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ANÁLISE DE PONTES CONSTRUÍDAS

EM BALANÇOS SUCESSIVOS

Filipe Meirelles Fonseca

Projeto de Graduação apresentado ao Curso


de Engenharia Civil, Ênfase em Estruturas, da
Escola Politécnica, Universidade Federal do
Rio de Janeiro, como parte dos requisitos
necessários à obtenção de título de
Engenheiro.

Orientadores:
Ricardo Valeriano Alves
Mayra Soares Pereira Lima Perlingeiro

Rio de Janeiro

Março de 2015

i
ANÁLISE DE PONTES CONSTRUÍDAS EM BALANÇOS SUCESSIVOS

Filipe Meirelles Fonseca

PROJETO DE GRADUAÇÃO SUBMETIDO AO CORPO DOCENTE DO CURSO DE ENGENHARIA CIVIL


DA ESCOLA POLITÉCNICA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO COMO PARTE DOS
REQUISITOS NECESSÁRIOS PARA A OBTENÇÃO DO GRAU DE ENGENHEIRO CIVIL

Examinado por:

Prof. Ricardo Valeriano Alves


D. Sc.,EP/UFRJ (Orientador)

Prof. Mayra Soares Pereira Lima Perlingeiro


D. Sc.,UFF (Orientadora)

Prof. Francisco José Costa Reis


M.Sc., EP/UFRJ

Prof. Flavia Moll de Souza Judice


D.Sc., EP/UFRJ

Rio de Janeiro

Março de 2015

ii
Fonseca, Filipe Meirelles
Análise de Pontes Construídas em Balanços Sucessivos/ Filipe
Meirelles Fonseca - Rio de Janeiro: UFRJ/ Escola Politécnica, 2015.
XIII 96 p.: il.; 29,7 cm.
Orientadores: Ricardo Valeriano Alves, Mayra Soares Pereira
Lima Perlingeiro
Projeto de Graduação - UFRJ/ Escola Politécnica/ Curso de
Engenharia Civil/ Ênfase Estruturas, 2015
Referências Bibliográficas: p. 92-93
1. Balanços Sucessivos 2. Concreto Protendido 3. Aduelas 4.
Pontes I. Alves, Ricardo Valeriano et. al. II. Universidade Federal
do Rio de Janeiro, Escola Politécnica, Curso de Engenharia Civil,
Ênfase Estruturas III. Análise de Pontes Construídas em Balanços
Sucessivos

iii
AGRADECIMENTOS

Agradeço,

Aos meus pais, pela educação e formação, responsável pelo homem que me tornei.

Aos meus irmãos, pelo carinho e pela importância que eles têm na minha vida.

À minha namorada, pelo amor, companheirismo e ajuda neste trabalho final.

Ao Professor Ricardo Valeriano, pela atenção e dedicação na orientação do trabalho e


ao longo do Curso de Graduação.

À Professora Mayra Perlingeiro, pela atenção e dedicação na orientação deste


trabalho.

À Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro e a seus professores,


pela grande formação como Engenheiro Civil.

À Empresa Beton Sthal, pela formação profissional e compreensão nos momentos que
estive ausente pela dedicação a este trabalho.

Aos meus amigos, que sempre estiveram ao meu lado, durante o Curso de Graduação.

À minha família, pelo incentivo, apoio e carinho que sempre me ofereceram.

iv
Resumo do Projeto de Graduação apresentado à Escola Politécnica/ UFRJ como parte dos
requisitos necessários para obtenção do grau de Engenheiro Civil.

Análise de Pontes Construídas em Balanços Sucessivos

Filipe Meirelles Fonseca

Março de 2015

Orientadores: Ricardo Valeriano Alves, Mayra Soares Pereira Lima Perlingeiro

Curso: Engenharia Civil, Ênfase Estruturas

Este trabalho descreve o processo de execução em balanços sucessivos: origem, evolução,


vantagens e suas limitações; apresenta procedimentos iniciais para concepção da estrutura:
definição do esquema estrutural; indica as etapas de cálculo das solicitações principais:
modelagem, análise estrutural e consideração dos efeitos reológicos e apresenta a verificação
dos estados limites último e de serviço seguindo as disposições da norma brasileira. Um
exemplo de uma estrutura é analisado e verificado de forma a aplicar a os conceitos
apresentados.

Palavras-chave: Balanços Sucessivos, Concreto Protendido, Aduela, Pontes.

v
Abstract of Undergraduate Project presented to Poli/UFRJ as a partial fulfillment of the
requirements for the degree of Engineer.

Analysis of Bridges Built By Cantilever Method

Filipe Meirelles Fonseca

March of 2015

Advisor: Ricardo Valeriano Alves, Mayra Soares Pereira Lima Perlingeiro

Course: Civil Engineer, Structure Emphasis

This paper describes the successive cantilever proceedings: origin, history, advantages and
limitations; presents the initial concepts of a cantilever structure: bases of pre-calculations and
structural definition. Explains the calculation steps of the mains demands on the structure:
model, structure analysis and considerations of the time effects on concrete. It also presents
the different limits states in accordance with the present's regulations of Brazil. In the end, it is
given an example of structure, which is verified in the way to illustrate the presented concepts.

Keywords: Balanced Cantilever, Prestressed Concrete, Segments, Bridges.

vi
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................................ 1
2 CONSTRUÇÃO EM BALANÇOS SUCESSIVOS .......................................................................... 2
2.1 Histórico do Sistema Construtivo .................................................................................. 2
2.2 “Grau de Dificuldade” ................................................................................................... 4
2.3 Sistema Estrutural ......................................................................................................... 5
2.3.1 Superestrutura ...................................................................................................... 5
2.3.2 Mesoestrutura....................................................................................................... 7
2.3.3 Sistema Construtivo .............................................................................................. 8
2.3.4 Campos de Utilização ............................................................................................ 8
2.3.5 Características do Processo Construtivo ............................................................... 9
2.3.6 Execução das Aduelas ......................................................................................... 11
2.3.6.1 Construção Simétrica ...................................................................................... 12
2.3.6.2 Construção a Partir de Vão Escorado .............................................................. 13
2.4 Protensão .................................................................................................................... 14
3 SOLICITAÇÕES PRINCIPAIS................................................................................................... 17
3.1 Peso Próprio ................................................................................................................ 17
3.2 Sobrecarga Permanente.............................................................................................. 18
3.3 Carga Móvel ................................................................................................................ 19
3.3.1 Distribuição Transversal das Cargas .................................................................... 20
3.4 Efeitos Térmicos .......................................................................................................... 20
4 PROTENSÃO......................................................................................................................... 23
4.1 Vantagens .................................................................................................................... 24
4.2 Tipos de Protensão ...................................................................................................... 25
4.3 Tipos de Ancoragem .................................................................................................... 25
4.4 Materiais ..................................................................................................................... 28
4.4.1 Concreto .............................................................................................................. 28
4.4.2 Armadura Passiva ................................................................................................ 31
4.4.3 Armadura Ativa ................................................................................................... 31
4.5 Força de Protensão ..................................................................................................... 32
4.5.1 Força de Protensão Inicial ................................................................................... 33
4.5.1.1 Força Média de Protensão .............................................................................. 33

vii
4.5.1.2 Valores Limites da Força na Armadura de Protensão ..................................... 33
4.5.1.3 Valores Representativos da Força de Protensão ............................................ 34
4.5.1.4 Valores de Cálculo da Força de Protensão ...................................................... 34
4.5.2 Perdas de Protensão ........................................................................................... 34
4.5.2.1 Perda por Atrito............................................................................................... 35
4.5.2.2 Perda por Encunhamento ............................................................................... 37
4.5.2.3 Perda por Encurtamento Elástico do Concreto ............................................... 40
4.5.2.4 Perda por Fluência, Retração do Concreto e Relaxação do Aço ..................... 40
4.5.3 Avaliação do Alongamento do Aço ..................................................................... 42
5 ANÁLISE ESTRUTURAL ......................................................................................................... 45
5.1 Etapas Construtivas ..................................................................................................... 45
5.1.1 Execução das Aduelas ......................................................................................... 47
5.1.1.1 Peso Próprio .................................................................................................... 47
5.1.1.2 Protensão ........................................................................................................ 48
5.1.2 Fechamentos Laterais ......................................................................................... 50
5.1.2.1 Peso Próprio .................................................................................................... 50
5.1.2.2 Protensão ........................................................................................................ 51
5.1.3 Fechamento Central ............................................................................................ 52
5.1.3.1 Peso Próprio .................................................................................................... 52
5.1.3.2 Protensão ........................................................................................................ 52
5.2 Estrutura Concluída ..................................................................................................... 57
5.2.1 Cargas Permanentes de Revestimento, Guarda-rodas e Guarda-Corpo ............ 57
5.2.2 Carga Móvel ........................................................................................................ 57
5.2.3 Variação de Temperatura.................................................................................... 58
5.2.4 Efeitos Reológicos ............................................................................................... 59
6 VERIFICAÇÕES DE ESTADOS LIMITES ................................................................................... 63
6.1 Verificação dos Estados Limites de Serviço................................................................. 63
6.1.1 Combinação de Ações em Serviço ...................................................................... 63
6.1.2 Nível de Protensão .............................................................................................. 64
6.1.2.1 Protensão Completa ........................................................................................ 64
6.1.2.2 Protensão Limitada ......................................................................................... 65
6.1.2.3 Protensão Parcial............................................................................................. 65
6.1.2.4 Verificação do Estado Limite de Compressão Excessiva ................................. 66
6.2 Verificação dos Estados Limites Últimos ..................................................................... 66

viii
6.2.1 Estado Limite Último - Solicitações Normais....................................................... 66
6.2.2 Estado Limite Último no Ato da Protensão ......................................................... 68
7 EXEMPLO ............................................................................................................................. 70
7.1 Apresentação do projeto ............................................................................................ 70
7.1.1 Forma da Estrutura.............................................................................................. 70
7.1.2 Características dos Materiais .............................................................................. 72
7.1.3 Protensão ............................................................................................................ 72
7.2 Análise Estrutural ........................................................................................................ 74
7.2.1 Modelagem da Estrutura .................................................................................... 74
7.2.2 Estudo da Aplicação da Força de Protensão no Modelo..................................... 76
7.2.2.1 Método de Alves ............................................................................................. 77
7.2.2.2 Simplificação.................................................................................................... 79
7.2.2.3 Conclusão do Estudo ....................................................................................... 80
7.2.3 Carregamentos Aplicados no Modelo ................................................................. 81
7.2.3.1 Modelo da Etapa construtiva .......................................................................... 81
7.2.3.2 Modelo do Fechamento lateral ....................................................................... 82
7.2.3.3 Modelo da Estrutura Concluída ...................................................................... 83
7.3 Verificação dos Estados Limites de Serviço................................................................. 86
7.3.1 Verificação das Tensões na Seção 10 .................................................................. 88
7.3.2 Verificação das Tensões na Seção 15 .................................................................. 89
8 CONCLUSÕES ....................................................................................................................... 91
9 BIBLIOGRAFIA ...................................................................................................................... 92
ANEXO A ...................................................................................................................................... 94
Coeficientes de Majoração da Carga Móvel - NBR 7188/13 ....................................................... 94
ANEXO B ...................................................................................................................................... 95
Coeficiente de Fluência, φt, t0 - NBR 6118/14 ........................................................................... 95

LISTA DE FIGURAS
Figura 2.1 - Ponte do Herval [THOMAZ (2015)] ............................................................................ 2
Figura 2.2 - Geometria da Ponte do Herval [THOMAZ(2015)] ...................................................... 2
Figura 2.3 - Execução dos segmentos [THOMAZ(2015)] ............................................................... 3
Figura 2.4 - Projeto da Ponte do Herval [THOMAZ(2015)]........................................................... 3
Figura 2.5 - Ligação articulada....................................................................................................... 5
Figura 2.6 - Viga “Gerber” ............................................................................................................. 5
Figura 2.7 - Ligação contínua......................................................................................................... 5

ix
Figura 2.8 - Deformadas após efeitos reológicos .......................................................................... 6
Figura 2.9 - Junta em rótula .......................................................................................................... 6
Figura 2.10 - Junta com viga “Gerber” .......................................................................................... 6
Figura 2.11 - Junta sobre apoio ..................................................................................................... 7
Figura 2.12 - Viga contínua............................................................................................................ 7
Figura 2.13 - Pórtico ...................................................................................................................... 7
Figura 2.14 - Vista superior do cimbramento suspenso ............................................................... 9
Figura 2.15 - Vista inferior do cimbramento suspenso ................................................................. 9
Figura 2.16 - Ciclo de execução de aduela concretada no local [Lima (2011)] ........................... 10
Figura 2.17 - Fases de concretagem ............................................................................................ 10
Figura 2.18 - Fases de concretagem ............................................................................................ 11
Figura 2.19 - Arranques sobre escoramento em leque............................................................... 11
Figura 2.20 - Construção simétrica das aduelas .......................................................................... 12
Figura 2.21 - Pilar articulado ....................................................................................................... 13
Figura 2.22 - Construção das aduelas a partir de um vão escorado ........................................... 13
Figura 2.23 - Vão lastrado ........................................................................................................... 14
Figura 2.24 - Distribuição dos cabos superiores (SETRA) ............................................................ 14
Figura 2.25 - Caixa pré-moldada com ancoragem embutida ...................................................... 15
Figura 2.26 - Traçado dos cabos superiores (SETRA) .................................................................. 15
Figura 2.27 - Traçado dos cabos inferiores no fechamento do vão central (SETRA) .................. 15
Figura 2.28 - Traçado dos cabos inferiores no fechamento do vão lateral (SETRA) ................... 16
Figura 2.29 - Armadura passiva longitudinal (SETRA) ................................................................. 16
Figura 3.1 - Diagrama de momento fletor de peso próprio [adaptado de Lima (2011)] ............ 18
Figura 3.2 - Seções de cálculo ..................................................................................................... 19
Figura 3.3 - Carga móvel padrão TB-450 (NBR 7188/13) ............................................................ 19
Figura 3.4 - Dsitribuição do carregamento excêntrico em seção celular [STUCCHI(2006)] ........ 20
Figura 3.5 - Temperatura e deformação [ adaptado de Debs e Takeya (2007)] ......................... 21
Figura 3.6 - Distribuição da temperatura ao longo da altura peça (NBR 7187/87) .................... 22
Figura 4.1 - Custo unitário do aço [Barboza(2014)] .................................................................... 24
Figura 4.2 - Resistência x custo do aço [Barboza(2014)]............................................................. 25
Figura 4.3 - Ancoragem ativa (Catálogo Mac) ............................................................................. 26
Figura 4.4 - Ancoragem passiva (Catálogo Mac) ......................................................................... 26
Figura 4.5 - Detalhe da posição da ancoragem [Carvalho(1987)] ............................................... 26
Figura 4.6 - Diagrama Tensão-Deformação Idealizado (NBR 6118/14) ...................................... 29
Figura 4.7 - Diagramas de Tensão-Deformação para dimensionamento - ELU .......................... 31
Figura 4.8 - Diagrama Tensão-Deformação para Armadura Passiva (NBR 6118/14) .................. 31
Figura 4.9 - Diagrama Tensão-Deformação para Armadura Ativa (NBR 6118/14) ..................... 32
Figura 4.10 - Distribuição de tensões num cabo de protensão .................................................. 35
Figura 4.11 - Cabo tracionado no interior da bainha [Menegatti(2005)] ................................... 35
Figura 4.12 - Tensões após perdas por atrito- ancoragem passiva-ativa.................................... 36
Figura 4.13 - Tensão após a perda por atrito – ancoragem ativa-ativa ...................................... 37
Figura 4.14 - Diagrama da força de protensão após a perda ancoragem ................................... 37
Figura 4.15 - Cálculo iterativo das perdas por ancoragem ......................................................... 38
Figura 4.16 - Traçado do diagrama das perda por ancoragem ................................................... 39
Figura 4.17 - Relatório de protensão .......................................................................................... 44

x
Figura 5.1 - Exemplo de estrutura construída por balanços sucessivos ..................................... 45
Figura 5.2 - Sequência construtiva .............................................................................................. 46
Figura 5.3 - Diagrama de momento fletor característico do peso próprio ................................. 47
Figura 5.4 - Protensão em estruturas isostáticas ....................................................................... 48
Figura 5.5 - Isostáticos de protensão .......................................................................................... 49
Figura 5.6 - Diagrama de momento fletor característico da protensão ..................................... 49
Figura 5.7 - Escoramentos utilizados no fechamento lateral ...................................................... 50
Figura 5.8 - Análise de peso próprio na concretagem sobre escoramento direto ..................... 51
Figura 5.9 - Análise de peso próprio na concretagem com cimbramento metálico ................... 51
Figura 5.10 - Protensão do fechamento lateral .......................................................................... 51
Figura 5.11 - Concretagem do fechamento central .................................................................... 52
Figura 5.12 - Protensão do fechamento central ......................................................................... 52
Figura 5.13 - Estrutura para análise da protensão hiperestática ................................................ 53
Figura 5.14 - Análise da protensão hiperestática-1 .................................................................... 53
Figura 5.15 - Análise da protensão hiperestática-2 .................................................................... 53
Figura 5.16 - Análise da protensão hiperestática-3 .................................................................... 54
Figura 5.17 - Exemplo do método das forças equivalentes ........................................................ 54
Figura 5.18 - Análise da primeira aduela..................................................................................... 55
Figura 5.19 - Forças nodais nas extremidades dos cabos ........................................................... 55
Figura 5.20 - Forças distribuídas equivalentes ........................................................................... 55
Figura 5.21 - Análise da segunda aduela .................................................................................... 56
Figura 5.22 - Cargas equivalentes de Alves ................................................................................ 57
Figura 5.23 - Diagrama de momento fletor característico do carregamento de revestimento e
defensas ...................................................................................................................................... 57
Figura 5.24 - Diagrama de momento fletor característico das cargas móveís............................ 58
Figura 5.25 - Diagrama de momento fletor característico da variação não uniforme de
temperatura ................................................................................................................................ 58
Figura 5.26 - Esquema para linearização da temperatura ......................................................... 58
Figura 5.27 - Deformação ao longo do tempo devido ao peso próprio ...................................... 59
Figura 5.28 - Deformação ao longo do tempo devido a protensão ............................................ 59
Figura 5.29 - Diagrama de momento fletor do peso próprio na fase construtiva ...................... 60
Figura 5.30 - Diagrama de momento fletor fictício do peso próprio .......................................... 60
Figura 5.31 - Diagrama de momento em t=∞............................................................................. 61
Figura 6.1 - Concreto de envolvimento da armadura (NBR 6118/14) ........................................ 66
Figura 6.2 - Diagrama Tensão-Deformação para cordoalhas CP 190 RB(adaptado da NBR
6118/14) ...................................................................................................................................... 68
Figura 7.1 - Elevação geral da ponte ........................................................................................... 70
Figura 7.2 - Corte longitudinal do vão adjacente (dimensões em cm) ....................................... 70
Figura 7.3 - Corte longitudinal da metade do vão central (dimensões em cm) .......................... 71
Figura 7.4 - Seção transversal no meio do vão central e nos apoios adjacentes(dimensões em
cm)............................................................................................................................................... 71
Figura 7.5 - Seção transversa no apoio central(dimensões em cm) ........................................... 72
Figura 7.6 - Cablagem superior ................................................................................................... 73
Figura 7.7 - Cablagem do fechamento lateral ............................................................................. 73
Figura 7.8 - Cablagem do fechamento central ............................................................................ 73

xi
Figura 7.9 - Seções de estudo para análise estrutural ................................................................ 74
Figura 7.10 - Modelo para as etapas de construção ................................................................... 74
Figura 7.11- Modelo para o fechamento lateral ......................................................................... 75
Figura 7.12 - Modelo da estrutura concluída .............................................................................. 75
Figura 7.13 - Modelagem das aduelas ........................................................................................ 75
Figura 7.14 - Seção de estudo - Análise isostática ...................................................................... 76
Figura 7.15 - Seção de estudo - Análise hiperestática ................................................................ 76
Figura 7.16 - Detalhe do cabo de estudo .................................................................................... 76
Figura 7.17 - Solicitações devido a protensão em estruturas isostáticas ................................... 77
Figura 7.18 - Aplicação do método de Alves ............................................................................... 77
Figura 7.19 - Forças aplicadas no modelo isostático................................................................... 78
Figura 7.20 - Forças aplicadas no modelo hiperestático ............................................................. 78
Figura 7.21 - Aplicação do método simplificado ......................................................................... 79
Figura 7.22 - Força aplicadas no modelo isostático .................................................................... 79
Figura 7.23 - Força aplicadas no modelo hiperestático .............................................................. 80
Figura 7.24 - Tensão média após as perdas por atrito ............................................................... 81
Figura 7.25 - Forças de protensão na etapa construtiva............................................................. 82
Figura 7.26 - Força distribuída do peso próprio do fechamento lateral ..................................... 82
Figura 7.27 - Força da protensão do fechamento lateral............................................................ 83
Figura 7.28 - Forças distribuídas da protensão no fechamento central ..................................... 84
Figura 7.29 - Força distribuída do peso próprio do fechamento central .................................... 84
Figura 7.30 - Seção transversal da sobrecarga permanente ....................................................... 84
Figura 7.31 - Força distribuída de sobrecarga permanente ........................................................ 85
Figura 7.32 - Definição da carga móvel TB-450 no modelo ........................................................ 85
Figura B.1 - Variação de Bft (NBR 6118/2014) ............................................................................ 96

