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2.

SEDIMENTAÇÂO E ESPESSAMENTO

Na sedimentação de uma suspensão concentrada, as partículas movem-se para baixo sob acção de gravidade
e desloca-se um volume igual de líquido.

O objectivo destas operações mecânicas é de aumentar a concentração de uma suspensão.

Quando a concentração duma suspensão é baixa, as distâncias entre partículas adjacentes são grandes em
comparação com o tamanho das partículas e podem desprezar-se os efeitos de interferência mútua. A
concentrações elevadas, as condições no interior da suspensão estão consideravelmente modificadas.

A força motriz responsável pela separação dos componentes do sistema heterogéneo a separar é a diferença
de pesos específicos desses componentes do sistema.

2.1 Sedimentação

A sedimentação compreende três métodos a seguir:


1. Decantação: Sedimentação sob acção de força de gravidade;
2. Centrifugação: sedimentação sob acção de força centrífuga que se gera pela rotação dum elemento
contendo uma suspensão;
3. Ciclone: sedimentação decorrente de força centrífuga que se cria em um aparelho imóvel.

Na Figura 2.1 mostra-se a diferença entre a decantação pela gravidade e a separação centrífuga duma
mistura de óleo, sujidade e água; o tubo da esquerda ficou em decantação durante 24 h e o da direita foi
sujeito a força centrífuga durante apenas 1 min.

2- 1
Fig. 2.1 - Resultados da Sedimentação Por Gravidade e Por Separação Centrífuga.

2.1.1 Decantação

Distinguem-se dois tipos de movimento de partículas num fluido, sob acção da força de gravidade:
a) Queda livre
b) Queda dificultada

2.1.1.1 Queda livre

Tem lugar em suspensões ou poeiras de baixa concentração em que as distâncias entre as partículas
adjacentes são grandes em comparação com os seus tamanhos e podem desprezar-se os efeitos de
interferência mútua.

Na indústria, na concentração de suspensões por sedimentação num espessador, há interacção entre as


partículas.

2- 2
Considere uma partícula sujeita à força de atrito (R), força de gravidade (G) e força de Arquimedes (A).

G
A

Fig.2.2 – partícula em queda livre

De acordo com a definição de “queda livre”, a partícula está livre da acção de forças de interacção.

Um balanço de forças (2a lei de Newton):


du
G  R  A  mP (2.1)
dt
Com: G  mP g (2.2)

A  mP g (2.3)
P
du
e - a aceleração da partícula.
dt

Onde:
mP - massa da partícula
 - densidade do fluido
 P - densidade da partícula
u - velocidade da partícula.

2- 3
Assumindo que o fluido está em movimento laminar pode-se expressar a força de atrito de acordo com a lei
de Darcy:
l u2
P  f  Lei de Darcy (2.4)
d 2
R
e pela definição de pressão: P  (2.5)
S
Onde:
S - superfície da partícula projectada no plano de queda.
l u2
R  fS  (2.6)
d 2
Considerando, para simplificação, uma partícula esférica:

S d2 (2.7)
4
d 2
R f u 2 , (válida para partículas esféricas porque l = d ) (2.8)
8
Substituindo a equação acima em (2.1)
 d 2 2 du
mP g  mP g f u  mP (2.9)
P 8 dt

P   du d 2 u 2
g f  (2.10)
P dt 8 mP
mas, u = constante

Obs: u aumenta no início da decantação (movimento acelerado). Após este período u é constante (pode-se
desprezar o período inicial por ser curto); como consequência pode-se assumir que a velocidade é
aproximadamente constante para todo o processo.
du
0 (2.11)
dt
d 3
e, mP  VP  P  P (2.12)
6
então, substituindo em (2.10):
P   3  u2
g f (2.13)
P 4 P d

2- 4
Se u  u0 , trata-se de velocidade de queda livre.

4  P   dg
u0  (2.14)
3 f
Sendo, f  g Re  ; Há que considerar os seguintes casos:

2.1.1.1.1 Regimes de decantação

A. Regime laminar

Acontece quando as partículas têm diâmetro pequeno, são leves e movem-se em meios viscosos.

Limite de laminaridade: 10-4 < Re < 2

O movimento de partículas muito pequenas é afectado pelo movimento Browniano. As moléculas do fluido
“bombardeiam” cada partícula de forma caótica e, se esta for pequena, a força resultante pode ser grande
provocando mudanças na direcção de movimento da partícula.

O limite inferior da laminaridade é afectado por este fenómeno, sendo incorrecto aplicar as leis da
hidrodinâmica.

P2

P1

Fig. 2.3a – Regime laminar Fig. 2.3b – Regime transitório

2- 5
24
No regime laminar: f  (2.15)
Re
Voltando a eq. (2.6) e considerando partículas esféricas:

24 d 2 u0
2 2
u0
R  fS   3du0 , Lei de Stokes (2.16)
2 u0d 4 2
A lei de Stokes é válida para calcular a força de atrito (R), em regime laminar. Assim, substituindo a
equação (15) em (14), tem-se:

4  P   dgu0 d
u0  (2.17)
3  24
1 P   2
u0 
2
d gu0 (2.18)
18 

1 P   2
u0  d g , Equação de Stokes (2.19)
18 

B. Regime de Transição

Verifica-se a uma velocidade de sedimentação grande devido à elevada densidade de partículas e/ou baixa
viscosidade do fluido. Cria-se uma diferença de pressão, resistência ao avanço da partícula, devido ao
deslocamento das camadas limite. Há, neste caso, duas resistências:

1. Resistência devido ao atrito;


2. Resistência ao avanço.
Limites para o regime: 2<Re<500

Não há correlação acabada que descreve este regime. Usam-se fórmulas empíricas ou semi-empíricas, como
a de Allen que dá a resistência global:
18.5
f  (2.20)
Re 0.6

2- 6
C. Regime Turbulento ou de Newton

Verifica-se a uma velocidade alta e, a resistência ao avanço prevalece a de atrito.

f  0.44

Na maior parte dos casos, no início não se conhece o regime de escoamento; por isso, para resolver
problemas de decantação usa-se o método de tentativa e erro:

1. Estima-se Re
2. Determina-se f
3. Calcula-se u
4. Verifica-se Re.

A estimativa é correcta quando o valor estimado é aproximadamente igual ao calculado.


A outra hipótese é a seguinte:

2.1.1.1.2 Método de Arrhenius

Partindo do pressuposto que u 0 é conhecido:

4  P   dg
u0  (2.21)
3 f

 Re
e como uo  (2.22)
d

Igualando as expressões e elevando ambos membros a 2:

 2 Re2 4  P   d
 g (2.23)
d 2 2 3  f

2- 7
4 d 3 2 P  
f Re2  g (2.24)
3 2 
4
Ou f Re 2  Ar (2.25)
3
d 3 2 P  
Com, Ar  g , número de Arrhenius (2.26)
 2

Analisam-se de novo os regimes de escoamento:

A. Regime Laminar
24
Recrítico = 2 e f 
Re
24 2 4
Da equação (2.25): Re  Ar (2.27)
Re 3
Ar
Donde, Re  (2.28)
18

Para Recrítico1 = 2 então: Arcrítico1 = 36

No regime laminar o número de Arrhenius é menor que 36


Ar  36 (2.29)

B. Regime de Transição

18.5
f  (2.30)
Re 0.6
Recrítico = 500
Substituindo em (2.25):

18.5 2 4
Re  Ar (2.31)
Re0.6 3
4 Ar
Re1.4  (2.32)
3 18.5

2- 8
Re  0.153Ar0.715 (2.33)
Para Recrítico2 = 500, então: Arcrítico2 = 83000

No regime de transição o número de Arrhenius situa-se entre 36 e 83000.


