mundo girar. Porque ele quis que fosse assim, o mundo estava certo.

Seu passado foi significativo, ainda insignificante. Anos atrás,


Tony tinha dito a Claire para não falar sobre o passado. Ele disse que
tinha um futuro e eles precisavam olhar para frente; No entanto, para
ela avisar, no primeiro mês de seu novo casamento foi gasto
principalmente no passado. Ela não pediu para conhecer a verdade ela
exigia.

Quando Claire era jovem, sua avó lhe disse para ter cuidado com
o que ela desejava. Sem dúvida, Tony e sua avó estavam corretos.
Houve momentos em que ela desejava a ignorância, os tempos que ela
queria não saber tudo o que ele disse a ela; No entanto, ela sabia e em
saber ela queria colocar tudo isso para trás. Claire queria olhar em
frente para um futuro com o homem fazendo amor com ela, seduzindo e
cumprindo cada desejo seu. Ela sabia por experiência própria que a

~ 305 ~
vida com ele poderia ser difícil, mas, sem ele, todo o planeta poderia
sair do controle, perdido para sempre nas profundezas mais obscuras
do universo.

Claire fechou os olhos e concentrou em seus dedos talentosos


como eles acariciavam sua pele. Começando na nuca, eles arrastaram
levemente para baixo de seu corpo. Incontrolavelmente, Claire ouviu a
própria voz, realmente nada mais do que uma respiração irregular
cercado por um gemido quando suas costas arqueadas, empurrando o
peito em direção ao seu toque, querendo, precisando de mais.

Ele zombou de seus seios sensíveis, ajustados pela amamentação.


Embora ela quisesse o júbilo para a última, é preciso tão pouco para
impulsionar Claire para a beira do êxtase. Às vezes, algo tão simples
como um sopro de ar deliberada em um tenso, mamilo molhado
instantaneamente liquefeito suas vísceras removidas e raciocínio de
seus pensamentos. Provocar a ponto de mendicância, ainda satisfazer
todo desejo era a especialidade de seu marido. Apesar do jeito que ela
havia mudado a maneira como seu corpo tinha mudado, ela se sentiu
querida e sexy. Ele habilmente acariciou e chupou enquanto se movia
para o sul sobre sua cintura alargada, seu bebê, sua bebê, nosso bebê.
Sua presença só intensificou sua união.

Como seu pequeno cresceu, a criatividade tornou uma


necessidade. O que foi que eles disseram? A necessidade foi a mãe da
invenção. Quando ambos estavam satisfeitos, Claire aninhava sua
bochecha contra o peito de Tony, e ele quebrava o silêncio. Em vez de
ouvir suas palavras, ela gostou da repercussão de sua voz rouca
enquanto estupidamente contemplava a sua próxima invenção.

Alguns momentos depois, Tony inclinou o rosto de Claire em sua


direção, levantando o queixo com um dedo e repetiu: — Eu acredito que
eu disse bom dia, senhora Rawlings.

— Mm mm, — ela murmurou. — Com certeza é, Sr. Rawlings.

Tony deslizou até a cabeceira da cama, com o braço em torno do


ombro nu de Claire. Sua voz transbordava de emoção. — Eu encontrei
uma ilha próxima. Não é grande, e é desabitada. Estive lá algumas
vezes. Antes que eu encontrasse você na piscina, perguntei a Madeline
para nos embalar um almoço para que eu pudesse te levar lá.

Sorriso satisfeito de Claire desapareceu, e seu corpo enrijeceu. —


Eu não sei.

— Você precisa sair dessa ilha além das consultas médicas.

~ 306 ~
— Por quê? — ela perguntou. — Eu posso pedir o que eu quiser.
Francis vai buscar e traz aqui. — Ela colocou o nariz perto de seu
pescoço e inalou. — Eu tenho o seu perfume. — Claire sorriu quando
seus lábios tocaram o local abaixo da orelha, e seu famoso rugido
encheu seus ouvidos. — Não é como se nós podemos ir visitar amigos.
Não há nenhuma razão para sair.

Parando seus beijos, ele disse, — Eu tenho uma.

— Oh, você tem? E o que seria isso?

— Eu disse que sim, — respondeu ele, satisfeito.

Claire saiu da cama e balançou a cabeça de um lado para o outro.


— Desculpe querido, que isso não funciona mais. — Com o lençol
enrolado em seu corpo curvilíneo, ela deu um passo em direção ao
banheiro e perguntou: — Você gostaria de se juntar a mim para uma
ducha fria?

Talvez fosse porque ela tinha o lençol ou talvez porque não era tão
grande à distância, mas como ele ficou rapidamente fora de sua cama e
graciosamente se aproximou dela; Claire não podia olhar para longe de
seu corpo lindo. Totalmente nu, ele a alcançou, em apenas alguns
passos. Quando Claire lembrou se concentrar em seu rosto, ela
encontrou uma expressão que ela não esperava.

Antes que pudesse registrar, ele agarrou seus ombros e olhou em


seus olhos. Em sua voz, Claire ouviu a determinação e viu a escuridão
que ela sentiu em seu alcance. — Eu percebo as nossas opções são
limitadas; no entanto, eu não vou permitir que você fique isolada ou
presa de novo por qualquer pessoa. Para o registro, que inclui você.

— Tony, isso é ridículo. Eu não estou me prendendo. Me sinto


confortável e feliz. Há uma diferença.

Ele exalou, ergueu o queixo e falou devagar e deliberadamente. —


Eu adoraria me juntar a você para essa festa. Eu adoraria ajudar a
reaplicar o protetor solar, e — suas palavras foram controladas, não
altas ou duras, ou abertas para debate— Eu sei que você não gostaria
de decepcionar Madeline… ou eu; portanto, após o banho, você e eu
vamos para a pequena ilha que eu encontrei, e nós estamos almoçando.

O polegar e o dedo continuaram a manter o queixo preso. A


inclinação forçada de sua cabeça não era necessária; Claire não
desviava o olhar, mesmo se pudesse. Ela sabia que seu tom de voz e viu

~ 307 ~
sua contenção. Ela também sabia que ele estava fazendo o que ele tinha
tentado controlar um mundo que era incontrolável.

Enquanto contemplava a resposta dela, ele falou. — Você quer


discutir mais isso?

Depois de um silêncio prolongado, os olhos verdes começaram a


brilhar. Ela não falou, mas pelo amolecimento do seu olhar, ela sabia
que ele estava ouvindo. Por fim, ela disse: — Tudo bem, eu não vou
discutir isso, mas se nós vamos sair sem Francis, eu quero conduzir o
barco.

Tony lançou seu queixo e encheu o quarto com sua risada.


Escovando os lábios nos dela, ele respondeu: — Oh, minha querida, por
cima do meu cadáver!

Claire não sabia por que ela estava tão hesitante. A água era
bonita, brilhante e cintilante em todas as direções. Cada viagem que ela
tinha tomado tinha sido a cidade. Ilha de Tony foi à direção oposta, com
todos os novos locais. Ao passarem ilha após ilha, Claire perguntou
como alguém poderia saber que direção eles estavam viajando ou onde
eles estavam.

Tony explicou os instrumentos que ele só recentemente aprendera


a ler. Eles tinham uma bússola, um localizador de profundidade, e um
mapa virtual com uma grade de coordenadas. Eles também tiveram
seus telefones celulares e rádios de duas vias se precisassem de ajuda.
Quando as ilhas vieram juntas e em linha reta e estreitaram, Tony
mostrou a Claire como o localizador de profundidade indicada posição
correta do barco. Correndo em rochas submersas pode ser tão
prejudicial como bater uma das falésias de água acima.

Enquanto eles ainda estavam longe, Tony apontou em direção ao


Ocidente. Claire seguiu sua mão. A visão tirou o fôlego. A ilha que tinha
descoberto era linda, no Pacífico Sul ilha deserta perfeita longe das
numerosas ilhas que tinham acabado de passar. Não demorou um
localizador de profundidade para dizer que a água tornou mais rasa
mais perto de seu destino. O mar iluminava com anéis de turquesa,
uma vez que cercou a praia de areia branca. Além da costa havia
palmeiras e outras plantas exuberantes. Quando se aproximaram da

~ 308 ~
ilha, flores coloridas espalhavam no terreno. Quando Tony finalmente
ancorou o barco ao largo da costa, Claire foi igualmente animada para
ver esta nova terra.

De mãos dadas, eles caminharam na areia fofa como Tony


mostrou a Claire tudo o que ele já tinha descoberto. Ela adorava o som
de sua voz. Nunca poderia imaginar Anthony Rawlings tão animado
sobre algo como uma cachoeira de água doce escondida. Sob o dossel
da vegetação, comeram a refeição preparada por Madeline e ouviram a
suave brisa através das palmeiras. Ajudando Claire até a areia fresca e
sombreada, Tony insistiu que ela descansasse.

Com sua cabeça no peito dele, ela caiu entre sua realidade e um
mundo de sonho. Foi durante um desses estados em que Claire
percebeu que eram os mesmos. Por um curto período de tempo, eles
tinham o sonho. Como ela demorava entre vigília e sono, o doce aroma
de flores encheu seus sentidos e ela timidamente abriu os olhos.
Laranja, amarelo e vermelho encheram sua visão. O buquê mais
colorido das flores que já tinha visto estava bem na frente dela.

— Oh, Tony! Elas são lindas!

Os tons exuberantes de flores coloridas verdes e brilhantes


fizeram um colorido mundo de Claire, tanto quanto os olhos castanhos
de chocolate sorrindo para ela.

— Não tão bonitas quanto você.

— Estou feliz que você me convenceu a vir para cá. É incrível.

Ele a ajudou a ficar de pé e caminharam em direção à costa. A


maré tinha vindo a fazer a estreita praia e o barco mais longe.

— Quanto tempo eu dormi?

Tony deu de ombros. — Eu não sei. Você teve tantos problemas


para dormir à noite ultimamente; Eu queria deixar você descansar,
enquanto você pode.

— Se esperarmos em seguida, a maré vai voltar para fora.

— E o sol irá se pôr. Eu não quero tentar nos levar de volta no


escuro.

Claire sorriu. — Você poderia me deixar dirigir. Eu tive uma


soneca.

~ 309 ~
— Minha querida, você poderia dormir por horas, e eu não estou
desistindo do leme.

— Então, nós estamos nadando para ele?

