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Deformação plástica e mecanismos

de endurecimento
R. Vilar
Professor Catedrático DEQ/IST
Deslocações nos materiais

Misfit dislocations at a PbTe/Sb2Te3 interface

TEM image of deformed 316 stainless steel


showing dislocations and dipoles on (111)
planos.
Burgers circuit around a misfit dislocation at
a GaSb/GaAs interface 2
Deformação plástica e movimento de deslocações
•  Nos metais a deformação plástica faz-se por deslizamento – as deslocações
(parafuso, cunha ou mistas) movem-se num plano e direção determinados
(plano e direção de deslizamento) gerando uma deformação igual ao vetor de
Burgers da deslocação (// direção de deslizamento). Se as deslocações
forem imobilizadas não pode ocorrer deformação plástica

Deslocação cunha

No caso das deslocações cunha o plano de deslizamento é definido pela linha de


deslocação e pelo vetor de Burgers e a deslocação move-se numa direção
perpendicular à linha de deslocação
3
Deformação plástica e movimento de deslocações

Deslocação parafuso

No caso das deslocações parafuso o vetor de Burgers é paralelo à linha de deslocação,


o que torna impossível definir o plano de deslizamento de forma inequívoca. A
deslocação pode mover-se em qualquer plano que a contém numa direção
perpendicular ao vetor de Burgers
4
Deformação plástica e movimento de deslocações
•  As deslocações reais têm forma complexa, com secções em cunha e outras em
parafuso, constituído anéis de deslocações. Movem-se expandindo o anel de
deslocação, que existe no plano de deslizamento. Em cada secção o movimento
faz-se numa direção perpendicular à linha de deslocação.

Mista
Cunha

Parafuso Parafuso

Cunha

5
Deformação plástica e movimento de deslocações

6
Movimento das deslocações e ligação química
electron cloud ion cores
• Metais:
•  Movimento das deslocações fácil + + + + + + + +
•  Ligação não-direcional + + + + + + + +
•  Empacotamento compacto + + + + + + + +

• Materiais cerâmicos covalentes:


•  Movimento das deslocações difícil
•  Ligação direcional

• Materiais cerâmicos iónicos:


•  Movimento das deslocações difícil + - + - + - +
•  Dificuldade em assegurar o - - - -
+ + +
equilíbrio de cargas
+ - + - + - +
Conclusão: os materiais metálicos são os mais fáceis de deformar
(mais dúcteis) 7
Sistemas de deslizamento nos metais CFC
Sistema de deslizamento
–  Planos de deslizamento - plano no qual ocorre o deslizamento
(movimento da deslocações): são os planos com maior densidade
planar, isto é com menor distância interplanar
–  Direções de deslizamento – direções nas se movimentam as
deslocações; são direções de máxima densidade atómica, paralelas
ao vetor de Burgers

–  Nos cristais CFC o deslizamento ocorre nos planos {111}


e nas direções <110>

ètotal de 12 sistemas de deslizamento nos metais CFC


8
Biblio: http://www.doitpoms.ac.uk/tlplib/deslizamento/printall.php
Linhas de deslizamento num metal CFC
Linhas de deslizamento num latão α CFC

(http://www.copper.org/resources/properties/microstructure/brasses.html)
Deslizamento nos metais HC

Célula
unitária Átomos

•  Os metais hexagonais compactos (HC):


–  tem 3 sistemas de deslizamento
–  a probabilidade de deslizamento é baixa
–  o número de sistemas de deslizamento aumenta a elevadas
temperaturas
–  os metais HC são frequentemente frágeis à temperatura ambiente
e dúcteis a alta temperatura
–  Ex. berílio, magnésio e zinco
10
Deslizamento nos metais CCC

Átomos
Célula unitária

•  Nos metais CCC:


–  não há planos de máxima densidade atómica
–  há direcções de máxima densidade atómica |111|
–  48 sistemas de deslizamento: alta probabilidade de deslizamento sob
cargas aplicadas
–  como não há planos de máxima densidade atómica a tensão
necessária é elevada: alta resistência e moderada ductilidade
–  Ex: molibdénio e tungsténio
11
Sistemas de deslizamento nos metais HC e
CCC

Cristais hexagonais compactos Cristais CCC: não há planos compactos;


deslizamento nos sistemas <100>{001} deslizamento nas direções 111.