36Ar  83000 (2.34)

C. Regime Turbulento
f  0.44

Da equação (2.25), vem Re  1.74 Ar (2.35)

Por outro lado, se Ar > Arcrítico2 , está-se perante o regime turbulento; então:
Ar
Re  (2.36)
18  0.575 Ar

Assim, pode-se a partir do número de Arrhenius, calcular-se o número de Reynolds (Re), depois o factor de
fricção ( f ) e a velocidade de sedimentação ( u 0 ).

O número de Arrhenius depende das propriedades físicas das partículas. Portanto, não é necessário arbitrar
valores.

Para casos em que se conhece a velocidade de sedimentação, e se pretende calcular o diâmetro da partícula,
as fórmulas anteriores resultam inadequadas. Pode-se recorrer ao método de Lhanchenko.

2.1.1.1.3 Método de Lhanchenko

Este método é essencialmente gráfico, por isso aconselha-se um uso muito cuidadoso na leitura dos valores.
Re 3
O número de Lhanchenko (Ly) é dado por: Ly  (2.37)
Ar
 Re
Substituindo em (2.26) e na expressão u o  anterior, tem-se:
d

2- 9
uo d 3  3 2 
3
Ly  (2.38)
 3d 3  2 g   P   

uo  2
3
Ly  (2.39)
  P   g
Isto é, Ly = f(Ar,  ), vide o Gráfico 2.1.

Para determinar o diâmetro da partícula pelo método de Lhanchenko:

1. Toma-se u 0
2. Determina-se Ly
3. Pelo gráfico determina-se Ar
4. Determina-se o diâmetro da partícula pela expressão de Ar

Ar 2
d 3 (2.40)
g  P   

2 - 10
Gráf. 2.1 - Critério de Lhanchenko em função de Ar e a porosidade do leito
Pelo processo inverso pode determinar-se a velocidade de sedimentação, conhecido o diâmetro da partícula:

1. Calcula-se Ar;
2. Com Ar, determina-se Ly pelo gráfico;
3. De Ly obtém-se u 0 :

 P   
u o  3 Lyg (2.41)
2

2 - 11
2.1.1.1.4 Correcção da velocidade de partículas diferentes das esferas

As expressões anteriores foram deduzidas para partículas esféricas. Introduz-se um factor de forma,  , para
partículas com outras formas. Este factor é a relação entre a forma esférica e a não esférica (real):

Aesf
 (2.42)
Ap

AP – Área da partícula

d eq3
Para, VP  Vesf  (2.43)
6

6VP
d eq  3 (2.44)

A velocidade de queda de partículas não esféricas (reais) deve ser corrigida para:
     
u0 real    3 Lyg P 2  (2.45)
  
Assim, u0 real  uo (2.46)

Tabela. 2.1 - Valores Característicos de 


Tipo de partículas Valor de 
Alongadas 0.58
Laminosas 0.43
Angulosas 0.66
Redondas 0.77

Visto que  < 1, a velocidade de sedimentação de uma partícula real é menor que a de uma partícula com a
forma esférica de igual volume e densidade.

2 - 12
2.1.1.2 Queda dificultada

As condições no interior da suspensão estão modificadas; a velocidade ascendente do fluido deslocado pelas
partículas em queda é muito maior e o padrão do fluxo está alterado.

À concentrações de suspensões elevadas, as condições no interior delas são diferentes das que prevalecem
no regime de queda livre; a velocidade ascendente do fluido deslocado pelas partículas é maior e o padrão
de fluxo altera-se; trata-se de queda dificultada. Ocorre frequentemente na indústria.

A espessura da camada limite é comparável à distância entre partículas adjacentes.

A queda dificultada ocorre para concentrações superiores a 2 – 5%.

As partículas pequenas são aceleradas pelas grandes e vice-versa (quantidade de movimento transfere-se).

As partículas pequenas retardam o movimento das grandes. Como consequência, há um nivelamento de


velocidade o que implica uma velocidade de sedimentação igual para todas as partículas e menor que na
queda livre.

É preciso considerar o movimento do líquido que acompanha as partículas.

Assim, há dois tipos de velocidade:


1. Velocidade absoluta em relação às paredes do vaso;
2. Velocidade relativa em relação ao líquido.

2.1.1.2.1 Equação de Robinson

Robinson (1926) sugeriu a modificação da lei de Stokes e usa a massa específica e a viscosidade da
suspensão, em vez das propriedades do fluido. Deste modo a velocidade de sedimentação será:
k ''d 2  s  c 
uc  g (2.47)
c

2 - 13
Onde:
 s – Densidade dos sólidos
 c – Densidade da suspensão
 c – Viscosidade de suspensão
k  – Constante.

A força efectiva de impulsão calcula-se:


 s   c   s   s 1          s    (2.48)

em que:  é porosidade da suspensão.

A viscosidade de suspensão pode ser determinada pela fórmula de Einstein:


 c   1  k '' C  (2.49)
Em que,
k  – Constante para uma dada forma de partículas ( 52 para esféricas)
C – Concentração volumétrica de partículas
 - Viscosidade do fluido.

A fórmula de Einstein é válida para valores de C até 0.02. Para soluções mais concentradas, Vand propôs a
equação:

k ' 'C

c   e 1 q.C
(2.50)

Em que, q – é a segunda constante igual a 39


64
para esferas.

2.1.1.2.2 Equação de Steinour

Steinour (1949) adoptou um tratamento semelhante ao de Robinson, usando a viscosidade do fluido, a


massa específica da suspensão e uma função de porosidade para ter em conta o feitio dos espaços para o
fluxo e obteve uma expressão para a velocidade da partícula em relação ao fluido, u P .

2 - 14
d 2  s  c g
up  f   (2.51)
18 

A velocidade ascendente do fluido:


1 
uc  (2.52)

1  uc
Pelo que, u p  uc  uc  (2.53)
 
Experimentalmente, Steinour obteve: f    10 1.821  (2.54)

Substituindo (2.54) em (2.51), a partir de (2.48) e (2.53):

 2d 2  s   g 1.821 
uc  10 (2.55)
18 

2.1.1.2.3 Equação de Hawansley

Hawansley (1950) usou também um método semelhante ao dos autores anteriores e obteve:
uc d 2  s   c g
up   (2.56)
 18  c
Em cada um dos casos (Robinson, Steinour e Hawansley) supõe-se, e correctamente, que o impulso para
cima que actua sobre as partículas é determinado pela massa específica da suspensão e não pela do fluido.

O uso de uma viscosidade efectiva só é válida para uma grande partícula a sedimentar numa suspensão fina.
Para a sedimentação de partículas uniformes, o maior atrito é atribuível aos gradientes de velocidade, e não
tanto a uma mudança de viscosidade.
A velocidade de sedimentação de uma suspensão fina é difícil de predizer devido ao grande número de
factores em jogo.

A presença de um soluto ionizado no líquido e a natureza de superfície das partículas afectará o grau de
floculação e, consequentemente, a dimensão média e a massa específica dos flocos.

2 - 15
Um outro factor que afecta a velocidade de sedimentação é o grau de agitação da suspensão. Uma agitação
suave pode causar uma sedimentação mais rápida se a suspensão se comportar como um fluido não
Newtoniano, no qual a viscosidade aparente é função da velocidade de corte.

2.1.2 Sedimentação de Misturas de Dois Componentes

Estudando suspensões contendo dois componentes sólidos diferentes, é possível compreender melhor o
processo de sedimentação de misturas complexas.