Claire viu as rodas girando na cabeça de Tony. Ele estava


trabalhando fora os cenários possíveis em sua mente. Para ela, era
simples que ambos eram bons nadadores.

Quando Claire começou a tirar seu vestido de verão e expor seu


maiô, Tony pegou a mão dela, parando seu movimento. — Não, eu vou
nadar para o barco, e trazer de volta para mais perto.

Se ela não estivesse grávida, Claire diria não; no entanto, ela


obviamente estava. Envolvendo seus braços ao redor de sua cintura, ela
levantou na ponta dos pés e beijou seus lábios. — Seja cuidadoso.

Tony prometeu como ele derramou sua camisa, beijou uma


última vez, e entrou no mar. Claire observava nervosamente enquanto
ele mergulhou sob a água cristalina. Foi então às palavras de Madeline
voltou para ela, tranquilizando a escuridão versos luz. O sol ainda
estava brilhante. Analisando o cenário panorâmico, Claire foi capaz de
ver sob a superfície da água calma clara. — É seguro, — disse ela em
voz alta, para ninguém em particular, como as batidas familiares em
sua cabeça e novo aperto em sua cintura gritou seu aviso.

Abaixando para a areia, Claire respirou fundo e procurou o


horizonte pelo seu marido. A cada minuto que passava, sua figura
tornou cada vez menor. Foi então que ela percebeu, não só foi à maré
que entra, mas o barco estava à deriva para fora. Poderia a crescente
onda ter levantado à âncora?

Os rádios e os telefones estavam no barco. Ela voltou para seus


pés. O barco estava já no limite do círculo azul-turquesa. Além disso, o
anel, as águas se aprofundaram. Regulando seu passo em uma faixa na
areia, Claire falou tranquilizando seu filho, — Vai ficar tudo bem. Seu
pai é um bom nadador. Ele pode fazer isso. Ele pode nos salvar.

Foram suas palavras à intenção de confortar a pequena vida


dentro dela ou para a consolar? Claire não sabia. Ela queria gritar o
nome dele, chamar de volta, o ter ao lado dela, mas ela sabia que ele
nunca iria ouvir. Ela poderia gritar até ficar rouca, mas ninguém podia
ouvir.

O sol afundou mais, e Claire se recusou a se mover. Às vezes, ela


imaginava que ela viu o barco vindo em sua direção, e então ela pisca e

~ 310 ~
ele teria ido. Sua mente ficou em todas as direções: Será que ela poderia
sobreviver? Será que alguém a encontraria? Tony estaria ainda
nadando? Quanto tempo tinha passado?

~ 311 ~
Nós sempre mantivemos a esperança, a crença,
a convicção de que há uma vida melhor, um mundo
melhor, para além do horizonte.
- Franklin D. Roosevelt

Capítulo trinta e três


Sophia esperou dentro do restaurante no centro de Iowa City,
tremendo dentro do casaco de lã grossa. Crescendo na costa leste, ela
não estava acostumada ao frio; no entanto, havia algo excessivamente
amargo sobre o vento Iowa de Dezembro. Enquanto ela o observava os
flocos de neve faziam redemoinho no ar além das janelas, ela enterrou
as mãos mais profundas para os bolsos de seu casaco. Os céus
cinzentos não estavam produzindo neve o suficiente para cobrir o chão
monótono, apenas o suficiente para agravar seu estado de espírito. A
experiência lhe disse que Dezembro foi apenas o começo do frio
miserável. Iowa pioraria antes que ele ficasse ainda melhor. Eu desejava
que nós estivéssemos de volta na Califórnia. Mesmo Sophia ficou
surpresa com o pensamento. Ela nunca teria imaginado, considerando
a Costa Oeste como casa.

Endireitando o pescoço dela, Sophia incentivava a si mesma, se


eu posso ter esses pensamentos sobre o Santa Clara, talvez um dia eu
vá ser capaz de considerar esta casa. Era um pensamento mais
positivo, mas ela estava tentando. Afinal, as coisas estavam indo muito
bem para Derek.

Ele amava o seu novo trabalho, mesmo com os desafios


enfrentados pela Rawlings Industries. Todas as noites, quando ele
voltava para casa para sua nova casa, Sophia viu o orgulho nos olhos
do marido. Ela sabia que ele era um trabalhador, ainda a ser escolhido
por Anthony Rawlings, mesmo sob tais circunstâncias estranhas, Derek
considerava seu dever nobre de ajudar esta empresa se manter à tona.

Timothy Benson teve um interesse pessoal em Derek. Sophia


pensou que era engraçado como Tim e Derek estavam tão próximos em
idade, enquanto muitos dos outros que ela conheceu na sede da
Rawlings eram mais velhos, provavelmente mais perto de idade Sr.
Rawlings. Tim tinha formando sua equipe pessoal de consultores,
homens e mulheres com novas ideias prontas para assumir os desafios

~ 312 ~
de uma fortuna de 500, o conglomerado multibilionário lutando. Ele
queria isso e pessoas dispostas a enfrentar as câmeras, a imprensa e os
conselhos de diretores, pessoas que quando confrontados,
permaneciam firmes na crença de que Rawlings Industries vai
sobreviver. Era provável que muito em breve, a SEC, Securities and
Exchange Commission, investigaria a Rawlings Industries. Muitas
vezes, irregularidades pessoais por empresários de alto escalão
traduzidos para o delito profissional. Tim foi determinado que Rawlings
Industries fosse fazer através de tal investigação. No processo, ele
declarou que não só todas as divisões seriam transparentes, mas sem
defeito. O fundador e CEO pode estar desaparecido, e pode haver
alegações contínuas sobre as questões de sua vida pessoal; no entanto,
a empresa que Anthony Rawlings começou do nada, era firme.

A irmã de Claire Nichols e o cunhado continuavam a causar a


Rawlings Industries dores de cabeça. Toda uma divisão da equipe
jurídica do Rawlings, a quem Derek explicou deve se concentrar em
assuntos da empresa, foi totalmente dedicado ao Anthony Rawlings
questões jurídicas pessoais. Até o momento, eles conseguiram parar a
produção de memórias Claire Nichols, mas Derek disse que eles
provavelmente não poderiam ser adiada por muito mais tempo.
Aparentemente, era uma tática de publicação de equipe da Rawlings.
Tradicionalmente, os livros lançados perto das férias não saem bem nas
vendas. Sabendo que, eventualmente, perderia a guerra, o plano do
departamento jurídico era continuar a luta até que num momento em
que o lançamento seria, teoricamente, menos bem-sucedido.

Neste caso, Sophia questionou suas táticas. Como artista, ela


sabia que a publicidade era publicidade. A exposição adicional de
memórias recebidas dos ternos e trajes de contador provavelmente
impulsionaria o livro Minha vida como ela não apareceu; para o número
um em algum momento.

Felizmente, Iowa não era tão atrasada como Sophia temia. Os


Quad Cities e as universidades ajudaram a torná-lo mais do que um
grande campo de milho a milhares de quilômetros de distância da costa
mais próxima. Sophia tinha encontrado muitas das pessoas em novos
círculos de Derek. Suas esposas eram mulheres boas. Sophia gostou
especialmente de Sue, a esposa de Tim; no entanto, com uma criança
pequena e um a caminho, suas prioridades eram consideravelmente
diferentes. Sophia e Derek discutiam crianças e a possibilidade estava
lá. Agora, ele precisava se concentrar no trabalho. Sophia sabia que
quando ela tivesse um filho, ela queria fazer isso para o anel solitário

~ 313 ~
viva em um novo estado em sua opinião não foi o motivo da direita
sendo motivo certo.

No fundo, Sophia sabia que antes de se tornarem pais, ela


precisava trabalhar através de alguns pensamentos e sentimentos
pessoais em relação a seus pais biológicos. Desde o telefonema de volta
à Califórnia, Sophia não tinha ouvido falar da mulher que diz ser, claro,
ela havia dito a ela para não chamá-la de mãe. Às vezes ela se
perguntava sobre a mulher. Foi ela ainda casada com o pai de Sophia?
Foi ela já casada com ele? Se eles não estão juntos, ela sabia onde ele
estava? E sobre os irmãos, será que ela teve algum?

Os Rossi estavam sempre abertos sobre sua adoção; eles nunca


se preocuparam, Sophia até que eles se foram. Enquanto eles estavam
vivos, eles fizeram tudo para preencher sua vida com todo o amor e
apoio que os pais fazem. Talvez, agora que eles se foram, era um vazio
Sophia inconscientemente queria preencher; no entanto, como ela
saberia se a mulher do telefonema era capaz de preencher esse vazio?

Sophia não estava completamente sem amigos. Ela encontrou


uma conhecida, repetidamente, em locais diferentes. Embora se
reconheça que, Marie foi um pouco excêntrico, Sophia encontrou sua
presença reconfortante. Havia algo familiar sobre a mulher que Sophia
não poderia identificar. Com o tempo, quando a galeria fez aberturas ou
apenas convite de apresentações, Sophia viu examinando a multidão
para o rosto da mulher mais velha. Com tantas mudanças, Marie
parecia ser uma constante reprodução; portanto, quando Marie
convidou Sophia para almoçar no Atlas em Iowa Ave, perto do campus
da Universidade de Iowa, Sophia aceitou de bom grado. Ela decidiu que
era bom ter alguém com quem conversar alguém com interesses
semelhantes.

— Você pode acreditar com o quão frio que o vento está hoje? — A
voz de Marie puxou Sophia de seus pensamentos internos.

Sorrindo, Sophia balançou a cabeça. — Não! Eu sei que nós não


vivemos na Califórnia por muito tempo, mas eu sinto falta do clima lá
fora. Eu gostei da temperatura mais constante.

Marie riu. — Oh, minha querida, isso é apenas o começo; aguarde


até que a neve realmente começa a voar.

Depois de se instalar em uma mesa, elas conversaram sobre nada


em particular. Foi bom para esquecer o vento lá fora, a mudança para
um novo estado, e só falar. Os olhos cinzentos de Marie deu a Sophia
uma sensação de calor que ela não entendia. Como uma artista, muitas
~ 314 ~
vezes ela dissecou os rostos das pessoas, sem perceber o que estava
fazendo. Sophia viu tristeza e perda nos olhos de Marie; No entanto,
também houve uma faísca de emoção que puxou para ela como um
ímã. Quando Marie gostava de sugerir uma nova exposição ou um
museu, as ideias pareciam convidativas extraordinariamente. De certa
forma, era como um espelho em um circo. Os olhos de Marie
lembravam seus próprios ainda eram diferentes complicadas
multitarefa. Sophia não poderia colocar o dedo sobre ele… no entanto,
ela foi atraída, como uma mariposa para uma chama.

