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CINE EDEN, UMA HISTÓRIA DE AMOR

INTRODUÇÃO
Num dia comum de novembro de 1895, o cinematográfico exibia a sua primeira projeção pra um seleto
grupo de expectadores. “Os irmãos Lumiere, inventores da máquina, não imaginavam que o aparelho
pudesse ter alguma utilidade fora do campo de pesquisa científica, ou seja, como” instrumento cientifica
pra reproduzir o movimento. Foi um equívoco e tanto. Ao longo do século XX o cinema causou uma
mudança no comportamento social e foi responsável pela inauguração de novos locais de socialização.

O cinema sendo visto como representação da realidade social, cultural e política do cotidiano das
sociedades. Apresenta grande contribuição para a formação cultural e da consciência crítica do ser
humano, agindo diretamente sobre as pessoas que o acompanham ,sendo essas pessoas influenciadas,
as quais mudam seus comportamentos, jeito de vestir e de se portar perante a sociedade, destacando com
isso a” invenção das tradições”.

DESENVOLVIMENTO
Entretanto na cidade de Parnaíba situada ao norte do estado do Piauí que na década de 20, era a principal
cidade a qual vivia uma grande euforia econômica graças às empresas de comercio e as indústrias. Em
vista da massa culta da sociedade Parnaíba aberta às novas transformações culturais o cinema trouxe
novos costumes no qual refletiu em seu comportamento pessoal e social. No inicio as projeções eram
exibidas em praças públicas sem muito recurso usava-se lençóis brancos como receptores de imagens.
Em Parnaíba a família Ferreira é pioneira na instalação da primeira grande sala de projeções como afirma
Santos:
Tudo começou com achegada as nossas terras, por volta de 1915, de certa família de libaneses que, aqui
adotou nomes brasileiros, tornando-se conhecidos por Zacarias (o pai), Miguel e Alfredo, os filhos. Por
sobrenome escolheram Ferreira, numa espécie de tradução livre do original libanês. E, além de romperem
também com a tradição de sírios e libaneses que aqui chegaram e logo abriram pontos de comércio: lojas
de tecido, armarinho ou perfumaria. [...] Alfredo e Miguel criaram a firma Ferreira e Irmão e, com ela,
tornaram-se os pioneiros do cinema em nosso estado. Separando-se alguns anos depois, Alfredo partiu
para Teresina e Miguel ficou em Parnaíba, com o Cine Teatro Éden, o melhor e mais importante de toda
a história cinematográfica da Parnaíba (JORNAL TERRA NORTE, 2004).
Separando-se alguns anos depois, Alfredo partiu para Teresina e Miguel ficou em Parnaíba, com o cine
Teatro Éden, o melhor e mais importante de toda a história cinematográfica de Parnaíba. Como
precursores dos sonhos de seus pais os irmãos Miguel e Alfredo criaram uma firma e tornaram-se donos
de grandes salas de projeções com, êxito em seus desenvolvimentos, no dia 15 de novembro de1924 foi
inaugurado o grande e inesquecível o Cine teatro Éden.
O cinema para a sociedade Parnaibana vem como protagonista das noites antes tinha uma cidade pacata
agora tornando palco de uma grande evolução cinematográfica, onde das noites de cinema poderiam sair
não só as cenas, mais novas amizades, amores, descobertas e as certezas marcadas e infiltrada nos
contextos vivido a ilustração, sorrisos e sonhos. Os olhos se fecham ao fascínio da telona ai se tem o
declínio que assombrou o brilho do cinema Parnaíba no, tratava-se da decadência que chegou com o
advento da televisão, com isso as sessões foram perdendo o seu fiel público. Rendem-se as suas portas
o cinema agora guarda ali apenas as lembranças de seus frequentadores.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Em vista o Cine teatro Éden exerceu no seu período da existência o fascínio da massa culta da sociedade
Parnaíbana onde as transformações culturais e políticas foram vistas por todos que vivenciaram a época
o cinema foi à inspiração dos mesmos. Seu valor sobre saiu a qualquer critica e sua decadência se ver
ainda hoje a marca de quem um dia foi importante hoje se torna na memória o valor histórico surreal da
vida cinematográfica de Parnaíba.

REFERÊNCIAS
CASTELO BRANCO, Edwar Alencar Castelo Branco. ”História Cinema e outras imagens juvenis”.
Tereseina: contra Capa, 2009.
BITTENCOURT, Circe M. Fernandez. Livro didático e conhecimento histórico: uma história do saber
escolar. “Tese de doutorado”. São Paulo: FFLCH/USP, 1993.
BERNARDET, Jean Claude. História: O que é cinema. 1.ed. são Paulo: FTD, 2006.-(Coleção Primeiros
Passos)