ètotal de 3 sistemas de deslizamento nos metais HC


12
Biblio: http://www.doitpoms.ac.uk/tlplib/deslizamento/printall.php
Sistemas de deslizamento nos metais

Biblio: http://www.doitpoms.ac.uk/tlplib/deslizamento/printall.php
Lei de Schmid
• Tensão de corte efectiva, τR
Tensão aplicada Tensão de corte Relação entre σ e τR
σ= F/A efetiva
τR =Fs /A s τR = FS /AS
F Normal ao
τR
A plano de
deslizamento F cosλ A / cos φ
plano, ns
AS
F λ nS φ
FS
A
FS AS
τR
F

τR = σ cos λ cos φ 14
Activação dos sistemas de deslizamento

• Condição para o movimento de uma deslocação: τR > τCRSS


• A facilidade de movimentação das deslocações
Tipicamente
depende da orientação do sistema de
deslizamento: 10-4 GPa to 10-2 GPa
τR = σ cos λ cos φ

σ σ σ

τR = 0 τR = σ /2 τR = 0
λ = 90° λ = 45° φ = 90°
φ = 45°

τr máximo para λ= Φ = 45º


15
Deslizamento em
monocristais

A scanning electron micrograph of a Cd single crystal


deforming by deslizamento on 100 planos forming
steps on the surface
16
Deformação plástica por maclagem
Planos
atómicos

Plano de macla
Tensão
Planos de corte
Planos de
deslizamento de
macla

•  Uma parte do cristal desliza em relação à


outra de uma distância que é proporcional à
distância a um plano de referência, formando
uma imagem da outra parte

•  Em geral ocorre nos metais HC e CCC por


deformação plástica e nos CFC por
recozimento
17
Tipos de maclas

Maclas de deformação em Ni3Al

Maclas de deformação em Zn

Maclas de recozimento em latão


Deformação de materiais policristalinos
Liga Cu – 30% Zn

Recozido Deformado 30% Deformado 40%

Deformado 70%
19
http://vacaero.com/information-resources/metallography-with-george-vander-voort/1440-deformation-and-annealing-of-cartridge-brass.html
Deslizamento em policristais
• Os policristais são mais σ
resistentes do que os monocristais
porque as fronteiras de grão agem
como barreiras ao movimento das
deslocações

• Os planos e as direções de
deslizamento e os ângulos (λ, φ)
variam de cristal para cristal

• τR varia de cristal para cristal.

• O cristal com maior τR é o primeiro


a deformar-se. Quando encrua a
deformação inicia-se noutros grão
menos favoravelmente orientados
300 µm
τR = σ cos λ cos φ
20
Deformação plástica de policristais

•  Cada grão deforma-se pelo mecanismo de


deformação vigente para os monocristais
•  As fronteiras de grão e a continuidade do material
mantêm-se
•  O encruamento é maior do que num monocristal e
tanto maior quanto menor o tamanho de grão
•  A resistência mecânica cresce com a deformação
(encruamento)

21
Anisotropia na deformação de materiais
• A deformação plástica induz anisotropia nas propriedades
dos materiais
Antes de laminagem Depois de laminagem

235 µm Direção de laminagem

Anisotrópico
Isotrópico A laminagem
Grão equiaxiais e modifica a forma e
orientados orientação dos
aleatoriamente grãos

22
Deformação plástica dos metais
CCC CFC HC

Sistemas de 48 12 3
deslizamento (mais a alta
temperatura)
Probabilidade de Alta Moderada Baixa
deslizamento
Ductilidade (>5) Moderada Boa Frágil

Dureza Alta Baixa Alta

Tensão crítica de Alta Baixa Alta


corte
Resistência Alta Moderada Alta

Exemplo Cr Cu, Al Ti
Ferro alfa Ferro (912ºC ~
(<912ºC or 1394ºC)
>1394ºC)
23
Mecanismos de endurecimento: refinamento de grão

• As fronteiras de grão são


obstáculos ao movimento das
deslocações.

• A resistência do obstáculo
aumenta com a desorientação
entre os grãos

• A resistência oferecida ao
deslizamento é tanto maior
quanto menor for o tamanho
médio de grão.

• Hall-Petch equation:

σ yield = σo + k y d −1 / 2
24
Mecanismos de endurecimento: refinamento de grão

Equação de Hall – Petch: σ yield = σo + k y d −1 / 2

Carbon steel (Source: http://www.jfe-21st-cf.or.jp/chapter_1/1a_4.html)


25
Mecanismos de endurecimento: endurecimento por
solução sólida
• Os átomos de impurezas distorcem a rede e criam campos de tensões
• Essas tensões interatuam com os campos de tensões das deslocações
dificultando o movimento destas

Átomo substitucional pequeno Átomo substitucional grande

A C

B D

O átomo de impureza cria tensões O átomo de impureza cria tensões


nos pontos A e B que se opõem à nos pontos C e D que se opõem à
migração da deslocação para a migração da deslocação para a
direita direita
26
.
Mecanismos de endurecimento: endurecimento por
solução sólida

