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GRUPO DE PESQUISA E ESTUDOS EM EDUCAÇÃO, LINGUÍSTICA E LETRAS


(GPEL)

CURSO DE PRODUÇÃO DE GÊNEROS


TEXTUAIS ACADÊMICOS A PARTIR DE
UMA ABORDAGEM DIALÓGICA

PROF. Dr. ANTONIO NUNES PEREIRA

IGUATU – CEARÁ
2018
1

PALAVRAS DO PROFESSOR-AUTOR

Estimado (a) estudante,

Estou muito contente em elaborar este material didático para o ensino a distância de produção
de gêneros textuais acadêmicos, pois acredito na eficiência e eficácia dessa forma de
aprendizagem, tendo em vista que ela abrange um contexto sem limites, tanto de espaço
quanto de tempo.

Enquanto professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará –


campus Iguatu, observei o que já é senso comum nos cursos de graduação, isto é, a maioria
dos estudantes desses cursos sentem dificuldades na produção de gêneros textuais
acadêmicos, bem como é notória a insatisfação de professores no que diz respeito à produção
acadêmica dos estudantes das graduações, tanto escrita quanto falada, principalmente nos
semestres iniciais, razão pela qual esses discentes produzem muito pouco.

Foi diante dessa situação que surgiu uma inquietação sobre o assunto, que foi levada ao
Grupo de Pesquisa e Estudo em Educação, Linguística e Letras (GPEL) 1, a qual se tornou em
objeto de estudo em uma das linhas de pesquisa do citado grupo, no caso, “Tradução, Ensino-
Aprendizagem de Línguas, Práticas de Leitura e Produção Escrita”. Para tanto, a metodologia
de ensino dos gêneros textuais acadêmicos passou a ser o foco dessa inquietação. Foi então
que surgiu a ideia de empregar a metodologia dialógica de ensino de gêneros acadêmicos
sugerida por Santos (2013)2, a partir de uma pesquisa científica a ser desenvolvida nos cursos
superiores do IFCE – campus Iguatu. Submeti um projeto de pesquisa à Pró-reitoria de
Pesquisa, Pós-graduação e Inovação (PRPI) do IFCE, que foi aprovado e, no momento, a
pesquisa está em pleno desenvolvimento, sendo este curso a sua segunda fase.

Com este curso, espero que você adquira o domínio de estratégias de sistematização de
informações e mobilização de saberes para a produção dos gêneros textuais acadêmicos
fichamento, resumo, resumo esquemático, resenha acadêmica, seminário e projeto de
pesquisa, levando em consideração os contextos em que produz seus textos e, com isso, seja
capaz de se inserir no universo linguístico-discursivo, tão exigido nos cursos superiores.

Antonio Nunes Pereira

1
Grupo de Pesquisa Transdisciplinar em Formação Docente, Educação Inclusiva, Ensino de Línguas e
Literatura nas Relações Sócio-Políticas do Campo, já estando na situação de cadastrado no CNPq e
certificado pela Pró-reitoria de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação do IFCE. Para mais informações acessar o
link do grupo: http://dgp.cnpq.br/dgp/espelhogrupo/6546280979660699.
2
SANTOS, E. C. dos. Uma proposta dialógica de ensino de gêneros acadêmicos: nas fronteiras do Projeto
SESA. 2013. 218 f. Tese (Doutorado) – Programa de Pós-Graduação em Linguística, Centro de Ciências
Humanas, Letras e Artes, Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, 2013. Disponível em:
<http://tede.biblioteca.ufpb.br/bitstream/tede/6432/1/arquivototal.pdf>. Acesso em: 21 ago. 2016.
2

ENTENDENDO A METODOLOGIA DE SANTOS (2013)

A metodologia dialógica de ensino de gêneros acadêmicos proposta por Santos


(2013) é desenvolvida em sequências dialógicas compostas por seis movimentos, conforme
podemos observar no quadro abaixo.

Santos (2013) observa que o 1º Movimento – Apresentação da situação


enunciativa, que é a etapa inicial, visa expor aos alunos o projeto enunciativo que será
desenvolvido até o último movimento. É uma fase inicial difícil porque o professor precisa
apresentar a proposta a ser desenvolvida e o aluno carece de se sentir desafiado a desenvolver
o ato. O discente deve, nessa etapa, ser capaz de responder a duas dimensões: parâmetros
contextuais enunciativos e o conteúdo temático específico da área do curso, preenchendo o
quadro a seguir:
Quadro 2 – Apresentação da situação enunciativa

Parâmetros contextuais enunciativos Conteúdo temático (de acordo com o gênero


proposto)
Esfera Ensino Superior Fichamento, ou resumo, ou resumo esquemático, ou
resenha etc.
3

Instituição Curso X do IFCE – campus Iguatu Qual a temática que quero desenvolver no texto?
Cronotopia 1º momento: escrita inicial
Espaço/tempo de ação seguindo as orientações das aulas (Descrever os textos analisados quanto ao conteúdo
na modalidade EAD. temático, organização composicional e estilo)
2º momento: escrita do texto de
acordo com o tempo livre e a Analisar o gênero levando em conta: o título, a
expectativa do estudante. organização da estrutura geral do texto, a introdução,
Autor Estudantes do 1º semestre do Curso as temáticas dos enunciados e as escolhas lexicais.
X.
Interlocutor Professores, tutores, colegas de
curso, comunidade acadêmica
(possíveis leitores do texto)
A posição social do Graduandos enunciadores (o papel Resenha, Resumo etc.
autor de autores/leitores dos textos)
A posição do Professores, tutores, colegas leitores De que trata o texto?
interlocutor e possíveis leitores
O objetivo do texto O objetivo da interação é do ponto
de vista do estudante enunciador
escrever sobre uma temática
O objetivo didático Trabalho de conclusão do curso de
gêneros textuais acadêmicos e,
consequentemente, objeto de
análise da pesquisa que está sendo
feita e posterior publicação em um
livro.
Suporte material 1º momento – digital
2º momento – impresso
Fonte: Adaptado pelo autor com base Santos (2013, p. 348)

