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CAPÍTULO 1

INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA ANATOMIA

No conceito mais amplo, a Anatomia é a ciência que estuda, macro e


microscopicamente, a constituição e o desenvolvimento dos seres organizados.
Especificamente, a anatomia (Ana = em partes; Tomein = cortar) macroscópica é
estudada pela dissecação de peças previamente fixadas por soluções apropriadas.

 Conceito de variação anatômica e normal


Uma vez que a Anatomia Humana utiliza como material de estudo o corpo do
homem, torna-se necessário fazer alguns comentários sobre este material. A simples
observação de um grupamento humano evidencia de imediato diferenças morfológicas
entre os elementos que compõe o grupo. Estas diferenças morfológicas são denominadas de
variações anatômicas e podem apresentar-se externamente (variação anatômica externa) ou
em qualquer dos sistemas do organismo (variação anatômica interna), sem que isto traga
prejuízo funcional para o indivíduo.
As descrições anatômicas contidas no Atlas ou nos livros textos obedecem a um
padrão que não inclui a possibilidade das variações. Este padrão corresponde ao que na
maioria dos casos, ao que é mais freqüente; para o anatomista o padrão é normal, numa
conceituação, portanto, puramente estatística.
 Anomalia e monstruosidade
Variações morfológicas que determinam perturbação funcional, como por exemplo,
o indivíduo que possui um dedo a menos na mão direita, diz-se que se trata de anomalia e
não de uma variação. Se a anomalia for tão acentuada de modo a deformar profundamente a
construção do corpo do indivíduo, sendo, em geral, incompatível com a vida, denomina-se
monstruosidade (por exemplo, a agenesia - a não formação do encéfalo)
 Fatores gerais de variação
Além das variações anatômicas ditas individuais, devem-se acrescentar aquelas
decorrentes da idade, do sexo, da raça, do tipo constitucional e da evolução.

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 Nomenclatura anatômica
Como toda ciência, a anatomia tem sua linguagem própria. Ao conjunto de termos
empregados para designar e descrever o organismo ou suas partes dá-se o nome de
Nomenclatura Anatômica.
A nomenclatura Anatômica tem caráter dinâmico, podendo ser sempre criticada e
modificada, desde que haja razões suficientes para as modificações e que estas sejam
aprovadas em Congressos Internacionais de Anatomia. A língua oficialmente adotada é o
latim (por ser “língua morta”), porém cada país pode traduzí-la para seu próprio vernáculo.
Foram abolidos os epônimos (nome de pessoas para designar coisas). Ao designar uma
estrutura do organismo, a nomenclatura procura adotar termos que não sejam apenas sinais
para a memória, mas tragam também alguma informação ou descrições sobre a referida
estrutura (como a forma, a sua posição, seu trajeto, sua função, etc.).

 Divisão do corpo humano


O corpo humano é dividido em cabeça, pescoço, tronco e membros.

-Cabeça

-Pescoço
-Tórax
-Tronco Separados pelo músculo diafragma
-Abdome

Corpo
-RaizOmbro
Humano -Superiores
(torácicos)
-Braço
-Parte livre -Antebraço
-Membros -Mão (palma e dorso)

-Inferiores -Coxa
(Pélvicos) -RaizQuadril -Perna
-Pé (planta e dorso)
-Parte livre

Figura 1.1: Divisão do corpo humano.

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 Posição anatômica
Para evitar o uso de termos diferentes nas descrições anatômica, considerando que a
posição pode ser variável, optou-se por uma posição padrão, denominada posição de
descrição anatômica (posição anatômica).
Descrição da posição anatômica: indivíduo em posição ereta (em pé, posição
ortostática ou bípede), com a face voltada pra frente, olhar dirigido para o horizonte,
membros superiores estendidos, aplicados ao tronco e com as palmas voltadas para frente,
membros inferiores unidos, com as pontas dos pés dirigidas para frente. Não importa,
portanto, que o cadáver esteje sobre a mesa em decúbito ventral decúbito dorsal ou
decúbito lateral, as descrições anatômicas são feitas considerando o indivíduo em posição
anatômica.

Figura 1.2: Posição anatômica

 Planos de Delimitação e Secção do Corpo Humano


Na posição anatômica o corpo humano pode ser delimitado por planos tangentes á
superfície. Estes planos são ditos planos de delimitação.

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Têm-se assim, os seguintes planos:
-Dois planos verticais, um tangente ao ventre (plano ventral ou anterior) e outro ao
dorso (plano dorsal ou posterior). Estes e outros a eles paralelos são também designados
como planos frontais, por serem paralelos á “fronte”.
-Dois planos verticais tangentes aos lados do corpo(planos laterais direito e
esquerdo).
-Dois planos horizontais, um tangente á cabeça (plano cranial ou superior) e outro á
planta dos pés (plano podálico ou inferior).

Já os planos de secção são:


-Plano que divide o corpo humano em metades direita e esquerda é denominado de
mediano. Toda secção do corpo feita por planos paralelos ao mediano é uma secção sagital
(corte sagital) e os planos de secção são também chamados sagitais.
-Planos de secção que são paralelos aos planos ventral e dorsal são ditos frontais e a
secção é também denominada frontal (corte frontal).
-Planos de secção que são paralelos aos planos cranial podálico e caudal são
horizontais. A secção é denominada transversal (corte transversal).

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Figura 1.3: Planos de secção do corpo humano.

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A B C D - Plano cranial ou superior
E F G H - Plano podálico ou inferior
A B E F - Plano ventral ou anterior
C D G H - Plano dorsal ou posterior
B C F G - Plano lateral esquerdo
A D E H - Plano lateral direito

Figura 1.4: Planos de delimitação do corpo humano.

 Eixos do corpo humano


São linhas imaginárias traçadas no indivíduo. Os eixos principais seguem três
direções ortogonais:
-Eixo sagital, ântero-posterior: une o centro do plano ventral ao centro do plano
dorsal(héteropolar)
-Eixo longitudinal, crânio-caudal: une o centro do plano cranial ao centro do plano
podálico (héteropolar).
-Eixo tranversal, látero-lateral: une o centro do plano lateral direito ao centro do
plano lateral esquerdo (homopolar).

 Termos de posição e direção


-Estruturas situadas no plano mediano (linha xy) são denominadas medianas (a, b,
c). Exemplo: coluna vertebral, nariz.
- As estruturas (d, e , f) são ditas, respectivamente, medial, intermédia e lateral.
Exemplo: o V dedo( mínimo) é medial em relação ao polegar, enquanto este é lateral
em relação ao V dedo.
- As estruturas (g, h, i) são ditas, respectivamente, dorsal (posterior), média e ventral
(anterior).
- As estruturas (1 e 2) representam a face externa e a face interna da costela.
- Nos membros empregam-se termos especializados de posição. Por exemplo, a mão
é distal, o antebraço é médio e o braço é proximal em relação ao corpo.

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Figura 1.5: termos de posição e direção.

 Princípios gerais de construção corpórea nos vertebrados


-Antimeria: o plano mediano divide o corpo do indivíduo em duas metades, direita e
esquerda. Estas metades são denominadas antímeros e são semelhantes, morfológica e
funcionalmente, sendo possível dizer que o homem é construído segundo o princípio da
simetria bilateral.
-Metameria: superposição, no sentido longitudinal, de segmentos semelhantes, cada
segmento correspondendo a um metâmero. Exemplo: coluna vertebral (superposição
das vértebras), caixa torácica (superposição de costelas).
-Paquimeria: é o princípio segundo o qual o segmento axial do corpo do indivíduo é
constituído, esquematicamente,por dois tubos. Os tubos, denominados paquímeros, são
respectivamente, ventral e dorsal. O paquímero ventral, maior, contém a maioria das
vísceras e, por esta razão é também denominado paquímero visceral. O paquímero
dorsal compreende a cavidade craniana e o canal vertebral e aloja o sistema nervoso
central; por esta razão, também é chamada de paquímero neural.
-Estratificação: o corpo seria formado por uma série de camadas, (estratos)
superpostas umas as outras. Exemplo: pele, tecido celular subcutânio, aponeurose,
músculos, peritônio.

 Planos dos movimentos

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Há 3 planos específicos de movimento nos quais os vários movimentos articulares
podem ser classificados. Quando o movimento ocorre em um plano, a articulação
move-se ou gira em torno de um eixo que tem uma relação de 90º com esse plano.
-Plano antero-posterior ou sagital: esse plano bisseciona o corpo da frente para trás,
dividindo-o em metades simétricas direita e esquerda. De modo geral, os movimentos
de flexão e extensão tais como rosca bíceps, extensões de joelhos e elevações de
deitado a sentado (abdominais) ocorrem neste plano.
-Plano lateral, frontal ou coronal: ele bisseciona o corpo lateralmente de lado a lado,
dividindo-o em metades da frente e de trás. Os movimentos de abdução e adução tais
como abdução de quadril e de ombro e flexão lateral espinhal ocorrem neste plano.
-Plano transverso ou horizontal: divide o corpo horizontalmente em metade superior e
inferior. De maneira geral, os movimentos rotacionais tais como pronação, supinação e
rotação espinhal ocorrem neste plano.

Figura 1.6: planos de movimentos.

CAPÍTULO 2
SISTEMA ESQUELÉTICO

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Os ossos são peças rijas, de número, coloração e forma variáveis. O estudo dos
ossos inclui, no sentido mais amplo, o estudo do esqueleto. O esqueleto é o conjunto de
ossos e cartilagens que se interligam para formar o arcabouço do corpo do animal e
desempenhar várias funções. Como funções importantes podemos apontar: proteção (para o
coração, pulmões e sistema nervoso central), sustentação e conformação do corpo, local de
armazenamento de íons Ca e P, sistema de alavancas que movimentadas pelos músculos
permitem os deslocamentos do corpo e produção de certas células sanguíneas.
Duzentos e seis ossos constituem o sistema esquelético, o qual fornece suporte e
proteção aos demais sistemas do corpo e proporciona as fixações, nos ossos, nos músculos
pelos quais o movimento é produzido.

 Tipos de esqueletos
O esqueleto pode-se apresentar como:
- Esqueleto articulado: com todas as peças;
- Esqueleto desarticulado: com os ossos isolados inteiramente uns aos outros;

 Divisão do esqueleto
O esqueleto pode ser dividido em duas grandes porções:
- Esqueleto axial: porção mediana, formando o eixo do corpo, e composta pelos
ossos da cabeça, pescoço e tronco (tórax e abdome).
- Esqueleto apendicular: são os osso que se unem aos esqueleto axial, por exemplo,
os osso que formam os membros.
A união entre estas duas porções se faz por meio de cinturas: escapular (ou torácica,
constituída pela escápula clavícula) e pélvica (constituída pelos ossos do quadril).

 Número de ossos
No indivíduo adulto o número de ossos é de 206. Este número, todavia, varia, se
levarmos em consideração os seguintes fatores: etários (nos adultos ocorrem sinastose-
soldadura dos ossos do crânio), individuais e critérios de contagem.

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 Classificação dos ossos
Há várias formas de classificar os ossos. Entretanto, a classificação mais difundida é
aquela que leva em consideração a forma dos ossos (em relação ao comprimento, largura
ou espessura). Assim, temos:
- Osso longo: possui um comprimento consideravelmente maior que a largura e a
espessura. Ex.: ossos do esqueleto apendicular (fêmur, rádio, ulna, falanges, tíbia).
O osso longo apresenta duas extremidades, denominadas epífises e um corpo, a diáfise.
Esta possui, no seu interior, uma cavidade- canal medular, que aloja a medula óssea.
- Osso laminar: apresenta comprimento e largura equivalentes, predominando sobre a
espessura. Ex: Ossos do crânio, escápula, ossos do quadril.
- Osso curto: Apresenta equivalência das três dimensões. Ex: ossos do carpo e ossos do
tarso.
Existem ossos que não podem ser classificados em nenhum dos tipos descritos
acima e são, por esta razão e por características que lhe são peculiares, colocados dentro de
uma das categorias seguintes:
- Osso irregular: apresenta uma morfologia complexa que não encontra correspondência
em formas geométricas conhecidas. Ex: vértebras, osso temporal.
- Osso pneumático: apresenta uma ou mais cavidades (ou seios), de volume variável,
revestidas de mucosas e contendo ar. Ex: ossos situados no crânio (frontal, temporal,
maxilar, etmóide e esfenóide).
- Osso sesamóides: desenvolvem-se na substância de certos tendões (osso intratendíneo)
ou da cápsula fibrosa que envolve certas articulações (osso peri-articular). Ex: patela
(osso intratendíneo).
OBS.: devido as suas peculiaridades morfológicas, há ossos que são em mais de um
grupo. Ex:osso frontal é um osso laminar e pneumático; o maxilar é um osso irregular, mas
também pneumático.
 Tipos de substância óssea
O estudo microscópio do tecido ósseo distingue substância óssea compacta e a
esponjosa.
 Elementos descritivos da superfície dos ossos

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Os ossos apresentam em sua superfície, depressões, saliências e aberturas que
constituem os acidentes ósseos. As superfícies que se destinam á articulação com outras
peças esqueléticas são ditas articulares (são lisas e revestidas de cartilagem hialina).
 Periósteo
Membrana conjuntiva que reveste o osso, com exceção das superfícies articulares.
 Nutrição
Os ossos são altamente vascularizados. As artérias do periósteo penetram no osso,
irrigando-o e distribuindo-se na medula óssea.

 Organização macroscópica

Figura 2.1:
Substância óssea
compacta e
esponjosa.

 Esqueleto axial

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Figura 2.2: Crânio em vista anterior.

Figura 2.3: Crânio em vista lateral.

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Figura 2.4: Crânio em vista superior.

Figura 2.5: Crânio em vista inferior

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Figura 2.6: Costelas e esterno.

Figura 2.7: Coluna vertebral.

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Figura 2.8: coluna vertebral.

Figura 2.9: Sacro

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Figura 2.10: Vértebras cervicais, atlas e axis.

Figura 2.11: Vértebra cervical

OBS.: Características das vértebras cervicais: processo espinhoso bifurcado, forame


transverso por onde passa a artéria vertebral e veias vertebrais e plexo simpático, exceto na
7ª vértebra cervical, corpo pequeno e forame vertebral triangular.

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Figura 2.12: Vértebras torácicas.

OBS.: Características das vértebras torácicas: corpo médio, forame vertebral circular,
processo espinhoso alongado (pontiagudo), presença de faceta costal ou fóvea costal onde
as costelas articulam-se.

Figura 2.13: Vértebras lombares.


OBS.: Características das vértebras lombares: processo espinhoso curto e quadriláteros,
corpo grande e forame vertebral triangular.

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 Esqueleto apendicular - membros superiores.

Figura 2.14: Clavícula

Figura 2.15: Escápula em vista anterior

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Figura 2.16: Escápula em vista posterior e lateral.

Figura 2.17: Úmero em vista anterior e posterior.

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Figura 2.18: Rádio em vista anterior e medial.

Figura 2.19: Ulna em vista lateral e anterior.

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Figura 2.20: Esqueleto da mão (ossos do carpo e metacarpo).

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 Esqueleto apendicular - membros inferiores.

Figura 2.21: Ossos do quadril.

Figura 2.22: Ossos do quadril.

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Figura 2.23: Fêmur em vista anterior e posterior.

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Figura 2.24: Patela (osso sesamóide)

Figura 2.25: Tíbia em vista anterior e posterior.

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Figura 2.26: Fíbula em vista anterior e posterior.

Figura 2.27: Esqueleto do pé (ossos do tarso e metatarso).

