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HUNA: a psicofilosofia dos Kahunas Por Vera Alice Winter

Huna, que em havaiano quer dizer "oculto", "segredo", é também


o nome dado à filosofia dos Kahunas, classe avançada dos antigos
habitantes do arquipélago da Polinésia, considerados "guardiões
dos segredos, do oculto, do não visível". Centrada no
autoconhecimento, no viver bem e na harmonia com a família e a
comunidade, a Huna desenvolveu-se através de práticas de cura
dos males físicos, psíquicos e espirituais. Habilidades hoje
conhecidas como telepatia, clarividência, pré-cognição, percepção
extra-sensorial, entre outras, essas eram usualmente empregadas
pelos Kahunas.
O psicólogo e lingüista Max Freedom Long, que morou no Hawaí na
primeira metade do século XX, revelou ao mundo a filosofia e as
técnicas dos Kahunas, para todo tipo de "cura" do físico, da alma, do ambiente e da
sociedade (desde os desequilíbrios sociais até as desavenças familiares), mostrando a
eficácia e atualidade dos conhecimentos daquele povo que podem beneficiar o
cotidiano de cada indivíduo no mundo de hoje.
Segundo a Huna existem três aspectos da consciência integrados ao ser humano,
conhecidos por "três Eus". Um que opera escondido e indiretamente, Unihipili,
comparável ao subconsciente; outro que atua de maneira aberta e direta, Uhane,
semelhante à mente consciente; e o terceiro que inclui os dois aspectos anteriores,
mas transcende o corpo e a mente, Aumakua, conhecido como superconsciente ou "Eu
Superior".
A divisão de um mamão em três partes: casca, polpa e sementes, serve como
analogia, para definir o ser "triuno". As três partes constituem o mamão, originam-se
da mesma planta, mas convenientemente, fala-se da casca, da polpa ou das
sementes. A natureza do ser humano permite qualquer divisão, em três, quinze ou
duzentas partes. Porém, três é um número mágico e aceito como uma verdade tanto
para os kahunas quanto para muitas outras culturas e civilizações.
Para conquistar o equilíbrio dos "três Eus" e viver bem, os Kahunas se exercitavam.
Max Freedom Long concluiu, a partir de pesquisas sobre esses antigos havaianos que:
- a mente superconsciente, Aumakua - próxima do conceito ocidental de anjo-da-
guarda, está sempre disponível, desde que solicitada a ajudar os "Eus" Uhane e
Unihipili a equilibrarem-se.
- através da prática de exercícios de respiração os Kahunas conseguiam uma
sobrecarga de energia vital ("mana" em havaiano).
- fazer o exercício, repetidas vezes por dia, associado à visualização criativa, permite
que os "três Eus" alcancem seus objetivos, independente dos desafios que devam ser
superados, de ordem física, afetiva ou econômica.
Existem muitos ensinamentos dos Kahunas pesquisados por Max Freedom Long, Enid
Hoffman, Serge King, June Gutmanis e outros estudiosos. Este é apenas um deles.
Semanalmente, serão apresentadas neste site, novos aspectos da cultura dos
Kahunas, diferentes técnicas de cura, de medicina preventiva, desenvolvimento mental
e de autoconhecimento.
ALOHA!!!
HO'OMANA

Aloha!

