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SERAFIM - ASSESSORIA & CONSULTORIA JURÍDICA

MARCELO SERAFIM DE SOUZA - OAB/ES 18.472


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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO 9ª VARA CRIMINAL DA COMARCA DE


VILA VELHA/ES

URGENTE – RÉU PRESO

Lembrai-vos dos presos,


como se estivésseis presos com eles,
e dos maltratados,
como sendo-o vós mesmos
também no corpo.
(Hebreus 13:3)

Ação Penal nº 0032190-19.2017.8.08.0035

JOSÉ SILVANO FILHO, brasileiro, casado, auxiliar de serviços gerais, atualmente recolhido no
CDPV II – Centro de Detenção Provisória de Viana II, por seu advogado signatário, com escritório
descrito no rodapé da página, onde recebe as intimações e notificações de praxe, vêm com todo
o acato e respeito à honrada presença de Vossa Excelência, para manifestar e requerer:

L I B E R D A D E P R O V I S Ó R I A

com supedâneo no inciso III do artigo 310 do Código de Processo Penal e razões adiante
ventiladas.

As circunstâncias que circundam o fato, pelo qual foi incurso o Acusado, bem como a vida
pregressa e ordeira que este vive, requerem como medida da mais lídima e cristalina justiça, a

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concessão do benefício da liberdade provisória, para que enfim possa o aguardar em liberdade
a tramitação processual, com fundamento no Inciso II do Artigo 310 do Código de Processo
Penal, pelo que expõem e ao final requer o seguinte:

Consta dos autos da Ação Penal suso, que o ora requerente fora preso em flagrante delito, pois
supostamente teria infringido o inciso I do § 2º do artigo 157 do CPB. Haja vista, conforme
depoimentos constantes do APFD, o acusado foi abordado no interior de um ônibus, após ter
roubado o celular da vítima constante dos autos de propalado APFD, com emprego de arma
branca. Registra-se por fim que o celular da vítima foi encontrado em poder deste. Sendo que
por conta disso, encontra-se o mesmo preso e recolhido no CDPV II – Centro de Detenção
Provisória de Viana II, à disposição deste R. Juízo.

Em que pese, neste azo, não trata de mérito, apenas, observa-se técnica e processualmente o
procedimento apurado. Deseja o acusado manifestar, afirmando que é pessoa trabalhadora,
humilde, responsável, cumpridora de suas obrigações, possuindo residência fixa (doc. em
anexo), vivendo de atividade lícita.

Portanto, ao ver não justifica claramente os elementos ensejadores para a decretação da


medida cautelar preventiva.

Insta frisar que, o acusado ostenta plenas condições sociais para que seja agraciado com o
benefício que lhes faculta a Lei Penal1, ou seja, os requisitos necessários para a concessão do

1
Se a prisão não for necessária para a garantia da ordem pública, da instrução criminal ou da aplicação da pena,
não se justificando seja mantida e o juiz deve conceder a liberdade ao acusado. (Hélio Tornachi – Curso de Direito
Penal – pág.43). O subjetivismo do julgador não contribui fundamentação para tirar a liberdade do acusado,
primário e de bons antecedentes, antes da decisão final e definitiva da ação penal em que lhe foi imputada. (rt –
589/411).

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benefício da Liberdade Provisória, ostentando residência fixa com ânimo definitivo, conforme
afirmado alhures, podendo ser encontrado facilmente no endereço colacionado aos autos da
presente peça preambular.

O festejado artigo 310 do Código de Processo Penal, que dispõe sobre a liberdade provisória,
concedida sob certos pressupostos e condições a presos custodiados, deixa claro que não se
trata de favor que se possa outorgar ao preso que está nessa circunstância como requerente,
mas sim um direito a que este faz jus.

Permissa venia, mm. Juiz, sendo o requerente ostentador de plenas condições sociais para ser
agraciado com o benefício que lhe faculta a Lei Penal2, sendo possuidor de residência fixa, com
ânimo definitivo, bem como, cumpre destacar que, não se havendo notícias de mandado de
prisão em aberto contra o acusado, demonstrando ser pessoa que não tem por costume a
prática de atos delituosos, a Liberdade Provisória deste, é medida salutar que se impõe.

