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04/11/2014

TEORIAS HUMANISTAS

A psicologia humanista surgiu na década de 50,


ganhando força nos anos 60 e 70. Nova contribuição à
psicologia. Mudança com relação ao objeto.

A consideração do sentido é fundamental na


compreensão do ser humano.

“Posso explicar certas ocorrências humanas ou


comportamentos a partir de “causas” internas ou
externas, posso analisar relações de antecedente-
consequente, ou posso explicar certas coisas em função
das relações parte-todo. Cada uma dessas coisas é
válida e possível, e de fato é feita, com muitas
pesquisas. Porém, nenhuma delas em separado, e nem
todas somadas, dão conta do ser humano como
totalidade em movimento. Algo fica faltando”.

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Convive com neo-psicanalistas tais como Erik


Erikson e Erich Fromm.

Recebe influências da Gestalt (de Kurt Lewin,


Wolfgang Köhler, Kurt Koffka e Friederich Perls) e
do Psicodrama de Jacob Levy Moreno.

Articula paralelos com as filosofias


existencialistas e fenomenológicas. Daí a presença
de ideias de nomes tais como Kierkgaard, Buber,
Nietzche, Heidegger e Sartre. (Boainain Jr, 1994)

Principal desafio que se coloca frente ao nosso


viver: o que vamos fazer com a nossa vida? Que
sentido vamos dar a ela, e de tal forma que não nos
isole de um sentido mais global?

Homem resultado x Homem atual

A relação explicativa se refere ao homem como


resultado, como repertório, ou como recebido, ou
seja, ao homem como passado. Não se refere ao
homem atual, ao homem presente frente a um
futuro, constituído pelas questões de sentido.

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Enfrentando os desafios que vou decifrando os


sentidos e criando novos sentidos. O ser humano
tem que ser captado em seu movimento, e isso só
pode ser feito movimentando-se, inserindo-se num
processo.

O sentido do humanismo em psicologia é o de nos


colocarmos na postura do atual, do presente, do
atuante, do em curso; e todas as explicações só
terão valor como instrumentos para isso.

Alguns modos diferentes de Humanismo em relação à


Psicologia:

O Humanismo é um movimento cultural, europeu,


tendo seus primórdios já no século XIV, intimamente
ligado à Renascença.

Eric Fromm fala de uma tradição da ética humanista


que encontra representantes em praticamente todas as
épocas do pensamento ocidental. Rogers e Maslow
aproximam-se bastante de semelhantes concepções.
Existe uma crença no homem, uma confiança no que
nele se manifesta. Teorias diferentes sobre o homem
podem ser consideradas humanistas, o que as une não é
tanto que todas aceitem determinadas afirmações, mas
uma atitude. Há valores envolvidos, há posicionamentos
e compromissos, e não apenas teses cognitivas.

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André Amar situa 4 momentos dessa história: o


da psicologia humanista, que vem da Idade Média e
caracteriza-se por um posicionamento ético; da
psicologia científica, quando se dá a ruptura entre
a objetividade científica e a ética; a psicanálise e a
psicologia fenomenológica, nesse último começam a
reaparecer coisas do primeiro momento.

Psicologia Humanista no sentido restrito e


contemporâneo do termo. Dois livros tornam-se
clássicos: Psicologia Existencial Humanista de
Thomas Greening e A Psicologia do Ser, de
Abraham Maslow. Década de 60 nos EUA, tempo
de guerra, crise moral e de valores. Crise ética.

Essa última psicologia surgiu como uma reação, a


partir da insatisfação sentida com relação aos dois
conjuntos teóricos em psicologia:

As críticas ao comportamentalismo giravam em


torno de sua abordagem estreita, artificial e estéril
da natureza humana, ao reducionismo.

A divergência à psicanálise se mostrava no


questionamento à ênfase no inconsciente, nas
questões biológicas e eventos passados, no estudo
de pessoas neuróticas e psicóticas.

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Quando o humanismo afeta a psicologia, resulta


daí não uma teoria específica, nem mesmo uma
escola, mas sim um lugar comum onde se
encontram todos aqueles psicólogos insatisfeitos
com a visão de homem implícita nas psicologias
oficiais disponíveis.

Surge a presença de uma atitude humanista no


interior da psicologia.

A psicologia passa a trabalhar a questão dos fins,


da saúde, da autorrealização, e não apenas dos
meios, da doença ou do ajustamento mínimo.

A ciência só é eticamente neutra formalmente,


abstratamente. Aquilo que eu vejo depende do
ponto de vista a partir do qual me coloco para
olhar. E só dentro de um posicionamento de
compromisso com o ser humano como um todo que
meus olhos se abrem para determinados aspectos
do ser humano.

