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INTRODUÇÃO

Com o objetivo de buscar e construir diferentes ecossistemas de aprendizagem e assim


poder contribuir para que os docentes, do Centro Universitário Redentor, possam preparar o
discente para uma vida bem sucedida, preparamos esta cartilha com uma das mais
promissoras metodologias ativas, a PBL (Project Based Learning). Tal metodologia se aplica a
qualquer perfil de estudante e se mostra especificamente eficaz para aqueles estudantes que
geralmente apresentam desempenho inferior em processos tradicionais de ensino. Se
corretamente aplicada, a PBL aumenta o engajamento de seus estudantes através da
participação em projetos interessantes e que proporcionam sentimento de realização durante
e ao fim dos projetos.

Esta cartilha foi organizada em cinco capítulos de modo que o primeiro capítulo
apresenta o que é a metodologia de aprendizagem baseada em projetos à luz dos conceitos
apresentados pelo Buck Institute for Education (BIE) que é uma intituição de referência nesta
área. O capítulo 1 apresenta também os elementos essenciais para o desenho de projetos,
cada um com uma explicação detalhada de sua importância e seus efeitos no processo ensino-
aprendizagem.

No capítulo dois são apresentadas as práticas de ensino baseadas em projeto que são
requisitos que não devem faltar em uma aplicação desta metodologia. Tais requisitos são, de
fato, uma lista de itens que auxiliam o professor no processo de transição do ensino tradicional
para a PBL. Em alguns casos, os professores estarão inclusos num sistema misto tradicional/
ativo, todavia, a cada conclusão de projeto, o professor, frente aos resultados, entende o
poder da metodologia e passa totalmente para a PBL.

O terceiro capítulo apresenta uma justificativa para a utilização da metodologia


enfatizando e respondendo à pergunta: Porque o PBL?

O capítulo quatro apresenta algumas dicas de como utilizar a metodologia de ensino


baseada em projeto com foco na forma de avaliação.

Por fim, o quinto capítulo apresenta uma conclusão sobre os assuntos apresentados
nesta cartilha e motiva a discussão acerca da interação das metodologias tradicional e ativa,
uma vez, que em muitos processos de seleção, a capacidade de resolver questões isoladas
(fora de contexto) é exigida. Essa discussão é importante, pois a metodologia tradicional tem
seus prós e no Brasil, os provões de concursos e avaliações de seleção ainda estão neste
modelo.
CAPÍTULO 1 - O que é o PBL?

O PBL é uma metodologia de ensino baseada em projetos que permite o


desenvolvimento de competências imprescindíveis para o desenvolvimento do discente, tanto
no espaço acadêmico, quanto para o sucesso de sua carreira.

No PBL o discente adquire conhecimentos e habilidades atráves de investigações, que


durarão um período pré-determinado, e assim torna-se capaz de responder a uma pergunta,
um problema ou desafio autêntico, envolvente e complexo.

Trabalharemos aqui, com o PBL Gold Standard, modelo criado para auxiliar o docente.
Este é baseado na pesquisa que permitirá tanto o docente quanto a instituição a aferir, calibrar
e aperfeiçoar suas práticas. O Gold Standard se divide em:

1) Objetivos de Aprendizagem (no centro do diagrama da Figura 1)


2) Elementos Essenciais de Design do Projeto (mostrados nas seções vermelhas do diagrama da Figura 1)
3) Práticas de Ensino Baseadas em Projeto (que nós explicamos no capítulo 2).

Figura 1 Gold Standard – Selo Vermelho – Elementos essenciais de projetos

Como a lente de uma câmera, o diagrama coloca o foco da PBL na preparação dos alunos
para experiências bem sucedidas na sala de aula e na vida. No que tange aos objetivos da
aprendizagem, estes se encontram no centro de todo projeto!

