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Economia A - 11º ano - Módulo IV

Unidade 10 - Relações Económicas com o Resto do Mundo

Balança de Pagamentos
Sistema de contas onde se registam todos os fluxos económicos que entram e saem de um país. É um
instrumento de análise económica que permite tirar conclusões sobre a situação económica do país e a sua
maior ou menor dependência do exterior.

Esta balança subdivide-se em:

Balança Corrente, que inclui:

 mercadorias
 serviços (inclui royalties, marcas, franchising, copyrights ou outros ativos não financeiros)
 rendimentos
 transferências correntes

Balança de Capital, que inclui:

 Transferências de Capital (perdão de dívidas entre países, património que os emigrantes trazem
quando regressam definitivamente, fundos da UE)
 aquisição/cedência de ativos não produzidos não financeiros

Balança Financeira, que inclui:

 investimento direto
 investimento de carteira
 derivados financeiros
 outros investimentos
 ativos de reserva

Erros e Omissões

As políticas comerciais e organização do comércio mundial

Protecionismo
Defende a intervenção do Estado no que respeita à proteção das indústrias nacionais contra a concorrência
externa. Consiste no comércio com obstáculos tendo em vista a proteção da produção nacional. O
protecionismo não é contra a abertura da economia nacional ao exterior, mas adota medidas que levem a
que esse comércio não seja de grande quantidade, com o objetivo de favorecer a economia nacional. A
autarcia é assim uma forma extrema de protecionismo, pois consiste no isolamento voluntário adotado por
países que se pretendem desenvolver sem articulação com outras economias.
Principais instrumentos:

 Barreiras alfandegárias (tarifárias ou não tarifárias) - tarifárias - direitos aduaneiros cobrados aos
produtos importados; assim os bens tornam-se mais caros para quem os adquire, fazendo diminuir as
importações (são impostos que tornam os produtos vindos do exterior mais caros) ; as não tarifárias são
a contingentação (que consiste na fixação de limites em quantidade de um bem importado)
 Subsídios à exportação - servem para encorajar as empresas exportadores a produzirem mais bens para
o Resto do Mundo (o Estado fornece subsídios aos produtores para tornarem os produtos mais baratos)
 Desvalorização da moeda - a moeda nacional passa a valer menos, o que torna os produtos exportados
mais baratos, fazendo aumentar as exportações
 Existe ainda o dumping que consiste na venda de produtos a baixo do preço de custo ou a preços
inferiores aos que são praticados em território nacional

Vantagens e inconvenientes do protecionismo:

O protecionismo é apenas justificável para empresas novas (indústrias nascentes), pois esta ainda não está
preparada para enfrentar a concorrência. Esta protecionismo deve ser sempre temporário, limitado e
exclusivo para que estas empresas se possam adaptar ao mercado. Este protecionismo justifica-se também
pela proteção dos postos de trabalho, pois sem esta proteção inicial existe uma grande probabilidade de
falência de novas empresas. No entanto, o protecionismo tem efeitos perversos, pois as razões alegadas
para a sua implementação (como tornar as indústrias nascentes mais sólidas e competitivas), acabam por se
voltar contra o desenvolvimento. As indústrias que beneficiam desta situação de exceção se acomodem aos
lucros fáceis, devido à ausência de concorrência, e acabam por não tomar medidas para se prepararem para
os mercados e para a concorrência. Assim, o protecionismo, acaba por não estimular a adaptação da
economia à concorrência externa. Foi o que sucedeu com a indústria portuguesa, f ortemente protegida na
década de 50.

Livre-cambismo
Defende que o comércio internacional deve funcionar segundo as leis de mercado, sem intervenção estatal.
Consiste no comércio sem obstáculos nem encargos.

Nesta política surgem 2 teorias:

 Teoria das vantagens absolutas - cada país deve especializar-se na produção dos bens para os quais é
mais dotado, libertando os outros países para a produção dos outros bens; dar-se-ia uma divisão do
trabalho a nível internacional - Divisão Internacional do Trabalho (DIT) - que beneficiaria todos,
originando bens mais baratos e de melhor qualidade (devido à especialização) e aumentar o comércio e
a produção mundial
 Teoria das vantagens comparativas - mesmo se um país conseguir produzir todos os bens com mais
vantagens, ele deverá deixar a produção de alguns bens para outros países; um país deverá especializar-
se na produção do bem para o qual é menos ineficiente

Organização Mundial do Comércio (OMC)


Sucessora do GATT, esta organização tem como objetivo principal promover a liberalização do comércio a
nível mundial.
Unidade 11 - A Intervenção do Estado na Economia

Funções e organização do Estado


O Estado pode definir-se como sendo uma sociedade politicamente organizada, fixa em determinado
território, que lhe é privativo e tendo como características a soberania e a independência.