Nesta toada, impende ressaltar que, sua liberdade não atentará contra a ordem pública, não
perturbará o rito especial da ação criminal e não prejudicarão a aplicação da Lei Penal não
havendo assim, razão para não continuar no distrito da culpa, conseguintemente podendo este
comparecer perante este douto Juízo, sempre que solicitado.
O contexto probatório contribui para que o Acusado seja agraciado com o benefício que lhe
faculta o Diploma Legal, tendo ainda em vista, inúmeras provas no mérito e mais que se deve

2
“Tanto a vítima quanto o acusado representam no processo penal interesses públicos, porque o Estado tem
tanto interesse na punição de um culpado quanto na absolvição de inocente e tutela de igual modo a segurança
pública e a liberdade individual”. (H. B. Tornachi, a Relação Processual Penal, p. 84, Ed. A Noite, 1944). “Outra
teoria afirma que a finalidade da jurisdição é a tutela dos direitos subjetivos (ROCCO) [...], esta, porém, só se
exerce na medida em que o próprio direito objetivo protege e ampara o direito subjetivo”. (LASCANO). PG. 202,
(H.B. Tornachi, p.74 Ed. A Noite, 1944). “Se o Juiz não dá de si, para dizer o direito em face da diversidade de cada
caso, a sua Justiça será a do leito de procusto”, [...].

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levar em conta que ostenta o presente pedido, há provas sólidas no sentido de que o
beneficiário ostenta meios de sobrevivência por atividade lícita, tratando-se de pessoa de bem,
não levando à conclusão de que representa risco à sociedade ou que irá se furtar à aplicação da
ação da justiça.

A cautela no processamento judicial é regra e medida extremada, para que se evite causar dano
maior ao seio social, mesmo ao se saber em que a aplicabilidade esteja sob o escudo da
legalidade, a reparação de constrangimento no cerceamento do direito de ir e vir não se repara
na tentativa da marca da prisão cravada na vida do imputado.

Mutatis mutandis, conforme afirmado alhures, não há previsão legal à antecipação da tutela
penal e, in casu, não se vislumbra a ocorrência dos requisitos legais autorizadores da prisão
preventiva (art. 312 do CPP).

Aliás, no Brasil a prisão é a ultima ratio, sendo exceção e não regra. Quiçá pelos malefícios
causados àqueles que adentram o Sistema Prisional.

Neste diapasão a Segunda Turma do Pretório Excelso, ao enfrentar a questão acerca da


excepcionalidade da prisão como ultima ratio em nossa legislação, em sede de HC, assim
brilhantemente decidiu, verbis:
PROCESSUAL PENAL. RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS.
OPERAÇÃO "LAVA JATO". PRISÃO PREVENTIVA. ALEGAÇÃO DE
INIDONEIDADE DA FUNDAMENTAÇÃO DO DECRETO PRISIONAL.
SEGREGAÇÃO CAUTELAR FUNDAMENTADA NA GARANTIA DA ORDEM
PÚBLICA. RECURSO DESPROVIDO.

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[...] A prisão cautelar deve ser considerada exceção, e só se justifica caso


demonstrada sua real indispensabilidade para assegurar a ordem
pública, a instrução criminal ou a aplicação da lei penal, ex vi do artigo
312 do Código de Processo Penal.
A prisão preventiva, enquanto medida de natureza cautelar, não pode
ser utilizada como instrumento de punição antecipada do indiciado ou
do réu, nem permite complementação de sua fundamentação pelas
instâncias superiores3... (sem grifos no original)

Perfilhando este mesmo entendimento, o Superior Tribunal de Justiça assim decidiu:


A simples alegação judicial da gravidade genérica do delito, de
natureza hedionda, praticado pelo paciente não é fundamento
suficiente a ensejar a manutenção de sua custódia cautelar, devendo o
juiz discorrer sobre os requisitos previstos no art. 312 do Código de
Processo Penal. Sendo a prisão preventiva uma medida extrema e
excepcional, que implica em sacrifício à liberdade individual, é
imprescindível a demonstração dos elementos objetivos, indicativos
dos motivos concretos autorizadores da medida constritiva4. (grifei)

Quadra registrar que outro não tem sido o entendimento de nosso Egrégio Tribunal de Justiça
Capixaba. Como exemplo citamos o seguinte aresto, de relatoria do eminente desembargador
WILLIAN SILVA verbis:

3
HC 137728. Relator: Min. EDSON FACHIN. Julgado em 21/02/2017. Publicado em PROCESSO ELETRÔNICO DJe-
036 DIVULG 22/02/2017. PUBLIC 23/02/2017
4
STJ - 5.ª T. - HC 33.578 - rel. Laurita Vaz - j. 03.08.2004 - DJU 30.0802004. p. 313; STJ - 5ª T - HC 31.444 - rel.
Laurita Vaz - j. 1612.2003 - DJU 16.02.2004, p. 283
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HABEAS CORPUS. PENAL E PROCESSUAL PENAL. POSSE ILEGAL DE ARMA