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Resumo do Metabolismo

Regiões do esqueleto Número de ossos

Esqueleto Axial
Crânio
Crânio 8
Face 14
Hióide 1
Ossículos auditivos 6
Coluna vertebral 26
Tórax
Esterno 1
Costelas 24

Subtotal = 80

Esqueleto Apendicular

Cíngulo peitoral
(cíngulo do membro superior)
Clavícula 2
Escápula 2
Membros superiores
(extremidades)
Úmero 2
Ulna 2
Rádio 2
Carpo 16
Metacarpo 10
Falanges 28
Cíngulo Pélvico
Osso do quadril (pélvico) 2
Membros inferiores
(extremidades)
Fêmur 2
Fíbula 2
Tíbia 2
Patela 2
Tarso 14
Metatarso 10
Falanges 28
Subtotal = 126
Total = 206

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Tabela 2.1: Resumo do metabolismo

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CAPÍTULO 3
JUNTURAS

Juntura ou articulação é a conexão existente entre quaisquer partes rígidas do


esqueleto, quer sejam ossos ou cartilagens. Possibilitam movimentos em numerosas partes
do esqueleto. Algumas fazem união imóvel, mas a maioria permite flexibilidade.

 Classificação das junturas


O critério utilizado para a classificação das junturas é a natureza do elemento que se
interpõe ás peças que se articulam, podendo ser classificadas como fibrosas, cartilaginosas
e sinoviais.
a) Junturas Fibrosas
O elemento que se interpõe ás peças que se articulam é o tecido conjuntivo
fibroso, e a maioria delas se apresentam no crânio. É evidente que a mobilidade
nestas junturas é extremamente reduzida, embora o tecido conjuntivo interposto
confira uma certa elasticidade. Há três tipos de junturas fibrosas:
 Suturas
São encontradas entre os ossos do crânio.

Figura 3.1: Suturas no crânio de recém-nascido.

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A maneira pela qual as bordas dos ossos articulados entram em
contato é variável, reconhecendo-se:
- Sutura plana: União linear retilínea. Ex.: entre o parietal e o
temporal.
- Sutura escamosa: União em bisel. Ex.: entre o parietal e o
temporal.
- Sutura serreadas: União em linha denteada. Ex.: entre os parietais.

No crânio do feto e recém- nascido, onde a ossificação ainda é


incompleta, a quantidade de tecido conjuntivo fibroso interposto é muito
maior. Há alguns pontos onde a separação dos ossos é ainda maior pela
presença de maior quantidade de tecido conjuntivo fibroso. Estes são
pontos fracos na estrutura do crânio, denominadas fontonelas ou
fontículos e vulgarmente chamados de “moleiras”.
Na idade avançada pode ocorrer ossificação do tecido interposto
(sinostose), fazendo com que as suturas, pouco a pouco, desapareçam.
 Sindesmose
Não ocorre entre os ossos do crânio, e só registra um exemplo:
sindesmose tíbio-fibular distal.
 Gonfose
Une a raiz do dente ao seu respectivo alvéolo, preenchendo o espaço
entre ambos.

b) Junturas Cartilaginosas
O tecido que se interpõe é cartilaginoso e a mobilidade é reduzida. Quando
se trata de cartilagem hialina, temos a sincondrose; nas sínfises a cartilagem é
fibrosa. Então, temos:
 Sincondrose (cartilagem hialina). Ex: sincondrose esfeno-occipital.
 Sínfise (cartilagem fibrosa). Ex: sínfise púbica e o disco
intervertebral (entre os corpos das vértebras).

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c) Junturas Sinoviais
O elemento que se interpõe ás peças que se articulam é um liquido
denominado sinóvia ou líquido sinovial. Este tipo de articulação permite um
grau desejável de movimentação.
Os meios de união entre as peças esqueléticas articuladas não prendem nas
superfícies de articulação, como ocorre nas junturas fibrosas e cartilaginosas.
Nas junturas sinoviais o principal meio de união é representada pela cápsula
articular (manguito), que envolve a articulação prendendo-se nos ossos que se
articulam.
São características das junturas sinoviais a cápsula articular, cavidade
articular e líquido sinovial.

 Superfícies articulares e seu revestimento


Superfícies articulares são aquelas que entram em contato numa
determinada juntura. Estas superfícies são revestidas em toda sua extensão
de cartilagem hialina (cartilagem articular).

 Cápsula articular
Membrana conjuntiva que envolve a juntura sinovial como um
manguito. Apresenta-se com duas camadas: a membrana fibrosa (externa) e
a membrana sinovial (interna). A primeira é mais resistente e pode estar
reforçada por ligamentos capsulares, destinados a aumentar sua resistência.
Em muitas junturas sinoviais existem ligamentos independentes da cápsula
articular denominados extra-capsulares ou acessórios, e no joelho, aparecem
também ligamentos intra-articulares. A membrana sinovial é vascularizada e
inervada, sendo encarregada da produção do liquido sinovial.

 Discos e meniscos
Em várias junturas sinoviais, interposto ás superfícies articulares,
encontram-se formações fibro-cartilagíneas, os discos e meniscos intra-
articulares. Possuem funções discutidas: serviriam á melhor adaptação das

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superfícies que se articulam ou seriam estruturas destinadas a receber
violentas pressões, agindo como amortecedores.
 Principais movimentos realizados pelo segmento do corpo
O movimento em uma articulação faz-se, obrigatoriamente, em torno
de um eixo, denominado de eixo de movimento. A direção destes eixos é
antero-posterior (ventral-dorsal), látero-lateral e longitudinal (crânio-
caudal). A direção do eixo de movimento é sempre perpendicular ao plano
no qual se realiza o movimento em questão.Assim, todo movimento é
realizado em um plano determinado e o seu eixo de movimento é
perpendicular aquele plano. Os principais movimentos são:
- Movimentos angulares: nestes movimentos há uma diminuição
(flexão) ou aumento (extensão) do ângulo existente entre o segmento que se
desloca e aquele que permanece fixo. Os movimentos de flexão e extensão
ocorrem em plano sagital e, portanto, o eixo de movimento é látero-lateral.
- Adução e abdução: são movimentos nos quais o segmento é
deslocado em direção ao plano mediano ou em direção oposta, isto é,
afastando- se dele. Os movimentos de adução e abdução desenvolve-se no
plano frontal e seu eixo de movimento é antero-posterior.
- Rotação: é o movimento em que o segmento gira em torno de um
eixo longitudinal (vertical). Assim, nos membros, pode-se reconhecer uma
rotação medial e uma rotação lateral. A rotação é feita em plano e o eixo de
movimento é longitudinal.
- Circundução: em alguns segmentos do corpo, especialmente nos
membros, o movimento combinatório que inclui a adução, extensão,
abdução e flexão resulta na circundução.
 Classificação funcional das junturas sinoviais
O movimento das articulações depende, essencialmente, da forma das
superfícies que entram em contato e dos meios de união que podem limita-
lo. As articulações podem realizar movimentos em torno de um, dois ou três
eixos.

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Assim temos:
- Mono-axial: realiza movimentos apenas em torno de um eixo ou
que possui um grau de liberdade.
- Bi-axial: realiza movimentos em torno de dois eixos (dois graus de
liberdade).
- Tri-axial: realiza movimentos em torno de três eixos (três graus de
liberdade).
Articulações que só permitem flexão e extensão, adução e abdução,
como a rádio-cárpica (articulação do punho), são bi-axiais. Aquelas que
realizam além da flexão, extensão, adução e abdução, também a rotação, são
ditas tri-axiais, como as articulações do ombro e do quadril.

 Classificação morfológica das junturas sinoviais


O critério de base para a classificação morfológica das junturas
sinoviais é a forma das superfícies articulares (“encaixe ósseo). Assim,
temos:
- Plana: as superfícies articulares são planas ou ligeiramente curvas,
permitindo deslizamento de uma superfície sobre a outra em qualquer
direção. O deslizamento existente nas articulações planas é discreto. Ex:
articulação sacro-ilíaca, entre os ossos curtos do carpo, tarso e entre os
corpos das vértebras.
- Gínglimo: este tipo de articulação é também denominado de
dobradiça (devido ao movimento de flexão e extensão que ela realiza).
Realizando apenas flexão e extensão, as junturas sinoviais do tipo gínglimo
são mono-axiais. Ex: articulação do cotovelo e entre as falanges.

- Trocóide: neste tipo as superfícies articulares são segmentos de


cilindros. Essas junturas permitem rotação e seu eixo de movimento é único,
é vertical sendo portanto, mono-axial. Ex: articulação rádio-ulnar proximal
responsáveis pelos movimentos de pronação e supinação do antebraço.

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- Condilar: as superfícies articulares são de forma elíptica. Estas
junturas permitem flexão, extensão, abdução e adução, mas não rotação.
Possuem dois eixos de movimento, sendo portanto bi-axiais. Ex: articulação
rádio-cárpica (ou do punho), articulação temporomandibular (entro o osso
temporal e a mandíbula).
- Em sela: nesse tipo de articulação a superfície articular de uma
peça esquelética tem a forma de sela, apresentando concavidade num sentido
e convexidade em outro e se encaixa numa segunda peça onde convexidade
e concavidade apresentam-se no sentido inverso da primeira. Esta
articulação permite flexão, extensão, abdução e adução (conseqüentemente
também circundução), mas é classificada como bi-axial. O fato é justificado
porque a rotação isolada não pode ser realizada pelo polegar (só é possível
com a combinação dos outros movimentos). Ex: articulação carpo-
metacárpica do polegar.
- Esferóide: apresentam superfícies articulares que são segmentos de
esferas e se encaixam em receptáculos ocos. Este tipo de juntura permite
movimentos em torno de três eixos de movimento, sendo portanto, tri-axial
(permitem movimentos de flexão, extensão, abdução e circundução). Ex:
articulação do ombro e do quadril.

 Junturas sinoviais simples e composta


- Simples: quando apenas dois ossos entram em contato numa juntura
sinovial. Ex: articulação do ombro.
- Composta:quando três ou mais ossos participam da juntura sinovial.
Ex: articulação do cotovelo (úmero, rádio e ulna).

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Figura 3.2: Corte frontal de uma juntura sinovial.

Figura 3.3:Cápsula articular da articulação do quadril.

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Figura 3.4: Articulação esternoclavicular , com um corte feito para evidenciar o
disco intra-articular.

Figura 3.5: Articulação do joelho, vista


posteriormente.

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Figura 3.6: Corte frontal da articulação do ombro.

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CAPÍTULO 4
SISTEMA MUSCULAR

As células musculares são especializadas em contração e relaxamento. Estas células


grupam-se em feixes para formar massas macroscópicas denominadas músculos, os quais
acham-se fixados pelas suas extremidades. Assim, músculos são estruturas que movem os
seguimentos do corpo por encurtamento da distância que existe entre suas extremidades
fixadas, ou seja, por contração. Miologia os estuda. Os músculos são os elementos ativos
do movimento, sendo os ossos os elementos passivos do movimento (alavancas biológicas).
A musculatura não só torna possível o movimento humano como também mantêm unidas
as peças ósseas determinando a posição e a postura do esqueleto.

 Variedade de músculos
A célula muscular está geralmente sob controle do sistema nervoso. Cada músculo
possui seu nervo motor, o qual divide-se em muitos ramos para controlar todas as células
do músculo, a divisão mais delicada destes ramos, termina num mecanismo especializado
conhecido como placa motora. Quando um impulso nervoso passa através do nervo, a placa
motora transmite o impulso à células musculares determinando a sua contração. Se o
impulso de contração resulta num to de vontade, diz-se que o músculo é voluntário
(músculo estriado esquelético). Se o impulso de contração parte de uma porção do sistema
nervoso sobre o qual o indivíduo não tem controle consciente, diz-se que o músculo é
involuntário (músculo liso e estriado cardíaco).

Figura 4.1: m. liso (involuntário) Figura 4.2: m. estriado esquelético (voluntário)

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 Componentes anatômicos dos músculos estriados esqueléticos
Um músculo esquelético típico possui uma porção me dia e extremidades. A porção
média recebe o nome de ventre muscular, sendo esta a parte ativa do músculo (parte
contrátil). Quando as extremidades são cilindróides ou em forma de fita, são chamadas de
tendões; quando são laminares recebem o nome de aponeuroses.

Figura 4.3: Ventre muscular; tendão Figura 4.4: Ventre muscular; aponeurose

OBS.: Os tendões ou aponeuroses nem sempre se prendem ao esqueleto, podendo fazê-lo


em outros elementos: cartilagem, cápsulas articulares, septos intermusculares, derme,
tendão de outro músculo. Em um grande número de músculos, as fibras dos tendões têm
dimensões tão reduzidas que se tem a impressão de que o ventre muscular se prende
diretamente ao osso; em poucos músculos, parecem interpostos a ventres de um mesmo
músculo, e esses tendões não servem para a fixação do esqueleto.
 Fácia muscular
É uma lâmina de tecido conjuntivo que envolve cada músculo. Par que o músculo
possa exercer eficientemente o trabalho de tração é necessário que ele esteja dentro de uma
bainha elástica de contenção, papel executado pela fácia muscular. Outra função
desempenhada pela fácia é permitir o deslizamento dos músculos entre si.

 Origem e inserção
Por razões didáticas convencionou chamar de origem a extremidade do músculo
presa à peça óssea que não se desloca. Por contraposição, denomina-se inserção a
extremidade muscular presa à peça óssea que se desloca. Origem e inserção são também
denominadas de ponto fixo e ponto móvel.

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 Classificação dos músculos

Quanto à forma do músculo e arranjo de suas fibras:


A função do músculo condiciona sua forma e o arranjo de suas fibras. De um
modo geral e amplo, os músculos têm as fibras dispostas paralelas ou oblíquas à
direção da tração exercida pelo músculo.

 Disposição paralela das fibras


Pode ser encontrado em músculos onde predomina o comprimento -
músculo longo (ex: m. esternocleidomastóideo), quanto em músculos nos quais
largura e comprimento se equivalem – músculos largos (ex: m. glúteo máximo).
Nos músculos longos é comum notar-se uma convergência das fibras musculares em
direção aos tendões de origem e inserção, de tal modo que na parte média o músculo
tem maior diâmetro que nas extremidades e por seu aspecto característico é
denominado fusiforme (ex: bíceps braquial). Nos músculos largos, as fibras podem
convergir para um tendão em uma das extremidades, tomando um aspecto de leque
(ex: m. peitoral maior).

 Disposição oblíqua das fibras


Músculos cujas fibras são obliquas em relação aos tendões são denominados
peniformes. Se os feixes musculares se prendem numa só borda do tendão falamos
em músculo unipenado (ex.: m. extensor longo dos dedos do pé); se os feixes se
prendem nas duas bordas do tendão, será bipenado (ex.: m. reto da coxa).

 Quanto à origem
Quando os músculos se originam por mais de um tendão, diz-se que
apresentam mais de uma cabeça de origem. São então classificados como músculos
bíceps, tríceps, quadríceps, conforme apresentam 2, 3 ou 4 cabeças de origem.

41
 Quanto à inserção
Do mesmo modo os músculos podem se inserir por mais de um tendão.
Quando há dois tendões são bicaudados; três ou mais, policaudados (ex.: m. flexor
longo dos dedos do pé).

 Quanto ao ventre muscular


Alguns músculos apresentam mais de um ventre muscular, com tendões
intermediários situados entre eles, são digástricos os músculos que apresentam dois
ventres (ex.: m. digástrico) e poligástrico o músculo que apresenta número maior (ex.:
m. reto do abdome).

 Quanto à ação
Dependendo da ação principal resultante da contração, o músculo pode ser
classificado como flexor, extensor, abdutor, adutor, rotador medial, rotador lateral,
supinador e pronador.

 Classificação funcional dos músculos


Quando um músculo é o agente principal na execução de um movimento ele é um
agonista. Quando um músculo se opõe ao trabalho de um agonista, ele é denominado
antagonista. Quando algum músculo atua no sentido de eliminar algum movimento
indesejado ele é dito sinergista.

Figura 4.5: m. longo esternocleidomastóideo Figura 4.6: m. largo glúteo máximo

42
Figura 4.7:m. bipenado reto da coxa Figura 4.8:m. bíceps braquial

Figura 4.9: m. poligástrico (reto do abdome)

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Tabela 4.1: Classificação dos músculos.

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PRINCIPAIS MÚSCULOS

REGIÃO LATERAL DO PESCOÇO

ESTERNOCLEIDOMASTOÍDEO

Origem: manúbrio do esterno e terço medial da clavícula.


Inserção: processo mastóide.
Ação: flexão lateral e rotação da cabeça.
Inervação: motor: nervo acessório.
Sensorial: plexo cervical.
Irrigação:artéria occipital e artéria tireóidea superior.

