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G ERÊNCIA EDITORIAL

Copyright 2013 por Editora Central Gospel


E DE PRODUÇÃO
G ilm ar Vieira Chaves
Dados Internacionais de Catalogação
GERÊNCIA DE na Publicação (CIP)
MARKETING
M arcos Barboza
M A LA F A IA , Silas
Estratégias para a Vitória
COORDENAÇÃO
Rio de Janeiro: 2013
EDITORIAL
64 páginas
M ichelle Cândida Caetano

ISBN: 978-85-7689-353-0
PESQUISA,
1. Bíblia - Vida cristã I. Título II.
ESTRUTURAÇÃO E
COPIDESQUE
M arcus Braga Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução
total ou parcial do texto deste livro por quaisquer m eios
REVISÃO (m ecânicos, eletrônicos, xerográficos, fotográficos etc),
Maria José M arinho a não ser em citações breves, com indicação da fonte
Queila M emória bibliográfica.

A s citações bíblicas utilizadas neste livro foram extraidas


CAPA
da Versão Alm eida Revista e C orrigida (ARC), salvo
Allan Ramalho
indicação específica, e visam incentivar a leitura das
Sagradas Escrituras.
DIAG RAM AÇÃO
Joede Bezerra Este livro está de acordo com as m udanças propostas
pelo novo Acordo O rtográfico, que entrou em vigor a

IMPRESSÃO E partir de janeiro de 2009.

ACABAM ENTO
Gráfica Esdeva 1a edição: dezem bro/2013

Editora Central G ospel Ltda


Estrada do Guerenguê, 1851 - Taquara
Cep: 22.713-001
Rio de Janeiro - RJ
TEL: (21) 2187-7000
www.editoracentralgospel.com
Sumário
Apresentação................................................................................... 7

Capítulo 1........................................................................................11
Tenha objetivos na vida

Capítulo 2........................................................................................21
Lute por seus objetivos

Capítulo 3....................................................................................... 29
Trace estratégias

Capítulo 4....................................................................................... 37
Domine as situações e tom e posse daquilo que conquistar

Capítulo 5....................................................................................... 49
Ofereça o melhor para Deus

Conclusão....................................................................................... 57
Apresentação

É primavera em Israel! As noites são quentes,


e o ar transpira vitórias. Saul já é morto, e Davi está
no auge de suas conquistas. Coroado rei, todas as
tribos de Israel vieram até ele e disseram: Eis-nos
aqui, teus ossos e tua carne somos (2 Samuel 5.1).
Ligados por laços comuns de nacionalidade e de
parentesco, eles lembraram que, mesmo enquanto
Saul era rei, era Davi quem comandava o exército.
Além disso, eles estavam cientes da promessa que
Deus havia feito a Davi: Tu apascentarás o meu
povo de Israel e tu serás chefe sobre Israel (v. 2). É
uma declaração de vitória promulgada por Deus
sobre seu servo Davi.
ESTRATBGÎAS PARA A V IT Ó R IA

Davi tinha 30 anos quando começou a reinar


(2 Samuel 5.4). Em seu primeiro propósito como
monarca, Davi demonstrou um verdadeiro golpe
de engenhosidade política. Nem Maanaim, onde
Isbosete havia reinado, nem Hebrom, que havia
sido a capital de Judá, eram adequadas para tor­
narem-se a capitai da nação, devido à má locali­
zação geográfica de ambas. Assim, Davi e seus
homens rumam para Jerusalém, uma antiga cidade
jebusita, situada ao sul de Benjamim, mas não
muito distante da fronteira ao norte de Judá. Ela
fica em um planalto na região montanhosa. E um
terreno fortificado pela própria natureza de manei­
ra que, em tempos antigos, foi capaz de resistir a
longos cercos. Embora situada no coração da Pa­
lestina, a cidade — então chamada de Jebus —
jamais fora conquistada pelos israelitas, e era
ocupada por uma tribo cananita conhecida como
"jebuseus".
Porém, embora considerada inexpugnável, e,
após tantas tentativas fracassadas de invasão, Jeru­
salém caiu sob o comando decisivo de Davi. A
guarnição de defesa da velha cidade era tão con­
fiante e sentia-se tão segura, que seus líderes in­
sultaram Davi com palavras que deveríamos tra­
duzir como: "Não entrará aqui, porque até mesmo
os cegos e os coxos podem repelir os seus ataques"
(veja 2 Samuel 5.6). Sua exultação durou pouco,
pois os homens de Davi logo anularam as defesas
■:i: \\ M M.AIv'

e entraram na fortaleza. Essa foi uma gigantesca


vitória de Davi.
Um nome familiar por toda a Bíblia é encon­
trado pela primeira vez aqui em 2 Samuel 5 — Sião
(v. 7). O monte Sião tornou-se o deleite e a alegria
do povo de Deus ao longo dos séculos, e a Cidade
de Davi permanece até hoje na história e no cora­
ção de todos os cristãos. Esta é mais uma vitória
de Davi que transcende o tempo.
Neste livro, estudaremos sobre as estratégias
empregadas por Davi, que fizeram dele um homem
de vitórias. Quais os segredos que o mais famoso
rei de Israel utilizava para fazer com que sua nação
obtivesse sucesso e destaque no mundo de então?
Quais foram os princípios que tornaram Davi um
nome de referência quando o assunto é projeção
em meio ao caos?
Davi tornou-se o mais destacado e lembrado
rei de Israel, e seu nome virou sinônimo de vitória
sob a orientação de Deus. Seus feitos transforma­
ram a história de Israel, e seu nome é lembrado até
mesmo nos símbolos nacionais daquela nação, até
os dias de hoje. A expansão do reino, a instituição
de leis e de tribunais que as aplicavam com justiça,
as cidades de refúgio que se transformaram em
instituição funcional sob seu reinado, a transfor­
mação de Jerusalém em capital e centro de culto
nacional, o estabelecimento da música sacra e a
ESTRATÉGIAS PARA A V IT Ó R IA

intenção decisiva de edificar o templo são apenas


alguns poucos feitos que caracterizaram o perfil
vitorioso do rei pastor.
Davi chega ao nosso conhecimento com uma
imensa personalidade: corajoso, leal para com seus
benfeitores, fiel ao Deus de seus antepassados e
humilde diante de um profeta do Senhor. Em suma,
Davi foi um homem superior, cujas qualidades
intelectuais e religiosas foram sem igual na terra
de Israel. O Antigo e o Novo Testamento descrevem
o Messias, o Rei Supremo de Israel nas eras vin­
douras, chamando-o de Filho de Davi. Aprendamos
com ele a estabelecer vitórias em nossa vida.
Boa leitura!
Capítulo I
T e n h a o b je t iv o s n a v id a

0 Senhor dava vitórias a Davi em todos os lugares


aonde ia.
2 Samuel 8.14 NVI

Se existe uma palavra que caracteriza Davi,


esta é vitória. Desde o início de sua trajetória, ele
experimentou vitória sobre vitória em relação aos
seus inimigos. E a qualidade distintiva fundamental
de todas essas vitórias é aquela declarada no ver­
sículo acima: O Senhor dava vitórias a Davi em
todos os lugares aonde ia. Deus concedia as vitó­
rias a Davi, e, assim, seu nome ganhava fama por
onde quer que andasse.
l KA i. r\j U\ò rrv i\n. /i v n u

É claro que tal fato não se dava simplesmente


por mera liberalidade de Deus. Será que o Senhor
proporcionava as vitórias ao jovem rei porque se
agradava de sua face? Porque simpatizara com ele?
Ou será que Davi não precisava fazer nada em prol
dessas vitórias? Não encontramos registros na Bí­
blia de que Davi ganhasse as batalhas e conquis­
tasse territórios simplesmente permanecendo
imóvel, ou apenas "esperando no Senhor". Pelo
contrário, o sucessor do trono de Saul possuía es­
tratégias próprias, cada uma delas com aplicações
específicas para cada situação.
Podemos chamar essa inigualável arte de Davi,
de aplicar com eficiência os recursos de que dis­
punha, de princípios. Eram esses os segredos de
que o rei lançava mão para promover as avassala­
doras campanhas de vitórias por onde quer que
andasse. Teria Davi feito um pacto secreto com
Deus? Seria ele o homem que salvaria o povo de
Israel de todo o sofrimento e prolongada história
de enfrentamentos materiais e espirituais que aca­
bavam por levar à derrota os israelitas? Sim, Davi
fizera um pacto com o Senhor, pois o Altíssimo já
o escolhera quando ainda apascentava as ovelhas
de seu pai no campo (1 Samuel 16.1 -12).
O menor de todos os filhos de Jessé fez-se
grande aos olhos de Deus. Aquele que era um
simples pastor de ovelhas foi escolhido para ser rei
de Israel, recebeu a unção das mãos do profeta
S1I AS M A LA FA iA