Conhecimento chave e Entendimento: O projeto é centrado em metas de aprendizagem


do discente, no conteúdo e nas habilidades que terão como base o pensamento crítico e a
resolução de problemas, a comunicação, a colaboração e a autogestão. A aplicação do Gold
Standard PBL permite ensinar aos alunos conceitos e compreensões profundas que são
fundamentais para as disciplinas acadêmicas. Em bons projetos, os alunos aprendem a aplicar
o conhecimento ao mundo real e usá-lo para resolver problemas, responder a perguntas
complexas e criar produtos de alta qualidade.
Habilidades de Sucesso: O conhecimento do conteúdo e a compreensão conceitual, por si
só, não são suficientes no mundo de hoje. Na escola e na faculdade, no local de trabalho
moderno, como cidadãos e em suas vidas em geral, as pessoas precisam ser capazes de pensar
criticamente e resolver problemas, trabalhar bem com os outros e gerenciar-se efetivamente.
Chamamos esses tipos de competências de "habilidades de sucesso".

É importante notar que as habilidades de sucesso só podem ser ensinadas através da


aquisição de conhecimento e compreensão do conteúdo. Por exemplo, os alunos não
aprendem habilidades de pensamento crítico simplesmente resolvendo questões isoladas
como é o caso das avaliações do sistema tradicional. É preciso haver discussões frente a
problemas reais que forcem o raciocínio do estudante! (Aqui, o professor não deve dar todas
as respostas, mas guiá-los no entendimento do problema para que a resposta seja descoberta
por eles!)

Recomendamos que todos os projetos incluam um foco nessas habilidades de sucesso:

1. pensamento crítico;
2. solução de problemas;
3. colaboração;
4. autogestão.

Os projetos também podem ajudar a construir outras habilidades, mindsets e qualidades


pessoais (como a perseverança ou a criatividade), com base no que professores, instituições,
pais e comunidades valorizam, mas as pesquisas têm apontado que a capacidade de pensar
criticamente, resolver problemas, trabalhar com os outros e administrar-se são passos
decisivos para o sucesso futuro (ASCD 2015).

Quanto aos Elementos Essenciais de Design do Projeto, a seguir apresentaremos o que


não deve faltar ao desenhar um projeto a ser aplicado dentro da metodologia PBL:

 Problema ou pergunta desafiadora: O projeto possui como foco um problema de


relevância ou a resposta de perguntas em conformidade com o nível do desafio.

É o coração de um projeto: é um problema para investigar e resolver, ou uma questão para


explorar e responder. Um problema envolvente ou uma questão torna o aprendizado mais
significativo para os alunos. Eles não estão apenas ganhando conhecimento para lembrá-lo;
eles estão aprendendo porque eles têm uma necessidade real de conhecer alguma coisa, para
que eles possam usar esse conhecimento para resolver um problema ou responder a uma
pergunta que lhes interessa. O problema ou a questão deve desafiar os alunos sem serem
intimidados.

Quando os professores desenham e conduzem um projeto, sugerimos que eles (às


vezes com alunos) escrevam o problema ou a questão central sob a forma de uma "questão de
condução" aberta e orientada para que o aluno foque sua tarefa.
Exemplos de perguntas de projeto:

"Como podemos melhorar o sistema de reciclagem da nossa faculdade, para que


possamos reduzir o desperdício?"

“Como podemos testar a capacidade de um freio a disco dentro de nossa oficina?”

“Como podemos visualizar a ventilação cruzada no interior de uma residência em


função das disposições de paredes e portas/ janelas?”

“Como podemos transportar e classificar materiais granulados?”

Note que cada pergunta acima, levará a questionamentos secundários que levarão o
estudante a se aprofundar cada vez mais nas soluções disponíveis. Estas soluções estarão
dentro do universo delineado pelo professor de forma a contemplar a ementa da disciplina a
ser estudada.

 Inquérito Sustentável: Os discentes de forma criteriosa e extensa realizam perguntas,


buscam recursos e aplicam informações.

Perguntar é buscar informações ou investigar - é um processo mais ativo e


aprofundado do que apenas "procurar algo" em um livro ou on-line. O processo de
pesquisa leva tempo, o que significa que um projeto Gold Standard dura mais de alguns
dias. No PBL, o inquérito é iterativo; Quando confrontados com um problema ou
questão desafiadora, os alunos fazem perguntas, encontram recursos para ajudar a
responder, depois fazem perguntas mais profundas - e o processo se repete até que uma
solução ou resposta satisfatória seja desenvolvida.

