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CONV_C2_3A_EXERC_HIST_2016_MA 16/10/15 13:16 Página 1

FRENTE 1 – HISTÓRIA INTEGRADA

2. (MACKENZIE) – A saga norte-americana de pioneiros e


MÓDULO 21 desbravadores (e também bandidos, exterminadores de índios e
grileiros) foi retratada em uma série de filmes do gênero western, mais
EXPANSÃO TERRITORIAL conhecido no Brasil como faroeste ou bangue-bangue. Ao contar a
DOS ESTADOS UNIDOS “Marcha para o Oeste”, esses filmes mostraram também a formação
de uma mentalidade tipicamente norte-americana. A expansão conti-
E GUERRA DE SECESSÃO
nental dos Estados Unidos deveu-se a numerosos fatores, entre os
quais a escassez de terras na faixa atlântica, a necessidade de se
1. (UNICAMP) – No final do século XIX, Frederick Jackson Turner obterem matérias-primas para as indústrias do Norte e a construção de
elaborou uma tese sobre a “Fronteira” como definidora do caráter dos ferrovias. Outros fatores poderiam ser igualmente considerados, como
norte-americanos até então. A força do indivíduo, a democracia, a a) a ocupação da Flórida, recém-adquirida da Espanha, e a corrida do
informalidade e até o caráter rude estariam presentes no diálogo entre ouro na Califórnia, depois que esta foi perdida pelo México.
a civilização e a barbárie que a Fronteira propiciava. As tradições b) o respeito aos territórios onde os nativos não se opuseram à passa-
europeias foram sendo abandonadas à medida que o desbravador se gem dos pioneiros norte-americanos rumo ao Oeste.
aprofundava no território dos Estados Unidos em expansão. Em relação c) a colonização de terras entre os Apalaches e o Mississípi por pionei-
à questão da “Fronteira” nos Estados Unidos, responda: ros dispostos a prosseguir no avanço em direção ao Pacífico.
a) De quais grupos humanos ou países essas terras foram sendo d) a ocupação de áreas além do Rio São Lourenço, em um esforço para
retiradas no século XIX? incorporar aos Estados Unidos os territórios francófonos do Canadá.
b) O que foi o “Destino Manifesto” e qual seu papel nessa expansão? e) a anexação dos Estados da Virgínia e da Geórgia, conquistados em
1848 depois de uma guerra contra o México.
RESOLUÇÃO:
a) Grupos humanos: tribos indígenas que habitavam os territórios RESOLUÇÃO:
além-Mississípi, nas pradarias do Centro-Oeste e no Oeste. A “mentalidade tipicamente norte-americana” mencionada no
Países: França, de quem os Estados Unidos compraram a texto corresponde ao “espírito de fronteira” dos pioneiros,
Luisiana; Espanha, de quem os Estados Unidos adquiriram a desejosos de expandir os territórios ocupados pelos brancos –
Flórida; e México, de quem os Estados Unidos tomaram um ainda que à custa do extermínio das populações nativas.
vasto território que se estendia do Texas à Califórnia. Resposta: C
b) Doutrina político-ideológica que afirmava serem os Estados
Unidos um país protegido por Deus e, por essa razão, destinado
a se tornar uma grande potência, triunfando sobre todos os
seus inimigos. O “Destino Manifesto” não apenas justificou a
“Marcha para o Oeste”, mas também a expansão imperialista 3. (PUC-SP) – A expansão dos Estados Unidos em direção ao Oeste,
dos Estados Unidos na América Central e no Pacífico. na primeira metade do século XIX, envolveu, entre outros fatores,
a) a intervenção norte-americana na guerra de independência do
México, da América Central e de Cuba.
b) a anexação militar do Alasca, resultado de um longo conflito armado
com a Rússia.
c) a Guerra de Secessão, que opôs os escravistas dos Estados do Sul
aos abolicionistas do Norte.
d) a implantação de um rigoroso sistema legal nas áreas ocupadas, vi-
tando conflitos armados na região.
e) a remoção de tribos indígenas que viviam a Leste do Rio Mississípi
para outras regiões.

RESOLUÇÃO:
A alternativa faz referência a uma prática que pontuou a política
do governo norte-americano em relação aos indígenas durante a
maior parte do século XIX: circunscrevê-los em reservas que eram
sucessivamente invadidas pelos brancos e remanejadas para
regiões dotadas de recursos cada vez mais escassos. Todavia, essa
política não encobre a dizimação sistemática das populações
nativas, realizada tanto pelos pioneiros como pelo próprio exército
dos Estados Unidos.
Resposta: E

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4. (UNIFEV) – A eclosão da Guerra de Secessão, nos Estados Unidos 5. (FGV) – Entre 1861 e 1865, os Estados Unidos foram palco da
do século XIX, relaciona-se diretamente com Guerra de Secessão. A esse respeito, é correto afirmar que
a) as divergências entre o Norte e o Sul quanto à transformação dos a) o conflito teve início com a reação dos fazendeiros sulistas contra a
recém-conquistados territórios do Oeste em Estados. abolição da escravatura, sancionada pelo presidente republicano
b) o temor, nos Estados escravistas do Sul, de que a escravidão fosse Abraham Lincoln.
abolida em todo o território norte-americano. b) as diferentes estruturas socioeconômicas do Norte e do Sul e sua
c) o interesse, nos Estados abolicionistas do Norte, em romper a divergência sobre as tarifas de produtos importados estiveram entre
unidade nacional e fundar um novo Estado nacional. as causas do conflito.
d) a rejeição, pelos Estados do Norte e do Oeste, da política sulista de c) a economia sulista estava baseada na produção familiar e se direcio-
estímulo à imigração europeia. nava para o mercado interno, enquanto o Norte produzia artigos
e) a rivalidade entre os escravocratas do litoral atlântico e os abolicionis- destinados ao mercado externo.
tas dos recém-criados Estados do Oeste. d) a disputa entre o Norte e o Sul colocou frente a frente dois projetos
políticos antagônicos, tanto no que se refere à questão dos direitos
RESOLUÇÃO: trabalhistas como à organização sindical.
Nas eleições presidenciais norte-americanas de 1860, o Partido e) o conflito serviu para encerrar a política de segregação racial vigente
Republicano conseguiu eleger Abraham Lincoln, que se declarara
em diversos Estados norte-americanos e para consolidar a inclusão
favorável à abolição da escravatura. Proclamado o resultado do
pleito, a Carolina do Sul separou-se da União, sendo acompanhada social dos povos indígenas no país.
por mais seis Estados. Estes, em 8 de fevereiro de 1861, formaram
os Estados Confederados da América, sob a presidência de RESOLUÇÃO:
Jefferson Davis. Com a irrupção da guerra, mais quatro Estados A causa imediata da Guerra Civil Norte-Americana foi a eleição de
uniram-se à confederação sulista. Abraham Lincoln, que se declarara abolicionista no decorrer da
Resposta: B campanha para Presidência da República. Todavia, o antagonismo
entre o Norte e o Sul possuía raízes mais profundas, de ordem
estrutural: o Norte era industrializado, nele predominava o trabalho
livre e sua sociedade tinha caráter burguês, enquanto o Sul era
agroexportador, escravista e sua sociedade tinha caráter aristo-
crático. Ademais, os nortistas defendiam o protecionismo
aduaneiro (para dificultar a entrada de mercadorias britânicas), ao
passo que os sulistas, na qualidade de parceiros comerciais da
Inglaterra, eram partidários do livre-cambismo.
Resposta: B

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2. (MACKENZIE-Adaptado) – “A Revolução Americana repercutiu


MÓDULO 22 intensamente nas demais colônias das Américas e também na França.
No Brasil, Tiradentes andava com um exemplar da constituição
norte-americana na mão, procurando colaboradores para traduzi-la do
CRISE DO SISTEMA COLONIAL E
inglês. Em 1817, na insurreição que ocorreu em Pernambuco –
TENTATIVAS DE EMANCIPAÇÃO conhecida como ‘Revolução Pernambucana de 1817’ –, houve quem se
autoapelidasse ‘Washington’, em homenagem ao primeiro presidente
dos Estados Unidos.”
1. (UERJ-Adaptado) (Carlos Guilherme Mota.)

Martírio de Tiradentes Assinale a alternativa que relaciona corretamente a independência dos


Estados Unidos com a Inconfidência Mineira e a Revolução
Pernambucana de 1817.
a) A independência dos Estados Unidos foi responsável pelo
desencadeamento de um processo revolucionário em todas as
Américas; no Brasil, a liderança dos movimentos emancipacionistas
coube aos setores marginalizados da sociedade.
b) Inspirados no abolicionismo de George Washington, cujas ideias
foram implementadas nas ex-colônias inglesas da América, os
inconfidentes mineiros e revolucionários pernambucanos deram
início à luta pelo fim do trabalho escravo no Brasil.
c) Os três movimentos revolucionários podem ser considerados
manifestações nativistas fracassadas, pois se sublevaram contra
suas respectivas metrópoles sem no entanto conseguir eliminar as
restrições à livre-circulação de ideias nas colônias.
d) A Revolução Americana, a Inconfidência Mineira e a Revolução
Pernambucana de 1817 foram influenciadas pelos postulados liberais
ingleses e pelo iluminismo francês, que condenavam o absolutismo
e denunciavam a opressão da estrutura colonial.
e) A independência dos Estados Unidos, a Inconfidência Mineira e a
Revolução Pernambucana de 1817 tiveram em comum a presença,
em suas lideranças, apenas de membros das elites coloniais que
combatiam as ideias absolutistas e o Pacto Colonial.

RESOLUÇÃO:
A rigor, a Revolução Americana de 1776, a Inconfidência Mineira de
1789 e a Revolução Pernambucana de 1817 fizeram parte de um
mesmo processo histórico, qual seja, o da desintegração do
colonialismo mercantilista – um dos pilares do Antigo Regime
(Tela de Francisco Aurélio de Figueiredo e Melo, 1893. europeu. No plano político, esses movimentos foram influenciados
pela ideologia liberal do século XVIII e início do XIX, presente no
Disponível em:<www.museuhistoriconacional.com.br>.)
iluminismo francês e na prática parlamentarista da Grã-Bretanha.
Resposta: D
Na História Brasileira, a representação de Tiradentes, um dos
protagonistas da Inconfidência Mineira (1789), mostra o processo de
transformação de um de seus personagens em herói nacional.
a) Apresente duas propostas políticas da Inconfidência Mineira.
b) Justifique a transformação de Tiradentes em herói nacional, após a
implantação da República no Brasil.

RESOLUÇÃO:
a) – Independência de Minas Gerais e Rio de Janeiro em relação a
Portugal.
– Proclamação da República.
b) A transformação de Tiradentes em herói nacional pelo
recém-implantado regime republicano visava legitimar a
República como parte integrante dos primeiros anseios de
independência manifestados na História do Brasil.

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3. (UNESP-Adaptado) – “A inspiração dos rebeldes veio 4. (MACKENZIE) – Em 12 de agosto de 1798, nos muros das igrejas de
principalmente da Revolução Francesa. No curso do processo, foram Salvador, nos lugares públicos e nas paredes de casas foram colados
apreendidas obras filosóficas de autores como Voltaire e Condillac. panfletos manuscritos que diziam: “Está para chegar o tempo feliz da
Esses textos atravessaram o Atlântico, chegaram às estantes de gente nossa liberdade, o tempo em que todos seremos irmãos, o tempo em
letrada da colônia e acabaram por inspirar os ‘pasquins sediciosos’ e os que todos seremos iguais”. Tal manifesto conclamava à revolução a
panfletos lançados nas ruas. O movimento foi posto em destaque na população, insatisfeita com o agravamento do custo de vida.
historiografia brasileira a partir de um livro de Afonso Rui intitulado A A respeito dessa revolta, é correto afirmar que
Primeira Revolução Social Brasileira. O título é exagerado, mas não há a) a Inconfidência Mineira foi influenciada pelos ideais de liberdade
dúvida que [o movimento] foi a primeira expressão de uma corrente de vindos da Europa, pela independência das Treze Colônias da América
raiz popular que combinava aspirações de independência com do Norte e pelas concepções liberais de Napoleão Bonaparte.
reivindicações sociais.” b) a Inconfidência Baiana foi o mais importante e significativo dos
(Boris Fausto, História do Brasil, p. 120.) movimentos emancipacionistas, quando comparado à Inconfidên-
cia Mineira e à Conjura do Rio de Janeiro.
A respeito da Conjuração Baiana, à qual se refere o fragmento, é correto c) esse movimento de rebeldia contra a Metrópole Portuguesa se
afirmar que manifestou em um momento em que o próprio Estado Português
a) defendeu a proclamação da República, o fim da escravidão e a prática afrouxou sua política de arrecadação fiscal sobre a Colônia.
do livre-comércio. d) a Conjuração Baiana, diferentemente das demais revoltas da época,
b) foi organizada pela elite política e intelectual baiana e apoiada pelo não se limitou aos ideais de independência e liberdade, mas propôs
governador da capitania. também mudanças estruturais para a sociedade brasileira.
c) foi contraditória porque defendeu liberdades econômicas, mas se e) a Revolta dos Alfaiates contou com a participação de todas as clas-
omitiu em relação à escravidão. ses sociais da Bahia, ao contrário dos outros movimentos emancipa-
d) foi tratada com indulgência pela Coroa Portuguesa, pois todos os cionistas, mas a liderança coube aos grandes proprietários.
conjurados foram absolvidos.
e) iniciou a crise entre o Estado e a Igreja, devido à execução dos RESOLUÇÃO:
padres revoltosos. A Conjuração Baiana, embora dirigida por elementos de nível social
e intelectual superior (os quais, aliás, foram absolvidos, como o
médico Cipriano Barata) ao dos demais participantes, congregou
RESOLUÇÃO:
membros das camadas mais humildes da população, com predo-
A Conjuração Baiana ou dos Alfaiates, de 1798, foi um movimento
mínio de mulatos e negros. Além dos ideais de independência,
emancipacionista influenciado pelo iluminismo, pela Revolução
república e liberdade econômica, presentes em outros movimentos
Francesa, pela revolta dos escravos haitianos e pela loja maçônica
emancipacionistas, a conjura de 1798 propunha o fim das distin-
Cavaleiros da Luz, responsável pela vertente intelectualizada do ções raciais e a abolição da escravatura – o que denota influência
movimento. Essa tentativa de emancipação se diferenciava de
dos acontecimentos no Haiti.
outros episódios do período por seu caráter mais popular, devido
Resposta: D
à participação de mulatos e negros, bem como por defender a
igualdade racial e o fim da escravidão. Os principais representantes
das camadas mais simples foram enforcados, tendo os líderes
intelectuais sido absolvidos.
Resposta: A

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5. (UEPB) – As premissas de igualdade e liberdade, nascidas na Revo-


lução Francesa, encontraram solo fértil no Brasil Colônia. A respeito MÓDULO 23
disso, leia o poema abaixo, composto por Francisco Muniz e Aragão.

O PERÍODO JOANINO E
“Quando os olhos dos baianos
Esse quadro divisarem
A INDEPENDÊNCIA DO BRASIL
E de si longe lançarem
Mil despóticos tiranos,
Que felizes soberanos 1. (UNESP-Adaptado) – “A transformação do Rio de Janeiro em sede
Nas suas terras serão! da corte portuguesa começou apenas dois meses antes da chegada do
Oh, que doce comoção príncipe-regente, quando as notícias do exílio real – tão ‘agradáveis’
Sentirei com tais venturas! quanto ‘chocantes’, cheias de ‘sustos e de alegrias’ – foram recebidas.
Só elas, bem que futuras, Entretanto, como logo descobriram os residentes da cidade, os
preenchem meu coração.” preparativos para acomodar Dom João e os exilados marcaram apenas
o começo da transformação do Rio de Janeiro em corte real, pois o
Sobre o tema em questão, podemos afirmar que projeto de construir uma ‘nova cidade’ e capital imperial perdurou por
a) a Inconfidência Mineira foi o único movimento ocorrido no Período todo o reinado brasileiro do príncipe regente. Construir uma corte real
Colonial que chegou a pretender a ruptura dos laços que uniam o significava construir uma cidade ideal; uma cidade na qual tanto a
Brasil a Portugal. arquitetura mundana como a monumental, juntamente com as práticas
b) a propaganda do ideário separatista, em Minas, se fazia por meio de sociais e culturais de seus residentes, projetassem uma imagem
sociedades literárias, nas quais os autores liam textos próprios ou inequivocamente poderosa e virtuosa da autoridade e do governo reais.”
de estrangeiros.
c) a crise do Sistema Colonial no Brasil pode ser atribuída fundamen- (Kirsten Schultz. Versalhes tropical, 2008.)
talmente às repercussões da Revolução Francesa junto à sociedade
brasileira. a) Explique o principal motivo da transferência da corte portuguesa para
d) a Inconfidência Mineira foi um projeto democratizante da elite local, o Brasil, em 1808.
ao contrário da Conjuração Baiana, cujas propostas sociais eram b) Indique duas mudanças importantes por que o Rio de Janeiro passou
conservadoras. para receber e abrigar a Família Real.
e) as revoltas coloniais contra o poder metropolitano, no Brasil, funda-
mentavam-se menos em uma concepção de nacionalidade do que RESOLUÇÃO:
em interesses locais. a) Invasão de Portugal pelas tropas napoleônicas, em represália
ao descumprimento pelo Estado Português do Bloqueio
Continental decretado por Napoleão contra a Grã-Bretanha.
RESOLUÇÃO:
Para a concretização da transferência do governo luso para o
A Inconfidência Mineira e a Conjuração Baiana, apesar de terem
Brasil, foi imprescindível a colaboração da marinha britânica.
objetivos emancipacionistas, não possuíam — como seus próprios
b) Desapropriação de residências para abrigar os recém-chegados
nomes demonstram — uma visão abrangente da nacionalidade
e elevação dos impostos para atender às despesas decorrentes
brasileira.
da transferência da corte e dos órgãos administrativos do
Resposta: E
Estado Português.

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2. (UNESP-Adaptado) – “Na história integrada, a história das 3. (UNESP-Adaptado) – “Logo ao chegar, Dom João decretou a
mentalidades se mescla com a história econômica, a política com a abertura dos portos do Brasil às nações amigas (28 de janeiro de 1808),
social, a nacional com a internacional. A vinda da família real para o Brasil, sendo a Inglaterra a principal beneficiária da medida. Já em agosto de
em 1808, é um bom exemplo desse inter-relacionamento. As relações 1808, existia na cidade um importante núcleo de 150 a 200
diplomáticas que envolviam Portugal, Espanha, França e Inglaterra comerciantes e agentes comerciais ingleses. Descrevendo as
podem sugerir interconectividades, pois seria difícil separar os arbitrariedades da alfândega do Rio de Janeiro, um desses agentes –
interesses de cada país. Após a chegada da Corte, medidas como a John Luccock – relatava aliviado, em 1809, que ‘os ingleses tinham se
Abertura dos Portos de 1808 e os Tratados de 1810 possibilitam um tornado senhores da alfândega e regulavam tudo, e que tinham sido
enorme leque de novos estudos para os alunos.” transmitidas aos funcionários ordens para que dessem particular
atenção às indicações do cônsul britânico’.”
(Marcos Vinícius de Morais. História integrada, p. 210-211. In: Carla
Bassanezi Pinsky (Org.). Novos temas nas aulas de história.) (Boris Fausto. História do Brasil. Adaptado.)

Considerando o fragmento transcrito e o conceito de “história Com referência ao decreto mencionado no texto, assinale a afirmação
integrada”, é correto relacionar a presença da Família Real Portuguesa correta.
no Brasil com a) A Abertura dos Portos prejudicou os produtores rurais da colônia,
a) as demandas da aristocracia do Norte e Nordeste do Brasil, a qual pois suas mercadorias destinadas à exportação continuaram sob o
exigia a presença da Corte na colônia para assegurar a liberdade monopólio comercial da metrópole.
econômica brasileira. b) O Rio de Janeiro tornou-se o porto de entrada dos produtos manu-
b) uma expressiva retração nas relações econômicas luso-brasileiras, faturados ingleses, que se destinavam não só ao Brasil, como tam-
como resultado da abertura comercial que privilegiou os senhores bém ao Rio da Prata e à costa sul-americana do Pacífico.
de engenho de Pernambuco. c) O decreto da Abertura dos Portos não trouxe resultados imediatos
c) a conjuntura europeia ligada a um importante avanço da produção para a economia brasileira, devido à grande distância que separava
industrial, além das decorrências da expansão napoleônica na as terras sul-americanas do continente europeu.
Península Ibérica. d) Com a Abertura dos Portos e os tratados firmados com a Inglaterra
d) o protecionismo comercial conquistado pelo Brasil com os Tratados em 1810, a Coroa Portuguesa assegurou a continuidade de sua
de 1810, que afrontaram os interesses do capitalismo industrial política colonial mercantilista no Brasil.
britânico. e) As reivindicações dos comerciantes lisboetas contrários à Abertura
e) os avanços da Espanha mercantilista que, aliada à poderosa França dos Portos foram atendidas por Dom João em 1810, por meio do
industrial, pretendia dominar as exportações de açúcar brasileiro para Tratado de Comércio e Navegação com a Inglaterra.
a Europa. RESOLUÇÃO:
A decretação da abertura dos portos brasileiros “às nações
RESOLUÇÃO: amigas” beneficiou a Inglaterra – na época, a única “nação amiga”
A política econômica joanina no Brasil subordinou-se aos de Portugal. O comércio britânico com o Brasil, dominante desde
interesses do capitalismo industrial inglês. No plano das relações 1808, ganhou maior preponderância com o Tratado de Comércio e
externas regionais, D. João VI aproveitou os efeitos produzidos nas Navegação de 1810; este tornou Santa Catarina um porto franco
colônias hispano-americanas pela presença napoleônica na para os produtos ingleses que, por meio de contrabando, de lá
Península Ibérica para intervir no Vice-Reino do Prata e anexar a seguiam para os mercados do Prata e, pelas vias interiores da
Província Cisplatina ao Brasil. América do Sul, alcançavam o litoral do Pacífico.
Resposta: C Resposta: B

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4. (IFPB) – “Em 1808, de um dia para o outro, o Rio de Janeiro 5. (UNESP-Adaptada) – “A Independência se explica por um conjunto
transformou-se na capital portuguesa, na cabeça do Império. de fatores, tanto internos como externos; mas foram os ventos vindos
Transplantou-se para o Brasil o Antigo Regime, no qual só aos poucos de fora que imprimiram aos acontecimentos um rumo, imprevisto pela
foi abrindo brechas o pensamento antiaristocrático e liberal.” maioria dos atores envolvidos, em uma escalada que passou da defesa
da autonomia brasileira à ideia de independência. Em agosto de 1820,
(Alberto da Costa e Silva. História do Brasil Nação 1808-2010. irrompeu em Portugal uma revolução inspirada nas ideias ilustradas.”
Vol. 1. Rio de Janeiro: Objetiva, 2011. p. 25-26.)
(Boris Fausto. História do Brasil, p. 279. Adaptado.)