Samuel, e a Palavra de Deus nos diz que: desde


aquele dia em diante, o Espírito do SEN H O R se
apoderou de Davi (1 Samuel 16.13). E, anos mais
tarde, ao assumir efetivamente o trono, após a
morte de Saul, tomamos conhecimento da decla­
ração de Deus a respeito de como seria o seu rei­
nado: Tu apascentarás o meu povo de Israel e tu
serás chefe sobre Israel (2 Samuel 5.2).
Tal aliança de Davi com Deus fica clara com
sua indignação registrada quando tomou conheci­
mento das ameaças proferidas pelo filisteu Gol ias
ao exército de Israel, ainda nos tempos de Saul:
Quem é, pois, este incircunciso filisteu, para afrontar
os exércitos do Deus vivo? (1 Samuel 17.26). E
quando, por fim, Davi parte para enfrentar o gigan­
te guerreiro dos filisteus, seu grito de guerra já é um
prenúncio de que ele adotara Deus como sua prin­
cipal motivação de vida: Tu vens a mim com espada
e com lança, e com escudo; porém eu vou a ti em
nome do SEN H O R dos Exércitos, o Deus dos exérci­
tos de Israela quem tens afrontado (1 Samuel 17.45).
Davi, filho de Jessé, que derrubou o gigante
Golias e que ficou conhecido como "o homem
segundo o coração de Deus" realmente possuía
alguns segredos. E começaremos, aqui, estudando
o primeiro deles — ter objetivos na vida. Davi
possuía os seus e, por isso, demonstrou ao longo
de mais de 40 anos de liderança ser um homem
de visão.
13
Possuir objetivos definidos acerca da vida é
condição fundamental para que possamos almejar
a vitória. Sem um objetivo bem delineado e pla­
nejamento adequado para alcançá-lo, qualquer
luta é vã. Descobrir a direção da sua motivação,
desejos e objetivos é um fator fundamental para
construir de forma eficaz a estratégia que lhe per­
mitirá manter-se alinhado com as suas ações.
Essa direção pode ser no caminho daquilo que
queremos ou, pelo contrário, no caminho daquilo
que não queremos. A direção motivacional de
manter objetivos é parte de um programa mental
que afeta toda a nossa vida. A um nível biológico
ou físico, todos nós desenvolvemos ambos: a mo­
tivação para afastarmo-nos ou dirigirmo-nos para
algo. Afastamo-nos da dor, do desconforto e do
estresse, e dirigimo-nos para o prazer, para o con­
forto e para a tranquilidade. Em determinados
momentos da nossa vida e em diferentes situações,
essas duas formas motivacionais podem servir-nos.
Todos nós usamos ambas em determinado grau.
Vejamos algumas atitudes que nos serão úteis para
definir um objetivo.

I ) Construa o processo de n i: io d o
objetivo
Saber o que você quer é um processo funda­
mental para ter sucesso em sua vida. Igualmente
SILA S M/U A.FA1A

importante é ter a certeza se aquilo que você pre­


tende alcançar vale realmente a pena, de tal forma
que fique satisfeito quando o alcançar. Você acha­
rá isso útil quando elaborar a série de questiona­
mentos que lhe permitirão desenvolver os seus
objetivos, de forma que valham a pena e estejam
alinhadas com a pessoa em que pretende transfor­
mar-se.

2) Selecione um objetivo especifico

Primeiro, o que é que você quer? Independen­


te do que você pretenda obter, alcançar ou desen­
volver, de que forma você pensa acerca do seu
objetivo? Você pensa no seu objetivo como sendo
algo fácil de alcançar, ou como algo que seja qua­
se impossível de atingir? A proposta é que você
possa ter certeza de que imagina o seu objetivo de
tal forma que irá alcançá-lo de um modo seguro e
certo.

3) Decls ’ O seu objetivo d forma positiva

Verifique se o seu objetivo é indicado em


termos do que você quer, e não daquilo que você
não quer. Por exemplo, se o seu objetivo é: "Eu
quero que os meus colegas de trabalho parem de
criticar-me por eu ser cristão", ou "Eu quero parar
de sentir-me mal quando meus desejos não são
ESTRATÉGIAS PARA A V IT Ó R IA

satisfeitos", ou "Eu não quero sentir-me inseguro


ou com dúvidas durante minhas orações", você
está pensando naquilo que não quer que aconteça.
Você deverá transformar essas declarações naqui­
lo que almeja atingir. Deverá dizer: "Eu quero que
os meus colegas de trabalho me admirem por eu
ser cristão", "Eu quero aceitar meus desejos não
satisfeitos como forma de aperfeiçoar minha ma­
turidade cristã" e "Eu quero estar ciente do poder
e da efetividade das minhas orações".
Sempre que pensamos sobre aquilo que não
queremos, ou sobre aquilo que queremos evitar,
na grande maioria das vezes, criamos exatamente
isso em nossa vida, dado que é nisso que a nossa
mente se foca. Pare de orientar-se por aquilo que
não deseja que lhe aconteça. O nosso organismo,
a nossa mente, necessita de indicações diretas e
precisas para realizar uma tarefa ou focar em algo;
e, por este motivo, aquilo em que pensamos ou
dizemos deverá estar sempre alinhado com a
obtenção positiva do resultado.

4) Seu objetivo deve depender de :ê


mesmo
Certifique-se do seu objetivo de uma forma
que a obtenção dele dependa de você mesmo. Se
o seu objetivo depender de outras pessoas, será
necessário, igualmente, que essas pessoas atuem.

16
S I L A S V IA I.A L A i A

Você ficará em uma situação muito mais vulnerá­


vel. Não quero com isso dizer que não existam
situações em que dependamos, de alguma forma,
dos outros; no entanto, sempre que for possível, é
importante que formule seus objetivos de uma
forma que seja capaz de os alcançar, independen­
te do que as outras pessoas fizerem.

5 ) Como é que você saberá a ai uo


seu objetivo?

Algumas pessoas têm dificuldade em saber se


alcançaram o seu objetivo ou não. Isso acontece
porque não lêm uma forma de medir se o seu
comportamento no dia a dia as está aproximando
ou afastando de seu objetivo. No mundo esportivo,
a avaliação do desempenho ou do resultado é uma
preocupação e, de igual forma, um meio muito
utilizado pelos treinadores e atletas para se certi­
ficarem se os seus objetivos caminham na direção
daquilo a que se propuseram. Medir ou analisar as
nossas ações face ao resultado é um fator prepon­
derante para a obtenção bem sucedida dos nossos
objetivos.
Todos nós necessitamos de ter certeza de que
estamos no caminho do nosso objetivo, em que
ponto nos encontramos e o que é ainda necessário
fazer para continuar trabalhando para alcançá-lo.
E igualmente importante sabermos se já chegamos
ESTRATÉGIAS PARA A V ÍT Ó R IA

onde queríamos. Saber se alcançamos aquilo que


pretendíamos é fundamental, uma vez que neces­
sitamos sentir a satisfação de alcançar o resultado
desejado. Por exemplo, o seu objetivo é ter vitória.
Se você não tem evidências sensíveis e específicas,
o que ser "vitorioso" significa para você? Você pode
trabalhar toda a sua vida para ser bem-sucedido e
até alcançar ótimos resultados, sem nunca sentir a
"vitória". Você pode definir "vitória" como expe­
rimentar um bem-estar em sua vida espiritual,
adquirir sua casa própria, obter um determinado
emprego, alcançar um determinado salário, ou
qualquer outra coisa mais específica; mas, se você
não o definir, jamais o obterá.

6) Escolha onde, quando e com quem você


quer alcanç: eu objetivo

É muito importante pensar acerca de quando


você quer ou não atingir o seu objetivo. Por exem­
plo, se o seu objetivo é sentir confiança, você
deseja sentir-se confiante sempre? Você quer sentir
confiança para pilotar um avião, mesmo não tendo
qualquer tipo de preparação para isso? Por vezes,
cometemos o erro de querermos experimentar uma
determinada sensação a maioria do tempo, quan­
do nem sequer acreditamos conseguir tê-la. Como
exemplo, podemos imaginar um atleta que treina
ciclismo e que se sente confiante para enfrentar
s í l a s m a l a f a ;A

algumas competições cidísticas, mas que certa­


mente não sentirá a mesma confiança se necessitar
participar de uma prática de alpinismo em uma
alta montanha. É muito mais fácil para cada um de
nós alcançarmos um objetivo quando temos cui­
dado sobre onde, quando e com quem será apro­
priado alcançá-lo.