DE FOGO. PORTE DE DROGA PARA CONSUMO PESSOAL. PRISÃO
PREVENTIVA. REQUISITOS. AUSÊNCIA. CONCESSÃO PARCIAL DA ORDEM.
A prisão cautelar deve ser considerada exceção, já que, por meio desta
medida, priva-se o réu de seu jus libertatis antes do pronunciamento
condenatório definitivo, consubstanciado na sentença transitada em
julgado.
A custódia cautelar é medida excepcional, reservada para os casos de
absoluta imprescindibilidade e deve respeitar os princípios da
homogeneidade, proporcionalidade e adequação.
[...] Ordem parcialmente concedida para substituir a prisão por medida
cautelar diversa (CPP, art. 319)5

Ademais, os efeitos deletérios das penas só levam para a reincidência. Sobretudo quando se
trata de réu primário que não ostenta maus antecedentes, pois, segundo Baumann, apud, Cezar
Roberto Bitencourt, "a liberdade é um bem extremamente valioso para ser sacrificado
desnecessariamente6",

DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS


Isto posto, provado o “Quantum Satis”, os requisitos e os pressupostos exigidos pela Lei Penal,
na melhor forma de direito, vem requerer a Vossa Excelência que digne-se de acolher ao
presente feito, julgá-lo procedente para que o acusado responda ao Processo em liberdade.
Determinar a Revogação de qualquer Medida de Prisão Temporária ou Preventiva, caso haja, e

5
HABEAS CORPUS 0002163-61.2017.8.08.0000. Relator: WILLIAN SILVA. Órgão Julgador: PRIMEIRA CÂMARA
CRIMINAL. Data do Julgamento: 10/05/2017.
6
Baumann, apud, Cezar Roberto Bitencourt. Tratado de Direito Penal - Parte Geral. Vol. I. 3º ed. São Paulo: Ed.
Saraiva. 2003.
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a Concessão da Liberdade Provisória. Que seja expedido o competente Contra Mandado e o


Alvará de Soltura, para defender-se solto da imputação que lhe é atribuída. Desde já
comprometendo-se a comparecer a todos os atos da Justiça que lhe for determinado. Assim
procedendo este R. Juízo, certamente estará aplicando a lídima Justiça.

Termos em que,
Pede e espera deferimento.

Vitória/ ES, 14 de junho de 2017.

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MARCELO SERAFIM DE SOUZA
ADVOGADO - OAB/ES 18.472

DOS FATOS
Emerge da denúncia ministerial que, o defendente no dia 02/03/2015, em horário e local não
precisado, todavia, no interior de residência localizada nesta Comarca e Município, praticou o
crime de lesão corporal, tipificado no § 9º do artigo 129 do Código Penal Pátrio, em desfavor da

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vítima JAQUELINE RIBEIRO DE DEUS, que segundo a denúncia do Parquet, seria sua
companheira.
Relata ainda aludida denúncia, que a agressão física teria ocorrido na casa de uma amiga da
companheira do defendente, onde esta, conforme encartado na denúncia ministerial, prestava
serviços.

O defendente, continua combatida denúncia, exigiu que sua companheira lhe entregasse as chaves
de casa, o que lhe fora por esta negado. Incontinenti, visivelmente alterado, conforme preconiza
a peça de ingresso ministerial, saiu do local, retornando minutos depois, passando a desferir chutes
contra a porta e conseguintemente agredir sua amásia.

Porém, percebe-se que o que se desenvolveu na cena dos fatos, fora realmente o que comumente
se denomina “briga de casal”.

Chega-se a esta conclusão, ao perscrutar minuciosa e detidamente o Laudo de Exame de Lesões


Corporais, às fls. 20 dos autos epigrafados e constatar que o segundo quesito:
“Qual instrumento ou meio que a produziu (lesão)?
Tem-se como Resposta: MÃOS.

Em que pese as medidas protetivas existentes inclusive em apenso aos autos em testilha, todavia,
ninguém em sã consciência, nestes autos, pode afirmar que o defendente, é uma ameaça à
integridade e incolumidade física de sua amásia. Ou ainda que, propaladas agressões poderiam
desaguar em um homicídio.