Tradicionalmente são atribuídas 3 funções ao Estado.

Funções jurídicas:
 Legislativa - elaboração de leis (Assembleia da República)
 Executiva - concretização de leis, colocando-as em prática (Governo)
 Judicial - administração da justiça (Tribunais)

Atualmente, também se reconhecem mais 3 funções.

Funções não jurídicas:

 Política - garantir a satisfação dos interesses gerais da comunidade


 Social - criar condições necessárias para o bem-estar da comunidade
 Económica - favorecer o desenvolvimento económico, criando infraestruturas

Os poderes e competências do Estado são atribuídas aos seus órgãos de soberania:

 Presidente da República - eleito de 5 em 5 anos, detém várias competências definidas na


Constituição da República Portuguesa
 Assembleia da República - representa todos os cidadãos e é constituída no mínimo por 180
deputados e no máximo por 230; as suas competências também vêm expressas na Constituição
 Governo - órgão superior da administração pública
 Tribunais - órgão de soberania com competência para administrar a justiça; compete-lhe a
independência, assegurar a defesa dos direitos dos cidadãos, reprimir a violação da legalidade
democrática e resolver os conflitos de interesses público/privados

Estrutura do Setor Público


O Estado desenvolve 2 tipos de tarefas: as atividades relacionadas com a satisfação das necessidades
coletivas (justiça, segurança, saúde, educação), e as atividades de produção de bens e serviços. O Setor
Público :

 Setor Público Administrativo (SPA) - trata dos assuntos de interesse geral para o país, visando a
satisfação das necessidades coletivas não tendo fins lucrativos; este procede à redistribuição do
rendimento através dos impostos, taxas e contribuições
 Setor Empresarial do Estado (SEE) - setor produtivo do Estado; é através deste setor que o Estado
intervém na economia como empresário; incluem-se as empresas públicas, em que o capital é
totalmente do Estado, as empresas mistas, cujos menos de 50% dos capitais são públicos; e as
empresas intervencionadas, que o Estado apoia temporariamente em situações que considera
críticas
Nacionalizações: consiste na transferência de uma empresa (agrícola, industrial, comercial) para o Estado,
com ou sem indemnizações aos antigos proprietários. As razões são:
 a grande importância que a empresa tem para o país, pelo que a empresa deve passar para o Estado,
visto que este preserva melhor os interesses da coletividade
 a situação de desagregação de algumas empresas, de forma que é previsível a sua falência; esta
deve passar para o Estado de maneira a evitar o desemprego dos trabalhadores

Fatores que justificam as nacionalizações:

 importância da empresa;
 situação de desagregação da empresa;
 não satisfação das necessidades das populações;
 má administração e boicote ao desenvolvimento.

Privatizações: O Estado aliena, totalmente ou em parte, o capital de uma empresa pública, passando este
para a posse de entidades privadas. Estas operações são efetuadas nas Bolsas de Valores.

Objetivos das privatizações:

 redução da dívida pública;


 modernização e aumento de competitividade das unidades económicas;
 reforço da capacidade empresarial nacional;
 redução do peso do Estado na economia;
 desenvolvimento do mercado de capitais;
 maior difusão da propriedade de ações entre a população.

Após o 25 de Abril de 1974, deu-se um processo maciço de nacionalizações. A partir de 1978, o processo
começou a inverter-se e algumas das empresas nacionalizadas foram devolvidas. Por outro lado, enquanto
se preparava a revisão da Constituição de 1989, o Estado foi privatizando até 49% do capital de algumas
empresas públicas, sendo o limite máximo permitido até então.

Depois da revisão da Constituição, em 1989, passou a ser possível efetuar privatizações de 100% do capital.
Atualmente, a tendência é de reduzir a intervenção do Estado e do seu setor empresarial.

As privatizações mais significativas foram na banca, nos seguros, nos transportes rodoviários, nas
telecomunicações, no petróleo, na siderurgia, nos cimentos, na pasta de papel, na alimentação, nas cervejas
e no tabaco. As receitas obtidas com as privatizações ajudaram a diminuir significativamente a dívida
pública.