LISTA DE TABELAS
Tabela 2.1 - Grau de dificuldade [baseado em MATTOS(2001)] ................................................... 4
Tabela 2.2 - Sistemas construtivos x vãos [Seminário de Concreto protendido – Anais –Assoc.
Bras. de Pontes e Estruturas - (1983)]........................................................................................... 8
Tabela 4.1 - Tipo de ancoragem e trajetória dos cabos [adaptado de Carvalho(1987)]............. 27
Tabela 4.2 - Especificações das cordoalhas (Catálogo Arcelormittal) ......................................... 32
Tabela 4.3 - Valores característicos superiores da deformação específica εcst∞, t0 e do
coeficiente de fluência φt∞, t0(NBR 6118/14) ........................................................................... 41
Tabela 6.1 - Relação de durabilidade relacionadas à fissuração e à proteção da armadura, em
função da classe de agressividade ambiental segundo a NBR 6118/14 ..................................... 63
Tabela 6.2 - Combinações de serviço segundo a NBR 6118/14 .................................................. 63
Tabela 6.3 - Fatores de redução Ψ1 e Ψ2 (NBR 8681/03) .......................................................... 64
Tabela 6.4 - Coeficientes de ponderação (NBR 8681/03) ........................................................... 67
Tabela 6.5 - Fatores de redução Ψ0 (NBR 8681/03) ................................................................... 67
Tabela 7.1 - Solicitação exatas nas seções analisadas - isostático de protensão........................ 77
Tabela 7.2 - Forças obtidas pelo método de Alves ..................................................................... 78
Tabela 7.3 - Solicitações - modelo isostático .............................................................................. 78

xii
Tabela 7.4 - Solicitações - modelo hiperestático ........................................................................ 79
Tabela 7.5 - Forças Aplicadas no Modelo.................................................................................... 79
Tabela 7.6 - Solicitações – modelo isostático............................................................................. 80
Tabela 7.7 - Solicitações - modelo hiperestático ........................................................................ 80
Tabela 7.8 - Resumo de solicitações - modelo isostático............................................................ 80
Tabela 7.9 - Resumo de solicitações - modelo hiperestático ...................................................... 81
Tabela 7.10 - Cálculo da força de protensão após perdas imediatas ......................................... 82
Tabela 7.11 - Cálculo da força de protensão após perdas imediatas ......................................... 83
Tabela 7.12 - Cálculo da força de protensão após perdas imediatas ......................................... 83
Tabela 7.13 - Cálculo do gradiente de temperatura ................................................................... 86
Tabela 7.14 - Solicitações na seção S10 ...................................................................................... 86
Tabela 7.15 - Solicitações na seção S15 ...................................................................................... 87
Tabela 7.16 - Propriedades geométricas das seções .................................................................. 87
Tabela 7.17 - Tensões na seção 10 .............................................................................................. 88
Tabela 7.18 - ELS-D: Combinações Frequentes ........................................................................... 88
Tabela 7.19 - ELS-F: Combinações Raras ..................................................................................... 88
Tabela 7.20 - Tensões na seção 15 .............................................................................................. 89
Tabela 7.21 - ELS-D: Combinações Frequentes ........................................................................... 89
Tabela 7.22 - ELS-F: Combinações Raras ..................................................................................... 89

xiii
1 INTRODUÇÃO

Este trabalho tem como objetivo descrever o processo de execução em balanços


sucessivos: origem, evolução, vantagens e limitações; apresentar os procedimentos iniciais
para definição do esquema estrutural; descrever as solicitações principais; apresentar os
principais conceitos do concreto protendido; enumerar as etapas de cálculo das solicitações
principais: análise estrutural considerando os efeitos reológicos, descrever a verificação dos
estados limites último e serviço seguindo as disposições das normas brasileiras e por fim
analisar um projeto básico de uma ponte em balanço sucessivos.

O assunto é abordado em três etapas. Inicialmente são apresentados os conceitos


básicos do método e aspectos construtivos. A segunda etapa apresenta os principais
carregamentos, descreve as etapas de cálculo das solicitações e verificações segundo a norma
brasileira. Finalmente, apresenta-se um exemplo de uma ponte construída por este método, a
fim de aplicar os conceitos apresentados.

A escolha do tema para o Projeto Final de Curso foi motivada pelo desejo de aprender o
método de construção por balanços sucessivos, uma solução estrutural economicamente
vantajosa e utilizada correntemente no Brasil. Além disso, o tema permite aprofundar o
conhecimento a respeito do comportamento e projeto de estruturas em concreto protendido.

Além desta introdução, o trabalho é composto por outros oito capítulos, cujos
conteúdos são, resumidamente, os seguintes:

Capítulo 2 – Construção em Balanços Sucessivos: Apresenta o seu histórico de utilização


e a explicação do sistema estrutural e construtivo.

Capítulo 3 – Solicitações Principais: Apresenta os principais carregamentos utilizados no


dimensionamento e verificação das vigas principais de uma ponte executada por balanços
seucessivos.

Capítulo 4 – Protensão: Conceitos fundamentais para o projeto de estruturas em


concreto protendido.

Capítulo 5 – Análise estrutural: Análise Estrutural das etapas de construção de uma


ponte em balanços sucessivos.

Capítulo 6 – Verificação dos estados limites: Verificação dos estados limites últimos e de
serviço das estruturas de concreto protendido.

Capítulo 7 – Exemplo: Análise de uma ponte executada em balanços sucessivos.

Capítulo 8 – Conclusão: Apresenta conclusões sobre o trabalho e sugestões para


trabalhos futuros.

1
2 CONSTRUÇÃO EM BALANÇOS SUCESSIVOS

Neste capítulo apresentam-se os principais aspectos do sistema de construção de


superestruturas típicas de pontes em balanços sucessivos.

2.1 Histórico do Sistema Construtivo


O Método de Balanços Sucessivos foi originalmente concebido pelo engenheiro Emílio
Baumgart, em 1930, para construção do vão central de 68 m da Ponte do Herval, sobre o Rio
do Peixe em Santa Catarina, ilustrada a seguir na Figura 2.1.

Figura 2.1 - Ponte do Herval [THOMAZ (2015)]

A Ponte do Herval foi construída em concreto armado com vão central de 68 m. Na


época de sua construção, este vão representou recorde de extensão de viga contínua em
concreto armado. O processo construtivo em balanços sucessivos foi concebido visando
superar uma grande dificuldade particular ao Rio do Peixe. No trecho em que a ponte deveria
ser construída, o rio apresentava histórico de enchentes repentinas, provocando variação de
até 11 m do nível d’água em apenas uma noite.

Na Figura 2.2 é reproduzida de forma esquemática a geometria da Ponte do Herval.

Figura 2.2 - Geometria da Ponte do Herval [THOMAZ(2015)]

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Para a construção, o vão central foi dividido em setores de concretagem de 1,545 m de
comprimento, onde o primeiro segmento foi concretado sobre escoramento, em forma de
leque, apoiado no pilar. Os segmentos concretados a seguir foram suportados pela própria
forma autoportante, ancoradas nos dois segmentos anteriores. A Figura 2.3 apresenta uma
foto na época da execução dos segmentos.

Figura 2.3 - Execução dos segmentos [THOMAZ(2015)]

A Figura 2.4 apresenta desenhos do projeto estrutural da Ponte do Herval.

Figura 2.4 - Projeto da Ponte do Herval [THOMAZ(2015)]

Segundo THOMAZ (2015), a ponte sobre o Rio do Peixe é reconhecida mundialmente


como a primeira ponte de concreto construída em balanços sucessivos. Esse método
construtivo não foi, no entanto, patenteado pelo Engenheiro Emílio Baumgart. Por ser esta

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obra reconhecida como pioneira, não foram aceitos pedidos posteriores de patente do
método de construção em balanços sucessivos.

Após esta obra, surgiram outras pontes com a utilização desse sistema de construção.
No entanto, os expressivos momentos fletores decorrentes desse método exigiam uma
quantidade excessiva de armadura passiva além de acarretar acentuada fissuração no banzo
tracionado.

Estas dificuldades só foram plenamente superadas em 1950 pelo Engenheiro alemão


Ulrich Finsterwalder, na construção da ponte sobre o Rio Lahn, em Balduinstein. Finsterwalder
utilizou o concreto protendido para construir o vão principal, com 62 m de extensão, seguindo
a técnica dos balanços sucessivos. Com a utilização da protensão foi possível eliminar as
tensões de tração, e praticamente eliminar a fissuração, consolidando assim o método de
construção.

2.2 “Grau de Dificuldade”


A complexidade de um projeto de construção em balanços sucessivos pode ser avaliada
recorrendo-se ao conceito de “grau de dificuldade” proposto pela Fédération Internatinale du
Béton (2000 apud MATTOS,2001), que basicamente considera:

• Dificuldade e risco assumidos pelo engenheiro;


• Complexidades de projeto e da técnica construtiva;
• Condições climáticas, topográficas, geológicas, geotécnicas e hidrológicas.

A Tabela 2.1 relaciona o grau de dificuldade “nd” com o tipo de estrutura da ponte.

Tabela 2.1 - Grau de dificuldade [baseado em MATTOS(2001)]


Grau de dificuladade nd
Pontes 0,7 0,8 0,9 1,0 1,1 1,2 1,3 1,4 1,5 1,6 1,7 1,8 1,9

Estruturas simples como:


pontes com vigas, seção
constante, laje curtas.

Estruturas normais como:


pontes em vigas, em laje e
pórticos.
Pequenas variações de seção
transversal
Pequena curvatura
Pequena rampa

Estruturas complicadas como:


pontes em vigas, em laje
pórticos.
Grande variação de seção
transversal
Variação de largura
Grande curvatura
Grande rampa

Estruturas especiais e método


especiais de construção :
Pontes em arco
Pontes estaiadas
Pontes suspensas
Pontes em balanço sucessivo
Pontes empurradas

Projeto Supervisão de construção

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Observa-se na Tabela 2.1, que o método de construção por balanço sucessivo é
classificado como um método de construção especial, caracterizado por alto grau de
dificuldade tanto para projeto como para execução.

2.3 Sistema Estrutural


São aqui apresentados alguns esquemas estruturais visando descrever a evolução do
processo, principalmente quanto às soluções de vinculação, das regiões dos fechamentos e
nos apoios da superestrutura.

2.3.1 Superestrutura
Diante do desafio de conectar dois extremos de superestruturas construídas em
balanços, observa-se que, na prática, as seguintes três soluções já foram aplicadas:

• Ligação articulada;
• Trecho central em viga “Gerber”;
• Ligação contínua.

Nas Figuras 2.5 a 2.7 são ilustrados as soluções estruturais supracitadas.

Figura 2.5 - Ligação articulada

Figura 2.6 - Viga “Gerber”

Figura 2.7 - Ligação contínua

Os sistemas rotulados resultam em estruturas relativamente sem restrições para os


efeitos reológicos representados, principalmente, pela fluência do concreto e relaxação do aço
de protensão. Além disso, estes sistemas são de análise mais simples, por serem praticamente
isostáticos. No entanto, as soluções de fechamento rotuladas caíram em desuso,
principalmente pelas seguintes desvantagens:

• A presença de juntas no vão representa um ponto frágil sujeito às inevitáveis


infiltrações, carecendo de vistoria e manutenções constantes;

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• Com a evolução dos efeitos reológicos, as seções rotuladas tendem a formar
pontos de mudança súbita de declividade, comprometendo definitivamente a
estética e causando desconforto para o usuário, como ilustrado a seguir.

Figura 2.8 - Deformadas após efeitos reológicos

A solução de fechamento com ligação contínua apresenta como desvantagem, a drástica


modificação de esquema estrutural. Passando de isostático, nas fases construtivas, a estrutura
concluída torna-se hiperestática, restringindo-se expressivamente as deformações por efeitos
reológicos. A análise estrutural torna-se bastante mais complexa, porém a eliminação das
juntas e a garantia de uma estrutura contínua justificam a adoção desta solução, como se
constata na prática.

No caso de estruturas muito longas, no entanto, torna-se imprescindível a


materialização de juntas de dilatação. Neste caso, pode-se recorrer aos sistemas rotulados,
ilustrados nas Figuras 2.9 e 2.10, com suas desvantagens já descritas.

Figura 2.9 - Junta em rótula

Figura 2.10 - Junta com viga “Gerber”

Como nestes casos a junta é inevitável, pode-se também, localizá-la sobre um ponto de
apoio, conforme ilustrado na Figura 2.11. Esta solução embora seja mais cara, por induzir em
mais um ponto de fundação e comprometer bastante a estética, resolve os problemas das
rótulas no meio do vão.

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Figura 2.11 - Junta sobre apoio

2.3.2 Mesoestrutura
A ligação com a mesoestrutura pode se dar por meio de apoios simples, em geral
através de aparelhos de apoio em elastômero fretado, ou de forma monolítica, formando
sistemas aporticados, sendo neste caso usual a adoção de pilares em lâminas duplas, que
propiciam maior flexibilidade.

As Figuras 2.12 e 2.13 ilustram este dois tipos de ligações.

Figura 2.12 - Viga contínua

Figura 2.13 - Pórtico

O sistema estrutural aporticado apresenta as seguintes vantagens:

• Estrutura mais estável, devido ao aumento do grau de hiperestaticidade;


• Redução da armadura dos pilares de pontes com greides elevados;

No entanto, o sistema aporticado não é recomendado em pontes com greides baixos,


uma vez que os pilares curtos, muito rígidos, despertam elevadas solicitações por flexão.

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A solução em viga contínua é adequada para situações em que o lançamento das
aduelas, acontece a partir de um vão existente, que propicia o equilíbrio com as aduelas em
construção.

2.3.3 Sistema Construtivo


O princípio do processo de construção em balanços sucessivos consiste na construção
da obra em segmentos com 2 a 5m de comprimento, denominados aduelas, que podem ser
pré-moldadas ou moldadas no local. Os balanços avançam a partir de formas autoportantes,
com um ciclo médio de concretagem de 5 a 10 dias, sobre o vão até o fechamento. A
continuidade entre as aduelas se dá basicamente pela protensão.

2.3.4 Campos de Utilização


Geralmente, a concepção de solução para o projeto de uma ponte está condicionada ao
método construtivo a ser utilizado para a execução da sua superestrutura.

Em resumo, pode-se destacar que o método construtivo de balanços sucessivos é


adequado nas seguintes situações:

• Necessidade de vencer grandes vãos com vigas mais esbeltas, seja por
necessidade de gabarito ou para evitar fundações dispendiosas;
• Vales profundos;
• Rios caudalosos ou sujeitos a enchentes repentinas com grande variação do
nível d’água;
• Locais onde não é recomendado fazer escoramento direto, seja em pontes com
pilares muito altos (maiores que 20 m), ou obras em meio urbano, onde não é
possível interromper o tráfego, por exemplo;

Visando a comparação com outros sistemas estruturais, com vigas sob flexão,
apresenta-se na Tabela 2.2, a ordem de grandeza de vãos economicamente viáveis.

Tabela 2.2 - Sistemas construtivos x vãos [Seminário de Concreto protendido – Anais –Assoc. Bras. de Pontes e
Estruturas - (1983)]
Vãos
10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110 120 130 140 150
Sistemas
Vigas Pré-fabricadas

balanços sucessivos

Por empurramento

Moldado in loco

Legenda: Excepcional Ótimo Normal

Observa-se que a utilização do método de construção, por balanços sucessivos é viável


desde algumas dezenas de metros até cerca de 150 m.

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2.3.5 Características do Processo Construtivo
No método de construção por balanços sucessivos, as aduelas são moldadas em geral no
local, utilizando cimbramento metálico com a função de suportar o peso da aduela em
balanço, além de servir como plataforma de trabalho. Na parte dianteira do cimbramento, em
balanço, tem-se o suporte da forma da aduela a ser concretada. A ancoragem se dá no apoio
traseiro, atirantando-se na aduela existente de forma a equilibrar o peso da nova aduela,
conforme ilustrados nas Figuras 2.14 e 2.15.

Figura 2.14 - Vista superior do cimbramento suspenso

Figura 2.15 - Vista inferior do cimbramento suspenso

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Após o concreto atingir a resistência estabelecida de projeto para aplicação da
protensão, que normalmente varia de 2 a 4 dias, a aduela pode ser protendida. Com a
protensão, a aduela torna-se auto-portante, permitindo o avanço do cimbramento para
execução de uma nova aduela. O processo se repete até o fechamento do vão.

O ciclo de execução de uma aduela pode variar, em geral, de 5 a 10 dias. Após a


concretagem das primeiras aduelas, o tempo do ciclo de execução tende a diminuir, em função
da redução da seção transversal aliado ao aumento da produtividade da mão-de-obra, pela
repetição do trabalho. A Figura 2.16 ilustra um ciclo típico de execução de aduela moldada no
local.

Figura 2.16 - Ciclo de execução de aduela concretada no local [Lima (2011)]

O Plano de concretagem de uma aduela, geralmente, se dá em duas ou três fases,


conforme a seguir descrito:

• Plano concretagem em três fases:


1) Laje inferior;
2) Almas;
3) Laje superior.

A Figura 2.17 ilustra a sequências de concretagem em três fases.

Figura 2.17 - Fases de concretagem

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• Plano concretagem em duas fases: (sequência em geral mais usual).
1) Laje inferior;
2) Almas e laje superior.

A Figura 2.18 ilustra a sequência de concretagem citada.

Figura 2.18 - Fases de concretagem

2.3.6 Execução das Aduelas


As primeiras aduelas partem de uma base inicial, chamada de “arranque” ou aduela de
“disparo”.

Uma solução usual é concretar as aduelas de “arranque” sobre escoramentos em leque


apoiados no pilar ou mesmo sobre blocos de coroamento, conforme ilustrado a seguir.

Figura 2.19 - Arranques sobre escoramento em leque

Com a materialização dos “arranques” tem-se a necessária massa de contrapeso para se


ancorar o cimbramento suspenso e se iniciar o processo de execução das aduelas em balanços.

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2.3.6.1 Construção Simétrica
Indicada para pontes com vãos grandes, a construção a partir de um pilar consiste no
lançamento simétrico de aduelas, que avançam em balanço, a partir das duas faces de um
pilar. O lançamento de cada extremidade chega ao fim no fechamento central ou lateral. A
Figura 2.20 apresenta a sequência básica do processo construtivo.

Figura 2.20 - Construção simétrica das aduelas

O princípio estrutural neste lançamento é simples. O avanço simétrico das aduelas


permite equilibrar os carregamentos no pilar, evitando as solicitações de momento fletor
decorrentes do peso próprio das aduelas em balanço e da sobrecarga dos elementos
construtivos.

Nessa situação de lançamento, o pilar de partida pode estar engastado monoliticamente


ao tabuleiro, ou articulado. Em ambos os casos, é importante projetá-lo para resistir à um
eventual desequilíbrio, que pode ser causado por uma aduela a mais em uma das
extremidades ou pela ação do vento.

No caso onde o tabuleiro estiver articulado ao pilar, a resistência a esse desequilíbrio


pode ser obtida na fase da construção, através da protensão vertical do tabuleiro ao pilar ou
torres de escoramento ou mesmo pilar provisório, conforme ilustrado na Figura 2.21.

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Figura 2.21 - Pilar articulado

2.3.6.2 Construção a Partir de Vão Escorado


Esse tipo de execução é característico de pontes em que os vãos laterais podem ser
facilmente moldados com escoramento direto. A Figura 2.22 ilustra a execução das aduelas
nestes casos.

Figura 2.22 - Construção das aduelas a partir de um vão escorado

No caso do vão adjacente já ter sido construído, a estrutura existente serve de


contrabalanço para o trecho que será executado em balanços sucessivos.

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Há situações em que o vão existente não tem peso próprio suficiente para
contrabalancear as aduelas que estão sendo construídas. Como solução para manter o
equilíbrio da estrutura, nesta situação, pode-se adotar lastro no vão lateral, para contrapeso,
conforme ilustrado na Figura 2.23.

Figura 2.23 - Vão lastrado

2.4 Protensão
A passagem dos cabos de protensão pode ser realizada antes da concretagem, chamada
de enfiação anterior, ou após a concretagem, chamada de enfiação posterior. A Figura 2.24
apresenta um exemplo de distribuição típica dos cabos superiores nas aduelas. Observa-se a
grande quantidade de cabos que passam por uma aduela. Diante da grande quantidade, pode-
se deixar bainhas extras para corrigir um eventual problema, durante a protensão de um dos
cabos.

Figura 2.24 - Distribuição dos cabos superiores (SETRA)

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A protensão dos cabos é aplicada quando o concreto já tiver alcançado 3 a 4 dias de
idade. Com pouca idade, o concreto deve possuir uma resistência mínima que permita a sua
protensão. Para isso, são especificados concretos com resistências elevadas além de fretagem
para absorver as tensões de tração nas regiões de ancoragens.