— Será que você aproveitou sua viagem ao leste de Ação de


Graças?

Sophia assentiu. — Nós aproveitamos. Foi curto, mas foi bom ver
os meus sogros.

— Desde que você visitou os pais de seu marido de Ação de


Graças, você vai viajar e visitar seus pais para o Natal?

Sophia olhou para baixo. — Não.

De forma tranquilizadora, a mão de Marie cobria a de Sophia. —


Eu sinto muito, eu disse algo perturbador?

— Está tudo bem. É só que… meus pais já não estão conosco.

— Oh, minha querida, eu sinto muito. Eu não vou me intrometer.

Forçando um sorriso, Sophia se sentou reto. — Realmente, está


tudo certo. Eu tive pais maravilhosos, mas eles só recentemente
faleceram, no final do verão. Foi um acidente de carro.

Marie balançou a cabeça. — Eu não fazia ideia. Eu realmente


sinto muito.

— Oh, meus sogros foram maravilhosos. Ele só tem… tempo.

— Agora, seu marido Derek esse é o nome dele?

Sophia assentiu.

— Será que ele tem irmãos?

Sophia passou a descrever a família de Derek e, ele filho único:


seus pais estavam muito ansiosos para que eles adicionassem um ramo
ou dois para a árvore genealógica.

— Como você se sente sobre isso? — Perguntou Marie.

~ 315 ~
Encolhendo os ombros, Sophia disse: — Nós temos falado.

Marie sorriu. — Tenho certeza que você sabe que não é assim que
acontece.

As bochechas de Sophia avermelharam. — Sim, eu acredito que a


minha mãe me deu que falar, quando eu era muito jovem.

Depois do almoço, elas caminharam por algumas das lojas de


faculdade antes de partir para a tarde. Mais tarde, quando Sophia disse
Derek sobre o seu dia, ela não se lembrava das palavras exatas de sua
conversa só que fluiu sem esforço.

Como tudo havia acontecendo com novas responsabilidades de


Derek, Sophia sabia que ele estava satisfeito que ela estava saindo da
casa e conhecendo pessoas.

*****

À medida que o sol se punha no horizonte, e as sombras


remanescentes lançavam suas últimas sombras do que poderia ter sido
para a praia isolada, uma mão caiu no ombro de Claire.

Na primeira, ela hesitou, sem saber se a conexão foi real ou


imaginado. Quando ela já não podia decifrar, Claire se virou para ver o
rosto, os olhos do homem para quem ela orava.

Determinação de Claire derretia com seu toque. Os soluços que


ela tinha suprimido irromperam como Tony puxou para seus braços.

— Eu achei que eu nunca fosse te ver… — suas palavras eram


quase inaudíveis por trás dos gritos de berros.

— Shhhh… — Se ele não estivesse segurando ela, Claire não


tinha certeza se teria sido capaz de resistir. Como ela se aninhou perto,
seu peito nu tremia com o esforço. Depois de um momento, eles se
estabeleceram na areia macia e quente.

— Alguma vez você chegou ao barco? Ou será que você finalmente


nadou de volta? — Claire perguntou, percebendo que o barco não
estava à vista.

— Ele está ancorado ao redor da curva. — Ele apertou com mais


força. — Acredite em mim, eu considerei me virar, mas eu não sabia

~ 316 ~
que caminho era mais curto quanto mais eu nadava; então, como eu
voltei, eu não poderia dizer que praia era qual.

— Quanto tempo você nadou?

Tony balançou a cabeça, quando um sorriso cansado surgiu em


seus lábios. — Muito mais do que eu tinha planejado.

Ela enterrou a cabeça em seu ombro. — Eu continuei orando e


dizendo ao nosso bebê que você estava a salvo, mas… — as lágrimas
voltaram.

Alisando o cabelo, ele explicou: — Entrei em contato com Francis.


Ele sabe onde estamos. Ele recomendou que passemos a noite no barco.

— No barco? — Claire questionava.

— Sim, nós não queremos ser separados outra vez, e há uma


pequena cama na cabine sob o deck.

Claire assentiu. Ela tinha ido abaixo do barco antes, era um


passeio mais calmo se os mares eram ásperos.

— Na parte da manhã, quando o sol nascer, eu vou te levar para


casa, eu prometo.

Ela olhou para os olhos cansados. — Eu não me importo onde


estou, enquanto você estiver lá. — Ela se esforçou para ficar de pé. —
Vamos. Você deve estar exausto.

Tomando o que restava da festa na hora do almoço de Madeline,


eles caminharam na praia ao redor da curva. Com o brilho prateado da
luz da lua, Claire viu o barco apenas um pouco mais para fora,
balançando silenciosamente no mar praticamente calmo.

Quando os dois estavam a bordo, Tony levantou as âncoras e os


levou para a água um pouco mais profunda. — Quando a maré descer,
nós não queremos ser abandonados, — explicou.

Claire sorriu. — Estou impressionada. Quem teria imaginado


Anthony Rawlings aprenderia os meandros da navegação marítima?

Baixando as âncoras, mais uma vez, Tony propositadamente


deixou folga na corda. Quando ele olhou para cima e viu o que
questionavam os olhos de esmeralda de Claire, ele acrescentou: — Veja
Francis tão bem mencionou talvez eu não fizesse isso pela primeira vez.
— Um pouco envergonhado, ele acrescentou: — Ele está certo, eu não
fiz.

~ 317 ~
Ela estendeu a mão para o rosto de Tony. — Eu já disse isso
antes, e eu ainda acredito que é verdade, você pode ser professor.

Tony interrompeu: — Meu amor, agora que a adrenalina se foi, eu


definitivamente sinto que sou um cão velho. Vamos descer e dormir um
pouco antes do sol nascer.

Se a cabine tinha sido realmente significava para dormir os


designers não planejavam para que possa ser compartilhado por um
homem de quase 2 metros e uma mulher grávida. Independentemente
disso, Claire e Tony foram para o espaço pequeno. O balançar rítmico
do barco foi surpreendentemente reconfortante como Claire manobrou-
se em um esforço para tornar confortável. Uma vez que eles foram
resolvidos, Tony disse: — Você sabe o que isso me lembra?

— Sardinhas?

Ela ouviu seu riso na cabine escura. — Não, eu estava pensando


em nossa viagem à Europa, o iate no Mediterrâneo.

Sua mente voltou no tempo. Parecia que outras duas pessoas em


uma vida diferente. — Acho que se eu posso fingir que este colchão de
espuma de quatro polegadas é realmente uma cama king size e o teto
esta a dois metros acima da minha cabeça, em vez de um pouco mais
de meio.

Os lábios de Tony encontraram os dela, parando suas palavras. —


Sim, existem algumas diferenças. — Arrastando as pontas de seus
dedos ao longo de seu ombro e para baixo sua cintura como Claire
estava deitada de lado de frente para ele, ele continuou: — Talvez seja o
balanço das ondas, ou o doce som da sua respiração no meu ouvido;
independentemente, lembra em seguida.

— Acho que eu posso ver algumas semelhanças.

— Um dia, um dia vamos voltar, e o iate que alugarmos terá


espaço suficiente para todas as nossas crianças.

Lutando, mais uma vez, para aliviar a pressão na parte inferior


das costas, Claire respondeu: — Crianças? Tenho certeza que os
ultrassons têm mostrado apenas um bebê.

Sua voz lutou contra a exaustão para que seu corpo já houvesse
se rendido. — Oh, mas pense o quão divertido será criar mais…

Quando suas palavras se viraram para respirar, Claire beijou sua


bochecha e sussurrou em seu ouvido: — Boa noite, Tony.

~ 318 ~
Ele pode ter dito que era sua respiração que lhe lembrava do
passado, mas foi a sua respiração que lhe deu esperança para o seu
futuro. Apenas algumas horas antes, o mundo virou cinza se foi, agora
na escuridão da cabine do barco, Claire se lembrou das cores das flores
que Tony tinha escolhido. Ela viu o azul do oceano iluminado pelo sol e
os verdes das plantas. Não importava que eles não estivessem em sua
cama ou o seu quarto, tudo o que importava era que ele estava seguros,
ela estava segura e eles estavam juntos.

~ 319 ~
A intuição lhe dirá a mente pensando para onde
olhar em seguida.

- Jonas Salk

Capítulo trinta e quatro


Harry conferiu novamente com o escritório de campo de Boston.
Desde o encontro cara a cara há quase um mês, o agente Baldwin foi,
novamente, totalmente designado para o caso Sherman
Nichols/Anthony Rawlings; No entanto, agora ele tinha a dimensão
adicional de Catherine Marie London Rawls. Por mais que Harry
pessoalmente odiava admitir que a cooperação e confissões de Rawlings
se encaixavam perfeitamente em linha do tempo do Harry, as lacunas
ainda existiam.

Durante suas confissões, Rawlings recordou a morte de seus pais.


Ele alegou um compromisso irracional de seu avô, como sua razão para
proteger Catherine London Rawls. Seus pais tinham ido embora;
portanto, como uma homenagem ao seu avô, ele fez o que podia fazer
para salvar London a partir de uma vida na prisão. Na época, ele
acreditava que a morte de seus pais foi o resultado de um acidente,
uma discussão que se tornou aquecida e ficou fora de controle. Ele
sabia, na época, havia uma história de sangue ruim entre Catherine e
seus pais. Depois que seu pai morreu Samuel, havia anulado com
sucesso o casamento de Nathaniel e Catherine, ela foi empurrada para
seu limite. Rawlings tentou alcançar seus pais primeiro, na esperança
de utilizar suas habilidades de negociação estelares. Ele falhou, não
dentro da negociação em alcançar seus pais antes de Catherine.