Os fatos que se sucederam ao acontecimento narrado acima marcaram


A revolução a que se refere o texto
profundamente a sociedade brasileira e a formação do Estado Nacional
a) procurava enfrentar, em Portugal, uma crise política, causada pela
Brasileiro. Nesse contexto, assinale a alternativa que apresenta um
ausência do rei, uma crise econômica, resultante em parte da
desses fatos.
liberdade de comércio concedida ao Brasil, e uma crise militar,
a) O surgimento de uma imprensa nacional, associado à criação das
consequência da presença de oficiais ingleses nos altos postos do
primeiras instituições de ensino superior brasileiras.
exército.
b) A liberação do tráfico de escravos com a África, devido ao fim do
b) teve caráter radical, inspirado no jacobinismo francês e muito
“exclusivo” português sobre o comércio externo brasileiro.
influenciado pelo pensamento do filósofo iluminista Jean Jacques
c) A derrota de Napoleão Bonaparte e o consequente retorno de D.
Rousseau, e exigia o retorno imediato do rei D. João VI a Portugal,
João VI a Portugal, com poderes absolutos.
para que se pudesse prendê-lo, abolindo a Monarquia e proclamando
d) O auge da produção aurífera no Sudeste e no Centro-Oeste, com
a República.
sua vertiginosa queda na primeira década do século XIX.
c) foi consequência direta do Congresso de Viena de 1814-15, quando
e) A vitória do “Partido Português” e de seu projeto político conser-
os países europeus se reuniram para decretar apoio à França de
vador, com a ascensão de D. Pedro I ao trono do Império.
Napoleão Bonaparte e decidiram que a república seria a única forma
de governo considerada justa e legítima, o que impunha restrições
RESOLUÇÃO:
O surgimento de uma “imprensa nacional” teve início com a a D. João VI.
fundação da Imprensa Régia, que passou a editar a Gazeta do Rio d) buscava conciliar-se com as revoltas que haviam eclodido no Brasil
de Janeiro, primeiro jornal a circular no País. Quanto às “primeiras desde o final do século XVIII, como as Conjurações Mineira e Baiana,
instituições de ensino brasileiras”, trata-se das escolas de Medicina
pois elas se inspiraram no iluminismo e na Revolução Americana, ao
e Cirurgia do Rio de Janeiro e da Bahia.
Resposta: A contrário do que se pretendia em Portugal com uma revolta
antiliberal.
e) contou com um forte componente popular, pois teve participação de
artesãos e camponeses que lutavam, ao mesmo tempo, contra as
heranças do Antigo Regime e contra as formas de exploração do
capitalismo industrial, então em pleno desenvolvimento na Península
Ibérica.

RESOLUÇÃO:
A Revolução Liberal do Porto, de 1820, representou uma reação
dos portugueses contra a “Inversão Brasileira”, que deixara
Portugal em segundo plano no conjunto do Império Luso, devido à
transmigração da Família Real, à Abertura dos Portos e à criação do
Reino Unido. Os objetivos dos revolucionários compreendiam três
etapas sucessivas: derrubar o absolutismo, forçar o regresso de
D. João VI e promover a recolonização do Brasil.
Resposta: A

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2. (FGV) – No início do século XIX, a ruptura dos laços coloniais e a


MÓDULO 24 construção de Estados independentes deram o tom da movimentação
política na América Latina. A esse respeito, é correto afirmar que,
a) tendo como modelo a Revolução do Haiti, a independência da Amé-
INDEPENDÊNCIA
rica Espanhola foi alcançada sob a liderança de índios e mestiços,
POLÍTICA DA AMÉRICA LATINA até então submetidos à escravidão.
b) em razão da importância geopolítica do Brasil e do impacto provo-
cado por sua independência, a maior parte dos novos Estados adotou
1. (UNICAMP) – “A Revolução de Saint Domingue (Haiti), entre 1791 a monarquia como forma de governo.
e 1804, destruiu a economia de plantation na colônia europeia mais c) ameaçados de um lado pela ofensiva napoleônica e de outro pelo
próspera da época. Como resultado disso e do fim do tráfico negreiro imperialismo inglês, os líderes latino-americanos passaram para a
para as colônias britânicas, em 1807, a exportação de açúcar, café e área de influência da monarquia brasileira.
outros produtos tropicais cresceu em Cuba e no Brasil, que d) liderados pelos chapetones, os novos Estados independentes logo
experimentaram um enorme aumento no afluxo de escravos. No século puseram fim ao modo de produção escravista e concederam direitos
XIV, essas regiões se caracterizaram por uma ‘segunda escravidão’, mais políticos à massa criolla recém-alforriada.
próxima de um sistema industrial, tanto na disciplina do trabalho como e) aproveitando o contexto das Guerras Napoleônicas, a elite criolla
nas inovações técnicas na produção. Longe de ser uma instituição rebelou-se contra a metrópole, procurando, no entanto, preservar as
moribunda naquela centúria, essa ‘segunda escravidão’ demonstrou sua bases de seus privilégios sociais.
adaptabilidade e vitalidade.”
RESOLUÇÃO:
O processo de independência da América Latina insere-se no
(Dale W. Tomich. Through the prism of slavery: labor, capital, and
contexto das Revoluções Atlânticas. O imperialismo napoleônico
world economy. Lanham: Rowman & Littlefield foi um elemento de desestabilização da monarquia espanhola,
Publishers, 2004, p. 69, 80. Adaptado.) acarretando a ruptura do colonialismo hispânico na América. Além
disso, a elite colonial criolla estava ansiosa para quebrar o “exclusi-
a) Segundo o texto, o que caracterizava a vitalidade e a adaptabilidade vo” colonial e consolidar-se como camada dominante.
Resposta: E
da “segunda escravidão” desenvolvida no século XIX?
b) Identifique duas características da Revolução de Saint Domingue
(Haiti).

RESOLUÇÃO:
a) O texto demonstra que essa “segunda escravidão”, além de
inovar na técnica de produção, adaptou o trabalho escravo a 3. (UNESP) – Sobre as lutas pela independência na América Hispânica,
uma disciplina inspirada nos procedimentos da Revolução é correto afirmar que
Industrial.
a) contaram com a participação política e militar dos Estados Unidos, in-
b) A revolução mencionada, diferentemente dos demais
movimentos independentistas do período, foi realizada por teressados em ampliar sua presença comercial na região.
escravos e resultou na criação do único Estado negro das b) tiveram claro caráter popular, expresso na realização, após a
Américas no século XIX. emancipação, de reformas sociais profundas.
c) impediram a modernização das economias coloniais e reduziram a
participação dos países da região no comércio internacional.
d) asseguraram a manutenção da unidade territorial e impediram a
fragmentação política da América Espanhola.
e) foram dirigidas, na maior parte dos casos, pelas elites criollas, em-
bora tenham contado com participação popular.

RESOLUÇÃO:
Tentativas de emancipação das colônias hispano-americanas
comandadas por líderes estranhos à elite agrária colonial fracas-
saram, como ocorreu com Tupac Amaru no Peru, Tupac Katari no
Alto Peru, Hidalgo e Morelos no México. Os movimentos vitoriosos
com aquela finalidade, na América Hispânica, foram todos dirigidos
por membros da aristocracia criolla, com destaque para o
venezuelano Bolívar e o argentino San Martín.
Resposta: E

8–
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4. (UFJF) – A respeito do processo de independência da América


Espanhola, é incorreto afirmar que MÓDULO 25
a) a dominação napoleônica levou à reorganização do comércio das co-
lônias, favorecendo a desarticulação do Pacto Colonial e a implanta-
CAUDILHISMO E HEGEMONIA
ção de práticas comerciais mais livres.
b) a Inglaterra ofereceu apoio à independência das colônias espanholas,
BRITÂNICA NA AMÉRICA LATINA
pois via na região uma possibilidade de ampliar mercados para seus
produtos industriais.
c) os índios lutaram contra a independência e pela manutenção do tra- 1. (UNESP) – “Além disso, brotavam na América os interesses
balho compulsório, pois viam no Pacto Colonial a única maneira de regionais privilegiados das classes criollas, exportadoras e latifundiárias,
preservar suas atividades econômicas. que geralmente, em relação ao Império Britânico, só pensavam em
d) os criollos pretendiam romper o “exclusivo” colonial, mas não dese- romper com a Espanha para poderem enriquecer à vontade.”
javam promover alterações na estrutura econômica dos novos (Jorge Abelardo Ramos, História da Nação Latino-Americana.)
Estados hispano-americanos.
e) a irrupção de uma revolta liberal na Espanha, em 1823, dificultou o Baseando-se na análise do autor, responda:
envio de tropas metropolitanas para as colônias, favorecendo a luta a) Que relação pode ser estabelecida entre as classes criollas da
pela independência. América e o Império Britânico?
b) Aponte uma diferença entre os processos de independência da
RESOLUÇÃO: América Espanhola e do Brasil.
Houve setores indígenas que efetivamente lutaram contra a inde-
pendência, apoiando os espanhóis. Esse fato, porém, deveu-se RESOLUÇÃO:
principalmente à má disposição dos camponeses índios em relação a) A independência das colônias hispano-americanas possibilitaria,
aos criollos que os exploravam. Ademais, as formas de trabalho para as classes criollas e para o Império Britânico, uma
compulsório (mita e encomienda) já haviam sido abolidas, no considerável ampliação de seus lucros, graças ao fim da
decorrer das reformas implantadas no reinado do “déspota intermediação metropolitana imposta pelo “exclusivo”
esclarecido” Carlos III (1759-88). comercial. Os ingleses, especialmente, ampliariam o mercado
Resposta: C para seus produtos e obteriam matérias-primas mais baratas.
b) Enquanto na América Espanhola o processo de independência
se deu por meio de uma guerra prolongada, foi adotada a forma
de governo republicana (exceto no México, por um breve
período) e ocorreu fragmentação territorial, no Brasil o processo
emancipacionista foi quase pacífico, adotou-se a forma
monárquica de governo e se preservou a unidade territorial do
País.
5. (UNESP) – “Os donos das terras e os grandes mercadores
aumentaram suas fortunas, enquanto se ampliava a pobreza das massas
populares oprimidas. A América Latina logo teve suas Constituições
burguesas, envernizadas pelo liberalismo. A burguesia dessas terras
nasceu como simples instrumento do capitalismo internacional.”

(Eduardo Galeano. As veias abertas da América Latina.)

A partir do texto, é possível afirmar que


a) as indústrias da América Latina independente tornaram-se competi-
tivas em relação às britânicas no mercado internacional.
b) a América Latina independente caracterizou-se pela igualdade, pelas
leis autoritárias e pelo desenvolvimento nacional autônomo.
c) os Estados latino-americanos criaram leis baseadas na autonomia
econômica em relação ao capital externo.
d) a independência latino-americana manteve a economia dependente
do mercado externo e aprofundou as desigualdades sociais.
e) a burguesia latino-americana lutou pela autonomia política e econô-
mica em relação ao capital internacional.

RESOLUÇÃO:
Questão dependente apenas da interpretação do texto apresen-
tado. É conveniente, porém, ressaltar que o autor confunde a
burguesia latino-americana (enriquecida após a independência)
com a elite aristocrática de origem colonial, que preservou e
ampliou seu poder após a emancipação em relação à Espanha.
Resposta: D

–9
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2. (UNESP) – “Os donos da terra e os grandes mercadores 4. (UNESP) – O caudilhismo é um fenômeno político hispano-ameri-
aumentaram suas fortunas, enquanto se ampliava a pobreza das massas cano do século XIX, que se associa
populares oprimidas. A América Latina logo teve suas Constituições a) às guerras civis entre unitários e federalistas durante o processo de
burguesas, envernizadas pelo liberalismo. A burguesia dessas terras formação dos Estados nacionais.
nasceu como simples instrumento do capitalismo internacional. b) à resistência contra o intervencionismo norte-americano, sobretudo
no Caribe e na América Central.
(Eduardo Galeano, As veias abertas da América Latina.)
c) aos pensadores liberais que defenderam a emancipação política e
econômica do continente.
A partir do texto, é possível afirmar que d) às lideranças militares que atuaram nas guerras de independência e
a) as indústrias da América Latina independente passaram a competir propuseram a unificação do continente.
com as britânicas, nos mercados internacionais, em condições de e) ao temor, manifestado sobretudo na região do Prata, de que o
relativo equilíbrio. Império Brasileiro se expandisse militarmente para o sul.
b) a América Latina independente caracterizou-se pela igualdade de
direitos entre os cidadãos, pelas leis autoritárias e pelo desenvolvi- RESOLUÇÃO:
mento econômico. A questão procura explicar o caudilhismo hispano-americano do
c) os Estados nacionais independentes criaram leis baseadas nos século XIX como um fenômeno político-ideológico que opunha
defensores do unitarismo (ou centralismo) e do federalismo
princípios democráticos e na autonomia econômica em relação ao
(autonomia regional). Todavia, seria conveniente lembrar que
capital externo. muitos caudilhos agiam por meras ambições pessoais ou — no
d) a independência da América Latina preservou a economia colonial caso dos caudilhos rurais mexicanos — por motivação social.
dependente do mercado externo e aprofundou as desigualdades Resposta: A
sociais.
e) as burguesias latino-americanas lutaram por sua autonomia política
e econômica como forma de escapar ao predomínio do capital
internacional.

RESOLUÇÃO:
Questão dependente apenas da interpretação do texto apresen- 5. (PUC-Rio) – Ao longo do século XIX, a tensão entre forças
tado. É conveniente, porém, ressaltar que o autor confunde a
descentralizadoras e centralizadoras caracterizou as relações políticas
burguesia latino-americana (enriquecida após a independência)
com a elite aristocrática de origem colonial, que preservou e em boa parte dos países latino-americanos libertados do jugo colonial.
ampliou seu poder com a independência. Sobre essas relações, é correto afirmar que,
Resposta: D a) na maioria das antigas possessões espanholas e portuguesas na
América, o aumento das disputas regionais intensificou o
caudilhismo e favoreceu a solução federalista.
b) nas regiões de colonização ibérica, ocorreu a intensificação dos con-
flitos entre republicanos e democratas, cabendo aos primeiros a de-
fesa de um maior controle por parte do Governo federal.
c) nas regiões da América Central e Caribe, a redução generalizada do
3. (FUVEST) – Os Estados nacionais que se organizaram entre 1820 e comércio e da indústria decorreu das guerras fratricidas promovidas
1850, no Brasil e na América Espanhola, eram semelhantes quanto à pelos intervencionistas ingleses.
a) organização da sociedade e diferentes com relação à posição d) nos países andinos, a crise sem precedentes que atingiu o fede-
adotada sobre a escravidão negra. ralismo republicano esteve relacionada com o surgimento de
b) decisão de abolir imediatamente a escravidão e diferentes com monarquias constitucionais e governos ditatoriais.
relação à defesa das propriedades indígenas. e) na Argentina, as disputas entre os caudilhos foram sucedidas pela
c) vontade de participar do comércio internacional e diferentes quanto consolidação do domínio dos unitários, favoráveis à centralização
à adoção de regimes políticos. política e alfandegária em torno de Buenos Aires.
d) defesa do acesso à terra para os camponeses e diferentes com
relação à submissão à Igreja Católica. RESOLUÇÃO:
e) defesa do sufrágio universal e diferentes com relação às práticas do A evolução política da Argentina no século XIX pode ser
liberalismo econômico. considerada um paradigma do que ocorreu nos demais países da
América Latina ao longo do século XIX: dos conflitos entre
unitários e federalistas, emergiu uma ordem político-administrativa
RESOLUÇÃO:
favorável aos primeiros. No Brasil, a estrutura centralizadora
Ao longo do século XIX, o Brasil e os Estados hispano-americanos
alcançada pelo regime imperial foi modificada pelo advento da
alinharam-se dentro da divisão internacional do trabalho,
República, em 1889, que implantou no País um sistema federativo
posicionando-se no comércio mundial como áreas periféricas,
favorável ao poder das oligarquias regionais.
fornecedoras de matérias-primas e consumidoras de produtos
Resposta: E
industrializados. Essa semelhança, porém, não se estendeu a seus
regimes políticos (liberais ou autoritários), nem a suas estruturas
político-administrativas (federalistas ou unitárias) ou a suas formas de
governo (monárquica no Brasil e republicana na América Espanhola –
exceto o México, que adotou a monarquia de 1822 a 1823).
Resposta: C

10 –
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2. (UNESP) – O Brasil assistiu, nos últimos meses de 1822 e na


MÓDULO 26 primeira metade de 1823,
a) ao reconhecimento da independência brasileira pelos Estados
Unidos, pela Inglaterra e por Portugal.
POLÍTICA INTERNA DO PRIMEIRO REINADO b) ao esforço do imperador para impor seu poder às províncias que não
haviam aderido à Independência.
c) à libertação da Província Cisplatina, que se tornou independente e
recebeu o nome de Uruguai.
1. (UNICAMP – Adaptado) d) à unificação pacífica de todas as partes do território nacional, sob a
liderança do governo central, sediado no Rio de Janeiro.
“Passar de Reino a Colônia e) à confirmação, pelas Cortes Portuguesas e pela Assembleia
É desaire [vexame], é humilhação Constituinte, do poder constitucional do imperador.
Que sofrer jamais podia
Brasileiro de coração. RESOLUÇÃO:
A questão trata da Guerra de Independência que se seguiu ao Grito
do Ipiranga, de 7 de setembro de 1822. Essa luta está relacionada
A estrofe reflete o temor vivido no Brasil depois do retorno de D. João com a recusa de cinco províncias integrantes do Reino do Brasil,
VI a Portugal, em 1821. Apesar de seu filho Pedro ter ficado como cujas juntas governativas eram controladas por portugueses, em
regente, acirrou-se o antagonismo entre ‘brasileiros’ e ‘portugueses’ até aceitar a autoridade de D. Pedro, fosse como príncipe regente
(antes do 7 de setembro), fosse como imperador. As províncias
que, em dezembro de 1821, as Cortes de Portugal determinaram o
insubmissas eram Pará, Maranhão, Piauí, Bahia e Cisplatina. No
retorno do príncipe. Se ele acatasse a ordem, tudo poderia acontecer, Piauí, as tropas portuguesas, isoladas no interior, foram as
inclusive, como dizia D. Leopoldina, ‘uma confederação de povos com primeiras a capitular. O Maranhão e o Pará foram submetidos,
sistema democrático, como nos Estados Unidos da América’.” respectivamente, por Cochrane e Grenfell, mercenários britânicos
a serviço do Império Brasileiro. Na Bahia, onde a resistência lusa foi
(Adaptado de Eduardo Schnoor, “Senhores do Brasil”, Revista de mais tenaz, as forças brasileiras somente triunfaram em 2 de julho
História da Biblioteca Nacional, n.o 48. Rio de Janeiro, de 1823. Entretanto, o examinador deve ter esquecido que na
set. 2009, p. 36.) Cisplatina (então parte integrante do Brasil) as tropas portuguesas
capitularam somente em 2 de março de 1824, encerrando a Guerra
de Independência.
a) Identifique os riscos temidos pelas elites brasileiras com o retorno de Resposta: B
D. João VI a Lisboa e a pressão das Cortes para que D. Pedro
retornasse a Portugal.
b) Explique o que foi a Confederação do Equador.

