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ARTIGO

APTIDÃo FÍSICA E CRESCIMENTO FÍSICO DE


ESCOLARES DE 7 A 17 ANOS DE VIÇOSA MG* -

Maria Tereza Silveira ~ohme'*

RESUMO
Este trabalho visa apresentar parte dos resultados da pesquisa
intitulada "Avaliação da aptidão fisica e do crescimento fisico de escolares de
7 a 17 anos de Viçosa - MG", desenvolvida no Departamento de Educação
Física da Universidade Federal de Viçosa, com financiamento do CNPq e da
FAPEMIG. A pesquisa foi feita em urna amostra de aproximadamente 1.500
escolares de ambos os sexos. Nesta primeira parte da publicação de uma
série de cinco artigos, são apresentadas a descrição do desenvolvimento da
resistência aeróbica, m d d a através do teste de corrida de 9 minutos, e as
tabelas referenciais (normas) em percentis, elaboradas considerando idade e
sexo, as quais podem ser utilizadas pelo professor de Educação Física da
região.
UNITERMOS: Resistência aeróbica, avaliação, desenvolvimento

Este trabalho é o primeiro de uma série de cinco artigos sobre o


projeto de pesquisa intitulado "Avaliação da aptidão fisica e do crescimento
fisico de escolares de 7 a 17 anos de Viçosa - M G , realizado de 1986 a
1988 no Departamento de Educação Física da Universidade Federal de
Viçosa, com fínanciamento do CNPq e da FAPEMIG. Os objetivos iniciais
desta pesquisa foram elaborar tabelas referenciais (normas) em percentis das
medidas dos aspectos da aptidão fisica relacionados com a saúde, para serem
utilizados pelo professor de Educação Física da região no processo da
avaliação do desenvolvimento da aptidão fisica de seus alunos (BOHME e
FREITAS, 1989).

' Fonte de financiamento: CNPq - 401.569186 - CL


.. FAPEMIG - CBS 307186
Professora do Departamento de Educação Fisica da Universidade Federal de Viçosa.
R. min. Educ. Fis., Viçosa, 2(1):27-41, 1994 27
Nesta série de cinco artigos que serão publicados a partir deste
numero, nesta revista, os resultados da pesquisa serão apresentados na
seguinte ordem:
I. Resistência Aeróbica
2. Força Muscular de Membros Superiores, Membros Inferiores e
Abdomjnai
3. Flexibilidade do Quadnl
4. Estatura, Peso e Perímetros de Braço e Abdominal
5. Dobras Cuiâneas Triciptai, Subscapular e Abdominai

A resistência aeróbica e considerada um componente da aptidão


fisica relacionado com a saúde, pois a sua melhoria através do treinamento
promove:
- fortalecimento do rniocárdio;
- diminuição da freqüência cardíaca;
- possível diminuição da pressão sanguínea;
- diminuição das gorduras sanguíneas, inclusive do colesterol de
baixa densidade;
- melhoria do sistema circulatório periférico;
- melhoria da circulação coronariana;
- diminuição dos perigos de do miocárdio;
- aumento do colesterol de alta densidade; e
- melhoria do transporte de oxigênio pelo sangue.
O desenvolvimento da resistência aeróbica e descrito em livros-texto
como um componente da aptidão fisica (CORBIN, 1980; GALLAHUE,
1982; HAYWOOD, 1986; ZAICHKOWSKY, 1980), os quais apresentam
-
as curvas e tabelas da AAHPERD (1980) American Association of Health,
Physical Education, Recreation and Dance, e em livros de outras áreas das
Ciências do Esporte (BAR-OR, 1989; MARTIN, 1988; MEINEL e
SCHNABEL, 1984; ROWLAND, 1990).
A resistência aeróbica foi pesquisada em diferentes países, em
estudos que visavam descrever o desenvolvimento da aptidão fisica: Austria
(FETZ, 1982), Holanda (KEMPER, 1983), Alemanha (CRASSELT et alii,
1985), Bélgica (HEBBELINCK e BORMS 1989; BEUNEN et alii, 1988).
Estes estudos têm por características comuns: a) terem delineamento
longitudinal; b) possuírem uma amostra elevada no início (por volta de 7.500
a 10.000 escolares), diminuindo no final(por volta de 2.500 crianças); c)
terem elaborado curvas de desenvolvimento de cada variável estudada em
função da idade e do sexo; e d) terem elaborado tabelas de nonnas em
percentis de cada variável pesquisada, considerando o sexo e a idade.
Algumas destas pesquisas estudaram aspectos socioculturais associados i s
variáveis estudadas.
Trabalhos de pesquisa regionais e transversais referentes a aptidão
fisica de escolares brasileiros são encontrados na literatura nacional.