Rawlings relatou conhecimento pessoal de seu avô na missão de


fazer as pessoas responsáveis por sua prisão e as suas famílias
pagarem. A primeira pessoa em sua lista era Sherman Nichols; no
entanto, no momento em Rawlings tinha o dinheiro para cumprir a
vingança de Nathaniel, Sherman e sua esposa já tinham falecido. A
próxima pessoa era filho de Sherman, Jordon Nichols. De acordo com
Rawlings, houve uma rede de ligações que, quando utilizados, e bem
compensada, forneceria qualquer alvo com um acidente fatal
indetectável. Ele não sabia os detalhes, não tinha tempo para eles, mas
concordou em fornecer o dinheiro. Rawlings e Catherine discutiram o

~ 320 ~
plano à exaustão. Rawlings de bom grado admitiu um sentimento de
obrigação para cumprir agenda de seu avô. Como um empresário e
homem de negócios, ele poderia afetar a vida dos outros; contudo, dar
um fim na vida foi significativo, mesmo para ele. Rawlings alegou ter
procrastinado com esse fim, tornando London na espera embora ela
protestasse.

De acordo com sua confissão, Rawlings afirmou que havia outras


partes do plano que ele disse a Catherine que precisavam ser
confirmadas antes dele autorizar a morte de Nichols. Tal tarefa foi
garantir a bolsa de estudos para a Universidade de Valparaiso. Antes de
Rawlings finalmente chegar a um acordo, o destino interveio, o carro
Nichols caiu em um verdadeiro acidente.

A outra família que, sem saber, foi envolvido na vingança era a de


Jonathon Burke, o oficial de títulos que ajudara a construir o caso do
FBI em Nathaniel. Durante o espaço de tempo entre a morte de
Nathaniel e Rawlings capacidade de cumprir financeiramente a
vingança, Burke também morreu de causas naturais. A próxima da fila
era Allison Mason, única filha de Burke. Certos de que o destino não
seria tão amável como para ajudar a sua causa de novo Rawlings
concordou em pagar o dinheiro para garantir sua morte à rede foi
utilizada. Rawlings alegou que ele não sabia os detalhes do acidente
iminente até depois que ele ocorreu. Ambos, Allison e seu marido
morreram.

Estas eram pessoas completamente fora do radar do FBI. Ao


investigar mais, Harry soube da morte de Mason que foi oficialmente
considerada acidental, uma queda trágica de uma trilha, durante uma
caminhada no Grand Teton National Park. Se Rawlings não tinha
admitido ao conhecimento deste incidente, ele nunca teria sido
encontrado. A cada ano, cerca de 150 pessoas morrem em parques
nacionais. A maioria foi sub-relatado; alguns visitantes caíram em
trilhas molhadas ou se inclinou demais sobre trilhos de proteção.
Independentemente do incidente, fizeram má publicidade para os
parques nacionais do país e recebeu pouca atenção. Até aquele
momento, ninguém suspeitava que a morte da única filha de Jonathon
Burke, Allison, e seu marido era outra coisa senão um verdadeiro
acidente.

Logo, o FBI entraria em contato com sua sobrinha a única


sobrevivente e ter permissão relativa e buscar exumar seus túmulos. As
amostras de tecido foram necessárias para confirmar a presença de
Actaea pachypoda.

~ 321 ~
As próximas pessoas da lista de Rawlings e London foram Emily e
Claire Nichols. Esta foi à próxima geração filhos dos filhos. Rawlings
admitiu observou Claire fora e por anos. Ele não sabia por que ele
estava obcecado, mas ele estava. Apesar de um acidente fatal sempre foi
o plano, Rawlings achou inaceitável. Ele disse a Catherine que havia
algumas coisas piores do que a morte e criou a tempestade perfeita de
eventos para que ele assumisse seria destino pior de Claire. Tratava de
circunstâncias orquestrando em sua vida o que levaria à necessidade de
Claire por dinheiro, seu único bem dispensável. Ele coordenou seu
desaparecimento, com a intenção de permitir que Claire trabalhar pelo
pagamento da dívida de sua família enquanto desacreditava sua
credibilidade, ao mesmo tempo. Quando isso foi feito, sua prisão,
humilhação e encarceramento seria assegurar o pagamento de sua
dívida e permitir que ela vivesse. Ele não previu emoções atrapalhando
seu plano.

Lendo as considerações de Rawlings de sua aquisição nauseou


Harry. Ele não podia deixar de comparar a ouvir o relato de meses de
Claire anteriormente. A diferença era a emoção. Claire contou um
inferno particular; Rawlings recitou um plano bem calculado.

Claire também respondeu às perguntas do FBI. Suas


considerações espelhavam as de Rawlings; ele confessou tudo a ela
antes do interrogatório. Nunca fez nenhuma menção do Actaea
pachypoda, ou qualquer conexão com o veneno. Meses atrás, Harry
pediu para amostras de sangue de Jordon Nichols e Simon Johnson.
Seus pedidos finalmente vieram. Levou mais tempo do que ele esperava
o que não importa. Desde que Claire e Rawlings foram brincar de
casinha em algum lugar no Pacífico Sul, o tempo não era um problema.
Os resultados foram irrefutáveis: Jordon Nichols sua amostra de
sangue deu positivo para Actaea pachypoda e Simon Johnson não.

Curiosamente, as transcrições das admissões de Rawlings, que


Agente Jackson compartilhou com Harry, também continha
informações sobre Simon Johnson. Ele não foi associado com o caso
Sherman Nichols, ainda Rawlings incluiu Johnson em sua lista de
confissões. Ele declarou a morte de Johnson era apenas um subproduto
de saber o que era possível. Rawlings tinha aprendido que era possível
fazer as pessoas desaparecerem. Sua primeira escolha foi pelo negócio.
Se isso não funcionar, então não foi sempre o plano B. Rawlings utilizou
a rede que tinha descoberto anos atrás. Desta vez, ele se dispôs a pagar
o dinheiro para ter o avião de Simon alterado, forçando a parar de
funcionar durante o voo. Rawlings sabia Johnson era um piloto
experiente e disse que não tinha certeza se Johnson seria capaz de

~ 322 ~
manobrar para sair da situação; No entanto, ele pagou para ter um
trabalho bem feito.

Quando o caso começou, Harry pensou que a confirmação lhe


daria paz. Ele estava errado. Era apenas como Amber tinha dito
Rawlings ainda estava lá fora, e Simon ainda estava morto. Havia algo
mais; O Instinto na aplicação da lei de Harry não iria calar suas
suspeitas. As provas não coincidem. O relatório do NTSB,
indiscutivelmente, afirmou que o avião de Simon estava no top da
condição encaixe-inspeção digna. Nenhuma evidência de adulteração foi
encontrada durante a investigação. Por que Rawlings confessou um
crime que não cometeu?

E Jordon Nichols? Harry tinha mais perguntas do que respostas.


Por que Rawlings admite saber sobre o plano, afirma que nunca foi
cumprido, mas o envenenou? Será que Rawlings estava tentando
enganar Claire? Mas por que planejar um acidente de carro, se o
envenenamento já foi na ordem do dia? Rawlings era apenas tão grande
em exagero, literalmente, ou havia mais?

O ataque no beco e a ameaça à família de Harry também


incomodou Harry. Por que Rawlings quer ele fora do caso e ameaçou a
filha de Harry, se ele estivesse pensando em confessar tudo?

É claro que ainda estava em London. Talvez ela fosse à única


ameaçando Harry. Claire disse que ela ameaçou seu filho. Será que ela
quer ele fora do caso? Como ela sabia que ele estava no caso? Toda a
interação com London aludiu a ela ser alegremente inconscientes de
que ela estava sob suspeita. De acordo com Marcus Evergreen, London
estava apenas ciente do caso contra Rawlings para o possível rapto
recente de Claire Nichols.

O país inteiro estava ciente de tais alegações. Afinal, John e Emily


Vandersol ainda estavam perseguindo esse ângulo para quem quisesse
ouvir.

*****

Claire rolou na cama, saboreando os lençóis macios contra sua


pele. Após o acampamento, na cabine do barco, há algumas semanas,
sua cama era muito mais confortável. Sorrindo, ela estendeu a mão
para o homem cujo calor encheu seus dias e noites. Em vez disso, seu

~ 323 ~
contato reuniu cetim frio. Persistente em seu casulo, ela gostava da
suave brisa do ventilador de teto, uma vez que moveu o ar úmido em
torno do grande quarto. Quando ela fechou os olhos, o cheiro de sua
colônia permeou seus sentidos. Além de seu refúgio, ouviu os sons dos
pássaros da manhã cantando suas canções de despertador pela manhã
e sempre presente rebentação.

Obrigando a sair de sua bolha celestial, ela pegou o roupão e


caminhou em direção à varanda. Um véu de vegetação tropical filtrava a
penetração sensual do sol. Pisando em torno das flores perfumadas e
grandes folhas exuberantes, ela pegou na vista maravilhosa. Mesmo
depois de mais de dois meses, ele ainda tirou o fôlego. Inclinando contra
a parede de dobrar, ela aproveitou o céu azul sem fim, com tufos de
branco preenchendo o espaço acima do horizonte. Em quase todas as
manhãs, o turquesa dominava. Às vezes, se o sol era apenas para a
direita, as ondas brilhavam fluorescentes. Mais adiante, longe da costa
e seu paraíso, as águas escuras. O azul tornar se índigo, roxo, ou cinza,
muitas vezes lembrando as montanhas cobertas de névoa perto de Palo
Alto.

Vestindo um biquíni branco e saída de praia branca por cima, ela


fez seu caminho para a varanda da frente. Com os pés descalços
acolchoados em todo o piso de bambu liso, a voz rica amigável de
Madeline a trouxe de volta a realidade. — Madame El, quer que eu leve
chá?

Claire sorriu: — Sim, Madeline, obrigada, mas, por favor, sem


comida... Eu não estou com fome.

— Não, Madame El, você deve comer. Vou trazer bolos e frutas
frescas.

Claire balançou a cabeça argumentar seria inútil. Ela se


acomodou na poltrona almofadada, elevou seus pés, ligou seu iPad, e
esperou as notícias do di carregar. Não foi a primeira história a aparecer
na sua página inicial, mas sua própria imagem imediatamente chamou
a atenção de Claire. Ela clicou e leu o título:

Arquivo de Família Nichols Acusa Iowa City Police


Department, Procurador, e Anthony Rawlings.

Balançando a cabeça, Claire leu:

Imprensa associada - John e Emily Vandersol apresentaram


acusações formais contra o Departamento de Polícia de Iowa City,

~ 324 ~
Marcus Evergreen, IC Ministério Público, e Anthony Rawlings (na sua
ausência).

