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INVESTCLASS

Para captar ou investir capital é preciso entender que essas questões vão muito além do
dinheiro: é necessário um bom conhecimento sobre startups

Por: Isabela Borrelli

No mundo das startups, falar sobre investimentos é tocar em duas


questões principais: “Como investir?” e “Como captar investimentos?”. Essas
dúvidas podem atormentar desde um empreendedor experiente, aspirante a
investidor, até quem está interessado em entrar no ramo, tanto investindo ou
empreendendo. Exatamente por isso, não são perguntas fáceis de responder,
mas existem algumas dicas que podem auxiliar você a saber os principais
macetes da área.
Para começar, é importante ter a noção de que os riscos de investir em
uma startup são grandes tanto para o empreendedor, que é o primeiro a
aplicar capital nela, quanto para o investidor, seja ele um investidor-anjo
ou fundo de venture capital. Além da alta taxa de mortalidade, - segundo a
Fundação Dom Cabral, 25% das startups morrem no primeiro ano – existem
muitas variáveis que influenciam no sucesso ou fracasso da empresa.
Então, como não errar? Ou melhor: como ter mais chances de acertar
no investimento ou de conseguir capital? Primeiro, é preciso entender um
pouco mais sobre startups.

Conheça a startup
Saiba qual em qual estágio ela está
Nem todas as startups vão alcançar o sucesso e muitas vezes o motivo
para isso acontecer é a dificuldade em fazer os negócios decolarem. Para
evitar esse cenário, o empreendedor deve procurar investimentos com o
objetivo de acelerar o crescimento da sua empresa. Mas isso não significa
que é para sair correndo atrás de captações do nada, pois ter a ideia validada
aumenta as chances de um investimento mais generoso. Portanto, quanto
mais tempo ele conseguir levar a empresa sozinho, melhor.
Não só é bom atrasar a busca por investimentos por uma questão de
quantia de capital, como também para entender melhor o que será preciso
para consolidar o produto e a empresa. Em outras palavras, é preciso saber
em que estágio a startup está, pois, dependendo disso, o investimento pode
mudar.

Para ajudar nesse caso, o cenário de possíveis investimentos para uma


startup pode ser organizado segundo as fases da empresa. Na primeira
delas, a hipótese, não há nada concreto, portanto, dificilmente terá algum
investidor interessado. É aqui que entra os famosos três Fs: Family, Friends
and Fools, ou seja, família, amigos e tolos. São as pessoas que confiam no
empreendedor e decidem investir mesmo que tudo possa dar errado.
Já na etapa seguinte, quando a empresa validou a hipótese e provou que
se trata de um produto viável e necessário, há uma probabilidade maior de
que investidores anjo se interessem. No caso, investidores anjo são pessoas
físicas com capital disponível, que pode chegar até R$ 300 mil. Para ter
chances reais de atrair um investidor-anjo, é preciso exaltar as métricas mais
importantes da startup, assim como ter projeções animadoras.
No negócio, a empresa precisa achar o nicho ideal no mercado para o seu
produto, inclusive começar a conquistar os primeiros clientes. É aqui que o
fundo de venture capital, geralmente um grupo de investidores que se junta
para angariar uma quantia abundante de dinheiro voltada para investimentos
de grande porte, entra. O valor desse investimento geralmente começa em
R$ 500 mil.
Por fim, quando a startup quer escalar e talvez até entrar em outros
mercados, é preciso aprimorar o seu modelo de negócios. O investimento
Series A entra para refinar o negócio e melhorar sua distribuição, assim como
outros fatores. No caso, o capital disponível é a partir de R$ 2 milhões.
Tenha uma boa infraestrutura
Para uma startup decolar, o investimento sozinho não basta. É preciso
infraestrutura e organização para conseguir manter o foco no que realmente
interessa e fazer a ideia se concretizar de forma sólida. Por isso, uma equipe
equilibrada e experiência na área já são boa parte do caminho.
Apesar do ideal de um empreendedor de sucesso ser um jovem recém-
graduado com muita vontade e uma ideia genial, a realidade é diferente.
Segundo o Founder Institute, empreendedores de 34 anos e experiência na
área têm vantagem e uma probabilidade maior de alcançar êxito. Isso não
significa que se o empreendedor é novo na área ele não terá sucesso, mas é
recomendável ter alguém na equipe com essa experiência ou ter um mentor
para ajudar quando necessário.