A intervenção do Estado na atividade económica


O papel do Estado na atividade económica pode assumir vários contornos. O Estado pode ser pouco
interventivo, intervindo apenas politicamente e deixar o mercado autorregular-se (Estado liberal) ou pode
ter um papel mais interventivo, interferindo em determinados assuntos privados, e diretamente no
funcionamento dos mercados (Estado intervencionista).

Estado liberal - O Estado liberal surge no século XVIII como resultado das revoluções liberais em França e
Inglaterra. Este assenta em pressupostos como a propriedade privada, redução do poder político, ordem
espontânea, igualdade perante a lei e funcionamento livre do mercado. Este posicionamento do Estado
corresponde ao início do capitalismo. O capitalismo, assenta na liberdade de iniciativa (possibilidade de
qualquer indivíduo utilizar os seus meios de produção na atividade produtiva) e na liberdade de
concorrência (qualquer empresa pode competir com as outras, em qualquer ramo de atividade).

Estes tipos de liberdade, aliados à existência de muitas empresas de pequena dimensão, fizeram com que a
esfera económica ficasse reservada às empresas privadas, movidas pelo lucro. Surgiram os monopólios e os
oligopólios, característicos de um mercado de concorrência imperfeita.

Começa a iniciar-se uma crise, devido ao Estado não ser capaz de dar resposta às questões sociais; o
mecanismo de mercado não conseguia resolver todos os problemas através da sua autorregulação. A crise
económica, originada nos EUA (1929) devido a um excesso de produção face à procura, que os produtores
não conseguiam fazer escoar, provocou um aumento dramático do desemprego, que se fez sentir em todo o
mundo. Assim, John Maynard Keynes, economista, defende como resposta à crise, que o Estado deveria
alargar a sua intervenção a determinadas áreas de cariz social. Defende, ainda, que o investimento efetuado
pelo Estado poderia contribuir para criar emprego, e assim, gerar mais rendimento.

Estado intervencionista - Perante esta incapacidade de as leis do mercado regularem a economia, o Estado
foi forçado a intervir. Começou pela nacionalização de vários setores vitais da economia, relacionados com
bens essenciais para a sociedade (eletricidade, gás, carvão). O Estado passou a assumir a responsabilidade
de garantir melhores condições sociais, nomeadamente aos mais necessitados, criando um sistema de
Segurança Social, começando a redistribuir os rendimentos do país e criando subsídios. Assim, o Estado
assume um papel protetor dos cidadãos, garantindo condições de vida condignas.

Hoje é frequente assistir-se à intervenção do Estado de diversas formas:

 condução de políticas anticrise, através de instrumentos fiscais, monetários e de controlo de preços;


 dinamização da economia;
 fiscalização dos agentes económicos;
 regulação da atividade económica;
 constituição de um setor público empresarial.

Funções económicas e sociais do Estado


O mercado por si só não é capaz de garantir a eficiência, a equidade e a estabilidade, devido às falhas no
seu funcionamento. O Estado deverá repor estas, promovendo:

 uma eficaz utilização dos recursos, reduzindo os custos de produção;


 a produção de bens públicos (satisfazem necessidades coletivas, como educação, saúde, aeroportos,
iluminação pública, redes rodoviárias/ferroviárias, etc);
 a justiça social, através da repartição de rendimentos;
 diminuição da amplitude das flutuações da atividade económica, atuando contra o aumento de
preços, do desemprego e contra a estagnação/redução da produção.
Falhas de mercado:
 mercados de concorrência imperfeita (monopólios, oligopólios, concorrência monopolística);
 externalidades nocivas ou negativas (efeitos perversos de uma produção como as marés negras, a
poluição causada pelas indústrias, etc);

Instrumentos de intervenção económica e social do Estado


A fim de corrigir as assimetrias na repartição de rendimentos e de promover a estabilização da atividade
económica, o Estado utiliza três instrumentos:

O planeamento
Permite articular iniciativas públicas e privadas, no sentido de potenciar a capacidade da economia, e assim,
maximizar a eficiência económica da produção garantindo maximizar a satisfação das necessidades
individuais e coletivas, com o mínimo dispêndio de recursos materiais, financeiros e humanos. Fatores que
levam a adotar o planeamento nas economias capitalistas:

 a múltipla intervenção do Estado, não só através das empresas públicas mas ainda das suas políticas
económicas, carece de uma previsão e de uma coordenação, a nível nacional, que só o Plano pode
fornecer;
 a dimensão de determinadas empresas privadas exige uma organização e um estudo previsional
que só através do Plano é possível;
 a correção dos desequilíbrios, nos complicados esquemas nacionais ou internacionais, não se
consegue senão através de uma ação coordenada por um Plano.

