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MPU

SUMÁRIO

Noções de Direito Administrativo

Noções de organização administrativa.................................................................................................................................. 3

Administração direta e indireta, centralizada e descentralizada.......................................................................................... 3

Ato administrativo: conceito, requisitos, atributos, classificação e espécies..................................................................... 11

Agentes públicos
Espécies e classificação. Cargo, emprego e função públicos........................................................................................... 25

Poderes administrativos
Hierárquico, disciplinar, regulamentar e de polícia. Uso e abuso do poder....................................................................26

Controle e responsabilização da administração


Controles administrativo, judicial e legislativo................................................................................................................34
Responsabilidade civil do Estado.....................................................................................................................................38

Licitação
Princípios, dispensa e inexigibilidade. Modalidades....................................................................................................... 41
Lei nº 8.666/1993............................................................................................................................................................59

Este eBook foi adquirido por IZAEL ALENCAR FERNANDES - CPF: 690.230.182-49.
A sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição é vedada, sujeitando-se aos infratores à responsabilidade civil e criminal.
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Noções de Direito Administrativo
Edgard Antônio Lemos Alves

postos de atendimento, cada um desses órgãos incumbidos


ORGANIZAÇÃO E ESTRUTURA DA de desempenhar específicas competências da referida se‑
cretaria. Caso a administração pública municipal decidisse,
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA BRASILEIRA em face de restrições orçamentárias, extinguir os postos de
Noções Gerais atendimento, atribuindo às agências as competências que
aqueles exerciam, teria ocorrido concentração administra‑
O Estado desenvolve suas atividades administrativas tiva. Importante ressaltar que tanto a concentração quanto
por si mesmo, podendo transferi-las a particulares e tam- a desconcentração podem ser utilizadas na administração
bém criar outras pessoas jurídicas, com personalidade ju- direta e indireta.
rídica de direito público ou privado, para desempenhá-las.1
A expressão Administração Pública admite mais de um Administração Pública Desconcentrada
sentido, agora vamos estudá‑la em seu sentido subjetivo, ou Centralizada Direta
seja, os órgãos de que se vale o Estado para atingir os fins
desejados. Como o Estado atua por meio de órgãos, agentes É o conjunto de órgãos que integram as pessoas federati‑
e pessoas jurídicas, sua organização engloba três situações vas, aos quais foi atribuída a competência para o exercício, de
fundamentais: forma centralizada, das atividades administrativas do Estado.
Centralização – Na centralização, o Estado executa suas Sua abrangência não se limita, somente, ao Executivo, ape‑
tarefas diretamente por meio dos órgãos e agentes admi‑ sar de ser o incumbido da função administrativa em geral,
nistrativos que compõem sua estrutura funcional.2
alcança também o Legislativo e o Judiciário, pois precisam
A chamada centralização desconcentrada é a atribuição
se organizar no desempenho de suas atividades típicas –
administrativa cometida a uma única pessoa jurídica divi-
normativa e jurisdicional. É composta na esfera Federal pela
dida internamente em diversos órgãos.3
Presidência da República e Ministérios. Na esfera Estadual,
Descentralização – Na descentralização, ele o faz indire‑
pelo princípio da simetria, temos a Governadoria do Esta‑
tamente por meio de outras pessoas jurídicas4. Pode ser por
meio de outorga ou delegação. Há outorga quando o Estado do, os órgãos de Assessoria ao Governador e as Secretarias
cria uma entidade e a ela transfere, por lei, a titularidade e Estaduais com seus órgãos internos. E na esfera municipal,
a execução de determinado serviço público. Há delegação, temos as Prefeituras e seus órgãos de Assessoria ao Prefeito
quando o Estado transfere, por contrato (concessão ou con‑ e as Secretarias Municipais com seus órgãos internos.
sórcio público) ou ato unilateral (permissão ou autorização),
unicamente a execução do serviço, para que o ente delegado Estruturação em Órgãos
o preste à coletividade, em nome próprio e por sua conta e
risco, mas nas condições e sob o controle do Estado. Necessariamente, a Administração Pública centralizada
Desconcentração  – Na desconcentração temos uma deve utilizar‑se de uma estrutura interna, em que se dividem
distribuição de competências no âmbito interno da própria atribuições e poderes, de modo a permitir a efetiva prestação
entidade encarregada de executar um ou mais serviços. de serviços e a materialização de sua função. A tal estrutura
Com os conceitos expostos, podemos traçar o seguinte interna damos o nome de órgãos.
quadro:
Conceito de Órgãos Públicos

São centros de competência despersonificados, criados


por lei (art. 48, XI, da CF), instituídos para o desempenho
de funções estatais, por meio de seus agentes, cuja atuação
é imputada à pessoa jurídica a que pertencem (Teoria do
órgão).
A principal característica da teoria do órgão consiste no
princípio da imputação volitiva, ou seja, a vontade do órgão
público é imputada à pessoa jurídica que eles integram, en‑
tretanto, quando se tratar da chamada função de fato, se a
Noções de Direito Administrativo

“A concentração, por outro lado, é uma técnica admi‑ atividade provém de um órgão, é irrelevante que tenha sido
nistrativa que promove a extinção de órgãos públicos. Veja praticado por um agente que não tenha competência, basta
o exemplo de Vicente Paulo e Marcelo Alexandrino para a aparência de investidura e o exercício pelo órgão para que
caracterizar a concentração administrativa: “Pessoa jurídica os efeitos da conduta sejam imputados à pessoa jurídica.
integrante da administração pública extingue órgãos antes
existentes em sua estrutura, reunindo em um número menor Classificação dos Órgãos Públicos
de unidade as respectivas competências. Imagine-se, como
exemplo, que a secretaria da fazenda de um município tivesse a) Quanto à Posição Estatal
em sua estrutura superintendências, delegacias, agências e
Independentes
Cespe/TRE-MS/Técnico Judiciário/Área Administrativa/2013. São os órgãos originários da Constituição, e represen‑
1
2
Assunto cobrado na prova do Cespe/TRE-MS/Técnico Judiciário/Área Adminis‑
trativa/2013. tativos dos Poderes do Estado (Executivo, Legislativo e Ju‑
3
Cespe/TRE-MS/Técnico Judiciário/Área Administrativa/2013. diciário). Não possuem qualquer subordinação hierárquica
4
Assunto cobrado na prova do Cespe/TRE-MS/Técnico Judiciário/Área Apoio
Especializado/2013.
e seus agentes são denominados de Agentes Políticos. Ex.:

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Congresso Nacional, Câmara dos Deputados, Presidência Autarquias
da República etc.
Conceito
Autônomos As Autarquias são pessoas jurídicas de Direito Público,
São os órgãos localizados na cúpula da administração; integrantes da Administração Indireta, criadas por lei6 para
tem autonomia administrativa, financeira e técnica. Carac‑ desempenhar funções que, despidas de caráter econômico,
terizam‑se como órgãos diretivos, com funções precípuas de sejam próprias e típicas do Estado.
planejamento, supervisão, coordenação e controle das ativi‑ As autarquias, pessoas administrativas que gozam de
dades que constituem sua área de competência. Ex.: Minis‑ liberdade administrativa nos limites da lei que as criou, só
térios, Secretarias de Estado, Advocacia Geral da União etc. podem ser extintas por lei.7

Superiores Objeto
São os que detêm poder de direção, controle, decisão e As Autarquias destinam‑se à execução de serviços pú‑
comando de assuntos de sua competência específica, mas blicos de natureza administrativa. Por desempenharem ati‑
sempre sujeitos à subordinação e ao controle hierárquico vidades típicas do Estado, a descentralização administrativa
de uma chefia mais alta. Não gozam de autonomia adminis‑ ocorre por meio de outorga.
trativa nem financeira5. Ex.: Gabinetes, Secretarias Gerais,
Coordenadorias, Departamentos etc. Autoadminis­tra­ção
As Autarquias não possuem autonomia política para
Subalternos criar suas próprias normas, elas possuem apenas autonomia
São órgãos subordinados hierarquicamente. Detêm reduzi‑ administrativa, ou seja, auto‑organização.8
do poder decisório, pois se destinam basicamente à realização Controle
de serviços de rotina e tem predominantemente atribuições Institucional: não há subordinação hierárquica da autar‑
de execução. Ex.: Portarias e seções de expediente. quia com o ente que a criou e sim vinculação, cabendo a este
apenas o controle finalístico (supervisão ministerial), que visa
b) Quanto à Estrutura mantê‑la no estrito cumprimento de suas finalidades (tutela).
Administrativo: controle interno ou autotutelar, ou seja,
Simples poder de rever seus próprios atos.
São constituídos por um único centro de competência. Judicial: os atos praticados pelas Autarquias e por seus
O órgão simples constitui uma única unidade. Ex.: Portaria, agentes são considerados atos administrativos, portanto,
Agência da Secretaria da Receita. estão sujeitos ao controle pelo Poder Judiciário.
Financeiro: é feito pelo Congresso Nacional com auxílio
Compostos do Tribunal de Contas da União (arts. 70 e 71 da CF).
São aqueles que reúnem, na sua estrutura, outros órgãos
menores, com função principal idêntica ou com funções Regime de Pessoal
auxiliares diversificadas. Ex.: Secretaria de Educação (esco‑ Em regra, é o estatutário, da Lei nº 8.112/1990.
las – órgãos menores).
Patrimônio
c) Quanto à Atuação Funcional As Autarquias possuem orçamento, patrimônio e receita
próprios.
Singulares O patrimônio das autarquias é formado inicialmente a
São aqueles que atuam e decidem por meio de um único partir da transferência de bens móveis e imóveis do ente
agente, que é seu chefe e representante. Pode ter vários federado que as criou.9
auxiliares, mas só um representante. Ex.: Presidência da O patrimônio das autarquias goza dos mesmos privilé-
República (Presidente), Governadorias dos Estados, Prefei‑ gios atribuídos aos bens públicos em geral, é imprescrití-
turas Municipais etc. vel, não podendo ser adquirido mediante usucapião, bem
como não pode ser objeto de penhora a fim de garantir a
Colegiados execução judicial.10
São todos aqueles que atuam e decidem pela manifes‑
tação conjunta e majoritária da vontade de seus membros. Foro Competente
Ex.: Tribunal. Nos litígios comuns, sendo autoras, rés, assistentes ou
Noções de Direito Administrativo

opoentes, o foro competente é a justiça federal, conforme


Administração Pública Desconcentrada determina o art. 109, I, da CF.
Descentralizada Indireta Responsabilidade Civil
A Autarquia responde objetivamente pelos danos que
É o conjunto de entidades, criadas ou autorizadas por seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, asse‑
lei, que, vinculadas à respectiva Administração Direta, têm
o objetivo de desempenhar as atividades administrativas de 6
Assunto cobrado na prova da FCC/TRE-RS/Técnico Judiciário/Área Administra‑
forma descentralizada. Em regra, abrange o Poder Executivo tiva/Analista Judiciário/Área Administrativa/2010.
Federal, Estadual e Municipal. De acordo com o Decreto‑Lei 7
Assunto cobrado na prova do Cespe/TRT 1ª Região/Juiz do Trabalho Substituto
nº 200/1967, compreende as seguintes entidades: Autar‑ – II/2010.
8
Assunto cobrado nas seguintes provas: Cespe/Prefeitura Municipal de Boa
quias, Fundações Públicas, Empresas Públicas e Sociedades Vista-RR/Analista Municipal/Procurador Municipal/2010 e Fepese/Conselho Re‑
de Economia Mista. gional de Contabilidade de Santa Catarina/Fiscal/Auxiliar Administrativo/2010.
9
Fepese/Conselho Regional de Contabilidade de Santa Catarina/Fiscal/Auxiliar
Administrativo/2010.
10
Fepese/Conselho Regional de Contabilidade de Santa Catarina/Fiscal/Auxiliar
5
Assunto cobrado na prova da Esaf/TSIET/DNIT/Estradas/2013. Administrativo/2010.

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gurado o direito de regresso contra o responsável nos casos Vistas por outro ângulo, foram criadas para realizar as tra‑
de dolo ou culpa (art. 37, § 6º, CF). dicionais atribuições da Administração Direta, na qualidade
de Poder Público concedente, nas concessões, permissões
Privilégios e autorizações de serviços públicos. Derivam, pois da ideia
Imunidade tributária; prescrição quinquenal de suas de descentralização administrativa (art.  10, Decreto‑Lei
dívidas; prazo em dobro para todas as suas manifestações nº 200/1967) e têm como função a regulação das matérias
processuais; impenhorabilidade e imprescritibilidade de afetas a sua área de atuação e a permanente missão de fis‑
bens; não estão sujeitas à falência. calizar a eficiência na prestação dos serviços públicos pelos
concessionários, permissionários e autorizados.
Exemplos Ou, ainda, em sentido amplo, agência reguladora no
Bacen, INSS, CVM, Incra, Ibama, Detran. Direito brasileiro seria qualquer órgão da Administração
Direta ou entidade da Administração Indireta com a função
Obs.: Os Conselhos Profissionais, além de possuírem de regular matéria específica que lhe está afeta. Se for enti‑
personalidade jurídica própria, são autarquias.11 dade da Administração indireta, está sujeita ao princípio da
especialidade, significando que cada qual exerce e é espe‑
Agências Reguladoras cializada na matéria que lhe foi atribuída por lei. A regulação
As Agências Reguladoras surgiram na Inglaterra, a partir engloba toda forma de organização da atividade econômica
da criação pelo Parlamento, em 1834, de diversos órgãos pelo Estado, seja a intervenção por meio da concessão de
autônomos com a finalidade de aplicação e concretização serviço público, seja pelo exercício do poder de polícia, ou
dos textos legais (MORAES, 2002, p. 22). seja, o Estado está ordenando ou regulando a atividade eco‑
Posteriormente, em virtude da influência do direito nômica tanto quando concede ao particular a prestação de
anglo‑saxão, os Estados Unidos criaram, em 1887, a Inters- serviços públicos e regula sua utilização – impondo preços,
tate Commerce Comission, órgão inicialmente destinado a quantidade produzida, qualidade – como quando edita regras
regular o transporte ferroviário. no exercício do poder de polícia administrativo.
As agências reguladoras, porém, só passaram a intervir Dentro dessa função regulatória, podemos considerar a
fortemente no Direito Administrativo norte‑americano após existência de dois tipos de agências reguladoras no direito
a grande depressão (1929). No ápice da crise, já em 1933, brasileiro:
o Presidente americano Franklin Delano Roosevelt aprovou • As que exercem, com base em lei, típico poder de po‑
uma série de medidas político‑econômicas para restabelecer lícia, com a imposição de limitações administrativas,
a economia e assistir os prejudicados. Essas medidas ficaram previstas em lei, fiscalização, repressão; é o caso, por
conhecidas como New Deal (novo acordo). Como resultado exemplo, da Anvisa, ANS e ANA.
do New Deal, foram criadas, por meio de leis, várias agências • As que regulam e controlam atividades que constituem
federais destinadas a regular os vários setores da economia, objeto de concessão, permissão ou autorização de
cada qual com seus procedimentos decisórios. serviço público (teleco­municações, energia elétrica,
Diante disso, tornou‑se necessária a padronização desse transportes etc.) ou de concessão para exploração
sistema e, em 1946, foi editado o Administrative Procedure de bem público (petróleo e outras riquezas minerais,
Act (Lei de Procedimento Administrativo), estabelecendo‑se, rodovias etc.).
assim, procedimentos uniformes a serem adotados por todas
as agências, conferindo‑lhes maior legitimidade. As primeiras não são muito diferentes das autarquias
No Direito Administrativo brasileiro, diferentemente do comuns que nós conhecemos, tais como o Banco Central,
modelo norte‑americano, as agências reguladoras tiveram o  Cade, o  Conselho Monetário Nacional ou a Comissão
forte e decisiva influência francesa e, consequentemente, de Valores Mobiliários. Já as segundas é que constituem
incorporaram as ideias de centralização administrativa e novidade maior no Direito brasileiro, pelo papel que vêm de‑
forte hierarquia. No entanto, ao  adaptarmos as agências sempenhando, ao assumirem os poderes que, na concessão,
reguladoras ao Direito Administrativo brasileiro, devemos permissão ou autorização de serviços públicos, eram antes
levar em conta as diferentes características decorrentes de desempenhados pela própria Administração Pública Direta,
cada ordenamento jurídico. na qualidade de poder concedente.

Natureza As primeiras agências


No Brasil, as  agências reguladoras foram constituí­ Em 1995, as Emendas Constitucionais nºs 8 e 9 previram
das como autarquias de regime especial integrantes da a criação de um órgão regulador para o setor de teleco‑
administração indireta, vinculadas (não é subordinada) municações (art.  21, XI) e outro para o setor de petróleo
Noções de Direito Administrativo

ao Ministério competente para tratar da respectiva ativi‑ (art. 177, § 2º, III), o que foi implementado pelas Leis nºs
dade12. O regime especial vem definido nas respectivas leis 9.472/1997 e 9.478/1997, as quais instituíram respectiva‑
instituidoras e diz respeito, em regra, à  maior autonomia mente a Agência Nacional de Telecomunicações  – Anatel
em relação à Administração Direta; à estabilidade de seus e a Agência Nacional do Petróleo – ANP. Porém a primeira
dirigentes, garantida pelo exercício de mandato fixo, que agência reguladora brasileira tem origem infraconstitucional.
eles somente podem perder nas hipóteses expressamente Trata‑se da Agência Nacional de Energia Elétrica, instituída
prevista, afastada a possibilidade de exoneração ad nutum; pela Lei nº 9.427/1996.
ao caráter final das suas decisões que, a princípio, não são
passíveis de apreciação por outros órgãos ou entidades A desestatização do Estado
da Administração, exceto no que se refere à legalidade.13 Em 1997, foi instituído o Plano Nacional de desestati‑
zação (Lei nº 9.491), com o objetivo estratégico de, entre
11
Fepese/Conselho Regional de Contabilidade de Santa Catarina/Fiscal/Auxiliar outros fins, reduzir o déficit público e sanear as finanças
Administrativo/2010.
12
Assunto cobrado na prova do Cespe/TRT 1ª Região/Juiz do Trabalho Substituto públicas, transferindo para a iniciativa privada atividades
– II/2010. indevidamente exploradas pelo setor público e permitindo,
13
Assunto cobrado na prova do Cespe/TRT 1ª Região/Juiz do Trabalho Substituto dessa forma, que a Administração Pública concentrasse seus
– II/2010.

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esforços nas atividades em que a presença do Estado fosse na), de atuar no setor atribuído à agência, sob pena de
fundamental para a consecução das prioridades nacionais. incidirem em crime de advocacia administrativa, sem
Com o afastamento do Estado da execução dessas ati‑ prejuízo das demais sanções cabíveis, administrativas
vidades, seria necessário que se instituíssem mais órgãos e civis (Lei nº 9.986/2000, art. 8º, § 4º).
reguladores. A partir daí, diversos órgãos da mesma natureza • Especialização técnica: refere‑se à especialização de
foram criados por lei infraconstitucionais como é o caso da cada agência em relação à sua atribuição técnica. Este
Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa, instituída grau de especialização técnica das agências, emprega‑
pela Lei nº 9.782/1999. Em 2000, as Leis nºs 9.661 e 9.984 do em suas decisões, fundamenta não só a criação da
instituíram respectivamente a Agência Nacional de Saúde própria agência, como também boa parte do poder
Suplementar – ANS e a Agência Nacional de Águas – ANA. Em normativo a ela conferido. Na verdade, as  impede
2001, a Lei nº 10.233 criou a Agência Nacional de Transportes de exercer atividades diversas daquelas para as quais
Terrestres – ANTT e a Agência Nacional de Transportes Aquá‑ foram instituídas.
ticos – Antaq. No mesmo ano, a Medida Provisória nº 2.281 • Sujeição a controle ou tutela: como nas autarquias
criou a Agência Nacional do Cinema – Ancine. Em 2005, a Lei comuns, o controle feito pelo Ministério é um controle
nº 11.182, criou a Agência Nacional de Aviação Civil – Anac. finalistico (supervisão ministerial), que visa mantê‑la
no estrito cumprimento de suas finalidades (tutela).
Características
As agências reguladoras distinguem‑se das demais au‑ É claro que sendo decorrentes de lei criadora, compatível
tarquias porque suas leis instituidoras lhes outorgam certas com o ordenamento constitucional, as prerrogativas e auto‑
prerrogativas que não são encontráveis na maioria das enti‑ nomias podem variar de uma agência para outra. No entanto
dades autárquicas comuns. Segundo alguns doutrinadores, as suas atribuições encontram certo consenso na doutrina.
suas características podem envolver:
• Serem criadas por lei; a criação por lei é exigência que Atribuições
vem desde o Decreto‑Lei nº 6.016/1943, repetindo‑se As atribuições das agências, no que diz respeito à conces‑
no Decreto‑Lei nº  200/1967 e agora constando na são, permissão e autorização de serviço público resumem‑se
Constituição Federal, art. 37, XIX. ou deveriam resumir‑se às funções que o poder concedente
• Serem dotadas de autonomia financeira, administrativa exerce nesses tipos de contratos ou atos de delegação, ou seja:
e poderes normativos complementares à legislação • regulamentar os serviços que constituem objeto da
própria do setor. A autonomia financeira é assegurada delegação;
• realizar o procedimento licitatório para escolha do
pela disponibilidade de recursos humanos e infraes‑
concessionário/ permissionário;
trutura material fixados em lei, além da previsão de
• celebrar o contrato de concessão ou permissão ou
dotações consignadas no orçamento geral da União,
praticar ato unilateral de outorga da autorização;
créditos especiais, transferências e repasses que lhe
• definir o valor da tarifa e da sua revisão ou reajuste;
forem conferidos. A autonomia administrativa significa
• controlar a execução dos serviços;
que, dada a personalidade jurídica própria, a autarquia • aplicar sanções;
contrata e administra em seu próprio nome, contrai • encampar;
obrigações e adquire direitos, mas dentro das regras do • decretar a caducidade;
ordenamento vigente; como exemplo, seus servidores • intervir;
devem ingressar no quadro funcional por meio de • fazer rescisão amigável;
concurso público. Com relação aos poderes normati‑ • fazer a reversão de bens ao término da concessão;
vos, não abrange o poder de regulamentar leis, suas • exercer o papel de ouvidor de denúncias e reclamações
normatizações deverão ser operacionais, no sentido dos usuários.
de regular a própria atividade da agência por meio de
normas de efeitos internos, e conceituar, interpretar ou Enfim, exercer todas as prerrogativas que a lei outorga
explicitar conceitos jurídicos indeterminados contidos ao Poder Púbico na concessão, permissão e autorização.
na lei, sem inovar na ordem jurídica. Por conceito jurídi‑
co indeterminado entende‑se aquele que permite mais Regime de pessoal
de uma interpretação, ou seja, mutável em função da O regime jurídico de pessoal é o da Lei nº 8.112/1990,
valoração que se proceda diante dos pressupostos da assim determinado pela Lei nº  10.871/2004, que dispõe
norma; geralmente seu sentido necessita de definição sobre a criação de carreiras e organização de cargos efe‑
por órgão técnico especializado. tivos das autarquias especiais denominadas Agências
O grau de autonomia da agência reguladora depende Reguladoras.15
Noções de Direito Administrativo

dos instrumentos específicos que a respectiva lei


instituidora estabeleça.14 Fundações Públicas
• Operam como instância administrativa final nos litígios
sobre matérias de sua competência. Isso significa que, Conceito
em princípio, não cabe recurso hierárquico de suas Com propriedade, Di Pietro (2008) define a Fundação
decisões, exceto quanto ao controle de legalidade. instituída (autorização legislativa) pelo Poder Público como:
• Possuírem direção colegiada, sendo os membros no‑
meados pelo Presidente da República, com aprovação o patrimônio, total ou parcialmente público, dotado
do Senado Federal (Lei nº 9.986/2000, art. 5º). de personalidade jurídica, de direito público ou
• Seus dirigentes possuírem mandato com prazo de privado, e destinado, por lei, ao desempenho de
duração determinado (Lei nº 9.986/2000, art. 8º). atividades do Estado na ordem social, com capaci‑
• Após cumprido o mandato, seus dirigentes ficarem im‑ dade de autoadministração e mediante o controle da
pedidos, por um prazo certo e determinado (quarente‑ Administração Pública, nos limites da lei.

Assunto cobrado na prova do Cespe/TRT 1ª Região/Juiz do Trabalho Substituto


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Esaf/TSIET/DNIT/Estradas/2013.
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– II/2010.

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Objeto Empresa Pública
As Fundações Públicas destinam‑se às atividades de cará‑
ter social, tais como, assistência social, assistência médica e Conceito
hospitalar, educação e ensino, pesquisa e atividades culturais. As Empresas Públicas são pessoas jurídicas de Direito
Privado, integrantes da Administração Indireta, criadas por
Autoadministração autorização legal17, sob qualquer forma (Ltda., S.A) e capital
As Fundações Públicas também não possuem autonomia exclusivamente público para que o Governo exerça atividades
política para criar suas próprias normas, elas possuem apenas gerais ou prestação de serviços públicos.
autonomia administrativa, ou seja, auto‑organização. É admitida a participação de outras pessoas jurídicas de
Direito Público Interno, bem como de entidades da Admi‑
Controle
nistração Indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal
Institucional: não há subordinação hierárquica da
e dos Municípios, desde que a maioria do capital votante
Fundação Pública com o ente que a criou e sim vinculação,
cabendo a este apenas o controle finalístico (supervisão permaneça de propriedade da União (art. 5º, Decreto‑Lei
ministerial), que visa mantê‑la no estrito cumprimento de nº 900/1969).18
suas finalidades (tutela). A pessoa jurídica de direito privado criada por autoriza-
Administrativo: controle interno ou autotutelar, ou seja, ção legislativa específica, com capital formado unicamente
poder de rever seus próprios atos. por recursos de pessoas de direito público interno ou de
Judicial: assim como nas Autar­quias, as Fundações Pú‑ pessoas de suas administrações indiretas, para realizar
blicas, também, sofrem o controle de legalidade feito pelo atividades econômicas ou serviços públicos de interesse
Poder Judiciário. da administração instituidora, nos moldes da iniciativa
Financeiro: é feito pelo Congresso Nacional com auxílio particular, é denominada empresa pública.19
do Tribunal de Contas da União (arts. 70 e 71 da CF).
Obs.: O MP é curador das Fundações. Objeto
As Empresas Públicas têm por objeto o desempenho
Regime de Pessoal de atividades de caráter econômico ou de prestação de
Em regra, é o estatutário, da Lei nº 8.112/1990. serviços públicos.
Patrimônio Subsidiárias
As Fundações Públicas possuem orçamento, patrimônio A lei que autorizou a criação da Empresa Pública pode
e receita próprios. prever, desde logo, a possibilidade de posterior instituição
de subsidiárias. Caso contrário, será necessária nova lei au‑
Foro Competen­te torizando sua criação (art. 37, XX, CF). As subsidiárias serão
O foro competente, assim como nas Autarquias, é a instituídas com o objetivo de se dedicar a um dos seguimen‑
Justiça Federal. tos da entidade primária, sendo a subsidiária controlada pela
primária, e ambas pelo Estado.
Responsabilidade Civil
As Fundações Públicas, também, respondem objeti‑
vamente pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, Controle
causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra Institucional: as empresas públicas não possuem subor‑
o responsável nos casos de dolo ou culpa (art. 37, § 6º, CF). dinação hierárquica com o ente que as criou e sim vinculação,
cabendo a este apenas o controle finalístico (supervisão
Privilégios ministerial), que visa mantê‑la no estrito cumprimento de
As Fundações Públicas gozam dos mesmos privilégios que suas finalidades (tutela).
as Autarquias, ou seja, imunidade tributária, prazo em dobro Administrativo: controle interno ou autotutelar, ou seja,
para todas as suas manifestações processuais, prescrição poder de rever seus próprios atos.
quinquenal, seus bens são considerados bens públicos, não Judicial: as empresas públicas sofrem o controle de
estão sujeitas à falência. legalidade feito pelo Poder Judiciário.
Financeiro: é feito pelo Congresso Nacional com auxílio
Exemplos do Tribunal de Contas da União (arts. 70 e 71 da CF).
Ipea, IBGE, Fundação Nacional de Saúde, Funai, Enap, Caje.
Regime de Pessoal
Quadro Comparativo
Noções de Direito Administrativo

Submetem‑se ao regime trabalhista comum, previsto no


Decreto nº 5.452/1943 (Consolidação das Leis do Trabalho).
Autarquia Fundação Pública
Criada por lei específica. Autorizada por lei específica. Patrimônio
Pessoa Jurídica de Direito Pessoa Jurídica de Direito As empresas públicas possuem orçamento, patrimônio
Público (SEMPRE). Público ou Privado. e receita próprios.
Exerce atividades típicas Exerce atividades atípicas.
Foro Competente
do Estado.
O juízo competente nos litígios comuns é a Justiça Fe­
Possui natureza adminis‑ Possui natureza social (educa‑ deral, conforme determina o art. 109, I, da CF.
trativa. tiva, recreativa e assistencial).
Obs.: As autarquias e as fundações públicas não são 17
Assunto cobrado na prova da FCC/TRT 9ª Região/Analista Judiciário/Área
consideradas entidades políticas.16 Judiciária/Analista Judiciário/Área Judiciária/Execução de Mandatos/2010.
18
Assunto cobrado na prova da FCC/TRT 9ª Região/Analista Judiciário/Área
Judiciária/Analista Judiciário/Área Judiciária/Execução de Mandatos/2010.
Assunto cobrado na prova do Cespe/TCU/AUFC/2010.
16 19
Cespe/Seger-ES/Direito/2013.

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A sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição é vedada, sujeitando-se aos infratores à responsabilidade civil e criminal.
Responsabilidade Civil Capital Social
As empresas públicas que exercem atividade econômica O Capital social das Sociedades de Economia Mista é
estão isentas da responsabilidade civil decorrente do art. 37, formado pela composição de recursos públicos e privados,
§ 6º, da CF. Dessa forma, os prejuízos que seus empregados sendo que o controle acionário pertence ao Poder Público,
causarem a terceiros deverão ser tratados pelo Código Civil. independentemente de serem exploradoras de atividades
Se forem prestadoras de serviços públicos, responderão econômicas ou prestadoras de serviços públicos.
objetivamente por tais prejuízos.
Controle
Privilégios Institucional: as Sociedades de Economia Mista não
As Empresas Públicas exploradoras de atividade econô‑ possuem subordinação hierárquica com o ente que as criou
mica não dispõem de qualquer privilégio fiscal não extensivo e sim vinculação, cabendo a este apenas o controle finalís‑
ao setor privado (art. 173, § 2º, da CF). tico (supervisão ministerial), que visa mantê‑la no estrito
cumprimento de suas finalidades (tutela).
Exemplos Administrativo: controle interno ou autotutelar, ou seja,
ECT (Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos); CEF poder de rever seus próprios atos.
(Caixa Econômica Federal); Embrapa (Empresa Brasileira de Judicial: as Sociedades de Economia Mista sofrem o
Pesquisa Agropecuária); Emater‑DF (Empresa de e Extensão controle de legalidade feito pelo Poder Judiciário.
Rural do Distrito Federal); Caesb (Companhia de Saneamento Financeiro: é feito pelo Congresso Nacional com auxílio
Ambiental do Distrito Federal). do Tribunal de Contas da União (arts. 70 e 71 da CF).

Sociedade de Economia Mista Regime de Pessoal


Submetem‑se ao regime trabalhista comum, previsto no
Conceito Decreto nº 5.452/1943 (Consolidação das Leis do Trabalho).
Sociedades de Economia Mista são pessoas jurídicas de
Direito Privado, integrantes da Administração Indireta20, Subsidiárias
criadas por autorização legal21, sob a forma de Sociedades A lei que autorizou a criação da Sociedade de Economia
Anônimas, cujo controle acionário pertença ao Poder Público, Mista, também, pode prever desde logo a possibilidade de
tendo por objetivo, como regra, a exploração de atividades posterior instituição de subsidiárias.
de caráter econômico ou a prestação de serviços públicos,
não exclusivos do Estado. Patrimônio
Após a autorização de sua criação, promoverão a apro‑ As Sociedades de Economia Mista possuem orçamento,
vação de seu estatuto, e o respectivo Registro, observando patrimônio e receita próprios.
o que determina a Lei das Sociedades por Ações. Respeitados os requisitos e trâmites legais, é possível
A título de exemplo, o Estado pretende descentralizar ao Estado-membro desapropriar, mediante prévia e justa
a execução de atividade atualmente desempenhada no indenização em dinheiro, imóvel não utilizado pertencente
âmbito da Administração direta, consistente nos serviços de a sociedade de economia mista federal exploradora de
ampliação e manutenção de hidrovia estadual, em face da atividade econômica em sentido estrito.24
especialidade de tais serviços. Estudos realizados indicaram
que será possível a cobrança de outorga pela concessão, a Foro Competente
particulares, do uso de portos fluviais que serão instalados O juízo competente nos litígios comuns é a Justiça Estadual.
na referida hidrovia, recursos esses que serão destinados
a garantir a autossuficiência financeira da entidade a ser Súmula nº 517/STF: As Sociedades de Economia
criada. Considerando os objetivos almejados, poderá ser Mista só têm foro na justiça federal, quando a União
instituída sociedade de economia mista, caracterizada intervém como assistente ou opoente.25
como pessoa jurídica de direito privado, submetida aos
princípios aplicáveis à Administração pública, e cuja criação Súmula nº 556/STF: É competente a justiça comum
é autorizada por lei.22 para julgar as causas em que é parte Sociedade de
Em face de convênio de delegação celebrado com a Economia Mista.
União, o Estado obrigou-se a constituir entidade integrante
de sua Administração indireta para atuar como delegatária Responsabilidade Civil
de serviço público federal, tendo por objeto a exploração As Sociedades de Economia Mista que exercem atividade
comercial do Porto de São Sebastião. Optou pela criação de econômica, também, estão isentas da responsabilidade civil
Noções de Direito Administrativo

uma sociedade de economia mista. Essa opção afigura-se decorrente do art. 37, § 6º, da CF. Dessa forma, os prejuízos
correta, salvo se a delegação envolver, também, exercício que seus empregados causarem a terceiros deverão ser
de poder normativo e sancionador, que não se coaduna com tratados pelo Código Civil.
o regime de direito privado da entidade.23 Se forem prestadoras de serviços públicos, responderão
objetivamente por tais prejuízos.
Objeto
As Sociedades de Economia Mista têm por objeto o Privilégios
desempenho de atividades de caráter econômico ou a pres‑ As Sociedades de Economia Mista exploradoras de ativi‑
tação de serviços, assim como as Empresas Públicas. dade econômica não dispõem de qualquer privilégio fiscal
não extensivo ao setor privado (art. 173, § 2º, da CF).
20
Assunto cobrado na prova do Cespe/CNJ/Técnico Judiciário/Área Administra‑
tiva/2013. 24
FCC/Procuradoria Geral do Estado do Amazonas/Procurador do Estado de 3ª
21
Assunto cobrado na prova da FCC/TRT 9ª Região/Analista Judiciário/Área Classe/2010.
Judiciária/Analista Judiciário/Área Judiciária/Execução de Mandatos/2010. 25
Assunto cobrado nas seguintes provas: Cespe/TRT 1ª Região/Juiz do Trabalho
22
FCC/AFR SP/Sefaz SP/Gestão Tributária/2013. Substituto – II/2010 e FCC/TRT 9ª Região/Analista Judiciário/Área Judiciária/
23
FCC/TCE-SP/Auditor/2013. Analista Judiciário/Área Judiciária/Execução de Mandatos/2010.

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Exemplos O termo contrato de gestão tem sido utilizado tanto para
Banco do Brasil; Banco da Amazônia; Petrobras; Banco designar acordos celebrados entre entidades públicas, como
de Brasília. entidades privadas que atuam paralelamente ao Estado, mais
especificamente às organizações sociais.
Quadro Comparativo26 No âmbito da Administração Pública Federal foi criado
Empresa Pública Sociedade de como uma das formas de materializar o princípio constitucio‑
Economia Mista nal da eficiência (art. 37, § 8º, da CF), garantindo a amplia‑
Pessoa jurídica de direito Pessoa jurídica de direito pri‑ ção da autonomia gerencial, orçamentária e financeira dos
privado.85 vado. órgãos e entidades da Administração direta e indireta. Seu
Formação do capital social: Formação do capital social: objeto é a fixação de metas de desem­penho para os órgãos
100% patrimônio público. capital social dividido entre o e entidades. Nela, devem estar previstos, além das metas
poder público e particula­res a serem alcançadas, mecanismos de controle e critérios de
(privado); com maioria do ca‑ avaliação (controle de resultados), o prazo de sua duração,
pital votante (ações ordinárias) remuneração do pessoal, bem como direitos, obrigações e
em poder do Estado. responsabilidades dos administradores.
Forma de constituição: qual‑ Forma de constituição: somen‑ No âmbito da Administração indireta ressalte-se que as
quer forma. te S/A (Sociedade Anônima).86 autarquias e fundações que tenham um plano estratégico
Tem seus feitos (processos) Tem seus feitos (processos) de reestruturação e de desenvolvimento institucional em
julgados pela Justiça Federal julgados pela Justiça Esta­dual, andamento e que celebrem contrato de gestão com o respec‑
(exceto trabalhistas / elei‑ mesmo se forem federais.
torais), no caso de Empresa
tivo Ministério supervisor, serão qualificadas como Agências
Pública Federal. Executivas (art. 51 da Lei nº 9.649/1998).
Bens não podem ser penho‑ Bens podem ser penhorados Fora do âmbito da Administração indireta, os contratos
rados, se forem prestadoras ou executados (até o limite do de gestão estão previstos como modalidade de ajuste a ser
de serviços públicos. particular). celebrado com instituições não governamentais passíveis de
Prestação de serviços públi‑ Exploração de atividade econô‑ serem qualificadas pelo Poder Executivo como Organizações
cos ou atividades econômicas mica de utilidade pública. Sociais, para fins de fomento. As Organizações Sociais são
de interesse do Estado, ou necessariamente pessoas jurídicas de direito privado, sem
consideradas como conve‑ finalidade lucrativa, cujas atividades estão dirigidas ao ensi‑
nientes à coletividade. no, à pesquisa científica, ao desenvolvimento tecnológico,
27
à proteção e preservação do meio ambiente, à cultura e à
Obs.: O pessoal das empresas públicas e das sociedades saúde, atendidos aos requisitos previstos no art. 2º da Lei
de economia mista são considerados agentes públicos, nº 9.637/1998.
para os fins de incidência das sanções previstas na Lei de
Improbidade Administrativa.28 ENTIDADES POLÍTICAS E ADMINISTRATIVAS
O regime jurídico das empresas públicas e sociedades Entidade é pessoa jurídica, pública ou privada; órgão é
de economia mista que desempenham atividade econômica elemento despersonalizado incumbido da realização das ativi‑
em sentido estrito estabelece que a remuneração de seus dades da entidade a que pertence, por meio de seus agentes.
agentes não está sujeita ao teto constitucional, a menos que Na organização política e administrativa brasileira, as en‑
a entidade receba recursos orçamentários para pagamento tidades classificam-se em estatais, autárquicas, fundacionais,
de despesa de pessoal ou de custeio em geral.29 empresariais e paraestatais.
Nas empresas públicas e sociedades de economia mista, Entidades Estatais: são as pessoas jurídicas de direito
os servidores ocupam empregos públicos, ao passo que, público que integram a estrutura constitucional do Estado e
na administração direta, há servidores titulares de cargos têm poderes políticos e administrativos, tais como a União,
efetivos e ocupantes de empregos públicos.30 os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Destas, a única
Agências Executivas soberana é a União, as demais têm apenas autonomia polí‑
As Agências Executivas, diferentemente das Agências tica, administrativa e financeira.
Reguladoras, não têm por objetivo a regulamentação, Entidades Autárquicas: são pessoas jurídicas de Direito
controle e fiscalização, mas sim a execução de atividades Público, de natureza meramente administrativa, criadas
administrativas. por lei específica, para a realização de atividades, obras ou
É apenas um qualificativo atribuído às autarquias e às serviços descentralizados da entidade estatal que as criou.
fundações da Administração Pública Federal, por iniciativa Funcionam e operam na forma estabelecida na lei instituido‑
Noções de Direito Administrativo

do Ministério supervisor ao qual está vinculada, que tive‑ ra e nos termos de seu regulamento. Podem desempenhar
rem com ele celebrado contrato de gestão e possuam plano atividades econômicas, educacionais, previdenciárias e
estratégico de reestruturação e desenvolvimento institucional quaisquer outras outorgadas pela entidade estatal-matriz,
voltado para a melhoria da qualidade de sua gestão e para mas sem a subordinação hierárquica, sujeitas apenas ao
a redução de custos (art. 51 da Lei nº 9.649/1998).31 controle finalístico de sua administração (conhecido como
supervisão ministerial) e da conduta de seus dirigentes. Na
verdade, a autarquia é o próprio braço do Estado apesar de
26
Assunto cobrado na prova do Cespe/CNJ/Analista Judiciário/Área Administra‑
tiva/2013.
pertencente à administração indireta.
27
Assunto cobrado na prova do Cespe/TRE-MS/Técnico Judiciário/Área Apoio Entidades Fundacionais: são pessoas jurídicas de Direito
Especializado/2013. Público ou pessoas jurídicas de Direito Privado, devendo a lei
28
FCC/TRT 9ª Região/Analista Judiciário/Área Judiciária/Analista Judiciário/Área
Judiciária/Execução de Mandatos/2010. definir as respectivas áreas de atuação, conforme disposto
29
FCC/Procuradoria Geral do Estado do Amazonas/Procurador do Estado de 3ª no art. 37, inciso XIX, da Constituição Federal.
Classe/2010.
30
Cespe/AE ES/Seger-ES/Direito/2013.
31
Assunto cobrado na prova do Cespe/TRT 1ª Região/Juiz do Trabalho Substituto Art. 37, inciso XIX: somente por lei específica poderá
– II/2010. ser criada autarquia e autorizada a instituição de

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empresa pública, de sociedade de economia mista Serviços Sociais Autônomos
e de fundação, cabendo à lei complementar, neste
último caso, definir as áreas de sua atuação; São todos aqueles instituídos por lei com personalidade
jurídica de direito privado (possuem CNPJ), para ministrar
Entidades Empresariais: são pessoas jurídicas de Direito assistência ou ensino a certas categorias sociais ou grupos
Privado, instituídas sob a forma de sociedade de economia profissionais, e que não tenham finalidade lucrativa; atu‑
mista ou empresa pública, com a finalidade de prestar serviço am ao lado do Estado em caráter de cooperação, sendo
público que possa ser explorado no modelo empresarial, mantidos por dotações orçamentárias ou por contribuições
ou de exercer atividade econômica de relevante interesse parafiscais.
coletivo. Sua criação deve ser autorizada por lei específica, Exemplos: constituem basicamente o sistema S – Sesi,
cabendo ao Poder Executivo as providências complementa‑ Sesc, Senai, Senac, Sebrae.
res para sua instituição.
Entidades Paraestatais: são pessoas jurídicas de Direito Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público36
Privado que, por lei, são autorizadas a prestar serviços ou
realizar atividades de interesse coletivo ou público, mas não É outro qualificativo atribuído às pessoas jurídicas de
exclusivos do Estado. As entidades paraestatais são autôno‑ direito privado, sem fins lucrativos, cujos objetivos sociais te‑
mas, administrativa e financeiramente, têm patrimônio e nham pelo menos uma das seguintes finalidades: promoção
operam em regime da iniciativa particular, na forma de seus da assistência social; promoção da cultura, defesa e conser‑
estatutos, ficando sujeitas apenas à supervisão do órgão da vação do patrimônio histórico e artístico; promoção gratuita
entidade estatal a que se encontrem vinculadas, para o con‑ da educação; promoção gratuita da saúde; promoção da
trole de desempenho estatuário. São também denominadas segurança alimentar e nutricional37; defesa, preservação e
de “entes de cooperação” com o Estado. São espécies de conservação do meio ambiente e promoção do desenvolvi‑
entidades paraestatais os serviços sociais autônomos (Sesc, mento sustentável; promoção do voluntariado; promoção
Sesi, Senai, Sebrae entre outros), as organizações sociais e as do desenvolvimento econômico e social e combate à po‑
Oscips (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público). breza; experimentação, não lucrativa, de novos modelos
socioprodutivos e de sistemas alternativos de produção,
Entidades Paraestatais (Terceiro Setor) comércio, emprego e crédito; promoção de direitos estabe‑
lecidos, construção de novos direitos e assessoria jurídica
Integram o terceiro setor as pessoas jurídicas de direito
gratuita de interesse suplementar; promoção da ética, da
privado, sem fins lucrativos, que exercem atividades de
paz, da cidadania, dos direitos humanos, da democracia e
interesse público, não exclusivas de Estado, recebendo
de outros valores universais; estudos e pesquisas, desenvol‑
fomento do Poder Público.32
vimento de tecnologias alternativas, produção e divulgação
O terceiro setor coexiste com o primeiro setor, que é o
de informações e conhecimentos técnicos e científicos que
próprio Estado e com o segundo setor, que é o mercado.33
digam respeito às atividades mencionadas acima (art. 3º da
É composto por particulares, portanto, pessoa jurídica
Lei nº 9.790/1999).
de direito privado, que não integram a estrutura da Admi‑
Para serem consideradas OSs ou OSCIPs, as instituições
nistração Pública, mas que com ela mantém, por razões
não devem ter fins lucrativos, ou seja, não podem distribuir
diversas e por meio de formas diferenciadas, parcerias com
entre os seus sócios, conselheiros, diretores, empregados ou
o intuito de preservar o interesse público. São exemplos de
doadores, eventuais excedentes operacionais, dividendos,
entidades paraestatais:
bonificações, participações ou parcelas do seu patrimônio,
Organizações Sociais34 auferidos mediante o exercício de suas atividades, os quais
devem ser aplicados integralmente na consecução de seu
Após o Plano de desestatização do Estado em 1997, objeto social.38
o Governo, com a necessidade de ampliar a descentraliza‑ Diferentemente das organizações sociais, a parceria é
ção de serviços públicos, instituiu o Programa Nacional de firmada por meio de termo de parceria, no qual deverão
Publicização – PNP (Lei nº 9.637/1998), por meio do qual o estar formalizados, de modo detalhado, os direitos e as
Poder Executivo poderia qualificar como organização social obrigações dos pactuantes.
pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, cujas
atividades fossem dirigidas ao ensino, à pesquisa científica, Súmulas Aplicáveis
ao desenvolvimento tecnológico, à proteção e preservação
do meio ambiente, à cultura e à saúde. Súmula nº 516/STF: “O Serviço Social da Indústria – Sesi –
Noções de Direito Administrativo

A parceria é concretizada por meio de um contrato está sujeito à jurisdição da Justiça Estadual”.
de gestão, no qual constam discriminadas as atribuições, Súmula nº 517/STF: “As Sociedades de Economia Mista
responsabilidades e obrigações do Poder Público e da orga‑ só têm foro na justiça federal, quando a União intervém como
nização social, bem como os incentivos que essas pessoas assistente ou opoente”.
receberão do Estado para sua execução (recursos orça‑ Súmula nº  556/STF: “É competente a justiça comum
mentários e bens públicos necessários ao cumprimento do para julgar as causas em que é parte Sociedade de Economia
contrato de gestão). Mista.”
Na hipótese de decretação de indisponibilidade de bens
das Organizações Sociais ou de sequestro de bens dos diri-
gentes, o poder público será o depositário e gestor desses
bens até o término da ação.35 Vunesp/Ministério Público do Estado de São Paulo/Analista de Promotoria I/
Assistente Jurídico/2010.
36
Assunto cobrado na prova da Esaf/AIET/DNIT/Ambiental/2013.
32
Esaf/AIET/DNIT/Ambiental/2013. 37
Vunesp/Ministério Público do Estado de São Paulo/Analista de Promotoria I/
33
Esaf/AIET/DNIT/Ambiental/2013. Assistente Jurídico/2010.
34
Assunto cobrado na prova da Esaf/AIET/DNIT/Ambiental/2013. 38
Cespe/JF TRF5/TRF 5/2013.

35

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ATOS ADMINISTRATIVOS O ato de direito privado (Civil ou Comercial) praticado
pela Administração não dá a ela a prerrogativa de superiori‑
Introdução dade em relação ao particular; ela se nivela com ele, abrindo
mão de sua supremacia de poder. Ocorre, por exemplo,
Os atos administrativos são instrumentos por meio dos quando ela emite um cheque ou assina uma escritura pública
quais se vale a Administração Pública para realizar a sua de compra e venda, sujeitando em tudo às normas do Direito
função executiva. É por meio de atos administrativos que Privado, inclusive às regras que antecedem o negócio jurídico
ela se comunica com os seus administrados. almejado, tais como a autorização legislativa, avaliação,
O estudo do ato administrativo parte da sua inserção na licitação, entre outras. Por essa razão, a Administração não
Teoria Geral do Direito, com as distinções entre ato jurídico pode alterar, revogar, anular, nem rescindir, unilateralmente,
e fato jurídico: os  atos de direito privado; dependerá sempre da concor‑
dância da outra parte ou da via judicial cabível, que, neste
caso, será o único privilégio que ainda lhe resta. As ações
Fato Jurídico É um acontecimento material involuntário correspondentes devem ser propostas no juízo privativo da
(pode ser ordinário: nascimento, morte, ou Administração interessada, ou seja, o foro eleito para dirimir
extraordinário: caso fortuito, força maior), conflitos deverá ser sempre o da Administração.
que produz efeitos no mundo jurídico. A prática de atos administrativos cabe normalmente
Ato Jurídico É uma manifestação de vontade destinada aos órgãos executivos, mas as autoridades judiciárias e as
a produzir efeitos jurídicos. Mesas legislativas também os praticam quando, por exem‑
plo, ordenam seus serviços, dispõem sobre seus servidores
Essa distinção é transplantada para o Direito Adminis‑ ou expedem instruções sobre matéria de sua competência
trativo, colocando‑se, de um lado, o ato administrativo e, privativa; sujeitos, portanto, a toda disciplina dos atos admi‑
do outro, o fato administrativo: nistrativos praticados pela Administração Pública (requisitos,
atributos, extinção etc.).
Fato Administrativo É o acontecimento material da Admi‑
nistração, que produz consequências Elementos ou Requisitos do Ato Administrativo
jurídicas. No entanto, não traduz uma
manifestação de vontade voltada Parte da doutrina emprega a expressão “elementos”;
para produção dessas consequências, outra parte, prefere utilizar a expressão “requisitos”. De uma
na verdade tem sentido de ativida‑ forma ou de outra, o importante é sabermos que todos são
de material no exercício da função pressupostos necessários para a existência e validade de
administrativa, visando ao efeito de todo e qualquer ato administrativo.
ordem prática, como, por exemplo, A doutrina dominante aponta cinco elementos ou
a construção de uma obra pública, requisitos dos atos administrativos: competência, forma,
a desapropriação de bens privados, finalidade, motivo e objeto39. Porém Celso Antônio Bandeira
a apreensão de mercadorias. de Melo acrescenta outro, a causa.
Acrescente-se ainda que até fenô‑
menos naturais, quando repercutem Competência – Forma – Finalidade
na esfera administrativa, constituem
fatos administrativos, como é o São elementos ou requisitos sempre vinculados em
caso, por exemplo, de um raio que qualquer ato administrativo, mesmo naqueles chamados
destrói um bem público ou de uma discricionários40. Em relação a eles, a lei não oferece qual‑
enchente que inutiliza equipamen‑ quer margem para a apreciação do Administrador, que está
tos pertencentes ao serviço público. preso ao seu conteúdo legal.
Por outro lado, se o fato administra‑ Equivalem aos requisitos de validade do ato jurídico, no
tivo não produz qualquer efeito jurí‑ Direito Civil:
dico no Direito Administrativo, ele é
chamado de fato da Administração. Art. 104. A validade do negócio jurídico requer
agente capaz, objeto lícito possível, determinado ou
Diferentemente do fato administrativo, o ato adminis‑ determinável e forma prescrita ou não defesa em lei.
trativo caracteriza‑se como uma manifestação unilateral da
Administração, preordenada à produção de efeitos jurídicos, Motivo – Objeto
Noções de Direito Administrativo

sendo o conceito mais usual o de Meirelles (2005, p. 149):


Esses requisitos podem vir predeterminados rigorosa‑
mente na lei ou não. Quando estão, ocorre o ato vinculado.
Conceito de Ato Administrativo – É a manifestação unilate‑
Quando, diferentemente, a lei confere uma margem de
ral de vontade da Administração Pública que, agindo nessa
liberdade ao Administrador no que tange a esses elementos,
qualidade, tenha por fim imediato adquirir, resguardar,
estamos diante do que chamamos de ato discricionário.
transferir, modificar, extinguir e declarar direitos, ou impor
obrigação aos administrados ou a si própria. Causa

Quando se diz que um ato administrativo é a manifesta‑ É a relação de adequação entre o motivo e o conteúdo
ção unilateral de vontade da administração, diz‑se que ela do ato, em função da finalidade.
está fazendo uso de suas prerrogativas de Poder Público,
agindo com o poder de império de que dispõe em relação ao 39
Fepese/Conselho Regional de Contabilidade de Santa Catarina/Fiscal/Auxiliar
particular. Esse ponto é o que distingue o ato administrativo Administrativo/2010.
40
Assunto cobrado na prova da FCC/TRT 9ª Região/Analista Judiciário/Área
do ato de direito privado praticado pela Administração. Administrativa/2010.

