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Capítulo I: Introdução

Introdução
O presente trabalho de fim de curso enquadra-se nos requisitos para a culminação de estudos no
curso de licenciatura em Gestão Ambiental na Universidade Católica de Moçambique, Delegação
de Pemba e tem como tema, Água e Desenvolvimento sustentável no distrito de Muidumbe.

O objectivo central deste trabalho é de analisar a inter-relaçao água e desenvolvimento no


distrito de Muidumbe através de um estudo de caso.

1.1 Contexto
A terra é um planeta constituído, em grande parte, por água, 70% de sua superfície é coberta por
esse líquido essencial a vida, o que a torna um dos recursos mais abundantes do planeta. No
entanto, de toda água existente apenas uma pequena parcela, referente a água doce, pode ser
usada para o consumo humano, após adequação de suas características, físicas, químicas e
biológicas, tornando-a potável. Logo, embora pareça ilimitada, na realidade apresenta um
obstáculo, pois à medida que há crescimento económico e populacional, menos se respeita o
ciclo natural da água e, em consequência, essa vai se degradando e se tornando imprópria para
consumo (Amin e Barros, 2007).

Muitos países e grande parte da população mundial estão submetidos a estresse hídrico (Arnel
2004). As alterações no ciclo hidrológico ocasionadas pelo processo de mudanças climáticas
global tendem a agravar esta situação. Quase 90% dos cerca de 4 bilhões de episódios anuais de
diarreia em todo o mundo são atribuídos a deficiências no esgotamento sanitário e na provisão de
água de boa qualidade (Confalonieri, e Azevedo, sd: 27).

Cerca de 1.5 bilhões de pessoas no mundo não tem acesso a água de boa qualidade (UN Statistic
Division, 2008). E prevê-se que em menos de 50 anos, mais de 4 bilhões de pessoas ou 45% da
população mundial, estarão sofrendo com a falta de água. Antes mesmo de chegarmos à metade
do século, muitos países não atingirão os 50 litros de água por dia, necessários para atender às
necessidades humanas. Os países que correm maior risco são aqueles em desenvolvimento, dos

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quais Moçambique faz parte, uma vez que a quase totalidade do crescimento populacional,
previsto para os próximos 50 anos acontecera nessas regiões (Amin e Barros, 2007:4).

Segundo Amin e Barros (2007:15/16), actualmente, 97,5% da água é salgada, isto é, dos oceanos
e mares enquanto 2,5% é água doce dos aquíferos (águas subterrâneas, rios, lagos e atmosfera).
Mesmo apresentando apenas uma ínfima parcela doce e de fácil acesso, se a água fosse
coerentemente utilizada e seu ciclo natural fosse respeitado, por sua capacidade de regeneração e
reposição, não perderia qualidade e se encontraria disponível para consumo, sem necessidade de
preocupação. Mas, se observarmos a relação entre a quantidade total de água doce em rios e
lagos, 126.200km3 e o volume anual utilizado, 2900Km3, o tempo de demanda da circulação da
água é de 44 anos, bastante inferior ao tempo de sua renovação natural em escala global,
indicando uma clara tendência a escassez e forte pressão sobre reservatórios subterrâneos.

O autor supra citado refere ainda que a queda de disponibilidade de água é causada,
principalmente pelo facto dos recursos hídricos serem um dos motores do desenvolvimento
económico de quase todos os países, sobretudo na agricultura e na indústria. 70% da água doce é
destinada a agricultura, 22% vai para indústria e apenas 8% para o uso individual (clubes,
residências, hospitais, escritórios e outros).

Em consequência dos actuais níveis de consumo de água, projecta-se que em 2025, cerca de 2/3
da população humana estará vivendo em regiões com estresse de água e, até 2015, quando 9,3
bilhões de pessoas habitarem a terra, entre 2 bilhões e 7 bilhões de pessoas não terão acesso a
água de qualidade, seja em casa, seja em comunidade (Amin e Barros, 2007:19).

A conferência Internacional da Água e do ambiente realizada em 1992 e que culminou com a


declaração de Dublin concluiu que “a água tem um valor económico em todos os seus usos,
devendo ser considerada como um bem económico”. O seu mercado deve ser o mais aberto
possível e a água pertenceria a quem investisse, a quem arca com os custos para assegurar a
captação, a depuração, a distribuição, a manutenção, a protecção e a reciclagem. A água da
chuva, dos rios e dos lagos, no seu estado natural, seria um bem comum. A partir do momento
em que existe uma intervenção humana e, consequentemente, um custo para a transformar em
água potável ou em água para irrigação, ela deixa de ser um bem comum para se tornar num bem
económico, objecto de trocas e de apropriação privada (Amin e Barros, 2007:21).

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1.2 Delimitação da Pesquisa
Este estudo analisa a inter – relação água e desenvolvimento no distrito de Muidumbeo, através
de um estudo de caso baseado em um inquérito aos agregados familiares do distrito e analise de
documentos sobre a distribuição das fontes e sua relação com a distribuição espacial da
população.

Em termos temporais, o estudo concentra-se na analise dos diversos usos da água e sua relação
com o desenvolvimento do distrito entre 2015 a 2016.