Meikle investigou as características de sedimentação de suspensões de pequenas bolas de vidro e partículas


de poliestireno numa mistura de etanol e água com 22 % em peso. A velocidade de queda livre e o efeito da
concentração sobre a velocidade de sedimentação eram idênticos para cada um dos dois sólidos sozinhos no
líquido.

As características dos componentes eram as que se indicam na Tabela 2.2.

Tabela 2.2 - Características de Sólidos e Líquidos na Sedimentação de Misturas de Dois Componentes


Bolas de vidro Poliestireno Etanol (22 %) em água
Massa específica (g/cm ) 3  B = 1.921  P =1.0454  = 0.969
Dimensão das partículas (cm) 7.11  10-3 38.7  10-3 -
Viscosidade (cP) - - 1.741
Velocidade de queda livre ( u 0 ) (cm/s) 0.324 0.324 -

Estudou-se, então, a sedimentação de misturas contendo volumes iguais dos dois sólidos e verificou-se que
tendia a dar-se segregação dos dois componentes, aumentando o grau de segregação com a concentração.

A velocidade de sedimentação duma dada partícula na suspensão é diferente da sua velocidade de queda
livre, primeiro, porque a força de impulsão flutuante é maior e, segundo, porque o padrão de fluxo é
diferente.

2 - 16
Para uma suspensão com granulometria uniforme de qualquer dos dois constituintes da mistura, o efeito de
padrão de fluxo conforme determinado pela concentração é o mesmo, mas os pesos aparentes das duas
espécies de partículas são alterados em proporções diferentes.

A velocidade de sedimentação duma partícula de poliestireno ou duma bola de vidro na mistura ( u PM ou


u BM ) pode escrever-se em função da sua velocidade de queda livre ( uPO ou uBO ) do seguinte modo:

 P  C
u PM  u PO f   (2.57)
P  
 B  C
u BM  u BO f   (2.58)
B  
Aqui, f (  ) representa os outros efeitos da concentração, que não os que estão associados com uma
alteração na impulsão flutuante devida ao facto de a suspensão ter uma massa específica superior à do
líquido. Numa suspensão uniforme, a massa específica da suspensão é dada por:
1 
 C     B   P  (2.59)
2

Introduzindo os valores numéricos das massas específicas nas equações 2.57, 2.58 e 2.59, obtém-se:
uPM  uPO 13 .35  12 .33  f   (2.60)

u BM  u BO 0.481  0.520   f   (2.61)

Reparando que uPO e uBO são iguais, vê-se que a velocidade de queda de poliestireno se torna
progressivamente menor que a das bolas de vidro à medida que a concentração aumenta.

  0.924  uPM  0  Partículas de poliestireno permanecem suspensas na suspensão enquanto as bolas


de vidro caem.
 < 0.923  Partículas de poliestireno sobem.
 = 0.854  partículas de poliestireno elevam a velocidade de sedimentação das bolas de vidro  não há
deslocamento efectivo do líquido.

2 - 17
Experimentalmente verifica-se que o movimento ascendente de partículas de poliestireno não se observa a
concentrações inferiores a 8 % (   0.92).

Com base nestas constatações, a tendência para se dar segregação numa mistura com dois componentes,
torna-se progressivamente maior à medida que aumenta a concentração da suspensão.

2.1.3 O Espessador

O espessador é a instalação industrial em que se aumenta a concentração duma suspensão por


sedimentação, com formação de um líquido límpido.

Na maior parte dos casos a concentração da suspensão é elevada e dá-se a “queda dificultada”.

Pode funcionar como uma unidade descontínua ou contínua. Consiste em tanques relativamente pouco
profundos, dos quais se retira o líquido límpido pelo topo e o licor espessado pelo fundo.

A velocidade de sedimentação deve ser tão alta quanto possível, para se obter a máxima capacidade de
produção do espessador. Pode aumentar-se artificialmente a velocidade pela adição de pequenas
quantidades dum electrólito que provoca a precipitação de partículas coloidais e formação de flocos.
Aquecendo-se a suspensão, diminui a viscosidade do líquido; além disto, o espessador incorpora um
agitador lento que provoca a diminuição da viscosidade aparente da suspensão e ajuda também na
consolidação do sedimento.

2.1.3.1 Espessador Descontínuo

O espessador descontínuo consiste, em geral de um reservatório cilíndrico com um fundo cónico. Depois de a
sedimentação ter tido lugar durante um tempo adequado, retira-se o licor espessado pelo fundo e o líquido
límpido através dum tubo de saída ajustável, pela parte superior do tanque. As condições que reinam no
espessador descontínuo são semelhantes as que reinam num tubo de ensaio laboratorial (Fig. 2.4).

2 - 18
Fig. 2.4 - Sedimentação de Suspensões Concentradas.
(a) Sedimentação do tipo 1, (b) Sedimentação do tipo 2.

A suspensão concentrada pode sedimentar de duas maneiras diferentes. Na primeira, após um período breve de
aceleração inicial, a interface entre o líquido límpido e a suspensão desloca-se para baixo a uma velocidade
constante e cresce uma camada de sedimento no fundo do recipiente. Quando esta interface se aproxima da
camada de sedimento, a sua velocidade de descida diminui até alcançar o “ponto crítico de sedimentação” em
que se forma uma interface directa entre o sedimento e o líquido límpido. A sedimentação subsequente resulta
então apenas duma consolidação do sedimento com o líquido a ser forçado para cima em redor dos sólidos que
nessa altura estão a formar um leito com as partículas em contacto umas com as outras.

Na Fig 2.4a representa-se uma fase no processo de sedimentação. A é líquido, B é suspensão com a
concentração inicial, C é uma camada através da qual a concentração aumenta gradualmente e D é o sedimento.
A velocidade de sedimentação permanece constante até que a interface superior coincide com o topo da zona C
e diminui em seguida até se alcançar o ponto crítico de sedimentação, altura em que as zonas B e C
desapareceram ambas.

2 - 19
Obtêm-se um segundo e bastante menos vulgar modo de sedimentação (Fig. 2.4b) quando a gama de tamanho
de partículas é muito larga. A velocidade de sedimentação diminui progressivamente durante toda a operação,
porque não há zona de composição constante e a zona estende-se desde a interface até ao cimo da camada de
sedimento.

2.1.3.1.1 Principais Parâmetros de um Espessador Descontínuo

Há dois parâmetros a considerar: a área do espessador e a velocidade crítica.

A) A área do espessador como parâmetro de projecto


Vl
A (2.62)
ud

Gl
onde: Vl  , volume do líquido no tempo t (2.63)
l
u d – velocidade de queda das partículas

G1 – massa do líquido no tempo t


GS  Gl  Gsed (2.64)

Em que:
Gs – massa da suspensão no tempo t
Gsed – massa dos sólidos (sedimento) no tempo t

Gs Espessador Gl

Gsed

Balanço mássico de um componente:


Gs ws  Gl wl  Gsed wsed (2.65)

w s – fracção mássica de sólidos na suspensão.


w 1 – fracção mássica de sólidos no líquido.
w sed – fracção mássica de sólidos no licor espessado (sedimento)

2 - 20
Resolvendo simultaneamente 2.64 e 2.65

wsed  ws
Gl  Gs (2.66)
wsed  wl
Voltando a equação 2.62 tem-se:
GS wsed  ws
A , área do espessador. (2.67)
ud  l wsed  wl

A expressão (2.67) considera que a sedimentação ocorre regularmente e não considera regiões mortas dentro
do espessador. Assim deve-se corrigir a área do espessador, por um factor de correcção de segurança.
Acorrigida  A , onde  > 1 (2.68)

Em geral: Acorrigida  1.35 A (2.69)

Esta área de sedimentação é importante porque quanto maior for, menor será a velocidade de sedimentação
de partículas.