Os projetos podem incorporar diferentes fontes de informação, misturando a idéia


tradicional de "pesquisa" - lendo um livro ou pesquisando um site - com mais
entrevistas em campo com especialistas, provedores de serviços e usuários. Os alunos
também podem investigar as necessidades dos usuários de um produto que eles estão
criando em um projeto, ou a aceitação de uma mudança em algum processo
administrativo, por exemplo.

 Autenticidade: Fazem parte do projeto: Um Contexto, tarefas e ferramentas do


mundo real, padrões de qualidade ou impacto, ou ainda, relatos das preocupações,
interesses e questões pessoais dos discentes.

Quando as pessoas dizem que algo é autêntico, eles geralmente querem dizer que é
real ou genuíno, e não falso. Na educação, o conceito tem a ver com a forma como o
"mundo real", a aprendizagem ou a tarefa é. A autenticidade aumenta a motivação e
a aprendizagem dos alunos. Um projeto pode ser autêntico de várias maneiras,
muitas vezes em combinação. Pode ter um contexto autêntico, como quando os
alunos resolvem problemas como os que enfrentam pessoas do mundo fora da sala
de aula (por exemplo, empresários que desenvolvem um plano de negócios,
engenheiros que projetam uma ponte ou conselheiros da política de recomendação
do presidente). Pode envolver o uso de processos, tarefas e ferramentas do mundo
real, e padrões de desempenho, como quando os alunos planejam uma investigação
experimental ou usam software de edição digital para produzir vídeos que se
aproximem de qualidade profissional. Pode ter um impacto real sobre os outros,
como quando os alunos abordam uma necessidade em sua escola ou comunidade
(por exemplo, projetar e construir um jardim escolar, melhorar um parque
comunitário, projetar dispositivos de transporte para cadeirantes) ou criar algo que
será usado ou experimentado por outras. Finalmente, um projeto pode ter
autenticidade pessoal quando fala sobre preocupações, interesses, culturas,
identidades e problemas dos próprios alunos em suas vidas.

 Voz e Escolha ao estudante: Os discentes possuem poder de decisão no que se refere


ao que criar e ao funcionamento do projeto

Ter voz em um projeto cria um senso de propriedade nos estudantes; Eles se preocupam
mais com o projeto e trabalham mais. Se os alunos não puderem usar seu julgamento ao
resolver um problema e responder a uma pergunta de condução, o projeto apenas parece
fazer um exercício ou seguir um conjunto de direções.

Os alunos podem participar e (alguns) controlar vários aspectos de um projeto, tais


como: questões por eles formuladas, os recursos que usarão para encontrar respostas às
suas perguntas, as tarefas e papéis que assumirão como membros da equipe, os produtos
que eles criarão. Os alunos mais avançados podem ir ainda mais longe e selecionar o
tema e a natureza do próprio projeto; eles podem escrever sua própria pergunta de
condução e decidir como querem investigar, demonstrar o que aprenderam e como eles
vão compartilhar seu trabalho.

 Reflexão: O discente juntamente com o docente refletirá questões sobre a


aprendizagem, a qualidade das atividades de pesquisa e do projeto, a qualidade do
trabalho, as dificuldades e como superá-las.

Ao longo de um projeto, os alunos - e o professor - devem refletir sobre o que estão


aprendendo, como estão aprendendo e por que estão aprendendo. A reflexão pode
ocorrer de maneira informal, como parte da cultura e do diálogo em sala de aula,
mas também deve ser uma parte explícita das revisões de projetos, avaliação
formativa programada, discussões nos pontos de verificação do projeto e
apresentações públicas do trabalho dos alunos. A reflexão sobre o conhecimento e a
compreensão do conteúdo adquiridos ajudam os alunos a solidificar o que
aprenderam e a pensar sobre como ele pode se aplicar em outros lugares além do
projeto. A reflexão sobre o desenvolvimento de habilidades de sucesso ajuda os
alunos a internalizar o que as habilidades significam e a estabelecer metas para um
maior crescimento. Reflexão sobre o próprio projeto - como foi projetado e
implementado - ajuda os alunos a decidir como eles podem abordar seu próximo
projeto e ajuda os professores a melhorar a qualidade de sua prática de PBL.

 Crítica e revisão: Momento em que o discente realiza e recebe críticas para melhoria
do projeto e produto.

