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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA 504ª VARA DO

TRABALHO DA COMARCA DE CORONEL FABRICIANO/MG

PROCESSO Nº 0010321-32.2016.5.03.0097

RECLAMADA, devidamente qualificada nos autos da AÇÃO DE


RECLAMATÓRIA TRABALHISTA, que lhe move RECLAMANTE, igualmente
qualificado, por sua procuradora, CAROLINA REIS AGNELO, inscrita na
OAB/MG sob o nº 267.916, com endereço profissional na Rua Belém, 135, sala
203, Veneza I, Ipatinga/MG – CEP 35164-255, telefone (31) 98838-6643,
endereço eletrônico carolina.agnelo@gmail.com, vem respeitosamente à
presença de Vossa Excelência com fulcro no art. 847 da CLT, oferecer
CONTESTAÇÃO pelos motivos de fatos e de direito a seguir dispostos:

1. DA SINTESE DA INICIAL

Em síntese alega o reclamante ter laborado para a reclamada entre 01/03/2016


à 30/09/2017, desenvolvendo uma jornada de trabalho de 08 as 18 horas de
segunda a sexta feira com folgas aos sábados e domingos. Contando com
intervalo inter jornadas de 20 minutos para alimentação, totalizando 9 horas e
40 minutos diários ou seja 47 horas semanais com remuneração de
R$1.000,00.

Ao ser demitido sem justa causa, obteve aviso prévio indenizado e suas
parcelas rescisórias foram pagas na data de 10/10/2017, com TRCT
homologado perante o sindicato representativo.

Ao final apresenta pedido incerto e indeterminado para recebimento do valor de


R$ 3.500,00

2. DAS PRELIMINARES

2.1 DA INÉPCIA DA PETIÇÃO INICIAL

Apesar de se tratar de uma petição inicial flexível, pela existência do jus


postulandi, esta deve revestir-se de no mínimo de itens necessárias a sua
compreensão, nos termos do art. 840 § 1º da CLT, in verbis:

“Art. 840 - A reclamação poderá ser escrita ou verbal.

§ 1º Sendo escrita, a reclamação deverá conter a designação do juízo, a qualificação das


partes, a breve exposição dos fatos de que resulte o dissídio, o pedido, que deverá ser certo,
determinado e com indicação de seu valor, a data e a assinatura do reclamante ou de seu
representante. (Redação dada pela Lei nº 13.467, de 2017)”
Desta forma, considerando que a petição inicial deixou de apresentar os
cálculos discriminados de todas as verbas pleiteadas, deixou de apresentar
pedido CERTO e DETERMINADO, em claro descumprimento ao previsto no
dispositivo legal, razão pelo qual, deve ser imediatamente extinta sem
julgamento de mérito, conforme jurisprudências sobre o tema:

“INÉPCIA DA PETIÇÃO INICIAL. PEDIDO INCERTO OU INDETERMINADO - A


função da petição inicial não se reduz à mera veiculação da pretensão, visto que,
juntamente com a contestação, a exordial define os contornos da lide, determinando o
conteúdo do provimento jurisdicional. Logo, embora na Justiça do Trabalho a petição
inicial não precise observar rigorosamente os requisitos enumerados no art. 282 do CPC, a
"breve exposição dos fatos" a que se refere o art. 840, parágrafo único, da CLT não
prescinde da certeza e determinação do pedido (art. 286 do CPC). Assim, se a peça
inaugural não tem aptidão para possibilitar o pronunciamento judicial acerca daquilo que é
postulado, deve ser considerada inepta, nos termos do artigo 295, parágrafo único, do
CPC.” (TRT-3 - RO: 157109 00899-2008-139-03-00-7, Relator: Sebastiao Geraldo de
Oliveira, Segunda Turma, Data de Publicação: 11/03/2009,10/03/2009. DEJT. Página 69.
Boletim: Não.)

