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A instalação do sistema colonial português em África só foi acelerada no último quartel

do século XIX, pois antes desse período o interesse pela conquista das terras africanas
não fazia parte das preocupações das elites locais. A presença portuguesa em África fez
das possessões africanas centro privilegiado de recrutamento de mão-de-obra para as
plantações do Brasil.

Mas com a independência do Brasil, em 1822, os portugueses viraram as suas atenções


para África, surgindo assim em Lisboa os primeiros planos para instalar o sistema
colonial.

Portanto, alguns sectores da sociedade portuguesa tentam inserir-se nos circuitos


comerciais já existentes e que se dedicavam ao tráfico de escravos para tentar controlá-
los, só que isso envolvia entrar em concorrência com os traficantes que já tinham
relações estreitas ao Brasil, e isso causava dificuldades, porque nessa fase o tráfico de
escravo já era clandestino por causa das pressões britânicas.

Na sociedade portuguesa surgiu um sector que tentava novas formas de exploração


colonial, e isso despertou um interesse da burguesia para criar condições de explorar
matérias-primas para a nova indústria e levar produtos manufacturados para as
possessões africanas. Mas não havia em Portugal uma burguesia industrial
suficientemente forte para ser suporte de uma politica colonial no território africano.
Mas havia muitas contradições entre as classes possidentes, e isso fez com que diversos
projectos fossem sucessivamente adiados. Ainda outro factor que levou a essa situações
foi a resistências dos traficantes em converter a economia, a reacção dos povos
africanos à invasão dos seus territórios, a falta de meios financeiros e de um projecto
global de colonização.

Foi então que em Dezembro de 1826 surge o primeiro projecto global apresentado por
Braklami, à Corte portuguesa. Este projecto tinha como acções a aplicar, entre muitas, a
preferência pelo trabalho livre em África, a isenção de direitos no comércio entre
Portugal e as colónias, o fomento da educação, e a exploração colonial como fonte de
acumulação de capital.

Infelizmente, esse projecto não teve aplicação prática, porque não foi acompanhado de
uma legislação consistente.

Novamente surge outro projecto apresentado por Sá da Bandeira, em 1836, que previa a
abolição do tráfico de escravo, pois (segundo ele) não haveria mão-de-obra para aplicar
projectos económicos nas colónias se isso continuasse. Também previa a reforma
legislativa colonial, a propagação da educação, e a administração da justiça.

A partir deste projecto Portugal começou a instalar o sistema colonial, em diferentes


períodos e domínios a necessária legislação, como o Ensino Primário em 1845, o
Serviço da Saúde em1844. Mais tarde, Rebelo da Silva (um dos sucessores de Sá da
Bandeira) durante o seu mandato, adoptou medidas para a reforma administrativa, obras
públicas, reforma do ensino, e organização militar.
A guerra do Bailundo em 1902 ligada à liderança de Mutu-ya-kevela e à sua acção

Depois da morte do rei Kalakata, sucedeu-lhe Kalandula, sendo neste momento Mutu-
ya-kevela um notável chefe militar e administrador da casa real, desde os reis
precedentes. Para a festa de entronização do rei Kalandula, as bebidas foram fornecidas
por um comerciante português, que mais tarde acusou Mutu-ya-kevela de não as ter
pago. E isso levantou uma disputa entre os líderes africanos do Bailundo e o capitão-
mor português que se encontrava na fortaleza.

E este, em Abril de 1902, solicitou a comparência dos líderes do Bailundo, mas Mutu-
ya-kevela respondeu dizendo que não reconhecia qualquer autoridade do capitão-mor
sobre ele.

Dois anos mais tarde, a corte do reino do Bailundo reuniu-se, com a participação de
representantes dos reinos vizinhos. O capitão-mor fez demonstrações de força para
persuadir os líderes a comparecer, mas não resultou. A 15 de Maio, provavelmente com
o objectivo de resolver o problema com uma solução dialogada, o rei Kalandula com
alguns da sua corte foi até a fortaleza. O capitão-mor aproveitou a oportunidade para o
sequestrar e aprisionar com a sua corte.

Este acontecimento foi o principal motivo para desencadear a guerra dos oficiais
Africanos contra o capitão-mor, com o objectivo de libertar o rei e as pessoas que
tinham sido sequestradas com ele. Nesta revolta juntaram-se os restantes reinos
umbundos para acabar com a supremacia colonial e restituir o poder politico aos reis
africanos. Mutu-ya-kevela foi morto durante a guerra do bailundo em 1902, no cipindo,
surpreendido quando ficou rodeado por um numero reduzido dos seus acompanhantes
quando procurava deslocar-se do Bailundo ate ao Bié com o objectivo de estimular a
aliança entre o reino do Bailundo e o do Bié e outros reinos das redondezas na defesa
comum contra a invasão colonial. O reino do Bié, demonstrava uma certa relutância em
lançar-se abertamente na guerra, em consequência dos revezes sofridos na guerra do Bié
em 1890.

Na guerra participaram cerca de 6.000 a 10.000 africanos, os outros foram atacados


pelos portugueses nas suas aldeias. A última resistência dos africanos na guerra do
Bailundo deu-se no Bimbe, em Março de 1904.

A guerra do Bailundo terminou com um balanço de 2.000 mortos entre os Ovimbundos.


A resistência continuou, tendo os Ovimbundos organizado novos focos de resistência e
de adversidade à presença colonial nas áreas do planalto central. As relações entre os
Ovimbundos e os portugueses ficaram comprometidas e deterioradas. As consequências
foram negativas