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Estudaremos pormenorizadamente os cinco elementos § 3º As decisões adotadas por delegação devem mencio‑
ou requisitos apontados pela doutrina dominante. nar explicitamente esta qualidade e considerar-se-ão
editadas pelo delegado.
A Competência Art.  15. Será permitida, em caráter excepcional e
por motivos relevantes devidamente justificados,
É o poder que a lei outorga ao agente público para de‑ a avocação temporária de competência atribuída a
sempenho de suas funções. Constitui o primeiro requisito órgão hierarquicamente inferior.
de validade do ato administrativo. Inicialmente, é necessário
verificar se a lei atribuiu aquela competência para o agente. Outros exemplos de modificação de competência
Não basta que o sujeito tenha capacidade, é necessário que
A delegação pode ser apreciada no art. 84, incisos VI,
tenha competência. A competência decorre sempre de lei.
XII e XXV, da Constituição Federal, conforme disposto no
Sendo um requisito de ordem pública, tem duas caracterís‑
parágrafo único do texto constitucional.
ticas básicas: é intransferível (não se transfere a outro órgão
por acordo entre as partes; fixada por lei deve ser rigida‑ Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da
mente observada) e improrrogável (não se transmuda, ou República:
seja, um órgão que não é competente não poderá vir a sê‑lo [...]
superveniente). Entretanto, pode haver a delegação (atribuir VI – dispor, mediante decreto, sobre:
a outrem uma competência tida como própria) e a avocação a) organização e funcionamento da administração
(chamar para si competência atribuída a subordinado) de federal, quando não implicar aumento de despesa
competências, sendo, em regra, esses institutos resultantes nem criação ou extinção de órgãos públicos;
da hierarquia. Nesse sentido, a competência administrativa, b) extinção de funções ou cargos públicos, quando
sendo requisito de ordem pública, é intransferível e impror- vagos;
rogável pela vontade dos interessados. Pode, entretanto, [...]
ser delegada e avocada, desde que o permitam as normas XII – conceder indulto e comutar penas, com audi‑
reguladoras da Administração41. ência, se necessário, dos órgãos instituídos em lei;
[...]
Para Di Pietro (2008), a regra é a possibilidade de dele‑ XXV – prover e extinguir os cargos públicos federais,
gação; a exceção é a impossibilidade, que só ocorre quando na forma da lei;
se trata de competência outorgada com exclusividade a Parágrafo único. O Presidente da República poderá
determinado órgão. A autora cita os arts. 11, 12, 13 e 15 da delegar as atribuições mencionadas nos incisos VI,
Lei nº 9.784/1999 para corroborar sua afirmação: XII e XXV, primeira parte, aos Ministros de Estado,
ao Procurador-Geral da República ou ao Advogado‑
Art. 11. A competência é irrenunciável e se exerce -Geral da União, que observarão os limites traçados
pelos órgãos administrativos a que foi atribuída como nas respectivas delegações.
própria, salvo os casos de delegação e avocação
legalmente admitidos. Como o parágrafo único só menciona esses três incisos,
Art. 12. Um órgão administrativo e seu titular pode‑ pressupõe que os demais sejam indelegáveis.
rão, se não houver impedimento legal, delegar parte Outro exemplo de delegação de competência está no
da sua competência a outros órgãos ou titulares, art. 93, inciso XIV, da Constituição Federal, que assim estabelece:
ainda que estes não lhe sejam hierarquicamente
subordinados, quando for conveniente, em razão de XIV  – os servidores receberão delegação para a
circunstâncias de índole técnica, social, econômica, prática de atos de administração e atos de mero
jurídica ou territorial. expediente sem caráter decisório.
Parágrafo único. O  disposto no caput deste artigo
Também temos modificação de competência no art. 103-B,
aplica-se à delegação de competência dos órgãos
§ 4º, inciso III, da Constituição, que admitiu a possibilidade
colegiados aos respectivos presidentes.
de avocação pelo Conselho Nacional de Justiça de proces‑
Art. 13. Não podem ser objeto de delegação: sos disciplinares em curso instaurados contra membros do
I – a edição de atos de caráter normativo; Poder Judiciário:
II – a decisão de recursos administrativos;
III – as matérias de competência exclusiva do órgão §  4º Compete ao Conselho o controle da atuação
ou autoridade. administrativa e financeira do Poder Judiciário e
do cumprimento dos deveres funcionais dos juízes,
Noções de Direito Administrativo

Cabe ressaltar que o ato de delegação e a sua revogação cabendo-lhe, além de outras atribuições que lhe
deverão ser publicados em meio oficial, conforme estabele‑ forem conferidas pelo Estatuto da Magistratura:
cido no art. 14 do diploma em comento: [...]
III  – receber e conhecer das reclamações contra
Art. 14. O ato de delegação e sua revogação deverão membros ou órgãos do Poder Judiciário, inclusive
ser publicados no meio oficial. contra seus serviços auxiliares, serventias e órgãos
§  1º O ato de delegação especificará as matérias prestadores de serviços notariais e de registro que
e poderes transferidos, os  limites da atuação do atuem por delegação do poder público ou oficiali‑
delegado, a duração e os objetivos da delegação e o zados, sem prejuízo da competência disciplinar e
recurso cabível, podendo conter ressalva de exercício correicional dos tribunais, podendo avocar proces‑
da atribuição delegada. sos disciplinares em curso e determinar a remoção,
§ 2º O ato de delegação é revogável a qualquer tempo a disponibilidade ou a aposentadoria com subsídios
pela autoridade delegante. ou proventos proporcionais ao tempo de serviço e
aplicar outras sanções administrativas, assegurada
FCC/TRT 9ª Região/Analista Judiciário/Área Administrativa/2010.
41 ampla defesa;

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Por fim, observe o que o Decreto-Lei nº 200, de 25 de A incompetência fica caracterizada quando o ato
fevereiro de 1967, estabelece sobre a delegação de com‑ não se incluir nas atribuições legais do agente que
petência: o praticou.

Art. 11. A delegação de competência será utilizada Visto que a competência vem sempre definida em lei,
como instrumento de descentralização administra‑ será nulo o ato praticado por quem não seja detentor ou
tiva, com o objetivo de assegurar maior rapidez e pratique o ato exorbitando o uso dessas atribuições.
objetividade às decisões, situando-as na proximidade Os principais vícios quanto à competência são:
dos fatos, pessoas ou problemas a atender. • Usurpação de função: ocorre quando a pessoa que
Art.  12. É  facultado ao Presidente da República, pratica o ato não foi investida no cargo, emprego ou
aos Ministros de Estado e, em geral, às autoridades função, ou seja, ela se apossa, por conta própria,
da Administração Federal delegar competência para a do exercício das atribuições de agente público, sem
prática de atos administrativos, conforme se dispuser ter essa qualidade. O ato é considerado inexistente.
em regulamento. É tipificado como crime no art. 328, CP.
Parágrafo único. O ato de delegação indicará com pre‑
cisão a autoridade delegante, a autoridade delegada Usurpação de função pública
e as atribuições objeto de delegação. Art. 328. Usurpar o exercício de função pública:
Pena – detenção, de três meses a dois anos, e multa.
Regulamentando os arts. 11 e 12 do Decreto-Lei nº 200, Parágrafo único. Se do fato o agente aufere vantagem:
de 25 de fevereiro de 1967, referente à delegação de com‑ Pena – reclusão, de dois a cinco anos, e multa.
petência, temos o Decreto nº 83.937, de 6 de setembro de
1979, que assim dispõe: • Função de fato: ocorre quando a pessoa que pratica o
ato está irregularmente investida no cargo, emprego
Art.  1º A delegação de competência prevista nos ou função, mas tem toda aparência de legalidade. Um
artigos 11 e 12 do Decreto-Lei nº 200, de 25 de fe‑ exemplo claro ocorre quando um chefe substituto
vereiro de 1967, terá por objetivo acelerar a decisão exerce funções além do prazo fixado.
dos assuntos de interesse público ou da própria • Excesso de poder: ocorre quando o agente ultrapassa
administração. os limites de sua competência, comete um plus. Ex.:
Art.  2º O ato de delegação, que será expedido a quando a autoridade policial excede no uso da força.
critério da autoridade delegante, indicará a autori‑
O excesso de poder constitui juntamente com o desvio de
dade delegada, as atribuições objeto da delegação
poder ou desvio de finalidade espécies de abuso de poder.
e, quando for o caso, o prazo de Vigência, que, na
Tanto o excesso de poder como o desvio de finalidade
omissão, ter-se-á por indeterminado.
podem configurar crime de abuso de autoridade (art. 4º da
Parágrafo único. A  delegação de competência não
Lei nº 4.898/1965).
envolve a perda, pelo delegante, dos corresponden‑
tes poderes, sendo-lhe facultado, quando entender
Art. 4º Constitui também abuso de autoridade:
conveniente, exercê-los mediante avocação do caso,
[...]
sem prejuízo da validade da delegação.
h) o ato lesivo da honra ou do patrimônio de pessoa
Art. 3º A delegação poderá ser feita a autoridade não natural ou jurídica, quando praticado com abuso ou
diretamente subordinada ao delegante. desvio de poder ou sem competência legal.
Art. 4º A mudança do titular do cargo não acarreta a
cessação da delegação. Além dos vícios de incompetência, existem os de incapa‑
Art.  5º Quando conveniente ao interesse da Ad‑ cidade, previstos no Código Civil, arts. 3º e 4º, e os previstos
ministração, as  competências objeto de delegação na Lei nº 9.784/1999, arts. 18 e 20.
poderão ser incorporadas, em caráter permanente,
aos  regimentos ou normas internas dos órgãos e Art. 3º São absolutamente incapazes de exercer
entidades interessados. pessoalmente os atos da vida civil os menores de 16
Art. 6º O ato de delegar pressupõe a autoridade para (dezesseis) anos.
subdelegar, ficando revogadas as disposições em Art. 4º São incapazes, relativamente a certos atos ou
contrário constantes de decretos, regulamentos ou à maneira de os exercer:
atos normativos em vigor no âmbito da Administra‑
Noções de Direito Administrativo

I  – os maiores de dezesseis e menores de dezoi‑


ção Direta e Indireta. to anos;
Art. 7º Cabe ao Ministro Extraordinário para a Des‑ II – os ébrios habituais e os viciados em tóxico;
burocratização orientar e acompanhar as medidas III – aqueles que, por causa transitória ou permanen‑
constantes deste Decreto, assim como dirimir as te, não puderem exprimir sua vontade;
dúvidas suscitadas em sua execução. IV – os pródigos.
Parágrafo único. A  capacidade dos indígenas será
Vícios Relativos ao Sujeito regulada por legislação especial.

Partindo-se do pressuposto de que não basta que o No que se refere aos vícios de incapacidade previstos
agente tenha capacidade e que é necessário que tenha na Lei nº 9.784/1999, temos o impedimento e a suspeição.
competência, têm-se duas categorias de vícios: o de incom‑ O impedimento gera a presunção absoluta de incapaci‑
petência e o de incapacidade. dade, razão pela qual o agente público fica proibido de atuar
O vício de incompetência está previsto no art. 2º, pará‑ no processo, devendo obrigatoriamente comunicar o fato à
grafo único, a, da Lei nº 4.717/1965: autoridade competente, sob pena de ser responsabilizado.

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O  art.  18 da Lei prevê expressamente aqueles que estão deve revestir o ato do Chefe do Poder Executivo que declara
impedidos de atuar no processo: a expropriação (a outra é a lei); qualquer outra forma tornará
o ato nulo.
Art. 18. É impedido de atuar em processo adminis‑
trativo o servidor ou autoridade que: Vícios Relativos à Forma
I – tenha interesse direto ou indireto na matéria;
II  – tenha participado ou venha a participar como Como garantia do princípio da legalidade e da segurança
perito, testemunha ou representante, ou se tais jurídica, a forma deve ser rigorosamente respeitada. Caso
situações ocorrem quanto ao cônjuge, companheiro não seja observada, estaremos diante de um ato ilegal,
ou parente e afins até o terceiro grau; portanto nulo.
III – esteja litigando judicial ou administrativamente
O vício de forma está previsto no art. 2º, parágrafo único,
com o interessado ou respectivo cônjuge ou com‑
b, da Lei nº 4.717/1965:
panheiro.
Art. 19. A  autoridade ou servidor que incorrer em
impedimento deve comunicar o fato à autoridade O vício de forma consiste na omissão ou na obser‑
competente, abstendo-se de atuar. vância incompleta ou irregular de formalidades indis‑
Parágrafo único. A omissão do dever de comunicar pensáveis à existência ou seriedade do ato.
o impedimento constitui falta grave, para efeitos
disciplinares. A Finalidade
Já a suspeição gera a presunção relativa de incapacidade, O ato deve alcançar a finalidade expressa ou implicita‑
razão pela qual o vício fica sanado se não for arguido pelo mente prevista na norma que atribui competência ao agente
interessado no momento oportuno. O art. 20 também dispõe para a sua prática, sendo o resultado que se busca alcançar
expressamente sobre quem poderá ser arguida a suspeição: com a prática do ato. O Administrador não pode fugir da
finalidade que a lei imprimiu ao ato, sob pena de nulidade
Art. 20. Pode ser arguida a suspeição de autoridade
ou servidor que tenha amizade íntima ou inimizade por desvio de finalidade44.
notória com algum dos interessados ou com os res‑ Dessa forma, podemos falar em finalidade ou fim em
pectivos cônjuges, companheiros, parentes e afins dois sentidos diferentes:
até o terceiro grau. • Em sentido amplo: a finalidade sempre corresponde à
consecução de um resultado de interesse público, ou
A Forma seja, o ato administrativo tem que ter sempre finali‑
dade pública.
É o meio pelo qual se exterioriza o ato. Em regra, • Em sentido estrito: a finalidade é o resultado específico
exige‑se a forma escrita para a sua prática. Excepcional‑ que cada ato deve produzir, conforme definido na lei,
mente, admitem‑se as ordens verbais, gestos, apitos, sinais ou seja, a finalidade do ato administrativo é sempre a
luminosos (como são feitos no trânsito)42. que decorre explícita ou implicitamente da lei.
A forma como requisito de existência e validade do ato A finalidade não se confunde com nenhum outro
administrativo, se estabelecida em lei e não observada, elemento. Enquanto o objeto é o efeito jurídico ime‑
gera sua nulidade. Assim, sempre que a lei expressamente diato que o ato produz (adquirir, transferir, extinguir),
exigir determinada forma para que um ato administrativo a finalidade é o efeito mediato (indireto).
seja considerado válido, a inobservância dessa exigência Distingue do motivo, porque este antecede a prática do
acarretará a nulidade do ato43. ato, correspondendo aos fatos, às circunstâncias, que
A exigência da observância da forma é garantia dos ad‑ levaram a Administração a praticar o ato. Já a finalidade
ministrados contra a arbitrariedade e fator de estabilidade sucede a prática do ato, porque é justamente o que a
e segurança nas relações jurídicas. Nesse sentido, temos Administração quer alcançar com a sua edição.
o disposto no inciso VIII, parágrafo único, art.  2º, da Lei Tanto o motivo como a finalidade contribuem para a
nº 9.784/1999, que assim estabelece: formação de vontade da Administração que diante de
certa situação de fato ou de direito (motivo) a autori‑
Parágrafo único. Nos processos administrativos serão dade (sujeito competente) pratica certo ato (objeto)
observados, entre outros, os critérios de: para alcançar determinado resultado (finalidade).
[...]
VIII  – observância das formalidades essenciais à Vícios Relativos à Finalidade
garantia dos direitos dos administrados;
Visto que a finalidade pode ter duplo sentido (amplo
Visando à proteção dos direitos dos administrados e
Noções de Direito Administrativo

ao melhor cumprimento dos fins da Administração, a Lei e estrito), pode-se dizer que ocorre o desvio de finalidade
nº 9.784/1999 estabeleceu em seu art. 22: quando o agente pratica o ato com inobservância do interes‑
se público ou com objetivo diverso daquele previsto explícita
Os atos do processo administrativo não dependem ou implicitamente na lei.
de forma determinada senão quando a lei expressa‑ Está previsto no art. 2º, parágrafo único, e, da Lei
mente a exigir. nº 4.717/1965:

Se o Administrador puder escolher a forma, haverá dis‑ O desvio de finalidade se verifica quando o agente
cricionariedade, porém, em alguns casos, a forma escrita é pratica o ato visando a fim diverso daquele previsto,
particularizada e exige‑se um determinado tipo de forma explícita ou implicitamente, na regra de competência.
escrita para que o ato seja válido. Ocorre, por exemplo, no Assunto cobrado nas seguintes provas: FCC/TRT 9ª Região/Analista Judiciário
44
decreto de expropriação. O decreto é uma das formas que – Apoio Especializado – Medicina, Analista Judiciário – Apoio Especializado – Tec‑
nologia da Informação, Analista Judiciário – Apoio Especializado – Fisioterapia,
42
Assunto cobrado na prova do Cespe/TRT 1ª Região/Juiz do Trabalho Substituto Analista Judiciário – Apoio Especializado – Estatística, Analista Judiciário – Apoio
– I/2010. Especializado – Medicina do Trabalho, Analista Judiciário – Apoio Especializado
43
Cespe/TCU/AUFC/2010. – Enfermagem, Analista Judiciário – Apoio Especializado – Psicologia/2010.

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A grande dificuldade com relação ao desvio de finalidade III – decidam processos administrativos de concurso
é a sua comprovação, pois o agente não declara sua verda‑ ou seleção pública;
deira intenção; ele procura ocultá-la para produzir enganosa IV  – dispensem ou declarem a inexigibilidade de
impressão de que o ato é legal. Por isso mesmo, o desvio processo licitatório;
de finalidade comprova-se por meio de indícios, como, por V – decidam recursos administrativos;
exemplo, a falta de motivo ou a discordância dos motivos VI – decorram de reexame de ofício;
com o ato praticado. VII – deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre
a questão ou discrepem de pareceres, laudos, pro‑
O Motivo postas e relatórios oficiais;
VIII – importem anulação, revogação, suspensão ou
convalidação de ato administrativo.
São as razões de fato e de direito que levam à prática
do ato. Pressuposto de fato corresponde ao conjunto de
A Constituição Federal também vinculou as suas decisões
circunstâncias, de acontecimentos, de situações que levam à regra da motivação:
a Administração a praticar o ato; o pressuposto de direito
é o dispositivo legal em que se baseia o ato. Em alguns Art. 93, IX, da CF: Todos os julgamentos dos órgãos
casos, esses motivos já estão traçados na lei, sem margem do Poder Judiciário serão públicos, e fundamentadas
de liberdade para o Administrador. Nesses casos, temos o todas as decisões, sob pena de nulidade, podendo
motivo vinculado. Em outros, a lei permite ao Administra‑ a lei limitar a presença, em determinados atos,
dor certa margem de liberdade, sendo assim seu motivo é às próprias partes e a seus advogados, ou somente
discricionário. a estes, em casos nos quais a preservação do direito
Adquire relevância o aspecto de vinculação aos motivos à intimidade do interessado no sigilo não prejudique
a partir da presunção de legitimidade, em que o particular o interesse público à informação;
interessado em invalidar o ato é que tem o ônus de provar
a sua ilegalidade. É justamente a partir da demonstração da Art. 93, X, da CF: As decisões administrativas dos tri‑
inexistência dos motivos declinados para a prática do ato bunais serão motivadas e em sessão pública, sendo as
que se poderá conseguir a sua invalidação. disciplinares tomadas pelo voto da maioria absoluta
A efetiva existência do motivo é sempre um requisito de seus membros;
para a validade do ato. Se o Administrador invoca deter‑
minados motivos, a validade do ato fica subordinada à Entretanto, sabemos que em determinados casos a mo‑
efetiva existência desses motivos invocados para a sua tivação pode ser dispensada (art. 37, II, da CF, por exemplo),
prática. É a teoria dos motivos determinantes45. Em outras restando então como exceções a esse princípio quando a lei
palavras, se a Administração motiva o ato mesmo que a assim a dispensar ou quando a natureza do ato for com ela
lei não exija sua motivação, ele só será válido se os motivos incompatível.
forem verdadeiros.
Ressalte-se que motivo não se confunde com moti‑ Art.  37. A  administração pública direta e indireta
vação. O motivo é um fato, um dado real e objetivo que de qualquer dos Poderes da União, dos Estados,
do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos
autoriza ou impõe a prática do ato46.
princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade,
Já a motivação é a exposição dos motivos, ou seja, é a
publicidade e eficiência e, também, ao seguinte:
demonstração, por escrito, de que os pressupostos de fato [...]
realmente existiram. O ato sem motivo é nulo; o ato sem II  – a investidura em cargo ou emprego público
motivação só será nulo se está for obrigatória47. de­pende de aprovação prévia em concurso público
A Lei nº 9.784/1999, elevando a motivação à categoria de provas ou de provas e títulos, de acordo com a
de princípio a ser obedecido pela Administração Pública natureza e a complexidade do cargo ou emprego, na
(art. 2º), tornou-a obrigatória: forma prevista em lei, ressalvadas as nomeações para
cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação
Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre e exoneração;
outros, aos princípios da legalidade, finalidade, mo‑
tivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralida‑ Vícios Relativos ao Motivo
de, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica,
interesse público e eficiência. Para o ato administrativo, a inexistência de um motivo
atribuível à Administração ao cuidar do interesse público
Noções de Direito Administrativo

E ainda foi mais além, determinou, em seu art. 50, quais configura vício insanável, pela inexistência exatamente de
os atos administrativos que devem ser motivados. interesse público que determine sua finalidade. Para alguns
doutrinadores, como Di Pietro (2008), além da hipótese de
Art.  50. Os  atos administrativos deverão ser moti‑ inexistência, existe a falsidade do motivo, que da mesma for‑
vados, com indicação dos fatos e dos fundamentos ma torna o ato nulo. A autora cita como exemplo o seguinte
jurídicos, quando: caso: se a Administração pune um funcionário (servidor), mas
I – neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; este não praticou qualquer infração, o motivo é inexistente,
II  – imponham ou agravem deveres, encargos ou porém, se ele praticou infração diversa, o motivo é falso.
sanções; O vício relativo ao motivo está previsto no art. 2º, pará‑
grafo único, d, da Lei nº 4.717/1965:
45
Assunto cobrado na prova do Cespe/TRT 1ª Região/Juiz do Trabalho Substituto
– I/2010. A inexistência dos motivos se verifica quando a ma‑
46
Assunto cobrado na prova do Cespe/TRE-MS/Técnico Judiciário/Área Adminis‑ téria de fato ou de direito, em que se fundamenta o
trativa/2013. ato, é materialmente inexistente ou juridicamente
47
Assunto cobrado na prova do Cespe/TRE-MS/Técnico Judiciário/Área Adminis‑
trativa/2013. inadequada ao resultado obtido.

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O Objeto Mérito Administrativo
É o conteúdo do ato, ou seja, é o que ele prescreve ou dis‑ Corresponde à esfera de discricionariedade reservada
põe. Nota-se que, neste requisito, a Administração manifesta ao Administrador, ou seja, o mérito administrativo parte da
seu poder e sua vontade ou atesta simplesmente situações análise da valoração dos motivos e da escolha do objeto,
preexistentes. Ele só existe quando produz efeito jurídico, quando a Administração encontra-se devidamente autori‑
ou seja, quando em decorrência dele, nasce, extingue-se, zada a decidir sobre a conveniência e a oportunidade do
transforma-se um determinado direito. No chamado ato ato administrativo.
vin­culado, o objeto já está predeterminado na lei (ex.: apo‑ Não pode o Poder Judiciário pretender substituir a dis‑
sentadoria do servidor). Nos chamados atos discricionários, cricionariedade do administrador pela discricionariedade
há uma margem de liberdade do Administrador para pre‑ do Juiz, pois a ele é vedado adentrar nesta área. Pode, no
encher o conteúdo do ato (ex.: desapropriação – cabe ao entanto, examinar os motivos invocados pelo Administrador
Administrador escolher o bem, de acordo com os interesses para verificar se eles efetivamente existem. Ao Poder Judici‑
ário somente é facultado discutir a respeito da competência,
da Administração), por isso, o objeto pode ser discricionário.
da finalidade e da forma.
Considerando-se constituir o ato administrativo em espé‑
cie do gênero ato jurídico, seu objeto também deve ser lícito
(conforme a lei e a moral), possível (realizável no mundo dos O Silêncio no Direito Administrativo e seus Efeitos
fatos e do direito), determinado (quando o ato enuncia seu
No direito privado, a aplicação normativa sobre o silêncio
objeto de modo certo, definindo, por exemplo, seus destina‑
encontra solução no art. 111 do Código Civil. De acordo com
tários, seus efeitos etc.) ou pelo menos determinável (quando esse dispositivo, o silêncio, como regra, importa consen‑
adotar algum critério a ser observado subsequentemente, timento tácito, considerando os usos ou as circunstâncias
por exemplo: uma condição). normais. Só não valerá como anuência se a lei declarar
O objeto do ato administrativo, como no direito privado, indispensável a manifestação expressa.
também pode ser natural ou acidental. O objeto natural é
o efeito que o ato produz, sem necessidade de expressa Art. 111. O silêncio importa anuência, quando as
menção. Ele decorre da própria natureza do ato, tal como circunstâncias ou os usos o autorizarem, e não for
definido na lei. necessária a declaração de vontade expressa.
Já o objeto acidental é o efeito jurídico que o ato produz
em decorrência de cláusulas acessórias apostas ao ato pelo No Direito Administrativo, o silêncio administrativo não
sujeito que o pratica, trazendo alguma alteração no objeto constitui ato administrativo, eis que inexiste manifestação
natural. Refere-se ao termo, ao encargo ou modo e à condição: formal de vontade. É sim mero fato administrativo, o que não
• Pelo termo, indica-se o dia em que inicia ou termina a impede a produção de efeitos no mundo jurídico.
eficácia do ato. Nesse sentido, é o ensinamento de Meirelles (2005, p. 114):
• O modo ou encargo é um ônus imposto ao destinatário
do ato. A omissão da Administração pode representar apro‑
• A condição é a cláusula que subordina a eficácia do ato vação ou rejeição da pretensão do administrado, tudo
a evento futuro e incerto. Pode ser suspensiva (quan‑ dependendo do que dispuser a norma pertinente.
do suspende o início da eficácia do ato) ou resolutiva
(quando verificada, faz cessar a produção de efeitos Ocorre que a Administração pode ser omissa e não fazer
jurídicos do ato). qualquer referência sobre o efeito que produza tal silêncio.
Cumpre então distinguir, de um lado, a hipótese em que a
Vícios Relativos ao Objeto lei aponta a consequência da omissão e, de outro, aquela
em que a lei não aponta quais os efeitos que decorrem de
sua omissão.
São nulos os atos administrativos de conteúdo ou objeto No primeiro caso, a lei pode indicar dois efeitos:
ilícito, não sendo possível, portanto, sua convalidação48. • o silêncio importa manifestação positiva (anuência
A ilicitude do objeto se configura quando ele está em tácita); ou
desacordo com as normas jurídicas pertinentes ou então • o silêncio importa manifestação negativa (denegatória).
quando não corresponde ao interesse público que motivou
a declaração de vontade, motivo este que, se ilícito ou ine‑ Quando o efeito retrata manifestação positiva, conside‑
xistente, comunicará o defeito à finalidade. ra‑se que a Administração pretendeu emitir vontade com
O vício relativo ao objeto está previsto no art. 2º, pará‑ caráter de anuência, de modo que o interessado decerto terá
grafo único, c, da Lei nº 4.717/1965: sua pretensão satisfeita. Por outro lado, quando a Adminis‑
Noções de Direito Administrativo

tração emite manifestação com efeito denegatório, deve‑se


A ilegalidade do objeto ocorre quando o resultado entender que ela contrariou o interesse do administrado,
do ato importa em violação de lei, regulamento ou o que o habilita a postular a invalidação do ato, se julgar que
outro ato normativo. tem vício de legalidade.
No segundo caso, é o mais comum, a omissão pode
O conceito acima não abrange todas as hipóteses possí‑ ocorrer também de duas maneiras:
veis, pois, como visto acima, o objeto do ato administrativo • com a ausência de manifestação volitiva no prazo
corresponde ao do ato jurídico. Assim, haverá vício quando fixado na lei; ou
a declaração sobre o objeto for ilícita ou imoral, impossível, • com a demora excessiva na prática do ato quando a lei
indeterminada ou indeterminável. não estabeleceu prazo (considera‑se excessiva aquela
Obs.: Motivo e Objeto, nos chamados atos discricionários, que foge dos padrões de razoabilidade).
caracterizam o que denominamos de Mérito Administrativo.
Nas duas situações o interessado faz jus a uma definição
por parte da Administração, valendo‑se, inclusive, do direito
Cespe/TRT 1ª Região/Juiz do Trabalho Substituto – II/2010.
48 de petição (art. 5º, XXXIV, da CF).

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XXXIV – são a todos assegurados, independentemen‑ Não se confunde executoriedade com exigibilidade, pois
te do pagamento de taxas: aquela é a possibilidade de exigir o cumprimento do ato,
a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa independentemente da via judicial, enquanto exigibilidade
de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder. pode ser feita por Ação Judicial ou não.
Nos atos em que se vai envolver o patrimônio do admi‑
Decorridos o “prazo legal” e o “razoável”, caso o adminis‑ nistrado (cobrança de uma multa, por exemplo), a Adminis‑
trado não obtenha êxito na via administrativa, não restará tração tem de se utilizar da via judicial, não podendo utilizar
alternativa senão recorrer à via judicial adequada (mandado a força pública pelos seus próprios meios.
de segurança, mandado de injunção etc.). Só é possível a autoexecutoriedade quando permitida por
Por fim, cabe ressaltar que, dependendo da natureza lei ou para atender situações urgentes, como, por exemplo,
do silêncio ou omissão, o administrador omisso poderá ser a interdição de um prédio que ameaça desabar, entretanto,
responsabilizado administrativa, civil e penalmente. o administrado não fica impossibilitado de recorrer ao Poder
Judiciário para se insurgir contra o uso da autoexecutorieda‑
Atributos e/ou Privilégios dos Atos de. É possível, inclusive, que por meio de medidas preventi‑
Administrativos vas (Mandado de Segurança Preventivo, Ações Cautelares,
Antecipação de Tutela) venha o executado evitar que se
realize a autoexecutoriedade ou até mesmo após a prática
A palavra atributo significa qualidade própria, que, neste
do ato, o administrado pode ingressar em juízo pedindo a
caso, são aquelas outorgadas pelo ordenamento jurídico ao reconstituição do estado anterior, se for possível, inclusive,
ato administrativo, como decorrência do princípio da supre‑ as indenizações cabíveis.
macia do interesse público sobre o privado. Este requisito normalmente é verificável nos atos ad‑
Essas qualidades não se apresentam em todos os atos ministrativos decorrentes do poder de polícia, nos quais
administrativos, mas somente naqueles regidos pelo Direito a Administração impõe coercitivamente seu cumprimento
Público e que tenham por finalidade condicionar ou restringir independentemente de mandado judicial (interdição de
a situação jurídica dos administrados ou impor obrigações. atividades, inutilização de gêneros alimentícios).
Se do atributo da executoriedade do ato administrativo
Presunção de Legitimidade resultar dano ao particular em razão de ilegitimidade ou
abuso, o Estado estará obrigado a indenizar o lesado, uma
A presunção de legitimidade diz respeito à conformidade vez configurados a conduta danosa, o dano e o nexo causal.53
do ato com a lei. Decorre do princípio da legalidade, sendo,
portanto, legais e verdadeiros os fatos alegados (presunção Imperatividade
de veracidade). Essa presunção, porém, é relativa (juris tan-
tum), pois cabe prova em contrário. É a inversão do ônus da É o atributo pelo qual os atos administrativos se im‑
prova, cabendo ao particular demonstrar tal irregularidade. põem a terceiros, independentemente de sua concordân‑
Ex.: Execução de Dívida Ativa – cabe ao particular o ônus de cia54. É uma consequência da ascendência da Administração
provar que não deve ou que o valor está errado. Pública sobre o particular, justificada pelo interesse público.
Um ato emanado do administrador goza de presunção É o denominado poder extroverso da Administração, porém
de legitimidade, independentemente de lei que expresse não existe em todos os atos administrativos, mas somente
atributo.49 naqueles que impõem uma obrigação ao administrado,
Presume-se que os atos administrativos são legítimos, como, por exemplo, os que decorrem do poder de polícia,
visando assegurar a eficiência e a segurança nas atividades do poder hierárquico, e  os que regulam condutas gerais
do Poder Público, autorizando a execução imediata ou ope‑ e abstratas55. Nos atos enunciativos (certidões, atestados,
ratividade dos atos administrativos, ainda que haja arguição pareceres) e nos que conferem direitos aos administrados
de vício. (licença, autorização, permissão) a imperatividade não existe.
Em todo e qualquer ato administrativo pode-se observar A imperatividade autoriza a produção imediata de seus
a presença da presunção de legitimidade50. efeitos até a declaração de possível invalidade, tornando
O ato administrativo ilegal praticado por agente ad- obrigatória a sua observância pelo particular.
ministrativo corrupto produz efeitos normalmente, pois
traz em si o atributo da presunção, ainda que relativa, de Exigibilidade
legitimidade.51
A presunção de legitimidade é conferida ao ato até o É a possibilidade de a Administração, coercitivamente,
momento em que for declarada sua nulidade. exigir o cumprimento da obrigação imposta ao administrado,
utilizando‑se de meios indiretos, como, por exemplo, a multa,
Não obstante os atos administrativos gozarem desta presun‑
para induzir o acatamento dos seus atos.
ção, faz-se necessário que a Administração motive (indicação
Noções de Direito Administrativo

A exigibilidade permite que a Administração Pública


dos pressupostos de fato e de direito que ensejaram a prática
objetive o cumprimento efetivo da obrigação por ela esta‑
do ato) sempre o ato, para fins de controle de legalidade.
belecida, socorrendo-se ou não da interferência do Poder
Judiciário.
Autoexe­cutoriedade
As determinações para que o particular construa muro no
alinhamento da rua, apare árvores cujos galhos ameaçam a
É atributo do ato administrativo, entre outros, a
segurança da rede elétrica ou a dissolução de passeatas com
autoexecutoriedade.52 o fim de resguardar o interesse da coletividade são exemplos
É a possibilidade que tem a Administração de, por seus de atos que possuem esse atributo. Nesses casos, a Admi‑
próprios meios, exigir o cumprimento das obrigações impostas nistração não necessita da participação do Poder Judiciário
aos administrados, independentemente de ordem judicial. para seu cumprimento.
49
Cespe/AE ES/Seger-ES/Administração/2013. 53
Cespe/CNJ/Analista Judiciário/Área Judiciária/2013.
50
FCC/Procuradoria Geral do Estado do Amazonas/Procurador do Estado de 3ª 54
Assunto cobrado na prova da FCC/TRE-RS/Técnico Judiciário/Área Administrativa/
Classe/2010. Analista Judiciário/Área Administrativa/2010.
51
Cespe/TRE-MS/Analista Judiciário/Área Administrativa/2013. 55
Assunto cobrado na prova do Cespe/CNJ/Analista Judiciário/Área Judiciá‑
52
FCC/TRE-Acre/Técnico Judiciário/Área Administrativa/2010. ria/2013.

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Outras vezes, contudo, a  Administração deve trilhar Parágrafo único. Para fins do disposto neste artigo,
procedimento previamente estabelecido na lei, que exige entende-se por modalidades de remoção:
o trânsito pelo Judiciário. É o caso de um tributo que não I – de ofício, no interesse da Administração.
pago pelo administrado exige que a Administração promova
a competente execução fiscal. • quando a lei é omissa: por não ser possível prever
todas as situações supervenientes no momento de sua
Tipicidade promulgação, a autoridade deverá decidir de acordo
com princípios extraídos do ordenamento jurídico.
É o atributo pelo qual o ato administrativo deve corres‑
ponder a figuras definidas previamente pela lei como aptas • quando a lei prevê determinada competência, mas
a produzir determinados resultados, ou seja, para cada não estabelece a conduta a ser adotada: ocorre, por
finalidade que a Administração pretende alcançar existe um exemplo, no âmbito do poder de polícia onde a razoa‑
ato definido em lei. bilidade e a proporcionalidade devem ser observadas
Conforme ensina Di Pietro (2008), esse atributo repre‑ na aplicação das sanções.
senta uma garantia para o administrado, pois impede que
a Administração pratique atos dotados de imperatividade e Por ser muito amplo o âmbito de incidência da discri‑
executoriedade, vinculando unilateralmente o particular sem cionariedade, cumpre, pois, analisarmos onde é possível
que haja previsão legal, e também fica afastada a possibili‑ localizá-la.
dade de ser praticado ato totalmente discricionário, pois a O primeiro aspecto a ser observado concerne ao mo‑
lei, ao prever o ato, já define os limites em que a discricio‑ mento da prática do ato: se a lei nada estabelece a respeito,
nariedade poderá ser exercida.
a Administração escolhe o momento que lhe pareça mais
adequado para atingir a consecução de determinado fim.
Discricionariedade e Vinculação Como nem sempre é possível para o legislador fixar um
momento preciso para a prática do ato, normalmente ele
A discricionariedade e vinculação com que são expedi‑
estabelece um prazo para que a Administração adote deter‑
dos os atos administrativos estão relacionadas diretamente
com os poderes de que dispõe a Administração Pública para minadas decisões, com ou sem sanções para o caso de seu
praticá-los. descumprimento. Ocorre, por exemplo, com o prazo de 15
Para o desempenho de suas funções, a Administração dias de que dispõe o Executivo para vetar ou sancionar um
dispõe de poderes para a prática de seus atos que lhe asse‑ projeto de lei aprovado pelo Legislativo; decorrido o prazo,
guram posição de supremacia sobre o particular e sem os o silêncio do Executivo implica sua sanção (art. 66 da CF).
quais não conseguiria atingir os seus fins. Esses poderes, no
Estado Democrático de Direito como o nosso, têm como pos‑ Art. 66. A Casa na qual tenha sido concluída a votação
tulado básico o princípio da legalidade, sendo limitados pela enviará o projeto de lei ao Presidente da República,
lei, sob pena de ilegalidade por abusos ou arbitrariedades. que, aquiescendo, o sancionará.
No entanto, esse regramento pode atingir os vários as‑ § 1º Se o Presidente da República considerar o proje‑
pectos de uma atividade determinada. Nesse caso, o poder
to, no todo ou em parte, inconstitucional ou contrário
da Administração é vinculado, porque a lei não deixou opções
para a prática do ato, estabelecendo que diante de determina‑ ao interesse público, vetá-lo-á total ou parcialmente,
dos requisitos a Administração deve agir de tal ou qual forma. no prazo de quinze dias úteis, contados da data do
Em outras hipóteses, o regramento não atinge todos os recebimento, e  comunicará, dentro de quarenta
aspectos da atuação administrativa; a lei deixa certa margem e oito horas, ao  Presidente do Senado Federal os
de liberdade de decisão diante do caso concreto, de tal motivos do veto.
modo que a autoridade poderá optar por uma dentre várias § 2º O veto parcial somente abrangerá texto integral
soluções possíveis, todas válidas perante o direito. Nesses de artigo, de parágrafo, de inciso ou de alínea.
casos, o poder da Administração é tido como discricionário; § 3º Decorrido o prazo de quinze dias, o silêncio do
a adoção de uma ou outra solução é feita segundo critérios Presidente da República importará sanção.
de oportunidade, conveniência, justiça, equidade, próprios
da autoridade, pois não foram definidos pelo legislador. Outro aspecto a ser considerado diz respeito à escolha
Mesmo aí, entretanto, o  poder de ação administrativa,
entre agir e não agir. Se diante de certa situação a Admi‑
embora discricionário, não é totalmente livre, porque sob
alguns aspectos a lei impõe limitações56. nistração está obrigada a adotar determinada providência,
a atuação é vinculada; se ela tem possibilidade de escolher
Fonte e Âmbito de Aplicação da Discricionariedade entre atuar ou não, existe a discricionariedade. Como
Noções de Direito Administrativo

exemplo de atuação vinculada, temos que a Administração


A fonte da discricionariedade é a própria lei. A discricio‑ é obrigada a apurar e punir ilícitos administrativos, sob pena
nariedade só existe nos espaços deixados pela lei. Normal‑
de condescendência criminosa (art. 320 do Código Penal).
mente ocorre:
• de forma expressa: quando a lei confere à Adminis‑
tração o seu uso. Como exemplo, temos a remoção ex Condescendência criminosa
officio (de ofício). O servidor é removido pela Adminis‑ Art. 320. Deixar o funcionário, por indulgência, de
tração e no interesse dela, para atender à conveniência responsabilizar subordinado que cometeu infração no
do serviço (art. 36, I, da Lei nº 8.112/1990). exercício do cargo ou, quando lhe falte competência,
não levar o fato ao conhecimento da autoridade
Art.  36. Remoção é o deslocamento do servidor, competente:
a pedido ou de ofício, no âmbito do mesmo quadro, Pena – detenção, de quinze dias a um mês, ou multa.
com ou sem mudança de sede.
Referindo-se aos elementos ou requisitos dos atos admi­
Assunto cobrado na prova do Cespe/TRT 1ª Região/Juiz do Trabalho Substituto – II/
56

2010. nistrativos, a  discricionariedade abrange tão somente o

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motivo e o objeto. A competência, a forma e a finalidade provendo sobre seus direitos, obrigações, negócios ou condu‑
são sempre vinculadas, até mesmo nos atos discricionários. ta perante a Administração. Tais atos, pela sua destinação, só
A partir da ideia de que certos atos administrativos são entram em vigor ou execução depois de divulgados pelo ór‑
sempre vinculados (competência, forma, finalidade), afirma‑ gão oficial, dado o interesse do público no seu conhecimento.
-se que não existe ato administrativo inteiramente discricio‑
nário. É também por isso que se diz que o ato vinculado é Quanto aos Destinatários
analisado sob o aspecto da legalidade (de acordo com a lei)
e que o ato discricionário pode ser analisado sob os aspectos Atos Gerais
da legalidade e do mérito (conveniência e oportunidade Destinam‑se a pessoas indeterminadas, atingindo todos
aqueles que estiverem em uma determinada situa­ção. É o
diante do interesse público a atingir).
caso do regulamento que estabelece normas para todos que
estiverem no âmbito das regras ali previstas. Ex.: o edital de
Limites da Discricionariedade e Controle pelo Poder um concurso público. 
Judiciário
Atos Individuais
A discricionariedade também encontra limites na própria Atingem uma situação determinada. Há um destinatário
lei. O  legislador, ao definir determinado ato, intencional‑ certo, podendo ser mais de uma pessoa (pluralidade de
mente deixa um espaço para livre decisão da Administração destinatários). Ex.: a nomeação.
Pública; legitimando previamente a sua opção, qualquer uma
delas será válida. Quanto ao Objeto
Como forma de fixar limites ao exercício do poder discri‑
cionário, algumas teorias têm sido adotadas de modo a am‑ Atos de Império
pliar a possibilidade de sua apreciação pelo Poder Judiciário. O Poder Público atua com supremacia sobre o admi‑
Uma delas é a que se refere ao abuso de poder na espécie nistrado, coercitiva e unilateralmente. Ex.: atos de polícia
desvio de poder ou desvio de finalidade. O desvio de poder (interdição de atividade, apreensão de bens).
ou desvio de finalidade ocorre quando a autoridade usa do
poder discricionário para atingir fim diverso daquele que a lei Atos de Gestão
fixou. Quando isso ocorre, fica o Poder Judiciário autorizado São aqueles em que o Poder Público se coloca em
a decretar a nulidade do ato, já que a Administração fez situação de igualdade com o particular. Atos de gestão
uso indevido da discricionariedade, ao desviar-se dos fins correspondem aos atos de direito privado que a Adminis‑
tração Pública pratica. Ex.: locação de imóvel para funcionar
de interesse público definidos na lei57.
repartição pública.
A outra é a teoria dos motivos determinantes. Quando
a Administração indica os motivos que a levaram a praticar Atos de Expediente
o ato, este somente será válido se os motivos forem verda‑ São todos aqueles que se destinam a dar andamento
deiros. Para apreciar esse aspecto, o Poder Judiciário terá aos processos e papéis que tramitam nas repartições pú‑
que examinar os motivos, ou seja, os pressupostos de fato blicas. São atos de rotina interna, sem caráter vinculante e
e as provas de sua ocorrência, para verificar se o motivo sem forma especial, geralmente, praticados por servidores
realmente existiu. Se não existiu ou se não for verdadeiro, subalternos, sem competência decisória.
anulará o ato.
O controle feito pelo Poder Judiciário ganha fundamental Quanto ao Regramento
importância após a distinção entre atos discricionários e
atos vinculados. Atos Vinculados
Nos atos vinculados, não existe restrição quanto aos São aqueles que possuem todos os seus requisitos
elementos que sofrem o chamado controle de legalidade, pré‑determinados na lei, não oferecendo margem de esco‑
visto que todos devem estar de acordo com a lei. lha para apreciação do administrador58. Cabe a este somente
Com relação aos atos discricionários, o  controle de verificar se esses requisitos estão em conformidade com a lei.
legalidade é possível, mas terá que respeitar a discriciona‑ Se estiverem, o administrador estará obrigado a praticar o ato.
riedade administrativa nos limites em que ela é assegurada Se faltar qualquer deles, o administrador não poderá praticar o
pela lei, ou seja, o Judiciário só pode apreciar os aspectos ato. Ex.: aposentadoria do servidor, nomea­ção de cargo efetivo. 
da legalidade e verificar se a Administração não ultrapassou
Atos Discricionários
os limites da discricionariedade.
Existem dois requisitos (motivo e objeto) em que a
lei oferece, na prática do ato, uma margem de opção ao
Classificação dos Atos Administrativos administrador, que irá fazer sua escolha de acordo com
Noções de Direito Administrativo

as razões de conveniên­cia e oportunidade, mas sempre


Quanto ao Alcance visando ao interesse público.59

Atos Internos Quanto à Eficácia


São os destinados a produzir efeitos no recesso das
repartições administrativas, e por isso mesmo incidem, Ato Válido
normalmente, sobre os órgãos e agentes da Administração É o que provém de autoridade competente para prati‑
que os expediram. cá‑lo e contém todos os requisitos necessários à sua eficácia.

Assunto cobrado na prova da FCC/TRE-Acre/Técnico Judiciário/Área Adminis‑


58
Atos Externos trativa/2010.
São todos aqueles que alcançam os administrados, Assunto cobrado nas seguintes provas: FCC/TRT 9ª Região/Analista Judiciário
59

os contratantes e, em certos casos, os próprios servidores, – Apoio Especializado – Medicina, Analista Judiciário – Apoio Especializado – Tec‑
nologia da Informação, Analista Judiciário – Apoio Especializado – Fisioterapia,
Analista Judiciário – Apoio Especializado – Estatística, Analista Judiciário – Apoio
Assunto cobrado na prova do Cespe/TRT 1ª Região/Juiz do Trabalho Substituto
57
Especializado – Medicina do Trabalho, Analista Judiciário – Apoio Especializado
– II/2010. – Enfermagem, Analista Judiciário – Apoio Especializado – Psicologia/2010.

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Ato Nulo Ato Consumado
É o que nasce afetado de vício insanável por ausência ou É o que produziu todos os seus efeitos, tornando‑se, por
defeito substancial em seus elementos constitutivos ou no isso mesmo, irretratável ou imodificável por lhe faltar objeto.
procedimento formativo. Não produz qualquer efeito válido
entre as partes, pela evidente razão de que não se adquire Quanto ao Conteúdo
direito de ato ilegal.
Ato Constitutivo
Ato Inexistente É o que cria uma situação jurídica individual para seus
É o que apenas tem aparência de manifestação regular destinatários, em relação à Administração. Ex.: licença, no‑
da Administração, mas não chega a se aperfeiçoar como ato meação, sanção administrativa.
administrativo. É o que ocorre, por exemplo, com o “ato”
praticado por um usurpador de função pública. Tais atos Ato Extintivo ou Desconstitutivo
equiparam‑se, em nosso Direito, aos atos nulos, sendo, É o que põe termo a situações jurídicas individuais,
assim, irrelevante e sem interesse prático a distinção entre como a cassação de autorização, a encampação de serviço
nulidade e inexistência, porque ambas conduzem ao mesmo de utilidade pública.
resultado – a invalidade – e subordinam-se às mesmas regras
de invalidação. Ato inexistente ou ato nulo é ato ilegal. Ato Declaratório
É o que visa preservar direitos, reconhecer situações
Quanto à Formação preexistentes ou, mesmo, possibilitar seu exercício. São
exemplos dessa espécie a apostila de títulos de nomeação,
Atos Simples a expedição de certidões e demais atos fundados em situa‑
Resultam da manifestação de vontade de apenas um ções jurídicas anteriores.
único órgão, sendo ele unipessoal ou colegiado. Ex.: nomea­
Ato Alienativo
ção, exoneração, demissão de um servidor, despacho de
É o que opera a transferência de bens ou direitos de um
autoridade.
titular para outro. Ex.: venda de imóvel da Administração
para o particular.
Atos Complexos
Resultam da manifestação de vontade de dois ou mais Ato Modificativo
órgãos, sejam singulares ou colegiados, cuja vontade soma-se É o que tem por fim alterar situa­ções preexistentes, sem
à outra para a prática de um único ato. Ex.: nomeação de suprimir direitos ou obrigações, como ocorre com aqueles
Ministro do STF depende da aprovação do Senado. que alteram horários, percursos, locais de reunião e outras
Os atos normativos editados conjuntamente por diver- situações anteriores estabelecidas pela Administração.
sos órgãos da administração federal, como as portarias
conjuntas ou instruções normativas conjuntas da Secretaria Ato Abdicativo
da Receita Federal do Brasil e da Procuradoria da Fazenda É aquele pelo qual o titular abre mão de um direito.
Nacional, são exemplos de ato administrativo complexo.60 A peculiaridade desse ato é seu caráter incondicionável e
irretratável. Desde que consumado, o ato é irreversível e
Atos Compostos imodificável, como são as renúncias de qualquer tipo.
São aqueles praticados por um órgão, mas que exigem a
aprovação de outro órgão. Um pratica o ato e o outro confir‑ Quanto à Retratabilidade
ma. O ato só produz efeito depois de aprovado pelo último
órgão. Geralmente, os atos que dependem de autorização Ato Irrevogável
ou homologação são compostos (um depende do outro). É aquele que se tornou insuscetível de revogação, por
Ex.: nomeação de um dos indicados em lista tríplice para ter produzido seus efeitos ou gerado direito subjetivo para
Desembargador Federal. o beneficiário ou, ainda, por resultar de coisa julgada admi‑
nistrativa. Neste último, cabe considerar que a coisa julgada
Quanto à Exequibilidade administrativa só o é para a Administração, uma vez que não
impede a reapreciação judicial do ato.
Ato Perfeito
É aquele que reúne todos os elementos necessários à Ato Revogável
sua exequibilidade ou operatividade, apresentando‑se apto É aquele que a Administração, e somente ela, pode in‑
e disponível para produzir seus regulares efeitos. validar, por motivos de conveniência, oportunidade. Nesses
Noções de Direito Administrativo

atos devem ser respeitados todos os efeitos já produzidos,


Ato Imperfeito porque decorrem de manifestação válida da Administração.
É aquele que se apresenta incompleto na sua formação A revogação só atua ex nunc. Em princípio, todo ato admi‑
ou carente de um ato complementar para tornar‑se exequí‑ nistrativo é revogável até que se torne irretratável para a
vel e operante. Para se tornar perfeito, necessita de um ato Administração, quer por ter exaurido seus efeitos ou seus
complementar que o torne operativo. recursos, quer por ter gerado direito subjetivo para o bene‑
ficiário, interessado na sua manutenção.
Ato Pendente
É aquele que, embora perfeito, por reunir todos os Ato Suspensível
elementos de sua formação, não produz seus efeitos, por É aquele em que a Administração pode fazer cessar os
não verificado o termo ou a condição de que depende sua seus efeitos, em determinadas circunstâncias ou por certo
exequibilidade ou operatividade. tempo, embora mantendo o ato, para oportuna restauração
de sua operatividade. Difere a suspensão da revogação,
porque esta retira o ato do mundo jurídico, ao passo que
Cespe/TRE-MS/Analista Judiciário/Área Judiciária/2013.
60 aquela susta, apenas, a sua exequibilidade.