B) Velocidade Crítica Como Parâmetro de Projecto

Esta velocidade corresponde a parte do tempo crítico onde se inicia o espessamento.

Gráfico. 2.2 - Variação da Altura de Sedimentação Com o Tempo

2 - 21
Do Gráfico 2.2 vê-se que a altura da suspensão geralmente não afecta a velocidade de sedimentação, nem a
consistência do sedimento final obtido. O quociente OA : OA é por toda parte constante. Portanto se se obtiver
a curva para uma altura inicial qualquer, podem traçar-se as curvas para qualquer outra altura.

Os pontos A e A representam os tais pontos críticos.


ucr  ucrl (2.70)
des
V
u  l
l
cr (2.71)
A
onde: Vl des – volume do líquido deslocado no tempo t

ucrl – velocidade crítica do líquido

Balanço mássico:

1  wcr  ml 
  (2.72)
wcr  msed 
Em termos de sedimento, poder-se-á proceder da mesma forma.

1  wsed  ml 
  (2.73)
wsed  msed 
A diferença entre as duas massas dá o volume do líquido deslocado.

1  wcr 1  wsed  ml 
des
   (2.74)
wcr wsed  msed 
m 
e como, Gs ws   sed  (2.75)
 S 
onde, S – massa do sólido por unidade de tempo
1  wcr 1  wsed 
   Vl
des
Gs ws  (2.76)
 wcr wsed 

Assim, voltando as equações das áreas de espessador:

Gs ws 1  wcr 1  wsed 
A    (2.77)
ucr  wcr wsed 

NB: Os valores de A calculados pelos dois métodos poderão ser diferentes porque num caso usa-se u e noutro
ucr.

2 - 22
2.1.3.2 Espessador Contínuo

2.1.3.2.1 O Espessador Dorr

Consiste num tanque de forma baixa e de diâmetro grande, com um fundo liso, segundo ilustra a Figura 2.5.
Introduz-se o licor no centro, a uma profundidade de 0.31 m a 0.92 m abaixo da superfície do líquido, com o
mínimo de perturbação possível.

O licor espessado é continuamente retirado através de uma saída no fundo e todos os sólidos que se depositam
no fundo do tanque (Fig. 2.5) são arrastados para a saída mediante um mecanismo com raspadores que rodam
lentamente.

Fig. 2.5 - Espessador Dorr – Tabuleiro Único.

O funcionamento satisfatório do espessador como um clarificador depende da existência duma zona com o
conteúdo do sólido desprezável na parte superior.

2 - 23
O espessador tem uma função dupla:
1. Produzir um líquido clarificado
2. Produzir um determinado grau de espessamento de suspensão.

Fig. 2.6 - Fluxo em Espessador Contínuo

Para um ritmo de produção, a capacidade de clarificação é determinada pelo diâmetro do tanque.

Seja:
X1 – fracção mássica do líquido para o sólido num ponto qualquer do espessador;
X2 – fracção mássica do líquido para o sólido, na corrente inferior (saída), então:
X1 – X2 = caudal mássico ascendente do líquido, por unidade de caudal de alimentação.

Seja ainda:
Gsol – caudal mássico da alimentação de sólidos.

Assim, a velocidade do líquido ascendente será:

ul , a 
Gsol
X1  X 2  (2. 78)
A

2 - 24
Onde:
 - massa específica do líquido
ul , a deve ser menor que a velocidade de queda dificultada, u c .

Para um bom funcionamento do espessador, a área do espessador deve ser calculada a partir de uma expressão
que inclua a velocidade de queda dificultada, u c .

A
Gsol
X1  X 2  (2.79)
uc 
Os valores de A devem ser calculados para toda gama de concentrações presentes no espessador e o projecto
deve basear-se na maioria de valores assim obtidos.

2.2 Centrifugação

A centrifugação consiste de um recipiente no qual roda a alta velocidade uma mistura de sólido e líquido ou
uma mistura de dois líquidos de modo a que os componentes da mistura sejam separados pela acção da força
centrífuga. A base de funcionamento é, pois, a mesma que a da decantação (espessador) com diferença na força
motriz.

A centrifugação pode ser de decantação ou de filtração consoante tenha ou não perfuração na represa. Na
Figura 2.7 estão representados um simples processo de decantação por gravidade (A) e uma separação
centrífuga de partículas sólidas de um líquido (B).

No primeiro caso, as partículas decantam verticalmente para baixo e, no segundo, deslocam-se radialmente em
relação ao líquido. Quando a sedimentação está completa, de modo que as partículas estejam apoiadas no fundo
do recipiente, a pressão hidrostática é atribuível à profundidade total do líquido  , se se supuser que há
passagem para o líquido duma extremidade à outra por entre as partículas. O peso das partículas não tem
qualquer efeito na pressão, porque estão apoiadas independentemente do líquido. De igual modo, a força
centrífuga devida ao fluido é independente devido a presença da camada de partículas sobre as paredes do vaso.
A separação centrífuga é mais rápida que por gravidade (decantação).

2 - 25
Fig. 2.7 - Princípio de sedimentação por gravidade (A) e da separação centrífuga (B).

Se uma partícula com massa m , estiver a rodar num raio r , com velocidade angular  , ficará sujeita a uma
força centrífuga mr 2 . Assim, para a partícula, tem-se:

G = mg (Força de gravidade na direcção vertical) (2.80)


C = acm (Força centrífuga na direcção radial) (2.81)
u2
= r
2
ac = (2.82)
r
u = r (2.83)
C =  2 rm (2.84)

2 - 26
Onde:
C – força centrífuga;
m – massa da partícula
 - velocidade angular
r - raio de rotação da partícula

C  2r
O quociente entre a força centrífuga e a gravitacional = designa-se por factor de separação e representa
G g
o aumento da eficiência de separação numa centrífuga, em comparação com o campo gravitacional. Podem-se,
assim, não só separar mais rapidamente as suspensões, assim como se obtém um líquido mais límpido por
centrifugação do que por decantação; pois, por esta não se consegue separar partículas pequenas devido ao
movimento browniano que as governa e que pode ser anulado pelas forças centrífugas na centrifugação.

2.2.1 Equação Básica de Hidrostática

Sobre um elemento de fluido, actuam as seguintes forças:

dG = gdm (2.85)
dC = acdm (2.86)
dI = aidm (2.87)

x (dGx + dCx + dIx) = dmx (gx + acx + aix) = Xdm (2.88)


y (dGy + dCy + dIy) = Ydm (2.89)
z (dGz +dCz + dlz) = Zdm (2.90)

Px = px dydz (2.91)
Px + dx = (Px + p/x dx) dydz (2.92)

Condições de equilíbrio: Pxdydz - (Px + p/x dx) dydz + Xdm = 0 (2.93)


-p/x dxdydz + Xdx dydz  = 0 (2.94)

2 - 27
p
X  (2.95)
x
p
Y  (2.96)
y
p
Z  (2.97)
z
Multiplicando ambos membros de (2.95), (2.96), (2.97), por dx, dy, e dz respectivamente e somando, tem-se:

p p p
Xdx  Ydy  Zdz  dx  dy  dz (2.98)
x y z
  Xdx  Ydy  Zdz   dp (2.99)

2.2.1.1 Forma da Superfície Livre Numa Centrífuga


Para p = const. Xdx  Ydy  Zdz  0 (2.100)
Estando o vaso em rotação e r, o raio de rotação, a aceleração centrípeta será dada por:
ac =  2 r (2.101)
X = acCos =  2rCos =  2 x (2.102)
Y = acSen =  2 rsen  =  2 y (2.103)
Z=-g (2.104)

Atende-se que a aceleração centrífuga tem direcção radial. Fazendo substituição em (2.99) tem-se:
 2 x dx +  2 ydy - gdz = 0 (2.105)

 2x2  2 y2
Integrando, vem + - gz + C = 0 (2.106)
2 2
x2  y2  r 2 (2.107)

2
z= r2 +C (2.108)
2g

Assim conclui-se que a superfície livre numa centrífuga é uma parabolóide com foco em p.

