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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE FEIRA DE SANTANA

DEPARTAMENTO DE TECNOLOGIA

ENGENHARIA CIVIL

RAPHAEL CARNEIRO VASCONCELOS

ANÁLISE E DIMENSIONAMENTO DE ESTRUTURAS


DE AÇO SUBMETIDAS À SITUAÇÃO DE INCÊNDIO

FEIRA DE SANTANA, BA - BRASIL 2009


Raphael Carneiro Vasconcelos

ANÁLISE E DIMENSIONAMENTO DE ESTRUTURAS


DE AÇO SUBMETIDAS À SITUAÇÃO DE INCÊNDIO

Trabalho de conclusão de curso apresentado à


Universidade Estadual de Feira de Santana como
parte dos requisitos referentes à obtenção do
título de graduação em Engenharia Civil.

Orientador: Prof. Geraldo José Belmonte dos


Santos

FEIRA DE SANTANA-BA, 2009


TERMO DE APROVAÇÃO

Raphael Carneiro Vasconcelos

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao corpo


docente do curso de graduação em Engenharia Civil do
Departamento de Tecnologia da Universidade Estadual de
Feira de Santana, como parte dos requisitos necessários à
obtenção de graduação em Engenharia Civil.

Aprovada por:

Prof. Geraldo José Belmonte dos Santos

Prof. Koji de Jesus Nagahama

Prof. Hélio Aragão

FEIRA DE SANTANA 2009


A todos aqueles que
buscam a sabedoria.
AGRADECIMENTOS

A Deus por tudo.


À f a m í l i a e a m i g o s q u e s e mp r e f o r a m g r a n d e s e m s u p o r t e e
m o t i v a ç ã o a n t e s e d u r a n t e o d e s e n v o l v i me n t o d e s t e t r a b a l h o .
Ao orien tador Geraldo Be l m o n t e pelas contribuições teórico-
f i l o s ó f i c a s a l é m d e i n c e n t i v o a o d e s e n v o lv i me n t o d e s t e , d e s d e
a n t e s d e i n i c i a d o o s e u d e s e n v o lv i m e n t o .
Ao Laboratório de mec ânic a c o mp u t a c i o n a l (L A MEC) pela
c onc ess ão do es paç o e dos mi c r o c o mp u t a d o r e s para o
d e s e n v o lv i me n t o d e s s e e s t u d o .
A t o d o s o s d e m a i s c o n t r i b u i n t e s q u e d e a l g u ma f o r m a v i e r a m a
t r a d u z i r s u a s p e q u e n a s p a l a v r a s e m g r a n d e s i n c e n t iv o s .
LISTA DE FIGURAS
Referenciadas por capítulo

Figura 3. 1 – Triângulo do fogo ........................................................................................................................25


Figura 3. 2 – Desenvolvimento do incêndio ao longo do tempo ......................................................................29
Figura 3. 3 – Comparação entre a deterioração do aço e concreto quando há um aumento de temperatura. 32
Figura 5. 1 – Detalhamento de um modelo de incêndio padrão em vigas. ......................................................40
Figura 5. 2 – Detalhamento de um modelo de incêndio padrão em pilares. ....................................................41
Figura 5. 3 – Curva de incêndio padrão ISO 832 ..............................................................................................43
Figura 5.4 – Curva de tensão e deformação do aço por faixa de temperatura.................................................44
Figura 6.1– Pórtico completo estudado por Araújo (1993) ..............................................................................59
Figura 6.2– Simplificação do pórtico estudado por Araújo (1993) ...................................................................60
Figura 6.3– Curvas de Ganho de Temperatura segundo Zhao (2000) ...............................................................61
Figura 6.4– Curvas de Ganho de Temperatura segundo Zhao (2000) incêndio padrão ....................................62
Figura 6.5– Estrutura numerada com representação do incêndio ...................................................................66
Figura 6.6– Resultados de flexão para o caso 1 ...............................................................................................68
Figura 6.7– Resultados de compressão para o caso 1 ......................................................................................68
Figura 6.8– Resultados de cortante para o caso 1 ...........................................................................................69
Figura 6.9– Resultados de flexão para o caso 2 ...............................................................................................69
Figura 6.10– Resultados de compressão para o caso 2 ....................................................................................70
Figura 6.11– Resultados de cortantes para o caso 2 ........................................................................................70
Figura 6.12– Resultados de flexão para o caso 3 .............................................................................................71
Figura 6.13– Resultados de compressão para o caso 3 ....................................................................................71
Figura 6.14– Resultados de cortante para o caso 3 .........................................................................................72
Figura 6.15– Resultados de flexão para o caso 4 .............................................................................................72
Figura 6.16– Resultados de compressão para o caso 4 ....................................................................................73
Figura 6.17– Resultados de cortante para o caso 4 .........................................................................................73
Figura 6.18– Resultados de flexão para o caso 5 .............................................................................................74
Figura 6.19– Resultados de compressão para o caso 5 ....................................................................................74
Figura 6.20– Resultados de cortante para o caso 5 .........................................................................................75
Figura 7.1– Rotulas plásticas nos pilares .........................................................................................................78
Figura 7.2– Rótulas formadas nos pilares e viga ..............................................................................................79
SUMÁRIO

LISTA DE FIGURAS ......................................................................................................................... VI

SUMÁRIO ......................................................................................................................................... VII

RESUMO .............................................................................................................................................IX

ABSTRACT..........................................................................................................................................X

1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................... 11

1.1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS ..................................................................................................... 11

1.2 JUSTIFICATIVA...................................................................................................................... 15

1.3 OBJETIVOS ........................................................................................................................... 17


1.3.1 Objetivo Geral ...................................................................................................................... 17
1.3.2 Objetivos Específicos ............................................................................................................ 17

2 METODOLOGIA .................................................................................................................... 18

2.1 FASE INICIAL ........................................................................................................................ 18

2.2 ESTUDO ANALÍTICO.............................................................................................................. 18

2.3 ESTUDOS NUMÉRICOs.......................................................................................................... 19

2.4 EXPOSIÇÃO DOS RESULTADOS OBTIDOS ............................................................................... 19

2.5 APRESENTAÇÃO DO TRABALHO ............................................................................................ 19

3 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ..................................................................................................... 20

3.1 PRINCÍPIOS DE SEGURANÇA CONTRA INCÊNDIO ................................................................... 20


3.1.1 Foco da Segurança Contra Incêndio ...................................................................................... 20
3.1.2 Segurança do Usuário ........................................................................................................... 22
3.1.3 Segurança da Edificação ....................................................................................................... 24

3.2 MECANISMOS RELACIONADOS AO INCÊNDIO ....................................................................... 25

3.3 O EFEITO DAS ALTAS TEMPERATURAS .................................................................................. 29


3.3.1 Sobre o Aço .......................................................................................................................... 31
3.3.2 Sobre as Estruturas............................................................................................................... 33

4 AÇÕES E SEGURANÇA EM ESTRUTURAS ............................................................................... 35

4.1 ESTADOS LIMITES................................................................................................................. 35


4.2 AÇÕES.................................................................................................................................. 36

4.3 COMBINAÇÕES DE AÇÕES .................................................................................................... 38

5 DIMENSIONAMENTO DE ESTRUTURAS EM SITUAÇÃO DE INCÊNDIO ................................... 40

5.1 ENSAIOS .............................................................................................................................. 40

5.2 MODELAGEM COMPUTACIONAL .......................................................................................... 45

5.3 MÉTODO SIMPLIFICADO NBR 14323/2003............................................................................ 47


5.3.1 Considerações Iniciais........................................................................................................... 48
5.3.2 Barras Submetidas à Força Axial de Tração ........................................................................... 52
5.3.3 Barras Submetidas à Força Axial de Compressão ................................................................... 53
5.3.4 Barras Submetidas à Flexão .................................................................................................. 54
5.3.5 Barras Submetidas ao Esforço Cortante ................................................................................ 57

6 ESTUDO DE CASO ................................................................................................................. 59

6.1 APRESENTAÇÃO DO CASO ESTUDADO .................................................................................. 59

6.2 RESULTADOS DO ESTUDO .................................................................................................... 67


6.2.1 O caso 1 ............................................................................................................................... 67
6.2.2 O caso 2 ............................................................................................................................... 69
6.2.3 O caso 3 ............................................................................................................................... 71
6.2.4 O caso 4 ............................................................................................................................... 72
6.2.5 O caso 5 ............................................................................................................................... 74

6.3 DISCUSSÃO .......................................................................................................................... 75

7 CONCLUSÕES ....................................................................................................................... 78

SUGESTÕES PARA TRABALHOS POSTERIORES .................................................................... 82

REFERÊNCIAS ................................................................................................................................. 83
RESUMO

O e s t u d o s o b r e a s i t u a ç ã o d e i n c ê n d i o n o Br a s i l j á é u m a s s u n t o
normati zado pela NBR 14323/20 03, e dessa f o r ma , pode-se
es tudar s uas c ons ideraç ões s obre a s eguranç a es trutural para a
s ituaç ão de inc êndio e m ele ment os de c onc reto e aç o. Para tanto ,
d e v e - s e r e a l i z a r a s v e r i f i c a ç õ e s t a m b é m c o m a a j u d a d a s n o r ma s
r e f e r e n t e s a c a d a m a t e r i a l e c o m a N BR 1 4 4 3 2 / 2 0 0 0 p a r a s e s a b e r
o t e mp o q u e a e s t r u t u r a d e v e r e s i s t i r a o i n c ê n d i o . N e s t e t r a b a l h o
s ã o a p r e s e n t a d a s e d i s c u t i d a s a s c o n s i d e r a ç õ e s e x is t e n t e s n a
norma relacionadas às es truturas de aço. Assim c o mo seu
trabalho e m parale lo c o m a NB R 88 00/2008. Um es tudo de c as o é
r e a l i za d o p a r a u m a e s t r u t u r a c o m c a r r e g a me n t o j á d e f i n i d o d e
f o r ma q u e s e p o s s a d i m e n s i o n a r p e l a N BR 8 8 0 0 / 2 0 0 8 , e a me s m a
é s u b me t i d a a u m i n c ê n d i o e m u m d e s e u s c o mp a r t i m e n t o s p a r a
verificação de seus e l e me n t o s es truturais . Os elementos
a v a l i a d o s s ã o f o r ma d o s d e p e r f i s I c o m d u p l o e i x o d e s i me t r i a .
U ma análise n u mé r i c a de dados, c ons ideraç ões sobre os
r e q u i s i t o s d a n o r ma e s o b r e o s m o d e l o s d e a n á l i s e u t i l i z a d o s
nesse trabalho são apres entadas c omo fundamentaç ão da
dis c uss ão.

P al a vr as c h a ve : I nc ê ndi o; No rm a s; Se gu r anç a; A nál i se - e st r ut u ra l ;


ABSTRACT

T h e s t u d i e s a b o u t n a t u r a l f i r e i n B r a z i l a r e s t a n d a r d i ze d s u b j e c t b y
N B R 1 4 3 2 3 / 2 0 0 3 , a n d b r o a d l y, i t i s p o s s i b l e t o s t u d y t h e s e c u r i t y
considerations about natural fire under steel and c onc rete
e l e me n t s . For that, the adjacent ma t e r i a l s tandards mu s t be
v erified in joint wit h NBR 14432/2 000 to deter minate the ti me o f
fire res is tanc e required to ev ery s truc ture c as e. In th is paper
wh e r e pres ented and discuss ed the s tandards c ons iderations
about s teel s truc tures . The parallel job with NB R 8800 /2008 is
c o n s i d e r e d t o o . A c a s e s t u d y i s r e a l i ze d o v e r a s t r u c t u r e w i t h
d e f in e d l o a d a n d t h e e l e m e n t s a r e d e t e r mi n e d b y N B R 8 8 0 0 / 2 0 0 8 .
I n t h e s t r u c t u r e e l e me n t s , t h e t e m p e r a t u r e e l e v a t i o n i s s i mu l a t e d
i n o n e c o mp a r t m e n t , t o v e r i f y t h e e f f o r t s o n e l e me n t s . T h e y a r e
f o r me d b y I ( o r H ) e l e m e n t s w i t h d o u b l e s y m m e t r y . A n u m e r i c a l
a n a l ys i s of data, considerations about standard requ irements
a b o u t a n a l ys i s mo d e l s o f t h is p a p e r a r e p r e s e n t a s d i s c u s s i o n
base.

Ke y w o rd s: Na tu r al F i r e; St and a rd s; S ec u r i t y; St ru ct ur al Ana l ysi s;


11

1 I NTRODU ÇÃO

1 . 1 C O N S I D ER A Ç Õ E S I N I C I A I S

A u t i l i z a ç ã o d o a ç o n a c o n s t r u ç ã o c iv i l é m u i t o p o p u l a r e m p a í s e s
m a i s d e s e n v o lv i d o s . As p r i n c i p a is v a n t a g e n s d a u t i l i z a ç ã o d o a ç o
s e r e f e r e m à s f a c i l i d a d e s c o n s t r u t i v a s , q u e a u me n t a m a r a p i d e z
d a e x e c u ç ã o d o e mp r e e n d i m e n t o , c o n j u g a d a s c o m e s t r u t u r a s ma i s
l e v e s . A s s i m, s ã o d o t a d a s d a c a p a c i d a d e d e v e n c e r g r a n d e s v ã o s ,
além de es truturar fundações com di mens ões bem menos
s ignific ativ as em relação aos d e m a is s i s t e ma s estruturais de
fundaç ão.

En t r e t a n t o , quando c o mp a r a d o aos d iv e r s o s ma t e r i a i s de
c o n s t r u ç ã o , o a ç o , m a n t e n d o a s c a r a c t e r í s t ic a s q u í mi c a s d a d a s
a o s m e t a i s , t e m u m a a l t a c o n d u t i v id a d e t é r m i c a e i n c o r p o r a ç ã o d e
temperatura com adição de calor. Nesse c onjunto de
propriedades , há u ma rápida perda de res is tênc ia e elas tic idade
a c e n t u a n d o - s e a o l o n g o d o a u me n t o d a t e m p e r a t u r a .

Es s a condição pode ser t o ma d a c o mo u ma des v antage m na


c o n s i d e r a ç ã o d a e s c o l h a d o a ç o c o mo m a t e r i a l r e s p o n s á v e l p e l a
estrutura de uma ed ific aç ão. Is s o porque a debilitaç ão das
c o n d i ç õ e s d o a ç o n a e s t r u t u r a q u a n t o à s u a u t i l i za ç ã o p r e v is t a
i n i c i a l m e n t e p o d e v i r a o c a s i o n a r o c o l a p s o p r e ma t u r o d a m e s ma ,
o q u e p o d e t r a ze r r i s c o a t é a s v i d a s h u m a n a s d e p e n d e n t e s d e l a .

Ev e n t o s r e l a c i o n a d o s a o s i n c ê n d i o s e s t ã o p r e s e n t e s d e s d e a n t e s
dos p r i me i r o s regis tros de d e s e n v o lv i me n t o social h u ma n o .
12

Pa r t i n d o d a í , d e u - s e i n í c i o à s p r i m e i r a s f o r ma s d e c u i d a d o a o s e
tratar do fogo em condições f a v o r á v e is ao d e s e n v o lv i me n t o
h u ma n o e t a m b é m a p a r c e l a d e r i s c o e n v o lv e n d o a ma n i p u l a ç ã o
d o m e s mo .

T e v e -s e a identific aç ão dos p r im e i r o s ma t e r i a i s c o m b u s t í v e is
( c o m o a m a d e i r a ) e a s c o n d i ç õ e s f a v o r á v e is d e r e a ç ã o c o m b u s t i v a
( c o m o a i d a d e d a p e ç a e a t a x a d e u mi d a d e a b s o r v i d a p e l a p e ç a ) .
C o m a f o r m a ç ã o d o s p r i me i r o s c e n t r o s u r b a n o s , c o n s t i t u í d o s d e
r e s i d ê n c i a s e d i f i c a d a s e m e s t r u t u r a s d e ma d e i r a , n a I d a d e M é d i a ,
a u me n t o u - s e a p r e o c u p a ç ã o n e s s e p o n t o , j á q u e o a q u e c i me n t o
i n t e r n o d a s r e s i d ê n c i a s e r a c o n d ic i o n a d o p e l a p r e s e n ç a d e f o g o .
F o i a c o n s t r u ç ã o d e u ma l a r e i r a i n t e r n a à c a s a , f e i t a d e p e d r a s e
a c r e s c i d a d e u ma c h a m i n é e m s u a p a r t e s u p e r i o r , v o l t a d a à
c o n d u ç ã o d a f u ma ç a a o a m b i e n t e e x t e r n o à c a s a , q u e f a v o r e c e u a
s e g u r a n ç a , j á q u e o f o g o t r a n s mi t i a u ma p a r c e l a i n s u f i c i e n t e d e
c a l o r à ma d e i r a n o q u e t a n g e a o d e s e n v o lv i me n t o d e u m i n c ê n d i o .

A p r e o c u p a ç ã o c o m o s e f e i t o s e v e n t u a i s g e r a d o s n u ma e s t r u t u r a
e m s it u a ç ã o d e i n c ê n d i o é r e c e n t e n o B r a s i l q u a n d o c o m p a r a d a a
países mais des env olv idos . Segundo Martins (2000), países
pertenc entes à Europa, ass im c o mo Es tados Unidos e J apão já
a d q u i r i r a m u m a c u l t u r a d e i n v e s t i r e m p e s q u i s a s n o s r a mo s d a
engenharia v is ando a s eguranç a dos us uários , res ultando e m
a p r i mo r a m e n t o d a s s u a s n o r ma s r e g u l a m e n t a d o r a s .

O Brasil, que se encontra nu m patamar de d e s e n v o l v i me n t o


inferior e des prov ido de freqüênc ia e m ev entos c onhec idos c omo
d e s a s t r e s n a t u r a is , n ã o a p l i c a s e u s r e c u r s o s p a r a a p e s q u i s a
aprofundada des s es fatores . Hoje, a entidade res pons áv el, no
13

Br a s i l , por u ma regu la mentaç ão v oltada para suprir as


nec ess idades de prev enç ão e c omb ate aos inc êndios é o Corpo de
Bo m b e i r o s . O q u a l r e a l i z a c o mo p a r c e l a d e t r a b a l h o d e s e g u r a n ç a
o de av aliar c ritérios de prev enç ão e ex tinç ão do inc êndio, as s im
c o mo o s d e c o mp a r t i m e n t a ç ã o d o e d i f í c i o e r o t a d e f u g a p a r a a s
pes s oas .

Ai n d a a s s i m, v isando critérios de segurança, que são a


preocupação principal da engenharia, foi publicada a NB R 14323
e m 2003 , a qua l foi e mitid a munid a de c ritérios para aux iliar os
e n g e n h e ir o s p r o j e t i s t a s a p r e p a r a r e m - s e n o p r o c e s s o d e m a i s u m a
c ons ideraç ão em projetos de es truturas de c onc reto e aç o (ou
m i s t a s ) , a c r e s c e n t a n d o u ma p r e o c u p a ç ã o r e l a c i o n a d a à o c o r r ê n c i a
de um eventual incêndio. Esta veio s ubs tituindo u ma v e rs ã o
anterior datada de 1999 e que trat av a do ass unto apenas v oltado
às es truturas de aç o.

Pa r a o d e s e n v o l v i me n t o d e s s a n o v a n o r m a , f o r a m p e s q u i s a d a s
d i v e rs a s o u t r a s n o r ma s e s t r a n g e i r a s . M a s s e g u n d o M a r t i n s ( 2 0 0 0 ) ,
a E u r o c o d e 3 f o i e s c o l h i d a c o mo t e x t o b a s e d a n o r ma t i za ç ã o p a r a
s e garantir a uniformidade do c ontex to. E dentre os fatores que
motiv ara m es s a esc olha, es tão:

 A e l a b o r a ç ã o r e a l i za d a p o r u m c o n j u n t o d e ma i s d e 1 8
países.

