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Crimes contra a Administração da Justiça:

Denunciação Caluniosa: (Art.339 do CP)


O bem jurídico tutelado pela norma incriminadora é o regular
desenvolvimento das atividades policiais e administrativas de
forma a não serem prejudicadas por indivíduos que pretendem
conturbar o sistema por móvitos egoísticos – prejudicar alguém.
Interessante ressaltar que subsidiariamente é protegido a honra
da pessoa afligida.
Importante mencionar que o agente não responde por calunia e
denunciação caluniosa por força do princípio da consunção.
Princípio da consunção também conhecido como Princípio da
Absorção, é aplicado quando a intenção criminosa alcança mais de
um tipo penal, sendo que de acordo com a proporcionalidade da pena
e com a finalidade de afastar a dupla incriminação de uma mesma
conduta (bis in idem). Consoante o princípio o crime fim absorve
o crime meio ou o crime de fato maior consome o de crime de menor
graduação, é normal ocorrer situações onde numa única ação
acontecem mais de um tipo penal incriminador. Diante disso, o
agente responde só pelo último delito pois o crime meio é absorvido
pelo crime fim.
Ainda convém mencionar que, é necessário que haja efetiva pratica
de algum ato pela autoridade, ou seja, é necessário que ela adote
alguma providencia, ainda que não instaure o inquérito policial
ou qualquer outro procedimento. Interessante lembrar que, o
inquérito policial tem natureza jurídica de procedimento
administrativo, tem início por meio do auto de prisão em flagrante
ou por portaria, e visa colher indícios de autoria e materialidade
fato suficientes para a propositura da ação penal correlata.
A consumação é controvertida. A doutrina minoritária entende que
é necessária a instauração do inquérito policial. A doutrina
majoritária entende que o delito restara consumado com a
instauração da investigação policial, do processo judicial, da
investigação administrativa, do inquérito civil ou da ação de
improbidade administrativa.
Caso ocorra a instauração do processo penal, é necessário que o
agente saiba que o denunciado é inocente. Nesse caso o crime se
consuma com o recebimento da ação penal.
O elemento subjetivo é o dolo, não admitindo a forma culposa. A
doutrina entende que não cabe dolo eventual neste crime, apenas o
dolo direto - o dolo eventual ocorre quando o agente representa
o resultado como possível, assume o risco de produzir esse
resultado e ainda atua com indiferença sobre o bem jurídico -.
Trata-se de crime material, o tipo contém conduta e resultado
naturalístico, exigindo este último para a consumação.
Obs. Diferenças entre o crime de calunia e denunciação caluniosa.
No plano da tipicidade, na calunia, o sujeito se limita a imputar
a alguém, falsamente e perante terceira pessoa, a pratica de fato
definido como crime, com o objetivo de ofender a honra objetiva
da vítima. Na denunciação caluniosa, o agente não apenas atribui
a vítima, falsamente, a pratica do delito, mas também leva essa
imputação a autoridade pública, movimentando a máquina estatal
mediante a instauração da investigação administrativa.
Causa de aumento de pena o anonimato e causa de diminuição de pena
caso de o fato denunciado não ser crime, mas ser contravenção
penal (a pena é diminuída pela metade).
O delito restará consumado com a instauração da investigação
policial, do processo judicial, da investigação administrativa,
do inquérito civil ou da ação de improbidade administrativa.
Tratando-se de crime plurissubsistente, torna-se possível o
reconhecimento da tentativa. A consumação é CONTROVERTIDA.
Doutrina minoritária entende que é necessária a instauração do
Inquérito Policial. A Doutrina majoritária entende que o crime se
consuma quando a autoridade toma alguma providência, ainda que
não instaure o Inquérito. Na Jurisprudência, o entendimento é o
mesmo.
O elemento subjetivo é o dolo, não admitindo a forma culposa. A
Doutrina majoritária entende que não cabe dolo eventual neste
crime, apenas dolo direto, pois quando a lei diz que o agente deve
“saber que o ofendido é inocente”, exclui a possibilidade de dolo
eventual.
Classificação:
Crime pluriofensivo
Crime comum e eventualmente próprio
Crime material ou causal
Crime de dano
Crime de forma livre
Crime comissivo (regra)
Crime instantâneo
Crime unissubjetivo, unilateral ou de concurso eventual
Crime plurissubsistente
Informações rápidas:
Crime complexo em sentido amplo: denunciação caluniosa = calúnia
+ conduta lícita de noticiar à autoridade pública a prática de
crime ou contravenção penal e sua respectiva autoria.
Objeto material: investigação policial, o processo judicial, a
investigação administrativa, o inquérito civil ou a ação de
improbidade administrativa (não abrangesindicâncias).
“Investigação policial”: qualquer diligência da autoridade
policial destinada a apurar uma infração penal. “Processo
judicial”: processos de natureza penal e civil. “Investigação
administrativa”: processo administrativo instaurado para apurar
eventual falta disciplinar praticada pelo funcionário público
noticiada em decorrência da imputação falsa de crime ou de
contravenção penal.
Elemento subjetivo: dolo direto. Não admite modalidade culposa.
Tentativa: admite (crime plurissubsistente).
Ação penal: pública incondicionada.