Cine Teatro Éden


Publicado em 8 de outubro de 2013 por Da Redação
Por Prof. Me. Moacyr Ferraz do Lago/Departamento de Ciências Econômicas e Quantitativas Núcleo de Pesquisas e Estudos
Econômicos da UFPI
O Cine Teatro Éden foi a primeira sala de projeção de cinema em Parnaíba, e os pioneiros foram os integrantes da família de libaneses
que adotaram o sobrenome de Ferreira em uma espécie de tradução livre do original libanês. A princípio, o patriarca da família, o senhor
Zacarias, projetava filmes em lençóis colocados no centro da cidade, sendo, mais tarde, substituído pelos filhos Miguel e Alfredo.
Os irmãos Ferreira criaram, com base nessa experiência, a firma “Ferreira e Irmão” tornando-se, assim, os precursores das grandes
salas de projeção. O dia 15 de novembro de 1924 foi marcado pela inauguração da ampla sala de projeção, Cine Teatro Éden, que
durante aproximadamente seis décadas exibiu produções do cinema mundial e nacional, de acordo com o Jornal Terra Norte. Os
Ferreiras instalaram sua sala perto do Jardim Público, onde hoje é a Praça da Graça. Audazes e seguros quanto ao futuro comercial do
cinema,compraram um terreno numa esquina de frente para o Jardim Público, e construíram um prédio majestoso com uma ampla sala
de projeção, mezanino e duas fileiras de camarotes no alto. Era o Cine Teatro Éden.O cinema para a sociedade Parnaibana vem como
protagonista das noites.
Antes havia uma cidade pacata, agora tornando-se palco de uma grande evolução cinematográfica, onde nas noites de cinema poderiam
sair não só as cenas, mas novas amizades, amores, descobertas e as certezas marcadas e infiltradas nos contextos vividos a ilustração,
sorrisos e sonhos. Os olhos se fecham ao fascínio da telona ai se tem o declínio que assombrou o brilho do cinema parnaibano. tratava-
se da decadência que chegou com o advento da televisão. Com isso as sessões foram perdendo o seu fiel público. Rendem-se as suas
portas o cinema. Agora guardam ali apenas as lembranças de seus frequentadores.
O Cine teatro Éden exerceu no seu período de existência o fascínio da massa culta da sociedade parnaibana, onde as transformações
culturais e políticas foram vistas por todos que vivenciaram a época do cinema que foi a inspiração dos mesmos. Seu valor sobressaiu
a qualquer crítica e sua decadência se vê ainda hoje. Na marca de quem um dia foi importante hoje se torna na memória o valor histórico
surreal da vida cinematográfica de Parnaíba. Foram idealizadas algumas projeções antes do Cine Teatro Éden, mas sem sucesso, pelo
senhor Antônio Borges Machado, no ano de 1922.
No entanto na mesma época do Éden foram inauguradas mais duas salas de projeções, sendo a primeira o Cinema Palace que ficava
na esquina da Rua Marquês de Herval com a Praça Nossa Senhora das Graças. O segundo era o Cinema Apolo, de propriedade da
Diocese de Parnaíba, que se localizava na Praça Nossa Senhora das Graças, sendo modificado seu nome, atendendo aos interesses
da Igreja, para Pio XI. Foi este o primeiro a inaugurar o cinema falado em Parnaíba, no ano de 1932, com o filme “Fantasias de 1980″.
Além dos já citados, ao longo do século XX existiam vários outros espaços de exibição de filmes na cidade de Parnaíba, com diversas
temáticas e gêneros, desde filmes nacionais até filmes estrangeiros. As principais salas de exibição foram: Cine São Sebastião, Cine
Ritz, no centro da cidade, Cine Guarita, mais tarde conhecido como Cine Polar e o Cine Gazeta que hoje tem o nome de Cine Delta,
que foi modificado, sendo contemplado com duas salas de exibição. Como vemos, ao longo do século XX o cinema passou a influenciar
a cultura da sociedade piauiense, através dos filmes exibidos nas grandes salas de projeções da época, onde as pessoas tinham contato
constante com outras culturas, não só a nacional, que era muito diversificada, como também internacional, com as produções
hollywoodianas da época. Podemos destacar, ainda, a emergir destas circunstâncias, em nossas hipóteses, um princípio educativo
deste movimento cultural cinematográfico, fato que nos chama muita atenção em nossa investigação histórica, embora essas primeiras
projeções fossem feitas se utilizando de lençóis no meio da rua e exibindo pequenas películas.
O Cine Teatro Éden hoje é um patrimônio histórico e cultural da cidade de Parnaíba.

Aquele majestoso prédio construído para abrigar uma fábrica de sonhos, hoje
se encontra dilacerado em salas comerciais e os sonhos que outrora proporcionava aos seus frequentadores, ficaram apenas na
lembrança.
Fontes:
Um domingo no Cine Teatro Éden. Disponivel em: http://jornaldaparnaiba.blogspot.com.br/. Acesso em: 02 de Setembro 2013.
O Princípio do Cinema na Cidade de Parnaíba. Disponível em: http://www.proparnaiba.com/cinecajuina/2011/11/07/o-princ-pio-do-
cinema-na-cidadede-parna-ba.html. Acesso em: 02 de Setembro 2013.
Cine Éden –Um marco da cultura e da arte. Disponível em: http://www.noticiasdeipiau.com/2010/04/24/e-possivel-que-seu-navegador-
nao-suportea-exibicao-desta-imagem-cine-eden-%E2%80%93-um-marco-da-cultura-e-da-arte/. Acesso em 02 de Setembro 2013
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Cine Éden – Um marco da cultura e da arte.


24/abr/2010 . 12:50 | Autor: Redação Notícias de Ipiaú

Muitas histórias maravilhosas foram contadas a respeito deste


monumento valioso que mexe com o sentimento de nossa gente. Agora, corajosamente, entrei na
legião dos interessados para, também, prestar a minha humilde contribuição, afinal, sou mais um
filho preocupado com as coisas significativas do meu torrão natal. Quem se lembra das tardes de
“matinê” do Cine Teatro Éden? Eram instantes de assistir a um bom filme, de colocar a conversa em
dia, depois de uma semana de trabalho e frequência escolar. Momentos de encontros dos namorados,
às vezes, às escondidas ou um breve primeiro encontro e, em seguida, um “até o próximo domingo,
amor”, já estou indo porque mamãe está me esperando lá fora, na pérgula do jardim da praça! Quem
não se lembra de ter escutado narrativas como essas no interior do cinema, no final das projeções?
Sim, vez por outra se ouvia essas frases no silêncio do Cine Éden, o qual foi participativo na união
de vários casais da nossa querida cidade!