“INÉPCIA DA INICIAL - PEDIDO INCERTO E INDETERMINADO. A petição inicial é


peça decisiva para a solução do conflito trazido à apreciação do Juiz. É ela que, por definir
os contornos desse conflito, determina o conteúdo do provimento jurisdicional, pois na
apreciação do mérito da demanda, o juiz acolhe ou rejeita cada um dos pedidos formulados,
decisão que produzirá coisa julgada material quanto ao seu objeto. A sentença somente
pode ser proferida se permitir o perfeito conhecimento do que a parte deseja e por que o
deseja. Porque a decisão não pode ser indefinida nem condicional, o pedido deve ser certo e
determinado. Pedido certo é pedido expresso, exteriorizado, inconfundível, delimitado.
Com a exigência de determinação do pedido, espera-se que o autor seja claro, preciso, que
dê a conhecer com segurança o que pretende obter, pelo menos quanto ao gênero. Ainda
que, em princípio, admita-se a indeterminação quantitativa, o pedido deve ser suscetível de
determinação em liquidação de sentença. Não se admite pedido duvidoso, nem a mera
exposição dos fatos e fundamentos jurídicos da pretensão, na esperança de que o Juiz
extraia dali os pedidos que deveriam ter sido formulados. Se não contiver pedidos
expressos e determinados, a petição inicial padece de inépcia e a relação processual não tem
condições de prosseguir validamente.” (TRT-3 - RO: 878305 00420-2005-013-03-00-9,
Relator: Convocado Joao Bosco de Barcelos Coura, Sexta Turma, Data de Publicação:
14/07/2005,DJMG . Página 13. Boletim: Não.)

“RECURSO ORDINÁRIO INTERPOSTO PELO RECLAMANTE. INÉPCIA DO


PEDIDO DE HORAS EXTRAS. Hipótese em que o pedido atinente a horas extras não
atende os mínimos requisitos exigidos no art. 840, § 1º, da CLT. A pretensão em questão é
genérica e incerta, caracterizando-se como inepta, o que justifica o indeferimento da petição
inicial, no aspecto, à luz do art. 295, inciso I, do CPC. Recurso desprovido.” (TRT-4 - RO:
00005896220115040521 RS 0000589-62.2011.5.04.0521, Relator: BERENICE MESSIAS
CORRÊA, Data de Julgamento: 25/04/2013, 1ª Vara do Trabalho de Erechim)

Portanto, diante dos fatos acima elencados requer a declaração de INÉPCIA da


inicial e o seu julgamento sem resolução de mérito com consequência extinção.

2.2 DA IMPUGNAÇÃO AO VALOR DA CAUSA

Atribui o reclamante à causa o valor de R$ 3.500,00.

O valor atribuído à causa foi lançado de modo aleatório, não refletindo o valor
das pretensões elencadas no pedido inicial.
Diante do exposto, impugna-se o valor dado à causa, nos termos do artigo 292
e 293 do Código de Processo Civil, requerendo à Vossa Excelência, que o fixe
em consonância com o que vier a ser apurado após a fase instrutória.

3. DO MÉRITO

3.1 AUSÊNCIA DE PROVAS QUE AMPAREM O PEDIDO INICIAL

A exordial apresentada pelo Reclamante pauta-se unicamente em suas


alegações, sem quaisquer provas juntadas aos autos, não subsistindo,
portanto, provas suficientes a demonstrar a probabilidade do direito pleiteado.

Sendo assim, considerando que é dever do Reclamante, nos termos do art.


818 da CLT, 320 e 373 do CPC, instruir a inicial com os documentos
indispensáveis a propositura da ação, requer a total improcedência da ação.
Afinal, caberia ao reclamante colacionar aos autos testemunhas de suas horas
extraordinárias ou seu caderno de ponto.

3.2 DAS HORAS SUPLEMENTARES

O autor alega ter laborado para a reclamada entre 01/03/2016 à 30/09/2017,


supostamente desenvolvendo uma jornada de trabalho de 08 as 18 horas de
segunda a sexta feira com folgas aos sábados e domingos. Contando com
intervalo interjornadas de 20 minutos para alimentação, totalizando 9 horas e
40 minutos diários trabalhados ou seja 47 horas semanais com remuneração
de R$1.000,00 mensal.

Para uma jornada de trabalho de 44 horas semanais, totalizariam 220 horas


trabalhadas no mês, dividindo o sua remuneração mensal de R$1.000,00 por
220 horas, resultaria na remuneração hora de R$ 4,54.

