Você está na página 1de 9

UCAM – UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES

PERICLES VALE ALVES

CIRCUITOS ELÉTRICOS DE CORRENTE CONTÍNUA: TEORIA E PRÁTICA


EXPERIMENTAL ALIADAS PARA UM ENSINO DE FÍSICA EFETIVO E EFICAZ
NO ENSINO MÉDIO

HUMAITÁ - AM
2016
UCAM – UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
PERICLES VALE ALVES

CIRCUITOS ELÉTRICOS DE CORRENTE CONTÍNUA: TEORIA E PRÁTICA


EXPERIMENTAL ALIADAS PARA UM ENSINO DE FÍSICA EFETIVO E EFICAZ
NO ENSINO MÉDIO

Artigo Científico Apresentado à Universidade Candido


Mendes - UCAM, como requisito parcial para a
obtenção do título de Especialista em Ensino de Física.

HUMAITÁ - AM
2016
1

CIRCUITOS ELÉTRICOS DE CORRENTE CONTÍNUA: TEORIA E PRÁTICA


EXPERIMENTAL ALIADAS PARA UM ENSINO DE FÍSICA EFETIVO E EFICAZ
NO ENSINO MÉDIO

1
Péricles Vale Alves

RESUMO

Neste estudo apresentamos a importância da prática experimental em sala de aula para a


eficácia do ensino de física. O ensino de física através da experimentação, mesmo não
dispondo de um super laboratório, é possível a partir de materiais de baixo custo que podem
gerar bons experimentos construídos pelos próprios alunos, muito embora necessitem de
teoria, encontram na prática experimental, uma efetiva motivação para instigar a curiosidade e
serem conduzidos a pensar, a adquirir gosto pela ciência e, portanto, olhar para a física com
novas perspectivas. Este artigo se objetiva em investigar como se dá o processo de ensino-
aprendizagem no estudo de circuitos elétricos via teoria e prática experimental integradas.
Para este fim, introduziu-se conceitos básicos de eletricidade como corrente, tensão, potência
e energia elétrica e, além disso, estudou-se a primeira de Lei de Ohm para logo em seguida
tratarmos acerca dos circuitos elétricos e, claro, o carro chefe desta pesquisa foi sobretudo, a
aproximação dos alunos aos circuitos construídos com materiais simples nos quais pôde-se
fazer, utilizando um multímetro digital, a leitura das medidas elétricas pertinentes. Com isso,
concluiu-se que de fato, conduzir os alunos da teoria para a prática experimental resulta num
processo de maior eficácia no ensino de física, visto que, os alunos alcançaram competências
e habilidades para distinguir corrente de tensão, tensão de potência, além do que, adquiriram a
noção básica sobre a montagem dos circuitos residenciais, por exemplo. Portanto, teoria e
prática experimental aliadas dão suporte suficiente para que o ensino de física seja efetivo e
eficaz.
Palavras-chave: Prática experimental. Circuitos Elétricos. Ensino de Física.

Introdução

O presente texto tem como tema circuitos elétricos de corrente contínua: teoria e
prática experimental aliadas para um ensino de física efetivo e eficaz no ensino médio, visto
que, diante de inúmeras mudanças que vem sendo realizadas em educação, se torna evidente a
necessidade da contextualização dos conceitos de física de modo que nossos estudantes
venham a ter maior proveito do que se ensina na escola. Deste modo, cabe ao professor de
Física uma reflexão mais apurada acerca de sua prática de ensino, apoiando-se em novas
metodologias para que o ensino de Física esteja o mais próximo possível da realidade do
1
Licenciado em Ciências: Física e Matemática pela Universidade Federal do Amazonas - UFAM. Atualmente
trabalha na UFAM, campus de Humaitá-AM, como Técnico de Laboratório/Física.
2

aluno de modo que o próprio aluno comece a perceber a importância da Física, dos métodos e
das metodologias e suas aplicações práticas, visto que em nossa vida diária estamos cercados
por uma gama de aparelhos eletroeletrônicos, dentre outros que se utilizam da física, e
obviamente torna-se fundamental ao estudante ter conhecimento básico acerca dessas novas
tecnologias. Desta forma, a escola atual deve estar antenada para dar, sobretudo, aos jovens do
ensino médio uma formação que independa de sua escolaridade futura.