Comunicação falsa de crime ou contravenção: (Art.340 do CP)


Classificação:
Crime simples
Crime comum
Crime material ou causal
Crime de dano
Crime de forma livre
Crime comissivo (regra)
Crime instantâneo
Crime unissubjetivo, unilateral ou de concurso eventual
Crime plurissubsistente
Informações rápidas:
Objeto material: ação da autoridade ilegalmente provocada pela
conduta criminosa.
Elemento subjetivo: dolo direto (elemento subjetivo específico –
intenção de inutilmente provocar a ação da autoridade). Não admite
modalidade culposa.
Comunicação falsa de crime ou de contravenção para o agente obter
ilicitamente indenização ou valor de seguro: art. 171, § 2.º, inc.
V do CP.
Tentativa: admite (crime plurissubsistente).
Arrependimento eficaz: admite.
Ação penal: pública incondicionada.
O bem jurídico tutelado é o regular desenvolvimento das atividades
correlatas da justiça, atividades administrativas e policiais, ou
seja, é a administração da justiça. Não individualização do
infrator – como ocorre na denunciação caluniosa -, mas se comunica
um crime que não ocorreu. A conduta incriminadora é a de dar causa
a ação da autoridade, comunicando crime ou contravenção que o
agente sabe que não ocorreu. Importante ressaltar que nesse delito
o fato não ocorreu. Ao contrário do que acontece no crime anterior,
aqui o agente não aponta um culpado, não individualiza um suposto
infrator.
Obs. Diferença entre comunicação falsa de crime e denunciação
caluniosa. “Diversamente do disposto no artigo antecedente, neste
tipo, penal fala-se em ação de autoridade, e não em investigação
policial ou processo judicial. Podem o delegado (registrando um
boletim de ocorrência), o promotor e o juiz (requisitando a
instauração de inquérito policial) tomar atitudes em busca da
descoberta ou investigação do inquérito ou do oferecimento ou
recebimento da denúncia. É suficiente para a concretização do
delito de comunicação falsa de crime ou de contravenção fazer com
que a autoridade aja sem qualquer motivo, perdendo tempo e
comprometendo a administração da justiça, uma vez que deixa de
atuar em vasos verdadeiramente importantes”.
Obs. Caso o agente tenha comunicado falsamente crime, no entanto,
ao proceder os primeiros atos investigatórios, verifica-se a
ocorrência de conduta delituosa. O crime impossível também chamado
de tentativa inidônea, tentativa inadequada. É possível afirmar
que o crime impossível é aquele que pela ineficácia total do meio
empregado ou pela improbidade absoluta do objeto, é impossível de
se comunicar. No caso em questão o agente depois de dar início
aos atos de execução tendentes a consumar a infração penal, só
não alcança o resultado por ele inicialmente pretendido devido a
absoluta impropriedade do objeto. Entende-se como objeto tudo
aquilo contra o qual se dirige a conduta do agente. O objeto é a
pessoa ou a coisa sobre a qual recai a conduta do agente. Nesse
caso, por ser o objeto absolutamente improprio, não se fala em
tentativa.
O crime se consuma no momento em que a autoridade em razão da
comunicação falsa pratica algum ato não sendo necessária a
instauração do inquérito. Admite-se a tentativa.