MEMBRO SUPERIOR

PEITORAL MAIOR

Origem: metade medial da clavícula, esterno e seis primeiras cartilagens costais,


aponeurose do m. oblíquo externo do abdome.

45
Inserção: crista do tubérculo maior do úmero.
Ação: adução e flexão do braço.
Inervação: recebe inervação do plexo braquial
Irrigação: ramos das artérias torácica interna e toracoacromial.

PEITORAL MENOR

Origem: da 2ª à 5ª costela, próximo à união da cartilagem costal com a costela.


Inserção: borda medial do processo coracóide.
Ação: estabiliza a escápula.
Inervação: n. peitoral medial.
Irrigação: ramos da artéria axilar.

DELTÓIDE

Origem: espinha da escápula, acrômio e terço lateral da clavícula.


Inserção: espinha da escápula, acrômio e terço lateral da clavícula.

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Ação: flexão, abdução e extensão do braço.
Inervação: n. axilar.
Irrigação: artéria circunflexa posterior do úmero.

MANGUITO ROTADOR
Este grupamento muscular é composto pelos músculos: supra-espinhal, infra-espinhal,
redondo menor e subescapular.

 SUPRA- ESPINHAL

Origem: fossa supraspinhal da escápula.


Inserção: tubérculo maior do úmero.
Ação: abdução do braço, e estabiliza o úmero.
Inervação: n. supraescapular.
Irrigação: artéria supraescapular.

 INFRA- ESPINHAL

Origem: fossa infraspinhal da escápula.


Inserção: tubérculo maior do úmero.
Ação: rotação lateral do braço, adução dele, e estabiliza o úmero.
Inervação: n. supraescapular.
Irrigação: artéria supraescapular e artéria circunflexa escapular.

47
 REDONDO MENOR

Origem:borda lateral da escápula (2/3 superiores).


Inserção: tubérculo maior do úmero.
Ação: rotação lateral do braço, adução dele, e estabiliza o úmero.
Inervação: n. axilar.
Irrigação: artéria supraescapular e escapular dorsal, ramos da artéria subclávia.

 SUBESCAPULAR

Origem: face costal da escápula.


Inserção: tubérculo menor do úmero.
Ação: rotação medial do úmero; estabiliza o ombro.
Inervação: n.subescapulares superior e inferior.
Irrigação: artéria subescapular.

MÚSCULO REDONDO MAIOR

Origem:borda lateral da escápula (1/3 inferior).


Inserção: crista do tubérculo menor do úmero.
Ação: rotação medial do braço.
Inervação: n.subescapulares e inferiores (de c5 e c6).
Irrigação: artéria subescapular.

ANTERIORES DO BRAÇO

48
BÍCEPS BRAQUIAL

Origem: porção longa - tubérculo supra glenoidal.


porção curta - processo coracóide da escápula.
Inserção: tuberosidade do rádio e, através da aponeurose do bíceps na fáscia do antebraço.
Ação: flexiona a articulação do cotovelo e supina o antebraço.
Inervação: nervo musculocutâneo (C5 -C7).
Irrigação: recebe ramos arteriais da artéria braquial.

BRAQUIAL

Origem: 2/3 distais da face anterior do úmero.


Inserção: tuberosidade da ulna.
Ação: flexão do antebraço.
Inervação: n. musculocutâneo.
Irrigação: artéria braquial.

49
POSTERIORES DO BRAÇO

MÚSCULO TRÍCEPS BRAQUIAL

Origem: porção longa: tubérculo infraglenoidal da escápula.


porção lateral:face posterior do úmero acima do sulco para o n. radial.
porção medial:face posterior do úmero abaixo do sulco para o n. radial
Inserção: face posterior do olecrano da ulna.
Ação: extensão do antebraço.
Inervação: n.radial do plexo braquial.
Irrigação: artéria braquial profunda.

LATERAIS DO ANTEBRAÇO

MÚSCULO BRAQUIORADIAL

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Origem: crista supracondilar lateral do úmero.
Inserção: face lateral do rádio logo acima do processo estilóide.
Ação: flexão do antebraço.
Inervação: n. radial.
Irrigação: artéria recorrente radial.

MÚSCULO DO DORSO

TRAPÉZIO

Origem: linha nucal superior, protuberância occipital externa, ligamento nucal, processos
espinhosos de todas as vértebras torácicas.
Inserção: terço lateral da clavícula, acrômio e espinha da escápula.
Ação: eleva, abaixa e retrai a escápula.
Inervação: ramos do nervo acessório e do plexo cervical.
Irrigação: ramos da artéria cervical transversa.

ROMBÓIDE MENOR
Origem: ligamentos nucais e processos espinhosos das vértebras cervical à 1ª torácica.
Inserção:borda medial da escápula, parte superior à da inserção do músculo rombóide
maior.
Ação: retrai a escápula, a fixa junto à parede torácica, e inclina seu ângulo lateral para
baixo.
Inervação: n. escapular dorsal.
Irrigação: artéria escapular dorsal.

51
Músculos conectando a extremidade superior à coluna
vertebral. (O Rombóide menor é visível na parte central
superior direita, perto do ombro)

ROMBÓIDE MAIOR

Origem: processos espinhosos da T2 até T5.


Inserção:borda medial da escápula (da raiz da escápula até o ângulo inferior).
Ação: retração e elevação da escápula.
Inervação: n. escapular dorsal e ramos do plexo braquial.

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SERRÁTIL ANTERIOR

Origem: 9 primeiras costelas.


Inserção: borda medial da escápula.
Ação: protrai e estabiliza a escápula, auxilia na inspiração elevando as costelas.
Inervação: pelo nervo torácico longo.
Irrigação: torácica lateral, subescapular e dorsal da escapula.

GRANDE DORSAL

Origem: processo espinhosos das 6 últimas vértebras torácicas, crista ilíaca e fáscia
tóracolombar.
Inserção:crista do tubérculo menor e assoalho do sulco intertubercular.
Ação: extensão, adução e rotação medial do braço.
Inervação: n. toracodorsal do plexo braquial.

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MÚSCULOS DO ABDOMEM

RETO DO ABDOME

Origem: cartilagem costal das costelas V e VII, processo xifóide do esterno.


Inserção: púbis.
Ação: Ao contrair-se, flexiona o tórax ou levanta a pelve ao mesmo tempo que comprime
as vísceras abdominais, desempenhando importante função na defecação e no parto.
Precisamente esta ação de compressão abdominal o faz intervir na expiração, já que
empurra o diafragma para cima e diminui o volume da caixa torácica.
Inervação: recebe inervação dos nervos toracoabdominais.
Irrigação: artérias epigástricas e torácica interna.

OBLÍQUO EXTERNO

Origem: face externa das 7 últimas costelas


Inserção: ½ anterior da crista ilíaca, EIAS, tubérculo do púbis e linha alba.
Ação: Contração Unilateral: Rotação com tórax girando para o lado oposto
Contração Bilateral: Flexão do tronco e aumento da pressão intra-abdominal
Inervação: ramos toracoabdominais de V a XII.
Irrigação: artérias intercostais e lombares.

54
OBLÍQUO INTERNO

Origem: 3 últimas cartilagens costais, crista do púbis e linha alba.


Inserção: Crista ilíaca, EIAS e ligamento inguinal.
Ação: idem ao Oblíquo Externo, porém realiza rotação do tórax para o mesmo lado.
Inervação: nervos toracoabdominais.
Irrigação: artérias lombares, epigástricas, intercostais e circunflexa ilíaca.

TRANSVERSO DO ABDOME

Origem: face interna das 6 últimas cartilagens costais, fascia toracolombar dos processos
transversos das vértebras lombares, lábio exerno da crista ilíaca e ligamento inguinal.
Inserção: linha Alba nos três quartos superiores.
Ação: aumento da pressão intra-abdominal e estabilização da coluna lombar.
Inervação: 5 últimos intercostais, nervo ílio-hipogástrico e ílio-inguinal.
Irrigação: ramos das artérias torácicas interna e circunflexa.

MÚSCULOS DO MEMBRO INFERIOR


Os músculos do membro inferior podem ser divididos em músculos do quadril, músculos
da região glútea, músculos da coxa, músculos da perna e músculos do pé.

MÚSCULOS DO QUADRIL

 Ilíaco
É um músculo plano e triangular que esta situado na fossa ilíaca e é recoberto parcialmente
pelo m. psoas.

Origem: fossa ilíaca e espinha ilíaca ântero-inferior.


Inserção: trocanter menor e linha áspera.
Ação: flexão do quadril.
Inervação: ramos musculares do plexo lombar.

 Psoas
É um músculo volumoso e fusiforme. Esta situado ao lado da coluna lombar, na face
posterior da cavidade abdominal. É composto por duas porções que também podem ser
consideradas como músculos individuais. A maior porção dá-se o nome de psoas maior e à
menor de psoas menor, está porção menor geralmente esta ausente.

Origem: corpos vertebrais de T12 á L4 e processos costais de L1 á L4.


Inserção: trocanter menor.

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Ação: flexão e extensão da coluna lombar; flexão e rotação do quadril.
Inervação: ramos musculares do plexo lombar.
Irrigação: o psoas maior é irrigado pelas artérias lombares, iliolombares, ilíaca externa e
femoral.

MÚSCULOS DA COXA

Quadríceps femoral
Localizado na face anterior da coxa, este músculo envolve quase que por completo o fêmur.
É composto por quatro músculos que recebem nomes distintos, pois tem origens diferentes,
mas possuem uma única inserção comum. São eles:

 M. Reto Femoral:
É o maior em comprimento. Esta situado no meio da coxa e é um músculo bipenado.

Origem: espinha ilíaca-ântero inferior.


Inserção: tuberosidade da tíbia.
Ação: flexão do quadril, extensão do joelho, e tensão da cápsula articular do joelho.
Inervação: N. femoral.
Irrigação: artéria do quadríceps, ramo da artéria femoral.

 M. Vasto Medial:
É uma lâmina plana e grossa que esta situada na face medial da coxa, se confunde com
vasto intermédio na sua porção anterior.

Origem: lábio medial da linha áspera.


Inserção: tuberosidade da tíbia.
Ação: flexão do quadril, extensão do joelho, e tensão da cápsula articular do joelho.
Inervação: N. femoral.
Irrigação: artéria femoral.

 M. Vasto Lateral:
É o maior músculo do quadríceps. Recobre quase que toda a face antero-lateral da coxa.

Origem: lábio lateral da linha áspera e trocanter maior.


Inserção: tuberosidade da tíbia.
Ação: flexão do quadril, extensão do joelho, e tensão da cápsula articular do joelho.
Inervação: N. femoral.
Irrigação: artéria do quadríceps e da circunflexa femoral lateral.

 M. Vasto Intermédio:
Esta recoberto pelo músculo reto femoral. É um músculo plano que forma a parte mais
profunda do músculo quadríceps.

56
Origem: face anterior do fêmur.
Inserção: tuberosidade da tíbia.
Ação: flexão do quadril, extensão do joelho, e tensão da cápsula articular do joelho.
Inervação: N. femoral.
Irrigação: ramos da artéria do quadríceps femoral.

Músculos da Coxa e Quadril

Fonte: NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2 ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

SARTÓRIO
É o músculo mais longo do corpo humano. É delgado e plano e esta situado anteriormente
ao músculo quadríceps, cruzando a face anterior da coxa. Também é conhecido como
músculo do costureiro, pelo movimento típico dos alfaiates que ele proporciona.

Origem: espinha ilíaca antero-superior.


Inserção: tuberosidade da tíbia, formando a pata de ganso.
Ação: flexão, rotação lateral e abdução do quadril, flexão e rotação medial do joelho.
Inervação: N. femoral.

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TENSOR DA FÁSCIA LATA
É um músculo largo e plano, carnoso em sua face externa e tendinoso na sua face interna.
Está situado na face lateral da coxa e do quadril.

Origem: espinha ilíaca antero-superior.


Inserção:extremidade lateral da tíbia, abaixo do côndilo lateral através do trato íliotibial.
Ação: flexão, abdução e rotação medial do quadril e estabilização do joelho.
Inervação: N. glúteo superior.
COXA- Vista Lateral

Fonte: NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2 ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

A Fáscia Lata e o Trato Íliotibial


A fáscia lata recobre toda a coxa e recebe esse nome pela sua ampla extensão.
Proximalmente, na face anterior da coxa, ela é a continuação das fáscias abdominais
externa e toracolombar, nessa região ela se insere no osso do quadril e no ligamento
inguinal. Na região posterior da parte proximal ela se continua à aponeurose glútea.
Distalmente continua-se com a fáscia da perna, tendo limites imprecisos. Medialmente
reveste a musculatura adutora e essa é sua porção mais delgada e não aponeurótica. Na
porção lateral ela se insere na crista ilíaca e próximo ao trocanter maior do fêmur adquire

58
um aspecto tendíneo chamado de trato iliotibial, que corre por toda a face lateral da coxa,
sobre o músculo vasto lateral para se inserir na tíbia.

GRÁCIL
É o músculo mais superficial da face medial da coxa. É fino e plano, em forma de cinta,
considerado um potente músculo adutor.

Origem: sínfise púbica.


Inserção: extremidade proximal da tíbia, formando a pata de ganso.
Ação: adução, flexão e rotação lateral do quadril; flexão e rotação medial do joelho.
Inervação: N. obturatório.

PECTÍNEO
É quadrangular curto e achatado. Esta situado entre o músculo iliopsoas e músculo adutor
longo.

Origem: linha péctinea do púbis.


Inserção: linha péctinea do fêmur.
Ação: flexão, adução e rotação lateral do quadril.
Inervação: N. femoral e obturatório.
Irrigação: compartilha a irrigação com os músculos adutores.

59
Coxa após remoção dos Músculos do Quadril

Fonte: NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2 ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

ADUTOR CURTO
Tem formato triangular e é bastante grosso. Esta situado medialmente ao m. pectíneo e
lateralmente ao m. adutor magno.

Origem: ramo inferior do púbis.


Inserção: lábio medial da linha áspera.
Ação: adução, flexão e rotação lateral do coxa.
Inervação: N. obturatório.

ADUTOR LONGO
É o músculo mais superficial do grupo dos adutores. É triangular, plano e robusto. Fica
situado entre o m.pectíneo e o m. grácil.

Origem: púbis.
Inserção: lábio medial da linha áspera.
Ação: adução, flexão e rotação lateral da coxa.
Inervação: N. obturatório.
Irrigação: artéria circunflexa femoral medial, ramo da femoral profunda e pela artéria
femoral.

60
ADUTOR MAGNO
É um amplo músculo triangular que se estende por toda a região medial da coxa. Possui
uma grande porção muscular e uma aponeurótica que se insere quase que em toda a
extensão do lábio medial da linha áspera do fêmur.Essa porção aponeurótica possui um
hiato por onde os vasos femorais (artéria e veia femoral) ganham a fossa poplítea. Esse
hiato recebe o nome de hiato dos adutores.

Origem:ramo inferior do púbis e na tuberosidade isquiática.


Inserção: lábio medial da linha áspera.
Ação: adução, flexão e rotação lateral.
Inervação: N. obturatório.
Irrigação: artéria dos adutores e das artérias obturatória, femoral, circunflexa femoral
medial e poplítea.

MÚSCULOS ADUTORES - Visão anterior da Coxa

Fonte: NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2 ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

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MÚSCULOS DA REGIÃO GLÚTEA

GLÚTEO MÁXIMO
É um músculo plano, quadrangular e muito robusto. É o mais volumoso e o mais potente
dessa região. É responsável pela manutenção da postura ereta.

Origem: no ílio, posteriormente, à linha glútea posterior, face posterior do sacro e


ligamento sacro tuberal.
Inserção: tuberosidade glútea.
Ação: extensão, rotação lateral e abdução no quadril e auxilia na extensão do joelho.
Inervação: N. glúteo inferior (plexo sacral).
Irrigação: artérias glútea, isquiática, primeira perfurante e circunflexa posterior.

GLÚTEO MÉDIO
É plano e triangular, esta situado abaixo do glúteo máximo. Possui radiações que
convergem para formar um forte tendão que o insere no trocanter maior do fêmur.

