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Rítmos Brasileiros -

Baião e subgêneros

Parte 2 - Aula 16
TABLATURA DE BATERIA

Baião
Luiz Gonzaga - O Rei do Baião
Luiz Gonzaga - O rei do baião

É um rítmo musical nordestino,


acompanhado de dança, muito popular na
região nordeste do Brasil. Foi na década de
1940 que o BAIÃO tornou se popular,
atraves dos músicos Luiz Gonzaga - O rei do
baião - e Humberto Teixeira.
Instrumentos
característicos
Zabumba
Uma característica relevante é o
uso do “ bacalhau” uma vareta
que emite um som agudo batido
na pele de resposta.
Triângulo
Baião É usado em combinação com a zabumba e
acordeon em um trio de forró. Lembra a forma de
um triângulo geométrico.
Sessão Rítmica do
Baião
Nos anos de 1940 e 1950 quando
os padrões rítmicos ainda do
Forró estavam sendo
estabelecidos por Luiz Gonzaga e
seu músicos as duas primeiras
gravações da música Baião
apresentavam a base 1
(zabumba) como demonstra o
Rítmos do baião: A Base 1 foi utilizada nas duas primeiras gravações
por 4 Ases e 1 Coringa (1946) e por Luiz Gonzaga (1949) mais tarde. exemplo ao lado:
A Base 2 será chamada de baião batido.
Quatro ases e um
coringa
O grupo Quatro Ases e Um Coringa era composto por músicos cearenses
que se encontraram no Rio de Janeiro no final dos anos 1930. Ao lado do
Anjos do Inferno, formou na frente da onda de conjuntos vocais que
viraram moda na música brasileira a partir da década seguinte. Muitos
críticos consideram os arranjos de vozes desses grupos como das
influências fundamentais para que em 1958 a bossa nova surgisse com
João Gilberto, ex-cantor dos Garotos da Lua.
Levada básica Essas “levadas” podem variar, portanto,
Baião aparecem bastante nas músicas, mas não quer
dizer que sejam únicas. Veremos adiante com
outros exemplos. Existe um levada de baião (no
zabumba) que se tornou “referência” (Ex.2),
porém, admitindo-se pequenas variações (Ex.3)..
O padrão do zabumba vai sendo
modificado no ano de 1950,
apartir dos lançamentos de Que
nem jiló e Vem, morena. Com a
inclusão da síncope que se tornou
característica do baião. A célula
rítmica da Variação 2 é identica ao
O tresillo é a base rítmica de outras
Tresillo ou padrão 3-3-2, o qual é
músicas brasileiras como (partido alto identificado em vários ritmos
Rio de Janeiro) latino americanos.
Tresillo É uma forma mais básica da
figura rítmica conhecido como
Pronuncia espanhola : tresijo habanera. É a célula de pulsação
dupla mais fundamental da
música cubana e outras
latino-americanas.
Tresillo

Uma linha de baixo típica usada na música cubana. Ritmicamente, a


figura é conhecida como tresillo. O uso de arpejo T35, fio o padrão para
o baião.
“Por vezes, encontramos nas
gravações outros instrumentos de
percussão como cowbell, agogô, ganzá
e pandeiro. No entanto, apesar de tais
instrumentos acrescentarem variedade
ao aspecto timbrístico, do ponto de
vista rítmico eles apenas reforçam os
acentos realizados no triângulo e no
zabumba
O exemplo apresentado é a
transcrição a partir da música
Juazeiro de autoria de Luiz
Gonzaga e Humberto Teixeira.
Variações
Os exemplos transcritos também mostram variações
em três instrumentos: zabumba, triângulo e agogô que
pode ser substituído pela jam block ou woodblock
Subgêneros do

Baião

(híbridos)
Xote
O andamento do xote é geralmente em pulsação de 72 a 84 bpm194 no compasso 2/4. Ikeda
(1990) descreve o xote com “motivos melódicos curtos, tendo regularidade e acentuada
contraposição entre os acentos fortes (tésis: 1º tempo de compasso) e fracos (arsis)
intercompassos, com frequente ocorrência do ritmo anacrústico e acéfalo nestes”. O autor observa
também que o xote “possibilita breques (interrupção da melodia e do acompanhamento
instrumental bruscos a cada conclusão de frases melódicas) o que lhe dá grande expressividade
rítmica”.
Xote

