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Farmacinha Caseira

Introdução ao uso das ervas


no cotidiano

Aboré Permacultura
Mariana Palmieri
O que aprenderemos?

● A importância do uso das plantas no cotidiano

● Abrangência dos usos: um universo de possibilidades!

● Formas de manipulação e preparos botânicos!

● Cuidados!!

● Sugestões de plantas para nossa casa e breve fichário.

● Parte prática!!
Por que há necessidade de estudar as plantas medicinais?

• 55.000 espécies - 0.4% estudadas • 80% da população utiliza(ou) plantas


medicinais chás/medicamentos fitoterápicos (OMS) • Eficácia comprovada •

• Mais de 25% de todos os medicamentos são de origem vegetal;


• O Brasil possui a maior biodiversidade de plantas do planeta, apenas na
Amazonia está 55% da biodiversidade mundial;

• Cuidado: “natural não faz mal"


Exemplos
➢ Boldo: tó xico em altas concentrações, Chá -mate e canela: abortivo, Capim-limão: pode
provocar azia, Carqueja: pode comprometer a imunidade, Camomila: ná useas e insônia.
Abrangência dos usos
Cuidados nos usos das plantas medicinais
"A diferença entre o remédio e o veneno está na dose".

Linhas, técnicas terapêuticas e suas diferenças:

➢ No cotidiano: dimensão terapêutica dos alimentos. Podem atuar com


funções diuréticas, calmantes, cicatrizantes, depurativas do sangue,
laxante, tônicos e alcalinizantes)
Hipócrates: "Faça de seu remédio um alimento e se de seu alimento um remédio"

➢ Fitoterapia (in natura, drogas vegetais, manipulados e industrializados)


Se utiliza dos princípios ativos químicos (tanino, óleo essencial, alcalóide e mucilagem)
Abrangência dos usos
Linhas, técnicas terapêuticas e suas diferenças (continuação):

➢ Terapias Energéticas e Vibracionais: Homeopatia, Florais (De Bach,


Saint Germain, Joel Aleixo, etc), Fitoenergética, MTC (Moxas, pindas, etc)

➢ Aromaterapia: óleos essenciais!!

➢ Energéticos/Espirituais: incensos, benzimentos, cama de ervas, bate-folhas,


defumações, banhos energéticos.
Formas de manipulação
● Uso interno e externo!

● Chás (infusão, decocção), Maceração (água, álcool), tinturas e alcoolatura,


banhos, banho de assento, escalda pés, cataplasmas (e emplastros),
compressa, gargarejo, inalação/vaporização, garrafada, unguentos e
pomadas, xarope, planta in natura, óleos culinários e medicinais, sucos,
sopas e saladas.
Formas de manipulação : Chás!

INFUSÃO: A água no início da fervura é colocada sobre a planta, abafada de 5


a 20 minutos e coada, usualmente feito nas folhas e flores (partes tenras).

DECOCÇÃO: A planta é colocada juntamente com a á gua para ferver. O tempo


de fervura ou cozimento pode chegar até 20 minutos, usualmente feito nas raízes,
cascas e sementes (partes duras das plantas).

Para 1 litro de chá use 20 gr de ervas FRESCAS, 10 gr de ervas SECAS.

Sugestões:
De manhã: escolha um chá energético para começar bem o dia. Ex: chá verde, chá preto, chá mate, infusão de cascas de
laranja e canela. Após o almoço: opte por uma erva digestiva. Ex: chá verde, hortelã, boldo, maçã, erva-cidreira, jasmim ou
gengibre. A Tarde: escolha uma erva para espantar a preguiça e manter o ritmo. Ex: chá verde ou chá preto.
Depois do jantar: escolha ervas para ajudar na digestão e a relaxar, preparando para um sono gostoso. Ex: camomila,
melissa, erva-cidreira, hortelã e erva-doce.
Formas de manipulação
XAROPES (ou Lambedor): Fazer inicialmente a calda com açú car, rapadura ou
mel e á gua, proporção de 5 partes de água para 2 partes de açúcar. A mistura é
levada ao fogo e são adicionadas as plantas preferencialmente frescas e picadas.
Ferver e reduzir. O xarope é coado e guardado em frascos de vidro por até 7 dias.
Pode adicionar extrato de própolis. Ex.: xarope de guaco.

GARGAREJOS (ou bochechos): Prepara-se um chá para o gargarejo e pode ser utilizado
vá rias vezes por dia. Ex.: gargarejo água e sal ou chá de gengibre para infecções na
garganta. Mais uma dica: alfavaca-cravo para acalmar tosse!