 Um mat erial de pes quis a bas tante v as to s obre o ass unto.

 At e n d e c r i t é r i o s a t u a i s e x i g i d o s p e l a s o u t r a s n o r m a s .
14

Es s a p r e o c u p a ç ã o c o m o s e f e i t o s d e i n c ê n d i o e m e s t r u t u r a s é u m
f a t o r q u e v e m a m a d u r e c e n d o . A f a c i l i d a d e d e d e s e n v o lv i me n t o d e
inc êndios é ev idente, já que além dos ma t e r i a i s e mp r e g a d o s
d i r e t a me n t e na c ons truç ão v á r io s dos demais ac ess órios
pertencentes a u m c o mp a r t i m e n t o (seja ele de escritório, ou
r e s i d e n c i a l ) s ã o i n f l a má v e i s . D e n t r e e s s e s , e s t ã o o s ma t e r i a i s
e l e t r ô n i c o s e s i n t é t i c o s , a l é m d e t u b u l a ç õ e s c o n d u t o r a s u t i l i za d a s
p a r a o a b a s t e c i m e n t o d e g á s n a t u r a l n o s c o mp a r t i m e n t o s .

A e x e mp l o d i s s o h á u ma g r a n d e d i s c u s s ã o d o a s s u n t o i n c ê n d i o n o
a mb i e n t e d o a t e n t a d o c o n t r a a s t o r r e s g ê me a s d o W o r l d T r a d e
Center. Nela, av alia-se a influência do grande a c r é s c i mo de
temperaturas geradas pelo incêndio das aeronav es após sua
e x p l o s ã o e d e s e n v o lv i me n t o r e s u l t a n t e d e u m i n c ê n d i o q u e v e n h a
a t e r f a v o r e c i d o o c o l a p s o q u e a rr u i n o u a e s t r u t u r a e l e v o u a o
f a l e c i m e n t o d e m u i t a s v í t i ma s q u e e r a m u s u á r i a s d a e d i f i c a ç ã o ,
além de prejud ic ar fís ic a e p s i c o l o g i c a me n t e usuários das
edific aç ões adjac entes . Ainda que se tenha u ma grande
dific uldade de afir maç ão quanto às d iv e r s a s v a r i á v e is que
i n f l u e n c i a r a m n o d e s a b a m e n t o d a s m e s ma s , é u m g r a n d e i n c e n t i v o
à pes quis a s obre os efeitos da temperatura nos princ ipais tipos de
e s t r u t u r a s u t i l i za d o s n a c o n s t r u ç ã o c iv i l ( R E YN O L D S, 2 0 0 5 ) .

Hoje, a prátic a princ ipal adotada a res peito de uma ed ific aç ão s e


concentra n a c o mb i n a ç ã o d a detecção p r e ma t u r a d o f o c o de
inc êndio c om a pres enç a de equipamentos para a lív io do mes mo e
com a disponibilização de ins truç ões nec es s árias para que
qualquer pes s oa v enha a operar o equipa mento, a lém do us o de
es c adas c om is ola mento à fu maç a e à propagaç ão do inc êndio.
M e s mo a s s i m, s e d e v e i n c o r p o r a r n o s p r o c e d i me n t o s a a v a l i a ç ã o
b a s e a d a n o p e r í o d o d e e v a c u a ç ã o c o mp l e t a d a e d i f i c a ç ã o a n t e s
15

q u e a p r ó p r i a e n t r e e m c o l a p s o , n ã o o f e r e c e n d o r i s c o d e mo r t e
aos s eus oc upantes .

Ap e s a r d e s e r u ma p e r s p e c t iv a q u e p r i o r i z a a s e g u r a n ç a , d e v e s e r
av aliado que o ac résc imo dos e f e it o s de incêndio em uma
e s t r u t u r a a t u a d e f o r ma d i f e r e n t e , e x i g i n d o ma i o r e s d i me n s õ e s
das s eç ões das peç as s ejam elas confec c ionadas de c onc reto, aç o
o u m i s t a s , c a s o s e j a r e q u e r i d o q u e a s m e s ma s r e s i s t a m a o e f e i t o
total do evento. Essa c ons ideraç ão pode tornar inv iáv el
e c o n o m i c a me n t e a estrutura fin al adotada. Além disso, a
p r o b a b i l i d a d e d e o c o r r ê n c i a d o s i n c ê n d i o s d e v e s e r t o ma d a c o m o
ev entual, podendo ne m v ir a ac ontec er durante todo o perí odo de
v ida útil da es trutura, requerendo as s im es tudos adjac entes a
e s s e p a r a d e t e r mi n a r - s e o r i s c o d e d e s e n v o lv i m e n t o d e i n c ê n d i o
n o s c o m p a r t i m e n t o s i n t e r i o r e s d a e s t r u t u r a o u f o c o s e v e n t u a is e m
p r o x i m i d a d e s e x t e r n a s à me s m a .

1 . 2 J U S T IF I C A T I VA

Cons iderando que a c ondiç ão de inc êndio, a qual pode es tar


s u b me t i d a u ma e s t r u t u r a , i n d u z d e t e r i o r a ç ã o n a s p r o p r i e d a d e s
mec ânic as e adic iona a c ondiç ão de não- linearidade fís ic a e
g e o mé t r i c a n a a n á l i s e d o c o m p o r t a me n t o , f a z - s e n e c e s s á r i o a
utilização de ferra mentas c o mp u t a c i o n a i s s ofis tic ad as para a
análise e dimens ionamento das peç as es truturais ness as
c ondiç ões .

Al é m d i s s o , d e v i d o à e x i g ê n c i a n o rm a t i v a p a r a o d i me n s i o n a m e n t o
de estruturas me t á l i c a s sob c ondiç ão de incêndio ser mu i t o
recente, as es c olas de engenharia não têm preparado
16

profissionais c om u ma for maç ão mí n i m a para atender a tais


exigências. Sendo a s s i m, a d i s p o n i b i l i za ç ã o de trabalhos ,
pes quis as e av aliaç ões na área dev e m aux iliar aos engenheiros já
f o r ma d o s nessa tarefa, e t a mb é m ajudar ia o processo de
propagação e t r e i n a me n t o dos profissionais e es tudantes . A
p a r t i c i p a ç ã o d a i n f o r má t i c a n a e n g e n h a r i a t e m d e m o n s t r a d o u m
e n v o lv i me n t o s i g n i f i c a t i v o , d e f o r m a q u e v e m a a u x i l i a r a i n d a m a i s
n a f o r ma ç ã o d o s p r ó x i mo s p r o f i s s i o n a i s .

C o s t a ( 2 0 0 2 ) a f i r ma q u e a s v e r i f i c a ç õ e s d e s e g u r a n ç a q u e d e v e m
s er realizadas e m es truturas e m s ituaç ão de inc êndio s e bas eia m
na reduç ão das c arac terís tic as mec ânic as geradas pelas altas
temperaturas . Regobe llo e t al. (200 6) , afir ma m que a deter ioraç ão
das propriedades me c â n i c a s geradas por altas t e mp e r a t u r a s
podem provocar colapso em u ma estrutura em te mpo
reduzido.S eito e t al. (2008) mos tra que os princ ípios de s eguranç a
contra inc êndio têm ênfase reduzida quando se trata de
e d i f i c a ç õ e s , h a b i t u a n d o o s r e s p o n s á v e is t é c n ic o s a p r á t ic a s d e
baixa exigência quanto ao assunto. Se r ã o es s es me s mo s
profissionais que v irão a projetar e aprovar os projetos e
ex ec uç ão de edific aç ões por um determinado espaço de
t e m p o . N u n e s e B e ze r r a ( 2 0 0 6 ) d e f e n d e m a e f e t i v a p r e v e n ç ã o d a
e s t r u t u r a a n í v e is t o l e r á v e is d e s e g u r a n ç a d o u s u á r i o e d a s
e q u i p e s d e s a lv a m e n t o . D e s s a f o r m a , n ã o s e p o d e r á u t i l i za r o
t e r mo “ f a t a l i d a d e ” c o m o e s c u d o p a r a i mp r u d ê n c i a , i n e f i c i ê n c i a o u
ignorância.
17

1 . 3 O B J ET I V O S

1.3.1 Objetivo Geral

1 ) M o d e l a r , s i mu l a r , a n a l i s a r e d i me n s i o n a r e s t r u t u r a s m e t á l i c a s
c o m g e o m e t r i a d e p e r f i s I ( o u H ) c o m d u p l o e i x o d e s i me t r ia
quando s ub metidas a div ersas f o r ma s de c arregamento,
a v a l i a n d o s e u c o mp o r t a m e n t o , d a n d o e n f o q u e a o c a r r e g a me n t o
gerado por u m inc êndio.

1.3.2 Objetivos Específicos

a ) F a ze r u m e s t u d o d e u m a e s t r u t u r a s u b m e t i d a a o c a r r e g a me n t o
para que fora designada. Ac r e s c e n t a r à me s ma u m a s i m u la ç ã o
de um incêndio.

b ) V e r i f i c a r o s e f e i t o s g e r a d o s p e l a p a r c e l a d e a c r é s c i mo p o r
incêndio na es trutura c o mo um todo e av aliar essa
influência.

c ) Di mens ionar essa es trutura s egundo os critérios da NBR


14323/2003

d) Deter minar condições de s eguranç a da m e s ma quanto ao


a q u e c i me n t o n o s c a s o s e s t u d a d o s .
18

2 M ETODO LOGIA

N e s s a f a s e d o t r a b a l h o , mo s t r a - s e q u a l a o r d e n a ç ã o d o s e v e n t o s
t r a t a d o s p e l o a u t o r d o me s mo n o d e c o r r e r d o d e s e n v o lv i me n t o d o
trabalho.

2 . 1 F A S E I N I C IA L

R e v is ã o b i b l i o g r á f i c a d o e s t a d o d a a r t e s o b r e o t ó p i c o d e e s t u d o a
ser des env olv ido, v erificando a ex is tênc ia de trabalhos que
influenc iara m na es c olha de u m modelo a s er es tudado nes te
trabalho. R e a l i za ç ã o de um estudo sobre a norma NBR
14323/2003 e d e ma i s n o r ma s r eferendadas pela m e s ma no
c o n t e x t o r e f e r i d o , v is a n d o à a t u a l i za ç ã o e a t o m a d a d e d e c i s õ e s
quanto ao anda mento do projeto.

2 . 2 ES T U D O AN A L Í T I C O

Es t u d o d o s mo d e l o s m a t e m á t i c o s e e x p e r i me n t a i s j á p u b l i c a d o s
referentes ao c a r r e g a me n t o gera do por incêndio. Estudo da
aplicação dess es mo d e l o s para a s i mu l a ç ã o de um ev ento
r e l a c i o n a d o a o c a r r e g a me n t o a d i c i o n a l g e r a d o p e l o i n c ê n d i o e a
sua me l h o r f o r ma de trat ame nto em um mo d e l o estrutural.
D e t e r m i n a ç ã o d a f o r ma d e e x p o s i ç ã o d o m o d e lo e s t u d a d o p a r a
o b t e r u m a m e l h o r c o mp r e e n s ã o d o s e v e n t o s a s s i m c o m o d o s
res ultados finais da s imulaç ão.
19

2 . 3 ES T U D O S N U M É R I C O S

Es t u d o d o s mo d e l o s d e c á l c u l o p e r m i t i d o s p e l a N BR 1 4 3 2 3 / 2 0 0 3 e
s u a s f o r ma s d e a p r e s e n t a ç ã o d o s re s u l t a d o s . N e s s e a m b i e n t e , h á
a interferência da N BR 8800/2008 no que tange ao
d i me n s i o n a m e n t o d o s p e r f i s d o t i p o I d e a ç o , c o m a f i n a l i d a d e d a
v e r i f i c a ç ã o d o s e s f o rç o s r e s is t e n t e s d e s s a s p e ç a s .

2 . 4 EX P O S I Ç ÃO D O S R E SU L TA D O S O BT I D O S

Ex p o s i ç ã o d o s p r i n c i p a i s e f e i t o s g e r a d o s p e l o e v e n t o o c o r r i d o ,
q u a n d o s e t r a t a n d o d e u m e f e i t o r e l a c i o n a d o a o a u me n t o d e
temperatura no caso es tudado segundo as c ons ideraç ões já
efetiv adas pela NBR 14323/2003.

2 . 5 AP R E S E N T A Ç ÃO D O T R A B A L H O

Ap r e s e n t a ç ã o d a mo n o g r a f i a r e f e r e n t e a o t r a b a l h o d e c o n c l u s ã o
d e c u r s o c o n t e n d o t o d a a me t o d o l o g i a e mp r e g a d a e o s r e s u l t a d o s
o b t id o s a l é m d a s c o n c l u s õ e s e n c o n t r a d a s . D e s s a f o r ma p o d e - s e
e x p a n d i r a i n d a ma i s o c o n h e c i m e n t o s o b r e o c o mp o r t a m e n t o d e
e s t r u t u r a s d e a ç o s u b me t i d a s a o s e s f o r ç o s g e r a d o s p e l o a u me n t o
d a t e mp e r a t u r a e i n c e n t i v a r a p r á t ic a d a c o n s i d e r a ç ã o d o me s m o
no di mens iona mento da es trutura.
20

3 REVI SÃO BI BLIOGR ÁFIC A

A rev is ão traz as principais c ons ideraç ões teóricas e


preoc upaç ões relac ionadas ao tema abordado . Tal mo ment o é
i mp o r t a n t e p a r a f u n d a m e n t a r o l e i t o r d o t r a b a l h o e d a r - l h e u m a
c o n t r i b u i ç ã o p r é v i a p a r a q u e o m e s mo c o n s i g a a c o m p a n h a r e
e n t e n d e r o c o n t e x t o h i s t ó r i c o d o d e s e n v o lv i me n t o d o t e m a .

3.1 PRINCÍPIOS DE SEGURANÇA CONTRA INCÊNDIO

Nesse ins tante do trabalho f a z- s e uma abordagem sobre os


c onc eitos de s eguranç a quando s e dis c ute o ev ento denominado
i n c ê n d i o . As p r i n c i p a i s p r e o c u p a ç õ e s r e l a c i o n a d a s à e n g e n h a r ia
s ão tratadas de forma c onc is a e objetiv a.

3.1.1 Foco da Segurança Contra Incêndio

As t e n d ê n c i a s d a e n g e n h a r i a a t u a l s ã o d e c o n f e r i r a i n d a m a i s
s eguranç a aos us uários de s eus produtos . E tendo -s e a v is ão de
c o n f o r t o , a c e r t e za d e s e u t i l i z a r u m a m b i e n t e m a i s s e g u r o , t a n t o
para o traba lho quanto para a habitaç ão , pode v ir a produzir u ma
m a i o r t r a n q ü i l i d a d e a o s m e s mo s . A s e g u r a n ç a p a r a a s i t u a ç ã o d e
i n c ê n d i o , q u e j á c a r a c t e r i za v a e m r e g i me n o r ma t i v o , a d i s p o s i ç ã o
d e e l e me n t o s p a r a o c o mb a t e a o i n c ê n d i o , s ó a g o r a e m 2 0 0 3 , f o i
l a n ç a d a a n o r ma N B R 1 4 3 2 3 i n d i c a n d o a m e t o d o l o g i a a c e i t a p a r a
q u e s e d i s p o n i b i l i ze u ma e s t r u t u r a à s i t u a ç ã o d e i n c ê n d i o .
21

Se g u n d o B o n i t e s e ( 2 0 0 7 a p u d P U R K I S S1 9 9 6 ) , s e g u r a n ç a c o n t r a
i n c ê n d i o é d e f i n i d a c o mo a a p l i c a ç ã o d o s p r i n c í p i o s c i e n t í f i c o s d e
engenharia para os efeitos d o f o g o , c o m o b j e t i v o d e r e d u zi r
perdas relacionadas à v ida e à propriedade, atrav és da
q u a n t i f i c a ç ã o d e r i s c o s e p e r i g o s e n v o lv i d o s , d e f o r ma a p r o v e r
s o l u ç õ e s i d e a i s e m a p l i c a ç õ e s p r e v e n t i v a s o u a t iv a s .

Se g u n d o V a r g a s e S i l v a ( 2 0 0 3 ) , e n t e n d e - s e p o r r i s c o à v i d a a
e x p o s iç ã o s e v e r a à f u m a ç a o u a o c a l o r d o s u s u á r i o s d a e d i f i c a ç ã o
e e v e n t u a i s d e s a b a m e n t o s d o s e l e me n t o s e s t r u t u r a i s s o b r e o s
u s u á r i o s o u s o b r e a e q u i p e d e r e s g a t e . E s o b r e p e r d a p a t r i mo n i a l ,
entende- s e a des truiç ão parc ial ou total da edific aç ão, dos
es toques , dos doc umentos , dos e q u i p a me n t o s ou dos
a c a b a me n t o s d o e d i f í c i o s i n is t r a d o o u d a v i zi n h a n ç a .

Os fatores que s e dev em s er obs erv ados c om relaç ão à s eguranç a


c ontra inc êndio s e dev e aos s eguintes fatores :

 Local e fator de início;

 Pr o p a g a ç ã o n o a m b i e n t e d e o r i g e m ;

 Pr o p a g a ç ã o a de mais a mbien tes internos à ed ific aç ão


o r i g i n a l e c o n d i ç õ e s d e i s o l a me n t o ( c o n f l a g r a ç ã o ) ;

 C o n d i ç õ e s d e c o mb a t e a o f o g o ;

 C o n d i ç õ e s d e v e n t i la ç ã o d o a mb i e n t e ;

 Fac ilidade de ev ac uaç ão do edifíc io;

 Pr o p a g a ç ã o p a r a u n i d a d e s a d ja c e n t e s ;

 Quantificação das condições de risco e da ruína da


edific aç ão;
22

 At i v i d a d e d e s e n v o lv i d a no edifíc io e tipo de ma t e r i a l
c o mb u s t í v e l ;

 Si s t e má t i c a d e p r o t e ç ã o c o n t r a i n c ê n d i o ;

O n d e o a t e n d i m e n t o d e s s e s f a t o r e s d e v e t a mb é m a s s e g u r a r :

 Ter garanti da a inc olu midade dos habitantes ;

 Sa l v a g u a r d a r e m c o n j u n t o a e s t r u t u r a e b e n s m a t e r i a i s ;

 Imped ir a c onflagraç ão do fogo às edific aç ões adjac entes ;

Se g u n d o Bonitese (2007 apud ROSSO, 1975), os ris c os


d e c o r r e n t e s d o f o g o s ã o p r i m á r i o s e s e c u n d á r i o s . O s p r i má r i o s s e
r e f e r e m à s q u e i m a d u r a s , e o s s e c u n d á r i o s r e f e r e m- s e à a s f i x i a ,
e n v e n e n a me n t o s , c o n t u s õ e s e c o l a p s o s d e c o r r e n t e s d o e f e i t o d a
c o mb u s t ã o , c o mo f a l t a d e o x i g ê n i o , r a d i a ç ã o , f u m a ç a , e t c . E
quando s e trata de inc olu mid ade dos oc upantes , refere -s e à
g a r a n t i a d e i n t e g r i d a d e a o s m e s mo s c o n t r a o s r i s c o s p r i m á r i o s e
s ec undários .

