Você está na página 1de 14

Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso

Processo Judicial Eletrônico

O documento a seguir foi juntado aos autos do processo de número 1031502-38.2017.8.11.0041


em 09/10/2017 10:43:03 e assinado por:
- CLAUDIO STABILE RIBEIRO

Consulte este documento em:


http://pje.tjmt.jus.br/pje/Processo/ConsultaDocumento/listView.seam
usando o código: 17100910240067600000010096593
ID do documento: 10226367

17100910240067600000010096593
Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da Vara Cível da
Comarca de Cuiabá - MT.

JOÃO DORILEO LEAL, brasileiro, casado, empresário,


portador da Cédula de Identidade RG nº 086.757-SSP/MT e CPF nº
177.801.281-72, com endereço profissional nesta Capital, na Rua
Professora Tereza Lobo, 30, Bairro Consil, dorileo@gazetadigital.com.br,
CEP: 78048-405, por seu advogado ao final firmado, com escritório
profissional nesta Capital, na Avenida Historiador Rubens de Mendonça,
1856, Edifício Cuiabá Office Tower, conj.701/705, Bairro Bosque da
Saúde, fone 616-3000, (instrumento de mandato incluso), vem,
respeitosamente à presença de Vossa Excelência propor AÇÃO DE
REPARAÇÃO DE DANOS MORAIS, na forma do disposto nos
artigos 318 e seguintes do CPC, contra ENOCK CAVALCANTE DA
SILVA, brasileiro, casado, jornalista, residente e domiciliado em Cuiabá-
MT, na Avenida Mario Augusto Vieira, 269, Condomínio Morada do
Parque, apartamento nº 104-B, Bairro Morada do Ouro, CEP: 78053-734,
enockcavalcanti@gmail.com, expondo e requerendo o seguinte:

Av. Historiador Rubens de Mendonça, 1856 – cj. 702/705, Ed. Cuiabá Office Tower – Cuiabá/MT – CEP 78050-000 - Fone: (65)
3616-3000 – Fax (65) 3616-3009 – Email: mstabile@terra.com.br – spsadvocacia@spsadvocacia.com.br
I.

O autor é empresário, exercendo as funções de


superintendente do Grupo Gazeta de Comunicação há quase trinta anos,
desde a data de sua fundação, trabalhando sempre com honestidade e
dignidade, tendo conquistado ao longo do tempo elevado conceito
profissional, moral, social e familiar.

O requerido, responsável pela linha editorial e pela publicação


na Internet do Blog denominado PAGINADOE (paginadoenock.com.br),
há muito tempo sente-se incomodado com a liderança do Jornal A Gazeta e
dos demais veículos do Grupo Gazeta de Comunicação, consolidada em
seu ramo de atividade, sob a direção do autor, encontrando sempre o
requerido algum pretexto para desferir ataques à reputação e ao conceito
social alcançados pelos méritos do autor.

A última da série de investidas do requerido contra a honra,


reputação e conceito social do autor ocorreu em setembro de 2017.
Durante o mês de setembro de 2017 o requerido veiculou matérias
caluniosas, difamatórias e injuriosas envolvendo o nome do autor.

Através do artigo anexo elaborado e publicado pelo requerido


o Blog PAGINADOE afirmou que o autor estaria “envolvido no esquema
de propinas que atualmente está sendo denunciado em Mato Grosso”.
Prosseguiu o requerido afirmando falsamente que “por meio de operação
fraudulenta, sem a prestação de serviço junto ao Poder Público, o autor
teria recebido quatro milhões de reais do Governo do Estado”.

Reforça o requerido a calúnia ao asseverar que “o valor de


quatro milhões de reais teria sido repassado para Dorileo em forma de
prestação de serviços nunca executados”. Acrescenta o requerido que o
autor estaria envolvido em suposto “Escândalo das Gráficas, apurado pela
Operação Imperador, que chegou a levar para a prisão o ex-deputado
estadual e corrupto confesso José Geraldo Riva”.

Para agravar ainda mais o ato ilícito, o requerido afirma que o


autor estaria envolvido em outro suposto escândalo, denominado pelo
requerido de “Secomgate”, que teria ocorrido durante a gestão do falecido
ex-governador Dante de Oliveira. E conclui o requerido afirmando que o
Av. Historiador Rubens de Mendonça, 1856 – cj. 702/705, Ed. Cuiabá Office Tower – Cuiabá/MT – CEP 78050-000 - Fone: (65)
3616-3000 – Fax (65) 3616-3009 – Email: mstabile@terra.com.br – spsadvocacia@spsadvocacia.com.br
autor também teria possível envolvimento com a organização criminosa
chefiada pelo comendador João Arcanjo Ribeiro, pessoa presa, processada
e condenada por homicídios, lavagem de dinheiro e outros crimes.