O trabalho do estudante de alta qualidade é uma marca registrada do Gold Standard


PBL, e essa qualidade é alcançada através de críticas e revisões pontuais. Os alunos
devem ser ensinados a dar e receber comentários construtivos de pares que irão
melhorar os processos e produtos do projeto, guiados por rúbricas, modelos e
protocolos formados de feedback /crítica. Além de colegas e professores, pessoas
interessadas (stakeholders) e especialistas externos também podem contribuir para o
processo de crítica, trazendo um ponto de vista autêntico e real. Este
reconhecimento de senso comum sobre a importância de melhorar o trabalho dos
alunos e os produtos estudantis é apoiado por pesquisas sobre a importância da
"avaliação formativa", que não só significa que os professores dão feedback aos
alunos, mas os alunos avaliam os resultados de sua aprendizagem.

 Produto público: O discente apresentará para um público extraclasse o seu projeto.

Existem três razões principais para a criação de um produto público no Gold


Standard PBL - e note que um "produto" pode ser uma coisa tangível, ou pode ser uma
apresentação de uma solução para um problema ou resposta a uma pergunta de
condução. Primeiro, do mesmo modo que a autenticidade, um produto público
acrescenta muito ao poder motivador do PBL e incentiva o trabalho de alta qualidade.

Pense no que acontece frequentemente quando os alunos fazem apresentações aos


seus colegas de classe e ao professor. As apostas não são altas, eles geralmente
desanimam, não levam o trabalho a sério, e não se importam tanto com a qualidade de
seu trabalho. Mas quando os alunos têm que apresentar ou exibir seu trabalho para uma
audiência além da sala de aula, a barra de desempenho aumenta, já que ninguém quer
parecer ruim em público. Um certo grau de ansiedade pode ser um motivador saudável.
Mas muita ansiedade pode, naturalmente, prejudicar o desempenho - o truque é
encontrar o ponto correto de trabalho identificando os estudantes cuja ansiedade pode
ser fatal - por isso é importante que os alunos estejam bem preparados para tornar seu
trabalho público.

Em segundo lugar, ao criar um produto, os alunos fazem o que aprenderam tangível


e, portanto, quando compartilhado publicamente, é discutido. Em vez de ser apenas um
intercâmbio privado entre um aluno individual e professor, a dimensão social da
aprendizagem torna-se mais importante. Isso tem um impacto na cultura da sala de aula
e da faculdade, ajudando a criar uma "comunidade de aprendizado", onde estudantes e
professores discutem o que está sendo aprendido, como é aprendido, o que são
padrões aceitáveis de desempenho e como o desempenho do aluno pode ser
melhorado.

Finalmente, fazer o trabalho do aluno público é uma maneira eficaz de se comunicar


com os pais, membros da comunidade e o mundo em geral sobre o que é a Uniredentor
e o que ela faz para seus estudantes. Quando uma sala de aula, faculdade ou distrito se
abre ao escrutínio público, a mensagem é: "Aqui está o que nossos alunos podem
fazer - somos mais do que os resultados dos exames". Muitas IES que usam o PBL
reforçam essa mensagem, redirecionando o tradicional "portas abertas" em uma
exposição de trabalho de projeto, o que ajuda a criar compreensão e suporte às partes
interessadas. Quando o público vê o que os alunos de produtos de alta qualidade podem
criar, eles são muitas vezes surpreendidos - e ansiosos para ver mais.
CAPÍTULO 2 - Práticas de Ensino Baseadas em Projeto

Os professores que fazem do Project Based Learning uma parte regular de suas atividades
de ensino desfrutam de seu novo papel, embora, para alguns, possa levar tempo para se
ajustar partindo da prática tradicional. É divertido se tornar criativo ao desenhar um projeto,
em vez de usar materiais curriculares "de prateleira". A maioria dos professores gosta de
trabalhar de forma colaborativa com seus colegas ao planejar e implementar projetos e
interagir com outros da comunidade ou do mundo em geral. E os professores da PBL acham
gratificante trabalhar em estreita colaboração com os alunos, abordando um desafio do
mundo real ou explorando uma questão significativa.

