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CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIA

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA QUÍMICA

SECAGEM

Agosto de 2016
CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIA

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA QUÍMICA

SECAGEM

Agosto de 2016
RESUMO

A secagem consiste na remoção final de água, ou outro soluto, normalmente ocorre após os
processos de filtração, evaporação ou cristalização, logo antes do empacotamento ou do
despache dos produtos. As vantagens de sua aplicação vão desde a redução nos custos do
transporte, a facilitar o manuseio e retirar a humidade para evitar a corrosão. O presente
trabalho objetivou o estudo da secagem de flocos de milho embebidos em álcool visando à
obtenção das curvas típicas do processo, bem como dos parâmetro operacionais importantes
no projeto de secadores em escala piloto e industrial. Os resultados obtidos estão em
concordância com a literatura disponível, as etapas do processo de secagem foram
identificadas, através das curvas teor de secagem versus tempo, de forma satisfatória. As
pequenas divergências da literatura podem ser atribuídas às condições de operação, ambiente
refrigerando, à incerteza quanto a massa seca da amostra, entre outros.
LISTA DE TABELAS

Tabela 1 - Valores obtidos das massas. .................................................................................... 15


Tabela 2 - Dados da amostra. ................................................................................................... 16
Tabela 3: Teores de umidade da amostra. ................................................................................ 17
Tabela 4 - Dados para a taxa de secagem. ................................................................................ 19
LISTA DE FIGURAS

Figura 1 - Curva típica de secagem em condições constantes de secagem; teor de umidade em


função do tempo. ........................................................................................................................ 9
Figura 2 - Secador de bandeja .................................................................................................. 12
Figura 3 - Esquema de secador pulverizador (spray-dryer) ..................................................... 13
Figura 4 - Gráfico X' vs t. ......................................................................................................... 18
Figura 5: Curva de secagem. .................................................................................................... 20
SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO ................................................................................................................. 6

2. OJBETIVO ........................................................................................................................ 7

3. REVISÃO DA LITERATURA ........................................................................................ 8

3.1. Curva geral de secagem ............................................................................................. 8

3.2. Fatores que influenciam na secagem se sólidos ..................................................... 10

3.3. Equipamentos Industriais ....................................................................................... 11

4. METODOLOGIA E CÁLCULOS ................................................................................ 14

4.1 Materiais Utilizados...................................................................................................... 14

4.2 Procedimento Experimental ........................................................................................ 14

5. RESULTADOS E DISCUSSÕES .................................................................................. 15

6. CONCLUSÃO ................................................................................................................. 22
6

1. INTRODUÇÃO

A secagem de sólidos é uma das mais antigas e usuais operações unitárias encontradas
nos mais diversos processos usados em indústrias agrícolas, cerâmicas, químicas,
alimentícias, farmacêuticas, de papel e celulose, mineral e de polímeros. É também uma das
operações mais complexas e menos entendida, devido à dificuldade e deficiência da descrição
matemática dos fenômenos envolvidos de transferência simultânea de calor, massa e
quantidade de movimento nos sólido, baseado em extensiva observação experimental e
experiência operacional (MENON; MUJUMDAR, 1987).

A operação é utilizada para facilitar o carregamento, descarregamento, transporte


pneumático, ou seja, o manuseio de compostos pulverulentos. Utilizada também para reduzir
os custos de transporte de matérias primas, aumentar o valor de uma commodity, para
aumentar a vida de prateleira do produto ou para simplesmente cumprir especificações no que
diz a respeito de uma matéria-prima ou de um produto (LINDEMANN; SCHMIDT, 2010).

A qualidade do produto seco, a quantidade de energia gasta e o tempo utilizado neste


processo são parâmetros primordiais para a rentabilidade do bem submetido a esta operação.
Por outro lado, a diversidade de tipos de secadores oferecidos no mercado coloca o gerente
industrial frequentemente questionando se o seu secador ou aquele que pretende adquirir seria
o mais adequado para o seu processo (PACHECO, 2010).

