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Linhas temáticas da poesia de Miguel Torga

Grupo 1 _A criação poética ( sonho, solidão, rebeldia, rito, liberdade) _ Lê os poemas:


Canção do Semeador; Maceração; Prospecção.

Grupo 2 _ A condição humana (terrena, animal, mortal) _ Lê os poemas: Comunhão,


Condição, Cântico de Humanidade

Grupo 3 _ A revolta da imanência humana contra a transcendência divina _ Lê os


poemas: Desfecho, Súplica, Livro de Horas

Grupo 4 _ Problemática religiosa _ Lê os poemas: De Profundis, Tantum Ergo

Grupo 5 _ O desespero humanista _ Lê os poemas: Liberdade; Orfeu Rebelde, Drama

Grupo 6 _ A Obsessão Telúrica _ Lê os poemas: Êxtase, Lezíria, A Terra

Grupo 7 _ A dimensão telúrica da Natureza ( a Terra , corpo vivo; A terra, centro do


Cosmos; o abraço Terra Céu, o anseio Terra/Mar; A Terra-Pátria-Ibéria) _ Lê os
poemas: Ibéria; Pátria; Imagem; Regresso;

Grupo 8 _ Apego aos limites carnais, Terrenos e a revolta espontânea contra esses
limites: Lê os poemas: Depoimento, Descida aos infernos, Mudez;

Grupo 9 _ Apologia de um sentido terreno, instintivo _ Lê os poemas: Bucólica,


Mirante, Lavram e semeiam aqui ao lado, S. Leonardo da Galafura;

Grupo 10_ Miguel Torga reactualiza muitos mitos clássicos. Rescreve os seguintes
mitos presentes na obra de Torga: Prometeu, Ícaro, Tântalo, Narciso, Orfeu, Anteu e
Sísifo.

Nota: Para leres os poemas assinalados clica nesta página.


Publicada por Luísa em 19:45 Sem comentários: Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas: poesia de Miguel Torga
Comunicado- Miguel Torga
Na frente ocidental
nada de novo.
O povo
Continua a resistir.
Sem ninguém que lhe valha,
Geme e trabalha
Até cair.
Publicada por Luísa em 19:34 Sem comentários: Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas: Miguel Torga
Começo- Miguel Torga
Magoei os pés no chão onde nasci.
Cilícios de raivosa hostilidade
Abriram golpes na fragilidade
De criatura
Que não pude deixar de ser um dia.
Com lágrimas de pasmo e de amargura
Paguei à terra o pão que lhe pedia.

Comprei a consciência de que sou


Homem de trocas com a natureza.
Fera sentada à mesa
Depois de ter escoado o coração
Na incerteza
De comer o suor que semeou,
Varejou,
E, dobrada de lírica tristeza,
Carregou.
Publicada por Luísa em 19:25 Sem comentários: Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas: Miguel Torga
Terra- Miguel Torga
Também eu quero abrir-te e semear
Um grão de poesia no teu seio!
Anda tudo a lavrar,
Tudo a enterrar centeio,
E são horas de eu pôr a germinar
A semente dos versos que granjeio.

Na seara madura de amanhã


Sem fronteiras nem dono,
Há de existir a praga da milhã,
A volúpia do sono
Da papoula vermelha e temporã,
E o alegre abandono
De uma cigarra vã.

Mas das asas que agite,


O poema que cante
Será graça e limite
Do pendão que levante
A fé que a tua força ressuscite!

Casou-nos Deus, o mito!


E cada imagem que me vem
É um gomo teu, ou um grito
Que eu apenas repito
Na melodia que o poema tem.

Terra, minha aliada


Na criação! Seja fecunda a vessada,
Seja à tona do chão,
Nada fecundas, nada,
Que eu não fermente também de inspiração!
E por isso te rasgo de magia
E te lanço nos braços a colheita
Que hás de parir depois...
Poesia desfeita,
Fruto maduro de nós dois.
Terra, minha mulher!

Um amor é o aceno,
Outro a quentura que se quer
Dentro dum corpo nu, moreno!
A charrua das leivas não concebe
Uma bolota que não dê carvalhos;
A minha, planta orvalhos...

Água que a manhã bebe


No pudor dos atalhos.
Terra, minha canção!
Ode de pólo a pólo erguida
Pela beleza que não sabe a pão
Mas ao gosto da vida!