Vemos, assim, a importância de agirmos rumo


aos objetivos que construímos para a nossa vida.
Sem essa ação, ficará explícito que não temos as­
pirações que valham a pena ser buscadas. E sem
objetivos definidos e atraentes, nenhuma ação terá
validade. A ação em torno de nossos objetivos faz
parte do conjunto de atitudes expostas que nos
levarão à vitória. Não encontramos, no texto bíbli­
co, evidências ou sinais de que Davi permanecia
dormindo enquanto Deus pelejava por ele. Pelo
contrário, Davi era um homem de atitudes, e por
isso mesmo possuía objetivos.

O Senhor dava vitórias a Davi aonde quer que


ele fosse, ou seja, em todas as suas atividades, em
todas as suas lutas e batalhas, em todas as questões
em que estava envolvido. Da mesma forma, o
mesmo Deus de Davi nos dará vitórias se manti­
vermos diante de nossos olhos os objetivos e pro­
pósitos que construirmos para nós, e nos dispuser­
mos a eles agindo segundo os princípios de Deus
contidos em Sua Palavra.

i9
ESTRATÉGIAS PARA A V IT Ó R IA

Levando em consideração tudo o que vimos


neste capítulo, estaremos aptos para seguirmos,
como Davi, na aplicação dos demais segredos
para que Deus nos dê vitórias por onde quer que
andemos!

20
Capítulo 2
LUTE P O R SEUS O BJET IV O S

E suceaeu, aepois aisso, que uavi feriu os Jilisteus


e os sujeitou; e Davi tomou a Metegue-Amá das mãos
dos filisteus. [...] Também feriu os moabitas, [...] Feriu
também Davi a Hadadezer, filho de Reobe, rei de Zobá,
[...]£ vieram os siros de Damasco a socorrer a Hadadezer,
rei de Zobá; porém Davi feriu dos siros vinte e dois mil
homens.
2 Samuel 8.1 -3,5

Você sabe o que quer para a sua vida? Talvez,


acredite que sim, mas, em muitos casos, nossa
falta de definição faz com que a guerra seja perdi­
da antes mesmo de começar. Para alcançar os seus
objetivos, é necessário ser coerente e agir de acor­
do com aquilo que você está dizendo e querendo.
ESTRATÉGIAS PARA A V IT Ó R IA

Davi sabia o que almejava, e isso o impulsionou a


conquistar seus objetivos.
Os filisteus eram o poder dominante que opri­
mia Israel por mais de meio século. A primeira ta­
refa de Davi foi remover esta ameaça que vinha do
oeste. Ele derrotou estes inimigos naturais de Israel
e capturou Metegue-Amá, um termo composto que
literalmente significa "rédeas da metrópole", e que
se refere a Gate e às suas cidades satélites, sempre
uma grande ameaça à paz de Israel.
Em seguida, o rei se voltou para o oriente e
atacou os moabitas. Estes, que haviam sido amigos
de Davi, tornaram-se seus inimigos. Aparentemen­
te, Davi ordenou a execução de dois terços do povo
e escravizou aqueles que restaram.
Hadadezer, filho de Reobe, rei de Zobá, esta­
va próximo de sentir a força do vigoroso e novo rei
de Israel. Zobá era um reino arameu (ou siro) ao
norte da Palestina e a oeste do Eufrates. Enquanto
o seu rei estava ocupado com guerras de fronteira
no leste, Davi atacou e causou uma derrota esma­
gadora; particularmente, aleijou uma enorme
quantidade de cavalos, mas reservou alguns para
100 carros de seu exército. Quando os siros de
Damasco tentaram ajudar seus vizinhos, também
foram fortemente derrotados; guarnições foram
colocadas em seus territórios. E o Senhor dava
vitórias a Davi aonde quer que ele fosse.
Sj LAS MAIAVAIA

Quando falamos de luta, transmitimos a ideia


de emprego de energia, de determinação, de per­
sistência, de coragem. E a definição mais clara de
coragem é domínio do medo, é resistência ao
medo, mas não a ausência do medo. A coragem é
que nos faz enfrentar o medo. Luta significa des­
pender energia; luta exige determinação; luta re­
quer persistência.
Esse é o motivo porque Deus dava vitórias a
Davi aonde quer que ele fosse — pois Davi luta­
va. Davi possuía objetivos claros em sua vida e
lutava por eles. E nós? Mantemos a mesma dispo­
sição de espírito e preparo emocional que Davi
mantinha? Além de definirmos nossos objetivos e
de mantê-los diante de nossos olhos, também
lutamos por eles?
É muito comum, quando acreditamos que
queremos uma coisa, sabotarmo-nos antes mesmo
de começar a lutar por aquilo. Isso pode ser feito
de duas maneiras. A primeira delas, a mais comum,
é quando nós não queremos realmente aquilo que
pensamos. E possível perceber se esse é o seu caso
analisando as suas atitudes. Você faz de tudo para
alcançar seu objetivo? Seja honesto consigo mesmo
na reflexão. Se a resposta for não, provavelmente
não está dedicando-se tanto quanto acredita.
A segunda maneira de sabotar a si mesmo é
não se dedicar àquilo que você quer. A demora é
o inimigo número um da dedicação. Você nunca
irá alcançar seus objetivos e metas se estiver sem­
pre esperando pelo dia seguinte. Trace um plano
e comece a segui-lo imediatamente.
Como ter certeza, no entanto, sobre aquilo
que planejamos para o futuro? Você precisa, para
começar, ser franco; pense em suas possibilidades.
Você quer aquilo porque realmente gosta ou por­
que alguém disse que valeria a pena? Ou por que
está na moda? Esse é o primeiro passo para come­
çar a lutar por seus objetivos. Leve em conta os
seus interesses pessoais, valores cristãos e priori­
dades. Dessa maneira, saberá que fez a escolha
certa.
E, depois de decidir seus projetos futuros, é
hora de ser coerente com eles. Você precisa man­
ter em mente que todos os seus planos e ações
devem ser voltados para isso e deve saber também
que, para conseguir o que almeja, alguma coisa
deverá ser sacrificada. Tudo é uma questão de
prioridades. Veja como ser mais coerente com seus
objetivos:

1] Elimine os condicionais

O seu objetivo só poderá ser alcançado se


você começar a agir. Para isso, tire os condicionais
da sua vida. Troque o "e se eu fizesse" por "eu vou
Si L A S U A I A A A

fazer". Esteja seguro do que quer para ter condições


de lutar por isso.

2) Monte um plano de ação


De quanto tempo você vai precisar? De onde
você vai tirar esse tempo? O que deverá ser sacri­
ficado para que você alcance seu objetivo? Você
precisa ter tudo isso muito claro em sua mente
para que não tenha desculpas ou arrependimen­
tos futuros.

3 ) C o lo q u e seu p la n o em p rá tic a

No final das contas, é isso que levará você


aonde pretende chegar. Aja! Lute! Pode ser cansa­
tivo, consumir seu tempo ou qualquer outra coisa.
Mas, vai valer a pena quando você chegar aonde
quer e tiver seu esforço reconhecido.
Davi lutou em todos os momentos de sua vida,
e logrou êxito em cada uma de suas batalhas. Não
houvesse Davi enfrentado e derrotado alguns ou­
tros gigantes antes de lutar contra Golias, por
exemplo, ele teria, certamente, caído diante da­
quele terrível herói filisteu. O teólogo John Maxwell,
em seu livro As 21 Irrefutáveis Leis da Liderança
(Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2007), cita
um antigo ditado popular, que diz: "Campeões não
ESTRATÉGIAS PARA A VITÓRIA.

se tornam campeões no ringue — eles são mera­


mente reconhecidos ali". Davi, com toda certeza,
já se sentia um vencedor muito antes de enfrentar
Golias.

Nós também precisamos armar-nos com a


mesma convicção que Davi possuía: a de que fo­
mos declarados e feitos mais do que vencedores
por nosso Deus, bem antes que as nossas lutas
começassem (Romanos 8.31-39). A medalha de
ouro nos foi assegurada tão logo nos unamos com
Cristo, pela fé. As lutas que temos diante de nós,
sejam quais forem, servirão para revelar aquilo que
Deus já declarou a nosso respeito. E não há razão
para duvidarmos disso porque, além de conhecer
0 futuro de todas as coisas, Deus compartilha co­
nosco o Seu poder enquanto combatemos.