Ho'Omana, que quer dizer, "dar poder". Já que falei em nome, gostaria de
começar falando sobre a palavra Aloha, que significa "estar na presença da divindade"
e usualmente usamos para cumprimentos quando encontramos com alguém, tanto na
chegada como na saída. Alo - "estar na presença de" e Ha - "o hálito da vida". Muitos
de nós conhecemos apenas três níveis do Ser Huna, o Espiritual - Como a mente
superconsciente, conhecido como Aumakua e também iho; Mental - Como a mente
consciente, ou Uhane; Físico - Como a forma material, o corpo, e uma forma imaterial,
a mente subconsciente conhecido como Ku ou Unihipili.
Serge King diz que os nossos problemas sempre começam na mente, no aspecto
mental. Os problemas físicos e psicológicos têm sua fonte em formas pensamentos
negativas. A doença é um efeito desses pensamentos distorcidos. Pensamentos
desfavoráveis surgem na mente consciente e são mantidos no subsconsciente, ou seja,
no Unihipili, do qual podem ser transferidos para o corpo físico. Por causa disto, a
verdadeira cura tem de começar pelo nível espiritual. É preciso pedir ajuda à
divindade. Então, à divindade envia seu Há (hálito da vida) através do nosso nível
Aumakua, do self da pessoa. Ou seja, do aspecto espiritual da pessoa, ela viaja para o
nível subconsciente do físico. Este nível profundo então apaga as formas-pensamento e
emoções negativas que ela contém, como a raiva e o medo, substituindo-as por luz. É
assim que a causa da doença é tratada e toda cura verdadeira é tratada. Os Mestres
do Ho'Omana, "dar poder", são conhecidos como Kahuna que quer dizer mestre, já
Kahuna Kupua significa Mestre da Cura, ou xamã.
O mundo ocidental é essencialmente objetivo em sua abordagem na definição da
realidade. Os ocidentais acreditam no que podem ver. O Ho'omana compreende a
realidade como os níveis de experiência objetiva por um lado e níveis de consciência
subjetiva por outro. Para os Kahunas Kupua, o nível físico objetivo da realidade
cotidiana comum, que a ciência considera como a única realidade "possível" ou "real",
é apenas o primeiro de diversos níveis possíveis de experiência e consciência. Nesse
nível físico, tudo é percebido como separado de todo o resto.
O nosso nível subjetivo de pensamentos e emoções é o nosso segundo nível de
realidade conforme o pensamento Huna. Este é também o nível no qual fenômenos
psíquicos, como telepatia, clarividência e psicocinese, são vivenciados. Como a
realidade física comum, também é um nível de ação, mas no segundo nível; tudo esta
em contato com tudo por meio de fios de uma "substância energética ou etérea",
chamada Aka na língua havaiana. No Ho'Omana, tudo no universo está conectado a
tudo, formando uma vasta rede ou teia formada por esses fios de Aka no segundo
nível. Estas conexões podem acontecer por intermédio de pensamentos e intenções,
elas são "ativadas" pela atenção. Concentração sustentada, como a praticada durante
a meditação, teoricamente aumenta a força ou o volume do contato.
No segundo nível de realidade, o tempo é sincrônico, ou seja, tudo o que já
aconteceu no passado, assim como tudo que irá acontecer no futuro, pode estar
acontecendo ao mesmo tempo, interconectado por meio do campo Aka. Por isso, como
ressalta os Kahunas Kupua, não existem inícios ou fins no segundo nível de realidade
(ou percepção), apenas ciclos e transições. Aplicada ao conceito de reencarnação, essa
perspectiva sugere que o passado e o futuro de uma pessoa poderiam teoricamente
estar acontecendo todos ao mesmo tempo, interconectados por meio do campo Aka no
segundo nível de realidade.
Como o tempo é sincrônico nesse nível de realidade, as conexões Aka podem se
estender através do tempo e do espaço. Talvez este seja o caminho pelo qual certos
indivíduos possam se lembrar de fragmentos de suas vidas passadas.
No Ho'Omona, o terceiro nível de realidade (ou percepção) é "o mundo espiritual".
Chamada Pó em havaiano, ela é a realidade incomum pelo qual os Xamãs das tribos
tradicionais viajam, em estados xamânicos de consciência, para se encontrar com os
espíritos. Este é o nível da viagem mental-astral em que tudo é percebido
simbolicamente, e chamado pelos Kahunas Kupua de Ike Papakolou, "percepção de
terceiro nível".
Na tradição Kahuna Kupua, o reino dos espíritos é dividido em mundos inferior,
médio e superior, como também ocorre nas maiorias das tradições xamânicas de toda
parte do mundo. Milu é o mundo inferior, o "reino sob a terra", para onde o Xamã viaja
em estados xamânicos da consciência para adquirir espíritos aliados para si e conhecer
o poder, normalmente na forma simbólica de animais, plantas, objetos ou espíritos. O
mundo médio é Kahiki, o aspecto incomum do plano físico da realidade comum
cotidiana. Este é o lugar dos sonhos, o lugar para onde vamos quando sonhamos, à
noite, quando dormimos, ou de forma estruturada, orientada a um objetivo, como o
Xamã faz quando desperto. Tudo o que existe na realidade cotidiana, aqui, deve ter
um equivalente de sonho, lá. O mundo superior é conhecido como Lanikeha. Este é o
nível arquetípico dos deuses, deusas, heróis e heroínas mitológicos, os espíritos
Aumakuas ancestrais e os nossos guias espirituais.
No pensamento Ho'Omana, existe ainda mais um nível de realidade, o quarto
nível, Ike Paakauna. Este nível é descrito como um estado puramente subjetivo de
consciência mística da unidade essencial do universo e de tudo o que há nele. É a
dimensão holístico-espiritual na qual tudo é vivenciado. Este é o nível de transmorfose
e identificação, o nível de percepção em que os Xamãs experientes podem fazer
contato e se fundir com cardumes de peixes na água ou cervos nas montanhas para
conduzi-los às redes dos pescadores ou aos arcos dos caçadores. Uma forma diferente
de caça e pesca. Também é o nível em que se pode fazer contato com o campo divino,
o vasto vazio carregado de potencial. No quarto nível, tudo é percebido como parte da
unidade, e a "unidade" como parte de todas as coisas.

Segundo os Kahunas tudo o que existe na natureza, existe em três estados


diferentes do Ser, físico, mental e espiritual, com cada nível expressando um aspecto
exterior. Para os seres humanos, por exemplo, o aspecto físico exterior era o Kino, o
corpo material, e sua contra-parte interior, o centro energético, o Kino'ka, uma espécie
de corpo duplicado invisível quando contem a força que dá ao indivíduo.
No nível mental do Ser, a mente interior é fortemente integrada com o corpo físico
num nível de consciência chamado Unihipili, ou mais comumente, Ku, "corpo-mente".
O Unihipili vivencia o mundo exterior, armazena memórias e é a fonte de emoções e
sentimentos. É através dele que é possível receber informações sobre os níveis
incomuns de realidade. É o nível da mente por meio do qual as experiências visionárias
ocorrem. O aspecto exterior da mente se concentra basicamente no mundo exterior.
Esse é o nível mental, intelectual do self humano e é chamado de Uhane, ou Lono.
Este aspecto da consciência é o pensador, o analisador e o tomador de decisões,
recebendo informações sobre os mundos exterior e interior por meio do Unihipili. É
quem controla as ações e o comportamento de uma pessoa, cujas decisões são
traduzidas em ação pelo Unihipli interior que funciona diretamente com o corpo físico.
O nível espiritual do self é chamado Kane Wahine', um termo que designa um
espírito pessoal que é ao mesmo tempo masculino e feminino. O termo mais genérico,
Aumakua, é utilizado para designar este aspecto, e acha-se em cada pessoa, cada
coisa manifesta na natureza, tanto animada quanto inanimada, possui um. O Aumakua
de cada coisa manifesta existe no mundo espiritual, em Ao Aumakua, e ao contrário
dos aspectos físicos e mentais do self, o aspecto espiritual não morre.
No pensamento místico havaiano, seres vivos no plano físico da existência são os
aspectos exteriores do seu Aumakua interior. Cada pessoa, animal, planta, rio ou
pedra se originam como uma forma pensamento, cuja fonte é seu Aumakua. Tudo na
natureza se manifesta intencionalmente no mundo cotidiano da realidade física por seu
Aumakua no mundo espiritual. Assim, tudo é criado por sonhos desse aspecto
espiritual incomum.
Os Kahunas também acreditam que cada um dos três aspectos do self (corpo,
mente e espírito), pode aumentar e crescer, mudar e evoluir, em resposta à
experiência que ocorre em cada um dos níveis do Ser. Desta forma, cada aspecto é
responsável pela co-criação dos outros. Assim como uma pessoa vive sua vida no
plano físico, suas experiências são projetadas pelo seu Unihipili interior no nível
Aumakua do self. Este aspecto, então, aumenta e muda em resposta, existindo como
uma espécie de repositório das experiências de vida de uma pessoa, incluindo as
derivadas não só da vida atual, mas também, até certo ponto, de vidas passadas.
Assim, o Aumakua de uma pessoa contêm uma memória espiritual de todo o
conhecimento e experiência acumulada pessoalmente.
Além disso, o Aumakua de cada pessoa está ligado a todos os outros Aumakuas
por meio de uma vasta matriz de força ou energia interconectada, chamada Koko'aka.
Todos os Aumakuas pessoais de todos os seres humanos em toda parte formam,
portanto, um coletivo conhecimento como Kapoeaumakua, o espírito humano. Este
grande ser multifacetado contêm o conhecimento coletivo de toda a humanidade. Esta
sabedoria está teoricamente disponível a todos os seres humanos. O truque está em
saber como fazer contato direto com seu Aumakua, pois estas informações só podem
ser acessadas e recebidas por este aspecto do self.
Os Kahuana Kupua revelaram que o contato com o aspecto espiritual pessoal de
uma pessoa ocorre por meio do Unihipili, ou Ku, e essas informações do Aumakua
normalmente assumem a forma de sonhos, idéias, impulsos, pensamentos e
inspirações. O Aumakua é, portanto, a fonte de inspiração e intuição. Desta forma, o
espírito pode funcionar de tempos em tempos como professor ou guia pessoal.