3.1.2 Segurança do Usuário

Ao t r a t a r - s e d a s e g u r a n ç a d o u s u á r i o d e u m a e d i f i c a ç ã o , d e v e m-
s e c ons iderar os princ ipais fatores que v enham a pre judic ar a
i n t e g r i d a d e f í s i c a d o m e s mo n o p e r í o d o e m q u e s e d e s e n v o lv e o
inc êndio. Co mo c itado ao fi m da s es s ão anterior, a quei madura e
a s f i x i a s ã o o s ma i o r e s r i s c o s a o s m e s m o s .
23

Se g u n d o Rodrigues et al. (2006) os gas es p r o d u zi d o s nu ma


e d i f i c a ç ã o e m s i t u a ç ã o d e i n c ê n d i o s ã o v a r i á v e is quando em
c o mp a r t i m e n t o s d i f e r e n t e s d a p r ó p r i a e d i f i c a ç ã o e m s i q u a n t o
s uas v ariaç ões dec orrentes das diferenç as entre as edific aç ões .
Es s e s são c ons tituídos por: vapores e gas es liberados
p r o v e n i e n t e s d a ma t é r i a c a r b o n i z a d a ; d e c o m p o s t o s d o p r ó p r i o
m a t e r i a l e m c o n t a t o c o m o i n c ê n d i o , me s mo n ã o c a r b o n i za d o ; o a r
a q u e c i d o q u e t a mb é m p r o p a g a m o c a l o r a t r a v é s d a c o n v e c ç ã o .

E o c ontrole des s es gas es liberados e m f orma de fu maç a é um dos


f a t o r e s q u e d e v e m r e c e b e r a t e n ç ã o p r iv i l e g i a d a q u a n d o o a s s u n t o
tratado é incêndio. Seu r e d i r e c i o n a me n t o pode ser reali zado
a t r a v é s d e a l ç a p õ e s d e a l í v i o d e f u ma ç a o u d a e x i s t ê n c i a d e
p a v i me n t o s c o m v a zi o s e n t r e o s m e s mo s , p e r mi t i n d o a c i r c u l a ç ã o
d o s g a s e s . O e s t u d o q u e s e d e v e r e a l i za r n o m o m e n t o d o p r o j e t o
dev e ter c omo ob jetiv o o de garanti r que haja u m padrão de s aíd a
dos gas es para a atmos fera, ao inv és da retenç ão e propagaç ão
lateral do me s m o aos c o mp a r t i m e n t o s s u c e s s iv o s do me s mo
p a v i me n t o .

Po d e - s e a j u d a r o u s u á r i o d e u m a e d i f i c a ç ã o a r e a g i r me l h o r a
s i t u a ç ã o d e i n c ê n d i o a t r a v é s d o t r e i n a me n t o p a r a a u t i l i z a ç ã o d o s
e q u i p a m e n t o s d i s p o n í v e is n a e d i f i c a ç ã o e v it a n d o a p r o p a g a ç ã o d o
m e s mo . Po d e - s e t a m b é m t r e i n á - l o p a r a e n c o n t r a r a m e l h o r r o t a d e
f u g a e c o n d u zi r o s d e m a i s e m s i t u a ç ã o d e c a l ma p a r a a s a í d a ,
ev itando as s im a s ituaç ão de pânic o. Alé m dis s o, inc entiv ar a
inspeção dos equipamentos de c o mb a t e a incêndio para a
v e r i f i c a ç ã o d o s s e u s p r a z o s d e v a l i d a d e e c o n t r a t a r r e s p o n s á v e is
t é c n i c o s p a r a a i n s p e ç ã o p e r i ó d i c a d a s c o n d iç õ e s d e i n s t a l a ç õ e s .
24

3.1.3 Segurança da Edificação

Quando s e trata da s eguranç a da edific aç ão, dev e -s e garantir a


integridade es trutural da mes ma. S egundo Vargas e S ilv a (2003),
h á u ma m a i o r p r e o c u p a ç ã o c o m a s c o n d i ç õ e s d o i n c ê n d i o q u a n d o
s e t e m a c o n d i ç ã o d e g e n e r a l i za ç ã o d o i n c ê n d i o , c h a ma d a d e
flashover. Ness e instante, pode ser notada u ma rápida
p r o p a g a ç ã o d a s c h a ma s , a s s i m c o m o o r o m p i m e n t o d e j a n e l a s ,
e x p l o s õ e s e n t r e o u t r o s . A s e g u r a n ç a q u e p o d e s e r f e i t a a t iv a o u
p r e v e n t iv a p o d e s e r r e a l i za d a d a s e g u i n t e f o r m a :

a ) P r e p a r a ç ã o d a a r q u i t e t u r a d e f o r ma a e v i t a r a c o n f l a g r a ç ã o .

b ) D i m e n s i o n a me n t o d a e s t r u t u r a p a r a r e s i s t i r a o i n c ê n d i o d u r a n t e
u m p e r í o d o d e t e m p o c o n d i ze n t e c o m a p e r s p e c t iv a d e e n t r a d a
e m “fl as hov er” e c om a aç ão dos c ombatentes ao fogo.

c) Utilizar de proteç ão p a s s iv a nos e l e me n t o s estruturais,


u t i l i z a n d o d e r e v e s t i me n t o s d e p r o t e ç ã o t é r mi c a e m e l e m e n t o s
isolados.

d ) E s t u d o e mo n t a g e m d e u m s i s t e m a d e c o m b a t e a i n c ê n d io
interno e m c onjunto c o m o treina mento de oc upantes para a
aç ão em período de ris c o.

e) Ins talaç ão de detec tores de foc o de inc êndio (d etec tores de


f u ma ç a , d e a u m e n t o e x c e s s iv o d e t e mp e r a t u r a , e t c . ) e m l o c a i s
av aliados e c ons iderados de risc o.
25

A s e g u r a n ç a d a e s t r u t u r a v i s a ma n t e r e m c o n d i ç õ e s a c e i t á v e is a
e d i f i c a ç ã o , d e f o r ma q u e s e u s o c u p a n t e s p o s s a m v o l t a r a i n t e g r á -
l a , o s b e n s ma t e r ia i s i n t e r n o s a e l a d e v e m s e r p r e s e r v a d o s e e m
c o n d i ç õ e s e x t r e ma s , g a r a n t i r q u e o s d a n o s c a u s a d o s à e s t r u t u r a
i n c e n d i a d a n ã o a f e t e m a v i z i n h a n ç a d a me s m a .

3 . 2 M E C A N I SM O S R EL A C I O N A D O S AO I N C Ê N D I O

Do ponto de v is ta fís ic o- químic o, o inc êndio é apres entado c omo


u ma r e a ç ã o d e c o mb u s t ã o q u e o c o rr e e m c a d e i a . A c o m b u s t ã o é o
fenômeno princ ipal d urante u m in c êndio. Ela pode s er defin ida
c o mo u m a s é r i e d e r e a ç õ e s q u í m i c a s e x o t é r mi c a s d e o x i d a ç ã o
m u i t o r á p i d a s , e m q u e p a r t i c i p a m c o mo r e a g e n t e s o s ma t e r i a i s
c o mb u s t í v e i s e o o x i g ê n i o , t e n d o c o mo c o n s e q ü ê n c ia a l i b e r a ç ã o
d e l u z e c a l o r a c o mp a n h a d a d e c h a m a s e o u i n c a n d e s c ê n c i a ,
( S O U Z A, 1 9 9 8 ) . O s t r ê s e l e m e n t o s b á s i c o s c o n h e c i d o s c o mo o
t r i â n g u l o d o f o g o ( g á s o x i g ê n i o , c o mb u s t í v e l e c a l o r ) , s ã o d e
p a r t i c i p a ç ã o e s s e n c i a l a o d e s e n v o lv i me n t o d o i n c ê n d i o e p o d e m
s e r v is t o s n a F i g u r a 3 . 1 .

Figura 3. 1 – Triângulo do fogo

H á t a m b é m m e c a n i s mo s r e l a c i o n a d o s à m a n u t e n ç ã o d e s s e s t r ê s
e l e me n t o s q u e c o n f e r e m à c o mb u s t ã o a ma n u t e n ç ã o d e s e u s
e l e me n t o s b á s i c o s , e a s s i m a p e r m a n ê n c i a d o i n c ê n d i o . P a r a a
26

manutenç ão de gás oxigênio, por e x e mp l o , tem-se a


m o v i me n t a ç ã o d o a r a t mo s f é r i c o n o i n t e r i o r d o c o mp a r t i m e n t o
incendiado. O ar atmos féric o n a t u r a l me n t e sai e entra em
qualquer rec into ou edifíc io atrav és de portas , janelas , fendas e
o u t r a s a b e r t u r a s , e o mo v i me n t o d o a r p o d e s e r r e a l i za d o d e
f o r ma n a t u r a l o u m e c â n i c a ( M E S Q U I T A , 1 9 4 3 ) . E s s e f e n ô me n o d e
m o v i me n t o de ar é c h a ma d o de v entilaç ão. A c o mp o s i ç ã o
aprox i mada do ar at mos féric o apres enta e m torno de 20% do gás
o x i g ê n i o p a r a c a d a l i t r o d e a r a t m o s f é r i c o e x is t e n t e ( M E S Q U I T A ,
1943).

A fonte de c o mb u s t í v e l é v ariáv el e s uas p e r s p e c t iv a s de


c a r r e g a me n t o d e v e m s e r e s t i m a d a s d e a c o r d o c o m a q u a n t i d a d e e
t i p o d e ma t e r i a l c o mb u s t í v e l p r e s e n t e e m c a d a t i p o d e e d i f i c a ç ã o
e a e n e r g i a d e c o mb u s t ã o r e f e r e n t e a c a d a ma t e r i a l . A m a i o r i a d a s
residências no Brasil, por e x e m p lo , pos s uem nor mal men te
materia is c o mb u s t ív e i s na sua mobília e v e s t i me n t a d e seus
usuários. Enquanto isso, a in d a há países c o mo os Es tados
Unidos, cujas edific aç ões res idenc iais ainda utiliza m madeira
c o mo m a t é r i a p r i m a e s t r u t u r a l o u a u t i l i z a ç ã o d e t u b u l a ç ã o p a r a a
c onduç ão de gás à res idênc ia. Madeireiras ou depós itos de
c o mb u s t í v e l f ó s s i l s ã o l o c a l i z a ç õ e s o n d e a f o n t e d e c o mb u s t í v e l é
b e m m a i s a b u n d a n t e e d e i n t e r f e r ê n c i a ma i s c o n s i d e r á v e l a u m a
e s t i ma t i v a .

Q u a n d o s e t r a t a d o f o r n e c i me n t o d e c a l o r s ã o t r ê s a s f o r ma s d e
oc orrênc ia bás ic a, s egundo Nus s enzv eig (1933) ; Conduç ão, que
oc orre nec ess itando de um meio materia l s ólido ou líquido par a
c o n d u zi r a e n e r g i a t é r m i c a . D e s s a f o r ma e s p e r a - s e q u e h a j a a
míni ma reorgani zaç ão das partíc ulas do próprio me io materi al
para a trans ferênc ia de calor; Conv ecç ão, que e n v o lv e o
27

m o v i me n t o d a s m a s s a s d e u m m e i o m a t e r i a l f l u i d o ( o c o r r e n d o
p r i n c i p a l me n t e n o e s t a d o g a s o s o ) p a r a a t r a n s f e r ê n c i a d o c a l o r ,
a t r a v é s d e u m p r o c e s s o c h a ma d o d e c o r r e n t e s d e c o n v e c ç ã o
(ness as c orrentes o fluido aquec ido tende a elev ar s eu nív el e m
r e l a ç ã o a o p i s o d o p a v i me n t o e m q u e s e e n c o n t r a d e v i d o à
redução de sua d e n s id a d e relativ a oc orrida em função do
a q u e c i me n t o , e n q u a n t o q u e o f l u i d o m e n o s a q u e c i d o t e n d e a
r e d u z i r s e u n í v e l e m r e l a ç ã o a o p i s o d o p a v i me n t o ) ; R a d i a ç ã o ,
que transfere o calor de um ponto a outro atrav és de ondas
e l e t r o ma g n é t i c a s . Es s as radiaç ões são e mi t i d a s pelo c orpo
aquecido e, ao tocar outro c orpo pode v ir a aquec ê -lo, se
t r a n s f o r ma n d o d e o n d a a c a l o r n o v a m e n t e .

Os inc êndios têm u m c o mporta me nto diferente e m relaç ão aos


es paç os em que atua m, sejam eles abertos ou fec hados . A
p r e s e n ç a d e u ma s u p e r f í c i e e m u m i n c ê n d io ( s e j a e l a p a r e d e o u
teto) te m o ef eito i med iato de au me ntar o c alor radiante retornado
para a superfície do c o mb u s t í v e l . E a presença de ma i s
s u p e r f í c i e s a u me n t a e s s e e f e i t o ( S O U Z A , 1 9 9 8 ) , r e t o r n a n d o a o
local das c hamas calor s ufic iente para a manute nç ão até o
a u me n t o d a t e m p e r a t u r a l o c a l .

Outro fator que atua direta mente é a v entilaç ão. Q uando oc orrem
a s r e a ç õ e s d e c o m b u s t ã o , h á u m c o n s u mo d o o x i g ê n i o e x i s t e n t e
e m u m d e t e r m i n a d o c o mp a r t i m e n t o . A e f i c i ê n c i a d a v e n t i l a ç ã o
nes s e loc al s erá fator c ons ideráv el quando s e tratar da v eloc idade
d a s r e a ç õ e s e c o n s e q ü e n t e a u me n t o d e t e m p e r a t u r a , v i s t o q u e e la
c ontribuirá c om a repos iç ão do ox igênio que fora c ons umido
a n t e r i o r me n t e n a s p r i m e i r a s r e a ç õ e s d a c o m b u s t ã o .

O efeito de u m inc êndio s obre u ma es trutura pode s er av aliado


t r a n s f o r ma n d o - s e o s e f e i t o s d e t e mp e r a t u r a e m c a r r e g a me n t o .
28

Se g u n d o Souza (1998) a energia gerada pelo incêndio num


c o mp a r t i m e n t o é o b t i d a p e l a s o ma d e t o d o o ma t e r i a l c o mb u s t í v e l
d o p r ó p r i o c o mp a r t i m e n t o d a d o e m M J o u e m u n i d a d e e q u i v a l e n t e
a kg d e m a d e i r a ( s e n d o 1 kg d e m a d e i r a = 1 7 , 3 M J ) . P o d e s e r
e x p r e s s a c o mo d e n s i d a d e d e c a r r e g a m e n t o d e i n c ê n d i o ( M J / m 2 ) ,
razão entre o c a r r e g a me n t o total de incêndio e a área do
p a v i me n t o . A l é m d i s s o , S o u z a ( 1 9 9 8 ) , t a m b é m a v a l i a a t a x a d e
a u me n t o d a t e m p e r a t u r a c o m o s e n d o d e p e n d e n t e d o m o n t a n t e d e
o x i g ê n i o d i s p o n ív e l p a r a a c o mb u s t ã o e d a d i s s i p a ç ã o d e c a l o r
a t r a v é s d a s p a r e d e s e a b e r t u r a s . Av a l i a t a mb é m a i n f lu ê n c i a d a
dis ponibilidade de ox igênio c omo dada pelo fator de v entilaç ão,
d e f in i d o p o r :

v  Aw . h / At ( m1/ 2 ) 3.1

Onde:

Aw = área total d e aber tur as ( m 2)

h = altura média das aberturas (m)

A t = á r e a c i r c u n d a n t e t o t a l d o c o mp a r t i me n t o ( m 2 )

Des s a forma, pode- s e av aliar s e o inc êndio v ai ter s eu s uprimento


de oxigênio elev ado em relação ao c o n s u mo , passando a
depender apenas do mo n t a n t e de c ombus tív el para o
d e s e n v o lv i me n t o d o s p i c o s d e t e m p e r a t u r a . O u p o d e r á s e r u m
inc êndio que dependerá princ ipal mente da v entilaç ão para que os
p i c o s d e t e mp e r a t u r a s e j a m a t i n g i d o s . A s s i m p o d e - s e c o n s t r u i r
u ma p e r s p e c t i v a s o b r e o i n c ê n d i o n o s e u a s p e c t o d e o c o r r ê n c i a
real, tratando-o c omo i lus trado na Figura 3.2 que apres enta u ma
e s t i ma t i v a d e c o mo s e d á o d e s e n v o lv i m e n t o d e u m i n c ê n d i o e m
29

um c ompart i mento, c a r a c t e r i za n d o b a s i c a me n t e suas etapas


principais.

Figura 3. 2 – Desenvolvimento do incêndio ao longo do tempo

3 . 3 O EF E I TO D A S A L T A S T E M P E R A T U R A S

A v a r i a ç ã o d e t e mp e r a t u r a p r o v o c a e f e i t o s d i f e r e n t e s , q u a n d o s e
t r a t a d e a v a l i a r u ma e s t r u t u r a . T e m i n t e r f e r ê n c i a d i r e t a t a n t o n o s
m a t e r i a i s c o n s t i t u i n t e s d o e l e me n t o e s t r u t u r a l q u a n t o d a f o r m a
que o me s m o venha a t o ma r . Os efeitos são d e s c r it o s
c o n s i d e r a n d o o s s e g u i n t e s f o r ma t o s :

 El e m e n t o Linear ou de barra, que corresponde a um


e l e me n t o t r i d i m e n s i o n a l , o n d e u m a d a s t r ê s d i me n s õ e s s e
s o b r e s s a i q u a n d o c o mp a r a d a à s d e ma i s . E m e n g e n h a r i a s e
30

t r a t a e s s a d i me n s ã o p r i n c i p a l c o mo s e g m e n t o l o n g i t u d i n a l d o
e l e me n t o es trutural. As principais u t i l i za ç õ e s des s es
e l e me n t o s , n a e n g e n h a r ia c i v i l s ã o c o mo v ig a s e p i l a r e s e m
estruturas de aç o e c onc reto a r ma d o , tendo ta mbé m
e l e me n t o s d e b a r r a e m t r e l i ç a s c o m o a d i c i o n a l à s v i g a s e
pilares f o r ma d o s por es trutura s metálic as Q uando a
t e m p e r a t u r a v a r i a s o b r e e s s e t i p o d e e l e me n t o , mo d i f i c a n d o
sua d i me n s ã o principal, di z- s e que houve uma v ariação
l i n e a r d o c o mp r i m e n t o d a p e ç a .

 El e m e n t o de placa e/ou c as ca: quando o ele mento


tridi mens ional, além de ter o s egmento longitudinal
c o n s i d e r á v e l , u ma d a s f a c e s d e s u a s e ç ã o t r a n s v e r s a l p a s s a
a t e r i n f l u ê n c i a c o n s i d e r á v e l n o e le me n t o . E s s e s e l e m e n t o s
s ã o u t i l i za d o s p r i n c i p a l me n t e e m l a j e s e c o b e r t u r a s , s e j a m
e s t a s d e e s t r u t u r a me t á l i c a o u d e c o n c r e t o a r ma d o . Q u a n d o
a t e m p e r a t u r a v a r i a s o b r e e s s e t i p o d e e l e me n t o , p a s s a a
modif ic ar duas das d i me n s õ e s da peça es trutural
s ignific ativ amente, d i ze n d o - s e que houv e u ma v ariaç ão
superficial da peça.