Ali, iniciaram seus apaixonantes romances! Lá fora, na porta do cinema, havia um debate constante
entre os jovens que discutiam quais foram os melhores atores dos filmes exibidos durante a semana.
Por outro lado, também na frente do Cine Éden, sempre ocorria uma espécie de bolsa de valores em
que tudo era negociado entre os jovens, onde os itens de maior cotação pasmem! Eram exemplares
de uma ave, o pombo doméstico(Columba lívia) – o pombo de coleira ou o pombo de penacho –
enganosamente feitos com goma arábica ou cola de “goma de mandioca”. Entretanto, não se poderia
tachar o negócio como desonesto naquela época! Tudo era tratado como brincadeiras sadias na roda
da molecada. Muitos artistas, ídolos nacionais (Nelson Gonçalves, Luiz Gonzaga, Orlando Dias,
Waldick Soriano e tantos outros), se exibiram neste espaço cultural e fizeram fãs desmaiarem, e, às
vezes, saírem dos braços dos seus amados – as moças mais afoitas agarravam-se aos cantores de
ritmos frenéticos daquele tempo: Wanderley Cardoso, Jerry Adriany, Raulzito e seus Panteras (inicio
do consagrado Raul Seixas), shows musicais de alunos do Ginásio Rio Novo (fiz parte destes grupos)-
ah! Quanta saudade dos eventos teatrais, muitas peças foram exibidas naquele espaço! Desfiles da
moda, envolvendo famosas “top models” de reconhecimento internacional. Havia projeção de
magníficos filmes, dos mais diversos temas, ao gosto dos espectadores de todas as idades. Tudo
engendrado pelo espetacular fazedor de alegrias cinematográficas, construtor das frases engraçadas,
escritas nos cartazes, na porta do cinema: HOJE, FILME CAWBOY, COM John Wayne – TEM PORRADA!
– este cidadão é o Sr. José Assis Filho (o DREM). Em paz com a memória, eu recorro à lembrança de
alguns filmes maravilhosos, sem a preciosa ajuda do nosso “Drem”, vejamos: “E o vento levou”,
“Bem Hur”, “Espartacus”, “A noviça rebelde”, “Dólar furado”, “Era uma vez no oeste”,”A ponte do
Rio Kwai” , “ Os dez mandamentos” “Cidadão Kane”, “O mundo a seus pés”, “Três Homens em
Conflito”,”Matar ou morrer” “A noviça rebelde” e outros tantos. Também vale alguns artistas
famosos da época: Kirk Douglas, Rock Hudson, Anthony Quinn, Clark Gable, Randolph Scott, Gregory
Peck, Rocky Lane, Rex Allen, Charlton Heston, Victor Mature, Roy Rogers, Gene Autry, Gregory Peck,
Marcello Mastroianni e tantos outros. Na tela de nosso Éden, também foram exibidos exemplos de
atrizes famosas do cinema mundial, muito desejadas naquela época, quem não se lembra? Marilyn
Monroe, Rachel Welch, Ursula Andrews, Rita Hayworth, Jane Fonda, Catherine Deneueve, Brigitte
Bardot, Sophia Loren, Elizabeth Taylor, Gina Lollobrigida… Era tudo muito bom! O tempo passou,
agora, outra realidade, precisamos nos juntar e caminhar para a realidade, sairmos do túnel do
tempo e resgatarmos este patrimônio valioso pertencente a todos os ipiauenses nascidos e que irão
nascer. Efetivamente, compreende-se que arte e cultura não têm idade na convivência do nosso
povo. O Cine Teatro Éden será, muito em breve, um espaço, um tablado que tanto desejamos para
o bem-estar dos fecundos movimentos culturais e artísticos que, a cada dia, desponta,
orgulhosamente, em nosso município de Ipiaú. Aqui se acolhe com humildade, todos criam os temas
e difundem a arte. Os ingredientes necessários são os frutos da nossa explosão cultural e artística.
Outro fato nos consome, a Casa da Cultura. Será assunto para outra conversa. VAMOS LUTAR PELO
CINE ÉDEN – NOSSA TERRA MERECE!

Raymundo Santos

CEPLAC e Rotary Club de Ipiaú


Memória: Cine Teatro Éden de Parnaíba há 35 anos
desativado

O Cine Theatro Éden

O primeiro cinema de Parnaíba o Cine Teatro Éden completa hoje 35 anos que foi desativado. Fundado
no dia 15 de novembro de 1924 por uma família de libaneses que adotou nomes brasileiros. O Éden é tido
como o melhor e mais importante da história cinematográfica de Parnaíba e dispunha de grandes salas de
projeções.

segunda-feira, novembro 12, 2012

Um domingo no Cine Teatro Eden


Postado por José Wilson Albuquerque Santos às segunda-feira, novembro 12, 2012
Cine Teatro Eden

O CINEMA DO MIGUEL: UMA FÁBRICA DE SONHOS

20:30hs. de um domingo qualquer. Uma pequena multidão vai entrando pela porta principal do cinema. Senhoras em seus melhores
trajes e jóias. Homens em sua fatiosa domingueira. Todos vão se acomodando e tomando seus lugares na sala. Os camarotes do lado
esquerdo, com placas de nomes tradicionais da cidade: Os Campos Véras, os Mendonça Clark, os Neves da Silva, os Moraes Correia,
e muitos outros. Todos se cumprimentam e fazem acenos amigáveis.

O Princípio do Cinema na Cidade de Parnaíba


O cinema sendo visto como representação da realidade social, cultural e política do cotidiano das
sociedades. Apresenta grande contribuição para a formação cultural e da consciência crítica do ser
humano, agindo diretamente sobre as pessoas que o acompanham, sendo essas pessoas influenciadas,

as quais mudam seu comportamento, jeito de vestir e de se portar perante a sociedade, destacando com
isso a "invenção das tradições" (HOBSBAWM, E. J.; T. HOBSBAWM, 2002), produzida pelo cinema. Ao
longo do século XX o cinema causou uma transformação nas tradições sociais desse período e foi
responsável por inovações no comportamento das pessoas, iniciando novos locais de socialização e
entretenimento.

No Piauí, a cidade de Parnaíba foi uma das pioneiras nesta "invenção das tradições", visto que relatos
de cronistas da época, e ainda, autores envolvidos com a temática como Barro (2000), dão conta que a
partir do ano de 1903 realizaram-se as primeiras projeções feitas por um exibidor ambulante vindo do
Maranhã, chamado Moura Quineau.

