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PRINCÍPIOS QUE REGEM A LDB: O DESEQUILÍBRIO DE REALIDADES DA


PRÁXIS

Fernando Soares Ferreira de Santana1

INTRODUÇÃO
A terceira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, aprovada em 1996, foi a
mais bela da história do Brasil quando comparada as outras duas. A finalidade da educação para
a LDB é que o educando tenha pleno desenvolvimento, que exerça sua cidadania e tenha uma
boa qualificação para o mercado de trabalho. No quotidiano escolar, muitos dos princípios que
regem e educação brasileira, expressos nessa lei, não são cumpridos total ou parcialmente na
prática.
O objetivo deste trabalho é mostrar a relação entre a lei e o exercício dela sob um viés
crítico. Elencamos aqui alguns princípios da LDB que são inconsistentes com o que é praticado
em muitas escolas no Brasil.

I - Igualdade de condições para o acesso e permanência na escola


Muitos dos princípios expressos na lei acabam se tornando letra morta. Um exemplo
seria o primeiro inciso do artigo terceiro da LDB. Ele fala em igualdade para o ingresso e a
permanência na escola, porém, o que realmente estamos vendo é a perpetuação da exclusão no
ambiente escolar, um exemplo disso é a expulsão e suspenção de educandos. Isso vai contra a
ideia do primeiro inciso e gera preconceitos tanto do professor para o aluno quanto deste para
com seus colegas. Alunos que já foram expulsos ou suspensos são estigmatizados, no âmbito
escolar e até fora dele. Na maioria das vezes eles são vistos como problemáticos e são excluídos,
ao invés de serem acolhidos e incentivados pela escola: as instituições educativas deveriam ser
mais humanizadas neste sentido.

III - Pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas


Este princípio é transgredido em algumas escolas, a partir do momento que uma escola
obriga um professor a ensinar uma concepção pedagógica escolhida por ela. Na teoria, ela
estaria infringindo este inciso, porém nada é feito para reverter esta situação na prática.

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Acadêmico do curso de Licenciatura Plena em Letras da Universidade do Estado de Mato Grosso, câmpus
universitário de Tangará da Serra. Bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência. E-mail:
fernandosoares.fsfs@gmail.com.
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IV - Respeito à liberdade e apreço à tolerância


Existe preconceito na escola, seja ele praticado pelo aluno ou pelo professor, e às vezes
medidas não são tomadas para melhorar esta questão. Os meios de comunicação estão
constantemente mostrando a violência diária em escola e, em muitos casos, vinda do
preconceito, principalmente em escolas da periferia, regiões menos prestigiadas do local.
As escolas não estão ensinando os alunos a respeitarem as diferenças e aceitarem
críticas, a debaterem com bons argumentos e defenderem suas ideias de forma respeitosa e
amigável. Muitos alunos não olham para esse tipo de interação e debate como uma troca de
experiências e isto não é um fato ocorrido apenas nas escolas, mas na sociedade em geral.
Um aluno que, por exemplo, escolhe uma maneira diferente de se vestir, é alvo de
preconceito dos colegas e até mesmo do professor. Muitos outros que defendem ideias que vão
contra a maioria são condenados pois não lhes é ensinado a respeitar as opiniões. Em sala de
aula, assuntos sociais são muito pouco tratados, se temas deste cunho não são discutidos nas
escolas, nossa sociedade irá crescer cada vez mais com pessoas alienadas.

VII - Valorização do profissional da educação escolar


A inconsistência entre este inciso e a realidade é muito transparente. Vemos muitos
professores desmotivados e despreparados, tanto que a figura do professor é vista como algo
digno de pena. Muitos pais anseiam bons professores para seus filhos, mas poucos querem que
estes se tornem professores. Essa valorização pregada na LDB está bem distante da realidade e
isso vem de muito tempo.

IX - Garantia de padrão de qualidade


Primeiramente a lei não define esta qualidade, como seria este padrão de qualidade? O
que está sendo feito para atingi-lo? A Constituição Federal, que é a lei máxima do estado, não
dá uma definição para este “padrão de qualidade”, como então seria executado algo que não se
sabe como atingir?
Muitos professores são mandados ao mercado de trabalho com um nível de despreparo
muito grande, isso reflete, diretamente, nos alunos que saem da escola e sofrem na sociedade.
Para o governo Brasileiro, aparentemente, a qualidade do ensino não importa, a partir do
momento em que pessoas ignorantes e alienadas, que não possuem senso crítico, são mais
facilmente manipuladas pelo sistema político.

Conclusão
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Nem tudo que está escrito na lei é cumprido na prática e não é preciso se esforçar para
ver o caos que ocorre em muitas escolas no Brasil. O grande problema não seria a lei e sim a
forma que ela é aplicada. Se ela fosse exercida de forma eficaz a educação brasileira seria uma
das melhores, seria referência para o mundo.
Um dos primeiros ambientes sociais que o ser humano encara é a escola, viver nesse
ambiente é um aprendizado para que vivamos melhor em sociedade, com seres críticos,
autônomos, cidadãos que lutam por seus direitos sem ferir o direito do próximo. É papel
fundamental do educando dar todas as armas para que o aluno precisa para alcançar essas
características. O educando tem, portanto, uma responsabilidade, um compromisso com a
educação do país.