Para Buber, o centro da pessoa só se revela no ato


da relação. O homem é ato e não resultado, é busca
de sentido, atribuição e comunicação de sentido,
criação de mais sentido.

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Foi fundada por Abraham Maslow, porém a sua


história começa muito tempo antes. A Gestalt foi
agregada ao humanismo pela sua visão holística do
homem, sendo importante campo da Psicologia, na
forma de Gestalt-Terapia. Mas foi Carl Rogers, um
psicanalista americano, um dos maiores
exponenciais da obra humanista. Ele, depois de
anos a finco praticando psicanálise, notou que seu
estilo de terapia se diferenciara muito da terapia
psicanalítica.

Sobre a forte influência das filosofias existenciais e


da fenomenologia:

O existencialismo tem o homem como ponto de


partida nos processos de reflexão e a
fenomenologia, a consciência do ser sobre algo, a
investigação da experiência consciente: o fenômeno.

O existencialismo fenomenológico, enquanto


método apreendido pelo movimento humanista, se
pauta em três questões:

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Redução fenomenológica
Recurso para se chegar ao fenômeno em sua essência,
considerando a sua totalidade. A busca pela essência do
sintoma permite a recapitulação da realidade total, pois
somente ela consente o conhecimento dos fatos.

Intencionalidade
Atribuição de sentido do fenômeno, onde a consciência e o
objeto, o sujeito e o mundo estão unificados. O sujeito
pensante e o objeto pensado tornam-se uno. A
intencionalidade só surge após a compreensão da realidade,
obtida, por sua vez, pela redução fenomenológica.

Subjetividade e intersubjetividade
O encontro entre a própria subjetividade e a do outro é
chamado de intersubjetividade. É ela que, através da
pluralidade de constituições de vários sujeitos, dá sentido ao
mundo. O acoplamento entre a intra-subjetividade e a
intersubjetividade é a única forma de efetivação de uma
comunicação verdadeira, que faculta a chegada à essência.

A realidade sofre ressignificação no encontro com a


realidade íntima de cada um, o que a torna fluída. O
processo terapêutico deve, portanto, conectar a
experiência interior ao mundo da objetividade.

Abordagem centrada na pessoa, e não no


comportamento.

Liberdade x Determinismo

O ser possui uma força de autorrealização que conduz


o indivíduo ao desenvolvimento de uma personalidade
criativa e saudável.

O homem é um processo em construção, detentor de


liberdade e poder de escolha.

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A grande contribuição desta nova escola:

ênfase da experiência consciente,


crença na integralidade entre natureza e a conduta do ser
humano,
no livre-arbítrio, espontaneidade e poder de criação do
indivíduo,
e no estudo de tudo que tenha relevância para a condição
humana.

O otimismo acerca da liberdade e do potencial humano é


bastante revelador das crenças do movimento. Para atingi-
los, a terapia faz uso da mais alta gama de instrumentos,
desde a validação da introspecção e da intuição como fonte
preciosa de informação, até a análise da literatura.

A presença do Humanismo na psicologia é a


presença de uma saudade. Saudade do homem
atual, desafiado no presente em relação ao sentido
de sua vida.

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Principais críticas ao movimento são atribuídas ao:

seu escopo vago e à sua falta de cientificidade, tendo


seus próprios expoentes reconhecido a sua não
aceitação na filosofia da ciência.

Outros pontos questionáveis desta teoria são a


crença de que sua prática não daria suporte
necessário às pessoas com distúrbios mais graves, e a
confiança na formulação do autoconceito do cliente
durante o seu tratamento. Muitos estudiosos, ainda,
não a consideram diferenciada suficientemente da
gestalt a ponto de justificar a existência de um nome
próprio.

Tudo isso fez com que a psicologia humanista tenha sido


considerada pelos seus próprios formuladores apenas
uma experiência.

Não obstante as críticas, a promoção de métodos


terapêuticos que acentuam a autorrealização, a
responsabilidade pessoal e a liberdade de escolha, além
da consideração do contexto familiar, social e de trabalho
em que a pessoa se insere, foram de suma importância
na ratificação de mudanças já em curso.

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ABRAHAM MASLOW

“Podemos escolher
recuar em direção à
segurança ou avançar
em direção ao
crescimento. A opção
pelo crescimento tem
que ser feita repetidas
vezes. E o medo tem que
ser superado a cada
momento”.

