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BOTANICA FORENSE

Preparatório IGP-RS 2017


Técnico em Perícias

Prof. Maurício Menegatti Rigo


TRICOLOGIA FORENSE
Introdução

• Os vestígios vegetais passaram a não ser mais somente entendidos como


auxiliares, mas também como cruciais para convicção do juiz e do corpo de
jurados.

• O conjunto desses vestígios obtido pelo levantamento de local de crime ou


por análises de confronto pode indicar uma origem causal e não meramente
coincidente, ligar um indivíduo ao local e um crime, ou à casa da vítima, a seu
carro, ou ainda ser usado para a defesa de um indivíduo equivocadamente
apontado como autor do crime.
TRICOLOGIA FORENSE
Aspectos gerais do reconhecimento botânico em
locais de crime
• A descrição do local do crime, do ponto de vista botânico, é muito importante.
Segundo a classificação quanto ao tamanho das plantas, temos:
• Ervas:
• Plantas com caule tenro, ou seja, que não é
lenhoso.
• Arbustos:
• Plantas lenhosas com caules e ramos, cujos eixos
aparecem conjuntamente a partir do solo.
• Árvores:
• Plantas lenhosas com caules e ramos, mas com um
tronco principal.
TRICOLOGIA FORENSE
Aspectos gerais do reconhecimento botânico em
locais de crime
• Também podemos separar as plantas nos seus grandes
grupos:
• Briófitas
• pequenas, simplificadas, encontradas em ambientes
úmidos (Ex: musgos)

• Pteridófitas:
• plantas vasculares, corpo diferenciado em raiz, caule
e folhas, mas sem sementes. Na face inferior das
folhas aparecem os esporângios (Ex: samambaias)
TRICOLOGIA FORENSE
Aspectos gerais do reconhecimento botânico em
locais de crime
• Também podemos separar as plantas nos seus
grandes grupos:
• Gimnospermas:
• plantas vasculares, podem alcançar grandes
alturas, com sementes (Ex: pinheiros)

• Angiospermas:
• plantas vasculares, com flores, frutos e
sementes, com grande variação morfológica (Ex:
rosas, orquídeas, palmeiras, etc)
TRICOLOGIA FORENSE
Documentação e a importância do nome científico

• Plantas normalmente possuem um nome popular e um nome científico. Do


ponto de vista pericial, a utilização do nome popular pode ocasionar erros na
documentação. Portanto, deve-se sempre utilizar o nome científico da planta.
• Ex: Jacarandá  Dalbergia nigra ou Jacaranda mimosifolia.

Nome popular Gênero Espécie

• Quando só se conhece o gênero, e não a espécie, pode-se utilizar o nome do gênero


seguido de “sp.” ou “spp.”. (Ex: Cannabis sp.)
TRICOLOGIA FORENSE
Diversidade de estruturas - Folhas
TRICOLOGIA FORENSE
Diversidade de estruturas - Flores
TRICOLOGIA FORENSE
Diversidade de estruturas - Frutos
TRICOLOGIA FORENSE
Diversidade de estruturas - Sementes
TRICOLOGIA FORENSE
Diversidade de estruturas – Caules e Raízes
TRICOLOGIA FORENSE
Diversidade de estruturas – Caules e Raízes
TRICOLOGIA FORENSE
Anatomia vegetal

• A análise da organização celular e tecidual pode ser um caminho promissor


para atingir os objetivos da perícia.
• Para análise forense, muito do material celular está morto, portanto, as análises
recaem sobre as paredes celulares das plantas. Estas são compostas por celulose,
podendo estar incrustadas com lignina.