Cabe à escola não apenas ser o lugar onde cada professor atua, mas transformar-se
em espaço e agente de definição e articulação do que aprender e ensinar. Cada
escola passa a ter autonomia para pensar no perfil de seus alunos e em suas
necessidades mais significativas, organizando-se para atendê-las, refletindo e
definindo metas, estabelecendo um projeto que possa organizar sua ação
pedagógica. (KAWAMURA, et. al, p. 5)

Com efeito, deve-se considerar as dificuldades de cada escola e, em particular, a qual


executou-se esta pesquisa, donde não se tinha laboratório de física a disposição.
Como se sabe, a eletricidade tem hoje fundamental importância para a sociedade. O
início dos estudos referentes a eletricidade se deram no século XVIII, onde os estudos
limitavam-se apenas às propriedades físicas das cargas em repouso, parte esta da eletricidade
batizada por eletrostática. Posteriormente, se estabeleceu o estudo de cargas em movimento
chamada eletrodinâmica.
No último século, a tecnologia avançou de tal maneira, que mudou abruptamente a
vida do ser humano. Imagine só a nossa sociedade atual sem eletricidade? Poderíamos viver
sem os benefícios da luz elétrica e de inúmeros aparelhos eletroeletrônicos construídos para
facilitar nossa vida? Como viveríamos sem televisão ou sem uma geladeira?
Como afirmam Valadares e Moreira (1998), é imprescindível que o estudante do
ensino médio conheça os fundamentos da tecnologia atual, já que ela atua diretamente em sua
vida e certamente definirá o seu futuro profissional. Segue, portanto, a importância de se
introduzir conceitos básicos de eletricidade e, em especial, de se fazer uma ponte entre a
teoria e a prática experimental em sala de aula de modo a integrá-las a física do cotidiano dos
alunos.
Para este fim, elaborou-se alguns questionamentos que deram um norte para este
trabalho:
 A prática experimental interfere de que maneira no processo de ensino-
aprendizagem?
3

 Qual deve ser a contribuição da prática experimental para a vida dos


estudantes?
 Há alguma diferença no ensino-aprendizagem entre levar os circuitos
elétricos construídos para sala de aula e deixar que os próprios estudantes os
construam?
Quando se fala acerca do processo de ensino-aprendizagem, não significa que tudo
está consumado ao simples fato de o estudante adquirir competências e habilidades para
resolver problemas de física apenas, mas é preciso que o ensino de física conduza o estudante
a compreender que tal estudo possibilita uma compreensão básica da natureza, sobretudo,
deve desenvolver nos estudantes inúmeras habilidades que possam excitar à sua criatividade,
propiciando prazer, alegria e desafios. Do contrário, se torna difícil apresentar a Física como
uma disciplina interessante e atraente.
Neste cenário, o objetivo principal deste estudo é, portanto, investigar qual a
implicação no processo de ensino-aprendizagem referente ao estudo de circuitos elétricos
quando se alia teoria e prática experimental.
Com o intuito de atingir nossos objetivos propostos, utilizou-se como recurso
metodológico, aulas expositivas e dialogadas acompanhadas de práticas experimentais
construídas com materiais de baixo custo, realizadas em duas turmas de terceiro ano do ensino
médio em uma Escola Estadual na cidade de Humaitá-AM.

Desenvolvimento

O ensino de física está inserido na educação básica e sem dúvida faz parte da
formação do cidadão e deve abranger não somente os estudantes que darão seguimento aos
seus estudos, mas também aqueles que terminado o ensino médio não manterão mais contato
escolar com a física. De acordo os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN + Ensino Médio):

A Física deve apresentar-se, portanto, como um conjunto de competências


específicas que permitam perceber e lidar com os fenômenos naturais e
tecnológicos, presentes tanto no cotidiano mais imediato quanto na compreensão do
universo distante, a partir de princípios, leis e modelos por ela construídos. Isso
implica, também, a introdução à linguagem própria da Física, que faz uso de
conceitos e terminologia bem definidos, além de suas formas de expressão que
envolvem, muitas vezes, tabelas, gráficos ou relações matemáticas (BRASIL, 2002,
p.59).