Para a autora, no 2º movimento – Reconhecimento do gênero, há duas ações


simultâneas: conhecer e analisar o gênero que será proposto. O conhecer está relacionado à
apresentação do gênero que, mediante o discurso, mobiliza formas textuais, e o analisar que
examina o projeto enunciativo como um espaço de escolhas linguísticas e estilísticas, ou seja,
observando o seu plano arquitetônico. O professor pode variar com atividades de exposição
didática e o reconhecimento das formas relativamente estáveis dos enunciados.
Em relação ao 3º movimento – Planejamento do projeto enunciativo, Santos
(2013) informa que, após reconhecer o gênero acadêmico em foco, evitando-se o modelo
engessado, mas observando a tradição do próprio gênero, o discente deverá planejar o seu
texto. Para isso, Santos (2013) desenvolveu estratégias didáticas para desvelar o conteúdo do
gênero, organizando três conjuntos de estratégias correspondentes à natureza arquitetônica e
de sentidos do próprio gênero.
Para tanto, Santos (2013) criou um esquema em formato de Estrela para planejar e
elaborar o gênero. Ela utilizou uma estrela com seis pontas, que é conhecida como a Estrela
de Davi, um símbolo em forma de estrela composto por dois triângulos sobrepostos, iguais,
tendo um a ponta para cima e outro para baixo, utilizado pelo judaísmo e por seus adeptos,
além de outras doutrinas. Segundo a autora, para a Filosofia, a estrela é um símbolo da
igualdade para todos pela precisão de suas pontas formando uma relação circular ao tentar
uni-las.
Santos (2013) utilizou esse formato como uma simbologia de que educar é um ato do
espírito, da empatia e do amor, que deve ser consciente e responsável de sua função social
para a formação do homem que compartilha do mesmo direito de aprender. Para ela, o
formato Estrela de Davi pode também ser transposto para o ensino como Estratégias Didáticas
para desvelar os implícitos dos textos. A afinidade de dois triângulos, colocados
simetricamente com relação ao ponto central para formar uma estrela, aqui representa a
relação de alteridade que perpassa toda a ação pedagógica, a relação do eu com o tu, do
professor com o aluno. Em volta da Estrela de Davi, as caixas de texto formam um círculo
4

que simbolizam, aqui, a ato responsável em relação ao seu conteúdo e o seu ser, recupera em
pontas as cinco diretrizes pedagógico axiológicas e o discente na ponta superior, ou seja, toda
ação voltada para sua aprendizagem.
O esquema de Santos (2013) é organizado em caixas, as quais os estudantes precisam
preencher, seguindo a numeração para que, depois, possam efetivamente elaborar o texto. As
caixas de texto não podem ficar vazias ou apresentar vagas formulações. Para cada gênero, as
competências são diferenciadas e os discentes precisam apresentar dois atos: o primeiro se
refere ao planejar e preencher na estrela o plano inicial do projeto enunciativo; o
segundo é produzir o texto, tomando como base o preenchimento das caixas de texto.
Para isso, Santos (2013) propõe trabalhar par a par e com feedback imediato para
romper com a ideia de tempo curricular, pois, sozinho o professor não conseguirá atender à
demanda. Por isso, ela observa que é viável o trabalho de tutoria como apoio à ação
pedagógica e à própria relação com os colegas.
A seguir, apresentamos um dos esquemas Estrela de Davi para o ensino de gêneros
acadêmicos propostos por Santos (2013), para termos uma noção de como será feito o ensino
neste curso:

Quadro 3 - ESTRELA DE DAVI: Estratégias didáticas para desvelar o implícito do resumo

ESTRATÉGIAS DIDÁTICAS PARA


DESVELAR O IMPLÍCITO DO RESUMO

1. Leitura dialogada do texto

espaço e tempo
6. Atribuição de 2.
atos ao autor Contextualizar o
resumido gênero no
espaço e tempo

5. Desvelar o 3. Sumarizar a
conteúdo estrutura do
enunciado

4. Menção do
autor e da obra

CRONOTOPIA: PRESENCIAL E VIRTUAL

Fonte: Santos (2013, p. 351)


5

Segundo Santos (2013), para o 4º Movimento – Escrita inicial do gênero, o


professor pode auxiliar na discussão do esquema Estrela de Davi para que o aluno comece o
processo de escrita. Não deve ter preocupação com a forma pela forma, mas encorajá-lo a
fazer escolhas que poderão ser repensadas no movimento seguinte. Paralelamente, a forma
pode ser trabalhada mediante as necessidades de construção do discurso e do gênero. Cada
uma das formas precisa também ser considerada a partir do ponto de vista do seu potencial
representacional e expressivo, isto é, a estilística delas precisa ser elucidada e avaliada.
Em relação ao 5º Movimento – Feedback, a autora observa que a é uma das mais
importantes etapas, porque é nela que a relação de confiança e respeito precisa ser mais
ecoada e mais ouvida. Falar de suas limitações e apresentar suas proposições são atos que
representam dificuldades para os alunos, pelo medo da aceitação ou rejeição pelo interlocutor.
Nessa fase, o professor pode aproveitar o feedback para desenvolver exercícios de se
aprimorar a norma padrão para os textos universitários. Entre outras propriedades, há algumas
que são identificadoras da modalidade escrita formal da língua e podem ser exploradas
simultaneamente com a produção dos textos, melhor dizendo, serem trabalhadas, revistas em
função dos textos. Tais como: ausência de marcas de oralidade e de registro informal;
precisão vocabular; coesão e coerência textuais; obediência às regras gramaticais de
concordância nominal e verbal, regência nominal e verbal, pontuação, flexão de nomes e
verbos, colocação de pronomes oblíquos (átonos e tônicos), grafia das palavras (inclusive
acentuação gráfica e emprego de letras maiúsculas e minúsculas), uso de crase, ortografia.
Já no que diz respeito ao 6º Movimento – Socialização do Gênero, Santos (2013)
explica que essa fase produz um certo acabamento às sequências e à produção do texto. O
texto sai do momento de produção e passa para circulação e recepção em uma escala social de
maior abrangência. Os princípios finalidade, reconhecimento e respeito vão alentar os
estudantes para o crescente processo de aprendizagem. O projeto pedagógico deve elucidar o
projeto enunciativo elaborado pelo discente de alguma maneira, seja por um evento, uma
apresentação, um e-book, um livro, disposto em e-portfólio ou mesmo em um blog. A ação
pedagógica pode ser refletida pelos interlocutores que devem se sentir parte do processo e
apresentar sua produção não apenas para receber a nota ou para cumprimento da atividade
escolar, mas também como uma responsabilidade para consigo mesmo e para um futuro que
faz parte do universo de sonhos de qualquer estudante.
É nessa perspectiva que vamos trabalhar a produção de gêneros textuais acadêmicos.
Portanto, convido você, estudante, a entrar neste desafiante, mas prazeroso, mundo do
desvelamento da escrita para se inserir no universo linguístico-discursivo do mundo
acadêmico.
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MÓDULO I – FICHAMENTO