Origem: face glútea da asa do ílio.


Inserção: trocanter maior.
Ação: flexão,abdução e rotação medial.
Inervação: N. glúteo superior.
Irrigação: ramo da artéria glútea.

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GLÚTEO MÍNIMO
É o menor dos músculos glúteos e também o mais profundo. É grosso e triangular,esta
situado na fossa ilíaca externa.

Origem: no ílio, entre as linhas glúteas posterior e anterior.


Inserção: trocanter maior.
Ação: abdução e rotação medial da coxa . As fibras anteriores realizam flexão do quadril.
Inervação: N. glúteo superior (L4 - S1).
Irrigação: ramos arteriais da artéria glútea.

Músculos do Glúteo e Posteriores da Coxa

Fonte: NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2 ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

63
PIRIFORME
É um músculo plano e achatado, possui formato piramidal. Fica situado entre o músculo
glúteo mínimo e o m. gêmio superior.

Origem: fase pélvica do sacro (2ª à 4ª vértebras sacrais).


Inserção: trocanter maior.
Ação: abdução e rotação lateral da coxa .
Inervação: N. para músculo piriforme (S2).
Irrigação: artérias sacral, isquiática, glútea e pudenda interna.

GÊMIO SUPERIOR
É o menor dos gêmeos.

Origem: espinha isquiática.


Inserção: tendão do m. obturatório interno.
Ação: rotação lateral da coxa.
Inervação: ramos do plexo sacral.
Irrigação: ramos arteriais da pudenda interna.

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GÊMIO INFERIOR
Ele se funde ao tendão do m. obturador interno, tem formato fusiforme e é um pouco
achatado.

Origem: tuberosidade isquiática.


Inserção: tendão do m. obturatório interno.
Ação: rotação lateral da coxa.
Inervação:ramo do plexo sacral.
Irrigação: ramo da artéria circunflexa medial.

OBTURATÓRIO INTERNO
É plano e triangular, ele reveste a maior pare do forame obturado. Esta situado entre os dois
m. gêmeos.

Origem: contorno interno do forame obturado e membrana obturatória.


Inserção: face medial do trocânter maior do fêmur; as fibras convergem para um tendão
único que deixa a pelve através do forme isquiático menor.

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Ação: rotação lateral da coxa.
Inervação:ramos do plexo sacral.
Irrigação: ramo da artéria obturatória e outro da artéria pudenda interna.

OBTURATÓRIO EXTERNO
É um músculo triangular que se situa na face anterior do quadril e que cruza anteriormente
a articulação coxo femoral.

Origem: contorno externo do forame obturado e membrana obturatória.


Inserção: fossa trocantérica.
Ação: rotação lateral da coxa.
Inervação: n. obturatório.

QUADRADO FEMORAL
É plano, robusto e quadrilátero. Fica situado na zona de transição entre região glútea e
coxa.

Origem: borda lateral da tuberosidade isquiática.


Inserção: crista intertrocantérica.

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Ação: rotação lateral e adução da coxa.
Inervação:ramo do plexo sacral.
Irrigação: recebe ramos arteriais da circunflexa medial e isquiática.

MÚSCULOS DORSAIS DA COXA

BÍCEPS FEMORAL
Triangular e largo. É formado por duas porções, a porção longa é medial, maior e tem
origem no tuber isquiático. A porção curta é menor e lateral, se origina da linha áspera do
fêmur.

Origem: Porção longa: tuberosidade isquiática.


Porção curta: linha áspera do fêmur.
Inserção: Porção longa: cabeça da fíbula.
Porção curta: cabeça da fíbula.
Ação: extensão, adução e rotação lateral da coxa e flexão e rotação lateral da perna.
Inervação: N. isquiático.
Irrigação: sua irrigação provém das artérias perfurantes da femoral profunda.

SEMINTENDÍNEO
É fusiforme e carnoso, recebe esse nome porque possui um tendão bastante longo. Fica
situado medialmente ao m. bíceps femoral.

Origem: tuberosidade isquiática.


Inserção: face medial do corpo da tíbia, proximalmente.
Ação: rotação medial, extensão e adução da coxa e flexão e rotação medial da perna.
Inervação: N. isquiático.

67
Irrigação: é irrigado pela artéria circunflexa ilíaca profunda e ramos perfurantes da
femoral profunda.

SEMIMEMBRANÁCEO
É delgado, plano e possui um tendão membranoso, daí seu nome. Esta recoberto pelo m.
bíceps femoral e m. semitendíneo.

Origem: tuberosidade isquiática.


Inserção: côndilo medial da tíbia, postero-medialmente.
Ação: rotação medial, extensão e adução da coxa e flexão e rotação medial da perna.
Inervação: N. isquiático.
Irrigação: recebe ramos arteriais das artérias perfurantes.

MÚSCULOS ANTERIORES DA PERNA

TIBIAL ANTERIOR
É um m. robusto e triangular situado lateralmente à tíbia.

Origem: côndilo lateral e 2/3 proximais da tíbia.


Inserção: base do 1° metatársico e fase medial do cuneiforme medial.
Ação: dorsiflexão e supinação do pé.
Inervação: N. fibular profundo.

68
EXTENSOR LONGO DO HÁLUX

Origem: fíbula.
Inserção: falanges do hálux.
Ação: extensão, dorsiflexão e supinação do pé.
Inervação: N. fibular profundo.

EXTENSOR LONGO DOS DEDOS

Origem: extremidade proximal da tíbia.


Inserção: aponeurose do 4° dedo.
Ação: dorsiflexão e pronação.
Inervação: N. fibular profundo.
Irrigação: irrigado pela artéria tibial anterior.

69
MÚSCULOS LATERIAS DA PERNA

FIBULAR LONGO

Origem: fíbula.
Inserção: 1° metatarsiano.
Ação: pronação e flexão plantar.
Inervação: N. fibular profundo.
Irrigação: ramos arteriais da tibial anterior.

FIBULAR CURTO

Origem: fíbula.
Inserção: 5° metatarsiano.
Ação: pronação e flexão plantar.
Inervação: N. fibular profundo.
Irrigação: ramos das artérias tibial anterior e fibular.

70
MÚSCULOS DORSAIS DA PERNA

TRÍCEPS SURAL
É composto por 3 porções: gastrocnêmio medial , gastrocnêmio lateral e pelo músculo
sóleo.

Calcâneo (Aquiles)

 GASTROCNÊMIO

Origem: ventre lateral: côndilo lateral do fêmur.


ventre medial: logo acima do côndilo medial do fêmur.
Inserção: ambos se inserem em um tendão único, tendão do calcâneo (tuberosidade do
calcâneo).
Ação: ao se contraírem esses músculos, o pé se estende (flexão plantar) sobre a perna e, se
estiver apoiado no solo , eleva o calcanhar, ao mesmo tempo que flexiona a perna sobre a
coxa.
Inervação: nervo tibial.
Irrigação: ramos arteriais da poplítea.

 SÓLEO

Origem: parte proximal e posterior da fíbula, linha do sóleo.


Inserção: tendão do calcâneo.
Ação: estende o pé (flexão plantar) sobre a perna, flexiona a perna sobre a coxa e eleva o
calcanhar, o que o torna imprescindível para andar.
Inervação:nervo tibial.
Irrigação: ramos arteriais da tibial posterior e fibular.

71
RESUMO
MÚSCULO ORIGEM INSERÇÃO AÇÃO INERVAÇÃO
Esternocleidomastóideo Manúbrio do esterno e terço Processo mastóide flexão Motor: n.
medial da clavícula lateral e acessório
rotação da Sensorial: plexo
cabeça. cervical
Peitoral maior Metade medial da clavícula, Crista do tubérculo Adução e recebe inervação
esterno e seis primeiras maior do úmero. flexão do do plexo braquial
cartilagens costais, braço.
aponeurose do m. oblíquo
externo do abdome.

Bíceps braquial Porção longa: tubérculo tuberosidade do rádio flexiona a nervo


supra glenoidal. e, através da articulação musculocutâneo
Porção curta: processo aponeurose do bíceps do (C5 -C7).
coracóide da escápula. na fáscia do antebraço. cotovelo e
supina o
antebraço.
Braquial 2/3 distais da face anterior do tuberosidade da ulna. flexão do n. musculocutâneo.
úmero. antebraço.
Braquioradial crista supracondilar lateral do face lateral do rádio flexão do n. radial.
úmero. logo acima do processo antebraço.
estilóide.

Tríceps braquial porção longa: tubérculo face posterior do extensão n.radial do plexo
infraglenoidal da escápula. olecrano da ulna. do braquial.
porção lateral:face posterior antebraço.
do úmero acima do sulco para
o n. radial.
porção medial:face posterior
do úmero abaixo do sulco
para o n. radial

Peitoral menor da 2ª à 5ª costela, próximo à borda medial do estabiliza a n. peitoral medial.


união da cartilagem costal processo coracóide. escápula.
com a costela.

Trapézio Linha nucal superior, terço lateral da eleva, ramos do nervo


protuberância occipital clavícula, acrômio e abaixa e acessório e do
externa, ligamento nucal, espinha da escápula. retrai a plexo cervical.
processos espinhosos de todas escápula.
as vértebras torácicas.

Rombóide menor ligamentos nucais e processos borda medial da retrai a n. escapular dorsal.
espinhosos das vértebras escápula, parte superior escápula, a
cervical à 1ª torácica. à da inserção do fixa junto à
músculo rombóide parede
maior. torácica, e
inclina seu
ângulo
lateral para
baixo.

72
RESUMO
MÚSCULO ORIGEM INSERÇÃO AÇÃO INERVAÇÃO
Grande dorsal processo espinhosos das 6 crista do tubérculo extensão, n. toracodorsal do
últimas vértebras torácicas, menor e assoalho do adução e plexo braquial.
crista ilíaca e fáscia sulco intertubercular. rotação
tóracolombar. medial do
braço.
Deltóide espinha da escápula, acrômio espinha da escápula, flexão, n. axilar.
e terço lateral da clavícula. acrômio e terço lateral abdução e
da clavícula. extensão
do braço.

Supra espinhal fossa supraspinhal da tubérculo maior do abdução do n. supraescapular.


escápula. úmero. braço, e
estabiliza o
úmero.

Infraspinhal fossa infraspinhal da tubérculo maior do rotação n. supraescapular.


escápula. úmero. lateral do
braço,
adução
dele, e
estabiliza o
úmero.
Redondo menor borda lateral da escápula (2/3 tubérculo maior do rotação n. axilar.
superiores). úmero. lateral do
braço,
adução
dele, e
estabiliza o
úmero.
Subescapular face costal da escápula. tubérculo menor do rotação n.subescapular
úmero. medial do superior e inferior.
úmero;
estabiliza o
ombro.
Redondo maior borda lateral da escápula (1/3 crista do tubérculo rotação n.subescapulares e
inferior). menor do úmero. medial do inferiores (de c5 e
braço. c6).

Reto do abdome cartilagem costal das costelas púbis. Flexão do recebe inervação
V e VII, processo xifóide do tronco, dos nervos
esterno. comprime toracoabdominais.
o abdômen
e auxilia a
expiração
forçada.
Rombóide maior processos espinhosos da T2 borda medial da retração e n. escapular dorsal
até T5. escápula (da raiz da elevação e ramos do plexo
escápula até o ângulo da braquial.
inferior). escápula.

RESUMO

73
MÚSCULO ORIGEM INSERÇÃO AÇÃO INERVAÇÃO
Serrátil anterior 9 primeiras costelas. borda medial da protrai e pelo nervo torácico
escápula. estabiliza a longo.
escápula,
auxilia na
inspiração
elevando
as costelas.
Oblíquo externo face externa das 7 últimas ½ anterior da crista Contração ramos
Unilateral:
costelas. ilíaca, EIAS, tubérculo toracoabdominais
Rotação com
do púbis e linha alba. tórax girando de V a XII.
para o lado
oposto.
Contração
Bilateral:
Flexão do
tronco e
aumento da
pressão intra-
abdominal

Oblíquo interno 3 últimas cartilagens costais, crista ilíaca, EIAS e idem ao nervos
crista do púbis e linha alba. ligamento inguinal. Oblíquo toracoabdominais.
Externo,
porém
realiza
rotação do
tórax para
o mesmo
lado.
Transverso do abdome face interna das 6 últimas linha Alba nos três aumento 5 últimos
cartilagens costais, fascia quartos superiores. da pressão intercostais, nervo
toracolombar dos intra- ílio-hipogástrico e
processos transversos das abdominal ílio-inguinal.
e
vértebras lombares, lábio
estabilizaç
exerno da crista ilíaca e ão da
ligamento inguinal. coluna
lombar.
Ilíaco fossa ilíaca e espinha ilíaca trocanter menor e linha flexão do ramos musculares
ântero-inferior. áspera. quadril. do plexo lombar.

Psoas corpos vertebrais de T12 á L4 trocanter menor. flexão e ramos musculares


e processos costais de L1 á extensão do plexo lombar.
L4. da coluna
lombar;
flexão e
rotação do
quadril.
Reto Femoral espinha ilíaca-ântero inferior. tuberosidade da tíbia. flexão do N. femoral.
quadril,
extensão do
joelho, e tensão
da cápsula
articular do
joelho.

RESUMO

74
MÚSCULO ORIGEM INSERÇÃO AÇÃO INERVAÇÃO
Vasto medial lábio medial da linha áspera. tuberosidade da tíbia. flexão do N. femoral.
quadril,
extensão
do joelho,
e tensão da
cápsula
articular do
joelho.

Vasto intermédio face anterior do fêmur. tuberosidade da tíbia. flexão do N. femoral.


quadril,
extensão
do joelho,
e tensão da
cápsula
articular do
joelho.
Vasto lateral lábio lateral da linha áspera e tuberosidade da tíbia. flexão do N. femoral.
trocanter maior. quadril,
extensão
do joelho,
e tensão da
cápsula
articular do
joelho.

Sartório espinha ilíaca ântero-superior. tuberosidade da tíbia, flexão, N. femoral.


formando a pata de rotação
ganso. lateral e
abdução do
quadril,
flexão e
rotação
medial do
joelho.

Tensor da fáscia lata espinha ilíaca ântero-superior. extremidade lateral da flexão, N. glúteo superior.
tíbia, abaixo do côndilo abdução e
lateral através do trato rotação
íliotibial. medial do
quadril e
estabilizaç
ão do
joelho.
Pectíneo linha péctinea do púbis. linha péctinea do flexão, N. femoral e
fêmur. adução e obturatório.
rotação
lateral do
quadril.

RESUMO

MÚSCULO ORIGEM INSERÇÃO AÇÃO INERVAÇÃO

75
Grácil sínfise púbica. extremidade proximal adução, N. obturatório.
da tíbia, formando a flexão e
pata de ganso. rotação
lateral do
quadril;
flexão e
rotação
medial do
joelho.

Adutor curto ramo inferior do púbis. lábio medial da linha adução, N. obturatório.
áspera. flexão e
rotação
lateral do
coxa.
Adutor longo púbis. lábio medial da linha adução, N. obturatório.
áspera. flexão e
rotação
lateral da
coxa.
Adutor magno ramo inferior do púbis e na lábio medial da linha adução, N. obturatório.
tuberosidade isquiática. áspera. flexão e
rotação
lateral.
Glúteo máximo no ílio, posteriormente, à tuberosidade glútea. extensão, N. glúteo inferior
linha glútea posterior, face rotação (plexo sacral).
posterior do sacro e lateral e
ligamento sacro tuberal. abdução no
quadril e
auxilia na
extensão
do joelho.
Glúteo médio face glútea da asa do ílio. trocanter maior. flexão,abd N. glúteo superior.
ução e
rotação
medial.
Glúteo mínimo no ílio, entre as linhas glúteas trocanter maior. abdução e N. glúteo superior
posterior e anterior. rotação (L4 - S1).
medial da
coxa . As
fibras
anteriores
realizam
flexão do
quadril.
Piriforme fase pélvica do sacro (2ª à 4ª trocanter maior. abdução e N. para músculo
vértebras sacrais). rotação piriforme (S2).
lateral da
coxa .