Neste contexto, realizou-se a pesquisa em uma escola de ensino fundamental e médio


na cidade de Humaitá/AM, na qual escolheu-se duas turmas de terceiro ano do ensino médio,
4

visto que, o programa curricular aborda eletricidade nesta etapa escolar. Adotou-se como livro
texto o próprio livro didático escolhido pela escola. Além disso, um levantamento realizado,
antes de iniciar a pesquisa, junto a secretaria da escola referente aos anos anteriores e ao
bimestre já realizado, apontava um baixo rendimento dos alunos relativo à disciplina de física
das duas turmas.
O professor da disciplina participou ativamente conosco na realização da pesquisa.
Realizaram-se cinco encontros com as turmas, duas vezes por semana, cada encontro com
duração de cinquenta minutos. Durante a primeira semana, buscamos trabalhar os conceitos
básicos de eletricidade de maneira mais simples possível apresentando exemplos que são
corriqueiramente observados nos equipamentos eletroeletrônicos por eles usados, como: TVs,
carregadores de celulares, ventiladores, liquidificador, geladeira, dentre outros que trazem
especificações elétricas como: tensão, corrente, potência elétrica, etc. Lançamos o desafio aos
alunos a trazerem para próxima aula, anotações referentes as especificações elétricas (tensão,
corrente e potência elétrica) dos equipamentos existentes em suas residências. Na segunda
semana, terceira aula, levamos para sala de aula um circuito elétrico com apenas uma lâmpada
incandescente. E então, ao ligarmos o circuito na rede elétrica notamos que em poucos
segundos a lâmpada aquecia de tal maneira que ao manter o contato físico com a mesma, o
risco de sofrer ferimentos devido a temperatura um tanto elevada comparada à do nosso corpo
era perceptível. Surgiu então a pergunta e lançada em seguida como desafio aos alunos: qual o
motivo ou o porquê do aquecimento da lâmpada? Depois de ouvi-los, apresentou-se então a
explicação científica de tal fenômeno e com isso apresentamos a primeira Lei de Ohm e
falamos acerca do efeito Joule. Na aula seguinte, quarta aula, na turma 1 levamos dois
circuitos elétricos, cada um composto por três lâmpadas de potências distintas, um em
associação em série outro em paralelo, além disso, levamos uma fonte de corrente contínua
com tensão máxima de 30V e um multímetro digital.

Figura 1: Associação em série com lâmpadas


Solicitou-se aos alunos que observassem a Figura
incandescentes de 15w, 40w e 100w,
2: Associação em paralelo com lâmpadas
maneira como as lâmpadas estavam
incandescentes de 15w, 40w e 100w,
respectivamente. respectivamente.
conectadas entre si e, em seguida, surge novamente o desafio aos alunos:
5

 No circuito S Fig. 1, qual das lâmpadas irá brilhar mais? Explique sua resposta.
 No circuito P Fig. 2, o que podemos afirmar a respeito do brilho das lâmpadas?
Explique sua resposta.
Em seguida, realizou-se então a experiência pondo os circuitos para funcionar e, então,
observou-se a surpresa de muitos alunos, uma vez que a grande maioria esperava o oposto do
observado na prática experimental, principalmente, a respeito do circuito em série.
A partir desta atividade experimental, com o auxílio do multímetro digital, coletou-se
medidas de corrente e tensão elétrica e a partir desses dados, pode-se mostrar aos alunos o que
de fato ocorre nesses dois circuitos elétricos e suas respectivas aplicações, além disso, foi
possível estimar também a potência elétrica útil que cada lâmpada utilizou. Buscou-se ainda,
tratar tais circuitos sob a ação de corrente contínua com baixas corrente e voltagem elétrica de
modo a evitar possíveis choques elétricos. Na quinta e última aula, levamos um teste de
conhecimentos mínimos (TCM) para verificar em quanto fora o rendimento da turma frente a
metodologia aplicada. Por outro lado, na turma 2, na quarta aula, procedeu-se de forma
diferente. Apresentou-se a teoria acerca dos circuitos em associação em série e em paralelo e
pediu-se que os próprios alunos construíssem os circuitos e trouxessem na próxima aula. E
então, deu-se prosseguimento como na turma 1. As respostas dos alunos, acerca do
funcionamento das lâmpadas, não foram muito distintas entre as turmas.
Com isto, oportunizamos aos alunos uma experiência nova em estudar física, além
disso, conduzimos de certa maneira o professor da disciplina a refletir sobre sua prática de
ensino, no sentido de buscar novas metodologias que viabilizem um ensino de Física
diferenciado tal que torne a Física mais próxima da realidade do aluno. Ou seja, desta forma
concorda-se excelentemente bem com o que recomendam as Orientações Educacionais
Complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (PCN +), que
dizem ser necessário:

[...] considerar o mundo em que o jovem está inserido, não somente através do
reconhecimento de seu cotidiano enquanto objeto de estudo, mas também de todas
as dimensões culturais, sociais e tecnológicas que podem ser por ele vivenciadas na
cidade ou região em que vive (BRASIL, 2002, p.83).