Esta unidade tem como objetivo fazer com que, ao final dela, você seja capaz de avaliar e
produzir fichamentos a partir do reconhecimento das características específicas desse gênero.

Prezado estudante,

Nesta primeira unidade do nosso curso vamos aprender a fazer um fichamento. Para
tanto, vamos seguir os seis movimentos das sequências dialógicas sugeridas por Santos
(2013). Porém, antes disso, convido você a entender o que vem a ser um gênero textual na
comunidade acadêmica, já que o foco deste curso é gênero textual acadêmico.
De acordo com Borba (2004, p. 81)3, mais recentemente no ensino da escrita, tem-se
utilizado uma abordagem cuja ênfase incide sobre gêneros textuais e sobre o papel
desempenhado por comunidades discursivas no desenvolvimento da comunicação escrita.
Nesse paradigma, o estudante imerge nos novos discursos, atentando para as formas como as
pessoas numa determinada comunidade usam a língua para preencher propósitos
comunicativos em situações reais.
Tomando por base Bakhtin e as tendências dos estudos linguísticos mais recentes,
Borba (2004, p. 82) afirma que diferentes gêneros textuais são usados para realizar ações
tipificadas com base em situações recorrentes, que são similares e, assim, são elaboradas
representações de ações típicas, que representam construtos sociais, intersubjetivos, baseados
em esquemas de situações que construímos a partir da experiência dos indivíduos.
Nesse sentido, para Borba (2004, p. 82), é possível caracterizar o texto acadêmico
como sendo construído como reflexo de normas e convenções, valores e práticas sócio
historicamente produzidos por um grupo de pessoas que se definem, entre outras coisas, por
suas práticas discursivas. Por isso, o texto acadêmico é construído como reflexo da interação
projetada entre autor e leitor no evento de leitura no “contexto de situação”. Essa interação,
que se estabelece entre autor e leitor, não se dá de forma aleatória ou inconsequente, já que ela
é o produto de convenções culturais, sociais, antropológicas e linguísticas, que permitem a
produção de sentido que se exige de qualquer texto.
Dessa forma, a autora observa que os gêneros produzidos na comunidade acadêmica,
tais como quaisquer outros, estão sujeitos a determinadas regras que os constituem como
textos e os fazem ser reconhecidos como pertencentes àquela comunidade. Tais regras,
entretanto, não podem ser reduzidas às propriedades morfossintáticas ou lexicais, mas devem-
se considerar todos os aspectos contextuais em que o gênero é produzido.
Para Borba (2004, p. 84), as decisões que o escritor faz em relação às escolhas de
estrutura e de palavras constituem o processo de escrita e, na escrita acadêmica formal, isso
envolve os processos elaborados e recursivos de planejar, rascunhar, revisar e editar.
Com base em Kern (2000), Borba (2004, p. 84) enumera algumas características
básicas da escrita acadêmica, que envolvem, entre outros pontos: cuidado formal; coerência

3
BORBA, Vincentina Maria Ramires de. Gêneros textuais e produção de universitários: o resumo
acadêmico. 2004. 232 f. Tese (Doutorado) – Programa de Pós-Graduação em Letras e Linguística, Universidade
Federal de Pernambuco, Recife, 2004. Disponível em: <
http://www.liber.ufpe.br/teses/arquivo/20040701204055.pdf>. Acesso em: 20 ago. 2017.
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global; reforço de convenções discursivas canônicas da linguagem escrita; exploração pessoal


ininterrupta de um tema; audiência normalmente limitada (professor); propósito comunicativo
frequentemente imitado (demonstração de competência); processo intenso e recursivo que
favorece a elaboração e o desenvolvimento de ideias; e apego às regras formais.
Além disso a autora observa que o texto escrito, pertencente a qualquer gênero, não
pode deixar de considerar as condições comunicativo-pragmáticas a que deverá se submeter.
Por isso, citando Haidar (2000), considera que as restrições na produção discursiva estão
condicionadas basicamente a: a) o que se pode dizer; b) o que não se pode dizer (o proibido);
c) o que se deve dizer; d) como se deve dizer; e) quando se deve dizer; f) quem diz; e f) a
quem dizer.
Borba (2004, p. 8) considera que planejamento e revisão de um texto, de modo a se
atingir um determinado propósito comunicativo, são ações retórico-discursivas essenciais para
a configuração de um gênero textual. Por isso, a autora afirma que Bakhtin já alertava, na
década de 60, que “dois fatores determinam um texto e o tornam um enunciado: seu projeto (a
intenção) e a execução desse projeto. […] Uma divergência entre os dois fatores pode ser
muito significativa” (BAKHTIN, 2000: 330 APUD BORBA, 2004, p. 85).
Por fim, a autora observa que os gêneros textuais produzidos na comunidade
acadêmica são de grande variedade e cada um tem suas regularidades, que precisam ser
identificadas pelo sujeito produtor por meio de ensino sistemático, para que esse, com
segurança, possa mostrar fluência no gênero pretendido.
Entendido o que é um gênero textual acadêmico, vamos seguir os movimentos
sugeridos por Santos (2013) para desvelarmos o que está implícito na produção do gênero
textual acadêmico fichamento.