• Existem 3 conceitos estruturais que devem ser considerados:


1) As células se organizam em tecidos;
2) A anatomia de cada órgão possui um padrão de arranjo estrutural;
3) Os órgãos possuem caracterísiticas que se relacionam à ecologia do sistema
onde cada planta vive.
TRICOLOGIA FORENSE
Anatomia vegetal

• Fazendo-se um corte transversal em qualquer parte de uma planta,


encontraremos 3 sistemas de tecidos:
1) Sistema dérmico: reveste o órgão;
2) Sistema fundamental: corresponde ao parênquima, também chamado córtex ou
medula, com diferentes funções;
3) Sistema vascular: tecidos condutores (xilema e floema)
TRICOLOGIA FORENSE
Anatomia vegetal

Anatomia da folha
TRICOLOGIA FORENSE
Anatomia vegetal

Anatomia da raiz Anatomia da raiz


TRICOLOGIA FORENSE
Anatomia vegetal

Anatomia do caule Anatomia do caule


TRICOLOGIA FORENSE
Anatomia vegetal
• Cortes da madeira e análise do parênquima
TRICOLOGIA FORENSE
Anatomia vegetal
• Cortes da madeira e análise do parênquima
TRICOLOGIA FORENSE
Anatomia vegetal
• Cortes da madeira e análise do parênquima
TRICOLOGIA FORENSE
Anatomia vegetal
• Cortes da madeira e análise do parênquima
• Quando o parênquima está presente, o mesmo pode se apresentar de
duas maneiras: Associado aos vasos (tipo paratraqueal) ou livre (tipo
apotraqueal).
TRICOLOGIA FORENSE
Anatomia vegetal
• Cortes da madeira e análise do parênquima

Cerejeira (Amburana cearensis) – Angelim-pedra (Hymenolobium


padrão aliforme losangular petraeum) – padrão confluente
TRICOLOGIA FORENSE
Anatomia vegetal

• A madeira e os anéis anuais


• A análise dos anéis de crescimento presente em plantas nos permite responder
várias questões a respeito da forma de crescimento da planta e das modificações
do ambiente onde ela vive/viveu.

• A espessura dos anéis não é sempre igual. O crescimento em diâmetro é muito


sensível à disponibilidade de água, luz e nutrientes. No início da estação de
crescimento (primavera) formam-se anéis mais largos porque existe muita água e
luz disponível. No final da estação de crescimento (verão/outono) os dias vão
ficando mais pequenos e a água menos disponível, nesta fase formam-se anéis
mais estreitos e mais densos (mais escuros).
1. nó originado por um ramo
antigo;

2. 1º ano de crescimento;

3. crescimento de primavera;

4. crescimento de outono;

5. cicatriz resultante de um
incêndio;

6. anel de crescimento anual.


TRICOLOGIA FORENSE
Anatomia vegetal

• A madeira e os anéis anuais


• A partir da análise dos anéis anuais somente é possível estimar a idade da
árvore, uma vez que podem se formar anéis falsos, incompletos, etc.
• Análise dos anéis podem ajudar a perícia na datação de madeiras, investigação de
crimes ambientais, infrações administrativas, etc.
• Normalmente, no estudo dos anéis, nos referimos ao caule. Entretanto, também é
possível encontrar tais anéis nas raízes.
• Ex: provável data em que uma supultura foi feita com base na análise de
raízes.
TRICOLOGIA FORENSE
Anatomia vegetal

• O sequestro de Charles Linderbergh Jr.


TRICOLOGIA FORENSE
Anatomia vegetal

• O sequestro de Charles Linderbergh Jr.


TRICOLOGIA FORENSE
Anatomia vegetal
• Identificação de plantas no conteúdo estomacal
• O estudo de espécies vegetais presentes no conteúdo estomacal baseia-
se no conhecimento de que a morfologia dos vegetais dos quais nos
alimentamos permanece inalterada/pouco modificada pelos processos de
digestão (presença da celulose/lignina).

• Conhecer a composição da última refeição da vítima pode contribuir para


a determinação das circunstâncias em que esta se encontrava pouco
tempo antes da morte, como área geográfica e suas ações.

• Também auxilia nos casos de envenenamento, dolosos ou acidentais.