1. 3 Descrição da área de Estudo


O presente projecto será desenvolvido no distrito de Muidumbe, enquadrado na região norte de
Cabo Delgado (Mapa 1), constituída pelos distritos de Muidumbe, Mueda, Nangade, Mocimboa
da Praia e Palma.

No concernente as principais vias que atravessam o distrito, pode-se mencionar a estrada


Nacional EN247 que liga o distrito de Macomia e Mocimboa da Praia (alcatroada) e Xitaxi a
Litembo (terra batida) que faz ligação com o distrito de Mueda. A sede distrital dista a
aproximadamente 350 km da capital provincial (Pemba). É delimitado pelos Distritos de: Norte
o distrito de Mocimboa da Praia e Mueda, Sul com os distritos de Macomia e Meluco (Rio
Messalo), Este com o distrito de Macomia e Oeste o distrito de Mueda (GDM, 2013).

Mapa 1: Enquadramento regional do distrito de Muidumbe

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O Distrito possui uma superfície de 2.109 Km2 é constituído por 3 Postos Administrativos
designadamente Muidumbe sede, Miteda e Chitunda, 8 localidades (Muidumbe sede,
Namacande, Nampanha, Mapate, Miteda Sede, Muatide, Chitunda Sede e Miangaleua) e 22
aldeias (GDM, 2013).

Segundo os dados actualizados em 2012 que tem como base os resultados do III Recenseamento
Geral da População e Habitação de 2007, o distrito de Muidumbe conta com 77.489 habitantes,
espalhadas numa superfície de 2.109 km², com uma densidade populacional de 36,5 ha/Km²
(GDM, 2013, citando INE, 2012).

Os principais rios do distrito são: Messalo, Mwela, Inigunde, Mapwede, Magwedo, Lipelua,
Ntedi, Nungu, Mepo, Nandidi, Litapate, Chitandawani, Muambula e o rio Muatide. Destes rios, o
Messalo é periódico e os restantes são permanentes.

No concernente a lagoas, destacam-se as lagoas Nguri, Miangaleua, Namanga, Chipingo, Lutede,


Nyanje, Chuvi, Likanga, Mine, Nantaka, Mwatanga, Manyalila, Mwalavia e Mungwe. Os rios e
lagoas (Nguri e Mungwe) existentes no distrito são fortes potenciais para a irrigação e pesca

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1.4 Relevância
A relevância deste estudo prende-se ao facto de a água ser um recurso indispensável na vida do
homem, pois, sem água não há desenvolvimento. Sem a água o homem não pode viver. Sem a
agua não é possível fazer a produção agrícola. As industrias de diversos ramos precisam da agua
para o seu normal funcionamento. Assim, estudar a disponibilidade da água e seu uso para o
desenvolvimento é fundamental pois, vai chamar atenção da actual situação de acesso a agua e
necessidade de a preservar pois, trata-se de um recursos escasso. Igualmente, este estudo
permitira avaliar o actual uso da água na agricultura e industria.

Este estudo servirá para os fazedores de políticas de água e desenvolvimento aprofundarem a


actual distribuição da população em relação as fontes de água, os diversos usos e impacto no
desenvolvimento.

Igualmente servirá para incentivar futuras investigações nesta área pois, a nível do país são
escassos estudos da área de desenvolvimento que procuram explicar a inter-relação água e
desenvolvimento. Os escassos artigos nesta área, feitos por investigadores nacionais concentram-
se na zona sul, com destaque para o trabalho de Constantino Malate (2012), que na sua
dissertação de mestrado aborda a inter-relação água e desenvolvimento na cidade de Maputo.

Este estudo, ao analisar este fenómeno na zona norte do país, vai permitir que possa-se fazer
futuramente, estudos comparativos destes fenómenos entre as três regiões do país, perceber
aspectos em comum e divergentes.

1.5 Problema
Mediante o cenário mundial acima descrito, o presente trabalho, partindo do pressuposto de que
a água doce, motor do desenvolvimento económico é escassa, pretende analisar a inter-relação
água e desenvolvimento no distrito de Muidumbe, olhando para sua disponibilidade, qualidade,
diferentes usos e seu impacto no desenvolvimento.

Para o efeito, o presente projecto de pesquisa parte da seguinte pergunta de partida: Até que
ponto a disponibilidade, qualidade e diferentes usos da água influenciam no desenvolvimento
sustentável do distrito de Muidumbe?

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2 Objectivos
2.1 Objectivo geral:
 Analisar a inter relação água e desenvolvimento no Distrito de Muidumbe

2.2 Objectivo específico


 Identificar as fontes de água existentes no distrito

 Descrever a distribuição da população em relação a fontes de água

 Avaliar a qualidade da água consumida pela população

 Explicar o uso da água na indústria e agricultura

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Capítulo III: Marco Teórico
Neste capítulo, com base na revisão de literatura apresentam-se diversas abordagens da inter-
relaçao água e desenvolvimento e por fim, adopta-se uma perspectiva de analise que será
usada na analise e interpretação dos dados colhidos ao longo do trabalho de campo.