2 - 28
Condição limite:
r  0; z0 ( z 0 - profundidade do líquido no centro do cesto)

z0  0  profundidade real

z 0  0  não há líquido no centro do cesto e a superfície do líquido, se mantivesse o mesmo andamento, estaria

à profundidade z 0 abaixo do fundo do cesto para r  0 .

Portanto, a equação duma secção da superfície do plano passando pelo eixo de rotação, é:
2
z= r 2 + zo (2.109)
2g

Dada a dificuldade de conhecer zo , é conveniente exprimi-lo noutros parâmetros:


R²h = R²z0 + ½R²(H-z0) (2.110)
2h = 2z0 + H – z0 (2.111)
2h = z0 + H (2.112)
z0 = 2h - H (2.113)
2
Das equações acima segue-se que: H= R 2 + 2h - H (2.114)
2g

 2R2
H= +h (2.115)
4g

Tem-se assim a velocidade máxima de elevação do líquido na centrífuga que corresponde a velocidade angular
máxima permissível.
n
Se n = nº de rotações/min, = (2.116)
30

2 - 29
2.2.1.2 Pressão do Fluido Sobre as Paredes

Centrífuga Horizontal

dC = acdm (2.117)
dm = dV = 2RHdR (2.118)

dC =  2 R 2RHdR (2.119)

dC  2 R 2RH
A pressão originada por dC é dp = = dR (2.120)
A 2RH
dp =  2 RdR (2.121)

 P1 dp =    R1 RdR
P2 2 R2
Integrando entre P1, P2; R1 e R2 vem (2.122)

2
P = 
2 2
(R2 - R1 ) (2.123)
2
Se nos interessar a pressão positiva, isto é, a pressão exercida sobre as paredes da
2
centrífuga, Pc =  ( R 2 2 - R12 ) (2.124)
2
Daqui deduz-se que P é máxima quando R1 = 0, isto é, se a centrífuga estiver cheia.
2
P m ax = 
2
R2 (2.125)
2
No caso em que há uma mistura líquido e sólido:
2
[  1 ( R 2 2 - Rin ) +  2 (Rin - R12 )]
2 2
Pc = (2.126)
2
onde: Rin – é o raio da interface entre líquido e sólido.
Sob a hipótese de distribuição uniforme de pressão.

Centrífuga Vertical
Da equação básica da hidrostática
dp  Xdx  Ydy  Zdz (2.127)

2 - 30
dp   2 xdx   2 ydy  gdz (2.128)

 2  2
p   gz  C (2.129)
2x2 2 y2

 2
p  gz  C (2.130)
2r 2

Quando:
p  p0 ; r  r0 ; zH

C = Po -  2 /2 r o 2 + gH (2.131)
1 1 1
Substituindo: p  p0   2 ( 2  2 )  g ( H  z ) (2.132)
2 r r0
Esta é a fórmula da distribuição das pressões no interior do líquido e dela conclui-se que a pressão é composta
por duas partes:
I- Parcela de pressão causada pela força centrífuga
II- Influência da pressão hidrostática do líquido

Na centrífuga horizontal não temos que considerar a parte II. Na prática mesmo na vertical despreza-se esta
parte por ser insignificante comparada com a I.

2.2.2 Separação de Partículas Numa Centrífuga

Sedimentação numa centrífuga

Numa centrífuga, a área de sedimentação varia, pois ela é A = 2rH e r varia.

Balanço das forças:


do
C - A - R= mp (2.133)
dt
 o : Velocidade de sedimentação na centrífuga
Ora: C = mpac = mp  2 r (força centrífuga) (2.134)

2 - 31
 2
A  mp  r (força de Arquimedes) (2.135)
p

  o2
R = fS (força de atrito), (2.136)
2
onde:  – factor de fricção e S - área de projecção da partícula.
Pela lei de Stokes: R = 3 d P  o (2.137)
Assim:
 2 d
mP 2 r  mP  r  3 d P 0  mP 0 (2.138)
P dt

 2 3 d P 0 d 0
 2r   r  (2.139)
P mP dt

 d3
Ora: mp =  p , válida para partículas esféricas. (2.140)
6
dr d  o d 2r
Relação entre  o e r : o = e = 2 (2.141)
dt dt dt

 p -  2 3d6  dr d 2 r
Então:  r- = (2.142)
p  d 3  p dt dt 2
Admite-se que a velocidade radial é constante, daí:
d 2r (2.143)
=0
dt 2

logo:
P   2 18  dr
 r 2 (2.144)
P d  P dt

18  dr
dt  (2.145)
d   P    r
2 2

Assim, o tempo t durante o qual uma partícula sai de R1 a R2, numa direcção radial e com limites:
t = 0  r = R1
t = t  r = R2

2 - 32
18  R 
é: t= ln  2  (2.146)
d (  p -  )
2 2
 R1 
Este é o tempo de depósito das partículas de diâmetro d; equação válida no regime laminar.

No regime turbulento f = 0.44


d o
Então: C - A - R = mp (2.147)
dt
 2  2
 r - fS  o = m p  o
d
m p r - m p
2
(2.148)
p 2 dt

p-  2 d 2  6  o 2 d  o
 r- f = (2.149)
p 4 d 3  p 2 dt

p-  3  dr 2 d 2 r
 2 r - 0.44 ( ) = 2 (2.150)
p 4 d  p dt dt

 p -  2 1  dr 2
 r- ( ) =0 (2.151)
p 3 d  p dt

t  0  r  R1
Integrando a expressão entre: 
t  t  r  R2
dr t
 R1 =  o A dt
R2
1
(2.152)
2
r


2 R2  R1  At  (2.153)

t = 2B( R2 - R1 ) (2.154)

onde: A 
 P   3d 2 (2.155)


B = 1/A = (2.156)
(  p -  ) 2 3d

2 - 33
2.2.3 Produtividade de Uma Centrífuga
Suspensão sob forma de um filme fino de espessura h nas paredes dum cesto de raio Rc .

Seja:

V , [m3/ s] - o caudal que passa através da centrífuga.


V  - volume da suspensão retida na centrífuga.
V
 t : tempo de permanência da suspensão na centrífuga ou tempo de sedimentação.
V

Se o caudal estiver regulado de forma que uma partícula de diâmetro d é retirada à justa, quando tem de
percorrer a distância máxima h antes de chegar à parede:
d 2  P   Rc 2 V 
h (2.157)
18 V

isto è:
d 2  P   Rc 2V 
V  (2.158)
18h

d 2  P   g Rc 2V 
V  (2.159)
18 gh

V  u0  (2.160)

 depende só dos parâmetros da construção e do funcionamento da centrífuga [m²]; representa a área de um


espessador no qual as partículas se depositam com velocidade u 0 . Pode servir de parâmetro de comparação

entre máquinas de vários tipos. Quanto maior for  , mais eficiente é a centrífuga.

