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BUSHIDO

Bushido significa literalmente, "caminho do guerreiro" - era um código de


honra não-escrito e um modo de vida para os samurais (a classe guerreira
do Japão feudal ou bushi), que fornecia parâmetros para esse guerreiro
viver e morrer com honra.

"Seguir o bushido, é dar ênfase à lealdade, fidelidade, auto sacrifício,


justiça, modos refinados, humildade, espírito marcial e honra acima de
tudo, morrer com dignidade".

Bushido é formado e influenciado pelos conceitos do Budismo, Xintoísmo e


Confucionismo. A combinação dessas doutrinas e religiões formaram o
código de honra do guerreiro samurai, conhecido como bushido.

O Budismo se relaciona com o bushido, através do destemor do perigo e da


morte. O samurai não temia a morte pois acreditava nos ensinamentos
budistas, que pregavam a vida após a morte. Voltaria no encargo de
guerreiro em suas contínuas reencarnações. Os samurais não tinham medo
do perigo, as técnicas de meditação do Zen, foram usadas como um meio de
limitar esse temor. Com os ensinamentos Zen, os samurais buscavam entrar
em harmonia com seu Eu interior e com o mundo a sua volta. O desapego
era a base do samurai, com a pratica do desapego, o samurai se tornou a
maior casta de guerreiros que já existiu.

Bushido foi influenciado também, pelos preceitos do Xintoísmo, como a


lealdade, o patriotismo, e a reverência aos seus antepassados. Com tal
lealdade para com a memória de seus ancestrais, os samurais empenham
essa mesma reverência ao imperador e ao seu daimyo ou senhor feudal.
Xintoísmo também fornece importância para patriotismo com seu país, o
Japão. Eles crêem que a Terra não existe apenas para suprir as
necessidades das pessoas. "É a residência sagrada dos deuses, dos espíritos
de seus antepassados..." A Terra deve ser cuidada, protegida e alimentada
por um patriotismo intenso.

O Confucionismo oferece ao bushido, sua crença em relação aos seres


humanos e suas famílias. Confucionismo ressalta o dever filial e as relações
entre senhor e servo, pai e filho, marido e mulher, irmão mais velho e mais
novo e entre amigos, que são seguidas pelos samurais. Junto com estas
virtudes, o bushido também prega a justiça, benevolência, amor,
sinceridade, honestidade, e autocontrole. Justiça é um dos principais
fatores no código do samurai, assim como o amor e a benevolência que são
suntuosas virtudes dos samurais.

Bushido, literalmente traduzido, significa "Caminho do Guerreiro", bushi


"guerreiro" do "caminho". Neste sentido, o ideograma para caminho, em
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japonês, é equivalente à forma chinesa “Tao”, e exprime o conceito
filosófico de absoluto. Este conceito traz a idéia de origem, princípio e
essência de todas as coisas.

"O bushido, significa a vida total do guerreiro, sua devoção a espada, seu
respeito às normas ditadas pelo Confucionismo. Não é apenas um sistema
de ética a ser seguido pelas classes sociais. É a estrada do cosmo, os
vestígios sagrados dos Céus, apontando o Caminho". – O Livro Dos Cinco
Anéis.

No geral, guerreiro é aquele que busca seu próprio caminho. Muitas


pessoas podem estar perfeitamente buscando o caminho sem saber disso.
Guerreiro é a pessoa que tem um objetivo, e que por meio deste, passa a ter
consciência de seu dom e suas limitações. Através dessa consciência, o
guerreiro atinge sua meta, combinada com a vontade de vencer fraquezas,
temores e limitações.

Cada pessoa trilha seu próprio caminho, já que existem vários caminhos
como o caminho da cura pelo médico, o caminho da literatura pelo poeta ou
escritor, e muitas outras artes e habilidades. Cada pessoa pratica de acordo
com a sua inclinação. Por isso pode-se chamar de guerreiro, aquele que
segue seu caminho específico.

Porém, no bushido, a palavra guerreiro significa muito mais do que isso. O


termo bushi não pode ser designado a qualquer um. O bushi é diferente,
pois seus estudos do caminho baseiam-se em superar os homens. A casta
guerreira se distingue das demais por sua fidelidade e honra, a palavra do
guerreiro vale mais do que tudo.

"Quando o guerreiro assume uma responsabilidade, mantém sua palavra.


Os que prometem e não cumprem, perde respeito próprio, tem vergonha de
seus atos e sua vida consiste em fugir, gastam mais energia dando
desculpas para desonrar sua palavra, do que o guerreiro usa para manter
seu compromisso. Ás vezes o guerreiro assume uma responsabilidade que
resultará em prejuízo. Não torna a repetir esta atitude, mas honra o que
disse e paga o preço de sua impulsividade". – Manual Do Guerreiro Da Luz.