Outro fato que levou Davi a sucessivas vitó­


rias em suas lutas foi a decisão de que ele seria
um vencedor na vida e não uma vítima dela.
Ainda no início de sua jornada de vitórias diante
de Israel, enquanto enfrentava Golias, Davi decla­
rou: Hoje mesmo o SEN H O R te entregará na minha
mão; e ferir-te-ei, e te tirarei a cabeça (1 Samuel
17.46). Essas palavras podem parecer presunção,
mas revelam a atitude de um vencedor, de um
campeão! Elas revelam também a dependência e
confiança que Davi tinha em Deus; ele sabia
quem ele era e de quem ele era, e não tinha medo
S I L A S M A 1. A F A Í A

nem receio de declarar isso. Davi não temeu lutar


ao longo de seu reinado sobre Israel, e, durante
40 anos, colheu os resultados de suas batalhas
diante de seus inimigos.

Qual tem sido o seu discurso diante das lutas?


Qual tem sido a sua postura? É aqui que percebe­
mos a diferença entre o vencedor e o perdedor; é
aqui que se decide a luta! Comece a declarar hoje
mesmo a vitória completa de Deus sobre a sua
vida! Não adentre o campo de lutas da vida cabis­
baixo e sem confiança. Lembre-se de que você está
a caminho da vitória e de que suas lutas são apenas
expressões diversas da vitória final que Deus já
colocou dentro de você, por intermédio de Jesus!
Deus fez de Davi um campeão, mesmo antes que
as lutas deste começassem, e comunicou isso ao
Seu servo mediante o Seu Espírito. Davi decidiu
acreditar nas palavras que o Espírito comunicou
ao seu coração, e passou a viver como um vence­
dor. Os resultados, conhecemos bem.

É isto o que precisamos fazer — lute, esfor­


ce-se, vença e continue lutando. Assim como as
lutas não têm fim, a vitória poderá ser sem limites!
Agindo dessa forma, Deus nos dará vitórias por
onde quer que andemos.
Capítulo 3
T RA C E ESTRATÉGIAS

E sucedeu, depois disso, que Davi feriu os filisteus


e os sujeitou.
2 Samuel 8.1

Os filisteus eram inimigos históricos de Israel.


Satisfeitos em ver a Palestina dividida em dois rei­
nos pequenos sob os governos de Isbosete e Davi
(em Israel e Judá, respectivamente, veja 2 Samuel
2.1-32), viram na união das 12 tribos de Israel —
com Jerusalém como a sua capital — uma séria
ameaça ao seu domínio na região.
Logo após ser coroado rei sobre todas as tribos
de Israel, unificando, assim, o reino antes dividido,
os filisteus, o mais forte exército inimigo de Israel,
partiram para tentar destruir Davi e derrotar seus
HS i RATKGIAS PARA \VI TÓRI A

planos de unificação e fortalecimento do reino


judaico (veja 2 Samuel 5.1 7,1 8):
Ouvindo, pois, os filisteus que haviam ungido Davi
rei sobre Israel, todos os filisteus subiram em busca de
Davi; o que ouvindo Davi, desceu à fortaleza. E os filis­
teus vieram e se estenderam pelo vale dos Refains.

Essa situação de oposição e de confronto


sempre esteve presente no início do trabalho de
Davi como rei, especialmente a partir de seus pla­
nos de unificação dos reinos de Israel e Judá, o que
muito perturbava os demais povos que se espalha­
vam pela terra. Os que mais de perto assistiam e
temiam tal expansão, e que eram fiéis aos filisteus,
eram os siros, os edomitas e os moabitas.
A partir dessa oposição movida por esses po­
vos semitas que ainda habitavam na Palestina e que
iam à batalha para que Israel se mantivesse dividi­
do, Davi traçou duas estratégias para sedimentar a
supremacia de seu reino e a paz por toda a terra
nos anos que se seguiriam. Tais estratégias foram
de vital importância para garantir as vitórias do
exército de Israel ao longo de mais de três décadas.

I- prim i i tég

A primeira estratégia pode ser encontrada logo


após Davi ser coroado rei sobre as 12 tribos, e
imediatamente antes de partir para o confronto
SILA S M A LA FA IA

com os filisteus: E D avi consultou o SEN H O R , di­


zendo: Subirei contra os filisteus? Entregar-mos-ás
nas minhas mãos? (2 Samuel 5.19). Após ferir os
filisteus como quem rompe águas (v. 20), e passa­
do mais algum tempo, Davi vê-se novamente dian­
te de uma nova incursão filisteia. Novamente, ele
apl ica a mesma estratégia anteriormente empregada:
E Davi consultou o S en h o r , o qual disse: Não subi­
rás, mas rodeia por detrás deles e virás a eles por defron­
te das amoreiras. E há de ser que, ouvindo tu um estron­
do de marcha pelas copas das amoreiras, então, te
apressarás; porque o S en h o r saiu, então, diante de ti, a
ferir o arraial dos filisteus. E fez Davi assim como o S enhor
lhe tinha ordenado: e feriu os filisteus desde Çeba até
chegar a Qezer.
2 Samuel 5.23-25

Então, aprendemos aqui que a primeira estra­


tégia de Davi para a vitória foi consultar o Senhor
acerca de suas ações. Muitos consultam a opinião
de irmãos, familiares ou amigos acerca de decisões
importantes relacionadas às batalhas pessoais. Não
que tais consultas não sejam significativas, afinal,
a experiência daqueles que caminham conosco
pode comunicar-nos conhecimento de causa. Po­
rém, a primordial consulta deve sempre ser feita a
Deus, que tudo sabe acerca de nossas necessida­
des, e conhece, de maneira absoluta, cada movi­
mento que devemos fazer. Toda vitória bem fun­
damentada e duradoura passa pelo Senhor.
ESTRATÉGIAS PARA A V IT Ó R IA

É preciso reconhecer e ouvir a voz de Deus


em todos os momentos. O cristão deve aguçar os
ouvidos, levantar a cabeça, escutar no profundo
de sua alma, com atenção, na parte mais íntima
do espírito, as palavras do Senhor que o ama e que
vem ao seu encontro com a solução de que preci­
sa, como lemos em Sua Palavra: Mas isto lhes or­
denei, dizendo: Dai ouvidos à minha voz, e eu
serei o vosso Deus, e vós sereis o meu povo; e
andai em todo o caminho que eu vos mandar; para
que vos vá bem (Jeremias 7.23).
Consulte sempre o Senhor, e Ele lhe dará a
solução certa para cada problema que surgir em
sua caminhada rumo à vitória!

2) A segunda estratégia

A segunda estratégia utilizada por Davi foi a


de avaliar os inimigos e começar a batalha contra
o mais forte. Dentre as quatro nações que se reu­
niram para combater Davi, havia uma que se des­
tacava pelo poderio militar e pelos conhecimentos
acerca da guerra — os filisteus. As outras três na­
ções, os moabitas, os edomitas e os siros, distin-
guiam-se por seus valores pessoais como povo,
mas não superavam os filisteus na arte da guerra.
Quando os israelitas deixaram o Egito rumo a
Canaã, o caminho mais curto era pela terra dos
filisteus, mas os escravos agora emancipados não
I! AS M A L - ' I \ 1

eram suficientemente heroicos para abrir caminho


por meio de um povo guerreiro como os filisteus,
e por isso tomaram outro caminho. Nos dias de
Samuel, desbarataram os israelitas.Tomaram a arca
do Senhor, que esteve com eles ao longo de sete
meses. Vinte anos depois, Samuel derrotou os fi­
listeus em combate no local que ele denominou
Ebenézer (ou "pedra de socorro", "até aqui nos
ajudou o Senhor", veja 1 Samuel 7.3-12). Foi uma
derrota aniquiladora que humilhou os filisteus
permanentemente, que não mais ultrapassaram os
limites de Israel. Os seus exércitos, por vezes, pas­
savam ao longo da fronteira e tomavam posições
estratégicas, exercendo sobre os israelitas cons­
tantes ameaças. Porém, o poder dos filisteus re­
tomou proporções extraordinárias no reinado de
Saul. Não demorou para que fizessem novas in­
vestidas. Foram os filisteus que mataram Saul e
seus filhos na batalha travada no monte de Gilboa
(1 Samuel 28.4; 29.11). Davi saiu-se melhor que
seu antecessor, repelindo as invasões dos filisteus
em diversas batalhas.
Os moabitas eram descendentes de Moabe,
filho de Ló, intimamente ligados aos amonitas
(Gênesis 19.37,38). Eles formaram um povo nume­
roso antes que os israelitas cruzassem o mar Ver­
melho. Em virtude do parentesco dos moabitas com
os israelitas, o Senhor ordenou a Moisés que não
guerreassem (Deuteronômio 2.9). Saul lutou contra