Ocorre, MM. Juiz, que o autor jamais e em tempo algum foi


julgado e condenado pelo Poder Judiciário em relação aos fatos narrados
pelo requerido no Blog PAGINADOE. Se é certo que algumas acusações
inverídicas constam da delação premiada realizada pelo ex-governador
Silval Barbosa, mais certo ainda é que não existe qualquer espécie de
processo, seja cível ou criminal, contra o autor, relativo às mencionadas
acusações inverídicas. Se não há condenação, prevalece o princípio da
presunção da inocência, nos termos assegurados pela Constituição Federal,
configurando-se como ilícito o procedimento do requerido ao tentar julgar,
condenar e execrar publicamente o autor.

Na realidade, não há interesse público ou jornalístico para


justificar os ataques à imagem e ao conceito social do autor, com
afirmações descabidas de que teria praticado atos ilícitos ou crimes. Os
documentos anexos demonstra que o requerido, movido por interesses
econômicos e torpes, passou a atacar a honra e a reputação do autor,
acusando-lhe de atos ilícitos, sem ao menos ouvi-lo, como manda a regra
do bom jornalismo. O interesse que move o requerido neste episódio é o
interesse empresarial de atacar e achincalhar um jornal concorrente e seu
superintendente, na tola tentativa de enfraquecer os concorrentes
comerciais. As notícias irresponsáveis e mentirosas, da forma como foram
divulgadas, com o maior destaque possível, sem ao menos ser ouvido o
interessado, causou grave dano à honra, à reputação, ao conceito social e à
imagem do autor.

II.

Se é certo que o jornalista tem o direito constitucional de


informar, mais certo ainda é o fato de que não pode extrapolar esse
objetivo, de modo a atingir a reputação, a honra e a imagem de qualquer
pessoa física ou jurídica, principalmente quando a pessoa exerce a sua
atividade com honestidade e dignidade, e a notícia falsa pretende
injustamente acusá-la de ter agido de forma criminosa, levando-a à
execração pública.
Av. Historiador Rubens de Mendonça, 1856 – cj. 702/705, Ed. Cuiabá Office Tower – Cuiabá/MT – CEP 78050-000 - Fone: (65)
3616-3000 – Fax (65) 3616-3009 – Email: mstabile@terra.com.br – spsadvocacia@spsadvocacia.com.br
A Constituição Federal, em seu artigo 5º, incisos V e X,
estabelece:

“ É assegurado o direito de resposta, proporcional ao


agravo, além da indenização por dano material, moral ou à
imagem.”
“São invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a
imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo
dano material ou moral decorrente da violação.”

A doutrina ensina que danos morais são lesões sofridas pela


pessoa física ou jurídica em seu patrimônio ideal, entendendo-se por
patrimônio ideal, em contraposição ao patrimônio material, o conjunto de
tudo aquilo que não é suscetível de valor econômico. SILVIO
RODRIGUES, em Direito Civil, vol.IV, pg.36, preleciona:

" Diz-se que o dano é moral quando o prejuízo experimentado


pela vítima não repercute na órbita de seu patrimônio. É a
mágoa, a tristeza infligida injustamente a outrem, mas que
não envolve prejuízo material. Não raro, a injúria e mesmo a
calúnia irrogada contra uma pessoa fere a sua sensibilidade,
provoca pela injustiça de que reveste, a maior indignação ou
tristeza no ofendido, mas não lhe traz qualquer prejuízo em
dinheiro, presente ou futuro."

Além de amparo constitucional para o pedido de indenização


por danos morais, é também sustentáculo o artigo 186 do Código Civil:
“Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou
imprudência, violar direito e causar prejuízo a outrem, ainda que
exclusivamente moral, comete ato ilícito”.

Matérias como esta em debate, gerou a seguinte decisão do


Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro: “A liberdade de imprensa deve,
sempre, vir junto com a responsabilidade da imprensa, de molde a que, em
contrapartida ao poder-dever de informar, exista a obrigação de divulgar
a verdade, preservando-se a honra alheia, ainda que subjetiva” (TJ-RJ,
AV 1999.00113153, rel. Des. Oliveira Cruz, BolAASP 2208).

