Você está na página 1de 8

Isis, o Trono do Egito: análise das representações da

deusa e do poder régio no Egito do Reino Novo.


Nely Feitoza Arrais
UFRRJ
Resumo: Ísis era uma das deusas mais antigas do panteão egípcio. Sua origem é a região do XIIº nomo do
Baixo-Egito, de nome “A vaca e seu bezerro”. De deusa local, o culto a Ísis foi, aos poucos, expandindo-se por
todo território egípcio. Em relatos míticos do Reino Médio Ísis associa-se fortemente à Osíris, outro deus
originário do Baixo Egito, seu irmão e marido. Neste momento o atributo de esposa acompanha o de mãe e,
com poucas nuances, persiste a imagem do casal divino até o final do Reino Novo.

Résumé: Isis était une des plus anciennes déesses du panthéon égyptien. Son origine c’est la région du XIIe
nome de Basse-Égypte, nomée "La vache et son veau". Le culte d'Isis s'étendait progressivement à travers le
territoire égyptien. Dans les récits mythiques du Moyen Empire, Isis est fortement associée à Osiris, un autre
dieu de Basse-Egypte, son frère et son mari. A ce moment l'attribut de la femme accompagne celui de la mère
et, avec quelques nuances, l'image du couple divin persiste jusqu'à la fin du Nouvel Empire.

A presente comunicação é o resultado de uma pesquisa iniciada este ano sobre a


representação e simbologia reais no Antigo Egito. O marco inicial foi um desafio propiciado
pela Universidade de Valencia que nos convidou a participar de um congresso intitulado “La
visión especular: el espejo como tema y como símbolo” Facultad de Geografía e História de
la Universitat de València Em abril do ano de 2016. Nossa apresentação foi sobre “El espejo
de Cleopatra: salud y belleza en el Egipto helenístico”, fiz a análise sobre a tradição egípcia
em conjunto com o Professor Marcos José de Araújo Caldas (IM-UFRRJ), responsável pela
parte greco-romana. A partir de então, várias questões foram levantadas, entre elas a própria
visão da historiografia atual sobre o simbolismo régio e a resultante interpretação das
estruturas de poder egípcias.

Como área de estudo, sempre me dediquei às condições materiais da sociedade


egípcia e suas relações com a organização social. O foco destes estudos reside na propriedade
fundiária e o domínio do excedente agrícola. A análise dos aspectos simbólicos relacionados
à deusa Ísis, propiciou novas indagações sobre a interpretação da monarquia faraônica e todo
o contexto ideológico que o perpassa.

A historiografia egiptológica sempre se apegou a análise da simbologia entre Hórus


e Seth e a unidade do poder faraônico. Em uma sociedade eminentemente agrícola (como,
aliás, toda a humanidade até nossa fase industrial recente) os aspectos agrários das divindades
seriam a chave para uma leitura mais próxima desta sociedade. O foco no faraó e suas
características de poder explica muito, mas, embota outras formas de visão. A análise do
poder, tendo por base a política como centro, tal como tem sido feita pela historiografia
clássica, nos permite uma aproximação enviesada sobre uma sociedade que não conhecia o
próprio termo política. Em uma sociedade que desconhece este termo, analisá-la
primordialmente por este, nos parece demasiado reducionista. Atende a nossos olhos e não
aos dos egípcios. Por isso a tentativa do recorte especificamente agrário, logo de enfoque
econômico do sistema de poder que se manteve nesta sociedade. Vários desafios se
colocaram e todos tiveram o olhar do político como entrave. Claro está que respondemos a
nosso tempo e não pretendemos ser uma egípcia integral (embora ficássemos felizes se o
conseguíssemos).

O contato com a história da deusa Ísis e de seu consorte Osíris, possibilitou novos
pontos de análise que nos parecem promissores. A História destes já é por demais conhecida,
mas, a leitura, a qual me proponho agora, tem como foco principal entender a monarquia
pelo casal divino e não mais pela luta entre Hórus e Seth, embora esta seja uma parte
indispensável do tema.