Neste trabalho estudou-se a secagem em escala de laboratório de materiais orgânicos a


fim de obter as curvas típicas de secagem e parâmetros operacionais de importância no
projeto de secadores.
7

2. OJBETIVO

Esta prática visa estudar a secagem em escala de laboratório de materiais orgânicos e/ou
inorgânicos com o objetivo de obter as curvas típicas de secagem desses materiais e também
os parâmetros operacionais de importância ao projeto de secadores em escala piloto e
industrial.
8

3. REVISÃO DA LITERATURA

A secagem é a remoção de uma substância volátil (comumente, mas não


exclusivamente, água) de um produto sólido. E a quantidade de água presente no sólido é
chamada de umidade. Esta definição de secagem exclui a concentração de uma solução e a
remoção mecânica de água por filtragem ou centrifugação. Exclui também métodos térmicos
relatados à destilação (PARK, et. al, 2007).

A humidade de um material é geralmente expressa, em porcentagem, como uma


relação entre sua quantidade de água e sua massa seca. Se o material é exposto ao ar com uma
determinada humidade e temperatura, ele perderá ou ganhará massa até que um equilíbrio seja
estabelecido (COULSON; RICHARDSON, 2002). A equação1 abaixo define o teor de
humidade de uma material.

𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎 𝑑𝑒 𝑙í𝑞𝑢𝑖𝑑𝑜
𝑋̅ =
𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎 𝑑𝑜 𝑠ó𝑙𝑖𝑑𝑜 𝑠𝑒𝑐𝑜
(1)

Observa-se que dois fenômenos ocorrem simultaneamente quando um sólido úmido é


submetido à secagem (PARK, et. al, 2007):

- Transferência de energia (calor) do ambiente para evaporar a umidade superficial.


Esta transferência depende de condições externas de temperatura, umidade do ar, fluxo
e direção de ar, área de exposição do sólido (forma física) e pressão.

- Transferência de massa (umidade) do interior para a superfície do material e sua


subsequente evaporação devido ao primeiro processo. O movimento interno da
umidade no material sólido é função da natureza física do sólido, sua temperatura e
conteúdo de umidade.

3.1. Curva geral de secagem


9

Os sólidos, em geral, possuem uma curva de secagem bem definida, em que o teor de
humidade decresce ao longo do período da secagem, como o ilustrado na figura 1.

Figura 1 - Curva típica de secagem em condições constantes de secagem; teor de


umidade em função do tempo.

- Trecho A-B: A temperatura do sólido e a taxa de secagem variam até atingir as


condições de regime permanente, no qual a temperatura do sólido húmido é igual a
temperatura de bulbo húmido do meio secante.

- Trecho B-C: O regime de secagem a taxa constante continua com a massa subtraída
da superfície sendo restituída pelo líquido que vem do interior do sólido, os períodos de taxa
constante são curtos, e em alguns casos não é perceptível.

- Trecho C-D: Inicia quando a umidade do sólido atinge um valor determinado


chamado umidade crítica. A partir desse ponto, a velocidade com que a umidade é retirada da
superfície do sólido é maior do que a velocidade com que o líquido é reposto à superfície
partindo do interior do sólido. Ocorre uma diminuição da taxa de secagem, seguido de um
aumento na temperatura da superfície.

- Trecho D-XE (Ponto E): Ocorre um empobrecimento de umidade no sólido,


principalmente na superfície. A taxa de secagem aproxima-se de zero em um certo teor de
umidade de equilíbrio, que é o menor teor de umidade atingível no processo de secagem. A
pressão de vapor do líquido na superfície do sólido é igual a pressão parcial do líquido no gás
secante.
10

3.2. Fatores que influenciam na secagem se sólidos

a) Secagem a taxa constante:

Nos cálculos que envolvem a secagem, a curva de taxa de secagem é utilizada


afim de se obter tempo de secagem. A velocidade de secagem é definida como:

𝑊𝑆 𝑑 ̅̅̅
𝑋
𝑅= − (2)
𝐴 𝑑𝜃

Em que:

R: velocidade de secagem (Kg de líquido evaporado por h.m² de superfície de


sólido);
Ws: peso do sólido seco (Kg);
𝑋̅ : teor de umidade do sólido (Kg de líquido/Kg sólido seco);
A: área exposta a secagem (m²);
Θ: tempo de secagem (h).