Av. Historiador Rubens de Mendonça, 1856 – cj. 702/705, Ed. Cuiabá Office Tower – Cuiabá/MT – CEP 78050-000 - Fone: (65)
3616-3000 – Fax (65) 3616-3009 – Email: mstabile@terra.com.br – spsadvocacia@spsadvocacia.com.br
O Colendo SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, em
processos semelhantes ao presente, reconheceu o abuso no exercício do
direito de informação, “in verbis:

“CIVIL. RESPONSABILIDADE CIVIL. LEI DE IMPRENSA. NOTÍCIA


JORNALÍSTICA. ABUSO DO DIREITO DE NARRAR. ASSERTIVA CONSTANTE
DO ARESTO RECORRIDO. IMPOSSIBILIDADE DE REEXAME NESTA
INSTÂNCIA. MATÉRIA PROBATÓRIA. ENUNCIADO N. 7 DA SÚMULA/STJ.
DANO MORAL. DEMONSTRAÇÃO DE PREJUÍZO. DESNECESSIDADE.
VIOLAÇÃO DE DIREITO. RESPONSABILIDADE TARIFADA. DOLO DO
JORNAL. INAPLICABILIDADE. NÃO-RECEPÇÃO PELA CONSTITUIÇÃO DE
1988. PRECEDENTES. RECURSO DESACOLHIDO.
I - Tendo constado do aresto que o jornal que publicou a matéria ofensiva à honra
da vítima abusou do direito de narrar os fatos, não há como reexaminar a hipótese
nesta instância, por envolver análise das provas, vedada nos termos do enunciado
n. 7 da Súmula/STJ.
II - Dispensa-se a prova de prejuízo para demonstrar a ofensa ao moral humano, já que o
dano moral, tido como lesão à personalidade, ao âmago e à honra da pessoa, por vez é
de difícil constatação, haja vista os reflexos atingirem parte muito própria do indivíduo -
o seu interior. De qualquer forma, a indenização não surge somente nos casos de
prejuízo, mas também pela violação de um direito.
III - Agindo o jornal internacionalmente, com o objetivo de deturpar a notícia, não há
que se cogitar, pelo próprio sistema da Lei de Imprensa, de responsabilidade tarifada.
IV - A responsabilidade tarifada da Lei de Imprensa não foi recepcionada pela
Constituição de 1988, não se podendo admitir, no tema, a interpretação da lei conforme
a Constituição.” (RESP n° 85019-RJ , rel. Min. Sálvio de
Figueiredo Teixeira, DJU de 18/12/98, p. 358)

“RECURSO ESPECIAL. DANO MORAL. LEI DE IMPRENSA. LIMITE DA


INDENIZAÇÃO. PROVA DO DANO. PREQUESTIONAMENTO. 1. O DANO
MORAL E O EFEITO NÃO PATRIMONIAL DA LESÃO DE DIREITO,
RECEBENDO DA CF/1988, NA PERSPECTIVA DO RELATOR, UM
TRATAMENTO PROPRIO QUE AFASTA A REPARAÇÃO DOS ESTREITOS
LIMITES DA LEI ESPECIAL QUE REGULA A LIBERDADE DE MANIFESTAÇÃO
DO PENSAMENTO E DE INFORMAÇÃO. DE FATO, NÃO TERIA SENTIDO
PRETENDER QUE A REGRA CONSTITUCIONAL QUE PROTEGE
AMPLAMENTE OS DIREITOS SUBJETIVOS PRIVADOS NASCESSE LIMITADA
PELA LEI ESPECIAL ANTERIOR OU, PIOR AINDA, QUE A REGRA
CONSTITUCIONAL AUTORIZASSE UM TRATAMENTO DISCRIMINATORIO. 2.
NO PRESENTE CASO, O ACORDÃO RECORRIDO CONSIDEROU QUE O
ATO FOI PRATICADO MALICIOSAMENTE, DE FORMA INSIDIOSA, POR
INTERESSES MESQUINHOS, COM O QUE A LIMITAÇÃO DO INVOCADO
ART. 52 DA LEI DE IMPRENSA NÃO SE APLICA, NA LINHA DE PRECEDENTE
DA CORTE. 3. OS PARADIGMAS APRESENTADOS PARA ENFRENTAR O
ACORDÃO RECORRIDO CONFLITAM, SOB TODAS AS LUZES, COM A
Av. Historiador Rubens de Mendonça, 1856 – cj. 702/705, Ed. Cuiabá Office Tower – Cuiabá/MT – CEP 78050-000 - Fone: (65)
3616-3000 – Fax (65) 3616-3009 – Email: mstabile@terra.com.br – spsadvocacia@spsadvocacia.com.br
ASSENTADA JURISPRUDENCIA DA CORTE, QUE CONFINA A PROVA DO
DANO MORAL PURO AO ATO PRATICADO, NO CASO, A PUBLICAÇÃO DA
NOTÍCIA.” (RESP n° 52842-RJ, Rel. Ministro Carlos Alberto Menezes Direito, DJU
de 27/10/97, p. 54786)