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Quanto ao Modo de Execução Espécies de Atos Administrativos
Ato Autoexecutório Atos Normativos
É aquele que traz em si a possibilidade de ser exe­cutado
pela própria Administração, independentemente de ordem São aqueles que contêm um comando geral do Exe­cutivo,
judicial. visando à correta aplicação da lei61; o objetivo imediato é
explicitar a norma legal a ser observada pela Administração
Ato não Autoexe­cutó­rio e pelos administrados; estabelecem regras gerais e abstratas
de conduta; têm a mesma normatividade da lei e a ela equi‑
É o que depende de pronunciamento judicial para produ‑
param-se para fins de controle judicial; quando individualizam
ção de seus efeitos finais, tal como ocorre com a dívida fiscal, situações e impõem encargos específicos a administrados,
cuja execução é feita pelo Judiciário, quando provocado pela podem ser atacados e invalidados direta e imediatamente por
Administração interessada na sua efetivação. via judicial comum, ou por mandado de segurança.

Quanto ao Objetivo Visado pela Administração Principais Atos Normativos


Ato Principal Decretos
É o que encerra a manifestação de vontade final da São atos administrativos da competência exclusiva dos
Administração. O ato principal pode resultar de um único Chefes do Executivo, destinados a prover situações gerais
órgão (ato simples) ou da conjugação de vontades de mais ou individuais, abstratamente previstas de modo expresso,
de um órgão (ato complexo) ou, ainda, de uma sucessão de explícito ou implícito pela legislação. Como ato adminis‑
atos intermediários (procedimento administrativo). trativo, está sempre em situação inferior à lei, por isso não
pode contrariá‑la.
Ato Complementar
Regulamentos
É o que aprova ou ratifica o ato principal, para dar‑lhe São atos administrativos, postos em vigência por decreto,
exequibilidade. O ato complementar atua como requisito de para especificar os mandamentos da lei ou prover situações
operatividade do ato principal, embora este se apresente ainda não disciplinadas por elas. Como ato inferior à lei, não
completo em sua formação desde a sua edição. pode contrariá‑la ou ir além do que ela permite.

Ato Inter­mediário Instruções Normativas


É o que concorre para a formação de um ato principal e São atos administrativos expedidos pelos Ministros de
final. Assim, em uma concorrência, são atos intermediários Estado para a execução das leis, decretos e regulamentos
o edital, a habilitação e o julgamento das propostas, porque (art. 87, parágrafo único, II, da CF). Podem ser utilizadas por
desta sucessão é que resulta o ato principal e final objetivado outros órgãos superiores para o mesmo fim.
pela Administração, que é a adjudicação da obra ou do ser‑
viço ao melhor proponente. O ato intermediário é sempre Regimentos
autônomo em relação aos demais e ao ato final, razão pela São atos administrativos normativos de atuação interna
qual pode ser impugnado e invalidado isoladamente (o que que se destinam a reger o funcionamento de órgãos co‑
legiados e de corporações legislativas, por esse motivo só
não ocorre com o ato complementar), no decorrer do pro‑
se dirigem aos que devem executar o serviço ou realizar a
cedimento administrativo. atividade funcional regimentada.
Ato‑Con­dição Resoluções
É todo aquele que se antepõe a outro para permitir a sua São atos administrativos normativos expedidos pelas
realização. O ato‑condição destina‑se a remover um obstá‑ altas autoridades do Executivo (exceto Presidente, pois este
culo à prática de certas atividades públicas ou particulares, só pode expedir decreto) ou pelos presidentes de tribunais,
para as quais se exige a satisfação prévia de determinados órgãos legislativos e colegiados administrativos, para admi‑
requisitos. Assim, o concurso é ato‑condição da nomeação nistrar matéria de sua competência específica.
efetiva; a concorrência é ato‑condição dos contratos adminis‑
trativos. Como se vê, o ato‑condição é sempre um ato‑meio Deliberações
São atos administrativos normativos ou decisórios, ema‑
para a realização de um ato‑fim. A ausência do ato‑condição
nados de órgãos colegiados. Quando normativos, são atos
invalida o ato final, e essa nulidade pode ser declarada pela
Noções de Direito Administrativo

gerais; quando decisórios, atos individuais. Devem sempre


própria Administração ou pelo Judiciário, porque é matéria obediência ao regulamento e ao regimento que houver para
de legalidade, indissociável da prática administrativa. a organização e funcionamento do colegiado.

Ato de Jurisdição Atos Ordinatórios


É todo aquele que contém decisão sobre matéria contro‑
vertida. No âmbito da Administração, resulta, normalmente, São os que visam disciplinar o funcionamento da Admi‑
da revisão de ato do inferior pelo superior hierárquico ou nistração e a conduta funcional de seus agentes; emanam
tribunal administrativo, mediante provocação do interessa‑ do poder hierárquico; só atuam no âmbito interno das
do, ou de ofício. O ato administrativo de jurisdição, embora repartições e só alcançam os servidores hierarquizados à
decisório, não se confunde com o ato judicial propriamente chefia que os expediu.62
dito (despacho, sentença, acórdão em ação e recurso), nem
produz coisa julgada no sentido processual da expressão, mas 61
Assunto cobrado na prova do Fepese/Conselho Regional de Contabilidade de
Santa Catarina/Fiscal/Auxiliar Administrativo/2010.
quando proferido em instância final torna‑se imodificável 62
Assunto cobrado na prova do Fepese/Conselho Regional de Contabilidade de
pela Administração. Santa Catarina/Fiscal/Auxiliar Administrativo/2010.

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Entre os atos ordinatórios merecem apreciação: A licença concedida ao administrado para o exercício
de direito poderá ser revogada pela administração pública
Instruções por critério de conveniência e oportunidade.65
São ordens escritas e gerais a respeito do modo e forma
de execução de determinado serviço público, expedidas pelo Autorização
superior hierárquico com o escopo de orientar os subalternos, É o ato administrativo discricionário e precário pelo qual
no desempenho das atribuições que lhes estão apresentadas o Poder Público torna possível ao pretendente a rea­lização
e assegurar a unidade de ação no organismo administrativo. de certa atividade, serviço ou utilização de determinados
bens particulares ou públicos, de seu exclusivo ou predomi‑
Circulares nante interesse, que a lei condiciona à aquiescência prévia
São ordens escritas, de caráter uniforme, expedidas a de‑ da Administração, tais como o uso especial de bem público,
terminados funcionários incumbidos de certo serviço, ou de o porte de arma etc.
desempenho de certas atribuições em circunstâncias especiais.
Permissão
Avisos É o ato administrativo, discricionário e precário, pelo qual
São atos emanados dos Ministros de Estado a respeito o Poder Público faculta ao particular a execução de serviços
de interesse coletivo, ou o uso especial de bens públicos,
de assuntos dedicados aos seus ministérios.
a título gratuito ou remunerado, nas condições estabelecidas
pela Administração.
Portarias
São atos administrativos internos pelos quais os chefes Aprovação
de órgão, repartições ou serviços expedem determinações É o ato administrativo pelo qual o Poder Público verifica a
gerais ou especiais a seus subordinados, ou designam ser‑ legalidade e o mérito de outro ato ou de situações e realiza‑
vidores para função e cargos secundários. ções materiais de seus próprios órgãos, de outras entidades
ou de particulares, dependentes de seu controle, e consente
Ordens de Serviço na sua execução ou manutenção.
São determinações especiais dirigidas aos responsáveis
por obra ou serviços públicos autorizando seu início, ou Admissão
contendo imposições de caráter administrativo, ou especi‑ É o ato administrativo vinculado pelo qual o Poder
ficações técnicas sobre o modo e forma de sua realização. Público, verificando a satisfação de todos os requisitos legais
pelo particular, defere‑lhe determinada situação jurídica de
Ofícios seu exclusivo ou predominante interesse, como ocorre no
São comunicações escritas que as autoridades fazem ingresso aos estabelecimentos de ensino mediante concurso
entre si, entre subalternos e superiores e entre Administra‑ de habilitação.
ção e particulares.
Visto
Despachos É o ato pelo qual o Poder Público controla outro ato da
Os despachos podem ser: própria Administração ou do administrado, aferindo sua
legitimidade formal para dar‑lhe exequibilidade.
• Administrativos: são decisões que as autoridades
executivas proferem em papéis, requerimentos e
Homologação
processos sujeitos à sua apreciação; ou É o ato de controle pelo qual a autoridade superior
• Normativos: é aquele que, embora proferido indivi‑ examina a legalidade e a conveniência de ato anterior da
dualmente, a autoridade competente determina que própria Administração, de outra entidade, ou de particular,
se aplique aos casos idênticos, passando a vigorar para dar‑lhe eficácia.
como norma interna da Administração para situa­ções
análogas subsequentes. Dispensa
É o ato que exime o particular do cumprimento de deter‑
Atos Negociais minada obrigação até então exigida por lei. Ex.: a prestação
do serviço militar.
São todos aqueles que contêm uma declaração de von‑
tade da Administração, apta a concretizar determinado ne‑ Renúncia
gócio jurídico ou a deferir certa faculdade ao parti­cular, nas É o ato pelo qual o Poder Público extingue unilateral­
condições impostas ou consentidas pelo Poder Público.63 mente um crédito ou um direito próprio, liberando definiti‑
Enquadram‑se nessa categoria os seguintes atos admi‑ vamente a pessoa obrigada perante a Administração.
Noções de Direito Administrativo

nistrativos:
Protocolo Administrativo
Licença É o ato pelo qual o Poder Público acerta com o particular
É o ato administrativo vinculado e definitivo pelo qual o a realização de determinado empreendimento ou atividade
Poder Público, verificando que o interessado atendeu todas ou a abstenção de certa conduta, no interesse recíproco da
as exigências legais, faculta‑lhe o desempenho de atividades Administração e do administrado signatário do instrumento
ou a realização de fatos materiais antes vedados ao particular. protocolar.
No mesmo sentido, a licença é ato administrativo editado
no exercício de competência vinculada; preenchidos os Atos Enunciativos
requisitos necessários a sua concessão, ela não poderá ser São todos aqueles em que a Administração se limita a
negada pela administração pública64. Ex.: o exercício de certificar ou atestar um fato, ou emitir uma opinião sobre
uma profissão. determinado assunto, sem se vincular ao seu enunciado.66
63
Assunto cobrado na prova do Fepese/Conselho Regional de Contabilidade de Cespe/CNJ/Analista Judiciário/Área Administrativa/2013.
65

Santa Catarina/Fiscal/Auxiliar Administrativo/2010. Assunto cobrado na prova do Fepese/Conselho Regional de Contabilidade de


66

64
Cespe/DPE-TO/2013. Santa Catarina/Fiscal/Auxiliar Administrativo/2010.

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Entre os mais comuns, estão os seguintes: No entanto, existem vários casos de extinção do ato
administrativo, entre eles:
Certidões
São cópias ou fotocópias fiéis e autenticadas de atos ou Revogação
fatos constantes no processo, livro ou documento que se
encontra nas repartições públicas; o fornecimento de certi‑ É o ato pelo qual a Administração extingue um ato admi‑
dões é obrigação constitucional de toda repartição pública, nistrativo revestido de legitimidade, em razão de interesse
desde que requerida pelo interessado; devem ser expedidas público, buscando o bem‑estar coletivo. Os efeitos da revo‑
no prazo improrrogável de 15 dias, contados do registro do gação operam a partir de sua edição (ex nunc), respeitando
pedido (Lei nº 9.051/1995). os já produzidos69, conforme Súmula nº 473, 1969/STF:

A Administração pode anular seus próprios atos,


Atestados
quando eivados de vícios que os tornam ilegais,
São os atos pelos quais a Administração comprova um porque deles não se originam direitos; ou revogá‑los,
fato ou uma situação de que tenha conhecimento por seus por motivo de conveniência ou oportunidade, respei‑
órgãos competentes. tados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos
os casos, a apreciação judicial.
Pareceres
São manifestações de órgãos técnicos sobre assuntos A Lei nº 9.784/1999, em seu art. 53, estabelece que:
submetidos à sua consideração; tem caráter meramente
opinativo67. Podem ser: Art. 53. A Administração deve anular seus próprios
a) Normativos: é aquele que, ao ser aprovado pela atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode
autoridade competente, é convertido em norma de proce‑ revogá‑los por motivo de conveniência ou oportuni‑
dimento interno; ou dade, respeitados os direitos adquiridos.
b) Técnicos: é o que provém de órgão ou agente espe‑
Ademais, caso a Administração revogue várias autori-
cializado na matéria, não podendo ser contrariado por leigo zações de porte de arma, invocando como motivo o fato
ou por superior hierárquico. de um dos autorizados ter se envolvido em brigas, referida
revogação só será válida em relação àquele que perpetrou
Apostilas a situação fática geradora do resultado do ato.70
São atos enunciativos ou declaratórios de uma situa­ção O poder de revogar, como em qualquer ato discricionário,
anterior criada por lei. Equivale a uma averbação. encontra limites; portanto, não podem ser revogados:
• atos vinculados71: pois não existe margem para dis‑
Atos Punitivos cricionariedade nesses atos.
• atos que exauriram seus efeitos72: se o ato já exauriu
São os que contêm uma sanção imposta pela Adminis‑ seus efeitos não há que se falar em revogação, pois ela
tração àqueles que infringem disposições legais, regula‑ surte efeito a partir de sua edição. Assim, não podem ser
revogados atos que exauriram os seus efeitos, pois a re‑
mentares ou ordinatórias dos bens e serviços públicos68.
vogação supõe ato que ainda esteja produzindo efeitos,
Visam punir e reprimir infrações administrativas ou condutas
como ocorre na autorização para porte de armas.73
irregulares dos servidores ou dos particulares, perante a • atos que geraram direitos adquiridos74: conforme
Administração. Exemplos: Súmula nº 473/STF.
Obs.: Os atos administrativos individuais são re-
Multa vogáveis desde que seus efeitos se revelem incon-
É toda imposição pecuniária a que sujeita o administrado venientes ou contrários ao interesse público, mas
a título de compensação do dano presumido da infração; é ocorre que esses atos podem se tornar irrevogáveis
de natureza objetiva e se torna devida in­dependentemente por circunstâncias supervenientes a sua emissão,
da ocorrência de culpa ou dolo do infrator. quando por exemplo geram direitos subjetivos para
os destinatários.75
Interdição de Atividade • meros atos administrativos76: pois seus efeitos decor‑
É o ato pelo qual a Administração veda a alguém a prática rem de lei. Ex.: certidões, atestados, pareceres.
de atos sujeitos ao seu controle ou que incidam sobre seus • atos integrantes de procedimento administrativo77:
bens; deve ser precedida de processo regular e do respectivo pois a cada novo ato ocorre a preclusão do anterior.
auto, que possibilite defesa do interessado.
Anulação
Noções de Direito Administrativo

Destruição de Coisas
É o ato sumário da Administração pelo qual se inutilizam É a extinção do ato administrativo por motivo de ilega‑
alimentos, substâncias, objetos ou instrumentos imprestáveis lidade, feita pela Administração (autotutela) ou pelo Poder
ou nocivos ao consumo ou de uso proibido por lei. 69
Assunto cobrado na prova da Cespe/Prefeitura Municipal de Boa Vista-RR/
Analista Municipal/Procurador Municipal/2010.
70
FCC/TRT 9ª Região/Analista Judiciário/Área Administrativa/2010.
Desfazimento do Ato Administrativo – Cessação 71
Assunto cobrado na prova da Esaf/AIET/DNIT/Ambiental/2013.
da Eficácia 72
73
Assunto cobrado na prova da Esaf/AIET/DNIT/Ambiental/2013.
Assunto cobrado nas seguintes provas: FCC/TRT 9ª Região/Analista Judiciário
– Apoio Especializado – Medicina, Analista Judiciário – Apoio Especializado – Tec‑
A forma normal de extinção do ato administrativo é o nologia da Informação, Analista Judiciário – Apoio Especializado – Fisioterapia,
esgotamento do seu conteúdo. Analista Judiciário – Apoio Especializado – Estatística, Analista Judiciário – Apoio
Especializado – Medicina do Trabalho, Analista Judiciário – Apoio Especializado
– Enfermagem, Analista Judiciário – Apoio Especializado – Psicologia/2010.
67
Assunto cobrado na prova do Cespe/TRT 1ª Região/Juiz do Trabalho Substituto 74
Assunto cobrado na prova da Esaf/AIET/DNIT/Ambiental/2013.
– I/2010. 75
Soluções Concursos/Prefeitura Municipal de Mato Grosso-PB/Advogado/2010.
68
Assunto cobrado na prova do Fepese/Conselho Regional de Contabilidade de 76
Assunto cobrado na prova da Esaf/AIET/DNIT/Ambiental/2013.
Santa Catarina/Fiscal/Auxiliar Administrativo/2010. 77
Assunto cobrado na prova da Esaf/AIET/DNIT/Ambiental/2013.

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Judiciário78, produzindo uma eficácia retroativa (ex tunc), tanto é possível que haja exceção à regra se devidamente
pois deles não se originam direitos.79 previsto em norma, foi o que fez a Lei nº 9.784/1999, em
Súmula nº 346, 1963/STF: “A Admi­nistração Pública pode seu art. 54, que diz o seguinte:
declarar a nulidade dos seus próprios atos.”
A Lei nº 9.784/1999, em seu art. 53, estabelece que: Art. 54. O direito da Administração de anular os atos
administrativos de que decorram efeitos favoráveis
Art. 53. A Administração deve anular seus próprios para os destinatários decai em cinco anos, contados
atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode da data em que foram praticados, salvo comprovada
revogá‑los por motivo de conveniência ou oportuni‑ má-fé.83
dade, respeitados os direitos adquiridos.80
Convalidação ou Sanatória
Aqui, a anulação não seria pelo princípio da autotutela
e sim pelo princípio da legalidade. A convalidação é o processo de que se vale a Administra‑
Admite-se a anulação de concurso público, pela própria ção para aproveitar atos administrativos que possuam vícios
administração, ante a ocorrência de vício insanável e ofen- sanáveis, de forma a confirmá-los no todo ou em parte.84
sivo aos princípios da igualdade, da competitividade, da É a prática de um ato posterior que vai conter todos os re‑
moralidade, da impessoalidade e da publicidade.81 quisitos de validade, inclusive, aquele que não foi observado
Deve‑se ressaltar que em alguns casos, quando terceiros
no ato anterior e determinar a sua retroatividade à data de
de boa-fé são atingidos por atos nulos, a doutrina reconhece
vigência do ato tido como anulável. Os efeitos passam a con‑
a possibilidade de preservação dos seus efeitos, de forma
a garantir a estabilidade das relações jurídicas (DI PIETRO, tar da data do ato anterior (ex tunc); é editado um novo ato.
2008). Um exemplo bastante claro é o do funcionário de fato Normalmente as leis que tratam de direito público silen‑
(alguém irregularmente investido no serviço público), que ciam sobre o instituto da convalidação. Entretanto, indicando
praticou atos que tenham atingido terceiro de boa-fé. Estes avanço decorrente da jurisprudência, a Lei nº 9.784/1999,
efeitos devem ser preservados. Por esse motivo, a aplicação em seu art. 55, assim se pronuncia:
da Súmula nº  473/STF tem recebido temperamentos na
jurisprudência, não sendo aplicável quando for possível a Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acar‑
convalidação ou, ainda, diante de situações consolidadas, retarem lesão ao interesse público nem prejuí­zo a
que não trouxeram efetiva lesão para o interesse público. terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis
Nesse sentido: poderão ser convalidados pela própria Administração.

Embora o princípio da legalidade imponha a anulação O poder de convalidar também encontra limites, portanto
dos atos viciados, as  relações jurídicas hão de ter não podem ser convalidados:
segurança e as situações constituídas há muito re‑ • atos válidos ou inexistentes: não existe a possibilidade
querem a manutenção do ato. Segundo Miguel Reale, de convalidar atos que não sejam inválidos ou que não
é possível a convalidação de atos administrativos ei‑ existam no mundo jurídico;
vados de nulidade que não firam legítimos interesses • atos absolutamente nulos: não podem ser convali‑
de terceiros ou do Estado, quando da inexistência de dados atos que apresentem vícios insanáveis, como,
dolo. É a sanatória excepcional do nulo em homena‑ por exemplo, o ato comprovadamente praticado com
gem à boa-fé. Ademais, há interesse público em se desvio de poder ou desvio de finalidade;
proteger a boa-fé e a confiança dos administrados,
• atos impugnados judicial ou administrativamente: não
garantindo-lhes a proteção da segurança jurídica,
é possível inovar sobre situação jurídica contestada ou
que não pode ser atingida por ilações relativas a uma
suposta atuação de má-fé por parte do administrador. mesmo resistida;
REO nº 1997.39.00.010815-2/PA-TRF. • atos que geraram direito subjetivo ao beneficiá­rio,
entre outros.
A título de exemplo: Simão, comerciante estabelecido na
capital do Estado, requereu, perante a autoridade compe- Cassação
tente, licença para funcionamento de um novo estabeleci-
mento. Embora o interessado não preenchesse os requisitos Ocorre em decorrência do descumprimento das condi‑
fixados na normatização aplicável, a Administração, levada ções que deveriam ser atendidas pelo administrado para
a erro por falha cometida por funcionário no procedimento continuar merecedor do desfrute. Ex.: alguém obteve uma
correspondente, concedeu a licença. Posteriormente, cons- permissão para explorar um serviço público, porém des‑
tatado o equívoco, a Administração deverá anular o ato, cumpriu uma das condições para a prestação desse serviço.
produzindo a anulação efeitos retroativos à data em que foi
Noções de Direito Administrativo

emitido o ato eivado de vício não passível de convalidação.82 Caducidade


Ainda em matéria de anulação, vale também lembrar,
a questão do prazo de que dispõe o poder público para anular É a cessação dos efeitos do ato em razão de uma lei su‑
seus atos. Em regra, pelo princípio da legalidade, a anulação perveniente, com a qual esse ato é incompatível. Ex.: reti­rada
pode ser feita a qualquer momento, não existe prazo, entre‑ da licença para dirigir, outorgada a menor de idade, em face
da vigência de lei que impede o menor de dirigir.
78
Assunto cobrado nas seguintes provas: FCC/TRE-Acre/Técnico Judiciário/Área
Administrativa/2010 e FCC/TRT 9ª Região/Analista Judiciário – Apoio Especia‑
lizado – Medicina, Analista Judiciário – Apoio Especializado – Tecnologia da Mera Retirada
Informação, Analista Judiciário – Apoio Especializado – Fisioterapia, Analista
Judiciário – Apoio Especializado – Estatística, Analista Judiciário – Apoio Es‑ É a revogação de um ato administrativo que ainda não
pecializado – Medicina do Trabalho, Analista Judiciário – Apoio Especializado começou a produzir efeitos. Não se confunde com a revo‑
– Enfermagem, Analista Judiciário – Apoio Especializado – Psicologia/2010.
79
Assunto cobrado na prova da FCC/TRE-Acre/Técnico Judiciário/Área Adminis‑ gação propriamente dita, uma vez que não existem efeitos
trativa/2010.
80
Assunto cobrado na prova da FCC/Tribunal de Contas-RO/Auditor/Substituto 83
Assunto cobrado na prova do Cespe/CNJ/Analista Judiciário/Área Judiciá‑
de Conselheiro/2010. ria/2013.
81
Cespe/TJ CNJ/CNJ/Apoio Especializado/Programação de Sistemas/2013. 84
Assunto cobrado na prova da FCC/TRT 9ª Região/Analista Judiciário/Área
82
FCC/AFR SP/Sefaz SP/Gestão Tributária/2013. Administrativa/2010.

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a serem preservados. Ex.: Houve nomeação para cargo pú‑ ministração Direta, Indireta ou Fundacional de qual‑
blico e não houve posse. É retirado do mundo jurídico o ato quer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito
de nomeação para que outro seja nomeado e tome posse. Federal, de Território, de empresa incorporada ao
patrimônio público ou em entidade para cuja criação
Conversão ou custeio o erário haja concorrido ou concorra com
mais de cinquenta por cento do patrimônio ou da
Aproveita‑se, com outro conteúdo, o ato que inicialmen‑ receita anual.
te foi considerado nulo. Ex.: Nomeação de alguém para cargo
público sem aprovação em concurso, mas poderá haver a Analisando os conceitos acima, vê-se que agente público
nomeação para cargo comissionado. A conversão dá ao ato a é considerado um gênero, do qual são espécies os Agentes
conotação que deveria ter tido no momento da sua criação. políticos e os agentes administrativos. A doutrina também
Produz efeito ex tunc. classifica como agente público os particulares que atuam
em colaboração com o Poder Público: agentes honoríficos,
Contraposição ou Derrubada delegados e credenciados.

É a retirada de um ato pelo exercício de competência Agentes Políticos


diversa que gerou o ato anterior, mas cujos efeitos são con‑
traposto aos daqueles. Ex.: exoneração de um servidor, que De acordo com a doutrina, consideram-se agentes políti‑
aniquila os efeitos do ato de nomeação. cos os componentes do Governo nos seus primeiros escalões.
Os agentes políticos exercem atribuições constitucionais,
Renúncia podendo ser eleitos, nomeados ou designados. Os agentes
políticos ocupam os cargos dos órgãos independentes (que
Consiste na extinção dos efeitos do ato ante a rejeição representam os poderes do Estado) e dos órgãos autônomos
pelo beneficiário de uma situação jurídica favorável de que (que são os auxiliares imediatos dos órgãos independentes).
desfrutava em consequência daquele ato. Ex.: a renúncia Ex.: Presidente da República, Ministros, Secretários de Esta‑
a um cargo de Secretário de Estado, um beneficiário de do, Senadores, Governadores, Deputados, Prefeitos, Juízes,
um título honorífico (se desinteressando, a ele renuncia). membros do Ministério Público, membros dos Tribunais de
Geralmente, não investe o beneficiário no direito de ser Contas etc.
indenizado.
Agentes Administrativos
Recusa
Agentes administrativos são os agentes públicos que
Ao recusar o que o ato outorga, seu beneficiário o ex‑ se vinculam à Administração Pública direta ou indireta por
tingue, dado que a aceitação era elemento necessário para relações profissionais. Sujeitam-se à hierarquia funcional.
que o ato pudesse produzir os efeitos para os quais estava
preordenado. A recusa não se confunde com a renúncia, pois São eles:
na recusa rejeita o que não se possui, na renúncia, rejeita • Servidores públicos: ocupam cargo público e, em regra,
o que já se possui. Também não investe o beneficiário no estão sujeitos ao regime estatutário. Os servidores do
direito de ser indenizado. Ministério Público da União estão sujeitos ao regime
jurídico de pessoal estabelecido na Lei nº 8.112/1990
AGENTES PÚBLICOS: ESPÉCIES E e que estudaremos em tópico apropriado.
CLASSIFICAÇÃO • Empregados públicos: ocupam emprego público. In‑
gressam via concurso e estão sujeitos ao regime cele‑
A doutrina cita vários conceitos de agentes públicos. Ve‑ tista.
jamos: • Contratados para exercer função temporária: é o
servidor que não titulariza cargo nem emprego, mas
“É todo aquele que colabora com o Estado na consecu‑ exerce função por tempo determinado, para atender
ção dos interesses coletivos. Os agentes desempenham as situação de excepcional interesse público. No âmbito
funções dos órgãos a que estão vinculados.” federal, sua contratação está disciplinada pela Lei nº
8.745/1993, que regulamentou o art. 37, IX, da CF.
“É toda pessoa física vinculada, definitiva ou transi‑
toriamente, ao exercício de função pública (encargos Agentes Honoríficos
ou atribuições).”
Noções de Direito Administrativo

Os agentes honoríficos são aqueles convocados ou no‑


“São todos aqueles que, a qualquer título, executam meados para prestarem serviços de natureza transitória, sem
uma função pública como preposto do Estado.” vínculo empregatício, e em geral, sem remuneração. Consti‑
tuem os múnus públicos (serviços relevantes). Ex.: jurados,
“São todas as pessoas físicas incumbidas de exercer comissários de menores, mesários eleitorais.
alguma função estatal, definitiva ou transitoriamente.”
Agentes Delegados
A Lei de Improbidade Administrativa trouxe um conceito
amplo de agente público: Os agentes delegados são particulares que recebem a
incumbência da execução de determinada atividade, obra
Art. 2º Reputa-se agente público todo aquele que ou serviço público e o realizam em nome próprio, por sua
exerce, ainda que transitoriamente ou sem remu‑ conta e risco, mas segundo as normas do Estado. Ex.: con‑
neração, por eleição, nomeação, designação, con‑ cessionários e permissionários de serviços e obras públicas,
tratação ou qualquer outra forma de investidura ou serventuários notariais e de registro, leiloeiros, tradutores
vínculo, mandato, cargo, emprego ou função na Ad‑ e intérpretes públicos.

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Agentes Credenciados reios, a Petrobras etc. Diferentemente dos cargos públicos,
o empregado público não tem estabilidade constitucional,
Os agentes credenciados são aqueles que recebem a mas tem benefícios que somente os empregados públicos
incumbência da Administração Pública para representá-la podem ter, tais como o FGTS e, em alguns casos, até mesmo
em determinado ato ou praticar certa atividade específica, participação nos lucros.
mediante remuneração do Poder Público credenciante. Ex.: A função pública, por sua vez, refere-se a uma atribuição
representantes internacionais, um médico que seja creden‑ específica, dada pelo Poder Público, a um agente, ou seja,
ciado para atender a população em determinado aconteci‑ é o acréscimo de algumas atribuições àquelas tidas como
mento etc. próprias. Em outras palavras, o servidor tem suas atribuições
normais concernentes ao cargo que ocupa e adquire mais
Cargos, Empregos e Funções algumas, como, por exemplo, quando designado para exercer
a função de chefe da seção em que trabalha. Em contrapar‑
O termo cargo significa encargo, fardo, obrigação, incum‑ tida, há acréscimo na remuneração (art. 61, I).
bência. O cargo público é, pois, o elenco de atribuições que o A Constituição Federal prevendo esta possibilidade de‑
Estado atribui a uma pessoa física, que passa a ser o agente termina que as funções de confiança sejam exercidas exclu‑
público. Em outras palavras, o regime jurídico dos cargos sivamente por servidores ocupantes de cargo efetivo (aquele
públicos são os estabelecidos em lei que define o conjunto que fez concurso público) e que se destinem apenas às atri‑
de direitos e deveres dos agentes a ele vinculado. buições de direção, chefia e assessoramento.
Para a investidura em cargo público é necessária a apro‑ Di Pietro ainda lembra outra situação quando fala em
vação em concurso público de provas ou de provas e títulos, função. A função exercida por servidores contratados tem‑
ressalvadas as nomeações para cargo em comissão declarada porariamente com base no art. 37, IX, para a qual não se
em lei de livre nomeação e exoneração (art. 37, II, da Cons‑ exige, necessariamente, concurso público, porque a própria
tituição Federal). urgência na contratação é incompatível com a demora do
procedimento.
De olho na doutrina! Assim, quer seja em um caso, quer noutro, não há neces‑
Para Carvalho Filho, cargo público é o lugar dentro da sidade de prévio concurso público, pois naquele exige-se que
organização funcional da Administração direta e de suas já seja servidor; e neste, exige-se urgência na contratação.
autarquias e fundações públicas que, ocupado por ser‑ É bem por isto que o art. 37, II, exige concurso público so‑
vidor público, tem funções específicas e remuneração mente para investidura em cargo ou emprego, sendo silente
fixadas em lei ou diploma a ela equivalente. quanto à função.
Para o autor o conceito trazido pela Lei não é perfeito:
cargo não é um conjunto de atribuições; cargo é uma De olho na doutrina!
célula, um lugar dentro da organização; além do mais, as
Para Hely, função é a atribuição ou conjunto de atri‑
atribuições são, isto sim, cometidas ao titular do cargo.
buições que a Administração confere a cada categoria
Para Hely, cargo público é o lugar instituído na organi‑
profissional ou comete individualmente a determinados
zação do serviço público, com denominação própria,
servidores para a execução de serviços eventuais.
atribuições e responsabilidades específicas e estipêndio
correspondente, para ser provido por um titular, na forma
estabelecida em lei. PODERES DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
Cargos Privativos de Brasileiro Nato (art. 12, § 3º, e art. Introdução
89, VII, da Constituição Federal):
• Presidente e Vice-Presidente da República; Para realizar suas atividades, a Administração Pública
• Presidente da Câmara dos Deputados; detém prerrogativas ou poderes que permitem à autoridade
• Presidente do Senado Federal; remover os interesses particulares que se opõem ao interesse
• Ministro do Supremo Tribunal Federal; público. Os poderes e deveres do Administrador Público são
• Carreira diplomática; os expressos em lei, os impostos pela moral administrativa
• Oficial das Forças Armadas; e os exigidos pelo interesse da coletividade. Cada agente
• Ministro de Estado da Defesa; público é investido da necessária parcela de poder para o
• seis cidadãos brasileiros participantes do Conselho da desempenho de suas atribuições. Esse poder é para ser usado
República. normalmente como atributo do cargo ou da função, e não
como privilégio da pessoa que o exerce. É esse poder que
Noções de Direito Administrativo

Os empregos públicos, por sua vez, constituem núcleos empresta autoridade ao agente público quando recebe da
de encargos de trabalho permanentes a serem preenchidos lei competência decisória e força para impor suas decisões
por agentes contratados para desempenhá-los sob relação aos administrados.
trabalhista. Nessas condições, o poder de agir se converte no dever
Assim como no regime jurídico dos cargos públicos, os de agir. Assim, se no Direito Privado o poder de agir é uma
empregos públicos também são providos por meio de con‑
faculdade, no Direito Público é uma imposição, um dever
curso público de provas ou de provas e títulos, porém o víncu‑
para o agente que o detém, pois não se admite a omissão
lo se dá com a assinatura da carteira de trabalho, respeitadas
da autoridade diante de situações que exijam sua atuação.
todas as regras de Direito Privado presentes na Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT). Os empregos públicos também
podem ser preenchidos por qualquer brasileiro que preencha Poder-Dever de Agir
os requisitos estabelecidos em lei, bem como aos estrangei‑
ros, na forma da lei. Os empregados públicos trabalham em O poder do agente significa um dever diante da socie‑
empresas públicas ou sociedades de economia mista, tais dade. Só aquele que o detém está sempre na obrigação de
como a Caixa Econômica Federal, o Banco do Brasil, os Cor‑ exercitá‑lo. Pelo princípio da indisponibilidade do interesse

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público podemos afirmar que ele é irrenunciável, consti‑ III, da CF), a promoção obrigatória de juízes por merecimento,
tuindo múnus público (encargo) para o agente, ou seja, ele conforme o desempenho (art. 93, II, c, e III, da CF).
é obrigado a agir na defesa dos interesses coletivos.
Corroborando tal afirmação, Meirelles (2005, p. 105) Dever de Probidade
assim manifestou:
É dever do agente agir com honestidade e moralidade.
Está constitucionalmente integrado na conduta do agente pú‑
Se para o particular o poder de agir é uma faculdade,
blico como elemento necessário à legitimidade de seus atos.
para o administrador público é uma obrigação de
Esse dever impõe ao administrador o desempenho de
atuar, desde que se apresente o ensejo de exercitá‑lo
em benefício da comunidade. É que o Direito Pú‑ suas atribuições pautadas em atitudes retas, leais, justas e
blico ajunta ao poder do administrador o dever de honestas, sob pena de ilegitimidade de suas ações.
administrar. Para aqueles que praticam atos de improbidade, a Consti‑
tuição Federal prevê punições civis e político‑administrativas,
Confirma tal posição Di Pietro (2008, p. 81): sem prejuízo das sanções penais cabíveis (art. 37, § 4º).
A Lei nº 8.429/1992, que dispõe a respeito das sanções
Embora o vocábulo “poder” dê a impressão de que aplicáveis a agentes públicos que cometem atos de impro‑
se trata de “faculdade” da Administração, na reali‑ bidade administrativa, classifica tais atos em três espécies:
dade trata‑se de “poder‑dever”, já que reconhecido os que importam enriquecimento ilícito (art. 9º), os que
ao poder público para que o exerça em benefício da causam prejuízo ao erário (art. 10) e os que atentam contra
coletividade; os poderes são, pois, irrenunciáveis. os princípios da Administração Pública, sujeitando seus au‑
tores a penalidades previamente estabelecidas na própria lei
A liberdade do administrador em deixar de praticar atos (art. 12), além de outras previstas em legislação específica.
de sua competência é muito pouca ou nenhuma. Daí por
que a omissão da autoridade ou o silêncio da administração, Dever de Prestar Contas
quando deve agir ou manifestar‑se, pode gerar a responsabi‑
lidade administrativa, civil e até penal para o agente omisso. O dever do agente público que decorre diretamente do
Ainda referindo‑se aos poderes, Meirelles (2005) ensina: princípio da indisponibilidade do interesse público, sendo
inerente à função daquele que administra a coisa pública,
Aos poderes administrativos contrapõem alguns de‑ denomina-se dever de prestar contas.85
veres, como a eficiência, a probidade e, uma vez que O agente deve prestar contas de todos os seus atos,
a prestação de contas que o administrador não é pro‑ não só da gestão de dinheiros públicos (art. 70, CF) como
prietário e sim gestor dos negócios públicos, razão pela de todos os atos de governo (arts. 49, IX, e 71, I, da CF) e
qual não constituir‑se mera faculdade, mas poder‑dever. de administração (art. 5º, XXXIV, c, da CF). É da essência da
gestão de bens, direitos e serviços alheios o dever de prestar
Basicamente, são três os principais deveres do adminis‑ contas. Com a Administração Pública não poderia ser dife‑
trador público: o dever de eficiência, o dever de probidade rente, trata‑se da prestação de contas sobre a gestão de um
e o dever de prestar contas. Vejamos: patrimônio pertencente à coletividade.
O dever de prestar contas alcança não só os administra‑
Dever de Eficiência dores de entidades e órgãos públicos como, também enti‑
dades paraestatais ou até mesmo particulares que recebam
Cabe ao agente agir com a máxima eficiência funcional. subvenções. A regra é universal: quem utilize, arrecade,
O desempenho da atividade administrativa deve ser rápido e guarde, gerencie ou administre dinheiros, bens e valores
oferecido de forma que satisfaça o interesse do administrado. públicos deve prestar contas (art. 70, parágrafo único).
Reside na necessidade de se tornar cada vez mais qualitativa De acordo com a Constituição Federal, essa prestação de
a atividade administrativa. contas deve ser feita ao órgão legislativo de cada entidade
A eficiência inicialmente foi acolhida pelo ordenamento estatal por meio do Tribunal de Contas competente, que
jurídico no Decreto-Lei nº 200/1967 ao submeter toda a ati‑ é o responsável pelo controle externo (no âmbito federal,
vidade administrativa da Administração Federal ao controle o controle é feito pelo Congresso Nacional com o auxílio
de resultado (arts. 13 e 25, V), ao fortalecer o sistema de do Tribunal de Contas da União), e ao sistema de controle
mérito (art. 25, VII), e ao sujeitar a Administração Indireta interno de cada poder.
à supervisão ministerial quanto à eficiência administrativa
(art. 26, III). Atualmente promovida a princípio, a eficiência
Uso e Abuso do Poder
Noções de Direito Administrativo

é de observância obrigatória em toda a Administração Direta


e Indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados,
do Distrito Federal e dos Municípios (art. 37, caput, da CF). Em um Estado democrático de Direito como o nosso, no
O princípio da efi­ciência pressupõe o dever de bem adminis‑ qual a Constituição Federal assim o declara em seu art. 1º,
trar, impondo ao administrador a obrigação de realizar suas impõe-se à Administração que somente atue nos estritos
atribuições com rapidez, perfeição e rendimento. Nada justi‑ limites da legalidade.
fica qualquer procrastinação, aliás, é justamente essa atitude O uso de poderes administrativos tem por objetivo im‑
do agente público que pode levar o Estado a indenizar os pedir o arbítrio, a violência, as perseguições ou favoritismos
prejuízos que o atraso possa vir a ocasionar ao administrado. governamentais, que são desnecessários para atingir a finali‑
Após a EC nº 19/1998, que adicionou a efi­ciência no texto dade do Estado e, por conseguinte da própria Administração,
constitucional, vários dispositivos foram adicionados à Carta sendo justamente por esse motivo que devem estar submeti‑
Magna objetivando o seu cumprimento, tais como a razoável du‑ dos à lei e principalmente ao princípio da proporcionalidade.
ração do processo e os meios que garantem a celeridade de sua Nesse sentido, Gasparini (2006, p. 142) pronunciou-se:
tramitação (art. 5º, LXXVIII, da CF), a possibilidade de perda do
cargo de servidor público estável que não seja eficiente (art. 41, Esaf/TSIET/DNIT/Estradas/2013.
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Destarte, o  uso do poder só se legitima quando lação ideológica da lei, pois busca fins não desejados pelo
normal, isto é, quando aplicado para a consecução legislador utilizando-se de meios ou motivos imorais para
de interesses públicos e na medida em que for ne‑ agir. Este ato é sempre consumado às escondidas ou se apre‑
cessário para satisfazer tais interesses. senta disfarçado sob o manto da legalidade e do interesse
público. Pode-se citar como exemplo uma desapropriação
O uso do poder é prerrogativa da autoridade, porém por utilidade pública visando atender interesses próprios ou
deve guardar conformidade com o que a lei dispuser; não é a favorecer interesses parti­culares ou, ainda, como instru‑
incondicionado ou ilimitado. mento de vingança. Entre os elementos indiciários do desvio
O uso anormal do poder é o que caracteriza o abuso de finalidade está a falta de motivo ou a discordância dos
de poder; é a circunstância que torna ilegal, total (desvio motivos com o ato praticado.
de finalidade) ou parcialmente (excesso de poder), o  ato No desvio de finalidade o ato administrativo é ilegal, não
administrativo, ou irregular sua execução (abuso de poder). há como aproveitá-lo, é nulo.
O abuso de poder ocorre na fase executória do ato ad‑ É um vício que pode ser atacado por meio de ação po‑
ministrativo e diz respeito somente aos aspectos materiais pular (art. 2º, parágrafo único, d e e, da Lei nº 4.717/1965),
de sua concretude. e  mandado de segurança (art.  5º, LXIX, da CF e Lei
Ocorre o abuso de poder quando a autoridade, embora nº 12.016/2009), constituindo também abuso de autoridade
competente para a prática do ato, ultrapassa os limites de (Lei nº 4.898/1965).
sua atribuição (excesso) ou se desvia das finalidades admi‑
nistrativas (desvio). Abuso de Autoridade – Lei nº 4.898/1965
O abuso de poder, pela própria natureza do fato em si,
configura-se como ilegalidade, por isso pode ser revisto tanto A Lei nº 4.898/1965 regula o direito de representação e
administrativa (direito de petição – art. 5º, XXXIV, a, da CF) o processo de responsabilidade administrativa, civil e penal,
quanto judicialmente (habeas data – art. 5º, LXXI, da CF e nos casos de abuso de autoridade.
Lei nº 9.507/1997; mandado de segurança – art. 5º, LXIX, da Considera-se autoridade (art.  5º) para efeitos dessa
CF e Lei nº 12.016/2009; ação popular – art. 5º, LXXIII, e Lei lei: “quem exerce cargo, emprego ou função pública, de
nº 4.717/1965; direito de representação nos casos de abuso natureza civil, ou militar, ainda que transitoriamente e sem
de autoridade – Lei nº 4.898/1965). remuneração.”
O uso do poder é lícito; o abuso, sempre ilícito. Daí por Cabe lembrar que o abuso de poder pode ocorrer de
que todo ato abusivo é nulo, por excesso ou desvio de poder. duas formas:
O abuso de poder pode ocorrer de duas formas: a) Por excesso de poder: quando a autoridade, embora
competente para praticar o ato, vai além do permitido
Excesso de Poder (comete um plus) e exorbita no uso de suas faculdades
administrativas.
Ocorre quando a autoridade, embora competente para b) Por desvio de poder ou desvio de finalidade: quando a
praticar o ato, vai além do permitido e exorbita no uso de autoridade, embora atuando nos limites de sua competência,
suas faculdades administrativas. Essa conduta provoca a pratica o ato por motivos ou com fins diversos dos objetiva‑
ilegitimidade do ato de forma parcial ou total, incidindo dos pela lei ou exigidos pelo interesse público.
sempre durante a execução do ato autorizado por lei. Pode
ser caracterizada pelo descumprimento frontal da lei (quan‑ Direito de Representação
do a autoridade age claramente além de sua competência)
ou quando contorna dissimuladamente as limitações da Para exercer esse direito de representação, nos crimes de
lei (quando a autoridade se arroga poderes que não lhe abuso de autoridade, o interessado representará mediante
são atribuídos legalmente). Para Gasparini (2006, p. 145), petição dirigida à autoridade (civil ou militar) superior que
o conceito de excesso de poder é o seguinte: tiver atribuição legal para apurar e aplicar a respectiva sanção
ou ao órgão do Ministério Público que tiver competência para
iniciar o processo (art. 2º).
Há excesso de Poder quando o próprio conteúdo (o
que o ato decide) vai além dos limites legais fixados.
Condutas que Caracterizam Abuso de Autoridade
O excesso amplia ou restringe o conteúdo.
Segundo a Lei nº  4.898/1965 (arts.  3º e 4º), constitui
Embora aparente semelhança com o vício conhecido por abuso de autoridade qualquer atentado:
“desvio de finalidade”, com ele não se confunde. No desvio
Noções de Direito Administrativo

de finalidade o ato administrativo é ilegal, portanto nulo. a) à liberdade de locomoção;


No excesso de poder o ato praticado não é nulo por inteiro; b) à inviolabilidade do domicílio;
prevalece naquilo que não exceder. c) ao sigilo da correspondência;
O excesso de poder é uma forma de abuso que retira a d) à liberdade de consciência e de crença;
legitimidade da conduta do administrador, colocando-o na e) ao livre exercício do culto religioso;
ilegalidade (art. 5º, LXIX, da CF) e até mesmo no crime de f) à liberdade de associação;
abuso de autoridade, quando incidir nas previsões penais g) aos direitos e garantias legais assegurados ao
da Lei nº 4.898/1965. exercício do voto;
h) ao direito de reunião;
Desvio de Poder ou Desvio de Finalidade i) à incolumidade física do indivíduo;
j) aos direitos e garantias legais assegurados ao exer‑
Verifica‑se esta espécie de abuso quando a autoridade, cício profissional.
embora atuando nos limites de sua competência, pratica o k) ordenar ou executar medida privativa da liberdade
ato por motivos ou com fins diversos dos objetivados pela individual, sem as formalidades legais ou com abuso
lei ou exigidos pelo interesse público. Constitui-se na vio‑ de poder;

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l) submeter pessoa sob sua guarda ou custódia a Nesse sentido, ensina Hely Lopes Meirelles (2005, p. 116):
vexame ou a constrangimento não autorizado em lei;
m) deixar de comunicar, imediatamente, ao juiz com‑ Os poderes administrativos nascem com a Adminis‑
petente a prisão ou detenção de qualquer pessoa; tração e se apresentam diversificados segundo as
n) deixar o juiz de ordenar o relaxamento de prisão exigências do serviço público, o interesse da coleti‑
ou detenção ilegal que lhe seja comunicada; vidade e os objetivos a que se dirigem.
o) levar à prisão e nela deter quem quer que se pro‑
ponha a prestar fiança, permitida em lei; Os poderes administrativos são inerentes à Administra‑
p) cobrar o carcereiro ou agente de autoridade policial ção de todas as entidades estatais (União, Estados, Distrito
carceragem, custas, emolumentos ou qualquer outra Federal e Municípios) na proporção e limites de suas com‑
despesa, desde que a cobrança não tenha apoio em petências institucionais. Podem ser utilizados isoladamente
lei, quer quanto à espécie quer quanto ao seu valor; ou em conjunto para a consecução do mesmo ato, como
q) recusar o carcereiro ou agente de autoridade ocorre, por exemplo, com o ato de polícia administrativa,
policial recibo de importância recebida a título de que normalmente é precedido de uma regulamentação
carceragem, custas, emolumentos ou de qualquer do Executivo (poder regulamentar), em que a autoridade
outra despesa; escalona e distribui as funções dos agentes fiscalizadores
r) o ato lesivo da honra ou do patrimônio de pessoa (poder hierárquico), concedendo-lhes atribuições vinculadas
natural ou jurídica, quando praticado com abuso ou (poder vinculado) ou discricionárias (poder discricionário)
desvio de poder ou sem competência legal; para a imposição de sanções aos infratores (poder de polícia).
s) prolongar a execução de prisão temporária, de Nesse sentido, ensina Di Pietro (2008):
pena ou de medida de segurança, deixando de
expedir em tempo oportuno ou de cumprir imedia‑ Todos eles encerram prerrogativas da autoridade,
tamente ordem de liberdade. as  quais, por isso mesmo, só podem ser exercidas
nos limites da lei.
Sanções
Feitas essas considerações, agora vamos estudar os
Segundo a lei, aquele que pratica abuso de autoridade poderes administrativos um a um:
está sujeito à responsabilidade administrativa, civil e penal;
autônoma ou cumulativamente (art. 6º). Poder Vinculado

É aquele cujos requisitos (competência, forma, finalida‑


Sanção Administrativa (art. 6º, § 1º) de, motivo e objeto) estão previamente estabelecidos na
As sanções administrativas consistem em: lei. A norma legal condiciona a expedição do ato aos dados
a) advertência; constantes de seu texto. A administração fica sem liberdade
b) repreensão; para a expedição do ato. É a lei que regula o comportamento
c) suspensão do cargo, função ou posto por prazo de a ser seguido. Ex.: aposentadoria compulsória aos 70 anos.
cinco a cento e oitenta dias, com perda de vencimentos e A atuação vinculada impõe ao administrador a obrigação
vantagens; de conduzir-se rigorosamente em conformidade com os
d) destituição de função; parâmetros legais, diferentemente do poder discricionário,
e) demissão; em que o administrador tem a prerrogativa de decidir qual
f) demissão, a bem do serviço público. a conduta mais adequada à satisfação do interesse público.
Se todos os elementos do ato têm previsão legal, bastará
A pena deverá ser aplicada de acordo com a gravidade para o controle da legalidade. Havendo adequação entre os
do abuso cometido. seus elementos, o ato será válido; se não houver, haverá vício
de legalidade passível de controle pela própria Administração
Sanção Civil (art. 6º, § 2º) ou pelo Poder Judiciário.
A sanção civil será aplicada de acordo com a extensão O controle de legalidade feito pela própria Administração
do dano. pode atingir todos os elementos/requisitos (competência,
forma, finalidade, motivo e objeto) do ato administrativo,
Sanção Penal (art. 6º, § 3º) porém o controle de legalidade feito pelo Poder Judiciário
A sanção penal será aplicada de acordo com as regras do abrange apenas os requisitos que são sempre vinculados
Código Penal e consistirá em: em todos os atos administrativos (competência, forma e
a) multa; finalidade), inclusive naqueles que são discricionários.
b) detenção;
Noções de Direito Administrativo

c) perda do cargo e inabilitação para o exercício de Poder Discricionário


qualquer outra função pública por prazo de até três anos
(quando a autoridade for policial-civil ou militar, poderá ser É a faculdade conferida à autoridade administrativa para,
cominada a pena autônoma ou acessória de não poder o diante de certa circunstância, optar entre várias soluções
acusado exercer funções de natureza policial ou militar no possíveis por aquela que melhor atenda ao interesse público.
município da culpa, por prazo de um a cinco anos). Há um juízo de conveniência e oportunidade86. Ex.: pedido
de porte de armas (a Administração pode ou não deferir o
Poderes Administrativos pedido após analisar o caso).
Acontece que, muitas vezes, a lei não é capaz de traçar
É o conjunto de prerrogativas conferidas aos agentes todas as condutas de um agente público. Por mais que se pro‑
públicos que permitem ao Estado que alcance os seus fins. cure definir elementos que lhe restringem a atuação, é certo
Os poderes administrativos nascem com a Administração que, em algumas situações, a própria lei lhe oferece a opor‑
e constituem-se em instrumentos necessários para atingir a tunidade de avaliar a conveniência e oportunidade dos atos
finalidade do Estado e, por conseguinte, da própria Adminis‑ Assunto cobrado na prova da FCC/TRE-RS/Analista Judiciário/Área Judiciá‑
86

tração, que é o bem comum. ria/2010.