3.1. Correntes Teóricas do Desenvolvimento


Diversos autores (Andrade, sd:176; Adam ,2006), são unânimes ao encaixar os estudiosos do
desenvolvimento em 5 correntes teóricas:

 Corrente do crescimento económico – defende que o desenvolvimento decorre do


aumento da produção de bens materiais. Os indicadores como a captação do PNB e taxa
de investimento, são os que medem e retratam o estádio de evolução presente. A partir da
década de 50 esta corrente foi posta em causa quando se começou a perceber que o
aumento da produção e bens materiais dizia respeito a um número reduzido de cidadãos.
O rendimento nacional não se distribuía equitativamente por toda a população (Andrade,
sd:176).

 Corrente da complexidade institucional – o desenvolvimento é resultado da evolução das


instituições, esta corrente também foi criticada pois, não são a diferenciação e a
complexificação que estão na origem do processo evolutivo, mas é este que motiva
aqueles

 Corrente difusionista – o desenvolvimento deve-se a acção de agentes externos. Esta


corrente, para além de não explicar como o desenvolvimento se verificou nos países que
não recorreram a ajuda externa e conseguiram progredir por si próprios, ela ignora que a
difusão de inovações não é mais uma vez, a mais compatível com os recursos dos
destinatários

 Corrente das alterações estruturais – para a qual ele resulta da sucessão dos modos de
produção, possível por sua vez pela ruptura conflituosa da organização social

 A corrente ecológica – a mais recente de todas, que admite que o desenvolvimento é


viável através do uso criteriosos dos recursos naturais e do re-equilibrio. Esta é a corrente
do dosenvolvimento sustentável, aquele que se preocupa no uso actual dos recursos
garantindo recursos para as futuras gerações. Este trabalho desenvolve-se na esteira desta
corrente. Portanto, numa perspectiva de desenvolvimento sustentável procura-se ao longo
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do trabalho analisar como é que a água é usada para garantir o bem estar da população de
Muidumbe, sem comprometer a sua disponibilidade em termos de qualidade e quantidade
para as futuras gerações.

3.2 Água e Desenvolvimento


Os estudos actuais preocupam-se com a água numa perspectiva de desenvolvimento sustentável.
A preocupação actual dos estudiosos do desenvolvimento e a sua disponibilidade e qualidade.
Dos Muchangos (2010) refere que mais de ¼ da superfície da terra é água. A quantidade da água
não se alterou, o ciclo garante a circulação da água, ela não se perde. A água doce, potável é
0,01% do total da água e com o aumento da população o consumo da água está a aumentar.

Outro grande problema e desafio é que uma parte da água esta a perder qualidade por
contaminação que faz com que parte da água não possa ser reutilizada.

Sachs (2008) chama atenção que os problemas relacionados a água já são uma dura realidade em
muitas regiões, e as mudanças climáticas abalarão o ciclo da água numa escala planetária. Sem
água potável, as pessoas não sobrevivem mais do que alguns dias. Sem água para os cultivos
agrícolas, não há comida. Sem água tratada, as doenças se espalham, especialmente as doenças
contagiosas mortais, que ceifam as vidas de milhões de crianças anualmente. Sem acesso rápido
a água, disponibilidade em locais convenientes e bombeamento directo para as residências, as
mulheres e meninas das aldeias empobrecidas de todo o mundo tem uma árdua labuta pela frente,
pois são elas que, quase sempre, caminham quilómetros e quilómetros todos os dias para garantir
o fornecimento doméstico da água. E sem a certeza da água, para a lavoura, os rebanhos e o uso
humano, os conflitos eclodem.

É na esteira de Schs (2008) e Dos Muchangos (2010) que se analisam os resultados deste
trabalho, concentrando-se nas na contribuição do uso da água para o consumo domestico,
industria e agricultura. Com base nestes cruzamentos, demostrar o contributo no
desenvolvimento através da melhoria de indicadores como: produção, casa, emprego, renda,
saúde e educação.

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4. Metodologia
Para a realização deste trabalho recorreu-se a revisão da literatura, com o intuito de construir o
quadro teórico para análise da inter relação água e desenvolvimento e definir conceitos chaves do
estudo, isto é, definir os conceitos de água potável e desenvolvimento sustentável.

Para a recolha de dados, foi realizado um trabalho de campo, isto é, um estudo de caso no distrito
de Muidumbe. Este estudo foi conduzido através de entrevistas aos consumidores de água,
recolha de dados sobre a evolução da diarreia no distrito e amostra de água das diversas fontes
para análise laboratorial.

A observação directa foi usada ao longo de todo o trabalho de campo, auxiliada com o uso de
máquina fotográfica para registar imagens dos diversos usos de água, isto é, consumo individual,
agricultura e indústria.

4.1 Universo
Segundo os dados actualizados em 2012 que tem como base os resultados do III Recenseamento
Geral da População e Habitação de 2007, o distrito de Muidumbe conta com 77.489 habitantes,
espalhados numa superfície de 2.109 km², com uma densidade populacional de 36,5 ha/Km²
(GDM, 2013, citando INE, 2012).

4.2 Amostra
Para o presente trabalho foram entrevistados 30 chefes de familias do Distrito, através de
entrevistas semi – abertas aos chefes dos agregados familiares.

Em termos de fontes de água, avaliou-se dois pequenos sistemas de abastecimento de água (SAA
De Muambula e Ntchinga ), 1 furo localizado na Missão Nangololo e 5 localizados na zona baixa
do distrito e 4 rios.

