Você está na página 1de 16
Economia do- | Meio | Ambiente Teoria e Pratica i ORGANIZADORES om Peter H. May SO i : Maria Cecilia Lustosa pene ; ee: i Valéria da Vinha qh ae 34 Tiragem € = — EC@23 Sacledade Brastlelia de : fe Ort kl ELSEVIER CAMPUS Economta Ecolégica ©2001. Elsevies Edtera Lice, Toons ce ditnas resotvadas « pmoingdos pela Lai6.ci0 de 1HMQ/ISE Nenhuma paste deste livre sem autorzepSn prévia por escrito: dis mon, ‘Doce ser teproduziva ou Irewsmiide sejem hunis {oram 6 melog arrcwagacdem: + aleltewend, merncoe, fologiAbos. pravagia Ov tesiénuar Gitton ' Eorarepio: Glamtnicn chico Custalined Capuria qua lane Ainasao Gratca Lane: Tare Srajera Gniteoa Etsamer Eanora ita. 4 Qunieets te Indorrn Rua Sete da Soteroeo, 111 — 18" andar 20250-006 Fig ae Janaira FA Brasil Taletene: [21] 3970-000 FAM: (27] 250721901 E-myil: onto atseeiar.con.nr : Esentone So Paula: Fun Elta Ferraz, 194 DASS2-M0 Ve Gilmpré Sta Payio SP Tal [114 2041-885 ISBN a5-352-0955-4 1 Gansi, Cerptoga;so-re-torite Rerinalo Neunnnt ras Egilores de Lites. Fa Economia do men eensenta : teeta © pritica ¢ Petar H May, Mana Cecilia Lutioss, atiera da Vinha, orgarezadems. — Fg de annette . Elsevier 2000 — 3 Anmpwaade, ISBN B5-252.0985-4 1. Seoreenin smbantal. 2. Gopensétvimeno sustentavel | May. Peter Hermann, It. Custosa, Mens Caema, il, ¥inia, Valine de. D079, po — a7 ou — gos Introdugao ECONOMIA OU ECONOMIA POLITICA DA SUSTENTABILIDADE = ADEMAR RIBEIRG ROMEIRO- Professor uo institute Da Economia da Unicom hl ‘Si TUANDO A ECONGMIA POLITICA BO MEIO AMBIENTE No ekquema analicice convencianal, o que seria uma ecanomia da auatencabile isto come um problema, em cima inst4ncia, de alecazao intertemporal de rebursos entre consuming iavestimento por agentes econdmicos racionais,cu- ins mjariva agées so fundamentalmente maximizadoras de utilidade. Aagdo cale- tiva {através do Estado) se faz necessaria apenas para corrigir as faltias de merca~ do aye ocorrem devido an fato de boa parte dos servigos ambientais.se constituir de bens publicos far, agua, capacidade de assimilagio de dejerds etc. nao tendo, portanto, pregos. Uma vez corrigidds essas falas, de modo a garantira correta nalizagio econdémica da escassez relativa desses servigas ambientais, 2 dinamica de alpcagao intertemporal de’ TeCcursos tenderia ase processar de modo efi nate, ee problemas de i incerteza’e de risco de pordas irrevetsiveis. a esquema analitico proposto, o problema da economia politica da susten- tabilidade é visto came utn problema de distribuigag intertemporal de recursos natutais finitos, o que pressupée a definicic de limites para seu uso {escala). ot disso, trata-se de um processe envelvende agentes econd micoé cujo com- portamento é complexe em suas motivagdes (as quaié incluem dimensGes saciais, culturais, morais ¢ ideoldgicas} ¢ que atuam num contexto de incertezas € de-ris- cos de perdas irreversiveis que o progresso da ciéncia nao tem como eliminac. Desse mado, tanto a nutuzeza camo o papel da agao coletiva sac completamente | 4 i GUARD I A origem tetrica ¢a economia politica Tradicinnal mene, » arjetiva pefitica associade aa substantive economia indica uma ¥|- s40 tedrica que se distingue por inciuit em seu esqueina analilico comsuieragdes de ordem politica em seu sentidaamplo. Isto &, inclui consideraghes morais e éticas em contrapasigan a economia seni adjetiva (econamics}, cuja visio tedrica surbjacente Ineoclassita} prassu- punha ser uma exigéncia cient! fica a mxclusdo desse tin de considerapoes. Entretanto, a economia € sempee economia seswers na medida em qué toda s2r humanp pensa @ age a partirde uma eecala de valores! E insta a idéia posilivista de que as proposigaes podem, ser divididas claramente entre posltivad B normativas, Existe sempre algurn [ulgamento de* | valor ou rspectoidentigien am todns.os toneeitos. afiimagdes e teprias em econamia. Nesse | sertida, a habito dla economia convencional de olhar os valores ¢ 23 proferéncias come exe nainente dades nao é algo que decoire de uma posizae chentificamente neutra.2 + Tm gua exortagSo pola volta & tradligao Atlea em economia, Sen 41987) obsewa que desde Adam Seti duag lradigbes ern economia se firmaram wm, preocu pela earn 2 moet 8 9 étina (que, alm dos aviores | elissioes coma a priptia Smith, Mara, Picardy, Stuart Mill, inelui autores coma Veblen, Myrdal, entre qu- amos, p iorta a escola inetitucionalista comempnrdneal; a outea (neceldasica, que ele classiiea pmo uma espace ie "engerharia eoondmica’,119 