33
os moabitas (1 Samuel 14.47), e Davi, quando
perseguido por Saul, pôs seu pai e sua mãe sob a
guarda do rei de Moabe (1 Samuel 22.2,3). Depois
de coroado como rei, Davi subjugou os moabitas,
impôs-lhes tributos e condenou grande parte deles
à morte.
Os edomitas eram descendentes de Edom, ou
seja, de Esaú (Gênesis 36.1-19), justamente com
outros que a eles se ajuntaram. Quando os israeli­
tas rumavam para Canaã, pediram licença ao rei
de Edom para atravessarem o seu território sob a
promessa de não lhe causarem dano algum. A li­
cença foi negada e, além disso, os edomitas se
prepararam para o combate, caso forçassem a
passagem. Apesar de sua hostilidade, a lei mosaica
conferia direitos de irmandade aos edomitas até a
terceira geração (Deuteronômio 23.3-6). Saul com­
bateu os edomitas, e Davi ocupou militarmente o
país depois de conquistá-lo.
Os siros (ou sírios) eram oriundos de Damas­
co, cidade antiguíssima, já mencionada nos tempos
de Abraão (Gênesis 14.15). Nos tempos de Davi,
Damasco era um dos pequenos estados da Síria
meridional; foi tomada e guarnecida por Davi.
Depois que ele destruiu o reino sírio de Zobá,
certo homem chamado Rezom, antigo súdito de
Zobá, reuniu um bando de homens, tomou Da­
masco e fundou o reino da Síria, que tantas pertur­
bações trouxe a Israel.
Si. L A S VS Al, A F A I A

A escolha de Davi por enfrentar inicialmente


os filisteus revela a eficaz estratégia que o pequeno
rei-pastor possuía. Aniquilando o inimigo mais
forte, desmontaria as pretensões guerreiras dos
outros inimigos ao testemunharem a força e o po­
der do Deus de Israel. Davi consultou ao Senhor,
e recebeu a promessa de que Ele entregaria seu
inimigo em suas mãos (2. Samuel 5.19). Quando
Davi soube da aproximação dos filisteus, desceu
para o meio dos seus, à fortaleza de Adulão (2
Samuel 5.17). Dessa forma, flanqueando os filis­
teus, ele os golpeou inesperadamente a partir da
Lileral, e assim derrotou as suas forças.
A partir desse momento, os demais povos
viram-se desprovidos do comando e da poderosa
ação militar dos filisteus, e foram, um a um, der­
rotados e subjugados. Quando os siros de Damas­
co tentaram ajudar seus vizinhos, também foram
derrotados vigorosamente, e também foram subju­
gados.
Aqui, aprendemos que ao depararmo-nos
diante de dificuldades ao longo da vida, não de­
vemos limitar-nos a pequenos enfrentamentos.
Existem pessoas que preferem enfrentar aquilo que
é mais "fraco", mais fácil ou mais simples. O uvi­
mos, com frequência, declarações como "Este
trabalho é mais fácil de realizar do que aquele
outro, então prefiro este", ou "Vou tentar esta car­
reira na faculdade, pois é muito mais fácil de
ESTRATÉGIA

entrar". Não esperem tais pessoas experimentar


uma vitória real em suas vidas, pois agem sempre
visando o que é mais fácil!
É necessário que sejamos estratégicos diante
das lutas que nos aguardam, e para que assim pos­
samos ser, devemos aplicar conhecimento, sabe­
doria, discernimento, percepção e sensibilidade.
É possível adquirir o conhecimento por meio de
aplicação e disciplina, de leitura e estudo. A sabe­
doria vem de Deus, que nos oferece para que
saibamos como aplicar o conhecimento adquirido.
O discernimento irá nos proporcionar definir qual
o momento, o local, as circunstâncias e os pontos
a serem combatidos na luta que travamos. A per­
cepção irá aguçar nossos sentidos para que saiba­
mos a hora certa de avançar ou de recuar. E a
sensibilidade nos auxiliará a mantermos nossos
ouvidos atentos à voz de comando de Deus.
Então, sabemos que o Senhor quer nos dar
vitórias aonde quer que andemos. Basta, para
tanto, que façamos a nossa parte: tenhamos ob­
jetivos, lutemos por eles, e sejamos estratégicos
em nossas ações. Dessa forma, nossas vitórias
serão esmagadoras!
Capítulo 4
D O M IN E AS SITUA ÇÕ ES E T O M E POSSE
D A Q U ILO Q U E C O N Q U IS T A R

E sucedeu, depois disso, que Davi feriu os filisteus


e os sujeitou; e Davi tomou a Metegue-Amá das mãos
dos filisteus. Também feriu os moabitas, e os mediu com
cordel, fazendo-os deitar por terra, e os mediu com dois
cordéis para os matar, e com um cordel inteiro para os
deixar em vida; ficaram, assim, os moabitas por servos
de Davi, trazendo presentes. Feriu também Davi a Hada-
dezer, filho de Reobe, rei de Zobar, indo ele a virar a sua
mão para o rio Eufrates. E tomou-lhe Davi mil e seiscen­
tos cavaleiros e vinte mil homens de pé; e Davi jarretou
todos os cavalos dos carros e reservou deles cem carros.
ESTRATÉGIAS PARA A V IT Ó R IA

E vieram os siros de Damasco a socorrer a Hadadezer, rei


de Zobá; porém, Davi feriu dos siros vinte e dois mil
homens. E Davi pôs guarnições na Síria de Damasco, e
os siros ficaram por servos de Davi, trazendo presentes;
e o Senhor guardou a Davi por onde quer que ia. [...] E
pôs guarnições em Edom, em todo o Edom pôs guarnições,
e todos os edomitas ficaram por servos de Davi; e o SE­
NHOR ajudava a Davi por onde quer que ia.
2 Samuel 8.1-6,14

Como vimos, a notícia da reunificação do


reino, com Davi governando sobre Israel e Judá,
desagradou profundamente os filisteus, que reagi­
ram com vigor, reunindo-se no vale dos Refains,
para fazer frente à união dos dois reinos que ago­
ra representavam um perigo. Neste propósito de
frear as intenções de Davi, os filisteus formaram
uma confederação com os moabitas, com os edo­
mitas e com os sírios, e partiram para a batalha.
No entanto, após definir seu objetivo — der­
rotar os opressores — e lutar por isso, aplicando
as estratégias de um verdadeiro campeão nas ba­
talhas, Davi experimentou a vitória ao derrotar os
filisteus e subjugar os demais povos aliados do rei
da Filístia.
Mas para garantir a manutenção dessa vitória,
Davi aplicou políticas essenciais, para que as na­
ções derrotadas não promovessem um levante e
não se rebelassem, afetando a prosperidade do
SH.AS MUM-A1A

reino unificado de Israel e Judá, e comprometessem


a paz em Jerusalém. Tais políticas envolviam o
domínio total da situação sócio-política dos povos
subjugados e a apropriação da condição de vassa­
los de Israel a partir daquele momento. Veremos,
em primeiro lugar, como foram aplicadas tais con­
dições, que resultaram no domínio de Davi sobre
os inimigos subjugados.

I) O domínic sobre a situação

A administração do reino é brevemente resu­


mida. Duas listas de altos funcionários dão provas
da existência de certa organização administrativa
(veja 2 Samuel 8.15-18 e 20.23-26). Davi reinou
com juízo (mishpat, "leis, ordenanças, decisões
judiciais") e justiça (tsedeqah, "justiça, integridade,
equidade"). Joabe, um dos sobrinhos de Davi, foi
comandante de campo por muito tempo e estava
à frente do exército; Josafá, filho de Ailude, que
também serviu sob o governo de Salomão, era
cronista ou historiador. Zadoque, filho de Aitube,
e Aimeleque, filho de Abiatar, eram sacerdotes, ou
seja, atuavam conjuntamente como sumo sacer­
dote. Seraías era escrivão. Benaía, filho de Joiada,
comandante da guarda real, estava no comando
dos quereteus e dos peleteus — estas companhias
formavam a guarda pessoal de Davi. Os quereteus
eram, sem dúvida alguma, uma tribo filisteia, e os
ESTRATÉGIAS PARA A V IT Ó R IA

peleteus provavelmente eram soldados filisteus


mercenários. Os próprios filhos de Davi eram prín­
cipes ou conselheiros — chefes auxiliares.
Essas informações contidas nas Escrituras de­
monstram que Davi já possuía toda uma infraes-
trutura para exercer domínio sobre as nações
subjugadas, tanto na esfera administrativa como
na militar. Além disso, o texto informa que Davi
estabeleceu guarnições em cidades como Damas­
co, na Síria, e Edom.
As guarnições colocadas por Davi nestas lo­
calidades eram estruturas militares compostas por
soldados e oficiais. Eram responsáveis pela ordem
e submissão dos subjugados, além de cobrarem os
impostos devidos por eles a Israel a título de vas­
salagem. A cobrança de tributos foi uma forte e
eficaz ferramenta para domínio e controle. Tal
prática era velha conhecida de Israel, que pagou
tributos a inúmeros povos ao longo de sua história.
Agora, porém, os papéis haviam se invertido. Os
subjugados tornaram-se senhores e dominavam o
cenário político de então.
No livro de Jó, consta a seguinte afirmação:
Porventura, não tem o homem guerra sobre a terra?
(Jó 7.1). Tal declaração significa uma afirmação de
que vivemos continuamente sob lutas, e que se faz
necessário não apenas vencê-las, mas exercer do­
mínio sobre as situações que tenhamos derrotado,