O caminho do guerreiro é o caminho da pena e da espada, esse conceito


vem do antigo Japão feudal e determinava que a nobreza (bushi) dominasse
tanto a arte da guerra quanto a leitura, e que ele deve apreciar ambas as
artes. O bushi deve aprender o caminho de todas as profissões, informar-se
sobre todos os assuntos, apreciar as artes e quando não estiver ocupado
em suas obrigações militares, deverá estar sempre praticando algo, seja a
leitura ou a escrita, armazenando em sua mente a história antiga e o
conhecimento geral, comportando-se bem a todo momento para ter uma

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postura digna de um samurai, tudo isso sem desviar do verdadeiro
caminho, o bushido.

A etiqueta deve ser seguida, todos os dias da vida cotidiana, assim como na
guerra pelos samurais. Sinceridade e honestidade são as virtudes que
avaliam suas vidas. Transcender um pacto de fidelidade completa e
confiança esta ligado à dignidade. Os samurais também precisavam ter
autocontrole, desapego e austeridade para manter sua honra. Em função
disso, podemos dizer que o samurai é o guerreiro completo e seu código de
honra - o bushido - tem forte influência no estilo de vida do povo japonês e
oferece uma explicação do caráter e da indomável força interior desse
povo.

Para o bushido, o caminho do guerreiro exige que a conduta de um homem


seja correta em todos os sentidos, dessa forma, a preguiça é um mal que
deve ser abominado. Mas existem problemas quando a pessoa se apóia no
futuro, pois torna-se preguiçosa e indolente, já que deixam pra amanhã,
aquilo que poderia ser feito hoje. Pessoas que agem dessa maneira, não
seguem o verdadeiro preceito do bushido, que de um modo geral, é a
aceitação resoluta da morte.

"Um samurai deve antes de tudo ter sempre em mente, dia e noite, desde a
manhã de ano novo, quando pega os palitos para tomar café, até a noite do
último dia do ano, quando paga suas faturas, o fato de que um dia irá
morrer. Essa é a sua principal tarefa”. – Bushido O Código Do Samurai –
Daidoji Yuzan.

Se o guerreiro tem plena consciência da morte, evitará conflitos, estará


livre de doenças, além de ter uma personalidade com muitas qualidades e
diferenciada às dos demais seres humanos. O guerreiro vive o presente sem
se preocupar com o amanhã, de modo que quando contempla o rosto das
pessoas, sente como se nunca mais fosse vê-los novamente e, portanto, seu
dever e consideração às pessoas, serão profundamente sinceros. O
verdadeiro guerreiro é aquele que aceita a morte, dessa maneira, ele não
irá se meter em discussões desnecessárias que venham a provocar um
conflito maior, já que assim ele pode acabar sendo morto, e isso talvez
resultaria na sua desonra ou afligiria a reputação e nome de sua família. Se
a idéia de morte é mantida, será cuidadoso e suscetível de ser discreto e
não dirá coisas que ofendam às outras pessoas. Também não cometerão
excessos doentios com a comida, bebida e sexo, usando a moderação e a
privação em tudo, permanecendo livre de doenças e mantendo uma vida
saudável.

O guerreiro deve arder com a morte em desespero. “Naoshige disse uma


vez: - O bushido significa a morte em desespero. Várias dezenas de
samurais sadios não podem matar um único samurai (que arda com essa

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morte em desespero). Homens sadios de mente, calmamente bem-
compostas não podem realizar um grande empreendimento. Você só
precisa ficar desesperado a ponto de morrer. Se a discrição e a
consideração do momento fundem-se com seu bushido, você na certa
hesitará e ficará aquém de sua espreita”. – Bushido: O Caminho do Samurai
- Tsuramoto Tashiro.

Resumindo, bushi é aquele que segue o caminho do guerreiro. Miyamoto


Musashi dizia: - Os homens devem moldar seu caminho. A partir do
momento em que você ver o caminho em tudo o que fizer, você se tornará o
caminho.

OS SAMURAIS

O termo samurai corresponde à elite guerreira do Japão feudal. A palavra


samurai vem do verbo Saburai, que significa "aquele que serve ao senhor".
A classe dos samurais, dominou a história do Japão por cerca de 700 anos,
de 1185 à 1867. E ao longo desse período, os samurais exerceram
diferentes funções em determinadas épocas, passando de duelistas a
soldados de infantaria da corte imperial, equipados inclusive com armas de
fogo.

No início, os samurais realizavam atividades minoritárias tais como, as


funções de cobradores de impostos e servidores da corte imperial. Com o
passar do tempo, o termo samurai foi sancionado e os primeiros registros,
datam do século X, situando-os ainda como guardiões da corte imperial, em
Kyoto e como membros de milícias particulares a soldo dos senhores
provinciais. Nessa época, qualquer cidadão poderia tornar-se um samurai.
Este cidadão por sua vez, teria que se engajar nas artes militares para
então, por fim, ser contratado por um senhor feudal ou daimyo, mas
enquanto isso não acontecia, esses samurais, eram chamados de ronin.

Na Era Tokugawa (1603), quando os samurais passaram a constituir a mais


alta classe social (bushi), não era mais possível à um cidadão comum,
tornar-se samurai, pois o título "bushi", começou a ser passado de geração
em geração. Só um filho de samurai poderia tornar-se samurai e este tinha
direito a um sobrenome. Desde o surgimento dos samurais, só estes tinham
direito a um sobrenome, mas com a ascensão dos samurais como uma elite
guerreira sob os auspícios da corte imperial, todos os cidadãos passaram a
ter um sobrenome.