CIVIL E PROCESSUAL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. MATÉRIA JORNALÍSTICA


OFENSIVA À HONRA DE POLICIAL MILITAR. DANO MORAL RECONHECIDO
NAS INSTÂNCIAS ORDINÁRIAS. DIVULGAÇÃO DE NOTÍCIA COM
DESVIRTUAMENTO PARCIAL DA REALIDADE FÁTICA. INDENIZAÇÃO
DEVIDA. VALOR DO RESSARCIMENTO. RAZOABILIDADE.
Reconhecido pelas instâncias ordinárias que a matéria jornalística, conquanto
baseada em fatos reais, desvirtuou-os em parte, deles extraindo ilações não
condizentes com a realidade, daí trazendo as notícias imputações criminosas sem
embasamento concreto, configura-se o dano moral, suscetível de indenização que, a
seu turno, não foi fixada com excesso, porém dentro de parâmetros adequados à espécie.
Recurso especial não conhecido. (RESP n° 453598, rel. Min. Aldir
Passarinho Junior, DJU de 19/12/2003, p. 473)

RESPONSABILIDADE CIVIL. LEI DE IMPRENSA. NOTÍCIA JORNALÍSTICA.


REVISTA VEJA. ABUSO DO DIREITO DE NARRAR. ASSERTIVA CONSTANTE
DO ARESTO RECORRIDO. IMPOSSIBILIDADE DE REEXAME NESTA
INSTÂNCIA. MATÉRIA PROBATÓRIA. ENUNCIADO N. 7 DA SÚMULA/STJ.
DANO MORAL. RESPONSABILIDADE TARIFADA. INAPLICABILIDADE. NÃO-
RECEPÇÃO PELA CONSTITUIÇÃO DE 1988. PRECEDENTES. QUANTUM.
EXAGERO. REDUÇÃO. RECURSO PROVIDO PARCIALMENTE.
I – Tendo constado do aresto que o jornal que publicou a matéria ofensiva à honra da
vítima abusou do direito de narrar os fatos, não há como reexaminar a hipótese nesta
instância, por envolver análise das provas, vedada nos termos do enunciado n. 7 da
súmula/STJ.
II – A responsabilidade tarifada da Lei de Imprensa não foi recepcionada pela
Constituição de 1988, não se podendo admitir, no tema, a interpretação da lei conforme
a Constituição. (RESP 513057-SP, Rel. Min. Sálvio de Figueiredo Teixeira, DJU
19/12/2003, p. 484)

III.

O professor Luiz Alberto David Araújo, em sua inestimável


obra “A Proteção Constitucional da Própria Imagem” (Belo Horizonte,
Ed.Del Rey, 1996) preleciona:

“A proteção da imagem é preocupação recente dos juristas. No passado, quando a


imagem era captada apenas através do retrato pintado, desenhado ou insculpido, esta
Av. Historiador Rubens de Mendonça, 1856 – cj. 702/705, Ed. Cuiabá Office Tower – Cuiabá/MT – CEP 78050-000 - Fone: (65)
3616-3000 – Fax (65) 3616-3009 – Email: mstabile@terra.com.br – spsadvocacia@spsadvocacia.com.br
captação sempre precedia de autorização do retratado, pois era necessário que o
retratado permanecesse durante muito tempo diante do artista.
O desenvolvimento da sociedade e da tecnologia criou um novo conceito de imagem,
diferente daquela inicialmente protegida. Ao lado da imagem-retrato, conjunto de
característicos físicos da pessoa, surge o conceito de imagem social, como atributo do
indivíduo no meio em que vive. O indivíduo tem um conceito social - sua imagem - de
caráter quase publicitário, que não se confunde com a honra. A imagem de um bom pai
de família, de um bom advogado, de um médico cordial, de um técnico atualizado, de
professor estudioso, de hábil negociante, etc. Um homem honrado pode ter a imagem de
um bom ou mau profissional. Há interesse do indivíduo em defender a sua imagem,
protegê-la, modificá-la, tentar aperfeiçoá-la. (p.22)
Com o advento da Constituição de 1988 a proteção à imagem passa a ser objeto de
tutela constitucional, deixando de constar apenas na legislação infraconstitucional para
ser alçada ao plano da Lei Maior, merecendo tratamento explícito e privilegiado. (p.23)
(...)
“Os julgadores brasileiros vêm consagrando o direito à própria imagem, apesar da não-
proteção expressa dos textos constitucionais. Um dos maiores estudiosos do tema entre
nós, Antônio Chaves, menciona a provável decisão pioneira do então Juiz da 2ª Vara da
Capital Federal. Octavio Kelly, em 28/5/1923, com preceito cominatório: “para proibir a
exibição pública, para fim comercial, de um filme em que foi apanhada de surpresa, a
cognominada “Rainha da Beleza - Mlle. Zezé Leone”.
(...)
Sobre a imagem-atributo, nossos Tribunais vêm reconhecendo a existência do direito,
apesar de lhe faltar reconhecimento expresso. As decisões judiciais assumem o direito à
imagem-atributo, quer falando de imagem das pessoas (no sentido de atributo), quer
falando em imagem de instituições.
Como exemplo temos a seguinte decisão: “Recebe-se a denúncia, todavia, quanto aos
crimes de difamação (art. 325 do Código Eleitoral), por haver, em tese, individualizado
fatos que o acusado teria imputado à vítima, com narrao intuito de denegrir-lhe a
imagem, sendo descabido pretender, desde logo, o reconhecimento...” (Ementário do
STF, v. 01725.01, p.13).” (p.63/64)
(...)
Recentemente um jornal trouxe notícia sobre uma escola que exigiu que os alunos
retirassem os brincos. Posteriormente, com a comprovação de que tal fato jamais
ocorreu, a escola exigiu do jornal a retratação, para afastar a imagem de escola
retrógrada e conservadora.
O constituinte pretendeu demonstrar que, havendo violação da imagem-atributo, deve
haver indenização, sem qualquer demonstração de prejuízo (redução patrimonial) ou
mesmo existência da dor profunda (dano moral). Basta a demonstração da violação à
imagem para ensejar a indenização do dano à imagem. Pretendeu o constituinte facilitar
a liquidação desta espécie de dano, como bem a ser verificado diferentemente dos
critérios tradicionais de dano (material e moral).” (p.124)

Av. Historiador Rubens de Mendonça, 1856 – cj. 702/705, Ed. Cuiabá Office Tower – Cuiabá/MT – CEP 78050-000 - Fone: (65)
3616-3000 – Fax (65) 3616-3009 – Email: mstabile@terra.com.br – spsadvocacia@spsadvocacia.com.br
Pelas lições da mais abalizada doutrina e da jurisprudência se
constata que o direito e imagem encontra-se na esfera do patrimônio
imaterial da pessoa física e jurídica, e a utilização do nome ou imagem
deve ocorrer somente quando há o seu expresso consentimento. A
requerida, ao utilizar o nome e a imagem-atributo (conceito social) dos
autores, para fazer uma campanha difamatória ilegal, atingiu a esfera
jurídica dos requerentes, merecendo a condenação cabível pelo ato ilícito.

Nos termos o disposto no artigo 159 do Código Civil


Brasileiro, aquele que por ação ou omissão voluntário, negligência,
imprudência ou imperícia, violar direito ou causar prejuízo a outrem, deve
indenizar o dano causado. O dano ao conceito social, à reputação, à honra,
à imagem e ao nome dos requerentes é inegável.

Claro está que o requerido pretende a qualquer custo atacar e


atingir a imagem e o conceito do requerente, lançando na opinião pública
informações distorcidos, omitindo as informações essenciais, procurando
convencer o público leitor a acreditar que o requerente age em desacordo
com a lei, levando-o à execração pública.

IV.

A doutrina ensina que danos morais são lesões sofridas pelo


sujeito natural ou pessoa jurídica em seu patrimônio ideal, entendendo-se
por patrimônio ideal, em contraposição ao patrimônio material, o conjunto
de tudo aquilo que não seja suscetível de valor econômico. O
Desembargador Sérgio Cavalieri Filho, em julgamento da Apelação
Cível nº 8.203/96 do TJ-RJ, no dia 28/01/97, proferiu lição memorável,
que pedimos vênia para transcrever:

“Após o advento da Constituição Federal de 1988, a noção de dano moral


não mais se restringe à dor, tristeza, etc, como se depreende do seu artigo
5º, inciso X, ao estender a sua abrangência a qualquer ataque ao nome ou
imagem da pessoa, física ou jurídica, com vistas a resguardar a sua
credibilidade e respeitabilidade. Pode-se então dizer que, em sua
Av. Historiador Rubens de Mendonça, 1856 – cj. 702/705, Ed. Cuiabá Office Tower – Cuiabá/MT – CEP 78050-000 - Fone: (65)
3616-3000 – Fax (65) 3616-3009 – Email: mstabile@terra.com.br – spsadvocacia@spsadvocacia.com.br
concepção atual, honra é o conjunto de predicados ou condições de uma
pessoa, física ou jurídica, que lhe conferem consideração e credibilidade
social; é o valor moral e social da pessoa que a lei protege ameaçando de
sanção penal e civil a quem a ofende por palavras ou atos. Fala-se
modernamente em honra profissional como uma variante da honra
objetiva, entendida como valor social da pessoa perante o meio onde
exerce a sua atividade.”

A Lei de Imprensa, em seu artigo 16, inciso II, considera


conduta ilícita “publicar ou divulgar notícias falsas que provoquem abalo
de crédito de qualquer empresa, pessoa física ou jurídica”. E no artigo 2º
assegura o direito de resposta à “toda pessoa natural ou jurídica que for
acusada ou ofendida em publicação feita em jornal ou periódico, ou em
transmissão de radiodifusão”.

Quanto ao dano moral causado à pessoa jurídica, o Colendo


SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, assentou em acórdão recente:

“RESPONSABILIDADE CIVIL. DANO MORAL. PESSOA JURÍDICA. A HONRA


OBJETIVA DA PESSOA JURÍDICA PODE SER OFENDIDA PELO PROTESTO
INDEVIDO DE TÍTULO CAMBIAL, CABENDO INDENIZAÇÃO PELO DANO
EXTRAPATRIMONIAL DAÍ DECORRENTE. RECURSO CONHECIDO, PELA
DIVERGÊNCIA, MAS IMPROVIDO.” (Resp 60.033/95-MG, Quarta Turma,
Rel.Min.Ruy Rosado de Aguiar, DJU 27.11.95, pg.40.893)

O egrégio TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO


FEDERAL também julgou no mesmo diapasão:

“DANO MORAL - INDENIZAÇÃO RECLAMADA POR PESSOA JURÍDICA -


POSSIBILIDADE.
A Constituição Federal dispõe no seu artigo 5º, inciso X, que são invioláveis a
intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito à
indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação.
Nesse contexto, não há como deixar de incluir a pessoa jurídica, vez que sua imagem e
boa fama atestam a sua idoneidade. Lesados estes, por força de ação injusta de alguém,
caracterizado está o dano moral, ensejador da respectiva indenização.” (in
Repert.Jurispr.IOB, 1997, RJ 03/13399)

O egrégio TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO RIO DE JANEIRO


em hipótese semelhante assentou:

Av. Historiador Rubens de Mendonça, 1856 – cj. 702/705, Ed. Cuiabá Office Tower – Cuiabá/MT – CEP 78050-000 - Fone: (65)
3616-3000 – Fax (65) 3616-3009 – Email: mstabile@terra.com.br – spsadvocacia@spsadvocacia.com.br
“RESPONSABILIDADE CIVIL. Dano moral. Pessoa jurídica. Admissibilidade. Prova
do Dano Moral.
A honra objetiva da pessoa jurídica, consoante entendimento consagrado pelo Superior
Tribunal de Justiça, pode ser ofendida pelo protesto indevido do título cambial, cabendo
indenização pelo dano extrapatrimonial daí decorrente.
Por se tratar de algo imaterial, ou ideal, não se pode exigir comprovação do dano moral
seja feita pelos mesmos meios utilizados para a demonstração do dano material. Jamais
poderia a vítima comprovar a dor, a tristeza, ou a humilhação através de documentos,
perícia ou depoimentos.
Neste ponto a razão se coloca ao lado daqueles que entendem que o dano moral está
ínsito na própria ofensa, de tal modo que, provado o fato danoso, ipso facto está
demonstrado o dano moral à guisa de uma presunção natural, uma presunção hominis ou
facti, que decorre das regras da experiência comum.” (in Repert.Jurispr.IOB, 1997,
RJ03/13498)

V.

Os danos morais causados pelos requeridos, violando a


imagem, a reputação, a honra e o conceito social do autor, devem ser
objeto de arbitramento pelo Juízo, em quantia proporcional à má-fé e a
intensidade da ofensa, nos termos da lei.