Para o período de taxa constante R será constante e chamada de Rc. A


expressão do tempo de secagem pode então ser facilmente obtida separando as
variáveis e integrando a equação 2, o que resulta em:

𝑊𝑆 ̅𝑐 − 𝑋
̅ 1)
𝜃= − (𝑋
𝐴𝑅𝑐

(3)

Em que:

̅ 𝑐 : teor de umidade critico (Kg de líquido/Kg sólido seco);


𝑋
̅ 1 : teor de umidade no início do processo de secagem (Kg de líquido/Kg
𝑋
sólido seco)
11

O valor de Rc poderá ser estimado através dos coeficientes de transferência de


calor entre o meio secante e a superfície do sólido (ℎ𝑣 ):
ℎ𝑣
𝑅𝑐 = − (𝑇𝑣 − 𝑇𝑖)
𝜆

(4)

Em que:

ℎ𝑣 : Coeficiente de transferência de calor entre o meio secante e a superfície do


sólido;
λ: Calor latente de vaporização;
𝑇𝑣: Temperatura do gás secante;
Ti =Temperatura da interface líquido-gás;

b) Secagem a taxa decrescente:

Em muitos casos, a curva da velocidade de secagem contra o teor de umidade,


durante o período a taxa decrescente se aproxima de uma reta que passa pelo teor
de umidade crítico e vai até a origem. A substituição de R na equação do tempo a
taxa constante (Equação 2), seguida de manipulações matemáticas, nos leva a:

𝑊𝑆 ̅̅̅̅̅
̅𝑐
𝑋 ̅̅̅
𝑋
𝜃 − 𝜃𝑐 = 𝑙𝑛 𝑋̅
𝐴 𝑅𝑐 𝑐

(5)

̅ representa o teor de umidade final obtido.


Em que 𝑋

3.3. Equipamentos Industriais

A investigação da secagem e o cálculo das dimensões do equipamento de secagem


devem levar em conta uma multidão de problemas nas áreas de mecânica dos fluidos, da
química das superfícies e da estrutura dos sólidos, além dos problemas de velocidade de
transferência de energia (FOUST, et. al, 2006).
12

Os primeiros secadores industriais utilizados foram os de bandejas, ilustrado na figura


1, os de túnel e os de rolos de secagem. O ar quente fluía sobre uma extensa área do produto e
era usado para remover a água superficial, tornando esses tipos de secadores muito úteis para
a desidratação de grãos. Ainda são empregados tanto em processos contínuos quanto em
bateladas (DIAZ, 2009)

Figura 2 - Secador de bandeja


Fonte: FOUST, 1982

A segunda geração de secadores foi composta pelos atomizadores (spray-dryers),


figura 2, desenvolvidos para a secagem de líquidos. É um método de secagem conhecido
como secagem instantânea, pois utiliza tempos curtos de processo quando comparado aos
outros tipos de secadores. Atualmente é aplicado em larga escala em produtos alimentícios,
farmacêuticos e biológicos (DIAZ, 2009).
13

Figura 3 - Esquema de secador pulverizador (spray-dryer)


A terceira geração é composta pela liofilização, desenvolvida para superar danos
estruturais e perdas de compostos voláteis, (aroma e sabor). E finalmente, secadores
empregando alto-vácuo, ultra-temperatura, extrusão, leito fluidizado, micro-ondas ou
radiofrequência pertencem à última geração em tecnologia de equipamentos de secagem
(DIAZ, 2009).
Portanto, a escolha de um método de secagem deve ser baseada inteiramente no
processo, na matéria-prima, produtos intermediários, especificações e características do
produto final claramente definidas (DIAZ, 2009).
14

4. METODOLOGIA E CÁLCULOS

4.1 Materiais Utilizados

 Material a ser seco (Farinha de milho);


 Vidro relógio;
 Balança analítica digital;
 Cronômetro;

4.2 Procedimento Experimental

 Colocou-se a amostra a ser submetida à secagem bem dispersa sobre o vidro de


relógio e pesou-se a mesma, obtendo assim a massa de sólido seco.
 Adicionou-se etanol 99% à amostra, em seguida realizou a pesagem, obtendo a
massa inicial de sólido úmido;
 A amostra foi mantida sobre a balança digital, aferindo-se a massa a intervalos de
tempo determinados, finalizando o experimento quando a massa deixou de variar
significativamente, indicando ter sido alcançado o teor de umidade de equilíbrio
15

5. RESULTADOS E DISCUSSÕES

Para início foi pesado em um vidro de relógio, certa quantia de farelo de milho,
equivalente a 2,176 gramas, sendo portanto considerado a massa do sólido seco (Ws). A
amostra foi pesada com o auxílio de uma balança laboratorial de precisão.

