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EXCELENTÍSSIMA SENHORA DOUTORA JUÍZA DE

DIREITO DA VARA ÚNICA DA COMARCA DE ICAPUÍ,


ESTADO DO CEARÁ.
Processo nº 5144-87.2017.8.06.0089/0
Ação de Manutenção de Posse com Pedido de Medida Liminar

JOÃO REBOUÇAS DA SILVA, brasileiro, casado, pescador,


portador da cédula de identidade de RG nº 0000000000-00 –
SSP/CE, e inscrito no CPF/MF sob o nº 000.000.000-
00; MANOEL REBOUÇAS DE SOUZA, brasileiro, casado,
pescador, portador da cédula de identidade de RG nº 0000000000-
00 – SSP/CE e inscrito no CPF/MF sob o nº 000.000.000-00,
residentes e domiciliados na Praia de Ponta Grossa, s/nº,
Icapuí/CE; JOSÉ NASCIMENTO DE SOUZA, brasileiro, casado,
pescador, portador da cédula de identidade de RG nº 000.000.000-
00 – SSP/CE e inscrito no CPF/MF sob o nº 000.000.000-
00; PEDRO NASCIMENTO DE SOUZA, brasileiro, solteiro,
pescador, portador da cédula de identidade de RG nº
000000000000 – SSP/CE e inscrito no CPF/MF sob o nº
000.000.000-00; e ATMARIAEL NASCIMENTO DE SOUZA,
brasileiro, casado, pescador, portador da cédula de identidade de
RG nº 00000000-00 – SSP/CE e inscrito no CPF/MF sob o nº
000.000.000-00, estes, residentes e domiciliados na Rua dos
Primos, s/nº, Praia de Redonda, Icapuí/CE, por meio de seu
advogado infra-assinado, vem respeitosamente à presença de Vossa
Excelência, com fulcro no artigo 564 do Código de Processo Civil,
apresentar
CONTESTAÇÃO
à Ação de Manutenção de Posse com Pedido de Medida Liminar,
distribuída sob n.º 5144-87.2017.8.06.0089/0, promovida em seu
desfavor por MARIA OLIVEIRA DA SILVA e RICARDO OLIVEIRA
DA SILVA, já devidamente qualificados nos autos em epígrafe, o que
faz com amparo nos inclusos documentos em anexo, e pelas razões
de fato e de direito que passam a expor:

I – DA GRATUIDADE DE JUSTIÇA
Excelência, inicialmente cumpre informar que os Requeridos são,
todos, pescadores artesMARIAis, sendo que o sustento de suas
famílias está no limite de suas diminutas rendas. Portanto, não
possuem condições de arcar com o pagamento de custas processuais
e honorários advocatícios, sem prejuízo do próprio sustento e de
seus dependentes, razão pela qual requer, desde já, a concessão do
benefício de gratuidade de Justiça, amparada no que lhe confere a
legislação em vigor, nos termos do Art. 99, do CPC/2015,
consubstanciado na garantia fundamental inserta no
artigo 5º, inciso LXXXIV, da nossa Carta Magna.
II – DO RESUMO DOS FATOS
MM. Julgadora, ao contrário das inverídicas alegações dos autores
na inicial, o bem imóvel, objeto da presente lide, verdadeiramente
pertencia ao Sr. FRANCISCO REBOUÇAS DE SOUZA, conforme
declaração de reconhecimento de posse assinada pelos confinantes
(em anexo).
Cumpre esclarecer que, posteriormente, o Sr. FRANCISCO
REBOUÇAS DE SOUZA vendeu uma parte desse terreno ao seu
irmão MANOEL REBOUÇAS DE SOUZA, conforme se comprova
pelo RECIBO DE COMPRA E VENDA, (cópia em anexo).
Ainda nesse particular, vale destacar que, a posteriori, o Sr.
MANOEL REBOUÇAS DE SOUZA vendeu o referido lote ao seu
filho JOÃO REBOUÇAS DA SILVA, conforme se comprova pela
Escritura de Transferência de Cessão de Direitos Possessórios,
registrada em Cartório (cópia em anexo).
Deve-se dizer que, nesse contexto, por diversas vezes, os autores
tentaram se apossar do restante do imóvel, gerando muitas
confusões, inclusive com a intervenção do Poder Judiciário, que já
reconheceu, anteriormente, a legítima posse do terreno “sub judice”
ao Sr. FRANCISCO REBOUÇAS DE SOUZA.
Contudo, os autores não desistiram e, enquanto o dono do terreno
se encontrava pescando em alto mar, construíram,
clandestinamente, uma pequena casa no citado terreno. De maneira
que, quando este chegou em terra, só não derrubou a referida casa
pelo fato de o invasor ser um dos seus irmãos. Porém, sempre
deixou claro que aquele empréstimo gratuito se restringiria apenas e
tão somente ao espaço onde haviam construído a casa.