10
í. . > ! AI FA í A

para que não corramos o risco de vê-las se levan­


tarem novamente.
Quantos de nós temos enfrentado problemas
recorrentes na vida, exatamente por uma falta de
domínio de tais situações? Dívidas, desastres, do­
enças, perigos, enganos, depressões, desempregos
e desajustes familiares são os grandes desafios que
andam ao nosso redor com ar arrogante e altivo,
roubam o nosso sono, tiram a nossa paz e fazem
um estrago gigantesco na nossa alegria. Precisamos
saber lidar com eles e não deixar que nos domi­
nem. Podemos confrontar e dominar esses inimigos
colocando-nos, primeiro, diante de Deus. Se nos
concentrarmos nos problemas, tropeçaremos. Se
nos concentrarmos em Deus, nossos problemas
cairão.
Sabemos aquilo que Davi sabia e devemos
fazer o que ele fez. Vejamos cinco pontos utilizados
por Davi ao longo de sua história, e façamos com
que tais princípios se tornem eficazes em nossa
vida.

a) Domine o seu passado


Davi manteve sempre em mente a promessa
feita por Deus, repetida por todas as 12 tribos de
Israel ao se encontrarem com Davi, e declararem
apoio ao novo rei: Tu apascentarás o meu povo de
Israel e tu serás chefe sobre Israel (2 Samuel 5.2).
i-;s i fíATfa;i-\s para a v i r õ R iA

Uma boa memória faz heróis. Uma péssima me­


mória faz covardes.
Lembrai-vos das suas maravilhas que tem feito,
dos seus prodígios, e dos juízos da sua boca (1
Crônicas 16.12). Relacione os sucessos de Deus.
Ele não o fez andar sobre muitas águas? Não
mostrou-se fiel? Você não conheceu a provisão de
Deus? Quantas vezes você foi para a cama com
fome? Quantas manhãs você acordou no frio? Ele
transformou seus inimigos em animais mortos ao
longo de uma estrada. Escreva as preocupações de
hoje na areia e grave as vitórias de ontem na pedra.
Domine o seu passado e prepare-se para viver a
vitória no presente.

b) Aplique-se à oração
As lutas da vida formam vales diante de nós.
Porém, estes vales precisam ser atravessados. E
nesta travessia, lembre-se de Davi. Antes de subir
para lutar, Davi desceu ao recôndito de seu coração
para consultar a Deus. Faça o mesmo. Dedique
tempo à oração.
O apóstolo Paulo escreveu: Orando em todo
tempo com toda a oração e súplica no Espírito e
vigiando nisso com toda perseverança e súplica
por todos os santos (Efésios 6.1 8). A oração gerou
os sucessos de Davi. Quando foi perseguido por
Saul e seus soldados tentaram capturá-lo, Davi
voltou-se para Deus: Eu, porém, cantarei a tua
força; pela manhã, louvarei com alegria a tua mi­
sericórdia, porquanto tu foste o meu alto refúgio e
proteção no dia da minha angústia (Salmo 59.1 6).
Como você sobrevive a uma vida de fugitivo
pelas cavernas? Davi sobreviveu com orações des­
te tipo: Tem misericórdia de mim, ó Deus, tem
misericórdia de mim, porque a minha alma confia
em ti; e à sombra das tuas asas me abrigo, até que
passem as calamidades. Clamarei ao Deus Altíssimo,
ao Deus que por mim tudo executa (Salmo 57.1,2).
Quando Davi mergulhava sua mente em Deus,
ele levantava-se. Quando não, ele caía. Você acha
que ele passou muito tempo em oração na noite
em que seduziu Bate-Seba? Improvável. Guarde
bem esta promessa: Tu conservarás em paz aque­
le cuja mente está firme em ti; porque ele confia
em ti (Isaías 26.3). Deus não promete apenas paz,
mas perfeita paz. A paz não adulterada, não man­
chada, não impedida. Para quem? Para aqueles cuja
mente está concentrada em Deus. Peça a ajuda de
Deus. Ele responderá às suas súplicas, e você terá
domínio sobre qualquer situação!

c) Faça de Deus sua prioridade


Lembre-se de qual é a sua prioridade mais
importante enquanto estiver lutando — a reputação
de Deus. Davi a preservou zelosamente. Ninguém
EÍSTRATÉG IAS PARA A V IT Ó R IA

jamais difamaria seu Senhor. Davi sempre enxer­


gava cada uma de suas batalhas como uma opor­
tunidade de Deus ser mostrado e anunciado. Foi
assim desde quando enfrentou Golias. Foi assim
na luta contra os filisteus e seus aliados.
O que aconteceria se você visse as suas lutas
da mesma forma? Em vez de atemorizar-se, você
deve recebê-las com boas-vindas. Suas dificulda­
des financeiras são a oportunidade de Deus mostrar
a Sua provisão. Seus problemas familiares podem
estampar o poder de Deus. Seu desemprego é a
chance de Deus abrir a porta de uma grande car­
reira. Veja sua luta como a tela de Deus. Nela, Ele
pintará Sua mais excelente supremacia. Faça de
Deus a sua prioridade, e você dominará qualquer
dificuldade que surgir!

d) Nunca desista
Davi sabia que a guerra contra os filisteus
poderia gerar consequências maiores. Talvez os
aliados respondessem com mais aliados. Mas ele
consultou ao Senhor e não enfraqueceu seu cora­
ção. Não foi refugiar-se na caverna de Adulão, nem
tampouco deixou para pôr os planos de ataque em
prática na próxima primavera. Davi tinha um pro­
pósito, um objetivo, e não desistiu dele.
Imite-o. Nunca desista. Talvez, uma oração
seja suficiente. Talvez, uma desculpa não resolva.

44
S U A S M A L A f \iA

Talvez, um dia (ou um mês) de decisões não seja


suficiente. Talvez, você seja derrubado uma ou
duas vezes, mas não desista até ter total domínio
sobre os filisteus de sua vida!

Davi, assim, exerceu domínio sobre filisteus,


moabitas, edomitas e siros, todavia, não bastava
apenas isso.

2) Tome posse daquilo que conquistar

Era necessário que Davi e seu exército tomas­


sem posse daquilo que conquistaram. Devemos
fazer o mesmo: tomar posse daquilo que conquis­
tamos. Tomar posse de algo significa declarar que
tal coisa nos pertence e não nos será tomada. É
nossa. Alguns cristãos têm objetivos definidos,
lutam por eles, aplicam estratégias, fazem conquis­
tas, mas voltam a perder tudo porque não tomaram
posse da nova condição. Deixaram que o inimigo
se levantasse e retomasse o que foi conquistado.
Davi não fez assim. Após conquistar o domí­
nio sobre os inimigos dos israelitas, ele tomou
posse de suas cidades, de suas riquezas e de seus
guerreiros, estabelecendo uma nova condição de
soberania sobre eles. O texto de 2 Samuel 8.1 -6 e
14 diz claramente que os conquistados ficaram por
servos e traziam presentes a Davi, ou seja, além
das guarnições do exército de Israel instaladas em
ESTRATÉGIAS PARA A V IT Ó R IA

suas cidades, ainda pagavam tributos a Davi. Isso


garantiu a hegemonia e o domínio de Israel sobre
todo o reino.

Precisamos fazer o mesmo. Ao obtermos a


vitória, devemos tomar posse dela, para que pos­
samos verdadeiramente possuí-la.
O povo israelita temeu quando esteve diante
de Canaã, terra que manava leite e mel. Por mais
que Deus tivesse dado Canaã àquelas pessoas,
elas sabiam que naquela terra teriam de lutar.
Deus tinha dado a terra para os hebreus; mas, para
que habitassem nela, o povo teria de lutar e tomar
posse.