Uma técnica utilizada para permitir a aplicação da protensão com concreto jovem, é
adoção de blocos pré-moldados de concreto com ancoragens embutidas, que recebem
diretamente as maiores forças no instante da protensão, conforme ilustrado a seguir:

Figura 2.25 - Caixa pré-moldada com ancoragem embutida

As Figuras 2.26 a 2.28 apresentam alguns traçados típicos dos cabos de protensão
usados nas pontes em balanços sucessivos.

Figura 2.26 - Traçado dos cabos superiores (SETRA)

Figura 2.27 - Traçado dos cabos inferiores no fechamento do vão central (SETRA)

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Figura 2.28 - Traçado dos cabos inferiores no fechamento do vão lateral (SETRA)

Segundo LEONHARDT (1979), a grande vantagem do processo dos balanços sucessivos


moldado no local é a possibilidade de se dispor a armadura longitudinal passiva para a
limitação da fissuração através das juntas de concretagem, de modo a tornar possível uma
protensão limitada ou parcial. A Figura 2.29 apresenta uma foto da armadura passiva utilizada
para a limitação de fissuras.

Especial atenção deve ser dispensada na fase de projeto, ao se analisar as deformações


em cada etapa de construção das aduelas. Os deslocamentos devem ser avaliados com boa
precisão, com a superposição dos efeitos de cada etapa, sequencialmente, e principalmente
considerando-se os efeitos reológicos. Com isto pode-se garantir o perfeito ajuste no
fechamento e na materialização do greide projetado. Para isto, é imprescindível que o
projetista elabore um plano detalhado de contra flechas a serem aplicadas em cada etapa
construtiva.

Figura 2.29 - Armadura passiva longitudinal (SETRA)

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3 SOLICITAÇÕES PRINCIPAIS

No caso geral das superestruturas de pontes, pode-se considerar que os esforços


solicitantes principais são originados fundamentalmente por:

• Peso próprio;
• Sobrecarga permanente (revestimento, guarda-rodas e guarda-corpo);
• Carga móvel;
• Variação de temperatura (uniforme e gradiente).

Os carregamentos permanentes (peso próprio e sobrecarga) não variam com o tempo,


tendo intensidades constantes durante a vida útil da obra. Já os carregamentos variáveis
(cargas móveis e efeitos térmicos) , conforme a própria classificação indica, podem ou não
ocorrer, variando expressivamente. No caso das cargas móveis, estas variam não só de
intensidade, mas também nas suas posições de aplicação.

Além destes carregamentos, de análise relativamente simples, dispondo-se de diversos


programas para cálculo automático, existem as solicitações decorrentes da protensão, de
determinação em geral mais complexa. Durante a fase construtiva, as protensões das aduelas
são de análise relativamente simples, por se tratar de um sistema estrutural em balanço,
portanto isostático.

Neste caso, as solicitações de protensão numa determinada seção podem ser


diretamente determinadas através dos chamados isostáticos de protensão:

• Esforço normal: Resultante horizontal das forças de protensão;


• Esforço cortante: Resultante vertical das forças de protensão;
• Momento fletor: Somatório dos produtos das resultantes horizontais
multiplicados pelas excentricidades dos cabos.

Com os fechamentos central e laterais a superestrutura se torna hiperestática e a


análise estrutural torna-se bem mais complexa, principalmente no que diz respeito aos efeitos
reológicos. As formas de análise são apresentadas mais detalhadamente em capítulo posterior.

3.1 Peso Próprio


Em balanços sucessivos, as solicitações decorrentes de peso próprio são determinadas
na fase construtiva, para a concretagem de cada aduela, durante o processo construtivo.
Normalmente, a análise se dá com a estrutura ainda isostática, sendo assim, de fácil avaliação.

A NBR 7187/03 preconiza que, para a avaliação das cargas devido ao peso próprio dos
elementos estruturais de concreto armado ou protendido, deve-se adotar, no mínimo, um
peso específico igual a 25 kN/m³.

Na fase construtiva, há a presença de elementos construtivos que devem ser somados


ao peso próprio e considerados nessa fase de cálculo. Sendo o elemento construtivo uma
carga variável, deve-se considerar o surgimento (entrada de carga) destas forças, por ocasião
de sua montagem e a retirada (saída de carga) , por ocasião de sua desmontagem, ou melhor,

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translação para a aduela seguinte. Este também é o caso do cimbramento suspenso, que
utiliza contrapeso ao invés de tirantes ancorados na laje para equilibrar o peso da nova aduela.
A substituição de contrapesos por tirantes é, muitas vezes, mais econômica, e facilita a
movimentação do cimbramento.

A Figura 3.1 apresenta um exemplo do diagrama de momento fletor devido ao peso


próprio da estrutura numa sequência de etapas construtivas.

Figura 3.1 - Diagrama de momento fletor de peso próprio [adaptado de Lima (2011)]

Observa-se que a consideração das sucessivas estapas, permite a definição da envoltória


dos momentos fletores, desde a construção da primeira aduela até o fechamento do vão.

3.2 Sobrecarga Permanente


As solicitações devido à sobrecarga permanente são calculadas com a estrutura
concluída. Os carregamentos principais considerados são: revestimento, guarda-rodas e
guarda-corpos. Fato importante a ser observado é que, nessa etapa, o sistema estrutural é
hiperestático.

A NBR 7187/03 recomenda um valor mínimo de 24 kN/m³ para o peso específico do


material adotado para o revestimento, prevendo-se uma carga adicional de 2,0 kN/m² para
prever um possível recapeamento. Pode-se dispensar a consideração desta carga adicional, a
critério do proprietário da obra, no caso de pontes de grandes vãos.

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3.3 Carga Móvel
Para cálculo das solicitações devido às carga móveis utiliza-se o conceito de linha de
influência para cada seção de cálculo da estrutura hiperestática. As seções de cálculo, no geral,
são posicionadas nas juntas entre as aduelas, como apresentado na Figura 3.2.

Figura 3.2 - Seções de cálculo

As cargas móveis verticais são fixadas pela NBR 7188/13, ou pelo proprietário da obra
no caso da estrutura ser projetada para veículos especiais.

A carga móvel padrão TB-450 para rodovias brasileiras, definida pela NBR 7188/13 é
representada por um veículo tipo, com peso próprio de 450 kN dividido em seis rodas, cada
uma com P=75 kN, e circundado por uma carga uniformemente distribuída p= 5,0 kN/m². A
Figura 3.3 apresenta a carga móvel padrão com especificação das dimensões do veículo tipo.

Figura 3.3 - Carga móvel padrão TB-450 (NBR 7188/13)

Essa carga estática característica deve ser majorada pelo produto de três coeficientes
para consideração dos efeitos dinâmicos:

• Coeficiente de impacto vertical (CIV);


• Coeficiente de número de faixas (CNF);
• Coeficiente de impacto adicional (CIA).

O anexo A apresenta o cálculo desses coeficientes de acordo com a NBR 7188/13.


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3.3.1 Distribuição Transversal das Cargas
As vigas com seção celular possuem elevada rigidez à torção, o que permite analisá-las
com modelo unifilar, com elementos de pórtico, plano ou espacial. Neste caso, admite-se que
a seção permanece indeformável, isto é, que a forma da seção não sofra empenamento. Esta
condição prévia é, em geral, satisfeita no caso de pontes de concreto protendido, se a seção
celular for enrijecida junto aos apoios, por meio de diafragmas ou pórticos transversais
suficientemente rígidos. Em vigas contínuas, admite-se frequentemente ser suficiente a rigidez
transversal que se obtém por meio de almas e lajes de fundo engrossadas.

Essa característica da seção celular implica que o carregamento variável no tabuleiro


seja distribuído igualmente entre as vigas da seção, independente de sua posição na seção
transversal. O momento devido às cargas excêntricas é assim absorvido pelas tensões
cisalhantes, analisadas separadamente na consideração da torção.

A Figura 3.4 apresenta um esquema da distribuição das cargas em uma viga celular
simétrica biapoiada de acordo com as hipóteses descritas.

Figura 3.4 - Dsitribuição do carregamento excêntrico em seção celular [STUCCHI(2006)]

3.4 Efeitos Térmicos


A consideração das solicitações, devido aos efeitos de variação de temperatura, muitas
vezes é negligenciada ou determinada de forma incorreta.

Thomaz (2009) descreve o caso de pontes protendidas no Brasil e no mundo, com


fissuras no bordo inferior, junto aos apoios centrais, fatos inimagináveis para vigas contínuas
de concreto protendido, nas quais ocorrem grandes tensões de compressão no bordo inferior
nestas seções. Uma das explicações para essa fissuração é o efeito de aquecimento, por
insolação, da laje superior, gerando momentos fletores que tracionam o bordo inferior, ou
seja, contrariando as demais solicitações.

Para análise destes fenômenos, pode-se considerar que a distribuição da temperatura


em uma viga é composta por três parcelas, como apresentado na Figura 3.5:

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• Variação uniforme;
• Variação linear ou gradiente de temperatura;
• Distribuição interna da temperatura.

Figura 3.5 - Temperatura e deformação [ adaptado de Debs e Takeya (2007)]

O diagrama de deformações, observado na Figura 3.5, permite avaliar o comportamento


de uma estrutura isostática submetida a cada parcela responsável pela distribuição de
temperatura. A variação uniforme de temperatura acarreta variação de comprimento, o
gradiente térmico resulta em flexão da estrutura e a distribuição de temperatura no interior da
seção produz tensões internas, não provocando deslocamento.

A NBR 6118/14, no ítem 11.4.2.1, recomenda adotar uma variação de temperatura


uniforme entre 5°C e 10°C para elementos estruturais maciços ou ocos, com os espaços
inteiramente fechados, cuja menor dimensão seja superior a 70 cm.

Em relação à variação não uniforme de temperatura a norma prescreve que essa


variação deve ser considerada em elementos estruturais em que a temperatura possa ter
distribuição significativamente diferente da uniforme. Na falta de dados mais precisos, pode
ser admitida uma variação linear entre os valores de temperatura adotados, desde que a
variação de temperatura considerada entre uma face e outra da estrutura não seja inferior a
5°C.

Entretanto, devido à falta de referências específicas para variação de temperaturas em


pontes, pode-se utilizar a versão do ano de 1987 da NBR 7187 para consideração desses
efeitos em pontes. Esta versão da norma recomenda uma variação uniforme de temperatura
de 15°C, e combinada com essa variação, deve-se ainda considerar uma distribuição de
temperatura definida na Figura 3.6.

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Figura 3.6 - Distribuição da temperatura ao longo da altura peça (NBR 7187/87)

22
4 PROTENSÃO

A protensão consiste basicamente em introduzir um estado prévio de tensões na


estrutura com o objetivo de reduzir as tensões de tração no concreto.

Os princípios básicos do projeto de estruturas em concreto protendido podem ser


sintetizados nos, assim denominados, “10 fundamentos” descritos por Leonhardt (1955) e
apresentado pelo Prof. Eduardo Thomaz da seguinte forma:

Fundamentos básicos durante o projeto:

1. Protender significa comprimir. A compressão só pode ocorrer se for possível o


encurtamento da viga. Certifique-se que a viga pode encurtar na direção da
protensão;
2. Qualquer mudança de direção do eixo do cabo produz forças radiais quando o
cabo é tracionado. Mudanças de direção do eixo da viga de concreto também
geram “forças desbalanceadas” atuando transversalmente ao eixo da viga.
Lembre-se de considerar essas forças nos seus cálculos.
3. As elevadas tensões admissíveis de compressão no concreto não devem ser
totalmente utilizadas. Escolha as dimensões das seções transversais das vigas,
em especial junto dos cabos de modo que o concreto possa ser corretamente
lançado e vibrado na obra.
4. Evite tensões de tração sob ação das cargas permanentes. Não confie na
resistência à tração do concreto.
5. Use armaduras não protendidas, de aço comum, na direção transversal a
protensão, em especial nas regiões da viga onde as forças de protensão são
transmitidas ao concreto.

Fundamentos básicos durante a execução:

6. O aço de protensão é mais resistente que o aço comum do concreto armado.


Porém é mais sensível à corrosão, a mossas, a dobras e ao calor. Trate-o com
cuidado. Posicione os cabos com grande precisão, fixe-os bem, de modo que não
mudem de posição durante o lançamento do concreto, nem durante sua
vibração.
7. Planeje a concretagem de modo que o concreto possa ser vibrado em todas as
partes da viga. As deformações das formas e dos escoramentos não devem
causar fissuração no concreto fresco. Faça a concretagem com grande cuidado
para não deixar brocas e falhas no concreto. Esses defeitos podem causar
grandes problemas quando os cabos forem protendidos.
8. Antes de protender os cabos, verifique se a viga pode se deslocar e encurtar na
direção da protensão. Use apoios deslocáveis ou móveis.
9. Protenda os cabos com concreto ainda com pouca idade, para evitar a fissuração
devido à retração e a uma queda de temperatura. Mas aplique inicialmente
apenas uma parte da protensão, de modo a ter as tensões moderadas de
compressão no concreto, que ainda não tem a resistência final prevista. Numa

23
segunda fase, com o concreto já bastante resistente, execute a protensão total.
Essa fase da construção exige muito cuidado pois as forças da protensão são
altas. Mais tarde, as perdas lentas reduzem a força de protensão. Durante a
protensão dos cabos verifique os alongamentos dos cabos e as forças nos
macacos.
10. Antes de fazer a injeção dos cabos, certifique-se de que as bainhas não têm
obstruções. Siga as especificações para o preparo da pasta de cimento a ser
injetada.

4.1 Vantagens
A utilização do concreto protendido possui vantagens e algumas limitações quando
comparado ao concreto armado convencional.

A redução ou eliminação das tensões de tração permite utilizar a rigidez completa da


seção com a redução da fissuração quando comparado ao concreto armado convencional,
além de promover uma maior durabilidade para estrutura devido a diminuição da corrosão nas
armaduras.

A utilização de um aço com maior resistência possibilita o dimensionamento de uma


estrutura mais esbelta e capaz de vencer grandes vãos.

Um estudo apresentado por Barboza (2014) estabelece uma relação entre a resistência
e o custo para o aço convencional e o de alta resistência, concluindo que a relação
resistência/custo do aço de protensão é mais de duas vezes o do aço convencional.

Para efeito de comparação das ordens de grandezas, a Figura 4.1 apresenta os preços
médios dos aços obtidos de propostas comerciais das empresas Arcelormittal e Gerdau,
levantados em dezembro de 2013.

(R$/kg) Custo Unitário


5,00

4,00

3,00

2,00

1,00

-
CA-50 CP-190 RB

Figura 4.1 - Custo unitário do aço [Barboza(2014)]

Com o mesmo propósito e partindo dos mesmos dados, a Figura 4.2 apresenta a
relação entre a resistência e o custo do aço CA-50 e o CP-190 RB.

24
(MPa/R$) Resistência/Custo
500

400

300

200

100

-
CA-50 CP-190 RB

Figura 4.2 - Resistência x custo do aço [Barboza(2014)]

4.2 Tipos de Protensão


A classificação quanto ao tipo de protensão depende da época em que se aplica a
protensão e do tipo de aderência entre a armadura ativa e o concreto:

• Pré-tração ou Aderência Inicial: O aço de protensão é tensionado entre blocos


de ancoragem fixos. Em seguida, a concretagem é realizada. Após o ganho de
resistência do concreto, o aço de protensão é desligado dos blocos
transferindo por aderência a força de protensão.
• Pós- tração com ou sem aderência posterior: O aço de protensão é colocado
solto em dutos ou bainhas posicionadas no interior da peça a ser concretada.
Após o concreto adquirir resistência, o aço é tensionado e ancorado nas
extremidades da peça. A pós-tração divide-se em dois casos:
Com aderência: A aderência posterior entre o concreto e armadura é
garantida com a injeção de calda de cimento no interior das bainhas.
Sem aderência: A ancoragem é responsável por toda a força de protensão
aplicada na estrutura, a não aderência é garantia através de graxa nas
armaduras que a protegem contra a corrosão.

Nas pontes em balanço sucessivo, em geral, é utilizado a pós-tração com aderência


posterior, sendo aqui estudado somente este tipo de protensão.

4.3 Tipos de Ancoragem


As ancoragens são dispositivos especiais utilizados para a fixação dos cabos de
protensão na extremidade das peças. As ancoragens, utilizadas na protensão posterior, podem
ser classificadas em dois tipos:

• Ancoragem ativa: Permite a implantação direta da força da protensão;


• Ancoragem passiva: São aquelas que ancoram a extremidade do cabo, sem
que, por essa extremidade, seja possível aplicar a força de protensão;

25
As Figuras 4.3 e 4.4 ilustram as ancoragens descritas.

Figura 4.3 - Ancoragem ativa (Catálogo Mac)

Figura 4.4 - Ancoragem passiva (Catálogo Mac)

A título de exemplo, a Figura 4.5 e a Tabela 4.1 ilustram os tipos das ancoragens
utilizadas na fixação dos cabos de protensão, com seus respectivos traçados, em uma ponte
construída por balanço sucessivo.

Figura 4.5 - Detalhe da posição da ancoragem [Carvalho(1987)]

26
Tabela 4.1 - Tipo de ancoragem e trajetória dos cabos [adaptado de Carvalho(1987)]

TABELA DOS CABOS

Tipo de
Cabo Seção Inicial Seção Final Tipo de Cabo
Ancoragem
1,2 e 4 S0 S11 ativa-ativa 12Ф12,5mm
3,5 e 7 S0 S12 ativa-ativa 12Ф12,5mm
6,8 e 10 S0 S13 ativa-ativa 12Ф12,5mm
9,11 e 13 S0 S14 ativa-ativa 12Ф12,5mm
12 e 14 S0 S15 ativa-ativa 12Ф12,5mm
15 e 16 S0 S16 ativa-ativa 12Ф12,5mm
17 e 18 S0 S17 ativa-ativa 12Ф12,5mm
19 e 20 S9 S18 ativa-ativa 12Ф12,5mm
21 e 22 S0 S19 ativa-ativa 12Ф12,5mm
23,24,25 e 26 S8 S19 Passiva-ativa 7Ф12,5mm
27,28,29 e 30 S7 S18 Passiva-ativa 7Ф12,5mm
31,32,33 e 34 S6 S17 Passiva-ativa 7Ф12,5mm
35,36,37 e 38 S5 S16 Passiva-ativa 7Ф12,5mm
39 e 34 S4 S15 Passiva-ativa 7Ф12,5mm
41 e 43 S4 S14 Passiva-ativa 7Ф12,5mm
43 e 44 S3 S13 Passiva-ativa 7Ф12,5mm
45 S2 S12 Passiva-ativa 7Ф12,5mm
46 S4 S12 Passiva-ativa 7Ф12,5mm
47 e 48 S2 S11 Passiva-ativa 7Ф12,5mm
49 S15 S25 ativa-ativa 7Ф12,5mm
50 S15 S25 ativa-ativa 7Ф12,5mm
51 S17 S23 ativa-ativa 7Ф12,5mm
52 S17 S23 ativa-ativa 7Ф12,5mm
53 S17 S23 ativa-ativa 7Ф12,5mm
54 S17 S23 ativa-ativa 7Ф12,5mm
55 e 65 S14 S26 ativa-ativa 7Ф12,5mm
56,59 e 62 S15 S25 ativa-ativa 7Ф12,5mm
57, 60 e 63 S16 S24 ativa-ativa 7Ф12,5mm
58, 61 e 64 S17 S23 ativa-ativa 7Ф12,5mm

A partir da Figura 4.5 e da Tabela 4.1 é importante observar que:

• Os cabos alojados na laje superior apresentam ancoragem passiva, localizada


no vão já executado sobre escoramento convencional, sendo “puxados” na
frente da aduela.
• Na aduela de fechamento, o tipo de ancoragem utilizada nas duas
extremidades é ativa, simétricas em relação ao eixo vertical, que passa pela
seção 20.
• Os cabos com seção inicial S0 possuem ancoragens ativas nas duas
extremidades, e são ancorados, pelo menos em uma das extremidades na
região das almas da seção celular.

27
4.4 Materiais
Segundo Hanai (2005), como princípio geral, deve-se considerar que o uso da
protensão só se torna eficiente quando forem utilizados aço e concreto de alta resistência. A
seguir apresentam-se sucintamente as principais características dos materiais envolvidos nas
estruturas em concreto protendido.

4.4.1 Concreto
A Norma NBR 6118/14 estabelece que a resistência do concreto estrutural seja
especificada pelo valor de sua resistência característica aos 28 dias de idade.

No entanto, como visto anteriormente, a protensão das aduelas, em geral, ocorrem


com o concreto ainda com pouca idade, para determinar a resistência característica do
concreto em outra idade, a NBR 6118 permite em seu item 12.3.3 adotar o valor da Equação
4.1.
,
= ⁄
4.1

sendo " a idade efetiva do concreto, em dias, e # a constante do tipo de cimento em uso,
sendo 0,25 para CPI e II, 0,20 para CPV-ARI e 0,38 para CPIII e IV.

No estado limite último, a resistência de cálculo $ é obtida dividindo a resistência


característica de compressão por um coeficiente de minoração % , em geral com o valor de
1,40.