1908-1970

Considerado o fundador e líder espiritual do


movimento humanista da psicologia

Crítico ferrenho do comportamentalismo e da


psicanálise:
“O estudo de espécimes avariados, atrofiados, imaturos
e não saudáveis só pode produzir uma psicologia
defeituosa” (Maslow, 1970b, p. 180)

Sua teoria não tem origem em histórias de casos de


pacientes clínicos, mas em pesquisas com adultos
criativos, independentes, autossuficientes e realizados.

Concluiu que cada pessoa nasce com as mesmas


necessidades instintivas que nos capacitam a crescer, a
desenvolvermos-nos e a conquistarmos nossos
potenciais.

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Maslow teve uma infância difícil.

“Com a infância que tive é um milagre não


ser psicótico”.

“Tive uma família miserável e minha mãe


era uma criatura horrível”.

“Toda a essência da minha filosofia de vida,


todas as minhas pesquisas e teorizações (...)
têm origem no ódio e na revolta contra tudo
o que ela representou”.

Dos macacos à autorrealização

Maslow teve um treinamento em psicologia


experimental que compreendeu o estudo
sobre dominância e comportamento sexual
em primatas.

Deu um grande passo até chegar as ideias


da psicologia humanista – dos macacos à
autorrealização

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Influências dos trabalhos de Freud, dos psicólogos


da gestalt, de filósofos, pela eclosão da Segunda
Guerra Mundial e nascimento de seu primeiro
filho:

“Fiquei impressionado com o mistério e com o


sentimento de não ter as coisas inteiramente sob
controle. Sentia-me pequeno, frágil e debilitado
diante de tudo aquilo. Diria que qualquer um que
tenha tido um bebê jamais poderia ser
comportamentalista”.

Optou por devotar-se ao desenvolvimento de


uma psicologia que pudesse tratar dos mais
elevados ideais humanos. Trabalharia para
aprimorar a personalidade humana.

No auge da fama, desenvolveu uma série de


doenças, obrigou-se a trabalhar com mais
afinco ainda para atingir o objetivo de sua
psicologia humanista.

Morreu em 1970 de um infarto fatal.

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O desenvolvimento da personalidade: a Hierarquia


das Necessidades

Maslow propôs uma hierarquia de cinco


necessidades inatas que ativam e direcionam o
comportamento humano:

Necessidades Fisiológicas

Necessidades de Segurança

Necessidades de afiliação (pertencimento) e amor

Necessidades de estima

Autorrealização

Descreveu essas necessidades como instintoides, as


quais conferia um componente hereditário, porém
podem ser influenciadas ou anuladas pelo aprendizado,
pelas expectativas sociais e pelo medo de desaprovação.
Assim, sofrem variação de uma pessoa para outra.

Dispostas da mais forte à mais fraca – as necessidades


superiores só se tornam influentes se as necessidades
inferiores forem parcialmente satisfeitas.

Não somos impulsionados por todas as necessidades ao


mesmo tempo, geralmente uma dominará nossa
personalidade. Qual delas será irá depender de quais
outras tiverem sido satisfeitas.

Maslow sugeriu que a ordenação das necessidades


pode mudar.

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Características das necessidades

Quanto mais inferior ela for na hierarquia, seu


poder será maior;

As necessidades superiores surgem mais tarde na


vida;

Como as necessidades superiores são menos


importantes para a sobrevivência real, sua
satisfação pode ser postergada. As necessidades
inferiores são chamadas necessidades de déficit
ou de deficiência.

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Embora as necessidades superiores sejam menos


relevantes, a satisfação delas leva ao
aprimoramento da saúde e da longevidade, por
isso são chamadas de necessidades de
crescimento ou de ser.

A satisfação de necessidades superiores é


também benéfica psicologicamente e leva ao
contentamento, à felicidade e à realização.

Uma necessidade não tem de ser completamente


satisfeita antes que a próxima necessidade se
torne importante.

NECESSIDADES FISIOLÓGICAS
Uma pessoa faminta anseia apenas por comida, mas uma vez
que o desejo tenha sido satisfeito, ela não será mais
impulsionada por ele. A necessidade não mais controlará o
comportamento.

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NECESSIDADE DE SEGURANÇA
Essas necessidades são impulsos importantes para bebês e
adultos neuróticos. Os adultos neuróticos e inseguros também
necessitam de estrutura e ordem como os bebês, pois essas
necessidades ainda dominam sua personalidade. Embora
muitos adultos normais tenham essas necessidades satisfeitas,
ela ainda podem ter certo impacto sobre o comportamento.