A partir desta época, a posição do samurai consolidou-se como um grupo


seleto da sociedade. As armas e armaduras que usavam eram símbolos de
distinção e a manifestação de ser um samurai. Porém para armar um
samurai era necessário mais que uma espada e uma armadura. Parte de seu
equipamento era psicológico e moral; eram regidos por um código de honra

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muito precioso, o bushido (caminho do guerreiro), no qual a honra,
lealdade e coragem eram os princípios básicos. A espada era considerada a
alma do samurai. Todo bushi (nome da classe dos samurais), portava duas
espadas presas ao obi (faixa que segura o quimono), o katana (espada
longa - de 60 a 90 cm) e wakisashi (de 30 a 60 cm), essas espadas eram o
símbolo-distintivo do samurai.

Os samurais não tinham medo da morte, que era uma conseqüência normal
e matar fazia parte de suas obrigações. Porém, deveriam morrer com honra
defendendo seu senhor, ou defendendo a própria reputação e o nome de
seus ancestrais. Se viessem a falhar ou cometessem um ato de desonra para
si próprio, manchando o nome de seu senhor ou familiares, o samurai era
ensinado a cometer o Harakiri ou Seppuku, ritual de suicídio através do
corte do ventre.

Se um samurai perdesse o seu Daymio (título dado ao senhor feudal, chefe


de um distrito) por descuido ou negligência na hora de defendê-lo, o
samurai era instruído a praticar o harakiri. Entretanto, se a morte do
Daymio não estivesse relacionada à ineficiência ou falta de caráter do
samurai, este se tornava um ronin, ou seja, um samurai que não tinha um
senhor feudal para servir, desempregado. Isto era um problema, pois não
conseguindo ser contratado por outro senhor e não tendo quem provesse
seu sustento, freqüentemente tinha que vender sua espada para poder
sobreviver ou se entregar ao bandidismo.

Nos campos de batalha assim como em duelos, os combatentes


enfrentavam-se como verdadeiros cavalheiros. Na batalha, um guerreiro
costumava galopar até a linha de frente inimiga para anunciar sua
ascendência, uma lista de feitos pessoais, bem como as façanhas do seu
exército ou de sua facção. Depois de encerrada tais bravatas é que os
guerreiros atacavam-se. O mesmo acontecia num duelo. Antes de entrar em
combate, os samurais se apresentavam, reverenciavam seus antepassados e
enumeravam seus feitos heróicos para depois entrarem em combate.

Fora do campo de batalha, o mesmo guerreiro que colhia cabeças como


troféu de combate era também um fervoroso budista. Membro da mais alta
classe, empenhava-se em atividades culturais, como arranjos florais
(ikebana), poesia, além de assistir a peças de teatro nô, uma forma de
teatro solene e estilizada para a elite e oficiar cerimônias do chá, alguns se
dedicavam a atividades artísticas tais como a escultura e a pintura.

Em seus castelos, os daimyo, patrocinavam saraus com pintores,


dramaturgos e intelectuais. Assistiam a espetáculos privados de teatro nô.
Os generais samurais praticavam caligrafia, arranjos florais e tocavam uma
espécie de alaúde. Mas de todas essas atividades, a que mais os envolviam
era a cerimônia do chá. Por volta do século XIII, monges zen-budistas

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introduziram os rituais do chá no Japão. A cerimônia do chá é uma
atividade espiritual e durante o raro momento de trégua da guerra, os
samurais vinham às salas de chá pra relaxar e apreciar o momento.

O estilo de vida e a tradição militar dos samurais dominaram a cultura


japonesa durante séculos, e permanecem vivos no Japão até os dias de hoje.
Milhões de crianças em idade escolar ainda praticam as habilidades
clássicas do guerreiro, entre elas a esgrima (kendo), arco-e-flecha (kyudo)
e luta corporal desarmada (jiu-jitsu, aikido). Estas e outras artes marciais,
fazem parte do currículo de educação física no Japão atual.

MIYAMOTO MUSASHI

Musashi nasceu para se tornar o maior samurai de todos os tempos.

Desde a sua primeira luta, prenunciando o que seria sua vida futura, aos
treze anos de idade, conheceu o sabor da vitória. Suas lutas quase sempre
terminavam com a morte do rival. Esses atos, aos nossos olhos, podem até
parecer cruéis, mas para os samurai, a morte era encarada com
naturalidade. Musashi foi concebido com glória da iluminação, por meio do
Kendo, e com isso desenvolveu uma visão precisa da realidade, premiada
com uma conduta digna e honrosa.