 El e m e n t o s ó l i d o : q u a n d o a s t r ê s d i m e n s õ e s s ã o s i g n i f i c a t i v a s
n o e l e me n t o e s t r u t u r a l . A s p r i n c i p a i s p e ç a s c o n s t i t u i n t e s
d e s s e s e l e me n t o s s ã o e l e me n t o s d e f u n d a ç ã o d e c o n c r e t o
armado (bloc os , s apatas , etc .). Quando a tempera tura v aria
sobre ess e tipo de elemento e passa a modific ar s uas
d i me n s õ e s iniciais, di z- s e que houv e u ma v ariação
v o l u mé t r i c a d a p e ç a e s t r u t u r a l .
31

3 .3 . 1 Sobre o Aço

En q u a n t o a l g u n s m a t e r i a i s c o m o o c o n c r e t o e a a l v e n a r i a p o d e m
ter suas c arac terís tic as c o mp r o m e t i d a s r a p id a m e n t e quando
s u b me t i d a s a a l t a s t e m p e r a t u r a s , o a ç o ma n t é m s u a i n t e g r i d a d e
b á s i c a . M e s mo a s s i m, s o b c o n d i ç õ e s d e i n c ê n d i o , o s ma t e r i a i s
presentes em u ma dada edificação perdem a rigidez e a
res is tênc ia no ins tante e m que c o meç am a s e ex pandir , dev endo-
s e a o f a t o r e d u zi r o e f e i t o d a s l i g a ç õ e s me t á l i c a s n o s v á r i o s t i p o s
d e me t a l e d e a u m e n t o d a p o r o s i d a d e n o s e l e me n t o s c o m b i n a d o s
q u i m i c a me n t e ( c o mo o c o n c r e t o ) .

Ap e s a r d e o u t r o s m a t e r i a i s t a m b é m p e r d e r e m r e s i s t ê n c i a , a b o a
c o n d u t ib i l i d a d e térmic a do aço o lev a a atingir nív eis de
temperatura elev ados ma i s rapidamente, f a ze n d o com que a
d i l a t a ç ã o d o e l e me n t o e s t r u t u r a l s e d ê c o m m a i o r f a c i l i d a d e ,
tornando-o a preoc upaç ão i n i c ia l r e la c i o n a d a aos d e ma i s
e l e me n t o s c o m p o n e n t e s n a e s t r u t u r a .

Há ta mbé m o fato de que as propriedades de defor maç ão,


res is tênc ia, c alor es pec ífic o, ex pans ibilidade s ão dependentes da
t e m p e r a t u r a e m q u e o m a t e r i a l s e e n c o n t r a ( Ba yl e y, 1 9 9 5 ) . E s s a s
propriedades foram av aliadas com o ensaio de incêndio padrão
para v igas e pilares em peç as de aç o prev iamen te c arregadas
p a r a s e u u s o n o r ma l c o m o e s t r u t u r a , e s i mu l a n d o s e u a m b i e n t e
func ional. A Figura 3.3 c onté m u ma repres entaç ão c omparativ a
entre as perdas de propriedades do aç o e do c onc reto c om o
g a n h o d e t e m p e r a t u r a ( N U N ES e B E Z E R R A , 2 0 0 6 ) .
32

Nota- s e por ess a repres entaç ão gráfic a que o efeito da v ariaç ão


t é r mi c a s o b r e o a ç o , r e p r e s e n t a d o n a c u rv a à e s q u e r d a , q u e a
q u e d a d a s p r o p r i e d a d e s d e r e s i s t ê n c i a e e l a s t ic i d a d e d o e l e me n t o
e s t r u t u r a l p a s s a a t e r u ma q u e d a a c e n t u a d a a t i n g i n d o n í v e i s
p r e o c u p a n t e s mu i t o a n t e s q u e o c o n c r e t o .

Figura 3. 3 – Comparação entre a deterioração do aço e concreto quando há um aumento de temperatura.

An t e s d e a t i n g i r 2 0 0 ° C , o mó d u l o d e e l a s t i c i d a d e d o a ç o ( E )
ac entua s ua reduç ão, enquanto que a res is tênc ia c arac terís tic a do
a ç o ( f y) c o me ç a a t e r u ma r e d u ç ã o p r e o c u p a n t e a p ó s o a t in g i r d e
4 0 0 ° C . E n q u a n t o i s s o , u m m e s m o e l e me n t o e s t r u t u r a l d e c o n c r e t o
a r m a d o a s s u me u m c o m p o r t a m e n t o q u a s e q u e l i n e a r d e r e d u ç ã o
das propriedades do s eu (fy) a partir de v alores em torno de
3 0 0 ° C e n q u a n t o q u e a e l a s t i c i d a d e d o m e s m o d e c r e s c e ma i s
s u a v e me n t e q u a n d o c o mp a r a d o a o a ç o , e a i n d a p o s s u i ma i s d e
80% de c apac idade a algo e m torno de 300°C .
33

M o s t r a - s e e n t ã o c l a r a me n t e q u e a p r e o c u p a ç ã o p r i má r i a d e v e - s e
s e r c o m a s e s t r u t u r a s me t á l i c a s , n o t a n g e n t e à s c o n d iç õ e s d e
s eguranç a de um e le mento es trutural e m s ituaç ão de inc êndio.

3.3.2 Sobre as Estruturas

Ai n d a q u e s e c o n s i d e r a s s e m e f e i t o s e m c a d a t i p o d e e l e m e n t o , a
ação de c a r r e g a me n t o gerado por incêndio é c ons iderada
ex c epc ional, ou seja, te m-s e uma pequena probabi lidade de
oc orrênc ia durante toda a v ida útil da es trutura. Des s a forma, é
e c o n o m i c a me n t e i n v i á v e l q u e s e d i me n s i o n e u m a e s t r u t u r a p a r a
r e s i s t i r e m c o n d i ç õ e s d e i n c ê n d i o a o s me s mo s c a r r e g a m e n t o s a
q u e é s u b me t i d a d u r a n t e o p e r í o d o e m q u e s e e s t á a t e m p e r a t u r a
a mb i e n t e . A c o n s i d e r a ç ã o d e s s e t i p o d e a ç ã o s o b r e u ma e s t r u t u r a
dev e s er feita v is ando à p r e s e r v a ç ã o d a v i d a . D e s s a f o r ma ,
e s t i ma - s e q u e a e s t r u t u r a r e s i s t a a u m t e m p o s u p e r i o r a o t e m p o
m á x i mo d e d e s o c u p a ç ã o d o e d i f í c i o .

Se g u n d o Si l v a ( 2 0 0 0 ) , a me t o d o l o g i a s i mp l i f i c a d a d e c á l c u l o p a r a
a d e t e r m i n a ç ã o d o s e s f o r ç o s r e s is t e n t e s n a s p e ç a s n ã o l e v a e m
c ons ideraç ão as c ondiç ões de bordo e m que a peç a es trutural s e
encontra. No caso de v igas , há influênc ia dos apoios na
redistribuição de es forç os podendo se encontrar v alores
superiores aos c a lc u l a d o s pela NBR 14323/2003 para a
temperatura c rític a res is tida pela es trutura em u ma dada c ondiç ão
de c a r r e g a me n t o , c ons iderando os efeitos de distribuição de
e s f o r ç o s n o s s is t e m a s d e v i n c u l a ç ã o .

Su s s e ki n d ( 1 9 4 7 ) , a f i r m a q u e s e a e s t r u t u r a e m q u e s t ã o f o r
is os tátic a, qualquer outra e s t ru t u r a equiv alente pode ser
34

s ubs tituída pela inic ial para a fac ilitaç ão dos c álc ulos des de que a
m e s ma s e j a s u b me t i d a a u m a v a r i a ç ã o u n i f o r m e d e t e m p e r a t u r a .
Es s a c o n d i ç ã o é a c e i t a d e s d e q u e a s e g u n d a t e n h a o s me s mo s
v í n c u l o s d a p r i m e i r a . C a s o a m e s m a e s t e j a s u b me t i d a a c o n d i ç õ e s
v a r i á v e i s d e t e mp e r a t u r a e m c a d a u m a d e s u a s f a c e s , o c á l c u l o d e
s eus efeitos em c ada ele mento dev e s er c ons iderado.

Si l v a ( 2 0 0 0 ) a i n d a mo s t r a q u e e m c a s o d e s e e s t u d a r u m p ó r t i c o ,
a s r i g i d e ze s d o s e l e me n t o s p a r t i c i p a n t e s d a e s t r u t u r a c o n t r i b u e m
p a r a a r e d i s t r i b u i ç ã o d o s e s f o r ç o s e a me n i za r o s e f e i t o s d o s
m o m e n t o s f l e t o r e s d o s i s t e ma . El e m o s t r a t a m b é m q u e a r e a ç ã o
v e r t i c a l n o a p o i o s o f r e u ma v a r i a ç ã o í n f i m a a o l o n g o d a v a r i a ç ã o
d e c a r r e g a me n t o t é r m i c o , e n q u a n t o q u e a r e a ç ã o h o r i zo n t a l é
quem sofre ma i o r influência da t e mp e r a t u r a . Os v alores das
f l e c h a s t a mb é m s ã o i n f l u e n c i a d o s p e l a c o n d i ç ã o d e p ó r t i c o , q u e
a s s u me m v a l o r e s me n o r e s q u e o s e n c o n t r a d o s p a r a u m a v i g a e m
s i t u a ç ã o d e c a r r e g a me n t o s e me l h a n t e .

Se g u n d o B a yl e y (1995) que no ato de di mens iona mento da


e s t r u t u r a , a ma i o r i a d o s e n g e n h e i r o s n ã o t r a t a d a r e d i s t r i b u i ç ã o
dos es forç os parcial dos elementos es truturais atrav és das
l i g a ç õ e s , o n d e , l o c a is e m q u e s e c o n s i d e r a m r ó t u l a s n a v e r d a d e
s ã o a p o i o s s e mi - r í g i d o s , o u s e j a , c o n t r i b u e m n a r e d i s t r i b u i ç ã o d e
e s f o r ç o s d e f l e x ã o e q u e p o d e m p r o p a g a r e s f o rç o s i mp r e v is t o s n o
c á l c u l o d a e s t r u t u r a . A t e mp e r a t u r a d e r u p t u r a d a s v i g a s s e r á
a u me n t a d a d e v i d o à e x i s t ê n c i a d e c o n e x õ e s q u e p o d e m t r a n s mi t i r
mo mentos .
35

4 AÇÕES E SEGURANÇA EM ESTRUTURAS

Es t e c apítulo v o lt a - s e á c o mp r e e n s ã o perante as n o r ma s
b r a s i l e i r a s e m s e t r a t a n d o d o c a r r e g a me n t o e x i s t e n t e s o b r e u m a
es trutura. Os c arregamentos s ão tratados por aç ões , as quais
p r o v o c a m o s e f e i t o s a s e r e m c o n s i d e r a d o s p e l o s e n g e n h e ir o s n o
projeto es trutural. O trata mento correto dess es efeitos é de
funda mental i mp ortânc ia no que abrange a segurança da
edific aç ão.

4.1 ESTADOS LIMITES

En t e n d e - s e p o r e s t a d o l i mi t e c o mo a s i t u a ç ã o a p a r t i r d a q u a l a
es trutura não apres enta o des empenho adequad o à fina lidad e
e mp r e g a d a . As f i n a l i d a d e s s ã o b a s ic a me n t e d e f i n i d o s p o r E s t a d o s
L i m i t e s Ú l t i m o s ( E L U ) e E s t a d o s L i m i t e s d e S e r v iç o ( E L S) .

C o n f o r me a o r i e n t a ç ã o d a N B R 8 6 8 1 e n t e n d e - s e p o r E L U a q u e l e
que inv alida a ut ili zaç ão da es trutura no todo ou parc ial mente.
Pa r a os ELU, u t i l i za - s e c oefic ientes de segurança tanto no
m a t e r i a l q u e s e r á u t i l i za d o p a r a c o n f e c ç ã o d a e s t r u t u r a , q u a n t o n o
c a r r e g a me n t o . E s s e s c o e f i c i e n t e s s ã o t o ma d o s a t r a v é s d e u m
t r a t a me n t o es tatís tic o de v ariaç ão dos c a r r e g a me n t o s e das
propriedades dos materia is . As normas ex is tentes no país s ão
r e s p o n s á v e i s p o r r e a l i z a r e s s e t r a t a me n t o e d a r a o s e n g e n h e i r o s
a o r ie n t a ç ã o dev ida quanto aos c oefic ientes que dev em ser
t o m a d o s p a r a c a d a t i p o d e c a r r e g a m e n t o e ma t e r i a l .
36

Por ELS entende-s e que sejam es tados que por oc orrênc ia,
repetição ou duraç ão, c aus am efeitos es truturais que
d e s r e s p e i t a m a s c o n d i ç õ e s e s p e c í f ic a s p a r a o u s o d a c o n s t r u ç ã o .
T a m b é m s ã o u t i l i z a d o s c o m o i n d í c i o s d o c o mp r o m e t i m e n t o d a
durabilidade da es trutura. Alé m dis s o, c om os ELS, fa z- s e a
v e r i f i c a ç ã o d a e s t r u t u r a e m s u a s i t u a ç ã o d e s e rv iç o , c o n s i d e r a n d o
a s d e f o r ma ç õ e s l i m i t e s d o s e l e m e n t o s . Es s a s , a i n d a q u e n ã o
sejam c o mp r o m e t e d o r a s quanto às es truturas , pode m t r a ze r
d e s c o n f o r t o a o u s u á r i o q u a n t o à u t i l i z a ç ã o d a s me s m a s .

Pa r a o d i m e n s i o n a m e n t o e m s i t u a ç ã o d e i n c ê n d i o , a N o r m a t r a t a
a p e n a s d o s e s t a d o s li m i t e s ú l t i m o s , j á q u e , c o m o a c e n t u a d o
a u me n t o d a t e m p e r a t u r a , t e m - s e a d e g r a d a ç ã o d a s p r o p r i e d a d e s
p e r d e - s e o c o n t r o l e d a d e f o r ma ç ã o d o s e l e me n t o s e s t r u t u r a is p a r a
essa condição. Apenas as c o n d iç õ e s de t e mp o requerido de
r e s i s t ê n c i a a o f o g o e s t ã o e s t a b e l e c i d a s n o s p a r â me t r o s q u e v i s a m
à s e g u r a n ç a d o u s u á r i o q u a n t o a o t e mp o nec es s ário para a
des oc upaç ão da mes ma quando s e der a s ituaç ão de inc êndio.

4.2 AÇÕES

En t e n d e – s e p o r a ç õ e s c o mo s e n d o a s c a u s a d o r a s d o s e s f o r ç o s o u
d e f o r ma ç õ e s das es truturas . São elas as res pons áv eis pela
p r e o c u p a ç ã o d o s e n g e n h e i r o s q u a n d o e s t ã o r e a l i za n d o u m p r o j e t o
es trutural. Cabe ao profis s ional dis t inguir qua l o tipo d e a mbien te,
para es timar em conjunto com a n o r ma t i za ç ã o bras ileira (ou
estrangeira, no caso de s er encontrada c ons ideraç ão não
a b o r d a d a n o p a í s ) p a r a d e f i n i r o s c a r r e g a me n t o s a t u a n t e s n a
es trutura, de forma a garantir um di mens iona mento s eguro e
c onfortáv el ao us uário Em c a rá t e r prático as d e f o r ma ç õ e s
i mp o s t a s s ã o i n t e r p r e t a d a s c o mo a ç õ e s i n d i r e t a s e a s f o r ç a s c o m o
ações diretas.
37

As a ç õ e s a s e r e m c o n s i d e r a d a s s ã o t r a t a d a s d a s e g u i n t e f o r m a
pela NBR 8681:

 Aç õ e s Pe r ma n e n t e s : São aquelas que pos s uem pequena


v ariaç ão em torno da média de toda a v ida útil da edific aç ão.

 Aç õ e s Va r i á v e is : Aç õ e s que ocorrem com v ari aç ões


s ignific ativ as em torno da mé d i a d u r a n t e a v i d a ú t i l d a
estrutura.

 Aç õ e s Ex c e p c i o n a i s : Aç õ e s c u j a v a r i a b i l i d a d e é i n t e n s a e m
torno da v ida útil da es trutura e co m probabi lidade mín i ma
de oc orrênc ia durante es s e período.

O c a r r e g a me n t o para a consideração dos ELU para o


d i me n s i o n a m e n t o d a e s t r u t u r a p a r a a s i t u a ç ã o d e i n c ê n d i o é
tratado c omo ex c epc ional s ob ori entaç ão da NBR 14323 /2003.
Es s e t i p o d e c a r r e g a m e n t o n e m s e m p r e é l e v a d o e m c o n s i d e r a ç ã o
no período v oltado ao d i m e n s i o n a me n t o da es trutura, m e s mo
tendo- s e o c o n h e c i me n t o degr adativ o sobre os ma t e r i a i s
c o mp o n e n t e s d o s e l e me n t o s e s t r u t u r a i s .

As e s t r u t u r a s e m q u e s e d e v e t e r u m a p r e o c u p a ç ã o q u a n t o à
o c o r r ê n c i a d e e v e n t o s d e s s a n a t u r e za s ã o a q u e l a s e m q u e n ã o s e
h á p o s s i b i l i d a d e d a t o ma d a d e m e d i d a s p r e v e n t i v a s o u a t e n u a n t e s
c o n t r a o s me s m o s . P a r a t a l , f a z - s e u s o d o d i me n s i o n a me n t o p a r a
o s EL U p a r a a a v e r i g u a ç ã o d a s c o n d i ç õ e s d e s e g u r a n ç a d e v i d o a o
e f e it o d o c a r r e g a m e n t o e m c o n j u n t o c o m o e f e i t o c a t a s t r ó f i c o q u e
o m e s mo p r o v o c a s o b r e a e s t r u t u r a .
38

4.3 COMBINAÇÕES DE AÇÕES

Al é m d e t r a t a r d o s c o e f i c i e n t e s d e s e g u r a n ç a n o s c a r r e g a me n t o s e
n o s ma t e r i a i s c o mp o n e n t e s d a s e s t r u t u r a s d e v e - s e t a mb é m t r a t á -
l o s e m c o n j u n t o , e m s i t u a ç ã o c o mb i n a d a n a e s t r u t u r a . N e s s e c a s o ,
h á u m a p e r s p e c t iv a d e q u e o s m e s mo s n ã o a t u e m e m s u a s
c ondiç ões máx i mas em c onjunto durante todo o te mpo de v ida útil
d a e s t r u t u r a . A n a l i s a m- s e a s s u a s i n t e r f e r ê n c i a s c o mo a t u a n t e s
e m t e m p o s a l t e r n a d o s . Pa r a t a n t o s e l e v a e m c o n s i d e r a ç ã o a s
possibilidade de ocorrência dos c a r r e g a me n t o s em parcelas
durante o te mpo de v ida útil da es trutura, e não atuando e m te mpo
i n t e g r a l . D e s s a f o r ma , a N BR 8 6 8 1 t r á s c o e f i c i e n t e s t a mb é m d e
t r a t a me n t o es tatís tic o para que s e ja lev ada em c onta essa
c o n d i ç ã o , p a r a q u e o s d a d o s p o s s a m s e r t r a t a d o s d e f o r ma m a i s
p r ó x i m a d a r e a l id a d e p o s s í v e l e m c o n d i ç õ e s d e s e g u r a n ç a .

Es s e s c oefic ientes são do tipo ψ, onde es s as v ariáv eis s ão


t r a t a d a s d e t r ê s f o r ma s , e i s s o d e p e n d e d o t i p o d e c a rr e g a m e n t o a
que a estrutura esteja s ubmetida. Essas f o r ma s es tão
condicionadas à seguinte representação:

 Ψ 0 p a r a a s c o mb i n a ç õ e s v o l t a d a s a o s EL U p a r a r e d u z i r c a d a
r e s p e c t iv a a ç ã o c o n s i d e r a d a s e c u n d á r i a p a r a a s d i v e rs a s
c o mb i n a ç õ e s que dev em ser feitas no proc ess o de
d i me n s i o n a m e n t o .