Os Kahunas são adeptos de técnicas mentais para criar eventos objetivos na


realidade cotidiana. No caso, três fatores estão envolvidos: um aspecto da imaginação,
chamado Laulele, o poder místico que os Havaianos chamam de Mana, e as conexões
psíquicas por meio do campo Aka.
Laulele é a imaginação usada de forma consciente para estabelecer um padrão ou
estratégia mental, combinada com fortes desejos de realizar esse fim. Mana é a
energia cuja abundância ou escassez determina a eficácia de todas as práticas
psíquicas. Aka é o material básico do qual tudo no universo é formado, até mesmo
pensamentos e imagens interiores. Os Kahunas Kupua acreditam que o Aka pode ser
formado e moldado por pensamentos, que ele pode servir como receptáculo ou
condutor de Mana, e que os efeitos se manifestam por meio das conexões de Aka
estabelecidas entre o Kahuna e seu objetivo.

A essência vital, Keola'ika'ika. É um aspecto do poder sobrenatural dispersado pelo


universo. Quando este poder é altamente concentrado nas coisas vivas, ele as satura
com força vital. A essência vital de cada Ser é como uma fagulha de um fogo que pode
abrir caminho entre as linhagens com o passar do tempo, assumindo diferentes
formas, expressando-se infinitamente até ter experimentado todas as manifestações
possíveis, dos vermes mais inferiores até os próprios deuses.
A força vital é um processo, e não algo material, e mesmo assim tudo no universo,
material e não-material, é em última análise, um aspecto dela. Existe um padrão na
teia da vida, e a força vital pode se procriar interna ou exteriormente para atingir esse
desenho. Neste sentido, a força vital tem sua própria direção, sua própria vontade.
Cada coisa viva é parte do grande padrão, Ano'holo'oko'a, e cada Ser é, portanto,
preenchido com Kumu, com propósito e direção, mesmo que este propósito seja
desconhecido para a pessoa ou o verme.
A natureza da força vital é diversificada. Cada coisa possui um aspecto corporal
comum aqui no mundo dos fenômenos e um aspecto Aumakua no mundo espiritual. À
medida que estes aspectos espirituais mudam e crescem em resposta ao que ocorre
durante os infinitos ciclos de nascimentos, vidas, mortes e renascimentos no plano
físico, o padrão também muda e cresce. Desta forma, os níveis incomuns de realidade
são formados em resposta ao que transpira aqui na realidade comum. Por isso as
intenções são tão importantes. Seus objetivos fornecem o destino, assim como o
referencial para suas experiências. Aqueles que manipulam constantemente os outros
eventos para adquirir riqueza material ou poder estão mais concentrados no lado
negro de sua natureza. Quando essas pessoas morrem e existem unicamente como
Aumakua, seus espíritos não são benévolos, pacíficos, nem repousam em paz. São
espíritos famintos, ansiosos e quando tornam a se manifestar no mundo comum,
retomam o mesmo tipo de caráter.
Por isso o mal existe no mundo. Ele é simplesmente parte do padrão. Tudo tem
dupla natureza, e "não bom" é simplesmente a outra metade de "bom". Cada um
contém dentro de si a capacidade para ambos. Quando chegamos ao mundo, a forma
de nossa personalidade revela o que é proeminente em nosso aspecto espiritual. Em
nossa passagem pela vida, as escolhas que fazemos afetam tanto a nós próprios
quanto ao que existe ao nosso redor. Esses efeitos se refletem de volta ao mundo
espiritual, que muda em resposta. Parte de nossa tarefa enquanto crescemos é vencer
o lado negro de nossa natureza em favor da luz. Ao fazermos isto, o grande padrão se
desloca nessa direção também.
Dessa forma, cada um de nós viaja pelo tempo em muitas vidas, até atingirmos
nosso destino dentro do grande padrão. Quando tivermos nos tornados inteiramente
formados e inteiramente desperto, nós humanos, nos tornaremos outra coisa. Este é
nosso destino, e cada um de nós deve alcançar isto à sua própria maneira. Este é o
nosso verdadeiro trabalho, a nossa verdadeira razão de existir.