1º MOVIMENTO – APRESENTAÇÃO DA SITUAÇÃO ENUNCIATIVA

É necessário iniciarmos este primeiro movimento conscientizando você de que o


fichamento não é um gênero inferior aos outros gêneros textuais acadêmicos, a exemplo da
resenha ou do artigo científico, que têm maior visibilidade nas produções acadêmicas, tendo
em vista que o fichamento tem importante funcionalidade no contexto acadêmico que,
segundo Silva e Bessa (2011, p.12)4, é “permitir ao aluno a possibilidade de expor, de forma
clara e coerente, a sua compreensão sobre o conteúdo de um texto que está sendo fichado”,
pois “os alunos precisam compreender que o fichamento não se restringe à elaboração de uma
tarefa para atender a solicitação de uma determinada disciplina, mas corresponde à produção
de um texto com fins específicos”.
Neste movimento devemos fazer a apresentação da situação, definindo o fichamento
como o gênero textual acadêmico a ser estudado, seu público-alvo, quem dialoga por meio
dele, assim como o ambiente em que circula.

4
SILVA, Ananias Agostinho da e BESSA, José Cezinaldo Rocha. Produção de textos na universidade: uma
proposta de trabalho com sequências didáticas com o gênero fichamento. Juiz de Fora/MG: UFJF, 2011.
Disponível em: <http://www.ufjf.br/revistagatilho/files/2011/10/agostinho.pdf>. Acesso em: 13 jul. 2017.
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Para iniciar, faça uma leitura inicial do texto seguinte para se familiarizar com
o conteúdo e a linguagem. Depois, leia o texto novamente, agora sublinhando as
passagens que você julga mais importantes para sua compreensão. Logo em seguida,
propomos um projeto enunciativo que será desenvolvido em cada um dos movimentos
para a elaboração de um fichamento de resumo desse texto.

A proposta de sequências didáticas da Escola de Genebra 5

Os pesquisadores que compõem a Unidade de Didática de Línguas da Faculdade


de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Genebra – Bronckart, Dolz,
Schneuwly, entre outros – têm dedicado seus estudos à constituição de uma abordagem
interacionista e sociodiscursiva de caráter psicolinguístico dos gêneros do discurso, bem como
à aplicação dessa abordagem ao ensino de língua materna, baseando-se na Teoria da
Enunciação de Bakhtin e na Teoria da Aprendizagem de Vygotsky. De acordo com Cristóvão
(2004), desde os anos 80, esse grupo tem realizado trabalhos na tentativa de modificar
algumas práticas de ensino vistas como “tradicionais” e de repensar a questão da formação de
professores de língua materna.
Conforme Bronckart (2001), os gêneros textuais constituem-se como pré-
construtos, isto é, construtos existentes antes de nossas ações, mas necessários para a
realização destas. Eles se encontram sempre em um processo de permanente modificação e
são em número teoricamente ilimitado, o que acaba por constituí-los, “em determinado estado
sincrônico de uma sociedade, como uma espécie de „reservatório de modelos de referência‟,
dos quais todo produtor deve se servir para realizar ações de linguagem” (BRONCKART,
2001, p. 160). Adotando esta mesma perspectiva, Dolz e Schneuwly (2004, p. 25) afirmam
que os gêneros textuais devem ser compreendidos “como instrumentos, que fundam a
possibilidade de comunicação e de aprendizagem”, ou seja, como ferramentas importantes e
necessárias para o desenvolvimento das funções comunicativas dos alunos e para sua
participação nas diversas atividades sociais.
Pensando os gêneros enquanto instrumentos de ensino, os pesquisadores da
Escola de Genebra procuraram elaborar propostas para um ensino de língua materna com base
em gêneros orais e escritos, como as sequências didáticas. De acordo com Dolz, Noverraz e
Schneuwly (2004, p. 96), uma sequência didática refere-se a um “conjunto de atividades
escolares organizadas, de maneira sistemática, em torno de um gênero textual oral ou escrito”
(p. 96). Nesse sentido, uma sequência didática tem, precisamente, o objetivo de ajudar o aluno
a dominar melhor um gênero de texto (que o aluno ainda não domina ou o faz de maneira
insuficiente), permitindo-lhe, assim, escrever ou falar de uma maneira mais adequada numa
dada situação de comunicação.
Os procedimentos metodológicos apresentados nessa proposta têm um caráter
modular e levam em conta tanto a oralidade quanto a escrita. Em suma, a dinâmica das
sequências didáticas consiste em confrontar os alunos com as práticas de linguagem
historicamente construídas, os gêneros textuais, para lhes dar a possibilidade de reconstruí-las
e delas se apropriarem. Conforme Dolz, Noverraz e Schneuwly (2004), a estrutura de base de
uma sequência didática pode ter a seguinte representação esquemática:

5
Texto extraído da seção 2 de: Silva e Bessa (2011, p. 8-10).
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De acordo com os autores da Escola de Genebra, a apresentação inicial é o


momento em que os alunos construirão uma representação da situação de comunicação e da
atividade de linguagem a ser executada. Em outras palavras, essa primeira fase tem a
finalidade de apresentar aos alunos um problema de comunicação que deverá ser resolvido
por meio da produção de um texto oral ou escrito. Para esses autores, este é um momento
crucial e difícil, no qual duas dimensões podem ser distinguidas: i) apresentar um problema
de comunicação bem definido – nessa dimensão se decide qual o gênero a ser produzido, qual
a sua modalidade, a forma que a produção assumirá, a quem ela se dirige, entre outros
aspectos; ii) preparar os conteúdos dos textos que serão produzidos – nesta dimensão os
alunos precisam perceber a importância dos conteúdos e conhecer com quais deles irão
trabalhar. Por isso, é importante que, nesta fase, sejam apresentados aos alunos exemplares do
gênero a ser trabalhados.
A segunda fase de uma sequência didática refere-se à produção inicial. Conforme
Dolz, Noverraz e Schneuwly (2004), neste momento os alunos tentam elaborar um primeiro
texto oral ou escrito e, assim, revelam para si e para o professor as representações que têm
desta atividade. Nesse sentido, a produção inicial tem um papel fundamental como reguladora
da sequência didática tanto para os alunos quanto para o professor. Para os alunos, esse é o
momento em que eles poderão descobrir o que já sabem fazer e conscientizar-se dos
problemas existentes em relação à produção do gênero trabalhado. Em relação ao professor,
essa produção inicial constrói “momentos privilegiados de observação, que permitem refinar a
sequência, modulá-la e adaptá-la de maneira mais precisa às capacidades reais dos alunos de
uma dada turma” (DOLZ, NOVERRAZ, SCHNEUWLY, 2004, p. 102), ou seja, através de
uma avaliação dessa produção, o professor pode observar as capacidades e potencialidades
dos alunos e, assim, propor novas atividades.
Nos módulos, terceira fase da sequência didática, de modo geral, procura-se
trabalhar os problemas que apareceram na produção inicial e dar aos alunos os instrumentos
necessários para superá-los. Nesse sentido, o professor avalia as principais dificuldades da
expressão oral ou escrita dos alunos e constrói módulos com diversas atividades e estratégias
para trabalhar com cada problema. Para Dolz, Noverraz e Schneuwly (2004), os módulos,
assim como toda a sequência didática, não são fixos, mas possuem um movimento que vai do
mais complexo ao mais simples, para, no final, voltar ao complexo, que é a produção final.
No entanto, de modo geral, os módulos devem contemplar aspectos relativos aos níveis de
funcionamento do processo de produção textual, quais sejam: i) representação da situação de
comunicação; ii) elaboração dos conteúdos; iii) planejamento do texto; e iv) realização do
texto.
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Por fim, a sequência didática é concluída com uma produção final, que, segundo
Dolz, Noverraz e Schneuwly (2004), dá ao aluno a possibilidade de pôr em prática as noções
e os instrumentos elaborados separadamente nos módulos após a análise da produção inicial. A
produção final deve estar centrada no polo do aluno, permitindo-lhe encontrar, de maneira clara, todos
os elementos trabalhados nas aulas. Esses elementos também devem servir como critérios de uma
avaliação somativa, que considera não apenas os progressos dos alunos, mas também, e
principalmente, o que precisa aprender para chegar a uma produção efetiva de seu texto segundo o
gênero pretendido. Portanto, as sequências didáticas subsidiam o aluno no domínio de um determinado
gênero, possibilitando a construção de um falar e de um escrever coerente com a situação
comunicativa.

Agora que já leu e compreendeu o texto, acreditamos que já seja capaz de


responder às dimensões: parâmetros contextuais enunciativos e conteúdo temático
específico. Por isso, convidamos você a preencher o quadro relativo à apresentação da
situação enunciativa a seguir:

Quadro 4 – Apresentação da situação enunciativa

Parâmetros contextuais enunciativos Conteúdo temático (de acordo com o gênero


proposto)
Esfera O texto a ser construído é o fichamento
Instituição Qual a temática desenvolvida no texto lido?
Cronotopia
Espaço/tempo de ação

Autor
Interlocutor Descrever o texto lido quanto ao conteúdo
temático, organização composicional e estilo:
Analisar o gênero levando em conta: o título, a
organização da estrutura geral do texto, a
introdução, as temáticas dos enunciados e as
escolhas lexicais.

A posição social do O texto lido é um artigo acadêmico


autor

A posição do De que trata o texto lido?


interlocutor
O objetivo do texto

O objetivo didático

Suporte material

Fonte: Adaptado pelo autor com base em Santos (2013)


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2º MOVIMENTO – RECONHECIMENTO DO GÊNERO

Neste movimento, você vai conhecer o gênero textual fichamento por meio da
apresentação que vamos fazer dele para, em seguida, observar seu plano arquitetônico.

Conceituação

De acordo com Campos (2010, p. 11)6, fichar um texto significa “sintetizá-lo, o que
requer a leitura atenta do texto, sua compreensão, a identificação das ideias principais e seu
registro escrito de modo conciso, coerente e objetivo”.
Segundo a autora citada, pode-se dizer que esse registro escrito (o fichamento)
é um novo texto, cujo autor é o "fichador", seja ele aluno ou professor. A prática do
fichamento representa, assim, um importante meio para exercitar a escrita, essencial
para a elaboração de resenhas, papers, artigos, relatórios de pesquisa, monografias
de conclusão de curso, etc.

Para Campos (2010, p. 11), a importância do fichamento para a assimilação e


produção do conhecimento é dada pela necessidade que tanto o estudante, como o docente e o
pesquisador têm de manipular uma considerável quantidade de material bibliográfico, cuja
informação teórica ou factual mais significativa deve ser não apenas assimilada, como
também registrada e documentada, para utilização posterior em suas produções escritas, sejam
elas de iniciação à redação científica (tais como os primeiros trabalhos escritos que o
estudante é solicitado a produzir na academia); de textos para aulas, palestras ou conferências,
no caso do professor; ou, então, do relatório de pesquisa, elaboração da monografia de
conclusão de curso do graduando, da dissertação de mestrado, da tese do doutorando.
Além disso, Campos (2010) observa que a principal utilidade da técnica de
fichamento é otimizar a leitura, seja na pesquisa científica, seja na aprendizagem dos
conteúdos das diversas disciplinas que integram o currículo acadêmico, na Universidade e
que:
O fichamento é, portanto, uma técnica de trabalho intelectual que consiste no
registro sintético e documentado das ideias e/ou informações mais relevantes (para
o leitor) de uma obra científica, filosófica, literária ou mesmo de uma matéria
jornalística (CAMPOS, 2010, p. 12).