 Ψ 1 p a r a a s c o mb i n a ç õ e s v o l t a d a s à s c o m b i n a ç õ e s f r e q ü e n t e s
d e c a r r e g a me n t o c a r a c t e r i za d a s p e l o s E L S q u e t e n h a m u m a
t a x a d e o c o r r ê n c ia d a o r d e m d e 1 0 5 v e z e s p a r a u m p e r í o d o
e s t i ma d o d e 5 0 a n o s . E s s a s o c o r r ê n c i a s s ã o p a r a e s t a d o s
39

l i m i t e s r e v e r s í v e i s e q u e n ã o c a u s e m d a n o s p e r ma n e n t e s a o s
c o mp o n e n t e s d a e d i f i c a ç ã o .

 Ψ 2 p a r a a s c o m b i n a ç õ e s v o l t a d a s a o s EL S q u e p o d e m d u r a r
a t é a me t a d e d a v i d a ú t i l d a e s t r u t u r a , e s s a s q u e p o d e m
interferir na aparênc ia da edif ic ação e e m efeitos de longa
duração.

A s e g u i r , n a e q u a ç ã o 4 . 1 e s t á u m e x e mp l o d e c o mb i n a ç ã o d e
ações:

= × + × 1+∑ × × Ψ1 4.1

= Esforço combinado

= Coeficiente de majoração das cargas permanentes

= Coeficiente de majoração das cargas acidentais

= Esforço atuante característico permanente

= Esforço atuante característico acidental

1 = Coeficiente de minoração proeminente da probabilidade de ocorrência


das ações máximas acidentais em conjunto.
40

5 DIMENSIONAMENTO DE ESTRUTURAS EM SITUAÇÃO


DE INCÊNDIO

5.1 ENSAIOS

É a maneira trad ic ional de s e av aliar a res is tênc ia ao fogo de u m


e l e me n t o e s t r u t u r a l , p o r m e i o d o e n s a i o d e i n c ê n d i o p a d r ã o d e
acordo com a ISO-834(ISO 1992). O princ ípio do ens aio c ons is te
e m s u b m e t e r o s c o mp o n e n t e s d a e s t r u t u r a a o i n c ê n d i o p a d r ã o . A
I S O d e t e r m i n a a s d i me n s õ e s mí n i m a s d a s p e ç a s q u e d e v e m s e r
u t i l i z a d a s e a s d i me n s õ e s d o s f o r n o s e m q u e s e r á r e a l i z a d o
e n s a i o d a me s m a p e ç a . A s f i g u r a s 5 . 1 e 5 . 2 a p r e s e n t a m d o i s
modelos de ens aio para es truturas de aç o.

1125 mm 1125 mm 1125 mm


Lajes de concreto
Carga Carga Carga Carga 630 x 130 mm

Viga
Rolete
de apoio

Pórtico de apoio
Parede Largura do forno: 4000 mm
do forno
Vão: 4500 mm

Figura 5. 1 – Detalhamento de um modelo de incêndio padrão em vigas.

Fonte SOUZA, 1998


41

P lac a d e b a se d e aç o
B lo co d e
co n c reto P a red e d o fo rn o

3000 mm
A A

S eç ão A - A

P laca d e b as e d e aç o

B lo co d e c o n c reto
C arg a

Figura 5. 2 – Detalhamento de um modelo de incêndio padrão em pilares.

Fonte SOUZA, 1998

Se g u n d o a n o r ma brasileira A BN T N BR 14323/2003,
d i me n s i o n a m e n t o em situação de i n c ê n d io define c o mo “a
v erific aç ão da es trutura, c om ou s em proteç ão c ontra inc êndio, no
que se refere à es tabilidade e à capacidade res is tente aos
es forç os s olic itantes e m te mperatur a elev ada, a fi m de s e ev itar o
seu colapso em condições que prejudiquem o ev ac uar dos
usuários da edific aç ão e, quando for o c aso, prejudiquem a
aprox i maç ão e o ingres s o de pes s oas habilitadas e equipamentos
para as aç ões de c o mb a t e ao fogo, aumente m o risc o de
p r o p a g a ç ã o d o f o g o o u d e c a l o r e o r i s c o à v i zi n h a n ç a . ”

O objetiv o princ ipal des s es ens aios é o de produzir nu ma peç a


e s t r u t u r a l u ma c o n d i ç ã o e s t á t i c a d e t e n s õ e s s e me l h a n t e à q u e a
m e s ma e s t a r i a e m s i t u a ç ã o d e u t i l i za ç ã o r e a l , o u s e j a , f a z e n d o
parte de u ma es trutura. O aque c imento da peç a es trutural é
executado e sua c u rv a de t e m p e r a t u r a - t e mp o é medida e
c ontrolada até o mo mento de s ua ru ptura.
42

As d e s v a n t a g e n s d e s s a me t o d o l o g i a d e a v a l i a ç ã o d o d e s e m p e n h o
de es truturas de aç o s ob inc êndio por meio de ens aios tê m c o mo
s ua princ ipal proble mátic a: o alto c u s t o e n v o lv i d o ; r e s t r i ç õ e s
d e v i d a s a o s t a ma n h o s d o s f o r n o s ; v a r i a ç ã o d a s c a r a c t e r í s t i c a s
d o s f o r n o s ; e n t r e o u t r o s ( S O U Z A, 1 9 9 8 ) .

T o r n a - s e n e c e s s á r i o o d e s e n v o lv i m e n t o d e t é c n i c a s d e m o d e l a g e m
e a d e q u a ç ã o à s i mu l a ç ã o n o s m i c r o c o mp u t a d o r e s a f i m d e s e
c o n d u zi r i n v e s t i g a ç õ e s f u n d a me n t a i s . I s s o p o d e s e r f e i t o p a r a a s
peças de aço, já que o controle de qualidade na produção das
p e ç a s é f e i t o d e f o r m a a g a r a n t i r a p r e s e n ç a d e u ma g r a n d e
h o mo g e n e i d a d e n a s p e ç a s , e t r a d u z i n d o e m s i t u a ç õ e s o n d e o s
m o d e l o s c o mp u t a c i o n a i s g e r a d o s p o d e m s e r ma i s c o n f i á v e i s n e s s a
dada condição, considerando que se nec es s ita u ma meno r
quantidade de ens aios para a obtenç ão de res ultados bas tante
próximos.

Al é m d e s e mo d e l a r o e n s a i o , t a m b é m é n e c e s s á r i o c o n h e c e r o
d e s e n v o lv i me n t o d o i n c ê n d i o e s u a p e r s p e c t iv a d e d u r a ç ã o p a r a
s e u t i l i za r e s s e mé t o d o . A F i g u r a 5 . 3 é o mo d e l o f o r n e c i d o p e l a
I SO 8 3 2 c h a ma d a d e c u r v a d e i n c ê n d i o p a d r ã o , q u e d e t e r m i n a o
a u me n t o d e t e m p e r a t u r a c o m o t e m p o , c o n s i d e r a n d o u ma s i t u a ç ã o
infinit a. Com ela pode-se determinar a função de ganho de
temperatura c o m o te mpo atrav és da utili zaç ão de u m método
n u mé r i c o a p r o x i ma d o , d e f o r m a a g a r a n t i r u m a m i n i m i z a ç ã o d a
possibilidade de erro com a prev is ão. Essa c u rv a dev e ser
c o mp a r a d a c o m a p e r s p e c t iv a d e d u r a ç ã o d o i n c ê n d io a p r e s e n t a d a
n a F i g u r a 3 . 2 , p a r a s e t e r u ma m e l h o r p e r s p e c t i v a s o b r e u m
d e t e r mi n a d o g a n h o d e t e m p e r a t u r a , c a s o q u e i r a - s e r e a l i za r u m
e n s a i o . E la t a m b é m d e v e s e r c o m p a r a d a a s c u r v a s a p r e s e n t a d a s
n a F i g u r a 3 . 3 , o n d e h á a d e mo n s t r a ç ã o d a p e r d a d a r e s is t ê n c i a
43

das peç as de aç o e c onc reto nas c ondiç ões de inc êndio, podendo -
s e c o m a c o m b i n a ç ã o d e s s e s t r ê s e l e m e n t o s , s e r p r e v is t a u m a b o a
c ondiç ão de tempo p ara que a es trutura s eja s egura para a
e v a c u a ç ã o d o s u s u á r i o s n u m d a d o t e mp o l i m i t e d e p r o p a g a ç ã o d o
i n c ê n d i o . N e s s a s c o n d i ç õ e s , t a mb é m é p o s s í v e l a p r e v i s ã o d a
s e g u r a n ç a d a e s t r u t u r a p ó s - i n c ê n d io a v a l i a n d o - s e a p e n a s o t e m p o
e m que a es trutura perma nec eu em ativ idade trans iente de c alor
ativ o.

1200
Temperatura da fornalha (°C)

1000

800

600

400

200

0 10 20 30 40 50 60 70 80 90
Tempo (min)
Figura 5. 3 – Curva de incêndio padrão ISO 832

Al é m d a c u r v a d e i n c ê n d i o p a d r ã o , u s a - s e a c u r v a a b a i x o , n a
p e r s p e c t iv a q u e o c o n t r o l e d e q u a l i d a d e n a p r o d u ç ã o d e p e ç a s d e
a ç o s e j a s i mi l a r e m q u a l q u e r r e g i ã o d o p l a n e t a . A l g u n s e s t u d o s
em que se r e a l i zo u ensaio destrutiv o em es truturas de aço
a p r e s e n t a m u m g r á f i c o d o c o mp o r t a me n t o d o a ç o p o r f a i x a s d e
t e m p e r a t u r a , t o r n a n d o - s e ma i s u m a f e r r a m e n t a n a a n á l i s e v i a
e n s a i o s . A F i g u r a 5 . 4 mo s t r a a s r e la ç õ e s d e t e n s ã o e d e f o r m a ç ã o
n o a ç o p o r f a i x a d e t e m p e r a t u r a . N e s s a s c o n d iç õ e s v ê - s e q u e o
44

aço sofre diferentes c o mp o r t a m e n t o s a cada condição de


temperatura que é exposto, s endo necessária u ma análise
rigorosa.

300
20°C

250
400°C
300°C
Tensão (N/mm^2)

200
500°C

150
600°C

100
700°C
50
800°C

0.0 0.5 1.0 1.5 2.0


Deformação (%)
Figura 5.4 – Curva de tensão e deformação do aço por faixa de temperatura

Se g u n d o B a y l e y ( 1 9 9 5 ) e x i s t e m d o i s mé t o d o s d e a v a l i a ç ã o d e
tensões para que se pos s a c a r a c t e r i za r a degradação dos
e l e me n t o s a d u r a n t e a e l e v a ç ã o d e t e mp e r a t u r a s . A p r i m e i r a s e d á
d e f o r m a i s o t é r m i c a , q u e é o t e s t e ma i s t r a d i c i o n a l , q u e c o n s i s t e
em aplicar a t e mp e r a t u r a c o ns tante e inc remen ta r os
c a r r e g a me n t o s a f i m d e s e t r a ç a r o d i a g r a ma p a r a u ma d a d a
t e m p e r a t u r a c o n s t a n t e . A s e g u n d a f o r ma c o n s i s t e e m a p l i c a r u m
c a r r e g a me n t o c o n s t a n t e e c o n t r o l a r o a u m e n t o d e t e m p e r a t u r a e
monit orar o au mento das tens ões també m nos ele mentos .

A n o r ma B r a s i l e i r a p e r m i t e q u e e s s e d i me n s i o n a m e n t o r e a l i z a d o
a t r a v é s d e e n s a i o s s e j a r e a l i za d o t a n t o e m l a b o r a t ó r i o s n a c i o n a i s
quanto e m la boratórios es trangeiros . E m c as o de a loc alidade
45

d i s p o r d a p r ó p r ia n o r m a t i z a ç ã o p a r a a r e a l i za ç ã o d e s s e s e n s a io s ,
p o d e - s e u t i l i za r a o r i e n t a ç ã o d a m e s ma . E m c a s o d e n ã o h a v e r
u ma nor ma disponív el, a N BR 14323/2003 dev erá ser a
orientadora do processo.

5.2 MODELAGEM COMPUTACIONAL

Se g u n d o NBR 14323/2003, “O di mens iona mento por me i o de


métodos analít ic os dev e s er feito le v ando -s e em c ons ideraç ão que
a s p r o p r i e d a d e s m e c â n i c a s d o a ç o e d o c o n c r e t o , a e x e mp l o d e
o u t r o s ma t e r i a i s , d e b i l i t a m - s e p r o g r e s s iv a me n t e c o m o a u m e n t o
d e t e mp e r a t u r a e c o mo c o n s e q ü ê n c i a , p o d e o c o r r e r o c o l a p s o d e
um e lemento es trutural ou ligação c o mo resultado de s ua
inc apac idade de res is tir às aç ões aplic adas .”

Es s a anális e n o r ma l m e n t e requer o uso de ferramentas


c o mp u t a c i o n a i s a v a n ç a d a s a f i m d e e f e t i v a r o d e s e n v o lv i me n t o d o
modelo e m c onjunto c om a s ituaç ão em que s e des eja s imular. No
c a s o d a s i t u a ç ã o d e i n c ê n d i o , d e v e - s e mo d e l a r t a n t o o s e f e i t o s d e
c a r r e g a me n t o a que a es trutura está s ubmetida quanto ao
a mb i e n t e q u e a s c o n d i ç õ e s d e i n c ê n d i o c r i a m e m c a s o r e a l .

N e s s a s c o n d i ç õ e s , a lé m d e c o n s i d e r a r o s e f e i t o s p r o v o c a d o s p e l o
fogo d i r e t a me n t e na es trutura, as c ondiç ões de a b s o rç ã o e
e mi s s iv i d a d e q u e s ã o n a t u r a i s d o e l e m e n t o e s t r u t u r a l , a s s i m c o mo
de ele mentos que o rodeia m dev em s er c ons iderados . Por c onta
d a c o m p l e x i d a d e e q u a n t i d a d e d e c á l c u l o s q u e s e n e c e s s i t a f a ze r
p a r a q u e s e t e n h a u m m o d e lo c o m u m a m a i o r a p r o x i m a ç ã o d a
s i t u a ç ã o r e a l , é q u e s e d e v e u t i l i za r u m s o f t w a r e a v a n ç a d o p a r a a
a mo d e l a g e m e análise da estrutura, c ons iderando as
46

c o mp l e x i d a d e s d o c a r r e g a me n t o e c o mp o r t a m e n t o d o s m a t e r i a i s e
e l e me n t o s e s t r u t u r a i s .

D e s s e mo d o , a e s c o l h a d e u m p r o g r a ma c o m r e s u l t a d o s c o n f i á v e i s
é de funda mental i mportânc ia. E seus res ultados podem ser
c o n f r o n t a d o s c o m o s j á o b t id o s d e f o r ma a g a r a n t i r a a c e i t a ç ã o
d o s r e s u l t a d o s d e u ma s i mu l a ç ã o e m c o n d i ç õ e s d i f e r e n c i a d a s à s
d o t e s t e . P a r a s e g a r a n t i r a e f e t iv i d a d e d o p r o c e s s o , o s e l e m e n t o s
que f a ze m parte do processo de s i mu l a ç ã o dev em ser bem
c o n h e c i d o s , p e l o u s u á r i o , a s s i m c o mo a s e x i g ê n c i a s d a N B R
quanto à modelage m.

O u t r o e l e me n t o f a c i li t a d o r n a c o m p r e e n s ã o d o s r e s u l t a d o s é a
f e r r a me n t a g r á f i c a q u e a ma i o r i a d o s p r o g r a ma s c o me r c i a i s j á
p o s s u i e s s e s i s t e ma d e r e p r e s e n t a ç ã o . C o m e l a , t o r n a - s e v is u a l o
e f e it o gerado pela s i mu l a ç ã o numéric a, sem que se p r e c is e
estudar a p r o f u n d a d a me n t e o modelo de apresentação de
resultados em que se encontram os resultados de s aída do
p r o g r a ma .

Dis pondo- s e de u m s oft ware que e nglobe es s as v antagens , dev e -


se c ons truir o mo d e l o estrutural, le mbrando- s e que as
p r o p r i e d a d e s d o a ç o s e d e g r a d a m c o m o a u me n t o d a t e m p e r a t u r a .
Se n d o a s s i m , o s i mu l a d o r d e v e d i s p o r d e e l e me n t o s e m q u e s e
pos s am e mpregar os fatores , que podem estar dispostos em
normati zaç ão estrangeira ou nacional, para a redução das
propriedades da es trutura.
47

5.3 MÉTODO SIMPLIFICADO NBR 14323/2003

A Nor ma também apresenta sua me t o d o l o g i a para o


d i me n s i o n a m e n t o das es truturas em s ituaç ão de incêndio ,
c o n s i d e r a n d o o s e f e i t o s d a a l t a t e m p e r a t u r a c o mo c a r r e g a me n t o
n o s e l e me n t o s e s t r u t u r a i s , a s s i m c o mo a e l e m e n t o s q u e p o d e m
s e r c o n s i d e r a d o s i s o l a n t e s t é r m i c o s d e u ma p e ç a e m q u e s t ã o . E l a
trabalha conjugada c om as normas c u jo s ma t e r i a i s a m e s ma
abrange.

Es s e mé t o d o é a p l i c á v e l e m r e l a ç ã o a o s e l e me n t o s d e a ç o , à s
peç as c ons tituídas por barras prismátic as c ons tituídas por perfis
la minados e s oldados não- híbridos .

C o mo a N BR 14323/2003 trás suas c ons ideraç ões sobre a


d e t e r i o r a ç ã o d o a ç o c o mo o s e f e i t o s d a s a l t a s t e m p e r a t u r a s , a s
normas c orres pondentes ao dimens iona mento de ele mentos
es truturais de c ada tipo de mater ial dev e s er s eguida para as
v erific aç ões do ELU (es tado li mite últi mo). Ainda a s s i m, é
permis s ív el que s e c ons ulte a normati zaç ão es trangeira para a
obtenç ão dos dados referentes à deterioraç ão das propriedades .

Pa r a a c o n t i n u i d a d e d o d i m e n s i o n a me n t o , d e v e - s e c o n s u l t a r a
n o r m a a d e q u a d a a o p r o c e d i me n t o r e f e r e n t e a c a d a t i p o d e p e ç a
e s t r u t u r a l . S e n d o a s s i m, a s N BR 8 8 0 0 / 2 0 0 8 e N BR 1 4 7 6 2 d e v e m
ser c ons ultadas para os e l e me n t o s c ons tituídos de aço, a
depender do tipo de perfi l que s e des eje us ar, s eja ele de paredes
f i n a s o u p e r f i s c o n v e n c i o n a i s ( s o l d a d o s o u l a mi n a d o s ) .
48

Cons iderando o que o es c opo des s e trabalho s e enquadra apenas


n o d i m e n s i o n a me n t o d e p e ç a s me t á l i c a s l a mi n a d a s o u s o l d a d a s ,
apenas as c ons ideraç ões s obre a NBR 8 800/2008 s er ão tratadas
na s eqüenc ia do trabalho.

5.3.1 Considerações Iniciais

O s e s f o rç o s s o l i c i t a n t e s d e c á lc u l o p o d e m s e r o b t i d o s p o r m e i o d e
anális e es trutural elás tic a, des prezando - s e os efeitos globais de
s e g u n d a o r d e m. A s s i t u a ç õ e s e m q u e e s s e s e f e i t o s d e v e m s e r
c ons iderados s ão ex plic itados na Norma.