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NEGRÃO et alii (198 1) realizaram uma pesquisa com escolares de 7 a 17
anos de Santo André - São Paulo, com o objetivo de elaborar tabelas
classificatórias da aptidão fisica; SILVEIRA (1981) elaborou tabelas
classificatórias da aptidão fisica de crianças de 7 a 12 anos de Viçosa -
Minas Gerais; BARBANTI (1982), em sua tese de doutorado, fez um estudo
comparativo dos aspectos da aptidão fisica relacionados com a saúde entre
escolares brasileiros de Itapira, São Paulo, e americanos de 7 a 14 anos,
elaborando normas em percentis das variáveis estuda@, as quais foram
publicadas em forma de manual (BARBANTI 1983). BOHME e FREITAS
(1989) elaboraram normas em percentis dos aspectos da aptidão fisica
relacionados com a saúde de escolares de 7 a 17 anos de Viçosa, Minas
Gerais; MATSUDO (1987) apresentou curvas de desenvolvimento de
medidas de aptidão motora de 5.760 escolares brasileiros entre 7 e 18 anos
de idade e discute as diferenças de desempenho entre os sexos, com base em
dados transversais; DOREA (1990) elaborou, em sua dissertação de
mestrado, normas em percentis dos aspectos da aptidão fisica relacionados
com a saúde de escolares de 7 a 12 anos, de Jequié, Bahia; e ARRUDA
(1990), em seu trabalho de mestrado, estudou a antropometria e os aspectos
da aptidão fisica relacionados com a saúde em pré-escolares de Campinas,
São Paulo.
Diversos trabalhos de pesquisa são encontrados na literatura
referentes a resishcia aeróbica medida através do consumo máximo de
oxigênio (V02 máx.) de crianças, realizados em laboratório, através de
cicloergometria ou esteira. KRAHENBUHL et alii (1985) elaboraram uma
revisão bibliográfica sobre o assunto na faixa &ria de 4 a 16 anos, em que
são descritos as metodologias de testes utilizados, os componentes estruturais
e funcionais dos aspectos maturacionais, o efeito do treinamento e as relações
do consumo máximo de oxigênio com o desempenho.
Outros autores procuraram determinar a validade dos testes de
corrida para medir a resistência aeróbica, que podem ser feitos no campo
pelo professor de Educação Física, os quais são de mais fácil realização e de
menor custo (JACKSON e COLEMAN, 1976; KRAHENBUHL et alii,
1978; CURETON, 1982).
Pelo exposto, constata-se que a maioria das pesquisas realizadas nos
últimos trinta anos tiveram por objetivo principal descrever o processo de
desenvolvimento de cada componente da aptidão fisica individualmente,
elaborando curvas de desenvolvimento e tabelas das normas em percentis, em
função do sexo e das idades cronológicas estudadas. A característica comum
destas pesquisas está no fato de que elas são regionais, referindo-se a
determinada região de um país, ou nacionais, com amostras representativas
de todas as regiões do mesmo; elas são diferenciadas pelo delineamento
utilizado, ou seja, se longitudinal ou transversal.

OBJETIVOS
Os objetivos deste trabalho foram:

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1. Descrever o desenvolvimento da resistência aeróbica de escolares de 7 a
17 anos de ambos os sexos;
2. Verificar a existência de diferença significativa na resistência aeróbica
entre os sexos, para cada idade, na faixa etária de 7 a 17 anos;
3. Verificar a evolução percentual da resistência aeróbica nas faixas &as
de 7 a 13, de 14a 17 ede 7 a 17 anos,por sexo; e
4. Elaborar tabelas referenciais (normas) em percentis da resistência aeróbica
de escolares mineiros da região de Viçosa, por sexo e por idade.

JUSTIFICATIVA
Este trabalho justifica-se pela inexistência de um estudo sobre o
desenvolvimento e de tabelas referenciais (normas) em percentis da
resistência aeróbica de escòlares desta região de Minas Gerais.

