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UNIVERSIDADE CEUMA

Curso: Esp. Neuropsicologia Disciplina: Comunicação e linguagem e seus distúrbios

Professor: Me. Dannilo J. E. Halabe


Nome:______________________________________________ Data: 16-17/02/2018
OBSERVAÇÕES:
a) Esta prova contém nove (nove) questões, cujos valores encontram-se indicados ao lado de seus enunciados.
b) Todas as questões deverão ser respondidas com letra legível, sob pena de suas respostas serem desconsideradas.
c) As questões discursivas devem ser respondidas em texto dissertativo-argumentativo.
d) Em caso de cola, o aluno deverá entregar imediatamente a prova e lhe será atribuída a nota 0 (zero).
PROVA TIPO 1 [ABORTO] - QUESTÕES OBJETIVAS
1. [1,0pt] Sobre o foco da aquisição de linguagem em neuropsicologia, analise as
assertivas abaixo:
A neuropsicologia concorda que a linguagem surge no desenvolvimento humano a partir
da aprendizagem, mas revela ser importante avaliar outros processos cognitivos
relacionados, como memória, percepção e atenção
PORQUE
Problemas nos processos cognitivos associados a aquisição da linguagem podem
explicar melhor seu atraso ou alteração, não se enquadrando no diagnóstico de transtorno
de linguagem neste caso.
Marque a opção que esclarece sobre a veracidade e a relação das duas assertivas
acima.
A. A primeira assertiva está correta e a segunda incorreta.
B. A primeira assertiva está incorreta e a segunda correta.
C. As duas assertivas estão incorretas.
D. As duas assertivas estão corretas, mas a segunda não justifica a primeira.
E. As duas assertivas estão corretas, sendo que a segunda justifica a primeira.
2. [1,0pt] Entre todos os indivíduos assim unidos pela linguagem, estabelecer-se-á uma
espécie de meio-termo; todos reproduzirão – não exatamente, sem dúvida, mas
aproximadamente – os mesmos signos unidos aos mesmos conceitos. Qual a origem
dessa cristalização social? Qual das partes do circuito pode estar em causa? Pois é bem
provável que todos não tomem parte nela de igual modo (SAUSSURE, 2006, p.21). A
partir desta citação do Curso de Linguística Geral pergunta-se: qual o conceito que
Saussure está definindo nesta passagem?
A. O conceito de linguagem, em parte social e em parte individual.
B. O conceito de linguagem, como as normas sociais de expressão.
C. O conceito de fala, como circuito de linguagem.
D. O conceito de língua como união da linguagem e a fala.
E. O conceito de língua como sistema de signos.
3. [0,50pt] Sobre as características do Transtorno de Comunicação para o DSM 5,
analise as assertivas abaixo:
I. No referido transtorno (comunicação) as capacidades linguísticas estão, de forma
substancial e quantificável, abaixo do esperado para a idade, resultando em limitações na
comunicação
PORQUE
II. Neste transtorno, as dificuldades podem não devem ser concomitantes a presença de
deficiência auditiva ou outro prejuízo sensorial, a disfunção motora ou a outra condição
médica ou neurológica.
Marque a opção que esclarece sobre a veracidade e a relação das duas assertivas
acima. (1,0pt)
A. A primeira assertiva está correta e a segunda incorreta.
B. A primeira assertiva está incorreta e a segunda correta.
C. As duas assertivas estão incorretas.