qual e883 preceupacio aie exlstiu afniiiy daqueles pressupasgos rier esquerna analtivg convenional. Tra un proceso de escoliia puiblica em que cabeta V sociedade civil, ent suas wiring formas de arganizagae {0 Estado entre outras), decidir, em ultima instincia, com base em consiclecagdes morais © écicas. Newa introdugia do livre procutramas moscrar, portanra, que a desafio do desenvolvitnento sustentivel nda tem came ser enfrentade a partir de unta pers- pectiva tedrica que desconsidera as dimensdes culturais ¢ éticas tia proceso de tomada de devisio, Além disso, procuramos deixar claro também por que ease process de romada de decisao tera de ser supra-individual, isto é, baseado em agdes coletivas altruisticamente motivadas ec ng etn decisées individuais maxi- mizadoras de bem-estar de cada agente econéanico. Ela esti dividida cm mais quatro segGes além desta parte imicial. A sequnds segdo apresenta uma breve digressio sobre a cvulugic hisedrica da capacidade das sociedades humanas de transformar a natureza, marcada pelas re- volugdées agricola ¢ industrial, Buscamos deixar claro que, embora essa cvolugac tenha sido miarcada cada yea mais por desequilfhrios rcologicus, isso nao € inevitd- vel. E possivel transformac radicalmente a navureza, camo quando se pratica a agricultura, sem no entanta desrespeitar as regras eculdgicas bsicas. Ourra ponte 2] a nurar cefere-se & magnicide da esvala atual das atividades humanas, 0 que, inde- pendentemente de estas atividades respeitarem ou nic as repras ecolégicas bisicas, levafita o problema do limite da capacidade de suporce do plancta Terra. Ness senode, enfatizames a necessidade de nao apenas buscar-se uma melhor eficiéncia na utlizagan dos recursas narurais, reduzindo drasticamente e/ou eliminando a. Pol ia. como também a necessidade de estabilizar.os niveis de consume de re- cursps laturais percapita dentro dos limites da capacidade de suporte do Planeta, . 2 seco seguinre digcucimas a questi do desenvobrimens) suscentivel de uma perspectiva tedrica, $30 apresentados os fundamentos dagduas peincipais 2 commences redricas em economia que tracam dos problemas de siistentabilidade:: a ecogomia ambiental (necelissica} ca economia ee: oldgico. As diftrengas entre ag duag abordagens sq assinaladas rio apenas do ponto de visti tedrico, como) também daquele das implicagies concretas dessas duas visées analfticas em ter~ mas das polirieas anbientais que ingspiram e suas consegiiancias. * i quarta segio apresenta uma andlise dos limites A mudanga decorrenres das earakteristicas préprias da dindmica de acumulagao capitalista ¢ de padrig'de— conjumo correspondente, mareado pela eriagie incessante de novas necessida- des He consumo. Nesse sentido, a estabilizagao do consumo de recinfsos naturais- per tanita dependeré de uma mudanga de valores. $46 apresentadas também as conflicées objetivas que podem contribuir para o sucesso de um movimento de edutagav ambiental visando essa mudanga de valores com base, em wltima ins- . Uingia, em consideragGes de orden fica. a Na quinta segaa, sdo brevemenre sumariadas as condigdes histdricas quee exe, plicam 9 suegimenco de um instrumento j nridice, 9 principio de precaugdo, que ricucional dplicivel em proces: © sug Ue comada de decisées sob meetteza, Aprosentamos também uma peoposta metodolégica de classificagae-e hierarquizagao dos problemas ambientais segun- do dg niveis de incerteza sistémics @ de cisco de perdas irreversiveis. Finalmente, na Gltima segiv, as prittcipais conclusGes sin apresentadas ¢ comentadas. nfigura came wn 1.2 DESENVOLYIMENTO SUSTENTAVEL ~ PERSPECTIVA HISTORICA * Num passado distante, antes do controle da fogo ‘pela espécie humana, a interagao desta com a natuteza era semelhante aquela dos gnimais mais préximos na cadcia evolutiva, como os grandes primatas, O controle do fogo abriu caminho para que essa interagag assumisse caractectsticas préprias cada vex mais distinitas. Sobcevivern, : entretanto, ainda hoje, amostrasde povas, come os Yanomamis, vivendo no neolit- co, testemunhos vives de que a controle do foga por sisd pode nao levara mudangas radieais e progressivas no modo de insercio da espécie Humana ma natureza.. Do panto de vista ecolégico, o modo de vida de povos como 05 Yanomamis,. “ cu meso de outros povos indigenas mais evaluides no sentido de usar mais larga- mente o fogo come réctica agroflorestal e outros insrumentos, nae provoca ne- hum descquilfbrin compromeredor de ecossistema, embota o modifique. Seu |3