O eminente professor CARLOS ALBERTO BITTAR, em


brilhante artigo publicado no Repertório de Jurisprudência IOB (15/93,
pg.293), sobre o tema, assevera:

" ... Com efeito, a reparação de danos morais exerce função diversa
daquela dos danos materiais. Enquanto estes se voltam para a
recomposição do patrimônio ofendido, através da aplicaçÃo da fórmula
"danos emergentes e lucros cessantes" (C.Civ., art.1.059), aqueles
procuram oferecer compensação ao lesado, para atenuação do sofrimento
havido. De outro parte, quando ao lesante, objetiva a reparação impingir-
lhe sanção, a fim de que não volte a praticar atos lesivos à personalidade
de outrem.
É que interessa ao Direito e à sociedade que o relacionamento entre os
entes que contracenam no orbe jurídico se mantenha dentro de padrões
normais de equilíbrio e de respeito mútuo. Assim, em hipótese de
lesionamento, cabe ao agente suportar as consequências de sua atuação,
desestimulando-se, com a atribuição de pesadas indenizações, atos
ilícitos tendentes a afetar os referidos aspectos da personalidade
humana."

Av. Historiador Rubens de Mendonça, 1856 – cj. 702/705, Ed. Cuiabá Office Tower – Cuiabá/MT – CEP 78050-000 - Fone: (65)
3616-3000 – Fax (65) 3616-3009 – Email: mstabile@terra.com.br – spsadvocacia@spsadvocacia.com.br
Nessa linha de raciocínio, vêm os Tribunais aplicando verbas
consideráveis, a título de indenizações por danos morais, como inibidoras
de atentados ou de investidas indevidas contra a imagem alheia, como as
decisões inseridas em RF 268/253 e 270/190:

..." Assinale-se, outrossim, que a técnica de atribuição de valores inexpressivos


já foi abandonada. Partiu-se, como se sabe, de quantias simbólicas nesse campo,
mas a evolução mostrou a inadmissibilidade da fórmula à medida em que se
conscientizou a humanidade do relevo dos direitos personalíssimos no plano
valorativo do sistema jurídico. Nessa ordem de idéias, tem-se clara na
jurisprudência a respectiva preponderância sobre qualquer direito outro, aliás,
como se assentou, ainda no século passado, no caso pioneiro (arrêt Rosa
Bonheur, França, 1865, narrado em nosso livro "Direitos da personalidade").
Caminhou-se, depois, para a fixação de valores razoáveis, a título de
compensação, uma vez afirmada na jurisprudência a tese da reparabilidade de
danos morais puros (hoje pacífica, como se pode verificar nos inúmeros acórdãos
inseridos em nosso outro livro "Responsabilidade civil: teoria e prática").
" A regra, a propósito, é a da rigidez do sistema repressivo, para efeito de
frustração, "ab ovo", de práticas lesivas. Cumpre, pois, que, havido o fato, receba
a vítima a compensação devida, a fim de que não proliferem ações danosas." (in
Repert.Jurispr.IOB, 15/93, pg.293)

Ressalte-se ainda que não se exige atualmente a prova do


dano moral ou à imagem. O Colendo SUPERIOR TRIBUNAL DE
JUSTIÇA orienta que nestes casos o prejuízo é consequência direta da
ofensa, eis que a violação do direito à imagem, ao nome, ao conceito
social, à reputação, à honra, dá-se com a publicação indevida:

“Cuidando-se de direito à imagem, o ressarcimento se impõe


pela só constatação de ter havido utilização sem a devida
autorização. O dano está na utilização indevida para fins
lucrativos, não cabendo a demonstração do prejuízo material ou
moral. O dano, nesse caso, é a própria utilização para que a
parte aufira lucro com a imagem não autorizada da pessoa.”
(STJ, Resp 138883-PE, Relator Min. Menezes Direito, in DJU
de 05/10/98, p.76)

”A concepção atual da doutrina orienta-se no sentido de que a


responsabilização do agente causador do dano moral opera-se
por força do simples fato da violação (danum in re ipsa).
Verificado o evento danoso, surge a necessidade da reparação,
não havendo que se cogitar da prova do prejuízo, se presentes
os pressupostos legais para que haja a responsabilidade civil
Av. Historiador Rubens de Mendonça, 1856 – cj. 702/705, Ed. Cuiabá Office Tower – Cuiabá/MT – CEP 78050-000 - Fone: (65)
3616-3000 – Fax (65) 3616-3009 – Email: mstabile@terra.com.br – spsadvocacia@spsadvocacia.com.br
(nexo de causalidade e culpa).” (Resp nº 23.575-DF, Relator
Min. Cesar Asfor Rocha, in DJU 01/09/97, p.40838)