Após a pesagem, a amostra é molhada com um solução de etanol 99%, procedimento


realizado dentro da própria balança, e anotado a nova massa referente a massa úmida inicial.

A amostra em formato circular posta no vidro de relógio possui diâmetro equivalente a


7,1 cm. Portanto a área circular superficial pode ser estimado pela Equação 6 que segue.

𝜋𝐷2
𝐴=
4
(6)

Obtendo uma área correspondente a 3,959E-03 m2.

A tabela a seguir estão representadas as massas das amostras de farinha de milho.

Tabela 1 - Valores obtidos das massas.

Massa de milho seca 2,176 g


Massa de milho umedecida 2,824 g

O farelo de milho comercial apresenta grãos secos, contudo ainda assim pode absorver
umidade. Como o farelo utilizado na prática já estava com a embalagem rompida, o ideal seria
a secagem da massa em uma estufa para obtenção da verdadeira massa seca, o que não foi
realizado. Devido a umidade, ambiente refrigerado, exposição da amostra, conclui-se que a
amostra não encontrava-se totalmente isenta de água. Portanto erros ocorreram ao ser
considerada a massa seca como a massa obtida pela pesagem direta do farelo.

Portanto o tempo de secagem será menor do que o real, uma vez que a massa seca na
verdade já possui pequeno teor de umidade. A Tabela 2 a seguir estão apresentadas as massas
16

das amostras, o tempo em que foi coletada massa, considerando que o experimento ocorreu
em ambiente refrigerado e com temperatura de 25°C.

Tabela 2 - Dados da amostra.

Temperatura 25°C
Tempo (min) Tempo (h) Massa (g) Massa (Kg)
0 0,0000 2,7340 0,002734
1 0,0167 2,6910 0,002691
2 0,0333 2,6380 0,002638
3 0,0500 2,5840 0,002584
4 0,0667 2,5330 0,002533
5 0,0833 2,4900 0,002490
6 0,1000 2,4480 0,002448
7 0,1167 2,4060 0,002406
8 0,1333 2,3700 0,002370
9 0,1500 2,3330 0,002333
10 0,1667 2,3020 0,002302
11 0,1833 2,2700 0,002270
12 0,2000 2,2470 0,002247
13 0,2167 2,2240 0,002224
14 0,2333 2,2100 0,002210
15 0,2500 2,1970 0,002197
16 0,2667 2,1910 0,002191
17 0,2833 2,1830 0,002183
18 0,3000 2,1820 0,002182
19 0,3167 2,1800 0,002180
20 0,3333 2,1780 0,002178
21 0,3500 2,1760 0,002176

Com base nos dados obtidos a partir da Tabela 2, pode-se determinar o teor de
umidade (X’) utilizando a Equação 1, e reorganizando pode-se deduzir a Equação 7.

𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎 𝑑𝑒 𝑙í𝑞𝑢𝑖𝑑𝑜
𝑋′ =
𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎 𝑑𝑒 𝑠ó𝑙𝑖𝑑𝑜 𝑠𝑒𝑐𝑜
(1)
17

𝑚𝑠ó𝑙𝑖𝑑𝑜 ú𝑚𝑖𝑑𝑜 −𝑚𝑠ó𝑙𝑖𝑑𝑜 𝑠𝑒𝑐𝑜


𝑋′ = (7)
𝑚𝑠ó𝑙𝑖𝑑𝑜 𝑠𝑒𝑐𝑜

Os dados referentes aos teores de umidade para cada marcação de tempo está
representado na Tabela 3, a seguir.

Tabela 3: Teores de umidade da amostra.