METODOLOGIA
Em razão dos inconvenientes de uma pesquisa longitudinal (como
fator econômico e tempo necessário), optou-se por uma pesquisa transversal.
O levantamento da população a ser estudada foi feito mediante
contato com a representação da Delegacia Regional de Ensino em Viçosa, em
março de 1987. A população estudantil total desta época era por volta de
8.000 alunos, sendo:
a) 3.800 da primeira a quarta série do primeiro grau;
b) 3 .O00 da quinta a oitava série do primeiro grau;
c) 1.200 do segundo grau.
Uma amostra de 18% da população foi determinada, num total de
1.454 escolares: 7 15 do sexo masculino e 739 do sexo feminino. A idade
cronológica foi calculada pela data da coleta de dados, de acordo com o
seguinte critkrio:
Escolares entre: Idade considerada:
a) 6 anos e 6 meses e 7 anos e 5 meses 7 anos
b) 7 anos e 6 meses e 8 anos e 5 meses 8 anos
assim por diante, atk 17 anos.
O número de escolares de 7 anos é menor porque a maioria dos
dados da primeira série foram coletados no segundo semestre de 1987,
quando as crianças já haviam completado 8 anos pelo critério adotado.
O estudo de custo e tempo disponíveis para a coleta de dados sugeriu
a inclusão de oito escolas da zona urbana da cidade, de um total de doze
existentes, das quais seis eram da rede oficial e duas da r& particular de
ensino.
As crianças participantes da pesquisa foram escolhidas
aleatoriamente, de acordo com as classes que tivessem aulas de Educação
Física no horário da coleta de dados, a qual foi realizada nas próprias

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escolas. No mínimo uma classe de cada série, por escola, participou da
pesquisa.
A descrição da amostra e encontrada na Tabela 1.

-
TABELA 1 Descrição da amostra segundo idade e sexo

Idade Sexo masculino Sexo feminino Total


7 43 33 76

As medidas foram feitas por um grupo de oito testadores treinados


para tal fim, estudantes de Educação Física da Universidade Federal de
Viçosa. Para a mensunção foram necessárias três aulas de Educação Física:
a primeira para as medidas antropométricas, a segunda para os testes de
força e flexibilidade e a terceira para o teste de resisencia aeróbica. As
medidas foram anotadas em fichas de coleta individuais.
A pesquisa foi feita em duas épocas:
- -
a) Plano piloto segundo semestre de 1986 para treinamento dos testadores,
com a participação das crianças participantes da disciplina "Prática de
Ensino", época em que também foram verificadas a objetividade e a
fidedignidade dos testes; e
b) Pesquisa propriamente dita - de maio de 1987 a junho de 1988 - coleta de
dados nas escolas participantes da amostra deter-.
Utilizaram-se os testes de menor custo e de facil realização, dado que
no Brasil, numa regiáo do interior como Viçosa, o professor de Educação
Física tem poucas umdiçdes materiais para avaliar seus alunos.
Procuou-se, deste modo, atender a realidade brasileira. Os testes
utiiizados nesta pesquisa atenderam os seguintes requisitos:
a) serem os mais comumente citados pelos autores;
b) possuírem boa autenticidade cientítica (validade, fidedignidade e
objetividade);
c) serem os de menor necessidade de material;
d) serem os de custo mais barato; e
e) serem os que requeriam menor tempo de realização.