Essas “levadas” podem variar pois, portanto,


Exemplo de Zabumba aparecem bastante nas músicas, mas não quer
dizer que sejam únicas. Veremos adiante com
Tocado em diversas gravações outros exemplos. Existe um levada de baião (no
zabumba) que se tornou “referência” (Ex.2),
porém, admitindo-se pequenas variações (Ex.3)..
Xaxado
O significado da palavra xaxado está
diretamente relacionado à dança com o
mesmo nome e, consequentemente, à
existência de um ritmo musical
necessário a essa dança.
Xamego Sua acepção é muito mais forte como
uma “excitação para atos libidinosos;
amizade íntima, aproximação estreita;
apego” (FERREIRA, 1999, p. 452), ou
seja, uma atração física carnal entre dois
seres humanos, do que como um gênero
ou simplesmente um ritmo musical.
Toada Na obra de Luiz Gonzaga, a toada não
corresponde a um padrão rítmico. Como
ocorre na maioria dos subgêneros.
Portando as toadas teem em comum a
melancolia e associam a este estado de
Padrão rítmico gravado na primeira
gravação de Boiadeiro. Atualmente é espírito naraativas e elementos sonoros.
mais empregado nas canções Asa branca é a primeira canção desse
classificadas como toada por músicos
especialistas; é semelhante ao baião
batido
Arrasta-pé O arrasta-pé é a “marcha sertaneja”, ou
seja, é o gênero musical das festas
juninas nordestinas. Mas, além do
sinônimo de dança, arrasta-pé também é
sinônimo de forró (festa), já que tanto
faz alguém dizer, que vai a um forró ou a
vai a um arrasta-pé.
É de extrema importância mostrar que o
Marcha ritmo da marcha associado ao baião não
é o mesmo das marchas carnavalescas,
como são sempre relacionadas,
“popularizadas nos blocos carnavalescos
como marcha-rancho e marcha de
salão”, geralmente, com “a fórmula
introdução instrumental e
estrofe-refrão”. Foi um ritmo que
migrou das marchas militares à dança.
(ANDRADE, 1989, p. 307)
Forró
Luiz Gonzaga não gravou nenhum forró
e só apartir da década de 60 cosiderou-o
como gênero musical. Em 1958 fez a
primeira gravação que intitulou como
forró. Atualmente tudo relacionado ao
repertório de Gonzaga chama-se de
forró, já que o baião ficou de “certa
maneira” em segundo plano.
Acordeon
Utilização dos modos mixolídio e É possível
sintetizar tais elementos através do seguinte levantamento:
1. Utilização dos modos mixolídio e dórico;
2. Começo das frases em anacruse ou sem o primeiro tempo
(compasso acéfalo);
3. Arpejo em posição fundamental seguido da sétima menor do
modo como ponto de apoio;
4. Ênfase dada à sétima e uso da sexta e quinta para dar
continuidade à melodia;
5. Padrões em intervalos de terça ou sextas;
6. Uso de notas repetidas na elaboração melódica;
Acordeon no forró
-elementos musicais
É possível sintetizar tais elementos através do seguinte
levantamento:
1. Utilização dos modos mixolídio e dórico;
2. Começo das frases em anacruse ou sem o primeiro tempo
(compasso acéfalo);
3. Arpejo em posição fundamental seguido da sétima menor do
modo como ponto de apoio;
4. Ênfase dada à sétima e uso da sexta e quinta para dar
continuidade à melodia;
5. Padrões em intervalos de terça ou sextas;
6. Uso de notas repetidas na elaboração melódica;