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que vai praticar na qualidade de administrador dos interesses Avocar é chamar a si funções originariamente atribuí­
coletivos. É justamente nessa prerrogativa de valoração que das a um subordinado. Só pode ser adotada pelo superior
se situa o poder discricionário. Conveniência e oportunidade hierárquico e quando houver motivos relevantes para tal
são os elementos nucleares do poder discricionário. (art. 15 da Lei nº 9.784/1999).89
A conveniência indica em que condições vai se conduzir Rever atos de inferiores é apreciá-los em todos os seus
o agente; a oportunidade diz respeito ao momento em que elementos (competência, forma, finalidade, motivo, objeto),
a atividade deve ser produzida, ressaltando-se que essa a fim de mantê-los ou invalidá-los, de ofício ou por provoca‑
liberdade de escolha tem que se conformar com a finalida‑ ção do interessado. A revisão hierárquica é possível enquanto
de, sob pena de não ter sido atingido seu objetivo, que é o o ato não se tornou definitivo para a administração, ou não
interesse coletivo. criou direito subjetivo para o interessado.
A discricionariedade tanto pode concretizar-se no mo‑ c) decidir conflitos de atribuições (choque de competência).
mento em que o ato é praticado, quanto a posteriori, no Não existe hierarquia no judi­ciário e no legislativo em
momento em que a Administração decide por sua revoga‑ suas funções essenciais. A hierarquia é privativa da função
ção87. Entretanto, não pode ser exercida arbitrariamente. executiva.
É  necessário que haja adequação (razoabilidade) entre a
conduta escolhida pelo agente e a finalidade exigida pela Poder Disciplinar
norma. Se a conduta escolhida não está de acordo com a
finalidade da norma, ela é ilegítima e deve ser objeto de É o poder atribuído a autoridades administrativas, com
controle judicial. o objetivo de apurar e punir faltas funcionais90. O poder
Outro fator importante para se evitar o uso indevido da disciplinar não se confunde com o poder punitivo do Esta‑
discricionariedade é a verificação dos motivos inspiradores do por meio da justiça penal. Ele só abrange as infrações
da conduta. Se o agente não permite o exame dos fundamen‑ relacionadas com o serviço91. O poder de aplicar a pena é o
tos de fato ou de direito que basearam sua decisão, haverá, poder‑dever, ou seja, o superior não pode ser condescenden‑
no mínimo, fundada suspeita de má utilização do poder te na punição, ele não pode deixar de punir. É considerada a
discricionário e de desvio de finalidade. Tanto a razoabilidade condescendência, na punição, crime contra a Administração
quanto a verificação dos motivos constituem meios de evitar Pública (art. 320 do Código Penal).
o uso indevido da discricionariedade, possibilitando a revisão O poder disciplinar aplica-se aos servidores públicos
da conduta administrativa no âmbito da própria administra‑ hierarquicamente subordinados, bem como àqueles dota-
ção ou pelo Poder Judiciário. O que se veda ao Judiciário é dos de autonomia funcional.92
apenas a aferição da conveniência e oportunidade firmados A doutrina aponta o poder disciplinar como discricio‑
em parâmetros legais; a ilegalidade sempre será passível de nário, o que deve ser entendido em seus devidos termos.
sua revisão (art. 5º, XXXV, da CF). A Administração não tem liberdade de escolha entre punir e
não punir, a discricionariedade está justamente na natureza
Súmula nº 346, 1963/STF: A Administração Pública e gravidade da penalidade a ser aplicada.
pode declarar a nulidade dos seus próprios atos. Por outro lado, no mesmo diploma legal, temos casos
vinculados, afirmando expressamente os casos em que será
Súmula nº 473, 1969/STF: A Administração pode aplicada a penalidade de demissão:
anular seus próprios atos, quando eivados de vícios É certo que a discricionariedade existe, mas é limita‑
que os tornam ilegais, porque deles não se originam da, uma vez que nenhuma penalidade pode ser aplicada
direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência sem prévia apuração por meio de procedimento legal,
ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, sem a devida motivação (art. 128, parágrafo único, da Lei
e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial. nº 8.112/1990)93 e sem os meios que lhe assegurem o con‑
traditório e a ampla defesa (art. 5º, LV, da CF).94
Poder Hierárquico
Poder Regulamentar (ou Normativo)
É o poder por meio do qual “os órgãos e respectivas
funções são escalonados numa relação de subordinação É o poder conferido aos Chefes do Executivo para editar
e de crescente responsabilidade”88. Do poder hierárquico decretos e regulamentos com a finalidade de oferecer fiel
decorrem faculdades para o superior, tais como: execução à lei, ou completá‑las, se for o caso95. Decorre de
a) Dar ordens e fiscalizar seu cumprimento: dar ordens é disposição constitucional (art. 84, IV, CF/1988). Por viabilizar
determinar, especificamente, aos subordinados os atos que sua execução, ao poder regulamentar não cabe contrariar
devem praticar ou a conduta a ser seguida em caso concreto; a lei, sob pena se sofrer invalidação. Seu exercício somente
fiscalizar é vigiar permanentemente os atos praticados pelos pode dar‑se em conformidade com o conteúdo da lei e nos
subordinados, com o intuito de mantê-los dentro dos pa‑ limites que ela impuser.
Noções de Direito Administrativo

drões legais regulamentares instituídos para cada atividade No poder de chefiar a Administração, o poder de regu‑
administrativa. Impõe ao administrado obediência, sob pena lamentar a lei e suprir com normas próprias as omissões do
de responsabilização. Legislativo (desde que esteja no âmbito de sua competência)
b) Delegar e avocar atribuições e rever atos dos inferiores: faz‑se necessário, uma vez que a imprevisibilidade de certos
delegar é conferir a outrem atribuições que originariamente fatos e circunstâncias, que surgem, reclamam providências
competem ao delegante. As  delegações são admissíveis,
desde que expressamente prevista em lei. No âmbito admi‑ 89
Assunto cobrado na prova do Cespe/TRT 1ª Região/Juiz do Trabalho Substituto
nistrativo, as delegações são frequentes e, como emanam – I/2010.
90
Assunto cobrado na prova da FCC/TRE-RS/Analista Judiciário/Área Judiciá‑
do poder hierárquico, não podem ser recusadas pelo subor‑ ria/2010.
dinado. Não podem ser objeto de delegação as atribuições 91
FCC/TCE-SP/Auditor/2013.
de caráter exclusivo do órgão ou da autoridade. (Art. 13, I, 92
FCC/Tribunal de Contas-RO/Auditor/Substituto de Conselheiro/2010.
93
Assunto cobrado na prova do Cespe/TRT 1ª Região/Juiz do Trabalho Substituto
da Lei nº 9.784/1999). – I/2010.
94
Assunto cobrado na prova do Cespe/TRT 1ª Região/Juiz do Trabalho Substituto
Cespe/AJ/CNJ/Analista Judiciário/Área Administrativa/2013.
87
– I/2010.
Assunto cobrado na prova da FCC/TRE-RS/Analista Judiciário/Área Judiciá‑
88 95
Assunto cobrado nas seguintes provas: FCC/TCE-SP/Auditor/2013 e FCC/TRE-RS/
ria/2010. Analista Judiciário/Área Judiciária/2010.

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imediatas da Administração, impondo aos Chefes do Executi‑ A competência para exercer o poder de polícia é, em prin‑
vo o poder de regulamentar, por meio de decreto, as normas cípio, da pessoa federativa (arts. 21, 22, 25 e 30 da CF) à qual
legislativas incompletas, ou de prover situações não previstas a Constituição Federal atribuiu o poder de regular a matéria
pelo legislador, mas que ocorrem na prática administrativa. (poder de polícia originário), ou seja, os assuntos de interesse
Tal poder compreende a edição de decretos autônomos, nacional ficam sujeitos a regulamentação e a policiamento
restringindo-se estes às hipóteses decorrentes de exercício da União; as matérias de interesse regional sujeitam-se às
de competência própria, outorgada diretamente pela normas e à polícia estadual; e os assuntos de interesse local
Constituição.96 subordinam-se às normas e à polícia municipal. Aquelas
O regulamento é ato administrativo geral e normativo, em que a competência for concorrente ensejam o exercício
expedido privativamente pelos Chefes do Executivo, por conjunto do poder de polícia (art. 24 da CF).
meio de decreto, com o fim de explicar o modo e forma Por fim, o poder de polícia pode ser originário ou dele‑
de execução da lei (regulamento de execução) ou prover gado. O poder de polícia originário é, conforme visto acima,
situações não disciplinadas em lei (regulamento autônomo aquele exercido pelas pessoas federativas; nascem com
ou independente). elas. Já o poder de polícia delegado é aquele outorgado às
Na omissão da lei o regulamento supre a lacuna, até que pessoas administrativas do Estado, integrantes da chamada
o legislador a complete. Enquanto não fizer, o regulamento Administração Indireta. Cabe ressaltar que a doutrina, em
tem plena validade, desde que não invada matéria reservada sua maioria, não admite a delegação do poder de polícia
à lei. a pessoas da iniciativa privada, ainda que prestadores de
Caso contrário, quando a lei trouxer a recomendação de serviços de titularidade do Estado, porque o poder de im‑
ser regulamentada, ela não será exequível antes da expe‑ pério é próprio e privativo do Poder Público. Nesse sentido,
dição do decreto regulamentar. Caso a lei estabeleça prazo temos o disposto no art. 4º, III, da Lei nº 11.079, que regula
para a expedição da regulamentação, decorrido este sem a as denominadas parcerias público-privadas:
publicação do decreto, os destinatários da norma podem
invocar seus preceitos e auferir todas as vantagens dela Art. 4º Na contratação de parceria público-privada
decorrentes. Todavia, se o regulamento for imprescindível serão observadas as seguintes diretrizes:
para a execução da lei, o beneficiário poderá utilizar‑se de [...]
mandado de injunção para obter a norma regulamentadora III – indelegabilidade das funções de regulação, juris‑
(art. 5º, LXXI). dicional, do exercício do poder de polícia e de outras
Cabe ao Congresso Nacional sustar os atos normativos atividades exclusivas do Estado.
dos Chefes do Executivo que exorbitem do poder regula‑
mentar97 (art. 49, V, da CF). O que autoriza o Poder Público a condicionar ou res‑
Há também outros atos normativos que, editados por tringir o exercício de direitos e a atividade dos parti­culares
outras autoridades administrativas, se caracterizam como é a supremacia do interesse público sobre o interesse
inseridos no poder regulamentar. É o caso de instruções particular; eis a sua finalidade (razão) e o seu fundamento.
normativas, resoluções, portarias, regimento, entre outros. A finalidade do poder de polícia é o interesse coletivo e o seu
Tais atos têm um círculo de aplicação mais restrito. fundamento está na supremacia geral que o Estado exerce
em seu território sobre todas as pessoas, bens e atividades,
Poder de Polícia supremacia que se revela nos mandamentos constitucionais
e nas normas de ordem pública, que a cada passo opõem
É o poder conferido à Administração para condicionar, condicionamentos e restrições aos direitos individuais em
restringir, frenar o exercício de direitos e atividades dos favor da coletividade, incumbindo ao Poder Público o seu
particulares em nome dos interesses da coletividade. Essa policiamento administrativo.
é uma definição construída pela doutrina. Existe, no entan‑
to, uma definição legal do poder de polícia que também Finalidade
surge como fato gerador do gênero tributo, a taxa. Está A finalidade do poder de polícia é a proteção ao interesse
prevista nos arts. 77 e 78, do Código Tributário Nacional (Lei público no seu sentido mais amplo. Nesse interesse superior
nº 5.172/1966), que assim dispõem: da coletividade, entram não só os valores materiais como,
Art. 77. As taxas cobradas pela União, pelos Estados, também, o patrimônio moral e espiritual do povo, expresso
pelo Distrito Federal ou pelos Municípios, no âmbi‑ na tradição, nas instituições e nas aspirações nacionais da
to de suas respectivas atribuições, têm como fato maioria que sustenta o regime político adotado e consagra‑
gerador o exercício regular do poder de polícia, ou do na Constituição e na ordem jurídica vigente. Desde que
a utilização, efetiva ou potencial, de serviço público ocorra um interesse púbico relevante, justifica-se o exercício
específico e divisível, prestado ao contribuinte ou do poder de polícia da Administração para a contenção de
atividades particulares antissociais.
Noções de Direito Administrativo

posto à sua disposição.


Art. 78. Considera-se poder de polícia atividade da
administração pública que, limitando ou disciplinan‑ Condições de Validade
do direito, interesse ou liberdade, regula a prática As condições de validade do ato de polícia são as mes‑
de ato ou abstenção de fato, em razão de interesse mas do ato administrativo comum: a competência, a finali‑
público concernente à segurança, à higiene, à ordem, dade e a forma, acrescidas da proporcionalidade da sanção
aos costumes, à disciplina da produção e do mercado, e da legalidade dos meios empregados pela Administração.
ao exercício de atividades econômicas dependentes A competência, a finalidade e a forma são condições
de concessão ou autorização do Poder Público, à tran‑ gerais de eficácia de todo ato administrativo, a cujo gênero
quilidade pública ou ao respeito à propriedade e aos pertence a espécie ato de polícia.
direitos individuais ou coletivos. A proporcionalidade entre a restrição imposta pela
Administração e o benefício social que se tem em vista
constitui requisito específico de validade do ato de polícia,
96
FCC/Tribunal de Contas-RO/Procurador do Ministério Público Junto ao Tribunal como também a correspondência entre a infração cometida
de Contas/2010.
97
Assunto cobrado nas seguintes provas: Cespe/TRT 1ª Região/Juiz do Trabalho
e a sanção aplicada, quando se tratar de medida punitiva.
Substituto – I/2010 e FCC/TRE-RS/Analista Judiciário/Área Judiciá­ria/2010. Sacrificar um direito ou uma liberdade do indivíduo sem

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A sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição é vedada, sujeitando-se aos infratores à responsabilidade civil e criminal.
vantagem para a coletiva invalida o fundamento social do pelas características aqui estudadas, referente ao pode de
ato de polícia, pela desproporcionalidade da medida. Des‑ polícia.
proporcional também é o ato que aniquila a propriedade
ou a atividade a pretexto de condicionar o uso do bem ou Polícia Administrativa X Polícia Judiciária
de regular a profissão. O poder de polícia pode ser exercido de duas formas
Já a legalidade dos meios empregados pela Administra‑ distintas: a polícia administrativa e a polícia judiciária. Antes
ção é o último requisito para a validade do ato de polícia. de traçar as diferenças entre cada um desses setores, cabe
Na escolha do modo de efetivar as medidas de polícia, não ressaltar que ambos se enquadram no âmbito da função
se compreende o poder de utilizar meios ilegais para sua administrativa, ou seja, representam atividades de gestão
consecução, embora lícito e legal o fim pretendido. de interesses públicos.
A polícia administrativa é atividade da Administração
Liberdades Públicas e Poder de Polícia que se exaure em si mesma, ou seja, inicia e se completa no
O exercício dos direitos individuais deve ser compatí‑ âmbito da função administrativa, e é executada por órgãos
vel com o bem estar-social ou com o próprio interesse da administrativos de caráter mais fiscalizador. O mesmo não
Administração Pública. Por vezes, os direitos individuais ocorre com a polícia judiciária, que, embora seja atividade
encontram-se plenamente delineados na lei, outras vezes, administrativa, prepara a atuação da função jurisdicional e
cabe à Administração Pública, nos limites legais, reconhecê‑ é executada por órgãos de segurança.
-los e aplicá-los ao caso concreto. O objeto do poder de polícia administrativa é todo bem,
Convém destacar, todavia, que cabe ao Poder Legislati‑ direito ou atividade individual que possa afetar a coletivi-
vo criar as limitações administrativas, porém sua aplicação dade ou pôr em risco a segurança nacional.98
concreta compete à Administração Pública que determinará, Alguns doutrinadores tentam atribuir como traço mar‑
segundo as circunstâncias. cante para a polícia administrativa atuar preventivamente e
Desse modo, a Administração Pública regulamenta as para a polícia judiciária agir repressivamente. Essa afirmação,
leis e controla sua aplicação, por meio de ordens, licenças, entretanto, não é absoluta, pois as duas podem agir das
autorizações e notificações, agindo de forma repressiva ou duas formas.
preventiva. Senão vejamos:
Segundo Celso Antônio Bandeira de Mello, há o poder A polícia administrativa age preventivamente, quando,
de polícia em sentido amplo, sendo uma atividade estatal, por exemplo, visita um estabelecimento comercial e orienta
abrangendo tanto os atos do Legislativo quanto do Executivo, os comerciantes quanto à proibição de expor à venda produ‑
que condicionam a liberdade e a propriedade, se ajustando tos impróprios para o consumo, mas na maioria das vezes a
aos interesses coletivos, e o conceito de poder de polícia em vemos agindo repressivamente, geralmente motivada por
sentido restrito, que compreende apenas atos do Poder Exe‑ denúncia, pois quando chega ao estabelecimento já se depa‑
cutivo, sendo destinado a alcançar o mesmo fim de prevenir ra com mercadorias sendo vendidas sem a higiene adequada,
e obstar ao desenvolvimento de atividades particulares que devendo então proceder à apreensão da mercadoria, à apli‑
contrastam com os interesses sociais, relacionando-se, assim, cação de multa e a interdição da atividade, chegando até
unicamente com as intervenções quer gerais e abstratas, mesmo a fechar o estabelecimento no caso de reincidência.
como os regulamentos, quer concretas e específicas, como Já a polícia judiciária, em regra, age repressivamente,
as autorizações, licenças e injunções. investigando delitos cometidos e aplicando a devida sanção,
mas também pode atuar preventivamente, por exemplo,
Principais Setores de Atuação da Polícia quando faz policiamento de rotina em locais de risco,
Administrativa evitando‑se assim a prática de futuros crimes.
A polícia administrativa manifesta-se em diferentes se‑ Provada a impropriedade da referida aplicação, procedere‑
tores: mos a uma diferenciação que não deixa margem para dúvidas:
• Polícia de caça: destina-se à proteção da fauna ter‑
restre. Polícia Administrativa X Polícia Judiciária
• Polícia de pesca: destinada à proteção da fauna aquá‑
Atua sobre bens, direitos e X Atua sobre pessoas.
tica.
atividades.
• Polícia de divertimentos públicos: visando à defesa
dos valores sociais suscetíveis de serem feridos por Direito Administrativo. X Direito Penal/Proces­
espetáculos teatrais, cinematográficos. sual112.
• Polícia de pesos e medidas: para a fiscalização dos Inicia e encerra sua atividade X Inicia na Administração
padrões de medida, em defesa da economia popular. na Administração. e prepara a atuação dos
• Polícia de tráfego e trânsito: para garantia da ordem órgãos jurisdicionais.
Noções de Direito Administrativo

e segurança nas vias e rodovias, afetável por motivo Ex.: qualquer setor onde as É privativa de corporações
de circulação nelas. normas de polícia se fazem especializadas (Polícia Civil
• Polícia dos logradouros públicos: destinada à proteção sentir: Polícia de trânsito, Po‑ e Militar).
da tranquilidade pública. lícia sanitária, Polícia de pesca,
• Polícia sanitária: voltada à defesa da saúde pública e até a própria Polícia Militar.
99
incidente em vários campos, como a polícia de me‑
Abrangência do Poder de Polícia
dicamentos, das condições de higiene nas casas de
O seu âmbito de incidência é amplo. Pode‑se dizer que
pasto, dos índices acústicos toleráveis.
onde houver relevante interesse da coletividade, ou até mes‑
• Polícia da atmosfera e das águas: para impedir suas
mo do Poder Público, há de haver o poder de polícia para dar
respectivas poluições.
provimento a tais interesses. Ocorre, por exemplo, quando
• Polícia edilícia: relativa às edificações, entre outras.
atuar sobre o direito da livre manifestação do pensamento,
Note que todos os setores acima citados são apenas
exemplificativos, outros, portanto existem. O importante, Cespe/CNJ/Analista Judiciário/Área Judiciária/2013.
98

Assunto cobrado na prova da FCC/TRT 9ª Região/Analista Judiciário/Área


99
entretanto, é saber que todos esses campos estão marcados Administrativa/2010.

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na intervenção da propriedade, no combate ao abuso do antissocial que ela visa impedir101. Se o particular se sentir
poder econômico, a esta ou aquela liberdade, entre outros. prejudicado em seus direitos, poderá reclamar, pela via
adequada, ao Judiciário, que intervirá oportunamente para
Limites do Poder de Polícia a correção de eventual ilegalidade administrativa ou fixação
O exercício do poder de polícia encontra limites no pró‑ da indenização que for cabível. A autoexecutoriedade auto‑
prio princípio da legalidade, uma vez que o setor encarregado riza a prática do ato de polícia administrativa pela própria
de exercer o poder deve ter regulamentação legal, embora administração, independentemente de mandado judicial.
os atos materiais e administrativos em sua maioria guardem A multa de trânsito é uma exceção à regra da autoexecu‑
boa dose de discricionariedade. toriedade. Para ser executada, deverá aguardar o prazo para
Outro aspecto, no que concerne aos limites do poder de a defesa de quem foi multado, e sua execução só poderá ser
polícia, diz respeito aos requisitos de validade: competência, efetivada pela via judicial.
forma e finalidade, que são requisitos vinculados em todos os
atos administrativos e surgem como limites para o exercício Coercibilidade
do poder de polícia. Quanto aos requisitos que podem ser Implica a imposição coativa das medidas ou decisões
discricionários, motivo e objeto, deverão sempre atender ao adotadas pela Administração ao administrado, admitindo o
princípio da proporcionalidade dos meios empregados, ou emprego da força – se houver oposição do infrator – dentro
seja, adequação e necessidade entre a restrição imposta e o dos limites da legalidade.
benefício coletivo que será colhido com tal medida. Não existe ato de polícia facultativo para o particular,
Alguns doutrinadores costumam indicar regras a serem todos eles admitem a coerção estatal para torná-los efetivos,
observadas pela polícia administrativa, com o fim de não e essa coerção também independe de autorização judicial.
eliminar os direitos individuais: É a própria Administração que determina e faz executar
as medidas de força necessárias para a execução do ato ou
Necessidade O poder de polícia só deve ser adotado aplicação da penalidade administrativa resultante do exer‑
para evitar ameaças reais ou prováveis cício do poder de polícia. A coercibilidade do ato de polícia
de perturbação ao interesse público. justifica o emprego da força física quando houver oposição
do infrator, mas não legaliza a violência desnecessária ou des‑
Proporcionalidade É a exigência de uma relação entre
proporcional à resistência, que em tal caso pode caracterizar
a limitação ao direito individual e o
o excesso de poder e o abuso de autoridade nulificadores do
prejuízo a ser evitado.
ato praticado e ensejadores das ações civis e criminais para
Eficácia A medida deve ser adequada para reparação do dano e punição dos culpados.
impedir o dano ao interesse público. Há doutrinadores que sustentam outro atributo:
É por isso que os meios diretos de coação só devem ser
utilizados quando não houver outro meio eficaz para alcançar Atividade negativa – É atividade negativa no sentido de que
o mesmo objetivo; se forem desproporcionais ou excessivos sempre impõe uma abstenção ao particular; uma obrigação
deverão ser invalidados. de não fazer (BANDEIRA DE MELO, 2008, p.817).

Atributos do Poder de Polícia Meios de Atuação


O poder de polícia possui três atributos específicos e No exercício do poder de polícia, a Administração age,
inerentes ao seu exercício: preventivamente, não só por meio de ordens e proibições,
mas, sobretudo, por meio de normas limitadoras e sancio‑
Discricionariedade nadoras da conduta daqueles que utilizam bens ou exercem
No poder de polícia, a discricionariedade traduz‑se na atividades que possam afetar a coletividade, estabelecendo
opção legítima que a Administração Pública tem de escolher as denominadas limitações administrativas (obrigação de
o melhor momento para agir, o meio de atuação necessário e fazer, de não fazer, deixar fazer; suportar).
a sanção que mais se enquadra para atingir o fim colimado. Para tanto, o  Poder Público edita leis e os órgãos
Cabe ressaltar que o ato de polícia é, em princípio, executivos expedem regulamentos e instruções fixando
discricionário, mas passará a ser vinculado se a norma as condições e requisitos para o uso da propriedade e o
legal que o rege estabelecer o modo e a forma de sua exercício das atividades que devam ser policiadas. Após as
rea­lização100. Nesse caso, a autoridade só poderá praticá-lo verificações necessárias, é outorgado o respectivo alvará de
validamente atendendo a todas as exigências da lei ou do licença ou autorização.
regulamento pertinente. Não se confunde discricionarie‑ Os alvarás de licença ou autorização são denominados
Noções de Direito Administrativo

dade com arbitrariedade. Discricionariedade é liberdade na doutrina de atos de consentimento da Administração


de agir dentro dos limites legais; arbitrariedade é ação (atos concretos), ou seja, representam a resposta positiva
fora ou excedente da lei, com abuso ou desvio de poder da Administração Pública aos pedidos formulados pelos
(desvio de finalidade). indivíduos que tenham interesse em exercer determinada
atividade que dependa do referido consentimento para ser
Autoexecutorie­dade considerada legítima.
É prerrogativa que tem a Administração Pública de exe‑ Convém, entretanto, estabelecermos a diferença entre
cutar o ato, por seus meios próprios, sem a necessidade de alvará de licença e alvará de autorização.
intervenção do Poder Judiciário. Com efeito, no uso desse O alvará de licença é ato vinculado e, como regra, defi‑
poder, a Administração impõe diretamente as medidas ou nitivo. Consubstancia um direito subjetivo do requerente e
sanções de polícia administrativa necessárias à contenção deve ser expedido desde que satisfeitas todas as exigências
estabelecidas nas normas. Só pode ser anulado por ilegalida‑
Assunto cobrado nas seguintes provas: FCC/TRT 9ª Região/Analista Judiciário/
100

Área Administrativa/2010 e FCC/TRT 9ª Região/Analista Judiciário/Área Admi‑ Assunto cobrado na prova da FCC/TRT 9ª Região/Analista Judiciário/Área
101

nistrativa/201030. Administrativa/2010.

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de na sua expedição; revogado por interesse público super‑ Em razão da amplitude do conceito, inúmeros são os
veniente, devidamente justificado e mediante indenização critérios adotados pela doutrina para identificar as espécies
caso já iniciadas as obras; ou cassado por descumprimento de controle.
das normas legais na sua execução. Como exemplo, temos
o alvará para construção; satisfeitas as normas edilícias, Espécies de Controle
necessariamente deve ser expedido.
Já o alvará de autorização constitui ato discricionário e Quanto à Extensão do Controle
precário. A Administração o concede por liberalidade e desde
que não haja impedimento legal para a sua expedição. Por Interno
sua vez, pode ser revogado a qualquer momento e sem in‑ É todo aquele realizado pela entidade ou órgão respon‑
denização. Como exemplo, temos o uso de um bem público, sável pela atividade controlada, no âmbito de sua própria
a autorização para compra de arma de fogo e também para administração.
o seu porte. (Art. 4º e 10 da Lei nº 10.826/2003).
Além dos atos normativos e dos atos concretos (atos de Externo
consentimento), a Administração pode manifestar-se por meio Ocorre quando o órgão fiscalizador se situa em Admi‑
de atos de fiscalização. De nada adiantaria a ela poder impor nistração diversa daquela de onde a conduta administrativa
restrições aos indivíduos se não dispusesse de mecanismos se originou.
necessários à fiscalização de suas condutas. Essa fiscalização
restringe-se à verificação da normalidade do uso do bem pú‑ Externo Popular
blico ou da atividade policiada, ou seja, se a sua utilização ou É o que determina que as contas públicas fiquem durante
realização condiz com estabelecido no respectivo alvará. Caso sessenta dias, anualmente, à disposição de qualquer contri‑
se depare com irregularidade ou infringência legal, é inevitável buinte, para exame e apreciação, podendo ser questionada
que o agente fiscalizador imponha ao administrado alguma por meio de mandado de segurança ou ação popular.
obrigação de fazer ou de não fazer ou aplique-lhe uma sanção,
que deverá ser formalizada por meio do respectivo auto de Quanto ao Momento em que se Efetua
infração constando a sanção cabível para oportuna execução
pela própria Administração, salvo nos casos de multa, que só Prévio ou Preventivo
poderá ser executada por via judicial. É o controle exercido antes de consumar‑se a conduta
administrativa, como ocorre, por exemplo, com aprovação
Sanções prévia, por parte do Senado Federal, do Presidente e de
Como sanções decorrentes de atos de fiscalização do Diretores do Banco Central.
poder de polícia, temos a multa, a demolição de construção, A necessidade de obtenção de autorização do Senado
a interdição de atividade, a destruição de coisa, a inutilização Federal para que os estados possam contrair empréstimos
de bens privados, a cassação de patentes, a proibição de fa‑ externos configura controle preventivo da administração
bricar produtos e tudo o mais que houver de ser impedido em pública.102
defesa da moral, da saúde e da segurança pública, bem como
da segurança nacional, ou seja, em benefício do interesse Concomitante
coletivo,desde que estabelecidos em lei ou regulamento. Acompanha a situação administrativa no momento em
Essas sanções, por ser o ato de polícia autoexecutável, que ela se verifica. É o que ocorre, por exemplo, com a fis‑
são impostas e executadas pela própria Administração em calização de um contrato em andamento.
procedimentos administrativos compatíveis com as exigên‑
cias do interesse público. Posterior ou corretivo
O que se requer é a legalidade da sanção e a proporcio‑ Tem por objetivo a revisão de atos já praticados, para
nalidade à infração cometida ou ao dano que a atividade corrigi‑los, desfazê‑los ou, somente, confirmá‑los. Abrange
causa à coletividade ou ao próprio Estado. atos como os de aprovação, homologação, anulação, revo‑
Na esfera federal a Lei nº 9.873/1999 (art. 1º), estabelece gação ou convalidação.
o prazo prescricional de cinco anos para a Administração
apurar infrações no exercício do poder de polícia: Quanto à Natureza do Controle
A prescrição também incide no procedimento administra‑
tivo parado por mais de três anos, pendente de julgamento Legalidade
ou despacho (§1º do art. 1º da Lei nº 9.873/1999). É o que verifica a conformidade da conduta administrativa
Todavia, quando o fato constituir crime, a prescrição reger‑ com as normas legais que a regem. Vale dizer que a Admi‑
Noções de Direito Administrativo

-se-á pelo Código Penal (§2º do art. 1º da Lei nº 9.873/1999). nistração exercita‑o de ofício (controle interno) ou mediante
Por fim, importante saber que o disposto nessa lei não provocação (controle externo); o Legislativo só o efetiva nos
se aplica a infrações de natureza funcional nem tributária. casos constitucionalmente previstos (art. 71 da CF); e o Judi‑
(§ 5º do art. 1º da Lei nº 9.873/1999) ciário por meio da ação adequada. Por esse controle, o ato
ilegal e ilegítimo somente pode ser anulado, e não revogado.
CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
BRASILEIRA Mérito
É o que se consuma pela verificação da conveniência e
Conceito da oportunidade da conduta administrativa. A competência
para exercê‑lo é da Administração, e, em casos excepcionais,
Ora aparece como o poder/dever de fiscalização e revi‑ expressos na Constituição, ao Legislativo (art. 49, IX e X), mas
são, ora aparece como a faculdade de vigilância, orientação nunca ao Judiciário.
e correção que um Poder, órgão, ou autoridade exerce sobre
a conduta funcional de outro.
Cespe/TRE-MS/Analista Judiciário/Área Judiciária/2013.
102

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A sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição é vedada, sujeitando-se aos infratores à responsabilidade civil e criminal.
Quanto ao Órgão que o Exerce que outro seja proferido com ou sem a aplicação da
súmula, conforme o caso (art. 103‑A da CF).
No exercício de suas funções, a administração pública se – Pedido de Reconsideração: solicitação de reexame
sujeita ao controle dos Poderes Legislativo e Judiciário, além dirigida à mesma autoridade que praticou o ato.
de exercer, ela mesma, o controle sobre os próprios atos.103 – Recurso Hierárquico Próprio: por decorrer da hie‑
rarquia, deve ser dirigido à autoridade ou instância
Controle Administrativo superior do mesmo órgão administrativo em que foi
É exercido pelo Executivo, mas também pode ser praticado o ato (Lei nº 9.784/1999).
exercido pelos órgãos administrativos do Legislativo e do – Recurso Hierárquico Impróprio: dirigido à autoridade
Judiciário, sob os aspectos de legalidade e mérito, por ou órgão estranho à repartição que expediu o ato
iniciativa própria (autotutela) ou mediante provocação.104 recorrido, mas com competência julgadora expres‑
sa107. Ocorre esse tipo de recurso impróprio no caso
Meios de Controle da reclamação administrativa, proposta perante o
• Fiscalização Hierárquica – É a exercida pelos órgãos Supremo Tribunal Federal, pois é órgão diverso do
superiores sobre os inferiores integrantes da mesma qual a decisão foi emanada.
Administração. É meio de controle inerente ao poder – Revisão: é o recurso de que se utiliza o servidor
hierárquico (autotutela).105 público, punido pela Administração, para reexame
• Supervisão Ministerial  – Aplicável geralmente nas da decisão, em caso de surgirem fatos novos ou
entidades de administração indireta vinculadas a circunstâncias relevantes suscetíveis de justificar a
um Ministério (Decreto‑Lei nº 200/1967, art. 19). inadequação da sanção aplicada ou de demonstrar a
Observe‑se que supervisão não é a mesma coisa que sua inocência (art. 65 da Lei nº 9.784/1999 e art. 174
subordinação, trata‑se de controle finalístico (tutela). da Lei nº 8.112/1990).108
A tutela corresponde ao controle exercido pela Admin-
istração sobre entidade integrante da Administração Prescrição Administrativa
indireta, com o objetivo de garantir a observância de Significa a perda do prazo, diferente da decadência, que
suas finalidades institucionais.106 é a perda do direito. Administrativamente, pode ser, entre
• Recursos Administrativos  – São meios hábeis que outros, a perda do prazo para recorrer da decisão adminis‑
podem ser utilizados para provocar o reexame do ato
trativa; a perda do prazo para a Administração rever seus
administrativo, pela própria Administração Pública. Em
próprios atos; a perda do prazo para aplicação de penalida‑
regra, o efeito é devolutivo, ou seja, devolve o exame
des administrativas.
da matéria à autoridade competente para decidir. Se
for suspensivo, deve estar previsto em lei, pois, como
Coisa Julgada Administrativa
o próprio nome já diz, suspende os efeitos do ato até
Significa apenas que a decisão se tornou irretratável
a decisão do recurso, podendo ser atacado pelas vias
pela própria Administração, podendo ser revista pelo Poder
judiciais somente se ocorrer omissão.
Judiciário.
Nesse sentido:
Controle Legislativo
É o exercido pelos órgãos legislativos ou por Comis‑
Súmula nº 429/STF: A existência de recurso adminis‑
sões Parlamentares sobre determinados atos do Poder
trativo com efeito suspensivo não impede o uso do
mandado de segurança contra omissão da autoridade. Executivo.109

• Direito de Petição – É o direito que toda pessoa tem, pe‑ Meios de Controle
rante a autoridade administrativa competente, de defender • Controle Político – Tem por base a possibilidade de
seus direitos ou noticiar ilegalidade ou abuso de autoridade fiscalização sobre atos ligados à função administrativa
pública (art. 5º, XXXIV, da CF). Dentro do direito de petição, e organizacional do Poder Executivo e do Poder Judi‑
encontramos os seguintes recursos: ciário. A instauração de CPIs, a oitiva de testemunhas
– Representação: constitui‑se em denúncia de irregu‑ e indiciados, a competência do Congresso Nacional
laridades feita perante a própria Administração, o Tri‑ para sustar os atos do Poder Executivo que exorbitem
bunal de Contas ou outros órgãos de controle, como do poder regulamentar ou dos limites de delegação
o Ministério, por exemplo. Quando for representação legislativa (art. 49, V, da CF) e outros procedimentos
por abuso de autoridade, aplica‑se o disposto na Lei apuratórios fazem parte do rol do controle político do
Poder Legislativo (art. 58, § 3º, da CF).
Noções de Direito Administrativo

nº 4.898/1995.
– Reclamação administrativa: oposição expressa a atos • Controle financeiro – É o controle exercido pelo Con‑
da Administração que afetem direitos ou interesses gresso Nacional, com o auxílio do Tribunal de Contas da
legítimos do interessado. Está prevista no Decreto União, sobre os atos do Executivo e do Judiciário (controle
nº 20.910/1932. Caberá reclamação administrativa, externo) e sobre sua própria administração (controle
perante o Supremo Tribunal Federal, quando ato admi‑ interno) no que se refere à gestão dos recursos públicos.
nistrativo contrariar enunciado de súmula vinculante ou
que indevidamente a aplicar. Se a reclamação for julgada Áreas fiscalizadas: contábil, financeira, orçamentária,
procedente, anulará o ato administrativo e determinará operacional e patrimonial da União e das entidades da admi‑
nistração direta e indireta quanto à legalidade, legitimidade,
103
Cespe/TRE-MS/Técnico Judiciário/Área Administrativa/2013.
104
Assunto cobrado nas seguintes provas: FCC/TRE-RS/Analista Judiciário/Área 107
Assunto cobrado na prova da FCC/Procuradoria Geral do Estado do Amazonas/
Judiciária/2010 e FCC/TRT 9ª Região/Analista Judiciário/Área Judiciária/Analista Procurador do Estado de 3ª Classe/2010.
Judiciário/Área Judiciária/Execução de Mandatos/2010. 108
Assunto cobrado na prova da FCC/TRE-Acre/Técnico Judiciário/Área Adminis‑
105
Assunto cobrado na prova do Cespe/TRE-MS/Analista Judiciário/Área Adminis‑ trativa/2010.
trativa/2013. 109
Assunto cobrado na prova da FCC/TRT 9ª Região/Analista Judiciário/Área
106
FCC/TCE-SP/Auditor/2013. Judiciária/Analista Judiciário/Área Judiciária/Execução de Mandatos/2010.

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A sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição é vedada, sujeitando-se aos infratores à responsabilidade civil e criminal.
economicidade, aplicação das subvenções e renúncia de VIII – aplicar aos responsáveis, em caso de ilegalidade
receitas (art. 70 da CF). de despesa ou irregularidade de contas, as sanções
previstas em lei, que estabelecerá, entre outras comi‑
Subvenções Valores repassados pelo Poder Público para subsídio e nações, multa proporcional ao dano causado ao erário;
incremento de atividades de interesse social, tais como IX – assinar prazo para que o órgão ou entidade adote
assistência social, hospitalar e educacional.
as providências necessárias ao exato cumprimento
Renúncia de Por meio da renúncia fiscal (perdão de dívidas). da lei, se verificada ilegalidade;
receitas
X  – sustar, se não atendido, a  execução do ato
impugnado, comunicando a decisão à Câmara dos
Abrangência do Controle
Deputados e ao Senado Federal;
O controle abrange não só os Poderes Constitucionais,
XI – representar ao Poder competente sobre irregula­
mas qualquer pessoa física ou jurídica, pública ou privada,
ridades ou abusos apurados.
que utilize, arrecade, guarde, gerencie ou administre dinhei‑
§  1º No caso de contrato, o  ato de sustação será
ro, bens e valores públicos ou pelos quais a União responda, adotado diretamente pelo Congresso Nacional,
ou que, em nome desta, assuma obrigações de natureza que solicitará, de imediato, ao  Poder Executivo as
pecuniária (art. 70, parágrafo único, da CF). medidas cabíveis.
As Atribuições dos Tribunais de Contas § 2º Se o Congresso Nacional ou o Poder Executivo, no
No controle externo da administração financeira, orça‑ prazo de noventa dias, não efetivar as medidas previs‑
mentária e da gestão fiscal é que se inserem as principais tas no parágrafo anterior, o Tribunal decidirá a respeito.
atribuições dos nossos Tribunais de Contas, como órgãos in‑ § 3º As decisões do Tribunal de que resulte imputação
dependentes, mas auxiliares dos Legislativos e colaboradores de débito ou multa terão eficácia de título executivo.
§ 4º O Tribunal encaminhará ao Congresso Nacional,
dos Executivos. A Constituição Federal elencou, no art. 71,
trimestral e anualmente, relatório de suas atividades.
as atribuições dos Tribunais de Contas da União. São elas:
Art.  71. O  controle externo, a  cargo do Congresso Salvo no tocante ao controle da gestão fiscal e na forma
Nacional, será exercido com o auxílio do Tribunal de da Lei Complementar nº 101/2000, a atuação dos Tribunais
Contas da União, ao qual compete: de Contas deve ser a posteriori, não tendo apoio constitu‑
I  – apreciar as contas prestadas anualmente pelo cional qualquer controle prévio sobre atos ou contratos da
Presidente da República, mediante parecer prévio Administração direta ou indireta, nem sobre a conduta de
que deverá ser elaborado em sessenta dias a contar particulares que tenham gestão de bens ou valores públicos,
de seu recebimento; salvo as inspeções e auditorias in loco, que podem ser rea‑
II  – julgar as contas dos administradores e demais lizadas a qualquer tempo.
responsáveis por dinheiros, bens e valores públicos As atividades dos Tribunais de Contas expressam-se
da administração direta e indireta, incluídas as funda‑ fundamentalmente em funções técnicas opinativas, verifi‑
ções e sociedades instituídas e mantidas pelo Poder cadoras, assessoradoras e jurisdicionais administrativas, de‑
sempenhadas simetricamente tanto pelo Tribunal de Contas
Público federal, e  as contas daqueles que derem
da União quanto pelos Tribunais dos Estados-membros, do
causa a perda, extravio ou outra irregula­ridade de
Distrito Federal e dos Municípios que os tiverem.
que resulte prejuízo ao erário público;
III  – apreciar, para fins de registro, a  legalidade dos
atos de admissão de pessoal, a  qualquer título, na Controle Judicial
administração direta e indireta, incluídas as fundações É o poder de fiscalização que o Judiciário exerce especifica‑
instituídas e mantidas pelo Poder Público, excetuadas mente sobre a atividade administrativa do Estado. Alcança, ba‑
as nomeações para cargo de provimento em comissão, sicamente, os atos administrativos do Exe­cutivo, mas também
bem como a das concessões de aposentadorias, refor‑ examina os atos do Legislativo e do próprio Judiciário quando
realiza atividade administrativa110. É vedado ao Judiciário apre‑
mas e pensões, ressalvadas as melhorias posteriores
ciar o mérito administrativo, restringe‑se apenas ao controle
que não alterem o fundamento legal do ato concessório;
da legalidade e da legitimidade do ato impugnado.111
IV  – realizar, por iniciativa própria, da Câmara dos
O controle judicial da administração pública, no Brasil, é
Deputados, do Senado Federal, de Comissão técnica
realizado com base no sistema da unidade de jurisdição.112
ou de inquérito, inspeções e auditorias de natureza
Assim, apesar de a decisão executória da administração
contábil, financeira, orçamentária, operacional e pa‑
pública dispensar a intervenção prévia do Poder Judiciário,
trimonial, nas unidades administrativas dos Poderes não há impedimento para que ocorra o controle judicial
Noções de Direito Administrativo

Legislativo, Executivo e Judiciário, e demais entidades após a realização do ato.113


referidas no inciso II; De acordo com a doutrina, os atos administrativos podem
V – fiscalizar as contas nacionais das empresas suprana‑ estar sujeitos a controle comum ou especial.
cionais de cujo capital social a União participe, de forma
direta ou indireta, nos termos do tratado constitutivo; Atos sujeitos a controle comum
VI  – fiscalizar a aplicação de quaisquer recursos Os atos sujeitos a controle judicial comum são os admi‑
repassados pela União mediante convênio, acordo, nistrativos em geral. No nosso sistema de jurisdição única
ajuste ou outros instrumentos congêneres, a Estado, consagrado pelo preceito constitucional de que não se pode
ao Distrito Federal ou a Município; excluir da apreciação do poder judiciário qualquer lesão
VII  – prestar as informações solicitadas pelo Con‑
gresso Nacional, por qualquer de suas Casas, ou por 110
Assunto cobrado na prova do Cespe/TRT 1ª Região/Juiz do Trabalho Substituto
– II/2010.
qualquer das respectivas Comissões, sobre a fiscali‑ 111
Assunto cobrado na prova do Cespe/Tribunal de Contas-RO/Procurador do
zação contábil, financeira, orçamentária, operacional Ministério Público/2010.
e patrimonial e sobre resultados de auditorias e 112
Cespe/DPE-TO/2013.
113
Cespe/Prefeitura Municipal de Boa Vista-RR/Analista Municipal/Procurador
inspeções realizadas; Municipal/2010.

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ou ameaça a direito (art.  5, inciso XXXV), a  justiça tem a da Câmara ou de suas deliberações. Interna corporis são só
faculdade de julgar todo ato de administração praticado por aquelas questões ou assuntos que entendem direta e imedia‑
agente de qualquer dos órgãos ou Poderes de Estado. Sua tamente com a economia interna da corporação legislativa,
limitação é apenas quanto ao objeto do controle, que há de com seus privilégios e com a formação ideológica da lei,
ser unicamente a legalidade, sendo-lhe vedado pronunciar-se que, por sua própria natureza, são reservados à exclusiva
sobre conveniência, oportunidade ou eficiência do ato em apreciação e deliberação do Plenário da Câmara. Tais são os
exame, ou seja, sobre o mérito administrativo. atos de escolha da Mesa (eleições internas), os de verificação
de poderes e incompatibilidade de seus membros (cassação
Atos sujeitos a controle especial de mandatos, concessão de licenças etc.) e os de utilização
Enquanto os atos administrativos em geral expõem-se à de suas prerrogativas institucionais (modo de funcionamento
revisão comum da justiça, outros existem que, por sua ori‑ da Câmara, elaboração de regimento, constituição de comis‑
gem, fundamento, natureza ou objeto, ficam sujeitos a um sões, organização de serviços auxiliares etc.) e a valoração
controle especial do Poder Judiciário, e tais são os chamados das votações.
atos políticos, os atos legislativos e os atos interna corporis. Daí não podemos concluir que tais assuntos afastam, por
Atos políticos: atos políticos são os que, praticados por si sós, a revisão judicial. O que o Poder Judiciário não pode é
agentes do Governo, no uso de competência constitucional, substituir a deliberação da Câmara por um pronunciamento
se fundam na ampla liberdade de apreciação da conveni‑ judicial sobre o que é da exclusiva competência discricionária
ência ou oportunidade de sua realização, sem se aterem a do Plenário, da Mesa ou da Presidência. Mas pode confrontar
critérios jurídicos preestabelecidos. São atos governamentais sempre o ato praticado com as prescrições constitucionais,
por excelência, e não apenas de administração. São atos de legais ou regimentais que estabeleçam condições, forma ou
condução dos negócios públicos, e  não simplesmente de rito para seu cometimento.
execução de serviços públicos. Daí seu maior discriciona‑
rismo e, consequentemente, as maiores restrições para o Meios de Controle
controle judicial. Mas nem por isso afastam a apreciação da • Ação Popular (art. 5º, LXXIII, CF)  – Objetiva a anu‑
justiça quando arguidos de lesivos a direito individual ou ao lação ou a declaração de nulidade de atos lesivos
patrimônio público. ao Patrimônio Público, à moralidade Administrativa,
Todos os poderes de Estado são autorizados constitucio‑ ao Meio Ambiente, ao Patrimônio Histórico e Cultural.
nalmente a praticar determinados atos, em determinadas A propositura cabe a qualquer cidadão (brasileiro) no
circunstâncias, com fundamento político. Nesse sentido, exercício de seus direitos políticos.
pratica ato político o Executivo quando veta um projeto de • Ação Civil Pública (art. 129, III, CF – Lei nº 7.347/1985) –
lei, quando nomeia Ministro de Estado, quando concede Visa proteger o patrimônio público e social, o meio am‑
indulto. O legislativo pratica-o quando rejeita veto, aprova biente e outros direitos difusos e coletivos; é ajuizada
contas. O judiciário pratica-o quando propõe a criação de pelo Ministério Público.
tribunais inferiores, quando escolhe advogado e membro • Habeas Corpus (art. 5º, LXVIII, CF  – Visa proteger
do Ministério Público para compor o quinto constitucional. o direito de locomoção. Sempre que alguém sofrer
Em todos esses exemplos são as conveniências do Estado (HC Repressivo) ou se achar ameaçado de sofrer (HC
que comandam o ato e infundem caráter político que o Preventivo) violência ou coação em sua liberdade de
torna insuscetível de controle judicial quanto à valoração de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder.
seus motivos. Nenhum ato do Poder Público deixará de ser • Habeas Data (art. 5º, LXXII, CF) – Visa proteger o direi‑
examinado pelo poder judiciário quando arguida sua incons‑ to a ter informações relativas à pessoa do impetrante,
titucionalidade ou for lesivo de direito subjetivo de alguém. constante de registro ou banco de dados de entidades
Não basta a simples alegação de que se trata de ato político governamentais ou de caráter público; serve também
para tolher o controle judicial, pois será sempre necessário para retificação de dados, quando não se prefira fazê‑lo
que a própria justiça verifique a natureza do ato e suas conse‑ por processo sigiloso, judicial ou administrativamente.
quências perante o direito individual do postulante. O que se A propositura da ação é gratuita. É uma ação persona‑
nega ao Poder Judiciário é, depois de ter verificado a natureza líssima.
e os fundamentos políticos do ato, adentre seu conteúdo e • Mandado de Injunção (art. 5º, LXXI, CF) – Utilizado
valore seus motivos. Necessário se faz, portanto, que não sempre que a falta de norma regulamentadora torne
sejam excedidos os limites discricionários demarcados ao inviável o exercício dos direitos e liberdades constitu‑
órgão ou autoridade para a prática do ato. cionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade,
Atos Legislativos: os atos legislativos, ou seja, as  leis à soberania e à cidadania. Qualquer pessoa (física ou
propriamente ditas (normas em sentido formal e material), jurídica) pode impetrar, sempre por intermédio de um
Noções de Direito Administrativo

não ficam sujeitos à anulação judicial pelos meios proces‑ advogado.


suais comuns, mas sim pela via especial da ação direta de • Mandado de Segurança Individual (art. 5º, LXIX,
inconstitucionalidade bem como pela ação declaratória de CF – Lei nº 12.016/2009)  – Visa proteger direito lí‑
constitucionalidade, tanto para leis em tese como para atos quido e certo não amparado por HC ou HD, quando
normativos.Somente pela via constitucional da represen‑ o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for
tação de inconstitucionalidade (art. 102, I, a) e através do autoridade, seja de que categoria for e sejam quais
processo especial estabelecido pela Lei nº 4.337, de 1º de forem as funções que exerça.
junho de 1964, promovido pelas pessoas e órgãos indicados Líquido e Certo: o direito não suscita dúvidas, está
(art. 103), é que o STF pode declarar a inconstitucionalidade isento de obscuridades.
da lei em tese ou de qualquer outros ato normativo. Qualquer pessoa física ou jurídica pode impetrar, mas
Atos interna corporis: os atos interna corporis das Câ‑ somente por intermédio de um advogado.
maras também são vedados a revisto judicial comum, mas • Mandado de Segurança Coletivo (art. 5º, LXX, CF –
é preciso que se entenda em seu exato conceito e nos seus Lei nº 12.016/2009) – Instrumento que visa proteger
justos limites, o significado de tais atos. Em sentido técnico‑ direito líquido e certo de uma coletividade, quando o
-jurídico, interna corporis não é tudo que provém do seio responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for au‑

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toridade, seja de que categoria for e sejam quais forem direito privado estaria sujeito à responsabilidade civil, entre‑
as funções que exerça. Legitimidade para impetrar MS tanto quando praticasse atos de império, ou seja, aqueles
Coletivo: Organização Sindical, entidade de classe ou pelos quais desempenha prerrogativa de manutenção da
associação legalmente constituída e em funcionamen‑ ordem e do bem comum, bem como relacionados ao geren‑
to a pelo menos 1 ano, assim como partidos políticos ciamento de seus bens e serviços, não haveria a possibilidade
com representação no Congresso Nacional. Objetivo: de ser responsabilizado por tais atos.
defesa do interesse dos seus membros ou associados. Diante da dificuldade em distinguir na prática tais situações,
adotou‑se a teoria civilista da culpa ou culpa administrativa.
Súmulas Aplicáveis
Teoria da Culpa Administrativa
Súmula nº 266/STF: “Não cabe mandado de segurança
contra lei em tese.” O Estado respondia pelos danos causados a terceiros,
Súmula nº 267/STF: “Não cabe mandado de segurança desde que houvesse culpa no serviço: inexistência do serviço,
contra ato judicial passível de recurso ou correição.” o serviço não foi prestado e causou prejuízo; o serviço foi
Súmula nº 268/STF: “Não cabe mandado de segurança prestado de forma deficiente e causou prejuízo.
contra decisão judicial com trânsito em julgado.”
Súmula nº 429/STF: “A existência de recurso administra‑ Teoria do Risco Administrativo
tivo com efeito suspensivo não impede o uso do mandado
de segurança contra omissão da autoridade.” O Estado indeniza independentemente de dolo ou culpa do
Súmula nº 430/STF: “Pedido de reconsideração na via agente, porém, deve a vítima comprovar o nexo causal entre
administrativa não interrompe o prazo para o mandado de a ação ou omissão do Estado e o dano sofrido. Admite exclu‑
segurança.” dente ou atenuante de responsabilidade, por exemplo, culpa
Súmula nº 2/STJ: “Não cabe habeas data se não houve re‑ da vítima, culpa concorrente, caso fortuito ou força maior.115
cusa de informações por parte da autoridade administrativa.”
Teoria do Risco Integral
RESPONSABILIDADE CIVIL A teoria do risco integral é a modalidade extremada da
EXTRACONTRATUAL DO ESTADO teoria do risco administrativo. Por essa teoria o Estado teria
que indenizar os danos causados a terceiro, mesmo que não
Considerações Iniciais os tivesse causado, não podendo alegar nenhuma excludente
ou atenuante de responsabilidade.
A Responsabilidade Civil teve sua origem no âmbito do Há doutrinadores, que não admitem a existência dessa
Direito Privado, em que a obrigação de indenizar derivava teoria no nosso ordenamento jurídico, porém, a Constituição
de um contrato. Federal, em seu art. 21, XXXIII, a, diz que: “a responsabilidade
No Direito Administrativo chamamos de Responsabilida‑ civil por danos nucleares independe da existência de culpa.”
de Civil Extracontratual, pois não decorre de um contrato.
A Responsabilidade Extracontratual que aqui se evidencia A Responsabilidade Civil do Estado na
importa no reparo que o Poder Público deverá oferecer ao Constituição Federal de 1988
lesado pelo dano que, voluntária ou involuntariamente,
o tenha causado. Assim dispôs a Constituição Federal, em seu art. 37, § 6º:

Conceito As pessoas jurídicas de direito público e as de direito


privado prestadoras de serviços públicos responderão
A Responsabilidade Civil do Estado é a obrigação im‑ pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, cau‑
posta ao Poder Público para ressarcir os danos causados a sarem a terceiros, assegurado o direito de regresso
terceiros pelos seus agentes, quando no exercício de suas contra o responsável nos casos de dolo ou culpa.
atribuições.114
Por meio desse dispositivo, com auxílio da jurisprudência e
Evolução da Responsabilidade do Estado da doutrina, temos que o nosso ordenamento jurídico adotou
a Responsabilidade Civil Extracontratual do Estado, na modali‑
Irresponsabilidade do Estado dade risco administrativo, segundo a qual o Estado responde
objetivamente pelos danos que seus agentes causarem a
Noções de Direito Administrativo

Nos Governos absolutos prevalecia a irresponsabilidade terceiros, independentemente de dolo ou culpa, bastando
do Estado, uma vez que não era possível que o rei, represen‑ apenas que se comprove o nexo de causalidade entre a ação
tante do Estado, pudesse lesar seus súditos. (The King can do ou omissão do Estado e o dano sofrido pelo administrado.
no Wrong – O rei não erra). Quanto aos seus agentes, estes No mesmo sentido, no ordenamento jurídico brasileiro, a
sim, poderiam ser responsabilizados pes­soalmente por atos responsabilidade do poder público é objetiva, adotando-se
ilícitos que viessem a cometer. a teoria do risco administrativo, fundada na ideia de soli-
dariedade social, na justa repartição dos ônus decorrentes
Teoria da Responsabilidade com Culpa da prestação dos serviços públicos, exigindo-se a presença
dos seguintes requisitos: dano, conduta administrativa e
Previam‑se dois tipos de atitudes, que poderiam distin‑ nexo causal. Admite-se abrandamento ou mesmo exclusão
guir em quais atos o rei poderia ser responsabilizado ou não. da responsabilidade objetiva, se coexistirem atenuantes
Quando o Estado praticar atos de gestão em regime de ou excludentes que atuem sobre o nexo de causalidade.116
igualdade com os particulares, amparados, portanto, no 115
Assunto cobrado na prova do Cespe/TRE-MS/Técnico Judiciário/Área Adminis‑
trativa/2013.
114
Assunto cobrado na prova do Cespe/DPE-TO/2013. 116
Cespe/CNJ/Técnico Judiciário/Área Apoio Especializado/2013.