ÓLEOS CULINÁRIOS E MEDICINAIS


Ex.: azeite com alecrim.
Formas de manipulação:
MACERAÇÃO: A planta amassada ou picada é colocada diretamente em contato
com a á gua fria ou fervida, por 10 a 24 horas, dependendo da parte utilizada.
Ex.: Maceração de boldo.

INALAÇÃO/ VAPORIZAÇÃO: É a utilização da combinação de vapor de á gua


com substâncias volá teis das plantas aromá ticas. Direcionar o vapor com pano
apoiado na cabeça. Ex.: com folhas de eucalipto e tomilho (antisséptico,
descongestionante, broncodilatador e expectorante).

BANHOS / BANHOS DE ASSENTO: Fazer a infusão/decocção mais concentrada.


Coar. Jogar sobre o corpo ou, misturar na á gua do banho de imersão ou na á gua do banho
de assento. Ex.: banho de assento de camomila (infecção urinária), de bicarbonato de
sódio (candidíase) e de folhas de goiabeira (corrimento).
Formas de manipulação
ESCALDA PÉS (ou Pedilúvio): Imersão dos pés em água morna (ou morna e fria,
alternadamente) para efeitos terapêuticos. Não ultrapassar 25 minutos.
Ex.: Camomila e sal grosso (relaxamento), Lavanda e Tea Tree (adstringente e antifúngico),
Hortelã macerada com sal marinho e bolinhas de gude (temperatura ambiente da água,
super refrescante!!).

UNGUENTOS/ POMADAS: Podem ser preparados com o sumo da erva ou chá mais
concentrado, dissolvido num veı́culo gorduroso (base). Os produtos mais utilizados como
bases na preparação de pomadas são divididos em dois grupos:
Veı́culo oleoso ou lipofı́lico – parafina, manteiga de cacau, cera de abelha, ó leo de
coco, de amêndoas, de oliva, gordura animal e vaselina.
Veı́culo emulsionante ou hidrofı́lico – lanolina (pomada aquosa).
As pomadas e os unguentos permanecem por mais tempo sobre a pele, devem
ser usados a frio e renovados mais de uma vez ao dia.
Formas de manipulação
CATAPLASMAS (e emplastros): Amassar as ervas frescas, bem limpas e aplicá -las numa
gaze e em seguida diretamente sobre a parte afetada (dolorida, inchada ou ferida).
Ex.: cataplasma de hortelã ou menta e cebola (opcional) p/ congestão vias aéreas
superiores. De polpa de babosa, para queimaduras. De Erva de São João (mentrasto), para
efeito antiinflamatório.

COMPRESSA: É uma preparação de uso local, utilizam-se panos, chumaços de algodão ou


gazes embebidos em uma infusão, decocto, tintura da planta diluída em á gua. Pode ser
usada fria ou quente, durante um perı́odo de tempo prolongado. Ex.: compressa de lavanda
ou hortelã na testa para alívio dores de cabeça/relaxamento. De gengibre (sumo), efeito anti
inflamatório na pele (sem feridas). De Confrei (infuso forte) para irritações, espinhas,
contusões e queimaduras.
Formas de manipulação:
TINTURAS: É a solução hidroalcoólica da mistura de 70% álcool + 30% água destilada ou
mineral deixando-se macerar por 8 a 21 dias. Proporção de 100gr de ERVA SECA por litro!
Conservar sempre ao abrigo da luz em frasco âmbar tampado. Coar e filtrar o composto
obtido. Pode-se usar álcool a 70%, 92% e álcool de cereais.
Uso externo: Pode ser usado para aromatizar a casa (borrifador), uso tópico (dores),
base para pomadas, compressas, escalda-pés, bálsamos, etc.

Uso interno*(CUIDADO!): Oral, 20 a 40 gotas diluídas em á gua 3x/dia ou em


pomadas. Nesse caso, a tintura deve ser feita necessariamente com álcool de
cereais!!. Ex.: tintura de citronela ou arnica (USO EXTERNO) e tintura de camomila ou
artemísia vulgaris (USO INTERNO). Tintura de cravo como repelente de formigas para
casa.

*Para uso interno RECOMENDO aprofundamento de estudo e observação de contra-indicações.