Ao realizar a transição para PBL, um dos maiores obstáculos para muitos professores é a
necessidade de desistir de algum grau de controle sobre a sala de aula e confiar em seus
alunos. Mas, embora sejam mais frequentemente o "guia do lado" do que o "sábio no palco",
isso certamente não significa que os professores não "ensinem" em uma sala de aula PBL.
Muitas práticas tradicionais permanecem, mas são reformuladas no contexto de um projeto.

A Figura 2 apresenta o selo azul, cujos itens se aplicam aos professores.

Figura 2 Gold Standard – Selo Azul – Práticas de ensino

Cada item do selo azul será explicado a seguir.

Desenho e plano

Os professores criam ou adaptam um projeto para o seu contexto e para os seus


alunos, e planejam sua implementação do lançamento ao ponto culminante, permitindo algum
grau de voz e escolha do aluno. Em alguns casos, a própria IES possui uma demanda interna de
projetos para atender este ou aquele curso. Essa pode ser uma fonte de projetos!
Alinhar com padrões

Os professores usam padrões para planejar o projeto e garantir que ele atende aos
conhecimentos e entendimentos chave das áreas a serem incluídas. A ementa de uma
determinada disciplina é o que denominamos padrões neste item.

Construção de cultura

Os professores explicitamente e implicitamente promovem a independência e o


crescimento dos alunos, perguntas abertas, espírito de equipe e atenção à qualidade. Cada um
destes itens será impregnado no aluno participante. Por exemplo, um estudante que não tem
atenção à qualidade, durante o processo, se vê na necessidade de passar a prestar atenção na
qualidade, pois, do contrário, este não se enquadrará nos processos de avaliação e correrá o
risco de ser reprovado. (Detalhes destes processos de avaliação serão vistos no capítulo 4).

Gerenciar Atividades

Os professores trabalham com alunos para organizar tarefas e horários, definir pontos
de verificação e prazos, encontrar e usar recursos, criar produtos e torná-los públicos. O
gerenciamento aqui é de fundamental importância e o professor é quem vai gerenciar ao
mesmo tempo em que ensina práticas de gerenciamento para as equipes.

Aprendizagem por estudantes andaimes

Os professores empregam uma variedade de lições, ferramentas e estratégias de


instrução para apoiar todos os alunos a atingir os objetivos do projeto. Alguns estudantes que
se destacam, ou por sua experiência prévia, ou por sua facilidade de assimilação de conteúdos,
são utilizados como “andaimes” dentro das equipes atuando como disseminadores de
conhecimento. Cabe ao professor identificar estes estudantes e direcioná-los ao suporte dos
outros.

Avaliar a aprendizagem do aluno

Os professores usam avaliações formativas e somativas de conhecimento,


compreensão e habilidades de sucesso, e incluem a avaliação pessoal e por pares de trabalhos
individuais e em equipe.

Neste contexto, é pertinente verificar a diferença entre as avaliações formativa e


somativa.

Avaliação Somativa

É uma modalidade avaliativa pontual que ocorre ao fim de um processo educacional


(ano, semestre, bimestre, ciclo, curso etc.). Atém-se à determinação do grau de domínio de
alguns objetivos pré-estabelecidos propondo-se a realizar um balanço somatório de uma ou
várias seqüências de um trabalho de formação. É também chamada de avaliação das
aprendizagens e permite classificar os estudantes.

Avaliação Formativa
É uma modalidade avaliativa contínua que ocorre ao longo de um processo
educacional (ano, semestre, bimestre, ciclo, curso etc.). Atém-se à determinação do grau de
domínio de alguns objetivos pré-estabelecidos propondo-se a realizar uma verificação sobre os
rumos de um trabalho de formação. Esta modalidade, além de avaliar o estudante, pode
também servir como auto-avaliação para que o professor entenda se sua metodologia está
sendo bem aplicada ou se precisa de correções. Esta forma de avaliar não permite classificar os
estudantes!

No capítulo quatro será discutida a avaliação com maior profundidade.

Engajar e instruir

Os professores se envolvem em aprender e criar ao lado dos alunos e identificar quando


precisam de construção de habilidades, redirecionamento, incentivo e celebração. Este item
do selo azul é originalmente chamado de Engage and Coach, e traduz a importância do
professor no processo.
CAPÍTULO 3 - Porque o PBL?