Tomar posse não é pedir emprestado, não é


pedir licença, não é implorar. Tomar posse é "entrar,
agarrar, segurar, tomar para si". Deus ordenou aos
israelitas que tomassem posse da terra que Ele lhes
havia preparado, mas eles temeram. Não tiveram
coragem, nem fé em Deus, e por isso tiveram de
peregrinar por 40 anos no deserto.
Tomar posse das conquistas é apropriar-se da
vitória, tomar como propriedade, fazê-la sua, de-
clarar-se dono do sucesso alcançado de uma vez
por todas.
Quando Josafá soube que seus inimigos vi­
nham contra o seu povo, orou ao Senhor, e o mes­
mo respondeu-lhe: Assim o SEN H O R vos diz: Não
S I ! -VS '■ ' I "I 1

temais, nem vos assusteis por causa desta grande


multidão, pois a peleja não é vossa, senão de Deus
(2 Crônicas 20.15). Você pensa que Josafá ficou
sentado com seu povo, esperando que Deus der­
rotasse o inimigo? Não foi isso o que aconteceu,
pois Josafá preparou o povo para a guerra, e mais,
foi ao encontro do inimigo. Com sua fé em Deus,
colocou os melhores cantores à frente do exército,
para que fossem louvando ao Senhor no caminho,
e Deus deu-lhes a vitória sem que tivessem sequer
de lutar! Porém, o que fez diferença na campanha
de Josafá foi que ele confiou em Deus e partiu para
o confronto com seu problema, tomando posse da
vitória que Deus lhe havia prometido.
Quantas vezes lemos no Novo Testamento,
ao longo da vida de Jesus, sobre pessoas que ob­
tiveram a cura "apoderando-se" da bênção? O
cego de Jericó clamou em alta voz ao ouvir que
Jesus, o Nazareno, passava: jesus, Filho de Davi,
tem misericórdia de mim! (Lucas 18.38). Quantos
argumentaram com Jesus para que pudessem re­
ceber a vitória, assim como fez a mulher cananeia,
dizendo: Sim, Senhor; mas também os cachorri­
nhos comem das migalhas que caem da mesa dos
seus senhores (Mateus 15.27)? E outros tantos que
não se calaram quando pediram, atravessaram
multidões e subiram em árvores?Tais atitudes são
demonstrações práticas da apropriação da vitória
em ação.
ESTRATÉGIAS PARA A V IT Ó R IA

É necessário que deixemos de reclamar a res­


peito dos problemas que se repetem em nossa vida.
Quando o inimigo coloca um obstáculo diante de
nós, logo pensamos em desistir. E, quando a vitória
demora, também nos sentimos tentados a perder
a confiança em Deus. Mas é Eie quem nos exorta
para que tomemos posse da vitória e lutemos por
ela. Se Deus nos faz uma promessa, ela se cumpri­
rá. Tome posse das suas conquistas e saiba (assim
como Davi comprovou) que o Senhor lhe dará
vitórias por onde quer que você for!

48
Capítulo 5
O fe re ça o m e l h o r para d e u s

Mandou Toí seu filho Jorão ao rei Davi, para lhe


perguntar como estava e para lhe dar os parabéns por
haver pelejado contra Hadadezer e por o haver ferido
(porque Hadadezer de contínuo fazia guerra a Toí); e na
sua mão trazia vasos de prata, e vasos de ouro, e vasos
de bronze, os quais também o rei Davi consagrou ao
Senhor, juntamente com a prata e ouro que já havia
consagrado de todas as nações que sujeitara.

2 Samuel 8.10,11
A riqueza acumulada do reino de Davi (o ouro
e a prata) por meio dos despojos de guerra obtidos
dos amonitas, filisteus, edomitas e siros, aumenta­
va com os presentes enviados por Toí, rei de Ha-
mate, inimigo permanente de Hadadezer. Essas
dádivas eram trazidas por Jorão, o filho de Toí.
Uma das principais características de Davi
com relação às riquezas e aos despojos acumula­
dos ao longo de suas campanhas militares é que
ele os consagrava ao Senhor. Podemos afirmar que
esse era o principal segredo de Davi na obtenção
de suas vitórias.
Todos nós temos planos e sonhos de vitória
para a nossa vida. Nós queremos que eles se rea­
lizem de forma que nos beneficiem e nos façam
prósperos e felizes. Alguns sonham junto com
Deus, outros têm seus sonhos totalmente à parte
de Deus. Cada um tem a liberdade de conduzir os
seus sonhos da forma que acha melhor. No entan­
to, a Palavra de Deus sempre nos dará a direção
correta na condução de toda a nossa vida, inclu­
sive dos nossos planos e sonhos de vitória, assim
como foi com Davi.
O texto citado no início do capítulo declara:
Davi consagrou ao Senhor. Consagrar significa
dedicar a Deus tudo o que fazemos e o que pre­
tendemos fazer. É participar Deus de tudo, entregar
tudo a Ele, submeter tudo à Sua vontade, estar
SIL A S iVlAI.AFÂIA

pronto para fazer com que tudo o que aconteça ou


o que conquistemos seja para honrar o nome de
Deus. Consagrar é confiar que Deus está na direção
de tudo e que devemos fazer a nossa parte, obe­
decendo-o e oferecendo a Ele o melhor.
O texto bíblico nos garante que, agindo assim,
o Senhor nos dará vitórias por onde quer que an­
demos. Um plano bem-sucedido é um plano que
dá certo. No entanto, o conceito "dar certo" deve
estar bem entendido em nossa mente. Para o servo
de Deus, o plano que dá certo é aquele que é con­
duzido exatamente dentro da vontade de Deus,
embora nem sempre a vontade de Deus esteja de
acordo com a nossa vontade. Isso pode fazer com
que um plano que, aparentemente, aos olhos do
mundo e até aos nossos próprios olhos não tenha
dado certo, na verdade é, aos olhos de Deus, bem-
-sucedido!
Para o mundo, o plano bem-sucedido é aque­
le que consegue levar ao sucesso, que acontece
conforme seus idealizadores desejam, independen­
te se Deus foi glorificado ou não. Porém, para
aqueles que consagram tudo a Deus, o conceito
de vitória é outro.
O servo de Deus sempre faz a sua parte e fica
sensível ao que Deus lhe mostra. Agindo assim,
todos os seus planos serão bem-sucedidos, ainda
que em sua formatação final as coisas não tenham
ESTRATÉGIAS PARA A V IT O R IA

saído como o seu coração desejou. A garantia dis­


so vem de Deus. Para muitos, a morte de Jesus na
cruz não foi algo bem-sucedido. Alguns olhavam
para Jesus e o desafiavam a descer da cruz, e salvar-
-se a si mesmo. Para eles, isso seria um "Jesus bem-
-sucedido". No entanto, sabemos que a morte na
cruz foi bem-sucedida, pois atendeu a todo o de­
sejo de Deus, a toda sua vontade. Fazer a vontade
de Deus e consagrar tudo a Ele é a garantia de que
tudo dará certo!

A passagem acima mostra uma situação opos­


ta a que vemos nos dias de hoje. Davi, consagrando
a Deus o seu melhor, ofereceu um magistral exem­
plo ao povo para que ofertasse, mas que o fizesse
com ousadia, dando o seu melhor com alegria em
seu coração. Para sua surpresa, as pessoas, incluin­
do os príncipes, contribuíram mais tarde para a
construção do templo do Senhor com generosida­
de inigualável, e até pedras preciosas foram entre­
gues como oferta (1 Crônicas 29.5-9; 13,14).