Rc 2V 
 (2.161)
gh
Se a espessura da camada de líquido na parede do cesto é da mesma ordem de grandeza que o raio, tem de usar-
se o tempo de sedimentação dado por (2.146). Portanto,
V 18  R
 2 2 ln c (2.162)
V d    S    r

2 - 34
isto é,
d 2   S   g  2V 
V  (2.163)
18 R
g ln c
r
então:
 2V 
 (2.164)
R
g ln c
r
Pode fazer-se análise semelhante para diferentes formas geométricas do vaso da centrífuga. Exemplo,  para
máquina em disco muito maior que para vaso cilíndrico do mesmo tamanho.

2.2.4 Filtração Numa Centrífuga

A força motriz para filtração numa centrífuga é a queda de pressão necessária para vencer todas as resistências
do processo. Esta força tem de vencer o atrito causado pelo fluxo do líquido através do bolo de filtração do
pano e da rede de apoio e perfurações. A resistência do bolo de filtração aumentará à medida que se depositam
sólidos, mas as outras resistências permanecerão praticamente constantes durante todo o processo. Considera-se
uma filtração num cesto de raio b e suponha-se que se introduz a suspensão com um caudal tal que o raio
interior da superfície do líquido permanece constante (Fig. 2.8)

Decorrido um tempo t após o começo da filtração, ter-se-á formado um bolo de filtração de espessura l e o raio
da interface entre o bolo e a suspensão será b .

Fig.2.8 - Filtração Numa Centrífuga

2 - 35
2.2.5 Velocidade do Processo

De acordo com a equação do processo,


1 dP
u (2.165)
r dl
Onde:
r - resistência específica do bolo
 - viscosidade do filtrado

Ou, para filtração numa centrífuga:


1 dP
0  (2.166)
r dR

V
Mas,  0  (2.167)
A
A área de sedimentação varia com o raio, R . Das equações anteriores resulta:
1 dP V V
  (2.168)
r dR A 2RHc

Portanto:
rV dR
dP  (2.169)
2H c R

Integrando entre os limites:


R  R1 (superfície do líquido)  P  P1
R  R2 (Interface bolo/suspensão)  P  P2

rV R2
P  ln (2.170)
2H c R1

2 - 36
Por outro lado, de (2.124) tem-se:
 2
P 
2
R
2
2  R12  (2.171)

então:
2 rV R2

2
R 2
2  R12  ln
2H c R1
(2.172)

Logo,
H c  2 R22  R12
V  (2.173)
r R
ln 2
R1

2.2.6 Projecto Mecânico da Centrifugação

Vamos considerar dois aspectos:

1. A espessura necessária do cesto para que ele suporte as tensões que se estabelecem durante as condições
de funcionamento mais desfavoráveis.

2. O efeito da carga desequilibrada no cesto e a deflexão do eixo de accionamento à várias velocidades de


rotação.

A força centrífuga que actua sobre as paredes do cesto é atribuível:

(a) Ao nível do material que forma o cesto.


(b) Aos sólidos depositados sobre as paredes.
(c) Ao líquido no cesto.

A carga será máxima no fundo do cesto se o eixo de rotação for vertical e decrescerá ligeiramente para cima. A
pressão centrífuga devida a um sólido e um líquido já foi calculada e será representada por P.

2 - 37
Num cesto de raio Rc , e espessura , a pressão resultante da rotação do cesto vazio é:

Cc
Pc  (2.174)
A
Cc  mc ac (2.175)

mc  2Rc H c m (2.176)

Com  m - densidade do material do cesto.

Cc 2 R c H c  m 2
PC = =  Rc =   m Rc  2 (2.177)
2R c H c 2R c H c

A pressão centrífuga total é, portanto:

Pt = P+Pc = P+   m Rc 2 (2.178)

A carga total sobre um elemento da periferia de comprimento Rc d e profundidade dy é:

F= Rcd  dy (P +  m Rc 2 ) (2.179)

Esta carga tem que ser equilibrada pelo componente radial da tensão no material

Se dT for a força da tensão que actua no elemento, então:

1
Componente radial = 2dTsen( d) = dTd  (2.180)
2

E portanto: dTd  = Rcd  dy (P +  m Rc 2 ) (2.181)

A tensão nas paredes f é dada por:


1 dt Rc
f = = (P +  m Rc 2 ) (2.182)
 dy 
Esta tensão não deve exceder a tensão limite de segurança do material.

2 - 38
2.2.7 Velocidade Crítica

Se a carga do cesto de uma centrífuga está desequilibrada, o eixo de rotação pode não passar pelo centro de
gravidade e a força resultante será exercida sobre o eixo numa direcção radial. Suponha-se que o centro de
gravidade está a uma distância x do centro de rotação quando o cesto está parado e que o eixo deflecte de uma
distância y quando o cesto roda com uma velocidade angular  . Supõe-se ainda que seja M a massa do cesto e
seu conteúdo e que a força de restituição é aproximadamente proporcional a deflexão e igual a Ky ,

Por balanço de forças tem-se:


M 2 x  M 2 y  Ky (2.183)


M 2 x  y K  M 2  (2.184)

M 2 x
y (2.185)
K  M 2
x
y (2.186)
K
1
M 2

K
Daqui vê-se que a deflexão y aumenta à medida que a velocidade de rotação aumenta até ao valor  = .
M
Neste valor a deflexão tende para o infinito. Esta velocidade chama-se velocidade crítica da centrífuga. Seria de
esperar que a esta velocidade a máquina se desintegrasse. Na realidade tal não acontece, embora a deflexão
tenda a tornar-se grande pois k não se mantém constante para grandes deslocamentos. De qualquer modo é
preciso aumentar rapidamente a velocidade próxima do ponto crítico pois inversamente desintegra-se. A
velocidades superiores à velocidade crítica a deflexão do eixo torna-se negativa isto é, no sentido contrário a
sua excentricidade inicial.

À velocidades muito grandes a deflexão torna-se igual e oposta à excentricidade inicial e o cesto tende a rodar
em torno do seu centro de gravidade.

2 - 39
2.2.8 Tipos de Centrífugas

Criou-se uma larga gama de tipos de centrífugas para uso nas indústrias químicas e associadas, para separar
líquidos e para remover sólidos em suspensão, quer por sedimentação centrífuga, quer por filtração.

Os principais aperfeiçoamentos nos últimos anos têm sido dirigidos no sentido da introdução de centrífugas
contínuas, que têm capacidades globais superiores às das máquinas em funcionamento descontínuo.

2.2.8.1 Centrífugas de Vaso Simples

A maior parte das pequenas centrífugas que funcionam num regime descontínuo é montada com os seus
eixos verticais e, devido a possibilidade de carga desequilibrada na máquina, o cesto está normalmente
apoiado em chumaceiras ou por cima ou por baixo, mas não em ambas as posições, de forma a dar um certo
grau de flexibilidade. Na máquina accionada inferiormente, em que o accionamento e as chumaceiras estão
por baixo (Fig. 2.9), o acesso ao cesto é mais fácil e o material é normalmente descarregado por cima.

Fig. 2.9 - Centrífuga Accionada Por Baixo.

2 - 40
Nas centrífugas das Figuras 2.10 e 2.11, o líquido é retirado através do tubo de transbordamento e o
raspador de sólidos funciona com a máquina a trabalhar a plena velocidade, pelo que se consegue uma
economia considerável de tempo e energia.

Fig. 2.10 - Cesto Montado Horizontalmente Com Descarga Automática de Sólidos.