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Para configurar a responsabilidade civil do Estado, o Excludentes ou Atenuantes da Responsabilidade
agente público causador do prejuízo a terceiros deve ter agido
na qualidade de agente público, sendo irrelevante o fato de Atos de Multidões
ele atuar dentro, fora ou além de sua competência legal.117
Exs.: Um servidor público, condutor de uma viatura O Estado não responde civilmente pelos danos causados
oficial, deu causa a acidente de trânsito com veículo de par- por atos praticados por agrupamentos de pessoas ou mul‑
ticular. Foram apurados danos materiais de grande vulto, tidões, por se tratar de atos de terceiros que caracterizam
equivalentes aos reparos promovidos no veículo particular e uma excludente de causalidade, salvo quando se verificar
às despesas médicas geradas pelo atendimento ao motorista omissão do poder público em garantir a integridade do
particular. O condutor da viatura particular tem pretensão patrimônio danificado, hipótese em que a responsabilidade
indenizatória para ressarcimento dos danos materiais. civil é subjetiva.
Nesse caso, o Estado responde sob a modalidade objetiva,
presumindo-se a culpa do servidor, que poderá ser penalizado Culpa Exclusiva da Vítima
também disciplinarmente na esfera administrativa.118
Um agente público, pertencente aos quadros de uma Inexiste responsabilidade do Estado123. Ocorre, por
empresa pública federal prestadora de serviço público, no exemplo, quando uma pessoa, com o intuito de suicidar‑se,
exercício de suas atribuições, veio a causar dano a terceiro se atira diante de veículo em movimento. Não tem como ela
usuário do serviço em decorrência de conduta culposa requerer indenização pelos prejuízos sofridos, uma vez que
comissiva. Nesse caso, responderá pelo dano causado ao ela concorreu para que o evento acontecesse.
terceiro a empresa pública federal, sendo a responsabi-
lidade civil de natureza objetiva por tratar-se de pessoa Culpa Concorrente
jurídica de direito privado prestadora de serviço público,
O Estado e o lesado contribuem para o resultado danoso,
assegurado o direito de regresso contra o responsável.119
desse modo, a indenização do Estado deverá atingir apenas
Carlos, proprietário de um veículo licenciado na Capital
o limite dos prejuízos que tenha causado, arcando o lesado
do Estado de São Paulo, teve seu nome inscrito, indevida-
com o restante.
mente, no cadastro de devedores do Estado (“Cadin”), em
face do suposto não pagamento de IPVA. Constatou-se, Caso Fortuito e Força Maior
subsequentemente, que o débito objeto do apontamento
fora quitado tempestivamente pelo contribuinte, decorren- Podem ocorrer também fatos imprevisíveis, que fogem
do a inscrição no Cadin de um erro de digitação de dados ao controle do Estado e das pessoas, são o que a doutrina
incorrido pelo servidor responsável pela alimentação do costuma chamar de caso fortuito e força maior. Há diver‑
sistema de informações. Em razão dessa circunstância, gência na doutrina com relação à caracterização de cada
Carlos, que é consultor, sofreu prejuízos financeiros, entre um, pois alguns entendem que caso fortuito são eventos
os quais a impossibilidade de participar de procedimento produzidos pela natureza (um terremoto ou uma inundação,
licitatório instaurado pela Administração para contratação por exemplo) e força maior como o acontecimento originário
de serviços de consultoria, bem como o impedimento de ob- da vontade humana (por exemplo, no caso de uma greve),
tenção de financiamento de projeto que estava conduzindo e outros já falam que é exatamente o contrário, considerando
pela Agência de Fomento do Estado, que dispunha de linha a força maior os eventos produzidos pela natureza e caso
de crédito com juros subsidiados, sendo obrigado a tomar fortuito decorrente de ato humano. Nesses casos, como
financiamento junto a instituição financeira privada em eram imprevisíveis e inevitáveis, inexiste a responsabilidade
condições mais onerosas. Diante da situação narrada, de do Estado.
acordo com o disposto na Constituição Federal sobre a res-
ponsabilidade civil do Estado, o Estado responde objetiva- Responsabilidade Civil do Estado por Atos
mente pelos prejuízos sofridos por Carlos, podendo exercer Legislativos
o direito de regresso em face do servidor, se comprovada
conduta culposa ou dolosa do mesmo.120 Em regra, não acarretam a responsabilidade do Estado,
Determinada professora da rede pública de ensino re- entretanto, podem surgir situações específicas que poderiam
cebeu ameaças de agressão por parte de um aluno e, mais ensejá‑la, tal como leis inconstitucionais, que durante a sua
de uma vez, alertou à direção da escola, que se manteve vigência e eficácia poderiam acarretar dano, ou leis de efeitos
omissa. Nessa situação hipotética, caso se consumem as concretos, aquelas que atingem uma categoria de pessoas
agressões, a indenização será devida pelo Estado, desde ou número exíguo de pessoa. Nesses casos, o lesado pode
que presentes os elementos que caracterizem a culpa.121 responsabilizar o Estado com o fim de obter a indenização
Noções de Direito Administrativo

O ônus da prova não cabe à vítima e sim ao Estado, de‑ pelos prejuízos sofridos.
vendo a vítima apenas provar o nexo de causalidade. Cabe
ação regressiva do Estado contra o agente, mas como sua Responsabilidade Civil do Estado por Atos
responsabilidade é subjetiva, o Estado deverá comprovar sua Jurisdicionais
conduta dolosa ou culposa. A ação regressiva é uma ação
judicial de natureza civil que a Administração tem contra Em regra, a responsabilidade do Estado não se aplica aos
o agente público ou o particular prestador de serviços pú- atos praticados pelo Poder Judiciário, porém, como garantia
blicos causador do dano a terceiros.122 fundamental estabelecida no art. 5º, LXXV, temos que o Es‑
tado indenizará o condenado por erro judiciário, bem como
aquele que ficar preso além do tempo fixado na sentença.
117
Cespe/TRE-MS/Técnico Judiciário/Área Administrativa/2013. Um caso notório ocorrido no Brasil quanto a erro judiciário
118
FCC/Tribunal de Contas-RO/Auditor/Substituto de Conselheiro/2010.
119
Cesgranrio/Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social/Advoga‑ foi o dos irmãos Naves em 1937.
do/2010.
120
FCC/AFR-SP/Sefaz SP/Gestão Tributária/2013.
121
Cespe/TRE-MS/Analista Judiciário/Área Administrativa/2013. Assunto cobrado na prova da FCC/Tribunal de Contas-RO/Procurador do Mi‑
123
122
FCC/TRE-Acre/Analista Judiciário/Área Judiciária/2010. nistério Público Junto ao Tribunal de Contas/2010.

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A Reparação do Dano blicas e Sociedades de Economia Mista gozam da prescrição
quinquenal, ou seja, o prazo de cinco anos contados a partir
A existência de dano indenizável, quantificado e detalha‑ do fato danoso.
do em sua expressão econômica é requisito indispensável O Decreto nº 20.910/1932, em seu art. 1º, estabelece que:
para a reparação do prejuízo decorrente da lesão que em‑
penha a responsabilidade civil do Estado, ou seja, inexiste As dívidas passivas da União, dos Estados e dos Mu‑
obrigação se não puder ser identificado o dano, pois é exa‑ nicípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação
tamente dele que resulta o dever de indenizar do Estado. contra a Fazenda Federal, Estadual ou Municipal,
O dano indenizável deve decorrer de ato ou omissão, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco
atividades, coisas ou fatos imputáveis ao Estado (nexo de anos contados da data do ato ou fato do qual se
causalidade), lícitos ou ilícitos, sem ocorrência de excludentes originarem.
da responsabilidade, pois, caso contrário, embora existente,
o dano não será indenizável. Também não basta que o dano Já a Lei nº 9.494/1997, em seu art. 1º‑C, determina que:
seja certo e real, para que seja indenizável é necessário que
a ordem jurídica reconheça o direito lesado e o direito ao Prescreverá em cinco anos o direito de obter inde‑
ressarcimento como direitos do indivíduo. nização dos danos causados por agentes de pessoas
Indiscutível é, pois, que a indenização deve ser completa, jurídicas de direito público e de pessoas jurídicas
devendo abranger o que a vítima perdeu (o dano efetivo, de direito privado prestadoras de serviços públicos.
ocorrido, emergente), o que despendeu (o que gastou) e o
que deixou de ganhar em razão do evento danoso (lucros O Direito de Regresso (ação regressiva)
cessantes), bem como honorários advocatícios, correção
monetária e juros de mora, se houver atraso no pagamento. De acordo com o sistema constitucional da responsabili‑
dade objetiva do Estado, este indenizará o dano causado ao
Meios de Reparação do Dano e a Ação de Indenização particular, desde que seja configurado o nexo de causalidade
entre a ação ou omissão do Estado e o prejuízo sofrido pelo
administrado.
A reparação do dano causado pela Administração a
Quando identificado o agente causador do dano, a par‑
terceiros dá-se de duas formas: administrativa (amigável)
te final do § 6º, art. 37, da CF assegura que, caso tenha o
ou judicialmente.
agente agido com dolo ou culpa, o Estado deve promover o
• Administrativa – Se for proposta no âmbito adminis‑
ressarcimento ao erário das despesas havidas com a men‑
trativo, o lesado formulará reclamação administrativa
cionada indenização, intentando ação regressiva contra o
com pedido indenizatório junto ao órgão competente responsável.
da pessoa jurídica civilmente responsável, formando A ação regressiva é, pois, medida judicial de rito ordinário
assim o processo administrativo no qual os interessa‑ que propicia ao Estado reaver o que desembolsou à custa do
dos se manifestarão, produzirão provas e chegarão a patrimônio do agente causador direto do dano, que agiu com
um resultado final sobre o pedido. dolo ou culpa no desempenho de suas funções.
• Judicial  – Se não houver acordo, caberá ao lesado A aplicação de tal medida pressupõe o trânsito em
propor a adequada ação de indenização perante a julgado de sentença que condenou a Administração ao
Fazenda Pública. Esta será processada de acordo com pagamento da indenização, pois somente depois desse ato
os preceitos comuns do Código de Processo Civil (Título consuma-se o efetivo prejuízo da Administração Pública, ou
VIII) e paga na forma do art. 100 da Constituição Fede‑ após esse pagamento, nos casos de acordo.
ral (precatórios). Se a ação de indenização for contra Serão, portanto, requisitos para o ajuizamento da ação
a União, entidades autárquicas federais e empresas regressiva:
públicas, a justiça competente para se propor a referida • a condenação da Administração Pública a indenizar;
ação é a Justiça Federal (art. 109, I, da CF); se for pessoa • o pagamento do valor da indenização;
jurídica de Direito Privado, será competente a Justiça • a conduta lesiva, dolosa ou culposa, do agente causa‑
Estadual ou, conforme o caso, deve ser examinado o dor do dano.
disposto na Lei de Organização Judiciária do local.
Desse modo, se não houver o pagamento, não há como
Para eximir-se do dever de indenizar, caberá à Fazenda justificar o pedido de regresso, mesmo que haja sentença
Pública comprovar que a vítima concorreu para o evento condenatória com trânsito em julgado e o agente tenha
danoso (dolo ou culpa). Enquanto não evidenciar a culpa‑ agido com dolo ou culpa. O primeiro requisito pode até não
bilidade da vítima, subsiste a responsabilidade objetiva da existir, quando, por exemplo, a satisfação do prejuízo tenha
Noções de Direito Administrativo

Administração. Se, por outro lado, ficar comprovada a culpa ocorrido de forma amigável. Entretanto, os  dois últimos
ou dolo exclusivo da vítima, ficará excluída a responsabi‑ devem estar devidamente comprovados, fato que deverá
lidade da Fazenda Pública; se restar comprovada a culpa ser feito pelo Poder Público.
concorrente, o Estado arcará apenas no limite dos prejuízos Cabe ainda ressaltar que como ação civil destinada
que tenha causado. a promover a reparação patrimonial, a  ação regressiva
transmite-se aos herdeiros e sucessores do servidor culpado
Prescrição e contra eles será executada até o limite do valor da herança
(Lei nº 8.112/1990, art. 122, § 3º).
O direito do lesado à reparação dos prejuízos tem natu‑ O direito de regresso no âmbito do direito privado en‑
reza obrigacional e pessoal, portanto, como qualquer direito contra fundamento no art. 934 do Código Civil. Já o prazo
subjetivo não pode ser objeto da inércia do seu titular, sob para proposição da competente ação regressiva é de três
pena do surgimento da prescrição. A prescrição nada mais é anos nos termos do art. 206, § 3º, V, do mesmo diploma.
do que a perda do direito de ação. Já no âmbito do direito público, as ações de ressarcimen‑
A União, Estados, Distrito Federal e Municípios bem to ao erário são imprescritíveis conforme disposto no art. 37,
como suas Autarquias e Fundações Públicas, Empresas Pú‑ § 5º, da Constituição Federal.

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LICITAÇÕES – LEI Nº 8.666/1993 Eficiência
Trata‑se de mais um limite à atuação discricionária do
Administrador, uma vez que está vinculado à escolha da
Conceito e Objetivo melhor proposta para a Administração.
A licitação é o procedimento administrativo formal exi‑ Isonomia
gido constitucionalmente em que a Administração Pública, Igualdade de tratamento para todos aqueles que preten‑
mediante condições estabelecidas em ato próprio (edital dam participar da licitação, vedada qualquer discriminação
ou carta‑convite) convoca interessados na apresentação de (art. 3º, caput).
propostas, com dois objetivos: celebração de contrato ou a
obtenção do melhor trabalho técnico, artístico ou científico. • Específicos

Competência Legislativa Competitividade


Não pode haver regras (ilegais) que impeçam o acesso
de interessados ao certame, constituindo crime (detenção,
Segundo a Constituição Federal de 1988, a União tem
de 6 meses a 2 anos, e multa), obstar, impedir ou dificultar,
competência privativa para legislar sobre normas gerais de injustamente, a inscrição de qualquer interessado nos regis‑
licitação e contratação, em todas as modalidades, para as tros cadastrais (art. 3º, § 1º, II e art. 98 da Lei nº 8.666/1993).
administrações públicas diretas, autárquicas e fundacionais
da União, Estados, Distrito Federal e Municípios. Tendo em Probidade administrativa
vista que o texto constitucional em seu art. 24, § 2º, diz que A probidade tem o sentido de honestidade, boa‑fé, mora‑
competência da União para legislar sobre normas gerais não lidade por parte dos administradores. Exige do administrador
exclui a competência suplementar dos Estados, e o art. 30, II, que atue com honestidade para com os licitantes e, sobretudo,
prevê que compete aos Municípios suplementar a legislação para com a própria Administração, concorrendo para que sua
federal e a estadual no que couber, a doutrina entende que a atividade esteja, de fato, voltada para o interesse administra‑
competência é concorrente: União instituindo normas gerais; tivo, que é o de promover a seleção mais acertada possível.
Estados e Municípios suplementando a legislação federal no
que couber para atender suas regionalidades. Sigilo na apresentação das propostas
De forma a garantir o princípio da isonomia, exige‑se que
as propostas, até a sua respectiva abertura, sejam sigilosas,
Finalidades pois poderia deixar em posição vantajosa o concorrente que
disponha de tal informação, sendo que constitui crime (de‑
Garantir a observância do princípio da isonomia; tenção, de 2 a 3 anos, e multa) devassar o sigilo de proposta
Selecionar a proposta mais vantajosa para a Adminis‑ apresentada em procedimento licitatório ou proporcionar a
tração; terceiro o ensejo de devassá‑lo (art. 3º, § 3º, e art. 94 da Lei
nº 8.666/1993).
Promover o desenvolvimento nacional sustentável;
Mostrar a eficiência e a moralidade nos negócios Vinculação ao instrumento convocatório
administrativos. Impõe à Administração o cumprimento de todas as nor‑
mas e condições que haja previamente estabelecido no edital
Princípios a Serem Observados na Licitação ou carta convite (art. 41 da Lei nº 8.666/1993).

Julgamento objetivo
• Gerais Significa que os critérios e fatores seletivos indicados no
edital devem ser observados pela comissão de licitação ou
Legalidade pelo responsável pelo convite, evitando‑se qualquer surpresa
O princípio da legalidade, dentro da licitação, impõe ao para seus participantes. Visa afastar o discricionarismo na
administrador a fiel observância dos procedimentos estabe‑ escolha das propostas (art. 45, caput, da Lei nº 8.666/1993).
lecidos na Lei nº 8.666/1993.
Adjudicação compulsória
Impessoalidade Impede que a Administração, concluído o procedimento
Não deve haver fatores de natureza subjetiva ou pessoal licitatório, atribua seu objeto a outrem que não o legítimo
interferindo nos atos dos procedimentos licitatórios. vencedor, entretanto, não há direito subjetivo à adjudicação,
Noções de Direito Administrativo

podendo a Administração revogar motivadamente o procedi‑


Moralidade mento a qualquer momento, desde que haja finalidade pública.
Significa que o procedimento licitatório deve pautar‑se em
padrões éticos, impondo ao administrador comportamento Objeto da Licitação
legal e honesto, no exercício da atividade administrativa.
O objeto da licitação é a execução de obras, a prestação
de serviços, o fornecimento de bens para atendimento de
Publicidade necessidades públicas, as alienações e locações da Adminis‑
Para garantir a transparência da atuação administrativa tração Pública, que, quando contratadas com terceiros, serão
os atos da licitação devem ser públicos, excetuando‑se dessa necessariamente precedidas de licitação (art. 2º).
regra apenas o conteúdo das propostas, até a sua respectiva
abertura. Abrange, por exemplo, os avisos de sua abertura Responsáveis pela Licitação
até a publicação do edital e seus anexos e o exame da do‑
cumentação e das propostas pelos interessados sempre em Consideram‑se responsáveis pela licitação os agentes
ato público (arts. 3º, 16, 21 e 44). públicos designados pela autoridade competente, mediante

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ato administrativo próprio (portaria), para integrar a comis‑ Requisitos para a Licitação
são de licitação, ser pregoeiro ou para realizar licitação na
modalidade convite, com a função de receber, examinar e Obras e Serviços
julgar os documentos referentes à licitação.
É constituída por, no mínimo, três membros, sendo pelo São requisitos vinculados, ou seja, não podem faltar, pois
menos dois deles servidores qualificados, pertencentes acarretaria a nulidade dos atos e contratos realizados, e a
aos quadros permanentes dos órgãos da Administração responsabilidade dos envolvidos (art. 7º, §§ 2º e 6º):
responsáveis pela licitação, sendo que, no caso de convite,
a comissão de licitação, excepcionalmente, nas pequenas
unidades administrativas e em face da falta de pessoal dis‑ • existência de projeto básico;
ponível, poderá ser substituída por servidor formalmente • existência de orçamento detalhado;
designado pela autoridade competente (art. 51).
A comissão de licitação pode ser: • existência de Recursos Orçamentários;
• previsão no Plano Plurianual.
Permanente Quando a designação abranger a realização
de licitações por período determinado. Considera‑se obra: toda construção, reforma, fabricação,
Especial No caso de licitações específicas e nos casos recuperação ou ampliação, realizada por execução direta ou
de concurso. indireta (art. 6º, I).
Considera‑se serviço: toda atividade destinada a obter
A investidura dos membros das comissões permanentes determinada utilidade de interesse para a Administração,
não excederá a um ano. Quando da renovação da comissão tais como: demolição, conserto, instalação, montagem,
para o período subsequente, será possível apenas a recondu‑ operação, conservação, reparação, adaptação, manutenção,
ção parcial desses membros, pois a lei proíbe a recondução transporte, locação de bens, publicidade, seguro ou trabalhos
em sua totalidade (art. 51, § 4º). técnico‑profissionais (art. 6º, II).
A comissão encarregada do julgamento dos pedidos de
inscrição em registro cadastral, sua alteração ou cancela‑ Compras
mento, será integrada por profissionais legalmente habilita‑
dos no caso de obras, serviços ou aquisição de equipamento Aqui, os quatro primeiros requisitos são vinculados, ou
(art. 51, § 2º). seja, são obrigatórios, sob pena de nulidade do ato e respon‑
Os membros das Comissões de licitação respondem sabilidade de que lhe tiver dado causa, já os demais, sempre
solidariamente por todos os atos praticados pela Comissão, que possível, deverão ser observados (art. 15):
salvo se posição individual divergente estiver devidamente
fundamentada e registrada em ata lavrada na reunião em
que tiver sido tomada a decisão. • caracterização de seu objeto, sem indicação de marca;
• existência de recursos orçamentários;
Formas de Execução dos Serviços • a definição das unidades e das quantidades a serem ad‑
quiridas em função do consumo e utilização prováveis;
Execução Direta • as condições de guarda e armazenamento que não
permitam a deterioração do material;
É a feita pelos órgãos e entidades da Administração, pelos
• atender ao princípio da padronização;
próprios meios (art. 6º, VII).
• ser processadas por meio de sistema de registro de
Execução Indireta preços;
• submeter‑se às condições de aquisição e pagamento
É a que o órgão ou entidade contrata com terceiros semelhantes às do setor privado;
(art. 6º, VIII). • ser subdivididas em tantas parcelas quantas neces‑
sárias para aproveitar as peculiaridades do mercado,
Regimes que Podem ser Utilizados na Execução Indireta visando economicidade;
• balizar‑se pelos preços praticados no âmbito dos
Empreitada Quando se contrata a execução da obra ou órgãos e entidades da Administração Pública.
por preço do serviço por preço certo e total (art. 6º,
Noções de Direito Administrativo

global VIII, a). Considera‑se compra: toda aquisição remunerada de


Empreitada Quando se contrata a execução da obra ou bens para fornecimento de uma só vez ou parceladamente
por preço do serviço por preço certo de unidades de‑ (art. 6º, III).
unitário terminadas (art. 6º, VIII, b).
Tarefa Quando se ajusta mão de obra para peque‑ Licitante
nos trabalhos por preço certo, com ou sem
fornecimento de materiais (art. 6º, VIII, d). É quem se habilitou e participa do procedimento licitatório,
atendendo ao ato da convocação (Edital ou Carta‑convite).
Empreitada Quando se contrata um empreendimento
integral em sua integralidade, compreendendo todas
Não Podem ser Licitantes – Art. 9º
as etapas das obras, serviços e instalações
• O autor do projeto, básico ou executivo, pessoa física
necessárias, sob inteira responsabilidade da
ou jurídica.
contratada até a sua entrega ao contratan‑
• A empresa, isoladamente ou em consórcio, responsável
te em condições de entrada em operação
pela elaboração do projeto básico ou executivo ou da
(art. 6º, VIII, e). qual o autor do projeto seja dirigente, gerente, acionista

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ou detentor de mais de 5% (cinco por cento) do capital I – não seja proprietário de imóvel rural;
com direito a voto ou controlador, responsável técnico II – comprove a morada permanente e cultura
ou subcontratado. efetiva, pelo prazo mínimo de 01 (um) ano.
• Servidor, dirigente de órgão ou entidade contratante § 1º A legitimação da posse de que trata o pre‑
ou responsável pela licitação. sente artigo consistirá no fornecimento de uma
• Os membros da Comissão de Licitação. Licença de Ocupação, pelo prazo mínimo de
mais 4 (quatro) anos, findo o qual o ocupan­te
terá a preferência para aquisição do lote, pelo
Contratação Direta (Exceção à Regra que é Licitar) valor histórico da terra nua, satisfeitos os requi‑
sitos de morada permanente e cultura efetiva e
A regra é licitar, porém existem casos em que a Admi‑ comprovada a sua capacidade para desenvolver
nistração se vê impossibilitada de fazê‑la, seja pela demora a área ocupada;
do procedimento licitatório que poderia causar um prejuízo
para o interesse público, seja pela inviabilidade do procedi‑ h) alienação gratuita ou onerosa, aforamento, concessão
mento, ou por que a lei determina que não haja a licitação. de direito real de uso, locação ou permissão de uso de
São três, os casos: bens imóveis de uso comercial de âmbito local com
área de até 250 m² (duzentos e cinquenta metros
Licitação Dispensada quadrados) e inseridos no âmbito de programas de
regularização fundiária de interesse social desenvolvi‑
A própria lei ordena (é vinculado) que não haja o proce‑ dos por órgãos ou entidades da Administração Pública;
dimento licitatório. São para casos específicos de alienação i) alienação e concessão de direito real de uso, gratuita
(venda) de Bens Públicos (art. 17). ou onerosa, de terras públicas rurais da União e do
Incra, onde incidam ocupações até o limite de quinze
Quando o Bem a Ser Alienado for Imóvel módulos fiscais e não superiores a 1.500ha (mil e qui‑
Quando o bem a ser alienado for imóvel, a licitação será nhentos hectares), para fins de regularização fundiária,
dispensada nos seguintes casos: atendidos os requisitos legais.
a) dação em pagamento; A Administração também poderá conceder título de
b) doação, permitida exclusivamente para outro órgão propriedade ou de direito real de uso de imóveis,
ou entidade da Administração Pública, de qualquer dispensada licitação, quando o uso destinar‑se (art.
esfera de governo, ressalvado o disposto nas alíneas 17, § 2º):
f, h e i; – a outro órgão ou entidade da Administração Públi‑
c) permuta, por outro imóvel cuja necessidade de ca, qualquer que seja a localização do imóvel;
instalação e localização satisfaça o atendimento das – a pessoa natural que, nos termos da lei, de regula‑
finalidades precípuas da administração; mento ou de ato normativo do órgão competente,
d) investidura. Considera‑se investidura para os fins desta haja implementado os requisitos mínimos de cultu‑
lei (art. 17, § 3º): ra, ocupação mansa e pacífica e exploração direta
– a alienação aos proprietários de imóveis lindeiros sobre área rural limitada a quinze módulos fiscais,
de área remanescente ou resultante de obra públi‑ desde que não exceda a 1.500ha (mil e quinhentos
ca, se esta se tornar inaproveitável isoladamente; hectares).
– a alienação, aos legítimos possuidores diretos ou,
na falta destes, ao Poder Público, de imóveis para Quando o Bem a ser Alienado for Móvel
fins residenciais construídos em núcleos urbanos Quando o bem a ser alienado for móvel, a licitação será
anexos a usinas hidrelétricas, desde que conside‑ dispensada nos seguintes casos:
rados dispensáveis na fase de operação dessas a) doação, permitida exclusivamente para fins e uso de
unidades e não integrem a categoria de bens interesse social;
reversíveis ao final da concessão. b) permuta permitida exclusivamente entre órgãos ou
e) venda a outro órgão ou entidade da administração entidades da Administração Pública;
c) venda de ações, que poderão ser negociadas em bolsa;
pública, de qualquer esfera de governo;
d) venda de títulos;
f) alienação gratuita ou onerosa, aforamento, concessão
e) venda de bens produzidos ou comercializados por
de direito real de uso, locação ou permissão de uso
órgãos ou entidades da Administração Pública, em virtude
de bens imóveis residenciais construídos, destinados de suas finalidades;
ou efetivamente utilizados no âmbito de programas f) venda de materiais e equipamentos para outros ór‑
habitacionais ou de regularização fundiária de inte‑ gãos ou entidades da Administração Pública, sem utilização
Noções de Direito Administrativo

resse social desenvolvidos por órgãos ou entidades previsível por quem deles dispõe.
da administração pública;
g) procedimentos de legitimação de posse de que trata Licitação Dispensável
o art. 29 da Lei nº 6.383, de 7 de dezembro de 1976,
mediante iniciativa e deliberação dos órgãos da Admi‑ Na licitação dispensável existe a possibilidade de com‑
nistração Pública em cuja competência legal inclua-se petição que justifique a licitação, mas não é obrigatória
tal atribuição; (discricionário), de modo que a lei faculta ao administrador
que use o seu juízo de oportunidade e conveniência ao avaliar
Veja o que diz o art. 29 da Lei nº 6.383/1976: se deverá dispensar ou não a licitação. São casos em que o
interesse público poderia ser prejudicado pela demora no
O ocupante de terras públicas, que as tenha procedimento ou em razão de seu valor.
tornado produtivas com o seu trabalho e o de A dispensa deverá ser justificada (princípio da motiva‑
sua família, fará jus à legitimação da posse de ção), e comunicada dentro de três dias a autoridade superior,
área contínua até 100 (cem) hectares, desde que para publicação na imprensa oficial, no prazo de cinco dias,
preencha os seguintes requisitos: como condição para eficácia dos atos (art. 26, caput).

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Exige‑se, ainda, no que couber, a instrução do processo documentação ou de outras propostas escoimadas das
com a caracterização da situação emergencial ou calamitosa causas que as inabilitaram ou desclassificaram, facul‑
que justifique a dispensa, a razão da escolha do fornecedor tada, no caso de convite, a redução deste prazo para
ou executante, a justificativa do preço e o documento de três dias úteis. Persistindo a situação, será admitida
aprovação dos projetos de pesquisa aos quais os bens serão a adjudicação direta dos bens ou serviços, por valor
alocados (art. 26, parágrafo único). não superior ao constante do registro de preços, ou
A Lei nº 9.784/1999 em seu art. 50, III, dispõe que: “Os dos serviços (art. 24, VII). É CONHECIDA NA DOUTRINA
atos administrativos devem ser motivados, com indicação COMO LICITAÇÃO FRACASSADA (art. 48, § 3º).
dos fatos e fundamentos jurídicos quando dispensar o pro‑ • Para a aquisição, por pessoa jurídica de Direito Público
cesso licitatório”. Interno, de bens produzidos ou serviços prestados por
Os casos de licitação dispensável são taxativos, ou seja, es‑ órgão ou entidade que integre a Administração Pública
tão todos expressos no art. 24, de modo que o Administrador e que tenha sido criado para esse fim específico em
está impedido de dispensar a licitação fora dos casos previstos. data anterior à vigência desta Lei, desde que o preço
contratado seja compatível com o praticado no mer‑
Casos em que a Licitação é Dispensável cado (art. 24, VIII).
• Para obras e serviços de engenharia de valor até 10%
(dez por cento) do limite previsto na modalidade convite
(R$ 150.000,00), ou seja, até R$ 15.000,00 (art. 24, I). Atenção:
O limite temporal previsto neste inciso não se aplica
aos órgãos ou entidades que produzem produtos es‑
Atenção! tratégicos para o SUS. Conforme Portaria nº 3.089, de
Quando as obras e serviços forem contratados por 11 de dezembro de 2013, os produtos estratégicos para
consórcios públicos, sociedade de economia mista, o SUS são classificados em 2 (dois) segmentos: I - Seg‑
empresa pública e por autarquia ou fundação qua‑ mento Farmacêutico; e II - Segmento de Produtos para
lificadas, na forma da lei, como Agências Exe­cutivas, a Saúde e Dispositivos em Geral de Apoio à Saúde. O
o limite é de 20% do previsto na modalidade convite Segmento Farmacêutico é composto por produtos que
(R$ 150.000,00), ou seja, até R$ 30.000,00 (art. 24, atendem aos critérios de alta significação social, tais
§ 1º). como as doenças negligenciadas, os de alto valor tec‑
nológico e econômico e os produtos biotecnológicos.
• Para outros serviços e compras de valor até 10% Já o Segmento de Produtos para a Saúde e Dispositivos
do limite previsto na modalidade carta‑convite em Geral de Apoio à Saúde é composto por produtos
(R$ 80.000,00), ou seja, até R$ 8.000,00 (art. 24, II). que atendem aos critérios de alta significação social,
tais como as doenças negligenciadas, os de alto valor
tecnológico e econômico. Importante ressaltar que,
Atenção! anualmente, o Ministério da Saúde publica uma lista
Quando as compras e outros serviços forem con‑ de produtos estratégicos para o ano subsequente.
tratados por consórcios públicos, sociedade de
economia mista, empresa pública e por autarquia • Quando houver possibilidade de comprometimento
ou fundação qualificadas, na forma da lei, como da segurança nacional, nos casos estabelecidos em
Agências Executivas, o limite é de 20% do previsto Decreto, do Presidente da República, ouvido o Conse‑
na modalidade convite (R$ 80.000,00), ou seja, até lho de Defesa Nacional (art. 24, IX).
R$ 16.000,00 (art. 24, § 1º). • Para a compra ou locação de imóvel destinado ao
atendimento das finalidades precípuas da Adminis‑
• Nos casos de guerra ou grave perturbação da ordem tração, cujas necessidades de instalação e localização
(art. 24, III). condicionem a sua escolha, desde que o preço seja
• Nos casos de emergência ou de calamidade pública, compatível com o valor de mercado, segundo avaliação
quando caracterizada urgência de atendimento de prévia (art. 24, X).
situação que possa ocasionar prejuízo ou comprometer
• Na contratação de remanescente de obra, serviço ou
a segurança de pessoas, obras, serviços, públicos ou
fornecimento, em consequência de rescisão contratual,
particulares, e somente para os bens necessários ao
desde que atendida a ordem de classificação da licita‑
atendimento da situação emergencial ou calamitosa
e para as parcelas de obras e serviços que possam ção anterior e aceitas as mesmas condições oferecidas
ser concluídas no prazo máximo de 180 (cento e oi‑ pelo licitante vencedor, inclusive quanto ao preço,
tenta) dias consecutivos e ininterruptos, contados da devidamente corrigido (art. 24, XI).
ocorrência da emergência ou calamidade, vedada a • Nas compras de hortifrutigranjeiros, pão e outros gêne‑
Noções de Direito Administrativo

prorrogação dos respectivos contratos (art. 24, IV). ros perecíveis, no tempo necessário para a realização
• Quando não acudirem interessados à licitação anterior dos processos licitatórios correspondentes, realizadas
e esta, justificadamente, não puder ser repetida sem diretamente com base no preço do dia (art. 24, XII).
prejuízo para a Administração, mantidas, neste caso, • Na contratação de instituição brasileira incumbida re‑
todas as condições preestabelecidas (art. 24, V). É CO‑ gimental ou estatutariamente da pesquisa, do ensino
NHECIDA NA DOUTRINA COMO LICITAÇÃO DESERTA. ou do desenvolvimento institucional, ou de instituição
• Quando a União tiver que intervir no domínio econômi‑ dedicada à recuperação social do preso, desde que a
co para regular preços ou normalizar o abastecimento contratada detenha inquestionável reputação ético‑pro‑
(art. 24, VI). fissional e não tenha fins lucrativos (art. 24, XIII).
• Quando as propostas apresentarem preços manifes‑ • Para a aquisição de bens ou serviços nos termos de
tamente superiores ou incompatíveis aos praticados acordo internacional específico aprovado pelo Congresso
no mercado nacional ou forem incompatíveis com Nacional, quando as condições ofertadas forem manifes‑
os fixados pelos órgãos oficiais competentes, casos tamente vantajosas para o Poder Público (art. 24, XIV).
em que, a Administração poderá fixar aos licitantes o • Para a aquisição ou restauração de obras de arte e
prazo de oito dias úteis para a apresentação de nova objetos históricos, de autenticidade certificada, desde

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que compatíveis ou inerentes às finalidades do órgão • Na celebração de contrato de programa com ente da Fe‑
ou entidade (art. 24, XV). deração ou com entidade de sua administração indireta,
• Para a impressão dos diários oficiais, de formulários para a prestação de serviços públicos de forma associada
padronizados de uso da administração, e de edições téc‑ nos termos do autorizado em contrato de consórcio
nicas oficiais, bem como para prestação de serviços de público ou em convênio de cooperação (art. 24, XXVI).
informática a pessoa jurídica de direito público interno, • Na contratação da coleta, processamento e comer‑
por órgãos ou entidades que integrem a Administração cialização de resíduos sólidos urbanos recicláveis ou
Pública, criados para esse fim específico (art. 24, XVI). reutilizáveis, em áreas com sistema de coleta seletiva
• Para a aquisição de componentes ou peças de origem de lixo, efetuados por associações ou cooperativas for‑
nacional ou estrangeira, necessários à manutenção de madas exclusivamente por pessoas físicas de baixa ren‑
equipamentos durante o período de garantia técnica, da reconhecidas pelo poder público como catadores
junto ao fornecedor original desses equipamentos, de materiais recicláveis, com o uso de equipamentos
quando tal condição de exclusividade for indispensável compatíveis com as normas técnicas, ambientais e de
para a vigência da garantia (art. 24, XVII). saúde pública (art. 24, XXVII).
• Nas compras ou contratações de serviços para o abas‑ • Para o fornecimento de bens e serviços, produzidos ou
tecimento de navios, embarcações, unidades aéreas prestados no País, que envolvam, cumulativamente,
ou tropas e seus meios de deslocamento quando em alta complexidade tecnológica e defesa nacional, me‑
estada eventual de curta duração em portos, aeropor‑ diante parecer de comissão especialmente designada
tos ou localidades diferentes de suas sedes, por motivo pela autoridade máxima do órgão (art. 24, XXVIII).
de movimentação operacional ou de adestramento, • Na aquisição de bens e contratação de serviços para
quando a exiguidade dos prazos legais puder compro‑ atender aos contingentes militares das Forças Singu‑
meter a normalidade e os propósitos das operações lares brasileiras empregadas em operações de paz no
e desde que seu valor não exceda ao limite previsto exterior, necessariamente justicadas quanto ao preço
na alínea a do inciso II do art. 23 desta lei, ou seja, até e à escolha do fornecedor ou executante e ratificadas
pelo Comandante da Força (art.24, XXIX).
R$ 80.000,00 (art. 24, XVIII).
• Na contratação de instituição ou organização, pública
• Para as compras de material de uso pelas Forças Ar‑
ou privada, com ou sem fins lucrativos, para a presta‑
madas, com exceção de materiais de uso pessoal e
ção de serviços de assistência técnica e extensão rural
administrativo, quando houver necessidade de manter a no âmbito do Programa Nacional de Assistência Técnica
padronização requerida pela estrutura de apoio logístico e Extensão Rural na Agricultura Familiar e na Reforma
dos meios navais, aéreos e terrestres, mediante parecer Agrária, instituído por lei federal (art. 24, XXX).
de comissão instituída por decreto (art. 24, XIX). • Nas contratações visando ao cumprimento do dispos‑
• Na contratação de associação de portadores de de‑ to nos arts. 3º, 4º, 5º e 20 da Lei nº 10.973, de 2 de
ficiência física, sem fins lucrativos e de comprovada dezembro de 2004, observados os princípios gerais de
idoneidade, por órgãos ou entidades da Administração contratação dela constantes (art. 24, XXXI).
Pública, para a prestação de serviços ou fornecimento • Na contratação em que houver transferência de tec‑
de mão de obra, desde que o preço contratado seja nologia de produtos estratégicos para o Sistema Único
compatível com o praticado no mercado (art. 24, XX). de Saúde – SUS, no âmbito da Lei nº 8.080, de 19 de
• Para a aquisição ou contratação de produto para pes‑ setembro de 1990, conforme elencados em ato da
quisa e desenvolvimento, limitada, no caso de obras direção nacional do SUS, inclusive por ocasião da aqui‑
e serviços de engenharia, a R$ 300.000,00 (Trezentos sição destes produtos durante as etapas de absorção
mil reais) (art. 24, XXI). tecnológica (art. 24, XXXII).
• Na contratação de entidades privadas sem fins lucra‑
Atenção: tivos, para a implementação de cisternas ou outras
A documentação relativa à habilitação jurídica, à re‑ tecnologias sociais de acesso à água para consumo
gularidade fiscal e trabalhista, à qualificação técnica humano e produção de alimentos, para beneficiar as
e econômica-financeira poderá ser dispensada, nos famílias rurais de baixa renda atingidas pela seca ou
termos de regulamento, no todo ou em parte, para falta regular de água (art. 24, XXXIII).
a contratação de produto para pesquisa e desen‑ • Para a aquisição por pessoa jurídica de direito público
volvimento, desde que para pronta entrega ou até interno de insumos estratégicos para a saúde produ‑
o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). zidos ou distribuídos por fundação que, regimental ou
estatutariamente, tenha por finalidade apoiar órgão
da administração pública direta, sua autarquia ou
• Na contratação de fornecimento ou suprimento de
fundação em projetos de ensino, pesquisa, extensão,
energia elétrica e gás natural com concessionário,
Noções de Direito Administrativo

desenvolvimento institucional, científico e tecnológico


permissionário ou autorizado, segundo as normas da e estímulo à inovação, inclusive na gestão administra‑
legislação específica (art. 24, XXII). tiva e financeira necessária à execução desses proje‑
• Na contratação realizada por empresa pública ou socieda‑ tos, ou em parcerias que envolvam transferência de
de de economia mista com suas subsidiárias e controla‑ tecnologia de produtos estratégicos para o Sistema
das, para a aquisição ou alienação de bens, prestação ou Único de Saúde – SUS, e que tenha sido criada para
obtenção de serviços, desde que o preço contratado seja esse fim específico em data anterior à vigência desta
compatível com o praticado no mercado (art. 24, XXIII). Lei, desde que o preço contratado seja compatível com
• Para a celebração de contratos de prestação de serviços o praticado no mercado (art. 24, XXXIV).
com as organizações sociais, qualificadas no âmbito
das respectivas esferas de governo, para atividades Importante ressaltar que, caso fique comprovado em
contempladas no contrato de gestão (art. 24, XIV). um processo de dispensa de licitação que houve superfa‑
• Na contratação realizada por Instituição Científica e Tec‑ turamento na contratação, responderá solidariamente pelo
nológica – ICT ou por agência de fomento para a transfe‑ dano causado à Fazenda Pública, tanto o fornecedor ou o
rência de tecnologia e para o licenciamento de direito de prestador de serviços, quanto o agente público responsável,
uso ou de exploração de criação protegida (art. 24, XXV). sem prejuízo de outras sanções legais cabíveis.

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Inexigibilidade de Licitação Frustrar ou fraudar, mediante ajuste, com‑ Detenção de
binação ou qualquer outro expediente, 2 a 4 anos.
Quando houver impossibilidade jurídica de competição, o caráter competitivo do procedimento
quer pela natureza do objeto a ser licitado ou pelo objetivo a licitatório, com o intuito de obter, para si
ser alcançado pela Administração, estaremos diante de um ou para outrem, vantagem decorrente da
caso de inexigibilidade de licitação. adjudicação do objeto da licitação (art. 90).
Assim como na licitação dispensável, a inexigibilidade
também deverá ser justificada e comunicada, dentro de três Patrocinar, direta ou indiretamente, inte‑ Detenção de
dias, à autoridade superior, para ratificação e publicação na resse privado perante a Administração, 6 meses a 2
imprensa oficial, no prazo de cinco dias, como condição para dando causa à instauração de licitação ou anos
eficácia dos atos (art. 26, caput). à celebração de contrato, cuja invalidação
A Lei nº 9.784/1999, em seu art. 50, III, dispõe que: “os vier a ser decretada pelo Poder Judiciário
atos administrativos devem ser motivados, com indicação (art. 91).
dos fatos e fundamentos jurídicos quando declarem a ine‑ Impedir, perturbar ou fraudar a realização Detenção de
xigibilidade de processo licitatório”. de qualquer ato de procedimento licitató‑ 6 meses a 2
Os casos de licitação inexigível constituem um rol exem‑ rio (art. 93). anos
plificativo, o que quer dizer que podem existir outros. Devassar o sigilo de proposta apresentada Detenção de
em procedimento licitatório, ou propor‑ 2 a 3 anos
Casos Especiais em que a Licitação é Inexigível
cionar a terceiro o ensejo de devassá‑lo
• Para aquisição de materiais, equipamentos; ou gêneros
que só possam ser fornecidos por produtor, empresa (art. 94).
ou representante comercial exclusivo (art. 25, I). Afastar ou procurar afastar licitante, por Detenção de
Nesse caso a comprovação de exclusividade deve ser feita meio de violência, grave ameaça, fraude 2 a 4 anos
por meio de atestado fornecido pelo órgão de registro do ou oferecimento de vantagem de qualquer
comércio do local em que se realizará a licitação ou a obra tipo, além da pena correspondente à vio‑
ou o serviço, pelo Sindicato, Federação ou Confederação lência, incorrendo na mesma pena quem
Patronal, ou, ainda, pelas entidades equivalentes. se abstém ou desiste de licitar, em razão
• Para a contratação de serviços técnicos de natureza da vantagem oferecida (art. 95).
singular, com profissionais ou empresas de notória Fraudar, em prejuízo da Fazenda Pública, Detenção de
especialização, vedada a inexigibilidade para serviços licitação instaurada para aquisição ou ven‑ 3 a 6 anos
de publicidade e divulgação (art. 25, II). da de bens ou mercadorias, ou contrato
Considera‑se notória especialização o profissional ou a dela decorrente (art. 96).
empresa cujo conceito, no campo de sua especialidade,
decorrente de desempenho anterior, estudos, expe‑ Admitir à licitação ou celebrar contrato Detenção de 6
riências, publicações, organização, aparelhamento, com empresa ou profissional declarado meses a
equipe técnica, ou de outros requisitos relacionados inidôneo, incidindo na mesma pena aquele 2 anos
com suas atividades, permita inferir que o seu trabalho que, declarado inidôneo, venha a licitar ou
é essencial e indiscutivelmente o mais adequado à a contratar com a Administração (art. 97).
plena satisfação do objeto do contrato (art. 25, § 1º).
• Para contratação de profissional de qualquer setor Para todos os crimes previstos anteriormente, além da san‑
artístico, diretamente ou por meio de empresário ção penal, aplica‑se multa em quantia fixada na sentença, cuja
exclusivo, desde que consagrado pela crítica especia‑ base corresponderá ao valor da vantagem efetivamente obtida
lizada ou pela opinião pública (art. 25, III). ou potencialmente auferível pelo agente, não podendo ser in‑
ferior a 2%, nem superior a 5% do valor do contrato licitado ou
Por fim, vale ressaltar que assim como nos casos de celebrado com dispensa ou inexigibilidade de licitação (art. 99).
dispensa de licitação, se restar comprovado que houve su‑ Respondem ainda solidariamente pelo dano causado à
perfaturamento em contratação realizada pelo processo de Fazenda Pública o fornecedor ou o prestador do serviço e o
inexigibilidade, responderá solidariamente pelo dano causa‑ agente público responsável pelo procedimento da dispensa
do à Fazenda Pública, tanto o fornecedor ou o prestador de e da inexigibilidade, se for comprovado superfaturamento
serviços, quanto o agente público responsável, sem prejuízo (art. 25, § 2º).
de outras sanções legais cabíveis. Os agentes administrativos que praticarem atos em de‑
sacordo com os preceitos desta Lei ou visando a frustrar os
Sanções Aplicáveis a Quem Dispensar ou Inexigir objetivos da licitação sujeitam‑se às sanções previstas nesta
Licitação Fora das Hipóteses Previstas na Lei, lei e nos regulamentos próprios, sem prejuízo das respon‑
Noções de Direito Administrativo

sabilidades civil e criminal que seu ato ensejar (art. 82). Se


Deixar de Observar suas Formalidades ou der os autores forem ocupantes de cargo em comissão ou de
Causa a Qualquer Irregularidade no Procedimento função de confiança, a pena imposta será acrescida da terça
Licitatório parte (art. 84, § 2º).
Os crimes definidos nesta Lei, ainda que simplesmente
Crime Pena tentados, sujeitam os seus autores, quando servidores pú‑
Dispensar ou inexigir licitação fora das Detenção de blicos, além das sanções penais, à perda do cargo, emprego,
hipóteses previstas em lei, ou deixar de 3 a 5 anos função ou mandato eletivo (art. 83).
observar suas as formalidades (art. 89). Todos os crimes previstos nessa lei são de ação penal
Incorre na mesma pena, aquele que, tendo pública incondicionada a ser promovida pelo Ministério Pú‑
comprovadamente concorrido para a con‑ blico, mas qualquer pessoa poderá provocar a sua iniciativa,
sumação da ilegalidade, beneficiou‑se da fornecendo‑lhe, por escrito ou verbalmente (caso em que
dispensa ou da inexigibilidade ilegal, para deverá ser reduzida a termo), informações sobre o fato e a
celebrar contrato com o Poder Público sua autoria, bem como as circunstâncias em que se deu a
(art. 89, parágrafo único). ocorrência (arts. 100 e 101).