Sr. e Sra. Vandersol solicitaram uma audiência com base em


evidências descobertas na casa de Anthony Rawlings. O pedido afirma a
evidência, atualmente não revelada, é suficiente para estabelecer a
causa provável contra Anthony Rawlings. O Vandersols também cobram
Sr. Rawlings por extorsão. — Qualquer outra pessoa estaria na cadeia. É
só por causa de sua riqueza e influência que a CIPD e Sr. Evergreen não
apresentaram acusações. Seu atraso é a corrupção. — (Outra das muitas
acusações listadas). Os Vandersols acusaram o departamento do
promotor e as polícias trabalharam em conjunto para proteger Anthony
Rawlings. Ao fazer, o CIPD prejudicou a investigação do desaparecimento
Sra. Claire Nichols. Sra Vandersol também acusou o Sr. Rawlings (na sua
ausência) com o desaparecimento e possível morte de sua sobrinha por
nascer ou sobrinho.

A mão de Claire esfregou a barriga muito grande. Agora, em sua


trigésima Quinta semana, ela sorriu, sabendo que nenhum mal havia
chegado ao feto. Ela sinceramente não acreditava que seria o caso se ela
tivesse permanecido à disposição de Catherine. Ela continuou a ler:

Sra. Nichols foi vista pela última vez 04 de Setembro de 2013 o Sr.
Anthony Rawlings desapareceu depois de seu avião particular fez um
pouso de emergência nas Montanhas Apalaches, 21 de setembro de 2013
O FBI não vai confirmar ou negar a sobrevivência de Sr. Rawlings após
este incidente. O FBI recusou comentários adicionais que reivindicam
uma investigação em curso. Atualmente, nenhuma acusação foi
arquivada.

Rawlings Industries está operando atualmente com um CEO


temporário e do próprio Conselho de Administração. Especula que as
acusações pendentes forçarão a SEC9 para investigar Rawlings
Industries. Desde Setembro, o preço da ação caiu de 142,37 dólares para
86,84 dólares em última chamada.

Apesar de seu material de leitura, quando Claire percebeu que ela


tinha comido todo o alimento de Madeline, um sorriso apareceu em seu
rosto. A voz de Madeline veio acima do som de rebentação. — Madame
El, eu posso pegar mais chá ou talvez um pouco de água?

9SEC - A Securities and Exchange Commission (Comissão de Valores Mobiliários),


frequentemente abreviada SEC, é uma agência federal dos Estados Unidos que detém
a responsabilidade primária pela aplicação das leis de títulos federais e a regulação do
setor de valores mobiliários, as ações da nação e opções de câmbio, e outros mercados
de valores eletrônicos nos Estados Unidos.

~ 325 ~
— Madeline, eu adoraria um pouco de água. Está ficando mais
quente a cada minuto.

— Então talvez você devesse estar na água? — Rica e rouca voz do


seu marido, veio de trás. Ela não podia ver a fonte bonita, mas
instantaneamente o pescoço tenso e arrepios apareceram em seus
braços e pernas. Espantava Claire como algo tão benigno como uma voz
poderia continuar a incitar uma resposta tão visceral.

Madeline viu a reação de Claire e riu o que, por sua vez, fez Claire
dar risadinha. Claire adorava riso de Madeline, tão profundo e rico,
assim como sua voz. — Madame El, vou lhe trazer um pouco de água, e
Monsieur?

— Madeline, eu gostaria de um pouco de café, por favor. — Tony


inclinou para a mulher.

Rindo de seu gesto, Madeline respondeu: — Ora, é claro. Vou


trazer em breve. — Com isso, ela desapareceu, deixando a dama e o
cavalheiro da casa sozinhos.

Tony pegou os ombros de Claire e gentilmente massageou.


Fechando os olhos, ela suspirou momentaneamente perdida em seu
toque. Seus lábios inesperadamente buscou seu pescoço exposto,
causando arrepios a entrar em erupção em cima e para baixo nos
braços e pernas. Sua voz de barítono a trouxe de volta à realidade. —
Minha querida, seus ombros estão tensos. Você viu, não é?

— Sim.

Ele acariciou seu pescoço. — Eu tinha a esperança de chegar em


casa antes disso.

— Porque, — ela fez uma pausa— queria me impedir de ver e ler?

Ainda massageando seus ombros, ele se inclinou e sussurrou em


seu ouvido: — Não, eu queria estar aqui, enquanto você lia.

Seus ombros relaxaram. — Eu só queria que John e Emily


recuassem isso, está prejudicando Rawlings Industries.

— Nós vamos ficar bem.

Ela inalou. — Eu sei. Eu entendo a sua ignorância é o melhor,


mas eu ainda posso desejar ir para Iowa.

Ele deu a volta diante dela, sentou na poltrona perto de suas


pernas bronzeadas e bem torneadas e acariciou a pele sedosa de suas

~ 326 ~
coxas. —Nós vamos chegar lá de novo, eu prometo. Primeiro, nós temos
que cuidar um pouco de quem precisa se juntar a nós.

Claire pegou sua mão. — Está ficando cada dia mais perto. — Ela
colocou a mão em sua cintura dura.

— Por que está tão dura?

— Eu acho que é uma daquelas contrações, não as verdadeiras as


de Braxton. Lembra que o Dr. Gilbert nos disse sobre elas? Elas estão
acontecendo com mais regularidade.

— Será que machucam?

Claire adorava a preocupação em sua voz. — Não. Apenas são


estranhas.

— Como você vai saber quando elas forem reais?

Ela encolheu os ombros. — De tudo que li eu vou saber quando


elas forem reais.

Seus lábios envolveram os dela. Não era a paixão fervorosa que


eles eram conhecidos por compartilhar. Em vez disso, Claire se sentia
segura de que Tony estaria ao seu lado que acolhera a criança para o
mundo. Ele tirou a camisa, revelando seu abdômen bronzeado, sunga, e
uma mistura de pelos no peito escuro e branco. Finalmente, ele
encontrou sua voz. — Você está pronta para dar um mergulho?

Ela sorriu. — Eu acabei de comer. Eu não deveria esperar por


uma meia hora?

— Eu prometo parar antes de se afogar.

Seu sorriso diabólico cativou mais uma vez, a deixou indefesa aos
seus desejos. Com um sorriso, ela respondeu: — Eu acho que eu
deveria ter aprendido há muito tempo a não confiar em você.

Ele ergueu as sobrancelhas e inclinou a cabeça para o lado. Seu


tom tinha uma pitada de diversão quando ele se inclinou em direção a
ela. — Eu deveria ter aprendido também, estou impotente para seus
belos olhos de esmeralda. — Seus dedos enfiaram nos cachos em seu
peito enquanto seu olhar permanecia em seus olhos cor de chocolate.

Na piscina, Claire segurou com força os ombros de Tony


saboreando a frescor da água. Seus pensamentos voltaram para o artigo
e sua irmã e do cunhado. — Eu sinto muito sobre John e Emily. Eu
odeio o que eles estão fazendo para Rawlings Industries.

~ 327 ~
— Li também. Parece que Tim está fazendo um excelente trabalho
de construção de confiança de dentro da Rawlings Indústrias. Ele
precisa do apoio no interior para obter o apoio fora da empresa. Eu
sempre tive um bom pressentimento sobre ele.

— Eu me lembro de você me dizendo isso, um milhão de anos


atrás, quando fomos para o churrasco de Simmons.

Tony riu. — Isso foi há milhões de anos atrás, não foi?

Deitada com a cabeça no ombro dele, ela concordou. — Com


certeza parece foi. Existe alguma nova informação a partir de Phil ou
agente Jackson?

— Bem, — ele hesitou, fazendo com que Claire olhasse para cima.
Embora ela não pudesse ver seus olhos por trás de seus óculos de sol,
pelo seu sorriso secreto ela sabia que ele estava tramando algo.

— O que?

— Phil disse que ele foi liberado de seu trabalho atual. Ele não
acredita que Sophia está em perigo. Catherine tem trabalhado muito
duro para introduzir e se incluir na vida de Sophia.

— Então eu diria que ela está em perigo. — Claire acrescentou


rapidamente, — mas não o suficiente para que você a precise proteger.
Eu preciso de você aqui.

— Sim, você precisa. Você pode estar satisfeita por saber quem
mais vai estar aqui; vamos dizer para o seu presente de Natal.

Fechando os olhos, Claire suspirou. — Um pouco de Claire ou um


pouco Tony seria o melhor presente. Eu amei a maioria desta fase de
gravidez, mas apenas ultimamente, eu estou tão cansada e
desconfortável.

— Nós realmente precisamos definir alguns nomes. Não me sinto


confortável com qualquer um pouco de mim ou um pouco de você — Ele
sorriu -— Você vê, eu realmente gosto do grande, e quando penso no
nome Claire, os sentimentos que se seguem são totalmente inadequados
para a minha filha.

— Grande?

Rindo — Você sabe o que quero dizer. Agora primeiro voltamos


para o seu presente de Natal.

— Sim?

~ 328 ~
— Bem, não vai ser exatamente. Phil não pode exatamente pedir
Catherine para ir através do nosso quarto, mas ele viu a sua aliança de
casamento. Afinal, ele é o único que comprou de volta e trouxe para
mim.

A voz de Claire se animou. — Você está me presenteando com


uma aliança de casamento para o Natal?

— Mais do que isso, Phil estará aqui em menos de uma semana e


nos entregara elas. Achei que você pode desfrutar da companhia, e já
que ele é o único que pode ter, minhas escolhas eram limitadas.

Ela colocou os braços em volta do pescoço. — Eu amo isso!


Obrigada. —Então ela percebeu. — Mas espere o que eu posso dar a
você para o Natal?

Beijando seus lábios, ele disse:

— Eu não sou exigente. Uma menina, ou um menino seria ótimo.

— Eu não acho que vou ter até a segunda semana de janeiro.


Você vai ter o seu presente atrasado?

— Apenas sob uma condição.

— Então, agora há condições sobre os presentes?

— Sim, minha querida, e antes que você comece com aquela linda
boca, inteligente sua, deixe dizer que este não é discutível. Devo insistir
nisso.

Ela encolheu os ombros. — Uma vez exigente, sempre será, mas


eu acho que eu estou acostumada, com isso o que você quer?

— Que nada aconteça com você enquanto meu presente chega.


Eu li algumas coisas também. Eu pensei que talvez se Phil estivesse
aqui, se precisar de alguma coisa, bem, o homem é muito engenhoso.