Miyamoto Musashi foi um mestre no caminho da espada, buscou a perfeição


na arte da esgrima até sua fama alcançar as principais cortes do Japão.
Criou um estilo de luta com duas espadas, chamado Niten Ichi Ryu. E
quando suas habilidades com suas espadas longa e curta e com a lança
tornaram-no invencível, o guerreiro mais temido de todo o Japão, retirou-
se e se dedicou a escrever o livro Go Rin No Sho, O livro dos Cinco Anéis,
um clássico da literatura japonesa, aonde deixa um legado de sua técnica às
futuras gerações. Shimen Musashi no Kami Fushiwara no Genshin, teve
inúmeros combates, o primeiro deles foi aos treze anos de idade, contra
Arima Kihei, um samurai da escola xintoísta Ryu. Participou da batalha de
Sekigahara, no qual sobreviveu ao massacre sobre sua facção derrotada e
continuou trilhando o seu bushido.

Lutou contra a família Yoshioka. Seijuro, foi o primeiro da família a


enfrentar Musashi, que empunhava uma espada de madeira, ao contrário de
Seijuro, que portava uma espada de boa qualidade. Musashi derrubou e
espancou Seijuro furiosamente. Após sua vitória, permaneceu na capital,
esse comportamento irritou muito os Yoshiokas. Densichiro foi o segundo
do clã a desafiar Musashi, que depois do início da luta quebrou o crânio do
oponente que morreu imediatamente. Uma terceira luta foi proposta, agora
contra Hansichiro, filho de Seijuro. Musashi chegou mais tarde ao local do
duelo e se escondeu. O garoto havia chegado bem antes com um grupo de
homens bem armados. Quando julgaram ter Musashi, se evadido do duelo,

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eis que ele surge e mata o menino. Depois, com suas duas espadas, causou
ferimentos e mortes entre o grupo e fugiu, essa foi a primeira vez que
Musashi usou as duas espadas simultaneamente.

Em 1605, após derrotar Oku Hozoin, monge discípulo de Hoin Inei, Musashi
passou algum tempo estudando as técnicas dos sacerdotes lanceiros. Na
província de Izumo, após derrotar o campeão local Matsudaria,
permaneceu um tempo como professor desse senhor, mas o duelo mais
famoso de Musashi, foi em 1612 em Ogura, província de Bunzen, contra
Sasaki Kojiro, dono de uma técnica de esgrima conhecida como Tsubame-
gaeshi. O local do duelo era uma ilha próxima de Ogura. Musashi, durante a
viajem para chegar ao local, esculpiu uma espada a partir do remo
existente no barco. Estava com uma aparência suja, pouco ortodoxa. Todos,
inclusive Kojiro se surpreenderam com sua figura. Musashi correu sobre
seu oponente que lançou a espada fora da bainha e em seguida se desfez da
própria bainha. A partir daí, Musashi constatara a própria vitória. Com um
golpe desferido pela sua espada feita do remo, Musashi abriu o crânio de
Ganryu Kojiro, que caiu morto.

O duelo contra Muso Gonnosuke, um dos maiores manejadores do bastão de


todos os tempos, foi um dos mais famosos também. Tanto Musashi como
Gonnosuke, afirmam enfaticamente em seus livros que, no dia do duelo,
foram derrotados um pelo outro, já que ninguém saiu vencedor desse
duelo. Depois, Gonnosuke tornou-se um dos melhores amigos de Musashi, e
criou o Bojutsu.

O livro Musashi, de Eiji Yoshikawa, foi o livro mais lido e mais vendido da
história do Japão. Conta a história de Musashi em dois grossos volumes. A
leitura deste livro nos leva a um grande entendimento da cultura japonesa.

BUDO

Em um país atormentado durante muito tempo por guerras e conflitos, os


samurais desenvolveram um rigoroso código ético não-escrito, conhecido
como bushido, que fornecia parâmetros para se viver e morrer com
dignidade. Hoje em dia, em um Japão mais seguro, este código de conduta
desenvolveu-se para uma filosofia de vida, o Budo.

FILOSOFIAS DO BUDO

As filosofias do budo, foram escritas por famosos Kendo-kas e mestres zen


tais como Miyamoto Musashi, Yagyu Munenori, Sekishusai, Soho Takuan e
muitos outros, a cerca de 500 anos atrás. Budo pode ser traduzido como
caminho das artes marciais, bu significa "marcial" ou "militar" e do
"caminho". Todas as artes marciais japonesas são chamadas de budo,
quando estas possuem conotação filosófica. Na idade média (Sengoku-

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gidai), principalmente em seu crepúsculo, surgiram grandes gênios da luta.
Através das experiências vividas, eles se preocupavam em manter, mesmo
em época de paz, o Ken-no-kokoro, o espírito da esgrima, considerado o
alicerce do bushido (caminho do samurai), o qual desenvolveu-se em
conjunto para a formação humana com ken (espada).

O homem não consegue viver em sociedade usando somente sua força


animal ou instinto. Surgiu então um apoio mental, recorrendo-se à pratica
do zen (método que dá equilíbrio mental). O Kendo chegou a um alto nível
de perfeição, pois "ken-no-miti", o caminho da esgrima, é a meta de
formação do samurai, favorecendo inclusive na era Tokugawa, o controle e
o aprimoramento ao máximo da força mental e das técnicas. As lutas de
Kendo permitiram enfrentar adversários fisicamente maiores com
possibilidades de vencê-los, impondo a paz e a disciplina, mostrando assim
que já naquela época, os nobres procuravam aprimorar a mente e o corpo.