Formas de manipulação

ALCOOLATURA: Idem a tintura, porém feito com planta fresca. Deve-se descontar a
quantidade de á gua existente no material verde da quantidade de á gua utilizada para graduar
o á lcool. Proporção de 200gr de ERVA FRESCA por litro! Ex.: alcoolatura de alecrim (USO
EXTERNO, ótimo para tendinite e dores musculares)
Formas de manipulação

GARRAFADAS: Preparação popularizada semelhante à tintura. O material


vegetal pode ser seco ou verde, fica em maceração por um perı́odo determinado,
num lı́quido que geralmente é a cachaça. Esta possui baixo grau alcoó lico
(40-45o GL.), o que diferencia da maioria das tinturas que possuem grau alcoó lico
entre 50-70 GL. Por ser um preparado de origem popular, não existe relação fixa
entre a quantidade de material vegetal e a quantidade de lı́quido.
Cuidados
Secas ou frescas
Colheita, secagem, qualidade, rotulagem, armazenamento/conservação
Se comprar, atenção a procedência!!

Verificar sempre:
Ró tulo com o nome cientı́fico da planta;
A data de validade do produto;
Procedência ou laborató rio;
Nome do responsá vel té cnico.
Cuidados

Não adquirir se estiver com aparência de mofado ou coloração alterada, insetos, larvas,
embalagem violada. Verifique se a parte utilizada da planta, cascas, flores, folhas, raiz,
confere com o que está na embalagem.
Sugestão de plantas para casa
A referência é: o que vc gosta ou precisa no dia a dia?

Capim limão x Melissa x Lippia - família das cidreiras!


Poejo, Hortelã, etc - família das menthas!
Boldo, Manjericão
Coentro, Funcho,
Salsinha, Cebolinha
Tomilho, Orégano, Sálvia e Alecrim
Citronela, Babosa
Oficina: "Farmacinha Caseira"

1. Chás (Infusão e decocção) (chá de capim-limão ou melissa)


2. Escalda-pés (alecrim/sálvia e sal grosso - quente e
hortelã, sal, bolinhas de gude - temperatura ambiente)
3. Inalação/vaporização (Folhas de eucalipto, hortelã, cascas de laranja/limão)
*Ou Orégano c/ tomilho
4. Compressas (da infusão de lavanda) / Cataplasmas (da polpa de babosa)
5. Tintura (de alecrim) / Alcoolatura (7 ervas)
6. Incenso natural
7. Óleo Terapêutico (hortelã)
Fichário resumido plantas usadas na oficina:
Alecrim (Rosmarinus Officinalis) Estimulante, antisséptico, antiespasmódico,
cardiotônico, anti-reumático, estomáquico, diurético e aromático. Usos: chás, banhos,
tinturas, unguentos (sarna), sumo, óleos (afasta traças), óleos terapêuticos.

Babosa (Aloe Vera) Ação cicatrizante, antisséptica e antiinflamatória. Usos:


cataplasmas, sucos, alcoolatura, base para fitocosméticos, etc..

Capim Limão (Cymbopogon citratus) Calmante, analgésico, antiespasmódico


suave. Usos: chás, decocção, tintura, etc.

Hortelã (Mentha piperita) Ação analgésica, anestésica, antiespasmódica,


antisséptica, carminativa e digestiva. Efeito purificante, tônico e fortificante. Usos:
chás, sucos, banhos (p/ dores no corpo e cansaço), vinhos, tintura, etc.
Fichário resumido plantas usadas na oficina:
Lavanda (Lavandula Officinalis) Ação antiespasmódica, carminativa, calmante,
antisséptica, cicatrizante, inseticida e sudorífica. Usos: chás, banhos, tintura, óleo.

Sálvia (Salvia Officinalis) Tônico, estimulante do coração e do sistema nervoso.


Tem ação antiespasmódica, antisséptica, depurativa, emenagoga, antirreumática,
descongestionante das vias aéreas.

Orégano (Origanum vulgare) Diurético, antiinflamatório, antisséptico, anticaspa,


expectorante, estimulante gástrico, biliar, nervoso e circulatório.

Tomilho (Thymus vulgaris) Atua como antiespasmódico, antisséptico,


anti-helmíntico e antitérmico.
Links
LORENZI, MATOS. Plantas Medicinais no Brasil - Nativas e Exóticas. São Paulo.
Editora Plantarum.

SACRAMENTO, Henriqueta Tereza. Plantas Medicinais. Vitória. Secretaria Municipal


de Saúde.1992.

RENISUS http://portalarquivos.saude.gov.br/images/pdf/2014/maio/07/renisus.pdf

http://www.plantasquecuram.com.br/

http://www.plantasmedicinaisefitoterapia.com/

Canal no youtube: Autor da própria saúde


(https://www.youtube.com/channel/UC2N2qKL2TApqR-eqlU1AECQ)