Para obtenção dos limites de tração, na falta de ensaios, a resistência média a tração
do concreto pode ser avaliada por:

/*
&,' = 0,3 ≤ 50 -./ 4.2

&,' = 2,12 ln 1 + 0,11 55 -./ ≤ ≤ 90 -./ 4.3

A deformação elástica do concreto depende da composição do concreto,


especialmente da natureza dos agregados. Segundo a NBR 6118/14, o módulo de deformação
tangente inicial 5 6 , obtido aos 28 dias de idade, pode ser estimado segundo as expressões a
seguir:

5 6 = 78 5600 : 20 -./ ≤ ≤ 50 -./ 4.4

/*
5 6 = 21500 78 ; + 1,25< 55 -./ ≤ ≤ 90 -./ 4.5
10

Sendo:

78 = 1,20 para basalto e diabásio;

78 = 1,00 para granito e gnaisse;

78 = 0,90 para calcário;

78 = 0,70 para arenito.

28
O módulo de elasticidade secante é definido por:

5 = 76 5 6 4.6

Sendo:

76 0,80 3 0,20 + 1 4.7


80

Na avaliação do comportamento de um elemento estrutural ou seção transversal, deve


ser adotado um módulo de elasticidade único, para tração ou compressão, igual ao módulo de
deformação secante.

No cálculo das perdas de protensão, deve ser utilizado o módulo de elasticidade inicial.

O módulo de elasticidade, em uma idade menor que 28 dias, pode ser avaliado pela
expressão a seguir, substituindo por :

?
B,C
5 6 ? @ A 5 6 20 -./ + + 45 -./ 4.8

?
B,*
5 6 ? @ A 5 6 50 -./ + + 90 -./ 4.9

Onde:

5 6 ? : Estimativa do módulo de elasticidade tangencial numa idade entre 7 e 28 dias;

? : Resistência à compressão do concreto na idade considerada em MPa.

A Figura 4.6 apresenta o diagrama tensão-deformação idealizado para o concreto.

Figura 4.6 - Diagrama Tensão-Deformação Idealizado (NBR 6118/14)

29
Observa-se na Figura 4.6, que para tensões de compressão menores que 0,5 , pode-
se admitir uma relação linear entre tensões e deformações, adotando-se para o módulo de
elasticidade o seu valor secante. Isso significa que o concreto comprimido ainda apresenta um
comportamento elástico nessa fase, ou seja, retiradas as cargas a peça retorna à situação
original.

O diagrama parábola-retângulo apresentado na Figura 4.6 é utilizado para o


dimensionamento no estado limite último. Observa-se, que é considerado que o concreto
atinge a tensão máxima de compressão igual a 0,85 $ no início do patamar plástico.

Segundo a NBR 6118/14, os valores a serem adotados para os parâmetros E


(deformação específica de encurtamento do concreto no início do patamar plástico) e E F
(deformação específica de encurtamento do concreto na ruptura) são definidos a seguir:

Para concretos de classes até C50:

• E = 2,0 ‰
• E F = 3,5 ‰

Para concretos de classes C55 até C90:

• E = 2,0 ‰+0,085 ‰ − 50 B,C*


• E F = 2,6 ‰ +35 ‰ [ 90 − /100]J

A NBR 6118/14, no item 17.2, permite utilizar um diagrama retangular, de


profundidade K = L ∙ N , ao invés do diagrama parábola-retângulo, com uma tensão
constante, 7 $ , onde os valores do parâmetro L e 7 dependem do tipo de concreto
utilizado e da forma da seção.

Para concretos de classes até C50:

• L = 0,80
• 7 = 0,85

Para concretos de classes acima de C50 e até C90:

• L = 0,80 − − 50 /400
• 7 = 0,85 [1 − − 50 /200 ]

No que se refere a forma da seção, a Norma 6118/14, estabelece que a tensão


constante calculada, 7 ∙ OP, deve ser multiplicada por 0,90 , no caso da largura da seção,
medida paralelamente à linha neutra, diminuir a partir desta para a borda comprimida. Sendo
no caso contrário utilizado a 7 ∙ OP.

30
A Figura 4.7 ilustra os diagramas supracitados.

Figura 4.7 - Diagramas de Tensão-Deformação para dimensionamento - ELU

4.4.2 Armadura Passiva


Os aços mais comuns utilizados no Brasil como armadura passiva, são os aços
classificados pela NBR 7480 na categoria CA-50. Essa categoria engloba os aços com valores
característicos de resistência ao escoamento, Q , igual a 500 MPa, sendo o limite de
resistência, & , exigido em 1,10 KR MPa.

A NBR 6118/14 prescreve que para cálculo nos estados limites de serviço e último,
pode ser utilizado o diagrama simplificado da Figura 4.8.

Figura 4.8 - Diagrama Tensão-Deformação para Armadura Passiva (NBR 6118/14)

No estado limite último, a resistência de cálculo Q$ é obtida dividindo a resistência


característica de escoamento por um coeficiente de minoração % , usualmente com valor de
1,15.

4.4.3 Armadura Ativa


No concreto protendido utilizado na construção por balanços sucessivos, a armadura
ativa é normalmente constituída por cabos de protensão, embutidos em bainhas metálicas,
formados por um conjunto de cordoalhas de 7 fios.

31
As armaduras de protensão são compostas por cordoalhas de aços de alta resistência,
encruados a frio por trefilação, e submetidos a tratamentos térmicos durante o processo de
fabricação. Devido ao processo de fabricação, os aços de protensão não apresentam patamar
de escoamento bem definido. A resistência ao escoamento é assim definida pela tensão
correspondente a deformação residual de 2,0 ‰, que corresponde aproximadamente à tensão
para alongamento de 10 ‰.

A Figura 4.9 apresenta o diagrama tensão-deformação para os aços de armadura ativa


recomendado pela NBR 6118/14, para o cálculo dos estados limites de serviço e último.

Figura 4.9 - Diagrama Tensão-Deformação para Armadura Ativa (NBR 6118/14)

A NBR 6118/14 recomenda que, se não for especificado, pode-se considerar um


módulo de elasticidade de 200 GPa e uma tensão de escoamento para o aço de
protensão SQ igual a 0,9 S& , onde S& corresponde à tensão de ruptura do aço de
protensão, para fios e cordoalhas.

As cordoalhas fabricadas no Brasil são produzidas pela empresa Arcelormittal. A Tabela


4.2 apresenta as cordoalhas, e suas especificações, usualmente utilizadas no projeto de
pontes.

Tabela 4.2 - Especificações das cordoalhas (Catálogo Arcelormittal)

4.5 Força de Protensão


A avaliação e cálculo da força de protensão, e suas perdas, são aqui apresentados de
acordo com as prescrições da NBR-6118/14.

32
4.5.1 Força de Protensão Inicial

4.5.1.1 Força Média de Protensão


Segundo a NBR 6118/14, a força média na armadura de protensão na abcissa N e no
tempo ? pode ser determinada através das seguintes expressões:

.& N = .B N − ∆.& N 4.10

.& N = .6 − ∆.B N − ∆.& N 4.11

Onde:

.& N : Força na armadura de protensão, no tempo t, na seção de abscissa x;

.B N : Força de protensão na armadura no tempo t=0, na seção de abscissa x;

∆.& N : Perda de protensão, na seção de abscissa x, no tempo t;

.6 : Força máxima aplicada à armadura de protensão pelo equipamento de tração;

∆.B N : Perda imediata de protensão, no tempo t=0, na seção de abscissa x.

4.5.1.2 Valores Limites da Força na Armadura de Protensão


A NBR 6118/14 estabelece que, durante as operações de protensão, a força de tração
na armadura não deve superar os valores decorrentes da limitação das tensões no aço
correspondentes a essa situação transitória, como definido a seguir.

Valores limites por ocasião da operação da protensão para armaduras pós-tracionadas


aderentes:

• Por ocasião da força .6 , a tensão US6 da armadura de protensão na saída do


aparelho de tração deve respeitar os limites 0,74 S& e 0,87 SQ para aços de
relaxação normal. Para aços de relaxação baixa os valores são
respectivamente de 0,74 S& e 0,82 SQ
• Nos aços CP-85/105, fornecidos em barras, os limites passam a ser 0,72 S& e
0,88 SQ , respectivamente.

Valores limites ao término da operação da protensão:

Ao término da operação de protensão, a tensão σP0(x) da armadura pós-tracionada,


decorrente da força P0(x), não pode superar os limites estabelecidos anteriormente por
ocasião da operação da protensão.

A NBR-6118/14 prescreve uma tolerância de execução, por ocasião de aplicação da


força Pi . Constatadas irregularidades na protensão, a força de tração em qualquer cabo pode
ser elevada, limitando a tensão σPi aos valores estabelecidos por ocasião da protensão,
majorados em até 10 %, até o limite de 50 % dos cabos, desde que garantida a segurança da
estrutura, principalmente nas regiões de ancoragem.

33
4.5.1.3 Valores Representativos da Força de Protensão
Os valores médios de protensão devem ser empregados no cálculo dos valores
característicos dos efeitos hiperestáticos da protensão.

Para obras em geral, admite-se que os valores característico . ,& N da força de


protensão possam ser considerados iguais ao valor médio, exceto nos casos onde a perda
máxima [∆.B N + ∆.& N ] 'áW exceder em 35% o valor de .6 . Neste caso e nas obras
especiais que devem ser projetadas de acordo com normas específicas, que considerem os
valores característicos superiores e inferiores da força de protensão, os seguintes valores
devem ser adotados:

. ,& N FS
= 1,05 .& N 4.12

. ,& N 6XY
= 0,95 .& N 4.13

4.5.1.4 Valores de Cálculo da Força de Protensão


Os valores de cálculo da força de protensão, para o tempo ?, devem ser determinados
pela seguinte expressão, conforme a NBR 6118/14:

.$,& N = %S .& N 4.14

Onde o valor coeficiente de ponderação γp é definido de acordo com a verificação a ser


efetuada.

4.5.2 Perdas de Protensão


A força aplicada na estrutura, desde o ato da protensão, tem sua intensidade
diminuída devido às chamadas perdas de protensão. As perdas que ocorrem no instante em
que se protende os cabos, são chamadas de perdas imediatas. As perdas que se processam ao
longo do tempo são chamadas de perdas progressivas ou diferidas.

As perdas imediatas, originadas do ato mecânico da protensão e das propriedades


elásticas do aço e do concreto, são:

• Perdas por atrito entre as cordoalhas e bainhas;

• Perdas por encunhamento;

• Perdas por deformação elástica imediata do concreto.

As perdas ao longo do tempo ocorrem devido às propriedades viscoelásticas do aço e


do concreto, e correspondem às:

• Perdas por retração do concreto;

• Perdas por fluência do concreto;

• Perdas por relaxação do aço de protensão.

34
A Figura 4.10 apresenta, esquematicamente, a variação gráfica das tensão ao longo do
comprimento, devido às perdas imediatas e progressivas, para um cabo com ancoragem ativa
à esquerda e passiva à direita.

Figura 4.10 - Distribuição de tensões num cabo de protensão

4.5.2.1 Perda por Atrito


As perdas por atrito ocorrem ao longo de toda a trajetória do cabo, causando redução
variação da força de protensão de forma contínua, porém variável em função da curvatura. A
armadura no interior da bainha, ao ser tracionada, é submetida a forças longitudinais,
despertando resistência por atrito entre o cabo e a bainha, diretamente proporcional às forças
transversais que surgem devido a tendência de retificação do cabo de protensão, chamadas
forças de desvio, ou de mudança de direção. A quantificação dessa perda depende do ângulo
de desvio na trajetória dos cabos entre as seções de cálculo consideradas.

Um cabo no interior de uma bainha retilínea, também fica sujeito à perda por atrito
cabo-bainha, causada pela insuficiente rigidez à flexão da bainha aliado às imperfeições que
ocorrem durante a montagem. O cálculo dessa perda é considerado através de uma taxa de
variação angular por unidade de comprimento.

A Figura 4.11 ilustra as forças axiais e transversais no interior de cabos curvilíneos,


envolvidas na avaliação das perdas por atrito.

Figura 4.11 - Cabo tracionado no interior da bainha [Menegatti(2005)]

35
Conforme a NBR 6118/14, a perda por atrito pode ser determinada pela seguinte
expressão:

∆. N .6 1 G Z[\] W
4.15

Onde:

Σ7: Soma dos ângulos de desvio, em valor absoluto, entre a ancoragem e o ponto de
abscissa x, expressa em radianos;

R: Coeficiente de perda por unidade de comprimento provocada por curvaturas não


intencionais, cujo valor, na ausência de dados experimentais, é tomado 0,01µ (1/m);

_: Coeficiente de atrito aparente entre cabo e bainha. Na falta de dados experimentais


pode ser estimado como a seguir, expresso em 1/radiano:

_ 0,50 entre cabo e concreto (sem bainha);

_ 0,30 entre barras ou fios com mossas ou saliências e bainha metálica;

_ 0,20 entre fios lisos ou cordoalhas e bainha metálica;

_ 0,10 entre fios lisos ou cordoalhas e bainha metálica lubrificada;

_ 0,05 entre cordoalhas e bainha de polipropileno lubrificada.

A Figura 4.12 apresenta esquematicamente o diagrama da variação de tensão devido


às perdas por atrito em uma viga com uma ancoragem ativa-passiva.

Figura 4.12 - Tensões após perdas por atrito- ancoragem passiva-ativa

Observa-se que as perdas por atrito tendem a reduzir, consideravelmente, a força de


protensão em cabos longos. Nessa situação, é recomendável, a utilização de ancoragem ativa
nas duas extremidades, o que reduz significativamente as perdas de protensão por atrito.

36
A perda por atrito no cabo, no caso de duas ancoragens ativas, é determinada,
calculando-se a variação da tensão para cada extremidade de forma independente. Considera-
se a força aplicada numa única extremidade, traça-se a sua variação considerando a
ancoragem oposta passiva, em seguida faz-se o mesmo para outra extremidade. O ponto
indeslocável corresponde ao ponto de interseção das duas variações assim determinadas.

A Figura 4.13 apresenta o diagrama de variação de tensão devido às perdas por atrito
com ancoragem ativa-ativa, obtida através do procedimento supracitado.

Figura 4.13 - Tensão após a perda por atrito – ancoragem ativa-ativa

4.5.2.2 Perda por Encunhamento


As perdas por encunhamento ocorrem no instante da ancoragem, causadas por recuo
dos cabos, no sentido oposto ao da sua puxada. Essas perdas também são conhecidas como
perdas por deslizamento da armadura junto à ancoragem ou acomodação dos dispositivos de
ancoragem.

Segundo a NBR 6118/14, as perdas por encunhamento devem ser determinadas


experimentalmente ou adotados os valores indicados pelos fabricantes dos dispositivos de
ancoragem. Atualmente o valor consagrado para os dispositivos de ancoragem (clavetes tri-
partidas) é de 6,0 mm

O diagrama da perda por ancoragem está ilustrado na Figura 4.14.

Figura 4.14 - Diagrama da força de protensão após a perda ancoragem

37
Observa-se na Figura 4.14, que o fenômeno de atrito que se verifica por ocasião do
encunhamento, com recuo dos cabos, é o mesmo que ocorre na perda por atrito na puxada
dos cabos, porém em sentido inverso. Desta forma considera-se um diagrama “espelhado”,
conforme ilustrado na figura.

A determinação do ponto de recuo nulo é calculada de forma iterativa, a partir do


diagrama de variação das tensões por perda de atrito. A Figura 4.15 apresenta como a área
acumulada para cada seção de cálculo é obtida, para então serem comparadas com o valor
estabelecido para a ancoragem.

Figura 4.15 - Cálculo iterativo das perdas por ancoragem

Quando o somatório das áreas até a seção de cálculo ` for igual ao produto 5S ∙ a,
significa que o ponto de recuo situa-se naquela seção:
X

b c6 5S ∙ ad 4.16
6e

X X

b c6 b U6 G U6 ∙ N6 3 N6 4.17
6e 6e

sendo:
5S : Módulo de elasticidade do aço de protensão;
ad : Recuo da ancoragem;
Si : Área da seção de cálculo (i-1) à seção (i);
xi : abscissa da seção de cálculo (i);
σi : tensão no cabo na seção de cálculo (i), considerando as perdas por atrito;
xi-1 : abscissa da seção de cálculo anterior a seção(i);
σi-1 : tensão no cabo na seção de cálculo anterior a seção (i), considerando atrito.
38
No entanto, na prática, ocorre que esse ponto fica posicionado entre seções de
cálculo. Ou seja, através do somatório das áreas, percebe-se que o valor da perda de
ancoragem para a seção calculada é maior do que o valor devido ao produto 5S ∙ a, isto indica
que o ponto de recuo nulo, onde não mais ocorrerão perdas por ancoragem, se situa no
intervalo entre as duas seções, conforme observado na Figura 4.15.

Nesse caso, a determinação da abcissa e da tensão correspondente ao ponto de recuo


nulo é expressa respectivamente por:

5S ∙ ad G ∑X6e c6 NX 3 NX
N̅ gNX G 4.18
UX 3 UX

UX 3 UX
Ui UX 3 NX 3 NX 4.19
NX 3 NX

Assim, encontrado o ponto de recuo nulo, é possível obter as tensões na seção de


cálculo desejada, ` , corrigindo a perda por ancoragem, através da expressão:

Ui6 2Ui G U6 4.20

Após a seção de abscissa N̅ , não há mais perdas por encunhamento. Na Figura 4.16
podem-se observar as tensões Ui6 , determinadas para cada seção de cálculo do início do cabo
até o ponto de recuo nulo.

Figura 4.16 - Traçado do diagrama das perda por ancoragem

39
4.5.2.3 Perda por Encurtamento Elástico do Concreto
A força de protensão é aplicada em etapas. Essas etapas podem corresponder a
protensão de apenas um cabo ou de mais de um cabo. Devido isso, a NBR 6118/14 prescreve:

Em elementos estruturais com pós-tração, a protensão sucessiva de cada um dos j


grupos de cabos, ocasiona deformação imediata do concreto, e afrouxamento dos cabos
protendidos anteriormente. A perda média de protensão, por cabo, pode ser calculada através
da expressão:

7S kU S + U lm j − 1
∆US = 4.21
2j

sendo:

j: Número de cabos de protensão;

7S : Razão entre os módulos de elasticidade do concreto e do aço de protensão;

U S : Tensão no concreto ao nível do baricentro da armadura ativa, devido à protensão


simultânea de j cabos;

U l : Tensão no concreto ao nível do baricentro da armadura ativa, devido à carga


permanente mobilizada pela protensão ou simultaneamente aplicada com a protensão.

4.5.2.4 Perda por Fluência, Retração do Concreto e Relaxação do Aço


O concreto protendido está sujeitos aos chamados efeitos reológicos, que se
processam ao longo do tempo e são responsáveis pela diminuição da força de protensão,
sendo decorrentes de variações das propriedades do concreto e do aço.

O concreto sofre um encurtamento, ao longo do tempo, devido aos fenômenos da


fluência e retração. A fluência ocorre quando a estrutura é submetida a um carregamento
constante, provocando deformações elásticas e plásticas. Na retração, as deformações ao
longo do tempo não dependem se a estrutura está carregada, ocorrendo devido à evaporação
da água presente na massa de concreto e que não foi consumida na hidratação do cimento.

O aço de protensão também é sujeito a deformações progressivas devido à fluência e


relaxação. No entanto, de acordo com Leonhardt (1983), a deformação devido a fluência, sob
tensão constante não é significativa, porque em estruturas protendidas não é a tensão do aço
que permanece constante, mas sim o comprimento deformado obtido após a protensão,
encurtando de um valor insignificante devido a retração e a fluência. Já a relaxação do aço é
bastante significativa, devendo ser considerada. Por definição, o fenômeno da relaxação do
aço provoca diminuição da tensão ao longo do tempo enquanto sua deformação é mantida
constante.

O cálculo das perdas lentas é aqui efetuado pelo processo aproximado apresentado na
norma NBR 6118/14. A norma permite utilizar o processo aproximado para o cálculo das
perdas progressivas, desde que sejam satisfeita as seguintes condições:

40
• A concretagem do elemento estrutural, bem como a protensão, são
executadas, cada uma delas, em fases suficientemente próximas para que se
desprezem os efeitos recíprocos de uma fase sobre outra;
• Os cabos possuam entre si afastamentos suficientemente pequenos em
relação à altura da seção do elemento estrutural, de modo que seus efeitos
possam ser supostos equivalentes ao de um único cabo, com seção transversal
de área igual à soma das áreas das seções dos cabos componentes, situado na
posição da resultante dos esforços neles atuantes (cabo resultante);
• Retração não pode diferir em mais de 25% do valor [−8 n 10 C o ?p , ?B I.

O valor da perda de tensão devido à fluência, retração e relaxação para aços de baixa
relaxação, pode assim ser determinado por:

∆US ?p , ?B 7S
7,4 3 Ho ?p , ?B I ,Bq
33U 4.22
USB 18,7 ,SBl

o ?p , ?B : coeficiente de fluência no instante ? para protensão e carga permanente,


Onde:

aplicada no instante ?B , obtido conforme a Tabela 4.3;

USB : Tensão na armadura de protensão, no instante ?B ;

U ,SBl : Tensão no concreto adjacente ao cabo, provocada pela protensão e pela carga
permanente mobilizada no instante ?B , em megapascal, sendo positiva se for compressão.