D. As duas assertivas estão corretas, mas a segunda não justifica a primeira.
E. As duas assertivas estão corretas, sendo que a segunda justifica a primeira
4. [1,0pt] Sobre a diferença do diagnóstico de Alteração e Atraso da linguagem,
analise as assertivas abaixo:
I. Diagnostica-se atraso, quando o desenvolvimento da linguagem não segue o
ritmo esperado para aquela idade e alteração para toda mudança ocorrida após
aquisição de linguagem
PORQUE
II. O atraso deforma a maneira de expressar e compreender a linguagem,
enquanto a alteração promove sutis diferenças no tempo levado para a
aquisição da linguagem.
Marque a opção que esclarece sobre a veracidade e a relação das duas assertivas
acima.
A. A primeira assertiva está correta e a segunda incorreta.
B. A primeira assertiva está incorreta e a segunda correta.
C. As duas assertivas estão incorretas.
D. As duas assertivas estão corretas, mas a segunda não justifica a primeira.
E. As duas assertivas estão corretas, sendo que a segunda justifica a primeira.
5. [1,0 pt] As demências irreversíveis são caracterizadas pela deterioração sustentada da
memória. Há um estágio de demência em que o indivíduo começa a apresenta a
incapacidade de produzir uma sequencia com ideias corretas, além da acentuada
repetição de palavras e de frases. Marque a alternativa que apresenta corretamente
este estágio:
A. Último estágio da demência.
B. Demência leve.
C. Estágio intermediário da demência.
D. Primeiro estágio da demência.
E. Nenhuma das Anteriores (NDA).
6. [0,5pt] Analise o texto abaixo retirado do livro “Casa das Estrelas” que realizou
entrevistas com crianças de vários países e formou um dicionário de seus
conceitos:
“Adulto: Pessoa que em toda coisa que fala, fala primeiro dela mesma (Andrés
Bedoya, 8 anos)
Ancião: É um homem que fica sentado o dia todo (Maryluz Arbeláez, 9 anos)
Água: Transparência que se pode tomar (Tatiana Ramírez, 7 anos)
Branco: O branco é uma cor que não pinta (Jonathan Ramírez, 11 anos)
Dinheiro: Coisa de interesse para os outros com a qual se faz amigos e, sem ela,
se faz inimigos (Ana María Noreña, 12 anos)
Guerra: Gente que se mata por um pedaço de terra ou de paz (Juan Carlos Mejía,
11 anos)
Inveja: Atirar pedras nos amigos (Alejandro Tobón, 7 anos)
Igreja: Onde a pessoa vai perdoar Deus (Natalia Bueno, 7 anos)
Mãe: Mãe entende e depois vai dormir (Juan Alzate, 6 anos)
Paz: Quando a pessoa se perdoa (Juan Camilo Hurtado, 8 anos)
Sexo: É uma pessoa que se beija em cima da outra (Luisa Pates, 8 anos)
Tempo: Coisa que passa para lembrar (Jorge Armando, 8 anos)
Universo: Casa das estrelas (Carlos Gómez, 12 anos)
Violência: Parte ruim da paz (Sara Martínez, 7 anos)” (NARANJO, 2013).
Percebemos com o texto acima, elementos que são o foco do estudo da
psicolinguística, e que mostram as crianças em fase de desenvolvimento. Destaca-
se na visão psicolinguística:
A. Destaca-se a constituição de uma linguagem individual nas crianças que permite a
fala.
B. Trata-se da criação de novos signos linguísticos por parte das crianças.
C. Trata-se da aquisição de linguagem não verbal pelas crianças.
D. Trata-se da constituição psíquica do sistema de signos verbais e não verbais das
crianças.
E. Trata-se da aquisição de língua e escrita por parte das crianças.