O fichamento tem por objetivos: a) identificar as obras consultadas; b) registrar o


conteúdo das obras; c) registrar as reflexões proporcionadas pelo material de leitura; d)
organizar as informações colhidas. Assim sendo, os fichamentos ou relatórios de leitura, além
de possibilitar a organização dos textos pesquisados e a seleção dos dados mais importantes
desses textos, funcionam como método de aprendizagem e memorização dos conteúdos,
constituindo-se em instrumento básico para a redação de trabalhos outros gêneros textuais
acadêmicos, como pode ser observado na figura abaixo.

6
CAMPOS, Magna. Gêneros acadêmicos: resenha, fichamento, memorial e projeto de pesquisa. Mariana-MG:
Fundação Presidente Antônio Carlos/Faculdade Unipac de Educação e Ciências de Mariana/MG, 2010.
12

Fonte: Adaptada pelo autor com base em Santos (2013)

As fichas, sejam elas de cartolina ou de papel A-4 (que substituíram as de cartolina


pelas facilidades oferecidas pelos micros), devem conter três elementos:
• Cabeçalho: no alto da ficha ou da folha, à direita, um título que indica o assunto ao
qual a ficha se refere; pode ser adotado o uso, após o título geral, de um subtítulo;
• Referência: o segundo elemento da ficha será a referência completa da obra ou do
texto ao qual a ficha se refere, elaborada de acordo com a NBR-6023/2002 da ABNT;

• Corpo da ficha, ou seja, o conteúdo propriamente dito, que variará conforme o tipo
de fichamento que o estudante ou pesquisador pretenda fazer.

Tipos de fichamento

I. Fichamento de transcrição (ou citação direta);


II. Fichamento bibliográfico;
III. Fichamento de resumo.

I. Fichamento de transcrição (ou citação direta)

Para Campos (2010), o fichamento de citação é aplicado para partes de obras ou


capítulos. Consiste na transcrição fiel de trechos fundamentais da obra estudada, obedecendo
algumas normas:
a) toda citação deve vir entre aspas;
b) após a citação, deve constar entre parênteses o número da página de onde foi
extraída a citação;
13

c) a transcrição tem que ser textual e não esquemática;


d) a supressão de uma ou mais palavras deve ser indicada, utilizando-se no local da
omissão, três pontos, entre colchetes [...].
e) Nos casos de acréscimos ou comentários, colocar dentro do colchetes [ ].
f) O fichamento não deve conter opiniões ou posicionamentos do leitor.
g) O fichamento não deve acrescentar novas informações ao que foi exposto pelo
texto.
h) Se houver erros de grafia ou gramaticais, copia-se como está no original e
escreve-se entre parênteses (sic).

Exemplos:

 Citação completa

"O homem nasce já inserido em sua cotidianidade. O amadurecimento do homem significa,


em qualquer sociedade, que o indivíduo adquire todas as habilidades imprescindíveis para a
vida cotidiana da sociedade (camada social) em questão. É adulto capaz de viver por si
mesmo a sua cotidianidade"7.

 Citação com supressão

Para HELLER (1992, (p. 19), "O adulto deve dominar, antes de mais nada, a
manipulação das coisas [...] Mas embora a manipulação das coisas seja idêntica à assimilação
das relações sociais, continua também contendo inevitavelmente, de modo imanente , o
domínio espontâneo das leis da natureza".

OBSERVAÇÕES:

Quando a citação passar de uma página para outra, deve-se conter o número das duas
páginas (Exemplo: p. 325-326);
Quando a supressão é de vários parágrafos deve se usar uma linha pontilhada entre as
transcrições. Exemplo:
.......................................................................................................................................................

7
HELLER, Agnes. O cotidiano e a história. 4. ed. São Paulo: Paz e Terra, 1992. p. 18.
14

EXEMPLOS DE FICHAMENTO DE TRANSCRIÇÃO (OU CITAÇÃO DIRETA)

Assunto (TEMA): Vida e cotidiano Ficha nº.


01

HELLER, Agnes. O cotidiano e a história. 4.ed. São Paulo: Paz e Terra, 1992.

"O homem nasce já inserido em sua cotidianidade. O amadurecimento do homem


significa, em qualquer sociedade, que o indivíduo adquire todas as habilidades
imprescindíveis para a vida cotidiana da sociedade (camada social) em questão. É adulto
capaz de viver por si mesmo a sua cotidianidade" (p. 18).

"O adulto deve dominar, antes de mais nada, a manipulação das coisas [...] Mas
embora a manipulação das coisas seja idêntica à assimilação das relações sociais,
continua também contendo inevitavelmente, de modo imanente , o domínio espontâneo
das leis da natureza" (p. 19).

Biblioteca em que se encontra a obra: Biblioteca da UNIT (UNIVERSIDADE


TIRADENTES – Campus II - FAROLANDIA)

Assunto (TEMA): Feminismo no Brasil Ficha nº.


02
Educação da mulher: a perpetuação da injustiça (p. 30 - 132). 2º capítulo.

TELES, Maria Amélia de Almeida. Breve história do feminismo no Brasil. São Paulo:
Editora Brasiliense, 1993.

"[...] uma das primeiras feministas do Brasil, Nísia Floresta Augusta, defendeu a
abolição da escravatura, a o lado de propostas como educação e a emancipação da
Mulher , e a instauração da República". (p. 30)

"[...] na justiça brasileira, é comum os assassinos de mulheres serem absolvidos sob a


defesa de honra". (p. 132)

"[...] a mulher buscou com todas as forças sua conquista no mundo totalmente masculino".
(p. 43)
Biblioteca em que se encontra a obra: Biblioteca da UNIT (UNIVERSIDADE
TIRADENTES – Campus II - FAROLANDIA)

II. Fichamento bibliográfico

Segundo Campos (2010), o fichamento bibliográfico deve conter o nome do autor


(na chamada), o título da obra, edição, local de publicação, editora, ano da publicação,
15

número do volume se houver mais de um e número de páginas e, no corpo do texto, um


resumo sobre o assunto do livro, do capítulo ou do artigo, incluindo detalhes importantes
sobre o tema tratado que possam ajudar ao pesquisador em sua tarefa de pesquisa, seja em que
nível de for.