Ísis, transformações de uma deusa.

A tradição religiosa egípcia não se baseava em escritos teológicos, o que nos dificulta
a compreensão das histórias divinas. Nada parecido com a história linear do mito na obra de
Plutarco (Sobre Isis e Osiris, um dos escritos integrantes da Moralia), pode ser encontrado na
tradição faraônica clássica. Plutarco foi o grande responsável por transmitir a história da
morte de Osíris e seu desmembramento por Seth, assim como a busca pelo corpo e sua
reconstituição por parte de Ísis, sua esposa e irmã, culminando com sua ressurreição e sua
ascensão como Senhor dos Mortos. A história aí apresentada, contém muitos elementos da
mitologia e da construção discursiva grega para narrar os fatos de forma a que fizesse sentido
aos seus pares. Certamente Plutarco teve informações dos sacerdotes egípcios do período
ptolomaico sobre elementos propriamente egípcios de sua obra, mas não se pode tomar a
concepção herdada do período ptolomaico como essencialmente egípcia.
A deusa Ísis, tal como a conhecemos no Reino Novo, é, ela própria, resultado de
milênios de tradições em torno de uma mesma potência divina. Ísis era uma das deusas mais
antigas do panteão egípcio. Originalmente, o símbolo de Ísis era o hieróglifo st , símbolo
do trono, do qual deriva seu próprio nome (em egípcio Iset). Sua origem provável é a
região do décimo-segundo nomos do Baixo-Egito, cujo nome em egípcio , Tjeb-netjer,
(HANNIG, 2001, p.1405) refere-se a um dos aspectos essenciais da deusa como nutriz
divina: “A vaca e seu bezerro” (DUNAND, 2008, p.21). O nomos , palavra de origem grega
empregada pelo Lágidas para designar as divisões territoriais regionais tradicionalmente
identificadas pelo termo egípcio spat , cuja tradução aproximada pode ser província
administrativa, constituía-se como unidade administrativa-territorial básica do Egito
faraônico. Essas divisões administrativas tinham por base grupos organizados localmente
ocupando uma região mais ou menos delimitada do território egípcio e que se distinguiam
entre si tendo mesmo, cada qual, o seu deus principal. A forma como se apresentam a divisão
e organização do território egípcio reforça a tese do caráter local de poder baseado nas
comunidades aldeãs egípcias anteriores a unificação do Estado, sendo este, provavelmente,
resultante de conflitos e contínuas conquistas por parte de chefes locais que estenderam seus
raios de ação e dominação por várias comunidades até conformar-se a centralização em torno
de um único líder, o faraó (HUSSON, e VALBELLE, 1994, p.51).

Os símbolos totêmicos dos nomoi, remetem-se a esse período anterior à unificação.


Pela localização do templo de Ísis do período ptolomaico conhecido como Iseum de grandes
dimensões, na mesma região do 12º nomos, presume-se uma devoção local à deusa de grande
antiguidade (ARNOLD, 2000, p.114). Com efeito, seu nome e os elementos básicos de suas
características já aparecem nos Textos da Pirâmides. Estes textos compõem o mais antigo
corpo de escritos religiosos do antigo Egito, sendo, também, os mais antigos textos
representativos de sua literatura. Foram encontrados nas pirâmides de dez reis e rainhas na
necrópole de Mênfis, capital do Egito no Reino Antigo. Descobertos por Auguste Mariette
e Gaston Maspero (1880) Os textos das Pirâmides refletem provavelmente uma tradição oral
mais antiga (KOSACK, 2013). A fixação dos textos foi apenas um evento na grande herança
que a civilização egípcia nos legou. Do ponto de vista da continuidade desta herança os textos
podem ser encontrados em quase toda tradição literária religiosa posterior até pelo menos o
período romano. Assim, fórmulas e citações são repetidas na literatura mortuária do Reino
Médio como nos Textos dos sarcófagos, mas também, encontramos funerais citando
exclusivamente os textos das pirâmides. Também em passagens do chamado livro dos
mortos do Reino Novo excertos e inserções são encontrados. Todas estas interseções
indicam a grande importância destes textos na cultura egípcia em geral. Refletem um sistema
religioso que, muito antes de ser fixado, os egípcios haviam pensado e formulado sobre a
vida e o destino do homem após a morte.
Nos Textos das Pirâmides aparecem uma série de epítetos ligados à deusa: Irmã do
Rei (tornado Osíris); provedora de leite; barca do dia (que ostenta o Uraeus, o diadema
portador da magia); Senhora de Pe (cidade sagrada no Delta associada a Uadjet a deusa
cobra); Mãe; a Grande; a Carpideira. O traço marcante de deusa-mãe se destaca, bem como
o de irmã-esposa de Osíris. Elementos básicos da história de Ísis e Osíris conhecidos em
Plutarco já aparecem nestes textos, mas, como é característico desta fonte, sem uma
organização clara de início-meio-fim.