RESOLUÇÃO: 3. (FUVEST) – Podemos afirmar que, tanto na Revolução


a) As elites brasileiras temiam que o País fosse reconduzido à Pernambucana de 1817 quanto na Confederação do Equador de 1824,
condição de colônia, visto que, com o retorno de D. João VI a a) o descontentamento com as barreiras econômicas vigentes foi
Portugal, deixara de ser a sede do Reino Unido. Quanto às decisivo para a eclosão dos movimentos.
Cortes de Lisboa, seu projeto recolonizador passava
b) os proprietários rurais e os comerciantes monopolistas estavam
necessariamente pela volta de D. Pedro para Portugal, pois a
condição do príncipe como regente do Brasil fazia deste último entre as principais lideranças dos movimentos.
parte integrante do Reino Unido, o que inviabilizava sua volta c) a proposta de uma república era acompanhada de um forte
ao estatuto de mera colônia portuguesa. sentimento antilusitano.
b) Revolução irrompida em Pernambuco em 1824, como reação ao d) a abolição imediata da escravidão constituía-se numa de suas
autoritarismo de D. Pedro I, manifestado nos episódios da
principais bandeiras.
dissolução da Constituinte e da outorga da Constituição do
Império. Foi um movimento de cunho liberal, separatista, e) a luta armada ficou restrita ao espaço urbano do Recife, não se
republicano, federalista e lusófobo, tendo Frei Caneca como espalhando pelo interior.
líder mais destacado. Estendeu-se às províncias vizinhas, mas
foi duramente reprimido pelo governo imperial. RESOLUÇÃO:
Todas as grandes rebeliões irrompidas em Pernambuco (Revolução
de 1817, Confederação do Equador de 1824 e também a Revolução
Praieira de 1848) no século XIX tiveram caráter republicano,
federalista, liberal e antilusitano (nesse último caso, refletiam a
aversão aos comerciantes portugueses do Recife, herdada da
Guerra dos Mascates).
Resposta: C

– 11
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4. (UNIFESP) – Após proclamar sua emancipação política em 1822, o 5. (UNICID) – “Adotando esse quarto poder – concebido pelo pensador
Estado Brasileiro franco-suíço Benjamin Constant como a ‘autoridade vigilante’, a ‘guarda
a) surgiu pronto e acabado em razão da continuidade dinástica, ao da Constituição’, o ‘baluarte da liberdade pública’ –, a monarquia
contrário dos demais países da América do Sul. constitucional no Brasil se distinguia das existentes na Europa.”
b) sofreu uma prolongada e difícil etapa de consolidação, tal como
(Maria de Lourdes Lyra. O Império em construção:
ocorreu com os demais países da América do Sul.
Primeiro Reinado e Regências, 2000.)
c) vivenciou, tal como ocorreu com o México, um longo período
monárquico e uma curta ocupação estrangeira.
A distinção mencionada no texto é explicada pelo fato de que, no Brasil,
d) desconheceu guerras externas e conflitos internos, ao contrário do
“esse quarto poder”
que ocorreu com os Estados Unidos.
a) possibilitou aos cidadãos limitar o poder de decisão do imperador.
e) apresentou, tal como a Argentina, uma estrutura que tendia ao
b) permitiu que os outros poderes fossem fortalecidos.
republicanismo, apesar da forma de governo monárquica.
c) assegurou o pleno exercício do liberalismo político no Império.
d) garantiu ao imperador o direito de intervir nos demais poderes.
RESOLUÇÃO:
No Brasil, como nos demais países da América do Sul, as décadas e) enfraqueceu o centralismo presente nos reinos absolutistas.
que se seguiram à independência foram marcadas por intensos
conflitos internos. Estes podiam ser de caráter regional, mas, na RESOLUÇÃO:
maioria dos casos, resultavam do antagonismo entre centralistas O Poder Moderador, de uso exclusivo e pessoal do imperador,
(unitaristas) e federalistas. garantia-lhe o direito de intervir nos outros três poderes,
Resposta: B nomeando senadores, magistrados, e podendo dissolver a Câmara
dos Deputados.
Resposta: D

12 –
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2. (UNESP – Adaptado) – A respeito do processo que permitiu o


MÓDULO 27 reconhecimento da independência do Brasil, é correto considerar
a) o importante acordo entre o Brasil e a República Argentina, que
apoiou a emancipação brasileira com a condição de que o Uruguai se
POLÍTICA EXTERNA
tornasse independente.
DO PRIMEIRO REINADO E ABDICAÇÃO b) o empenho político do governo norte-americano na intermediação
entre o Brasil e Portugal, garantindo um reconhecimento rápido e
sem compensações.
1. (UERJ – Adaptado) c) a ação da diplomacia francesa, que exigiu dos portugueses o ime-
“Meu querido filho e Imperador. diato reconhecimento da independência brasileira, sob a ameaça de
Deixar filhos, Pátria e amigos, não pode haver maior sacrifício; mas levar romper acordos com Portugal.
a honra ilibada, não pode haver maior glória. Lembre-se sempre de seu d) a incisiva interferência diplomática espanhola, que condicionou o
pai, ame a sua e a minha Pátria, siga os conselhos que lhe derem reconhecimento da emancipação do Brasil ao imediato fim do tráfico
aqueles que cuidarem de sua educação, e conte que o mundo o há de de escravos para o País.
admirar. Eu me retiro para a Europa: assim é necessário para que o Brasil e) a participação da Inglaterra, interessada em garantir as vantagens
sossegue, e que Deus permita, e possa para o futuro chegar àquele grau comerciais já obtidas no Brasil, além de mediar o reconhecimento
de prosperidade de que é capaz. Adeus, meu amado filho, receba a da nova nação por Portugal.
bênção de seu pai que se retira saudoso e sem mais esperanças de o
ver.” RESOLUÇÃO:
(<revistadehistoria.com.br>.Trechos da carta de despedida de A Inglaterra atuou no reconhecimento da independência brasileira
D. Pedro I a seu filho Pedro II, 12 abr.1831.) em seu próprio nome e no de Portugal – tarefa que foi concluída em
janeiro de 1826, mediante a assinatura de um acordo com o Brasil.
Além de estipular o pagamento de uma indenização a Portugal, o
Ainda permanece a imagem de Pedro I como o responsável maior pela
negociador britânico conseguiu que o Brasil renovasse
independência política do Brasil. Contudo, nove anos após o 7 de parcialmente os tratados anglo-portugueses de 1810, prometendo
setembro de 1822, o imperador abdicou de seu trono e retornou à extinguir o tráfico negreiro e prorrogando por 15 anos as tarifas
Europa. A instabilidade política e econômica foi a marca de seu breve aduaneiras preferenciais para os produtos ingleses.
reinado. Resposta: E
a) Cite um setor da sociedade brasileira da época que se opunha à
manutenção do governo de Pedro I e uma razão para essa oposição.
b) Aponte um motivo para a instabilidade econômica que caracterizou
esse governo.

RESOLUÇÃO:
a) Aristocracia rural, interessada em assumir o poder político e
cujas tendências liberais se chocavam com o autoritarismo/
absolutismo de D. Pedro I.
b) – Crise da exportação de produtos agrícolas, notadamente
açúcar e algodão.
– Despesas com a administração do Império e com a Guerra da
Cisplatina contra a Argentina.

– 13
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3. (FUVEST) – Sobre a dívida externa do Brasil independente, é certo 4. (MACKENZIE) – “Como em 1822, a união contra o perigo comum
afirmar que começou a ser contraída levou de vencida os adversários. O 7 de Abril aparece como o
a) nos primeiros anos da República, por iniciativa do Ministro Ruy Bar- complemento necessário do 7 de Setembro.”
bosa, preocupado com a escassez monetária.
(Carlos Guilherme Mota. 1822 – Dimensões.)
b) por ocasião da Guerra do Paraguai, para financiar os enormes gastos
decorrentes do conflito. O “perigo comum” e “o complemento” referidos no texto seriam,
c) logo após a Independência, destinando-se o primeiro empréstimo a respectivamente,
indenizar Portugal pela perda da colônia. a) a ameaça de recolonização, representada pela atuação do “Partido
d) quando se implantaram os primeiros planos de valorização do café, Português”, e a abdicação de D. Pedro I.
a partir do convênio firmado em Taubaté, em 1906. b) a oposição dos grandes proprietários à Independência e, depois, a
e) logo após a Revolução de 1930, para enfrentar o abalo financeiro pressão deles para que D. Pedro I abdicasse.
resultante da crise de 1929. c) o apoio dos democratas do “Partido Brasileiro”, em ambas as
ocasiões, à política absolutista de D. Pedro I.
RESOLUÇÃO:
d) a união entre a Maçonaria e o Apostolado para tentar implantar a
A história da dívida externa brasileira tem sua origem logo após a
Independência. Para ter sua emancipação reconhecida por Portu- República naqueles dois momentos históricos.
gal, o Brasil pagou à ex-metrópole 2 milhões de libras esterlinas, e) a coincidência dos projetos de nação entre as elites portuguesa e
emprestadas pela Inglaterra. Aquele valor correspondia a parte da brasileira, em ambas as oportunidades.
dívida externa de Portugal para com a própria Inglaterra (1,4 milhão
de libras) e a uma indenização pela perda das propriedades de D. RESOLUÇÃO:
João VI no Brasil. Note-se que todas essas negociações foram A abdicação de D. Pedro I (que tinha certos direitos ao trono de
intermediadas pelos ingleses. Portugal) eliminou definitivamente a possibilidade de reunificação
Resposta: C das duas Coroas e, eventualmente, de se recolonizar o Brasil. Essa
tentativa já fora ensaiada pelas Cortes de Lisboa em 1822, tendo
sido frustrada pelo Movimento da Independência.
Resposta: A

5. (FUVEST) – A economia brasileira, durante o Período Monárquico,


caracterizou-se fundamentalmente
a) pela diversificação da produção agrícola e pelo incentivo gover-
namental ao setor de serviços.
b) pelo estímulo à imigração italiana e espanhola e pelo fomento à
incipiente indústria.
c) pela regionalização econômica e pelo controle do Estado sobre o
sistema bancário nacional.
d) pela produção destinada ao mercado externo e pela busca de
investimentos internacionais.
e) pela convivência da mão de obra escrava com a imigrante e pelo
controle do déficit público.

RESOLUÇÃO:
A economia do Brasil no Período Monárquico foi marcada pelo
aumento das exportações e pelo crescente endividamento externo,
causado pelos empréstimos internacionais – principalmente
ingleses – contraídos pelo País. Aliás, o Brasil Império recorreu
muito mais ao capital estrangeiro para financiar as despesas
governamentais do que para buscar investimentos em atividades
produtivas.
Resposta: D

14 –
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2. (FATEC) – Analise as proposições a seguir, relativas ao Período


MÓDULO 28 Regencial.
I. A Constituição de 1824 previa a eleição de um regente, caso o
imperador estivesse impossibilitado de governar. Como o herdeiro
OS GOVERNOS REGENCIAIS de D. Pedro I era menor de idade, a Assembleia Geral viu-se forçada
a eleger tal regente.
II. Pelo Ato Adicional de 1834, substituiu-se a Regência Una por uma
Regência Trina, foi retirada a autonomia das províncias e criado o
1. (UNICAMP) – “O imperador D. Pedro II era um mito antes de ser Conselho de Estado.
realidade. Responsável desde pequeno, pacato e educado, suas III. Surgiram três correntes políticas: a dos moderados (que reivindi-
imagens constroem um príncipe diferente de seu pai, D. Pedro I. Não se cavam autonomia para as províncias), a dos restauradores (que eram
esperava do futuro monarca que tivesse os mesmos arroubos do pai, a favor da monarquia e da centralização administrativa) e a dos
nem a imagem de aventureiro, da qual D. Pedro I não pôde se exaltados (que tinham como objetivo o retorno de D. Pedro I ao trono
desvincular. A expectativa de um imperador capaz de garantir segurança imperial).
e estabilidade ao Brasil era muito grande. Na imagem de um monarca
maduro, buscava-se unificar um país muito grande e disperso.” Assinale a alternativa correta.
a) Somente as proposições I e II são verdadeiras.
(Lilia Moritz Schwarcz, As barbas do imperador: b) Somente as proposições I e III são verdadeiras.
D. Pedro II, um monarca nos trópicos. São Paulo: c) Somente as proposições II e III são verdadeiras.
Companhia das Letras, 2006, p. 64, 70, 91. Adaptado.) d) Todas as proposições são verdadeiras.
e) Todas as proposições são falsas.
a) Segundo o texto, quais os significados políticos da construção de
uma imagem de D. Pedro II que o diferenciasse de seu pai? RESOLUÇÃO:
A proposição I é falsa porque, na falta de um regente pertencente à
b) Que características do Período Regencial ameaçavam a estabilidade
Família Imperial, a Constituição de 1824 previa a eleição de uma
do País? Regência Trina. A proposição II é falsa porque o Ato Adicional de
1834 substituiu a Regência Trina pela Regência Una, concedeu certa
RESOLUÇÃO: autonomia às províncias, por meio das assembleias legislativas
a) Segundo o texto, a construção da imagem de D. Pedro II como provinciais, e suprimiu o Conselho de Estado. A proposição III é falsa
um imperador moderado e equilibrado correspondia à expecta- porque os moderados defendiam a monarquia e a centralização
tiva de que o Brasil, no Segundo Reinado, superaria as agitações administrativa, os restauradores pretendiam a volta de D. Pedro I e
e crises do Primeiro Reinado e do Período Regencial, consoli- os exaltados reivindicavam autonomia para as províncias.
dando sua unidade e alcançando enfim a estabilidade política e Resposta: E
social.
b) O Período Regencial (1831-40) configurou-se como um desdo-
bramento da crise do Primeiro Reinado, caracterizando-se pelo
agravamento das tensões políticas e sociais. Os principais
fatores responsáveis pela crise regencial foram: a cisão da classe
dominante entre liberais moderados (então no poder), de
tendência centralizadora, e os liberais exaltados, partidários do
federalismo e, no limite, até do republicanismo; e as inúmeras
rebeliões do período, das quais as mais importantes tinham
caráter francamente separatista (Farroupilha e Sabinada) ou
refletiam anseios das camadas subalternas (Cabanagem,
Balaiada e Malês).

– 15
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3. (UNESP) – Os artigos seguintes foram extraídos do Ato Adicional 5. (FUVEST) – “Nossas instituições vacilam, o cidadão vive receoso,
de 1834, que alterou a Constituição de 1824. assustado; o governo consome o tempo em vãs recomendações. O
vulcão da anarquia ameaça devorar o Império: aplicai a tempo o
“Art. 1.o O direito reconhecido e garantido pelo art. 71 da Constituição remédio.”
será exercido pelas Câmaras dos Distritos e pelas Assembleias que, (Padre Antonio Feijó, em 1836.)
substituindo os Conselhos Gerais, se estabelecerão em todas as
A reflexão de Feijó pode ser explicada como uma reação à
Províncias com o título de Assembleias Legislativas Provinciais.
a) revogação da Constituição de 1824, que não disponibilizava os instru-
...
mentos adequados à manutenção da ordem.
Art. 32.o Fica suprimido o Conselho de Estado.”
b) intervenção armada brasileira na Argentina, que não teve apoio
(Coleção das Leis do Império do Brasil de 1834.)
popular e causou grandes distúrbios nas fronteiras.
c) disputa pelo poder entre São Paulo, importante centro econômico, e
A legislação do Ato Adicional resultou
Rio de Janeiro, sede do governo.
a) da hegemonia política do “Partido Português”, que impôs seus inte-
d) eclosão de rebeliões regionais, entre elas a Cabanagem, no Pará, e
resses aos demais partidos do Período Regencial.
a Farroupilha, no Rio Grande do Sul.
b) de negociações entre moderados, exaltados e restauradores, com
e) crise decorrente do declínio da produção cafeeira, que provocou
concessões para cada uma dessas facções políticas.
descontentamento entre os proprietários rurais.
c) das práticas autoritárias dos regentes, que pretendiam insistir nem
uma política de caráter centralizador.
RESOLUÇÃO:
d) da hegemonia dos grupos políticos defensores da escravidão e da O Padre Feijó, que já se notabilizara como defensor da ordem
diversificação de nossas exportações. instituída quando ministro da Justiça e criador da Guarda Nacional,
e) da forte pressão popular exercida pelas rebeliões regenciais, em em 1836 era regente único do Império. Nessa condição, coube-lhe
especial a Praieira, ocorrida em Pernambuco. enfrentar (mas não debelar) dois importantes movimentos
insurrecionais que se opunham ao centralismo do governo do Rio
de Janeiro: a Revolução Farroupilha, no Rio Grande do Sul, e a
RESOLUÇÃO:
Cabanagem, no Pará.
Alternativa escolhida por eliminação, pois o Ato Adicional foi muito
Resposta: D
mais uma produção dos liberais moderados, que controlavam o
poder, do que o resultado de amplas negociações políticas. Certos
aspectos liberalizantes do Ato, como a eleição de um regente uno
por voto direto e a criação de Assembleias Legislativas Provinciais,
foram de fato medidas que visavam acalmar os exaltados.
Entretanto, não alcançaram seu objetivo, pois a autonomia
provincial continuou a ser uma expectativa frustrada, pois as
decisões daqueles órgãos poderiam ser vetadas pelos presidentes
das províncias (nomeados pelo governo do Rio de Janeiro).
Resposta: B

4. (FGV) – Analise as proposições a seguir, referentes ao Período


Regencial.
I. As elites nacionais reformaram o aparelho institucional, concedendo
certa autonomia às províncias.
II. O período foi convulsionado por revoltas, entre elas a Farroupilha e
a Sabinada.
III. D. Pedro II sucedeu ao pai e, ao assumir o trono, introduziu reformas
no sistema escravista.
IV. O exercício do Poder Moderador, pelos regentes e pelo Exército,
conferiu estabilidade ao regime.
Assinale a alternativa correta.
a) Apenas as proposições I e II são verdadeiras.
b) Apenas as proposições I e III são verdadeiras.
c) Apenas as proposições I e IV são verdadeiras.
d) Apenas as proposições II e III são verdadeiras.
e) Apenas as proposições II e IV são verdadeiras.

RESOLUÇÃO:
A proposição III é falsa porque D. Pedro II, sendo menor de idade
durante o Período Regencial, não dispunha de poderes para
interferir na estrutura institucional do País. A proposição IV é falsa
porque, além de o Exército não ter influência na política regencial
e o período se caracterizar por uma enorme instabilidade, o
exercício do Poder Moderador foi vedado aos regentes por uma lei
de 1831, conhecida como “Lei da Regência”.
Resposta: A

16 –
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os gaúchos pelo controle do mercado interno de charque.


MÓDULO 29 c) a dificuldade de controlar e vigiar a fronteira sul do Império, devido
à constante ameaça dos descendentes de espanhóis.
d) a proteção ao charque rio-grandense, evitando a concorrência do
AS REBELIÕES REGENCIAIS charque estrangeiro e garantindo os baixos preços locais.
e) a destruição das lavouras gaúchas pelas guerras de independência na
Região do Prata e a decorrente redução da produção agrícola.

1. (PUC-RIO) – “Rebeldes, verdadeiros ou supostos, eram procurados RESOLUÇÃO:


por toda parte e perseguidos como animais ferozes. Metidos em troncos Como as outras grandes rebeliões do Período Regencial, a
Revolução Farroupilha irrompeu fundamentalmente contra o
e amarrados, sofriam suplícios bárbaros que muitas vezes lhes
centralismo que, apesar do Ato Adicional de 1834, continuava a
ocasionavam a morte. Houve até quem considerasse como padrão de nortear o governo do Rio de Janeiro (controlado por SP, MG, RJ, BA
glória trazer rosários de orelhas secas de cabanos.” e PE) em suas relações com as províncias do Império. Inicialmente
federalista, o movimento dos Farrapos adquiriu caráter republicano
(Relato de Domingos Raiol acerca da repressão à Cabanagem.) e separatista em 1836. Como fator adicional para a revolta dos
gaúchos, deve-se ainda considerar o descontentamento causado
pela taxação sobre o charque
“Reverendo! Precedeu este triunfo derramamento de sangue brasileiro.
rio-grandense, mais elevada do que a cobrada sobre o produto
Não conto como troféu desgraças de concidadãos meus, guerreiros vindo do Uruguai*.
dissidentes, mas sinto suas desditas e choro pelas vítimas como um *Essa política econômica aparentemente esdrúxula visava granjear o apoio
pai pelos seus filhos. Vá, reverendo, vá! Em lugar de Te Deum, celebre dos charqueadores uruguaios ao Partido Colorado, mais flexível aos
interesses brasileiros no Uruguai.
uma missa de defuntos, que eu, com meu estado maior e a tropa que
Resposta: A
em sua igreja couber, irei amanhã ouvi-la, pela alma de nossos irmãos
iludidos que pereceram no combate.”

(Barão de Caxias, no Rio Grande do Sul, 1844.)

Os textos apresentam testemunhos sobre a repressão empreendida


pelas autoridades a duas revoltas ocorridas no Império do Brasil: a
Cabanagem (Grão-Pará, 1835-40) e a Farroupilha (Rio Grande do Sul,
1835-45). A partir da análise desses testemunhos,

a) identifique os segmentos sociais predominantes na Cabanagem e


na Farroupilha.
b) explique por que os dirigentes do Estado Imperial trataram de forma
diferenciada os rebeldes envolvidos na Cabanagem e na Farroupilha.

RESOLUÇÃO:
a) Na Cabanagem, a população pobre, composta majoritariamente
por mestiços e índios, que vivia em cabanas às margens dos rios
da região. Na Farroupilha, a elite proprietária, formada por
estancieiros e charqueadores, e os segmentos dela dependentes.
b) Na Cabanagem, os rebeldes pertenciam às camadas populares
e eram vistos como uma ameaça à ordem aristocrática vigente.
Na Farroupilha, como os rebeldes pertenciam à elite fundiária,
interessava ao governo imperial cooptá-los e reintegrá-los na
formação social brasileira.

2. (UNESP-Adaptado) – A Revolução Farroupilha foi um dos


movimentos armados contrários ao poder central ocorridos no Período
Regencial (1831-40). O movimento dos Farrapos teve algumas
particularidades, quando comparado aos demais. Entre os motivos da
Revolução Farroupilha, podemos citar
a) o desejo dos rio-grandenses por maior autonomia política e
econômica, frente ao poder imperial sediado no Rio de Janeiro.
b) a incorporação da Província Cisplatina, que passou a concorrer com

– 17
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3. (FGV-Adaptado) – A Farroupilha foi uma revolta 5. (MACKENZIE) – Com relação à Revolta dos Malês, ocorrida na Bahia
a) separatista, que contou com o apoio dos cafeicultores paulistas, em 1835 e considerada a principal rebelião urbana de escravos no Brasil,
interessados no mercado da Região do Prata. podemos afirmar que
b) popular, que tinha como objetivo o fim da escravidão no Brasil e o a) foi dirigida por uma sociedade secreta denominada “Malês”, de ori-
rompimento de relações com a Inglaterra. gem angolana e etnicamente homogênea, que conseguiu mobilizar
c) popular, que, por ameaçar a ordem social do Império, teve seus os escravos da capital baiana.
líderes condenados à pena capital. b) foi organizada por lideranças principalmente brancas, originárias dos
d) socialista, liderada por Giuseppe Garibaldi, que pretendia estabelecer círculos intelectuais, tendo mobilizado a maioria dos escravos
uma reforma agrária no Brasil. existentes na Bahia.
e) separatista, que proclamou a República no Rio Grande do Sul, em c) contou com lideranças exclusivamente negras, culturalmente islami-
1836, e em Santa Catarina, em 1839. zadas, e mobilizou milhares de escravos; mas foi delatada às auto-
ridades e fracassou.
RESOLUÇÃO: d) o movimento teve longa duração, pois suas ramificações estende-
Irrompida em 1835, a Revolução Farroupilha (ou Guerra dos ram-se pelo interior da Bahia e de outras províncias, onde criaram
Farrapos) foi inicialmente uma rebelião de estancieiros e
numerosos focos de resistência.
charqueadores contra o centralismo do Império Brasileiro. Diante
da impossibilidade de produzir uma mudança institucional no País, e) a rebelião teve um caráter social bastante amplo, pois congregou es-
os revoltosos, no ano seguinte, proclamaram a República cravos, libertos e brancos pobres em um movimento voltado para a
Rio-Grandense, independente do Império – mais conhecida como criação de uma democracia racial.
“República de Piratini”, por causa de sua capital. O movimento
revolucionário manteve o caráter separatista até sua capitulação RESOLUÇÃO:
diante das forças imperiais, em 1845. Em 1839, o liberal italiano A Revolta dos Malês, embora reprimida rapidamente, foi
Giuseppe Garibaldi, que se engajara nas forças republicanas, importante por se tratar do único projeto, na História do Brasil, de
invadiu Santa Catarina e proclamou em Laguna, no extremo sul da se criar um Estado formado exclusivamente por negros e mulatos,
província, a efêmera “República Juliana”. segundo o modelo haitiano.
Resposta: E Resposta: C

4. (UFAL) – Durante o Período Regencial, irromperam movimentos


políticos que colocaram em risco a unidade nacional e registrou-se o
primeiro ensaio de organização partidária. A intensa agitação social que
caracterizou alguns desses movimentos relaciona-se com
a) o caráter antidemocrático das reformas pretendidas pela facção
dos liberais exaltados.
b) a opressão e miséria em que viviam as camadas populares margi-
nalizadas pela elite agrária.
c) o pânico gerado entre os liberais moderados, contrários à volta de D.
Pedro I ao trono imperial.
d) a efetiva integração econômica entre as diversas províncias do
Império Brasileiro.
e) as aspirações das camadas urbanas, favoráveis ao centralismo
político-administrativo.