— Eu vou ficar bem, — ela beijou a bochecha dele-— mas eu amo


que você está preocupado.

— Minha querida, você é minha única preocupação.

Claire sentiu a sensação de aperto mais uma vez. — Oh, eu acho


que alguém quer ser sua preocupação, também.

~ 329 ~
Verdade, como o ouro, deve ser obtida não por
seu crescimento, mas por lavagem longe de tudo que
não é ouro.

- Count Leo Tolstoy

Capitulo trinta e cinco


Setembro 2016

13 de Setembro de 2016

Ontem à noite, eu estava chocada demais para escrever. Eu tive


que pensar sobre o que aconteceu meditar sobre isso, e descobrir isso.
Até o momento que levei Claire de volta para a unidade, ela não estava
mais falando. Eu não entendi. Ela ainda estava me ouvindo; de vez em
quando seus olhos se registravam e bloqueavam para os meus. Então ela
desviava o olhar.

Eu decidi que ela me fez um teste. Ela sabe que eu sei a sua
história. Seu reconhecimento de seu entorno é novo; ele não existia no
último mês, semana ou mesmo um dia atrás. Se ela não está pronta para
compartilhar esta revelação com os outros, eu acho que não é o meu lugar
para divulgar. Eu odeio que eu não vou estar por perto para ajudar a
ultrapassar esta etapa.

Estou indo para o meu último dia. Eu decidi que eu devo isso a
Claire para permitir que Emily me demita. Meu marido me lembrou de
ontem à noite que eu estive em violação de sua ordem de restrição. Eu
realmente esqueci isso que é de uma certa forma cômica. Este exercício se
transformou por meio de relatórios de reconhecimento de fases de
curiosidade investigativa de culpa e, finalmente, uma profunda amizade
agonizante. Ninguém vai acreditar que eu tinha desistido da notificação,
para ajudar Claire. Pelo menos, enquanto eu me sentar na cadeia, eu vou
saber a verdade.

*****

~ 330 ~
Claire passeou a jornada, que ela tinha criado ao lado de sua
cama. Desde que ela tinha encontrado sua voz ontem à noite, ela estava
ansiosa para usar. Sim, ela considerou falar com algumas das outras
pessoas, mas ela estava com medo. Havia tantas coisas que ela não
conseguia se lembrar, tantos espaços vazios, e tantas coisas que não
fazem sentido. Era dolorosamente óbvio; esta facilidade, como Meredith
chamou uma facilidade mental. Ela tinha lembranças de discussões
sobre isso. A cada dia, mais lembranças vieram à tona. Alguns eram
mais claras do que outros. Lembrou de Tony dizendo que a oferta de
uma facilidade mental era como a proteger. Foi por isso que ela estava
aqui? Ela estava sendo protegida?

É por isso que ela precisava falar com Meredith. A velocidade de


Claire aumentou enquanto caminhava exatamente, seis etapas em
torno do quarto, virou e deu um passo com seis passos chegaria ao
outro lado. Ela não queria contar, mas por trás de seus pensamentos,
preocupações, dúvidas, ela ouviu os números: um, dois, três, quatro,
cinco, seis, mudar um, dois...

Não havia um relógio no quarto monótono. Como ela realmente


olhou em volta não havia nada. Nada de fotos, sem itens pessoais, nada
que dera o quarto a sua personalidade. Claire perguntou quanto tempo
ela estava lá... dois, três, quatro, cinco, seis vez ... A única indicação de
tempo foi o cinza em seu cabelo, e o que dizer a ela? ... cinco, seis
mudar...

Claire ouviu a porta abrir. Ela queria olhar, mas o que se não
fosse Meredith, ela não estava preparada para falar com mais ninguém.

— Oi, Claire, sou eu, Meredith.

Ela queria virar, mas ela estava apenas em dois. Claire esperou
até que era hora de virar. Isso foi um melhor momento para quebrar o
ciclo; no entanto, no momento em que a voz por trás de seus
pensamentos, disse para sair do ciclo, Meredith estava falando de novo:

— Quando eu cheguei aqui. Disseram que estava tudo bem depois


de nosso passeio tão tarde ontem. Acho que essa foi a sua maneira de
lembrar para não fazer isso de novo. Eles também disseram que não
tinha havido nenhuma mudança com você.

Claire virou para a voz de Meredith. Ela queria olhar para cima e
ver os olhos da amiga. Não, ela não queria ver os olhos de Meredith, ela
queria ver Tony. Como ela forçou seu olhar para o rosto de Meredith,
ela viu as íris azuis escuras. Seus joelhos enfraqueceram. Não era o
castanho escuro, ela procurou, mas era de cor! Por muito tempo, não
~ 331 ~
tinha havido nenhuma cor. Inalando profundamente, ela cheirava a
comida que Meredith tinha colocado em cima da mesa. Se ela comesse
rápido, elas poderiam ir para fora. Se fossem para fora, ela poderia fazer
perguntas. Era muito arriscado falar aqui.

— Por que, Claire, por que não notaram alguma mudança?

Ela não respondeu; em vez disso, ela caminhou até a mesa,


descobriu o prato, encontrou talheres e começou a comer. Cada
mordida ela levou mais e mais rápido.

— Desacelere; Eu não posso ter você engasgada com o meu


ponto. Eu já estou em liberdade condicional por nossas escapadas
noturnas.

Não foi engraçado. Claire sabia que ela deveria estar preocupada
com as aparências. A seguir regras e se comportando foi essencial para
manter as aparências; porém, ouvindo Meredith falar sobre quebra de
regras a fez sorrir. Era isso, ou o azul em seus olhos. Todas as pessoas
ao redor das instalações usavam roupas brancas. Bem, com exceção de
Emily, os médicos e terapeutas. De repente, mais do que o alimento,
Claire queria cor. Não era que um pedido estranho? Talvez fosse o que é
ser louco, ver as coisas de forma diferente e querer que as coisas que os
outros não percebem tinham ido embora.

Quando o prato estava limpo, Claire se levantou e foi até o


armário para sua jaqueta. A voz que estava contando disse para olhar
para baixo. Ela sabia que obedecer; desobediência podia ter
consequências negativas; mas não Meredith tinha apenas falado sobre
quebrar as regras? Timidamente, Claire ergueu os olhos. Meredith
olhando para ela. Antes que ela a pudesse deter, seus lábios se
transformar em um sorriso a pressa era inebriante. A voz seria louca;
no entanto, se Tony não estava indo a visitar mais Claire queria falar
com a amiga.

*****

Meredith perguntou: — Você quer caminhar por si mesma? — O


pânico nos olhos de Claire foi o suficiente para uma resposta. Meredith
suavemente enfiou a mão de Claire na dobra do seu braço foram para o
exterior. Como ela fez, ela falou calmamente sobre o tempo e as folhas
mudando. Toda a viagem ao fundo do corredor, através das múltiplas

~ 332 ~
portas, ao longo do perímetro da lanchonete, Claire mantinha os olhos
baixos e caminhou na etapa.

Dr. Fairfield instruiu a equipe a ser menos eficiente, para esperar


e ver se Claire iria reconhecer suas necessidades e, em seguida, pedir
para os ter cumprido. Na empolgação de Claire ir ao ar livre, Meredith
percebeu que ela tinha esquecido os óculos de sol, mas estava tudo
bem, Meredith tinha lembrado. Enquanto caminhavam em direção às
portas exteriores, Meredith se perguntou se deveria ter esperado por
Claire pedir para ir lá fora; No entanto, parecia que quando Claire tem
sua própria jaqueta, foi mais de um pedido do que ela já fez. Dr.
Fairfield pode não concordar, mas a Meredith foi o suficiente como um
pedido, para impulsionar Meredith andaria os confins da terra se Claire
desejasse.

Quando elas entraram no pátio, Claire levantou o rosto e


momentaneamente se aqueceu ao sol. Naquele momento, ela abriu os
olhos e imediatamente os fechou. Virando o rosto para Meredith, os
olhos de Claire fez o pedido tácito. A amiga dela queria chegar a seu
bolso e entregar os óculos; em vez disso, ela contemplou sendo esta a
sua última chance de ajudar Claire e colocou a mão sobre Claire e
caminhou para frente. Quando passos de Claire pararam, Meredith
perguntou: — Qual é o problema? Eu pensei que você queria ir para
uma caminhada.

*****

Claire manteve os olhos meio abertos e meio fechados a ação


deveria ter sido o suficiente para dizer a Meredith do que ela precisava;
no entanto, em vez de ajudar, Meredith continuou andando. Quando
Claire não se moveu, Meredith disse, — Se há algo que você precisa, é
só pedir.

Oh, Claire tinha ouvido isso antes, ela conhecia essa rotina. Ela
também fundamentou se Meredith estava usando as palavras de Tony,
que não podia ser contra as regras de Tony a fazer. Aproximando do
ouvido da amiga, ela sussurrou, — Óculos de sol.

Claire lembrou então dos requisitos de Tony de muito tempo


atrás. Ele nunca concordou com uma só palavra. Se Claire queria algo
ela precisava perguntar na forma de uma solicitação. Só agora, ela não
pediu. Olhando de lado a lado, sendo que ninguém estava escutando,

~ 333 ~
ela limpou sua garganta e começou: — Será que você trouxe? - Posso -
Eu - por favor – preciso usar — Suas palavras não realmente formavam
uma frase, mais frases coladas com o silêncio.

Meredith não respondeu. Ela enfiou a mão no bolso de seu


avental branco e pegou os óculos de sol. Mais uma vez, Claire deixá-la
brilhar sorriso e estendeu a mão para os óculos. Apesar de Meredith,
não era obrigado, depois que eles caminharam uma distância curta,
Claire disse: — Obrigado.

Foi o máximo que ela tinha dito, ou queria dizer desde antes que
ela pudesse se lembrar. No momento em que elas chegaram ao outro
lado do pátio, Claire estava pronta para fazer a pergunta que ela sabia
que iria tirar a sua felicidade.

Embora o sol brilhasse, a brisa soprava com rajadas mais frias do


que no dia anterior. Ele não incomodou Claire. Ela realmente apreciou.
O tempo mais frio manteve outros de sair de casa; elas estavam
sozinhas nesta área remota do terreno. Olhando para baixo, Claire
convocou o pouco de força que ela tinha adquirido ao longo do dia. Ela
tinha praticado silenciosamente a pergunta de uma centena de
maneiras diferentes. Em sua mente, ele começou com um preâmbulo
eloquente. Agora que a oportunidade estava presente, ela deixou
escapar as palavras que ela não podia mais conter, — Nichol está
morta?