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Procedimentos/Fases da Licitação • no Diário Oficial do Estado, ou do Distrito Federal quan‑
do se tratar, respectivamente, de licitação feita por
Formalização órgão ou entidade da Administração Pública Estadual
ou Municipal, ou do Distrito Federal;
O procedimento será iniciado com a abertura de processo • em jornal diário de grande circulação no Estado e tam‑
administrativo, devidamente autuado, protocolado e nume‑ bém, se houver, em jornal de circulação no Município
rado, contendo a autorização para o certame, a indicação ou na região onde será realizada a obra, prestado o ser‑
viço, fornecido, alienado ou alugado o bem, podendo
sucinta de seu objeto e do recurso próprio para a despesa
ainda a Administração, conforme o vulto da licitação,
(art. 38), e ao qual serão juntados oportunamente o edital
utilizar‑se de outros meios de divulgação para ampliar
ou convite e seus respectivos anexos, os comprovantes de a área de competição.
sua publicação, o ato de designação da comissão de licita‑
ção, do leiloeiro ou do responsável pelo convite, o original
O aviso com o resumo do convite geralmente é colocado
das propostas e dos documentos que as instruírem, atas,
na portaria do órgão que irá realizá‑lo.
relatórios e deliberações da Comissão julgadora, pareceres,
A lei veda que sejam cobradas, a título de taxas ou emolu‑
atos de adjudicação do objeto da licitação e da sua homolo‑
mentos, importância superior ao custo efetivo da reprodução
gação, recursos, se houver, despachos, termo de contrato ou gráfica da documentação fornecida (art. 32, § 5º).
equivalente, e outros que se fizerem necessário.
O prazo mínimo exigido pela lei, quando da publicação
Possui duas fases: a interna e a externa. até o recebimento das propostas ou da realização do evento
é de (art. 21, § 2º):
Fase Interna
É a elaboração do Edital. O edital é feito pela Adminis‑
tração para levar ao conhecimento do público o seu propó‑ 45 dias para a Concorrência, para o Concurso.
quando o contrato a ser
sito de licitar um objeto determinado. Em seu preâmbulo
celebrado contemplar:
conterá o nome da repartição interessada e de seu setor, • o regime de empreita‑
a modalidade, o regime de sua execução, o tipo de licitação, da integral;
a menção de que será regida por essa lei, o local, dia e hora • ou quando a licitação for
para recebimento da documentação e proposta, bem como do tipo “melhor técnica”
para início da abertura dos envelopes, com indicação obri‑ ou “técnica e preço”.
gatória dos seguintes requisitos, todos constantes no art. 40
30 dias para a Concorrência, nos para a Tomada de preços:
da Lei nº 8.666/1993:
casos em que o contrato a • Quando a licitação
• o objeto da licitação; ser celebrado contemplar: for do tipo “melhor
• os prazos e condições para assinatura do contrato ou • o regime de empreita‑ técnica” ou “técnica e
retirada do instrumento equivalente para execução do da por preço unitário, preço”.
contrato e para entrega do objeto da licitação; empreitada por preço
• as sanções para o caso de inadimplemento; global ou tarefa;
• o local onde poderá ser examinado e adquirido o pro‑ • ou quando a licitação
jeto básico e o executivo, este último, se houver; for do tipo “menor pre‑
• as condições para participação na licitação; ço” ou “maior lance ou
• os critérios para julgamento; oferta”.
• os locais, horários e códigos de acesso dos meios de 15 dias para o Leilão. para a Tomada de preços:
comunicação à distância em que serão fornecidos • Quando a licitação for
elementos, informações e esclarecimentos relativos do tipo “menor preço”
à licitação; ou “maior lance ou
• as condições de pagamento; oferta”.
• os critérios de aceitabilidade dos preços unitário e 5 dias para o Convite. _________________
global, conforme o caso; úteis
• o critério de reajuste; 8 dias para o Pregão presencial _________________
• os limites para pagamento de instalação e mobilização úteis ou eletrônico.
para execução de obras ou serviços;
• as instruções e normas para os recursos; O edital é a lei interna da licitação. A Administração não
• as condições de recebimento do objeto da lici­tação; pode descumprir as normas e condições nele expressas
(art. 41).
Noções de Direito Administrativo

• outras indicações específicas ou peculiares da licitação.


Se, por fato superveniente, for necessária alguma alteração,
ela deverá divulgar a modificação pela mesma forma em que
Fase Externa
se deu o texto original e reabrir o prazo estabelecido no início
A fase externa começa com a publicação do edital. se a alteração afetar a formulação da proposta (art. 21, § 4º).
Os avisos contendo os resumos dos editais das concorrências, O licitante pode, antes da abertura dos envelopes de
das tomadas de preços, dos concursos e dos leilões, devem habilitação, apontar falhas ou irregularidades que viciariam
conter a indicação do local em que o interessado poderá ler e o edital, sem que isso represente causa de impedimento de
obter o texto integral do edital e todas as informações sobre sua participação no certame, até a decisão administrativa final
a licitação (art. 21, § 1º) e ser publicados com antecedência, sobre a questão, entretanto, se não o impugnar até o segundo
e no mínimo, por uma vez (art. 21): dia útil que antecede a abertura dos envelopes de habilitação
• no Diário Oficial da União, quando se tratar de licitação na concorrência e a abertura dos envelopes com a proposta
feita por órgão ou entidade da Administração Pública no convite, tomada de preços ou concurso, ou a realização
Federal e, ainda, quando se tratar de obras financiadas do leilão, decaíra o seu direito de impugná‑lo (art. 21, § 2º).
parcial ou totalmente com recursos federais ou garan‑ Para garantir ampla fiscalização quanto ao seu conteú­do,
tidas por instituições federais; é dado, também, a qualquer cidadão, impugnar edital de licita‑

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ção por irregularidade na aplicação da lei, devendo protocolar comprovação, fornecida pelo órgão licitante, de que rece‑
o pedido até 5 dias úteis antes da data fixada para a abertura beu os documentos e das condições locais para o cumpri‑
dos envelopes de habilitação, devendo a Administração julgar mento das obrigações objeto da licitação;
e responder à impugnação em até 3 dias úteis (art. 41, § 1º). prova de atendimento de requisitos previstos em lei espe‑
cial, quando for o caso.
Habilitação – Art. 27
É a fase do procedimento em que a Administração verifica A documentação relativa à qualificação econômico‑fi‑
as condições dos licitantes para celebrar e executar o futuro nanceira limitar‑se‑á a (art. 31):
contrato. As exigências não podem ultrapassar os limites da
razoabilidade e estabelecer cláusulas desnecessárias e res‑
tritivas ao caráter competitivo. Devem restringir‑se apenas balanço patrimonial e demonstrações contábeis do último
ao necessário para cumprimento do objeto licitado. exercício social, que comprovem a boa situação financeira
No convite, leilão e concurso não existe a habilitação. da empresa;
Na Tomada de Preços, o interessado que não tiver ca‑ certidão negativa de falência ou concordata ou de execução
dastro pode se cadastrar até o terceiro dia anterior à data patrimonial;
do recebimento das propostas (art. 22, § 2º). Vale observar
que na Tomada de Preços é obrigatório o cadastro, o que não exigência de garantia (caução em dinheiro ou títulos da
ocorre, por exemplo, com a concorrência, pois nela existe dívida pública, seguro garantia ou fiança bancária) limitada
uma fase preliminar de habilitação. a 1% do valor estimado do objeto da contratação;
A abertura dos envelopes, contendo a habilitação, é feita nas compras para entrega futura e na execução de obras
em ato público, podendo ser apresentados em original, por e serviços, a Administração poderá estabelecer, no ins‑
qualquer processo de cópia autenticada por cartório com‑
trumento convocatório da licitação, a exigência de capital
petente ou por servidor da Administração ou publicação em
órgão da imprensa oficial. mínimo ou de patrimônio líquido mínimo, não excedente
Nessa fase, são abertos os envelopes contendo os docu‑ a 10% (dez por cento) do valor estimado da contratação;
mentos relativos à habilitação jurídica, qualificação técnica, poderá ser exigida, ainda, a relação dos compromissos
qualificação econômico‑financeira, regularidade fiscal e o assumidos pelo licitante que importem diminuição da capa‑
cumprimento do disposto no art. 7º, XXXIII, da CF, sendo que cidade operativa ou absorção de disponibilidade financeira,
todos deverão ser rubricados pelos licitantes e pela Comissão calculada esta em função do patrimônio líquido atualizado
de licitação, dando validade às respectivas documentações. e sua capacidade de rotação.
É facultado ao licitante substituir os documentos neces‑
sários à sua habilitação, por registro cadastral emitido por
órgão ou entidade pública, e desde que esteja previsto no O cumprimento do disposto no art. 7º, XXXIII, da CF,
edital tal substituição, obrigando‑se, entretanto, a declarar impõe que o licitante declare que não emprega em trabalho
a superveniência de fato impeditivo da habilitação, sob pena noturno, insalubre ou perigoso, menores de 18 anos e, em
de ser responsabilizado penalmente (art. 32, §§ 2º e 3º). qualquer trabalho, menores de 16 anos, salvo na condição
A documentação relativa à habilitação jurídica, conforme de aprendiz, a partir dos 14 anos.
o caso, consistirá em (art. 28): Se todos os documentos atenderem às exigências legais,
os licitantes serão considerados habilitados.
Os concorrentes inabilitados perderão o direito de par‑
cédula de identidade; ticipar das fases subsequentes (art. 41, § 4º).
registro comercial, no caso de empresa individual; Caso algum licitante inabilitado interponha recurso, este
ato constitutivo, estatuto ou contrato social em vigor; terá efeito suspensivo, ou seja, a sessão só deverá continuar
inscrição do ato constitutivo (no caso de sociedades civis) após o seu julgamento (art. 109, § 2º).
acompanhada de prova de diretoria em exercício; O prazo para interpor recurso é de cinco dias úteis a con‑
decreto de autorização, em se tratando de empresa ou tar da lavratura da ata, podendo a autoridade que praticou
sociedade estrangeira e ato de registro ou autorização o ato reconsiderar a sua decisão em cinco dias úteis e não a
para funcionamento. reconsiderando submetê‑lo a autoridade superior para que
profira a decisão no prazo de cinco dias úteis, contado do
A documentação relativa à regularidade fiscal, conforme recebimento do recurso (art. 109, I e § 4º).
o caso, consistirá em (art. 29): Caso não haja recurso ou após o seu indeferimento,
os envelopes contendo as propostas dos licitantes inabilita‑
dos serão devolvidos (art. 43, II).
inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou no Ca‑ Se todos os licitantes forem inabilitados, a Adminis‑
Noções de Direito Administrativo

dastro Geral de Contribuintes (CGC); tração poderá conceder o prazo de oito dias úteis para a
inscrição no Cadastro de Contribuintes Estadual ou Muni‑ apresentação de nova documentação, facultada, no caso do
cipal, se houver; convite, a redução deste prazo para três dias úteis. (Licitação
regularidade para com a Fazenda Federal, Estadual e Fracassada – art. 48, § 3º).
Municipal; Após a fase de habilitação, não cabe desistência de pro‑
regularidade relativa à Seguridade Social e ao Fundo de posta, salvo motivo justo decorrente de fato superveniente
Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). e aceito pela Comissão (art. 43, § 6º).
A documentação relativa à qualificação técnica limi‑ Classificação e Julgamento
tar‑se‑á a (art. 30): É a fase em que a comissão, em ato público, abre os envelo‑
pes contendo as propostas dos licitantes habilitados e verifica
registro ou inscrição na entidade profissional competente; se o teor de cada proposta atende aos requisitos do edital ou
comprovação de aptidão para desempenho de atividade do instrumento convocatório. É neste momento que é verifi‑
pertinente e compatível e indicação das instalações e do cado se o preço ofertado está acima do limite legal previsto
aparelhamento e do pessoal técnico; para a modalidade, se está adequado aos preços praticados

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no mercado ou fixados por órgão oficial competente, ou ainda, produzidos ou prestados por empresas que comprovem
se está de acordo com o constante no sistema de registro de cumprimento de reserva de cargos prevista em lei para
preços, sendo que todas as propostas devem ser rubricadas pessoa com deficiência ou para reabilitado da Previdência
pelos licitantes presentes e pela Comissão (art. 43, IV). Social e que atendam às regras de acessibilidade previstas
Não será admitida proposta que apresente preços simbó‑
na legislação.
licos, irrisórios, ou de valor zero, incompatíveis com os preços
dos insumos e dos salários de mercado, ou seja, inexequí‑
veis, exceto quando se referirem a materiais e instalações Permanecendo o empate entre duas ou mais empresas,
pertencentes ao próprio licitante, para os quais ele renuncie a classificação far‑se‑á, obrigatoriamente, por sorteio, em
a parcela ou à totalidade da remuneração (art. 44, § 3º). ato público, onde todos os licitantes serão convocados a
Ultrapassada a fase de habilitação dos licitantes e abertos comparecer (art. 45, § 2º).
os envelopes com as propostas, não cabe desclassificá‑los Quando a licitação for do tipo “menor preço”, a classifi‑
por motivo relacionado com a habilitação, salvo em razão de cação dar‑se‑á pela ordem crescente dos preços propostos,
fatos supervenientes ou só conhecidos após o julgamento e, em caso de empate, será decidido exclusivamente por
sorteio (art. 45, § 3º).
(art. 43, § 5º).
No caso do concurso, o julgamento é feito por uma co‑
No julgamento das propostas, a comissão levará em
missão especial, integrada por pessoas de reputação ilibada e
consideração os critérios objetivos definidos no edital ou
reconhecido conhecimento da matéria em exame, servidores
convite, os quais não devem contrariar as normas e princípios
públicos ou não (art. 51,§ 5º).
estabelecidos pela lei (art. 44, caput).
Após o julgamento, emerge o vencedor da licitação, ou
Se todos os licitantes forem desclassificados, a Admi‑
seja, aquele que foi classificado em primeiro lugar.
nistração poderá conceder o prazo de oito dias úteis para a
apresentação de nova documentação, facultada, no caso do
Homologação
convite, a redução deste prazo para três dias úteis (Licitação
É o ato pelo qual a autoridade competente, após exami‑
Fracassada – art. 48, § 3º).
nar todos os atos pertinentes ao seu desenvolvimento pode
Se houver recurso, aplicar‑se‑á o mesmo procedimento
decidir de acordo com um das alternativas abaixo:
da habilitação, ou seja, a sessão será suspensa, até o seu
julgamento. O prazo para sua interposição é de cinco dias
úteis a contar da lavratura da ata, podendo a autoridade homologar a licitação, pois não se verificou nenhuma
que praticou o ato reconsiderar a sua decisão em cinco dias irregularidade;
úteis e, não a reconsiderando, submetê‑lo à autoridade determinar o retorno dos autos à comissão de licitação
superior para que profira a decisão no prazo de cinco dias para correção de irregularidades sanáveis;
úteis, contado do recebimento do recurso (art. 109, I e § 4º).
revogar a licitação por razões de interesse público, decorren‑
Se todas as propostas forem classificadas, realiza‑se o
julgamento, no qual se confrontam as propostas classifica‑ te de fato superveniente devidamente comprovado, perti‑
das procedendo‑se à seleção daquela que se afigura mais nente e suficiente para justificar tal conduta (art. 49, caput);
vantajosa para a Administração. anular o processo, no todo ou em parte, se verificar a
Segundo o critério adotado no ato convocatório e para o ocorrência de ilegalidade (art. 49, § 1º).
fim de julgamento, os tipos de licitação para obras, serviços
e compras, exceto para o concurso, são os seguintes (art. 45): Quando a autoridade homologa o julgamento, confirma
Menor preço – O critério de julgamento é o menor preço a validade da licitação e o interesse da Administração em
ofertado. ver executada a obra ou o serviço, ou contratada a compra.
Melhor técnica – O parâmetro de julgamento é o ofere‑ A consequência jurídica da homologação é a adjudicação.
cimento de melhor técnica para executar o objeto do futuro
contrato. Esse tipo de licitação é destinado exclusivamente Adjudicação
para serviços de natureza predominantemente intelectual, É o ato pelo qual a Administração, por meio da autoridade
em especial na elaboração de projetos, cálculos, fiscalização, competente para homologar, atribui ao vencedor o objeto
supervisão e gerenciamento e de engenharia consultiva em da licitação.
geral e em particular para a elaboração de estudos técnicos Trata‑se de ato vinculado, uma vez que a autoridade
preliminares, projetos básicos e executivos, exceto para a competente para a aprovação do procedimento somente
contratação de bens e serviços de informática, em que a poderá deixar de efetuar a adjudicação por motivo de ile‑
modalidade obrigatória é a “técnica e preço”. galidade (anulação) ou interesse público decorrente de fato
Técnica e preço  – Por esse critério, a classificação e o superveniente (revogação).
julgamento se efetuam de acordo com a média ponderada Da adjudicação decorrem alguns efeitos:
Noções de Direito Administrativo

(art. 46, § 2º) das valorizações técnicas e do preço ofertado,


segundo pesos que deverão ser fixados no ato convocatório. aquisição do direito de contratar: presume‑se que, se a
Maior lance ou oferta – O próprio nome já diz, o critério Administração adjudicou, ela tem o interesse em contratar.
é o maior lance ou a maior oferta. É utilizado nos casos de Excetuando‑se os casos de anulação e revogação (art. 49);
alienação de bens ou concessão de direito real de uso.
o impedimento de a Administração contratar o objeto
Critérios de Desempate licitado com qualquer outro que não seja o adjudicatário,
Em igualdade de condições, será assegura a preferência, salvo se este não quiser (art. 50);
sucessivamente, aos bens e serviços (art. 3º, § 2º): vinculação do adjudicatário aos encargos, termos e con‑
dições fixados no edital.
produzidos no País;
produzidos ou prestados por empresas brasileiras; Feita a adjudicação, a Administração convocará o adju‑
dicatário para assinar o contrato, caso em que se este não
produzidos ou prestados por empresas que invistam em
assinar no prazo e condições estabelecidos, perderá o direito
pesquisa e no desenvolvimento de tecnologia no País;
à contratação e ficará sujeito às penalidades previstas na

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lei, sendo facultado à Administração convocar os licitantes Convite
remanescentes, na ordem de classificação, para fazê‑lo em
igual prazo e nas mesmas condições propostas pelo primei‑ É a modalidade de licitação entre interessados do ramo
ro classificado, inclusive quanto aos preços atualizados de pertinente ao seu objeto, cadastrados ou não, escolhidos
conformidade com o ato convocatório ou revogá‑la, indepen‑ e convidados em número mínimo de três pela unidade
dentemente das cominações prevista no art. 81. administrativa, a qual afixará, em local apropriado, cópia
Decorridos 60 dias da data da entrega das propostas, sem do instrumento convocatório e o estenderá aos demais
a convocação para a contratação, ficam os licitantes liberados cadastrados na correspondente especialidade que manifes‑
dos compromissos assumidos (art. 64, § 3º). tarem seu interesse com antecedência de até 24 horas da
apresentação das propostas.
Modalidades de Licitação – Art. 22 Admite‑se o convite nas licitações internacionais quando
não houver fornecedor do bem ou serviço no país (art. 23,
§ 3º).
CONCORRÊNCIA No lugar do convite, pode ser utilizada a tomada de
TOMADA DE PREÇOS preços e concorrência (art. 23, § 4º).
CONVITE
• Valores que Exigem Convite
CONCURSO
LEILÃO
obras e serviços de engenharia até R$ 150.000,00.
PREGÃO
compras e serviços até R$ 80.000,00
Concorrência
Deliberações do TCU:
Modalidade de licitação entre quaisquer interessados
que, na fase inicial de habilitação preliminar, comprovem pos‑ Não se obtendo o número legal mínimo de três pro‑
suir os requisitos mínimos exigidos no edital para execução postas aptas à seleção, na licitação sob a modalidade
de seu objeto. Não há necessidade de cadastro prévio, pois Convite, impõe‑se a repetição do ato, com a convo‑
visa alcançar o maior número de interessados. cação de outros possíveis interessados, ressalvadas
A concorrência objetiva a celebração de contratos de as hipóteses previstas no parágrafo 7º, do art. 22, da
grande vulto por causa de seus valores que são os maiores, Lei nº 8.666/1993. SÚMULA Nº 248.
mas há casos que, independentemente do valor do objeto a Ao realizar licitações sob a modalidade de convite,
ser contratado, é obrigatório o seu uso, como, por exemplo, somente convide as empresas do ramo pertinente ao
objeto licitado, conforme exigido pelo art. 22, § 3º, da
nas compras ou alienações de bens imóveis, nas concessões
Lei nº 8.666/1993 e repita o certame quando não ob‑
de direito real de uso, na concessão de serviços públicos e
tiver três propostas válidas, ressalvadas as hipóteses
para licitações internacionais, nos casos em que não se apli‑ de limitação de mercado ou manifesto desinteresse
car a tomada de preços e o convite (art. 23, § 3º). dos convidados, circunstâncias essas que devem estar
A concorrência também pode ser utilizada no lugar do justificadas no processo, consoante § 7º do mesmo
convite e da tomada de preços (art. 23, § 4º). artigo. Acórdão nº 819/2005. Plenário.
• Valores que Exigem Concorrência: Concurso

obras e serviços de engenharia acima de R$ 1.500.000,00. É a modalidade de licitação entre quaisquer interessa‑
compras e serviços acima de R$ 650.000,00. dos para escolha de trabalho técnico, científico ou artístico,
mediante a instituição de prêmios ou remuneração aos
No caso de Consórcios Públicos, as faixas de valores serão vencedores.
dobradas se o consórcio for formado por até três entidades O concurso deve ser precedido de regulamento próprio,
a ser obtido pelos interessados no local indicado no edital,
federativas e triplicada se o número de pactuantes for su‑
contendo a qualificação exigida dos participantes, as diretri‑
perior a três (art. 23, § 8º).
zes e a forma de apresentação do trabalho e as condições
de realização do concurso e os prêmios a serem concedidos,
Tomada de Preços sendo que, quando se tratar de projeto, o vencedor deve
autorizar a Administração a executá‑lo quando julgar con‑
Modalidade de licitação entre interessados devidamente veniente (art. 52).
Noções de Direito Administrativo

cadastrados ou que atenderem a todas as condições exigidas


para o cadastramento até o 3º dia anterior à data do rece‑ Leilão
bimento das propostas. Admite‑se a tomada de preços nas
licitações internacionais quando o órgão ou entidade dispu‑ É a modalidade de licitação entre quaisquer interessados
ser de cadastro internacional de fornecedores (art. 23, § 3º). para a venda de bens móveis inservíveis para a Administração
É a modalidade adequada para celebração de contratos ou de produtos legalmente apreendidos.
de vulto médio. O leilão também pode ser utilizado para a alienação de
A tomada de preços pode ser utilizada no lugar do convite bens imóveis, cuja aquisição haja derivado de procedimentos
(art. 23, § 4º). judiciais ou de dação em pagamento. Não há necessidade
de habilitação, permitindo a qualquer interessado sua par‑
• Valores que exigem Tomada de Preços: ticipação. Todo bem a ser leiloado deverá ser avaliado pre‑
viamente pela Administração para fixação do preço mínimo
obras e serviços de engenharia até R$ 1.500.000,00. de arrematação (art. 53, § 1º).
É considerado vencedor do leilão aquele que oferecer o
compras e serviços até R$ 650.000,00. maior lance, igual ou superior ao valor da avaliação, sendo

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que os bens arrematados serão pagos à vista ou no per‑ Trata‑se, portanto, de bens e serviços geralmente ofere‑
centual estabelecido no edital (não inferior a 5%) e, após cidos por diversos fornecedores e facilmente comparáveis
a assinatura da respectiva ata lavrada no local do leilão, entre si, de modo a permitir a decisão de compra com base
imediatamente entregue ao arrematante, o qual se obrigará no menor preço.
ao pagamento do restante no prazo estipulado no edital de O Decreto nº 3.555/2000 estabeleceu, em seu Anexo
convocação, sob pena de perder em favor da Administração II, quais bens e serviços se enquadram nessa tipificação,
o valor já recolhido (art. 53, § 2º). porém a lista não se exaure somente nesses, podem ser
O leilão pode ser realizado por leiloeiro oficial ou por acrescentados outros conforme o interesse público reclame:
servidor designado pela Administração (art. 53).
Bens Comuns
Registros Cadastrais • Bens de consumo (água mineral, combustível e lubrifi‑
cante, gás, gênero alimentício, material de expediente,
Os órgãos e entidades da Administração Pública, que material hospitalar, médico e de laboratório, medica‑
realizem frequentemente licitações, manterão registros mentos, drogas e insumos farmacêuticos, material de
cadastrais para efeito de habilitação de fornecedores em limpeza e conservação, oxigênio, uniforme);
licitação, dispensa e inexigibilidade, válidos por, no máximo, • bens permanentes (mobiliário, equipamentos em
um ano (art. 34 da Lei nº 8.666/1993 c/c art. 1º, 1º, do De‑ geral, exceto bens de informática, utensílios de uso
creto nº 3.772/2001). geral, exceto bens de informática, veí­culos automoti‑
No âmbito Federal, o responsável pelo registro cadastral vos em geral, microcomputador de mesa ou portátil
do Poder Executivo é o SICAF (Sistema de Cadastramento (“notebook”), monitor de vídeo e impressora).
Unificado de Fornecedores), conforme previsto no Decreto
nº 3.722/2001. Serviços Comuns
O interessado, ao requerer sua inscrição no cadastro, ou • Serviços de apoio administrativo;
para fins de atualização deste, a qualquer tempo, deverá for‑ • serviços de apoio à atividade de informática (digitação
necer os documentos necessários à sua habilitação (art. 35). e manutenção);
Aos inscritos será fornecido certificado, renovável sempre • serviços de assinaturas jornal (periódico, revista, tele‑
que atualizarem o registro (art. 36). visão via satélite, televisão a cabo);
• serviços de assistência (hospitalar, médica, odontoló‑
Pregão gica);
• serviços de atividades auxiliares (ascensorista, auxiliar
Introdução de escritório, copeiro, garçom, jardineiro, mensageiro,
motorista, secretária, telefonista);
O Pregão foi instituído como modalidade de licitação pela • serviços de confecção de uniformes;
primeira vez por meio da Medida Provisória nº 2.026, de 4 • serviços de copeiragem;
de maio de 2000, que dizia em seu art. 1º: • serviços de eventos;
• serviços de filmagem;
Para aquisição de bens e serviços comuns, a União • serviços de fotografia;
poderá adotar licitação na modalidade de pregão, • serviços de gás natural;
que será regida por esta Medida Provisória. • serviços de gás liquefeito de petróleo;
• serviços gráficos;
Em agosto de 2000, o Decreto nº 3.555/2000 detalhou os • serviços de hotelaria;
procedimentos previstos na Medida Provisória e especificou • serviços de jardinagem;
os bens e serviços comuns. • serviços de lavanderia;
Após várias reedições, a última em agosto de 2001 • serviços de limpeza e conservação;
(MP nº 2.182), a Medida Provisória foi convertida na Lei nº • serviços de locação de bens móveis;
10.520/2002, aplicando-se a todos os entes da Federação, • serviços de manutenção de bens imóveis;
ou seja, União, Estados, Distrito Federal e Municípios. • serviços de manutenção de bens móveis;
• serviços de remoção de bens móveis;
Conceito • serviços de microfilmagem;
• serviços de reprografia;
É a modalidade de licitação para aquisição de bens e • serviços de seguro saúde;
serviços comuns pela União, Estados, Distrito Federal e • serviços de degravação;
Municípios, conforme disposto em regulamento, qualquer • serviços de tradução;
que seja o valor estimado da contratação, na qual a disputa • serviços de telecomunicações de dados;
Noções de Direito Administrativo

pelo fornecimento é feita por meio de propostas e lances • serviços de telecomunicações de imagem;
em sessão pública. • serviços de telecomunicações de voz;
Para habilitação dos licitantes, será exigida a documen‑ • serviços de telefonia fixa;
tação relativa à habilitação jurídica, à qualificação técnica, • serviços de telefonia móvel;
à  qualificação econômico‑financeira; à regularidade fiscal • serviços de transporte;
com a Fazenda Nacional, o sistema da seguridade social e o • serviços de vale refeição;
Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS; à regularida‑ • serviços de vigilância e segurança ostensiva;
de fiscal perante as Fazendas Estaduais e Municipais, quando • serviços de fornecimento de energia elétrica;
for o caso; e cumprimento do disposto no art. 33 da CF. • serviços de apoio marítimo;
• serviço de aperfeiçoamento, capacitação e treinamento.
Bens e Serviços Comuns
Deliberações do TCU:
Bens e serviços comuns são aqueles cujos padrões de de‑
sempenho e qualidade possam ser objetivamente definidos A lista de serviços constante do Anexo II do Decreto
pelo edital, por meio de especificações usuais no mercado. nº 3.555, de 2000, não é exaustiva, haja vista a im‑

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possibilidade de relacionar todos os bens e serviços O pregão também não se aplica à contratação de bens e
comuns utilizados pela Administração. Decisão nº serviços de informática (exceto Microcomputador de mesa
343/2002 Plenário (Relatório do Ministro Relator). ou portátil – notebook, monitor de vídeo e impressora), pois,
para esse tipo de contratação, deverá ser adotada, obrigato‑
Considerações Gerais riamente, modalidade de licitação do tipo “técnica e preço”,
conforme estabelece art. 45, § 4º, da Lei nº 8.666/1993 e
O Pregão veio para permitir maior celeridade nas aqui‑ o Decreto nº 1.070/1994, que regulamenta o art. 3º da Lei
sições, redução dos custos, pois o critério será sempre o de nº 8.248/1991.
menor preço e facilidade na participação de competidores, Deliberação do TCU:
pois inverte as fases de habilitação e classificação dos lici‑
tantes, dessa forma somente serão analisadas as propostas Realize procedimento licitatório na modalidade pregão
que ofereceram os menores preços. sempre que os produtos e serviços de informática
O prazo fixado para apresentação das propostas, con‑ possuam padrões de desempenho e de qualidade
tados a partir da publicação do aviso, não será inferior a 8 objetivamente definidos pelo edital, com base em
dias úteis (art. 4º, V). especificações usuais no mercado, conforme prevê o
Em dia, hora e local marcados, será aberta a sessão art. 1º, parágrafo único, da Lei nº 10.520/2002, haja
que dará início ao pregão, devendo o interessado ou seu vista a experiência que a Administração Pública vem
representante legal apresentar declaração de que cumpre os granjeando na redução de custos e do tempo de aquisi‑
ção de bens, adquiridos por intermédio daquela espécie
requisitos de habilitação e entregar os envelopes contendo
de certame público. Acórdão nº 1.182/2004. Plenário.
a indicação do objeto e do preço oferecido, o qual será ime‑
diatamente verificado se atende os requisitos estabelecidos
Utilize a modalidade de licitação pregão estrita‑
no edital (art. 4º, VI e VII). mente para aquisição e/ou contratação dos bens
No curso da sessão, o autor da oferta de valor mais baixo ou serviços comuns listados no anexo II do Decreto
e os das ofertas com preços até 10% (dez por cento) superio‑ nº 3.555/2000, em especial, para compra de somente
res àquela poderão fazer novos lances verbais e sucessivos, os seguintes bens de informática: microcomputador
até a proclamação do vencedor (art. 4º, VIII). de mesa ou portátil (notebook), monitor de vídeo e
Analisadas as propostas, surgirá a classificada em pri‑ impressora, nos termos do item 2.5, do Anexo II, do
meiro lugar, e assim sucessivamente, cabendo ao pregoeiro citado decreto. Acórdão nº 740/2004. Plenário.
decidir sobre sua aceitabilidade (art. 4º, XI). Nessa fase o
pregoeiro pode negociar diretamente com o licitante para Adote obrigatoriamente, nas licitações para a aquisição
que seja obtido preço melhor (art. 4º, XVII). de bens e serviços de informática, o tipo “técnica e
Encerrando‑se a fase competitiva, dar‑se‑á a análise preço”, em obediência ao disposto no art. 45, § 4º, da
dos envelopes contendo os documentos de habilitação. Lei nº 8.666/1993, ressalvados os casos previstos no De‑
Verificado o atendimento das exigências fixadas no edital, creto nº 1.070/1994. Acórdão nº 1.292/2003. Plenário.
o licitante que apresentou a melhor proposta será declarado
vencedor (art. 4º, XV). Pregão Eletrônico
Homologado o pregão pela autoridade competente,
o adjudicatário será convocado para assinar o contrato no O pregão eletrônico, regulamentado pelo Decreto
prazo definido em edital (art. 4º, XXII). nº 5.450/2005, destina‑se também à aquisição de bens e
O prazo de validade das propostas será de 60 dias, serviços comuns, como modalidade de licitação do tipo
se outro não for fixado no edital; se o licitante vencedor, menor preço (art. 2º).
convocado dentro do prazo de validade da sua proposta, Para habilitação dos licitantes, será exigida, exclusi‑
não celebrar o contrato, o pregoeiro examinará as ofertas vamente, a documentação relativa à habilitação jurídica,
subsequentes e a qualificação dos licitantes, na ordem de à qualificação técnica, à qualificação econômico‑financeira;
classificação, e assim sucessivamente, até a apuração de uma à regularidade fiscal com a Fazenda Nacional, o sistema
que atenda ao edital, sendo o respectivo licitante declarado da seguridade social e o Fundo de Garantia do Tempo de
vencedor (art. 4º, XXIII). Serviço – FGTS; à regularidade fiscal perante as Fazendas
O pregão não se aplica às contratações de obras de en‑ Estaduais e Municipais, quando for o caso; e cumprimento
genharia, bem como às locações imobiliárias e alienações do disposto no art. 33 da CF.
em geral (art. 5º do Decreto nº 3.555/2000). É realizado em sessão pública na internet e será condu‑
zido pelo órgão ou entidade promotora da licitação, com
Deliberações do TCU: apoio técnico e operacional da Secretaria de Logística e
Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento,
Noções de Direito Administrativo

A Lei nº 10.520, de 2002, não exclui previamente a Orçamento e Gestão, que atuará como provedor do sistema
eletrônico para os órgãos integrantes do Sistema de Serviços
utilização do Pregão para a contratação de obra e
Gerais – SISG (art. 2º, § 4º).
serviço de engenharia. O que exclui essas contrata‑
É um procedimento que permite aos licitantes, estando
ções é o art. 5º do Decreto 3.555, de 2000. Todavia,
aberta a etapa competitiva (a partir do horário previsto no
o item 20 do Anexo II desse mesmo Decreto autoriza edital), encaminhar lances exclusivamente por meio do
a utilização do Pregão para a contratação de serviços sistema eletrônico (art. 24).
de manutenção de imóveis, que pode ser considerado Durante o transcurso da sessão pública, os licitantes são
serviço de engenharia. Não satisfeito em pesquisar informados, em tempo real, do valor do menor lance oferecido
este assunto na jurisprudência desta Casa, consultei até o momento, podendo oferecer outro de menor valor, recu‑
diversos doutrinadores e constatei que nenhum perando a vantagem sobre os demais licitantes (art. 24, § 5º).
traz a definição objetiva e clara do que seja ‘serviço Após o encerramento da etapa de lances da sessão
de engenharia’, portanto, do ponto de vista doutri‑ pública, o pregoeiro poderá encaminhar, pelo sistema ele‑
nário, concluo que permanece o impasse. Acórdão trônico, contraproposta ao licitante que tenha apresentado
nº 195/2003 Plenário (Voto do Ministro Relator). lance mais vantajoso, para que seja obtida melhor propos‑

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ta, observado o critério de julgamento, não se admitindo CONTRATOS ADMINISTRATIVOS
negociar condições diferentes daquelas previstas no edital
(art. 24, § 8º).
LEI Nº 8.666/1993
Encerrada a etapa de lances, o pregoeiro examinará a
proposta classificada em primeiro lugar quanto à compati‑ Contrato
bilidade do preço em relação ao estimado para contratação
e verificará a habilitação do licitante conforme disposições É todo acordo de vontades, firmado livremente pelas
do edital. Constatado o atendimento às exigências, o licitante partes, para criar obrigações e direitos recíprocos.
será declarado vencedor (art. 25, § 9º). Todo contrato – privado ou público – é dominado por dois
Após a homologação, o adjudicatário será convocado princípios: o da lei entre as partes (lex inter partes) e o da
para assinar o contrato ou a ata de registro de preços no observância do pactuado (pacta sunt servanda). O primeiro
prazo definido no edital, devendo apresentar a comprovação impede a alteração do que as partes convencionaram; o
das condições de habilitação (art. 27, § 1º). segundo obriga‑as a cumprir fielmente o que avençaram e
Caso o vencedor da licitação não comprove as condições prometeram reciprocamente.
de habilitação ou recuse‑se, injustificadamente, a assinar o
contrato ou a ata de registro de preços, o pregoeiro poderá Contrato Administrativo
convocar outro licitante, desde que respeitada a ordem de
classificação, para, após comprovados os requisitos habilita‑ É todo e qualquer ajuste entre órgãos ou entidades da
tórios e feita a negociação, assinar o contrato ou a ata de re‑ Administração Pública e particulares em que haja um acordo
gistro de preços, sem prejuízo das multas previstas em edital
de vontades para a formação de vínculo e a estipulação de
e no contrato e das demais cominações legais (art. 27, § 2º).
O prazo de validade das propostas será de 60 dias, salvo obrigações recíprocas, seja qual for a denominação utilizada
disposição específica do edital (art. 27, § 4º). (art. 2º, parágrafo único).
Aquele que, convocado dentro do prazo de validade de
sua proposta, não assinar o contrato ou ata de registro de Interpretação do Contrato Administrativo
preços, deixar de entregar documentação exigida no edital,
apresentar documentação falsa, ensejar o retardamento da Os contratos administrativos regulam‑se pelas normas
execução de seu objeto, não mantiver a proposta, falhar ou de Direito Público, suplementadas pelos princípios da Teoria
fraudar na execução do contrato, comportar‑se de modo Geral dos Contratos e das disposições de Direito Privado
inidôneo, fizer declaração falsa ou cometer fraude fiscal, (art. 54).
garantido o direito à ampla defesa, ficará impedido de lici‑
tar e de contratar com a União, e será descredenciado no Características dos Contratos Administra­tivos
SICAF, pelo prazo de até cinco anos, sem prejuízo das multas
previstas em edital e no contrato e das demais cominações É sempre:
legais (art. 28).
O pregão eletrônico também não se aplica às contrata‑
ções de obras de engenharia, bem como às locações imobiliá‑ Consensual Pois consubstancia um acordo de von‑
rias e alienações em geral (art. 6º do Decreto nº 5.450/2005). tades, portanto, bilateral.

Anulação e Revogação E em regra:

Como todo ato administrativo, a licitação é suscetível Formal Por escrito e com requisitos especiais.
de invalidação, ou seja, sua retirada do mundo jurídico, ora
por motivo de legalidade ora mediante um juízo de valor Oneroso Remunerado da forma convencionada.
(conveniência e oportunidade). Comutativo Direitos e obrigações recíprocas entre
contratante e contratado.
Revogação Intuito Personae Obriga o contratado a realizar pessoal­
mente o objeto do contrato, sem trans­
A autoridade competente para a aprovação do proce‑
ferência de responsabilidade ou sub‑
dimento somente poderá revogar a licitação por razões de
interesse público decorrente de fato superveniente devida‑ contratações não autorizadas (art. 72).
mente comprovado, pertinente e suficiente (motivado), para
justificar tal conduta (efeito ex nunc), devendo, entretanto, Podem ser de:
indenizar o licitante se houver prejuízo comprovado (art. 49).
Noções de Direito Administrativo

Colaboração É todo aquele em que o particular se obriga


Anulação a prestar ou realizar algo para a Administra‑
ção, como ocorre nos contratos de obras,
A autoridade competente somente poderá anulá‑la serviços ou fornecimentos.
por ilegalidade, de ofício ou por provocação de terceiros, Atribuição É o que a Administração confere determi‑
mediante parecer escrito e devidamente fundamentado.
nadas vantagens ou certos direitos ao parti‑
Poderá ser anulada também pelo Poder Judiciário, desde
que devidamente provocado (efeito ex tunc). cular, tal como os de uso de bens públicos.
A anulação pode ser declarada em qualquer fase e a qual‑
quer tempo do procedimento, podendo incidir sobre deter‑ Peculiaridades do Contrato Administrativo
minado ato, aproveitando‑se os demais, desde que estes não
estejam viciados pela ilegalidade e não causem prejuízos aos Constituem, genericamente, as chamadas cláusulas exor‑
participantes da licitação, justifica‑se tal possibilidade pela bitantes, explícitas ou implícitas em todo contrato administra‑
incidência do principio da economia processual. A anulação tivo. São as que excedem do Direito Comum para consignar
do procedimento licitatório por motivo de ilegalidade não uma vantagem à Administração, colocando‑a em posição de
gera obrigação de indenizar. supremacia sobre o contratado. Eis algumas delas (art. 58):

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Alteração Unilateral dentro do prazo e nas condições estabelecidas no instrumen‑
to convocatório (art. 64). Esse prazo pode ser prorrogado
Confere à Administração a prerrogativa de alterar uni‑ uma vez por igual período, quando solicitado pelo licitante
lateralmente o contrato visando a melhor adequação às vencedor durante o seu transcurso e desde que ocorra mo‑
finalidades de interesse público, respeitados os direitos do tivo justificado e aceito pela Administração (art. 64, § 1º).
contratado (art. 65). O local de sua formalização em regra é na repartição
interessada, que deverá manter arquivo cronológico dos seus
Equação Financeira autógrafos e registro sistemático do seu extrato. Quando
tratar‑se de contratos de direitos reais sobre imóveis, a for‑
Refere‑se ao equilíbrio econômico‑financeiro do contra‑ malização se efetuará necessariamente em cartório, por meio
to, significa a proporção entre os encargos do contratado e de escritura pública (art. 60).
a sua remuneração (art. 65, III). Se o licitante classificado em primeiro lugar não com‑
parecer para assinar o termo de contrato ou não aceitar ou
Inoponibilidade de Exceção de Contrato não retirar o instrumento equivalente, decairá o seu direito à
Cumprido
contratação (art. 64).
Significa que o contratado não pode invocar o descumpri‑ Se isso ocorrer, a Administração tem duas alternativas:
mento pela Administração de cláusulas contra­tuais (exceptio
non adimpleti contractus) para eximir‑se do cumprimento 1ª) Poderá convocar os licitantes remanescentes, na
de seus encargos. A justificativa dessa cláusula encontra‑se ordem de classificação, para fazê‑lo em igual prazo
principalmente no princípio da continuidade dos serviços e nas mesmas condições da proposta vencedora,
públicos que não podem parar. Porém a Lei contempla dois inclusive quanto aos preços atualizados, conforme
casos em que o particular pode invocar a exceção de contrato previsão no ato convocatório.
não cumprido (art. 78, XIV e XV). São elas:
2ª) Revogar a licitação.
a) a suspensão de sua execução, por ordem escrita da
Administração, por prazo superior a 120 dias, salvo em caso
de calamidade pública, grave perturbação da ordem interna Cabe lembrar que, se decorridos 60 dias da data da en‑
ou guerra, ou ainda por repetidas suspensões que totalizem trega das propostas, a Administração não convocar para a
o mesmo prazo; contratação, ficam os licitantes liberados dos compromissos
b) o atraso de pagamentos, superior a 90 dias, pela assumidos (art. 64, § 3º).
Administração, salvo em caso de calamidade pública, grave
perturbação da ordem interna ou guerra. Penalidades Aplicáveis para quem Recusar
Injustificadamente Assinar o Termo de Contrato,
Fiscalização Aceitar ou Retirar o Instrumento Equivalente

Além de direito, é dever da Administração fiscalizar e A recusa injustificada em assinar o termo de contrato,
acompanhar a execução do contrato, por meio de represen‑ aceitar ou retirar o instrumento equivalente, dentro do prazo
tante no local de execução, sendo permitida a contratação estabelecido pela Administração, caracteriza descumpri‑
de terceiros para assisti‑lo e subsidiá‑lo de informações mento total da obrigação assumida (art. 81) e está sujeita
pertinentes a essa atribuição (art. 67). às seguintes penalidades (art. 87):
Imposição de Sanções
• multa;
A lei prevê a aplicação de sanções por atraso (art. 86) ou • suspensão temporária de participação em lici­tação;
inexecução total ou parcial do contrato (art. 87). • impedimento de contratar com a Administração,
por até 2 anos;
Ocupação Provisória
• declaração de inidoneidade.
Nos casos de serviços essenciais, a Administração pode‑
rá ocupar provisoriamente bens móveis, imóveis, pessoal Forma dos Contratos Administrativos
e serviços vinculados ao objeto do contrato, a título de
cautela, para apurar faltas administrativas cometidas pelo Exceção (art. 60,
Regra geral
contratado, bem como na hipótese de rescisão do contrato parágrafo único)
administrativo (art. 58, V). Os contratos administra‑ Pequenas compras de pronto
tivos devem apresentar a pagamento, feitas em regime
Retomada do Objeto
Noções de Direito Administrativo

forma escrita. de adiantamento, com valor


máximo de até R$ 4.0000,00.
Pelo princípio da continuidade dos serviços públicos, Qualquer outro será nulo de
a Administração pode retomar o objeto do contrato, no pleno direito.
estado e local em que se encontrar (art. 80, I).
Instrumento de Contrato
Rescisão Unilateral

Confere à Administração a prerrogativa de rescindi‑lo Termo de Contrato


pelo descumprimento de cláusulas ou por razões de interesse É obrigatório nos casos de concorrência e de tomada
público, sempre com motivação (art. 58, II). de preços, bem como nas dispensas e inexigibilidades cujos
preços estejam compreendidos nos limites dessas duas
Formalização do Contrato Administrativo modalidades de licitação (art. 62), nas compras, qualquer
que seja o valor, das quais resultem obrigações futuras, com
Após a adjudicação do objeto ao licitante vencedor, entrega futura ou parcelada do bem adquirido, inclusive
a Administração o convocará para assinar o futuro contrato, assistência técnica (art. 62, § 4º), e no pregão.

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Carta‑contrato, Nota de Empenho, Autorização de necessariamente compreende o prazo de duração do contrato,
Compra, Ordem de Execução de Serviço pois a vigência pode se estender além desse prazo, quando, por
São aplicáveis, conforme o caso, nas hipóteses em que exemplo, existe cláusula de garantia técnica de equipamentos.
puderem ser substituídas pelo termo de contrato, e no caso
de compras, qualquer que seja o valor, das quais não resul‑ Eficácia dos Contratos Administrativos
tem obrigações futuras, com a entrega imediata e integral
do bem adquirido, inclusive assistência técnica (art. 62, § 4º). Já a eficácia pode coincidir com a vigência, pois corres‑
ponde à possibilidade de produção de seus efeitos.
Cláusulas Essenciais
Prazo de Duração
São aquelas que não podem faltar, estão previstas nos
arts. 55 e 61. Entre outras, merecem destaque: Em regra, coincide com a vigência do crédito orçamen‑
• nome das partes e os seus representantes; sua finali‑ tário (art. 57), porém, como a Administração celebra vários
dade; o ato que autorizou a sua lavratura; o número do tipos de contratos, há casos em que a execução do objeto
processo da licitação, da dispensa ou da inexigibilidade; vai além da vigência do crédito orçamentário, cujo prazo,
a sujeição dos contratantes às normas desta Lei (ou na Administração Direta, encerra‑se em 31 de dezembro de
outras em casos omissos) e às cláusulas contratuais;
cada ano (corresponde ao ano civil). Exceções:
• o crédito pelo qual correrá a despesa;
• o objeto e seus elementos característicos;
Projetos Contemplados no Plano Plurianual
• as garantias oferecidas para assegurar sua plena exe‑
cução, se exigidas; São aqueles cuja duração ultrapassa um exercício finan‑
• o regime de execução ou a forma de forneci­mento; ceiro (art. 57, I).
• o preço e as condições de pagamento;
• os prazos de início de etapas de execução, de con‑ Prestação de Serviços Contínuos
clusão, de entrega, de observação e de recebimento O prazo de duração do contrato pode ser prorrogado por
definitivo; até 60 meses, admitindo‑se, em caráter excepcional e desde
• a vinculação ao edital de licitação ou ao termo que a que devidamente justificado, o seu prolongamento por mais
dispensou ou a inexigiu, ao convite e à proposta do 12 meses (art. 57, § 4º).
licitante vencedor;
• a obrigação do contratado de manter, durante toda Aluguel de Equipamentos e Utilização de Programas
a execução do contrato, em compatibilidade com as de Informática
obrigações por ele assumidas, todas as condições de O prazo de duração desses contratos pode estender‑se
habilitação e qualificação exigidas na licitação. pelo prazo de até 48 meses após o início da vigência do
contrato.
Garantias para a Execução do Contrato
Alteração dos Contratos Administrativos
A escolha da garantia, caso exigida pela Administração,
fica a critério do contratado dentre as modalidades enume‑ Os contratos administrativos podem ser alterados com as
radas na lei (art. 56). devidas justificativas, nos seguintes casos (art. 65):
O seu valor não excederá a 5% do valor do contrato, e em Unilateralmente pela Administração
até 10% para obras, serviços e fornecimentos de grande vulto • quando houver modificação do projeto ou das espe‑
envolvendo alta complexidade técnica e riscos financeiros cificações;
consideráveis, que deverão ser demonstrados por meio de • quando necessária a modificação do valor contratual
parecer técnico aprovado pela autoridade competente. São em decorrência de acréscimo ou supressão quantita‑
modalidades de garantia: tiva de seu objeto (o contratado é obrigado a aceitar,
nas mesmas condições contratuais – art. 65, § 1º):
Caução – para obras, serviços ou compras: até o limite de
É toda garantia em dinheiro ou em títulos da dívida 25%, do valor inicial do contrato (atualizado), para
pública; é uma reserva de numerário ou de valores que a acréscimos ou supressões;
Administração pode usar sempre que o contratado faltar a – para reforma de edifício ou equipamento: até o
seus compromissos.
limite de 50%, para seus acréscimos.
Seguro‑Garantia
Acordo entre as partes
É a garantia oferecida por uma companhia seguradora
Noções de Direito Administrativo

• quando conveniente a substituição da garantia de


para assegurar a plena execução do contrato, tais como
seguro de bens e de pessoas, entre outros. execução;
• quando necessária a modificação do regime de exe‑
Fiança Bancária cução da obra ou serviço, bem como do modo de
É a garantia fidejussória fornecida por um banco que se fornecimento;
responsabiliza perante a Administração pelo cumprimento • quando necessária a modificação da forma de paga‑
das obrigações do contratado. mento;
A devolução da garantia é feita após a execução do con‑ • para restabelecer o equilíbrio econômico‑financeiro
trato (atualizada monetariamente) ou caso haja rescisão do do contrato, nos casos de:
contrato nas formas do art. 78, XII a XVII, e art. 80, III. – fatos imprevisíveis, ou previsíveis, porém de conse‑
quências incalculáveis, retardadores ou impeditivos
Vigência dos Contratos Administrativos da execução do ajustado;
– força maior;
A vigência do contrato tem início com a sua formalização – caso fortuito;
(data e assinatura), salvo se outra for estipulada no contrato. Não – fato do príncipe.