Porém, ao proporcionar à sociedade parnaibana o acesso a outras culturas que o cinema divulga de
maneira própria, essa cidade, inevitavelmente, toma-se contemplada com um enriquecimento cultural
abrangente e para além do já existente em sua própria cultura, expandindo o conhecimento da mesma e
englobando várias outras culturas que são transmitidas através de filmes, que por sua vez são
produzidos por outras pessoas com culturas diferentes, perpassando o seu conhecimento por meio
desses filmes. Através da "invenção das tradições", o qual se tem estudo sobre como se desenvolve as
tradições e como se pode ser visto, onde se diz que "as tradições "inventadas" são reações a situações
novas que ou assumem a forma de referência a situações anteriores, ou estabelecem seu próprio
passado através da repetição quase que obrigatoria", (HOBSBAWM, E. J.; T. HOBSBAWM, 2002).
Assim a tradição oriunda da cultura cinematográfica ratifica-se em Parnaíba, por meio dos relatos de
cronistas do inicio da década de XX, a exemplo das memorias registradas pro Humberto de Campus, em
uma de suas crônicas.

Eu de mim recordo-me perfeitamente dos primeiros filmes que fui espectador. O


exibidor ambulante, dos muitos e beneméritos que percorriam então os sertões
brasileiros, levando a mais surpreendente novidade da época, fora à cidade
piauiense de Parnaíba. Era nos primeiros dias de 1903... Utilizando elementos
rudimentares de emergência, lançando mão de carbureto como sucedâneo da
eletricidade, a verdade é que a cinematografia se desobrigou admiravelmente,
dessa vez, em Parnaíba, das suas responsabilidades. (apud BARRO, 2000, p.113-
114)
De forma complementar, Teresinha Queiroz, diz que no ano de 1906 “o fotógrafo Moura Quineau, vindo
de Parnaíba, trouxe um cinematógrafo servido de luz elétrica” o qual estreou na Capital Teresina no dia
04 de Setembro do mesmo ano. Diante destes fatos, aponta-se Parnaíba como primeiro município a
realizar tais exibições.

Naquela cidade, os pioneiros na instalação da primeira sala de projeção foram os integrantes da familia
de libaneses que adotaram o sobrenome de Ferreira em uma espécie de tradução livre do original
libanês. A princípio, o patriarca da familia, o senhor Zacarias, projetava filmes em lençóis colocados no
centro da cidade, sendo, mais tarde, substituído pelos filhos Miguel e Alfredo. Os irmãos Ferreira
criaram, com base nessa experiência, a firma "Ferreira e Irmão" tornando-se, assim, os precursores das
grandes salas de projeções.

O dia 15 de novembro de 1924 foi marcado pela inauguração da ampla sala de projeção, Cine Teatro
Éden, que durante aproximadamente seis décadas exibiu produções do cinema mundial e nacional, de
acordo com o Jornal Terra Norte:

Os Ferreiras instalaram sua sala perto o Jardim Público [...] Audazes e seguros quanto ao
futuro comercial do cinema, compraram um terreno numa esquina de frente para o Jardim
Público e construíram um prédio majestoso, assombradado, com ampla sala de projeção,
mezanino e duas fileiras de camarote no alto. Era o Cine Teatro Éden

Foram idealizadas algumas projeções antes do Cine Teatro Éden, mas sem sucesso, pelo senhor
Antonio Borges Machado, no ano de 1922. No entanto na mesma época do Éden foram inauguradas
mais duas salas de projeções, sendo a primeira o Cinema Palace que ficava na esquina da Rua Marques
de Herval com a Praça Nossa Senhora das Graças. O segundo era o Cinema Apolo de Propriedade da
paróquia de Parnaíba, que se localizava na Praça Nossa Senhora das Graças, sendo modificado seu
nome atendendo aos interesses da Igreja, para Pio XI. Foi este o primeiro a inaugurar o cinema falado
em Parnaíba, no ano de 1932, com o filme "Fantasias de 1980".

Além dos já citados, ao longo do século XX existiam vários outros espaços de exibição de filmes na
cidade de Parnaíba, com diversas temáticas e generos, desde filmes nacionais até filmes estrangeiros,
as principais salas de exibições foram: Cine São Sebastião, Cine Ritz, no centro da cidade, Cine Guarita,
mais tarde conhecido como Cine Polar e o Cine Gazeta que hoje tem o nome de Cine Delta e foi
modificado sendo contemplado com duas salas de exibições.

Como vemos, ao longo do século XX, o cinema passou a influenciar a cultura da sociedade piauiense,
através dos filmes exibidos nas grandes salas de projeções da época, onde as pessoas tinham contato
constante com outras culturas, não só nacional, que era muito diversificada, como também internacional,
com as produções hollywoodianas da época. Podemos destacar ainda, a emergir destas circunstancias,
em nossas hipóteses, um princípio educativo deste movimento cultural cinematográfico, fato que nos
chama muita atenção em nossa investigação histórica, embora essas primeiras projeções fossem feitas
se utilizando de lençóis no meio da rua e exibindo pequenas películas.

Francisco Samuel Lima dos Santos*

*Graduando do curso de Licenciatura Plena em História pela Universidade Estadual do Piauí. Cineasta,
atualmente trabalhando na produtora de audiovisual Cajuína Filmes
Um
perfume bom paira no ar. Nos camarotes do lado direito a rapaziada da terra, comportada, de acordo com o ambiente, tenta localizar no
salão, namoradas retardatárias. Uma ou outra "mulher da vida", se aventura furtivamente a sentar no lado direito, junto aos homens. Na
meia luz que precede a exibição da película, o silêncio é quebrado pelo barulho dos leques das damas, o farfalhar das sedas dos vestidos
e o murmúrio civilizado do pessoal de boa linhagem.

Um frisson toma conta da sala, o filme vai começar.