Antes de Meredith pudesse responder, a voz de contagem voltou


alto e claro. Claire teve que obedecer; que era a única maneira de tornar
isso quieto.

*****

Meredith olhou momentaneamente. Por que Claire acha que Nichol


estava morta? Seu coração se partiu. Emily não tinha dito alguma coisa?

*****

A focada, mulher sorridente evaporou diante de seus olhos. Claire


começou a andar, os olhos vendo algo que ninguém mais podia.
Meredith pegou o braço dela. Desta vez, ela não recuou quando a

~ 334 ~
expressão determinada virou para ela, ela respondeu à pergunta de
Claire, — Não! Claire, sua filha está viva! Ela é linda e saudável.

*****

Claire entrou em colapso no abraço de Meredith. Enterrando o


rosto na lapela de Meredith, ela aceitou de bom grado o conforto de sua
amiga. Tentando acalmar a contagem, Claire concentrou nas palavras
de Meredith. Aos poucos, eles se transformaram de palavras para um
murmúrio e de volta às palavras. Sim, ela tinha perdido um pouco do
que Meredith tinha dito, mas agora ela estava ouvindo, — O cabelo
castanho e olhos castanhos lindos. Emily e John cuidam dela. Claire,
você deve estar muito orgulhosa.

Timidamente, ela enfrentou a realidade de sua insanidade. Se isso


não fosse uma contradição, ela não sabia o que era. Enxugando os
olhos no tecido que Meredith ofereceu, Claire perguntou: — Quantos
anos? Eu não me lembro - quanto tempo eu estive aqui? — lutando com
as lágrimas, ela acrescentou, — Eu não sei - é nebuloso.

Segurando as mãos de Claire, Meredith respondeu: — Ela vai


fazer três em Dezembro. — Com um olhar de preocupação, ela
acrescentou: — Estamos em Setembro.

Era como se o vento tivesse batido no peito de Claire. Dois anos!


Ela perdeu dois anos de vida da filha. Seus joelhos se dobraram, e
Claire afundou no chão. Desta vez, Meredith não pediu para ela se
levantar. Não, ela também se mudou para a terra fria, dura e sentou no
seu joelho.

— Eu não posso imaginar o que você está pensando. Eu só a vi


algumas vezes. Emily e John pareceram estar fazendo um grande
trabalho. Eles também trabalharam muito duro e a mantem longe dos
olhos do público. — Claire fingiu um sorriso enquanto as lágrimas
cobriram suas bochechas, e ela balançou a cabeça. Meredith continuou:
— Eles fizeram um trabalho muito bom em cuidar de você também.

— Por que não - ninguém mencionou seu - ou a - — Claire não


poderia fazer ou a dizer seu nome em voz alta.

— Nós não somos autorizados a dizer nada sobre sua vida


anterior, o que inclui nomes.

~ 335 ~
— Quem fez as regras? - Os médicos?

— Eles pensaram que eles estavam ajudando.

Claire sentou calmamente e ficou pensativa sobre sua família.


Aquela família estava agora com sua irmã e cunhado. Ela não iria
perguntar sobre Tony. Ela não podia suportar ouvir a verdade do que
ela tinha feito. Porque senão teriam que a prender nesse lugar? —
Obrigada- Por ser honesta - comigo.

Sorrindo, Meredith respondeu: — Obrigada por falar comigo. Eu


não sinto muito que eu tenha quebrado suas regras, se isso te ajudou.

Claire assentiu. — Eu quero ficar melhor, não estou certa do que


é real e o que não é. — Ela olhou de volta para o chão. Não tinha
chovido em algum tempo, e abaixo das folhas de grama a terra estava
rachada. — Se eu te contar uma coisa - Você achará que eu sou louca -
—Claire riu —Mas, então, eu sou - não sou?

Meredith apertou a mão de Claire, — Às vezes eu me pergunto


quem realmente é. O que você quer me dizer?

— Até pouco tempo atrás - ele vinha me visitar.

*****

Meredith não sabia o que dizer. Ela sabia que era impossível-
Claire deve ter imaginado suas visitas. Meredith também acredita que
esta confissão seria mais bem compartilhada com um médico ou um
terapeuta. Talvez sua partida fosse benéfica e forçaria Claire para falar
com as pessoas apropriadas. Meredith não fez nenhum comentário. Em
vez disso, ela balançou a cabeça.

Claire continuou: — Ele não veio para o quarto - Nós estávamos


em outros lugares — sua voz -momentaneamente endurecida - — Eu
não gosto desse quarto - Nenhuma cor!

Meredith sorriu, — Eu concordo. Por que você não diz a Emily


que você quer a cor?

Embora seus olhos estivessem cobertos com os óculos de sol, cuja


necessidade com o pôr do sol tinha diminuído por cada minuto, eles
ficaram apavorados com a menção de dizer a Emily.

~ 336 ~
Meredith acalmou:

— Você não tem que falar com alguém que você não quer. Eu não
vou dizer nada. Você decide quando você está pronta para conversar
com os outros. Eu sei que quando você fizer isso, eles vão ficar
emocionados.

A respiração de Claire se acalmou. — Talvez só você, agora? -


Você é a única que diz o seu nome.

— O que eu posso dizer, eu sou uma má influência. Eu nunca fui


boa em seguir regras.

Claire se virou, sua voz era apenas um sussurro, — Eu tenho sido


muito boa.

Naquela noite, Meredith levou a Claire para seu quarto antes que
os alarmes soassem e os reforços chegarem. Ela debateu dizendo a
Claire sobre seu encontro iminente. Seu bom senso lhe disse para ficar
quieta; a pobre mulher tinha lidado com o suficiente, mas como ela
estava prestes a dizer boa noite, e Meredith estava preocupada com o
que Claire poderia pensar quando ela não voltasse, era porque ela não
queria, e uma vez que havia uma chance de que amanhã de manhã, ela
sairia acompanhada de Everwood sob custódia da polícia. Meredith não
podia permitir que Claire pudesse pensar que ela tinha abandonado.

Olhando ao redor da sala incolor, Meredith fez uma promessa a si


mesma se por algum milagre, ela fez isso através de amanhã, ela
compraria a Claire quadros, cortinas e uma colcha de cor.

— Claire, qual é a sua cor favorita?

Claire não tinha falado desde que voltou para a instalação.


Meredith não sabia por que, mas parecia que Claire não estava
confortável falando dentro dos muros de Everwood, enquanto ela estava
fora no jardim. Meredith viu quando Claire entrou no banheiro e pegou
sua escova de dente. Voltando, ela entregou a Meredith e sorriu um
sorriso-escondido o cabo era rosa. Entendendo sua palavra não dita,
Meredith assentiu e perguntou: — Você pode, por favor, colocar isso de
volta?

Quando Claire estava dentro do banheiro, Meredith seguiu logo


atrás. Para tranquilizar a amiga, Meredith falou em mais de um
sussurro, — eu não acho que o seu quarto é monitorado. Se fosse, eu
acho que já estaria em apuros por falar sobre o Tony. — Mudança de
expressão de Claire fez Meredith reconsiderar, finalmente, ela

~ 337 ~
continuou, — Por favor, me deixe falar eu não tenho muito tempo. Eles
vão querer saber onde eu estou.

Claire assentiu.

— Amanhã, tenho uma reunião com o seu médico principal e sua


irmã e seu cunhado.

Os olhos de Claire se arregalaram.

— Não se preocupe, eu não vou dizer a eles o que você realizou.


Lembre, eu disse que Emily fez um ótimo trabalho mantendo você e
Nichol longe dos olhos do público?

Claire assentiu levemente.

Meredith apressou, — eu sei que você lembra que eu sou uma


repórter. — Rapidamente, ela acrescentou: — Eu não estou aqui para
fazer uma história. Eu estou aqui porque eu quero te ajudar; mas Emily
não sabe que eu estou aqui. Eu posso ter mentido sobre algumas coisas
para conseguir esse emprego. Quando Emily e John descobrirem que eu
estive com você nos últimos meses

Os olhos de Claire se arregalaram novamente.

Meredith agarrou a sua mão. — Sim, Claire, tem sido meses.


Quando ficarem sabendo quem eu sou, e que eu menti, eu não terei
permissão de voltar a te ver.

Nova expressão de terror de Claire partiu o coração de Meredith.

Meredith continuou suas palavras ainda formando rapidamente,


— Eu sinto muito. Por favor, continue trabalhando, e seja honesta com
sua família. Eles te amam.

A voz de Claire era quase inaudível quando perguntou, —


Quando? -Quando é a sua reunião?

— Amanhã cedo. — Dando de ombros, Meredith acrescentou: —


No momento em que você terminar o seu café da manhã, eu poderia
estar sob a custódia da polícia. — De pé, ela continuou: — Eu só estou
dizendo a você para que você saiba que eu não vou te abandonar. Não
importa onde eu estou, estou pensando em você. — Colocando as mãos
nos ombros de sua amiga, ela acrescentou, — Claire, eu sei que você vai
continuar a melhorar e em breve você vai estar com a Nichol.

~ 338 ~
Antes de dar as emoções exigentes seu reconhecimento, Meredith
se virou. Em sua maior parte, mesmo a voz, ela chamou, — Boa noite,
Claire. Por favor, saiba que eu tenho fé em você.

As lágrimas não começaram até que ela estava em segurança no


final do corredor do quarto de Claire.

~ 339 ~
A vida não consiste em manter boas cartas, mas
em jogar aquelas que você segurar bem.

- Josh Billings

Capítulo trinta e seis


Espuma do mar de paredes verdes com rosa, azul, e amarelo das
tapeçarias adornava o pequeno viveiro ligado ao seu quarto. Em
comparação com o berçário que eles planejavam voltando à propriedade
em Iowa, ele era muito pequeno; No entanto, ele estava pronto para a
sua chegada. O berço, trocador, e cadeira de balanço foram todos feitos
à mão por artesãos locais, dando ao quarto um pouco da ilha e suas
maravilhas. Os lençóis e decorações coloridas, assim como a maioria
das roupas, fraldas e necessidades foram pedidos de todo o mundo.
Sem dúvida, foi um ajuste de espaço para um pequeno príncipe ou
princesa.