Jacob Levy Moreno, o descobridor do Psicodrama e da sociometria,


destaca as situações “aqui/agora e agora/aqui”, como sendo
diferentes; assim, devemos avaliá-las, estudando-se cada uma em sua
própria condição têmporo/espacial.

Revendo dados das teorias de Moreno, começamos a conjeturar sobre o


assunto e concluímos ser sua interpretação condizente com a nossa
verdade.

Partimos da premissa de que a velocidade é fator prioritário no


desenvolvimento do conhecimento, e na evolução do ser humano em
particular. As buscas para se conseguir uma velocidade cada vez maior
é uma constante nos estudos e pesquisas, culminando com o prodígio
de sair da Terra e terminando nos progressos da informática, que busca
cada vez maior velocidade para seu desenvolvimento. É como se o
homem lutasse contra o tempo, numa corrida para descobrir seu destino
futuro, intuindo que, vencida essa barreira, tudo poderá se transformar.
Nossa memória trouxe da Física, lembranças que propiciaram pensar
sobre as ligações entre velocidade, tempo e espaço, antigos
conceitos que sempre fascinaram o ser humano e que contribuíram para
o desenvolvimento tecnológico.

As equações relacionadas com esses três elementos sempre redundam


em uma ação, conforme a maneira com que se aborda a aceleração.

Fazendo uma analogia, trocamos velocidade por ação, espaço por


aqui e tempo por agora.

A velocidade pode ir do zero ao infinito tempo/espaço, dependendo da


aceleração, correspondendo a ação à intensidade desses fatores.

O aqui/agora teve início num determinado espaço/tempo e a ação está


acontecendo neste instante, com um ponto de partida no passado,
quando iniciou essa ação.

Partindo da premissa que denominaremos de Ação Futura Próxima,


uma ação que não acontece no aqui/agora, mas no agora/aqui, que
nada mais é do que o futuro próximo, mas que também acontece neste
instante, poderemos usar de um artifício que denominaremos de
Velocidade Futura Próxima, chegando-se a uma condição diferente
das anteriores, onde VFP provêm de uma inversão do
espaço/tempo. Essa ação está ocorrendo no futuro, no mesmo instante
das que acontecem no aqui/agora, mas está no agora/ aqui.

Acontecendo no mesmo instante deduz-se que velocidade e


velocidade futura próxima são uma única ação, assim como também
a ação futura próxima. Isso mostra que o espaço em que as ações
acontecem é um só, para qualquer das situações apresentadas, assim
como o tempo.

Se a Ação é igual à Ação Futura Próxima, espaço/tempo podem ter outra


conotação em termos de acontecimento dos fatos; tal raciocínio nos leva
a crer que espaço/tempo são duas condições que só existem porque
nossa imaginação, ideação, raciocínio e pensamento são baseados no
presente, espaço/tempo por nós percebido através dos cinco sentidos
físicos e da sensibilidade em geral, fatores cujos resultados estão
subordinados às decodificações cerebrais e às ações corporais nos seres
vivos, em todos os gêneros da Natureza.

O conceito de realidade se modifica e o manifestado passa a ser uma


imagem dessa realidade invisível; a ação concreta seria a imagem da
realidade no aqui/agora.
Essas hipóteses só podem ser verdadeiras, se partirmos da premissa de
que não pode haver ação sem movimento, portanto, sem velocidade. A
resistência é fator preponderante para que se concretize uma ação.
Sendo tudo relativo torna-se possível a manifestação pela ação; não
havendo resistência, torna-se impossível a realização de qualquer ação
no infinito.

Como a ação (que está acontecendo aqui/agora), é igual à Ação Futura


Próxima (que também está acontecendo agora/aqui), o espaço onde
estão é aqui e o tempo onde acontecem é agora.[1]

O Dr. Ricardo Barak (engenheiro, físico e matemático ligado aos estudos


místicos e esotéricos), após a leitura de nosso trabalho fez comentários
que muito acrescentam ao que estamos expondo; achamos por bem e
com sua autorização, incluí-lo em nosso artigo.

Aqui/agora e agora/aqui diz respeito às dimensões de tempo e


espaço. Nos ensinamentos da Psicofilosofia Huna e segundo
Serge King, “o tempo é uma energia vibratória com múltiplas
freqüências”, o que permite a multimensionalidade dos tempos
e simultaneidade nos espaços não visíveis, dos universos
paralelos; poderíamos assumir possivelmente como premissa
que o mesmo caráter vibratório a que King se refere, estende-se
às dimensões espaciais.

Buscando modelos na Física, deparamo-nos com um princípio básico da mecânica


moderna (relatividade), que nos relata serem as dimensões do tempo e do espaço,
variáveis da percepção, ou seja, componentes de regiões da psique, pessoal ou não.
Podemos, senso evidente e comum, nos movimentar nestas dimensões, sendo que, no que
diz respeito ao tempo, aparentemente, o movimento só pode ser unidirecional e com
único sentido. Dizemos aparentemente, pois em termos científicos, a segunda lei da
Termodinâmica diz que “a Entropia” (quantificação da desordem – o princípio do caos -
de um sistema físico) sempre aumenta; o que só faz sentido se o tempo tiver direção e
sentido únicos (1). Mas na verdade, isto é puro axioma, cuja validade empírica, por
definição do próprio empirismo, se esgota na percepção exterior, ou nos espaços muito
próximos desta.

