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| Teste de Avaliação – Mensagem (2) | Módulo | 10 |

Nome: _________________________________________ N.º ______ Turma: _________


Classificação: ________________________________________________________________
Professor: ______________________ Enc. de educação: ____________________________

GRUPO I

Lê com atenção o texto.

PRECE

Senhor, a noite veio e a alma é vil.


Tanta foi a tormenta e a vontade!
Restam-nos hoje, no silêncio hostil,
O mar universal e a saudade.

5 Mas a chama, que a vida em nós criou,


Se ainda há vida ainda não é finda.
O frio morto em cinzas a ocultou:
A mão do vento pode erguê-la ainda.

Dá o sopro, a aragem – ou desgraça ou ânsia –,


10 Com que a chama do esforço se remoça,
E outra vez conquistemos a Distância –
Do mar ou outra, mas que seja nossa!

Fernando Pessoa, Mensagem, Coleção “Poesia”, Edições Ática

Apresenta, de forma clara e bem estruturada, as tuas respostas aos itens que se seguem.

1. Estabelece a relação entre o título e o poema, fundamentando com dois elementos textuais.

2. Nas duas primeiras estrofes, evidencia-se uma relação antagónica entre dois tempos.
Identifica-os e caracteriza-os, recorrendo a exemplos do texto.

3. Propõe uma possível explicação para o verso 8: “A mão do vento pode erguê-la ainda”.

4. Justifica o caráter exortativo da última estrofe.

Ainda que Camões obedeça aos cânones da epopeia da antiguidade clássica, a sua obra
supera as dos seus modelos.
Num texto coerente, entre 80 e 130 palavras, comenta a frase supracitada, considerando os
conhecimentos da epopeia camoniana.
© ASA, 2013 | PerCursos Profissionais – Português 3
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GRUPO II

Lê o texto seguinte.

Por: Nuno Sotto Mayor Ferrão

[…]

Em Portugal germinaram grandes poetas como Luís Vaz de Camões, Almeida Garrett, Teixeira
de Pascoaes, Afonso Lopes Vieira, Fernando Pessoa, Florbela Espanca, António Gedeão, Miguel
Torga, Sophia de Mello Breyner Andresen, Eugénio de Andrade, David Mourão-Ferreira, entre
muitos outros, que expressaram a alma pátria através desta arte literária. O temperamento latino
5 está timbrado por esta colossal riqueza emotiva, que na paleta semântica da poesia soube ser
imensamente prolífera. A localização geográfica desta pátria no sudoeste Europeu, com um clima
ameno e uma paisagem de grande variedade e beleza incitaram a inspiração criativa. Aliás, foi esta
tocante natureza de tons paradisíacos que inspirou o grande poeta britânico Lord Byron a
qualificar Sintra como a “mais bela vila do mundo”, num êxtase de inspiração que o ambiente
10 pitoresco do local potenciou.
Não é, também, de menosprezar a intensa vivência lusófona, ao longo da História de Portugal,
que constituiu uma fonte de vivências abertas que entusiasmaram o poder de criação poética de
alguns escritores portugueses, onde avulta o nome de Luís Vaz de Camões.
Em face destas fosforescentes estruturas mentais, do povo português, não admira as
15 capacidades extraordinárias que tem revelado para cantar o Amor na versão poética. Esta alma
poética dos portugueses fez surgir um grande realizador de cinema de projeção internacional,
Manoel de Oliveira, que nos seus filmes nos manifesta esta alma lusíada.
De facto, esta valorização do património poético, que é um traço de identidade dos portu-
gueses, pode servir de lição para que o mundo e a Civilização Ocidental, em particular (numa
20 permuta culturalmente enriquecedora entre o sul e o norte da Europa), encontrem novos pontos de
equilíbrio para compaginarem o desenvolvimento material e o desenvolvimento espiritual do
Homem. Mais do que nunca, nesta presente fase histórica, perante a crise multipolar que a
humanidade vive, este dom espiritual dos portugueses, de serem poetas nos momentos de
adversidade, pode despertar a esperança, para que se procurem as alternativas necessárias, de
25 forma que o desânimo não catapulte a nossa civilização para uma depressão coletiva.
A intervenção cívica da poesia em Portugal teve em Miguel Torga e em Sophia de Mello
Breyner Andresen bons expoentes. A inteligência emocional, de que nos falam os modernos
cientistas, não se coaduna com a mentalidade materialista e tecnocrática que reina impunemente
nas nossas sociedades e abafa as virtualidades do espírito humanista.
30 Em suma, a saúde das democracias, a saúde mental dos cidadãos, a saúde das sociedades desta
Globalização desregulada exigem a revitalização do património poético para o bem-estar comum
da Humanidade. Neste pressuposto, a riqueza cultural de Portugal e de toda a Comunidade
Lusófona pode ser uma mais-valia importante para superar este impasse gerado por uma ideologia
totalitária que tem inquinado as relações internacionais neste início do século XXI.