Diferente do ensino tradicional, o PBL permite aos discentes a compreensão mais


profunda do conteúdo ministrado pelo docente e com isso se sentem mais seguros ao colocar
em prática o conhecimento adquirido.

A segurança sentida ao compreender o conteúdo também permite propor soluções


para as situações diversas, tornarem-se sujeitos autônomos, responsáveis, desenvolverem o
potencial para resolução de problemas, aprenderem a trabalhar em equipe, transmitir suas
idéias e a capacidade de gerir de forma eficaz.

Considerando os resultados de pesquisas relacionadas ao aprendizado, a pirâmide de


William Glasser (Figura 3) apresenta a relação do percentual de aprendizagem em função dos
processos de aprendizagem. A metodologia PBL permite tirar o máximo proveito dos
processos de ensino-aprendizagem porque um projeto exige resumos, explicações,
estruturação, definições, generalizações e comunicação efetiva que vão de encontro a 80% ou
mais de absorção de conhecimento.

Figura 3 Pirâmide de William Glasser

Acredita-se que o PBL melhora a capacidade de absorção do conhecimento. Após a


construção de um projeto, o discente, além de compreender o conteúdo detalhadamente, ele
o retém. Portanto, alunos que adquirem conhecimento através do PBL, possuem mais
facilidade quando necessitam aplicar e desenvolver seu conhecimento.

Os discentes estão cada vez mais sintonizados com a tecnologia, sendo assim o PBL
permite a utilização de várias ferramentas tecnológicas que auxiliaram docentes e discentes
encontrarem recursos, informações, criar produtos, além de viabilizar o contato com
especialistas, parceiros e públicos de todo o mundo.

O PBL, quando bem utilizado, torna o ensino mais agradável e gratificante. O mesmo
permite que o docente faça do discente um sujeito ativo e envolvido em trabalhos relevantes,
além de, também, aprender e aprimorar seus conhecimentos.

Sendo assim, o PBL permite que o discente seja sujeito ativo no processo ensino-
aprendizagem!
CAPÍTULO 4 - Como utilizar o PBL

A utilização desta metodologia requer a quebra de paradigmas e muita dedicação por


parte dos professores. O primeiro passo (FASE 1) para sua implementação está no estudo do
selo azul. Como se trata de um estudo, temos aqui um processo onde o professor é o aprendiz
e como tal precisa ser avaliado. Propõe-se uma metodologia de avaliação formativa para esta
fase, por permitir que o professor seja avaliado continuamente ao longo de sua carreira no
que se refere ao estudo e aplicação dos conceitos do selo azul.

A avaliação formativa recomendada para esta fase é a avaliação por rubricas.

Nesta forma de avaliação, monta-se uma tabela cujas linhas serão os itens do selo azul.
Nas colunas, estarão níveis organizados do mais baixo para o mais alto padrão de qualidade.
Cada célula deve conter uma descrição clara do que o professor deve ter/ fazer para que se
enquadre no nível correspondente a esta célula. O professor constantemente deve analisar
sua tabela e buscar aprimorar-se para se enquadrar nos níveis mais altos.

Exemplo de Rubrica de avaliação apenas com 3 de 7 itens do selo azul:


Item do Novato Intermediário Experiente Expert
selo azul (Nível 1) (Nível 2) (Nível 3) (Nível 4)
O Projeto inclui algum O projeto inclui todos os O projeto inclui todos os O projeto inclui todos os
elemento essencial de Elementos essenciais de Elementos essenciais de Elementos essenciais de
desenho, mas não no mais design de projetos, mas design de projetos, mas design de projetos, no
alto nível da rubrica de alguns não estão no mais alto alguns não estão no mais mais alto nível da Rubrica
projetos. nível da Rubrica de Design de alto nível da Rubrica de de Design de Projeto.
Projeto. Design de Projeto.
Planos para avaliação de Plano para avaliação dos
Desenho e estudantes faltam detalhes; Plano para avaliação dos Plano para avaliação dos
estudantes está claro.
plano estudantes está claro. estudantes está claro.
Calendário de projetos
precisa de mais detalhes ou Calendário de projetos Calendário de projetos Calendário de projetos
não é seguido. precisa de mais detalhes ou Está bem delineado e é Está bem delineado e é
não é seguido. seguido. seguido.
Alguns recursos para o
projeto não foram A maioria dos recursos para o A maioria dos recursos para A maioria dos recursos
antecipados ou arranjado projeto foi o projeto foi para o projeto foi
com antecedência. antecipada e organizada. antecipada e organizada. antecipada e organizada.