No caso, segundo Edson Rigonatti, sócio da Astella Investimentos, dá a


dica: ”Os melhores conselhos vêm ou de investidores que atuam no seu setor
ou de empreendedores que estão um passo mais avançado que você”. Isso,
porque muitas vezes o fundador de uma empresa que está hoje expandindo
o mercado internacionalmente dificilmente vai lembrar dos macetes lá do
começo, por exemplo, como ele fez para conseguir o primeiro investimento.
Além da experiência, o bom relacionamento do time é essencial. Deixar
claro a hierarquia que a empresa terá, assim como ter interesses e objetivos
em comum podem fazer a diferença lá na frente, tanto nas horas de crise
quanto nas de tomar decisões importantes.

Defina suas métricas e valuation


Saber as principais métricas da startup e do mercado é fundamental,
porque é uma forma de provar que o negócio está dando certo e que ainda
tem muito mais para crescer. São com elas que o empreendedor irá atrair
investidores, uma vez que métricas certas e animadoras não só demonstram
um negócio promissor, mas conhecimento do mercado pela equipe.
Exatamente por isso, é preciso saber quais são as métricas que de fato
importam para o negócio. Por exemplo, para um e-commerce a taxa de
tráfego não é tão relevante se isso não tem conversão em vendas. Mas como
descobrir quais são as métricas mais relevantes para a startup? Muito estudo
e pesquisa! Aqui, o que conta é o quanto o empreendedor e o investidor
entendem sobre o produto e mercado.
Outro número importante é o valuation
da empresa, ou seja, o quanto ela vale ou o
valor total de mercado dela. Existem vários
jeitos de calcular um valuation, mas no
caso de startups há uma barreira enorme: o

$
futuro é tão incerto que qualquer valor seria
uma suposição, uma vez que a empresa
dificilmente terá um retorno no começo e a
receita será negativa.
Como fazer isso, então? Segundo
Marco Poli, investidor-anjo, o cálculo e o
investimento dependem do mercado em
que a empresa está inserida. Enquanto no
Vale do Silício é comum conseguir capital
em todas as etapas, inclusive na hipótese,
aqui no Brasil é diferente, uma vez que a falta
de investimento é muito grande e a ideia
sozinha não basta. No caso, é importante
ter um Produto Mínimo Viável (MVP) para validá-la.
O valuation vem como consequência: “O valor do negócio vale a
ideia multiplicada pelo modelo de negócio”, afirma Poli. Portanto, não é
recomendável se apegar somente à ideia, é preciso executá-la e fazer isso
da melhor forma possível.

NÃO SUBESTIME A PARTE JURÍDICA


Quando se pensa em investimentos, muitas ideias podem vir à tona: o
tipo de investidor, o quanto de capital que a empresa precisa, como fazer
o planejamento financeiro, entre outros. No entanto, a parte jurídica e
contratual frequentemente é posta de lado e, na hora de fechar negócio,
tanto o investidor quanto o empreendedor inexperiente pode se encontrar
em apuros.
Não há como ter uma startup e planejar captar investimentos sem uma
base jurídica. Afinal, para ser legal, a empresa precisa estar regularizada
juridicamente e também é por meio de contratos que as regras serão
estabelecidas oficialmente no caso de um investimento. Por isso, nada de
passar por cima dessa etapa.
Antes de tudo, contratar um bom advogado é fundamental, tanto para
esclarecer possíveis dúvidas iniciais – os tipos de sociedade, como fazer
o investimento, entre outros – quanto para fazer um contrato justo. Além
disso, Rodrigo Menezes, sócio fundador da Derraick & Menezes Advogados,
aconselha a evitar advogados que
cobrem comissão para o fechamento
do contrato: “Se for o caso, ele vai passar
por cima de cláusulas desvantajosas
para ganhar em cima do contrato, por
mais que o acordo seja ruim”.
É importante deixar claro que
dificilmente terá um bom contrato
sem antes existir uma boa relação
com entre as partes envolvidas.
Isso, porque é preciso abertura e
sinceridade de todos os participantes.
No caso, para os sócios de uma
startup que está dando os primeiros
passos, empreendedores e investidores para regularizarem o investimento
na empresa, entre outros.
O bom relacionamento é fundamental para acertar os interesses
comuns dos sócios e dos investidores envolvidos. Segundo Menezes: “É o
alinhamento de interesses que vai permitir que o documento seja bom para
todos e, consequentemente, reduza as chances de problemas no futuro”.
Dessa forma, deixar claro o seu posicionamento, tanto como empreendedor
quanto como investidor, é essencial.

BUSCANDO NOVOS NEGÓCIOS


Com conhecimento sobre startups e uma base jurídica, é hora do
empreendedor começar a pensar em ir atrás de investimentos e do investidor,
das startups. Apesar dos dois lados serem diferentes, as orientações são
interessantes para ambos, um vez que sabendo melhor sobre o que um
investidor quer, o empreendedor pode aprimorar a sua abordagem e vice-
versa.