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Execução do Contrato Administrativo Reajuste de Preços

Executar o contrato é cumprir fielmente as cláusulas acorda‑ Em contratos com prazo de duração igual ou superior
das, conforme explícito no art. 66, caput, da Lei nº 8.666/1993. a um ano, é admitida cláusula com previsão de reajuste de
preços ou correção monetária.
Direitos e Obrigações da Administração O reajuste dos preços contratuais só pode ocorrer quan‑
do a vigência do contrato ultrapassar doze meses, contados
O principal direito da Administração é o de exercer suas a partir da data-limite para apresentação da proposta ou do
prerrogativas, bem como obter o objeto do contrato. O dever orçamento a que essa se referir.
da Administração, em regra, resume‑se ao pagamento do A Lei nº  10.192, de 14 de fevereiro de 2001, admite,
preço ajustado. para reajustar os contratos, a utilização de índices de preços
gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de
Direitos e Obrigações do Contratado produção ou dos insumos utilizados. Esses índices devem
estar previamente estabelecidos no contrato. De acordo com
O principal direito do contratado é receber o preço a citada lei, são nulos de pleno direito quaisquer expedientes
ajustado ou a prestação devida pela Administração. Entre que, na apuração do índice de reajuste, produzam efeitos
os deveres do contratado, destacamos: financeiros equivalentes aos de reajuste de periodicidade
inferior a anual.
Execução Pessoal
Em regra, todo contrato é firmado intuito personae, ou seja, Reequilíbrio Econômico e Financeiro
deve ser executado pessoalmente pelo contratado, no entanto,
sem prejuízo das responsabilidades contratuais e legais, poderá É possível à Administração, nas hipóteses expressamente
subcontratar partes da obra, serviço ou fornecimento, até o previstas em lei, mediante acordo com o contratado, res‑
limite admitido, em cada caso, pela Administração (art. 72). tabelecer o equilíbrio econômico‑financeiro do contrato.
O equilíbrio econômico‑financeiro consiste na manutenção
Manutenção de Preposto das condições de pagamento estabelecidas inicialmente no
O contratado é obrigado a manter preposto credenciado contrato, a fim de que se mantenha estável a relação entre as
pela Administração, no local da obra ou serviço (art. 68). obrigações do contratado e a retribuição da Administração,
para a justa remuneração da obra, serviço ou fornecimento.
Encargos da Execução O reequilíbrio econômico‑financeiro do contrato se jus‑
Independente de cláusula contratual, o contratado é res‑ tifica nas seguintes ocorrências:
ponsável pelos encargos trabalhistas, previdenciários, fiscais • fato imprevisível, ou previsível porém de conse­quên­
e comerciais decorrentes da execução do contrato (art. 71). cias incalculáveis, retardadores ou impeditivos da
execução do que foi contratado;
Recebimento do Objeto do Contrato • caso de força maior, caso fortuito ou fato do príncipe,
configurando álea econômica (probabilidade de perda
Constitui etapa final da execução do ajuste para a libe‑ concomitante à probabilidade de lucro) extraordinária
ração do contratado (art. 73, I e II). Pode ser provisória ou e extracontratual.
definitiva:
Para que possa ser autorizado e concedido o reequilíbrio
Em se tratando de obras e Em se tratando de compras econômico e financeiro do contrato, normalmente pedido
serviços, pode ser feita: ou de locação de equipamen‑ pelo contratado, a Administração tem que verificar:
tos, pode ser feita: • os custos dos itens constantes do proposto contratado
Provisoriamente – será feito Provisoriamente – para efei‑ com a planilha de custos que acompanha o pedido do
pelo responsável por seu to de posterior verificação da reequilíbrio;
acompanhamento e fiscali‑ conformidade do material • o contratado, ao encaminhar à Administração pedido
zação, mediante termo cir‑ com a especificação. de reequilíbrio, deve demonstrar quais os itens da
cunstanciado, assinado pelas planilha de custos estão economicamente defasados,
partes por período inclusive com a taxa de administração, e  que estão
determinado (no máximo ocasionando o desequilíbrio do contrato;
90 dias – art. 73, § 3º) para • a ocorrência de fato imprevisível, ou previsível porém
a verificação da perfeição do de consequências incalculáveis, que justifique as mo‑
objeto do contrato. dificações do contrato para mais ou para menos.
Noções de Direito Administrativo

Definitivamente – feito por Definitivamente – após a


servidor ou comissão desig‑ verificação da qualidade e Da Correção Monetária
nada pela autoridade com‑ quantidade do material e
petente, mediante termo consequente aceitação. A correção monetária constitui cláusula obrigatória e
circunstanciado, assinado necessária em todos os contratos administrativos confor‑
pelas partes, após o decurso me art.  40, inciso XIV, alínea c, e art.  55, inciso III, da Lei
do prazo de observação e nº 8.666/1993 que assim dispõem:
vistoria que comprove a ade‑
quação do objeto aos termos Art.  40. O  edital conterá no preâmbulo o número
contratuais. de ordem em série anual, o  nome da repartição
interessada e de seu setor, a modalidade, o regime
Extinção dos Contratos Administrativos de execução e o tipo da licitação, a menção de que
será regida por esta Lei, o local, dia e hora para re‑
É a cessação do vínculo obrigacional entre as partes pelo cebimento da documentação e proposta, bem como
integral cumprimento de suas cláusulas ou pelo seu rompi‑ para início da abertura dos envelopes, e  indicará,
mento, por meio de rescisão ou de anulação. obrigatoriamente, o seguinte:

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[...] Consequências da Inexecução
XIV – condições de pagamento, prevendo:
[...] Responsabilidade Civil
c)  critério de atualização financeira dos valores É a que impõe a obrigação de reparar o dano patrimonial;
a serem pagos, desde a data final do período de pode provir de lei, do ato ilícito e da inexecução do contrato
adimplemento de cada parcela até a data do efetivo (art. 86).
pagamento;
.................................................................... Responsabilidade Administrativa
Art. 55. São cláusulas necessárias em todo contrato É a que resulta da infringência de norma da Adminis‑
as que estabeleçam: tração estabelecida em lei (art. 87) ou no próprio contrato,
I – o objeto e seus elementos característicos; impondo um ônus ao contratado para com qualquer órgão
II  –  o regime de execução ou a forma de forneci‑ público. São elas:
mento; • advertência;
III – o preço e as condições de pagamento, os crité‑ • multa;
rios, data‑base e periodicidade do reajustamento de • suspensão temporária de participação em licitação e
preços, os critérios de atualização monetária entre a impedimento de contratar com a Administração por
data do adimplemento das obrigações e a do efetivo prazo não superior a 2 anos;
pagamento; • declaração de inidoneidade para licitar ou contratar
com a administração pública enquanto perdurarem
Inexecução do Contrato Administrativo os motivos determinantes da punição ou até que seja
promovida a reabilitação perante a própria autoridade
É o descumprimento de suas cláusulas, no todo ou em que aplicou a penalidade.
parte. A inexecução pode ser:
Rescisão do Contrato
Culposa É a que resulta de ação ou omissão da parte,
decorrente da negligência, imprudência ou É o desfazimento do contrato durante sua execução por
imperícia no atendimento das cláusulas. inadimplência de uma das partes, pela superveniência de
Sem Culpa É a que decorre de atos ou fatos estranhos à eventos que impeçam ou tornem inconveniente o prossegui‑
mento do ajuste ou pela ocorrência de fatos que acarretem
conduta da parte, retardando ou impedindo
seu rompimento de pleno direito.
totalmente a execução do contrato.

Teoria da Imprevisão Pode ser:


• Administrativa – É a efetivada por ato próprio e unilate‑
Consiste no reconhecimento de que eventos novos, ral da Administração, precedida de autorização escrita
imprevistos, imprevisíveis e inevitáveis pelas partes, e a elas e fundamentada, por descumprimentos das cláusulas
não imputáveis, refletindo sobre a economia ou execução contratuais ou por interesse do serviço (art. 78); deve
do contrato, autorizam sua revisão, de forma a ajustá‑lo às ser precedida de autorização escrita e fundamentada
circunstâncias supervenientes. da autoridade competente, pois o contratante tem
direito a ampla defesa e ao contraditório (art.78, pa‑
Causas Justificadoras da Inexecução rágrafo único), pois a rescisão não é discricionária, mas
vinculada aos motivos ensejadores desse excepcional
Fato do Príncipe distrato (art. 79, I). Opera efeitos a partir da data de sua
É a medida de ordem geral não relacionada diretamente publicação ou ciência oficial ao interessado (ex nunc).
com o contrato, mas que nele repercute, provocando o seu • Amigável – É a que se realiza por mútuo acordo das
desequilíbrio econômico‑financeiro. partes, desde que haja interesse para a Administração
(art. 79, II); também deve ser precedida de autorização
Fato da Administração escrita e fundamentada da autoridade competente
É toda ação ou omissão do Poder Público que, incidindo (art. 78, parágrafo único). Opera efeitos a partir da
direta e especificamente sobre o contrato, retarda ou impede data em que foi firmada (ex nunc).
a sua execução. É falta contratual cometida pela Administra‑ • Judicial – É decretada pelo Poder Judiciário (art. 79,
ção (art. 78, XVI). Ex.: não desapropriação de terreno para III) em ação proposta pela parte que tiver direito à
início da obra. extinção do contrato; a ação para rescindir o contrato
é de rito ordinário e admite pedidos cumulados de
Noções de Direito Administrativo

Caso Fortuito indenização, retenção, compensação e demais efeitos


É o evento da natureza, inevitável e imprevisível, que decorrentes das relações contratuais, processando‑se
impossibilita o cumprimento do contrato (art. 78, XVII). Ex.: sempre no juízo privativo da Administração interessada
inundação. (art. 55). A declaração de nulidade do contrato admi‑
nistrativo opera retroativamente (ex tunc). A nulidade
Força Maior não exonera a Administração do dever de indenizar
É o acontecimento humano, imprevisível e inevitável, que o contratado pelo que este houver executado até a
impossibilita a execução do contrato (art. 78, XVII). Ex.: greve. data em que ela for declarada e por outros prejuízos
regularmente comprovados, contanto que não lhe seja
Se ocorrer a rescisão, com base nesses motivos (sem imputável os motivos da rescisão (art. 59).
culpa), o contratado deverá ser ressarcido dos prejuízos • De pleno direito  – É a que se verifica independen‑
regularmente comprovados, com direito a ter devolvido temente de manifestação de vontade de qualquer
o valor da garantia prestada (se for caso), os pagamentos das partes, diante da ocorrência de fato extintivo do
devidos pela execução do contrato até a data da rescisão contrato, previsto na lei, no regulamento ou no próprio
e o pagamento do custo da desmobilização (art. 79, § 2º). texto do ajuste. Ex.: morte do contratado, falência.

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Principais Contratos Administrativos Caso estes não sejam considerados, os contratos deverão,
preferencialmente, ser celebrados mediante a realização de
Contrato de Obra Pública concurso, com estipulação prévia de prêmios ou remunera‑
ção (art. 13, § 1º).
É todo aquele cujo objeto é uma construção, uma refor‑
ma ou uma ampliação de imóvel público ou destinado a fins Contrato de Gerenciamento
públicos. Comete ao particular a execução da obra por sua
conta e risco, mediante remuneração previamente ajustada, Insere‑se dentro dos contratos de serviços técnicos
mas sob controle e fiscalização da Administração. Admite especializados, uma vez que tem por objeto auxiliar a
dois regimes de execução: Administração na fiscalização e controle dos contratos por
ela celebrados. Neste caso, a Administração comete ao
Empreitada gerenciador a condução de um empreendimento, inclusive
A empreitada pode ser: auxiliando o contratado na execução do contrato, reservando
• Por preço global: é aquela em que se ajusta a exe­cução para si a competência decisória final e responsabilizando‑se
por preço certo, embora reajustável, previamente pelos encargos financeiros da execução das obras e serviços
estabelecido para a totalidade da obra; o pagamento projetados. Também pode haver a inexigibilidade de licitação,
pode efetuar-se parceladamente nas datas prefixadas desde que com profissional ou empresa de notória especia‑
ou na conclusão da obra ou de cada etapa. lização (art. 13, IV e art. 25, II).
• Por preço unitário: é a em que se contrata a execução
por preço certo de unidades determinadas. Contrato de Fornecimento
• Integral: ocorre quando se contrata o empreendimento
em sua integralidade, compreendendo todas as etapas É o ajuste pelo qual a Administração adquire coisas mó‑
das obras, serviços e instalações necessárias, sob in‑ veis e semoventes necessárias à realização de suas obras ou
teira responsabilidade do contratado até sua entrega à manutenção de seus serviços. Sujeitam‑se aos mesmos
ao contratante. princípios que disciplinam a formação e execução dos demais
contratos administrativos. Admite três modalidades:
Tarefa
É aquele em que a execução de pequenas obras ou de Integral
parte de uma obra maior é ajustada por preço certo, com A entrega da coisa é feita de uma só vez; em uma só
ou sem fornecimento de material. O pagamento também é parcela.
efetuado periodicamente, após a verificação pelo fiscal do
órgão contratante. Parcelado
O que se faz por partes. Exaure‑se com a entrega final
da quantidade contratada.
Regime de execução – É o modo pelo qual nos contratos de
colaboração estabelecem as relações entre as partes, tendo Contínuo
em vista a realização de seu objeto pelo contratado e a A entrega é periódica, pois visa suprir as necessidades
respectiva contraprestação pecuniária pela Administração. diárias da Administração Pública.

Contrato de Serviço Contrato de Concessão

É todo ajuste administrativo que tem por objeto uma É o ajuste pelo qual a Administração delega ao particular
atividade prestada à Administração, para atendimento de a execução remunerada de serviço ou de obra pública ou lhe
suas necessidades ou de seus administrados, mediante cede o uso de um bem público, para que explore por sua con‑
remuneração da própria Administração. São três os tipos ta e risco, mas sempre sob controle e fiscalização do Poder
de serviços: Público delegante. Com o advento da Lei nº 11.079/2005,
será necessário dividir a concessão de serviço público em
Serviços Comuns duas categorias:
São todos aqueles que não exigem habilitação especial
para sua execução. Ex.: limpeza. Devem ser contratados Concessões Comuns (Lei nº 8.987/1995)
mediante prévia licitação. • Contrato de concessão de serviço público: é o que tem
por objeto a transferência da execução de um serviço
Serviços Técnicos Profissionais do Poder Público ao particular, mediante licitação,
São os que exigem habilitação específica, mas não neces‑ na modalidade concorrência, que se remunerará dos
Noções de Direito Administrativo

sariamente especializada. Exige‑se apenas a formação supe‑ gastos com o empreendimento, por sua conta e risco,
rior ou o registro nos órgãos de fiscalização da profissão. Ex.: por meio de tarifa cobrada dos usuários (art. 175, CF
um serviço de engenharia. Em regra, a licitação é obrigatória. e Lei nº 8.987/1995).
• Contrato de concessão de obra pública: é o ajuste
Serviços Técnicos Profissionais Especializados que tem por objeto a delegação a um particular da
São os que exigem habilitação específica e notória espe‑ execução e exploração de uma obra pública, mediante
cialização. Ex.: estudos técnicos, planejamentos e projetos licitação na modalidade concorrência, com remune‑
básicos ou executivos; pareceres, perícias e avaliações em ração paga pelo beneficiário da obra, ou usuários dos
geral; assessorias ou consultorias técnicas e auditorias finan‑ serviços que ela proporciona, por meio de tarifa. (Lei
ceiras ou tributárias; fiscalização, supervisão ou gerencia‑ nº 8.987/1995). Ex.: Pe­dágio.
mento de obras ou serviços; patrocínio ou defesa de causas • Contrato de concessão de uso de um bem público:
judiciais ou administrativas; treinamento e aperfeiçoamento é o destinado a outorgar ao particular a faculdade de
de pessoal; restauração de obras de arte e bens de valor utilizar um bem da Administração segundo a sua des‑
histórico. A licitação é inexigível, quando considerados os tinação específica, tal como um hotel, para fomentar
atributos pessoais da pessoa ou da empresa (art. 25, II). o turismo.

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Concessões Especiais distinções em razão da naturalidade, da sede ou domicílio dos
Parcerias Público‑Privadas (Lei nº 11.079/2005) licitantes ou de qualquer outra circunstância impertinente ou
• Concessão patrocinada: constitui modalidade de irrelevante para o específico objeto do contrato, ressalvado
concessão de serviço público ou de obra pública (Lei o disposto nos §§ 5º a 12 deste artigo e no art. 3º da Lei nº
nº 8.987/1995) quando envolver, adicionalmente à ta‑ 8.248, de 23 de outubro de 1991; (Redação dada pela Lei
rifa cobrada dos usuários, contraprestação pecuniária nº 12.349, de 2010)
do parceiro público (concedente) ao parceiro privado II – estabelecer tratamento diferenciado de natureza co‑
(concessionário). mercial, legal, trabalhista, previdenciária ou qualquer outra,
• Concessão administrativa: tem por objeto a prestação entre empresas brasileiras e estrangeiras, inclusive no que se
de serviço de que a Administração Pública seja a usuária refere a moeda, modalidade e local de pagamentos, mesmo
direta ou indireta, podendo envolver a execução de obra quando envolvidos financiamentos de agências internacio‑
ou fornecimento e instalação de bens. A remuneração nais, ressalvado o disposto no parágrafo seguinte e no art.
básica é constituída por contraprestação feita pelo 3º da Lei nº 8.248, de 23 de outubro de 1991.
parceiro público ao parceiro privado (art. 2º, § 2º). § 2º Em igualdade de condições, como critério de de‑
sempate, será assegurada preferência, sucessivamente, aos
LEI Nº 8.666, DE 21 DE JUNHO DE 1993 bens e serviços:
I – (Revogado pela Lei nº 12.349, de 2010)
Regulamenta o art. 37, inciso II – produzidos no País;
XXI, da Constituição Federal, ins- III – produzidos ou prestados por empresas brasileiras;
titui normas para licitações e con- IV – produzidos ou prestados por empresas que invistam
tratos da Administração Pública e em pesquisa e no desenvolvimento de tecnologia no País;
dá outras providências. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005)
V – produzidos ou prestados por empresas que compro‑
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congres‑ vem cumprimento de reserva de cargos prevista em lei para
pessoa com deficiência ou para reabilitado da Previdência
so Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
Social e que atendam às regras de acessibilidade previstas
na legislação. (Incluído pela Lei nº 13.146, de 2015)
CAPÍTULO I
§ 3º A licitação não será sigilosa, sendo públicos e aces‑
Das Disposições Gerais
síveis ao público os atos de seu procedimento, salvo quanto
ao conteúdo das propostas, até a respectiva abertura.
Seção I
§ 4º (Vetado). (Incluído pela Lei nº 8.883, de 1994)
Dos Princípios
§ 5º Nos processos de licitação, poderá ser estabeleci‑
da margem de preferência para: (Redação dada pela Lei nº
Art. 1º Esta Lei estabelece normas gerais sobre licitações 13.146, de 2015)
e contratos administrativos pertinentes a obras, serviços, I  – produtos manufaturados e para serviços nacionais
inclusive de publicidade, compras, alienações e locações no que atendam a normas técnicas brasileiras; e (Incluído pela
âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Fe‑ Lei nº 13.146, de 2015)
deral e dos Municípios. II  – bens e serviços produzidos ou prestados por em‑
Parágrafo único. Subordinam-se ao regime desta Lei, presas que comprovem cumprimento de reserva de cargos
além dos órgãos da administração direta, os fundos especiais, prevista em lei para pessoa com deficiência ou para rea‑
as autarquias, as fundações públicas, as empresas públicas, bilitado da Previdência Social e que atendam às regras de
as sociedades de economia mista e demais entidades con‑ acessibilidade previstas na legislação. (Incluído pela Lei nº
troladas direta ou indiretamente pela União, Estados, Distrito 13.146, de 2015)
Federal e Municípios. § 6º A margem de preferência de que trata o § 5º será
Art.  2º As obras, serviços, inclusive de publicidade, estabelecida com base em estudos revistos periodicamente,
compras, alienações, concessões, permissões e locações da em prazo não superior a 5 (cinco) anos, que levem em consi‑
Administração Pública, quando contratadas com terceiros, deração: (Incluído pela Lei nº 12.349, de 2010) (Vide Decreto
serão necessariamente precedidas de licitação, ressalvadas nº 7.546, de 2011) (Vide Decreto nº 7.709, de 2012) (Vide
as hipóteses previstas nesta Lei. Decreto nº 7.713, de 2012) (Vide Decreto nº 7.756, de 2012)
Parágrafo único. Para os fins desta Lei, considera-se con‑ I  – geração de emprego e renda; (Incluído pela Lei nº
trato todo e qualquer ajuste entre órgãos ou entidades da 12.349, de 2010)
Administração Pública e particulares, em que haja um acordo II – efeito na arrecadação de tributos federais, estaduais
de vontades para a formação de vínculo e a estipulação de e municipais; (Incluído pela Lei nº 12.349, de 2010)
obrigações recíprocas, seja qual for a denominação utilizada. III – desenvolvimento e inovação tecnológica realizados
Noções de Direito Administrativo

Art. 3º A licitação destina-se a garantir a observância do no País; (Incluído pela Lei nº 12.349, de 2010)
princípio constitucional da isonomia, a seleção da propos‑ IV – custo adicional dos produtos e serviços; e (Incluído
ta mais vantajosa para a administração e a promoção do pela Lei nº 12.349, de 2010)
desenvolvimento nacional sustentável e será processada e V – em suas revisões, análise retrospectiva de resultados.
julgada em estrita conformidade com os princípios básicos da (Incluído pela Lei nº 12.349, de 2010)
legalidade, da impessoalidade, da moralidade, da igualdade, § 7º Para os produtos manufaturados e serviços nacio‑
da publicidade, da probidade administrativa, da vinculação nais resultantes de desenvolvimento e inovação tecnológica
ao instrumento convocatório, do julgamento objetivo e dos realizados no País, poderá ser estabelecido margem de pre‑
que lhes são correlatos. (Redação dada pela Lei nº 12.349, ferência adicional àquela prevista no § 5º. (Incluído pela Lei
de 2010) nº 12.349, de 2010) (Vide Decreto nº 7.546, de 2011)
§ 1º É vedado aos agentes públicos: § 8º As margens de preferência por produto, serviço,
I – admitir, prever, incluir ou tolerar, nos atos de convo‑ grupo de produtos ou grupo de serviços, a que se referem
cação, cláusulas ou condições que comprometam, restrinjam os §§ 5º e 7º, serão definidas pelo Poder Executivo federal,
ou frustrem o seu caráter competitivo, inclusive nos casos não podendo a soma delas ultrapassar o montante de 25%
de sociedades cooperativas, e estabeleçam preferências ou (vinte e cinco por cento) sobre o preço dos produtos manufa‑

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turados e serviços estrangeiros. (Incluído pela Lei nº 12.349, § 2º A correção de que trata o parágrafo anterior cujo pa‑
de 2010) (Vide Decreto nº 7.546, de 2011) gamento será feito junto com o principal, correrá à conta das
§ 9º As disposições contidas nos §§ 5º e 7º deste artigo mesmas dotações orçamentárias que atenderam aos créditos
não se aplicam aos bens e aos serviços cuja capacidade de a que se referem. (Redação dada pela Lei nº 8.883, de 1994)
produção ou prestação no País seja inferior: (Incluído pela § 3º Observados o disposto no caput, os pagamentos
Lei nº 12.349, de 2010) (Vide Decreto nº 7.546, de 2011) decorrentes de despesas cujos valores não ultrapassem o
I – à quantidade a ser adquirida ou contratada; ou (In- limite de que trata o inciso II do art. 24, sem prejuízo do
cluído pela Lei nº 12.349, de 2010) que dispõe seu parágrafo único, deverão ser efetuados no
II – ao quantitativo fixado com fundamento no § 7º do prazo de até 5 (cinco) dias úteis, contados da apresentação
art. 23 desta Lei, quando for o caso. (Incluído pela Lei nº da fatura. (Incluído pela Lei nº 9.648, de 1998)
12.349, de 2010) Art.  5º-A. As normas de licitações e contratos devem
§ 10. A margem de preferência a que se refere o § 5º privilegiar o tratamento diferenciado e favorecido às micro‑
poderá ser estendida, total ou parcialmente, aos bens e ser‑ empresas e empresas de pequeno porte na forma da lei.
viços originários dos Estados Partes do Mercado Comum do (Incluído pela Lei Complementar nº 147, de 2014)
Sul – Mercosul. (Incluído pela Lei nº 12.349, de 2010) (Vide
Decreto nº 7.546, de 2011) Seção II
§ 11. Os editais de licitação para a contratação de bens, Das Definições
serviços e obras poderão, mediante prévia justificativa da
autoridade competente, exigir que o contratado promova, Art. 6º Para os fins desta Lei, considera-se:
em favor de órgão ou entidade integrante da administração I – Obra – toda construção, reforma, fabricação, recupera‑
pública ou daqueles por ela indicados a partir de processo ção ou ampliação, realizada por execução direta ou indireta;
isonômico, medidas de compensação comercial, industrial, II – Serviço – toda atividade destinada a obter determi‑
tecnológica ou acesso a condições vantajosas de financia‑ nada utilidade de interesse para a Administração, tais como:
mento, cumulativamente ou não, na forma estabelecida pelo demolição, conserto, instalação, montagem, operação, con‑
Poder Executivo federal. (Incluído pela Lei nº 12.349, de 2010) servação, reparação, adaptação, manutenção, transporte,
(Vide Decreto nº 7.546, de 2011) locação de bens, publicidade, seguro ou trabalhos técnico‑
§ 12. Nas contratações destinadas à implantação, manu‑ -profissionais;
tenção e ao aperfeiçoamento dos sistemas de tecnologia de III – Compra – toda aquisição remunerada de bens para
informação e comunicação, considerados estratégicos em fornecimento de uma só vez ou parceladamente;
ato do Poder Executivo federal, a licitação poderá ser restri‑ IV – Alienação – toda transferência de domínio de bens
ta a bens e serviços com tecnologia desenvolvida no País e
a terceiros;
produzidos de acordo com o processo produtivo básico de
V – Obras, serviços e compras de grande vulto – aquelas
que trata a Lei nº 10.176, de 11 de janeiro de 2001. (Incluído
cujo valor estimado seja superior a 25 (vinte e cinco) vezes o
pela Lei nº 12.349, de 2010) (Vide Decreto nº 7.546, de 2011)
limite estabelecido na alínea c do inciso I do art. 23 desta Lei;
§ 13. Será divulgada na internet, a cada exercício finan‑
ceiro, a relação de empresas favorecidas em decorrência do VI – Seguro-Garantia – o seguro que garante o fiel cumpri‑
disposto nos §§ 5º, 7º, 10, 11 e 12 deste artigo, com indicação mento das obrigações assumidas por empresas em licitações
do volume de recursos destinados a cada uma delas. (Incluído e contratos;
pela Lei nº 12.349, de 2010) VII – Execução direta – a que é feita pelos órgãos e enti‑
§ 14. As preferências definidas neste artigo e nas de‑ dades da Administração, pelos próprios meios;
mais normas de licitação e contratos devem privilegiar o VIII  – Execução indireta – a que o órgão ou entidade
tratamento diferenciado e favorecido às microempresas e contrata com terceiros sob qualquer dos seguintes regimes:
empresas de pequeno porte na forma da lei. (Incluído pela (Redação dada pela Lei nº 8.883, de 1994)
Lei Complementar nº 147, de 2014) a) empreitada por preço global – quando se contrata
§ 15. As preferências dispostas neste artigo prevalecem a execução da obra ou do serviço por preço certo e total;
sobre as demais preferências previstas na legislação quando b) empreitada por preço unitário – quando se contrata a
estas forem aplicadas sobre produtos ou serviços estrangei‑ execução da obra ou do serviço por preço certo de unidades
ros. (Incluído pela Lei Complementar nº 147, de 2014) determinadas;
Art. 4º Todos quantos participem de licitação promovida c) (Vetado). (Redação dada pela Lei nº 8.883, de 1994)
pelos órgãos ou entidades a que se refere o art. 1º têm direito d) tarefa – quando se ajusta mão-de-obra para peque‑
público subjetivo à fiel observância do pertinente procedi‑ nos trabalhos por preço certo, com ou sem fornecimento
mento estabelecido nesta lei, podendo qualquer cidadão de materiais;
acompanhar o seu desenvolvimento, desde que não interfira e) empreitada integral – quando se contrata um empre‑
de modo a perturbar ou impedir a realização dos trabalhos. endimento em sua integralidade, compreendendo todas as
etapas das obras, serviços e instalações necessárias, sob
Noções de Direito Administrativo

Parágrafo único. O procedimento licitatório previsto nes‑


ta lei caracteriza ato administrativo formal, seja ele praticado inteira responsabilidade da contratada até a sua entrega ao
em qualquer esfera da Administração Pública. contratante em condições de entrada em operação, aten‑
Art. 5º Todos os valores, preços e custos utilizados nas didos os requisitos técnicos e legais para sua utilização em
licitações terão como expressão monetária a moeda corrente condições de segurança estrutural e operacional e com as
nacional, ressalvado o disposto no art. 42 desta Lei, devendo características adequadas às finalidades para que foi con‑
cada unidade da Administração, no pagamento das obriga‑ tratada;
ções relativas ao fornecimento de bens, locações, realização IX – Projeto Básico – conjunto de elementos necessários
de obras e prestação de serviços, obedecer, para cada fonte e suficientes, com nível de precisão adequado, para carac‑
diferenciada de recursos, a estrita ordem cronológica das da‑ terizar a obra ou serviço, ou complexo de obras ou serviços
tas de suas exigibilidades, salvo quando presentes relevantes objeto da licitação, elaborado com base nas indicações dos
razões de interesse público e mediante prévia justificativa da estudos técnicos preliminares, que assegurem a viabilidade
autoridade competente, devidamente publicada. técnica e o adequado tratamento do impacto ambiental do
§ 1º Os créditos a que se refere este artigo terão seus empreendimento, e que possibilite a avaliação do custo da
valores corrigidos por critérios previstos no ato convocatório obra e a definição dos métodos e do prazo de execução,
e que lhes preservem o valor. devendo conter os seguintes elementos:

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a) desenvolvimento da solução escolhida de forma a Seção III
fornecer visão global da obra e identificar todos os seus Das Obras e Serviços
elementos constitutivos com clareza;
b) soluções técnicas globais e localizadas, suficiente‑ Art. 7º As licitações para a execução de obras e para a
mente detalhadas, de forma a minimizar a necessidade de prestação de serviços obedecerão ao disposto neste artigo
reformulação ou de variantes durante as fases de elaboração e, em particular, à seguinte sequência:
do projeto executivo e de realização das obras e montagem; I – projeto básico;
c) identificação dos tipos de serviços a executar e de ma‑ II – projeto executivo;
teriais e equipamentos a incorporar à obra, bem como suas III – execução das obras e serviços.
especificações que assegurem os melhores resultados para § 1º A execução de cada etapa será obrigatoriamente
o empreendimento, sem frustrar o caráter competitivo para precedida da conclusão e aprovação, pela autoridade com‑
a sua execução; petente, dos trabalhos relativos às etapas anteriores, à ex‑
d) informações que possibilitem o estudo e a dedução ceção do projeto executivo, o qual poderá ser desenvolvido
de métodos construtivos, instalações provisórias e condições concomitantemente com a execução das obras e serviços,
organizacionais para a obra, sem frustrar o caráter competi‑ desde que também autorizado pela Administração.
tivo para a sua execução; § 2º As obras e os serviços somente poderão ser licitados
e) subsídios para montagem do plano de licitação e ges‑ quando:
tão da obra, compreendendo a sua programação, a estratégia I  – houver projeto básico aprovado pela autoridade
de suprimentos, as normas de fiscalização e outros dados competente e disponível para exame dos interessados em
necessários em cada caso; participar do processo licitatório;
f) orçamento detalhado do custo global da obra, fun‑ II  – existir orçamento detalhado em planilhas que ex‑
damentado em quantitativos de serviços e fornecimentos pressem a composição de todos os seus custos unitários;
propriamente avaliados; III – houver previsão de recursos orçamentários que as‑
X – Projeto Executivo – o conjunto dos elementos neces‑ segurem o pagamento das obrigações decorrentes de obras
sários e suficientes à execução completa da obra, de acordo ou serviços a serem executadas no exercício financeiro em
com as normas pertinentes da Associação Brasileira de Nor‑ curso, de acordo com o respectivo cronograma;
mas Técnicas – ABNT; IV – o produto dela esperado estiver contemplado nas
XI – Administração Pública – a administração direta e in‑ metas estabelecidas no Plano Plurianual de que trata o art.
direta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Muni‑ 165 da Constituição Federal, quando for o caso.
cípios, abrangendo inclusive as entidades com personalidade § 3º É vedado incluir no objeto da licitação a obtenção de
jurídica de direito privado sob controle do poder público e recursos financeiros para sua execução, qualquer que seja a
das fundações por ele instituídas ou mantidas; sua origem, exceto nos casos de empreendimentos execu‑
XII  – Administração – órgão, entidade ou unidade ad‑ tados e explorados sob o regime de concessão, nos termos
ministrativa pela qual a Administração Pública opera e atua da legislação específica.
concretamente; § 4º É vedada, ainda, a inclusão, no objeto da licitação,
XIII – Imprensa Oficial – veículo oficial de divulgação da de fornecimento de materiais e serviços sem previsão de
Administração Pública, sendo para a União o Diário Oficial da quantidades ou cujos quantitativos não correspondam às
União, e, para os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, previsões reais do projeto básico ou executivo.
o que for definido nas respectivas leis; (Redação dada pela § 5º É vedada a realização de licitação cujo objeto inclua
Lei nº 8.883, de 1994) bens e serviços sem similaridade ou de marcas, características
XIV – Contratante – é o órgão ou entidade signatária do e especificações exclusivas, salvo nos casos em que for tecni‑
instrumento contratual; camente justificável, ou ainda quando o fornecimento de tais
XV – Contratado – a pessoa física ou jurídica signatária materiais e serviços for feito sob o regime de administração
de contrato com a Administração Pública; contratada, previsto e discriminado no ato convocatório.
XVI – Comissão – comissão, permanente ou especial, cria‑ § 6º A infringência do disposto neste artigo implica a nu‑
da pela Administração com a função de receber, examinar lidade dos atos ou contratos realizados e a responsabilidade
e julgar todos os documentos e procedimentos relativos às de quem lhes tenha dado causa.
licitações e ao cadastramento de licitantes; § 7º Não será ainda computado como valor da obra ou
XVII  – produtos manufaturados nacionais – produtos serviço, para fins de julgamento das propostas de preços, a
manufaturados, produzidos no território nacional de acordo atualização monetária das obrigações de pagamento, desde
com o processo produtivo básico ou com as regras de origem a data final de cada período de aferição até a do respectivo
estabelecidas pelo Poder Executivo federal; (Incluído pela Lei pagamento, que será calculada pelos mesmos critérios esta‑
nº 12.349, de 2010) belecidos obrigatoriamente no ato convocatório.
XVIII – serviços nacionais – serviços prestados no País, § 8º Qualquer cidadão poderá requerer à Administração
Noções de Direito Administrativo

nas condições estabelecidas pelo Poder Executivo federal; Pública os quantitativos das obras e preços unitários de de‑
(Incluído pela Lei nº 12.349, de 2010) terminada obra executada.
XIX – sistemas de tecnologia de informação e comuni‑ § 9º O disposto neste artigo aplica-se também, no que
cação estratégicos – bens e serviços de tecnologia da infor‑ couber, aos casos de dispensa e de inexigibilidade de lici‑
mação e comunicação cuja descontinuidade provoque dano tação.
significativo à administração pública e que envolvam pelo Art. 8º A execução das obras e dos serviços deve pro‑
menos um dos seguintes requisitos relacionados às infor‑ gramar-se, sempre, em sua totalidade, previstos seus custos
mações críticas: disponibilidade, confiabilidade, segurança atual e final e considerados os prazos de sua execução.
e confidencialidade; (Incluído pela Lei nº 12.349, de 2010) Parágrafo único. É proibido o retardamento imotivado da
XX – produtos para pesquisa e desenvolvimento – bens, execução de obra ou serviço, ou de suas parcelas, se existente
insumos, serviços e obras necessários para atividade de pes‑ previsão orçamentária para sua execução total, salvo insufi‑
quisa científica e tecnológica, desenvolvimento de tecnologia ciência financeira ou comprovado motivo de ordem técnica,
ou inovação tecnológica, discriminados em projeto de pes‑ justificados em despacho circunstanciado da autoridade a
quisa aprovado pela instituição contratante. (Incluído pela que se refere o art. 26 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº
Lei nº 13.243, de 2016) 8.883, de 1994)

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Art. 9º Não poderá participar, direta ou indiretamente, I – estudos técnicos, planejamentos e projetos básicos
da licitação ou da execução de obra ou serviço e do forneci‑ ou executivos;
mento de bens a eles necessários: II – pareceres, perícias e avaliações em geral;
I – o autor do projeto, básico ou executivo, pessoa física III – assessorias ou consultorias técnicas e auditorias fi‑
ou jurídica; nanceiras ou tributárias; (Redação dada pela Lei nº 8.883,
II – empresa, isoladamente ou em consórcio, responsável de 1994)
pela elaboração do projeto básico ou executivo ou da qual o IV – fiscalização, supervisão ou gerenciamento de obras
autor do projeto seja dirigente, gerente, acionista ou deten‑ ou serviços;
tor de mais de 5% (cinco por cento) do capital com direito a V  – patrocínio ou defesa de causas judiciais ou admi‑
voto ou controlador, responsável técnico ou subcontratado; nistrativas;
III – servidor ou dirigente de órgão ou entidade contra‑ VI – treinamento e aperfeiçoamento de pessoal;
tante ou responsável pela licitação. VII – restauração de obras de arte e bens de valor his‑
§ 1º É permitida a participação do autor do projeto ou da tórico.
empresa a que se refere o inciso II deste artigo, na licitação de VIII – (Vetado). (Incluído pela Lei nº 8.883, de 1994)
obra ou serviço, ou na execução, como consultor ou técnico, § 1º Ressalvados os casos de inexigibilidade de licitação,
nas funções de fiscalização, supervisão ou gerenciamento, os contratos para a prestação de serviços técnicos profis‑
exclusivamente a serviço da Administração interessada. sionais especializados deverão, preferencialmente, ser cele‑
brados mediante a realização de concurso, com estipulação
§ 2º O disposto neste artigo não impede a licitação ou
prévia de prêmio ou remuneração.
contratação de obra ou serviço que inclua a elaboração de
§ 2º Aos serviços técnicos previstos neste artigo aplica-se,
projeto executivo como encargo do contratado ou pelo preço no que couber, o disposto no art. 111 desta Lei.
previamente fixado pela Administração. § 3º A empresa de prestação de serviços técnicos espe‑
§ 3º Considera-se participação indireta, para fins do cializados que apresente relação de integrantes de seu corpo
disposto neste artigo, a existência de qualquer vínculo de técnico em procedimento licitatório ou como elemento de
natureza técnica, comercial, econômica, financeira ou tra‑ justificação de dispensa ou inexigibilidade de licitação, fica‑
balhista entre o autor do projeto, pessoa física ou jurídica, rá obrigada a garantir que os referidos integrantes realizem
e o licitante ou responsável pelos serviços, fornecimentos e pessoal e diretamente os serviços objeto do contrato.
obras, incluindo-se os fornecimentos de bens e serviços a
estes necessários. Seção V
§ 4º O disposto no parágrafo anterior aplica-se aos mem‑ Das Compras
bros da comissão de licitação.
Art. 10. As obras e serviços poderão ser executados nas Art.  14. Nenhuma compra será feita sem a adequada
seguintes formas: (Redação dada pela Lei nº 8.883, de 1994) caracterização de seu objeto e indicação dos recursos orça‑
I – execução direta; mentários para seu pagamento, sob pena de nulidade do ato
II – execução indireta, nos seguintes regimes: (Redação e responsabilidade de quem lhe tiver dado causa.
dada pela Lei nº 8.883, de 1994) Art. 15. As compras, sempre que possível, deverão:
a) empreitada por preço global; I – atender ao princípio da padronização, que imponha
b) empreitada por preço unitário; compatibilidade de especificações técnicas e de desempe‑
c) (Vetado). (Redação dada pela Lei nº 8.883, de 1994) nho, observadas, quando for o caso, as condições de manu‑
d) tarefa; tenção, assistência técnica e garantia oferecidas;
e) empreitada integral. II  – ser processadas através de sistema de registro de
Parágrafo único. (Vetado). (Redação dada pela Lei nº preços;
8.883, de 1994) III – submeter-se às condições de aquisição e pagamento
Art. 11. As obras e serviços destinados aos mesmos fins semelhantes às do setor privado;
terão projetos padronizados por tipos, categorias ou classes, IV – ser subdivididas em tantas parcelas quantas neces‑
exceto quando o projeto-padrão não atender às condições sárias para aproveitar as peculiaridades do mercado, visando
peculiares do local ou às exigências específicas do empre‑ economicidade;
endimento. V – balizar-se pelos preços praticados no âmbito dos ór‑
Art. 12. Nos projetos básicos e projetos executivos de gãos e entidades da Administração Pública.
obras e serviços serão considerados principalmente os se‑ § 1º O registro de preços será precedido de ampla pes‑
guintes requisitos: (Redação dada pela Lei nº 8.883, de 1994) quisa de mercado.
§ 2º Os preços registrados serão publicados trimestral‑
I – segurança;
mente para orientação da Administração, na imprensa oficial.
II – funcionalidade e adequação ao interesse público;
§ 3º O sistema de registro de preços será regulamentado
III – economia na execução, conservação e operação;
Noções de Direito Administrativo

por decreto, atendidas as peculiaridades regionais, observa‑


IV – possibilidade de emprego de mão-de-obra, mate‑ das as seguintes condições:
riais, tecnologia e matérias-primas existentes no local para I – seleção feita mediante concorrência;
execução, conservação e operação; II – estipulação prévia do sistema de controle e atualiza‑
V – facilidade na execução, conservação e operação, sem ção dos preços registrados;
prejuízo da durabilidade da obra ou do serviço; III – validade do registro não superior a um ano.
VI – adoção das normas técnicas, de saúde e de segu‑ § 4º A existência de preços registrados não obriga a Ad‑
rança do trabalho adequadas; (Redação dada pela Lei nº ministração a firmar as contratações que deles poderão advir,
8.883, de 1994) ficando-lhe facultada a utilização de outros meios, respeitada
VII – impacto ambiental. a legislação relativa às licitações, sendo assegurado ao bene‑
ficiário do registro preferência em igualdade de condições.
Seção IV § 5º O sistema de controle originado no quadro geral de
Dos Serviços Técnicos Profissionais Especializados preços, quando possível, deverá ser informatizado.
§ 6º Qualquer cidadão é parte legítima para impugnar
Art. 13. Para os fins desta Lei, consideram-se serviços preço constante do quadro geral em razão de incompatibili‑
técnicos profissionais especializados os trabalhos relativos a: dade desse com o preço vigente no mercado.

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§ 7º Nas compras deverão ser observadas, ainda: i) alienação e concessão de direito real de uso, gratuita
I – a especificação completa do bem a ser adquirido sem ou onerosa, de terras públicas rurais da União na Amazônia
indicação de marca; Legal onde incidam ocupações até o limite de 15 (quinze)
II – a definição das unidades e das quantidades a serem módulos fiscais ou 1.500ha (mil e quinhentos hectares), para
adquiridas em função do consumo e utilização prováveis, fins de regularização fundiária, atendidos os requisitos legais;
cuja estimativa será obtida, sempre que possível, mediante (Incluído pela Lei nº 11.952, de 2009)
adequadas técnicas quantitativas de estimação; II – quando móveis, dependerá de avaliação prévia e de
III – as condições de guarda e armazenamento que não licitação, dispensada esta nos seguintes casos:
permitam a deterioração do material. a) doação, permitida exclusivamente para fins e uso de
§ 8º O recebimento de material de valor superior ao li‑ interesse social, após avaliação de sua oportunidade e con‑
mite estabelecido no art. 23 desta Lei, para a modalidade de veniência sócio-econômica, relativamente à escolha de outra
convite, deverá ser confiado a uma comissão de, no mínimo, forma de alienação;
3 (três) membros. b) permuta, permitida exclusivamente entre órgãos ou
Art. 16. Será dada publicidade, mensalmente, em órgão entidades da Administração Pública;
de divulgação oficial ou em quadro de avisos de amplo acesso c) venda de ações, que poderão ser negociadas em bolsa,
público, à relação de todas as compras feitas pela Adminis‑ observada a legislação específica;
tração Direta ou Indireta, de maneira a clarificar a identifi‑ d) venda de títulos, na forma da legislação pertinente;
cação do bem comprado, seu preço unitário, a quantidade e) venda de bens produzidos ou comercializados por ór‑
adquirida, o nome do vendedor e o valor total da operação, gãos ou entidades da Administração Pública, em virtude de
podendo ser aglutinadas por itens as compras feitas com suas finalidades;
dispensa e inexigibilidade de licitação. (Redação dada pela f) venda de materiais e equipamentos para outros ór‑
Lei nº 8.883, de 1994) gãos ou entidades da Administração Pública, sem utilização
Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica previsível por quem deles dispõe.
aos casos de dispensa de licitação previstos no inciso IX do § 1º Os imóveis doados com base na alínea b do inciso
art. 24. (Incluído pela Lei nº 8.883, de 1994) I deste artigo, cessadas as razões que justificaram a sua do‑
ação, reverterão ao patrimônio da pessoa jurídica doadora,
Seção VI vedada a sua alienação pelo beneficiário.
Das Alienações § 2º A Administração também poderá conceder título de
propriedade ou de direito real de uso de imóveis, dispensada
Art. 17. A alienação de bens da Administração Pública, licitação, quando o uso destinar-se: (Redação dada pela Lei
subordinada à existência de interesse público devidamente nº 11.196, de 2005)
justificado, será precedida de avaliação e obedecerá às se‑ I – a outro órgão ou entidade da Administração Pública,
guintes normas: qualquer que seja a localização do imóvel; (Incluído pela Lei
I – quando imóveis, dependerá de autorização legislativa nº 11.196, de 2005)
para órgãos da administração direta e entidades autárquicas II – a pessoa natural que, nos termos da lei, regulamento
e fundacionais, e, para todos, inclusive as entidades paraes‑ ou ato normativo do órgão competente, haja implementado
tatais, dependerá de avaliação prévia e de licitação na moda‑ os requisitos mínimos de cultura, ocupação mansa e pacífica
lidade de concorrência, dispensada esta nos seguintes casos: e exploração direta sobre área rural situada na Amazônia
a) dação em pagamento; Legal, superior a 1 (um) módulo fiscal e limitada a 15 (quin‑
b) doação, permitida exclusivamente para outro órgão ze) módulos fiscais, desde que não exceda 1.500ha (mil e
ou entidade da administração pública, de qualquer esfera de quinhentos hectares); (Redação dada pela Lei nº 11.952, de
governo, ressalvado o disposto nas alíneas f, h e i; (Redação 2009)
dada pela Lei nº 11.952, de 2009) § 2º-A. As hipóteses do inciso II do § 2º ficam dispensadas
c) permuta, por outro imóvel que atenda aos requisitos de autorização legislativa, porém submetem-se aos seguin‑
constantes do inciso X do art. 24 desta Lei; tes condicionamentos: (Redação dada pela Lei nº 11.952,
d) investidura; de 2009)
e) venda a outro órgão ou entidade da administração I – aplicação exclusivamente às áreas em que a deten‑
pública, de qualquer esfera de governo; (Incluída pela Lei ção por particular seja comprovadamente anterior a 1º de
nº 8.883, de 1994) dezembro de 2004; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005)
f) alienação gratuita ou onerosa, aforamento, concessão II  – submissão aos demais requisitos e impedimentos
de direito real de uso, locação ou permissão de uso de bens do regime legal e administrativo da destinação e da regu‑
imóveis residenciais construídos, destinados ou efetivamente larização fundiária de terras públicas; (Incluído pela Lei n]
utilizados no âmbito de programas habitacionais ou de re‑ 11.196, de 2005)
Noções de Direito Administrativo

gularização fundiária de interesse social desenvolvidos por III – vedação de concessões para hipóteses de exploração
órgãos ou entidades da administração pública; (Redação não-contempladas na lei agrária, nas leis de destinação de
dada pela Lei nº 11.481, de 2007) terras públicas, ou nas normas legais ou administrativas de
g) procedimentos de legitimação de posse de que trata o zoneamento ecológico-econômico; e (Incluído pela Lei nº
art. 29 da Lei nº 6.383, de 7 de dezembro de 1976, mediante 11.196, de 2005)
iniciativa e deliberação dos órgãos da Administração Pública IV – previsão de rescisão automática da concessão, dis‑
em cuja competência legal inclua-se tal atribuição; (Incluído pensada notificação, em caso de declaração de utilidade, ou
pela Lei nº 11.196, de 2005) necessidade pública ou interesse social. (Incluído pela Lei nº
h) alienação gratuita ou onerosa, aforamento, concessão 11.196, de 2005)
de direito real de uso, locação ou permissão de uso de bens § 2º-B. A hipótese do inciso II do § 2º deste artigo: (In-
imóveis de uso comercial de âmbito local com área de até cluído pela Lei nº 11.196, de 2005)
250 m² (duzentos e cinqüenta metros quadrados) e inseri‑ I – só se aplica a imóvel situado em zona rural, não sujeito
dos no âmbito de programas de regularização fundiária de a vedação, impedimento ou inconveniente a sua explora‑
interesse social desenvolvidos por órgãos ou entidades da ção mediante atividades agropecuárias; (Incluído pela Lei
administração pública; (Incluído pela Lei nº 11.481, de 2007) nº 11.196, de 2005)

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II – fica limitada a áreas de até quinze módulos fiscais, Parágrafo único. O disposto neste artigo não impedirá
desde que não exceda mil e quinhentos hectares, vedada a habilitação de interessados residentes ou sediados em
a dispensa de licitação para áreas superiores a esse limite; outros locais.
(Redação dada pela Lei nº 11.763, de 2008) Art. 21. Os avisos contendo os resumos dos editais das
III – pode ser cumulada com o quantitativo de área de‑ concorrências, das tomadas de preços, dos concursos e dos
corrente da figura prevista na alínea g do inciso I do caput leilões, embora realizados no local da repartição interessada,
deste artigo, até o limite previsto no inciso II deste parágrafo. deverão ser publicados com antecedência, no mínimo, por
(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) uma vez: (Redação dada pela Lei nº 8.883, de 1994)
IV – (Vetado). (Incluído pela Lei nº 11.763, de 2008) I – no Diário Oficial da União, quando se tratar de licitação
§ 3º Entende-se por investidura, para os fins desta lei: feita por órgão ou entidade da Administração Pública Federal
(Redação dada pela Lei nº 9.648, de 1998) e, ainda, quando se tratar de obras financiadas parcial ou
I – a alienação aos proprietários de imóveis lindeiros de totalmente com recursos federais ou garantidas por insti‑
área remanescente ou resultante de obra pública, área esta tuições federais; (Redação dada pela Lei nº 8.883, de 1994)
que se tornar inaproveitável isoladamente, por preço nunca II – no Diário Oficial do Estado, ou do Distrito Federal
inferior ao da avaliação e desde que esse não ultrapasse a quando se tratar, respectivamente, de licitação feita por
50% (cinquenta por cento) do valor constante da alínea a órgão ou entidade da Administração Pública Estadual ou
do inciso II do art. 23 desta lei; (Incluído pela Lei nº 9.648, Municipal, ou do Distrito Federal; (Redação dada pela Lei
de 1998) nº 8.883, de 1994)
II  – a alienação, aos legítimos possuidores diretos ou, III – em jornal diário de grande circulação no Estado e
na falta destes, ao Poder Público, de imóveis para fins re‑ também, se houver, em jornal de circulação no Município
sidenciais construídos em núcleos urbanos anexos a usinas ou na região onde será realizada a obra, prestado o servi‑
hidrelétricas, desde que considerados dispensáveis na fase ço, fornecido, alienado ou alugado o bem, podendo ainda a
de operação dessas unidades e não integrem a categoria de Administração, conforme o vulto da licitação, utilizar-se de
bens reversíveis ao final da concessão. (Incluído pela Lei nº outros meios de divulgação para ampliar a área de compe‑
9.648, de 1998) tição. (Redação dada pela Lei nº 8.883, de 1994)
§ 4º A doação com encargo será licitada e de seu ins‑ § 1º O aviso publicado conterá a indicação do local em
trumento constarão, obrigatoriamente os encargos, o prazo que os interessados poderão ler e obter o texto integral do
edital e todas as informações sobre a licitação.
de seu cumprimento e cláusula de reversão, sob pena de
§ 2º O prazo mínimo até o recebimento das propostas
nulidade do ato, sendo dispensada a licitação no caso de
ou da realização do evento será:
interesse público devidamente justificado; (Redação dada
I – quarenta e cinco dias para: (Redação dada pela Lei
pela Lei nº 8.883, de 1994)
nº 8.883, de 1994)
§ 5º Na hipótese do parágrafo anterior, caso o donatário
a) concurso; (Incluída pela Lei nº 8.883, de 1994)
necessite oferecer o imóvel em garantia de financiamento, a b) concorrência, quando o contrato a ser celebrado
cláusula de reversão e demais obrigações serão garantidas contemplar o regime de empreitada integral ou quando a
por hipoteca em segundo grau em favor do doador. (Incluído licitação for do tipo “melhor técnica” ou “técnica e preço”;
pela Lei nº 8.883, de 1994) (Incluída pela Lei nº 8.883, de 1994)
§ 6º Para a venda de bens móveis avaliados, isolada ou II  – trinta dias para: (Redação dada pela Lei nº 8.883,
globalmente, em quantia não superior ao limite previsto no de 1994)
art. 23, inciso II, alínea b desta Lei, a Administração poderá a) concorrência, nos casos não especificados na alínea
permitir o leilão. (Incluído pela Lei nº 8.883, de 1994) b do inciso anterior; (Incluída pela Lei nº 8.883, de 1994)
§ 7º (Vetado). (Incluído pela Lei nº 11.481, de 2007) b) tomada de preços, quando a licitação for do tipo “me‑
Art. 18. Na concorrência para a venda de bens imóveis, lhor técnica” ou “técnica e preço”; (Incluída pela Lei nº 8.883,
a fase de habilitação limitar-se-á à comprovação do recolhi‑ de 1994)
mento de quantia correspondente a 5% (cinco por cento) III – quinze dias para a tomada de preços, nos casos não
da avaliação. especificados na alínea b do inciso anterior, ou leilão; (Re-
Parágrafo único. (Revogado pela Lei nº 8.883, de 1994) dação dada pela Lei nº 8.883, de 1994)
Art. 19. Os bens imóveis da Administração Pública, cuja IV – cinco dias úteis para convite. (Redação dada pela
aquisição haja derivado de procedimentos judiciais ou de Lei nº 8.883, de 1994)
dação em pagamento, poderão ser alienados por ato da au‑ § 3º Os prazos estabelecidos no parágrafo anterior serão
toridade competente, observadas as seguintes regras: contados a partir da última publicação do edital resumido ou
I – avaliação dos bens alienáveis; da expedição do convite, ou ainda da efetiva disponibilidade
Noções de Direito Administrativo