Tabela 4.3 - Valores característicos superiores da deformação específica rst up , uv e do coeficiente de


fluência w up , uv (NBR 6118/14)

41
Na Tabela 4.3, observa-se que os valores de entrada o coeficiente de fluência é função
da umidade média do ambiente e espessura fictícia.

A espessura fictícia é a razão entre a área da seção transversal x e o perímetro da


seção transversal em contato com a atmosfera y. Para seção celular, característica das
estruturas em balanços sucessivos, a espessura fictícia pode ser estimada por:

2 x
zY6 = y6X& 4.23
{y|W& +
2 }
onde:
x : Área da seção da transversal;
y|W& : Perímetro externo da seção;
y6X& : Perímetro interno da seção.

4.5.3 Avaliação do Alongamento do Aço


A avaliação do alongamento final do aço é uma etapa fundamental, de caráter
determinístico, que permite quantificar a tensão na armadura após a aplicação da força de
protensão.

O alongamento das cordoalhas é medido no instante da protensão. Sendo a força de


protensão aplicada em etapas, mede-se o alongamento de cada fase, e no fim, obtém-se o
alongamento final, descontando-se as perdas por acomodação da ancoragem, já que o
alongamento em campo é medido antes da perda de acomodação, acontecer.

O alongamento final efetivo, medido no instante da protensão, é comparado com o


alongamento teórico, que é calculado a partir do diagrama da variação de tensões da força
aplicada pelo equipamento de protensão, considerando-se apenas a perda de atrito.

O cálculo do alongamento teórico pode ser feito através da aplicação da lei de Hooke,
desde que as tensões aplicadas na armadura estejam abaixo do limite de proporcionalidade do
aço de protensão, conforme apresentado a seguir:

U N = 5S ∙ EW 4.24

WY
a = ~ EW PW 4.25
W6

sendo N6 e NY o intervalo entre as seções de cálculo e

EW : deformação específica na seção x;

a: alongamento total;

5S : Módulo de elasticidade do aço de protensão;

U N : Tensão média na armadura de protensão na abscissa x.

42
Substituindo 4.24 em 4.25 , tem-se o alongamento em função da tensão média:
WY U
iSB
a=~ PW 4.26
W6 5S
onde,
UiSB : Tensão média na armadura de protensão, já descontadas as perdas imediatas.

Na prática, a determinação das tensões ao longo do cabo após as perdas por atrito, se
faz para cada seção de cálculo, considerando-se uma variação linear entre seções sucessivas.
Assim a determinação do alongamento consiste na integração de uma área poligonal. Com a
média da tensão, entre duas seções consecutivas, dividida pelo módulo de elasticidade (5S ),
tem-se a deformação específica média. O alongamento é então determinado multiplicando-se
a deformação média, entre as duas seções, pela respectiva distância entre as seções. O
alongamento final, a, é obtido somando-se todos os alongamentos entre seções.

É importante notar que durante a execução da protensão, a força é aplicada pelo


equipamento de protensão a uma distância da ancoragem, correspondente ao comprimento
do cilindro hidráulico, que deve ser considerada no cálculo do alongamento.

A Figura 4.17 apresenta um exemplo de relatório de protensão, emitido pela empresa


responsável pelo serviço e elaborado a partir do boletim de campo preenchido durante a
execução da protensão. Pode-se observar que existe um alongamento teórico corrigido, que
considera o módulo de elasticidade e a área real das cordoalhas protendidas.

Os valores de área e módulo podem ser obtidos na etiqueta de identificação de cada


armadura de protensão. A correção é feita, simplesmente, pela correção da proporção entre
os valores nominais, considerados pelo projetista, e os valores reais.

5S xS
a •€ =a∙ 4.27
5S €|d• xS €|d•

sendo:

5S €|d• : Módulo de elasticidade do lote do aço de protensão;

a •€ : alongamento total corrigido;

xS €|d• : Área real das cordoalhas definida em cada bobina de cordoalhas;

xS : Área da cordoalha considerada pelo projetista.

43
Figura 4.17 - Relatório de protensão

44
5 ANÁLISE ESTRUTURAL

O método executivo em balanços sucessivos apresenta como característica estrutural


principal, que o difere de estruturas usuais, a transição de uma estrutura geralmente
isostática, durante a fase construtiva, para uma estrutura hiperestática.

Essa característica exige que a estrutura seja analisada e dimensionada para diversas
fases estruturais, que seja considerada a transição do sistema estrutural e como ocorre a
redistribuição das solicitações.

O capítulo 3 apresenta os principais carregamentos para o dimensionamento de uma


superestrutura rodoviária executada pelo método dos balanços sucessivos. Esse capítulo tem
como finalidade, descrever a análise estrutural para os diversos carregamentos e sistemas
estruturais.

A Figura 5.1 apresenta uma superestrutura, construída em balanços sucessivas, e aqui


utilizada como exemplo para auxiliar a descrição da sequência da análise estrutural.

Figura 5.1 - Exemplo de estrutura construída por balanços sucessivos

Para a análise estrutural aqui descrita é utilizado modelo unifilar com elementos de
pórtico plano. As solicitações de interesse são os esforços normais e os momentos fletores,
para análise de tensões.

5.1 Etapas Construtivas


A estrutura, durante a fase de construção, está submetida basicamente ao peso
próprio e aos efeitos da protensão. Pode se considerar que o peso próprio dos elementos
construtivos só deva ser considerado na análise quando seu valor for significativo em relação
ao peso da aduela.

A análise estrutural das etapas das executivas das aduelas consiste na consideração da
construção e protensão sequencial de cada aduela.

Como exemplo adota-se uma superestrutura cujo vão lateral apresenta um trecho
inicial moldado sobre escoramento direto. Com este trecho concluído, tem-se espaço para
montagem dos escoramentos suspensos e massa para contrapeso das aduelas construídas em
balanço.

Para o exemplo em questão, uma vez que as primeiras três aduelas do vão central
sejam executadas, ocorre o equilíbrio em torno do pilar. Nesta ocasião, o escoramento do
trecho inicial do vão lateral pode ser removido, devendo-se instalar pilar metálico provisório.
45
Este pilar provisório apresenta pequena rigidez e destina-se a absorver eventuais cargas não
equilibradas.

As principais etapas da sequência construtiva deste exemplo são apresentadas na Figura 5.2.

Figura 5.2 - Sequência construtiva

46
5.1.1 Execução das Aduelas
Durante a fase de execução das aduelas, a estrutura está submetida ao seu peso
próprio e às forças de protensão, a seguir descritas.

5.1.1.1 Peso Próprio


A análise das cargas de peso próprio nesta etapa é bastante simples por se tratar de
uma estrutura isostática. Mesmo assim o uso de programas de computador para análise de
estruturas é interessante em razão das variações de seção das aduelas. Com isso, as cargas de
peso próprio podem ser automaticamente consideradas por programas, como por exemplo,
SAP, a partir da definição das seções transversais.

Usualmente a variação de altura das aduelas, ao longo do vão, é definida por uma
função analítica de variação, sendo as mais comuns a hiperbólica e a parabólica.

Na Figura 5.3, são ilustradas as principais etapas e respectivos diagramas de momentos


fletores devido às cargas de peso próprio, para o exemplo descrito.

Figura 5.3 - Diagrama de momento fletor característico do peso próprio

47
5.1.1.2 Protensão
A protensão, na fase de construção, além de sustentar o peso próprio das aduelas,
deve ser dimensionada com a finalidade de combater as solicitações que acontecem na
estrutura hiperestática concluída.

Uma estrutura isostática, ao ser protendida, se deforma, sem sofrer restrições pelos
seus vínculos, ou seja, a protensão não desperta reações de apoio em estruturas isostáticas,
conforme ilustrado na Figura 5.4.

Figura 5.4 - Protensão em estruturas isostáticas

O princípio fundamental para modelagem da protensão é que esta consiste em um


sistema auto equilibrado de forças externas. Isto significa que em uma estrutura protendida,
isostática ou hiperestática, o somatório das forças externas de protensão é nulo. No caso de
estrutura isostática, as reações são nulas, e no caso de estrutura hiperestática, o somatório
das reações de apoio devido à protensão se anulam.

A determinação das solicitações da protensão, em estruturas isostáticas, pode ser


efetuada através da consideração da força de protensão na seção de estudo. Decompondo-se
o vetor, que representa a força de protensão, nas direções verticais e horizontais à seção de
estudo, obtêm-se as seguintes solicitações, conforme ilustrado na Figura 5.5:

• Esforço normal, ‚: componente da força de protensão na direção normal à seção;


• Esforço cortante, ƒ: componente da força de protensão na direção tangente à seção;
• Momento fletor, -: produto entre a força normal e a excentricidade do cabo.

48
Figura 5.5 - Isostáticos de protensão

A Figura 5.6 apresenta o diagrama de momento fletor, característico da protensão,


para estrutura isostática, em algumas etapas da construção para o exemplo descrito.

Figura 5.6 - Diagrama de momento fletor característico da protensão

49
5.1.2 Fechamentos Laterais
O fechamento da estrutura pode ocorrer inicialmente nas extremidades do vão,
chamado de fechamento lateral, ou no trecho central do vão, chamado de fechamento central.
Após o fechamento completo, a estrutura, que em geral é isostática, torna-se hiperestática. A
análise estrutural torna-se mais complexa.

Neste exemplo, após o fechamento lateral, a estrutura permanece isostática, caso


típico de um sistema estrutural em viga contínua. Em uma estrutura aporticada, a estrutura se
tornaria hiperestática.

A seguir apresenta-se a análise estrutural, considerando-se incialmente o fechamento


lateral, para os carregamentos de peso próprio e protensão.

5.1.2.1 Peso Próprio


A análise do peso próprio das aduelas de fechamento depende, basicamente, de qual
tipo de escoramento é utilizado para a concretagem das aduelas. O escoramento pode ser
direto, apoiado sobre o terreno, ou através de cimbramentos metálicas biapoiados, conforme
ilustrado a seguir.

A Figura 5.7 ilustra os dois tipos de escoramento usualmente utilizados.

Figura 5.7 - Escoramentos utilizados no fechamento lateral

Na concretagem da aduela sobre escoramento direto, o peso próprio do concreto


fluido, sem rigidez estrutural, é absorvido pelo escoramento. Uma vez que este escoramento
apoia-se sobre o terreno, o concreto fluido não solicita a estrutura. Após o endurecimento do
concreto fresco, a aduela adquire rigidez e, com a protensão, torna-se auto-portante, sendo
então considerada na análise.

A análise do peso próprio das novas aduelas é feita com a estrutura vinculada
lateralmente, conforme a Figura 5.8, sendo o comprimento das novas aduelas igual a „ e o
peso próprio igual ..

50
Figura 5.8 - Análise de peso próprio na concretagem sobre escoramento direto

Ao contrário da concretagem sobre escoramento direto, na concretagem utilizando


treliças metálicas, o concreto fluido solicita a estrutura, sendo necessário, considerá-lo na
análise, de acordo com a Figura 5.9.

Figura 5.9 - Análise de peso próprio na concretagem com cimbramento metálico

5.1.2.2 Protensão
A protensão do fechamento lateral ocorre, neste caso, com a estrutura ainda
isostática, conforme observado na Figura 5.10.

Figura 5.10 - Protensão do fechamento lateral

51
5.1.3 Fechamento Central
A análise da estrutura é feita, pela primeira vez, com a estrutura hiperestática. Neste
item, expõe-se a análise estrutural do fechamento central do vão, para os carregamentos de
peso próprio e protensão.

5.1.3.1 Peso Próprio


O escoramento utilizado para suportar o peso próprio das aduelas de fechamento,
durante a concretagem do fechamento central, é o escoramento com treliças metálicas,
conforme ilustrado na Figura 5.11.

Figura 5.11 - Concretagem do fechamento central

A análise estrutural do peso próprio no fechamento central é semelhante àquela do


fechamento lateral utilizando cimbramento metálico, como apresentado anteriormente no
item 5.1.2.1.

O escoramento direto no meio do vão, neste tipo de construção, não é utilizado devido
à dificuldade ou impossibilidade de materializar o escoramento e de garantir segurança nesta
operação.

5.1.3.2 Protensão
A protensão do fechamento central ocorre com a estrutura hiperestática, conforme
observado na Figura 5.12.

Figura 5.12 - Protensão do fechamento central

Em estruturas hiperestáticas, a deformação imposta à estrutura pela protensão é


impedida pelos seus vínculos, causando reações de apoio. Estas reações devem estar em
equilíbrio entre si, uma vez que as forças de protensão constituem um sistema auto
equilibrado.

Nessa situação, o cálculo das solicitações produzidas pela protensão não pode ser mais
realizado considerando-se simplesmente a força de protensão na seção de estudo, devido aos
esforços de coação que acontecem nas estruturas hiperestáticas. Esses esforços de coação são
chamados de hiperestáticos de protensão.

52
Para descrever o comportamento estrutural, apresenta-se na Figura 5.13 uma viga
hiperestática protendida, visando avaliar a influência da restrição dos vínculos e do
hiperestático de protensão.

Figura 5.13 - Estrutura para análise da protensão hiperestática

Seguindo-se o método das forças, incialmente procede-se a análise de uma estrutura


isostática, considerando-se a liberação de um dos vínculos. Obtém-se assim o diagrama de
momentos fletores devido à protensão isostática, conforme a Figura 5.14.

Figura 5.14 - Análise da protensão hiperestática-1

A seguir, a partir do deslocamento vertical no apoio central, determina-se o


hiperestático de protensão de forma a atender a condição de compatibilidade (deslocamento
vertical nulo, neste caso), conforme esquematicamente ilustrado na Figura 5.15.

Figura 5.15 - Análise da protensão hiperestática-2

53
Por fim, somam-se os dois diagramas, obtendo-se o diagrama de momento fletor
devido à protensão da estrutura hiperestática, conforme Figura 5.16.

Figura 5.16 - Análise da protensão hiperestática-3

Através do esquema apresentado nas Figuras 5.13 a 5.16, observa-se que as


solicitações produzidas pela protensão em uma estrutura hiperestática podem ser obtidas
conhecendo-se as reações hiperestáticas de protensão. Com isso, traça-se um diagrama para
estrutura isostática e outro para as reações de coação e por fim, somam-se os dois diagramas.

Neste trabalho, para cálculo das solicitações que um cabo protendido provoca em uma
estrutura, isostática ou hiperestática, adota-se o procedimento de Alves(1994) de cargas
equivalentes de protensão. Trata-se de uma metodologia que determina carregamentos
equivalentes à protensão de forma genérica, permitindo a consideração de qualquer traçado
do cabo entre duas seções de análise.

A Figura 5.17, será utilizada como exemplo para descrição do método das cargas
equivalentes de Alves.

Figura 5.17 - Exemplo do método das forças equivalentes

De acordo com esse método, são determinados sistemas de forças auto equilibradas
para cada aduela, conforme ilustrado na Figura 5.18 a situação da aduela mais à esquerda.

54
Figura 5.18 - Análise da primeira aduela

Analisando a aduela da Figura 5.18, são definidas as cargas nodais nas extremidades
dos cabos atuando no centróide da seção, conforme mostra a Figura 5.19.

Figura 5.19 - Forças nodais nas extremidades dos cabos

Em seguida, definem-se as cargas distribuídas, necessárias para o auto equilíbrio do


sistema. As cargas distribuídas são divididas em carregamentos transversais e normais ao
plano da seção, de acordo com a Figura 5.17.

Figura 5.20 - Forças distribuídas equivalentes

55
Sendo a protensão um sistema auto-equilibrado, a determinação dos valores de … , …
e † é determinada resolvendo-se o sistema a seguir:

b ‡N = ˆ → ‚ + † ∙ „ 3 ‚ 0 5.1

… 3…
b ‡K ˆ→ƒ 3 ∙ „ G ƒ 0 5.2
2
Š
… G… ∙N
b -1 ˆ → - G ~ … N . N. PN G - 3 ƒ ∙ „ , Oˆ‹ … N … 3 5.3

B

Resolvido o sistema, obtêm-se os valores de … , … e † ,:

‚ G‚
† 5.4

2∙ƒ 3ƒ - G-
… G 2 ∙ G6∙ 5.5
„ „

ƒ 32∙ƒ - G-
… 2∙ 36∙ 5.6
„ „

Logo, … , … e † definem um sistema de cargas distribuídas auto equilibradas com as


forças nodais (‚ , ƒ , - , ‚ , ƒ e - ), que permitem a consideração da força de protensão
variável devido às perdas e traçado genérico, não necessariamente parabólico.

Esta análise pode ser aplicada a qualquer traçado de cabo conforme ilustrado na
Figura 5.21 para a aduela mais à direita do fechamento lateral

Figura 5.21 - Análise da segunda aduela

56
Após determinar as cargas equivalentes distribuídas em cada aduela, aplicam-se as
cargas nodais e o carregamento distribuído na estrutura, para realizar a análise da protensão
de fechamento lateral da estrutura. Observa-se que as forças nodais dos nós 2 e 2′ se anulam.

A Figura 5.22 apresenta o carregamento aplicado para análise da estrutura.

Figura 5.22 - Cargas equivalentes de Alves

5.2 Estrutura Concluída


A estrutura hiperestática existente após a conclusão dos fechamentos é submetida aos
carregamentos permanentes de revestimento, guardas-rodas e guarda-corpo, às cargas
variáveis devido à carga móvel e variação de temperatura, e aos efeitos reológicos do concreto
e do aço.

Neste item é apresentada a análise da estrutura hiperestática para cada um dos


principais carregamentos.

5.2.1 Cargas Permanentes de Revestimento, Guarda-rodas e Guarda-Corpo


Os momentos fletores advindos das solicitações devido à carga permanente de
revestimento e defensas apresentam o diagrama característico da Figura 5.23.

Figura 5.23 - Diagrama de momento fletor característico do carregamento de revestimento e defensas

Conforme observado, a Figura 5.23 representa o diagrama de momentos fletores


típico, para um carregamento genérico uniformemente distribuído, em estrutura de viga
contínua.

5.2.2 Carga Móvel


Após a distribuição transversal das cargas na seção, são determinadas as linhas de
influência longitudinais para cada seção de cálculo, obtendo-se, pela integração destas, as
envoltórias das solicitações máximas e mínimas.

57
A determinação das linhas da influência pode ser determinada com o auxilio de
programas computacionais resultando em envoltórias dos momentos fletores devido às cargas
móveis, conforme o diagrama característico ilustrado na Figura 5.24.

Figura 5.24 - Diagrama de momento fletor característico das cargas móveís

5.2.3 Variação de Temperatura


Conforme apresentado no capítulo 3, a norma NBR 7187/87 prescreve que deve ser
considerado na análise estrutural, uma variação uniforme de temperatura e uma variação não
uniforme de temperatura.

Em estruturas hiperestáticas, as deformações impostas pela variação uniforme de


temperatura são impedidas, surgindo solicitações axiais, de tração ou compressão. O
fenômeno de retração do concreto também pode ser avaliado como uma variação uniforme
de temperatura, sendo a variação devido à retração sempre negativa.

As variações não uniformes de temperatura provocam solicitações de flexão, sendo


necessário considerá-las na análise. A Figura 5.25 apresenta um diagrama de momento fletor
característico por variação não uniforme de temperatura.

Figura 5.25 - Diagrama de momento fletor característico da variação não uniforme de temperatura

A NBR 7187/87 permite linearizar a distribuição não uniforme de temperatura,


ilustrada na Figura 5.26, através da seguinte expressão:
Q•
K
•• K = ∙ ~ • K ∙ • K ∙ K ∙ PK 5.7
Ž Q‘

onde:

• K : Temperatura na fibra de cota K;

• K : Largura da seção transversal da fibra na cota K, conforme a Figura 5.26.

Figura 5.26 - Esquema para linearização da temperatura

58
A linearização da temperatura torna simples a aplicação dessa variação não uniforme
de temperatura.

5.2.4 Efeitos Reológicos


Os efeitos reológicos correspondem à variação das propriedades do aço e do concreto
ao longo do tempo, alterando o comportamento da estrutura.

As pontes construídas em balanços sucessivos apresentam como característica


importante a mudança do sistema estrutural. Os efeitos reológicos que se desenvolvem
preponderantemente no modelo hiperestático provocam redistribuição das solicitações,
instaladas basicamente no modelo isostático.

A viscoelasticidade é o comportamento envolvido diretamente nesta redistribuição e


se manifesta fundamentalmente pela fluência e relaxação, responsáveis pela variação de
tensões e deformações ao longo do tempo. A análise dessa redistribuição é complexa
envolvendo diversos parâmetros geométricos, elásticos, de carregamentos e até mesmo
climáticos.

A estrutura existente durante a fase de construção, caso não ocorresse o fechamento,


e assim mantivesse o esquema estrutural inicial, apresentaria ao longo do tempo uma
deformação devido ao peso próprio como apresentado na Figura 5.27.

Figura 5.27 - Deformação ao longo do tempo devido ao peso próprio

Da mesma forma, as forças de protensão causariam uma deformação ao longo do


tempo conforme ilustrado na Figura 5.28.