Para analisar o uso da água na indústria e agricultura, fez-se a análise do uso de água em 5
moageiras existentes ao nível do distrito e entrevista a 10 camponeses com machambas que usam
a irrigação ao longo do lago nguri e rio mapuede, procurando perceber como é usada a água, suas

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implicações para o ambiente e contribuição na produção de comida e consequentemente, renda
para os agregados familiares

4.3 Técnicas de Recolha de Dados


Para recolha de dados recorreu-se a um questionário semi aberto conduzido para 30 chefes de
agregados familiares e a observaçao directa do fenómeno no terreno. Igualmente, recorreu-se a
consulta de documentos existentes nos arquvos do Governo do Distrito de Muidumbe, com
destaque para a base de dados sobre as fontes de água e os relatórios.

4.4 Modelo de Analise de Dados


Para o processamento e análise dos dados recorreu-se ao programa informático excell e suporte
do quadro teórico construido com base em diversos teóricos da área do desenvolvimento
sustentável, com incidência para os que abordam a água como um recurso escasso e fundamental
no desenvolvimento.

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Capítulo V: Apresentação dos resultados
Neste capítulo apresentam-se os resultados do trabalho de campo, com o intuito de mostrar a
situação do distrito no que concerne ao uso da água para o desenvolvimento sustentável.
Posteriormente, no capítulo VI, com base no quadro teórico estabelecido, fez-se a análise
dos dados, procurando explicar a inter-relação água e desenvolvimento sustentável no
distrito de Muidumbe.

5.1 As fontes de água existentes no distrito


O Distrito de Muidumbe tem a particularidade de ser constituída por duas zonas, uma alta e a
outra baixa. Na zona baixa encontram-se com frequência furos e poços enquanto na zona alta,
devido ao baixo nivel do lençol freático, aposta-se mais em pequenos sistemas de abastecimento
de água.

Devido a esta particularidade, os dados sobre as fontes de água no distrito são apresentados por
zonas, iniciando pela zona baixa e por fim a zona alta.

5.1.1 Fontes de água para consumo humano existentes na zona baixa


A zona baixa do distrito é habitada por cerca de 28.233 habitantes, distribuídos em 10 aldeias e
estes, para o consumo humano, recorrem aos 31 furos e 7 poços operacionais. Encontram-se
inoperacionais 11 furos e 10 poços (tabela 1).

Tabela nr. 1: Furos e Poços existentes na zona baixa

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Aldeias Nr da Furos Poços
Popula Existentes Operacion Inoperacio Existentes Operacio Inoperacionai
cao ais nais nais s

Miangale 3.043 9 6 3 2 0 2
ua

Criaçao 926 4 3 1 1 0 1

Chitunda 9.936 9 6 3 3 1 2

Rua Rua 650 2 2 0 2 0 2

Xitaxi 2070 5 4 1 2 2 0

Litapata 1064 3 0 3 0 0 0

Chimoio 624 1 1 0 0 0 0

Miangale 8036 5 5 0 5 3 2
ua

Malangon 360 1 1 0 0 0 0
ha

Nguri 2986 3 3 0 2 1 1

Total 28.233 42 31 11 17 7 10

Fonte: SDPI de Muidumbe, 2016

Para além dos furos e poços, ainda para consumo humano, a população recorre aos rios,
podendo-se destacar os rios Mapuede, Mwera e Messalo.

5.1.2 Fontes de água para consumo humano existentes na zona alta


Na zona alta do distrito, a população aposta na abertura de cisternas e o Governo construiu dois
Sistemas de Abastecimento de Água, um em Muambula para beneficiar as aldeias de Nampanha,
24 de Março, Muambula e Mandava. O outro sistema construído em Ntchinga, espera-se que
abasteça as aldeias de Muatide, Matambalale, Miteda, Lutete, Namacande e Ntchinga garantindo
cobertura a 100% na zona alta. Mas ao longo do trabalho de campo percebeu-se que o sistema de

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abastecimento de Muambula encontra-se inoperacional enquanto o de Ntchinga ainda não foi
inaugurado, aguardando-se a expansão da corrente eléctrica até ao sistema.

Observou-se ainda que encontra-se em funcionamento o Pequeno Sistema de Abastecimento de


Água da Missao Nangololo na aldeia de Muambula e é este que garante água nesta aldeia.

Os agregados familiares de baixa renda, incapazes de comprar água no furo da missão, recorrem
ao rio, percorrendo longas distancias que variam de 1 a 5Km.

Nas aldeias de Nampanha, Mandava e 24 de Março a população recorre aos rios para obter água
para consumo.

Os antigos combatentes e alguns comerciantes construíram cisternas e garantem água da chuva


durante cerca de 6 meses, findo os quais passam a comprar agua na missão ou através de jovens
fornecedores de água através de biscicletas a um preço de 15Mt um balde de 20 litros.