NÃO. DE FORMA ALGUMA. Vislumbra-se que a coabitação entre autor e vítima, marcada
principalmente por agressões, não teria como mais prosseguir. Todavia, ninguém em sã
consciência, conforme afirmado alhures, pode assegurar, ser o defendente, uma ameaça à vida de
sua amásia.
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Não ameaça contra a vida de quem quer que seja. Até porque, o réu dos autos, é pessoa
trabalhadora, com residência fixa. Que nunca se furtou a comparecer, nem em sede inquisitorial,
nem tampouco em sede judicial, nas audiências que se seguiram.

Compareceu em todas as oportunidades em que foi intimado, para trazer aos autos, a verdade dos
fatos.

E o único deslize na vida que cometeu, conforme constante às fls. 45 e 51 dos autos, já quitou
com a justiça.

Ou seja, é um cidadão de bem, que não representa ameaça a integridade e incolumidade física de
sua amásia, nem tampouco à sociedade.

O que se pode dizer disto tudo é que, “O calor do momento, pode-se assim dizer, coadunada às
famigeradas “brigas de casal” desaguaram indubitavelmente nas agressões nos autos
referenciados, encartada”.

PRELIMINARMENTE - INÉPCIA DA DENÚNCIA


A n a l i s a n d o - s e o a r t i g o 4 1 d o C ó d i g o d e P r o c e s s o Penal, tem-se os requisitos da
denúncia ou queixa:
Artigo 41. A denúncia ou queixa conterá a exposição do fato
criminoso, com todas as suas circunstâncias, a qualificação
do acusado ou esclarecimentos pelos quais se possa identificá-lo, a
classificação do crime e, quando necessário, o rol das testemunhas.
(grifei)

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Verifica-se da exordial acusatória que a exposição do fato criminoso, bem como as


circunstâncias do fato não se encontram corretamente dispostos. A I n é p c i a d a i n i c i a l
o c o r r e q u a n d o a d e n ú n c i a o u queixa não atende ao disposto no artigo 41 do CPC,
principalmente quando apresenta deficiência na exposição do fato criminoso e todas as
suas circunstâncias.

Neste sentido: “Denúncia. É inepta a que não especifica, nem descreve, ainda que
sucintamente, os fatos criminosos atribuídos ao acusado. (RTJ 57/389). STF:
"Denúncia apresentada de forma sumária, em caráter genérico, s e m r e s p a l d o n o
inquérito policial”. O STF abona a concisão desde que fundamentada com
suficiência a denúncia (RT 642/358). TACRSP: Nesse sentido, o
entendimento de Fernando Capez: “a descrição deve ser precisa, não se
a d m i t i n d o a i m p u t a ç ã o v a g a e i m p r e c i s a (...).7

O autor deve incluir na peça inicial todas as circunstâncias que cercaram o fato,
sejam elas elementares ou acidentais, que possam, de alguma forma, influir na
apreciação do crime e na fixação e individualização da pena. Verifica-se que a circunstância, bem
como a tipificação não se encontram corretamente dispostos.

A adequação típica realizada pelo ilustre representante ministerial não corresponde aos fatos
narrados, posto que em nenhum momento afirma que o acusado, no momento dos fatos,
encontrava-se em situação doméstica. Apenas, faz-se alusão a relação amorosa, ainda que não
tenha havido convívio com a ofendida. Destarte, não afirmando em que se baseia esta alegação.
Diante disto, verifica-se ser totalmente inepta a denúncia ministerial, devendo o juiz rejeitá-la,
com fulcro no inciso I do artigo 395 do Código de Processo Penal. Em não sendo este o
entendimento de Vossa Excelência passa-se a análise do mérito.

7
CAPEZ, Fernando. Curso de Processo Penal. 7ª Ed. Ed. Saraiva. 2001. p. 127.
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DA LESÃO CORPORAL
No que tange ao presente tópico, a juntada do devido exame pericial, conforme afirmado alhures,
constatou-se que lesões corporais produzidas pelo defendente em sua amásia, não tiveram como
pando de fundo arma de fogo ou arma branca.

Tão comuns, insta frisar, em processos criminais que abarrotam nossas Varas e Comarcas, onde
o agressor é pessoa contumaz na delinquência, criminalidade e agressões contra terceiros.

O que não ocorre in casu, pois, dos autos em testilha, se perquiri do Exame de Lesões Corporais,
que o defendente jamais utilizou-se de qualquer tipo de arma, para agredir sua amásia.

Bem como, as agressões eram seguidas de acaloradas discussões. Não eram agressões ao bel
prazer não. Todavia, o calor das emoções afloradas, redundavam nas agressões encartadas nos
autos da presente Ação Penal.