Campo de tensões de uma


deslocação

Atmosfera de Cottrell

Deformação gerada por um


auto-intersticial Cedência nos aços
27
Mecanismos de endurecimento: endurecimento por
solução sólida
•  Os átomos de impureza tendem a concentrar-se em torno das
deslocações formando atmosferas de Cottrell. Os átomos pequenos
concentram-se na região à compressão e os grandes na região à
tração, reduzindo assim as tensões existentes
•  A migração dos átomos para as deslocações reduz a mobilidade
destas e aumenta a resistência do material

28
Endurecimento do cobre por solução sólida

• Resistência à tração e tensão de cedência aumentam


com concentração de níquel

Tensão de cedência (MPa)


180
400
Rt (MPa)

120
300

200 60
0 10 20 30 40 50 0 10 20 30 40 50
% Ni %Ni

• Relação empírica: σ y ~ C 1/ 2
• A adição de elementos de liga aumenta σy e Rt
29
Mecanismos de endurecimento: endurecimento por
precipitação
•  As deslocações têm dificuldade em ultrapassar as partículas de
precipitados
•  Ex: partículas cerâmicas numa matriz metálica (SiC em Fe ou Al).

precipitado
É necessária uma tensão de corte muito
Vista lateral elevada para forçar a deslocação a
atravessar o precipitado

Os precipitados são obstáculos eficientes


V. de topo ao movimento das deslocações

S Distância S.

1
• Endurecimento por precipitação: σy ~
S
30
Mecanismos de endurecimento: endurecimento por
precipitação nas ligas Al-Cu

T1

T2

31
Mecanismos de endurecimento: endurecimento por
precipitação nas ligas Al-Cu

Micrograph showing θ
precipitates in Al-4%Cu,
aged for 45 mins at 450 °C.

Cu rich GP zones in Al-4%Cu, aged


for 6 hours at 180 °C
Mecanismos de endurecimento: endurecimento por
precipitação
Mecanismo de Orowan:
A deslocação corta os precipitados
Precipitados rígidos

Gb
τ~
l
Endurecimento por precipitação de ligas de alumínio

• A indústria de aviação utilisa intensamente ligas de alumínio


endurecidas por precipitação

• A precipitação é obtida
adicionando ao alumínio
elementos de liga apropriados

1.5µm 34
Utilização das ligas de alumínio em aviação
Ligas de alumínio utilizadas em aviação
Enformação por deformação plástica
1.  Deformação a frio: verifica-se encruamento
2.  Deformação a quente: não se verifica encruamento

Laminagem Forjamento,
estampagem

Extrusão Trefilagem
Estrutura das deslocações depois da deformação a
frio

• Estrutura das deslocações em Ti depois da deformação a


frio
• As deslocações interatuam
e cruzam-se formando
emaranhados (tangled
forests of dislocations)

• O movimento das
deslocações torna-se muito
mais difícil. A resistência
mecânica aumenta:
Encruamento

38
Aumento da densidade de deslocações devido
ao trabalho a frio

Densidade de deslocações = comprimento total de


deslocações por unidade de volume

–  Monocristais crescidos por métodos especiais


à Cerca de 103 mm-2
–  Materiais deformados a frio
à 109-1010 mm-2
–  Influência do recozimento
à 105-106 mm-2

• A tensão de cedência cresce quando ρd aumenta:


ENCRUAMENTO
39
Mecanismos de endurecimento: encruamento
À medida que o material é trabalhado a frio:
• A tensão de cedência (σy) aumenta
• A resistência à tração (Rt) aumenta
• A ductilidade (extensão ou coeficiente de estrição) diminui

Aço de baixo teor em


carbono

40
Interação entre deslocações

O aumento de temperatura,
ao permitir a difusão, permite
às deslocações assumir
configurações de menor
energia: recozimento
41
Efeito do recozimento após trabalho a frio
• O tratamento térmico a Trec diminui Rt e aumenda a
ductilidade
• Os efeitos de trabalho a frio são eliminados
Temperatura de recozimento (ºC)
100 200 300 400 500 600 700 • 3 estágios de recozimento
600 60
Rt
50 1.  Recuperação
2.  Recristalização
Rt (MPa)

500
3.  Cresimento de grão

Extensão %
40

400 30

ductilidade 20
300

42
Estágios de recozimento: 1 - Recuperação
Redução da densidade de deslocações por recombinação e aniquilação

• Cenário 1 Plano adicional


de átomos
Resulta de
Os atómos As deslocações
difusão difundem para aniquilam e forma-
regiões de se um plano
tensão atómico perfeito

Plano adicional
de átomos
• Cenário 2
τR
3. As deslocações sobem passando
para um novo plano atómico

2. Os átomos difundem, As deslocações juntam-se e


permitindo à deslocação aniquilam-se
“subir” para um novo plano
Deslocação séssil
1. Deslocação bloqueada, não de
pode mover
43
Estágios de recozimento: 2 – Recristalização

• A partir do material encruado formam-se novos cristais:


•  com baixa densidade de deslocações
•  tamanho reduzido
•  os novos grão crescem à custa dos grão deformados.