NECESSIDADES DE AFILIAÇÃO E
AMOR
Podem ser expressas por meio de um relacionamento próximo
com um amigo, amante ou companheiro, ou de relações sociais
formadas no interior de um grupo.
Tem se tornado cada vez mais difícil de ser satisfeita em nossa
sociedade, cada dia mais sujeita a mudanças.

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NECESSIDADES DE ESTIMA

São duas as formas de necessidade de estima: a


autovalorização e na forma de status. Permite que nos
sintamos confiantes de nossa força, valor e adequação. Quando
nos falta autoestima surge o sentimento de inferioridade e
pouca confiança em nossa capacidade de lidar com a realidade.

AUTORREALIZAÇÃO
Necessidade mais elevada na hierarquia de Maslow, depende da
realização e cumprimento máximos de nossos potenciais, talentos
e capacidade. Mesmo que todas as outras necessidades tenham
sido satisfeitas, se a pessoa não estiver autorrealizada, ficará
impaciente, frustrada e descontente.

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O importante é desenvolver seus próprios potencias


no mais alto nível possível, qualquer que seja a
missão escolhida.

“Uma sopa de primeira categoria é muito mais


criativa que uma pintura de segunda (...) a
culinária, a paternidade ou a construção de uma
casa podem ser criativas, ao mesmo tempo em que
a poesia não precisa ser”.

Condições necessárias para satisfazer a


necessidade de autorrealização

Temos de estar livres de restrições impostas pela


sociedade e por nós mesmos;
Não podemos nos distrair com necessidades de ordem
inferior;
Temos de estar seguros de nossa autoimagem, de
nossos relacionamentos com outras pessoas, ser capazes
de amar e de ser amados;
Temos de possuir um conhecimento realista de nossos
pontos fortes e fracos, virtudes e vícios.

Apesar da hierarquia de necessidades de Maslow


aplicar-se à maioria de nós, pode haver exceções.

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NECESSIDADES COGNITIVAS

Segundo conjunto de necessidades inatas.

Necessidades cognitivas - a de conhecer e a de


entender

Existem fora da hierarquia anterior.

A de conhecer é mais forte que a de entender.

Diversas evidências sustentam a existência de


necessidades cognitivas.

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O fracasso em satisfazer as necessidades


cognitivas é danoso e tolhe o desenvolvimento e
funcionamento plenos da personalidade.

A hierarquia dessas duas necessidades se


sobrepõe à hierarquia original das cinco
necessidades.

Encontrar sentido em nosso ambiente é


fundamental.

O estudo dos autorrealizadores


As pessoas autorrealizadoras diferem das outras em
termos de sua motivação básica.

Maslow propôs um tipo diferente de motivação para


autorrealizadores chamada metamotivação, que
envolve o ato de maximizar o potencial pessoal, em vez
de esforçar-se por um objetivo particular.

As pessoas autorrealizadoras são preocupadas em


satisfazer o seu potencial e em conhecer e entender o
seu meio, não estão buscando reduzir tensão, satisfazer
uma deficiência ou lutar por uma finalidade específica,
mas sim enriquecer a vida por meio de ações que
aumentem a tensão para experimentar uma variedade
de eventos estimulantes e desafiadores.

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Maslow propôs uma lista de


metanecessidades em direção às quais
eles evoluem. São estados da existência

O fracasso em satisfazê-los é danoso e


produz um tipo de metapatologia, que
impede o desenvolvimento pleno da
personalidade. Impede os autorrealizadores
de se expressarem, usarem e cumprirem
seu potencial.

Metanecessidades Metapatologias

Verdade Desconfiança

Bondade Ódio, confiança apenas em si

Beleza Perda de bom gosto

Ordem Insegurança

Necessidade Caos, imprevisibilidade

Autossuficiência Responsabilidade passada para os


outros

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Características dos autorrealizadores

Uma percepção eficiente da realidade;


Aceitação de si mesmos, dos outros e da natureza;
Espontaneidade, simplicidade e naturalidade;
Foco em problemas externos a si mesmos;
Senso de desprendimento e necessidade de
privacidade;
Encanto na apreciação;
Experiências místicas ou culminantes (momento de
intenso êxtase, similar a uma experiência mística ou
religiosa, durante a qual o self é transcendido);
Interesse social;
Relações interpessoais profundas;
Estrutura democrática de caráter;
Criatividade;
Resistência à aculturação.

De acordo coma pesquisa de Maslow, os


autorrealizadores parecem quase perfeitos. No
entanto, eles possuem falhas e imperfeições. Há
ocasiões em que podem ser rudes, cruéis e
experimentar dúvidas, conflitos e tensão.