Diante disso, Davi louvava e glorificava a


Deus, pois tudo pertencia a Ele. Acredito que esta
seja a parte mais importante da atitude de Davi.
É natural que o homem se preocupe com o di­
nheiro colocado no altar. Depois de tanto trabalho
honesto, seria terrível saber que o dinheiro, en­
tregue para a obra de Deus, estaria sendo empre­
gado de maneira incorreta. Mas afinal, de quem
S H AS M i í A \ I A

é o dinheiro? Se não fosse a graça de Deus para


nos abençoar, proteger, para dar forças, saúde,
para abrir portas de emprego, esse dinheiro não
estaria em nossas mãos.
O Senhor é o único digno de receber a honra
e a glória. Dele, por Ele e para Ele são todas as
coisas. Não deixe que a corrupção do homem
impeça você de cumprir esse mandamento de
Deus. Entregue o dízimo. Em vão servirá ter 100
por cento do seu salário se você não os consagra
a Deus. As pessoas acham um absurdo entregar
dez por cento do que ganham à igreja, mas elas
não sabem que não é à igreja que estão entregan­
do. O dízimo pertence a Deus.
O Senhor tudo vê e tudo sabe. Não aconselho
você a dizimar e a ofertar por medo de ser casti­
gado. Devemos fazê-los com alegria no coração,
tendo a certeza de que aquele dinheiro não nos
pertence. Devemos fazê-los como uma forma de
agradecimento a Deus por nosso sustento, pela
provisão que Ele nos dá! Deus não quer dinheiro,
ele é o dono do ouro e da prata. Ele se importa
com as nossas atitudes e com o que está em nosso
coração. Por isso Davi alegrou-se: ele viu um ges­
to de generosidade e adoração a Deus por parte
do povo que ofertava.
Milhares de pessoas têm sido ensinadas que
é errado esperar algo em retorno quando você
ESTRATÉGIAS PARA A V IT Ó R IA

consagra sua oferta a Deus. Elas sentem que isso


é prova de ganância. "Quando dou a Deus, eu não
espero nada em troca!", é a reivindicação orgulho­
sa de muitos que têm caído em armadilhas por
ensinos trágicos e errôneos.
Você espera um salário de seu chefe no final
de um mês de trabalho? Claro que sim. Isso é ga­
nância? Jamais. Você esperou perdão quando con­
fessou seus pecados a Cristo? Naturalmente que
sim. Isso é ganância? Jamais. Tirar a expectativa
daquilo que você consagrou é despir Deus do Seu
poder galardoador.
Lembre-se, o maior prazer de Deus é que
creiamos nele. Sua maior dor é quando duvidamos.
Ora, sem fé é impossível agradar-lhe, porque é
necessário que aquele que se aproxima de Deus
creia que ele existe e que é galardoador dos que o
buscam (Hebreus 11.6).
A palavra motivo significa "razão para fazer
alguma coisa". Quando alguém está em julgamento,
acusado de assassinato, os promotores tentam des­
cobrir o pretexto ou a possível razão que teria mo­
tivado a pessoa a fazer tal coisa horrível. Deus es­
pera que você seja motivado pelo suprimento, pela
promessa de provisão: Da/, e ser-vos-á dado; boa
medida, recalcada, sacudida e transbordando vos
darão (Lucas 6.38). Deus oferece o transbordar como
uma razão para você consagrar o melhor de si!
S U . A S M A L A FA SA

Honra ao Senhor com a tua fazenda e com as


primícias de toda a tua renda; e se encherão os
teus celeiros abundantemente, e transbordarão de
mosto os teus lagares (Provérbios 3.9,1 0). Observe
que Deus pinta o quadro com "celeiros transbor­
dantes" para nos motivar a honrarmos a Ele. Davi
conhecia na prática o princípio galardoador de
Deus àqueles que consagravam o melhor para Ele.
Davi consagrou o ouro, a prata e o bronze a Deus.
E Deus o recompensou com vitórias por onde quer
que ele fosse.
Consagre o melhor para Deus e espere prote­
ção como Ele prometeu (Malaquias 3.11). Espere
o favor de um Boaz perto de você (Lucas 6.38).
Espere ideias e sabedoria financeira de Deus como
colheita (Deuteronômio 8.18). Espere que seus
inimigos se fragmentem, fiquem confusos e fujam
de diante de você (Deuteronômio 28.7). Espere
Deus abençoar você por todos os atos de obedi­
ência (Deuteronômio 28.1,2).
Esse foi o maior segredo de Davi, sua mais
importante estratégia de vitória, de consagração,
de bens, de vida, de todo o seu ser. Espere vitó­
rias sobre vitórias como Davi experimentou: E o
SE N H O R ajudava a D avi por onde quer que ia
(2 Samuel 8.14)!
Conclusão
Reinou, pois, Davi sobre todo o Israel; e Davi jul­
gava e fazia justiça a todo o seu povo.
2 Samuel 8.1 5

Todos nós temos como objetivo obter vitórias


nas mais diversas áreas, sejam elas financeiras,
emocionais ou espirituais. Davi também possuía
estes mesmos objetivos e os alcançou graças à
aplicação das estratégias que aqui estudamos.
Muitos, porém, ainda hoje, não conseguem vitórias
na vida, seja por desconhecerem tais estratégias,
seja por não se aplicarem com persistência a elas.
Como fez com Seu servo Davi, Deus também
deseja nos dar vitória por onde quer que andemos.
Para tanto, basta que apliquemos o princípio de
semear, utilizando os segredos de Davi para ceifar
sucesso e prosperidade em tudo o que fizermos.
As estratégias aqui apresentadas são promessas
maravilhosas para os cristãos, porque a perseve­
rança em plantar essa semente produzirá uma
colheita digna de ser buscada como Davi fez.
ESTRATÉGIAS PARA A V IT Ó R IA

O princípio: você pode decidir qualquer vi­


tória que gostaria de ter e plantar uma semente
especial, embrulhada com sua fé e obediência para
um resultado desejado. Deus opera esse princípio
continuamente. Veja um exemplo: Ele teve um
Filho, Jesus. Todavia, Ele queria uma família. Des­
ta forma, Ele plantou Sua melhor semente em um
lugar chamado Calvário para produzir uma família
gloriosa, o Corpo de Cristo. Aqui estamos nós!
Elias, o notável profeta, entendia tanto sobre
esse princípio quanto sobre qualquer outra pessoa
nas Escrituras. Ele olhou no rosto de uma campo­
nesa empobrecida que estava para tomar sua últi­
ma refeição. O filho dela era pele e osso, deitado
na cama. Ela estava destituída. Não se tratava
simplesmente de uma viúva precisando de mais
dinheiro para fazer as compras do mês ou pagar a
prestação da casa. Seu último pedaço de pão era
a única coisa entre ela e a inanição.
Mas Deus sorriu para ela! Ele não lhe enviou
uma cesta básica (veja bem, mesmo uma cesta
básica teria um fim). Elias não lhe deu uma nota
de 100 reais (isso apenas adiaria a fome por umas
poucas horas). Deus enviou-lhe um homem que
entendia como continuar criando vitória após vi­
tória com uma simples semente.
Elias não disse: "Vou contar o seu problema
na igreja para ver se alguém pode ajudá-la". Ele
não criticou a mulher. Não perguntou se ela paga-

':
SIL A S MAÍ..APAÍA

va o dízimo. Ele apontou para algo que ela já


possuía, e disse-lhe como usá-lo como uma ponte
para resolver o problema.
As estratégias utilizadas por Davi para con­
quistar a vitória servem como exemplo para você
alcançar as bênçãos com que tem sonhado a vida
inteira. Para que isso aconteça, basta usar a sua fé
e obediência a Deus. Determine um objetivo cla­
ro sobre o que deseja alcançar; lute, aplicando toda
a ação de que for capaz; trace estratégias que pos­
sam conduzi-lo adequadamente aos fins que de­
seja; tenha domínio sobre as situações que envol­
vem você no seu dia a dia, não se desviando nem
para a esquerda nem para a direita; tome posse de
tudo aquilo que você conquistar, repreendendo o
inimigo que deseja destruí-lo; e, por fim, ofereça
a Deus sempre o melhor de suas conquistas, pois
dele é toda a honra e toda a glória.
Fazendo assim, as preciosas bênçãos de Deus
estarão disponíveis para você e, como foi com
Davi, o Senhor te conduzirá com vitórias em todos
os lugares aonde você for! Creia nisso!

o gc:
Senhor Deus, eu te peço que me concedas
entendimento para receber com minha mente e
meu coração as verdades estudadas neste livro,
pois elas refletem a Tua vontade e a Tua verdade
ESTRATÉGIAS PARA A VIT U K IA

contidas em Tua Palavra. Que eu possa viver a


alegria que só aqueles que constroem um futuro
segundo a Tua vontade podem ter. Que eu demons­
tre a capacidade suficiente para compreender as
estratégias para a vitória, baseado nos princípios e
verdades que Tu tens manifestado por meio do
relato das batalhas e vitórias de Davi. Que toda a
fé e perseverança demonstradas pelo teu servo Davi
sejam reproduzidas em minha vida, para que eu
possa, então, experimentar a vitória sobre todos os
inimigos que me cercam. Abre, Senhor; as portas do
sucesso e da vitória sobre os filisteus, moabitas,
edomitas e siros que se interpõem diante de mim,
impedindo que eu avance rumo aos meus objetivos.
Peço que me abençoes, que me guardes, que me
proporciones uma vida nova cheia do Teu poder.
Que eu seja testemunha do poder que existe so­
mente em ti. Em nome do Teu amado Filho, Jesus,
meu Senhor e Salvador. Amém e amém!

CENTRAL
GOSPEL
EDITO RA CEN T RA L G O SP E L
Estrada do G uerenguê, 1851 - Taquara
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