RESUMO
MÚSCULO ORIGEM INSERÇÃO AÇÃO INERVAÇÃO

76
Gêmio superior espinha isquiática. tendão do m. rotação ramos do plexo
obturatório interno. lateral da sacral.
coxa.
Gêmio inferior tuberosidade isquiática. tendão do m. rotação ramo do plexo
obturatório interno. lateral da sacral.
coxa.
Obturador interno contorno interno do forame face medial do rotação ramos do plexo
obturado e membrana trocânter maior do lateral da sacral.
obturatória. fêmur; as fibras coxa.
convergem para um
tendão único que deixa
a pelve através do
forme isquiático menor.

Obturador externo contorno externo do forame fossa trocantérica. rotação N. obturatório


obturado e membrana lateral da
obturatória. coxa.

Quadrado femoral borda lateral da tuberosidade crista intertrocantérica. rotação ramo do plexo
isquiática. lateral e sacral.
adução da
coxa.

Bíceps femoral Porção longa: tuberosidade Porção longa: cabeça extensão, N. isquiático.
isquiática. da fíbula. adução e
Porção curta: linha áspera Porção curta: cabeça rotação
do fêmur. da fíbula. lateral da
coxa e
flexão e
rotação
lateral da
perna.

semitendíneo tuberosidade isquiática. face medial do corpo rotação N. isquiático.


da tíbia, medial,
proximalmente. extensão e
adução da
coxa e
flexão e
rotação
medial da
perna.
semimembranáceo tuberosidade isquiática. côndilo medial da tíbia, rotação N. isquiático.
postero-medialmente. medial,
extensão e
adução da
coxa e
flexão e
rotação
medial da
perna.
RESUMO

MÚSCULO ORIGEM INSERÇÃO AÇÃO INERVAÇÃO

77
Tibial anterior côndilo lateral e 2/3 base do 1° metatársico dorsiflexão e N. fibular
proximais da tíbia. e fase medial do supinação do profundo.
cuneiforme medial. pé.

Extensor longo do hálux Fíbula. falanges do hálux. extensão, N. fibular


dorsiflexão e profundo.
supinação do
pé.

Extensor longo dos dedos extremidade proximal da aponeurose do 4° dedo. dorsiflexão e N. fibular
tíbia. pronação. profundo.

Fibular longo fíbula. 1° metatarsiano. pronação e N. fibular


flexão profundo.
plantar.
Fibular curto fíbula. 5° metatarsiano. pronação e N. fibular
flexão profundo.
plantar.

Gastrocnêmio ventre lateral: côndilo lateral ambos se inserem em ao se nervo tibial.


do fêmur. um tendão único, contraírem
ventre medial: logo acima do tendão do calcâneo esses
músculos, o
côndilo medial do fêmur. (tuberosidade do
pé se estende
calcâneo). (flexão
plantar) sobre
a perna e, se
estiver
apoiado no
solo , eleva o
calcanhar, ao
mesmo tempo
que flexiona a
perna sobre a
coxa.

Sóleo parte proximal e posterior da tendão do calcâneo. estende o pé nervo tibial.


(flexão plantar)
fíbula, linha do sóleo. sobre a perna,
flexiona a perna
sobre a coxa e
eleva o
calcanhar, o que
o torna
imprescindível
para andar.

78
CAPÍTULO 5
SISTEMA NERVOSO

 Divisão anatômica do sistema nervoso -Cérebro


- Cerebelo - Mesencéfalo
- Encéfalo - Ponte
- Tronco encefálico
- Bulbo
- Sist. Nervoso Central
- Medula

Sistema
Nervoso

- Nervos
-Sist. Nervoso Periférico - Gânglios
- Terminações nervosas

Figura 5.1: Divisão anatômica do sistema nervoso

O sistema nervoso central é uma porção de recepção de estímulos, de comando e


desencadeadora de respostas. A porção periférica está constituída pelas vias que conduzem
os estímulos ao sistema nervoso central ou que levam até os órgãos efetuadores as ordens
emanadas da porção central.

 Meninges
O encéfalo e a medula espinhal estão envolvidos e protegidos por lâminas de tecido
conjuntivo chamadas, meninges. Estas lâminas são, de fora para dentro: a dura-máter
(paquimeninge), e as leptomeninges, aracnóide e pia-máter. A dura-máter é a membrana
mais resistente e apresenta pregas que são: foice do cérebro, foice do cerebelo e tenda do
cerebelo. A aracnóide é separada da dura-máter por um espaço capilar denominado espaço
subdural e da pia-máter pelo espaço subaracnóide, onde circula o líquido cérebro-espinhal
(líquor).

79
 Sistema Nervoso Central
1. Vesículas primordiais: o SNC origina-se do tubo neural que, na sua extremidade
cranial, apresenta três dilatações denominadas vesículas primordiais: o prosencéfalo, o
mesencéfalo e rombencéfalo. O restante do tubo neural é a medula primitiva.
- Prosencéfalo origina o telencéfalo e o diencéfalo (originam o cérebro).
- Mesencéfalo se desenvolve sem subdividir-se.
- Rombencéfalo subdvide-se em metencéfalo (origina o cerebelo e a ponte) e
meilencéfalo (origina o bulbo).

2. Ventrículos encefálicos e suas comunicações: nas transformações sofridas pelas


vesículas primordiais, a luz do tubo neural primitivo permanece e apresenta-se dilatada
em algumas das subdivisões daquelas vesículas, constituindo os chamados ventrículos
que se comunicam entre si:
-A luz do telencéfalo corresponde aos ventrículos laterais(direito e
esquerdo).
-A luz do diencéfalo corresponde ao III ventrículo. Os ventrículos laterais
comunicam com o III ventrículo através do forame interventricular.
- A luz do mesencéfalo é um canal estreitado, o aqueduto cerebral, o qual
comunica o III ventrículo ao IV ventrículo.
- A luz do rombencéfalo corresponde ao IV ventrículo. Este é continuado
pelo canal central da medula e se comunica com o espaço subaracnóide.

3. Líquor: no espaço subaracnóide e nos ventrículos circula um líquido de


composição química pobre em proteínas, denominado líquido cérebro-espinhal ou
líquor, sendo uma de suas mais importantes funções proteger o SNC, agindo como
amortecedor de choques.

4. Divisão anatômica:

80
- Cérebro: O cérebro pode ser dividido em lobos: frontal, parietal, temporal e
occipital, sendo essas denominações de acordo com as relações que os lobos guardam
com os ossos do crânio. Sua superfície apresenta uma série de sulcos que delimitam
giros, cada giro e cada sulco recebe uma denominação especial. Entretanto, dois sulcos
são os mais importantes: sulco central (separa o lobo frontal do parietal) e sulco lateral
(separa o lobo temporal do frontal e parietal).
- Corpo caloso: são fibras comissurais que conectam áreas corticais
simétricas dos dois hemisférios. Abaixo do corpo caloso existe o fórnix (tracto
arqueado de fibras), e entre eles o septo pelúcido, que separa os dois ventrículos
laterais (o ventrículo lateral estende-se a todos os lobos do cérebro).
- Diencéfalo: encontra-se escondido pelos hemisférios cerebrais, podendo ser
visualizado em um corte sagital do cérebro. No corte sagital, pode-se observar um
sulco sinuoso que é denominado de sulco hipotalâmico e que separa duas regiões do
diencéfalo: o tálamo, situado superiormente ao sulco, e o hipotálamo, situado
inferiormente a ele. Na parte inferior do hipotálamo fica a hipófise, uma importante
glândula endócrina. Importante salientar que a luz do diencéfalo corresponde ao III
ventrículo.
- Mesencéfalo: faz parte do tronco encefálico. É um grosso feixe de fibras
corticais descendentes, e sua cavidade é um estreito e longo canal denominado
aqueduto cerebral, que comunica o III e IV ventrículos.
- Ponte: também faz parte do tronco encefálico. Situa-se logo abaixo do
mesencéfalo, e é constituído por feixes de fibras horizontais que se lateralizam para os
hemisférios do cerebelo. Sua porção dorsal forma o assoalho do amplo IV ventrículo, e
seu limite inferior é o sulco bulbo pontino.
- Bulbo: situa-se entre a ponte e a medula espinhal, tendo com esta, limite
impreciso. Na sua face anterior pode-se observar a fissura mediana (continua com a
medula), pirâmides (correspondem aos reagrupamento das fibras de base do pedúnculo
cerebral, dispersos na porção ventral da ponte), decussação das pirâmides (as fibras se
cruzam para o lado oposto), sulco lateral anterior, suco lateral posterior, olivas
(eminência oval formada por uma grande massa de substancia cinzenta).

81
- Cerebelo: cresce em massa finamente pregueada (como o telencéfalo),
dividida em lobos por fissuras com finas folhas cerebelares. Apresenta dois grandes
hemisférios ligados por uma estreita parte mediana, o vérmis.
- Medula espinhal: localiza-se centralmente ao canal vertebral, continuando
com o tronco encefálico no plano do forame magno. É envolta pelas meninges até a
altura dos discos entre as vértebras L1 e L2. Na vida fetal, a medula ocupa todo o
comprimento do canal vertebral. Porém, como a coluna cresce mais do que a medula,
esta ocupa apenas os 2/3 superiores do canal, ao fim do crescimento do indivíduo. No
1/3 inferiores encontram-se: raízes e nervos lombares, sacrais e coccígeas, formando a
cauda eqüina, filamento terminal(continuação não nervosa da medula) e meninges.

 Distribuição da substância branca e cinzenta no SNC


A observação de um corte de encéfalo ou de medula permite reconhecer áreas claras
e áreas escuras que representam, respectivamente, o que se chama de substância branca
e cinzenta. A primeira é constituída de fibras nervosas mielínicas e a segunda por
corpos de neurônio. Na medula, a substância forma um eixo central contínuo envolvido
por substância branca. Em corte transversal vê-se que a substância cinzenta apresenta a
forma de H ou de borboleta, onde se reconhecem as colunas anterior e posterior,
substância intermédia central e dorsal e coluna lateral.
No tronco encefálico, a substância cinzenta apresenta-se fragmentada no sentido
longitudinal. Formam-se, assim, massas isoladas de substâncias cinzenta (núcleos de
nervos cranianos e outros núcleos próprios do tronco encefálico). O cérebro e o
cerebelo são formados por um córtex de substância cinzenta e um centro branco.
Massas de substância cinzenta são encontradas no centro e constituem os núcleos da
base (no cérebro) e núcleos centrais (no cerebelo).

 Sistema nervoso periférico

82
Fazem parte do SNP, as terminações nervosas, gânglios e nervos (nervos cranianos e
espinhais). As fibras de um nervo são classificados de acordo com as estruturas que
inervam, isto é, conforme sua função. Por esta razão, uma fibra que estimula ou ativa a
musculatura é chamada motora (ou eferentes -que saem do SNC) e a que conduz
estímulos para SNC é sensitiva (ou aferentes - que chegam ao SNC).
1. Terminações nervosas: existem na extremidade das fibras sensitivas e
motoras. Nas sensitivas, são estruturas especializadas para receber
estímulos físicos e químicos na superfície ou no interior do corpo. Já nas
motoras, o exemplo mais típico é a placa motora.
2. Gânglios: acúmulos de corpos de neurônio fora do SNC.
3. Nervos: São cordões esbranquiçados formados por fibras nervosas unidas
por tecido conjuntivo e que levam ou trazem impulsos ao/do SNC. São
ele:
- Nervos cranianos: são 12 pares de nervos que fazem conexão com
o encéfalo. Dez origina-se do tronco encefálico. Além do seu nome,
os nervos cranianos são denominados por números em seqüência
crânia-caudal. São eles:

Nervo Nome Tipo Função


I Olfatório Sensitivo Olfação
II Óptico Sensitivo Visão
III Oculomotor Motor Motor músculos do olho
IV Troclear Motor Motor do mm. Obliquo superior do olho
V Trigêmeo Misto Sensib. Motric. Gde parte cabeça e língua
VI Abducente Motor Motor do mm. Reto lateral do olho
VII Facial Misto Gustação, sensib ouvido, glândulas e mm.
VIII Vestíbulo-coclear Sensitivo Equilíbrio (vestíbulo) e Audição (coclear)
IX Glossofaríngeo Misto Gustação, sensib. ouvido e mm.
X Vago Misto Gustação, sensib. Vísceras, ouvido e mm.
XI Acessório Misto Inervação dos mm., Laringe e vísceras torácicas
XII Hipoglosso Motor Motricidade da língua

83
Tabela 5.1: Nervos cranianos (Quadro Geral).

- Nervos espinhais: os 31 pares de nervos espinhais mantêm


conexão com a medula e abandonam a coluna vertebral através de
forames intervertebrais. O nervo espinhal é formado pela fusão de
duas raízes: uma ventral e outra dorsal. A raiz ventral possui apenas
fibras motoras (eferentes), cujos corpos celulares estão situados na
coluna anterior da substância cinzenta da medula. A raiz dorsal
possui fibras sensitivas (aferentes) cujos corpos celulares estão
situados no gânglio sensitivo da raiz dorsal, que se apresenta como
uma porção dilatada da própria raiz.

Figura 5.2: Corte transversal da medula espinhal.

84
Figura 5.3: Corte transversal de medula espinhal.

Figura 5.4: Corte transversal e corte frontal da medula espinhal.

85
Figura 5.5: Vista inferior do encéfalo. Figura 5.6: Vista inferior do encéfalo

Figura 5.7: Vista lateral Figura 5.8: Vista superior.

86
Ponte

Sulco bulbo-pontino
Oliva
Sulco lateral Pirâmide
posterior
Decussação das pirâmides
Sulco lateral Bulbo
anterior
Fissura mediana anterior

Figura 5.9: Tronco encefálico (vista anterior).

Figura 5.10: Vesículas primordiais do sistema nervoso central.

87
Figura 5.11: Esquema da formação do nervo espinhal.

88
Figura 5.12: Partes componentes do sistema nervoso central, visto num corte sagital
mediano.

89
90
CAPÍTULO 6
SISTEMA CIRCULATÓRIO

A função básica do sistema circulatório é a de lavar material nutritivo e oxigênio às


células; também transporta os produtos residuais do metabolismo.

 Divisão

 Sistema sanguinífero: composto por vasos condutores (artérias, veias e capilares) e


coração.
 Sistema linfático: formado por vasos condutores da linfa e órgãos linfóides (linfonodos
e tonsilas).
 Órgãos hemopoiéticos: representados pela medula óssea e pelos órgãos linfóides (baço
e timo).