QUESTÕES SUBJETIVAS

Analise o caso a seguir, e apresente em um texto dissertativo a resolução


das seguintes questões elaboradas pela escola do aluno abaixo a partir do DSM 5,
da CID 10 ou de alguma abordagem psicológica que fundamente seu estudo:

7. [2,0 pts] Existe indício de algum transtorno de aprendizagem, linguagem ou fala?


Justifique com elementos do caso.
8. [1,5 pts] Se sim, qual o transtorno e suas principais características?
9. [1,5 pts] Quais as intervenções indicadas pela literatura?

RELATO DO CASO

O caso selecionado foi de uma criança do gênero masculino, com 10 anos e 3


meses, cursando o 4° ano do Ensino Fundamental em uma escola pública de Guarulhos-
SP e encaminhado pela escola para avaliação e diagnóstico. Inicialmente foi realizado o
acolhimento da queixa da escola e das questões sobre a existência de transtorno de
aprendizagem, foi encaminhado para avaliação específica.
As queixas apresentadas pela escola e pela mãe foram: dificuldades de
aprendizagem, principalmente na leitura e escrita. A criança é copista, ainda não sabe ler,
pula linhas, é desorganizada, ansiosa e triste. Na ocasião da anamnese, a mãe também
referiu que a criança apresentava dores pelo corpo e cefaléia.
R.B.C. é filho de um casal não consanguíneo, seus pais são separados e a
mãe teve outros dois relacionamentos. No primeiro, teve dois filhos, no segundo (com o
pai de R., teve apenas ele) e no último, teve outro filho que é o caçula.
Mãe realizou pré-natal sem intercorrências médicas. Relatou apenas uma
gestação tumultuada. R.B.C. foi recém-nascido a termo (idade gestacional de 39
semanas), de parto cesáreo e chorou logo que nasceu. Precisou ficar durante 3 dias na
UTI neonatal, pois no parto “foi água para seu pulmão” (segundo informações da mãe) e
fez fototerapia, devido a icterícia. Seu peso ao nascer foi de 2,900 kg, estatura de 46 cm e
APGAR1 de 7 no primeiro minuto e 9 no quinto minuto, Perímetro cefálico de 35,5cm.
Pela anamnese percebe-se que o seu desenvolvimento neuropsicomotor foi
dentro dos padrões esperados, de modo que engatinhou com aproximadamente 6 meses
e andou sem apoio com 1 ano. No desenvolvimento da fala / linguagem, falou as
primeiras palavras aos 2 anos; não formava frases. Falou frases compreensíveis por volta
dos 4 anos de idade. Tem sono agitado e mãe referiu parassonias frequentes: sentar,
falar, chorar, se mexer enquanto dorme, negou enurese noturna, dorme com a mãe, pois
tem medo de dormir sozinho, tem sono diurno.
Quanto ao histórico médico, em 2004, com 7 anos, apresentou dois episódios
que foram interpretados como crise epiléptica e iniciou o uso de carbamazepina 2. Tais
episódios ocorriam durante o sono. Esta medicação foi utilizada por dois anos e retirada
de uma vez em 2007. Realizou cirurgia de adenoide em 2004.
Com relação às interações sociais, tem bom relacionamento interpessoal, no
entanto, tem poucos amigos e costuma se isolar dos outros. Com relação à escolaridade,
R. frequentou o jardim, a pré-escola e entrou no 1ª ano com 6 anos. Teve três mudanças
de escolas, cursando um ano em cada escola até a presente data. De acordo com a mãe,
ele se recusa ir à escola e não “tem vontade de fazer as coisas”. Gosta de matemática e
tem um desempenho satisfatório nesta matéria.
Seu desempenho, nas demais matérias é abaixo da média. Faz reforço escolar
duas vezes por semana na própria escola em que estuda. Em relação aos antecedentes
familiais: pais apresentaram dificuldades escolares não diagnosticadas.
O processo diagnóstico foi realizado por equipe multidisciplinar de acordo com
a seguinte bateria de testes:
A. Com a mãe
Roteiro semi-estruturado de anamnese;

B. Com a criança
Avaliação Neuropsicológica:
a) Teste Gestáltico Visomotor Bender – B-SPG 16;
b) Escala de Inteligência Wechsler para Crianças – WISC-III 17;
c) Teste Wisconsin de Classificação de Cartas – WCST 18;
1
O APGAR é um índice de referência sobre a saúde do recém nascido. Mede a frequência cardíaca, a
respiração, o tônus muscular, os reflexos e a cor da pele. Cada um destes itens recebe uma nota entre 0 e
2 para se chegar a um total geral. Grande parte dos recém-nascidos recebe entre 7 e 10, não requerendo
nenhum tratamento imediato, como, por exemplo, auxílio para respirar. Fonte: http://brasil.babycenter.com
2 A Carbamazepina é um medicamento antiepiléptico. Fonte: www.medicinanet.com.br
d) Teste Luria Nebraska – C 19;
e) Testes de Cancelamento – TC: Figuras Geométricas e Letras em Fileira 20;
f) Tower of London – TOL 21;
g) Trail Making Test – TMT-A/B 22;
h) Stroop Color Word Test – SCWT 23;
i) Inventário de Depressão Infantil – CDI 24;