Figura 5.28 - Deformação ao longo do tempo devido a protensão

Entretanto, o sistema estrutural, na fase construtiva, é diferente do sistema estrutural


presente na estrutura concluída. Fica assim estabelecida a seguinte questão: Após o
fechamento da estrutura, como esta se comportaria?

59
Na prática, os projetistas sempre avaliaram a redistribuição das solicitações ao longo
do tempo, balizando-se na resposta elástica da estrutura no tempo ? = 0, e em uma situação
fictícia, considerando as solicitações de peso próprio e protensão atuando na estrutura
completa (fechada), como se esta fosse integralmente executada de uma única etapa. No
entanto essa avalição era, muitas vezes, baseada na experiência do próprio projetista, sendo
de difícil acesso e de bibliografia escassa.

Mais recentemente, a avaliação dos efeitos reológicos de uma ponte construída por
balanços sucessivos pode ser realizada utilizando-se prescrições do Eurocode (EN1992-2),
conforme conteúdo do anexo KK.

A base do método proposto pelo Eurocode consiste em determinar a solicitação em


? ∞, a partir das solicitações da fase de construção, acrescidas de uma proporção da
diferença entre as solicitações fictícias idealizadas atuando apenas na estrutura concluída e a
as solicitações na fase de construção, conforme a seguir exemplificado.

Considere-se uma estrutura construída por balanços sucessivos, com o diagrama de


momento fletor do peso próprio, antes dos fechamentos, como apresentado na Figura 5.29.

Figura 5.29 - Diagrama de momento fletor do peso próprio na fase construtiva

Em uma situação fictícia, o diagrama de momento fletor do peso próprio,


considerando a estrutura como integralmente concretada sobre escoramento, em uma única
etapa, assume o aspecto ilustrado na Figura 5.30.

Figura 5.30 - Diagrama de momento fletor fictício do peso próprio

60
A redistribuição das solicitações devido à fluência, aliado à mudança estrutural,
provoca um diagrama de momento fletor situado entre as duas situações, da Figura 5.29 e da
Figura 5.30, conforme apresentado na Figura 5.31.

Figura 5.31 - Diagrama de momento em t=∞

Segundo o Eurocode, a solicitação final do peso próprio pode ser avaliada através da
expressão a seguir:

o ∞, ?B G o ? , ?B
cp = cB + @ c − cB A 5.7
1 3 ’ ∙ o ∞, ?

onde:

cp : Solicitação final;

cB : Solicitação na fase construtiva;

c : Solicitação fictícia, como se essa solicitação atuasse apenas na estrutura concluída;

o ∞, ?B : Coeficiente de fluência do concreto para o instante ?B, quando ocorre o


primeiro carregamento;

o ? , ?B : Coeficiente de fluência do concreto no instante ? para o carregamento


aplicado no instante ?B ;

o ∞, ? : Coeficiente de fluência do concreto para o instante ? , quando ocorre a


mudança do sistema estrutural,.

’: Fator de idade, normalmente tomado igual a 0,8.

Os coeficientes de fluência são adotados segundo a norma brasileira, onde os coeficientes


o ∞, ? e o ∞, ?B , são obtidos conforme o ítem 4.5.2.4 deste trabalho e a determinação do
coeficiente de fluência o ? , ?B apresentada no anexo B.

61
Segundo o Eurocode, essa expressão pode ser aplicada também para as solicitações
devido à protensão, após pequena adaptação, conforme a seguir:

o ∞, ?B − o ? , ?B
cp = cB,p + @ c − cB A 5.8
1 + ’ ∙ o ∞, ?

onde:

cB,p: Solicitação devido à protensão na fase contrutiva, considerando as perdas.

Com estas expressões, torna-se possível avaliar com boa precisão a influência dos efeitos
reológicos em superestruturas construídas em balanços sucessivos.

62
6 VERIFICAÇÕES DE ESTADOS LIMITES

A norma NBR 6118/14 estabelece que as estruturas de concreto protendido devam ser
verificadas segundo as prescrições dos estados limites de utilização (serviço) e dos estados
limites últimos (ruptura).

6.1 Verificação dos Estados Limites de Serviço


Segundo a NBR 6118/14, a verificação da segurança da estrutura de concreto
protendido em relação aos limites de utilização deve considerar os estados correspondentes
ao risco de fissuração e deformação excessiva.

A verificação dos limites de serviço da estrutura depende da escolha do nível de


protensão adotado, de acordo com a classe de agressividade ambiental local, conforme
apresentado na Tabela 6.1:

Tabela 6.1 - Relação de durabilidade relacionadas à fissuração e à proteção da armadura, em função da classe de
agressividade ambiental segundo a NBR 6118/14
Classe Agressivida de Ambiental (CAA) Exigências relativas à Combinação de ações em serviço a
Tipo de concreto estrutural
e tipo de protensão fissuração utilizar

Concreto Protendido nível 1 Pré tração: CAA I


ELS-W wk≤ 0,2mm Combinação frequente
(Protensão Parcial) Pós-tração:CAA I e II
Concreto Protendido nível 2 Pré tração: CAA II ELS-F Combinação frequente
(Protensão Limitada) Pós tração:CAA III e IV ELS-D Combinação quase permanente
Concreto Protendido nível 3 ELS-F Combinação rara
Pré tração:CAA III e IV
(Protensão Completa) ELS-D Combinação frequente

6.1.1 Combinação de Ações em Serviço


Dependendo do nível de protensão adotado e, consequentemente, do estado limite de
serviço a ser verificado, devem ser consideradas diferentes combinações das ações solicitantes
A Tabela 6.2 apresenta as combinações de serviço com a respectiva expressão para o cálculo
das solicitações.

Tabela 6.2 - Combinações de serviço segundo a NBR 6118/14


Combinações de
Descrição Cálculos das solicitações
serviço(ELS)
Combinações Nas combinações quase permanetes de serviço,
quase permanentes todas as ações variáveis são consideradas com seus Fd,ser = Σ Fgi,k + Σ Ψ2j Fqj,k
(CQP) valores quase permaentes Ψ2 Fq,k

Nas combinações quase permanetes de serviço, a


Combinações ação variável principal Fq1 é tomada com seu valor
frequentes de serviço frequente Ψ1 Fq1k e todas as demais ações Fd,ser = Σ Fgi,k + Ψ1 Fq1k + ΣΨ2j Fqj,k
(CF) variáveis são tomadas com seus valores quase
permaentes Ψ2 Fq,k
Nas combinações raras de serviço, a ação variável
Combinações
principal Fq1 é tomada com seu valor característico
raras de serviço Fd,ser = Σ Fgi,k + Fq1k + ΣΨ1j Fqj,k
Fq1k e todas as demais ações são tomadas com seus
(CR)
valores frequentes Ψ1 Fqk

onde:
Fd,ser é o valor de cálculo para as combinações em serviço;
Fq1,k é o valor característico das ações variáveis principais diretas;
Fqj,k é o valor característico das ações variáveis secundárias;
Fgi,k é o valor característico das ações permanentes;
Ψ1 é o fator de redução de combinação frequente para ELS;
Ψ2 é o fator de redução de combinação quase permanete para ELS.

63
Os valores dos fatores de redução “ e “ ,utilizados para as combinações frequentes,
quase permanentes e raras, estão apresentados na Tabela 6.3.

Tabela 6.3 - Fatores de redução Ψ1 e Ψ2 (NBR 8681/03)


Ações Ψ1 Ψ2
Vento
0,3 0
Pressão dinâmica do vento nas estruturas em geral
Temperatura
0,5 0,3
Variações uniformes de temperatura em relação à média anual local
Cargas móveis e seus efeitos dinâmicos
Passarela de pedestres 0,4 0,3
Pontes rodoviárias 0,5 0,3
Pontes ferroviárias não especializadas 0,7 0,5
Pontes ferroviárias especializadas 1 0,6
Vigas de rolamento de pontes rolantes 0,8 0,5

6.1.2 Nível de Protensão


A NBR 6118/14, conforme pode-se observar na Tabela 6.1, classifica as estruturas
protendidas quanto ao grau de protensão aplicado no elemento estrutural. Os três níveis de
protensão dependem do nível de fissuração que a estrutura apresenta quando submetida às
solicitações, que são:

• Protensão completa;
• Protensão limitada;
• Protensão parcial.

6.1.2.1 Protensão Completa


A protensão completa, também chamada de protensão total, ocorre quando o nível da
força aplicada na estrutura não permite o desenvolvimento de trações na flexão, ao ser
submetida às cargas totais de utilização. A não ser, em eventos raros, que podem ocorrer
durante algumas horas ao longo de toda a vida útil da peça. Normalmente, busca-se o uso da
protensão completa, pois garante-se que o elemento estrutural esteja comprimido,
contribuindo para o aumento da sua vida útil. O seu emprego torna-se imprescindível somente
quando se deseja a estanqueidade da estrutura, como por exemplo, em paredes de
reservatórios e em tirantes para impedir sua fissuração.

Conforme mostra a Tabela 6.1, a NBR 6118/14 estabelece que na protensão completa
os seguintes limites de serviço devem ser atendidos:

• Estado limite de descompressão para combinações frequentes: Estado no qual,


não há tensões de tração na flexão;
• Estado limite de formação de fissuras para combinações raras: Estado onde se
inicia a formação de fissuras. Admite-se que este estado limite é atingido
quando a tensão de tração máxima na seção transversal for igual a tensão de
tração na flexão ( &,Y , dada pela seguinte expressão:

”*
&,Y = 1,2 . & ,6XY = 0,252 . 6.1

64
onde:

& ,6XY : Resistência característica do concreto, no seu valor inferior.

: Resistência característica do concreto.

Hanai (2005) relata que, de acordo com Leonhardt e outros pesquisadores, não há
relação direta entre aberturas de fissuras e corrosão. Durante muito tempo, a especificação de
protensão total ou completa foi uma forma de garantir adequada proteção da armadura.
Pesquisas indicaram, no entanto, que fissuras de abertura de 0,3 mm e até mesmo 0,4 mm não
têm influência significativa sobre a resistência à corrosão, desde que o concreto seja
suficientemente denso e o cobrimento seja de espessura adequada, de tal modo que o avanço
da carbonatação e outros efeitos não causem a despassivação da armadura.

6.1.2.2 Protensão Limitada


A protensão limitada admite tensões de tração na flexão da estrutura, desde que não
ultrapassem um valor admissível para as combinações totais em serviço. Caso aconteçam
tensões trativas devidas a uma ação variável, as fissuras podem fechar logo após cessada a
ação. Isso é possível por conta das seções permanecerem comprimidas sob o efeito das cargas
quase permanentes.

Conforme a Tabela 6.1, a NBR 6118/14 estabelece que protensão completa ocorra
quando os seguintes limites são atendidos:

• Estado limite de descompressão para combinações quase permanentes:


Estado no qual, não há tensões de tração na flexão;
• Estado limite de formação de fissuras para combinações frequentes: Estado
onde se inicia a formação de fissuras. Admite-se que este estado limite é
atingido quando a tensão de tração máxima na seção transversal for igual a
tensão de tração na flexão ( &,Y , dada pela expressão (6.1).

6.1.2.3 Protensão Parcial


Na protensão parcial, o elemento estrutural apresenta fissuras na flexão, com abertura
de fissuras características de • = 0,2mm para combinações frequentes.

Segundo a NBR 6118/14, o valor característico da abertura de fissuras, • ,


determinado para cada região de envolvimento, é o menor entre os obtido pelas expressões:

–6 U 6 3U 6
• = ∙ ∙ 6.2
12,5 ∙ — 5 6 &'

–6 U6 4
• = ∙ ∙ ; + 45< 6.3
12,5 ∙ — 5 6 ˜€6

onde:

–6 : Diâmetro da barra usada no detalhamento da armadura;

5 6 : Módulo de elasticidade longitudinal do aço;

65
˜€6 : Taxa de armadura passiva ou ativa aderente (que não esteja dentro de bainha) em
relação à área da região de envolvimento;

U 6 : Tensão de tração no centro de gravidade da armadura considerada, calculada no


estádio II;

— : Coeficiente para cálculo da tensão de aderência que depende da conformação


superficial da barra.

A Figura 6.1 esclarece a região de envolvimento da armadura.

Figura 6.1 - Concreto de envolvimento da armadura (NBR 6118/14)

6.1.2.4 Verificação do Estado Limite de Compressão Excessiva


A NBR 6118/14 sugere os valores limites das tensões de compressão, evitando, dessa
forma, elevadas perdas de protensão por fluência e reduzindo deslocamentos excessivos
decorrentes deste efeito. Assim:

• Combinações frequentes e quase permanentes de ações:

U ≤ 0,5 6.4

6.2 Verificação dos Estados Limites Últimos


Apresenta-se a seguir a descrição da verificação dos estados limites últimos das
estruturas de concreto protendido.

6.2.1 Estado Limite Último - Solicitações Normais


O cálculo das solicitações no estado limite último para combinações normais pode ser
feito segundo a seguinte expressão:

' X

‡$ b %l6 ‡™6, 3 %š ›‡œ , 3 b “B ‡œ , • 6.5


6e e

onde:

‡™6, : Valor característico das ações permanentes;

66
‡œ , : Valor característico da ação variável considerada como ação principal para
combinação;

“B ‡œ , : Valor reduzido de combinação de cada uma das demais ações variáveis;

%l6 : Coeficiente de ponderação para ação permanente considerada;

%š : Coeficiente de ponderação para ações variáveis.

Os valores dos coeficientes de ponderação para ações variáveis e permanentes, %l e


%š , estão apresentados na Tabela 6.4.

Tabela 6.4 - Coeficientes de ponderação (NBR 8681/03)


Coeficiente de ponderação para ações variáveis e permanentes
Ações variáveis
Combinação Tipo de ação Coeficiente de ponderação(γq)
Efeito de temperatura 1,20
Normal Ação do vento 1,40
Ações variáveis em geral 1,50
Ações Permanentes
Efeito(γg)
Combinação Tipo de estrutura
Desfavorável Favorável
Grandes pontes (1) 1,30 1,0
Normal
Pontes em geral 1,35 1,0
(1)Grandes pontes são aquelas em que o peso próprio da estrutura supera 75% da totalidade das ações
permanentes

O valore do fator de redução “B , estão apresentados na Tabela 6.5.

Tabela 6.5 - Fatores de redução Ψ0 (NBR 8681/03)


Ações Ψ0
Vento
0,6
Pressão dinâmica do vento nas estruturas em geral
Temperatura
0,6
Variações uniformes de temperatura em relação à média anual local
Cargas móveis e seus efeitos dinâmicos
Passarela de pedestres 0,6
Pontes rodoviárias 0,7
Pontes ferroviárias não especializadas 0,8
Pontes ferroviárias especializadas 1,0
Vigas de rolamento de pontes rolantes 1,0

O procedimento de verificação do estado limite último, no caso de solicitações


normais, para estruturas protendidas é basicamente o mesmo empregado no
dimensionamento das estruturas convencionais de concreto armado, com as seguintes
considerações:

• Os isostáticos de protensão não são considerados nas combinações de ações.


São incluídas apenas as solicitações hiperestáticas de protensão;
• A força atuante na armadura ativa pode ser obtida através do diagrama
tensão–deformação da norma NBR 6118/14, conforme especificado na Figura
6.2.

67
Figura 6.2 - Diagrama Tensão-Deformação para cordoalhas CP 190 RB(adaptado da NBR 6118/14)

O aço de protensão ao ser tensionado sofre um alongamento relativo ao concreto.


Esse alongamento relativo é chamado de pré-alongamento. O pré-alongamento pode ser
obtido a partir do estado convencional de neutralização.

O estado convencional de neutralização é o estado nulo de tensões, atingido a partir


da descompressão do centro de gravidade da armadura de protensão, quando a estrutura,
sujeita apenas aos esforços de protensão, é submetida a solicitações que tornem nula as
tensões na seção transversal.

A partir do estado de neutralização, a deformação das armaduras passiva e ativa, é


limitada a 10‰, a fim de evitar deformação excessiva da armadura e abertura de fissuras
expressivas, que configura o estado limite último da estrutura.

Segundo a NBR 6118/14, o pré-alongamento deve ser calculado com base nas tensões
iniciais de protensão com valores de cálculo e com consideração de todas as perdas. No caso
das solicitações de protensão, podem ser adotados os coeficientes de ponderação %S = 0,9 ou
%S 1,2 a favor da segurança.

6.2.2 Estado Limite Último no Ato da Protensão


A NBR 6118/14 estabelece uma verificação simplificada para o estado limite último no
ato da protensão, no qual admite-se que a segurança em relação ao estado-limite último no
ato da protensão seja verificada no estádio I (concreto não fissurado e comportamento
elástico linear dos materiais), desde que as seguintes condições sejam satisfeitas:

• A tensão máxima de compressão na seção de concreto, obtida através das


solicitações ponderadas %S =1,1 e %Y =1,0, não pode ultrapassar 70% da
resistência característica , prevista para a idade de aplicação da protensão;

68
• A tensão máxima de tração na seção de concreto não pode ultrapassar 1,2 a
resistência média à tração ( &' ), correspondente ao valor especificado da
resistência característica do concreto ( );
• Quando nas seções transversais existirem tensões de tração, deve haver
armadura de tração calculada no estádio II. Para efeitos de cálculo, nessa fase
de construção, a força nessa armadura pode ser considerada igual à resultante
das tensões de tração no concreto no estádio I. Esta força não pode provocar,
na armadura correspondente, acréscimos de tensão superiores a 150 MPa no
caso de fios ou barras lisas e a 250 MPa em barras nervuradas.

onde:

%S : Coeficiente de ponderação das cargas oriundas da protensão;

%Y : Coeficiente de ponderação das ações.

69
7 EXEMPLO

Este capítulo apresenta a verificação no estado limite de serviço (ELS) do projeto


básico de uma ponte construída em balanços sucessivos.

7.1 Apresentação do projeto


A seguir apresenta-se o projeto analisado e a modelagem da estrutura.

7.1.1 Forma da Estrutura


A ponte, projetada em balanços sucessivos, apresenta 260 m de extensão, sendo 130
m de vão central e 65 m de vãos adjacentes.

A Figura 7.1 apresenta um esquema da elevação da ponte em projeto. A execução dos


balanços tem início a partir dos pilares centrais, com o lançamento das aduelas feito de forma
simétrica, formando um sistema auto equilibrado.

Figura 7.1 - Elevação geral da ponte

As aduelas possuem 6 m de comprimento, com exceção das aduelas 1 e 2, que


possuem 4,5 e 5,5 m, respectivamente. Os vãos adjacentes são compostos por dez aduelas e o
vão central possui um total de vinte aduelas, sendo dez aduelas de cada balanço. O
fechamento final acontece no vão central.

As Figuras 7.2 e 7.3 apresentam os cortes longitudinais do vão adjacente e metade do


vão central, respectivamente.

Figura 7.2 - Corte longitudinal do vão adjacente (dimensões em cm)

70
Figura 7.3 - Corte longitudinal da metade do vão central (dimensões em cm)

A superestrutura é composta por uma seção celular, onde a altura varia


parabolicamente de 3,0 m no meio do vão central e apoios adjacentes para 7,2 m nos apoios
centrais. A alma possui uma espessura variável de 60 cm a 34 cm na primeira aduela e
constante nas demais. A laje superior tem espessura constante de 25 cm ao longo de todo o
tabuleiro e a inferior espessura variável de 18 cm, no vão central e apoios adjacentes, a 70 cm
nas faces dos apoios centrais.

A Figura 7.4 ilustra a seção transversal típica no meio do vão central e nos apoios
adjacentes.

Figura 7.4 - Seção transversal no meio do vão central e nos apoios adjacentes(dimensões em cm)

71
A Figura 7.5 ilustra a seção transversal típica nos apoios centrais.

Figura 7.5 - Seção transversa no apoio central(dimensões em cm)

7.1.2 Características dos Materiais


Apresentam-se a seguir as características dos materiais utilizados no projeto,
importantes para análise realizada:

• Concreto estrutural: = 40 MPa;


• Aço de protensão: S& = 1900 MPa.

7.1.3 Protensão
A protensão das aduelas foi realizada com cabos compostos por 8 cordoalhas com
diâmetro nominal de 15,2 mm cada.

72
Na verificação da estrutura, foram adotados os seguintes parâmetros de projeto:

• Força inicial de protensão por cabo: .6 = 1400 kN (175kN por cordoalha),


calculado como exposto em 4.5.1.2;
• Área da cordoalha: 1,4 cm²;
• Coeficiente de atrito devido à curvatura: _=0,20;
• Coeficiente de atrito parasitário: R=0,003.

A enfiação dos cabos superiores foi realizada antes da concretagem. As aduelas de


número 04 ao 10 possuem quatro cabos por alma, conforme apresentado no traçado dos
cabos, também denominada de cablagem, na Figura 7.6. Já nas três aduelas iniciais, o número
de cabos é superior, havendo seis cabos em cada alma.

Figura 7.6 - Cablagem superior

É realizada enfiação posterior nos cabos de fechamento. Nos fechamentos laterais são
utilizados cinco cabos em cada alma, ancorados segundo o traçado mostrado na Figura 7.7.