Se a necessidade de autorrealização é inata e não


precisa ser ensinada e aprendida, então por que
todas as pessoas não são autorrealizadoras?
Uma razão é que, quanto mais elevada for a
necessidade na hierarquia proposta por Maslow,
mais fraca ela é. Como a necessidade mais elevada
é autorrealização, ela é a menos potente. Assim,
pode ser facilmente inibida.

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Outra razão para o fracasso da autorrealização é o


Maslow chamou de complexo de Jonas, refere-se às
dúvidas sobre as nossas próprias habilidades.
Sentimos medo das possibilidades ao mesmo tempo
em que nos empolgam, porém, muito
frequentemente, é o medo que prevalece.

A autorrealização exige coragem, esforço e


disciplina.

Os autorrealizadores testam a si mesmos


constantemente, abandonando rotinas seguras,
comportamentos e atitudes familiares.

Sobre a natureza humana

Maslow possuía um forte senso de confiança em


nossa habilidade de moldar a vida em sociedade.

Somos capazes de moldar nosso livre-arbítrio


mesmo diante de fatores biológicos e de
constituição negativos.

“O que faço com meus dotes genéticos e com meu


corpo é definitivamente mais importante que
meramente o que é dado pela minha herança
genética”.

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Podemos tanto criar um self realizador como


privarmo-nos de buscar esse estado supremo de
realização. Assim, somos responsáveis pelo nível de
desenvolvimento pessoal que atingimos.

A personalidade é determinada pela interação da


hereditariedade com meio, das variáveis pessoais
com as situacionais.

Maslow reconheceu a importância das


experiências da infância para promover ou inibir o
desenvolvimento adulto, mas não acreditava que
fôssemos vítimas delas.

Argumentou que a natureza humana é boa,


decente e afável, mas não negou a existência do
mal.

Acreditava que algumas pessoas fossem


incorrigivelmente más e escreveu em seu diário que
“nada funcionará em definitivo (com elas), além do
fuzilamento” (Maslow, 1979, p.631).

Sugeriu que a perversidade não era um traço


herdado, mas o resultado de um ambiente não
apropriado.

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A Avaliação na Teoria de Maslow

Maslow decidiu que as características de uma


personalidade autorrealizadora, não eram
desenvolvidas entre jovens.

Utilizou uma série de técnicas para avaliar a


personalidade:
Figuras históricas - material biográfico,
analisando registros escritos para identificar
similaridades em características pessoais.
Pessoas vivas - entrevistas, livres associações e
testes projetivos.

O Inventário de Orientação Pessoal (POI), um


questionário de autorrelato que consiste em 150
pares de afirmações, foi desenvolvido pelo psicólogo
Everett Shostrom para medir a autorrealização, é
pontuado por meio de duas escalas principais e dez
subescalas. As escalas principais são competência
de tempo, que mede o quanto vivemos no presente,
e direcionamento interno, que avalia o quanto
dependemos de nós mesmos, e não dos outros, para
julgamentos e valores.

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Inventário de Orientação Pessoal


- Faço o que os outros esperam de mim.
- Sinto-me à vontade para não fazer o que os outros esperam de mim.

-Devo justificar minhas ações em busca de meus próprios interesses.


- Não preciso justificar minhas ações em busca de meus próprios interesses.

-Vivo sob as regras e padrões da sociedade.


-Nem sempre preciso viver sob as regras e padrões da sociedade

-É preciso haver razões para justificar os meus sentimentos.


-Não é preciso haver razões para justificar os meus sentimentos.

- Continuarei a crescer apenas se buscar um objetivo de alto nível, aprovado


socialmente.
- Continuarei a melhorar sendo eu mesmo.

-As pessoas deveriam sempre controlar a sua raiva.


-As pessoas deveriam expressar honestamente a raiva que sentem.

Críticas

As críticas à teoria de Maslow se concentram em seus


métodos de pesquisa e na falta de dados de apoio
gerados experimentalmente.

Acumulou informações sobre os seus autorrealizadores


de maneira incoerente e vaga.

Não descreveu como interpretou os resultados de


testes nem como analisou materiais biográficos. Mais
tarde, admitiu que era difícil descrever acuradamente a
autorrealização.

Sua lista de características tem origem unicamente em


suas interpretações clínicas dos dados e é possível que
tenha sido influenciada por sua filosofia pessoal e seus
valores morais.

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Também há críticas às suas definições sobre


diversos conceitos, tais como metanecessidades,
metapatologia, experiências culminantes e
autorrealização.