Assim, o Plano surge como instrumento importante na condução da atividade económica, que permite
adequar os recursos existentes às necessidades da coletividade. A intervenção do Estado nestas economias
não põe em causa a propriedade privada, sendo:

 indicativo para o setor privado - para os objetivos definidos no Plano sejam atingidos, o Estado (já
que não pode obrigar o setor privado a aceitá-los) lança mão de determinadas estratégias (como
políticas fiscais, regulamentação de preços taxas de juro, etc)
 imperativo para o setor público - os administradores das empresas públicas são obrigados a cumprir
os objetivos definidos pelo Plano
O Orçamento de Estado
Documento onde são previstas o montante de despesas que o Estado irá efetuar e de receitas que irá obter,
para determinado período de tempo, geralmente um ano. É fundamental pois é a partir deste que é possível
compreender quais as prioridades do Governo para o ano em questão.

 Despesas públicas - constituídas pelos gastos do Estado no exercício das suas funções. Podem ser
despesas correntes ou de capital

Despesas correntes - vencimentos, Despesas de capital - investimentos em capital fixo


transferências sociais (pensões de (construção de infraestruturas, aquisição de
reforma, viuvez, e outros subsídios), equipamentos/tecnologias), transferências de capital,
compra de bens duradouros. compras de ações, reembolsos de empréstimos.

 Receitas públicas - arrecadadas pelo Estado para financiar as suas despesas; são constituídas pelas
receitas patrimoniais ou voluntárias, pelas receitas coativas ou obrigatórias (taxas, impostos,
contribuições para a seg. social) e pelas receitas creditícias
 Impostos - principal fonte de receitas do Estado; dividem-se em impostos diretos e indiretos
 Saldo orçamental - diferença entre as receitas e as despesas públicas, num determinado ano;
podemos identificar três definições: saldo orçamental corrente, saldo orçamental convencional ou
total e saldo orçamental primário
 Dívida pública - contraída pelo Estado devido à existência de défices orçamentais; pode ser interna
ou externa consoante os financiadores sejam residentes ou não residentes; quer o saldo orçamental
em percentagem do PIB, quer a dívida pública em percentagem do PIB, são indicadores utilizados
pela Comissão Europeia a fim de promover a convergência monetária das economias da Zona Euro

Efeitos das despesas públicas


As despesas públicas têm uma enorme importância na atividade económica pois estas ajudam o Estado a
atingir os objetivos determinados na execução das suas funções económicas e sociais.

Por exemplo, um aumento das despesas públicas com um aumento do rendimento disponível das famílias
(aumentando o salário mínimo ou subsídios) terá uma repercussão positiva na procura (consumo e
investimento), pois vai ter um impacto positivo no consumo das famílias (que terá um maior rendimento
disponível), no consumo público e no investimento das empresas.

Efeitos das receitas públicas


Os impostos progressivos são um instrumento que o Estado utiliza para diminuir as desigualdades sociais e
promover a equidade. Os impostos regressivos por sua vez reforçam as desigualdades pois o mesma imposto
terá pesos diferentes em cada rendimento.
Impostos
Principais impostos:

 Impostos sobre o rendimento (IRS, IRC)


 Quotização de Segurança Social
 Impostos sobre o património
 Impostos sobre bens e serviços (IVA, imposto sobre o tabaco, imposto sobre produtos petrolíferos,
imposto sobre bebidas alcoólicas)

Impostos diretos - incidem sobre os rendimentos ou património dos contribuintes (IRS, IRC, imposto
municipal de imóveis)

Impostos indiretos - incidem sobre o consumo ou despesa (IVA, imposto sobre o tabaco)

Saldo orçamental
é constituído pela diferença entre as receitas e as despesas de um determinado ano. Se as receitas
excederam as despesas, o saldo é positivo - superavit - se as receitas forem iguais às despesas, o saldo é nulo
- equilíbrio - e se as receitas forem inferiores às despesas, o saldo é negativo - défice.