Para ressaltar estes conceitos, podemos confrontar a


diuturnamente experimentada consciência material, limitada,
com outra realidade, esta presente sistematicamente nas
místicas, nas filosofias e nas religiões: a que nos relata sobre a
eternidade; que nada mais é do que a ausência do tempo e do
espaço, ou o que no fundo, é a mesma coisa, a conjunção dos
infinitos eventos relacionados ao espaço-tempo. Nesta ordem, o
que nos separa da eternidade, enquanto conscientes, é
simbolizado com um véu, que no hinduísmo é conhecido como
“Maya”, enquanto que na cabala, corresponde ao “Sephirot
Da’at”, inserido na árvore da vida. E a finalidade desta
separação, ilusória, seria a de viabilizar a evolução. Mas
aproveitamos para frisar que a conjunção não implica na
dissolução da individualidade de cada evento, mas na
agregação de todos os mesmos.
Em resumo, tanto na Física como na mística, todos os eventos
podem coexistir, sendo permitida a possibilidade de nos
movermos de um a outro, em qualquer direção e sentido, sendo
as limitações tão-somente as nossas próprias; a motivação pode
subordinar-se a um plano cósmico, mas não é esta a limitação a
que aqui nos referimos.
Retomando o que diz Serge King acima, buscamos outro modelo
na Física: a descrição dos movimentos ondulatórios; se cada
tempo-espaço tem em si uma freqüência, podemos descrever
que a cada evento corresponde uma energia, e a individualidade
desta experiência viabiliza-se com uma freqüência de onda que
a modula. O contato com cada um destes conteúdos se faz por
meio da sintonia. Por outro lado, cada conteúdo é dotado de
uma energia própria, o que implica pela própria definição de
energia, ser o produto da inércia pela profundidade, não-linear,
das mudanças ou evoluções de estados. Tais mudanças
poderiam corresponder à velocidade da evolução, uma
verdadeira obsessão do mundo moderno, onde assistimos a
profundidade muitas vezes ser enterrada antes de ser
alcançada, dispersa entre tantas desnecessidades (2).
Assim, sendo ou não evidente, as memórias passadas ou as
futuras, ocorrem aqui/agora, acessadas por força da sintonia. O
conceito de realidade se modifica e o manifestado passa a ser
uma imagem das realidades, visíveis ou [2]invisíveis; a ação
concreta seria a imagem da realidade no aqui/agora. A ação
ocorre Aqui/Agora, mas sintonizada ou não com outros eventos
aqui/agora oriundos de outros espaços e tempos