Temperatura 25°C
Tempo (h) X'
0,0000 0,2564
0,0167 0,2367
0,0333 0,2123
0,0500 0,1875
0,0667 0,1641
0,0833 0,1443
0,1000 0,1250
0,1167 0,1057
0,1333 0,0892
0,1500 0,0722
0,1667 0,0579
0,1833 0,0432
0,2000 0,0326
0,2167 0,0221
0,2333 0,0156
0,2500 0,0097
0,2667 0,0069
0,2833 0,0032
0,3000 0,0028
0,3167 0,0018
0,3333 0,0009
0,3500 0,0000

A partir dos dados da Tabela 3, foi construído o gráfico do teor de umidade em função
do tempo de secagem. A Figura 4 apresenta o gráfico de secagem X’= f(t).
18

Gráfico de secagem
0,30
X' (Kg de líquido/ Kg de sóldo seco)
0,25

0,20

0,15

0,10

0,05

0,00
0,00 0,05 0,10 0,15 0,20 0,25 0,30 0,35 0,40
Tempo (h)

Figura 4 - Gráfico X' vs t.

A análise da figura anterior permite concluir a semelhança entre a curva de secagem


obtida e a curva de secagem disponível pela literatura. Apresentando cada etapa do processo
assim com determinado na literatura.

Uma forma de visualizar com mais detalhes o comportamento da curva de secagem,


consiste em se obter uma outra curva que representa a taxa de secagem (R, Kg/m2.h) em
função do teor de umidade (X´). A taxa de secagem é obtida com base na Equação (2) da
revisão da literatura, utilizando-se valores da derivada do teor de umidade em função do
tempo de secagem (dX´/dt) da Figura 1.

𝑊𝑠 𝑑𝑋′
𝑅=−
𝐴 𝑑𝑡

(2)

Com base na Equação 2 é possível obter os valores necessários para determinar a taxa
de transferência de massa. A Tabela 4 a seguir apresenta os valores obtidos paras o cálculo da
taxa.
19

Tabela 4 - Dados para a taxa de secagem.

Temperatura 25°C
Tempo (h) X' dt dX’ R (Kg/m2.h)
0,0000 0,2564 - - -
0,0167 0,2367 0,01667 -0,01976 0,65165
0,0333 0,2123 0,01667 -0,02436 0,80319
0,0500 0,1875 0,01667 -0,02482 0,81835
0,0667 0,1641 0,01667 -0,02344 0,77288
0,0833 0,1443 0,01667 -0,01976 0,65165
0,1000 0,1250 0,01667 -0,01930 0,63649
0,1167 0,1057 0,01667 -0,01930 0,63649
0,1333 0,0892 0,01667 -0,01654 0,54557
0,1500 0,0722 0,01667 -0,01700 0,56072
0,1667 0,0579 0,01667 -0,01425 0,46979
0,1833 0,0432 0,01667 -0,01471 0,48495
0,2000 0,0326 0,01667 -0,01057 0,34856
0,2167 0,0221 0,01667 -0,01057 0,34856
0,2333 0,0156 0,01667 -0,00643 0,21216
0,2500 0,0097 0,01667 -0,00597 0,19701
0,2667 0,0069 0,01667 -0,00276 0,09093
0,2833 0,0032 0,01667 -0,00368 0,12124
0,3000 0,0028 0,01667 -0,00046 0,01515
0,3167 0,0018 0,01667 -0,00092 0,03031
0,3333 0,0009 0,01667 -0,00092 0,03031
0,3500 0,0000 0,01667 -0,00092 0,03031

A Tabela 4 fornece as taxas de secagem da amostra para cada momento de tempo


coletado, percebe-se que a medida que o processo de secagem prossegue a taxa de secagem
diminui, sendo que para tempo tendendo ao infinito essa taxa de secagem tende a zero,
chegando ao equilíbrio e a transferência de massa cessará.

Com os valores obtidos foi plotado o gráfico em que apresenta a curva de secagem a
partir do estudo do teor de umidade.
20

Gráfico de secagem
0,90
0,80
0,70
0,60
R (Kg/m2.h)

0,50
0,40
0,30
0,20
0,10
0,00
0,00 0,05 0,10 0,15 0,20 0,25
Teor de umidade (X')

Figura 5: Curva de secagem.

Analisando o gráfico da figura 5, é possível concluir a semelhança com o gráfico


fornecido pela literatura, no entanto não totalmente igual. Pelo estudo do gráfico não é
possível determinar o período em que a taxa de remoção se tornou constante, o que dificulta a
determinação do Rc e teor de umidade crítica (X’c), impossibilitando, não sendo aplicável, o
cálculo estimado do tempo de secagem e taxa decrescente.