O saldo orçamental constitui um importante indicador da situação económica de um determinado país. Se o


saldo for deficitário o Estado necessita de recorrer a empréstimos (pelos quais pagam juros para além do
reembolso do empréstimo), endividando-se, originando a dívida pública. Se for positivo, o Estado pode
financiar empréstimos.

Existem várias definições em relação ao saldo orçamental:

 saldo orçamental corrente - diferença entre as receitas correntes e as despesas correntes;


 saldo orçamental convencional ou total - diferença entre o valor total das receitas e o valor total
das despesas;
 saldo orçamental primário - consiste no saldo orçamental total após a dedução dos juros da dívida;
o valor do saldo global do orçamento do SPA constitui uns dos indicadores mais utilizados pela UE
para manter a convergência monetária das economias da Zona Euro (os Estados-membros que
aderiram à Zona Euro não podem exceder em 3% do PIB o valor do saldo orçamental).
Políticas Económicas e Sociais
São ações que os Estados intervencionistas desenvolvam para atingirem determinados objetivos. Para a
prossecução destes objetivos, os Estados promovem várias medidas e utilizam instrumentos
macroeconómicos. Estes, afetam a economia na globalidade e podem ser control ados direta ou
indiretamente pelo Estado. As múltiplas formas de intervenção do Estado pretendem prevenir e corrigir os
desequilíbrios das economias como a inflação, o desemprego e os défices das Balanças.

Estas podem ser:

 estruturais - têm como objetivo a alteração do funcionamento e das estruturas em que assenta a
economia; os efeitos fazem-se sentir a médio/longo prazo; ex:
 conjunturais (ou de estabilização) - promovem a estabilização da economia, corrigindo os
desequilíbrios; os seus efeitos fazem-se sentir a curto prazo; ex: política orçamental, fiscal,
monetárias, etc.

Principais políticas económicas e sociais a que o Estado pode recorrer:

 Política orçamental: Conjunto de medidas inscritas no Orçamento do Estado que visam a correção
da distribuição primária do rendimento;
- Maior satisfação das necessidades sociais, investindo mais em áreas como a saúde, educação,
defesa, etc.

- A promoção de uma eficiente utilização dos recursos disponíveis, por exemplo, através da
imputação de custos sobre os agentes poluidores, a potenciação do crescimento económico de
modo que o nível de bem-estar da população possa melhorar, etc.

- As opções passam pelo aumento ou pela diminuição da despesa e receita públicas, que se
consubstanciam em estímulos à produção, retratação da procura, maior ou menor rendimento
disponível das famílias, estabilização económica, fomento do crescimento económico, e
agravamento da inflação.

 Politica fiscal: Conjunto de medidas de natureza fiscal que se destinam a subsidiar politicas s ociais.
-Neste tipo de politica estão incluídas medidas como a criação ou alteração de impostos e a
aplicação de taxas progressivas que se destinam a promover a justiça social.

-O estado atua a nível da política fiscal quando, por exemplo, decide aumentar ou diminuir um
determinado imposto, podendo este incidir de igual modo sobre todos os cidadãos ou incidir de
forma progressiva de acordo com os diferentes escalões de rendimento.

 Política monetária: Conjunto de medidas utilizadas para assegurar a estabilidade monetária e


regular a liquidez, potenciando o crescimento económico, gerando emprego e controlando a
inflação.
-Desde que aderiu à moeda única, Portugal deixou de poder decidir em matéria de política
monetária e cambial, pois estas politicas passaram a ser definidas pelo Banco Central Europeu.

 Política de redistribuição dos rendimentos: Conjunto de medidas relacionadas com o modo como o
Estado opera a redistribuição dos rendimentos, envolvendo a forma como são taxados os impostos,
desde a sua progressividade até à fixação de valores mais altos para bens de consumo menos
essenciais, a fixação dos preços dos fatores de produção (salários mínimos) e de alguns bens de
consumo (bens de primeira necessidade), através da concessão de subsídios nuns casos de aplicação
de impostos noutros casos e orientação das politicas relativas à segurança social e às prestações
sociais.
-Por outro lado, as políticas económicas e sociais podem ser consideradas setoriais, quando
correspondem a medidas de um setor económico concreto. Trata-se de um conjunto de medidas
que se articulam de modo a alcançar objetivos específicos numa determinada área. Podemos referir
como exemplos de políticas setoriais essencialmente económicas a política agrícola, a política
industrial, a política ambiental, a política de emprego, a política de formação profissional, etc.