A história conhecida como “O nascimento de Hórus” compilada em sarcófagos do


Primeiro Período Intermediário, relata as estratégias de Ísis para salvar seu filho ainda o
ventre das tentativas de ataque de Seth. Há aqui um fortalecimento da intervenção mágica
por parte de Ísis, revelando os aspectos básicos da “Grande da Magia” que será conhecida
no Reino Novo. Nos relatos míticos do Reino Médio Ísis associa-se fortemente à Osíris,
outro deus originário do Baixo Egito, seu irmão e marido. De deusa local, Ísis foi aos poucos
expandindo-se por todo território egípcio, tornando-se uma de suas deusas mais populares.
O atributo de esposa acompanha o de mãe e, com poucas nuances, persiste a imagem do
casal divino até o final do Reino Novo. A partir de então, Ísis concentrou atributos variados
de diversa deusas-mães, dentre elas a deusa Háthor (a casa de Hórus), cuja essência é o amor
criador e mantenedor da vitalidade. É oriundo de Háthor o atributo mais conhecido da deusa,
os chifres de vaca que envolvem o disco solar .
No Reino Novo, a figura de Ísis está presente principalmente nas representações
funerárias. Os hinos de Osíris são muito populares nesse período como o Grande hino a
Osíris encontrado em uma estela datada da XVIIIa dinastia e que se encontra atualmente no
Louvre (ARAÚJO, 2000, p.338). É, principalmente, sobre este hino que podemos retirar a
versão propriamente egípcia da história do casal divino. Nele a figura de Ísis destaca-se como
a grande protetora do deus e da ordem cósmica pois era “perfeita na palavra de comando”
(ARAÚJO, 2000, p.342). Isto exalta a proeminência da figura de Ísis como uma das deusas
protetoras por excelência. Se a Osíris é atribuída a vida em sua forma vegetante e lembrado
como ele foi o responsável pela educação dos homens que possibilitou a formação da
sociedade humana, a Ísis cabe a proteção desta ordem assim instituída.
A partir das considerações acima, retomamos nossa argumentação em torno da
monarquia divina e suas relações com a representação do casal divino Ísis e Osíris. As
primeiras referências aos deuses resgatadas nos Textos das Pirâmides dão-nos conta da
estreita relação entre a fertilidade da terra, o domínio da agricultura e o controle do
conhecimento destes elementos como básicos para a própria noção de monarquia. Em um
trecho do Hino a Osíris, acima mencionado, podemos destacar as seguintes passagens:

Ó, primordial das Duas Terras unidas,


o que nutre diante da Eneáda,
akh perfeito entre os akhu!
para ele são trazidas as águas do Nun,
para ele o vento do Norte sopra para o sul
(e) o céu cria o ar para seu nariz
a fim de que fique satisfeito o seu coração.
as plantas brotam segundo seu desejo,
para ele a terra faz crescer os alimentos.
(Grande Hino a Osíris, apud ARAÚJO, 2000, p. 340)
(...)
Herdeiro de Geb na realeza das Duas Terras,
este viu sua perfeição e deu-lhe (a realeza)
para levar as terras à felicidade
ele pôs este país em suas mãos,
sua água, seu vento,
suas plantas e todos os seus rebanhos,
tudo o que voa, tudo que pousa,
seus répteis e seus animais do deserto.
(Tudo) foi dado ao filho de Nut
e as Duas Terras rejubilam-se com isso,
ele é o que surge no trono de seu pai.
Como Rá (quando) se levanta no horizonte,
Jorra luz sobre as trevas
Ilumina a escuridão com suas duas plumas
E inunda as Duas Terras como o disco solar no amanhecer.
(Grande Hino a Osíris, apud ARAÚJO, 2000, p. 342)

A ligação de Osíris com os elementos conformadores da natureza é marcante. As


águas, o ar, a fertilidade, a reprodução, os animais, enfim, como diz o próprio texto, tudo foi
dado a ele, o herdeiro de Geb. A realeza que lhe é cedida tem por objetivo trazer a felicidade
às duas terras pela abundância da natureza e ele é até mesmo comparado ao disco solar ao
amanhecer. Essa visão do domínio de Osíris sobre o mundo torna mais claro o lugar que lhe
é dado no processo de conclusão da criação divina. O governo de Osíris apresenta
características cosmogônicas: é ele o fecho da Criação. O universo criado, perfeito e
completo lhe foi dado. Nasce dele o mito da realeza divina como o elemento mantenedor da
obra dos deuses primordiais: ele é a terra do Egito, criação perfeita dos deuses, e Ísis a
garantia da manutenção desta realeza, por isso ela é o próprio trono. O desequilíbrio nasce
da intervenção de Seth, irmão de Osíris que usurpa o lugar deste através da potência que lhe
é própria, a violência.

Nesse momento do mito o embate entre Maat (justiça-verdade) e Isefet (injustiça-


iniquidade) se instala. Como forças criadoras os deuses primordiais representam a ação sobre
o universo amorfo e indefinido. A criação é antes de tudo o agir dos deuses sobre o mundo.
A criação termina na ascensão de Osíris. Sua morte é a ameaça de um retorno ao indefinido,
pois, quebrou-se a ordem estabelecida. A garantia da ordem cósmica é então restabelecida
pela intervenção de Ísis que gera um filho póstumo de Osíris. Este se torna Senhor dos
Ocidentais, os mortos. Seu filho, Hórus, deve então lutar para recuperar o lugar de seu pai,
mas, houve aí uma quebra de continuidade. Osíris torna-se um ‘justo de voz’, um morto,
logo, afasta-se do universo das potências do mundo ativo. Hórus é representado como um
deus fraco fisicamente em comparação ao seu tio, Seth. No entanto, a força de Hórus está
em seu próprio nascimento. Ele é filho da Terra (Osíris) e do Trono (Ísis). A violência de
Seth aproxima-se do universo de Isefet, a contínua ameaça à ordem. Por isso, Seth não se
legitima no poder. Hórus, porém, aprende desde o início que seu governo depende do
controle sobre as ações que conduzem ao desequilíbrio. É dele que os homens herdam o
trono do Egito. Todo faraó é Hórus no trono e é este último o lugar mágico que o define. A
ascensão de um humano ao trono o transforma em deus pois ele nasce do trono, como
Hórus nasceu de Ísis.

Ísis, deusa-mãe e nutriz do mundo.

O papel da deusa Ísis na formação cosmogônica é o de garantir a ordem instalada


pelo processo final da criação. O trono do Egito representa o nascimento da monarquia
divina. Logo, o rei garante a própria ordem do universo. Todas as suas ações são rituais
necessários para a manutenção da obra dos deuses. No mesmo documento citado acima
encontramos a ação da deusa como vital para o estabelecimento da ordem monárquica.