 Coração
Tem como função atuar como uma bomba contrátil-propulsora para que ocorra a
circulação do sangue. Sua posição corresponde a região do mediastino, situada na porção
medial da cavidade torácica, entre os pulmões, atrás do esterno, à frente da coluna vertebral
e acima do diafragma. O coração apresenta um ápice (voltado ligeiramente para a
esquerda), uma base (posição medial, não tendo delimitação nítida devido à presença das
raízes dos vasos da base) e quatro faces: uma esternocostal, uma diafragmática e duas
pulmonares. As aurículas (orelhas) situadas nos átrios são como apêndices dos mesmos.
- Partes internas: átrio direito e esquerdo; ventrículo direito e esquerdo.
- Constituição: a camada mais interna corresponde ao endocárdio, formado por endotélio
e camada de vasos. A camada média é dita miocárdio, formado por tecido muscular
estriado cardíaco. Já a camada mais externa corresponde ao pericárdio, uma camada
fibro-serosa de revestimento do coração, que limita sua expansão durante a diástole
ventricular. Esta camada é subdividida em:

91
 Pericárdio fibroso ( camada externa fibrosa).
 Pericárdio seroso é subdividido em lâmina parietal (aderente ao pericárdio fibroso) e
lâmina visceral ou epicárdio (camada interna serosa aderida ao miocárdio).
Entre as duas lâminas do pericárdio seroso existe uma cavidade – cavidade pericárdica
ocupada por uma camada líquida, que permite o deslizamento de uma lâmina contra a outra
durante as mudanças de volume.
– Morfologia interna: possui quatro câmaras (tetracavitário), sendo dois átrios
(direito/esquerdo), separados pelo septo inter-atrial (septo sagital superior) e , dois
ventrículos (direito/esquerdo), separados pelo septo inter-ventricular (septo sagital inferor).
O septo átrio-ventricular (septo horizontal) divide o coração em duas porções, superior e
inferior; este septo possui dois orifícios:
 Óstio átrio-ventricular direito: onde está localizada a valva tricúspide (comunicação
entre átrio e ventrículo direitos).
 Óstio átrio-ventricular esquerdo: onde está localizada a valva bicúspide/mitral
(comunicação entre átrio e ventrículo esquerdos).
As valvas são lâminas de tecido conjutivo denso recobertas pelo endocárdio, e que
apresenta subdivisão incompletas, as válvulas ou cúspides, que orientam e controlam o
fluxo sangüíneo nos óstios, além de impedir o refluxo sangüíneo. Portanto , válvula é a
unidade e valva é o conjunto.
Quando ocorre a sístole (contração) ventricular, a tensão nesta câmara aumenta
consideravelmente, o que poderia provocar a eversão da valva para o átrio e
consequentemente refluxo de sangue para esta câmara. Isso não ocorre porque cordas
tendíneas prendem a valva a músculos papilares, os quais são projeções do miocárdio nas
paredes internas do ventrículo.
- Vasos da base: correspondem aos vasos pelo qual o sangue entra e sai do coração, tendo
suas raízes situadas na base deste órgão. São eles:
 Veia cava superior e inferior: desembocam no átrio direito, trazendo sangue rico em gás
carbônico.
 Veias pulmonares: são em número de quatro (duas de cada pulmão) e, desembocam no
átrio esquerdo trazendo sangue oxigenado dos pulmões.

92
 Artéria tronco pulmonar: sai do ventrículo direito e bifurca-se em artérias pulmonares
direita e esquerda, levando sangue com alta concentração de gás carbônico para os
pulmões; é a primeira artéria a ser vista na posição anatômica do coração.
 Artéria aorta: sai do ventrículo esquerdo levando sangue oxigenado para o corpo. Sai do
ventrículo como aorta ascendente, forma o arco aórtico e, então a aorta descendente. O
arco áortico subdivide-se em:

 Tronco braqui-cefálico, que por sua vez se subdivide em Artéria subclávia direita e
Artéria carótida comum direita.
 Artéria carótida comum esquerda
 Artéria subclávia esquerda

- Valvas da base: ao nível dos orifícios de saída do tronco pulmonar e da aorta,


respectivamente no ventrículo direito e esquerdo, existem um dispositivo valvar para
impedir o retorno do sangue, sendo a valva tronco pulmonar e a valva aórtica,
respectivamente. Cada uma destas valvas é constituída por três válvulas semilunares.

 Tipos de circulação
- Circulação pulmonar: é a circulação coração – pulmão – coração (ventrículo direito –
artéria tronco pulmonar – pulmão – veias pulmonares – átrio esquerdo).
- Circulação sistêmica: é a circulação coração – tecidos – coração (ventrículo esquerdo –
artéria aorta – tecidos – veias cavas superior e inferior – átrio direto).
- Circulação colateral: normalmente, existem anastomoses (comunicações) entre ramos
da artérias ou de veias entre si. Em condições normais, não há tanta passagem de
sangue através destas comunicações, mas no caso de haver obstrução, o sangue passa a
circular ativamente por estas variantes.
- Circulação portal: uma veia interpõe-se entre duas redes de capilares (exemplos:
circulação portal – hepática e sistema portal na hipófise).

93
 Sistema de condução
O controle da atividade cardíaca é feito através do vago (atua inibindo) e do simpático
(atua estimulando). Atuam no nó sinu-atrial ( formação situada na parede da átrio direito),
considerado como o “marcapassos” do coração. Daí, ritmicamente, o impulso espalha-se ao
miocárdio, resultando na contração. Este impulso chega ao nó átrio-ventricular, localizado
na porção inferior do septo inter-atrial e se propaga aos ventrículos através do feixe átrio-
ventricular.

Figura 6.1: Coração.

94
Figura 6.2: Esquema das câmaras cardíacas.

Figura 6.3: Esqueleto cardíaco.

95
Figura 6.4: Esquema da circulação portal.

96
 VEIAS DA CABEÇA E PESCOÇO

FONTE: Tortora, 2002.

97
Crânio: a rede venosa do interior do crânio é representada por um sistema de canais
intercomunicantes denominados seios da dura-máter.

98
99
Veia jugular interna: vai se anastomosar com a veia subclávia para formar o tronco
braquiocefálico venoso.
Veia jugular externa: desemboca na veia subclávia.
Veia jugular anterior: origina-se superficialmente ao nível da região supra-hioídea e
desemboca na terminação da veia jugular externa.
Veia jugular posterior: origina-se nas proximidades do occipital e desce
posteriormente ao pescoço para ir desembocar no tronco braquiocefálico venoso. Está
situada profundamente.

 VEIAS DOS MEMBROS SUPERIORES

FONTE: Tortora, 2002.

100
101
102
 VEIAS DOS MEMBROS INFERIORES

FONTE: Tortora, 2002.

103
104
As veias superficiais dos membros inferiores:
Veia safena magna: origina-se na rede de vênulas da região dorsal do pé, margeando
a borda medial desta região, passa entre o maléolo medial e o tendão do músculo tibial
anterior e sobe pela face medial da perna e da coxa.
Nas proximidades da raiz da coxa ela executa uma curva para se aprofundar e
atravessa um orifício da fáscia lata chamado de hiato safeno.
A veia safena parva: origina-se na região de vênulas na margem lateral da região
dorsal do pé, passa por trás do maléolo lateral e sobe pela linha mediana da face
posterior da perna até as proximidades da prega de flexão do joelho, onde se aprofunda
para ir desembocar em uma das veias poplíteas.

105
A veia safena parva comunica-se com a veia safena magna por intermédio de vários
ramos anastomósticos.

106
107
CAPÍTULO 7
SISTEMA RESPIRATÓRIO

 Divisão
O sistema respiratório é dividido em duas partes:
- Porção de condução, constituído por órgãos tubulares aeríferos, como os brônquios
e traquéia (que são apenas condutores aeríferos), a laringe (também órgão da
fonação), faringe (relacionado também com o sistema digestivo) e o nariz (que
também cumpre com a função de olfação).
- Porção de respiração: representada pelos pulmões direito e esquerdo.
 Nariz
No estudo do nariz incluem-se: nariz externo, cavidade nasal e seios paranasais.

- Nariz externo: tem função de captar oxigênio e expelir gás carbônico, além da
função olfatória. Situa-se no plano mediano da face, apresentando-se, no homem,
como uma pirâmide triangular em que a extremidade superior é denominada raiz, e
a inferior, base. Na base encontram-se as narinas (aberturas em fenda), separadas
por um septo. O ponto mais projetado da base recebe o nome de ápice, e entre ele e
a raiz estende-se o dorso do nariz.
- Cavidade nasal: localiza-se superiormente à cavidade bucal, separada dela pelo
palato mole (muscular) e pelo palato duro (ósseo). A cavidade nasal é dividida por
um septo osteocartilagíneo em metade direita e metade esquerda. Este septo é
constituído por cartilagem do septo nasal e lâmina perpendicular do osso etmóide e
osso vômer.
Comunica-se com o meio externo através das narinas e com a porção nasal da
faringe através das coanas. As coanas marcam o limite entre cavidade nasal e a
porção nasal da faringe. Esta cavidade é bastante vascularizada (na porção anterior
principalmente), sendo freqüentemente sede de hemorragias.

108
A cavidade nasal apresenta projeções ósseas sobre ela, recobertas por muco (camada
mucosa), denominada de conchas nasais. As conchas delimitam meatos que são
espaços entre e sob as conchas nasais. São eles:

Concha nasal superior;


Concha nasal média;
Concha nasal inferior;

Meato superior (entre a concha superior e média);


Meato médio (entre a concha média e inferior);
Meato inferior (sob a concha inferior)

- Seios paranasais: lacalizam-se nos ossos frontal, maxilar, esfenóide e etmóide, e não
possuem funções bem definidas. O seio frontal localiza-se acima da fossa nasal e
comunica-se com o seio etmóide. O seio maxilar localiza-se lateralmente a cavidade
nasal e comunica-se com o seio etmóide. O seio esfenóide desemboca acima da
concha superior e é posterior a fossa nasal. Já o seio etmóide localiza-se
lateralmente a cavidade nasal, desemboca nos meatos superior e médio e comunica-
se com o os seios frontal e maxilar.
 Faringe
Tubo muscular que faz parte dos sistemas digestivo e respiratório. Localiza-se
posteriormente à faringe, cavidade nasal e bucal, reconhecendo-se nela, três partes: parte
nasal (nasofaringe), superior, que se comunica com a cavidade nasal via coanas; parte bucal
(orofaringe), média, que se comunica com a cavidade bucal pelo istmo das fauces (ou da
garganta); e parte laríngica (laringofaringe), inferior, que se comunica coma laringe através
do ádito da laringe e localiza-se posterior a ela. Não existem limites precisos entre as três
partes da faringe.

Na parede lateral da parte nasal da faringe apresenta-se o óstio faríngico da tuba


auditiva, que marca a desembocadura da tuba auditiva (que comunica a parte nasal da
faringe com a cavidade timpânica do ouvido médio) nesta porção da faringe.

109
O óstio faríngico da tuba auditiva está limitado, superiormente, por uma elevação
em forma da meia lua, denominada tórus tubal.
 Laringe
É um órgão tubular que atua como via aerífera e órgão da fonação (produção de som).
Localiza-se no plano mediano, anterior a faringe e é continuada diretamente pela traquéia.

- Esqueleto da laringe: apresenta um esqueleto cartilaginoso, formado por quatro


cartilagens, sendo a cartilagem tireóide a maior de todas e em forma de V. A
cartilagem cricóide é ímpar e inferior a cartilagem tireóide, enquanto que a
cartilagem aritenóide é uma da cada lado, semelhante a uma pirâmide com o ápice
superior, com a base articulando com a cartilagem cricóide. Estas cartilagens são do
tipo hialina. Já a cartilagem epiglótica é ímpar, mediana, posterior a cartilagem
tireóide e a raiz da língua, sendo uma cartilagem elástica. Existem outras cartilagens
na laringe, porém sem maior importância, e estão interligadas por ligamentos e
músculos.
- Cavidade da laringe: em um corte sagital pode-se observar várias estruturas. São
elas: ventrículo da laringe, que são pequenas invaginações da laringe, limitado por
pregas; prega vestibular, que é a prega superior de delimitação do ventrículo da
laringe; prega vocal é a prega inferior de delimitação do ventrículo da laringe
constituída por ligamentos e músculos vocais revestidos por muco; vestíbulo é a
porção situada acima da prega vestibular até o ádito da laringe; ádito da laringe, que
é o orifício de entrada da laringe; glote é a porção compreendida entre as pregas
vestibulares e vocal de cada lado da laringe; cavidade infraglótica representada pela
porção situada abaixo da prega vocal e se continua com a cavidade da traquéia; rima
glótica, que é o espaço existente entre as pregas vocais.
 Traquéia e Brônquios
A traquéia é a continuação da laringe, funcionando como um órgão do sistema
respiratório. É uma estrutura cilindróide, formada por anéis cartilagíneos incompletos em
forma de C sobrepostos e ligados por ligamentos anulares. A traquéia subdivide-se em
brônquios principais (ou de primeira ordem) direito e esquerdo. Estes dão origem aos
brônquios lobares (ou de segunda ordem). Os de segunda ordem dão origem aos brônquios
segmentares (ou de terceira ordem), que por sua vez dão origem aos segmentos

110
broncopulmonares, que sofrem sucessivas divisões até originar os alvéolos pulmonares. Em
cada pulmão, cada brônquio principal origina uma série de ramificações conhecidas como
árvore brônquica.

 Pleura e Pulmão
Pleura é uma membrana serosa que reveste os pulmões, apresentando dois folhetos:

Pleura pulmonar, que reveste a superfície do pulmão;


Pleura parietal, que reveste a parede interna do tórax.
Entre os dois folhetos, há um espaço contendo líquido, que facilita o deslize entre as
duas favorecendo a mecânica respiratória.

Os pulmões são os principais órgãos da respiração. Estão contidos na cavidade torácica


e entre eles há uma região mediana denominada mediastino (região ocupada pelo coração).
Apresenta um ápice superior e uma base inferior e três faces, costal (em relação as
costelas), medial (voltada para o mediastino) e diafragmática (onde a base descansa sobre o
músculo diafrágma).

Os pulmões se subdividem em lobos, sendo em número de três para o direito e de dois


para o esquerdo. Então, tem-se:

Pulmão direito: três lobos (superior/médio/inferior)

Fissura oblíqua e horizontal (separando os lobos)

Pulmão esquerdo: dois lobos (superior/inferior)

Fissura oblíqua

Na sua face medial, cada um dos pulmões apresenta uma fenda em forma de raquete, o
hilo do pulmão, pelo qual entram e saem brônquios, vasos e nervos pulmonares,
constituindo a raiz do pulmão.

111
Figura 7.1: Sistema respiratório.

112
Faringe

Figura 7.2: corte sagital.

113
Figura 7.3: Conchas e meatos nasais, vistos num corte sagital.

Figura 7.4: Selos paranasais, vistos em corte frontal do crânio.

114
Figura 7.5: Esqueleto cartilaginoso da laringe. A, visto anteriormente e B,
visto posteriormente.

Figura 7.6: Cavidade da laringe, num corte sagital.

115
Figura 7.7: Esquema das pleuras e mediastino, corte frontal.

116
CAPÍTULO 8

SISTEMA DIGESTIVO

 Divisão do sistema digestivo


Reconhecemos no sistema digestivo um canal e órgãos anexo. Do primeiro fazem parte
órgãos situados na cabeça, pescoço, tórax, abdome e pelve. O canal alimentar inicia-se na
cavidade bucal, continuando-se na faringe, esôfago, estômago, intestinos (delgado e
grosso), para terminar no reto, que se abre no meio externo através do ânus.

 Boca e cavidade bucal


A boca é a primeira porção do canal alimentar. Comunica-se com o exterior através de
uma fenda limitada pelos lábios (rima bucal), e, posteriormente, com a parte da faringe
(orofaringe), através do istmo das fauces (dorso as língua + arco palatoglosso + úvula). Está
limitada lateralmente pelas bochechas e , superiormente, pelo palato duro e mole e,
inferiormente, por músculos.

A cavidade bucal é dividida em duas porções:

- Vestíbulo da boca espaço limitado pelos lábios, pelas bochechas, pelas


gengivas e dentes.

- Cavidade bucal propriamente dita é o restante.

- Palato

É o teto da cavidade bocal. Temos palato duro, anterior, ósseo, e o palato mole,
posterior e muscular. O palato separa a cavidade nasal da bucal. Do palato mole projeta-se,
no plano mediano, uma saliência cônica, a úvula e, lateralmente duas pregas denominadas
arco palatoglosso (mais anterior) e arco palatofaríngico (mais posterior). Entre as pregas
existe um espaço, a fossa tonsilar, ocupada ela tonsila palatina (antiga amígdala).

- Língua

117
É um órgão muscular revestido por mucosa e exerce importante funções na mastigação,
na deglutição, como órgãos gustativos e na articulação da palavra. Sua face superior é
denominada dorso da língua, onde nota-se o sulco terminal que divide a língua em duas
porções: o corpo (anterior) e a raiz da língua (posterior). A partir da observação da mucosa
que reveste o dorso da língua, é possível identificar papilas linguais (gustativas), que são de
vários tipos: papilas filiformes, fungiformes, foliares e as papilas valadas (logo adiante do
sulco terminal).

- Dentes

São estruturas rijas, esbranquiçadas, implantadas em cavidades da maxila e da


mandíbula (alvéolos dentários).

- Glândulas salivares

São consideradas anexos do sistema digestivo. São responsáveis pela secreção da


saliva. As mais importantes são as chamadas extraparietais, que compreendem as parótidas,
submandibulares e sublinguais.