RESOLUÇÃO:
A opressão social, a marginalização política e a miséria, somadas
à concentração fundiária e à existência da escravidão, foram as
principais causas da Cabanagem no Pará, da Revolta dos Malês na
Bahia e da Balaiada no Maranhão, além de outras insurreições
menores.
Resposta: B

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2. (Adaptado) –
MÓDULO 30

POLÍTICA INTERNA DO SEGUNDO REINADO

1. (UNICAMP) – Em 1848, eclodiu em Pernambuco a Revolução


Praieira. Sobre esse movimento, responda:
a) Qual era a conjuntura europeia da época?
b) Quais as ideias que influenciaram a Revolução Praieira?

RESOLUÇÃO:
a) Onda de revoluções liberais e nacionalistas, conhecida como
“Primavera dos Povos”.
b) Liberalismo, republicanismo, antilusitanismo e, em menor grau,
o socialismo utópico. (F.R. Moreaux. Proclamação da Independência.
Disponível em: <www.tvbrasil.org.br.>. Acesso em: 14 jun. 2010.)

Retrato de D. Pedro II por MD Ferrez.

As imagens, que retratam D. Pedro I e D. Pedro II, procuram transmitir


determinadas representações políticas acerca dos dois monarcas e seus
contextos de atuação. A ideia que cada imagem evoca é, respectivamente,
a) Habilidade militar – riqueza pessoal.
b) Liderança popular – estabilidade política.
c) Instabilidade econômica – herança europeia.
d) Isolamento político – centralização do poder.
e) Nacionalismo exacerbado – inovação administrativa.

RESOLUÇÃO:
O primeiro quadro, pintado no Segundo Reinado (em 1844),
quando o Brasil já superara as vicissitudes do Primeiro Reinado e
caminhava para a estabilidade política, mostra D. Pedro I rodeado
e apoiado pelo povo – situação que se desfaria poucos anos após
a Proclamação da Independência. Quanto à segunda ilustração, que
retrata um D. Pedro II sereno e respeitável, pode ser interpretada
como uma alusão à aparente estabilidade do Império, nos anos que
antecederam a queda da Monarquia.
Resposta: B

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3. (PUC-Rio) – Durante o Período Imperial Brasileiro, instaurou-se uma 5. (UFMG) – Acerca do Segundo Reinado, é correto afirmar que
ordem política caracterizada pelo centralismo e unitarismo. Houve a) a alternância dos dois principais partidos no comando do Estado
contudo manifestações de contestação a essa ordem, destacando-se expressava o poder e a vontade política do Imperador.
aquelas que possuíam caráter separatista e a defesa de propostas de b) a supressão do Conselho de Estado foi compensada com a criação
maior autonomia para as províncias. do cargo de presidente do Conselho de Ministros.
Assinale a opção que identifica corretamente duas dessas revoltas. c) a eliminação do Poder Moderador, necessária para a implementação
a) Revolta dos Malês e Cabanagem. do “parlamentarismo às avessas”, estabilizou o regime.
b) Balaiada e Revolta do Vintém. d) o fortalecimento das elites locais nas províncias permitiu que fossem
c) Sabinada e Revolta do Quebra-Quilos. aprovadas leis de caráter descentralizador.
d) Guerra dos Farrapos e Revolução Praieira. e) as correntes federalistas, que haviam sido reprimidas no Período
e) Revolta da Chibata e Revolta da Vacina. Regencial, finalmente chegaram ao poder.

RESOLUÇÃO: RESOLUÇÃO:
A Farroupilha teve caráter separatista e inspiração republicana. A O exercício privativo do Poder Moderador fazia de Dom Pedro II o
Praieira enfatizou a autonomia provincial para Pernambuco. árbitro supremo da política brasileira. Para evitar que liberais ou
Resposta: D conservadores se tornassem hegemônicos, o imperador alternava-os
no governo, por meio do “parlamentarismo às avessas”.
Resposta: A

4. As “eleições do cacete”, realizadas em 1841, constituem uma


evidência de que, no Brasil Império,
a) o processo eleitoral era controlado pelas autoridades policiais, o que
assegurava a lisura dos pleitos.
b) o processo eleitoral funcionava dentro das regras democráticas, o
que faz daquelas eleições uma exceção.
c) o regime político era de caráter ditatorial, o que tornava as eleições
facilmente manipuláveis.
d) predominava o “voto de cabresto”, no qual o eleitor de baixa renda
se submetia à vontade do “coronel”.
e) apesar de censitário, o voto não era livre, pois os eleitores estavam
sujeitos a pressões.

RESOLUÇÃO:
No Brasil Imperial (e também durante a República Velha), o voto
era aberto, o que permitia, àqueles que estivessem no poder,
intimidar os eleitores, mesmo que estes – no caso do voto
censitário – pertencessem a um estrato mais elevado.
Resposta: E

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Assinale a alternativa correta.


MÓDULO 31 a) Apenas a proposição I é verdadeira.
b) Apenas a proposição II é verdadeira.
c) Apenas a proposição III é verdadeira.
EXPANSÃO CAFEEIRA E IMIGRAÇÃO EUROPEIA d) Apenas as proposições I e II são verdadeiras.
e) Apenas as proposições I e III são verdadeiras.

RESOLUÇÃO:
A proposição I é falsa porque a Lei de Terras não proibiu ninguém
1. (UNESP) – “É particularmente no Oeste da província de São Paulo de adquirir propriedades rurais por meio de compra; ao contrário,
estabeleceu que esta passaria a ser a única forma legítima de
– o Oeste de 1840, não o de 1940 – que os cafezais adquirem seu
acesso à terra (salvo doações de glebas devolutas nas áreas de
caráter próprio, emancipando-se das formas de exploração agrária fronteira). A proposição III é falsa porque, além de os imigrantes
estereotipadas desde os tempos coloniais no modelo clássico da lavoura europeus estarem sendo direcionados para a cafeicultura — e não
canavieira e do engenho de açúcar.” para a indústria —, o tráfico de escravos africanos acabara de ser
proibido pela Lei Eusébio de Queirós.
(Sérgio Buarque de Holanda. Raízes do Brasil, 1987.) Resposta: B

Cite duas semelhanças e duas diferenças significativas entre a


exploração agrária cafeeira no Oeste Paulista do século XIX e a que
predominou na lavoura canavieira no Nordeste Colonial.

RESOLUÇÃO: 3. (FATEC) – O sistema de parceria expandiu-se rapidamente pelo


Semelhanças: latifúndio, monocultura e direcionamento para
Oeste Paulista. A esse respeito, é correto afirmar que
exportação. Diferenças: na lavoura canavieira, predomínio do
escravismo e do transporte por meio de tração animal; na lavoura a) cada família de imigrantes recebia certo número de pés de café para
cafeeira do Oeste Paulista, predomínio da mão de obra livre e do cuidar, além de uma pequena área para cultivar alimentos, sendo o
transporte ferroviário. lucro repartido entre ela e o fazendeiro.
b) a convivência do escravo africano com o imigrante, na última década
do século XIX, foi bastante positiva para a expansão do café pelo
interior paulista.
c) os colonos gastavam mais do que ganhavam; por isso, estavam
constantemente endividados e acabaram por perder suas terras,
migrando para as cidades.
d) o fluxo de imigrantes para os cafezais brasileiros ficou assegurado
por muitos anos, graças à garantia de participação nos lucros das
fazendas de café.
2. (MACKENZIE) – “LEI N.o 601, DE 18 DE SETEMBRO DE 1850: e) cabia ao governo da província bancar os gastos de transporte,
D. Pedro II, por Graça de Deus e Unânime Aclamação dos Povos, instalação e manutenção dos colonos e suas famílias, durante o
Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil, primeiro ano de permanência no Brasil.
Fazemos saber, a todos os Nossos Súditos, que a Assembleia Geral
RESOLUÇÃO:
Decretou, e Nós Queremos, a Lei seguinte: Art. 1. Ficam proibidas as O sistema de parceria foi implantado pelo senador Nicolau Vergueiro
aquisições de terras devolutas por outro título que não seja o de compra. no interior de São Paulo, em 1847. A expansão desse sistema ocorreu
Excetuam-se as terras situadas nos limites do Império com países principalmente após 1850, em consequência do fim do tráfico de
estrangeiros em uma zona de 10 léguas, as quais poderão ser escravos africanos, num momento em que a produção cafeeira estava
em expansão. Nesse sistema, o colono/imigrante e o fazendeiro/
concedidas gratuitamente.”
proprietário deveriam dividir o lucro obtido pelo primeiro com os
cafeeiros sob sua responsabilidade. Na prática, o endividamento dos
O trecho transcrito reproduz o artigo 1.o de uma lei cuja importância foi colonos com os cafeicultores fazia com que todo o produto da
decisiva na definição da estrutura fundiária brasileira. Acerca dessa lei, atividade daqueles fosse apropriado por estes.
analise as proposições a seguir. Resposta: A
I. Instituiu um mecanismo legal que atendia aos interesses dos
grandes proprietários rurais brasileiros de impedir a compra de terras
por pequenos agricultores, em uma época de crescente afluxo de
imigrantes europeus para o Brasil.
II. Correspondeu à necessidade do Estado de regularizar a situação dos
registros de terras concedidas desde o Período Colonial e de legalizar
as terras ocupadas sem autorização oficial.
III. Com ela, o Império pretendia, ao dificultar a aquisição de terras por
imigrantes pobres, dirigi-los para a atividade industrial e promover,
nas áreas rurais, o emprego exclusivo de mão de obra escrava, cujo
comércio – controlado pelo Estado – florescia naquela época.

– 21
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4. – “Ninguém desconhece a necessidade que todos os 5. (UNESP-Adaptado) – “Ao lado do latifúndio, a presença da
fazendeiros têm de aumentar o número de seus escravidão freou a constituição de uma sociedade de classes, não tanto
trabalhadores. E como até há pouco supriam-se os porque o escravo esteja fora das relações de mercado, mas
fazendeiros dos braços necessários? As fazendas eram alimentadas pela principalmente porque excluiu delas os homens livres e pobres e deixou
aquisição de escravos, sem o menor auxílio pecuniário do governo. Ora, incompleto o processo de sua expropriação.”
se os fazendeiros se supriam de braços à sua custa, e se é possível
obtê-los ainda, posto que de outra qualidade, por que motivo não hão de (Maria Sylvia de Carvalho Franco. Homens livres na ordem
procurar alcançá-los pela mesma maneira, isto é, à sua custa?” escravocrata, 1983.)

(Resposta de Manuel Felizardo de Souza e Mello, diretor geral das Segundo o texto, que analisa a sociedade cafeeira no Vale do Paraíba no
Terras Públicas, ao Senador Vergueiro. In: , L. F. Alencastro (Org.) século XIX,
.História da vida privada no Brasil. São Paulo: Cia das Letras, 1998. a) a substituição do trabalho escravo pelo livre freou a constituição de
Adaptado.) uma sociedade de classes durante o período cafeeiro.
b) o imigrante e as classes médias mantiveram-se fora das relações
O fragmento do discurso dirigido ao parlamentar do Império refere-se às existentes na sociedade cafeeira, que era escravista.
mudanças então em curso no campo brasileiro, que confrontaram o c) o caráter escravista impediu a participação direta dos homens livres
Estado e a elite agrária em torno do objetivo de e pobres na economia de exportação da sociedade cafeeira.
a) fomentar políticas públicas para incentivar a ocupação das terras do d) a inexistência de homens livres e pobres na sociedade cafeeira
interior. determinou a predominância do trabalho escravo nos latifúndios.
b) adotar o regime assalariado para proteção da mão de obra e) a ausência de classes na sociedade cafeeira deveu-se prioritariamen-
estrangeira. te ao fato de que o escravo estava fora das relações de mercado.
c) definir uma política de subsídio governamental para o fomento da RESOLUÇÃO:
imigração. Alternativa escolhida por eliminação, pois a conclusão a que ela
d) regulamentar o tráfico interprovincial de cativos para sobrevivência chega, com relação à população livre e pobre do Vale do Paraíba,
ajusta-se muito mais ao termo “marginalização” do que a
das fazendas.
“expropriação” – uma vez que o texto não deixa claro qual seria o
e) financiar a fixação de famílias camponesas para estímulo da agricul- objeto a ser expropriado.
tura de subsistência. Resposta: C

RESOLUÇÃO:
Alternativa escolhida por eliminação, pois é a única que aborda o
tema referido no enunciado. Todavia, o examinador se equivocou
ao considerar que o autor do pronunciamento transcrito tinha
como objetivo “definir uma política de subsídio governamental
para o fomento da imigração”. Ao contrário, o representante do
governo externa claramente sua opinião adversa a tais subsídios,
deixando por conta dos fazendeiros a total responsabilidade pelos
gastos com esse processo.
Resposta: C

22 –
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e) do aumento da pressão da Inglaterra, em fins da década de 1840,


MÓDULO 32 que, por meio de um ato de seu Parlamento, autorizava a marinha
inglesa a considerar navios negreiros como navios piratas.

CRISE DO ESCRAVISMO, RESOLUÇÃO:


INDÚSTRIA E URBANIZAÇÃO A pressão britânica contra o tráfico negreiro para o Brasil tem sua
origem na expectativa (não confirmada pelos fatos) de que a
substituição do escravismo por mão de obra remunerada aumen-
taria o consumo de produtos britânicos pelo mercado brasileiro.
Iniciada em 1810 e reforçada quando do reconhecimento da
1. (UFOP) – Comente os principais efeitos do fim do tráfico internacio-
Independência, a pressão britânica acentuou-se em 1845, quando
nal de escravos africanos para o Brasil, em 1850. o Bill Aberdeen autorizou a Marinha Real a intensificar a
interceptação e o apresamento de navios negreiros. Sem condições
RESOLUÇÃO: de reagir, o Brasil cedeu em 1850, quando a Lei Eusébio de Queirós
De imediato, o fim do tráfico internacional de escravos transferiu os extinguiu definitivamente o tráfico de escravos africanos para
capitais, antes aplicados no comércio de africanos escravizados, terras brasileiras.
para atividades industriais e de infraestrutura. Houve igualmente Resposta: E
uma expressiva elevação no preço dos escravos e intensificou-se o
tráfico interno de escravos do Nordeste para o Sudeste.
Paralelamente, foi estimulada a entrada de imigrantes para
suplementar a escravidão africana na cafeicultura do Oeste
Paulista. 3. (FUVEST) – Examine a seguinte tabela:

Ano N.o de escravos que entraram no Brasil

1845 19.453

1846 50.325

1847 56.172

1848 60.000

(Dados extraídos de Emília Viotti da Costa.


Da senzala à colônia. São Paulo: Unesp, 1998.)

A tabela apresenta dados que podem ser explicados


a) pela lei promulgada em 1831, que reduziu os impostos sobre os
2. (UNESP) – “Partiu do Ministério da Justiça um projeto de lei,
escravos importados da África para o Brasil.
submetido ao Parlamento, para que fossem tomadas medidas mais
b) pelo descontentamento dos grandes proprietários de terras, em
eficazes contra o tráfico, reforçando-se a lei de 1831. Entre outros
meio ao auge da campanha abolicionista no Brasil.
pontos, o Brasil reconheceria que o tráfico equivalia à pirataria e tribunais
c) pela renovação, em 1844, do tratado de 1826 com a Inglaterra, que
especiais julgariam os infratores. O projeto se converteu em lei em
abriu nova rota de tráfico de escravos entre Brasil e Angola.
setembro de 1850. Dessa vez, a lei ‘pegou’. A entrada de escravos no
d) pelo aumento da demanda por escravos no Brasil, em função da ex-
País caiu de cerca de 54 mil cativos, em 1849, para menos de 23 mil, em
pansão cafeeira, a despeito da promulgação do Bill Aberdeen.
1850, e em torno de 3.300, em 1851, desaparecendo praticamente a
e) pela aplicação da Lei Eusébio de Queirós, que ampliou a entrada de
partir daí. Que teria acontecido entre 1831 e 1850? Por que a segunda
escravos africanos no Brasil e tributou o tráfico interno.
lei ‘pegou’ e a primeira não?”
(Boris Fausto, História do Brasil) RESOLUÇÃO:
Em 1845, por meio do Bill Aberdeen, o Parlamento Britânico
Uma condição externa permite uma resposta para essas perguntas. prorrogou por conta própria o direito de navios ingleses
Trata-se interceptarem barcos que fizessem o tráfico de escravos da África
para o Brasil – direito esse que o governo brasileiro se recusara a
a) das inúmeras rebeliões ocorridas em Angola e em Moçambique
renovar. Não obstante, a demanda de mão de obra escrava na
desde meados da década de 1830, que exigiam da metrópole portu- cafeicultura brasileira era tão grande que, conforme a tabela
guesa reformas radicais nas relações coloniais. comprova, a entrada de africanos continuou a crescer, apesar das
b) de uma consequência direta das Revoluções de 1830, que derrota- pressões inglesas, até ser interrompida pela Lei Eusébio de
ram as forças liberais em toda a Europa e impuseram fortes Queirós, em 1850.
Obs.: O número redondo apresentado na tabela para o ano de 1848
restrições ao uso de mão de obra compulsória na América.
constitui, obviamente, uma estimativa.
c) da considerável diminuição da capacidade africana em fornecer mão Resposta: D
de obra para o tráfico transoceânico, já que o continente fora vítima
de fenômenos climáticos provocadores de secas e fome.
d) da emergência de novos interesses econômicos, especialmente da
França e da Holanda, que transferiram seus importantes investimen-
tos na América para regiões ainda inexploradas da Ásia.

– 23
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4. (FADI) – Observe os quadrinhos sobre o Brasil Império. 5. (FATEC) – A industrialização no Brasil teve início nas últimas décadas
do século XIX. De acordo com o historiador Boris Fausto, “as atividades
industriais nasceram na região vinculada aos negócios cafeeiros ou aos
serviços ligados a eles, sendo impulsionados pela criação de um
mercado que tinha idêntica origem”.

(Boris Fausto. “A Primeira República”.


In: Cadernos Cebrap n.° 10. Adaptado.)

Considerando as informações apresentadas, é correto afirmar que o


início da industrialização no Brasil ocorreu
a) nas Regiões Norte e Nordeste, graças ao investimento dos lucros
da produção açucareira de exportação.
b) na Região Sudeste, onde a exportação de café estava em expansão
e havia uma grande circulação de capitais.
c) durante o governo de Getúlio Vargas, que implantou o programa de
valorização do café na vigência do Estado Novo.
d) após o plano de metas de Juscelino Kubitschek, que trouxe
empresas multinacionais e montadoras de veículos ao País.
e) em todo o território nacional e de forma equilibrada, devido aos
incentivos do governo imperial aos engenhos de açúcar.

RESOLUÇÃO:
Embora o início da industrialização no Brasil estivesse diretamente
relacionado com os investimentos da “Era Mauá”, conseguidos
com recursos até então aplicados no tráfico de escravos africanos,
é inegável que o desenvolvimento desse processo foi impulsionado
por recursos advindos da cafeicultura do Oeste Paulista.
Resposta: B

(Angeli; Lilia Schwarcz. Cai o Império! República vou ver!).

A diferença mencionada nas ilustrações está relacionada com


a) a proibição do tráfico negreiro, que estimulou a imigração europeia
para as fazendas de café.
b) a mentalidade progressista dos “barões do café” no Vale do Paraíba,
cujas terras eram mais férteis.
c) o aumento do preço dos escravos, devido à Lei Áurea, que
inviabilizou sua utilização no Oeste Paulista.
d) o interesse britânico em abolir a escravidão, para ampliar o mercado
consumidor do café brasileiro.
e) o humanitarismo dos cafeicultores paulistas, em contraste com os
senhores de escravos do Vale.