Figura 7.7 - Cablagem do fechamento lateral

O fechamento final da estrutura é feito no meio do vão central, utilizando dez cabos
em cada alma. A Figura 7.8 apresenta o traçado dos cabos positivos do fechamento central.

Figura 7.8 - Cablagem do fechamento central

73
7.2 Análise Estrutural
Este trabalho objetiva verificar as duas seções principais, através de três modelos
estruturais, a fim de representar as etapas principais para a análise de uma ponte executada
por balanços sucessivos. No entanto, em um projeto executivo, as verificações devem ser
feitas em todas as seções ao longo da estrutura, para cada fase de carregamento, como por
exemplo, concretagem, protensão, movimentação do cimbramento suspenso, introdução das
sobrecargas permanentes e acidentais.

As seções de estudo, c10 e c15, estão apresentadas na Figura 7.9.

Figura 7.9 - Seções de estudo para análise estrutural

As seções de estudo foram verificadas segundo a NBR 6118:14, para os estados limites
de serviço da estrutura.

7.2.1 Modelagem da Estrutura


A estrutura é modelada em elementos unifilares, através do programa computacional
de elementos finitos SAP2000/15.

São feitos três modelos para análise da estrutura, representando as etapas a seguir:

• Etapas construtivas;
• Fechamento lateral;
• Estrutura concluída.

Os modelos para análise da estrutura estão apresentados nas figuras que se seguem. A
Figura 7.10 mostra o apoio central com as aduelas nos dois lados adjacentes. O fechamento
lateral, com o seu apoio executado está ilustrado na Figura 7.11 e a Figura 7.12 mostra a
estrutura concluída, após o fechamento central.

Figura 7.10 - Modelo para as etapas de construção

74
Figura 7.11- Modelo para o fechamento lateral

Figura 7.12 - Modelo da estrutura concluída

Os elementos que representam as aduelas são modelados definindo-se as


propriedades das seções transversais típicas em cada face da aduela, utilizando uma variação
parabólica entre elas. Para representar a excentricidade relativa entre as aduelas, calcula-se a
posição do centroide em relação à borda da laje superior- eixo longitudinal de referência - em
cada seção típica, definindo-se os nós dos elementos. Em seguida, definem-se os elementos.

Os pilares também são modelados com elementos unifilares, a partir das suas seções
transversais. A ligação dos pilares com a superestrutura é feita através de um elemento de
barra rígida, com comprimento igual à distância do centroide da seção da aduela de arranque
até a borda da laje inferior.

A Figura 7.13 ilustra o processo de modelagem descrito.

Figura 7.13 - Modelagem das aduelas

75
7.2.2 Estudo da Aplicação da Força de Protensão no Modelo
A aplicação das forças de protensão no modelo foi realizada através de cargas
equivalentes, baseada em um estudo numérico do método de Alves e da simplificação adotada
neste trabalho.

O objetivo deste estudo foi validar a aproximação da simplificação, comparando-o com


o método de Alves, que através de cargas equivalentes permite aplicar a força de protensão
em estruturas hiperestáticas e isostáticas, obtendo-se resultados precisos. Para isso, os
resultados do estudo, nos modelos isostáticos e hiperestáticos, são avaliados e comparados.

O modelo das etapas construtivas é utilizado como estudo inicial, pois sendo um
modelo isostático, permite a avaliação exata dos resultados. Em seguida, extrapola-se o estudo
para o modelo hiperestático da estrutura concluída.

As seções analisadas para avaliação do estudo estão apresentadas nas Figuras 7.14 e
7.15. Na estrutura isostática são analisadas as seções S1, S2 e S3 e na estrutura hiperestática,
as seções S10 e S15.

Figura 7.14 - Seção de estudo - Análise isostática

Figura 7.15 - Seção de estudo - Análise hiperestática

O estudo da protensão é baseado em um cabo protendido com uma força de 100 kN


na aduela 10. Como premissa, para aplicação da força de protensão, define-se um cabo ideal,
desprezando-se as perdas, visto que, o objetivo aqui descrito é modelar a força aplicada que
represente as solicitações exatas na seção de análise. A Figura 7.16 apresenta o perfil do cabo.

Figura 7.16 - Detalhe do cabo de estudo

76
A determinação das solicitações exatas nas seções analisadas é feita a partir da
projeção da força de protensão nos eixos coordenados de acordo com a Figura 7.17. O
momento fletor é calculado com a excentricidade do cabo em relação ao centroide da seção.

Figura 7.17 - Solicitações devido a protensão em estruturas isostáticas

A Tabela 7.1 apresenta um resumo das solicitações normais e de flexão para cada
seção analisada, que serve de parâmetro para avaliação dos métodos.

Tabela 7.1 - Solicitação exatas nas seções analisadas - isostático de protensão


Solicitações exatas nas seções analisadas
Seção P(kN) α(graus) α(rad) e(m) N(kN) M(kN.m)
S1 100 4,5 0,08 0,71 -99,7 71,0
S2 100 0 0,00 1,06 -100,0 106,0
S3 100 0 0,00 3,60 -100,0 359,8

A seguir são apresentados os resultados dos métodos estudados, e por fim, um quadro
resumo comparando os valores obtidos com os exatos.

7.2.2.1 Método de Alves


O método de Alves, cuja explicação foi apresentada no capítulo 5, permite representar,
através de cargas equivalentes, a variação da força de protensão em estruturas hiperestáticas,
independente do traçado do cabo.

A aplicação desse método foi realizada, considerando-se o apresentado na Figura 7.18.

Figura 7.18 - Aplicação do método de Alves

77
A Tabela 7.2 apresenta os valores das forças distribuídas e forças nodais obtidas pelo
processo de Alves.

Tabela 7.2 - Forças obtidas pelo método de Alves


Forças do Método de Alves
N1(kN) Q1(kN) M1(kN.m) p1(kN/m) q1(kN/m) q2(kN/m) p2(kN/m) q2'(kN/m) q3(kN/m)
98,62 16,50 -5,67 0,18 0,84 -2,04 0,05 -0,91 -1,71

Ressalta-se que as forças dos nós 2 e 3 se anulam com as forças nodais da seção de
análise seguinte. A aplicação das forças no modelo isostático está apresentada na Figura 7.19.

Figura 7.19 - Forças aplicadas no modelo isostático

A Tabela 7.3 apresenta as solicitações obtidas pelo método de Alves no modelo


isostático.

Tabela 7.3 - Solicitações - modelo isostático


Solicitações na seções analisadas
Seção N(kN) M(kN.m)
S1 -99,7 71,0
S2 -100,0 106,0
S3 -99,8 359,5

A aplicação do método de Alves foi estendida para a estrutura hiperestática concluída.


A Figura 7.20 apresenta as cargas equivalentes aplicadas no modelo.

Figura 7.20 - Forças aplicadas no modelo hiperestático

78
A Tabela 7.4 apresenta as solicitações obtidas pelo método de Alves no modelo
hiperestático.

Tabela 7.4 - Solicitações - modelo hiperestático


Solicitações na seções analisadas
Seção N(kN) M(kN.m)
S10 -97,0 221,0
S15 3,9 -128,0

7.2.2.2 Simplificação
A simplificação adotada consiste em aplicar a força de protensão, através de um cabo
reto, com a altura relativa à borda da laje superior igual ao valor do cabo real, no trecho em
que o cobrimento do cabo se mantém constante. A Figura 7.21 ilustra o princípio desse
método, comparando o traçado do cabo simplificado com o real.

Figura 7.21 - Aplicação do método simplificado

A Tabela 7.5 mostra os valores das forças equivalentes de protensão, aplicadas no


centroide da aduela 10 e ilustradas na Figura 7.22.

Tabela 7.5 - Forças Aplicadas no Modelo


Forças aplicadas no modelo
P(kN) α(graus) α(rad) e(m) N(kN) Q(kN) M(kN.m)
100 0 0,00 0,9695 -100,0 0,0 97,0

Figura 7.22 - Força aplicadas no modelo isostático

79
Os resultados obtidos a partir do método simplificado estão apresentados na Tabela
7.6.

Tabela 7.6 - Solicitações – modelo isostático


Solicitações na seções analisadas
Seção N(kN) M(kN.m)
S1 100,0 97,0
S2 100,0 106,0
S3 99,8 359,8

Em seguida, analisa-se o método simplificado no modelo hiperestático. A Figura 7.23


ilustra as forças aplicadas no modelo da estrutura hiperestática concluída.

Figura 7.23 - Força aplicadas no modelo hiperestático

A Tabela 7.7 apresenta as solicitações obtidas pelo método simplificado.

Tabela 7.7 - Solicitações - modelo hiperestático


Solicitações na seções analisadas
Seção N(kN) M(kN.m)
S10 -96,4 210,3
S15 3,4 -140,5

7.2.2.3 Conclusão do Estudo


O estudo de aplicação de cargas de protensão, no modelo isostático, mostra que a
simplificação adotada obtém resultados exatos a partir da seção no qual o cabo fica com
cobrimento constante. O estudo comprova a precisão do método de Alves, que servirá como
parâmetro na análise hiperestática. Essa primeira análise é utilizada para calibrar os métodos.

Observam-se na Tabela 7.8 os resultados da análise dos três métodos na estrutura


isostática. Nota-se a imprecisão do modelo simplificado na seção onde o cabo apresenta
inclinação em relação à horizontal.

Tabela 7.8 - Resumo de solicitações - modelo isostático


Análise- Modelo Isostático
Isostático de Protensão Método de Alves Simplificação
Seção
N(kN) M(kN.m) N(kN) Desvio(%) M(kN.m) Desvio(%) N(kN) Desvio(%) M(kN.m) Desvio(%)
S1 -99,7 71,0 -99,7 0,0 71,0 0,0 -100,0 0,3 97,0 36,0
S2 -100,0 106,0 -100,0 0,0 106,0 0,0 -100,0 0,0 106,0 0,0
S3 -100,0 359,8 -99,8 0,0 359,5 0,3 -99,8 0,2 359,8 0,0

80
Nas estruturas hiperestáticas, comparando a simplificação adotada com o método de
Alves, demostra-se que a simplificação apresenta uma boa precisão, com desvios inferiores a
10%, conforme observado na Tabela 7.9.

Tabela 7.9 - Resumo de solicitações - modelo hiperestático


Análise- Modelo hiperestático
Método de Alves Simplificação
Seção
N(kN) M(kN.m) N(kN) Desvio(%) M(kN.m) Desvio(%)
S10 -97,0 221,0 -96,4 0,6 210,3 4,8
S15 3,9 -128,0 3,7 5,0 -140,5 9,7

Em resumo, o procedimento adotado na aplicação de cargas equivalentes demostra-se


eficaz para o estudo das seções S10 e S15, podendo, para efeitos de uma análise simplificada,
ser facilmente aplicado.

7.2.3 Carregamentos Aplicados no Modelo


Neste tópico são apresentados os carregamentos aplicados no modelo.

7.2.3.1 Modelo da Etapa construtiva


Na etapa construtiva, o único carregamento aplicado foi a protensão, sendo o peso
próprio considerado automaticamente, através da modelagem da estrutura.

A protensão foi aplicada com o uso do método simplificado, sendo adotado um cabo
que represente os cabos de cada aduela, chamado de cabo médio. O cabo médio é um cabo
fictício que representa todos os cabos que passam na seção.

A consideração das perdas imediatas foi feita através de uma simplificação,


considerando apenas as perdas por atrito, por ser a perda de maior magnitude. Além disso,
como se trata de um projeto básico, o uso dessa simplificação não apresenta diferenças
significativas ao se comparar com o resultado do cálculo de todas as perdas de forma
detalhada.

Adota-se uma tensão média UB , após as perdas imediatas, para aplicação da força no
modelo. A tensão média é obtida através da média aritmética entre a tensão inicial, U6 , que é a
tensão de puxada do cabo, e a tensão após as perdas por atrito na metade do comprimento do
cabo („/2 , Už . A Figura 7.24 Ilustra graficamente o procedimento descrito para cálculo da
tensão média após a perda por atrito.

Figura 7.24 - Tensão média após as perdas por atrito

81
A partir da tensão média e da excentricidade do cabo em cada seção é possível calcular
os momentos solicitantes e as forças normais de cada conjunto de cabos.

A Tabela 7.10 apresenta o cálculo das forças normais e momentos fletores aplicados
no modelo.

Tabela 7.10 - Cálculo da força de protensão após perdas imediatas


Aduela N°de ancoragens σi(kN/cm²) L/2 (m) α(graus) α(rad) σM(kN/cm²) σ0(kN/cm²) P0(kN) e(m) M(kN.m)
10 8 125,0 62,75 9,5 0,17 100,2 112,6 10087,8 0,97 9780,1
9 8 125,0 56,75 9,5 0,17 102,0 113,5 10169,3 0,97 9864,2
8 8 125,0 50,75 9,5 0,17 103,8 114,4 10252,3 1,06 10886,4
7 8 125,0 44,75 9,5 0,17 105,7 115,4 10336,8 1,20 12430,0
6 8 125,0 38,75 9,5 0,17 107,7 116,3 10422,8 1,39 14529,4
5 8 125,0 32,75 9,5 0,17 109,6 117,3 10510,4 1,64 17283,3
4 8 125,0 26,75 9,5 0,17 111,6 118,3 10599,6 1,95 20687,2
3 12 125,0 20,75 15,3 0,27 111,3 118,2 15882,6 2,24 35613,5
2 12 125,0 14,75 15,3 0,27 113,4 119,2 16018,5 2,52 40294,4
1 12 125,0 9,25 17,3 0,30 114,5 119,7 16091,3 2,79 44925,9

A Figura 7.25 ilustra a aplicação das solicitações da protensão na etapa construtiva no


modelo.

Figura 7.25 - Forças de protensão na etapa construtiva

7.2.3.2 Modelo do Fechamento lateral


Na etapa do fechamento lateral da estrutura são aplicados os carregamentos de
protensão dos fechamentos laterais e o peso próprio das aduelas de fechamento.

O peso próprio do fechamento, conforme mostra Figura 7.26, é aplicado através de


carga distribuída, com a estrutura já vinculada lateralmente.

Figura 7.26 - Força distribuída do peso próprio do fechamento lateral

82
A protensão é aplicada através do método simplificado, com as mesmas considerações
da protensão aplicada na etapa construtiva.

A Tabela 7.11 apresenta o cálculo das forças nodais aplicados no modelo.

Tabela 7.11 - Cálculo da força de protensão após perdas imediatas


Aduela N°de ancoragens σi(kN/cm²) L/2 (m) α(graus) α(rad) σM(kN/cm²) σ0(kN/cm²) P0(kN) e(m) M(kN.m)
5 2 125,0 38,25 19,0 0,33 104,3 114,6 2568,1 2,36 6064,6
6 4 125,0 32,25 19,0 0,33 106,2 115,6 5178,7 2,20 11386,9
7 4 125,0 26,25 18,0 0,31 108,5 116,7 5230,4 2,06 10785,5
Fechamento 10 12977,2 0,91 11823,5

Observa-se na Tabela 7.11 que, para aplicação da força de protensão na extremidade


do fechamento, faz-se o somatório da força de todos os cabos, aplicando-a com a
excentricidade média dos cabos no fechamento. Isso é feito devido aos cabos de protensão do
fechamento lateral não serem simétricos.

A Figura 7.27 apresenta a aplicação das solicitações da protensão do fechamento


lateral no modelo.

Figura 7.27 - Força da protensão do fechamento lateral

7.2.3.3 Modelo da Estrutura Concluída


Após o fechamento central, a estrutura atinge o sistema estrutural final. Para o
estabelecimento da continuidade, é aplicado na estrutura a protensão e o carregamento do
peso próprio do fechamento central, seguindo o mesmo procedimento adotado no
fechamento lateral.

A Tabela 7.12 apresenta o cálculo das forças de protensão aplicadas no fechamento


central e a Figura 7.28 ilustra sua aplicação no modelo.

Tabela 7.12 - Cálculo da força de protensão após perdas imediatas


Aduela N°de ancoragens σi(kN/cm²) L/2 (m) α(graus) α(rad) σM(kN/cm²) σ0(kN/cm²) P0(kN) e(m) M(kN.m)
5 4 125,0 38,25 19,5 0,34 104,1 114,6 5132,2 2,36 12119,6
6 4 125,0 32,25 18,0 0,31 106,6 115,8 5187,0 2,20 11405,2
7 4 125,0 26,25 17,0 0,30 108,9 116,9 5238,9 2,06 10803,0
8 4 125,0 20,25 16,5 0,29 111,0 118,0 5287,5 1,95 10296,3
9 4 125,0 14,25 16,0 0,28 113,3 119,1 5337,1 1,80 9622,8

83
Figura 7.28 - Forças distribuídas da protensão no fechamento central

A Figura 7.29 apresenta a carga distribuída do peso próprio do fechamento central no


modelo.

Figura 7.29 - Força distribuída do peso próprio do fechamento central

Os carregamentos de sobrecarga permanente, carga móvel, variação uniforme e


gradiente de temperatura são aplicados na estrutura concluída.

As sobrecargas permanentes de pavimentação e guarda-rodas estão distribuídas ao


longo da estrutura. Obtêm-se os valores das cargas por metro através do produto da área
transversal desses elementos, ilustradas na Figura 7.30, pelo peso específico do material,
ambos de concreto.

Figura 7.30 - Seção transversal da sobrecarga permanente

84
A Figura 7.31 apresenta a carga distribuída da sobrecarga permanente aplicada no
modelo.

Figura 7.31 - Força distribuída de sobrecarga permanente

A carga móvel utilizada na ponte é o veículo tipo TB-450. Adota-se no projeto, um


coeficiente de impacto igual a um, calculado baseado na versão de 1984 da NBR 7188, vigente
na época do projeto. O veículo-tipo é aplicado automaticamente pelo programa de forma
homogeneizada, considerando a carga de multidão distribuída em uma largura de pista de 8,20
m de acordo com a Figura 7.32.

Figura 7.32 - Definição da carga móvel TB-450 no modelo

Aplicam-se, em todos os elementos, uma variação uniforme de temperatura positiva e


negativa de 15°C e uma variação não uniforme linear de temperatura igual a 5°C. A variação
não uniforme é aplicada em forma de gradiente térmico, dividindo-a pela altura média da
aduela.

85
A Tabela 7.13 apresenta o cálculo do gradiente aplicado no modelo.

Tabela 7.13 - Cálculo do gradiente de temperatura


Aduela hmédia(m) Gradiente(°C/m)
fechamento 3,0 1,7
10 3,0 1,6
9 3,2 1,6
8 3,3 1,5
7 3,6 1,4
6 4,0 1,3
5 4,4 1,1
4 4,9 1,0
3 5,5 0,9
2 6,1 0,8
1 6,8 0,7
Arranque 7,2 0,7

A consideração dos efeitos reológicos devido à mudança do sistema estrutural e das


perdas progressivas – retração, fluência e relaxação – é feita através do Eurocode, conforme as
expressões (5.7) e (5.8):

Ÿ p,& Ÿ & ,&


• = 0,5;
]¡∙Ÿ p,&
• cB,p = 0,80 ∙ cB .

7.3 Verificação dos Estados Limites de Serviço


As solicitações da análise estrutural realizada nas seções c10 e c15 são obtidas para os
três estágios principais, representados pelos três modelos criados: etapas construtivas,
fechamento lateral, estrutura concluída.

Na obtenção dos resultados da análise é adotada a convenção de sinais a seguir:

• Solicitação Normal: Sinal negativo para compressão e positivo para tração;


• Solicitação de Flexão: Sinal negativo para tração na fibra superior e sinal
positivo para compressão na fibra superior.

As solicitações normais e de flexão das seções c10 e c15 estão apresentadas na Tabela
7.14 e 7.15.

Tabela 7.14 - Solicitações na seção S10


SOLICITAÇÕES NA SEÇÃO 10
Estágio da construção Carregamento Normal(kN) Momento fletor (kN.m)
Peso próprio das aduelas G1 -827,4 -318891,6
Etapas construtivas
Protensão das aduelas Prot.1 -120104,8 422405,6
Peso próprio do fechamento lateral G1.F.Lat 0,0 0,0
Fechamento lateral
Protensão do fechamento lateral Prot.2 0,0 0,0
Peso próprio do fechamento central G1.F.Cen -120,0 -328,8
Protensão do fechamento central Prot.3 580,5 41573,6
Sobrecarga permanente G3 -564,5 -62059,0
Estrutura concluída Carga Móvel máxima CMmax 50,3 4108,5
(t= 0) Carga Móvel mínima CMmin -687,0 -74545,3
Gradiente G -35,4 6672,4
Variação uniforme(+15°C) T(+) -897,8 1758,5
Variação uniforme(-15°C) T(-) 897,8 -1758,5
Estrutura concluída Peso próprio G1∞ -1745,5 -297722,5
(t= ∞) Protensão Prot.∞ -93998,7 330378,7

86
Tabela 7.15 - Solicitações na seção S15
SOLICITAÇÕES NA SEÇÃO 15
Estágio da construção Carregamento Normal(kN) Momento fletor (kN.m)
Peso próprio das aduelas G1 0,0 0,0
Etapas construtivas
Protensão das aduelas Prot.1 0,0 0,0
Peso próprio do fechamento lateral G1.F.Lat 0,0 0,0
Fechamento lateral
Protensão do fechamento lateral Prot.2 0,0 0,0
Peso próprio do fechamento central G1.F.Cen -97,9 7097,7
Protensão do fechamento central Prot.3 -25595,6 -24784,8
Sobrecarga permanente G3 -398,9 14564,8
Estrutura concluída Carga Móvel máxima CMmax 49,7 20618,2
(t= 0) Carga Móvel mínima CMmin -505,0 -2116,2
Gradiente G -35,5 6577,4
Variação uniforme(+15°C) T(+) -899,6 -647,4
Variação uniforme(-15°C) T(-) 899,6 647,4
Estrutura concluída Peso próprio fictício G1∞ -897,5 32869,9
(t= ∞) Protensão fictícia Prot.∞ -18852,5 -56289,2

Após o cálculo das solicitações, as seções analisadas foram verificadas nos estados
limites de serviço, segundo a NBR 6118:14.