 Faringe
A parte nasal da faringe comunica-se com a cavidade nasal (através da coana). A parte
bucal da faringe comunica-se com a cavidade bucal através do istmo das fauces (dorso da
língua + arco palatoglosso + úvula), e a parte laríngica comunica-se anteriormente com o
ádito da laringe e, posteriormente, é continuada pelo esôfago. Durante a deglutição, o
palato mole é elevado, impedindo que o alimento passe a nasofaringe e, eventualmente,
penetre na cavidade nasal. Por outro lado, a cartilagem epiglótica fecha o ádito da laringe,
evitando que o alimento penetre no trato respiratório.

 Esôfago
É um tubo muscular que continua a faringe e é continuado pelo estômago. Pode-se
distinguir três porções no esôfago: cervical, torácica e abdominal. No tórax, o esôfago
situa-se anteriormente a coluna vertebral e posteriormente à traquéia. A luz do esôfago
aumenta durante a passagem do bolo alimentar, o qual é impulsionado por contrações da
musculatura de sua parede (movimentos peristálticos).

118
 Abdome
Até agora, os órgãos descritos estão situados na cabeça, pescoço e tórax, com exceção
da porção mais caudal do esôfago. O restante do canal alimentar localiza-se no abdome.

- Diafragma

Septo muscular que separa o abdome do tórax. A aorta, a veia cava inferior e o
esôfago atravessam o diafragma passando pelo hiato aórtico, forame da veia cava e hiato
esofágico, respectivamente.

- Peritônio

Os órgãos abdominais são revestidos por uma membrana serosa denominada de


peritônio, que apresenta duas lâminas: o peritônio parietal (reveste as paredes da cavidade
abdominal) e o peritônio visceral (envolve as vísceras).

Entre as lâminas, existe uma cavidade peritonial, que contém pequena quantidade de
líquido. Alguns órgãos abdominais situam-se junto da parede posterior do abdome e, nestes
casos, o peritônio parietal é anterior a eles (são ditos retroperitoneais – rins e pâncreas). As
vísceras que ocupam posição retroperitoneais são fixas. Muitas outras salientam-se na
cavidade abdominal, destacando-se da parede, e o peritônio que as reveste as acompanha,
de modo que, entre o órgão e a parede, forma-se uma lâmina peritoneal denominada meso
ou ligamento.

 Estômago
É uma dilatação do canal alimentar que segue ao esôfago e se continua no intestino.
Situa-se abaixo do diafragma, com a maior porção à esquerda do plano mediano.
Descrevem-se no estômago as seguintes partes:

- Região cárdica corresponde a junção com esôfago e onde está localizado o esfíncter
cárdico.
- Fundo gástrico, situado superiormente a um plano horizontal que tangência a junção
esôfago-gástrica.
- Corpo corresponde a maior porção do órgão.
- Antro, situado inferiormente a um plano horizontal que tangência a junção gástrico-
intestinal.

119
- Região pilórica corresponde à porção terminal continuada pelo duodeno. Localiza-se
nesta região o esfíncter pilórico.
As duas margens do estômago são denominadas curvatura maior ou esquerda e
curvatura menor ou direita.

 Intestino
O estômago é continuado pelo intestino delgado e este pelo intestino grosso. Estas
denominações se devem ao calibre que apresentam.

- Intestino delgado
Subdivide-se em três segmentos: duodeno, jejuno e íleo. O duodeno é um órgão
bastante fixo (quase retro peritoneal), e nele desemboca o ducto colédoco (que traz a bile) e
o ducto pancreático (que traz a secreção pancreática). O jejuno e o íleo constituem a porção
móvel do intestino delgado. O jejuno-íleo apresenta numerosas alças intestinais e está preso
à parede do abdome por uma prega peritoneal, o mesentério.

- Intestino grosso
Constitui a porção terminal do canal alimentar, sendo mais calibroso e mais curto que o
delgado. O intestino grosso possui dilatações limitadas por sulcos transversais denominados
haustros, formações em fita chamadas tênias (condensação da musculatura longitudinal), e
acúmulos de gorduras na serosa da víscera. Os apêndices epiplóicos. Subdivide-se nos
seguintes seguimentos:

 Cécum: é o segmento inicial, em fundo cego, que se continua com o cólon ascendente.
Um prolongamento cilindróide, o apêndice vermiforme, destaca-se do cécum, no ponto
de convergência das tênias.
 Cólon ascendente: segue-se ao cécum e tem direção cranial, estando fixado à parede
posterior do abdome. Continua-se com o cólon transverso, e a flexura cólica direita,
marca o limite entre os dois segmentos.
 Cólon transverso: é bastante móvel, estendendo da flexura cólica direita a esquerda,
onde se flete para continuar no cólon descendente.
 Cólon descendente: está fixado a parede posterior do abdome e inicia-se na flexura
cólica esquerda.

120
 Cólon sigmóide: continuação do cólon descendente e tem trajeto sinuoso, dirigindo-se
pare o plano mediano da pelve onde é continuado pelo reto.
 Reto: continua o cólon sigmóide e sua parte final, denominada de canal anal.

 Anexos do canal alimentar


Correspondem as glândulas salivares (já descritas), fígado e pâncreas.

- Fígado
Órgão mais volumoso, localizando-se abaixo do diafragma e a direita, embora uma
pequena porção ocupe também a metade esquerda do abdome. Desempenha importante
papel nas atividades vitais dos organismos, seja secretando a bile e participando de
mecanismos de defesa. O fígado possui duas faces: diafragmática (em contato com o
diafragma) e visceral (em contato com as vísceras). Na face visceral distinguem-se quatro
lobos o direito, o esquerdo, o caudado e o quadrado. Na face diafragmática os lobos direito
e esquerdo são separados por uma prega do peritônio, o ligamento falciforme. Entre o lobo
direito e o quadrado se situa a vesícula biliar; entre o direito e o caudado há um sulco que
aloja a veia cava inferior; entre o caudado e o quadrado encontramos a veia porta do fígado,
a artéria hepática, ducto hepático comum, além de nervos e linfáticos.

A bile, produzida no fígado, é armazenada na vesícula biliar. Esta sai do fígado pelo
ducto hepático comum, e da vesícula biliar pelo cístico; estes ductos se confluem, formando
o ducto colédoco, que se abre no duodeno, quase sempre junto com o ducto pancreático.

- Pâncreas
Situa-se posteriormente ao estômago, em posição retroperitoneal, estando fixado à
parede abdominal posterior. No órgão reconhecem-se três partes: cabeça, corpo e cauda. O
pâncreas é uma glândula mista (endócrina e exócrina). A secreção endócrina é a insulina e a
exócrina é o suco pancreático.

121
Figura 8.1: Desenho esquemático das partes constituintes do sistema
digestivo. Os órgãos anexos não estão representados.

122
Figura 8.2: Duodeno, pâncreas e vias biliares.

123
Figura 8.3: Face visceral do fígado.

Figura 8.4: Face diafragmática do fígado.

124
Figura 8.5: Vias biliares e ducto pancreático - (esquemático).

Figura 8.6: Órgãos retroperitoniais (em


reticulado) em corte transversal do abdome,
esquema simplificado.

125
Figura 8.7: Esquema geral do comportamento do peritônio.

126
Figura 8.8: Intestino Grosso

127
CAPÍTULO 9

SISTEMA URINÁRIO

O sistema urinário compreende os órgãos responsáveis pela formação da urina, os rins,


os outros, a eles associados, destinados a eliminação da urina: ureteres, bexiga urinária e
uretra.
 Órgãos do sistema urinário
- Rim
É um órgão par, abdominal, localizado posteriormente ao paritôneo parietal, o que o
identifica como retroperitoneal. Estão situados a direita e a esquerda da coluna vertebral,
ocupando o direito uma posição inferior em relação ao esuquerdo, devido à presença do
fígado à direita. O rim apresenta duas faces, uma anterior e uma posterior, e duas bordas,
medial e lateral. Suas duas extremidades, superior e inferior, são denominadas pólos e ,
sobre o pólo superior situa-se a glândula supra-renal, pertencente ao sistema endócrino. Os
rins estão envolvidos por uma cápsula fibrosa e, quase sempre, é abundante o tecido
adiposo perirenal constituindo a cápsula adiposa. A borda medial do rim apresenta uma
fissura vertical, o hilo, por onde passam o ureter, artérias e veias renais, linfáticos e nervos.
Estes elementos constituem, em conjunto, o pedículo renal. Dentro do rim o hilo se
expande em uma cavidade central denominada seio renal que aloja a pelve renal, que é a
extremidade dilatada do ureter.
- Corte macroscópico do rim
Em um corte frontal (que divide em metades anterior e posterior), é fácil de reconhecer
ao longo da periferia do órgão uma porção mais pálida, o cortéx renal, que se projeta numa
Segunda porção, mais escura, a medula renal. Estas projeções do cortéx têm a forma de
colunas, as colunas renais, e separam porções cônicas da medula denominadas pirâmides.
As pirâmides têm ápices voltados para a pelve renal, enquanto suas bases olham para a
superfície do órgão. A pelve renal, por sua vez, está dividida em dois ou três tubos curtos e
largos, os cálices renais maiores que se subdividem em um número variável de cálices

128
renais menores. Este oferecem em encaixe, em forma de taça, para receber o ápice das
pirâmides renais, denominado papila renal.

- Ureter
É um tubo muscular que une o rim à bexiga. Partindo da pelve renal, que constitui sua
extremidade dilatada, o ureter, com trajeto descendente (em virtude do seu trajeto, possui
duas partes: abdominal e pélvica), acola-se à parede posterior do abdome e penetra na pelve
par terminar na bexiga, desembocando neste órgão pelo óstio ureteral.

- Bexiga
É uma bolsa situada posteriormente à sínfise púbica e funciona como reservatório da
urina. O fluxo contínuo de urina que chega pelos ureteres é transformado, graças a ela, em
emissão periódica (micção).

No sexo masculino, o reto coloca-se posteriormente a bexiga; no sexo feminino, entre o


reto e a bexiga, situa-se o útero.
- Uretra
Constitui o último segmento das vias urinárias. Ela difere nos dois sexos, mas em
ambos é um tubo mediano que estabelece a comunicação entre a bexiga urinária e o meio
externo. No homem é uma via comum para micção e ejaculação, enquanto na mulher,
serve apenas à secreção da urina.

129
Figura 9.1: Desenho esquemático dos
componentes do sistema urinário.

Figura 9.2: Rim (esquerdo) e glândula supra-renal, vistos anteriormente; rim,


em corte frontal.

130
CAPÍTULO 10
SISTEMA GENITAL MASCULINO

Fazem parte do sistema reprodutor masculino os testículos (órgão produtor de gametas),


as vias condutoras dos gametas (túbulos e dúctulos dos testículs, epidídimo, ducto
deferente, ducto ejaculatório e uretra), o pênis (órgão da cópula), glândulas anexas
( vesículas seminais, próstata e glândulas bulbo-uretrais), as estruturas eréteis (corpos
carvenosos e corpo esponjoso do pênis) e por fim, órgãos genitais externos ( pênis e
escroto).

 Testículos
São os órgãos produtores de espermatozóides e de hormônios responsáveis pelo
aparecimento dos caracteres sexuais secundários. São em número de dois, ovóides,
facilmente palpáveis dentro da bolsa escrotal (bolsa que os aloja). O testículo é revestido
por uma membrana fibrosa, a túnica albugínea. Estão localizados externamente a parede da
pelve, onde o esquerdo está em geral em um nível inferior ao direito.

 Epidídimo
É uma estrutura em forma de C, situada contra a margem posterior do testículo e
armazena os espermatozóides até o momento da ejaculação. Possui cabeça, corpo e cauda.

 Ducto deferente
É a continuação da cauda do epidídimo e conduz os espermatozóides até o ducto
ejaculatório. Como os testículos estão situados externamente a parede da pelve e o ducto
ejaculatório dentro da cavidade pélvica, torna-se necessária a existência de um túnel através
da parede do abdome para permitir a passagem do ducto deferente. A este passagem dá-se o
nome de canal inguinal. Por ele passam também as demais estruturas relacionadas com os
testículos, como artérias, veias, linfáticos e nervos. Essas estruturas mais o canal deferente,
dá-se o nome de funículo espermático.

131
 Ducto ejaculatório
É formado pela junção do ducto defernete com o ducto da vesícula seminal. E quase
todo o seu trajeto está situado na próstata e vai desembocar na parte prostática da uretra.

 Uretra
É um canal comum para a micção e para a ejaculação, com cerca de 20 cm de
comprimento. Inicia-se no óstio interno da uretra, na bexiga, e atravessa o assoalho da
pelve e o pênis, terminando na extremidade deste órgão pelo óstio externo da uretra. Possui
três partes: parte prostática (atravessa a próstata), parte membranosa (atravessa o assoalho
da pelve) e a parte peniana ou esponjosa ( localizada no corpo esponjoso do pênis). A uretra
possui duas dilatações: fossa navicular, adjacente ao óstio externo da uretra, e fossa bulbar,
adjacente ao bulbo do pênis (dilatação do corpo esponjoso).

 Vesículas seminais
Estão situadas na parte póstero-inferior da bexiga, e em sua extremidade inferior
encontra-se o ducto da vesícula seminal, que se junta ao ducto deferente para constituir o
ducto ejaculatório.

A secreção das vesículas seminais faz parte do líquido seminal, e tem papel de ativação
dos espermatozóides e facilita a progressão dos mesmos através de suas vias de passagens.

 Próstata
É um órgão pélvico, ímpar, situado inferiormente à bexiga e atravessado em toda a sua
extensão pela uretra. Sua secreção junta-se à das vesículas seminais para constituir o
volume do líquido seminal. A secreção das duas glândulas prostáticas é lançadas
diretamente na porção prostática da uretra através de ductulos prostáticos e conferem odor
característico ao sêmen.

 Glândulas bulbo-uretrais
São pequenas e estão situadas nas proximidades da parte membranosa da uretra. Seus
ductos desembocam na uretra esponjosa e sua secreção é mucosa.

132
 Pênis
Órgão masculino da cópula, é normalmente flácido, mas quando seus tecidos lacunares
se enchem de sangue, torna-se rígido e com sensível aumento de tamanho, ao que se dá o
nome de ereção.
O pênis é formado por três cilindros de tecido erétil: os corpos cavernosos e o corpo
esponjoso. O corpo esponjoso apresenta duas dilatações, a glande do pênis (anterior) e o
bulbo do pênis (posterior), sendo que este se prende as estruturas do assoalho da pelve. A
glande está recoberta por uma dupla camada de pele, o prepúcio.
 Escroto
É uma bola situada atrás do pênis e abaixo da sínfese púbica. É dividido por um septo
em dois compartimentos, cada um contendo um testículo. Propicia uma temperatura
favorável a espermetogênese.

Figura10.1: Ducto deferente e seu trajeto, Figura10.2: Ducto deferente, vesícula


inclusive sua passagem através do canal seminal, ducto ejaculador, próstata e
inguinal. Corte sagital da pelve, bexiga, vistos posteriormente.
esquemático.

133
Figura 10.3: Testículo e Figura 10.4: Testículo, em corte sagital,
epidídimo esquemático.

Figura 10.5: Corpos cavernosos e corpo Figura 10.6: Corpo do pênis, em corte
esponjoso.Uma parte deste e a glande trasversal.
foram separados dos corpos cavernosos.

134
CAPÍTULO 11
SISTEMA GENITAL FEMININO

Fazem parte do sistema reprodutor feminino os ovários (produzem os óvulos), as tubas


uterinas (vias condutoras dos gametas), o útero (órgão que abriga o novo ser), a vagina
(órgão da cópula), as estruturas eréteis (clitóris e bulbo do vestíbulo), glândulas anexas
( glândulas vestibulares maiores e menores) e órgão genitais externos (monte púbico, lábios
maiores, lábios menores, clitóris, bulbo do vestíbulo e glândulas vestibulares).