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Com o objetivo de medir as capacidades fisicas componentes da
aptidão fisica relacionadas com a saúde: força, flexibilidade e resistência
aeróbica, foram utilizados cinco testes, os quais são encontrados na literatura
da área (AAHPERD, 1980; BARBANTI, 1983; BARROW, 1978; FETZ e
KORNEXL, 1976, JOHNSON, 1979; KTRKENDALL, 1980; MATHEWS,
1980; SAFRIT, 1981) onde os critenos de autenticidade científica - validade,
fidedignidade e objetividade - podem ser encontndos.
As medidas antropométricas foram realizadas segundo a metodologia
preconizada na literatura (LARSON, 1974), com o objetivo de medir o
crescimento fisico e a composição corporal.
Neste trabalho serão apresentados os resultados do teste de comda
de 9 minutos (m), o qual foi utilizado como indicador da resistência aeróbica,
descrito a seguir:
Material necessbno: um relógio, de preferência com cronômetro, e
local demarcado de 5 em 5 m (se possível uma quadra esportiva).
Posição inicial: as crianças deverão posicionar-se atrás da linha de
saída.
Procedimento ao sinal do testador, deverão com- a correr a
maior distância possível em nove minutos, em ritmo próprio e individual.
Podem andar, se por acaso cansarem. O professor deve apitar duas vezes,
sendo uma quando faltar um minuto para tenninar e a segunda no final. Os
alunos deverão parar no local em que estiverem depois do segundo apito e
aguardar o professor determinar a distância percorrida.
Contagem: a medida consta da marca da distância percorrida em
metros, após 9 minutos de comda.
Foram considerados os seguintes grupos para a análise estatística:
a) onze grupos etários diferentes do sexo feminino, de 7 a 17 anos;
b) onze grupos etários diferentes do sexo masculino, de 7 a 17 anos;
c) um grupo feminino, de 7 a 13 anos;
d) um grupo masculino, de 7 a 13 anos;
e) um grupo feminino, de 14 a 17 anos;
f ) um grupo masculino, de 14 a 17 anos;
g) um grupo total feminino, de 7 a 17 anos; e
h) um grupo total masculino, de 7 a 17 anos.
Apesar de a idade biológica não ter sido medida, consideraram-se
estes grupos etários, pelo Eato de que na literatura preconiza-se que, em
média, nesta idade (14 anos), o ser humano está maturo ou quase totalmente
maturo (DEMETER, 1981; DUARTE, 1986), o que está relacionado tanto
com a aptidão fisica quanto com o crescimento.
Os dados foram analisados no Centro de Processamento de Dados da
Universidade Federal & Viçosa e em um micrommputador do Instituto de
Ciências do Esporte da Universidade Justus Liebig, na Alemanha, por meio
de três programas computacionais de estatística:
-
a) SAEG Sistema de Análises Estatísticas em Genética;
b) SPSS/PC+ versão 2 0 - Statistical Package for the Social
Sciences; e
C)HG - Harvard Graphics.
As medidas descritivas adotadas para esta análise foram: média,
desvio-padrão, erro-padrão, mediana, valor mínimo e valor máximo.
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Na análise inferencial dos dados foi adotado o nível de significância
de 5% para a interpretação dos resultados. Foram utilizados:
a) K-S Test - Kolmogorov Smimov Test - para verificação da
suposição básica de que os dados utilizados para as análises foram
mostrados de população normaí, ou seja, a distribuição normai das
variáveis estudadas;
b) Teste "t" de Student para amostras independentes - para a
verificação de existência de diferenças significativas das medidas realizadas
entre os sexos de cada idade; e
c) Percentis - para a elaboração das tabelas referenciais (normas).
Foi calculado também o delta percentuai, para verificar a evolução
percentuai da resistência aeróbica entre os grupos etários considerados.

RESULTADOS
Os resultados do K-S Test para a verificação da suposição básica de
que os dados utilizados para as análises foram mostrados de população
normaí comprovaram a existência de distribuição n o d da variável
estudada, para todos os vinte e dois grupos etários diferentes considerados.
Um sumário das medidas descritivas é apresentado nas Tabelas 2 e
3.

TABELA 2 - Sumário das medidas descritivas do teste de comda de 9


minutos do sexo rnaculino, de acordo com os onze grupos
etários considerados (m)
Idade N Média D. P. E.P. Mediana Mín. Máx.
7 38 1112.39 207.26 33.62 1148.0 550 1428

R mia. Educ. Fís.,Viçosa, 2(1):27-41, 1994 33


TABELA 3 - Sumário das medidas descritivas do teste de comda de 9
minutos do sexo feminino, de acordo com os onze grupos
etários considerados (m)
Idade N Média D. P. E. P. Mediana Mín. Máx.
7 25 1132.28 289.98 57.99 1046.0 830 2143

Foram observados valores crescentes no desempenho do teste de


comda de 9 minutos para ambos os sexos com o decorrer da idade, e o sexo
masculino apresentou valores superiores ao do sexo feminino em todas as
idades (Figura 1). Ocorreu uma estabilização de desempenho nos meninos
entre 10 e 11 anos, enquanto para as meninas este estabilizou-se entre 12 e
14 anos, voltando a aumentar posteriormente, porém de modo mais
acentuado nos meninos: aos 8 anos, a diferença de desempenho entre os sexos
foi de 8%; aos 1 1, de 9%; aos 14, de 16%; e aos 17, de 20%.
Por meio do teste T de Student para amostras independentes,
constatou-se que essas diferenças de desempenho foram significativas entre
os sexos nos onze diferentes grupos &os considerados (p<0,01), com
exceção do grupo de 7 anos (p<0,05), em que as meninas apresentaram uma
média um pouco superior a dos meninos.