http://cronicasdoprofessorferrao.blogs.sapo.pt/46269.html (acedido a 17 de julho de 2013; texto adaptado e com supressões)

1. Seleciona a opção correta.


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1.1. De acordo com o autor do texto, grandes poetas portugueses inspiraram-se…


a) no seu país, devido ao clima ameno.
b) nas paisagens do sul da Europa.
c) nos tons paradisíacos da paisagem portuguesa.
d) na localização e diversidade da paisagem portuguesa.

1.2. O enunciador crê que, para superar a crise que a humanidade vive, é fundamental…
a) valorizar o património poético.
b) ter esperança.
c) preservar a espiritualidade dos portugueses.
d) uma intervenção material e espiritual.
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1.3. No contexto em que surge, o nome “expoentes” (linha 27) é sinónimo de…
a) escritores.
b) poetas.
c) exemplos.
d) cidadãos.

1.4. No período “A inteligência emocional, de que nos falam os modernos cientistas, não se
coaduna com a mentalidade materialista e tecnocrática que reina impunemente nas nossas
sociedades e abafa as virtualidades do espírito humanista.” (linhas 27-29), o enunciador
revela…
a) indignação perante as teorias dos modernos cientistas.
b) indignação perante a mentalidade materialista e tecnocrata da sociedade.
c) aceitar uma sociedade materialista.
d) acreditar nas potencialidades do espírito humanista.

1.5. O grupo nominal “O temperamento latino” (linha 4) é constituído por…


a) determinante, nome e adjetivo relacional.
b) quantificador, nome e adjetivo relacional.
c) determinante, adjetivo qualificativo e nome.
d) quantificador, adjetivo qualificativo e nome.

1.6. Com o complexo verbal “pode servir” (linha 19), o autor transmite uma ideia de…
a) obrigação.
b) permissão.
c) possibilidade.
d) certeza.

1.7. No último parágrafo, o recurso ao grupo nominal “a saúde” (linha 30) contribui para a coesão…
a) lexical.
b) interfrásica.
c) frásica.
d) temporal.

2. Responde de forma correta aos itens apresentados.

2.1. Identifica a função sintática do segmento “ por esta colossal riqueza emotiva”. (linha 5)

2.2. Identifica o antecedente do pronome relativo “que” presente na linha 15.

2.3. Classifica a oração “para compaginarem o desenvolvimento material e o desenvolvimento


espiritual do Homem.” (linhas 21-22)
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GRUPO III

Num texto bem estruturado, com um mínimo de 200 e um máximo de 300 palavras,
apresenta uma reflexão sobre a importância da esperança na vida dos homens.
Fundamenta o teu ponto de vista recorrendo a dois argumentos, ilustrando cada um deles com
um exemplo significativo.
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COTAÇÃO

GRUPO I
A
1. ........................................................................................................................................ 15 pontos
2. ........................................................................................................................................ 20 pontos
3. ........................................................................................................................................ 15 pontos
4. ........................................................................................................................................ 20 pontos

_________
70 pontos

B ......................................................................................................................................... 30 pontos