RESOLUÇÃO:
Quando a Lei Eusébio de Queirós, de 1850, pôs fim ao tráfico de
escravos africanos para o Brasil, as duas áreas cafeicultoras – Vale
do Paraíba e Oeste Paulista – viram-se obrigadas a reorganizar sua
força de trabalho: enquanto o Vale do Paraíba manteve o
escravismo por meio do tráfico interno procedente do Nordeste, o
Oeste Paulista passou a recorrer cada vez mais ao braço do
imigrante europeu, primeiro em sistema de parceria e depois como
assalariado.
Resposta: A

24 –
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2. Durante o Segundo Reinado, as relações entre o Brasil e a Inglaterra


MÓDULO 33 ficaram tensas. Nesse clima, a Questão Christie (1861-65) foi deflagra-
da pela
a) resistência das elites escravistas brasileiras contra as pressões
POLÍTICA EXTERNA DO SEGUNDO REINADO britânicas para a extinção do tráfico de africanos, gerando desconten-
tamento no governo inglês.
b) decisão do governo brasileiro de não renovar o tratado de comércio
com a Inglaterra, o que melhorou a situação financeira do governo
imperial.
1. (UERJ) – “A Guerra do Paraguai (1864-70) foi o conflito externo de
c) aprovação do Bill Aberdeen pelo Parlamento Britânico, intensificando
maior repercussão para os países envolvidos − Paraguai, Brasil,
a repressão ao tráfico negreiro efetuada pela marinha inglesa no
Argentina e Uruguai −, quer quanto à mobilização e perda de homens,
Oceano Atlântico.
quer quanto aos aspectos políticos e financeiros. Essa guerra foi, na
d) pilhagem da carga de um navio inglês naufragado na costa do Brasil
verdade, resultado do processo de construção dos Estados nacionais
e exigência do pagamento de uma indenização pelo Brasil à
no Rio da Prata e, ao mesmo tempo, marco de suas consolidações.”
Inglaterra.
(DORATIOTO, F. F. M. Maldita guerra: nova história da Guerra do e) instabilidade nas relações comerciais do Brasil com a Inglaterra,
Paraguai. São Paulo: Companhia das Letras, 2002. Adaptado) decorrente da entrada de produtos procedentes principalmente dos
Estados Unidos.
Os motivos que justificaram a Guerra do Paraguai, ou Guerra da Tríplice
Aliança, continuam gerando controvérsias cento e cinquenta anos RESOLUÇÃO:
depois. Apresente dois motivos que expliquem essa guerra, tendo em Embora a causa imediata da Questão Christie seja a mencionada na
alternativa d, já existia um longo contencioso anglo-brasileiro,
vista as disputas na região do Rio da Prata, durante a segunda metade
envolvendo as tarifas aduaneiras preferenciais para os produtos
do século XIX. britânicos e a questão do tráfico negreiro, que a Inglaterra desejava
extinguir.
RESOLUÇÃO: Resposta: D
— Interesse do Brasil em preservar sua hegemonia na Bacia
Platina.
— Oposição do Brasil à formação de Estados nacionais fortes na
região. 3. (MACKENZIE) – A maior das guerras que a América Latina conheceu
— Interesse do Brasil na livre navegação dos Rios Paraguai, Paraná no século XIX foi a Guerra do Paraguai (1864-70). Em 1865, os governos
e Uruguai. de Brasil, Argentina e Uruguai formaram a Tríplice Aliança contra o
— Projeto expansionista de Solano López no sentido de
proporcionar ao Paraguai uma saída para o mar. governo do presidente paraguaio Solano López. Sobre esse conflito,
— Interesse da Argentina em consolidar suas fronteiras em considere as afirmações a seguir.
prejuízo do Paraguai. I. Um aspecto importante era a liberalização da Bacia do Prata para o
comércio internacional, o que beneficiaria especialmente os
interesses ingleses na região.
II. Pela óptica de Solano López, a expansão da economia paraguaia
exigia que o país pudesse controlar a navegação dos rios platinos,
para escoar suas mercadorias pelo estuário do Prata.
III. Os países integrantes da Tríplice Aliança foram financiados pelo
capital inglês e, portanto, não tiveram suas economias prejudicadas
pelo confronto armado.

Assinale a alternativa correta.


a) apenas as afirmações I e II são verdadeiras.
b) apenas as afirmações I e III são verdadeiras.
c) apenas as afirmações II e III são verdadeiras.
d) todas as afirmações são verdadeiras.
e) todas as afirmações são falsas.

RESOLUÇÃO:
A afirmação III é falsa porque, embora o Brasil tenha sido de longe
o principal suporte da Tríplice Aliança contra o Paraguai, os três
países participantes recorreram a empréstimos britânicos para
alimentar seu esforço de guerra. Obviamente, esse fato prejudicou
a economia de Brasil, Argentina e Uruguai, pois aumentou seu
endividamento externo.
Resposta: A

– 25
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4. (CEFET-MG-adaptado) – A imagem abaixo é uma charge de Ângelo 5. –


Agostini, publicada no jornal A Vida Fluminense em 12 de junho de 1869.

De volta do Paraguai
“O Nero do Século XIX – projeto de monumento que os paraguaios
reconhecidos pretendem erigir a Francisco Solano López.”
“Cheio de glória, coberto de louros, depois de ter derramado seu sangue
em defesa da Pátria e libertado um povo da escravidão, o voluntário volta
A gravura de Agostini
a seu país natal para ver sua mãe amarrada a um tronco. Choque horrível
a) censura a alta mortalidade infantil gerada pela ocorrência da guerra.
de realidade!...”
b) satiriza o governante paraguaio diante do resultado de suas ações.
c) acusa a prática costumeira de decapitação pelos soldados paraguaios.
(AGOSTINI. A vida fluminense, ano 3, no. 128, 11 jun. 1870. In:
d) ironiza a insensibilidade dos soldados por deixarem corpos insepultos.
LEMOS, R. (Org.). Uma história do Brasil através da caricatura (1840-
e) destaca a mortandade provocada pelos combatentes paraguaios.
2001). Rio de Janeiro: Letras & Expressões, 2001. Adaptado.)

RESOLUÇÃO:
Agostini retrata, em sua charge, a morte de milhares de paraguaios Na charge, identifica-se uma contradição no retorno de parte dos
na guerra contra o Brasil, em um conflito causado pelas ambições “Voluntários da Pátria” que lutaram na Guerra do Paraguai (1864-70),
territoriais de Solano López. Encampando o discurso das autorida- evidenciada na
des brasileiras e da opinião internacional predominante na época, a) negação da cidadania aos familiares cativos.
Agostini apresenta o ditador paraguaio como um tirano sanguiná-
b) concessão de alforria aos militares escravos.
rio – “o Nero do Século XIX”.
Resposta: B c) perseguição dos escravistas aos soldados negros.
d) punição dos feitores aos recrutados compulsoriamente.
e) suspensão das indenizações aos proprietários prejudicados.

RESOLUÇÃO:
Os escravos mobilizados para combater na Guerra do Paraguai,
foram previamente alforriados, uma vez que somente cidadãos
podiam ingressar nas Forças Armadas. Não obstante, os parentes
que estivessem na condição de escravos permaneceram como tais,
o que torna plausível a dramática situação descrita na ilustração
de Angelo Agostini.
Resposta: A

26 –
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2. – “Em 1879, cerca de cinco mil pessoas reuniram-se


MÓDULO 34 para solicitar a D. Pedro II a revogação de uma taxa de
20 réis (um vintém) sobre o transporte urbano, sendo o
vintém a moeda de menor valor da época. A polícia não permitiu que a
A CRISE DO IMPÉRIO multidão se aproximasse do palácio. Ao grito de “Fora o vintém!”, os
manifestantes espancaram condutores, esfaquearam mulas, viraram
bondes e arrancaram trilhos. Um oficial ordenou fogo contra a multidão.
As estatísticas de mortos e feridos são imprecisas. Muitos interesses se
fundiram nessa revolta: de grandes e de políticos, de gente miúda e de
1. (UNICAMP-adaptado) –
simples cidadãos. Desmoralizado, o ministério caiu. Uma grande
explosão social, detonada por um pobre vintém...”

(Acesso em: 4 abril 2014. Adaptado.)

A leitura do trecho indica que a coibição violenta das manifestações


representou uma tentativa de
a) capturar os ativistas radicais.
b) proteger o patrimônio privado.
c) salvaguardar o espaço público.
d) conservar o exercício do poder.
e) sustentar o regime democrático.

RESOLUÇÃO:
Ao longo da História, tem sido relativamente comum – mesmo em
regimes liberais e democráticos — a repressão violenta, por parte
do governo, a manifestações que ponham em risco o controle do
poder pelas autoridades instituídas.
Resposta: D

(Disponível em
http://www.jblog.com.br/quadrinhos.php?itemid=20522. 3. (FGV) – Sobre a crise do regime monárquico no Brasil, é correto
Acessado em 05/12/2013.) afirmar que
a) foi o resultado de uma série de desgastes com a Igreja, o Exército e
Angelo Agostini (1833-1910) expressou sua crítica a D. Pedro II em uma proprietários de terras e de escravos.
caricatura publicada na Revista Ilustrada, em 1887. b) ocorreu devido a intensas movimentações, lideradas nas cidades
a) De acordo com a imagem, qual é a crítica de Agostini ao Imperador? pelos trabalhadores livres e no campo pelos libertos.
b) Indique e explique um processo que expresse a situação de crise c) deveu-se sobretudo às pressões inglesas, motivadas pela insistência
vivida no final do Império. do governo brasileiro em adiar a abolição da escravatura.
d) foi estimulada pelas insatisfações dos cafeicultores paulistas com
RESOLUÇÃO: relação ao poder das oligarquias regionais.
a) Angelo Agostini critica o imobilismo do imperador diante da
e) foi fruto do desenvolvimento industrial, o qual exigia uma nova orga-
realidade vivida pelo País nas proximidades da Proclamação da
República. nização política que alavancasse a economia do País.
b) O principal fator da crise do Império nas últimas décadas do
século XIX foi a não adaptação das instituições monárquicas às RESOLUÇÃO:
transformações ocorridas após 1850 (a extinção do tráfico Embora a crise do Império Brasileiro tivesse um forte componente
negreiro, a imigração europeia, as transformações socioeco- estrutural (importantes transformações econômicas e sociais no
nômicas provocadas pela expansão cafeeira, a urbanização, as País, a partir de 1850, entravadas pelo imobilismo político do
Questões Religiosa, Militar e Abolicionista e o movimento regime monárquico), os fatores conjunturais clássicos são a perda
republicano). Diante de tantas mudanças ocorridas no plano sucessiva, pelo governo imperial, do apoio proporcionado pela
econômico e social, o Império Brasileiro manteve o imobilismo Igreja, pelo Exército e pelos latifundiários escravistas do Vale do
político e não se adaptou às novas condições, as quais exigiam Paraíba.
ao menos a implantação do federalismo e do voto universal, em Resposta: A
substituição ao centralismo e ao voto censitário.

– 27
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4. (FGV) – Durante muito tempo, o fim da escravidão no Brasil foi visto


como uma concessão generosa da princesa Izabel, em 1888. MÓDULO 35
Atualmente, os historiadores reconhecem o papel das lutas dos
escravos pela liberdade, bem como dos diversos movimentos
abolicionistas brasileiros. Foram líderes abolicionistas negros O MOVIMENTO REPUBLICANO
a) o advogado Joaquim Nabuco, o médico Nina Rodrigues e o
engenheiro André Rebouças.
b) o fazendeiro Nicolau de Campos Vergueiro, o engenheiro Francisco
Pereira Passos e o jornalista José do Patrocínio. 1. (UFF) – “A centralização, tal qual existe, representa o despotismo,
c) o médico Nina Rodrigues, o fazendeiro Nicolau de Campos Vergueiro dá força ao poder pessoal que avassala, estraga e corrompe os
e o advogado Luís Gama. caracteres, perverte e anarquiza os espíritos, comprime a liberdade,
d) o engenheiro Francisco Pereira Passos, o advogado Rui Barbosa e o constrange o cidadão, subordina o direito de todos ao arbítrio de um só
médico Nina Rodrigues. poder, nulifica de fato a soberania nacional, mata o estímulo do
e) o advogado Luís Gama, o engenheiro André Rebouças e o jornalista progresso local, suga a riqueza peculiar das províncias, constituindo-as
José do Patrocínio. em satélites obrigados do grande atraso da Corte – centro absorvente
e compressor que tudo corrompe e tudo concentra em si – na ordem
RESOLUÇÃO: moral e política, como na ordem econômica e administrativa.”
Os três citados são os mais destacados afrodescendentes que
participaram do movimento abolicionista brasileiro. Além de
contribuírem ativamente para o êxito da campanha emancipa- (Manifesto Republicano. A República. Rio de Janeiro)
cionista, serviram como exemplo das possibilidades oferecidas aos
não brancos na sociedade brasileira. Observe-se, contudo, que Com base no trecho extraído do manifesto republicano, analise a
tanto Gama como Rebouças e Patrocínio tinham ascendência correlação de forças políticas que deu origem ao Partido Republicano
parcialmente branca e somente o primeiro, entre os três, chegou a
no Brasil em 1870.
ser efetivamente escravo.
Resposta: E
RESOLUÇÃO:
A década de 1870 marca um acirramento da tensão existente entre
o projeto de centralização imperial e os interesses dos cafeicultores
paulistas do Novo Oeste, cuja riqueza e crescimento econômico
viam-se ameaçados pelo centralismo exercido pela Corte. A
expansão cafeeira, além disso, dera origem ao crescimento das
5. – “A escravidão não há de ser suprimida no Brasil por
cidades e da indústria, gerando novos grupos sociais com
uma guerra servil, muito menos por insurreições ou interesses diversos dos tradicionais, entre eles o empresariado
atentados locais. Não deve sê-lo, tampouco, por uma guerra civil, como industrial e setores médios urbanos mais dinâmicos. Os
o foi nos Estados Unidos. Ela poderia desaparecer, talvez, depois de republicanos criticavam, ainda, o sistema eleitoral censitário e o
uma revolução, como aconteceu na França, sendo essa revolução obra desequilíbrio provocado pela existência do Poder Moderador,
exercido pessoalmente pelo imperador.
exclusiva da população livre. É no Parlamento, e não em fazendas ou
quilombos do interior, nem nas ruas e praças das cidades, que se há de
ganhar ou perder a causa da liberdade.”

Joaquim Nabuco. O abolicionismo (1883). Rio de Janeiro: Nova


Fronteira; São Paulo: Publifolha, 2000. Adaptado.)

No texto, Joaquim Nabuco defende um projeto político sobre como


deveria ocorrer o fim da escravidão no Brasil. Nesse processo, o autor
a) copia o modelo haitiano de emancipação negra.
b) incentiva a obtenção de alforrias por meio de ações judiciais.
c) opta pela via legalista de libertação.
d) prioriza a negociação em torno das indenizações aos senhores.
e) antecipa a libertação paternalista dos cativos.

RESOLUÇÃO:
Joaquim Nabuco foi o mais importante político abolicionista
brasileiro, diferenciando-se de outros adversários da escravidão
que defendiam soluções radicais para a questão escravista, como
os “caifases” de São Paulo, promotores de fugas e rebeliões de
escravos. Na qualidade de deputado do Império, Nabuco propunha
a solução que veio finalmente a ser adotada: a abolição da
escravatura pela força da lei (no caso, a Lei Áurea), ou seja, pela
“via legalista”.
Resposta: C

28 –
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2. (UNICAMP) – Assinale a alternativa correta sobre os acontecimentos 4. (MACKENZIE) – “O povo assistiu àquilo bestializado, atônito, sur-
políticos do Segundo Reinado. preso, sem conhecer o que significava. Muitos acreditavam sincera-
a) O Brasil era um Estado descentralizado política e administrati- mente estar vendo uma parada.”
vamente, sem condições de promover a expansão das forças (Aristides Lobo)
produtivas.
O fragmento refere-se à Proclamação da República, em 15 de novembro
b) O imperador se opunha ao sistema eleitoral e exercia os Poderes
de 1889. Dele podemos depreender que
Moderador e Executivo, monopolizando os elementos centrais do
a) o movimento contou com sólido apoio popular, envolveu choques
sistema político e jurídico.
armados e enfrentou forte resistência dos monarquistas.
c) O surgimento do Partido Republicano, em 1870, institucionalizou
b) a vitória do movimento resultou da união entre parte do Exército, fa-
uma proposta federalista que já fora apresentada em momentos
zendeiros do Oeste Paulista e classes médias urbanas.
anteriores.
c) a Guerra do Paraguai não influenciou o crescimento das ideias repu-
d) A política imigratória, o abolicionismo e a separação entre a Igreja e
blicanas e positivistas, fundamentais para o advento da República.
o Estado fortaleceram a Monarquia e suas bases sociais, na década
d) o “Terceiro Reinado” era visto de forma positiva pela população, so-
de 1870.
bre a qual a princesa Isabel exercia expressiva liderança.
e) O movimento republicano ganhou impulso na década de 1880,
e) as críticas à centralização monárquica e o surgimento de novos seg-
quando as camadas populares urbanas aderiram a suas propostas
mentos sociais pouco influenciaram o movimento republicano.
de caráter socialista.
RESOLUÇÃO:
RESOLUÇÃO: Alternativa escolhida por eliminação porque as classes médias não
Em 2 de dezembro de 1870 (data de aniversário de D. Pedro II), foi participaram da Proclamação da República. Prova disso é o célebre
publicado no Rio de Janeiro o n.° 1 do jornal A República, comentário de Silva Jardim (principal líder dos republicanos da
contendo um manifesto republicano subscrito por um grupo de classe média) ao assistir à movimentação militar de 15 de
intelectuais; simultaneamente, foi fundado o Partido Republicano novembro: “Acho que está acontecendo alguma coisa...”
– o primeiro de outros que surgiriam nas várias províncias do Resposta: B
Império. A Constituição de 1824 organizara o Estado Brasileiro
como uma entidade centralista/unitária, a qual foi consolidada no
Segundo Reinado. Isso levou os signatários do Manifesto a
considerar o regime republicano como o único que viabilizaria o
ideal federativo (autonomia das províncias em relação ao governo
central). A propósito, as ideias anticentralistas já haviam sido
defendidas em diversos momentos históricos anteriores,
notadamente no Período Regencial.
Resposta: C

3. (PUC-RS – Adaptado) – Assinale a alternativa contendo um fator


que tenha influenciado fortemente a queda do Império Brasileiro.
a) Ataque desfechado contra o Rio de Janeiro por uma esquadra
francesa, desestabilizando o governo de Dom Pedro II devido ao
longo período em que a capital ficou sob ocupação estrangeira.
b) Concorrência do açúcar antilhano, sobretudo haitiano, que abalou a
economia nacional e provocou uma crise generalizada, pois a produ-
ção açucareira ainda dominava a pauta de exportações brasileiras.
c) Abolição do escravismo, que constituíra a base produtiva do Império
e cujo fim provocou uma crise econômica no Vale do Paraíba, levan-
do os cafeicultores da região a retirar seu apoio à Monarquia.
d) Revolução Farroupilha no Rio Grande do Sul, que resultou na sepa-
ração definitiva daquela província, provocando uma grave crise eco-
nômica que desestabilizou completamente o regime monárquico.
e) Guerra do Paraguai, durante a qual o governo monárquico brasileiro
perdeu o apoio dos cafeicultores e de setores do Exército, devido
ao acordo celebrado com os outros países da Tríplice Aliança.

RESOLUÇÃO:
Alternativa escolhida por eliminação. Na realidade, a abolição da
escravatura concorreu apenas acessoriamente para a queda da
Monarquia, que já perdera o apoio da Igreja e do Exército, além de
sofrer a oposição dos cafeicultores republicanos do Oeste Paulista.
Resposta: C

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5. (UDESC) – “Não pretendo reconstituir as diferentes versões dadas julgava ter sobre o novo regime e a própria natureza da República.
pelos participantes do 15 de Novembro. Basta observar que por muito III. Ao afirmar que o óleo de Henrique Bernardelli é uma versão oficial e
tempo digladiaram-se partidários de Deodoro, Benjamim Constant, sagrada da Proclamação da República, o historiador José Murilo de
Quintino Bocaiuva e Floriano Peixoto. A disputa tomava às vezes caráter Carvalho está indicando que o Marechal Deodoro da Fonseca foi o
apaixonado e girava em torno de pontos aparentemente irrelevantes. fundador da República no Brasil.
Tome-se como exemplo o que se poderia chamar de ‘guerra dos vivas’: IV. A notoriedade do óleo de Henrique Bernardelli como versão oficial,
Quem deu vivas a quem, ou a quê, em que momento? As versões são se por um lado permite compreender a força de um grupo que
desencontradas. Deodoro teria dado um viva ao imperador quando considerava a Proclamação um ato estritamente militar, executado
sob a liderança do marechal Deodoro da Fonseca, por outro reflete
entrou no quartel-general? Ao sair do quartel? Benjamin Constant deu
a busca de um herói que pudesse representar o novo regime político
vivas à República para abafar o viva ao imperador dado por Deodoro?
instaurado e legitimar uma versão oficial.
Teria este censurado os vivas à República, dizendo que ainda era cedo
ou que fossem deixados ao povo? O que significa o famoso óleo de Assinale a alternativa correta.
Henrique Bernardelli, transformado em versão oficial e sagrada do a) Somente as afirmações I, II e III são verdadeiras.
momento da Proclamação?” b) Somente as afirmações I, II e IV são verdadeiras.
c) Somente as afirmações I, III e IV são verdadeiras.
(CARVALHO, José Murilo de. A formação das almas. O imaginário da d) Somente as afirmações II, III e IV são verdadeira.
República no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1990, p.36.) e) Todas as afirmações são verdadeiras.

RESOLUÇÃO:
A afirmação III é falsa porque o historiador não afirma que o
marechal Deodoro da Fonseca tenha sido o fundador da República,
mas questiona o significado da oficialização do quadro de Henrique
Bernardelli como a representação verdadeira do momento da
Proclamação.
Resposta: B

(A Proclamação da República, Henrique Bernardelli, 1900.)