Empós disso, insta destacar que o Sr. FRANCISCO REBOUÇAS DE


SOUZA vendeu o restante do seu terreno aos seus dois filhos, JOSÉ
NASCIMENTO DE SOUZA e PEDRO NASCIMENTO DE SOUZA,
conforme também se comprova pelas Escrituras de Transferência de
Cessão de Direitos Possessórios, registradas em Cartório (cópias em
anexo).
Nessas circunstâncias, em dezembro de 2016, o Sr. MANOEL
REBOUÇAS DE SOUZA, juntamente com seu filho JOÃO
REBOUÇAS DA SILVA, resolveram construir um muro para
proteger o seu lote de terra. Porém foram surpreendidos pelos filhos
dos Autores da Ação ora combatida, que alegavam a impossibilidade
de construção do muro, alegando que aquele seria um terreno
público.

Assim, o Sr. ROBERTO REBOUÇAS, filho dos Autores, além de


ameaçar os donos do terreno, foi até a Secretaria de Obras do
Município, denunciar e requerer o embargo da construção,
conforme se verifica no Boletim de Ocorrência registrado na
Delegacia de Polícia desta Cidade de Icapuí, em 26 de dezembro de
2016 (cópia anexa).
Contudo, em vistoria técnica, in loco, o fiscal designado pela
Secretaria de Obras do Município, constatou que a área sob litígio
realmente pertencia ao Sr. MANOEL REBOUÇAS DE SOUZA,
autorizando, portanto, a construção do muro (cópia anexa).
Ademais, vale destacar que os Requeridos, no intuito de solucionar o
impasse de forma amistosa, se comprometeram, em comum acordo,
sob o comando da Associação Comunitária de Moradores, à deixar
uma faixa de terra de mais de 1,5m para servir de passagem para as
pessoas da comunidade.

Douta Magistrada, é exatamente nesse contexto que os Autores,


inconformados, distorcem os fatos e deslavadamente inserem
alegações inverídicas, ao ajuizar a presente Ação de Manutenção de
Posse, onde pleiteiam a concessão initio litis da proteção
possessória, requerendo competente mandado judicial de
reintegração.
Trata-se na verdade de Ação extremamente temerária uma vez
que é manifesta a má-fé contida nos argumentos dispendidos na
inicial, pois, ao contrário das inverídicas alegações dos AUTORES,
junta-se neste momento diversos documentos, cuja simples leitura
de seus conteúdos comprovam e corroboram todas as alegações dos
ora Peticionários, de que os autores NUNCA EM NENHUM
MOMENTO EXERCERAM A ALEGADA POSSE JUSTA,
MANSA E PACÍFICA do terreno, objeto desse litígio, a qual sempre
foi exercida pelos ora Peticionários.
III – DAS PRELIMINARES
1. INÉPCIA DA INICIAL - AUSÊNCIA DOS REQUISITOS
ESSENCIAIS DA PETIÇÃO INICIAL - CARÊNCIA DE AÇÃO
- EXTINÇÃO DO PROCESSO SEM JULGAMENTO DO
MÉRITO.
Nos termos do inciso IV, do artigo 337, do atual Código de Processo
Civil, ao réu, incumbe alegar, antes de discutir o mérito, preliminar
de inépcia da petição inicial, in verbis:
Art. 337. Incumbe ao réu, antes de discutir o mérito, alegar:
IV - inépcia da petição inicial;
Ora, Excelência, a manutenção de posse, por dicção do artigo 561,
do CPC/2015, constitui instrumento de defesa da posse por aquele
que, ostentando qualidade de possuidor, sobreveio turbado.
Seguindo esta linha de raciocínio exige-se do postulante que
demonstre a posse, a turbação praticada, com sua correspondente
data, bem assim, a continuidade da posse, embora turbada.