Dos 15 entrevistados ao longo do trabalho de campo, para a zona baixa, foram unânimes ao
referir que usam como fontes de água fontenários, poços tradicionais e rios. Os poços
tradicionais foram mais citados ao longo das entrevistas, com cerca de 8 entrevistados que
referiram o uso simultâneo de poços tradicionais e rios.

dos restantes 15 entrevistados da zona alta, 9 referiram que buscam água no rio enquanto 6
residentes em Nampanha e 3 residentes em Muambula referiram-se ao pequeno sistema de
abastecimento de água da Missao de Nangololo. Os restantes 4 fizeram referencia ao uso durante
os primeiros 6 meses após a chuva, de cisternas e o resto do ano, compra em jovens que buscam
nos rios e passam a vender nas aldeias.

5.2 Distribuição da população em relação a fontes de água


Para recolha de informação sobre a distribuição da população em relação as fontes de água foram
colocadas duas perguntas, uma sobre a distancia percorrida pela população na busca de água e a
outra foi sobre o número de fontenárias existentes em cada aldeia e o tamanho da população. Foi
com base nestas duas questões que se chegou aos dados detalhados na tabela 2.

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Tabela Nr.2: Distancia percorrida na busca de água
Distancia Percorrida na Busca Frequência dos entrevistados Percentagem dos entrevistados
de água
Menos que 1 Km 22 73.3

1 Km 8 26.6

2Km 0

+ de 2Km 0 0

Fonte: Dados colhidos pela autora durante o trabalho de campo

Em termos de distância percorrida para ter acesso a uma fonte de água, seja um furo, poço ou rio,
73% dos entrevistados percorrem menos de 1 Km enquanto 26.6% percorre mais de 1Km.

Em termos de tamanho da população por fonte, observou-se que 28.233 habitantes da zona baixa
são servidos por 31 fontenárias e 7 poços melhorados. Recorrem ainda aos rios Mapuede, Mwera
e Messalo. Enquanto os 49.256 habitantes da zona alta servem-se de rios que atravessam as
aldeias e um pequeno sistema de abastecimento de água da Missao Nangololo. Dois Sistemas
encontram-se inoperacionais (Sistemas de Muambula e Ntchinga).

A localidade de Miangaleua, com cerca de 3.043 habitantes, encontram-se operacionais 6


fontenárias públicas, igualando o numero de fontenárias com a localidade de Chitunda, onde
encontram-se 9.936 habitantes. Para mais detalhes vide a tabela número 1, referente as fontes de
água existentes na zona baixa.

Na zona alta, as aldeias de Nampanha, Mandava, Lutete, Miteda, Ntchinga, Namacande, Miteda
e Lyautua não beneficiam de sistemas de abastecimento de agua, recorrendo a água dos rios e
cisternas.

5.3 Qualidade da água consumida pela população


Dos 40% (12 entrevistados), que referiram estar satisfeitos com a qualidade de água, 8
entrevistados são da zona baixa enquanto 4 são da aldeia de Muambula. E dos 60% que se
mostraram insatisfeitos com a qualidade da água que consomem, 14 são da zona alta e 4 da zona
baixa.

Tabela Nr. 3: Nível de satisfação com a água que consomem


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Vocês estão satisfeitos com a Frequencia das respostas Percentagem
qualidade da água usada para
consumo humano?
Sim 12 40

Não 18 60

Fonte: Dados colhidos pela autora durante o trabalho de campo

5.3.1 Doenças de origem hídrica


Durante o período em análise, dos 30 entrevistados, 60% (18 entrevistados), referiram terem tido
parentes com diarreia nos últimos 6 meses enquanto 40% (12 entrevistados), referiram não ter
testemunhado esta doença na família.

5.3.2. Tratamento da água


Quanto ao tratamento da água, 60% (18 entrevistados) disseram não tratar a água que consomem
enquanto 40% (12 entrevistados) referiram que bebem água tratada através de certeza e que a
mesma água é de fontenárias públicas.

5.4 O uso da água na indústria e agricultura

5.4.1 Uso da água na indústria


O trabalho de campo levou-nos a observar que ao nível do distrito, no ramo da indústria
destacam-se as moageiras de farinaçao de milho e arroz. Foi neste contexto que se visitaram 5
moageiras pertencentes aos senhores Alberto, Estevao António e Giboia Issa. Todos eles
referiram que faziam uso da água para o processamento do milho e arroz. O Senhor Estevao
Antonio, localizado na aldeia de Muambula, busca água na Missao Nangololo enquanto os
Senhores Giboia Issa e Alberto recorrem a água da furos afridev na aldeia de Miangaleua.

A observação directa permitiu aferir que o uso da água para indústria ainda é insignificante.

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5.4.2 Uso da água na agricultura
O distrito possui rios permanentes e uma lagoa, o que o torna um potencial para a agricultura de
irrigação. Ao longo do trabalho de campo visitou-se o regadio de nguri e, através de entrevistas a
10 camponeses, percebeu-se que o milho é a principal cultura, produzindo-se uma vez por ano
através da agricultura de sequeiro, dependente da chuva.

A produção de hortícolas é feita uma vez por ano, logo apos a época chuvosa, passando a
restante época do ano sem produção agrícola, contradizendo o potencial hídrico que o distrito
apresenta.

Nestas entrevistas, os camponeses foram unânimes ao referir que anualmente sofrem de


inundações ao longo do rio messalo, propiciando condições favoráveis para a cultura de arroz e
abundância de peixe. Quando termina a época chuvosa, devido aos estrumes arrastados até ao
rio, as terras tornam-se mais férteis e a produção é boa.