- I L I I L I L I
10001 I L L &

~ I ~ O W I I B P U I ~ R ~
IDADE (snor)

FIGURA 1 - Valores médios do teste de comda de 9 minutos, de acordo com


o sexo e a idade cronológica (m)
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Observou-se um maior aumento da evolução percentual da
resistência aeróbica (Figura 2) no sexo masculino nos três grupos etários
considerados, sendo o mesmo mais acentuado entre 7 e 13 anos, em que
ocorreu um aumento de 27% para os meninos contra 12 % para as meninas.
Entre 14 e 17 anos, o sexo feminino manteve o aumento de 12%, enquanto o
masculino aumentou 15%. Considerando-se o grupo total, de 7 a 17 anos,
percebe-se claramente a diferença do aumento desta capacidade fisica entre
os sexos nesta faixa etária: 4 1% e 24% para os sexos masculino e feminino,
respectivamente; o sexo masculino teve um aumento de 15% maior da
resistência aeróbica que o feminino durante o processo de desenvolvimento
da mesma nesta faixa etária.

7-i3 14-17 7-17


grupo etário
sexo femiriino asexo masculino
FIGURA 2 - Evolução percentual da resistência aeróbica, de acordo com o
sexo e os três diferentes grupos etários considerados

As tabelas referenciais foram elaboradas em percentis, que


significam o percentual de distribuição da variável avaliada em relação a
idade e ao sexo (Tabelas 4 e 5).
As tabelas são construídas em escala de percentis de 1 a 99, com
intervalos de 5 em 5. Para se fazer a avaliação do desempenho de criança,
devem ser consideradas quatro coisas: a medida que está sendo avaliada, o
sexo, a idade e o percentil em que a medida se encontra. Os dois primeiros
são identificados pelo título da tabela (medida e sexo); a idade, na linha
marginal superior; e o percentil, na coluna mar@ esquerda.

R. rnin.Educ. Fis., Viçosa, 2(1):27-41, 1994 35


TABELA 4 - Percentis de resistência aeróbica (m) - sexo masculino
7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17
1 550 545 039 950 567 849 999 981 1028 1068 1389
5 629 708 784 1037 1020 1009 1145 1032 1217 1120 1389
10 850 926 980 1160 1058 1104 1202 1151 1291 1197 1397
15 932 931 1053 1196 1103 1134 1270 1218 1478 1319 1468
20 954 1019 1100 1223 1175 1182 1340 1241 1488 1510 1589
25 985 1055 1164 1236 1245 1220 1371 1358 1533 1575 1706
30 1030 1076 1183 1238 1265 1301 1391 1427 1546 1639 1744
35 1039 1102 1200 1265 1277 1338 1421 1515 1614 1712 1796
40 1077 1117 1215 1286 1306 1375 1456 1577 1639 1762 1859
45 1133 1163 1261 1335 1348 1407 1486 1616 1677 1789 1854
50 1148 1176 1287 1349 1365 1424 1549 1639 1710 1826 1887
55 1172 1197 1299 1358 1386 1454 1574 1657 1748 1860 1915
60 1191 1230 1323 1370 1406 1475 1612 1676 1770 1901 1959
65 1205 1258 1364 1406 1431 1516 1635 1712 1793 1975 1973
70 1231 1301 1400 1438 1444 1554 1643 1730 1820 2062 1984
75 1260 1347 1407 1470 1467 1567 1659 1767 1854 2128 2148
80 1302 1373 1443 1507 1511 1603 1678 1790 1899 2160 2208
85 1340 1398 1470 1511 1530 1637 1722 1846 1952 2190 2245
90 1357 1441 1495 1581 1599 1706 1785 1883 2062 2204 2265
95 1396 1523 1438 1604 1644 1718 1810 1954 2209 2251 2511
99 1428 1947 1600 1769 1890 1934 1922 2156 2276 2261 2316

TABELA 5 - Percentis de resistência aeróbica (m) - sexo feminino


7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17
1 830 334 324 720 821 674 864 769 864 1138 988