“Dispensa-se a prova do prejuízo para demonstrar a ofensa ao


moral humano, já que o dano moral, tido como lesão à
personalidade, ao âmago e à honra da pessoa, por vezes é de
difícil constatação, haja vista os reflexos atingirem parte muito
própria do indivíduo - o seu interior. De qualquer forma, a
indenização não surge somente nos casos de prejuízo, mas
também da violação de um direito.” (Resp nº 85.019-RJ, Relator
Min. Salvio de Figueiredo Teixeira, in DJU de 18/12/98, p. 358)

“Imprensa. Dano moral. Prova. Indenização. Limite. Dolo.


Honorários da sucumbência. Recurso especial. Razões. Dano
moral que decorre do próprio noticiário, dispensando
demonstração específica.” (Resp nº 63520-RJ, relator Min. Ruy
Rosado de Aguiar, in DJU de 19/10/98, p. 199)

No caso em apreciação, é imprescindível observar que o


requerido mantém um blog na Internet que atinge a um público
indeterminado, disseminando injúrias, calúnias e difamações. Deve-se
arbitrar uma indenização razoável, para que o requerido, diante do valor da
indenização que deverá desembolsar, passe a respeitar o direito à imagem,
à honra, ao conceito social e à reputação das pessoas.
Por conseguinte, o autor postula que seja fixada a indenização
equivalente a R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais) a ser paga pelo requerido,
a título de indenização por danos morais.
Em lição de raro descortino, o professor José Afonso da Silva
(in “Curso de Direito Constitucional Positivo”, Ed.RT, pg.179), assim se
expressa sobre o dano moral:

“ Direito à integridade moral. A vida humana não é apenas


um conjunto de elementos materiais. Integram-na, outrossim,
valores imateriais, como os morais. A Constituição empresta
muita importância à moral como valor ético-social da pessoa
e da família que se impõe ao respeito dos meios de
comunicação social (art.221, IV). Ela, mais que as outras,
realçou o valor da moral individual, tonando-a mesmo num
bem indenizável (art.5º, V e X). A moral individual sintetiza a
honra da pessoa, o bom nome, a boa fama, a reputação que
Av. Historiador Rubens de Mendonça, 1856 – cj. 702/705, Ed. Cuiabá Office Tower – Cuiabá/MT – CEP 78050-000 - Fone: (65)
3616-3000 – Fax (65) 3616-3009 – Email: mstabile@terra.com.br – spsadvocacia@spsadvocacia.com.br
integram a vida humana como dimensão imaterial. Ela e seus
componentes são atributos, sem os quais a pessoa fica
reduzida a uma condição animal de pequena significação.
Daí por que o respeito à integridade moral do indivíduo
assume feição de direito fundamental.”

VI.

Em face do exposto, requer a Vossa Excelência:

a) a designação de audiência de conciliação e a citação do requerido para


responder aos termos da presente ação, no prazo legal, sob pena de revelia
e confissão;

b) conceder oportunidade para produção de todo o gênero de provas em


Direito admitido, especialmente depoimento pessoal do requerido, sob
pena de confissão, oitiva de testemunhas, pericias, juntada de novos
documentos;

c) ao final, julgar procedente a presente ação para condenar o requerido à


reparação dos danos morais causados ao autor, cuja indenização será
através da quantia que Vossa Excelência houver por bem arbitrar, que
desde já requer seja arbitrada em valor equivalente a R$ 50.000,00
(cinquenta mil reais), indenização esta que deverá ser corrigida
monetariamente e acrescida de juros de mora a partir da data da
publicação, mais custas processuais e honorários advocatícios de 20%
sobre o total da condenação;

d) requer seja o requerido condenado a publicar a sentença e o v. acórdão


na íntegra às suas expensas, com o mesmo destaque e no mesmo espaço
das notícias caluniosas, sob pena de multa;

Valor da causa: R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais).


Nestes termos, pede deferimento.
Cuiabá-MT, 06 de outubro de 2017.

CLÁUDIO STÁBILE RIBEIRO - OAB/MT 3.213


/00673-50/
Av. Historiador Rubens de Mendonça, 1856 – cj. 702/705, Ed. Cuiabá Office Tower – Cuiabá/MT – CEP 78050-000 - Fone: (65)
3616-3000 – Fax (65) 3616-3009 – Email: mstabile@terra.com.br – spsadvocacia@spsadvocacia.com.br