Avaliação Fonoaudiológica
a) Avaliação Fonológica da Criança 25;
b) Fala espontânea;
c) Nomeação Automática Rápida – RAN 26;
d) Prova de Consciência Fonológica – PCF 27;
e) Nível de leitura;
f) Escrita espontânea e sob ditado 28.

RESULTADOS
A análise da avaliação neuropsicológica seguiu um Protocolo de Avaliação
Neuropsicológica Infantil/PANI-DISAPRE e os resultados dos instrumentos foram
organizados em termos das seguintes funções: atenção, memória, funções visuais,
auditivas e táteis, funções executivas, funções intelectuais e aspectos afetivo-emocionais.
Os aspectos referentes à linguagem foram especificados na avaliação
fonoaudiológica. Os resultados das avaliações foram considerados dos pontos de vista
quantitativo e qualitativo.
De acordo com os resultados da avaliação neuropsicológica, pôde-se observar
que R. obteve desempenho intelectual geral no limite inferior da média esperada para sua
idade cronológica.
Apresentou melhor desempenho em tarefas não-verbais (visuo-espaciais) que
em tarefas verbais, com diferença estatisticamente significante (p<0,01) de 16 pontos
entre os Quocientes de Inteligência Verbal (QIV) e de Execução (QIE).
Na Avaliação Atencional, obteve desempenho médio e número de erros não
significativos nos testes de cancelamento, porém a análise qualitativa demonstrou uso
desorganizado de estratégias de rastreamento visual para a realização das tarefas.
Apresentou desempenho médio inferior tanto em tarefas de memória imediata visual
quanto em auditiva.
A criança obteve bom desempenho nas funções visuais de discriminação:
reconheceu e nomeou adequadamente cores, formas geométricas e objetos;
desempenho dentro da média em organização visual e visuo-espacial, porém usou
estratégias de ensaio e erro para a resolução das atividades; desempenho no limite
inferior da média em atividade que exigia capacidade de planejamento envolvendo
eventos sequenciais, causais e temporais.
Nas funções auditivas, teve bom desempenho em discriminação, seguir ordens
simples, mas dificuldades em reprodução de estruturas rítmicas e compreensão verbal no
nível limítrofe da média; bom desempenho em percepção tátil (estereognosia),
reconhecendo objetos e texturas.
Quanto à linguagem, demonstrou pouca interação verbal, repertório verbal
adequado (vocabulário), dificuldades no estabelecimento de relações entre conceitos
(abstração), expressão de conhecimentos gerais e compreensão.
Quanto aos aspectos da avaliação de linguagem oral foram observados os
seguintes achados: alterações somente no nível semântico, com restrição lexical, sendo
que os outros níveis, sintático, fonético, fonológico e pragmático encontram-se de acordo
com a idade cronológica.
Na Avaliação das Funções Executivas obteve bom desempenho em tarefa de
conflito cognitivo, que avaliou a capacidade de inibição cognitiva e atenção seletiva visual,
não apresentando prejuízo no tempo de reação e no número de erros, indicados pelos
escores de interferência.
Em tarefa que exigiu capacidade de alternância/flexibilidade cognitiva teve
aumento no tempo de reação em função da complexidade da tarefa, sendo que o tempo
foi maior no teste que envolveu símbolos linguísticos (letras).
Também demonstrou dificuldades na capacidade de modificação de estratégias
cognitivas diante das contingências ambientais, não conseguindo completar o 1° contexto
do WCST e apresentando maior frequência de escores perseverativos. Também teve
dificuldade na autopercepção de erros, monitoramento do próprio desempenho e na
capacidade de planejamento com carência de estratégias para auxiliar seu desempenho.