DA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA
Menciona o MP tratar-se de violência doméstica, pois realizou-se segundo o MP em uma relação
íntima de afeto, na qual o agressor convivia, ou seja, coabitava com sua amásia.

Quadra destacar que, às fls. 10 e 15 dos autos em comento, a amásia do defendente, demonstra
não pretender representar contra o defendente. Atitude esta Exa., incompatível por vítima de
agressores contumazes, bem como por pessoas que frequentemente desrespeitam as leis impostas
para a observância do homem comum.

O que não é o caso dos autos, conforme supra afirmado. Aliás, o próprio defendente confirma em
seu depoimento em sede policial, que já agrediu sua amásia, todavia, nunca com armas.
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Aliás, ao que tudo indica as agressões eram mútuas, não unilaterais, como quer fazer acreditar o
IRMP em sua denúncia.

Chega-se a esta conclusão ao perscrutar às fls. 36 dos autos em tela, onde a sra. Méria Armanda,
conselheira tutelar deste município, afirma que quem solicitou a visita do Conselho Tutelar, foram
os familiares do defendente. Sendo que a amásia deste estava agressiva e queria agredi-lo.
Inclusive, estava brigando muito com o filho. Conforme se depreende de propalado depoimento.

O que cai por terra mais uma vez, o arquétipo do defendente, de pessoa ameaçadora e incapaz de
convívio em sociedade. Pois, se assim o fosse, seus familiares jamais teriam solicitado indigitada
visita do Conselho Tutelar, ao lar onde as acaloradas discussões e agressões ocorreram.

Quadra registrar que o depoimento da sra. Méria Armanda, conselheira tutelar deste município às
fls. 36 dos autos em comento, conforme supramencionado, fora corroborado in totum, pela Sra.
Maria Aparecida, de igual forma, conselheira tutelar deste município.

DAS SUPOSTAS AMEAÇAS


Nos depoimentos da amásia do defendente, manchados pela pecha da falsa afirmação de crime,
conforme afirmado alhures, esta afirma em diversos momentos que o defendente fez ameaças a
sua vida e existência.

Todavia, as circunstancias em que se deram propaladas ameaças (se realmente um dia ocorreram),
devem afastar por completo a existência de um suposto crime de ameaça, no caso uma ameaça
atual e não futura. Pois, percebe-se, que o suposto mal (ameaça) (se realmente ocorreu) era de
realização naquela ocasião do quadro narrado. É dizer, inexistiu qualquer promessa de mal futuro.
Com esse sentir, assim tem entendido a jurisprudência:

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JUIZADO ESPECIAL. PENAL. AMEAÇA (CP, ARTIGO 47,