O mé t o d o c o n s i d e r a a d i s t r i b u i ç ã o u n i f o r me d a t e m p e r a t u r a a o
l o n g o d a s e ç ã o e t a mb é m a o l o n g o d o c o mp r i m e n t o d a p e ç a
e s t r u t u r a l . E m c a s o d e d i s t r i b u i ç ã o n ã o - u n i f o r m e d e v e - s e u t i l i za r
p r o c e d i me n t o s f a v o r á v e i s à s e g u r a n ç a .

Sã o o s d a d o s d a e s t r u t u r a p a r a o d i me n s i o n a m e n t o à t e m p e r a t u r a
a mb i e n t e d e 2 0 ° C :

 Módulo de E las tic idade (E): 200 G Pa

 Coefic iente de Pois s on (ν ): 0,3

 M ó d u l o d e E l a s t i c i d a d e T r a n s v e rs a l ( G ) : 7 7 G P a

 Coefic iente de d ilataç ão tér mic a ( β) : 12x 10-5/°C

 M a s s a e s p e c í f i c a ( ρ ) : 7 8 5 0 kg / m 3
49

As seguintes c ons ideraç ões s ão feitas para a resistência ao


e s c o a me n t o e m ó d u l o d e e l a s t i c i d a d e :

 Pa r a t a x a s d e a q u e c i m e n t o e n t r e 2 ° C / m i n . e 5 0 ° C / m i n . , o
quadro 5.1 fornec e fatores de reduç ão, relativ os aos v alores
a 20°C, para a resistência ao e s c o a me n t o dos aços
l a m i n a d o s , e o mó d u l o d e e l a s t i c i d a d e d o s a ç o s l a m i n a d o s
e m t e m p e r a t u r a e l e v a d a , r e s p e c t iv a m e n t e , , de modo
que:

f θ
k θ = f 5.1


k θ = E 5.2

Dados:

f θ = R e s i s t ê n c i a a o e s c o a me n t o d o a ç o à t e m p e r a t u r a θ

f = R e s i s t ê n c i a a o e s c o a me n t o d o a ç o à t e m p e r a t u r a d e
20°C

Eθ = M ó d u l o d e El a s t i c i d a d e d o a ç o à t e mp e r a t u r a θ

E= M ó d u l o d e E l a s t i c i d a d e d o a ç o à t e m p e r a t u r a d e 2 0 ° C

O quadro 5.1 mo s t r a os fatores de mu ltip lic aç ão para os


e l e me n t o s m e t á l i c o s á s u a s r e s p e c ti v a s t e mp e r a t u r a s .
50

Quadro 5.1 - Fatores de redução para o aço, NBR 14323/2003 – Tabela 1

Temperatura do Fator de redução Fator de redução


Aço para a resistência para o módulo de
θa ao escoamento elasticidade dos
(°C) dos aços aços laminados
laminados kE,θ
ky,θ
20 1,000 1,0000
100 1,000 1,0000
200 1,000 0,9000
300 1,000 0,8000
400 1,000 0,7000
500 0,780 0,6000
600 0,470 0,3100
700 0,230 0,1300
800 0,110 0,0900
900 0,060 0,0675
1000 0,040 0,0450
1100 0,020 0,0225
1200 0,000 0,0000

E m c a s o d e a t e mp e r a t u r a n ã o e s t a r d e v i d a me n t e l i s t a d a e m
a l g u ma t a b e l a p o d e - s e f a ze r u ma i n t e r p o l a ç ã o l i n e a r d o s v a l o r e s
e n c o n t r a d o s . Po d e - s e t a mb é m u t i l i za r a s c u rv a s mo s t r a d a s n a
f i g u r a 5 . 5 p a r a s e o b t e r o s f a t o r e s d e mu l t i p l i c a ç ã o a d e q u a d o s à
situação.

Outra for ma permitida para a d e t e r mi n a ç ã o desses me s mo s


v a l o r e s é a g e r a ç ã o d o p o l i n ô m i o q u e m a i s s e a p r o x i ma d e s s a
c urv a, em c as o de s er requerida uma prec is ão mili mé tric a para a
r e a l i za ç ã o d o e x p e r i me n t o e n ã o s e d i s p o r d e u m s o f t w a r e q u e
trate dados utili zando es s a metodologia.
51

REDUÇÃO PERCENTUAL DAS PROPRIEDADES DO AÇO- NBR 14323

100,00%

90,00%
FATOR DE REDUÇÃO DAS PROPRIEDADES

80,00%

70,00%

60,00%

50,00% ky
kE
40,00%

30,00%

20,00%

10,00%

0,00%
0 100 200 300 400 500 600 700 800 900 1000 1100 1200

TEMP (°C)

Figura 5. 5 – Fatores de redução para os elementos de aço – Segundo a NBR 14323/2003

Es s e s c o e f i c i e n t e s d e v e m s e r u t i l i z a d o s p a r a a d e t e r mi n a ç ã o d o s
e s f o r ç o s r e s i s t e n t e s d a s p e ç a s à d a d a c o n d i ç ã o d e t e mp e r a t u r a . A
t a b e l a 5 . 2 t r á s o s e l e me n t o s c o r r e s p o n d e n t e s à r e d u ç ã o d e d o i s
d o s t i p o s d e e l e me n t o s d e l i g a ç ã o , s o l d a s e p a r a f u s o s .

C o m e s s e s e l e me n t o s p o d e - s e d e t e r m i n a r t a m b é m a s c o n d i ç õ e s
d e d e g r a d a ç ã o e n c o n t r a d a s p a r a a p o i o s s e mi - r í g i d o s e i n c o r p o r á -
l o s à s i mu l a ç ã o d e f o r ma c o e r e n t e e c o m u m g r a u d e a p r o x i ma ç ã o
52

a d e q u a d o a u m a s i mu l a ç ã o d a r e a l i d a d e e m m o d e l a g e m n u m é r i c a
a p r o f u n d a d a d o s i s t e ma .

Tabela 5.2 - Fatores de redução para ligações em soldas filete e parafusos, NBR 14323/2003

Temperatura Fator de redução para a Fator de redução para a


(°C) resistência dos parafusos resistência das soldas de
kb,θ filete
kw,θ
20 1,000 1,000
100 0,968 1,000
150 0,952 1,000
200 0,935 1,000
300 0,903 1,000
400 0,775 0,876
500 0,550 0,627
600 0,220 0,378
700 0,100 0,130
800 0,067 0,074
900 0,033 0,018
1000 0,000 0,000

5.3.2 Barras Submetidas à Força Axial de Tração

As b a r r a s s u b me t i d a s u n i c a me n t e a o s e s f o r ç o s s o l i c i t a n t e s d e
traç ão dev em s er di mens ionadas c o n s i d e r a n d o a me n o r força
dentre as que lev am à ruptura da s eç ão bruta, ou à ruptura da
s eç ão líquida, s endo:
53

k yθ × Ag × fy
Ntrd = γa1 5.3

Onde:

Ntrd = E s f o r ç o r e s is t e n t e d e c á l c u l o

Ag = Área bruta da seção solicitada

A e = Á r e a l í q u i d a e f e t i v a d a s e ç ã o s o l i c i t a d a . Es t a é
d e t e r mi n a d a c o n f o r me o i t e m 5 . 3 . 2 d a N B R 8 8 0 0 / 2 0 0 8

fy = R e s i s t ê n c i a d o a ç o a o e s c o a m e n t o

R e c o me n d a - s e q u e u m a p e ç a f o r m a d a p o r e l e m e n t o s t r a c io n a d o s
não tenha m s ua relaç ão de es beltez ( = ) global s uperior a 300,
s e g u n d o o r i e n t a ç ã o d a N BR 8 8 0 0 / 2 0 0 8 .

L é o m a i o r v a l o r d e c o mp r i m e n t o d e s t r a v a d o .
r é o raio de giração da peça

5.3.3 Barras Submetidas à Força Axial de Compressão

Pa r a d e t e r m i n a r - s e o e s f o r ç o c o m p r e s s iv o r e s is t e n t e d e c á l c u l o ,
que també m está as s oc iado ao estado li mite últi mo de
i n s t a b i li d a d e por flexão, por torção ou por flexo-torção e
flamb agem loc al, dev e s er determin ada por:

χ × Q × Ag × fy
Ncrd = γa1 5.4
54

O nde:

Ncrd = Es f o r ç o r e s is t e n t e d e c á l c u l o

Ag = Á r e a b r u t a d a s e ç ã o s o l i c i t a d a

Q é o fator de reduç ão as s oc iado à f la mbagem loc al,


c a l c u l a d o c o n f o r me o a n e x o F d a N B R 8 8 0 0 / 2 0 0 8 .

χ = Fator de reduç ão as s oc iado à c ompres s ão, c alc ulado


c o n f o r me o i t e m 5 . 3 . 3 d a N B R 8 8 0 0 / 2 0 0 8 .

fy = R e s i s t ê n c i a d o a ç o a o e s c o a m e n t o

R e c o me n d a - s e q u e u ma p e ç a f o r m a d a p o r e l e me n t o s c o mp r i m i d o s
não tenha m s ua relaç ão de es beltez ( = ) global s uperior a
200, tendo:

K é o c o e f i c i e n t e d e f l a mb a g e m f o r n e c i d o p e l o An e x o E d a N B R
8800/2008.

5.3.4 Barras Submetidas à Flexão

Pa r a a s b a r r a s f o r ma d a s p o r p e r f i l I, s u b me t i d a s à f l e x ã o s i m p l e s ,
s ã o t r ê s a s v e r i f i c a ç õ e s q u e s e d e v e l e v a r e m c o n t a n o mo m e n t o
em que se checa os esforços resistentes da me s m a . As
v e r i f i c a ç õ e s s ã o q u a n t o à F l a mb a g e m L a t e r a l p o r T o r ç ã o ( F L T ) ,
F l a m b a g e m L o c a l d a A l m a ( F L A) e F l a mb a g e m L o c a l d a M e s a
55

c o mp r i m i d a (FLM) . Essas verificações es tão dis ponív eis nos


anex os G e H da NBR 8800/2008.

5.3.4.1 Verificações quanto à Flambagem Lateral por Torção (FLT)

Sã o e s t a s a s c o n d i ç õ e s a s e r e m v e r i f i c a d a s q u a n t o a F L T :

k yθ × κ1 × κ2 × Mpl
Mrd = γa1 p a r a λ ≤ λpl 5.5

Cb × kyθ × κ1 × κ2 λ − λpl
Mrd = γa1 × Mpl − (Mpl − Mr) × λr − λpl

Mpl
≤ γa1 p a r a λpl < λ ≤ λr 5.6

Mcr × kEθ × κ1 × κ2 Mpl


Mrd = γa1 ≤ γa1 p a r a λ > 5.7

5.3.4.2 Verificações quanto à Flambagem Lateral da Mesa e Flambagem


Local da Alma (FLM e FLA)

Sã o e s t a s a s c o n d i ç õ e s a s e r e m v e r i f i c a d a s c o m u n s à F L M e F L A :

k yθ × κ1 × κ2 × Mpl
Mrd = γa1 p a r a λ ≤ λpl 5.8
56

kyθ × κ1 × κ2
Mrd = ≤
λ − λpl
γa1 × Mpl − (Mpl − Mr) × λr − λpl

k yθ × κ1 × κ2 × Mpl
γa1 p a r a λpl < λ ≤ λr 5.9

N o c a s o d o mo m e n t o c r í t i c o , o n d e o v a l o r d e λ é ma i o r q u e o d e
λ r , a s v e r i f i c a ç õ e s p a r a a F L M e F L A , s e d i f e r e n c ia m . P a r a
t r a t a r - s e d a F L M , o p r o c e d i m e n t o é d a s e g u i n t e f o r ma :

Mrd = Mcr γa1 p a r a λ > 5.10

P a r a t r a t a r - s e d a F L A , u s a - s e o p r o c e d i me n t o i n d i c a d o n o
anexo H da NB R 8800/2008.

O nde:

Mrd = E s f o r ç o r e s i s t e n t e d e c á l c u l o

Mpl = M o m e n t o f l e t o r d e p l a s t i f i c a ç ã o d a s e ç ã o t r a n s v e r s a l

Mcr = M o m e n t o c r í t i c o d e f l a m b a g e m e l á s t i c a

Cb = F a t o r d e m o d i f i c a ç ã o p a r a d i a g r a m a d e m o m e n t o f l e t o r n ã o
u n i f o r me a o l o n g o d a s e ç ã o .
57

Pa r a situações em que se encontre m atuando em conjunto


es forç os ax iais e de flex ão, em rel aç ão às s eç ões dimens ionadas
a o s EL U , d e v e m s e r f e i t a s a s s e g u i n t e s v e r i f i c a ç õ e s :

Se Ncrd × 0,2 ≤ Nsd, v e r if ic a -s e a c o n d iç ã o :

Nsd Mxsd Mysd


× Mxrd + Myrd ≤ 1 5.11
Ncrd + 8 9

Se Ncrd × 0,2 > , a c o n d iç ã o é a s e g u in t e

Nsd Mxsd Mysd


Ncrd + Mxrd + Myrd ≤ 1 5.12

5.3.5 Barras Submetidas ao Esforço Cortante

P a r a o s p e r f i s d o t i p o I , H e U , q u a n d o e s t ã o s u b me t i d o s a o
e s f o r ç o d e f l e x ã o e m t o r n o d o e i x o q u e p a s s a p e l o p l a n o m é d io
d a a l m a , f a z- s e a p e n a s u m a v e r i f i c a ç ã o

Vrd = kyθ Vpl 5.13

O nde:
58

Vrd = E s f o r ç o r e s i s t e n t e d e c á l c u l o p a r a a s i t u a ç ã o d e
incêndio

Vpl = Es f o r ç o d e p l a s t i f i c a ç ã o d e t e r mi n a d o s e g u n d o a
orientaç ão da NB R 8800/2008
59

6 ESTUDO DE CASO

6.1 APRESENTAÇÃO DO CASO ESTUDADO

O c a s o e s t u d a d o c o n c e n t r a - s e n o p ó r t i c o u t i l i za d o p o r A r a ú j o
(1993) em seu estudo do di mens iona mento de es truturas
m e t á l i c a s , c o mp a r a n d o a m e t o d o l o g i a e mp r e g a d a p e l a s d iv e rs a s
normas de es trutura metál ic a da é poc a : NBR 8800/86, A ISC 86,
C A N 3 - S 1 6 . 1 - M 8 4 e E C C S/ 8 1 . A s f i g u r a s 6 . 1 e 6 . 2 mo s t r a m o
p ó r t i c o mo d e l o e m q u e s e r á r e a l iz a d o o e s t u d o e t a m b é m s u a
f o r ma s i m p l i f i c a d a r e s p e c t iv a me n t e .

Figura 6.1– Pórtico completo estudado por Araújo (1993)


60

Figura 6.2– Simplificação do pórtico estudado por Araújo (1993)

Pa r a a p r i me i r a etapa de cálculo, considerando do pórtico


c o mp l e t o , A r a ú j o o u s o u p a r a r e a l i z a r a t r a n s f e r ê n c i a d e c a r g a
das es truturas adjac entes para o pórtico central e assim
d i me n s i o n a r a l g u m a s d e s u a s p e ç a s a o s e s f o r ç o s a t u a n t e s . As
cargas atuantes, me s mo que quando em efeito de pré
d i me n s i o n a m e n t o , f o r a m a s me s m a s t o ma d a s p o r A r a ú j o ( 1 9 9 3 ) .

D e s s a f o r ma , o e s t u d o s e r á r e a l i z a d o c o n s i d e r a n d o u m i n c ê n d i o
oc orrendo no pav imento térreo da área c orres pondente a es s e
m e s mo p ó r t i c o . A t e m p e r a t u r a a p l i c a d a f o i a d o t a d a s e g u n d o o s
ens aios de Zhao (2000), us ando duas de s uas c urv as c om v alores
d e t e mp e r a t u r a s n a s r e g i õ e s d o s p i l a r e s e n a s v i g a s . A f i g u r a 7 . 3
mos tra das c urv as obtidas por Zhao ( 2000), as que s erão
utiliz adas nes s e trabalho.
61

Variações de Temperatura por tempo


600
550
500
450
400
Temperatura (°C)

350
Região externa do Pilar
300
Regiao Interna do Pilar
250
Região Inferior da Viga
200
Região superior da Viga
150
100
50
0
0 5 10 15 20 25
Tempo (min)

Figura 6.3– Curvas de Ganho de Temperatura segundo Zhao (2000)

A e s c o l h a d a c u rv a p r o p o s t a p o r Zh a o ( 2 0 0 0 ) s e d e v e a o f a t o d e
s e t e r s i d o me d i d a a v a r i a ç ã o d e t e m p e r a t u r a n o s e l e m e n t o s
a t r a v é s d e d iv e r s o s t e s t e s p a r a a d e t e r m i n a ç ã o d o p o n t o d e
plas tific aç ão feito por ele. Além disso, pode-se c onhec er a
temperatura presente nas regiões dos e l e me n t o s de f orma
d i s t i n t a . C a s o a e s t r u t u r a f o s s e s u b me t i d a a o i n c ê n d i o p a d r ã o , a s
taxas de a q u e c i me n t o seriam mais elev adas do que as
temperaturas obtidas por Zhao (200 0). A f igura 6.4 po de i lus trar a
c o mp a r a ç ã o e n t r e a s c u r v a s d e Z h a o ( 2 0 0 0 ) e o i n c ê n d i o p a d r ã o .
62

Variações de Temperatura por tempo


900
850
800
750
700
650
600
Temperatura (°C)

550
500 Curva 1 - Pilar Ext
450 Curva 2 - Pilar Int
400
350 Curva 5 - Vig Inf
300
250 Curva 6 - Vig Sup
200
150 Curva de Incêndio Padrão
100
50
0
0 5 10 15 20 25
Tempo (min)

Figura 6.4– Curvas de Ganho de Temperatura segundo Zhao (2000) incêndio padrão

As c o m b in a ç õ e s d e a ç õ e s p a r a o d im e n s i o n a m e n t o d a s p e ç a s p a r a
o e s t a d o l i mi t e ú l t i m o f o r a m r e a l i z a d a s s e g u n d o a o r i e n t a ç ã o d a
NBR 8 800/2008 para a d ec is ão das piores s ituaç ões de
c a r r e g a me n t o e m q u e s e p o d e r i a m t e r c a d a e l e me n t o e s t r u t u r a l
c o n s i d e r a d o n e s s e t r a b a l h o . F o r a m a s c o mb i n a ç õ e s u t i l i za d a s :

Sd1 = γg × Fgk + γq × Fqpp 6.1

Sd2 = γg × Fgk + γq × Fqw 6.2

Sd3 = γg × Fgk + γq × Fqsc + γq × Fqw × ψ0 6.3

Sd4 = γg × Fgk + γq × Fqpp × ψ0 + γq × Fqw 6.4

Se n d o o e s c o l h i d o c o n s i d e r a n d o o ma i o r e s f o r ç o e n c o n t r a d o
p a r a c a d a e l e me n t o e n t r e e s s a s c o m b i n a ç õ e s
63

Onde:

Sdi = C o m b i n a ç ã o d e a ç õ e s c o r r e n t e

γg = C o e f i c i e n t e d e m a j o r a ç ã o d a s c a r g a s p e r m a n e n t e s

γq = C o e f i c i e n t e d e m a j o r a ç ã o d a s c a r g a s a c i d e n t a i s

Fgk = E s f o r ç o a t u a n t e c a r a c t e r í s t ic o p e r m a n e n t e

Fqw = E s f o r ç o a t u a n t e c a r a c t e r í s t i c o a c i d e n t a l g e r a d o p e lo
vento

Fqsc = Es f o r ç o a t u a n t e c a r a c t e r í s t i c o a c i d e n t a l g e r a d o p e l a
s obrec arga

ψ0 = C o e f i c i e n t e d e m i n o r a ç ã o p r o e m i n e n t e d a p r o b a b i l i d a d e
de oc orrênc ia das aç ões máx imas ac identais e m c onjunto.