Dominguinhos
Elementos musicais
Tomando a "levada" padrão como um
elemento fixo, que sustenta e interage
com os elementos variáveis, vamos
adentrar nas combinações de elementos
musicais presentes no repertório do
baião. Para tanto, comecemos como uma
melodia construída predominantemente
por colcheias. As colcheias quando
executadas sobre a "levada" formam o
contraponto de maior recorrência no
baião.
Traços Modais no
Baião
Outro elemento recursivo, que
também pode ser conferido em No
Ceará não tem disso não, é a
utilização de traços modais.
Encontramos certos contornos
melódicos com esse caráter,
combinados com cadências tonais,
como em Baião de Luiz
Gonzaga/Humberto Teixeira (Ex.8),
Juazeiro de Gonzaga/Humberto
Teixeira (Ex.11), Algodão de Luiz
Gonzaga/Zé Dantas (Ex.10), Baião
da garoa de Luiz Gonzaga/Hervê
Cordovil (Ex.15), Baião da penha de
Guio de Morais/David Nasser, Vozes
da seca de Luiz Gonzaga/Zé Dantas
e Vem morena de Luiz Gonzaga/Zé
Dantas (Ex.5).
Modo Mixolídio
Juazeiro Luiz Gonzaga/Humberto teixeira
Modo Mixolídio
Algodão - Luiz Gonzaga/Zé Dantas
Modo Dórico
Baião de garoa
Modo Dórico
Vem Morena
Padrões Melódicos- Terças, sextas
e notas repetidas
A realização de frases em intervalos de terças
harmônicas ou mesmo em sextas, que são as terças
invertidas e geram um resultado sonoro similar,
constitui outro recurso que pode ser empregado para o
desenvolvimento de um improviso "idiomático"
relacionado ao baião. Ao executar o repertório
escolhido para esta pesquisa pode-se constatar que, de
modo geral, os contornos melódicos possibilitam a
adição de terças harmônicas. Por vezes encontramos
tais terças nos vocais presentes nas gravações.
Padrões Melódicos- Terças, sextas
e notas repetidas
Certos padrões realizados em terças melódicas, que são encontrados
no repertório do baião, também podem ser úteis na construção de um
arranjo que vislumbre apontar para o baião "gonzagueano". São
padrões relativamente simples, porém, quando realizados com a
subdivisão rítmica em colcheias e com certos recursos de articulação,
se mostram efetivos para representar o baião. Encontramos tais
padrões em músicas como No Ceará não tem disso não (Ex.4), e na
introdução da gravação de 1952 de Asa branca de Luiz
Gonzaga/Humberto Teixeira, transcrita no Ex.18. Nota-se também a
adição de intervalos harmônicos de sexta entre os c.2 e 5..
Notas repetidas
Outro procedimento recorrente na
elaboração melódica do baião é a
utilização de notas repetidas. É
possível verificar o uso desse recurso
tanto sobre a subdivisão rítmica de
semicolcheias (conferir Vem morena
no Ex.5 e Sabiá no Ex.7), quanto na
subdivisão de colcheias, como nas
seções B de Baião, Baião da Garoa
de Luiz Gonzaga/Hervê Cordovil e
Qui nem jiló (Ex.19).
Utilização de Recursos Idiomáticas da Sanfona
Entre os c.2 e 5 da introdução inserida na gravação de 1952 de "Paraíba" - Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira (Ex.20), nota-se um pequeno
padrão utilizando intervalos de quartas. Gonzaga utiliza recursos idiomáticos da sanfona nessa introdução. Ele adiciona uma nota da melodia
por vez, em duas oitavas simultâneas 24, e sustenta todas as notas ao mesmo tempo, gerando assim um efeito timbrístico peculiar.
Outro caso é o uso do chamado "jogo de fole" para repetir a mesma nota em subdivisão de semicolcheia. Esse recurso pode ser encontrado no
final da introdução de "Paraíba".
Segundo DIAS (2011), a utilização do fole dessa forma "percussiva" é advinda da prática da sanfona de 8 baixos, e foi adaptada por Gonzaga
para a sanfona de 120 baixos 25.
Ao inserir elementos novos no cenário musical brasileiro, Luiz Gonzaga também inovou no acompanhamento para a sanfona e na técnica de
execução do instrumento. [...] Adaptou para a sanfona de 120 baixos a técnica do jogo de fole da sanfona de 8 baixos da tradição nordestina,
que conheceu ainda criança, filho que era do Mestre Januário, afamado tocador de fole de 8 baixos na região do Araripe pernambucano (DIAS,
2011, p.21).
A agilidade na execução de notas nos dois movimentos, abrindo e fechando a sanfona, exigiu o desenvolvimento de uma técnica mais contida
na abertura do fole, promovendo um jogo de fole peculiar, técnica que Luiz Gonzaga aprendeu ainda menino, e traduziu para a sanfona de 120
baixos, cujo efeito sonoro ficou conhecido como o "resfolego" da sanfona. (DIAS, 2011, p.25)
Sugestão de Audição - Análise de escuta A "levada" (condução rítmica)
empregada em tais gravações é
executada principalmente com zabumba
1. Baião 9 de Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira (1946)
2. Asa Branca 10 de Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira (1947)
e triângulo. "O ritmo, vindo das danças
3. Juazeiro de Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira (1949) animadas do sertão, ganhou uma nova
4. Qui nem jiló de Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira (1950) configuração com a introdução da
5. A dança da moda de Luiz Gonzaga/Zé Dantas (1950) zabumba, triângulo e acordeom, que se
6. Dezessete légua e meia - Humberto Teixeira/Carlos Barroso (1950) tornaram o conjunto típico, ao invés do
7. No Ceará não tem disso não de Guio de Morais (1950) original (viola, tamborim, botijão e
8. Vem morena de Luiz Gonzaga/Zé Dantas (1950) rabeca) 11" (RAMALHO, 1997, p.92).
9. Sabiá de Luiz Gonzaga/Zé Dantas (1951)
10. Baião da Penha de Guio de Morais/David Nasser (1951)
11. Paraíba de Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira (1952)
12. Baião da Garôa de Luiz Gonzaga/Hervê Cordovil (1952)
13. Abc do sertão de Luiz Gonzaga/Zé Dantas (1953)
14. Algodão de Luiz Gonzaga/Zé Dantas (1953)
15. Vozes da seca de Luiz Gonzaga/Zé Dantas (1953)
Acordeon

Guitarra

Baixo

Workshop Bateria

Forró com seção rítmica contemporânea Metais

Percussão - conga e bacurinha