Portanto, em sede de ação de manutenção de posse, nos termos do


artigo 561, do CPC/2015, cumpre à parte autora comprovar, os
seguintes requisitos, à míngua dos quais o pedido ressoa
improcedente:
Art. 561. Incumbe ao autor provar:
I - a sua posse;
II - a turbação ou o esbulho praticado pelo réu;
III - a data da turbação ou do esbulho;

IV - a continuação da posse, embora turbada, na ação de


manutenção, ou a perda da posse, na ação de reintegração.

Excelência, no caso dos autos, resta claríssimo, que os AUTORES,


não se desincumbiram de tal mister, senão vejamos:

1.1 NÃO COMPROVAÇÃO DA POSSE


Apura-se da inicial que os demandantes “adquiriram o terreno há
mais de 20 anos”, contudo, NÃO APRESENTAM QUALQUER
DOCUMENTO que seria hábil a transferi-lhes a propriedade ou
mesmo a posse do bem, como por exemplo, cópia de Escritura de
Transferência de Cessão de Direitos Possessórios, etc. Ademais,
providencialmente, omite em suas alegações, de quem eles
teriam adquirido esse terreno, claramente tentando induzir a
erro este r. Juízo.
Igualmente, alegam ainda que, no terreno em questão foi construída
uma casa, “onde eles residem até hoje”, o que não condiz com a
verdade, pois há muitos anos eles não moram mais na casa,
portanto, tal afirmativa também é inverídica.
Assim sendo, pelo que se afere dos documentos juntados com a
exordial, tem-se que os autores nunca desfrutaram da posse (no
sentido fático do termo) sobre o bem que pretende – despótica e
injustamente – se assenhorear.

Ora, Excelência, a posse dos Autores deve resultar induvidosa, para


merecerem a tutela possessória, sob pena de ser recusada ab initio.
Tal entendimento é sufragado pelo festejado doutrinador, SERGIO
SAHIONE FADEL, o qual em formulando a exegese do
artigo 927 do Código de Processo Civil, em sua obra CÓDIGO DE
PROCESSO CIVIL COMENTADO, Rio de Janeiro, 1983, volume III,
4ª edição, a páginas 62/63, preleciona:
“Requisito indispensável a propositura da ação é que o requerente
comprove de plano a sua posse, através dos elementos
comprobatórios que a assegurem.

A prova da posse é pressuposto básico para o ingresso em


juízo.
“Conforme sustenta DE PLÁCIDO E SILVA (Comentários ao Código
de Processo Civil, pág. 301), a prova da posse é fundamental. ‘É
requisito primordial para que se possam mover os interditos da
manutenção ou de reintegração: sem que se prove a posse da coisa,
seja móvel ou imóvel, ninguém poderá merecer a proteção legal que
os interditos asseguram’.” (grifei)
Por conseguinte, porque não se extrai dos elementos colhidos nos
autos exercício efetivo e exclusivo da posse pelos autores cuja
alegação, despida de demonstração robusta, não autoriza a tutela
vindicada, a improcedência do pedido é consequência que se
impõe, à luz dos artigos 373, I, e 561, do CPC/2015.
1.2 NÃO COMPROVAÇÃO DA TURBAÇÃO
A manutenção na posse se presta a manter a posse àquele que dela
está sendo turbado, ameaçado. Como já assinalado, ao cuidar dos
requisitos necessários para se fazer jus à proteção possessória, assim
dispõe o artigo 561, do CPC/2015:
Art. 561. Incumbe ao autor provar:
II - a turbação ou o esbulho praticado pelo réu;
Assim, para o deferimento da manutenção de posse, necessária a
demonstração da posse anterior e da turbação a menos de ano e dia.
De modo que, não preenchidos os pressupostos do
artigo 561, do CPC/2015, impõe-se a improcedência do
pedido.
Ora, Excelência, a turbação caracteriza-se pela prática de ato que
configure ameaça à posse.

