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O Código de Ética, de forma genérica, é uma ferramenta que surgiu como

mediadora para a boa convivência entre todos, sejam estes, profissionais,


organizações e sociedade. Da mesma forma é o Código de Ética do Profissional
de Engenharia, Arquitetura, Agronomia, Geologia, Geografia e Meteorologia, que
discorre sobre os deveres, direitos e condutas vedadas desses profissionais.
Inicialmente, trata da Resolução nº 1.002 do Confea, de 26 de novembro
de 2002, que adota o Código de Ética atual, acrescendo as profissões de
Geólogo, Geógrafo e Meteorologista. Revogando a Resolução nº 205, de 30 de
setembro de 1971.
O preâmbulo informa que “O Código de Ética Profissional enuncia os
fundamentos éticos e as condutas necessárias para a boa e honesta prática das
profissões (...)”, ou seja, o exercício profissional não deve visar apenas a eficácia
e o alcance de objetivos e metas estabelecidos. O fim deve ser precedido por
práticas honestas e de boa fama.
De maneira a descrever as condutas aprováveis, o texto aponta os
princípios éticos em que os profissionais devem pautar suas condutas, sendo
elas quanto ao objetivo da profissão, à natureza, à honradez, à eficácia, ao
relacionamento e à liberdade e segurança dos profissionais. Ou seja, o Código
de Ética estende as obrigações morais do profissional à todas as áreas de
atuação e relacionamentos.
Após a definição dos princípios éticos, o Art. 9º enumera os deveres do
profissional no exercício da sua profissão. Essas obrigações são aplicáveis aos
valores humanos, oferecendo o seu conhecimento para o bem da humanidade,
harmonizando os interesses pessoais aos coletivos. Na profissão, ao dedicar-se
com zelo, preservar o bom conceito e seu apreço social. Nas relações com
clientes, empregadores e colaboradores, com outros profissionais, exercendo o
princípio da equidade, oferecendo tratamento justo a todos, zelar pelo sigilo
profissional, atuar com imparcialidade e impessoalidade. Também nas relações
com demais profissionais, atuando com lealdade no mercado de trabalho. E ante
ao meio ambiente, exercendo as atividades profissionais através dos preceitos
do desenvolvimento sustentável.
Prosseguindo para o próximo artigo, o Código de Ética enuncia as
condutas vedadas aos profissionais, seguindo as mesmas áreas de aplicação
dos deveres. Algumas dessas condutas são, descumprir voluntária e
injustificadamente com os deveres do ofício; aceitar trabalho, contrato, emprego,
função ou tarefa para os quais não tenha a devida qualificação; formular proposta
de salários inferiores ao mínimo profissional legal; intervir em trabalho de outro
profissional sem a devida autorização de seu titular, salvo no exercício do dever
legal; prestar de má-fé orientação, proposta, prescrição técnica ou qualquer ato
profissional que possa resultar em dano ao ambiente natural, à saúde humana
ou ao patrimônio natural.
Os artigos 11º e 12º descrevem os direitos coletivos e individuais,
respectivamente, dos profissionais, sendo estes: livre associação e organização
em corporações profissionais; gozo da exclusividade do exercício profissional;
liberdade de escolha da especialização; justa remuneração proporcional à sua
capacidade e dedicação e aos graus de complexidade, risco, experiência e
especialização requeridos por sua tarefa; provimento de meios e condições de
trabalhos dignos, eficazes e seguros, dentre outros.
É possível observar ao longo desses artigos que os deveres e proibições
são bastante extensos, com 40 itens, enquanto os direitos são formados por
apenas 16 itens. É explícito, nesse caso, que os profissionais regidos por esse
Código de Ética devem exercer as funções com atos cuidadosos e que
preservem a sociedade, a profissão, relações de mercado, relações com outros
profissionais e o meio ambiente. Outro ponto importante a ser observado é que
os direitos, garantem ao profissional as condições dignas, honrosas e suficientes
para que o exercício da profissão e os deveres sejam plenamente cumpridos.
Com isso, entende-se que o objetivo final é prestação de serviços com
excelência para a sociedade como um todo.
Tendo em vista a exposição dos deveres e condutas vedadas, os
profissionais têm o conhecimento e condições de pensar e analisar as suas
decisões atitudes tomadas ao longo de sua carreira, buscando manter-se
alinhado com o Código de Ética.
No entanto, a interpretação desses itens é fundamental, tendo em vista a
sua natureza subjetiva, onde não são explicitadas situações em acordo ou
desacordo. Ou seja, cada ponto traz a ideia central do que é ético, ou não,
cabendo ao profissional adequar as suas escolhas e atitudes. Devido a essa falta
de clareza na exposição das obrigações éticas, muitos profissionais utilizam
subterfúgios, ou brechas, para obter resultados que satisfaçam as suas
necessidades pessoais ante às necessidades coletivas.
Para que análises mais justas e precisas desses casos fossem
conduzidas, foi criada a Resolução Nº 1.004, de 27 de junho de 2003, aprovando
o Regulamento para Condução do Processo Ético Disciplinar.
Esse regulamento determina todos os trâmites necessários para que seja
instaurado um processo ético disciplinar contra algum profissional regido por
esse Código de Ética. Todas as etapas devem ser legalmente fundamentadas e
seguir os passos necessários para que o processo seja conduzido de forma justa
e sigilosa, protegendo a honra e a imagem de todos os envolvidos. Do início da
denúncia até a aplicação de penalidades há uma grande burocracia e tempo
gasto no processo, para que haja a comprovação, ou não, da veracidade dos
fatos, buscando reduzir as possibilidades de erro.
Caso haja a comprovação da culpa do denunciado, as sanções podem
variar de acordo com a gravidade da infração cometida. Podendo ser
advertências sigilosas, reservadas aos registros internos do Conselho, ou
censuras públicas.
Por fim, o Código de Ética é um texto bastante completo e de grande valia
para o profissional embasar as suas condutas e impor limites aos profissionais
regidos por ele. Mantendo a boa qualidade e a apreciação das profissões pela
sociedade e aplicando penalidades aos que desviam as suas práticas para o que
é de boa moral.