Assim, um cronista da época (não existia Coluna Social), descreveria uma sessão das 8, no Cine Teatro Éden de Parnaíba; durante longo
tempo, nosso templo de diversão e ponto de encontro da gente de bem da cidade.
Não importava as cadeiras de madeira dura, o salão sem declive e a decoração sombria. Nada disso tinha importância. Para nós, era um
mundo mágico, onde tudo podia acontecer. Os donos da casa eram gente saudável e simples. Ela, D. Alinda, mulher bonita e bem
cuidada. Ele, o Miguel, de tipo atlético, falava alto, extrovertido.

Não sei de namoro, noivado ou casamento que, não tenha começado no Éden. A sessão das 6, era franqueada a nós menores e toda a
turma jovem. Lá, dávamos asas à nossa fantasia e a casa vinha abaixo com as aventuras de Errol Flynn e Tyrone Power. Nas horas de
maior movimentação na tela, quando o mocinho duelava com o bandido ou salvava a mocinha das garras do vilão, o barulho e assovios
eram ensurdecedores de ouvidos e quarteirões. A maneira dos pares entrarem no cinema, funcionava como um código: de mãos dadas,
era noivado na certa. De braços dados, era casamento na porta.
Corria o ano de 1940. "E o Vento Levou", filme do século (engraçado como essa previsão funcionou), estrearia na sessão de 20 e 30h
no Éden. A censura era 14 anos. O filme tinha cenas "fortes" (santa ingenuidade). Eu não tinha a menor chance de vê-lo. Porém com a
cumplicidade de minha tia Else e o apoio de meu tio José, que era o operador do cinema, eu fui trancado na cabine de projeção às 16h.
Foi uma longa espera e suadouro de 4 horas. Porém valeu o sacrifício. Eu fui o único da turma, a ver as cenas de Gable com a Vivien
Leigh, hoje tão vistas e revistas na tela da televisão.

Durante muitos dias, fui olhado por todos, com inveja, por este feito.

Crônica transcrita do Livro "Estórias de uma Cidade Muito Amada" de Carlos Araken e publicado no facebook de Helder Fontenele

2.2.4 O Cinema em Parnaíba

Não só os clubes podem ser considerados lugares de entretenimento. O cinema

também se apresenta como uma alternativa de diversão. Opção não faltava, Parnaíba contava

com quatro cinemas: Cine Éden, Ritz, São Sebastião e Guarita. Dentre eles nos deteremos no

cine Éden.

Figura 07. O Cine Éden, aproximadamente anos 50.

Fonte acervo pessoal, professor Iweltman Mendes

2.2.4.1 Cine Éden

Sei que de um lado da Praça ficava o cine Éden, uma sala de cinema com

nome de paraíso, mas que já ia desabando no tempo, sumindo. Ah, e o “Seu

Éden”, aquele senhor com sorriso pronto e que vendia balas dentro do
cinema desde menino, e que quando o cinema acabou, foi ficando por ali. E

está até hoje. “Seu Éden” parece ter me dito sobre o que pode ser uma

delicadeza sem falar uma palavra. Do outro lado, fizeram uma sala nova de

cinema, o Gazeta, esta palavra de manuseio, e onde nos escondíamos, 64

meninos, para atender a fresta da imagem colorida, veloz, musical, alta. Era

comum fingir em casa que ia à missa, e ir ao cinema. 93

A história do cinema em Parnaíba enquanto espaço de entretenimento social remonta

aos idos da segunda década do século passado quando mais precisamente a primeira década

do século XX, segundo Benjamin Santos

Tudo começou com a chegada às nossas terras, por volta de 1915, de uma

certa família de Libaneses que, aqui, adotou nome de brasileiros, conhecidos

por Zacarias, o (pai) e Miguel e Alfredo, os filhos. Por sobrenome,

escolheram Ferreira, numa espécie de tradução livre do original libanês. E,

além de romperem com a tradução de sírios e libaneses que aqui chegavam e

logo abriam pontos de comércio [...] Alfredo e Miguel criaram a firma

Ferreira e Irmão e, com ela, tornaram-se os pioneiros do cinema em nosso

Estado. Separando-se alguns anos depois, Alfredo partiu para Teresina e

Miguel ficou em Parnaíba, com o Cine Teatro Éden, o melhor e mais

importante de toda cinematográfica de Parnaíba.94

Inaugurado em 15 de novembro de 1924 o Cine Éden. Um prédio grandioso e bem

localizado na esquina da Praça da Graça com a Rua Marechal Deodoro. Zacarias. Por mais de

cinco décadas a família parnaibana cultivou o hábito de frequentar o Éden. Lá, segundo

Rego.

Além da exibição de filmes americanos, o Cine Éden foi palco de companhias de

Teatro como as de Barreto Ivo e a de Revistas da Marquise, em que se apresentaram artistas

como Rodolfo Maia, Jaime Costa e Iracema de Alencar. Também foi palco de shows de

vários artistas consagrados com Sivuca, Rui Rei, Nelson Gonçalves, Emilinha Borba, Ângela

Maria, Alcides Berari, Black Out, Nora Ney, Jorge Goulart e Dalva de Oliveira, entre outros.
O horário de funcionamento era sempre o mesmo, era comum o cinema oferecer

duas sessões. A primeira direcionada para a garotada era por volta das 18 horas, para os

adultos a partir das 20 horas.

Carlos Araken, médico parnaibano, nascido a 06 de abril de 1929, escreve em sua

obra “Estórias de uma cidade muito amada”, descreve detalhada uma das sessões do cine

Éden

93 RAMOS, José de Nicodemos Alves. Op.Cit., 2008, p.66.

94 Jornal Terra do Norte, Benjamin Santos – Saudação a Memória do Éden, 2004.

Hoje o prédio, localizado no centro da cidade, é utilizado por comerciantes, no trecho conhecido por
calçadão. Naquela época, na década de 20 mais precisamente, Parnaíba vivia um grande momento
econômico por conta do comércio e da indústria aquecidos. O cinema colaborou muito no comportamento
dos parnaibanos e para a intelectualidade naqueles cidadãos.