A – Alimentação. D – Peça Para o Corte. K – Tubo de Extracção do Decantado.

Fig. 2.11 - Centrífuga Horizontal Com Descarga Automática de Sólidos.

2 - 41
Na Figura 2.12 apresenta-se uma máquina semelhante, com o eixo inclinado.

Fig. 2.12 - Centrífuga Inclinada.

2.2.8.2 Centrífugas de Discos

Para um dado caudal de alimentação da centrífuga, o grau de separação obtido dependerá da espessura da
camada líquida formada na parede do cesto e da profundidade total do cesto, porque estes factores
controlam o tempo que a mistura permanece na máquina. Obtém-se, por isso, um elevado grau de separação
com um cesto longo com pequeno diâmetro, mas a velocidade necessária é neste caso muito elevada.

A introdução de discos cónicos no vaso, como se indica na Figura 2.13, permite a subdivisão da corrente
líquida num grande número de camadas muito finas num vaso de diâmetro muito superior.

2 - 42
Fig. 2.13 - Recipiente Com Discos Cónicos ( do Lado Esquerdo Para Separar Líquidos, do Lado Direito Para Separar
Sólido de Líquido)

O líquido entra através do distribuidor AB, passa através de C e é distribuído entre os discos E através dos
orifícios D. O líquido mais denso é retirado através de F e I e o líquido mais leve através de G.

Um vaso do tipo com discos usa-se muitas vezes para a separação de sólidos finos dum líquido e a sua
construção está representada do lado direito da Figura 2.13. Neste caso há apenas uma saída de líquido, K, e
os sólidos ficam retidos no espaço entre as extremidades dos discos e a parede do cesto.

A separação duma mistura de água e sujidade de um óleo com densidade relativamente baixa dá-se da
maneira indicada na Figura 2.14, com a sujidade e a água a reunirem-se junto das faces interiores dos discos
e a moverem-se radialmente para fora, e o óleo a mover-se para dentro ao longo das faces superiores.

2 - 43
Fig. 2.14 - Separação de Água e Sujidade de Óleo Num Recipiente Com Discos.

Este vaso pode trabalhar a uma velocidade muito mais baixa e o seu tamanho é muitíssimo menor, como se
vê na Figura 2.15.

Fig. 2.15 - Dois Recipientes Com Igual Capacidade; Com Discos (À Esquerda) e Sem Discos (À Direita).

2 - 44
2.2.8.3 Centrífugas Com Tubuladoras Com Válvula

A remoção contínua de sólidos do cesto da centrífuga pode efectuar-se instalando um certo número de
tubuladuras de descarga à volta da periferia do cesto. A centrífuga funciona de tal modo que os sólidos são
ejectados com líquido suficiente para lhes permitir fluir.
As tubuladuras com válvula podem ser usadas em centrífugas de vaso simples ou com discos (Fig. 2.16) e
são apropriadas para aplicações em que se pretenda separar um sólido dum líquido ou em que haja dois
líquidos contendo sólidos em suspensão.

Fig. 2.16 - Funcionamento da Centrífuga Com Válvulas de Descarga.

2 - 45
Usam-se centrífugas deste tipo no processamento de fermento, amido, produtos de carne e de peixe e sumos
de fruta. Constituem componentes essenciais no processo de esmagamento impetuoso para a extracção de
óleos e gorduras de materiais celulares. A matéria prima, que consiste em ossos, gordura animal, restos de
peixe ou sementes vegetais, começa por ser esmigalhada e, em seguida, após uma prévia separação por
gravidade, faz-se a separação final de água, óleo e sólidos suspensos num certo número de centrífugas com
tubuladuras com válvula.

2.2.8.4 Centrífugas do Tipo Rolo

Na centrífuga do tipo rolo introduz-se a mistura na máquina através dum eixo oco, que descarrega perto de
uma extremidade do cesto; com suspensões espessas auxilia-se o fluxo mediante um mecanismo de
parafuso. Um rolo com espira roda a uma velocidade ligeiramente diferente da do cesto e faz com que os
sólidos depositados sobre a parede se movam regularmente ao longo da direcção axial afastando-se da
entrada. Funciona a alta velocidade, produzindo acelerações elevadas, mas o diferencial de velocidade não é
suficiente para causar interferência com a separação.

O tempo durante o qual o material permanece na máquina é directamente proporcional ao seu comprimento
e, por isso, este tipo de centrífuga é, em geral, relativamente comprido e de pequeno diâmetro. Pode
facilmente adaptar-se para o funcionamento a altas pressões. O eixo da centrífuga é normalmente horizontal,
embora se use por vezes montagem vertical. O cesto é ou cilindro ou tem a forma de um cone truncado (Fig.
2.17), caso em que a alimentação é introduzida na extremidade com diâmetro grande.

Prefere-se a forma cónica, quando o requisito principal é a secura dos sólidos, e a forma cilíndrica, quando a
limpidez do líquido tem importância preponderante.

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Fig. 2.17 - Centrífuga Cónica Contínua.

2.2.8.5 Centrífugas do Tipo Impulsor

Usa-se este tipo de centrífuga para a separação de suspensões e está equipada com um cesto perfurado ou
não perfurado. Introduz-se a alimentação através de um funil cónico e o bolo forma-se no espaço entre a
flange e o fundo do cesto. Os sólidos são movidos inteiramente ao longo da superfície do cesto mediante um
pistão com movimento alternativo.

Nesta máquina, a espessura de bolo de filtração não pode exceder a distância entre a superfície do cesto e a
flange do funil. O líquido ou passa através dos furos do cesto, ou no caso de um cesto não perfurado, é
retirado através de uma saída para fluxo excedente. Os sólidos são lavados com um pulverizador, como se
indica na Figura 2.18.

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Fig. 2.18 - Centrífuga do Tipo Impulsor.
1. entrada. 2. funil de entrada. 3. cesto. 4. pistão. 5. disco impulsor. 6. pulverizador de lavagem

Na Figura 2.19 mostra-se uma forma de centrífuga de impulsor que é praticamente apropriada para filtrar
polpas com baixas concentrações. Um cone impulsor perfurado acelera suavemente a alimentação e
assegura uma grande porção de drenagem preliminar perto do vértice do cone. Em seguida, depõem-se
regularmente sobre a superfície cilíndrica os sólidos de suspensão parcialmente concentrada e reduz ao
mínimo o risco de arrastar com a lavagem os sólidos para fora do cesto.

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Fig. 2.19 - Centrífuga de Impulsor Para Polpas de Baixas Concentrações.

2.2.8.6 Estatífuga

Esta máquina presta-se bem para a remoção de pequenas quantidades de sólidos em grandes volumes de
líquido. Tem um vaso parado, que contém uma pilha de discos em rotação, também eficiente para clarificar
o líquido. Este sistema é consideravelmente mais barato do que os arranjos mais convencionais, em muitos
casos.

2.2.8.7 Supercentrífugas

Visto que, para um dado poder de separação, o esforço na parede é mínimo para as máquinas de pequeno
raio, as máquinas com alto poder de separação usam geralmente cestos muito altos com pequenos
diâmetros. Uma centrífuga típica (Fig. 2.20) poderá consistir num cesto com cerca de 101.6 mm de diâmetro
e 106.7 cm de comprimento, possuindo septos para trazer o líquido rapidamente à sua velocidade. Usam-se
velocidades até 60000 rpm para produzir acelerações de 50000 vezes a aceleração da gravidade. Pode usar-
se uma vasta gama de materiais de construção.