Os critérios para alguns Os critérios para produtos


Os critérios para produtos são claramente e
Critérios para produtos são produtos não são
são claramente e especificamente
fornecidos, mas não são especificados com clareza
especificamente derivados derivados de padrões e
especificamente derivados suficiente para fornecer
de padrões e permitem permitem demonstração
Alinhar de padrões. evidências de que os alunos
demonstração de domínio. de domínio.
cumpriram todos os padrões
com
Crítica e protocolos de direcionados.
padrões Crítica e protocolos de
revisão, avaliações e Crítica e protocolos de
revisão, avaliações e
rubricas não se referem ou Crítica e protocolos de revisão, avaliações e
rubricas nem sempre se
apoiam alunos na revisão, avaliações e rubricas rubricas sempre se
referem ou apoiam alunos
realização de padrões nem sempre se referem ou referem ou apoiam
na realização de padrões
específicos. apoiam alunos na realização alunos na realização de
específicos.
de padrões específicos. padrões específicos.
Normas são criadas para
Normas são criadas para As normas para orientar a As normas para orientar a
orientar o trabalho do
orientar o trabalho do sala de aula são co-criadas sala de aula são co-
Construção projeto, mas ainda
projeto, mas ainda parecem com estudantes, e os criadas e auto-
de cultura parecem como "regras"
como "regras" impostas e alunos estão começando a monitoradas pelos
impostas e monitoradas
monitoradas pelo professor. internalizar essas normas. próprios estudantes.
pelo professor.
Analisando o exemplo da Rubrica anterior, é possível perceber que para cada item do selo, o
professor pode, ao longo do tempo, melhorando seus processos e tornando-se um expert
nesta metodologia. A prática levará à perfeição! O segredo é buscar melhoria contínua.

Outra coisa que chama atenção, é que nas células de Nível 1, 2, 3 e 4 do primeiro item,
é citada uma Rubrica de Design de Projeto. Esta Rubrica é exatamente a FASE 2 da
implementação do PBL por parte do professor!

Para montar a Rubrica de Design de Projeto, o professor precisa estudar o selo


vermelho. Novamente, esta forma de avaliação se mostra eficaz por delinear de maneira clara
o que se deve fazer para atingir excelência na prática daquele selo.

De posse da Rubrica de Design de Projeto, o professor, sempre que pensar num


projeto para aplicar em sala, deve enquadrar o projeto em um nível e verificar se é possível
melhorar o projeto para que este seja desenhado no nível máximo de cada item do selo
vermelho.

A FASE 3 consiste na aplicação do projeto na sala de aula. Nesta fase o professor deve,
em conjunto com os estudantes (em alguns casos), elaborar uma Rubrica de avaliação
específica para o projeto que será desenvolvido. A montagem desta Rubrica deve seguir os
moldes já apresentados. Recomenda-se que o número de níveis seja sempre par (Ou o
estudante pode se sentir confortável ficando no nível do meio!). Os itens para esta Rubrica são
específicos e fica a critério de cada professor sua seleção, todavia, como guia, recomenda-se
que as 4 habilidades de sucesso (Ver capítulo 1) não faltem entre os itens. Entre os itens pode-
se ainda adicionar critérios como: habilidade de comunicação, uso da tecnologia para
comunicação, uso da tecnologia na gestão, uso de softwares para solução de problemas
técnicos, busca de recursos financeiros, uso de recursos reciclados e etc.

Repare que os itens que vão constar na Rubrica do projeto dependem muito da
natureza do projeto e no que se espera do estudante.

A avaliação dos estudantes

Este talvez, seja o ponto mais polêmico desta metodologia, uma vez que o método de
avaliação por Rubricas, por se tratar de uma avaliação formativa, vai de impacto ao método de
avaliação tradicional (Avaliação somativa).