_________
30 pontos

GRUPO II
1.1. ..................................................................................................................................... 5 pontos
1.2. ..................................................................................................................................... 5 pontos
1.3. ..................................................................................................................................... 5 pontos
1.4. ..................................................................................................................................... 5 pontos
1.5. ..................................................................................................................................... 5 pontos
1.6. ..................................................................................................................................... 5 pontos
1.7. ..................................................................................................................................... 5 pontos
2.1. ..................................................................................................................................... 5 pontos
2.2. ..................................................................................................................................... 5 pontos
2.3. ..................................................................................................................................... 5 pontos

_________
50 pontos

GRUPO III ....................................................................................................................... 50 pontos

_________
50 pontos

Total ________________ 200 pontos


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| Proposta de correção do Teste de Avaliação – Mensagem (2) | Módulo | 10 |

GRUPO I

1. O título do poema (“Prece”) aponta para a ideia de se fazer um pedido respeitoso e urgente a um
destinatário ausente (superior, ascendente – “Senhor”, verso 1), que pode ser entendido como
um Libertador, Deus. Assim, o sujeito poético, aqui inserido num coletivo humano (“restam-
-nos”, verso 3; “... em nós criou”, verso 5; “conquistemos”, verso 11), pede ao seu interlocutor a
força necessária para fazer renascer a pátria portuguesa (“Dá o sopro, a aragem”, verso 9) para,
dessa forma, se conquistar um novo império (“E outra vez conquistemos a Distância”, verso
11).
2. Analisando as duas primeiras estrofes do poema, apercebemo-nos, de facto, do destaque que é
dado a dois tempos antagónicos: o passado e o presente. Por um lado, o passado surge
caracterizado como uma época marcada pela grandeza da alma lusitana, salientando-se a
“tormenta e a vontade” (verso 2), a “chama, que a vida em nós criou” (verso 5), ou seja, a
coragem, a ousadia e a valentia que nos fizeram “senhores” da conquista do mar. Por outro
lado, o presente vem descrito como uma fase dominada pela sombra (“noite”, verso 1), pelo
“silêncio hostil” (verso 3) e por “um frio morto” (verso 7), impedindo os portugueses de
espelharem a “chama” do passado. Deste modo, o sujeito da enunciação opõe dois períodos de
Portugal, transparecendo, no entanto, uma crença na ressurreição da pátria.
3. O verso 8 (“A mão do vento pode erguê-la ainda.”), encerrando uma metáfora, sublinha a
crença do sujeito poético quanto à recuperação da “chama” de Portugal. Neste sentido, o verbo
auxiliar modal com valor de possibilidade (“pode erguê-la ainda”) concorre para a ideia de
esperança que se denuncia neste excerto e também na última estrofe.
4. A última estrofe da composição poética apresenta um caráter exortativo, facto comprovado pelo
recurso ao imperativo (“Dá”, verso 9) e ao presente do conjuntivo (“conquistemos”, verso 11).
Ora, tendo em conta todo o texto, conclui-se que o “eu” recorre a um pedido, em nome da
nação, visto que assiste a um ambiente marcado pela inércia e indolência, aspetos inibidores do
progresso.

Com Os Lusíadas, Camões obedece, efetivamente, aos cânones da epopeia clássica, seguindo-
-lhe o estilo solene e eloquente, o relato de feitos grandiosos e a estrutura interna, contendo uma
proposição, uma invocação, uma dedicatória (facultativa) e uma narração in media res.
Porém, o canto épico camoniano supera o dos seus modelos, apresentando um herói coletivo –
Os Lusíadas –, cujos feitos excedem os das obras inspiradoras (Ilíada, Odisseia e Eneida), pela
realidade de que se revestem.
Assim, o poeta, apelando ao esquecimento da vitória dos antigos, pois “outro valor mais alto se
alevanta”, realça a grandeza de um povo guerreiro, de intrépidos navegadores, de gente ousada,
“A quem Neptuno e Marte obedeceram”. Em suma, gente merecedora da imortalização, para o que
contribuiu o canto do poeta que, “com engenho e arte”, universalizou.

130 palavras

GRUPO II

1.1. d); 1.2. b); 1.3. c); 1.4. b); 1.5. a); 1.6. c); 1.7. a).
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2.1. (Complemento) agente da passiva.


2.2. “(o) povo português”.
2.3. Oração subordinada adverbial final.

GRUPO III

(Resposta de caráter pessoal.)