II – comprovação da necessidade ou utilidade da alie‑ do edital ou do convite e respectivos anexos, prevalecendo
nação; a data que ocorrer mais tarde. (Redação dada pela Lei nº
III – adoção do procedimento licitatório, sob a modali‑ 8.883, de 1994)
dade de concorrência ou leilão. (Redação dada pela Lei nº § 4º Qualquer modificação no edital exige divulgação pela
8.883, de 1994) mesma forma que se deu o texto original, reabrindo-se o
prazo inicialmente estabelecido, exceto quando, inquestiona‑
CAPÍTULO II velmente, a alteração não afetar a formulação das propostas.
Da Licitação Art. 22. São modalidades de licitação:
I – concorrência;
Seção I II – tomada de preços;
Das Modalidades, Limites e Dispensa III – convite;
IV – concurso;
Art. 20. As licitações serão efetuadas no local onde se V – leilão.
situar a repartição interessada, salvo por motivo de interesse § 1º Concorrência é a modalidade de licitação entre
público, devidamente justificado. quaisquer interessados que, na fase inicial de habilitação

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A sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição é vedada, sujeitando-se aos infratores à responsabilidade civil e criminal.
preliminar, comprovem possuir os requisitos mínimos de § 1º As obras, serviços e compras efetuadas pela Admi‑
qualificação exigidos no edital para execução de seu objeto. nistração serão divididas em tantas parcelas quantas se com‑
§ 2º Tomada de preços é a modalidade de licitação entre provarem técnica e economicamente viáveis, procedendo-se
interessados devidamente cadastrados ou que atenderem à licitação com vistas ao melhor aproveitamento dos recursos
a todas as condições exigidas para cadastramento até o disponíveis no mercado e à ampliação da competitividade
terceiro dia anterior à data do recebimento das propostas, sem perda da economia de escala. (Redação dada pela Lei
observada a necessária qualificação. nº 8.883, de 1994)
§ 3º Convite é a modalidade de licitação entre interessa‑ § 2º Na execução de obras e serviços e nas compras de
dos do ramo pertinente ao seu objeto, cadastrados ou não, bens, parceladas nos termos do parágrafo anterior, a cada
escolhidos e convidados em número mínimo de 3 (três) pela etapa ou conjunto de etapas da obra, serviço ou compra, há
unidade administrativa, a qual afixará, em local apropriado, de corresponder licitação distinta, preservada a modalidade
cópia do instrumento convocatório e o estenderá aos demais pertinente para a execução do objeto em licitação. (Redação
cadastrados na correspondente especialidade que manifes‑ dada pela Lei nº 8.883, de 1994)
tarem seu interesse com antecedência de até 24 (vinte e § 3º A concorrência é a modalidade de licitação cabível,
quatro) horas da apresentação das propostas. qualquer que seja o valor de seu objeto, tanto na compra ou
§ 4º Concurso é a modalidade de licitação entre quais‑ alienação de bens imóveis, ressalvado o disposto no art. 19,
quer interessados para escolha de trabalho técnico, científico como nas concessões de direito real de uso e nas licitações
ou artístico, mediante a instituição de prêmios ou remunera‑ internacionais, admitindo-se neste último caso, observados
ção aos vencedores, conforme critérios constantes de edital os limites deste artigo, a tomada de preços, quando o órgão
publicado na imprensa oficial com antecedência mínima de ou entidade dispuser de cadastro internacional de fornece‑
45 (quarenta e cinco) dias. dores ou o convite, quando não houver fornecedor do bem
§ 5º Leilão é a modalidade de licitação entre quaisquer ou serviço no País. (Redação dada pela Lei nº 8.883, de 1994)
interessados para a venda de bens móveis inservíveis para § 4º Nos casos em que couber convite, a Administração
a administração ou de produtos legalmente apreendidos ou poderá utilizar a tomada de preços e, em qualquer caso, a
penhorados, ou para a alienação de bens imóveis prevista no concorrência.
art. 19, a quem oferecer o maior lance, igual ou superior ao § 5º É vedada a utilização da modalidade “convite” ou
valor da avaliação. (Redação dada pela Lei nº 8.883, de 1994) “tomada de preços”, conforme o caso, para parcelas de uma
§ 6º Na hipótese do § 3º deste artigo, existindo na praça mesma obra ou serviço, ou ainda para obras e serviços da
mais de 3 (três) possíveis interessados, a cada novo convite, mesma natureza e no mesmo local que possam ser realizadas
realizado para objeto idêntico ou assemelhado, é obrigató‑ conjunta e concomitantemente, sempre que o somatório de
rio o convite a, no mínimo, mais um interessado, enquanto seus valores caracterizar o caso de “tomada de preços” ou
existirem cadastrados não convidados nas últimas licitações. “concorrência”, respectivamente, nos termos deste artigo,
(Redação dada pela Lei nº 8.883, de 1994) exceto para as parcelas de natureza específica que possam
§ 7º Quando, por limitações do mercado ou manifesto ser executadas por pessoas ou empresas de especialidade
desinteresse dos convidados, for impossível a obtenção do diversa daquela do executor da obra ou serviço. (Redação
número mínimo de licitantes exigidos no § 3º deste artigo,
dada pela Lei nº 8.883, de 1994)
essas circunstâncias deverão ser devidamente justificadas
§ 6º As organizações industriais da Administração Federal
no processo, sob pena de repetição do convite.
direta, em face de suas peculiaridades, obedecerão aos limi‑
§ 8º É vedada a criação de outras modalidades de licita‑
tes estabelecidos no inciso I deste artigo também para suas
ção ou a combinação das referidas neste artigo.
compras e serviços em geral, desde que para a aquisição de
§ 9º Na hipótese do parágrafo 2º deste artigo, a admi‑
materiais aplicados exclusivamente na manutenção, reparo
nistração somente poderá exigir do licitante não cadastrado
ou fabricação de meios operacionais bélicos pertencentes à
os documentos previstos nos arts. 27 a 31, que comprovem
habilitação compatível com o objeto da licitação, nos termos União. (Incluído pela Lei nº 8.883, de 1994)
do edital. (Incluído pela Lei nº 8.883, de 1994) § 7º Na compra de bens de natureza divisível e desde que
Art. 23. As modalidades de licitação a que se referem não haja prejuízo para o conjunto ou complexo, é permitida
os incisos I a III do artigo anterior serão determinadas em a cotação de quantidade inferior à demandada na licitação,
função dos seguintes limites, tendo em vista o valor estimado com vistas a ampliação da competitividade, podendo o edi‑
da contratação: tal fixar quantitativo mínimo para preservar a economia de
I – para obras e serviços de engenharia: (Redação dada escala. (Incluído pela Lei nº 9.648, de 1998)
pela Lei nº 9.648, de 1998) § 8º No caso de consórcios públicos, aplicar-se-á o dobro
a) convite – até R$ 150.000,00 (cento e cinquenta mil dos valores mencionados no caput deste artigo quando for‑
reais); (Redação dada pela Lei nº 9.648, de 1998) mado por até 3 (três) entes da Federação, e o triplo, quando
Noções de Direito Administrativo

b) tomada de preços – até R$ 1.500.000,00 (um milhão formado por maior número. (Incluído pela Lei nº 11.107,
e quinhentos mil reais); (Redação dada pela Lei nº 9.648, de 2005)
de 1998) Art.  24. É dispensável a licitação: (Vide Lei nº 12.188,
c) concorrência: acima de R$ 1.500.000,00 (um milhão de 2.010)
e quinhentos mil reais); (Redação dada pela Lei nº 9.648, I – para obras e serviços de engenharia de valor até 10%
de 1998) (dez por cento) do limite previsto na alínea a, do inciso I do
II – para compras e serviços não referidos no inciso an‑ artigo anterior, desde que não se refiram a parcelas de uma
terior: (Redação dada pela Lei nº 9.648, de 1998) mesma obra ou serviço ou ainda para obras e serviços da
a) convite – até R$ 80.000,00 (oitenta mil reais); (Redação mesma natureza e no mesmo local que possam ser realizadas
dada pela Lei nº 9.648, de 1998) conjunta e concomitantemente; (Redação dada pela Lei nº
b) tomada de preços – até R$ 650.000,00 (seiscentos e 9.648, de 1998)
cinquenta mil reais); (Redação dada pela Lei nº 9.648, de 1998) II – para outros serviços e compras de valor até 10% (dez
c) concorrência – acima de R$ 650.000,00 (seiscentos por cento) do limite previsto na alínea a, do inciso II do artigo
e cinquenta mil reais). (Redação dada pela Lei nº 9.648, de anterior e para alienações, nos casos previstos nesta Lei,
1998) desde que não se refiram a parcelas de um mesmo serviço,

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compra ou alienação de maior vulto que possa ser realizada compatíveis ou inerentes às finalidades do órgão ou enti‑
de uma só vez; (Redação dada pela Lei nº 9.648, de 1998) dade;
III – nos casos de guerra ou grave perturbação da ordem; XVI – para a impressão dos diários oficiais, de formulários
IV – nos casos de emergência ou de calamidade pública, padronizados de uso da administração, e de edições técnicas
quando caracterizada urgência de atendimento de situação oficiais, bem como para prestação de serviços de informá‑
que possa ocasionar prejuízo ou comprometer a segurança tica a pessoa jurídica de direito público interno, por órgãos
de pessoas, obras, serviços, equipamentos e outros bens, pú‑ ou entidades que integrem a Administração Pública, criados
blicos ou particulares, e somente para os bens necessários ao para esse fim específico; (Incluído pela Lei nº 8.883, de 1994)
atendimento da situação emergencial ou calamitosa e para XVII  – para a aquisição de componentes ou peças de
as parcelas de obras e serviços que possam ser concluídas origem nacional ou estrangeira, necessários à manutenção
no prazo máximo de 180 (cento e oitenta) dias consecutivos de equipamentos durante o período de garantia técnica, jun‑
e ininterruptos, contados da ocorrência da emergência ou to ao fornecedor original desses equipamentos, quando tal
calamidade, vedada a prorrogação dos respectivos contratos; condição de exclusividade for indispensável para a vigência
V  – quando não acudirem interessados à licitação an‑ da garantia; (Incluído pela Lei nº 8.883, de 1994)
terior e esta, justificadamente, não puder ser repetida sem XVIII  – nas compras ou contratações de serviços para
prejuízo para a Administração, mantidas, neste caso, todas o abastecimento de navios, embarcações, unidades aéreas
as condições preestabelecidas; ou tropas e seus meios de deslocamento quando em estada
VI – quando a União tiver que intervir no domínio eco‑ eventual de curta duração em portos, aeroportos ou localida‑
nômico para regular preços ou normalizar o abastecimento; des diferentes de suas sedes, por motivo de movimentação
VII  – quando as propostas apresentadas consignarem operacional ou de adestramento, quando a exiguidade dos
preços manifestamente superiores aos praticados no mer‑ prazos legais puder comprometer a normalidade e os pro‑
cado nacional, ou forem incompatíveis com os fixados pelos pósitos das operações e desde que seu valor não exceda ao
órgãos oficiais competentes, casos em que, observado o pa‑ limite previsto na alínea a do inciso II do art. 23 desta Lei;
rágrafo único do art. 48 desta Lei e, persistindo a situação, (Incluído pela Lei nº 8.883, de 1994)
será admitida a adjudicação direta dos bens ou serviços, por XIX – para as compras de material de uso pelas Forças
valor não superior ao constante do registro de preços, ou dos Armadas, com exceção de materiais de uso pessoal e admi‑
serviços; (Vide § 3º do art. 48) nistrativo, quando houver necessidade de manter a padroni‑
VIII  – para a aquisição, por pessoa jurídica de direito zação requerida pela estrutura de apoio logístico dos meios
público interno, de bens produzidos ou serviços prestados navais, aéreos e terrestres, mediante parecer de comissão
por órgão ou entidade que integre a Administração Pública instituída por decreto; (Incluído pela Lei nº 8.883, de 1994)
e que tenha sido criado para esse fim específico em data XX – na contratação de associação de portadores de de‑
anterior à vigência desta Lei, desde que o preço contratado ficiência física, sem fins lucrativos e de comprovada idonei‑
seja compatível com o praticado no mercado; (Redação dada dade, por órgãos ou entidades da Admininistração Pública,
pela Lei nº 8.883, de 1994) para a prestação de serviços ou fornecimento de mão de
IX – quando houver possibilidade de comprometimento obra, desde que o preço contratado seja compatível com o
da segurança nacional, nos casos estabelecidos em decreto praticado no mercado; (Incluído pela Lei nº 8.883, de 1994)
do Presidente da República, ouvido o Conselho de Defesa XXI – para a aquisição ou contratação de produto para
Nacional; pesquisa e desenvolvimento, limitada, no caso de obras e
X – para a compra ou locação de imóvel destinado ao serviços de engenharia, a 20% (vinte por cento) do valor de
atendimento das finalidades precípuas da administração, que trata a alínea b do inciso I do caput do art. 23; (Incluído
cujas necessidades de instalação e localização condicionem pela Lei nº 13.243, de 2016)
a sua escolha, desde que o preço seja compatível com o valor XXII – na contratação de fornecimento ou suprimento
de mercado, segundo avaliação prévia; (Redação dada pela de energia elétrica e gás natural com concessionário, per‑
Lei nº 8.883, de 1994) missionário ou autorizado, segundo as normas da legislação
XI – na contratação de remanescente de obra, serviço específica; (Incluído pela Lei nº 9.648, de 1998)
ou fornecimento, em conseqüência de rescisão contratual, XXIII – na contratação realizada por empresa pública ou
desde que atendida a ordem de classificação da licitação an‑ sociedade de economia mista com suas subsidiárias e con‑
terior e aceitas as mesmas condições oferecidas pelo licitante troladas, para a aquisição ou alienação de bens, prestação
vencedor, inclusive quanto ao preço, devidamente corrigido; ou obtenção de serviços, desde que o preço contratado seja
XII – nas compras de hortifrutigranjeiros, pão e outros compatível com o praticado no mercado; (Incluído pela Lei
gêneros perecíveis, no tempo necessário para a realização nº 9.648, de 1998)
dos processos licitatórios correspondentes, realizadas dire‑ XXIV – para a celebração de contratos de prestação de
Noções de Direito Administrativo

tamente com base no preço do dia; (Redação dada pela Lei serviços com as organizações sociais, qualificadas no âmbito
nº 8.883, de 1994) das respectivas esferas de governo, para atividades contem‑
XIII – na contratação de instituição brasileira incumbida pladas no contrato de gestão; (Incluído pela Lei nº 9.648,
regimental ou estatutariamente da pesquisa, do ensino ou do de 1998)
desenvolvimento institucional, ou de instituição dedicada à XXV – na contratação realizada por Instituição Científica
recuperação social do preso, desde que a contratada detenha e Tecnológica – ICT ou por agência de fomento para a trans‑
inquestionável reputação ético-profissional e não tenha fins ferência de tecnologia e para o licenciamento de direito de
lucrativos; (Redação dada pela Lei nº 8.883, de 1994) uso ou de exploração de criação protegida; (Incluído pela Lei
XIV – para a aquisição de bens ou serviços nos termos nº 10.973, de 2004)
de acordo internacional específico aprovado pelo Congresso XXVI – na celebração de contrato de programa com ente
Nacional, quando as condições ofertadas forem manifesta‑ da Federação ou com entidade de sua administração indireta,
mente vantajosas para o Poder Público; (Redação dada pela para a prestação de serviços públicos de forma associada nos
Lei nº 8.883, de 1994) termos do autorizado em contrato de consórcio público ou
XV – para a aquisição ou restauração de obras de arte e em convênio de cooperação; (Incluído pela Lei nº 11.107,
objetos históricos, de autenticidade certificada, desde que de 2005)

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XXVII – na contratação da coleta, processamento e co‑ dades que produzem produtos estratégicos para o SUS, no
mercialização de resíduos sólidos urbanos recicláveis ou reu‑ âmbito da Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990, conforme
tilizáveis, em áreas com sistema de coleta seletiva de lixo, elencados em ato da direção nacional do SUS. (Incluído pela
efetuados por associações ou cooperativas formadas exclu‑ Lei nº 12.715, de 2012)
sivamente por pessoas físicas de baixa renda reconhecidas § 3º A hipótese de dispensa prevista no inciso XXI do
pelo poder público como catadores de materiais recicláveis, caput, quando aplicada a obras e serviços de engenharia,
com o uso de equipamentos compatíveis com as normas seguirá procedimentos especiais instituídos em regulamen‑
técnicas, ambientais e de saúde pública; (Redação dada pela tação específica. (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016)
Lei nº 11.445, de 2007) § 4º Não se aplica a vedação prevista no inciso I do caput
XXVIII – para o fornecimento de bens e serviços, produzi‑ do art. 9º à hipótese prevista no inciso XXI do caput. (Incluído
dos ou prestados no País, que envolvam, cumulativamente, pela Lei nº 13.243, de 2016)
alta complexidade tecnológica e defesa nacional, mediante Art. 25. É inexigível a licitação quando houver inviabili‑
parecer de comissão especialmente designada pela autori‑ dade de competição, em especial:
dade máxima do órgão; (Incluído pela Lei nº 11.484, de 2007) I – para aquisição de materiais, equipamentos, ou gêne‑
XXIX – na aquisição de bens e contratação de serviços ros que só possam ser fornecidos por produtor, empresa ou
para atender aos contingentes militares das Forças Singulares representante comercial exclusivo, vedada a preferência de
brasileiras empregadas em operações de paz no exterior, marca, devendo a comprovação de exclusividade ser feita
necessariamente justificadas quanto ao preço e à escolha do através de atestado fornecido pelo órgão de registro do co‑
fornecedor ou executante e ratificadas pelo Comandante da mércio do local em que se realizaria a licitação ou a obra ou o
Força; (Incluído pela Lei nº 11.783, de 2008). serviço, pelo Sindicato, Federação ou Confederação Patronal,
XXX – na contratação de instituição ou organização, pú‑ ou, ainda, pelas entidades equivalentes;
blica ou privada, com ou sem fins lucrativos, para a prestação II – para a contratação de serviços técnicos enumerados
de serviços de assistência técnica e extensão rural no âmbito no art. 13 desta Lei, de natureza singular, com profissionais ou
do Programa Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural empresas de notória especialização, vedada a inexigibilidade
na Agricultura Familiar e na Reforma Agrária, instituído por para serviços de publicidade e divulgação;
lei federal; (Incluído pela Lei nº 12.188, de 2.010) III – para contratação de profissional de qualquer setor
XXXI  – nas contratações visando ao cumprimento do artístico, diretamente ou através de empresário exclusivo,
disposto nos arts. 3º, 4º, 5º e 20 da Lei nº 10.973, de 2 de desde que consagrado pela crítica especializada ou pela
dezembro de 2004, observados os princípios gerais de contra‑ opinião pública.
tação dela constantes; (Incluído pela Lei nº 12.349, de 2010) § 1º Considera-se de notória especialização o profissional
XXXII – na contratação em que houver transferência de ou empresa cujo conceito no campo de sua especialidade,
tecnologia de produtos estratégicos para o Sistema Único de decorrente de desempenho anterior, estudos, experiências,
Saúde – SUS, no âmbito da Lei nº 8.080, de 19 de setembro publicações, organização, aparelhamento, equipe técnica, ou
de 1990, conforme elencados em ato da direção nacional de outros requisitos relacionados com suas atividades, permi‑
do SUS, inclusive por ocasião da aquisição destes produtos ta inferir que o seu trabalho é essencial e indiscutivelmente
durante as etapas de absorção tecnológica; (Incluído pela o mais adequado à plena satisfação do objeto do contrato.
Lei nº 12.715, de 2012) § 2º Na hipótese deste artigo e em qualquer dos casos
XXXIII – na contratação de entidades privadas sem fins de dispensa, se comprovado superfaturamento, respon‑
lucrativos, para a implementação de cisternas ou outras tec‑ dem solidariamente pelo dano causado à Fazenda Pública
nologias sociais de acesso à água para consumo humano o fornecedor ou o prestador de serviços e o agente público
e produção de alimentos, para beneficiar as famílias rurais responsável, sem prejuízo de outras sanções legais cabíveis.
de baixa renda atingidas pela seca ou falta regular de água; Art. 26. As dispensas previstas nos §§ 2º e 4º do art. 17
(Incluído pela Lei nº 12.873, de 2013) e no inciso III e seguintes do art. 24, as situações de inexigi‑
XXXIV – para a aquisição por pessoa jurídica de direito bilidade referidas no art. 25, necessariamente justificadas, e
público interno de insumos estratégicos para a saúde pro‑ o retardamento previsto no final do parágrafo único do art.
duzidos ou distribuídos por fundação que, regimental ou 8º desta Lei deverão ser comunicados, dentro de 3 (três)
estatutariamente, tenha por finalidade apoiar órgão da ad‑ dias, à autoridade superior, para ratificação e publicação na
ministração pública direta, sua autarquia ou fundação em imprensa oficial, no prazo de 5 (cinco) dias, como condição
projetos de ensino, pesquisa, extensão, desenvolvimento para a eficácia dos atos. (Redação dada pela Lei nº 11.107,
institucional, científico e tecnológico e estímulo à inovação, de 2005)
inclusive na gestão administrativa e financeira necessária à Parágrafo único. O processo de dispensa, de inexigibilida‑
execução desses projetos, ou em parcerias que envolvam de ou de retardamento, previsto neste artigo, será instruído,
Noções de Direito Administrativo

transferência de tecnologia de produtos estratégicos para o no que couber, com os seguintes elementos:
Sistema Único de Saúde – SUS, nos termos do inciso XXXII I – caracterização da situação emergencial ou calamitosa
deste artigo, e que tenha sido criada para esse fim específico que justifique a dispensa, quando for o caso;
em data anterior à vigência desta Lei, desde que o preço II – razão da escolha do fornecedor ou executante;
contratado seja compatível com o praticado no mercado. III – justificativa do preço.
(Incluído pela Lei nº 13.204, de 2015) IV – documento de aprovação dos projetos de pesquisa
§ 1º Os percentuais referidos nos incisos I e II do caput aos quais os bens serão alocados. (Incluído pela Lei nº 9.648,
deste artigo serão 20% (vinte por cento) para compras, obras de 1998)
e serviços contratados por consórcios públicos, sociedade de
economia mista, empresa pública e por autarquia ou funda‑ Seção II
ção qualificadas, na forma da lei, como Agências Executivas. Da Habilitação
(Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012)
§ 2º O limite temporal de criação do órgão ou entidade Art. 27. Para a habilitação nas licitações exigir-se-á dos
que integre a administração pública estabelecido no inciso interessados, exclusivamente, documentação relativa a:
VIII do caput deste artigo não se aplica aos órgãos ou enti‑ I – habilitação jurídica;

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II – qualificação técnica; outro devidamente reconhecido pela entidade competente,
III – qualificação econômico-financeira; detentor de atestado de responsabilidade técnica por exe‑
IV – regularidade fiscal e trabalhista; (Redação dada pela cução de obra ou serviço de características semelhantes,
Lei nº 12.440, de 2011) limitadas estas exclusivamente às parcelas de maior rele‑
V – cumprimento do disposto no inciso XXXIII do art. 7º vância e valor significativo do objeto da licitação, vedadas
da Constituição Federal. (Incluído pela Lei nº 9.854, de 1999) as exigências de quantidades mínimas ou prazos máximos;
Art. 28. A documentação relativa à habilitação jurídica, (Incluído pela Lei nº 8.883, de 1994)
conforme o caso, consistirá em: II – (Vetado). (Incluído pela Lei nº 8.883, de 1994)
I – cédula de identidade; a) e b) (Vetados). (Incluídos pela Lei nº 8.883, de 1994)
II – registro comercial, no caso de empresa individual; § 2º As parcelas de maior relevância técnica e de valor
III – ato constitutivo, estatuto ou contrato social em vigor, significativo, mencionadas no parágrafo anterior, serão de‑
devidamente registrado, em se tratando de sociedades co‑ finidas no instrumento convocatório. (Redação dada pela
merciais, e, no caso de sociedades por ações, acompanhado Lei nº 8.883, de 1994)
de documentos de eleição de seus administradores; § 3º Será sempre admitida a comprovação de aptidão
IV – inscrição do ato constitutivo, no caso de sociedades através de certidões ou atestados de obras ou serviços simi‑
civis, acompanhada de prova de diretoria em exercício; lares de complexidade tecnológica e operacional equivalente
V – decreto de autorização, em se tratando de empresa ou superior.
ou sociedade estrangeira em funcionamento no País, e ato § 4º Nas licitações para fornecimento de bens, a com‑
de registro ou autorização para funcionamento expedido provação de aptidão, quando for o caso, será feita através de
pelo órgão competente, quando a atividade assim o exigir.
atestados fornecidos por pessoa jurídica de direito público
Art. 29. A documentação relativa à regularidade fiscal e
ou privado.
trabalhista, conforme o caso, consistirá em: (Redação dada
§ 5º É vedada a exigência de comprovação de atividade
pela Lei nº 12.440, de 2011)
I – prova de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou de aptidão com limitações de tempo ou de época ou ain‑
ou no Cadastro Geral de Contribuintes (CGC); da em locais específicos, ou quaisquer outras não previstas
II – prova de inscrição no cadastro de contribuintes esta‑ nesta Lei, que inibam a participação na licitação.
dual ou municipal, se houver, relativo ao domicílio ou sede do § 6º As exigências mínimas relativas a instalações de
licitante, pertinente ao seu ramo de atividade e compatível canteiros, máquinas, equipamentos e pessoal técnico espe‑
com o objeto contratual; cializado, considerados essenciais para o cumprimento do
III – prova de regularidade para com a Fazenda Federal, objeto da licitação, serão atendidas mediante a apresentação
Estadual e Municipal do domicílio ou sede do licitante, ou de relação explícita e da declaração formal da sua dispo‑
outra equivalente, na forma da lei; nibilidade, sob as penas cabíveis, vedada as exigências de
IV – prova de regularidade relativa à Seguridade Social e propriedade e de localização prévia.
ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), demons‑ § 7º (Vetado). (Redação dada pela Lei nº 8.883, de 1994)
trando situação regular no cumprimento dos encargos sociais I – e II – (Vetados). (Incluídos pela Lei nº 8.883, de 1994)
instituídos por lei; (Redação dada pela Lei nº 8.883, de 1994) § 8º No caso de obras, serviços e compras de grande
V – prova de inexistência de débitos inadimplidos perante vulto, de alta complexidade técnica, poderá a Administra‑
a Justiça do Trabalho, mediante a apresentação de certidão ção exigir dos licitantes a metodologia de execução, cuja
negativa, nos termos do Título VII-A da Consolidação das Leis avaliação, para efeito de sua aceitação ou não, antecederá
do Trabalho, aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de sempre à análise dos preços e será efetuada exclusivamente
maio de 1943. (Incluído pela Lei nº 12.440, de 2011) por critérios objetivos.
Art. 30. A documentação relativa à qualificação técnica § 9º Entende-se por licitação de alta complexidade téc‑
limitar-se-á a: nica aquela que envolva alta especialização, como fator de
I – registro ou inscrição na entidade profissional com‑ extrema relevância para garantir a execução do objeto a ser
petente; contratado, ou que possa comprometer a continuidade da
II – comprovação de aptidão para desempenho de ativi‑ prestação de serviços públicos essenciais.
dade pertinente e compatível em características, quantida‑ § 10. Os profissionais indicados pelo licitante para fins
des e prazos com o objeto da licitação, e indicação das insta‑ de comprovação da capacitação técnico-profissional de que
lações e do aparelhamento e do pessoal técnico adequados trata o inciso I do § 1º deste artigo deverão participar da obra
e disponíveis para a realização do objeto da licitação, bem
ou serviço objeto da licitação, admitindo-se a substituição
como da qualificação de cada um dos membros da equipe
por profissionais de experiência equivalente ou superior,
técnica que se responsabilizará pelos trabalhos;
desde que aprovada pela administração. (Incluído pela Lei
Noções de Direito Administrativo

III – comprovação, fornecida pelo órgão licitante, de que


recebeu os documentos, e, quando exigido, de que tomou nº 8.883, de 1994)
conhecimento de todas as informações e das condições lo‑ §§ 11 e 12. (Vetados). (Incluídos pela Lei nº 8.883, de
cais para o cumprimento das obrigações objeto da licitação; 1994)
IV – prova de atendimento de requisitos previstos em lei Art. 31. A documentação relativa à qualificação econô‑
especial, quando for o caso. mico-financeira limitar-se-á a:
§ 1º A comprovação de aptidão referida no inciso II do I – balanço patrimonial e demonstrações contábeis do últi‑
caput deste artigo, no caso das licitações pertinentes a obras mo exercício social, já exigíveis e apresentados na forma da lei,
e serviços, será feita por atestados fornecidos por pessoas que comprovem a boa situação financeira da empresa, vedada
jurídicas de direito público ou privado, devidamente regis‑ a sua substituição por balancetes ou balanços provisórios, po‑
trados nas entidades profissionais competentes, limitadas dendo ser atualizados por índices oficiais quando encerrado há
as exigências a: (Redação dada pela Lei nº 8.883, de 1994) mais de 3 (três) meses da data de apresentação da proposta;
I – capacitação técnico-profissional: comprovação do lici‑ II – certidão negativa de falência ou concordata expedida
tante de possuir em seu quadro permanente, na data prevista pelo distribuidor da sede da pessoa jurídica, ou de execução
para entrega da proposta, profissional de nível superior ou patrimonial, expedida no domicílio da pessoa física;

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III – garantia, nas mesmas modalidades e critérios pre‑ os seus elementos constitutivos, limitados ao valor do custo
vistos no caput e § 1º do art. 56 desta Lei, limitada a 1% efetivo de reprodução gráfica da documentação fornecida.
(um por cento) do valor estimado do objeto da contratação. § 6º O disposto no § 4º deste artigo, no § 1º do art. 33 e no
§ 1º A exigência de índices limitar-se-á à demonstração § 2º do art. 55, não se aplica às licitações internacionais para
da capacidade financeira do licitante com vistas aos com‑ a aquisição de bens e serviços cujo pagamento seja feito com
promissos que terá que assumir caso lhe seja adjudicado o o produto de financiamento concedido por organismo finan‑
contrato, vedada a exigência de valores mínimos de fatura‑ ceiro internacional de que o Brasil faça parte, ou por agência
mento anterior, índices de rentabilidade ou lucratividade. estrangeira de cooperação, nem nos casos de contratação
(Redação dada pela Lei nº 8.883, de 1994) com empresa estrangeira, para a compra de equipamentos
§ 2º A Administração, nas compras para entrega futura fabricados e entregues no exterior, desde que para este caso
e na execução de obras e serviços, poderá estabelecer, no tenha havido prévia autorização do Chefe do Poder Executivo,
instrumento convocatório da licitação, a exigência de capital nem nos casos de aquisição de bens e serviços realizada por
mínimo ou de patrimônio líquido mínimo, ou ainda as garan‑ unidades administrativas com sede no exterior.
tias previstas no § 1º do art. 56 desta Lei, como dado obje‑ § 7º A documentação de que tratam os arts. 28 a 31 e este
tivo de comprovação da qualificação econômico-financeira artigo poderá ser dispensada, nos termos de regulamento,
dos licitantes e para efeito de garantia ao adimplemento do no todo ou em parte, para a contratação de produto para
contrato a ser ulteriormente celebrado. pesquisa e desenvolvimento, desde que para pronta entrega
§ 3º O capital mínimo ou o valor do patrimônio líquido a ou até o valor previsto na alínea a do inciso II do caput do
que se refere o parágrafo anterior não poderá exceder a 10% art. 23. (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016)
(dez por cento) do valor estimado da contratação, devendo a Art. 33. Quando permitida na licitação a participação de
comprovação ser feita relativamente à data da apresentação empresas em consórcio, observar-se-ão as seguintes normas:
da proposta, na forma da lei, admitida a atualização para esta I – comprovação do compromisso público ou particular
data através de índices oficiais. de constituição de consórcio, subscrito pelos consorciados;
§ 4º Poderá ser exigida, ainda, a relação dos compro‑ II – indicação da empresa responsável pelo consórcio que
missos assumidos pelo licitante que importem diminuição deverá atender às condições de liderança, obrigatoriamente
da capacidade operativa ou absorção de disponibilidade fi‑ fixadas no edital;
nanceira, calculada esta em função do patrimônio líquido III – apresentação dos documentos exigidos nos arts. 28
atualizado e sua capacidade de rotação. a 31 desta Lei por parte de cada consorciado, admitindo-se,
§ 5º A comprovação de boa situação financeira da empre‑ para efeito de qualificação técnica, o somatório dos quan‑
sa será feita de forma objetiva, através do cálculo de índices titativos de cada consorciado, e, para efeito de qualificação
contábeis previstos no edital e devidamente justificados no econômico-financeira, o somatório dos valores de cada
processo administrativo da licitação que tenha dado início ao consorciado, na proporção de sua respectiva participação,
certame licitatório, vedada a exigência de índices e valores podendo a Administração estabelecer, para o consórcio, um
não usualmente adotados para correta avaliação de situação acréscimo de até 30% (trinta por cento) dos valores exigi‑
financeira suficiente ao cumprimento das obrigações decor‑ dos para licitante individual, inexigível este acréscimo para
rentes da licitação. (Redação dada pela Lei nº 8.883, de 1994) os consórcios compostos, em sua totalidade, por micro e
§ 6º (Vetado). (Redação dada pela Lei nº 8.883, de 1994) pequenas empresas assim definidas em lei;
Art. 32. Os documentos necessários à habilitação pode‑ IV – impedimento de participação de empresa consor‑
rão ser apresentados em original, por qualquer processo de ciada, na mesma licitação, através de mais de um consórcio
cópia autenticada por cartório competente ou por servidor ou isoladamente;
da administração ou publicação em órgão da imprensa oficial. V – responsabilidade solidária dos integrantes pelos atos
(Redação dada pela Lei nº 8.883, de 1994) praticados em consórcio, tanto na fase de licitação quanto
§ 1º A documentação de que tratam os arts. 28 a 31 na de execução do contrato.
desta Lei poderá ser dispensada, no todo ou em parte, nos § 1º No consórcio de empresas brasileiras e estrangeiras
casos de convite, concurso, fornecimento de bens para pron‑ a liderança caberá, obrigatoriamente, à empresa brasileira,
ta entrega e leilão. observado o disposto no inciso II deste artigo.
§ 2º O certificado de registro cadastral a que se refere § 2º O licitante vencedor fica obrigado a promover, antes
o § 1º do art. 36 substitui os documentos enumerados nos da celebração do contrato, a constituição e o registro do
arts. 28 a 31, quanto às informações disponibilizadas em consórcio, nos termos do compromisso referido no inciso
sistema informatizado de consulta direta indicado no edital, I deste artigo.
obrigando-se a parte a declarar, sob as penalidades legais, a
superveniência de fato impeditivo da habilitação. (Redação Seção III
Noções de Direito Administrativo

dada pela Lei nº 9.648, de 1998) Dos Registros Cadastrais


§ 3º A documentação referida neste artigo poderá ser
substituída por registro cadastral emitido por órgão ou enti‑ Art. 34. Para os fins desta Lei, os órgãos e entidades da
dade pública, desde que previsto no edital e o registro tenha Administração Pública que realizem frequentemente licita‑
sido feito em obediência ao disposto nesta Lei. ções manterão registros cadastrais para efeito de habilitação,
§ 4º As empresas estrangeiras que não funcionem no na forma regulamentar, válidos por, no máximo, um ano.
País, tanto quanto possível, atenderão, nas licitações inter‑ § 1º O registro cadastral deverá ser amplamente divul‑
nacionais, às exigências dos parágrafos anteriores mediante gado e deverá estar permanentemente aberto aos interes‑
documentos equivalentes, autenticados pelos respectivos sados, obrigando-se a unidade por ele responsável a proce‑
consulados e traduzidos por tradutor juramentado, devendo der, no mínimo anualmente, através da imprensa oficial e de
ter representação legal no Brasil com poderes expressos para jornal diário, a chamamento público para a atualização dos
receber citação e responder administrativa ou judicialmente. registros existentes e para o ingresso de novos interessados.
§ 5º Não se exigirá, para a habilitação de que trata este ar‑ § 2º É facultado às unidades administrativas utilizarem‑
tigo, prévio recolhimento de taxas ou emolumentos, salvo os -se de registros cadastrais de outros órgãos ou entidades da
referentes a fornecimento do edital, quando solicitado, com Administração Pública.

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Art. 35. Ao requerer inscrição no cadastro, ou atualiza‑ dias e licitações sucessivas aquelas em que, também com
ção deste, a qualquer tempo, o interessado fornecerá os objetos similares, o edital subsequente tenha uma data
elementos necessários à satisfação das exigências do art. anterior a cento e vinte dias após o término do contrato
27 desta Lei. resultante da licitação antecedente. (Redação dada pela Lei
Art. 36. Os inscritos serão classificados por categorias, nº 8.883, de 1994)
tendo-se em vista sua especialização, subdivididas em gru‑ Art.  40. O edital conterá no preâmbulo o número de
pos, segundo a qualificação técnica e econômica avaliada ordem em série anual, o nome da repartição interessada e
pelos elementos constantes da documentação relacionada de seu setor, a modalidade, o regime de execução e o tipo da
nos arts. 30 e 31 desta Lei. licitação, a menção de que será regida por esta Lei, o local,
§ 1º Aos inscritos será fornecido certificado, renovável dia e hora para recebimento da documentação e proposta,
sempre que atualizarem o registro. bem como para início da abertura dos envelopes, e indicará,
§ 2º A atuação do licitante no cumprimento de obrigações obrigatoriamente, o seguinte:
assumidas será anotada no respectivo registro cadastral. I – objeto da licitação, em descrição sucinta e clara;
Art. 37. A qualquer tempo poderá ser alterado, suspenso II  – prazo e condições para assinatura do contrato ou
ou cancelado o registro do inscrito que deixar de satisfazer retirada dos instrumentos, como previsto no art. 64 desta
as exigências do art. 27 desta Lei, ou as estabelecidas para Lei, para execução do contrato e para entrega do objeto da
classificação cadastral. licitação;
III – sanções para o caso de inadimplemento;
Seção IV IV – local onde poderá ser examinado e adquirido o pro‑
Do Procedimento e Julgamento jeto básico;
V – se há projeto executivo disponível na data da publica‑
Art. 38. O procedimento da licitação será iniciado com a ção do edital de licitação e o local onde possa ser examinado
abertura de processo administrativo, devidamente autuado, e adquirido;
protocolado e numerado, contendo a autorização respectiva, VI – condições para participação na licitação, em confor‑
a indicação sucinta de seu objeto e do recurso próprio para a midade com os arts. 27 a 31 desta Lei, e forma de apresen‑
despesa, e ao qual serão juntados oportunamente: tação das propostas;
I – edital ou convite e respectivos anexos, quando for VII – critério para julgamento, com disposições claras e
o caso; parâmetros objetivos;
II – comprovante das publicações do edital resumido, na VIII – locais, horários e códigos de acesso dos meios de
forma do art. 21 desta Lei, ou da entrega do convite; comunicação à distância em que serão fornecidos elemen‑
III – ato de designação da comissão de licitação, do leilo‑ tos, informações e esclarecimentos relativos à licitação e às
eiro administrativo ou oficial, ou do responsável pelo convite; condições para atendimento das obrigações necessárias ao
IV  – original das propostas e dos documentos que as cumprimento de seu objeto;
instruírem; IX  – condições equivalentes de pagamento entre em‑
V – atas, relatórios e deliberações da Comissão Julgadora; presas brasileiras e estrangeiras, no caso de licitações in‑
VI – pareceres técnicos ou jurídicos emitidos sobre a li‑ ternacionais;
citação, dispensa ou inexigibilidade; X – o critério de aceitabilidade dos preços unitário e glo‑
VII – atos de adjudicação do objeto da licitação e da sua bal, conforme o caso, permitida a fixação de preços máximos
homologação; e vedados a fixação de preços mínimos, critérios estatísticos
VIII – recursos eventualmente apresentados pelos lici‑ ou faixas de variação em relação a preços de referência, res‑
tantes e respectivas manifestações e decisões; salvado o disposto nos parágrafos 1º e 2º do art. 48; (Redação
IX – despacho de anulação ou de revogação da licitação, dada pela Lei nº 9.648, de 1998)
quando for o caso, fundamentado circunstanciadamente; XI – critério de reajuste, que deverá retratar a variação
X – termo de contrato ou instrumento equivalente, con‑ efetiva do custo de produção, admitida a adoção de índices
forme o caso; específicos ou setoriais, desde a data prevista para apresen‑
XI – outros comprovantes de publicações; tação da proposta, ou do orçamento a que essa proposta se
XII – demais documentos relativos à licitação. referir, até a data do adimplemento de cada parcela; (Reda-
Parágrafo único. As minutas de editais de licitação, bem ção dada pela Lei nº 8.883, de 1994)
como as dos contratos, acordos, convênios ou ajustes devem XII – (Vetado). (Redação dada pela Lei nº 8.883, de 1994)
ser previamente examinadas e aprovadas por assessoria ju‑ XIII – limites para pagamento de instalação e mobilização
rídica da Administração. (Redação dada pela Lei nº 8.883, para execução de obras ou serviços que serão obrigatoria‑
de 1994) mente previstos em separado das demais parcelas, etapas
Noções de Direito Administrativo

Art. 39. Sempre que o valor estimado para uma licitação ou tarefas;


ou para um conjunto de licitações simultâneas ou sucessivas XIV – condições de pagamento, prevendo:
for superior a 100 (cem) vezes o limite previsto no art. 23, a) prazo de pagamento não superior a trinta dias, contado
inciso I, alínea c desta Lei, o processo licitatório será inicia‑ a partir da data final do período de adimplemento de cada
do, obrigatoriamente, com uma audiência pública concedida parcela; (Redação dada pela Lei nº 8.883, de 1994)
pela autoridade responsável com antecedência mínima de b) cronograma de desembolso máximo por período, em
15 (quinze) dias úteis da data prevista para a publicação do conformidade com a disponibilidade de recursos financeiros;
edital, e divulgada, com a antecedência mínima de 10 (dez) c) critério de atualização financeira dos valores a serem
dias úteis de sua realização, pelos mesmos meios previstos pagos, desde a data final do período de adimplemento de
para a publicidade da licitação, à qual terão acesso e direito cada parcela até a data do efetivo pagamento; (Redação dada
a todas as informações pertinentes e a se manifestar todos pela Lei nº 8.883, de 1994)
os interessados. d) compensações financeiras e penalizações, por even‑
Parágrafo único. Para os fins deste artigo, consideram-se tuais atrasos, e descontos, por eventuais antecipações de
licitações simultâneas aquelas com objetos similares e com pagamentos;
realização prevista para intervalos não superiores a trinta e) exigência de seguros, quando for o caso;

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XV – instruções e normas para os recursos previstos nesta § 2º O pagamento feito ao licitante brasileiro eventu‑
Lei; almente contratado em virtude da licitação de que trata o
XVI – condições de recebimento do objeto da licitação; parágrafo anterior será efetuado em moeda brasileira, à taxa
XVII – outras indicações específicas ou peculiares da li‑ de câmbio vigente no dia útil imediatamente anterior à data
citação. do efetivo pagamento. (Redação dada pela Lei nº 8.883, de
§ 1º O original do edital deverá ser datado, rubricado em 1994)
todas as folhas e assinado pela autoridade que o expedir, § 3º As garantias de pagamento ao licitante brasileiro se‑
permanecendo no processo de licitação, e dele extraindo-se rão equivalentes àquelas oferecidas ao licitante estrangeiro.
cópias integrais ou resumidas, para sua divulgação e forne‑ § 4º Para fins de julgamento da licitação, as propostas
cimento aos interessados. apresentadas por licitantes estrangeiros serão acrescidas dos
§ 2º Constituem anexos do edital, dele fazendo parte gravames consequentes dos mesmos tributos que oneram
integrante: exclusivamente os licitantes brasileiros quanto à operação
I – o projeto básico e/ou executivo, com todas as suas final de venda.
partes, desenhos, especificações e outros complementos; § 5º Para a realização de obras, prestação de serviços
II – orçamento estimado em planilhas de quantitativos e ou aquisição de bens com recursos provenientes de finan‑
preços unitários; (Redação dada pela Lei nº 8.883, de 1994) ciamento ou doação oriundos de agência oficial de coope‑
III – a minuta do contrato a ser firmado entre a Adminis‑ ração estrangeira ou organismo financeiro multilateral de
tração e o licitante vencedor; que o Brasil seja parte, poderão ser admitidas, na respectiva
IV – as especificações complementares e as normas de licitação, as condições decorrentes de acordos, protocolos,
execução pertinentes à licitação. convenções ou tratados internacionais aprovados pelo Con‑
§ 3º Para efeito do disposto nesta Lei, considera-se como gresso Nacional, bem como as normas e procedimentos da‑
adimplemento da obrigação contratual a prestação do ser‑ quelas entidades, inclusive quanto ao critério de seleção da
viço, a realização da obra, a entrega do bem ou de parcela proposta mais vantajosa para a administração, o qual poderá
destes, bem como qualquer outro evento contratual a cuja contemplar, além do preço, outros fatores de avaliação, des‑
ocorrência esteja vinculada a emissão de documento de de que por elas exigidos para a obtenção do financiamento
cobrança. ou da doação, e que também não conflitem com o princípio
§ 4º Nas compras para entrega imediata, assim enten‑
do julgamento objetivo e sejam objeto de despacho motiva‑
didas aquelas com prazo de entrega até trinta dias da data
do do órgão executor do contrato, despacho esse ratificado
prevista para apresentação da proposta, poderão ser dispen‑
pela autoridade imediatamente superior. (Redação dada pela
sadas: (Incluído pela Lei nº 8.883, de 1994)
Lei nº 8.883, de 1994)
I – o disposto no inciso XI deste artigo; (Incluído pela Lei
§ 6º As cotações de todos os licitantes serão para entrega
nº 8.883, de 1994)
II – a atualização financeira a que se refere a alínea c do no mesmo local de destino.
inciso XIV deste artigo, correspondente ao período compre‑ Art. 43. A licitação será processada e julgada com obser‑
endido entre as datas do adimplemento e a prevista para o vância dos seguintes procedimentos:
pagamento, desde que não superior a quinze dias. (Incluído I – abertura dos envelopes contendo a documentação
pela Lei nº 8.883, de 1994) relativa à habilitação dos concorrentes, e sua apreciação;
Art. 41. A Administração não pode descumprir as normas II – devolução dos envelopes fechados aos concorrentes
e condições do edital, ao qual se acha estritamente vinculada. inabilitados, contendo as respectivas propostas, desde que
§ 1º Qualquer cidadão é parte legítima para impugnar não tenha havido recurso ou após sua denegação;
edital de licitação por irregularidade na aplicação desta Lei, III – abertura dos envelopes contendo as propostas dos
devendo protocolar o pedido até 5 (cinco) dias úteis antes concorrentes habilitados, desde que transcorrido o prazo
da data fixada para a abertura dos envelopes de habilitação, sem interposição de recurso, ou tenha havido desistência
devendo a Administração julgar e responder à impugnação expressa, ou após o julgamento dos recursos interpostos;
em até 3 (três) dias úteis, sem prejuízo da faculdade prevista IV – verificação da conformidade de cada proposta com
no § 1º do art. 113. os requisitos do edital e, conforme o caso, com os preços
§ 2º Decairá do direito de impugnar os termos do edital correntes no mercado ou fixados por órgão oficial compe‑
de licitação perante a administração o licitante que não o tente, ou ainda com os constantes do sistema de registro
fizer até o segundo dia útil que anteceder a abertura dos de preços, os quais deverão ser devidamente registrados
envelopes de habilitação em concorrência, a abertura dos na ata de julgamento, promovendo-se a desclassificação das
envelopes com as propostas em convite, tomada de preços propostas desconformes ou incompatíveis;
ou concurso, ou a realização de leilão, as falhas ou irregu‑ V – julgamento e classificação das propostas de acordo
Noções de Direito Administrativo

laridades que viciariam esse edital, hipótese em que tal co‑ com os critérios de avaliação constantes do edital;
municação não terá efeito de recurso. (Redação dada pela VI  – deliberação da autoridade competente quanto à
Lei nº 8.883, de 1994) homologação e adjudicação do objeto da licitação.
§ 3º A impugnação feita tempestivamente pelo licitante § 1º A abertura dos envelopes contendo a documentação
não o impedirá de participar do processo licitatório até o para habilitação e as propostas será realizada sempre em
trânsito em julgado da decisão a ela pertinente. ato público previamente designado, do qual se lavrará ata
§ 4º A inabilitação do licitante importa preclusão do seu circunstanciada, assinada pelos licitantes presentes e pela
direito de participar das fases subsequentes. Comissão.
Art.  42. Nas concorrências de âmbito internacional, o § 2º Todos os documentos e propostas serão rubricados
edital deverá ajustar-se às diretrizes da política monetária pelos licitantes presentes e pela Comissão.
e do comércio exterior e atender às exigências dos órgãos § 3º É facultada à Comissão ou autoridade superior, em
competentes. qualquer fase da licitação, a promoção de diligência destina‑
§ 1º Quando for permitido ao licitante estrangeiro cotar da a esclarecer ou a complementar a instrução do processo,
preço em moeda estrangeira, igualmente o poderá fazer o vedada a inclusão posterior de documento ou informação
licitante brasileiro. que deveria constar originariamente da proposta.

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A sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição é vedada, sujeitando-se aos infratores à responsabilidade civil e criminal.
§ 4º O disposto neste artigo aplica-se à concorrência e, § 4º Para contratação de bens e serviços de informática, a
no que couber, ao concurso, ao leilão, à tomada de preços e administração observará o disposto no art. 3º da Lei nº 8.248,
ao convite. (Redação dada pela Lei nº 8.883, de 1994) de 23 de outubro de 1991, levando em conta os fatores espe‑
§ 5º Ultrapassada a fase de habilitação dos concorrentes cificados em seu parágrafo 2º e adotando obrigatoriamente
(incisos I e II) e abertas as propostas (inciso III), não cabe o tipo de licitação “técnica e preço”, permitido o emprego
desclassificá-los por motivo relacionado com a habilitação, de outro tipo de licitação nos casos indicados em decreto do
salvo em razão de fatos supervenientes ou só conhecidos Poder Executivo. (Redação dada pela Lei nº 8.883, de 1994)
após o julgamento. § 5º É vedada a utilização de outros tipos de licitação não
§ 6º Após a fase de habilitação, não cabe desistência de previstos neste artigo.
proposta, salvo por motivo justo decorrente de fato super‑ § 6º Na hipótese prevista no art. 23, § 7º, serão sele‑
veniente e aceito pela Comissão. cionadas tantas propostas quantas necessárias até que se
Art. 44. No julgamento das propostas, a Comissão levará atinja a quantidade demandada na licitação. (Incluído pela
em consideração os critérios objetivos definidos no edital ou Lei nº 9.648, de 1998)
convite, os quais não devem contrariar as normas e princípios Art. 46. Os tipos de licitação “melhor técnica” ou “técnica
estabelecidos por esta Lei. e preço” serão utilizados exclusivamente para serviços de
§ 1º É vedada a utilização de qualquer elemento, critério natureza predominantemente intelectual, em especial na
ou fator sigiloso, secreto, subjetivo ou reservado que possa elaboração de projetos, cálculos, fiscalização, supervisão e
ainda que indiretamente elidir o princípio da igualdade entre gerenciamento e de engenharia consultiva em geral e, em
os licitantes. particular, para a elaboração de estudos técnicos prelimi‑
§ 2º Não se considerará qualquer oferta de vantagem não nares e projetos básicos e executivos, ressalvado o disposto
prevista no edital ou no convite, inclusive financiamentos no § 4º do artigo anterior. (Redação dada pela Lei nº 8.883,
subsidiados ou a fundo perdido, nem preço ou vantagem de 1994)
baseada nas ofertas dos demais licitantes. § 1º Nas licitações do tipo “melhor técnica” será adotado
§ 3º Não se admitirá proposta que apresente preços o seguinte procedimento claramente explicitado no instru‑
global ou unitários simbólicos, irrisórios ou de valor zero, mento convocatório, o qual fixará o preço máximo que a
incompatíveis com os preços dos insumos e salários de mer‑ Administração se propõe a pagar:
cado, acrescidos dos respectivos encargos, ainda que o ato I – serão abertos os envelopes contendo as propostas téc‑
nicas exclusivamente dos licitantes previamente qualificados
convocatório da licitação não tenha estabelecido limites míni‑
e feita então a avaliação e classificação destas propostas de
mos, exceto quando se referirem a materiais e instalações de
acordo com os critérios pertinentes e adequados ao objeto