Assim, entendemos que teoria aliada a prática experimental oferecem ao ensino de


física um novo perfil ao trabalho do professor, isto é, ele de certa forma abandona o posto
daquele que detém o conhecimento e passa a ser percebido como aquele que está conduzindo,
6

participando e transmitindo conhecimento a partir das atividades. Com isto, confirma-se que o
uso do laboratório é de fato uma alternativa efetiva para um ensino de Física eficaz, muito
embora, a maior parte das escolas não estejam equipadas com laboratórios. Contudo já se
elucidou aqui que se pode improvisar com materiais de baixo custo.
De acordo Alves Filho (2000): “dificilmente encontraremos um professor de Física
que negue a necessidade do laboratório”, porém, escolas equipadas com laboratórios ainda é,
infelizmente, uma realidade longe de acontecer e, pelo menos, as que já possuem espaço e
materiais para o mesmo, enfrentam a dificuldade de casar tempo para as aulas teóricas e
práticas experimentais, isto é, os professores não dispõem de carga horaria disponível para se
preocuparem com essas práticas.

Conclusão

A prática experimental aplicada ao ensino de física, fornece um maior proveito do


conteúdo ensinado, uma vez que o ensino de física vem sendo realizado repetidamente através
de conceitos, leis e fórmulas, vazios de significado valorizando sempre a teoria e a abstração.
Com as atividades realizadas pode-se perceber o interesse maior dos alunos, donde se
vê participação mais ativa nas aulas, ou seja, professor perguntando e alunos respondendo. E
isso é muito gratificante, pois o professor passa a perceber seus alunos e até mesmo abstrai
deles informações que trazem do seu cotidiano, podemos dizer até o conhecimento empírico
adquirido a partir de práticas vividas, ou especulações, ou até mesmo curiosidade. Além disso,
a prática experimental fornece subsídios mínimos ao aluno para buscar uma compreensão
básica da natureza, em particular, entender o funcionamento dos circuitos elétricos e de
equipamentos que auxiliam na leitura de grandezas relativas a eletricidade e, além disso, os
alunos adquiriram maturidade para diferenciar grandezas elétricas em equipamentos
eletroeletrônicos presentes ao seu redor, sem falar que absorveram, de certa forma,
habilidades em pensar como resolver exercícios e analisarem suas respostas de forma mais
crítica e consistente. Portanto, não há como negar, teoria e prática experimental integradas dão
suporte fundamental para um ensino de física eficaz e voltado para a contextualização à vida
diária do aluno, onde o aluno passa a perceber a importância de estudar ciências, a física de
modo particular.
REFERÊNCIAS
7

ALVES FILHO, José de Pinho. Regras da transposição didática aplicadas ao laboratório


didático. Caderno (Catarinense) Brasileiro de Ensino de Física. v.17, n.2 p.174-188, ago.2000.

ARAUJO, Mauro Sérgio Texeira de; ABIB, Maria Lucia Vital dos Santos. Atividades
Experimentais no Ensino de Física: Diferentes Enfoques, Diferentes Finalidades. Revista
Brasileira de Ensino de Física, vol. 25, n. 2, junho, 2003. Artigo disponível em:
<www.sbfisica.org.br> [14 abril 2016].

BRASIL. Parâmetros Curriculares para Ensino Médio. MEC: PCN +, 2002.

NETO, Genésio Correia Freitas. Diretrizes para uma metodologia do ensino de física.
Caderno (Catarinense) Brasileiro de Ensino de Física. Florianópolis, 4(3): 127-139, dez. 1987.

KAWAMURA, Maria Regina Dubeux; Hosoume, Yassuko. A contribuição da Física para


um Novo Ensino Médio. Física na Escola, v. 4, n. 2, p. 22 – 27, 2003.

VALADARES, Eduardo de Campos; MOREIRA, Alysson Magalhães. Ensinando


física moderna no ensino médio: efeito fotoelétrico, laser e emissão de corpo negro.
Caderno Catarinense de Ensino de Física, v. 15, n. 2, ago. 1998.