D e s t a f o r ma , p a r a o d i me n s i o n a m e n t o e m s i t u a ç ã o d e e s t a d o s
l i m i t e s ú l t i m o s , f o r a m e n c o n t r a d o s o s p e r f is e p r o p r i e d a d e s d a
tabela 6.1 atendendo aos requis itos de s eguranç a . Os dados que
es pec ific am os perfis es tão na tabel a 6.2.

Tabela 6.1 – Material escolhido para o estudo de caso

fy 250 (MPa)
fu 450 (MPa)
Viga (6) Perfil 450x60
Pilares (1 e 2) Perfil 500x73
64

Tabela 6.2 – Dimensões dos perfis para a simulação

Perfil / Dados 450 x 60 500 x 73


bf (mm) 450 500
h (mm) 200 250
tf (mm) 12,5 12,5
tw (mm) 6,3 6,3

A c las s ific aç ão da obra para as c ombinaç ões de aç ões s egundo as


NBR 8800 /2008 e s egundo a NBR 14323/2003 foi a de to mar a
e s t r u t u r a c o mo u m l o c a l s e m p r e d o mi n â n c i a d e p e s o s f i x o s p o r
longos períodos de te mpo e ne m e lev adas c onc entraç ões de
p e s s o a s , o m e s mo c r i t é r i o a d o t a d o p o r A r a ú jo ( 1 9 9 3 ) p a r a o s e u
e s t u d o . N e s s a s c o n d i ç õ e s , o t e mp o r e q u e r i d o d e r e s i s t ê n c i a a o
fogo (TRRF) dev e s er determinado.

Pa r a a d e t e r mi n a ç ã o d o T R R F , p r o c e d e - s e d a s e g u i n t e ma n e i r a ,
s e g u n d o a o r i e n t a ç ã o d a N B R 1 4 4 3 2 / 2 0 0 0 – An e x o A : V e r i f i c a - s e
o tipo de oc upaç ão para que a mes ma é des tinada; Verific a as
d i me n s õ e s q u a d r a d a s d e c a d a p a v im e n t o a c i m a d o s o l o ; V e r i f i c a -
se o c a r r e g a me n t o de incêndio; V e r i f i c a m- s e os tipos de
edific aç ão is entas à condição de v erificação. Depois de
analis ados tais c as os , rec orre -s e ao à indic aç ão da tabela A. 1
p a r a c o mb i n a r a s c o n d iç õ e s e n c o n t r a d a s e a s s i m d e t e r m i n a r o
TRRF.

A es trutura foi c las s ific ada da s eguinte forma, s egundo a NB R


14332/2000: para as edificações de m e s ma característica da
c l a s s i f i c a ç ã o e d e t e r mi n a ç ã o d o T R R F , f o i a d o t a d o q u e a á r e a d o s
p a v i me n t o s f o s s e i n f e r i o r a 7 5 0 m 2 , e j á s a b e n d o q u e a a l t u r a d a
e d i f i c a ç ã o é i n f e r i o r a 1 2 m ( C l a s s e P2 ) , t e m - s e c o mo T R R F o
t e m p o d e 3 0 m i n u t o s e x i g i d o p e l a n o r ma . P a r a t a l , a c o m b i n a ç ã o
utiliz ada para o di mens iona me nto em situação de alta
temperatura:
65

Sd = γg × Fgk + Fqexc + 0,28 × Fqk 6.5

Onde:

Sd = C o m b i n a ç ã o d e a ç õ e s c o r r e n t e

Fgk = E s f o r ç o a t u a n t e c a r a c t e r í s t ic o p e r m a n e n t e

γg = C o e f i c i e n t e d e m a j o r a ç ã o d a s c a r g a s p e r m a n e n t e s

Fqexc = E s f o r ç o g e r a d o p e la t e m p e r a t u r a

Fqk = E s f o r ç o a t u a n t e c a r a c t e r í s t i c o g e r a d o p e l a s d e m a i s
c argas ac identais

O s o f t wa r e u t i l i za d o para a modelage m foi a versão 2.12


es tudantil do Ftool. Para a obten ç ão dos res ultados v ia Ftool,
f o r a m m o d e l a d o s o s p ó r t i c o s p a r a c a d a c a s o d e c a r r e g a me n t o
(pes o próprio, c argas ac identais e es forç os gerados por v ento), de
f o r ma que se pudes s e ex trair o esforço i n d iv i d u a l de c ada
e l e me n t o p a r a c a d a t i p o d e s o l i c i t a ç ã o . D e p o s s e d e s s e s d a d o s ,
f e z- s e a s c o mb i n a ç õ e s d e e s f o r ç o s e o d i m e n s i o n a m e n t o p a r a E L U
d o s e l e m e n t o s me t á l i c o s , p a r a e s s a c o n d i ç ã o .

O i n c ê n d i o f o i t o ma d o c o m o a t u a n d o n a r e g i ã o a b a i x o d o e l e me n t o
6 . A n u me r a ç ã o r e f e r e n t e a o s e l e m e n t o s é mo s t r a d a n a f i g u r a 6 . 5
para uma me lhor orientação e av aliaç ão dos c as os . Para a
ex traç ão dos es forç os nes s a c ondiç ão, foi modelado u m quarto
p ó r t i c o , a p e n a s p a r a a s i mu l a ç ã o d e a c r é s c i mo d e t e m p e r a t u r a .
Pa r a o b t e r o s r e s u l t a d o s , e n t r a v a - s e c o m a t e m p e r a t u r a n a a b a
c orres pondente no gráfic o para c ada ele mento no Ftool s eguida
de proc ess amento d e c álc ulos e ex traç ão dos es forç os .
66

Figura 6.5– Estrutura numerada com representação do incêndio

Pa r a a r e a l i z a ç ã o d a s v e r i f i c a ç õ e s c o r r e s p o n d e n t e s a o s e f e i t o s d a
t e m p e r a t u r a n o p ó r t i c o r e f e r i d o , a s v e r i f i c a ç õ e s d o me s m o f o r a m
d i v i d i d a s e m c a s o s e m s e p a r a d o p a r a a me l h o r c o m p r e e n s ã o d o s
res ultados e fac ilitaç ão da obtenção das c onc lus ões quanto aos
m e s mo s . O s c a s o s e s t ã o d iv i d i d o s d a s e g u i n t e f o r ma :

 Caso 1: To mando o pórtic o s i mplific ado e aplic ando a


t e m p e r a t u r a c o n s t a n t e e m t o d o s o s e l e me n t o s . E s s a é a
c o n s i d e r a ç ã o s u g e r i d a e l a N BR 1 4 3 2 3 / 2 0 0 3 .

 Caso 2: T o ma n d o o pórtico s impl ific ado e adotando a


temperatur a gradiente apenas nos pilares, v erific ando
c o n d i ç õ e s a l é m d a c o n s i d e r a ç ã o d a n o r ma .

 Caso 3: T o ma n d o o pórtico s impl ific ado e adotando a


temperatura gradiente nos pilares e nas v igas , es tendendo a
verificação do caso 1;
67

 Caso 4: To mando o pórtico c o mp l e t o e adotando a


t e m p e r a t u r a g r a d i e n t e a p e n a s n o s p i l a r e s , d a m e s ma f o r m a
q u e o e s t u d o r e a l i za d o n o C a s o 1 ;

 Caso 5: To mando o pórtico c o mp l e t o e adotando a


t e m p e r a t u r a g r a d i e n t e n o s p i l a r e s e n a s v i g a s , d a me s m a
f o r ma q u e o e s t u d o r e a l i z a d o n o C a s o 2 ;

6.2 RESULTADOS DO ESTUDO

N e s s e s u b - c a p í t u l o , mo s t r a m - s e o s r e s u l t a d o s o b t i d o s d e e s f o rç o s
já c omb inados pela orientaç ão da NBR 14323 /2003 e m c ada c as o,
para as v ariaç ões de es forç os atuantes quando c omparados aos
e s f o r ç o s r e s is t e n t e s d o s e l e m e n t o s e s t r u t u r a i s , e m s e p a r a d o p a r a
a s v a r i a ç õ e s d e e s f o r ç o s . P a r a t a n t o , s e r ã o d e mo n s t r a d o s a p e n a s
o s e l e m e n t o s e m q u e s e e n c o n t r a m d i r e t a me n t e e m c o n t a t o c o m o
a u me n t o d a t e m p e r a t u r a , o u s e j a , o s e l e me n t o s 1 , 2 e 6 .

6.2.1 O caso 1

As t e n d ê n c i a s e n c o n t r a d a s p a r a e s s e c a s o e m r e l a ç ã o a o e s f o r ç o
d e f l e x ã o n o s e l e me n t o s e s t ã o d e m o n s t r a d a s n a f i g u r a 6 . 6 . N e l a
p o d e - s e n o t a r o e n c o n t r o e n t r e o s d i a g r a ma s d a p e ç a q u e f o r m a o
p i l a r a u m a t e m p e r a t u r a p r ó x i ma d o s 5 5 0 ° C .
68

Flexão nos elementos 1 e 2 Flexão no elemento 6


Esforços Solicitantes Esforços Resistentes Esforços Solicitantes Esforços Resistentes

500 500

Esforços (kN x m)
Esforços (kN x m)

400 400
300 300
200 200
100 100
0
0
0 200 400 600
0 200 400 600
Temperatura (°C)
Temperatura (°C)

Figura 6.6– Resultados de flexão para o caso 1

A figura 6.7 trás os res ultados para as c ondiç ões de es forç o ax ial
enc ontrados para o c as o 1. Nesse c as o, apenas os v alores de
c o mp r e s s ã o f o r a m u t i l i z a d o s p a r a e s s e e v e n t o .

Compressão nos elementos 1 e Compressão no elemento 6


2
Esforços Resistentes Esforços Solicitantes
Esforços Solicitantes Esforços Resistentes
2000,0
2000
1500,0
Esforços (kN)

1500
Esforços (kN)

1000 1000,0

500 500,0
0 0,0
0 200 400 600 0 200 400 600
Temperatura (°C) Temperatura (°C)

Figura 6.7– Resultados de compressão para o caso 1

Nota-se que ocorre o enc ontro entre os diagramas para os


e l e me n t o s d e p i l a r e s t a m b é m j á n a s p r o x i m i d a d e s d o s 5 5 0 ° C .

A figura 6.8 trata dos res ultados de es forç o c ortante enc ontrados
para o caso 1.
69

Cortantes nos elementos 1 e 2 Cortantes no elemento 6


Esforços Resistentes Esforços Solicitantes Esforços Resistentes Esforços Solicitantes

500,0 500,0
400,0 400,0
Esforços (kN)

Esforços (kN)
300,0 300,0
200,0 200,0
100,0 100,0
0,0 0,0
0 200 400 600 0 200 400 600
Temperatura (°C) Temperatura (°C)

Figura 6.8– Resultados de cortante para o caso 1

Nota-se que ocorre o enc ontro entre os diagramas para os


e l e me n t o s d e p i l a r e s t a m b é m j á n a s p r o x i m i d a d e s d o s 6 0 0 ° C .

6.2.2 O caso 2

As tendênc ias enc ontradas para ess e c as o em relaç ão ao es forç o


de flex ão nos ele mentos es tão demons tradas na figura 6. 9. Ne la
p o d e - s e n o t a r o e n c o n t r o e n t r e o s d i a g r a ma s d a p e ç a q u e f o r m a o
p i l a r a u ma t e m p e r a t u r a p r ó x i m a d o s 2 0 0 ° C p a r a o s e l e me n t o s 1
e 2 e p r ó x i mo a o s 5 0 0 ° C p a r a o e l e m e n t o 6 .

Flexão nos elementos 1 e 2 Flexão no elemento 6


Esforços Solicitantes Esforços Resistentes Esforços Solicitantes Esforços Resistentes

900 500
800
Esforços ( kN xm)

700 400
Esforços (kN x m)

600
500 300
400
300 200
200
100 100
0 0
0 100 200 300 400 500 600
0 100 200 300 400 500 600
Temperatura (°C) Temperatura (°C)

Figura 6.9– Resultados de flexão para o caso 2


70

A figura 6.10 trás os res ultados para as c ondiç ões de es forç o


axial enc ontrados para o caso 2. Es ta não difere tão
c ons iderav elmente da enc ontrada n o c as o 1.

Compressão nos elementos 1 e 2 Compressão no elemento 6


Esforços Solicitantes Esforços Resistentes Esforços Resistentes Esforços Solicitantes

2000 2000,0
1500 1500,0
Esforços (kN)

Esforços (kN)
1000 1000,0
500 500,0
0 0,0
0 200 400 600 800 0 200 400 600
Temperatura (°C) Temperatura (°C)

Figura 6.10– Resultados de compressão para o caso 2

A figura 6.11 trata dos res ultados de es forç o c ortante enc ontrados
para o caso 2.

Cortante nos elementos 1 e 2 Cortante no elemento 6


Esforços Resistentes Esforços Solicitantes Resistentes Solicitantes

500,0 500,0
400,0 400,0
Esforços (kN)

Esforços (kN)

300,0 300,0
200,0 200,0
100,0 100,0
0,0 0,0
0 200 400 600 0 200 400 600
Temperatura (°C) Temperatura (°C)

Figura 6.11– Resultados de cortantes para o caso 2

E s t e s t a mb é m n ã o d i f e r e m d o s r e s u l t a d o s e n c o n t r a d o s n o c a s o 1
e é u m a o b s e r v a ç ã o s i g n i f i c a t iv a p a r a a c o n f i g u r a ç ã o e s t u d a d a .
71

6.2.3 O caso 3

A f i g u r a 6 . 1 2 mo s t r a o s r e s u l t a d o s d e f l e x ã o n o s e l e m e n t o s . A q u i
j á é p o s s í v e l i d e n t i f i c a r q u e a mb o s o s e l e me n t o s e s t ã o t e n d o
i n t e r c e p t a ç õ e s e n t r e s e u s r e s p e c t i v o s d i a g r a ma s a t e m p e r a t u r a s
inferiores a 200°C.

Flexão nos elementos 1 e 2 Flexão no elemento 6


Esforços Resistentes Esforços Solicitantes Solicitantes Resistentes

700,0 700
600,0 600
Esforços (kN x m)

Esforços (kN x m)
500,0 500
400,0 400
300,0 300
200,0 200
100,0 100
0,0 0
0 100 200 300 400 500 600 0 100 200 300 400 500 600
Temperatura (°C) Temperatura (°C)

Figura 6.12– Resultados de flexão para o caso 3

A figura 6.13 trás os res ultados para as c ondiç ões de es forç o


ax ial enc ontrados para o c as o 3.

Compressão nos elementos 1 e 2 Compressão no elemento 6


Esforços Resistentes Esforços Solicitantes Esforços Resistentes Esforços Solicitantes

2000,0 2000,0
1500,0 1500,0
Esforços (kN)

Esforço (kN)

1000,0 1000,0
500,0 500,0
0,0 0,0
0 200 400 600 800 0 200 400 600
Temperatura (°C) Temperatura (°C)

Figura 6.13– Resultados de compressão para o caso 3


72

A figura 6.14 trata dos res ultados de es forç o c ortante enc ontrados
para o caso 3.

Cortante nos elementos 1 e 2 Cortante no elemento 6


Esforços Resistentes Esforços Soliciatantes Esforços Resistentes Esforços Solicitantes

500,0 500,0

400,0 400,0
Esforço c (kN)

Esforço (kN)
300,0 300,0

200,0 200,0

100,0 100,0
0,0 0,0
0 200 400 600 800 0 200 400 600
Temperatura (°C) Temperatura (°C)

Figura 6.14– Resultados de cortante para o caso 3

6.2.4 O caso 4

A f i g u r a 6 . 1 5 mo s t r a o s r e s u l t a d o s d e f l e x ã o n o s e l e m e n t o s . A q u i
j á é p o s s í v e l i d e n t i f i c a r q u e a mb o s o s e l e me n t o s e s t ã o t e n d o
i n t e r c e p t a ç õ e s e n t r e s e u s r e s p e c t i v o s d i a g r a ma s a t e m p e r a t u r a s
pouco além dos 100°C.

Flexão nos elemenos 1 e 2 Flexão no elemento 6


Esforços Solicitantes Esforços Resistentes Esforços Solicitantes Esforços Resistentes

1000 500
Esforços (kN x m)

400
Esforços (kN x m)

800
600 300
200
400
100
200
0
0
0 100 200 300 400 500 600
0 100 200 300 400 500 600
Teperatura (°C)
Temperatura (°C)

Figura 6.15– Resultados de flexão para o caso 4


73

N o t a - s e , p o r é m, q u e p a r a o e le m e n t o 6 , o c o m p o r t a m e n t o d o s
d i a g r a ma s é s e me l h a n t e a o c a s o 2 .

A f i g u r a 6 . 1 6 m o s t r a a s v a r i a ç õ e s d o s e s f o r ç o s d e c o mp r e s s ã o
para o caso 4.

Compressão nos elementos 1 e 2 Compressão no elemento 6


Esforços Solicitantes Esforços Resistentes Esforços Solicitantes Esforços Resistentes

2000 2000
Esforços (kN)

Esforços (kN)
1500 1500
1000 1000
500 500
0 0
0 200 400 600 0 200 400 600
Temperatura (°C) Temperatura (°C)

Figura 6.16– Resultados de compressão para o caso 4

As v ariaç ões enc ontradas para o efeito c ortante no c as o 4 s ão


mos tradas na figura 6.17.

Cortante nos elementos 1 e 2 Cortante no elemento 6


Esforços Solicitantes Esforços Resistentes Esforços Solicitantes Esforços Resistentes

500 500
400 400
Esforços (kN)

Esforços (kN)

300 300
200 200
100 100
0 0
0 200 400 600 0 200 400 600
Temperatura (°C) Temperatura (°C)

Figura 6.17– Resultados de cortante para o caso 4


74

6.2.5 O caso 5

A figura 6 .18 é a res pons áv el pelos res ultados dos es forç os de


flexão para o c aso 5.

Flexão nos elementos 1 e 2 Flexão no elemento 6


Esforços Resistentes Esforços Solicitantes Esforços Solicitantes Esforços Resistentes

1000,0 800
Esforços (kN x m)

Esforços (kN x m)
800,0 600
600,0
400
400,0
200,0 200
0,0 0
0 100 200 300 400 500 600 0 100 200 300 400 500 600
Temperatura (°C) Temperatura (°C)

Figura 6.18– Resultados de flexão para o caso 5

N a f i g u r a 6 . 1 9 e s t ã o o s e s f o r ç o s a x ia i s p a r a o c a s o 5

Compressão nos elementos 1 e 2 Compressão no elemento 6


Esforços Resistentes Esforços Solicitantes Esforços Solicitantes Esforços Resistentes

2000,0 2000
Esforços (kN)

1500,0 1500
Esforços (kN)

1000
1000,0
500
500,0 0
0,0 0 200 400 600
0 200 400 600 Temperatura (°C)
Temperatura (°C)

Figura 6.19– Resultados de compressão para o caso 5

A figura 6 .20 apres enta os res ultados de c ortante para o c as o 5.