2 - 49
Fig. 2.20 - A Supercentrífuga

A supercentrífuga usa-se para clarificar óleos e sumos de frutas para a remoção de partículas acima e abaixo
da dimensão desejada em líquidos contendo pigmentos. Descarrega-se continuamente o líquido, mas os
sólidos são retidos no vaso e têm de ser periodicamente removidos.

2.2.8.8 Ultracentrífuga

Usa-se a ultracentrífuga para separar partículas coloidais e destruir emulsões. Funciona a velocidades até
100000 rpm e produz uma força que atinge 500000 vezes a força de gravidade. O cesto é normalmente
accionado por meio duma pequena turbina a ar. A ultracentrífuga trabalha muitas vezes ou a pressões baixas
ou numa atmosfera de hidrogénio a fim de reduzir as perdas por atrito e, deste modo, pode atingir-se um
aumento de cinco vezes na velocidade máxima.

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2.3 Exercícios

1. Determinar o limite superior (diâmetro máximo) a respeitar a lei de Stokes em relação ás partículas de
quartzo, quando se depositam em água à 20 ºC com viscosidade  = 1 cP.
sólidos = 2650 kg/m3

2. Determinar o diâmetro máximo de partículas esféricas de giz que vão ser arrastadas pela corrente
ascendente de água cuja velocidade é igual a 0.5 m/s.
giz = 2710 kg/m3
TH 2 O = 10º C

 = 1.3 cP

3. Calcular os tamanhos das partículas alongadas de carvão de  = 1400 kg/m3 que se depositam com uma
velocidade de 0.1 m/s em água a T = 20º C.

4. Quantas vezes mais rápido se realiza a sedimentação na centrífuga em comparação com o espessador ,
sendo o diâmetro 1 m, o número de rotações 60 rpm; O regime de sedimentação em ambos casos é laminar e
depositam-se partículas com mesmo diâmetro.

5. Considere o exercício 2.2 mas para regime turbulento.

6. Qual é a máxima velocidade de rotação segura de um cesto de centrífuga em bronze fosforoso, com 12
poleg. de diâmetro, e 3 poleg. de espessura quando contém um líquido de densidade igual a 1 a formar uma
camada de 3 poleg. de espessura nas paredes? Considerar a densidade do bronze fosforoso igual a 8.9 e a
tensão de segurança igual a 55 MN/m2.

Algoritmo
1. pela equação … calcular a pressão exercida pelos sólidos na parede do cesto
2. pela equação … calcular a tensão nas paredes do cesto
3. determinar a velocidade máxima de rotação.

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A pressão exercida pelos sólidos na parede do cesto é dado por:


Pc  0.5  2 R22  R12 

Pc  0.5  1000   0.15 2  0.075 2
2

Pc  8.438  N / m
2 2

A tensão nas paredes do cesto e dada por:


f  b /   Pc   mb 2 

f  0.15 / 0.005  8.438  2  8900  0.005  0.15 2 
f  453  N / m
2 2

A velocidade máxima de rotação será:

  (55 106 / 453)


  348rad / s

7. Para o problema anterior calcular a pressão total exercida dentro da centrífuga tendo em conta que a
velocidade máxima segura é em 80% superior á anterior.

8. Quando se filtra uma suspensão aquosa numa prensa de placas e caixilhos equipada com dois caixilhos de
2 polegadas de espessura cada um com 6 polg.2 de 50 lb/in2 de pressão relativa. Os caixilhos enchem-se em
1 hora. Quanto tempo levará a produzir o mesmo volume de filtrado que se obtém num único ciclo, quando
se usa uma centrífuga com um cesto perfurado, com 12 in de diâmetro e 8 in de profundidade. Mantém-se
constante o raio da superfície interna da polpa 3 in e a velocidade de rotação em 4000 rpm. Suponha-se que
1
o bolo de filtração é incompressível e suponha-se que a resistência do pano é equivalente a 8 in de bolo em
ambos os casos.

9. Se uma centrífuga tiver 3 pés de diâmetro e rodar a 1000 rpm, a que velocidade deve rodar uma
centrífuga laboratorial de 6 poleg. de diâmetro se se pretender que ela reproduza as condições da fábrica?

10. Qual é a máxima velocidade de rotação segura de um cesto de centrífuga em bronze fosforoso, com 12
poleg. de diâmetro, e 3 poleg. de espessura quando contém um líquido de densidade igual a 1 a formar uma

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camada de 3 poleg. de espessura nas paredes? Considerar a densidade do bronze fosforoso igual a 8.9 e a
tensão de segurança igual a 8000 lb/poleg.2

11. Introduz-se uma suspensão aquosa constituída por partículas de densidade 2.5 na gama de tamanhos 1 –
10 mícrons numa centrífuga com um cesto de 18 poleg. de diâmetro, que roda a 500 rpm. Se a suspensão
formar uma camada de 3 poleg. de espessura, quanto tempo levará aproximadamente para que a partícula
mais pequena sedimente.

12. Pretende-se rodar uma centrífuga, com um cesto em bronze fosforoso de 15 poleg. de diâmetro a 4000
rpm, com uma camada de 3 poleg. de líquido de densidade 1.2 no cesto. Qual é a espessura de parede
necessária para o cesto?
Massa específica do bronze fosforoso = 8.9 g/cm3
Máxima tensão de segurança para o bronze fosforoso = 12720 lb/poleg.2

Algoritmo

1. pela equação … calcular a pressão exercida pelos sólidos na parede do cesto


2. pela equação … calcular a espessura da paredes para o cesto


Pc  0.5  2 R22  R12 
Onde:
R2 - raio do cesto
R1 - raio interno


Pc  0.5  200060  0.18752  0.08752
2

Pc  3.55 107 0.2750.10
Pc  0.98MN / m 2

A tensão na parede e dada por:


f  b /   Pc   m b 2 
Tomando f como tensão máxima de segurança e  m como densidade do material da parede,

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55  10 6  0.1875 /   9.75  10 5  8900  0.187560 
2

  3.409  10 9 9.75  105  5.929  10 7  
  3.323  10 3  0.202
  4.16 mm

13. Um cesto de centrífuga com 24 poleg. de comprimento e 4 poleg. de diâmetro interno tem uma represa
de descarga com 1 poleg. de diâmetro. Qual é o caudal volumétrico máximo de líquido através da
centrifuga, de tal modo que quando o cesto rodar a 12000 rpm todas as partículas de diâmetro superior a
4  10-5 poleg. fiquem retidas na parede da centrífuga? A força de retardação sobre uma partícula que se
move num líquido pode considerar-se igual a 3 du , em que:
u - velocidade da partícula em relação ao líquido
 - viscosidade do líquido, e
d - diâmetro da partícula.
Dados adicionais:
Densidade do líquido = 1.0
Viscosidade do sólido = 2.0
Viscosidade do líquido () = 0.7  10-3 lb/ft s
Pode desprezar-se a inércia da partícula.

14. Um centrifugador cilíndrico, com parafuso interno, é usado para separar cristais de MgSO4.6H2O da
solução-mãe que provém de um cristalizador a vácuo. O centrifugador tem um vaso com 14 in de diâmetro e 23
in de comprimento e opera com uma camada de líquido com 3 in de profundidade.

A velocidade de rotação é de 3000 rpm. Qual deve ser a taxa da alimentação do centrifugador para que se tenha
a remoção completa dos sólidos, se na suspensão não existem cristais menores que 5 mícrons?
Admitir que o parafuso interno não suspende nenhuma partícula sólida no líquido nem perturba a sedimentação.
A densidade da suspensão é de 1.21 g/cm3, a viscosidade 1.5 cP e a densidade dos cristais 1.66 g/cm3.

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