Os críticos têm também se perguntado com base


em que a autorrealização é tida como inata. Por
que não poderia ser um comportamento aprendido,
o resultado de certa combinação única de
experiências infantis?

A defesa de Maslow contra esses ataques era que,


embora sua teoria não fosse amplamente
sustentada por pesquisas laboratoriais, ela era
bem-sucedida em termos sociais, clínicos e pessoais.

Em parte devido ao otimismo e à compaixão de Maslow, a sua


teoria e a abordagem humanista em geral tornaram-se
populares, criaram-se os adornos de uma escola formal de
pensamento. Foram fundados periódicos e organizações
relacionadas à psicologia humanista. A psicologia humanista é
considerada a precursora da psicologia positiva, que se concentra
no bem-estar subjetivo.

O legado de Maslow dura há mais de 40 anos e passou de um


século para outro.

Lançou um convite para tornar a psicologia sensível aos


problemas da sociedade moderna e argumentou vigorosamente
que a sobrevivência da civilização depende de nossa capacidade
de desenvolver nosso potencial completo e de nos tornamos
autorrealizadores.

Sua teoria teve amplo impacto sobre a educação,


aconselhamento, assistência médica, negócios e governo.

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CARL ROGERS

“O ‘eu’ e a personalidade emergem


da própria experiência, e não de
uma experiência traduzida...
Para se encaixar a uma estrutura
pré-concebida do eu”.

“Nas minhas relações com as


pessoas, descobri que não ajuda, a
longo prazo, agir como se eu não
fosse quem eu sou”.

“Ser empático é ver o mundo com


os olhos do outro e não ver o nosso
mundo refletido nos olhos dele”.

Histórico familiar

Carl Ransom Rogers (1902-1987) foi considerado o


mais influente psicólogo na história americana;

Seus pais eram protestantes, universitários e


conservadores;

Era o quarto de seis irmãos;

A criação familiar era baseada nos princípios da


educação moral e religiosa e no respeito a questões
éticas, priorizando também a metodologia científica.

Casou-se em 1924 com Hellen Elliot (amiga de


infância)

Teve dois filhos: David e Natalie

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Em 1919 ingressou na Universidade de Wisconsin


cursando Agricultura, abandonou o curso para se
dedicar ao ministério pastoral, formou-se em 1924.
Após dois anos passou a estudar psicologia clínica e
educacional na Universidade de Columbia.

Conferência estudantil cristã em Pequim - mudou


seu ponto de vista religioso de fundamentalista
para liberal.

A mudança lhe trouxe independência emocional e


intelectual.

Rogers criou uma abordagem popular de


psicoterapia

Não diretiva ou centrada no cliente

Terapia centrada na pessoa

O dom de mudar ou aperfeiçoar a personalidade é
centrado no interior da pessoa. É a pessoa, e não o
terapeuta, quem determina tal mudança.

Papel do terapeuta – assistir ou facilitar a


mudança

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Gerou quantidade enorme de pesquisas e é


amplamente empregada no tratamento de
distúrbios emocionais.

Raiz na psicologia humanista que usou como


estrutura para sua relação cliente-terapeuta.

Teoria desenvolvida a partir das experiências de


Rogers com seus clientes.

Não deu muita importância às forças


inconscientes. Os sentimentos e as emoções
presentes têm um impacto maior sobre a
personalidade.

Ênfase na consciência e no presente – a


personalidade poderia ser entendida apenas a
partir de nosso próprio ponto de vista, baseada em
nossas experiências subjetivas.

Propôs uma motivação única, inata e


imprescindível → tendência a atualizar e
desenvolver nossa capacidade e nossos
potenciais, desde os aspectos biológicos até os
aspectos psicológicos de nosso ser → atualizar o self
para tornar-se uma pessoa em pleno
funcionamento.

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O SELF E A TENDÊNCIA À ATUALIZAÇÃO

Importância do self na formação da personalidade.

Autoconhecimento como uma aceitação do self e


da realidade e um senso de responsabilidade pelo
self.

Pesquisas → Modificar o ambiente ou o


autodiscernimento?

A atitude de uma pessoa em relação ao seu self era


mais importante na previsão do comportamento do
que os fatores externos.

“Essa experiência ajudou-me a decidir concentrar


minha carreira principalmente no desenvolvimento
de uma psicoterapia que proporcionasse maior
consciência do autoconhecimento, autodireção e
responsabilidade pessoal, em vez de me concentrar
em mudanças no ambiente social. Levou-me a
colocar maior ênfase no estudo do self e em como ele
se modifica”. (Rogers, 1987, p.119).

