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Atividade experimental 2

Coeficiente de dilatação térmica

Carina Gaspar nº 1131228 & Mário Teixeira 1111705 | Termodinâmica | 31/01/2018


Atividade experimental 2
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Atividade experimental 2
Coeficiente de dilatação térmica

1. Objetivos
Este trabalho tem como principal objetivo a determinação do coeficiente de dilatação linear de
diferentes materiais e por sua vez proceder á dentificação do material utilizado ar e ainda consolidar
os fundamentos teóricos previamente estudados.

2. Introdução

Uma das principais leis da natureza é o princípio da conservação da energia. Este estabelece que
durante uma interação a energia pode mudar de forma, mas que a quantidade total permanece
constante, ou seja a energia não pode ser criada ou destruída.

Quando um corpo é deixado num meio que está a uma temperatura diferente da sua, verifica-se uma
transferência de energia entre o corpo e o meio ambiente, até que se estabeleça o equilíbrio térmico
(ou seja, o corpo e o meio alcancem a mesma temperatura).

2.1. Expansão térmica


Quando um corpo (na sua forma líquida, solida ou gasosa) fica sujeito a um aumento da temperatura,
normalmente, o corpo dilata. Pode sofrer um aumento de comprimento, de superfície ou de volume.
A este fenómeno é designado expansão térmica, que consiste a uma separação a nível atómico, isto é,
microscopicamente verifica-se um maior distanciamento entre os átomos da substância que constitui
o corpo.

Imaginando uma barra sujeita a um aumento de


temperatura (∆𝑻 ), comprimento inicial ( 𝑳𝟎 ), e uma
variação de comprimento ( ∆𝑳 ), associa-se-lhe um
coeficiente, que se designa por coeficiente de expansão
linear ( 𝜶 ). Esta grandezas relacionam-se da seguinte
forma (para pequenas secções de material):

∆𝑳 = 𝜶 ∗ 𝑳_𝟎 ∗ ∆𝑻 (eq. 1)

Esta relação é observada facilmente num gráfico.

Figura 1 -Gráfico representativo da eq.1

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Na figura 1, é possível observar a tendência linear, e onde o declive dessa mesma reta é o coeficiente
de expansão linear:

∆𝑳 = 𝜶 ∗ ∆𝑻 ∗ (eq. 2)
𝑦 = 𝑚𝑥 + 𝑏 (eq. 3)

Se o material não for isotrópico (classifica-se um material como isotrópico quando este apresenta as
mesmas propriedades físicas em todas as direções), verifica-se então que este coeficiente deixa de ser
linear, uma vez que assume valores diferentes para diferentes direções.

Tabela 1- Dados de coeficientes de expansão tabelados

Material 𝛂 / 𝐱 . 𝟏𝟎−𝟓 . ℃−𝟏


Latão 1.8
Vidro duran 0.32
Vidro de quartzo 0.046
Alumínio 2.2
Cobre 1.6
Aço 1.1

3. Montagem

3.1. Material Necessário

 Dilatómetro
 Tina de água
 Termóstato
 Comparador (micrómetro)
 Termómetro
 Cronómetro
 Fita métrica
 Barras de diferentes materiais (2)
 Tubos de borracha

Figura 2- Montagem

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3.2. Procedimento

1. Escolheu-se uma das barras;


2. Mediu-se o comprimento inicial da mesma (l0);
3. Mediu-se a temperatura ambiente (T0);
4. Em seguida, colocou-se a barra no dilatómetro e prendeu-se numa extremidade fixa com o parafuso
respetivo.
5. Ajustou-se o ponteiro do comparador (micrómetro) no zero da escala.
6. Regulou-se o termóstato para uma temperatura 5 ºC acima da temperatura (t0) dada pelo
termómetro.
7. Esperou -se (5 min aprox) ate que a temperatura chegou ao valor desejado.
8. Registou-se o valor da temperatura (t).
9. Registou-se também o valor lido no comparador.
10. Repetiu-se os pontos 7,8 e 9 do procedimento experimental aumentando gradualmente a
temperatura (5 em 5 ºC) até chegar aos 60 ºC
11. Fez-se todo o procedimento para uma barra de um novo material.

4. Dados Experimentais / Tratamento de dados


4.1. Dados recolhidos

A cada medição efetuada registou-se o valor da temperatura marcada (T), e a respetiva medida da
expansão (∆l).

Cada barra possuía o mesmo comprimento inicial, l0=0,64m

Tabela 2- Dados obtidos experiencialmente

1ª Barra 2ª Barra
Temperatura (℃) Expansão (mm) Temperatura (℃) Expansão (mm)
20.5 0 19,8 0
24.8 0,5 25,8 0,2
30.5 1,1 31,3 0,8
34.7 1,7 35,4 1,6
40.4 2,6 40,3 2,1
46.3 3,6 45,3 2,7
49.4 4,0 50,6 3,3
54.4 4,7 55,7 4,0
60.1 5,4 60,9 4,6

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4.2. Tratamento de dados


O tratamento de dados passa pela realização de um gráfico a partir dos dados recolhidos
experimentalmente (Tabela 2). Gráfico esse que representa a relação entre a expansão (∆L) e a
temperatura (T). Obtendo uma reta do tipo da eq.3 onde mx / l0 representa o coeficiente de expansão
linear.