Daniel Santos para o Proparnaiba.com

2.2.4 O Cinema em Parnaíba

Não só os clubes podem ser considerados lugares de entretenimento. O cinema


também se apresenta como uma alternativa de diversão. Opção não faltava, Parnaíba contava

com quatro cinemas: Cine Éden, Ritz, São Sebastião e Guarita. Dentre eles nos deteremos no

cine Éden.

Figura 07. O Cine Éden, aproximadamente anos 50.

Fonte acervo pessoal, professor Iweltman Mendes

2.2.4.1 Cine Éden

Sei que de um lado da Praça ficava o cine Éden, uma sala de cinema com

nome de paraíso, mas que já ia desabando no tempo, sumindo. Ah, e o “Seu

Éden”, aquele senhor com sorriso pronto e que vendia balas dentro do

cinema desde menino, e que quando o cinema acabou, foi ficando por ali. E

está até hoje. “Seu Éden” parece ter me dito sobre o que pode ser uma

delicadeza sem falar uma palavra. Do outro lado, fizeram uma sala nova de

cinema, o Gazeta, esta palavra de manuseio, e onde nos escondíamos,

MA HISTÓRIA DE PARNAÍBA Zé do Bombom: parte da história de Parnaíba -


NOS ANOS 60 ELE TINHA UMA BANCA DENTRO DO EDEN E EU ERA QUEM
VENDIA BONBONS DA PORTA DO EDEN E DO RIZ.TINHA UM OUTRO
MAGRINHO QUE EU CHAMAVA DESVIU DE BALA .PIS UMA BALA ATIRADA
CONTRA ELE FOI DESVIADA E APENAS ARRANHOU O PEITO ESQUERDO.
SAUDADES.

Proparnaiba.com

Mais do que um simples comerciante no Centro de Parnaíba, José de Ribamar Fontenele, o Zé do


Bombom, é parte da história do município. Afinal, passaram-se seis décadas desde que começou
vendendo balinhas para o público do extinto Cine Teatro Éden.

Foi em 15 de janeiro de 1951 que o garoto na época com 10 anos de idade resolveu seguir os
passos do irmão mais velho. Com um tabuleiro na cintura, Zé do Bombom presenciou os anos de
ouro do tradicional cinema até seu fechamento em meados do ano de 1979.
O fim do Cine Éden, no entanto, representou uma nova fase na vida do vendedor. “O filho do
dono, que era muito meu amigo, me cedeu essa parte do prédio onde funcionava a bilheteria.
Disse que enquanto fosse vivo poderia utilizar”, explicou ao Proparnaiba.com.

Mas o negócio dos bombons já não era tão lucrativo, sem a circulação dos expectadores da
sétima arte no entorno da Praça da Graça. “Neste tempo representantes comerciais de marcas
de relógio vinham vender seus produtos e isso me chamou a atenção”, completa.
A necessidade de sustentar mulher e duas filhas fez com que Zé se visse forçado a mudar de ramo,
tornando-se então relojoeiro. Hoje em dia, a caixa de bombons ainda permanece por perto. “Para
dar como brinde para amigos e clientes e manter a tradição”, ressalta.

Muitas são as lembranças deixadas como marca dos anos, porém, segundo o próprio, nenhuma
ruim. “Vi muitos políticos entrarem e saírem e recordo dos casais namorando na praça. Naquele
tempo não fazia medo andar aqui durante a noite”, conclui.
Ao término da conversa, ‘seu Zé’ abriu a caixa de bombons e perguntou se esterepórter gostaria
de pegar algum. Timidamente me apossei de três ou quatro, sendo instantaneamente orientado
a pegar bem mais, enrolados em um papel de embrulho.

Daniel Saturnino para o Proparnaiba.com


sexta-feira, junho 9

ROSA DE OURO: O COMEÇO DE TUDO

A nossa tradicional Rosa de Ouro começou com um pequeno quiosque (foto) em 1962 na praça doutor Sebastiao Martins, graças ao
esforço empreendedor do senhor Kamel Ferreira, mais conhecido como seu Camilo, ex-proprietário do Cine Glória.

Vendia revistas, bombons, sorvetes, picolés, fazendo a festa da garotada. Nesse período, muitas novidades chegavam para os
florianenses com as notícias do sul do País, através de informações de revistas e jornais.

Observamos o detalhe da foto com o senhor Camilo registrando a epopéia romântica da Princesa do Sul.
O resgate desses bons momentos nos deixam felizes. Precisamos, desta feita, traduzir e revelar essas belas imagens para as gerações
futuras tomarem conhecimento para promover o seu cotidiano da encantadora Princesa do Sul.

ROSA DE OURO - ANTES E DEPOIS

ROSA DE OURO – CONSTRUÍDA POR UM EMPREENDEDOR


KAMEL FERREIRA (SEU CAMILO)
Fotografias podem revelar histórias jamais imagináveis – vejam, por exemplo – a nossa famosa ROSA DE OURO, nome diferente que
fora trazida de longe, São Paulo, por um pintor de Floriano, conhecido por Cícero (seria, por acaso, o nosso saudoso Cícero Pintor?),
que viu este belo nome numa lanchonete, passando a idéia ao empreendedor Kamel Ferreira, mais conhecido como seu Camilo,
nasceu em Fortaleza - CE em 12 de agosto de 1924, casado com a senhora Ariene Santos Ferreira, pais do engenheiro civil, doutor
Nonato Ferreira, que atualmente exerce o cargo de Secretário de Obras do Município; Angélica Farisa, Chico da Padaria Ipiranga e
Kamel Filho.