Analise as proposições, considerando seu contexto histórico, as


questões levantadas pelo historiador José Murilo de Carvalho e o
significado da pintura de Henrique Bernardelli.
I. Pode-se afirmar que não apenas ocorreram disputas de poder entre
os participantes envolvidos no acontecimento, mas também em
relação ao próprio estabelecimento de uma versão oficial sobre o 15
de Novembro, destinada à História.
II. Transformações tão importantes como a mudança de um regime
político, por exemplo, implicam conflitos sobre a definição dos papéis
dos vários atores envolvidos, os títulos de propriedade que cada um

30 –
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2. (UFLA – Adaptado) – O século XIX é o “Século do Imperialismo”,


MÓDULO 36 entendido como fruto da expansão e consolidação do sistema
capitalista. Analise os itens abaixo, referentes ao processo de expansão
política e econômica dos Estados Unidos durante o século XIX e início
IMPERIALISMO NORTE-AMERICANO
do século XX.
NA AMÉRICA LATINA I. Uma face do imperialismo norte-americano pode ser expressa pela
“Doutrina Monroe” de 1823, sintetizada na fórmula “A América para
os americanos”.
1. (UERJ – Adaptado) – “O grande porrete no Mar do Caribe” II. O Big Stick foi a versão imperialista adotada pelos Estados Unidos
em relação à América Latina.
III. A Emenda Platt foi um complemento acrescentado à Constituição
Norte-Americana para intensificar o intervencionismo em Cuba.
IV. Em 1903, os Estados Unidos receberam autorização para retomar a
construção do Canal do Panamá, sobre o qual teriam direito de
extraterritorialidade.

Assinale a alternativa correta.


a) Somente os itens I, II e III são verdadeiros.
b) Somente os itens I, II e IV são verdadeiros.
c) Somente os itens I, III e IV são verdadeiros.
d) Somente os itens II, III e IV são verdadeiros.
e) Todos os itens são verdadeiros.

RESOLUÇÃO:
O item III é falso porque a Emenda Platt foi inserta na Constituição
Cubana para assegurar o direito de os Estados Unidos intervirem
na ilha em defesa de seus interesses.
Resposta: B
http://americanhistory.si.edu

A charge de 1904 aponta para um contexto específico das relações do


governo dos EUA com países da América Latina. Cite uma ação da
política externa norte-americana para a América Latina decorrente da 3. (FGV) – “Fale macio e use um grande porrete”, dizia o presidente
política do Big Stick – “Grande Porrete”. norte-americano Theodore Roosevelt para justificar um aspecto da
política externa dos Estados Unidos. A respeito da política conhecida
RESOLUÇÃO: como Big Stick, podemos afirmar que
– Ajuda para Cuba se tornar independente da Espanha (1898) e a) constituiu uma iniciativa pragmática dos norte-americanos logo após
imposição da Emenda Platt (1901) à Constituição Cubana,
a independência, buscando superar seu isolamento diplomático ao
permitindo aos Estados Unidos intervir na ilha sob certas
circunstâncias. mesmo tempo que combatia o exército britânico.
– Apoio norte-americano à independência do Panamá (1903), b) era o lema dos estados do Norte durante a Guerra de Secessão, na
estratégia que assegurou a realização das obras de construção qual os escravos foram declarados livres com o objetivo de
do canal. enfraquecer as forças sulistas.
c) diz respeito à política norte-americana para a América Latina durante
a Guerra Fria, quando os Estados Unidos deram apoio político e
militar a diversas ditaduras.
d) deu continuidade ao expansionismo interno e implicou seguidas
intervenções militares dos Estados Unidos na América Central,
transformando o Caribe em sua área de influência.
e) foi a orientação dada pelo serviço secreto norte-americano a seus
agentes infiltrados na União Soviética e nos países da chamada
“Cortina de Ferro”, no Leste Europeu.

RESOLUÇÃO:
A Big Stick Policy já era praticada pelos Estados Unidos antes
mesmo que o presidente Theodore Roosevelt (1901-09) lhe desse
esse nome. Ela corresponde ao intervencionismo dos norte-
americanos tanto no Caribe Setentrional (Cuba, Haiti e Porto Rico)
como na América Central Continental (sobretudo na Nicarágua e no
Panamá), no contexto da expansão imperialista das potências
industriais, em fins do século XIX e início do XX.
Resposta: D

– 31
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4. (UFC) – Com a adoção da Política do Big Stick, os Estados Unidos, 5. (MACKENZIE – Adaptado) – A política externa do presidente norte-
no governo de Theodore Roosevelt, inauguraram uma prática de americano John Kennedy (1961-63) foi marcada pelo esforço para conter
intervenção – inclusive armada – nos países centro-americanos, onde o o avanço soviético no mundo. Com esse objetivo, mais do que apenas
capital estadunidense se tornou hegemônico. A respeito dessa política, aumentar o potencial bélico de seu país, Kennedy procurou fortalecer
é correto afirmar que alianças com outros Estados. Em relação ao continente americano, isso
a) a intervenção dos Estados Unidos na América Central foi rejeitada representou
pelos movimentos populares, como as Revoluções Mexicana e a) a criação da “Aliança para o Progresso”, responsável pela liberação
Sandinista. de ajuda à América Latina, como forma de assegurar o apoio dos
b) a Política do Big Stick foi amplamente rechaçada pelo governo governos da região aos Estados Unidos.
brasileiro graças ao apoio político e financeiro da Inglaterra e da b) o envio de militares dos Estados Unidos para os países latino-
França. americanos, a fim de proporcionar treinamento que capacitasse os
c) o governo estadunidense favoreceu o Paraguai na guerra contra a governos locais a lutar contra o comunismo.
Argentina pelo controle da região petrolífera do Chaco, onde atuava c) a formação de um “Comitê Pan-Americano” apoiado pelos países
a Standard Oil Co. do continente, preocupados com as repercussões da Revolução
d) os movimentos populares apoiados no pensamento político de José Cubana e com a expansão do socialismo.
Martí evitaram que Cuba se tornasse um protetorado dos Estados d) o aumento expressivo da interferência norte-americana nos países
Unidos. latino, inclusive no plano militar, com o intuito de assegurar a defesa
e) o Panamá proclamou sua independência da Colômbia em 1903, com dos interesses capitalistas no continente.
apoio dos Estados Unidos, que foram autorizados a construir o canal e) a remessa de tropas dos Estados Unidos para locais estratégicos
do mesmo nome. nas Américas Central e do Sul, a fim de assegurar a supremacia do
capitalismo norte-americano na região.
RESOLUÇÃO:
Alternativa escolhida por eliminação, pois atribui a formulação da RESOLUÇÃO:
Política do Big Stick ao presidente Theodore Roosevelt (1901-09), O objetivo precípuo da Aliança para o Progresso era reduzir os
quando este apenas lhe deu o nome pelo qual é conhecida. Na bolsões de miséria existentes na América Latina – ambiente
verdade, o imperialismo norte-americano na América Central socioeconômico favorável à viabilização do projeto de “foquismo”
Istmica e Insular começara no último quartel do século XIX, no concebido por “Che” Guevara: criar numerosos focos de guerrilha
contexto da expansão imperialista das potências industriais. De revolucionária que desestabilizariam as elites locais e, no limite,
qualquer forma, os pontos altos do Big Stick foram as intervenções poriam em xeque o imperialismo norte-americano na região.
norte-americanas na independência de Cuba (no governo do Resposta: A
presidente William McKinley) e do Panamá (no governo de
Theodore Roosevelt).
Resposta: E

32 –
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FRENTE 2 – HISTÓRIA GERAL


A revolução histórica relacionada com o texto, a fonte primária de
MÓDULO 11 energia utilizada em tal máquina e a consequência ambiental de seu uso
são, respectivamente,
a) Puritana, gás natural e maior frequência de inversões térmicas.
REVOLUÇÃO INDUSTRIAL NA INGLATERRA b) Gloriosa, petróleo e destruição da camada de ozônio.
c) Gloriosa, carvão mineral e agravamento do processo de degelo da
calota polar.
d) Industrial, gás natural e redução da umidade atmosférica.
1. (UNESP) – “Sob qualquer aspecto, este [a Revolução Industrial] foi e) Industrial, carvão mineral e aumento da poluição atmosférica.
provavelmente o mais importante acontecimento na história do mundo,
pelo menos desde a invenção da agricultura e das cidades. E foi iniciado RESOLUÇÃO:
pela Grã-Bretanha. É evidente que isto não foi acidental.” O texto versa sobre a Primeira Revolução Industrial, iniciada na
Inglaterra, marcada pela invenção da máquina a vapor cujo com-
bustível era o carvão mineral. Essa invenção, além de promover a
(Eric Hobsbawm. A Era das Revoluções: 1789-1848, 1986.) mudança da manufatura para a maquinofatura e acelerar o
processo produtivo, fez com que a poluição ambiental aumentasse
a) Aponte dois fatores que justifiquem a importância dada pelo texto à substancialmente.
Revolução Industrial. Resposta: E
b) Indique dois motivos do pioneirismo britânico.
3. (IFSP-Adaptado) –
RESOLUÇÃO:
a) Grandes avanços tecnológicos, consolidação do sistema capi-
talista e transformações da sociedade, com a ascensão da
burguesia e o surgimento do proletariado.
b) – Maior acumulação primitiva de capitais durante a Idade
Moderna.
– Abundância de carvão e ferro.
– Progressos na metalurgia.
– Pioneirismo no emprego de máquinas a vapor.
– Grande disponibilidade de mão de obra em consequência
dos cercamentos.
– Hegemonia marítima e controle sobre os mercados mun-
diais.
– Fácil acesso à matéria-prima têxtil (algodão).
– Maior participação da burguesia na vida política em função
das Revoluções Inglesas do Século XVII.

A imagem apresenta uma das formas de luta e resistência dos


trabalhadores europeus contra a profunda exploração que sofriam nas
primeiras etapas da Revolução Industrial.
Analisando a ilustração, é correto afirmar que a estratégia de luta
apresentada é o
a) anarquismo, no qual os trabalhadores recusavam-se a trabalhar até
que os patrões lhes concedessem parte dos lucros da empresa.
b) trotskismo, no qual os trabalhadores agrediam os patrões para gerar
pressão revolucionária e negociar melhorias nas fábricas.
c) luddismo, no qual os trabalhadores destruíam as máquinas das
fábricas, consideradas por eles como símbolos da opressão.
d) vandalismo, no qual os trabalhadores destruíam as fábricas com a
2. (UFG) – “Em meados do século XVIII, James Watt patenteou na intenção de prejudicar o governo e gerar tensão social.
Inglaterra seu invento, sobre o qual escreveu a seu pai: ‘O negócio a e) socialismo, no qual os trabalhadores destruíam a propriedade privada
que me dedico agora se tornou um grande sucesso. A máquina de fogo para organizar sindicatos com tendência socialista.
que eu inventei está funcionando e obtendo uma resposta muito melhor
do que qualquer outra que tenha sido inventada até agora’.” RESOLUÇÃO:
O luddismo, que se manifestou esporadicamente na Inglaterra,
(Disponível em: <http://www.ampltd.co.uk/digital_guides/ind-rev- consistia na quebra de máquinas por trabalhadores – geralmente
series-3-parts-1-to-3/detailed-listing-part-1.aspx>. artesãos desempregados, cujos postos de trabalho haviam sido
Acesso em: 29 out. 2012. Adaptado.) ocupados pelas máquinas.
Resposta: C

– 33
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4. (UFAL) 5. (MACKENZIE) –

Fundição de cobre em Swansea, País de Gales, século XIX.


(In: Divalte Garcia Figueira. História. São Paulo: Ática, 2005. p. 193.)

A partir da segunda metade do século XVIII, as chaminés expelindo rolos Tendo como base as ilustrações e os aspectos que definiram a Primeira
de fumaça, como as da gravura, passaram a fazer parte da paisagem de Revolução Industrial, considere as afirmações a seguir.
algumas regiões inglesas, alterando seu equilíbrio natural. Essas chaminés I. Iniciou-se nas últimas décadas do século XVIII e estendeu-se até
eram, na verdade, apenas a parte mais visível das fábricas que meados do século XIX. A invenção da máquina a vapor e o uso do
modificaram completamente a sociedade humana. Entre as transforma- carvão como fonte de energia primária marcam o início das
ções econômicas e sociais advindas do fenômeno apresentado na mudanças nos processos produtivos.
gravura, pode-se destacar II. O Reino Unido foi o primeiro país a apresentar condições básicas
a) o processo de desconcentração urbana, tendo em vista a decisão da para o início da industrialização, devido à intensa acumulação de
burguesia no sentido de construir as unidades fabris longe dos capitais no decorrer da Idade Moderna.
centros urbanos. III. Os mais destacados segmentos fabris dessa fase foram o têxtil, o
b) a melhoria do padrão de vida dos trabalhadores fabris, já que a metalúrgico e o de mineração.
máquina os libertou das condições degradantes em que viviam IV. As transformações produtivas dessa fase atingiram países como
como trabalhadores rurais. Alemanha, França e Estados Unidos, ainda no século XVIII,
c) a preocupação do poder público com a questão ambiental, impondo recrutando operários com salários atraentes e promovendo um
rapidamente uma legislação que eliminou os efeitos da poluição intenso êxodo rural.
gerada pelas fábricas. Assinale a alternativa correta.
d) a redução do lucro dos capitalistas ingleses, os quais eram obrigados a) Apenas as afirmações I e II são verdadeiras.
a pagar elevadas indenizações aos operários que adoeciam nas b) Apenas as afirmações I e III são verdadeiras.
fábricas. c) Apenas as afirmações I e IV são verdadeiras.
e) o crescimento populacional próximo às fábricas, resultando na d) Apenas as afirmações I, II e III são verdadeiras.
proliferação de cortiços e em grande insalubridade na vida dos e) Apenas as afirmações II, III e IV são verdadeiras.
operários.
RESOLUÇÃO:
RESOLUÇÃO: A afirmação IV é falsa porque a Primeira Revolução Industrial,
A concentração de operários nas áreas fabris deu origem a cidades embora tenha alcançado os Estados Unidos em fins do século XVIII,
industriais como Manchester e Birmingham, cujo crescimento somente se instalou na França e Alemanha na primeira metade do
desordenado afetou gravemente as condições de vida dos século XIX.
trabalhadores. Resposta: D
Resposta: E

34 –
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2. (UECE) – “Quem era a burguesia? Eram os escritores, os doutores,


MÓDULO 12 os professores, os advogados, os juízes, os funcionários – as classes
educadas; eram os mercadores, os fabricantes, os banqueiros – as
classes abastadas, que já tinham direitos e queriam mais. Acima de
REVOLUÇÃO FRANCESA:
tudo, queriam – ou melhor, precisavam – lançar fora o jugo das leis
DAS ORIGENS À REVOLUÇÃO BURGUESA feudais numa sociedade que realmente já não era feudal. Precisavam
deitar fora o apertado gibão feudal e substituí-lo pelo folgado paletó
capitalista. Encontraram a expressão de suas necessidades no campo
1. (UNESP) – econômico nos escritos dos fisiocratas e de Adam Smith; e a expressão
de suas necessidades, no campo social, nos trabalhos de Voltaire,
Diderot e dos enciclopedistas. O laissez-faire no comércio e indústria
teve sua contrapartida no ‘domínio da razão’ na religião e na ciência.”

(Leo Huberman. História da Riqueza do Homem.


21ª ed. Rio de Janeiro: Editora Guanabara, 1986, p. 149.)

A burguesia descrita por Leo Huberman foi responsável por uma das
principais transformações políticas e sociais, a qual teve um impacto
duradouro na história do país onde ocorreu e, mais amplamente, em
todo o continente europeu. Essa burguesia está ligada à
a) Revolução Gloriosa, de 1688 a 1689.
b) Revolução Francesa, de 1789 a 1799.
c) Revolução Russa de 1917.
d) Revolução de Avis, de 1383 a 1385.
e) Revolução Norte-Americana, de 1776 a 1783.

RESOLUÇÃO:
O texto do escritor Leo Huberman, extraído de sua obra História
da Riqueza do Homem, faz referência à Revolução Francesa,
1789-99, que gerou grandes transformações sociais e políticas na
França e no mundo ocidental.
Resposta: B

A charge ilustra as três ordens sociais existentes na França antes da


Revolução de 1789. Identifique essas três ordens e justifique o
posicionamento dos personagens na charge.

RESOLUÇÃO:
A sociedade francesa do Antigo Regime (anterior à Revolução de
1789) dividia-se oficialmente em três ordens ou “Estados”: o clero
(Primeiro Estado), a aristocracia ou nobreza (Segundo Estado) e o
conjunto dos que não eram clérigos nem nobres, chamado
genericamente de Terceiro Estado. Embora este último esteja
representado na charge por um camponês, tratava-se de uma
categoria bastante heterogênea, que ia da alta burguesia
(banqueiros, donos de manufaturas e grandes comerciantes) a
servos ainda presos à terra, passando pelas média e pequena
burguesias, pelos artesãos e prestadores de serviços urbanos, pelos
pequenos proprietários rurais e camponeses arrendatários. A
charge faz referência à situação do campesinato, explorado
diretamente nas propriedades do clero e da nobreza.
Mas os demais segmentos desse estamento também eram
prejudicados, estando sujeitos a uma pesada carga tributária,
responsável pela sustentação da monarquia francesa.

– 35
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3. (FGV) – “Com a convocação dos Estados Gerais em 1788, a 4. (FATEC-Adaptado) –


aristocracia esperava completar o processo que esvaziaria a monarquia
de seu poder absoluto. Seu cálculo, teoricamente correto, baseava-se na
certeza de que controlaria todas as decisões dos Estados Gerais. Essa
assembleia tinha seus representantes eleitos internamente por cada
uma das ordens e, quando em funcionamento, a votação era em
separado, correspondendo a cada ordem um voto. Mas, na prática, o
cálculo dos aristocratas revelou-se um suicídio político para ela e para o
regime que representava.”
(Modesto Florenzano, As revoluções burguesas)

Esse “suicídio político” consubstanciou-se porque


a) o Terceiro Estado transformou os Estados Gerais em Assembleia
Nacional Constituinte em junho de 1789, após pouco mais de um
mês de funcionamento, dando início à Revolução Francesa.
b) a aristocracia, que defendia reformas nas obrigações servis, obje-
tivando ampliar os ganhos tributários do Estado, foi forçada a aceitar
o fim dos privilégios fiscais da nobreza togada e do baixo clero.
c) foi estabelecido um acordo entre os jacobinos e os girondinos na (Disponível em: <http://tinyurl.com/manifestante-da-depressao>.
Convenção, a partir de 1789, e uma série de reformas, baseadas nas Acesso em: 8. jan. 2014. Original colorido.)
ideias iluministas, determinou a extinção das obrigações feudais.
d) as reformas políticas propostas pela aristocracia permitiram uma Durante as manifestações populares de junho de 2013 no Brasil, circulou
maior participação do Terceiro Estado, em especial a alta burguesia, pelas redes sociais a imagem ora reproduzida.
que desde 1789 assumira o comando da Revolução. Analisando essa sátira sobre um evento importante da Revolução
e) a tentativa da aristocracia francesa em limitar a influência que a alta Francesa, é correto afirmar que a imagem se refere
burguesia exercia sobre o rei Luís XVI fracassou e abriu espaço para a) ao Período do Terror, no qual os jacobinos dissolveram a Convenção
que o soberano convocasse uma Assembleia Nacional Constituinte. e implantaram uma ditadura liberal.
RESOLUÇÃO: b) à fase do Diretório, na qual os girondinos promulgaram uma Constitui-
A assembleia dos Estados Gerais, formada por representantes dos ção que preservava as conquistas populares.
três Estados que formavam a sociedade francesa do Antigo
c) ao Tratado de Versalhes, quando Napoleão, derrotado na Campanha
Regime, foi convocada pelo rei Luís XVI em caráter consultivo,
tendo-se reunido no Palácio de Versalhes em maio de 1789. da Rússia, foi deposto pela burguesia.
Constatando que o fato de terem maioria de deputados não d) à Reação Termidoriana, quando Napoleão restaurou a monarquia
influiria no processo de votação (pois cada Estado correspondia a francesa em seu próprio benefício.
um voto), os representantes do Terceiro Estado — quase todos e) ao início da revolução, quando o Terceiro Estado promoveu a
burgueses — separaram-se das outras ordens e proclamaram uma
derrubada do Antigo Regime.
Assembleia Nacional Constituinte que acabou sendo aceita pelo
rei. A partir daí, mesmo com a inclusão dos representantes do clero
e da nobreza, a nova assembleia passou a ser controlada pelo RESOLUÇÃO:
Terceiro Estado. Teve então início o processo revolucionário que, Alternativa escolhida por exclusão porque, devido à ambiguidade
em julho seguinte, desembocaria na tomada da Bastilha pelo povo de sua redação, ela dá a entender que o Antigo Regime, na França,
de Paris. caiu em consequência da queda da Bastilha. Na verdade, esse
Resposta: A episódio, ainda que tradicionalmente considerado o marco inicial
da Revolução Francesa, não representa, por si só, à derrubada da
estrutura absolutista e aristocrática vigente na França – desfecho
que somente foi finalizado após o desenrolar do processo
revolucionário. De qualquer forma, foi o Terceiro Estado, dirigido
pela burguesia e utilizando o povo como massa de manobra, que
levou à tomada e destruição da antiga prisão real.
Resposta: E

36 –
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5.

A tira se refere à marcha das mulheres parisienses para o Palácio de Versalhes, residência da família real. Este foi um dos primeiros e mais significativos
acontecimentos da Revolução Francesa. As mulheres marcharam para Versalhes protestando contra a escassez de pão. O palácio foi ocupado pelas
revoltosas, que obrigaram a família real a se instalar em Paris, no Palácio das Tulherias. Tal fato ocorreu durante
a) a fase da Convenção, controlada pela facção radical dos Montanheses.
b) o governo do Diretório, em que as medidas de alcance popular foram atendidas.
c) a Assembleia dos Estados Gerais, que se encontrava submetida à autoridade da Coroa.
d) a resistência do clero e da nobreza à reforma fiscal e a outras medidas de Luís XVI.
e) a Fase da Assembleia Nacional Constituinte, a qual até então se reunia em Versalhes.