0.6 mm 0.6 mm

Latão Novos cristais


deformado nucleados após
33% a frio 3 s a 580°C. 44
Estágios de recozimento: 2 - Recristalização
• Como resultado do recozimento todo o material
encruado é substituído por material não encruado, com
menor densidade de deslocações

0.6 mm 0.6 mm

Após 4 s Após 8 s
45
Estágios de recozimento: 3 – Crescimento de
grão
• Para tempos de recozimento longos e temperaturas de
recozimento elevadas os cristais crescem excessivamente
ao mesmo tempo que o seu número decresce: coalescência
0.6 mm 0.6 mm

Após 8 s, 580ºC Após 15 min, 580ºC

• Cinética de crescimento de coeficiente dependente do material e


de T.
grão: Expoente ~ 2
tempo

Diâmetro de grau d n − d on = Kt
no instante t. 46
Recuperação, recristalização e crescimento de
grão

Tensões Novos grãos


residuais equiaxiais não
deformados

Resistência Ductilidade i) Recuperação


Resistência
Dureza ii) Recristalização
Ductilidade Dureza iii) Crescimento de
Eliminação Grão
defeitos Novos grãos

Tamanho
de grão
Recuperação Recrista
lização Crescimento
de grão

47
Temperatura de recristalização

TR = Temperatura de recristalização = temperatura à


qual a recristalização se encontra completa em 1
h.
0.3Tm < TR < 0.6Tm

Para uma liga metálica específica, TR depende de:


•  % Trabalho a frio - TR diminui com aumento da % de
trabalho a frio
•  Pureza do metal -- TR diminui com aumento da pureza
(facilidade de movimento das deslocações)

48
Deformação a frio e a quente

•  Deformação a quente à acima de TR

•  Deformação a frio à abaixo de TR

49
Propriedades mecânicas dos polímeros –
curvas de tração

Polímero frágil

plástico
elastómero
Módulo de Young menor
que metais e cerâmicos

•  Resistência à fractura dos polimeros ~ 10% da dos metais metals


•  Extensão dos polímeros > 1000% . Para metais < 10%
50
Propriedades mecânicas dos polímeros –
curvas de tração

Polímero frágil

plástico
elastómero
Módulo de Young menor
que metais e cerâmicos

•  Resistência à fractura dos polimeros ~ 10% da dos metais metals


•  Extensão dos polímeros > 1000% . Para metais < 10%
51
Estrutura molecular dos polímeros

Molécula de polietileno: o
monómero está indicado
Polymer Structures

1.  Linear. Many van der Waals bonding between


the chains hold it together. Examples of linear
polymers are polyethylene, polyvinyl chloride,
polystyrene, nylon and the fluorocarbons.
2.  Branched. Side-branch chains connect to the
main ones during synthesis of the polymer.
These reduces the packing efficiency, so lower
density.
3.  Crosslinked. Adjacent linear chains are
actually connected - covalently bonding the
chains. Many of the rubber materials consist of
polybutadiene crosslinked with S atoms, the
process is called vulcanisation
4.  Network. Mer units with three active covalent
bonds form 3D networks. E.g.Epoxies

http://www.learneasy.info/MDME/MEMmods/MEM30007A/polymers/polymers.html
Estrutura molecular dos polímeros

Molécula de polietileno

Partícula de polietileno
Cristal de polietileno
Mecanismos de deformação
Polímeros com ligações cruzadas e em rede

σ(MPa) Estrutura
fibrosa
x Fractura frágil
Perto da rutura
Inicio da estrição

Fractura dúctil
x

ε
Os blocos
cristalinos
fragmentam-
Estrutura não se
deformada As regiões
As regiões
amorfas
cristalinas
alongam-se
alinham-se 54
Mecanismos de deformação - Elastómeros

σ(MPa)
x Fractura frágil

Fractura dúctil
x

elastómero
final: as cadeias
estão direitas e as
ε ligações cruzadas
mantêm-se
inicial: as cadeias Deformação
amorfas estão reversivel: elástica
dobradas e com
ligações cruzadas