Perguntamos ao senhor Camilo de como surgiu a idéia de construir um dos mais belos e importantes prédios da Princesa do Sul, pelo
seu valor cultural na época. Sua resposta foi emocionada:

" Começou quando fui de Fortaleza para Teresina no dia 02 de agosto de 1952, data que jamais esquecerei, pois cheguei no ano do
centenário da cidade verde. Como funcionário do DER-PI, fui transferido para Floriano, chegando em 09 de maio de 1957.
A primeira Rosa de Ouro era um QUIOSQUE de madeira. Mais tarde, comecei a articular com Fauzer Bucar, vice-prefeito de Chico Reis
e o vereador e compadre Manoel Jaca a viabilidade de construir um prédio, com uma bonita planta do Engenheiro Civil do DER doutor
José Carlos Castelo Branco.
Foi uma luta ferrenha, muito difícil, pois alguns vereadores dificultaram a aprovação do requerimento, pois pretendiam passar para
alguém de posse e na época eu era considerado um forasteiro, não seria bom para cidade, segundo alguns vereadores.
Mas com a intervenção forte do vice-prefeito e de dois vereadores, conseguimos a aprovação do projeto. Foi uma revolução.
Concluída a obra, parecia um sonho. A transformação foi um marco, o prédio era funcional, se não vejamos: na parte da frente da
avenida Getúlio Vargas, funcionava a Banca de Revistas, as pessoas ficavam maravilhadas com aquela novidade, surgia ali
oportunidade raríssima da leitura, tão carente na época, ficava mais fácil de se atualizar com as notícias do Brasil e do mundo e, por
outro lado, existia o romantismo dos jovens que iam pra lá trocar revistas e figurinhas de álbuns.
Ao lado da banca tinha um balcão que eram fabricados os picolés, era um sucesso, nesse período já fazíamos picolés com cobertura de
chocolate, hoje não é novidade para mim. No prédio tínhamos mais uma importante opção, ficava localizado na parte de trás, uma
lanchonete, moderna, limpa, dava gosto a pessoa freqüentar, realmente era uma coisa inédita."
Detalhe, a energia da Rosa de Ouro era fornecida por outro empreendedor, Bento Leão, que falaremos numa outra oportunidade.
O atual prédio da Rosa de Ouro pertence ao Senhor Kamel Ferreira.
.........................................................................................
Pesquisa: César Augusto
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terça-feira, junho 20

ROSA DE OURO IV

Outra foto característica da antiga Rosa de Ouro nos anos sessenta. Observamos, na foto, o Nonato fazendo o intercâmbio com os
fregueses. Outros diaristas da casa, conhecemos apenas o Chico Ivone, esse à direita da foto.

Graças ao nosso amigo César Augusto, estamos resgatando essas preciosidades do passado. Precisamos divulgar esses momentos, para
que fiquem registrados para as gerações futuras as nossas atividades sócio-recreativas.

Precisamos de colaboradores, que guardam histórias, fotos antigas de Floriano. Vamos enriquecer a nossa página.

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sábado, junho 17

ROSA DE OURO III

A nossa querida Rosa de Ouro, em grande estilo, na aurora dos anos românticos. Era ponto (e ainda é) de encontro de pessoas do
cotidiano da cidade. O intercâmbio cultural era a dinâmica nos áureos anos sessenta.

Observamos, na foto, seu Camilo, seu filho Nonato, o Klinger (da Papelaria Globo com a revista na mão), o contabilista Gilberto Guerra
e, ao fundo, o funcionário da banca de revista Sebastião (seria ainda vivo?), todos frequentadores assíduos do lugar e pousando
naturalmente naquelas manhãs maravilhosas.

Precisamos, apenas, que os seus proprietários possam consevar, manter limpo o ambiente, para que os seus fregueses possam retomar
a antiga prosa dos dias de ouro da Princesa.

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quarta-feira, junho 14

FIGURAS ILÚSTRES DE FLORIANO


PADRE ACELINO

Foi vigário de Floriano na décad de 20, oportunidade em que construiu o majestoso templo religioso que orna nossa cidade em honra
a São pedro de Alcântara.

AFONSO NOGUEIRA
Natural do Ceará, comerciante, dono de embarcações a vapor construídas aqui mesmo em Floriano: ROSICLER, que antes se chamava
NAZIRA (de propriedade do senhor Bucar Amado Bucar de Balsas - Maranhão) e AFONSO NOGUEIRA. Os motores vieram da Inglaterra.

ALBERTO DRUMOND

Cidadão de invejáveis dotes morais e chefe de família exemplar. Foi o primeiro titular do Cartório Civil e do Cartório de Primeiro
Ofício. Verador.

ALFREDO ESTRELA

Comerciante com loja à rua que hoje tem o seu nome. Intendente Municipal, realizou algumas obras de interesse público.

ALUÍSIO RIBEIRO

Jovem, culto, poliglota, falava francês e árabe. De tradicional família piauiense.

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Fonte: Floriano de hoje e de ontem / Theodoro Ferreira S. Neto

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terça-feira, junho 13

ROSA DE OURO - A CONSTRUÇÃO

Vejam outra tomada da Rosa de Ouro, documentada e preservada pelo seu proprietário, seu Kamel Ferreira, mais conhecido como seu
Camilo no ano de 1964.

A cidade estava em seu apogeu de desenvolvimento, a construção da barragem da Boa Esperança em Guadalupe, muita revolução
cultural, o cinema, os circos de arena, enfim, uma série de atividades sócio-culturais que levavam os florianenses ao delírio. Época
romântica.

A Rosa de Ouro prticipou, sem dúvida alguma, desse processo de desenvolvimento cultural. Floriano, agora, precisa retomar seu
crescimento o mais depressa possível.

Vamos correr atrás!

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O Princípio do Cinema na Cidade de Parnaíba

O cinema sendo visto como representação da realidade social, cultural e política do cotidiano das
sociedades. Apresenta grande contribuição para a formação cultural e da consciência crítica do ser
humano, agindo diretamente sobre as pessoas que o acompanham, sendo essas pessoas influenciadas,

as quais mudam seu comportamento, jeito de vestir e de se portar perante a sociedade, destacando com
isso a "invenção das tradições" (HOBSBAWM, E. J.; T. HOBSBAWM, 2002), produzida pelo cinema. Ao
longo do século XX o cinema causou uma transformação nas tradições sociais desse período e foi
responsável por inovações no comportamento das pessoas, iniciando novos locais de socialização e
entretenimento.