Não há ao nível distrito um sistema de retenção de água para uso em períodos de stress hídrico.
Não há bacias para uma gestão sustentável da água.

Capítulo VI: Analise e discussão dos resultados


A análise e discussão dos resultados é feita com base no suporte teórico de que a água é um
recurso escasso que após tratamento torna-se num bem económico que deve ser comprado.
Devido ao crescimento populacional e aumento da demanda para diversos fins, ela torna-se cada
vez mais escassa e contaminada, havendo necessidade de se tomar medidas para uma melhor
gestão da água. Não há desenvolvimento sem água pois, para produzir alimentos precisamos da
irrigação, para criar animais precisamos de água, para viver precisamos de água. A água é o
maior recurso de todos os recursos pois sem ela não existimos.

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Também, a analise feita nesta capitulo sustenta-se na política nacional de água que prevê que
uma fontenária está para 350 pessoas. Sempre que estiver acima deste numero, conclui-se que a
fonte esta sob pressão.

6.1 As fontes de água existentes no distrito e sua distribuição


Uma análise atenta das fontes existentes ao nível do distrito percebe-se que as fontenárias
operacionais não respondem ao previsto na Politica de água, podendo-se citar o exemplo da
Localidade de Chitunda com cerca de 9.936 habitantes servidos por 6 fontenárias, o que significa
que uma fontenária esta para 1.656 habitantes. Portanto, na localidade de Chitunda, as
fontenárias estão sob pressão, com um excesso de 1306 habitantes, havendo necessidade de mais
4 fontenárias para responder ao previsto na política de água.

A aldeia de Litapata é exemplo de uma distribuição desigual das fontenárias pois, com cerca de
1064 habitantes não tem nem uma única fontenária. Esta aldeia deveria beneficiar de 3
fontenárias. A população desta aldeia percorre cerca de 1Km para buscar água no rio.

Na zona alta do distrito, com excepção de parte da população de Muambula, que beneficia do
Sistema de Abastecimento de Água da Missao Nangololo, as restantes aldeias (Nampanha,
Mandava, 24 de Março, Namacande, Ntchinga, Muatide, Matambalale, Miteda, Lyautua e Lutete
não se beneficiam de sistemas de abastecimento de água, recorrendo aos rios e construção de
cisternas para captação da água da chuva.

Percebeu-se que as cisternas encontram-se com frequência nas casas dos antigos combatentes e
comerciantes pois, estes tem uma renda que permite poupar e construir o reservatório de água.
São estes que, quando esgota a água nas suas cisternas passam a adquirir em jovens que circulam
nas aldeias vendendo água a um preço de 15Mt um recipiente de 20 litros.

A não disponibilização de água potável na zona alta está a prejudicar o desenvolvimento pois, os
agregados familiares consomem parte da renda que devia ser poupada para investimento na
busca de água para consumo.

6.2 Qualidade da água consumida pela população


O consumo de água potável garante a saúde e mantém a população apta para a realização de
outras actividades económicas e sociais que conduzem ao desenvolvimento sustentável. Partindo
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deste pressuposto e analisando atentamente os resultados do trabalho de campo, conclui-se que a
população tem sofrido de doenças de origem hídrica devido a qualidade da água consumida, com
destaque para a água dos poços tradicionais e rios que acaba sendo tratada sem nenhum
tratamento.

A qualidade da água consumida nas aldeias da zona alta do distrito, sem acesso a fontenários
públicos é de qualidade duvidosa e põe em causa a saúde da população, podendo contribuir
negativamente nas variáveis demográficas, isto é, contribuir no aumento de mortes por diarreia
ou cólera. Apesar deste facto, o distrito não sofre de cólera desde 2012, altura em que sofreu pela
última vez desta doença na localidade de Miangaleua.

Apesar da distribuição de fontenários públicos na zona baixa, as doenças diarreicas tendem a


concentrar-se nesta zona, conforme ilustraram os relatórios do Governo do Distrito. Esta
aparente contradição justifica-se pelo facto de na zona baixa, predominarem poços caseiros sem
nenhuma protecção que no período chuvoso tornam a população vulnerável a doenças pois,
dominando casas de banho de latrinas tradicionais, a probabilidade de contaminação da água é
maior.

Quando chove, a população fica satisfeita porque poderá ter boas colheitas mas também, ela
torna-se vulnerável a doenças de origem hídrica. Isto faz-nos recordar a actual abordagem do
desenvolvimento virada para a redução da vulnerabilidade da população aos eventos, por forma
que o desenvolvimento possa ser sustentável.

6.3 O uso da água na indústria e agricultura

6.3.1 Uso da água na indústria


O estudo apresentado por Magaia (2013) sobre a contribuição da micro industria de farinaçao no
desenvolvimento do distrito de Muidumbe, conclui que a micro industria de farinaçao está a
contribuir para existência de mercado de compra dos excedentes de produção dos camponeses, o
que incentiva ao aumento da produção e melhora as condições de vida dos camponeses.

Estas industrias funcionam normalmente porque existem fontes de água onde busca o recurso
para o processamento dos cereais. Logo, a água está a contribuir significativamente no

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desenvolvimento da micro indústria de farinaçao e esta, para alem de criar mercado de
comercialização para os camponeses, cria postos de emprego para os jovens locais.