75

Cortante nos elementos 1 e 2 Cortante no elemento 6


Esforços Resistentes Esforços Solicitantes
Esforços Solicitantes Esforços Resistentes
500,0
500
400,0
Esforços (kN)

300,0 400

Esforços (kN)
200,0 300
100,0 200
0,0 100
0 200 400 600 800 0
Temperatura (°C) 0 200 400 600
Temperatura (°C)

Figura 6.20– Resultados de cortante para o caso 5

6.3 DISCUSSÃO

A N BR 14323 apres enta sua avaliação de funcionabilidade


estrutural para as c ondiç ões de inc êndio. Para tanto, ness e
m é t o d o s i mp l i f i c a d o , e la p r o p õ e q u e s e j a t o ma d a a e l e v a ç ã o d e
t e mp e r a t u r a c omo c ons tante em todo o e le mento estrutural
durante o aquec i mento. Alé m dis s o, es s e mes mo método a d mite
q u e c a d a e l e m e n t o c o mp o n e n t e d a e s t r u t u r a d e v e s e r a v a l i a d o
i n d i v i d u a l me n t e d u r a n t e o p r o c e s s o d e d i m e n s i o n a m e n t o , e p a r a
es s e proc ess o, a c urv a adotada para o me s m o p o d e s e r a c u r v a
de inc êndio padrão. Para tanto, os es forç os res is tentes de c álc ulo
n ã o d e v e m s e r t o m a d o s c o mo m a i o r e s d o q u e o s e n c o n t r a d o s n a s
r e s p e c t iv a s n o r ma s d o s e l e m e n t o s . N e s s a s c o n d i ç õ e s , c a s o o
esforço solicitante venha a superar o res is tente é
automatic a mente dec retado o c olap s o da peç a , não c ons iderando,
n o e n t a n t o , a f o r ma ç ã o d e u ma r ó t u l a p l á s t i c a n a me s ma , q u e
p o d e e s t e n d e r o p e r í o d o d e v i d a ú t il d a e s t r u t u r a a o n e c e s s á r i o , e
p o r c o n s e q ü ê n c i a d a e s t r u t u r a e m q u e a me s m a s e e n c o n t r a .

O caso 1, que seguiu mais rigoros amente as s uges tões


d i s p o n i b i l i z a d a s p e l a N B R 1 4 3 2 3 / 2 0 0 3 , o s g r á f i c o s mo s t r a r a m q u e
a r e l a ç ã o e n t r e o s e s f o r ç o s s o li c i t a n t e s e r e s i s t e n t e s t iv e r a m u m a
c o n f i g u r a ç ã o d e mo n s t r a n d o o c o l a p s o e m v a l o r e s p r ó x i m o s d o s
76

5 5 0 ° C p a r a o s e l e me n t o s 1 e 2 , o s q u a i s c o n s t i t u í r a m o s p i l a r e s .
En q u a n t o i s s o , o e l e m e n t o 6 n ã o a p r e s e n t o u u ma p r e o c u p a ç ã o
s i g n i f i c a t i v a q u a n t o a o s e f e i t o s d o a u me n t o d e t e m p e r a t u r a . I s s o
s e d e v e a o f a t o d e q u e a o s e r a n a l i s a d o a t r a v é s d o m o d e lo
s implif ic ado, esse e l e me n t o teve a l ib e r d a d e de dilatar -se e
trans mitir os es forç os d i r e t a me n t e p a r a os me m b r o s que lhe
dav am s uporte.

A projeç ão es ti mada de ac ontec i mento des s e v alor de te mperatura


s i t u a - s e e m t o r n o d o s 9 0 mi n u t o s a p ó s o in í c i o d o p r o c e s s o a t iv o
d e a u me n t o d a t e m p e r a t u r a , e n t ã o , s e g u n d o o s c r it é r i o s d e T R R F
p a r a e s s a e s t r u t u r a , c o n s i d e r a m- s e a t e n d i d o s o s r e q u e r i me n t o s d e
res is tênc ia.

O c a s o 2 , p o r s u a v e z, j á a p r e s e n t a u m a p r e o c u p a ç ã o ma i o r c o m
os elementos c ons tituídos por pilares , já que s eu c olaps o por
flex ão já foi detec tado às prox imidades dos 200 °C, ou s eja,
p o u c o a n t e s d o s 5 mi n u t o s d o p e r í o d o mo s t r a d o n o g r á f i c o d e
e l e v a ç ã o d e t e m p e r a t u r a . Al é m d i s s o , d e t e c t o u - s e a p o s s i b i l i d a d e
d e c o l a p s o s p e l o s d e m a i s e s f o r ç o s ( c o r t a n t e e c o mp r e s s ã o ) p a r a
os arredores dos 550 °C, o que p ode s er antec ipado dev ido ao
colapso local por outro esforço. Al é m disso, notou- s e a
pos s ibilidade de c olaps o por es forç o de flex ão na v iga ness a
c onfiguraç ão.

Pa r a esse c as o, segundo a diretriz da NB R 14323/2003, a


es trutura não atende aos requis itos referentes ao TRRF para
es s as c ondiç ões .

O c a s o 3 , j á a p r e s e n t a u ma s i t u a ç ã o m a i s p r e o c u p a n t e a i n d a , j á
que tanto os pilares quanto as v igas apres entaram ruína por
flex ão pouc o alé m dos 150 °C, e, ainda que não s e tenha m mais
preoc upaç ões referentes aos demais es forç os s e tê m o c olaps o
77

d o s e l e me n t o s m u i t o a n t e s d o p r e v i s t o e e m a m b o s o s e l e m e n t o s
e m c a r á t e r q u a s e s i mu l t â n e o , t o r n a n d o - s e mu i t o d if i c u l t o s o a
identif ic aç ão de qual deles c hega a ruir pri meiro. A es s e c as o,
não s ão atendidos os requisitos de TRRF

Pa r a o c a s o 4 , o e v e n t o é s i m i l a r a o o c o r r i d o n o c a s o 2 , o n d e o s
e l e me n t o s , c o n s i d e r a n d o a s m e s ma s p r e o c u p a ç õ e s , a p r e s e n t a n d o
u ma p e q u e n a d i v e r g ê n c i a q u a n t o a o s v a l o r e s . M a s j á s e p o d e
n o t a r u ma p r o p a g a ç ã o d o s e s f o r ç o s a o s d e ma i s e l e m e n t o s , d e
f o r ma q u e n ã o é i d e n t i f i c a d o o c o l a p s o d o e l e me n t o d e v i g a .
As s i m, a i n f l u ê n c i a d a h i p e r e s t á t i c a d o s c o mp a r t i m e n t o s e m u m
m é t o d o m e n o s s i mp l i f i c a d o d o q u e o a n t e r i o r é p e r c e p t í v e l a t r a v é s
des s es valores. Ainda a s s i m, a es trutura não atende aos
requis itos de TRRF para as c ondiç ões apres entadas .

En q u a n t o i s s o , o c a s o 5 m o s t r a - s e t a mb é m s i m i la r a o c a s o 3 ,
a s s i m c o mo o m o s t r a d o n a s o b s e r v a ç õ e s r e f e r e n t e s a o i t e m 4 ,
u ma p e q u e n a d i v e r g ê n c i a e n t r e o s v a l o r e s e n c o n t r a d o s d e mo n s t r a
també m a influência da h iperes tátic a na redistribuição dos
e l e me n t o s . E , a s s i m c o m o a s ú l t i m a s 3 c o n s i d e r a ç õ e s d e c a s o ,
esta t a mb é m não atende aos requisitos de TR R F para as
c o n d i ç õ e s a p r e s e n t a d a s p o r n o r ma .
78

7 CONCLUSÕES

Quando a es trutura es tá s ob o c arregamento de i nc êndio as


c ondiç ões da s eç ão transversal não estão em te mperaturas
u n i f o r me s a o l o n g o d a m e s ma . D e s s a f o r ma , p o d e - s e e n t e n d e r q u e
para hav er o c olaps o de um ele me nto es trutural, ess a c ondiç ão é
a ma i s s e g u r a q u a n d o s e t r a t a r d a v e r i f i c a ç ã o d a me s m a p a r a a
s ituaç ão de inc êndio, já que a mes ma lev a um menor tempo para
q u e s e t e n h a f o r ma d o o c o l a p s o .

Po r t a n t o , o t r a t a m e n t o d a e s t r u t u r a c o m t e m p e r a t u r a g r a d i e n t e
d e v e s e r e s t u d a d o p a r a a s d iv e r s a s f o r ma s d e p r o t e ç ã o e x i s t e n t e
d e mo d o a s e d i s p o r d e m a i o r p r e c i s ã o n o t a n g e n t e à p e r d a d o
e l e me n t o . Al é m d i s s o , o t r a t a me n t o , q u a n t o ma i s s i mp l i f i c a d o f o r ,
pode t r a ze r res ultados que div erge m quanto a real idade da
e s t r u t u r a c o mo u m t o d o , j á q u e a m e s ma t r a b a l h a e m c o n j u n t o . A
figura 7.1 mo s t r a a localização e a c onc epç ão es trutural
encontrada para a perda dos pilares durante o aumento de
temperatura.

Figura 7.1– Rotulas plásticas nos pilares


79

Es s a é a r e p r e s e n t a ç ã o d e mo d o s i m p l i f i c a d o d a s i t u a ç ã o q u e é
d e c l a r a d a c o mo c o l a p s o d a s p e ç a s a t u a n d o n a e s t r u t u r a c o mp l e t a .
Nela é pos s ív el notar, atrav és da av aliaç ão de hiperes tatic idade
d a p e ç a q u e a m e s ma é c o n s i d e r a d a h i p o s t á t i c a , o u s e j a , i n s t á v e l
e ins egura para qualquer interv enç ão nec ess ária. U m res gate a
s e r r e a l i za d o p e l o c o r p o d e b o m b e i r o s o u u ma p r é - i n v e s t ig a ç ã o
q u a n t o à s c a u s a s d o i n c ê n d i o q u e p o s s a s e r r e a l i za d a p e l a s
e n t id a d e s d e s e g u r a n ç a l o c a is p o d e m s e r c o n s i d e r a d o s f o r a d e
c o g i t a ç ã o a n t e s d e s e r e m t o m a d a s me d i d a s d e s e g u r a n ç a n o s
a mb i e n t e s e m q u e s e e n c o n t r a m o s e l e me n t o s e m c o n d i ç ã o d e
r u p t u r a . O me s mo n ã o é n o t a d o n a f i g u r a 7 . 2 , o n d e é p o s s ív e l
n o t a r q u e a e s t r u t u r a e n c o n t r a - s e e m c o n d i ç õ e s s e me l h a n t e s à
anterior, c o m as repres entaç ões dos loc ais onde há c olaps o dos
e l e me n t o s .

Figura 7.2– Rótulas formadas nos pilares e viga

N e l a n o t a - s e q u e me s mo q u e o c o r r a m r ó t u l a s p l á s t i c a s n o s n ó s e
n a v i g a n a r e g i ã o c o n s i d e r a d a s o b re o i n c ê n d i o , a e s t r u t u r a a i n d a
p o d e s e r c o n s i d e r a d a e s t á v e l g r a ç a s à c o o p e r a ç ã o d o s d e ma i s
e l e me n t o s p a r a g a r a n t i r a e s t a b i l i d a d e d o p ó r t i c o e m c o n d i ç ã o
global de av aliação.
80

O b s e r v a n d o e s s e s d o is m o d e l o s d e r e p r e s e n t a ç ã o , n o t a - s e q u e a
av aliaç ão indiv idual de cada ele mento lev a a interpretaç ões
equiv oc adas quanto ao c o mporta mento da es trutura quanto s e
d e mo n s t r a m o s e l e me n t o s a t u a n d o e m c o n j u n t o , e d e s s a f o r ma o
p a r e c e r e mi t i d o q u a n t o à s e g u r a n ç a d a me s ma . A s s i m v ê -s e a
i mp o r t â n c i a d a c o mp a r t i m e n t a ç ã o n o e f e i t o g l o b a l d a t e m p e r a t u r a
na edific aç ão, onde, apenas os ele mentos que fora m c ons iderados
e x p o s t o s à s e l e v a ç õ e s d e t e mp e r a t u r a s s o f r e r a m c o n s e q ü ê n c i a s
p r e o c u p a n t e s e n ã o h o u v e a d e g r a d a ç ã o s i g n i f ic a t i v a d o s d e m a i s ,
d e f o r ma q u e e s s e s v i e r a m a p e r m i t i r a e s t a b i l i d a d e d a e s t r u t u r a .
D e s t a f o r ma , a o r e - a n a l i s a r a s d i v e r s a s c o n s i d e r a ç õ e s p a r a c a d a
c as o tratado c o mo perda da e d i f i c a ç ã o c o mo atendend o aos
r e q u i s i t o s d e T R R F s o l i c i t a d o s p e l a n o r ma t i za ç ã o s o b e s s a ó t i c a .

M e s mo dispondo de um método me n o s sofisticado para a


av aliaç ão dos es forç os em es truturas , v ê -s e que a pos s ibilidade
d e t r a t a r a m e s ma a t r a v é s d o mé t o d o p l á s t i c o d e v e r i f i c a ç ã o d o s
e l e me n t o s de aço traz u ma repres entaç ão me l h o r do
a c o n t e c i me n t o e m e s c a l a r e a l . W AL D , e t . a l . ( 2 0 0 6 ) r e a l i zo u u m
ex peri mento e m es c ala real, s ub metendo u m c o mparti men to de
u ma d a d a e d i f i c a ç ã o à s c o n d i ç õ e s d e i n c ê n d i o , e d e s s a f o r ma
identif ic ou a ex is tênc ia das d e f o r ma ç õ e s e x c e s s iv a s nos
e l e me n t o s me t á l i c o s d e s u s t e n t a ç ã o d a e s t r u t u r a , e f a l h a s l o c a i s
n e s s e s e l e me n t o s . M e s m o a s s i m, a e s t r u t u r a c o mo u m t o d o n ã o
e n t r o u e m c o l a p s o , p o d e n d o e n t ã o s u g e r i r - s e q u e a me s ma a i n d a
p o d e s e r c o n s i d e r a d a s e g u r a p a r a i n t e rv e n ç õ e s e me r e n c i a i s .

N e s s e s e n t i d o , p o d e - s e d i ze r q u e a n o r ma r e f e r e n t e a i n c ê n d i o s
a s s u me u m a p o s t u r a b a s t a n t e c o n s e r v a d o r a q u a n t o à p r o p o s i ç ã o
do es tudo das c ondiç ões referentes aos efeitos de temperatura
q u a n d o d a u t i l i z a ç ã o d o mé t o d o s i mp l i f i c a d o d e v e r i f i c a ç ã o d o s
e l e me n t o s e s t r u t u r a i s . E a i n d a q u e s e j a m i n d i c a d o s o u s o d e
s oftwares c o me r c i a i s sofisticados para uma av aliação com
81

inc orporaç ão de rótulas plás tic as , ex is tem s oft wares c o m menor


p o t e n c ia l d e c á l c u l o , ma i s a c e s s í v e i s a o s u s u á r i o s q u e d i s p õ e m
do dev ido interess e na área e de mons tram a pos s ibilidade de s e
a v a l i a r a e s t r u t u r a d e f o r ma c o n j u n t a , u t i l i z a n d o u m a v a n ç o n a
anális e, tirando-s e v antagem da ide ntific aç ão das rótulas plás tic as
e d a c o n d iç ã o d e h i p e r e s t a t i c i d a d e d a e s t r u t u r a e r e d i s t r i b u i ç ã o
dos es forç os , quando houv er.

Ta mbé m é pos s ív el de s e tratar as es truturas nas c ond iç ões de


i n c ê n d i o , r e a l i za n d o a p r o t e ç ã o t é r mi c a n o e l e m e n t o d e f o r m a a
i mp e d i r a t r a n s f e r ê n c i a d o c a l o r p a r a o m e s m o , e v i t a n d o q u e e s t e
atinja te mperaturas ac arretando, co m is s o, duas c ons eqüênc ias .
S e n d o a p r i m e i r a o f a t o d e s e r e v i t a d a a d e g r a d a ç ã o d o e l e me n t o
e c o mo s e g u n d a a r e d u ç ã o n a g e r a ç ã o d e e s f o r ç o s e m d e c o r r ê n c ia
d o a q u e c i me n t o . R o g o b e l l o e t a l . ( 2 0 0 6 ) e n c o n t r o u u ma r e d u ç ã o
s ignific ativ a na elev aç ão de temperaturas de elementos em
d i v e rs o s mo d e l o s de es tudo. A s s i m, estaria garantida a
pres erv aç ão da es trutura quanto ao TR RF requerido.

O e s t u d o t e v e s e u s o b j e t iv o s a lc a n ç a d o s , j á q u e f o i p o s s í v e l s e r
r e a l i za d a u ma s i mu l a ç ã o e di mens iona mento de elementos
c o mp o n e n t e s e d o s e f e i t o s d e a q u e c i me n t o e m u m a e s t r u t u r a
f o r ma d a p e l o s m e s mo s . F o r a m a v a l i a d o s o s c r i t é r i o s n o r m a t i v o s
d a N BR 1 4 3 2 3 e m c o n j u n t o c o m a s d e m a i s r e f e r ê n c i a s n o r m a t i v a s
res pons áv eis p e lo t r a t a me n t o da questão. E por f i m, fora m
a v e r i g u a d a s a s d iv e r s a s i n t e r p r e t a ç õ e s q u a n t o à s c o n d i ç õ e s d e
s eguranç a da es trutura s egundo o modelo ado tado para anál is e
entre os objetiv os a demons traç ão da i mportânc ia da nor ma e da
n e c e s s i d a d e d e i n c l u i r n a f o r m a ç ã o d o s e n g e n h e i r o s c iv i s d a
UEFS tal for maç ão.

.
82

SUGESTÕES PARA TRABALHOS POSTERIORES

Pa r a a c o n t i n u a ç ã o d e s s e t r a b a l h o p o d e - s e r e a l i za r u m e s t u d o
utiliz ando ele ment os finitos (ou diferenças finitas ) para a
modela ge m e s i mulaç ão de incêndio em um c o mp a r t i me n t o
f o r ma d o d e p e r f i s me t á l i c o s . D e s t e mo d o , o mo d e l o a p r e s e n t a d o
n e s s e t r a b a l h o s e r á me l h o r a d o e o t r a t a m e n t o d o s r e s u l t a d o s s e r á
m u i t o ma i s p r e c i s o , e n r i q u e c e n d o e a ma d u r e c e n d o o t r a t a m e n t o
q u e d e v e s e r d a d o a u ma e s t r u t u r a a p ó s a o c o r r ê n c i a d e u m
i n c ê n d i o . A lé m d i s s o , f o r a m o b s e r v a d o s o u t r o s c o n t e x t o s q u e
pode m c ontribuir c o m os es tudos ness a área

Es t u d o das condições de s eguranç a de elementos protegidos


t e r mi c a m e n t e p a r a a s i m u l a ç ã o d e i n c ê n d i o .

An á l i s e e d i m e n s i o n a m e n t o d e e s t r u t u r a s d e c o n c r e t o e m s i t u a ç ã o
d e in c ê n d i o .

Es t u d o d a s c o n d i ç õ e s d e r e a p r o v e it a me n t o d o s e l e me n t o s d e a ç o
a p ó s a s i t u a ç ã o d e i n c ê n d io .

Es t u d o d a s c o n d i ç õ e s d o s e l e me n t o s c o n s t i t u í d o s d e c o n c r e t o e
metodo logia de reaprov eitamento s eguro da edific aç ão após o
incêndio.

An á l i s e d a a r q u i t e t u r a d e a m b i e n t e s c o m p a t í v e i s a o i m p e d i m e n t o
de propagaç ão de inc êndio.

Es t u d o d a e f i c i ê n c i a d o s m e c a n i s m o s d e c o mb a t e a o f o g o n o
i mp e d i m e n t o d e p r o p a g a ç ã o d o i n c ê n d i o .
83

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