CAPUT). CONCURSO MATERIAL (ARTIGO 69 DO CÓDIGO
PENAL). NÃO CARACTERIZAÇÃO. PROVA TESTEMUNHAL.
FRAGILIDADE EM RELAÇÃO A UMA VÍTIMA. PRINCÍPIO IN
DUBIO PRO REO. APLICAÇÃO. AUTORIA E MATERIALIDADE.
COMPROVAÇÃO SOMENTE QUANTO A UMA VÍTIMA.
CONDENAÇÃO. PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE.
SUBSTITUIÇÃO POR RESTRITIVAS DE DIREITOS.
IMPOSSIBILIDADE. PRESENÇA DE GRAVE AMEAÇA.
ELEMENTAR DO TIPO. VEDAÇÃO DO ARTIGO 44 DO CÓDIGO
PENAL. RECURSO CONHECIDO E PACIALMENTE
PROVIDO. Apelação interposta pelo réu em face da sentença que,
julgando procedente a pretensão punitiva oferecida pelo órgão acusador,
condenou-o à pena de 02 meses de detenção, pela prática do crime previsto
no artigo 147 do Código Penal c/c o artigo 69 do mesmo diploma legal por
supostamente haver ameaçado de mau injusto e grave 02 (duas) vítimas,
obstando a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de
direitos sob o fundamento de que o crime foi praticado pelo réu com grave
ameaça às vítimas (Código Penal, artigo 44, inciso I). Comete o delito
previsto no artigo 147, caput, do Código Penal quem ameaça alguém, por
palavras, escrito ou gesto, ou qualquer outro meio simbólico, de causar-lhe
mal injusto ou grave, sob pena de detenção, de 1 (um) a 6 (seis) meses ou
multa. No presente caso, em relação a 01 (uma) das vítimas, o porteiro do
condomínio no qual o réu reside, apesar dos depoimentos da vítima e da
testemunha serem convergentes quanto ao fato de que houvera uma
discussão entre o réu e essa vítima na portaria do condomínio, mostram-se
divergentes quanto à ocorrência de uma efetiva ameaça de que iria causar-
lhe mau, notadamente porque em juízo, sob o pálio do contraditório e da
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ampla defesa, a vítima negou que o réu tenha o ameaçado de mau injusto,
grave e futuro. Somente ocorre o delito previsto no artigo 147 do Código
Penal quando a ameaça é pronunciada fazendo referência a uma conduta
que será praticada no futuro, ou seja, “ameaçar significa procurar intimidar
alguém, anunciando-lhe a ocorrência de um mal futuro, ainda que próximo”
(NUCCI, Guilherme de Souza. Manual de Direito Penal. Parte Geral e
Especial. 5ª Edição, rev., atual. e amp. São Paulo. Editora Revista dos
Tribunais, 2009, p. 678), o que não ocorreu no presente caso, pois não
restou demonstrado que o mau injusto e grave seria futuramente praticado
pelo réu, não sendo ele prenunciado. Meros indícios ou conjecturas não têm
o condão de sustentar um Decreto condenatório, devendo o conjunto
probatório carreado aos autos comprovar de forma estreme de dúvidas o
dolo específico do réu consistente na vontade de expressar ameaça de mal
injusto, grave e futuro à vítima, capaz de causar-lhe efetiva intimidação.
Ausente a certeza de que o réu praticou a conduta delitiva que lhe foi
imputada na denúncia quanto a 01 (uma) vítima, milita em seu favor, nessa
fase processual, o princípio in dubio pro reo, devendo ser ele absolvido com
base no artigo 386, III, do Código Penal, excluindo-se o concurso material
de crimes considerado em sua condenação CP, art. 69), permanecendo sua
condenação tão-somente quanto à segunda vítima. As provas carreadas aos
autos são firmes quanto à comprovação da autoria e materialidade delitiva
do crime de ameaça imputado ao réu em relação à segunda vítima, pois
restou demonstrada a sua conduta de ameaçá-la, de forma indireta, por meio
dos porteiros do condomínio, de mau injusto, grave e futuro, sendo
incabível a desclassificação do crime de ameaça para o crime de injúria, já
que a sua conduta amolda-se ao tipo penal previsto no artigo 147 do Código
Penal, sendo sua condenação nas iras desse artigo medida impositiva. Não
é possível a substituição da pena privativa de liberdade por restritivas de
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direito, ante a vedação expressa constante no artigo 44, inciso I, do Código


Penal, quando o crime houver sido praticado com grave ameaça à vítima
(Precedente. Acórdão n.458123, 20080310336422APJ, Relator. José
GUILHERME, 2ª Turma Recursal dos Juizados Especiais Cíveis e
Criminais do DF, Data de Julgamento. 19/10/2010, publicado no DJE.
28/10/2010. Pág. 212). Recurso conhecido e parcialmente provido.
Sentença reformada para absolver o réu do crime de ameaça que lhe foi
quanto a uma das vítimas, revisando-se, por consequência, a dosimetria de
sua pena para reduzi-la ante a exclusão do concurso material8.

Com a mesma sorte de entendimento leciona Cezar Roberto Bitencourt que:


Só a ameaça de mal futuro, mas de realização próxima, caracterizará o
crime, e não a que se exaure no próprio ato; ou seja, se o mal concretizar-
se no mesmo instante da ameaça, altera-se a sua natureza, e o crime será
outro, e não este. Por outro lado, não o caracteriza a ameaça de mal para
futuro remoto ou inverossímil, isso é, inconcretizável9.

Bem adverte André Estefam que prepondera na doutrina e na jurisprudência a linha de


entendimento aqui lançada:
Significa, no contexto do art. 147 do CP, um mal que possa ser cumprido
em tempo breve. Discute-se nos tribunais, se a promessa de inflição de mal
presente (isto é, no exato momento) configura crime. Prepondera o
entendimento negativo, ao argumento de que o mal deve ser sempre
futuro10.