As maiores industrias de farinaçao do distrito pertencem aos senhores Estevao Antonio, Giboia
Issa e Alberto. Todos estes, para o funcionamento das suas industrias fazem uso da água
fornecida através de sistemas de abastecimento de agua e fontenários. O senhor Giboia Issa na
aldeia Nguru faz uso de uma fontenária e tem cisterna enquanto o senhor Estevao António
localizado na zona alta, maior processador e eempacotador de farinha, faz uso da agua do
pequeno sistema de abastecimento de água da Missao Nangololo. O senhor Alberto, localizado
na aldeia de Miangaleua, faz o processamento e empacotamento de arroz e farinha de milho com
uso da água da fontenária pública local.

Apesar de se reconhecer o uso da água para a indústria de farinaçao, conclui-se que o uso da
água para indústria ainda é insignificante, havendo necessidade de maior aposta no
desenvolvimento de industrias de processamento de tomate e outros produtos agrícolas.

6.3.2 O uso da água na agricultura


Na zona alta do distrito de Muidumbe pratica-se a agricultura de sequeiro, apostando-se em
milho e feijões, com uso de enxada de cabo curto. Proíbe-se o uso de tractores como forma de
combater a erosão que caracteriza o planalto. Portanto, esta-se perante uma agricultura
dependente da chuva e não há uso da irrigação para o incremento dos níveis de produção. Na
zona alta, com excepção da água da chuva, não se encontra uma ligação entre água, agricultura e
desenvolvimento.

Contrariamente a zona alta, a zona baixa, com destaque para o regadio de nguri e outras parcelas
a volta do lago nguri e diversos rios, existem condições para o desenvolvimento da agricultura de
irrigação.

Devidas as condições favoráveis, os camponeses produzem em duas fases. Na primeira, fazendo


uso da água da chuva, produzem milho e feijões e na segunda apostam na horticultura. Esta
prática de produção tornou Miangaleua em referencia a nível do distrito na produção de tomate,
alface, cebola, couve e outras hortaliças.

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Alguns camponeses já fazem uso de motobombas e empregam mão de obra jovem para
desbravar a terra e abrir os canais de irrigação. O senhor Joaquim abriu uma machamba de mais
de 4hectares e conseguiu na campanha de 2014/15 adquirir uma viatura. Tinham 4 trabalhadores.

Dois jovens na aldeia de Miangaleua, fazendo uso de regadores manuais, produziram tomate
numa área de cerca de 2ha e com o rendimento construíram suas casas de tijolo queimado e
cobertura de chapa de zinco.

Portanto, a água é usada na zona baixa para a produção de hortícolas e estas tem contribuído
significativamente no aumento da renda dos agregados familiares, construção de casas, aquisição
de meios de transporte e pagamento de propinas para os filhos dos agricultores.

Apesar de se reconhecer a importância que tem tido a agricultura de irrigação na satisfação de


alguns indicadores de desenvolvimento, tais como habitação, transporte, e educação, o estudo
conclui, olhando para as potencialidades do distrito que o uso da água para a agricultura ainda é
insignificante. O distrito reúne condições para se tornar no celeiro da zona norte da província e
até aproveitar o mercado tanzaniano.

Capitulo VII
7. Conclusões e Sugestões

Este trabalho, subordinado ao tema: Água e Desenvolvimento Sustentável no Distrito de


Muidumbe, com o objectivo de analisar a inter-relaçao água e desenvolvimento através de
um estudo de caso, realizou um trabalho de campo sustentado no pressuposto de que a água
influencia positivamente o desenvolvimento quando esta é usada sem a poluir para a
indústria e agricultura. Também, se a população consumir água potável reduz-se a
probabilidade de ocorrência de doenças de origem hídrica, como a cólera.
Definiu-se uma metodologia qualitativa e recorreu-se a entrevistas semi-abertas que depois de
processadas e cruzadas com o marco teórico produziram os seguintes objectivos:

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1. No objectivo específico 1, referente a fontes de água existentes no distrito e sua
distribuição, concluiu-se que as fontenárias operacionais não respondem ao previsto na
política de água pois, não se consegue garantir que cada fonte esteja para 350 pessoas,
chegando em alguns casos, uma fonte a estar para 1656 pessoas, o que significa haver
uma pressão sobre a fonte.

Na zona alta do distrito, com excepção de uma parte da população da aldeia de


Muambula, as restantes 10 aldeias não possuem sistemas que garantem o fornecimento de
água potável.

Os comerciantes e antigos combatentes apostam na construção de cisternas que garantem


água da chuva durante cerca de 6 meses e o resto do ano compram água em jovens que
passam a vender a um preço de 15Mt um recipiente de 20 litros.

2. No concernente a qualidade da água, as aldeias da zona alta sem sistemas de


abastecimento de água consomem água não tratada, o que periga a saúde e pode
contribuir para a inclusão de doenças de origem hídrica. Apesar deste facto, a zona alta
do distrito não tem sido palco de doenças diarreicas como a cólera.