Esta condição nos dá a possibilidade de que aconteça o que Moreno


chamou de Momento, e, para o quê, não encontrou uma definição, mas
achou que é o resultado da espontaneidade e da criatividade.
A Espontaneidade, outro conceito de Moreno, pode ser aqui
substituída pela vontade; ela dá o impulso inicial, ativando as memórias
que vão dar origem à imaginação, à ideação, um pensamento, um sentir
ou a um novo sonho, que sendo focalizado com atenção intensa e firme
propicia uma concentração única, transformando-se no aqui/agora, em
uma fé assumida sem dúvida (paulele), surgindo uma nova crença, um
novo sonhar num novo Ike (o mundo é o que você pensa que ele é).
Pela ação, essa condição transforma a nova crença numa verdade,
surgindo simultaneamente a Criatividade que está no futuro próximo
(do qual, faz parte o agora/aqui), mas que ao mesmo tempo está
acontecendo aqui/agora; o resultado dessa situação é o que Moreno
chamou de Momento (semelhante ao insight, satori, etc. de outras
teorias). Dependendo de sua intensidade, pode-se chegar a uma
realização interior, contemplação, individuação, etc. É o resultado das
transformações profundas sofridas pelos indivíduos, quando há
realmente mudanças. Com essa nova maneira de ser e sentir, com os
pensamentos agora dirigidos sem dúvidas dá-se o Encontro (realização
total, o reino dos céus em nós, o atuar natural do Aumakua), que é a
transformação da estrutura psicofísica da pessoa, mudando seus valores
e padrões possibilitando assim, o desenvolvimento e reformulação de
seus papéis de maneira intensa e o surgimento de outros, que
propiciam novos vínculos. Dá-se, então, a evolução com a auto-
realização, transformando esse indivíduo em um outro, diferente do que
era anteriormente.
Quando há uma ação máxima, em que o aqui é ilimitado e o agora é
infinito, tem-se como resultado a não ação. Só existe ação, onde há
uma resistência, uma aceleração e uma velocidade, o que se dá no
relativo finito do tempo/espaço presente, como foi dito antes.
Quando o tudo e o todo estão totalmente integrados, não há meios de
existir ação; é o não espaço/tempo (o absoluto e o infinito); surge,
então, o homem holístico que há dentro de cada um, a quem
possivelmente, Moreno chamou de Homem Genial, o homem perfeito,
que servirá de modelo nos estudos e pesquisas do ser humano futuro; é
o Filho do Homem dos Evangelhos, já citado por Jesus, o Aumakua
(Eu Superior, Superconsciente) dos kāhuna[3]; é a própria imagem e
semelhança de Deus, conhecida dos mestres kāhuna desde Mu,
continente desaparecido há cerca de treze mil e quinhentos anos e que
nos legou seus ensinamentos através dos modernos kāhuna,
principalmente os do Havaí.
O aqui/agora é o arquivo das lembranças das ações que vieram das
experiências já vivenciadas, construindo o passado, que passa a ser as
memórias, cuja soma total, constitui a “conserva cultural da
humanidade”, sendo seu maior símbolo atualmente, o livro; contribui
na formação e desenvolvimento de todos os papéis formando o futuro,
podendo, no entanto, bloquear a Espontaneidade e a Criatividade
estagnando o indivíduo, prisioneiro de seus conceitos e valores
passados, acrescido pelas novas e atuais formas de se adquirir
conhecimento, em se tratando da ciência oficial e da moderna
tecnologia.
O agora/aqui está dentro da ação, mas indica o acontecimento no
sentido da Ação Futura Próxima, mostrando o que está acontecendo
simultaneamente e que será o próximo aqui/agora.
Nas dramatizações em psicoterapia, busca-se no aqui/agora, uma
condição que faça o indivíduo vivenciar situações incômodas do seu
passado, que o converte em pessoa inadaptada e, por vezes,
inadequada ao meio, pela insuficiência e inexpressividade no
desempenho de seus papéis. Por esse motivo, as ligações responsáveis
pelas ações adequadas ao próprio indivíduo, e ao ambiente ficam
impossibilitadas de ocorrerem por não estarem os papéis
suficientemente desenvolvidos para se vincularem e produzir boas
ações, refletindo no comportamento da pessoa e no desenvolvimento do
sonho básico de vida, de maneira inadequada. Isso impede que adquira
novos padrões e sofra as mudanças para sua evolução.
Na dramatização, vivenciando-se no “como se”, somos capazes de
novamente perceber o acontecido e emocionalmente senti-lo, como se
os fatos estivessem se repetindo, e, dependendo da intensidade com
que se vive as situações, pode-se reformular pensamentos, sentimentos
e conseqüentemente as memórias, provocando mudanças que nos dão
novas perspectivas e possibilidades de uma vida saudável e harmônica
em si mesma, com as pessoas, com o ambiente e com o mundo como
um todo. É um crescimento evolutivo.
A essa vivência dramatizada, que se dá em um estado alterado de
percepção damos o nome de regressão terapêutica. É uma situação
em que a pessoa está atuando como ator principal (vida atual) e
coadjuvante (vidas passadas), ao mesmo tempo. Revive a cena,
sentindo-a como se estivesse acontecendo no atual aqui/agora; ao
mesmo tempo, está sendo o protagonista das duas situações, e, por
estar em um estado alterado de percepção, consegue unir as vivências
tiradas das lembranças de memórias do passado que, trazidas pelos
cordões-aka, provocam um novo vivenciar, que, modificado, devolve
ao unihipili por vias ampliadas (cordões-aka modificados), memórias
reformuladas, que anulam ou modificam as anteriores, libertando o
indivíduo das fixações (formas-pensamentos) que eram prejudiciais,
dando-lhe a oportunidade de uma verdadeira mudança. As emoções são
as condutoras energéticas corporais (ação no kino), das reações
revividas durante essas dramatizações, possibilitando por essa
circulação com um pensamento dirigido, a mudança do conceito de
julgamento, passando da análise crítica para a análise criativa e
avaliação; posteriormente, do pensar para o refletir, harmonizando
unihipili e uhane, por intermédio do Aumakua, responsável pela
oportunidade que nos é dada por um novo pensar, sentir e agir,
possibilitando-nos passar de um padrão antigo ou atual, para um novo,
base de qualquer mudança. É um despertar no novo aqui/agora surgido
pela transformação ou perda de valores. O que verdadeiramente se
chama de mudança ou transformação é a reformulação ou perda de
conceitos, valores éticos e morais, provocando mudanças nos padrões
pela reformulação e perda das memórias, principalmente das genéticas
programadas, responsáveis pelo aprendizado no sonho básico de vida
atual. Uma nova forma de sentir, pensar, agir e sonhar surge pelas
novas descobertas. A mudança é fruto de um novo pensar, que refaz os
padrões, que reorientam as ações criando novos comportamentos,
retirando de sua memória genética programada e aprendida, as
situações que foram trazidas e que, agora experienciadas de forma