No Piauí, a cidade de Parnaíba foi uma das pioneiras nesta "invenção das tradições", visto que relatos de cronistas
da época, e ainda, autores envolvidos com a temática como Barro (2000), dão conta que a partir do ano de 1903
realizaram-se as primeiras projeções feitas por um exibidor ambulante vindo do Maranhã, chamado Moura
Quineau.

Porém, ao proporcionar à sociedade parnaibana o acesso a outras culturas que o cinema divulga de maneira
própria, essa cidade, inevitavelmente, toma-se contemplada com um enriquecimento cultural abrangente e para
além do já existente em sua própria cultura, expandindo o conhecimento da mesma e englobando várias outras
culturas que são transmitidas através de filmes, que por sua vez são produzidos por outras pessoas com culturas
diferentes, perpassando o seu conhecimento por meio desses filmes. Através da "invenção das tradições", o qual
se tem estudo sobre como se desenvolve as tradições e como se pode ser visto, onde se diz que "as tradições
"inventadas" são reações a situações novas que ou assumem a forma de referência a situações anteriores, ou
estabelecem seu próprio passado através da repetição quase que obrigatoria", (HOBSBAWM, E. J.; T. HOBSBAWM,
2002). Assim a tradição oriunda da cultura cinematográfica ratifica-se em Parnaíba, por meio dos relatos de
cronistas do inicio da década de XX, a exemplo das memorias registradas pro Humberto de Campus, em uma de
suas crônicas.

Eu de mim recordo-me perfeitamente dos primeiros filmes que fui espectador. O


exibidor ambulante, dos muitos e beneméritos que percorriam então os sertões
brasileiros, levando a mais surpreendente novidade da época, fora à cidade
piauiense de Parnaíba. Era nos primeiros dias de 1903... Utilizando elementos
rudimentares de emergência, lançando mão de carbureto como sucedâneo da
eletricidade, a verdade é que a cinematografia se desobrigou admiravelmente,
dessa vez, em Parnaíba, das suas responsabilidades. (apud BARRO, 2000, p.113-
114)

De forma complementar, Teresinha Queiroz, diz que no ano de 1906 “o fotógrafo Moura Quineau, vindo de
Parnaíba, trouxe um cinematógrafo servido de luz elétrica” o qual estreou na Capital Teresina no dia 04 de
Setembro do mesmo ano. Diante destes fatos, aponta-se Parnaíba como primeiro município a realizar tais
exibições.

Naquela cidade, os pioneiros na instalação da primeira sala de projeção foram os integrantes da familia de
libaneses que adotaram o sobrenome de Ferreira em uma espécie de tradução livre do original libanês. A princípio,
o patriarca da familia, o senhor Zacarias, projetava filmes em lençóis colocados no centro da cidade, sendo, mais
tarde, substituído pelos filhos Miguel e Alfredo. Os irmãos Ferreira criaram, com base nessa experiência, a firma
"Ferreira e Irmão" tornando-se, assim, os precursores das grandes salas de projeções.

O dia 15 de novembro de 1924 foi marcado pela inauguração da ampla sala de projeção, Cine Teatro Éden, que
durante aproximadamente seis décadas exibiu produções do cinema mundial e nacional, de acordo com o Jornal
Terra Norte:

Os Ferreiras instalaram sua sala perto o Jardim Público [...] Audazes e seguros quanto ao
futuro comercial do cinema, compraram um terreno numa esquina de frente para o Jardim
Público e construíram um prédio majestoso, assombradado, com ampla sala de projeção,
mezanino e duas fileiras de camarote no alto. Era o Cine Teatro Éden

Foram idealizadas algumas projeções antes do Cine Teatro Éden, mas sem sucesso, pelo senhor Antonio Borges
Machado, no ano de 1922. No entanto na mesma época do Éden foram inauguradas mais duas salas de projeções,
sendo a primeira o Cinema Palace que ficava na esquina da Rua Marques de Herval com a Praça Nossa Senhora das
Graças. O segundo era o Cinema Apolo de Propriedade da paróquia de Parnaíba, que se localizava na Praça Nossa
Senhora das Graças, sendo modificado seu nome atendendo aos interesses da Igreja, para Pio XI. Foi este o
primeiro a inaugurar o cinema falado em Parnaíba, no ano de 1932, com o filme "Fantasias de 1980".

Além dos já citados, ao longo do século XX existiam vários outros espaços de exibição de filmes na cidade de
Parnaíba, com diversas temáticas e generos, desde filmes nacionais até filmes estrangeiros, as principais salas de
exibições foram: Cine São Sebastião, Cine Ritz, no centro da cidade, Cine Guarita, mais tarde conhecido como Cine
Polar e o Cine Gazeta que hoje tem o nome de Cine Delta e foi modificado sendo contemplado com duas salas de
exibições.

Como vemos, ao longo do século XX, o cinema passou a influenciar a cultura da sociedade piauiense, através dos
filmes exibidos nas grandes salas de projeções da época, onde as pessoas tinham contato constante com outras
culturas, não só nacional, que era muito diversificada, como também internacional, com as produções
hollywoodianas da época. Podemos destacar ainda, a emergir destas circunstancias, em nossas hipóteses, um
princípio educativo deste movimento cultural cinematográfico, fato que nos chama muita atenção em nossa
investigação histórica, embora essas primeiras projeções fossem feitas se utilizando de lençóis no meio da rua e
exibindo pequenas películas.
Francisco Samuel Lima dos Santos*

*Graduando do curso de Licenciatura Plena em História pela Universidade Estadual do Piauí. Cineasta, atualmente
trabalhando na produtora de audiovisual Cajuína Filmes