OBJETIVOS DA PRÁTICA DO BUDO

Em resumo, deve-se a pratica do budo, a tarefa de contribuir na evolução


do homem, ajudando-o a enfrentar e encarar a realidade com energia e
coragem. A meta é descobrir o caminho de cada ser humano dentro das
suas limitações e possibilidades. O homem, em sua evolução física e
espiritual passa pelo estágio primário, secundário, atingindo um nível
superior. Esta busca de perfeição deve ser o caminho da vida, que a cada
dia se aprimora. Esta escolha do caminho permite ao homem viver, sentir,
perceber, aperfeiçoar-se, enriquecendo-se até a morte.

A percepção atua, de acordo com o grau de sensibilidade, por meio dos


órgãos dos sentidos, levando a diferentes reações e comportamentos. Além
desses valores perceptivos, existe a riqueza espiritual que se manifesta
pelo grau de emoções, satisfações e podem conduzir a verdadeira
felicidade. Esta energia espiritual pode levar a um magnetismo favorável
na personalidade e à formação de um alto grau de cultura do homem. O
instrumento para o caminho da vida é a técnica que dá ânimo, motivação e
estímulo. Para, utilizá-la, o homem aperfeiçoa sua habilidade e seu talento
mantendo um bom controle do físico e da mente. Aqui, talvez esteja o
verdadeiro caminho da vida.

PRECEITOS DO BUSHIDO

Seu maior princípio era buscar uma morte com dignidade, conforme expresso no
Hagakure (oculto nas folhas), um dos mais importantes tratados acerca do Bushido,
escrito por Yamamoto Tsunetomo, um samurai da província de Nabeshima, atual Saga,
em 1716.

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Um samurai jamais poderia se entregar e deveria estar sempre preparado para a
morte. Além disso, a honra do samurai, de seus antepassados e de seu senhor deveria
ser preservada por ele. Outros aspectos importantes é que um samurai jamais pode
fugir de um luta. Mesmo apenas um samurai contra um exército de oponentes, ele não
pode abandonar a luta. O samurai também deve estar sempre do lado da justiça e ter
compaixão com seu inimigo derrotado ou mais fraco. Lealdade, etiqueta, educação e
noção de gratidão eram outras coisas que o Bushido pregava. Um samurai honrado
deveria ser leal ao seu daimyo(senhor feudal), Shogun e Imperador.

No geral, guerreiro é aquele que busca seu próprio caminho. Muitas pessoas podem
estar perfeitamente buscando o caminho sem saber disso. Guerreiro é a pessoa que
tem um objetivo, e que por meio deste, passa a ter consciência de seu dom e suas
limitações. Através dessa consciência, o guerreiro atinge sua meta, combinada com a
vontade de vencer fraquezas, temores e limitações.
Cada pessoa trilha seu próprio caminho, já que existem vários caminhos: como o
caminho da cura pelo médico, o caminho da literatura pelo poeta ou escritor, e muitas
outras artes e habilidades. Cada pessoa pratica de acordo com a sua inclinação. Por
isso pode-se chamar de guerreiro, aquele que segue seu caminho específico.

Porém, no bushido, a palavra guerreiro significa muito mais do que isso. O termo
bushi não pode ser designado a qualquer um. O bushi é diferente, pois seus estudos do
caminho baseiam-se em superar os homens. A casta guerreira se distingue das demais
por sua fidelidade e honra, a palavra do guerreiro vale mais do que tudo.

O caminho do guerreiro é o caminho da pena e da espada, esse conceito vem do antigo


Japão feudal e determinava que a nobreza (bushi) dominasse tanto a arte da guerra
quanto a leitura, e que ele deve apreciar ambas as artes. O bushi deve aprender o
caminho de todas as profissões, se informar sobre todos os assuntos, apreciar as artes
e quando não estiver ocupado em suas obrigações militares, deverá estar sempre
praticando algo, seja a leitura ou a escrita, armazenando em sua mente a história
antiga e o conhecimento geral, comportando-se bem a todo momento para ter uma
postura digna de um samurai, tudo isso sem desviar do verdadeiro caminho, o
bushido.
A etiqueta deve ser seguida, todos os dias da vida cotidiana, assim como na guerra
pelos samurais. Sinceridade e honestidade são as virtudes que avaliam suas vidas.
Transcender um pacto de fidelidade completa e confiança esta ligado à dignidade. Os
samurais também precisavam ter autocontrole, desapego e austeridade para manter

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sua honra, em função disso, podemos dizer que o samurai é o guerreiro completo e
seu código de honra - o bushido - tem forte influência no estilo de vida do povo
japonês e oferece uma explicação do caráter e da indomável força interior desse povo.