8
TJDF – Rec. 2011.12.1.000766-6; Ac. 763.953. Terceira Turma Recursal dos Juizados Especiais do Distrito Federal. Rel.
Juiz Carlos Alberto Martins Filho. DJDFTE 11/03/2014. Pág. 228
9
BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de direito penal. 11ª Ed. São Paulo: Saraiva, 2011, vol. 2, p. 408
10
ESTEFAM, André. Direito penal. 2ª Ed. São Paulo: Saraiva, 2012, vol. 2, p., 308
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Por esse norte, jamais pode-se cogitar nos autos prefaciados em crime de ameaça, maiormente
quando os depoimentos dúbios da amásia do defendente (conforme infra demonstrado),
descrevem um quadro fático de mal atual, na ocasião do desfecho do pretenso delito.

DO DEPOIMENTO DÚBIO DA AMÁSIA DO DEFENDENTE


O que não se consegue entender de forma alguma nos autos em testilha, são as declarações da
amásia do defendente.

Ora afirma em seu depoimento (que deve ser o mais próximo da realidade possível, caso contrário,
estará imiscuindo em conduta comissiva, ao afirmar inverdade, seja em juízo, ou em sede
policial), que o defendente a obrigava a manter relações sexuais na frente das crianças, conforme
se deflui de seu depoimento às fls. 27 dos autos em tela.

Ora desdiz o que antes afirmara na frente das autoridades, esclarecendo agora que, o defendente
jamais a forçou a manter relações sexuais na frente dos filhos.

Ora Exa., o testemunho dúbio de qualquer ator inserido nos autos processuais não deve ser
maculado pela pecha da mentira, do engodo, do engano, pois estaria se forçando o juízo a produzir
decisões errôneas inocentando culpado e condenando inocente. O que deve de todo ser evitado,
bem como rechaçado de nossos tribunais.

Em breve aclaramento e conceituação sobre o crime de “falso testemunho”, encartado no artigo


342 do Código Penal, cuja redação: “Fazer afirmação falsa, ou negar ou calar a verdade como
testemunha, perito, contador, tradutor ou intérprete em processo judicial, ou administrativo,
inquérito policial, ou em juízo arbitral”, o insere no capítulo dos crimes contra a administração da
justiça, perquire-se, que este tem como objeto jurídico impedir que se prejudique a busca da
verdade no processo.

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Para José Carrazzoni Júnior, a falsidade deve ser relativa a fato juridicamente relevante ou
potencialmente lesiva, pois se a circunstância em nada influi, se não há possibilidade de prejuízo,
apesar da inverdade, não haverá falso testemunho11.

Aclara mencionar que, ao afirmar falsamente sobre determinado fato, ou seja, a cópula carnal
entre o defendente e sua pessoa, a amásia do defendente, mesmo tendo ciência de sua inexistência,
agiu subjetivamente com dolo, a amásia do defendente, afirmar a existência de um fato, que a
bem da verdade, nunca existiu.

Agindo assim, cumpre ressaltar, agiu a amásia do defendente com vontade livre e consciente de
produzir afirmação falsa, para prejudicar não a si própria, mas unicamente ao defendente, agindo,
portanto, com dolo, perfazendo o crime de falso testemunho.

Celso Delmanto, afirma que, o tipo subjetivo de propalado crime, é o dolo representado pela
vontade livre e consciente de fazer afirmação falsa, negar ou calar a verdade. Não se admite a
modalidade culposa12.

Alterca preconizar que a jurisprudência em tom uníssono, tem repudiado e combatido à altura, o
crime de falso testemunho. Como exemplo citamos os seguintes arestos, verbis:
APELAÇÃO CRIMINAL. FALSO TESTEMUNHO EM PROCESSO
PENAL. ARTIGO 342, DO CÓDIGO PENAL. MATERIALIDADE E
A AUTORIA COMPROVADAS. DOLO EVIDENCIADO. CRIME
FORMAL. CONSUMAÇÃO QUE INDEPENDE DE RESULTADO
LESIVO. RECURSO IMPROVIDO. 1) É firme o entendimento deste
Supremo Tribunal de que "o crime de falso testemunho é de natureza

11
JÚNIOR, José Carrazzoni. Breves comentários sobre o crime de falso testemunho. Acesso em: 05/02/2016. Disponível
em: http://www.juridicohightech.com.br/2010/12/breves-comentarios-sobre-o-crime-de.html.
12
DELMANTO, Celso. Código penal comentado. 7ª ed. Rio de Janeiro: Renovar, 2007, p. 873.
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formal e se consuma com a simples prestação do depoimento falso, sendo


de todo irrelevante se influiu ou não no desfecho do processo. Restou
devidamente comprovada a contradição entre o declarado pelo acusado e a
realidade objetiva perquirida naqueles autos em que Ivea e Carlos estavam
sendo acusados, cujos fatos o acusado tinha plena consciência.
Configurando o crime de falso testemunho, razão pela qual, não há outro
caminho a não ser a condenação do mesmo. Portanto, demonstrada a
intenção de mentir do apelante perante à Justiça, para proteger os acusados.
2) RECURSO IMPROVIDO13.