Coeficiente de expansão linear


1ª Barra 2ª Barra Linear (1ª Barra) Linear (2ª Barra)

0.0006
0.0005 y = 1.413E-05x - 3.047E-04
R² = 9.966E-01
Expansao (m)

0.0004
0.0003
0.0002
0.0001 y = 1.183E-05x - 2.656E-04
R² = 9.903E-01
0
0 10 20 30 40 50 60 70
Temperatura (°C)

Figura 3- Gráfico - coeficiente de expansão linear

A partir do gráfico, é possível retirar os declives e converte-los no que realmente se pretende.

Reta da barra 1: 𝑦 = 1.413 ∗ 10−5 − 3,047 ∗ 10−4

Reta da barra 2: 𝑦 = 1.183 ∗ 10−5 − 2,656 ∗ 10−4

Para obter o coeficiente de expansão linear (α) e dividir o declive obtido para cada reta e dividir pelo
comprimento inicial, assim sendo vem:

α1= (1.413/0,64) ∗ 10−5 = 2.21∗ 10−5 ℃−1 ;

α2= (1.183/0.64) ∗ 10−5=1.83∗ 10−5 ℃−1 ;

E possível obter estes mesmos valores através da equação 2, tendo como intervalo de temperatura e
expansão os primeiras e últimos valores registados (estado inicial e estado final).

(0.00054−0)
α1= (60,1−20,5)∗0,64
= 2.13 ∗ 10−5 ℃−1

(0.00046−0)
α2= (60,9−19.8)∗0,64
= 1.75 ∗ 10−5 ℃−1

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5. Análise de Resultados
Através dos dados obtidos facilmente se observa, pelo gráfico que o coeficiente de dilatação da barra
2 é maior do que o da barra 1 e assim para um mesmo aumento de temperatura (∆T) o a sua expansão
linear (∆L) será consequentemente maior.

Um dos objetivos passa por comparação a valores tabelados destas constantes a fim de se proceder a
identificação do material. Pela tabela 1, verifica-se que o coeficiente linear da barra 1 (α1) é muito
próximo do coeficiente de dilatação do alumínio, e que o coeficiente da barra 2 se aproxima do latão,
conclui-se assim que serão os mais prováveis constituintes das barras utilizadas.

5.1. Determine o coeficiente de expansão (dilatação) volumétrica dos


materiais que constituem as barras que utilizou no trabalho. Deduza a expressão
que relaciona o coeficiente de expansão linear com o coeficiente de dilatação
volumétrica
O coeficiente de dilatação volumétrica, β, e caracterizado como sendo a razão entre a variação de
volume relativa e a variação de temperatura a que se sujeita o material, a pressão constante:

∆𝑽ൗ
𝑽
𝜷 = 𝐥𝐢𝐦 (eq. 4)
∆𝑻→𝟎 ∆𝑻
Considerando um paralelepípedo de dimensões L1,L2, e L3, o seu volume a uma temperatura
T é dado por :

𝑽 = 𝑳𝟏 ∗ 𝑳𝟐 ∗ 𝑳𝟑 (eq.5)

E a variação de volume com a temperatura:

𝒅𝑽 𝒅𝑳𝟑 𝒅𝑳𝟐 𝒅𝑳𝟏


= 𝑳𝟏 ∗ 𝑳𝟐 ∗ ∗ 𝑳𝟏 ∗ 𝑳𝟑 ∗ ∗ 𝑳𝟐 ∗ 𝑳𝟑 (eq.6)
𝒅𝑻 𝒅𝑻 𝒅𝑻 𝒅𝑻

𝟏 𝒅𝑽 𝟏 𝒅𝑳𝟏 𝟏 𝒅𝑳𝟐 𝟏 𝒅𝑳𝟑


𝜷= = ∗ + ∗ + ∗ (eq.7)
𝑽 𝒅𝑻 𝑳𝟏 𝒅𝑻 𝑳𝟐 𝒅𝑻 𝑳𝟑 𝒅𝑻

E uma vez que os segundos membros da equação 7 corresponde a α, então:

𝜷 = 𝟑𝜶 (eq.8)

Assim pela equação 8, temos que o coeficiente de dilatação volumétrica do alumínio é : 6,22 ∗
10−5 ℃−1, e do latão é : 5.53 ∗ 10−5 ℃−1.

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5.2. Os coeficientes de dilatação linear que determinou são válidos para


qualquer intervalo de temperatura? E de pressão?

Tanto o coeficiente de dilatação linear como o volumétrica, em geral não varia significativamente em
sólidos e líquidos com a pressão, mas o mesmo não acontece com a temperatura, varia e pode-se
considerar qualquer intervalo de temperatura positivos.