Autoacusação falsa de crime: (Art.341 do CP)


Classificação:
Crime simples
Crime comum
Crime formal, de consumação antecipada ou de resultado cortado
Crime de dano
Crime de forma livre
Crime comissivo
Crime instantâneo
Crime unissubjetivo, unilateral ou de concurso eventual
Crime unissubsistente ou plurissubsistente

Informações rápidas:
Objeto material: autoacusação falsamente prestada perante a
autoridade.
Elemento subjetivo: dolo. Não admite modalidade culposa.
Tentativa: admite na autoacusação falsa cometida por meio escrito
(crime plurissubsistente).
Ação penal: pública incondicionada.
O objeto não pode ser contravenção penal.
Não pratica o crime quem assume sozinho a pratica de um crime do
qual participou. Aqui o objeto não pode ser contravenção penal. A
conduta punida é a de auto acusar-se falsamente, perante a
autoridade competente. Importante ressaltar que não se confunde
com a redução da pena em razão da confissão. Se a confissão se
deu sob coação há inexigibilidade de conduta diversa, exclui a
culpabilidade, logo não há crime – lembrando que a culpabilidade
é juízo de reprovação inerente ao agente, se houve coação não há
que se falar em possibilidade de se avaliar o juízo de reprovação-
.
Se o agente for autor, co-autor, participe, será caracterizado a
confissão.
O crime se consuma no momento em que a autoridade toma conhecimento
da autoacusação falsa, pouco importa qualquer providencia. A
tentativa é admissível.

Falso Testemunho ou falsa pericia: (Art. 342 do CP)


Classificação:
Crimes simples
Crimes de mão própria, de atuação pessoal ou de conduta infungível
Crimes formais, de consumação antecipada ou de resultado cortado
Crimes de dano
Crimes de forma livre
Crimes comissivos ou omissivos
Crimes instantâneos
Crimes unissubjetivos, unilaterais ou de concurso eventual
Crimes unissubsistente ou plurissubsistente

Informações rápidas:
Objeto material: depoimento prestado perante a autoridade
competente (falso testemunho) ou laudo pericial, o cálculo, a
tradução ou a interpretação (falsa perícia).
Falsidade: deve recair sobre fato juridicamente relevante.
Falsidade prestada perante juízo incompetente: não exclui o crime.
Falsidade prestada em processo nulo: exclui o crime.
Crime de mão própria compatível com a coautoria. Elemento
subjetivo: dolo. Não admite modalidade culposa.
Tentativa: na falsa perícia admite (crime plurissubsistente); no
falso testemunho não admite na conduta “calar a verdade”, sendo
que nas outras condutas há divergência.
Ação penal: pública incondicionada.
Exceção pluralística: art. 342, § 1.º, do CP.
CUIDADO! A Doutrina majoritária entende que a vítima não pode ser
sujeito ativo deste delito, pois não é “testemunha”. Ela não
presta depoimento, e sim “declarações”.
CUIDADO! Se a testemunha proferir falso testemunho com a intenção
de não produzir prova contra si (pois a verdade poderia gerar um
futuro processo contra ela), também não estará praticando crime.
Testemunha sem compromisso de dizer a verdade (informante) comete
o crime? É divergente, mas A MAIORIA DA DOUTRINA ENTENDE QUE SIM2,
pois o CP não distingue testemunha compromissada e não
compromissada para fins de aplicação deste tipo penal.
O tipo objetivo é DE AÇÃO MÚLTIPLA (ou plurinuclear), pois pode
ser praticado de diversas formas:
CUIDADO! Pode ocorrer de a afirmação falsa decorrer de uma
percepção errada da realidade. Nesse caso não há falso testemunho,
pois não há dolo.
E se o crime foi praticado em concurso (participação ou
coautoria), a retratação de um se estende aos demais? A Doutrina
sempre entendeu que não, por ser circunstância pessoal, mas vem
crescendo na Doutrina (tendo, inclusive, decisão do STJ nesse
sentido) o entendimento de que se comunica. Além disso, a
retratação deve ocorrer no processo em que fora prestado o falso
testemunho ou falsa perícia, e não no eventual futuro processo
que será instaurado para punir o infrator. A ação penal é pública
incondicionada.

Exercício arbitrário das próprias razões: (Art.345 do CP)

Classificação:
Crime simples
Crime comum
Crime formal ou material
Crime de dano
Crime de forma livre
Crime comissivo (regra)
Crime instantâneo
Crime unissubjetivo, unilateral ou de concurso eventual
Crime plurissubsistente