55
Propriedades dos polímeros

56
http://www.learneasy.info/MDME/MEMmods/MEM30007A/polymers/polymers.html
Bibliografia

Callister & Rethwisch “Fundamentals of


Materials Science and Engineering” 4th Ed.
Chapter 8 – Deformation and Strengthening
Mechanisms, J. Wiley

57
Mecanismos de fractura

•  Fractura dúctil
–  Acompanhada por deformação plástica
perceptível
•  Fractura frágil
•  Não é acompanhada de deformação
plástica
•  Catastrófica

58
Fractura dúctil e frágil
• Classificação:
Fractura Muito Moderadamente
Frágil
dúctil dúctil

ε ou coef. estrição Grande Moderado Pequeno

A fractura dúctil é Dúctil: Frágil:


preferível à frágil A fractura é Ruptura
previsível súbita
59
Exemplo: fractura de tubagens

• Fractura dúctil
- deformação

• Fractura frágil:
- fragmentação
- ausência de deformação

60
Fractura dúctil e frágil

Fractura dúctil: em taça Fractura frágil


e cone

61
Fractura dúctil: estágios de fractura
Nucleação Crescimento
de e Corte
Estrição cavidades coalescência Fractura
σ

Fácies de 50
50mm
mm
fractura (aço)
As cavidades
nucleiam em
precipitados 100 mm
Fracture surface of tire cord wire
loaded in tension. Courtesy of F.
Roehrig, CC Technologies, Dublin,
OH. Used with permission.

62
Fractura frágil

As flechas indicam os pontos de início de factura

63
Morfologias de fractura frágil
• Intergranular • Transgranular

304 S. Steel 316 S. Steel


(metal) (metal)

160 mm
4 mm

Al Oxide
Polypropylene
(ceramic)
(polymer)

3 mm
1 mm
64
Efeito de concentração de tensão: modelo de
Griffith

•  Fissura de Griffith
1/ 2
⎛a⎞
σm = 2σo ⎜⎜ ⎟⎟ = K t σo
⎝ ρt ⎠

ρt em que
ρt = raio de curvatura
σo = tensão aplicada
σm = tensão no bordo da fissura

65
Efeito de concentração de tensão: modelo de Griffith

66
Proteção contra a fractura
• Evitar reentrâncias com raio pequeno
σ0 σmax
Factor de concentração de tensão, Kt =
σ0
w
σmax
2.5
h
r
2.0 Cresce com w/h
Raio de
concordância
1.5

1.0 r/h
0 0.5 1.0
Cresce quando r/h decresce
67
Teoria da propagação de fissuras

As fissuras propagam-se tanto mais facilmente quanto


mais afiadas forem (raios de curvatura pequenos)
Os materiais dúcteis deformam-se na extremidade da
fissura, aumentando o raio de curvatura
Região deformada
Frágil
Dúctil

Balanço de energia na fissura:


•  Quando o material se deforma elasticamente armazena energia
•  Esta energia é libertada quando a fissura se propaga
•  A energia libertada é utilizada para a formação de novas
superfícies

68
Critério para a propagação de fissuras
A fissura propaga-se se a tensão na sua
extremidade (σm) exceder uma tensão crítica (σc).
Para materiais frágeis:
⎛ 2Eγ s ⎞
1/2

σm > σc σc = ⎜
⎝ π a ⎟⎠
Em que
–  E = módulo de Young
–  γs = energia superficial específica
–  a = comprimento característico da fissura

Para materiais dúcteis deve-se adicionar a γs a energia de


deformação plástica γp

69
Ensaio de impacto (Charpy)
• Ensaio de impacto:
•  Ensaio em condições muito severas
•  Alta velocidade de deformação torna os materiais frágeis
•  Baixas temperaturas diminuem tenacidade

(Charpy)

Altura final Altura inicial

70
Influencia da temperatura na energia de
impacto
• Transição dúctil- frágil

Metais CFC (e.g., Cu, Ni)


Energia de impacto

Metais CCC (Fe a T < 914°C)


polímeros
Frágil Dúctil

Materiais de alta resistência (σy> E/150)

Temperatura

Temperatura de
transição dúctil-frágil

71
Fractura frágil a baixas temperaturas: acidentes dos
Liberty Ships

• Origem do problema: Os aços utilizados tinham uma


temperatura de transição inferior à temperatura ambiente
72
Bibliografia

Callister & Rethwisch “Fundamentals of


Materials Science and Engineering” 4th Ed.
Chapter 9 – Mechanical Failure, J. Wiley

73