RESOLUÇÃO:
Diante da resistência do rei em ratificar as conquistas constitucionais, os revolucionários insuflaram as massas, que acabaram por retirar o
rei de seu isolamento em Versalhes e levá-lo a Paris, onde ficaria refém da Assembleia Nacional Constituinte.
Resposta: E

e da Lei dos Suspeitos, que permitia a condenação sem


MÓDULO 13 provas daqueles que fossem considerados “inimigos da
Revolução”.
— Abolição da escravidão nas colônias francesas.
REVOLUÇÃO FRANCESA: A FASE POPULAR E — Obrigatoriedade do ensino primário.
— Lei do Máximo, que limitava os preços dos gêneros de
A CONTRARREVOLUÇÃO primeira necessidade.

b) A valorização da liberdade (liberalismo), reconhecida como um


direito natural e inalienável do ser humano. E a alusão aos
1. (FGV) – “Cidadãos! O homem nasceu para a felicidade e para a “progressos da razão” (racionalismo), como necessários à
liberdade, e em toda parte é escravo e infeliz. A sociedade tem por fim preparação da “grande revolução”.
a conservação de seus direitos e a perfeição de seu ser, e por toda parte
a sociedade o degrada e oprime. Chegou o tempo de chamá-la a seus
verdadeiros destinos. Os progressos da razão humana prepararam esta
grande Revolução, e a vós especialmente é imposto o dever de acelerá-
la. Para cumprir vossa missão, é necessário fazer precisamente o
contrário do que existiu antes de vós.”
(Maximilien Robespierre. Paris, 10 de maio de 1793.)

Maximilien Robespierre foi o principal líder da corrente jacobina durante


a Revolução Francesa. Ao discursar na Convenção Nacional acerca dos
fundamentos que deveriam orientar a elaboração da primeira
Constituição Republicana na história do país, Robespierre invocou
princípios iluministas para defender a construção de uma nova ordem
política e social.
a) Aponte uma medida adotada pelos jacobinos no contexto da
radicalização do processo revolucionário francês (1793-94).
b) Explique um princípio iluminista presente no trecho transcrito.

RESOLUÇÃO:
a) — Implantação do Terror por meio do Tribunal Revolucionário

– 37
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2. (PUC-SP) – “O Terror, que se tornou oficial durante certo tempo, é justificativa de serem “traidores da Nação” ou “inimigos da
o instrumento usado para reprimir a contrarrevolução. É a parte sombria Revolução”. A guilhotina atuou sobretudo em Paris, mas no
e mesmo terrível desse período da Revolução [Francesa]; mas é preciso interior foram adotadas outras formas de execução em massa,
sempre sob o pretexto de defender a Revolução.
levar em conta o outro lado dessa política.”
Resposta: B
(Michel Vovelle. A revolução francesa explicada à minha neta.
São Paulo: Unesp, 2007, pp. 74-75.)
4. (UFRN-Adaptado) – Os diversos grupos envolvidos na Revolução
São exemplos dos “dois lados” da política revolucionária desenvolvida Francesa interpretaram diferentemente os princípios teóricos que a
na França, durante o período do Terror, fundamentaram. Uma interpretação desses princípios pode ser
a) o julgamento e execução de cidadãos suspeitos e o tabelamento do exemplificada no Manifesto dos Iguais, que se expressava nos
preço do pão. seguintes termos: “Desde a própria existência da sociedade civil, o
b) a prisão do rei e da rainha e a conquista e colonização de territórios atributo mais belo do homem vem sendo reconhecido sem oposição,
no Norte da África. mas nem uma só vez pôde ver-se convertido em realidade: a igualdade
c) a vitória na guerra contra a Áustria e a Prússia e o fim do controle nunca foi mais do que uma bela e estéril ficção da lei. E hoje, quando
sobre os salários dos operários. essa igualdade é exigida numa voz mais forte do que nunca, a resposta
d) a ascensão política dos principais comandantes militares e a é esta: ‘Calai-vos, miseráveis! A igualdade não é realmente mais do que
implantação da monarquia constitucional. uma quimera; contentai-vos com a igualdade relativa: todos sois iguais
e) o início da perseguição e da repressão contra religiosos e a em face da lei. Que quereis mais, miseráveis?’ Que mais queremos?
convocação dos Estados Gerais. Queremos igualdade efetiva ou a morte. De que mais precisamos além
da igualdade de direitos? Queremos vê-la entre nós, sob o teto das
RESOLUÇÃO: nossas casas.”
O Terror mesclou violência política com medidas de alcance social, (Graco Babeuf. Manifesto dos Iguais. Disponível em:
ainda que não plenamente efetivadas. No primeiro caso, um dos <www.marxists.org/portugues/babeuf/1796/mes/ manifesto.htm>.
exemplos mais radicais foi a entrada em vigor da Lei dos Suspeitos,
Acesso em: 17 set. 2012. Adaptado.)
que autorizava o julgamento – sem direito a advogado de defesa –
e execução de cidadãos apenas suspeitos de ser contrarrevo-
lucionários; no plano social, pode-se citar a Lei do Máximo, que
tabelou os gêneros de primeira necessidade mas nem por isso Elaborado na fase do Diretório, o manifesto de Babeuf inspirou a
impediu que eles viessem a escassear. “Conspiração dos Iguais”, chefiada pelo próprio Babeuf. A conspiração
Resposta: A
foi sufocada e seu líder, executado. No contexto da Revolução Francesa,
esses acontecimentos demonstram que
3. (CESGRANRIO) – “ Santa Guilhotina, protetora dos patriotas, rogai
a) a corrente conservadora, formada pelos chamados “realistas”, uniu-
por nós! Santa Guilhotina, terror dos aristocratas, protegei-nos! Máquina
se à alta burguesia para tentar restaurar a Monarquia.
adorável, tende piedade de nós! Máquina adorável, tende piedade de
b) a facção dos radicais, liderada por Robespierre, temia a ascensão
nós! Santa Guilhotina, livrai-nos de nossos inimigos!”
das massas operárias, influenciadas pelas ideias socialistas.
(Daniel Arasse. In: A Guilhotina e o Imaginário c) os ideais inspiradores do movimento revolucionário somente foram
do Terror. SP: Ática, 1989. pp 106-107.) aplicados na medida em que atendiam os interesses da burguesia.
d) as ideias radicais orientaram a ação dos girondinos, que assumiram
A leitura do texto remete ao período da Revolução Francesa conhecido a liderança do processo revolucionário após a morte de Luis XVI.
como “Terror”, que pode ser identificado como o momento e) as ideias de Babeuf tinham suas raízes no pensamento dos iluminis-
a) de diversas revoltas lideradas por trabalhadores rurais, que pleitea- tas como Montesquieu, criador da teoria da tripartição de poderes.
vam o direito à terra e contra os quais o governo girondino utilizou a
guilhotina indiscriminadamente. RESOLUÇÃO:
Embora seja recorrente datar a fase do Diretório a partir da queda
b) de adoção de medidas populares, tais como o controle de preços e
de Robespierre, em decorrência do Golpe de 9 Termidor de 1794, o
a reforma agrária, sob a liderança jacobina, durante a qual a guilhotina governo colegiado conhecido por esse nome somente foi instituído
representava para muitos a justiça revolucionária. em 1795, com a entrada em vigor de uma nova Constituição. No
c) do apogeu da dominação burguesa, caracterizado pelo aumento do período que medeia entre o 9 Termidor e a criação do Diretório, a
comércio externo francês, sendo a guilhotina considerada um símbo- Convenção Nacional continuou a funcionar, mas sob o controle da
burguesia moderada (Reação Termidoriana, que revogou as medi-
lo da eliminação dos resquícios feudais.
das populares adotadas na fase anterior). A fraqueza do Diretório,
d) do retorno da nobreza por meio de uma ação contrarrevolucionária, ameaçado por monarquistas , de um lado, e radicais, de outro,
que eliminou as lideranças burguesas e populares iniciadoras do levou a burguesia a apoiar a ascensão de Napoleão Bonaparte, pelo
processo revolucionário. Golpe de 18 Brumário. A Conspiração dos Iguais foi a principal
e) resultante da “lei dos cercamentos”, que expulsou os camponeses manifestação contra o projeto burguês (“Contrarrevolução
Burguesa”) que então se implementava.
de suas terras e os levou a se revoltarem contra o governo de Paris,
Resposta: C
sendo seus líderes guilhotinados.

RESOLUÇÃO:
A “oração” revolucionária transcrita remete-nos à fase mais
sanguinária da Revolução Francesa: o Período do Terror, na qual
milhares de “inimigos da Revolução” foram guilhotinados, sob a

38 –
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5. (PUCCAMP) – No contexto histórico da Revolução Francesa, o


episódio denominado “Golpe de 18 Brumário” aconteceu
a) no início do governo do Diretório, que se impopularizou por conta
dos desmandos políticos praticados.
b) no momento em que a “Conjuração dos Iguais” propunha a tomada
do poder pela força e o fim da propriedade privada.
c) no momento em que os monarquistas tentavam voltar ao poder,
sendo reprimidos pelo general Bonaparte.
d) quando Napoleão, apoiado pelo Exército e pela alta burguesia,
derrubou o Diretório e assumiu o poder.
e) quando Robespierre, Saint-Just e seus companheiros foram exe-
cutados na guilhotina, pondo fim ao Terror.

RESOLUÇÃO:
A burguesia francesa, interessada em consolidar as conquistas
alcançadas durante a Revolução, e sentindo-se insegura diante dos
riscos de uma possível volta dos jacobinos ou dos monarquistas
ao poder, preferiu entregar o poder político ao general Napoleão
Bonaparte, o qual instauraria um regime autoritário apoiado no
Exército e na classe burguesa.
Resposta: D

MÓDULO 14 2. (PUC-RJ-Adaptado) – Como general, cônsul e depois imperador,


Napoleão Bonaparte transformou a França de um país sitiado em uma
potência expansionista com influência em todo o continente europeu.
A ERA NAPOLEÔNICA E No entanto, a expansão francesa, com seus ideais burgueses, encontrou
O CONGRESSO DE VIENA muitas resistências, principalmente entre as nações controladas por
setores aristocráticos. Assinale a opção que identifica corretamente uma
ação implementada pelo governo napoleônico.
a) Estabelecimento do catolicismo cristão romano como religião de
1. (FUVEST) – As Guerras Napoleônicas, travadas entre o final do
Estado, ficando proibidas as demais crenças religiosas.
século XVIII e as primeiras décadas do século XIX, tiveram consequên-
b) Descentralização das atividades econômicas, permitindo que as
cias diretas para diversas regiões do mundo. Mencione e explique uma
economias locais prosperassem sem o pagamento de impostos.
delas, relativa
c) Elaboração do Código Civil, que assegurava a liberdade individual, a
a) ao Leste da Europa;
igualdade perante a lei e o direito à propriedade privada.
b) ao continente americano.
d) Estímulo, pelas leis francesas, à criação de sindicatos de
RESOLUÇÃO: trabalhadores urbanos livres da influência do Estado.
a) Ao final das Guerras Napoleônicas, realizou-se o Congresso de e) Estatização de toda a propriedade agrícola, comercial e industrial nas
Viena, tendo como um de seus objetivos refazer o mapa político regiões conquistadas e incorporadas ao Império Francês.
europeu. Na Europa Oriental, a Rússia – na condição de uma das
potências vencedoras de Napoleão – expandiu seu território, RESOLUÇÃO:
incorporando a Finlândia, a maior parte da Polônia e alguns O Código Civil Napoleônico consolidou as conquistas burguesas
territórios tomados ao Império Otomano. da fase revolucionária. Seu grande mérito jurídico foi combinar o
b) As Guerras Napoleônicas contribuíram de forma relevante para Direito Romano, consubstanciado no Corpus Juris Civilis, com uma
a independência das colônias ibero-americanas. A invasão de legislação moderna, coerente com a nova realidade política,
Portugal pelos franceses, em 1807, forçou a transmigração da econômica e social.
Família Real Portuguesa para o Brasil, criando as condições Resposta: C
necessárias à realização da independência brasileira. Por outro
lado, a imposição de José Bonaparte como rei da Espanha levou
as colônias espanholas da América a criar Juntas Provisórias de
Governo – primeiro passo em direção à independência.

– 39
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3. (UNESP) – 4. (FGV) – “ ‘Restauração’ é o nome do regime estabelecido na França


“Artigo 5.° — O comércio de mercadorias inglesas é proibido, e durante quinze anos (1815-30), mas essa denominação convém a toda
qualquer mercadoria pertencente à Inglaterra, ou proveniente de suas a Europa. Ela é múltipla e se aplica a todos os aspectos da vida social e
fábricas e de suas colônias, é declarada boa presa. política.”
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
Artigo 7.° — Nenhuma embarcação vinda diretamente da Inglaterra (René Rémond, O século XIX: introdução à história do nosso tempo)
ou das colônias inglesas, ou lá tendo estado, desde a publicação do
presente decreto, será recebida em porto algum. Reconhece-se a Restauração no processo que
Artigo 8.° — Qualquer embarcação que transgredir a disposição a) restituiu o poder aos monarcas europeus alinhados com Napoleão,
acima será apresada e o navio e sua carga serão confiscados como se provocando a generalização da contrarrevolução na América colonial,
fossem propriedade inglesa.” de onde fora varrida pelas independências nacionais.
(Napoleão Bonaparte, excertos do Decreto do Bloqueio Continental,
b) alçou a Inglaterra à condição de nação hegemônica, com capacidade
1806, in Kátia M. de Queirós Mattoso, Textos e documentos para o
estudo da história contemporânea (1789-1963)) de reverter a proibição do tráfico de escravos africanos para a
América e de defender a recolonização da América Espanhola.
Esses artigos do Bloqueio Continental, decretado pelo imperador da c) permitiu a volta das antigas dinastias ao poder, que haviam perdido
França em 1806, permitem notar a disposição francesa de com as Guerras Napoleônicas, e que criou a Santa Aliança, nascida
a) incentivar a autonomia das colônias inglesas na América, que passa- com o intuito de reprimir movimentos revolucionários.
riam a depender mais de seu comércio interno. d) restabeleceu as bases do sistema colonial na América e na Ásia, com
b) impedir a Inglaterra de negociar com a França uma nova legislação a recriação de companhias de comércio marcadas pela rigidez
para o comércio na Europa e nas áreas coloniais. metropolitana, além da prática do “mar fechado” e do “porto único”.
c) provocar a transferência da Corte Portuguesa para o Brasil, por meio e) ampliou os direitos trabalhistas em toda a Europa – condição que
da ocupação militar da Península Ibérica. provocou as revoluções de 1830 e 1848, eventos fundamentais para
d) estimular a ação de corsários ingleses no norte do Oceano Atlântico a retomada dos valores políticos anteriores à Revolução Francesa.
e ampliar a hegemonia francesa nos mares europeus.
e) debilitar a Inglaterra, então em processo de industrialização, impedin- RESOLUÇÃO:
do seu comércio com o restante da Europa. A Restauração Europeia foi um amplo processo contrarrevolucio-
nário iniciado com o Congresso de Viena e a restauração das
RESOLUÇÃO: dinastias destronadas pela Revolução Francesa ou por Napoleão
Uma vez frustrado seu projeto de invadir a Inglaterra, devido à Bonaparte. Houve ainda uma reordenação das fronteiras europeias
vitória naval britânica em Trafalgar, Napoleão procurou aproveitar e da distribuição de possessões coloniais. Para assegurar a ordem
sua hegemonia na Europa Continental para tentar debilitar a europeia estabelecida pelo Congresso de Viena, Áustria, Prússia e
economia inglesa, proibindo o comércio de produtos britânicos Rússia formaram a Santa Aliança, responsável pela repressão a
com os Estados europeus. Os efeitos dessa medida, porém, foram eventuais movimentos revolucionários.
minimizados pela demanda de produtos industrializados ingleses Resposta: C
na Europa Continental, o que estimulou a prática do contrabando.
Resposta: E

5. (PUC-MG) – Em perfeita sintonia com o espírito restaurador do


Congresso de Viena, a criação da Santa Aliança tinha por objetivo
a) difundir os princípios democráticos e parlamentaristas, promovendo
a modernização das monarquias europeias.
b) reprimir os movimentos revolucionários liberais que eclodissem em
qualquer parte do continente europeu.
c) assegurar a liberdade comercial, tida como elemento indispensável
à industrialização e à acumulação de capitais.
d) combater os focos de resistência aristocrática, geradores de tensão
social e alimentadores da oposição burguesa.
e) inibir a formação de alianças entre as principais potências, o que
ameaçava o equilíbrio de forças na Europa.

RESOLUÇÃO:
A Santa Aliança, formada por Áustria, Prússia e Rússia – potências
absolutistas –, foi criada com o objetivo de preservar a ordem
europeia estabelecida pelo Congresso de Viena. Para tanto, deveria
aplicar o “princípio de intervenção”, reprimindo quaisquer movi-
mentos de caráter liberal e/ou nacionalista.
Resposta B

40 –
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2. (UESPI) – A modernidade não se fez sem a multiplicidade de saberes


MÓDULO 15 e o confronto de concepções de mundo. No século XIX, por exemplo, o
movimento romântico
a) incentivou ideais nacionalistas e construiu críticas ao iluminismo.
IDEIAS SOCIAIS E POLÍTICAS DO SÉCULO XIX b) negou as principais teorias de Rousseau e dos filósofos idealistas.
c) foi contra as tradições populares, favorecendo tendências elitistas.
d) aceitou as regras do classicismo, desprezando o individualismo.
e) combateu a importância da memória histórica e das tradições.

1. (UFSJ) – Analise as afirmações a seguir.


RESOLUÇÃO:
I. As revoluções liberais do século XIX originaram-se das Revoluções O romantismo combateu o racionalismo presente no pensamento
Inglesa (1688), Norte-Americana (1776) e Francesa (1789), bem da maioria dos iluministas, optando por valorizar os sentimentos
como da Revolução Industrial Inglesa, que vinha acontecendo desde e a Natureza, de acordo com a óptica de Rousseau. Também
meados do século XVIII. valorizou o individualismo, que os iluministas subordinavam ao
ideal do bem comum.
II. As revoluções liberais do século XIX atingiram seu ápice em 1848,
Resposta: A
apresentando, além do seu caráter liberal e burguês, um novo
elemento: a participação da classe operária, com tendência ao
socialismo.
3. (UNICAMP-adaptado) – “A história de todas as sociedades tem
III. As bases do liberalismo defendido pelos revolucionários do século
sido a história das lutas de classe. Classe oprimida pelo despotismo
XIX eram a propriedade privada, o individualismo econômico e a
feudal, a burguesia conquistou a soberania política no Estado moderno,
liberdade de comércio, de produção e de contrato de trabalho, sem
em que uma exploração aberta e direta substituiu a exploração velada
controle pelo Estado.
por ilusões religiosas. A estrutura econômica da sociedade condiciona
IV. As revoluções liberais do século XIX tiveram caráter socialista e
suas formas jurídicas, políticas, religiosas, artísticas ou filosóficas. Não
anarquista e defendiam uma sociedade livre, sem classes sociais, e
é a consciência do homem que determina seu ser; mas, ao contrário,
o fim da propriedade privada e da livre concorrência.
são as relações de produção por ele estabelecidas que determinam sua
consciência.”
Assinale a alternativa correta. (K. Marx e F. Engels, Obras Escolhidas. São Paulo:
a) Apenas as afirmações I e II são verdadeiras. AlfaÔmega, s./d., vol 1, pp. 21-23, 301-302. Adaptado.)
b) Apenas as afirmações I e IV são verdadeiras.
As ideias expressas no texto podem ser associadas ao pensamento
c) Apenas as afirmações II e IV são verdadeiras.
conhecido como
d) Apenas as afirmações I, II e III são verdadeiras.
a) materialismo histórico, que analisa a evolução das sociedades
e) Apenas as afirmações II, III e IV são verdadeiras.
humanas a partir de ideias universais, independentes da realidade
RESOLUÇÃO: histórica e social.
A afirmação IV é falsa porque as revoluções do século XIX tiveram b) materialismo científico, que analisa o processo histórico a partir de
caráter liberal e nacionalista. Não visavam abolir a propriedade uma visão metafísica, tendo como resultado o estabelecimento de
privada e estimulavam a livre concorrência – características uma sociedade igualitária.
combatidas pelos socialistas e anarquistas.
c) socialismo utópico, que propõe a destruição do capitalismo por meio
Resposta: D
de uma revolução, seguida pela implantação de uma ditadura do
proletariado.
d) socialismo utópico, que defende a reforma do capitalismo por meio
do fim da exploração econômica e a abolição do Estado por meio da
ação direta.
e) materialismo histórico, que concebe a História a partir dos conflitos
sociais e das formas ideológicas determinadas pelas relações
socioeconômicas.

RESOLUÇÃO:
O materialismo histórico, que constitui a base filosófica do
socialismo científico, compreende a evolução da humanidade como
a história da luta de classes, definida pela propriedade dos meios
de produção e pela exploração de uma classe sobre a outra. Baseia-
se na análise das condições materiais das sociedades humanas,
considerando-as determinantes para a compreensão das formas
políticas, culturais e religiosas existentes nessas sociedades.
Resposta: E

– 41
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4. (ESPM) – Em conjunto com as grandes transformações econômicas, 5. (UNICAMP-Adaptado)


políticas e sociais do século XIX, surgiram diversas doutrinas e correntes
ideológicas. Uma delas foi o anarquismo, que pregava
a) o respeito à propriedade privada, o controle demográfico e a obser-
vância da lei natural da oferta e da procura.
b) a revolução socialista, o controle do Estado pelo proletariado e o
socialismo como estágio final do processo.
c) a erradicação do Estado, das instituições, das classes e das tradições
visando à imediata implantação do comunismo.
d) a necessidade de um contrato entre os governados e o Estado e o
imperativo da moral e do bem comum.
e) a religião como instrumento de reforma e justiça social, além da
formação de comunidades coletivistas.