3.2.1 DO INTERVALO INTRAJORNADA SUPRIMIDO

Com base no disposto acima, o autor alega supostamente ter gozado de


apenas 20 minutos de intervalo intrajornada, sendo que a duração do seu
trabalho diário era superior a 6 horas, portanto de acordo com o art. 71 caput e
§ 4º da CLT, seria devido o período correspondente, qual seja 40 minutos não
concedidos:

“Art. 71 - Em qualquer trabalho contínuo, cuja duração exceda de 6 (seis) horas, é


obrigatória a concessão de um intervalo para repouso ou alimentação, o qual será, no
mínimo, de 1 (uma) hora e, salvo acordo escrito ou contrato coletivo em contrário, não
poderá exceder de 2 (duas) horas.
(...)§ 4º - Quando o intervalo para repouso e alimentação, previsto neste artigo, não for
concedido pelo empregador, este ficará obrigado a remunerar o período correspondente
com um acréscimo de no mínimo 50% (cinqüenta por cento) sobre o valor da remuneração
da hora normal de trabalho. (Incluído pela Lei nº 8.923, de 27.7.1994).”
Os 40 minutos diários intrajornada supostamente suprimidos, multiplicando-se
por 20 dias úteis mensais totalizariam em 800 minutos mensais, que poderiam
também ser representados por 13,333 horas mensais.

Por serem consideradas horas extraordinárias, a remuneração hora de R$


4,54, deverá ser acrescida de 50%, resultando-se então em R$ 6,81 hora.

Entre 01/03/2016 à 30/09/2017 o autor laborou durante 18,96 meses.

Portanto, multiplicando-se 18,96 meses trabalhados por 13,33 horas mensais


suprimidas, por R$ 6,81 a remuneração hora acrescida de 50%, resultaria num
total suposto de R$ 1.721,13 de hora extra referente a intervalo intrajornada
suprimido.

3.2.2 DAS HORAS EXTRAS

Conforme colocado anteriormente, o empregado trabalhava apenas de


segunda a sexta feira, descansando aos sábados e domingos, sendo assim
sua jornada era supostamente executada de forma que estendesse sua
jornada em uma hora, após suas 8 horas trabalhadas, durante a semana, para
que seu descanso pudesse ser maior ao final dela, no regime de compensação
de horas que foi aceito de forma tácita pelo labutador.

Sendo assim, conforme art. 59-B da CLT abaixo, é devido supostamente


apenas uma hora extra semanal ao reclamante, uma vez que pago o
intervalo intrajornada já discutido acima, resta um saldo de 45 horas
trabalhadas semanalmente, sendo assim é supostamente devido apenas 1
hora extra semanal, totalizando em 4 horas extras mensais:
“Art. 59-B. O não atendimento das exigências legais para compensação de jornada,
inclusive quando estabelecida mediante acordo tácito, não implica a repetição do
pagamento das horas excedentes à jornada normal diária se não ultrapassada a duração
máxima semanal, sendo devido apenas o respectivo adicional.
Parágrafo único. A prestação de horas extras habituais não descaracteriza o acordo de
compensação”

Uma vez já calculada o número de meses trabalhados no período, nos resta


apenas multiplicar 4 horas extras mensais por 18,96 meses trabalhados por R$
6,81 a remuneração hora acrescida de 50%, resultando no total suposto de R$
516,47 de hora extra.

Somando-se o resultado de supostas horas extras referente ao intervalo


intrajornada suprimido e as horas extras obtêm-se R$ 2.237,60.

4. DOS PEDIDOS

Ante todo o exposto, a reclamada se manifesta e requer:


a) O acolhimento das preliminares arguidas com a imediata extinção do
processo sem resolução de mérito, nos termos do art. 354 e 485 do CPC
e não conceder a justiça gratuita ao obreiro por não ter respeitado os
requisitos legais;
b) Não ocorrendo o acolhimento das preliminares, o acolhimento das
razões de mérito propostas, para fins de julgar totalmente improcedente
os pedidos formulados pela Reclamante por ausência de provas.
c) A condenação do reclamante ao pagamento de sucumbência e
honorários advocatícios em seu importe máximo, com base nos art.791-
A e 790-B da CLT.
d) Não ocorrendo o acolhimento das razões de mérito propostas, a
alteração do valor da causa para que o fixe em consonância com o que
vier a ser apurado após a fase instrutória.

Nestes termos,

Pede deferimento.

Ipatinga/MG, 12 de fevereiro de 2018.

CAROLINA REIS AGNELO

OAB/MG 267.916