diferente, vão desativar ou fazer desaparecer cordões-aka que
transportavam lembranças que provocavam as desarmonias,
causadoras de doenças e situações mentais prejudiciais, surgindo novos
cordões-aka, ou acrescentando-se aos antigos, já modificados, novos
valores e padrões que conduzem a novos conhecimentos e à
compreensão, o que traz a harmonia interior.
Tudo isso é possível, quando se crê que a vida é um sonho básico, no
qual, podemos acrescentar outros sonhos, até o ponto de termos
condições de mudar nosso sonhar, modificando o nosso viver e
adquirindo um novo padrão de sonhar. O padrão genético programado
que trazemos está orientado no sentido do pensar para sentir, o que
resulta em analisar criticamente as situações surgidas possibilitando
revê-las, mas que, permanecendo os mesmos conceitos e valores, os
padrões não mudam, mas são enriquecidos pelo aumento de novos
conhecimentos, mas sem haver mudanças na análise das situações, o
que prejudica a evolução real dos espíritos; há um crescimento
espiritual, mas sem uma evolução condizente com o desenvolvimento
intelectual.
Simbolicamente estamos dizendo que, assim, está se preparando um
novo sonho básico, para uma outra vida, calcado no acréscimo de
conhecimentos, sentimentos e vivências emocionais, dentro dos
mesmos padrões que trouxemos; isso não é mudança, mas a soma de
novos pensamentos, idéias, conhecimentos e desenvolvimento de
valores, que farão crescer o sonho básico de vida que se possui
atualmente; está-se assim, preparando a próxima reencarnação, quando
se terá mais conhecimentos, num carma reformulado;, isso nos torna
espiritualmente mais ricos; é o crescimento espiritual das doutrinas
religiosas. Tenderemos até para gênios, mas não para seres evoluídos,
as Crianças de Tane.
Os padrões atuais, estruturados no aqui/agora atendem ao sonho
básico de vida e podem ser expressos na seqüência: Pensar → analisar →
sentir → agir → adquirir conhecimentos e memorizar. Para isso, a
interpretação é feita por análise crítica, pesquisas e julgamentos
tendentes a acompanhar as doutrinas religiosas, a tecnologia e a ciência
clássica e dogmática, seguindo os ditames do intelecto, já condicionado
aos fatores assinalados por herança advinda da genética programada.
A mudança de padrão requer uma diferenciação do fator
espontaneidade, que é criativo quando a vontade é direcionada para a
intuição.
Intuição é um processo diferente; “é uma percepção subconsciente, que
começa e termina na alma”; é a linguagem simbólica que traz a
realidade para a imagem manifestada; abrange a situação em sua
totalidade, desde o instante que surge a criatividade, até a solução, que
é a remodelação da situação, reformulada num só e instantâneo ato ou
atitude, por ação harmônica abrangendo os três eus. A experiência nos
mostra que, aos poucos, vamos buscando nas memórias de nosso sonho
básico de vida, as imagens gravadas, que serão conduzidas pelos
cordões-aka e transformadas em pensamentos advindos de um sentir
harmonizado pela ação do Aumakua que derrama suas bênçãos,
modificando os padrões possuidores da experiência do aqui/agora,
permitindo assim, penetrar no agora/aqui e dele vivenciar as ações,
num novo sonhar que desenvolve um novo viver, por adquirir a análise
criativa e uma outra avaliação.
Passamos do critério analítico crítico para o da análise criativa e da
avaliação; da solução pelo pensamento que tem como norma o
julgamento, para a solução pelo pensamento criativo e posteriormente
pela reflexão, fruto da intuição, mãe da compreensão, antítese do
julgamento, irmã do amor (Aloha).
A seqüência passa a ser: Sentir → pensar criativamente → avaliar → agir
→ refletir → conhecer criativamente → compreender → agir por amor
(Aloha); é adquirir conhecimentos de maneira reformulada
memorizando-os, desativando lembranças de fixações e fazendo
desaparecer memórias, que não mais têm razão de permanecer nos
futuros sonhos básicos de outras vidas. Assim, vai-se reformulando o
sonho básico de vida atual pelas transformações que sofre o intelecto, o
que faz jorrar com mais facilidade, para dentro da viagem da vida
reformulada pelos novos padrões, as qualidades de um individuo
diferente, desenvolvendo e evoluindo esse novo ser. O resultado é a
possibilidade de se começar a fazer a reflexão paralela, retirando-se do
conhecimento do sonho básico de vida atual, dados que nos permitirão
viver num novo sonhar, um novo sentir, um novo pensar e um novo agir
no aqui/agora, crescendo em harmonia e tranqüilidade, criando
oportunidades para que se compreenda os sete princípios básicos do
xamanismo havaiano da Psicofilosofia Huna e se viva na compreensão e
no compartilhar de Aloha, tornando possível a comunicação e a
solução; isso pode acontecer através da Prece-Ação, que assim, se
torna uma realidade.
Por princípio, cremos que os padrões básicos, que mantêm o sonho
básico, estão na memória genética programada; em parte, como um
potencial, que pode surgir e desenvolver-se durante a viagem da vida.
Se a vida é um sonho, essa é a oportunidade de se começar a sonhar de
maneira diferente, desenvolvendo e liberando do padrão emergente,
padrões reformulados para um novo viver.
Segundo Moreno, “uma situação revivida pela segunda vez, com
intensidade emocional semelhante à primeira, modificará a primeira
mudando seus efeitos”. Isso acontece no agora/aqui, através do
aqui/agora e terminada a vivência, é o mais novo aqui/agora
memorizado, porém, reformulado pela situação vivenciada, com
conotações de novo padrão; é uma ação libertadora.
Essa sucessão de ações nos dá a noção de espaço/tempo percebidos
pelos sentidos físicos e pela sensibilidade mostrando o presente, que
pode assim, ser modificado.
Em outras palavras, tempo e espaço não passam de ilusão. Tudo está no
eterno que não pode ser visto, nem como espaço, nem como tempo,
mas como o que é, e não, como o que existe.
São os ”Momentos” (sem correlação com tempo e espaço) que
vivenciamos, que nos dão a alegria de viver e a esperança do
“Encontro” da imagem e semelhança divina, que há em nós.
Essa é a situação que se desenvolve no ser humano e que a
psicofilosofia Huna chama de Aloha (amar é compartilhar com...), um
dos sete princípios básicos do xamanismo havaiano, que só pode ser
compreendido pelos que despertaram em si mesmos, a percepção
intuitiva da vida, esse grande sonho da realidade, que é Pono, (a
eficácia é a medida da verdade), onde está o tecelão de sonhos, o xamã,
o curador.
A partir do instante em que o ser humano passa a ser no seu existir,
começa a surgir o homem ideal, o homem genial de Moreno, o filho
do Homem, citado tantas vezes por Jesus, nos Evangelhos, o
Aumakua, o Eu Superior do homem trino, segundo nos ensina a
Huna.