36 R. min. Educ. Fís., Viçosa, 2(1):27-4 1, 1994


De acordo com CURETON (1982), os determinantes biológicos de
desempenho na com& são complexos, pois envolvem, dentre outros fatores,
resistência cardiorrespiratória, gordura corporal, limiar anaeróbico e
eficiência mecânica da comda; conseqüentemente, não se pode afirmar que
os testes de comda medem somente resistência aeróbica. JACKSON e
COLEMAN (1976) determinaram a validade de constmcto e a validade
concorrente de testes de corrida para crianças de 11 anos de idade e
concluíram que a distância obtida no teste de comda de 9 minutos possui
uma alta correlação com o consumo máximo de oxigênio (mVkg/min). Outros
pesquisadores comprovaram a validade do teste de comda de 1.600m nesta
faixa etária (KRAHENBUHL et alii, 1978).
Os resultados encontrados na descrição do desenvolvimento da
resistência aeróbica estão de acordo com outras pesquisas (BARBANTI,
1982,1983; BEUNEN et alii, 1988; CRASSELT et alii, 1985; FETZ, 1982;
KEMPER, 1983; HEBBELINCK e BORMS, 1989; NEGRÃO e KISS,
1981; SIMONS et alii, 1990) e com os autores da área (BAR-OR, 1989;
CORBIN, 1980; GALLAHUE, 1982; HAYWOOD, 1986; MARTIN, 1988;
MEINEL e SCHNABEL, 1984; ROWLAND, 1990; ZAICHKOWSKY,
1980).
De acordo com MARTIN (1988), a meihoria da resistência aeróbica
até o período pubertário (7-13 anos) ocorre condicionada pela maturação e
pelo crescimento dos órgãos e sistemas envolvidos; ou seja, meihoria da
musculatura esquelética, que se toma mais forte, mais rápida e representa um
maior percentual da composição corporal, associado a um aumento do
consumo máximo de oxigênio (do repouso para o exercício), em relação ao
volume cardíaco, o qual alcança valores de adolescentes e de adultos no final
deste período.
A partir da puberdade (grupo de 14 a 17 anos), com a maturação
sexual, o adolescente alcança as condiçiks ótimas de desenvolvimento e
treinamento da resistência aeróbica: aumento geral da adaptação do sistema
cardiorrespiratório, em razão do aumento do consumo de oxigênio através da
economia da freqüência cardíaca, do aumento do volume sistólico e do
aprofundarnento dos movimentos respiratórios, aumento da capacidade de
recuperação e aumento da sensibilidade reguladora, obtidos tanto pela
maturação como pela influência do treinamento. Entre os 13 e 15 anos, o
aumento acentuado do volume cardíaco, pulso de oxigênio e volume sistólico
proporcionam uma economia dos parâmetros fisiológicos envolvidos.
A diferença de desempenho na resistência aeróbica entre os sexos é
condicionada pela rnatur*, desde a idade pré~scolar,demonstrada pela
diferença de Smi/kg/rnin no consumo máximo de oxigênio entre os meninos e
as meninas;com a puberdade, ocorre um aumento desta diferença, que chega
a lOmykg/min aos 18 anos (MARTIN, 1988). Este aumento acentuado da
resistência aeróbica no sexo masculino a partir dos 13 anos é condicionado
basicamente pela maturação sexual.

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As explicações mais comuns para a diferença de desempenho entre
os sexos após a puberdade, segundo KRAHENBUHL et alii (1985), são: o
desenvolvimento de uma maior massa muscular no sexo masculino, a
diferença entre os sexos no tempo utilizado para atividades fisicas mais
intensas e o papel social dos sexos.
Em relação a forma de utilização e interpretação das tabelas
elaboradas, de maneira geral, quanto maior e o percentil alcançado, melhor é
o resultado obtido pela criança. Assim:
a) entre o percentil 1 e 25 - o desenvolvimento é considerado abaixo
do normal; a criança deve ser submetida a programas mais individualizados,
para alcançar a normalidade;
b) entre os percentis 25 e 75 - o desenvolvimento é normal, porém,
entre o 25 e o 50, a criança deve ser estimulada, para melhorar seu
desempenho;
c) acima do percentil 75 - o desenvolvimento é considerado acima do
normal.
Pelo resultado percentual obtido pela criança, o professor terá
condições de:
a) avaliar se o desenvolvimento da resistência aeróbica da criança
está ocorrendo acima, abaixo ou dentro da normalidade;
b) elaborar um programa de acordo com as necessidades da turma;
c) retestar e avaliar novamente seus alunos e concluir se o trabalho
desenvolvido atendeu aos objetivos propostos ou não.

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