Apesar da distribuiçao de fontenários públicos na zona baixa, as doenças de origem


hídrica tendem a concentrar-se nesta zona devido a predominância de poços caseiros, sem
protecção e que no período chuvoso tornam a população vulnerável a doenças derivadas
da contaminação da água por fezes das casas de banho tradicionais.

3. No terceiro objectivo, explicar o uso da água na indústria e agricultura, conclui-se que a


água é usada nas micro industrias de farinaçao e empacotamento de farinha de milho e
arroz. Estas industrias criaram postos de trabalho e melhoraram as condições de vida dos
proprietários e trabalhadores.

Na agricultura, destaca-que o contributo da agricultura de irrigação no aumento da


produção de hortícolas, criação de postos de emprego e renda que acaba sendo usada na
construção de casas, aquisição de meios de transporte e pagamento de propinas dos
filhos.

Sugestões
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Para um uso sustentável da água, sugere-se na localidade de Miangaleua, a construçao de
sistemas de canalizaçao de água para represas que possam ser usadas pelos camponeses na
produção agrícola.

A abertura de novos furos de água deve ter em conta o tamanho da populaçao das aldeias a
priorizar, procurando alcançar o máximo de consumidores de água previsto na Politica de Água.

Para combater as doenças diarreicas na época chuvosa, deve-se sensibilizar as comunidades a


construirem latrinas melhoras e tratar a agua com certeza ou outras formas de tratamento.

A populaçao residente nos cursos das águas do rio messalo deve ser sensibilizada a
reassentar-se na zona de reassentamento criada para o efeito, devendo o Governo
continuar a garantir serviços sociais como escolas, hospitais, água e energia.

8 Referencias Bibliográficas

Adam, Y. (1993). Escapar aos dentes do crocodilo e cair na boca do leopardo. Maputo:
Promédia.

Barros & Amin (2007). Água: um bem económico de valor para o Brasil e o mundo. In Revista
Brasileira de Gestão e Desenvolvimento Regional. Brasil.

Campos & Canavezes (2007). Introdução a globalização. Brasil: Instituto Bento Jesus Caraça

Confalonieri; Heller e Sandra Azevedo (SD). Água e Saúde: Aspectos Globais e Nacionais.

22
Davis, K. (1991). Resources, Environment and Population: Present Knowledge, future options.
New York: Oxford University Press.

Dos Muchangos (2010). A exploração florestal e suas implicações para o desenvolvimento


Sustentável. Maputo: UEM – CAP.

GDM (2013). Plano Estratégico de Desenvolvimento do Distrito 2013 – 2017. Muidumbe

Sachs, J. (2008). A Riqueza de todos: A construção de uma economia sustentável em um planeta


superpovoado, poluído e pobre. Rio de Janeiro: Nova Fronteira

Senra (2008) água e mudanças climáticas. In Tassara (coord). mudanças climáticas e

9 ANEXOS
Bom dia/ boa tarde, eu chamo-me Leopoldina Ricardina Luís Pereira, estudante da Universidade
Católica de Moçambique. Gostaria de fazer algumas perguntas ao senhor/senhor sobre a relação
entre água e desenvolvimento. Este inquérito servirá apenas para o trabalho de culminação de
estudos de licenciatura em gestão ambiental na UCM, juro não usar as informações colhidos para
outros fins, diferentes dos referidos.

I. Dados gerais do entrevista


1. Idade ________
2. Sexo a) Masculino b) feminino
3. Estado civil a) casado b)solteiro c)viúvo/a d) casado em união de facto
4. Tamanho do agregado familiar __________
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5. Tipo de emprego ________
II. Agua e desenvolvimento
1. Quais são as fontes de água existentes no distrito?
a) Fontenário b) poços tradicionais c) rios e lagoas
2. Qual é a fonte que a vossa família usa para consumo humano?
a)Fontenário b) poços tradicionais c) rios e lagoas
3. Qual é a distancia que vocês percorrem para busca de água para consumo humno
a) menos que 1Km b) 1Km c) 2 Km d) mais que 2Km
4. Nos últimos 6 meses alguém da família sofreu de doenças diarreicas?
a) sim b) não
5. vocês tratam a água antes do consumo?
a) sim b)não
6. Qual é o tipo de tratamento
a) ferver a água b) aplicação de cloro c) Uso de certeza d) não tratamos a água
7. para além do consumo de água para preparação de alimentos e beber, vocês fazem outro tipo
de uso?
a) Sim b) Não
8. se sim indique os outros usos
a) Agricultura b) Indústria c) Pastoricia d) outros usos ________________________
9. Qual é a área ocupada para irrigação? _______ha
10. quais são as culturas praticadas? ________________________________________
11. Qual tem sido o rendimento anual? ___________________Mt
12. Para que fins usam o rendimento da agricultura de irrigação
13. vocês procuram moageiras para farinar o milho e arroz?
a) Sim b) Não
14. Onde é que os proprietários de moageiras buscam a água?
a) Fontenário b) poços tradicionais c) rios e lagoas
15. Voces estão satisfeitos com a qualidade da água usada para consumo humano?
a)Sim b) Não
16. E para a irrigação e pastoricia, vocês estão satisfeitos com a água disponível?
a) Sim b) Não
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17. Tem mais algum comentário a fazer sobre o assunto que estávamos a tratar? Se sim, fale
livremente.
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