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A BIOGRAFIA DE ARISTÓTELES (Paulo Roberto) Início da Fala (1º)

Notável filósofo grego, Aristóteles (384 - 322 a.C.), nasceu em Estágira, colônia de origem jônica
encravada no reino da Macedônia. Filho de Nicômaco, médico do rei Amintas, gozou de circunstâncias
favoráveis para seus estudos.
Em 367 a.C., aos seus 17 anos, foi enviado para a Academia de Platão em Atenas, na qual permanecerá
por 20 anos, inicialmente como discípulo, depois como professor, até a morte do mestre em 347 a.C.
O fato mesmo de ser filho de médico poderá ter dado a Aristóteles o gosto pelos conhecimentos
experimentais e da natureza, ao mesmo tempo que teve sucesso como metafísico.
Auxiliado sempre por Alexandre que o prestigiava, Aristóteles fundou o Liceu (cerca de 334 a.C.) no
ginásio do templo de Apolo Liceu (Liceu é referência ao local do templo). Onde criou escola própria no
ginásio Apolo Liceu.
Em pouco mais de dez anos de atividade, fez Aristóteles de sua escola um centro de adiantados estudos,
em que os mestres se distribuiam por especialidades, inclusive em ciências positivas.

A RELIGIÃO DE ARISTÓTELES (Edvaldo Ângelo) Segundo à Falar (2º)


Com Aristóteles afirma-se o teísmo do ato puro. No entanto, este Deus, pelo seu efetivo isolamento do
mundo, que ele não conhece, não cria, não governa, não está em condições de se tornar objeto de religião,
mais do que as transcendentes idéias platônicas. E não fica nenhum outro objeto religioso. Também
Aristóteles, como Platão, se exclui filosoficamente o antropomorfismo, não exclui uma espécie de
politeísmo, e admite, ao lado do Ato Puro e a ele subordinado, os deuses astrais, isto é, admite que os
corpos celestes são animados por espíritos racionais. Entretanto, esses seres divinos não parecem e não
podem ter função religiosa e sem física.
Não obstante esta concepção filosófica da divindade, Aristóteles admite a religião positiva do povo, até
sem correção alguma. Explica e justifica a religião positiva, tradicional, mítica, como obra política para
moralizar o povo, e como fruto da tendência humana para as representações antropomórficas; e não diz que
ela teria um fundamento racional na verdade filosófica da existência da divindade, a que o homem se teria
facilmente elevado através do espetáculo da ordem celeste.

O PENSAMENTO DE ARISTÓTELES (Pastor Francisco José) Terceiro à Falar (3º)


"Mestre dos que sabem", assim se lhe refere Dante na Divina Comédia. Com Platão, Aristóteles criou o
núcleo propulsionador de toda a filosofia posterior. Mais realista do que o seu professor, Aristóteles
percorre todos os caminhos do saber: da biologia à metafísica, da psicologia à retórica, da lógica à política,
da ética à poesia. Impossível resumir a fecundidade do seu pensamento em todas as áreas. Apenas algumas
ideias. A obra Aristotélica só se integra na cultura filosófica europeia da Idade Média, através dos árabes,
no século XIII, quando é conhecida a versão (orientalizada) de Averróis, o seu mais importante
comentarista. Depois, S. Tomás de Aquino vai incorporar muitos passos das suas teses no pensamento
cristão.

A TEORIA DAS CAUSAS (Pastor Marcos Viana) Quarto à Falar (4º)


O conhecimento é o conhecimento das causas - a causa material (aquilo de que uma coisa é feita), a causa
formal (aquilo que faz com que uma coisa seja o que é), a causa eficiente (a que transforma a matéria) e a
causa final (o objetivo com que a coisa é feita). Todas pressupõem uma causa primeira, uma causa não
causada, o motor imóvel do cosmos, a divindade, que é a realidade suprema, a substância plena que
determina o movimento e a unidade do universo. Mas para Aristóteles a divindade não tem a faculdade da
criação do mundo, este existe desde sempre. É a filosofia cristã que vai dar à divindade o poder da Criação.

ARISTOTELES E A FILOSOFIA DA RELIGIÃO (Nailton Jerônimo) Quinto à Falar (5º)


Se você ler Aristóteles logo após ler alguns dos diálogos de Platão, garanto-lhe que será tedioso!
O fato é que o que temos dos manuscritos que Aristóteles escreveu são apenas suas notas de aulas. Então,
como você pode imaginar, é bastante técnico e difícil de entender. É, como Schopenhauer descreveu em
duas perfeitas palavras, uma "secura brilhante." Apesar de tudo isso, Aristóteles ainda é uma figura
fundamental no estudo da filosofia!

ARISTOTELES E A FILOSOFIA DA RELIGIÃO (Manuel Gomes) Sexto à Falar (6º)


Diferente de Platão, que era apaixonado pelo mundo das ideias, Aristóteles pensava mais no concreto,
naquilo que podemos ver e entender. Não é para menos que boa parte de seus estudos foram em biologia!
Enquanto Platão, apontando para cima, Aristóteles, para as coisas da Terra.
Quando se trata de filosofia da religião, Aristóteles é uma BAITA influência. Até porque, um dos maiores
pensadores sobre filosofia da religião, Tomás de Aquino, é diretamente influenciado pelas ideias de
Aristóteles. Das diversas ideias que se alastram pela história da filosofia da religião, vou apontar a apenas
duas: a descoberta da lógica e a ideia do movedor inamovível. Algumas ideias de Aristóteles, como o
conceito de forma e matéria, sua ética das virtudes e a sua diferenciação entre potencialidade e realidade
aparecem em muitos argumentos na filosofia da religião, mas irei explicá-los quando aparecerem em outros
posts para a coisa não ficar tão complexa (e longa) por aqui.

ARISTOTELES E O MOVEDOR IMÓVEL (Manoel Carlos) Sétimo à Falar (7º)


A segunda ideia de Aristóteles que teve uma grande influência na filosofia da religião é a do movedor
inamovível. Para Aristóteles, movimento sempre é algo que necessita de uma explicação, sempre necessita
de uma força para se tornar realidade. Portanto, ele acreditava que tudo o que existe precisou de uma
primeira causa para colocar as coisas em movimento. Essa ideia é interessante porque Aristóteles, como
muitos da Grécia antiga, acreditava que o universo era eterno. Mas, mesmo assim, existe a necessidade de
uma causa que fizesse com que o universo estivesse eternamente em movimento.
Porém, para que algo estivesse sempre "movimentando" o universo, essa causa precisava ser inamovível,
porque se não essa mesma causa necessitaria de outra coisa para suster o seu movimento. Esta primeira
causa Aristóteles chamou de movedor inamovível. Apesar de automaticamente relacionarmos com Deus, o
Deus de Aristóteles era bem diferente. Não é um Deus transcendente, nem mesmo tem sentimentos como
amor, ou carinho (isso, para Aristóteles, faria com que o movedor fosse vulnerável e, portanto, "movível").
Além disso, esse movedor só pensa em si mesmo. Não em um sentido egoísta, mas, para Aristóteles, se ele
pensasse em qualquer outra coisa, seria modificável uma vez que qualquer outra coisa está em contínua
mudança.
Mais para frente, quando estudarmos Tomás de Aquino, vamos ver o quanto Aristóteles influenciou-o.