Este ato, conforme definição de Tito Lívio Pontes, “é o que


contradiz, por fato de força, a posse de outrem impedindo ou
embaraçando a sua atuação normal de possuidor, criando-lhe
obstáculos à disposição livre do que possui, do que tem direito a
permanecer na coisa”. (grifou-se)
Na mesma linha de raciocínio, o entendimento de Tito Fulgêncio:

“(...) para ser um ato considerado turbação de posse, é mister que


seja uma via de fato ilícito, a dizer que o seu autor tenha agido
ilegalmente. Não o diz expressamente o nosso Código, como faz o
alemão (art. 858), mas é do sistema. Ele autoriza ao possuidor a
defesa privada de sua posse como dos seus direitos em geral, e a
buscá-las nas mãos do espoliador, que não se pode queixar de
turbação ou esbulho, se não verificou algum excesso do possuidor,
tornando ilegítima a defesa”. (grifou-se)

No presente caso, as provas trazidas aos autos não demonstram que


os autores tenham, de fato, sido turbados sobre a área em que
pretendem ser mantidos.

IV – DA DEFESA MATERIAL DOS CONTESTANTES NO


MÉRITO
Caso sejam ultrapassadas as preliminares arguidas, no que os
Requeridos não acreditam, devido às provas contundentes que
militam a seu favor, em atenção ao princípio da eventualidade,
torna-se indispensável o exame do mérito da Ação de Manutenção
de Posse ora testilhada.

1. BREVE RESUMO DAS ALEGAÇÕES DA INICIAL


Em apertada síntese, note-se que os autores, em 06 de fevereiro de
2017, ingressaram nesse douto Juízo com a presente Ação de
Manutenção de Posse com Pedido de Medida Liminar, em desfavor
dos Requeridos, ora contestantes, expondo que detêm a posse
mansa e pacífica de um terreno situado na Vila da Praia de Ponta
Grossa, perfazendo uma área total de 274,50 m², com as dimensões
especificadas em memorial descritivo em anexo.

Alegam que adquiriram o terreno há mais de 20 anos, que nesse


terreno foi construída uma casa, onde eles residem até hoje,
apresentando como prova, apenas e tão somente, cópias de fatura da
Companhia Elétrica (Enel).

Afirmam ainda que os Requeridos invadiram o referido terreno e


iniciaram a construção de uma cerca no intuito de se apossarem de
parte da propriedade.

Enfim, após narrar tal estória, mediante a suposta turbação, teriam


ajuizado a presente Ação de Manutenção de Posse, onde pleiteiam a
concessão initio litis da proteção possessória, requerendo
competente mandado judicial de reintegração.

Dito isso, passemos aos fatos que demonstrarão de maneira pujante


as inverdades lançadas em juízo pelos Autores.

2. DA VERACIDADE DOS FATOS


Excelência, conforme se infere da leitura da inicial, o pedido de
proteção possessória dos Autores deve ser julgado improcedente,
tendo em vista que as provas acostadas aos autos não são suficientes
para configurar a existência da posse, que constitui matéria de fato
e, nem tão pouco, a referida turbação.

Tanto é verdade que, esta MMª. Juíza, com muita percuciência, no


despacho inicial, designou a audiência de justificação prévia,
exatamente por considerar, “não haver provas suficientes do
alegado pela parte autora.”
Assim sendo, MARIAlisando a questão sob o prisma do direito,
incursionando-se sobre a questão de fundo, verifica-se, à toda
evidência, que a postulação dos Autores encontra-se desprovida de
mérito.