Para o bushido, o caminho do guerreiro exige que a conduta de um homem seja


correta em todos os sentidos, dessa forma, a preguiça é um mal que deve ser
abominado. Mas existem problemas quando a pessoa se apóia no futuro, pois torna-se
preguiçosa e indolente, já que deixa para amanhã, aquilo que poderia ser feito hoje.
Pessoas que agem dessa maneira, não seguem o verdadeiro preceito do bushido, que
de um modo geral, é a aceitação resoluta da morte.
Se o guerreiro tem plena consciência da morte, evitará conflitos, estará livre de
doenças, além de ter uma personalidade com muitas qualidades e diferenciada às dos
demais seres humanos. O guerreiro vive o presente sem se preocupar com o amanhã,
de modo que quando contempla as pessoas, sente como se nunca mais fosse vê-los
novamente, e portanto, seu dever e consideração as pessoas, serão profundamente
sinceros. O verdadeiro guerreiro é aquele que aceita a morte, dessa maneira, ele não
irá se meter em discussões desnecessárias que venham a provocar um conflito maior,
já que assim ele pode acabar sendo morto, e isso talvez resultaria na sua desonra ou
afligiria a reputação e nome de sua família. Se a idéia de morte é mantida, será
cuidadoso e suscetível de ser discreto e não dirá coisas que ofendam às outras
pessoas. Também não cometerão excessos doentios com a comida, bebida e sexo,
usando a moderação e a privação em tudo, permanecendo livre de doenças e
mantendo uma vida saudável.

HISTÓRIA

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Nesta caligrafia japonesa sobre Bodhidharma, lê-se: “O Zen aponta diretamente para o
coração humano, vê sua natureza e o transforma em Buda”. Foi feita por Hakuin Ekaku
(1685 a 1768)

Como todas as escolas budistas, o Zen remete suas raízes ao budismo indiano. A
palavra zen vem do termo sânscrito dhyana, que denota o estado de concentração
típico da prática meditativa. Na China, esse termo foi transliterado como channa, e
logo reduzido à sua forma mais curta, chan (禪). Daí para o coreano como sŏn ( ), e
finalmente para o japonês como zen.

Segundo os relatos tradicionais, o estilo de prática Zen foi levado da Índia à China pelo
monge indiano Bodhidharma (em japonês, Daruma), por volta do ano 520 d.C. Embora
a historicidade desse relato tenha sido colocada em dúvida por estudiosos modernos,
a história (ou lenda) de Bodhidharma é a metáfora fundamental do Zen sobre o cerne
de sua prática.
Segundo conta o Registro da Transmissão da Lâmpada, um dos mais antigos textos do
Zen, Bodhidharma chegou à China pelo território da Dinastia Liang e, devido à sua
fama de sábio, foi imediatamente convocado à corte do famoso Imperador Wu-ti. O
imperador, que havia apoiado enormemente o budismo na China, perguntou a
Bodhidharma sobre o mérito que havia ganhado por apoiar o budismo, esperando que
esse mérito lhe garantisse uma boa vida em sua encarnação seguinte. Bodhidharma,
porém, respondeu: "Nenhum mérito". O imperador, enraivecido, perguntou então:
"Quem é esse que está diante de mim?" (em linguagem atual, algo como "Quem você
pensa que é?") Bodhidharma respondeu: "Não sei". Aturdido, o imperador concluiu
que Bodhidharma devia ser louco, e o expulsou da corte. Um dos ministros então
perguntou ao imperador: "Vossa Majestade Imperial sabe que é esta pessoa?" O
imperador disse que não sabia. O Ministro disse: "Ele é o Bodhisattva da Compaixão,
portador do Selo do Coração de Buda"". Cheio de arrependimento, o imperador quis
chamar Bodhidharma de volta, mas o ministro advertiu que ele não voltaria nem
mesmo se todos os chineses fossem buscá-lo. Outras pessoas, porém, ficaram
intrigadas com sua resposta e o seguiram até a caverna aonde ele havia ido viver. Lá,
se tornaram seus discípulos, e descobriram que Bodhidharma era o herdeiro
espiritual de Mahakashyapa, um dos grandes discípulos de Buda.

De acordo com os ensinamentos tradicionais, Bodhidharma não sabia responder


porque sua verdadeira natureza, assim como a verdadeira natureza de todas as coisas,

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estava além do conhecimento discursivo, de definições e de palavras. É a esta
experiência direta da realidade que aspira o Zen.

Mahakashyapa, de quem Bodhidharma era herdeiro espiritual e sucessor, havia ele


mesmo tido essa experiência, e se iluminado. Segundos os sutras, Mahakashyapa foi o
único discípulo de Buda a compreender seu Discurso do Lótus, em que Buda, sem dizer
nada, apenas levantou uma flor. Era a realidade imediata, além das palavras.
Depois de treinar seus discípulos por muitos anos, Bodhidharma morreu, deixando
seu aluno Huike (em japonês, Daiso Eka) como sucessor. Huike foi o Segundo
Patriarca do Zen, e também deixou uma linha de sucessão da qual pouco se sabe, até
chegar a Huineng (em japonês, Daikan Eno, 638-713), o Sexto e último Patriarca.
Huineng, um dos maiores mestres da história do Zen, participou de uma famosa
disputa quando sucedeu seu mestre: um grupo de monges recusava-se a aceitá-lo
como patriarca, e propunha outro praticante, Shenxiu, em seu lugar. Sob ameaças,
Huineng foi obrigado a fugir para um templo no sul da China; no final, apoiado pela
maioria dos monges, foi reconhecido como patriarca.