As políticas económicas e sociais do Estado Português

No tratado na União Europeia, em Maastricht, foram definidos os critérios de convergência nominal que os
países pretendessem aderir à moeda única estariam obrigados a cumprir. Os critérios de convergência
orçamental exigiam que o défice orçamental fosse inferior a 3% do PIB e que a divida pública não excedesse
os 60%. Portugal conseguiu atingir os objetivos e integrar o conjunto de países que aderiram à moeda única.
No entanto, as obrigações dos países da Área do Euro não terminaram no momento em que adquiriram ao
euro. O pacto de estabilidade e crescimento exige que os países mantenham o compromisso da estabilidade
orçamental. Assim, uma das medidas de caracter estrutural que o Estado português deve aplicar é a
consolidação orçamental, procurando a contenção do défice excessivo do país. Outra medida é o reforço da
sustentabilidade de longo prazo das finanças públicas, particularmente devido ao contexto de
envelhecimento populacional que o país vive.

Novas políticas sociais:

 Melhor educação
 Valorização da cultura
 Trabalho e emprego
 Proteção social
 Saúde para as pessoas
 Famílias e igualdade
 Imigração inclusiva
 Juventude
Estratégia de crescimento:

 Plano tecnológico
 Investimento e empresas
 Finanças públicas
 Administração pública

Conceitos a reter:

 Despesas correntes: despesas que garantem o normal funcionamento da administração pública,


como, por exemplo, os vencimentos dos funcionários públicos
 Despesas de capital: despesas relacionadas com o aumento da capacidade produtiva do país, como
os investimentos em infraestruturas.
 Divida pública: Total de empréstimos a que o Estado tem de recorrer para cobrir o défice
orçamental. De nomina-se Divida Pública fundada se é de médio e longo prazo e flutuante caso seja
de curto prazo.
 Estado: entidade dotada de soberania, composta por uma comunidade com uma estrutura
organizada num determinado território.
 Imposto: prestação pecuniária, coativa, unilateral, estabelecida por lei sem caracter de sanção.
 Orçamento do estado: documento elaborado pelo governo e aprovado pela assembleia de república
que descreve as despesas e receitas públicas para o período de um ano.
 Plano imperativo: documento elaborado pelo governo e aprovado pela assembleia da república que
descreve as despesas e receitas públicas para os períodos de um ano.
 Plano indicativo: plano que o estado apresenta ao setor privado, com medidas estratégicas, mas
que são apenas de caracter orientador
 Politica conjetural: politica implementada num curto horizonte temporal (ate 2 anos)
 Política estrutural: política cujos efeitos se fazem a medio e longo prazo
 Políticas económicas e sociais: conjunto de medidas tomadas pelo governo com o objetivo de
melhorar a situação económica e social de um país.
 Receitas correntes: classificação económica usada pelo banco de Portugal que engloba os impostos,
taxas e restantes contribuições dos cidadãos
 Receitas creditícias: receitas relacionadas com o recurso a crédito para cobrir as despesas públicas
 Receitas de capital: classificação económica utilizada pelo banco de Portugal que inclui as receitas
relativas à venda de património, bens de capital, aplicação da poupança e obtenção de
empréstimos.
 Receitas patrimoniais ou coativas: receitas provenientes dos impostos, taxas e restantes
contribuições dos cidadãos
 Setor empresarial do estado: setor produtivo do estado que inclui as empresas detidas total ou
maioritariamente pelo estado
 Setor público administrativo: trata dos assuntos de interesse geral do país, visando a máxima
satisfação das necessidades coletivas sem ter fins lucrativos
 Soberania: poder supremo do estado sobre o povo e o território.
Esquema-síntese

Estado liberal

Falhas do mercado e/ou crises


económicas

Estado Intervencionista

Funções económicas e sociais do Estado

 eficiência
 equidade
 estabilidade

Instrumentos de intervenção do Estado

Políticas económicas Planeamento

Conjunturais Estruturais Indicativo Imperativo

 Fiscal Agrícola
 Orçamental
Industrial
 Monetária
 de Preços Ambiental
 de Redistribuição
de Rendimentos ...
 de Emprego

 Constrangimentos às políticas económicas e sociais


 Questionamento da intervenção do Estado na economia
 Diminuição das funções económicas e sociais do Estado
 Estado (neo) liberal?