No caso dos autos, trata-se, de ação de manutenção de posse com


pedido de liminar inaudita altera parte, sob a alegação dos Autores
de serem legítimos proprietários e/ou possuidores de um imóvel
localizado na Praia de Ponta Grossa, cujas dimensões já foram a
cima especificadas.

Nesse contexto, torna-se imprescindível verificar se os Autores


preencheram todos os requisitos do artigo 561, do CPC/2015, uma
vez que todos eles devem estar presentes para que seja autorizada a
manutenção de posse.
Sobre o tema lecionam Luiz Guilherme Marinoni e Daniel Mitidiero,
"a ação de manutenção objetiva tutelar o exercício da posse em
condições normais, afastando os atos que, sem a usurparem,
dificultam o seu exercício". (Código de Processo Civil comentado
artigo por artigo. 5ª edição revista e atualizada. São Paulo: Revista
dos Tribunais, 2013, p. 863).
Douta Magistrada, por amor à brevidade e para não se tornar
repetitivos, os ora Peticionários, impugnarão todas as alegações da
inicial utilizando-se sinteticamente dos argumentos já acima
dispendidos, nos seguintes termos:

Alegam os Autores, que adquiriram o terreno há mais de 20 anos,


contudo, NÃO APRESENTAM QUALQUER
DOCUMENTO para provar essa alegação e, não informam
sequer de quem eles teriam adquirido esse terreno,
claramente tentando induzir a erro este r. Juízo.
Não é verdade, impugna-se, pois conforme se infere das Escrituras
de Transferência de Cessão de Direitos Possessórios, registradas no
Cartório de Registro de Imóveis da Comarca de Icapuí/CE, a área
sob litígio pertence verdadeiramente aos Requeridos, JOÃO
REBOUÇAS da Silva; JOSÉ Nascimento de
SOUZA e PEDRO Nascimento de SOUZA, conforme também se
comprova pelas cópias acostadas à esta Contestação.
Ato contínuo, também alegam que no referido terreno foi construída
uma casa, onde eles residem até hoje.
A verdade Excelência é que, os Autores, claramente tentam induzir a
erro este r. Juízo, pois, há muito, vivem maritalmente separados,
ele não mora mais nem sequer na comunidade de Ponta
Grossa, enquanto ela atualmente encontra-se morando numa outra
casa, localizada na serra de Ponta Grosa.
Por derradeiro, os Autores afirmam que os Requeridos invadiram o
referido terreno e iniciaram a construção de uma cerca no intuito de
se apossarem de parte da propriedade.

Ora Excelência, é totalmente inverídica essa alegação. Em suma, e


em verdade, como dito alhures, os Autores é que estão turbando a
legítima posse dos Requeridos, impedindo-os de construir um muro
para proteger seus terrenos.

Portanto, resta claro que os Autores da Ação aqui guerreada


distorcem e alteraram fatos verdadeiros, dando-lhes conformação
diversa da real, além de omitir a situação fática atual, somente com
o escopo de aventurar-se com o resultado do que vier é lucro.

Ora Excelência, nessas circunstâncias, MARIAlisando os


documentos ora acostados nos autos, tudo conduz a um único e
inexorável fim: a improcedência da ação intentada pelos
Autores.
V – DA AUSÊNCIA DOS REQUISITOS PARA A
CONCESSÃO DE LIMINAR
Eminente Juíza, é consabido que o pleito de urgência deve estar
embasado em requisitos essenciais informadores de tais medidas.
Assim, cabe aos autores comprovar a existência da posse bem como
da turbação, além da fumaça do bom direito e o perigo da demora,
que devam funcionar como elementos fundamentais para o
convencimento da Magistrada na concessão de liminares.

In casu, observado o pedido promovido pelos supostos Autores a


liminar foi pleiteada com a simples alegação, infundada, de que se
trataria de direito objetivo material. Com efeito, é um pedido
manifestamente ilegal, pois carente de qualquer fundamentação
jurídica que justifique a concessão da liminar.
Ora, Excelência, conforme amplamente demonstrado nos tópicos
acima, ao Autores não conseguiram comprovar a sua posse e
tampouco a turbação que supostamente teria sido praticada pelos
requeridos, razão pela qual não há que se falar em concessão de
liminar de manutenção de posse aos autores.