Exemplificando, tomaremos como paradigma a parábola da figueira que


secou:
“De manhã, ao voltar para a cidade, teve fome. E vendo uma
figueira à beira do caminho, foi até ela, mas nada encontrou,
senão folhas”.
E disse à figueira: “Nunca mais produzas fruto!” E a figueira
secou no mesmo instante. Os discípulos, vendo isso, diziam,
espantados: “Como assim, a figueira secou de repente?”
Jesus respondeu: “Em verdade vos digo: Se tiverdes fé sem
duvidar, fareis não só o que fiz com a figueira, mas até mesmo
se disserdes a este monte: ”Ergue-te e lança-te ao mar”, isso
acontecerá. E tudo o que pedirdes com fé, em oração, vós o
recebereis. (Texto extraído da Bíblia de Jerusalém, página 90,
Evangelho segundo Mateus, capítulo 21, A figueira é um sinal).
Jesus, o Aumakua em essência, nos mostra sempre a fé, como
fator primordial para conseguirmos realizar nossos sonhos.
Essa figueira era uma árvore frondosa e que de acordo com as leis da
natureza estava pronta para cumprir suas funções determinadas
geneticamente pela sua espécie, dando frutos normalmente, nas épocas
certas. Esse era o sonho básico de vida que estava traçado para aquela
árvore, se não fosse a interferência de Jesus mostrando a seus
discípulos, seu poder de ação.
Assumiu uma posição de autoridade e com um pensamento dirigido sem
dúvidas, transformado numa crença inabalável, conseguiu mudar o
destino da figueira, por uma fé assumida, que é dada àqueles que
sabem o que fazem. O aqui/agora dessa árvore começa na semente, e, a
partir daí, forma sua história que é a trajetória de vida que traz dentro
de si, por todo o potencial dado geneticamente à sua espécie; estava
delineado seu futuro, se não tivesse havido imprevistos alheios à sua
situação de árvore, como aconteceu na passagem evangélica.
Jesus fala à figueira e extrai dela toda sua vitalidade, transformando-a
num ser sem vida (como árvore), de maneira instantânea, o que foi um
ato totalmente inusitado e incompreensível, por não ter uma explicação
racional. A partir do instante em que ele formulou a prece para a
figueira, trouxe do futuro próximo da árvore (agora/aqui), tudo o que
necessitava para a ação que planejara através do pensamento,
transformado numa imagem da figueira seca. Essa ação do pensamento
dirigido para a imagem criada, está ligada ao agora/aqui da figueira, que
recebeu sua ordem e obedeceu-o, secando-se imediatamente,
contrariando tudo o que seria natural e que estava geneticamente
programado, demonstrando que podemos modificar nosso carma,
quando aprendemos a sonhar, com os padrões dados pela fé sem
dúvida.
É como se a figueira possuísse algo que desconhecemos, além da árvore
em si, mas que Jesus sabia existir, e, por isso, podia usar o seu poder e
autoridade para aquela ação; é a subjetividade agindo para ações
objetivas, pela projeção, numa atitude de fé sem dúvidas.
A esse conjunto de acontecimentos que se dão no instante em que o
aqui/agora e o agora/aqui atuam simultaneamente, numa ação total,
fundindo-se para uma realização, é que se pode dar o nome de
Momento.
O passado e o futuro se fundem numa só e única ação, dando em
termos de espaço e tempo, o presente, que é a única condição
perceptível como verdade para os seres humanos.
Max Freedom Long delineou bem essa situação sintetizando na Prece-
Ação todas as possibilidades de se executar qualquer ação, seja ela
qual for, desde que se consiga com um pensamento dirigido, uma fé
sem dúvida capaz de formar e cristalizar a imagem completa dos
desejos que serão transformados em ações e realizações.
A fé não está ligada a nenhum código de moral, ética ou doutrina
religiosa, mas é uma força natural que pode atuar, seja no bom sentido
ou não, mas que geralmente atua, com ótimos resultados; tudo depende
da intenção, da importância e de um conhecimento profundo da
capacidade de focalização de quem formulou o pensamento
transformado em imagem cristalizada, por um uhane direcionado.
A percepção alterada e a mudança de padrão, como se disse acima, é
fator básico para a obtenção de resultados satisfatórios na Prece-Ação,
que depende essencialmente da formulação (paulele).
Quando, a intenção projeta um pensamento dirigido sem nenhuma
dúvida, o desejado está acontecendo no agora/aqui e o fato está
ocorrendo como imagem do aqui/agora.
A transformação interior, fruto da reflexão é a meta de nossa vida,
mostrando pelas mudanças, uma vida saudável e produtiva, quando as
realizações são frutos da atividade do Aumakua no todo, colocando-nos
na longa e saudável estrada do Aloha, na vivência de Pono.
Como vimos, as transformações internas é o resultado de vivências do
cotidiano.

Palavras havaianas usadas neste artigo pela ordem em que


aparecimento:
Huna – Psicofilosofia ensinada pelos mestres polinésios e
principalmente pelos havaianos do antigo Havai’i; significa
“conhecimento oculto”.
Ike – Primeiro Princípio do xamanismo havaiano: “O mundo é o que
penso que ele é”.
Aumakua – Pai ancestral infalível e bondoso; Eu Superior; a imagem e
semelhança divina em nós. É um espírito independente que está ligado
a todos os seres da natureza.
Kahuna – Guardião do Segredo; sacerdotes e mestres responsáveis
pela transmissão e conservação dos ensinamentos secretos da Huna no
Havaí.
Aka – Substância que permeia o universo e da qual é formada toda
manifestação. Significa também luz.
Cordões-aka – prolongamentos do Unihipili responsáveis pela
transmissão dos pensamentos em forma de memórias entre o uhane e o
Aumakua e unihipili e uhane.
Unihipili – Espírito responsável pelo armazenamento e conservação das
memórias; é subconsciente; tem raciocínio dedutivo; existe em toda a
natureza; produtor de mana (energia vital existente em todos os seres
da natureza).
Uhane – o espírito que fala. Responsável pela imaginação, ideação e
pensamentos. Está no corpo; é o que ordena e toma decisões.
Corresponde ao consciente da psicologia. Depende das memórias do
unihipili para suas manifestações.
Kino – corpo físico; modelo da imagem do unihipili.
Kino-aka – Corpo etéreo de cada espírito.
Tane ou Kane – Deus manifesto, o Deus que existe. Na Mitologia
Havaiana, o organizador e responsável pelo universo. Primeira das
manifestações divinas do Supremo Ser.
Crianças de Tane – Seres criados a sua imagem e semelhança que
habitam o universo no invisível e em suas manifestações.
Prece-Ação – Síntese da psicofilosofia Huna em termos de oração, com
a participação dos três espíritos do ser humano.
Aloha – Quinto Princípio do xamanismo havaiano: “Amar é compartilhar
com...”.
Pono – Sétimo Princípio do xamanismo havaiano: “A eficácia é a medida
da verdade”.
Paulele – Crença sem dúvida criada por uma fé inabalável onde não há
duvidas.

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