Quando seu bebê decidiu jogar tímido e não revelar o seu sexo,
Tony e Claire tomaram a decisão de esperar. Sem saber se eles estavam
tendo um menino ou menina adicionava à sua expectativa e discussões
diárias. Às vezes, eles falavam sobre as vantagens de uma filha e depois
proclamar as vantagens de um filho. Foi divertido ouvir como Tony
considerava as possibilidades de uma menina, alguém que iria se
transformar em uma jovem. Claire tinha pena do jovem que um dia iria
aparecer em sua porta para levar sua filha para um encontro. Sem
dúvida, tanto Claire e Tony sabiam como os homens poderiam se
comportar. As lembranças de seu tratamento com Claire perturbavam
Tony, a ideia de que alguém poderia fazer isso com sua filha estava
além de sua compreensão. Sem dúvida, a paternidade mudou sua
perspectiva. Que o tempo de sua vida, seu passado, era algo que Claire
não quis discutir ou lembrar. Infelizmente, foi o tema de discussão em
todo o mundo, apesar dos melhores esforços dos procuradores de
Rawlings o livro Meredith tinha sido recentemente publicado e estava
vendendo como louco.

Alegando acesso exclusivo ao relato em primeira mão de Claire, o


editor usando a questão de que Tony e Claire atualmente
desapareceram, aproveitou sua vantagem. Desde o seu lançamento,
Minha Vida Como Ela Não Apareceu tem estado em residência
permanente em ambas as listas dos mais vendidos do New York Times e

~ 340 ~
USA Today. Quase diariamente, Claire se arrependia de sua decisão de
levar ao público seu passado. Um dia, ela precisaria explicar para seu
filho como seus pais se conheceram. Ela só rezava para que não fosse
até depois de seu filho ser muito mais velho.

Outro assunto raramente discutido foi a coisa de Tony com o FBI.


Com sua data prevista se aproximando rapidamente, Claire se
perturbava facilmente. Às vezes, ela se encaixava; mais frequentemente
do que não, ela iria chorar. Não importa a reação dela, Claire não quis
considerar a possibilidade da prisão de Tony. Ela admirava sua força e
determinação, e sabia que enfrentar seus demônios não foi fácil para
ele. Nas noites em que ela acordava e ele saia, ela sabia que ele estava
lutando com emoção desconhecida que ele nunca tinha enfrentado
antes. Algumas noites, ele sentou na varanda ou andava na praia
sozinho. Na primeira, durante este tempo, Claire tentou aproximar dele.
Apesar de nunca ter explicado plenamente o seu estado de espírito, ela
acreditava que era mais sua incapacidade de verbalizar sua nova onda
de sentimentos, de sua falta de vontade para compartilhar. Suas
confissões não eram só a terra tremer com ela, mas em alguns aspectos
parar. Ele distanciou muito do aspecto humano com o que aconteceu o
que enfrentar foi difícil; no entanto, quando ela acordou com uma cama
vazia, Claire acreditava que Tony estava trabalhando através de outra
situação que só ele poderia compreender plenamente. Ela de bom grado
lhe deu o seu espaço.

Sem dúvida, apesar de tudo Claire não queria ficar sem Tony,
mesmo que por um curto período de tempo. Sua mente sabia de seus
pecados, mas seu coração tinha seu futuro seguro. Em sua imaginação,
eles viveriam pacificamente na ilha por mais um ano, enquanto o FBI
construiu um caso de ferro revestido contra Catherine. Quando eles
voltarem para Iowa, o testemunho e a honestidade de Tony iria ganhar
a absolvição completa. Com seu nome limpo, eles voltariam para Iowa e
viveriam felizes para sempre. Imaginou piqueniques em seu lago, com
ela em um cobertor, enquanto a brisa suave agitava as folhas e Tony
ensinava seu filho a pescar. Claire sabia que era uma fantasia; mas em
muitas ocasiões, sustentava.

A suavidade do cobertor do bebê acariciou seus dedos enquanto


ela suavemente embalava e contemplava o seu futuro. Claire realmente
não tinha ideia do que seria como ser mãe. Ela poderia fazer isso? Ela
não sabia. Ela sabia que não queria fazer isso sozinha. No passado,
quando sua vida se revezava em imprevistos, Claire tinha sobrevivido
concentrando em si mesma e suas respostas. Agora tudo era diferente.
A vida era muito mais do que ela, e mais de Tony, era sobre seu filho.

~ 341 ~
Por mais que ela desejava a família perfeita, a incerteza de seu futuro
pairava onipresente. Era como uma névoa que escoa inesperadamente
em suas vidas diárias, rolando dentro do mar e enchendo os cantos de
uma sala. Talvez por isso Claire adorasse o sol; ele dissipava o nevoeiro
e fazia tudo claro.

— Blaine. — Voz de barítono de Tony permeou a neblina e trouxe


a luz solar para o pequeno viveiro.

Claire libertou as mãos do cobertor de bebê branco e sorriu, igual


o brilhante sorriso de seu marido. — O quê? — Ela perguntou.

— Eu estava procurando nomes em linha e encontrei o nome de


Blaine - Eu gosto disso!

— Para um menino ou uma menina?

Tony inclinou a cabeça para o lado. — Pode ser os dois?

— Eu acho, mas eu gosto de um menino, — Claire murmurou. —


Blaine Rawlings... Sim, eu gosto disso, mas eu pensei que você queria
um nome que poderia ser reduzido?

— Eu queria, mas eu acho que soa real. O poderíamos chamar de


B ou algo para encurtar.

— E sobre Anthony para um nome do meio?

Sufocando uma risada, Tony respondeu: — Suas iniciais seriam


BAR - Eu não penso assim.

— Seria apropriado se ele se tornasse um advogado.

— Ou um bêbado, sim, para Blaine, não, para Anthony.

— Anton?

Tony apertou os lábios e balançou a cabeça.

Claire deu de ombros. — Bem, pelo menos estamos mais perto.

Tony se ajoelhou ao lado da cadeira de balanço. — Francis fez


arranjos. Após a consulta da próxima semana com o Dr. Gilbert, vamos
ficar na cidade.

— Eu prefiro estar aqui.

— Eu prefiro ter você lá, mais perto do médico. Assim que você e
nossa pequena serem declarada saudável, vamos voltar.

~ 342 ~
Claire sabia, por experiência, alguns argumentos jamais seriam
vencidos. Se na mente de Tony já está definida, raramente ela tem uma
chance de mudar. — Eu deveria arrumar algumas coisas.

— Madeline já arrumou as malas para nós e para o bebê - Quero


dizer, Blaine ou...?

Claire sorriu. — Alyssa?

— Raquel?

De longe, o barulho de um avião infiltrara sua consciência.


Ambos se acalmaram e esperaram para que ela passasse. Logo, tornou
um rugido, indicando sua maior proximidade com a sua ilha. Os olhos
de Claire se arregalaram. — Oh, você acha que é Phil?

Estando em linha reta, Tony respondeu: — É melhor que seja.

Eles fizeram o seu caminho para a varanda, seguidos logo por


Madeline e Francis. Quando o pequeno avião a hélice veio para um
pouso suave na lagoa, Tony disse: — Eu vou para a praia.

Dias de excursões de Claire foram diminuidos. Mesmo andando


para a praia foi uma luta. Além de seu tamanho aumentado, ela
ultimamente tinha sido atormentada por dor lombar intermitente.

Francis ofereceu, — Monsieur, eu vou com você.

Tony assentiu. Os homens desapareceram na vegetação à medida


que percorreram o caminho em direção ao mar. Madeline comentou:

—Madame El, você deve sentar.

— Ainda não. Quero ver quem sai desse avião. Eu quero ter
certeza que é Phil.

— É claro, quem mais seria?

Isso é o que preocupa Claire. Supostamente, eles estavam


escondidos, mas o que realmente seria tão difícil para o FBI para
encontrar eles? Como ela e Madeline observavam, a porta do avião se
abriu. Ao ver os cabelos brancos, Claire exalava.

— Agora, Madame El, você pode sentar. Os homens estarão aqui


em breve.

— Vou me sentar. Você pode, por favor, nos levar um chá gelado?

— Oui, certifique de que você coloque os pés para cima.

~ 343 ~
Parecia que Claire nunca faltou para pessoas dispostas a lhe dizer
o que fazer. No momento em que ela se acomodou na poltrona, as vozes
dos homens flutuavam em alcance. Fechando os olhos, ela sentiu seu
sorriso crescer. Ela não podia acreditar o quão animada estava para ver
Phil novamente. Embora ele só tivesse ido embora da ilha por dois
meses, parecia muito mais tempo; Então, sem aviso, as vozes se
desvaneceram como o rugido do avião afogado momentaneamente fora
de todo som. Claire olhou para cima a tempo de ver o pequeno avião
branco sair da lagoa.

Quando os três homens entraram na sala, Claire ficou sem jeito.


Ela não conseguia esconder a sua felicidade como ela colocou os braços
ao redor Phil com um abraço de boas-vindas. — É tão bom ver você. —
Lágrimas brilhavam como os olhos verdes brilhavam com sinceridade.
— Obrigada por ter feito todo o caminho de volta aqui.

Ele se inclinou para trás e tomou a aparência de Claire. — Meu


Deus, senhora Alexander, parece que você está prestes a ter um bebê!

— Sério? — disse ela, colocando pressão no fundo das costas e


arqueando os ombros, — Eu não tinha notado. Eu pensei que estava
apenas curtindo a boa cozinha de Madeline e um pouco demais.

Tony riu. Baixando a voz, ele inclinou para Phil. — Cuidado,


alguém que deve permanecer anônima, tem sido cada vez mais sensível
ultimamente.

Claire olhou para o marido. — Depois de levar em torno de 25


quilos extra em 30 e poucos graus de calor por meses, então vamos
discutir é sensível.

Os homens sorriram conscientemente um ao outro.

— Bem, — disse Claire com um beicinho fingido que ela voltou a


se sentar.

— Monsieur Roach? — Interrompeu Francis. — Você gostaria que


eu te mostrasse o seu quarto?

— Obrigado, Francis, mas se é o mesmo, eu sei o caminho. —


Virando para Tony e Claire, ele acrescentou: — Se vocês não se
importam, eu gostaria de me limpar depois de tanto tempo de voo.

Esquecendo sua sensibilidade, Claire sorriu. — Por favor, sinta


em sua casa. Estamos tão felizes p