APELAÇÃO CRIMINAL. FALSO TESTEMUNHO EM PROCESSO


PENAL. ARTIGO 342, §1º DO CÓDIGO PENAL.
MATERIALIDADE E A AUTORIA COMPROVADAS. DOLO
EVIDENCIADO. CRIME FORMAL. CONSUMAÇÃO QUE
INDEPENDE DE RESULTADO LESIVO. ABSOLVIÇÃO
INVIÁVEL. CONFISSÃO. RECURSO PROVIDO. I. A conduta do art.
342 do CP se consuma com o encerramento do termo das declarações
inverídicas, sendo irrelevante a falta de influência no desfecho do
julgamento em que cometido o falso, portanto crime formal. II. Fixada a
pena privativa de liberdade em 1 (um) ano e 2 (dois) meses de reclusão,
sendo primário o réu, deve ser fixado regime inicial aberto para
cumprimento da pena (CP 33, § 2º, c), e determinada a substituição, por
uma pena restritiva de direito e multa (CP 44, § 2º, parte final). III. Recurso
Provido14.

13
TJ-ES. Apelação 0013923-18.2010.8.08.001. Des. Rel. Adalto Dias Tristão. Segunda Câmara Cível. Data do julgamento:
08/08/2015.
14
TJ-ES. Apelação 0007703-97.2007.8.08.0014. Des. Rel. Catharina Maria Novaes Barcellos. Primeira Câmara Criminal.
Data do julgamento: 27/10/2010.
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APELAÇÃO. ART. 342, § 1º, DO CP. FALSO TESTEMUNHO.


DEPOIMENTO EM JUÍZO. CONTRADIÇÃO COM
DECLARAÇÕES PRESTADAS PERANTE A AUTORIDADE
POLICIAL. DELITO TIPIFICADO. Comprovado que o acusado mentiu
em juízo, contrariando depoimento prestado perante a autoridade policial,
está tipificado o delito do art. 342, § 2º, do CP. Apelação da defesa,
improvida15.

DOS REQUERIMENTOS
Pelo exposto, pugna o defendente, diante da inépcia da denúncia ministerial, por todo o esposado
supra, seja declarada inepta a denúncia ministerial, devendo o juiz rejeitá-la, com fulcro no inciso
I do artigo 395 do Código de Processo Penal. Em não sendo este o entendimento de Vossa
Excelência passa-se a análise do mérito.

Espera-se, pois, no mérito, o recebimento desta Resposta à Acusação, onde, com supedâneo no
art. 397, inc. III, do Código de Ritos, pleiteia-se a ABSOLVIÇÃO SUMÁRIA do Acusado, em
face da atipicidade da conduta delitiva. Não sendo esse o entendimento, o que se diz apenas por
argumentar, reserva-se ao direito de proceder em maiores delongas suas justificativas defensivas
nas considerações finais, protestando, de logo, provar o alegado por todas as provas em direito
processual penal admitidas, valendo-se, sobretudo, dos depoimentos da testemunha infra arrolada.

Sucessivamente, é de se esperar, após a colheita das provas em destaque, o julgamento


direcionado a acolher os argumentos da defesa, findando em decisão de mérito absolutória (CPP,
art. 386, inc. III).

15
TJ-RS - ACR: 70053176020 RS. Relator: Gaspar Marques Batista. Data de Julgamento: 09/05/2013. Quarta Câmara
Criminal, Data de Publicação: Diário da Justiça do dia 15/05/2013
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Por último, tendo em vista, encontrar-se o defendente ainda recluso, e isso, somente pela acusação
lhe imputada nestes autos, espera-se que este, venha responder ao Processo em liberdade. Por este
motivo, pugna-se deste douto juízo, que venha a determinar a Revogação da Medida de Prisão
Preventiva, ínsita às fls. 49 usque 50, dos autos epigrafados, culminando na Concessão da
Liberdade Provisória, sendo incontinenti expedido o competente Contra Mandado e o Alvará de
Soltura, para defender-se solto da imputação que lhe é atribuída; desde já comprometendo-se a
comparecer a todos os atos da Justiça (como sempre o fez) que lhe for determinado. Assim
procedendo este R. Juízo, cumpre ressaltar, certamente estará aplicando a lídima Justiça.

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