RESOLUÇÃO:
O anarquismo, cujo principal representante foi Mikhail Bakunin,
tinha o mesmo objetivo do socialismo científico: a implantação de
uma sociedade igualitária, baseada na autogestão. Entretanto,
diferia do socialismo marxista por não considerar a necessidade de
uma revolução proletária nem a ocorrência de uma ditadura do
Observe a obra do pintor Delacroix, intitulada A Liberdade guiando o
proletariado. Para Bakunin e seus seguidores, bastaria uma revolta
geral das classes oprimidas e a imediata supressão do Estado e de Povo (1830), e assinale a alternativa correta.
seus órgãos de controle. a) Os envolvidos na ação política representada na tela são homens do
Resposta: C campo com seus instrumentos de ofício nas mãos, inseritos em um
ambiente urbano.
b) Delacroix, um artista de inspiração neoclássica, recriou a Revolução
de 1830 na França, vista pela perspectiva dos defensores da ordem
institucional.
c) O quadro evoca temas da Revolução Francesa, como a bandeira
tricolor e a figura da Liberdade, mas retrata um ato político assentado
na teoria bolchevique.
d) No quadro, vê-se uma barricada da guerra entre nobres e servos
durante a Revolução Francesa, sendo que a Liberdade encarna os
ideais aristocráticos.
e) O quadro mostra tanto o ideário da Revolução Francesa, reavivado
pelas lutas políticas de 1830 na França, quanto a posição política do
pintor.

RESOLUÇÃO:
A tela em questão celebra a Revolução de 1830 na França,
retomando símbolos da Revolução Francesa (a alegoria da
liberdade e a bandeira tricolor) e mostrando pessoas do povo e da
burguesia em atitude insurrecional, como ocorrera nas jornadas
revolucionárias de 1789 e anos seguintes. Esse paralelismo aponta
para a identidade ideológica entre as duas revoluções, marcadas
pelo ideário liberal, que também era perfilhado por Delacroix, um
dos grandes nomes da pintura romântica.
Resposta: E

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2. (UFRN-Adaptado) – Assinale a alternativa que explica a unificação


MÓDULO 16 da Alemanha, ocorrida na segunda metade do século XIX.
a) O principal fator que possibilitou a unificação alemã foi o desenvolvi-
mento econômico e social dos Estados germânicos, fortalecido pela
A UNIFICAÇÃO ALEMÃ criação de uma união aduaneira.
b) A unificação alemã atendeu aos interesses de uma aristocracia rural
desejosa de formar um amplo mercado nacional para seus produtos,
alicerçando-se no nacionalismo popular.
c) Na Alemanha, a unificação nacional decorreu principalmente da
1. (UFMG) – Quem foi Bismarck e qual a estratégia política por ele
formação de uma identidade coletiva baseada no idioma, na história,
utilizada para realizar a unificação da Alemanha?
na cultura e nas tradições comuns.
RESOLUÇÃO: d) Na Alemanha, a unificação política pôde ultrapassar as barreiras
Otto von Bismarck foi chanceler (primeiro-ministro) do Reino da impostas pela aristocracia territorial, que via no desenvolvimento
Prússia e, mais tarde, do Império Alemão. Para realizar a unificação industrial o caminho da modernização.
da Alemanha, aliou-se a outros Estados alemães por meio de três
e) A unificação da Alemanha concretizou o ideal do pangermanismo,
guerras sucessivas: contra a Dinamarca (Guerra dos Ducados), a
Áustria (Guerra das Sete Semanas) e finalmente a França (Guerra pois uniu em um só Estado todas as populações pertencentes à etnia
Franco-Prussiana). alemã, inclusive os habitantes da Áustria.

RESOLUÇÃO:
A questão apresenta uma explicação reducionista para a unificação
da Alemanha, pois omite outros fatores significativos, entre os
quais o nacionalismo germânico, o poderio militar da Prússia e a
habilidade política do chanceler Bismarck.
Resposta: A

3. (UEG) – O ano de 1870 foi marcado, na Europa, pelo início da guerra


Franco-Prussiana e, na América do Sul, pelo fim da Guerra do Paraguai.
Esses dois conflitos influenciaram, respectivamente,
a) a queda do chanceler alemão Otto von Bismarck e a Questão
Religiosa no Brasil.
b) a implantação do II Império Francês e a emancipação dos escravos
no Brasil.
c) o advento da Comuna de Paris e a criação da Guarda Nacional no
Brasil.
d) a unificação da Alemanha por meio do II Reich e a proclamação da
República Brasileira.
e) o surgimento do nacional-socialismo na Alemanha e do anarco-sindi-
calismo no Brasil.

RESOLUÇÃO:
Ao unir os chefes de Estado alemães na luta contra a França, o
chanceler Bismarck convenceu-os a aceitar a unificação da Alemanha,
tendo o rei da Prússia como imperador – decisão ratificada em
cerimônia no Palácio de Versalhes, antes mesmo do final da guerra.
A Guerra do Paraguai, por sua vez, fortaleceu o Exército Brasileiro,
cujos oficiais começaram a manifestar pretensões políticas. Esse
fator, somado a outros (Questões Religiosa e Abolicionista e
imobilismo político do Império Brasileiro), contribuiu decisivamente
para a construção do cenário que resultaria na implantação da
República.
Resposta: D

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4. (UFRS) – Analise os itens abaixo, referentes a possíveis consequên-


cias da Guerra Franco-Prussiana de 1870-71. MÓDULO 17
I. A ocupação imperialista da Argélia pela França.
II. A fundação da Primeira Internacional pelos nacional-socialistas da
Áustria. UNIFICAÇÃO ITALIANA
III. O fim do II Império Francês e a instauração do II Reich.
Assinale a alternativa correta
a) Apenas o item I é verdadeiro
b) Apenas o item II é verdadeiro 1. (FUVEST) – O que foi a Questão Romana e como foi resolvida pelo
c) Apenas o item III é verdadeiro. Tratado de Latrão, firmado entre Mussolini e o papa Pio XI?
d) Apenas os itens I e III são verdadeiros.
e) Apenas os itens II e III são verdadeiros. RESOLUÇÃO:
Questão Romana: conflito entre o recém-unificado Reino da Itália
RESOLUÇÃO: e o Papado, decorrente da anexação dos Estados da Igreja ao
O item I é falso porque a conquista da Argélia pela França foi primeiro, com a consequente perda do poder temporal (político)
iniciada em 1830, muito antes da Guerra Franco-Prussiana. O item do sumo pontífice.
II é falso porque a Primeira Internacional foi fundada por Karl Marx O Tratado de Latrão criou o Estado do Vaticano, restabelecendo o
em 1864 (igualmente antes da Guerra Franco-Prussiana), nada poder temporal do papa e pondo fim à Questão Romana.
tendo que ver com o nacional-socialismo (nazismo), que aliás
surgiu na Alemanha – e não na Áustria – em 1921.
Resposta: C

5. “Sou um partidário da Comuna de Paris que, por ter


sido massacrada, sufocada no sangue pelos carrascos
da reação monárquica e clerical, tornou-se ainda mais
viva, mais poderosa na imaginação e no coração do proletariado da
Europa. Sou seu partidário sobretudo porque ela foi uma negação
audaciosa e bem pronunciada do Estado.”

(Mikhail Bakunin, apud: Alexandre Samis. Negras tormentas:


o federalismo e o internacionalismo na Comuna de Paris. São Paulo:
Hedra, 2011.)

A Comuna de Paris despertou a reação dos setores sociais mencionados


no texto, porque
a) instituiu a participação política direta do povo.
b) consagrou o princípio do sufrágio universal.
c) encerrou o período de estabilidade política europeia.
d) simbolizou a vitória do ideário marxista.
e) representou a retomada dos valores do liberalismo.

RESOLUÇÃO:
A Comuna de Paris foi uma sublevação popular que tentou formar
um “governo do povo” para comandar a França. Dela participaram
as diversas correntes socialistas do período (utópico, científico e
anarquismo), o que fez com que fosse combatida por todas as
outras correntes políticas.
Obs.: O autor, ligado à ideologia anarquista, tende a generalizar os
adversários da Comuna de Paris sob o rótulo mais conservador
possível (“reação monárquica e clerical”), eludindo o fato de que a
tendência triunfante na III República Francesa era liberal e republicana.
Resposta: A

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2. (UFV – Adaptado) – A expressão Risorgimento designa o conjunto 3. (UFT-PR – Adaptado) – A Itália foi uma nação que se unificou
de movimentos heterogêneos que desejavam a unificação da Itália no tardiamente, na segunda metade do século XIX. Levando em conta os
século XIX. A vertente vitoriosa nesse processo foi fatores históricos desse processo, é incorreto afirmar que
a) o projeto republicano de Giuseppe Mazzini, que criou o movimento da a) as determinações do Congresso de Viena (1814-15) impuseram a
“Jovem Itália”, voltado para a superação dos particularismos regionais. divisão da Itália em sete Estados, submetidos parcialmente à influên-
b) o movimento popular dos carbonários, que defendia a instituição de cia austríaca.
um Estado unitário e laico, contrário à influência da Igreja. b) o Norte da Itália era industrializado, com investimentos nos setores
c) o Papado, que propunha a instituição de uma monarquia teocrática mecânico e ferroviário, em companhias de crédito e em redes
com sede no Vaticano e dotada de suserania sobre os demais Estados. comerciais.
d) o movimento liderado pelo Reino da Sardenha e Piemonte, que ado- c) a burguesia do Sul promoveu o desenvolvimento capitalista a partir
tou uma monarquia constitucional laica e favoreceu a industrialização. de um intenso surto de industrialização, responsável pelo financia-
e) o movimento dos “Camisas Vermelhas” garibaldinos, que estiveram mento unificação.
à frente de todas as campanhas militares em prol da unificação. d) a unificação da Itália interessava à burguesia do Norte, pois a divisão
da Península em vários Estados prejudicava a livre circulação das
RESOLUÇÃO: mercadorias.
A unificação da Itália processou-se em torno do Reino da Sardenha e) no Norte da Itália formou-se uma burguesia industrial interessada
e Piemonte, cujo liberalismo contava com a simpatia da burguesia em fortalecer o capitalismo, combatendo o domínio das forças
italiana. No plano interno, o projeto unificador recebeu o
conservadoras.
importante apoio da Maçonaria e do líder republicano Giuseppe
Garibaldi, comandante dos “Camisas Vermelhas”. No plano
externo, o Reino Sardo-Piemontês recebeu ajuda da França RESOLUÇÃO:
(1859-60) e da Prússia (1866) para combater a Áustria. O mezzogiorno (designação dada ao Sul da Península Itálica) era
Resposta: D agrário e retrógrado, dominado por uma aristocracia conservadora
que, de um modo geral, se opôs ao processo da unificação italiana.
Resposta: C

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4. (FGV) – “A unidade italiana – processo de constituição de um 5. (UFG – Adaptado) – A unificação italiana, ocorrida no final do século
Estado único para o país – conserva o sistema oligárquico. Isto não XIX, pôs fim aos Estados da Igreja, provocando um impasse solucionado
impede a formação do Estado, mas retarda a eclosão do fenômeno a) pelo acirramento do nacionalismo italiano, que levou o governo do
nacional.” país a expropriar as terras eclesiásticas.
b) pelo envolvimento da Igreja nas lutas nacionais da Itália, por meio da
(Leon Pomer, O surgimento das nações, 1985, p. 40-42.) “Fizemos a
criação de associações patrióticas católicas.
Itália; agora, precisamos fazer os italianos.” Massimo d’Azeglio
c) pela adesão do papa Pio IX aos princípios do liberalismo, em seu
Apud E. J. Hobsbawm, A era do capital, 1977, p. 108.)
esforço para deter o avanço do fascismo.
A partir do texto, é correto afirmar que d) pela assinatura do Tratado de Latrão (1929), quando Mussolini con-
a) o Estado Italiano, apesar de ter sido formalizado antes da nação, cordou em criar o Estado do Vaticano.
representou os interesses dos não proprietários, o que implicou a e) pelo Risorgimento, no qual setores ligados à Igreja passaram a acei-
defesa de mudanças revolucionárias que liberalizaram o Estado e tar a ideia de uma Itália unida e independente.
permitiram a emergência do sentimento nacional, já fortalecido pelas
guerras de unificação da Itália. RESOLUÇÃO:
O Tratado de Latrão, que encerrou a chamada “Questão Romana”
b) o Estado Italiano, nascido em 1848 na luta da alta burguesia do Norte
entre o Estado Italiano e o Papado, foi celebrado entre Mussolini e
pelo poder, representava os interesses liberais, isto é, a unidade do Pio XI. Por meio desse acordo, o papa recuperou seu poder
país como um alargamento do Estado Piemontês na defesa da pe- temporal, graças à criação do Estado do Vaticano. Em troca, o
quena propriedade e do voto universal, o que consolidaria o regime facista de Mussolini passou a contar com o apoio da Igreja
sentimento nacional formador do povo italiano. Católica.
Resposta: D
c) a criação do Estado Italiano, pela burguesia do Reino das Duas
Sicílias, foi uma vitória do liberalismo, pois a estrutura fundiária, ba-
seada na grande propriedade, e a exclusão política dos não proprie-
tários permaneceram, fortalecendo os valores nacionais e criando
condições para a diminuição das diferenças regionais.
d) o processo de unificação e o sentimento nacional estavam
intimamente ligados em 1870, visto que a burguesia do centro da
Península, vitoriosa na guerra contra a Áustria, absorvera os valores
populares nacionais, legitimando a formação do Estado autoritário,
defensor das desigualdades regionais.
e) o Estado Italiano nasceu antes da nação como uma construção
artificial e autoritária da alta burguesia do Norte, cujos interesses de
dominação excluíram as mudanças revolucionárias e atrasaram a
emergência do sentimento nacional, ainda estranho para a grande
maioria das diferentes regiões da Península.

RESOLUÇÃO:
A unificação italiana realizou-se em torno do Reino da Sardenha
(ou Reino Sardo-Piemontês), um Estado setentrional então em
processo de industrialização. A Dinastia de Savoia, nele reinante,
era liberal e contava com o apoio da burguesia comercial,
industrial e financeira da Itália, inclusive fora das fronteiras sardo-
piemontesas. Os demais Estados italianos foram incorporados ao
Reino da Sardenha e Piemonte em decorrência de revoluções
liberais burguesas (Grão-Ducado da Toscana e Ducados de Parma
e Módena) ou pela conquista militar (Reino das Duas Sicílias,
Estados da Igreja e Reino Lombardo-Veneziano, dominado pela
Áustria), realizada pelo líder nacionalista Giuseppe Garibaldi ou
pelo exército piemontês regular. Esse processo unificou a Itália de
acordo com as conveniências da burguesia nortista, sem levar em
conta as particularidades regionais nem o interesse das camadas
populares.
Obs.: O Reino da Itália foi proclamado em 1861, com capital em
Florença, mas somente concluiu seu processo unificatório em
1870, com a conquista de Roma – último território ainda
governado pelo papa.
Resposta: E

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2. (UNEMAT) – Para muitos historiadores, o período compreendido


MÓDULO 18 entre 1860 e 1914, do ponto de vista econômico, é conhecido como
“Segunda Revolução Industrial”. Sobre o tema, assinale a alternativa
correta.
SEGUNDA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL a) Nesse período, a industrialização se concentrou na Inglaterra, fazendo
que o país fosse cognominado “Oficina do Mundo”.
b) Uma das motivações da I Guerra Mundial foram as rivalidades
econômicas acentuadas pela Segunda Revolução Industrial.
1. (UFMG) – “Se alguém for visto falando com outra pessoa, c) Nessa época, devido ao progresso econômico que a industrialização
assobiando ou cantando, será multado em 6 pence.” proporcionou, o movimento operário praticamente desapareceu.
(Documentos Humanos da Revolução Industrial) d) Entre os anos de 1873 e 1896, ocorreu uma grave crise econômica,
cuja maior consequência foi o fim dos trustes e dos cartéis.
“O tempo não me pertence; por isso, amanhã não poderei ir à sua casa. e) No plano tecnológico, essa fase do capitalismo industrial ficou
Mas, se você puder ir à Praça da Bolsa, entre duas e duas e meia, nós circunscrita à utilização do ferro, do carvão e do vapor.
nos encontraremos como sombras miseráveis nas bordas do inferno.”
(um marceneiro francês em 1848) RESOLUÇÃO:
A Segunda Revolução Industrial, graças à utilização da eletricidade,
“Pelo que sei do ofício, acredito que hoje um homem trabalha quatro do petróleo e do aço, acelerou a produção industrial, acirrando a
vezes mais que antes. A oficina onde trabalho se assemelha em tudo a disputa de mercados pelas grandes potências capitalistas – um dos
fatores causais da Primeira Guerra Mundial.
uma prisão — o silêncio é aqui aplicado tal qual em uma prisão.”
Resposta: B
(um marceneiro inglês em 1849)

A partir dos textos, é possível concluir que a Revolução Industrial, ainda


no século XIX,
a) não foi uma mera aceleração do ritmo produtivo, mas provocou uma
transformação social ao inserir o trabalhador em novas formas de
controle do trabalho.
b) impôs uma rígida disciplina ao trabalhador assalariado no espaço da
fábrica, mas não interferiu em seu dia a dia, uma vez que o horário
de serviço era limitado por lei.
c) introduziu a divisão do trabalho, buscando maior eficiência e 3. (UNICAMP) – As exposições universais do século XIX, sobretudo as
permitindo que o trabalhador dominasse o conhecimento das de Londres e Paris, se caracterizavam
diversas etapas da produção. a) pelo louvor à superioridade europeia e pela apresentação otimista da
d) permitiu a organização do trabalho fabril, buscando uma maior técnica e da ciência.
comunicação entre os operários, o que resultou no aumento da b) pela censura à expansão na África, considerada um freio ao
eficiência e da lucratividade. progresso europeu.
e) simplificou o trabalho industrial, reduzindo-o a tarefas de fácil execução, c) pela crítica marxista aos ideais burgueses dominantes nos centros
o que ampliou a autonomia do trabalhador em relação à máquina, urbanos europeus.
restituindo-lhe a dignidade. d) pelo elogio à sociedade burguesa e às vanguardas da época, como
o cubismo e o dadaísmo.
RESOLUÇÃO: e) pela valorização do ideal de fraternidade universal, a ser alcançado por
Os textos transcritos referem-se à prática do “capitalismo meio da expansão do capitalismo.
selvagem”, que predominou na Primeira Revolução Industrial, mas
esteve presente também nas primeiras décadas da Segunda.
RESOLUÇÃO:
Resposta: A
As exposições universais (“universais” no sentido de reunirem
expositores dos países desenvolvidos, e também por apresentarem
aspectos de culturas consideradas “exóticas”) constituem uma
evidência da importância dada à ciência e à tecnologia da época.
Como a maioria delas foi realizada entre a segunda metade do
século XIX e o início do XX, podem ser consideradas como uma
manifestação da Belle Époque – período de otimismo e euforia
desfrutado pela burguesia europeia e norte-americana, no quadro
da expansão do capitalismo monopolista.
Resposta: A

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4. (EEP-SP) – “A euforia tomava conta do planeta. Tal otimismo, 5. (FATEC) – “No século XIX, assistiu-se ao desenvolvimento e à
ainda que ingênuo, era razoavelmente justificado. Após milênios de ci- consolidação do capitalismo industrial, sustentado por uma tecnologia
vilização, o homem tinha em seu poder engenhos inacreditáveis: um fabril ainda incipiente e por grandes contingentes de trabalhadores
carro que andava sem precisar ser puxado por cavalos, uma lâmpada submetidos a regras impostas pelos donos das fábricas — no geral, sem
sem pavio, um aparelho para as pessoas conversarem a longa distância, a intervenção do Estado.
outro para tirar retratos perfeitos como um espelho, uma curiosa ma- O século XX, por sua vez, foi palco de rápidos e intensos avanços
quininha capaz de gravar e reproduzir todos os sons deste mundo, uma tecnológicos. Como exemplos, podemos citar o surgimento de modelos
tela mágica na qual eram projetadas imagens de pessoas, bichos e de gestão do trabalho, que possibilitaram a produção e o consumo em
coisas movendo-se. E, para coroar esse festival de deslumbramento, larga escala. Destacam-se ainda importantes conquistas sociais e
tornou-se realidade o mais caro sonho humano – voar!” trabalhistas, além de uma profunda crise que forçou a reestruturação
(Nosso século. SP, Abril Cultural, s/d, vol. I, pág. 7.) da produção – principalmente a partir da década de 1970 –, atingindo o
mundo do trabalho em termos globais.”
O trecho refere-se
a) ao avanço tecnológico ocorrido no Período Entreguerras.
(Disponível em:
b) ao desenvolvimento industrial verificado no século XX.
<http://tinyurl.com/pI53wdn>. Acesso em: 30.jun.2014. Adaptado.)
c) às invenções que caracterizaram a Belle Époque.
d) aos primórdios da Revolução Industrial.
Refletindo sobre as formas de organização do trabalho descritas no
e) à cultura de massas do pós-modernismo.
texto, é correto concluir que,
RESOLUÇÃO: a) durante o século XIX, o capitalismo industrial garantia todos os
O ambiente descrito e as invenções mencionadas são algumas direitos aos trabalhadores.
características da Belle Époque — período de apogeu da burguesia, b) durante o século XIX, ocorreu uma crise produtiva devido à profunda
ocorrido na Europa Ocidental e nos Estados Unidos entre o final
intervenção do Estado.
do século XIX e o começo do XX.
Resposta: C c) durante o século XX, o modelo de organização do trabalho manteve-se
como era no XIX.
d) a partir da década de 1970, são retomados os direitos trabalhistas
vigentes no século XIX.
e) a partir do século XX, os modelos de gestão do trabalho estão ligados
aos avanços tecnológicos.

RESOLUÇÃO:
A partir de 1913 (criação da linha de montagem por Henry Ford), o
século XX assistiu a diversos saltos de qualidade na produção
industrial, sempre visando a sua otimização – o que exigiu,
concomitantemente, frequentes aperfeiçoamentos nos processos
de gestão. A automação da atividade produtiva levou à
intensificação da robotização (atualmente ainda em curso) e, em
tempos mais recentes, à disseminação da informática e aos
avanços da nanotecnologia. Todas essas transformações têm
provocado profundos impactos nas técnicas produtivas, afetando
os trabalhadores tanto em termos de qualificação como em relação
à sobrevivência, ou não, de seus postos de trabalho.
Resposta: E

48 –