TRICOLOGIA FORENSE
Palinologia Forense
• A palinologia forense está voltada para o estudo de grãos de pólen e esporos.
• Esporopolenina  proteína que recobre grãos de pólen e esporos,
bastante resistente.

• Através da análise desses vestígios, os


quais possuem elevada diversidade e
ampla distribuição no ambiente, é
possível inferir o local onde houve a
deposição dos mesmos.
TRICOLOGIA FORENSE
Palinologia Forense
• Em cada amostra palinológica, há 3 conjuntos de pólen:
1) Local: das plantas que estão no mesmo ambiente em que a amostra foi
coletada.
2) Regional: trazido de pequenas distâncias, ou seja, de ambientes nos
arredores pelos agentes polinizadores.
3) De longa distância: carregado por correntes de ar.

• Já os agente polinizadores podem ser:


1) Abióticos: água e vento.
2) Bióticos: animais.
TRICOLOGIA FORENSE
Algas na ciência forense
• Algas são organismos predominantemente aquáticos, ocorrendo em mares,
mangues, rios, lagos, represas, em associação com fungos (liquens) e até
mesmo nos pelos de mamíferos.

•Podem ser procarióticas ou eucarióticas, unicelulares ou


pluricelulares, microscópicas ou com dezenas de metros de
comprimento.

• Possuem pigmentação característica, o que pode lhes fornecer diferentes


cores.
TRICOLOGIA FORENSE
Algas na ciência forense

• O homicídio de Mércia Nakashima


TRICOLOGIA FORENSE
Algas na ciência forense

• O homicídio de Mércia Nakashima

“(...) o biólogo analisou as lâminas com restos


de sedimentos do sapato e do tapete do carro
de Mizael Bispo de Souza. Para o
especialista, trata-se de uma alga aquática e
subaquática que exige substrato (rochas,
plantas) para se fixar. Segundo ele,
normalmente são plantas que ficam às
margens da represa. "Tudo indica a presença
dele [Mizael, na represa]", afirmou.” – Fonte:
g1.globo.com
TRICOLOGIA FORENSE
Algas na ciência forense

• O homicídio de Mércia Nakashima


• Sobre as algas encontradas, o laudo acusou o seguinte:
1) Ocorrem em ecossistemas aquáticos que abrangem a região de
Nazaré Paulista, mas não em Guarulhos.
2) Distribuem-se em uma faixa entre 20 e 50 cm, compatível com a
situação da submersão de um sapato que entra em contato com o
sbstrato da borda da represa.
3) Possuem ocorrência sazonal, reproduzindo-se no período mais frio
do ano, ou seja, entre abril e setembro (época do desaparecimento de
Mércia).
TRICOLOGIA FORENSE
Algas na ciência forense

• Diatomáceas e o diagnóstico de afogamento


• Diatomáceas são algas microscópicas. O “teste de diatomáceas” para
afogamento pode indicar se a pessoa ingeriu água ativamente
(diatomáceas podem se depositar nos ossos) ou passivamente
(diatomáceas restritas ao pulmão).
• Desvantagem: alta taxa de falsos-negativos.
TRICOLOGIA FORENSE
Micologia forense

• Termo fungo abrange uma variedade de organismos, tais como cogumelos,


bolores e leveduras.
• Elevado número de espécies.
• Auxílio forense: Conteúdo gástrico e modificação do ambiente.

Cogumelos: posição de crescimento Líquens: precisam de luz


TRICOLOGIA FORENSE
Biologia molecular de plantas

• Existe uma iniciativa que visa a identificação de espécies de plantas através


da análise genética das mesmas. Este projeto é chamado “DNA barcode”.

• Alguns problemas:
• Plantas apresentam 3 genomas: nuclear,
mitocondrial e cloroplastidial;
• Presença de fungos sobre plantas;
• DNAmt apresenta baixa taxa de evolução;
• Especiação molecular vs especiação
taxonômica tradicional.