As tensões em serviço, para cada carregamento, são verificadas no tempo zero e no


tempo infinito, nas bordas superior e inferior da seção de concreto, calculadas com a
expressão da Resistência dos Materiais:

‚ -
U=− 7.1
x ¢

onde:

U: Tensão nas bordas superior e inferior da seção de concreto, tomado como positiva
no caso de compressão e negativa para tração;

‚ : Valor característico da solicitação normal;

x: Área da seção transversal;

- : Valor característico da solicitação de momento fletor;

¢: Módulo de resistência elástico da seção.

As propriedades geométricas das seções analisadas estão apresentadas na tabela a


seguir.

Tabela 7.16 - Propriedades geométricas das seções


Propriedade geométricas
Seção Área(m²) Inércia(m⁴) Ws(m³) Wi(m³)
S10 14,96 104,20 27,69 30,31
S15 5,97 7,41 6,81 3,88

Adota-se o nível de protensão completa a ser aplicado na estrutura, sendo verificados,


portanto, de acordo com as Tabelas (6.1) e (6.2), os estados limites de formação de fissuras
(ELS-F), utilizando as combinações raras de serviço, e o estado limite de descompressão (ELS-
D), utilizando combinações frequentes de serviço.

87
7.3.1 Verificação das Tensões na Seção 10
A Tabela 7.17 apresenta as tensões na borda inferior e superior devido às solicitações
obtidas na análise da estrutura.

Tabela 7.17 - Tensões na seção 10


TENSÕES NA SEÇÃO 10
Estágio da construção Carregamento σi(MPa) σs(MPa)
Peso próprio das aduelas G1 10,57 -11,46
Etapas construtivas
Protensão das aduelas Prot.1 -5,90 23,29
Peso próprio do fechamento lateral G1.F.Lat 0,00 0,00
Fechamento lateral
Protensão do fechamento lateral Prot.2 0,00 0,00
Peso próprio do fechamento central G1.F.Cen 0,44 -0,47
Protensão do fechamento central Prot.3 -1,41 1,46
Sobrecarga permanente G3 2,08 -2,20
Estrutura concluída Carga Móvel máxima CMmax -0,14 0,15
(t= 0) Carga Móvel mínima CMmin 2,51 -2,65
Gradiente G -0,22 0,24
Variação uniforme(+15°C) T(+) 0,00 0,12
Variação uniforme(-15°C) T(-) 0,00 -0,12
Estrutura concluída Peso próprio G1∞ 10,15 -10,87
(t= ∞) Protensão Prot.∞ -4,61 18,22

A Tabela 7.18 apresenta a verificação no ELS – D, com as combinações frequentes das


ações e a Tabela 7.19 apresenta a verificação no ELS-F, com as combinações raras das ações.

Tabela 7.18 - ELS-D: Combinações Frequentes


Combinações Frequentes de serviço
Estágio da construção Combinações σi(MPa) σs(MPa)
Etapas construtivas G1 + Prot.1 4,67 11,82
Fechamento lateral G1 + Prot.1 + G1.F.Lat + Prot.2 4,67 11,82
G1 + Prot.1 + G1.F.Lat + Prot.2 + G1.F.Cent + Prot.3 3,70 12,82
G1 + Prot.1 + G1.F.Lat + Prot.2 + G1.F.Cent + Prot.3 + G3 5,79 10,62
Estrutura concluída G1 + Prot.1 + G1.F.Lat + Prot.2 + G1.F.Cent + Prot.3 + G3 + (0,5)CMmax 5,72 10,69
(t= 0) G1 + Prot.1 + G1.F.Lat + Prot.2 + G1.F.Cent + Prot.3 + G3 + (0,5)CMmin 7,04 9,29
G1 + Prot.1 + G1.F.Lat + Prot.2 + G1.F.Cent + Prot.3 + G3 + (0,3)Cmmax + (0,5)G 5,64 10,78
G1 + Prot.1 + G1.F.Lat + Prot.2 + G1.F.Cent + Prot.3 + G3 + (0,5)Cmmin + (0,3)T(-) 7,04 9,26
G1∞ + Prot∞ + G3 7,62 5,15
G1∞ + Prot∞ + G3 + (0,5)CMmax 7,55 5,22
Estrutura concluída
G1∞ + Prot∞ + G3 + (0,5)CMmin 8,87 3,82
(t= ∞)
G1∞ + Prot∞ + G3 + (0,3)Cmmax + (0,5)G 7,47 5,31
G1∞ + Prot∞ + G3 + (0,5)Cmmin + (0,3)T(-) 8,87 3,79

Tabela 7.19 - ELS-F: Combinações Raras


Combinações Rara de Serviço
Estágio da construção Combinações σi(MPa) σs(MPa)
Etapas construtivas G1 + Prot.1 4,67 11,82
Fechamento lateral G1 + Prot.1 + G1.F.Lat + Prot.2 4,67 11,82
G1 + Prot.1 + G1.F.Lat + Prot.2 + G1.F.Cent + Prot.3 3,70 12,82
G1 + Prot.1 + G1.F.Lat + Prot.2 + G1.F.Cent + Prot.3 + G3 5,79 10,62
Estrutura concluída G1 + Prot.1 + G1.F.Lat + Prot.2 + G1.F.Cent + Prot.3 + G3 + CMmax 5,65 10,76
(t= 0) G1 + Prot.1 + G1.F.Lat + Prot.2 + G1.F.Cent + Prot.3 + G3 +CMmin 8,29 7,97
G1 + Prot.1 + G1.F.Lat + Prot.2 + G1.F.Cent + Prot.3 + G3 + (0,5)Cmmax + G 5,50 10,93
G1 + Prot.1 + G1.F.Lat + Prot.2 + G1.F.Cent + Prot.3 + G3 + Cmmin + (0,5)T(-) 8,29 7,91
G1∞ + Prot∞ + G3 7,62 5,15
G1∞ + Prot∞ + G3 + CMmax 7,48 5,29
Estrutura concluída
G1∞ + Prot∞ + G3 + CMmin 10,13 2,50
(t= ∞)
G1∞ + Prot∞ + G3 + (0,5)CMmax+G 7,33 5,46
G1∞ + Prot∞ + G3 + CMmin + (0,5)T(-) 10,13 2,44

88
A seção 10, não apresenta tensões de tração para combinações em serviço e respeita
os limites de tensões compressivas estabelecidas conforme a expressão a seguir:

⁄C ,
U = 0,5 × 40 × B, C×
= 14,2 -./ 7.2

7.3.2 Verificação das Tensões na Seção 15


A Tabela 7.20 apresenta as tensões na borda superior e inferior devido às solicitações
obtidas na análise da estrutura.

Tabela 7.20 - Tensões na seção 15


TENSÕES NA SEÇÃO 15
Estágio da construção Carregamento σi(MPa) σs(MPa)
Peso próprio das aduelas G1 0,00 0,00
Etapas construtivas
Protensão das aduelas Prot.1 0,00 0,00
Peso próprio do fechamento lateral G1.F.Lat 0,00 0,00
Fechamento lateral
Protensão do fechamento lateral Prot.2 0,00 0,00
Peso próprio do fechamento central G1.F.Cen -1,81 1,06
Protensão do fechamento central Prot.3 10,68 0,65
Sobrecarga permanente G3 -3,69 2,21
Estrutura concluída Carga Móvel máxima CMmax -5,32 3,02
(t= 0) Carga Móvel mínima CMmin 0,63 -0,23
Gradiente G -1,69 0,97
Variação uniforme(+15°C) T(+) 0,32 0,06
Variação uniforme(-15°C) T(-) -0,32 -0,06
Estrutura concluída Peso próprio fictício G1∞ -8,32 4,98
(t= ∞) Protensão fictícia Prot.∞ 17,67 -5,11

A Tabela 7.21 apresenta a verificação no ELS – D, com as combinações frequentes das


ações e a Tabela 7.22 apresenta a verificação no ELS-F, com as combinações raras das ações.

Tabela 7.21 - ELS-D: Combinações Frequentes


Combinações Frequentes de serviço
Estágio da construção Combinações σi(MPa) σs(MPa)
Etapas construtivas G1 + Prot.1 0,00 0,00
Fechamento lateral G1 + Prot.1 + G1.F.Lat + Prot.2 0,00 0,00
G1 + Prot.1 + G1.F.Lat + Prot.2 + G1.F.Cent + Prot.3 8,86 1,71
G1 + Prot.1 + G1.F.Lat + Prot.2 + G1.F.Cent + Prot.3 + G3 5,18 3,91
Estrutura concluída G1 + Prot.1 + G1.F.Lat + Prot.2 + G1.F.Cent + Prot.3 + G3 + (0,5)CMmax 2,51 5,42
(t= 0) G1 + Prot.1 + G1.F.Lat + Prot.2 + G1.F.Cent + Prot.3 + G3 + (0,5)CMmin 5,49 3,80
G1 + Prot.1 + G1.F.Lat + Prot.2 + G1.F.Cent + Prot.3 + G3 + (0,3)Cmmax + (0,5)G 2,01 5,71
G1 + Prot.1 + G1.F.Lat + Prot.2 + G1.F.Cent + Prot.3 + G3 + (0,3)Cmmin + (0,5)T(-) 5,21 3,82
G1∞ + Prot∞ + G3 5,66 2,07
G1∞ + Prot∞ + G3 + (0,5)CMmax 3,00 1,96
Estrutura concluída
G1∞ + Prot∞ + G3 + (0,5)CMmin 5,97 1,96
(t= ∞)
G1∞ + Prot∞ + G3 + (0,5)Cmmax + (0,3)G 2,49 2,25
G1∞ + Prot∞ + G3 + (0,5)Cmmin + (0,3)T(-) 5,88 3,45

Tabela 7.22 - ELS-F: Combinações Raras


Combinações Rara de Serviço
Estágio da construção Combinações σi(MPa) σs(MPa)
Etapas construtivas G1 + Prot.1 0,00 0,00
Fechamento lateral G1 + Prot.1 + G1.F.Lat + Prot.2 0,00 0,00
G1 + Prot.1 + G1.F.Lat + Prot.2 + G1.F.Cent + Prot.3 8,86 1,71
G1 + Prot.1 + G1.F.Lat + Prot.2 + G1.F.Cent + Prot.3 + G3 5,18 3,91
Estrutura concluída G1 + Prot.1 + G1.F.Lat + Prot.2 + G1.F.Cent + Prot.3 + G3 + CMmax -0,15 6,93
(t= 0) G1 + Prot.1 + G1.F.Lat + Prot.2 + G1.F.Cent + Prot.3 + G3 +CMmin 5,81 3,69
G1 + Prot.1 + G1.F.Lat + Prot.2 + G1.F.Cent + Prot.3 + G3 + (0,5)Cmmax + G -0,99 7,42
G1 + Prot.1 + G1.F.Lat + Prot.2 + G1.F.Cent + Prot.3 + G3 + Cmmin + (0,5)T(-) 5,65 3,66
G1∞ + Prot∞ + G3 5,66 2,07
G1∞ + Prot∞ + G3 + CMmax 0,33 1,85
Estrutura concluída
G1∞ + Prot∞ + G3 + CMmin 6,29 1,85
(t= ∞)
G1∞ + Prot∞ + G3 + Cmmax + (0,5)G -0,51 2,33
G1∞ + Prot∞ + G3 + Cmmin + (0,5)T(-) 5,97 6,83

89
A seção 15 apresenta tensões de tração somente no ELS-F, respeitando os limites de
tração conforme a expressão (6.1):

&,Y = 0,252 40 * = 2,95 -./ 7.3

As tensões de compressão na seção 15 são inferiores aos limites de tensões


compressivas, estabelecidas conforme expressão (7.2).

90
8 CONCLUSÕES

Este trabalho teve como objetivo apresentar e aplicar os conceitos de projeto de uma
ponte rodoviária construída pelo processo em balanços sucessivos. O estudo contemplou as
etapas do processo construtivo, o comportamento estrutural do concreto protendido em
estruturas isostáticas e hiperestáticas, a análise estrutural das principais etapas, com as
considerações dos efeitos reológicos, verificação dos estados limites último e de serviço e
análise de um projeto real.

Durante a pesquisa bibliográfica, observou-se que as referências que tratam do tema


dos balanços sucessivos não são bem detalhadas, no que diz respeito às considerações de
cálculo. Com isso, buscou-se apresentar todas as etapas do projeto deste método construtivo.

A análise estrutural de uma ponte em balanços sucessivos está intrinsicamente ligada à


análise do concreto protendido, sendo assim, apresentou-se o método de cargas equivalentes
de Alves para análise estruturas protendidas, isostática ou hiperestática.

O método de Alves foi usado como base no estudo de aplicação simplificada das forças
de protensão no modelo computacional, utilizado para análise estrutural de um projeto real.

O projeto estudado consiste em um projeto básico de uma ponte de 130 m de vão


central. A análise foi efetuada através de três modelos unifilares do tipo pórtico plano,
representando as fases principais da construção por balanços sucessivos. A estrutura foi
verificada, para o estado limite de utilização (ELS), segundo os limites estabelecidos pela NBR
6118/14.

Ressalta-se que a análise de uma ponte em balanços sucessivos tem diversas


particularidades e, por isso, a execução principalmente de um projeto executivo requer um
projetista com razoável experiência.

Finalmente, este trabalho permitiu o desenvolvimento e aplicação dos fundamentos de


projeto que envolve o método de construção por balanços sucessivos, fornecendo a base para
análise deste tipo de método construtivo.

Para trabalhos futuros são sugeridos alguns tópicos:

• Estudo das deformações durante a execução dos balanços e ao longo do tempo,


devido aos efeitos reológicos;
• Análise para pré-dimensionamento da geometria da superestrutura e das
armaduras de protensão das pontes construídas por balanços sucessivos;
• Análise de um projeto real de uma ponte ferroviária executada pelo método de
balanços sucessivos, obtendo-se, assim, a comparação e as principais diferenças
entre estes dois tipos de obra.

91
9 BIBLIOGRAFIA

ABNT, 2014, NBR 6118 - Projeto de Estruturas de Concreto Armado, 3ª ed., Rio de Janeiro.

ABNT, 1987, NBR 7187 - Projeto de Pontes de Concreto Armado e de Concreto Protendido -
Procedimento, 1ª ed., Rio de Janeiro.

ABNT, 2003, NBR 7187 - Projeto de Pontes de Concreto Armado e de Concreto Protendido -
Procedimento, 2ª ed., Rio de Janeiro.

ABNT, 2013, NBR 7188 - Carga Móvel Rodoviária e de Pedestres em Pontes, Viadutos,
Passarelas e outras Estruturas, 2ª ed., Rio de Janeiro.

ABNT, 2004, NBR 7480 - Barras e fios de aço destinados a armaduras para concreto armado,
Rio de Janeiro.

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92
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Sucessivos - Eng. Emílio Baumgart. IME- Instituto Militar de Engenharia. www.ime.eb.br.
Acesso em 10 de janeiro de 2015.

93
ANEXO A

Coeficientes de Majoração da Carga Móvel - NBR 7188/13

O coeficiente de impacto vertical (CIV) depende do comprimento do vão da estrutura.


Sendo seu valor tomado igual a:

£Ž¤ = 1,35 , †/¥/ #?¥y?y¥/# Oˆ‹ ¦ãˆ ‹ jˆ¥ Pˆ …y 10,0‹;

20
£Ž¤ = 1 + 1,06 ∙ ; < , †/¥/ #?¥y?y¥/# Oˆ‹ ¦ãˆ j?¥ 10,0‹ 200,0‹
„`¦ + 50

Onde, „`¦, é o vão em metros, conforme o tipo de estrutura. Sendo:

• Estruturas de vãos isostáticos: „`¦ é a média aritimética dos vãos, no caso de


vão contínuos;
• Estruturas em balanço: „`¦ é o comprimento do próprio balanço.
• „ é o vão expresso em metros

Para estruturas com vãos acima de 200,0 m, deve ser realizado estudo específico para
a consideração da amplificação dinâmica e definição do coeficiente de impacto.

O coeficiente de número de faixas (CNF) depende do número de faixas do tabuleiro.


Sendo seu valor calculado com a seguinte expressão:

£‚‡ = 1 − 0,05 ∙ j − 2 > 0,9 x. 1

Onde:

j: É o número (inteiro de faixas) de faixas de tráfego rodoviário a serem carregadas


sobre um tabuleiro transversalmente contínuo. Acostamentos e faixas de segurança não são
faixas de tráfego.

Esse coeficiente não se aplica ao dimensionamento de elementos estruturais


transversais ao sentido de tráfego (Lajes, transversinas,etc)

O coeficiente de impacto adicional (CIA) depende do material que constitui a obra:

£Žx = 1,25, †/¥/ ˆ•¥/# ‹ OˆjO¥ ?ˆ ˆy ‹`#?/#;

£Žx = 1,15, †/¥/ ˆ•¥/# ‹ /çˆ.

A utilização desse coeficiente é restringida à região das juntas estruturais e


extremidades da obra. Sendo todas as seções dos elementos estruturais a uma distância
horizontal, normal à junta, inferior a 5,0 m para cada lado da junta u descontinuidade
estrutural, devem ser dimensionadas com o coeficiente de impacto adicional.

94
ANEXO B

Coeficiente de Fluência, w u, uv - NBR 6118/14

O coeficiente de fluência o ?, ?B , válido também para a tração, é dado por:

o ?, ?B od 3 oYp ∙ «Y ? G «Y ?B 3 o$p ∙ «$ ¬. 1

onde:

?: idade fictícia do concreto no instante considerado, em dias;

?B : idade fictícia do concreto no instante de aplicação do carregamento único, em dias;

od : Coeficiente de fluência rápida, determinado pela expressão:

?B
od 0,8 ∙ -1 G ® , †/¥/ OˆjO¥ ?ˆ# P O¯/## # £20 / £45 ¬. 2
?p

?B
od 1,4 ∙ -1 G ® , †/¥/ OˆjO¥ ?ˆ# P O¯/## # £50 / £90 ¬. 3
?p

Y &
Y &°
: Função do crescimento da resistência com a idade;

oYp o ∙ o , é o valor final do coeficiente de deformação lenta irreversível para


concretos de classes C20 a 45;

oYp 0,45 ∙ o ∙ o , é o valor final do coeficiente de deformação lenta irreversível


para concretos de classes C50 a C90;

o : Coeficiente dependente da umidade relativa do ambiente ±, expresso em


porcentagem % , e da consistência dada pela tabela ¬. 1;

Tabela B.1 - Valores numéricos para determinação da fluência e da retração(NBR 6118/14)

95
o : Coeficiente dependente da espessura fictícia ³Y6 , da peça;
42 3 ³Y6
o = ¬. 4
20 3 ³Y6
³Y6 : Espessura fictícia, expresso em centímetros;

¬Y ? ˆy ¬Y ?B : Coeficiente relativo à deformação lenta irreversível, função da idade


do concreto, que pode ser determinado de acordo com a Figura ¬. 1, ou pela seguinte
expressão:

? 3 x? 3 ¬
¬Y ? ¬. 5
? 3 £? 3 ´
onde:
x 42 ∙ ³* G 350 ∙ ³ 3 588 ∙ ³ 3 113 ¬. 6
¬ 768 ∙ ³* G 3060 ∙ ³ 3 3234 ∙ ³ G 23 ¬. 7
£ G200 ∙ ³* 3 13 ∙ ³ 3 1090 ∙ ³ 3 183 ¬. 8
´ 7579 ∙ ³* G 31916 ∙ ³ 3 35343 ∙ ³ 3 1931 ¬. 9
sendo:

³: Espessura fictícia, expresso em metros; para valores de ³ fora do intervalo 0,05 +


³ + 16 , adotam-se os extremos correspondentes;

?: é o tempo, expresso em dias ? µ 3 ;

Figura 0.1 - Variação de ¶· u (NBR 6118/2014)

o$p : Valor final do coeficiente de deformação lenta reversível que é considerado igual
a 0,4;

¬$ ? : Coeficiente relativo à deformação lenta reversível, função do tempo ? G ?B ,


decorrido após o carregamento:

? G ?B 3 20
¬$ ? ¬. 10
? G ?B 3 70

96