 Comportamento do peritônio na cavidade pélvica


Os ovários, as tubas e o útero estão situados na cavidade pélvica entre a bexiga (que é
anterior a eles) e o reto (posterior a eles). O peritônio, após recobrir a bexiga, reflete-se do
assoalho e paredes laterais da pelve sobre o útero, formando uma ampla prega transversal
denominada ligamento largo do útero. Após recobrir quase todo o útero, o peritônio reflete-
se sobre o reto. O ligamento largo divide a cavidade pélvica em compartimento anterior e
outro posterior. A anterior é a escavação vésico-uterina (entre a bexiga e o útero) e a
posterior é a escavação reto-uterina (entre o reto e o útero). Já os ovários estão fixados pelo
ligamento mesovário à face posterior do ligamento largo do útero, mas não são revestidos
pelo peritônio. O ligamento largo do útero e o ligamento redondo do útero são os principais
meios de fixação do útero.

 Ovários
Produzem os gametas femininos ao final da puberdade. Além disso produzem também
hormônios, os quais controlam o desenvolvimento dos caracteres sexuais secundários e
atuam sobre o útero nos mecanismos de implantação do óvulo fecundado e início do
desenvolvimento do embrião. Os ovários estão fixados pelo ligamento mesovário à face
posterior do ligamento largo do útero, mas não são revestidos pelo peritônio.

 Tubas uterinas
Transportam os óvulos que romperam a superfície do ovário para a cavidade do útero.
Por elas passam, em direção oposta, os espermatozóides, e a fecundação ocorre

135
habitualmente dentro da tuba. A tuba está incluída na borda superior do ligamento largo do
útero, é um tubo de luz estreita cuja extremidade medial (óstio uterino da tuba) se comunica
com a cavidade uterina e cuja extremidade lateral (óstio abdominal da tuba) se comunica
com a cavidade peritonial. É subdividida em quatro partes, que indo do útero para o ovário,
são: uterina (na parede do útero), istmo, ampola e infundíbulo.

 Útero
É o órgão que aloja o embrião e no qual este se desenvolve até o nascimento. Envolvido
pelo ligamento largo, nele se distinguem quatro partes: fundo, corpo, istmo e cérvix (ou
colo). O corpo comunica-se da cada lado com as tubas uterinas. O útero apresenta três
camadas: endométrio (mais interna), miométrio (média) e perimétrio (a mais externa,
representada pelo peritônio).

 Vagina
É o órgão de cópula feminino. A vagina é um tubo que comunica-se superiormente com
a tuba uterina (através do óstio do útero), e inferiormente abre-se no vestíbulo da vagina
(através do óstio da vagina). Nas virgens, o óstio da vagina é parcialmente fechado pelo
hímen, uma membrana de tecido conjuntivo forrada por mucosa interna e externamente. A
cavidade uterina e a vagina constituiem no conjunto o canal do parto, no qual o feto passa
no momento do nascimento.

 Órgãos genitais externos


Denominado de pudendo ou vulva.

- Monte púbico: elevação mediana, anterior a sínfise púbica e constituída


principalmente de tecido adiposo. Apresenta pêlos espessos após a puberdade.
- Lábios maiores: são duas pregas cutâneas, alongadas, que delimitam entre si uma
fenda, a rima do pudendo.
- Lábios menores: são duas pregas cutâneas, localizadas medialmente aos lábios
maiores. O espaço entre os lábios menores é o vestíbulo da vagina, onde se
apresenta o óstio externo da uretra, o óstio da vagina e os orifícios dos ductos das
glândulas vestibulares.

136
- Estruturas eréteis: o clitóris é homólogo do pênis, ou mais exatamente do corpo
carvenoso. Possui uma porção dilatada, a glande do clitóris, que é visível no local
onde se fundem anteriormente os lábios menores. O bulbo do vestíbulo é formado
por duas massas pares de tecido erétil, sendo homólogos rudimentares do bulbo do
pênis e porção adjacente do corpo esponjoso.
- Glândulas vestibulares maiores: são em número de duas, situadas profundamente e
nas extremidades do vestíbulo da vagina, onde se abrem seus ductos, que secretam
muco. As glândulas vestibulares menores têm seus minúsculos ductos se abrindo no
vestíbulo, entre os óstios da uretra e da vagina.

137
Figura 11.1: Órgãos do sistema genital feminino, em corte sagital mediano.

138
Figura 11.2: órgãos genitais femininos internos, vistos
posteriormente. Do lado direito foi retirado o lig. Largo e feito um
core frontal para mostrar a luz da tuba e do útero.

Figura 11.3: Comportamento do peritônio na cavidade pélvica


feminina. Observar a posição e relações do ligamento largo do útero.
Corte transversal, esquemático.

139
Figura 11.4: Órgãos genitais femininos externos
(vulva ou pudendo).

CAPÍTULO 12

140
SISTEMA AUDITIVO

O órgão responsável pela audição é a orelha (antigamente denominado ouvido),


também chamada órgão vestíbulo-coclear ou estato-acústico.
A maior parte da orelha fica no osso temporal, que se localiza na caixa craniana.
Além da função de ouvir, o ouvido também e responsável pelo equilíbrio.
A orelha está dividida em três partes: orelhas externa, média e interna (antigamente
denominadas ouvido externo, ouvido médio e ouvido interno).

 ORELHA EXTERNA

141
A orelha externa é formada pelo pavilhão auditivo (antigamente denominado
orelha) e pelo canal auditivo externo ou meato auditivo.

Todo o pavilhão auditivo (exceto o lobo ou lóbulo) é constituído por tecido


cartilaginoso recoberto por pele, tendo como função captar e canalizar os sons para a
orelha média.

O canal auditivo externo estabelece a comunicação entre a orelha média e o meio


externo, tem cerca de três centímetros de comprimento e está escavado em nosso osso
temporal. É revestido internamente por pêlos e glândulas, que fabricam uma substância
gordurosa e amarelada, denominada cerume ou cera.

Tanto os pêlos como o cerume retêm poeira e micróbios que normalmente existem
no ar e eventualmente entram nos ouvidos.

O canal auditivo externo termina numa delicada membrana - tímpano ou


membrana timpânica - firmemente fixada ao conduto auditivo externo por um anel de
tecido fibroso, chamado anel timpânico

 ORELHA MÉDIA
A orelha média começa na membrana timpânica e consiste, em sua totalidade, de
um espaço aéreo – a cavidade timpânica – no osso temporal. Dentro dela estão três
ossículos articulados entre si, cujos nomes descrevem sua forma: martelo, bigorna e

142
estribo. Esses ossículos encontram-se suspensos na orelha média, através de
ligamentos.

O cabo do martelo está encostado no tímpano; o estribo apóia-se na janela oval,


um dos orifícios dotados de membrana da orelha interna que estabelecem comunicação
com a orelha média. O outro orifício é a janela redonda. A orelha média comunica-se
também com a faringe, através de um canal denominado tuba auditiva (antigamente
denominada trompa de Eustáquio). Esse canal permite que o ar penetre no ouvido
médio. Dessa forma, de um lado e de outro do tímpano, a pressão do ar atmosférico é
igual. Quando essas pressões ficam diferentes, não ouvimos bem, até que o equilíbrio
seja restabelecido.  

143
 ORELHA INTERNA
A orelha interna, chamada labirinto, é formada por escavações no osso temporal,
revestidas por membrana e preenchidas por líquido. Limita-se com a orelha média pelas
janelas oval e a redonda. O labirinto apresenta uma parte anterior, a cóclea ou caracol
- relacionada com a audição, e uma parte posterior - relacionada com o equilíbrio e
constituída pelo vestíbulo e pelos canais semicirculares.

O ouvido interno ou caracol parece a casa de um caracol, e contém um tubo espiral


ósseo preenchido com fluido aquoso (linfa). À medida em que o som passa pela janela oval,

144
esse fluido vai transmitindo o som, colocand

   Labirinto ósseo

COMO FUNCIONA O SISTEMA AUDITIVO


O sistema auditivo é um autentico mecanismo de precisão, cuja finalidade é captar
os sons que nos rodeiam, enviando-os ao cérebro.
A anatomia do ouvido é dividida em três partes: orelha externa, orelha média, e
orelha interna. Cada parte possui seus órgãos específicos, compondo um complexo sistema
de amplificação do som.
A onda sonora produzida pelo ruído é captada pelo pavilhão auricular (orelha) passa
pelo meato acústico externo (canal auditivo) chega a membrana timpânica que vibra e faz
vibrar os ossículos (martelo, bigorna, e estribo).
As vibrações chegam na parte interna da orelha, onde existe um líquido que as
propagam. Este líquido transmite seus movimentos em formas de ondas às células ciliadas
que transformam as vibrações em impulsos nervosos. O nervo auditivo capta este impulso

145
nervoso e o dirige ao cérebro, onde a mensagem é decodificada em forma de onda sonora e
interpretada.

1. canal auditivo; 2. tímpano; 3. martelo; 4. bigorna; 5. estribo;


6. janela oval; 7. tuba auditiva; 8. cóclea; 9. nervo auditivo.

146
CAPÍTULO 13
SISTEMA VISUAL
Os globos oculares estão alojados dentro de cavidades ósseas denominadas órbitas,
compostas de partes dos ossos frontal, maxilar, zigomático, esfenóide, etmóide, lacrimal
e palatino. Ao globo ocular encontram-se associadas estruturas acessórias: pálpebras,
supercílios (sobrancelhas), conjuntiva, músculos e aparelho lacrimal.

Imagem: CRUZ, Daniel.O Corpo Humano. São Paulo, Ed. Ática, 2000.

Cada globo ocular compõe-se de três túnicas e de quatro meios transparentes:

Túnicas:

1- túnica fibrosa externa: esclerótica (branco do olho). Túnica resistente de


tecido fibroso e elástico que envolve externamente o olho (globo ocular). A maior parte
da esclerótica é opaca e chama-se esclera, onde estão inseridos os músculos extra-
oculares que movem os globos oculares, dirigindo-os a seu objetivo visual. A parte

147
anterior da esclerótica chama-se córnea. É transparente e atua como uma lente
convergente.

2- túnica intermédia vascular pigmentada: úvea. Compreende a coróide, o


corpo ciliar e a íris. A coróide está situada abaixo da esclerótica e é intensamente
pigmentada. Esses pigmentos absorvem a luz que chega à retina, evitando sua reflexão.
Acha-se intensamente vascularizada e tem a função de nutrir a retina.

Possui uma estrutura muscular de cor variável – a íris, a qual é dotada de um


orifício central cujo diâmetro varia, de acordo com a iluminação do ambiente – a pupila.

A coróide une-se na parte anterior do olho ao corpo ciliar, estrutura formada por
musculatura lisa e que envolve o cristalino, modificando sua forma.

3- túnica interna nervosa: retina. É a membrana mais interna e está debaixo da


coróide. É composta por várias camadas celulares, designadas de acordo com sua
relação ao centro do globo ocular. A camada mais interna, denominada camada de
células ganglionares, contém os corpos celulares das células ganglionares, única fonte
de sinais de saída da retina, que projeta axônios através do nervo óptico. Na retina
encontram-se dois tipos de células fotossensíveis: os cones e os bastonetes. Quando
excitados pela energia luminosa, estimulam as células nervosas adjacentes, gerando um
impulso nervoso que se propaga pelo nervo óptico.

A imagem fornecida pelos cones é mais nítida e mais rica em detalhes. Há três
tipos de cones: um que se excita com luz vermelha, outro com luz verde e o terceiro,
com luz azul. São os cones as células capazes de distinguir cores.

Os bastonetes não têm poder de resolução visual tão bom, mas são mais sensíveis
à luz que os cones. Em situações de pouca luminosidade, a visão passa a depender
exclusivamente dos bastonetes. É a chamada visão noturna ou visão de penumbra.
Nos bastonetes existe uma substância sensível à luz – a rodopsina – produzida a partir
da vitamina A. A deficiência alimentar dessa vitamina leva à cegueira noturna e à
xeroftalmia (provoca ressecamento da córnea, que fica opaca e espessa, podendo levar
à cegueira irreversível).

148
Há duas regiões especiais na retina: a fovea centralis (ou fóvea ou mancha
amarela) e o ponto cego. A fóvea está no eixo óptico do olho, em que se projeta a
imagem do objeto focalizado, e a imagem que nela se forma tem grande nitidez. É a
região da retina mais altamente especializada para a visão de alta resolução. A fóvea
contém apenas cones e permite que a luz atinja os fotorreceptores sem passar pelas
demais camadas da retina, maximizando a acuidade visual.

ACUIDADE VISUAL: A capacidade do olho de distinguir entre dois pontos próximos é


chamada acuidade visual, a qual depende de diversos fatores, em especial do espaçamento
dos fotorreceptores na retina e da precisão da refração do olho.

Os cones são encontrados principalmente na retina central, em um raio de 10 graus a


partir da fóvea. Os bastonetes, ausentes na fóvea, são encontrados principalmente na
retina periférica, porém transmitem informação diretamente para as células ganglionares.

No fundo do olho está o ponto cego, insensível a luz. No ponto cego não há cones
nem bastonetes. Do ponto cego, emergem o nervo óptico e os vasos sangüíneos da
retina.

149
MEIOS TRANSPARENTES:

 Córnea: porção transparente da túnica externa (esclerótica); é circular no seu


contorno e de espessura uniforme. Sua superfície é lubrificada pela lágrima,
secretada pelas glândulas lacrimais e drenada para a cavidade nasal através de um
orifício existente no canto interno do olho.

 Humor aquoso: fluido aquoso que se situa entre a córnea e o cristalino,


preenchendo a câmara anterior do olho.

 Cristalino: lente biconvexa coberta por uma membrana transparente. Situa-se


atrás da pupila e orienta a passagem da luz até a retina. Também divide o interior
do olho em dois compartimentos contendo fluidos ligeiramente diferentes: (1) a
câmara anterior, preenchida pelo humor aquoso e (2) a câmara posterior,
preenchida pelo humor vítreo. Pode ficar mais delgado ou mais espesso, porque é
preso ao músculo ciliar, que pode torna-lo mais delgado ou mais curvo. Essas
mudanças de forma ocorrem para desviar os raios luminosos na direção da mancha

150
amarela. O cristalino fica mais espesso para a visão de objetos próximos e, mais
delgado para a visão de objetos mais distantes, permitindo que nossos olhos
ajustem o foco para diferentes distâncias visuais. A essa propriedade do cristalino
dá-se o nome de acomodação visual. Com o envelhecimento, o cristalino pode
perder a transparência normal, tornando-se opaco, ao que chamamos catarata.

 Humor Vítreo: fluido mais viscoso e gelatinoso que se situa entre o cristalino e a
retina, preenchendo a câmara posterior do olho. Sua pressão mantém o globo
ocular esférico.

Como já mencionado anteriormente, o globo ocular apresenta, ainda,


anexos: as pálpebras, os cílios, as sobrancelhas ou supercílios, as glândulas
lacrimais e os músculos oculares.

As pálpebras são duas dobras de pele revestidas internamente por uma


membrana chamada conjuntiva. Servem para proteger os olhos e espalhar sobre
eles o líquido que conhecemos como lágrima. Os cílios ou pestanas impedem a
entrada de poeira e de excesso de luz nos olhos, e as sobrancelhas impedem que o
suor da testa entre neles. As glândulas lacrimais produzem lágrimas
continuamente. Esse líquido, espalhado pelos movimentos das pálpebras, lava e
lubrifica o olho. Quando choramos, o excesso de líquido desce pelo canal lacrimal
e é despejado nas fossas nasais, em direção ao exterior do nariz.

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152
CAPÍTULO 14

153
SISTEMA ENDÓCRINO

154
Referências bibliográficas:
DANGELO, José Geraldo; FATTINI, Carlo Américo. Anatomia básica dos sistemas
orgânicos: com a descrição de ossos, junturas, músculos,vasos e nervos, São Paulo, editora
Atheneu,2004.

http: www.icb.ufmg.br/mor/anafto/introdução _Anatomia.htm

VIGUÉ, Jordi. Grande atlas do corpo humano: anatomia, histologia, PATOLOGIAS, São
Paulo, editora Manole, 2007

DALEY, Arthur F.; MYERS, j. Hurley. Atlas interativo de anatomia humana. II Ilustrações
de Frank H. Netter, MD, 1999.

155