Algumas décadas depois, porém, a contenda foi ressucitada. Um grupo de monges,


dizendo-se sucessor de Shenxiu, enfrentou um outro grupo, a Escola do Sul, que se
apresentava como sucessora de Huineng. Depois de debates acalorados, a Escola do
Sul acabou prevalecendo, e seus rivais desapareceram. Os registros dessa disputa são
os mais antigos documentos históricos fiéis sobre a escola Zen de que dispomos hoje.

Mais tarde, monges coreanos foram à China para estudar as práticas da escola de
Bodhidharma. Quando chegaram, o que encontraram foi uma escola que já havia
desenvolvido identidade própria, com fortes influências do Taoísmo, e que já era
conhecida pelo nome Chan. Com o tempo, o Chan acabou se estabelecendo na Coréia,
onde recebeu o nome Seon.
Da mesma forma, monges chegavam de outros países da Ásia para estudar o Chan, e a
escola foi se espalhando pelos países vizinhos. No Vietnã, recebeu o nome Thien, e, no
Japão, ficou conhecida como Zen. Através da história, essas escolas cresceram de
maneira independente, tendo desenvolvido identidades próprias e características
bastante diferentes umas das outras.

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A iluminação

Escultura do Buda Amitabha da Dinastia Tang, Grutas Longmen, China.

No Zen, a iluminação é geralmente chamada de satori ou kensho. O kensho é o


primeiro vislumbre, por assim dizer, da verdadeira natureza da realidade e de si
mesmo, é mais breve e pouco profundo. O satori, por sua vez, é uma experiência mais
profunda e duradoura, em que o praticante tem uma experiência intensa da Natureza
de Buda, e vê sua "face original".
Não se trata, porém, de uma experiência visionária. Embora algumas pessoas
suponham que a experiência de iluminação deva levar quem a experimente a
universos de luz intensa, ou coisa que o valha, o depoimento dos mestres Zen
contradiz essa hipótese. Perguntado sobre como sua vida era antes e como ficou
depois do satori, um mestre Zen moderno respondeu: "Agora meu jardim parece mais
colorido."

Na iluminação, o praticante não é arrebatado a nenhum outro lugar.

Outra suposição comum é que, sendo iluminado, o fluxo de pensamentos pára, e o


praticante fica como um espelho polido, refletindo a pura realidade sem pensamentos
que o atrapalhem. Pelo contrário, os pensamentos não param -- o que ocorre é que o
praticante abre mão deles, deixa-os passar, esquece deles, e esquece de si mesmo.
Quando o Quinto Patriarca, Hongren (em japonês, Daiman Konin, 601-647), decidiu
escolher quem o sucederia, propôs a seus discípulos que tentassem captar a essência
do Zen em um poema; o autor do melhor poema seria seu sucessor. Quando

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receberam a notícia, os monges já sabiam quem seria o vencedor: Shenxiu, o aluno
mais antigo de Hongren. Ninguém se deu ao trabalho de competir com ele. Apenas
esperaram, e Shexiu escreveu seu poema e o pendurou na parede:

"Este corpo é a árvore de Bodhi.


A alma é como um espelho brilhante.
Toma cuidado para que sempre esteja limpo,
não deixando o pó se acumular sobre ele".
Todos os monges gostaram. Com certeza Hongren também iria gostar. Entretanto, no
dia seguinte havia outro poema pendurado ao lado, que alguém havia pregado
durante a noite:

"Bodhi não é como uma árvore.


O espelho brilhante não brilha em parte alguma:
Se nada há desde o princípio,
Onde se acumula o pó?"

Os monges ficaram assombrados. Quem teria escrito aquilo? Depois de algum tempo,
descobriram: o autor do poema era Huineng, o cozinheiro do monastério. E,
percebendo sua realização, foi a ele que Hongren estendeu seu manto e sua tigela,
fazendo de Huineng o Sexto Patriarca.

ENSINAMENTOS RADICAIS
Algumas das histórias tradicionais do Zen descrevem mestres usando estranhos
métodos de ensino, e muitos praticantes de hoje tendem a interpretar essas histórias
de maneira excessivamente literal.

Por exemplo, muitos ficam indignados quando ouvem histórias como a do mestre
Linji, fundador da escola Rinzai, que disse: "Se você encontrar o Buda, mate o Buda. Se
você encontrar um Patriarca, mate o Patriarca." Um mestre contemporâneo, Seung
Sahn, também ensina a seus alunos que todos precisamos matar três coisas: matar
nossos pais, matar o Buda e matar nosso professor (no caso, o próprio Seung Shan).
No entanto, é claro que nem Linji nem Seung Sahn estavam falando de maneira literal.
O que eles queriam dizer era que precisamos "matar" nosso apego a professores e
coisas externas.