EXEMPLOS DE FICHAMENTO BIBLIOGRÁFICO

Assunto (TEMA): Feminismo no Brasil Ficha nº. 03

TELES, Maria Amélia de Almeida. Breve história do feminismo no Brasil. São Paulo:
Brasiliense, 1993.

A obra se insere no campo da história e da antropologia social. A autora utiliza-se de


fontes secundárias colhidas por meio de livros, revistas e depoimentos. A abordagem é
descritiva e analítica. Aborda os aspectos históricos da condição feminina no Brasil a partir
dos anos de 1500. A autora descreve em linhas gerais, o processo de lutas e conquistas da
mulher.
Biblioteca em que se encontra a obra: Biblioteca da UNIT (UNIVERSIDADE
TIRADENTES – Campus II - FAROLANDIA)

Assunto (TEMA): Metodologia do trabalho científico Ficha nº. 04

MARCONI, M.A; LAKATOS, E.M. Metodologia do trabalho científico. 4. ed.


São Paulo: Atlas, 1995. 214 p.

O livro trata de questões relevantes para a metodologia do trabalho científico. Seu


propósito fundamental é evidenciar que, embora a ciência não seja o único caminho de
acesso ao conhecimento e à verdade, há diferenças essenciais entre o conhecimento
científico e o senso comum, vulgar ou popular, resultantes muito mais do contexto
metodológico de que emergem do que propriamente do seu conteúdo. Real, contingente,
sistemático e verificável, o conhecimento científico, não obstante falível e nem sempre
absolutamente exato, resulta de toda uma metodologia de pesquisa, a que são submetidas
hipóteses básicas, rigorosamente caracterizadas e subsequentemente submetidas à
verificação. Mostrando todo o encadeamento da metodologia do conhecimento científico, o
conteúdo deste livro aborda ciência e conhecimento científico, métodos científicos, fatos,
leis e teorias, hipóteses, variáveis, elementos constitutivos das hipóteses e plano de prova –
verificação das hipóteses.
Biblioteca em que se encontra a obra: Biblioteca pessoal do fichador
16

III. Fichamento de resumo

 É a apresentação sintética, clara e precisa do pensamento do autor. A apresentação


das ideias principais, das teses defendidas.
 Não é uma cópia dos tópicos, nem a exposição abreviada das ideias o autor, bem
como também não é a transcrição.
 É uma ficha não muito longa, mas traz todos os elementos necessários para a
compreensão do texto.
 O autor da ficha vai por a sua compreensão do texto, usando seu próprio estilo.
Não se afastando jamais das teses originais.
 Não precisa obedecer estritamente à estrutura da obra: lendo a obra, o estudioso
vai fazendo anotações dos pontos principais. Ao final, redige um resumo, contendo a essência
do texto.

EXEMPLOS DE FICHAMENTO DE RESUMO


Assunto (TEMA): feminismo no Brasil Ficha nº. 05

Educação da mulher: a perpetuação da injustiça (p. 30 - 132). 2º capítulo.

TELES, Maria Amélia de Almeida. Breve história do feminismo no Brasil. São Paulo:
Editora Brasiliense, 1993.

O trabalho da autora baseia-se em análise de textos e na própria vivência nos


movimentos feministas, como relato de uma prática. A autora divide seu texto em fases
históricas compreendidas entre Brasil Colônia (1500 - 1822), até os anos de 1975, em
que foi considerado o Ano Internacional da Mulher. Ainda são trabalhados assuntos
como, por exemplo, as mulheres na periferia de São Paulo, a luta por creches, violência,
participação em greves, saúde e sexualidade.

Biblioteca que se encontra a obra: Biblioteca da UNIT (UNIVERSIDADE


TIRADENTES – Campus II - FAROLANDIA)

Assunto (TEMA): Ciência e Conhecimento Científico Ficha nº. 06

MARCONI, M.A; LAKATOS, E.M. Ciência e conhecimento Científico. In:


______. Metodologia do trabalho científico. 4. ed. São Paulo: Atlas, 1995.
p.08-22.
17

O conhecimento científico se caracteriza pela possibilidade de se comprovar os


dados obtidos nas investigações acerca dos objetos. Para que o conhecimento seja
considerado científico, é necessário analisar as particularidades do objeto ou fenômeno
em estudo. A partir desse pressuposto, Lakatos & Marconi apresentam dois aspectos
importantes: a) a ciência não é o único caminho de acesso ao conhecimento e à verdade;
b) um mesmo objeto ou fenômeno pode ser observado tanto pelo cientista quanto pelo
homem comum; o que leva ao conhecimento científico é a forma de observação do
fenômeno.
Biblioteca que se encontra a obra: Biblioteca pessoal do fichador

De acordo com Campos (2010), no fichamento de citação é o raciocínio, a


argumentação do autor da obra ou do texto que "comanda" o trabalho de resumo do fichador.
Já no fichamentos bibliográfico e de resumo, são os propósitos temáticos de quem estuda as
obras consultadas que "comandam" a seleção das ideias, conceitos, elementos teóricos ou
factuais que integrarão o resumo.
Para finalizarmos a compreensão sobre o fichamento, precisamos entender que, além
de constituir-se em um novo texto, ele é um recurso valioso para a assimilação da palavra do
outro, pois nele o aluno – ou qualquer outro fichador – registra e documenta informações que
poderão ser referenciadas em suas próximas produções escritas. Referendar-se no discurso do
outro é um requisito básico na escrita de textos acadêmico-científicos, principalmente em
textos de iniciantes, nos quais o reconhecimento da autoridade da área é uma das condições
necessárias para a instauração da cientificidade. E o fichamento otimiza esta tarefa, pois,
quando o aluno ficha um texto, ele seleciona as informações mais centrais sobre determinado
tema, que poderão ser citadas seja em um artigo, um relatório de pesquisa, uma monografia
ou qualquer outro gênero que irá produzir (SILVA E BESSA, 2011).
Nessa perspectiva, Silva e Bessa (2011) afirmam que devemos pensar o fichamento
enquanto um gênero que permite ao estudante constituir-se como produtor de texto, isto é,
além de resumir ou transcrever fragmentos relevantes de um texto, o aluno precisa deixar
explícito no fichamento sua compreensão sobre o que está sendo fichado, de forma clara e
coerente. Nesses termos, a voz do aluno não pode ser totalmente encoberta pela voz do autor e
pelas outras vozes presentes no texto, mas ambas devem aparecer na tessitura textual do
fichamento.