VI – DO PEDIDO CONTRAPOSTO EM FACE DOS AUTORES


Assim, tendo em vista a natureza dúplice das ações possessórias, em
sua contestação, os Requeridos podem pedir a proteção possessória
e eventual indenização por perdas e danos. Pois é o que dispõe o
artigo 556, do CPC/2015, in verbis:
Art. 556. É lícito ao réu, na contestação, alegando que foi o
ofendido em sua posse, demandar a proteção possessória e a
indenização pelos prejuízos resultantes da turbação ou do esbulho
cometido pelo autor.
Corroborando esse entendimento, a doutrina de Nelson Nery
Junior, em sua Obra “CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL
COMENTADO”, a seguir:

“Caráter dúplice da ação possessória. A Ação possessória se


caracteriza quando as posições de autor e réu no processo se
confundem, sendo que, por esta razão, não poderá o réu deduzir
reconvenção. Isto porque, em sua contestação, deduzida na
ação possessória, poderá ele pedir a proteção possessória
e indenização por perdas e danos (CPC 556). (…)” (grifo nosso)
Nesse contexto, nota-se que, ao contrário das alegações dos autores
na inicial, na verdade, são estes que estão dificultando o exercício da
posse dos Requeridos, que vêm sofrendo verdadeira turbação em
seu direito de legítimos possuidores, com a propositura da presente
ação.

Assim sendo, com fulcro no artigo 556, do CPC/2015, formula-se


neste momento requerimento expresso de proteção possessória, em
pedido contraposto, consistente na determinação deste r. Juízo, via
liminar de Manutenção de Posse do imóvel "sub judice" em favor
dos ora Peticionários, ante à manifesta turbação que está sendo
praticada pelos autores.
VII – DOS REQUERIMENTOS FINAIS
Ex positis, diante ao todo acima exposto e pelos documentos ora
juntados, vem os ora Peticionários à presença de Vossa Excelência
requerer:
a) Seja DEFERIDO o pedido de Justiça Gratuita aos Requeridos, eis
constituírem-se em pessoas pobres e carentes (vide declarações de
hipossuficiência em anexo);
b) O provimento das preliminares invocadas nesta peça
contestatória, para o fim de extinguir o procedimento sem resolução
do mérito, por todas as razões fáticas e jurídicas amplamente
aduzidas;

c) Ante a turbação praticada pelos Autores, requer seja concedida a


proteção possessória prevista no art. 556 do CPC, consistente na
concessão liminar de Manutenção de Posse do imóvel "sub judice"
aos ora Peticionários;
d) Na remota hipótese de não serem acolhidas as preliminares
acima arguidas, o que não se espera, quanto ao mérito igualmente
não merece amparo a pretensão deduzida em Juízo pelos Autores,
ante os argumentos dispendidos e a manifesta e robusta prova
documental produzida, impondo-se a total IMPROCEDÊNCIA da
Ação, condenando-se os Autores nos consectários legais;

e) Na hipótese de não ser concedida a proteção possessória aos ora


Peticionários via liminar de Manutenção de Posse, requer seja a
mesma deferida quando do julgamento de IMPROCEDÊNCIA desta
Ação;

f) Por derradeiro, postula pela condenação dos Autores nas verbas


derivadas do princípio da sucumbência, inclusive, em honorários
advocatícios, fixados, estes, em 20% (vinte por cento) sobre o valor
estimado na causa.

Protesta, outrossim, por provar o alegado, por todos os meios de


provas em direito admitidas, máxime pelo depoimento pessoal do
autor, na pessoa de seu representante legal, inquirição de
testemunhas de rol a ser oportunamenteapresentado, perícias, além
de outras que porventura entender-se ou se fizerem necessárias.
Pedem P R O V I M E N T O.
Icapuí - Ceará, 02 de maio de 2017.

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ANTONIO CARLOS Reis da Silva
Advogado

OAB/CE nº 31.517