O self tornou-se a essência da teoria de


personalidade de Rogers.

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Tendência atualizante
Motivação humana básica de realizar, manter e
aprimorar o self, impulso em direção à
autorrealização

Processo de avaliação organísmica


Processo pelo qual julgamos as experiências em
termos de seu valor para promover ou impedir
nossa realização e crescimento

O Mundo Experiencial

Peso do impacto do mundo experiencial em que


atuamos diariamente, o contexto que influencia
nosso crescimento, estamos expostos a inúmeras
fontes de estimulação.

A realidade de nosso ambiente depende da


percepção que temos dele, que nem sempre pode
coincidir com a realidade.

Nossas percepções mudam com o tempo e com as


circunstâncias.

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Influência da fenomenologia → a única realidade


da qual podemos estar seguros é o nosso próprio
mundo de experiências, nossa percepção interna da
realidade. Descrição imparcial de nossa percepção
consciente do mundo, exatamente como ela ocorre,
sem tentativa de nossa parte de interpretação ou
análise.

Se o mundo experiencial é particular ele pode ser


completamente conhecido por nós.

O desenvolvimento do Self na infância

Os bebês desenvolvem gradualmente um campo


experiencial mais complexo que leva à
diferenciação do restante do mundo, que por sua
vez leva à formação do self ou do autoconceito.

O autoconceito é também nossa imagem do que


somos, do que deveríamos ser e do que gostaríamos
de ser.

Todos os aspectos do self buscam a coerência.

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Consideração positiva
Compreende aceitação, amor e aprovação dos
outros, especialmente da mãe durante a infância.

Necessidade desenvolvida pelos bebês após o


surgimento do self.
Provavelmente é adquirida, é universal e
duradoura.

É crucial para o desenvolvimento da personalidade.


Bebês percebem a desaprovação ao seu
comportamento por parte dos pais como sendo a
desaprovação ao seu self em início de
desenvolvimento.

Consideração positiva incondicional


Aprovação concedida independente do comportamento
de uma pessoa. Na terapia centrada na pessoa
desenvolvida por Rogers, o terapeuta oferece
consideração positiva incondicional ao cliente.

Rogers percebeu que a consideração positiva tem uma


natureza recíproca, é recompensador satisfazer a
necessidade de consideração positiva de outra pessoa.
Ao interpretar o retorno de aprovação ou desaprovação
de outras pessoas aperfeiçoamos nossa autoimagem e
internalizamos as atitudes de outras pessoas.

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Autoconsideração positiva
Condição sob a qual concedemos aceitação e
aprovação a nós mesmos.

Consideração positiva desenvolve autoconsideração


positiva, que por sua vez oferece consideração
positiva aos outros.

Condições de merecimento
Para Rogers, uma crença de que somos dignos de
aprovação apenas quando expressamos
comportamento e atitudes desejáveis e nos
privamos de expressar aqueles que causam
desaprovação por parte dos outros; similar ao
superego freudiano.

Surgem a partir dessa sequência do


desenvolvimento de consideração positiva em
direção à autoconsideração positiva. Origina-se na
consideração positiva condicional.

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Consideração positiva condicional


Aprovação, amor ou aceitação concedidos somente
quando uma pessoa expressa comportamentos e
atitudes desejáveis.

Padrões externos de julgamento tornam-se internos


e pessoais, por exemplo, crianças passam a se punir
como os seus pais o fizeram – o autoconceito
formado passa a funcionar como substituto dos
pais.

Alguns comportamentos poderiam ser satisfatórios


para a pessoa, mas são inibidos ao viver dentro dos
limites impostos pelas suas condições de
merecimento.

Incongruência
Discrepância entre a autoimagem de uma pessoa e os
aspectos de sua experiência

Quando passamos a avaliar as experiências e a aceitá-


las ou rejeitá-las não no sentido de contribuir para a
nossa tendência atualizante, mas se elas trarão
consideração positiva por parte dos outros, isso leva à
incongruência.

Nosso nível de adaptação psicológica e de saúde


emocional é uma função da congruência ou
compatibilidade entre o nosso autoconceito e as nossas
experiências.

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Características de pessoas de pleno funcionamento

Resultado desejado do desenvolvimento psicológico e da


evolução social.

Pessoa de pleno funcionamento


Termo de Rogers para a autoatualização, para o
desenvolvimento de todas as facetas do self.