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TEXTOS ZEN

PARÁBOLA DE BUDA
Ao atravessar um campo, um homem encontrou um tigre.
Fugiu a sete pés, com o tigre atrás dele.
À sua frente encontrou um precipício em que acabou por cair.
Mas conseguiu agarrar-se à raiz de uma velha videira
e ali ficou pendurado, com o tigre a cheirá-lo.
Tremendo de medo, olhou para baixo e viu outro tigre, lá longe em baixo,
que o esperava, cheio de apetite.
Só mesmo a videira lhe estava a salvar a vida.
Mas apareceram dois ratos, um branco e outro preto,
que pouco a pouco começaram a roer a raiz da videira.
Foi só nesse momento que se apercebeu que,
mesmo ao pé da raiz, estava um morango apetitoso.
Agarrando-se à videira com uma mão, colheu o morango com a outra.
E nunca um morango lhe coube tão bem!

VIRTUDES DO BUSHIDO

1. GI - Justiça e Moralidade
Atitude direta, razão correta, decidir sem hesitar;
2.YU - Coragem
Bravura heróica;

3.JIN - Compaixão
Benevolência, simpatia, amor incondicional para com a humanidade;

4.REI - Polidez e Cortesia


Amabilidade;
5.MAKOTO - Sinceridade
Veracidade total, nunca mentir;

6.MEIYO - Honra
Glória;

7.CHUGO - Dever e Lealdade


Devoção, Lealdade
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O Bushido surgiu e se consolidou juntamente com a história dos samurais, durante os
períodos Heian a Tokugawa. As virtudes do Bushido, Justiça (GI), Coragem (Yuu),
Benevolência (Jin), Educação (Rei), Sinceridade (Makoto), Honra (Meiyo) e Lealdade
(Chuugi), tiveram sua origem em três correntes principais, o Budismo, o Xintoísmo e o
Confucionismo.

Do Budismo, o Bushido herdou a coragem ao encarar a morte e o desapego pelas


questões materiais.
Do confucionismo vem a lealdade ao senhor feudal, a relação com a sociedade e a
importância do nome da família. Dentro do Bushido, as linhas gerais que regem as
mais variadas relações entre as pessoas, como Mestre e Discípulo, Sempai e Kohai, pai
e filho, irmão mais velho e mais novo, marido e mulher possuem raízes no
confucionismo.

Do Shintoismo trouxe o respeito para com a terra, com o feudo e a estima pela
essência, o espírito, que há em tudo, desde as pessoas aos lugares, as espadas e os
demais utensílios dos samurais.

Para o Samurai era preferível a morte à desonra. A desonra fica como uma mancha,
marcando toda a família. Esta era uma vergonha que nenhum samurai conseguia
suportar.

Uma das obras mais importantes sobre o Bushido é o Hagakure – "Folhas Ocultas" –
escrito por Yamamoto Tsunetomo, um samurai da província de Saga, no Século XVII. A
aceitação resoluta da morte fica clara no trecho: "O Bushido implica em escolher
sempre a morte quando houver a possibilidade de escolha entre viver e morrer".

O BUSHIDO TINHA COMO PRINCIPAIS ITENS

1. A busca de uma morte digna. O samurai deveria estar pronto para morrer a
qualquer momento;

2. A preservação da honra pessoal, de seus ancestrais e de seu senhor;

3. Ao falhar ou manchar sua honra, dos ancestrais ou de seu senhor, o samurai


teria de cometer o suicídio ritual, o seppuku;

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4. O guerreiro deveria sempre carregar consigo o seu par de espadas. A espada
era a sua alma;

5. Ser corajoso. Melhor morrer do que ser chamado de covarde;

6. Ser justo e benevolente com os mais fracos, mas exigir respeito;

7. Manter sua palavra a qualquer custo;

8. Dedicar-se às artes como forma de aperfeiçoamento;

9. Ter gratidão à família e às pessoas que o ajudaram;

10. Lealdade ao seu senhor e dedicação ao trabalho.

OS SETE PRINCÍPIOS DO BUSHIDÔ

Coragem
Um samurai deve possuir uma coragem heróica.
A coragem heróica não é cega, ela é inteligente e forte.

Honra
Um verdadeiro samurai só ouve a um juiz de sua honra, e este é ele mesmo. As
decisões que toma e o modo como as executa são um reflexo de quem realmente é.

Lealdade
Um samurai é imensamente leal àqueles que estão sob os seus cuidados. Para aquele
por quem é responsável ele permanece ardentemente fiel.

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Compaixão
Um samurai ajuda os outros homens em cada oportunidade. Caso uma não surja ele
faz todo o esforço possível para encontrar uma solução.

Justiça
Para o verdadeiro samurai não existem meios tons nas questões envolvendo
honestidade e justiça só existe o certo ou o errado.

Sabedoria
Um guerreiro corajoso e sem estratégia falhará imediatamente. Manter a espada
sempre afiada.

Razão
Um samurai não tem de “dar sua palavra” ele não tem de “prometer”.
Falar e fazer são a mesma coisa.

OS SETE CÓDIGOS DO BUSHIDO

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