Em qualquer caso, os extremos não são a melhor opção. A avaliação somativa não
deve ser deixada de lado. Ao longo do processo, se o professor achar necessário, pode sim
aplicar uma avaliação somativa (Provas, testes, trabalhos, questionários, estudos de caso e
etc.) Além disso, é através deste método tradicional que a própria IES é avaliada (Temos aí o
ENADE como exemplo).

O que vem na proposta de avaliação por rubricas é a possibilidade de clareza nos


critérios de avaliação, oportunidade do estudante mudar seu rumo ao longo do processo (pois
os feedbacks mostram se ele está no caminho da reprovação), e ainda, o estudante, de posse
da rubrica que rege o projeto pode fazer uma auto-avaliação! É aí que surpresas desagradáveis
e traumatizantes, tais como, logar no sistema da faculdade e se deparar com aquela nota
baixa, desaparecem. Para que o processo de avaliação seja interessante, o professor deve
realizar inspeções das rubricas com cada equipe ao longo do período letivo e nestes encontros,
trabalhar de maneira que cada estudante perceba se está ou não nos níveis adequados para
obter a aprovação na disciplina.

Além dos encontros com as equipes, encontros individuais devem ser realizados. O
estudante deve comparecer com sua Rubrica assinalada em cada item de acordo com o nível
em que se enquadra e apresentar este documento ao professor. Se o professor, com base em
todo o acompanhamento do projeto, discordar do estudante em algum item, deve solicitar ao
estudante a apresentação de evidências que sustentem que o estudante realmente deve ser
enquadrado naquele nível. A apresentação destas evidências deve ser informada aos
estudantes desde o início da disciplina para que o estudante não seja surpreendido sem
evidência nenhuma de seu desempenho. Recomenda-se uma nota de roda-pé na Rubrica
específica do projeto.

Nesta metodologia de avaliação, aquele estudante que por qualquer motivo não se
enquadrar nos níveis aceitáveis para a aprovação, pode ainda participar de avaliações
somativas que novamente, terão como alvo os requisitos do ementário e trabalhados ao longo
do projeto.
CAPÍTULO 5 - Conclusões

Ao estudar esta cartilha o professor pôde conhecer a metodologia de aprendizagem


baseada em projetos, entender o porquê de sua utilização e os métodos de avaliação
recomendados.

Em resumo pode-se entender que:

1) o selo azul rege as auto-avaliações dos professores no que se refere ao seu


conhecimento e aplicação das práticas da PBL;
2) o selo vermelho rege as auto-avaliações dos professores no que se refere ao desenho
dos projetos a serem aplicados;
3) as auto-avaliações dos estudantes (acompanhadas pelo professor por meio de
evidências e/ou simples observação) são regidas por itens escolhidos pelo professor
para cada projeto, dentre os quais não deve faltar as 4 habilidades de sucesso. (Estes
itens constituem um selo customizado pelo professor!)

O professor, ao estudar esta cartilha teve também o contato com o método de


avaliação por rubricas que possui algumas vantagens sobre os métodos de avaliação
tradicionais. É preciso um diálogo entre diretores, coordenadores, professores e demais
agentes envolvidos na atividade docente no que concerne ao conflito entre as
metodologias tradicionais e ativas. Esta discussão é importante para entender até que
ponto podemos, dado o cenário avaliativo/recrutador de nosso país, avançar com a
metodologia ativa em detrimento de métodos tradicionais. O que se sabe com certeza, é
que o método atual tradicional por meio de suas provas e exames prepara o estudante
para reter o conteúdo apenas até o momento do teste. Ao realizar a prova, o
conhecimento volátil do estudante desaparece rapidamente (Percebemos isso quando um
estudante é exigido em um conteúdo de um semestre anterior e não se lembra de
nada....).

Uma instituição de ensino possui o papel de formar seus egressos, porém, mais que
apenas a aprovação em exames, o egresso deve ter conhecimento aprofundado para que
seja capaz de aplicar e ser um profissional bem sucedido. O sucesso de seus egressos,
certamente, moldará o sucesso de uma IES.

“Nós não aprendemos com experiências. Aprendemos com as reflexões que fazemos
em relação as experiências que vivemos.” John Dewey