5.3. Embora a maior parte dos materiais sofra expansão quando aquecidos, a
água entre 0ºC e 4ºC, constitui uma importante exceção. Explique porque tal se
verifica e diga quais as implicações que tem esse facto na existência de vida
aquática em lagos, em Invernos muito rigorosos

Quando a água é aquecida a temperaturas inferiores a 4ºC, contrai em vez de se expandir. Esta
propriedade tem importantes consequências para a ecologia dos lagos. A temperaturas acima de 4°C,
a água num lago fica mais densa ao arrefecer e imerge para o fundo. A temperaturas abaixo de 4°C, a
água fica menos densa ao arrefecer e permanece na superfície. Forma-se então gelo sobre a superfície
do lago e, sendo menos denso que a água, aí permanece e atua como um isolamento térmico para a
água que fica em baixo. Este comportamento irregular provém das ligações por pontes de hidrogénio
das suas moléculas.

A nível macroscópico observa-se dois comportamentos quando se aumenta a temperatura da água a


partir dos 0°C: - agitação entre as moléculas aumentam aumentando assim a distancia entre as
moléculas, traduzindo-se num aumento de volume, em contra partida as suas ligações rompem-se e
para contrariar as moléculas aproximam-se uma das outras e que traduz numa diminuição de
volume.

Estes dois fenómenos ocorrem sempre em simultâneo, a ocorrência de maior numero de um fenómeno
corresponderá a uma dilatação ou contração.

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6. Erros e respetivas incertezas


Na tabela abaixo são apresentados os valores de resolução e erro de leitura, bem como as respetivas
unidades dos aparelhos usados.

Tabela 3- Unidades, resolução e erro de leitura dos materiais usados

Aparelho Unidades Resolução Erro de leitura


Termómetro digital °C 0,1 0,1
Cronometro s 0.01 0.01
Fita métrica cm 0,1 0,05
Termostato °C 0.02 0,2
Dilatómetro mm 0.01 0.005

6.1. Erros relativos:


Considerando a tabela 1 como valor de referência teórica e usando a formula:

(𝑉𝑎𝑙𝑜𝑟 𝑒𝑥𝑝𝑒𝑟𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑎𝑙 − 𝑉𝑎𝑙𝑜𝑟 𝑡𝑒ó𝑟𝑖𝑐𝑜)


𝐸𝑟𝑟𝑜( %) = ∗ 100
𝑉𝑎𝑙𝑜𝑟 𝑡𝑒ó𝑟𝑖𝑐𝑜

6.1.1. Barra 1-Alumínio:


Valor teórico: 𝛼 = 2.20 ∗ 10−5 ℃−1

Usando o gráfico: 𝛼 = 2.21 ∗ 10−5 ℃−1

Usando a equação: 𝛼 = 2.13 ∗ 10−5 ℃−1

Erro relativo(gráfico) = 0.45%

Erro relativo (equação) = 3.18%

6.1.2. Barra de Latão


Valor teórico: 𝛼 = 1.8 ∗ 10−5 ℃−1

Usando o gráfico: 𝛼 = 1.81 ∗ 10−5 ℃−1

Usando a equação: 𝛼 = 1.75 ∗ 10−5 ℃−1

Erro relativo(gráfico) = 0.55%

Erro relativo (equação) = 35%

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6.2. Incertezas

6.2.1. Incertezas Relativas

Tendo em conta que o termómetro, cronometro e o termostato são aparelhos digitais, a sua resolução
e igual ao erro de leitura já a fita métrica e o comparador são analógicos.

Tem-se que a incerteza relativa é dada por:

𝐸𝑟𝑟𝑜 𝑑𝑒 𝑙𝑒𝑖𝑡𝑢𝑎
𝜇=
√3

 Termómetro: 𝜇 = 0,058℃
 Cronometro: 𝜇 = 0,058𝑠
 Termostato: 𝜇 = 0,12℃
 Fita métrica: 𝜇 = 0,023 𝑐𝑚
 Dilatómetro: 𝜇 = 0,0029 𝑚𝑚

6.2.2. Incerteza para o coeficiente de dilatação linear (combinada)

 Para a barra 1

𝑢(𝑐) 2 0,0000026 2
( ) ( )
𝛥𝐿 0,00054
u( ΔL1 /(L ∗ ΔT1) = √ =√ = 0,0134
𝑢(𝑓) 𝑢(𝑇) 0,023 2 0,058 2
√( √(
𝐿
)2 + (
𝛥𝑇
)2 0,64 ) + ( 39.6 )

α1= 𝟐, 𝟏𝟑 ∗ 𝟏𝟎−𝟓 ± 𝟎, 𝟎𝟏𝟑𝟒℃−𝟏

 Para a barra 2
𝑢(𝑐) 0,0000026
( 𝛥𝐿 )2 ( 0,00046 )2
u( ΔL2 /(L ∗ ΔT2) = √ =√ = 0,0157
𝑢(𝑓) 𝑢(𝑇) 0,023 2 0,058 2
√( √(
0,64 ) + ( 41,1 )
2 2
𝐿 ) + ( 𝛥𝑇 )

α2= 𝟏. 𝟕𝟓 ∗ 𝟏𝟎−𝟓 ± 𝟎, 𝟎𝟏𝟑℃−𝟏

7. Conclusão

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8. Bibliografia
http://www.sofisica.com.br/conteudos/Termologia/Dilatacao/linear.php

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