Tais problemas de determinação podem ter origem a partir do momento em que não é
possível determinar o teor de umidade inicial, ou ter realizada a secagem da amostra em um
estufa a fim de obter a verdadeira massa seca do farelo de milho. Outra fonte de erro pode ser
atribuída ao cálculo da área superficial de troca térmica e de massa, já que a forma geométrica
da amostra espalhada sobre o vidro de relógio não era uma circunferência perfeita e ao grão
do milho não apresenta uma estrutura uniforme, criando uma espessura que não foi levada em
conta no cálculo da área, variando as taxas de transferência de calor e massa das verdadeiras
taxas.

Estudo da Figura 5, evidencia-se algumas regiões descrita pela literatura, contudo não
conclusivo. A faixa em que o teor de umidade variou de 0,2123 a 0,2367 correspondente ao
trecho AB: início da secagem, imediatamente após o contato do sólido úmido com a
corrente gasosa, a temperatura do sólido ajusta-se até atingir o regime permanente, podendo
existir algumas diferenças entre a temperatura no interior do sólido e da sua superfície. No
21

intervalo de 0,1641 a 0,2123, temos uma região que pode ser grosseiramente assumido como
constante, para melhores conclusões seria necessário a coleta de mais pontos, o que não foi
realizado tornado tal conclusão, apenas, por suposição. Nesta faixa temos o trecho BC, em
que o regime de secagem a taxa constante continua com a massa retirada da superfície sendo
substituída pelo líquido que vem do interior do sólido, nem sempre essa região é perceptível.

Devido à falta de uma região de remoção constante, não é possível concluir


corretamente a região de do teor de umidade crítico (X’c). O trecho da literatura
correspondente a CD (correspondente a primeiro período de taxa decrescente) não é
evidenciada pelo gráfico plotado. O ponto de teor de umidade de equilíbrio (X’eq) pode ser
como a região em que o teor de umidade aproximasse do valor inicial, assumindo que a
amostra inicial não possuía umidade inicial, atribuindo uma taxa de secagem igual a zero.
22

6. CONCLUSÃO

A prática descreveu a secagem de grãos de milho com a finalidade de obter a curva


característica da taxa de secagem em função do teor de umidade e do tempo. Demonstrando a
importância de processos unitários como a secagem em procedimentos industriais.

De tal modo, os resultados foram satisfatório para tal estudo, demonstrando


semelhança ao disponível na literatura, sendo possível identificar as etapas do processo de
secagem de forma aceitável.

Foram encontrados algumas divergências com relação a literatura, mas possivelmente


explicável devido as condições de operação já citados na discussão. Como ambiente
refrigerando, incerteza quanto a massa seca da amostra entre outros.
23

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

COULSON, J. M. & RICHARDSON, J. F. Chemical Engineering. Vol.2. fifth edition.


Butterworth Heinemann, 2002.

DIAZ, P.S. Secagem, Pelotas, Centro de Desenvolvimento Tecnológico da Universidade


Federal de Pelotas – Disciplina de Operações Unitárias, 2009.

FOUST, A.S., et al. Princípios das Operações Unitárias. 2ª Ed, Rio de Janeiro, Ed.
Guanabara Dois, 1982.

LINDEMANN, C; SCHMIDT, V.W. Relatório de Laboratório de Operações Unitárias:


Secagem em leite de jorro. Rio Grande, Curso de Engenharia Química da Universidade
Federal do Rio Grande, 2010.

MENON, A. S., MUJUMDAR, A. S. Drying of solids: principles, classification, and


selection of dryers: Handbook of Industrial Drying. New York: Marcel DekkerInc., 1987.

PACHECO, C.R.F. Apostila de conceitos básicos de secagem. São Paulo, Departamento de


Engenharia Química da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, 2010.

PARK, K.J.; ANTONIO, G.C.; OLIVEIRA, R.A.; PARK, K.J.B. Apostila de conceitos de
processo e equipamentos de secagem. Campinas, CT&EA – Centro de Tecnologia e
Engenharia Agroindustrial, 2007.

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