3º MOVIMENTO – PLANEJAMENTO DO PROJETO ENUNCIATIVO

Acreditamos que você agora já conhece o fichamento com seus tipos,


características específicas de cada tipo e tem uma noção de como produzir um desses
tipos. Por isso, convidamos você a produzir um fichamento do tipo resumo do texto que
você já leu e caracterizou no início desta unidade. Para tanto, apresentamos, abaixo, um
planejamento do projeto enunciativo desse gênero textual acadêmico, o qual você deve
seguir como orientação para produzir o fichamento proposto. Nesse caso, você precisa
18

seguir cada um dos seis passos propostos no planejamento enquanto produz seu
fichamento.

ESTRATÉGIAS DIDÁTICAS PARA


DESVELAR O IMPLÍCITO DO FICHAMENTO
DE RESUMO
1. LEITURA DIALOGADA
DO TEXTO

6.PRODUZIR E
2. CONTEXTUALIZAR
REVISAR A
O GÊNERO NO
PRODUÇÃO DO
ESPAÇO E NO
FICHAMENTO
TEMPO

ESTRELA
DE
DAVI

5. DESCREVER O 3. MENSÃO DO
TEXTO (FAZER AUTOR E DA OBRA A
DIGESTO – SER FICHADA
RESUMO/SÍNTESE)

4. DESTACAR AS IDEIAS MAIS


RELEVANTES DO TEXTO A SER
FICHADO (DESVELAR O
CONTEÚDO DO TEXTO)

4º MOVIMENTO – ESCRITA INICIAL DO GÊNERO

Agora sim, seguindo o planeamento proposto na Estrela de Davi, comece o processo


de escrita de seu fichamento de resumo.

5º MOVIMENTO – FEEDBACK

Após fazer a produção inicial de seu fichamento, convidamos você a participar de


um fórum para que, por meio dele, você possa falar das suas limitações que representaram
dificuldades que teve em relação à feitura de seu texto.
19

6º MOVIMENTO – SOCIALIZAÇÃO DO GÊNERO

Agora que você já produziu seu texto e expressou suas dificuldades, faça as revisões
e os acabamentos que julgar necessários e, em seguida, poste-o para que seus colegas de
curso, para que seja circulado e recebido por eles, isto é, seja circulado em uma escala de
maior abrangência para que, assim como você vai ler e analisar os textos dos colegas, seu
texto será lido e analisado por eles, no sentido de avaliarem se o projeto pedagógico
enunciativo proposto foi elucidado, não como cumprimento de atividade para nota, mas como
responsabilidade sua e de seus companheiros de curso.
Lembre-se, ao final da pesquisa, seu texto poderá ser publicado em um livro, o qual
terá uma circulação em uma escala de abrangência muito maior.

RESUMINDO

Nesta unidade, você teve a oportunidade de conhecer a metodologia dialógica de


ensino de gêneros acadêmicos proposta por Santos (2013), seguindo suas sequências
dialógicas compostas por seis movimentos, sendo que, no 1º Movimento – Apresentação da
situação enunciativa, foi feita a apresentação da situação, na qual ficou definido o fichamento
como o gênero textual acadêmico a ser estudado, seu público-alvo, quem dialoga por meio
dele, assim como o ambiente em que ele circula. Ainda nesse movimento foi solicitado o
preenchimento de um quadro, que continha a situação enunciativa, apresentada por meio dos
parâmetros contextuais enunciativos e do conteúdo temático específico respondidos por você.
No 2º movimento – Reconhecimento do gênero, você conheceu o gênero textual fichamento,
por meio da apresentação que foi feita dele e, em seguida, observou seu plano arquitetônico.
No 3º movimento – Planejamento do projeto enunciativo, apresentamos uma proposta de
projeto enunciativo do gênero textual acadêmico a ser produzido, seguindo cada um dos seis
passos sequenciais propostos nesse projeto. Para o 4º Movimento – Escrita inicial do gênero,
seguindo o planeamento proposto na Estrela de Davi, você foi convidado a produzir um
fichamento do tipo resumo do texto “A proposta de sequências didáticas da Escola de
Genebra”. No 5º Movimento – Feedback, você participou de um fórum para falar sobre as
suas limitações que representaram dificuldades que teve em relação à feitura de texto. Já no 6º
Movimento – Socialização do Gênero, você foi convidado a revisar, dar os acabamentos
julgados necessários no seu fichamento e o postou para que seus colegas de curso fizessem a
leitura e a avaliação para verificarem se o projeto pedagógico enunciativo proposto foi
elucidado, assim como você foi convidado a ler e fazer o mesmo em relação aos textos
produzidos por seus colegas, não como cumprimento de atividade para nota, mas como
responsabilidade sua e deles, tendo em vista que, ao final da pesquisa, seu texto poderá ser
publicado em um livro, o qual terá uma circulação em uma escala de abrangência muito
maior.
Lembre-se, você produziu apenas um dos três tipos de fichamentos estudados
nesta unidade, por isso, sugerimos que volte à unidade, revendo os outros e, em seguida,
selecione textos de livros ou artigos de seu interesse e produza os outros dois tipos de
fichamento como atividade prática para aprofundar seus conhecimentos sobre o
assunto.