Objeto material: pessoa ou a coisa contra a qual se dirige o


exercício arbitrário das próprias razões.
Pressuposto do crime: pretensão legítima ou supostamente
legítima.
Elementos normativos do tipo: “legítima” e “salvo quando a lei o
permite”.
Elemento subjetivo: dolo (elemento subjetivo específico – “para
satisfazer pretensão, embora legítima”). Não admite modalidade
culposa.
Tentativa: admite (crime plurissubsistente).
Ação penal: privada (regra); será pública incondicionada se
presente a violência contra a pessoa na execução do crime.
Concurso material obrigatório: exercício arbitrário das próprias
razões + crime oriundo da violência.
Nélson Hungria:
Ninguém pode, arbitrariamente, fazer justiça por si mesmo. Se
tenho ou suponho ter um direito contra alguém, e este não o
reconhece ou se nega a cumprir a obrigação correlata, não posso
arvorar-me em juiz, decidindo unilateralmente a questão a meu
favor e tomando, por minhas próprias mãos, aquilo que pretendo
ser-me devido, ao invés de recorrer à autoridade judicial, a quem
a lei atribui a função de resolver os dissídios privados. De outro
modo, estaria implantada a indisciplina na vida social, pois já
não haveria obrigatoriedade do apelo à justiça que o Estado
administra, para impedir que os indivíduos, nas suas
controvérsias, ad arma veniant.
CUIDADO! É necessário que a pretensão “legítima” do sujeito ativo,
que fundamenta a conduta, seja possível de ser obtida junto ao
Poder Judiciário, caso contrário, teremos outro crime, e não este.
Ex.: Imagine que o dono do restaurante, irritado pelo não
pagamento da conta, resolve matar os clientes. Neste caso, ele
pode até, na sua cabeça, ter feito “justiça”, mas na verdade
estará praticando homicídio, pois sua pretensão não poderia ter
sido satisfeita pelo Judiciário (pretensão de matar os clientes).
Ação Penal: § Ú. Se o crime for praticado sem violência a ação
penal é privada conforme previsão do § Ú, se houver violência a
ação penal será: Se a lesão corporal for leve a ação penal é
publica condicionada a representação do ofendido conforme artigo
88 da lei 9.099/95. Se a lesão for grave ou gravíssima a ação
penal é publica incondicionada conforme artigo 100 do CP.

Favorecimento Pessoal: (Art.348 do CP)

Classificação:
Crime simples
Crime comum
Crime material ou causal
Crime de dano
Crime de forma livre
Crime comissivo
Crime instantâneo
Crime unissubjetivo, unilateral ou de concurso eventual
Crime plurissubsistente (regra)
Objeto material: autoridade pública prejudicada no desempenho das
suas funções em razão do favorecimento ao autor de crime.
Crime acessório, de fusão ou parasitário: depende da prática
anterior de um crime (não alcança a contravenção penal).
Não há favorecimento pessoal quando o fato praticado encontra-se
acobertado por alguma causa excludente da ilicitude, da
culpabilidade, da punibilidade ou uma escusa absolutória.
Elemento subjetivo: dolo. Não admite modalidade culposa.
Tentativa: admite (crime plurissubsistente).
Ação penal: pública incondicionada.
Escusa absolutória: art. 348, § 2.º (rol exemplificativo).
O crime não se verifica quando o próprio autor do crime ajuda um
comparsa a fugir, eis que é necessário que aquele que presta o
auxílio não tenha participado da conduta criminosa, na medida em
que o fato de fugir ou auxiliar na fuga do comparsa é inerente à
prática criminosa.
Além disso, é necessário que o auxílio seja prestado APÓS A PRÁTICA
DO DELITO e, ainda, não tenha sido previamente acordado entre o
favorecedor e o favorecido. Caso contrário, o favorecedor pode
ser considerado partícipe do delito praticado.
COMBINAÇÃO PRÉVIA = CONCURSO DE AGENTES (responde pelo delito
praticado)
SEM COMBINAÇÃO PRÉVIA = FAVORECIMENTO PESSOAL
O favorecimento deve ser, ainda, CONCRETO, ou seja, o auxílio
prestado deve ter sido eficaz para a subtração do infrator às
autoridades. O elemento subjetivo exigido é o dolo, a intenção de
colaborar, auxiliar o infrator na sua empreitada. Assim, pode
ocorrer na forma direta ou na forma eventual.
Não é necessário que o favorecedor saiba exatamente que crime
acabara de cometer o favorecido, desde que saiba ou possa imaginar
que ele acaba de cometer um crime.
O delito se consuma com a efetiva prestação do auxílio e A OBTENÇÃO
DE ÊXITO NA OCULTAÇÃO DO FAVORECIDO. Assim, se o favorecedor
fornece sua casa para o criminoso, mas a polícia o vê entrando e
o prende, não há crime consumado, mas tentado (art. 14, II do CP).
O §2° traz a chamada “escusa absolutória”. O que é isso? A escusa
absolutória é uma causa de isenção de pena que ocorre, neste caso,
quando o agente (o favorecedor) é ascendente, descendente, irmão
ou cônjuge do favorecido.