Características:
Consciência de toda experiência, aberta a sentimentos tanto
positivos como negativos;
Vigor de apreciação a todas as experiências;
Confiança em seu próprio comportamento e sentimentos;
Liberdade de escolha, sem inibições;
Criatividade e espontaneidade;
Necessidade constante de desenvolvimento, de busca da
maximização do próprio potencial.

Sobre a natureza humana

Rogers enfatizou o papel do ambiente, a livre


escolha para criar seu self e que os sentimentos
atuais são mais vitais para a nossa personalidade
do que os eventos da infância.

O objetivo principal da vida → tornar-se uma


pessoa de pleno funcionamento.

Sua perspectiva é progressista.

Por meio da terapia centrada na pessoa de


Rogers, as pessoas são capazes de superar
dificuldades usando seus recursos internos, o
impulso inato à realização.

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A avaliação na teoria de Rogers

A personalidade pode ser avaliada em termos de


experiências subjetivas por meio de autorrelatos.

Possibilitou aos pesquisadores investigar a natureza da


interação cliente-terapeuta ao gravar as sessões de terapia.

Na terapia centrada na pessoa, o terapeuta fornece


consideração positiva incondicional ao cliente, os clientes são
aceitos como são e não lhes dá conselhos sobre como devem
se comportar. Tudo é centrado no cliente, isso inclui a
responsabilidade de mudar seu comportamento e reavaliar
as suas relações.

Rogers se opôs à livre associação e à análise de sonhos, pois


elas tornam o cliente dependente do terapeuta.

Desenvolveu uma técnica grupal e a chamou de grupo


de encontro → técnica de terapia de grupo na qual as
pessoas adquirem conhecimento a respeito de seus
sentimentos e de como elas se relacionam (ou se
enfrentam) entre si.

O tamanho dos grupos varia de 8 a 15 pessoas;


Reúnem-se de 20 a 60 horas ao longo de diversas
sessões;
Têm início sem nenhuma estrutura ou programação de
horário formal;
O facilitador não é um líder, mas estabelece uma
atmosfera na qual os membros do grupo podem se
expressar e se concentrar em como os outros os
percebem.

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Modo de quantificar a autoimagem → Técnica de


classificação Q (desenvolvida por William
Stephenson) → técnica de autorrelato para
avaliação de aspectos da autoimagem.

Pode ser usada de diversas maneiras, avaliando,


por exemplo, o self percebido e o self ideal. As
discrepâncias entre eles indicam ajustamento
psicológico deficiente.

Críticas e Reflexões

Explicar com maior precisão o potencial inato de realização que


propôs – é inteiramente fisiológico ou possui um componente
psicológico?

Descreveu a tendência atualizante como um tipo de “plano”


genético para o desenvolvimento do organismo, mas não esclareceu
como funciona o mecanismo.

Acusado de ter ignorado o impacto das forças inconscientes e por


aceitar a possível distorção das experiências subjetivas de um cliente
em autorrelatos.

Porém, encontrou ampla aplicação não apenas como um


tratamento de distúrbios emocionais, mas também como um meio de
elevar a autoimagem. Muito usada também como método de
treinamento de gerentes no mundo dos negócios. Amplo
reconhecimento por sua ênfase no autoconceito, pelo estímulo nas
pesquisas sobre a natureza da psicoterapia e na interação cliente-
terapeuta.

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A vida plena é um processo, não um estado de ser.

Para aproveitar a vida é preciso...

...assumir
...viver o
responsabilidade
momento
pelas próprias
presente.
escolhas.
...ser ...tratar a si e
totalmente ...confiar aos outros com
aberto a em si consideração
experiências. mesmo. positiva
incondicional.

Oração da Gestalt-terapia
(Fritz Perls)

Eu faço minhas coisas, você faz as suas


Não estou neste mundo para viver de acordo com
suas expectativas
E você não está neste mundo para viver de acordo
com as minhas
Você é você, e eu sou eu
E se por acaso nos encontramos, é lindo
Se não, nada há a fazer.

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Nada lhe posso dar que já não exista em você


mesmo. Não posso abrir-lhe outro mundo de
imagens, além daquele que há em sua própria
alma. Nada lhe posso dar a não ser a oportunidade,
o impulso, a chave. Eu o ajudarei a tornar visível o
seu próprio mundo, e isso é tudo.

Hermann Hesse

Um encontro de dois: olho a olho, face a face


E quando estiveres perto arrancarei teus olhos
E os colocarei no lugar dos meus
E tu arrancarás meus olhos
E os colocarás no lugar dos teus
Então eu te olharei com teus olhos
E tu me olharás com os meus

Jacob Levi Moreno- Convite ao Encontro

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FIM!

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