Na avaliação das Habilidades Escolares foram obtidos os seguintes resultados:


a) Na linguagem escrita: tem letra do tipo cursiva, qualidade gráfica média,
pinça adequada, velocidade de escrita lenta, presença de sincinesias na
boca e língua, nível de escrita silábico (transição para silábico com valor
sonoro); realizou cópia de palavras e frases simples.
b) Na escrita espontânea e sob ditado: alterações nas vias de uso da
escrita, rotas fonológica e lexical, sendo que não há relação grafema-
fonema; início da fase silábica para a escrita. Para a elaboração de texto,
há uma restrição lexical, em função desta não utilização da escrita, portanto
são elaboradas somente palavras de alta frequência ao seu léxico
semântico, o que dificulta a inteligibilidade de sua grafia (Figura 1);

FIGURA 1 – Escrita de R.B.C

Legenda – coluna da esquerda: data, vela, dado, água, também, vidro, amanhã, palavra, nenhum,
tempestade. Coluna da direita: caçador, assaltou, churrasco, queixo, tijolo, comeram, soltou, mangueira,
combinar, exemplo.

c) Na leitura: teve dificuldades na discriminação de letras, na leitura de


sílabas simples e complexas (encontros consonantais e dígrafos) e,
consequentemente, na leitura de palavras simples.
d) Nível de leitura: é logográfico, em que reconhece os grafemas, porém não
é capaz de juntá-los.
e) Na Prova de Nomeação Automática Rápida (RAN): apresentou
dificuldades no tempo de nomeação de cores, letras, dígitos e objetos, que
exige acesso ao léxico mental, quando comparado ao esperado para sua
idade e escolaridade.
f) Na Prova de Consciência Fonológica: apresentou alterações em provas
fonêmicas e de rima;
g) Cálculo: discriminou algarismos, realizou cálculos simples e solucionou
problemas matemáticos oralmente com apoio concreto.
Durante as avaliações foi observado que R. queria desistir da tarefa quando
não conseguir realizá-la e necessitava de auxílio e maior incentivo para responder às
questões feitas em algumas atividades.
Na avaliação de sintomas depressivos, por meio do autorrelato com o CDI, não
ultrapassou o ponto de corte, no entanto, houve relatos de temor com relação aos
acontecimentos futuros, preocupação com sua aparência, pouca diversão no contexto
escolar, preocupação e comparação de seu desempenho com o de seus pares.
De acordo com o relato familiar de queixas comportamentais e emocionais,
houveram queixas relacionadas à: depressão / ansiedade, retraimento social,
comportamentos agressivos, problemas de atenção, queixas somáticas e problemas no
pensamento.
As dificuldades apresentadas por R. na escola repercutiram nos aspectos
emocionais e comportamentais, de modo que ele passou a apresentar: avaliação negativa
de seu desempenho, generalização de baixa autoeficácia para outras esferas de sua vida,
formação de autoconceito negativo, comportamento apático, ausência de prazer
(anedonia), sentimento de tristeza e recusa em ir à escola.
Foram excluídas outras possíveis causas para as dificuldades: rebaixamento
intelectual, déficit sensorial, motor, sociocultural, problemas psicológicos.

“Mas terá que me pagar", disse a bruxa.


“Mas se me tira a voz”, disse a pequena sereia, “o que me sobrará?”
“Sua linda figura”, disse a bruxa, “seus movimentos graciosos e seus olhos expressivos. Com eles pode
encantar facilmente um coração humano... Bem, onde está sua coragem? Estique a linguinha e deixe-me
cortá-la fora como meu pagamento”.

Hans Christian Andersen – A Pequena Sereia

BOA SORTE!