Primeiros passos para investir


Se você tem interesse em começar a investir, é importante que defina
exatamente o seu objetivo ao fazer isso. Para Fábio Póvoa, fundador da Movile
e investidor-anjo, o investidor precisa de uma tese: “Para definir o que quer,
deve-se levar em consideração fatores como: áreas de atuação, geografia,
modelos de negócio, estágio da startup, etc.”. Esclarecido esses fatores, é
hora do próximo passo.
Antes de começar efetivamente a investir, é recomendado iniciar com
a ajuda de um investidor-anjo mais experiente. Ele irá dar dicas e ensinar
as melhores formas de investir, assim como os principais pontos em que
prestar atenção e como evitar entrar em um mau negócio. No caso, é bom
que o investidor tenha o mesmo foco que você e invista em startups que
despertam o seu interesse.
Ao começar a ter mais independência e negócios próprios, é bom
otimizar o seu tempo quando marcar reuniões com empreendedores. Por
isso, enquanto está no contato inicial, facilite: proponha uma conversa por
Skype ou telefone. Nesse momento, você não sabe ao certo se realmente
vale a pena investir na startup, então não gaste tempo desnecessário indo
até um lugar específico.
Já em reuniões mais promissoras, com empreendedores que realmente
mostraram um negócio interessante, é hora de se encontrar em um local
físico. “Em reuniões, vá direto ao ponto, seja objetivo e sempre coloque a sua
disponibilidade e local de preferência”, indica Póvoa. Tenha em mente que
essa é uma startup de várias outras que você pensa em investir, então dê
prioridade ao que é mais fácil para você.

Saiba como abordar investidores


Assim como é interessante investidores focarem em um tipo de negócio
ou startup que querem capitalizar, para empreendedores é aconselhável
procurar investidores que atuem no setor da sua empresa. Portanto, antes de
partir para a ação, pesquise e se informe quais seriam as melhores opções
para o seu negócio.
No primeiro contato com o investidor, – e possivelmente em futuras
conversas – você terá que fazer um pitch, uma apresentação com a melhor
síntese sobre o que é a sua startup e como ela se diferencia das outras,
para atrair a atenção dele. É altamente recomendável abordar as métricas
mais importantes do seu negócio, assim como trazer informações de forma
objetiva. Se quiser saber mais sobre como fazer um bom pitch, acesse nosso
eBook: Como fazer o melhor pitch para atrair investidores.
Se o investidor se interessar pela sua startup, é provável que ele passe o
contato ou agende uma segunda reunião. Isso não significa que o investimento
está garantido, pois o investidor geralmente tem outros negócios para dar
atenção. Portanto, uma dica, segundo Póvoa, é oferecer um mailing com
reports mensais sobre o andamento da empresa.
Nesses reports, é interessante
abordar os avanços conquistados no
último mês, as dificuldades, os planos
para as próximas semanas, entre outros.
Essa é uma excelente forma de lembrar
seu potencial investidor sobre o seu
negócio e mostrar que a startup está
avançando. Com essa abordagem, você
terá grandes chances de conseguir a
atenção do investidor para agendar
futuras reuniões e, possivelmente,
conquistar o investimento em si.

PRINCIPAIS PONTOS PARA NÃO ESQUECER


l Conheça a sua startup, tanto se você é o empreendedor quanto se você
é o investidor
l Saiba se ela tem uma boa infraestrutura e equipe
l Invista em um bom advogado e tenha um relacionamento saudável com
todas as partes envolvidas no contrato
l Defina seu objetivo como investidor antes de entrar em ação
l Não deixe os investidores esquecerem da sua startup: mande reports
mensais
Se você quiser saber mais sobre investimentos, inscreva-se
no InvestClass e aprenda com os melhores especialistas
de investimentos e empreendedorismo!

INSCREVA-SE
“Achei muito bacana, é um evento bem específico, dá uma carga de
conhecimento grande. A princípio, a minha ideia não era vir aqui para captar,
era para conhecer mais a dinâmica das startups e eu achei o evento muito
completo.”
Ricardo Rosada
CEO da startup Gênesis
No evento, recebeu uma proposta para participar da 20startups,
programa de aceleração

“Um dos melhores eventos de startups que eu já participei no Brasil, eu


vim do Vale do Silício há pouco tempo e o evento InvestClass está à altura
dos de lá.”
Luciano Rossi
CEO da startup Hub Express

“Achei o evento sensacional, se os participantes colocarem em prática


metade do que eles viram hoje, tenho certeza que eles vão economizar
tempo e dinheiro e ter uma oportunidade de crescimento muito grande.
Recomendo o curso tanto para empreendedores e investidores anjo quanto
para corporações que queiram entender a dinâmica desse mercado,”
Rodrigo Quinalha
Investidor e Head of Innovation da Kick Ventures