Sua irmã protege-o,


Ela desvia os inimigos,
Impede as ocasiões de distúrbio
Proferindo os conjuros com sua boca,
A hábil em sua língua
Cujas fórmulas (mágicas) não falham, perfeita na palavra de comando.
Ísis, a akhet, protetora de seu irmão,
Busca-o sem fadiga,
Percorre em luto este país, não repousa enquanto não o encontrar.
Ela faz sombra (sobre ele) com as (suas) plumas,
Produz ar com suas asas,
Faz aclamações e junta-se a seu irmão.
Ela ergue da inércia (da morte) O-fatigado-de-coração,
Recebe sua semente, engendra o herdeiro,
Amamenta a criança na solidão de um lugar desconhecido
E a conduz (até) seu braço ornar-se forte
Na grande sala de Geb.
(ARAÚJO, 2000, 342-343)

Assim, a ‘Grande da Magia’, é a que mantém a concretização do poder, ou seja, a


monarquia hereditária em si. Ela garante não apenas o retorno do irmão, permitindo que este
torne-se o rei do mundo inferior, mas também a condução da monarquia divina no mundo,
ao estabelecer, pela sua luta e intervenção mágica, Hórus em seu trono. Este papel de
protetora e de potência mágica, faz de Ísis a deusa por excelência para a intervenção no
mundo humano em si. Principalmente contra as ameaças de animais peçonhentos, muito
temidos no antigo Egito. Na Estela de Metternich, atualmente no Metropolitan Museum de
Nova Iorque, temos gravada uma prática muito popular no Reino Novo, isto é, o uso de
fórmulas mágicas para a cura de doenças e envenenamentos. Nesta estela temos a história de
Ísis e os Sete escorpiões a qual narra o envenenamento e a cura de Hórus
criança(BORGHOUTS, 1978), com a intervenção de Thot e a promessa de que aquelas
frases poderiam ser usadas por qualquer ser vivente. A figura de deusa nutriz também é
muito venerada no Reino Novo. Com efeito, a deusa é a ‘provedora de leite’ do faraó, como
já se atestava nos Textos das Pirâmides milênios atrás. Sua representação amamentado Hórus
criança, foi muito popular nesse período.

Conclusão
Ao visitar o Egito, no século V a.C., portanto quinhentos após ter findado o período
aqui analisado, Heródoto pode afirmar em sua investigação sobre que o local adora muitos
deuses e que se diferenciam de uma região à outra, mas, afirma: “Em verdade, não há deuses
cultuados conjuntamente por todos os egípcios, à exceção de Ísis e Osíris (eles dizem que
este último é Diônisos); estes são cultuados por todos igualmente.” (HERÔDOTOS, 1988, Livro
II, 42, grifo meu). A popularidade do casal divino permaneceu ao longo de sua história, assim
como a instituição a qual eles fornecem a base: a monarquia divina centrada no Hórus vivo.
BIBLIOGRAFIA

ARAÚJO, Emanuel (2000), Escrito para a Eternidade a literatura no Egito faraônico,


Brasília: UNB.

ARNOLD, Dieter (2000), Lexikon der Ägyptischen Baukunst, Düsseldorf: Albatros Verlag.

BORGHOUTS, J.F. (1978) Ancient Egyptian Magical Texts. EJ Brill: Leiden.

DUNAND, Françoise (2008), Isis, Mère des dieux. Arles: Actes Sud.

HERÔDOTOS, (1988) História, (int. e trad. Mário da Gama Cury), UNB:Brasília.

HELCK, Wolfgang (1974), Die Altägyptischen Gaue, Wiesbaden: Reichert.

HUSSON, G. e VALBELLE, Dominique (1992), L’État et les Institutions en Égypte: des


premiers pharaons aux empereurs romains. Paris: Armand Colin.

KOSACK, Wolfgang, (2013), Die altägyptischen Pyramidentexte in neuer deutscher


Übersetzung. Berlin: Verlag Christoph Brunner.

QUIRKE, Stephen (1990), The Administration of Egypt in the Late Middle Kingdom. New
Malden: Sia Publ.

SETHE, Kurt (1910) Die altaegyptischen Pyramidentexte nach den Papierabdrücken und
Photographien des Berliner Museums, Leipzig: Hinrichs.